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Literatura

Vanessa de Paula Hey


Livro do Professor

Volume 6
Livro de
atividades
©Creative Commons/Wmpearl

Dados Internacionais para Catalogação na Publicação (CIP)


(Maria Teresa A. Gonzati / CRB 9-1584 / Curitiba, PR, Brasil)

H615 Hey, Vanessa de Paula.


Literatura : livro de atividades : livro do professor / Vanessa
de Paula Hey. – Curitiba : Positivo, 2017.
v. 6 : il.
ISBN 978-85-467-1575-6

1. Ensino médio. 2. Literatura – Estudo e ensino. I. Título.


CDD 373.33
©Editora Positivo Ltda., 2017
Proibida a reprodução total ou parcial desta obra, por qualquer meio, sem autorização da Editora.
Romantismo
11
no Brasil
O Romantismo, no Brasil, foi o segundo momento de maior expressividade da literatura brasileira nacionalista, depois do Arcadismo.
Observe o quadro comparativo dessas vertentes literárias.

Arcadismo Romantismo
Século XVIII Século XIX
maior rigor formal maior liberdade
formas poéticas fixas versificação mais livre
paganismo cristianismo
equilíbrio liberdade
objetividade subjetividade
natureza decorativa natureza expressiva
predomínio da razão predomínio da emoção

Primeira geração (1836-1850)

Nacionalismo e patriotismo: as obras apresentam elementos tipicamente brasileiros (belezas naturais, o indígena, o
passado histórico), os quais são mostrados de maneira idealizada. Há um grande sentimento ufanista.

Indianismo: o nascimento de uma nova nação exigia um símbolo heroico que a representasse , o indígena, que é visto
como um elemento genuinamente brasileiro e que incorpora os mitos e as lendas dessa nação (equivalente ao cavaleiro
medieval europeu).

Exaltação da natureza: grande destaque para as belezas naturais do país. Os poetas dessa geração exaltaram a exu-
berância e o exotismo naturais.

Religiosidade: identificação com o cristianismo, em contraposição com o paganismo ligado à tradição greco-latina.

Poesia de caráter sentimental: poesia amorosa e idealizada, que recebeu influência da lírica medieval portuguesa.

Autor(es) Características Principais obras


Fez a transição do Arcadismo para o Romantismo. Lançou a obra que introduz o
Sua poesia apresenta temas do Romantismo, como Romantismo no Brasil – Suspiros
Gonçalves Magalhães (1811-1882) a infância, a nostalgia e a saudade, a melancolia e poéticos e saudades (1836).
a tristeza, o desgosto da vida, o amor impossível, e A confederação dos tamoios - poema
também a figura do índio. épico (1856).
Abordou em suas obras temas como: o indígena, a Primeiros cantos, Segundos cantos, Os
Gonçalves Dias (1823-1864)
frustração amorosa, a natureza e o saudosismo. Timbiras, Últimos cantos.

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Segunda geração (1850-1860)
também denominada geração byroniana ou ultrarromântica

Subjetivismo: obras repletas de posturas extremas em relação ao amor ou à morte; egocentrismo exagerado.

Fuga da realidade (escapismo): manifestada na idealização da infância e da mulher e na exaltação da morte.

Spleen: tédio, depressão, insatisfação constante; devaneios e melancolia manifestados pelo forte erotismo difuso
ou obsessivo.

Amor platônico: os poetas versavam sobre um amor irrealizável, o medo da rejeição, da morte e a perfeição
da amada.

Autor(es) Características Principais obras


Poemas tematizavam a morte e o amor idealizado. Seus Lira dos vinte anos,
Álvares de Azevedo (1831-1852) versos são marcados por ironia, frustração, sofrimento
e dor. Noite na Taverna.

Os principais temas: saudades da infância e da terra


Casimiro de Abreu (1839-1860) natal, religiosidade, tristeza e melancolia, exaltação da As primaveras.
natureza e medo de amar.
Temas preferidos: vida religiosa em contraste com
Inspirações do claustro,
Junqueira Freire (1832-1855) a vida mundana, obsessão pela morte e paixão
Contradições poéticas.
exacerbada.
Marcou a transição da segunda para a terceira geração
Fagundes Varela (1841-1875) romântica brasileira. Suas obras acolheram todos os Cântico do calvário.
temas das gerações românticas.

Terceira geração (1860-1880)


também denominada de Condoreirismo – inspirado no pássaro condor, que simboliza
grandiosidade e liberdade, ideais dessa terceira fase

Poesia social: aborda temas sociais e políticos.

Amor menos platônico: manifestações mais eróticas e sensuais do amor; a mulher menos idealizada e mais atingível.

Autor(es) Características Principais obras


Produziu versos declamáveis, repletos de
hipérboles e alusões a fenômenos visuais; Espumas flutuantes,
Castro Alves (1847-1871) utilizou-se de contrastes e outros recursos O navio negreiro,
– poeta dos escravos e dos retóricos. Abordou a causa abolicionista e
amores também versou sobre o amor palpável e sensual Os escravos,
(diferentemente do modo como o fizeram as Tragédias no mar.
outras gerações).

Literatura 3
Atividades
1. Observe a tela pintada por Charles Landseer.

LANDSEER, Charles. Vista do Pão de Açúcar tomada da estrada do Silvestre. 1827,


Pinacoteca do Estado de São Paulo.

a) Qual o espaço físico representado pela tela?


Rio de Janeiro, Pão de Açúcar.

b) Qual é a época referenciada pela pintura?


Referencia o Brasil da metade do século XIX.

c) Que elementos possibilitam relacionar essa pintura à estética romântica?


A representação da natureza como símbolo nacional.

2. Identifique a característica romântica predominante nos fragmentos a seguir.


( 1 ) Religiosidade ( 5 ) “Eu amo a noite taciturna e quêda!
Amo a doce mudez que ela derrama,
( 2 ) Idealização do herói
E a fresca aragem pelas densas folhas.”
( 3 ) Menção à morte DIAS, Gonçalves. Segundos Cantos. In: BUENO,
Alexei (Org.) Gonçalves Dias: poesia e prosa.
( 4 ) Nacionalismo Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1959. p. 29.
( 5 ) Gosto pelo noturno
( 3 ) “[...] Vejo a morte,
Aí vem lazarenta e desdentada...
Que noiva!... E devo então dormir com ela?
taciturna: silenciosa. Se ela ao menos dormisse mascarada!”
quêda: desmoronada. AZEVEDO, Álvares de. Lira dos vinte anos. In: BUENO,
aragem: brisa. Alexei (Org.). Álvares de Azevedo: obra completa.
Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2000. p. 236.

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( 2 ) “Cavaleiro das armas escuras, ( 1 ) “Perdão, Senhor meu Deus! Busco-te embalde
Onde vais pelas trevas impuras Na natureza inteira! O dia, a noite,
Com a espada sanguenta na mão?” O tempo, as estações mudos sucedem-se,
AZEVEDO, Álvares de. Lira dos vinte anos. Mas eu sinto-te o sopro dentro d’alma!”
In: BUENO, Alexei (Org.) Álvares de Azevedo:
VARELA, Fagundes. In: TÁTI, Miécio; GUERRA,
obra completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2000. p. 98.
E. Carrera (Org.) Poesias completas de L. N. Fagundes Varela.
São Paulo: Editora Companhia Nacional. p. 338.
( 4 ) “Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
embalde: em vão.
Em cismar – sozinho, à noite,
acabrunhado: envergonhado.
Mais prazer encontro eu lá;” cerviz: escravidão.
DIAS, Gonçalves. Primeiros cantos. baldão: adversidade, má sorte.
Canção do exílio. In: In: BUENO, Alexei (Org.) ludíbrio: ato ou efeito de enganar, ludibriar.
Gonçalves Dias: poesia e prosa. Rio de Janeiro:
Nova Aguilar, 1998. p. 105. feros: feroz.

3. Leia o poema “Ainda Uma Vez – Adeus”, de Gonçalves Dias, e, em seguida, responda ao que se pede.

Ainda Uma Vez – Adeus


I IV
Enfim te vejo! – enfim posso, Vivi; pois Deus me guardava
Curvado a teus pés, dizer-te, Para este lugar e hora!
Que não cessei de querer-te, Depois de tanto, senhora,
Pesar de quanto sofri. Ver-te e falar-te outra vez;
Muito penei! Cruas ânsias, Rever-me em teu rosto amigo,
Dos teus olhos afastado, Pensar em quanto hei perdido,
Houveram-me acabrunhado E este pranto dolorido
A não lembrar-me de ti! Deixar correr a teus pés.

II V
Dum mundo a outro impelido, Mas que tens? Não me conheces?
Derramei os meus lamentos De mim afastas teu rosto?
Nas surdas asas dos ventos, Pois tanto pode o desgosto
Do mar na crespa cerviz! Transformar o rosto meu?
Baldão, ludíbrio da sorte Sei a aflição quanto pode,
Em terra estranha, entre gente, Sei quanto ela desfigura,
Que alheios males não sente, E eu não vivi na ventura...
nem se condói do infeliz! Olha-me bem, que sou eu!

III VI
Louco, aflito, a saciar-me Nenhuma voz me diriges!...
D'agravar minha ferida, Julgas-te acaso ofendida?
Tomou-me tédio da vida, Deste-me amor, e a vida
Passos da morte senti; Que me darias – bem sei;
Mas quase no passo extremo, Mas lembrem-te aqueles feros
No último arcar da esp’rança, Corações, que se meteram
Tu me vieste à lembrança: Entre nós; e se venceram,
Quis viver mais e vivi!  Mal sabes quanto lutei!

Literatura 5
VII Tudo isso agora onde para?
Oh! se lutei!... mas devera Onde a ilusão dos meus sonhos?
Expor-te em pública praça, Tantos projetos risonhos,
Como um alvo à populaça, Tudo esse engano desfez!
Um alvo aos dictérios seus!
Devera, podia acaso XII
Tal sacrifício aceitar-te Enganei-me!... – Horrendo caos
Para no cabo pagar-te, Nessas palavras se encerra,
Meus dias unindo aos teus? Quando do engano, quem erra.
Não pode voltar atrás!
VIII Amarga irrisão! reflete:
Devera, sim; mas pensava, Quando eu gozar-te pudera,
Que de mim t'esquecerias, Mártir quis ser, cuidei qu'era...
Que, sem mim, alegres dias E um louco fui, nada mais!
T'esperavam; e em favor
De minhas preces, contava XIII
Que o bom Deus me aceitaria Louco, julguei adornar-me
O meu quinhão de alegria Com palmas d’alta virtude!
Pelo teu quinhão de dor! Que tinha eu bronco e rude
Co'o que se chama ideal?
IX O meu eras tu, não outro;
Que me enganei, ora o vejo; Estava em deixar minha vida
Nadam-te os olhos em pranto, Correr por ti conduzida,
Arfa-te o peito, e no entanto Pura, na ausência do mal.
Nem me podes encarar;
Erro foi, mas não foi crime, XIV
Não te esqueci, eu to juro: Pensar eu que o teu destino
Sacrifiquei meu futuro, Ligado ao meu, outro fora,
Vida e glória por te amar! Pensar que te vejo agora,
Por culpa minha, infeliz;
X Pensar que a tua ventura
Tudo, tudo; e na miséria Deus ab eterno a fizera,
Dum martírio prolongado, No meu caminho a pusera...
Lento, cruel, disfarçado, E eu! eu fui que a não quis!
Que eu nem a ti confiei;
“Ela é feliz (me dizia) XV
Seu descanso é obra minha És doutro agora, e pr’a sempre!
Negou-me a sorte mesquinha... Eu a mísero desterro
Perdoa, que me enganei! Volto, chorando o meu erro,
Quase descrendo dos céus!
XI Dói-te de mim, pois me encontras
Tantos encantos me tinham, Em tanta miséria posto,
Tanta ilusão me afagava Que a expressão deste desgosto
De noite, quando acordava, Será um crime ante Deus!
De dia em sonhos talvez!

populaça: plebe. dictérios: ditos. quinhão: parcela. arfa-te: ofega-te. irrisão: riso debochado.

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XVI Negou-me nesta hora extrema,
Dói-te de mim, que t'imploro Por extrema despedida,
Perdão, a teus pés curvado; Ouvir-te a voz comovida
Perdão!... de não ter ousado Soluçar um breve Adeus!
Viver contente e feliz!
Perdão de minha miséria, XVIII
Da dor que me rala o peito,
Lerás porém algum dia
E se do mal que te hei feito,
Meus versos d’alma arrancados,
Também do mal que me fiz!
D’amargo pranto banhados,
DIAS,
XVII Com 1959.
Gonçalves. Poesia completa e prosa escolhida. Rio de Janeiro : José Aguilar, sangue escritos;
p.259-281. – e então
(Biblioteca Luso-Brasileira, Série Brasileira).
Adeus qu’eu parto, senhora; Confio que te comovas,
Negou-me o fado inimigo Que a minha dor te apiade
Passar a vida contigo, Que chores, não de saudade,
Ter sepultura entre os meus; Nem de amor, – de compaixão.
DIAS, Gonçalves. Novos cantos. Disponível em: <http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/bv000114.pdf>. Acesso em: 12 jul. 2017.

a) A quem o eu lírico se dirige? De quem ele se despede?


O eu lírico se dirige à amada e dela se despede.

b) Ele está longe ou perto da amada?


O eu lírico é forçado a se afastar fisicamente da amada, pois ela não o quer: “Negou-me a sorte mesquinha.../ 

Perdoa, que me enganei”. Porém, no plano emocional, ele está próximo, não consegue deixar de sofrer e sentir a ausência da mulher

amada: “Que não cessei de querer-te”, “Tu me vieste à lembrança:/Quis viver mais e vivi!”.

c) Como reage a amada ao que o eu lírico lhe diz?


Ela fica constrangida, assustada e triste: “Mas que tens? Não me conheces?/ De mim afastas teu rosto?/ 

Pois tanto pode o desgosto/  Transformar o rosto meu?” [...] “Que me enganei, ora o vejo;/ Nadam-te os olhos em pranto,/ Arfa-te o

peito, e no entanto/ Nem me podes encarar” .

d) A partir da estrofe XV, o que ocorreu para que o eu lírico e sua amada sofressem?
O encontro inesperado dos amantes; para a mulher, a infelicidade do casamento, a presença do marido e o sentimento que ela

ainda nutre pelo eu lírico.

e) Como se explica o título do poema?


No começo do poema, o eu lírico se encontra triste, lamentando a perda da amada, pensa na morte como forma de acabar com

o tédio da vida, mas a lembrança da amada vem à mente e ele novamente sente vontade de viver, cria esperanças, e quando a

vê, ela se mostra distante. Ao final, a mulher tem outro, e novamente os amantes se despedem. Assim, mais uma vez, os

amantes se encontram, e mais uma vez eles se despedem.

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4. Leia “Canção do Exílio”, do poeta Gonçalves Dias, e responda ao que se pede.

Minha terra tem palmeiras Minha terra tem primores,


Onde canta o Sabiá; Que tais não encontro eu cá;
As aves, que aqui gorjeiam, Em cismar – sozinho, à noite,
Não gorjeiam como lá. Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Nosso céu tem mais estrelas, Onde canta o Sabiá.
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida, Não permita Deus que eu morra,
Nossa vida mais amores. Sem que eu volte para lá;
Sem que desfrute os primores gorjeiam: emitem sons
Em cismar, sozinho, à noite, Que não encontro por cá; melodiosos.
Mais prazer encontro eu lá; Sem qu’inda aviste as palmeiras, várzeas: planícies.
Minha terra tem palmeiras, Onde canta o Sabiá. cismar: refletir.
Onde canta o Sabiá.
DIAS, Gonçalves. Primeiros cantos. Canção do Exílio. In: In: BUENO, Alexei (Org.). Gonçalves Dias: poesia e prosa. Rio de Janeiro: Nova
Aguilar, 1998. p. 105-106.

a) O Hino Nacional brasileiro cita parcialmente uma das estrofes do poema acima. Qual é ela?
A segunda estrofe.

b) Identifique, no poema, quatro características românticas.


Subjetivismo: “minha terra...”; culto à natureza: “nossos bosques têm mais vida”; nacionalismo: “Minha terra tem primores/ Que tais

não encontro eu cá”; e sentimentalismo: “Mais prazer encontro eu lá”.

c) Dois elementos da natureza tornam-se, no poema, símbolo da pátria distante. Quais são eles?
A palmeira e o sabiá.

5. Observe atentamente a pintura feita por Théodore Géricault e responda às questões sobre ela.

a) Diferentemente da tela de Charles


Landseer, apresentada anterior-
mente, essa pintura não exalta as
cores da natureza. Qual a sua im-
pressão sobre essa tela?
É possível citar que ela é sombria,

apresenta uma cena mórbida ou mesmo

macabra

GÉRICAULT, Théodore. Les trois crânes, 1812 − 1814, 31,5 cm x 60 cm, Museu Girodet,
Montargis, França.

b) Que relação pode ser estabelecida entre a tela e a segunda geração do Romantismo?
Os poetas da segunda geração romântica apresentam posturas extremas em relação ao amor, que, por vezes, geram desfechos

fatais. Há também a exaltação da morte como forma de escapismo.

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6. (UEG – GO)

Lembrança de morrer
[...]
Eu deixo a vida como deixa o tédio
Do deserto o poento caminheiro,
– Como as horas de um longo pesadelo poento: com cheio de poeira.
sineiro: aquele que toca o sino.
Que se desfaz ao dobre sineiro
[...]
AZEVEDO, Álvares de. Poesias completas de Álvares de Azevedo. 7.
ed. Rio de Janeiro: Ediouro, 1995. p. 37.

Esse fragmento mostra uma atitude escapista típica do Romantismo. O eu lírico idealiza
a) a vida como um ofício de prazer, destinado à fruição eterna.
x b) a morte como um meio de libertação do terrível fardo de viver.
c) o tédio como a repetição dos fragmentos belos e significativos da vida.
d) o deserto como um destino sereno para quem vence as hostilidades da vida.
7. O Romantismo, influenciado pelos ideias dominantes da época e pela produção de autores europeus, foi marcado por
x a) egocentrismo, hipersensibilidade, melancolia, desespero e angústia.
b) teocentrismo, insensibilidade, alegria, otimismo e a crença no futuro.
c) etnocentrismo, hipersensibilidade, melancolia, desespero e angústia.
d) teocentrismo, hipersensibilidade, descontração, felicidade e crença no futuro.
e) egocentrismo, teocentrismo, hipersensibilidade, desesperança e crença no futuro.
8. Leia o trecho a seguir:

A vez primeira que eu fitei Teresa,


Como as plantas que arrasta a correnteza,
A valsa nos levou nos giros seus...
E amamos juntos... E depois na sala
“Adeus” eu disse-lhe a tremer co’a fala

E ela, corando, murmurou-me: “adeus.”

Uma noite entreabriu-se um reposteiro...


E da alcova saía um cavaleiro
Inda beijando uma mulher sem véus...
fitei: olhei fixamente.
Era eu... Era a pálida Teresa! reposteiro: cortina que substitui a porta.
“Adeus” lhe disse conservando-a presa... alcova: quarto.
ALVES, Castro. Espumas flutuantes. In: _____. Poesias
completas. São Paulo: Ediouro, s.d. (Prestígio). p. 20.

O trecho apresenta uma visão mais realista do amor, havendo nele traços de erotismo. No Romantismo brasileiro, o
poeta que apresenta essas características é
Castro Alves.

Literatura 9
9. Leia o poema “Adormecida” de Castro Alves e responda às questões propostas.

Uma noite eu me lembro... Ela dormia Quando ela serenava... a flor beijava-a...
Numa rede encostada molemente... Quando ela ia beijar-lhe... a flor fugia...
Quase aberto o roupão... solto o cabelo
E o pé descalço do tapete rente. Dir-se-ia que naquele doce instante
Brincavam duas cândidas crianças...
'Stava aberta a janela. Um cheiro agreste A brisa, que agitava as folhas verdes,
Exalavam as silvas da campina... Fazia-lhe ondear as negras tranças!
E ao longe, num pedaço do horizonte
Via-se a noite plácida e divina. E o ramo ora chegava, ora afastava-se...
Mas quando a via despeitada a meio,
De um jasmineiro os galhos encurvados, P'ra não zangá-la... sacudia alegre
Indiscretos entravam pela sala, Uma chuva de pétalas no seio...
E de leve oscilando ao tom das auras
Iam na face trêmulos — beijá-la. Eu, fitando esta cena, repetia
Naquela noite lânguida e sentida:
Era um quadro celeste!... A cada afago "Ó flor! — tu és a virgem das campinas!
Mesmo em sonhos a moça estremecia... "Virgem! tu és a flor da minha vida!..."

ALVES, Castro. Adormecida. Disponível em: http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/wk000582.pdf. Acesso em 30 de agosto de 2015.

a) Como a imagem da mulher amada é construída no poema?


Por meio do uso de expressões como “encostada molemente”, “quase aberto”, “solto” e “descalço” o eu lírico cria uma impressão

sensual dessa mulher. Além disso, o poema também apresenta elementos como: noite, rede, roupão, cabelo, tapete, os quais

contribuem para a criação de um ambiente de intimidade e cumplicidade entre o eu lírico e a mulher amada.

b) Ao dar vida a certos elementos da natureza, o eu lírico incita o clima de sensualidade e encantamento que
engrandecem essa mulher. Que elementos são esses? E que imagem eles constroem?
São os “galhos encurvados/ indiscretos entram na sala”, “Iam na face trêmulos – beijá-la”, “Quando ela serenava ... a flor beijava-a ...”,

“Quando ela ia beijar-lhe ... a flor fugia...”, etc. Ao colocar esses elementos em contato físico com a amada, o eu lírico constrói

uma imagem repleta de sensualidade.

c) A mulher amada mencionada no poema apresenta traços românticos da primeira geração. Quais são eles?
O eu lírico a compara a uma criança e lhe dá um caráter virginal (“criança”, “negras tranças”). Na última

estrofe, o eu lírico apela para o lirismo platônico e, com muita sensibilidade, exalta essa característica da amada: “Virgem! tu

és a flor da minha vida”.

d) Quais são os traços que distanciam essa mulher da figura de amor idealizado?
A mulher mencionada no poema, embora apresente certos traços que a idealizam e seja acometida, em alguns momentos,

pelo amor platônico do eu lírico, ainda é uma mulher mais palpável, uma mulher com traços eróticos, e que apresenta muita

sensualidade.

10 Volume 6
10. (ENEM)

O núcleo temático desse soneto é típico da segunda


Soneto
geração romântica, porém configura um lirismo que o
projeta para além desse momento específico. O funda-
Já da morte o palor me cobre o rosto, mento desse lirismo é
Nos lábios meus o alento desfalece,
Surda agonia o coração fenece, a) a angústia alimentada pela constatação da irreversi-
E devora meu ser mortal desgosto! bilidade da morte.
x b) a melancolia que frustra a possibilidade de reação
Do leito embalde no macio encosto diante da perda.
Tento o sono reter!... já esmorece
O corpo exausto que o repouso esquece... c) o descontrole das emoções provocado pela autopie-
Eis o estado em que a mágoa me tem posto! dade.
d) o desejo de morrer como alívio para a desilusão
O adeus, o teu adeus, minha saudade, amorosa.
Fazem que insano do viver me prive
e) o gosto pela escuridão como solução para o sofri-
E tenha os olhos meus na escuridade.
mento.
Dá-me a esperança com que o ser mantive!
palor: palidez. embalde: em vão.
Volve ao amante os olhos por piedade, alento: fôlego. esmorece: perde a força.
Olhos por quem viveu quem já não vive! fenece: acaba, murcha.

AZEVEDO, A. Obra completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2000.

11. (ENEM)
Texto I

Se eu tenho de morrer na flor dos anos, Dá-me os sítios gentis onde eu brincava
Meu Deus! não seja já; Lá na quadra infantil;
Eu quero ouvir na laranjeira, à tarde, Dá que eu veja uma vez o céu da pátria,
Cantar o sabiá! O céu de meu Brasil!
Meu Deus, eu sinto e bem vês que eu morro Se eu tenho de morrer na flor dos anos,
Respirando esse ar; Meu Deus! Não seja já!
Faz que eu viva, Senhor! dá-me de novo Eu quero ouvir cantar na laranjeira, à tarde,
Os gozos do meu lar! Cantar o sabiá!

ABREU, C. Poetas românticos brasileiros. São Paulo: Scipione, 1993.

Texto II

A ideologia romântica, argamassada ao longo do século XVIII e primeira metade do século XIX, intro-
duziu-se em 1836. Durante quatro decênios, imperaram o “eu”, a anarquia, o liberalismo, o sentimenta-
lismo, o nacionalismo, através da poesia, do romance, do teatro e do jornalismo (que fazia sua aparição
nessa época).

MOISÉS, M. A literatura brasileira através dos textos. São Paulo: Cultrix, 1971 (fragmento).

Literatura 11
De acordo com as considerações de Massaud Moisés no Texto II, o Texto I centra-se
a) no imperativo do “eu”, reforçando a ideia de que estar longe do Brasil é uma forma de estar bem, já que o país
sufoca o eu lírico.
x b) no nacionalismo, reforçado pela distância da pátria e pelo saudosismo em relação à paisagem agradável onde o eu
lírico vivera a infância.
c) na liberdade formal, que se manifesta na opção por versos sem métrica rigorosa e temática voltada para o nacio-
nalismo.
d) no fazer anárquico, entendida a poesia como negação do passado e da vida, seja pelas opções formais, seja pelos
temas.
e) no sentimentalismo, por meio do qual se reforça a alegria presente em oposição à infância, marcada pela tristeza.
12. (UEM – PR) Leia os textos a seguir.
Texto 1 Texto 2

Enquanto pasta alegre o manso gado, Como cheirosa e doce a tarde expira!
Minha bela Marília, nos sentemos Do amor e luz inunda a praia bela!
À sombra deste cedro levantado. E o sol já roxo e trêmulo desdobra
Um pouco meditemos Um íris furta-cor na fronte dela!
Na regular beleza, [...]
Que em tudo quanto vive, nos descobre Se ela estivesse aqui! no vale agora
A sábia natureza. Cai doce a brisa morna desmaiando:
Nos murmúrios do mar fora tão doce
Marília de Dirceu, Lira XIX, 1.ª parte
Da tarde no palor viver amando!
Tarde de verão”, Lira dos vinte anos

Os dois fragmentos apresentam diferentes concepções de paisagem decorrentes tanto da situação tematizada quanto
das tendências estilísticas de época.
a) Apresente, pelo menos, dois versos de cada fragmento que revelem essas diferentes concepções (ou impressões)
da paisagem.
Texto 1 – “Na regular beleza”; “A sábia natureza”. Texto 2 – “Como cheirosa e bela a tarde expira”; “E sol já roxo e

trêmulo desdobra”.

b) Considerando os movimentos literários (ou estilos de época) a que pertencem os fragmentos, discorra sobre essa
diferença no tratamento da paisagem.
Os versos do primeiro trecho seguem a tendência estilística do Arcadismo, tematizando um encontro amoroso

tranquilo e sereno, que está em harmonia com a natureza, também tranquila e serena. Já os versos do segundo trecho evidenciam,

de maneira bastante subjetiva, o eu lírico que se encontra só e que contempla a natureza, personificando-a, porque sente falta da

amada e sofre com a sua ausência.

12 Volume 6