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EXCELENTÍSSIMO SEENHOR DOUTOR JUIZ FEDERAL DA _ VARA CÍVL DA

_ SUBSEÇÃO DO ESTADO _

JOÃO, (nacionalidade), (estado civil), analista de sistemas,


portador da cédula de identidade RG n. _, inscrito no CPF/MF sob n._, e-mail _, vem,
respeitosamente, por seu advogado (procuração anexa), à presença de Vossa Excelência,
com fundamento no artigo 126 da Lei Federal 8.112/91 e nos artigos 322 e seguintes do
Código de Processo Civil, propor

AÇÃO DE REITEGRAÇÃO A CARGO PÚBLICO C.C. ANULAÇÃO DE ATO


JURÍDICO PELO RITO COMUM COM PEDIDO DE ATECIPAÇÃO DE
TUTELA

Contra UNIÃO FEDERAL, representado pelo MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO, pessoa


jurídica de direito público interno, (qualificação completa), pelas razões de fato e de
direito a seguir aduzidas.

I – DOS FATOS

1- O autor ocupava cargo de analista de sistemas no Ministério da


Educação quando em 19 de julho de 2016 foi demitido por mio de portaria do Ministro
da Educação publicada na mesma data, após responder Processo Administrativo que
restou apurada infração funcional relativa ao recebimento indevido de vantagem
econômica.

2- Entretanto, em processo criminal exatamente pelo mesmo fato, o


autor foi absolvido por negativa de autoria em decisão que transitou em julgado m 18
de dezembro de 2.016.
II – DO DIREITO

II.A – NO MÉRITO

3- A sentença prolatada pela vara criminal inocentou o autor do ato


por concluir que este não recebera vantagens econômicas enquanto ocupante do cargo no
Ministério da Educação, contradizendo a decisão que determinou a sua exoneração em
sede administrativa.

4- Ainda que haja independência entre as instancias, há de se ressaltar


que, neste caso, no processo criminal houve análise das provas e conclusão de negativa
de autoria do delito, o que faz com que repercuta em âmbito administrativo seus efeitos.
Como adiante:

DUPLO GRAU OBRIGATÓRIO. DIREITO ADMINISTRATIVO.


DEMISSÃO. PRÁTICA DE CRIME DE PREVARICAÇÃO.
SENTENÇA PENAL ABSOLUTÓRIA. INEXISTÊNCIA DO FATO.
REINTEGRAÇÃO DO SERVIDOR. SENTENÇA MANTIDA. Cinge-
se a controvérsia sobre as consequências na seara administrativa da
sentença criminal de absolvição por inexistência do fato (CPPM, art. 439,
a, 1ª parte). É sabido que a esfera penal não repercute na esfera
administrativa, porquanto se trata de instâncias distintas, razão pela qual,
em regra, a absolvição na esfera penal não tem o condão de reintegrar o
servidor aos quadros da corporação. Isso porque, como restou
sedimentado no Supremo Tribunal Federal, "há hipóteses em que os
fundamentos da decisão absolutória na instância criminal não obstam a
responsabilidade disciplinar na esfera administrativa, porquanto os
resíduos podem veicular transgressões disciplinares de natureza grave,
que ensejam o afastamento do servidor da função pública" (ARE 664930
AgR, Relator(a): Min. LUIZ FUX, Primeira Turma, julgado em
16/10/2012, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe-221 DIVULG 08-11-2012
PUBLIC 09-11-2012). Contudo, inexiste resíduo sempre que a sentença
penal absolutória, apreciando a prova, fundamentar-se em (i) inexistência
do fato; (ii) falta ou ausência de prova da existência do fato e (iii) negação
de autoria. A jurisprudência, portanto, é pacífica no sentido de que a
sentença absolutória na esfera criminal repercute na esfera administrativa
quando reconhecida a inexistência material do fato ou a negativa de sua
autoria no âmbito criminal. É exatamente essa a hipótese dos autos. O
autor, policial militar, foi excluído dos quadros da corporação, mediante
processo administrativo por suposto cometimento de crime de
prevaricação. Posteriormente, foi proferida sentença pela Justiça Militar
Estadual, absolvendo o autor das imputações de prevaricação, com base
no art. 439, a, 1ª parte do Código de Processo Penal Militar, ou seja, em
razão da inexistência do fato criminoso. Sendo assim, como bem
ressaltou a Procuradoria de Justiça, devem ser observadas na esfera
administrativa as consequências que derivam da absolvição criminal por
inexistência do crime e que implicam a elisão de averiguação
administrativa que possa prejudicar o absolvido, não merecendo qualquer
retoque a sentença recorrida. Sentença mantida em sede de reexame
necessário. (Apel. Reex. 0133106-02.2013.9.19.0001, Rela. Des. Renata
Machado Costa. J.02/06/2014)

5- O artigo 28 da Lei Federal 8.112/91 diz:

Art. 28. A reintegração é a reinvestidura do servidor estável no cargo


anteriormente ocupado, ou no cargo resultante de sua transformação,
quando invalidada a sua demissão por decisão administrativa ou judicial,
com ressarcimento de todas as vantagens.

§ 1o Na hipótese de o cargo ter sido extinto, o servidor ficará em


disponibilidade, observado o disposto nos arts. 30 e 31.

§ 2o Encontrando-se provido o cargo, o seu eventual ocupante será


reconduzido ao cargo de origem, sem direito à indenização ou
aproveitado em outro cargo, ou, ainda, posto em disponibilidade.

6- Diante disto, é necessário que nos termos do artigo 174 da lei


8.112/91 o processo administrativo disciplinar seja revisto, uma vez que há fato novo,
que conclua pela inocência do autor no delito que serviu de finalidade, forma e motivo
que embasaram a sua demissão do cargo que ocupava.

7- Portanto, deverá ser anulado o ato no Ministro da Educação, que


possui investidura para demissão conforme entendimento do E. STF, tal qual chefe do
poder administrativo1 e consequente reintegração do servidor ao cargo que anteriormente
ocupava, nos termos do artigo acima descrito, para que retorne a cumprir suas funções
laborais.

II.B - DO PEDIDO DE ANTECIPAÇÃO DE TUTELA

8- Nos termos do artigo 300 do CPC, a tutela de urgência poderá ser


concedida quando houver elementos que evidencie a probabilidade do direito e o risco de
dano.

9- No caso em tela, quanto ao fumus boni iuris, é evidente que a


sentença penal absolutória por negativa de autoria deve ser levada em conta em sede
administrativa para que se anule o ato no Ministro da Educação que exonerou o autor
injustamente de seu cargo.

1
Esta Corte firmou orientação no sentido da legitimidade de delegação a ministro de Estado da competência
do chefe do Executivo Federal para, nos termos do art. 84, XXV, e parágrafo único, da CF, aplicar pena de
demissão a servidores públicos federais. (...) Legitimidade da delegação a secretários estaduais da
competência do governador do Estado de Goiás para (...) aplicar penalidade de demissão aos servidores do
Executivo, tendo em vista o princípio da simetria.[RE 633.009 AgR, rel. min. Ricardo Lewandowski, j.
13-9-2011, 2ª T, DJE de 27-9-2011.e RE 608.848 AgR, rel. min. Teori Zavascki, j. 17-12-2013, 2ª T, DJE
de 11-2-2014]
10 - No que concerne ao periculum in mora, deve ser levado em conta
que o autor está em profunda depressão e sobrevivendo graças a bondade de amigos e
parentes que contribuem para sua alimentação, sendo necessário para que se garanta a
dignidade da pessoa humana constitucionalmente prevista, a sua imediata reintegração ao
cargo que ocupava.

11 - Portanto, estando presentes os elementos para a concessão da tutela


antecipada em caráter antecedente, requer-se, desde de logo, a sua imediata reintegração
ao cargo.

III – DOS PEDIDOS E DOS REQUERIMNTOS

12 - Diante o exposto, requer-se:

a) Seja declarada a anulação do ato da exoneração havida com a consequente


reintegração do autor na mesma função, local e demais condições de trabalho, ou,
alternativamente, sua disponibilidade, observando o disposto nos artigos 30 ee 31
da lei 8.112/91;

b) A citação da União Federal, representada pelo Ministério da Educação, para,


querendo, comparecer em audiência designada por Vossa Excelência e responder
aos termos da presente no prazo legal sob pena de ser considerada revel, e, ao
final, a condenação em verbas e honorários de sucumbência.

13 - Protesta-se pela produção de provas por todos os meios em direito


admitidos, especialmente a tomada de depoimentos, documental e pericial.

14 - Dá-se à causa o valor de R$ ...

Nesses termos,
Pede deferimento

(Local e data)
(Advogado)
(OAB)
Cézar Lacerda 411.0698-9
Flávio Grossi
Luiza Morales
Stephanie Bodal