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O aluno deverá fazer a leitura do artigo: “Enterobactérias produtoras de ESBL em Passo

Fundo, Estado do Rio Grande do Sul, Brasil”, disponibilizado no


link: https://www.youtube.com/watch?v=xYVKjq5vSbs

ATIVIDADE 2: O aluno deverá responder as questões:

1. Qual o significado da sigla ESBL? Qual o impacto desses microrganismos na saúde


pública?
As Beta-lactamases de Espectro Ampliado podem produzir uma oculta, mas
clinicamente significante resistência à cefalosporinas de amplo espectro e aztreonam.
Estas enzimas são produzidas principalmente por Klebsiella sp e Escherichia coli.
Hoje, estima-se que aproximadamente 50% dos isolados de Klebsiella spp. sejam
produtores de ESBL, resultando em falha terapêutica e surtos por cepas resistentes no
ambiente hospitalar, o que tem alto impacto na saúde pública diante das características
de patogenicidade e endemicidade da bactéria. Desse modo, diferentes clones
de Klebsiella spp. produtores de CTX-M têm sido relatados na literatura, especialmente
em unidades de tratamento intensivo, assim como cepas de Escherichia
coli extraintestinal. Logo, altas taxas de mortalidade são associadas a infecções por K.
pneumoniae produtora de ESBL, tendo como evento favorável a colonização para o
estabelecimento da infecção.

2. Qual foi o local de estudo? Número de amostras avaliadas? Período da coleta de


dados?
Este trabalho foi realizado no Laboratório de Análises Clínicas do Hospital São
Vicente de Paulo (HSVP), em Passo Fundo, RS, Brasil. Este hospital possui 560 leitos e
101 leitos de apoio e uma área construída de 45.000m², realizando cerca de 28.000
internações ao ano.
Realizou-se um estudo retrospectivo observacional transversal que incluiu os
pacientes internados no HSVP e cujas culturas bacterianas foram realizadas, no período
de julho a dezembro de 2007. Foram coletados dados demográficos como sexo, unidade
de internação hospitalar, número de registro laboratorial do paciente e dados
referentes ao paciente, como tipo de amostra biológica, identificação bacteriana e
antibiograma. Os dados dos pacientes com culturas positivas para enterobactérias
produtoras de ESBL foram avaliados. Os dados foram coletados através do sistema
interno de computadores do HSVP, no Laboratório de Análises Clínicas.

3. Como foi realizada a identificação de cepas, antibiograma e triagem fenotípica da


produção de ESBL?
As amostras biológicas foram identificadas através da coloração de Gram e
provas como fermentação de glicose, sacarose e lactose, motilidade, produção de H2S,
gás, indol e, quando necessário à identificação foi confirmada pelo painel de Gram-
negativos do AUTO-SCAN-4 (Dade Microscan, Inc., Sacramento, CA, USA). O perfil de
susceptibilidade aos antimicrobianos foi determinado pela metodologia de disco-
difusão, de acordo com as normas do CLSI (Clinical Laboratory Standards Institute). A
triagem fenotípica para produção de ESBL foi realizada pela técnica de disco
aproximação também segundo as normas do CLSI.
4. Qual foi o total de culturas positivas? Qual o percentual de enterobactérias? Qual o
percentual de isolados produtores de ESBL?
Ocorreram 129 casos de cultura positiva com produção de ESBL em pacientes do
sexo masculino e 79 em pacientes do sexo feminino. Dentre essas, 54,2%
(nº=838/1.546) foram identificadas como enterobactérias. Dentre as culturas positivas
identificadas como enterobactérias 24,8% (nº=208/838) dos isolados apresentaram
teste de triagem positivo para produção de ESBL.

5. Quais as espécies mais prevalentes nesse estudo?


Dentre os isolados produtores de ESBL, Escherichia coli foi à espécie prevalente,
com 46,2% (nº=96), seguida de Enterobacter sp, com 30,3% (nº=63).

6. Em relação ao perfil de resistência dos isolados, contra quais antibióticos os isolados


se mostraram mais sensíveis/resistentes?
Excluindo os carbapenêmicos, piperacilina/tazobactam e amicacina foram os
antimicrobianos mais efetivos in vitro, com susceptibilidades de 67,4% e 60,1%,
respectivamente. Luzzaro e cols17 encontraram perfis de susceptibilidade semelhantes
e, nestes isolados, detectaram o gene tipo-blaSHV. Baseado nesses dados, a
piperacilina/tazobactam em monoterapia ou associada à amicacina pode ser uma opção
útil para tratamento de infecções urinárias causadas por microrganismos susceptíveis.
Como sugerido anteriormente, em infecções não crônicas e situações não de surto não
é necessária à administração de carbapenêmicos. Essa medida pode auxiliar a preservar
o valor dessas drogas. Como os isolados multirresistentes e produtores de ESBL deste
estudo apresentaram altos índices de susceptibilidade à tigeciclina, esta poderia ser
utilizada como opção para o tratamento de infecções específicas26. Entretanto, existe
um argumento contra a expansiva disponibilidade desta droga por apresentar potencial
para o desenvolvimento de cepas resistentes. Além disso, existe uma preocupação de
que a disponibilidade não restrita deste agente possa resultar que alguns antibióticos
comumente utilizados, como fluoroquinolonas, cefalosporinas e carbapenêmicos,
tornem-se mais propensos a induzir resistência cruzada e causar danos colaterais em
pacientes hospitalizados. Embora o fenômeno de co-resistência não tenha sido
observado até o momento, o potencial para o desenvolvimento de resistência a
tigeciclina é desconhecido.

7. Do ponto de vista de saúde pública, qual a importância da frase encontrada no artigo:


“As enterobactérias produtoras de ESBL avaliadas no presente estudo mostraram-se
bastante susceptíveis aos carbapenêmicos, principalmente meropenem”.
As ESBL tornaram-se o principal problema de saúde pública no que diz
família Enterobacteriaceae, destacando-se a rápida disseminação dessas enzimas e o
surgimento constante de novas variantes. No Brasil, a produção de ESBL
em Enterobacteriaceae também é alarmante, uma vez que variantes têm sido descritas.
Infelizmente, não existem programas de vigilância de abrangência nacional referentes à
resistência bacteriana e a seus mecanismos, tornando-se difícil estimar a proporção de
produtores de ESBL na federação.
Dessa maneira, são necessários estudos mais abrangentes com relação à
resistência no Brasil, além de medidas que estabeleçam o uso adequado de antibióticos
na clínica médica a fim de diminuir os impactos na saúde pública.