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Instituto Superior de Ciências e Educação à Distância


Curso de Ciências Políticas e Relações Internacionais
CENTRO DE RECURSO NAMPULA

Tema: Migrações Internacionais e seus efeitos na cidade de Nampula (2014-2017)

Discente:
Taznim Abdul Sacur Karim Issak
N° - 81150076

Nampula, 2018
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Instituto Superior de Ciências e Educação à Distância


Curso de Ciências Políticas e Relações Internacionais
CENTRO DE RECURSO NAMPULA

Migrações Internacionais e seus efeitos na cidade de Nampula (2014-2017)

Monografia apresentada ao Instituto Superior de


Ciências e Educação à Distância – Centro de
recurso Nampula, para obtenção do grau de
Licenciatura em Ciências Politicas e Relações
Internacionais.
Supervisor: Prof. Doutor Arcénio
Francisco Cuco
3

iii

Nampula, 2018

Índice

DECLARAÇÃO ................................................................................................................. 5
DEDICATÓRIA ................................................................................................................. 7
AGRADECIMENTOS ....................................................................................................... 8
LISTA DE SIGLAS ........................................................................................................... 9
Resumo…. ........................................................................................................................ 10
CAPITULO I: INTRODUÇÃO........................................................................................ 11
1.1. Introdução ........................................................... Error! Bookmark not defined.
1.1. Objectivo De Estudo ........................................................................................... 12
1.1.1. Objectivo Geral................................................................................................... 12
1.1.2. Objectivo Específico........................................................................................... 12
1.2. Justificativa ......................................................................................................... 12
1.3. Problematização.................................................................................................. 13
1.4. Hipótese .............................................................................................................. 13
1.5. Delimitação Da Pesquisa .................................................................................... 14
CAPITULO II – REVISÃO DA LITERATURA ............................................................ 15
2.1. Definição De Conceitos ...................................................................................... 15
2.1.1. Migrações: Emigração E Imigração ................................................................... 15
2.1.2. Imigração Ilegal .................................................................................................. 16
2.2. Teorias Sobre As Migrações............................................................................... 17
2.2.1. Teorias Económicas (Neoclássicas) ................................................................... 19
2.2.2. Teoria Do Push-Pull ........................................................................................... 19
2.2.3. Teoria Do Capital Humano................................................................................. 22
2.2.4. Teorias Sociológicas: Abordagem Histórico-Estrutural ..................................... 25
2.2.5. Teoria Do Mercado De Trabalho Dual ............................................................... 26
2.2.6. Teorias Do Sistema Mundo E Selectividade Dos Imigrantes............................. 28
2.2.7. Teorias Institucionais E Sistemas Migratórios ................................................... 32
2.3. Migrações Internacionais O Caso De Mocambique ........................................... 34
2.3.1. Da História À Estatística .................................................................................... 35
2.3.2. As Migrações Internas ........................................................................................ 36
2.3.3. Migrações Internacionais .................................................................................... 40
CAPÍTULO III - DESENHO METODOLÓGICO .......................................................... 41
3.3. Metodologia ............................................................................................................... 41
4

3.1.1. Tipos De Pesquisa .............................................................................................. 41


iv
3.1.2. Quanto A Abordagem ......................................................................................... 41
3.1.3. Quanto Aos Objectivos ....................................................................................... 41
3.1.4. Quanto Aos Procedimentos Técnicos ................................................................. 42
3.1.5. Observação ......................................................................................................... 42
3.1.6. Questionário ....................................................................................................... 43
3.2. Universo E Amostra ........................................................................................... 43
3.2.1. Universo ............................................................................................................. 43
3.2.2. Amostra .............................................................................................................. 43
CAPÍTULO IV: APRESENTAÇÃO, ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DE DADOS .. 45
3.1. Resultados Referentes Aos Dados Colhidos Nos Serviços Provinciais De
Migração De Nampula...................................................................................................... 45
3.1.1. Resultados Referentes Aos Dados Colhidos No Acnur De Nampula. ............... 48
3.1.2. Resultados Referentes Aos Dados Colhidos Dos Vários Imigrantes Residentes
Em Nampula. .................................................................................................................... 50
3.2. Verificação E Aprovação De Hipóteses ............................................................. 55
CAPITULO V: CONSIDERAÇÕES FINAIS ................................................................. 56
Conclusão ......................................................................................................................... 56
Sugestões .......................................................................................................................... 58
Bibliografia ....................................................................................................................... 59
Apêndice………………………………………………………………………………...62
5v

Lista de tabelas
Quadro 1: Factores Push E Pull ........................................................................................ 21
Quadro 2: Custos E Benefícios/Retornos ......................................................................... 24
Quadro 3: Mercado De Trabalho Dual/Segmentado ........................................................ 28
Quadro 4: Relação Centro, Semiperiferia E Periferia ...................................................... 30
Quadro 5: Papel Das Instituições Na Promoção Das Migrações ...................................... 33
Quadro 6: Volume De Migração Interna Acumulada Nampula (2007) ........................... 39
Quadro 7 : Amostra Ilustrativa Da Pesquisa .................................................................... 44
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6

DECLARAÇÃO DE HONRA
Declaro que esta monografia é o resultado da minha investigação pessoal e das orientações do
meu supervisor, o seu conteúdo é original e todas as fontes consultadas estão devidamente
mencionadas nas notas e na bibliografia final. Declaro ainda que ainda este trabalho nãos foi
apresentado em nenhuma outra instituição para obtenção de qualquer grau académico

O candidato

Nampula, aos ___ de ____________________de 2018

____________________________________________________
(Taznim Abdul Sacur Karim Issak)

O orientador

Nampula, aos ___ de ____________________de 2018

____________________________________________________
(Prof. Doutor Arcénio Francisco Cuco)
vii
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DEDICATÓRIA

___________________________________________________________________________
Dedico este trabalho a todos os que
sempre me ampararam todos que
prosperam por mim, em especial aos
meus pais.
viii
8

AGRADECIMENTOS

Para a realização da presente pesquisa foi necessário muito empenho, horas de dedicação,
paciência e acima de tudo muito esforço para ultrapassar as dificuldades e obstáculos
presentes ao longo dos quatro anos de investimento académico e pessoal, a vontade de
aprender e enriquecer a minha carreira profissional fez com que eu pudesse alcançar os
objectivos por mim traçados ao longo desta jornada.

Durante o caminho percorrido é importante reconhecer o valor das pessoas que me


acompanharam e me apoiaram e que sempre estiveram do meu lado contribuindo com a
participação mais directa e decisiva nesta caminhada. Porém é importante reconhecer o valor
das pessoas que sempre estiveram do meu lado, o auxílio, o conhecimento partilhado, o apoio
nas horas de dificuldade que tornaram possível a realização deste sonho. Contudo gostaria de
expressar a minha imensa gratidão:

Em primeiro lugar a Deus por me ter dado saúde, e ao meu pai que sempre me incentivou a
estudar e a não desistir, por mais difícil que fosse o caminho deveria seguir com garra e
determinação, pois o estudo e a chave da oportunidade.

A minha mãe Jaleca Juma e meu amável irmão Mohammad Issak, pelo incentivo que me
deram nas horas difíceis de desânimo e cansaço, pelo apoio incondicional para eu poder
atingir o nível de estudo que eles sempre desejaram e que nunca tive a oportunidade, por
todos ensinamentos que me transmitiram e pela simples presença deles na minha vida.

Ao meu supervisor Professor Doutor Arcénio Cuco, pela orientação, paciência, dedicação,
disponibilidade e pelo auxílio teórico, por tanto que se dedicou a mim, não só por me terem
ensinado mas por me ter feito aprender. O seu incentivo foi sem dúvidas muito importante
para a realização do projecto.

Meus sinceros agradecimentos a instituição, docentes, colegas, amigos e companheiros de


trabalho pelo ambiente criativo, e amigável que me proporcionaram.

A todos que directas ou indirectamente fizeram parte da minha formação e que vão continuar
presentes em minha vida, o meu muito obrigado.
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LISTA DE SIGLAS

SAMP – Projecto de Migração Sul-africana

RGPH – Recenseamento Geral da População e Habitação

MPF – Ministério do Plano e Finanças

ACNUR – Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados

SPMN – Serviços Provinciais de Migração Nampula


x
10

Resumo

O presente trabalho busca contribuir para mostrar que Migrações Internacionais e seus efeitos na
cidade de Nampula. Portanto, os estudos sobre migrações indicam que as redes transnacionais entre
países de emigrantes e imigrantes constituíam fluxos de migrações há séculos e que a migração em
cadeia e a reunião familiar como indutoras dos processos migratórios ainda estão presentes hoje. As
migrações passaram a ser consideradas uma peça chave para compreender a formação de sociedades,
das identidades culturais e do desenvolvimento. As teorias migratórias existentes assim como a
construção de novas teorias, não conseguem apreender todos os elementos que compõem a migração.
A migração na cidade de Nampula tem crescido cada vez mais, e tem tido efeitos tanto positivos assim
como negativos é nessa perspectiva que definiu-se a seguinte pergunta de partida: Por que é que a
Cidade de Nampula é um espaço privilegiado dos imigrantes? Qual tem sido os efeitos dessas
migrações para a cidade? O trabalho tem como objectivo geral: Compreender os efeitos das
migrações internacionais na cidade de Nampula. E foram apontados como objectivos específicos:
Descrever as formas de migração e suas teorias segundo as abordagens de vários autores; Identificar
os factores que levam os migrantes a escolher a cidade de Nampula como um ponto privilegiado e
Analisar os efeitos da migração internacional na cidade de Nampula. A chegada de estrangeiros a
Nampula pressupõe a sua integração na nova sociedade de acolhimento. E esta faz-se num contexto
complexo de transição, com o abandono do modus vivendi anterior, da sua terra de origem para uma
nova realidade, na qual, à partida, se devem acomodar, pois o processo migratório traz consigo
transformações multivariadas, socioculturais, económicas, psicológicas e políticas.

Palavra-chave: Cidade de Nampula, migrações internacionais, Teorias migratórias


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CAPITULO I: INTRODUÇÃO

O trabalho em alusão subordina-se ao tema: Migrações Internacionais e seus efeitos na


Cidade de Nampula no ano (2014 - 2017).

Segundo Patarra (2005), os movimentos migratórios internacionais reassumem, a partir dos


anos 80, crescente importância no cenário mundial. De acordo com esta autora, este cenário, a
par das grandes transformações econômicas, sociais, políticas, culturais e ideológicas em
curso, tem-se caracterizado por desigualdades regionais acentuadas e pela manifestação
crescente de conflitos localizados, mas também pelas tentativas de constituição de mercados
integrados.

Alguns compromissos assumidos pelos governos, têm evidenciado necessidade de um


tratamento específico, uma vez que, qualquer acção ou planejamento referente a questão dos
movimentos populacionais internacionais dependem de acordos bi ou multilaterais entre esses
Estados.

Patarra (2005, p.23), destaca que, em todas as conferências recentes há uma preocupação
grande dos países em movimentos populacionais internacionais contemporâneos, “na tensão
entre os condicionantes de um mundo competitivo e internacionalizado com tecnologias
poupadoras de mão-de-obra, de um lado, e o avanço das conquistas de direitos humanos, em
suas várias dimensões, de outro lado”. Os documentos de consenso que são produzidos nessas
conferências, não disfarçam as contrariedades entre os países expulsores (tendencialmente
pobres) e os países receptores (tendencialmente ricos) de contingentes populacionais
expressivos, tratando de formas nitidamente distintas a questão dos migrantes documentados,
dos migrantes clandestinos e dos refugiados políticos, sem menosprezar o montante de
remessas de divisas aos países de origem.

As migrações internacionais, como foi mencionado, constituem, hoje, parte intrínseca e


fundamental para o entendimento das relações entre população e desenvolvimento, a
internacionalização da economia, sob a égide do capital financeiro e dos fluxos internacionais
de dinheiro e mercadorias, não podem prescindir, embora sempre de maneira conflituante, da
livre circulação de pessoas. É neste âmbito de migrações que é produzida esta monografia,
cujo objectivo é entender como este fenómeno se processa dentro da cidade de Nampula,
considerando que, actualmente, esta cidade se tornou um lugar privilegiado para imigrantes.
12

1.1. Objectivo de estudo

Para se levar a cabo uma pesquisa científica, torna-se necessário que a pesquisa deixar bem
claro os objectivos. Isto é, que se esclareça o que se pretende fazer com a pesquisa. Os
objectivos devem estar coerentes com a justificava e o problema proposto. Sendo assim, a
seguir tenta-se trazer os principais elementos que podem ajudar a deixar claro o que se
pretende com esta pesquisa.

1.1.1. Objectivo geral


 Compreender os efeitos das migrações internacionais na cidade de Nampula.

1.1.2. Objectivo específico


 Descrever as formas de migração e suas teorias segundo as abordagens de vários
autores.
 Identificar os factores que levam os migrantes a escolher a cidade de Nampula como
um ponto privilegiado.
 Analisar os efeitos da migração internacional na cidade de Nampula.

1.2. Justificativa

A escolha do tema resulta do facto de ter-se observado que na cidade de Nampula está a
crescer o número de imigrantes provenientes de outras regiões da África, Ásia e Europa.
Neste sentido, procurar-se entender as razões que levam a Cidade Nampula ser um ponto
privilegiado para os imigrantes. Nota-se, inclusive, uma tendência de que quase todos os
estabelecimentos comerciais serem ocupados por estrangeiro, o que mostra a importância de
se desenvolver esta pesquisa.

A par desta situação está a constante relação que se estabelece entre os imigrantes e os
problemas que surgem no local de chegada, dentre os quais o roubo de emprego e ocupação
de espaços das populações para além de se associar as migrações com o terrorismo. Como
Moçambique e Nampula, em particular, não está alheia a esta situação, esta pesquisa se
mostra relevante.

Em suma e visto que com as migrações internacionais no século XXI adquirem, cada vez
mais, papel importante no quotidiano social, nos mercados de trabalho, nas sociedades de
chegada e de partida, nos fluxos financeiros, na mobilidade da força de trabalho e na vida de
13

populações imigrantes. É parte integrante do desenvolvimento e é reflectido na divisão


internacional do trabalho. A diversidade de situações migratórias locais, regionais,
Internacionais recodifica a complexidade do fenómeno, não sendo possível nos pautarmos
apenas no dinamismo económico em escala nacional e nos factores.

Segundo Rosana Baeninger, os movimentos migratórios internacionais reforçam a tendência


de configuração de espaços da migração, com a necessidade de diferentes olhares para as
escalas e arranjos transnacionais aonde esses fluxos se processam, seus sentidos e
repercussões dentro e fora das fronteiras territoriais: “ou seja, é preciso além de identificar as
modalidades migratórias ou os “novos” rumos da migração internacional - buscar incluir as
dimensões espaciais em que o fenómeno migratório opera em suas diferentes escalas
territoriais do nacional ao internacional, do local ao global (Baeninger, s/d)”. Moçambique,
também não foge a esta regra. Vê-se em Nampula esta tendência de nova configuração de
espaços por causa dos movimentos migratórios. Geralmente, o comércio era ocupado por
pessoas de origem indiana, mas hoje, há uma tendência de serem substituídos por burundeses,
somalianos, nigerianos, portugueses, chineses, libaneses, dentre outros imigrantes de várias
regiões do mundo. Isto justifica a importância deste estudo.

1.3. Problematização

 Por que é que a Cidade de Nampula é um espaço privilegiado dos imigrantes? Qual
tem sido os efeitos dessas migrações para a cidade?

1.4. Hipótese

Em conformidade com os problemas e pensamento do autor acima citado, a autora da


pesquisa define as seguintes hipóteses:

 Uma parte da população que vem a cidade de Nampula, vem com o objectivo de
realizar um sonho de consumo, buscando adquirir melhores condições de vida,
impactando de forma positiva ou negativa a vida socioeconómica, cultural e política
da cidade.
 As condições sociais e económicas possivelmente atraem a outros povos, o que,
possibilita o elevado número de emigrantes na Cidade de Nampula.
14

1.5. Delimitação da pesquisa

A pesquisa foi desenvolvida na Cidade Nampula no período de 2014 a 2017.


15

CAPITULO II – REVISÃO DA LITERATURA

Neste presente capítulo faz-se a apresentação dos conceitos e teorias em torno da migração.
Está aqui patente ideias de vários autores em torno da migração a nível mundial e não só, a
nível nacional foco do nosso estudo.

2.1. Definição de conceitos

As migrações são fenómenos históricos que remotam a milhares de anos. Sem elas o mundo
não se apresentaria com a plataforma social actual. São um fenómeno histórico ancestral.

A História ensina-nos que a África é o berço da Humanidade. Foi a partir daqui que o homem
se espalhou pelos diferentes cantos do globo. As migrações estiveram ligadas a crises
económicas, disputas de terras, procura de melhores condições de vida, calamidades naturais,
crises políticas, motivações religiosas.

2.1.1. Migrações: emigração e imigração

Etimologicamente a palavra “migrare” é de origem latina e formou-se a partir da palavra


migrar, que significa passar de um lugar para outro, mudar de residência. Este termo tem sido
usado para descrever uma série de movimentos populacionais em várias direcções, com
duração, magnitude e longitude variáveis, ou descrevendo uma única direcção desta
mobilidade (Matos, 1993:2).

As pessoas não estão presas aos espaços territoriais da sua origem. Desde tempos imemoriais
movimentaram-se: saem e entram em diferentes espaços geográficos. Esta mobilidade tem
sido objecto de estudo na área das Ciências Sociais, Geografia, Economia, Sociologia e
Política. Com o processo da globalização a partir da segunda metade do século XX atingiram
o seu ponto mais destacado.

De acordo com Cabral e Vieira (s/d) o tema das migrações “deixou de ser unicamente
associado a populações desfavorecidas social, cultural e economicamente, frequentemente
encaradas unilateralmente como relevando de um âmbito assistencial e de um consequente
encargo para as sociedades receptoras, passando actualmente a usufruir de um estatuto de
fonte de conhecimento científico multidisciplinar.”
16

Pires (2003:58) procura trazer várias definições, considerando contextos espaciais e sociais e
baseando-se em alguns autores, nomeadamente Lee (1969:285), que define migrações sob
ponto de vista de mobilidade espacial;

Mangalam (1968:13-15), que os considera como movimentos entre sistemas de interacção e


Einsenstadt (1953:1) como “transição, física, de um indivíduo ou grupo, de uma sociedade
para outra. Essa transição envolve habitualmente o abandono de um quadro social – social
setting-e a entrada num outro.”

O conceito que se atribui às migrações passa necessariamente por ter em conta a inclusão de
dois fenómenos que se podem considerar duas faces da mesma moeda: emigração e
imigração. Rocha-Trindade (1990:467), considerada uma das vozes portuguesas autorizadas
nesta área, destaca que:
“o conceito de migração veio posteriormente a especializar-se com a fixação de
fronteiras dos Estados e delimitação das soberanias nacionais: para cada lugar de onde
se observava o fenómeno, era emigrante aquele que saía para lá das suas fronteiras e
imigrante aquele que, do exterior, nelas penetrava.”

Emigrações referem-se a saída de pessoas duma localidade, distrito, província ou país,


enquanto imigrações é um fenómeno inverso.

2.1.2. Imigração ilegal

Sousa (2006:27) sugere que imigrar seria o resultado do estabelecimento de fronteiras e dos
limites entre territórios, que conferem distinção entre origem e destino, assim como imigrante
seria o estrangeiro que vindo de fora pretende estabelecer-se num país que não é seu,
motivado por algum ideal.

Assim, o conceito de imigração ilegal só tem sentido quando se estabelecem fronteiras entre
estados e que se considere que estas fronteiras representam a protecção das soberanias das
nações e, por essa razão, devem ser invioláveis.

A imigração ilegal acontece quando se atravessam fronteiras, violando as leis de imigração do


país de destino e de origem. Um imigrante ilegal é um cidadão que atravessou uma fronteira
estrangeira por terra, mar ou ar. Mesmo aqueles estrangeiros que entraram legalmente num
país, quando permanecem no país depois de vencer o prazo são considerados imigrantes
ilegais.
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Segundo o Relatório da Comissão Mundial sobre as Migrações Internacionais - As


migrações num mundo interligado: novas linhas de acção” (2005:31), existem várias
categorias de imigrantes ilegais:
“o termo ` imigração irregular ´ é normalmente utilizado para descrever uma série de
fenómenos diferentes que envolvem pessoas que entram ou ficam num país do qual
não são cidadãos, infligindo assim as leis nacionais. Incluem-se aqui os migrantes que
entram ou ficam num país sem autorização, aqueles que entram clandestinamente ou
são traficados através de uma fronteira internacional, os requerentes de asilo
indeferidos que não obedecem às ordens de deportação e pessoas que fogem aos
controlos de imigração através de esquemas de `casamentos brancos.` Estas diferentes
formas de migração irregular aparecem frequentemente agrupadas sob a designação
alternativa de migração não autorizada, não documentada ou ilegal.”

A imigração ilegal tem sido uma das grandes preocupações dos países mais ricos que são
obrigados a controlar este tipo de imigração com leis rígidas e deportações sistemáticas.
Também são um problema para os próprios imigrantes que são obrigados a trabalhar sob
condições precárias, com rendimentos baixos e sem direito à protecção jurídica devido ao seu
estatuto social ilegal. São preocupação para os organismos de cariz filantrópico que batem
duro perante governos por achar que estes devem criar mecanismos para a sua integração na
sociedade de acolhimento e respeitá-los à luz dos Direitos Humanos.

E em mocambique essa regra não se faz excessao, sendo que as autoridades governanmentais
redobram esforços de moda a combater esse fenomeno de imigracao ilegal, e de igual modo
tem empreendido accoes de vigilancia redobrada nas fronteiras, e aos imigrantes em situacao
ilegal, são repatriados aos seus locais de origem sem ferir os seus direitos respeitando assim
os Direitos Humanos.

2.2. Teorias sobre as migrações

As migrações são hoje tidas sob múltiplas explicações e sob diferentes variáveis. Segundo
Francisco Wetimane citando Jansen (1969:60) apud Gonçalves (2007:30-31) afirma que as
migrações constituem um problema demográfico, económico, político e sociológico.

Durante muito tempo o estudo das migrações foi feito de maneira fragmentada. Cada ramo
das ciências procurou puxar para si a legitimidade explicativa dos fenómenos migratórios. Os
teóricos da economia tentavam explicar o fenómeno tendo como base as disparidades de
renda entre regiões; os cientistas sociais defendiam a tese segundo a qual as migrações
deviam ser vistas como fenómeno macro, onde o transnacionalismo e a teoria das redes
sociais ocupavam um lugar de destaque.
18

As migrações, como qualquer outro fenómeno social, não podem ser explicadas com recurso a
uma teoria isolada, mas sim como um fenómeno multidisciplinar e estrutural. Para sociológos
como Malthus, Marx, Durkheim e Weber a emigração era o resultado do desenvolvimento do
capitalismo, expresso através do processo da industrialização e urbanização. Este processo
tinha levado a que as comunidades rurais se deslocassem às grandes cidades à procura de
emprego, (Wetimane, 2012).
Segundo Francisco Wwyimane citando Malthus, Silva (2003:21), considerava a
migração como consequência da superprodução; Marx como resultado dos
movimentos de cercamento enclausures que forçaram os camponeses e pequenos
proprietários para a migração em países como a Escócia, Irlanda e França. Durkheim
considerava as migrações como resultado da decadência das comunidades tradicionais
baseadas na solidariedade mecânica e a emergência de laços baseados na solidariedade
orgânica. Weber achava que a emigração era um factor incidente que criava “novas
classes sociais e grupos de status étnicos”.

Um número cada vez maior de teóricos das migrações tem em Ravenstein o pioneiro dos
estudos sobre migrações. Foi ele o primeiro a estudar os movimentos migratórios na
Inglaterra e, depois, em 20 outros países. Este estudo é fundamentado por um quadro
conceptual constituído pela discussão de teorias que foram desenvolvidas para analisar as
migrações internacionais nas suas diferentes dimensões.

No mundo de hoje em que as nações, as culturas, os povos e as fronteiras estãose cada vez
mais abrindo, o estudo das migrações aparece como um dos temas aliciantes para os
académicos sociais . Daí que depois da Segunda Guerra Mundial surgiram muitos estudos a
analizar a movimentação das pessoas tanto dentro do seu território, como fora das suas
regiões de origem. (Witemane, 2012).
Estas movimentações foram categorizadas pelos estudiosos das migrações
internacionais de acordo com as motivações que obrigavam cidadãos a deixar os seus
países. Desta feita, surgiram muitas abordagens sobre as migrações como são as que
passamos a descrever. Esta multipolaridade de teorias tem como explicação a tese
segundo a qual os fenómenos sócio-económicos e as suas teorias explicativas nascem
de acordo com os contextos do seu tempo, são dinâmicos e flexíveis. As razões que no
século XIX ditavam a mobilidade das pessoas do campo para a cidade evoluiram.

Para Francisco Witemane citando Castiglioni (2009:39-41) aponta as migrações como um


fenómeno complexo, onde muitas das vezes as reflexões são diferentes, convergentes e
divergentes. Aponta como factores que contribuem para dificultar a apreensão e a explicação
os seguintes elementos:

 Variabilidade do conceito por causa dos objectivos do estudo e percepção do


fenómeno;
19

 Dificuldades de construir um quadro conceptual geral devido a heterogeneidade dos


modelos das migrações;
 Dificuldades de separar os modelos macros (factores estruturais) e micros (factores
individuais);
 Dificuldades de edificar uma teoria geral devido a multidisciplinaridade dos
fenómenos migratórios onde demógrafos, economistas, historiadores, sociólogos,
psicólogos e políticos têm interesses e campos diferentes de abordagens das
migrações;
 Apesar desta complexidade do fenómeno é possível estabelecer uma generalização
mínima a partir de certas “regularidades e repetições” do fenómeno. (Witemane,
2012).

2.2.1. Teorias económicas (neoclássicas)

As teorias microeconómicas neoclássicas baseiam-se no modelo racional e na relação


custo/benefício para explicar as motivaçõe dos migrantes. Segundo estas teorias, as pessoas
equacionam os custos e os benefícios na sua decisão de partir. Se os benefícios forem
superiores aos custos, então eles abandonam as suas terras de origem apoiados pela sua
racionalidade individual e quando as coisas sugerem o contrário, então não arriscam a deixar
as suas zonas de origem. Fazem parte desta categoria os modelos de push- pull e de capital
humano, que a seguir passamos a desenvolver. (Idem, 2012).

2.2.2. Teoria do push-pull

O modelo de push-pull ou atracção-repulsão encontra em Ravenstein o seu percursor. É


preciso ter em vista que Ravenstein viveu e elaborou a sua teoria na época da revolução
industrial. Durante esta época a tendência das migrações era do campo para as cidades em
rápido crescimento, devido a decadência das zonas rurais.

De acordo com Rocha-Trindade (1995:74) citado por Witemane (2012) Ravenstein elaborou
sete leis das migrações, nomeadamente:

1. Migrações e distância
 De acordo com esta lei a maioria dos migrantes tendem a realizar movimentos de
curta distância que se dirigem para os grandes centros industriais nas cidades;
20

 Os indivíduos optam assim porque grandes distâncias estariam associadas a custos


elevados.
2. Migrações por etapas
 As migrações por etapas devem-se aos custos. Os migrantes vindos das zonas
rurais dirigem-se para as cidades pequenas e mais próximas das zonas onde
residem antes de alcançar as grandes cidades.
3. Correntes e contracorrentes
 Os movimentos migratórios ascendentes têm como resposta os descendentes
chamados de retorno.
4. Propensão relativa das populações rurais e urbanas para a migração
 As populações que vivem nas zonas rurais tendem mais a migrar para as cidades
que as urbanas.
5. O sector feminino é mais preponderante às migrações de curta distância
 O sexo é determinante no processo migratório. As mulheres tendem a migrar para
regiões de curta distância, enquanto os homens para regiões longínquas.
6. Relação da tecnologia com as migrações
 Os transportes vieram facilitar os fluxos migratórios e aumentar os movimentos
migratórios.
7. Relevância dos motivos económicos
 Considerando a época em que estas leis foram elaboradas os motivos de procura de
emprego nas zonas urbanas eram determinantes para desencadear fluxos
migratórios.

A teoria do push-pull ou atracção/repulsão defende que os imigrantes, ao abandonar os seus


países para procurar outros, são atraídos por oportunidades económicas, sociais, políticas que
os seus países não podem oferecer. Esse acto é racional e individual.

Existem motivos, no local de partida, que empurram imigrantes para outras regiões e factores
que funcionam como atractivos dos imigrantes. Soares (2002:8) citado por Wetimane (2012)
sustenta que as teorias de atracção e repulsão reunem factores económicos e sociais que
forçam os indivíduos a sair do seu próprio país.

Peixoto (2004:15) afirma que:


“A existência de factores que levam a uma rejeição de origem factores de ordem
económica, social ou política e outros que promovem o apelo da região de destino é
determinante. Entre estes (como admitia Ravenstein e confirmam numerosos estudos
21

empíricos), os motivos materiais ocupam um lugar preponderante: condições actuais e


potenciais de emprego e níveis de rendimento.”

Segundo Francisco Wetimane citando Castiglioni (2009:44) apud Lee (1966) encontra a base
da decisão de migrar em factores pessoais que actuam em factores de natureza micro e os
factores estruturais que incluem estímulos económicos, políticos e sociais. Por isso, as regiões
de origem e destino possuem uma série de factores positivos, negativos e neutros que atraem,
expulsam e deixam os indivíduos indiferentes. Lee (1966) citado pelo mesmo autor encontra
quatro factores que contribuem nas decisões de imigrar, nomeadamente:
 Factores ligados às regiões de origem;
 Factores ligados às regiões de destino;
 Obstáculos que se interpõem entre os dois factores e
 Factores individuais.

Castiglioni (2009:45) apoia-se nas abordagens sobre os diferenciais de renda e oferta de


emprego de Todaro (1969) e Harris e Todaro (1970) para explicar a decisão de migrar.
Segundo a abordagem de Todaro os indivíduos decidem migrar em função das variantes:
diferencial rural-urbano de renda e a possibilidade de encontrar emprego nas zonas urbanas.
Os dois autores em referência chegam à conclusão de que as mudanças das populações das
zonas rurais para as urbanas continuarão a existir enquanto a “ renda real urbana for maior
que à “ produtividade agrícola real”. (Wetimane, 2012)

A confrontação da atracção e repulsão com os obstáculos que se levantam à qualquer decisão


de partir explicavam o fenómeno migratório. Para Lee, as razões que presidem as migrações
são factores aliados a “jusante”, obstáculos que se interpõem e “ factores pessoais”. Os
factores ligados a “montante” incluem os motivos económicos, infraestruturais sociais e
factores climáticos, os obstáculos podem ser a distância, os custos de mobilidade, a extensão
da família, a idade, as informações e os contactos à disposição (Vide Quadro 1). Estes influem
na decisão dos potenciais migrantes de forma individual.

Quadro 1: Factores push e pull

Factores push (emigração) Obstáculos Factores pull ( imigração)


 Poucas oportunidades  Distância  Melhores condições de vida,
 Falta de emprego  Barreiras físicas  Oportunidades de emprego
 Ameaças políticas  Transporte  Segurança
 Condições primitivas  Falta de informação  Educação
22

 Discriminação  Idade  Cuidados médicos


 Guerra e terrorismo  Estado civil  União familiar
 Desatres naturais  Ambiente saudável
 Falta de protecção  Melhores condições de
(courtship) protecção

Fonte: adaptado de Andrea Jubthana-Fernand (2009:186) citado por Wetimane (2012)

2.2.3. Teoria do capital humano

A teoria do capital humano enquadra-se ainda dentro das teorias microsociológicas assentes
em fundamentos económicos. Esta teoria surgiu a partir das áreas da educação, saúde e
migração na década 60 do século XX. Ela sustenta que a educação é um investimento
precioso para o desenvolvimento dos recursos humanos.

A teoria do capital humano foi desenvolvida pela Escola Económica de Chicago, pelos
economistas Gary Becker e Theodore Schultz. O desenvolvimento de uma nação depende do
investimento em pessoas.

Saul (2004: 232-233) citado por Wetimane (2012) explica que num
“discurso proferido no encontro da associação americana de economia, em Dezembro
de 1960, Theodore Shultz (1961), especialista em economia agrícola e então
presidente da referida associação, buscou estabelecer a substância do capital humano e
as condições da sua formação, sustentando residir nessa forma de entender a
capacitação das pessoas a resolução de muitos paradoxos e confusões a respeito da
dinâmica de crescimento económico dos Estados Unidos. Na sua avaliação, o
investimento em capital humano devia ser considerado como diferente do consumo,
tanto pelas suas dimensões quantitativas quanto pelas dimensões qualitativas. Não
obstante a dificuldade de medição desse tipo diferenciado de capital, algumas
actividades poderiam ser descartadas como promovendo as capacidades humanas.
Assim, por exemplo, os serviços de saúde, entendidos em sentido amplo, envolvendo
as despesas que afectem a expectativa de vida, o vigor e a vitalidade das pessoas.
Outro ponto a considerar era o treinamento no emprego, incluindo o velho estilo de
aprendizagem organizado pelas empresas. Também deveria incluir-se a educação
formal, em seus diferentes níveis. Também incluiam-se aí os programas de educação
de adulto, não organizados por empresas, incluindo os programas de extensão,
principalmente na agricultura. Por último, mas não menos importante, Schultz citava o
processo de migração de indivíduos e de famílias para ajustar-se às oportunidades de
emprego, em constante transformação.”

Outra contribuição nos estudos sobre capital humano veio de Gary Becker. Na sua obra
Human Capital desenvolveu estudos sobre a economia familiar com base na teoria do capital
humano (Saul, 2004:234).

O modelo do capital humano tem como fundamento a teoria neoclássica de investimento.

Ainda Castiglioni (2009) citado por Wetimane (2012) assevera que:


23

“o movimento migratório é considerado, (….), como um investimento pessoal que


será realizado, se os retornos desse comportamento forem considerados satisfatórios.
A análise dos custos-benefícios feita pelo migrante potencial não se limita aos fatores
do momento, mas considera também os efeitos futuros, e a tomada de decisão a migrar
pode resultar da avaliação positiva das perspectivas, a um prazo maior, da melhoria
das condições futuras das famílias, mesmo que os custos do deslocamento sejam
muito elevados para o migrante.”

O autor divide os custos e os benefícios em privados monetários e não monetários (Vide


Quadro 2).

Gonçalves (2007:36-37) citado por Wetimane (2012) explica que este modelo parte do
princípio de que o indivíduo possui um capital intelectual e um de saúde e que a este capital
deve-se acrescentar educação, formação, competências e prevenção de doenças como factores
fundamentais para o desenvolvimento e para acabar com a pobreza. Assim, emigrar é tido
como um investimento, que como uma despesa. A especificidade desta teoria assenta no facto
de que o aspecto custo/benefício tem que olhar para o factor temporal.

Ninguém pode decidir-se a emigrar para um país desconhecido quando teoricamente não se
vislumbram retornos para recompensar os investimentos que ele fez. Os custos incluem os
investimentos que a pessoa fez na educação, formação profissional ou aquisição de vários
conhecimentos, habilidades e capacidades que acha que deverão ser recompensados
financeiramente e materialmente no futuro. As pessoas que decidem partir para terras
distantes devem realizar estes cálculos.

Para Rocha-Trindade (1995:77) citado por Wetimane (2012) a teoria do capital humano
procura dar resposta a questão porque certas pessoas decidem-se a migrar enquanto outras
não. Os teóricos desta abordagem asseveram que o mercado de imigração não acontece ao
acaso sobre as escolhas dos indivíduos, não é aleatória. Ela provoca um equilíbrio ao nível da
distribuição dos recursos no mercado que se prende com o “ impacto económico da imigração
nos países de acolhimento.”

De acordo com Figueiredo (2005:29) citado por Francisco Wetimane:


“a teoria do capital humano, da qual Becker se apresenta como autor de referência,
tem sido de grande relevância no estudo das migrações. Ao nível do pensamento
neoclássico, Borjas (2000) considera os fluxos migratórios de trabalhadores como um
investimento em capital humano, surgindo em consequência dos diferenciais salariais
existentes entre as economias e considerados como a causa principal das migrações.”

Assim, as migrações são consideradas como um investimento em capital humano, pois os


resultados reais em renda desse processo devem saldar positivamente os gastos dispendidos
pelo imigrante durante a sua educação e formação profissional. (Wetimane, 2012)
24

Fazendo fé em Sjaastad (1962:83), Peixoto (2004:16) citados por Wetimane (2012) considera
que os custos de migração “são vários: procura de informação (gastos de tempo e dinheiro
informação sobre novas oportunidades profissionais e infraestruturais várias, incluindo
formação e aprendizagem); custos de deslocação; custos de adaptação (aprendizagem de nova
língua e cultura; criação de novas redes de apoio; custos de afastamento do meio de origem).
Os benefícios da migração passam, em contrapartida, pelo aumento de rendimentos, dada a
melhoria da produtividade individual permitida pela mudança.”
Segundo Lacerda (2007:4) citado por Wetimane (2012) alarga o pensamento de
Sjaastad (1962) considerando também a migração como investimento em capital
humano onde o indivíduo compara os custos e os retornos e agindo em conformidade
com essa comparação. Nesse investimento existem desembolsos directos como gastos
em alimentação, alojamento e transporte e custos indirectos que incluem as receitas
não auferidas ao longo da viagem, o tempo que se gasta na procura de emprego e a
formação correspondente. Estes custos incorporam a distância entre os locais de
origem e de destino e a taxa de desemprego no local de destino.

Os migrantes, para Chiswick (1978), chegam ao país de destino sem as qualificações sociais e
económicas básicas como língua, conhecimentos sobre oportunidades de emprego. Mas com o
decurso do tempo e face aos salários baixos que auferem, encontram motivações maiores que
os nativos para investir em capital humano, que lhes permite produzir rendimentos médios
superiores aos nacionais. O que distingue os custos e benefícios da teoria do capital humano
das outras teorias (push pull) é o factor tempo. Os retornos do investimento em capital
humano levam algum tempo - médio ou longo prazo a concretizar-se. (Wetimane, 2012)

Quadro 2: Custos e benefícios/retornos

Custos Benefícios/retornos

Privados monetários Privados não monetários Privados monetários Privados não monetários

 Transporte  Custos de  Incremento  Preferência por


 Alojamento oportunidade positivo ou determinado
 Alimentação (emprego, negativo da local de
aprendizagem renda como residência
duma nova resultado  Satisfação do
profissão, (variações de migrante
 remunerações não remunerações, perante a nova
ganhas na dos custos de realidade.
viagem) emprego e
 Psicológicos custos de
(separação deslocamento
familiar, amigos, entre regiões).
parentes,
conhecidos)
25

Fonte: Elaborado a partir de Castiglioni (2009:46)

2.2.4. Teorias sociológicas: abordagem histórico-estrutural

Segundo Wetimane (2012) as teorias sociológicas tiveram como pioneiros os estudos


clássicos de Thomas e Znaniecki, publicados em 1918 sob o título “ The Polish Peasant in
Europe and America”, referentes ao processo de identidade cultural e adaptação dos polacos
que tinham imigrado para os Estados Unidos.

Os teóricos desta Escola acreditavam que haveria, como resultado das migrações para os
Estdos Unidos, uma completa assimilação estrutural e cultural – melting pot – dos imigrantes,
o que não aconteceu (Sasaki e Assis, 2000:4).
O estudo das migrações, baseando-se nos ensinamentos da psicologia social e
sociologia de teóricos como Charles Cooley, Robert Park e George, defende que as
causas de todo o tipo de fenómenos individuais e sociais, devia ser encontrada numa
análise que favorece a dependência recíproca entre a organização social e o indivíduo.
A teoria macroeconómica neoclássica (mercado de trabalho dual, teorias estruturais e
teorias dos sistemas-mundo) aborda as migrações a partir das diferenças de oferta e
demanda pelo trabalho. Esta abordagem analisa as migrações como fenómenos
movidos por factores conjugados, que devem ser analisados na sua relação intrínsica e
dialéctica.

As teorias histórico-estruturalistas surgiram nos anos 70 do século passado, inspiradas na


economia política do capitalismo. Elas opõem-se a estratégia que considera a mobilidade
populacional como produto de uma escolha livre, autónoma, individual e racional dos agentes
migratórios. Consideram as migrações como transformação macro, à escala global. Elas são
estudadas como fenómenos estruturais que acontecem em conexão com outros fenómenos.
(Wetimane, 2012)

Massey (1998) citado por Wetimane (2012) salienta que a teoria preocupou-se primeiro com
as consequências do crescimento da população urbana, a concentração das populações nas
grandes cidades e com a penetração das forças de mercado no campo. Centrou seus estudos na
migração interna (campo-cidade) e só com a crise da década de 70 é que as concepções
histórico-estruturalistas começaram a ser aplicadas aos fluxos internacionais de trabalhadores.

Para Singer (1976) citado por Wetimane (2012):


“a migração é vista como fenómeno (relação, processo) social, no qual a unidade de
análise é o fluxo composto por indivíduos de determinado grupo socioeconómico, que
emana de estruturas societárias geograficamente delimitadas e não como ato soberano
ou soma das escolhas individuais. A migração resulta das desigualidades regionais
advindas do espaço transformado, do rearranjo espacial das atividades produtivas; daí
que os determinantes e consequências da migração devem ser remetidos a outros
26

fenómenos sociais, historicamente condicionados, que se relacionam com o processo


de mudança estrutural em determinada formação social”.

Segundo Wetimane (2012) citando Peixoto (2004:22) sustenta que as teorias macro-
sociológicas distinguem-se das outras por previlegiar a acção de factores de tipo colectivo, ou
estruturante. Estas acções condicionam, de diferentes maneiras, as decisões dos agentes
sociais. Para este autor as zonas de confluência entre as perspectivas micro e macro são
múltiplas e as distinções não são absolutas, quer dizer, as estratégias colectivas e individuais
podem cruzar-se.

Ainda Wetimane (2012) citando Figuereido (2005:39) defende que as teorias histórico-
estruturais estudam as transformações em larga escala que modelam os movimentos
populacionais e aponta as graves desigualidades que existem na distribuição da renda e as
fortes disparidades na regulação dos poderes político e económico a nível mundial.

Para tal, estes fenómenos devem ser analisados na sua relação interdependente e não de forma
desestruturada, unilateral e isolada.

De acordo com Santos et al (2010: 60) citado por Wetimane (2012):


“as Teorias do Tipo Histórico-Estruturalistas examinam as relações e funções que os
diversos elementos possuem dentro de um dado sistema. Todos os elementos são
interdependentes, não sendo possível analisá-los de forma isolada”.

Considerando esta visão os factores que engendram as migrações podem ser encontrados a
partir do cruzamento de factores de natureza política, social, económica, cultural, religiosa,
psicológica entre outros e a mobilidade populacional internacional seria consequência de
mudanças estruturais nas sociedades de destino e origem.

2.2.5. Teoria do mercado de trabalho dual

Segundo Wetimane (2012) citando Soares a teoria do mercado de trabalho dual ou


segmentado fundamenta-se numa abordagem que defende que são as estruturas económicas
geradas pelo capitalismo que originam as migrações internacionais.
A teoria de mercado dual considera o mercado dividido em primário e secundário. O
mercado secundário seria destinado aos trabalhadores menos qualificados, enquanto o
primário aos mais qualificados. No mercado segmentado, os imigrantes, porque não
têm qualificação, são absorvidos nos sectores que exigem menos qualificação e com
estatuto social baixo, como é o caso do sector de construção civil, manutenção de
estradas, serviços de lavandaria em restaurantes, entre outros. Este emprego é, até,
desprezado pelos nacionais. O mercado primário absorve os imigrantes com alta
qualificação e com estatuto social elevado (Soares, 2002:10).
27

No primeiro, os salários, o emprego, as relações laborais, as perpectivas de subir na carreira e


promoção, protecção social apresentam-se estáveis. Porém, no segundo, os empregos são de
baixa qualidade, os salários são baixos, as oportunidades de subir na carreira e promoção são
fracas. Não há segurança social e protecção laboral. Desta feita, as correntes migratórias
desenvolvem-se das zonas periféricas para o centro, por este apresentar condições atractivas
especiais. Os migrantes movem-se, neste sentido, dos países menos desenvolvidos para os
mais desenvolvidos (sistema mundo).

De acordo com Soares (2002:15) citado por Wetimane (2012) as variações de salários não
acontecem apenas devido a flutuações entre a oferta e a demanda de trabalhadores, mas
exprimem o status social das pessoas. Face a isto, a importação de trabalhadores estrangeiros
de baixa qualificação afigura-se como aposta viável dos empreendedores capitalistas em
detrimento dos nacionais, pois estes aspiram a salários mais elevados.

Peixoto (2004:25), parafraseando Portes (1981), citados por Wetimane (2012) defende
que:
“segundo ele, os imigrantes atraídos pelo mercado primário apresentam como
principais características a entrada através de canais legais; o acesso ao emprego por
qualidades individuais e não por origens étnicas; condições de mobilidade idênticas à
dos nativos; e uma função de `reforço´ da força de trabalho nacional. Tipicamente,
este tipo de acesso é representado (…) pelo brain drain. Em contrapartida, o acesso ao
mercado secundário (num sentido amplo) apresenta como principais atributos um
estatuto jurídico precário (habitualmente temporário ou ilegal); um recrutamento
baseado nas origens étnicas e não em qualificações (dadas as vulnerabilidades
associadas àquela condição); ocupação de tarefas pontuais, sem perspectivas de
mobilidade; e uma função disciplinadora da força de trabalho local (forçando a
redução dos salários gerais)”.

A maioria dos trabalhadores imigrantes vai ocupar empregos que se situam no mercado
secundário, sujeitos a todo o tipo de discriminação e injustiças e, muitas vezes, sem protecção
jurídica e direito à assistência médica e medicamentosa. Muitos destes trabalhadores
conformam-se com este tipo de discriminação devido a sua situação de imigrantes ilegais.
(Vide Quadro 3). Um dos teóricos da teoria do mercado de trabalho segmentado ou mercado
de trabalho dual foi Piore.

Rocha-Trindade (1995:86) citado por Wetimane (2012) salienta que:


“As questões ligadas as migrações entre países subdesenvolvidos e áreas
desenvolvidas constituiram o objecto de trabalho para Michael Piore (1979), um dos
pioneiros das teorias do mercado de trabalho dualista. Piore defende que as diferenças
entre as oportunidades de emprego, relativamente as qualificações requeridas para o
trabalho, constituem a chave para a compreensão dos processos migratórios. O
argumento central da sua obra sustenta que as migrações internacionais devem ser
entendidas em função da estrutura das oportunidades de trabalho e das motivações dos
28

trabalhadores imigrantes, relativamente as motivações dos trabalhadores das áreas


para as quais os imigrantes se deslocam. Ao analisar as migrações laborais, o autor
conceptualiza as migrações como um processo circular que se desenvolve em torno do
sector secundário de um mercado de trabalho dual.”

Segundo Wetimane (2012) suportando-se do Relatório da Comissão Mundial Sobre as


Migrações Internacionais – As migrações num mundo interligado: novas linhas de acção
(2005:35) reconhece a existência, na maioria de Estados, deste tipo de mercado ( trabalho
duplo) no qual o trabalho formal tem salários, horas de trabalho e outras condições de
trabalho regulamentadas e um mercado de trabalho informal dominado por trabalhadores
ocasionais que não beneficiam daquelas protecções. Em muitos destes países a agricultura, a
construção civil, a hotelaria e restauração, trabalho doméstico depende do mercado informal. Os
empregadores servem-se deste para reduzir os custos e compensar a falta de mão-de-obra local.

Concluindo, as economias dos países desenvolvidos originam dois segmentos: o primário, para os
nacionais e o secundário, para a mão-de-obra migratória importada. Este último tende a ser
informal, ilegal ou irregular.

Quadro 3: Mercado de trabalho dual/segmentado

Mercado Primário Mercado Secundário


 Abosrve mão-de-obra pouco qualificada
 Absorve mão-de-obra qualificada  Baixos salários
 Altos salários  Baixo estatuto social
 Condições de trabalho inseguras
 Estatuto social superior
 Fracas oportunidades de subir na carreira
 Condições de trabalho seguras
 Falta de protecção jurídica
 Oportunidades de subir na carreira
 Grande mobilidade
 Estabilidade de mobilidade
 Migrações legais  Migração ilegal e temporária
 Protecção laboral  Inexistência de protecção laboral
 Falta de segurança social

Fonte: Adaptado de Cristina Matos ( 1993:11-12)

2.2.6. Teorias do sistema mundo e selectividade dos imigrantes

Para Wetimane (2012) As teorias que olham para os agentes migratórios como actores
movidos por racionalidade individual ao decidir partir ou não, encontraram muitos opositores
entre os quais os defensores de inspiração marxista da década de 70 do século XX.
29

As teorias do sistema mundo são de índole histórico-estruturalista e explicam como é que as


economias dos países capitalistas se relacionam com as dos países em vias de
desenvolvimento. A teoria do sistema mundo trás à superfície a tese de que as migrações
internacionais devem ser tratadas como um sistema mais amplo que articula dois extremos
opostos: os países emissores de migrantes e os de destino (receptores).

A abordagem histórico estruturalista é o resultado da reorganização do sistema económico


mundial segundo a qual os países se incorporam de maneiras diferentes no sitema económico
global.

Soares (2003:16) citado por Wetimane (2012) defende que:


“a penetração de regiões periféricas pelo capitalismo provocou desequilíbrios na
estrutura sócio-económica interna dessas regiões, ou seja, a emigração resulta de
problemas internos que foram induzidos pela expansão do sistema económico global.”

Esta teoria defende que a migração internacional é o resultado do sistema capitalista mundial,
que cria um mercado de trabalho global no qual os cidadãos que vivem nos países da periferia
(países pobres) tendem a imigrar para o centro (países desenvolvidos) à busca de melhores
oportunidades de emprego. As migrações são entedidas como um processo de recrutamento
da mão de obra barata dos países com economias dependentes e frágeis para os países ricos.
Os países pobres, usando a terminolgia marxista, criam “ um exército de reservas” que,
quando necessário, é drenado para os países industrializados devido a sua vulnerabilidade por
não possuir meios de produção.

Peixoto (2004:24) citado por Wetimane (2012) argumenta que estas teorias
“provém tanto da economia como da geografia: trata-se de análises que lidam
explicitamente com a variável espaço e que procuram enunciar os factores que levam
a um desenvolvimento particular dos territórios. Segundo estas correntes, existem
mecanismos que levam a uma dada localização dos estabelecimentos humanos em
realidades de tipo urbano ou regional, central ou periférico, e tanto em contextos
nacionais como internacionais. Quer as teorias o admitam ou não explicitamente, e
esta, distribuição territorial que conduzirá, por sua vez, a movimentos populacionais
(migratórios) concretos.”

As teorias dos sistemas migratórios defendem que as migrações são o resultado de contextos
históricos particulares e possuem dinámicas específicas que lhes permitem ter características
de um sistema (Ibid; 2004: 27).

Portes e Bach (1985) citados por Wetimane (2012) argumentam que:


“os movimentos populacionais recentes apoiam-se na difusão das redes de comércio e
de informação pelo mundo, na expansão da influência cultural dos países de destino
sobre os de origem (o modo de vida americano conforma hoje um padrão global) e na
ampliação das expectativas de consumo até áreas remotas do planeta. A penetração de
30

regiões periféricas remotas do planeta pelo capitalismo procurou desequilíbrios na


estrutura socioeconómica interna dessas regiões, o que conduziu a pressões
migratórias, ou seja, a emigração resulta de problemas internos que foram induzidos
pela expansão do sistema económico social.”

Segundo Wetimane (2012) citando Soares (2002:17) defende que a pobreza, a explosão
demográfica e a estagnação económica dos países em vias de desenvolvimento não bastam
para explicar a origem dos fluxos migratórios internacionais. É necessário combinar os
factores pobreza, superpopulação e estagnação económica com as formas de como os países
pobres foram incorporados no espaço económico transnacional.

Segundo esta perspectiva, os movimentos migratórios de âmbito internacional devem ser


analizados segundo as dinâmicas das forças globais da economia. Como resultado, estes
movimentos assentam em paradigmas estruturais. O mundo como um sistema estaria
polarizado entre os países do centro, fortes, detentores do poder de decisão a nível político e
económico; os países periféricos, fracos e com pouco poder de decidir as suas próprias
escolhas sem que os primeiros se interponham quando os seus interesses estão em jogo.

Matos (1993:9) citado por Wetimane (2012) defende que:


“A dinâmica do modo de produção capitalista a nível internacional gerou (e continua a
gerar), através da Divisão Internacional do Trabalho, uma estruturação da economia-
mundo em três grandes grupos: o centro, a semiperiferia e a periferia. Os fluxos entre
estes blocos são determinados, tanto em direcção como em magnitude, pela dinâmica
do centro e, portanto, as migrações particulares devem ser situadas e interpretadas em
termos das suas ligações às maiores alterações na direcção dos fluxos de trabalho e de
capital a nível global.” (Vide Quadro 4).

Quadro 4: Relação centro, semiperiferia e periferia

Regiões
Centro Semiperiferia Periferia
 Poder de decisão  Autonomia  Sem poder de decisão
 Autonomia política relativa nas  Dependência política
e económica decisões e económica
 Absorção dos  Incorporação  Vulnerabilidade
agentes relativa política e económica
Características migratórios  Gerador de
 Incorporadores da movimentos
periferia migratórios
 Incorporados pelo
centro

Fonte: Adapatado de Cristina Matos (1993:9)

No estudo das migrações internacionais se pode destacar a teoria que considera a mobilidade
dos indivíduos como processo selectivo. Segundo esta perspectiva, a migração internacional é
31

um processo que selecciona pessoas com base em factores comuns que os diferenciam dos
que não se decidem a deixar o local de origem.

De acordo com Crispim (2003:4) citado por Wetimane (2012):


“a seletividade refere-se principalmente à ideia de que os imigrantes são em geral mais
ambiciosos, agressivos, empreendedores e motivados que os demais indivíduos. Desta
forma, deveriamos esperar que os rendimentos dos migrantes se diferenciassem de
alguma forma dos rendimentos dos não-migrantes, uma vez que as características que
afetam a decisão de migrar podem, também, influenciar os rendimentos.”

Segundo Wetimane (2012) citando Lacerda (2007:5) descreve o carácter selectivo das
migrações em funçaõ de características determinadas ou combinação destas. Neste contexto, a
selecção depende do contexto económico e social das áreas de origem e da sua comparação
com as áreas de destino.

Os estudiosos que se têm debruçado sobre a teoria da selectividade das migrações


internacionais têm em Chiswick uma referência obrigatória. Chiswick desenvolveu sua teoria
com base na teoria de Sjaastad (1962) que considera as migrações como investimento em
capital humano e , por isso, sujeito a custos e benefícios como qualquer investimento
económico.

Chiswick (1999) apud Ramalho (2005:19) citando por Wetimane (2012):


“mostra que os migrantes tendem a ser uma amostra populacional nãoaleatória, isto é,
os migrantes seriam positivamente selecionados quando, em média, são mais
motivados, agressivos, perseverantes, hábeis, empreendedores, etc. que o grupo
populacional composto pelos indivíduos que não migram:” ( cf. Lacerda, 2007:7)

Desta feita, quando os indivíduos decidem imigrar devem esperar retorno em função dos
custos envolvidos na mobilidade.

Chiswick elaborou uma fórmula da taxa de benefícios/retorno:

𝑊𝑏 − 𝑊𝑎
𝑟=
𝐶𝑓 + 𝐶𝑑

Onde:
 r = corresponde a taxa de retorno
 Wb = rendimentos esperados na região de destino
 Wa = rendimentos na região de origem
 Cf = custo de oportunidade envolvidos
 Cd = custos monetários
32

Este modelo pressupõe a existência de um grupo de trabalhadores com habilidades baixas e


outro com habilidades altas. As habilidades envolvem diferentes dimensões ou atributos
individuais como motivação, ambição, inteligência, velocidade na aprendizagem,
agressividade, entre outros. São estes atributos que os imigrantes possuem que os tornam mais
seleccionados que aqueles que não migram.

A selecção se apresenta menos intensa nos migrantes cuja decisão de migrar é provocada por
outros agentes como os refugiados, migrantes ideológicos, etc. Lacerda (2007:6) fazendo
referência aos estudos de Borjas (1987), sobre a autoselecção dos salários dos migrantes nos
Estados Unidos, concluiu que estes podiam diferir do salário da população nativa devido a
“endogeneidade da decisão para migrar”. Assim, deve-se considerar duas condições para que
aconteça uma selecção positiva. (Wetimane, 2012)

2.2.7. Teorias institucionais e sistemas migratórios

Para Wetimane (2012) as instituições jogam um papel importante tanto na tomada de decisões
dos migrantes para abandonar os seus locais de origem, bem como na assistência dos mesmos,
sobretudo nas suas necessidades básicas.

Uma das instituições que desempenha um papel de fundamental importância na emergência


do fenómeno migratório é o Estado. Ela assume esta importância através do estabelecimento
de políticas de migração e regulação, nomeadamente políticas que estabelecem controlo das
fronteiras, políticas que estimulam a permanência e integração dos migrantes, políticas que
favoreçam a concessão de vistos de residência ou participação nas decisões políticas.
O Estado pode, por sua vez, fomentar políticas nas áreas de saúde, da educação, de
emprego que facilitam a integração dos migrantes nas regiões de acolhimento. Peixoto
(2004:28) chama atenção ao facto de as teorias sociológicas que explicam as
migrações segundo uma perspectiva macro poderem ser separadas em alguns grupos
como as que salientam o papel das instituições no desencadear e acompanhamento dos
fluxos migratórios. Estas teorias não são uniformes porque as instituições tanto podem
ter o papel de promotores dos fluxos como de enquadramento e suporte de percursos
já desencadeados pelos indivíduos. (Wetimane, 2012)

Por sua vez Castles (2005:55) citado por Wetimane (2012) salienta que:
“As abordagens histórico-institucionais sublinham o papel das grandes instituições,
sobretudo as empresas e os Estados, no desencadeamento e na modelação dos fluxos
migratórios. Os recrutamentos maciços da mão-de-obra, protagonizados pelas
autoridades económicas e pelos agentes dos mercados de trabalho, foram decisivos
para o surgimento de fluxos migratórios apontados para a Europa Ocidental depois de
1945. Os sistemas de trabalho contratado também têm tido um papel fundamental na
migração para os países produtores do petróleo do Golfo Pérsico e para alguns países
asiáticos como Taiwan, a Malásia e Singapura.”
33

Os governos assumem um papel de importância fundamental na medida em que podem


formular políticas, criar instrumentos legais que estimulam e favorecem a constituição, por
parte de imigrantes, de associações para proteger os interessses dos imigrantes. Neste âmbito,
o Relatório da Comissão Mundial Sobre as Migrações: “As migrações num mundo
interligado – Novas linhas de acção” (2005:65) recomenda a todos os Estados para
estabelecer políticas migratórias que tenham objectivos acordados, em conformidade com
políticas afins e o direito internacional dos tratados, não descurando os direitos humanos. A
nível interno de cada Estado devem-se encentar esforços de coordenação entre os diferentes
ministérios e consultas a instituições independentes.
Segundo Massey et all (1993) citados por Wetimane (2012) sublinham que a partir do
momento em que as migrações internacionais começam a surgir, várias instituições
privadas, públicas e de assistência que tentarão arranjar contrabalançar o desiquilíbrio
entre o número de imigrantes interessados em entrar em certos países e o número de
imigrantes que os países de destino estariam dispostos a receber. Estas instituições
podem agir de forma legal ou ilegal.

As empresas industriais que, por sua vez, podem desencadear as migrações, sobretudo através
do recrutamento oficial de trabalhadores estrangeiros. Estes podem, até, forçar o Estado a
recuar quando pretender recambiar imigrantes para os seus países dem origem. Castles
(2005:55) dá exemplos da Malásia que durante a Crise Asiática de 1997–1999 pretendia
repatriar contigentes de trabalhadores imigrantes. Perante o protexto dos proprietários de
plantações o governo viu-se obrigado a recuar.

O tipo de instituições é, segundo Peixoto (2004:28), variável, incluindo


“organizações empregadores (empresas privadas e públicas, estado, etc.), agências de
emprego, associações de apoio a migrantes, entidades financeiras, departamentos
governamentais ligados directa ou indirectamente às migrações e habitação, etc.
Aquilo que podemos considerar como ponto de intersecção destas acepções é a
centralidade atribuída (embora de forma diversa) a agentes colectivos”. (Wetimane,
2012)

As agências de emprego por sua vez são instituições que têm um lugar de importância a
destacar no desencadear dos processos migratórios, quando intervém como intermediários
entre as empresas públicas e privadas e os agentes migratórios. (Vide Quadro 5).

Quadro 5: Papel das instituições na promoção das migrações

Instituições Instrumentos de promoção


Formulação de políticas que favoreçam e estimulem
as migrações:
Estado  Medidas de controlo fronteiriço não rígidas;
 Políticas de integração (medidas antidiscriminatórias, mercado de trabalho, fixação
de residência, reagrupamento familiar, participação política, saúde, educação,
34

concessão de vistos de residência, constituição de associações, etc.)

Acções de apoio aos imigrantes:


 Reforço da capacidade de organização;
 Apoio no acesso à justiça;
 Protecção dos interesses dos imigrantes;
 Fornecimento de informação;
 Promoção e divulgação de identidade e cultura de origem;
 Defesa dos seus interesses;
Associações de
imigrantes  Promoção da luta pelos seus direitos;
 Promoção da aproximação à sociedade de acolhimento;
 Facilitação da resolução dos problemas;
 Promoção da convivência entre culturas;
 Promoção de programas de inserção social;
 Formação profissional;
 Facilitação de acesso ao emprego, etc.

 Recrutamento de trabalhadores imigrantes;


Empresas  Criação de oportunidades de emprego;
(públicas e  Promoção de programas de formação dos imigrantes;
privadas)  Estabelecimento de políticas de emprego não discriminatórias.

Fonte: Adapatado de Peixoto (2004:28-29)

As associações de apoio aos imigrantes, sejam elas de cariz filantrópica ou de carácter étnico
podem estimular o fenómeno da imigração não só quando intermedeiam o processo, mas
também quando lutam perante instituições públicas para integração dos imigrantes nas
sociedades de acolhimento.

Depois de abordar algumas das principais teorias que procuram esclarecer as causas da
mobilidade populacional, passamos a tratar alguns conceitos básicos relacionados com as
migrações.

2.3. Migrações internacionais o caso de Mocambique

Para Wetimane (2012) Em Moçambique, a emigração internacional está mais direccionada


para os países da região, sobretudo para a África do Sul, país com o qual, como referimos,
tem confluências históricas. A África do Sul é o principal destino dos fluxos laborais, para
além de imigrantes ilegais provenientes da região austral. Após a independência deste país em
1910, duas décadas depois com a descoberta de ouro na região de Witwatersrand, já existia
um sistema de contratação de força laboral estrangeira que absorvia por ano cerca de 200.000
trabalhadores africanos não qualificados provenientes de Moçambique, Botswana, Lesotho,
Malawi, Zimbabwe e Swazilândia.
35

2.3.1. Da História à Estatística

Moçambique não é excepção no que toca ao fenómeno dos movimentos migratórios, os quais
são características preponderantes das populações locais, assentes nos condicionalismos
sociais, económicos e políticos resultantes da descolonização, oportunidades de emprego e de
formação, conflitos internos, cooperação internacional e desastres naturais (Raimundo, 2009a,
2011). O movimento migratório de que o país tem sido palco apresenta ramificações aliadas
ao seu passado histórico. A migração remonta ao século XV, com a chegada dos portugueses,
embora Moçambique já fizesse parte há bastante tempo da rota comercial entre a costa
oriental de África e o Golfo Pérsico e a Índia percorrida pelos árabes que se dedicavam ao
comércio. Aliás, a própria história dos povos que hoje fazem parte do território moçambicano
é resultado das migrações dos povos bantos saídos da África Central.

Na percepção de Raimundo (2011: 196) citado por Wetimane (2012) as migrações


devem ser analisadas a partir do seu trajecto histórico, nomeadamente “as migrações
bantu, o comércio costeiro com os árabes, a colonização portuguesa, a escravatura, o
trabalho forçado, o trabalho migratório para as minas e plantações da África do Sul e
plantações da Ex-Rodésia do Sul (Zimbabwe), incluindo os desastres naturais”.
Covane (2001) e Witimane (2012), referem que a configuração geográfica do país
concorreu para as movimentações populacionais com os países vizinhos, na época sob
domínio britânico: Zimbabwe (Rodésia do Sul), Malawi (Niassalândia), Zâmbia
(Rodésia do Norte), Tanzânia (Tanganica) e África do Sul. A África do Sul, em
particular, devido à forte ligação económica, constitui ainda hoje um destino
privilegiado, sobretudo laboral, dos moçambicanos.

Nos últimos tempos, a manifesta presença de multinacionais europeias, asiáticas e norte e sul-
americanas que se dedicam à exploração de recursos naturais como: carvão mineral em Tete;
gás e petróleo nas províncias de Inhambane e Cabo Delgado; madeira na Zambézia, Cabo
Delgado, Nampula, Niassa e Sofala; ouro, pedras preciosas e semipreciosas em Manica, Tete,
Zambézia, Nampula e Cabo Delgado; areias pesadas na Zambézia e Gaza tem contribuído, em
parte, para a ocorrência de migrações internas e internacionais.

Arnaldo & Muanamoha (2013) citados por Wetimane (2012) consideram que estes
movimentos migratórios com influência na dinâmica da população ainda que não seja a curto
prazo são igualmente condicionados pela crise económica que se verifica em alguns países da
Europa, bem como pela instabilidade socioeconómica e política de que padecem muitos
países africanos.

Embora as migrações estejam ligadas à história de Moçambique e sejam um fenómeno


gradual, a falta de informação e de dados surge como um dos entraves para a sua análise. A
fraqueza estatística do fenómeno migratório em Moçambique resulta da falta de informação
36

sobre as causas, tipologias e gestão dos fluxos migratórios. Um estudo realizado por
Raimundo (2009c) citado por Wetimane (2012), com ênfase nas diásporas, aponta algumas
razões desta situação: i) a ausência de dados dos emigrantes no estrangeiro; ii) a falta de
estudos sobre fluxos migratórios internos e externos, suas tendências e estratégias de
sobrevivência; iii) o facto de os esclarecimentos serem sobretudo originários da comunicação
social; iv) os dados sobre Moçambique serem muitas vezes facultados pelas pesquisas feitas
pelo Southern African Migration Project (SAMP) da África do Sul, que nem sempre traduz
com rigor as realidades migratórias do país.

As estatísticas oficiais sobre as migrações em Moçambique resultam dos três censos de


Recenseamento Geral da População e Habitação (RGPH) realizados há mais de duas décadas.
Muanamoha & Raimundo (2013) citados por Wetimane (2012) realçam que desde o I RGPH,
realizado em 1980, até ao III e último, realizado em 2007, as várias informações recolhidas
não mereceram, todavia, um tratamento de análise substancial por académicos nacionais das
várias disciplinas. Algumas excepções são os estudos sobre as migrações interdistritais
produzidos por Araújo & Lates (1980) e alguns trabalhos sobre migração laboral, migrações
internas e género, assim como migrações forçadas elaborados por autores como Borges
(1993), Neves (1998), Covane (2001), Bilale (2007), Muanamoha & Raimundo (2010) e,
mais recentemente, Mapengo (2011), Witimane (2012) e Ceita (2013), o que todavia está
longe da análise desejável da complexidade dos movimentos migratórios, dadas as tendências
crescentes nos últimos tempos.

2.3.2. As Migrações Internas

Após a independência em 1975, o movimento das populações dentro das fronteiras internas e
internacionais intensificou-se devido à guerra civil que se seguiu, com impacto a todos os
níveis, desde climáticos e ambientais, passando pela urbanização acentuada com ausência de
planificação urbana, dando às cidades por vezes características de cidades-rurais. Muanamoha
& Raimundo (2013) são apologistas de que depois da independência o país assinalou um
aumento da movimentação de população que adveio de factores políticos, o conflito armado
de 16 anos, as incursões armadas dos países vizinhos, realizadas na época pela África do Sul e
ex-Rodésia (Zimbabwe), bem como factores ambientais cíclicos tais como cheias, ciclones e
secas. Todas estas razões, além de outras, concorreram para a rápida urbanização do país, com
todas as consequências socioeconómicas e culturais daí decorrentes.
37

Mapengo (2011) acrescenta ao factor guerra outras causas como os desequilíbrios do modus
vivendi económico e o desenvolvimento social da população urbana em relação à população
rural. As assimetrias entre o campo e a cidade constituem um chamariz para as populações
rurais menos desenvolvidas, devido à existência de infra-estruturas e oportunidades sociais e
económicas nas cidades60. Este tipo de migração rural-urbano resulta também, segundo
Raimundo (2009b), das políticas socialistas traçadas pelo Estado moçambicano que
desembocaram em imperfeições na economia rural, bem como no insucesso do
desenvolvimento cooperativista, que se supunha iria estimular o desenvolvimento rural
através da criação de aldeias comunais.

O projecto da “modernização autoritária”, através da concentração de


pessoas maioritariamente camponeses nas aldeias comunais teve resultados
negativos, como Raimundo (2009b) e outros autores sugerem. Para os
detentores do poder, a ideia subjacente era de que os camponeses se deviam
concentrar nas aldeias comunais, para que estas se transformassem social e
culturalmente, tendo a base produtiva e económica assente nas empresas
estatais e cooperativas. As pessoas reagiram abandonando aqueles locais e
dirigindo-se para as cidades ou retornando ao anterior modus vivendi rural.

Nos estudos sobre as migrações internas e os espaços urbanos em Moçambique Araújo (1990)
observa que a falta de acompanhamento socioeconómico dos movimentos migratórios do
campo para as cidades, para além do deficiente ordenamento das mesmas, conduziu a um
acentuado nível de pobreza das famílias que vivem nas suas periferias, ao aumento do
desemprego, bem como à emergência de problemas ambientais que advém do uso intensivo
das florestas que existem na cintura das cidades. O autor refere ainda que no continente
africano em geral e em Moçambique em particular, a tendência crescente dos movimentos
migratórios do campo para as cidades desencadeia uma transferência cultural que, aliada a
relações conflituosas e desiguais, leva ao surgimento de espaços de segregação caracterizados
por um proeminente dualismo rural-urbano “que se apresenta de forma visual e oposta em que
a dimensão do fenómeno migratório gradualmente cria a sua própria cultura no meio de
antagonismos de vária ordem, onde prevalecem por bastante tempo atitudes, hábitos e
comportamentos rurais dando origem a um fenómeno que apesar de transitório ruraliza os
espaços urbanos” (Araújo, 2003:166).

Segundo o Relatório do Ministério do Plano e Finanças (MPF, 1998) a “avalanche” de


migrantes internos, principalmente aquela que é feita de forma unidireccional campo-cidade,
por razões relacionadas com a guerra e o retorno de deslocados e refugiados sem
acompanhamento de condições sociais para o enquadramento desta população, condicionou a
38

distribuição espacial em Moçambique. As migrações são fundamentalmente campo-cidade e


cidade-cidade. Os novos investimentos à escala nacional, os corredores de desenvolvimento
de Maputo, Beira e Nacala são pólos atractivos na procura de emprego e com impacto na
redistribuição espacial da população.

Os pressupostos causais da ocorrência dos movimentos migratórios em Moçambique


envolvendo vários segmentos da sociedade indivíduos (incluindo quadros
qualificados), famílias inteiras e mesmo grupos são complexos. As causas e a decisão
de migrar, embora se relacionem com questões económicas, como muita literatura
sobre migrações sugere, podem estar assentes em vários factores conjugados
(políticos, socioeconómicos e culturais) encontrados no local de acolhimento. A
migração e a mobilidade em Moçambique variam em conformidade com a localização
regional, perfis histórico, económico e ambiental, realizando-se “em forma de trabalho
migratório, movimentos pendulares e circulação de pessoas e bens entre fronteiras
regionais comércio transfronteiriço” (Raimundo, 2009a:15).

Raimundo (2009c) aponta ainda uma pluralidade de causas que concorrem para a migração
em Moçambique. Olhando para as causas económicas, sendo o país basicamente agrícola,
onde a maior parte dos indivíduos vive no campo mais de 70% em situação de pobreza, a
migração para os centros urbanos, para a vizinha África do Sul ou o comércio transfronteiriço
constituem estratégias embora nem sempre triunfantes para melhorar as condições de vida. As
cidades são apelativas, existem muitas infra-estruturas socioecónomicas e culturais, por
comparação com o campo, o que permite encontrar empregos formais ou, na falta destes,
ingressar no sector informal, bastante enraizado nas cidades e vilas moçambicanas.

Os movimentos internos como resultantes, além dos conflitos armados, da diferenciação de


desenvolvimento socioeconómico entre as regiões, faz com que os agentes migrantes
procurem outras regiões atractivas, com melhores oportunidades individuais. As mulheres
constituem um segmento cada vez maior neste tipo de movimento, trabalhando em sectores de
actividade menos especializados como a agricultura, pesca, comércio informal ou trabalho
doméstico, a que se soma a tendência crescente de mulheres “Mukheristas”, que praticam o
comércio transfronteiriço nas regiões sul, centro e norte do país (MPF, 1998; OIM, 2010).

O contexto migratório moçambicano, na sua generalidade, sugere uma forte movimentação


interna entre as regiões e províncias do país ( vide quadro 6), apresentando uma migração
interna acumulada significativa, cujos saldos migratórios negativos são visíveis sobretudo nas
províncias de Inhambane, Gaza e Zambézia com (-205.680), (-188.211) e (-144.459)
indivíduos, respectivamente. Em relação aos imigrantes internos (absolutos), os números mais
relevantes registam-se nas províncias de Maputo-Província com 453.347, Maputo-Cidade
343.919, Sofala 171.298 e Manica com 157.669 indivíduos. Quanto aos emigrantes internos
39

(absolutos), o destaque vai para as províncias de Inhambane com 272.806, Gaza 251.660,
Maputo-Cidade 243.108, Zambézia 211.462, Sofala 160.390 e Nampula com 98.882
emigrantes.

Quadro 6: Volume de Migração Interna Acumulada Nampula (2007)

Imigrantes internos Emigrantes internos Saldo Migratório


Província
(absolutos) (absolutos) (absoluto)
Nampula 97.574 98.882 - 1.308

Fonte: Muanamoha & Raimundo (2013), a partir dos dados do Censo de 2007

Muanamoha & Raimundo (2013) concluem que há uma tendência dos emigrantes das
províncias nortenhas para se deslocarem para as províncias vizinhas dentro da mesma região.
Este tipo de migração é análoga aos emigrantes da região centro e sul. A província da
Zambézia e a cidade de Maputo revelam algumas excepções. No primeiro caso, os emigrantes
distribuem-se por quase todas as regiões de Moçambique e no segundo, Maputo-Cidade
acolhe migrantes de todas as províncias, com destaque para as do sul de Moçambique.

Visto a partir da dinâmica migratória do censo de 2007, estes autores distinguem as províncias
em três tipos:

i. as províncias de Manica e Maputo-Província como sendo as de imigração interna;


ii. Zambézia, Tete, Inhambane e Gaza, de emigração interna; e
iii. as províncias de Cabo Delgado, Niassa, Nampula, Maputo-Cidade e Sofala alternam
entre uma tendência e outra, ou seja, são ora províncias de imigração ora de
emigração. Em relação aos emigrantes internos, a tendência de emigrar é
predominante nos jovens solteiros.

Na região sul, a migração interna feminina é maior que nas regiões centro e norte, de
predominância masculina. No período compreendido entre 2006-2007, Muanamoha &
Raimundo (2013: 175) observam que nas províncias de imigração “os emigrantes foram
predominantemente mulheres em Maputo-Província (51.5%), e maioritariamente do sexo
Masculino em Cabo Delgado (60.4%), Nampula (56.9%) e Manica (53.1%). Entre as
províncias de emigração em 2007, houve predominância de homens entre os emigrantes de
Niassa (56.8%), Zambézia (60.6%), Tete (52.8%), Sofala (55.7%) e Maputo-Cidade (50.2%),
enquanto o predomínio de mulheres verificou-se em Inhambane (52%) e Gaza (54.9%)”.
40

2.3.3. Migrações Internacionais

Em Moçambique, a emigração internacional está mais direccionada para os países da região,


sobretudo para a África do Sul, país com o qual, como referimos, tem confluências históricas.
A África do Sul é o principal destino dos fluxos laborais, para além de imigrantes ilegais
provenientes da região austral. Após a sua independência em 1910, duas décadas depois com
a descoberta de ouro na região de Witwatersrand, já existia um sistema de contratação de
força laboral estrangeira que absorvia por ano cerca de 200.000 trabalhadores africanos não
qualificados provenientes de Moçambique, Botswana, Lesotho, Malawi, Zimbabwe e
Swazilândia.
O emprego de mão-de-obra estrangeira transformou a África do Sul num país
“cobiçado”, com tentáculos de dependência dos Estados de toda a região austral, na
sua generalidade pouco industrializados. A procura de mão-de-obra para fazer face ao
crescimento económico converteu o país num pólo atractivo para os imigrantes
laborais dos países circunvizinhos. Em 1960 e 1970 o país comportava,
respectivamente, 586.400 e 489.20065 trabalhadores estrangeiros africanos, cujas
principais áreas de emprego eram sobretudo o sector mineiro, agrícola e indústria
manufactureira66 (CIDOB, 2004).

A presença de trabalhadores moçambicanos na África do Sul manteve-se elevada desde a


descoberta de ouro, o que causou grande impacto no processo de desenvolvimento económico
daquele território. Como ilustra o gráfico 6, o período “dourado” de mão-de-obra
moçambicana correspondeu aos anos entre 1972 e 1976, com 121.708, 127.128, 150.738 e
111.257 trabalhadores, respectivamente. O pico correspondeu ao ano de 1975 (150.738
trabalhadores), tendo decaído progressivamente desde aí. Este declínio tem a ver, entre outras
causas, com a conjuntura em que se deu o processo de libertação de Moçambique. Após a
proclamação da independência nacional em 1975, as relações entre os dois países tornaram-se
tensas, tendo a África do Sul reduzido a mão-de-obra moçambicana nas minas.
41

CAPÍTULO III - DESENHO METODOLÓGICO

Para o presente capítulo faz-se uma breve apresentação, procurado explicar a forma como o
trabalho tomou percurso até a sua materialização, visto que este teve que obedecer os
procedimentos metodológicos com o propósito de encontrar o desenho metodológico
mediante as normas de elaboração de um trabalho científico.

Metodologia

Metodologia de pesquisa constitui os procedimentos, caminhos e passos a recorrer durante a


pesquisa. Neste item, foram abordados aspectos como tipos de pesquisa, técnica de Colecta de
dados, o universo e a mostra que foram usados na pesquisa.

3.1.1. Tipos de pesquisa

Para Gil (1999:42), a pesquisa tem um carácter pragmático, é um “processo formal e


sistemático de desenvolvimento do método científico. O objectivo fundamental da pesquisa é
descobrir respostas para problemas mediante o emprego de procedimentos científicos”.

3.1.2. Quanto a Abordagem

A pesquisa quanto a abordagem foi qualitativa, olhando a natureza do problema e a relevância


do estudo. Este tipo de pesquisa consiste em mergulhar a complexidade dos acontecimentos a
partir de interpretação dos dados sobre uma certa realidade e permite descrever as
características e situações emocionais dos factos de forma qualitativa.

A abordagem qualitativa parte de fundamentação da qual existe uma relação dinâmica entre o
mundo real e sujeito, ou seja, uma interdependência vivida entre o sujeito e o objecto.

A autora procurou analisar criticamente e a influência exercida pelos movimentos migratórios


na cidade e Província de Nampula. A escolha da pesquisa qualitativa deveu-se a natureza do
fenómeno pesquisado, pois permitirá a pesquisadora classificar o fenómeno em estudo.

3.1.3. Quanto aos objectivos

Quando aos objectivos a pesquisa foi descritiva porque permitiu observar, registar, analisar e
correlacionar factos ou fenómenos sem manipulá-los, procurando descobrir, com precisão
possível, a frequência com que um fenómeno ocorre, sua relação e conexão com outros, sua
42

natureza e características, buscando conhecer as diversas situações e relações que ocorrem na


vida social, política, económica e demais aspectos do comportamento humano, tanto do
indivíduo tomado isoladamente como de grupos e comunidades mais complexas.

Este tipo de pesquisa visou descrever as características de determinada população ou


fenómeno ou o estabelecimento de relações entre variáveis. Envolveu o uso de técnicas
padronizadas de colecta de dados: questionário e observação sistemática, GIL, (1991, apud
RIBEIRO & SILVA, 2004:1 5).

3.1.4. Quanto aos Procedimentos Técnicos

Quanto aos procedimentos recorreu-se a pesquisa de estudo do campo, visto que, procura o
aprofundamento de uma realidade específica. É basicamente realizada por meio da
observação directa das actividades do grupo estudado e de entrevistas com informantes para
captar as explicações e interpretações que ocorre naquela realidade.
A pesquisa de campo deve merecer grande atenção, pois devem ser indicados os
critérios de escolha da amostragem (das pessoas que serão escolhidas como
exemplares de certa situação), a forma pela qual serão colectados os dados e os
critérios de análise dos dados obtidos (GIL, 2002).

Olhando pela complexidade de um trabalho de pesquisa, é pertinente chegar ao campo para ir


viver de perto a situação que deseja pesquisar para melhor colectar e apurar a verdade do que
esta acontecer de verdade. Só com as informações do campo foi possível validar e ter uma
fidedignidade do assunto em estudo.

3.1.5. Observação

A observação é uma técnica de colecta de dados, para conseguir informações e utilizam os


sentidos na obtenção de determinados aspectos da realidade. A observação permitiu a
pesquisadora acompanhar de perto o ambiente vivido no local de pesquisa e concretizar os
factos de forma directa e indirecta.

A observação foi feita nos critérios de selecção dos candidatos, sobretudo das contratações
dos professores e do pessoal, no princípio, no meio e no final do ano. Sempre que necessário
(quando da existência de informações prestadas pelos candidatos) fez-se anotações pela autora
nos momentos de entrevista, complementando as informações que foram registadas.
43

3.1.6. Questionário

O Questionário, numa pesquisa, é um instrumento de colecta de dados, com uma linguagem


simples e directa para que o respondente compreenda com clareza o que está sendo
perguntado. Assim, nesta pesquisa beneficiou-se de perguntas mistas fechadas e abertas, pelo
facto que permitiu que o pesquisado pudesse exprimir livremente e individualmente o seu
ponto de vista com relação ao tema em estudo.

Este foi dirigido para 2 dirigentes dos Serviços Provinciais de Migração da Cidade de
Nampula e 2 da ACNUR, 10 emigrantes, por serem o foco de atenção desta pesquisa por
serem agentes interventivos do processo de migração, onde precisou colher dados a cerca do
fenómeno. Quanto a vantagem do instrumento permitiu fazer uma análise de uma forma
rigorosa e qualitativa.

Este tipo de instrumento ajudou a pesquisadora a explorar mais informações sobre o tema em
pesquisa; ao estimular o pensamento livre, solicitar sugestões, explorar a memória das
pessoas, clarificar posições, esclarecer opiniões, atitudes e percepções. Permitiu ainda que o
inquirido se expresse sem limitações, resultando daí uma grande variedade de informação e
eliminando virtualmente os vícios associados ao investigador.

3.2. Universo e Amostra

3.2.1. Universo

O universo ou população é “o conjunto de seres animados ou inanimados que apresentam pelo


menos uma característica em comum”.

Nesta pesquisa entende-se como conjunto de todos elementos ou corpo da pesquisa. Para tal, a
pesquisa envolveu toda comunidade da Cidade de Nampula e muito em particular os
emigrantes.

3.2.2. Amostra

Nem sempre há possibilidades de pesquisar todos os indivíduos do grupo ou comunidade que


se deseja estudar. A amostra nesta pesquisa é a menor representação do universo da pesquisa,
e, para a realização dessa pesquisa envolveu 20 pessoas dos (30 previstos) sendo 10
44

emigrantes internacionais, 6 residentes da cidade de Nampula (nativos) e 2 representantes dos


Serviços Provinciais de Migração de Nampula e 2 representantes ACNUR.

Num delineamento de amostragem aleatória simples consiste em seleccionar as unidades da


população de modo irrestrito de tal que todas as unidades tenham probabilidade igual de
constituir a amostra. Equivalentemente, um delineamento de amostragem aleatória simples de
tamanho que consiste em seleccionar a amostra com a propriedade de que todos os
subconjuntos de unidades da população objectivam tenham a mesma probabilidade de
selecção.
Portanto, a nossa amostra foi seleccionada dentro de uma população já determinada pela
natureza do tema desta pesquisa cujo tamanho da amostra dependeu da população.

Quadro 7: Amostra ilustrativa da pesquisa

Amostra Número de abrangidos Técnica de recolha de dados


Dirigentes do SPMN 2 Questionário
Dirigentes do ACNUR 2 Questionário
Emigrantes 10 Observação e Questionário
Total 50

Fonte: Autora, 2018.


45

CAPÍTULO IV: APRESENTAÇÃO, ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DE DADOS

Neste capítulo pretendeu-se fazer a apresentação, análise e interpretação dos dados colhidos
durante a pesquisa de campo. Far-se-á a discussão dos elementos que influenciam a migração
internacional a nível da cidade Nampula, fazendo não só referência desta mas também de
outros pontos que de forma directa contribuem para o crescente índice de migração para este
ponto.

De modo a preservar a identidade dos nossos entrevistados, serão atribuídos códigos nas
citações destas individualidades por forma a tecer com mais clareza as suas opiniões sobre o
assunto aqui exposto.

3.1. Resultados referentes aos dados colhidos nos Serviços Provinciais de Migração
de Nampula.

Para este grupo foram seleccionados 2 representantes correspondendo a 100% a esta categoria
de inqueridos. Onde foram feitas as seguintes questões:

a) Nampula tem sido um ponto muito atractivo pelos imigrantes provenientes de vários
cantos do mundo caso particular de Africanos e Asiáticos. Qual tem sido as formas
de tratamento das autoridades locais no que diz respeito a este grupo social?

Segundo os representantes do SPMN o governo moçambicano e em particular o governo


provincial de Nampula, de acordo com os princípios de boa-fé e de solidariedade com os
povos vizinhos e não só, procura acolher da melhor forma possível a todos os imigrantes que
estejam no território nacional e em particular na província e cidade de Nampula.

Estes afirmaram o seguinte:

“A cidade de Nampula recebe imigrantes de todas as naturezas desde os ilegais e os legais,


tomando em consideração que a província acolhe um centro de refugiados ‘Marratane’, no
caso dos imigrantes ilegais o Estado garante o repatriamento destes, e no caso dos
refugiados e os que entram no país com intenções de trabalho e exercício comerciais o estado
garante a estes a tramitação de documentos que lhes de o direito de residência e
consequentemente estes podem praticar as suas actividades”.
46

Assim, ficou claro que o governo provincial tudo tem feito para a boa gestão deste fenómeno
migratório, como um mecanismo de assegurar a boa convivência entre os nativos e os
visitantes, dando a este grupo apoio necessário para que se sintam acolhidos no nosso solo
pátrio.

b) Quantos imigrantes a cidade de Nampula dispõem neste momento?

A esta pergunta os representantes dos SPMN deram os números exactos dos imigrantes
existentes em Nampula segundo a idade, sexo e país de origem. Para o centro de refugiados
de Marratane este conta com cerca de 10.215 cidadãos de diferentes nacionalidades. E para a
cidade de Nampula conta com pouco mais de 6.200 cidadãos imigrantes totalizando assim só
para a cidade de Nampula 16.415 imigrantes segundo os seus registos do período em análise
(vide o quadro 8).

Pais de origem Homens Mulheres Total


Índia 612 875 1.487
China 520 469 989
Congo 1.305 2.300 3.605
Somália 1.715 1.030 2.745
Nigéria 1.025 1.300 2.325
Senegal 650 312 962
Mali 315 245 560
Tanzânia 450 512 962
Cuba 450 330 780
Burundi 1.020 980 2.000

Fonte: Adaptado da autora (Dados fornecidos pelo SPMN – 2018)

Note-se que estes números excluem os imigrantes que por razões de falhas no sistema de
monitoramento das nossas fronteiras, tem entrado a nossa província escapando das
autoridades e acabam se envolvendo em esquemas fraudulentos de aquisição de vistos de
residência. Contudo, presume-se que haja mais imigrantes em situação ilegal vivendo na
cidade de Nampula, dai que o SPMN desencadeou uma campanha conjunta com outras
autoridades por forma a regularização documental de vários cidadãos que residem na cidade
de forma ilegal.

c) Quais os motivos que levam os imigrantes a escolherem a cidade de Nampula como


um ponto privilegiado para a habitação e desenvolvimento das suas actividades?

No que respeita a esta questão os representantes do SPMN afirmaram o seguinte:


47

“A cidade de Nampula tem sido muito atractiva, não apenas aos imigrantes internacionais,
como também a vários outros imigrantes nacionais devido as facilidades de vida. Nota-se que
a província em si apresenta uma diversidade de oportunidades económicas muito atractivas e
estes vêem a cidade como ponto livre para a execução das suas actividades sejam comerciais
e ou no que diz respeito ao emprego”.

E ainda em outra perspectiva estes afirmaram o seguinte:

“Nampula é um ponto com facilidades de negócio a todos os níveis, assim como também pela
existência de um centro de acolhimento aos refugiados dando a estes espaço para
desenvolverem suas vidas. No entanto, a cidade de Nampula, acaba acolhendo um maior
número de imigrantes devido as suas facilidades e oportunidades”.

Fica claro que Nampula tem muitas oportunidades, seja de emprego assim como de negócio.
Este segundo é visto como o principal motivo uma vez que nos últimos anos a cidade vem
sofrendo uma requalificação na sua estrutura urbana, onde tem esta a se erguer vários
edifícios com fins comerciais fazendo assim, com que, a cidade seja mais atractiva para estes
grupos sociais uma vez que estes são o grosso praticando estas actividades.

d) Qual tem sido as dificuldades que os SPMN têm tido no controlo da entrada de
imigrantes ilegais na cidade de Nampula?

Segundo o que se pode apurar de acordo com os representantes dos SPMN, vários tem sido os
constrangimentos enfrentados, desde o fenómeno da corrupção e a fragilidade das nossas
fronteiras no requisito de segurança eficaz e eficiente de modo a responder a demanda de
entrada de ilegais principalmente os que usam a província vizinha de Cabo Delgado.

Segundo estes afirmam que:

“O nosso sector é muito vulnerável as práticas de corrupção por parte dos nossos agentes,
isso fragiliza as nossas acções com vista a combater a entrada de imigrantes de forma ilegal
a nossa província no geral e de forma particular a cidade de Nampula, com isso, a falta de
recursos humanos o suficiente pra cobrir todo um perímetro de vigilância das nossas
fronteiras faz com que o controlo seja precário e deficitário. A maior dificuldade enfrentada
tem sido a falta honestidade por parte dos nossos agentes”.
48

Contudo, ficou claro que a corrupção e a falta de recursos humanos em número suficiente
para fazer face a demanda de entrada de imigrantes na cidade tem sido as maiores
dificuldades que os SPMN têm enfrentado no que diz respeito a entrada de imigrantes ilegais
na cidade de Nampula.

e) Qual tem sido o impacto e as vantagens e desvantagens da presença dos imigrantes


na cidade de Nampula?

No que respeita ao impacto da presença dos imigrantes na cidade de Nampula estes apontam o
desenvolvimento económico e social como sendo o principal impacto, na medida em que com
a presença destes em qualquer área em que estes actuem fazem a diferença. Assim, avalia-se
positivamente a presença deste grupo social na cidade de Nampula.

Já no que se refere as vantagens e desvantagens estes afirmam o seguinte:

“Com a chegada dos imigrantes a nossa cidade de forma separa estes tem suas vantagens, no
que refere como exemplo aos imigrantes trabalhadores, em muitos casos estes vêm prestar
serviços de saúde o que é de grande importância para as nossas populações, quanto aos
outros grupos estes criam o auto emprego e consequentemente dão emprego a nossos irmãos.
Mas como nem tudo é um ‘mar de rosas’ as desvantagem são o crescente índice de
criminalidade aliado a estes grupos a todos os níveis”.

Em qualquer sociedade a entrada de um grupo social com culturas totalmente distintas, não
falta a existência de um choque étnico. Embora haja um impacto positivo e varias vantagem
as desvantagem acabam pesando mais, dai que a necessidade de redobrar esforços no
processo de monitoramento desse grupo social.

3.1.1. Resultados referentes aos dados colhidos no ACNUR de Nampula.

Para este grupo foram seleccionados 2 representantes correspondendo a 100% a esta


categoria, e estes foram convidados a responder uma série de perguntas que serão
apresentadas a seguir.
49

a) Quais os desafios que o órgão enfrenta no processo de gestão dos imigrantes


residentes no centro de acolhimento em Marratane?

Segundo os representantes do ACNUR vários são os desafios que o órgão enfrenta no que
respeita a gestão dos imigrantes. As dificuldades financeiras são o mal maior, uma vez que
para manter os serviços públicos e sociais que ali foram instalados, são necessários avultadas
somas de dinheiro e não só de recursos humanos e materiais para fazer face a esses desafios.

Os representantes do ACNUR disseram o seguinte:

“O órgão não é o único a gerir o centro de acolhimento dos refugiados, estão também
envolvidos várias outras organizações nacionais e estrangeiras como a INAR só pra citar um
exemplo. No entanto, a alocação de fundos para uma melhor gestão do centro tem sido
bastante deficitária principalmente nos últimos anos, o que dificulta a gestão deste e
consequentemente a carência de melhor prestação de serviços básicos”.

Contudo, entende-se que as organizações envolvidas no processo de gestão daquele centro,


tudo tem feito para uma melhor gestão e prestação de serviços básicos de qualidade pra todos,
mas devido a ineficácia dos mesmos, os cidadãos que ali residem sentem-se obrigados a se
deslocarem a cidade em busca de trabalho e no que se refere as raparigas em muitos casos,
envolvem-se em “negócios do sexo” prostituição como forma de tentar suprir as suas
necessidades e alimentar as suas famílias.

b) Os refugiados têm-se queixado de falta de produtos de limpeza e alimentos básicos.


Qual tem sido a maneira utilizada pela ACNUR para resolver essa situação?

A esta questão os representantes do ACNUR disseram o seguinte:

“O centro é muito grande com um número populacional muito elevado, o que em algum
momento dificulta a distribuição regular de produtos de primeira necessidade. Dai que, como
forma de tentar aliviar essa necessidade os parceiros e as organizações nacionais envolvidas,
ajudam na doação de produtos de primeira necessidade, como sabão, óleo, açúcar, sal,
farinha, arroz entre outros. E são distribuídas sementes agrícolas, como forma de incentivo a
práticas agrícolas como um mecanismo de auto sustento e forma de geração de algum
dinheiro”.
50

Soube-se que, os residentes daquele canto da cidade foram distribuídos terrenos para o cultivo
e estes criaram oportunidades de negócio por lá como uma forma de auto dependência uma
vez que as autoridades nem sempre fazem a distribuição equitativa de produtos básicos.

c) Como tem sido o convívio dos refugiados com as comunidades circunvizinhas do


centro de Marratane?

Nota-se que a abertura do centro de refugiados em Marratane trouxe alguns benefícios as


comunidades que já habitavam aquele lugar, na medida em que ouve e ainda há uma troca
benéfica de experiencias de vida, cultural, religiosa entre os residentes não tendo sido
registado nenhum caso grave de desentendimento entre os nativos e os residentes do centro.

No entanto segundo os representantes do ACNUR alguns casos isolados foram registados de


agressão tanto dos nativos aos imigrantes e vice-versa, mas em suma o ambiente tem sido de
extrema paz e convívio de amizade de ambas partes.

3.1.2. Resultados referentes aos dados colhidos dos vários imigrantes residentes
em Nampula.

Para estes grupos foram escolhidos vários intervenientes num total de 15 imigrantes o que
corresponde a 100% e estes foram convidados a responder uma série de questões cujas
respostas são apresentadas neste ponto, a seguir é apresentado o perfil dos nossos
entrevistados no quadro a baixo.

Pais de Situação Idade


Nome Completo Actividade Residência
Orig. jurídica
1 Alimatha Abudo Congo Legal 35 Comercio Marratane
2 Andre Mefim Burundi Legal 32 Comercio Marratane
3 Cabila Diallo Nigéria Não regular 45 Comercio Cidade Npl
4 Hu Ping Txing China Legal 36 Comercio Cidade Npl
5 Mamadou Diarra Mali Legal 43 Comercio Cidade Npl
6 Salima Bijah Tanzânia Não regular 33 Trabalho Cidade Npl
7 Arjun Satar
Índia Legal 39 Comercio Cidade Npl
Gulamo
8 Cathirene Ernest Congo Em processo 29 Comercio Marratane
9 Dways Yousuf Paquistão Legal 37 Comercio Cidade Npl
10 Chef.
Abdellahi ould
Senegal Legal 45 Escrit. Cidade Npl
Elbah
Maratane
51

11 Paulyne Binth Senegal Legal 42 Estudante Cidade Npl


12 Allyne Souza Cuba Legal 53 Trabalho Cidade Npl
13 Salim Abdulah Somália Não regular 41 Comercio Cidade Npl
14 Ahamed Diallo Nigéria Legal 39 Comercio Cidade Npl
15 Arjun Yussufo
Paquistão Legal 34 Comercio Cidade Npl
Arman

Fonte: Elaborado pela autora (2018)

a) Quais foram as razões que o levaram a imigrar em Moçambique?

Dos 15 seleccionados para responder a esta questão 8 correspondendo a 60% afirmaram ter
imigrado para Moçambique por questões de conflitos em seus países, e viram Moçambique
como um local de muitas oportunidades por ser um local de paz e pela motivação dos seus
amigos e familiares que já estavam a residir em Moçambique há bastante tempo na mesma
condição de refugiados.

Os outros 7 o que corresponde a 40% dos seleccionados, disseram ter imigrado para
Moçambique por fins de trabalho e comercio, uma vez que segundo aqueles o país oferece
melhores condições de investimento e viram a cidade de Nampula com um ponto privilegiado
para o efeito.

b) Como avalia a sua situação social e económica comparativamente ao tempo em que


vivia no seu país de origem?

Segundo os nossos entrevistados, a avaliação que fazem é excelente comparativamente ao que


eles viviam nos seus países de origem, dizem estes que em Moçambique e de forma especial
na cidade de Nampula, estes viram as suas vidas mudadas, poderão aqui encontrar sossego e
tranquilidade para os que vieram por motivos de refúgio políticos (devido aos conflitos
militares nos seus países), o nível económico mudou bastante uma vez que as oportunidades
de crescimento económico são mais vantajosas, e em outra perspectiva houveram os que
afirmaram ter havido sim mudanças mas que por um motivo e o outro algo não esta bem
(falam de um excesso nível de corrupção e demora na tramitação dos seus documentos).

Contudo, clarifica-se aqui a ideia de que este grupo social viu em Moçambique a
oportunidade de crescimento económico e social que em seus países, parecia mais uma
“miragem”, mas que agora estando em Moçambique tudo transformou-se em um sonho
realizado.
52

c) O que lhe levou a escolher a cidade de Nampula como principal cidade para viver?

Na sua maioria os imigrantes que entrevistamos estão a residir em Nampula por influência de
amigos e familiares, em outros casos por se tratar de refugiados de guerra foram alocados no
centro de Marratane.

Dizia um dos nossos entrevistados o seguinte:

“Sou refugiado de guerra, e quando fugíamos a guerra no nosso país não sabíamos ao certo
para onde ir, apenas queríamos nos livrar do sofrimento de estar a fugir de um local para o
outro dia e noite. Quando chegamos a Moçambique, nos sentimos aliviados e a nossa estadia
no centro de acolhimento de Marratane, proporcionou a muitos de nos oportunidades de
continuarmos as nossas vidas criando os nossos filhos que até hoje já temos filhos com a
nacionalidade Moçambicana e isso pra nos é gratificante por ser um país onde não há guerra
como no nosso país”. Disse.

d) Como tem sido o convívio com os nativos da cidade de Nampula?

A esta questão todos fora unânimes em responder que tem tido um relacionamento bastante
positivo com os irmãos moçambicanos e em especial com os residentes desta cidade, que lhes
acolheram de braços abertos e que tudo tem feito para que essa boa convivência não se
coloque em jogo.

Ainda, esta convivência fica cada vez melhor na medida em que, os imigrantes têm sido uma
das melhores fontes de emprego, visto que estes são donos de vários estabelecimentos
comerciais na cidade que empregam vários cidadãos nacionais e não só, sendo este um efeito
positivo da sua presença neste canto do país.

Contudo, através dos médios chega-nos a informação que os imigrantes têm-se envolvido em
escândalos criminosos como a venda de estupefacientes. O que mancha sob maneira este
grupo social.
53

e) Quais as dificuldades que mais tem enfrentado ca na cidade e província de


Nampula no geral?

A esta questão quase todos responderam da mesma forma, uma vez que as dificuldades têm
sido as mesmas para ambos mesmo os imigrantes refugiados assim como os que imigram no
país para fins comerciais e de trabalho.

Segundo este afirmaram o seguinte:

“A nossa vida tem sido muto boa em detrimento do que era na nossa terra, embora existam
alguns constrangimentos principalmente com as autoridades da lei e ordem (PRM), que em
muitas vezes tem-nos tratado de forma incorrecta, a tramitação de documentos tem sido um
outro problema que em muitas vezes nos faz recorrer a opções de corrupção como a forma
mais fácil de obtê-los num curto espaço de tempo”.

Em outra perspectiva estes afirmam ainda o seguinte:

“Nos estrangeiros temos sofrido muito com cobranças ilícitas quando queremos nos
beneficiar de um serviço social básico, são nos cobrados valores acrescidos aos estipulados
pelo Estado, sem deixar de lada a questão de que em algum momento nos somos
contribuintes assim como os nacionais”.

Fica aqui caro que devido a sua condição de imigrantes, os estrangeiros tem sofrido de um
tipo de abuso por parte das autoridades, pois estes quando não apresentam documentos e ou
mesmo quando apresentados, são forçados a pagar somas de valores como uma forma de os
deixar circular livremente. E o processo de tramitação de documentos tem sido muito
demorado.

f) Em algum momento já pensou em voltar para o seu país de origem?

Segundo os nossos entrevistados estes afirmaram tem vontade sim de voltar aos seus países de
origem, mas são muito reservados a esse ponto visto que alguns desses países ainda estão em
conflitos o que de algum modo lhes da incerteza se será uma ideia a ser considerada ou não.

No que se refere aos refugiados muitos destes procuram a todo custo serem transferidos para
outros centros de refugiados espalhados pelo mundo a fim de se juntarem aos seus familiares
que devido os conflitos foram se espalhando. Já para os imigrantes em busca de trabalho e
54

melhores oportunidades de negócio estes, dizem que essa possibilidade esta fora de cogitação
uma vez que aqui, segundo estes tem melhores condições de vida e as oportunidades são
melhores comparadas com as oportunidades dos seus países de origem.

Contudo, percebe-se aqui a vontade de permanecer no país é maior que a de voltar aos seus
países de origem. Isto, deve- se em grande parte a questões sociais, económicas e politicas
que o país oferece a estes imigrantes.

g) Como tem sido o seu convívio com os imigrantes residentes na cidade de Nampula?

A esta questão os residentes e nativos da província e cidade de Nampula, responderam de


forma unânime afirmando que tem tido um relacionamento bastante positivo com os
imigrantes, uma vez que em grande parte estes são seus benfeitores, diga-se pelo facto de que
estes são na sua maioria donos de vários estabelecimentos comerciais onde empregam vários
cidadãos nacionais.

Contudo, torna-se evidente que o convívio entre os imigrantes e os nativos da cidade e


província de Nampula e não só, é bastante agradável, mesmo os imigrantes sentem-se bastante
optimistas com a forma como são acolhidos pelos residentes nativos.

h) Será que com a chegada dos imigrantes na cidade de Nampula, houve alguma
mudança?

Para esta questão ficou claro no entender dos nacionais que os imigrantes trouxeram suas
culturas (hábitos, costumes e mitos), o que impulsionou um certo dinamismo na sociedade
Nampulense como um todo, estes trouxeram novas formas de fazer negócio, modificaram
a estrutura urbana da cidade com construções com uma arquitectura moderna.

A chegada deste grupo social de algum modo trouxe efeitos positivos, a vida dos nativos
impulsionando assim um novo ambiente social, económico tanto destes assim como dos
residentes nativos na cidade.
55

3.2. Verificação e aprovação de hipóteses

Para a primeira hipótese – “uma parte da população que vem a cidade de Nampula, vem com
o objectivo de realizar um sonho de consumo buscando adquirir melhores condições de vida,
impactando de forma positiva ou negativa a vida socioeconómica, cultural e política”. Esta foi
validade segundo o ponto 3.1.1 nas alíneas a) e c) respectivamente.

E para a segunda hipótese – “As condições sociais e económicas possivelmente atraem a


outros povos, o que, possibilita o elevado número de emigrantes na Cidade de Nampula”.
Igualmente foi validade segundo os pontos 3.1.1 na sua alínea c) e 3.1.2 na sua alínea a).
56

CAPITULO V: CONSIDERAÇÕES FINAIS

Conclusão

Conquanto as migrações sejam percebidas como resultado das relações assimétricas, sociais e
económicas, estabelecidas entre os países, elas estão, também, ligadas aos paradoxos das
relações internacionais, bem como à tendência neoliberal global do sistema económico
vigente, onde o desemprego constitui uma particularidade. Devido à complexidade de que
estão impregnadas, explicações diversas têm sido apontadas nas formulações migratórias. As
várias disciplinas das ciências sociais têm procurado estudar as trajectórias e fluxos
migratórios a partir de várias perspectivas, sem, contudo, haver consensos teóricos devido às
limitações encontradas na observação de uma realidade dinâmica e complexa. Daí a não
existência de uma teoria geral das migrações.

A chegada de estrangeiros a Nampula pressupõe a sua integração na nova sociedade de


acolhimento. E esta faz-se num contexto complexo de transição, com o abandono do modus
vivendi anterior, da sua terra de origem para uma nova realidade, na qual, à partida, se devem
acomodar, pois o processo migratório traz consigo transformações multivariadas,
socioculturais, económicas, psicológicas e políticas. Em Nampula, constatamos que a
integração na sociedade local parece não implicar grandes perturbações para os imigrantes
africanos, devido, em parte, a algumas semelhanças socioculturais que assentam
fundamentalmente na seguinte tríade de factores: língua, redes sociais e religião.

A entrada considerável de estrangeiros pressupõe a existência de instituições que devem gerir


as migrações. A gestão dos imigrantes torna-se um processo complexo, na medida em que os
solicitantes do direito de asilo e estatuto de refugiado não possuem quaisquer documentos que
os identifiquem.

A triagem é feita com base em entrevistas, acabando normalmente por serem considerados
refugiados e enviados para o Centro de Refugiados Marratane. O Estado, através dos seus
principais organismos na província de Nampula (ACNUR, INAR e Centro de Refugiados de
Marratane), gere os movimentos migratórios em função das suas limitações humanas e
materiais, por meio da prevenção, controlo, acolhimento, integração e expulsão (se for o caso)
num contexto em que se verificam entradas massivas, muitas delas em situação irregular
embora esta gestão seja feita em coordenação com os países vizinhos, principalmente a
Tanzânia.
57

Além disso, as instituições confrontam-se com dificuldades de vária ordem, que não permitem
uma coordenação eficaz para lidar com os imigrantes. As dificuldades, para além da falta de
recursos humanos e financeiros, compreendem a exiguidade de meios de transporte e de
comunicação, a falta de um centro de retenção de estrangeiros, entre outras. No Centro de
Marratane, os refugiados são confrontados com a falta de alimentação, cuidados médicos e
excessiva burocracia na emissão de documentos.

Os imigrantes que se encontram no sector formal possuem estabelecimentos comerciais onde


vendem diversos produtos provenientes, na sua maioria, da China. Os mesmos produtos
“alimentam” também o sector informal.
58

Sugestões

Em jeito de sugestões, a autora apresenta 2 elementos que são necessários melhorar dentro do
exercício da gestão dos imigrantes como um mecanismo de evitar efeitos negativos a
sociedade da cidade de Nampula.

 Sugere-se as autoridades migratórias e as outras entidades envolvidas no processo de


gestão dos imigrantes na cidade de Nampula, a pautarem pelo comportamento de
patriotismo e humanismo.
 Sugere-se ainda aos serviços de apoio aos refugiados no centro de Marratane, a
melhorarem as condições de vida naquele ponto, que melhorem as questões sanitárias,
alimentação, e serviços de educação.
59

Bibliografia

Fontes Orais
Pais de
Nome Completo Actividade Residência
Origem
Alimatha Abudo Congo Comercio Marratane
Andre Mefim Burundi Comercio Marratane
Cabila Dialo Nigéria Comercio Cidade Npl
Hu Ping Txing China Comercio Cidade Npl
Mamadou Diarra Mali Comercio Cidade Npl
Ahamed Diallo Nigéria Comercio Cidade Npl
Arjun Yussufo Arman Paquistão Comercio Cidade Npl
Dways Yousuf Paquistão Comercio Cidade Npl
Salima Bijah Tanzânia Trabalho Cidade Npl
Arjun Satar Gulamo Índia Comercio Cidade Npl
Cathirene Ernest Congo Comercio Marratane
Bahate Antuany Presid. de Cent. Ref Maratane Cidade Npl
Abdellahi ould Elbah Senegal Chef. Escrit. Maratane Cidade Npl
Admi. do Cent de Refugiado de
António Luís Gonzaga Moç Cidade Npl
Maratane
Rábio Sequesse. Moç. Direcção Provincial das Migrações Cidade Npl
Celeste Gabriel Moç. Comercio Cidade Npl
César Armando Moç. Comercio Cidade Npl
Ernesto Martins Moç. Comercio Cidade Npl
Maria Figueiredo Moç. Comercio Cidade Npl
Patrício Almeida Moç. Comercio Cidade Npl
Paulyne Binth Senegal Estudante Cidade Npl
Allyne Souza Cuba Trabalho Cidade Npl
Salim Abdulah Somália Comercio Cidade Npl

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63

Apêndice
64

GUIÃO DE ENTREVISTA

Guião de entrevista elaborado para recolha de dados e informação para elaboração de


Monografia cientifica para a obtenção do grau de Licenciatura, com o tema: Migrações
Internacional e seus efeitos na Cidade de Nampula (2014-2017)

Nome do entrevistado_______________________________________
Nacionalidade_____________________________________________
Actividades que desempenha na província_______________________
Local de residência_________________________________________

1. Nampula tem sido um ponto muito atractivo pelos imigrantes provenientes de


vários cantos do mundo caso particular de Africanos e Asiáticos. Qual tem sido as
formas de tratamento das autoridades locais no que diz respeito a este grupo
social?
2. Quantos imigrantes a cidade de Nampula dispõem neste momento?
3. Quais os motivos que levam os imigrantes a escolherem a cidade de Nampula
como um ponto privilegiado para a habitação e desenvolvimento das suas
actividades?
4. Qual tem sido as dificuldades que os SPMN têm tido no controlo da entrada de
imigrantes ilegais na cidade de Nampula?
5. Qual tem sido o impacto e as vantagens e desvantagens da presença dos imigrantes
na cidade de Nampula?
6. Quais os desafios que o órgão enfrenta no processo de gestão dos imigrantes
residentes no centro de acolhimento em Marratane?
7. Os refugiados têm se queixado de falta de produtos de limpeza e alimentos
básicos. Qual tem sido a maneira utilizada pela ACNUR para resolver essa
situação?
8. Como tem sido o convívio dos refugiados com as comunidades circunvizinhas do
centro de Marratane?
9. Quais foram as razões que o levaram a imigrar em Moçambique?
10. Como avalia a sua situação social e económica comparativamente ao tempo em
que vivia no seu país de origem?
11. O que lhe levou a escolher a cidade de Nampula como principal cidade para viver?
12. Como tem sido o convívio com os nativos da cidade de Nampula?
65

13. Quais as dificuldades que mais tem enfrentado ca na cidade e província de


Nampula no geral?
14. Em algum momento já pensou em voltar para o seu país de origem?
15. Como tem sido o seu convívio com os imigrantes residentes na cidade de
Nampula?
16. Será que com a chegada dos imigrantes na cidade de Nampula, houve alguma
mudança?

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