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UNIVERSIDADE JEAN

PIAGET

Curso de Psicologia
Clínica
Disciplina: Patologia

Período Nocturno
3º Ano
Grupo nº 9

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INTEGRANTES DO GRUPO

1 – Américo Kuafile

2 – Marta Vatchia

3 – Madalena Maria António

4 – Odeth Yolanda Natália de Sousa

5 – Tchilombo Verónica Varela Cassoma

Disciplina: PSICOPATOLOGIA

TEMA: ANSIEDADE EM DISFUSÃO SEXUAL (IMPOTÊNCIA


SEXUAL)

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Docente: Dra. Amparo Mestre Valdez

INDECE

1- Introdução
2- A impotência
• Divisão da impotência
3- Acumulação da tensão
• A tensão sexual
• Os efeitos da tensão acumulada
4- A ejaculação precoce
5- Esterilidade e sexualidade
6- O ajustamento sexual
• O desejo sexual
• O estímulo
7- O orgasmo
8- A comunicação entre os esposos
9- A qualidade da relação sexual
10- As dificuldades de ajustamento
11- As mulheres face as dificuldades sexuais
masculinas
• Os impedimentos psicológicos
• Um amor compartilhado
• Um amor compartilhado
• O ressentimento
12- A frigidez
• As consequências da frigidez
• As causas físicas
• As doenças gerais
• As doenças ou defeitos localizados
• As causas sociais
• As causas psicológicas
• O tratamento
• A prevenção
13- A dor no coito
• No homem
• Na mulher

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Introdução

Os avanços na medicina têm proporcionado incremento


significativo na expectativa de vida. Por outro lado, ocorre
um aumento na prevalência de doenças crónicas que
acompanham o processo de envelhecimento, a qual e
resultante deste crescimento exponencial na população de
idosos, no entanto os melhorias na qualidade de vida tem
sido de tal magnitude que hoje é possível manter-se em
actividade até idade bastante avançada sem que prejuízos
orgânicos tenham um grande impacto sobre a capacidade
funcional. Sendo assim, sabe-se que o envelhecimento da
população traz consigo mudanças na performance
quantitativa e qualitativa na actividade sexual de homens e
de mulheres, que a disfunção eréctil tem sido uma queixa de
cada vez mais explicitada nos consultórios e clínicas e que o
uso de fármacos para tratamento das doenças
cardiovasculares pode produzir diversas mudanças no que
diz respeito ao desempenho sexual.

Dentro desta óptica duvidas sobre a segurança da


actividade sexual são comuns tanto entre pacientes quanto
entre os médicos que os cuidam e, frequentemente, são
negligenciadas nas consultas de rotina ou por ocasião da
alta hospitalar após algum evento ou procedimento cardíaco.
A actividade sexual é vista pela maioria dos médico e
pacientes como ´´ tabu ``e, assim sendo acaba sendo
estigmatizada e deixada de lado nos diferentes momentos
de interacção entre profissionais e seus clientes. O paciente
não pergunta e o médico não responde, sendo selado um
pacto velado de silêncio.

A sexualidade humana não é um instinto, abrange


simultaneamente o somático e o psíquico e, além disso
dependem de factores relacionais, emocionais e
psicoafectivos. É por esta razão que se falará da ansiedade
em pacientes com disfunção sexual.

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Problemas sexuais

Os problemas sexuais são, em primeiro lugar, a


impotência, que corresponde a um problema de erecção, e,
em segundo lugar, a ejaculação prematura ou a ausência de
ejaculação, que corresponde a um problema da função
ejaculatória. Isto pode agravar a impossibilidade de manter a
erecção a ausência de ejaculação pode ser ultrapassada de
maneira subjectiva pelo paciente como um equivalente de
impotência.

2- A importância

Falar-se-á mais precisamente dos problemas de


erecção. Estes problemas caracterizam-se pela impacidade
de obtenção ou de conservação de uma erecção suficiente
para haver relação sexual. A sua frequência é subestimada:
de facto, tais problemas preocupariam 10 à 20% da
população masculina e esta percentagem aumentaria com a
idade. Abaixo dos 40 anos é da ordem dos 5% e acima dos
60 é da ordem dos 25%.

Existem diferentes graus do problema de erecção que


podem ser pequenos até atingirem a ausência total de
erecção. A definição dos problemas de erecção exclui os
problemas de ejaculação, orgasmos e libido.

A maioria das dificuldades sexuais sentidas pelos


homens foi durante muito tempo atribuídas, a razões
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puramente psicológicas. Actualmente, graças aos progressos
técnicos médicos pensa-se que a impotência de origem
orgânica existe numa proporção relativamente importante.
Contudo pode ser artificial, até ilusória, a vontade de
distinguir a impotência psicogenetica da impotência
orgânica não só porque as formas mistas são bastante
numerosas como reflexos psicológico está sempre presente
nos pacientes que sofrem da insuficiência eréctil orgânica.

Entre as causas orgânicas, identificam-se casos


neurológicos tais como os danos da medula, patologia do
sistema nervoso autónomo, os danos nervosos da origem
alcoólica ou diabética, ou cirurgia na parte inferior da bacia
(amputação da recto, prostatectomia total).

Há causas endócrinas que também pode estar na


origem da impotência, que estanormalmente associada
neste caso, a problema da libida.

Divisão da impotência

A impotência pode ser dividida em impotência coeund


que é a incapacidade de erecção peniana.
Impotência generandi é a erecção, o coito se realiza,
mas não há possibilidade de fecundação.

Principais causas da impotência coeud

 Psíquicas mas de 90% dos casos.


 Diabetes melitus.
 Atrofia testicular (Cirose hepática, hemocrotose).
 Compressão e traumatismo medulares
 Polineuropatia periféca.
 Defeitos anatómicos (congénitos, traumáticos ou
cirúrgicos).
 Doenças consumptivas
 Síndrome de leriche

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 Uso de certos medicamentos (estrgenios,
gonglioplégicos reserpina tranquilizantes guanetidina
alfametil dopa).

3- Acumulação de tenção

O indivíduo não opta por ser sexuado: tem de ser aceite


tal como é. Em certas ocasiões, porém, as tendências
sexuais não encontram facilmente a sua expressão: é a
primeira dificuldade que vamos explorar.

A tensão sexual

Conhecemos hoje o mecanismo da excitação sexual!


Cresce até um certo ponto que, ao ser atingido determina o
relaxamento de toda a tensão que se acumulou ao longo da
estimulação. O alívio rápido desta tensão pode dar-se de
três maneiras: pelo orgasmo que se produz durante uma
relação sexual, em consequência de auto manipulação (a
masturbação), e, enfim durante o sono. Existe igualmente
um quarto mecanismo que faz baixar a tensão, mas muito
lentamente: e a descongestão lenta.

A tensão sexual assinala-se por uma acumulação de


sangue nos órgãos genitais. Muitos estímulos provocam esta
tensão: os pensamentos do tema erótico, as leituras, as
imagens etc. Cada qual possui os seus excitantes próprios e
é preciso compreender bem que o estímulo não provém
unicamente da relação sexual: de facto, a relação sexual não

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começa se não quando a tensão é suficiente para levar os
participantes a desejarem-se mutuamente.

Os efeitos da tensão acumulada

Muitos preconceitos rodeiam a questão da energia


sexual não utilizada. As vezes acredita-se sobretudo entre os
homens, que o esperma não ejaculado se altera e
transforma em veneno nocivo. Não é nada disso: se o
esperma não for ejaculado de qualquer modo, entra na
bexiga e é rejeitado para o exterior com a urina, é o que
explica a urina branca que muitas vezes se vê no fim duma
micção. A não utilização dos órgãos genitais não determina
qualquer doença física importante.

Em consequência de estímulos repetidos (tácteis,


visuais, imaginativos ou outro) a congestão sanguínea ao
nível dos órgãos genitais pode tornar-se praticamente
crónica se nunca chega a oportunidade do orgasmo; isto
tanto para a mulher como para o homem. A curto prazo, esta
tensão provoca certos incómodos: o homem pode ter os
testículos constantemente e sofrer de congestão anal com
formação de hemorróides, quanto a mulher, pode sentir um
peso na bacia e ter dores na parte inferiores das costas. O
sistema nervoso pode igualmente ser afectado sentindo-se
ambos irritáveis, impacientes com dificuldade em se
concentrar. Ao longo prazo a congestão pode levar a
formação de varizes dos escrotos ou das paredes vaginais.

Do ponto de vista psicológicos, o Dr: l Hesnard nota que


a tendência sexual recalcada sofre uma depreciação
principalmente pragmático ou de deficiência; deixa de agir
de se descontrair na realidade social, limitando-se a não
influenciar o comportamento se não duma maneira indirecta
e a maior parte das vezes não notada pelos indivíduos.
Distingue depois e efeitos possíveis conforme o indivíduo
conserva ou não a possibilidade de um dia chegar a um

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prazer sexual: no primeiro caso a tendência recalcada
provoca uma grande procissão de imagens fantasistas, na
forma de sonho se fantasmas eróticos. Trata-se por tanto,
duma regressão a uma fase de auto-erotismo ou de
narcisismo: o indivíduo encerra-se em si próprio e no plano
sexual os sonhos substituem a realidade. No segundo caso
naquele em que é rejeitado toda a possibilidade de
estabelecer ou voltar aos prazeres sexuais, a tendência
recalcada parece capaz de influenciar todo comportamento
social. ´´sob a sua influencia o individuo inclina-se para certo
as atitudes, gostos, reacções social que dão a sua silhueta
social, um aspecto particular quer dizer que o recalcamento
determina uma orientação geral do seu carácter.

4- A ejaculação Precoce

Trata-se do problema sexual masculino mais frequente


de todos e o que contém os melhores resultados
terapêuticos.

A ejaculação precoce pode ser definida como ausência


de percepção do linear ejaculatório. Normalmente e login
dos problemas de ejaculação, um homem pode enquanto
estiver sob o linear ejaculatório – além do qual não é
possível efectuar um controlo – dominar a ejaculação
durante toda actividade sexual.

Ou então, este linear não é fixo. Varia segundo a


excitação do indivíduo, do desejo que sente pela sua
parceira, ou do medo que ela provoca, da sua abstinência
anterior da sua ansiedade, etc. Mas apesar de tais variações
o controlo ejaculatório, é, geralmente, possível. O homem
não se sente ultrapassado pelas suas sensações e pode
permanecer sobre o linear ejaculatório.
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Assim que se queixa de ejaculação precoce, significa
que a excitação sexual acontece, aumenta
progressivamente e atravessa o linear que desencadeia o
reflexo ejaculatório sem que tenha realmente consciência
dos diferentes níveis de tensão sexual pré-orgásticos.
Normalmente, acontece que a percepção das sensações
eróticas diminui ou desaparece com a ejaculação. Assim,
pode falar-se de ejaculação precoce quando o organismo
foge ao controlo voluntario do indivíduo e que acontece
como um acto reflexo reduzindo frequentemente a
intensidade do prazer.

As causas de ejaculação precoce são quase sempre


psicológicas, pelo menos nos primeiros tempos; em
consequência, o facto d e se instalar um reflexo
condicionado oferece a este problema um apoio mais
psicológicos.

A ejaculação precoce pode explicar-se pelas primeiras


experiências sexuais bem sucedidas em condições
angustiosas, a repetição conduz a um reflexo condicionado.
Tal problema também pode estar ligado à educação, por ex:
se a masturbação é considerada indecência, conduz à
culpabilidade. A ansiedade, até mesmo bastante mais raras,
às fobias (medo da vagina). Por vezes encontra-se a
explicação no desentendimento conjugal: o homem pode já
não querer controlar-se ou, por outro lado, sentir uma
agressividade demasiada grande e preferir então,
inconscientemente como é óbvio, ´´descarregar`` antes., de
qualquer modo o ejaculador prematuro sossegaria
rapidamente para não magoar.

Seja como for a intimidade e o medo de ejacular


rapidamente podem ser fonte de problemas no casal e
podem conduzir a uma gravidez roecional por parte da
mulher, atingir-se normalmente uma fase de intervalo nas
relações sexual.

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A terapia sexologica da ejaculação precoce precisa de
uma boa comunicação entre os parceiros trata-se de
familiarizar o paciente com as sensações denunciadoras de
orgasmo sem que se deixe ultrapassar por elas. Para isso, há
que começar pela percepção das sensações eróticas mais
pequenas e, progressivamente, atingir sensações eróticas
mais fortes. Uma serie de exercícios simples servem de
suporte a esta progressão. A aproximação psicodinâmica
associa o aconselhamento e as conversas com objectivos
terapêuticos (destinada a modificar a resistência
intrapsiquica ou relacional que pode manifesta-se). A
relaxação permite que o homem sinta o seu corpo distenso e
passivo permitindo deste modo elevar o linear ejaculatório e,
assim, ejacular mais devagar. Outros métodos, tais como a
reeducação do pénis (reeducação dos músculos das entre
pernas que podem retardar a ejaculação se aprender a
contrai-los desde os primeiros sinais pré orgásticos) a
ginástica suave, etc. Têm por objectivo permitirem ao
indivíduo redescobrir progressivamente o seu corpo.

Alguns medicamentos (em particular os ati-depressivos


tricíclicos, neurolepticos e os bloqueios da actividade alfa)
são desde há muitos propostos como tratamento de
ejaculação precoce. Por outro lado em caso de dificuldade
pontual e conflitos existentes no casal, podem ajudar a
eliminar o sintoma por ocasião da retomada das relações
sexuais.

5- Esterilidade e Sexualidade

Há causas sexuais que impedem a fecundidade: a


impotência (que torna a penetração difícil ou impossível) a
ejaculação precoce antes portas (antes da penetração), a
anejaculação (ausência de ejaculação), disejaculação
(dificuldade de ejaculação no dia da ovulação), etc.

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Assim parece lógico propor uma inseminação artificial
entre conjugal, ou seja, uma inseminação com o esperma do
cônjuge. Mas, se este método se revela eficaz no plano da
esterilidade, põe à prova a intimidade conjugal.

A esterilidade masculina interfere fatalmente com a


sexualidade. Contrariamente à esterilidade feminina que se
insere num quadro cultural e histórico. Particularmente rico,
a esterilidade masculina é um país sem história. Vivida como
uma maldição ou um azar modifica quase sempre a
organização inicial do casal do azo a uma verdadeira crise de
identidade. Esta revelação cai sempre como uma bomba. O
sentimento de inferioridade de não se sentir
verdadeiramente ´´ homem `` e o sentimento de culpa em
relação ao cônjuge estão normalmente misturados. Por
vezes assiste-se a um desespero depressivo ou, oposição, a
um activismo profissional ou desportivo com o objectivo de
apagar, até mesmo negar o acontecimento. Além disso o
discurso médico é metonímico que identifica o homem com
o seu esperma a parte o esperma e os seus defeitos “podre
´´ “insuficiente” os espermatozóides “preguiçosos”
deformados - justifica o todo da pessoa estéril. O indivíduo
identifica-se com os seus órgãos, as suas secreções.

A mulher adopta frequentemente novas atitudes fácil


ao cônjuge estéril em certas ocasiões assiste-se a uma super
protecção do sujeito estéril, considerado doente mais,
noutros casos, o conflito rebenta o sujeito fértil sente-se
preso entre o desejo de ter um filho e a culpabilidade de tal
projecto perante a impossibilidade de realizar com o seu
cônjuge.

De facto, tudo isto depende não só do código


psicológico próprio de cada indivíduo mas também do
contexto cultural no qual está inserido. O homem que vive
no meio em que a potência e a virilidade se medem pelo
número de filhos arrisca-se certamente a viver a sua própria

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esterilidade de forma infeliz e a procura sem dúvida um
determinado número de subterfúgios.

Todos estes elementos actuam sobe a sexualidade


conjugal, por vezes muito tempo depois da revelação da
esterilidade e mesmo se o casal se separa. Ambos os
parceiros podem procurar uma ´´ solução extra-conjugal ``.
No entanto, às vezes os 2 parceiros vivem este drama em
conjunto e tentam sobreviver enquanto casal depois de
terem descoberto uma nova identidade.

Tratamento da infertilidade também actua sobre a vida


sexual do casal. Quando um casal é afectado pela
esterilidade efectua um verdadeiro ´´ percurso `` de
combatente. Normalmente isto provoca uma inibição do
desejo sexual por parte da mulher (e por vezes por parte do
homem), inibição que é ultrapassada para atingir o seu
objectivo: ter um bebé. Tal situação por vezes leva-a a fazer
cada vez mais amor, uma vez que tem cada vez menos
prazer!

O homem não tem melhor sorte. Sente que a sua


parceira tem ´´ necessidade `` de ter uma relação a
qualquer preço e apercebe-se que ela ´´ não o deseja ``. E
isto provoca a inibição. Efectivamente é difícil desejar em
função de uma curva de temperatura (que indica o dia da
ovulação). Para ambos os parceiros, a procura obsidiante
impede o elance amoroso.

Com as novas técnicas de procriação, supera-se mais


um obstáculo à ausência de contacto sexual. Normalmente,
o casal já tinha poucas ou nenhumas relações sexuais
satisfatórias devido à sua luta obsidiante contra a
esterilidade. A procriação sem sexualidade pode afectar
definitivamente as relações. No âmbito da inseminação
artificial, o médico ou a equipa médica substituem o marido
na execução do acto procriador! Isto é, mesmo que se
deseje vivamente um filho e que se recorra às procriações
médicas assistidas, é essencial a relação conjugal.
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Contudo tais técnicas podem ajudar a manter ou
encontrar o desejo sexual. A programação de bebé-proveta,
duas ou três vezes, se necessário num ano, significa que
todos os outros meses são ´´ livres ``. Então, o casal pode
amar-se como quiser, ao seu ritmo, sem a obsessão de
conseguir engravidar em cada relação para além destes
ciclos programados, se o casal sabe que é estéril, é livre de
tentar quantas vezes quiser, visto que sabe que isso o vai
ajudar a ter filho o que o torna confiante. Os parceiros
encontram-se progressivamente, afastam-se dos seus
reflexos obsidiantes ´´ hoje são o dia da ovulação? `` ´´ Será
que as regras vão sobreviver ``? Redescobrem a
espontaneidade e, nestes meses que estão «livres» é natural
que surja uma gravidez «natural».

Para o casal, mas também para a criança que vai


nascer o que interessa é uma boa relação afectiva e sexual
entre o homem e a mulher, independentemente do
tratamento empregue. Quer ser pai ou mãe é desejar-se
naturalmente para que tal desejo se cristalize numa criança
e não o contrário. Dai a importância da solidez do casal. É
desejável querer estar junto, e não querer ter cada vez mais
coisas em comum (em particular um filho).

Se actualmente o controlo dos nascimentos é melhor


gerido, a gestão da concepção surpreende a questão do
desejo sexual.

A sexualidade masculina perde terreno se for


submetida à ditadura do todo biológico. Há que manter uma
certa distância desta ideia falsa, obsidiante e culposa da
medicina técnica para que um determinado número de
problemas sexuais possam ser evitados e para que harmonia
conjugal possa resistir a está verdadeira «prova de fogo»
que constitui a esterilidade.

Em geral, após um período de confusão de revolta, de


dúvida de si mesma de dificuldades sexuais e

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eventualmente de depressão, o casal pode estar atento a
novas possibilidades de vida.

6- O ajustamento sexual.

Para que se realize o ajustamento sexual dos esposos


parece essencial considerar três elementos importantes: as
diferenças que existem entre as generalidade masculina e
feminina, a comunicação que se estabelece entre os esposos
e a qualidade da relação sexual.

O desejo sexual

Em primeiro lugar é preciso admitir que o desejo sexual


não surge com a ma frequência nos dois esposos. O desejo
do homem corresponde muito bem às necessidades de
reprodução, e sem dúvida que a raça humana lhe deve a
sobrevivência pois um certo período da história não muito
recuado era preciso que as mulheres dessem ao mundo o
maior número possível de filhos o que infalivelmente
sucedia, visto que os homens estavam sempre prontos a
fecundar as suas esposas. As necessidades mudaram, mais
os impulsos continuaram os mesmos: os investigadores
concluíram os seus estudos que o desejo sexual na altura do
casamento era sete vezes mais forte no homem que na
mulher, mas declinava lentamente enquanto aumentava na
mulher, de modo que pelos 40 anos era aproximadamente
igual em ambos.

O estímulo

Uma outra diferença que importa ter em conta é a que


se verifica nas causas do estímulo sexual: o homem
responde mais facilmente do que a mulher às imagens
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eróticas, às histórias picantes até aos atritos acidentais: os
seus órgãos genitais estão menos protegidos que os da
mulher e despertam mais facilmente. Aliais, é pela mesma
razão que resiste menos facilmente á abstinência do que a
mulher. Mesmo durante a relação sexual, as suas exigências
são muitas vezes menor, porque toda excitação está
centrada do pénis., deixa-se distrair menos facilmente e só
procura as carícias genitais enquanto a esposa que possui
uma maior gama de zonas erógenas, sente mais satisfação
com as carícias extra genitais.

7- Orgasmo

O orgasmo apresenta poucas diferenças nos 2 sexos: a


ejaculação do homem é a única característica que ele possui
em exclusivo., mesmo assim tem a sua importância porque,
em primeiro lugar desempenha o papel funcional na
reprodução.

Se o homem não atinge o orgasmo, não ejacula e não


pode fecundar a mulher. Irá então ao médico, enquanto
numeras mulheres ficam grávidas sem nunca terem
conhecido o orgasmo, e sem se inquietarem muito com isso.
Além disso a ejaculação apresenta-se como um
acontecimento claro e preciso que não possui sinal algum
exterior, facilmente visível, continua a ser uma interrogação
para a mulher, enquanto não chega a senti-lo. Como é fácil
simular o prazer certas mulheres impedem que o marido as
ajude a procurar um melhor ajustamento, pós nem se quer
sabe de qualquer dificuldade que a mulher tenha. Outra
característica do orgasmo feminino e ele surgir mais tarde e
parecer difícil de obter sem uma aprendizagem:
frequentemente, só após muitos meses de casamento é que
a mulher consegue senti-lo.
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A maturação física

Uma única diferença que não deixa de exercer uma


influência no ajustamento sexual é a maturação física dos
indivíduos dos dois sexos. Num princípio da vida, a rapariga
adianta-se um pouco ao irmão., a sua puberdade chega mais
cedo que a do rapaz, mas, ainda que dotada de órgãos
genitais adequados, só muito mais tarde é que atinge a
capacidade de sentir o orgasmo. No entanto conserva em
geral durante muito mais tempo esta capacidade duque o o
homem. Seria necessário aconselhar a racionalidade
fisiológica no casamento, deveria desejar-se que as
mulheres casassem com homens alguns anos mais novos do
que elas.

Todas estas diferenças que anotámos têm a sua


importância. Mais é preciso as generalizar individualmente,
porque, como em toda a descrição geral, as excepções são
numerosas, sem ser preciso falar de anomalias. Certas
mulheres têm desejos maiores do que o marido, outras são
mais facilmente excitáveis, e assim por diante.

8- A comunicação entre os esposos

As relações sexuais não passam de permutas físicas:


desenrolam-se normalmente num contexto de amor que se
torna impossível sem uma comunhão em vários planos. No
plano sexual a comunicação nem é sempre é fácil: ainda que
os tabus da educação constituem um impedimento para que
muitos cheguem a verbalizar desejos ou impressões. Mais as
palavras nem sempre são necessárias aos esposos que se
conhecem. Rainwater refer no seu estudo sobre a
sexualidade nas classes desfavorecidas, exemplo concreto
que indicam bem que as mulheres sabem compreender os
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maridos sem que eles lhes falem: «sei sempre quando é que
ele quer fazer isso»; «sei sempre o que ele tem na cabeça»
«sei quando o meu marido está quente»; «quando ele quer
isso, eu adivinho assim que entra no quarto». Por outro lado,
o contrario também está longe de ser verdadeiro.
Muitíssimas vezes os maridos não captam as «mensagens»
da sua mulher, ou compreendem-na mal; a esposa que
vestiu uma camisa de noite provocante pode telo feito por
simples conquisterio, mas o marido vera nisso um outro
significado.

A linguagem não verbal pode ser útil, sobretudo os dois


esposos sabem reconhecer a sua significação mas apresenta
perigos entre os quais o de ser mal interpretada e sobretudo
o de sonhar uma dimensão ao amor. A mulher precisa dum
clima em que os gestos nem sempre se podem criar;
algumas boas palavras podem fazer mais para a preparar
duque numerosas carícias. Pelo contrário demasiada
conversa sem expressão física pode fazer desaparecer o
encanto e levar a um clima frio.

Para comunicar não bata aprender palavras novas ou


técnicas elaboradas; e uma permuta de atitudes que se
impõe. Com efeito é necessário aprender a ouvir impressões
diferentes das que nós próprios têm de procurar impressões
diferentes das nossas. De facto trata-se de cada um se por
na pele do outro. Para o conseguir, não há regras que se
apliquem integralmente a todos porque não se podem
encontrar duas pessoas, que sejam perfeitamente idênticas.
É, portanto impossível estabelecer categorias que permitam
prever as relações deste ou daquele tipo de indivíduo.
Mesmo assim pode notar-se uma certa tendência geral a
perceber sob um ângulo diferente os acontecimentos que
compõem a vida conforme os sexos.

9- A qualidade de relação sexual

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A relação sexual não tem a mesma significação para
todos os indivíduos; por isso, é de esperar que lhe encontre
uma importância maior ou menor na vida a dois. A união
sexual feita num contexto de amor é percebida como um
meio da permuta se é praticante a única actividade em
comum que os esposos têm a compartilhar adquirir por isso
mesmo uma importância capital. Quando os cônjuges estão
satisfeitos juntos ou isoladamente, com o seu trabalho, com
as actividades sociais. Ou as actividades intelectuais
(musica, leitura, cinema...), esperam menos das relações
sexuais porque a sua procura da felicidade já teve algures os
seus efeitos. Mas se «têm os seus ovos todos num mesmo
(cesto), como se diz este cesto reveste uma significação
maior: quanto a únicas alegrias que se tem na vida nos é
dada pelas relações sexuais não se aceita facilmente que
sejam pouco satisfatórias ou pouco frequentes.

Os sentido – o ou olfacto, o ouvido o gosto... – não são


igualmente desenvolvidos em todas as pessoas: um pode
apreciar normalmente uma boa refeição, enquanto outro
come porque é preciso. O mesmo sucede nas relações
sexuais mesmo acompanhadas de orgasmo, para alguns, a
experiência é deliciosa e proporciona sensações violentas
que nunca perdem o seu sabor. Para outros, as relações
sexuais revestem-se de pouca importância, se as têm,
aceitam-nas, se não as têm passam bem sem elas. Como na
maior parte dos casos os esposos não tentaram juntos a
experiência das relações sexuais antes do casamento, não
sabem exactamente o que esperar um do outro: e as
dificuldades podem surgir quando se situam em categorias
diferentes de apreciação das relações sexuais com efeito, há
muitos riscos de que o individuo um pouco indiferente
perante as relações sexuais mesmo satisfatórias não procure
repeti-las muitas vezes; se o cônjuge pensa de modo
diferente, pode surgir o desacordo.

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As relações sexuais tidas em grande estima pelos dois
cônjuge constituem um laço sólido entre eles: Em
concordância mútua sob este aspecto, mais facilmente
perdoam outros defeitos. Os esposos para quem as relações
sexuais apresentam pouca importância atribuem uma maior
significação aos outros planos em que comparticipam.

À parte o facto de certos esposos poderem ligar uma


importância diferente às relações sexuais e supondo que
concordam no significado que dão a este meio de
comunicação, há um outro ponto que exerce uma grande
influência no ajustamento mútuo: é a maneira como cada
um deles consegue obter satisfação nas suas relações
sexuais. Um facto bastante conhecido é que os homens
atingem mais facilmente orgasmo duque as mulheres. Regra
geral, quando também o tem; se quisermos medir o
ajustamento sexual do casal podemos faze-lo a partir do
orgasmo feminino.

O ajustamento sexual tem um lugar importante na vida


do casal quer isto dizer a satisfação sexual leva
necessariamente à facilidade ao casal? Ou não poderia antes
fazer-se que os casais felizes chegam mais facilmente a um
ajustamento satisfatório? Não se pode aceitar integralmente
nem uma, nem outras destas proposições; cada casal tem a
sua história própria, seguir um caminho particular e chegar a
um equilíbrio satisfatório por uma outra via.

10- As dificuldades de ajustamento

O casal em que, no plano sexual, tudo é satisfatório


para ambos parece uma vaidade. Outrora aceitava-se uma
tal situação sem tentar ou dizer qualquer coisa, mais hoje já
não sucede o mesmo: sabe-se que, na maioria dos casos é
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possível chegar a uma notável melhoria da situação. Para
numerosos casais, uma procura atenta das soluções para os
seus problemas permitirá muitas vezes uma resolução
satisfatória; para outros abraços com dificuldades mais
profundas será necessária uma terapia mais complicada.

Dois níveis de problemas

Há muita tendência para categorizar facilmente os


problemas; quantas mulheres são casadas de «frígidas»
quando, na verdade não o são! Em boas condições teriam
chegado a uma satisfação perfeita. Por outro lado, não
faltam as acusações aos homens: ouve-se muitas vezes
dizer: «não há mulheres frígidas, só há maridos
desajeitados.» Apesar de todos os esforços, sinceros e
desprovidos de egoísmo certos maridos nunca chegam a
fazer «vibrar» a sua mulher, muitas vezes por causa duma
incapacidade em prolongar suficientemente a relação
sexual: não podem controlar a sua ejaculação, que, quando
aparece, põem termo a relação. Que um grande número de
mulheres não atinja o orgasmo, ou que muitos homens não
consigam manter a sua erecção durante o tempo suficiente
par satisfazer à esposa, não significa que todos os casais
devem procurar o médico ou psiquiatra. No entanto foi nisto
que se acreditou durante muito tempo: que estas duas
dificuldades resultaram de perturbações psicológicas ou
físicas importante.

Sabe-se que é importante distinguir dois níveis de


problemas: em muitos casos os homens e as mulheres com
dificuldades em se ajustar no plano sexual são
perfeitamente normais tanto físicos como psicologicamente.
Mais muito e simplesmente, não chegam a funcionar bem
em comum.

Noutros casos, reconhecem-se uma origem mais


complexa para este defeito de ajustamento: quer no campo

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físico ou mais vezes ainda, quer no plano psicológico os
problemas exigem o auxílio de especialistas competentes.
Quando uma mulher não sente atracão alguma pela relação
sexual, quando um homem nunca consegue penetrar a
mulher porque não tem erecção pode suceder que
estejamos em fácil de verdadeiros casos de frigidez ou de
impotência.

Para a primeira categoria de dificuldades aquelas em se


estas em presença de indivíduos saudáveis que não
conseguem funcionar audaveis que não conseguem
funcionar juntos, tentaremos fornecer indicações que podem
servir para em grande parte, regular o problema. Porque
como anota um grande especialista da sexologia o Dr. Paul
Popenoe, uma vez eliminadas as ignorâncias e as suas
consequências psicológicas «mecanismo próprio do
orgasmo, que está por certo aprofundamento escrito na
natureza humana por milhões de anos de evolução deveria
funcionar. Pode ter-se por certo que o mecanismo sexual
necessário não falta». Para outras pessoas abraço
ignorâncias e as suas consequências psicológicas
«mecanismo próprio do orgasmo, que está por certo
aprofundamento escrito na natureza humana por milhões de
anos de evolução deveria funcionar. Pode ter-se por certo
que o mecanismo sexual necessário não falta». Para outras
pessoas abraços como perturbações mais profundas,
contentar-nos-emos em dar explicações que permitam uma
melhor e compreensão e um diagnostico mais adequado.

Um novo ponto de vista

Diz-se que o ser humano, o órgão sexual mais


importante é o cérebro. E com efeito todas as relações
sexuais são controladas por este centro nervoso, porque
quase todos os estímulos ai são primeiros transformados
antes de exercerem um efeito na preferia. Mas pode dizer-se
a mesma coisa de cada um a das partes do orgasmo. A mão
22
sobe desce às ordens do cérebro: mas se a mão não tiver
músculos, não se pode mexer. O mesmo sucede com os
órgãos sexuais: também têm a sua importância proporia na
função, mesmo que sejam comandados pelo cérebro. Quer
atribuir ao cérebro todas as culpas, quando a genitalidade
não funcionar e correr-se o risco de se desprezar uma parte
importante da função.

O ponto de vista psiquiátrico dos problemas sexuais


está tão profundamente aneorados nos nossos costumes
que, quando se levanta uma voz a proclamar se levanta uma
voz proclamar a existência de outros modos de tratamento,
com provas em seu apoio, ninguém acredita. Desde 1950
que um ginecologista americano o Dr: A. H. Kegel, consegue
ajudar milhões de mulheres a atingir o orgasmo, graças ao
auxílio de simples exercícios físicos. E só desde alguns anos
é que outros médicos aplicam esta técnica, mas a maior
parte deles não a conhecem, um exemplo do poder deste
método: num grupo de 123 mulheres que nunca tinham tido
prazer nas suas relações sexuais, o Dr: Kegel conseguia
curar 78 após seis semanas de tratamento.

Na verdade, na maior parte dos casos encontram-se


razões psicológicas e fisiológicas que participam do
insucesso sexual. E é nesta óptica que estudaremos cada
uma das dificuldades habituais e que se poderiam qualificar
de «leves» não porque devem ser ignoradas ou não
contribuem muito para um tratamento, mas porque não
exigem um tratamento em profundidade.

11- As mulheres face as dificuldades sexuais


masculinas.

Como se viu o entendimento conjugal está submetido a


numerosas eventualidades, e no seu conjunto está em

23
relação directa com as dificuldades sexuais que homens e
mulheres podem encontrar.

Tais dificuldades podem estar na origem do


desentendimento ou pelo contrario ser induzidas por ele. A
mulher participa no problema do parceiro sentindo ou
sofrendo; participando, consciente ou inconscientemente,
sempre a lamentar-se ou reduzindo-o e facilitando a
resolução terapêutica. De sofrer ou procurar resolver o
problema. O papel do médico e favorecer na medida do
possível esta ultima atitude. O paciente na exoterapia é o
casal e não o homem ou a mulher isoladamente.

Normalmente, quando aparecer o problema sexual a


mulher está mais à espera; aceita o sintoma banalizando-o,
e tenta justifica-lo através da fadiga e do stress. Por outro
lado, nem sempre avalia a confusão em que o homem pode
encontrar-se, sobretudo se trata da perda de reacção. De
facto desde o aparecimento do problema o homem sente-se
inquieto, até mesmo um pouco angustiado (o que inaugura o
clássico circulo dos insucessos).

No caso da ejaculação precoce a ansiedade masculina


depende principalmente da relação amorosa que teve com a
parceira anterior. Se a ejaculação prematura for nova, o
homem não se preocupará muito no inicio; em contra
partida, se a relação amorosa anterior tiver sido «estragada»
por esta disfunção ficara de repente numa situação de
ansiedade.

Por vezes esta ansiedade é desforçada, esta atitude


«de superfície» e’ normalmente um meio para dissimular um
profundo sentimento de desvalorização. O clima conjugal
deteriora-se e o homem arrisca-se a afastar-se
progressivamente de qualquer sensação erótica; neste como
perda de erecção sucede normalmente a ejaculação
precoce.

24
No caso da ejaculação retardada, até mesmo ausência
de ejaculação normalmente não há inquietude manifesta no
homem no inicio de uma relação. que é habitual a conter,
que a relação sexual pode acontecer e que pode a relação.
Sabe que é habitual a conter e que pode doar bastante
tempo, o que permite à parceira ter muito prazer.
Raramente se queixa desse problema, porque o considera
passageiro e benigno (vê que ele tem erecção e um certo
prazer) ou porque apercebe-se desta dificuldade de
ejaculação.

Nas relações que serão descritas falar-se-á


essencialmente da ejaculação precoce e dos problemas de
erecção. De facto se tais problemas persistem descobre-se
diversas atitudes que dependem evidentemente do clima
psicoafectiva ambiental, do estado de satisfação (ou de
insatisfação) da sexualidade conjugal anterior do estado
psicológico pessoal da mulher, que pode por ex: sentir
responsável pelo problema e acusar-se, culpabilizar-se.
Assim, fechar-se no seu mundo. Mas como o homem que
esta neste tipo de situação tem tendência para se fechar em
si mesmo, a «distância» entre os parceiros aumenta e torna
mais difícil a resolução do problema.

Os parceiros também procuram desculpar-se um ao


outro mas esta atitude não resolve as dificuldades porque os
afasta de qualquer estimulação erótica adequada. O
comportamento sexual não é activo, é «reflectido»
«explicativo». De um modo geral, ao fim de um determinado
tempo, as frustrações consecutivas acabam por conduzir a
um comportamento agressivo e o clima deteriora-se. É nesse
momento que o homem (impedido pela parceira) vai a uma
consulta. Quando a mulher vai a uma consulta sozinha ou
para o acompanhar é frequentemente reivindicativa, atitude
evidentemente inibidora. Nesta face crítica, é preferível
intervir activamente, se se pretende evitar a ruptura.

25
De facto, apesar do carácter querelaste destas relações
conjugais, a mulher ainda exprime um desejo de solução. Se
isto não for compreendido pode haver uma face de recesso,
uma baixa de libido, um desinteresse sexual, um desprezo,
consciente ou inconsciente, até mesmo uma rejeição do
cônjuge.

Há outras atitudes femininas que podem provocar


perturbações mais globais nalguns homens. Ex: a mulher
põe exclusivamente o seu lado maternal em primeiro lugar
nas permutas que pode ter com o cônjuge; a inibição sexual
masculina (pelo despertar do conflito de é tipo e pela falta
de estimulação) é rapidamente expressa, geralmente por
problemas da libido.

A ausência de resposta na mulher

Muitas mulheres sentem grande atracção pelas


relações sexuais, que se efectuam sem qualquer dor, mais
nunca chegam a ter todas as sensações que podem esperar
da actividade genital. A relação sexual não é desagradável,
mas termina com uma nota de insatisfação que leva a
mulher a desejar qualquer outra coisa que não chega.

A incapacidade em atingir o orgasmo, seja total ou


parcial, pode ter causas físicas ou psicológicas, e muitas
vezes uma associação das duas. Por incapacidade total
entendemos os casos em que de nenhuma maneira o
orgasmo é atingido no estado consciente. Na incapacidade
parcial agrupamos as mulheres que graças a certos
estímulos, ex: clitoridianos, atigem o orgasmos, mais em que
a penetração vaginal fornece um estimulo insuficiente para
despertar o fenómeno.

Os impedimentos psicológicos

26
A sexualidade não é apenas um fenómeno periférico,
uma função que se possa isolar e que teria uma vida
autónoma: está ligada ao conjunto da pessoa, mais ainda na
mulher do que no homem. Muito mais vezes do que se julga,
as razões da aparente insensibilidade sexual ou pelo menos
da incapacidade em atingir o orgasmo, situam-se a um nível
acessível, sem necessidade duma longa psicoterapia. Pode
distinguir-se três categorias de problemas com possível
influência directa no comportamento sexual da mulher: um
amor dividido, o ressentimento e o receio.

Um amor compartilhado

Cada pessoa tem uma capacidade limitada de amor


exclusivo. Quando se apresenta uma situação em que as
solicitações são múltiplas, o indivíduo acaba por diminuir a
qualidade do dom que faz de si próprio em consequências
desta excessiva exigência. No casamento há
frequentemente a tendência para identificar mal o
«concorrentes»: o marido verá com desagrado que a mulher
se interesse por um amigo durante o serão, a mulher receia
os encantos da secretária do marido. E bem evidente que, se
as permutas entre estas pessoas ultrapassassem a fase da
apreciação mutua o casamento poderia ficar em má
situação. Mas em geral é sobretudo quando em relação com
o período dos primeiros anos do casamento, não é esta
ameaça mais considerável duma divisão das «consolações».
O perigo maior é aquele que parece comprometer mais os
lares do que se julga, é o que provém dos laços afectivos em
que não se repara: os pais e os filhos. Apesar dos progressos
realizados na psicologia, ainda se encontram muitos pais
mal preparados para o seu papel de educadores. Sabe-se
cada vez melhor como alimentar as crianças de maneira a
crescerem normalmente, preocupamo-nos com a sua saúde
para que eles evitem as doenças mas no plano da educação
existe muita confusão. Pensa-se que basta amar o filho para

27
lhe garantir condições de desenvolvimento, o que não é
totalmente falso quando estamos em condições de ponderar
este amor. A criança não sabe o que fazer dum amor
possessivo que não lhe permite expandir-se de acordo com
as suas tendências mais apenas em função dos pais. O
domínio é exercido por certos pais não desaparece no dia do
casamento do filho, e o laço que uni no pai ou a mãe ao seu
filho pode facilmente torna-se uma fonte de tensão para o
novo casal que se forma. Um casal implica duas pessoas:
quando nele se encontram três indivíduos, há grandes riscos
de haver atritos.

Se não se tem cuidado a criança que o casal dará no


mundo pode, em certos momentos, torna-se tão cativante
que açambarca uma parte importante do potencial do amor
da mãe. Muitos casais jovens, preocupados em assegurar ao
filho as melhores condições impedem-se praticamente de
viver, evitando as saídas, para não confiar a criança a
estranhos ou proibindo-se relações sexuais, porque o bebé
dorme no quarto! O marido que assim é suplantando no
espírito da mulher pelo filho pode tornar-se indiferente e
deixa que o amor se estoire rapidamente.

O ressentimento

Embora amando uma pessoa, é possível querer-lhe mal


sob certos aspectos. A evolução da nossa sociedade
favorece muito o aparecimento de tais sentimento
contraditório. Neste momento assistimos a um confrontos
dos papéis femininos e masculinos: o que durante muitos
séculos foi aceite como inscrito na natureza, quer dizer, a
divisão das tarefas que atribui ao marido o encargo
financeiro do lar e à mulher a procriação e a educação dos
filhos é hoje objectivo dum exame atento, nem sempre
sereno. As mulheres compreendem agora que possuem
capacidades iguais as do homem, que se, quiserem ficar no
lar, não o fazem por necessidade biológicas, mas por gosto.
28
Os maridos, no entanto, não entendem sempre desta
maneira: a aquisição pela mulher dum estatuto igual ao seu
implica uma redistribuição das tarefas domésticas um
compartilhar poderia fazer-se, quando outrora essas tarefas
eram automaticamente atribuídas á mulheres. A curto prazo,
os maridos parecem expostos a perder certas vantagens, em
consequência desta emancipação das mulheres; serão
obrigados a assumir responsabilidade que outrora lhes eram
desconhecidas.

Um grande número de marido não aceita inteiramente


o movimento destas novas ideias; verbalmente dizem estar
de acordo com o princípio da igualdade dos sexos e não se
manifestam contra a emancipação da mulher, desde que
isso não implique qualquer modificação no seu
comportamento. Mas a partir do momento em que a
organização do lar é afectada, já não aprovam. Se a sua
mulher quer continuar estudos ou trabalhar, aceitam no
facto desde que em casa nada se modifique: que o chão
continue limpo, as refeições sejam servidas à hora. A mulher
deve, portanto, fazer duas vidas ao mesmo tempo, a de
dona de casa e a de trabalhadora. Esta vida dupla não se
pode realizar durante muito tempo sem que a saúde seja
afectada, e as responsabilidades assumidas este modo por
uma pessoa só torna-se o que em breve bastante pesadas,
porque diga-se o que se disser a mulher conserva todas as
suas responsabilidade. Se os filhos têm qualquer dificuldade
na escola se ao marido são cada vez mais recusados as
relações sexuais, a culpa é sempre da mulher.

A mulher abraços com estes conflitos, quer dizer, que


tem de sacrificar a sua expansão pessoal para se consagrar
inteiramente à família ou aguentar uma sobrecarga para não
se sentir murchar, não pode fazer mais duque acumular
ressentimentos contra o marido. Descobrindo que é tão
pouco compreensivo, em breve os seus olhos o vêem como
um egoísta com quem não se tentando compartilhar tudo: o
dom total que ele exige nas relações sexuais perde, por
29
tanto, cada vez mais, a sua significação, talvez a abstenção
ou ausência dão ou ausência dão ou ausência de
comparticipação completa se torne um meio de vingança.

12- A frigidez

Detivemo-nos durante alguns capítulos a estudar as


dificuldades do casal que poderiam ser consideradas como
ligeiras, pois, na maior parte dos casos, era impossível
encontrar uma solução no próprio interior do casal, quer
dizer, sem ser necessário consultar um especialista.
Empreendemos agora a descrição dos impedimentos mais
sérios à expansão sexual mútua dos esposos, que requerem
muitíssimas vezes auxílio exterior. Começaremos pela
frigidez.

Apesar da aquisição de bons conhecimentos sexuais,


apesar dos esforços sinceros do casal, há sempre,
indutivamente, um certo número de mulheres que não
sentem a menor atracção pelas relações sexuais; são essas
mulheres que se poderiam qualificar de frígidas.

A frigidez não é uma doença, da mesma forma que uma


diabetes o será, ou até uma depressão nervosa; é um
sintoma, quer dizer, o reflexo dum mau funcionamento de
um nível qualquer do orgasmo; veremos mais longe que a
origem se pode encontrar no corpo, mas muito mais vezes
no psiquismo da mulher. Se incluísse no grupo das frígidas
todas as mulheres que sentem pouco ou nenhum prazer
pelas relações sexuais, chegar-se-ia a englobar, segundo
muitos clínicos, cerca de 75% das mulheres. Não existem
investigações validas que nós permitam estabelecer uma
distinção entre a verdadeira frigidez, aquela em que não há
o menor gosto pelas relações nem qualquer prazer, e a
pseudofrigidez, que é preciso considerar como um simples
desajustamento.
30
As consequências da frigidez

Num casal, a frigidez não exerce o mesmo impacte que


a impotência masculina. Como não existe repulsa pelas
relações sexuais, ou pelo menos quando a mulher consegue
vencer o seu desgosto, e um marido menos atendo ou
ignorante pode contentar-se com uma mulher objectivo que
lhe permite encontrar a sua satisfação. Porque, sem
qualquer prazer por parte da mulher, o seu papel pode ser
inactivo. Sem consequências maiores para o desenrolar do
acto.

Mas é preciso não se iludir; a mulher que apenas sofre


as relações terá tendência a querer distanciar as uniões
sexuais, até o marido mais idiota observara, num dado
momento, que alguma coisa se passa. Já em 1933, quando
em geral se concedia muito menos importância à expansão
sexual da mulher. Stokes escrevia: «não haja sobre isto a
menor incerteza: está questão da incapacidade em
correspondência sexualmente é duma importância enorme
na felicidade humana. Com prova, citarei a desilusão que
isto pode proporcionar, tanto ao marido como à mulher, e a
sua influência em levar o marido a procurar uma satisfação
sexual fora do casamento, que por sua vez conduz a
introdução de doenças venéreas no círculo familiar.
Indirectamente, a frigidez é um factor importante na
disseminação das doenças venera, no desenvolvimento do
ciúme, na destruição do afecto e na rotura dos lares.» Sem
duvida que isto tem hoje muito mais aplicação: as mulheres
sabem que tem o direito ao prazer sexual, o mesmo direito
que o marido, e já não aceitam ser meros instrumentos de
prazer. A incapacidade em se despertar sexualmente paga-
se muitas vezes por uma agressividade sempre mais
profunda, porque a mulher insatisfeita já não pode aceitar
que o marido tenha prazer em relações que a deixam
indiferente.

31
A educação, o contexto de vida, e até certas anomalias
físicas, permitem explicar muitos casos de frigidez. Importa,
portanto, estabelecer um diagnóstico diferencial entre uma
causa orgânica e uma causa psicológica antes de
empreender qualquer medida. Pois, de contrário, corre-se o
risco de gastar esforços inúteis.

As causas físicas

Quando uma mulher julga que é frígida, o seu primeiro


movimento, a maior parte das vezes, é ir consultar um
ginecologista. É sempre difícil admitir que as dificuldades
sentidas possam ser atribuíveis a processos mentais
defeituosos, e procuram-se desesperadamente causas físicas
– muito menos comprometedoras – que expliquem esta
incapacidade de viver plenamente a vida conjugal. Em quase
todos os casos, o exame ginecológico será negativo e a
mulher terá de se contentar com um «é perfeitamente
normal».

Mesmo sabendo desde já que as causa físicas de


frigidez são menos frequentes do que as outras, vamos
tentar analisa-las rapidamente. É preciso aqui distinguir dois
tipos de impedimentos: os que provem duma doença geral
do organismo e os que são causados por uma doença
localizada nós órgão genitais.

As doenças gerais

É evidente que, no caso duma doença aguda, uma


mulher já não pode sentir qualquer atracção pelas relações
sexuais: mesmo nas doenças a longo prazo, o gosto pelas
relações pode ser consideravelmente diminuído, sobretudo
nos casos em que a mulher sabe que a sua doença abreviara
a vida ou corre o risco de ser transmissível: não poderá

32
então separar as relações sexuais das consequências que
podem ter na procriação.

A sexualidade e a sua expressão genital não podem


separar-se da totalidade de pessoa: muitas doenças crónicas
que tornam o funcionamento do organismo menos adequado
elevam igualmente o linear da excitação sexual necessário
ao desejo duma aproximação física: os prisioneiros em
estado de desnutrição avançada perdem muitas vezes o
gosto pelas relações, a diabete não tratada determina
frequentemente a frigidez, e o mesmo sucede com o mau
funcionamento da glândula tiróide. Quanto ao
envelhecimento geral do organismo. Os seus efeitos são
diversos.

As doenças ou defeitos localizados

Todas as razões que determinem uma dispareunia – já


as citamos – não suficiente, se não para atingir o desejo
sexual, pelo menos para impedir a sua realização. A mulher
que sente dores durante à relação sexual não pode
considera-las se não com receio, e procurara evita-la o mais
possível. O vaginismo, a contracção dos músculos que
rodeiam o orifício da vagina, constitui uma excepção, pois,
na maior parte das vezes, resulta de causas psicológicas.
Para julgar da origem duma dor durante a cópula, aparece
importante o momento em que ela aparece: quando as
relações sexuais se desenrolaram já normalmente e sem dor
durante um certo tempo, e a dor aparece mais tarde, há
muitas probabilidades de que a sua origem seja orgânica.

Muitíssimas vezes sucede que as mulheres utilizam um


mau estar passageiro para evitar as relações sexuais que se
lhes tornaram desagradáveis por razões não físicas.
Portanto, nem sempre se pode estabelecer uma origem bem
clara para a dificuldade: expressão dum estado de alma, a
relação sexual reflecte tudo, e não apenas uma parte. Em

33
particular, sucede com frequência que, depois duma
gravidez e do parto, a mulher leva algum tempo antes de
voltar a sentir o apelo do sexo: as causas são então diversas,
porque o receio da gravidez e o medo das dores nos órgãos
genitais modificados pelo parto associam-se para fazer
temer novas uniões sexuais, e, quando esta situação
persiste durante alguns meses, vem juntar-se conflitos que
mais ainda fazem que a relação sexual perca o seu valor.

Embora se trate dum preconceito extremamente


espalhado, a extirpação dos órgãos genitais da mulher não
lhe retira nem a capacidade, nem o gosto pelas relações
sexuais. Mesmo quando a cirurgia é muito extensa, quando
se tiram até as paredes vaginais, a vagina artificial que
então se constrói permite que a mulher tenha as mesmas
reacções sexuais do que antes: por exemplo, a lubrificação
vaginal não é modificada. Com mais razão ainda, quando
apenas houve uma histerectomia, quer dizer, a extirpação
do útero, nada há depois a temer. A exerces dos ovários,
com a consecutiva privação de hormonas femininas, não
tem importância alguma no plano sexual, a não ser a
modificação que se pode verificar na mucosa genital; mas,
em geral, já não se procede a esta intervenção sem
substituir, por comprimidos de hormonas, a produção
ovarica, o que impede a degenerescência da mucosa.

As causas sociais.

Há menos de cem anos, um eminente professor de


ginecologia dizia: «toda a mulher casada que tem alguma
sensação durante as relações sexuais não vale mais do que
uma prostituta.» Este médico era sério, reflectia as crenças
da sua época, e durante muitíssimo tempo se continuou a
pensar desta maneira. Numerosas são as nossas mães, e
mais ainda os nossos avos, que durante toda a sua vida não
fizeram mais do que o seu «dever», muitas vezes contra
vontade, pois, mesmo assim, tinham a impressão de
34
cometer pecados. Houve um tempo em que os casais que
tivesse uma relação sexual no sábado à noite já no domingo
de manhã não se podiam apresentar à comunhão. Num tal
contexto, compreende-se que atracções poderiam ter as
relações sexuais.

Muitas mães, sem levarem o exagero ate’ pontos,


conseguiram mesmo assim transmitir `as filhas atitudes
negativas em relação a todo que diz respeito `a sexualidade.
Em referência a acontecimentos exactos, como a
menstruação, a relação sexual, a gravidez, o parto, o
aleitamento, as «doenças de mulheres», a menopausa,
quantos preconceitos, desgostos e receios encontram aqui
uma ocasião de se instalar, por vezes insensivelmente!

A educação sexual das raparigas e’ sempre considerada


pelos pais como fonte de problemas. Sabe-se bem que o
rapaz não voltara’ a casa com um filho nos braços, e por isso
as preocupações com eles são menores; em certos casos,
indica-se-lhes que deveriam agir de maneira responsável,
mas há menos preocupação pelas consequências dos seus
actos. Com as raparigas e’ muito diferente, pois elas podem
aparecer grávidas. Tenta-se, portanto, desviá-la de todas as
actividades sexuais, a princípio viando-as de perto, mas
sobretudo, quando se ousa falar, prevenindo-as contra os
«patifes», contra os homens, que só pensam em explorá-las.
Antes do casamento, os rapazes seriam porcos, e depois
tornar-se-iam protectores em quem se deve ter confiança e
a quem é preciso dar-se completamente. As impressões não
se modificam de um dia para outro, e a rapariga que julgou a
sua virgindade a coisa mais importante do mundo, e que
devia desconfiar dos «machos», que apenas procuram faze-
la perder-se mesmo quando se encontra casada não pode
continuar a pensar doutra maneira; o marido fará parte da
mesma espécie de porcos contra os quais foi tão bem
prevenida.

35
Um outro factor, em relação ao qual a sociedade tem
uma certa responsabilidade, e’ a nova e cada vez mais
difundida maneira de considerar as relações sexuais: em
consequência dum melhor conhecimento dos fenómenos
sexuais, imagina-se muitas vezes que a sexualidade já não
tem mistérios, e pretende-se reduzir as relações sexuais a
simples permutas físicas. Para uma mulher, bastaria se
desse automaticamente e o orgasmo fosse possível. As
mulheres partem, pois, `a procura desse querido
companheiro, que para elas poderá realizar milagre
esperado; por outro lado, esperam tudo das habilidades
técnicas do eventual companheiro, uma vez descortinadas
as relações sexuais para delas só se deixa o aspecto físico;
por outro lado, colocam-se numa situação de ansiedade, pois
perguntam constantemente se o outro será adequado, uma
vez que põem nele todas as esperanças. A permuta sexual já
não e’ um dom recíproco, transforma-se numa experiencia
em que cada qual quer tirar o máximo para si sem pensar no
outro. Esse género de masturbação a dois em breve se torna
insatisfatório, quando não o foi logo de inicio.

As causas psicológicas

A demarcação entre a sociedade e o indivíduo e’ muito


arbitrárias, porque não existem seres humanos que se
tenham desenvolvido fechado, em vaso fechado, sem
comunicação com o meio, e, por consequência, sem
influência deste. É bem evidente que as causas psicológicas
tendentes a provocar uma reacção de frigidez nas permutas
sexuais provem a maior parte das vezes de circunstâncias
familiares particulares; mas enquanto nos factores sociais
mencionamos comportamentos muito difundidos, que
podiam encontrar-se com frequência, aqui trata-se de
reacções mais individuais, mais dependentes uma influencia
localizada que de um género de modo ou de comportamento
de conjunto.

36
O tratamento de disfunção sexual

O primeiro passo para recuperar uma relação sexual é


parar com desculpas querer resolver o problema. Problema
de impotência sexual, sejam de origem física ou psicológica,
sejam masculinos ou femininos desenvolvem-se em silêncio.
Não arranje desculpas. Fale com a sua companheira e com o
seu médico.

A impotência sexual pode ser facilmente tratada


simplesmente mudando o estilo de vida ou hábitos de
trabalhos, sem necessidade de qualquer exames médicos.
Tente fazer exercício físicos regularmente, evite consumir
em excesso comidas altas em gorduras mais evite o stress o
mais que puder, não beba ou fume em excesso, beba muito
mais água durante no dia. No entanto, noutros casos é muito
importante consultar um médico para obter aconselhamento
e um medicamento à base de prescrição médica.

Considera-se muitíssimas vezes a impotência sexual


como uma dificuldade contra o qual nada há a fazer. Casos
não se sentiriam humilhados. Sentem á mesma vergonha
em consultar o médico como em confessar aos seus
companheiros de trabalho que «já não podem».

Perante uma impotência que se manifesta rapidamente


– quer dizer, que se instala num tempo relativamente curto,
é lógico procurar um médico. Na maioria dos casos, este não
encontrara qualquer causa física para a impotência. O que
não significa que tenha de abandonar a partida. Mencionou-
se anteriormente que a meio parte das perturbações da
potência provinham de causas psicológicas, e é para
especialista do psiquismo que então o doente se deve voltar.

Abordagem mais reconhecida neste contexto de terapia


das disfunções sexuais abordagem mais reconhecida é a de
Masters e Johnson, que gerou mesmo um protocolo de
intervenção.

37
As intervenções neste campo dividem-se, conforme a sua
enfase em três objectivos:

 Mudar atitudes, pensamentos, imagens;

 Mudar as emoções;

 Disponibilizar informação adequada;

O tratamento

A maior parte das vezes, as causas da frigidez têm


raízes longínquas: quer esta incapacidade em ter satisfação
nas relações sexuais provinha duma educação falseada ou
dum mau funcionamento psicológico, e muitíssimas vezes as
duas ordens de factores têm a sua influência, tem de
pensar-se na necessidade dum tratamento em profundidade
que não poderá operar-se rapidamente. Além disso, é
preciso contar com o auxílio dum especialista, em muitos
casos um psiquiatra. A duração do tratamento o custo, os
esforços que exige, não deveriam assustar a mulher a
braços com esta dificuldade.

Uma mulher nunca deveria fazer em si própria um


diagnóstico de frigidez: pode muito bem suceder que avalie
mal a situação e que a desordem não seja tão profunda
como ela julga. É sempre bom beneficiar da assistência
duma terceira pessoa na avaliação duma situação em que se
está demasiadamente implicado para se ser objectivo.

Como para todos os noutros problemas psicológicos, a


frigidez é mais fácil de evitar que de curar. Assim, vale a
pena gastar algum tempo com recomendações que, se
forem seguidas, permitem às gerações mais jovens
beneficiar mais facilmente duma vida sexual capaz.

38
A prevenção

A complexidade das causas da frigidez permitiu-nos


verificar a que ponto esta dificuldades poderia ter muitas
origens. Assim, quando se quer eliminar a frigidez, deve agir-
se em vários pontos, que implicam o conjunto da educação
da rapariga. O Dr. Robert Knight nomeia oito pontos de
importância nesta educação, além da condição de base, que
deverá ser um lar que a criança se sinta em segurança e
receba o afecto que lhe é necessário:

1) É preciso evitar influenciar uma criança dum sexo dado


no sentido dum compartimento característico do outro
sexo, o que sobretudo se dá quando os pais desejariam
um rapaz, por exemplo, e tiverem uma rapariga,
criando-a como um rapaz.

2) Quando o parto foi do mais difícil, mesmo que a mãe


estivesse a ponto de perder a vida, estas circunstancia
nunca deveriam ser contadas à filha, pois esta poderia
conservar um medo mortal da maternidade e do parto.

3) Os pais, sobretudo a mãe, deveriam adoptar uma


atitude de vistas largas cerca de tudo o que diz respeito
à sexualidade da criança: limpeza, masturbação ou
brincadeiras sexuais; principalmente as punições
devem ser evitadas neste domínio.

4) É bom que as crianças de sexo diferente tenham a


oportunidade de se verem nuas em certas as
circunstâncias, por exemplo no banho; quanto aos
adultos, parece preferíveis não serem vistos nus pelos
seus filhos do sexo oposto.

5) As crianças, mesmo muitos novos, nunca deveriam


dormir no quarto dos pais; sobretudo no caso de
poderem assistir a uma relação sexual.
39
6) A mãe deveria dar à filha boas explicações, muito antes
de chegar a sua primeira menstruação.

7) É preciso não exagerar a importância da castidade na


rapariga; sobretudo não lhe dar uma imagem dos
rapazes que os apresente como patifes ou perigosos.

8) É preciso responder às perguntas sexuais da criança no


mesmo tom em que se responde a outros assuntos; a
maneira de responder tem muitas vezes mais
importância do que a própria informação.

Acrescentou que os pais deveriam vigiar os jornais e


revistas que compram: o mercado está infestado de
folhas de couve que só contam porcarias que apenas
podem dar uma imagem falsa da vida sexual.

13- A DOR NO COITO

A dispareunia – é assim que se chama a dor nas


relações sexuais – pode existir tanto no homem como na
mulher. Esta dificuldade é primária, quer dizer, está presente
desde as primeiras uniões sexuais, ou é secundário,
aparecendo após um período mais ou menos longo de
ajustamento satisfatório e não doloroso.

No homem

No homem a causa mais frequente de disparidade


primária, e provavelmente uma das únicas, é ausência de
circuncisão numa pessoa que sofre de fimose; neste caso, a
pele do prepúcio está tão apertada sobre a glande que, no
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momento que, no momento da erecção, esta não se pode
libertar inteiramente, apreendida como está num anel que a
aperta. Se por acaso a glande consegue libertar-se, o anel
constituído pelo prepúcio forma-se novamente, agora atrás
da glande, e rapidamente se instala um edema considerável.
O prepúcio incha e aperta o pénis, que continua em erecção.
Poderia julgar-se que o homem com esta perturbação corre
logo ao médico, mas em muitos casos não é isto que sucede:
alguns têm este obstáculo de repetição durante anos, mas
têm vergonha de confessar a sua dificuldade e evitam as
relações sexuais para não sofrerem de novo.

Por falta de limpeza ou em consequência duma


infecção vaginal, alguns homens contraem uma infecção da
glande, ou, mais frequente, do sulco que marca o limite
desta parte do orgasmo. Praticamente inaparentes, estas
infecções podem causar uma irritação com dor consecutiva
durante as relações. Uma outra fonte. Uma outra fonte de
irritação pode ser simplesmente mecânica: depois de uniões
sexuais frequente ou acompanhadas de manipulação da
glande, a pele deste órgão torna-se mais sensível, donde
resulta uma dor ao menor contacto: a penetração poderá
tornar-se muito dolorosa, sobretudo se a vulva da mulher é
estreita.

Na mulher

Na mulher, as causa de dispareunia são muito mais


frequentes. Em primeiro lugar, é preciso mencionar que é
normal as primeiras relações sexuais serem dolorosas,
embora isto não seja absolutamente necessário; com efeito,
a distensão e rasgamento do hímen, quando esta membrana
obstrui a entrada da vagina, provoca dores, que, aliás, é
preciso não exagerar. As relações sequentes, se próximas da
primeira, despertam dor porque a cicatrização do hímen
ainda não terminou.

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A dispareunia primária é muitas vezes de origem
psicológica; receosa das relações sexuais, a jovem está
tensa e contrai os músculos que rodeiam a vulva. Instala-se
um anel muscular resistente que o marido dificilmente pode
vencer; os seus esforços provocam dor, o que aumenta a
tensão da mulher e por consequência a resistência que ela
oferece. Este ciclo vicioso chama-se vaginismo. Depois dum
primeiro insucesso, a experiência seguinte não pode ser
acolhida sem receio e a série dos acontecimentos repete-se.
O vaginismo também às vezes é despertado pela falta de
jeito do marido, que, inexperiente e apressado por uma
ejaculação iminente, pode tentar uma penetração
prematura; como a excitação da mulher ainda é insuficiente
para que se produza a dilatação das paredes vaginais,
característica da fase do planalto, a vagina, cujas dimensões
ainda são reduzidas, pode adaptar-se mal ao pénis e causar
dor, o que leva a mulher a contrair-se.

Muitíssimas vezes, os receios da esposa perante as


relações sexuais desvanecem-se por meio de explicações
sobre a fisiologia genital. Às vezes é necessário empreender
um tratamento psicológico mais longo, porque os medos
podem remontar a infância ou a experiência antigas. Enfim
nalguns casos, a utilização de dilatadores vaginais, que são
uma espécie de tubos de diâmetro progressivo, permite dar
à vulva uma abertura suficiente para que o pénis penetre
sem dor.

Também sucede, mas raramente, que o hímen seja


dum tipo particularmente resistente: esta anomalia teria sido
descoberta e corrigida se tivesse havido um exame pré-
nupcial, mas, de qualquer modo, o tratamento é o mesmo: o
médico tem de proceder quer a uma dilatação quer a uma
incisão, que pode ter de se fazer com anestesia.

A dispareunia secundária que aparece na mulher antes


da menopausa encontram a sua origem quer em infecções,
quer em consequências de lesões da vulva. As infecções da

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uretra (o canal que produz a urina da bexiga para o
exterior). Do meato urinário e das glândulas de Bartholin
causam dores à penetração, enquanto as infecções do útero
e das trompas, e às vezes a endometriose que pode atingir
estes órgãos. Provocam dores perante a própria penetração.
Quanto às lesões, são consecutivas a partos ou a
intervenções cirúrgicas: uma má cicatrização pode ser
dolorosa, ou um aperto muito considerável da centrada da
vagina pode tornar difícil a penetração.

Na menopausa, a carência brusca do orgasmo em


hormonas anteriormente produzidas pelos ovários é muitas
vezes seguidas de dois fenómenos que tornam a penetração
dolorosa: as mucosas vaginal e vulvar adelgaçam-se e
rasgam-se facilmente, a entrada da vagina aperta-se. Esta
última modificação aparece sobretudo nas mulheres que não
tem relações sexuais regulares. Graças às hormonas de
substituição que o médico pode prescrever ou injectar, estas
dificuldades desaparecem. Também pode suceder que a
vulva seja sede de doenças de pele, de tipo degenerativo;
por meio dum tratamento com pomadas contendo córtico-
esteróides, luta-se muitas vezes eficazmente contra este
tipo de doença.

Após esta longa enumeração das causas que podem


tornar as relações sexuais dolorosas, temos de fazer um
aviso: este não é o género de dificuldades mais frequente. É
preciso saber que podem existir razões físicas para o
malogro das uniões sexuais, e por consequência tem de se
concordar em recorrer ao médio quando surgem tais
dificuldades. Mas também é preciso admitir que, na maior
parte dos casos, a origem da inadaptação tem de ser
procurada algures.

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CONCLUSÃO

O grupo chegou a concluir dique a disfunção sexual ou


eréctil também conhecida como impotência sexual
masculina, é a incapacidade de desenvolver ou manter a
erecção do pénis para um inter-curso sexual satisfatório,
independentemente da capacidade de ejaculação.

Há varias causas para a disfunção eréctil muitas das


quais são reversíveis medicamente.

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Devido a natureza pessoal da impotência sexual esse
assunto foi tabu por muito tempo e material para muitas
lendas.

A impotência é causada por serie de disfunções de


ordens físicas e psicológica. A maioria dos casos, no entanto,
esta relacionada aos dois factores. Problemas de erecção
geralmente trazem reacções emocionais e psicológicas
fortes nos homens. Ela costuma aparecer em homens que
estejam extremamente ansioso e stressados. Por isso, é
preciso reconhecer este estado de stress para evitar
complicações sexuais.

Quase todas doenças podem afectar a capacidade de


erecção se tiver como resultado alterações nos nervos, nos
vasos sanguíneos ou no sistema hormonal muitas moléstias
também podem produzir mudanças no tecido muscular que
forma o pénis ou então influenciar o humor e o
comportamento dos homens.

Também conclui-se que as causas fisiológicas de


impotência sexual podem ser diabetes, Hipertensão,
problema da prostata, ataques do coração, derrame
cerebral, desequilíbrio hormonais, e lesão abdominal ou
cirúrgica.

E as psicológicas normalmente estão relacionadas ao


estilo de vida dos dias de hoje aos hábitos diários como
pressões no ambiente de trabalho, stress, ansiedade.
Depressão, tensão, efeitos secundários de medicamentos,
insónia ou outros problemas relacionados com o sono.

Conclui-se também que a frigidez tem origem orgânica


como: Dispareunias (dor na relação sexual), alterações
hormonais, debilidade física ou doenças em geral que
debilitem, e as causas psicogenicas da frigidez têm origem:
da religião, tabus, violência sexual anterior (como estupro),
educação sexual rígida, medo de engravidar ou de doenças
sexualmente transmissíveis, idade avançada, stress,

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relacionamento desgastados, (casamento onde não mais
existe amor e a mulher sendo mais sentimental, não
consegue se relacionar sem sentimento). Etc.

BIBLIOGRAFIA

 A sexualidade masculina.
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Sylvain Mimoun

Lucien Chaby

Copyright

Flammariaon 1996 – portugal

 Curso de sexologia

Biblioteca do homem e da mulher

Autor: Serge Mongeau

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 Manual do Exame Clínico

1 e 3 Edição – Cultura medica rio de Janeiro, Marco, de


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 Noções de psicologia

Autor: Carlos M. Lopes Pires, Universidade Alberta –


Lisboa Portugal 2003

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