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ESTRUTURAS DE CONCRETO ARMADO I

Propriedades do Concreto e do Aço


Concreto

Prof. Dr. Esperidião Fecury Pinheiro de Lima


Classificação das Estruturas em Relação aos
Materiais

 Estruturas de Concreto
 Estruturas de Aço Estruturas Mistas
 Estruturas de Madeira

PEDRA
CONCRETO
ARTIFICIAL

Consome-se aproximadamente 6 bilhões de


toneladas de concreto/ano.
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Composição do Concreto

Aglomerante(cimento) + Água Pasta

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Composição do Concreto

Pasta + Agregado Miúdo(areia) Argamassa

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Composição do Concreto

Argamassa + Agregado Graúdo(brita) Concreto

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Composição do Concreto

BRITA C
O
N
AREIA ÁGUA C
R
E
T
CIMENTO
O
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Concreto
Resistência do Concreto à
Compressão
fc
Cresce
fc Ou
Decresce

Dependendo

• Qualidade do material

• Dosagem do material (traço)

• Modo de preparo (técnica)


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Concreto

O concreto (pedra artificial) resiste muito a compressão


e pouco a tração.

Exemplo:

Se fc = 200 kgf/cm2
≅ 1/10
ft = 20 kgf/cm2

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Concreto
Resistência a compressão do concreto

 Brasil → Corpos de prova cilíndricos de 15x30cm ou


altura/diâmetro ≥ 2
 Em alguns países → cubos de 15x15 ou 20x20
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Resistência a compressão do concreto

 Ensaio padronizado de curta duração (carregamento


rápido)
 Ensaios a compressão são realizados na idade padrão de
28 dias 10
Concreto
Devido a fatores de natureza aleatória como:

• Falta de homogeneidade da mistura

• Graus de compactação diferentes para corpos de prova


diferentes, etc.

Razoável dispersão dos valores da resistência obtidos


em um lote de corpos de prova.
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Concreto
Reconhecendo a resistência do concreto como uma variável
aleatória

TEORIA DA PROBABILIDADE

Admite-se que a função densidade de probabilidade das


resistência obedece a:

CURVA NORMAL DE GAUSS

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Concreto
CURVA NORMAL DE GAUSS

𝑓𝑐 → Resistência a compressão do concreto;


𝑓𝑐𝑘 → Resistência característica a compressão do concreto;
𝑓𝑐𝑚 → Resistência média a compressão do concreto;
𝑆 → Desvio padrão das resistências. 13
Concreto
Então:

A resistência característica a compressão do


concreto ( 𝒇𝒄𝒌 ) é um valor tal que existe uma
probabilidade de 5% de se obter resistências inferiores a
mesma.

Dizer que queremos obter um concreto com


𝒇𝒄𝒌 = 𝟑𝟎 𝑴𝑷𝒂 (𝟑𝟎𝟎 Kgf/cm²), significa dizer que em 100
amostras, no máximo 5 (5%), podem apresentar o 𝒇𝒄𝒌
inferior a 30 Mpa (300 Kgf/cm²).
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Concreto
Para melhorar as características do concreto, acrescenta-se:

1. Retardadores de pega;

2. Aceleradores de pega;

3. Plastificantes;

4. Superplastificantes;

5. Impermeabilizantes;

6. Minerais (microssílicas, fillers, calcários, etc.); 15


Concreto

Com a boa resistência do concreto a compressão, associada


a recursos não sofisticados, pode-se alcançar resistência da
ordem de 50 MPa (500 kgf/cm²).

Com aditivos especiais como a sílica ativa (microssílica)


pode-se obter valores de resistência a compressão superiores
a 100 MPa (1000 kgf/cm²).

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Concreto

Classes de Resistência do Concreto (𝑓𝑐𝑘 )

Grupo I - 𝒇𝒄𝒌 = 20 a 50 MPa (C20 a C50)


Grupo II - 𝒇𝒄𝒌 = 55 a 90 Mpa (C55 a C90)

Para concreto armado 𝑓𝑐𝑘 ≥ 20 𝑀𝑃𝑎


Para concreto protendido 𝑓𝑐𝑘 ≥ 25 𝑀𝑃𝑎

Obras correntes: 20 a 40 MPa


Casos Especiais: até 120 MPa
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Edifício E-Tower – São Paulo

𝒇𝒄𝒌 = 𝟏𝟏𝟓 𝑴𝑷𝒂


𝒇𝒄𝒌 = 𝟏𝟏𝟓𝟎 𝑲𝒈𝒇/𝒄𝒎²

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Concreto
Exemplo: Tração/Compressão em Vigas
(Peça de borracha)

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Concreto

Parte superior encurta Compressão (resiste bem)


Parte inferior alonga Tração (não resiste)
Vãos pequenos em estruturas de pedra.
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Concreto

Parte superior encurta Compressão (resiste bem)


Parte inferior alonga Tração (não resiste)

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Concreto
Fissuras

Devido a incapacidade do concreto de acompanhar as


deformações de tração

Aparecem as fissuras na parte inferior da barra, como


consequência da baixa resistência do concreto à
tração. 22
Concreto

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Nomenclatura e classificação das fraturas

FRATURAS ABERTURAS(mm)

Fissura Até 0,5


Trinca De 0,5 até 1,5
Rachadura De 1,5 até 5,0
Fenda De 5,0 até 10,0
Brecha Acima de 10,0

Fonte: KLEIN et al.(1999, apud ASSUNÇÃO, 2005). 24


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Concreto
Diagrama tensão-deformação do concreto(compressão
simples)
𝑓𝑐 = 𝑅𝑒𝑠𝑖𝑠𝑡ê𝑛𝑐𝑖𝑎 𝑎 𝑐𝑜𝑚𝑝𝑟𝑒𝑠𝑠ã𝑜 (𝑓𝑐𝑘 ≤ 50𝑀𝑃𝑎)
∈𝑜 = 2‰ = 2𝑚𝑚/𝑚 (𝑑𝑒𝑓𝑜𝑟𝑚𝑎çã𝑜 𝑒𝑠𝑝𝑒𝑐í𝑓𝑖𝑐𝑎)
∈𝑢 = 3,5‰(𝑑𝑒𝑓𝑜𝑟𝑚𝑎çã𝑜 𝑑𝑒 𝑟𝑢𝑝𝑡𝑢𝑟𝑎)

𝑁ã𝑜 𝑜𝑏𝑒𝑑𝑒𝑐𝑒 𝑎 𝑙𝑒𝑖 𝑑𝑒 𝐻𝑜𝑜𝑘

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Concreto
Resistência sob cargas de longa duração

Efeito Rüsch: a longo prazo, o concreto rompe para carga


inferior à resistência obtida em ensaio de curta duração.
NBR 6118 sugere aplicação de fator 0,85 à resistência.

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Concreto

𝜀𝑐2 → 𝑒𝑛𝑐𝑢𝑟𝑡𝑎𝑚𝑒𝑛𝑡𝑜 𝑛𝑜 𝑖𝑛í𝑐𝑖𝑜 𝑑𝑜 𝑝𝑎𝑡𝑎𝑚𝑎𝑟 𝑝𝑙á𝑠𝑡𝑖𝑐𝑜;


𝜀𝑐𝑢 → 𝑒𝑛𝑐𝑢𝑟𝑡𝑎𝑚𝑒𝑛𝑡𝑜 𝑛𝑜 𝑖𝑛í𝑐𝑖𝑜 𝑑𝑎 𝑟𝑢𝑝𝑡𝑢𝑟𝑎.

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Concreto

Classes até C50: 𝜀𝑐2 = 2‰ 𝑒 𝜀𝑐𝑢 = 3,5‰


Classes de C55 a C90: 𝜀𝑐2 = 2‰ + 0,085‰ 𝑓𝑐𝑘 − 50 0,53

90−𝑓𝑐𝑘 4
𝑒 𝜀𝑐𝑢 = 2,6‰ + 35‰
100

Classes de resistência característica do concreto (MPa)


Grandezas
20 a 50 55 60 65 70 75 80 85 90

𝜀𝑐2 (‰) 2,000 2,199 2,288 2,357 2,416 2,468 2,516 2,559 2,600

𝜀𝑐𝑢 (‰) 3,500 3,125 2,884 2,737 2,656 2,618 2,604 2,600 2,600

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Concreto

Resistência a tração do Concreto


Ensaio: compressão diametral (brasileiro)

Carregamento auto equilibrado


distribuído em duas arestas
diametralmente opostas.

Surgem tensões de tração na


direção perpendicular àquelas dos
carregamentos.
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Resistência a tração do Concreto

Ensaio: compressão diametral


(brasileiro)
Estimativa conforme
NBR 6118 em função
do fck (MPa):
C20 a C50 C55 a C90
Resistência media f ct ,m  0,3 f ck 2 / 3
f ct , m  2,12 ln1  0,11 f ck 
Resistência superior f ctk ,sup  1,3 f ct ,m

Resistência inferior f ctk ,inf  0,7 f ct ,m 31


Comportamento reológico do concreto

Deformabilidade do concreto em função do tempo.

1. Retração

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Comportamento reológico do concreto

Retração: deformação volumétrica do concreto


independentemente do carregamento externo.

A água não associada quimicamente ao concreto


situada nas fibras externas, evapora → Redução de
volume → criando-se condições de deformação
diferenciado entre o miolo e a periferia.

Geram tensões capazes de provocar fissuras.

Fissura por retração


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Comportamento reológico do concreto
Fatores que influenciam a retração

 Aumento da temperatura aumenta a retração;

 A retração é menor em peças de grandes dimensões;

 Quanto mais seco o meio externo, maior será a


retração;

 A retração diminui com a redução do fator


água/cimento e com o consumo do cimento;

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Comportamento reológico do concreto
2. Expansão

Análogo a retração, quando mergulhamos uma peça


de concreto na água.

Concreto absorve parte da água → Expansão

Obs.: Se mantivermos encharcado com água uma


peça recém concretada podemos neutralizar (em
parte) os efeitos da retração (cura do concreto
durante os 7 primeiros dias). 35
Comportamento reológico do concreto

3. Fluência do Concreto (𝜺𝒄𝒄 ) (Deformação Lenta)


P
𝜀𝑐𝑜 P 𝜀𝑐𝑜 → 𝐷𝑒𝑓𝑜𝑟𝑚𝑎çã𝑜 𝐼𝑚𝑒𝑑𝑖𝑎𝑡𝑎;
𝜀𝑐𝑐 𝜀𝑐𝑐 → 𝐹𝑙𝑢ê𝑛𝑐𝑖𝑎.
𝑙=1

t= 0 t= 𝑡0 t > 𝑡0
Moldagem Retirada de Fluência
escoramento
Ex.: Marquise
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Fluência do Concreto(𝜀𝑐𝑐 )
Acréscimo contínuo das deformações ao longo do tempo,
quando submetidos a tensão de compressão permanente e
constante.

𝑐∞

𝐶0

𝐶0

t t∞

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Fluência do Concreto(𝜀𝑐𝑐 )
Fatores que agem na Fluência

 Duração e idade de aplicação do carregamento;

 A deformação lenta é proporcional a tensão que a


produz;

 A fluência é menor em peças de grandes dimensões;

 Quanto mais seco for o meio externo, maior a fluência;

 A fluência diminui com a redução do fator


água/cimento e com o consumo de cimento; 38
4. Deformação por variação de temperatura
 Variação de temperatura / Estruturas

 Junta de dilatação (de separação ou de movimento)

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Deformação por variação de temperatura

Junta de Dilatação em Pilares

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Deformação por variação de temperatura

Junta de Dilatação em Pilares

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Deformação por variação de temperatura

 NBR 6118:1980 → Dispensava cálculo de esforços


oriundos de variação de temperatura para dimensões
< 30m;

 NBR 6118: 2003 → Não constava nada sobre a


prescrição anterior;

 NBR 6118: 2014 Subseção 24.4 → As juntas de


dilatação devem ser previstas pelo menos a cada 15
m.

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Deformação por variação de temperatura

 Estrutura muito hiperestática;

 Núcleo rígido distante do centro de dilatação;

 Podem ser impostos deslocamentos elevados;

 Então: Recomenda-se núcleo rígido no centro da


edificação.
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Deformação por variação de temperatura *

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