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Melhem Adas
Bacharel e licenciado em Geografia pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de São Bento, da
Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Professor do Ensino Fundamental, Médio e Superior
na rede pública e em escolas privadas do estado de São Paulo.

Sergio Adas
Doutor em Ciências (área de concentração: Geografia Humana) pela Faculdade de Filosofia, Letras
e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, com Pós-doutorado pela Faculdade de
Educação da Universidade de São Paulo. Bacharel e licenciado em Filosofia pela Universidade de
São Paulo. Professor da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto, da
Universidade de São Paulo.

EXPEDIÇÕES GEOGRÁFICAS

7º ano

Componente curricular: GEOGRAFIA

MANUAL DO PROFESSOR

2ª edição

São Paulo, 2015

Logotipo Moderna
Página 2

Coordenação editorial: Cesar Brumini Dellore

Edição de texto: Daiane Ciriáco, Karine Mirieli dos Santos Costa

Gerência de design e produção gráfica: Sandra Botelho de Carvalho Homma

Coordenação de design e produção gráfica: Everson de Paula

Suporte administrativo editorial: Maria de Lourdes Rodrigues (coord.)

Coordenação de design e projeto gráfico: Marta Cerqueira Leite

Projeto gráfico: Everson de Paula, Daniel Messias

Capa: Everson de Paula, Daniel Messias

Fotos: câmera digital © Filip Bjorkman/ Shutterstoc

Elevador Lacerda, Salvador, Bahia (2011) © Vinicius Tupinamba/Shutterstock

Coordenação de arte: Patricia Costa, Wilson Gazzoni Agostinho

Edição de arte: Flavia Maria Susi

Editoração eletrônica: Pé na areia design

Edição de infografia: William H. Taciro, Mauro César Brosso, Alexandre Santana de Paula,
Débora Pereira Ginadaio

Ilustrações de vinhetas: Daniel Messias

Coordenação de revisão: Adriana Bairrada

Revisão: Rita de Cássia Sam, Sandra Brazil, Thiago Dias, Vânia Cobiaco

Coordenação de pesquisa iconográfica: Luciano Baneza Gabarron

Pesquisa iconográfica: Camila Soufer, Alberto Rozzo Martins Junior, Fabio Yoshihito Matsuura

Coordenação de bureau: Américo Jesus

Tratamento de imagens: Arleth Rodrigues, Bureau São Paulo, Marina M. Buzzinaro, Resolução
Arte e Imagem

Pré-impressão: Alexandre Petreca, Everton L. de Oliveira, Fabio N. Precendo, Hélio P. de Souza,


Marcio H. Kamoto, Rubens M. Rodrigues, Vitória Sousa

Coordenação de produção industrial: Viviane Pavani

Impressão e acabamento:

1 3 5 7 9 10 8 6 4 2

Todos os direitos reservados


EDITORA MODERNA LTDA.
Rua Padre Adelino, 758 - Belenzinho
São Paulo - SP - Brasil - CEP 03303-904
Vendas e Atendimento: Tel. (0_ _11) 2602-5510
Fax (0_ _11) 2790-1501
www.moderna.com.br

2015

Impresso no Brasil

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)


(Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)
Adas, Melhem
Expedições geográficas / Melhem Adas, Sergio Adas. — 2. ed. — São Paulo : Moderna, 2015. Obra
em 4 v. para alunos do 6º ao 9º ano. “Componente curricular: geografia”
Bibliografia.
1. Geografia (Ensino fundamental) I. Adas, Sergio. II. Título.
15-01556 CDD-372.891
Índices para catálogo sistemático: 1. Geografia : Ensino fundamental 372.891

Créditos do Manual Multimídia


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APRESENTAÇÃO
Caro estudante,

Neste ano você é nosso convidado para embarcar em uma grande viagem: o estudo da Geografia do
Brasil! Com a curiosidade sempre alerta e muita disposição, estaremos juntos por vários meses,
sempre seguindo uma única direção: conhecer um país de dimensões continentais que possui uma
das mais ricas biodiversidades do mundo, além de grande diversidade cultural.

As oito Unidades deste livro tratam de vários assuntos e, para saber quais são de antemão, é
necessário consultar o nosso roteiro: o sumário. Sugerimos também que você conheça os vários
recursos existentes neste livro, ou seja, as suas seções, as quais o levarão a relacionar vários
assuntos e áreas do conhecimento.

Uma dica de viagem: não seja apenas um viajante distraído ou que passa pelos lugares e regiões
sem perceber as contradições existentes. Seja um viajante cidadão e consciente, que utiliza seu
aprendizado e conhecimento para participar da construção de um Brasil melhor para todos. Um
bom começo é fazer isso a partir do lugar e da região onde se vive, contribuindo na busca de
soluções para problemas sociais e ambientais, além de discutir e combater tipos de preconceitos
(econômico-sociais, étnicos, de gênero, religião, idade, entre outros).

Você está pronto? O que se pode querer mais? Afinal, o Brasil é imperdível! E, além disso,
conhecendo-o por meio da Geografia, você estará percorrendo um caminho que poderá ajudar a
torná-lo ainda melhor!

Os autores
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CONHECENDO OS RECURSOS DO LIVRO


Organização do livro
Esta coleção possui uma organização regular, planejada para facilitar o trabalho em sala de aula. É
dividida em oito Unidades, cada uma com quatro Percursos (capítulos), totalizando 32 Percursos.

Abertura de Unidade
Por meio da exploração de um infográfico ou de imagens e um texto introdutório, a abertura da
Unidade apresenta o que será tratado nos quatro Percursos seguintes.

Verifique sua bagagem


A minisseção Verifique sua bagagem vai sondar seus conhecimentos prévios e estimular o
interesse nas temáticas abordadas ao longo da Unidade.

Percurso
Os Percursos apresentam conteúdos organizados de forma clara, em títulos e subtítulos que
facilitam a compreensão dos temas. As informações são apresentadas por meio de diferentes
linguagens, mesclando textos, mapas, gráficos, tabelas, ilustrações e fotos. As atividades
direcionam a observação e a interpretação desses elementos.

Seções laterais
Sugerem livros, vídeos e sites que ajudam a aprofundar e complementar o estudo.

No seu contexto
Propõe atividades que articulam o conteúdo estudado à realidade em que você vive.

Glossário
Apresenta o significado de termos pouco comuns ou desconhecidos.
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Estações
Apresentam textos de revistas, jornais, livros e sites, que desenvolvem os temas transversais e
complementam o conteúdo do Percurso. Dividem-se em quatro tipos: Estação Socioambiental,
Estação Cidadania, Estação História e Estação Ciências. As atividades promovem a reflexão e
estimulam o debate.

Estação Socioambiental
Aborda temas sociais e ambientais e desenvolve a compreensão das relações entre espaço
geográfico, sociedade e ambiente.

Estação Cidadania
Traz textos que possibilitam a reflexão sobre problemas ligados à realidade e a discussão sobre
medidas e soluções.

Estação História
Trata dos aspectos históricos de um determinado tema para enriquecer seu estudo. O texto, com as
atividades, busca reforçar as relações entre espaço geográfico e tempo histórico.

Estação Ciências
Por meio dos textos dessa estação, você vai refletir sobre o papel da ciência, da tecnologia e da
inovação para o desenvolvimento da sociedade.
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Infográfico
Os infográficos podem aparecer tanto na abertura como no meio de um Percurso. Eles são ótimos
recursos gráfico-visuais por integrarem imagem, gráfico e texto, apresentando dados e informações
de maneira sintetizada. Sempre vêm acompanhados de questões relevantes sobre o que foi
proposto.

Outras seções
Seções que procuram ampliar, por meio de textos e atividades, seu repertório cultural e o
conhecimento de técnicas e procedimentos utilizados na Geografia. São três seções diferentes:
Mochila de ferramentas, Outras rotas e Encontros.

Mochila de ferramentas
Traz procedimentos específicos da Geografia e técnicas de estudo e pesquisa que permitem
aprimorar o trabalho individual e em grupo.

Outras rotas
Por meio dessa seção é possível conhecer lugares diferentes, que tenham significado religioso,
cultural, arquitetônico etc., ampliando os horizontes culturais.

Encontros
Apresenta aspectos do cotidiano de diferentes povos, etnias ou personagens, privilegiando a
diversidade étnica cultural. Propõe uma reflexão sobre a importância da diversidade e do respeito
às diferenças.
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Atividades
As atividades sempre aparecem em páginas duplas no final dos Percursos pares. Visam à releitura
e à revisão dos conteúdos, à aplicação dos conhecimentos adquiridos, à interpretação de mapas,
gráficos, tabelas, textos e estimulam a reflexão sobre o que foi estudado. São divididas em cinco
subseções.

Revendo conteúdos
São atividades de releitura e de revisão de conteúdos. Frequentemente apresenta questões diretas
para que você fixe os tópicos estudados.

Leituras cartográficas
Atividades envolvendo a linguagem cartográfica. Estimulam a habilidade de leitura e interpretação
de mapas, que podem estar associados a gráficos, tabelas, perfis etc.

Explore
Atividades que exploram diferentes linguagens, como textos, imagens, tabelas, gráficos, charges
etc.

Investigue seu lugar


Propõe pesquisas, individuais ou em grupo, sobre a localidade onde você vive, buscando estimular
a percepção do entorno.

Pratique
Propõe atividades que exigem execução de procedimentos, como elaboração de mapas, desenhos,
gráficos etc.

Pesquise
Propõe pesquisas individuais ou em grupo para aprofundar o que foi estudado.

Desembarque em outras linguagens


Seção que fecha as Unidades ímpares. Apresenta o trabalho de artistas e outras personalidades por
meio de temas relacionados ao conteúdo estudado. A abordagem é interdisciplinar e as linguagens
variadas, geralmente ligadas às artes e à literatura.

Breve apresentação da personalidade tratada e de seu trabalho.

Apresenta a expressão artística ou a linguagem que o artista representa.

Apresenta linha do tempo com a biografia do artista ou a síntese de suas obras.

Caixa de informações e Interprete


Atividades de releitura e interpretação que estimulam a compreensão do assunto. As informações
são interpretadas e relacionadas com a Geografia.

Mãos à obra
Essa seção possibilita pôr em prática a linguagem apresentada.
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SUMÁRIO
Unidade 1
O território brasileiro, 12

Percurso 1. Localização e extensão do território brasileiro, 14


Como localizar o território brasileiro?, 14 • Pontos extremos do território brasileiro, 17 • Latitudes e
diversidade de paisagens naturais, 17 • Os fusos horários, 18

Mochila de ferramentas – Como calcular as horas por meio de um mapa de fusos horários, 19

Percurso 2. A formação do território brasileiro, 20


A formação territorial, 20

Estação Cidadania – O imaginário social sobre os indígenas, 25

Atividades dos percursos 1 e 2, 26

Percurso 3. A regionalização do território brasileiro, 28


O que é regionalizar, 28 • Brasil: regionalização oficial, 29 • Os complexos regionais, 29

Estação História – A história das divisões do território brasileiro, 30

Percurso 4. Domínios naturais: ameaças e conservação, 32


Os domínios morfoclimáticos, 32 • Impactos ambientais sobre os domínios morfoclimáticos do
Brasil, 34 • As Unidades de Conservação, 36

Outras rotas – Jalapão, 37

Atividades dos percursos 3 e 4, 38

Desembarque em outras linguagens – Araquém Alcântara: Geografia e fotografia, 40

Unidade 2
A população brasileira, 42

Percurso 5. Brasil: distribuição e crescimento da população, 44


Brasil: país populoso e pouco povoado, 44 • A distribuição da população pelo território brasileiro,
45 • O censo, 46 • O crescimento da população brasileira, 47 • Natalidade e fecundidade em queda,
49 • Redução da mortalidade e aumento da expectativa de vida, 50

Estação Cidadania – Mortalidade infantil, 51

Percurso 6. Brasil: migrações internas e emigração, 52


O que é migração, 52 • O êxodo rural, 55 • Deslocamentos temporários de população, 55 •
Emigrantes brasileiros, 55

Estação Socioambiental – Migrações compulsórias, lugar e territorialidade na construção de


hidrelétricas... 56

Encontros – A migração por quem a viveu, 57

Atividades dos percursos 5 e 6, 58


Percurso 7. População e trabalho: mulheres, crianças e idosos, 60
A população segundo os setores de produção, 60 • Mulheres e desigualdades no mercado de
trabalho, 61 • O trabalho infantil no Brasil, 64 • A pirâmide etária do Brasil, 64

Percurso 8. Brasil: a diversidade cultural e os afro-brasileiros, 66


Brasil: país de muitos povos e culturas, 66 • Grupos formadores da população brasileira, 66 • Os
brasileiros nos censos do IBGE, 68 • Os afro-brasileiros no Brasil atual, 69

Estação Cidadania – Desigualdade de rendimento segundo a cor, 70

Atividades dos percursos 7 e 8, 72


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Unidade 3
Brasil: da sociedade agrária para a urbano-industrial, 74

Percurso 9. A urbanização brasileira, 76


O que é urbanização?, 76 • Brasil: taxas de urbanização regionais e estaduais, 76 • Brasil:
urbanização tardia, mas acelerada, 77 • Causas da urbanização no Brasil, 78 • O processo de
urbanização, 79

Estação História – Cidades brasileiras e Patrimônios da Humanidade, 81

Percurso 10. Rede, hierarquia e problemas urbanos, 82


A rede urbana, 82 • As categorias e funções urbanas, 82 • A hierarquia urbana, 83 • A conurbação,
84 • As Regiões Metropolitanas, 84 • A megalópole em formação, 86 • Movimentos sociais urbanos,
87

Atividades dos percursos 9 e 10, 90

Percurso 11. A industrialização brasileira, 92


Histórico, 92 • Concentração e relativa desconcentração industrial, 94 • Mulheres e homens na
indústria no Brasil, 96

Percurso 12. O espaço agrário e a questão da terra, 98


A importância da agropecuária no Brasil, 98 • A geografia agrícola do Brasil, 98 • A pecuária, 101 •
Pecuária intensiva e extensiva, 102 • Desigualdade no campo, 102 • Movimentos dos trabalhadores
rurais, 103

Atividades dos percursos 11 e 12, 104

Desembarque em outras linguagens – Eduardo Kobra: Geografia e arte urbana, 106

Unidade 4
Região Norte, 108

Percurso 13. Região Norte: localização e meio natural, 110


Região Norte ou Amazônia?, 110 • Aspectos físicos gerais, 112

Percurso 14. Região Norte: a construção de espaços geográficos, 118


A construção do espaço geográfico — de 1500 a 1930, 118 • A construção do espaço geográfico —
após 1930, 120 • Os governos militares e os novos rumos da colonização da Amazônia, 121

Estação Socioambiental – O conflito do governo com indígenas na construção de 40


hidrelétricas na Amazônia, 124

Atividades dos percursos 13 e 14, 126

Percurso 15. Amazônia: conflitos, desmatamento e biodiversidade, 128


A entrada do grande capital na Amazônia Legal em tempos recentes, 128 • O desmatamento na
Amazônia, 129 • A biodiversidade da Amazônia, 132

Estação Cidadania – Carne legal, 131

Mochila de ferramentas – Aprendendo a fazer um mapa pictórico, 133

Percurso 16. Amazônia: o desenvolvimento sustentável, 134


Organização não governamental (ONG), 134 • O desenvolvimento ecologicamente sustentável, 135
• As reservas extrativistas, 136
Encontros – Cipó artístico, 137

Atividades dos percursos 15 e 16, 138


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Unidade 5
Região Nordeste, 140

Percurso 17. Região Nordeste: o meio natural e a Zona da Mata, 142


A diversidade no Nordeste, 142 • As sub-regiões do Nordeste, 144 • A Zona da Mata: localização e
condições naturais, 144 • Zona da Mata: as metrópoles, 146 • Zona da Mata: aspectos gerais da
economia, 147

Encontros – As pescadoras artesanais da praia de Suape (PE), 149

Percurso 18. O Agreste, 152


O Agreste: localização e condições naturais, 152 • As cidades do Agreste, 153 • Agreste: economia,
154

Estação Ciências – O melhoramento genético do algodoeiro, 155

Atividades dos percursos 17 e 18, 156

Percurso 19. O Sertão, 158


O Sertão: localização e condições naturais, 158 • O Rio São Francisco, 160 • Sertão: economia, 162 •
As questões sociais e políticas da seca, 164

Estação Socioambiental – Sobrevivência em regime de bode solto, 163

Outras rotas – Parque Nacional Serra da Capivara, 165

Percurso 20. O Meio-Norte, 166

O Meio-Norte: localização e condições naturais, 166 • Meio-Norte: construção inicial do espaço,


168 • As capitais regionais e outras cidades, 169 • Meio-Norte: economia, 169

Mochila de ferramentas – Elaboração de mural, 171

Atividades dos percursos 19 e 20, 172

Desembarque em outras linguagens – Graciliano Ramos: Geografia e Literatura, 174

Unidade 6
Região Sudeste, 176

Percurso 21. Região Sudeste: o meio natural, 178


Apresentação, 178 • Aspectos do meio natural, 179

Percurso 22. Região Sudeste: ocupação e povoamento, 184


O início do povoamento, 184 • Da Vila de São Paulo para o interior, 185 • A mineração e a produção
de espaço, 186 • A cafeicultura e a produção de espaços geográficos no Sudeste, 188

Estação História – A Estrada Real, 187

Atividades dos percursos 21 e 22, 190

Percurso 23. Região Sudeste: a cafeicultura e a organização do espaço, 192


A expansão da cafeicultura em direção ao interior de São Paulo, 192 • A cafeicultura e a imigração
estrangeira, 194

Percurso 24. Região Sudeste: população e economia, 196


População, 196 • Economia, 197
Estação Ciências – Drones mapeiam áreas rurais, 201

Atividades dos percursos 23 e 24, 204


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UNIDADE 7
Região Sul, 206

Percurso 25. Região Sul: o meio natural, 208


Apresentação, 208 • Aspectos do meio natural, 209

Estação Socioambiental – Aquífero Guarani, 215

Percurso 26. Região Sul: a construção de espaços geográficos, 216


Ocupação europeia da Região Sul, 216

Atividades dos percursos 25 e 26, 222

Percurso 27. Região Sul: problemas ambientais, 224


A produção de espaços geográficos e a natureza, 224 • Região Sul: desmatamento, 224 • Principais
problemas ambientais, 228

Estação Socioambiental – Os faxinais e a preservação, 227

Encontros – Os cipozeiros de Garuva, 231

Percurso 28. Região Sul: população e economia, 232


População, 232 • Economia, 233

Atividades dos percursos 27 e 28, 240

Desembarque em outras linguagens – Sylvio Back: Geografia e cinema, 242

UNIDADE 8
Região Centro-Oeste, 244

Percurso 29. Região Centro-Oeste: localização e meio natural, 246


Apresentação, 246 • Aspectos do meio natural, 247

Estação História – A Guerra do Paraguai – 1864-1870, 249

Percurso 30. Região Centro-Oeste: fatores iniciais da construção de espaços geográficos, 254
Os primeiros exploradores, 254 • A Estrada de Ferro Noroeste do Brasil e a articulação com o
Sudeste, 256 • Até meados do século XX, um povoamento escasso, 257

Outras rotas – Sítio Histórico e Patrimônio Cultural Kalunga, 259

Atividades dos percursos 29 e 30, 260

Percurso 31. Região Centro-Oeste: a dinamização da economia, 262


O avanço da ocupação territorial, 262 • Infraestrutura e integração regional, 265 • Região Centro-
Oeste: a organização atual do espaço geográfico, 267

Percurso 32. Região Centro-Oeste: população, economia e meio ambiente, 268


Crescimento da população, 268 • Crescimento do PIB, 268 • Centro-Oeste: economia em plena
expansão, 269 • O extrativismo, 272 • Indústria, 273

Estação Socioambiental – Expansão da fronteira agrícola no Centro-Oeste, 274

Mochila de ferramentas – Pesquisa por meio de entrevista estruturada, 275

Atividades dos percursos 31 e 32, 276


Bibliografia, 278
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UNIDADE 1 - O território brasileiro


Nesta Unidade, você estudará aspectos da formação territorial do Brasil e verá que os limites que
hoje o país apresenta não foram obra da natureza, mas de um longo processo de ocupação humana.
Também conhecerá diferentes regionalizações do território brasileiro e os diversos desafios para
sua conservação ambiental.

PERCURSOS
1 Localização e extensão do território brasileiro
2 A formação do território brasileiro
3 A regionalização do território brasileiro
4 Domínios naturais: ameaças e conservação

País de dimensões continentais

O território brasileiro apresenta uma área de 8.515.767 km2. Com essa dimensão, o Brasil é o 5º
maior país do mundo. Se compararmos sua extensão com a da Oceania, que tem 8.520.043 km2,
veremos que esse continente e nosso país apresentam áreas aproximadas. Por isso, diz-se que o
Brasil é um país de dimensões continentais.

OS MAIORES PAÍSES
Observe o mapa e veja quais são os maiores países do mundo. Desconsiderando a parte europeia da
Rússia, todo o continente europeu caberia na área ocupada pelo território brasileiro.
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Verifique sua bagagem

1. O Brasil é um país de dimensão continental. Você concorda? Por quê?

1. Considerando a sua área territorial de 8.515.767 km2, podemos afirmar que o Brasil é um país de dimensões
continentais, pois, se comparado à Oceania (que possui 8.520.043 km2), percebe-se que suas áreas territoriais são
semelhantes.

2. Você sabe quais são os países da América do Sul que não fazem fronteira com o
Brasil?

2. Chile e Equador.

3. Observe o mapa desta página e deduza o que ele está representando.

3. O mapa indica que quase todos os territórios dos países europeus (com exceção da parte europeia da Rússia) cabem na
área territorial do Brasil, fato que confirma mais uma vez que o Brasil é um país de dimensões continentais. A área
territorial da Europa, incluindo parte da Rússia, é de 10.367.000 km2.
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PERCURSO 1 - Localização e extensão do território


brasileiro

1. Como localizar o território brasileiro?


A localização quanto aos hemisférios

O território brasileiro pode ser localizado com base na divisão do mundo em hemisférios.
Considerando que no globo terrestre o Meridiano de Greenwich define o leste (ou oriente) e o oeste
(ou ocidente) e que a linha equatorial define o norte (ou setentrional) e o sul (ou meridional),
observe a localização do Brasil na figura 1.

Em relação ao Meridiano de Greenwich e à linha equatorial, em que hemisférios o território


brasileiro se localiza?

Em relação ao Meridiano de Greenwich, o Brasil se localiza completamente no Hemisfério Oeste ou Ocidental. No que diz
respeito à linha do Equador, o país apresenta a maior parte de seu território no Hemisfério Sul ou Meridional e pequena
parte no Hemisfério Norte ou Setentrional.

A localização quanto às zonas térmicas

Ao observarmos a figura 2, é possível notar que a maior parte do território brasileiro localiza-se na
Zona Intertropical, definida pelos trópicos de Câncer, no Hemisfério Norte, e de Capricórnio, no
Hemisfério Sul. Essa zona é a parte do globo mais iluminada e aquecida pelos raios solares, por isso
no Brasil predominam os climas quentes.

O sul do estado de São Paulo, o extremo sul de Mato Grosso do Sul, a maior parte do Paraná e os
estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul localizam-se na Zona Temperada do Sul, onde as
médias de temperaturas anuais são inferiores às da Zona Tropical. Trata-se de uma região que no
inverno do Hemisfério Sul fica sob a ação da massa de ar fria Polar Atlântica. Essa massa de ar é
responsável por quedas de temperatura e pelas geadas e formação de neve, principalmente nas
serras de Santa Catarina.
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Relembrar o conteúdo estudado no livro do 6º ano. Os raios solares incidem de maneira perpendicular nos trópicos de
Câncer e de Capricórnio apenas uma vez por ano em cada hemisfério: aproximadamente em 21 de junho no Trópico de
Câncer, quando inicia o verão no Hemisfério Norte, e em 21 de dezembro no Trópico de Capricórnio, quando inicia o
verão no Hemisfério Sul.
Sugerimos que a noção de alta, média e baixa latitude seja recordada, pois o assunto foi tratado no livro do 6º ano desta
coleção. É importante que o aluno compreenda a ideia dessa divisão, recorrendo às zonas de iluminação e aquecimento
da Terra.

A localização no continente americano

A América é um continente que se estende desde as altas latitudes do Hemisfério Norte até as altas
latitudes do Hemisfério Sul (figura 3). Em vista disso, foi dividida em América do Norte, América
Central e América do Sul.

O Brasil ocupa grande parte da porção sul do continente americano, abaixo da linha do Equador, e,
por isso, está localizado na América do Sul (figura 4).

O continente americano se localiza em quais zonas climáticas?

Nas três zonas: polar, temperada e intertropical.

Observando o mapa, qual é o país sul-americano com a segunda maior extensão territorial?

Argentina.
Página 16

A localização na América quanto às línguas oficiais

A partir do início do século XVI, a América começou a ser colonizada por povos europeus, que
ocuparam as terras dos habitantes indígenas e impuseram seu modo de vida e sua cultura.

Entre os elementos culturais impostos pelos colonizadores, destaca-se a língua. Por isso, existem
atualmente no continente americano países de línguas neolatinas e países de língua inglesa e
holandesa como idiomas oficiais, além de línguas indígenas herdadas de grupos que conseguiram
sobreviver à conquista e à colonização europeia (figura 5).

Quanto às línguas oficiais e sua predominância, a América pode ser dividida em:
• América Latina, que é formada pelos países de língua neolatina;
• América Anglo-saxônica, que é constituída por países de língua inglesa.

Língua neolatina
(Neo: novo; latina: referente ao latim). Idioma que se originou do latim. Havia o latim clássico,
usado nas obras literárias, e o vulgar, falado pelo povo (soldados, comerciantes, camponeses etc.),
que deu origem às línguas neolatinas, como português, espanhol, francês, italiano, romeno entre
outras.

Anglo-saxônica
Anglo e saxão são denominações dadas a antigos povos germânicos que colonizaram o norte e o
centro da Inglaterra. A língua inglesa derivou desses dois povos, daí a expressão anglo-saxônica.

Essa divisão não é rígida. Existem países no continente americano que, embora tenham como
língua oficial o inglês ou o holandês, devem ser considerados pertencentes à América Latina. É o
caso da República da Guiana, da Jamaica e do Suriname, que, por causa de suas características
históricas e sociais, assemelham-se mais aos países latino-americanos.

Como semelhança histórica, podemos destacar o passado colonial, caracterizado pela exploração,
ou seja, organização da produção voltada para atender às necessidades da metrópole; implantação
da grande propriedade agrícola e monocultora e da exploração mineral; produção com base no
trabalho escravo indígena e do negro africano.

Tendo por base essa classificação, o Brasil situa-se na América Latina.

Na América, alguns países têm mais de uma língua oficial. Observe o mapa e identifique-os.

O Canadá é um desses países, com o francês e o inglês. Os outros países são: Peru, Paraguai e Bolívia, nos quais o
espanhol e as línguas indígenas são oficiais.
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2. Pontos extremos do território brasileiro


Em virtude da vasta área do território brasileiro, as distâncias entre seus pontos extremos são
grandes, tanto na direção norte-sul (distância latitudinal) como na leste-oeste (distância
longitudinal). Observe a figura 6.

Qual é a diferença de extensão entre as distâncias norte-sul e leste-oeste do território brasileiro?

A diferença de extensão é de apenas 75,3 quilômetros.

3. Latitudes e diversidade de paisagens naturais


Há uma grande diversidade de paisagens naturais no território brasileiro. Isso se deve, entre outros
fatores, à sua longa extensão de norte a sul, pois as diferentes latitudes do território influenciam o
clima de acordo com a intensidade da energia solar que recebe ao longo do ano. O clima e outros
fatores geográficos regionais exercem influência sobre os solos, as formas de relevo, a hidrografia e
as formações vegetais (figura 7).

Sugerimos que as noções de latitude e de longitude sejam revistas, pois esses assuntos foram tratados no livro do 6º ano
desta coleção.
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4. Os fusos horários
Os fusos horários são faixas imaginárias na direção dos meridianos que dividem a Terra em 24
partes de horário único. Essas faixas foram estabelecidas com base no movimento de rotação da
Terra, que demora aproximadamente 24 horas para dar uma volta completa em torno de seu eixo.

Cada fuso mede 15° da circunferência terrestre. Essa medida corresponde à divisão dos 360° da
circunferência da Terra por 24 (número de horas que a Terra demora para completar o movimento
de rotação). Em outras palavras, a cada hora a Terra gira 15°.

O Meridiano de Greenwich é usado como referência para calcular as horas. Considerando que a
Terra gira em torno de seu eixo imaginário de oeste para leste, estabeleceu-se que, em relação à
hora do fuso de Greenwich, as localidades situadas a leste têm uma hora adiantada por fuso
horário; as localidades situadas a oeste têm uma hora atrasada por fuso horário.

A delimitação em 15° de cada fuso horário define o limite teórico das horas. No entanto, cada
país tem a liberdade de instituir seu conjunto de horas legais com base em suas particularidades e
conveniências, sem a necessidade de respeitar a delimitação teórica, o que permite a criação do
limite prático. Observe a figura 8.

Conheça os fusos horários do Brasil na seção Mochila de ferramentas.


Página 19

Mochila de ferramentas - Como calcular as horas por meio


de um mapa de fusos horários
Para quem viaja grandes distâncias, atrasar ou adiantar a hora do relógio é importante. o mapa de
fusos horários nos permite saber as horas em qualquer localidade de nosso planeta. Vamos
aprender a calcular.

Como fazer

1- Observe novamente a figura 8 e identifique o fuso zero no mapa.

2- Entre as cidades do mapa, escolha duas. Neste exemplo vamos considerar Brasília e Pequim.

3- Para determinar a diferença no horário entre as duas cidades que você escolheu, basta saber as
horas em uma delas e contar os fusos no mapa.

Vamos imaginar que sejam 9 horas da manhã em Brasília. Contando no mapa os fusos que
separam as duas cidades de oeste para leste, verificamos que existem 11 fusos entre a capital do
Brasil e a da China. Como devemos adiantar a hora dos relógios quando caminhamos de oeste para
leste, em Pequim serão 20 horas.

No caso do Brasil, adotou-se o limite prático que divide o território em quatro fusos horários. Um
deles abrange as ilhas oceânicas, e três, a porção continental. Observe o mapa.

1 Agora que você aprendeu, calcule as horas para as seguintes localidades, imaginando que, em
Londres, os relógios estejam marcando 14 horas: Recife (PE), Rio de Janeiro (RJ), Rio Branco (AC)
e Porto Velho (RO).

2 O estado em que você mora se localiza em qual fuso horário? Em relação ao horário de
Greenwich, qual é a diferença de horas?

Os meridianos que correspondem aos limites teóricos são, respectivamente, de leste para oeste: 37,5°; 52,5°; 67,5°.
Página 20

PERCURSO 2 - A formação do território brasileiro


O assunto pode ser trabalhado com o professor de História para contextualizar os processos econômicos e suas
consequências na ocupação, no povoamento e na delimitação das atuais fronteiras do território brasileiro, enfatizando-se
ainda os conflitos entre colonizadores portugueses e os habitantes nativos do Brasil, entre outros.

1. A formação territorial
Os atuais limites e a extensão do território brasileiro resultaram de uma história que se iniciou nos
anos de 1500, com a chegada dos colonizadores portugueses, que passaram a se apropriar de
territórios indígenas.

O início: século XVI

No início da colonização, os portugueses estabeleceram-se na faixa litorânea, explorando o pau-


brasil da Mata Atlântica. Introduziram a cultura de cana-de-açúcar e a produção do açúcar, a
cultura do tabaco e a criação de gado, iniciando a apropriação das terras indígenas (figura 9). Essas
atividades econômicas foram responsáveis pela construção dos primeiros espaços geográficos não
indígenas no Brasil. Esse processo de construção e reconstrução de espaços geográficos foi
contínuo e ocorre até os nossos dias, pois se trata das transformações que a sociedade realiza no
espaço em que vive.

Ainda no século XVI, os colonizadores organizaram expedições oficiais, conhecidas como


entradas, com o propósito de descobrir ouro e pedras preciosas e escravizar indígenas. Partiam de
Porto Seguro (sul do atual estado da Bahia) e das imediações de Salvador, levando o povoamento
do território para o interior.

Quem lê viaja mais


SCATAMACCHIA, Maria Cristina.
O encontro entre culturas: índios e europeus no século XVI. 15. ed. São Paulo: Atual, 2005.
A autora retrata os habitantes do litoral brasileiro e os primeiros contatos com o colonizador,
seguidos pela sua conquista do território.
Página 21

Séculos XVII e XVIII

O Tratado de Tordesilhas, firmado em 1494, dividiu as terras americanas entre Espanha e Portugal.
No século XVII, porém, os portugueses e seus descendentes nascidos aqui ultrapassaram os limites
desse tratado, apropriando-se de terras a oeste que pertenciam à Espanha. O avanço para o interior
do continente se deu pelo Rio Amazonas, na busca por drogas do sertão, coletadas por indígenas
escravizados. Além disso, a expansão da pecuária ocorreu em direção ao interior, chegando às
terras que se localizavam a oeste do Meridiano de Tordesilhas. Veja a figura 10.

Drogas do sertão
No século XVI, ”drogas do sertão” era o nome dado aos produtos extraídos da Floresta Amazônica:
castanha, canela, cacau e cipós cujas raízes têm propriedades medicinais.

Explique que a expressão “sertão” corresponde a terras do interior, ou seja, ao interior do país, ou ainda a terras distantes
de núcleos ou vilas de povoamento.

Em que áreas ocorreu a expansão da pecuária?

No século XVII, a pecuária expandiu-se pelo território, ocupando o vale do Rio São Francisco e o do Rio Parnaíba, além
de áreas no sul.
Comente com os alunos que os bandeirantes que se dedicaram ao apresamento de indígenas nos lembram do General
Custer de filmes estadunidenses. Na conquista do território da América do Norte, também ocorreu o brutal massacre das
populações indígenas, comandado por esse general. Enquanto Custer buscava indígenas para exterminá-los, a intenção
dos bandeirantes era escravizá-los.

Ao mesmo tempo que ocorria a implantação das atividades econômicas citadas, expedições
armadas de colonos e de indígenas já integrados aos conquistadores, conhecidas como bandeiras,
partiam da Vila de São Paulo em direção ao interior do território. O objetivo das bandeiras era
aprisionar indígenas e vendê-los como escravos. As bandeiras também são conhecidas na nossa
história como bandeirismo ou sertanismo apresador. Veja a figura 11 (na próxima página).
Página 22

Outras bandeiras, chamadas bandeirismo ou sertanismo minerador, partiam também da Vila


de São Paulo e tinham o objetivo de procurar ouro e pedras preciosas.

Explique que Tape corresponde à região ocupada pelos índios tupis-guaranis, atualmente o Rio Grande do Sul.

Ocorreram, ainda, bandeiras contratadas por donatários, que partiam de Salvador, Olinda e Recife
para combater e submeter à escravidão os indígenas que se opunham à conquista do interior, além
de ter a missão de capturar negros escravizados que tinham fugido das plantações e destruir
quilombos (povoações de escravos fugidos). Essa ação recebeu o nome de bandeirismo ou
sertanismo de contrato. Observe o avanço dessas bandeiras na figura 12.

Donatário
Pessoa a quem se faz uma doação. Nos tempos coloniais, era aquele que recebia terras da Coroa
portuguesa para serem povoadas e cultivadas.

Observe atentamente o mapa. Qual rio facilitou o avanço da bandeira de Silva Braga no território
desconhecido?

O Rio Tocantins.
Página 23

No século XVIII, a economia da colônia tinha se interiorizado ainda mais, criando novos espaços
geográficos. Podemos observar na figura 13 que muitos povoados, depois transformados em vilas e
cidades, surgiram no interior do território graças à expansão das bandeiras, da atividade
mineradora e da pecuária.

Explique como o processo de expansão da ocupação do território intensificou o processo de


produção de espaços geográficos.

A mineração e a pecuária expandiram-se para o interior, ampliando o território de domínio português e construindo
novos espaços geográficos.

Navegar é preciso
Funai (Fundação Nacional do Índio)
<www.funai.gov.br>
Site dedicado à questão indígena no Brasil, que traz amplo conteúdo sobre as condições atuais dos
povos indígenas e sua história, além de fotos, mapas e textos sobre o assunto.

Século XIX

No século XIX, três outras atividades econômicas se tornaram “motores” da construção do espaço:
a cultura do cacau no sul da Bahia, a cafeicultura no Rio de Janeiro e em São Paulo e a extração de
látex na Amazônia para a fabricação de borracha (figura 14).

Que atividade econômica, no final do século XIX, foi responsável pela interiorização do
povoamento na bacia do Rio Amazonas? E no Rio de Janeiro e em São Paulo?

A extração do látex das seringueiras para a fabricação da borracha na Amazônia; a expansão da cafeicultura no Rio de
Janeiro e em São Paulo.
Página 24

A configuração do território

Em 1750, Portugal e Espanha assinaram o Tratado de Madri, acertando as fronteiras entre as terras
portuguesas e espanholas na América do Sul. Como resultado da interiorização da colonização, em
1822, o Brasil já apresentava praticamente a sua configuração territorial atual. Veja a figura 15.

No final do século XIX e início do XX, os governos brasileiros, por meio de tratados e conversações
diplomáticas com países e colônias europeias vizinhas, resolveram pendências de fronteiras que
ainda existiam. Assim, em 1904, o território brasileiro assumiu os limites fronteiriços atuais, que
podem ser observados na figura 16.

Enquanto a América portuguesa manteve sua unidade territorial, o que ocorreu com a América de
colonização espanhola?

A América de colonização espanhola fragmentou-se territorialmente, dando origem a diversos países ou Estados.
É importante ressaltar que os limites dos estados brasileiros em 1904 eram diferentes dos atuais. Nesse sentido, algumas
mudanças dos limites internos serão tratadas na Estação História das páginas 30 e 31 deste volume.
Página 25

Estação Cidadania - O imaginário social sobre os


indígenas
Pluralidade Cultural
Ética
O tema pode ser trabalhado com o professor de História, aprofundando questões relacionadas ao processo de exploração
do trabalho e aculturação dos povos indígenas.

Durante o processo de conquista e formação territorial do Brasil pelos colonizadores portugueses,


ocorreu o extermínio de grande parte da população indígena, a sua aculturação (processo de
transformação cultural pelo contato entre culturas, que pode ocorrer de maneira imposta e
violenta, como no Brasil, ou de maneira pacífica) e a apropriação dos seus territórios. Esses
processos não se limitaram aos séculos XVI a XIX, mas continuaram nos séculos XX e XXI.

Hoje, apesar de o Brasil possuir leis avançadas para proteger os direitos dos povos indígenas, eles
ainda são constantemente ameaçados e sofrem discriminação e preconceito.

“[…] Nosso imaginário social sobre os índios ainda é marcado pelo desconhecimento e por
preconceitos advindos e influenciados pela visão de estudiosos, viajantes portugueses e outros
europeus, que por aqui se instalaram […]. Alguns religiosos não acreditavam que os nativos
compartilhassem uma natureza humana, pois, segundo eles, os indígenas pareciam animais
selvagens e por isso deveriam ser escravizados.

Dessa visão limitada e discriminatória, que pautou a relação entre índios e brancos no Brasil desde
1500, resultou uma série de ambiguidades e contradições ainda hoje presentes no imaginário da
sociedade brasileira […]:

a) Diz respeito à antiga visão romântica [que] idealiza o índio ligado à natureza, protetor das
florestas, ingênuo, pouco capaz ou incapaz de compreender o mundo branco com suas regras e
valores. […]

b) A segunda perspectiva é sustentada pela visão do índio cruel, bárbaro, canibal, animal,
selvagem, preguiçoso, traiçoeiro e tantos outros adjetivos e denominações negativos. Essa visão
também surgiu desde a chegada dos portugueses, principalmente por meio dos segmentos
econômicos, que queriam ver os índios totalmente extintos para se apossarem de suas terras [...].
As denominações e os adjetivos eram para justificar suas práticas de massacre como autodefesa e
defesa dos interesses da Coroa. Ainda hoje essa visão continua sendo sustentada por grupos
econômicos que têm interesse pelas terras indígenas e pelos recursos naturais nelas existentes.

c) A terceira perspectiva é sustentada por uma visão mais cidadã [que] concebe os índios como
sujeitos de direitos e, portanto, de cidadania. E não se trata de cidadania comum, única e genérica,
mas daquela que se baseia em direitos específicos, resultando em uma cidadania diferenciada, ou
melhor, plural […].”

BARBOSA, Lúcia Maria de Assunção (Org.). Relações étnico-raciais em contexto escolar:


fundamentos, representações e ações. São Carlos: EdUFSCar, 2011. p. 15 e 16.

Interprete

1 Qual é a relação entre a visão preconceituosa sobre os indígenas como cruéis, bárbaros,
preguiçosos e a disputa pela posse da terra? Utilize trechos do texto para justificar sua resposta.

Viaje sem preconceitos

2 Imagine que você tenha sido convidado a defender os direitos de povos indígenas ou de outras
minorias. O que você diria?
Preconceito é o juízo desfavorável formado antecipadamente por um grupo social em relação a outro; a forma
diferenciada de tratamento decorre de características étnicas, culturais, religiosas, políticas etc. Discriminação é um ato
contra a igualdade entre pessoas ou grupos, como distinção, exclusão, restrição ou preferências, motivado por raça, cor,
sexo, idade, trabalho, credo religioso ou convicções políticas.
Página 26

Atividades dos percursos 1 e 2


Registre em seu caderno.

Revendo conteúdos

1 Em relação à localização do Brasil quanto às zonas de iluminação, responda às


questões.
a) É correto afirmar que o Brasil é um país predominantemente tropical? Explique.
b) Qual é a linha imaginária que delimita a Zona Tropical e a Zona Temperada do sul? Que porções
do território brasileiro estão ao sul dessa linha?

2 Explique por que nós, brasileiros, somos chamados de sul-americanos e latino-


americanos.

3 Sobre as várias modalidades de bandeirismo, faça o que se pede.


a) O que foi o bandeirismo apresador, minerador e de contrato?
b) Qual foi o impacto que as bandeiras tiveram sobre os povos indígenas?
c) Aponte a relação entre as bandeiras e a construção de espaços geográficos.

4 Cite os “motores” da construção de espaços geográficos nos séculos XVI, XVII,


XVIII e XIX no Brasil.

5 Na história oficial do Brasil, os bandeirantes são considerados heróis nacionais.


Em sua opinião, os povos indígenas compreen dem esses personagens da história da
mesma maneira?

Leituras cartográficas

6 Imagine que a Seleção Brasileira de Futebol tenha sido convidada a participar de


jogos amistosos. Calcule o horário dos jogos nos locais indicados no mapa, sabendo
que eles ocorrerão sempre às 12 horas de Brasília (DF). Desconsidere o horário de
verão.
Página 27

7 Observe o mapa da figura 7, na página 17, e depois responda às questões.

a) Qual é o tipo de clima que predomina na unidade da federação em que você mora?

b) Por que se pode afirmar que a variedade de tipos de clima no Brasil se relaciona com sua grande
extensão na direção norte-sul?

Explore

8 Observe o climograma da cidade de Salvador, na Bahia.

• Aponte os meses do ano mais favoráveis para o desenvolvimento da atividade turística em


Salvador e explique por quê.

9 Leia os quadrinhos do personagem Charlie Brown e responda às questões.

a) O que Lino, amigo de Charlie Brown, quer dizer com a frase “Em algumas partes do mundo,
amanhã já é hoje e hoje já é ontem”? Por que isso acontece?

b) Caso você estivesse em Manaus, capital do estado do Amazonas, e lá fossem 23 horas, no


arquipélago Fernando de Noronha seria ontem, hoje ou amanhã em relação à sua localização?

Pesquise

10 Todos os anos, o Brasil adota o horário de verão em determinada época do ano.


Faça uma pesquisa sobre isso em livros, jornais, revistas e na internet e descubra
quando ele ocorre, onde é adotado e quais são seus objetivos. Depois, escreva um
texto a respeito do assunto, expressando sua opinião sobre a importância do horário
de verão, e troque seu texto com o de um colega para saber o que ele pensa sobre o
tema.
Página 28

PERCURSO 3 - A regionalização do território


brasileiro

1. O que é regionalizar
Regionalizar significa dividir um território em partes ou em regiões. Para a Geografia, cada
região deve apresentar características comuns que podem ser de ordem física ou natural, de
ordem humana ou social (culturais, históricas, sociais, econômicas, políticas etc.), ou ainda a
combinação dessas ordens. O critério escolhido para regionalizar um território depende dos
objetivos ou dos interesses de quem assume essa tarefa.

Veja, por exemplo, a regionalização do Brasil segundo os tipos de vegetação original, um critério de
ordem física. Os especialistas em vegetação, ao estudarem o território brasileiro, delimitaram as
partes que apresentam características comuns de vegetação e o regionalizaram segundo seus tipos
(figura 17). No subtítulo 3, “Os complexos regionais”, você verá um exemplo de regionalização com
base em critério de ordem humana ou social.

Aponte as vegetações originais ou nativas da unidade da federação onde você vive.

A resposta depende da unidade da federação em que o aluno vive.


Página 29

2. Brasil: regionalização oficial


O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), órgão do Governo Federal, com base em
uma combinação de aspectos de ordem natural e humana (principalmente a econômica), dividiu o
território brasileiro em cinco Grandes Regiões, também chamadas de Macrorregiões. Essa é a
regionalização oficial do nosso país. Veja a figura 18.

Observe que os limites das regiões correspondem às divisas territoriais dos estados brasileiros. O
IBGE procedeu dessa maneira para facilitar os estudos estatísticos oficiais do país que são de sua
responsabilidade (número de nascimentos e mortes da população, produção da agricultura, da
indústria, vendas do comércio e de muitos outros dados). De posse deles, os governos municipais,
estaduais e federal podem planejar e implementar ações para atender às necessidades da
população.

3. Os complexos regionais
Outra regionalização utilizada é a divisão do país em três Complexos Regionais ou
Macrorregiões Geoeconômicas: Amazônia, Nordeste e Centro-Sul.

Em 1967, o geógrafo Pedro Pinchas Geiger adotou como critério para essa regionalização as
características econômicas dos espaços geográficos. Veja a figura 19 para entender sua proposta.

Essa divisão regional não obedece aos limites dos estados, como acontece com as Macrorregiões do
IBGE. O norte do estado de Minas Gerais está incluído no Complexo Regional do Nordeste por
apresentar características socioeconômicas semelhantes às que existem nessa região. Da mesma
maneira, grandes porções dos estados de Mato Grosso, Tocantins e Maranhão estão incluídas no
Complexo Regional da Amazônia.

Em 1967, as unidades da federação eram diferentes. Em 1979, Mato Grosso foi dividido, dando origem ao Mato Grosso do
Sul; em 1988, Goiás foi dividido e deu origem a Tocantins; no mesmo ano, os territórios federais de Rondônia, Roraima e
Amapá foram transformados em unidades da federação e o território de Fernando de Noronha foi anexado a
Pernambuco.

Que diferença há entre essa regionalização e a feita pelo IBGE quanto às divisas dos estados
brasileiros?

Essa regionalização não leva em consideração os limites das unidades da federação.

Navegar é preciso
IBGE. Mapas interativos
<http://mapas.ibge.gov.br>
Nessa página, você poderá encontrar e relacionar mapas elaborados com temas diversos, como
clima, vegetação, tipo de solo, áreas protegidas, potencial agrícola, divisões territoriais, entre
outros. Dessa maneira, você terá acesso a diferentes tipos de regionalização do território brasileiro.
Página 30

Estação História - A história das divisões do território


brasileiro
Em parceria com o professor de História, sugerimos aprofundar temas como o contexto da criação do IBGE durante a
centralização política e administrativa ocorrida no período do Estado Novo de Getúlio Vargas, ou a transferência do
Distrito Federal ocorrida na década de 1960.

“A primeira divisão do território do Brasil em grandes regiões foi proposta em 1913, para ser usada
no ensino de Geografia. Os critérios usados para fazê-la foram físicos: levou-se em consideração o
relevo, o clima e a vegetação, por exemplo. Não foi à toa! Na época, a natureza era considerada
duradoura e as atividades humanas, mutáveis. Considerava-se que a divisão regio nal deveria ser
baseada em critérios que resistissem por bastante tempo. Observe o mapa [figura A] e veja que
interessante:

[...] A divisão em grandes regiões proposta em 1913 influenciou estudos e pesquisas até a década de
1930. Nesse período, surgiram muitas divisões do território do Brasil, cada uma usando um critério
diferente. Acontece que, em 1938, foi preciso escolher uma delas para fazer o Anuário Estatístico
do Brasil, um documento que contém informações sobre a população, o território e o
desenvolvimento da economia que é atua lizado todos os anos. Mas, para organizar as informações,
era necessário adotar uma divisão regional para o país. Então, a divisão usada pelo Ministério da
Agricultura foi a escolhida. Observe o mapa [figura B] e note quantas diferenças!

Como a divisão proposta em 1913, esta organização do território brasileiro não era oficial. Mas, em
1936, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) foi criado. E começou uma campanha
para adotar uma divisão regional oficial para o Brasil.

[...] Após fazer estudos e analisar diferentes propostas, o IBGE sugeriu que fosse adotada a divisão
feita em 1913 com algumas mudanças nos nomes das regiões. A escolha foi aceita pelo presidente
da República e adotada em 1942. Logo ela seria alterada com a criação de novos Territórios
Federais. Em 1942, o arquipélago de Fernando de Noronha foi transformado em território e
incluído na Região Nordeste. Em 1943, foram fundados os territórios de Guaporé, Rio Branco e
Amapá — todos parte da Região Norte —, o território de Iguaçu foi anexado à Região Sul, e o de
Ponta Porã, colocado na Região Centro-Oeste.

É bom lembrar que a divisão em grandes regiões tinha de acompanhar as transformações que
estavam ocorrendo na divisão em estados e territórios do país. Assim, a divisão regional do Brasil
em 1945 [figura C] era a seguinte:

[...] Em 1946, os territórios federais de Iguaçu e Ponta Porã foram extintos. Em 1960, Brasília foi
construída e o Distrito Federal, capital do país, foi trans ferido para o Centro-Oeste. Na região
Leste, o antigo Distrito Federal tornou-se o estado da Guanabara. Em 1969, uma nova divisão
regional foi proposta porque a divisão de 1942 já não era considerada útil para o ensino de
Geografia ou para a coleta e divulgação de dados sobre o país. Veja como ficou o mapa [figura D] do
Brasil em 1970:

[...] Atualmente, continua em vigor essa divisão regional proposta em 1970. Apenas algumas
alterações foram feitas. Em 1975, o estado da Guanabara foi transformado em município do Rio de
Janeiro. Em 1979, Mato Grosso foi dividido, dando origem ao estado de Mato Grosso do Sul. A
Constituição Federal de 1988 dividiu o estado de Goiás e criou o estado de Tocantins, que foi
incluído na Região Norte. Com o fim dos territórios federais, Rondônia, Roraima e Amapá
tornaram-se estados e Fernando de Noronha foi anexado ao estado de Pernambuco [...].

No futuro, devem ocorrer novas mudanças na divisão regional do Brasil. Afinal, por influên cia do
homem*, o país está em constante transformação!”
FIGUEIREDO, Adma H.; LIMA, Maria Helena P.; FIGUEIRA, Mara. Mudanças que não estão no
mapa. Ciência Hoje das Crianças. Rio de Janeiro, ano 15, n. 125, p. 4-6, jul. 2002.

* As autoras do texto referem-se à sociedade, que abrange mulheres e homens. [N.A.]


Página 31

Interprete

1 Aponte os critérios adotados para realizar a primeira regionalização do Brasil. Por qual motivo
esses critérios foram utilizados?

2 Observe a figura D desta página e a figura 18 da página 29 e aponte as principais mudanças


ocorridas na divisão político-administrativa do país entre 1970 e os dias atuais.

Argumente

3 Que argumentos você utilizaria para explicar a um colega o objetivo prático para o IBGE em fazer
a divisão regional do Brasil em cinco Macrorregiões?

4 Você acredita que é possível que ocorram novas divisões regionais no território brasileiro?
Página 32

PERCURSO 4 - Domínios naturais: ameaças e


conservação

1. Os domínios morfoclimáticos
O professor Aziz Nacib Ab’Sáber, renomado geógrafo brasileiro, realizou várias pesquisas sobre as
condições naturais do território brasileiro, entre elas, as interações que o clima, o relevo e a
vegetação de um ecossistema mantêm entre si.

Ele considerou a importância do clima e do relevo na definição das paisagens naturais do território
brasileiro, levando em conta que as formações vegetais são o “retrato” das combinações e
interações dos elementos naturais. Com base nessas pesquisas, Ab’Sáber regionalizou o território
brasileiro em domínios (refere-se à extensão de terras) que apresentam características semelhantes
de relevo, clima e vegetação. Esses domínios receberam a denominação de domínios
morfoclimáticos (do grego: morphe, forma – relativo a relevo; e climático, clima). Observe a
figura 20.

Ecossistema
Nome que se dá ao conjunto de interações desenvolvidas pelos componentes vivos (animais,
vegetais e micro-organismos) e não vivos (água, ar, luz solar etc.) que existem em um ambiente.
Página 33

Os domínios morfoclimáticos do Brasil são classificados em:

• Domínios florestados — formados por florestas naturais: o Domínio Amazônico, o Domínio


dos Mares de Morros Florestados (Mata Atlântica) e o Domínio das Araucárias;

• Domínio das formações vegetais naturais herbáceas e arbustivas — Domínio dos


Cerrados, Domínio da Caatinga e Domínio das Pradarias (Campos);

• Faixas de transição — correspondem às áreas de passagem de um domínio morfoclimático


para outro. Nessas áreas, as características de um domínio se confundem com as de outro. Por
exemplo, entre o Domínio do Cerrado e o Domínio da Amazônia, misturam-se elementos tanto de
um quanto de outro.

O tema pode ser trabalhado com o professor de Ciências, que poderá contribuir abordando a fisionomia da vegetação dos
domínios morfoclimáticos brasileiros; comparando a biodiversidade neles existente e suas principais ameaças, por
exemplo, o fogo como fator de alteração ecológica; explicando a adaptação dos seres vivos em cada um deles;
esclarecendo e exemplificando os ecossistemas aquáticos.
Página 34

2. Impactos ambientais sobre os domínios


morfoclimáticos do Brasil
Impacto ambiental deve ser entendido como o resultado de ações que modificam o ambiente,
podendo produzir danos, muitas vezes irreversíveis.

Ao longo da história, a ocupação humana dos domínios morfoclimáticos brasileiros provocou


impactos ambientais de diversos tipos. Destacaremos alguns deles a seguir.

Impactos ambientais no Domínio Amazônico

O avanço dos projetos agropecuários causa desmatamento e queimadas, com graves


consequências para a flora e a fauna, além de erosão do solo e assoreamento de rios. Podemos
destacar ainda os efeitos desse avanço sobre a população local, como a expulsão dos indígenas de
suas terras.

A construção de grandes usinas hidrelétricas causa a inundação de vastas áreas de floresta,


de vilas e cidades, além de terras indígenas.

Assoreamento
Deposição de sedimentos (areia, solo, cascalho etc.) num rio ou porto.

Impactos ambientais no Domínio do Cerrado

A garimpagem de pedras preciosas e ouro (figura 21) é responsável por desbarrancamento


de margens de rios, seguido de assoreamento e contaminação da água por mercúrio, produto
utilizado no garimpo, e por óleo diesel, usado em geradores e barcos. Além disso, o avanço da
agropecuária nesse domínio provoca impactos semelhantes aos citados no Domínio Amazônico.

No seu contexto

A unidade da federação em que você mora se localiza em qual(is) domínio(s) morfoclimático(s)?

Depende da unidade da federação. É uma oportunidade para levar o aluno a compreender o domínio morfoclimático
predominante na unidade da federação, destacando as características do clima, do relevo, da vegetação e suas interações.

Quem lê viaja mais


RODRIGUES, Rosicler Martins.
Vida na Terra: conhecer para proteger. 3. ed. São Paulo: Moderna, 2013.
O livro discute a interferência humana na natureza e suas consequências, abordando também os
ecossistemas do Brasil.

CARRARO, Fernando.
A Terra vista do alto. São Paulo: FTD, 2000.
Rafael e Mariana, numa viagem com os balonistas Roni e Edu, sobrevoam a Serra do Mar e o
interior dos estados de São Paulo e Mato Grosso. Por meio dessa história, o autor apresenta as
diferentes paisagens e formas de relevo do espaço percorrido.
Página 35

Impactos ambientais no Domínio da Caatinga

O desmatamento realizado por grupos econômicos e a exploração de lenha para uso doméstico e
produção de carvão têm causado a perda de biodiversidade, a erosão do solo e sua “desertificação”.
Além disso, a irrigação inadequada tem provocado a salinização do solo.

Impactos ambientais nas faixas de transição: o caso do Pantanal

A garimpagem no Rio Paraguai e afluentes tem gerado impactos já citados no Domínio do


Cerrado. Além disso, a pecuária extensiva, ao competir com a fauna nativa, provoca desequilíbrio
ecológico e a pesca predatória coloca em risco algumas espécies.

Impactos ambientais no Domínio das Pradarias

A pecuária nesse domínio é caracterizada pelo elevado número de cabeças de gado por hectare.
Isso provoca a compactação do solo, dificulta a regeneração das gramíneas, causa erosão e
arenização (figura 22).

Impactos ambientais no Domínio das Araucárias

Já intensamente desmatado, esse domínio sofre a ação predatória de cortes ilegais de árvores,
que ameaça a fauna que restou, além de provocar a erosão do solo e das vertentes e o consequente
assoreamento dos rios.

Impactos ambientais no Domínio dos Mares de Morros

Esse domínio apresenta grande concentração populacional. Assim, encontra-se ameaçado pela
expansão urbana — inclusive da faixa litorânea — e industrial, o que acarreta a contaminação
do solo e dos rios por resíduos domésticos e industriais, a poluição do ar etc.

Os impactos sobre os Domínios Morfoclimáticos brasileiros podem causar a extinção de diversas


espécies de animais e plantas. Pensando em preservar os recursos naturais e criar alternativas para
o uso consciente deles, foram criadas as Unidades de Conservação.

Navegar é preciso
Fiocruz – Invivo
<www.invivo.fiocruz.br>
Nessa página, você poderá consultar informações sobre os biomas brasileiros. Basta inserir a
palavra “bioma” no campo de busca para começar a navegar.

Pausa para o cinema


Eu não troco este lugar por nada!
Direção: Júlio Carvalho.
Brasil: Nutes/UFRJ, 1995.
Duração: 23 min.
Depoimentos de moradores da Ilha Grande, no litoral fluminense, sobre a exploração turística que
acontece na região e interfere nas tradições locais.

Página 36

3. As Unidades de Conservação
Todos os domínios morfoclimáticos brasileiros abrigam Unidades de Conservação (UCs). Uma
Unidade de Conservação é um espaço territorial com características naturais relevantes, legalmente
instituído pelo poder público, com limites definidos, destinado à preservação e à manutenção da
diversidade biológica. As UCs foram instituídas por meio do Sistema Nacional de Unidades de
Conservação da Natureza (Snuc), criado por lei federal em julho de 2000. Veja na figura 23 a
distribuição de UCs pelo país.

As Unidades de Conservação podem ser classificadas em dois grupos: as de proteção integral e


as de uso sustentável.

Unidade de proteção integral

Nesse grupo de UCs, o objetivo básico é conservar a natureza por meio do uso indireto dos
recursos naturais, como a realização de visitas voltadas para as atividades educacionais,
científicas e recreativas (como é o caso do ecoturismo). A extração e a comercialização de recursos
naturais são proibidas.

Unidade de uso sustentável

O objetivo básico desse tipo de unidade é conciliar o uso de parte dos seus recursos com a
conservação da natureza. Ou seja, é permitido o uso direto dos recursos (extração e
comercialização), mas ele deve ser realizado de maneira sustentável, por meio de um plano de
manejo.

Unidades de Conservação da Natureza: grupos


Unidades de proteção integral Unidades de uso sustentável
Estação Ecológica Área de Proteção Ambiental
Reserva Biológica Área de Relevante Interesse Ecológico
Parque Nacional Floresta (Nacional, Estadual e Municipal)
Parque Estadual Reserva Extrativista
Parque Municipal Reserva de Fauna
Monumento Natural Reserva de Desenvolvimento Sustentável
Refúgio de Vida Silvestre Reserva Particular do Patrimônio Natural

Navegar é preciso
ISA – Unidades de Conservação no Brasil
<uc.socioambiental.org>
Nesse site do Instituto Socioambiental (ISA), você poderá obter grande diversidade de informações
sobre as Unidades de Conservação do Brasil.
Página 37

Outras rotas - Jalapão


Meio Ambiente

“A paisagem natural do estado do Tocantins é marcada por campos de cerrado, [...] manchados
por formações rochosas, em geral de arenito, de rara beleza. Nesses espaços, a despeito do intenso
calor, a vida selvagem exibe grande diversidade biológica [...].

Na parte leste do Tocantins há uma região conhecida pelo nome de Jalapão [...], que intercala áreas
arenosas com campos verdejantes.

Atualmente, essa região está protegida não só pelo Parque Estadual do Jalapão [...], criado em
2001, mas também por outras unidades de conservação em seu entorno, como a Área de Proteção
Ambiental do Jalapão, a Estação Ecológica da Serra Geral do Tocantins e o Parque Nacional das
Nascentes do Rio Parnaíba.

Para viajantes desavisados, alguns locais dessa região do estado podem ser confundidos com a
caatinga, a vegetação associada ao semiárido nordestino. De fato, uma parcela desse mosaico
tocantinense é conhecida como ‘deserto do Jalapão’. Nessa área, a vegetação é mais esparsa e o
mandacaru — um cacto de porte arbóreo, comum no Nordeste — aparece com frequência.
Entretanto, diferentemente de outras regiões desérticas, onde a vida é quase impossível, o Jalapão
é berçário de muitas espécies importantes do Brasil Central. Essa condição só é possível porque as
savanas dessa região são fartas em água, seja devido à presença de muitos rios e córregos, seja pelo
vasto lençol freático ali existente.

Se hoje, mesmo diante da destruição ambiental causada por atividades humanas como o
desmatamento, a agricultura e a pecuária, em poucas horas de caminhada os encontros com
espécies da fauna local são constantes, nos tempos pré-coloniais os animais [...] eram ainda mais
abundantes. [...]”

AGUIAR, Rodrigo L. S. de; OLIVEIRA, Jorge E. de. Jalapão: pistas do passado em um patrimônio
natural. Ciência Hoje, Rio de Janeiro: SBPC, v. 45, p. 29-30, mar. 2010.

Interprete

1 No que se refere à vegetação, podemos dizer que a paisagem do Jalapão é uniforme? Explique.

2 O que explica a diversidade biológica do Jalapão?

Contextualize

3 Há alguma semelhança entre a paisagem do Jalapão e a da localidade onde você vive? Qual? Se
não houver semelhança, em que ela difere do Jalapão?
Página 38

Atividades dos percursos 3 e 4


Registre em seu caderno.

Revendo conteúdos

1 Explique, com suas palavras, o que é regionalizar.

2 Sobre a atual divisão regional do Brasil em Macrorregiões ou Grandes Regiões do


IBGE, responda.

a) Quantas e quais são elas?

b) Explique por que o IBGE considerou como limites das Macrorregiões as divisas territoriais dos
estados brasileiros.

3 Aponte a importância dos dados estatísticos para os governos dos municípios, das
unidades da federação e do país.

4 Quanto à regionalização do Brasil em Complexos Regionais ou Macrorregiões


Geoeconômicas, responda às questões.

a) Quais são elas?

b) Qual foi o critério empregado nessa regionalização?

c) Essa regionalização usa, como a do IBGE, as divisas dos estados para delimitar as regiões?
Exemplifique.

5 Fabiano morava no estado do Amazonas e mudou-se para o sul de Mato Grosso;


Augusto morava em uma cidade próxima à divisa entre os estados de Minas Gerais e
Bahia e mudou-se para São Paulo. Célia morava no Paraná e mudou-se para o
Espírito Santo. Com base em seus conhecimentos sobre a regionalização do Brasil
em Macrorregiões Geoeconômicas, responda: para qual(is) dela(s) eles se mudaram?

6 No jogo a seguir (montado como um jogo da velha) foram destacados nove fatores
de impactos ambientais (tratados nesta Unidade) relacionados a dois grupos de
domínios morfoclimáticos brasileiros. Copie o jogo em seu caderno e assinale com
“X” os impactos mais associados aos domínios florestados e com “O” aqueles mais
ligados aos domínios das formações vegetais naturais herbáceas e arbustivas.
Depois, responda às questões.

Avanço da agropecuária sobre


Garimpo de ouro e pedras preciosas Corte ilegal de árvores
florestas
Exploração de lenha Construção de usinas hidrelétricas Irrigação inadequada
Elevado número de cabeças de gado Barcos e geradores a óleo
Expansão urbana e industrial
por hectare diesel

a) No “jogo da velha” ganha quem conseguir repetir na vertical, na horizontal ou na diagonal uma
sequência de sinais. A que grupo de domínios está associado o “ganhador” nesse caso?

b) Quais fatores de impacto do grupo “perdedor” estão associados ao Domínio do Cerrado?

7 Observe o mapa da figura 23, na página 36, e em seguida faça o que se pede.
a) Explique com suas palavras o que são Unidades de Conservação (da Natureza).

b) Identifique no mapa qual(is) tipo(s) de Unidades de Conservação existe(m) na unidade da


federação onde você vive.

c) Em qual Grande Região e Domínio Morfoclimático se situam as Unidades de Conservação de


maior extensão?

d) Em qual Grande Região e Domínio Morfoclimático se situa o maior número de Reservas


Extrativistas?

e) Por que as Reservas Extrativistas são consideradas unidades de uso sustentável?


Página 39

Leituras cartográficas

8 Compare os mapas e, depois, responda às questões.

a) A criação de qual estado alterou a composição da Região Norte após 1970?

b) Quais são os critérios utilizados pelo IBGE para a regionalização oficial atual do Brasil?

c) Qual é a vantagem de aproveitar as divisas territoriais dos estados brasileiros na regionalização


oficial do Brasil?

Pesquise

9 Leia o fragmento de texto a seguir.

Caatingas: o Domínio dos Sertões Secos

“[…] Independentemente de a estação chuvosa comportar somatórias maiores ou menores de


precipitações, o longo período seco caracteriza-se por fortíssima evaporação, que responde,
imediatamente, por uma desperenização generalizada das drenagens autóctones dos sertões.

Entendem-se por autóctones todos os rios, riachos e córregos que nascem e correm no interior do
núcleo principal de semiaridez do Nordeste brasileiro […]. Somente os rios que vêm de longe —
alimentados por umidade e chuva em suas cabeceiras ou médios vales — mantêm correnteza
mesmo durante a longa estação seca dos sertões. Incluem-se, nesse caso, o São Francisco e pro
parte [em parte] o Parnaíba, ainda que o mais típico rio alóctone a cruzar sertões rústicos seja o
‘Velho Chico’ — um curso d’água que, de resto, comporta-se como um legítimo ‘Nilo caboclo’.”

AB’SÁBER, Aziz Nacib. Os domínios da natureza no Brasil: potencialidades paisagísticas. São


Paulo: Ateliê Editorial, 2003. p. 92.

a) A localidade em que você vive apresenta essas características apontadas no fragmento de texto?
Descreva as da sua localidade.

b) Pesquise que rio brasileiro é chamado de “Velho Chico” e por que se comporta como o “Nilo
caboclo”.

Desperenização
Contrário de perene, ou seja, de rio perene, cujo leito está sempre transportando a água de um rio;
no caso do texto, refere-se a rio temporário, que corre apenas na época das chuvas.

Drenagem autóctone
Rede fluvial que é natural de uma região ou de certo território.

Alóctone
Que não é originário da região.
Página 40

Desembarque em outras linguagens - Araquém Alcântara:


Geografia e fotografia
Meio Ambiente

Assim como a pintura e o cinema, a fotografia é uma forma de arte, além de ser muito utilizada
como registro pela Geografia e por outras ciências.

No Brasil, um dos expoentes da fotografia é Araquém Alcântara. Nascido em Florianópolis no ano


de 1951, Araquém Alcântara é considerado o precursor da fotografia de natureza no Brasil. Seu
trabalho, entre outros aspectos, retrata a diversidade de povos e paisagens, fauna e flora de nosso
país, como também as ameaças a eles. Com olhar único sobre o país, o fotógrafo revela a rica
diversidade de ecossistemas desconhecidos pela maioria dos brasileiros, chamando a atenção para
a necessidade de preservá-los.

Uma vida na fotografia

Nesta seção, por questão de espaço, optamos por uma linha do tempo que não
mantém a proporcionalidade da escala.

A função da fotografia de natureza

“Além do amplo atributo de religar o homem ao ambiente natural, a fotografia de natureza possui
diversas virtudes de importância para o ser humano e a sociedade:

Conservação — como linguagem universal de comunicação, a fotografia é instrumento de


conhecimento que desperta admiração, amor, mobilização da sociedade e engajamento em causas
ecológicas, tendo relação direta com a preservação dos hábitats naturais.

Denúncia — desmatamento, queimadas, poluição, vazamentos de óleo, caça, comércio ilegal de


animais e plantas, desastres ambientais — imagens de impacto causam forte comoção e
sensibilização da opinião pública, levando a ações nas esferas públicas e privadas.

Ciência — o registro fotográfico da fauna e flora é fundamental para o conhecimento científico, a


identificação das espécies, os estudos sobre o comportamento animal, a anatomia, os relatórios de
impactos ambientais, a ilustração científica. Imagens podem captar momentos jamais vistos e ser
registros únicos numa época de crescentes extinções. [...]

Arte — de seres comuns enfocados com arte a seres incomuns que possuem a arte em si mesmos, a
fotografia de natureza tem ocupado lugar de prestígio em galerias, museus e edificações, do simples
deleite visual à ampliação dos sentidos que levam o homem ao encontro da beleza e da verdade.
[...]”

COLOMBINI, Fabio. Fotografia de natureza brasileira. Guia prático. Santa Catarina: Photos,
2009. p. 29 e 31.
Página 41

Caixa de informações

1 No texto, são destacadas algumas “virtudes de importância” da fotografia de natureza. Qual(ais)


chamou(aram) mais a sua atenção? Por quê?

2 Em que Grande Região do IBGE e domínio morfoclimático se localiza o lugar retratado na foto
abaixo?

Interprete

3 Relacione a foto abaixo com, ao menos, uma das “virtudes de importância” citadas no texto.

Mãos à obra

4 Em grupo, montem um painel com fotografias de natureza retiradas de jornais, revistas, da


internet etc., apresentem-no à sala e discutam com seus colegas a importância de preservar a
natureza.

Sugerimos um trabalho com o professor de Arte, que pode apresentar aos alunos noções básicas de fotografia. Também
poderão ser desenvolvidas pesquisas seguidas de elaboração de mural sobre a fotografia que retrata a natureza sobre
outros fotógrafos brasileiros.
Avaliar a possibilidade de organizar uma mostra de fotografias de natureza tiradas pelos próprios alunos.
Página 42

UNIDADE 2 - A população brasileira

Saber quem somos, quantos somos, como e onde vivemos é um passo importante para melhor
compreender o nosso país. Nesta Unidade, você estudará como a população do Brasil está
distribuída no território, os grupos que a formam e as desigualdades que ainda existem no mercado
de trabalho do país.

Verifique sua bagagem

1. Você sabe o que é recenseamento ou censo demográfico?

1. Espera-se que os alunos tenham em mente de que se trata da contagem da população de um país, estado ou município,
além do levantamento de outras características, como a composição por idade, gênero, nível de instrução.

2. Observando o gráfico, responda: por que ao longo do tempo a população brasileira


vem crescendo numericamente?

2. As taxas de natalidade, sendo maiores que as de mortalidade, somadas à contribuição da imigração, explicam o
crescimento populacional brasileiro no decorrer dos anos.

3. Qual é a característica importante, também revelada pelo gráfico, sobre a


distribuição da população brasileira?

3. Ao observar o gráfico, é possível perceber que a população não está distribuída igualmente no território brasileiro: há
grande concentração na Grande Região Sudeste, seguida das Grandes Regiões Nordeste, Sul, Norte e Centro-Oeste.

A evolução da população brasileira

Ao longo da história do Brasil, podemos observar um constante crescimento numérico da


população. Tal crescimento não aconteceu de forma regular: em alguns momentos, o processo foi
acelerado; em outros, mais lento. A distribuição da população pelo território também mudou,
passando de maioria rural para urbana. Observe o crescimento da população brasileira.

Segundo as estimativas da população dos municípios brasileiros com data de referência em 1º de julho de 2014,
divulgadas pelo IBGE, a população do Brasil era de 202.768.562 habitantes. Em 24 nov. 2014, às 15h09, a estimativa era
de 203.461.272 habitantes. Para consultar a estimativa neste momento, acesse:
<www.ibge.gov.br/apps/populacao/0projecao/index.html>.
Página 43

Percursos

5 Brasil: distribuição e crescimento da população

6 Brasil: migrações internas e emigração

7 População e trabalho: mulheres, crianças e idosos

8 Brasil: a diversidade cultural e os afro-brasileiros


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PERCURSO 5 - Brasil: distribuição e crescimento da


população

1. Brasil: país populoso e pouco povoado


O Brasil possui uma população numerosa: em 2010, eram 190.755.799 habitantes, segundo os
dados publicados pelo IBGE; em 2014, a estimativa era de 202.768.562 habitantes. Com a 5ª maior
população do mundo, é um país populoso, pois sua população absoluta — isto é, a soma de
todos os seus habitantes — é elevada.

No entanto, o Brasil é considerado um país pouco povoado. Isso porque, quando utilizamos essa
expressão, consideramos a relação entre o número de habitantes e a sua área territorial — a
população relativa.

Para medir a concentração da população de determinada área, calcula-se sua densidade


demográfica por meio da divisão do total da população pela área em que está distribuída. Esse
valor é expresso pelo número de habitantes por quilômetro quadrado (hab./km 2). No caso do
Brasil, que contava em 2014 com uma população estimada de 202.768.562 habitantes e uma área
de 8.515.767 km2, a densidade demográfica é de 23,8 hab./km2.

Países muito povoados não são, necessariamente, muito populosos. Em muitos casos, é a pequena
área do território que determina altas densidades demográficas. Note que a maioria dos países
citados na tabela 1 é insular, ou seja, situados em ilhas.

Demográfico
Relativo à população, cujo estudo é feito pela demografia.

Tabela 1. População e área territorial de países de elevada densidade demográfica –


2012
País (continente) População Área (km²) Densidade demográfica (hab./km²)
Cingapura (Ásia) 5.256.278 710 7.403
Malta (Europa) 419.212 320 1.310
Bangladesh (Ásia) 152.408.774 144.000 1.058
Barein (Ásia) 1.359.485 760 1.788
Maldivas (Ásia) 324.313 300 1.081
Maurício (África) 1.315.803 2.040 644
Barbados (América) 274.530 430 638

No seu contexto

Você sabe qual é o total da população do município em que você vive?

Depende do município. Consulte o site do IBGE: <www.cidades.ibge.gov.br/xtras/home.php>.


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2. A distribuição da população pelo território brasileiro


A distribuição da população é influenciada por fatores naturais e econômicos, que podem ser
permissivos ou restritivos ao povoamento. Entre os fatores naturais permissivos, podemos
citar climas amenos e relevos com baixas declividades e, como fator econômico, o dinamismo da
economia em uma região. Esses fatores podem constituir uma área de atração de população.
Por outro lado, climas desérticos ou muito frios, bem como declínio de atividade econômica em
uma região, são exemplos de fatores naturais e econômicos restritivos, caracterizando uma
área de repulsão de população.

Quando dizemos que a densidade demográfica do Brasil é de 23,8 hab./km2, é importante


compreender que esse dado é uma média geral, que não corresponde a todo o território do país,
que pode apresentar áreas mais ou menos povoadas de acordo com fatores naturais e econômicos
permissivos ou restritivos.

Observe na tabela 2 que a densidade demográfica varia entre as Grandes Regiões do Brasil. A
Região Sudeste, além de ser a mais povoada, é a mais populosa: a cada 100 habitantes do país, 42
vivem nela. Essa região se tornou a principal área de atração populacional no decorrer da história
de nosso país devido à atividade mineradora em Minas Gerais (século XVIII), à expansão da
cafeicultura no Rio de Janeiro e em São Paulo (séculos XIX e XX) e à industrialização (século XX).

Tabela 2. Brasil: estimativas da população e da densidade demográfica das Grandes


Regiões – 2014*
Densidade
Grande Área Porcentagem da
População demográfica
Região (km²) população brasileira
(hab./km²)
Norte 17.231.027 3.853.677 4,5 8,5
Nordeste 56.186.190 1.554.292 36,1 27,7
Sudeste 85.115.623 924.621 92,0 42,0
Sul 29.016.114 576.774 50,3 14,3
Centro-
15.219.608 1.606.403 9,5 7,5
Oeste
BRASIL 202.768.562 8.515.767 23,8 100

* Estimativas da população com data de referência em 1º de julho de 2014, divulgadas pelo IBGE.

Observando a figura 1, na página seguinte, podemos notar a desigual distribuição da população


brasileira pelo território. Por exemplo, nas proximidades de São Paulo, Rio de Janeiro e outras
capitais, existem densidades demográficas acima de 100 hab./km², enquanto em largos trechos dos
estados do Amazonas, do Pará e de Roraima, as densidades demográficas são inferiores a 1
hab./km².

No seu contexto

A densidade demográfica da Grande Região onde você vive é maior ou menor que a do Brasil?

Depende da Grande Região em que o aluno vive. Reforce a ideia de que a densidade demográfica é calculada dividindo-se
o total da população pela área territorial considerada. Assim, tendo-se a população do município ou da Grande Região em
que vive o aluno e suas respectivas áreas, é possível calcular suas densidades demográficas e comparar com a de outros
municípios e Grandes Regiões do país.
Página 46

Em que porção do território está concentrada a população brasileira? Justifique sua resposta.

Junto à faixa litorânea e aos principais centros urbanos. Nessas porções do território, a densidade demográfica está
predominantemente entre 25,1 e 100 hab./km² e acima de 100 hab./km². Seria relevante retomar com os alunos o
histórico da ocupação do território, estudado no Percurso 2.

3. O censo
O levantamento de dados que realiza a contagem da população de um país, estado ou município é
chamado de recenseamento ou censo. É por meio dele que conhecemos também outras
características da população, como a composição por idade, gênero, nível de instrução etc.

Os governos utilizam os dados do censo para o planejamento de políticas públicas. Por exemplo,
possuindo dados sobre o crescimento da população e sua composição por idade, os governos
ficarão sabendo:

• quantas vagas nas escolas dos ensinos fundamental, médio e universitário precisam ser criadas
para atender à população;

• quantos empregos serão necessários, anualmente, para absorver os jovens que entram no
mercado de trabalho;

• quantas habitações precisam ser construídas;

• quantos leitos hospitalares precisam ser criados, entre outras coisas.

Vê-se, então, que o estudo da população tem vários objetivos práticos.

Até 1871 não havia sido realizado, no Brasil, um recenseamento demográfico. Foi nesse ano que o
governo imperial de D. Pedro II organizou a Repartição de Estatística para realizar, no ano
seguinte, o primeiro recenseamento oficial do Brasil. Até 2010, foram realizados 12 censos
demográficos (reveja os anos em que isso ocorreu no infográfico das páginas 42 e 43, conforme a
legenda).

Estatística
Ramo da Matemática que organiza e analisa dados numéricos.

Oriente os alunos a acessar o Canal “Cidades@”, no site do IBGE: <www.cidades.ibge.gov.br>, para obter informações
estatísticas sobre o município onde vivem: população total, número de matrículas nos ensinos fundamental, médio e pré-
escolar, entre outras. Com essas informações, os alunos podem ter noção das medidas de políticas públicas necessárias
para atender a população.

No seu contexto

Você sabe se há problemas como desemprego, falta de vagas nas escolas e de habitações no
município em que você vive?

Depende do município. Oriente os alunos a conversar com seus familiares e outras pessoas de seu círculo de amizades
para discutir essas questões. As consequências desses problemas para a população também podem ser discutidas.
Página 47

4. O crescimento da população brasileira


Há duas causas básicas para o crescimento populacional brasileiro: a contribuição da imigração e o
crescimento natural ou vegetativo da população.

Imigração
Deslocamento de pessoas ou grupos de um país (área de emigração) para outro (área de imigração)
em caráter permanente.

A imigração

Os europeus, os africanos e os asiáticos que migraram para o Brasil, além dos indígenas que aqui já
viviam, são os formadores da população brasileira.

Entre os imigrantes que entraram no Brasil, devemos distinguir os que vieram de maneira forçada,
como os africanos, trazidos como escravos, e os imigrantes livres ou espontâneos. Desse grupo, os
que mais se destacaram quantitativamente foram os portugueses, italianos (figura 2), espanhóis,
alemães e japoneses.

Além desses povos, os sírios, libaneses, poloneses, ucranianos, holandeses, coreanos e chineses
também contribuíram para a formação da população brasileira. Nas últimas décadas, o Brasil tem
recebido grande número de migrantes nigerianos, angolanos e bolivianos.

Observe a contribuição da imigração para o crescimento populacional do Brasil na figura 3. Entre


1887 e 1930 entraram no Brasil cerca de 3,8 milhões de imigrantes, o que contribuiu para o
crescimento populacional do país.

Após 1930, a imigração decresceu, assumindo uma importância secundária no crescimento


populacional. Entre os fatores que explicam essa queda, destaca-se a Lei de Cotas da
Imigração, criada pelo governo brasileiro em 1934. Essa lei restringiu a entrada de imigrantes,
pois estabelecia cota anual de 2% do total de imigrantes de cada nacionalidade que tinha imigrado
nos últimos 50 anos.

Analise o gráfico e aponte quando ocorreu o maior pico de imigração no Brasil?

Em 1891, quando entraram mais de 200 mil imigrantes.


Página 48

O crescimento vegetativo

À diferença entre a taxa de natalidade e a taxa de mortalidade dá-se o nome de


crescimento natural ou vegetativo da população.

A taxa de natalidade corresponde ao número de nascidos vivos a cada 1.000 habitantes de um país,
estado ou município, em determinado período de tempo — geralmente, um ano. É calculada
dividindo-se o número de nascidos vivos no período pelo número da população existente no
mesmo período. O resultado é multiplicado por mil para facilitar a leitura e permitir uma
comparação internacional. Ela é representada pelo símbolo “‰”, que quer dizer “por mil”.

A taxa de mortalidade corresponde ao número de óbitos por 1.000 habitantes. É calculada


dividindo-se o número de óbitos em determinado período pela população total nesse mesmo
período e multiplicando-se o resultado por mil.

Como exemplo, vamos calcular o crescimento vegetativo referente ao ano de 2010, no Brasil, com
base em dados do IBGE (valores arredondados):

Taxa de natalidade – taxa de mortalidade = 15‰ – 6‰ = 9‰

A taxa de crescimento vegetativo da população brasileira em 2010 foi 9‰, o que significa que, em
cada grupo de 1.000 habitantes, a população aumentou em aproximadamente 9 pessoas.

Nos dias atuais, o crescimento natural da população é a principal causa do crescimento


quantitativo da população brasileira, ainda que esse crescimento venha diminuindo desde a
segunda metade da década de 1960 (figura 4).

Observe no gráfico que, entre 1930 e 1965, as taxas de natalidade e de mortalidade declinaram. Por
que, então, o crescimento vegetativo aumentou nesse período?

O crescimento vegetativo é a diferença entre a taxa de natalidade e a taxa de mortalidade. Como a taxa de mortalidade
declinou mais que a de natalidade, o crescimento vegetativo tornou-se maior. Comente com os alunos que em períodos
posteriores, por exemplo, de 1965 a 2010, as taxas declinaram e o crescimento vegetativo também. O mesmo deverá
ocorrer entre 2010 e 2020.
Segundo estimativas do IBGE, as taxas brutas de natalidade e de mortalidade, em 2015, eram, respectivamente: 13,19‰ e
6,41‰; e em 2020: 12,29‰ e 6,71‰.

Navegar é preciso
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE
<www.ibge.gov.br>
Neste site você encontrará textos, mapas, gráficos e tabelas sobre diversos aspectos da população
brasileira. Acesse a aba População.
Página 49

5. Natalidade e fecundidade em queda


A questão da gravidez na adolescência, entre os 10 e os 19 anos, poderá ser trabalhada com o professor de Ciências,
abordando temas como: a) as consequências da maternidade e da paternidade na vida escolar e no projeto profissional;
b) os riscos à saúde relacionados ao corpo das adolescentes; c) as doenças sexualmente transmissíveis (DSTs); d) as
mudanças físicas e comportamentais na adolescência; e) os métodos anticoncepcionais.

A partir de 1961, ocorreu uma redução mais acentuada das taxas de natalidade no Brasil. Vários
fatores contribuíram para isso.

Com a modernização da economia brasileira, representada principalmente pela industrialização,


muitas famílias migraram do campo para a cidade em busca de melhores condições de vida, como
empregos de maior remuneração, assistência médico-hospitalar, educação para os filhos etc.

Geralmente, as famílias residentes no campo tinham muitos filhos, o que representava mais ajuda
no trabalho rural. Migrando para as cidades, diante dos custos e dificuldades impostas pela vida
urbana, os casais diminuíram o número de filhos. A maior participação das mulheres no mercado
de trabalho (figura 5) e o aumento do uso de métodos contraceptivos também contribuíram para
que os casais reduzissem a quantidade de filhos.

A redução do número de filhos constitui uma das mudanças ocorridas com a urbanização,
ocasionando a queda da taxa de fecundidade, ou seja, o número de filhos por mulher em idade
reprodutiva (entre 15 e 49 anos). Para se ter ideia, enquanto em 1960 a taxa de fecundidade era de
6,3, em 2000 declinou para 2,4, tendo passado para 1,9 em 2010. Conclui-se, então, que a redução
da taxa de fecundidade tem forte impacto na redução da taxa de natalidade.

Métodos contraceptivos
Métodos utilizados pelos casais para evitar a gravidez. É o caso das pílulas anticoncepcionais, do
dispositivo intrauterino (DIU) e do preservativo.

No município onde você vive, a participação de mulheres no mercado de trabalho é significativa?


Dê algum exemplo do que você já observou.

Resposta pessoal. É interessante que o aluno observe em que área há maior participação das mulheres no mercado de
trabalho, como em indústrias, ou em que setor de serviços, entre outros exemplos.
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6. Redução da mortalidade e aumento da expectativa de


vida
Outra importante tendência demográfica atual está relacionada à redução das taxas de mortalidade
(reveja a figura 4). Há diversos fatores que explicam essa redução no Brasil e no mundo:

• os progressos da medicina — do diagnóstico de doenças à descoberta de medicamentos para a


cura de enfermidades;

• as campanhas de vacinação (figura 6);

• a melhoria das condições sanitárias, por meio da instalação de redes de água tratada, redes
coletoras de esgoto e da coleta de lixo;

• a maior conscientização da população quanto à prevenção de doenças, que estimula a prática de


exercícios físicos e de uma alimentação mais saudável.

Todos esses fatores tiveram impacto sobre as taxas de mortalidade e aumentaram a expectativa
de vida ou esperança de vida ao nascer da população brasileira (figura 7).

Apesar dos avanços na área de saneamento básico, ainda há uma forte demanda por melhorias
nesse setor. No Brasil, em 2013, somente 59% dos domicílios contavam com rede coletora de
esgoto.

Esperança de vida ao nascer


Chamada também de expectativa de vida, expressa a duração prevista para a vida de um recém-
nascido, caso a taxa de mortalidade considerada no momento em que o indivíduo nasceu
permaneça constante.

Segundo estimativas do IBGE, a esperança de vida ao nascer, em 2015, corresponde a 74,79; e em 2020, a 76,06
(homens: 72,47; e mulheres: 79,80).
Página 51

Estação Cidadania - Mortalidade infantil


Saúde
O conteúdo pode ser trabalhado com o professor de Ciências, aprofundando temas como desnutrição infantil, a
importância da assistência à saúde, de saneamento básico, entre outros.

“A mortalidade infantil é um indicador do nível de saúde calculado a partir das mortes que ocorrem
no primeiro ano de vida.

A mortalidade de crianças com menos de um ano de vida, mais do que a de jovens e adolescentes,
indica melhor as condições socioeconômicas e de saúde de determinada população. Isso porque,
como a infância compreende desde o nascimento até os 10 ou 12 anos, seria difícil obter dados de
boa qualidade relativos a todo esse período, para toda a população [...]. E principalmente porque é
no primeiro ano de vida que os fatores biológicos e sociais têm mais influência sobre as condições
de saúde das crianças — pois ainda estão em processo de formação e têm menor capacidade de
defesa contra as agressões externas, favorecendo o desenvolvimento das doenças e a morte.

A mortalidade infantil reflete não apenas os aspectos relacionados à manutenção da saúde, como
também a qualidade do atendimento oferecido à gestante, ao parto e às crianças. Esse indicador de
saúde reflete também a ocorrência das doenças em geral, em especial as infecciosas, a quantidade e
a qualidade da alimentação disponível e as condições gerais de saneamento básico [...].

Praticamente todos os aspectos da vida humana influenciam a sobrevivência da criança, refletindo-


se na mortalidade infantil. O nível educacional dos pais e a renda econômica da família, por
exemplo, são condições sociais de grande influência sobre as taxas de mortalidade infantil, mais
elevadas na população de menor renda e menor escolaridade.

Pelos diversos fatores que podem provocar variações na taxa de mortalidade infantil, este é um
indicador consagrado das condições socioeconômicas e de saúde de uma população. […]”

TELAROLLI JÚNIOR, Rodolpho. Mortalidade infantil: uma questão da saúde pública. São Paulo:
Moderna, 1997. p. 10.

Taxa de mortalidade infantil


Índice que registra o número de crianças que morreram com menos de 1 ano, a cada 1.000 nascidas
vivas. É calculado dividindo-se o número total de mortes de crianças menores de 1 ano pelo
número total de crianças nascidas vivas, no mesmo período e local. O valor é multiplicado por
1.000. Também pode ser calculada com base no número de crianças menores de 5 anos.

Interprete

1 Explique por que a mortalidade de crianças com menos de 1 ano de idade é um bom indicador
para avaliar as condições socioeconômicas e de saúde de uma população.

Argumente

2 Qual é sua opinião sobre a seguinte questão: “A assistência à saúde de boa qualidade é um direito
de todos”?

Nesta coleção, o Sudão do Sul — país que surgiu do desmembramento do Sudão em 9 de julho de 2011 — não consta nos
mapas que representam dados levantados antes de sua independência.
Página 52

PERCURSO 6 - Brasil: migrações internas e


emigração
Explique aos alunos que há dois tipos de migrações internas: inter-regionais — que correspondem à migração de pessoas
de uma região para outra; intrarregionais — relativas à migração de pessoas dentro de uma mesma região (podem
ocorrer entre os estados de uma mesma região ou de uma localidade para outra de um mesmo estado).

1. O que é migração
Há autores que preferem reservar o termo migração para designar apenas os deslocamentos definitivos da população,
diferenciando-os, portanto, dos deslocamentos temporários (sazonais e pendulares).

Migração é o deslocamento de indivíduos de uma região para outra ou de um país para outro,
envolvendo mudança permanente de residência. Quando os deslocamentos ocorrem no interior de
um país, recebem o nome de migrações internas ou nacionais. Quando ocorrem entre países,
trata-se de migrações externas ou internacionais.

Por que o ser humano migra?

As migrações da população de uma região geográfica para outra são explicadas, principalmente,
pelo fator econômico. Se em uma localidade, sub-região ou região há dificuldade de se conseguir
emprego e de a população possuir condições mínimas de sobrevivência, é comum que pessoas e
famílias migrem para outros espaços geográficos que ofereçam possibilidades de melhores
condições de vida — melhor acesso à alimentação, à habitação, ao vestuário, à saúde, à educação,
ao lazer etc.

Migrações internas no Brasil em tempos recentes

Para facilitar seu estudo, vamos considerar as migrações internas em três períodos a partir de 1950.

De 1950 a 1970

Desde os anos de 1950, a Grande Região Nordeste do Brasil tornou-se a principal Grande Região de
repulsão ou de saída de migrantes para outras regiões do país. Isso ocorreu devido à baixa oferta
de empregos, ao baixo rendimento da população, às secas no Sertão, entre outros fatores.

A industrialização da Região Sudeste, principalmente dos estados de São Paulo e Rio de Janeiro,
como também a construção de Brasília, na Região Centro-Oeste, atraíram muitos migrantes em
busca de melhores condições de vida. Assim, essas duas Grandes Regiões tornaram-se áreas de
atração de população nesse período (figura 8).

Explique aos alunos que o fator de ordem econômica é o que mais influencia a ocorrência das migrações. Entretanto,
outros fatores também devem ser considerados, como a violência urbana e rural, como no caso dos conflitos pela posse
da terra.
Página 53

De 1970 a 1990

Apesar de o fluxo migratório do Nordeste para o Sudeste ter continuado, nesse período houve
também um grande fluxo de migrantes do Sudeste, do Sul e do Nordeste para as regiões Centro-
Oeste e Norte. Vários fatores contribuíram para essas migrações: a construção de rodovias, os
incentivos dos governos estaduais e federal — por meio da doação de lotes de terra para a prática
da agricultura —, as descobertas de ouro e diamantes em Roraima e o avanço da agricultura e da
pecuária em terras antes não utilizadas para esse fim, processo conhecido como expansão da
fronteira agropecuária (figura 9).

De 1990 a 2010

A partir da década de 1990, os fluxos migratórios que mais despertam a atenção são os de volta aos
locais de origem, a chamada migração de retorno, e a diminuição substancial do tradicional
fluxo do Nordeste para o Sudeste: no período de 1995 a 2000, migraram 965 mil pessoas, e entre
2001 e 2006, esse fluxo declinou para 539 mil.

Os programas sociais governamentais (por exemplo, o Bolsa Família, programa de transferência de


renda do Governo Federal) e o crescimento econômico do Nordeste, tanto no setor industrial como
no de serviços, têm sido apontados como responsáveis pela diminuição dos fluxos migratórios
Nordeste-Sudeste (figura 10).

Esclareça aos alunos que, em vista de mudanças regionais na dinâmica da economia, há alterações nos fluxos migratórios
no decorrer do tempo. A desconcentração industrial no estado de São Paulo e no Sudeste de maneira geral, por exemplo,
tornou o estado e essa Grande Região menos atrativos para a migração interna, quando comparados a períodos
anteriores.

Qual é a intensidade do fluxo migratório de Rondônia para Mato Grosso?

Entre 20 e 50 mil migrantes.


Auxilie na leitura do mapa. Oriente os alunos sobre a espessura das setas, que representa a quantidade de migrantes, e
que o saldo migratório (diferença entre a entrada e a saída de migrantes, representado por unidade da federação) pode
ser negativo ou positivo, assunto que será estudado na página seguinte.
Página 54

Outra forma de estudar as migrações internas é considerar o saldo migratório, ou seja, a


diferença entre a quantidade de entrada e saída de migrantes de uma localidade ou região para
outras.

Observe as tabelas 3 e 4, que mostram os saldos migratórios do Brasil em diferentes períodos e


permitem identificar a ocorrência de saldos migratórios positivos ou negativos. Positivos
quando a quantidade de migrantes que entra em determinada unidade da federação ou região é
maior do que a quantidade que sai dela. Negativos quando a saída de migrantes é maior que a
entrada.

Tabela 3. Brasil: saldos migratórios das Grandes Regiões – 2001 e 2005


Grande Região Saldo migratório
Norte –3.077
Nordeste –110.104
Sudeste –118.275
Sul 27.505
Centro-Oeste 205.948

Tabela 4. Brasil: saldos migratórios das Grandes Regiões e das unidades da


federação – 2005 e 2010
Grande Unidades da Saldo
Imigrantes Emigrantes
Região federação migratório
Brasil 4.643.754 4.643.754 0
Rondônia 65.864 53.643 12.221
Acre 13.882 14.746 – 865
Amazonas 71.451 51.301 20.150
Roraima 25.556 11.204 14.352
Norte
Pará 162.004 201.834 – 39.830
Amapá 37.028 15.228 21.800
Tocantins 85.706 77.052 8.654
Saldo total 36.482
Maranhão 105.684 270.664 – 164.980
Piauí 73.614 144.037 – 70.423
Ceará 112.373 181.221 – 68.849
Nordeste Rio Grande do Norte 67.728 54.017 13.711
Paraíba 96.028 125.521 – 29.493
Pernambuco 148.498 223.584 – 75.086
Alagoas 53.589 130.306 – 76.717
Tabela 4. Brasil: saldos migratórios das Grandes Regiões e das unidades da
federação – 2005 e 2010
Sergipe 53.039 45.144 7.895
Bahia 229.224 466.360 – 237.136
Saldo total – 701.078
Minas Gerais 376.520 390.625 – 14.105
Espírito Santo 130.820 70.120 60.700
Sudeste Rio de Janeiro 270.413 247.309 23.104
São Paulo 991.314 735.519 255.796
Saldo total 325.495
Paraná 272.184 293.693 – 21.509
Santa Catarina 301.341 128.888 172.453
Sul
Rio Grande do Sul 102.613 177.263 – 74.650
Saldo total 76.294
Mato Grosso do Sul 98.973 80.908 18.065
Mato Grosso 143.954 121.586 22.365
Centro-Oeste Goiás 363.934 156.107 207.827
Distrito Federal 190.422 175.870 14.552
Saldo total 262.809

Aponte o total de imigrantes e de emigrantes da unidade da federação em que você mora, entre
2005 e 2010. Esse saldo foi positivo ou negativo? De quanto?

Dependendo da unidade da federação em que o aluno vive o saldo migratório poderá ser positivo ou negativo. Explique o
resultado obtido com base no conceito de saldo migratório estudado nesta página.
Página 55

2. O êxodo rural
O êxodo rural, ou migração campo-cidade, é o principal movimento populacional interno do
Brasil. Em 1950, de cada 100 habitantes, cerca de 69 moravam no campo, formando a população
rural; 31 viviam nas cidades e compunham a população urbana.

O ritmo acelerado da industrialização brasileira, somado aos problemas no campo — como baixos
salários e o difícil acesso à propriedade da terra pelos trabalhadores rurais —, foi a grande mola
propulsora do êxodo rural. Em 1970, a população urbana já era de 56%.

Esse processo continuou após 1970, levando o Brasil a ser um país predominantemente urbano.
Observe a figura 11.

3. Deslocamentos temporários de população


As migrações temporárias caracterizam-se pelo deslocamento de indivíduos para localidades
onde há trabalho durante tempo determinado e que retornam para o lugar de origem depois de
concluírem a tarefa. É o que ocorre com aqueles que se deslocam da Região Nordeste para
trabalhar em colheitas no Sudeste.

Outra forma de deslocamento temporário é a migração pendular: deslocamento populacional


diário de ida e volta, semelhante ao movimento do pêndulo de um relógio. É o caso de milhares de
habitantes de cidades vizinhas que se deslocam diariamente para os grandes centros urbanos, onde
estão localizados seus empregos e locais de estudo.

4. Emigrantes brasileiros
Na década de 1970, o governo do Paraguai autorizou o loteamento de terras próximas à fronteira
com o Brasil, com permissão para que brasileiros pudessem adquiri-las. Esses emigrantes, cerca de
500 mil, ficaram conhecidos como brasiguaios.

Durante a década de 1980, uma crise na economia brasileira, marcada pelo elevado desemprego e
pelo aumento persistente dos preços, estimulou a saída de brasileiros para outros países.

Hoje, calcula-se que cerca de 1,28 milhão de brasileiros vivem nos Estados Unidos e cerca de 280
mil vivem no Japão (figura 12). Após a crise econômica internacional de 2008, muitos brasileiros
perderam o emprego e retornaram ao Brasil.

Quem lê viaja mais


PORTELA, Fernando; VESENTINI, José William.
Êxodo rural e urbanização. 17. ed. São Paulo: Ática, 2004.
História de uma família que migra da Bahia para São Paulo em busca de melhores condições de
vida.
Página 56

Estação Socioambiental - Migrações compulsórias, lugar e


territorialidade na construção de hidrelétricas
Trabalho e Consumo

“[...] A construção de uma grande barragem, atingindo comunidades urbanas e rurais, tem forte
impacto na dinâmica populacional da região de instalação do empreendimento, tanto pelos eventos
decorrentes das migrações compulsórias [obrigatórias], como pela própria questão das
transformações paisagísticas resultantes das áreas inundadas. Trata-se, primeiro, de um fluxo para
dentro dos trabalhadores necessários à construção em si (bem como de outras pessoas que vêm
prestar serviços que orbitam à volta da obra) e, depois, de um movimento de fluxo para fora dos
que têm suas terras atingidas pelo reservatório. As barragens, deste modo, tanto forçam a migração
compulsória da população residente na projeção do reservatório, como a obra, em si, atrai
temporariamente (geralmente, apenas pelo tempo de duração da construção da barragem) um
número significativo de pessoas, sejam elas funcionárias das empresas atuantes na sua execução,
sejam outras, que vislumbram, na estrutura que passa a se formar ali, outras perspectivas de
trabalho.

[...] O número de trabalhadores envolvidos diretamente na construção de uma grande UHE [usina
hidrelétrica] pode chegar, dependendo das suas dimensões, a três ou quatro mil empregados (ou
até mais), que, somados a outros trabalhadores que fluem para o local (para atuarem na prestação
de pequenos serviços como alimentação, mecânica, etc.), resultam em um número de pessoas que
pode equivaler ou até superar o de habitantes de municípios próximos. Este fato produz
transformações importantes no comércio local, no preço dos aluguéis e também nos índices de
criminalidade [...] Terminada a obra, a quase totalidade destas pessoas, após terem permanecido
três ou quatro anos no local (tempo de duração da obra), migram novamente.

Em diferentes regiões do Brasil, comunidades inteiras são realojadas em novas cidades e


assentamentos rurais construídos especificamente para este fim. Trata-se, em nosso ponto de vista,
de um evento de expulsão do lugar de residência. Ainda que juridicamente legal, a remoção de
populações, para a criação dos lagos artificiais das grandes barragens, pelo seu caráter compulsório
(que obriga), caracteriza uma expulsão, pois é, ou tem sido, uma decisão vertical, de cima para
baixo. [...]”

CARVALHO, Orlando Albani de; MEDEIROS, Rosa Maria Vieira. Migrações compulsórias, lugar e
territorialidade na construção de hidrelétricas no Rio Uruguai. In: Revista Estudos Amazônidas:
fronteiras e territórios. vol. 1, n. 1, 2009. p. 58-59.

Interprete

1 Identifique e explique os dois tipos de migrações abordados no texto.

2 Que impactos e transformações nos municípios próximos à construção de grandes hidrelétricas


são apontados no texto?

Contextualize

3 Você sabe se na região ou localidade onde você vive ocorreram migrações compulsórias em
tempos recentes?
Página 57

Encontros - A migração por quem a viveu


Pluralidade Cultural
Os professores de História e de Língua Portuguesa podem contribuir refletindo sobre a riqueza dos relatos e das histórias
de vida de migrantes e discutindo a importância em combater atitudes preconceituosas contra eles baseando-se em
produções literárias voltadas para essa temática.

Leia os relatos de duas pessoas que, ao longo de suas trajetórias de vida, realizaram
um movimento migratório.

BERENICE

“Um período difícil de minha vida foi quando vim para São Paulo na década de 70, migrante
nordestina, de Campina Grande (PB) com rápida passagem e estadia em Recife (PE). Vim de
‘Fuscão’ modelo 1967, com dois filhos pequenos, a menor no meu colo, com apenas seis meses de
vida, rasgando os três mil quilômetros que separam mais do que dois estados distantes, mas que
separam também dois estilos de vida completamente diferentes. Separam duas perspectivas de
passado e de futuro quase que antagônicas.

Viajei com a filha no colo para dar mais espaço para o filho de três anos poder dormir e descansar,
e não é preciso falar da péssima qualidade das estradas e dos hotéis (naquele tempo não havia as
famosas churrascarias gaúchas, hoje tão comuns ao longo das rodovias). A BR-116 era muito
esburacada, e a Bahia, que tem 800 quilômetros de extensão Nordeste-Sul, parecia ter 2 mil
quilômetros.

Quando cheguei, fui morar no Parque Continental, bairro de classe média, metida a classe alta, e os
olhares eram insinuantes. Olhares de reprovação ao nosso linguajar, aos nossos trajes e até um
ranço de preconceito interessante e maquiado: ‘como estes nordestinos têm dinheiro para vir
morar aqui?’.

No Ceagesp, logo nos primeiros dias, quando eu falava, era tratada por baiana (até por outros
nordestinos radicados há mais tempo aqui). Havia um ar de espanto, de indignação e de ironia
quando eu pedia jerimum em vez de abóbora, ou macaxeira em vez de mandioca etc. Era um
motivo de riso, mas jamais me deixei abater. [...]”

LUIZ

“Eu fui um migrante, andei muito neste Brasil. Eu nasci no Paraná e com seis meses de idade a
gente foi para Sergipe, Nordeste. Com um ano voltamos para o Paraná novamente, e do Paraná
mudamos de vários em vários municípios do estado do Paraná. O último município do Paraná que
eu morei foi onde eu nasci, Jaguapitã, numa fazenda de café. Com aquela geada de 1975, nós fomos
para Campinas, São Paulo [...]. Lá moramos nove, quase dez anos, e eu estudei até a quinta série na
realidade. Aos 11 anos, comecei a trabalhar como guarda mirim numa entidade que tinha lá.
Trabalhei na própria entidade, no cartório, e trabalhei numa indústria de beneficiamento de
legumes. Seria uma empresa que trabalhava em fazer nhoque, batata frita, essas coisas [...].”

Museu da Pessoa. Disponível em: <www.museudapessoa.net/pt/home>. Acesso em: 25 nov. 2014.

Interprete

1 O que significou para você os relatos de Berenice e Luiz?

Contextualize
2 Comente o trecho: “[...] três mil quilômetros que separam mais do que dois estados distantes,
mas que separam também dois estilos de vida completamente diferentes. Separam duas
perspectivas de passado e de futuro quase que antagônicas”.

3 Como você imagina que seja, hoje, a viagem de um migrante? Algum familiar seu é migrante?
Obtenha um relato da migração dele e compare com a que você imaginou.

Alerte os alunos de que, nesta época, os veículos possuíam cintos de segurança, mas seu uso não era obrigatório.
Página 58

Atividades dos percursos5 e 6


Registre em seu caderno.

Revendo conteúdos

1 A densidade demográfica de um país ou região reflete fielmente a distribuição da


população pelo território? Explique sua resposta.

2 A população brasileira, a partir da década de 1950, conforme mostra o gráfico da


figura 4, na página 48, tem apresentado diminuição das taxas de natalidade e
mortalidade.

a) Explique quais fatores contribuíram para a redução das taxas de natalidade.

b) E quanto à redução das taxas de mortalidade, que fatores contribuíram para isso?

3 Algum membro de sua família realizou migração no interior do país? Se sim, para
onde e por quê? Explique os tipos de migração interna.

4 Aponte os fatores que contribuíram, no período de 1970 a 1990, para os fluxos


migratórios internos para a Amazônia.

Leituras cartográficas

5 Observe o mapa abaixo e responda às questões.

a) Em qual unidade da federação a taxa de mortalidade infantil é muito alta?

b) A taxa de mortalidade infantil na unidade da federação em que você vive está compreendida
entre quais valores?

Explore

6 Analise a tabela e responda às questões.

Brasil: população e área de alguns estados – 2014


Estados População Área (km²)
Pará 8.073.924 1.247.955
Bahia 15.126.371 564.733
Mato Grosso 3.224.357 903.366
Rio Grande do Sul 11.207.274 281.730
São Paulo 44.035.304 248.223
Auxilie os alunos a agrupar os dados na tabela e a relacionar as informações obtidas.

a) Calcule a densidade demográfica dos estados constantes da tabela e aponte qual é o mais
povoado e o menos povoado.

b) Que estado é o mais populoso? E o menos populoso?


c) Os dados da tabela permitem concluir que a população se encontra bem distribuída pelo
território? Explique sua resposta.

7 Leia um trecho do poema e observe a foto. Em seguida, escreva um texto


relacionando o poema, a foto e as migrações internas que você estudou no Percurso
6.
Página 59

“[...] E se somos Severinos


iguais em tudo na vida,
morremos de morte igual,
mesma morte severina:
que é a morte de que se morre
de velhice antes dos trinta,
de emboscada antes dos vinte,
de fome um pouco por dia
(de fraqueza e de doença
é que a morte severina
ataca em qualquer idade,
e até gente não nascida). […]”

MELO NETO, João Cabral de. Morte e vida severina. In: Serial e antes. Rio de Janeiro: Nova
Fronteira, 1977. p. 145-146.

8 A que forma de migração se pode associar a imagem a seguir? Quais são suas
particularidades?

9 Interprete os gráficos:

a) Quando a população urbana se tornou maior em cada uma das regiões apresentadas?

b) Aponte o total, aproximadamente, da população urbana nessas regiões em 1980 e em 2000.

Pratique

10 Realize um trabalho de campo entrevistando pessoas das residências da rua onde


você mora para saber se são migrantes. Anote a localidade e a região de origem dos
entrevistados e a razão da migração. Em seguida elabore uma tabela com os dados
obtidos.
Página 60

PERCURSO 7 - População e trabalho: mulheres,


crianças e idosos

1. A população segundo os setores de produção


Uma das formas de estudar a população de um país é classificá-la de acordo com os setores de
produção. Existem três setores de produção básicos:
• o setor primário reúne as atividades agropecuárias, extrativistas, a pesca e a silvicultura;
• o setor secundário abrange as atividades industriais e a construção civil;
• o setor terciário agrupa as atividades prestadoras de serviços, como o comércio, o sistema
bancário, a administração pública, as atividades de saúde, educação, saneamento básico,
transportes, telefonia etc. Observe a figura 13.

No seu contexto

Tendo por base as atividades exercidas por seus familiares, classifique-as segundo os setores de
produção.

Resposta pessoal. Com esta atividade, os alunos têm a oportunidade de analisar a realidade próxima sob uma nova ótica,
utilizando conceitos importantes para a Geografia. Além de enriquecer a análise, os alunos podem fixar mais facilmente o
conteúdo estudado.
Página 61

A distribuição da população e os setores de produção

Segundo o IBGE, a população economicamente ativa (PEA) é o conjunto de indivíduos que


trabalham ou estão em busca de emprego e compõe o potencial de mão de obra com que podem
contar os setores produtivos.

Conhecer o número de pessoas que trabalham em cada setor, ou a participação de cada setor na
PEA, é importante para fornecer dados para a avaliação da economia de um país e para o
planejamento socioeconômico.

No Brasil, o estudo da população trabalhadora ao longo dos censos demográficos fornece


elementos para compreender as mudanças na economia do país. Observe a figura 14.

Qual era a distribuição da PEA pelos setores de produção no ano de 2000?

Primário, 20,6%; secundário, 22,9%; e terciário, 56,5%.


Sugerimos que consulte o seguinte documento do IBGE: Estatísticas de Gênero: uma análise dos resultados do Censo
Demográfico 2010. Rio de Janeiro: IBGE, 2014. Disponível em:
<biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv88941.pdf>. Acesso em: 19 nov. 2014.

Em 1940, de cada 100 pessoas que formavam a PEA do Brasil, aproximadamente 70 estavam
ocupadas no setor primário, 10 no setor secundário e 20 no setor terciário de produção.

Esses dados nos informam que, em 1940, a economia brasileira tinha por base os produtos do setor
primário de produção. Além disso, podemos também concluir que no ano de 1940 a
industrialização do país era modesta, pois empregava apenas 10% da PEA, e que as cidades e a
população urbana ainda eram reduzidas, pois apenas cerca de 20% da PEA estava empregada no
setor terciário — setor que reúne atividades predominantemente urbanas, assim como o setor
secundário.

Nas pesquisas seguintes, notam-se alterações na distribuição da PEA por setores de produção. Na
Pesquisa nacional por amostra de domicílios de 2013, observou-se que 22,8% da PEA do Brasil se
dedicava ao setor secundário e 63,8% ao setor terciário, superando ambas a participação do setor
primário, 13,4%.

2. Mulheres e desigualdades no mercado de trabalho


No Brasil, o número de mulheres na população supera o de homens em quase todas as regiões. Isso
ocorre porque as mulheres apresentam maior longevidade, com expectativas de vida maiores.

Nas últimas décadas, a sociedade brasileira atravessou importantes transformações políticas,


econômicas e sociais que afetam mulheres e homens de maneiras diferentes. Uma delas é o
crescimento da presença das mulheres no mercado de trabalho (figura 15, na página seguinte),
aumentando, em consequência, sua participação na PEA e garantindo a elas maior autonomia.
Página 62

Alerte os alunos de que na figura 15 o eixo vertical do gráfico se inicia com valor 40,0.

No entanto, apesar da ampliação do acesso ao mercado de trabalho, grande parcela das mulheres
continua acumulando os trabalhos domésticos (tarefas relacionadas à limpeza da casa, à
alimentação, ao cuidado de filhos, entre outros) com os seus empregos fora de casa.

Esses afazeres geram sobrecarga de trabalho para as mulheres e influem diretamente na


possibilidade de conseguirem empregos e de ocuparem melhores postos no mercado de trabalho.

Mulheres e homens: desigualdade de rendimentos

Nos últimos anos, estudos vêm apontando uma tendência contínua de redução da desigualdade
salarial entre homens e mulheres no Brasil. Entre outros fatores, o aumento da renda das mulheres
está relacionado à conquista de mais espaço na vida pessoal, familiar e na sociedade e ao combate à
desigualdade entre os gêneros. Entretanto, em 2012, estudos ainda demonstraram que o
rendimento das mulheres no mercado de trabalho apresentou uma diferença média de 27% em
relação ao que recebia um trabalhador homem.

Utilizamos “família” em substituição à expressão “arranjo familiar”, do Pnad, para facilitar a compreensão.
Arranjo familiar corresponde ao “conjunto de pessoas ligadas por laços de parentesco, ou seja, as famílias, ou o conjunto
de pessoas ligadas por dependência doméstica ou normas de convivência, ou a pessoa que mora sozinha”.

Mulheres chefes de família

No Brasil, o aumento da participação das mulheres no mercado de trabalho e sua maior autonomia
financeira vêm contribuindo para o aumento da proporção de famílias chefiadas por mulheres, isto
é, vem crescendo a proporção de famílias que têm a mulher como responsável pelo sustento, com
ou sem a existência de um cônjuge no domicílio. Isso significa que cada vez mais famílias vivem a
situação de não terem o sexo masculino como principal provedor da renda, apesar de ainda
predominar a chefia masculina. Observe as figuras 16 e 17.

Cônjuge
Indivíduo ligado a outro pelo casamento ou aquele que vive conjugalmente, com ou sem vínculo
matrimonial.

O que ocorreu em relação à proporção de famílias chefiadas por mulheres entre 1998 e 2012?

Houve crescimento da presença da mulher como referência nas famílias unipessoais, com cônjuge, mas uma pequena
diminuição nas famílias sem cônjuge.
A título de comparação, em 2012 a proporção de famílias com o homem como referência teve os seguintes valores:
Unipessoais: 6,5%; Com cônjuge: 51,8%; Sem cônjuge: 3,7%; Total: 62,0%.
Página 63

Indique o percentual de famílias chefiadas por mulheres na unidade da federação em que você vive.
Em seguida, cite outras em situação semelhante.

Resposta pessoal.

Avanços na escolaridade feminina

No Brasil, as mulheres vêm superando os homens nos indicadores educacionais relativos aos
ensinos médio e superior.

As mulheres tendem a ter mais qualificação para entrar no mercado de trabalho, mas isso ainda
não se reverte em salários mais elevados para a população feminina ocupada. Embora muitas
estejam alcançando cargos de chefia em empresas públicas e privadas, uma parcela expressiva das
mulheres ainda ocupa postos de trabalho com menor nível de proteção social, ou seja, sem carteira
de trabalho assinada, como é o caso de muitas trabalhadoras domésticas, apesar de a legislação
exigir.

Cabe observar, contudo, que a proporção de estudantes, tanto homens quanto mulheres, é ainda
muito baixa no Brasil, o que compromete a qualificação da mão de obra e o desenvolvimento social
e econômico do país. Observe a figura 18.

Como elemento de comparação, a proporção de pessoas de 20 a 24 anos de idade, com pelo menos o Ensino Médio
completo, total e por gênero: na Itália, total de 77,6%, sendo 81,6% mulheres e 73,7% homens; no Brasil, total de 59,9%,
sendo 65,4% mulheres e 54,4% homens.
Página 64

3. O trabalho infantil no Brasil


No Brasil, a Constituição Federal e o Estatuto da Criança e do Adolescente proíbem expressamente
o trabalho infantil, permitindo que adolescentes com mais de 14 anos trabalhem como
aprendizes e que entre os 16 e 18 anos exerçam apenas funções seguras.

Apesar de o trabalho infantil ter diminuído nos últimos anos, em 2012 ainda havia 3,5 milhões de
trabalhadores com idade entre 5 e 17 anos no país.

Esses menores, além de terem sua formação escolar prejudicada, muitas vezes estão expostos a
ambientes de trabalho que comprometem seu desenvolvimento biológico e psicológico (figura 19).

Navegar é preciso
Coração de carvão
<www.coracaodecarvao.com.br>
Visite o site do curta-metragem Coração de carvão e descubra, em imagens e textos, informações
sobre o trabalho infantil em carvoarias.

Objeto educacional digital


Trabalho infantil
Orientações no Manual Multimídia

4. A pirâmide etária do Brasil


A pirâmide etária representa graficamente a quantidade de pessoas de uma população, segundo
as faixas de idade e o sexo. Considerando a queda das taxas de fecundidade e natalidade e o
aumento da expectativa de vida, as pirâmides etárias do país vêm sofrendo alterações. Veja a figura
20.

Observa-se que, na pirâmide etária de 2010, a base se apresenta menos larga em relação à de 1980;
isso se deve à queda das taxas de fecundidade: em 1980, a população brasileira entre 0 e 19 anos
correspondia a 49% da população total, passando para 33% em 2010.

Na pirâmide de idades de 2010, o pico alargou-se em relação à de 1980. Isso ocorreu em virtude de
o brasileiro estar vivendo maior número de anos, consequência da melhoria das condições de vida.

No momento em que você está observando a pirâmide de idades de 2010, a qual faixa de idades
você pertence? Essa faixa é maior ou menor do que a que a precede?

Resposta pessoal.
Página 65

O “bônus demográfico” no Brasil

De acordo com estudos demográficos, até 2020 o Brasil viverá um período no qual o número de
pessoas em idade economicamente ativa superará muito o de crianças e idosos, considerados
dependentes. Esse período, denominado bônus demográfico, é considerado favorável à
economia de um país, pois significa maior número de trabalhadores e menores gastos com pessoas
que não participam da PEA.

A partir de 2020, estima-se um aumento da proporção de idosos na população geral. A expectativa


é que a população brasileira com mais de 60 anos vai mais do que triplicar nas próximas quatro
décadas: de pouco mais de 20 milhões em 2010, atingirá cerca de 65 milhões de habitantes em
2050, alterando o perfil da pirâmide etária brasileira (figura 21).

No Brasil, o ritmo do envelhecimento populacional deverá ser mais acelerado do que o ocorrido em
outros países no século passado. Na França, por exemplo, foi necessário mais de um século para
que sua população com idade igual ou superior a 65 anos aumentasse de 7% para 14% do total,
variação demográfica que ocorrerá no Brasil em apenas duas décadas, entre 2011 e 2031.

Em que faixa de idade você estará nesta pirâmide etária em 2050?

Resposta pessoal.

Os efeitos do envelhecimento da população

Com o aumento da população idosa, o Estado brasileiro, que financia e administra sistemas
públicos de saúde e de previdência social, deverá se preparar para maiores gastos com saúde e
aposentadoria dos idosos. Em relação à saúde, o aumento dos gastos dependerá da qualidade de
vida da população, o que impõe ao Estado e à sociedade em geral a necessidade de buscar ações
que garantam um envelhecimento mais saudável para as pessoas.

Outro ponto importante é a disponibilidade de ajuda familiar para esse grupo. Geralmente, com o
avanço da idade, as pessoas passam a necessitar de maior apoio e cuidado familiar. Isso é
preocupante quando se considera que essa ajuda poderá ser afetada devido à maior participação
dos membros da família no mercado de trabalho.

Como consequência, isso poderá demandar maiores investimentos públicos em asilos e casas de
repouso. Algumas projeções para o Brasil indicam que o número de pessoas sendo cuidadas por
não familiares vai duplicar até 2020 e aproximadamente quintuplicará em 2040, em comparação
com 2010.

É possível que essas transformações afetem também as empresas, que poderão expandir os
programas de treinamento dirigidos aos idosos com o objetivo de reincorporá-los ao mercado de
trabalho.

Previdência social
Conjunto de instituições estatais cujo objetivo é proteger e amparar o trabalhador e suas famílias
na velhice e na doença, por meio de aposentadorias, pensões, assistência médica e hospitalar etc.
Página 66

PERCURSO 8 - Brasil: a diversidade cultural e os


afro-brasileiros

1. Brasil: país de muitos povos e culturas


A população brasileira originou-se da miscigenação de vários povos. Por isso apresenta grande
diversidade cultural, manifestada na religião, na música, na dança, na alimentação, na arquitetura,
no vestuário etc.

Exemplo dessa diversidade é a própria língua portuguesa, reconhecida como oficial no Brasil. Ela
possui palavras únicas quando comparada à língua portuguesa falada em outros países. Isso
porque incorporou muitas expressões dos grupos étnicos formadores da população brasileira:
indígenas, europeus e negros africanos. Palavras como Tietê, caatinga, sucuri e pitanga têm origem
indígena; mocambo, cafuné, fubá e berimbau, africana. E outras palavras com origem em línguas
europeias foram agregadas ao português, como tchau e espaguete, que vêm do italiano.

2. Grupos formadores da população brasileira


Os indígenas

Como vimos no Percurso 2, diversos grupos indígenas viviam no território que viria a ser o Brasil
antes da colonização portuguesa. Estima-se que havia de 2 a 4 milhões de indivíduos, distribuídos
em mais de 1.000 diferentes etnias (figura 22). Possuíam características próprias de organização
social, línguas, crenças, técnicas de coleta, caça, pesca e cultivo agrícola.

Hoje, alguns grupos indígenas vivem isolados, outros em reservas ou nas cidades, muitos em
precárias condições de vida. Os grupos indígenas continuam lutando por seus direitos e contra o
preconceito e o descaso com sua cultura (figura 23), que ocorrem a despeito da contribuição desses
grupos para a formação do povo brasileiro e de todo o seu conhecimento sobre o meio ambiente, a
flora e a fauna do território, acumulado por séculos.

Miscigenação
Cruzamento interpovos; mestiçamento.

Grupo étnico (ou etnia)


Grupo social cujos membros consideram ter uma origem e características socioculturais comuns
(como língua, religião, valores e normas etc.), e que partilham uma identidade cultural marcada
por traços que os distinguem de outros grupos.

Reveja com os alunos o mapa das terras indígenas no Brasil, no Percurso 2, página 25.
Página 67

Há anos, as pesquisas médicas e farmacêuticas baseiam-se nesses conhecimentos para aproveitar


as propriedades preventivas e curativas de várias espécies vegetais e animais utilizadas por grupos
indígenas, a fim de obter substâncias para a elaboração de medicamentos.

No entanto, os indígenas ainda são vítimas da invasão de suas terras por fazendeiros, garimpeiros,
madeireiros, grileiros, entre outros.

Grileiro
Pessoa que se apossa de terras de outra por meio de documento ou escritura de propriedade falsos.

Os portugueses e outros imigrantes

A partir do século XVI, com a invasão do território pelos portugueses, teve início o processo de
miscigenação destes com os grupos indígenas e os negros africanos, trazidos como escravos,
configurando a população brasileira atual.

Nos séculos XIX e XX, esse processo prosseguiu com a chegada de outros povos. Entre os que
vieram em maior quantidade estão os italianos — segundo grupo mais numeroso, depois dos
portugueses —, espanhóis, alemães, japoneses, sírio-libaneses, russos, poloneses, chineses,
coreanos, indonésios, uruguaios, bolivianos, entre outros.

Os negros africanos

A partir do século XVI, com a chegada de negros africanos para servir de mão de obra escrava,
amplia-se o processo de miscigenação. Os escravos foram a principal mão de obra em atividades
econômicas do Brasil colonial, fundamentais para o desenvolvimento econômico do país.

Três grandes culturas africanas entraram no Brasil por meio de imigrações forçadas: culturas
sudanesas, bantas e guineano-sudanesas islamizadas (figura 24). Apresentavam diferentes
tradições, crenças e tecnologias, o que contribuiu para a formação cultural e econômica brasileira.

Os guineanos-sudaneses tinham basicamente a mesma origem dos sudaneses, mas eram convertidos ao islamismo.
Página 68

A escravidão

Assim como os indígenas, os negros africanos introduzidos no Brasil e na América em geral foram
submetidos a condições brutais de existência (figura 25). Arrancados de suas comunidades, de suas
famílias e de suas terras, atravessaram o Oceano Atlântico nos sujos porões dos navios negreiros
como cargas ou mercadorias de venda e compra.

Calcula-se que cerca de 10 milhões de negros africanos foram trazidos para a América entre 1502 e
1870, sem considerar os que morreram durante a viagem ou eram mortos durante a resistência ao
seu aprisionamento. Desse total, estima-se que mais de 3,5 milhões foram desembarcados no
Brasil.

Quem lê viaja mais


FRAGA, Walter; ALBUQUERQUE, Wlamyra R. de.
Uma história da cultura afro-brasileira. São Paulo: moderna, 2009.
A obra revela aspectos da história e da geografia africanas e trata das influências desse continente
sobre o Brasil.

3. Os brasileiros nos censos do IBGE


Por meio dos censos realizados pelo IBGE, entre outros aspectos, é possível conhecer a distribuição
da população brasileira segundo a cor da pele. As pessoas, quando perguntadas pelos
pesquisadores do IBGE que realizam o censo, são livres para autodeclarar sua cor de pele entre
cinco opções: branca, preta, parda, amarela e indígena (figura 26).

Esse tipo de informação continua sendo levantado em estudos estatísticos não por uma posição
racista ou preconceituosa por parte dos institutos de pesquisa, mas para avaliar a condição social
das famílias e pessoas segundo a cor, considerando que em nossa história as elites dirigentes, de
modo geral, não tiveram a preocupação e ações voltadas para melhorar as condições de vida de
grupos menos favorecidos socialmente, como indígenas e negros. Por isso, essas informações
podem dar apoio às políticas públicas que buscam reduzir, de maneira eficaz, as desigualdades
sociais no país.

Esclareça os alunos sobre o fato de o IBGE utilizar a expressão “preta” nos levantamentos censitários, mas neste livro
empregamos as expressões “negro”, “afrodescendente” e “afro-brasileiro”, as quais englobam pretos e pardos.
Página 69

4. Os afro-brasileiros no Brasil atual


As comunidades remanescentes de quilombos

São comunidades formadas por descendentes de negros africanos escravizados que fugiram das
fazendas de açúcar, de café, da atividade mineradora e de outras a partir do século XVII. Eles se
autodenominam quilombolas.

Essas comunidades persistiram e são encontradas em praticamente todos os estados brasileiros


(figura 27); durante muito tempo ficaram desconhecidas ou isoladas. Com a Constituição Brasileira
de 1988, que concedeu aos quilombolas o direito à propriedade de suas terras e à manutenção de
suas culturas, essas comunidades ganharam mais visibilidade na sociedade brasileira.

Até 2002, haviam sido identificadas 743 comunidades quilombolas no Brasil. Atualmente, devido
às iniciativas do governo federal e das comunidades quilombolas em busca do
autorreconhecimento, o número de comunidades identificadas supera 3.500.

No entanto, devido à demora no processo de reconhecimento oficial e titulação da maior parte


delas, há ainda muitos conflitos entre quilombolas, fazendeiros e posseiros.

Titulação
Garantia de posse legítima e definitiva da terra.

Posseiro
Ocupante de uma propriedade sobre a qual não tem nenhum direito nominal, destinando-a ao seu
sustento.

Auxilie os alunos na interpretação da legenda do mapa da figura 27, que representa círculos proporcionais.

Identifique as quatro unidades da federação com maior número de comunidades quilombolas e a


quantidade delas na unidade da federação em que você vive.

Maranhão, Bahia, Pará e Minas Gerais; resposta pessoal.


Página 70

Com o tema da Estação Cidadania, sugerimos articular o trabalho com o professor de História, que poderá contribuir
explicando o legado do passado escravista na sociedade brasileira, as dificuldades e avanços em relação ao preconceito e à
discriminação racial no Brasil, considerando, por exemplo, a criação da Lei Afonso Arinos (1951), os avanços da
Constituição da República Federativa do Brasil (1988) na punição do crime de racismo e as atuais políticas públicas
dedicadas à questão.

Desigualdades entre negros e não negros

Vários estudos comprovam que a população negra, em seu conjunto, possui as piores condições de
vida se comparadas às de outros grupos de pessoas.

A expressão mais dramática dessa desigualdade é a incidência da pobreza na população negra: no


Brasil, de cada dez pobres, seis são negros. Além disso, os negros recebem cerca de metade dos
rendimentos obtidos pelos não negros e apresentam as maiores taxas de desemprego.

No mercado de trabalho, ainda é alta a desigualdade entre negros e não negros, sobretudo em
relação às mulheres negras. Elas são as que mais sofrem com a discriminação: apresentam a menor
taxa de participação no mercado de trabalho, a menor taxa de ocupação, a maior taxa de
desemprego e o menor rendimento.

Navegar é preciso
Projeto Manejo dos Territórios Quilombolas
<www.quilombo.org.br>
Conheça o Projeto Manejo, os quilombolas de Oriximiná, o artesanato do quilombo e muito mais
por meio dos textos, fotos e mapas deste site.

Estação Cidadania - Desigualdade de rendimento segundo


a cor
Pluralidade Cultural
Trabalho e Consumo

“As desigualdades econômicas, aqui medidas pelo rendimento mensal familiar, também se
destacam quando se consideram as categorias de cor ou raça [etnia] da população brasileira.
Historicamente, pretos [afrodescendentes] e pardos apresentam indicadores sociais desfavoráveis
quando comparados à população de cor branca, fruto ainda da histórica exclusão social de amplos
segmentos de pretos e pardos, inserções diferenciadas no mercado de trabalho, distribuição
regional, acessos desiguais a uma série de bens e serviços, entre diversos outros fatores
estruturantes da sociedade brasileira nessa perspectiva.

[Uma] forma de avaliar a desigualdade por cor ou raça é destacar os extremos da distribuição de
rendimentos, em que, ao longo do tempo, prevalece o peso dos brancos no 1% com maiores
rendimentos (mais ricos) e de pretos ou pardos entre os mais pobres. Entre 2002 e 2012 houve
uma ligeira melhora na distribuição do rendimento familiar per capita [para cada indivíduo] para
aquelas pessoas com rendimento do trabalho, mantendo-se, no entanto, o quadro de desigualdade
pouco alterado […]: são 81,6% de brancos no 1% mais rico da população, contra apenas 16,2% de
pretos ou pardos. […]”

IBGE. Síntese de Indicadores Sociais: uma análise das condições de vida da população brasileira
2012. Rio de Janeiro: IBGE, 2013. p. 179.

O gráfico mostra o aumento da população afrodescendente e parda na condição de pobreza entre 2002 e 2012 e a
diminuição da população branca nessa condição; por outro lado, mostra o aumento da população afrodescendente e
parda no conjunto do 1% mais rico e a diminuição da população branca nessa categoria.

Interprete
1 Entre 2002 e 2012, houve modesta melhora na distribuição do rendimento familiar per capita do
1% mais rico da população afrodescendente e parda. Que melhora foi essa?

Argumente

2 Em sua opinião, como é possível elevar o rendimento da população pobre, seja ela
afrodescendente ou não, para reduzir as condições de pobreza no país?
Página 71

A desigualdade persiste na educação: a taxa de analfabetismo é maior na população negra, grupo


que também apresenta, em média, dois anos a menos de estudo. Isso significa que, quanto maior o
nível de ensino (da educação básica ao ensino superior), menor é a presença dos negros.

Os movimentos dos afro-brasileiros

Nos últimos anos, os movimentos de luta dos afrodescendentes por igualdade social e melhores
condições de vida vêm contribuindo para a superação de barreiras sociais e culturais, permitindo-
lhes destacar-se em várias atividades. Eles reforçam, com isso, que não é a cor da pele que
determina a capacidade das pessoas.

Logo após a abolição da escravidão em 1888, surgiram as primeiras organizações formadas por
afrodescendentes. Nas décadas de 1960 e 1970, os movimentos em busca de direitos civis para os
negros ganharam maior força no Brasil, sob influência dos movimentos negros dos Estados Unidos
e pela independência das colônias europeias na África. Utilizando-se, por exemplo, da música e da
dança como expressões contestatórias, explicitaram as injustiças a que são submetidos. O rap
(rhythm and poetry: ritmo e poesia), por exemplo, aborda o racismo, a violência policial, as
precárias condições de renda e outras temáticas sociais.

Ações afirmativas

Até recentemente não havia em nosso país uma política nacional articulada e contínua para a
promoção da igualdade das pessoas segundo a cor da pele, apesar de os movimentos negros no
Brasil denunciarem o racismo há décadas e proporem políticas para sua superação.

Em 21 de março de 2003, data em que é celebrado no mundo todo o Dia Internacional pela
Eliminação da Discriminação Racial, o governo federal criou a Secretaria de Políticas de Promoção
da Igualdade Racial (Seppir), que desenvolve inúmeras ações voltadas para a promoção da
igualdade e do combate à discriminação racial.

Um exemplo são as chamadas ações afirmativas, que correspondem ao tratamento preferencial


dado às pessoas de grupos desfavorecidos de uma sociedade. Isso pode ser feito por meio de cursos
de qualificação profissional, bolsas de estudo, cotas de ingresso nas universidades etc.

Apesar de ser um antigo desejo, não só da população afro-brasileira, mas também de mulheres e de
pessoas portadoras de necessidades especiais, apenas no dia 13 de maio de 2002 foi instituído por
decreto presidencial o Programa Nacional de Ações Afirmativas. Por meio dele, os afro-brasileiros,
entre outros grupos, passaram a ter, por exemplo, maior acesso ao ensino superior no Brasil (figura
28).

Navegar é preciso
Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial
<www.portaldaigualdade.gov.br>
Site governamental que disponibiliza o Estatuto da Igualdade Racial e informações sobre
quilombos no Brasil.

Quem lê viaja mais


AGOSTINI, João Carlos.
Brasileiro, sim senhor. 2. ed. São Paulo: moderna, 2004.
Livro abrangente, que aborda as concepções muitas vezes estereotipadas do brasileiro sobre a sua
gente.
Lembre os alunos de que a implementação de ações afirmativas é um assunto polêmico. Há, por exemplo, lideranças que
criticam o sistema de cotas aos negros nas universidades públicas por considerar que isso gera mais preconceito.
Página 72

Atividades dos percursos 7 e 8


Registre em seu caderno.

Revendo conteúdos

1 Qual é a importância do estudo da distribuição da população segundo os setores de


produção?

2 Explique o que é PEA e aponte quantos membros de sua família pertencem a esse
conjunto.

3 O que contribui para o aumento do número de famílias chefiadas por mulheres no


Brasil?

4 Comente as desigualdades existentes no mercado de trabalho brasileiro,


considerando a situação dos negros e das mulheres.

5 Explique o que são comunidades remanescentes de quilombos.

6 Por que a língua portuguesa falada no Brasil reflete a diversidade cultural que
acompanha a formação da população do país?

7 Explique o que é pirâmide etária e, com base na figura 20, na página 64, interprete
as mudanças nas populações jovem e idosa do Brasil entre os anos de 1980 e 2010.

8 Explique, com suas palavras, o que são ações afirmativas.

Leituras cartográficas

9 Observe o mapa e faça o que se pede.

a) Explique o que o mapa representa.

b) Existe(m) alguma(s) unidade(s) da federação em que o rendimento médio das mulheres é maior
que o dos homens?

c) Com base em sua resposta ao item b, que comentário pode ser feito, considerando o que você
estudou nas páginas anteriores?

Explore

10 Considera-se pessoa com deficiência aquela que tem impedimentos de longo


prazo, de natureza física, mental, intelectual ou sensorial, os quais, em interação
com diversas barreiras, podem dificultar ou impedir sua participação plena e efetiva
na sociedade em igualdade de condições com as demais pessoas. Observe o gráfico ao
lado e responda.
Página 73

a) Qual das deficiências selecionadas apresenta a menor participação de pessoas na PEA?

b) Qual apresenta a maior participação de pessoas do sexo feminino na PEA?

11 Leia o fragmento de texto a seguir e responda às questões.

“[…] Em 2010, 14% dos jovens de 18 a 24 anos cursavam o ensino superior.

Entretanto, a frequência de jovens brancos era 2,5 vezes maior (sic) se comparada com o acesso de
jovens negros a um curso universitário. Embora este seja o nível com maior disparidade entre
grupos raciais, foi o que experimentou maior redução da desigualdade racial, especialmente porque
desfrutava de patamares muito mais adversos (em 2000, a frequência líquida da população negra
neste nível correspondia a apenas um quinto da taxa da população branca [ou a população branca
correspondia a 5 vezes a taxa da população afro-brasileira]). […] Além disso, cabe destacar o papel
democratizador exercido pelas ações afirmativas para ingresso no ensino superior. […]”

SILVA, Tatiana Dias; GOES, Fernanda Lira (Orgs.). Igualdade racial no Brasil: reflexões no Ano
Internacional dos Afrodescendentes. Brasília: Ipea, 2013. p. 19.

a) O que ocorreu em 2010 em relação a 2000 quanto à frequência da população afro-brasileira no


ensino superior?

b) Por que a população afro-brasileira tem dificuldade em ingressar no ensino superior?

12 Em 7 de agosto de 2006, foi aprovada a Lei Federal no 11.340, a Lei Maria da Penha.
Ela foi criada para reprimir a violência contra a mulher. Observe o cartaz a seguir e
responda:

a) Há relação entre o cartaz e a Lei Maria da Penha? Explique sua resposta.

b) Em sua opinião, quais outras barreiras são enfrentadas pela mulher no lar e na sociedade?

13 Observe o cartum.

a) A que figura o cartunista vinculou o preconceito?

b) Como o autor define “pré-conceito”?

c) Qual é a mensagem do cartum em relação à diversidade cultural?

Pesquise

14 Em grupo, pesquise as ações do governo para combater o trabalho infantil.


Jornais, revistas e páginas públicas na internet são excelentes fontes de informação.
Procure saber quando e onde ocorreram as ações e que resultados tiveram. Feita a
coleta de informações, redija um texto sobre as ações do governo e exponha a
opinião do grupo quanto aos resultados obtidos.
Página 74

UNIDADE 3 - Brasil: da sociedade agrária


para a urbano-industrial
Nesta Unidade, estudaremos como ocorreram transformações importantes no Brasil que
permitiram a passagem da economia e sociedade agrária para a urbano-industrial. Veremos a
urbanização do Brasil, sem nos esquecermos dos problemas sociais e ambientais. Merecerão nossa
atenção o processo de industrialização e a distribuição espacial da indústria no território. Por fim,
estudaremos o espaço agrário do Brasil, suas transformações recentes e alguns problemas.
Página 75

PERCURSOS
9 A urbanização brasileira
10 Rede, hierarquia e problemas urbanos
11 A industrialização brasileira
12 O espaço agrário e a questão da terra

Verifique sua bagagem

1. O que você sabe sobre movimentos sociais no campo e nas cidades do Brasil?

1. Espera-se que os alunos discutam sobre as principais reivindicações de movimentos sociais no campo e na cidade, com
exemplos próximos ou distantes de sua realidade. Comente sobre os protestos que ocorreram em diferentes cidades do
país em junho de 2013, chamando a atenção para o fato de que o crescimento das cidades nem sempre foi acompanhado
pela oferta de serviços públicos de qualidade (como transporte, saúde, educação e segurança).

2. No Brasil, há mais pessoas morando em áreas urbanas ou em áreas rurais?

2. Segundo o Censo Demográfico 2010 (IBGE), naquele ano o Brasil possuía 84,35% de população urbana (160.879.708
habitantes) e 15,65% de população rural (29.852.986 habitantes).
Página 76

PERCURSO 9 - A urbanização brasileira

1. O que é urbanização?
Existe outra acepção do termo “urbanização”. Arquitetos e urbanistas o associam à implantação de equipamentos e
benfeitorias urbanas, como construir escolas, pavimentar ruas e implantar rede de esgoto, programas de urbanização de
favelas, entre outras ações. Em Geografia, as duas acepções são utilizadas, a depender do contexto de estudo.

Dizemos que uma sociedade está se urbanizando quando o crescimento da população urbana é
maior do que o da população rural.

A urbanização, portanto, corresponde ao processo demográfico caracterizado pela concentração da


população nas cidades e não deve ser confundida com o aumento da área das cidades
(crescimento urbano).

2. Brasil: taxas de urbanização regionais e estaduais


As taxas de urbanização são diferentes em cada espaço geográfico, como nas Grandes Regiões do
Brasil ou nas unidades da federação (tabela 1 e figura 1).

Tabela 1. Brasil: população urbana e rural, por Grandes Regiões – 2012


Grandes Regiões População urbana (%) População rural (%)
BRASIL 84,8 15,2
Norte 75,3 24,7
Nordeste 73,4 26,6
Sudeste 93,2 6,8
Sul 85,2 14,8
Centro-Oeste 90,1 9,9

Qual é a taxa de população urbana na região onde você mora?

Resposta pessoal.

Quais unidades da federação possuem maiores e menor taxas de população urbana? Quais são
esses percentuais? Aponte, também, a taxa de população urbana da unidade da federação onde
você vive.

As unidades da federação com maiores taxas de população urbana, com mais de 90,0% da população total, são: Rio de
Janeiro, São Paulo, Goiás e Distrito Federal. A com menor taxa de população urbana, com menos de 60% da população
total, é o Maranhão. Depende de onde o aluno vive.
Página 77

3. Brasil: urbanização tardia, mas acelerada


A urbanização é um acontecimento mundial. Entretanto, ela não ocorre em todos os países na
mesma época nem com a mesma velocidade. Aqueles que iniciaram a industrialização nos séculos
XVIII e XIX se urbanizaram antes dos que se industrializaram posteriormente, como o Brasil.

A tabela 2 mostra que em 1951, no Reino Unido, primeiro país a realizar a Revolução Industrial,
80% da população vivia em cidades, e no Brasil, país de industrialização tardia, apenas 36% vivia
em cidades em 1950.

Tabela 2. Países selecionados: população urbana e rural – meados do século XX


País População urbana (%) População rural (%)
Reino Unido (1951) 80 20
Dinamarca (1947) 62 38
Canadá (1951) 52 48
Suécia (1950) 52 48
Brasil (1950) 36 64
Com base no critério de distribuição da população economicamente ativa (PEA) por setores de produção, também se
pode explicar aos alunos que até, aproximadamente, 1960, o Brasil era um país agrário. Compare os dados da figura 14 do
Percurso 7, na página 61, relativos a 1960 e 2013.

Somente a partir das décadas de 1950 e 1960, a população urbana cresceu de forma acelerada no
Brasil. Isso ocorreu, principalmente, em virtude da maior industrialização da Região Sudeste e do
êxodo rural. Conforme estudamos no Percurso 6, esse processo adquiriu grande impulso a partir
de 1970, quando a população urbana (56%) ultrapassou a rural (44%) no país (reveja a figura 11, no
Percurso 6, na página 55). Nas décadas seguintes, o Brasil continuou a se urbanizar muito
rapidamente (figura 2).

Qual é a relação entre as mudanças no espaço urbano da cidade de São Paulo, mostradas nas fotos,
e a industrialização?

A industrialização da cidade e de seu entorno atraiu populações que se deslocaram em busca de empregos, acelerando o
processo de urbanização.

Pausa para o cinema


Paisagens brasileiras.
Direção: Vários. TV Escola/MEC. Brasil, 1997.
Série de 13 programas que revela paisagens brasileiras por intermédio de crianças de diferentes
cidades, mostrando o seu cotidiano e os locais onde vivem.
Página 78

4. Causas da urbanização no Brasil


Vários foram os motivos que levaram à urbanização brasileira. Veja a seguir os principais.

A industrialização

A industrialização do Brasil e principalmente da Região Sudeste, a partir da década de 1950, é uma


das causas da urbanização, considerando que a indústria, por ser uma atividade econômica
predominantemente urbana, atrai populações das zonas rurais que estão em busca de emprego.

Problemas no campo

Os baixos salários, a precária assistência médica e hospitalar e as dificuldades do trabalhador rural


em tornar-se proprietário de terra para cultivar, além de fatores naturais como as secas, foram e
ainda são algumas das principais causas da migração campo-cidade.

Neste momento, pode-se explicar aos alunos que o termo “município” abrange tanto a zona rural como a zona urbana.
Esclareça que o termo “cidade” está vinculado à zona urbana e o termo “campo” está relacionado à zona rural. Busque
ilustrar com exemplos de sua região ou unidade da federação.

Criação do Estatuto do Trabalhador Rural (ETR)

Em 1963, foi criado o Estatuto do Trabalhador Rural (ETR), no governo do presidente João
Goulart (1961-1964). Essa legislação regulamentou as relações de trabalho no campo. Assim, o
trabalhador rural passou a ter jornada de oito horas, salário mínimo, férias remuneradas, repouso
semanal remunerado, décimo terceiro salário e aviso prévio no caso de demissão. Até aquela data,
só o trabalhador urbano possuía uma legislação trabalhista.

Além do ETR, foi criado o Fundo de Assistência ao Trabalhador Rural (Funrural), que
proporcionou ao trabalhador rural a assistência previdenciária (assistência médico-hospitalar,
aposentadoria etc.).

Com a nova legislação, muitos proprietários rurais dispensaram seus trabalhadores com o
argumento de que não teriam condições financeiras para arcar com os encargos sociais. Como
grande parte desses trabalhadores que ficaram desempregados morava nas propriedades rurais
onde trabalhavam, houve grandes migrações do campo em direção às cidades.

Expulsos do campo, muitos deles passaram a viver precariamente nas periferias das cidades e se
transformaram em trabalhadores rurais temporários ou boias-frias (figura 3). A contratação de
mão de obra por tempo determinado se tornou um artifício dos proprietários de terras para evitar
os custos impostos por essa legislação.

Se, por um lado, o ETR passou a proteger o trabalhador rural, por outro, favoreceu o intenso êxodo
rural, contribuindo assim para a urbanização do Brasil na segunda metade do século XX.

Encargos sociais
Conjunto de obrigações trabalhistas que devem ser pagas pelo empregador, como décimo terceiro
salário, férias e depósitos para o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).
Navegar é preciso
IBGE – Cidades@
<cidades.ibge.gov.br>
Nesse link é possível acessar informações de cada município brasileiro, como pirâmides etárias,
número de nascimentos, óbitos e a importância de cada setor da economia no município.

IBGE Teen – mapas


<teen.ibge.gov.br/mapasteen>
Página que contém mapas sobre diversos temas, como densidade demográfica e taxa de
urbanização.
Página 79

Você já viu cena semelhante a essa da foto? O que você pensa sobre esse tipo de trabalho?

Resposta pessoal. Trata-se de um trabalho penoso, que exige grande esforço físico, além de ser mal remunerado. Essas
condições de trabalho no corte de cana, na colheita de laranja e em outras atividades ainda existem nos dias atuais.

A expansão dos serviços urbanos e o aumento de empregos

Com o crescimento da população urbana, há necessidade de maior número de escolas, professores,


hospitais, médicos e de ampliação das redes de água e esgoto, coleta de lixo, transporte urbano e
comércio. O crescimento dos serviços urbanos amplia o mercado de trabalho e, consequentemente,
atrai populações rurais que estão em busca de emprego, contribuindo, também, para a
urbanização.

A atração exercida pelas cidades sobre a população rural

A introdução da televisão no Brasil, no início dos anos de 1950, mostrando o modo de vida urbano,
principalmente das grandes cidades, em filmes, telenovelas, documentários, telejornais etc.,
despertou entre os jovens do campo o desejo de conhecer e viver a vida retratada nas telas. Essa
situação continuou ao longo dos anos, também contribuindo para a urbanização brasileira.

5. O processo de urbanização
Atualmente, a maioria da população brasileira é urbana. Porém, durante grande parte da história, a
urbanização foi modesta em função da economia brasileira ser basicamente agrária.

Período Colonial (1500-1822)

O processo de urbanização se iniciou em alguns lugares do litoral (Recife, Salvador, Rio de Janeiro
e outros). No século XVIII, a mineração de metais e pedras preciosas impulsionou a urbanização
em Minas Gerais (onde atualmente se encontram as cidades de Ouro Preto, Mariana, Congonhas e
Sabará) e também em Goiás (antiga Vila Boa). Na Bacia Amazônica e no Golfão Maranhense, a
extração das “drogas do sertão” promoveu assentamentos urbanos, com a instalação de missões
religiosas, pequenas vilas e fortificações portuguesas nas planícies do Rio Amazonas e seus
afluentes.

Golfão Maranhense
Ampla reentrância da costa no estado do Maranhão formada de terras baixas onde se localizam a
Ilha de São Luís e os estuários dos rios Pindaré e Mearim.

Quem lê viaja mais


SOUZA, Avanete Pereira.
Salvador, capital da colônia. 6. ed. São Paulo: Atual, 2009.
O texto, ilustrado com plantas de diferentes períodos, mostra a vida na cidade de Salvador na época
em que se tornou a capital da colônia.

MATTOS, Ilmar R. de; ALBUQUERQUE, Luis A. S. de; MATTOS, Selma Rinaldi de.
O Rio de Janeiro, capital do reino. 12. ed. São Paulo: Atual, 2009.
Os autores discorrem sobre a cidade do Rio de Janeiro na condição de capital do reino.
Página 80

Período Imperial (1822-1889)

Remeta os alunos à Unidade 6, página 192, para ver o conceito de “cuesta” e à figura 21, nessa mesma página, que mostra
sua abrangência no estado de São Paulo.

Devido à expansão da cafeicultura, principal atividade econômica desse período, a urbanização


ocorreu no Vale do Paraíba Fluminense e avançou pelo Planalto Paulista, seguindo o traçado das
ferrovias que abriam terras e escoavam o café para o porto de Santos, no estado de São Paulo
(figura 4). A urbanização também teve importância no interior da antiga província de Mato Grosso,
ao longo da Bacia do Rio Paraguai. Na Região Amazônica, o desenvolvimento da economia da
borracha estimulou a urbanização na segunda metade do século XIX (figura 5).

Brasil República (de 1889 aos dias atuais)

No final do século XIX, após a Proclamação da República (1889), a urbanização ainda estava em
fase inicial. Menos de 10% da população brasileira vivia em cidades.

Na primeira metade do século XX, com a instalação de indústrias no Sudeste, principalmente em


São Paulo e no Rio de Janeiro, houve um surto de urbanização. Mas, como vimos, foi somente a
partir das décadas de 1950 e 1960 que a população urbana cresceu de forma acelerada.

No seu contexto

Você sabe se a fundação do município onde você vive data do Período Colonial, Imperial ou do
Brasil República?

Depende do município. Trata-se de uma questão que leva o aluno a situar a sua localidade na história do país. É também
uma oportunidade para levá-lo a compreender a origem do município e perceber se sua estruturação urbana é mais ou
menos recente, como também o processo de criação do espaço geográfico pelas gerações que se sucederam no tempo.
Página 81

Estação História - Cidades brasileiras e Patrimônios da


Humanidade
Pluralidade Cultural
Com o professor de História, sugerimos trabalhar a Educação Patrimonial, dando a oportunidade de os alunos
conhecerem quais são os patrimônios mundiais da humanidade no Brasil e a história do patrimônio material no contexto
da cidade onde residem. O intuito é despertar o sentimento de pertencimento e, consequentemente, o de valorização
patrimonial local. Materiais sobre Educação Patrimonial e atividades didático-pedagógicas podem ser consultados na
página do Iphan: <http://portal.iphan.gov.br/portal/montarPaginaSecao.do?id=15481&retorno=paginaIphan>.

No Brasil, dos bens nacionais que são reconhecidos pela Unesco (Organização das Nações Unidas
para a Educação, a Ciência e a Cultura) como bens de todos os povos ou Patrimônio Mundial da
Humanidade, alguns são cidades ou nelas se encontram situados. Mas, afinal, por que são assim
considerados?

“[...] De acordo com Jurema Machado [Coordenadora de Cultura da Unesco à época] o que torna
um centro histórico patrimônio da humanidade é seu valor universal excepcional do ponto de vista
histórico, estético, etnológico ou antropológico. Ela explica que o Comitê do Patrimônio Mundial
estabeleceu uma série de critérios, dos quais ao menos um deve ser atendido para que um sítio
histórico seja incluído na lista:

1. representar uma obra-prima do gênio criativo humano;

2. testemunhar um intercâmbio considerável de valores humanos, durante um determinado tempo


ou em uma determinada área cultural, quanto ao desenvolvimento da arquitetura ou tecnologia,
das artes monumentais, do planejamento urbano ou do paisagismo;

3. aportar um testemunho único ou ao menos excepcional, de uma tradição cultural ou de uma


civilização viva ou que tenha desaparecido;

4. apresentar um exemplo eminente de um tipo de edifício ou conjunto arquitetônico, tecnológico


ou de paisagem, que ilustre um período ou períodos significativos da história humana;

5. ser um exemplo eminente de um estabelecimento humano tradicional da terra ou do mar, que


seja representativo de uma cultura (ou várias), ou da interação humana com o meio ambiente,
especialmente quando este se torna vulnerável sob o impacto de uma mudança irreversível;

6. estar direta ou tangivelmente associado a eventos ou tradições vivas, ideias, crenças, ou obras
artísticas e literárias de significado universal excepcional (o Comitê considera que este critério deve
preferencialmente ser utilizado em conjunto com os outros) [...].”

MENEZES, Suelen. Cidades brasileiras e Patrimônios da Humanidade. Disponível em:


<www.ipea.gov.br/desafios/index.php?option=com_content&view=article&id=2320:catid=28&Ite
mid=23>. Acesso em: 26 nov. 2014.

Interprete

1 Explique o que você entende por Patrimônio Mundial da Humanidade. Você já visitou algum?

Argumente

2 Dos critérios estabelecidos pela Unesco para que um sítio histórico seja considerado Patrimônio
Mundial da Humanidade, qual deles chamou mais sua atenção? Por quê?
O site da representação da Unesco no Brasil é uma fonte rica de informação e apresenta a lista completa do Patrimônio
Mundial no Brasil: <www.unesco.org/new/pt/brasilia/culture/world-heritage>. Comente com os alunos que, em muitos
casos, a razão de uma cidade ser eleita patrimônio pode estar relacionada a mais de um critério. Será uma oportunidade
para a comparação dos aspectos temporais e espaciais entre as cidades e as unidades da federação.
Página 82

PERCURSO 10 - Rede, hierarquia e problemas


urbanos

1. A rede urbana
A cidade assumiu, no decorrer da história, uma importância muito grande para as sociedades.
Tornou-se o centro da produção material, da prestação de serviços e das decisões políticas e
econômicas, a sede dos movimentos culturais e o local de produção de valores sociais e de
mobilização de massas.

As áreas urbanas aumentaram sua influência sobre o campo. Assim, a cidade passou a ser o centro
de uma região, o local onde o agricultor e o pecuarista realizam suas compras, depositam dinheiro
e procuram financiamentos em bancos, além de terem acesso a lazer e a escolas para os filhos,
assistência médica e odontológica.

Distribuídas no espaço, as cidades formam uma rede urbana — conjunto de cidades que mantêm
entre si relações comerciais, financeiras, industriais, culturais, políticas, geralmente sob o comando
de uma cidade que apresenta o mais desenvolvido e diversificado setor de prestação de serviços.

2. As categorias e funções urbanas


Quando estudamos a rede urbana, podemos reconhecer cidades:

• de diferentes categorias dimensionais, isto é, de diferentes tamanhos quanto ao número de


habitantes;

• que possuem funções urbanas definidas, ou seja, em que uma atividade urbana — portuária
(figura 6), industrial, religiosa, político-administrativa, turística etc. — se destaca sobre as demais,
ou, ainda, que possuem múltiplas funções (São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Manaus, Porto
Alegre etc.);

• que se diferenciaram de outras pelo desenvolvimento do setor terciário, ou seja, que possuem
uma rede de serviços diversificada e complexa (especialidades médicas e de engenharia, institutos
de pesquisas, teatros, universidades etc.). Essas cidades exercem influência sobre outras, sobre
espaços rurais e, ainda, sobre uma região. No caso de grandes cidades de países desenvolvidos,
como Nova York, sua influência é mundial.
Página 83

3. A hierarquia urbana
De acordo com a atração e a influência exercidas pelas cidades que compõem a rede urbana, é
possível estabelecer uma hierarquia entre elas, como a identificada pelo IBGE (figura 7).
Hierarquia urbana corresponde à ordem e à subordinação de cidades em relação às outras.

Vamos esclarecer esse conceito: à medida que uma cidade se desenvolve e amplia a oferta de
serviços para atender às necessidades da população, crescem sua importância e sua influência
sobre o espaço geográfico regional, nacional e até mundial.

Analisando a rede urbana do Brasil, nota-se que as cidades pequenas (com menos de 50 mil
habitantes, segundo o IBGE) possuem bens e serviços de consumo muito frequente, ou seja, que
suprem necessidades do cotidiano (mercados, lojas, escolas, postos de saúde etc.); as cidades
médias (entre 50 e 300 mil habitantes) possuem bens e serviços de consumo menos frequente
(especialidades médicas, ensino superior, teatros etc.); e as cidades grandes (mais de 300 mil
habitantes) possuem bens e serviços diversificados e raros. Por exemplo: se uma pessoa necessitar
de um médico ortopedista especializado em joelho, em uma cidade pequena dificilmente será
encontrado tal profissional, pois nela não existe demanda suficiente. Já em cidades médias e
grandes, ele poderá ser encontrado.

As cidades não assinaladas no mapa da figura 7 são aquelas cuja influência urbana se limita às
zonas rurais do próprio município ou próximas a ele.

As principais redes urbanas surgem nas regiões Sul e Sudeste, onde são mais densas. Nos outros
estados, a influência sobre o espaço geográfico é exercida predominantemente pelas capitais.

Demanda
Busca por produto ou serviço no mercado em determinado momento.

Aponte a que categoria da hierarquia dos centros urbanos pertence a capital da unidade da
federação onde você vive.

Depende da unidade da federação.


Página 84

4. A conurbação
Vamos imaginar um conjunto de cidades situadas umas próximas às outras.

Com o aumento populacional dessas cidades, ocasionado por fatores como as migrações e o
crescimento natural, multiplica-se a necessidade de novas habitações, o que leva ao loteamento das
chácaras, dos sítios e das fazendas em seu entorno. Assim, o espaço entre as diversas cidades é
ocupado pela construção de habitações, indústrias, supermercados, lojas, escolas, ruas, avenidas
etc.

A unificação da área urbana de duas ou mais cidades, em consequência de seu crescimento


horizontal, recebe o nome de conurbação (conubium, do latim, quer dizer “casamento”). Veja a
figura 8.

5. As Regiões Metropolitanas
No Brasil, a conurbação tem ocorrido, principalmente, entre as capitais de estados e suas cidades
vizinhas. Esse fato levou os governos estaduais a criarem as Regiões Metropolitanas (figura 9), ou
seja, regiões constituídas por agrupamentos de municípios limítrofes, com o objetivo de integrar as
administrações municipais e possibilitar a implantação de políticas públicas de interesse comum
(construção de ruas e vias expressas, integração do transporte coletivo etc.).

A Região Metropolitana de São Paulo, por exemplo, chamada também de Grande São Paulo, tinha
uma população próxima a 21 milhões de habitantes em 2014, segundo o IBGE (20.935.204
habitantes), o que correspondia a mais de 10% da população total do Brasil. Trata-se da maior
aglomeração do país e uma das maiores do mundo (figura 10).

Navegar é preciso
Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento
<www.snis.gov.br>
Explore os mapas temáticos de água e esgoto e de resíduos sólidos urbanos para comparar a
prestação de serviços entre os municípios das regiões brasileiras.

Viva Favela
<www.vivafavela.com.br>
O site apresenta aspectos do cotidiano nas favelas com matérias, imagens, vídeos e áudios
elaborados por jornalistas e correspondentes comunitários.
Página 85

Em quais municípios da Região Metropolitana de São Paulo há maior concentração populacional?

São Paulo, Diadema, São Caetano do Sul, Mauá, Ferraz de Vasconcelos, Poá, Osasco, Carapicuíba, Jandira e Taboão da
Serra.

No seu contexto

A unidade da federação onde você vive possui Região Metropolitana?

Depende da unidade da federação. Além do objetivo de consolidar a compreensão do que é Região Metropolitana, abre-se
a possibilidade de explorar a rede urbana e a hierarquia urbana da unidade da federação, levando o aluno a compreender
melhor a disponibilização de bens e serviços de consumo muito frequente, menos frequente e diversificado e raro, que
são os fatores que determinam a atração e a influência exercidas pela cidade. Devem-se utilizar recursos do cotidiano do
aluno, como lojas, escolas, especialidades médicas, equipamentos culturais etc.

Quem lê viaja mais


SALVADORI, Maria Angela Borges.
Cidade em tempos modernos. 7. ed. são Paulo: Atual, 2010.
A obra analisa as expectativas de modernização urbana em São Paulo e no Rio de Janeiro pelas
alterações nas paisagens urbanas: arranha-céus, grandes avenidas, cinemas, estádios, antenas de
rádio etc.
Página 86

6. A megalópole em formação
O termo “megalópole” vem do grego mega (grande) e polis (cidade) e refere-se à grande cidade.

Megalópole é uma aglomeração urbana, formada por cidades de diversos tamanhos, nas quais se
incluem metrópoles, cujos limites se confundem por causa da ocorrência de conurbação.

A existência das megalópoles é comum em países como Estados Unidos, Japão, Alemanha e outros.
No Brasil, encontra-se em formação uma megalópole que abrange o Vale do Paraíba, a Grande São
Paulo e a Grande Rio de Janeiro, ao longo do eixo da Rodovia Presidente Dutra (figuras 11 e 12).

Pausa para o cinema


Cidades: da aldeia à megalópole.
Direção: Nancy Lebrun. São Paulo: Vídeos Abril, 1994.
Duração: 50 min.
Documentário que mostra a evolução das aglomerações urbanas e discute os problemas da
urbanização.
Página 87

7. Movimentos sociais urbanos


Os chamados movimentos sociais urbanos, ou seja, as mobilizações organizadas de pessoas para
defender determinadas ideias, direitos coletivos ou da comunidade, vêm crescendo no Brasil, a
exemplo de outros países. Não se limitam a movimentos de despossuídos ou excluídos socialmente,
pois a melhoria das condições de vida interessa também àqueles com maior rendimento.

Os movimentos sociais urbanos envolvem várias causas: os ecológicos, por uma melhor qualidade
ambiental; aqueles contra a violência urbana; os que se dedicam à assistência a crianças e a
adolescentes em situação de risco; os que reivindicam ensino público de qualidade; os dos
aposentados, contra a perda do valor real da aposentadoria; os das associações de moradores de
bairro, exigindo serviços públicos de saneamento básico; os das associações de moradores de
favelas, que lutam pela urbanização e regulamentação de seus locais de moradia; os dos sem-teto,
pelo direito à habitação ou moradia (figura 13), entre outros. Somam-se a esses os movimentos
sociais ocorridos em junho de 2013, em várias cidades do país, contra o aumento das tarifas e a
favor da qualidade dos transportes urbanos. Em seguida, esses movimentos passaram a exigir dos
poderes governamentais melhorias na saúde e na educação públicas, o fim da corrupção, além de
outras reivindicações (figura 14).
Página 88

INFOGRÁFICO

Problemas urbanos no Brasil

Desde a década de 1950, a sociedade brasileira tem vivido profundas transformações sociais,
decorrentes da industrialização e da urbanização. Apesar dos benefícios da vida urbana, há
também muitos problemas que afetam a população das cidades, onde, em 2010, viviam cerca de
161 milhões de brasileiros. Veja alguns desses problemas.
Página 89

Interprete

1 Relacione as condições precárias de moradia com a segregação socioespacial.

1. De modo geral, as áreas urbanas com melhor infraestrutura (abastecimento de água, rede coletora de esgoto,
transportes, energia elétrica, coleta de lixo, asfalto etc.) são mais valorizadas economicamente. Isso faz com que o acesso
a elas seja restrito à população de alta renda. Consequentemente, a população mais pobre é forçada a se dirigir para as
periferias ou até a realizar ocupações irregulares, onde, de modo geral, as condições de moradia são precárias.

Argumente

2 Escolha um problema urbano de uma cidade que você conheça e discuta com os seus colegas
como ele poderia ser resolvido.

2. Resposta pessoal. Uma vez apontado o problema, verificar se é de responsabilidade do poder municipal, estadual ou
federal e como é possível solucioná-lo. É importante que o aluno pense em alternativas sustentáveis e que priorizem a
redução das desigualdades socioeconômicas.
Página 90

Atividades dos percursos9 e 10


Registre em seu caderno.

Revendo conteúdos

1 Explique o que é urbanização.

2 Diferencie urbanização de crescimento urbano.

3 Por que o Brasil é considerado um país de industrialização e urbanização tardias?

4 A partir de qual período a urbanização no

Brasil se tornou acelerada? Cite as duas principais causas.

5 Explique o que são rede e hierarquia urbanas.

6 De que forma o aumento da população urbana causa a expansão do setor de


serviços nas cidades e este atrai populações rurais?

7 Após conceituar conurbação e Região Metropolitana, verifique, justificando, se o


município em que você vive se enquadra nesses conceitos.

Leituras cartográficas

8 Observe o mapa e responda ao que se pede.

a) Quais foram as motivações econômicas do primeiro período de expansão urbana brasileira


apontado no mapa?

b) Qual é a relação entre a economia cafeeira e o terceiro período de expansão urbana representado
no mapa?

Explore

9 Observe o gráfico e responda às questões.

a) Em relação à sua população total, qual é a Grande Região do Brasil com o menor percentual de
população rural?

b) Não considerando a Região Sudeste, qual é a Grande Região que apresenta a maior taxa de
população urbana?
Página 91

10 Com base nos seus conhecimentos, interprete a foto a seguir e elabore um


comentário sobre ela.

11 Observe as imagens a seguir.

• Identifique os problemas que podem ser observados e explique por que eles são tipicamente
urbanos. Cite maneiras para solucioná-los ou minimizar suas ocorrências.

12 Leia o fragmento de texto a seguir e responda.

“[…] Um dos maiores desafios das metrópoles, principalmente de países em desenvolvimento, é a


mobilidade urbana. O crescimento repentino da população nesses locais por muitas vezes dificulta
a construção de novas vias para o deslocamento, acarretando em trânsitos pesados e,
consequentemente, prejuízos econômicos e queda na qualidade de vida. […]”

a) O que você entende por mobilidade urbana?

b) Em sua opinião, o que deve ser feito para aliviar os enormes congestionamentos que acarretam
problemas para a população dos grandes centros urbanos?

Investigue seu lugar

13 Em grupo, pesquise os problemas do bairro ou da cidade onde você mora. Faça


uma lista com os problemas urbanos apresentados no infográfico das páginas 88 e
89, mostre-a a alguns moradores e peça que apontem os três mais graves. Depois
faça uma classificação dos problemas e escreva um pequeno texto explicando
quantas pessoas foram entrevistadas e quais foram os resultados. Apresente-o em
sala de aula.

14 Pesquise o grau de atração ou de influência da cidade onde você mora e das


cidades vizinhas considerando as necessidades de sua família: trabalho, educação,
saúde, vestuário, compras e lazer. Procure responder se essas necessidades são
encontradas na cidade em que você mora, em cidades vizinhas ou distantes,
classificando-as em metrópole nacional, metrópole, capital regional ou centro sub-
regional. Apresente os resultados em sala de aula.
Página 92

PERCURSO 11 - A industrialização brasileira

1. Histórico
Até o início do século XX, o Brasil ainda não havia se industrializado. Em 1889, de cada mil
brasileiros, somente quatro trabalhavam em indústrias, dedicando-se principalmente à produção
de bens de consumo não duráveis, como tecidos, calçados e alimentos. Foi somente a partir da
década de 1930 que o Brasil intensificou a industrialização. Por essa razão foi chamado de “país de
industrialização tardia”, quando comparado à Inglaterra, à França ou aos Estados Unidos.

Acompanhe a seguir a evolução industrial brasileira desde 1900.


Página 93

Década de 1950

A população urbana cresce e a indústria se diversifica, atuando em setores como naval, químico,
farmacêutico, automobilístico e de eletrodomésticos, com grande crescimento da participação de
empresas transnacionais.

Década de 1960

Depois de duas décadas de forte crescimento, a economia brasileira começou a desacelerar,


enquanto os problemas políticos aumentavam.

Década de 1970

Os investimentos estatais mantiveram o crescimento industrial privilegiando grandes empresas.


Entre 1967 e 1973, esse crescimento ficou conhecido como “milagre econômico”.

Década de 1980

Dificuldades de obter novos equipamentos e crédito do governo (instável econômica e


politicamente) marcaram o período, conhecido como a “década perdida” para a economia do
Brasil.

Década de 1990

Com a economia mais estável, alguns segmentos industriais voltaram a crescer. Outros, porém,
tiveram dificuldades para superar a concorrência dos produtos importados após a abertura do
mercado, em 1990.

2000

O setor de comércio e serviços representava 66,7 % do PIB brasileiro.

1949

83 mil

1959

111 mil

1970

165 mil

1980

214 mil

1985

207 mil

1950 1960 1970 1980 1990 2000

25,6%

32,5%
34,3%

30,0%

27,7%

29,8%

1900 1910 1920 1930 1940

11,6%

13,1%

15,7%

14,8%

18,7%

Governo Juscelino Kubitschek

Visando modernizar a indústria, o governo estabelece o Plano de Metas com especial atenção às
áreas de energia, transportes e às indústrias de base (químicas, siderúrgicas, elétricas etc.).

Governo militar

Foram feitos investimentos públicos nos setores de energia, transportes e comunicação. Porém, os
esforços em manter o crescimento econômico nacional acentuaram o endividamento do país.

Indústria no século XXI

O setor industrial depende cada vez mais do desenvolvimento tecnológico para melhorar seu
desempenho. O Brasil conta com instituições de ensino e pesquisa, nas quais se buscam novos
conhecimentos científicos que dão suporte à produção industrial. É o caso do Instituto Nacional de
Pesquisas Espaciais (Inpe) e da Empresa Brasileira de Agropecuária (Embrapa). Apesar de os
investimentos em ciência e tecnologia serem crescentes, ainda não têm sido suficientes para tornar
o Brasil independente tecnologicamente. Em 2012, o PIB industrial correspondeu a 26,3 do total.

Interprete

1 Observe o infográfico e identifique três fases da evolução industrial brasileira até 2000. Explique
sua escolha.

1. 1900-1930: a indústria com baixa participação na economia do país (entre 11,6% e 15,7% do PIB). Nessa época, a
exportação de café era a principal atividade econômica; 1930-1980: período de crescimento, com forte atuação do Estado
no processo de industrialização; 1980-2000: queda relativa da participação industrial na economia do país, explicada
pela instabilidade econômica do período, pela acirrada concorrência a que foi submetida a indústria nacional diante de
produtos importados e por sua baixa competitividade tecnológica.

Argumente

2 Você acha importante a atividade industrial? Por quê?

2. Além de fornecer produtos que utilizamos no dia a dia, a atividade industrial é uma fonte importante de emprego e
estimula outras atividades econômicas, como a agricultura, a pecuária, o transporte, a comunicação e o setor de serviços,
no qual se inclui a pesquisa científica e tecnológica.
Página 94

2. Concentração e relativa desconcentração industrial


Desde o início, a industrialização do Brasil concentrou-se na Região Sudeste, principalmente nas
Regiões Metropolitanas do Rio de Janeiro e de São Paulo. Na metrópole paulista essa concentração
ocorreu no chamado “ABCD”, que reúne os municípios de Santo André, São Bernardo do Campo,
São Caetano do Sul e Diadema. A Via Anchieta, que liga esses municípios ao porto de Santos, a
disponibilidade de energia elétrica e a proximidade do mercado consumidor foram fatores
determinantes dessa localização industrial.

A partir da década de 1950, intensificou-se a implantação de indústrias ao longo de quatro


principais eixos rodoviários paulistas: a Rodovia Presidente Dutra, a Rodovia Presidente Castelo
Branco, o Sistema Anchieta-Imigrantes e o Sistema Bandeirantes-Anhanguera-Washington Luís
(figura 15).

A instalação de indústrias nesses eixos rodoviários mostra a desconcentração industrial em relação


à Região Metropolitana de São Paulo. Entretanto, esse processo vem ocorrendo também em âmbito
nacional.

Assim, há um declínio relativo na atividade industrial do estado de São Paulo e da Região Sudeste.
Em outras palavras, a industrialização do estado de São Paulo e da Região Sudeste está crescendo
num ritmo mais lento do que o de outros estados e regiões do Brasil.

Localize no mapa as cidades de São Paulo e de Marília e calcule a distância em linha reta e em
quilômetros entre elas.

350 km, aproximadamente.


A atividade com escala é uma forma de recordar o estudo realizado no livro do 6º ano. Sugerimos que, quando possível,
solicite aos alunos atividades que abordem esse tema.
Para fins didáticos, vamos utilizar como sinônimos as expressões desconcentração industrial e descentralização
industrial. Para alguns estudiosos, descentralização industrial representa a mudança física (parcial ou total) de unidades
industriais de uma área territorial para outra (por exemplo, do estado de São Paulo para outros estados) e, diversamente,
desconcentração industrial designa alterações na distribuição espacial absoluta ou relativa de variáveis como número de
estabelecimentos, pessoal ocupado, valor da produção e valor da transformação industrial (VTI).

Pausa para o cinema


Mauá, o imperador e o rei.
Direção: Sérgio Rezende.
Brasil: Lagoa Cultura e Esportiva Ltda., 1999.
Duração: 50 min.
O filme relata a iniciativa do empresário Irineu Evangelista de Souza que, no século XIX, fundou
várias empresas no Brasil. Defensor da industrialização, enfrentou muitos adversários, até mesmo
do governo da época, para realizar seus objetivos.

Os anos JK: uma trajetória política.


Direção: Silvio Tendler.
Brasil: Terra Filmes, 1980.
Duração: 110 min.
O documentário apresenta fatos que marcaram a vida política brasileira, tendo como personagem
central o presidente Juscelino Kubitschek.
Página 95

A desconcentração industrial e suas causas

Apesar da relativa desconcentração industrial em curso, a Região Sudeste, sobretudo o estado de


São Paulo e as Regiões Metropolitanas de São Paulo e Rio de Janeiro, continua sendo a principal
área industrial do Brasil (figura 16). Porém, é importante destacar os fatores que estão levando a
essa desconcentração. Vejamos, a seguir, quais são eles.

Aponte uma localidade, considerando o seu entorno, com mais de 10.001 empresas industriais e
outra com número de empresas entre 5.001 a 10.000. Depois, com base no mapa, responda: é
possível concluir qual é a região mais industrializada do Brasil?

Respectivamente, regiões metropolitanas de São Paulo e do Rio de Janeiro; Goiânia, Fortaleza, Curitiba, Belo Horizonte,
Porto Alegre. É possível concluir que a Região Sudeste é a mais industrializada, pois nela está concentrado o maior
número de empresas industriais.

Política industrial do regime militar

Durante o regime militar, instituíram-se diversas políticas de industrialização e planos econômicos


de desenvolvimento dirigidos à descentralização industrial no país. Foram realizados
investimentos em infraestrutura essenciais para a criação de polos industriais. Destacam-se a
exploração de minérios em Carajás (PA), Trombetas (PA), Caraíba (BA) e Patos (MG); os portos de
Itaqui (MA) e Tubarão (ES); as petroquímicas de Camaçari (BA), Paulínia (SP) e Canoas (RS);
indústria automobilística em Betim (MG), além de outros.

Regime militar
Forma de governo ditatorial em que o poder é exercido por militares. No Brasil, as forças armadas
governaram no período de 1964 a 1985.

Infraestrutura
Conjunto de obras necessárias à implantação de instalações industriais, de saúde, comerciais, de
serviços etc. (rodovias, ferrovias, telefonia, internet, saneamento básico etc.).

Elevação dos custos de produção

Ao longo do tempo, a Região Sudeste, sobretudo a Região Metropolitana de São Paulo, perdeu
vantagens para a produção industrial para outros estados e regiões do Brasil. Isso porque passou a
apresentar altos custos produtivos resultantes de um conjunto de fatores como congestionamento,
de trânsito, impostos e salários mais altos.

No seu contexto

No município onde você mora há indústrias? Você sabe que produtos são fabricados nelas?

Depende do município. O objetivo é inserir ainda mais o aluno no espaço de vivência, aguçando a observação sobre ele e
dando sentido ao aprendizado.
Página 96

A guerra fiscal

Principalmente a partir da década de 1990, vem ocorrendo a atração de indústrias para fora da
Região Sudeste em razão da intensificação de vantagens fiscais oferecidas por governos estaduais e
municipais de outras regiões do Brasil. Exemplos dessas vantagens são: incentivo fiscal, doação de
terrenos com infraestrutura de saneamento básico, de transporte, de comunicação etc.

A chamada guerra fiscal, somada às outras causas da desconcentração industrial apresentadas,


ajuda a explicar a atual distribuição das indústrias no Brasil e a participação desse setor da
economia em cada região do país.

Incentivo fiscal
Renúncia dos governos ao recebimento de parte dos impostos que deveriam ser recolhidos das
empresas em troca de que elas invistam em setores da economia.

Infraestrutura de saneamento básico


Sistema de serviços que abrange a rede de esgotos e de eletricidade, o abastecimento de água, a
coleta de lixo, o gás canalizado etc.

3. Mulheres e homens na indústria no Brasil


Volte para as páginas 92 e 93 e observe que foi a partir dos anos de 1930 que o desenvolvimento
industrial do Brasil se intensificou e, desde então, passou a necessitar de mais mão de obra. Os
trabalhadores ou operários homens predominavam na indústria, principalmente nos ramos mais
pesados — mecânica, metalurgia, siderurgia etc. A participação das mulheres na atividade
industrial era menor e se concentrava em ramos de trabalho mais leves — indústria de alimentos,
têxtil, de confecções etc. (figura 17).

Quem lê viaja mais


GERAB, William Jorge; ROSSI, Waldemar.
Indústria e trabalho no Brasil: limites e desafios. São Paulo: Atual, 2009.
Após abordarem a Revolução Industrial na Europa, os autores discorrem sobre os períodos da
industrialização brasileira.

Maior inserção da mulher no mercado de trabalho

Desde meados dos anos 1950, o Brasil vem passando por grandes transformações econômicas,
políticas e sociais. A industrialização prosseguiu em um ritmo mais acelerado, foram construídas
várias rodovias interligando as regiões do país e ocorreu grande migração do campo para a cidade
em virtude não apenas da busca por empregos na indústria, mas também de problemas no campo,
como baixos salários, falta de acesso à assistência médica e hospitalar e à educação, dificuldades de
o trabalhador rural tornar-se proprietário da terra etc.

Assim, nos últimos 62 anos, a população urbana cresceu consideravelmente. Em 1950, era de
36,0% e, em 2012, passou para 84,6%.

Os maiores custos e os problemas nas cidades — habitações, transporte etc. — incentivaram os


casais a reduzir o número de filhos, e a mulher, acompanhando as transformações e a
modernização, passou a ter maior participação no mercado de trabalho, mesmo que, em muitos
casos, em condições desiguais em relação ao homem.

Pesquisas realizadas pelo IBGE em seis Regiões Metropolitanas — Recife, Salvador, Belo
Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre — mostram a participação da mulher e do
homem no mercado de trabalho (tabela 3).
Página 97

Tabela 3. Distribuição da população ocupada por grupos de atividades e por sexo em


seis Regiões Metropolitanas brasileiras* – 2003 e 2013
Homens Mulheres
Grupos de atividades
2003 2013 2003 2013
Indústria 64,6 63,7 35,4 36,3
Construção 94,3 93,0 5,7 7,0
Comércio 61,8 56,9 38,2 43,1
Serviços prestados 62,7 56,6 37,3 43,4
Educação 38,0 35,5 62,1 64,5
Serviços domésticos 5,3 4,7 94,8 95,3
Outros serviços** 62,0 57,1 38,0 42,9

Em qual atividade a participação da mulher é maior que a do homem?

Na educação.

Discriminação contra o trabalho da mulher e do negro

Apesar de a Constituição Federal estabelecer o princípio da igualdade entre os gêneros (homem e


mulher), o que ainda existe na prática é a discriminação contra o trabalho da mulher. O mesmo
ocorre em relação aos afrodescendentes, apesar de a nossa Constituição condenar o racismo.

Verificam-se diferenças salariais entre os trabalhadores negros — mulheres e homens — e de


mulheres em relação aos trabalhadores homens e não negros, além de dificuldade de ascensão a
cargos de chefia nesses dois grupos.

A capacidade para desempenhar os mais diversos trabalhos independe do sexo e da cor ou etnia.
Apesar dos esforços nos últimos anos para diminuir essas desigualdades (figura 18), ainda se
cometem injustiças e preconceitos contra a mulher e o negro.

Discriminação
Tratamento injusto dado à pessoa por causa de características pessoais.

Racismo
Preconceito contra pessoa de etnia diferente.

No seu contexto

Você conhece algum caso de discriminação ao trabalho da mulher? Se sim, faça um comentário.

Resposta pessoal. Procura-se trazer a questão de gênero ao espaço de vivência do aluno, levando-o a despertar sobre essa
realidade e criando, por conseguinte, senso crítico sobre o assunto. É oportuno abordar a questão salarial: geralmente, os
valores pagos às mulheres, principalmente às mulheres negras, são inferiores aos pagos aos homens.
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PERCURSO 12 - O espaço agrário e a questão da


terra
Com base no estudo das atividades agropecuárias, poderão ser desenvolvidas atividades interdisciplinares com o
professor de Ciências: a) a nutrição e os alimentos; b) a dieta adequada; c) os ciclos do carbono, do oxigênio e do
nitrogênio, possibilitando ao aluno familiarizar-se com sua representação, leitura e interpretação.

1. A importância da agropecuária no Brasil


A agricultura e a pecuária são duas atividades econômicas tradicionais no Brasil e, apesar do
desenvolvimento industrial dos últimos 60 anos, continuam tendo fundamental importância para a
economia, a sociedade e as transformações espaciais. Isso porque:

• proveem alimentos;

• fornecem matérias-primas para as indústrias de alimentos, de couro, de tecidos, de combustíveis,


entre outras;

• empregavam 13,4% da população economicamente ativa (PEA) do Brasil em 2013;

• contribuem para as exportações brasileiras;

• estimulam a ocupação humana de vastas áreas do território nacional.

2. A geografia agrícola do Brasil


Em virtude de o território brasileiro estender-se na direção norte-sul, desde as áreas de baixa
latitude até as de média latitude, e possuir variações regionais de precipitação (chuva), são
cultivadas no país plantas tanto de clima tropical — café, cana-de-açúcar, cacau (figura 19),
amendoim etc. — como de clima temperado — aveia (figura 20), trigo, centeio, maçã, pera etc.

Na geografia agrícola do Brasil, podemos reconhecer as culturas especializadas e as grandes


culturas comerciais.

Navegar é preciso
Atlas da Questão Agrária Brasileira
www2.fct.unesp.br/nera/atlas/
Acesse o site para conhecer mais sobre a sociedade e a economia brasileira no campo. O atlas
também possui textos de autores ligados à questão agrária no Brasil.

No seu contexto

Você sabe quais produtos agrícolas e pecuários são produzidos em seu município?

Depende do município. Aqui também se procura inserir o aluno em seu espaço de vivência com o objetivo de não
somente conhecê-lo, mas também de despertar a sua observação em relação a seu entorno. A discussão pode ser
desdobrada abordando-se as relações sociais de produção e destino ou comercialização dela, como também de seu
escoamento.
Página 99

Culturas especializadas

As culturas especializadas são aquelas que, condicionadas principalmente pelo clima e solo,
encontram em certas áreas do território brasileiro a possibilidade de obter maior produção e
produtividade (figuras 21 e 22).

As culturas especializadas são importantes tanto do ponto de vista social quanto econômico, pois
são realizadas, geralmente, com base no trabalho familiar. Representam, assim, fonte de
rendimento para famílias de pequenos proprietários de terra ou para pequenos arrendatários.

Arrendatário
Aquele que toma um imóvel (no caso do texto, a terra rural) por prazo determinado, mediante um
pagamento, que pode ser em dinheiro, em produtos cultivados ou em prestação de serviços para o
dono da terra.
Página 100

Grandes culturas comerciais

Ao contrário das culturas especializadas, as grandes culturas comerciais (café, cana-de-açúcar,


arroz, feijão, laranja, soja, algodão, milho etc.) ocorrem em vastas áreas nas diversas regiões do
Brasil (figura 23), demonstrando o enorme potencial agrícola do país.

Nos últimos quarenta anos as culturas comerciais se modernizaram. Sua elevada produtividade
decorre da utilização de tecnologia e técnicas agrícolas avançadas (seleção de sementes e mudas,
correção e adubação do solo, mecanização, assistência agronômica etc.). Como consequência, o
Brasil ocupa atualmente posições de destaque como maior produtor mundial de café, cana-de-
açúcar e cítricos e segundo maior em soja (os Estados Unidos são os primeiros).

Para manter a alta produtividade, essas culturas empregam agrotóxicos em larga escala. Se, por um
lado, essas substâncias combatem insetos, fungos e outros seres que prejudicam as plantações, por
outro, o uso excessivo contamina o solo, as águas, o ar e mata outros seres vivos, podendo também
contaminar o trabalhador rural caso as aplique sem a devida proteção.

Soja e cana-de-açúcar: custos ambientais e sociais

O sucesso alcançado pelo Brasil em algumas culturas comerciais veio acompanhado, em muitos
casos, por um elevado custo ambiental.

O avanço da cultura da soja em direção à Amazônia, por exemplo, juntamente com a pecuária
bovina e a exploração madeireira, tem sido responsável por grandes desmatamentos na Floresta
Amazônica (estudaremos esse assunto nas Unidades 4 e 8). Enquanto a soja se expande
principalmente pelo norte do estado de Mato Grosso, a pecuária bovina avança também pelo norte
desse estado e pelo sul e sudoeste do Pará.

No caso da cana-de-açúcar, vários estudos apontam impactos sociais e ambientais da expansão do


setor sucroalcooleiro no país.
Página 101

Um dos problemas sociais do setor sucroalcooleiro refere-se às precárias condições de trabalho e


de remuneração de grande parte dos trabalhadores (boias-frias) rurais em diversas regiões
brasileiras.

O avanço da cultura da cana-de-açúcar representa, em alguns casos, ameaças às comunidades


indígenas. O trabalho escravo é outro problema que chama a atenção. Em 2013, segundo o
Ministério do Trabalho e Emprego do Brasil, foram libertadas do trabalho escravo 2.063 pessoas
em vários ramos de atividades, incluindo a agricultura e a pecuária.

Entre os impactos ambientais gerados por esse setor, estão a emissão excessiva de poluentes, que
ameaça a biodiversidade, os recursos hídricos e a qualidade do ar, e o descumprimento da
legislação ambiental de áreas de proteção permanente e reservas legais por parte de alguns
produtores.

Trabalho escravo
Também chamado de trabalho forçado, trata-se de uma atividade forçada e desonrante que
restringe a liberdade dos seres humanos.

3. A pecuária
O Brasil é o maior exportador de carne do mundo. No país há cerca de um bovino para cada
habitante. Esse número varia entre outros grandes exportadores de carne: o Uruguai possui 3,3; a
Argentina, 1,3; e a Austrália, 1,4.

Na Região Centro-Oeste está o maior rebanho bovino, com mais de um terço do total do Brasil.
Com a derrubada da mata para a formação de pastos, o rebanho bovino tem se expandido para a
Amazônia, principalmente para o Pará e Rondônia (figura 24).

Quem lê viaja mais


BRANCO, Samuel Murgel.
Natureza e agroquímicos. 3. ed. São Paulo: Moderna, 2013.
O autor explica o que são agrotóxicos, a sua importância para a agricultura e as consequências do
seu uso para a natureza e para o ser humano.

TOLEDO, Vera Vilhena de; GANCHO, Cândido Vilares.


Verdes canaviais. 3. ed. São Paulo: Moderna, 2014.
Os autores abordam a cultura da cana-de-açúcar desde o século XVI até o século XX e discutem o
significado da indústria canavieira no Brasil.
Página 102

4. Pecuária intensiva e extensiva


Tanto no Centro-Oeste como na Amazônia, é amplamente praticada a pecuária extensiva, em
que grandes extensões de terra são ocupadas com baixa lotação, ou seja, com pequeno número de
cabeças de gado por hectare. Há, assim, nesse sistema, o desperdício de terra.

Praticam-se também, no Brasil, a pecuária semiextensiva (geralmente onde o pasto seca no


período de estiagem) e a pecuária intensiva (onde a terra é um fator de produção caro). Esta
utiliza técnicas modernas de criação (seleção de raças, inseminação artificial, fornecimento de
forragens e ração para o gado) e destina-se principalmente à produção de leite (figura 25). É
encontrada próxima aos centros urbanos, onde abastece a população e as fábricas de laticínios
(queijos, iogurtes etc.).

O livro do 6º ano apresenta os conceitos de pecuária extensiva, intensiva e semiextensiva. Sugerimos que seja feita a
recordação desse conteúdo com os alunos.

5. Desigualdade no campo
Desde a chegada dos portugueses nas terras que viriam a ser o Brasil, o acesso à propriedade da
terra para cultivar ou criar gado foi muito desigual entre a população.

Sugerimos trabalho interdisciplinar com o professor de História para discutir o processo histórico da concentração
fundiária no Brasil, ressaltando, em diferentes períodos, as reformas, os movimentos sociais e os conflitos no campo.

A raiz histórica da grande propriedade rural

De início, o rei de Portugal era o dono das terras e as doava a quem tivesse prestado relevantes
serviços à Coroa portuguesa. Foram doadas, assim, grandes extensões de terras para o cultivo e a
criação de gado, as chamadas sesmarias.

Apesar de em 1820 ter sido suprimido o regime de sesmarias, a grande propriedade rural foi
mantida, pois os seus proprietários, com forte influência política, conseguiram aprovar leis que
garantiram os seus privilégios de acesso à terra.

Pausa para o cinema


O tempo e o lugar.
Direção: Eduardo Escorel.
Brasil, 2008.
Duração: 104 min.
Esse documentário retrata a vida de Genivaldo Vieira da Silva, ex-integrante do Movimento dos
Trabalhadores Rurais Sem-Terra. Aborda a sua carreira política e a sua atuação na organização de
comunidades agrícolas.
Página 103

Essa é a raiz histórica da implantação de extensas propriedades rurais, chamadas latifúndios, e


que ainda existem no Brasil.

Há que se distinguir, porém, os latifúndios improdutivos — que pouco ou nada produzem —,


encontrados principalmente nas regiões Nordeste e Norte, dos latifúndios produtivos. Estes são
utilizados pelas grandes culturas comerciais e pela pecuária moderna e estão integrados ao
agronegócio.

Agronegócio
Conjunto de atividades relacionadas à produção agropecuária.

Concentração fundiária

A concentração de terras nas mãos de poucos proprietários rurais, chamada de concentração


fundiária (do latim, fundus, fundi, fazenda), é uma característica histórica da agropecuária
brasileira. Observe na tabela 4 como se distribuíam os estabelecimentos agropecuários segundo os
grupos de áreas (em hectares), número e área percentuais.

Por isso pode-se falar que, no Brasil, muita gente tem pouca terra para cultivar e pouca gente
possui muita terra. Trata-se da segunda maior concentração fundiária do mundo, só perdendo para
o Paraguai.

Estabelecimento agropecuário
Terreno de área contínua, subordinado a um único produtor, onde se processa exploração
agropecuária.

Tabela 4. Brasil: estrutura fundiária – 2006


Estabelecimentos agropecuários
Grupos de área (ha)
Número (%) Área (%)
De 0,1 a menos de 10 47,9 2,4
De 10 a menos de 100 38,0 19,0
De 100 a menos de 1.000 8,2 34,2
De 1.000 a menos de 2.500 0,6 14,6
Mais de 2.500 0,3 29,8
Produtor sem área 5,0 –
TOTAL 100,0 100,0
Segundo o IBGE, o novo Censo Agropecuário estava previsto para 2017.

Observe, na tabela ao lado, que 47,9% dos estabelecimentos agropecuários tinham até 10 hectares
(ha) de área e ocupavam apenas 2,4% da área total dos estabelecimentos agropecuários.

Os estabelecimentos com dimensão superior a 1.000 hectares correspondiam a apenas 0,9% dos
estabelecimentos agropecuários e ocupavam uma área equivalente a 44,4% do total.

6. Movimentos dos trabalhadores rurais


Diante da dificuldade histórica de acesso à terra por parte de milhões de trabalhadores rurais,
surgiram movimentos sociais que reivindicam a reforma agrária.
Esses movimentos sociais, entre os quais se destaca o Movimento dos Trabalhadores Rurais
Sem-Terra (MST), fundado em 1984, utilizam, com a finalidade de pressionar os governos,
acampamentos na beira de estradas, ocupação de terras improdutivas, passeatas, protestos etc.

Como resultado, assentamentos rurais têm sido realizados por diversos governos. Mas, para que as
famílias assentadas tenham condições de trabalhar a terra, há necessidade de crédito, assistência
agronômica, estrada para escoamento da produção, rede de energia elétrica, além de outros
incentivos. Como na maioria desses assentamentos, várias dessas condições não foram
implantadas, muitas famílias não obtiveram sucesso no trato da terra.

Reforma agrária
Processo de redistribuição da propriedade fundiária realizado pelo Estado, que visa à promoção de
justiça social e ao aumento da produção.

No seu contexto

Na região em que você vive e no seu município, há Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-
Terra?

Depende da região e do município. A questão agrária surgiu com maior intensidade na década de 1950 com as ligas
camponesas, cujas reivindicações na maior parte não foram atendidas, principalmente quanto à reforma agrária. O
Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra pode ser entendido como uma continuação dessas ligas, visto que a
questão agrária ainda não foi resolvida no Brasil.
Página 104

Atividades dos percursos11 e 12


Registre em seu caderno.

Revendo conteúdos

1 Cite as razões de Portugal dificultar o desenvolvimento da manufatura e da


indústria no tempo do Brasil Colônia.

2 Aponte as relações entre cafeicultura, Primeira Guerra Mundial (1914-1918) e


industrialização do Brasil, particularmente da Região Sudeste.

3 Explique por que o Brasil é considerado um país de industrialização tardia ou


retardatária.

4 Por que se usa a expressão “declínio relativo na atividade industrial da Região


Sudeste e do estado de São Paulo”?

5 No Brasil há diversidade de culturas agrícolas. Qual é a relação entre esse fato e a


extensão no sentido norte-sul do território brasileiro?

6 Com base na expansão da cultura da soja e da pecuária no território brasileiro,


responda:

a) Em que direção e onde tem ocorrido essa expansão?

b) Quais as consequências da expansão dessas atividades para o meio ambiente?

7 Explique a raiz histórica (do Período Colonial) da concentração fundiária no Brasil.

Leituras cartográficas

8 Analise o mapa e responda às questões.

a) Identifique os dois principais estados produtores de trigo no Brasil. Qual é a participação deles
na produção brasileira?

b) Em que ano representado no gráfico o rendimento foi maior?

c) O trigo não é cultivado em larga escala nas regiões Nordeste e Norte. Por quê?

Explore

9 Observe atentamente a tela ao lado, da artista Tarsila do Amaral (1886-1973). Em


seguida, responda às questões.

a) Que elementos da obra correspondem ao título dado pela pintora?

b) “Na tela Operários, de 1933, a artista retrata os trabalhadores que participaram da segunda fase
da industrialização no Brasil.” Por que essa afirmação está incorreta?
Página 105

10 Observe a charge e responda às questões.

a) Que problema rural a primeira denuncia?

b) Quais problemas urbanos são retratados na segunda?

c) Explique as frases empregadas pelo autor para relacionar e criticar os problemas do campo e da
cidade.

11 Leia o texto, observe os gráficos e faça o que se pede.

Guerra fiscal, guerra dos lugares

“As mudanças de localização de atividades industriais são às vezes precedidas de uma acirrada
competição entre estados e municípios pela instalação de novas fábricas e, mesmo, pela
transferência das já existentes. A indústria do automóvel e das peças é emblemática de tal situação.

A política territorial das corporações automobilísticas, que até recentemente buscavam as benesses
das localizações metropolitanas, a estas acrescenta hoje ações de descentralização industrial e
coloniza novas porções do território. […]”

SANTOS, Milton; SILVEIRA, Maria Laura. O Brasil: território e sociedade no início do século XXI.
Rio de Janeiro: Record, 2001. p. 112.

Benesse
Benefício, privilégio, vantagem.

a) Aponte o assunto do texto.

b) Compare a produção de veículos nos estados em 1990 e 2013. Onde a produção cresceu e onde
sofreu redução?

c) Quais estados se tornaram produtores de veículos?

d) Relacione o conteúdo do texto à mudança na participação dos estados do Sudeste na produção


nacional de veículos.
Página 106

Desembarque em outras linguagens - EDUARDO KOBRA:


Geografia e Arte Urbana
Pode-se desenvolver com os professores de Língua Portuguesa e Arte estudo sobre manifestações artísticas em espaços
públicos (grafite, muralismo, música, teatro, circo, dança, estátua viva, projeções, literatura de cordel etc.), refletindo
sobre a importância da arte para as cidades e seus habitantes, em diferentes tempos e sociedades. O professor de Arte
poderá ainda contribuir com estudo que aborde os suportes parede e muro na arte de grafiteiros e muralistas.

Nascido em 1976, em São Paulo (SP), Eduardo Kobra é um dos artistas urbanos brasileiros mais
conhecidos no país e no exterior. Com apenas 12 anos iniciou seus trabalhos como pichador,
influenciado pelo movimento hip-hop, tornando-se depois grafiteiro e muralista. Suas obras
interagem com o ambiente urbano, embelezando-o, e chamam a atenção das autoridades e pessoas
para lugares esquecidos.

Além da capital paulista, diversas cidades brasileiras contam com suas obras, bem como cidades
em diversos países, como Inglaterra, França, Estados Unidos, Rússia, Grécia, Itália, Suécia e
Polônia, entre outros. Estudioso e autodidata, Kobra dedica-se a pesquisas com materiais
reciclados e novas tecnologias, como a pintura 3-D sobre pavimentos, além de criar obras nas quais
homenageia personagens que marcaram a história em diferentes áreas, como Oscar Niemeyer,
Albert Einstein, Nelson Mandela, Madre Teresa de Calcutá, entre outros. O artista realiza
exposições no Brasil e no exterior.

Hip-hop: literalmente, hip = quadril ou cadeiras; hop = baile, ou, na gíria dos Estados Unidos, voo de curta duração;
expressão por meio da dança, da música e da poesia.

A parede como suporte da arte

“A pintura nas paredes foi cultivada em diversas épocas, desde a Pré-história, com a arte rupestre,
passando pela Idade Média e Renascença, período em que foram produzidos muitos afrescos, até o
muralismo moderno e os grafites atuais.

O mural é a arte imortalizada nas paredes. Como arte pública, faz uma fusão entre a arquitetura e
as artes plásticas, em um trabalho que muitas vezes é idealizado e realizado coletivamente, ou seja,
por um conjunto de pessoas.

É no diálogo com a arquitetura que a pintura mural transforma e partilha o espaço. O muro, ou a
parede, é um suporte que possibilita criar e reinventar um lugar, mesmo que muitas vezes apenas
por um curto espaço de tempo. Mas não importa: permanente ou transitória, a arte nos muros
particulariza e personaliza o que antes era um espaço corriqueiro. Essa arte faz com que o público
estabeleça uma nova relação com seu meio, pois atua sobre o olhar dos transeuntes: surpreende,
intriga, diverte, choca, maravilha e faz pensar.”

SDECT. Educação de Jovens e Adultos (EJA) – Mundo do Trabalho: Arte, Inglês e Língua
Portuguesa: 8º ano do Ensino Fundamental. São Paulo: Secretaria de Desenvolvimento
Econômico, Ciência e Tecnologia (SDECT), 2013. p. 12.

A trajetória de Eduardo Kobra

1987
Revelação do talento do artista, no Campo Limpo, distrito da zona sul do município de São Paulo
(SP), com obras com pixo e grafite, importantes ao movimento hip-hop.

1995
Inaugura o Estúdio Kobra com uma equipe de doze artistas, especializando-se em painéis
artísticos, dedicando-se a um muralismo original, inspirado, sobretudo, em obras de pintores
mexicanos e do designer estadunidense Eric Grohe.
2005
Inicia o projeto “Muro das Memórias”, retratando cenas do cotidiano e personagens das
primeiras décadas do século XX da cidade de São Paulo (SP), transformando a paisagem urbana.

Nesta seção, por uma questão de espaço, optamos por uma linha do tempo que não
mantém a proporcionalidade da escala.
Página 107

2009
Participa da delegação brasileira no Salon National Des Beaux-Arts (Salão Nacional de Belas
Artes), realizado no Museu do Louvre, em Paris (França).

2011
É premiado no Sarasota Chalk Festival, em Miami (EUA), o maior evento de arte 3-D no mundo, e
inicia o projeto Green Pincel (Pincel Verde), no qual, por meio de murais, denuncia e busca
combater os vários tipos de agressões humanas contra a natureza.

2014
Realiza sua primeira mostra individual no exterior, em Roma (Itália), e homenageia os operários
que construíram Brasília (DF), nos anos 1950, com o mural O candango, obra de 29 metros de
altura por 7,4 metros de largura que cobre dez andares de uma parte da lateral do Edifício
Matriz II da Caixa Econômica Federal, em Brasília.

Créditos de imagem de fundo: VAGNER VARGAS

Caixa de informações
1 Por que o grafite e o mural são considerados arte de expressão essencialmente urbana?
2 Quais são os principais projetos do artista Eduardo Kobra e o que é retratado neles?

Interprete
3 Em muitas cidades brasileiras, existem pichações em edifícios e muros com palavras e letras, e
muitas pessoas as associam a atos de vandalismo, enquanto o grafite e os murais são vistos,
geralmente, como artisticamente mais elaborados. O que você pensa a respeito?
4 Repare se existem grafites ou murais nas paredes da cidade onde você mora. Se houver, encontre
a relação entre essas obras e a realidade local.
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UNIDADE 4 - Região Norte


Nesta Unidade, estudaremos a Região Norte do Brasil e suas principais características naturais,
humanas, econômicas e de ocupação. Identificaremos ações do Estado brasileiro na Amazônia e
modelos de desenvolvimento para a região. Veremos também as principais causas da devastação da
Floresta Amazônica e as ameaças às comunidades tradicionais que dela sobrevivem.

PERCURSOS
13 Região Norte: localização e meio natural
14 Região Norte: a construção de espaços geográficos
15 Amazônia: conflitos, desmatamento e biodiversidade
16 Amazônia: o desenvolvimento sustentável

Rios voadores

Durante o verão, enormes massas de ar carregadas de vapor de água se deslocam da Amazônia


para o centro-sul da América do Sul, provocando grande volume de chuvas. Invisíveis, esses
“cursos de água atmosféricos” são muito importantes para a agricultura, para mais populosa
dessa região. a produção de energia hidrelétrica e os ciclos dos rios na porção

Verifique sua bagagem

1. Que tipo de clima predomina na área da Floresta Amazônica? Quais são suas
principais características?

1. Clima equatorial úmido, com médias térmicas mensais elevadas e pequena amplitude térmica
anual.

2. Como o desmatamento da Floresta Amazônica contribui para a redução de chuvas


em outras regiões do Brasil?

2. A retirada de grandes extensões da cobertura de vegetação original na Amazônia reduz a


transpiração vegetal que dá origem a parte do vapor de água carregado pelos rios voadores.
Consequentemente, ocorre diminuição de precipitação nas áreas com clima influenciado por essas
massas úmidas, principalmente no verão.

3. Por que os rios voadores são importantes para a produção de energia nas áreas
mais industrializadas do país?

3. A precipitação proveniente da umidade dos rios voadores abastece rios que alimentam a represa
da Usina Hidrelétrica de Itaipu, que gera a maior parte da energia elétrica consumida na Região
Sudeste, a mais industrializada do país.
Página 109
Página 110

PERCURSO 13 - Região Norte: localização e meio


natural
Com o professor de Arte, sugerimos abordar as manifestações populares dessa região, com festas, danças, ritmos e outros
elementos típicos. Com o professor de História, é possível aprofundar o tema sobre a ocupação da Amazônia durante o
governo militar e a criação de projetos de integração dessa região com as demais regiões brasileiras.

1. Região Norte ou Amazônia?


Com uma área de 3.853.676 km2, a Região Norte do Brasil (figura 1) corresponde a pouco mais de
45% do território nacional. É, portanto, a maior macrorregião brasileira (figura 2). Em 2014,
apresentava 17.231.027 habitantes.

Que estados compõem a Região Norte?

Acre, Rondônia, Amazonas, Roraima, Amapá, Pará e Tocantins.

Durante muito tempo, a região esteve isolada do restante do país. Salvo alguns surtos de
povoamento não indígena verificados no auge da exploração do látex, entre 1880 e 1912, e de
outras atividades econômicas que veremos adiante, a Região Norte permaneceu pouco povoada e
com frágil economia. Somente a partir de 1964, com iniciativas do governo federal, essa região
passou a apresentar maior povoamento e dinamismo econômico mais intenso.

É comum referir-se à Região Norte como Amazônia; no entanto, a Região Norte constitui, na
verdade, parte da Amazônia Continental e da Amazônia Legal (figura 3).

Navegar é preciso
Tom da Amazônia
<www.tomdaamazonia.org.br>
O site traz diversos materiais que contribuem para ampliar seus conhecimentos geográficos,
históricos, culturais e ecológicos sobre a Amazônia, buscando disseminar e valorizar as tradições
regionais.
Página 111

A Amazônia Continental, também chamada Amazônia Internacional ou Pan-Amazônia,


abrange terras de vários países: Brasil, Bolívia, Peru, Equador, Colômbia, Venezuela, Guiana e
Suriname, além da Guiana Francesa (departamento ultramarino da França). Esse vasto espaço
estende-se por 6,5 milhões de quilômetros quadrados e compartilha algumas características em
comum, como a Floresta Amazônica, o clima equatorial, a Bacia Hidrográfica do Rio Amazonas e a
existência de povos indígenas e comunidades ribeirinhas.

A Amazônia Legal corresponde à área total dos estados de Rondônia, Acre, Amazonas, Roraima,
Amapá, Pará, Mato Grosso, Tocantins e parte do Maranhão. Foi instituída pelo governo brasileiro,
com o objetivo de implantar políticas de desenvolvimento da região. O órgão responsável pelo seu
planejamento é a Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam).

A Sudam é um órgão do governo federal que reúne técnicos de várias áreas do conhecimento (economistas, engenheiros,
geólogos, agrônomos, geógrafos etc.) com alguns objetivos, como auxiliar no desenvolvimento da Amazônia e na
diminuição das desigualdades regionais.

Sua extensão corresponde à região ocupada pela Floresta Amazônica, além das áreas de transição
da floresta para o Cerrado e para a Caatinga, no sul do Maranhão e do Tocantins. Com uma área de
praticamente 5 milhões de quilômetros quadrados, corresponde a 58,4% do território brasileiro. É,
portanto, mais ampla que a Região Norte.

Nesta Unidade, será utilizado o termo “Amazônia” para se referir à Amazônia Legal.

Superintendência
Órgão de empresa pública ou privada destinado a superintender, ou seja, supervisionar, dirigir e
inspecionar atividades sob sua responsabilidade, como também planejar ações que devem ser
tomadas.

Navegar é preciso
O Eco Amazônia
<www.oecoamazonia.com>
A página dessa ONG traz artigos e reportagens em textos e vídeos, além de infográficos e mapas
sobre a Amazônia, suas ameaças ambientais e as ações para a preservação da natureza.
Página 112

2. Aspectos físicos gerais


Relevo

Predomina na Região Norte relevo com altitudes de até 200 metros. Essas terras de baixas
altitudes acompanham os vales dos rios da Bacia Amazônica, formando extensas planícies (figura
4). As terras de altitudes mais elevadas localizam-se, principalmente, no norte do estado de
Roraima e no norte e noroeste do estado do Amazonas, onde se encontra o ponto culminante do
Brasil — o Pico da Neblina —, com 2.994 metros de altitude, na Serra do Imeri, fronteira com a
Venezuela.

Em quais estados da região se localiza o relevo de maior altitude?

Roraima e Amazonas.

Tanto ao norte como ao sul do vale do Rio Amazonas, as depressões do relevo dominam a
paisagem, como pode ser observado na figura 5.

Observe o mapa e aponte uma característica da distribuição das depressões na Região Norte.

As depressões aparecem, geralmente, entre as planícies fluviais.

Quem lê viaja mais


PENNAFORTE, Charles.
Amazônia: contrastes e perspectivas. São Paulo: Atual, 2006.
Esta obra lança um olhar sobre a intervenção humana na Amazônia e as consequências ambientais
daí decorrentes.
Página 113

Hidrografia

A Bacia Hidrográfica do Rio Amazonas predomina na Região Norte. Além do Brasil, banha
terras da Bolívia, Colômbia, Equador, Peru e Venezuela. Formada pelo Rio Amazonas e seus
afluentes, é a maior bacia hidrográfica do mundo, tanto em extensão como em volume de água.

Da fronteira do Peru com o Brasil até a confluência com o Rio Negro, em Manaus, o principal rio
dessa bacia recebe o nome de Rio Solimões. Desse ponto até sua foz, no Golfão Amazônico, é
denominado Rio Amazonas.

O rio é navegável desde a foz até Nauta, no Peru, uma extensão de mais de 4.000 quilômetros
(figura 6).

Golfão
Ampla reentrância da costa litorânea em direção ao continente. O Golfão Amazônico apresenta
uma particularidade: não é totalmente aberto para o mar, pois nele estão localizadas a Ilha de
Marajó e outras ilhas menores.

Além de sua importância para as comunicações e o transporte na Região Norte, a Bacia Amazônica
serve de fonte de alimentos — por meio da pesca — e é o maior reservatório de água doce do
planeta. Com a Floresta Amazônica, fornece para a atmosfera grande quantidade de vapor de água,
que volta à superfície terrestre na forma de chuva, estabelecendo, assim, o ciclo hidrológico ou
ciclo da água, com influência não apenas local e regional, mas também global.

Como os rios facilitam o transporte e a comunicação, o maior povoamento da Região Norte se


concentra nas planícies do Rio Amazonas e de alguns de seus afluentes. Observe a densidade
demográfica da região na figura 7.

Solicite aos alunos que apontem onde estão as duas maiores concentrações populacionais da Região Norte (Manaus e
Belém) e que citem suas densidades demográficas (de 100 a 280 hab./km2).

Navegar é preciso
Rios Voadores
<www.riosvoadores.com.br>
Acesse o site, clique em “Educacional” e veja o ciclo hidrológico na Amazônia, entre outros
assuntos.
Página 114

INFOGRÁFICO

O maior complexo fluvial do mundo

O potencial hidrelétrico da Bacia Amazônica é estratégico para o desenvolvimento nacional. Em


termos regionais, seus rios estruturam a organização social e econômica dos povos da região.
São fundamentais para o transporte, o abastecimento e a subsistência da população e
influenciam na localização das cidades. O desafio atual é conciliar as questões locais e regionais
com as demandas nacionais de maneira sustentável.

Água: um recurso estratégico

No Brasil, cerca de 70% da energia elétrica é obtida por meio de hidrelétricas. A região com maior
potencial hidrelétrico é a Região Norte. Nos últimos anos, os investimentos em energia hidrelétrica
vêm aumentando significativamente. Em 2012, cerca de 23 usinas hidrelétricas estavam planejadas
para ser construídas na Bacia Amazônica nos próximos anos, entretanto, isso é motivo de discussão
pelos impactos ambientais que elas podem causar.

Caso considere oportuno abordar a questão das hidrelétricas na Amazônia e suas polêmicas, sugerimos alguns sites:
<http://www.xinguvivo.org.br/>; <http://www.internationalrivers.org/pt-br/am-rica-latina/os-rios-da-amaz-nia>;
<http://www.socioambiental.org/>; <http://www.yikatuxingu.org.br/>.
Página 115

Interprete

1 Qual é a importância dos rios da Bacia Amazônica para a população regional e para a nacional?

Argumente

2 A água é um recurso vital e estratégico. Você sabe por quê?

Professor, as respostas estão no topo da página seguinte.


Página 116

Respostas da página 115: 1. Os rios da Bacia Amazônica, com outros recursos da região, são fonte de vida para as
populações locais (fonte de alimento, meio de transporte e de comunicação etc.); para o Brasil, como um todo,
representam grande reserva de água doce e possibilidades de aproveitamento de seus potenciais hidrelétricos, além de
contribuírem com as chuvas de outras regiões, como estudado na abertura desta Unidade. 2. Sem água é impossível a
existência de vida, nas diversas formas que a conhecemos. Além disso, vale lembrar a sua importância para o ciclo
hidrológico (chuvas), para a geração de energia elétrica, para a pesca e para a navegação.

Clima

O clima da Região Norte é o equatorial úmido. Caracteriza-se por elevadas médias de


temperatura e de precipitação durante todo o ano, como pode ser visto na figura 8.

Em que meses do ano ocorrem as maiores médias térmicas e de precipitação?

As maiores médias térmicas ocorrem em setembro e outubro; as maiores médias de precipitação são registradas em
março e abril.

Vegetação

Apesar de a Região Norte abrigar manchas de vegetação de cerrado e de campos em Roraima,


Rondônia e no Amapá, além de vegetação litorânea no Pará e no Amapá, a maior parte de sua
cobertura vegetal é formada pela Floresta Amazônica, também conhecida como Floresta Tropical
Pluvial, Hileia e Floresta Equatorial.

Como as demais formações vegetais do Brasil, a Floresta Amazônica vem sofrendo grandes
intervenções humanas predatórias, a exemplo de queimadas e desmatamentos decorrentes da ação
de madeireiros, da implantação de fazendas de gado e de agricultura, de empresas de mineração
etc. (figura 9).

De modo geral, são encontrados na Floresta Amazônica dois ecossistemas principais: as matas de
terra firme e as matas de inundação.

Pausa para o cinema


Os calangos do boiaçu.
Direção: Ricardo Dias.
Brasil: Cinematográfica Superfilmes, 1992.
Duração: 21 min.
O documentário mostra o trabalho do zoólogo Paulo Vanzolini em uma expedição a Santa Maria do
Boiaçu, em Roraima, revelando os encontros do pesquisador com a fauna, a flora e a população
local.
Página 117

Matas de terra firme

A biodiversidade da Floresta Amazônica é encontrada, em grande parte, nas matas de terra


firme, ou seja, matas que nunca sofrem inundações dos rios. Recobrem 90% da Bacia Amazônica e
localizam-se nas áreas de altitudes mais elevadas. A altura média das árvores é de 40 m, firmadas
em solos bem drenados. Predominam matas densas, com pouca luz e muita umidade, em virtude
de a junção das copas das árvores dificultar a entrada da luz do Sol. Nelas encontram-se madeiras
nobres, como o cedro, o mogno e os louros.

Explicar aos alunos que, na Bacia Amazônica, alguns rios têm seu nível elevado em 15 m em algumas épocas do ano, e a
água cobre grandes áreas de florestas por até oito meses.

Matas de inundação

As matas de inundação são aquelas sujeitas à invasão das águas dos rios, com vegetação
adaptada para sobreviver por longos períodos de submersão. Dividem-se em:

• Matas de igapó: o termo “igapó” designa as áreas muito encharcadas, com inundações
permanentes. As matas de igapó situam-se nos terrenos mais baixos e permanecem quase sempre
inundadas. Nelas a vegetação é baixa, com arbustos, cipós e musgos. Também são encontradas
plantas aquáticas, como a vitória-régia, um dos símbolos da Amazônia (figura 10).

• Matas de várzea: são aquelas inundadas somente em determinados períodos do ano, durante a
cheia dos rios, e situadas em áreas mais elevadas em relação às matas de igapó.

No seu contexto

Qual é a sua atitude e de seus familiares em relação às plantas? É uma atitude de respeito ou de
indiferença? Qual a importância delas em seu cotidiano?

Espera-se que os alunos observem a importância da preservação do meio ambiente, em particular da vegetação, uma
fonte de grande biodiversidade. Essa discussão contribuirá para o desenvolvimento da consciência social e ecológica.
Página 118

PERCURSO 14 - Região Norte: a construção de


espaços geográficos

1. A construção do espaço geográfico — de 1500 a 1930


A ocupação inicial da Amazônia pelos portugueses limitou-se à construção de fortes militares
(figura 11) e às missões religiosas, pois a região não despertava tanto interesse aos colonizadores
como o lucrativo Nordeste açucareiro e as Minas Gerais com sua produção aurífera. Essa ocupação
ocorreu em meio a vários conflitos com indígenas.

Desde o século XVII até quase o final do século XIX, São Luís (MA), e Belém (PA), constituíram os
dois principais espaços geográficos construídos na Amazônia. Em São Luís e arredores,
desenvolveram-se culturas de algodão, cana-de-açúcar, arroz e tabaco. Belém, na porta de entrada
do Golfão Amazônico, transformou-se no principal núcleo urbano regional no século XVII. Desse
local eram exportadas as chamadas drogas do sertão extraídas da floresta, como baunilha,
guaraná, urucum, entre outras ervas, frutos e sementes.

A linha ou meridiano do Tratado de Tordesilhas determinava que a porção situada a leste dessa
linha pertencia a Portugal, e a porção a oeste, à Espanha. De 1580 a 1640, Portugal permaneceu sob
o domínio da Espanha. Na América, os colonizadores portugueses aproveitaram esse período para
invadir e conquistar os espaços de domínio espanhol e incorporar ao reino de Portugal as terras a
oeste do meridiano de Tordesilhas, ampliando consideravelmente o território do que viria a ser o
Brasil. Após o fim do domínio espanhol, acordos firmados entre Portugal e Espanha oficializaram a
posse dessas terras por parte de Portugal.

Quem lê viaja mais


MORAES, Paulo Roberto; MELLO, Suely A. R. Freire de.
Região Norte. São Paulo: Harbra, 2009. (Col. Expedição Brasil).
Fornece uma visão panorâmica da Região Norte, abrangendo aspectos físicos, históricos,
populacionais, culturais, entre outros, com linguagem acessível e ilustrações esclarecedoras.
Página 119

O extrativismo do látex

Por volta de 1870, a região amazônica passou a receber grande número de migrantes —
principalmente provenientes da Região Nordeste, por causa da seca prolongada no Sertão
nordestino e do desenvolvimento de atividades extrativas no norte do país, como a extração de
castanha-do-pará, de madeira e de látex para a fabricação da borracha.

Nesse período, a borracha já era conhecida no mercado mundial; no entanto, foi somente a partir
de 1888, após a invenção do pneu e da popularização do automóvel, que a borracha transformou-se
em um produto de grande valor e de grande procura pelas indústrias.

Em 1910, metade da borracha consumida no mundo saía da Amazônia. A procura por seringueiras
nativas levou muitas pessoas, desde o final do século XIX, a se embrenharem na mata e atingir a
região que constitui hoje o estado do Acre — na época, território pertencente à Bolívia.

O extrativismo do látex e da castanha-do-pará (fim do século XIX e início do século XX) foi o motor
do processo de produção e organização do espaço regional, estimulando:

• a atração de migrantes brasileiros de outras regiões e de imigrantes estrangeiros (espanhóis,


portugueses, franceses etc.);

• a construção dos portos de Belém e de Manaus;

• a incorporação do Acre ao território brasileiro e a fundação das cidades de Xapuri e Brasileia,


nesse estado, pelos seringueiros;

• a expansão da rede urbana e a modernização dos espaços urbanos, principalmente de Manaus


(figura 12) e de Belém;

• a instalação de pequenas indústrias de bens de consumo, sobretudo em Belém e Manaus;

• a atração de capitais estrangeiros, por meio da instalação de bancos, empresas de comércio e


companhias de navegação inglesas, francesas e estadunidenses.

Além desses impulsos à produção de espaços geográficos, foram implantadas colônias agrícolas na
chamada Zona Bragantina, no nordeste do Pará, ocupadas por migrantes nordestinos e
estrangeiros que aí desenvolveram a agricultura. Essas colônias foram criadas por iniciativas
públicas ou privadas, e os loteamentos foram vendidos a longo prazo ou doados aos interessados
em se estabelecer no lugar e desenvolver atividades agrícolas e de criação de animais.

Quem lê viaja mais


FIGUEIREDO, Aldrin Moura de.
No tempo dos seringais. 5. ed. São Paulo: Atual, 2008.
O livro mostra diversos aspectos da sociedade amazônica, abordando, especialmente, o período
áureo da exploração da borracha no final do século XIX e início do século XX.

No seu contexto

A cidade em que você mora possui teatro? Você acha importante ir ao teatro? Por quê?

Espera-se que os alunos reconheçam as manifestações artísticas teatrais (peças, musicais etc.) como importantes para o
desenvolvimento pessoal e coletivo e para estabelecer trocas culturais. Caso não haja espaços como esse na cidade,
questione se os alunos já tiveram a oportunidade de visitar algum.
Página 120

O declínio da produção de borracha

O Brasil foi o maior produtor mundial de borracha entre 1880 e 1912 (a produção da América
Central e da África equatorial nesse período era pequena). Nessa época, a produção do país chegou
a representar, cerca de 60% do total mundial, e a exportação chegou a se igualar, em valor, à do
café.

Enquanto a Amazônia dependia da coleta do látex silvestre, sem a preocupação de plantar


seringueiras e racionalizar o cultivo, os ingleses, percebendo a importância econômica do produto,
transportaram sementes de seringueiras da Amazônia para serem plantadas em suas colônias
asiáticas de clima quente e úmido, semelhante ao clima amazônico. O produto foi cultivado
primeiro no Ceilão (atual Sri Lanka) e depois em Cingapura e na Índia, espalhando-se para
Indonésia, Tailândia, Malásia, entre outros países. Em decorrência disso, na década de 1910, o
Brasil perdeu a liderança da produção de borracha natural, cuja procura apresentava um aumento
crescente em virtude do desenvolvimento da indústria automobilística.

Com a perda de mercado, a Região Norte deixou de receber investimentos e fluxos migratórios e de
ser um espaço de atração populacional, desacelerando o processo de construção espacial, retomado
apenas a partir da década de 1930 e, principalmente, da de 1960, por meio de políticas de incentivo
do governo federal, como veremos adiante.

2. A construção do espaço geográfico — após 1930


Produtos agrícolas, minérios e produção do espaço

Após o período áureo da extração do látex e da comercialização da borracha natural (1900-1912),


intensificou-se, a partir de 1930, a cultura da pimenta-do-reino, da juta e da malva em algumas
localidades da região (figura 13), contribuindo para o desenvolvimento da economia e para a
construção de espaços geográficos.

A exploração de alguns minérios também promoveu o povoamento da região (figura 14), como a
descoberta do manganês, nos anos 1940, e sua exploração a partir de 1953, no Amapá, e a
intensificação da exploração da cassiterita em Rondônia, a partir de 1958.

Manganês
Minério muito importante para a siderurgia, é utilizado na fabricação do aço.
Página 121

A Superintendência do Plano de Valorização Econômica da Amazônia (SPVEA)

Diante da baixa taxa de ocupação humana — em 1950, a vasta Região Norte contava apenas
1.844.000 habitantes; em 2010, a população total somava 15.865.678 habitantes — e da reduzida
integração econômica da Região Norte às demais regiões do Brasil, em 1953 o governo federal criou
a Superintendência do Plano de Valorização Econômica da Amazônia (SPVEA), com o
objetivo de planejar e de promover o desenvolvimento econômico regional.

Nessa época, a construção de estradas era uma importante iniciativa para a integração e o
desenvolvimento econômico regional. No governo do então presidente Juscelino Kubitschek (1956-
1961), foram construídas as rodovias Belém-Brasília (BR-153) — figura 15 — e Cuiabá-Santarém
(BR-364), permitindo maior povoamento regional e o surgimento de fazendas de gado, vilas e
cidades ao longo das rodovias, além de favorecer a exploração madeireira.

Iniciava-se, com essas medidas, uma nova história da ocupação da região, intensificada
posteriormente pelos governos militares do Brasil. Porém, isso aconteceu à custa de
desmatamentos da Floresta Amazônica e de conflitos entre vários protagonistas sociais, como
veremos no Percurso 15.

3. Os governos militares e os novos rumos da colonização


da Amazônia
Em vista da propalada cobiça internacional sobre a região, os governos militares que se sucederam
na Presidência da República a partir de 1964 entendiam que havia a necessidade de promover a
ocupação humana e dinamizar a economia da Amazônia, por questão de segurança nacional. Com
esse objetivo, foram criadas iniciativas para a ocupação da Amazônia, estimulando fluxos
migratórios internos para a região, principalmente de pessoas oriundas de lugares onde as tensões
sociais eram maiores, como a Região Nordeste, cuja população passava por problemas de seca e
pobreza.

A Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam)

A Sudam foi criada em 1966, substituindo a SPVEA, com o objetivo de planejar, inspecionar e
conduzir o desenvolvimento da Amazônia.

Para que as empresas se instalassem na região, a Sudam fornecia empréstimos em dinheiro e


concedia incentivos fiscais. Essa iniciativa atraiu várias empresas agropecuárias, minerais,
industriais e de serviços.
Página 122

Rodovias de integração nacional

No início da década de 1970, o governo federal criou o Plano de Integração Nacional, um


programa de construção de rodovias com o objetivo de integrar a Amazônia às demais regiões
brasileiras. A intenção era estimular o desenvolvimento econômico, a exploração dos recursos
naturais e a construção de espaços geográficos.

Rodovias como a Transamazônica (BR-230), a Cuiabá-Porto Velho (BR-364), a Perimetral-Norte


(BR-210), a Manaus-Porto Velho (BR-319), entre outras, exerceram papel fundamental na
dinamização econômica e na transformação de espaços geográficos da Região Norte (figuras 16 e
17), pois possibilitaram o surgimento de novas cidades, de fazendas de gado e de produtos
agrícolas, de exploração mineral, de exploração florestal etc., mas, por outro lado, acentuaram os
conflitos entre os protagonistas sociais da Amazônia (fazendeiros, posseiros, indígenas, povos
ribeirinhos etc.).

Localize no mapa as capitais dos estados do Amazonas e do Pará e calcule a distância entre elas, em
linha reta e em quilômetros.

1.340 km, aproximadamente.


Página 123

A rodovia Transamazônica atravessa sete estados: Paraíba, Ceará, Piauí, Maranhão, Tocantins, Pará e Amazonas.

Núcleos ou projetos de colonização

O Instituto de Colonização e Reforma Agrária (Incra), órgão do governo federal, criou,


após 1964, os núcleos ou projetos de colonização. Neles, a área de terra pública foi dividida em
lotes e distribuída a famílias cadastradas interessadas em cultivá-la. Vários núcleos foram
instalados nos anos 1970, como indica a figura 18.

Nem todos os núcleos de colonização tiveram êxito. A falta de assistência médica e escolar, a
grande distância dos centros urbanos, a falta de orientação técnica para lidar com o manejo do
solo, a assistência financeira insuficiente, entre outros, contribuíram para o insucesso de vários
desses núcleos.

Auxilie os alunos na leitura da área dos projetos.

Que estados concentram os núcleos ou projetos de colonização? Cite um exemplo de projeto de


colonização oficial que abrange a área de 700.000 hectares.

Mato Grosso, Rondônia e Pará. Um exemplo de projeto oficial com 700.000 hectares é o de Altamira, no estado do Pará.
Página 124

Estação Socioambiental - O conflito do governo com


indígenas na construção de 40 hidrelétricas na Amazônia
Meio Ambiente
Lembre os alunos que, assim como a construção de rodovias de integração nacional, a exploração mineral e a expansão
da fronteira agropecuária na Amazônia, a construção de usinas hidrelétricas também tem causado impactos
socioambientais na região.

“[…] O levante mundurucu é contra os planos [governamentais] de erguer uma sequência de


barragens na [sub-Bacia] do Rio Tapajós — tida pelos ambientalistas como um dos ecossistemas da
Amazônia mais complexos em biodiversidade e, pelos índios, como terra sagrada de seus
ancestrais. Os inventários da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) [...] mostram que o Rio
Tapajós e seus afluentes espalhados por Mato Grosso e pelo Pará podem abrigar mais de 40
hidrelétricas […].

A saga de povos indígenas contra as grandes hidrelétricas na Amazônia não é nova. Belo Monte, no
Rio Xingu, no Pará, demorou décadas para sair do papel por pressão dos movimentos solidários
aos índios, aos ribeirinhos e ao meio ambiente. No caso das usinas do Tapajós, há dois novos
agravantes. O primeiro é que, depois da Constituição de 1988 (um marco entre a ditadura e a
democracia, que reconhece aos povos tradicionais o direito sobre o território que ocupam), nunca
uma barragem no Brasil deixou uma aldeia debaixo d’água. E isso deverá acontecer se algumas das
usinas previstas para o Tapajós se tornarem uma realidade. ‘As 43 hidrelétricas inundariam 1
milhão de hectares, e 22 dessas tocariam em terra indígena’, afirma o engenheiro Pedro Bara,
pesquisador da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

O segundo fato inédito é que, desta vez, o governo terá de enfrentar uma etnia com organização
social sofisticada e forte histórico de resistência.

[...]

Enquanto outras etnias delegam poder de decisão a alguns líderes, a tradição dos mundurucus é
buscar o consenso da comunidade. Sem consenso, não há decisão — e unanimidade não é o forte
nas discussões em torno das usinas. [...]”.

RIBEIRO, Aline; REDONDO, Felipe. O conflito do governo com indígenas na construção de 40


hidrelétricas na Amazônia. Época. 3 abr. 2014. Disponível em:
<http://epoca.globo.com/tempo/noticia/2014/04/o-conflito-do-governo-com-indigenas-na-
construcao-deb40-hidreletricas-na-amazoniab.html>. Acesso em: 8 abr. 2015.

Mundurucu
Povo indígena que ocupa secularmente a região do Vale do Tapajós.

Interprete

1 Que comparação o texto estabelece sobre a postura política dos mundurucus e a dos povos
indígenas do Vale do Xingu, onde está sendo implantada a Usina de Belo Monte?

Argumente

2 Em sua opinião, a implantação de projetos governamentais, e até mesmo de fazendas, deve


respeitar o território indígena?
Página 125

A Zona Franca de Manaus

Buscando incentivar a industrialização de Manaus, o governo federal criou, em 1967, a


Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), que disponibilizou
infraestrutura e vantagens financeiras para atrair as indústrias para a região.

Assim, a Suframa criou o Distrito Industrial de Manaus e ofereceu isenção de impostos para a
importação de matérias-primas e de componentes industriais, além de empréstimos e incentivos
fiscais para as empresas nacionais e estrangeiras que ali se instalaram (figura 19). Houve
investimentos sobretudo no setor de eletroeletrônicos.

Com isso, outros setores da economia local e regional foram beneficiados, como o comércio, os
transportes urbanos, o setor de turismo e hotelaria. O município de Manaus tornou-se área de
atração de população, concentrando mais de 2 milhões dos 3.873.743 habitantes do estado, em
2014.

No entanto, apesar dos benefícios trazidos pela Suframa, a população de Manaus enfrenta ainda
graves problemas urbanos, como o favelamento e o saneamento básico deficiente.

O Projeto Grande Carajás

Com a descoberta de jazidas de minérios de ferro e de manganês, ouro, cassiterita, bauxita


(minério do qual se obtém o alumínio), níquel e cobre na Serra dos Carajás, no Pará, por volta de
1967, o governo federal criou o Projeto Grande Carajás, que envolvia não só a exploração dos
recursos minerais, mas também da floresta, além do aproveitamento dos rios para a produção de
energia elétrica (caso da Usina Hidrelétrica de Tucuruí, no Rio Tocantins) e a construção da
Estrada de Ferro Carajás para o transporte dos recursos minerais até o porto de Itaqui, no
Maranhão, de onde são exportados. Observe a figura 20.

O Projeto atraiu trabalhadores de várias partes do Brasil, o que estimulou a fundação de cidades.
Ainda hoje o Projeto Grande Carajás tem papel importante na produção de espaços geográficos na
Amazônia Legal.

Navegar é preciso
Suframa
<www.suframa.gov.br>
Na aba “Suframa”, navegue pela animação “Cunhantã”. Uma personagem apresenta a
Superintendência da Zona Franca e os 40 anos da entidade.
Página 126

Atividades dos percursos13 e 14


Registre em seu caderno.

Revendo conteúdos

1 Consulte o mapa da figura 4, na página 112, e localize o pico culminante do Brasil.


Depois, responda às questões.

a) Qual é seu nome?

b) Qual é sua altitude?

c) Em que estado se localiza e da fronteira de qual país está mais próximo?

2 Compare o mapa da figura 4, na página 112, com o mapa da figura 7, na página 113,
e explique por que a maior parte da população da Região Norte distribui-se ao longo
dos vales fluviais.

3 Em relação à Região Norte, entre o fim do século XIX e início do século XX,
responda:

a) Que atividades econômicas impulsionaram seu desenvolvimento?

b) Dê exemplos de transformações no espaço geográfico resultantes das atividades econômicas


mencionadas na questão anterior.

4 Os governos militares no Brasil, a partir de 1964, entenderam que havia a


necessidade de promover maior povoamento e dinamizar a economia da Amazônia.
Cite ao menos três iniciativas desses governos para atingir tal finalidade.

Leituras cartográficas

5 Observe atentamente o mapa e sua legenda. Escreva um texto sobre o que o mapa
representa, não se esquecendo de apontar a situação dos povos atingidos tanto pela
prática legal quanto pela prática ilegal do tema tratado no mapa.
Página 127

Explore

6 São Gabriel da Cachoeira é um município do noroeste do estado do Amazonas


situado a 0° latitude. Uruguaiana é um município do sudoeste do estado do Rio
Grande do Sul e está localizado a 29° latitude Sul. Observe os climogramas das duas
localidades e responda:

a) Qual climograma apresenta menor variação de temperatura média? Por quê?

b) Considerando os doze meses do ano, onde há maior média de precipitação: em Uruguaiana ou


em São Gabriel da Cachoeira? Explique sua resposta.

c) Com base na localização desses dois municípios, consulte o mapa da figura 7, na página 17
(Percurso 1), e aponte seus respectivos tipos de clima.

7 A imagem mostra um hotel instalado na Floresta Amazônica, no município de


Iranduba, AM (2013).

a) Que atividade econômica é responsável pela construção de obras desse tipo?

b) Em sua opinião, para que essa atividade não seja prejudicial ao ambiente, que ações
sustentáveis podem ser realizadas?

8 Observe a representação a seguir e responda às questões.

a) Consultando a figura 5, da página 112, em que unidade do relevo se localiza a província


petrolífera de Urucu?

b) Observando a representação, que meio de transporte é empregado para levar o gás liquefeito do
terminal até Manaus?

c) Em sua opinião, a extração de petróleo e gás natural na Floresta Amazônica pode provocar
impactos ambientais? Por quê?
Página 128

PERCURSO 15 - Amazônia: conflitos,


desmatamento e biodiversidade

1. A entrada do grande capital na Amazônia Legal em


tempos recentes
Diante das dificuldades apresentadas pelos núcleos de colonização implantados na Amazônia, o
governo federal, a partir de 1974, alterou a política de ocupação e desenvolvimento econômico da
região. Iniciando um novo processo, deu preferência ao grande capital, ou seja, às grandes
empresas agropecuárias e de mineração nacionais e estrangeiras, que se instalaram na região em
áreas gigantescas, às vezes maiores que alguns estados brasileiros e que muitos países (figura 21).

Nesse novo processo, acentuaram-se os conflitos de interesses e de territorialidade, ou seja, a


disputa por territórios entre os grupos ou protagonistas sociais da Amazônia, desfavorecendo,
geralmente, os de menor poder político e econômico, como os povos indígenas e a população
ribeirinha.

Os protagonistas sociais

Com a entrada do grande capital, o garimpeiro foi vencido pela empresa de mineração, e o pequeno
agricultor foi suplantado pela grande empresa rural ou pelo agronegócio. O trabalhador sem-terra
foi submetido, muitas vezes, à condição de servidão (figura 22), e o posseiro foi expulso de sua
pequena roça. Grupos indígenas perderam suas terras ou aguardam até hoje a demarcação e a
legalização delas. Madeireiros ilegais entraram em conflito com indígenas, posseiros, pequenos
agricultores e povos da floresta. Grileiros ocuparam terras públicas, onde poderiam ser assentadas
famílias de sem-terra. Alguns interessados nas terras chegavam a contratar pistoleiros para
assassinar quem se opunha a seus interesses. A atividade de compra e venda de terras tanto
enriqueceu pessoas como ocasionou o desmatamento, com a consequente perda de biodiversidade,
acompanhada de desequilíbrios ecológicos e destruição de ecossistemas.
Página 129

As intervenções humanas na Amazônia, como em qualquer meio natural, não podem ser realizadas
de forma irresponsável e predatória; é preciso planejá-las. Há também a necessidade de os
governos estaduais e federal resolverem a questão da posse da terra entre os vários protagonistas
sociais. Especialistas sugerem como solução para a exploração econômica da região a implantação
do desenvolvimento sustentável. E, para minimizar os conflitos sociais, apontam a urgência da
aplicação de uma política fundiária ou de terras que contemple democraticamente todos os
envolvidos na questão.

2. O desmatamento na Amazônia
Entre as causas históricas do desmatamento na Amazônia, podemos destacar a expansão urbana, a
exploração madeireira (figura 23) e a expansão da fronteira agropecuária. Calcula-se que, desde a
década de 1960 até os dias atuais, foram desmatados em torno de 700.000 km2 da Amazônia, cerca
de 17% de sua cobertura florestal. Isso corres ponde a uma área quase equivalente à dos estados do
Maranhão, Piauí e Ceará juntos.

Quem lê viaja mais


LESSA, Ricardo.
Amazônia: as raízes da destruição. 9. ed. São Paulo: Atual, 2009.
O livro aborda assuntos que ainda são muito atuais na realidade amazônica, como as questões
ambientais e os conflitos por terras, além da resistência indígena e dos projetos agropecuários e
suas consequências.
Página 130

O arco do desmatamento

Na Amazônia Legal, o desmatamento é bastante intenso nos estados de Rondônia, Mato Grosso,
Maranhão e Pará, formando a área que se denomina arco do desmatamento (figuras 24 e 25).

Liste os estados que compõem o arco do desmatamento em ordem decrescente, de acordo com seu
percentual de participação.

Pará (33,8%), Mato Grosso (34,1%), Rondônia (13,6%) e Maranhão (5,9%).

Expansão da pecuária

Nos últimos anos, a abertura de pastagens para a pecuária na Amazônia é responsável por 75% das
áreas desmatadas, muitas delas de forma ilegal.

Para combater esse problema, são realizadas campanhas e ações por ambientalistas e pelo governo
brasileiro a fim de evitar a comercialização de gado oriundo de áreas desmatadas ilegalmente e
aumentar a consciência da população sobre esse grave problema.

Desmatamento e problemas ambientais

O desmatamento da Floresta Amazônica é preocupante devido aos danos ambientais que provoca,
como a extinção de espécies vegetais e animais, a erosão do solo, o assoreamento dos
rios e a emissão de gases de efeito estufa.

A devastação também afeta a precipitação (chuva). Calcula-se que o processo de evapotranspiração


na Amazônia é responsável por mais de 50% da chuva que ocorre nas regiões Centro-Oeste,
Sudeste e Sul do Brasil. Com a cessação da evapotranspiração, países mais distantes também
seriam afetados, causando prejuízos para a agricultura e para a produção de alimentos.

A principal fonte de emissão de gases de efeito estufa (GEE) nos países em desenvolvimento, como o Brasil, são as
queimadas florestais e os desmatamentos para a extração de madeira e a criação de gado.
Página 131

Estação Cidadania - Carne legal


Ética

Em julho de 2010, foi lançada a campanha Carne Legal, para alertar os cidadãos e o poder público
sobre um sério problema: os crimes provocados pela pecuária ilegal. Por meio dela, o Ministério
Público Federal (MPF), o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) e a ONG Repórter
Brasil buscam estimular que nós, consumidores, valorizemos produtos oriundos de propriedades
rurais onde não ocorram desmatamento nem trabalho escravo, entre outras irregularidades.

A campanha é importante para a conscientização social e teve a adesão de fazendas, frigoríficos e


supermercados, que passaram a comercializar apenas carnes legalizadas. Um dos resultados da
campanha foi a diminuição do desmatamento da Amazônia Legal registrado em 2010. Pela
iniciativa e pelos resultados conquistados, em 2013, a campanha foi premiada pelo Conselho
Nacional do Ministério Público na Categoria Transformação Social por contribuir para a
sustentabilidade do país.

Interprete

1 Por que o Ministério Público Federal promove o combate à pecuária ilegal existente na
Amazônia? Em qual estado teve início essa ação?

Contextualize

2 Qual é o papel que cabe ao consumidor, como você e seus familiares, nesse combate?
Página 132

3. A biodiversidade da Amazônia
O Brasil apresenta grande biodiversidade, isto é, variedade biológica de plantas e animais, e está
entre os chamados “países megadiversos”, pois estima-se que 20% de todas as espécies vivas do
planeta estejam em território brasileiro.

A Amazônia contribui bastante para essa megadiversidade: tem cerca de 21.000 espécies ve getais
— 2.500 de árvores —, 1.400 espécies de peixes, 300 espécies de mamíferos e 1.300 espécies de
pássaros, além de milhares de insetos e micro-organismos. Várias dessas espécies são endêmicas.

A biodiversidade da Floresta Amazônica, como também a de outros domínios morfoclimáticos


brasileiros, constitui grande riqueza e pode fornecer, entre outros elementos, substâncias para
serem usadas como matérias-primas de medicamentos para tratamento e cura de várias
enfermidades.

O uso de plantas para a elaboração de medicamentos é uma prática antiga. Porém, com o
desenvolvimento da ciência, esse fato se acentuou. Os denominados produtos fitoterápicos
ganharam muita importância e suas vendas aumentam em todo o mundo. Compreende-se, então, a
corrida dos laboratórios farmacêuticos, sobretudo estrangeiros, para pesquisar plantas, animais e
micro-organismos.

Endêmica
Espécie nativa de planta ou animal que ocorre somente em uma região específica, pois depende das
condições particulares de clima e de solo dessa região.

Fitoterapia
Tratamento de doenças por meio de plantas, frescas ou dissecadas, e por seus extratos naturais.

A biopirataria

A biopirataria consiste no roubo de animais, plantas e conhecimentos tradicionais (principalmente


das culturas indígenas) para fins de exploração comercial, sem o consentimento ou controle do país
de origem e das comunidades locais.

Para evitar que o Brasil perca os direitos sobre sua biodiversidade ou sobre os resultados das
pesquisas realizadas por empresas estrangeiras, bem como para proteger a diversidade de plantas e
animais (figu ra 26), o governo brasileiro colocou em prática, em junho de 2000, o acordo
conhecido como Convenção da Biodiversidade.

Esse documento foi assinado, em 1993, por representantes de 160 países que atestam a necessidade
de preservação da biodiversidade, a exploração dos recursos naturais de forma sustentável e a
divisão justa dos benefícios obtidos com a pesquisa científica.

Navegar é preciso
Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação
<www.mcti.gov.br>
A página do Ministério traz informações, notícias e projetos sobre a biodiversidade e os recursos
naturais da Amazônia e de outras regiões do país.

Com foco no desmatamento e na biopirataria na Amazônia, a abordagem interdisciplinar poderá ser desenvolvida com o
professor de Ciências, que explicará a ação humana nos ecossistemas, suas consequências negativas, como também as
formas de evitá-las.
Página 133

Mochila de ferramentas - Aprendendo a fazer um mapa


pictórico
É oportuno enfatizar que os mapas pictóricos podem representar fenômenos geográficos ou características naturais ou
culturais de determinada localidade. Nesse sentido, muitas vezes é necessário exagerar nos símbolos representativos.
Esses mapas visam atingir um público maior e cumprem bem esse papel, mesmo não utilizando os elementos
convencionais de representação cartográfica e ficando aquém das necessidades técnicas.

O que é um mapa pictórico? Comecemos pelo termo “pictórico”, que se relaciona com pintura: é
aquilo que foi pintado, desenhado, ilustrado.

Logo, mapa pictórico é aquele que contém fatos ilustrados que destacam as características
escolhidas, tornando-o mais atraente e instrutivo. É um recurso muito utilizado pela publicidade
turística.

Como fazer

1- Represente os pontos mais importantes de seu bairro ou de sua cidade, sejam eles
turísticos, de serviços (como hospitais, postos de gasolina, mercados), de problemas
(como enchentes ou deslizamentos) ou econômicos.

2- Observe o exemplo do mapa pictórico a seguir. Ele ressalta as principais vias e traz
aspectos turísticos, de forma pictórica e em associação a uma legenda numerada, e
ainda apresenta a rosa dos ventos para direcionar espacialmente os leitores. Esses
mapas não fornecem informações cartográficas convencionais, como a escala, mas
cumprem com sua função de facilitar o acesso à informação, divulgando-a de forma
mais simples.

3- Com base nesse exemplo, siga os procedimentos indicados abaixo:

a) faça uma pesquisa e uma lista prévia do que pretende destacar em seu mapa;

b) desenhe o contorno do local escolhido em uma folha de papel;

c) represente as vias principais (ruas, rodovias, ferrovias);

d) faça ilustrações para representar os seus destaques;

e) se desejar, adicione pontos importantes, relacionando-os a uma legenda numerada que os


explique;

f) não se preocupe com as escalas, pois os desenhos podem ocupar grande parte do mapa;

g) pinte seu mapa;

h) insira a rosa dos ventos.

Exponha e descreva sua representação em sala de aula, afixando-a posteriormente no mural da


escola.
Página 134

PERCURSO 16 - Amazônia: o desenvolvimento


sustentável

1. Organização não governamental (ONG)


Entre as décadas de 1950 e 1970, houve um período de grande desenvolvimento econômico, tanto
nos países desenvolvidos como nos países de industrialização tardia, como é o caso do Brasil. A
industrialização e a urbanização se intensificaram e ocorreu também grande crescimento
populacional. Esses eventos foram acompanhados de intervenções humanas, na maioria das vezes
prejudiciais ao meio ambiente. A exploração dos recursos naturais aumentou consideravelmente
para atender às novas necessidades humanas, criadas pela chamada sociedade de consumo.

A fim de combater a crescente destruição ambiental, causada por esse modelo de desenvolvimento
predatório, a sociedade se organizou em grupos, dando origem aos movimentos ambientalistas.

Desses movimentos, nasceram as organizações não governamentais (ONGs), caracterizadas como


organizações formadas por pessoas da sociedade civil, sem a participação dos governos dos países
onde elas atuam. Os objetivos das ONGs são amplos, e cada uma delas se dedica a determinada
área de atuação. Por exemplo, combate à destruição do meio ambiente (figura 27), defesa dos
direitos da mulher, das minorias étnicas culturais, da criança e do adolescente, do idoso etc. Isso
demonstra a dificuldade dos governos de cuidar desses assuntos de forma eficiente, mesmo em
nações de grande desenvolvimento econômico.

Sociedade civil
Compreende a rede das relações entre pessoas, grupos e classes sociais que ocorre à margem das
relações de poder manifestadas nas estruturas do Estado.

Quem lê viaja mais


OLIVEIRA, Alan.
Amazônia. 3. ed. São Paulo: Atual, 2009.
Ficção que narra a história de um menino chamado Caco e de seu padrinho Mr. David, que mora
nos Estados Unidos. Depois de se perderem na Floresta Amazônica, eles buscam trilhas para sair
dela. Nessa caminhada acabam conhecendo vários aspectos da floresta, como flora, fauna e
diferentes povos.
Página 135

2. O desenvolvimento ecologicamente sustentável


A atuação das ONGs contribuiu para aumentar a consciência social ecológica das populações,
fazendo com que as questões ambientais passassem a ser discutidas em reuniões internacionais.

Em 1972, a Organização das Nações Unidas realizou a primeira Conferência das Nações Unidas
sobre o Meio Ambiente Humano, na cidade de Estocolmo, capital da Suécia, em que alertou
governos, grupos econômicos e toda a sociedade sobre os graves riscos a que o planeta e as
populações estão sujeitos devido à destruição ambiental e à intensa exploração dos recursos
naturais.

Foi nessa Conferência de 1972 que nasceu a ideia do desenvolvimento ecologicamente


sustentável, que visa à exploração dos recursos naturais de forma racional, sem desperdício e
sem a degradação ambiental, de modo que as gerações futuras possam também se beneficiar deles.

Nos últimos anos, têm ocorrido alguns progressos na questão ambiental: leis severas foram criadas
para proteger o meio ambiente e procuram-se novos caminhos para o desenvolvimento econômico
e social sustentado. A consciência social ecológica, no entanto, ainda está muito aquém das reais
necessidades.

Organização das Nações Unidas (ONU)


Organização que reúne 193 países-membros e tem como objetivos manter a paz, defender os
direitos humanos e as liberdades fundamentais dos indivíduos e promover o desenvolvimento dos
países.

O desenvolvimento sustentável na Amazônia

Estudos realizados na Amazônia Legal mostram que vastas áreas da região apresentam solos
impróprios para a prática da agricultura, por serem arenosos e rasos. Quanto à floresta, ela “vive
por si só”, isto é, ela mesma alimenta o solo por meio da decomposição de troncos, galhos e folhas,
que caem e formam uma espessa camada de solo orgânico — o húmus. Por causa disso, se
retirada, a vegetação de floresta teria poucas chances de se recompor, ainda que ficasse intocada
por muitos anos, aumentando a possibilidade de desertificação na região. Assim, existe na
Amazônia — como também em outras regiões e em todas as atividades humanas — a necessidade
de aplicação do desenvolvimento ecologicamente sustentável.

Na Amazônia, muitas comunidades e empresas já praticam a exploração de recursos da floresta de


acordo com os princípios do desenvolvimento ecologicamente sustentável.

É o caso do extrativismo do látex, da castanha-do-pará, do jambo, do açaí, de fibras vegetais para a


confecção de diversos artefatos, gomas para a fabricação de chicletes etc., sem causar a degradação
ambiental. Atualmente, além de coletados, são também cultivados o guaraná, o cupuaçu, o bacuri,
a pupunha e o açaí, utilizados na indústria de refrigerantes e de alimentos, ou vendidos in natura.
Veja a figura 28.

In natura
Aquilo que se apresenta em estado natural.

No seu contexto

No município onde você mora há aplicação dos princípios do desenvolvimento ecologicamente


sustentável, seja na exploração florestal, na ocupação do solo pela agricultura e pecuária, no
turismo, na indústria ou em outras atividades?
Espera-se que os alunos reconheçam a importância do desenvolvimento ecologicamente sustentável em sua localidade
para as gerações futuras. Caso a localidade não seja de exploração florestal, é interessante divulgar esse conceito quanto à
atividade agropecuária, principalmente em relação à conservação do solo e das fontes hídricas.
Página 136

3. As reservas extrativistas
Desde a década de 1970, seringueiros e castanheiros se opõem à forma como a Amazônia vem
sendo ocupada. Com o avanço da colonização na região, eles têm sido expulsos das áreas onde
praticavam o extrativismo vegetal. Diante disso, decidiram se organizar e pressionar o governo
federal para a criação de reservas extrativistas. Estas devem ser entendidas como unidades de
conservação da natureza (UC), legalmente instituídas pelo poder público para ser utilizadas
por populações extrativistas tradicionais.

Nas reservas extrativistas, além de os recursos da floresta serem explorados de forma sustentável,
praticam-se a agricultura de subsistência e a criação de animais de pequeno porte, assegurando os
meios de vida das populações tradicionais. São ainda garantia de proteção contra a invasão dessas
terras e contra o desmatamento e a destruição de ecossistemas.

Na criação das reservas extrativistas, destacou-se a atuação do seringueiro e líder sindical Chico
Mendes, que lutou por essa causa e foi assassinado em 1988 por aqueles que se opunham à criação
das reservas, pois elas contrariavam seus interesses.

A primeira reserva extrativista foi criada pelo poder público em 7 de março de 1990, após a morte
de Chico Mendes. Essa reserva se localiza no município de Xapuri, no estado do Acre, onde vivia
Chico Mendes (figura 29). Posteriormente, foram criadas outras reservas extrativistas na Região
Norte e em outras regiões do Brasil (figura 30).

Líder sindical
Pessoa que dirige um sindicato — associação de indivíduos da mesma categoria ou profissão que
defende interesses profissionais, econômicos, políticos ou sociais.

Pausa para o cinema


Chico Mendes: o preço da floresta.
Direção: Rodrigo Astiz,
Brasil: Rt2A Produções Cinematográficas Ltda., 2008. Duração: 43 min.
Mais do que um filme sobre a vida e o legado de Chico Mendes, o documentário enfoca as
experiências extrativistas e de manejo sustentável no Acre.
Página 137

Encontros - Cipó artístico


Meio Ambiente
Pluralidade Cultural
Trabalho e Consumo

“Sentado no chão, cercado por longas tiras de cipó, Antônio da Prata, 43 anos, vai tirando, uma a
uma, as cascas. Bem ao jeito caboclo, explica: ‘Eu sou um coletor’. Estamos na comunidade de
Terra Nova, dentro da Reserva Extrativista do Rio Unini, um dos muitos afluentes do Rio Negro, no
estado do Amazonas. [...] Em suas margens e nas de seus diversos afluentes, espalham-se centenas
de comunidades, parte delas pertencentes a grupos indígenas como baniwa, tukano e macuxi. Mas
também muitos caboclos ribeirinhos, que, como Antônio, pescam, fazem sua roça, cuidam de
pequenos animais. Em comum, eles mantêm uma arte secular: o artesanato com fibras vegetais. Os
moradores da [Sub-Bacia] do Rio Negro encontraram no extrativismo de fibras uma fonte de
renda. Além do cipó-titica, há o cipóimbé, o cipó-timbó, a piaçava e fibras derivadas de palmeiras
como o arumã e o buriti. Trata-se de uma alternativa econômica ecologicamente correta, capaz de
trazer sustento aos moradores locais sem agredir a floresta. [...] Extrair fibras é uma alternativa a
outras fontes de renda, o que diminui o impacto da presença humana sobre o ambiente, evitando
atitudes predatórias como o corte de madeira e a caça indiscriminada de mamíferos de médio e
grande porte — capivara, anta, cutia, queixada e até onça-pintada, ainda bastante comum na
vizinhança.

Atitudes como a de seu Antônio são incentivadas por ambientalistas e coordenadores de programas
socioambientais, como os da Fundação Vitória Amazônica (FVA), uma organização não
governamental que atua na região há mais de uma década e que teve importante papel, junto com a
Amoru, a associação de moradores locais, na criação da reserva extrativista (Resex). ‘Acho que a
esperança de todos os envolvidos no processo da Resex do Unini é que os moradores desse rio
percebam que existem alternativas melhores do que as adotadas até então de desenvolvimento
para a região’, explica Fabiano Silva, da FVA.

O aprendizado veio dos índios, e a lida não é das mais fáceis. Um extrator de cipó deve caminhar
muitas horas pela mata até encontrar as raízes no tamanho e com a maturidade adequados. [...]

Seu Antônio nos conta, com a sabedoria de quem tem experiência no assunto, que é importante
colher apenas as raízes mais velhas. Deixando as novas, ele tem certeza que, daqui a um ano, a
colheita será farta.”

CANEJO, Mônica Trindade. Cipó artístico. Globo Rural. Disponível em:


<http://revistagloborural.globo.com/Revista/Common/0,,ERT152878-18283,00.html>. Acesso
em: 8 abr. 2015.

Interprete

1 Por que seu Antônio diz que é importante colher apenas as raízes mais velhas?

Argumente

2 No que este texto contribuiu para seu conhecimento da Amazônia brasileira? Cite pelo menos
duas contribuições.
Página 138

Atividades dos percursos 15 e 16


Registre em seu caderno.

Revendo conteúdos

1 Sobre a ocupação da Amazônia em tempos recentes, faça o que se pede.

a) Explique o que são conflitos de territorialidade e quais são os protagonistas sociais envolvidos
nessa questão.

b) Quais são as consequências ambientais e sociais decorrentes desses conflitos?

2 Explique o que é o “arco do desmatamento”.

3 Qual é a relação existente entre o desmatamento da Floresta Amazônica e o clima


na produção de alimentos em outras regiões do país?

4 Sobre a biopirataria:

a) Explique o que é.

b) Comente sobre a convenção que regulamenta os casos de biopirataria no Brasil e no mundo.

5 Explique o que é e como atua uma organização não governamental (ONG). Depois,
informe-se se em seu município existem ONGs e quais são seus objetivos.

6 Você acredita que a criação de reservas extrativistas no Brasil é uma iniciativa


importante? Por quê?

Leituras cartográficas

7 Observe o mapa e responda às questões.

a) Em que área do mapa há predomínio de frigoríficos? A que fator de ordem econômica isso está
relacionado?

b) De que forma essa atividade econômica está, nesse caso, ligada a problemas ambientais de
ordem global?

c) Com base em seus conhecimentos e no que você estudou, dê um título para esse mapa.

Explore

8 Leia o fragmento de texto e responda às questões.

“[…] Da altura extrema da Cordilheira, onde as neves são eternas, a água se desprende e traça um
risco trêmulo na pele antiga da pedra: o Amazonas acaba de nascer. A cada instante ele nasce.
Descende devagar, sinuo sa luz, para crescer no chão. Varando verdes, inventa o seu caminho e se
acrescenta. Águas subterrâneas afloram para abraçar-se com a água que desceu dos Andes. Do bojo
das nuvens alvíssimas, tangidas pelo vento, desce a água celeste. Reunidas elas avançam,
multiplicadas em infinitos caminhos, banhando a imensa planície cortada pela linha do Equador.
[…]
Na luta contra a natureza, na última e porventura definitiva luta do homem contra a natureza, que
se trava na Amazônia, o homem parece ganhar. Sem se dar conta de que, ao fim da cega peleja, ele
poderá ser o grande derrotado. […]”

MELLO, Tiago. Mormaço na Floresta. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1981. v. 2. p. 67 e 92.
(Coleção Poesia Sempre).
Página 139

a) Nesse texto, a qual cordilheira o autor se refere?

b) Descubra no texto quais águas se juntam para formar o Rio Amazonas.

c) A qual paralelo o autor se refere? Qual é sua medida em graus?

d) Como você interpreta o último parágrafo?

9 O carbono (C) é um elemento químico fundamental na composição dos organismos


vivos da Terra. É o gás carbônico (CO2), por exemplo, que possibilita a obtenção de
energia pelas plantas. Observe a representação do ciclo do carbono a seguir e
responda às questões.

Ilustração artística para fins didáticos.

a) Que situação representada gera apenas emissão de gás carbônico para a atmosfera? Dê
exemplos.

b) Explique a importância da vegetação e do oceano no ciclo do carbono.

10 Leia o texto a seguir.

“A floresta em pé protege a biodiversidade, assegura estoques de recursos naturais, regula o clima,


mantém a oferta de recursos hídricos […].”

INSTITUTO Socioambiental. Almanaque Brasil Socioambiental 2008. São Paulo: Instituto


Socioambiental (ISA), 2007. p. 267.

• Explique o texto acima, relacionando os elementos naturais nele mencionados com o contexto da
Floresta Amazônica.

Pesquise

11 Faça uma pesquisa sobre uma ONG cujo principal objetivo seja o combate ao
desmatamento. Descubra em que unidades da federação e de que forma ela atua,
como se mantém financeiramente e que grupos são beneficiados por essa atuação.
Anote o que descobrir, leve as informações para a sala de aula e, em grupos,
discutam sobre o papel dessa ONG, opinando a favor das medidas tomadas por ela ou
contra tais medidas e apresentando sugestões que poderiam melhorar o trabalho
dessa organização.
Página 140

UNIDADE 5 - Região Nordeste


Nesta Unidade, além dos traços históricos que ajudam a explicar a produção de espaços
geográficos na Região Nordeste, você conhecerá seus aspectos naturais e suas recentes mudanças
econômicas e sociais. Para isso, percorreremos as quatro sub-regiões naturais do Nordeste – Zona
da Mata, Agreste, Sertão e Meio-Norte.

PERCURSOS
17 Região Nordeste: o meio natural e a Zona da Mata
18 O Agreste
19 O Sertão
20 O Meio-Norte
Página 141

Verifique sua bagagem

1. O desenvolvimento de uma cultura agrícola em determinado local depende de


quais fatores naturais?

2. Observe a foto desta abertura. Em sua opinião, seria possível a realização de


culturas agrícolas em larga escala nessa área sem a construção dos canais de
irrigação?

3. Condições naturais extremas são necessariamente um impedimento ao


desenvolvimento social e econômico de determinada região?

Veja respostas na próxima página.


Página 142

Respostas das atividades da página 141:


1. O desenvolvimento de uma cultura agrícola em determinada área depende do tipo de solo e das características
climáticas, como a distribuição da precipitação e da quantidade de insolação ao longo do ano.
2. Resposta pessoal. Espera-se que o aluno perceba que, sem os canais de irrigação, essas culturas não seriam possíveis
ou teriam baixa produtividade.
3. Não. Atualmente há conhecimentos e técnicas que possibilitam transformar o espaço de modo a permitir a sua
ocupação e o seu desenvolvimento socioeconômico, inclusive em locais onde os fenômenos naturais são mais extremos. É
o caso das obras de irrigação no Sertão nordestino, que possibilitam grande produtividade agrícola numa área de baixa
umidade.

PERCURSO 17 - Região Nordeste: o meio natural e a


Zona da Mata

1. A diversidade no Nordeste
O litoral da atual Região Nordeste do Brasil, cuja divisão política está representada na figura 1, foi a
primeira área a ser ocupada e explorada economicamente pelos portugueses, a partir do século
XVI, o que a caracteriza como a área de produção e organização do espaço mais antiga do país,
tomando-se como referência a chegada dos europeus.

Em 2014, a população do Nordeste era de 56.186.190 habitantes, superada apenas pela Região
Sudeste, com 85.115.623 habitantes.

Aponte os estados do Brasil que compõem a Região Nordeste.

Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Bahia.

Em virtude das características hidrográficas, da variação altimétrica do relevo (figura 2) e da


variedade de climas, solos e tipos de vegetação, a região apresenta diversas paisagens naturais,
desde o litoral oriental úmido, passando pelo clima seco com vegetação de Caatinga e em alguns
pontos de Cerrado, até o encontro com a Floresta Amazônica, sob influência do clima equatorial
úmido, no oeste do estado do Maranhão.
Página 143

O Rio São Francisco corre em quais altitudes nas terras da Região Nordeste?

A maior parte da extensão do rio corre em terras de altitudes entre 200 m e 500 m. Apenas no trecho final de seu baixo
curso, ele corre em altitudes de 0 e 200 m.

Contrastes sociais e econômicos afetam, como em todo o país, a sociedade da região, não porque o
território do Nordeste seja pobre em recursos naturais, mas porque, historicamente, ali foi
construída, com apoio das elites dirigentes, uma sociedade marcada por desigualdades sociais.

No litoral, bairros modernos de algumas cidades e praias procuradas por turistas de todo o mundo
contrastam com bairros de infraestrutura precária (figura 3). No interior, terras irrigadas com
culturas produtivas se contrapõem às de pequenos produtores rurais com poucos recursos para
melhorar sua agricultura.

Também é grande a diversidade cultural dessa região. Os hábitos alimentares, a música (frevo,
baião, maracatu etc.), as manifestações folclóricas e o artesanato variam no seu espaço geográfico,
enriquecendo a cultura brasileira.
Página 144

2. As sub-regiões do Nordeste
Tendo por base as condições naturais, principalmente o clima, a Região Nordeste pode ser dividida
em quatro sub-regiões (figura 4): a Zona da Mata, o Agreste, o Sertão e o Meio-Norte. Neste
Percurso, estudaremos a primeira delas, a Zona da Mata.

Nota: ao estudar esta Unidade, sempre que for necessário retorne aos mapas deste Percurso para
localizar as sub-regiões do Nordeste.

3. A Zona da Mata: localização e condições naturais


Localização
Chamada também de litoral oriental do Nordeste, a Zona da Mata compreende uma faixa de terras
que acompanha o litoral desde o Rio Grande do Norte até o sul da Bahia.

Clima

Na Zona da Mata ocorre o clima tropical litorâneo úmido. A temperatura média anual oscila entre
24 °C e 26 °C, e a precipitação total anual é superior a 1.200 milímetros — em algumas áreas esse
número supera os 2.000 milímetros. As chuvas se concentram no período entre abril e julho.

Essas características climáticas são influenciadas pelas massas de ar úmidas provenientes do


Oceano Atlântico, principalmente aquela a barlavento do planalto da Borborema e da Serra Geral,
no sul da Bahia, onde ocorrem chuvas orográficas (figura 5). Já a sotavento a umidade diminui, o
que contribui para a formação das paisagens semiáridas que caracterizam parte do Agreste e o
Sertão. Veja os tipos de clima da região na figura 6.

Barlavento
Encosta de morro, serra ou planalto voltada para o vento.

Sotavento
Encosta protegida do vento.

Ilustração artística para fins didáticos.


Página 145

Navegar é preciso
Inpe – Atlas Interativo do Nordeste
<www.geopro.crn2.inpe.br>
Nesse site, você encontrará mapas com informações políticas, econômicas e físicas sobre a Região
Nordeste.

Relevo e vegetação

O relevo da Zona da Mata é formado, principalmente, por planícies, onde se localizam praias e
tabuleiros litorâneos. O perfil da figura 7 apresenta uma visão do relevo da Região Nordeste.

Essa sub-região foi ocupada no passado pela Mata Atlântica, o que explica o nome Zona da Mata
(figura 8, na página seguinte). No decorrer dos mais de cinco séculos de ocupação humana dessa
sub-região, a Mata Atlântica foi retirada em quase toda a sua extensão.

No Nordeste, o desmatamento iniciou-se no século XVI, com a chegada dos colonizadores


portugueses, que passaram a explorar o pau-brasil. Mas foi com a expansão da cultura da cana-de-
açúcar e da fabricação de açúcar na Zona da Mata — atividades responsáveis pela organização
inicial do espaço dessa sub-região — que seu desmatamento se acelerou, ainda no século XVI.

Tabuleiro
Forma de terreno que se assemelha ao planalto e termina geralmente de forma abrupta.
Página 146

Por séculos, contribuíram para o desmatamento da Mata Atlântica a cultura do tabaco no


Recôncavo Baiano (realizada desde o século XVI), a criação de gado, a utilização da lenha nos lares
e nas caldeiras dos engenhos para a fabricação de açúcar e o processo de urbanização.

No litoral da Zona da Mata, as vegetações costeiras encontram-se bastante alteradas pela


exploração de petróleo, por especulação imobiliária, atividades portuárias, urbanização e turismo.

Recôncavo
Concavidade do litoral que forma uma enseada ou baía, ou seja, reentrância da costa, bem aberta,
em contato com o mar.

4. Zona da Mata: as metrópoles


A Zona da Mata é a sub-região mais populosa do Nordeste e nela se situam seis capitais de estados:
Salvador (BA), Aracaju (SE), Maceió (AL), Recife (PE), João Pessoa (PB) e Natal (RN).

Entre essas capitais, duas são classificadas pelo IBGE como metrópoles: Salvador e Recife
(Fortaleza, que está localizada no Sertão, também é uma metrópole). Elas exercem ampla
influência no espaço nordestino por oferecerem serviços diversificados, como comerciais,
portuários, médico-hospitalares, educacionais, culturais, turísticos etc., atendendo a habitantes do
Agreste e do Sertão. As capitais dos demais estados são capitais regionais importantes, mas suas
áreas de influência são menores que as das metrópoles.

Salvador é a capital mais populosa, seguida por Fortaleza, como pode ser visto na tabela ao lado.

Como ocorre em outras cidades do Brasil de porte grande e médio, as metrópoles do Nordeste
apresentam graves problemas: deficiência em saneamento básico, habitações precárias (figura 9),
poluição de córregos e rios, brutal desigualdade de rendimento entre seus habitantes, e outros.

Tabela. Região Nordeste: população das capitais – 2014*


Capitais População (habitantes)
Salvador 2.902.927
Fortaleza 2.571.896
Recife 1.608.488
São Luís 1.064.197
Maceió 1.005.319
Teresina 840.600
Natal 862.044
João Pessoa 780.738
Aracaju 623.766
Solicite aos alunos que visitem o site do IBGE, no Canal “Cidades@”, e consultem se há dados mais atuais para a
população das capitais do Nordeste, como também do município onde vivem.
Página 147

5. Zona da Mata: aspectos gerais da economia


Na Zona da Mata podemos identificar três porções do espaço geográfico que se individualizam
segundo a sua produção: Zona da Mata açucareira, Zona da Mata cacaueira e Recôncavo Baiano.

A Zona da Mata açucareira

Estende-se desde o Rio Grande do Norte até as proximidades do município de Salvador, na Bahia.
O espaço é ocupado por grandes latifúndios monocultores de cana-de-açúcar e por usinas
produtoras de açúcar e álcool. Aí também se localizam os centros industriais de Natal, João Pessoa,
Maceió e Aracaju.

Na Região Metropolitana de Recife (municípios de Cabo de Santo Agostinho, Jaboatão dos


Guararapes, Paulista e outros), a partir dos anos de 1960, estruturou-se uma importante e
diversificada área industrial (figura 10). Depois da Região Metropolitana de Salvador, a de Recife
possui a maior produção em valor industrial do Nordeste.

Quem lê viaja mais


BOULOS JR., Alfredo.
O engenho e sua gente. São Paulo: FTD, 2000.
O livro retrata o dia a dia no engenho de cana-de-açúcar, o trabalhador livre e o escravizado no
Período Colonial.

TOLEDO, Vera Vilhena de; GANCHO, Cândida Vilare.


Verdes canaviais. 3. ed. São Paulo: Moderna, 2014.
O passado e o presente fazem parte desse livro, que aborda o significado da agroindústria
canavieira no Brasil e particularmente no Nordeste.
Página 148

A Zona cacaueira

A Zona do cacau situa-se no sul da Bahia. Aí se destacam os municípios de Itabuna e Ilhéus, cujas
economias giram em torno do comércio e da exportação de cacau. Atualmente a sua produção
encontra-se em recuperação após a praga “vassoura-de-bruxa“ ter destruído muitas plantações.

No caso de Ilhéus, o fluxo de turistas e o polo industrial do setor eletroeletrônico (equipamentos


para comunicação e informática) mantiveram a economia aquecida.

O Recôncavo Baiano

Essa Zona, que compreende vários municípios no entorno de Salvador, além de ser uma tradicional
e importante área produtora de tabaco, apresenta um polo industrial importante. Desde a
descoberta de petróleo, em 1939, no Recôncavo Baiano, e da construção da refinaria de petróleo em
Mataripe (no município de Francisco do Conde), a economia começou a ser dinamizada. Na década
de 1970, com a implantação do polo petroquímico de Camaçari, no município de mesmo nome, o
crescimento econômico se acelerou. Esse polo estimulou a instalação de outras indústrias na
Região Metropolitana de Salvador e o desenvolvimento do comércio e do setor de serviços. Aí são
encontradas indústrias dos ramos químico, metalomecânico, madeireiro, têxtil, farmacêutico,
eletroeletrônico, de artefatos de plástico, borracha, fertilizante, bebidas, móveis, automóveis, entre
outros.

Outro importante complexo industrial do Recôncavo Baiano é o de Aratu (figura 11). Localizado
nos municípios de Simões Filho e Candeias, destaca-se nos setores químico, têxtil, mineral,
plástico, eletroeletrônico, de fertilizantes, bebidas e móveis.

Petroquímico
Relativo a produtos químicos derivados do petróleo.
Página 149

Encontros - As pescadoras artesanais da praia de Suape


(PE)
Meio Ambiente
Trabalho e Consumo
Com base no texto, poderá ser desenvolvido com o professor de Ciências um trabalho interdisciplinar sobre os
manguezais, enfatizando-se as ameaças à sua biodiversidade por meio da poluição e depredação, no Brasil e em outras
regiões do mundo.

Comunidades de marisqueiras do Brasil são marcadas pela poluição industrial

“Edinilda de Ponto dos Carvalhos, com pouco mais de cinquenta anos, é marisqueira, ou pescadora
artesanal, da praia de Suape desde muito jovem. Recentemente, segundo ela, seu trabalho vem se
tornando mais duro.

‘Existem produtos químicos na água. Não possuem cheiro, mas matam todas as coisas’ diz Enilda.
Ela acredita que a poluição vem do complexo portuário [Porto de Suape] no litoral sul de
Pernambuco, estado no Nordeste do Brasil, considerada uma região de desenvolvimento
econômico central.

Outra marisqueira, Valéria Maria de Alcântara, diz: ‘O barro produz coceiras por causa do óleo e
dos dejetos, restos que ficam na água do mar. Isto queima a pele.’

De acordo com um programa de treinamento do estado, as mulheres compreendem 5.200 dos


8.700 pescadores daquela comunidade pesqueira. Elas trabalham duro para pescar mariscos na
água ou no manguezal do entorno.

[...] Edinilda e mais 20 outras marisqueiras resolveram falar sobre a crise em suas vidas devido à
poluição e depredação dos manguezais. ‘Pescadoras que antes retiravam de 20 a 30 quilos de
conchas, agora, durante toda uma semana, chegam a 3 quilos’, diz Valéria sentada em uma cadeira
de metal em seu terraço.

Centenas, se não milhares, de outras pescadoras ao longo da costa de Pernambuco dividem essa
experiência. Tradicionalmente, o pescado das marisqueiras dava para o sustento de suas famílias, e
qualquer excedente era comercializado em mercadinhos locais, complementando a renda familiar.
Valéria diz que agora ela precisa trabalhar nas cozinhas dos bares locais nos finais de semana para
complementar a renda por conta da queda em sua produção.

‘Na história da pesca no Brasil, a atividade das mulheres tem sido invizibilizada’, diz Laurineide
Santana. ‘O que essas mulheres produzem não entra na estatística oficial da pesca.’ […]”

SULLIVAN, Zoe. Comunidades de marisqueiras do Brasil são marcadas pela poluição industrial.
Conselho Pastoral dos Pescadores, Artigos Destacados, Notícias, 7 mar. 2014. Disponível em:
<www.cppnac.org.br/comunidades-de-marisqueiras-do-brasil-sao-marcadaspela-poluicao-
industrial/>. Acesso em: 3 dez. 2014.

Interprete

1 Como a poluição das águas interfere na captura de mariscos em Suape?

Argumente

2 Você conhece ou já ouviu falar de mulheres pescadoras ou marisqueiras? Por que elas se dedicam
a essa atividade?
3 Dê sua opinião sobre a seguinte afirmação: é possível conciliar as atividades pesqueiras e
industriais sem danos ao meio ambiente.
Página 150

INFOGRÁFICO

Avanços socioeconômicos no Nordeste

No Brasil, a Constituição de 1988 marcou o início de um período de gradativa promoção de


direitos, cidadania e melhoria nas condições de vida da população. Em anos recentes, as políticas
sociais e os programas de transferência de renda tornaram possíveis avanços socioeconômicos
significativos, notadamente no Nordeste, e diminuíram as desigualdades no país, que, apesar
disso, ainda continuam profundas.
Página 151

No livro do 8º ano desta coleção, o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) é estudado com maior profundidade.
Neste livro do 7º ano, a abordagem do IDH é uma introdução ao assunto.

Interprete

1 Que estados do Nordeste tiveram aumento da renda per capita superior ao aumento nessa
Grande Região durante a década de 2000?

1. Maranhão, Piauí, Rio Grande do Norte, Paraíba e Sergipe. 160 km

2 Entre 2000 e 2010, o IDH brasileiro subiu de 0,612 para 0,727. Considerando a legenda dos
mapas desta página, que cor deveria ser utilizada para representar a variação do IDH nacional?

2. A variação do IDH brasileiro no período foi de 0,115 (0,727 – 0,612 = 0,115). Esse valor está na faixa de 0,100 a 0,129,
que corresponde à cor laranja-clara.
Página 152

PERCURSO 18 - O Agreste

1. O Agreste: localização e condições naturais


Localização

A sub-região do Nordeste denominada Agreste estende-se do Rio Grande do Norte até o sul da
Bahia, entre a Zona da Mata e o Sertão (reveja a figura 4, no Percurso 17, na página 144).

Vegetação

Em decorrência de sua localização, o Agreste apresenta diversas paisagens. Nos trechos mais
úmidos (figura 12), restam fragmentos da Mata Tropical, que foi desmatada para a prática da
agricultura e da pecuária. Nas áreas mais secas, a Caatinga (figura 13), transformada pela ação
humana, domina a paisagem.

Navegar é preciso
Enciclopédia Itaú Cultural – Artes Visuais
<www.itaucultural.org.br>
Acesse o portal e digite “Mestre Vitalino” no campo “Busca” para conhecer a biografia e as obras
desse grande artista de Caruaru, no Agreste pernambucano. Além disso, você pode encontrar
materiais sobre diversas manifestações culturais brasileiras, pessoas, conceitos e muito mais.
Página 153

O relevo e o clima

O Planalto da Borborema é a forma de relevo que caracteriza o Agreste na sua porção norte. O
Agreste ocupa a fachada leste desse planalto, já a porção oeste corresponde ao Sertão. A fachada
leste do Planalto da Borborema está sujeita ao que restou de umidade dos ventos que sopram de
sudeste, que não precipitou na Zona da Mata. Assim, podem ser encontradas aí áreas úmidas
semelhantes às da Zona da Mata ilhadas por áreas secas, com médias de temperaturas mais baixas
do que as dessa sub-região, em virtude das suas altitudes mais elevadas. Essas áreas mais úmidas
no Nordeste recebem o nome de brejos e nelas não há seca. Possuem, inclusive, pequenos rios
permanentes.

Um exemplo de brejo é o de Garanhuns, situa do no Agreste pernambucano, no Planalto da


Borborema. Aí se desenvolveu a cidade de mesmo nome, Garanhuns, a 896 metros de altitude, com
chuvas de 998 milímetros anuais e temperatura média anual de 21 °C.

Em virtude dessas características climáticas, a cidade, que possuía 136.057 habitantes em 2014,
atrai turistas do Nordeste e de outras regiões, principalmente nos meses de junho e julho, quando
as médias de temperatura são mais baixas, em torno de 18 °C (figura 14). Garanhuns é um
verdadeiro oásis no meio da paisagem semiárida do Agreste, rompendo com a ideia geral de que o
Nordeste interior possui apenas clima quente e seco.

Quem lê viaja mais


MORAES, Paulo Roberto; MELLO, Suely A. R. Freire de.
Região Nordeste. São Paulo: Harbra, 2009. (Col. Expedição Brasil).
Apresenta uma visão ampla da Região Nordeste, destacando aspectos físicos, históricos,
populacionais, culturais, entre outros.

2. As cidades do Agreste
Os primeiros povoadores do Agreste foram os criadores de gado vindos da Zona da Mata, que
também introduziram a agricultura para abastecer de alimentos aquela sub-região. A expansão da
atividade agrícola no Agreste estimulou a interiorização da criação de gado em direção ao Sertão e
ao vale do Rio São Francisco, como veremos no Percurso 19.

Entre os séculos XVI e XVIII, a criação de gado, a agricultura, a mineração e as missões jesuítas e
de outras congregações religiosas foram responsáveis pela fundação de vilas que, ao longo do
tempo, se transformaram em cidades.

No Agreste encontram-se cidades importantes, como Campina Grande, na Paraíba; Caruaru (figura
15, na página seguinte) e Garanhuns, em Pernambuco; Feira de Santana e Vitória da Conquista, na
Bahia.

Nessas cidades, que atraem migrantes de vários municípios, principalmente do Sertão, a vida
comercial é bastante ativa e o setor de serviços é mais desenvolvido que em cidades menores da
rede urbana do Nordeste.
Página 154

3. Agreste: economia
Desde o período da economia colonial, o Agreste assumiu, dentro da divisão territorial da
produção, a função de fornecedor de gêneros agrícolas de subsistência (alimentos), carne, couro,
leite e de animais (bovinos, equinos, asininos, caprinos etc.) para a Zona da Mata açucareira. Vê-se,
então, que o espaço geográfico do Agreste foi construído e reconstruído em função da Zona da Mata
açucareira.

Atualmente, o Agreste continua sendo um espaço de policultura, que se destaca na produção de


milho, arroz, feijão, mandioca, algodão, café, frutas tropicais e agave (planta da qual se extrai uma
fibra vegetal utilizada na fabricação de cordas, bolsas, tapetes, sacos e outros produtos). Continua
sendo também uma zona de criação de gado bovino para abastecer de leite e derivados as cidades
da Zona da Mata e outros mercados.

Na época do corte de cana-de-açúcar (período de safra), muitos trabalhadores do Agreste deixam


seus minifúndios e se empregam como trabalhadores temporários nas usinas de cana-de-açúcar da
Zona da Mata. Aqueles que permanecem nos minifúndios cuidam da escassa produção.

Os centros urbanos do Agreste apresentam certo desenvolvimento industrial, fruto do processo de


desconcentração dessa atividade em curso no Brasil, além de se destacarem na atividade comercial
e em vários outros setores de prestação de serviços (figura 16).

Asinino
Referente a jumentos, burros, asnos e mulas. Esses animais são muito resistentes e se adaptam
bem às condições naturais do Agreste e do Sertão.

Minifúndio
Propriedade rural de pequena dimensão que, dependendo das técnicas utilizadas e das
características do solo e do clima, não é suficiente para manter uma família.
Página 155

Estação Ciências - O melhoramento genético do


algodoeiro
Meio Ambiente
Com base no fato de que o algodão colorido vem de uma semente modificada, sugerimos articular o trabalho sobre o
tema com o professor de Ciências, que poderá relacionar noções de genética e sua aplicação na sociedade, debatendo
ainda questões polêmicas desde a criação de alimentos transgênicos até a manipulação de genes humanos.

Você já ouviu falar sobre o algodão naturalmente colorido? Desenvolvido pela Embrapa (Empresa
Brasileira de Pesquisa Agropecuária) de Campina Grande (PB), ele saiu dos laboratórios e ganhou o
campo, tornando-se um produto diferenciado para a Região Nordeste. Com fibras de diferentes
cores, hoje é cultivado por pequenos produtores dos estados do Nordeste, principalmente no
Agreste da Paraíba e do Rio Grande do Norte. Por meio de novos incentivos, seu cultivo vem se
expandindo, inclusive no Agreste de Pernambuco, no município de Surubim. Os pequenos
agricultores chegam a receber até 30% a mais do que ganhariam com o algodão branco
convencional. Leia o texto ao lado para conhecer outros benefícios associados ao cultivo do algodão
colorido.

Algodão colorido da Paraíba ganha espaço no mercado mundial

“O algodão colorido da Paraíba vem ganhando força através de roupas e calçados, conquistando
espaço na Europa e mostrando que o comércio sustentável pode render lucros e apoiar um
desenvolvimento com responsabilidade socioambiental.

Diferentemente do algodão branco convencional, o algodão colorido vem de uma semente


modificada que, ao ser plantada sem produtos químicos, origina a fibra com variações naturais de
cores como verde e marrom, além de não provocar alergia.

O trabalho desenvolvido pela Embrapa deu resultado e vem se consolidando na região do nordeste
do Brasil. Recentemente apresentada no Fashion Business, evento paralelo ao Fashion Rio, uma
coleção foi confeccionada com a fibra sustentável que trouxe para moda feminina, masculina e até
infantil, um produto mais sustentável. [...]”

INSTITUTO ECOD. Algodão colorido da Paraíba ganha espaço no mercado mundial. 16 jul. 2009.
Disponível em: <www.ecodesenvolvimento.org/noticias/algodao-colorido-da-paraiba-ganha-
espacono?tag=moda-e-beleza>. Acesso em: 3 dez. 2014.

Interprete

1 Por que o cultivo do algodão colorido é considerado uma prática sustentável? Explique.

Argumente

2 Você cultivaria algodão colorido? Por quê?


Página 156

Atividades dos percursos 17 e 18


Registre em seu caderno.

Revendo conteúdos

1 Por que podemos dizer que existem “vários Nordestes” na Região Nordeste do
Brasil?

2 Uma geógrafa, um biólogo e uma historiadora partiram juntos, de Vitória da


Conquista com destino a Fortaleza, para uma expedição científica de 30 dias pela
Região Nordeste, mas, após alguns dias, cada um seguiu um roteiro diferente.
Observe abaixo as localizações dos pesquisadores no décimo quinto dia da expedição
e as principais cidades visitadas ao final, representadas pelas letras de A a G. Depois,
responda às questões.

a) Aponte o nome da sub-região em que se encontra cada um dos pesquisadores no décimo quinto
dia.

b) Sabe-se que A é a capital mais populosa da Região Nordeste e uma das três metrópoles dessa
região. No décimo quinto dia da viagem, outra metrópole foi visitada. Quais são essas cidades e que
pesquisador(a) visitou uma delas nesse dia?

c) Qual das sub-regiões do Nordeste não foi objeto de estudo dos pesquisadores?

d) A geógrafa, no décimo quinto dia, encontra-se no vale de um rio importante do Nordeste. Qual é
o nome desse rio?

3 Que atividades econômicas contribuíram para o grande desmatamento da Mata


Atlântica na Região Nordeste?

4 Identifique quais são e onde estão localizadas as três porções do espaço geográfico
da Zona da Mata que se individualizam por sua produção econômica.

Leituras cartográficas

5 Observe o mapa a seguir e, depois, responda às questões.

a) Quais são as características de uma metrópole como Recife em relação à hierarquia urbana entre
as cidades?
Página 157

b) Na Região Metropolitana de Recife, os polos industriais de eletrônicos estão situados em quais


municípios?

Explore

6 Leia o texto sobre as praias da Região Nordeste, veja a foto e responda às questões.

“[…] Essas praias exibem paisagens extremamente diversificadas — coqueirais, dunas, falésias,
manguezais, recifes, […], piscinas naturais etc. —, que possibilitam passeios inusitados (como por
exemplo, pelas dunas, a bordo de bugues) como também prática de variados esportes náuticos
[…]”.

ARBEX JÚNIOR, José; OLIC, Nelson Bacic. O Brasil em regiões: Nordeste. São Paulo: Moderna,
1999. p. 43.

a) Identifique e caracterize o relevo retratado.

b) Explique o que são falésias.

c) Quais atividades turísticas típicas do litoral nordestino estão indicadas no texto?

7 Leia o excerto abaixo e responda às questões:

“A organização inicial do espaço agrário litorâneo, a exemplo do que ocorreu em toda fachada
oriental do Nordeste, baseou-se na produção açucareira destinada ao mercado externo, na divisão
de terras em grandes unidades produtivas conhecidas por engenho e trabalho escravo. […]”

MOREIRA, Emilia; TARGINO, Ivan. Capítulos de geografia agrária da Paraíba. João Pessoa:
Editora Universitária/UFPB, 1997. p. 33.

a) A que sub-região do Nordeste os autores se referem? Como você sabe?

b) Identifique os três elementos que constituíam o pilar da produção açucareira nordestina do


século XVI ao final do XIX.

8 Observe o climograma de Campina Grande, cidade do Agreste nordestino,


localizada na borda leste do Planalto da Borborema, e responda às questões.

a) Como você caracterizaria o clima de Campina Grande?

b) De que maneira a localização na borda leste do Planalto da Borborema influencia o clima do


município?

Pesquise

9 Faça uma pesquisa sobre a Serra da Barriga, localizada no estado de Alagoas, e


redija um texto que relacione a sua localização geográfica, a descrição de seus
aspectos físicos e a sua importância histórica não apenas para a Região Nordeste,
mas também para o Brasil.
Página 158

PERCURSO 19 - O Sertão

1. O Sertão: localização e condições naturais


Localização

O Sertão é a sub-região mais extensa do Nordeste. Localiza-se entre o Agreste e o Meio-Norte e se


estende até o litoral setentrional do Nordeste, chegando às praias do Ceará e do Rio Grande do
Norte (reveja a figura 4, na página 144). Nesse litoral de solo arenoso, o cajueiro, cuja exploração
mantém muitas famílias, encontra o seu hábitat.

Clima

Predomina no Sertão o clima tropical semiárido com 6 a 8 meses secos por ano, como pode ser
visto na figura 17. Entretanto, existem áreas onde a semiaridez é mais acentuada, com 9 a 11 meses
secos. É esse o caso de parte do Sertão da Paraíba, onde se localiza Cabeceiras, município brasileiro
de menor média anual de chuva (278 milímetros).

No clima tropical semiárido do Sertão, além de escassas, as chuvas são irregulares e mal
distribuídas no decorrer do ano (figura 18).

Em quais estados do Nordeste ocorrem áreas de clima semiárido mais rigoroso?

Em Pernambuco, Paraíba e norte da Bahia, onde ocorre o clima semiárido com 9 a 11 meses secos. Comparando esse
mapa com o da figura 6 da página 145, podem-se observar diferenças entre eles. Este apresenta subtipos climáticos do
Nordeste que o primeiro não apresenta. Assim, afasta-se a ideia de que no Sertão o clima é homogêneo.

Pausa para o cinema


Vidas secas.
Direção: Nelson Pereira dos Santos. Brasil, 1963.
Duração: 105 min.
História de uma família de retirantes do Sertão nordestino que migra em busca da superação das
dificuldades de vida impostas pela seca. Filme realizado com base na obra homônima de Graciliano
Ramos (veja a seção “Desembarque em outras linguagens” nas páginas 174 e 175).
Página 159

Nem todo o Sertão é seco

Assim como ocorre no Agreste, o Sertão também possui áreas úmidas, os brejos. O principal deles é
o do Cariri (figura 19), localizado no sul do Ceará, na base da encosta norte da Chapada do Araripe.

O Cariri possui fontes de água que formam riachos permanentes e possibilitam o desenvolvimento
da agricultura e da criação de gado no ambiente da Caatinga. Nessa área desenvolveram-se cidades
importantes, como Juazeiro do Norte, Crato e Iguatu.

O Cariri, em virtude de suas condições naturais favoráveis, é a segunda porção do território do


Ceará mais povoada, atrás apenas da Grande Fortaleza. Considerando-se apenas o Sertão, é a que
possui a maior densidade demográfica.

Vegetação e relevo

A vegetação nativa do Sertão é a Caatinga (figura 20), que na língua tupi significa “mata branca”.
Ela se encontra bastante modificada pela ocupação humana, que se iniciou na segunda metade do
século XVI, com a criação de gado.

O relevo apresenta diversas altitudes, com chapadas e depressões, destacando-se a Depressão


Sertaneja e do São Francisco, por onde corre o importante Rio São Francisco, o grande rio
permanente ou perene (que não seca) que atravessa o Sertão.

Objeto educacional digital

O Sertão nordestino brasileiro

Orientações no Manual Multimídia


Página 160

2. O Rio São Francisco


O Rio São Francisco (figura 21), com 2.700 quilômetros de extensão, nasce na Serra da Canastra,
em Minas Gerais, a mais de 1.000 metros de altitude, e deságua no Oceano Atlântico, marcando a
divisa dos estados de Alagoas e Sergipe.

Por ser um rio de planalto, seu curso apresenta várias quedas-d’água, muitas delas aproveitadas
para a produção de energia elétrica. Ao longo de seu curso estão instaladas as usinas hidrelétricas
de Paulo Afonso, Itaparica, Sobradinho e Xingó. O Rio São Francisco é navegável da cidade de
Pirapora (MG) até Juazeiro (BA) e Petrolina (PE), onde serve como divisa dessas duas cidades
(figura 22).

Destaca-se também sua importância para a pesca, para a irrigação de terras e para a agricultura de
vazante, realizada sobre os sedimentos depositados pelo rio em suas margens na época de cheia.

Diferentemente de grande parte dos rios do Sertão, que são intermitentes, ou seja, que secam no
período de estiagem, o Rio São Francisco é perene. Apesar da baixa pluviosidade e grande
evaporação de suas águas no semiárido, e de seus afluentes da margem direita serem temporários,
esse rio não seca porque sua nascente é alimentada pelas chuvas que caem na Serra da Canastra
(MG) e seus afluentes situados em território mineiro também estão em áreas bem regadas por
chuvas.

O Rio São Francisco tem sido secularmente alterado pela ação humana. Além da poluição de suas
águas por resíduos industriais, domésticos e de garimpo, o desmatamento de suas margens tem
causado o seu assoreamento.
Página 161

A transposição das águas do Rio São Francisco

A ideia de desviar parte das águas do Rio São Francisco para irrigar o Sertão surgiu em 1858. Após
essa data, a ideia foi debatida algumas vezes, sem ter se concretizado.

Em 2004, foi apresentado e aprovado um projeto para a transposição do Rio São Francisco, cujas
obras foram iniciadas em 2008. Parte de suas águas será bombeada para áreas de altitudes mais
elevadas, em direção a dois eixos, onde correrão por aquedutos e canais para leitos de outros rios,
reservatórios e açudes, para abastecer a população do Sertão (figuras 23 e 24).

A transposição das águas do Rio São Francisco gera polêmicas. Ambientalistas temem pelos
impactos ambientais e sociais que a obra poderá acarretar — entre eles, a diminuição do seu
volume de água.

Ilustração artística para fins didáticos.

Alguns políticos e técnicos afirmam que, além de a transposição beneficiar grandes proprietários de
terras e não os pequenos agricultores, o problema da seca poderia ser contornado com obras de
menor custo. Alegam ainda que antes de qualquer intervenção haveria a necessidade de revitalizar
o rio, com ações para recuperar a vegetação das margens e para sua despoluição.

Objeto educacional digital

Transposição do Rio São Francisco

Orientações no Manual Multimídia


Página 162

3. Sertão: economia
Desde o período da economia colonial, desenvolveu-se no Sertão a criação de gado bovino vindo do
Agreste. As seguintes cidades, entre outras, tiveram sua origem ligada a essa atividade: Brotas de
Macaúbas, Brumado, Jaguaquara, Jequié, Morro do Chapéu e São Felipe, localizadas na Bahia;
Oeiras e Paulistana, no Piauí; e Pastos Bons, no Maranhão. A expansão da criação de gado para o
interior do Nordeste se deu a partir de Olinda e Recife, em Pernambuco, e de Salvador, na Bahia
(figura 25).

Os principais produtos cultivados no Sertão são: milho, feijão, arroz, mandioca, algodão e frutas.

A fruticultura desenvolveu-se com sucesso no Sertão, graças à utilização de técnicas de irrigação


implantadas a partir dos anos 1980.

Duas áreas se destacam: a do vale do Rio Açu, no Rio Grande do Norte, e a do vale submédio do Rio
São Francisco, onde se localizam dois centros urbanos muito importantes, os municípios de
Petrolina (PE) e Juazeiro (BA). Ali são cultivados uva, manga, melão, abacaxi, mamão e outras
frutas, que são vendidas para os mercados interno e externo. As áreas irrigadas permitem até
quatro safras anuais, dependendo do que se cultiva (figura 26).

Essas áreas irrigadas, entretanto, são insuficientes para atender a todos os agricultores da região.
Desse modo, convivem no vale submédio do Rio São Francisco uma agricultura agroexportadora
em escala internacional, com forte tendência à concentração da propriedade da terra, e outra
baseada em minifúndios que não dispõem de sistemas de irrigação, cujas famílias proprietárias
constituem a mão de obra assalariada para a primeira.
Página 163

Estação Socioambiental - Sobrevivência em regime de


bode solto
Meio Ambiente
Trabalho e Consumo

Rebanhos resistem ao clima adverso da Caatinga e garantem sustento da população

“No semiárido nordestino, cresce a popularização das cisternas, uma solução simples e barata para
captar a água da chuva que cai no telhado das casas. O sanfoneiro, por sua vez, divide hoje espaço
com as guitarras do estilo conhecido como ‘forró eletrônico’ — ou ‘forró de plástico’, na definição
dos mais puristas. Já o jegue, durante séculos o meio de transporte oficial do sertanejo, cada vez
mais é substituído pelas motos. Frequentemente, animais abandonados perambulam pelas
estradas, ao deus-dará.

Muita coisa mudou no sertão. Mas há, também, o que luta para permanecer o mesmo. Em meio ao
clima seco, que impõe dificuldades à agricultura, o pastoreio tornou-se a base da subsistência de
muitos grupos. Assim, comunidades unidas por laços de compadrio e parentesco usam para esse
fim áreas não cercadas, consideradas de todos. São terras localizadas atrás das roças das famílias,
ao fundo de suas casas: os chamados ‘fundos de pasto’.

Lá os animais se alimentam da própria vegetação nativa. São alguns bovinos, mas também ovelhas
e, principalmente, cabras e bodes — preferidos por sua alta resistência às estiagens e boa adaptação
ao consumo daquilo que a Caatinga provê. Cotidianamente, os animais são soltos pela manhã e
recolhidos ao curral no fim do dia, quando um sino amarrado no pescoço de alguns deles — cuja
tonalidade específica cada dono sabe reconhecer — ajuda na tarefa de localizar o rebanho. Cortes
ou marcações a ferro quente nas orelhas também diferenciam os bichos de cada um. ‘Dizemos
sempre que não somos nós que criamos o bode, mas que é o bode que cria a gente’, brinca Maria
Izete Lopes, moradora da comunidade de fundo de pasto de Boa Vista, em Campo Alegre de
Lourdes (BA). ‘Fazemos tão pouco por ele, e ele nos dá tanto de volta...’

Comunidades que se organizam em torno dos fundos de pasto estão presentes num amplo espectro
de áreas do Nordeste — que perpassam, por exemplo, Pernambuco e Piauí. É na Bahia, porém,
onde tais grupos têm maior visibilidade. Atualmente, lá existem 487 fundos de pasto identificados
pelo governo estadual, espalhados por dezenas de municípios. Usufruem deles cerca de 16 mil
famílias, para as quais a garantia de um futuro digno envolve uma questão fundamental: que esses
territórios permaneçam como estão, ou seja, considerados terras de ninguém — mas essenciais à
perpetuação do modo de vida dessas pessoas. [...]”

CAMPOS, André. Sobrevivência em regime de bode solto. Problemas Brasileiros, São Paulo, ano
47, n. 395, set./out. 2009.

Interprete

1 Indique a relação entre o clima semiárido do Nordeste e a prática do pastoreio.

Argumente

2 Você acha que a extinção do uso comum dos fundos de pasto representaria uma melhora nas
condições das famílias que deles usufruem?
Página 164

4. As questões sociais e políticas da seca


As secas prolongadas são um problema antigo no Nordeste — há referências a elas desde o século
XVI — e suas implicações sociais e políticas marcam a história daquela região.

A indústria da seca

Durante os períodos de seca prolongada, muitas famílias que habitam o semiárido são penalizadas.
Para minimizar esse problema, os governos federal e estaduais repassam verbas (dinheiro) aos
municípios mais afetados pela falta de chuva para socorrer as vítimas e construir obras
emergenciais, como açudes. Entretanto, nem sempre o dinheiro é aplicado de maneira correta.
Muitas vezes parte dessas verbas é desviada por maus políticos que se aproveitam do problema
para fazer benfeitorias em suas propriedades. Esse tipo de prática recebe o nome de “indústria da
seca”.

Pobreza, migrações e seca

A seca tem sido considerada, de maneira incorreta, a principal causa da condição de pobreza em
que vive uma parcela da população do Nordeste, da migração de seus habitantes para outras
regiões do Brasil ou da existência de famílias de retirantes.

Na verdade, as principais causas são de natureza social e política — os problemas ocasionados pelas
secas poderiam ter sido superados se tivesse havido, historicamente, maior preocupação dos
governos federal e estaduais em combatê-los, uma vez que existem, desde muito tempo, recursos
técnicos disponíveis para isso, como a irrigação de terras, por exemplo.

Cabe ainda lembrar que as secas ocorrem no Sertão e não na Zona da Mata, porém, nesta última
sub-região, por causa da pobreza de boa parte de sua população, muitos também migram para
outras regiões do Brasil em busca de melhores condições de vida (figura 27).

Retirante
Aquele que, sozinho ou em grupo, emigra em busca de melhores condições de vida. Nesse caso,
fugindo da seca do Sertão nordestino.

Quem lê viaja mais


VALIM, Ana.
Migrações: da perda da terra à exclusão social. 11. ed. São Paulo: Atual, 2013.
O livro trata de diversos aspectos da migração de brasileiros, inclusive do Nordeste, em busca de
uma vida melhor.

Pausa para o cinema


Central do Brasil.
Direção: Walter Salles.
Brasil: Audiovisual Development Bureau, MinC, 1998. Duração: 111 min.
Na Central do Brasil, famosa estação de trens do Rio de Janeiro, a personagem Dora trabalha
escrevendo cartas para migrantes analfabetos, que assim mantêm laços com parentes distantes.
Página 165

Outras rotas - Parque Nacional Serra da Capivara


Meio Ambiente
Pluralidade Cultural
Sugerimos aos alunos que assistam ao documentário produzido pela Unesco do Brasil chamado Serra da Capivara, que é
bastante rico visualmente, assim como a sua narrativa. Também sugerimos o acesso ao Programa Roda Viva da TV
Cultura com a entrevista da arqueóloga brasileira Niéde Guidon, que se dedica ao estudo da arqueologia da Serra da
Capivara desde os anos 1970. É interessante também consultar a matéria “Serra da Capivara: em busca da origem
perdida” no seguinte endereço eletrônico: <http://viajeaqui.abril.com.br/materias/serra-da-capivara-origem-do-
homem-prehistoria-das-americas>. Acesso em: 23 abr. 2015.

“O Parque Nacional Serra da Capivara está localizado no sudeste do Estado do Piauí, ocupando
áreas dos municípios de São Raimundo Nonato, João Costa, Brejo do Piauí e Coronel José Dias. A
superfície do Parque é de 129.140 ha e seu perímetro é de 214 km. A cidade mais próxima do
Parque Nacional é Cel. José Dias, sendo a cidade de São Raimundo Nonato o maior centro urbano.
A distância que o separa da capital do Estado, Teresina, é de 530 km. […]

As características que mais pesaram na decisão da criação do Parque Nacional são de natureza
diversa:

• culturais – na unidade acha-se uma densa concentração de sítios arqueológicos, a maioria com
pinturas e gravuras rupestres, nos quais se encontram vestígios extremamente antigos da presença
do homem (100.000 anos antes do presente). Atualmente estão cadastrados 912 sítios, entre os
quais, 657 apresentam pinturas rupestres, sendo os outros sítios ao ar livre (acampamentos ou
aldeias) de caçadores-coletores, são aldeias de ceramistas-agricultores, são ocupações em grutas ou
abrigos, sítios funerários e, sítios arqueopaleontológicos;

• ambientais – área semiárida, fronteiriça entre duas grandes formações geológicas; a bacia
sedimentar Maranhão-Piauí e a depressão periférica do rio São Francisco; com paisagens variadas
nas serras, vales e planície, com vegetação de caatinga (o Parque Nacional Serra da Capivara é o
único Parque Nacional situado no domínio morfoclimático das caatingas), a unidade abriga fauna e
flora específicas e pouco estudadas. Trata-se, pois, de uma das últimas áreas do semiárido
possuidoras de importante diversidade biológica;

• turísticas – com paisagens de uma beleza natural surpreendente, com pontos de observação
privilegiados. Esta área possui importante potencial para o desenvolvimento de um turismo
cultural e ecológico, constituindo uma alternativa de desenvolvimento para a região […]”.

FUMDHAM. Fundação Museu do Homem Americano. Parque Nacional Serra da Capivara.


Disponível em: <www.fumdham.org.br/parque.asp>. Acesso em: 9 abr. 2015.

Em 1991, a Unesco inscreveu o Parque Nacional Serra da Capivara como Patrimônio Cultural da Humanidade.

Interprete

1 Aponte as características que influíram na criação do Parque Nacional Serra da Capivara.

Argumente

2 Em sua opinião, por que o Parque Nacional Serra da Capivara é importante para a arqueologia e
para a humanidade?

Contextualize

3 Procure saber se na localidade onde você vive ou nos arredores existem vestígios de ocupação
humana anterior à chegada dos portugueses no Brasil.
Página 166

PERCURSO 20 - O Meio-Norte

1. O Meio-Norte: localização e condições naturais


Localização

A sub-região do Nordeste denominada Meio-Norte ou Nordeste Ocidental compreende parte do


estado do Piauí e todo o estado do Maranhão (localize-a na figura 4, na página 144).

Vegetação

O Meio-Norte é uma sub-região de transição entre o Sertão semiárido e a Amazônia úmida (clima
equatorial úmido).

Na sua porção oeste predominava a Floresta Amazônica, hoje amplamente desmatada pela
ocupação humana; na sul, o Cerrado (figura 28); na leste, a Caatinga; e na centro-norte, a Mata dos
Cocais (figura 29). Em algumas áreas essas paisagens vegetais se misturam.
Página 167

Relevo e hidrografia

O Meio-Norte possui terras predominantemente em altitudes baixas (entre 0 a 200 metros);


apenas na porção mais ao sul as terras apresentam-se em altitudes mais elevadas (entre 200 e 500
metros), e, em pequenos trechos, em altitudes entre 500 e 800 metros, onde nascem vários rios
que formam a rica rede hidrográfica do Meio-Norte.

Destaca-se nessa sub-região o Rio Parnaíba, com extensão de 1.414 quilômetros. Ele forma a divisa
dos estados do Piauí e Maranhão e deságua no Oceano Atlântico. Sua foz, em forma de delta,
localiza-se no município de Parnaíba, onde se localiza o principal porto do estado do Piauí (figura
30).

Em seu alto curso e em parte do curso médio é um típico rio de planalto, com várias corredeiras.
Nele foi construída a barragem e a Usina Hidrelétrica de Boa Esperança. O rio é navegável na
porção de planície, sobretudo entre Teresina, capital do Piauí, e Parnaíba, no litoral.

Clima

Predomina no Meio-Norte o clima tropical com verão úmido e inverno seco. No extremo oeste do
Maranhão o clima é equatorial úmido. As médias térmicas anuais situam-se entre 24 °C e 26 °C, e a
precipitação total anual varia conforme a área considerada, de 1.000 mm a mais de 2.000 mm. Em
São Luís, capital do Maranhão, que se localiza em área litorânea, a precipitação é elevada (2.200
mm anuais) (figura 31). Em Teresina, no Piauí, a única capital da Grande Região Nordeste que não
se localiza no litoral, a precipitação é menor (1.678 mm anuais).

Em quais estações do ano ocorrem as maiores precipitações na cidade de São Luís?

Em parte do verão (fevereiro e março) e no outono (parte de março e em abril e maio).

Navegar é preciso
Embrapa – Meio-Norte
<www.embrapa.br/meionorte>
Clique em “Multimídia” e veja (em vídeos) como é possível uma família obter boa parte de seu
sustento alimentar no quintal de sua casa.
Página 168

2. Meio-Norte: construção inicial do espaço


A construção inicial do espaço geográfico do Meio-Norte está relacionada a quatro acontecimentos:

• a fundação da cidade de São Luís, em 1612, pelos franceses, que pretendiam ali se fixar, mas que,
em 1615, foram expulsos por tropas formadas por solda- dos e colonos portugueses e luso-
brasileiros. Após a expulsão, os colonos iniciaram o plantio de cana-de-açúcar e a produção de
açúcar nas imediações de São Luís (figura 32);

• o povoamento inicial do Piauí, diferentemente de outras porções do território brasileiro, foi


realizado do interior para o litoral. Vaqueiros vindos dos currais do Rio São Francisco entraram em
terras que hoje correspondem ao Piauí e, ao encontrar pastagens naturais, iniciaram o povoamento
daquela área;

• as expedições de apresamento de indígenas, com o objetivo de transformá-los em mão de obra


escrava nos engenhos de açúcar de São Luís e de Pernambuco, favoreceram o surgimento de
povoados;

• os aldeamentos indígenas realizados pelos padres jesuítas e de outras congregações


transformaram-se em cidades.

Na segunda metade do século XVIII e no século XIX, o Maranhão teve maior desenvolvimento e
povoamento por causa da introdução do cultivo de algodão e sua exportação. Data desse período a
modernização da cidade de São Luís. Com o dinheiro obtido com a exportação desse produto,
grandes plantadores e comerciantes construíram casarões que podem ser observados ainda hoje
(figura 33).
Página 169

3. As capitais regionais e outras cidades


As duas capitais regionais do Meio-Norte são Teresina e São Luís. Em 2014, possuíam,
respectivamente, 840.600 e 1.064.197 habitantes. Considerando a rede urbana do Meio-Norte,
outras cidades se destacam, como Imperatriz, Codó, Caxias e São José de Ribamar, no Maranhão, e
Parnaíba, no Piauí. O município de Alcântara, situado na baía de São Marcos, se sobressai pela
arquitetura antiga (sua fundação data de 1755) e por possuir um centro de lançamento de foguetes
espaciais (figura 34).

Essas cidades, a exemplo de muitas outras no Brasil, apresentam carência de infraestrutura


urbana, que se estende desde a questão habitacional até a precariedade de saneamento básico.

4. Meio-Norte: economia
Até aproximadamente 1960, a economia do Meio-Norte assentava-se na criação de gado, cultura do
algodão, extração do babaçu, produção de açúcar, plantio e beneficiamento de arroz e extração da
cera de carnaúba (figura 35). Era uma economia, portanto, de base agropecuária.

A partir dos anos 1970, iniciou-se na região um processo de modernização econômica.


Investimentos foram realizados na agropecuária, principalmente por fazendeiros vindos da Região
Sul, e no extrativismo vegetal e mineral. O Maranhão passou a ser o escoadouro das riquezas
minerais da Serra dos Carajás, no estado do Pará. Para tanto, foi construída a Estrada de Ferro
Carajás, ligando as jazidas minerais ao Porto de Itaqui, no Maranhão. Esse porto foi equipado
para exportar minério de ferro e receber navios de grande capacidade de transporte.
Página 170

A Ferrovia Norte-Sul

Espera-se que o aluno reconheça a importância de uma rede ferroviária que, além de oferecer transporte de carga e de
passageiros mais barato que o rodoviário, é um elemento propulsor do desenvolvimento espacial. Sugerimos que seja
explicado que os Estados Unidos fizeram a ligação do Atlântico ao Pacífico por ferrovias já no século XIX, integrando o
seu território. No nosso caso, estamos procurando fazer essa integração espacial com mais de 100 anos de atraso em
relação àquele país. É um momento oportuno também para abordar a mobilidade urbana — questão que tem sido
largamente debatida em nosso país em virtude da precariedade em que se encontra.

Espera-se que outro grande impulso à economia do Meio-Norte seja dado com a conclusão da
construção da Ferrovia Norte-Sul (figura 36). Essa ferrovia faz entroncamento com a Estrada de
Ferro Carajás (EFC), em Açailândia (MA), permitindo acesso ao Porto de Itaqui em São Luís (MA).
De Açailândia ela segue em direção a Araguaína (TO). Em sua extensão total, a ferrovia ligará o
município de Rio Grande (RS) a Belém (PA), em um percurso total de 4.200 quilômetros.

A produção agropecuária do sul do Maranhão, Piauí e Tocantins (soja, carne etc.), atualmente com
dificuldades de escoamento, deverá se dinamizar com a maior facilidade de acesso ao Porto de
Itaqui, que, por sua localização, facilita a exportação para Europa, Estados Unidos e Canal do
Panamá, por onde pode chegar até a Ásia. Além disso, a facilidade de transporte por essa ferrovia
deverá estimular a ocupação de novas terras e o aumento da produção, criando uma nova fronteira
agrícola no Brasil.

Observe o mapa e aponte o nome da ferrovia que escoa o minério de ferro de Carajás (PA) até o
Porto de Itaqui, em São Luís (MA).

Estrada de Ferro Carajás.

No seu contexto

Seu município é servido por ferrovia? Você acha importante um território, um país ou um
município ser “cortado” por ferrovias? Por quê?
Página 171

Mochila de ferramentas - Elaboração de mural


Neste Percurso, no subtítulo “Relevo e hidrografia”, você estudou o Rio Parnaíba e ficou sabendo
que ele possui foz em forma de delta, no município de Parnaíba (PI). Mas o que é delta? Como
reconhecer um tipo de foz?

Que tal responder a essas perguntas por meio de um recurso visual que incorpora ilustrações, fotos,
mapas e textos? Vamos aprender a elaborar um mural e, ao mesmo tempo, responder às duas
perguntas iniciais, reconhecendo dois tipos de foz: delta e estuário.

Como fazer

1- Faça uma pesquisa sobre o tema (por exemplo, tipos de foz: delta e estuário).

2- Selecione ilustrações, fotos, mapas e textos para compor o mural.

3- Escolha o melhor suporte para o seu mural: placa de EVA, isopor, cartolina,
cortiça.

4- Distribua as figuras, afixando-as nesse suporte, de modo que as imagens e os


textos possam ser associados visual e logicamente.

5- Dê um título ao mural (por exemplo, “Delta e estuário: dois tipos de foz”).

6- Exponha seu mural para a classe e se disponha a trocar conhecimentos com seus
colegas.

Na foto, vista aérea de parte do delta do Rio Parnaíba, no município de Araioses, MA, divisa com o estado do Piauí
(2007).

1 Que recursos visuais e suportes podem ser úteis para compor e confeccionar um mural?

2 Pense e faça: o que você gostaria de representar em um quadro-mural?


Página 172

Atividades dos percursos 19 e 20


Registre em seu caderno.

Revendo conteúdos

1 Leia as questões a seguir e escreva no seu caderno as afirmativas corretas. Em


seguida, explique as incorreções das demais.

a) O Sertão:
I. é a segunda maior sub-região do Nordeste e localiza-se entre o Agreste e o Meio-Norte.
II. é a sub-região do Nordeste cortada pelo Rio São Francisco, que no período de longas estiagens
torna-se um rio temporário, ou seja, seca.
III. é a sub-região mais extensa do Nordeste e caracteriza-se pelo predomínio do clima semiárido,
com ocorrência de algumas áreas úmidas.

b) O Meio-Norte:
I. é uma zona de transição entre o Sertão e a Amazônia, com predomínio do clima tropical.
II. tem São Luís como a cidade mais populosa da Região, que se localiza no delta do Rio Parnaíba.
III. terá sua produção agropecuária ampliada com a conclusão da construção da Ferrovia Norte-
Sul.
IV. é uma zona de transição entre o Sertão e a Amazônia, com apenas dois tipos de vegetação:
Mata dos Cocais e Cerrado.

2 A construção inicial de espaços geográficos no Meio-Norte está relacionada a que


fatos históricos? Explique-os, resumidamente.

3 Podemos afirmar que a seca que se abate de tempos em tempos no Nordeste é a


única causa das migrações internas dessa região para as demais do Brasil?

Leituras cartográficas

4 Nos últimos anos, o oeste da Bahia tem apresentado grande desenvolvimento


agrícola atraindo investimentos de grandes empresas nacionais e estrangeiras.
Observe o mapa e responda às questões.

a) Consulte a figura 17 do Percurso 19, na página 158, e aponte o tipo de clima predominante do
oeste baiano.

b) Que fator hidrográfico aliado ao clima permite ao oeste do estado da Bahia apresentar grande
desenvolvimento agro-industrial?

Explore

5 Apesar de a Região Nordeste ter apresentado nos últimos anos razoável


desenvolvimento socioeconômico, com inclusão social, apresenta ainda muitos
problemas sociais. No passado, a situação foi muito pior e dramática. Observe o
quadro Retirantes, de 1944, do pintor brasileiro Candido Torquato Portinari (1903-
1962) e responda às questões.
Página 173

a) A paisagem retratada pode ser associada a que sub-região nordestina? Justifique.


b) Quais características da família demonstram a dificuldade de sobrevivência dessa população?
c) O que representam os sacos carregados pela mulher e pelo homem?

6 Com base apenas nos climogramas a seguir, aponte em que sub-região da Região
Nordeste se localizam os municípios apresentados. Explique como você chegou a
essa conclusão.

Pesquise

7 Durante séculos a concentração do poder político e econômico no Nordeste


manteve-se nas mãos dos senhores de engenhos ou dos coronéis, como eram
chamados muitos dos fazendeiros mais ricos da região. Eles exerceram muita
influência até 1930, controlando as eleições em seus estados e municípios por meio
dos chamados currais eleitorais e do voto de cabresto. Sua influência diminuiu após
essa data, mas não desapareceu. Pesquise o que é curral eleitoral e voto de cabresto e
elabore um texto que responda às seguintes questões:
a) Em sua opinião, por que é possível essa prática?
b) Há alguma relação entre os “coronéis”, a indústria da seca e os fluxos migratórios do Nordeste
para outras regiões, principalmente entre 1940 e 1990?

8 Faça uma pesquisa sobre as utilidades do babaçu e redija um texto abordando dois
pontos:
a) os produtos que são feitos com essa planta;
b) a importância socioeconômica de sua extração para as comunidades tradicionais.
Página 174

Desembarque em outras linguagens - Graciliano RAMOS:


Geografia e literatura
Graciliano Ramos nasceu em Quebrangulo, município do Agreste alagoano, em 1892, e faleceu na
cidade do Rio de Janeiro, em 1953. Foi jornalista, tradutor, político, contista e romancista que
expressou, em detalhes, a riqueza das paisagens nordestinas, a cultura e o sentimento humano
local que se estendem universalmente.

Um dos mais importantes escritores brasileiros, era autor de um estilo direto e conciso, buscava
reduzir sua escrita apenas ao essencial. Sublinhou em suas obras a luta da população nordestina,
em especial a sertaneja, contra a opressão da seca. Sua obra de maior reconhecimento, Vidas secas,
é a síntese dessas características.

Vida e obras de Graciliano Ramos

Nesta seção, por uma questão de espaço, optamos por uma linha do tempo que não
mantém a proporcionalidade da escala.

1892: Nasce Graciliano Ramos de Oliveira, em Quebrangulo, em 27 de outubro.

Entre 1925 e 1928: Período em que escreve seu primeiro romance, Cahetés, hoje Caetés.

1927: Vence a eleição para a prefeitura de Palmeira dos Índios, em Alagoas. Em 1930, renuncia ao
cargo e muda-se com a família para Maceió (AL).

1934: Lançamento de seu segundo romance, São Bernardo. A partir desse livro, o autor passa a ser
reconhecido como o maior romancista brasileiro.

1936: Publica seu terceiro romance, Angústia, contemplado com o Prêmio Lima Barreto pela
Revista Acadêmica.

1937: A Terra dos meninos pelados (literatura infantil) é publicada e lhe rende o prêmio de
literatura infantil do Ministério da Educação.

1938: Publica Vidas secas, seu quarto e principal romance. Em 1963, o diretor Nelson Pereira dos
Santos o transpõe para o cinema e ganha vários prêmios.

1953: Ano de falecimento de Graciliano Ramos. Sua esposa, Heloísa Ramos, publica Memórias do
cárcere, obra que narra o período em que o autor foi preso em razão de repressão política.
Página 175

Todos os sertões da existência

Com o professor de Língua Portuguesa, as referências literárias da Grande Região Nordeste poderão ser ampliadas,
trabalhando-se outros autores e obras, inclusive a literatura de cordel, relacionando-os com os aspectos físicos, culturais,
econômicos, sociais e políticos.

“Qual o prazo de validade de uma obra literária? Difícil precisar. Há casos em que nem mesmo o
tempo, com sua força corrosiva, é capaz de determinar. Quarto romance escrito por Graciliano
Ramos, Vidas secas chegou aos 70 anos de seu lançamento em 2008. 107 edições depois, o título
mais importante do escritor alagoano permanece atual e instigante. Pelas mãos de Graciliano,
temas emblemáticos do universo sertanejo nordestino — a fome, a seca, a miséria [...] — receberam
um tratamento inédito, que ilumina aspectos universais da condição humana — solidão,
sofrimento, desejo e esperança. No tocante à narrativa, Vidas secas sedimentou as qualidades
literárias do Velho Graça: originalidade, apuro e concisão. […]

Publicado originalmente em 1938, Vidas secas possui 13 capítulos. Escrito como uma coleção de
contos independentes, mas interligados pelos personagens, o livro apresenta a situação vivida por
uma família fugida da seca a vagar pelo sertão. O pai Fabiano, a mulher Sinhá Vitória, ‘o menino
mais novo’, ‘o menino mais velho’ e a cachorra Baleia cruzam a terra árida e desolada na tentativa
de encontrar uma nova morada. De um lado, Vidas secas explicita um cenário vazio de perspectiva
e de conhecimento, preenchido pelo silêncio e pela quase inexistência da linguagem, que gera
relações sociais desumanas. Como pano de fundo, a miséria. […]”

COELHO, Fernando. Todos os sertões da existência. Gazeta de Alagoas, Alagoas, 28 dez. 2008.
Disponível em: <gazetaweb.globo.com/gazetadealagoas/acervo.php?c=139965>. Acesso em: 4 dez.
2014.

Emblemático
Que é característico, que distingue.

Desolada
Despovoada, devastada.

Mudança

“Na planície avermelhada os juazeiros alargavam duas manchas verdes. Os infelizes tinham
caminhado o dia inteiro, estavam cansados e famintos. Ordinariamente andavam pouco, mas como
haviam repousado bastante na areia do rio seco, a viagem progredira bem três léguas. Fazia tempo
que procuravam uma sombra. A folhagem dos juazeiros apareceu longe, através dos galhos pelados
da Caatinga rala.”

RAMOS, Graciliano. Vidas secas. 74. ed. Rio de Janeiro: Record, 1998. p. 9.

Légua
Medida de distância em torno de 6.600 m.

Caixa de informações

1 Quais características da narrativa de Graciliano Ramos consolidaram-se em Vidas secas?


2 Quais palavras do trecho selecionado dessa obra remetem ao relevo e ao clima seco, com forte
insolação, do Sertão nordestino?
3 Cite os temas abordados em Vidas secas que tratam de aspectos universais da condição humana.

Interprete

4 Em sua opinião, o assunto tratado em Vidas secas permanece atual? Explique.


Mãos à obra

5 Faça uma redação sobre aspectos de seu bairro ou de sua cidade e, com base neles, busque falar
sobre suas expectativas, desejos e esperanças.
Página 176

UNIDADE 6 - Região Sudeste


A Região Sudeste do Brasil destaca-se entre as regiões brasileiras por ser a mais populosa e
povoada, por apresentar a maior taxa de urbanização e por sua importância econômica no país.
Entretanto, como outras regiões, apresenta graves desigualdades sociais. Nesta Unidade, além dos
aspectos apontados, você conhecerá a diversidade das paisagens naturais do Sudeste e o processo
histórico de construção de seu espaço geográfico. Verá como a exploração do ouro e,
posteriormente, o desenvolvimento da cafeicultura desempenharam importante papel na ocupação
do território.

PERCURSOS
21 Região Sudeste: o meio natural
22 Região Sudeste: ocupação e povoamento
23 Região Sudeste: a cafeicultura e a organização do espaço
24 Região Sudeste: população e economia

O Trem de Passageiros da Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM) liga as capitais Vitória (ES) e
Belo Horizonte (MG), em um percurso de 664 km, percorrendo trechos do Vale do Rio Doce e
atravessando áreas de relevo montanhoso e paisagens de grande importância histórica. Além desse
trem de passageiros, há o de transporte de carga, que escoa principalmente o minério de ferro
extraído do estado de Minas Gerais com destino ao Porto de Tubarão, em Vitória, de onde é
exportado.
Página 177

Verifique sua bagagem

1. O que você sabe sobre a importância econômica e populacional da Região Sudeste?

1. O Sudeste engloba os estados de Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro e São Paulo, que em 2011 produziram
55% do PIB do Brasil, reforçando sua importância econômica. Trata-se da região mais populosa do país, com 42% da
população total do Brasil, e mais povoada, com densidade demográfica de 92 hab./km2 (2014).

2. Cite pelo menos duas cidades nos estados de Minas Gerais e Espírito Santo
servidas pelo Trem de Passageiros da EFVM.

2. A observação do mapa permite aos alunos concluir sem dificuldade. Remeta à figura 3, na página 179, para que
estabeleçam relação entre o trajeto dessa ferrovia e o relevo por ela percorrido.

3. Você acha importante um país possuir um sistema de transporte ferroviário


expressivo?

3. O transporte ferroviário foi historicamente o sistema integrador de espaços geográficos, como observado no Império
Russo, nos Estados Unidos e no Canadá, que, já no final do século XIX e início do XX, integraram seus territórios
utilizando esse sistema de transporte. Somente nos dias atuais, o Brasil tem buscado a integração territorial por meio de
ferrovias. Até então, o sistema ferroviário pode ser caracterizado como periférico e não integrador; foi construído apenas
para ligar áreas produtoras ao porto exportador.
Página 178

PERCURSO 21 - Região Sudeste: o meio natural

1. Apresentação
A Região Sudeste do Brasil, cuja divisão política está representada na figura 1, tornou-se desde o
século XVIII a região econômica mais dinâmica do país e a principal região de atração
populacional, tanto de brasileiros de outras regiões como de estrangeiros. Inicialmente, isso
ocorreu graças à atividade mineradora que se desenvolveu nas Minas Gerais, entre o final do
século XVII e parte do século XVIII; depois, na segunda metade do século XIX e parte do século
XX, devido à expansão da cafeicultura, e, após 1930, em virtude do desenvolvimento
industrial.

O Sudeste é a região mais populosa e povoada do Brasil. Em 2014, segundo estimativas do IBGE,
contava 85.115.623 habitantes, o que correspondia a 42% da população total do país naquele ano.
Sua densidade demográfica é a mais elevada, 92,0 hab./km², contra 4,5 hab./km² da Região Norte,
9,5 hab./km² da Região Centro-Oeste, 36,1 hab./km² da Região Nordeste e 50,3 hab./km² da
Região Sul.

É também no Sudeste que se situam as duas cidades mais populosas do Brasil, São Paulo
(11.895.893 habitantes) e Rio de Janeiro (6.453.682 habitantes), e o maior parque industrial da
América Latina.

Localize no mapa as capitais dos estados de Minas Gerais e do Espírito Santo e calcule a distância,
em linha reta e em quilômetros, entre elas.

390 km, aproximadamente.

Quem lê viaja mais


MORAES, Paulo Roberto; MELLO, Suely A. R. Freire de.
Região Sudeste São Paulo: Harbra, 2009. (Col. Expedição Brasil).
Apresenta uma visão ampla da Região Sudeste e destaca aspectos físicos, históricos, populacionais,
culturais, entre outros.
Página 179

2. Aspectos do meio natural


Relevo

O Sudeste compreende a maior parte do domínio morfoclimático denominado Domínio dos Mares
de Morros, estudado no Percurso 4. Esse domínio está inserido na unidade dos Planaltos e Serras
do Atlântico Leste-Sudeste. O Sudeste apresenta ainda mais três conjuntos planálticos, duas
depressões e a planície litorânea, em terras de várias altitudes, como pode ser visto nas figuras 2 e
3.

O traço marcante do relevo é o conjunto de serras de topos arredondados que formam uma
paisagem de mar de morros. É esse o caso das Serras do Mar, da Mantiqueira (figura 4, na
página seguinte) e do Espinhaço.

Outra característica do relevo do Sudeste, principalmente nos estados do Rio de Janeiro e do


Espírito Santo, são os pães de açúcar — formações com cumes arredondados e encostas abruptas
(figura 5, na página seguinte).

Entre a Serra do Mar e a da Mantiqueira há um vale “cortado” por qual rio?

Entre a Serra do Mar e a da Mantiqueira, encontra-se o Vale do Paraíba: um corredor longitudinal por onde se estende o
Rio Paraíba do Sul. É por esse vale que as cidades de São Paulo e do Rio de Janeiro estão unidas por terra pela Rodovia
Presidente Dutra, como também por uma ferrovia.
Página 180

Clima

Os tipos de clima do Sudeste são o clima tropical e o clima subtropical. O tropical apresenta-
se dividido em subtipos climáticos (figura 6):

• o tropical com verão úmido e inverno seco predomina nas porções norte e leste de Minas
Gerais e na oeste do estado de São Paulo;

• o tropical de altitude, cuja característica principal são as médias térmicas mensais mais baixas
no inverno em virtude do relevo de maior altitude e da penetração da massa de ar polar, abrange
vasta porção do Sudeste (figura 7);

• o tropical litorâneo úmido abrange uma área sujeita aos efeitos da maritimidade e das
incursões de massas de ar úmidas provenientes do Oceano Atlântico. Esse subtipo climático se
apresenta úmido o ano todo, com precipitações mais elevadas entre novembro e janeiro (figura 8).

O clima subtropical úmido ocorre na porção do território brasileiro situada ao sul do Trópico de
Capricórnio. No Sudeste, ele abrange o sul do estado de São Paulo. O município de São Paulo situa-
se sobre o relevo elevado do Sudeste, na área de transição entre o clima tropical de altitude e o
clima subtropical úmido. Apresenta 1.450 mm anuais de precipitação, com concentração das
chuvas entre outubro e março, e média térmica anual em torno de 19 °C. É uma área sujeita à
atuação da massa Polar Atlântica, o que explica as médias térmicas mais baixas no inverno (figura
9).
Página 181

Comparando os climogramas das figuras 8 e 9, qual das localidades apresenta menores médias de
temperatura no inverno? Explique por quê.

São Paulo. Os fatores que resultam nessa característica estão relacionados à posição geográfica das cidades, além de
aspectos físicos: maior latitude que a de Vitória (São Paulo, 23°32’51’’; Vitória, 20°19’10’’), altitude maior que a de Vitória
(São Paulo, 760 m; Vitória, 3,3 m), o efeito da maritimidade, que é maior em Vitória, e maior atuação da massa polar em
São Paulo.

Vegetação

Originalmente, o Sudeste apresentava quatro formações vegetais: a Mata Atlântica e seu


prolongamento para o interior, denominada Floresta Tropical, cobrindo vastas extensões dos
estados de São Paulo e de Minas Gerais; o Cerrado, dominando a porção central e oeste de Minas
Gerais e alguns trechos do estado de São Paulo; a Caatinga, em trechos do norte de Minas Gerais
abrangidos pelo clima tropical semiárido; e a vegetação litorânea, destacando-se nela as
existentes nos manguezais e nas restingas.

Todas essas formações vegetais foram, em grande parte, destruídas pela ocupação humana. O
avanço das culturas agrícolas — café, algodão, cana-de-açúcar e outras — e da pecuária, somado à
extração madeireira, à fundação de cidades e à construção de estradas, reduziu a pequenas áreas as
formações vegetais originais (figura 10). Quanto aos manguezais e às restingas, a urbanização do
litoral, acompanhada pela intensa especulação imobiliária, destruiu em larga escala esses
ecossistemas.

Restinga
Faixa de areia depositada paralelamente ao litoral, fechando ou tendendo a fechar uma reentrância
da costa, com formações vegetais características.
Página 182

Mata Atlântica e Mata Tropical

Assim como aconteceu na Região Nordeste, com o avanço da cultura da cana-de-açúcar e a


multiplicação dos engenhos, também na Região Sudeste, principalmente com a expansão da
cafeicultura e das “ferrovias do café” que utilizavam a madeira como lenha nas locomotivas e na
fabricação de dormentes para fixar os trilhos, as Matas Atlântica e Tropical foram bastante
desmatadas.

Calcula-se que quando os portugueses chegaram, em 1500, a cobertura florestal do que hoje é o
estado de São Paulo estendia-se por 82% de sua área territorial. Com o passar do tempo, diante das
intervenções humanas, foi reduzida a 7% de sua área original, como mostra a figura 11.

Árvores como peroba, faveiro, canela, angico, jacarandá, cedro, ipê e muitas outras foram
intensamente exploradas. Provavelmente muitas espécies de plantas e de animais foram extintas
antes mesmo de serem estudadas por especialistas.

O que sobrou da Mata Atlântica no Sudeste encontra-se geralmente nos trechos de relevo íngreme
e de difícil acesso da Serra do Mar e da Mantiqueira e também em áreas transformadas em
Unidades de Conservação da Natureza, como é o caso da Estação Ecológica de Jureia-Itatins, no
litoral sul do estado de São Paulo, criada em 1986, após um longo processo de mobilização da
sociedade civil. Cabe destacar a atuação de organizações não governamentais (ONGs) em prol da
Mata Atlântica (figura 12).

Dormente
Peça, em geral de madeira, colocada transversalmente à via, na qual se assentam e se fixam os
trilhos das estradas de ferro.
Página 183

Hidrografia

A Região Sudeste compartilha com as regiões Sul, Centro-Oeste e Nordeste importantes bacias
hidrográficas: a Bacia do Rio Paraná, a Bacia do Rio São Francisco, as bacias Costeiras do Sudeste
(Rio Doce, Rio Paraíba do Sul e Rio Ribeira de Iguape) e as bacias Costeiras do Nordeste Oriental
(Rio Mucuri e Rio Jequitinhonha). Observe a figura 13.

As bacias hidrográficas do Sudeste apresentam grande potencial hidrelétrico. Nelas foram


construídas várias usinas hidrelétricas que abastecem de energia elétrica não apenas o Sudeste,
mas também as Regiões Sul e Centro-Oeste.

No Rio Tietê e no Rio Paraná, rios de planalto que formam a Hidrovia Tietê-Paraná, foram
construídas eclusas (figura 14) para vencer os desníveis dos cursos fluviais e permitir a navegação
(veremos o funcionamento de eclusas no Percurso 31).

Eclusa
Obra de engenharia instalada entre dois planos de água de níveis diferentes para permitir a
passagem de embarcações de um a outro nível, graças à manobra de comportas e a outros
equipamentos.

Navegar é preciso
Fundação SOS Mata Atlântica
<www.sosma.org.br>
Site destinado à divulgação dos projetos de preservação da Mata Atlântica com exemplos dos
programas rea lizados para a manutenção desse bioma.

Aliança para a Conservação da Mata Atlântica


<www.aliancamataatlantica.org.br>
Viaje pelas características da floresta de Mata Atlântica e também pelos procedimentos para sua
preservação navegando por este portal.
Página 184

PERCURSO 22 - Região Sudeste: ocupação e


povoamento

1. O início do povoamento
São Vicente, no litoral do que é hoje o estado de São Paulo, foi o primeiro núcleo de povoamento
permanente instalado pelos portugueses no Brasil Colônia. Foi fundado em 1532, por Martim
Afonso de Sousa, comandante da primeira expedição colonizadora enviada por Portugal. Foram
introduzidas na região a cultura da cana-de-açúcar, a criação de animais, a agricultura de
subsistência e a produção de açúcar.

Em seguida, os portugueses fundaram outros núcleos de povoamento no litoral do que hoje


consideramos a Região Sudeste: Vila Nossa Senhora da Vitória, em 1535, que deu origem ao
município de Vila Velha; Todos-os-Santos, em 1546, que deu origem ao município de Santos;
Vila Nova do Espírito Santo, em 1551, que se transformou no município de Vitória; São Sebastião,
em 1565, fundado por Estácio de Sá (capitão de uma armada portuguesa), que deu origem ao
município do Rio de Janeiro (figura 15), entre outros núcleos.

Após ultrapassar a barreira da Serra do Mar, o padre Manoel da Nóbrega, superior dos jesuítas no
Brasil, acompanhado por José de Anchieta e outros padres, ergueu em janeiro de 1554 um barracão
para a catequese dos indígenas, que recebeu o nome de Colégio de São Paulo. Localizado no
planalto de Piratininga, entre os rios Tamanduateí e Anhangabaú, afluentes do Rio Tietê, o colégio
deu origem à cidade de São Paulo (figura 16). Assim, o povoamento que antes se restringia ao
litoral instalou-se no planalto, permitindo o avanço para o interior do território.

No seu contexto

Você sabe quando iniciou a ocupação não indígena da região onde você vive? Por qual motivo?

Depende da localidade. Estimule o aluno a se interessar em saber as origens de sua cidade e compreender que o espaço
geográfico em que vive é fruto do trabalho decorrente das relações sociedade-natureza realizadas por várias gerações.
Página 185

2. Da Vila de São Paulo para o interior


Durante os séculos XVI e XVII, a Vila de São Paulo manteve-se pobre e isolada das áreas mais
dinâmicas da economia do Brasil Colônia, como o Nordeste açucareiro, que liderava a economia. A
Vila de São Paulo tinha poucos habitantes, que se dedicavam principalmente à lavoura de
subsistência. No entanto, foi nesse período que São Paulo se tornou centro irradiador de
bandeiras em direção ao interior com o objetivo de aprisionar indígenas e vendê-los como
escravos para as áreas açucareiras do Rio de Janeiro, da Bahia e de Pernambuco. Outras bandeiras
se organizaram com o objetivo de descobrir ouro e pedras preciosas, o que ocorreu por volta de
1695, nas Minas Gerais.

Devem-se a essas expedições armadas o início do povoamento do interior e o da construção de


espaços geográficos não só no Sudeste, mas também nas atuais regiões Centro-Oeste e Sul (figura
17).

Identifique dois rios utilizados pelos bandeirantes nos seus deslocamentos para o interior do
território.

Os rios Paranapanema e Tietê.


Página 186

3. A mineração e a produção de espaço


Com a descoberta de ouro e pedras preciosas nas Minas Gerais, no final do século XVII,
ocorreu intensa migração de pessoas do Nordeste, de São Paulo e até mesmo de Portugal para a
área da mineração.

A região das Minas tornou-se, então, a principal área econômica do Brasil Colônia no final do
século XVII e parte do XVIII (figura 18). Por ficar mais próximo daquela região, o centro político-
administrativo da Colônia foi transferido, em 1763, de Salvador para a cidade do Rio de Janeiro.

A atividade mineradora nas Minas Gerais deu origem a vilas que se transformaram em cidades. É o
caso de São José del Rei, atual Tiradentes; Vila Rica, atual Ouro Preto; Sabará; Ribeirão do
Carmo, atual Mariana; Diamantina e outras.

Por volta da segunda metade do século XVIII teve início a decadência da mineração em virtude,
entre outros fatores, do esgotamento dos aluviões auríferos.

Com isso, a economia mineira regrediu a um nível de autossubsistência. O espaço geográfico até
então aí construído tornou-se uma área de repulsão de população: famílias migraram em busca de
solos mais férteis para a prática da agricultura, e muitos se dirigiram para áreas dos atuais estados
de São Paulo e do Rio de Janeiro.

Aluvião
Detritos ou sedimentos, como cascalhos, areia e argila, transportados e depositados no leito e nas
margens de um rio. O aluvião aurífero corresponde ao aluvião em que se encontra o ouro.

Identifique as origens dos fluxos representados no mapa. O que transportavam?

Do sul e da região que hoje corresponde ao Nordeste provinha gado. Da África e do Nordeste vinha mão de obra escrava;
da Europa, manufaturas, azeite, sal e ferro.

Quem lê viaja mais


BOULOS JR., Alfredo.
A capitania do ouro e sua gente. São Paulo: FTD, 2001.
Esse livro aborda o cotidiano das Minas Gerais e a atividade mineradora no início do século XVIII.

Pausa para o cinema


Ouro Preto: Ouro Preto, história e cotidiano de um Patrimônio Mundial da Humanidade.
Direção: Álvaro Andrade Garcia. Brasil: Ciclope, 2003. Duração: 54 min.
O documentário percorre as características da cidade mineira a partir de sua formação, no século
XVIII, até os dias atuais.
Página 187

Estação História - A Estrada Real


Com base na importância histórica e cultural da Estrada Real, é possível desenvolver projeto interdisciplinar com
História, ao abordar as expedições portuguesas e a descoberta do ouro e diamante, e com Arte, aprofundando o
entendimento sobre a manifestação da arte barroca em Minas Gerais e seus expoentes.

“Uma antiga estrada, que atravessa parte dos estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo,
promete voltar a ser uma espécie de eldorado e reviver as riquezas dos tempos em que o Brasil era
colônia de Portugal. Caminho por onde escoavam ouro, diamante, gado e escravos nos séculos XVII
e XVIII, a Estrada Real é, agora, um destino turístico celebrado. Graças a uma série de ações
coordenadas de governos, empresas e entidades não governamentais, ela será candidata, em breve,
a se transformar em Patrimônio Cultural da Humanidade, processo já iniciado pelo Instituto
Estrada Real, que gerencia as ações do circuito turístico.

A primeira vez que a região foi considerada um eldorado foi no período colonial brasileiro, quando
o ouro e os diamantes extraídos das cidades de Vila Rica (hoje Ouro Preto) e Diamantina, no estado
de Minas Gerais, só podiam ser transportados por estradas oficiais, para que os impostos fossem
devidamente cobrados por Portugal. O mesmo ocorria com o gado e os escravos. Nasceu, assim, a
Estrada Real, que acabou perdendo importância no século XIX, com a decadência da mineração.

Inicialmente, o trajeto ligava a antiga cidade de Vila Rica ao Porto de Parati, no Rio de Janeiro.
Esse era o trecho conhecido como Caminho Velho, utilizado para o transporte de minerais
preciosos a partir de 1694. A vontade da Coroa portuguesa de escoar mais rapidamente o ouro e o
diamante em direção aos postos do Rio e, destes, à Europa, impôs a abertura de um Caminho
Novo, entre Rio de Janeiro e Vila Rica, no início do século XVIII. Com a descoberta de pedras
preciosas na região do Serro, em Minas Gerais, a estrada ganhou um terceiro trecho, até o Arraial
do Tijuco, atual Diamantina.

Ao longo de todo o percurso, existe um rico acervo cultural, artístico, gastronômico, rural e
religioso, que convive com belezas naturais, como serras, cachoeiras, rios e florestas. Se a Estrada
Real for declarada Patrimônio da Humanidade, deverá ser o maior já tombado pela Organizações
das Nações Unidas para Ciência, Educação e Cultura (Unesco) — ‘são 1,6 mil quilômetros de
extensão ao todo’.”

CHEREM, Carlos Eduardo. Um antigo eldorado volta a encantar. Valor Estados: Minas Gerais. p.
80-82, nov. 2007. Disponível em: <www.revistavalor.com.br/home.aspx?pub=24&edicao=1>.
Acesso em: 2 dez. 2014.

Eldorado
Local fictício repleto de riquezas, cuja localização os colonizadores espanhóis do século XVI
pensavam ser na América do Sul.

Interprete

1 Explique a importância econômica da Estrada Real no século XVII.

Argumente

2 Qual a importância em reconhecer a Estrada Real como Patrimônio da Humanidade?


Página 188

4. A cafeicultura e a produção de espaços geográficos no


Sudeste
Com o declínio da atividade mineradora, buscou-se um produto que pudesse garantir os ganhos na
Colônia. O produto encontrado foi o café, planta de origem africana introduzida no Pará em 1727
pelo sargento-mor Francisco de Melo Palheta, com mudas trazidas da Guiana Francesa (figura 19).

Comente com os alunos que o cafeeiro é tido como originário da Abissínia (Etiópia), na África. De lá se expandiu para a
Arábia, no século XIV. Em 1690, os holandeses o levaram para o Ceilão, atual Sri Lanka, de onde se espalhou para
Indonésia, Malásia, Índia, Filipinas e Havaí. Em 1706, os holandeses o levaram para sua colônia da América do Sul, o
atual Suriname, de onde passou para a Guiana Francesa. Na mesma época, os franceses o introduziram no Haiti. Da
Guiana Francesa foi trazido para o Brasil e, em 1760, na sua expansão, chegou até o Rio de Janeiro. A produção do Rio de
Janeiro e de São Paulo fez do Brasil o primeiro produtor mundial de café, já no início do século XIX.

A cafeicultura, porém, não trouxe os resultados esperados pelos produtores nos primeiros anos. As
exportações de grãos de café começaram a crescer somente a partir de 1816 e, pouco tempo depois,
em 1822, o Brasil conquistou sua independência política em relação a Portugal.

A expansão da cafeicultura no Sudeste

Na primeira metade do século XVIII, o café passou a ser cultivado no Maranhão, e, por volta de
1770, na Bahia. Entretanto, foi no Rio de Janeiro, inicialmente, que a cafeicultura se instalou com
êxito.

Foi um belga, conhecido pelo nome de Moke, quem formou o primeiro cafezal nas imediações da
cidade do Rio de Janeiro. Tal foi o sucesso da experiência — tanto do ponto de vista da adaptação
às condições de solo e clima como dos resultados financeiros — que seu exemplo passou a ser
seguido por muitas pessoas.

Desse modo, as imediações da cidade do Rio de Janeiro tornaram-se o centro irradiador da


cafeicultura a partir do final do século XVIII. Daí a cultura do café se expandiu, em períodos
diferentes, para o Vale do Paraíba, em direção a São Paulo, para a Zona da Mata Mineira,
para terras do Espírito Santo e, bem posteriormente, para o Triângulo Mineiro e outras
regiões do Brasil, como é o caso do norte do Paraná e de Mato Grosso (figura 20).

Zona da Mata Mineira


Porção sudeste do estado de Minas Gerais, correspondente à área mineira da Bacia do Rio Paraíba
do Sul, coberta originalmente pela Mata Atlântica e que tem a cidade de Juiz de Fora como
principal centro urbano.

Triângulo Mineiro
Porção sudoeste do estado de Minas Gerais, delimitada pelos rios Grande, Paranaíba e seu afluente
Araguari, com vegetação nativa de Cerrado, onde se destacam as cidades de Uberaba, de
Uberlândia e de Araguari como principais centros urbanos.
Página 189

O cultivo do café em Araraquara (SP) é anterior ou posterior ao cultivo em Juiz de Fora (MG)?

É posterior: a região de Juiz de Fora passou a cultivar café entre 1850 e 1900, e em Araraquara ocorreu após o início do
século XX.

A expansão da cafeicultura do Rio de Janeiro em direção a São Paulo, pelo Vale do Paraíba,
recuperou a economia do vale, que atingira certo crescimento na fase áurea da mineração das
Minas Gerais. Com a cafeicultura se deram, então, a reorganização e a reconstrução do espaço
geográfico do Vale do Paraíba. Muitas vilas e cidades até então decadentes voltaram a crescer. É o
caso de Vassouras e Valença, no Rio de Janeiro, e Bananal, Areias, Lorena, Guaratinguetá
e Taubaté, em São Paulo — cidades que, como outras da região, continuaram a ser, até 1880,
grandes produtoras de café.

Por outro lado, o avanço da cafeicultura provocou imensos desmatamentos na Mata Atlântica
que cobria o Vale do Paraíba. Utilizando-se da mão de obra escrava e da chamada agricultura
itinerante, a cafeicultura passou por esse vale, deixando atrás de si destruição ecológica, além de
provocar a decadência de muitas cidades, o que levou o escritor Monteiro Lobato a chamá-las de
“cidades mortas”. Estas somente se recuperariam por volta de 1940, como veremos no Percurso 24.

Agricultura itinerante
Técnica agrícola em que há deslocamento das áreas de cultivo. No caso da cafeicultura, esta se
caracterizou pela derrubada da mata, seguida de queimada dos restos da vegetação, limpeza da
área e plantio das mudas. Quando o solo não oferecia mais a produtividade esperada, em virtude de
seu esgotamento ou empobrecimento, a área era abandonada e uma nova área era desmatada,
repetindo o processo.
Página 190

Atividades dos percursos 21 e 22


Registre em seu caderno.

Revendo conteúdos

1 Sobre a Região Sudeste, responda às seguintes questões.

a) Qual é a característica marcante de seu relevo?

b) A que domínio morfoclimático que você estudou no Percurso 4 corresponde a grande parte do
relevo do Sudeste? Cite alguns impactos ambientais nesse domínio.

2 Em relação à Mata Atlântica no estado de São Paulo, responda ao que se pede.

a) Em 1500, a Mata Atlântica recobria quanto do território paulista? E, passados mais de cinco
séculos, quanto ela recobre?

b) Cite as atividades econômicas que deram início à sua devastação.

c) Explique por que a exploração intensa da Mata Atlântica comprometeu possíveis avanços
científicos.

d) Onde é possível encontrar porções preservadas da Mata Atlântica?

3 Cite algumas características das bacias fluviais da Região Sudeste.

4 Sobre a atividade mineradora nas Minas

Gerais, no final do século XVII e parte do século XVIII, responda ao que se pede.

a) Qual é a relação entre a atividade mineradora e a produção de espaços geográficos?


Exemplifique.

b) Com a decadência da mineração na segunda metade do século XVIII, quais foram as


consequências sociais e econômicas nas Minas Gerais?

5 Praticando a agricultura itinerante, a cafeicultura, em sua expansão pelo Vale do


Paraíba, produziu efeitos desastrosos sobre o meio natural.

a) Explique o que é agricultura itinerante.

b) A que efeitos desastrosos sobre o meio natural essa prática deu origem?

Leituras cartográficas

6 Observe o mapa da figura 19, na página 188, e responda ao que se pede.

a) Quando e onde ocorreu a provável introdução do café na América do Sul?

b) Indique a rota provável da expansão do café em território nacional.

7 Observe os mapas a seguir e faça o que se pede.

Nota: nos séculos XVII e XVIII não havia a divisão política do Brasil que consta nesses mapas. Ela
foi incluída apenas para fins didáticos.
Página 191

a) Compare os dois mapas e comente a evolução da ocupação do território brasileiro entre os


séculos XVII e XVIII, com especial atenção à Região Sudeste.

b) Quais transformações ocorreram na região mineradora de Minas Gerais? Cite cidades que se
destacaram nessa região.

c) A que você atribui o aumento da população nas Minas Gerais durante o século XVIII?

Explore

8 Observe a imagem reproduzida abaixo e faça o que se pede.

• As monções eram expedições fluviais que partiam do interior de São Paulo em direção a novas
zonas de mineração, em áreas que atualmente compõem os estados de Mato Grosso e Goiás.
Comente a importância das bandeiras e das monções na produção de espaços geográficos no Brasil.

9 Em 1920, Monteiro Lobato escreveu Onda Verde, livro em que expõe sua visão
sobre a expansão do café em terras paulistas. Leia o fragmento desse livro e
responda às questões.

“A quem viaja pelos sertões do chamado oeste de São Paulo empolga o espetáculo maravilhoso da
preamar do café. Aquela onda verde nasceu humilde em terras fluminenses. Tomou vulto,
desbordou para São Paulo e, fraldejando a Mantiqueira, veio morrer, detida pela frialdade do
clima, à beira da Pauliceia.

Mas não parou. Transpôs o baixadão geento e foi espraiar-se em Campinas.

Ali começou mestre Café a perceber que estava em casa. Corredor de mundo, viajante exótico vindo
d’Arábia ou d’África, provara pelo caminho todos os massapés e sondara todos os climas.

[…] Polvo com milhões de tentáculos, o Café rola sobre a mata e a soverte.

Nada o sacia. Já comeu as zonas ubérrimas de Ribeirão Preto, Jaú, São Manuel, Araraquara, os
pedaços de ouro de São Paulo, e agora afunda os dentes na carne virgem, tressuante de seiva, do
Paraná e de Mato Grosso. […]”

LOBATO, Monteiro. Onda Verde. 13. ed. São Paulo: Brasiliense, 1979. p. 3 e 5.

Geento
De geada, frio.

Massapé
Denominação popular para o solo argiloso.

Soverte
Subverte, modifica, revoluciona.

Ubérrimo
Muito fértil.

Tressuante
Que exala, transpira.

a) Podemos dizer que o autor do texto descreve a expansão da cafeicultura? Explique?

b) O que o autor quis dizer com o trecho “fraldejando a Mantiqueira, veio morrer, detida pela
frialdade do clima, à beira da Pauliceia”?
Pesquise

10 Faça uma pesquisa na página eletrônica da Fundação SOS Mata Atlântica,


<www.sosma.org.br>, sobre os projetos da organização para proteção e
desenvolvimento sustentável da biodiversidade da Mata Atlântica. Escolha dois
projetos no campo “Projetos” e explique sua escolha, destacando por que, em sua
opinião, esses projetos são os mais importantes. Apresente seu trabalho em aula e
compartilhe-o com os colegas.
Página 192

PERCURSO 23 - Região Sudeste: a cafeicultura e a


organização do espaço

1. A expansão da cafeicultura em direção ao interior de


São Paulo
Chegando às terras mais interiores da província de São Paulo, na primeira metade do século XIX, a
cafeicultura desenvolveu-se amplamente. Por volta de 1840 ocupou terras da Depressão Periférica
Paulista (figura 21), entre elas, a área do atual município de Campinas (SP), que se situa na zona de
contato entre essa depressão, a oeste, e o Planalto Cristalino ou Oriental, a leste. Posteriormente,
avançou para o Planalto Ocidental Paulista, tanto na direção do Rio Grande, na divisa de Minas
Gerais, como em direção ao Rio Paraná e ao Rio Paranapanema.

No Planalto Ocidental Paulista, a cafeicultura encontrou condições de clima e solo bastante


favoráveis para o seu desenvolvimento: clima tropical, com verão chuvoso e inverno seco, e médias
anuais de temperaturas superiores a 20 °C, além de manchas de terra roxa de grande fertilidade.

Assim como aconteceu com os canaviais do Nordeste nos séculos XVI e XVII e também com a
expansão da monocultura cafeeira no Vale do Paraíba e na Zona da Mata Mineira, o avanço da
cafeicultura no Planalto Ocidental Paulista provocou a devastação de grande parte da cobertura
vegetal nativa. A Mata Tropical e o Cerrado foram progressivamente substituídos por culturas
agrícolas — café (figura 22), algodão, amendoim, cana-de-açúcar etc. —, pela pecuária e ainda pela
urbanização e construção de ferrovias.

Província
Divisão político-administrativa de um país sob a autoridade de um poder central. As províncias do
Brasil imperial passaram a ser denominadas estados com a Proclamação da República, em 1889.

Sugerimos explicar os problemas ambientais causados pela monocultura. Veja o texto que segue: “Grandes extensões de
monocultura podem determinar a extinção regional de algumas espécies e a proliferação de outras. Vegetais e animais
favorecidos pela plantação, ou cujos predadores foram exterminados, reproduzem-se de modo desequilibrado,
prejudicando a própria plantação. Eles passam a ser considerados então uma ‘praga’”. (BRASIL. Secretaria de Educação
Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais: terceiro e quarto ciclos: apresentação dos temas transversais.
Brasília: MEC/SEF, 1998. p. 174.)
Página 193

Ferrovias, cafeicultura e produção de espaços geográficos

As ferrovias tiveram papel importante na ocupação humana e, por conseguinte, na produção de


espaços geográficos no Sudeste, particularmente no estado de São Paulo.

Muitas cidades surgiram ao redor de estações ferroviárias, destinadas a receber a produção cafeeira
e outros produtos. É o caso, por exemplo, de Adamantina, Araçatuba, Bauru, Lins, Lucélia,
Penápolis, Pompeia, São José do Rio Preto, Tupã e Votuporanga, todas no estado de São Paulo.

Ao mesmo tempo que foram construídas para escoar a produção cafeeira, devemos considerar que
as ferrovias foram importantes para a industrialização inicial de São Paulo e do Rio de Janeiro ao
propiciar o transporte tanto de matérias-primas para as indústrias, como da produção industrial
para o interior. Veja a localização das culturas de café ao longo das ferrovias paulistas na figura 23.

As ferrovias cumpriram esse papel até, aproximadamente, os anos 1950, quando teve início o
desenvolvimento rodoviário.

Navegar é preciso
ABPF – Associação Brasileira de Preservação Ferroviária
<www.abpfsp.com.br/ferrovias.htm>
Conheça diversas curiosidades sobre as locomotivas observando fotos antigas que revelam
contextos históricos de seu desenvolvimento, principalmente no estado de São Paulo.
Página 194

2. A cafeicultura e a imigração estrangeira


Em 1850, com a Lei Eusébio de Queirós, que proibiu o tráfico de escravos para o Brasil, o problema
da falta de mão de obra para a cafeicultura em expansão se agravou, pois o preço do escravo
aumentou para quem desejasse comprá-lo. Esses fatos, somados ao movimento abolicionista,
levaram os grandes plantadores de café a pensar se não seria mais conveniente e mais barato
empregar trabalhadores livres.

Considerando-se que o número de brasileiros livres nos espaços da cafeicultura era insuficiente
para o trabalho nas fazendas, a solução encontrada pelos fazendeiros e pelo governo da época foi
buscar mão de obra fora do Brasil. Agentes enviados para a Europa passaram a divulgar que o
Brasil estava precisando de imigrantes para o trabalho na lavoura de café. Criou-se, então, um
fluxo migratório para o país, que se acentuou após a abolição da escravidão, em 1888,
particularmente para a província de São Paulo (figura 24).

Imigrantes de várias nacionalidades vieram para São Paulo: espanhóis, portugueses, japoneses,
italianos e outros (figura 25). Os italianos foram os que vieram em maior número. Contribuíram,
assim, de forma significativa, como trabalhadores na cultura cafeeira, para a ocupação do território
e a produção de espaços geográficos.

Em que ano ocorreu o maior pico de imigração para o estado de São Paulo?

Por volta de 1895.


É uma oportunidade para mostrar a pluralidade cultural e destacar a contribuição do imigrante na construção do Brasil,
destacando também o papel das migrações forçadas durante a escravidão e das migrações atuais, de asiáticos, africanos e
pessoas de outros países da América Latina, principalmente. Sugerimos desenvolver a leitura cartográfica de um
planisfério político localizando o país de origem dos ancestrais e a trajetória dos deslocamentos deles até o Brasil.

No seu contexto

Sua família é descendente de imigrantes? De qual nacionalidade? Quando vieram para o Brasil e
por quê?

Quem lê viaja mais


DE FREITAS, Sônia Maria.
O café e a imigração. 1. ed. São Paulo: Saraiva, 2003.
Mostra a participação do imigrante no desenvolvimento da cafeicultura e as transformações
urbanas no Brasil, particularmente no Sudeste.
Página 195

Trabalho livre, mercado interno e espaço geográfico

Durante o período da escravidão, o mercado interno de consumo era bastante limitado. Os


trabalhadores livres eram em pequeno número e os escravos não recebiam salário por seu trabalho.
Estavam, portanto, impossibilitados de comprar bens ou mercadorias.

Com a expansão das relações assalariadas de trabalho e o estabelecimento dos fluxos imigratórios,
essa situação se alterou. Ao receber dinheiro pelo trabalho, o trabalhador passou a consumir e, em
consequência, estimulou a produção interna de mercadorias e a industrialização. Além disso,
muitos imigrantes trouxeram consigo técnicas de fabricação de variadas mercadorias. Uma parte
deles montou oficinas ou pequenas fábricas que ao longo do tempo, em vista do crescimento
urbano, se transformaram em indústrias.

Assim, desde o final do século XIX começou a se formar um mercado interno de consumo que
favoreceu o desenvolvimento urbano, comercial, agrícola, industrial, financeiro (dos bancos) e de
prestação de serviços (escolas, hospitais, rede de água e de esgoto, coleta de lixo etc.). A
cafeicultura, com seu dinamismo, movimentou a economia e forneceu o capital financeiro para
essas transformações no Sudeste, principalmente em São Paulo e no Rio de Janeiro (figuras 26 e
27). Os espaços geográficos, até então produzidos de acordo com uma economia voltada para o
mercado externo (espaços extrovertidos), passaram também a ser produzidos para atender às suas
próprias necessidades.

Quem lê viaja mais


BERTONHA, João Fábio.
A imigração italiana no Brasil. São Paulo: Saraiva, 2004.
Além de tratar do fluxo imigratório italiano para a Região Sul do Brasil e para São Paulo, o autor
descreve como era a sociedade na época da chegada desses imigrantes.
Página 196

PERCURSO 24 - Região Sudeste: população e


economia

1. População
A Região Sudeste é a mais populosa e povoada do Brasil — em 2014, representava 42% da
população total do país. Veja na tabela 1 a participação de cada estado na população dessa região.

Tabela 1. Estados da Região Sudeste: população absoluta estimada, área territorial e


densidade demográfica – 2014
Estados População (hab.) Área (km²) Densidade dem. (hab./km²)
Minas Gerais 20.734.097 586.522 35,4
Espírito Santo 3.885.049 46.095 84,2
Rio de Janeiro 16.461.173 43.780 376,0
São Paulo 44.035.304 248.222 177,4
Região Sudeste 85.115.623 924.619 92,0
A classificação das metrópoles feita pelo IBGE estabelece a hierarquia urbana. Assim, São Paulo é a Grande Metrópole
Nacional, seguida pelo Rio de Janeiro, como Metrópole Nacional, e Belo Horizonte, como Metrópole. Entre os critérios
utilizados pelo IBGE, consta a extensão territorial de suas áreas de influência.

O estado de São Paulo destaca-se como o mais populoso do país: em 2014, de cada 100 habitantes
do Brasil, cerca de 22 viviam naquele estado (22%).

A taxa de urbanização dessa região é alta — 93% de sua população vive em cidades. Aí se situam a
Grande Metrópole Nacional, representada por São Paulo (figura 28); a Metrópole Nacional, Rio de
Janeiro; e a Metrópole Belo Horizonte — em 2014, os habitantes das Regiões Metropolitanas
definidas por elas correspondiam a 19% da população total do Brasil.

Os indicadores sociais da Região Sudeste se aproximam aos da Região Sul. Compare os dados das
regiões apresentados na tabela 2.
Página 197

Tabela 2. Grandes Regiões: alguns indicadores sociais – 2012


Analfabetismo de pessoas Domicílios com Mortalidade infantil
Grandes
com 15 anos ou mais de acesso a saneamento por mil nascidos
Regiões
idade (%) adequado vivos (‰)
Norte 10,0 19,9 21,0
Nordeste 17,4 51,1 19,1
Sudeste 4,8 90,6 13,4
Sul 4,4 67,8 11,6
Centro-
6,7 49,7 15,9
Oeste
Brasil 8,7 70,3 16,0

Nota: Segundo o IBGE, saneamento adequado é o “acesso simultâneo aos serviços de


abastecimento de água por rede geral no domicílio ou na propriedade, esgotamento sanitário por
rede coletora de esgoto ou fossa séptica ligada à rede coletora de esgoto, e lixo coletado direta ou
indiretamente”.

A Região Sudeste, no entanto, não é um “paraíso”, pois apresenta altos índices de violência, além
de conviver com grande desemprego, favelas e pobreza, principalmente de sua população das
regiões metropolitanas (figura 29).

2. Economia
A participação do Sudeste no PIB total do Brasil, ou seja, no valor de todos os bens e serviços
produzidos no país em um ano, é de aproximadamente 55%. Por estar articulada e integrada não só
às demais regiões brasileiras como também aos espaços geográficos mundiais, essa região realiza
intensas trocas comerciais, fortalecendo sua economia.

Além de ser a região mais industrializada do Brasil, como estudamos no Percurso 11, e ter um setor
de serviços muito diversificado, o Sudeste apresenta atividades agropecuárias e agroindustriais
modernas em grandes extensões de terras.

Não abordaremos neste Percurso a atividade industrial do Sudeste para evitar repetição de conteúdo. Entretanto,
sugerimos que, se for necessário, o Percurso 11 seja revisto.

No seu contexto

A cidade onde você mora possui saneamento adequado?

Depende da cidade. Com base na conceituação dada pelo IBGE, explique a importância de a cidade dispor de saneamento
adequado, pois se trata de uma questão de saúde pública. Se possível, localize os bairros mais carentes de saneamento
adequado. É interessante também ressaltar que se trata de uma questão de cidadania, ou seja, é um direito do cidadão
exigir das autoridades responsáveis a implantação desses serviços básicos.

No seu contexto

Na cidade onde você mora há uma paisagem urbana semelhante a essa da foto?
Oportunidade para discutir a questão do espaço transformado em mercadoria de compra e venda. Adquire o melhor
espaço aquele que tem rendimento para atender os altos preços da especulação imobiliária urbana. Quem não possui tal
rendimento se instala em áreas urbanas ou em lotes de preços menores ou ocupa vales de rios, encostas etc. O infográfico
das páginas 88 e 89 trata da segregação socioespacial. Desenvolva também a ideia de que a cidade é a expressão visível
das desigualdades sociais.
Página 198

INFOGRÁFICO

Mulheres no setor de serviços do Sudeste

A urbanização, a industrialização e o aumento da escolaridade contribuíram para a maior


incorporação da mulher ao mercado de trabalho, principalmente no setor de serviços. Em 2013,
43,2% das mulheres empregadas na economia formal brasileira trabalhavam no setor de
serviços da Região Sudeste.

Região Sudeste: número de trabalhadores por subsetor de serviços — 2013

Os gráficos a seguir mostram como trabalhadores com registro profissional estavam distribuídos
pelo setor de serviços do Sudeste. Apesar de o contingente feminino ser cerca de um terço menor
que o masculino, em seis dos dez subsetores dos serviços havia mais mulheres que homens
trabalhando.

Brasil: número de trabalhadores por setor da economia — 2013

Dos 48,9 milhões de trabalhadores com carteira assinada no Brasil, cerca de 36 milhões atuavam
no setor de serviços, metade deles na Região Sudeste.
Página 199

Interprete

1 Considerando todo o Brasil, por que o setor de serviços do Sudeste é tão significativo para as
trabalhadoras?

1. O setor de serviços do Sudeste emprega 43% do total de mulheres com registro de trabalho no Brasil.

2 O tratamento recebido por mulheres e homens é similar no mercado de trabalho brasileiro?


Justifique sua resposta com informações extraídas do infográfico.

2. Para justificar a desigualdade no tratamento recebido por mulheres e homens, os alunos podem mencionar que a
maioria das trabalhadoras domésticas do país não tem registro profissional e que o salário médio das mulheres é mais
baixo que o dos homens com cargo e escolaridade semelhantes. Se julgar oportuno aprofundar a discussão, sugerimos
que os alunos sejam estimulados a levantar hipóteses sobre o predomínio de mulheres nos subsetores de educação e de
saúde e serviços sociais para que reflitam sobre como os papéis exercidos por mulheres e homens são construções sociais.
As profissões de professora e enfermeira podem ser citadas como exemplos de papéis sociais historicamente construídos,
com origem na maternidade e no papel de cuidadoras dos filhos.
Página 200

Agricultura

Nas terras da Região Sudeste cultivam-se vários produtos, destacando-se a cana-de-açúcar, a


laranja, o café, o amendoim, a soja, o arroz, o milho, além de outras culturas.

Na região se localizam os três maiores produtores de café do Brasil: Minas Gerais, Espírito Santo e
São Paulo, cuja produção, além de atender ao mercado interno, é destinada à exportação.

A cultura da laranja é realizada principalmente no estado de São Paulo, onde se destacam os


municípios de Matão, Araraquara, Bebedouro e São José do Rio Preto. As indústrias de suco de
laranja aí instaladas são determinantes para que o Brasil seja o maior exportador mundial desse
produto (figura 30).

O Sudeste é o maior produtor nacional de cana-de-açúcar — o estado de São Paulo lidera a


produção brasileira desse produto, a de açúcar e a de etanol (álcool combustível para veículos
automotores). No interior paulista, os canaviais e as grandes usinas de açúcar e álcool localizam-se
principalmente nas proximidades de Ribeirão Preto, Bauru e Piracicaba.

A produção de etanol permitiu ao Brasil desenvolver novas tecnologias agrícolas e industriais. O


país ocupa a liderança mundial nesse setor.

Se considerar oportuno, aborde com seus alunos o que segue: São necessários mais de 3.000 golpes de facão e 3.000
flexões da coluna por dia de trabalho, sob o sol, para colher cerca de 9 toneladas de cana. Por esse esforço descomunal, o
boia-fria recebe, em média, cerca de um salário mínimo e meio por mês. Além desse esforço, respira o pó da fuligem da
queima da palha da cana, procedimento utilizado para facilitar o corte. Muitos desses trabalhadores, desprovidos de
máscara, usam apenas um pano amarrado no pescoço para se protegerem desse pó e dos agrotóxicos utilizados na cultura
da cana. Há ocorrências de morte de boias-frias nos canaviais causada, provavelmente, por exaustão física.

A modernização dolorosa

A modernização agrícola do Sudeste apresenta outra face. A mão de obra empregada tanto na
colheita da laranja como na da cana-de-açúcar é temporária, frequentemente realizada por boias-
frias, originários da Região Nordeste, principalmente.

O corte manual da cana-de-açúcar exige enorme esforço físico, e o trabalhador, submetido a


condições desgastantes, é mal remunerado.

Diante dessas condições, explicadas por um modelo de desenvolvimento caracterizado pela


exclusão social, o corte manual de cana é uma questão que começa a ser enfrentada pelos governos.

No estado de São Paulo, ocorreu em 2014 o fim do corte manual de cana-de-açúcar nas áreas
mecanizáveis e em 2017 se prevê o fim dele nas áreas não mecanizáveis, conforme acordo
estabelecido entre as usinas produtoras de etanol e o governo estadual — Protocolo Agroambiental
do Setor Sucroalcooleiro Paulista — assinado em 2007, que incentivou o avanço da mecanização
nos canaviais e a redução progressiva do número de vagas para o corte manual da cana. No início
dos anos 1990, existiam cerca de 300.000 cortadores de cana no estado, em 2012 declinou para
130.000 devido ao avanço da mecanização.

Navegar é preciso
CitrusBR – Associação Nacional dos Exportadores de Sucos Cítricos
<www.citrusbr.com.br>
Acesse o site e clique em “Laranja e Suco” para conhecer em detalhes cada passo da cadeia
produtiva do suco de laranja.
Página 201

Pecuária

Além da pecuária bovina de corte predominantemente extensiva, praticada sobretudo no norte de


Minas Gerais, o Sudeste apresenta várias bacias leiteiras, ou seja, áreas de pecuária intensiva
destinadas à produção de leite e seus derivados (queijos, iogurtes etc.) (figura 31). Dotado de
tecnologias adiantadas de produção e de seleção de raças leiteiras, o setor é expressivo na Região
Sudeste, com destaque para o Vale do Paraíba, o sul de Minas Gerais, o Triângulo Mineiro e o leste
do estado de São Paulo, próximo ao sul de Minas.

Estação Ciências - Drones mapeiam áreas rurais


Com a colaboração do professor de Ciências, poderão ser abordados outros exemplos da aplicação de aparatos
tecnológicos na agricultura, como também no monitoramento ambiental, na meteorologia, na saúde humana, entre
outros.

“No Ano Internacional da Agricultura Familiar, a contribuição da Embrapa Instrumentação (São


Carlos–SP) na 11ª edição da Agrifam é a apresentação de um veículo aéreo não tripulado, de
pequeno porte, conhecido como vant ou drone [do inglês ‘drone’, zangão], que pode ser utilizado
por pequenos produtores na gestão da lavoura. Junto com o aparelho serão demonstrados os
softwares para análise das imagens captadas pelo vant.

[...] De acordo com o pesquisador Lúcio André de Castro Jorge, [...] desde a escolha do drone até a
câmera a ser embarcada requer cuidados, para que realmente se obtenha informações úteis das
imagens registradas por elas.

As imagens são usadas para facilitar o levantamento de falhas de plantio, obtenção de mapas de
estágios de desenvolvimento da lavoura, localizar doenças, deficiências e pragas, presença de
plantas invasoras, dentre outras [...]”

Embrapa. Drone é destaque na Agrifam. Notícias. Mecanização e automação. 7 jul. 2014.


Disponível em: <www.embrapa.br/busca-de-noticias/-/noticia/1884818/drone-e-destaque-na-
agrifam>. Acesso em: 1 abr. 2015.

Embrapa
Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária.

Software

Programa de computador.

Interprete

1 Qual é a função dos softwares para análise de imagens desenvolvidos pela Embrapa
Instrumentação?

Argumente

2 Por que o uso dessas tecnologias é importante para os agricultores que a aplicam?

Contextualize

3 Na zona rural do município onde você vive é empregada alguma tecnologia avançada nas culturas
agrícolas? Qual?
Página 202

Recursos minerais: o extrativismo mineral

Na estrutura geológica do Sudeste são encontrados vários recursos minerais: urânio, níquel,
estanho, chumbo, calcário, cromo, diamante, fósforo, petróleo e outros. Entre eles, destacaremos
os minérios de ferro e de manganês e o petróleo.

O minério de ferro e de manganês

As principais jazidas de minério de ferro e de manganês da Região Sudeste localizam-se no


Quadrilátero Ferrífero ou Central (figura 32).

Sua exploração destina-se a abastecer as usinas siderúrgicas instaladas no Sudeste (Usiminas, CSN,
Cosipa, além de outras), que fabricam aço para atender às indústrias e à construção civil. Opera
também na região a Vale, empresa mineradora, exportadora de minério de ferro. O seu transporte
do Quadrilátero Ferrífero até o porto de Tubarão, no estado do Espírito Santo, é feito pela Estrada
de Ferro Vitória a Minas (figura 33).

No seu contexto

Cite um produto que você usa cuja matéria-prima é o ferro.

Resposta pessoal. Retome o conceito de transformação das matérias-primas, ou seja, aquelas já industrializadas ou
modificadas. Vale lembrar que o ferro foi uma das matérias-primas essenciais para a ocorrência das revoluções
industriais. Seu uso pela sociedade está disseminado; basta fazer um levantamento de sua enorme aplicação (peças de
motores, janelas e portões de residências, uso em móveis, em navios etc.) para confirmar isso. Peça aos alunos que citem
mais exemplos de sua utilização, para que desenvolvam o senso de observação.

Quem lê viaja mais


CANTO, Eduardo Leite do.
Minerais, minérios e metais: de onde vêm? Para onde vão? 2. ed. São Paulo: Moderna, 2004.
Além de discutir os conceitos de mineral, minério e metal, o livro aborda as suas origens e a
metalurgia, mostrando suas várias aplicações.
Página 203

O petróleo

Além da bacia petrolífera de Campos, no litoral dos estados do Rio de Janeiro e do Espírito Santo
(figura 34), em 2007, um fato novo e promissor para o Brasil foi a confirmação da Petrobras de que
o campo de petróleo de Tupi, localizado na Bacia de Santos (SP), apresenta viabilidade econômica
de exploração. A chamada camada do pré-sal, a mais de 6.000 metros abaixo do nível do mar, é
uma grande jazida petrolífera e de gás natural. Segundo especialistas no setor, o Brasil poderá se
tornar um importante exportador de petróleo com a sua exploração.

O Sudeste é o maior produtor de petróleo do Brasil. O estado do Rio de Janeiro lidera a produção
regional e nacional, respondendo por cerca de 71% da produção no país (figura 35). Nesse estado, o
petróleo é extraído da plataforma continental e na Bacia de Campos.

Plataforma continental
Planalto submerso que orla todos os continentes e apresenta declives pouco acentuados até
aproximadamente a cota de profundidade de 200 metros.

Navegar é preciso
Petrobras
<www.petrobras.com.br/pt>
Visite este site e, em “Nossas atividades”, clique em “Principais Operações” para explorar
infográficos, mapas, gráficos e animações.
Página 204

Atividades dos percursos 23 e 24


Registre em seu caderno.

Revendo conteúdos

1 Sobre a expansão da cafeicultura na província e depois estado de São Paulo,


responda às questões abaixo.

a) Após o desenvolvimento na Depressão Periférica Paulista, a cafeicultura se expandiu sobre qual


unidade do relevo paulista e em quais direções?

b) Cite as condições naturais favoráveis à cafeicultura encontradas nesse tipo de relevo.

c) Que meio de transporte foi utilizado para apoiar e estimular o desenvolvimento da cafeicultura?

d) Aponte as coberturas vegetais que foram sacrificadas com o avanço da cafeicultura.

2 Aponte os fatores que foram determinantes, no final do século XIX, para a


formação de um mercado interno significativo no Sudeste e, por conseguinte, para a
industrialização.

3 Quanto às denominadas “ferrovias do café”, explique:

a) Por que elas estão relacionadas à produção de espaços geográficos?

b) Cite o papel dessas ferrovias em relação ao desenvolvimento industrial de São Paulo e do Rio de
Janeiro.

4 Explique o que é PIB e aponte a participação do Sudeste no PIB total do Brasil.

5 Em relação à agricultura da Região Sudeste, faça o que se pede.

a) Cite e localize por estado os três principais produtos cultivados.

b) Aponte a contradição social que acompanha a modernização da cultura da cana-de-açúcar.

Leituras cartográficas

6 Observe o mapa a seguir. Depois, responda às questões.

a) Qual estado é o maior produtor de cana-de-açúcar do Brasil? Ela é usada como matéria-prima
para a fabricação de quais produtos em usinas da Região Sudeste?

b) Indique a participação do maior produtor de cana-de-açúcar na produção total do Brasil.

7 Com o auxílio das informações do mapa, responda às questões.


Página 205

a) Qual título você daria para esse mapa?

b) Quais estados da Região Sudeste são produtores de petróleo e gás natural?

c) Em que porção da Região Sudeste, segundo o mapa, é explorada a prata?

Explore

8 Observe a reprodução do quadro do pintor Candido Portinari (1903-1962) a seguir.


Depois, faça o que se pede.

a) Identifique na tela dois elementos relacionados à expansão da cafeicultura na Região Sudeste.

b) Os cafezais, no Sudeste, foram plantados apenas em terrenos planos? Por quê?

c) Explique as relações de trabalho e a mão de obra dos cafezais antes e depois da abolição da
escravidão.

9 Leia o texto a seguir e faça o que se pede.

“[...] De 1892 a 1910, [a cidade de] São Paulo teve sua população aumentada de 764%, isto é,
aumentou de 31.385 para 239.820 habitantes. [...] Nas proximidades das novas linhas de bonde ou
das estações de estrada de ferro, ao longo das velhas e tortuosas estradas rurais [...] foram surgindo
os bairros operários. [...] Enquanto isso, bairros velhos como Bexiga, Bela Vista e Liberdade
ganharam cortiços e cortiços de gente que esperava ganhar oportunidade para morar melhor.”

CARONE, Edgard. Movimento operário no Brasil (1877-1944). São Paulo: Difel, 1984. p. 37.

Bairro operário
Conjunto de casas construídas perto das fábricas ou próximo a uma região industrial para abrigar
os operários dessas empresas.

a) A que fato se deve o crescimento da população paulista no final do século XIX e início do XX?

b) Cite o trecho do texto que explicita o problema de moradia gerado pelo rápido crescimento
populacional da cidade de São Paulo.

Investigue seu lugar

10 Vimos que muitas cidades do estado de São Paulo tiveram origem ao redor de
estações ferroviárias. Você conhece a história da fundação da cidade onde você
mora? Faça uma pesquisa utilizando fontes confiáveis — órgãos oficiais do governo
(como sites de prefeituras), IBGE, livros, jornais etc. — e elabore uma redação sobre
a história da fundação de sua cidade. Busque compreender a importância da
infraestrutura e das atividades econômicas para o seu surgimento.
Página 206

UNIDADE 7 - Região Sul


Nesta Unidade conheceremos as características do meio natural e o processo de construção de
espaços geográficos na Região Sul. Veremos também alguns impactos ambientais decorrentes do
processo de construção e reconstrução espacial, finalizando com aspectos populacionais e da
economia dessa região.

Percursos
25 Região Sul: o meio natural
26 Região Sul: a construção de espaços geográficos
27 Região Sul: problemas ambientais
28 Região Sul: população e economia

Alguns rios da Região Sul fazem parte da Grande Bacia do Rio Paraná, entre eles o Rio Iguaçu, que
nasce na borda Ocidental da Serra do Mar, na porção leste do município de Curitiba, capital do
estado do Paraná. Atravessa os planaltos paranaenses de leste a oeste e, antes de desaguar no Rio
Paraná, forma as Cataratas do Iguaçu, em um afloramento de rochas vulcânicas (basalto). As
Cataratas possuem mais de 270 quedas e algumas atingem 82 m de altura, formando paisagens de
gigantesca beleza. Elas abrangem terras do Brasil, da Argentina e do Paraguai e abrigam
remanescentes da Floresta Tropical do interior. Por sua importância, com destaque para sua
biodiversidade, foi criado, em 1939, o Parque Nacional do Iguaçu.
Página 207

Verifique sua bagagem

1. O que você sabe sobre os estados que formam a Região Sul do Brasil?

1. Os alunos podem citar que os estados apresentam clima subtropical, pois se localizam predominantemente ao sul do
Trópico de Capricórnio; que receberam fluxos de imigração europeia; que a região é produtora de uvas e vinhos, de soja,
de trigo etc.

2. Qual é a importância dos rios para a Região Sul do Brasil? E para as demais
regiões?

2. Os rios da Região Sul e das demais regiões permitem o abastecimento de populações urbanas e rurais; a navegação; a
irrigação de terras cultivadas; o fornecimento de alimentos; a produção de energia elétrica etc. Pode-se citar ainda que a
água dos rios sofre evaporação, alimentando a atmosfera com vapor de água e que recebem as águas das chuvas, que os
abastecem (ciclo hidrológico).

3. Você sabe se existe produção de energia elétrica a partir da fonte hidráulica nessa
Grande Região?

3. Espera-se que os alunos apontem a Usina de Itaipu, que é a de maior potência instalada no Brasil e que se localiza no
Rio Paraná, na fronteira entre o estado do Paraná e o Paraguai.
Página 208

PERCURSO 25 - Região Sul: o meio natural

1. Apresentação
Das regiões do Brasil, a Região Sul (figura 1) é a que apresenta menor área territorial e é a segunda
em densidade demográfica, com aproximadamente 50,3 hab./km2. Em 2014, seus estados
somavam, 29.016.114 habitantes distribuídos por 576.774 km2.

Até meados do século XVIII, a região revelava um povoamento luso-brasileiro escasso e bastante
disperso. A partir da segunda metade do século XIX, a região passou a receber fluxos imigratórios,
principalmente de portugueses açorianos, italianos, alemães e poloneses, que contribuíram para
seu povoamento e desenvolvimento econômico.

A Região Sul do Brasil faz limites territoriais com quais países?

Paraguai, Argentina e Uruguai.

Quem lê viaja mais


MORAES, Paulo Roberto; MELLO, Suely A. R. Freire de.
Região Sul. são Paulo: harbra, 2009. (col. expedição Brasil).
Apresenta uma visão ampla da Região Sul, abordando aspectos físicos, históricos, populacionais,
culturais, entre outros, por meio de uma linguagem acessível.
Página 209

2. Aspectos do meio natural


A Região Sul conta com grande diversidade paisagística. A seguir, conheceremos as características
de seu quadro natural.

Relevo e vegetação

As terras altas (de maiores altitudes) da Região Sul são encontradas nas porções norte e nordeste
do Rio Grande do Sul e daí se prolongam para os estados de Santa Catarina e Paraná (figura 2).
Formam diversas serras, entre elas a Serra do Mar (figura 3, na página seguinte) e a Serra
Geral, onde as massas de ar úmidas, vindas do oceano, provocam chuvas orográficas ao encontrar
suas encostas.

Nessas serras e em outras da região há remanescentes da Mata Atlântica e da Mata dos Pinhais,
como veremos no Percurso 27.

É na Serra Geral, no estado de Santa Catarina, que se localiza São Joaquim, a 1.360 metros de
altitude. Esse município é um dos mais frios do país. Por causa de sua altitude elevada e por estar
sujeito às incursões da massa Polar Atlântica, fria, já registrou temperatura de –10 °C e queda de
neve no inverno.

Qual estado da Região Sul apresenta a maior extensão de terras baixas entre 0 e 100 metros?

O Rio Grande do Sul.


Página 210

As terras baixas são encontradas ao longo do litoral, onde formam planícies litorâneas ou
costeiras. Aí existem importantes cidades turísticas, como Balneário Camboriú, em Santa
Catarina.

Na porção centro-sul do Rio Grande do Sul, as terras baixas acompanham os vales dos rios Ibicuí,
Santa Maria, Jacuí, Sinos e o Lago Guaíba, onde formam planícies fluviais. A cidade de Porto
Alegre está situada na margem esquerda do Lago Guaíba, próximo à foz do Rio Jacuí (figura 4).

É nessas terras de baixas altitudes do Rio Grande do Sul que se encontram os Campos, vegetação
com predominância de gramíneas, dominando o sul e o sudeste do estado. Essa formação varia
conforme as características de solo e clima.

A área campestre mais típica é a do sudoeste do Rio Grande do Sul, conhecida como Campanha
Gaúcha ou Pampa e que se prolonga para o território do Uruguai e da Argentina. Seu relevo é
geralmente plano, entrecortado por pequenos e baixos morros (cerros). Veja a figura 5.

No século XVII, iniciou-se nos Campos a criação de bovinos e equinos e, posteriormente, a de


ovinos, aproveitando as condições naturais favoráveis da região.
Página 211

As unidades de relevo

A figura 6 mostra as unidades do relevo da Região Sul:

• os planaltos da porção leste, que fazem parte dos Planaltos e Serras do Atlântico Leste-
Sudeste, representados pela Serra Geral e pela Serra do Mar;

• em direção a oeste, o relevo perde altitude, dando lugar à Depressão Periférica da Borda
Leste da Bacia do Paraná;

• ultrapassada a depressão, surgem outras grandes áreas de planalto até o vale do Rio Paraná e em
direção sul — são os Planaltos e Chapadas da Bacia do Paraná.

Observe, na figura 6, as outras unidades do relevo.

Quais unidades do relevo da Região Sul não foram citadas no texto?

O Planalto Sul-Rio-Grandense, a Depressão Periférica Sul-Rio-Grandense e a Planície das Lagoas dos Patos e Mirim.

As lagoas costeiras

Nas bordas litorâneas do Rio Grande do Sul surgem três grandes lagoas costeiras parcialmente
separadas do mar por extensos cordões litorâneos — as restingas. Duas delas são: a Lagoa dos
Patos (figura 7), com cerca de 10.000 km², alimentada pelas águas do Lago Guaíba e dos rios
Jacuí e Caí, e a Lagoa Mirim, com aproximadamente 4.000 km², onde deságua o Rio Jaguarão.
As duas são ligadas pelo Canal de São Gonçalo. A Lagoa Mangueira, de área menor, encontra-se
entre a Lagoa Mirim e o Oceano Atlântico. Localize-as na figura 2.
Página 212

Clima

Observe, na figura 1, que o Trópico de Capricórnio atravessa a porção norte do estado do Paraná.
Assim, a maior parte da Região Sul está localizada na zona temperada, onde, devido à
esfericidade da Terra, os raios solares incidem menos inclinados que na zona tropical.

A massa de ar polar

A região está submetida a uma ação mais intensa das massas de ar polares, vindas do extremo sul
do continente americano. Essas massas de ar, ao se deslocarem na direção norte, passam pela
Argentina e pelo Uruguai, onde provocam invernos frios. Ao chegarem à Região Sul do Brasil,
seguem pelas áreas de menores altitudes: um de seus ramos avança pelo litoral, pelas planícies
litorâneas, e outro ramo avança sobre o território do Brasil pelo interior (figura 8).

Após atingir a Região Sul, que outra região do Brasil representada no mapa a massa polar alcança?

A Região Sudeste.

No outono e no inverno, essas massas de ar atuam com maior intensidade. Formam as


denominadas frentes frias, que provocam quedas de temperaturas e invernos mais rigorosos no
Sul (figura 9).
Página 213

O clima subtropical

Como vimos, a maior porção do território da Região Sul localiza-se na zona temperada, ao sul do
Trópico de Capricórnio. Essa região é dominada pelo clima subtropical. De modo geral, esse tipo
de clima se caracteriza por temperaturas médias anuais entre 15 °C e 20 °C (figura 10). Entretanto,
no extremo sul do Rio Grande do Sul, as médias térmicas anuais são inferiores a 15 °C.

Quanto à precipitação total anual, há variação entre 1.500 e 2.000 milímetros, sendo bem
distribuída no decorrer do ano, o que favorece a prática da agricultura e da pecuária. Observe, na
figura 10, o climograma de Porto Alegre, onde o clima é subtropical úmido.

Após localizar a cidade de Porto Alegre na figura 1, na página 208, identifique os meses com
temperaturas mais frias e comente a didtribuição de chuvas ao longo do ano em Porto Alegre.

Os meses mais frios são junho e julho, com temperaturas médias entre 12 o C e 16 o C. As chuvas apresentam-se bem
distribuídas ao longo do ano, com leve acréscimo durante os meses de inverno.

Hidrografia

A Região Sul conta com rios caudalosos e extensos que correm em áreas planálticas e apresentam
quedas-d’água aproveitadas para a produção de energia elétrica. É o caso do Rio
Paranapanema, na divisa de São Paulo e Paraná; do Rio Paraná, na divisa dos estados do
Paraná e Mato Grosso do Sul e que corre na fronteira do estado do Paraná com o Paraguai; do Rio
Iguaçu, que separa, em parte, os estados do Paraná e Santa Catarina. É nesse rio que se
encontram as famosas Cataratas do Iguaçu, na fronteira do Brasil com a Argentina e o Paraguai,
onde sua largura é reduzida de 4.000 metros para 100 metros. Localize, na figura 2, os rios citados
acima.

Em todos esses rios foram construídas usinas hidrelétricas a fim de garantir a produção de energia
para a região. Entre as usinas destaca-se a Usina Hidrelétrica de Itaipu (figura 11), uma das
maiores do mundo, localizada no Rio Paraná, na fronteira com o Paraguai, construída em
associação com esse país fronteiriço.

Caudaloso
Que apresenta grande fluxo de água.
Página 214

Destaca-se também o Rio Uruguai, que nasce na Serra Geral com o nome de Rio Pelotas e, após
receber o Rio Canoas, passa a ser denominado Rio Uruguai. Esse rio faz a divisa entre os estados de
Santa Catarina e Rio Grande do Sul e determina a fronteira deste estado com a Argentina.

O Aquífero Guarani

Além das águas superficiais, representadas pela rica rede hidrográfica da Região Sul, nessa região
se localiza parte de um dos maiores reservatórios de águas subterrâneas do mundo: o Aquífero
Guarani (figura 12).

O Brasil abriga cerca de 70% desse aquífero. A água armazenada nos poros das rochas
sedimentares, abastece muitos municípios por meio de poços artesianos.
Página 215

Estação Socioambiental - Aquífero Guarani


Meio Ambiente

Com o professor de Ciências, trabalhe assuntos como: permeabilidade dos solos; a poluição e a contaminação do solo e o
risco que representam para as águas subterrâneas; a água no planeta; e a classificação das águas que formam a
hidrosfera. Explique aos alunos que, além do Aquífero Guarani, o território brasileiro possui um aquífero na Bacia
Sedimentar do Parnaíba (Piauí e Maranhão) e o Aquífero Alter do Chão, na Amazônia, que apesar de possuir menor
extensão superficial tem maior volume de água que o Guarani.

Água é vida. O século XXI é o século em que devemos nos preocupar com sua escassez. A água é
uma questão socioambiental de suma importância, pois, das reservas hídricas superficiais e
subterrâneas, grande quantidade de água é extraída em maior volume do que a reposição natural.
Leia o texto a seguir para entender o que são águas subterrâneas, tendo como exemplo o Aquífero
Guarani. “[…] O volume de água armazenada no subsolo é muito maior do que o das águas de rios
e lagos, mas seu período de renovação é mais prolongado. No ciclo hidrológico, a função natural da
água subterrânea é a de alimentar o fluxo de base dos rios. Há, portanto, uma íntima relação entre
as águas de superfície e as águas subterrâneas.

Os terrenos ou formações geológicas que armazenam as águas subterrâneas são chamados


aquíferos. Há duas matrizes de terrenos: os aquíferos granulares ou sedimentares, onde a água
circula entre os poros, como se fosse uma esponja; e os aquíferos fraturados, geralmente rochas
duras onde a água circula por fendas, fissuras, fraturas. Os terrenos granulares, arenosos, contêm
maior potencial de água.

[…] Os recursos hídricos subterrâneos são largamente explotados em todo o território,


principalmente no abastecimento público, por poços tubulares. Centenas de cidades, pequenas e
médias, são inteiramente abastecidas por água subterrânea.

[…] A bacia sedimentar do Paraná abriga o maior manancial de água subterrânea do mundo,
denominado Aquífero Guarani. Ele se estende pelos territórios do Brasil (840.000 km2), Uruguai
(58.500 km2), Argentina (355.000 km2) e Paraguai (58.500 km2) — uma área equivalente à dos
territórios da Inglaterra, França e Espanha, juntos.

[…] Os recursos hídricos são em geral de excelente qualidade e prestam-se para todos os fins em
quase toda a área. Atualmente, a maior parte da água extraída é utilizada no abastecimento público
de centenas de cidades de médio e grande porte, por meio de poços de profundidade variada. […]”

ROCHA, Gerôncio Albuquerque. Um copo d’água. São Leopoldo (RS): Unisinos, 2002. p. 25 e 27.
Fonte: MACHADO, José Luiz Flores. A redescoberta do Aquífero Guarani. Scientific American
Brasil, Reportagem. Disponível em:
<www2.uol.com.br/sciam/reportagens/a_redescoberta_do_aquifero_guarani.html>. Acesso em:
10 abr. 2015.

Fluxo de base
Fluxo de água alimentado por nascente.

Explotado
De que foi tirado proveito econômico.

Ilustração artística para fins didáticos.

Interprete

1 O aquífero Guarani localiza-se apenas no território brasileiro ou se estende por outros países?

Argumente
2 Por que o aquífero Guarani contribui para a prática da agricultura?

Contextualize

3 Qual é sua atitude e a de seus familiares em relação ao consumo de água? O que vocês fazem para
evitar o desperdício?
Página 216

PERCURSO 26 - Região Sul: a construção de


espaços geográficos

1. Ocupação europeia da Região Sul


Durante todo o século XVI, Portugal demonstrou pouco interesse pelas terras que hoje
correspondem à Região Sul. Várias expedições de outros países visitaram-na em busca,
principalmente, de pau-brasil, sem, contudo, estabelecer núcleos permanentes de povoamento.

As reduções jesuíticas e o bandeirismo

O povoamento europeu do Sul iniciou-se no século XVII, em virtude de algumas iniciativas como a
implantação de reduções jesuíticas por padres espanhóis, nas terras que hoje pertencem ao Rio
Grande do Sul e ao Paraná (figura 13). Aí catequizavam os indígenas, praticavam a agricultura e a
pecuária bovina.

As reduções, também chamadas missões, foram sistematicamente invadidas por bandeirantes


paulistas, que se dedicavam ao apresamento de indígenas com o objetivo de escravizá-los. Mesmo
assim, contribuíram para a formação de cidades como Santo Ângelo, São Borja, São Luis
Gonzaga, São Miguel das Missões (figura 14) e São Nicolau.

As bandeiras que partiam de São Vicente (SP) e da Vila de São Paulo, em busca de ouro e do
apresamento de indígenas, encontraram o metal precioso onde hoje ficam as cidades de Paranaguá,
no litoral, e de Curitiba (figura 15), ambas no Paraná.

Redução jesuítica
Povoação na qual os jesuítas reuniam os indígenas, no século XVII, para assegurar influência
duradoura na sua evangelização, com o intuito de convertê-los ao cristianismo.

As divisas dos estados foram traçadas para facilitar o reconhecimento da área representada. Na
época das reduções jesuíticas, esses territórios estavam em disputa entre portugueses e espanhóis.
A Colônia de Sacramento, por exemplo, foi fundada em 1680 pelos portugueses. Era um ponto
estratégico tanto para portugueses como para espanhóis, que desejavam controlar o Rio da Prata —
importante via de acesso ao interior do continente. Somente em 1777, um tratado assinado entre
Espanha e Portugal resolveu a questão: a Colônia de Sacramento passou a pertencer à Espanha.
Posteriormente, com a formação do Uruguai, tornou-se parte integrante desse país.
Página 217

No entanto, por falta de conhecimentos técnicos, essa exploração foi de curta duração, levando a
população dessas localidades a se dedicar à agricultura e à criação de gado bovino, com o objetivo
de abastecer a região das Minas Gerais.

Quanto às terras que hoje pertencem a Santa Catarina, continuaram pouco povoadas por
portugueses e luso-brasileiros na primeira metade do século XVII. A primeira povoação estável foi
fundada no litoral em 1658, com o nome de Nossa Senhora da Graça do Rio São Francisco, atual
São Francisco do Sul. Em seguida, em 1675, a Ilha de Santa Catarina foi povoada com a
fundação da Vila de Nossa Senhora do Desterro, atual Florianópolis. E, em 1676, foi fundada
Laguna (localize-a na figura 1, na página 208).
Página 218

Açorianos

O maior povoamento da Região Sul teve início com a chegada de ilhéus açorianos. Em 1742, casais
vindos dos Açores fundaram a Vila do Porto dos Casais, hoje Porto Alegre, e se fixaram no vale de
vários rios, como o Gravataí, o Sinos e o Jacuí, onde deram origem a inúmeras cidades.

Em Santa Catarina, entre 1748 e 1756, desembarcaram cerca de 5.000 açorianos, iniciando o
povoamento de trechos do litoral e da Vila de Nossa Senhora do Desterro, que deu origem à cidade
de Florianópolis.

Ilhéu açoriano
Originário das Ilhas dos Açores, arquipélago português situado a 38° latitude N e 30° longitude O,
no Oceano Atlântico.

A articulação do Sul com as Minas Gerais

No final do século XVII e início do século XVIII, a necessidade de couro e de carne para a região
mineradora das Minas Gerais incentivou o deslocamento de paulistas para os campos do Sul em
busca de gado. Inicialmente, o objetivo foi aproveitar o rebanho bravio, disperso na área, resultante
da destruição das missões. Posteriormente, em decorrência do crescimento populacional da região
da mineração, o fornecimento de gado por meio da caça tornou-se insuficiente. Iniciou-se, então, a
formação de estâncias na vegetação nativa dos Campos.

Isso ocorreu inicialmente no litoral, em Rio Grande e Pelotas, e depois avançou para o interior,
pela região de Bagé, o que estimulou a instalação de charqueadas nessa região (localize-as na
figura 1, na página 208).

A mão de obra para a expansão da criação de gado no Rio Grande do Sul contou com a participação
de africanos escravizados e açorianos. Com indígenas e espanhóis, esses grupos deram origem ao
gaúcho. Deve-se em grande parte a eles a manutenção das fronteiras do Brasil com o Uruguai e a
Argentina.

Charqueada
Estabelecimento onde se faz o charque – carne bovina salgada, seca ao sol e cortada em mantas,
que pode ser conservada durante um longo período.

As tropas e a produção de espaços geográficos

Para escoar o charque e o couro para os mercados compradores, entre eles a região das Minas, os
tropeiros (figura 16) deslocavam-se por grandes distâncias, do sul para o norte, transportando suas
mercadorias em lombos de mulas e burros. Ao longo do trajeto, paravam para descansar, pernoitar
e tratar dos animais.

Alguns pousos dos tropeiros e caminhos de gado deram origem a cidades como São Joaquim,
Mafra, Porto União, em Santa Catarina; Osório, São Gabriel, Vacaria e Viamão, no Rio
Grande do Sul; Castro e Lapa, no Paraná (localize as cidades citadas na figura 17).

O relevo mais plano das depressões facilitou os deslocamentos sul-norte dos tropeiros, que
chegavam a durar três meses.

Tropeiro
Condutor de tropas de animais.
Página 219

As cidades de Castro e Mafra localizam-se em qual unidade do relevo da Região Sul?

Na Depressão Periférica da Borda Leste da Bacia do Paraná.

A imigração e a produção de espaços no Sul

O século XIX marca um novo período da ocupação das terras e de produção de espaços na Região
Sul. Além da maior ocupação do litoral, o povoamento do interior intensificou-se com a imigração
europeia, o que acentuou a apropriação das terras indígenas.

Após a vinda do príncipe D. João para o Brasil, em 1808, a Coroa portuguesa tomou várias
providências para povoar mais o sul da colônia. Para atrair imigrantes, D. João assinou um decreto
permitindo que estrangeiros se tornassem proprietários de terras no Brasil, custeou as despesas de
transporte para os imigrantes, disponibilizou empréstimos para a compra de instrumentos
agrícolas, animais de transporte, além de oferecer outras facilidades.

Como o clima da porção sul do Brasil não era adequado para a produção de gêneros tropicais, como
a cana-de-açúcar, estabeleceu-se na região uma agricultura em pequenos lotes de terra. Isso deu
origem, na região, à pequena propriedade rural, diferente do ocorrido com a cultura da cana-
de-açúcar no Nordeste, com a cafeicultura no Sudeste e com a pecuária nos campos do Rio Grande
do Sul, que se estabeleceram em grandes propriedades, os latifúndios.

Veja, a seguir, os principais fluxos imigratórios que se dirigiram para a Região Sul.

Pausa para o cinema


O quatrilho.
Direção: Fábio Barreto.
Brasil: Paramount/Dreamworks, 1994.
Duração: 120 min.
O filme retrata uma comunidade italiana que vive no Rio Grande do Sul na década de 1910. Dois
casais decidem morar em uma mesma casa por necessidade de sobrevivência. Ao longo do tempo,
ocorrem alguns imprevistos que acabam por separá-los.

Navegar é preciso
Portal Amigos da Tradição
<www.portalgaucho.com.br>
Neste site você conhecerá elementos da cultura gaúcha, como o vocabulário, suas lendas e mitos e
as características da alimentação regional, relacionadas à vida no campo e à pecuária.
Página 220

Portugueses açorianos

Aproveitando as vantagens oferecidas, em 1808, a corrente de colonos portugueses, vindos


principalmente das Ilhas dos Açores, se intensificou. Deu-se preferência aos imigrantes que
formassem grupos familiares, o que constitui exceção na história da ocupação da colônia até aquele
momento. As 1.500 famílias de açorianos que imigraram para o Brasil nesse período fixaram-se no
litoral do Rio Grande do Sul e em Santa Catarina (figura 18), dedicando-se principalmente à pesca
e à agricultura de subsistência.

Alemães

Os imigrantes alemães deram importante contribuição à ocupação do sul do Brasil: em 1824, D.


Pedro I iniciou a imigração alemã para o Rio Grande do Sul, em São Leopoldo, nas mesmas bases
da imigração açoriana; em 1827, 600 imigrantes alemães fixaram-se em Rio Negro, no Paraná;
em 1850, famílias alemãs fundaram Blumenau, em Santa Catarina, hoje importante centro
industrial e comercial; em 1851, foi fundada a colônia de Dona Francisca, em Santa Catarina, que
deu origem à cidade de Joinville (figura 19), hoje também importante centro comercial e
industrial (localize essas cidades na figura 1, na página 208).

Além desses núcleos urbanos, os alemães fundaram muitos outros no sul do Brasil. Muitos deles
tornaram-se importantes cidades, como é o caso de Novo Hamburgo, no Rio Grande do Sul.

Italianos, poloneses e ucranianos

No Rio Grande do Sul, os imigrantes italianos dedicaram-se principalmente à cultura da uva


(vinicultura) e à sua industrialização. Muitos de seus núcleos iniciais transformaram-se em cidades
importantes, como Bento Gonçalves, Garibaldi e Caxias do Sul.

Pausa para o cinema


Vida e sangue de polaco.
Direção: Silvio Back. Brasil: Usina de Kyno Ltda., 1989. Duração: 55 min.
Documentário sobre a imigração polonesa para o Brasil. Por meio de depoimentos, é possível
conhecer algumas histórias e culturas dessa população.
Página 221

Remeta os alunos à figura 1, na página 208, ou a um atlas geográfico para que localizem as cidades citadas ao longo do
texto.

Em Santa Catarina, dedicaram-se a uma agricultura variada e também fundaram importantes


cidades, como Nova Trento, Uruçanga e Nova Veneza.

A partir de 1878, houve a imigração de poloneses e ucranianos para a região, que se fixaram em
Curitiba e nas proximidades de Ponta Grossa, Castro, Lapa e Ivaí, no Paraná.

Todos esses imigrantes dedicaram-se à agricultura e à pecuária. Com o tempo, houve diversificação
da atividade econômica. O artesanato doméstico, por exemplo, deu origem a indústrias de grande
porte voltadas, por exemplo, para a tecelagem, a confecção de roupas, a produção de cristais, de
motores elétricos, tintas e outros produtos.

Japoneses

A partir de 1908, iniciou-se a chegada de imigrantes japoneses ao Brasil, que se dedicaram,


principalmente, à cafeicultura no Sudeste. Posteriormente, com a expansão do café para o norte do
Paraná, por volta de 1930, imigrantes japoneses deslocaram-se para a região, fixando-se nos
municípios de Londrina e Maringá. Fundaram as cidades de Uraí e Assaí (figura 20) também no
norte do Paraná.

A atual organização do espaço na Região Sul

Como em todas as demais regiões do Brasil, a organização espacial (figura 21) e a construção do
espaço geográfico na Região Sul são resultado da atuação histórica da sociedade sobre o meio
natural.

As áreas mais urbanizadas e industrializadas do Sul do Brasil se encontram entre quais


municípios?

São duas as áreas urbanas e industriais mais importantes, uma no entorno dos municípios de Curitiba, Joinville e
Blumenau, e outra no entorno de Porto Alegre e Caxias do Sul.

Quem lê viaja mais


TOLEDO, Edilene; CANO, Jefferson.
Imigrantes no Brasil do século XIX. São Paulo: Atual, 2003.
Ao discorrerem sobre a imigração para o Brasil, os autores dão especial atenção à Região Sul, na
Parte 6 do livro.
Página 222

Atividades dos percursos 25 e 26


Registre em seu caderno.

Revendo conteúdos

1 Por que na Região Sul do Brasil predomina o clima subtropical? Explique e


caracterize esse clima.

2 Apesar de distantes geograficamente, Rio Grande do Sul e Minas Gerais se


articularam economicamente no final do século XVII e início do XVIII. Com base
nisso, responda às questões.

a) Que atividades econômicas estimularam a articulação entre as áreas dos dois atuais estados?

b) Por que o tropeiro era peça fundamental nessa articulação?

c) Por qual unidade do relevo se deu a articulação do Sul com Minas Gerais? Por que nessa área o
deslocamento era facilitado?

3 Observe a figura 21, na página 221, sobre a atual organização do espaço geográfico
da Região Sul, e faça o que se pede.

a) Identifique as metrópoles.

b) Florianópolis exerce maior ou menor influência em relação às outras capitais dos estados da
Região Sul? Explique sua resposta.

Leituras cartográficas

4 Compare os mapas a seguir com a figura 2, na página 209. Depois, responda às


questões.

a) As porções do território com maiores temperaturas durante o verão localizam-se em terras altas
ou baixas?

b) As baixas temperaturas registradas durante o inverno no Rio Grande do Sul estão associadas ao
relevo da região? Explique.

c) Calcule a amplitude térmica anual no vale do Rio Jacuí, com base nas temperaturas médias no
verão e no inverno.
Página 223

Explore

5 Perfil longitudinal de um rio é a representação gráfica de sua inclinação ao longo de


seu curso, desde a nascente até a foz. Observe o perfil longitudinal do Rio Iguaçu e
responda às questões.

a) Indique a extensão, a altitude da nascente e a altitude da foz do Rio Iguaçu com valores
aproximados.

b) Localize na figura 2 da página 209 o Rio Iguaçu e, em seguida, observando a figura 6 da página
211 aponte por quais unidades de relevo esse rio corre.

c) Qual é a queda-d’água mais acentuada do perfil longitudinal do Rio Iguaçu?

6 Leia o texto, observe a foto e faça o que se pede.

“Foi o contato [...] do tropeiro de Sorocaba (SP), dos Campos Gerais (PR) e do Rio Grande do Sul
que conseguiu aproximar os gaúchos do resto do Brasil, impedindo que os mesmos se tornassem
castelhanos. [...] O território gaúcho, situado numa região onde as fronteiras entre a colônia lusa e
as terras castelhanas eram indecisas, sofria grande influência espanhola […]”

WACHOWICZ, Ruy Christovam. História do Paraná. 6. ed. Curitiba: Gráfica Vicentina, 1988. p.
105-106.

a) De acordo com o texto, o que foi fundamental para a integração da Região Sul com o Sudeste e
as demais regiões do país?

b) À miscigenação de quais povos se refere o termo “gaúcho”?

c) A localização do Monumento aos tropeiros relaciona-se a que característica do meio natural do


município de Lapa, no Paraná?
Página 224

PERCURSO 27 - Região Sul: problemas ambientais

1. A produção de espaços geográficos e a natureza


No processo histórico-geográfico de produção de espaços, as transformações do espaço natural em
espaço geográfico pelas sociedades humanas têm deixado saldos negativos na natureza e na
sociedade (figura 22).

Sabemos que, para a construção de espaços geográficos, há necessidade de intervenções humanas


no meio natural. No entanto, o que se questiona é se existe a necessidade de ocorrer intervenções
profundas a ponto de prejudicar o solo, a vegetação nativa, a atmosfera, os cursos de água e o
equilíbrio ecológico.

Essas atitudes prejudiciais ao meio ambiente são resultado, entre outros fatores, do
desconhecimento da necessidade de preservar o equilíbrio ecológico. Daí a importância da criação
de uma consciência ecológica por parte de toda a sociedade. Outro fator significativo é o desejo
de ganhar muito dinheiro sem se importar com a natureza, entendendo-a apenas como fonte de
lucro e não como fonte de vida.

2. Região Sul: desmatamento


A cobertura vegetal é importante para o equilíbrio ecológico, pois protege a nascente dos rios,
regula os mananciais que abastecem as cidades e o clima, protege o solo de erosão, influi na
fertilidade do solo, cria beleza paisagística e é fonte de vida para as comunidades que dela
dependem diretamente, como é o caso dos indígenas, dos caiçaras e dos ribeirinhos.

Manancial
Nascente, olho-d’água, fonte de água.

Quem lê viaja mais


RODRIGUES, Rosicler Martins.
O mundo das plantas. 3. ed. São Paulo: Moderna, 2013.
Livro que explica ao leitor vários aspectos das plantas (como crescem, clones, flor, fruto, semente
etc.), suas relações com o clima, despertando o interesse e o respeito pela natureza.
Página 225

Mata Atlântica

Da mesma forma que no Nordeste e no Sudeste, a Mata Atlântica da Região Sul foi intensamente
desmatada com a marcha do povoamento. As áreas que sobraram ocupam trechos de difícil acesso
da Serra do Mar e da Serra Geral, além de trechos do vale do Rio Ribeira de Iguape, entre os
estados do Paraná e São Paulo — o maior remanescente contínuo de Mata Atlântica do país.

Entretanto, apesar da fiscalização do Ibama, o desmatamento continua ocorrendo (figura 23). São
desmatamentos de áreas menores, não detectados nas imagens dos satélites do Instituto Nacional
de Pesquisas Especiais (Inpe). Mas eles existem e criam uma fragmentação florestal que dificulta a
sobrevivência das espécies vegetais e animais da região (figura 24).

Uma das causas atuais do desmatamento da Mata Atlântica na Região Sul é a substituição dessa
vegetação nativa pela silvicultura de pínus, utilizado como matéria-prima na indústria de papel e
celulose.

Navegar é preciso
Rede de ONGs da Mata Atlântica
<www.rma.org.br>
Neste portal você conhecerá melhor a distribuição da Mata Atlântica por todo o Brasil e os desafios
para sua preservação, por meio de mapas, notícias e outros materiais disponíveis na rede.
Página 226

A Mata de Araucárias

A Mata de Araucárias ou dos Pinhais cobria uma vasta extensão de terras — cerca de 185.000 km2
—, estendendo-se desde as terras altas do sul do estado de Minas Gerais até o Rio Grande do Sul e
prolongando-se ainda pelo extremo nordeste da Argentina. Não era uma floresta homogênea;
abrigava muitas outras espécies vegetais, como angico, tamboril, imbuia, cedro, gameleira, canela
etc.

No processo de produção de espaços geográficos da Região Sul, essa floresta foi amplamente
desmatada, a exemplo do que ocorreu com a Mata Atlântica. De início, a extração da madeira do
pinheiro, o pinho, atendia ao mercado interno. Por oferecer madeira mole, ideal para a construção
de casas, para a fabricação de móveis e para a confecção de tábuas, essa floresta passou a ser
explorada intensamente. Posteriormente, com o fluxo imigratório alemão, italiano e polonês,
muitas de suas áreas foram desmatadas para ceder lugar à prática da agricultura.

O grande desmatamento da Mata dos Pinhais ocorreu entre 1915 e 1960 (figura 25), pois, nesse
período, tornou-se grande a procura por madeira mole no mercado internacional. Por falta de
fiscalização governamental, serrarias clandestinas se espalharam pelo Sul do país, promovendo
intensa destruição florestal.

Após 150 anos de intervenção humana, restaram apenas 5% dessa mata. O que sobrou foi
transformado em áreas de preservação ambiental sob os cuidados dos estados e do governo federal
(figura 26).

Especialistas mostram que esse ecossistema está quase extinto. Roedores, aves e insetos que se
alimentavam do pinhão, ou que aí encontravam o seu hábitat, morreram ou estão seriamente
ameaçados de extinção.
Página 227

Estação Socioambiental - Os faxinais e a preservação


Meio Ambiente

No Brasil, os faxinais representam um dos sistemas de produção agrossilvipastoril mais originais e


são reconhecidos legalmente como comunidade tradicional. Surgiram há pouco mais de 100 anos,
com a chegada dos imigrantes europeus à Região Sul do país, especialmente ao Paraná. Apesar de
contribuírem para preservar a Mata de Araucária, hoje correm risco de extinção. Veja como
funciona o sistema faxinal.

Agrossilvipastoril
Relativo à agricultura, à cultura de árvores florestais e à criação de gado.

Interprete

1 Por que é possível afirmar que as atividades em um faxinal contribuem para a preservação da
vegetação?

Argumente

2 A união de famílias em uma área comum para o desenvolvimento conjunto foi uma das maneiras
encontradas pelos imigrantes no Sul do país para desenvolverem sua subsistência. Como isso
ocorre nos faxinais?
Página 228

3. Principais problemas ambientais


Na Região Sul, o estado do Paraná foi o que perdeu maior parte de sua vegetação nativa com a
devastação da Mata Atlântica e da Mata dos Pinhais. Veremos a seguir como a ação humana criou
alguns problemas ambientais nos estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina.

As bacias hidrográficas e os problemas ambientais no Rio Grande do Sul

No Rio Grande do Sul, podemos identificar a degradação ambiental por meio da observação das
bacias hidrográficas do estado (figura 27). Com o conhecimento desses problemas, a sociedade e o
Estado conseguem definir qual a melhor estratégia para solucioná-los.

Bacia Hidrográfica do Guaíba


Despejo de efluentes domésticos sem tratamento nos cursos de água
Despejo de efluentes industriais e agroindustriais nos cursos de água
Poluição do ar por fontes fixas e por veículos resultantes da alta concentração industrial e urbana
Produção de grandes volumes de resíduos sólidos urbanos e industriais e manejo inadequado,
principalmente em relação à disposição final
Ocupação urbana em áreas de risco
Desmatamentos, alteração de cursos de água, remoção de camadas de solo e desagregação de
material rochoso por atividades mineradoras
Erosão do solo agrícola pela ausência de utilização de práticas de conservação
Assoreamento dos cursos de água
Contaminação do solo e da água por agrotóxicos e insumos químicos
Enchentes periódicas
Transporte de cargas perigosas

Efluente
Resíduo ou rejeito que sai de esgotos sanitários domésticos ou que é despejado pelas atividades
industriais e agroindustriais em cursos de água.

No seu contexto

Há algum rio que atravessa o município onde você vive? É possível identificar ações humanas que
causam impactos ambientais nele(s)?

A questão é uma oportunidade para o aluno conhecer e observar o seu espaço de vivência e identificar as ações humanas
no meio ambiente, possibilitando uma consciência ecológica.
Página 229

Bacia Hidrográfica do Uruguai


Despejo de efluentes domésticos sem tratamento nos cursos de água
Despejo de efluentes agroindustriais nos cursos de água, originados principalmente da
suinocultura e da avicultura
Manejo inadequado de resíduos sólidos urbanos e industriais, principalmente em relação à
disposição final
Drenagem de áreas de banhados e de cursos de água pela lavoura irrigada, prejudicando outros
usos
Desmatamentos, remoção de camadas de solo, desagregação de material rochoso e alteração de
características físicas e químicas do solo e da água por atividades mineradoras
Exploração indiscriminada de água de subsolo
Erosão e compactação do solo agrícola pela ausência de utilização de práticas de conservação
Assoreamento dos cursos de água
Contaminação do solo e da água por agrotóxicos e insumos químicos
Desmatamento das áreas remanescentes de mata nativa, principalmente ao longo dos cursos de
água
Processo intenso de arenização
Enchentes e estiagens periódicas

Banhado
Área permanente ou temporariamente alagada.

Bacia Hidrográfica Litorânea


Despejo de efluentes domésticos sem tratamento nos corpos de água, afetando as condições de
balneabilidade do mar e das lagoas costeiras
Despejo de efluentes industriais e agroindustriais, principalmente nos cursos de água
Poluição do ar por fontes fixas
Manejo inadequado de resíduos sólidos urbanos e industriais, principalmente em relação à
disposição final
Expansão de monocultivos florestais
Desmatamentos, alteração de cursos de água, remoção de camadas de solo e desagregação de
material rochoso por atividades mineradoras
Alteração da morfologia litorânea por práticas de eliminação de dunas móveis e fixas pela ocupação
urbana ou atividade mineradora de areia
Desmatamento de áreas remanescentes de mata nativa, principalmente ao longo dos cursos de
água
Drenagem das áreas de banhados e de cursos de água pela lavoura irrigada, prejudicando outros
usos
Contaminação do solo e da água por agrotóxicos e insumos químicos
Enchentes e estiagens periódicas
Transporte de cargas perigosas
Sugira aos alunos a consulta do site <www.meioambiente.pr.gov.br>. Oriente-os a clicar, na barra lateral, em “Educação
Ambiental” e, depois, em “Programa Parque Escola” para conhecer um programa de educação ambiental no estado do
Paraná.
Página 230

Arenização na Campanha Gaúcha

Desde o século XVIII, os solos da Campanha Gaúcha são utilizados para a criação de gado. Em
decorrência disso vêm sofrendo:

• compactação pelo pisoteio constante dos animais;

• rarefação das gramíneas (pastagens), decorrente do número excessivo de reses por área, que,
ao deixar o solo sem cobertura vegetal, causa a erosão e o assoreamento de rios e córregos;

• queimadas, provocadas para eliminar as sobras secas de pastagens durante o inverno e facilitar
a rebrota das gramíneas; esse procedimento mata os micro-organismos importantes para o solo.

Esses fatos têm afetado seriamente o solo da Campanha Gaúcha, causando a arenização, ou seja,
o afloramento de depósitos arenosos resultantes da lavagem do solo pela água da chuva, que, além
de retirar a cobertura vegetal, provoca a perda de matéria orgânica e de elementos químicos
importantes na constituição do solo.

Para ter uma ideia, há cinquenta anos apenas 12 hectares do solo do município de Alegrete
estavam erodidos. Atualmente, são cerca de 200 hectares, formando o Areal de São João,
considerado o maior da região. Além deste, outros areais se formaram nos municípios de São
Francisco de Assis, Cacequi, Itaqui e Quaraí (figuras 28 e 29).

Rês
Qualquer quadrúpede que se abate para o consumo humano.

Degradação ambiental em Santa Catarina

Na zona costeira, a implantação de balneários sem a devida infraestrutura de rede coletora de


esgoto tem provocado a poluição de rios, córregos, vales e o despejo de dejetos no mar. Tal
situação, além de ser foco de contaminação ambiental, compromete a atividade turística.

Na região carbonífera do sul do estado, que compreende os municípios de Criciúma, Tubarão e


Imbituba, a exploração do carvão mineral a céu aberto ou em galerias arrasa paisagens e contamina
as águas de superfície e subterrâneas. Além disso, o carvão mineral trazido à superfície, em contato
com o oxigênio e a umidade do ar, dá origem ao ácido sulfúrico, substância tóxica e corrosiva que
pode provocar chuvas ácidas.

Somam-se a esses problemas outros impactos causados pelas atividades agropecuárias: a erosão do
solo, o assoreamento de rios e a contaminação das águas provocada pelo uso de agrotóxicos, assim
como a contaminação de cursos de água pelos excrementos de aves e suínos criados em sistema
intensivo no oeste catarinense.

Chuva ácida
Chuva que contém substâncias ácidas, resultante da combinação da água com outras partículas
presentes na atmosfera, liberadas pela queima de combustíveis fósseis. Provoca corrosão nos
materiais a ela expostos, queima de vegetação, acidificação e destruição dos solos, além de
comprometer os ambientes aquáticos.
Página 231

Encontros - Os cipozeiros de Garuva


Trabalho e Consumo

O município catarinense de Garuva, no norte do estado entre o município de Joinville e a divisa do


estado do Paraná, apresenta 60% de cobertura de Mata Atlântica, onde cerca de 200 famílias
extraem fibras vegetais para fins artesanais, principalmente o cipó-imbé. Descendentes de colonos
europeus, esses artesãos vivem em pequenas propriedades na área rural e são conhecidos como
“cipozeiros” de Garuva. Leia o texto a seguir.

“O cipozeiro é aquele que vive mesmo é do cipó. A gente tá sempre envolvido com ele, é um
dinheiro que ajuda muito. Fui criado no cipó, eu, meus irmãos. Agora são meus filhos, meus netos.
O colégio, as coisas, tudo com cipó. Desde cedo no mato e na arte. Porque tecer é uma arte, né? Vai
olhando, vai inventando, criando peça diferente e ensinando também.

Cipozeiro tá sempre andando no mato, vai olhando e escolhendo o cipó. Trabalhar no mato não é
fácil. Tem de trazer o fio lá de longe, nas costas mesmo, 80 quilos até, o que vai usar na semana. Aí
coloca no barco, ou vai a pé mesmo. Tem a necessidade, mas também vou pro mato porque gosto
mesmo.

Antes tinha muito mais cipó. Tá acabando não é por causa da nossa tirada de cipó, porque se tira
certo, o cipó brota de volta, não estraga nada. O pai tirou sempre cipó, há 50 anos; tirando assim
certo, continua mais 50 anos. Diminuiu mesmo por causa do desmatamento, desmatação. Pra
plantar pinheiro e eucalipto, também plantar arroz, pastagem, muita banana.

O pior é que hoje tem muita gente que tira, quando aperta as contas, mas que não é cipozeiro, mal
sabe andar no mato, entra e tira tudo, verde, maduro, tiram até a mãezera! Aí vende, bruto, tudo
misturado. Antes não tinha quem vendia, era só pra uso próprio, pra fazer seu artesanato — aí vai
se acabando, e a nossa fama que fica ruim. A gente quer licença pra tirar do mato, e o pessoal que
não sabe tirar acaba atrapalhando.

Também tem de combinar com dono da terra pra entrar no mato, tem muitos que não deixam,
porque acha que a gente vai tirar palmito, ou porque não quer gente andando na terra deles. Mas
quando vai tirar cipó, só dá para tirar cipó mesmo, que já é trabalho que chega. [...]”

ALMEIDA, Alfredo W. B. de; MARIN, Rosa E. A.; SHIRAISHI NETO, Joaquim (Coord.). Nova
cartografia social dos povos e comunidades tradicionais do Brasil: cipozeiros de Garuva.
Florianópolis, 2007. p. 3.

Interprete

1 Qual é o principal conflito enfrentado pelos cipozeiros de Garuva com os “não cipozeiros” que
retiram fibras da mata?

Argumente

2 Qual é a sua opinião sobre o trabalho dos cipozeiros?


Página 232

PERCURSO 28 - Região Sul: população e economia

1. População
Entre as regiões brasileiras, a Região Sul é a que apresenta a menor área territorial e o menor
número de estados. Dos três estados que a compõem, o Rio Grande do Sul é o de maior área
territorial, abrigando também a maior população absoluta. Veja a tabela abaixo.

Região Sul: população absoluta estimada, área territorial e densidade demográfica –


2014
População absoluta Área territorial Densidade dem.
Estado
(hab.) (km²) (hab./km²)
Paraná 11.081.692 199.307 55,6
Santa Catarina 6.727.148 95.736 70,3
Rio Grande do
11.207.274 281.730 39,8
Sul
Região Sul 29.016.114 576.774 50,3

Entre as capitais dos estados da Região Sul, a mais populosa é Curitiba, que, como Porto Alegre, é
uma das metrópoles da Região Sul (figura 30).

Florianópolis, classificada pelo IBGE como capital regional muito importante, tinha 461.524
habitantes, em 2014. Contudo, o município mais populoso do estado é Joinville, que no mesmo ano
abrigava 554.601 pessoas, além de ser o município mais industrializado de Santa Catarina (figura
31).

A Região Sul apresenta bons indicadores sociais se comparada às demais regiões do Brasil: menor
taxa de mortalidade infantil do país foi alcançada nessa região, como também a maior esperança de
vida ao nascer (figura 32).

Entretanto, como as demais regiões do Brasil, a Região Sul mostra sérios problemas sociais, como
desemprego, violência urbana, grandes desigualdades de renda entre as classes sociais, bolsões de
pobreza nas periferias das principais cidades etc.

Navegar é preciso
Atlas socioeconômico do Rio Grande do Sul
<www1.seplag.rs.gov.br/atlas>
Neste atlas você terá a possibilidade de conhecer inúmeros aspectos socioeconômicos e ambientais
do Rio Grande do Sul, por meio de textos, mapas, tabelas e gráficos.
Página 233

Retome o conceito de “esperança de vida ao nascer”, como foi visto na página 50, e enfatize que esse indicador social é
utilizado para a avaliação do nível de vida de uma sociedade. Esclareça que a esperança de vida ao nascer está
relacionada à boa alimentação, à atividade física regular, à boa assistência médica etc.

A unidade da federação onde você mora está inserida em qual intervalo de esperança de vida ao
nascer?

A resposta dependerá da unidade da federação onde o aluno mora. Essa também é uma oportunidade para abordar com
os alunos a relação entre a esperança de vida ao nascer com os serviços públicos, como saúde e segurança.

2. Economia
Entre as regiões brasileiras, a Região Sul, depois da Região Sudeste, é a mais industrializada e a
que apresenta maior PIB. Estudaremos, a seguir, aspectos de sua economia.

Agricultura

A Região Sul apresenta, de modo geral, uma agricultura moderna. Destaca-se, no Brasil, como
grande produtora de grãos: soja, milho, arroz, feijão e trigo. Sobressai também na produção de
aveia, centeio e cevada, em virtude das características favoráveis do clima subtropical. Destaca-se
ainda na cultura do sorgo, da uva, da erva-mate e do tabaco, no Rio Grande do Sul, da maçã, em
Santa Catarina, e da mandioca e do café, no Paraná.

Diferentemente de outras regiões brasileiras, na Região Sul a atividade agrícola assenta-se


predominantemente nas pequenas propriedades de base familiar — herança do processo de
colonização aí implantado desde o século XIX, como vimos anteriormente.

Navegar é preciso
Dia a Dia Educação
<www.diaadia.pr.gov.br/index.php>
Navegue por esse portal clicando em “Pesquisar”, depois em “Geografia” e aprenda sobre assuntos
variados.
Página 234

As exceções são os latifúndios nos Campos da Campanha Gaúcha, no norte do Paraná, nas
proximidades das cidades de Londrina e Maringá, e nos municípios de Guarapuava e Lages, em
Santa Catarina.

Tanto a pequena como a grande propriedade estão integradas à agroindústria alimentícia, que
produz vinho, geleias, café solúvel, farinha de trigo, soja, milho, entre outros produtos (figuras 33 e
34).

Norte do Paraná: do café à soja e o impacto social

Vinda do estado de São Paulo, a cafeicultura avançou para o norte do Paraná na primeira metade
do século XX. Entre o final dos anos 1950 e 1975, o Paraná foi o maior produtor de café no Brasil. A
cafeicultura impulsionou o desenvolvimento dessa sub-região, onde estão as cidades de Maringá e
Londrina (figura 35).
Página 235

Por volta dos anos 1960, no entanto, a cafeicultura começou a ser substituída por outras culturas.
As geadas, a perda da fertilidade do solo e a queda do preço do café no mercado internacional
fizeram com que muitos plantadores abandonassem a cafeicultura e a substituíssem pela cultura do
algodão, pela pecuária, pela cultura da cana-de-açúcar e, principalmente, pela soja.

Como o café era cultivado e colhido sem o uso de máquinas, diferentemente da soja, que é uma
cultura mecanizada, essa substituição provocou uma crise social, representada por desemprego e
migração de famílias do campo para as cidades. Algumas pessoas empregaram-se na construção
civil, no comércio e em outros serviços, mas muitas estabeleceram-se nas periferias de cidades e
tornaram-se boias-frias, dedicando-se ao corte de cana no estado de São Paulo e mesmo no norte
do Paraná (figura 36).

A pecuária

A Região Sul tem longa tradição na pecuária. Como vimos, desde os séculos XVI e XVII a criação de
gado foi aí introduzida pelos colonizadores espanhóis e portugueses.

Atualmente, a região abriga cerca de 13% do rebanho bovino brasileiro, 38% do rebanho ovino,
44% do suíno e, aproximadamente, 50% do efetivo de frangos. Amparados nessa criação,
desenvolveram-se grandes frigoríficos em Santa Catarina, além de laticínios, curtumes e lanifícios,
abastecidos pela lã da pecuária ovina (figura 37).

Veja, no infográfico das páginas seguintes, como os grandes frigoríficos articulam-se com os
pequenos produtores para garantir a produção avícola da região e viabilizar seu próprio negócio.

No seu contexto

No município onde você vive existem boias-frias? Se sim, em que atividade no campo sua mão de
obra é empregada?

Sugira aos alunos que tomem conhecimento das condições e do nível de vida desses trabalhadores; se possível que
descubram o rendimento mensal que possuem, as condições de habitação e alimentação, o grau de instrução e suas
origens.
Página 236

INFOGRÁFICO

Avicultura integrada

No sistema integrado de produção, os integradores (abatedouros-frigoríficos) controlam a


genética, a alimentação dos animais e o trabalho de agricultores e fornecedores para ter milhões
de frangos com aparência e peso padronizados.
Página 237

Interprete

1 Faça um resumo da cadeia produtiva do sistema de integração da avicultura.

1. O objetivo dessa atividade é perceber se o aluno compreendeu todo o processo dessa cadeia produtiva. Ele deve citar o
cultivo do milho e a produção das matrizes como início do processo. Do milho é produzida a ração, e os ovos das matrizes
são enviados aos incubatórios automatizados. Quando os pintinhos nascem, são mandados para os integrados, que
também recebem a ração para a alimentação desses animais. Quando os pintinhos se tornam frangos, prontos para o
abate, são enviados ao abatedouro-frigorífico e, finalmente, a carne vai para o mercado, seja interno ou externo.

2 Por que a produção de milho em grão na Região Sul é importante para o sistema de integração
avícola?

2. Porque essa produção abastece todo o sistema de integração avícola do Sul do país, desde a ração dos pintinhos que
nascem nas incubadoras até a ração dada para que esses pintinhos se tornem frangos prontos para o abate.
Página 238

O extrativismo mineral

A Região Sul dispõe de diversos recursos minerais, com destaque para o carvão mineral (figura 38).

Na Depressão Periférica da Borda Leste da Bacia do Paraná, encontra-se uma faixa de terra que se
convencionou chamar de Cinturão Carbonífero do sul do Brasil (figura 39).

Cite dois municípios de Santa Catarina situados no Cinturão Carbonífero.

Criciúma, Lauro Müller, Siderópolis, Mafra e Taió.

O carvão mineral extraído de Santa Catarina destina-se principalmente ao mercado nacional,


abastecendo as siderúrgicas dos estados de São Paulo e Minas Gerais e do município de Volta
Redonda, no Rio de Janeiro, entre outras. Transportado por ferrovias até os portos de Imbituba e
Laguna, em Santa Catarina, segue daí por navios cargueiros até Angra dos Reis, no Rio de Janeiro,
em direção àquelas siderúrgicas.

Já o carvão mineral extraído no Rio Grande do Sul (figura 40) e no Paraná não é considerado
adequado para a siderurgia, sendo utilizado pelas usinas termelétricas regionais. No passado, o
carvão aí extraído era utilizado como combustível para locomotivas a vapor.

A extração do carvão mineral a céu aberto ou em galerias causa danos à paisagem, e os entulhos
colocados na superfície contaminam as águas com seus sais e ácidos.
Página 239

A atividade industrial

Dois fatores foram extremamente importantes para a industrialização da Região Sul: a imigração
estrangeira e a organização de uma economia voltada para abastecer, de início, o mercado regional.

Muitos dos imigrantes que se dirigiram para o sul, principalmente italianos, alemães, poloneses e
ucranianos, já possuíam conhecimentos técnicos de fabricação de produtos de vários ramos
industriais — vinho, tecidos, porcelanas, cristais, máquinas, vestuário, móveis, carroças, produtos
alimentícios etc.

Esses grupos iniciaram o processo de fabricação com base no artesanato familiar, em seus
próprios domicílios, no fundo do quintal, ou em pequenos barracões e oficinas. Com o passar do
tempo, algumas dessas manufaturas transformaram-se em indústrias de grande porte.

A partir da década de 1960, com a maior integração rodoviária das sub-regiões do Sul, e destas com
o Sudeste e outras regiões do Brasil, as indústrias do Sul, que antes se limitavam a atender ao
mercado regional, passaram também a vender seus produtos para todo o país e para o exterior.
Assim, a atividade industrial da Região Sul cresceu de forma considerável, tornando-a a segunda
região mais industrializada do Brasil.

Com o processo de desconcentração industrial em curso no Brasil, empresas de grande porte têm
se instalado na Região Sul. Entre elas, merecem destaque as indústrias automobilísticas
instaladas em São José dos Pinhais — município da Região Metropolitana de Curitiba —, e no
município de Gravataí — Região Metropolitana de Porto Alegre.

Outro fator que impulsionou o desenvolvimento econômico da Região Sul foi a criação do
Mercado Comum do Sul, o Mercosul.

Quem lê viaja mais


CHACON, Vamireh.
O Mercosul: a integração econômica da América Latina. São Paulo: Scipione, 1996.
O livro é um resumo dos aspectos que envolvem o Mercado Comum do Sul. Apresenta os aspectos
históricos de sua formação, discute os objetivos dessa integração regional e a aproximação desse
bloco com outros.

O Mercosul

Em 1991, representantes dos governos do Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, reunidos na


capital do Paraguai, Assunção, criaram o Mercosul: tratado assinado por esses países com o
objetivo de eliminar as tarifas alfandegárias e outros obstáculos que dificultassem as relações
comerciais entre eles.

A criação do Mercosul dinamizou as trocas comerciais entre os países-membros de forma


considerável. Devido à proximidade com o Uruguai, a Argentina e o Paraguai, a Região Sul foi
beneficiada com a criação dessa organização internacional. Tal proximidade facilita o transporte de
mercadorias do Sul para os países vizinhos, reduzindo os custos (figura 41).

Tarifa alfandegária
Conjunto de impostos ou tributos aplicado nas importações e exportações de mercadorias.
Página 240

Atividades dos percursos27 e 28


Registre em seu caderno.

Revendo conteúdos

1 Indique pelo menos duas razões que levam o ser humano ou a sociedade a agir de
forma desastrosa na natureza ou no espaço natural.

2 Por que a cobertura vegetal — florestal, herbácea ou arbustiva — é importante para


o equilíbrio do meio ambiente.

3 Observe a figura 24, na página 225, e faça o que se pede.

a) Redija um pequeno texto interpretativo dessa representação.

b) Aponte qual foi a atividade econômica responsável pelo grande desmatamento da Mata Tropical
no Norte do Paraná.

c) Que atividade econômica foi responsável pela alteração dos Campos do Rio Grande do Sul?

4 Sobre a Campanha Gaúcha, faça o que se pede.

a) Explique o que ela é.

b) Os Campos da Campanha Gaúcha vêm apresentando um sério problema ambiental. Aponte esse
problema e explique suas prováveis causas.

5 A exploração do carvão mineral em Santa Catarina é responsável por impactos


ambientais. Cite dois exemplos.

6 A regionalização dos problemas no Rio Grande do Sul pode ser feita por meio de
suas três bacias hidrográficas. Escolha uma delas e apresente ao menos dois de seus
problemas ambientais.

7 No passado (até 1975, aproximadamente), o norte do Paraná dominava a produção


de café no Brasil. Com base nisso, faça o que se pede.

a) Cite duas cidades dessa região cujo desenvolvimento foi patrocinado pelo café.

b) O que levou os fazendeiros de café a substituir a cafeicultura por outras culturas? Destaque
algumas dessas culturas.

c) A substituição da cultura de café pela cultura da soja causou um impacto social. Explique-o.

8 Explique o que é o Mercosul e por que ele influi no desenvolvimento econômico da


Região Sul.

Leituras cartográficas

9 Observe o mapa abaixo e faça o que se pede.

a) Explique o que o mapa representa.

b) Aponte o percentual, de domicílios urbanos com acesso à internet da unidade da federação onde
você vive e indique sua classificação no conjunto do Brasil.
c) Classifique os estados da Região Sul do Brasil quanto ao acesso à internet.
Página 241

d) Indique o nome de pelo menos dois estados do Brasil de menor percentual de domicílios
urbanos com acesso à internet.

Explore

10 Leia o fragmento de texto e responda ao que se pede.

“[…] Habitante de florestas, ocorre principalmente nas áreas de Florestas com Araucárias, onde é
comumente encontrada. Diferente do que acredita a cultura popular, esta espécie não é totalmente
dependente das florestas com Araucária, pois sua área de distribuição abrange também os
domínios da Floresta Atlântica. Devido a seus hábitos e a sua beleza natural é muitas vezes
mencionada em contos, lendas, música e arte. […]

Apesar de facilmente encontrada em sua área de ocorrência, a gralha-azul leva hoje o status de
vulnerável, principalmente devido à destruição de seu hábitat natural.”

BÓÇON, Roberto. Gralha-azul. Disponível em:


<www.maternatura.org.br/servicos/serv/cent_apm_jul_gralha.htm>. Acesso em: 15 dez. 2014.

a) Segundo o biólogo Roberto Bóçon, em quais formações vegetais a gralha-azul vive?

b) De acordo com o texto, o que acontecerá com a gralha-azul se a mata for extinta?

11 A Estátua do Laçador, na entrada de Porto Alegre, é um símbolo do estado do Rio


Grande do Sul. Moldada em bronze pelo escultor Antônio Caringini, tem 4,45 metros
de altura, apoia-se em um pedestal de granito de 2,10 metros e pesa 3,8 toneladas.

• Tendo por base o conhecimento adquirido nesta Unidade, a estátua é uma homenagem a que
protagonista da história do Rio Grande do Sul?

12 Observe o gráfico e compare a evolução da expectativa de vida da Região Sul com a


das outras regiões do Brasil.
Página 242

Desembarque em outras linguagens - SYLVIO BACK:


GEOGRAFIA E CINEMA
Cineasta, poeta e escritor, Sylvio Back nasceu em Blumenau (SC), em 1937, e foi criado no Paraná.
Filho de imigrantes — o pai era húngaro e a mãe alemã —, após trabalhar como jornalista iniciou-se
no cinema em 1962, tendo produzido desde então mais de trinta filmes. É considerado um dos mais
importantes cineastas do Brasil, tendo recebido mais de setenta prêmios, nacionais e
internacionais.

Sua obra é composta de documentários e roteiros de ficção, com filmes de curta, média ou longa
duração. Vista em conjunto, destaca-se pelo enfoque crítico que trata vários temas brasileiros,
proporcionando ao público uma reflexão sobre fatos ambientais, históricos e políticos, biografias
de artistas e diferentes segmentos da sociedade brasileira, como os imigrantes e os indígenas.

UMA VIDA NO CINEMA

Nesta seção, por uma questão de espaço, optamos por uma linha do tempo que não
mantém a proporcionalidade da escala.

1962
Inicia-se no cinema, após ter trabalhado como bancário e jornalista.

1965
Dirige Os imigrantes e Curitiba, amanhã.

1971
No longa-metragem A Guerra dos Pelados, retrata a Guerra do Contestado (1912-1916), conflito
armado na região fronteiriça entre os estados do Paraná e de Santa Catarina que ocorreu devido à
disputa de terras entre posseiros expropriados (conhecidos como “pelados” por rasparem a cabeça)
contra uma companhia de estrada de ferro estrangeira e sua serraria subsidiária, e que contou com
a intervenção de forças militares regionais e do Exército Nacional.

1973
A gaiola de ouro.

1974
Dirige Curitiba: uma experiência em planejamento urbano (documentário).

1978
Dirige Um Brasil diferente? e Crônica sulina.

1980
No longa-metragem Revolução de 30, por meio de fotografias, trechos de documentários e filmes,
o cineasta retrata esse importante fato histórico do Brasil. No curta-metragem Sete Quedas,
denuncia a agressão à natureza ao registrar uma das últimas imagens das corredeiras do Rio
Paraná, conhecidas como Salto de Sete Quedas, extintas devido à formação do lago da Usina
Hidrelétrica de Itaipu, em 1982.

1981
Dirige Jânio 20 anos depois e A araucária: memória da extinção. Neste último trabalho, um curta-
metragem sobre a importância da Araucária angustifólia (conhecida como Pinheiro do Paraná),
narra-se a história da diminuição de sua ocorrência devido ao desmatamento, incêndios e falta de
consciência ecológica.
1982
República Guarani e Vida e sangue de polaco. No longametragem República Guarani, por meio de
depoimentos e imagens o cineasta reacendeu o debate sobre as relações entre os jesuítas e os
indígenas Guarani nos séculos XVII e XVIII, em uma extensa área drenada pelos rios Uruguai,
Paraná e Paraguai, discutindo aspectos religiosos, arquitetônicos, sociais, culturais e econômicos.
Em Vida e sangue de Polaco, média-metragem, retratou a imigração polonesa no Brasil,
utilizando-se de depoimentos de imigrantes pioneiros e de seus descendentes.

1987
Dirige Guerra do Brasil. Filme com entrevistas e imagens documentais e de ficção sobre a
participação brasileira na Guerra do Paraguai (1864-1870), que envolveu Argentina, Brasil,
Paraguai e Uruguai e matou, aproximadamente, um milhão de pessoas.

1992
A babel da luz.

1995
Em Yndio do Brasil, por meio de imagens surpreendentes extraídas de filmes, cine-jornais e
documentários nacionais e estrangeiros, o cineasta revela como o cinema retratou os indígenas
brasileiros desde quando foram filmados pela primeira vez em 1912.

2002
Dirige Lost Zweig.

2012
Escreve e dirige o documentário O Contestado: Restos Mortais, sobre o conflito, na divisa entre
Paraná e Santa Catarina, entre 1912 e 1916.
Página 243

Com os professores de Língua Portuguesa e de Arte sugerimos desenvolver atividades relacionadas à linguagem
cinematográfica, como o estudo de outros diretores que abordaram temas brasileiros em sua obra cinematográfica, a
utilização de softwares livres e gratuitos disponíveis na internet para a edição de vídeos e a elaboração de roteiros.

Caixa de informações

1 Depois de observar as informações sobre Sylvio Back e parte de sua filmografia, avalie quais são
os temas por ele escolhidos para pensar questões do Brasil e da Região Sul por meio do cinema.

Interprete

2 Relacione os filmes e documentários de Sylvio Back com o que você estudou nesta Unidade.

3 Em sua opinião, qual é o desafio do cineasta ao buscar retratar e refletir temas sobre o Brasil e a
Região Sul no cinema?

Mãos à obra

4 Em grupo, retrate por meio de filmagem, fotografias ou desenhos algum aspecto relevante sobre
o lugar onde vive. Escolha um tema sobre o qual gostaria que as pessoas refletissem por meio de
imagens. Apresente o trabalho em sala de aula.
Página 244

UNIDADE 8 - Região Centro-Oeste


Nesta Unidade, viajaremos para a Região Centro-Oeste do Brasil. Logo de partida, você conhecerá
a diversidade de seus aspectos naturais e o processo de ocupação e produção de espaços
geográficos nessa região.

Verá que, nos últimos anos, ocorreu uma diversificação das atividades econômicas no Centro-
Oeste, resultante de investimentos dirigidos para outros setores além do agropecuário. Descobrirá
também que essa região enfrenta um grande desafio: o de assegurar a expansão da economia com a
necessidade de preservação do meio ambiente.

PERCURSOS
29 Região Centro-Oeste: localização e meio natural
30 Região Centro-Oeste: fatores iniciais da construção de espaços geográficos
31 Região Centro-Oeste: a dinamização da economia
32 Região Centro-Oeste: população, economia e meio ambiente

Tanto Brasília, capital do Distrito Federal e do Brasil, como Goiânia, capital do estado de Goiás, são
cidades planejadas. Brasília, inaugurada em 1960, e Goiânia, em 1937, apresentaram nos últimos
40 anos grande crescimento populacional — veja no gráfico — e se tornaram um marco para a
interiorização do povoamento do Brasil. Goiânia se destaca, entre outros fatores, por ser a cidade
mais arborizada do país.
Página 245

Verifique sua bagagem

1. Você sabe quais fatores contribuíram para que a interiorização do povoamento


chegasse ao Centro--Oeste? Comente esse processo.

1. Resposta pessoal. Auxilie os alunos no levantamento de hipóteses sobre a ocupação da Região Centro-Oeste. Assim
como em outras regiões do Brasil, as bandeiras e missões jesuíticas foram as primeiras incursões dos colonizadores
europeus sobre a região. A mineração, nos séculos XVII e XVIII, estimulou uma ocupação incipiente e rarefeita,
constituída por pequenos povoados, que futuramente originaram cidades. A partir do século XX, sobretudo em sua
segunda metade, o governo brasileiro passou a estimular a interiorização da ocupação por meio da construção de vias de
transporte e da fundação de Brasília, além de organizar projetos de colonização na região. Também deve ser destacada a
expansão da fronteira agropecuária para a região a partir dos anos de 1970.

2. Goiânia era a cidade mais populosa da Região Centro-Oeste em 1960. Após essa
data, Brasília passou a superá-la em número de habitantes, como mostra o gráfico.
Que dado político explica essa inversão?

2. Brasília foi fundada em 1960 para substituir o Rio de Janeiro como capital do país. A partir de então, a nova capital
passou a atrair população migrante em busca de trabalho, além de abrigar os funcionários públicos e o corpo político já
envolvido com o governo federal.
Página 246

PERCURSO 29 - Região Centro-Oeste: localização e


meio natural

1. Apresentação
Entre as Grandes Regiões do Brasil, a Centro-Oeste é a única que não é banhada pelo Oceano
Atlântico, sendo a mais interiorizada do território brasileiro.

Como vimos anteriormente, o Centro-Oeste é a segunda região do Brasil em área territorial: possui
1.606.403 km2, sendo superada apenas pela Região Norte. Em 2014, a população total da Região
Centro-Oeste era de 15.219.608 habitantes, o que a colocava como a menos populosa entre as
regiões do Brasil.

É nessa região que se localiza Brasília, a capital político-administrativa de nosso país (figura 1).

Do século XVI até meados do século XX, a Região Centro-Oeste manteve-se pouco povoada e
pouco articulada com as demais regiões brasileiras. Aí predominavam, de modo geral, os espaços
geográficos voltados para si próprios. Somente a partir das décadas de 1940 e 1950 passou a ser
mais povoada, em razão da construção de rodovias e da expansão da fronteira agropecuária em seu
território por meio da implantação de fazendas de gado, de agricultura, sítios etc.

Quais unidades da federação fazem parte da Região Centro-Oeste?

Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso.

Quem lê viaja mais


MORAES, Paulo Roberto; MELLO, Suely A. R. Freire de.
Região Centro-Oeste. São Paulo: Harbra, 2009. (Col. Expedição Brasil).
Oferece uma visão ampla da Região Centro-Oeste, apresentando aspectos físicos, históricos,
populacionais e culturais, entre outros, por meio de uma linguagem acessível e de ilustrações que
apoiam a compreensão do tema.

Pausa para o cinema


Três chapadas e um balão.
Direção: Maurício
Dias. Brasil: Grifa Cinematográfica, 1998.
Duração: 52 min.
Viaje junto na série documentário sobre duas chapadas da Região Centro-Oeste (a dos Veadeiros e
a dos Guimarães), e outra da Região Nordeste, na Bahia (a Chapada Diamantina), e suas
comunidades, filmada com dois balões de ar quente.
Página 247

2. Aspectos do meio natural


A Região Centro-Oeste apresenta paisagens naturais diversas. Observe, na figura 2, as altitudes do
relevo e a hidrografia da região.

No mapa da figura 2, optamos pela denominação "Serra dos Pireneus" em virtude de constar no site “IBGE Cidades@”,
no verbete “Pirenópolis”, a seguinte explicação: “A denominação ‘Pirenópolis’ foi estabelecida em fevereiro de 1890, em
virtude da cidade se achar plantada aos pés dos Pireneus, cordilheira [serra] mais expressiva do estado”. A referida Serra,
no entanto, também é conhecida como "Pirineus".

Relevo

No Centro-Oeste predominam terras com altitudes entre 200 e 500 metros. As terras mais
elevadas são encontradas no estado de Goiás, como a Serra dos Pireneus e a Chapada dos
Veadeiros.

Entre as terras de baixas altitudes, de 100 a 200 metros, destaca-se a área do Pantanal Mato-
Grossense, na porção sudoeste da região. Estudaremos o Pantanal com mais detalhes no
infográfico do final deste Percurso.

As unidades do relevo

Quanto ao relevo, predominam no Centro-Oeste os planaltos e as chapadas, que compõem as


unidades dos Planaltos e Chapadas da Bacia do Paraná e os Planaltos e Chapadas dos Parecis
(figura 3). Essas formações são tradicionalmente agrupadas sob a denominação geral de Planalto
Central do Brasil. Brasília está situada a 1.171 m de altitude, em uma das chapadas de Goiás.

As depressões abrangem menores extensões. Destacam-se a Depressão do Tocantins e a


Depressão Marginal Sul-Amazônica, que se estende desde o norte do Mato Grosso até o vale
do Rio Amazonas, na Região Norte.

As planícies ocupam a área do Pantanal e são representadas pela Planície e Pantanal do Rio
Guaporé, pela Planície e Pantanal do Rio Paraguai e por um trecho da Planície do Rio
Araguaia.
Página 248

Hidrografia, relevo e povoamento

Observando a figura 4, percebe-se que os rios da Região Centro-Oeste correm em várias direções.
Isso ocorre porque o relevo da região forma vários divisores de água.

Na Região Centro-Oeste encontram-se nascentes de rios que formam quatro regiões hidrográficas
brasileiras. Alguns afluentes e subafluentes do Rio Amazonas, como é o caso do Rio Xingu e dos
rios Juruena e Teles Pires — que formam o Rio Tapajós —, nascem no Mato Grosso. Da mesma
forma, é no Centro-Oeste que nascem afluentes da margem direita do Rio Paraná e afluentes da
margem esquerda do Rio Paraguai, além dos rios formadores da região hidrográfica do
Tocantins-Araguaia.

Essa rica rede hidrográfica oferece a possibilidade de navegação, de irrigação de terras, de


produção de energia elétrica, de fornecimento de alimentos, além de ter desempenhado um papel
importante nos séculos anteriores como vias de penetração para o povoamento regional.

Em quais regiões hidrográficas se localizam as capitais dos estados da Região Centro-Oeste?

Cuiabá (MT) se localiza na Região Hidrográfica do Paraguai; Campo Grande (MS) e Goiânia (GO), na Região
Hidrográfica do Paraná.

Navegar é preciso
ANA – Região Hidrográfica do Tocantins-Araguaia
<www2.ana.gov.br/Paginas/portais/bacias>
Neste site da Agência Nacional de Águas (ANA), você obtém informações físicas e humanas dessa
região hidrográfica; acesse também o mapa completo dela.
Página 249

Estação História - A Guerra do Paraguai – 1864-1870


O professor de História poderá contribuir com explicações e atividades direcionadas à história dos conflitos pelo controle
da Bacia do Prata desde o período colonial, às causas para a eclosão da Guerra do Paraguai, às batalhas e aos resultados
do conflito, como também tratar as diferentes explicações de historiadores a respeito dessa guerra.

Os cursos de água muitas vezes são disputados entre populações e países, seja por
sua importância política, econômica ou ambiental. Leia o texto e conheça o caso do
Rio Paraguai.

“Durante o início do século XVIII, os rios foram o principal caminho para chegar à Região [Centro-
Oeste]. Apenas uma estrada de terra foi aberta ligando Cuiabá a Goiás. Essas eram as únicas vias
de acesso ao restante do Império. O que dificultava muito o desenvolvimento da região.

O Rio Paraguai, com suas águas calmas, era uma alternativa para levar desenvolvimento à região.
Mas, para isso, os brasileiros deveriam navegar em terras paraguaias.

Em 1857, o governo paraguaio cedeu às pressões diplomáticas e consentiu em franquear o Rio


Paraguai às embarcações de bandeira brasileira. Mas, no final de 1864, o novo presidente do
Paraguai, Francisco Solano Lopez, rompeu o acordo. Começava a guerra.

Os paraguaios avançaram rapidamente, pois tinham um exército mais e melhor armado. As forças
de Solano Lopez avançaram e tomaram Corumbá, o ‘Campo de Vacaria’ — onde o gado era criado
solto — e só não se apoderaram de Cuiabá porque a época era de seca e impediu o avanço pelo rio.
Os índios — principalmente os Kadiweus e os Terenas — começaram a lutar do lado brasileiro.

A guerra só foi vencida quando Argentina, Uruguai e Brasil se uniram no Tratado da Tríplice
Aliança contra o Paraguai.”

Consentir
Concordar; aceitar; condescender.

Franquear
Conceder; liberar; permitir.

Interprete

1 Qual a importância da hidrografia para a Região Centro-Oeste durante os séculos XVIII e XIX?

Argumente

2 Em sua opinião, qual é a importância atual da hidrografia para as cidades localizadas na Região
Hidrográfica do Paraguai?
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Clima

Com exceção de uma pequena porção do território do estado de Mato Grosso do Sul, que se
encontra ao sul do Trópico de Capricórnio, a Região Centro-Oeste localiza-se na zona tropical. Essa
posição geográfica e as altitudes modestas do relevo, que facilitam a circulação atmosférica, ou seja,
não constituem obstáculos para o deslocamento de massas de ar, lhe conferem o clima tropical
com verão úmido e inverno seco, na maior parte de seu território (figura 5).

As áreas ao norte de Mato Grosso são dominadas pelo clima equatorial úmido — o mesmo
clima da Amazônia. Aí as temperaturas são elevadas no decorrer de todo o ano e o período de seca
é curto, cerca de 2 a 3 meses durante o inverno. É uma sub-região sob influência da massa
Equatorial Continental (mEc), massa de ar quente e úmida que se forma na Amazônia Ocidental.

Durante o inverno do Hemisfério Sul, a área do Centro-Oeste de clima tropical permanece sob a
influência da massa Polar Atlântica (mPa). Entretanto, essa massa de ar se apresenta bastante
alterada quanto às suas características iniciais. Nessa região — como também em partes da Região
Sudeste —, a mPa torna-se a responsável pelas baixas umidades relativas do ar nos meses de
inverno, pois quando aí chega já é uma massa de ar seca.

No Centro-Oeste, é comum que a umidade relativa do ar atinja pontos críticos, abaixo de 30%, nos
meses de inverno. Nessas condições, os problemas respiratórios da população se agravam,
principalmente em idosos e crianças. Tal situação leva escolas a suspender aulas e as pessoas são
orientadas a moderar as atividades físicas e beber muita água para hidratar o organismo.

Observe o climograma de Brasília (figura 6). Veja como é bem definido o período chuvoso e o de
seca.

Quanto às médias térmicas mensais, as diferenças entre o inverno e o verão não são pronunciadas.

Umidade relativa
Proporção da quantidade de vapor de água presente em determinado volume de ar, em dado
momento, em relação à quantidade máxima de vapor de água que esse volume de ar pode conter,
na temperatura desse momento. Seu valor é comumente expresso em porcentagem.
Página 251

Vegetação nativa

Originalmente, a porção norte da Região Centro-Oeste era recoberta pela Floresta Amazônica;
pela Mata Tropical, acompanhando vários vales fluviais da região, pelo Cerrado, cobrindo
grandes trechos de Mato Grosso do Sul, Goiás e Mato Grosso; e pela vegetação do Pantanal,
denominada Complexo do Pantanal. Observe a vegetação nativa e a área devastada da região na
figura 7.

Quando estudamos os domínios morfoclimáticos, vimos algumas características da Floresta


Amazônica, da vegetação do Pantanal e do Cerrado e os impactos ambientais causados sobre esses
domínios. Sugerimos que você releia o assunto no Percurso 4, na Unidade 1.

A expansão da fronteira agropecuária na região modificou a paisagem do Centro-Oeste nos últimos


cinquenta anos. Atualmente, grandes fazendas de gado substituíram amplamente a vegetação
nativa, como veremos no Percurso 32.

Comente as alterações na cobertura vegetal da Região Centro-Oeste.

A devastação causada pela ação humana afetou intensamente as áreas de Cerrado e da Floresta Amazônica.

Quem lê viaja mais


BIZERRIL, Marcelo.
Vivendo no Cerrado e aprendendo com ele. São Paulo: Saraiva, 2004.
A obra fornece um panorama interessante sobre a flora e a fauna do Cerrado, além de aspectos de
grupos indígenas que habitam esse bioma.

Pausa para o cinema


O Cerrado.
Direção: Paulo Rufino. Brasil:
Casa de Cinema Produções, 2007. Duração: 48 min.
Documentário que mostra as transformações do Cerrado resultantes da expansão da fronteira
agropecuária e as ameaças ambientais daí decorrentes.

O Pantanal

No infográfico a seguir você conhecerá melhor o Complexo do Pantanal, porção da Região Centro-
Oeste com paisagens naturais muito peculiares.
Página 252

INFOGRÁFICO

Pantanal

Com o professor de Ciências, sugerimos abordar: a) a biodiversidade no Pantanal Mato-grossense por meio da
representação de uma comunidade; b) o esquema de cheias e vazantes no Pantanal e sua relação com os organismos
vivos; c) a importância ambiental do Pantanal Mato-grossense como uma região de transição de domínios
morfoclimáticos.

O Pantanal está localizado na Bacia do Alto Paraguai e é a maior planície alagável das Américas.
A vida no Pantanal gira em torno de duas estações diferenciadas: a seca e a úmida (cheia). O
modo de ser e de produzir do pantaneiro está associado a esse ritmo. A criação extensiva de
gado, a pesca e o ecoturismo são as principais atividades econômicas.

TEMPO DA SECA

Vai de maio a outubro. Formam-se lagoas e corixos que secam à medida que a água escorre
lentamente para o Rio Paraguai. As plantas aquáticas e peixes atraem aves e outros animais, e essa
concentração de vida proporciona alimento e oportunidades de reprodução para a fauna e a flora.

TEMPO DA CHEIA

Vai de novembro a abril. Os rios transbordam e as planícies são inundadas. Surgem canais
(corixos), a inundação abastece lagoas e baías, conectando diferentes corpos de água. Isso permite
o deslocamento das espécies aquáticas. A vegetação fica exuberante.
Página 253

Uma Reserva da Biosfera

Desde 2000, o Pantanal é reconhecido por sua importância para a biodiversidade e para o
desenvolvimento econômico, social, cultural e ecológico.

Interprete

1 Observe as imagens que representam o tempo da seca e o tempo da cheia. Existe alguma
diferença entre elas? Qual? De que maneira isso influencia na vida das pessoas que aí vivem?

1. Comparando o tempo da seca com o da cheia, é possível notar como a área roxa ocupa quase toda a sub-região
representada no mapa. Isso indica o aumento do nível das águas no Pantanal. Para saber como essa variação influencia
na vida das pessoas, basta observar na imagem que os caminhos somem com as águas. Quem vive nesses locais, por
exemplo, deve se locomover com barcos nas cheias, enquanto na seca pode ir a pé, a cavalo ou usar automóvel.

Argumente

2 Por que é possível afirmar que o bioma do Pantanal é complexo?

2. Basta observar as fotos dos variados ecossistemas existentes no Pantanal. Todos têm suas diferenças, seja na seca, seja
na cheia. Em cada um é possível encontrar uma rica fauna e flora, com suas características peculiares.
Página 254

PERCURSO 30 - Região Centro-Oeste: fatores


iniciais da construção de espaços geográficos

1. Os primeiros exploradores
As primeiras incursões de portugueses e luso-brasileiros no espaço do atual Centro-Oeste
ocorreram nos séculos XVI, XVII e XVIII e foram representadas por aldeamentos indígenas
realizados por missões religiosas e pelo bandeirismo, que visava aprisionar indígenas para vendê-
los como escravos no Nordeste açucareiro ou, ainda, descobrir ouro e pedras preciosas (figura 8).

Para ter ideia da extensão do deslocamento das bandeiras paulistas no século XVIII, calcule a
distância, em linha reta e em quilômetros, entre a cidade de São Paulo e o extremo da seta
localizada no estado do Piauí.

2.067 km, aproximadamente.


Página 255

A mineração e o surgimento de cidades no Centro-Oeste

Nos deslocamentos pelo território, os bandeirantes faziam pousos ou paradas para o descanso e,
quando encontravam ouro ou pedras preciosas, fixavam-se no lugar, dando início a um arraial.
Quando o ouro se esgotava nos cursos de água de onde era extraído, muitos desses arraiais eram
abandonados. Entretanto, quando se iniciou a exploração de filões auríferos, a população tornou-se
sedentária, permitindo a formação de povoados, que se transformaram em vilas e cidades (figura
9).

Já Corumbá, no Mato Grosso do Sul, e Cáceres, no es tado do Mato Grosso, ambas nas margens do
Rio Paraguai, têm as suas origens relacionadas a postos ou fortificações implantados por
portugueses e luso-brasileiros.

Arraial
Pequeno povoado.

Filão
Veio, depósito de um mesmo mineral no interior da crosta terrestre.

Sedentário
Refere-se à pessoa que tem local fixo de moradia.

Marechal Rondon e o Centro-Oeste

No final do século XIX, Cândido Mariano da Silva Rondon, militar de origem indígena nascido em
Mato Grosso, iniciou um importante trabalho de conhecimento dos sertões mato-grossense e
amazônico. Seus trabalhos de campo — nos quais mapeou rios, divisores de águas e características
do relevo, entre outros aspectos do meio natural — foram muito importantes para a elaboração das
primeiras cartas geográficas do estado do Mato Grosso.

Sob o comando de Rondon foi construída, em 1890, uma linha telegráfica entre Cuiabá e a região
do Rio Araguaia, habitada pelos indígenas do grupo bororo. Posteriormente, essa linha foi
estendida até Goiás.

Rondon, ao mesmo tempo que supervisionava o trabalho de construção de linhas telegráficas e


levantava dados sobre a natureza, fazia também o trabalho de atração, pacificação e proteção dos
índios (figura 10, na página seguinte). É dele o famoso lema “morrer se preciso for, matar nunca”,
referindo-se ao seu trabalho com os indígenas.

O trabalho de Rondon e de sua equipe estendeu-se por toda a primeira metade do século XX. As
expedições por ele chefiadas entraram várias vezes nos territórios das atuais regiões Centro-Oeste e
Norte e contribuíram de forma significativa para o conhecimento do território brasileiro,
facilitando a expansão da fronteira agropecuária, a exploração comercial da região e, por
conseguinte, a construção de espaços geográficos.

Linha telegráfica
Sistema para envio e recebimento de mensagens por sinais.

No seu contexto

Você já viu alguma fotografia antiga da cidade onde você mora? Se viu, qual foi sua impressão?

Resposta pessoal. Esta é uma oportunidade para resgatar fotografias antigas da cidade, organizar um acervo e fazer até
mesmo uma exposição delas, juntamente com uma pesquisa sobre a origem da cidade. Sugerimos que essa atividade seja
ampliada com a participação do professor de História.
Página 256

2. A Estrada de Ferro Noroeste do Brasil e a articulação


com o Sudeste
Em 1914, a inauguração da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil foi um marco importante para a
articulação da Região Centro-Oeste, particularmente do estado do Mato Grosso com o estado de
São Paulo (em 1914, não havia o estado do Mato Grosso do Sul, que foi criado em 1977, após o
desmembramento do Mato Grosso).

Partindo da cidade de Bauru, no interior de São Paulo, a E. F. Noroeste do Brasil — hoje


denominada Ferrovia Novoeste —, após atravessar o oeste paulista e o Rio Paraná, entra em
terras do Mato Grosso do Sul e alcança Campo Grande. Daí segue em direção à fronteira da Bolívia,
atingindo a cidade de Corumbá, às margens do Rio Paraguai (figura 11).

Quem lê viaja mais


BIGIO, Elias dos Santos.
Cândido Rondon: a integração nacional. Rio de Janeiro: Contraponto, 2000.
A obra trata da atuação de Rondon na implantação de postos militares no Centro-Oeste, de linhas
telegráficas e do Serviço de Proteção ao Índio (SPI).
Página 257

A implantação da E. F. Noroeste do Brasil, com extensão de 1.621 km, alterou profundamente as


comunicações entre o Centro-Oeste e o Sudeste. Antes de essa ferrovia ser implantada, a
comunicação entre Campo Grande, Corumbá e outras localidades, como Rio de Janeiro e São
Paulo, era feita pelo Rio Paraguai. O trajeto era muito longo: do Rio Paraguai, seguia-se pelo Rio da
Prata, entre Buenos Aires e Montevidéu, para daí seguir, pelo Oceano Atlântico, rumo ao Rio de
Janeiro e a Santos.

A ferrovia (figura 12) permitiu a integração dos espaços geográficos do Centro-Oeste com outras
áreas e estimulou as migrações, principalmente de paulistas, para o Mato Grosso do Sul, onde
fundaram fazendas e abriram novas fronteiras agropecuárias.

3. Até meados do século XX, um povoamento escasso


Diferentemente das regiões Nordeste e Sudeste, a Região Centro-Oeste manteve-se isolada e pouco
povoada durante muito tempo. Do período colonial até meados do século XX, a região não se
transformou em forte área de atração populacional. Com exceção do curto período de tempo em
que ocorreu a exploração de metais e pedras preciosas, nos séculos XVII e XVIII, não havia
atrativos econômicos que justificassem expressivos fluxos migratórios para a região. Além disso, a
falta de ferrovias e rodovias — com exceção da E. F. Noroeste do Brasil — dificultava a exploração
dos recursos naturais, principalmente do atual Mato Grosso e Goiás. Observe, na figura 13, da
página seguinte, o povoamento em 1950 e nos demais anos.

Navegar é preciso
Associação Brasileira de Preservação Ferroviária
<www.abpfsp.com.br/ferrovias.htm>
Acesse o site do histórico das ferrovias paulistas e localize o trecho que trata da antiga Estrada de
Ferro Noroeste do Brasil, atual Novoeste, para saber mais sobre sua história.
Página 258

Nota: Em 1988, foi criado o estado de Tocantins, desmembrado do estado de Goiás; o atual
Distrito Federal foi inaugurado em 1960, com a cidade de Brasília — é por isso que consta no
gráfico somente a partir desse ano. O Mato Grosso do Sul foi criado em 1977, por isso seus dados
constam no gráfico a partir do censo de 1980.

Em 1900, a cidade de Campo Grande (figura 14) era uma pequena vila, e Cuiabá possuía apenas 35
mil habitantes. Em 2014, Campo Grande passou para uma população de 843.120 habitantes. Nesse
mesmo ano, Cuiabá já apresentava 574.969 habitantes.

Como vimos no início desta Unidade, Goiânia foi fundada em 1937 para ser a nova capital do
estado de Goiás. Antes dela, a capital desde 1818 era a cidade de Goiás — antiga Vila Boa (figura
15). Em 1950, porém, Goiânia ainda era uma cidade pequena: tinha pouco mais de 50 mil
habitantes. Em 2014 a sua população atingiu 1.412.364 habitantes.

Foi a partir de meados do século XX que a economia do Centro-Oeste cresceu, assunto que
veremos no próximo Percurso.

Pausa para o cinema


História da ocupação de Goiás pelos filhos da terra.
Direção: Geraldo Moraes.
Brasil: CPCE, Iphan, MinC, 1988. Duração: 18 min.
O escritor Bernardo Elis e o historiador Paulo Bertran dialogam sobre a reconstituição da ocupação
de Goiás, contrastando com as imagens que documentam a história.
Página 259

Outras rotas - Sítio Histórico e Patrimônio Cultural


Kalunga
Pluralidade Cultural
Remeta os alunos à figura 2, na página 247, para localizar a Chapada dos Veadeiros, no norte de Goiás, onde se situa esse
sítio histórico.

Assim como em outras regiões do Brasil, o Centro-Oeste abriga grande diversidade étnica e
cultural. Estima-se que nela vivem 53 mil indígenas de etnias diferentes, além da população
formada pela miscigenação de indígenas, negros e eurodescendentes. Há também diversos
remanescentes de quilombos, como a comunidade que conheceremos a seguir, situada no extremo
norte do estado de Goiás.

“[...] Os Kalunga vivem, há mais de 200 anos, numa região inóspita, mas de rara beleza natural.

Com área de 253 mil hectares assegurada pelo Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma
Agrária), 97% dos quais ainda intocados, na divisa de Goiás com o Tocantins e a Bahia [...], o Sítio
Histórico e Patrimônio Cultural Kalunga abriga cerca de 4 mil habitantes (60% deles com menos
de 20 anos) e mil moradias, muitas delas ainda erguidas com tijolo adobe e forradas com palhas de
coqueiro pindoba. Divididos em 28 pequenas comunidades, [...] eles têm um ritmo de vida
estacionado no tempo, praticando a agricultura de subsistência.

O percurso entre as comunidades é feito tradicionalmente de mula, devido à falta de estradas e ao


relevo montanhoso. Os poucos registros históricos dão conta de que os primeiros habitantes da
região foram negros fugitivos da escravatura. O local foi escolhido pelo fato de ser distante e de ter
o seu acesso dificultado pela grande quantidade de morros e serras íngremes. [...]

À espera da regularização

Dentro do sítio histórico existem mais de 90 fazendas, muitas delas em área de ocupação ilegal
(sem título de posse) ou em terras devolutas do governo do estado de Goiás. Em 1996, o governo
estadual reconheceu a área como patrimônio cultural e sítio de valor histórico.

[...] Assinado em 2006, um termo de cooperação entre o Incra e a Agência Rural do governo goiano
definiu objetivos a identificação, reconhecimento, delimitação, demarcação, regularização e
titulação das terras em favor dos Kalunga [...].”

CARDOSO, José Antônio. Povo Kalunga de Goiás consolida sua identidade. Agência Sebrae de
Notícias, 17 out. 2010. Disponível em: <www.go.agenciasebrae.com.br/sites/asn/uf/GO/Povo-
Kalunga-de-Goi%C3%A1sconsolida-sua-identidade>. Acesso em: 9 dez. 2014.

Interprete

1 Qual característica do meio natural estimulou a escolha dessa área ao norte de Goiás como local
de habitação para as comunidades do povo Kalunga?

Argumente

2 Qual é a importância da regulamentação de áreas para preservação do patrimônio histórico,


cultural e ambiental?

Contextualize
3 Pesquise se há áreas de preservação de patrimônio histórico ou cultural em seu município e sua
unidade da federação. Escolha uma e procure saber sobre a história do local e do povo em questão.
Busque informações sobre a cobertura vegetal e o relevo. Eles se encontram preservados? Pesquise
também a atividade econômica realizada pela população.
Página 260

Atividades dos percursos 29 e 30


Registre em seu caderno.

Revendo conteúdos

1 Há alguma relação entre as altitudes do relevo e a circulação das massas de ar na


Região Centro-Oeste? Explique.

2 Por que as bandeiras foram importantes para a formação de espaços geográficos no


Centro-Oeste?

3 Explique por que o trabalho de Marechal Rondon foi importante para o


conhecimento do território do Centro-Oeste.

4 Cite a importância da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil para a integração das


regiões Centro-Oeste e Sudeste.

5 Explique a razão de a Região Centro-Oeste ter permanecido pouco povoada até


praticamente os anos 1940 e 1950.

Leituras cartográficas

6 Observe o mapa a seguir e responda às questões.

a) Em quais porções do território do Centro-Oeste existe maior umidade?

b) Qual é a classe de umidade nessas porções?

Explore

7 Compare os gráficos dos regimes pluviométricos das três capitais dos estados da
Região Centro-Oeste com o mapa da atividade anterior e responda:

• Os gráficos dos regimes pluviométricos de Campo Grande, de Goiânia e de Cuiabá correspondem


às classes de umidade constantes do mapa? Justifique.
Página 261

8 Observe, atentamente, o perfil de relevo a seguir e responda ao que se pede:

a) Qual elemento natural marca a divisa da Região Sudeste com a Região Centro-Oeste?

b) Qual é a forma de relevo que corresponde às fronteiras do Brasil com o Paraguai e a Bolívia?

c) Quais são as duas formas de relevo da Região Centro-Oeste mostradas no perfil?

d) Nesse perfil, qual é, aproximadamente, a altitude por onde corre o Rio Paraná?

9 Leia o texto e depois responda às questões:

“A cidade de Cuiabá, embora situada em área de mesmo tipo climático que Goiânia, apresenta
condições térmicas de maior aquecimento, devido à sua condição de mais expressiva
continentalidade e à posição inferior de seu relevo”.

MENDONÇA, Francisco; DANNI-OLIVEIRA, Inês M. Climatologia: noções básicas e climas do


Brasil. São Paulo: Oficina de Textos, 2007. p. 176.

a) A qual tipo climático se refere o texto?

b) Segundo o texto, Cuiabá possui condições térmicas de maior aquecimento que Goiânia, graças à
sua maior continentalidade. Explique o que é efeito continentalidade.

c) Os autores afirmam que Cuiabá está em posição inferior de relevo em relação a Goiânia. Com
base na observação das figuras 1 e 2 (páginas 246 e 247, respectivamente), explique por que essa
afirmativa está correta.

10 Ao estudar o clima da Região Centro-Oeste, um estudioso do assunto escreveu:

“[…] Outro aspecto a ressaltar do seu regime térmico é a notável oscilação diurna, isto é, a
amplitude entre as máximas registradas nas horas dos dias e as mínimas noturnas, o que, aliás, é
uma característica geral das regiões muito afastadas das influências marítimas, especialmente nas
latitudes tropicais. […]”

NIMER, Edmon. Clima. In: IBGE. Geografia do Brasil. Região Centro-Oeste. Rio de Janeiro:
IBGE, 1977. v. 1. p. 27.

• Em que trecho do texto o estudioso do clima confirma que a amplitude térmica diária na Região
Centro-Oeste é elevada?

Pesquise

11 Faça uma pesquisa, em grupo, sobre o “pantaneiro”, típico habitante do Pantanal.


Pesquise em revistas, jornais e páginas da internet a respeito dos costumes dessa
população. Procure se informar sobre as origens de suas tradições e de quais povos o
pantaneiro recebeu, e ainda recebe, influências culturais. Monte uma apresentação
com ilustrações sobre os trajes característicos, as atividades que o pantaneiro
costuma exercer, seus hábitos alimentares e outros costumes. Troque a sua pesquisa
com a de outro grupo para comparar as informações obtidas.
Página 262

PERCURSO 31 - Região Centro-Oeste: a


dinamização da economia

1. O avanço da ocupação territorial


Vimos no Percurso anterior que até meados do século XX a Região Centro-Oeste possuía um
povoamento escasso. A economia era frágil e havia obstáculos que dificultavam o desenvolvimento,
entre eles a escassez de energia elétrica, a falta de estradas e desconhecimento técnico quanto à
melhor forma de utilização dos solos do Cerrado para a agricultura.

A partir dos anos 1940 e 1950 esse cenário começou a ser alterado: diversas iniciativas foram
tomadas para dinamizar a economia e a integração da Região Centro-Oeste às demais regiões do
Brasil.

A Expedição Roncador-Xingu: os irmãos Villas Bôas

No início dos anos 1940, o governo do Presidente Getúlio Vargas lançou o projeto “Marcha para o
Oeste” com o objetivo de promover maior povoamento do Centro-Oeste. Entre outras iniciativas
governamentais, foi organizada a Expedição Roncador-Xingu, em 1943, em Mato Grosso, que fez
um amplo trabalho de reconhecimento e mapeamento de territórios até então desconhecidos, sob o
comando dos irmãos Orlando, Cláudio e Leonardo Villas Bôas (figura 16).

Por meio da abertura de estradas e da construção de campos de pouso de emergência, calcula-se


que essa expedição deu origem a cerca de 40 municípios e 4 bases aéreas.

Graças ao empenho dos irmãos Villas Bôas, foi criado em 1961, pelo governo federal, o Parque
Nacional do Xingu (figura 17) — reserva indígena no alto do Rio Xingu, no estado de Mato
Grosso, que abriga indígenas de diversas aldeias e tem como objetivo preservar os seus territórios e
valores culturais.

Pausa para o cinema


Xingu.
Direção: Cao Hamburger.
Brasil: O2 Filmes, 2012.
Duração: 103 min.
O filme retrata a história dos irmãos Villas Bôas (Orlando, Cláudio e Leonardo), que se tornam
indigenistas, e a sua luta para a criação do Parque Nacional do Xingu.

Orientações no Manual Multimídia

Objeto educacional digital

O Parque Indígena do Xingu


Página 263

Implantação de áreas de colonização

Para estimular o desenvolvimento econômico de Goiás e Mato Grosso por meio do aproveitamento
e da exploração dos recursos naturais, o governo federal criou, na década de 1940, duas áreas de
colonização: a Colônia de Dourados, situada a cerca de 220 quilômetros ao sul de Campo
Grande, e a Colônia de Goiás, no município de Ceres, a aproximadamente 150 quilômetros ao
norte de Goiânia.

Diante do sucesso dessa iniciativa, foram implantadas fazendas naqueles estados por um número
crescente de pessoas vindas, sobretudo, de São Paulo, do Rio de Janeiro e do Paraná.

A partir de 1970, no estado de Mato Grosso foram implantados outros projetos de colonização
pelos governos federal e estadual e por empresas particulares que assentaram milhares de famílias,
procedentes de diversas regiões do Brasil, em vários municípios (figura 18). Muitos desses projetos
de colonização ocuparam terras indígenas, provocando conflitos de territorialidade.

Nesse processo, indígenas foram desterritorializados, expulsos para outras áreas, marginalizados,
aculturados ou, ainda, integrados às comunidades locais como mão de obra nas fazendas de gado,
de produtos agrícolas ou nos garimpos.

A implantação dos núcleos de colonização está vinculada à expansão das rodovias na região?

Sim. É possível observar que os núcleos de colonização estão localizados ao longo das rodovias no estado de Mato Grosso.

Migrações e a expansão da fronteira agropecuária

Desde antes dos anos 1940, existiam fazendas de gado no oeste paulista. Na expansão da pecuária,
muitos fazendeiros ultrapassaram o Rio Paraná e entraram em Mato Grosso (na época não existia o
estado do Mato Grosso do Sul, que foi criado em 1977 pelo desmembramento de Mato Grosso),
enquanto outros partiram em direção à porção sul do estado de Goiás, onde implantaram fazendas
de gado no Cerrado.

O maior fluxo migratório interno para o Centro-Oeste ocorreu a partir da década de 1960, não só
formado por paulistas, mas, sobretudo, por gaúchos, catarinenses e paranaenses. Apoiados em
estudos da Embrapa — empresa pública fundada em 1975 com o objetivo de produzir tecnologia de
apoio à agropecuária brasileira — e no uso da calagem do solo, transformaram muitos espaços do
Centro-Oeste em áreas de agricultura e pecuária moderna.

Calagem
Processo que consiste na incorporação de calcário ao solo para corrigir sua acidez, tornando-o mais
fértil.
Página 264

As migrações e a expansão da fronteira agropecuária transformaram substancialmente a economia


regional. Essa expansão, apoiada na construção de rodovias, possibilitou a fundação de cidades e
dinamizou a economia. É esse o caso do município de Sorriso, localizado na direção norte de Mato
Grosso, na beira da Rodovia Cuiabá-Santarém. As primeiras levas de migrantes aí chegaram ao
final da década de 1970. Atualmente, Sorriso é o município brasileiro líder na produção de soja
(figura 19).

Construção de Brasília: novo impulso para o Centro-Oeste

A construção de Brasília foi um marco para o desenvolvimento da Região Centro-Oeste (figura 20).

Desde o início do governo do presidente Juscelino Kubitschek (1956-1961) até a inauguração de


Brasília (1960), milhares de brasileiros, principalmente do Nordeste, mudaram-se para Goiás para
trabalhar nas obras da nova capital. A transferência da sede do governo também deslocou para lá
milhares de funcionários públicos federais, até então instalados na cidade do Rio de Janeiro. Além
dos migrantes do Nordeste e do Rio de Janeiro, pessoas de todo o Brasil foram atraídas para o novo
Distrito Federal e suas imediações e contribuíram para produzir novos espaços geográficos.
Página 265

2. Infraestrutura e integração regional


Desde a década de 1960, diversas medidas foram adotadas para estimular a integração das vastas
áreas do Centro-Oeste às demais regiões do país, com destaque para os investimentos em
infraestrutura, que permitiram um notável desenvolvimento econômico nos últimos 50 anos.

A construção de rodovias e a integração regional

Os governos militares, após 1964, priorizaram a construção de rodovias em Goiás, Mato Grosso e
na Amazônia com o intuito de dar continuidade ao projeto de interligação dos espaços regionais
iniciados pelo presidente Juscelino Kubitschek, que durante seu governo construiu a Rodovia
Belém-Brasília (localize essa rodovia no mapa da página 122, do Percurso 14).

Assim, deu-se prosseguimento à construção das chamadas rodovias da integração nacional:


Brasília-Acre, Cuiabá-Santarém, Transpantaneira (ligando Corumbá a Cuiabá), Campo Grande-
Três Lagoas, Cuiabá-Vitória e outras. As rodovias abriram novas possibilidades para o
desenvolvimento econômico da região.

As eclusas e as hidrovias

Com os modernos recursos de engenharia é possível tornar um rio de planalto navegável por meio
da construção de eclusas, como as que existem no Rio Paraná e em outros rios da sua bacia, como o
Tietê.

Para garantir o aproveitamento hidroviário dos rios dessa bacia, foram construídas eclusas junto às
barragens das usinas de Barra Bonita, Jupiá, Três Irmãos e outras (figura 21). Atualmente, um
trecho grande da Bacia do Paraná é navegável. Veja na figura 22, na página seguinte, como
funciona uma eclusa.

Hidroviário
De hidrovia, via navegável utilizada para o transporte de cargas e passageiros.

É possível navegar entre Barra Bonita e Porto Primavera? Como você sabe?

A legenda do mapa mostra que esse trecho é navegável.

Quem lê viaja mais


MIRANDA, Ana.
Flor do Cerrado: Brasília. São Paulo: Companhia das Letrinhas, 2004.
A autora relembra a sua infância no contexto da construção de Brasília, a qual assistiu com os
próprios olhos, pois morou lá com sua família no período em que a cidade era ainda um “canteiro
de obras”.
Página 266

Graças às hidrovias, empresas agroindustriais, fazendeiros, sitiantes, comerciantes e a população


em geral da área ao longo dos rios estão sendo beneficiados. O menor custo do transporte permite
que o produto chegue a seu destino com preço menor. Para se ter uma ideia, um comboio formado
por quatro chatas e um empurrador (figura 23) corresponde à capacidade de transporte de 240
caminhões com carreta.

Chata
Embarcação de estrutura resistente, de fundo chato, em geral sem motor próprio, destinada ao
transporte de carga pesada.

Empurrador
Embarcação que empurra as chatas.
Página 267

A Ferronorte avança para o interior

A Ferronorte é uma ferrovia em construção, projetada para interligar, numa primeira etapa, a
cidade de Cuiabá à rede ferroviária do estado de São Paulo e à Hidrovia Tietê-Paraná.
Concretizando-se tal iniciativa, Cuiabá estará conectada ao porto de Santos, o que permitirá o
escoamento da produção de uma vasta área a preços mais baixos que aqueles do transporte
rodoviário.

Gasoduto Bolívia-Brasil

Um acordo comercial possibilitou o fornecimento de gás natural da Bolívia para o Brasil, por meio
de um gasoduto que começa na cidade de Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, e passa por Corumbá
(MS), Campinas (SP), São Paulo (SP) e outras localidades do Brasil (figura 24).

O gasoduto estimulou, no Centro-Oeste, no Sudeste e no Sul, a instalação de novos polos


industriais, por ser o gás uma fonte de energia que complementa ou até mesmo substitui a
utilização da energia elétrica nas indústrias, além de poder ser utilizada como combustível
substituto ao óleo diesel, à gasolina e ao álcool.

Calcule a distância em linha reta e em quilômetros do gasoduto que une a cidade de Santa Cruz, na
Bolívia, e Campinas, no estado de São Paulo.

1.650 km, aproximadamente.

3. Região Centro-Oeste: a organização atual do espaço


geográfico
Da mesma forma que as demais regiões até aqui estudadas, os espaços geográficos da Região
Centro-Oeste encontram-se, em maior ou menor intensidade, articulados e integrados aos demais
espaços geográficos nacionais e mundiais.

Veja no mapa da figura 25 como ocorre o uso do território dessa região, considerando o grau de
modernização dos espaços agrícolas e a hierarquia urbana.
Página 268

PERCURSO 32 - Região Centro-Oeste: população,


economia e meio ambiente

1. Crescimento da população
Apesar de ainda ser uma região pouco populosa, a Região Centro-Oeste, assim como a Região
Norte, apresentou o maior crescimento populacional relativo (em porcentagem) nos últimos 60
anos em comparação às outras regiões do Brasil. Apesar de esse crescimento ter sido mais intenso
nos anos 1960 e 1970, ainda se manteve superior a 20% nas últimas três décadas, conforme a
tabela ao lado.

A principal explicação para esse crescimento populacional da Região Centro-Oeste são as


migrações decorrentes da expansão da fronteira agropecuária.

Região Centro-Oeste: crescimento da população – 1940-2014*


Censo População absoluta (hab.) Crescimento (%)
1940 1.258.679 —
1950 1.730.684 37,5
1960 2.942.992 70,0
1970 5.073.259 72,4
1980 6.805.911 34,1
1990 9.427.601 38,5
2000 11.636.728 23,4
2010 14.058.084 20,7
2014 15.219.608 8,3

2. Crescimento do PIB
A Região Centro-Oeste foi também a que apresentou o maior crescimento do Produto Interno
Bruto (PIB) nas últimas décadas. Compare na figura 26 a participação de cada região no PIB
brasileiro em 1985 e 2012.
Página 269

3. Centro-Oeste: economia em plena expansão


Os dados de população e de PIB são indicativos de que o Centro-Oeste se encontra em plena
expansão econômica. Esse crescimento nos últimos anos se deve sobretudo ao setor agropecuário.
A região possui o maior rebanho do país, com mais de 72 milhões de cabeças de gado bovino, o que
corresponde a mais de um terço do total nacional (figura 27). Além disso, responde por quase a
metade da soja produzida no Brasil — somente Mato Grosso contribui com cerca de 28% da
produção nacional (figura 28).

Cada estado do Centro-Oeste se destaca em determinados produtos agropecuários. Goiás é


responsável por cerca de 33% do sorgo produzido no Brasil e se sobressai também na produção de
arroz e milho. Mato Grosso é o maior produtor nacional de algodão. Mato Grosso do Sul, além de
ser grande exportador de carne, destaca-se na produção de soja, milho, mandioca, arroz, cana-de-
açúcar etc.

Sorgo
Cereal semelhante ao milho, muito utilizado em ração animal.
Página 270

Fronteira agropecuária e a preservação ambiental

Nos últimos 50 anos, grandes áreas ocupadas originalmente pelo Cerrado e pela Floresta
Amazônica, no norte de Mato Grosso, foram ocupadas pela agropecuária. Apesar de ser o bioma
mais bem preservado do país, o Pantanal também foi agredido por intervenções humanas, que
ameaçam a sua diversidade de flora e fauna (reveja a figura 7 do Percurso 29, na página 251).

A expansão da fronteira agropecuária sobre essas formações vegetais provocou alterações


ambientais, com risco de perda de sua biodiversidade, e ainda é responsável pelo desmatamento
daquelas áreas, que continuam a ser ocupadas, sobretudo, pelo plantio da soja e pela pecuária
(figura 29). Por isso, o grande desafio do Centro-Oeste é conciliar a expansão dessas atividades
com a preservação ambiental.

Daí a necessidade de se disciplinar o uso do solo e dos recursos naturais regionais por meio da
fiscalização e aplicação da legislação ambiental.

Modelo econômico agroexportador

A ocupação e a utilização das terras do Centro-Oeste têm sido realizadas com base no modelo
agroexportador, ou seja, a produção é voltada para a exportação.

Se, por um lado, esse modelo coloca atualmente o Brasil como o maior exportador mundial de
carne e o segundo de soja, e o faz ocupar posição de destaque na exportação de algodão, sendo
responsável pela entrada de dinheiro no país, por outro lado traz consequências desfavoráveis.

Além do efeito devastador sobre a cobertura vegetal original e das consequências ambientais daí
decorrentes (erosão, compactação do solo, perda de biodiversidade etc.), esse modelo causa
impactos sociais (figura 30). Entre eles, podemos destacar:

No seu contexto

Você sabe se algum produto agrícola cultivado em seu município destina-se à exportação?

Depende do município. É uma oportunidade para explicar as características da agricultura comercial de exportação e da
agricultura de produtos alimentares. A primeira é praticada principalmente em grandes propriedades rurais, é
monocultora, usa geralmente técnicas avançadas de produção (sementes selecionadas, intensa mecanização, assistência
agronômica etc.), ao passo que a segunda é geralmente praticada em médias e pequenas propriedades e, no entanto, é
responsável por cerca de 70% da produção destinada à nossa alimentação.Trata-se também de um momento propício
para explicar comércio exterior, ou seja, noções de exportação, importação, balança comercial, superávit ou déficit
comerciais e tratar da OMC (Organização Mundial do Comércio).

Quem lê viaja mais


BRANCO, Samuel Murgel.
Natureza e agroquímicos. 3. ed. São Paulo: Moderna, 2013.
O autor mostra que a aplicação desordenada de compostos químicos ou agrotóxicos na natureza
causa sérias consequências ao am biente ou ao equilíbrio ecológico.

ROSA, Antônio Vítor.


Agricultura e meio ambiente. 7. ed. São Paulo: Atual, 2005.
O livro aborda diversos assuntos — revolução verde, agricultura e os grandes biomas brasileiros,
agricultura orgânica, agroecologia etc. Destaca-se o capítulo “Água, terra e vida”, sobre os impactos
da irrigação.
Página 271

• concentração de terras nas mãos de poucos proprietários — pequenos agricultores e pecuaristas


não têm resistido às pressões dos grandes proprietários, vendendo suas pequenas e médias
propriedades e comprometendo a agricultura familiar regional;

• intensa migração campo-cidade provocada pela mecanização intensiva da agricultura comercial


de exportação e pela baixa demanda de mão de obra da pecuária — em 1970, 49% da população do
Centro-Oeste era rural e 51%, urbana; em 2012, esses percentuais se alteraram para 9,9% e 90,1%,
respectivamente;

• agravamento dos problemas urbanos (habitações precárias, violência, falta de saneamento básico
etc.) em consequência da migração citada acima;

• conflito pelo uso da água — apesar de o Centro-Oeste possuir fartos recursos hídricos, a grande
exigência e o desperdício de água da agricultura comercial de exportação têm provocado conflito
pela água entre agricultores, além de esgotamento e poluição de mananciais (um pivô central, por
exemplo, consome, em média, 1 litro de água por segundo por hectare irrigado, entretanto,
desperdiça mais de 50% do que dispersou). Veja a figura 31;

• disputas territoriais entre os grandes produtores e os moradores de comunidades tradicionais e


indígenas.

Pivô central
Sistema de irrigação composto, em geral, de uma linha com vários borrifadores apoiada em torres
sobre rodas que faz movimento de rotação em torno do ponto pivô, que lhe serve de base e de
tomada de água.
Página 272

4. O extrativismo
Entre as áreas que abrigam os principais recursos minerais do Centro-Oeste, merecem destaque os
municípios goianos de Niquelândia, Americano do Brasil e outros, nos quais estão localizadas as
maiores reservas brasileiras de níquel e amianto. Goiás destaca-se também na produção de nióbio e
de cristal de rocha, explorado pela garimpagem, principalmente no município de Cristalina.

No Mato Grosso do Sul, próximo à cidade de Corumbá, no Maciço de Urucum, existem grandes
jazidas de minério de ferro e minério de manganês que pouco produzem devido à distância dos
centros consumidores localizados no Sudeste (as indústrias siderúrgicas) e à grande produção do
Quadrilátero Ferrífero. Parte dos minérios de ferro e manganês dali extraídos é utilizada por uma
pequena siderúrgica em Corumbá, e parte é exportada via Rio Paraguai (figura 32).

No extrativismo mineral do Centro-Oeste, chamam a atenção os garimpos de ouro e diamante na


Baixada Cuiabana (Pantanal) e nas nascentes dos rios Paraguai e São Lourenço (figura 33). Além
da remoção de barrancos e do assoreamento causados por essa atividade, o uso do mercúrio na
garimpagem do ouro tem contaminado as águas dos rios e os peixes.

Já na Amazônia mato-grossense, o extrativismo vegetal é uma atividade tradicional. Além de


madeira, extrai-se o látex das seringueiras nos vales dos rios Juruena e Arinos. No Mato Grosso do
Sul, o extrativismo vegetal tem por base a raiz da ipecacuanha ou poaia (planta que fornece uma
substância utilizada na indústria farmacêutica) e a erva-mate.

Navegar é preciso
Embrapa – Mapas e imagens do Pantanal
<www.cpap.embrapa.br/agencia/001bdado1.htm>
Nessa página da Embrapa, você pode visualizar as características do Pantanal em mapas temáticos,
imagens de satélite e fotografias aéreas.
Página 273

5. Indústria
Na Região Centro-Oeste a atividade industrial é ainda modesta. Veja a figura 34. Predominam os
ramos de extração e transformação mineral, de madeira, de produtos alimentares (frigorífico) e de
vestuário e calçados. Em Goiás, o perfil da industrialização vem sendo alterado nos últimos anos,
com o desenvolvimento das indústrias farmacêutica, metalúrgica e de autopeças em Goiânia e com
a instalação de uma montadora de veículos automotores originária da Coreia do Sul, em Anápolis.

Navegar é preciso
Portal de Serviços e Informações do Estado de Mato Grosso
<www.mt.gov.br>
Nesse portal encontram-se informações detalhadas sobre os diferentes setores da economia, a
administração pública e as características naturais do estado do Mato Grosso.
Página 274

Estação Socioambiental - Expansão da fronteira agrícola


no Centro-Oeste
Meio Ambiente

Nos últimos anos, a agricultura comercial tem se expandido em direção à Região


Centro-Oeste, o que não ocorre com a agricultura de produtos alimentares. Leia o
texto a seguir para entender por que isso acontece.

Soja, cana e pecuária avançam sobre o Centro-Oeste

“O crescimento da produção de soja, cana-de-açúcar e pecuária bovina no Centro-Oeste do Brasil,


registrado em anos recentes, se deu principalmente por causa da ocupação de novas áreas. Como
consequência do avanço da fronteira agrícola, a região tem registrado a substituição de culturas, a
degradação de solo e o desflorestamento. As constatações fazem parte da tese de doutorado de
Vivian Helena Capacle Correa, defendida no Instituto de Economia (IE) da Unicamp […].

De acordo com Vivian, embora o rendimento das três atividades tenha aumentado, em razão da
adoção de manejos adequados e de tecnologias avançadas, como o uso de novos cultivares, é a
ocupação de novas áreas que tem impulsionado o crescimento da produção no Centro-Oeste. O
avanço em direção à região, conforme a pesquisadora, tem sido estimulado por diversos fatores.
Entre eles está a disponibilidade de terras. ‘São Paulo continua sendo o maior produtor de cana-de-
açúcar do país, mas o estado já está saturado. Assim, a alternativa encontrada pelas usinas para
atender à crescente demanda por etanol, por exemplo, é levar a cultura para outras áreas,
notadamente os estados do Centro-Oeste’ […].

Impacto ambiental

Se o segmento econômico experimentou avanços em alguns municípios do Centro-Oeste a partir


desse movimento, o mesmo não se pode dizer do meio ambiente, conforme constatou a
investigação promovida por Vivian. A autora da tese afirma que a expansão das três atividades
analisadas no seu trabalho, notadamente a plantação de cana, tem provocado mudanças na região.
Uma delas diz respeito à substituição de culturas. O arroz e o feijão, que foram importantes para a
região, perderam espaço para os canaviais. Além disso, a própria pecuária extensiva, que também
sempre se destacou naquele pedaço do país, tem sido gradativamente substituída pela cana.

Vivian explica que a cana chegou ao Centro-Oeste no momento em que a pecuária começava a
apresentar declínio. ‘Por causa disso, muitos pecuaristas decidiram vender ou arrendar as suas
terras para o plantio de cana. Alguns desses produtores passaram a viver de renda e foram morar
nas cidades. Outros, porém, transferiram a produção para áreas mais distantes. […]’”.

ALVES FILHO, Manuel. Soja, cana e pecuária avançam sobre o Centro-Oeste. Jornal da Unicamp.
Campinas, 22 a 28 abr. 2013, p. 6.

Tese
Trabalho de pesquisa, apresentado à avaliação em escola superior, para a obtenção do grau de
doutor.

Unicamp
Universidade Estadual de Campinas, cujo Instituto de Economia localiza-se no município de
Campinas, no estado de São Paulo.

Cultivar
Variedade de planta obtida a partir de cultivo.

Interprete
1 Segundo o texto, o que tem ocorrido com as culturas de arroz e feijão na Região Centro-Oeste
com a expansão do cultivo de cana-de-açúcar para essa região?

Argumente

2 Você acha possível conciliar a preservação do meio ambiente com o avanço da fronteira
agropecuária em direção à Região Centro-Oeste?
Página 275

Mochila de ferramentas - Pesquisa por meio de entrevista


estruturada
A elaboração de entrevistas é uma oportunidade para se trabalhar em conjunto com o professor de Língua Portuguesa,
além de poder ser desenvolvida com o apoio do professor de História, pois essa disciplina também se utiliza de
entrevistas estruturadas ou semiestruturadas para pesquisar histórias de vida, por exemplo.

Para conhecer melhor assuntos que lhe tenham despertado o interesse, sugerimos que você realize
entrevistas estruturadas — feitas a partir de um questionário padronizado para todos os
entrevistados.

Considerando a construção de Brasília, por exemplo, você poderia entrevistar pessoas que tenham
vivido nesse período para saber, entre outros aspectos, como a mudança da localização da capital
nacional interferiu na vida política do país.

Como fazer

1- Planeje cada entrevista, antes de realizá-la, de modo que seja organizada e


proveitosa. Fique atento aos procedimentos a seguir.

a) Informe-se a respeito do assunto da entrevista.

b) Delimite os objetivos do questionário e da entrevista para saber quais informações se quer


conseguir.

c) Defina a pessoa ou o grupo de pessoas que será entrevistado — pense em alguém que seja capaz
de lhe fornecer as informações pretendidas.

d) Elabore as perguntas do questionário, que servirá de roteiro para a entrevista: elas podem ser
abertas (livres) ou fechadas (de múltiplas escolhas). Não deixe de observar se a linguagem é clara e
adequada aos entrevistados, se há perguntas tendenciosas (o que não é desejado) e se cada
pergunta contém um único questionamento.

e) Agende a entrevista com antecedência — defina o local e o horário do encontro.

2- Realize cada entrevista com base no questionário que você elaborou. As respostas
devem ser anotadas ou gravadas (com o consentimento do entrevistado), para evitar
a perda de detalhes importantes.

3- Ordene e interprete as informações obtidas, por meio do estudo das respostas dos
entrevistados.

4- Apresente os resultados obtidos em sala de aula, na forma escrita ou oral. Se


julgar necessário, enriqueça a sua apresentação com gráficos, ilustrações, fotos ou
outros recursos visuais para facilitar a sua explicação.

1 Por que é importante elaborar um questionário padronizado em entrevistas estruturadas?

2 Aponte três procedimentos que demonstrem a importância da fase de planejamento da


entrevista.

3 Cite pelo menos dois pontos que devem ser levados em conta na elaboração das perguntas do
questionário.
Página 276

Atividades dos percursos 31 e 32


Registre em seu caderno.

Revendo conteúdos

1 Cite algumas contribuições dos irmãos Villas Bôas para a Região Centro-Oeste.

2 Aponte as consequências dos projetos de colonização no Mato Grosso, em especial


para os povos indígenas, realizados pelo governo militar a partir de 1970.

3 Em relação aos obstáculos para o desenvolvimento do Centro-Oeste até


aproximadamente os anos 1950, responda:

a) Quais foram eles?

b) Indique as ações posteriores do governo que buscaram superar esses entraves.

4 A ocupação e o uso das terras da Região Centro-Oeste foram realizados nos últimos
anos com base no modelo agroexportador, isto é, produção dirigida para a
exportação. Indique benefícios e problemas que esse modelo propiciou.

5 A fotografia abaixo é de uma eclusa de Jupiá, no Rio Paraná, entre os municípios de


Três Lagoas (MS) e Castilho (SP).

• Explique como a embarcação pode continuar a navegar se existe diferença de nível da água de um
lado da barragem em relação ao outro lado.

Foto de 1998.

6 Por que é correto afirmar que a construção de Brasília gerou a formação de novos
espaços geográficos?

7 O que incentivou um fluxo maior de migrantes para a Região Centro-Oeste a partir


de 1960? De que forma isso resultou na produção de novos espaços geográficos?

Leituras cartográficas

8 Observe os mapas e responda à questão.

• Quais mudanças ocorreram na divisão política do Centro-Oeste nos últimos 40 anos? Explique.
Página 277

Explore

9 A ilustração abaixo representa o número de toneladas transportadas por


quilômetro com 1 litro de óleo diesel, na rodovia (caminhão), na ferrovia (trem) e na
hidrovia (barco, chata etc.).

a) Tendo por base esses dados, qual setor de transportes deveria ser priorizado no Brasil? Por quê?

b) Cite um corredor hidroviário de escoamento da produção no Centro-Oeste.

10 Leia o trecho a seguir. Após identificar sua ideia central, redija um texto com suas
palavras apontando-a e comentando-a com base em seus conhecimentos.

“[...] Factualmente, a criação de Brasília aconteceu sem alterar em nada a estrutura agrária em
Goiás; isto é, o maior projeto urbanístico e arquitetônico, e presumivelmente, civilizacional,
efetivado no Brasil na década de 1950 teve lugar em um Estado de economia fundamentalmente
agropecuária sem, de forma deliberada, ter visado afetar as relações no campo. Cumpre levar em
consideração, nesse sentido, que a questão agropecuária não fora contemplada diretamente nos
cinco setores — energia, transportes, alimentação, indústrias de base e educação — em que
incidiam as metas fixadas por JK. […]”

QUINTELA, Antón Corbacho. Os sucessos urbanos da colonização agrária em Goiás. Revista UFG,
Goiânia, ano XI, n. 6, p. 52-53, jun. 2009.

11 Observe a foto e a sua legenda.

a) Com base na localização do município da foto e no que ela retrata, qual formação vegetal
original do Centro-Oeste sofreu intervenção humana?

b) Qual é a principal alteração ambiental observada na foto?

12 Leia o texto abaixo sobre a ocupação do Cerrado pela agricultura e responda:

“[…] A utilização de máquinas para revolver e nivelar a terra, que é feita entre a estação seca e a
estação chuvosa, deixa o solo exposto na época das chuvas, o que acelera o processo erosivo e o
assoreamento dos rios. O uso de pesticidas e fungicidas afeta o homem e o meio ambiente, ao
contaminar o solo e as águas […].”

PELUSO, Marília; CÂNDIDO, Washington. Distrito Federal: paisagem, população e poder. São
Paulo: Harbra, 2006. p. 85.

• Está correto apontar a ação humana como a principal responsável pelo desenvolvimento do
processo erosivo descrito? Justifique.

Pesquise

13 Entre os recursos minerais da Região Centro-Oeste destacam-se: o níquel, o


amianto, o nióbio, o cristal de rocha e os minérios de ferro e de manganês. Faça uma
pesquisa e aponte para que servem esses minerais.
Página 278

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Página 281

SUPLEMENTO COM ORIENTAÇÕES PARA


O PROFESSOR
7ºano

Orientações ao professor quanto ao uso didático do Manual do Professor Multimídia


Página 282

Sumário
I. Pressupostos teórico-metodológicos, 284

1. A Geografia como Ciência e suas implicações no ensino, 284

A Geografia Moderna 284

A Geografia Clássica 284

A institucionalização da Geografia no Brasil 287

A Geografia Pragmática ou Teorética-Quantitativa 288

A Geografia Crítica ou Radical 289

A Geografia Humanista 290

2. A abordagem teórico-metodológica da coleção, 291

Por uma educação geográfica 291

Conteúdos factuais, conceituais, procedimentais e atitudinais 293

Os conceitos-chave da Geografia 294

3. A prática de ensino da Geografia: objetivos e orientações, 297

Objetivos gerais da Geografia no Ensino Fundamental 297

O trabalho com conhecimentos prévios 297

Desenvolver a competência leitora 298

A multiescalaridade no ensino de Geografia 299

Interdisciplinaridade 299

Temas transversais 300

4. A proposta didático-pedagógica da coleção, 301

A organização dos conteúdos da coleção 301

Os recursos didático-pedagógicos dos livros 303

5. A avaliação, 310

O processo de avaliação da aprendizagem em sua globalidade 310

Os critérios de avaliação em Geografia 314

Os instrumentos de avaliação e a autoavaliação 315

6. Apoiando a formação continuada do professor, 316


Textos e publicações governamentais 316

Geografia: periódicos especializados on-line 317

Ensino de Geografia 318

Educação: publicações 322

II. Trabalhando com a Geografia no dia a dia da sala de aula, 324

1. Apresentação do volume do 7º ano, 324

2. Objetivos e metas para o ano letivo, 326

3. Sugestões de trabalhos complementares, 328

Trabalho de campo 328


Página 283

III. Orientações específicas para o volume do 7º ano, 330

Unidade 1 O território brasileiro, 330

• Percurso 1 – Localização e extensão do território brasileiro 330

• Percurso 2 – A formação do território brasileiro 331

• Percurso 3 – A regionalização do território brasileiro 333

• Percurso 4 – Domínios naturais: ameaças e conservação 334

Unidade 2 A população brasileira, 337

• Percurso 5 – Brasil: distribuição e crescimento da população 338

• Percurso 6 – Brasil: migrações internas e emigração 338

• Percurso 7 – População e trabalho: mulheres, crianças e idosos 340

• Percurso 8 – Brasil: a diversidade cultural e os afro-brasileiros 341

Unidade 3 Brasil: da sociedade agrária para a urbano-industrial, 344

• Percurso 9 – A urbanização brasileira 345

• Percurso 10 – Rede, hierarquia e problemas urbanos 345

• Percurso 11 – A industrialização brasileira 347

• Percurso 12 – O espaço agrário e a questão da terra 347

Unidade 4 Região Norte, 351

• Percurso 13 – Região Norte: localização e meio natural 352

• Percurso 14 – Região Norte: a construção de espaços geográficos 352

• Percurso 15 – Amazônia: conflitos, desmatamento e biodiversidade 354

• Percurso 16 – Amazônia: o desenvolvimento sustentável 355

Unidade 5 Região Nordeste, 358

• Percurso 17 – Região Nordeste: o meio natural e a Zona da Mata 358

• Percurso 18 – O Agreste 359

• Percurso 19 – O Sertão 360

• Percurso 20 – O Meio-Norte 362

Unidade 6 Região Sudeste, 365

• Percurso 21 – Região Sudeste: o meio natural 365

• Percurso 22 – Região Sudeste: ocupação e povoamento 366


• Percurso 23 – Região Sudeste: a cafeicultura e a organização do espaço 368

• Percurso 24 – Região Sudeste: população e economia 368

Unidade 7 Região Sul, 371

• Percurso 25 – Região Sul: o meio natural 372

• Percurso 26 – Região Sul: a construção de espaços geográficos 372

• Percurso 27 – Região Sul: problemas ambientais 373

• Percurso 28 – Região Sul: população e economia 374

Unidade 8 Região Centro-Oeste, 376

• Percurso 29 – Região Centro-Oeste: localização e meio natural 376

• Percurso 30 – Região Centro-Oeste: fatores iniciais da construção de espaços geográficos 377

• Percurso 31 – Região Centro-Oeste: a dinamização da economia 378

• Percurso 32 – Região Centro-Oeste: população, economia e meio ambiente 379

IV. Referências bibliográficas, 382

V. Bases eletrônicas, 388


Página 284

I. Pressupostos teórico-metodológicos

1. A Geografia como Ciência e suas implicações no ensino


No decorrer do tempo, o ensino de Geografia foi influenciado por contextos históricos e por
mudanças na Ciência Geográfica. Antes de apresentarmos a coleção, é válido relembrar um pouco
dessa trajetória para não esquecermos as origens e o desenvolvimento dessa área de conhecimento,
como também enfrentar os desafios atuais colocados para o seu ensino na Educação Básica.

■ A Geografia Moderna
A Geografia, como ciência sistematizada e institucionalizada, surgiu em meados do século XIX, na
Alemanha; Alexander von Humboldt (1769-1859) e Carl Ritter (1779-1859) são considerados seus
fundadores.

Os dois estudiosos preocuparam-se em definir o objeto e o método específicos da Geografia para


diferenciá-la de outros campos de conhecimento, algo essencial à época para alçá-la ao status de
Ciência. Contudo, enquanto Humboldt identificou-se com a concepção unitária do conhecimento,
afirmando que sua Geografia consistia em uma Filosofia da Natureza com base empírica, Ritter
assumiu a diferenciação entre Ciência e Filosofia.

Para Humboldt e Ritter, a natureza era vista como um todo, impossível de ser compreendida por
meio da razão em um primeiro momento. Ou seja, para se chegar à compreensão desse todo, era
necessário estudar suas partes, para depois relacioná-las e, assim, determinar as características
comuns e as singularidades de cada uma, inferir uma ordem geral e uma lei universal que regeria o
todo.

Os fundadores da Geografia Moderna deixaram como uma de suas heranças a dualidade de uma
ciência que se pretendia cosmológica e regional ao mesmo tempo, orientação que mais tarde, e
como veremos adiante, daria origem a dois ramos da Ciência Geográfica: a Geografia Geral e a
Geografia Regional.

Apesar de Humboldt e Ritter terem contribuído para que a Geografia se tornasse uma ciência
reconhecida, ela perdeu espaço no meio acadêmico-científico nas décadas seguintes à publicação
de seus trabalhos; a Ciência Geográfica só voltaria à cena no final do século XIX e início do século
XX.

■ A Geografia Clássica
No final do século XIX e início do século XX, novos estudos se voltaram para a sistematização do
pensamento geográfico. Nesse período, a Geo-
Página 285

grafia e outras ciências enfrentaram uma ambiência científica na qual era necessário buscar
respostas ao reconhecimento do método matemático como o único capaz de chegar a uma verdade,
porém sem ser capaz de explicar os processos e os fenômenos referentes às questões humanas e
sociais.

A resposta encontrada pela Geografia a esse impasse foi a separação entre Geografia Física e
Geografia Humana. À primeira foi atribuída a tarefa de aplicar as leis da Física, da Biologia e da
Matemática na explicação dos processos e acontecimentos ligados à natureza — desdobrando-a em
Geomorfologia, Climatologia, Hidrografia, Fitogeografia e Zoogeografia —, ao passo que à segunda
caberia buscar a adoção de uma legitimidade institucional para tratar o ser humano de maneira
científica.

O alemão Friedrich Ratzel (1844-1904) e o francês Paul Vidal de La Blache (1845-1918) são
considerados os responsáveis por recolocar a Geografia entre as ciências modernas. Enquanto
Ratzel definiu “o objeto geográfico como o estudo da influência que as condições naturais exercem
sobre a humanidade”1, dedicando-se, entre outros temas, ao estudo da relação Estado e solo,
opondo-se à politização do seu discurso, ao seu caráter naturalista e mecanicista, Vidal de La
Blache construiu uma proposta de Geografia com ênfase na “sociedade”, na “humanidade” ou nos
“grupos humanos” em sua relação com o espaço, a natureza. Ou seja, enquanto para o geógrafo
alemão se tratava de conhecer a relação entre o Estado e o espaço, para o geógrafo francês, os
vínculos entre o ser humano e o meio, a sociedade e a natureza, tornaram-se o objeto da Geografia,
na perspectiva da paisagem. Embora Vidal de La Blache admitisse que o meio influencia o ser
humano, ao mesmo tempo e baseado na noção de “gênero de vida” que envolve aspectos históricos,
sociais e ambientais, também ponderava que o ser humano pode exercer influência e/ou resistência
ao meio. Segundo Manuel Correia de Andrade, para Paul Vidal de La Blache “o gênero de vida seria
o conjunto articulado de atividades que, cristalizadas pela influência do costume, expressam as
formas de adaptação, ou seja, a resposta dos grupos humanos aos desafios do meio geográfico”2.

Para vários estudiosos do pensamento geográfico, essas diferenças entre os dois geógrafos podem
ser explicadas por meio de condicionantes contextuais. Consideram que o surgimento da Escola
Francesa de Geografia — de caráter possibilista e funcionalista — teria ocorrido como reação à
Geografia alemã. Ponderam que a Geografia ganhou reconhecimento na França como uma ciência
relevante, até mesmo para o ensino, no final do século XIX, graças à derrota francesa na guerra
contra a Alemanha. Na época, a vitória alemã foi atribuída à implantação da cátedra de Geografia
na Alemanha, o que teria favorecido a formação de uma consciência espacial por parte dos
alemães. O desenvolvimento da Geografia na França contou posteriormente com o apoio do
Estado, estendendo seu ensino para além da universidade.

1 MORAES, Antonio Carlos Robert. Geografia: pequena história crítica. 2. ed. São Paulo: Hucitec, 1983. p. 55.
2 ANDRADE, Manuel Correia de. Geografia, ciência da sociedade: uma introdução à análise do pensamento geográfico. São Paulo:
Atlas, 1987. p. 71.
Página 286

Enquanto isso, no ensino da Geografia escolar...

Nos períodos de constituição da Geografia Moderna e, sobretudo, da Geografia Clássica, o esforço


em tornar reconhecida essa ciência e o seu significado para os interesses dos Estados francês e
alemão acabou repercutindo em sua institucionalização como disciplina escolar. Principalmente na
segunda metade do século XIX, os reflexos se fizeram sentir na elaboração de uma Geografia
escolar patriótica.

A descrição pormenorizada das paisagens naturais e humanas tinha por intenção pedagógica
promover a identificação das coletividades com seus territórios nacionais e o uso da cartografia
visava projetar a pátria no território, conferindo-lhe identidade ao mesmo tempo física e simbólica.

Tais orientações e práticas não foram privilégio desses Estados europeus. O mesmo ocorreu em
outros países e mesmo no Brasil, onde, na primeira metade do século XX, foram conhecidos
currículos e manuais didáticos que incorporaram o sentido ideológico e político da Geografia
escolar. Um exemplo é o do Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro, onde a Geografia surgiu como
componente do “Programa” de conteúdos em 1837.

Por meio do ensino das riquezas naturais e da exaltação da vastidão do território, por exemplo,
buscava-se disseminar os valores e as ideias de nacionalidade e nacionalismo. A didática e os
conteúdos ensinados em Geografia foram desenvolvidos durante longo período com ênfase na
descrição, com base na apreensão mnemônica e enciclopédica das informações, muito distante da
realidade dos alunos.

Imersas nesses embates, as correntes de pensamento geográfico inspiradas em Vidal de La Blache


acusavam a “Geografia do Poder”, elaborada pelos alemães, de estar associada aos interesses
geopolíticos da recém-unificada Alemanha, tendência que gerou, em contrapartida, a proposta de
uma Geografia neutra da parte dos geógrafos franceses, na qual os estudos regionais teriam grande
influência. Nas palavras de Manuel Correia de Andrade3:

“Os geógrafos franceses tratavam a Geografia da paisagem, considerada uma ciência de síntese.
Davam grande importância à visualização da mesma, tanto em seus aspectos físicos como nas
marcas nela deixadas pela ação do Homem. [...] O estudo das regiões levou o geógrafo a preocupar-
se com uma visão totalizante das mesmas e a procurar compreender e explicar a realidade como
um todo com a máxima fidelidade”.

Embora a Geografia Regional francesa concedesse atenção aos aspectos naturais e sociais, a análise
do espaço natural mereceu destaque e levou as regiões geográficas a serem chamadas de regiões
naturais. A descrição da região, de seus aspectos físicos sobrepostos aos humanos e econômicos era
considerada essencial, pois era vista como o meio para

3 Idem, p. 64.
Página 287

o ser humano viver por intermédio da extração de recursos para a produção, o que resultou na
noção de “gênero de vida”.

Nesse período a Ciência Geográfica fragmentou-se em Geografia Geral e Geografia Regional. Isso
ocorreu em virtude da dualidade de uma ciência que se pretendia cosmológica e regional ao mesmo
tempo, herança da Geografia Moderna, devido às divergências técnicas e conceituais entre elas,
embora ambas objetivassem estudar a distribuição dos fenômenos na superfície da Terra.

■ A institucionalização da Geografia no Brasil


No Brasil, a Geografia institucionalizou-se no ensino e na pesquisa na década de 1930, com o início
da Era Vargas, período no qual, apesar da incipiente industrialização, predominava a economia
agrário-exportadora.

A institucionalização da Geografia proporcionou a difusão das ideias lablacheanas no Brasil,


tendência já observada décadas antes quando, por exemplo, Delgado de Carvalho publicou, em
1910, a obra Le Brésil Meridional.

Duas décadas mais tarde, a chegada e a atuação de mestres, pesquisadores franceses e geógrafos
brasileiros por eles influenciados ampliariam tal influência no Brasil, por meio da publicação de
livros, estudos e pesquisas, em particular na Universidade de São Paulo, criada em 1934, e no então
Conselho Nacional de Geografia (CNG) — atual Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE) —, criado em 1937.

No Estado Novo (1937-1945), as orientações da Geografia Regional francesa vieram ao encontro da


necessidade de o Estado brasileiro empreender estudos de reconhecimento do território nacional,
tendo sido utilizadas para o levantamento das potencialidades do país e para políticas de
planejamento para integrá-lo. Assim utilizada, a Geografia, baseada em boa parte no forte teor
naturalista e empirista da Geografia Regional francesa, ajudava a reforçar a positividade que o
discurso estado-novista conferia às regiões, tornando a abordagem regional adequada aos objetivos
perseguidos pelo Estado.

Foi nesse contexto, inclusive, que ocorreram as primeiras regionalizações a cargo do CNG, no qual
desempenharam grande papel geógrafos como Pierre Deffontaines (1894-1978), que teve
importância no estímulo à pesquisa, ambientando muitos geógrafos brasileiros desse período aos
pressupostos da Geografia possibilista francesa, descortinando uma linhagem de pensamento na
esteira de Paul Vidal de La Blache, composta das contribuições de Emmanuel de Martonne, Albert
Demangeon e Jean Brunhes.

A influência do pensamento da Escola Clássica francesa dominaria a Geografia brasileira desde a


implantação do CNG e da Universidade de São Paulo até o XVIII Congresso Internacional de
Geografia, realizado no Rio de Janeiro, em 1956. A partir de então, a influência de mestres de
outras nacionalidades e linhagens de pensamento geográfico — que já era presente — passaria a ser
mais proeminente sobre os geógrafos brasileiros, sendo aquele evento também considerado um
marco no amadurecimento da Geografia produzida no Brasil.
Página 288

Enquanto isso, no ensino da Geografia escolar...

No Brasil da década de 1930, o ensino de Geografia foi marcado por importantes mudanças. Alguns
autores e professores desse período, como Raja Gabaglia, Delgado de Carvalho, Everardo
Backheuser, Honório Silvestre e Othelo Reis, entre outros, foram responsáveis por uma renovação
do pensamento geográfico brasileiro e que já estava em curso desde o final da década anterior.

Gabaglia e os dois primeiros foram os mentores do Curso Superior Livre de Geografia, criado no
Rio de Janeiro em 1926. Os esforços desses homens estavam voltados para a defesa e para o
impulso do processo de modernização do ensino, no qual se buscava estabelecer um perfil mais
científico para a educação. Isso significou a queda de braço contra os moldes da Geografia até então
praticada e ensinada, basicamente assentados na descrição e na nomenclatura, de forte caráter
mnemônico.

O objetivo era dotar a disciplina de um rumo mais analítico, realçando as relações entre os
fenômenos com a introdução de novos temas, dando-lhe uma abordagem mais científica. A
modernização do ensino de Geografia ocorreu assentada no positivismo, defendendo a
neutralidade científica, além de basear-se nos estudos regionais. Nas pesquisas acadêmicas,
resultou na produção de monografias descritivas; no ensino, tinha como motes a memorização das
informações, o estudo descritivo das paisagens e o tripé natureza, homem e economia. Essa
perspectiva, aliás, se estenderia como orientação predominante no ensino de Geografia até meados
da década de 1970.

■ A Geografia Pragmática ou Teorética-Quantitativa


Na década de 1960, novos paradigmas passaram a influenciar o desenvolvimento da Geografia
brasileira e aumentaram as críticas ao tradicionalismo e ao regionalismo francês. Influenciada pelo
neopositivismo e pela Teoria Geral dos Sistemas, a chamada Geografia Pragmática ou Teorética-
Quantitativa adquiriu impulso nesse novo momento. Seus principais centros divulgadores foram o
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no Rio de Janeiro, e a antiga Faculdade de
Ciências e Letras de Rio Claro (hoje Unesp).

Os críticos da Geografia Clássica acusavam-na de produzir um conhecimento descritivo e


propunham conhecer as diferentes realidades naturais e sociais por meio do raciocínio hipotético-
dedutivo. Baseada nessa crítica, a Geografia Pragmática recorreu à utilização de métodos
estatísticos e matemáticos, o que representava uma nova forma de trabalhar e pensar a Geografia
no mundo do pós-Segunda Guerra Mundial e do capitalismo.

A Matemática foi adotada como linguagem comum e prioritária para o aprofundamento das noções
de planejamento e sistemas, para a elaboração de trabalhos dirigidos à criação de modelos urbanos,
ambientais e regionais para viabilizar a expansão do capital.
Página 289

A Geografia Teorética baseou-se na lógica desenvolvimentista, compatível com a situação político-


econômica do Brasil marcada pelo regime ditatorial e pelo desenvolvimento econômico
acompanhado pela implantação de grandes projetos industriais e de infraestrutura. Ao se
disseminar em instituições brasileiras, a Geografia Teorética teve divulgação sistemática,
resultando em uma influência que se estenderia por quase duas décadas.

Enquanto isso, no ensino da Geografia escolar...

Ao ganhar adeptos no Brasil e por estar baseada na crítica à Geografia Clássica Possibilista, a
Geografia Pragmática suscitou debates sobre os conteúdos que deveriam ser trabalhados em sala
de aula. Todavia, isso não chegou a alterar de modo expressivo os objetivos e a didática do ensino
da Geografia, que continuaram baseados na memorização das informações, enaltecendo as
riquezas naturais da nação e o desenvolvimento econômico do país por meio de números e
estatísticas, dispostos em tabelas e gráficos.

■ A Geografia Crítica ou Radical


Sobretudo a partir da década de 1970, como resposta à Geografia Pragmática, a Geografia no Brasil
abriria um novo momento de sua história, incorporando, como em outras épocas, discussões que
estavam em curso entre autores estrangeiros. Em um contexto de recrudescimento das tensões da
Guerra Fria, na França, por exemplo, Yves Lacoste, Pierre George e outros autores já vinham
contribuindo desde a década de 1960 para a emergência de uma geografia ligada a questões e
injustiças sociais, voltada ao estudo de espaços desiguais e sistemas econômicos, com fortes críticas
ao capitalismo. Tal movimento resultou na chamada Geografia Crítica ou Radical.

Na Geografia brasileira, as expressões e a difusão das ideias dessa corrente de pensamento


adquiriram impulso no final da década de 1970, momento no qual o regime militar se enfraquecia.
Começaram a surgir propostas de renovação da Geografia brasileira, como a obra Por uma
Geografia Nova, de Milton Santos, publicada em 1978. Visto como um todo, o movimento
incorporou em suas reflexões a contribuição do pensamento marxista. Na sociedade capitalista,
estruturada em classes, o estudo do espaço geográfico passou a discutir as relações contraditórias
entre elas.

Ao atribuir à Geografia o papel de contribuir para a transformação da realidade, a Geografia Crítica


afastou-se do discurso da pretensa neutralidade e racionalidade assumido tanto pela chamada
Geografia Tradicional como pela Geografia Teorética-Quantitativa. Ao entender que o espaço era
heterogêneo, socialmente construído e reflexo da forma de organização social, meio e condição da
produção e reprodução social, compreendeu o espaço como produto social que caberia aos
geógrafos transformar.

A Geografia Crítica passou a analisar e a trabalhar a região rompendo com o naturalismo da


Geografia Clássica. Priorizou-se o foco de análise em
Página 290

processos em grande escala, nos quais a produção e a reprodução do espaço eram vistas como
resultado das contradições inerentes ao modo de produção capitalista.

Enquanto isso, no ensino da Geografia escolar...

Refletindo o caráter racionalista e fragmentado do conhecimento, o ensino da Geografia adequou-


se facilmente às políticas educacionais instauradas a partir do golpe militar de 1964, voltadas para
a segurança e o desenvolvimento. Em 1971, o regime militar passou a considerar a Geografia e a
História disciplinas que poderiam contribuir para a formação de alunos críticos e contestadores e,
por meio da Lei n. 5.692/71, promoveu a sua substituição por Estudos Sociais — nos anos que hoje
correspondem aos 6º e 7º anos do Ensino Fundamental —, com a redução da carga horária
daquelas disciplinas.

No Brasil do final da década de 1970, os debates da Geografia Crítica passaram a ganhar


intensidade não somente nas universidades como também nas escolas. Adentrando a década de
1980 e no contexto da democratização do país, essa corrente de pensamento adquiriu forte atuação
na construção de propostas curriculares para a Educação Básica, inspirando iniciativas em sala de
aula e nos livros didáticos. Propunha a formação de cidadãos críticos, capazes de transformar a
realidade social. Além disso, ao elaborar novas interpretações sobre as categorias de paisagem,
espaço e território que se distanciavam daquelas da Geografia Clássica ou Tradicional e da
Geografia Teorético-Quantitativa, defendeu o ensino da Geografia baseado na sociedade como um
elemento indissociável do espaço, relacionando-os de maneira dialética e por meio de suas
múltiplas interações. Buscavam-se as relações de trabalho e produção, o estudo das ideologias
políticas, econômicas e sociais como também as relações entre sociedade, trabalho e natureza.

■ A Geografia Humanista
No Brasil, em meados da década de 1980, tanto nas universidades como nas escolas, o enfoque da
Geografia Crítica passou a ser acompanhado pelo da corrente da Geografia Humanista.

Privilegiando os vínculos pessoais e afetivos dos grupos humanos com o espaço, este passou a ser
analisado com base na categoria de espaço vivido, apropriado no cotidiano de seus habitantes que a
ele conferem dimensões simbólicas e estéticas. A Geografia Humanista confere ênfase à relação do
ser humano com a natureza, propondo-se a estudar o sentimento, as ideias e as percepções que as
pessoas têm do lugar e do espaço, buscando compreender como as atividades e os fenômenos
geográficos revelam a qualidade da conscientização humana.

Para os seguidores dessa escola, as ações dos sujeitos sobre os lugares são diferentes, de acordo
com suas percepções e valores, e que também se refletem no espaço social.
Página 291

Ao procurar valorizar a experiência dos indivíduos ou grupos humanos com o objetivo de


compreender o comportamento e as maneiras de sentir das pessoas em relação aos lugares, muitos
estudos da Geografia Humanista demonstram grande preocupação com a descaracterização dos
lugares em razão do avanço sem precedentes do processo de globalização, considerando-a
uniformizadora dos modos de vida, como também relacionam a degradação ambiental ao avanço
desenfreado do capitalismo. Consideram, por exemplo, como diferentes percepções do lugar se
relacionam a indivíduos portadores de valores e origens diferentes, como os do campo ou da
cidade, de nações e culturas distintas.

Enquanto isso, no ensino da Geografia escolar...

A partir de meados da década de 1990, sob a influência de um contexto sociopolítico, científico e


educacional em crise e que colocava na ordem do dia a necessidade de ampliação dos referenciais
de interpretação da realidade, a Geografia Crítica passou a ser alvo de reflexões que apontavam a
importância em se trabalhar métodos e propostas alternativas no ensino de Geografia. Isso ocorreu
ao lado da intensificação das discussões sobre a fundamentação didático-pedagógica do trabalho
docente no Ensino Básico e, em particular, sobre os métodos dirigidos ao ensino da Geografia por
meio de pesquisas de mestrado e doutorado, debates nos espaços da Associação dos Geógrafos
Brasileiros (AGB) e publicação de livros e artigos em revistas especializadas.

Em âmbito nacional, o marco oficial mais importante para o ensino de Geografia no Ensino Básico
consistiu na elaboração e publicação dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), em 1998,
documento que passou nos anos seguintes a reorientar as discussões a respeito do “como” e “o que
ensinar” em Geografia, influenciando e dando origem a várias propostas curriculares estaduais e
municipais, como também a materiais didáticos.

2. A abordagem teórico-metodológica da coleção

■ Por uma educação geográfica


A Geografia escolar, nas duas últimas décadas, avançou muito no Brasil e em outros países. Hoje
reconhecemos que a Geografia escolar se diferencia da científica em termos de estrutura, objetivos,
conteúdos, contextos e práticas de ensino, admitindo, justamente, a importância das mediações
didáticas.

Essa orientação norteia os quatro volumes da coleção ora apresentada, e esteve presente durante
sua concepção e elaboração. Isso porque, baseados em nossa experiência como professores e
educadores e em alguns autores, consideramos que a Geografia escolar e a científica se diferenciam
por vários aspectos.
Página 292

Cabe à ciência responder aos problemas colocados pela sociedade, ao passo que à Geografia escolar
cabe responder a demandas específicas da escola e de seus componentes curriculares. Apesar de a
Geografia acadêmica ser uma fonte básica para a legitimação do saber escolar, a cultura escolar
também desempenha papel no ensino da Geografia, transformando-a em conhecimento geográfico
efetivamente trabalhado em sala de aula.

Preferimos pensar a Geografia escolar — e, por conseguinte, o livro didático — sob a perspectiva do
conceito de Educação Geográfica. Por meio de pesquisas compartilhadas ou individuais que
resultam em encontros científicos, artigos, livros, dissertações de mestrado e teses de doutorado,
vários autores trabalham atualmente esse conceito, com destaque para a Rede Latino-americana de
Pesquisadores em Didática da Geografia (Rede REDLAGEO), que, desde 2007, reúne docentes
pesquisadores em ensino de Geografia atuantes em vários países da América Latina.

De acordo com Helena Copetti Callai, Educação Geográfica pode ser compreendida como:

“[...] um conceito que está sendo construído e diz respeito a algo mais que simplesmente ensinar e
aprender Geografia. Significa que o sujeito pode construir as bases de sua inserção no mundo em
que vive, e, compreender a dinâmica do mesmo através do entendimento da sua espacialidade.
Esta como decorrência dos processos de mundialização da economia e de globalização de todo o
conjunto da sociedade requer novas ferramentas para sua compreensão. Educação geográfica
significa, então, transpor a linha de obtenção de informações e de construção do conhecimento
para realização de aprendizagens significativas envolvendo/utilizando os instrumentos para fazer a
análise geográfica. Essa perspectiva considera que entender a sociedade a partir da espacialização
dos seus fenômenos pode ser uma contribuição para a construção da cidadania”4.

A mesma autora, em outro trabalho, complementa:

“A Educação Geográfica é a possibilidade de tornar significativo o ensino de um componente


curricular sempre presente na educação básica. Nesse sentido, a importância de ensinar Geografia
deve ser pela possibilidade que a disciplina traz em seu conteúdo que é discutir questões do
mundo. Para ir além de um simples ensinar, a educação geográfica considera importante conhecer
o mundo e obter e organizar os conhecimentos para entender a lógica do que acontece [...]”5.

Colocar a análise geográfica na centralidade da Geografia ensinada na Educação Básica significa


construir um conhecimento com o aluno a respeito de sua realidade tanto próxima como também
distante, e, essencial,

4 CALLAI, Helena Copetti. A educação geográfica na formação docente: convergências e tensões. In: SANTOS, Lucíola Licínio de Castro

Paixão et al. (Orgs.). Convergências e tensões no campo da formação e do trabalho docente. Belo Horizonte: Autêntica, 2010. p. 412. (Col.
Didática e prática de ensino).
5 ____. A Geografia escolar e os conteúdos da Geografia. In: Anekumene. Revista virtual Geografía, cultura y educación, n. 1, 2011, p.

131. Disponível em: <www.anekumene.com/index.php/revista>. Acesso em: 2 mar. 2015.


Página 293

sobre as relações existentes entre ambas, promovendo a discussão sobre como as ações da
sociedade se concretizam e se materializam no espaço. Para que ocorra o desenvolvimento de
raciocínios espaciais voltados para a compreensão do mundo por meio da espacialidade, o ensino
de Geografia com seus recursos e estratégias didáticas (incluindo-se o livro didático) deve buscar
promover não somente o contato dos alunos com conteúdos factuais, mas também com os
instrumentos para fazer a análise geográfica, ou seja, os conteúdos conceituais e procedimentais
específicos da disciplina.

■ Conteúdos factuais, conceituais, procedimentais e atitudinais


Nesta coleção, embora não se adote uma corrente metodológica específica da Geografia, ao longo
das unidades e dos percursos dos quatro volumes são propostos o trabalho e a articulação com
conteúdos da Ciência Geográfica e se espera que eles sejam problematizados e contextualizados
pelo professor de acordo com a realidade dos seus alunos e segundo sua formação ou suas
preferências teórico-metodológicas.

Em perspectiva pedagógica, os conteúdos da coleção a serem trabalhados de maneira organizada e


sistemática são de diferentes tipos, podendo ser divididos em factuais, conceituais, procedimentais
e atitudinais. Essa diversidade de conteúdos somada a diferentes estratégias didáticas colaboram
para promover uma aprendizagem significativa em Geografia. No que concerne aos tipos de
conteúdo trabalhados, na linhagem de vários autores e documentos oficiais, segundo Helena
Copetti Callai6:

• Os conteúdos factuais são informações relativas a fatos singulares ou fenômenos concretos que
são significativos para o processo de aprendizagem, podendo ser obtidos por meio dos noticiários,
dos livros, dos mapas, e que “sendo corriqueiros são também considerados do aporte de conteúdos
específicos da disciplina”, como no caso da Geografia, “as informações sobre aspectos físicos da
natureza, da organização do espaço, de população, de desenvolvimento econômico-social, de
classificação regional, de hierarquias urbanas e de países [...]”.

• Os conteúdos conceituais dizem respeito aos saberes teóricos (conceitos), aqueles que podem
ser reproduzidos, repetidos e utilizados pelo aluno “como instrumento para interpretar, para
avançar na compreensão da realidade em que vive ou simplesmente da temática que está sendo
estudada”.

• Os conteúdos procedimentais envolvem a mediação do professor no sentido de desenvolver


nos alunos a capacidade de saber fazer algo ou utilizar instrumentos e técnicas para a realização de
um estudo específico ou de determinada tarefa. Dirigidos à realização de um objetivo por meio de
ações ordenadas, eles podem ser desenvolvidos no contexto de observações concretas da realidade
— como nos trabalhos de campo que exigem observações, entrevistas, orientação espacial —, ou
ainda por meio do trabalho com diversas fontes, da interação com textos, do trabalho com mapas,
gráficos, tabelas etc.

6 Idem, p. 136-137.
Página 294

• Os conteúdos atitudinais envolvem o aspecto afetivo e emocional dos alunos e incidem em


valores, atitudes e comportamentos que resultam do modo como o mundo é visto por eles. Além de
oportunizarem o desenvolvimento da participação do aluno no plano coletivo e a consciência ética,
no contexto escolar estão baseados na reflexão sobre as relações entre os diversos grupos e
indivíduos da escola, e são capazes de tratar sobre “as convicções cidadãs dos sujeitos, do respeito à
diferença, da valorização do outro”, relacionando-se ainda com a “construção da identidade e do
pertencimento das pessoas, de modo que sejam capazes de respeitar e valorizar o lugar em que
vivem”.

■ Os conceitos-chave da Geografia
Os conceitos contribuem para a Educação Geográfica e desempenham importante papel na
formação do raciocínio espacial dos alunos. A contribuição de significativos avanços nas pesquisas
sobre ensino de Geografia dos últimos anos destaca a construção de conceitos geográficos como
estratégia para promover o desenvolvimento do pensamento espacial dos alunos e a importância de
confrontar os conceitos cotidianos e os científicos durante o processo de ensino-aprendizagem.

Os conceitos estruturantes da Ciência Geográfica trabalhados na coleção são: paisagem, lugar,


região, espaço natural e espaço geográfico, território e territorialidade e redes geográficas.

Paisagem

Para a Geografia, paisagem é uma realidade concreta e visível, resultante de fatores naturais e
sociais acumulados ao longo do tempo. Definida por Milton Santos como “o conjunto de formas
que, num dado momento, exprimem as heranças que representam as sucessivas relações
localizadas entre Homem e natureza”7, a paisagem é modificada ou construída constantemente,
podendo ser um ponto de partida para levar os alunos a reconhecerem o espaço geográfico.

Com apoio em imagens do livro didático e de trabalhos de campo, ao trabalhar com o estudo e
leitura de paisagens em sala de aula é provável que o professor constate que os alunos poderão
observá-las de forma distinta, atribuindo a elas interpretações variadas conforme suas
representações e identidades. É importante respeitar suas leituras e saberes e, de qualquer modo,
não se deve perder de vista que a percepção das paisagens propicia a oportunidade de trabalhar
seus elementos naturais, culturais, políticos, econômicos e ambientais que lhe conferem
complexidade e dinamismo.

Lugar

O conceito de lugar diz respeito às localidades onde as pessoas constroem referências pessoais por
meio de relações afetivas, subjetivas, além

7 SANTOS, Milton. A natureza do espaço: técnica e tempo, razão e emoção. São Paulo: Hucitec, 1996. p. 86.
Página 295

de constituírem suas identidades e valores. Nesse sentido, estudar o(s) lugar(es) com os alunos
inclui compreender e refletir com eles sobre seus espaços de vivência, valorizando os
acontecimentos que lhes são mais próximos, como também aqueles de outras pessoas, povos e
culturas. Além disso, é no(s) lugar(es) que ocorre a conexão entre o local, o regional, o nacional e o
mundial. Isso exige que o professor esteja sempre atento aos acontecimentos globais, cuidando
para relacioná-los à vivência dos alunos, sem desconsiderar as inúmeras relações que se
estabelecem entre os diferentes lugares do mundo.

Nos volumes da coleção, o conceito de lugar é referência constante, pois contribui para melhor
compreensão dos temas estudados. Surge relacionado a conteúdos e temas tratados no texto
principal e representados em imagens, em particular, merecendo destaque na seção No seu
contexto e nas subseções Contextualize e Investigue seu lugar, que, observadas em conjunto,
promovem a articulação entre os conteúdos trabalhados (novos ou já adquiridos) com os espaços
de vivência, o cotidiano e o contexto cultural do aluno. Como o conceito de lugar nem sempre é
considerado apenas referência local, mas também uma escala de análise necessária para
compreender os fenômenos que acontecem no mundo, ele também surge com ênfase e visibilidade
em ocorrências das seções Outras rotas, Encontros e Estações (História, Ciências, Cidadania e
Socioambiental).

Região

Desde as origens da Geografia como ciência sistematizada, o conceito de região é discutido, tendo
adquirido várias definições. Recentemente, alguns autores chegaram a anunciar o fim das regiões
em virtude da globalização e do entendimento de que esse processo resultaria na homogeneização
dos espaços e na uniformização dos processos sociais. Para o geógrafo Milton Santos, o fenômeno
da região é universal, pois “nenhum subespaço do planeta pode escapar ao processo conjunto de
globalização e fragmentação, isto é, individualização e regionalização”, podendo-se entender as
regiões como a condição e o suporte das relações globais.

Na coleção, o conceito de região é importante e foi escolhido como caminho didático para abordar
vários conteúdos e temas, como: o estudo do território brasileiro de acordo com as cinco
macrorregiões do IBGE (volume do 7º ano); o estudo sobre as diferentes regionalizações do espaço
mundial e os conjuntos regionais da América conforme critérios socioeconômicos (volume do 8º
ano); e também de outros espaços mundiais (volume do 9º ano). Valorizou-se o processo de
regionalização e como ele resulta em regiões, classificando partes do espaço geográfico com
características semelhantes segundo critérios previamente estabelecidos.

Espaço natural e espaço geográfico

Nos volumes da coleção, o espaço natural é considerado aquele que sofreu pouca ou nenhuma
intervenção humana, no qual predomina a atuação das forças naturais, como a ação das águas, dos
ventos, dos terre-
Página 296

motos etc., que transformam a paisagem. Em contraposição, o espaço geográfico é considerado


construído ou produzido pelas forças sociais, modificado e organizado pelas sociedades humanas,
um produto histórico, social e cultural que expressa até, visivelmente, a organização das sociedades
com todas as suas contradições.

Além de sua historicidade e caráter político, na coleção considera-se que o espaço geográfico é
modificado constantemente em razão das ações humanas, e merece, por esse motivo, ser tratado
em sala de aula sob a perspectiva de tensões e conflitos gerados no decorrer de sua produção,
revelando aos alunos a sua heterogeneidade graças aos interesses nela envolvidos. Isso poderá
incentivar o aluno a refletir e a se posicionar perante as contradições do espaço geográfico,
buscando solucionar situações-problema ou problemas emergentes que surgem por meio da leitura
dos processos e acontecimentos com ele relacionados.

Território e territorialidade

Nos volumes do 7º, 8º e 9º anos da coleção, território surge como um conceito essencial para o
estudo do mundo dividido por fronteiras políticas entre Estados. Associado às noções de Estado,
nação e soberania, esse conceito também é aplicado sempre que se estudam países e para explicar a
formação territorial e a mobilidade das fronteiras no decorrer do processo histórico, contribuindo
para a leitura e interpretação de mapas.

Território é considerado delimitação das relações de poder, domínio de parcelas do espaço natural
e do espaço geográfico mundiais, apropriados política, econômica e culturalmente. Refere-se,
assim, aos Estados nacionais como nações politicamente organizadas, estruturadas sobre uma base
física.

De maneira complementar na coleção, o conceito de territorialidade também emerge no texto


principal e em seções didático-pedagógicas específicas, como Encontros, Outras rotas e Estações
História e Socioambiental. Em algumas delas, por meio de textos complementares, mapas e
fotografias, busca-se revelar fronteiras concretas e simbólicas que se manifestam em escalas
diferentes do Estado-nação.

Durante o processo de ensino-aprendizagem é importante diferenciar os conceitos de território e


territorialidade, pois esse cuidado proporciona a compreensão dos alunos de que aquele possui
limitações quando se trata de estudar e refletir sobre a diversidade e a complexidade das relações
de poder entre grupos e culturas no interior de um mesmo Estado.

Redes geográficas

Na coleção, com maior ênfase nas Unidades 2 dos volumes do 8º e 9º anos, o conceito de redes é
trabalhado na perspectiva dos fluxos imateriais e materiais no atual período da globalização,
associados aos deslocamentos de ideias, informações, pessoas, mercadorias e serviços, incluindo as
redes de atividades ilegais etc. Esse conceito permite ao professor tratar com os alunos aspectos
relacionados à transformação cada vez mais intensa das paisagens, lugares, regiões e territórios.
Página 297

3. A prática de ensino da Geografia: objetivos e


orientações

■ Objetivos gerais da Geografia no Ensino Fundamental


De acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) de Geografia, “espera-se que, ao
longo dos oito anos [atualmente nove] do Ensino Fundamental, os alunos construam um conjunto
de conhecimentos referentes a conceitos, procedimentos e atitudes relacionados à Geografia, que
lhes permita ser capazes de:

• conhecer o mundo atual em sua diversidade, favorecendo a compreensão de como as paisagens,


os lugares e os territórios se constroem;

• identificar e avaliar as ações dos indivíduos em sociedade e suas consequências em diferentes


espaços e tempos, de modo que construa referenciais que possibilitem uma participação
propositiva e reativa nas questões socioambientais locais;

• conhecer o funcionamento da natureza em suas múltiplas relações, de modo que compreenda o


papel da sociedade na construção do território, da paisagem e do lugar;

• compreender a espacialidade e temporalidade dos fenômenos geográficos estudados em suas


dinâmicas e interações;

• entender que as melhorias nas condições de vida, os direitos políticos, os avanços tecnológicos e
as transformações socioculturais são conquistas ainda não usufruídas por todos os seres humanos
e, dentro de suas possibilidades, empenhar-se em democratizá-las;

• conhecer e saber utilizar procedimentos de pesquisa da Geografia para compreender a paisagem,


o território e o lugar, seus processos de construção, identificando suas relações, problemas e
contradições;

• orientá-los a compreender a importância das diferentes linguagens na leitura da paisagem, desde


as imagens, música e literatura de dados e de documentos de diferentes fontes de informação, de
modo que interprete, analise e relacione informações sobre o espaço;

• saber utilizar a linguagem gráfica para obter informações e representar a espacialidade dos
fenômenos geográficos;

• valorizar o patrimônio sociocultural e respeitar a sociodiversidade, reconhecendo-os como


direitos dos povos e indivíduos e elementos de fortalecimento da democracia”8.

■ O trabalho com conhecimentos prévios


Nas aberturas de unidade da coleção, diagramadas em páginas duplas, infográficos ou imagens são
acompanhados por questões da seção Verifique sua bagagem. O objetivo desse recurso é promover
e auxiliar a sondagem de conhecimentos prévios dos alunos.

Entende-se por conhecimento prévio o que o aluno já sabe (conceitos, proposições, princípios,
fatos, ideias, imagens, símbolos) sobre o assunto a ser

8 BRASIL. Parâmetros Curriculares Nacionais: Geografia (5ª a 8ª séries). Brasília: MEC/SEF, 1998. p. 34-35. Disponível em:

<http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/geografia.pdf>. Acesso em: 2 mar. 2015.


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estudado, ou seja, aquilo preexistente em sua estrutura cognitiva, tendo sido adquirido dentro ou
fora da escola, em experiências vividas anteriormente.

O conhecimento prévio é essencial para a teoria da aprendizagem significativa, formulada na


década de 1960 por David P. Ausubel (1918-2008), célebre pensador da Psicologia da Educação.
Nessa perspectiva, conhecimento prévio é considerado determinante do processo de aprendizagem,
uma vez que é significativo por definição, ou seja, base para a transformação dos significados
lógicos dos materiais de aprendizagem, potencialmente significativos, em significados
psicológicos9.

Dentre as estratégias para explorar, conhecer e ativar os conhecimentos prévios dos alunos sugere-
se desenvolver, de modo desafiador, leituras de imagens ou textos escritos, rodas de conversa,
resolução de problemas e debates. De acordo com Campos e Nigro10, as entrevistas são outra
estratégia eficaz, por meio das quais as crianças respondem a diversas perguntas, problemas ou
executam tarefas, embora nem sempre seja viável realizá-las em sala de aula, devendo o professor
criar outras oportunidades reais para que os alunos expressem suas ideias. Miras11, por exemplo,
destaca instrumentos fechados (como listas, questionários, redes, mapas), que parecem funcionar
melhor com alunos mais velhos, pois envolvem a capacidade de registro gráfico ou escrito; a autora
sugere a aplicação de instrumentos abertos (como conversas entre o professor e os estudantes)
com os alunos mais novos, pois proporcionam uma exploração mais rica e flexível dos
conhecimentos prévios.

Não se deve perder de vista a importância em se registrar os conhecimentos prévios dos alunos,
sondados antes do início de uma unidade didática, pois ao final dela poderão ser retomados ou
relembrados como elementos de avaliação, isto é, um “balanço” sobre o que os alunos sabiam antes
da ampliação e sistematização dos conhecimentos e o que sabem após o desenvolvimento dessas
etapas do processo de ensino-aprendizagem. Contudo, é importante ter em vista que a sondagem
de conhecimentos prévios pode ser realizada em qualquer etapa do processo de ensino-
aprendizagem, entre outras razões, porque a partir da verificação e da análise das respostas dos
estudantes o professor poderá perceber equívocos, erros conceituais, dúvidas, domínio do assunto,
entre outros.

■ Desenvolver a competência leitora


O desenvolvimento da competência leitora pode ser incentivado por meio de diferentes gêneros
textuais. De acordo com os objetivos e conteúdos específicos de cada disciplina podem ser adotados
procedimentos didáticos variados, com o propósito de tornar os gêneros de textos ferramentas que
possibilitam o acesso aos conteúdos da área a ser estudada.

9 Leia-se a respeito: AUSUBEL, David P.; NOVAK, Joseph D.; HANESIAN, Helen. Psicologia educacional. Trad. Eva Nick e outros. Rio

de Janeiro: Interamericana, 1980; e AUSUBEL, David. P. Aquisição e retenção de conhecimentos: uma perspectiva cognitiva. Lisboa: Plátano,
2003.
10 CAMPOS, M. C. C.; NIGRO, R. G. Aquilo que os alunos já sabem. In:____. Didática de Ciências: o ensino-aprendizagem como

investigação. São Paulo: FTD, 1999. p. 78-97.


11 MIRAS, M. O ponto de partida para a aprendizagem de novos conteúdos: os conhecimentos prévios. In: COLL, C. O construtivismo em

sala de aula. São Paulo: Editora Ática, 2006. p. 57-76.


Página 299

No caso do ensino da Geografia, é reconhecida a forte relação com imagens, gráficos e mapas, além
dos textos científicos, opinativos, literários etc. O importante é fazer deles instrumentos que levem
os alunos a posturas reflexivas em relação ao mundo e suas transformações, promovendo a leitura
crítica da espacialidade produzida socialmente e que pode ser estudada por meio de diferentes
escalas geográficas. Assim, espera-se que o aluno desvende a realidade, desenvolva o raciocínio
espacial, o que contribui para a prática da cidadania.

Na coleção são oferecidos diferentes gêneros de textos como suporte para o trabalho do professor
em sala de aula (infográficos, mapas, gráficos, tabelas, fotografias, charges, pinturas, textos de
terceiros etc.). Eles poderão ser complementados com outros gêneros de textos obtidos pelo
professor em livros, jornais, revistas e na internet. O importante é trabalhá-los de modo que o
aluno desenvolva autonomia, incentivando-o por meio dos gêneros textuais a ler, interpretar,
pesquisar, debater e agir de maneira mais consciente no contexto social, econômico, político e
ambiental.

■ A multiescalaridade no ensino de Geografia


O conceito de escala geográfica expressa as diferentes dimensões ou recortes para o estudo dos
conteúdos e temas geográficos. A multiescalaridade é uma abordagem importante no tratamento
dos conteúdos geográficos em sala de aula, pois é fundamental para a construção de raciocínios
espaciais complexos pelos alunos. Ela pode ser compreendida como a articulação dialética entre as
diferentes escalas de análise durante o tratamento dos conteúdos e temas ensinados em Geografia.
Com base nos volumes da coleção, sugerimos ao professor criar oportunidades e estratégias
voltadas para esse objetivo.

■ Interdisciplinaridade
A interdisciplinaridade constitui um dos desafios mais importantes no contexto da educação, e, de
acordo com os PCNs:

“[...] questiona a segmentação entre os diferentes campos de conhecimento produzida por uma
abordagem que não leva em conta a inter-relação e a influência entre eles — questiona a visão
compartimentada (disciplinar) da realidade sobre a qual a escola, tal como é conhecida,
historicamente se constituiu”12.

A proposta didático-pedagógica da coleção expressa forte preocupação com a interdisciplinaridade.


Nos quatro volumes da coleção, possibilidades de articulação ou de diálogo entre a Geografia e
outros componentes curriculares (Língua Portuguesa, Matemática, Ciências, História e Arte)
surgem em vários conteúdos, temas e conceitos das unidades. Em particular, mas não
exclusivamente, isso ocorre nas seções Estação História, Estação Ciências e Desembarque em
outras linguagens.

12 BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais: terceiro e quarto ciclos: apresentação dos temas

transversais. Brasília: MEC/SEF, 1998. p. 30.


Página 300

Para fins de orientação do trabalho docente, sempre que oportuno o ícone referente à
interdisciplinaridade (visto na página anterior) surge no Livro do Professor, indicando pontos de
contato entre conteúdos e temas abordados na coleção com outros componentes curriculares. Nas
páginas em que o ícone aparece, também surgem pequenos textos explicativos sobre possibilidades
de abordagem integrada entre conteúdos tratados pela Geografia e demais disciplinas.

Para que isso seja realizado, sugerimos ao professor manter e estimular um intercâmbio de ideias
com professores de outras áreas, com o intuito de desenvolver trabalhos conjuntos para que o
conhecimento seja aprofundado e compartilhado — e não compartimentado — pelo diálogo
integrado dos saberes. Isso pode ser realizado por meio de reuniões periódicas de planejamento,
nas quais cada professor poderá explicitar os objetivos e os conteúdos escolares a serem
desenvolvidos em sua área do conhecimento, e em seguida avaliar com os demais professores as
possibilidades de projetos comuns a serem desenvolvidos.

Essa orientação, por meio de várias experiências vividas e relatadas por educadores, tem
demonstrado sua validade, uma vez que o professor de Geografia, justamente por lidar com uma
disciplina fundamentalmente interdisciplinar, pode desempenhar o papel de integrador das
contribuições provenientes das diversas áreas do conhecimento, orientando trabalhos e projetos
didático-pedagógicos significativos, inter-relacionados no contexto escolar.

Projetos ou iniciativas de cunho interdisciplinar na sala ajudam a conferir mais dinamismo e


atratividade às aulas de Geografia, além de, no plano da formação do aluno, favorecer o
alargamento de seus horizontes culturais. Em relação ao ensino, também contribuem para superar
o modelo analítico — divisão do todo em suas partes constitutivas —, que fragmenta o
conhecimento em disciplinas estanques, que não dialogam entre si.

■ Temas transversais
De acordo com os PCNs:

“[...] a transversalidade diz respeito à possibilidade de se estabelecer, na prática educativa, uma


relação entre aprender conhecimentos teoricamente sistematizados (aprender sobre a realidade) e
as questões da vida real e de sua transformação (aprender na realidade e da realidade). E a uma
forma de sistematizar esse trabalho e incluí-lo explícita e estruturalmente na organização
curricular, garantindo sua continuidade e aprofundamento ao longo da escolaridade”13.

O trabalho com os temas transversais merece destaque nas aulas de Geografia e norteou esta
coleção. Os ícones ao lado surgem no Livro do Professor para indicar que conteúdos abordados nos
volumes permitem contemplar os temas transversais que compõem os PCNs (Ética, Saúde,
Orientação Sexual, Pluralidade Cultural, Meio Ambiente e Trabalho e Consumo). Nos volumes da
coleção, além de algumas abordagens, questões e atividades propostas que permitem trabalhá-los,
eles são contemplados com ênfase nas seções Estação Cidadania e Estação Socioambiental,

13 BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais: terceiro e quarto ciclos: apresentação dos temas

transversais. Brasília: MEC/SEF, 1998. p. 30.


Página 301

dedicadas aos temas relacionados à ética, ao meio ambiente, ao trabalho e ao consumo, à saúde
(que, aliás, também podem ser abordados por outras disciplinas). As seções Outras rotas e
Encontros, por sua vez, também buscam incentivar e proporcionar o trabalho com os temas
transversais, nesses casos mais especificamente com a pluralidade cultural, discutindo as
diversidades (étnica-cultural e religiosa, por exemplo), visando proporcionar a ocasião para que o
professor reflita com os alunos como se manifestam nos lugares, nas pessoas e em suas linguagens.

Essa abordagem pedagógica reforça princípios estabelecidos nos PCNs de Geografia, como a
incorporação de questões sociais no ensino visando a uma educação para a cidadania, além da
flexibilidade temática com a qual se pode trabalhar no Ensino Fundamental.

É importante ter em vista que o tratamento dos temas transversais em sala de aula tem por
objetivo “garantir uma formação integrada do aluno com o seu cotidiano, discutindo,
compreendendo e explicando temas de relevância social”14 e que envolvem “problemáticas sociais
atuais e urgentes, consideradas de abrangência nacional e até mesmo mundial”15.

4. A proposta didático-pedagógica da coleção


A proposta didático-pedagógica da coleção envolve ao menos dois aspectos: escolha, organização e
sequenciamento didático dos conteúdos e temas, e os recursos didático-pedagógicos dos livros.
Este último, principalmente, visa oferecer condições para que o processo de ensino-aprendizagem,
mediado pelo professor, ocorra articulado com a proposta teórico-metodológica da coleção e os
objetivos e orientações associados à prática de ensino da Geografia que foram apresentados
anteriormente (item 3).

■ A organização dos conteúdos da coleção


Em relação ao conjunto de conteúdos e temas, os quatro volumes da coleção estão estruturados da
seguinte maneira:

• 6º ano — aborda as noções básicas e fundamentais para o ensino e a aprendizagem de Geografia;

• 7º ano — analisa temas e enfoques do território brasileiro que permitem compreendê-lo por meio
de uma visão de conjunto, como também desenvolve o estudo das cinco macrorregiões do IBGE;

• 8º ano — propõe o estudo das regionalizações do espaço mundial, introduz o estudo da


globalização e analisa os conjuntos regionais da América com base em critérios socioeconômicos;

• 9º ano — introduz e desenvolve temas importantes da geopolítica mundial, aprofunda o estudo da


globalização e complementa o estudo dos conjuntos regionais do mundo.

14BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais: Geografia. Brasília: MEC/SEF, 1998. p. 38.
15BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais: terceiro e quarto ciclos do ensino fundamental:
introdução aos Parâmetros Curriculares Nacionais. Brasília: MEC/SEF, 1998. p. 65.
Página 302

No tocante à organização e distribuição dos conteúdos e temas, os volumes da coleção apresentam


unidades temáticas, subdivididas em percursos. Nos quadros a seguir, observe que cada volume
apresenta 8 unidades, cada qual com 4 percursos, totalizando 32.

Considerando as especificidades das turmas, sugerimos ao professor que busque desenvolver


outros conteúdos e temas associados àqueles constantes nos quadros anteriores. Essa é uma forma
de contornar as limitações inerentes a qualquer livro didático, como também uma estratégia
valiosa e pertinente para tornar o aprendizado mais prazeroso e profícuo.

Os conteúdos e temas propostos no livro-texto (como também o sequenciamento didático deles)


devem ser entendidos como “trilhas” ou “caminhos”, e não como “necessidade absoluta”. Com
efeito, quem tem melhores condições de avaliar o que é mais oportuno é o professor, uma vez que é
ele quem estabelece as relações com os alunos, derivando daí seu conhecimento e sua avaliação do
quadro existencial, origens socioeconômicas, influências culturais e interesses de seus alunos.

Sugerimos que o professor articule, sempre que julgar oportuno, o estudo dos conteúdos e temas à
realidade próxima e imediata dos educandos.

Volume Unidades
1. Orientação e localização no espaço geográfico
2. Elementos básicos de Cartografia
3. A Terra: aspectos físicos gerais
4. O relevo continental: agentes internos
6º ano
5. O relevo continental: agentes externos
6. Clima e vegetação natural
7. Extrativismo e agropecuária
8. Indústria, sociedade e espaço

Volume Unidades
1. O território brasileiro
2. A população brasileira
3. Brasil: da sociedade agrária para a urbano-industrial
4. Região Norte
7º ano
5. Região Nordeste
6. Região Sudeste
7. Região Sul
8. Região Centro-Oeste

Volume Unidades
1. Espaço mundial: diversidade e regionalização
8º ano 2. Mundo global: origens e desafios
3. América: natureza e herança colonial
Volume Unidades
4. América: países desenvolvidos
5. América: países emergentes
6. América: economias de base mineral
7. América: economias de base agropecuária
8. América: projetos de integração

Volume Unidades
1. Mundo global: geopolítica e organizações internacionais
2. Mundo: população e desafios globais
3. Europa: diversidade e integração
4. CEI e a questão energética russa
9º ano
5. As grandes economias da Ásia
6. Oriente Médio
7. África: heranças, conflitos e diversidades
8. Oceania e regiões polares
Página 303

■ Os recursos didático-pedagógicos dos livros


O livro didático deve conter recursos para auxiliar o professor em seu planejamento, proposta e
desenvolvimento de curso, contribuindo para a dinâmica de suas aulas.

Com base no conjunto de considerações apresentadas nos itens 2 (A abordagem teórico-


metodológica da coleção) e 3 (A prática de ensino da Geografia: objetivos e orientações) e do que
foi possível a partir delas elaborar e incorporar na coleção, a seguir são apresentadas as seções e
subseções didático-pedagógicas presentes nos volumes e que constituem seus recursos. Com
propósitos bem definidos, por meio deles procuramos subsidiar o trabalho do professor na sala de
aula.

A maioria das seções é acompanhada por exercícios dirigidos que, entre outros objetivos, buscam
desenvolver com os alunos elementos indissociáveis do processo de ensino-aprendizagem: o
trabalho com conhecimentos prévios; a competência leitora; a alfabetização cartográfica; o
trabalho com conteúdos factuais, conceituais, procedimentais e atitudinais; o exercício do
protagonismo social e da cidadania ativa; as capacidades de problematização, formulação de
hipóteses, argumentação e generalização; o trabalho com temas transversais com destaque para o
respeito aos direitos humanos, combate aos preconceitos e valorização da diversidade; a
interdisciplinaridade. Isso atribui à coleção algo inovador, qual seja o fato de que os exercícios se
encontram distribuídos ao longo dos livros, e não apenas concentrados em trechos ou seções
específicas.

Abertura de unidade

A abertura da unidade se dá em página dupla, é composta de recursos gráfico-visuais —


infográficos ou jogo de imagens (fotos e/ou mapas, ilustrações, gráficos, entre outros) —, sobre os
quais são propostas leitura e interpretação com o objetivo de permitir ao professor introduzir e
motivar os alunos sobre os assuntos que serão tratados nos quatro percursos da unidade. Com o
mesmo objetivo, apresenta um texto introdutório sobre os temas que serão estudados e um
descritivo com os títulos dos percursos, além da subseção Verifique sua bagagem.

Verifique sua bagagem

Introduz questões com o objetivo de promover e auxiliar a sondagem de conhecimentos prévios


dos alunos, além de despertar o interesse deles sobre as temáticas abordadas ao longo da unidade.
A primeira delas ressalta e valoriza a vivência e as experiências dos alunos e seus referenciais
prévios de conhecimentos. As demais questões exercitam a leitura e interpretação de infográficos
ou jogo de imagens da abertura, estimulando, de modo complementar, discussões iniciais sobre
temas e conteúdos que serão abordados ao longo da unidade.

Percurso

Todas as unidades são desenvolvidas em quatro percursos, que apresentam o texto principal com
conteúdos e temas organizados de forma clara, hie-
Página 304

rarquizados em títulos e subtítulos que facilitam o estudo e o aprendizado, com uma linguagem e
extensão adequadas à faixa etária a que se destinam. Para complementar e exemplificar o texto
principal, também há mapas, gráficos, tabelas, ilustrações, blocos-diagrama, fotografias, entre
outros recursos.

Quem lê viaja mais

Essa seção é encontrada sempre na coluna lateral do texto principal, e nela são sugeridos livros
relacionados aos temas estudados. Os livros indicados são acessíveis e adequados à faixa etária à
qual a coleção se destina, permitindo que o professor articule estudos dirigidos baseados em
trechos dos textos ou os proponha como entretenimento ou ainda como aprofundamento do
conteúdo. Alguns livros indicados pertencem à categoria da literatura infantojuvenil, o que permite
desenvolver trabalhos com a área de Língua Portuguesa. Alguns títulos estão fora de catálogo, ou
seja, não são mais editados. Entretanto, podem ser encontrados em bibliotecas, e até mesmo em
sebos, quando existirem no espaço de vivência do aluno, o que possibilita visitas a eles, atitudes
que devem ser desenvolvidas e estimuladas no processo de ensino-aprendizagem.

Pausa para o cinema

Posicionada ao longo dos percursos, na coluna lateral do texto principal, sempre que oportuno essa
seção sugere filmes ficcionais e documentários como recursos adicionais aos conteúdos ou temas
abordados no texto principal. Os filmes indicados passaram por uma seleção prévia, para evitar
temáticas preconceituosas, violentas ou com cenas inapropriadas para a faixa etária à qual se
destina a coleção.

Consideramos que o recurso audiovisual apresenta grande potencial quando utilizado no ensino,
por isso, sugerimos que, após a exibição do filme ou documentário, o professor realize um debate
sob a sua orientação com a participação de todos os alunos, objetivando, ao menos: a) a
interpretação do que foi visto; b) a elaboração, em grupo ou individualmente, de um texto-resumo
sobre a temática tratada. A respeito do assunto, sugerimos a seguinte leitura: NAPOLITANO,
Marcos. Como usar o cinema na sala de aula. 2. ed. São Paulo: Contexto, 2005. 249 p.

Navegar é preciso

Nessa seção, também posicionada ao longo dos percursos, na coluna lateral do texto principal, são
sugeridos sites de acesso fácil e confiável para os alunos, para que possam consultar e pesquisar
informações complementares sobre os conteúdos, temas e conceitos abordados no texto principal.

No seu contexto

Nos quatro volumes da coleção, essa seção encontra-se posicionada ao longo dos percursos, na
coluna lateral do texto principal, e traz questões de resolução imediata, evitando-se a interrupção
da aula. Por meio dela são oferecidas possibilidades para o aluno articular os conhecimentos já ad-
Página 305

quiridos e em formação com seus espaços de vivência, onde estão inseridos seu cotidiano e seu
contexto cultural (objetivo também trabalhado nas subseções Contextualize e Investigue seu lugar,
explicadas mais adiante).

Nos volumes do 8º e 9º anos, além daquele propósito, a seção também possibilita associar os
conteúdos trabalhados ao contexto brasileiro, motivando o aluno a articular o geral e o particular, o
distante e o próximo, motivando-o a trabalhar com diferentes escalas de análise.

Por meio de questões que convidam o aluno a relacionar os conteúdos estudados com a realidade e
espaços de vivência imediata ou locais e/ou escala nacional, é oferecida oportunidade aos
professores e alunos para um ensino-aprendizagem mais significativo e emancipador, voltado para
o desenvolvimento do pensamento crítico e da autonomia, evitando-se, assim, a escolarização
estéril dos conhecimentos.

Glossário

Encontrada na coluna lateral do texto principal dos percursos ou nas diferentes seções, esta seção
apresenta o significado de termos pouco comuns ou provavelmente desconhecidos para os alunos.
Visa contribuir tanto para o enriquecimento do vocabulário do aluno como para o esclarecimento
sobre conceitos importantes. Para o professor, sugerimos a busca de glossários em sites de
universidades e outros órgãos, para a constituição de um glossário adequado a cada nível de
ensino; por exemplo, com as palavras-chave glossário de geografia e glossário de geologia, entre
outras.

Atividades orais sistemáticas

As atividades orais sistemáticas acompanham diversos elementos gráficos dos percursos (mapas,
fotografias, blocos-diagramas, gráficos, tabelas e ilustrações), na forma de questões com
enunciados simples e diretos que convidam o aluno à observação e ao debate, contribuindo para a
dinamização das aulas e, no caso dos mapas, para a alfabetização cartográfica. Por meio desse
recurso, espera-se contribuir para que o aluno desenvolva competências e habilidades relacionadas
à leitura e à interpretação de textos contínuos e descontínuos. Embora a aplicação e as respostas
dessas atividades sejam propostas na forma oral, a critério do professor também poderão ser
realizadas na forma escrita pelos alunos, em sala de aula ou fora dela.

Estações

Dividem-se em quatro tipos: Estação História, Estação Ciências, Estação Cidadania e Estação
Socioambiental. As estações ocorrem ao longo de toda a unidade, apresentam textos de terceiros,
extraídos de revistas, jornais, livros e sites, possibilitando ao aluno o contato com estilos
argumentativos, vocabulário e linguagens diferentes do texto principal. Além disso, são
acompanhadas por atividades que podem ser respondidas por escrito ou oralmente e que se
subdividem em quatro subseções que trabalham diversos aspectos (observe o quadro lateral na
página seguinte). As estações ainda complementam os conteúdos dos percursos, buscando
proporcionar maior visibilidade e motivação para o desenvolvimento da abordagem
interdisciplinar e o trabalho com os temas transversais.
Página 306

Vistas em particular, cada tipo de Estação também possui especificidades, como indicado a seguir:

• A Estação História trata dos aspectos históricos de determinado tema para enriquecer o estudo
do aluno, com textos e atividades que buscam reforçar as relações entre espaço geográfico e tempo
histórico, possibilitando diálogos ou relações entre a Geografia e o componente curricular História.

• A Estação Ciências busca levar o aluno a refletir sobre o papel da ciência, da tecnologia e da
inovação para o desenvolvimento das sociedades e, em muitas ocorrências, permite diálogos entre
Geografia e o componente curricular Ciências.

• A Estação Cidadania propõe a leitura e interpretação de textos que, com as atividades,


possibilitam levar o aluno a exercitar cidadania ativa e protagonismo social, motivando-o a
conhecer, refletir e assumir posições diante de problemas, discutindo medidas e soluções. Promove
o trabalho com temas transversais e, em algumas ocorrências da seção, possibilita diálogos
interdisciplinares com outros componentes curriculares.

• A Estação Socioambiental aborda temas sociais e ambientais com o propósito de desenvolver a


compreensão das relações entre sociedade, espaço geográfico e meio ambiente e a formação da
consciência ecológica, incentivando o trabalho com temas transversais e, em alguns casos, com a
interdisciplinaridade.

As Estações são um rico e fecundo material de ensino e podem ser trabalhadas de diferentes
maneiras: para desenvolver e aprimorar a competência leitora dos alunos, como material para
realização de seminários e discussões de conteúdos e temas, para exercitar a capacidade dos alunos
no estabelecimento de relações entre seus textos e os conteúdos e temas estudados nos percursos.

Subseções das atividades:

• Interprete: subseção fixa que promove a competência leitora, levando o aluno a relacionar
informações dos textos.

• Argumente: desenvolve o senso crítico e a capacidade de o aluno propor soluções individuais ou


coletivas às situações-problema.

• Contextualize: articula os temas abordados ao contexto do aluno, buscando o protagonismo social


e a cidadania ativa.

• Viaje sem preconceitos: suscita reflexão e debate sobre diversos tipos de preconceitos, como
condições econômico-sociais, étnicas, de gênero etc., e sobre atitudes individuais e coletivas para
combatê-los.

Encontros

Essa seção apresenta aspectos de pessoas, comunidades, povos e grupos sociais e culturais, no
Brasil e no mundo, que vivenciam os problemas tratados pela Geografia, privilegiando a
diversidade étnica-cultural.

Propõe uma reflexão sobre a importância da diversidade e do respeito à diferença, contribuindo,


principalmente, mas não exclusivamente, para o tratamento do tema transversal pluralidade
cultural em sala de aula. Também tem o propósito de colocar o aluno em contato com as linguagens
e narrativas de protagonistas sociais, o que favorece sua aproximação e sensibilização em relação
aos problemas por eles vividos. Desse modo, a seção Encontros visa contrabalançar a abordagem
descritiva e conceitual muitas vezes exigida no tratamento de conteúdos e temas geográficos,
concedendo ênfase às pessoas, suas culturas e local de origem. Em algumas ocorrências dessa
seção, sempre que pertinente, também são indicadas para o professor possibilidades de
interdisciplinaridade com outros componentes curriculares.
Assim como ocorre nas seções Estações, Outras rotas e Infográficos, a seção também é
acompanhada pela subseção fixa Interprete e as variáveis Argumente, Contextualize e Viaje sem
preconceitos, que surgem conforme a pertinência dos assuntos.
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Outras rotas

A seção Outras rotas possibilita conhecer lugares diferentes, que tenham significado religioso,
cultural, arquitetônico, científico etc., com o objetivo de ampliar os horizontes culturais dos alunos
e, em muitos casos, refletir e descontruir com eles estereótipos sobre lugares, países, sociedades e
povos. Embora propicie o trabalho mais direto com o tema transversal pluralidade cultural, em
várias ocorrências da seção também são indicadas oportunidades de trabalho com outros temas
transversais e interdisciplinaridade.

Assim como ocorre nas seções Estações, Encontros e Infográficos, a seção é acompanhada pela
subseção fixa Interprete e, conforme a pertinência dos assuntos, pelas subseções variáveis
Argumente, Contextualize e Viaje sem preconceitos.

Mochila de ferramentas

Composta de passos didáticos e atividades que podem ser de interpretação, argumentação e


preferencialmente procedimentais, um dos objetivos desta seção é ensinar e exercitar com o aluno
técnicas de estudo e pesquisa que permitam aprimorar o trabalho individual ou em grupo acerca de
temáticas propostas nos percursos. Essas técnicas, inclusive, poderão auxiliá-lo no estudo de outras
disciplinas do currículo escolar, favorecendo o desenvolvimento da autonomia e a aprendizagem
sobre maneiras diferentes e complementares para se organizar e sistematizar conhecimentos.

Além disso, esta seção propõe o trabalho com procedimentos específicos da Geografia, relacionados
com os conteúdos estudados nos percursos nos quais ocorrem, favorecendo o desenvolvimento de
habilidades importantes dessa disciplina, cujo aprendizado é muito importante para a continuação
de seus estudos.

Atividades dos percursos

Dispostas em páginas duplas, ocorrem duas vezes em cada unidade dos volumes, ao final dos
percursos pares. São compostas de atividades de diferentes modalidades, a saber:

• A subseção Revendo conteúdos é dedicada à releitura, revisão e aplicação de conteúdos e


conceitos trabalhados nos percursos por meio de questões diretas, e sempre que possível apresenta
enunciados que estimulam os alunos à resolução de situações-problema. Sugere-se que seja
trabalhada com o intuito de levar o aluno a realizar uma avaliação de seu aprendizado.

• A subseção Leituras cartográficas propõe atividades envolvendo a linguagem cartográfica,


contemplando as habilidades de leitura e interpretação de mapas, que também podem estar
associados a gráficos, tabelas, textos etc. Vista em conjunto com as atividades orais sistemáticas
que acompanham vários mapas no decorrer dos percursos e também algumas ocorrências da seção
Mochila de ferramentas, essa subseção visa contribuir para a alfabetização cartográfica.
Página 308

• A subseção Explore apresenta atividades com textos, imagens, tabelas, gráficos, charges etc.
Dessa forma, ela busca “alargar” os horizontes dos conteúdos dos percursos, propondo inter-
relações com registros, recursos e informações adicionais ou externas ao texto principal dos
percursos, incentivando o aluno a relacioná-las com os conteúdos estudados, favorecendo o
desenvolvimento da análise e a argumentação.

• A subseção Investigue seu lugar remete o aluno para pesquisas individuais ou em grupo sobre
seu lugar/contexto. Reforça, assim, com a seção No seu contexto e a subseção Contextualize, um
dos objetivos da coleção, qual seja o de possibilitar a articulação dos conteúdos trabalhados com a
realidade do aluno.

• A subseção Pesquise propõe pesquisas gerais. Vista com a subseção Investigue seu lugar,
contribui para que o aluno aprofunde ou complemente a compreensão sobre conteúdos e temas
desenvolvidos nos percursos. Dessa maneira, as duas subseções incentivam a pesquisa como
princípio pedagógico, a observação e a análise, e chamam a atenção dos estudantes para aspectos
importantes sobre o que foi estudado, levando-os a rever e assimilar os pontos relevantes, como
também a ampliar seus conhecimentos, desenvolvendo a capacidade de elaborar trabalhos escritos
e orais.

• A subseção Pratique propõe atividades práticas e que levem o aluno a “colocar a mão na massa”,
ajudando-o a executar procedimentos individualmente ou em grupo.

A cada página dupla da seção Atividades dos Percursos, há no máximo cinco das seis subseções
apresentadas, considerando que Revendo conteúdos e Leituras cartográficas são fixas e as demais
variáveis. Vistas em conjunto, as atividades ao final dos percursos pares também têm por objetivo
motivar o aprimoramento de habilidades ou capacidades que podem auxiliar o educando no
desenvolvimento de sua criatividade e raciocínio, bem como a incrementar sua disposição e
iniciativa para pesquisar e debater temas específicos. Além disso, elas buscam incentivar as
relações interpessoais, por intermédio de trabalhos em grupo; sensibilizar o estudante para os fatos
sociais pelo conhecimento da realidade local; colaborar para a quebra de preconceitos; aguçar sua
percepção e atuação no espaço vivido para desenvolver a postura crítica e científica.

Desembarque em outras linguagens

Composta de uma dupla de páginas, esta seção fecha as unidades ímpares de cada volume da
coleção, totalizando 16 ocorrências na coleção (4 por livro).

Nela é apresentado o trabalho de artistas e outras personalidades por meio de temas relacionados
aos conteúdos estudados na unidade. A abordagem é interdisciplinar e apresenta linguagens
variadas, como fotografia, cinema, música, pintura e desenho, charges, escultura, literatura,
paisagismo, entre outras.

Um dos objetivos desta seção é possibilitar aos professores uma “pausa” no decorrer do bimestre
ou trimestre (dependendo do planejamento
Página 309

do curso), além de enriquecer o trabalho com as relações entre Geografia e linguagens artísticas, ao
mesmo tempo que possibilita aos alunos e professores intercalarem e relacionarem, na passagem
de uma unidade à outra, a linguagem conceitual dos percursos com a linguagem artística. Em
algumas ocorrências da seção, também são indicadas oportunidades de trabalhos interdisciplinares
entre Geografia e outros componentes curriculares, como Língua Portuguesa e Matemática.

A seção é acompanhada por atividades, distribuídas em três subseções com propósitos didático-
pedagógicos definidos e complementares:

• Caixa de informações: conduz o aluno para a leitura e interpretação das informações expostas
por meio de textos e imagens, contribuindo para o desenvolvimento da competência leitora.

• Interprete: propõe a releitura e interpretação das informações da seção, levando o aluno a


relacioná-las, como também a estabelecer relações entre elas e os conteúdos e conceitos estudados
na unidade, ou mesmo com informações contextuais.

• Mãos à obra: possibilita que o aluno coloque em prática a linguagem apresentada, surgindo
sempre que a atividade não represente riscos de segurança ao aluno ou dificuldades de execução
em relação aos materiais necessários para sua realização.

Infográficos

Acompanhados por atividades, nos volumes da coleção, conforme a pertinência dos assuntos, os
infográficos podem ocorrer tanto nas aberturas de unidades como no interior dos percursos. São
apresentados sempre em páginas duplas e totalizam 32 na coleção.

O principal objetivo desse recurso é favorecer o processo de ensino-aprendizagem mediado pelo


professor, proporcionando o contato dos alunos com conteúdos e conceitos transmitidos de
maneira dinâmica e atrativa.

O infográfico é um gênero textual que descende do aparecimento de novas tecnologias aplicadas à


modernização da notícia, motivado por uma necessidade social de novas formas de comunicação.
Como gênero textual híbrido, permite a integração entre imagens, gráficos e textos, apresentando,
de maneira sintetizada, dados, informações, fenômenos e processos que sejam de interesse
jornalístico, científico e mesmo educacional.

Organizado de maneira não convencional, um infográfico é constituído de blocos de informações


articuladas de modo não aleatório, formados por textos verbais e não verbais. As conexões entre
esses blocos de informações requerem a participação ativa do leitor, que é chamado a construir o
entendimento por meio deles, o que ocorre, muitas vezes, quando inicia a leitura do ponto que lhe
chama mais a atenção.

Como professores, percebemos e sentimos em sala de aula a disputa entre nossas práticas e os
variados suportes e veículos de informação do mundo contemporâneo (a TV, os video games, a
internet, a fotografia, as imagens, a comunicação visual de ambientes públicos, a publicidade, o
celular, os infográficos, sons, música). Tudo parece disputar o universo simbólico de crianças e
adolescentes. Sintonizados com a ambiência informacional na qual vivem muitos alunos,
acreditamos ser importante focalizar a apropriação e
Página 310

a readequação desses suportes e veículos de informação a favor do ensino. Contando com a


mediação do professor, a elaboração de materiais e recursos para esse fim, como os infográficos da
coleção, podem ajudar.

Além de favorecerem o desenvolvimento da competência para ler e produzir na própria língua,


também contribuem com o objetivo de ajudá-los a selecionar, organizar e analisar criticamente as
informações. Importante dizer que a aplicação dos infográficos durante o processo ensino-
aprendizagem, para além das sugestões que são fornecidas neste Suplemento sobre como trabalhar
com eles em sala de aula, também depende da criatividade do professor e em sua “aposta” de que
esse recurso poderá propiciar uma aprendizagem mais dinâmica dos conteúdos, incentivando os
alunos a aprenderem de forma lúdica e mais prazerosa.

5. A avaliação

■ O processo de avaliação da aprendizagem em sua globalidade


A avaliação não é um tema isento de polêmicas nas escolas, e também não se resume aos exames
tradicionais escolares. Na verdade, há muito se discute a necessidade de superá-los, para, como
determina o inciso III do art. 32 da Resolução CNE/CEB 7/2010: “III — fazer prevalecer os
aspectos qualitativos da aprendizagem do aluno sobre os quantitativos, bem como os resultados ao
longo do período sobre os de eventuais provas finais, tal como determina a alínea ‘a’ do inciso V do
art. 24 da Lei nº 9.394/96”16.

Nesse sentido, em vários documentos nos quais a avaliação da aprendizagem escolar é analisada, o
Conselho Nacional de Educação (CNE) recomenda o predomínio do caráter formativo sobre o
quantitativo e classificatório, indicando ainda a importância em se adotar “uma estratégia de
progresso individual e contínuo que favoreça o crescimento do estudante, preservando a qualidade
necessária para a sua formação escolar”17.

Em acordo com essa orientação, aponta-se a necessidade de se distinguir o examinar e o avaliar


para que o processo de avaliação no dia a dia da sala de aula não deixe de cumprir todo o seu
potencial. Cipriano Carlos Luckesi, apesar de reconhecer a utilidade e a necessidade dos exames
nas situações que exigem classificação e certificação de conhecimentos — como no caso dos exames
vestibulares ou de outros concursos —, considera, no contexto de uma avaliação formativa, que
ocorre durante todo o processo educacional, que “a sala de aula é o lugar onde, em termos de
avaliação, deveria predominar o diagnóstico como recurso de acompanhamento e reorientação da
aprendizagem”18.

16 BRASIL. MEC. CNE/CEB. Resolução nº 7, de 14 de dezembro de 2010: Fixa Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino

Fundamental de 9 (nove) anos. p. 9. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/dmdocuments/rceb007_10.pdf>. Acesso em: 4 mar. 2015.
17 BRASIL. Diretrizes Curriculares Nacionais Gerais para a Educação Básica. In: BRASIL. Diretrizes Curriculares Nacionais Gerais da

Educação Básica. Brasília: MEC, SEB, DICEI, 2013. p. 52. Disponível em:
<http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=12663&Itemid=1152>. Acesso em: 4 mar. 2015.
18 LUCKESI, Cipriano C. Avaliação da aprendizagem na escola: reelaborando conceitos e recriando a prática. Salvador: Malabares

Comunicação e Eventos, 2003. p. 47.


Página 311

Tal orientação, aliás, coincide com as diretrizes sobre avaliação descritas em diversos documentos
oficiais, como a do Parágrafo 1º do art. 47 da Resolução CNE/CEB 4/2010, no qual se lê:

“§ 1º A validade da avaliação, na sua função diagnóstica, liga-se à aprendizagem, possibilitando o


aprendiz a recriar, refazer o que aprendeu, criar, propor e, nesse contexto, aponta para uma
avaliação global, que vai além do aspecto quantitativo, porque identifica o desenvolvimento da
autonomia do estudante, que é indissociavelmente ético, social, intelectual”19.

Ademais, considerando-se que a avaliação formativa, contínua e diagnóstica do aluno permite


redimensionar a ação pedagógica, deve-se realizá-la tendo em vista o que é definido nas alíneas “a”
e “b” do inciso I do art. 32 da Resolução CNE/CEB 7/2010, ou seja:

“a) identificar potencialidades e dificuldades de aprendizagem e detectar problemas de ensino;

b) subsidiar decisões sobre a utilização de estratégias e abordagens de acordo com as necessidades


dos alunos, criar condições de intervir de modo imediato e a mais longo prazo para sanar
dificuldades e redirecionar o trabalho docente”20.

Pensar nessa perspectiva significa conceber a avaliação como um projeto pedagógico construtivo,
ou seja, regulador da aprendizagem, voltado para a melhoria do ensino e para a edificação das
aprendizagens dos alunos. Nesse processo, os desempenhos dos alunos são tomados sempre como
provisórios ou processuais, o que faz dela um modo de intervenção não pontual porque considera o
aluno um ser humano em construção permanente, além de diagnóstica, pois permite a tomada de
decisões para a melhoria do ensino, e, consequentemente, inclusiva, pois convida e apoia o aluno a
superar suas dificuldades. Isso se torna tão mais importante quando se considera que:

“A intervenção imediata no sentido de sanar dificuldades que alguns estudantes evidenciem é uma
garantia para o seu progresso nos estudos. Quanto mais se atrasa essa intervenção, mais complexo
se torna o problema de aprendizagem e, consequentemente, mais difícil se torna saná-lo”21.

Esse tipo de avaliação é conhecido como avaliação formativa e opõe-se à avaliação tradicional,
somativa ou classificatória, ou seja, aquela que tem por objetivo, ao final de uma unidade de
estudos (mês, bimestre, trimestre, semestre ou ano letivo), a aplicação de provas ou testes para
definir uma nota ou atribuir um conceito, para obter uma visão sobre o desempenho dos
estudantes, classificando os que aprenderam ou não, ordenando-os ou listando-os conforme a
gama de conhecimentos que eles dominam. Do mesmo modo, a avaliação formativa se contrapõe à
ênfase — aliás, por

19 BRASIL. MEC. CNE/CEB. Resolução nº 4, de 13 de julho de 2010: Define Diretrizes Curriculares Nacionais Gerais para a Educação

Básica. p. 15. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/dmdocuments/rceb004_10.pdf>. Acesso em: 4 mar. 2015.


20 BRASIL. MEC. CNE/CEB. Resolução nº 7, de 14 de dezembro de 2010: Fixa Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino

Fundamental de 9 (nove) anos. p. 9. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/dmdocuments/rceb007_10.pdf>. Acesso em: 4 mar. 2015.
21 BRASIL. Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Fundamental de 9 (nove) anos. In: BRASIL. Diretrizes Curriculares

Nacionais Gerais da Educação Básica. Brasília: MEC, SEB, DICEI, 2013. p. 123. Disponível em:
<http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=12663&Itemid=1152>. Acesso em: 4 mar. 2015.
Página 312

vezes excessiva da parte de escolas, gestores, coordenadores, professores e pais de alunos — nos
resultados das avaliações externas, como, em âmbito nacional, a Prova Brasil e o Saeb (Sistema
Nacional de Avaliação da Educação Básica), e outras avaliações realizadas pelas secretarias
estaduais de Educação. É importante ter claro que, embora importantes, aquelas oferecem
indicações de uma parcela restrita do que é trabalhado na escola, não se devendo permitir que
produzam a inversão das referências para o trabalho pedagógico, como as propostas curriculares e
os projetos político-pedagógicos das escolas. Nesse particular, também deve-se considerar que:

“A excessiva preocupação com os resultados desses testes [avaliações externas] sem maior atenção
aos processos pelos quais as aprendizagens ocorrem também termina obscurecendo aspectos
altamente valorizados nas propostas da educação escolar que não são mensuráveis, como a
autonomia, a solidariedade, o compromisso político e a cidadania, além do próprio ensino de
História e de Geografia e o desenvolvimento das diversas áreas de expressão”22.

Outro aspecto importante na avaliação formativa é que o erro cometido pelo aluno adquire outro
sentido, não sendo considerado uma “falta” definitiva de algo, mas uma “falta” momentânea,
considerada parte integrante do processo de aprendizagem e sobre a qual se pretende voltar para
reorientar tanto o ensino praticado pelo professor como também a própria aprendizagem dos
alunos. Por ser contínua e com prioridade para a qualidade do processo de aprendizagem, a
avaliação formativa indica a necessidade de avaliar o desempenho do aluno ao longo de todo o ano
e não apenas em uma prova ou um trabalho, assegurando-se, ainda, meios e estratégias para a
recuperação dos alunos com menor rendimento23.

Desse modo, a avaliação formativa visa promover a regulação das aprendizagens (ou da formação,
no sentido amplo), estando orientada para o processo de apropriação dos saberes pelo aluno e
preocupada com os diferentes caminhos que percorre. Nesse tipo de avaliação é essencial a
intervenção ativa e contínua do professor, possibilitando que o fracasso escolar tenha chances de
ser revertido, uma vez que o foco é a reinserção do aluno no processo educativo. E, com foco nessa
intervenção, cabe não perder de vista que:

“A avaliação proporciona ainda oportunidade aos alunos de melhor se situarem em vista de seus
progressos e dificuldades, e aos pais, de serem informados sobre o desenvolvimento escolar de seus
filhos, representando também uma prestação de contas que a escola faz à comunidade que atende.
Esse espaço de diálogo com os próprios alunos — e com as suas famílias, no caso do Ensino
Fundamental regular — sobre o processo de aprendizagem e o rendimento escolar que tem
consequência importante na trajetória de estudos de cada um precisa ser cultivado pelos
educadores e é muito importante na criação de um ambiente propício à aprendizagem”24.

Outro recurso importante da avaliação da aprendizagem e que se soma ao seu caráter processual,
formativo e participativo diz respeito à avaliação inicial, denominada pelos estudiosos de
prognóstica. Essa modalidade

22 Idem, p. 124.
23 Idem, p. 123.
24 Idem, p. 124.
Página 313

de avaliação complementa as anteriores porque deriva da necessidade de o processo avaliativo


iniciar-se antes mesmo de o ensino começar, o que possibilita ao professor “[...] conhecer o que
cada um dos alunos sabe, sabe fazer e é, e o que pode chegar a ser, saber fazer ou ser [...]”25,
permitindo que conheça melhor as necessidades educativas dos alunos e, por meio delas, realize
ajustes em sua ação pedagógica. Os alunos que compõem a classe são heterogêneos, e é diante
dessa realidade que a avaliação prognóstica adquire sentido. Ela ajuda o professor a entrar em
contato com os conhecimentos prévios e variados dos alunos e que foram colhidos em suas
vivências familiares e socioculturais, como também suas particularidades e seus jeitos próprios de
aprender. Isso adquire ainda mais sentido quando se considera que: “A consciência de que a escola
se situa em um determinado tempo e espaço impõe-lhe a necessidade de apreender o máximo o
estudante: suas circunstâncias, seu perfil, suas necessidades”26.

Essas três modalidades de avaliação — somativa, formativa e prognóstica — apresentam objetivos e


funções específicos e, no entanto, podem ser partes integrantes de um processo avaliativo quando
este é tomado em sua globalidade (figura 1).

2525 ZABALA, Antoni. A prática educativa: como ensinar. Porto Alegre: Artmed, 1998. p. 199.
2626 BRASIL. Diretrizes Curriculares Nacionais Gerais para a Educação Básica. In: BRASIL. Diretrizes Curriculares Nacionais Gerais
da Educação Básica. Brasília: MEC, SEB, DICEI, 2013. p. 53. Disponível em:
<http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=12663&Itemid=1152>. Acesso em: 4 mar. 2015.
Página 314

O processo de avaliação deve incluir diferentes modalidades avaliativas, buscando-se sempre


superar as dificuldades do professor ao ensinar e as do aluno para aprender. Vistas como
complementares e não como excludentes, uma vez articuladas essas modalidades viabilizam ações
essenciais a favor do processo formativo, devendo ser entendidas como diferentes fases de uma
intervenção direcionada à promoção da aprendizagem. Essa articulação caracteriza o processo
avaliativo em sua globalidade, estando presente antes, durante e depois do processo ensino-
aprendizagem, mas sempre com o objetivo de contribuir para o desenvolvimento do aluno.

■ Os critérios de avaliação em Geografia


Para se orientar sobre o que é importante ser avaliado em Geografia, recomendamos ao professor a
leitura dos Parâmetros Curriculares Nacionais — Geografia, documento no qual são indicados e
explicados os critérios de avaliação para o terceiro e quarto ciclos do Ensino Fundamental II27. Ele
aponta que é fundamental avaliar o desenvolvimento dos alunos não só em termos de conteúdos
conceituais, como também procedimentais e atitudinais, e não restringir a avaliação apenas ao
aspecto cognitivo.

Acreditamos ser essencial atentar ao desenvolvimento do aluno quanto ao aprimoramento das


expressões oral e escrita, averiguando-se tanto a forma de seu desenvolvimento como a paulatina
integração e articulação de noções e conceitos trabalhados no decorrer das unidades e percursos do
livro-texto. Isso requer incentivar o desenvolvimento do estilo argumentativo empregado pelos
alunos, seja na produção de textos, nas respostas que conferem às questões de provas ou outras
atividades, bem como em suas exposições orais.

Devem-se valorizar ações como relacionar informações, acontecimentos e debates contemporâneos


às discussões dos conteúdos e temas das aulas e dos volumes da coleção trabalhados em sala de
aula. Isso sinaliza que os alunos estão sendo capazes de enriquecer seus horizontes conceituais e de
pensamento, merecendo por esse motivo serem reconhecidos como um critério de avaliação.

Os critérios de avaliação devem levar em conta a capacidade de observação, descrição,


identificação, classificação, distinção e análise de informações, como também o domínio das várias
linguagens que são mobilizadas em Geografia. Dessa maneira, é válido e importante considerar a
compreensão de textos e o estabelecimento de relações e correlações textuais por escrito ou
oralmente (o que também implica observar a capacidade de os alunos realizarem associações com o
conhecimento prévio e formularem hipóteses), além da compreensão da linguagem cartográfica.

De modo complementar, para a definição dos critérios de avaliação em Geografia, é importante


buscar avançar em relação à lógica escolar usual, que costuma privilegiar conteúdos disciplinados
estanques (substantivados), devendo-se estabelecê-los investindo-se:

27 BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais 5ª a 8ª séries: Geografia. Brasília: MEC/SEF,

1998. p. 88-89, 128-131. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/geografia.pdf>. Acesso em: 4 mar. 2015.
Página 315

“[...] em ações pedagógicas que priorizem aprendizagens através da operacionalidade de linguagens


visando à transformação dos conteúdos em modos de pensar, em que o que interessa,
fundamentalmente, é o vivido com outros, aproximando mundo, escola, sociedade, ciência,
tecnologia, trabalho, cultura e vida”28.

■ Os instrumentos de avaliação e a autoavaliação


A avaliação na disciplina Geografia deve ser constituída preferencialmente por instrumentos e
procedimentos variados, e valorizar o uso de distintas linguagens29. Entre os instrumentos de
avaliação mais comuns, destacam-se: provas objetivas e dissertativas, elaboração de textos diversos
(fichamentos, resenhas, resumos etc.), apresentação e participação em seminários, murais e
debates, elaboração e comentários de mapas, tabelas e gráficos, relatórios individuais produzidos
depois de projetos temáticos ou atividades práticas na escola ou em campo, entre outros.

É desejável a observação e análise pelo professor do desempenho do aluno em fatos do cotidiano


escolar ou em situações planejadas com o objetivo de obter uma avaliação sobre o desenvolvimento
de suas dimensões cognitiva, afetiva e social. De maneira complementar, o professor poderá aplicar
a autoavaliação, uma prática que contribui para maior participação, autonomia e compromisso
dos alunos em relação ao curso e que conduz “[...] a um diálogo mais profícuo entre os sujeitos da
aprendizagem, à construção do conhecimento de forma mais criativa e menos mecânica [...]”30.

De maneira mais específica, a autoavaliação consiste na autoavaliação do ensino, realizada pelo


professor, e na autoavaliação da aprendizagem, efetuada pelo aluno. Em relação à primeira, é
essencial ter em vista que:

“[...] a avaliação não é apenas uma forma de julgamento sobre o processo de aprendizagem do
aluno, pois também sinaliza problemas com os métodos, as estratégias e abordagens utilizados pelo
professor. Diante de um grande número de problemas na aprendizagem de determinado assunto, o
professor deve ser levado a pensar que houve falhas no processo de ensino que precisam ser
reparadas”31.

Quanto à autoavaliação da aprendizagem realizada pelo aluno, ela pode ser realizada
individualmente ou em grupo, por meio da comunicação e aná-

28 BRASIL. Diretrizes Curriculares Nacionais Gerais para a Educação Básica. In: BRASIL. Diretrizes Curriculares Nacionais Gerais da

Educação Básica. Brasília: MEC, SEB, DICEI, 2013. p. 53. Disponível em:
<http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=12663&Itemid=1152>. Acesso em: 4 mar. 2015.
29 De acordo com o inciso II do art. 32 da Resolução CNE/CEB 7/2010: “II – utilizar vários instrumentos e procedimentos, tais como a

observação, o registro descritivo e reflexivo, os trabalhos individuais e coletivos, os portfólios, exercícios, provas, questionários, dentre outros,
tendo em conta a sua adequação à faixa etária e às características de desenvolvimento do educando”. (BRASIL. MEC. CNE/CEB. Resolução nº 7,
de 14 de dezembro de 2010: Fixa Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Fundamental de 9 (nove) anos. p. 9. Disponível em:
<http://portal.mec.gov.br/dmdocuments/rceb007_10.pdf>. Acesso em: 4 mar. 2015).
30 FERNANDES, Cláudia de Oliveira; FREITAS, Luiz Carlos de. Indagações sobre currículo: currículo e avaliação. Organização do

documento: Jeanete Beauchamp, Sandra Denise Pagel, Aricélia Ribeiro do Nascimento. Brasília: Ministério da Educação, Secretaria de Educação
Básica, 2007. p. 34. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/Ensfund/indag5.pdf>. Acesso em: 4 mar. 2015.
31 BRASIL. Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Fundamental de 9 (nove) anos. In: BRASIL. Diretrizes Curriculares

Nacionais Gerais da Educação Básica. Brasília: MEC, SEB, DICEI, 2013. p. 123. Disponível em:
<http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=12663&Itemid=1152>. Acesso em: 4 mar. 2015.
Página 316

lise oral ou por escrito, podendo contemplar não somente aspectos relativos a atitudes e valores
como permitir que os alunos reflitam sobre seus avanços em relação às suas aprendizagens
específicas. Sugerimos que o professor reserve tempo adequado e que forneça um roteiro para a
sua realização. Uma vez concluída, a autoavaliação poderá ajudar o professor a planejar os
próximos conteúdos, rever sua metodologia e prática de ensino, como também auxiliar a
identificação de necessidades específicas do aluno.

O importante é que esses e outros instrumentos de avaliação sejam planejados e considerados pelo
professor no sentido do processo avaliativo em sua globalidade, o que exige, como visto, a
articulação das avaliações formativa, somativa e prognóstica com o objetivo de contribuir para o
desenvolvimento do aluno. É importante ter em mente que nenhuma avaliação é formativa ou não
em si mesma; o que a define como tal é a intenção dominante do avaliador.

Uma vez munido dessa orientação, o professor poderá utilizar como oportunidades para a
realização da avaliação formativa tanto as “Propostas de atividades complementares”, presentes
neste Suplemento Com Orientações Para o Professor, como também as várias modalidades de
atividades existentes na coleção, além de complementá-las com outras atividades e projetos. Em
seus volumes, ao longo do desenvolvimento dos conteúdos e temas das unidades temáticas e
percursos, as atividades propiciam a avaliação dos conteúdos conceituais, procedimentais e
atitudinais pertinentes e adequados ao ensino de Geografia. Distribuídas nas seções e subseções
didático-pedagógicas que acompanham a proposta da coleção, as atividades podem favorecer, entre
outros recursos utilizados pelo professor, o caráter contínuo e regulador da avaliação formativa
como parte do processo avaliativo em sua globalidade. Em relação à avaliação prognóstica, por
exemplo, a seção Verifique sua bagagem permite que o professor a realize com os alunos antes de
iniciar a abordagem dos conteúdos e temas de uma unidade temática, o que contribui para o
planejamento de abordagens e recursos a serem utilizados.

6. Apoiando a formação continuada do professor


Neste item apresentamos publicações que poderão contribuir para a reflexão dos professores sobre
temas educacionais e sobre a metodologia e prática de ensino da Geografia. No caso dos periódicos
especializados on-line em Geografia, eles também poderão proporcionar aos professores a
oportunidade de se manterem atualizados em relação às produções científicas na área de maneira
geral. Ao sugerir publicações, não tivemos a intenção de esgotar suas possibilidades, mas somente
o objetivo de incentivar o professor à formação continuada.

■ Textos e publicações governamentais


BRASIL. Diretrizes Curriculares Nacionais Gerais para a Educação Básica. In: BRASIL. Diretrizes
Curriculares Nacionais Gerais da Educação Básica. Brasília: MEC, SEB, DICEI, 2013. 562 p.
Disponível em:
<http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=12663&Itemid=1152
>. Acesso em: 4 mar. 2015.
Página 317

____. Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Fundamental de 9 (nove) anos. In: BRASIL.
Diretrizes Curriculares Nacionais Gerais da Educação Básica. Brasília: MEC, SEB, DICEI, 2013.
562 p. Disponível em:
<http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=12663&Itemid=1152
>. Acesso em: 4 mar. 2015.

____. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Lei nº 9.394 de 20 de dezembro de 1996,
Brasília: 1996.

____. MEC. CNE/CEB. Resolução nº 4, de 13 de julho de 2010: Define Diretrizes Curriculares


Nacionais Gerais para a Educação Básica. 18 p. Disponível em:
<http://portal.mec.gov.br/dmdocuments/rceb004_10.pdf>. Acesso em: 4 mar. 2015.

____. MEC. CNE/CEB. Resolução nº 7, de 14 de dezembro de 2010: Fixa Diretrizes Curriculares


Nacionais para o Ensino Fundamental de 9 (nove) anos. 14 p. Disponível em:
<http://portal.mec.gov.br/dmdocuments/rceb007_10.pdf>. Acesso em: 4 mar. 2015.

____. Parâmetros Curriculares Nacionais: documento introdutório. Brasília: MEC/SEF, 1996.

____. Secretaria de Educação Básica. Trajetórias criativas: jovens de 15 a 17 Anos no Ensino


Fundamental: uma proposta metodológica que promove autoria, criação, protagonismo e
autonomia. Caderno 1 – Proposta. Brasília: MEC, 2014. 14 p. Disponível em:
<http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=12624%3Aensinofun
damental&Itemid=1152>. Acesso em: 3 mar. 2015.

____. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais: Geografia.


Brasília: MEC/SEF, 1998. 156 p. Disponível em:
<http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/geografia.pdf>. Acesso em: 3 mar. 2015.

____. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais: terceiro e


quarto ciclos: apresentação dos temas transversais. Brasília: MEC/SEF, 1998. 436 p.

____. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais: terceiro e


quarto ciclos do ensino fundamental: introdução aos Parâmetros Curriculares Nacionais. Brasília:
MEC/SEF, 1998. 174 p. Disponível em:
<http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/introducao.pdf>. Acesso em: 3 mar. 2015.

■ Geografia: periódicos especializados on-line


Ateliê Geográfico (Revista do Programa de Pesquisa e Pós-Graduação em Geografia do Instituto de
Estudos Socioambientais – IESA –, Universidade Federal de Goiás).
<www.revistas.ufg.br/index.php/atelie/index>

Espaço & Geografia (Programas de Pós-Graduação em Geografia do Departamento de Geografia e


do Instituto de Ciências Humanas da Universidade de Brasília)
<www.lsie.unb.br/espacoegeografia/index.php/espacoegeografia>

Geografia (Revista do Departamento de Geociências da Universidade Estadual de Londrina)


<www.uel.br/revistas/uel/index.php/geografia>

GEOgraphia (Revista da Universidade Federal Fluminense, Rio de Janeiro, RJ)


<www.uff.br/geographia/ojs/index.php/geographia>

Geografias (Revista do Departamento de Geografia da e do Programa de Pós-Graduação em


Geografia IGC-UFMG
<www.cantacantos.com.br/revista/index.php/geografias/index>
Página 318

GEOSABERES – Revista de Estudos Geoeducacionais (Programa de Pós-Graduação em Geografia


da Universidade Federal do Ceará)
<www.geosaberes.ufc.br/seer/index.php/geosaberes/index>

Geosul (Revista do Departamento de Geociências da Universidade Federal de Santa Catarina)


<www.periodicos.ufsc.br/index.php/geosul>

Geo UERJ (Instituto de Geografia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro)


<www.e-publicacoes.uerj.br/index.php/geouerj/index>

Mercator (Revista de Geografia da Universidade Federal do Ceará)


<www.mercator.ufc.br/index.php/mercator/index>

OBSERVATORIUM: Revista Eletrônica de Geografia (Programa de Educação Tutorial do Curso


de Geografia da Universidade Federal de Uberlândia)
<www.observatorium.ig.ufu.br/apresentacao.htm>

Revista Brasileira de Educação em Geografia


<www.revistaedugeo.com.br/ojs/index.php/revistaedugeo>

Revista Brasileira de Geografia Física (Revista do Departamento de Ciências Geográficas da


Universidade Federal de Pernambuco).
<www.ufpe.br/rbgfe/index.php/revista/index>

Revista de Ensino de Geografia (Laboratório de Ensino de Geografia do Instituto de Geografia da


Universidade Federal de Uberlândia – MG).
<www.revistaensinogeografia.ig.ufu.br/index.php>

RDG – Revista do Departamento de Geografia (Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências


Humanas da Universidade de São Paulo)
<citrus.uspnet.usp.br/rdg/ojs/index.php/rdg/index>

Revista Geográfica Acadêmica (Editada pelo Laboratório de Métricas da Paisagem – MEPA /


Instituto de Geociências, Dep. de Geografia da Universidade Federal de Roraima – UFRR).
<www.rga.ggf.br/index.php?journal=rga&page=index>

Terrae Didatica (Instituto de Geociências da Unicamp)


<www.ige.unicamp.br/terraedidatica/index.html>

Terra Livre Online (Revista da Associação dos Geógrafos Brasileiros)


<www.agb.org.br/index.php/revista-terra-livre>

■ Ensino de Geografia
ALMEIDA, Rosangela D. de; PASSINI, Elza. O espaço geográfico, ensino e representação. São
Paulo: Contexto, 1995.

____ (Org.). Cartografia escolar. São Paulo: Contexto, 2007.

ANDRADE, Manuel C. Caminhos e descaminhos da Geografia. Campinas: Papirus, 1989.

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II. Trabalhando com a Geografia no dia a dia da sala


de aula

1. Apresentação do volume do 7º ano


O volume do 7º ano é formado por oito unidades temáticas:

• Unidade 1 — O território brasileiro.

• Unidade 2 — A população brasileira.

• Unidade 3 — Brasil: da sociedade agrária para a urbano-industrial.

• Unidade 4 — Região Norte.

• Unidade 5 — Região Nordeste.

• Unidade 6 — Região Sudeste.

• Unidade 7 — Região Sul.

• Unidade 8 — Região Centro-Oeste.

Cada unidade é subdividida em quatro percursos, totalizando 32 no volume.

Observe no quadro 1 a organização e o sequenciamento didático do conjunto de conteúdos e temas


das unidades e percursos do volume do 7º ano:

Quadro 1. Estrutura temática das unidades e percursos do livro


1. Localização e
3. A regionalização 4. Domínios naturais:
Unidade extensão do 2. A formação do
do território ameaças e
1 território território brasileiro
brasileiro conservação
brasileiro
5. Brasil:
6. Brasil: migrações 7. População e 8. Brasil: a
Unidade distribuição e
internas e trabalho: mulheres, diversidade cultural e
2 crescimento da
emigração crianças e idosos os afro-brasileiros
população
10. Rede, 11. A
Unidade 9. A urbanização 12. O espaço agrário e
hierarquia e industrialização
3 brasileira a questão da terra
problemas urbanos brasileira
13. Região 15. Amazônia:
14. Região Norte: a 16. Amazônia: o
Unidade Norte: conflitos,
construção de desenvolvimento
4 localização e desmatamento e
espaços geográficos sustentável
meio natural biodiversidade
17. Região
Unidade Nordeste: o
18. O Agreste 19. O Sertão 20. O Meio-Norte
5 meio natural e a
Zona da Mata
Unidade 21. Região 22. Região Sudeste: 23. Região Sudeste: 24. Região Sudeste:
6 Sudeste: o meio ocupação e a cafeicultura e a população e economia
Quadro 1. Estrutura temática das unidades e percursos do livro
natural povoamento organização do
espaço
26. Região Sul: a 27. Região Sul:
Unidade 25. Região Sul: o 28. Região Sul:
construção de problemas
7 meio natural população e economia
espaços geográficos ambientais
30. Região Centro-
29. Região 31. Região Centro- 32. Região Centro-
Oeste: fatores
Unidade Centro-Oeste: Oeste: a Oeste: população,
iniciais da
8 localização e dinamização da economia e meio
construção de
meio natural economia ambiente
espaços geográficos
Página 325

Nas unidades e percursos que compõem o volume do 7º ano, encontramos seções didático-
pedagógicas com propósitos definidos e complementares, acompanhadas de atividades que ajudam
o professor a desenvolver com os alunos a proposta teórico-metodológica da coleção e os objetivos
e orientações associados à prática de ensino da Geografia apresentados nos itens 2 e 3 dos
Pressupostos teórico-metodológicos deste Suplemento.

Nos quadros a seguir, são apresentados as seções didático-pedagógicas e os infográficos constantes


do volume do 7º ano para que se possa visualizar como eles estão articulados com os conteúdos e
os temas abordados nas unidades e percursos.

Quadro 2. Referência para o trabalho com as Estações


Estação Estação Estação Estação
Unidade
Ciências História Cidadania Socioambiental
A história das
O imaginário
divisões do
1 social sobre os
território
indígenas
brasileiro
– Mortalidade
Migrações compulsórias,
infantil
lugar e territorialidade na
2 – Desigualdade
construção de
de rendimento
hidrelétricas
segundo a cor
Cidades
brasileiras e
3
Patrimônios da
Humanidade
O conflito do governo com
indígenas na construção
4 Carne legal
de 40 hidrelétricas na
Amazônia
O melhoramento
Sobrevivência em regime
5 genético do
de bode solto
algodoeiro
Drones mapeiam
6 A Estrada Real
áreas rurais
– Aquífero Guarani
7 – Os faxinais e a
preservação
A Guerra do
Expansão da fronteira
8 Paraguai – 1864-
agrícola no Centro-Oeste
1870

Quadro 3. Referência para o trabalho com as demais seções e os infográficos


Desembarque
Outras Mochila de
Unidade Encontros em outras Infográfico
rotas ferramentas
linguagens

1 Jalapão Como calcular as Araquém País de


horas por meio de Alcântara: dimensões
Quadro 3. Referência para o trabalho com as demais seções e os infográficos
um mapa de fusos Geografia e continentais
horários fotografia
A migração A evolução da
2 por quem a população
viveu brasileira
– Problemas
Eduardo Kobra: urbanos no Brasil
3 Geografia e arte –A
urbana industrialização
brasileira
Página 326

Desembarque
Outras Mochila de
Unidade Encontros em outras Infográfico
rotas ferramentas
linguagens
– Rios voadores
Aprendendo a
– O maior
4 Cipó artístico fazer um mapa
complexo fluvial
pictórico
do mundo
As
Parque Graciliano
pescadoras Avanços
Nacional Elaboração de Ramos:
5 artesanais da socioeconômicos
Serra da mural Geografia e
praia de no Nordeste
Capivara Literatura
Suape (PE)
Mulheres no
6 setor de serviços
do Sudeste
Sylvio Bak:
Os cipozeiros Avicultura
7 Geografia e
de Garuva integrada
cinema
Sítio
Pesquisa por
Histórico e
meio de
8 Patrimônio Pantanal
entrevista
Cultural
estruturada
Kalunga

2. Objetivos e metas para o ano letivo


As unidades e os percursos do volume do 7º ano buscam contribuir para que a metodologia e a
prática de ensino se concretizem no decorrer do ano letivo com base nas orientações dos
Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) de Geografia, que dizem respeito a conceitos,
procedimentos e atitudes relacionados à Geografia, de modo que o aluno seja capaz de:

• Reconhecer que a sociedade e a natureza têm princípios e leis próprios e que o espaço geográfico
resulta das interações entre elas, historicamente definidas;

• Compreender a escala de importância no tempo e no espaço do local e do global e da


multiplicidade de vivências com os lugares;

• Reconhecer a importância da cartografia como uma forma de linguagem para trabalhar em


diferentes escalas espaciais as representações locais e globais do espaço geográfico;

• Distinguir as grandes unidades de paisagens em seus diferentes graus de humanização da


natureza, incluindo a dinâmica de suas fronteiras, sejam elas naturais ou históricas, a exemplo das
grandes paisagens naturais, as sociopolíticas como dos Estados Nacionais e cidade-campo;

• Compreender que os conhecimentos geográficos que adquiriram ao longo da escolaridade são


parte da construção da sua cidadania, pois os seres humanos constroem, se apropriam e interagem
com o espaço geográfico nem sempre de forma igual;

• Perceber na paisagem local e no lugar em que vivem as diferentes manifestações da natureza, sua
apropriação e transformação pela ação da coletividade, de seu grupo social;
Página 327

• Reconhecer e comparar a presença da natureza, expressa na paisagem local, com as


manifestações da natureza presentes em outras paisagens;

• Reconhecer semelhanças e diferenças nos modos que diferentes grupos sociais se apropriam da
natureza e a transformam, identificando suas determinações nas relações de trabalho, nos hábitos
cotidianos, nas formas de se expressar e no lazer;

• Conhecer e utilizar fontes de informação escritas e imagéticas, utilizando, para tanto, alguns
procedimentos básicos;

• Criar uma linguagem comunicativa, apropriando-se de elementos da linguagem gráfica utilizada


nas representações cartográficas;

• Saber utilizar a observação e a descrição na leitura direta ou indireta da paisagem, sobretudo


mediante ilustrações e linguagem oral;

• Reconhecer, no seu cotidiano, os referenciais espaciais de localização, orientação e distância, de


modo que se desloque com autonomia e represente os lugares onde vivem e se relacionam;

• Reconhecer a importância de uma atitude responsável de cuidado com o meio em que vivem,
evitando o desperdício e percebendo os cuidados que se deve ter na preservação e na conservação
da natureza.

Nas três primeiras unidades deste volume são estudados conteúdos e temas que permitem a
construção de uma visão de conjunto sobre os aspectos brasileiros relacionados à formação
territorial, à diversidade e às desigualdades da população, à urbanização, aos problemas urbanos, à
industrialização e ao espaço agrário. Nas demais unidades, de 4 a 8, é proposto o estudo do Brasil
baseado nas características e nos processos naturais, históricos, sociais, econômicos e ambientais
das cinco macrorregiões propostas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com
os aspectos culturais que as diferenciam.

A articulação pedagógica e a progressão do ensino-aprendizagem entre os volumes da coleção


centram-se no estudo de vários aspectos do território brasileiro: naturais, socioeconômicos,
ambientais e culturais. Desse modo, os conteúdos, as informações e os recursos didático-
pedagógicos formam um todo voltado para a compreensão de temas relevantes da realidade e da
espacialidade brasileiras, com base na leitura ou na análise dos lugares, das regiões e do território,
levando-se em consideração a temporalidade dos fenômenos e a diversidade física e humana.

É dessa maneira que o volume do 7º ano espera contribuir para o objetivo básico de fomentar a
aprendizagem significativa sobre a realidade socioespacial na qual a realidade dos alunos está
inserida e relacionada. Na organização e no desenvolvimento dos conteúdos e temas, houve a
preocupação de despertar a sensibilidade, a curiosidade, a reflexão e a consciência dos estudantes
para as questões socioeconômicas e ambientais relativas à cidadania, à diversidade religiosa e
étnico-cultural (incluindo indígenas, afrodescendentes, quilombolas, comunidades extrativistas,
entre outros), além, é claro, para as questões de gênero, das crianças, dos adolescentes e dos
idosos.
Página 328

3. Sugestões de trabalhos complementares


Neste item são apresentadas sugestões de trabalhos complementares com o objetivo de auxiliar a
prática pedagógica no decorrer do ano letivo. Essas sugestões são acompanhadas por etapas
didáticas e são apresentadas como trabalhos de campo, atividades com a comunidade escolar e
trabalhos sobre a diversidade.

Essas propostas de trabalho buscam oportunizar situações de aprendizagem que enriqueçam o


ensino de Geografia e levem à reflexão ética e à análise geográfica.

■ Trabalho de campo
Visita a um ponto turístico

Organize os alunos em pequenos grupos para a realização das atividades.

• De acordo com o programa “Roteiros do Brasil”, do Ministério do Turismo, solicite aos alunos que
façam uma pesquisa sobre os principais roteiros turísticos de sua Grande Região (Norte, Nordeste,
Centro-Oeste, Sudeste ou Sul) e de sua unidade da federação.

• Programe uma visita a um ponto turístico localizado no seu município ou nas proximidades,
como um museu, uma construção antiga, um parque ou um centro comercial. Durante a visita, os
alunos deverão obter as seguintes informações:

––nome e localização do ponto turístico;

––quando surgiu e por que se tornou um atrativo turístico;

––que características da região o local apresenta aos visitantes;

––qual é a origem dos visitantes;

––qual é a origem das pessoas que trabalham no local;

––possíveis alterações espaciais provocadas pelo turismo;

––demais atividades econômicas que se desenvolvem na localidade;

––eventuais problemas relacionados ao turismo.

• Após o levantamento das informações, solicite aos alunos que identifiquem as principais
características do ponto turístico visitado, destacando sua importância para a economia local, os
elementos da cultura e/ou da natureza regional que ele oferece aos turistas e as transformações que
a atividade turística promoveu na paisagem e no espaço.

• Após a visita ao ponto turístico, organize os alunos na sala de aula de acordo com os grupos
formados durante o trabalho de campo. Peça a cada grupo que realize uma discussão sobre as
observações e as informações obtidas, sistematizando tudo numa ficha a ser posteriormente
entregue ao professor.

• Com base na pesquisa realizada e na sistematização do trabalho de campo contida na ficha, peça
aos alunos que estabeleçam uma comparação entre os elementos da cultura e/ou da natureza
regional, que o ponto turístico visitado e outros pontos turísticos localizados na mesma região
apresentam, destacando as diferenças e as semelhanças entre eles.
Página 329

• Para finalizar a atividade, proponha que os grupos apresentem cartazes com as informações do
ponto turístico visitado e também de algum dos “Roteiros do Brasil” de sua região ou estado, a fim
de abranger a diversidade dos atrativos turísticos. Os cartazes deverão conter fotos, mapas e a
descrição dos lugares.

Comentários

A atividade tem como objetivo identificar as características do turismo regional, destacando


atrativos no seu município ou nas proximidades, promovendo o desenvolvimento das habilidades
de observação e sistematização de informações.

As informações acerca dos “Roteiros do Brasil” podem ser obtidas no site:


<www.roteirosdobrasil.tur.br>.

Durante a visita, estimule os alunos a buscar informações por meio da observação: caso o ponto
turístico escolhido seja um monumento, um museu ou outra construção, faça-os observar o padrão
arquitetônico para indicar aproximadamente o seu período de construção; peça aos alunos que
observem elementos culturais da região presentes no local, como a alimentação, as vestimentas, os
objetos e as mercadorias destinadas aos visitantes; se o ponto turístico escolhido for um parque ou
qualquer atrativo natural, oriente-os a observar as características físicas do local, como a cobertura
vegetal, o relevo e o clima.

Chame a atenção dos alunos para possíveis transformações do espaço ocasionadas pela atividade
turística, como novas construções ou revitalização de imóveis antigos, o crescimento do setor de
serviços, o aumento do fluxo de pessoas e a atração de migrantes. Com base nessas observações,
eles podem perceber a transformação da paisagem e do espaço provocada por uma atividade
econômica.

A comparação entre o ponto turístico visitado e os demais atrativos turísticos regionais,


representados pelos “Roteiros do Brasil”, visa mostrar as diversidades cultural e natural da Grande
Região na qual os alunos vivem.

Sugerimos que, para a elaboração dos cartazes, cada grupo selecione um “Roteiro do Brasil”
diferente, de modo que a exposição dos trabalhos seja diversificada.
Página 330

III. Orientações específicas para o volume do 7º ano


Neste item são apresentadas orientações pedagógicas e materiais complementares para subsidiar o
trabalho em sala de aula. Em algumas unidades são também oferecidas sugestões de leitura para o
professor com o objetivo de contribuir para a sua formação e/ou atualização em relação aos
assuntos tratados nesse volume.

Para cada percurso são apresentadas respostas e orientações sobre as atividades e, quando
oportuno, sugestões de atividades complementares destinadas aos alunos.

unidade 1 - O território brasileiro


A abertura desta unidade traz o mapa do Brasil com os países europeus encaixados em seu
território para que, de início, os alunos tenham ideia da dimensão continental do nosso país.
Realize uma leitura exploratória do mapa e do infográfico, e em seguida, coloque em discussão oral
as questões da seção Verifique sua bagagem. Sugerimos que leve para a sala de aula o planisfério
político ou projete-o para que os alunos façam a sua leitura e possam responder às questões
propostas.

O objetivo desta unidade é fazer com que os alunos conheçam o território brasileiro quanto à sua
extensão e localização, como o espaço brasileiro foi construído, suas regionalizações e seus
domínios naturais. Trata-se, portanto, de uma introdução ao estudo da Geografia do Brasil.

Serão trabalhados, principalmente, os seguintes conceitos e noções: língua neolatina, América


Latina, América Anglo-Saxônica, diversidade de paisagens segundo as latitudes, fusos horários,
limites teórico e prático das horas, Mata Atlântica, entradas, Tratado de Tordesilhas, drogas do
sertão, bandeiras, bandeirismo ou sertanismo apresador e minerador, donatário, regionalização,
macrorregiões, complexos regionais ou macrorregiões geoeconômicas, domínios morfoclimáticos,
ecossistema, domínios florestados, domínio das formações vegetais herbáceas e arbustivas, faixa de
transição de vegetação, domínios Amazônico, do Cerrado, da Caatinga, das Araucárias, das
Pradarias e dos Mares de Morros, assoreamento, Unidades de Conservação (as de proteção integral
e as de uso sustentável), desidrogenização (rio temporário), drenagem autóctone e alóctone.

■ Percurso 1 — Localização e extensão do território brasileiro


Leve para a sala de aula um planisfério físico e político e os mapas “América do Sul: físico e
político” e “Brasil: físico e político” no suporte mais conveniente. Tendo por base os mapas,
desenvolva os conteúdos trabalhando os conceitos de hemisfério, zonas térmicas, América Latina e
latitude e suas relações com as paisagens naturais.

Quanto aos fusos horários, devem ser aplicados vários exercícios para consolidação de sua
compreensão — assunto desenvolvido na seção Mochila de ferramentas.
Página 331

Respostas e orientações das atividades

Mochila de ferramentas – Como calcular as horas por meio de um mapa de fusos


horários p. 19

1 Se em Londres forem 14 horas, serão 11 horas em Recife (PE) e no Rio de Janeiro (RJ), 9 horas
em Rio Branco (AC) e 10 horas em Porto Velho (RO).

2 Depende da unidade da federação em que o aluno vive.

■ Percurso 2 — A formação do território brasileiro


Este percurso trabalha a geo-história da formação do território brasileiro. Utilizamos como critério
as atividades econômicas desenvolvidas historicamente como “motores” da construção do espaço
geográfico.

Por meio da aplicação em sala de aula das perguntas constantes ao lado de alguns mapas, os alunos
poderão ser motivados a melhor observá-los e interpretá-los.

A seção Estação Cidadania, intitulada “O imaginário social sobre os indígenas”, é importante


porque explica aos alunos que o território brasileiro já era ocupado por povos indígenas e que, no
processo de conquista/colonização, ele foi sendo apropriado. Ressalte que tal situação não ocorreu
apenas no período do Brasil Colônia, mas prolongou-se pelos séculos XIX e XX e, em pleno século
XXI, há muitas questões pendentes para a resolução dos direitos indígenas. Após a leitura do texto
e da interpretação do mapa, as questões propostas poderão ser debatidas oralmente.

Respostas e orientações das atividades

Estação Cidadania –

O imaginário social sobre os indígenas p. 25

1 Segundo o texto, as denominações e os adjetivos usados pelos conquistadores/colonizadores


serviam “para justificar suas práticas de massacre como autodefesa e defesa dos interesses da
Coroa”, e para se apossarem de suas terras. Isso se sustenta até os dias atuais, uma vez que, de
acordo com o texto, “ainda hoje essa visão continua sendo sustentada por grupos econômicos que
têm interesse pelas terras indígenas e pelos recursos naturais nelas existentes”. Assim, essa visão se
relaciona com as disputas por terras, já que as terras indígenas são constantemente visadas pelos
interesses de mineradores, garimpeiros, agricultores e indústrias madeireiras, por exemplo.

2 Resposta pessoal. Espera-se que os alunos, após identificarem o grupo a ser defendido, discutam
e reflitam sobre as razões que levam muita gente ter dificuldade em aceitar e conviver com grupos
sociais diferentes, praticando atitudes preconceituosas, discriminatórias e de intolerância,
reconhecendo, por conseguinte, a importância em combatê-las.

O aluno, para elaborar sua fala, pode se basear na “Declaração de Princípios sobre a Tolerância
(1995)”, aprovada pela Conferência Geral da Unesco em sua 28ª reunião, realizada em Paris, em 16
de novembro de 1995. Essa Declaração define o significado de tolerância como respeito, aceitação e
apreço da riqueza e da diversidade das culturas de nosso mundo, de nossos modos de expressão e
de nossas maneiras de exprimir nossa qualidade de seres humanos, considerando como esses
princípios são importantes para combater as diversas formas de violência contra mulheres, jovens,
minorias, pessoas com necessidades especiais, marginalizados etc.
Também seria oportuno ler trechos da “Constituição da República Federativa do Brasil de 1988”,
como o Artigo 3º, no qual lê-se: “Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do
Brasil: I – Construir uma sociedade livre, justa e solidária; II – Garantir o desenvolvimento
nacional; III – Erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e
regionais; IV – Promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e
quaisquer outras formas de discriminação”.

Por último, caberia esclarecer aos alunos que, nas últimas décadas, a proteção dos povos indígenas
(também denominados povos autóctones ou aborígines) tornou-se agenda prioritária das
atividades das organizações
Página 332

internacionais, como a ONU, empenhadas na salvaguarda dos direitos humanos.

Atividades dos percursos 1 e 2 p. 26 e 27

1 a) Sim, porque a maior parte do território brasileiro localiza-se na zona tropical.

b) A linha que delimita a Zona Tropical e a Zona Temperada do sul é o Trópico de Capricórnio.
Localizam-se ao sul dessa linha, na Zona Temperada, o sul do estado de São Paulo, o extremo sul
de Mato Grosso do Sul, a maior parte do Paraná e os estados de Santa Catarina e Rio Grande do
Sul.

2 Podemos ser chamados de sul-americanos porque o Brasil ocupa uma parte da porção sul do
continente americano. Também podemos ser chamados de latino-americanos porque o Brasil é um
país de língua portuguesa, neolatina.

3 a) O bandeirismo foi a penetração no interior do território de expedições armadas empreendidas


por luso-brasileiros que utilizavam indígenas escravizados. Quando o motivo dessas expedições era
aprisionar indígenas para comercializá-los, esse bandeirismo era tido como apresador. O
bandeirismo minerador era motivado pela busca de ouro e pedras preciosas, enquanto o de
contrato objetivava a captura de escravos fugitivos e a destruição de quilombos.

b) A destruição de aldeias, o massacre e a escravização de indígenas para o trabalho nos engenhos


de cana-de-açúcar e outras atividades.

c) A ampliação do território pelos bandeirantes resultou na expansão de atividades como a


pecuária e a mineração. Essas atividades promoveram a ocupação e o povoamento de partes do
território e, sobretudo no caso da mineração, o surgimento de vilas e cidades, resultando na
construção de espaços geográficos.

4 No século XVI, os motores da construção espacial foram a exploração do pau-brasil, a cultura da


cana-de-açúcar e do tabaco e a criação do gado ocupando a faixa litorânea em direção ao interior
do território.

Nos séculos XVII e XVIII, foram as ditas “drogas do sertão” na Amazônia, o avanço da pecuária e,
posteriormente, a mineração, com as incursões bandeirantes.

No século XIX, foram a cultura do cacau no sul da Bahia, a cafeicultura no Rio de Janeiro e em São
Paulo e a extração de látex na Amazônia.

5 É muito provável que os indígenas não compreendam da mesma maneira, pois foram
desterritorializados, escravizados, e grande parte deles foi morta. Esse processo não se limitou aos
séculos iniciais da conquista e da colonização portuguesas, mas prolongou-se ao longo do tempo,
principalmente durante a construção das rodovias de integração nacional após 1970 e a expansão
da fronteira agropecuária nas últimas décadas. É importante enfatizar que muitas comunidades
indígenas ainda aguardam providências governamentais no sentido de demarcar e homologar suas
terras.

6 Se os jogos ocorrerem sempre às 12 horas de Brasília (DF), em Washington D.C. será 10 horas do
mesmo dia; em Santiago, 11 horas do mesmo dia; em Buenos Aires, 12 horas do mesmo dia; em
Barcelona, 16 horas do mesmo dia; em Johanesburgo, 17 horas do mesmo dia; em Moscou, 18
horas do mesmo dia; em Tóquio, 0 hora do dia seguinte; e em Sidnei será 1 hora do dia seguinte.

7 a) A resposta depende do estado em que o aluno mora.

b) A grande extensão do Brasil na direção norte-sul influencia a diversidade climática do país, uma
vez que seu território abrange diferentes zonas térmicas, fazendo com que suas terras recebam
maior ou menor intensidade de energia solar.
8 Considerando o turismo de praia, a melhor época para a atividade turística em Salvador é
durante os meses de verão e de primavera. São meses em que a pluviosidade é menor e as
temperaturas são mais altas. Nos meses de abril a agosto, chove mais e as temperaturas são mais
baixas.

9 a) Lino se refere às diferenças de horário que ocorrem no globo: enquanto um lado é iluminado
pelo Sol (dia), o outro permanece na sombra (noite). Isso se dá pelo fato de a
Página 333

Terra ser redonda, sendo impossível que o Sol ilumine os dois lados ao mesmo tempo, e pelo
movimento de rotação que o planeta realiza em torno de seu eixo de oeste para leste, fazendo com
que a parte a ser iluminada primeiro pelo Sol (no caso, o leste) esteja horas à frente do lado oeste.

b) Seria amanhã, pois esse arquipélago encontra-se no primeiro fuso do Brasil, e Manaus, no
terceiro. Assim, Fernando de Noronha se encontra a 2 horas a mais de diferença em relação a
Manaus, e, nesse caso, no arquipélago seria 1 h da manhã do dia seguinte.

10 Oriente os alunos durante a pesquisa para que busquem informações em fontes confiáveis,
como a Agência Nacional de Energia Elétrica e o Ministério de Minas e Energia. As revistas e os
livros poderão auxiliá-los na formação de opinião, que é o principal intuito deste trabalho.
Apresente aos alunos a importância da redução do consumo de energia em um horário de pico
durante os meses de verão, em que é possível aproveitar mais a luz natural.

■ Percurso 3 — A regionalização do território brasileiro


Neste percurso será trabalhada a regionalização do Brasil. O ponto de partida para a regionalização
pode ser a cidade ou o município, ou seja, o espaço mais próximo dos alunos. Nesse caso, é
interessante trabalhar com a planta do município. Sobre essa base cartográfica, explore os
conhecimentos que os alunos possuem desse espaço geográfico e, escolhendo um critério de
regionalização, proceda à sua divisão em regiões (se a cidade for grande, trabalhe com a planta do
bairro). Uma vez realizado esse trabalho local, aplique-o ao território brasileiro.

Sugerimos que explique o que é o IBGE, mostrando que é um órgão do governo federal que reúne
especialistas em Geografia, Estatística, Economia e outras áreas do conhecimento; estuda o Brasil
em vários aspectos: clima, relevo, hidrografia, vegetação natural, produção agropecuária e
industrial, comércio, população, cidades etc.

Nas páginas 30 e 31, a Estação História, intitulada “A história das divisões do território brasileiro”,
como indica o próprio título, mostra ao longo do tempo as divisões regionais do Brasil e suas
alterações segundo as necessidades de cada período. Os quatro mapas devem ser interpretados e
comparados, e as questões propostas, debatidas.

Respostas e orientações das atividades

Estação História – A história das divisões do território brasileiro p. 30 e 31

1 Foram utilizados critérios de ordem física. Isso ocorreu porque se buscava uma regionalização
que permanecesse imutável por muito tempo, e, na época, a natureza era assim considerada, ao
contrário das atividades humanas.

2 Houve a criação de novos estados: os territórios federais deixaram de existir, originando os


estados de Rondônia, Roraima e Amapá, e estados muito grandes foram divididos, criando-se os
estados de Mato Grosso do Sul e Tocantins. Além dessas mudanças, o estado da Guanabara foi
transformado no município do Rio de Janeiro, e o Território de Fernando de Noronha foi anexado
ao estado de Pernambuco.

3 O IBGE, entre outros institutos governamentais, tem o objetivo de fazer os levantamentos


estatísticos oficiais do país, como: produção da agricultura e da indústria, vendas do comércio,
número de nascimentos e mortes da população, esperança de vida, número de turistas estrangeiros
que entram no país etc. Desse modo, a divisão regional em cinco Grandes ou Macrorregiões, que
obedece à divisa dos estados ou das unidades da federação, facilita a obtenção e a divulgação de
dados estatísticos.
4 Sim, é possível, pois sendo o território um objeto de construção do ser humano, ele está em
constante transformação. Nesse caso específico, podem envolver interesses políticos, sociais,
culturais e econômicos.
Página 334

■ Percurso 4 — Domínios naturais: ameaças e conservação


Este percurso aborda os domínios naturais do Brasil e a ação humana (antrópica) sobre eles. Após
explicar os conceitos de domínios e domínios morfoclimáticos, pode-se iniciar e contextualizar esse
estudo com base na realidade próxima dos alunos, ou seja, o espaço do município, procurando
caracterizar a qual domínio morfoclimático este pertence, segundo o mapa da figura 20, na página
32 (faça a sua localização aproximada). Sugerimos, assim, que o estudo seja iniciado pelo domínio
morfoclimático local, para depois serem estudados os demais domínios.

Instigue os alunos a refletir se conhecem impactos ambientais ocorridos ou existentes no domínio


morfoclimático local, se possuem informações e/ou hipóteses sobre suas causas. Na seção Outras
rotas, o texto intitulado “Jalapão”, na página 37, permite abordar com os alunos um exemplo da
diversidade morfoclimática do Brasil. Recomendamos que, após a sua leitura, as respostas das
questões sejam expostas pelos alunos oralmente com a intenção de praticar habilidades de
comunicação verbal.

Respostas e orientações das atividades

Outras rotas – Jalapão p. 37

1 Não, a paisagem do Jalapão não é uniforme. Além de vegetação de Cerrado, existem plantas da
Caatinga, áreas arenosas e campos verdejantes.

2 A diversidade da região pode ser explicada pela abundância de água, presente nos rios, nos
córregos e no lençol freático.

3 A comparação depende da localidade na qual o aluno vive.

Atividades dos percursos 3 e 4 p. 38 e 39

1 Regionalizar significa dividir o território em partes ou porções de acordo com características


naturais ou socioeconômicas comuns ou, ainda, a combinação de ambas.

2 a) São cinco Macrorregiões: Norte, Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul.

b) Para facilitar os estudos estatísticos oficiais anuais do país: números de nascimentos e mortes da
população, produção agrícola, produção dos vários tipos de indústria, vendas do comércio e outros
dados. Os limites das Macrorregiões correspondendo às divisas territoriais dos estados brasileiros
facilita o levantamento dos dados estatísticos feito pelo IBGE.

3 Com esses dados, o poder público pode planejar melhor o destino de verbas e ações para atender
às necessidades da população, como o número de vagas nas escolas públicas que devem ser criadas
para atender ao crescimento populacional.

4 a) São três: Amazônia, Nordeste e Centro-Sul.

b) As características econômicas dos espaços geográficos.

c) Não. A regionalização por Macrorregiões delimita as regiões por semelhanças econômicas, não
considerando os limites dos estados.

O aluno pode dar o exemplo da porção norte de Minas Gerais, que está incluída no Complexo
Regional do Nordeste por apresentar características socioeconômicas semelhantes às dos demais
estados dessa região. Diferentemente da regionalização em Grandes Regiões realizada pelo IBGE,
na qual o norte de Minas Gerais faz parte da Região Sudeste.
5 Mudaram-se para a Região Centro-Sul.

Avanço da agropecuária sobre


Garimpo de ouro e pedras preciosas Corte ilegal de árvores
florestas
O X
X
Exploração de lenha Construção de usinas hidrelétricas Irrigação inadequada
O X O
Elevado número de cabeças de Barcos e geradores a óleo
Expansão urbana e industrial
gado/hectare diesel
X
O O

a) Domínios florestados.
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b) O garimpo de ouro e de pedras preciosas e os barcos e geradores a óleo diesel estão relacionados
ao Domínio do Cerrado.

7 a) São espaços territoriais com características naturais relevantes delimitadas pelo poder público,
com o objetivo de conservação e preservação da diversidade biológica, assim como dos recursos
naturais.

b) A resposta depende da unidade da federação em que o aluno vive.

c) Na Região Norte e no Domínio Amazônico.

d) Também na Região Norte e no Domínio Amazônico.

e) Porque elas conciliam o uso de parte de seus recursos com a conservação da natureza; em outras
palavras, é permitida a extração e a comercialização de seus recursos, mas de forma sustentável,
por meio de um plano de manejo.

8 a) A criação do estado de Tocantins.

b) A regionalização oficial do Brasil, elaborada pelo IBGE, está baseada na combinação de aspectos
naturais, sociais e econômicos.

c) A facilidade para os estudos estatísticos de dados sociais e econômicos, que serão utilizados
pelos governos estaduais, municipais e pelo governo federal para planejamento e destinação de
verbas públicas.

9 a) A resposta depende da localidade onde o aluno vive.

b) É o Rio São Francisco, cuja nascente e afluentes da margem esquerda localizam-se em áreas bem
regadas pelas chuvas, o que permite que esse rio corte o Sertão do Nordeste com considerável
volume de água, não apresentando trechos em que seca. É o “Nilo caboclo”, pois ele deposita em
suas margens sedimentos que são utilizados para culturas agrícolas (culturas de vazante).

Desembarque em outras linguagens – Araquém Alcântara: Geografia e fotografia


p. 40 e 41

Tratando da fotografia de natureza por meio das lentes do fotógrafo Araquém Alcântara, a seção
está estreitamente relacionada ao Percurso 4, “Domínios naturais: ameaças e conservação”. O
subtítulo “A função da fotografia de natureza” mostra sua importância sob vários aspectos,
inclusive o geográfico, e sob esse ponto de vista deve ser discutido, levando os alunos a refletirem
sobre outras prováveis funções da fotografia de natureza. A linha do tempo apresenta a trajetória
desse fotógrafo e alguns de seus livros publicados. Depois da leitura atenta de todos esses
elementos, as questões podem ser debatidas em sala de aula e respondidas de forma escrita, no
caderno, ou oralmente pelos alunos.

1 Resposta pessoal. Foram apontadas quatro virtudes: conservação; denúncia; ciência; e arte.
Todas elas apresentam uma interface com a Geografia. O aluno pode escolher uma ou mais e
explicar a razão, mas sem perder de vista a relação com a Geografia.

2 O desmatamento no Alto Rio Negro se localiza no estado do Amazonas, na Região Norte, no


Domínio Morfoclimático Amazônico.

3 Desmatamento no Alto Rio Negro: a reprodução por meio de fotografia dos efeitos do
desmatamento está relacionada à denúncia; no entanto, a área desmatada lembra um coração, e
isso concede valor artístico à imagem.

4 Resposta do grupo.
Obtidas e selecionadas as imagens, organize uma sessão de debates com os alunos sobre a
importância de preservar a natureza. Conceda 15 minutos a cada grupo para discorrer sobre o
tema, utilizando as imagens recolhidas para ilustrar os argumentos levantados pela turma.

■ Sugestão de leitura para o professor

O Percurso 3 da Unidade 1 propõe o estudo da regionalização do território brasileiro. Embora


importante e muito útil para fins estatísticos, a regionalização oficial do território brasileiro em
cinco Macrorregiões (IBGE) não expressa a complexa e dinâmica realidade territorial do Brasil nos
dias atuais.

Após vários estudos, em 2000, os geógrafos Milton Santos e María Laura Silveira apresentaram
uma nova proposta de regionalização do Brasil, na qual o território brasileiro é dividido em “quatro
Brasis”, considerando-se: 1) a densidade e a qua-
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lidade de redes materiais do país, como rodovias, ferrovias, hidrovias, sistemas de geração,
transmissão e distribuição de energia elétrica, gasodutos etc.; 2) as redes imateriais, ou seja,
aquelas formadas pelos sistemas orbitais (satélites) e cabos de fibra ótica, por onde flui uma
quantidade expressiva de informações (comunicações pessoais e empresariais, ordens, dinheiro
etc.).

Com o objetivo de oferecer subsídios ao professor que permitam complementar em sala de aula as
diferentes propostas de regionalização do país, sugerimos a leitura do texto a seguir.

Os quatro Brasis...

“[...] Poderíamos assim, grosseiramente — e como sugestão para um debate —, reconhecer a


existência de quatro Brasis: uma Região Concentrada, formada pelo Sudeste e pelo Sul, o Brasil do
Nordeste, o Centro-Oeste e a Amazônia.

A Região Concentrada, abrangendo São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo,
Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, caracteriza-se pela implantação mais consolidada dos
dados da ciência, da técnica e da informação.

Nessa Região Concentrada do país, o meio técnico-científico-informacional se implantou sobre um


meio mecanizado, portador de um denso sistema de relações, devido, em parte, a uma urbanização
importante, ao padrão de consumo das empresas e das famílias, a uma vida comercial mais intensa.
Em consequência, a distribuição da população e do trabalho em numerosos núcleos importantes é
outro traço regional.

[...] A Região Centro-Oeste, constituída pelos estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e
Tocantins, é uma área de ‘ocupação periférica’ recente. O meio técnico-científico-informacional se
estabelece sobre um território praticamente ‘natural’, ou melhor, ‘pré-técnico’, onde a vida de
relações era rala e precária. Sobre essa herança de rarefação, os novos dados constitutivos do
território são os do mundo da informação, da televisão, de uma rede de cidades assentada sobre
uma produção agrícola moderna e suas necessidades relacionais.

[...] O Nordeste, incluindo Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco,
Alagoas, Sergipe e Bahia, é uma área de povoamento antigo, onde a constituição do meio
mecanizado se deu de forma pontual e pouco densa e onde a respectiva circulação de pessoas,
produtos, informação, ordens e dinheiro era precária, tanto em razão do tipo e da natureza das
atividades (sobretudo uma agricultura pouco intensiva) como em virtude da estrutura da
propriedade. [...]

A Amazônia, definida grosseiramente pelos estados de Pará, Amapá, Roraima, Amazonas, Acre e
Rondônia, é uma região de rarefações demográficas herdadas e baixas densidades técnicas. No
passado, desenvolveu-se um povoamento que levava à concentração porque a agricultura era
limitada em capital, técnica e escopo.

Essa região foi também a última a ampliar sua mecanização, tanto na produção econômica quanto
no próprio território [...].”

SANTOS, Milton; SILVEIRA, María Laura. O Brasil: território e sociedade no início do século XXI.
4. ed. Rio de Janeiro: Record, 2001. p. 268, 269, 271 e 272.

■ Sugestão de atividades complementares

1. Divida os alunos em grupos, ficando a cargo de cada grupo pesquisar e registrar um mito
indígena. Para realizar a atividade, os alunos devem primeiramente escolher o grupo indígena
sobre o qual gostariam de trabalhar; em seguida, identificar o local que esses índios habitavam e
onde vivem atualmente (caso não estejam extintos); por último, realizar um levantamento de suas
principais características culturais.
Se julgar oportuno, sugira a leitura das obras SILVA, Waldemar de Andrade. Lendas e mitos dos
índios brasileiros. São Paulo: FTD, s.d.;
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e CASCUDO, Luís da Câmara. Lendas brasileiras. Rio de Janeiro: Ediouro, 2004.

2. Peça aos alunos que criem uma maquete de um sítio arqueológico que contenha objetos
utilizados por povos indígenas, como artefatos cerâmicos, em pedra, osso, algum tipo de fibra,
acessórios de beleza ou utilizados em rituais. O professor de Arte e os sites indicados mais adiante
poderão fornecer os elementos necessários. Após a exposição desses elementos para os alunos,
divida-os em grupos, ficando cada um deles responsável pelo desenho de uma classe de peça
(cerâmica, osso, pedra etc.), que será posteriormente fixado em uma das camadas da maquete do
sítio arqueológico. A maquete pode ser confeccionada com colagem de papel de diferentes cores,
representando as camadas, sobre uma folha de isopor.

3. Solicite aos alunos que pesquisem, em revistas e jornais, fotos que representem algum ou alguns
dos elementos de cada domínio morfoclimático (vegetação típica de cada domínio, intervenções
humanas etc.). Eles devem colar as fotos em uma cartolina, elaborar as legendas e pedir a um
colega de classe que interprete sua paisagem e explique o domínio morfoclimático a que pertence.

4. Os alunos podem também pesquisar, em revistas ou enciclopédias, informações sobre “plantas


que curam” (ou que tenham propriedades terapêuticas) que são encontradas em território
brasileiro. Relacionar cada planta ao domínio morfoclimático em que ela é comumente encontrada
e citar as suas principais utilizações.

unidade 2 - A população brasileira


A abertura desta unidade apresenta um infográfico do crescimento da população brasileira de 1872,
data do primeiro recenseamento demográfico do Brasil, até 2010. Juntamente com os alunos, faça
a sua leitura e interpretação seguindo a linha do tempo (no eixo horizontal inferior), chamando a
atenção para os textos indicados pelos fios verticais. No eixo vertical à direita, situe a Região do
Brasil onde está inserida a escola e estabeleça comparações com a população absoluta das outras
regiões. Consulte o site do IBGE em <www.cidades.ibge.gov.br> e veja a população absoluta de seu
município segundo o censo de 2010, além da estimada para o ano atual. Em seguida, compare-a à
população da sua Grande Região e à do Brasil, calculando a que percentual ela corresponde em
relação a essas.

Esta unidade objetiva levar os educandos a conhecer aspectos importantes da população brasileira,
conforme indicam os títulos dos percursos que a compõem.

Serão trabalhados, principalmente, os seguintes conceitos e noções: crescimento natural ou


vegetativo da população, taxa de crescimento populacional, populoso e povoado, população
relativa, densidade demográfica, fatores naturais permissivos e restritivos, área de atração e
repulsão de população, recenseamento ou censo, estatística, imigração, Lei de Cotas da Imigração
(1934), taxas de natalidade, mortalidade e fecundidade, métodos contraceptivos, esperança de vida
ao nascer, taxa de mortalidade infantil, migração, candango, paus de arara, expansão da fronteira
agropecuária, migração de retorno, êxodo rural ou migração campo-cidade, populações rural e
urbana, migrações temporárias, migrações compulsórias, brasiguaios, setores de produção,
população economicamente ativa, cônjuge,
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trabalho infantil, pirâmide etária, “bônus demográfico”, previdência social, miscigenação, grupo
étnico (etnia), grileiro, afro-brasileiro, quilombo e quilombola, titulação, posseiro, ações
afirmativas.

■ Percurso 5 — Brasil: distribuição e crescimento da população


Tabelas, fotos, gráficos e mapas apresentados neste percurso constituem um recurso importante
para a compreensão dos conceitos abordados. Desse modo, sugerimos que em cada uma dessas
ilustrações se faça uma pausa para sua leitura e interpretação, pois elas são, em verdade, a
materialização visual do texto teórico.

A seção Estação Cidadania, “Mortalidade infantil”, na página 51, estabelece a relação entre
condições de vida de uma população e o nível de desenvolvimento do país em que ela vive. A
mortalidade infantil é um indicador social que espelha as condições de vida de uma população, pois
sua taxa está intimamente relacionada à alimentação, à assistência médica, à vacinação e às
condições de saneamento básico a que estão submetidos tanto a criança como a mãe. Após a leitura
do texto, remeta os alunos às questões propostas e à sua discussão oral para, posteriormente,
serem sistematizadas na forma escrita em seus cadernos.

Respostas e orientações das atividades

Estação Cidadania – Mortalidade infantil p. 51

1 É no primeiro ano de vida que os fatores biológicos e sociais têm mais influência sobre as
condições de saúde das crianças, considerando que elas estão em processo de formação e possuem
menor capacidade de defesa orgânica, estando, portanto, mais sujeitas às doenças. Assim, a taxa de
mortalidade infantil está diretamente relacionada à assistência à gestante, ao parto, à alimentação,
à assistência médica, ao nível educacional dos pais, ao rendimento da família etc.

2 O Estado deve fornecer assistência à saúde a todos os cidadãos. Momento oportuno para discutir
a situação da assistência à saúde no Brasil, inclusive fazendo um levantamento no próprio espaço
de vivência dos alunos.

■ Percurso 6 — Brasil: migrações internas e emigração


Uma opção para iniciar o trabalho neste percurso é propor à classe as seguintes perguntas: vocês
nasceram neste município ou em outro? Na zona rural ou urbana? E os seus pais e avós? Sugerimos
que as respostas sejam anotadas em uma tabela na lousa para se ter uma avaliação da origem dos
alunos e de seus ascendentes. Com base nela, trabalhe os conceitos de migração (inter-regional e
intrarregional) e êxodo rural ou migração campo-cidade. Fixados esses conceitos, desenvolva a(s)
aula(s) com base nos mapas dos períodos das migrações internas no Brasil (figuras 8 a 10) e no
gráfico sobre a população brasileira urbana e rural (figura 11).

A figura 10 merece uma maior atenção. Auxilie-os a observar e interpretar os detalhes da


representação cartográfica e a sua legenda.

Explique os conceitos emigrante e imigrante e peça que procedam à interpretação do mapa da


figura 12. Caso deseje aprofundar o assunto sobre o número de brasileiros vivendo no exterior,
sugerimos a consulta do seguinte site: <www.brasileirosnomundo.itamaraty.gov.br>.
Na seção Estação Socioambiental, intitulada “Migrações compulsórias, lugar e territorialidade na
construção de hidrelétricas”, na página 56, são abordados esses tipos de migrações na construção
de usinas hidrelétricas (UHE) e seus impactos na dinâmica populacional das regiões nas quais são
instaladas. Esse assunto também poderá ser complementado e ilustrado pelo professor por meio de
conteúdos factuais, como exemplos recentes ou atuais de hidrelétricas construídas no Brasil, com
destaque para o Complexo Hidrelétrico do Rio Madeira (UHE Santo Antônio e UHE de Jirau),
como também a UHE Belo Monte, no Rio Xingu. Ao abordar esses casos, é essencial discutir com
os alunos os impactos socioambientais causados por esses projetos, como as migrações em larga
escala e
Página 339

as reivindicações dos povos indígenas e populações locais afetadas.

A seção Encontros “A migração por quem a viveu”, na página 57, traz dois depoimentos de
migrantes. O primeiro mostra as dificuldades de vencer o longo caminho, como também o choque
cultural entre o linguajar e os costumes dos migrantes diante da comunidade em que ele passou a
conviver; o segundo, a multiplicidade de deslocamentos do depoente em vista da dificuldade da
família em encontrar um lugar para se enraizar. Com o primeiro depoimento pode-se trabalhar a
questão das diferenças, do preconceito e dos valores, e mostrar que a diversidade cultural não
representa desigualdade entre as pessoas ou os grupos sociais, mas, ao contrário, representa uma
riqueza. Caso decida discutir o tema do preconceito, sugerimos que proponha à classe a seguinte
indagação: refletindo sobre suas atitudes e as de seus familiares, vocês respeitam ou não as
diferenças entre os indivíduos e grupos sociais ou étnicos? Remeta-os à atividade 13, na página 73,
cujo cartum aborda esse tema.

Respostas e orientações das atividades

Estação Socioambiental – Migrações compulsórias, lugar e territorialidade na


construção de hidrelétricas p. 56

1 No texto são abordados dois tipos de migração: as migrações temporárias de pessoas e


trabalhadores para as áreas de construção de hidrelétricas, diretamente envolvidos em sua
construção ou que se dirigem para as áreas e municípios próximos a elas para atuarem na
prestação de serviços como alimentação, mecânica etc., e a migração compulsória da população
residente e atingida pela instalação de hidrelétricas, que é obrigada a migrar para fora de seus
lugares de existência ou próximo a eles.

2 Além do forte impacto na dinâmica populacional da região de instalação das hidrelétricas, os


impactos ambientais e paisagísticos, e também os econômicos representados pelas transformações
importantes no comércio local, no preço dos aluguéis e também nos índices de criminalidade.

3 Depende da região onde o aluno vive. A partir do conteúdo estudado, o aluno poderá identificar
pela observação ou por meio de conversas se a migração compulsória ocorreu em sua região ou
localidade.

Encontros – A migração por quem a viveu p. 57

1 Resposta pessoal. Espera-se que o aluno reconheça as dificuldades dos migrantes e, sobretudo, a
coragem e a determinação deles na busca por melhores condições de vida.

2 Os primeiros migrantes do Nordeste eram originários de áreas rurais e pequenas cidades, uma
realidade bastante diferente daquela de seu destino final, onde se deparavam com o modo de vida e
o trabalho em grandes cidades, um ritmo de vida acelerado, maiores custos de subsistência e um
meio urbano complexo. Por isso, a distância não separava apenas em quilômetros os estados, mas
também modos de vida completamente diferentes.

3 Resposta pessoal. Comente com os alunos que, nos dias atuais, a disponibilidade de informações
para a população é maior e há melhores condições de viagem, considerando, em algumas regiões, a
melhora no acesso e na infraestrutura dos transportes no Brasil.

Atividades dos percursos 5 e 6 p. 58 e 59

1 Não, porque a densidade demográfica é uma média obtida pela divisão do total da população pela
área em que está distribuída. A densidade demográfica retrata uma condição geral da ocupação e
distribuição humanas em um território. No interior de países e regiões há áreas mais ou menos
povoadas em função de fatores naturais e sociais que podem estimular ou limitar essa ocupação.
2 a) A modernização da economia brasileira atraiu as populações do campo para as cidades. Nas
áreas rurais, um maior número de filhos era importante para auxiliar no trabalho, o que refletia
nas altas taxas de natalidade. Nas cidades, as dificuldades de habitação e a
Página 340

maior participação da mulher no mercado de trabalho, além do uso de métodos contraceptivos


pelos casais, contribuíram para a redução do número de filhos por casal.

b) Contribuíram para a redução das taxas de mortalidade os progressos da medicina, as campanhas


de vacinação, as melhorias nas condições sanitárias (ainda é necessário ao Brasil desenvolvimento
nessa área) e o maior acesso da população à informação (prevenção de doenças, importância de
alimentação saudável e prática de exercícios físicos).

3 Resposta pessoal. As migrações internas inter‑regionais correspondem àquelas de uma região


para outra. As migrações intrarregionais ocorrem dentro de uma mesma região.

4 A construção de rodovias, os incentivos dos governos estaduais e federal — por meio da doação
de lotes de terra para a prática da agricultura e da pecuária —, e as descobertas de ouro e diamantes
em Roraima, além do avanço da fronteira agropecuária em direção a essa região, estimularam os
fluxos migratórios internos.

5 a) No estado de Alagoas, onde a taxa é de 46,4 óbitos infantis por 1.000 nascidos vivos.

b) Depende da unidade da federação em que vive o aluno.

6 a) Pará 6,46 hab./km2, Bahia 26,78 hab./km2, Mato Grosso 3,56 hab./km2, Rio Grande do Sul
39,78 hab./km2, São Paulo 177,40 hab./km2. O estado mais povoado é São Paulo e o menos
povoado é Mato Grosso.

b) O estado mais populoso é São Paulo e o menos populoso é Mato Grosso.

c) Analisando a tabela, é possível perceber que a população brasileira está distribuída


irregularmente pelo território, uma vez que existem estados com alta concentração de população e
outros com baixo número de habitantes. Vale ressaltar que existem diferenças nas densidades
demográficas dentro dos estados mais povoados e populosos.

7 Resposta pessoal. Auxilie o aluno a perceber as imensas dificuldades enfrentadas pelos migrantes
nordestinos: a seca, a miséria, a fome, as disputas por terra, as longas distâncias a serem
percorridas em busca de melhores condições de vida. Esta é uma oportunidade para esclarecer os
alunos sobre os fatores físicos, sociais e econômicos responsáveis pela migração de brasileiros
(“Severinos”) do Nordeste entre 1940 e 1990. Comentar também que, nos últimos 20 anos, tem
havido a migração de retorno.

8 A imagem se associa à migração pendular. Nesse tipo de migração, a população realiza um


movimento diário de vaivém — similar ao pêndulo de um relógio — entre as cidades vizinhas e os
grandes centros urbanos, que concentram oferta de empregos, instituições de ensino etc.

9 a) A população urbana se torna superior à rural na década de 1980, na Região Nordeste, e a partir
da década de 1950, na Região Sudeste.

b) A população urbana na Região Nordeste era de pouco menos de 20 milhões de habitantes em


1980 e mais de 30 milhões de habitantes em 2000. A população urbana no Sudeste era de,
aproximadamente, 40 milhões de habitantes em 1980 e 60 milhões de habitantes em 2000.

10 Auxilie os alunos na realização do levantamento de dados e na elaboração das tabelas. Com essa
atividade, caso o aluno encontre migrantes, poderá ter noção das razões que levam as pessoas a se
deslocarem para outras regiões.

■ Percurso 7 — População e trabalho: mulheres, crianças e idosos


Crie uma tabela na lousa com três colunas sobre os setores de produção (primário, secundário e
terciário), explicando quais atividades se encaixam em cada um deles. Solicite aos alunos que
apontem as profissões de seus familiares pedindo que classifiquem a quais setores de produção
pertencem, escrevendo na coluna correspondente. Em seguida, mostre que as pessoas que
trabalham e as que estão em busca de emprego formam a população economicamente ativa de um
país. Graças a elas, nossas necessidades de sobrevivência (alimentação, vestuário, educação, saúde
etc.) são atendidas.

É importante abordar as questões de gênero por meio da Geografia com o apoio dos gráficos e dos
Página 341

mapas deste percurso, pois sem eles não há possibilidade de compreensão das desigualdades que
as mulheres ainda enfrentam no mercado de trabalho.

Pergunte aos alunos que informações têm sobre o trabalho infantil e quais observações e reflexões
eles fazem sobre isso.

Não deixe de indicar o site referendado no quadro Navegar é preciso, muito esclarecedor sobre o
tema do trabalho infantil.

A pirâmide etária deve ser explicada com base nas figuras 20 e 21, que mostram o declínio das
taxas de natalidade e fecundidade no Brasil e o envelhecimento da população brasileira,
responsáveis pela alteração da configuração das pirâmides etárias, inclusive a sua projeção para o
ano 2050.

■ Percurso 8 — Brasil: a diversidade cultural e os afro-brasileiros


Pergunte aos alunos de quais países vieram os seus ancestrais (caso algum aluno não saiba,
provavelmente será despertada a sua curiosidade, levando-o a perguntar aos familiares). Tendo o
planisfério político como suporte, localize esses países e continentes. Esse procedimento dará a
ideia da diversidade de origem da população brasileira.

Diante, ainda, da desigualdade de oportunidades da população negra do Brasil, essa temática deve
ser valorizada e apoiada nos dados dos gráficos e mapas do percurso. Não se esqueça de
aprofundar esse tema pedindo aos alunos que consultem os quadros Quem lê viaja mais e Navegar
é preciso; destacamos, especialmente, a sugestão de leitura da obra Brasileiro, sim senhor.

Respostas e orientações das atividades

Estação Cidadania – Desigualdade de rendimento segundo a cor p. 70

1 Em 2002, eram apenas 10,7% de afrodescendentes e pardos entre a parcela 1% mais rica. Em
2012, esse número cresceu para 16,2%.

2 Espera-se que o aluno aponte a necessidade de elevar a escolaridade dessa população, para que
ela tenha mais chances de alcançar maior rendimento, como também a necessidade de se romper
com a discriminação e o preconceito em relação à população afrodescendente, principalmente.
Lembrar o aluno da grande dívida que o Brasil tem em relação aos afrodescendentes, que tanto
contribuíram e contribuem para o crescimento do país desde o período colonial, em que essa
população serviu como mão de obra escrava.

Atividades dos percursos 7 e 8 p. 72 e 73

1 É importante estudar os setores de produção para avaliar a economia de um país ou região,


possibilitando assim o planejamento econômico e social e o incentivo deste ou daquele setor.
Sugerimos que se faça uma comparação entre os países desenvolvidos e os menos desenvolvidos
quanto à distribuição da população economicamente ativa (PEA) pelos setores de produção para
que o aluno perceba as diferenças entre eles. Por exemplo, na Alemanha, apenas 3% da PEA
encontra-se no setor primário, enquanto na Síria, cerca de 24%.

2 População economicamente ativa (PEA) diz respeito ao conjunto de indivíduos que trabalham ou
estão em busca de emprego e compõem o potencial de mão de obra com que podem contar os
setores produtivos. Resposta pessoal.
3 Espera-se que o aluno reconheça que o aumento da participação feminina no mercado de
trabalho proporcionou às mulheres, entre outras coisas, maior autonomia financeira e,
consequentemente, ampliação da chefia familiar, assumindo o sustento do lar, independentemente
da existência de um cônjuge. Reconhece-se, assim, o grande papel da mulher como chefe de
família.

4 As desigualdades mais marcantes são entre homens e mulheres, brancos e negros. As mulheres
encontram dificuldades de inserção e ascensão no mercado de trabalho e, mesmo apresentando
maior escolaridade, têm média salarial menor. Se compararmos os brancos e os negros,
perceberemos que os negros têm média salarial menor, ocupam menos cargos de chefia e têm
menor escolaridade, situação que se agrava quanto maior o nível de ensino analisado.
Página 342

5 São comunidades formadas por descendentes de negros africanos escravizados, que fugiram das
fazendas de açúcar, de café e da atividade mineradora, entre outras, a partir do século XVII. Eles se
autodenominam quilombolas.

6 Porque incorporou expressões dos três grandes grupos étnicos formadores da população
brasileira: indígenas, europeus e negros africanos. Disso resulta sua diversidade.

7 Pirâmide etária é a representação gráfica da quantidade de pessoas, por faixas de idade e sexo, de
uma população em determinado ano. No Brasil, entre 1980 e 2010, houve redução da população
jovem, em razão da queda nas taxas de natalidade (fecundidade), e crescimento da população
idosa, devido à melhoria nas condições de vida e saúde.

8 As ações afirmativas correspondem a um tratamento preferencial dado às pessoas de grupos


desfavorecidos de uma sociedade. Podem ser realizadas por meio de cursos de qualificação
profissional, bolsas de estudo, cotas de ingresso nas universidades, cotas de emprego em empresas
etc.

9 a) O mapa representa o rendimento médio por gênero, ou seja, aquele recebido por
trabalhadores e trabalhadoras, por unidade da federação, em 2010.

b) Em nenhuma unidade da federação do Brasil o rendimento médio das mulheres é maior que o
dos homens.

c) Espera-se que o aluno reconheça a injustiça de as mulheres terem menor rendimento médio em
comparação ao dos homens. É importante lembrar que não é o gênero ou a cor que medem a
capacidade do desempenho de uma função profissional. Trata-se de uma visão preconceituosa, que
deve ser combatida e superada.

10 a) Deficiência mental/intelectual. De cada 1.000 pessoas do sexo masculino com deficiência


mental/intelectual, apenas 264 fazem parte da população economicamente ativa; e quanto às do
sexo feminino, apenas 208.

b) Deficiência visual severa. De cada 1.000 pessoas do sexo feminino com deficiência visual severa,
503 estão inseridas na população economicamente ativa.

11 a) Houve um aumento no ingresso de jovens afro-brasileiros no ensino superior em 2010 em


relação a 2000. Em 2000, a população branca correspondia a 5 vezes a taxa da população afro-
brasileira no ensino superior, enquanto em 2010 correspondia a 2,5 vezes, ou seja, a diferença
entre elas diminuiu.

b) Muitos problemas estruturais dificultam a entrada de afro-brasileiros no ensino superior.


Espera-se que o aluno reconheça, entre outros aspectos, que grande parte dessa população vive em
situação de pobreza e não tem condições financeiras para pagar um curso em uma instituição
privada, além de apresentar menores chances de ingressar em instituições públicas por meio de
exames de seleção, já que se trata de um sistema concorrido que privilegia os que tiveram acesso ao
ensino básico de qualidade. Essas condições de pobreza ainda podem exigir que os jovens entrem
no mercado de trabalho para complementar a renda familiar e abandonem os estudos.

12 a) Sim. O cartaz passa a mensagem sobre a necessidade de a mulher enfrentar a barreira do


medo de denunciar a violência doméstica da qual é vítima, além de alertar sobre a necessidade de
ampliar o atendimento à mulher vítima da violência.

b) Espera-se que o aluno aponte a diferença de rendimentos em relação aos homens no mercado de
trabalho e a sobrecarga de trabalho com os afazeres domésticos, em geral, designados às mulheres.

13 a) À figura de um dinossauro e a uma bomba.


b) “Pré-conceito” é uma distorção da realidade. É utilizar um conceito que não corresponde à
verdade.

c) O cartum deixa como mensagem que a diversidade cultural deve ser respeitada e faz bem ao
mundo. Isso fica explícito na passagem: “Abra sua cabeça, aceite outras opções, outras culturas,
outras variações... Amadureça e reconheça esse fato: se não fosse a diversidade o mundo seria
muito chato”.
Página 343

14 Resposta pessoal. Auxilie os alunos durante a pesquisa. Sites como o do Ministério do Trabalho
<www.mte.gov.br> contêm informações valiosas. Oriente-os a perceber que a legislação é também
uma forma de combate ao trabalho infantil e que o Brasil tem uma legislação avançada, que, no
entanto, esbarra na impunidade e no desrespeito da população. Será importante discutir com os
alunos que, em muitos casos, as crianças se submetem a trabalhos mal remunerados para auxiliar
no sustento da família. Abre-se a oportunidade para discutir com a classe a complexidade do
assunto, que também abrange as dificuldades de inserção no mercado de trabalho dos pais dessas
crianças.

■ Sugestão de leitura para o professor

O Percurso 8 da Unidade 2 propõe o estudo da diversidade cultural, abordando temas a ela


relacionados. O texto apresentado a seguir contribui para o debate e reflexão sobre esse assunto.

A diversidade cultural: algumas reflexões

“[...] O ser humano se constitui por meio de um processo complexo: somos ao mesmo tempo
semelhantes (enquanto gênero humano) e muito diferentes (enquanto forma de realização do
humano ao longo da história e da cultura). Podemos dizer que o que nos torna mais semelhantes
enquanto gênero humano é o fato de todos apresentarmos diferenças: de gênero, raça/etnia,
idades, culturas, experiências, entre outros. E mais: somos desafiados pela própria experiência
humana a aprender a conviver com as diferenças. O nosso grande desafio está em desenvolver uma
postura ética de não hierarquizar as diferenças e entender que nenhum grupo humano e social é
melhor ou pior do que outro. Na realidade, somos diferentes.

Ao discutir a diversidade cultural, não podemos nos esquecer de pontuar que ela se dá lado a lado
com a construção de processos identitários. Assim como a diversidade, a identidade, enquanto
processo, não é inata. Ela se constrói em determinado contexto histórico, social, político e cultural.
Jacques d’Adesky (2001, p. 76)32 destaca que a identidade, para se constituir como realidade,
pressupõe uma interação. A ideia que um indivíduo faz de si mesmo, de seu ‘eu’, é intermediada
pelo reconhecimento obtido dos outros em decorrência de sua ação. Assim como a diversidade,
nenhuma identidade é construída no isolamento. Ao contrário, ela é negociada durante a vida toda
dos sujeitos por meio do diálogo, parcialmente exterior, parcialmente interior, com os outros.
Tanto a identidade pessoal quanto a identidade social são formadas em diálogo aberto. Estas
dependem de maneira vital das relações dialógicas com os outros.

A diversidade cultural varia de contexto para contexto. Nem sempre aquilo que julgamos como
diferença social, histórica e culturalmente construída recebe a mesma interpretação nas diferentes
sociedades. Além disso, o modo de ser e de interpretar o mundo também é variado e diverso. Por
isso, a diversidade precisa ser entendida em uma perspectiva relacional. Ou seja, as características,
os atributos ou as formas ‘inventadas’ pela cultura para distinguir tanto o sujeito quanto o grupo a
que ele pertence dependem do lugar por eles ocupado na sociedade e da relação que mantêm entre
si e com os outros. Não podemos esquecer que essa sociedade é construída em contextos históricos,
socioeconômicos e políticos tensos, marcados por processos de colonização e dominação. Estamos,
portanto, no terreno das desigualdades, das identidades e das diferenças.

Trabalhar com a diversidade na escola não é um apelo romântico do final do século XX e início do
século XXI. Na realidade, a cobrança hoje feita em relação à forma como a escola lida com a
diversidade no seu cotidiano, no seu currícu-

D’ADESKY, Jacques. Pluralismo étnico e multiculturalismo: racismos e anti-racismos no Brasil. Rio de


32

Janeiro: Pallas, 2001.


Página 344

lo, nas suas práticas faz parte de uma história mais ampla. Tem a ver com as estratégias por meio
das quais os grupos humanos considerados diferentes passaram cada vez mais a destacar
politicamente as suas singularidades, cobrando que as mesmas sejam tratadas de forma justa e
igualitária, desmistificando a ideia de inferioridade que paira sobre algumas dessas diferenças
socialmente construídas e exigindo que o elogio à diversidade seja mais do que um discurso sobre a
variedade do gênero humano. Ora, se a diversidade faz parte do acontecer humano, então a escola,
sobretudo a pública, é a instituição social na qual as diferentes presenças se encontram. Então,
como essa instituição poderá omitir o debate sobre a diversidade? E como os currículos poderiam
deixar de discuti-la? [...]”

GOMES, Nilma Lino. Indagações sobre currículo: diversidade e currículo. Brasília: Ministério da
Educação, Secretaria de Educação Básica, 2007. p. 22-23. Disponível em:
<http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/Ensfund/indag4.pdf>. Acesso em: 14 abr. 2015.

■ Sugestão de atividades complementares

1. Com base nos conceitos de diversidade e diferença, seria oportuno promover um debate a
respeito do modo como o aluno e as pessoas que com ele convivem veem a cultura de outros grupos
que não o deles.

2. Sugira aos alunos que pesquisem reportagens recentes em jornais, revistas e, principalmente, na
internet sobre as várias situações que os índios enfrentam para sobreviver, mostrando a eles que a
nossa sociedade ainda não respeita o espaço ocupado pelos grupos indígenas. Uma boa pesquisa
será sobre os pancararu, que migraram, em parte, para Minas Gerais e também habitam favelas na
cidade de São Paulo.

unidade 3 - Brasil: da sociedade agrária para a urbano-


industrial
Com base nas fotos e questões de abertura, faça um levantamento prévio dos conhecimentos dos
alunos a respeito dos movimentos sociais no campo e nas cidades do Brasil e suas principais
reivindicações, e em seguida verifique o que sabem sobre urbanização e industrialização no Brasil e
o processo de modernização da agricultura no país. Estimule-os para que todos participem e
emitam suas opiniões; todas devem ser consideradas e anotadas em lousa. Em seguida, leve-os a
discutir as questões propostas da seção Verifique sua bagagem e, somente após consolidada a
compreensão dos temas, peça-lhes que se expressem de forma escrita.

Nesta unidade busca-se a compreensão dos alunos sobre a urbanização e suas causas, a rede e a
hierarquia urbanas, os problemas urbanos, a industrialização e sua distribuição pelo espaço
brasileiro, e sobre a agropecuária brasileira e alguns de seus problemas.

Serão trabalhados, principalmente, os seguintes conceitos e noções: urbanização, taxas de


urbanização, urbanização tardia, estatuto do trabalhador rural, serviços urbanos, rede urbana,
categorias e funções urbanas, hierarquia urbana, conturbação, região metropolitana, megalópole,
movimento dos sem-teto, problemas urbanos, segregação socioespacial, concentração industrial,
relativa desconcentração industrial, guerra fiscal, infraestrutura, culturas especializadas, grandes
culturas comerciais, arrendatário, trabalho escravo, pecuária intensiva e extensiva, sesmarias,
latifúndios produtivos e improdutivos, agronegócio, estabelecimento agropecuário, reforma
agrária, estrutura fundiária, movimento dos trabalhadores rurais sem-terra.
Página 345

■ Percurso 9 — A urbanização brasileira


Tendo sempre como base a cidade local, desenvolva este percurso relacionando o seu conteúdo ao
espaço de vivência dos alunos. Solicite a eles que perguntem às pessoas mais velhas se elas se
lembram do impacto da criação do Estatuto do Trabalhador Rural em 1963 sobre a localidade
(houve grande migração campo‑cidade por causa da demissão de trabalhadores rurais, que
passaram a vagar pelas cidades com suas famílias em busca de emprego e se transformaram em
boias-frias).

A Estação História “Cidades brasileiras e Patrimônios da Humanidade”, na página 81, informa


sobre os critérios adotados pela Unesco para considerar um bem como Patrimônio da
Humanidade. Seu texto deve ser lido e discutido, e suas questões, respondidas oralmente com a
intenção de desenvolver a oralidade e gerar debates.

Respostas e orientações das atividades

Estação História – Cidades brasileiras e Patrimônios da Humanidade p. 81

1 Toda localidade que apresenta importância universal, levando em consideração seus aspectos
históricos, culturais, estéticos, entre outros, pode ser considerada um Patrimônio Mundial da
Humanidade.

2 Resposta pessoal. São apresentados, no texto, seis critérios. Valorize a escolha do aluno
atentando-se para sua argumentação e, inclusive, ampliando-a, mas também chame a atenção para
os demais critérios.

■ Percurso 10 — Rede, hierarquia e problemas urbanos


Busque identificar com os alunos a categoria da hierarquia urbana do local onde vivem. Para esse
trabalho é importante o uso de um mapa regional e nacional. Os outros conceitos e noções que se
seguem (conurbação, regiões metropolitanas, megalópole e movimentos sociais urbanos) são
importantes para mostrar a dinâmica urbana em nosso país. Sugerimos ampliar a abordagem para
além do conteúdo do percurso, destacando que no espaço urbano podemos perceber como a
riqueza está distribuída entre os seus habitantes. Se percorrermos algumas cidades, poderemos
perceber a existência de uma cidade formal, constituída pelos bairros centrais e pelos bairros
nobres e dotada de infraestrutura (rede de águas, de esgoto, de energia elétrica, de telefonia;
transportes coletivos; ruas asfaltadas; coleta de lixo; postos de saúde; escolas etc.), e de uma cidade
informal, carente de serviços de infraestrutura e com dificuldades, portanto, de atender às
necessidades de seus habitantes. Essa diferença decorre principalmente da desigualdade de
rendimentos entre os seus habitantes, permitindo, então, que se fale que existe uma segregação
socioespacial no espaço urbano ou, ainda, que a cidade é a expressão visível das desigualdes
sociais.

O infográfico nas páginas 88 e 89 é bastante esclarecedor quanto aos problemas urbanos.


Sugerimos que acompanhe os alunos na leitura dos textos, dos mapas e dos gráficos nos boxes,
esclarecendo dúvidas e perguntando quais dos problemas urbanos apontados existem na localidade
onde vivem. Por fim, solicite que as questões sejam respondidas oralmente para atingir os objetivos
já mencionados.

Respostas e orientações das atividades

Atividades dos percursos 9 e 10 p. 90 e 91

1 Urbanização é o processo demográfico caracterizado pela tendência de concentração da


população nas cidades.
2 A urbanização é o crescimento da população urbana, já o crescimento urbano é o aumento do
espaço físico das cidades.

3 Porque somente a partir de meados do século XX (décadas de 1950 e 1960) o Brasil iniciou
efetivamente ou com maior impulso o seu processo de industrialização, enquanto outros países
deram início à industrialização nos séculos XVIII e XIX. Como a urbanização geralmente é
subsequente à industrialização, no Brasil ela
Página 346

também foi tardia se comparada à dos países que se industrializaram nos séculos XVIII, XIX e
primeira metade do XX.

4 A partir dos anos de 1950 e 1960, devido ao desenvolvimento da industrialização, principalmente


na Região Sudeste, e, consequentemente, ao êxodo rural que ela provocou. Ressaltar que os
problemas no campo levaram muitas famílias a realizar êxodo rural, que o Estatuto do Trabalhador
Rural (1963) impactou a população rural e suas relações com a urbanização.

5 A rede urbana é o conjunto de cidades distribuídas no território que mantêm relações das mais
diversas ordens entre si: culturais, econômicas, políticas etc. Geralmente, as relações ocorrem sob o
comando da cidade que apresenta bens e serviços mais diversificados e raros. A dependência e a
influência urbanas sobre o espaço estabelecem uma hierarquia entre as cidades.

6 O crescimento da população exige a adequação e o crescimento do setor de serviços para


corresponder às suas necessidades, como na educação (é preciso maior número de escolas,
professores e funcionários), na saúde (mais hospitais, médicos e enfermeiras) e no saneamento
(rede de água, esgoto e coleta de lixo). Essa adequação da infraestrutura atrai a população rural em
busca de empregos e melhores condições de vida.

7 Conurbação é a união física de dois ou mais municípios em consequência de sua expansão


horizontal. A conurbação de diversos municípios limítrofes pode dar origem às Regiões
Metropolitanas, que são implantadas com o objetivo de unificar as administrações municipais e as
políticas públicas nessa região.

8 a) De 1500 a 1822, a urbanização ocorreu inicialmente no litoral, em função da exploração da


cana-de-açúcar, e se interiorizou, com a mineração, em Minas Gerais e Goiás, e com a exploração
das drogas do sertão, na Bacia Amazônica e no Golfão Maranhense.

b) O cultivo do café estimulou a criação de cidades no Vale do Paraíba Fluminense e no Oeste


Paulista, sobretudo ao longo das ferrovias que ligavam o interior do estado de São Paulo ao litoral.

9 a) É a Região Sudeste, com 6,8%.

b) Região Centro-Oeste, com 90,1% de população urbana (o Sudeste tem 93,2%).

10 O crescimento urbano desordenado, ocupando regiões de mananciais e várzeas de cursos de


água, a escassa vegetação, a impermeabilização do solo pelo asfaltamento de vias públicas, bem
como o despejo de lixo nas ruas contribuem para a ocorrência de enchentes nas cidades.

11 Na primeira foto: as precárias condições de moradia (favela); e na segunda foto: a poluição


visual. As favelas são uma forma de sobrevivência da população despossuída. Trata-se de um
problema urbano porque refletem as dificuldades que as populações mais pobres enfrentam para
conquistar os direitos que possuem por melhores moradias nas cidades. As placas chamam a
atenção das pessoas para os estabelecimentos comerciais. Seu excesso provoca poluição visual das
vias urbanas. A atividade de casas comerciais, lojas etc. são predominantemente urbanas. Sobre as
maneiras para solucionar ou minimizar os problemas