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REFRATÁRIOS E ISOLANTES

Prof. Christiano Meirelles


TÓPICOS
Conceituação
Classificação
Processos de fabricação
Propriedades e ensaios
Métodos de aplicação
Controle de qualidade
Inspeção em serviço
REFRATÁRIOS E ISOLANTES
Conceito:
Refratários são materiais cerâmicos que utilizam
argilas minerais de alto ponto de fusão, capazes
de suportar temperaturas elevadas sem falhar.
Al, Si, Ca, Mg e etc
Características:
Refratabilidade;
Estabilidade mecânica, térmica, química e
dimensional;
Condutividade térmica;
Permeabilidade.
REFRATABILIDADE
Propriedade de materiais que submetidos à alta
temperatura mantém suas características, como
isolação térmica e sonora.
A isolação térmica de um forno industrial é feita
com lã de rocha, que tem alta refratabilidade.
REFRATÁRIOS SÃO CERÂMICAS!
Dentro do grupo das cerâmicas existem os
materiais refratários:
Cerâmica Vermelha
Materiais de Revestimento (Placas
Cerâmicas):
Cerâmica Branca
Materiais Refratários SÃO
CERÂMICAS
Isolantes Térmicos
Fritas e Corantes
O QUE SÃO CERÂMICAS?
Materiais inorgânicos constituídos por elementos
metálicos e não-metálicos, formados por ligações
iônicas coordenadas.
Ou seja: ao invés dos elementos compartilharem
um elétron, um elemento doa o seu elétron para o
outro (esse elétron passa a girar unicamente ao
redor do átomo receptor). Esses materiais podem
ser cristalinos, não-cristalinos ou uma mistura de
ambos.
REFRATÁRIO X ISOLANTE
Por definição, refratários são materiais capazes
de suportar elevadas temperaturas (acima 1100°C)
mantendo estabilidade tanto física quanto química.
Um isolante térmico é um material ou estrutura
que dificulta a dissipação de calor de um corpo ou
de um ambiente.
QUALIDADE PROPRIEDADE RELACIONADA
Baixa condutividade térmica
Isolante Térmico Estabilidade Mecânica a tensões térmicas
Estabilidade Dimensional
Estabilidade Mecânica à erosão e abrasão
Antierosivo
Estabilidade Dimensional
Estabilidade Química a ataque de gases
Antiácido Baixa Permeabilidade
Estabilidade Dimensional
UTILIZAÇÃO
Revestimentos de fornos de altas temperaturas
em geral (cerca de 2000°C), revestimento (na
forma de cimento ou concretos refratários) de
grandes caldeiras de usinas de açúcar e álcool,
panelas de aço, servem para proteger o aço
derretido de um lado e a própria caldeira de aço
sólido do outro.
CLASSIFICAÇÃO
São Fabricados a partir de argilas minerais (rochas) que
contém óxidos inorgânicos de alto ponto de fusão (Ex: AI , Si,
Ca, Mg, etc.).
A norma ABNT 10237 detalha todas as classificações de
materiais refratários, os refratários podem ser classificados
segundo a matéria-prima ou componente químico principal
queCLASSIFICAÇÃO
os compõem, densidade, condutividade
DOS REFRATÁRIOS térmica
QUANTO ou quanto
AOS CONSTITUINTES
a forma. Tipo Constituintes
Sílica >90% SiO2
Sílicosos
Semi-Sílica Al2O3 (20-30) % SiO2 (60-80) %
Sílico-aluminosos SiO2 (40-65) % Al2O3 (30-50) %
Aluminosos Al2O3> 48% SiO2 < 46%
Magnesianos MgO
Cromíticos Cr2O3
Cromítico-magnesianos MgO e Cr2O3
Básicos
Carbeto de silício, grafita,
Outros carbono, zircônia, zirconita,
espinélio...
CLASSIFICAÇÃO
A natureza química dos constituintes é um importante
fator de aplicação e classificação. Em meios quimicamente
ácidos, predomina-se o uso de refratários sílicosos puros
(SiO2). Em meios quimicamente neutros, predomina-se o
uso de refratários aluminosos ou cromáticos (Al2O3 ou
Cr2O3). Em meios quimicamente básicos predomina-se o
uso deCLASSIFICAÇÃO
refratários magnesianos ou cromo-magnesianos
DOS REFRATÁRIOS QUANTO À FORMA
(MgO ouTipo
MgO e Cr2O3). Forma
• Paralelos
Conformados
• Arco/Cunha
Alvenaria refratária
• Radial, circular, blocos especiais.
• Argamassas
• Cimentos
Não conformados • Plásticos
Concretos refratários • Massas de socar
• Concretos hidráulicos
• Concretos pega química
ALVENARIA REFRATARIA
São blocos conformados para posterior
montagem.
No Brasil as argilas são retiradas de diversas jazidas
localizadas, principalmente, nos Estados SP, MG, RJ
ARGILAS MINERAIS UTILIZADAS NA FABRICAÇÃO DE REFRATÁRIOS
e SC.
CONFORMADOS (TIJOLOS)
Constituinte Tipos de Argilas
Argilas Caulita
Refratários silício- aluminosos (Al2O3< 50%) Argilas Gibsita
Argilas Quartzo
Argilas Diáspora
Refratários aluminosos (Al2O3> 50%) Argilas Bauxita
Argilas Cianita
Argilas Gamisto
Refratários silicosos (SiO2 > 90%)
Argilas Terra Diatomácia
Argilas Magnesita
Magnesianos ou cromíticos Argilas Dolomita
Argilas Cromita
PRODUÇÃO ALVENARIA REFRATARIA
Como podemos acompanhar na apostila nas paginas 6 e 7.

Obs: A seleção das argilas e a classificação granulométrica influenciam nas


principais características dos materiais refratários (resistência mecânica,
refratariedade e estabilidade dimensional).
NORMAS PARA ALVENARIA REFRATARIA
A norma ABNT 10241 - Tijolos Refratários Isolantes:
define 8 classes, divididas por temperatura de utilização e
densidade.
TEMPERATURA DENSIDADE
CLASSE
(°C) (glcm3)
Rl-09 900 0,70
Rl-10 1000 0,70
Rl-11 1100 0,75
Rl-12 1200 0,85
Rl-13 1300 1,00
Rl-14 1400 1,10
Rl-15 1500 1,15
Rl-16 1600 1,20

Já as normas ABNT 10238 e ABNT 10239 definem as


composições de materiais aluminosos e sílico-aluminosos
A norma ABNT 12601 define todas as dimensões e
formatos de tijolos paralelos, arcos, cunhas e radiais.
NORMAS PARA ALVENARIA REFRATARIA
Normas ASTM
NORMALIZAÇÃO ASTM C-155 TIJOLOS ALVENARIAREFRATÁRIA
ISOLANTES NORMALIZAÇÃO ASTM C 27-84
GRUPO TEMPERATURA DENSIDADE TIJOLOS DE ALTA ALUMINA
Nº (ºC) (glcm3) AL2O3 % Cone Pirométrico Equivalente T ºC
16 845 0,94
50 34 1763
20 1065 0,64
60 35 1785
23 1230 0,77
70 36 1804
26 1400 0,86 80 37 1820
28 1510 0,96 85 - -
30 1620 0,109 90 - -
32 1730 0,152 99 - -
ALVENARIAREFRATÁRIA NORMALIZAÇÃO ASTM C 27-84
33 1790 0,152
TIJOLOS SÍLICO-ALUMINOSOS
Cone Pirométrico
T min ºC Módulo de ruptura (Mpa)
Equivalente
Super Duty 33 1743 4,14
High Duty 31 ½ 1699 3,45
Semi Silica - 1350 2,07
Médium Duty 29 1659 3,45
Lowduty 15 1430 4,15
CONTROLE DE QUALIDADE
PONTOS A INSPECIONAR
Antes do serviço Durante o serviço Após a execução
• Qualidade do material • Correta instalação da • Inspeção geral visual de
tanto do tijolo quanto da ancoragem; todo o revestimento.
argamassa; • Acompanhamento da • Verificar principalmente
• Experiência do pedreiro; preparação da argamassa; nível/prumo e
• Equipamentos e • Correto Assentamento; posicionamento das juntas
instrumentos necessários • Posicionamento das juntas de dilatação.
para o serviço; de dilatação
• Desenhos detalhados e • Espessura da argamassa
aprovados. de assentamento
CONCRETOS REFRATÁRIOS
A instalação de um revestimento refratário
poderá ser realizada tanto assentamento de
tijolos refratários com argamassa ou
aplicação de concretos já previamente
preparados. A aplicação de concretos tem
sido mais largamente utilizada na indústria
petroquímica, devido aos seguintes aspectos:
• Concretos não necessitam de estoques excessivos de materiais;
• Normalmente concretos dispensam juntas de dilatação com
materiais especiais, reduzindo custos e tempo de instalação;
• Concretos possibilitam maior estabilidade do revestimento devido
ao melhor desempenho da ancoragem à parede metálica;
• Facilidade de instalação e manutenção, principalmente de regiões
com geometria complexa;
• Redução de custo na etapa de projeto.
PRODUÇÃO CONCRETOS REFRATÁRIOS
AGREGADOS CONCRETOS REFRATÁRIOS
Assim como no item anterior, um dos fatores de
grande importância na qualidade final do
concreto refratário é a correta seleção dos
agregados.
PRINCIPAIS AGREGADOS DE REFRATÁRIOS NÃO
CONFORMADOS
Densos Leves
Chamote (argila sinterizada)
Mulita (72% AI203)
Corindon (95% AI203) Alumina globular
Cromita Vermiculita
Cromo-magnésia Argila expandida
Magnesita Perlita e outros.
Carbeto de silício
Bauxita (85% AI203)
Sílica Eletrofundida (99% Si02)
AGREGADOS CONCRETOS REFRATÁRIOS
A escolha do agregado depende do objetivo que o
concreto se propõe. Materiais isolantes utilizam
agregados leves, tais como: Alumita Globular,
Vermicula ou Argila Expandida. Já materiais de maior
resistência mecânica e maior condutividade térmica
utilizam agregadosPrincipais
densos tais como: Chamote, Mulita
métodos de aplicação Pag 25
ou Corindon.
Derramamento (Casting) Socagem Projeção pneumática (Gunninq)

• Compactação manual • Socagem manual • A seco


• Vibração interna • Socagem pneumático • A úmido (Wetgning)
• Vibração externa
• Fluência livre
AGREGADOS CONCRETOS REFRATÁRIOS
PONTOS IMPORTANTES NA
CONCRETAGEM REFRATÁRIA

Pega é a reação de endurecimento inicial do


concreto e é caracterizada pela perda da consistência
necessária para a aplicação do material.
PONTOS IMPORTANTES NA CONCRETAGEM
REFRATÁRIA
Cura hidráulica, onde ocorrem
as reações de hidratação
proporcionando ao material à
resistência mecânica e a
resistência à erosão/abrasão a
baixa temperatura.

Secagem, também chamada de


cura térmica, pois objetiva
assegurar resistência mecânica
em alta temperatura. A
resistência mecânica
comportasse de maneira
distinta a elevação da
temperatura na secagem.
NORMAS PARA CONCRETAGEM
REFRATÁRIA

Norma ASTM C 401

DIVISÃO DE CLASSES ASTM C 401


DENSOS (ALUMINA- SÍLICA CASTABLE REFRACTORIES)
Propriedades A B C D E F G
Temperatura (ºC) 1095 1200 1370 1480 1595 1705 1760

DIVISÃO DE CLASSES ASTM C 401


ISOLANTES (LNSULATING CASTABLES REFRACTORIES)
Propriedades N O P Q R S T U V
Temperatura (ºC) 925 1040 1150 1260 1370 1430 1595 1650 1760
MEA a 110°C Kg/m3
CONTROLE DE QUALIDADE
Adicionalmente ao planejamento e o sistema da
qualidade, as tarefas de controle de qualidade
devem ser executadas nas seguintes etapas:
Testes do Material;
Testes de Qualificação de procedimento e
operadores;
Testes da Ancoragem;
Inspeção durante a aplicação;
Inspeção do material aplicado, antes e após
secagem;
Testes dos corpos de prova testemunhas da
aplicação.
PRINCIPAIS PROPRIEDADES E
ENSAIOS
PRINCIPAIS PROPRIEDADES E ENSAIOS
Análise química : são realizadas por métodos reconhecidos,
sendo que o mais utilizado é o Fotômetro de Chama. A ABNT
elaborou as seguintes normas sobre análise química:
• NBR 8002- Materiais refratários de alto teor de sílica-
análise química
• NBR 8828- Materiais refratários silício-aluminosos- análise
química
• NBR 11302 - Materiais refratários aluminosos - análise
química
Resistência à compressão em temperatura ambiente
(RCT A):

onde: FC = Força máxima atingida pela máquina (Kgf)


A= Área do corpo de prova onde a força foi aplicada
(cm2)
RCTA = Resistência à compressão (Kgf/cm2)
PRINCIPAIS PROPRIEDADES E ENSAIOS
Cone pirométrico equivalente: definir o grau de
refratariedade que um determinado material possui. A
refratariedade é definida como a temperatura na qual
se inicia a redução de resistência, devido à formação de
fase líquida no material.
Condutividade térmica: representa a sua capacidade
de conduzir um fluxo de calor, que se forma pela
diferença de temperatura entre superfícies quentes e
frias. Quanto menor for à condutividade de térmica,
mais isolante é o material.
Densidade: é uma medida indireta do poder isolante do
material e substitui o ensaio de condutividade térmica.
PRINCIPAIS PROPRIEDADES E ENSAIOS
Variação dimensional linear (VDL):
Onde: VDL = variação dimensional em % a 110°C.
Lo = média aritmética das medidas efetuadas, antes do
aquecimento.
L1 = média aritmética das medidas efetuadas, antes do
aquecimento.
Resistência à erosão e abrasão:
As normas ABNT 13185/94 e ASTM C704 definem todas as
condições desse teste.
onde: M1 =Massa em g do corpo-de-prova antes do ensaio
M2 = Massa em g do corpo-de-prova após ensaio
MEA = Massa Específica Aparente calculada antes do ensaio
g/cm³
∆V = Perda por erosão em cm³
RELAÇÃO ENTRE ENSAIOS E FASES
DE FABRICAÇÃO E APLICAÇÃO
ISOLAMENTO TÉRMICO
Material isolante térmico é qualquer material que possa,
economicamente, reduzir a perda ou ganho de calor.
Isolantes Térmicos são materiais que possuem menor
condutividade térmica, densidade e resistência mecânica do
que tijolos e concretos refratários.
Classificação dos materiais isolantes quanto a sua forma física
Isolantes térmicos rígidos Isolantes térmicos flexíveis
Sílica diatomácea Lã de vidro
Silicato de Cálcio Lã de rocha
Poliuretano Fibra Cerâmica
Perlita Expandida Sílica diatomácea
ISOLANTES
Lan de roxa MAIS UTILIZADOS

Lan de vidro

Perlita expandida
Silicato de cálcio poliuretano
DEGRADAÇÃO DE REFRATÁRIO
Nas imagens podemos ver o ataque da fase líquida em
processo de clinquerização ao tijolo instalado na zona de
transição inferior de um forno de cimento. A fase líquida
destruiu boa parte do tijolo SI-AL, mas não atacou o
espinelizado, como podemos ver nas fotos.

Na região foi montado 2 tipos de tijolo.


Foram 4 anéis de Sílico-Aluminoso.
30-35% SiO2
38-43% Al2O3
1% Fe2O3
27% SiC
No restante foi montado tijolo Básico espinelizado.
90% MgO
10% espinela