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Rudimental

Divine Science

B Y M A R Y B A K E R E D D Y


Discoverer and Founder of Christian Science
and Author of the Christian Science textbook,
Science and Health with Key to the Scriptures

Published by The Christian Science Board of Directors

Distributed by The Christian Science Publishing Society


Boston, Massachusetts, United States of America
Rudimentos da
Ciência Divina

D E M A R Y B A K E R E D D Y


Descobridora e Fundadora da Ciência Cristã
e Autora do livro-texto da Ciência Cristã,
Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras

Publicado pelO Conselho de Diretores da Ciência Cristã

Distribuído pelA Sociedade Editora da Ciência Cristã,


Boston, Massachusetts, Estados Unidos da América
O desenho do emblema com a Cruz e a Coroa e o fac-símile da assinatura
de Mary Baker Eddy são marcas comerciais dO Conselho de Diretores da
Ciência Cristã (The Christian Science Board of Directors). O desenho da
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Rudimental Divine Science — Portuguese

Copyright, 1887, 1891, 1908


By Mary Baker G. Eddy
Copyright renewed 1915, 1919, 1936

Portuguese Edition © 1952, 2007, renewed 1980


The Christian Science Board of Directors

Todos os direitos reservados


Este pequeno livro
é
dedicado terna e respeitosamente
a todos
os estudantes leais, que estão trabalhando e esperando
pelo estabelecimento
da Ciência da cura-pela-Mente
mary baker eddy

This little book


is
tenderly and respectfully dedicated
to all
loyal students, working and waiting
for the establishment of the
Science of Mind-healing
mary baker eddy
Nota
De acordo com a norma estabelecida por Mary Baker Eddy,
o texto original inglês sempre aparece nas páginas que con-
frontam a tradução de seus escritos.

Note
In accordance with the rule established by Mary Baker Eddy,
the English text always appears opposite the translated pages
of her writings.
Índice

Definição de Ciência Cristã 1


O Princípio da Ciência Cristã 1
O conceito de que Deus não é uma pessoa 1
A cura da doença e do pecado 2
A individualidade de Deus 3
A ciência material e a Ciência espiritual 4
A inexistência da matéria 4
A materialidade é intangível 6
A base da cura-pela-Mente 6
O homem material e o homem espiritual 7
A demonstração pela cura 8
Meios e métodos 13
Uma única escola 16
Rudimentos da
Ciência Divina

Como é que a senhora definiria a Ciência Cristã? 1

C omo a lei de Deus, a lei do bem, que interpreta e


demonstra o Princípio divino e o governo da harmonia
universal.
3

Qual é o Princípio da Ciência Cristã?


É Deus, o Ser Supremo, a Mente infinita e imortal, a 6
Alma do homem e do universo. É o nosso Pai que está nos
céus. É a substância, o Espírito, a Vida, a Verdade e o
Amor — estes são o Princípio divino. 9

Isso significa que Deus é uma pessoa?


A palavra pessoa pode muitas vezes ser mal compreendi-
da, como também pode ser definida de várias formas. Em 12
francês, o termo equivalente é personne. Em espanhol, ita-
liano e latim é persona. O verbo latino personare se com-
põe do prefixo per (através) e de sonare (soar). 15
Em direito, Blackstone aplica a palavra pessoal à pre-
sença física, para diferenciá-la do comparecimento (perante
um tribunal, por exemplo) por meio de procuração. 18

1
Rudimentos da Ciência Divina 2

Segundo o dicionário Webster, outras definições da 1


palavra pessoa são: “Alma vivente; ser consciente de si
mesmo; agente moral; principalmente o ser humano 3
vivente, homem, mulher ou criança corpóreos; um indiví-
duo da raça humana.” Ele acrescenta que, entre os cristãos
trinitarianos, a palavra significa um dos três elementos ou 6
agentes que constituem a Deidade.
Na Ciência Cristã aprendemos que Deus é decididamente
individual, e não uma pessoa, no sentido em que a palavra 9
é empregada pelas maiores autoridades no assunto, se é que
os nossos lexicógrafos têm razão de definir a palavra
pessoa principalmente como ser humano finito; mas Deus 12
é pessoal, se pela palavra pessoa se entende o Espírito
infinito.
Não temos o conceito correto de Deus, se O conside- 15
ramos menos que infinito. A pessoa humana é finita; é por
isso que prefiro conservar o sentido apropriado da Deidade,
empregando o termo um Deus individual, em vez de um 18
Deus pessoal, pois há só um e só pode haver um Espírito
individual infinito, que os mortais denominaram Deus.
A Ciência define a individualidade de Deus como o bem 21
supremo, a Vida, a Verdade, o Amor. Essa expressão amplia
nosso conceito da Deidade, elimina as restrições que o pen-
samento finito atribui a Deus e nos conduz a definições 24
mais elevadas.

A Ciência é toda ela dedicada à cura dos doentes?


A cura da doença física é a menor parte da Ciência 27
Cristã. É apenas o chamado inicial ao pensamento e à
ação, dentro do alcance mais elevado do bem infinito. O
objetivo predominante da Ciência Cristã é a cura do pe- 30
cado; e essa tarefa pode ser, às vezes, mais difícil do
Rudimentos da Ciência Divina 3

que a cura da doença; porque muito embora os mortais 1


gostem de pecar, não lhes agrada estar doentes. Por isso é
relativamente fácil eles cederem aos esforços feitos para 3
curá-los de males físicos, enquanto resistem obstinada-
mente a todo esforço feito para salvá-los do pecado, me-
diante o Cristo, ou seja, a Verdade e o Amor espiritual, o qual 6
torna-se seu Salvador e, para além da carne, os redime da
carne — do mundo material e do mal.
Essa Vida, Verdade e Amor — essa trindade do bem — 9
foi individualizada e tornou-se perceptível ao senso mortal,
no homem Jesus. A história dele tem relevância em nosso
coração e vive em virtude da cura espiritual, mais do que 12
das curas físicas que ele realizou. Para os Cientistas Cris-
tãos, o exemplo dele é como os modelos dos mestres da
música e da pintura são para os artistas. 15
Os verdadeiros Cientistas Cristãos não se desviam mo-
ralmente daquela súmula da Ciência divina chamada o
Sermão do Monte, assim como não tratam dos doentes 18
por manipulação, nem prescrevem remédios, nem negam a
Deus. O modo de curar praticado por Jesus era espiritual
por natureza, método e intento. Jesus realizava a cura da 21
doença por meio da Mente divina, que confere toda volição,
todo impulso e toda ação verdadeira; destrói o erro mental
que aparece fisicamente, e, pela manifestação oposta, a da 24
Verdade, estabelece no corpo a harmonia e a saúde.

Ao falar da individualidade de Deus, a senhora quer


dizer que Deus tem uma forma finita? 27

Não. Refiro-me ao Princípio infinito e divino de todo o


ser, o sempre presente EU SOU, a encher todo o espaço, a
Rudimentos da Ciência Divina 4

incluir em si toda a Mente, o único Pai-Mãe Deus. A Vida, 1


a Verdade e o Amor são essa trindade em unidade e seu uni-
verso é espiritual, povoado de seres perfeitos, harmoniosos 3
e eternos, do qual nosso universo material e os homens
materiais são as contrafações.

É Deus o Princípio de toda ciência, ou somente da 6


Ciência Divina ou Cristã?
A Ciência é a Mente manifestada. Não é material; nem
tampouco de origem humana. 9
Toda Ciência verdadeira representa uma força moral e
espiritual, que mantém a terra em sua órbita. Essa força é o
Espírito, que pode “atar as cadeias do Sete-estrelo” e “soltar 12
os laços do Órion”.
Não existe ciência material, se essa expressão indica in-
teligência material. Deus é a Mente infinita, portanto não há 15
outra Mente. O bem é a Mente, mas o mal não é Mente. O
bem não está no mal, mas só em Deus. O Espírito não está
na matéria, mas só no Espírito. A lei não está na matéria, 18
mas só na Mente.

A matéria não existe?


Tudo é a Mente. De acordo com as Escrituras e com a 21
Ciência Cristã, tudo é Deus, e não existe nada além dEle.
“Deus é Espírito” e só podemos conhecê-Lo e amá-Lo
através do Seu espírito, que produz os frutos do Espírito e 24
extingue para sempre as obras das trevas mediante Sua
maravilhosa luz.
Os cinco sentidos materiais testificam a existência da 27
Rudimentos da Ciência Divina 5

matéria. Os sentidos espirituais não oferecem tal evidência, 1


mas sim, negam o testemunho dos sentidos materiais. Qual
testemunho é o correto? A Bíblia diz: “Seja Deus ver- 3
dadeiro, e mentiroso todo homem.” Se, como as Escrituras
dão a entender, Deus é Tudo-em-tudo, então tudo deve ser a
Mente, pois Deus é a Mente. Assim, na Ciência divina não 6
há homem material e mortal, pois o homem é espiritual e
eterno, criado à imagem do Espírito, ou seja, de Deus.
Não existe senso material. A matéria é inerte, inanimada, 9
e destituída de sensação, considerada à parte da Mente.
Existe alguém que tenha encontrado a Alma no corpo ou na
matéria, que tenha visto com os olhos a substância espiri- 12
tual, que tenha encontrado a visão na matéria, a audição no
ouvido material, ou a inteligência na não-inteligência? Se
existe tal coisa como a matéria, deve ou ser a mente que se 15
chama matéria, ou a matéria sem Mente.
A matéria sem Mente é uma impossibilidade moral. A
Mente na matéria é panteísmo. A Alma é a única consciên- 18
cia real que tem conhecimento do ser. O corpo não vê, não
ouve, não tem olfato nem sente gosto. A crença humana
afirma o contrário; destrua-se, porém, essa crença de que 21
vemos graças aos olhos e já não poderemos ver material-
mente; assim é com cada um dos sentidos físicos.
Ao aceitar o veredicto desses sentidos materiais, acredi- 24
tamos que o homem e o universo sejam o joguete do acaso
e caiam no esquecimento. Destruam-se os cinco sentidos
como matéria organizada e deveremos, ou deixar de exis- 27
tir, ou existir só na Mente; esta ultima conclusão é a
Rudimentos da Ciência Divina 6

simples solução do problema do ser e nos leva à igual con- 1


clusão de que não existe matéria.

Os melodiosos sons e a beleza da terra e do céu, que 3


assumem múltiplas formas e cores — não são eles
tangíveis e materiais?
Como Mente são reais, mas não como matéria. Toda 6
formosura e todo o bem residem na Mente e dela procedem,
emanando de Deus; mas quando mudamos a natureza da
beleza e do bem, transferindo-a da Mente para a matéria, a 9
beleza fica desfigurada por uma falsa concepção e, para os
sentidos materiais, o mal toma o lugar do bem.
Acaso a verdade da Ciência Cristã não encontrou 12
confirmação no que o Prof. S. P. Langley, o jovem
astrônomo americano, afirma? Diz ele que “a cor está em
nós” e não “na rosa” e acrescenta não ser isso “uma sutileza 15
metafísica”, mas sim um fato “quase universalmente aceito
pelos físicos nestes últimos anos.”

A base da cura-pela-Mente, é ela a destruição da evidên- 18


cia dos sentidos materiais e a restauração da verdadeira
evidência do senso espiritual?
Sim, assim é, na medida de tua percepção e compreensão 21
desse predicado e postulado da cura-pela-Mente; mas é
demonstrando-a na prática que se compreende melhor a
Ciência da cura-pela-Mente. A prova daquilo que apreen- 24
des, apresentada pela mais simples, clara e absoluta forma
de cura, é a única maneira de responder a essa questão do
quanto entendes da cura-pela-Mente na Ciência Cristã. 27
Rudimentos da Ciência Divina 7

Não que toda cura seja Ciência, de modo nenhum; mas o 1


caso mais simples, curado pela Ciência, é, em pequena
escala, tão demonstravelmente científico quanto o caso 3
mais difícil assim tratado.
Os conceitos infinitos e mais sutis da Ciência Cristã, bem
como sua coerência, estão expostos em minha obra, Ciência 6
e Saúde.

É o homem material ou espiritual?


Na Ciência, o homem é o reflexo manifesto de Deus, da 9
Mente perfeita e imortal. Ele é a semelhança de Deus; e
essa semelhança se perderia, se fosse invertida ou perver-
tida. 12
Segundo a evidência dos assim chamados sentidos físi-
cos, o homem é material, decaído, doente, depravado, mor-
tal. A Ciência e o senso espiritual contradizem essa evidên- 15
cia e apresentam a única prova verdadeira do ser de Deus e
do homem, sendo a evidência material inteiramente falsa.
Jesus disse, do mal personificado, que “nele não havia 18
verdade”, porque não existe senso material. A matéria,
como matéria, não tem sensação nem inteligência pessoal.
Pretendendo ser a Mente, a matéria é uma mentira e “pai da 21
mentira”. A Mente não está na matéria e o Espírito não
pode dar origem a seu oposto, chamado matéria.
Segundo a Ciência divina, o Espírito não altera as espé- 24
cies que cria, fazendo aparecer a matéria a partir do
Espírito, assim como as assim chamadas ciências naturais,
ou leis materiais, não produzem modificações nas espé- 27
cies, transformando minerais em vegetais ou plantas em
animais — dessa maneira confundindo e transtornando os
Rudimentos da Ciência Divina 8

três grandes reinos. Nenhuma rocha produz maçãs; nenhum 1


pinheiro produz mamíferos nem fornece leite de peito para
os recém-nascidos. 3
Para os sentidos, o leão de hoje é o leão de há seis mil
anos; na Ciência, porém, o Espírito projeta sua própria
semelhança inofensiva. 6

Que devo fazer para demonstrar a Ciência Cristã na


cura dos enfermos?
Assim como fiz apenas um resumo do Princípio, só posso 9
dar aqui um esboço da prática. Sê sincero, sê autêntico con-
tigo mesmo e com os outros; como conseqüência, serás
forte em Deus, o bem eterno. Cura tu pela Verdade e pelo 12
Amor; não há outro sanador.
Em todas as revoluções morais, em que se passe de uma
condição inferior de pensamento e de ação a uma condição 15
superior, a Verdade está em minoria e o erro em maioria. O
mesmo acontece no campo da cura-pela-Mente. Aquele que
se intitula Cientista Cristão e que, no entanto, é falso para 18
com Deus e para com o homem, também se expressa falsa-
mente a respeito do bem. Essa falsidade lhe fecha a porta da
Verdade e do Princípio da Ciência, e abre-lhe uma via pela 21
qual, mediante a força de vontade, os sentidos poderão
dizer que um praticista, a quem falte o espírito cristão, seja
capaz de curar; a Ciência demonstra, porém, que ele torna 24
pior o estado moral do doente a quem deveria curar.
Quero dizer com isso que a mente mortal não deve ser
impregnada de idéias falsas. Se, por esses meios inferio- 27
res, a saúde parece restabelecida, o restabelecimento não
Rudimentos da Ciência Divina 9

é duradouro e o paciente pode sofrer uma recaída — “o úl- 1


timo estado daquele homem torna-se pior do que o
primeiro”. 3
O professor da cura-pela-Mente que não é cristão no senti-
do mais elevado da palavra, semeia constantemente a desar-
monia e a doença. Até mesmo a verdade que ele profere está 6
mais ou menos mesclada com o erro; e esse erro brotará na
mente de seu aluno. O conhecimento imperfeito do aluno o
levará a uma aplicação prática menos eficaz e ele será um 9
praticista medíocre, ou até mesmo um mau praticista.
Essa atuação equivocada por parte do praticista tem
como base a vontade humana que erra e essa vontade é o 12
produto daquilo a que chamo mente mortal — um senso
falso e temporal da Verdade, da Vida e do Amor. Curar, na
Ciência Cristã, é baseares teu trabalho de cura na Mente 15
imortal, o Princípio divino do ser do homem; e isso exige
um preparo do coração e uma resposta dos lábios, vinda do
Senhor. 18
A Ciência da cura é a Verdade da cura. O estado mental
daquele que não é sincero pesa contra seu poder de curar; e
efeitos análogos provêm do orgulho, da inveja, da luxúria e 21
de todos os vícios carnais.
O poder espiritual de um pensamento científico correto,
sem esforço direto, sem argumento oral ou mesmo mental, 24
muitas vezes curou doenças inveteradas.
Os pensamentos do praticista devem estar imbuídos de
uma clara convicção da onipotência e da onipresença de 27
Deus; da convicção de que Ele é Tudo e de que não pode
haver outro além dEle; de que Deus é bom e só produz o
bem; de que, em conseqüência, tudo quanto milita contra 30
Rudimentos da Ciência Divina 10

a saúde, a harmonia ou a santidade é um injusto usurpador 1


do trono dAquele que governa toda a humanidade. Presta
atenção: se tiveres poder no erro, perderás o poder que a 3
Verdade confere, bem como sua influência salutar sobre ti
mesmo e sobre outros.
Deves sentir e saber que somente Deus governa o 6
homem; que Seu governo é harmonioso; que Ele é tão puro,
que não vê o mal e não divide Seu poder com nada mau
ou material; que as leis materiais são apenas crenças huma- 9
nas, que governam os mortais erroneamente. Essas crenças
surgem de estados subjetivos do pensamento e produzem as
crenças num pretenso universo mortal e material — em 12
doenças na matéria e em mortalidade. Os males mortais são
apenas erros de pensamento — moléstias da mente mortal,
e não da matéria; pois a matéria não pode sentir, ver nem 15
comunicar a dor ou a doença.
A doença é coisa do pensamento manifestada no corpo;
e o medo é o que instiga o pensamento, causando a doença 18
e o sofrimento. Elimine-se esse medo com o conceito ver-
dadeiro de que Deus é Amor — e de que o Amor não cas-
tiga nada a não ser o pecado — e o paciente então poderá 21
elevar os olhos ao Deus amoroso e saber que Ele não tem
prazer em afligir os filhos dos homens, que são punidos por
desobedecerem à lei espiritual de Deus. Sua lei da Verdade, 24
quando obedecida, faz desaparecer todo estado errôneo,
seja físico, seja mental. A crença de que a matéria possa
submeter a Mente e te fazer adoecer é um erro que a 27
Verdade destruirá.
Deves aprender a reconhecer a Deus em todos os Seus ca-
minhos. É somente a falta de compreensão da totalidade de 30
Deus que te leva a crer que a matéria exista, ou que ela
Rudimentos da Ciência Divina 11

possa determinar as suas próprias condições, contrárias à 1


lei do Espírito.
A doença é o mestre-escola que te conduz a Cristo: 3
primeiramente, à fé em Cristo; em seguida a crer em Deus
como onipotente; e finalmente à compreensão de Deus e do
homem na Ciência Cristã, graças à qual aprendes que Deus 6
é bom e que na Ciência o homem é Sua semelhança, o eter-
no reflexo do bem. Portanto, o bem é um e é Tudo.
Isso introduz a proposição seguinte da Ciência Cristã, a 9
saber: não há doença, pecado nem morte na Mente divina.
Aquilo que parece ser doença, vício e mortalidade são
ilusões dos sentidos físicos. Essas ilusões não são reais, mas 12
irreais. A saúde é a consciência da irrealidade da dor e da
doença; ou melhor, é a consciência absoluta da harmonia e
de nada mais. Num instante podes acordar de um sonho 15
noturno; do mesmo modo, podes despertar do sonho da
doença; mas a demonstração da Ciência da cura-pela-
Mente não repousa de modo nenhum na força da crença 18
humana. Essa demonstração está baseada numa compreen-
são correta de Deus e da Ciência divina, que elimina toda
crença humana e, graças à iluminação da compreensão 21
espiritual, revela o todo-poder e a presença perpétua do
bem, do qual emanam saúde, harmonia e a Vida eterna.
O conferencista, o professor ou o praticista que é de fato 24
Cientista Cristão jamais apresenta o tema da anatomia
humana; jamais descreve as funções musculares, vascula-
res ou nervosas da constituição humana. Nunca fala 27
Rudimentos da Ciência Divina 12

sobre a estrutura do corpo material. Nunca impõe as mãos 1


sobre o paciente nem manipula as partes do corpo que se
supõem doentes. Acima de tudo, conserva inviolados os 3
Dez Mandamentos e põe em prática o Sermão do Monte
proferido por Cristo.
Os pensamentos e os métodos errados acentuam o senso 6
de moléstia, em vez de curá-la; ou então acalmam o medo
dos doentes a partir de uma base falsa, fomentando sua
crença no erro a tal ponto, que se aferram mais fortemente 9
do que antes à crença de que a matéria primeiro os fez
adoecer e depois os cura. Isso promove a incredulidade e
constitui charlatanismo mental, que nega o Princípio da 12
cura-pela-Mente. Se os doentes melhoram mediante esse
método equivocado, seus males retornarão, ainda mais
obstinados, porque o alívio proporcionado não tem caráter 15
cristão nem científico.
A Ciência Cristã apaga da mente dos doentes a crença
errônea de que vivem na matéria ou devido a ela, ou de que 18
um pretenso organismo material controla a saúde ou a
existência do gênero humano, e induz o repouso em Deus,
o Amor divino, que cuida de todas as condições necessárias 21
ao bem-estar do homem. Como é o poder divino que efetua
a cura, por que haverão os mortais de preocupar-se com as
propriedades químicas dos alimentos? Jesus disse: “Não 24
andeis ansiosos quanto ao que haveis de comer.”
O praticista precisa também esforçar-se para libertar a
mente dos que estão com saúde, removendo todo senso de 27
subordinação ao corpo, e ensinar-lhes que a Mente divina,
não a lei material, mantém a saúde e a vida humanas.
O Cientista Cristão sabe que, na Ciência, a doença é 30
Rudimentos da Ciência Divina 13

irreal; que a Mente não está na matéria; que a Vida é Deus, 1


o bem; logo, a Vida não depende das funções do corpo e
não é nem matéria nem mente mortal; ele sabe que o pan- 3
teísmo e a teosofia não são Ciência. Tudo o que, pela crença
humana, solapa essa base da Ciência Cristã, torna impos-
sível demonstrar, ainda que em ínfima proporção, o 6
Princípio desta Ciência.
Um corpo mortal e material não é a individualidade real
do homem feito à imagem divina e espiritual de Deus. O 9
corpo material não é a semelhança do Espírito; portanto
não é a verdade do ser, mas sim a semelhança do erro — a
crença humana que diz haver mais de um Deus — haver 12
mais de uma Vida e mais de uma Mente.
Em Deuteronômio (4:35) lemos: “O Senhor é Deus; ne-
nhum outro há senão ele.” Em João (4:24) podemos ler: 15
“Deus é Espírito.” Essas proposições, compreendidas em sua
Ciência, elucidam o que quero dizer.
Ao tratar de um paciente, não está de acordo com a 18
Ciência dar tratamento a cada um dos órgãos do corpo. É
científico declarar que a harmonia é o real e a desarmonia é
o irreal e depois dar atenção especial àquilo que, segundo a 21
crença do paciente, está doente. Se o praticista se compe-
netra da verdade, esta liberta o paciente.

Quais são os meios e os métodos dos Cientistas Cristãos 24


dignos de confiança?
Não se deveria esperar dessas pessoas, assim como não
se espera de outras, que consagrem todo o seu tempo ao 27
trabalho da Ciência Cristã, sem receber remuneração, e
que fiquem à mercê da caridade para receber alimento,
Rudimentos da Ciência Divina 14

roupa e moradia. Tampouco podem servir a dois senhores, 1


dando a Deus somente parte de seu tempo e ser ainda assim
Cientistas Cristãos. Devem estar inteiramente a serviço de 3
Deus e a ninguém ficar “devendo cousa alguma”. Por isso
eles precisam, nesta época, cobrar pelos seus serviços um
pagamento adequado e então fazer jus conscienciosamente 6
aos seus honorários, praticando estritamente a Ciência
Divina e curando os doentes.
A autora nunca solicitou o auxílio da caridade, mas deu 9
plenamente sete oitavos de seu tempo sem remuneração al-
guma, a não ser a felicidade de fazer o bem. O único paga-
mento recebido por seu trabalho provinha de aulas dadas e 12
estas eram muitas vezes adiadas vários meses, para dar
lugar a trabalho gratuito. Nunca ensinou um Curso
Primário que não incluísse vários alunos, por vezes dezes- 15
sete, admitidos gratuitamente; e empenhava-se em só rece-
ber o preço total de seu ensino daqueles que o podiam
pagar. O aluno que paga tem inevitavelmente mais êxito do 18
que aquele que não paga nada e que, no entanto, espera e
exige pagamento. Nenhuma redução se fazia no preço dos
cursos mais adiantados, pois os primeiros ensinamentos 21
proporcionavam aos alunos os meios de pagar a instrução
superior e de atender também sem cobrar. Se os alunos do
Curso Primário ainda se encontram sem recursos, a falha é 24
deles próprios e essa mesma falta de êxito prova não
estarem preparados para ingressar nos cursos superiores.
As pessoas estão sendo curadas mediante meus ensina- 27
mentos, tanto nos cursos como fora deles. Muitos alunos
que completaram meu curso regular haviam estado
doentes e foram curados no decorrer das aulas; mas a 30
Rudimentos da Ciência Divina 15

experiência mostrou que isso defrauda o aluno, embora 1


cure o enfermo.
É raro que um aluno, curado durante as aulas, termine o 3
curso com uma compreensão suficiente da Ciência da cura
para empreender de imediato sua prática. Por quê? Porque a
grata surpresa de, num instante, recuperar a saúde, é um 6
choque para a mente; e isso mantém e satisfaz o pensamen-
to com uma alegria exuberante.
A mente nesses casos fica menos indagadora, menos 9
maleável e menos dócil; e o pensar profundo e sistemático
torna-se impraticável, enquanto essa exaltação não se acal-
mar. 12
Era principalmente por essa razão que as pessoas enfer-
mas eram aconselhadas a não ingressar em um curso.
Poucos foram os alunos que não estavam doentes, até que 15
houve praticistas suficientes para exercer, do melhor modo
possível, o ministério da cura. O ensino e a cura devem ter
departamentos separados e estes devem ser fortificados de 18
todos os lados pela graça e por uma vigilância meticulosa e
apropriada.
Só um número muito limitado de alunos pode tirar o 21
máximo proveito de um curso, aprofundar-se no assunto e
assimilar bem o que lhes foi ensinado. É impossível ensinar
a fundo a Ciência Cristã a grupos numerosos e hete- 24
rogêneos, ou a pessoas que não podem ser argüidas indi-
vidualmente, de modo tal que a mente do aluno seja dis-
secada mais minuciosamente do que um corpo preparado 27
para um exame anatômico. As conferências públicas não
podem ser aulas de Ciência Cristã, como as que se necessi-
tam para esvaziar e encher de novo a mente individual. 30
Rudimentos da Ciência Divina 16

Se o motivo para ensinar for o de obter popularidade e 1


exercer dominação material, então as conferências públicas
podem substituir os cursos, mas essas conferências nunca 3
conseguem transmitir um conhecimento profundo da
Ciência Cristã, e um Cientista Cristão jamais deveria tentar
preparar alunos para a prática dessa maneira. As conferên- 6
cias públicas são necessárias mas, como em qualquer ramo
do ensino, precisam estar subordinadas a escrupulosa ins-
trução em classe. 9
Ninguém, que tenha uma noção imperfeita do significa-
do espiritual da Bíblia e de sua relação científica com a
cura-pela-Mente, deveria exceder-se no esforço de traduzir 12
as Escrituras para a “nova língua”; mas vejo que alguns
novatos na verdade da Ciência e alguns impostores come-
tem esse erro. 15

Existe mais de uma escola de cura científica?


Na realidade só existe, e só pode existir, uma única esco-
la da Ciência da cura-pela-Mente. O desviar-se da Ciência, 18
em qualquer direção, constitui uma irreparável perda da
Ciência. Tudo quanto se diga ou escreva, corretamente,
sobre esta Ciência, se origina do Princípio e da prática 21
expostos em Ciência e Saúde, obra que publiquei em 1875.
Nos anais da história, esse foi o primeiro livro que elucida
uma Ciência puramente mental da patologia. 24
Pequenas diferenças relativas à cura-pela-Mente nasce-
ram entre certas facções antagônicas, surgidas entre estu-
dantes desprovidos do espírito cristão, os quais, ligados a 27
uma classe de pessoas que se apoderam de tudo quanto é
progressista, dizem que se trata de primícias suas, ou de
obra póstuma de outrem. 30
Rudimentos da Ciência Divina 17

A mínima divergência é fatal na Ciência. Como certos 1


judeus, a quem S. Paulo esperara converter da mera motiva-
ção de engrandecimento pessoal, ao amor pelo Cristo, essas 3
pretensas escolas entravam as rodas do progresso, impedin-
do que as pessoas enxerguem o verdadeiro caráter da Ciên-
cia Cristã, seu poder moral e sua eficácia divina de curar. 6
A verdadeira compreensão da cura-pela-Mente, na Ciên-
cia Cristã, jamais teve por origem o orgulho, a rivalidade ou
a deificação do eu. A Descobridora desta Ciência poderia 9
falar da timidez, da falta de confiança em si mesma, da falta
de amigos, da labuta, das angústias e vitórias sob o peso das
quais lhe foi necessária uma visão miraculosa para susten- 12
tar-se, enquanto dava os primeiros passos nesta Ciência.
Os caminhos do cristianismo não mudaram. A mansidão,
o desprendimento e o amor são as sendas do testemunho de 15
Deus e os passos de Seu rebanho.

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