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INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA

FLUMINENSE

LICENCIATURA EM GEOGRAFIA

JUCÉLIA SILVA DOS SANTOS VALENCIA

O ENSINO DA GEOGRAFIA ATRAVÉS DA PEDAGOGIA WALDORF:

o relato de uma vivência

Campos dos Goytacazes/RJ

2015
JUCÉLIA SILVA DOS SANTOS VALENCIA

O ENSINO DA GEOGRAFIA ATRAVÉS DA PEDAGOGIA WALDORF:

o relato de uma vivência

Monografia apresentada ao Instituto Federal de


Educação, Ciência e Tecnologia Fluminense como
requisito parcial para a conclusão do curso em
Licenciatura em Geografia.

Orientador: M.Sc. Maurício Nunes Lamonica

Campos dos Goytacazes/RJ

2015
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
Biblioteca. Setor de Processos Técnicos (IFF)

V152e Valencia, Jucélia Silva dos Santos.


O ensino da geografia através da pedagogia Waldorf: o relato de
uma vivência / Jucélia Silva dos Santos Valencia – 2015.
58 f.: il. color.

Orientador: Maurício Nunes Lamonica

Monografia (Licenciatura em Geografia). Instituto Federal de


Educação, Ciência e Tecnologia Fluminense. Campus Campos Centro.
Campos dos Goytacazes (RJ), 2015.
Referências: p. 45-46.

1. 1. Geografia – Estudo e ensino. 2. Waldorf, Método de


educação. 3.
2. Ensino. 4. Psicologia educacional. I. Lamonica, Maurício Nunes,
orient.
3. II. Título.

CDD – 910.7
AGRADECIMENTOS

Agradeço primeiramente ao IFF, por ter me oferecido um ensino de qualidade e


gratuito.

Ao meu orientador, que apesar do pouco tempo de jornada não me julgou pela demora
em defender este trabalho e me deu todo apoio necessário.Sem ele este trabalho não seria
possível.

Ao meu querido amigo Vinícius Lima, por compartilhar comigo sua jornada
universitária comigo e hoje, poder fazer parte desta banca como futuro doutor.

Ao professor convidado a fazer parte desta banca.

A minha mãe pela paciência incansável, pela suporte que ultrapassou fronteiras.

A Daniel Middleton, pela ajuda em me fazer voltar ao Brasil e terminar esta fase da
minha vida, e a partir daí trilharmos novos sonhos.

As minhas queridas amigas, Mariana Huguet, Aline Barbosa ,Camilla Gama e Vanessa
Rafael.

A Escola Waldorf Pucón, por ter me recebido de braços abertos e ter me possibilitado
a interação com seu corpo docente, alunos e projetos.

Agradeço a vida, por todos os dias me mostrar novos caminhos, e as oportunidades


que dela surgiram.
Não há, basicamente, em nenhum nível, uma outra
educação que não seja a auto-educação. [...] Toda
educação é auto-educação e nós, como professores e
educadores, somos, em realidade, apenas o entorno da
criança educando-se a si própria. Devemos criar o mais
propício ambiente para que a criança eduque-se junto a
nós, da maneira como ela precisa educar-se por meio de
seu destino interior.


R.Steiner
RESUMO

Este trabalho tem o objetivo de apresentar um estudo de caso específico como


ferramenta metodológica para o desenvolvimento da pesquisa monográfica.A instituição eleita
para o desenvolvimento deste estudo foi a EWP, Escola Waldorf Pucón, especializada no
ensino pautados na antroposofia desde o ano de 2006, e está localizada ao sul do Chile, na
localidade chamada Pucón.
O período de aplicação da metodologia teve inicio em meados de julho de 2014, com
envolvimento do corpo docente e discente da escola.Neste pesquisa qualitativa também foram
utilizados outros recursos, de diferentes tipologias, tais como fotografias e desenhos.
Para tal estudo encontrou-se necessário em sua revisão bibliográfica, as abordagens de Rudolf
Steiner, fundador da antroposofia e sua bibliografia, fazendo jus a metodologia utilizada pela
escola, além da proposta transdisciplinar embasadas em Edgar Morin.
Sobretudo, este estudo de caso tem como propósito mostrar como o ensino da geografia é
apresentado sob a luz da pedagogia Waldorf.

Palavras-chave: Estudo de Caso, Escola Waldorf Pucón, antroposofia, proposta


transdisciplinar, ensino da geografia.
ABSTRACT

This study aims to present a specific case study as a methodological tool for the
development of research dissertation.A institution elected to the development of this study
was the EWP, Waldorf School Pucon, specializes in teaching guided by the anthroposophy
since 2006, and is located south of Chile, in the place called Pucon.
The methodology of the application period began in mid-July 2014, involving faculty and
students of the school.These qualitative research other resources were also used, of different
types, such as photographs and drawings.
For this study it was found necessary in their literature review, the approaches of Rudolf
Steiner, founder of anthroposophy and its bibliography, living up the methodology used by the
school, as well as transdisciplinary proposal informed in Edgar Morin.
Above all, this case study aims to show how the teaching of geography is presented in the
light of Waldorf pedagogy.

Keywords: Case Study, Waldorf School Pucon, anthroposophy, transdisciplinary proposal


teaching of geography.
LISTAS DE FIGURAS

Figura 1.Desenho em giz de cera, alusão aos ciclos Waldorf……………….….26

Figura 2.Desenho em lousa sobre Índia…………………………………….…..36

Figura 3.Índia.Trabalho em quadro negro………………….………….……….36

Figura 4.Turma do quinto ano da EWP……………………….………….….…37

Figura 5.Imagem do google earth das distâncias entre Santiago e Pucón….…..38

Figura 6.Nova escola Pucón……..…..…………………………………………39

Figura 7.Desenho em lousa e pintura……………………………………..……43


LISTA DE TABELAS

Tabela 1.Número de escolas Waldorf no mundo ………………………………20

Tabela 2.Currículo simplificado das escolas Waldorf …………………………28


SUMÁRIO

LISTA DE FIGURAS……………….……………………….….……….….……9

LISTA DE TABELAS…………………………………………..…………….…10

INTRODUÇÃO…………………………………………..…….……………….12

1 MÉTODOS E TÉCNICAS……………………………………..………….… 13

1.1 O método. A complexidade como método transdisciplinar……….………13

1.2 Procedimentos Operacionais……………….………………….……………15

2 A PEDAGOGIA WALDORF…………………………………………..…..…17

2.1 A criação das escolas Waldorf…………………………………….…..….…18

2.2 Um breve histórico de Rudolf Steiner………………………………………21

2.3 A antroposofia…………………………………………………….……….….21

3 O QUE É A ESCOLA WALDORF………………………………….…..……22

3.1 O funcionamento de uma escola Waldorf…………………..….…..………23

3.2 Como se tornar um professor Waldorf………………………….…..….….24

3.3 O currículo Waldorf……………………………………………..………….25

3.4 A prática de ensino dos professores Waldorf………………….…….….…29

3.5 O envolvimento dos pais…………………………………………..….…….30

3.6 A importância da geografia dentro da escola………………………..……31

3.7 O contato com a pedagogia Waldorf………………………..….………….36

3.8 Vivência em uma escola Waldorf………………………………….……….37

CONSIDERAÇÕES FINAIS ………………………….………………………43

REFERÊNCIAS …………………………….………………………….………46
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INTRODUÇÃO

Este trabalho tem a intenção de apresentar uma pedagogia ainda pouco conhecida nos
meios tradicionais - a pedagogia Waldorf. Demonstrado através de uma vivência, o que é essa
pedagogia, como funciona sua prática docente e como a geografia é transmitida.
A eleição do tema ocorreu através de uma aproximação com a pedagogia Waldorf
iniciada com um curso de formação de professores Waldorf em Nova Friburgo, Brasil, e sua
continuidade no Chile, culminando em um estágio de vivência na escola Waldorf Pucón
( Chile).Vê-se neste trabalho uma oportunidade de aprofundar os conhecimentos e difundir a
pedagogia Waldorf para os demais interessados no tema.Apesar de buscar um olhar
geográfico, este trabalho foca na transdisciplinaridade como fio condutor, visto que a
educação Waldorf se articula criativamente aos princípios epistemológicos de uma educação
transdisciplinar.
Segundo Morin:

A educação deve favorecer a aptidão natural da mente em formular e


resolver problemas essenciais e, de forma correlata, estimular o uso total da
inteligência geral. Este uso total pede o livre exercício da curiosidade, a
faculdade mais expandida e a mais viva durante a infância e a adolescência,
que com freqüência a instrução extingue e que, ao contrário, se trata de
estimular ou, caso esteja adormecida, de despertar. 1

Em termos organizacionais, este trabalho se desenvolve, respectivamente: no primeiro


capítulo a metodologia do trabalho seguida por uma apresentação do que é a pedagogia
Waldorf, um breve histórico de seu idealizador Rudolf Steiner e sua ciência antroposófica. Já
no terceiro capítulo apresenta-se o que é uma escola Waldorf propriamente dita,em seus
vários âmbitos para culminar no relato de uma vivência na escola em questão.

1 Edgar Morin.Os sete saberes necessários à educação do futuro.p.39


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1- MÉTODOS E TÉCNICAS
Primeiro de tudo, é preciso esclarecer que metodologia é entendida aqui como um
conhecimento crítico dos caminhos do processo científico, indagando e questionando acerca
de seus limites e possibilidades . Basicamente trata-se de quais maneiras faz-se ciência. A
metodologia é, deste modo, uma disciplina instrumental a serviço da pesquisa; nela, toda
questão técnica implica uma discussão teórica.

Assim, nas ciências humanas no geral, diferentemente das ciências naturais, os fenômenos são
complexos, não sendo fácil separar causas e motivações isoladas e exclusivas pois os
fenômenos não podem ser reproduzidos em laboratório e submetidos a controle.

A gama de material obtida pelo pesquisador exige do mesmo uma capacidade integrativa e
analítica que, por sua vez, depende do desenvolvimento de uma capacidade criadora e
intuitiva. A intuição aqui mencionada não é um dom, mas resultado da formação teórica e dos
exercícios práticos do pesquisador. Já no desenvolvimento do emprego de metodologias
quantitativas, por exemplo, o que se procura é justamente o contrário, ou seja, controlar o
exercício da intuição e da imaginação, mediante a adoção de procedimentos bem delimitados
que permitam restringir a ingerência e a expressão da subjetividade do pesquisador.

1.1 O MÉTODO . A Complexidade como método transdisciplinar

Há uma confusão crescente entre o processo de transmissão e aprendizagem dos


“saberes” desenvolvidos de forma separada, fragmentada ou compartimentada entre as
diversas disciplinas, ao contrário de realidades e problemas cada vez mais polidisciplinares,
transversais, multidimensionais, transnacionais, globais ou planetários. [...] A
hiperespecialização impede de ver o global (que ela fragmenta em parcelas), bem como o
essencial (que ela dilui). [...] o retalhamento das disciplinas (no Ensino) torna impossível
apreender "o que é tecido junto", isto é, o complexo, segundo o sentido original do termo
(MORIN, 2000).

A busca de uma maior abrangência das disciplinas culminou em uma etapa de modificação da
ótica fragmentada do objeto de estudo, para uma visão em que as disciplinas aproximavam-se
reciprocamente em torno de um mesmo objeto, organizadas em uma estratégia
!13

multidisciplinar.Como sua finalidade é a compreensão do mundo atual, levando em conta sua


complexidade e o caráter multidimensional dessa compreensão, esta nova conceitualização
relacionou-se a uma abordagem cujo o questionamento motivador de interesse não partiria de
uma única disciplina. Pelo contrário, este questionamento se organizaria em torno de uma
quebra das fronteiras disciplinares.Sem dúvida, uma abordagem de tal complexidade
epistemológica implica em inúmeras questões teóricas e práticas. No entanto, é justamente a
partir da discussão sobre um projeto transdisciplinar na educação e na pesquisa, que se
organizam os pilares da construção do conhecimento nas universidades do mundo
contemporâneo.Deste modo, como se daria a questão de uma educação transdisciplinar? Em
uma discussão sobre os sete saberes necessários para a educação do futuro, Morin (2002)
reafirma sua posição de que para podermos promover o conhecimento não podemos mais
prescindir de uma posição teórica que englobe a totalidade da condição humana.

A educação não deve compartimentalizar-se apenas à compreensão do humano, mas deve


partir da noção fundamental que considera todas as dimensões e a complexidade da existência
humana. Ao desenvolver a relação entre o todo e as partes, tal perspectiva propaga o
surgimento do “conhecimento pertinente”, um movimento de compreensão da totalidade do
objeto de estudo no processo educativo.

O processo de educação vem sendo desafiado a superar o paradigma dominante que


caracterizou a ciência nestes últimos séculos. Esse movimento de mudança busca um
paradigma inovador que precisa ser incorporado, também, pelos processos educacionais. Os
paradigmas acompanham o mundo, que está em constante mudança, pois tudo no universo se
interliga e se relaciona, como uma teia.Esse processo de transição demanda atualizações
constantes por parte do corpo docente, que devem sempre estar situados em todos os
contextos da sociedade e esferas da vida humana. Sendo assim, acredita-se que a proposição
do paradigma da complexidade possa atender as expectativas. O paradigma da complexidade
envolve uma visão de totalidade, buscando a superação da fragmentação em todas as áreas do
conhecimento.

As tentativas de se apropriar do saber e da verdade baseadas no paradigma cartesiano e


reducionista trouxeram a certeza de que o conhecimento é “uma aventura incerta que
comporta em si mesma, permanentemente, o risco de ilusão e de erro”. Se, a princípio, a
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divisão do conhecimento em disciplinas tornou o campo do saber mais especializado e


restrito, criando a ilusão de uma maior cientificidade, observa-se no cenário atual que a
complexidade da experiência humana não comporta mais esta aproximação sectária (MORIN,
2002, p. 90).

1.2 Procedimentos operacionais.

O conhecimento qualitativo é uma produção de construções e interpretações, ou seja,


não é apenas a soma de experiências, mas também uma busca de lhes dar sentidos. Na
tentativa de entender os dados concretos obtidos no processo investigativo, surge a
interpretação: um processo constante no qual o investigador constrói indicadores que não
fariam sentido se tomados isoladamente, como meras constatações empíricas.

A interpretação é um processo diferenciado que dá sentido a diferentes


manifestações concretas do estudado e as convertem em momentos
particulares do processo mais geral orientado à construção teórica do sujeito,
seja em sua condição de sujeito social, como a família, a comunidade, a
escola etc., ou de sujeito individual (REY, 2001, p.38).

A interpretação ocorre através da unicidade e complexidade do objeto estudado onde a teoria


está presente a todo o momento, mas não como hipóteses capazes de explicar tudo o que o
indivíduo ou grupo estudado expressa. A interpretação dá direções ao pesquisador durante o
processo investigativo, principalmente quando vai a campo e entra em contato com situações
que não podem ser mensuradas anteriormente por meio de teorizações. Até mesmo as
situações não previstas ou informais podem ser contextualizadas na pesquisa, tornando-se
relevantes para a construção do conhecimento. Não existem, portanto, regras pré-definidas
para que se realize uma pesquisa qualitativa uma vez que, independentemente do instrumento
utilizado (questionários, entrevistas, sessões de grupo), a construção resultante da interação
entre o pesquisador e seu objeto de estudo é particular. A fala de um sujeito, por exemplo,
pode disparar sentidos apenas em um indivíduo e não no restante de um grupo.

Este caráter singular dado ao sujeito permite que este seja visto de uma forma diferenciada,
possuidor de uma subjetividade que pode ser expressada, que atua nas suas produções e no
seu modo de vida, que faz deste sujeito um ser único.
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Diante do que foi exposto até agora, encontrou-se necessário justificar a técnica da
pesquisa contemplada neste trabalho.Sendo assim, dentro dos planos qualitativos, escolheu-se
o “estudo de caso”. A intenção de um estudo de caso é reunir informações detalhadas e
sistemáticas sobre um dado fenômeno.É um padrão metodológico que busca entendimentos
contextuais, centrando-se na compreensão da dinâmica do contexto real.

Um estudo de caso é uma história de um fenômeno passado ou atual, elaborada a partir de


múltiplas fontes de provas, que pode incluir dados da observação direta e entrevistas
sistemáticas, bem como pesquisas em arquivos públicos e privados (VOSS; TSIKRIKTSIS;
FROHLICH, 2002). É sustentado por um referencial teórico, que orienta as questões e
proposições do estudo, reúne uma gama de informações obtidas por meio de diversas técnicas
de levantamento de dados e evidências (MARTINS, 2008).

Para tal, neste pesquisa qualitativa utilizou-se como objeto de estudo a escola Waldorf
Pucón.Uma escola de caráter comunitário, que contempla cerca de 100 alunos e cerca de 30
pessoas envolvidas como corpo docente e parte administrativa.

O processo de envolvimento com a escola ocorreu de forma bem receptiva.Enviou-se um


email para um primeiro contato solicitando-se a participação como observadora
participante.No primeiro momento, mostrou-se toda a estrutura da escola, bem como o
funcionamento de cada ramo da escola, além da apresentação dos professores.Solicitou-se o
acompanhamento de classes e professores individualmente.

Em um primeiro momento acompanhou-se a turma de sétimo ano.A turma contava com cerca
de nove alunos. A professora realizava suas atividades desde o inicio da manhã, até o
momento que os alunos saiam para atividades extra-classe, como as aulas de movimento e
musica. Esta turma foi acompanhada por cerca de 1 mês, até que acompanhou-se uma nova
turma, a turma do quarto ano, que contava com sete alunos.

Além do acompanhamento das turmas, buscou-se estar presente em todas as atividades que
envolviam a escola.Isso significa dizer que, as atividades extra-classe também faziam parte do
acompanhamento, diga-se: aulas de movimento, musica, artesanato.
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Outro ponto importante a se ressaltar é que por vezes, os professores realizam reuniões com
os pais, afim de expor o novo conteúdo didático e de qual maneira eles (os pais) poderiam
contribuir.Estas reuniões também foram acompanhadas.

A escola passava por um processo a nível estrutural.Estavam mudando-se para um novo local.

Foram pioneiros em colocar a bio-construção à serviço da educação. Com a ajuda da


comunidade , diga-se pais, comerciantes, empresários, voluntários, etc., conseguiram comprar
um terreno para projetar uma escola maior.Sob os princípios da sustentabilidade ergueram sua
escola.As salas de aula foram construídas com palha e barro, integrando-se ao entorno
natural.As crianças também ajudaram neste processo construindo jardins, muros e móveis.

A participação neste processo de construção também ocorreu de forma esporádica, sendo


realizada duas visitas como contribuinte.

Além disso, a participação em eventos tornou-se parte do objetivo em questão, sendo


prestigiado eventos como o festival de talentos, festa da primavera, palestras, culminando no
seminário de verão intitulado “ seminário da criança do primeiro setênio e sua comunidade”
realizado por duas professoras experientes na área que após se aposentarem percorrem o
mundo transmitindo seminários.

2.A PEDAGOGIA WALDORF

A pedagogia Waldorf surgiu após o fim da Primeira Guerra Mundial em meio a


desordem econômica e social eminente nos países envolvidos. A Europa tentava se
reconstruir, e, em meio a estes fatos, Rudolf Steiner buscou contribuir para a construção de
novas formas de autogestão, já que neste momento participava do movimento social em
Württemberg, na Alemanha. Steiner pautava-se nos princípios da "Trimembração do
Organismo Social”.
A Trimembração do Organismo Social, advinda do alemão Dreigliederung des Sozialen
Organismus, foi um termo criado por Steiner afim de demonstrar que a sociedade e os
organismos sociais deveriam ser organizados em três membros, fazendo uma analogia ao
corpo humano, que as partes interagem entre si, no entanto, são independentes.
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Em outras palavras, que a sociedade e instituições sociais deveriam funcionar como um


organismo vivo.
"Todo ser humano é um ser com necessidades e habilidades, que
interage com outros seres humanos; nessa interação, parte de suas
necessidades são satisfeitas pelas habilidades de outros, e parte de
suas habilidades são exercidas em atuação para ou com outros seres
humanos." 2

2.1 A criação da escola Waldorf

O surgimento da escola Waldorf se deu ligado ao impulso social de trimembração. O


diretor da fábrica de cigarros Waldorf/Astoria Emil Molt, era um colaborador do Movimento
pela Trimembração do Organismo Social. Steiner sugeriu a Molt que: “ os trabalhadores da
fábrica deveriam conhecer melhor o propósito de seu trabalho específico e, desse modo,
conseguir uma relação mais humana com respeito a ele” (Federação das Escolas Waldorf,
1998).
Steiner propôs palestrar para os empregos da fábrica temas ligados à questões sociais e
educativas. Os empregados sentiram o desejo de que seus filhos também recebessem uma
educação mais adequadas a modernidade. Vendo isso Molt pediu a Steiner que o ajudasse a
organizar uma escola para os filhos dos operários de sua fábrica segundo uma concepção
sócio-antropológica.
Rudolf Steiner então reuniu-se com alguns docentes e fizeram um intenso estudo sobre
pedagogia, didática e metodologia para elaborar uma nova proposta pedagógica. Assim, em
1919, a primeira escola Waldorf foi criada em Stuttgart, com 12 docentes e 256 alunos.
Segundo a Federação das escolas Waldorf:
Essa iniciativa foi considerada por testemunhas da época como o ponto
culminante e a concretização dos princípios do Movimento para a
Trimembração Social. Como escola livre, a escola Waldorf tornava real o
impulso da autogestão; como escola para crianças de qualquer procedência,
capacidade, raça, religião, plasmava a idéia da co-educação social.

Atualmente as Escolas Waldorf são uma rede de ensino em crescimento em todo o


mundo, presente em todos os continentes. Apesar de terem sido criadas na Alemanha, tentam
incentivar e incorporar a cultura do país onde se encontram.

2 Steiner,R.Economia Viva,1961.
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Segundo o Instituto Freunde der Erziehungskunst3 Rudolf Steiner, existem hoje mais
de 1.000 escolas oficiais espalhadas por todo o mundo (tabela 1). Além de mais de 2.000
jardins de infância, ligados às escolas Waldorf ao redor do mundo.
No Brasil, a primeira escola foi criada em 1956, em São Paulo por Karl e Ida Ulrich,
professores da escola Waldorf em Pforzheim (Alemanha), que vieram para lecionar e preparar
novos professores para lecionar a pedagogia Waldorf.
Assim como no resto do mundo, o movimento tem se expandido com novas escolas em todo
Brasil,hoje em dia existem mais de 70 no território nacional.

3 Do alemão: amigos da arte de educar.


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Tabela 1: Número das escolas Waldorf no mundo. (Fonte: Freunde der Erziehungskuns)

Anzahl der Waldorfschulen weltweit /


Number of Waldorf Schools worldwide

Afrika Europa
Ägypten 1 Armenien 1
Kenia 2 Belgien 28
Namibia 1 Dänemark 16
Südafrika 17 Deutschland 232
Tansania 1 Estland 9
Finnland 26
Amerika Frankreich 15
Argentinien 14 Georgien 1
Brasilien 30 Großbritannien 30
Chile 4 Irland 4
Guatemala 1 Island 2
Kanada 18 Italien 31
Kolumbien 4 Kroatien 2
Mexiko 12 Lettland 2
Peru 3 Liechtenstein 1
USA 125 Litauen 3
Asien Luxemburg 1
China 6 Moldawien 1
Indien 6 Niederlande 90
Israel 14 Norwegen 32
Japan 7 Österreich 18
Kasachstan 2 Polen 4
Kirgistan 1 Portugal 2
Korea (Republik) 10 Rumänien 11
Nepal 2 Russland 18
Philippinen 3 Schweden 44
Tadschikistan 1 Schweiz 32
Taiwan 3 Slowakei 1
Thailand 3 Slowenien 4
Spanien 9
Tschechische
Australien (Ozeanien) 17
Republik
Australien 42 Ukraine 4
Neuseeland 10 Ungarn 29
Total: 1063 (May 2015)

159 14
!20

2.2 Um breve histórico sobre Rudolf Steiner

Rudolf Steiner, filósofo, pedagogo e arquiteto, nasceu em 1861 em Kraljevic, Áustria.


Segundo Meyer (1969) desde a infância já mostrava sensibilidade para assuntos espirituais e
humanísticos, no entanto, cumpriu seus estudos em ciências exatas em Viena. Além disso,
Rudolf Steiner se dedicou a investigações sobre história literária e ciências naturais,
conseguindo assim uma habilitação de professor livre de filosofia.
Durante a primeira etapa de sua atividade 4se declinou às obras de Goethe, tornando-se
em 1883 responsável pela edição dos escritos científicos de Goethe. Editor em Weimar das
obras completas de Goethe (1889-1896) e autor de “A filosofia da liberdade” (1894), em 1897
se mudou para Berlim onde se dedicou a teosofia. Mas tarde expressou sua doutrina sobre a
antropologia em suas obras: Teosofia (1904) e fundou a Sociedade Antroposófica em 1913. Se
instalou em Dornoch, Suíça, onde construiu o Goetheanum, o templo da antroposofia. Este
prédio foi destruído por um incêndio e se construiu um magnífico novo prédio, exemplo de
uma arquitetura expressionista.
Fundou-se também em Stuttgart, a renovada escola Waldorf de pedagogia além de um
instituto clínico de pedagogia curativa e euritmia.
Steiner morreu em Dornach em 1925, deixando extraordinárias contribuições nos
campos das artes, da organização social, da pedagogia (Waldorf), da medicina, da
farmacologia, da agricultura, e da pedagogia curativa.

2.3 A antroposofia

Antroposofia vem do grego anthropós, homem, e sophia, sabedoria. Trata-se de uma


filosofia de vida que reúne os pensamentos espiritual, científico e artístico numa unidade e que
contempla as questões do homem moderno sobre si mesmo e sobre suas relações com o
universo, elabora pelo austríaco Rudolf Steiner.
Caracteriza-se “como um método de conhecimento da natureza do ser humano e do universo,
que amplia o conhecimento obtido pelo método científico convencional, bem como a sua

4 Dados extraídos da Sociedade Antroposófica no Brasil.Disponível em < http://www.sab.org.br/portal/


antroposofia2/biografia-de-rudolf-steiner>
!21

aplicação em praticamente todas as áreas da vida humana” 5 .Esta abrangente e organizada


tentativa de compreensão do ser humano e de suas relações com o cosmos trouxe um
enriquecimento em vários campos da sociedade, a mais popular dentre estas realizações
práticas, foi a Pedagogia Waldorf, que desde sua criação representa uma revolução em matéria
de educação, com resultados visíveis em mais de 1.000 escolas no mundo inteiro sendo
destas 70 localizadas no Brasil.

A Antroposofia chegou ao Brasil, mais especificamente à São Paulo, Rio de Janeiro e
Porto Alegre, com os imigrantes europeus vindos do pós guerra. Em São Paulo, o movimento
fortificou-se tornando-se destaque na cena nacional.

A junção de educadores, cientistas, artistas, médicos, sociólogos, agricultores e outros
profissionais que se orientam pelos princípios antroposóficos, vem fortalecendo e aumentando
a abrangência do movimento.
As questões abordadas pela Antroposofia foram oficialmente enunciadas no meio
científico a partir de 1986, pela UNESCO, no Congresso de Veneza, onde foi encontrada a
defasagem entre qualidade de vida das pessoas e da sociedade em relação aos avanços
tecnológicos. Além disso, em 1994 houve o I Congresso Mundial de Multidisciplinaridade,
coordenado pelo sociólogo Edgar Morin, onde se discutiu a necessidade de o homem
moderno encontrar novas bases espirituais para a vida. Podemos reconhecer nestes novos
fundamentos os anseios essenciais da concepção antroposófica.

3.O QUE É UMA ESCOLA WALDORF

Segundo a organização Bund der Freien Waldorfschulen 6, a escola Waldorf :

Was the first school to put the principle social justice in education into
practice. Young people are educated together, irrespective of social
background, abilities and vocation. The Waldorf school was foi the first
comprehensive school to replace the principle of selection by a pedagogy of
encouragement and support.

Em tradução livre do inglês:

5 O que é antroposofia.V.W.Setzer,2014.
6 Em português: Associação das escolas Waldorf na Alemanha.
!22

Foi a primeira escola em colocar o princípio da justiça social na educação em prática.Os


jovens são educados juntos, independentemente de sua origem social, habilidades e vocação.A
escola Waldorf foi a primeira escola abrangente para substituir o princípio da seleção por uma
pedagogia de incentivo e apoio.

A educação Waldorf é uma forma única de educação do pré-escolar até o ensino


médio, que é baseada na visão de que o ser humano é um ser de corpo, alma e espírito. Os
métodos utilizados nas escolas Waldorf vêm da visão que a criança se desenvolve através de
uma série de etapas( ciclos) básicas da infância para a idade adulta.

3.1 O funcionamento de uma escola Waldorf

Cada Escola é independente. Entretanto, há associações de fim não-lucrativo que


apoiam o movimento, promovendo cursos e congressos de atualização de professores e muitas
vezes, ajuda financeira para escolas de poucos recursos materiais.Não há um diretor
plenamente responsável e sim uma equipe de professores que exercem em conjunto a função
diretiva, com absoluta autonomia para o domínio pedagógico.As escolas são representadas
juridicamente por uma associação responsável pelos atos jurídicos e financeiros, cujo qual
participam professores, pais, e aqueles que sentem afinidade com os seus propósitos
educativos e culturais. Apesar de uma gestão diferente, com a participação ativa dos pais e da
família,não muda em nada quaisquer responsabilidades pedagógicas, financeiras ou jurídicas
da escola. A Escola Waldorf responde a todos estes níveis, como qualquer outra escola.

No âmbito financeiro, as escolas, no geral, tentam manter seu funcionamento por


aqueles que se identificam com a “causa”, através de doações, e majoritariamente o
pagamento advindo dos pais que buscam este tipo de escola para seus filhos. Os pais com
condições financeiras melhores pagam mais, enquanto os que têm menos condições pagam
menos, e às vezes conseguem uma bolsa para seus filhos. Esse últimos também podem
contribuir de outra maneira que não seja a financeira: Eles podem ter uma participação mais
ativa na escola, trabalhando como jardineiros, na parte administrativa, ou contribuindo de
qualquer forma necessária para o bem da escola.
!23

No quesito salário dos professores, a remuneração dos professores deve lhes permitir
uma existência tranquila, sendo eles os que julgam o quanto precisam e na maioria das escolas
existem tabelas que preveem, além do ordenado básico, acréscimos por tempo de trabalho,
idade e número de dependentes. Ademais, não há diferença de salário relacionada à formação
de professor ou outro. No entanto, os professores devem trabalhar em regime de dedicação
exclusiva, para que tenham tempo de participar de reuniões e conferências periódicas, formar-
se e participar de vida cultural da escola, preparar as aulas, corrigir tarefas e etc.

Os professores são considerados peça fundamental da escola, segundo Lanz (1990) “o


corpo docente é a cabeça e o coração da escola. (...) os professores não têm apenas por função
ministrar aulas” (p.165). Eles devem entender que cada um deve contribuir para o bom
funcionamento da escola, tendo assim que se organizar realizando assim reuniões semanais,
denominadas de Conferência Pedagógica, a fim de conversarem sobre os problemas de
administração escolar interna, a situação pedagógica da sala de aula e compartilharem suas
experiências. Tornando-se para o corpo docente o principal recurso para o aprimoramento
constante de suas capacidades profissionais e também para sua integração no organismo
escolar. Em todas as reuniões busca-se obter o consenso geral para as decisões necessárias.

3.2 Como se tornar um professor Waldorf

O professor Waldorf, além da formação tradicional exigida pelo MEC (licenciaturas


ou pedagogia), passa por uma formação específica, que consiste nos Cursos de Formação em
Pedagogia Waldorf. Estes seminários para a formação de professores foram fundados em
vários países como Alemanha, Suíça, Inglaterra, Estados Unidos, Brasil, etc.

No Brasil este cursos duram em média 4 anos, organizados da seguinte maneira: 1


final de semana a cada mês, e curso de férias em janeiro de julho, com duração de 1
semana.Este cursos de formação de professores Waldorf infelizmente não são oferecidos
gratuitamente, sendo pagas mensalidades. Em outros países, por exemplo, a duração deste
curso é menor.
!24

Fazem parte da formação matérias teóricas como as que tratam do currículo e do


desenvolvimento da criança baseadas na antroposofia. Além de vivências com artes, música,
filosofia e trabalhos manuais. Lanz ressalta que:

Ninguém se torna professor Waldorf apenas por ter frequentado um desses


seminários, o ensino que ali se ministra constitui um preparo, pois
familiariza o participante com os princípios da Antroposofia, com a
metodologia e didática da pedagogia Waldorf e com todos os problemas
inerentes à sua realização prática (Lanz, 2005, p.170).

Ou seja, a formação de todo professor se completa no exercício diário da sua missão,


dentro da sala de aula. Os professores após terminarem ou durante mesmo o curso de
formação são encorajados a ser tornarem assistentes de professores. Este processo dura 1 ano
geralmente, até que após este processo possam se tornar professores.Os profissionais que
participam desses seminários aprendem tudo o que deve ser ensinado aos alunos de forma
conceitual e prática, entendendo o porquê de cada atividade tornando-se quase que impossível
adotar a pedagogia Waldorf se o professor não tiver um treinamento, vivenciando-a e se
transformando diante dela.

Segundo o site da Federação das Escolas Waldorf no Brasil, hoje em dia há 15


seminários de formação de professores no país, localizados em cidades do interior e nas
capitais dos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina,
Minas Gerais e Pernambuco.

3.3 O currículo Waldorf

O campo de aplicação da pedagogia Waldorf, é o ensino fundamental e médio, que


contempla os indivíduos entre 7 a 18 anos aproximadamente.Torna-se um pouco difícil
explicar todos os detalhes do sistema Waldorf, porque qualquer sistematização estaria em
contradizendo sua principal característica: que é “a de ser um corpo vivo, suscetível de
assumir formas e aspectos diferentes de acordo com as circunstâncias reais e concretas de um
determinado meio social, de um país, de uma legislação vigente em matéria de
Educação” (LANZ, 2005, p.115).
!25

Sendo assim, limitar-se a algumas características geralmente aceitadas e aplicáveis,


apresentadas a seguir:
Uma escola Waldorf completa engloba doze anos divididos em 2 ciclos, de oito e
quatro anos, respectivamente. Abrangendo 12 classes.
Vale ressaltar a importância da questão do ciclo na escola, visto que dentro do ciclo escolar
um assunto pode ser abordado várias vezes de diferentes maneiras.
Usa-se como alusão a imagem abaixo:

Figura 1. Desenho em giz de cera, alusão aos ciclos Waldorf. Fonte : EWBH

Além disso, existe ainda um jardim de infância (conhecido como kindergarten7 ) .

As escolas Waldorf se destinam a crianças de diferentes classes sociais, religiões e


raça, entendo-se que todo cidadão tem o direito inalienável a uma educação completa.
Ninguém pode ser excluído da carreira escolar sob o pretexto de ser menos dotado de
aparentar deficiência de inteligência, etc.No entanto,para crianças com necessidades especiais
devem existir escolas ou institutos adequados pois, nenhuma criança deve ser considerada
não-apta a frenquentar uma escola.A escola está à serviço da criança, não o contrário.
A iniciativa Waldorf aspira um pleno desenvolvimento de sua personalidade e não somente a
preparação profissional.
A escolha dos materiais, o momento e a metodologia para ensinar-la dependem, por
um lado, das sugestões feitas por Steiner e das experiências acumuladas durante o tempo

7Palavra oriunda do alemão que significa: jardim de infância.Para mais detalhes, buscar jardins de infância
Waldorf.
!26

transcorrido desde então, e por outro das exigências curriculares feitas pela legislação dos
respectivos países.
O currículo Waldorf vem se mostrando muito mais amplo e rico que os oficiais,cujas
exigências mínimas são sempre satisfeitas, ainda que as vezes, com defasagem, na época que
são cumpridas.
Todas as disciplinas são obrigatórias para todos os alunos- havendo, no entanto,
opções entre as atividades artísticas e entre os idiomas estrangeiros.
Apesar disso, as escolas Waldorf não são consideradas instituições que distribuem
oportunidades de carreiras profissionais.

Na pedagogia Waldorf, a vivência vem antes da teoria.

Conforme afirma a escola Waldorf Recife:


O conteúdo curricular é ajustado para que haja uma identidade entre o que o
aluno vive e o que deve aprender. O aprendizado efetiva-se por meio de
questões e tarefas conectadas com o modo como a criança e o jovem
naturalmente se relacionam com o mundo.

Outro ponto interessante é o tempo e sua aprendizagem no currículo Waldorf.


O não exigir um pensar abstrato, intelectual, muito cedo é uma das características marcantes
da pedagogia Waldorf em relação a outros métodos de ensino. Não é recomendado, por
exemplo, que as crianças sejam ensinadas a ler antes de entrar na 1º ano.A partir de então o
currículo é organizado, normalmente, como segue abaixo:
!27

Tabela 2.Currículo simplificado das escolas Waldorf.Modelo extraído da escola Waldorf de Belo
Horizonte.

Organiza-se o conteúdo de cada ano por divisão de temas principais ,que são
ensinados durante três ou quatro semanas, de maneira intensiva e profunda e são as chamadas
épocas. Exemplo: época da geografia, época da história, e assim com as demais disciplinas.
Para Steiner o valor pedagógico frutífero do trabalho intensivo seguido pelo
esquecimento. Esta dinâmica permite aos alunos uma espécie de digestão do conhecimento
adquirido. Quando se retorna a uma época, as crianças estão cheias de novidades e com
vontade de aprender mais.

3.4 A prática de ensino dos professores Waldorf

Dentro da escola Waldorf, a relação professor-aluno é o centro da pedagogia Waldorf.

O professor deve-se mostrar como uma autoridade confiável, capaz de transmitir


conhecimento com amor.

É ele quem vai acompanhar a turma desde o 1º até o 8º ano, ensinando as matérias
principais.Este professor, quem acompanha cada classe durante os primeiros oito anos, tendo
a seu cargo o currículo Waldorf inicial, por exemplo: história, geografia, ciências naturais, etc.
Outros professores encarregam-se das disciplinas individuais, como música, jardinagem,
trabalhos manuais, etc.

Os professores não utilizam computadores dentro das salas de aula e sobretudo não há livros
escolares durante os primeiros anos, pois são os próprios alunos que elaboram tudo em
cadernos próprios criados com arte, imaginação e individualidade.

Sendo assim, os professores Waldorf não utilizam métodos de ensino baseados em manuais,
trata-se de um trabalho realizado pelo professor de como desenvolver na maneira de ensinar
aquelas matérias.
A Federação das Escolas Waldorf, afirma:
Em vez de um programa abstrato estabelecido por uma autoridade anônima, afastada   da
prática, que impõem um conjunto super estruturado de objetivos que ignoram a personalidade
1º ano - Introdução pictórica ao alfabeto,escrita,poesia e teatro. !28
- Contos populares:contos de fadas, fábulas e lendas.
- números, aritmética, introdução as operações e cálculos mentais.
- história da natureza, construção e jardinagem.
- trabalho com a parte rítmica e para o amadurecimento motor.
- lendas da natureza para o ensino de ciências.
- trabalho de formas ( a reta e a curva e suas variações )

2º ano - Escrita de imprensa, leitura, ortografia, poesia e teatro.


- aprofundamento das quatro operações matemáticas e cálculos mentais.
- a noção do tempo: as estações, o dia e a noite, as horas.
- fábulas e lendas de natureza e de santos.
- as diferentes formas de plantio: horta, pomar, jardim, etc.
- trabalho de formas ( formas com movimentos rítmicos, espelhamentos duplos)

3º ano - Escrita, leitura, ortografia, introdução à gramática, poesia e teatro.


- escrita cursiva.
- os primeiros problemas escritos, as contas, os cálculos mentais,e as unidades
de medida.
- valorização homem através do tema das profissões.
- os povos do mundo e suas casas.
- a construção individual da casa.
- o trabalho da terra (cereais e hortaliças)
4º ano - Lendas sobre gerais e flores.
- histórias do velho testamento.
- trabalho de formas ( espelhamentos quádruplos e formas com metamorfose.
- ampliação das classes gramaticais,ortografia, poesia e teatro.
- frações, problemas, e introdução à geometria à mão livre.
- trabalho de formas ( formas celtas cruzadas)
- mitos nórdicos,história e contos de civilizações antigas.
- geografia e história local e citadina.
- geografia e história regional do Brasil.
- zoologia comparativa.

5º ano - Redação criativa, leitura, ortografia e gramática.


- Números relativos, aprofundamento das frações,problemas, expressões
numéricas e potenciação.
- geometria à mão livre - rosáceas- e introdução ao uso de instrumentos.
- história e geografia das civilizações antigas: Egito, Mesopotâmia,Pérsia,índia e
Grécia.
- história,geografia e folclore das civilizações latino americanas.
- botânica.

6º ano -Introdução à álgebra, juros de porcentagens e a geometria com uso de


instrumentos.
-redação criativa, leitura,estilos de redação, gramática ( revisão de morfologia e
introdução à sintaxe.
-história e geografia da Roma antiga e idade média.
-história do Brasil colônia.
-Iniciação à astronomia.
-iniciação a geologia.
-finalização da geografia geral e humanas das Américas e África.

7º ano -Álgebra,raiz quadrada,potenciação, expressões algébricas e :geometria .


-História: renascença, expansionismo e a história do Brasil ligada ao período
renascentista.
-A história da época moderna: Revolução Francesa e primórdios da Revolução
Industrial.
-redação, morfologia, sintaxe e leitura de biografias ligadas à época da história
trabalhada.
-geografia geral e humana da Europa.
-ciências: física ( em especial eletricidade e magnetismo), química ( cal,
carbono,calor e metamorfose dos elementos) e fisiologia ( sistema do corpo
humano,

8º ano -Polinômios, sistemas de equação,produtos notáveis e geometria.


-geografia geral e humana da Ásia.
-história mundial da época contemporânea.
-teatro do 8º ano:processo que leva um fechamento desse ciclo, utilizando obras
literárias,cantos, musicais, etc.
!29

do professor, este, na Pedagogia Waldorf, posiciona-se como ser humano face às crianças cuja
educação lhe é confiada. Escuta-as, indaga, questiona-as e, quando é necessário, estabelece
limites que lhes permitem orientar-se. Em uma palavra, educa-as.

Vale salientar que o professor não é o único a ensinar em sala de aula.Ele recebe ajuda
dos companheiros da escola. Além de ter a opção de não ministrar as matarias cujo as quais
não se sinta preparado.
Os professores de escola Waldorf estão unidos por uma tarefa em comum, eles fazem
parte de uma comunidade, onde tem total autonomia em relação às decisões espírito-culturais.
Esta autonomia para trabalhar coloca o professor numa posição de necessidade de
desenvolvimento da consciência pedagógica, onde deve monitorar e zelar para que os
interesses reais de desenvolvimento sejam priorizados. Arcando assim, com as consequências
e responsabilidades de seu trabalho (Garcia, 2014, p.33)

Para o professor um estilo de vida, já que o caminho é de constante aprendizado.

Para a Pedagogia Waldorf, o verdadeiro educador é aquele que se propõe uma


constante busca espiritual, pela auto-educação consciente. Para estimular o desenvolvimento
de seres humanos em formação, deve estar ele próprio, aberto a se transformar. É o que toda
criança ou jovem espera de qualquer adulto.

3.5 O envolvimento dos pais

Os pais que fazem a opção pela escola Waldorf escolhem por autêntica convicção e
conscientes dos direitos humanos das crianças. Eles são cooperadores imprescindíveis em
todo o projeto, assumindo um compromisso com essa pedagogia e o seu modelo comunitário-
escolar. Durante muitos encontros regulares entre pais e professores, os acontecimentos a
nível familiar ficam transparentes para a escola e vice-versa. Além disso, as numerosas festas
e apresentações ao longo do ano reforçam o espírito de comparticipação.
!30

3.6 A importância da geografia dentro da escola

A geografia mostra-se como uma forma de conhecimento muito antiga, tão antiga que
mal podemos mensurar visto que sua historia se confunde com a historia da humanidade, cujo
qual cada povo, em seu momento, desenvolveu sua maneira de interagir com a natureza e a
partir dai, poder demonstrar suas percepções pessoais.

Da organização espacial em cidades-estados na antiga Grécia e as tensões decorrentes


da dura busca pela democracia e das necessidades da estruturação da economia comercial, a
Geografia se desenvolve como um saber espacial diluído na Filosofia.Durante o Império
Romano era de fundamental importância o conhecimento espacial para a expansão territorial,
diga-se, geopolítica. Desde então, a mesma, trabalha a serviço do Estado.

O aprofundamento do uso da estratégia ( geopolítica) se dá com a elaboração dos


grandes mapas da Europa e redondezas, assim como as cartas portulanas que deram partida
as grandes navegações.

O rei Leopoldo II, em 1876, realiza a Conferencia Internacional de Geografia, assim


como, Otto Von Bismark em 1884 realiza a Conferencia de Berlim, demonstrando o auge da
utilização do conhecimento geográfico por parte de grandes governantes, com intuito
estratégico expansionista de aumentar suas respectivas áreas de influencia sobre os territórios
da Africa, América, Asia e Oceania.

Alem do uso da geografia por parte do Estado, a mesma começa a ser


institucionalizada no final do século XVIII, na Alemanha, em cursos universitários tratando
especificamente sobre geografia física, o que faz gerar a primeira cátedra de geografia, em
1820, por Karl Ritter.

Na esfera escolar, a disciplina geografia pátria torna-se a disciplina que retrata o


relevo, as fronteiras, as paisagens, com uma vertente fortemente nacionalista. A geografia
escolar ainda mostra-se na Alemanha em um projeto conhecido como Wandervogel, visando
estimular os jovens alemães a conhecerem seu pais em uma espécie de “ mochilão”.
!31

No âmbito acadêmico, Alexander Von Humboldt amplia o que se entende como


geografia, sistematiza este conhecimento, e passa a se dedicar nas relações do Ser Humano
com a Natureza.

Goethe – Johan Wolfgang Von Goethe, parte do mesmo principio,não analisando o


fato isolado, e sim as relações de causa e consequência entre eles, buscando assim, a conexão
entre a ciência e seus fenômenos.

Neste âmbito, Goethe menciona “ A teoria em si e por si para nada serve se não nos
faz crer na conexão dos fenômenos” (Steiner, 2004, p.30)

Como podemos perceber o estudo da geografia e de fundamental importância, e o seu


saber esta relacionado com o entendimento do espaço geográfico e com todas as
transformações resultantes da relação homem X natureza.

Compreender o mundo e os fatos que nos são expostos de forma fragmentada tais
como guerras, catástrofes ambientais, conflitos religiosos fazem parte do estudo da geografia.
Para entender geograficamente o mundo e as diferentes espacialidades existentes nele assim
como as diferentes perspectivas e possibilidades e preciso ensinar e aprender geografia.

Callai (1998, p.56) entende a geografia como uma ciência que analisa, estuda e busca
conhecer o espaço produzido pelo homem e, enquanto matéria de ensino, permite que o aluno
“se perceba como participante do espaço que estuda , onde os fenômenos que ali ocorrem são
resultados da vida e do trabalho dos homens e estão inseridos num processo de
desenvolvimento.’’ Callai (1998, p.56)

Para se pensar e compreender o mundo contemporâneo,nele se situar,se posicionar e


agir como sujeito de forma racional, esclarecida e ética, em relação as inúmeras questões que
nos são expostas.

Segundo Miranda & Oliveira,

Ja se atribuiu a essa importância assumida pela Geografia nas


ultimas décadas a insistente tentativa de sua desvalorização nos
currículos escolares oficiais através de diferentes mecanismos, como a
constante de redução da carga horária da disciplina e mesmo sua
exclusão em algumas series da educação básica (Miranda & Oliveira,
2010).
!32

Contrariamente, vem surgindo inúmeras produções acadêmicas voltadas para o ensino


e aprendizagem da geografia em diferentes contextos educacionais.E umas dela é a escola
Waldorf a pedagogia utilizada e fascinante,com diversas atividades manuais, como pintar,
esculpir, desenhar, tecer, fazendo que o dia a dia das crianças seja envolvido por arte, música ,
poesias, jardinagem e histórias. Através desses estímulos artísticos realizados de forma
conjunta e o que pensa-se ser o diferencial no desenvolvimento da aprendizagem.

A geografia dentro da pedagogia Waldorf, é associada as suas relações com as


diversas civilizações, com o habitat do homem ( zoologia e, botânica) e com as condições
geológicas e climáticas.Uma Vez mais, o docente busca o contato com a realidade, para evitar
qualquer abstração.
A partir do quarto ano, os alunos começam a aprender a geografia história
local,seguindo para regional, e zoologia comparativa. Seus conhecimentos do ambiente
imediato tentam ser transformados em um pequeno mapa.
Como em círculos concêntricos, esses conhecimentos são ampliados, para regiões, países
inteiros e finalmente toda a Terra. As condições de vida, os fatores econômicos, e , mais tarde,
a mesma história, a etnologia, as vias de comunicação, assim como os fatores físicos,
químicos e astronômicos entram no campo de estudo.
Assim a geografia se mantém concreta e viva e está ao alcance da compreensão dos alunos
desta idade.
Abre-se aqui um parêntese em relação a noção de escalas geográficas, mais
especificamente à questão dos círculos concêntricos, trabalhado por Herod, segundo ele:
“uma das formas mais freqüentes de se encarar a questão é a ideia de uma relação hierárquica
entre escalas, sintetizada na concepção de “escala como escada”, onde na base estaria a escala
local, a qual se ligaria por meio de degraus sucessivos até o topo, o global” (Herod, 2003).
Em outras palavras, a escala local encontraria-se na base, e através de degraus sucessivos
chegaria até global.O mesmo autor também utiliza da metáfora da escala como círculos
concêntricos Herod (2003), sendo que neste caso o global é concebido como um círculo maior
que envolve o nacional e assim sucessivamente até chegar no local. Da mesma forma que na
metáfora da escada, preserva-se as diferenças entre as partes e acentua-se a capacidade do
global de exercer a predominância sobre as demais escalas que lhe estão “envolvidas”.
!33

A partir do nono ano, se põe especial ênfase nas montanhas, suas formas e
direções.Nos últimos anos, a geografia física e econômica, a cartografia, e finalmente, as
teorias sobre a origem da Terra e as épocas geológicas, assim como as grandes migrações
humanas, conduzem ao ponto central dos problemas do nosso planeta.
Como sempre, o ensinamento não se limita a transmissão de feitos.O raciocínio dos alunos é
requerido, as grandes relações são consideradas mais importantes que a mesquinha
memorização de nomes e detalhes.
Do mesmo modo que a história deve permitir ao aluno situar-se no tempo , a geografia lhe dá
consciência do mundo espacial em que vive.
Toda aula, nas escolas Waldorf, são organizadas de modo a promover a alternância
entre a atividade mais intelectualizada e as atividades práticas ou artísticas: o ensino teórico é
sempre acompanhado, por um lado, pelo enfoque prático (ênfase nas atividades corporais e
artesanais) e, por outro, pelas atividades artísticas que, como sinalizado, no currículo Waldorf
são um veículo didático para todas as matérias. Assim, o desenho, a pintura em aquarela, a
música, o canto, o teatro, a modelagem em argila, a arte da fala, a euritmia 8, por um lado, e os
trabalhos manuais (tricô, crochê), o desenho de forma, a marcenaria, a educação física, a
jardinagem, por outro, são trabalhados no cotidiano escolar de forma bastante articulada com
os conteúdos formais de cada época e com as demandas psicoemocionais do aluno, de acordo
com cada fase de seu desenvolvimento, para que se vivencie o aprendizado de forma
significativa.
Abaixo segue alguns exemplos das aulas de época de geografia do quinto, onde o tema Índia é
abordado.

8 Euritmia é uma arte de movimento corporal criada por indicação de Rudolf Steiner
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Jucélia Valencia
!35

figura 4.Turma do 5. ano Waldorf Pucón.

3.7 O contato com a pedagogia Waldorf

A trajetória na Antroposofia, e consequentemente na pedagogia Waldorf, se deu a


partir de um primeiro contato com uma das obras de Rudolf Steiner: A educação prática do
pensamento, cedido por uma amiga que já tivera contato com algumas obras de Steiner. O
interesse foi tanto que ambas começam o seminário de formação de professores, com intuito
de se aprofundar nos temas abordados.

O seminário de formação de professores Waldorf eleito ocorre na cidade de Nova


Friburgo/RJ, na escola municipal Vale da Luz.Uma escola modelo pois é umas das poucas que
oferece uma abordagem pedagógica Waldorf gratuitamente.

Os encontros ocorrem um final de semana por mês, contando com dois anuais durante o
período de férias escolas.Durante um ano, cada experiência tornou-se incrível.

Ao chegar ao Chile, o interesse pela pedagogia Waldorf não desapareceu, e novas iniciativas
Waldorf foram encontradas, uma em especial, a escola Waldorf Pucón, que oferece seminários
de verão e é bastante receptiva com os simpatizantes da linha antroposófica.
!36

3.8 Vivência em uma escola Waldorf

A vivência em questão ocorreu na escola Waldorf Púcon, uma escola localizada no sul
do Chile, em uma cidade chamada Pucón, que conta com uma população de cerca de 22 mil
habitantes.
Em seguida, está a localização:

Figura 5. Localização de Pucon vista pelo google earth.

A comunidade Waldorf Pucon se formou em abril de 2006, por uma necessidade de


um grupo de mães e pais de oferecer a seus filhos e filhas uma educação mais saudável e
consciente, onde se respeitam os direitos da criança, de viver plenamente sua infância.
Segundo o próprio relato concedido pelo site da escola:
En Pucón la escuela Waldorf existe desde el año 2006, cuando una familia
no encontró en la zona la enseñanza que buscaba. Eran 2 niños de 4 y 5
años, una madre que ya tenía cierta formación antroposófica y un padre que
les apoyaba, quienes fueron los precursores. Luego se sumó una maestra
waldorf Alemana y en forma conjunta iniciaron el primer kinder que abrió
sus puertas el día 5 de Abril de 2006. Comenzaron con 8 niños (Constanza,
Matías L., Lucas, Mati E. Mati R., Sofía, Max y Gustavo), al poco tiempo se
sumaron 4 más, y así el grupo fue creciendo. Al año siguiente ya eran 18
niños y al subsiguiente se abría el primero básico y un nuevo grupo de
kinder con 14 niños más. Cada año se fueron sumando nuevas familias y
también año a año fueron llegando nuevos profesores y personas que querían
!37

sumar sus fuerzas. El año 2008 nos constituimos como Organización


Funcional (Centro Cultural Infantil Waldorf Pucon) y el año 2014 ampliamos
la legalidad constituyéndonos como Corporación sin fines de lucro o
Asociacion (Asociacion Educativa Waldorf Pucon).

A Escola Waldorf Pucón busca uma educação integral: a nível intelectual, artístico,
emocional e espiritual; fazendo com que as famílias que compõem essa comunidade possam
crescer em direção a uma vida mais consciente, sustentável e harmônica.
O desejo de formar seres humanos íntegros para uma sociedade presente e futura conduz a
entregar as crianças o tempo necessário de infância e modelos apropriados a seguir. Assim
como também fazer que a integração no meio ambiente e a comunidade seja desde um olhar
de respeito e auto sustentabilidade.
A escola Waldorf Pucon é pioneira e única em toda a zona lacustre do sul do Chile.Do mesmo
modo o método utilizado na construção desse projeto é inovador e digno de ser replicado em
todas as escolas locais e do país. Destacando o trabalho comunitário e seu enfoque auto
sustentável, tirando máximo proveito das condições próprias da zona.
Como apresentado abaixo:

Figura 6: A nova escola Pucón


!38

A política da escola Waldorf Pucón é que as famílias se façam parte da educação e


colaborem na comunidade no crescimento das metas e objetivos propostos e definidos pelos
membros de sua direção e de seus professores.
A escola contempla dois ciclos em sua estrutura: o Kinder, conhecido também como jardim
infantil, e a básica- o ensino fundamental I e II.
A rotina escolar no Kinder, pôde ser absorvida com a descrição a seguir:

Kinder
Se recebem as crianças no hall de entrada da sala de aula enquanto se corta frutas em
uma mesa preparada para eles.No transcurso da manha há momentos de expansão alternados
por momentos de contração.
Se começa o dia com jogo livre, a preparação do lanche, e as atividades artísticas e manuais
segundo o dia e a estação como por exemplo, fazer pão, pintar aquarela. Posterior a isso se
ordena, se vai a roda de saudações e movimento, para culminar em uma história.
Uma vez terminado a história se sentam a mesa para comer o que se preparou na manha.Cada
criança lava seu prato, escova seus próprios dentes e se prepara para sair ao pátio para jogar e
ajudar nos afazeres da horta.A jornada termina com uma caminhada.

Básica
O dia se estrutura com uma aula principal de duas horas, dois recreios e três blocos de
aula aulas complementares. A aula principal é iniciada por um verso inicial, uma roda de
saudação, e a parte rítmica da aula.Música com a flauta, recapitulação da matéria anterior,
revisão de tarefas e mostra da nova matéria através de imagens.É chave a criatividade do
tutor, quem deve ser capaz de mostrar originalmente cada matéria.Se encerra o dia com uma
narração de um ambiente de solenidade.
Sob a ótica Waldorf, as disciplinas na escola Pucón são apresentadas através das seguintes
perspectivas:
Matemática: busca entregar a criança o sentindo moral da vida.
Linguagem: Aponta para que a criança através de sua expressão verbal, escrita, poética, e
artística possa expressar sua individualidade.
!39

Conhecimento dos arredores: situa a criança no meio em que ela se desenvolve. Se trabalha
desde o mais próximo a ele e se vai crescimento até o mundo que o circunda, chegando a
geografia, história e ciências.
Música: ajuda a respiração da criança, que no dia a dia toque sua flauta na aula principal e na
aula de música se convida as crianças a desfrutar em conjunto, a reconhecer os diferentes
tons, a cantar juntos.No terceiro ano se prescreve um instrumento de acordo com seu
temperamento que será seu companheiro esta viagem de desenvolvimento.
Línguas estrangeiras: as línguas estrangeiras busca no geral contatar a criança com outras
culturas, de modo que possa ampliar sua visão de mundo e assim vivenciar a outra cultura
através da linguagem.
Movimento e jogos: se estimula a diversão e as conquistas pessoais, em detrimento da
competitividade. Se jogam jogam cooperativos com o objeto de conquistar coisas em comum.
Euritmia: é parte do currículo Waldorf desde jardim a diante. Rudolf Steiner o indicou
como os movimentos criativos que através da linguagem e a música se relacionam com as
forças ativas da natureza e com aquelas que trabalham com o organismo físico.Quando
fazemos euritmia com as crianças apelamos a sua força de vida.
Horta: O plantar uma semente, esperar que germine, nutrir com água, luz, composto, obter
os frutos e compartilha-los em uma cesta, dão a criança o sentido de respeitar, agradecer, a
cultivas a paciência e entender que a vida é um processo de constante transformação.
Pintura: Se trabalha aquarela em uma folha molhada e a criança se submerge
primeiramente ao mundo do colorir para logo ir avançando até a forma.A experiência sensível
traz um rol fundamental.
Trabalho Manual ( tecido): O tecido, primeiro em telar, logo crochê e finalizar com tricô
levam a criança a realizar certas conexões neurais que influem diretamente ao pensamento.
Logo a confecção de roupas de vestir mostram a criança a possibilidade de transformar os
materiais em elementos necessários para a vida.
Arte: O segundo setênio9 é o momento da beleza e da arte,entendemos que o homem é
capaz com suas próprias mãos de transformar os materiais do mundo em beleza e utilidade
para a humanidade.

9A teoria dos setênios foi elaborada por Rudolf Steiner a partir da observação dos ritmos da natureza.Baseia-se
em dividir a vida em fases de sete em sete anos.
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Desenho de formas: Através do desenho de linha reta e a curva se introduz a criança o mundo
onde se trabalha não só a caligrafia, senão também a vivência dos diferentes traços como uma
maneira de fazer consciente certas coisas arquetípicas que contribuem a integração da criança.

Esportes: Os jogos de equipes que se jogam nos cursos superiores são basketball,
badminton, voleyball, e handball. Outros esportes como o ciclismo, natação, Kayak e
escalada, estão também disponíveis na área.
Religião: A visão dos tutores é essencialmente espiritual. As historias contadas as crianças,
os versos recitados e a atmosfera criada na sala de aulas, despertam o assombro, a reverência
e a devoção.Isso conduz que a criança ame seu entorno natural, respeite a os professores das
distintas épocas que vão despertando na criança a bondade, a beleza e a verdade.
Minha observação ocorreu em diferentes campos da escola, desde seu funcionamento
interno ( reunião de professores, reunião com pais), passando por uma observação participante
como auxiliar de turma, finalizando com um curso de formação de professores ocorrido em
janeiro de 2015 por professores vindas nos Estados Unidos e Dinamarca.
Como auxiliar de turma, pude estar presente em duas turmas: a turma do quarto ano, e a turma
de segundo ano.
Iniciei com a turma de quarto ano. Esta é formada por sete alunos e sua professora fixa, além
dos outros professores que sua participação após o intervalo.O professor fixo é o guardião da
turma, ele é o responsável do desenvolvimento das atividades ditas básicas.
Esse professor possui qualidades múltiplas, ou seja, ele tem a capacidade de lecionar:
gramática, matemática, ciências, desenho, e outras das suas inúmeras aptidões.
A estrutura da escola simula o ambiente a casa, possuindo uma cozinha, pátio, sala, e claro, a
sala de aula.
O lúdico a todo tempo é trabalhado, até mesmo na decoração da escola. O uso de materiais
rústicos como a madeira, a pintura em tons pastéis , o altar dentro de casa sala de aula, podem
ser retratados, na seguinte foto:
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Figura 7: Desenho em lousa e pintura.

A observação continua se desenvolvendo, e passo para a turma de segundo ano.Esta


conta com um número maior de alunos, são onze.Eles tem em média oito anos.
As aulas se iniciam as 8:30 da manha e transcorrem até as 10:50, havendo um intervalo de 30
minutos para que os alunos possam brincam e comer. A comida, no geral, é compartilhada,
havendo também um esquema de rotação de frutas, fazendo com que cada dia, cada aluno seja
responsável por trazer a fruta do dia para a quantidade necessária de sua turma.
Outro fato interessante é que cada semana são escolhidos 2 alunos guardiãs, que se
tornam responsáveis pela organização e limpeza da classe. Eles organizam as cadeiras,varrem
a sala, e como num ambiente da casa, a arrumação é feita.
O calendário da escola se baseia no calendário cristão, havendo no decorrer do ano algumas
datas festivas, como Sao Micael, primavera, páscoa, natal, e outras.
Sobre as classes complementares,essas ocorrem dentro da sala de aula, com outro professor
que se junta a classe. No geral, as classes complementares são de: flauta, pintura em aquarela,
trabalhos manuais, como croché e tricô, e fora da sala de aula, a aula de movimento, que é
algo relacionado a educação física.
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CONSIDERAÇÕES FINAIS

A vivência pedagógica considerou os aspectos teóricos e metodológicos, de modo


problematizado nas atividades teóricas em sala de aula, e baseados nas dinâmicas de grupo,
nos trabalhos das disciplinas e nos relatórios dos docentes e discentes.
A escola, em um aspecto geral está precisando rever os processos, os métodos as
formas de educar, de ensinar e de aprender.A questão da transdisciplinalidade é evidente. O
corpo docente precisa compreender que a escola não é mais, nos dias atuais, a única forma de
transmissão do saber, o qual pode ser obtido em vários lugares, tais como, nos meios de
comunicação, nas empresas, nos clubes, no dia-a-dia de qualquer pessoa.A escola é um dos
lugares nos quais aprendemos através da relação com o outro e com o meio; é um dos mais
importantes ambientes de aprendizagem dos signos, das normas e dos valores, apreendidos
através da convivência em sociedade.
A Geografia assim como as outras ciências está inserida em um contexto cultural da
humanidade e dessa maneira, também é influenciada por seus valores. Neste contexto então, o
que traz de novidade a Pedagogia Waldorf enquanto método de ensino?

A Pedagogia Waldorf é uma referência mundial em Educação. Foi apontada pela


UNESCO como sendo o modelo de pedagogia capaz de responder aos desafio educacionais
de nosso tempo, principalmente nas áreas de grandes diferenças culturais. Além disso, atende
plenamente ao objetivo do Departamento de Políticas de Educação Infantil e Ensino do
Ministério da Educação ao tratar a gestão democrática da escola, os materiais didático-
pedagógicos e a formação do professor como fatores determinantes para a qualidade social da
educação.
Atualmente,como já foi citado, existem Escolas Waldorf espalhadas por todos os
continentes, formando a rede educacional independente que mais cresce no mundo. A
Federação das Escolas Waldorf no Brasil, fundada em 1998, é a entidade responsável pela
congregação das escolas Waldorf espalhadas pelo país, tendo como um de seus objetivos,
consolidar a Pedagogia Waldorf na sociedade brasileira.
Cada escola é independente da outra: o que as une é o ideal de concretizar e
aperfeiçoar a pedagogia de Rudolf Steiner, visando formar futuros adultos livres, com
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pensamento individual e criativo, com sensibilidade social e para a natureza, bem como com
energia para buscar seus objetivos e cumprir os seus impulsos de realização em sua vida
futura.
Nos Estados Unidos, por exemplo, as melhores universidades costumam aceitar com
preferência os ex-alunos Waldorf, pois sabem que se tratam de jovens diferenciados, com uma
vasta cultura, com capacidade de concentração e aprendizado, e alta criatividade. Nesse país,
que tanto se caracteriza pela praticidade de seu povo e pela liberdade de ensino, houve nos
últimos 30 anos uma explosão de escolas Waldorf, que ultrapassam hoje a marca de uma
centena.
Com essas informações questiona-se: qual é o papel da escola? Vê-se que hoje em dia
que a escola não é único meio de se transmitir informações,conhecimentos. A escola é, hoje,
apenas mais uma instituição voltada para esses processos, em virtude dos renovados,
dinâmicos e potentes mecanismos que se legitimam com essas perspectivas no contexto da
sociedade globalizada e globalizante.Sendo assim, um modelo educacional onde os resultados
se deem de forma qualitativa e inclusiva, ao invés de levar em consideração quantidade e
exclusividade indicam fazer bastante sentido.

Não obstante, o mundo que se apresenta é que o mundo é configurado pelas pessoas, e não as
pessoas pelo mundo. Esta configuração do mundo só é possível ocorrer de uma forma
saudável quando as pessoas estão de posse de sua natureza total como seres humanos.
O ensino, em nossa sociedade materialista, enfoca o aspecto intelectual do ser humano e não
valoriza outros essenciais para o nosso bom desenvolvimento.Havendo uma busca do
desenvolvimento integral do ser humano.
Para isso, numa escola Waldorf os assuntos práticos e artísticos desempenham um papel tão
importante quanto a gama total de assuntos acadêmicos tradicionais que a escola oferece.
O prático e o artístico são essenciais no preparo para a vida no mundo ‘real’.
O Ensino Waldorf reconhece e respeita a extensão total das potencialidades humanas.
Trata a criança como um todo, empenhando-se em despertar e enaltecer todas as capacidades
latentes.
As crianças aprendem a ler, escrever e fazer contas; estudam História, Geografia e Ciências.
Além disso, todas as crianças aprendem a cantar, tocar um instrumento musical, desenhar,
pintar, modelar argila, esculpir e trabalhar com madeira, falar claramente e atuar numa peça
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teatral, pensar independentemente e trabalhar de forma harmoniosa e respeitosa com outras


pessoas.O desenvolvimento destas diversas capacidades é inter-relacionado.
O Ensino Waldorf tem como ideal uma pessoa educada de modo a estar informada sobre o
mundo e sobre a história e a cultura humanas; a ter muitas habilidades práticas e artísticas, a
sentir uma reverência profunda pelo mundo natural, e a poder agir com iniciativa e em
liberdade perante as pressões econômicas e políticas.
Há muitos alunos de todas as idades, formados em escolas Waldorf, que personificam esse
ideal e que talvez sejam a melhor prova da eficácia desse ensino.
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