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PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE GOIÁS

PRÓ-REITORIA DE GRADUAÇÃO
ESCOLA DE DIREITO E RELAÇÕES INTERNACIONAIS
COORDENAÇÃO DO CURSO DE DIREITO
NÚCLEO DE PRÁTICA JURÍDICA

APOSTILA DE
DIREITO PENAL II
Resumo: Material didático

Goiânia – GO 2018

DIREITO PENAL II
Profª: Ana Maria Duarte Página 2
Obs. : Parte dos esquemas desta apostila foram retiradas da “Apostila Axioma Jurídico” Curso Semestral
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CONTEÚDO PROGRAMÁTICO
UNIDADE I – DO CRIME
1. – Exclusão de Ilicitude
1.2 – Noções de tipicidade e antijuridicidade
1.3 – Estado de Necessidade
1.4 – Legítima Defesa
1.5 – Estrito cumprimento de dever legal ou no exercício regular do direito
UNIDADE II – DA IMPUTABILIDADE PENAL
2.1 – Conceitos
2.2 – Natureza jurídica
2.3 – Efeitos
2.4 – Requisitos
2.5 – Doença mental
2.6 – Desenvolvimento mental incompleto
2.7 – A visão da psiquiatria forense
2.8 – Responsabilidade diminuída
2.9 – Exame médico legal
2.10 – Menores de dezoito anos
2.11 – Emoção e paixão
2.12 – Embriaguez
UNIDADE III – DO CONCURSO DE PESSOAS
3.1 – Conceitos
3.2 – Divisão de concurso de pessoas
3.3 – Requisitos do concurso de pessoas
3.4 – Natureza do concurso de pessoas
3.5 – Efeitos do concurso de pessoas
3.6 – Coautoria e partícipe
3.7 – Circunstâncias incomunicáveis
3.8 – Casos de Inimputabilidade
UNIDADE IV – DAS PENAS
4.1 – Conceitos
4.2 – Das espécies de penas
4.3 – Das penas privativas de liberdade
4.4 – Regras do regime fechado
4.5 – Regras do regime semiaberto
4.6 – Regras do regime aberto
4.7 – Regime especial
4.8 – Direitos do preso
4.9 – Trabalho de Preso
4.10 – Legislação especial

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4.11 – Superveniência de doença mental
4.12 – Detração
4.13 – Das Penas Restritivas de Direitos
4.14 – Conversão das penas restritivas de direitos
4.15 – Prestação de serviços à comunidade ou a entidades públicas
4.16 – Interdição temporária de direitos
4.17 – Limitação de fim de semana
4.18 – Da Pena de Multa
4.19 – Multa
4.20 – Pagamento da multa
4.21 – Conversão da multa e revogação
4.22 – Suspensão da execução da multa
4.23 – Da Cominação das Penas
4.24 – Da Aplicação das Penas
4.25 – Fixação da pena
4.26 – Critérios especiais da pena de multa
4.27 – Circunstâncias agravantes
4.28 – Reincidência
4.29 – Circunstâncias atenuantes
4.30 – Cálculo da pena
4.31 – Concurso Material
4.32 – Concurso Formal
4.33 – Crime continuado
4.34 – Limite das penas
4.35 – Da Suspensão Condicional da Pena
4.36 – Do Livramento Condicional
4.37 – Dos Efeitos da Condenação
4.38 – Da Reabilitação
UNIDADE V – DAS MEDIDAS DE SEGURANÇA
5.1 – Espécies de medida de segurança
5.2 – Imposição da medida de segurança para inimputável
5.3 – Direitos do internado
UNIDADE VI – DA AÇÃO PENAL
6.1 – Espécies
6.2 – Denúncia e Queixa
6.3 – Ação penal pública
6.4 – Ação penal privada
6.5 – Ação penal privada subsidiária da pública
6.6 – Irretratabilidade da representação
6.7 – Decadência do direito de queixa ou representação
6.8 – Renúncia expressa ou tácita do direito de queixa

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6.9 – Perdão do ofendido
UNIDADE VII – DA EXTINÇAO DA PUNIBILIDADE
7.1 – Conceitos
7.2 – Prescrição antes de transitar em julgado a sentença
7.3 – Prescrição das penas restritivas de direito
7.4 – Prescrição depois de transitar em julgado sentença final condenatória
7.5 – Prescrição da pena de multa
7.6 – Redução dos Prazos de prescrição
7.7 – Causas impeditivas da prescrição
7.8 – Perdão judicial

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UNIDADE I
DO CRIME – exclusão de ilicitude

NOÇÕES DE TIPICIDADE E ANTIJURIDICIDADE


DA TIPICIDADE
Noções: conforme, anteriormente analisado, a antijuridicidade é um dos elementos
do crime que é - fato típico, ilícito/ culpável, sendo que os elementos do fato típico
são: conduta, nexo causal, resultado e tipicidade. Para a teoria bipartide a
culpabilidade é pressuposto de pena.
Desse modo pode-se conceituar a antijuridicidade ou ilicitude.
Conceito: é a correspondência, a adequação perfeita entre o fato natural,
concreto e a descrição contida na lei. Já o TIPO penal é um modelo abstrato
que descreve um comportamento proibido. À identidade entre o tipo penal e a
conduta chama-se tipicidade, ilicitude ou antijuridicidade.

A tipicidade deve ser analisada em dois planos: formal e material

Tipicidade formal (ou legal) - consiste na correspondência entre uma conduta


da vida real e o tipo legal de crime previsto na lei penal;

Tipicidade material – a conduta, além de sua adequação formal, deve ser


materialmente lesiva a bens jurídicos ou ética e socialmente reprováveis. Os
comportamentos normalmente permitidos são materialmente atípicos. A
ausência de tipicidade material leva à atipicidade da conduta. Não se confunde
com ausência de justificação. Exemplo comparativo: lesões corporais
decorrentes de legítima defesa e de pontapés em jogos de futebol. A tipicidade
material pode ser excluída com base nos princípios da adequação social da
conduta e o da insignificância penal.

Princípio da adequação social da conduta (introduzido por Hans Welzel).


As condutas socialmente aceitas e adequadas, que estejam dentro do âmbito

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da normalidade social, seriam atípicas (exs.: perfuração de parte da orelha ou
do nariz dos índios pequenos, por seus pais, para manter a tradição de fixação
de objetos da cultura indígena ou mesmo na nossa cultura; assim como certos
castigos escolares verificados dia a dia, em que não há autorização legal, etc.)

Observação: os princípios da adequação social e da insignificância afastam a


tipicidade material e, de consequência, o crime; são considerados causas
supralegais de exclusão da tipicidade.

Tipicidade conglobante – sem muita aceitação ainda na jurisprudência em


nosso país vem guardando receptividade na doutrina o conceito de tipicidade
conglobante como corretivo da tipicidade legal. Criada pelo argentino Eugenio
Raúl Zaffaroni, a teoria da tipicidade conglobante preceitua que o fato típico
deve ter, também, anti-normatividade, daí ser conglobante;

O fato deve contrariar o TIPO LEGAL e também deve contrariar o


ordenamento jurídico, como um todo; (Zaffaroni) segundo esse autor, trata-se,
de um dos aspectos da tipicidade penal, que se subdividiria em tipicidade legal
(adequação do fato com a norma penal, segundo uma análise estritamente
formal) e tipicidade conglobante (inadequação do fato a normas extrapenais).
Por meio desta, deve-se verificar se o fato, que aparentemente viola uma
norma penal incriminadora, não é permitido ou mesmo incentivado por outra
norma jurídica (como no caso das intervenções médico-cirúrgicas, violência
desportiva, estrito cumprimento de um dever legal etc.). Não teria sentido,
dentro dessa perspectiva, afirmar que a conduta do médico que realiza uma
cirurgia no paciente viola norma penal do art. 129 do CP (não ofenderás a
integridade corporal alheia) e, ao mesmo tempo, atende ao preceito
constitucional segundo o qual a saúde é um direito de todos (não seria lógico
dizer que viola uma norma e obedece a outra, ao mesmo tempo)
Por meio da tipicidade conglobante (que resulta numa análise conglobada do
fato com todas as normas jurídicas, inclusive extrapenais), situações

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consideradas tradicionalmente como típicas, mas enquadráveis nas
excludentes de ilicitude (exercício regular de um direito ou estrito cumprimento
de um dever legal), passariam a ser tratadas como atípicas, pela falta de
tipicidade conglobante. Com a adoção da imputação objetiva, tais resultados
(atipicidade de fatos então considerados típicos, porém lícitos) atingida sem
necessidade dessa construção, que se torna supérflua.

Tipo do injusto – contém todos os elementos do tipo legal mais a nota da


ilicitude (Assis Toledo). Injusto é toda a conduta típica e antijurídica, mesmo
que não seja culpável (Cezar Roberto Bittencourt).

FUNÇÕES DO TIPO PENAL


O tipo penal contém três relevantes funções:
a) - garantia do princípio da reserva legal;
b) - indício de ilicitude;
c) - função diferenciadora do erro. É indiscutível que o dolo do agente
deve abranger todos os elementos constitutivos do tipo penal; o
desconhecimento de um elemento constitutivo do tipo constitui erro de tipo –
(Cezar Roberto Bittencourt).

CLASSIFICAÇÃO DO TIPO
Tipo fechado ou direto – ocorre a tipicidade direta quando a adequação do
fato se opera de forma direta - é a conduta proibida descrita integralmente na
lei (Ex.: matar alguém: A mata B, portanto, A violou o preceito normativo
contido na norma do art. 121, do CP);
Tipo aberto ou Indireto – ocorre a tipicidade aberta ou indireta quando for
necessário para que o tipo penal esteja completo de complementação de uma
norma de caráter geral, que se encontra fora do tipo descrito, ou seja, se
encontra contida na parte geral do CP (Ex.: A paga B para matar C. Assim, A
violou o preceito normativo contido no art. 121 c/c 29 do CP – “Quem, de
qualquer modo, concorre para o crime incide nas penas a este cominadas, na

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medida de sua culpabilidade”. É o que a doutrina chama de concurso de
pessoas);
ELEMENTOS DO TIPO PENAL INCRIMINADOR
A doutrina costuma destacar e classificar as elementares do tipo em:
a) - Elementos descritivos ou objetivos do tipo – são aqueles que como
o nome já indica – narram ou referem-se à obstrução da conduta
proibida, ou seja, constituem-se no objeto do crime, no núcleo do tipo
(no verbo), ex.: “matar alguém”;
b) - Elemento subjetivo do tipo – é aquele referente ao animus do agente
(dolo ou culpa);
c) - Elementos normativos do tipo – são aqueles tipos penais que
demandam uma valoração por parte do aplicador da norma – deixados
propositalmente em aberto, ou seja, quando o legislador insere alguma
expressão que exigirá do julgador um juízo de valor, ex.: alheia” no
crime de furto). Podem referir-se ao injusto (devidamente, sem “sem
justa causa”, vide arts. 151, 153, CP) a um termo jurídico (“cheque”,
“documento”, “funcionário público” etc. – arts. 171, 297, 312) ou termo
extrajurídico (inexperiência da vítima; dignidade – (arts.174 e 140 CP
respectivamente). Assim, o juízo de valoração pode ser social, religioso,
político, cultural, jurídico ou outro conhecimento humano qualquer.

DA ILICITUDE (ANTIJURIDICIDADE)

Conceito: é a contradição que se estabelece entre a conduta do agente e todo


o ordenamento jurídico, consistindo na prática de uma ação ou omissão legal.
A doutrina costuma utilizar as expressões ilicitude e antijuridicidade como
sendo sinônimas, embora haja parte da doutrina (Assis Toledo), que repudie a
utilização da segunda expressão como indicadora de antagonismo entre a
conduta e o ordenamento jurídico.

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De acordo com o professor Rodrigues1 “a expressão mais correta é
ilicitude, embora boa parte de doutrinadores prefiram denominá-la de
antijuridicidade. Afirma ainda que, o Código Penal repudiou a expressão
antijuridicidade, nos termos do artigo 23 do Código Penal”

Diferença entre ilícito e injusto – O ilícito é a contrariedade entre o fato e a


lei, ou seja, a realização de um fato proibido pelo ordenamento legal; não
comporta escalonamentos, de modo que um simples furto é tão ilícito quanto o
latrocínio.
O injusto é a própria conduta valorada como ilícita; tem caráter
substantivo; possui qualidade e quantidade, isto é, admite escalonamento; é
aquilo que nos é permitido fazer; engloba a ação típica e ilícita, ainda que não
seja culpável.

Espécies:
a) - ilicitude formal – é a mera contrariedade do fato ao ordenamento
legal; confunde-se com a tipicidade;
b) - ilicitude material – é a que fere o interesse material protegido pela
norma; possibilita a admissão de causas supralegais de justificação;
c) - ilicitude subjetiva – considera que o fato só é ilícito se o agente
tiver capacidade de avaliar seu caráter criminosos (o inimputável, segundo esta
teoria, não comete fato ilícito);
d) - ilicitude objetiva – sua ocorrência não depende da capacidade de
avaliação do agente.
Obs.: importante lembrar que o exame da conduta delituosa segue a
ordem: fato típico, antijuridicidade e culpabilidade. Assim, caso constatado que
o fato não é típico (Ex.: aplicação do princípio da insignificância), sequer será
analisada a sua antijuridicidade.

1
Rodrigues, Roberto – Direito penal fundamental: parte geral - professor na PUC Goiás. P. 175.

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Causas legais de exclusão de ilicitude

Também são conhecidas como: causas de exclusão da antijuridicidade;


causas de justificação, causas de exclusão do crime, discriminantes,
excludentes de ilicitude (art. 23 do CP);
Art. 23 - Não há crime quando o agente pratica o fato
I - em estado de necessidade;
II - em legítima defesa;
III - em estrito cumprimento de dever legal ou no exercício regular
de direito

DO ESTADO DE NECESSIDADE

Art. 24 - Considera-se em estado de necessidade quem pratica o fato


para salvar de perigo atual, que não provocou por sua vontade, nem
podia de outro modo evitar, direito próprio ou alheio, cujo sacrifício, nas
circunstâncias, não era razoável exigir-se.
§ 1º - Não pode alegar estado de necessidade quem tinha o dever
legal de enfrentar o perigo.
§ 2º - Embora seja razoável exigir-se o sacrifício do direito
ameaçado, a pena poderá ser reduzida de um a dois terços.

O estado de necessidade tem o poder de tornar licita a conduta do


agente que, nas condições previstas em lei, praticou conduta típica, desde que,
para salvar de perigo atual bem ameaçado, seja esse bem de valor superior ao
bem sacrificado ou de igual valor (teoria unitária), não se admitido o sacrifício
de um bem jurídico superior a pretexto de salvar um outro bem de valoração
inferior

TEORIAS:

a) - Unitária: o estado de necessidade é sempre causa de exclusão da


ilicitude; teoria adotada pelo código Penal.
b) - Diferenciadora: se o bem sacrificado for igual ou maior ao salvo, o estado
de necessidade exclui a culpabilidade (teoria adotada pelo Código Militar);

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REQUISITOS:

Perigo de lesão a um bem jurídico (perigo atual) – é indispensável a


existência do perigo ou lesão a um bem juridicamente tutelado; lembrando que
esse perigo deve ser atual, e não pode ter sido voluntariamente provocado pelo
agente do fato necessário, deve resultar de caso fortuito ou força maior, casos
em que trabalha-se com a ideia de ponderação dos bens em risco. Ex.:
naufrago que afoga o outro para ficar com a única boia

Inevitabilidade da lesão ao bem de outrem – em situação de conflito entre


bens protegidos, o sacrifício de um deles somente é permitido quando a
salvação do outro possa fazer-se à custa desse sacrifício.

Conflito entre bens reconhecidos e protegidos pela ordem jurídica – no


estado de necessidade não podem prevalecer, sobre direitos protegidos, vícios
ou práticas desvaliosas. Ex.: não se admite a invocação da excludente ora
analisada se o perigo decorreu de ato anterior doloso praticado pelo agente; se
entretanto, o agente provoca o perigo por conduta culposa, a discriminante
poderá ser arguida.

Balanceamento dos bens e deveres em conflito (razoabilidade) – o bem


sacrificado deve ser igual ou inferior ao do bem defendido; o sacrifício de bem
de maior valor afasta a causa de justificação. Ex.: a prática de homicídio para
impedir a lesão de um bem patrimonial de ínfimo valor.

Inexistência do dever legal de enfrentar arrostar o perigo – não se pode


alegar o estado de necessidade todo aquele que, por obrigação decorrente de
lei, tinha o dever de enfrentar o perigo. Ex.: policial que, com medo do
criminoso, joga uma pessoa na trajetória da bala.

Elemento subjetivo do agente – o agente deve conhecer ( ou ao menos


acreditar que se faz presente) a situação fática caracterizadora do estado de
necessidade

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Classificação do estado de necessidade:

a) - quanto à titularidade do interesse protegido – próprio ou de


terceiro;
b) - quanto aos aspectos subjetivo do agente – real (situação de perigo
real) e putativo (o agente supõe a existência de perigo que não existe);
c) - quanto à ofensa – defensivo (quando o ato necessário se dirige
contra a coisa que promana o perigo – Ex.: vítima que mata cão agressor;
agressivo (quando o ato necessário é dirigido contra coisa diversa daquela de
que promana o perigo – ex.: furto devalimento para saciar a fome)

DA LEGÍTIMA DEFESA

Art. 25 - Entende-se em legítima defesa quem, usando moderadamente dos


meios necessários, repele injusta agressão, atual ou iminente, a direito seu ou
de outrem.

REQUISITOS:
a)- repulsa a agressão atual ou iminente e injusta – o primeiro aspecto da
legítima defesa é a reação defensiva, o que exclui de seu âmbito qualquer ato
agressivo em sua origem; é a resistência contra posta á agressão injusta (atual
e iminente).
a1) - agressão atual – é aquela que já esta em curso no momento da
reação defensiva; não se funda no temor de ser agredido em no revide de
quem já o foi. Não se admite legitima defesa antecipada, ou seja, temor de
agressão futura. Atenção – o bem somente será passível de autodefesa se não
for possível socorrer-se do Estado para sua proteção.
a2) - agressão iminente – é aquela que está preste a acontecer; é a
previsibilidade concreta de agressão dentro de um quadro de possibilidades
reais (nos crimes permanentes a agressão será sempre atual, enquanto não
cessada a permanência);

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a3) - agressão injusta – é a agressão ilícita, antijurídica (a penhora é
injusta) ao contrário do estado de necessidade, que admite um contra outro,
não se admite legitima defesa contra legitima defesa; não é necessário que a
agressão seja crime ex(art. 1210, § 1º, CC);
a4) - agressão de inimputáveis – se a agressão não precisa ser crime,
também não se exige que seja ela proveniente de alguém culpável; admitem-se
a legítima defesa contra ébrios, menores, doentes mentais, etc.;
a5) - aberratrio ictus – na reação defensiva, se o agente erra na
execução dos atos necessário de defesa, não descaracteriza a causa de
justificação (art. 73 CP); não exclui, porém, a responsabilidade civil.

b)- defesa de direito próprio ou alheio – todos os direitos (bens ou interesses


jurídicos) são suscetíveis de legitima defesa, tais como: a liberdade, a
integridade física, o patrimônio, a honra, etc; na legítima defesa da honra,
igualmente às demais, a adequação dos meios empregados é requisito
indispensável.

c) - meios necessários - são aqueles indispensáveis para repelir a agressão


atual, ou iminente e injusta; nem menos, nem mais do que isso, ou seja, são os
que causam o menor dano indispensável à defesa do direto, já que não se
deve confundir necessidade dos meios empregados com necessidade de
defesa( por exemplo: caso de paralítico que atira para evitar furto de algumas
frutas sem seu poder); deve guardar proporcionalidade. Havendo mais de um
meio de repelir a agressão, deve-se utilizar o menos lesivo, sempre, porém,
atentando para as peculiaridades do caso concreto, lembrando a clássica
advertência de Nelson Hungria que aduzia que “não se pode medir a
proporcionalidade da reação em pratos de balança”.

d) - moderação no emprego dos meios – refere-se à intensidade dada pelo


agente no emprego dos meios de defesa; a reação do agente não pode crescer

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em intensidade além do razoavelmente exigidos pelas circunstâncias para
fazer cessar a agressão.
e) - orientação do animo do agente no sentido de praticar atos defensivos
– assim, como nas demais causas de justificação, na legitima defesa o agente
deve mover-se no propósito de defender-se (posição majoritária). Em sentido
diverso, Nelson Hungria, para quem análise da legítima defesa era puramente
objetiva.
Obs.: A possibilidade de fuga pelo agredido não afasta a legitima
defesa, pois “a lei não pode exigir que se leia na cartilha dos covardes e
pusilânimes” (Nelson Hungria).

Legítima defesa subjetiva – é o excesso por erro do tipo escusável, que


exclui o dolo e a culpa (art. 20, § 1º, primeira parte); o agente, encontrando-se
inicialmente em legítima defesa, mas por erro quanto a gravidade do perigo ou
quanto ao modo de reação, plenamente justificado pelas circunstâncias, supõe
ainda encontrar-se em situação de defesa. (denominada e usada muitas vezes
como sinônimo de defesa putativa, empregada por Hungria para caracterizar o
excesso da legítima defesa por erro escusável).

Legítima defesa sucessiva – é a repulsa contra excesso de legitima defesa


(ex.: alguém agindo inicialmente em legitima defesa, excede, outrem,
anteriormente agressor, reage). Situação perfeitamente possível. Ou seja,
trata-se de hipótese em que alguém se defende do excesso de legitima defesa.
Ex.: se um ladrão é surpreendido furtando, cabe por parte do
proprietário, segurá-lo à força até a chegada da polícia (constrangimento
admitido na legitima defesa), embora não possa propositadamente lesar sua
integridade física. Caso isso ocorra, autoriza o ladrão a se defender (é a
legítima defesa contra o excesso praticado).

Legítima defesa putativa – quando o agente, por erro de tipo ou de proibição


plenamente justificado pelas circunstâncias, supõe encontrar-se em face de

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agressão injusta. Ex.: proprietário de um veículo, que, com o auxílio de outrem,
reagiu violentamente contra a vítima que tentava abrir, por equivoco, seu
veículo, induzindo o agente a supor que se tratava de furto. Mesmo nessa
hipótese é sempre indispensável a moderação. (art. 20, § 1º), primeira parte e
21, CP).
Excesso na legítima defesa – ocorre quando o uso desnecessário ou
imoderado de um certo meio venha dar causa a resultado mais grave do que
razoavelmente suportado nas circunstâncias. “O agente, em qualquer das
hipóteses do Parágrafo único do art. 23, responderá pelo excesso doloso ou
culposo”. Assim, se o agente exceder, em qualquer das causas de justificação,
por dolo ou culpa, deverá responder por dolo ou culpa.

Excesso doloso – ocorre quando o agente, ao defender-se de uma injusta


agressão emprega meio desproporcionadamente desnecessário (ex.: para se
defender de um tapa, mata a tiros o agressor); ou ainda quando age com
imoderação (ex: depois do primeiro tiro que fere e imobiliza o agressor,
prossegue na reação até matá-lo) Caracterizando o excesso, o agente
responde pelo fato doloso, correspondente ao excesso.

Excesso culposo – é o que resulta da imprudente falta de contensão do


agente, quando isso era possível nas circunstâncias. Para evitar um resultado
mais grave do que o necessário à defesa do bem agredido. Assim, deve estar o
agente em situação inicial de legitima defesa e dela se desvia, em momento
posterior, na escolha dos meios de reação ou na falta de moderação, por culpa
estrito senso, sendo que o resultado lesivo deve estar previsto em lei como
crime culposo.

Diferença entre estado de necessidade e legitima defesa

Estado de necessidade Legítima defesa


a)- há conflito entre titulares de a)- há agressão a um bem jurídico

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interesses jurídicos lícitos; tutelado;

b)- é exercida contra qualquer b)- somente por ser exercida contra
causa; a conduta do homem;
c)- É exercida por uma ação; c)- constitui-se numa reação;
d)- bem jurídico é exposto a perigo d)- o bem jurídico é exposto a uma
agressão;
e)- pode ser utilizado contra terceiro e)- a reação somente pode ser
inocente. dirigida contra agressor.

DO ESTRITO CUMPRIMENTO DO DEVER LEGAL

Conceito: ocorre esta excludente quando o agente público (ou particular que
temporariamente exerça a função pública) atua mediante ação praticada em
cumprimento de um dever imposto por lei penal ou extrapenal, mesmo que
cause lesão ao bem jurídico de terceiro. Pode-se vislumbrar, em diversos
pontos do ordenamento jurídico pátrio, a existência de deveres atribuídos a
certos agentes que, em tese, podem figurar fatos típicos, que para realizar uma
prisão, por exemplo, o art. 292 do CPP, prevê que, “se houver, ainda que por
parte de terceiros, resistência à prisão em flagrante ou à determinada por
autoridade competente, o executor e as pessoas que o auxiliarem poderão usar
dos meios necessários para defender-se ou para vencer a resistência...”. O
mesmo se diga da previsão feita no art. 245, §§ 2º e 3º, do CPP, tratando da
busca legal e autorizando o emprego de força para cumprir mandado judicial,
ou seja, a violação de domicilio pela policia ou servidor judiciário para cumprir
mandado judicial de busca e apreensão ou mesmo quando for necessário para
prestar socorro a alguém ou impedir a prática de crime.

Para se considerar dever legal é preciso que advenha de lei, ou seja,


preceito de caráter geral, originário de poder público competente, embora no
sentido lato (leis ordinárias, regulamentos, decretos etc.).

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Obs.: apesar do dever de cumprimento da lei, não estão os agentes, sob
tal fundamento, autorizados a matar, ressalvados os casos militares previstos
por exceção, como o assassinato em caso de guerra e a destruição de avião
que invade território nacional e, apesar das insistências, se nega a obedecer a
ordem de retirada. Nos casos de perseguição policial para prisão em flagrante
delito ou para recuperação de prisioneiros em fuga, por exemplo, não podem
os policiais matar alegando estrito cumprimento do dever legal, apenas estando
autorizados a tanto, nos casos em que configure legítima defesa.

DO EXERCÍCIO REGULAR DE UM DIREITO

Conceito: É o desempenho de uma atividade ou a prática de uma conduta


autorizada por lei, que torna lícito um fato típico. Se alguém exercita um
direito,previsto e autorizado de algum modo pelo ordenamento jurídico, não
pode ser punido, como se praticasse um crime.

O que é licito em qualquer ramo do direito, há de ser também no direito


penal. Ex.: a Constituição Federal considera o domicilio asilo inviolável do
indivíduo, sendo vedado o ingresso nele sem consentimento do morador, salvo
em caso de flagrante delito ou desastre, bem como para prestar socorro (art.
5º, XI, CF). Portanto, se um fugitivo da justiça esconde-se na casa de um
amigo, a polícia somente pode penetrar nesse local durante o dia, constituindo
exercício regular de direito impedir entrada dos policiais durante a noite,
mesmo que possuam mandado.
Obs.: A expressão direito deve ser interpretada de modo amplo e não
restrito, afinal, cuida-se de excludente de ilicitude e não de norma
incriminadora. Logo, compreende “todos os direitos subjetivos pertencentes a
categoria ou ramo do ordenamento jurídico, direta ou indiretamente
reconhecido, como afinal são os costumes.

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Algumas situações de exercício regular de direito – constituem casos
típicos de exercício de direito as seguintes hipóteses:
a) - aborto quando a gravidez resulte de estupro, se houver o
consentimento da gestante;
b) - o tratamento médico e a intervenção cirúrgica, quando admitidas em
lei; (para que exista o exercício regular de direito é indispensável o do paciente
ou de seu representante legal. Inexistindo este, poderá haver o estado de
necessidade em favor de terceiro (o próprio paciente), como dispõe o art. 146,
§ 3º, inciso I , CP)
c) - lesões corporais advindas de violência esportiva; pois, há esportes
que podem provocar danos a integridade corporal ou à vida (boxe, luta livre,
futebol etc.) havendo lesões corporais ou morte, não ocorrerá crime por ter o
agente atuado em exercício regular do direito. O Estado autoriza, regularmente,
e até incentiva a prática esportiva, socialmente uteis, não podendo punir
aqueles que, exercitando direito, causam dano. No Brasil deve ser observada
as normas gerais sobre a prática dos esportes (lei nº 9.615, de 24/03/1998 –
conhecida como Lei Pelé)
Obs.: haverá crime apenas quando ocorrer excesso do agente, ou seja,
quando a pessoa intencionalmente desobedecer às regras esportivas,
causando resultados lesivos, hipótese em que se verifica o elemento subjetivo
da conduta, agendo ilicitamente aquele que se aproveita da prática para lesar o
bem jurídico alheio (vida, integridade corporal etc.).

CAUSA SUPRALEGAL DE EXCLUSÃO DA ILICITUDE

Consentimento do ofendido – embora inexista de forma expressa no Código


Penal, o consentimento do ofendido, trata-se de causa supralegal e limitada da
antijuridicidade, permitindo que o titular de um bem ou interesse protegido,
considerando disponível, concorde, livremente, com a sua perda. Casos em
que quando não exclui a tipicidade, pode funcionar como causa de exclusão da
ilicitude.

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a) - como causa de exclusão da tipicidade: quando a figura típica
contém o dissentimento do ofendido como elemento específico, o consenso
funciona como causa de exclusão da tipicidade (Ex.: violação de domicílio
quando o morador acaba consentindo na entrada ou permanecia do sujeito; no
estelionato quando o agente ciente da fraude entrega bem jurídico ao que tenta
ludibria-lo etc.);
b) - como causa de exclusão da ilicitude (ou antijuridicidade):
quando a figura típica não contém o dissentimento do ofendido como
elementar, tratando-se de pessoa capaz e disponível o bem jurídico, o
consenso funciona como causa de exclusão da ilicitude (ex.: a injúria e a
difamação aceitas pela vítima, embora figuras típicas, não são antijurídicas).
Obs.: o consentimento após a prática do ilícito penal não o desnatura,
mas pode impedir a ação penal quando esta dependa de iniciativa da vítima
(ou ofendido).

Excesso nas causas justificativas: de acordo com o disposto no art. 23,


parágrafo único, que o agente responderá pelo excesso doloso ou culposo nas
descriminantes (estado de necessidade, legitima defesa, estrito cumprimento
de dever legal e exercício regular de um direito). Em todas as justificativas é
necessário que o agente não exceda os limites traçados pela lei. Na legítima
defesa e no estado de necessidade, não deve o agente ir além da utilização do
meio necessário e da necessidade da reação para rechaçar a agressão e na
ação para afastar o perigo.

No cumprimento do dever legal e no exercício regular do direito, é


indispensável que o agente atue de acordo com o ordenamento jurídico. Se,
desnecessariamente, causa dano maior do que o permitido, caso em que não
ficam preenchidos os requisitos das citadas discriminantes, devendo responder
pelas lesões desnecessárias causadas ao bem jurídico ofendido. Dolosa ou
culposamente.

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Excesso doloso – hipótese em que o sujeito após iniciar sua conduta
conforme o direito extrapola seus limites na conduta excedendo-se, podendo
responder o agente por crime dolo causado no excesso.

Excesso culposo – quando o agente querendo um resultado necessário,


proporcional, autorizado e não excessivo, que é proveniente de sua
indesculpável precipitação, desatenção, etc., responderá por crime culposo, se
previsto em lei, já que o sujeito atuou por erro vencível na sua ação ou reação,
diante do temor, aturdimento ou emoção que o levou ao excesso.

UNIDADE II
DA IMPUTABILIDADE PENAL

Art. 26 - É isento de pena o agente que, por doença mental ou


desenvolvimento mental incompleto ou retardado, era, ao tempo da ação ou da
omissão, inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de
determinar-se de acordo com esse entendimento.
Parágrafo único - A pena pode ser reduzida de um a dois terços, se o agente,
em virtude de perturbação de saúde mental ou por desenvolvimento mental
incompleto ou retardado não era inteiramente capaz de entender o caráter
ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento.

Art. 27 - Os menores de 18 (dezoito) anos são penalmente inimputáveis,


ficando sujeitos às normas estabelecidas na legislação especial.

Art. 28 - Não excluem a imputabilidade penal:


I - a emoção ou a paixão;
Embriaguez
II - a embriaguez, voluntária ou culposa, pelo álcool ou substância de
efeitos análogos.
§ 1º - É isento de pena o agente que, por embriaguez completa,
proveniente de caso fortuito ou força maior, era, ao tempo da ação ou da
omissão, inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de
determinar-se de acordo com esse entendimento.
§ 2º - A pena pode ser reduzida de um a dois terços, se o agente, por
embriaguez, proveniente de caso fortuito ou força maior, não possuía, ao

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tempo da ação ou da omissão, a plena capacidade de entender o caráter ilícito
do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento.

Conceito: é a capacidade do agente de entender o caráter ilícito do fato ou de


determinar-se de acordo com esse entendimento (art. 26). A imputabilidade é a
regra.
Causas de exclusão da imputabilidade:
a) - doença mental;
b) - desenvolvimento mental incompleto;
c) - desenvolvimento mental retardado;
d) - embriaguez completa proveniente de caso fortuito ou força maior.

Doença mental – perturbação ou moléstias que causam alterações mórbidas á


saúde mental, tais como esquizofrenia, psicose maníaco-depressivo, paranoia,
epilepsia, demência senil etc.

Desenvolvimento mental incompleto – ocorre quando o desenvolvimento


mental ainda não se concluiu. É o caso dos menores de 18 anos, que possuem
desenvolvimento mental incompleto presumido (art. 27), e dos silvícolas não
adaptados à civilização.

Desenvolvimento mental retardado – É estado mental dos oligofrênicos


(idiotas, imbecis e débeis mentais) e dos surdos-mudos, estes desde que a
capacidade de compreensão seja totalmente suprimida.
Obs.: para a aferição da inimputabilidade o Código Penal adotou como
regra o sistema biopsicológico, o que considera como inimputável aquele que,
ao tempo da infração penal, não tinha capacidade de entender o caráter ilícito
(criminoso) do fato, nem de determinar-se de acordo com esse entendimento,
em virtude de doença mental ou de desenvolvimento mental incompleto é
presumido, sem levar em conta a efetiva capacidade do agente.

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EMBRIAGUEZ – è a intoxicação aguda e transitória causada pelo álcool ou
substancia de efeitos análogos, cujos efeitos podem progredir de uma ligeira
excitação inicial até o estado da paralisia e coma.
Espécies:
1) Não acidental: (voluntária e culposa)
a) Voluntária – quando a agente ingere substancia alcoólica ou de
efeitos análogos com a intenção de embriagar-se;
b) Culposa – ocorre quando o agente não pretende embriagar-se, mas
em virtude de excesso imprudente acaba por se embriagar.
Actio libera in causa – A embriaguez não acidental seja voluntária ou culposa,
completa ou incompleta, não exclui a imputabilidade do agente. Segundo a
teoria do actio libera in causa (ação livre na causa), no momento em que o
agente ingere a substancia (alcoólica ou análoga) está livre para decidir se
deve ou não fazê-lo. Mesmo que a conduta seja praticada em estado de
embriaguez completa, origina-se, porém, de um ato livre do agente. Esta teoria
leva em consideração o momento da ingestão da substancia e não o momento
da prática do crime. Entretanto, se no momento que o agente se coloca em
situação de embriaguez completa, não lhe for possível prever a ocorrência do
crime, ficam afastados o dolo e a culpa, levando-se à atipicidade do fato. Caso
contrário restabeleceria a responsabilidade penal objetiva, já banida do direito
penal moderno. Se o sujeito se embriaga, prevendo a possibilidade de praticar
o crime e aceitando a produção do resultado, responde pelo delito a titulo de
dolo; se ele se embriaga prevendo a produção do resultado, mas esperando
que ele não se produza, ou não prevendo, mas devendo prevê-lo, responde
pelo delito a titulo de culpa. Nos dois exemplos citados é aceita a aplicação da
teoria da actio libera in causa.

2) Acidental – é a que provém de caso fortuito ou força maior. Pode ser


completa, quando suprime totalmente a capacidade de entender ou querer do
agente, exclui a imputabilidade; ou incompleta, quando retira parcialmente
aquela capacidade,permitindo a diminuição da pena de um a dois terços.

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3) Patológica – É considerada doença mental.

4)- Preordenada – é aquela em que o agente se embriaga com a finalidade


de praticar o crime. Não exclui a imputabilidade, ao contrário, é agravante
genérica (art. 61, II, alínea l, do CP).

EMOÇÂO E PAIXÃO
De acordo com o art. 28, I, do Código Penal, que não excluem a
imputabilidade penal a emoção e a paixão, aliás, posição acertada, uma vez
que em ambas as situações não se estão diante de doença mental, nem
mesmo de perturbação apta a retirar a capacidade de entendimento do agente
ou de autodeterminação.

EMOÇÃO - É um estado de ânimo ou de consciência caracterizado por uma


viva excitação do sentimento. É uma forte e transitória perturbação da
afetividade, a que estão ligadas certas variações somáticas ou modificações
particulares das funções da vida orgânica (pulsar arritmia cardíaca, alterações
terminas, aumento da irrigação cerebral, aceleração do ritmo respiratório,
alterações vasomotoras, intensa palidez ou intenso rubor, tremores, fenômeno
musculares, alterações das secreções, suor, lagrimas etc.)

PAIXÃO - É originária da emoção, a paixão é a emoção em estado crônico,


levada a extremo, de maior duração, perdurando como um sentimento
profundo monopolizante, que embora possa interferir no raciocínio e na
vontade do agente, é possível de controle, razão pela qual não elide a
culpabilidade. São exemplos: (amor, ódio, vingança, ciúme, ambição, inveja,
entre outros).
Obs.: A emoção é passageira, a paixão é duradoura. Não exclui a
culpabilidade. A emoção pode ser causa de diminuição de pena (art. 121, § 1º;
129, § 4º CP).

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Culpabilidade diminuída ou semi-imputabilidade – É a perda parcial da
capacidade de entendimento ou autodeterminação do agente, em virtude de
perturbação mental (sentido mais amplo que doença mental) ou
desenvolvimento mental incompleto ou retardado. O juiz está obrigado a
reduzir a pena (art. 26, parágrafo único), ou se preferir, poderá substituí-la por
medida de segurança.

UNIDADE III
DO CONCURSO DE PESSOAS

Conceito: concurso de pessoas é a denominação dada pelo Código Penal em


hipóteses em que duas ou mais pessoas envolvem-se na prática de uma
infração penal. A doutrina e a jurisprudência também se utilizam das
expressões “concurso de pessoas”; “codelinquência” e ou “concurso de
delinquentes”, para referir-se a hipóteses de pluralidade de envolvidos no ilícito
penal.
Art. 29 - Quem, de qualquer modo, concorre para o crime incide nas
penas a este cominadas, na medida de sua culpabilidade.
§ 1º - Se a participação for de menor importância, a pena pode ser
diminuída de um sexto a um terço.
§ 2º - se algum dos concorrentes quis participar de crime menos grave,
ser-lhe-á aplicada a pena deste; essa pena será aumentada até a metade, na
hipótese de ter sido previsível o resultado mais grave.

ESPÉCIES DE CRIMES QUANTO AO CONCURSO DE PESSOAS:


a) – Monossubjetivos - quando pode ser praticada por um ou mais
agentes. (ex.: homicídio, furto, roubo, etc.);
b) – Plurissubjetivos – quando só praticados com a participação de mais
de uma pessoa ou por uma pluralidade de pessoas.

ESPÉCIES DE CRIMES PLURISSUBJETIVOS

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a) - de condutas paralelas – quando as condutas se auxiliam
mutuamente, visando obtenção de um resultado comum (ex.: crime
de associação criminosa, art. 288 CP);
b) - de condutas convergentes – quando as condutas tendem a se
encontrar e desse encontro surge o resultado. (Ex.: bigamia);
c) - de condutas contrapostas – quando as condutas são praticadas
umas contra as outras. Ex.: crime de rixa (art. 137 CP).

ESPÉCIES DE CONCURSO DE PESSOAS


a) - Concurso necessário: – que se refere aos crimes
plurissubjetivos, que exigem o concurso, no mínimo, de duas pessoas;
b) - concurso eventual – refere-se aos crimes monossubjetivos.

AUTORIA: autor, segundo a teoria restritiva, é a pessoa que realiza a conduta


definida no verbo do tipo legal de crime, isto é, o fato previsto na figura típica.
Essa teoria adota o critério formal-objetivo porque acentua as características
exteriores ou formais da conduta, em sua conformação com o tipo penal.
Assim, o mentor intelectual do crime nãoé considerado autor, tendo em vista
que nãopraticou atos de execução. É a teoria adotada pelo Código Penal.

MODALIDADES DE TEORIA DE AUTORIA:


a) Teoria objetivo-formal: Somente é considerado autor aquele pratica
o verbo, ou seja, o núcleo do tipo legal.
b) Teoria objetivo-material: Autor é aquele que realiza a contribuição
objetiva mais importante.
c) Teoria do domínio do fato: Autor é aquele que detém o controle final
do fato, dominando toda a realização delituosa, com plenos poderes para
decidir sobre sua prática, interrupção e circunstâncias.

FORMAS DE CONCURSO DE PESSOAS


a) Coautoria - Todos os agentes, em colaboração recíproca e visando
ao mesmo fim, realizam a conduta principal. (ex.: no crime de estupro, um

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agente segura à vítima e o outro mantém relações sexuais; no roubo, um
ameaça a vítima e o outro subtrai-lhe os bens).
b) Participação - Partícipe é quem concorre para que o autor ou
coautores realizem a conduta principal, ou seja, aquele que, sem praticar o
verbo (núcleo) do tipo, concorre de algum modo para a produção do resultado.

Elementos: vontade de cooperar e cooperação efetiva. (Ex.: João instiga


Pedro a matar Mário; o primeiro é participe e o segundo, autor).

DIFERENÇA ENTRE AUTOR E PARTÍCIPE:


a) Autor é quem executa o comportamento descrito no tipo penal
(mata, subtrai, provoca lesões corporais);
b) Partícipe, via de regra é aquele que acede sua conduta à realização
do crime, praticando atos diversos dos do autor.

NATUREZA JURÍDICA DO CONCURSO DE PESSOAS


a) Teoria unitária ou monista - Todos os que contribuem para a prática
do delito cometem o mesmo crime, não havendo distinção quanto ao
enquadramento típico entre autor e partícipe.
b) Teoria dualista: Há dois crimes, quais sejam, um cometido pelos
autores e, um outro pelo qual respondem os partícipes.
c) Teoria pluralista ou pluralística: cada um dos participantes
responde por delito próprio, havendo uma pluralidade de fatos típicos, de modo
que cada partícipe será punido por um crime diferente.

CÓDIGO PENAL:
Regra: (art. 29, caput) – teoria unitária ou monista;
Exceção: art. 29, § 2° - teoria pluralista ou pluralística.

Natureza jurídica da participação - Decorre da norma de extensão, pessoal e


espacial, da figura típica, determinante da subsunção típica mediata ou indireta

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(ex.: entre quatro ladrões apenas três subtraem, enquanto o outro faz vigilância
do lado de fora). É acessório de um fato principal, por isto inexiste participação
sem que alguém realize atos de execução de um crime consumado ou tentado
(ato principal). O caráter acessório da participação é, doutrinariamente,
escalonado em graus: acessoriedade mínima, acessoriedade extrema e
hiperacessoriedade.

ESPÉCIES DE ACESSORIEDADE:
a) - Teoria da acessoriedade mínima: basta concorrer para um fato
típico, ou seja, é suficiente que a conduta do participe aceda a um
comportamento principal que constitua fato típico;
b) – Teoria da hiperacessoriedade: deve concorrer para um fato típico,
ilícito e culpável, incidindo, ainda, todas as circunstâncias de caráter
pessoal relativas ao autor principal.
c) – Teoria da acessoriedade limitada: deve concorrer para um fato
típico e ilícito;
d) – Teoria da acessoriedade máxima ou extremada: deve concorrer
para um fato típico, ilícito e culpável.

Posição do Código Penal: Não adotou nenhuma das teorias da


acessoriedade, mas parece melhor adequar à concepção restritiva de autor a
teoria da acessoriedade máxima ou extremada, pois toda vez que faltar
qualquer daqueles requisitos, surge a figura do autor mediato. A autoria
mediata responde a todas as indagações acima formuladas, bem como tantas
outras de difícil desate, quando observadas dentro de uma rigorosa concepção
dualista autor/partícipe.

AUTORIA MEDIATA - Ocorre quando o agente se serve de outra pessoa, sem


condições de discernimento, para realizar, por ele, um fato típico. É mediato o
autor porque utiliza-se de um subjeito imediato. Este,, que executa
materialmente os elementos do tipo penal, não é, a rigor, autor imediato, mas

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sujeito ativo do fato, seja por ausência de crime em relação a ele ou por
ausência de culpabilidade. Ex.: alguém que, pretendendo matar várias
pessoas, induz a erro empregada doméstica, vendendo-lhe veneno em vez de
açúcar; induzir doente mental à prática de furto. A autoria mediata exige
pluralidade de pessoas, por isto não se confunde com as hipóteses em que o
agente utiliza-se de seres irracionais. Não há concurso entre autor mediato e
executor material do crime. O autor mediato controla do início ao fim, o
desenrolar dos acontecimentos. Os crimes de mão própria e culposos não
admitem autoria mediata.

POSIÇÃO DOUTRINÁRIA: embora não pacífica, a doutrina majoritária admite


a existência da figura do autor mediato. Entendem alguns doutrinadores como
Esther Figueiredo Ferraz, que a autoira mediata é uma forma anômala de
participação. Por sua vez, Nilo Batista a admite, ponderando que ela existe não
só quando falta culpabilidade ao executor do fato, mas quando o agente se
vale de terceiro que age como instrumento.

Assim, de acordo com a teoria da acessoriedade máxima na


participação, somente há punição do agente a título de participação quando
houver culpabilidade do autor direto que pratica um fato típico e ilícito, sendo
este grau máximo que autoriza a punição do partícipe.

Desse modo, aquele que instiga menor ou mental à pratica de crime


responde como autor (mediato) e não como partícipe, por ausência de
culpabilidade do executor. De igual modo, respondem por autoria do crime fim
tanto o coator quanto o superior hierárquico, na hipótese de coação moral
irresistível e obediência hierárquica, pois o coacto e o subordinado são
inculpáveis, do mesmo modo é autor mediato do crime aquele que
dolosamente utiliza-se de alguém que pratica o fato mediante erro de tipo, pois
a falsa compreensão da realidade pelo executor afasta o dolo e, de

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consequência, a tipicidade do fato em relação a ele. Quem determinou o erro
não pode ficar impune.

REQUISITOS DO CONCURSO DE PESSOAS


a) - Pluralidade de condutas: alguns agentes praticam o núcleo do
tipo, outros não, mas contribuem para o desdobramento físico da serie de
causas do evento e respondem pelo crime em virtude da norma de extensão;
b) - Relevância causal de todas elas: é necessária a existência de
causalidade; esta é o nexo entre vários comportamentos dos participantes,
formando um só crime; é preciso que a conduta seja relevante para o direito
penal;
c) - Liame subjetivo e normativo ou concurso de vontades
(coautoria e participação): a simples ocorrência do nexo de causalidade fática
não é suficiente para configurar a participação; é indispensável o elemento
subjetivo do agente para contribuir para a realização do crime; não é
obrigatória a existência de acordo prévio (pactun scerelis), basta a adesão de
vontade do participe à ação do executor, que pode até recusá-la. Ex.: João,
sabendo que Pedro vai atirar em Mário, retira deste a arma e evita a legítima
defesa. Mesmo havendo discordância de Pedro, existe a participação de João.
d) - homogeneidade de elementos (subjetivo-normativo): não há
participação dolosa em crime culposo, nem culposa em crime doloso. Nem é
possível participação em crime culposo.
e) - Identidade de infração para todos: todos os participantes
respondem pelo mesmo delito; se o fato delituoso muda sua classificação legal
para um dos concorrentes, a classificação se opera em relação a todos.
Exceções: aborto consentido (art. 124 CP) e provocado (art. 126); bigamia (art.
235 CP); corrupção ativa e passiva (art. 333 e 317 CP); falso testemunho e
corrupção de testemunha (art. 342 e 343).

AUTORIA COLATERAL: Ocorre quando mais de um agente realiza, por si


mesmo, sua conduta sem ter conhecimento da conduta do outro dirigida AP

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mesmo fim; inexiste vínculo subjetivo entre participantes. Embora mais de uma
pessoa pratique o fato delituoso, fica afastado o concurso de pessoas., seja
pela coautoria ou participação.

FORMAS DE PARTICIPAÇÃO: Moral e Material


Moral: apresenta-se nas formas de instigação e induzimento;
a) - instigar é reforçar uma ideia preexistente; o agente já tem a ideia do
fato criminoso, que é reforçada pelo participe; pode ocorrer mediato reforço da
resolução do executor em cometer o crime ou mediante promessa de ajuda
moral ou material após o fato.
b) - Material: exterioriza-se através de um auxílio, uma ajuda
(empréstimo da arma, carona ao local do crime, etc.).

PUNIBILIDADE – se a participação de menor importância a pena pode ser


reduzida de um sexto a um terço (§ 1° do art. 29 CP). A redução da pena é
obrigatória, e varia de acordo com o grau de participação do agente, e não com
base em sua periculosidade (art. 26); quanto mais se aproximar do crime,
menor a redução, quanto mais se afastar, maior o desconto.

Desvios Subjetivos – essa situação ocorre quando o autor principal (executor)


comete delito mais grave do que o pretendido pelo participe (ex.: o agente
determina o espancamento, mas o executor excede e mata a vítima). Este
desvio pode ser atribuído ao instigador (participe) que deverá responder pela
conduta realizada nos limites de seu dolo, salvo se previsível o resultado mais
grave (§ 2º art. 29 CP).

Participação e arrependimento – iniciado o inter criminis, pode ocorrer que


um dos participantes se arrependa de contribuir na conduta criminosa,
persistindo os demais. Nelson Hungria formulou as seguintes hipóteses:
 Não há fato punível quando – o arrependido é o executor e não
inicia a execução do crime planejado.

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O arrependido é o participe e impede (por qualquer meio) que a
execução se inicie; (obs.: nestes casos, não há que se falar em fato típico).
Não há punição pela desistência voluntária e arrependimento eficaz
– que são circunstancias comunicáveis – quando, já iniciada a execução:
a) - o arrependimento é do autor, o qual desiste da consumação ou
impede que o resultado produza;
b) - o arrependido é o partícipe, que consegue evitar (por qualquer
meio) seja atingida o objetivo desejado. Para alguns, esta hipótese pode gerar,
em certos casos, uma situação de tentativa punível. (Ex.: se o partícipe se
arrepende, vai ao local do crime e entre em luta corporal com o executor que
queria continuar a prosseguir na execução, conseguindo evitar a consumação
do delito, resta claro que o crime não se consumou, em relação ao executor,
por circunstâncias alheias à sua vontade, caracterizando assim os canatus.
Há punição quando o arrependimento é do partícipe e resulta inútil o
seu esforço para impedir a execução ou consumação. (assevera MIRABETE),
nesta hipótese, que o participe, tendo agindo para impedir o resultado, não
pode ser considerado causador dele. O que a lei impõe, no art. 13, § 2º, ‘c’,
para aquele que, com o seu comportamento criou o risco da ocorrência do
resultado, é apenas o dever de agir, dentro do possível, para impedir o
resultado, e não que consiga realmente evitá-lo.

Outros conceitos:
Autoria colateral: mais de um agente realiza a conduta, sem que exista liame
subjetivo entre eles.
Autoria incerta: Não se sabe quem foi o causador do resultado na autoria
colateral.
Autoria ignorada: não se consegue apurar quem foi o realizador da conduta;
Participação de Participação: conduta acessória de outra conduta acessória.
Participação sucessiva: mesmo partícipe concorre para a conduta principal
de mais de uma forma.

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Conivência ou participação negativa: o sujeito, sem ter o dever jurídico de
agir, omite-se durante a execução do crime, quando tinha condições de impedi-
lo.
Participação por omissão: o sujeito, tendo o dever jurídico de agir para evitar
o resultado, omite-se intencionalmente, desejando que ocorra a consumação.
Participação impunível: o fato principal não chega a ingressar em sua fase
executória (art. 31).

COMUNICABILIDADE E INCOMUNICABILIDADE DE ELEMENTARES E


CIRCUNSTÂNCIAS
Art. 30 - Não se comunicam as circunstâncias e as condições de
caráter pessoal, salvo quando elementares do crime.

Circunstâncias – são dados acessórios (acidentais) que, agregados ao crime,


tem função de aumentar ou diminuir a pena; não interferem na qualidade do
crime, mas na sua gravidade; são objetivas as que se relacionam com os
meios e modo de realização do crime, tempo, ocasião, lugar, objeto material,
etc; são subjetivas as que dizem respeito com a pessoa do agente, suas
condições pessoais, relações com a vítima, etc.

Condições pessoais – são as relações do agente com o mundo exterior e


com outras pessoas ou coisas, como as de estado civil, parentesco, profissão
etc.
Elementares – são os elementos típicos do crime, isto é, dados que integram
sua definição legal.

Regras sobre a comunicabilidade:


a) Não se comunicam as condições ou circunstâncias de caráter
pessoal (natureza subjetiva). EX.: ‘A’, reicindente, induz ‘B’ a cometer um
delito; Alguém por motivo de relevante valor moral comete um crime com o
auxílio de outrem, que desconhece esta circunstância.

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b) A circunstância objetiva não pode ser considerada no fato do
participe se não ingressou na esfera de seu conhecimento. Ex. João induz
Pedro a participar de crime de lesão corporal contra Mário, sem determinar a
forma de execução; Pedro pratica o crime de emboscada; João não responde
pela agravante; “A” instiga “B” a praticar homicídio contra “C”, que o faz por
asfixia, a não responde pela qualificadora.
c) As elementares, sejam de caráter objetivo ou pessoal,
comunicam-se entre os fatos cometidos pelos participantes desde que tenham
ingressado na esfera de seu conhecimento. Ex.: “A” funcionário público,
comete crime de peculato, pois a elementar funcionário público comunica-se ao
partícipe. Se “B” desconhecia que “A” era funcionário público, não pode
responder por peculato.
Súmula STF nº 245 “A imunidade parlamentar não se estende ao corréu sem
essa prerrogativa”.

UNIDADE IV – DAS PENAS

NOÇÕES: segundo Noronha, em sua obra Direito Penal “a pena, em sua


origem, nada mais foi que vindita, pois é mais que compreensível que naquela
criatura, dominada pelos instintos, o revide à agressão sofrida devia ser fatal,
não havendo preocupações com a proporção, nem mesmo com a justiça”.
Desse modo, pode-se atribuir a ideia da pena no sentimento de
vingança, que surgiu de forma privada e nada mais era que uma forma de
defesa, posto não haver um Estado constituído, capaz de regular as relações
em sociedade.

ORIGEM DA PENA
Caráter sacral - As violações ou desobediências das regras acarretavam aos
infratores os castigos ditados pelo encarregado do culto, que também era o
chefe do grupo, e tinham um caráter coletivo.
Vingança de sangue - Precursora da pena e a primeira manifestação de
cultura jurídica (Von Liszt).

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Castigo - A sanção mais frequentemente aplicada era a morte, e a repressão
alcançavam não só o patrimônio, como também os descendentes do infrator.

CONCEITOS
Conceito 1 – segundo Sebastian Soler, “A pena é uma sanção aflitiva imposta
pelo Estado, através da ação penal, ao autor de uma infração (penal), como
retribuição de seu ato ilícito, consistente na diminuição de um bem jurídico e
cujo fim é evitar novos delitos”.

Conceito 2 – é a sanção penal de caráter aflitivo, imposta pelo Estado, por


meio de uma ação penal, ao autor de uma infração penal, como retribuição de
seu ato ilícito, consistente na restrição ou privação de um bem jurídico, tendo
por finalidade a readaptação do delinquente ao convívio social e evitar novas
transgressões através da intimidação percebida pela sociedade.

Finalidade da Pena – todo crime pressupõe uma pena, sua base legal é o art.
5ºXXXIX da Constituição Federal, que assim prescreve: “Não há crime sem lei
anterior que o defina, nem pena sem prévia comunicação legal, igualmente o
art. 1º do Código Penal. Com a redação igual.
Assim, na posição de titular do direito/dever de punir, não pode o Estado
esquivar-se da aplicação da sanção. Mas esta não pode ser aplicada
cegamente pelo simples dever de cumprir a lei. A pena tem um fim, uma
razão de ser, intimamente vinculada à sua necessidade.

Existem três teorias formuladas para melhor explicá-la.

a) Teoria Absoluta (de retribuição ou retribucionistas): a pena


por finalidade punir o infrator pelo mal causado à vítima, aos seus familiares e á
coletividade. Como o próprio nome diz, a pena é uma retribuição.
b) Teoria relativa (utilitárias ou utilitaristas ou de prevenção): A
da pena é a de intimidar, evitar que os crimes aconteçam, ou seja de

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prevenção geral, seja em relação a fatos ainda não praticados, ou em relação
a fatos já praticados (prevenção especial).
 Prevenção geral - é a ameaça de um mal contra um ilícito penal, dirigida a
todos os destinatários da norma penal. Tem um caráter educativo e age
pela ameaça da pena acerca da lesão de bens jurídicos fundamentais. Há
assim, uma ação intimidatória contra todos os indivíduos pré-dispostos a
cometer algum delito.
 Prevenção especial - dirige-se ao agente delituoso, a fim de impedi-lo de
praticar novos crimes, ao mesmo tempo em que o intimida, promovendo-
se com a emenda ou a segregação do indivíduo. Visa à proteção da
sociedade no período estabelecido na cominação legal, além de prever a
ressocialização do indivíduo para posterior inserção no convívio social.
A justiça aparece como elemento regulador dos limites de segurança
impostos pelo direito, mas não age como justificador da pena.
c) Teorias mistas ou (eclética): A pena tem duas finalidades
especificas, punir e prevenir, ou seja, sua finalidade é não só a prevenção,
mas, também, um misto de correção e educação, ou seja, reuniu o aspecto de
retribuição ao mal cometido da teoria absoluta e a prevenção para não haver o
cometimento de novos delitos da teoria relativa para a definição da finalidade e
função da pena.

Pena adotada pelo Código Penal – Teoria mista, eclética, intermediária,


unificadora ou conciliadora (art. 59 CP) e art. 1º, da Lei de Execução Penal,
para a retribuição e prevenção do crime.

PRINCÍPIOS QUE REGEM A APLICAÇÃO DA PENA:

Princípio da Humanidade – de acordo com esse princípio, o ser humano deve


constituir-se o centro das atenções no estudo das ciências penais. Não
somente a vítima deve merecer a proteção do Estado, mas também o réu, de
modo que, o tratamento a ele dispensado pelo poder público nunca poderá
perder de vista os fins almejados na pena.

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Assim, orientado por ideais iluministas, acidamente defendidas por
Marques de Beccaria, o direito objetivo brasileiro cuidou de preservar e garantir
ao agente do crime um processo justo e uma pena adequada, buscando
afastar quaisquer violências contra o homem, pois o que deve ser execrado é o
crime e não o criminoso. Portanto, não são admitidas penas de morte, salvo em
caso de guerra declarada, perpétuas (CP, art. 75), de trabalhos forçados, de
banimento e cruéis (Art. 5°, XLVII).

Legalidade e anterioridade – representa um esteio de garantia para o


acusado. Não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena, sem prévia
cominação legal, ou seja, deve estar prevista em lei vigente à época em que for
praticada a infração penal (Art. 1° do CP, art. 5°, XXXIX da CF);

Princípio da personalidade – assegura que “nenhuma pena passara da


pessoa do condenado’, podendo a obrigação de reparar o dano e a decretação
do perdimento dos bens ser, nos termos da lei, estendida aos sucessores e
contra eles executadas, até o limite do valor do patrimônio transferido”. De
acordo com a dicção constitucional, garantindo, com uma única ressalva, que a
pena não pode passar da pessoa do condenado (Art. 5°, XLV, CF);

Princípio da Individualidade - conforme o nome já indica, A imposição e o


cumprimento deverão ser individualizados de acordo com a culpabilidade e o
mérito do sentenciado (Art. 5°, XLVI, CF); deve particularizar a avaliação do
próprio indivíduo, levando-se em conta suas características pessoais o crime, e
a relação entre um e outro, ou seja, duas operações deverão ser feitas:
a)- identificar qual é o crime e os limites das penas cominadas e o vincular
ao autor – dispositivo legal;
b)- dosar a pena do crime, já identificado, atribuindo ao autor a quantidade
da reprimenda que assim determinar o conjunto de circunstâncias pessoais, do
fato, da vítima e da intercomunicação entre eles. Importante registrar que esses

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critérios são previamente estabelecidos por lei (art. 59, 61, 62, 65, 66, 67,68,
etc., todos do Código Penal).
Princípio da Proporcionalidade - Deve ser proporcional ao crime praticado
(Art. 5°, XLVI e XLVII), ou seja, não pode ser mais nem menos do que o
suficiente para a reprovação e prevenção do crime. Desejo este de nossa
legislação penal, conforme dispõe o art. 59 do Código Penal.
Princípio da Inderrogabilidade - Salvo as exceções legais, depois de fixada a
pena não pode deixar de ser aplicada sob nenhum fundamento;

Espécies de pena admitidas na Constituição:


 Privação ou restrição de liberdade;
 Perda de bens;
 Multa;
 Prestação social alternativa;
 Suspensão ou interdição de direitos.

Espécies de penas vedadas pela Constituição:


O art. 5º inciso XLVI da Constituição permite ao legislador outras espécies
de pena além das citadas acima, contudo, proibiu algumas modalidades,
conforme dispõe o art. 5.º LVII:
 De morte (salvo em caso de guerra);
 De caráter perpétuo;
 De trabalhos forçados;
 De banimento;
 Cruéis.
CLASSIFICAÇÃO
O art. 34 do CP adotou as seguintes modalidades, com fundamento nas
elencadas na Constituição pelo legislador.
Das espécies de penas (principais)
a) - Privativas de liberdade
b) - Restritivas de direito

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c) – Multa
Das penas privativas de liberdade

Art. 33 - A pena de reclusão deve ser cumprida em regime fechado,


semiaberto ou aberto. A de detenção, em regime semiaberto, ou aberto, salvo
necessidade de transferência a regime fechado.
§ 1º - Considera-se:
a) regime fechado a execução da pena em estabelecimento de
segurança máxima ou média;
b) regime semiaberto a execução da pena em colônia agrícola, industrial
ou estabelecimento similar;
c) regime aberto a execução da pena em casa de albergado ou
estabelecimento adequado.
§ 2º - As penas privativas de liberdade deverão ser executadas em
forma progressiva, segundo o mérito do condenado, observados os seguintes
critérios e ressalvadas as hipóteses de transferência a regime mais rigoroso:
a) - o condenado a pena superior a 8 (oito) anos deverá começar a
cumpri-la em regime fechado;
b) - o condenado não reincidente, cuja pena seja superior a 4 (quatro)
anos e não exceda a 8 (oito), poderá, desde o princípio, cumpri-la em regime
semiaberto;
c) - o condenado não reincidente, cuja pena seja igual ou inferior a 4
(quatro) anos, poderá, desde o início, cumpri-la em regime aberto.
§ 3º - A determinação do regime inicial de cumprimento da pena far-se-á
com observância dos critérios previstos no art. 59 deste Código.
§ 4º - O condenado por crime contra a administração pública terá a
progressão de regime do cumprimento da pena condicionada à reparação do
dano que causou, ou à devolução do produto do ilícito praticado, com os
acréscimos legais.

Diferença entre reclusão e detenção – as diferenças entre uma e outra


modalidade se localizam mais nas consequências que propriamente no
aspecto formal, eis que, ontologicamente, não se distinguem:
I – a reclusão comporta regime inicial fechado, semiaberto e aberto; a
detenção, apenas nos dois últimos (art.33, CP)
II – O Delegado de polícia somente poderá conceder fiança nos crimes
de infração cuja pena privativa de liberdade máxima não seja superior a 4
(quatro) anos (art. 322 CPP);
III – Na infração punida com reclusão a medida de segurança será
sempre de internação. Se punida com detenção, é cabível também a
conversão em tratamento ambulatorial (art. 97, CP);

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IV – Somente nos crimes punidos com reclusão geram a incapacidade
do pátrio poder, tutela ou curatela como efeito da condenação (art. 92, II CP).

REGIMES PENITENCIÁRIOS OU PENAS


a) Fechado – a pena há de ser cumprida em penitenciária –
estabelecimento penal de segurança máxima ou média.
Regras do Regime Fechado
Art. 34 - O condenado será submetido, no início do cumprimento da
pena, a exame criminológico de classificação para individualização da
execução.
§ 1º - O condenado fica sujeito a trabalho no período diurno e a
isolamento durante o repouso noturno. § 2º - O trabalho será em comum dentro
do estabelecimento, na conformidade das aptidões ou ocupações anteriores do
condenado, desde que compatíveis com a execução da pena
§ 3º - O trabalho externo é admissível, no regime fechado, em serviços
ou obras públicas.

Exame criminológico – no início do cumprimento da pena, o condenado será


submetido a exame criminológico de classificação para individualização da
execução (art. 34, CP, e art. 8º, LEP). Originariamente disposto no artigo 8º da
LEP (Lei de Execução Penal), o exame criminológico tem por objetivo a correta
aplicação da pena de forma individualizada, como forma de adequar às
características pessoais de cada preso.
Desse modo, extrai-se da leitura do dispositivo que será submetido ao
aludido exame o condenado a pena privativa de liberdade em regime fechado e
de acordo com parágrafo único do aludido artigo, o condenado a pena privativa
de liberdade em regime semiaberto, não abrangendo o legislador ao regime
aberto.
Observação importante quanto ao exame criminológico
Embora o exame criminológico seja obrigatório para o início de
cumprimento de pena no regime fechado e facultativa no semiaberto. Houve
significativamente alteração da Lei de Execuções Penais, artigo 112, alterado
pela Lei 10.792 de 2003, em que substituiu a necessidade do exame
criminológico para a progressão de regime por um simples atestado de bom
comportamento carcerário. Que, fica a critério do magistrado requerer quando
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achar necessário o exame, desde que fundamentadamente. Entretanto, Tal
modificação legislativa, não obsta o magistrado de determinar a realização de
tais exames, conforme entendimento consolidado dos Tribunais Superiores,
desde que o juiz da execução profira sua decisão fundamentadamente,
conforme pode ser aferida da decisão abaixo:

PENA - REGIME DE CUMPRIMENTO - PROGRESSÃO - EXAME


CRIMINOLÓGICO INEXIGIBILIDADE. A previsão de exigência do exame
criminológico, para a análise relativa aos benefícios a que tem jus o custodiado,
foi excluída do artigo 112 da Lei de Execuções Penais mediante a Lei nº
10.792/2003. (STF – HC: 115212 SP – SÃO PAULO 9966338-
20.2012.0.01.0000, Relator Min. MARCO AURÉLIO, Data de Publicação: DJe-
237 25-11-2015.

Trabalho interno – se sujeita o condenado a trabalho interno durante o dia,


conforme suas aptidões ou ocupações anteriores à pena, e isolamento noturno.

Trabalho externo – o trabalho fora do estabelecimento carcerário é


admissível, em serviços e obas públicas, desde que tomadas as cautelas
contra a fuga e em favor da disciplina, e desde que cumprido, pelo menos, um
sexto da pena (art. 34, § 3º, CP, e 36 da LEP).
b) Semiaberto – a pena é cumprida em colônia penal agrícola, industrial
ou em estabelecimento similar.
REGRAS DO REGIME SEMIABERTO
Art. 35 - Aplica-se a norma do Art. 34 deste Código, caput, ao
condenado que inicie o cumprimento da pena em regime semiaberto.
§ 1º - O condenado fica sujeito a trabalho em comum durante o período
diurno, em colônia agrícola, industrial ou estabelecimento similar.
§ 2º - O trabalho externo é admissível, bem como a frequência a cursos
supletivos profissionalizantes, de instrução de segundo grau ou superior.

Do trabalho – o sentenciado submete-se a trabalho em comum durante o


período diurno em colônia agrícola ou similar, sendo possível, inclusive na
iniciativa privada, logo no início de cumprimento da pena;

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Saída temporária – no regime semiaberto o condenado pode obter autorização
judicial para sair temporariamente da colônia penal (art. 116-B da LEP, com
redação dada pela Lei 121.258/10).

Da saída temporária – no regime semiaberto o condenado tem direito à saída


temporária, sem vigilância direta, mediante autorização judicial, para visitar a
família, frequentar curso profissionalizante, de segundo grau e ou superior,
bem como, participar em atividades que concorram para o retorno ao convívio
social (art. 122 LEP).
Obs.: Na hipótese de saída temporária sem vigilância direta, poderá o
juiz das execuções determinar o monitoramento eletrônico por meio de
pulseiras ou tornozeleiras dotadas de sinalizador, conforme dispõe o art. 146-B,
com alteração trazida pela Lei 12.258/10.
c) Aberto
Art. 36 - O regime Aberto baseia-se na autodisciplina e senso de
responsabilidade do condenado.
§ 1º - O condenado deverá, fora do estabelecimento e sem vigilância,
trabalhar, frequentar curso ou exercer outra atividade autorizada,
permanecendo recolhido durante o período noturno e nos dias de folga.
§ 2º - O condenado será transferido do regime aberto, se praticar fato
definido como crime doloso, se frustrar os fins da execução ou se, podendo,
não pagar a multa cumulativamente aplicada.

Requisitos – é observada a autodisciplina e senso de responsabilidade do


condenado (art. 36, CP), somente podendo ingressar nesse regime se estiver
trabalhando ou comprovar possibilidade de fazê-lo imediatamente; deve aceitar
as condições impostas pelo juiz (art. 113 e 114 da LEP).

Condições – o sentenciado deve permanecer no local que for designado


durante o repouso e nos dias de folga, não se ausentar da cidade onde reside
sem prévia autorização judicial, cumprir os horários de entrada e saída do
estabelecimento, comparecer periodicamente em juízo a fim de justificar as
atividades desempenhadas (ART. 115 e incisos da LEP).

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Prisão domiciliar – o condenado quando maior de setenta anos, estiver
acometido de doença grave, ou a condenada gestante ou com filho menor ou
deficiente, sujeitos ao regime aberto, podem cumpri-lo em residência particular
(art. 117 e incisos da LEP).

Inexistência de Casa de Albergado na Comarca – Posição favorável para


recolhimento domiciliar do Superior Tribunal de Justiça. Posição contrária –
Supremo Tribunal Federal.
d) Regime disciplinar diferenciado (RDD) – introduzido pela Lei 10.
792/03, que conferiu nova redação ao art. 52 da LEP. São requisitos:
I) Prática de fato prevista como crime doloso que ocasione subversão da
ordem ou disciplinas internas;
II) Presente o preso alto risco para a ordem e a segurança do
estabelecimento penal ou sociedade;
III) Houver fundadas suspeitas de envolvimento ou participação associação
criminosa (art. 288 CP).

Características/consequências do (RDD).
I) Duração máxima de 360 dias, sem prejuízo de repetição da sanção
por falta grave de mesma espécie, até o limite de um sexto da pena;
II) Recolhimento em sela individual;
III) Visitas semanais de duas pessoas, sem contar as crianças, com
duração de 2 horas;
IV) Duas horas diárias de banho de sol.

Regime inicial – a fixação do regime inicial compete ao juiz da condenação.


No entanto, essa afirmação pode ser provisória, uma vez que sujeita à
progressão ou regressão, a cargo do juiz da execução (art. 66, III, ‘b’ da LEP).
Obs.: com a reforma de 1984, a periculosidade do agente não mais é
determinante para a fixação da escolha do regime penitenciário. Os critérios

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são fundamentados na espécie e quantidade da pena, residência e mérito do
condenado (subsidiado pelos elementos do art. 59 do CP).

Destinatários (RDD) – presos condenados e os provisórios (prisão preventiva),


nacionais ou estrangeiros, que se enquadrem nas hipóteses previstas.

Pena reclusão:
a) Pena imposta superior a 8 anos - Se a pena imposta for superior a
oito anos o regime inicial de cumprimento será o regime fechado não
importando se o réu é ou não reincidente;
b) Pena igual ou superior a quatro anos que não exceda a oito anos – o
início de cumprimento será o semiaberto, desde que não seja
reincidente e as circunstâncias judiciais sejam favoráveis;
c) Se a pena for igual ou inferior a quatro anos – regime inicial aberto,
desde que não seja reincidente e as circunstâncias judiciais sejam
favoráveis;
d) Se reincidente o condenado – o início de cumprimento da pena será,
regra geral, em regime fechado. Exceção Súmula 269 STJ – “é
admissível a adoção do regime prisional semiaberto aos reincidentes
condenados a pena igual ou inferior a quatro anos se favoráveis as
circunstâncias judiciais”.
e) Se desfavoráveis os critérios do art. 59 do CP – poderá a pena ser
cumprida inicialmente no regime fechado, independentemente da
quantidade;
f) Se crime hediondo, de tráfico de drogas e de terrorismo – de acordo
com a Lei 11.464/07, a progressão nos crimes hediondos (lei
8.072/90) se dá da seguinte forma: após cumprimento de 2/5 da
pena, se o condenado for primário, e 3/5, ao condenado não
reincidente. Abandonando-se, a regra da pena em regime
integralmente fechado.

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Obs.: fixada a pena base no mínimo legal, é vedado o estabelecimento
do regime prisional mais gravoso do que o cabível em razão de sanção
imposta, com base na gravidade apenas na gravidade abstrata de delito –
Súmula 440 STJ.
Pena de detenção
a) Pena superior a 4 anos – inicia-se em regime semiaberto,
independemente de ser reincidente ou não (não sendo possível
cumprimento inicial em regime aberto nem se as circunstâncias
judiciais forem favoráveis);
b) Pena igual ou inferior a 4 anos – inicia-se no regime aberto desde
que não seja reincidente e as circunstâncias judiciais forem
favoráveis;
c) Condenado reincidente ou critérios desfavoráveis (art 59 CP) –
inicia-se no regime mais gravoso, semiaberto.

Obs.: quando a pena cominada for de detenção a lei não prevê regime
inicial fechado. Bem como a reincidência e as circunstâncias judiciais
prevalecem sobre a quantidade de pena para agravar o regime inicial de
cumprimento.

DA PROGRESSÃO E REGRESSÃO
Progressão: segundo dispõe o art. 112 da Lei de Execuções Penais,
Art. 112 “a pena privativa de liberdade será executada em forma
progressiva, com a transferência para regime menos rigoroso, a ser
determinado pelo juiz, quando o preso tiver cumprido ao menos um
sexto da pena no regime anterior e ostentar bom comportamento
carcerário, comprovado pelo diretor do estabelecimento, respeitadas as
normas que vedam a progressão”.
§ 1º - A decisão será sempre motivada e precedida da manifestação do
Ministério Público e do defensor.
§ 2º - Idêntico procedimento será adotado na concessão de livramento
condicional, indulto e comutação de penas, respeitadas os prazos previstos nas
normas vigentes.

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Requisitos para a progressão
a) Subjetivo: mérito do condenado, comprovado mediante atestado
de conduta carcerária e cumprimento de um sexto da pena no regime anterior;

b) Objetivo: tratando-se de regime aberto, além destes requisitos,


deve-se observar se o apenado encontra-se trabalhando ou se demonstra a
possibilidade de vir a fazê-lo (art. 114 LEP).

Obs.: com o advento da lei 10792/03, não mais há obrigatoriedade de


parecer da omissão técnica de Classificação e do exame criminológico para a
progressão do regime.
Crimes hediondos

Regressão de regime: é a transferência de um regime para o outro mais


rigoroso, tendo em vista a prática de algum dos fatos descritos no art. 118 da
LEP;
Regressão per saltun (por salto): é a possibilidade do condenado que esteja
cumprindo a pena em regime mais brando, passe diretamente para o regime
fechado aberto ou semiaberto, caso ocorra quaisquer dos motivos que
autorizem a regressão, o juiz da execução poderá determinar recolhimento
diretamente no regime fechado, inclusive nos casos de condenação a pena de
detenção.

HIPÓTESES DE REGRESSÃO ESTÃO EXPRESSAS NA LEGISLAÇÃO


 Prático de fato definido como crime doloso: durante a execução da
pena o condenado, comete nova infração penal de natureza dolosa.
 Prática de falta grave: quando o condenado cometer qualquer das
hipóteses elencadas no art. 50 da LEP.
 Superveniência de condenação, por crime anterior, cuja soma com
as penas já em execução torne incabível o regime em curso:
 Se o condenado frustre os fins da execução da pena: tratando-se de
preso que cumpre a pena em regime aberto, a regressão será ainda

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possível se descumprir as condições elencadas no art. 36, § 2º da LEP,
em que prevê a possibilidade de regressão se o condenado que está
cumprindo pena em regime aberto deixa de pagar a pena de multa
cumulativamente imposta (caso tenha condições de fazê-lo). Entretanto,
é pacifico entre a doutrina que parte deste dispositivo foi revogada em
face da Lei 9.268/96 que alterou o art. 51 do Código Penal proibindo a
conversão da pena de multa em privativa de liberdade. Mas é importante
observar que a hipótese aqui não é de conversão de multa em prisão,
mas por descumprimento no pagamento desta quando tem condições de
pagar.
Obs.: quando decretada a regressão em razão de falta grave,
novo período de cumprimento passa a ser contado a partir do
cometimento da falta.

Regime especial
Mulheres presas: Art. 37- “As mulheres cumprem pena em estabelecimento
próprio, observando-se os deveres e direitos inerentes à sua condição pessoal,
bem como, no que couber, o disposto neste Capítulo”. Isto em face das
peculiaridades relacionadas à maternidade, conforme expressamente disposto
na Constituição Federal (art. 5, L), que exige que os estabelecimentos penais
tenham condições de garantir a amamentação, assegurando ainda
acompanhamento médico no pré-natal e pós-parto, extensivo ao recém-
nascido (art. 14, § 3º LEP), assegura também que os estabelecimentos tenham
berçários (art. 83, § 2º LEP), do mesmo modo existência de creche para
crianças maiores de 6 meses e menores de 7 anos (art. 89, caput, LEP).

Preso idoso: art. 82, § 1º da LEP, dispõe que a pessoa com mais de 60 anos
deve cumprir pena em estabelecimento próprio, adequando à sua condição
pessoal.
Direitos do preso: Art.38 - O preso conserva todos os direitos não atingidos
pela perda da liberdade, impondo-se a todas as autoridades o respeito à sua

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integridade física e moral. Ver arts. (5º, XLIX, CF; art. Art. 1º, = 1º, da Lei
9.45/97, arts. 5º, LXXIV e LXXV CF). A depender do comportamento do preso
alguns desses direitos podem ser restringidos (art. 41, parágrafo único e art.
52, que trata do regime disciplinar diferenciado) ambos da LEP.

Trabalho do preso: Art.39 – O trabalho no preso será sempre remunerado,


sendo-lhe garantidos os benefícios da Previdência Social.
A jornada de trabalho não pode ser inferior a 6 e nem superior a 8 horas
diárias(art.33 da LEP). A remuneração não pode ser inferior ¾ do salário
mínimo (art.28, § 2º, LEP). O condenado por crime político e o preso provisório
não estão obrigados ao trabalho , mas , se o fizerem , terão os mesmos direitos
dos demais presos (arts. 31 e 200 da LEP).

Visita íntima: segundo . (NUCCI, 2011, p. 995). O direito à visita íntima não se
encontra, ainda, previsto em lei, originando-se do costume adotado pelas
direções dos presídios, de modo que não pode encontrar barreira justamente
em critérios subjetivos, por vezes, preconceituosos.

Direitos políticos: Não são assegurados os direitos políticos do preso,


conforme dispõe art. 15, III da CF, que informa “a condenação com o transito
em julgado gera a suspensão dos direitos políticos”.
Obs.: aos presos provisórios são assegurados os mesmo direitos dos
demais, bem como as presas, têm os mesmos direitos dos homens além, de
cumprimento em estabelecimento próprio conforme já explicado (art. 37 do
CP).
Legislação especial: Art.40- A legislação especial regulará a matéria prevista
nos arts. 38 e 39 deste Código, bem como especificará os deveres e direitos do
preso, os critérios para revogação e transferência dos regimes e estabelecerá
as infrações de disciplinares e correspondentes sanções.

SUPERVENIÊNCIA DE DOENÇA MENTAL

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Noções - Não confundir superveniência de doença mental que ocorre no
cumprimento ou no curso da pena, de doença mental que possui o agente no
momento da conduta delituosa, a esta se aplica o disposto no art. 26 do Código
Penal, em que não se aplica pena, mas medida de segurança, o que se chama
de absolvição imprópria, ou seja, o juiz apesar de absolver o réu, impõe-lhe
medida de segurança (internação ou tratamento ambulatorial) que segundo
termos do artigo 97, §1º do Código Penal, afinal cometeu um crime no estado
de insanidade.
Quanto à superveniência da doença mental do condenado, é a que
ocorre no curso da execução da pena e pode levar a conversão desta em
medida de segurança, conforme termos do art. 41 do Código Penal, combinado
com o art. 183 da LEP.
Art. 41 – o condenado a quem sobrevém doença mental deve ser
recolhido a hospital de custódia e tratamento psiquiátrico ou, à falta, a
outro estabelecimento adequado.

Obs.: a medida de segurança não pode ser aplicada por tempo


indeterminado, deve respeitar o tempo já determinado de sua pena.

REMIÇÃO
Noções gerais: trata-se de instituto regulado nos arts. 126 a 130 da LEP, que
passou por importantes alterações com o advento da Lei 12.433/2011, a qual
conferiu ao instituto da remição maior abrangência, como por exemplo, a
remição de pena, que até o advento da citada Lei, consubstanciava-se em
instituto benéfico ao apenado que poderia remir dias de sua pena com o
trabalho. No que diz respeito ao estudo não tínhamos lei (expressa) sobre o
tema, que era cuidado somente pela jurisprudência, conforme Súmula 341 do
STJ dizia: “A frequência a curso de ensino formal é causa de remição de parte
do tempo de execução de pena sob regime fechado ou semi-aberto.”
Porém, tal súmula não fixava critérios, ficando a cargo de cada juiz
adotar ou não. Mas, o direito (ideal) não pode conviver com violações da
igualdade (quando as situações são iguais).

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Conceito: é o desconto de parte da pena face o trabalho ou estudo realizado
pelo condenado durante a execução. Considerado para o condenado que
cumpre pena no regime fechado ou semiaberto em que 1 dia de pena para
cada 3 dias trabalhados ou 12 horas de frequência escolar.

Remissão pelo trabalho – o condenado que cumpre pena em regime fechado


ou semiaberto pode descontar 1 (um) dia de pena para cada 3 (três) dias
trabalhados ou por 12 horas de frequência escolar.

Remição pelo estudo – nos termos do art. 126, § 1º da LEP. Serão


descontadas 12 horas de estudo, por um dia de desconto da pena, devem ser
dividias, no mínimo, em 3 dias (4 horas diárias nesse caso) é possível que, as
12 horas sejam divididas em número maior de dias (2 ou 3 diárias etc.)mas
nunca em número menor (o que poderia levar rapidamente ao desconto total
da pena, se o condenado, estudasse por exemplo 12 horas diárias.

As atividades de estudo

Particularidades:
A realização da remição é declarada pelo juiz da execução após oitiva
do Ministério Público.
O preso provisório não esta obrigado ao trabalho, mas se trabalhar terá
direito a remir parte de sua futura condenação. Segundo entendimento
majoritário da doutrina e da jurisprudência o trabalho do preso provisório enseja
a remição. Três dias de liberdade cumprida em regime fechado ou semiaberto.

 O preso que não puder trabalhar, em razão de acidente, continuara a se


beneficiar com a remição (art. 126, § 4º LEP).
 A remição da pena pelo estudo são para os condenados que cumprem
pena nos regimes fechado e semiaberto, abrangendo o ensino fundamental,
médio, superior e profissionalizante.

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 O condenado a pena em regime aberto não faz jus a esse benefício,
haja vista que neste regime tem no trabalho a própria razão de ser da sua
concessão.
 Se o condenado estudar e concomitantemente trabalhar, poderá haver
cumulação dos dias a remir.

 Para o cômputo da remição só serão computados os dias em que o


preso desempenhar a jornada completa de trabalho, excluindo, inclusive os
feriados e fins de semana (art. 33 da LEP), sendo que a jornada de trabalho
não será inferior a 6 nem superior a 8 horas.
 Remição e falta grave, nos termos do art. 127 da LEP, a punição do
condenado por falta grave poderá ter como consequência a revogação, pelo
juiz das execuções, de até 1/3 do tempo remido, recomeçando a contagem a
partir da data da infração disciplinar. Devendo o juiz levar em conta os
parâmetros do art. 57 da LEP para decidir o quantum a ser revogado em
decorrência da faltas grave.

Remição ficta — também conhecida por remição presumida —, surgiu como


uma alternativa para o apenado garantir o seu direito de remir a pena diante da
ausência do Estado em conceder o trabalho.
Na visão de Silva (2002, p. 22) a remição ficta é o reconhecimento do
benefício da remição penal, diante da falha Estatal em proporcionar ao
apenado, atividade laboral, para que este possa cumprir o requisito objetivo
expresso na LEP, para alcançar o referido benefício. Entretanto, a obrigação
legal do apenado é tolhida pela ausência de institutos prisionais, não
adaptados a cumprir a imposição legal, fazendo com que os apenados
permaneçam ociosos.
Defendida também pelo profº Roberto Rodrigues (p.313), “que advoga a
possibilidade da remissão virtual, que deve ser adotada ao condenado que se
encontra em presidio ou cadeia, que não disponibilize trabalho ao condenado,
vez que é direito do preso trabalhar, devendo o Estado oportunizar o trabalho,

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não havendo essa oportunidade, o reeducando tem o direito a pena remida de
forma virtual, como se tivesse efetivamente alcançada”.

DETRAÇÃO
Conceito - nos termos do art. 42 do Código Penal, é o cômputo, ou seja, é o
desconto do tempo já cumprido pelo réu quando em prisão provisória, em que
há o abatimento na pena privativa de liberdade, na restritiva de direito e na
medida de segurança aplicadas na sentença. Vejamos:
Art. 42 - Computam-se, na pena privativa de liberdade e na medida
de segurança, o tempo de prisão provisória, no Brasil ou no
estrangeiro, o de prisão administrativa e o de internação em qualquer
dos estabelecimentos referidos no artigo anterior.

Prisão provisória: é toda medida privativa de liberdade que não seja


decorrente de uma sentença penal condenatória definitiva e decorrem de
prisão em flagrante, prisão temporária, prisão preventiva e sentença de
pronúncia – decisão recorrível. Considera-se também como prisão provisória
para efeito da detração a prisão domiciliar (art. 317 do CPP) instituída pela Lei
12.403, de 4 de maio de 2011.

Prisão administrativa: na conformidade da SÚMULA 280 DO STJ – NÃO


EXISTE MAIS. O Decreto-lei 7.661/45 estabelece que a prisão administrativa
tenha sido revogada pelos incisos LXI e LXVII do art. 5º da Constituição
Federal.
Obs.: nos termos do art. 42 do Código Penal, a detração só é admitida
nas penas privativas de liberdade, excluindo-se do benefício às penas
pecuniárias e restritivas de direito. ENTRETANTO, o art. 44, § 4º, autoriza o
desconto pelo cumprimento da pena restritiva. Assim como parte da doutrina
também defende a detração nos casos de limitação de fim de semana e
prestação de serviços à comunidade.

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Competência: a competência para a detração da pena era exclusiva do juízo
da execução nos termos do art. 66. III, ‘c’ da LEP. Agora de acordo com a Lei
nº 12.736/2012, cujo teor é o seguinte:
Art. 1º A detração deverá ser considerada pelo juiz que proferir a
sentença condenatória, nos termos desta Lei.
Art. 2º O art. 387 do Decreto-Lei no 3.689, de 3 de outubro de 1941 -
Código de Processo Penal, passa a vigorar com a seguinte redação:
“Art. 387. ......................................................................
§ 1º O juiz decidirá, fundamentadamente, sobre a manutenção ou, se
for o caso, a imposição de prisão preventiva ou de outra medida cautelar, sem
prejuízo do conhecimento de apelação que vier a ser interposta.

§ 2º O tempo de prisão provisória, de prisão administrativa ou de


internação, no Brasil ou no estrangeiro, será computado para fins de
determinação do regime inicial de pena privativa de liberdade.

Art. 3º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

Verifica-se que, pelas regras anteriores, a detração era reconhecida pelo


Juízo das Execuções Criminais, após a expedição da guia de recolhimento
(provisória ou definitiva). De posse da guia de recolhimento e com as
informações contidas nas folhas de antecedentes do condenado, o cálculo era
elaborado com o desconto das sanções já cumpridas provisoriamente.

A nova lei altera o momento do reconhecimento e cálculo da detração,


que passa a ser realizado por ocasião da prolação da sentença condenatória. E
a pena obtida é a que será levada em consideração para a fixação do regime
inicial de seu cumprimento.

DAS PENAS RESTRITIVAS DE DIREITOS

Conceito: as penas restritivas de direitos são sanções autônomas que tem por
finalidade substituir as penas privativas de liberdade, razão pela qual
constituem as chamadas penas alternativas, que objetiva evitar a colocação do
condenado na prisão, substituindo por certas restrições entre elas: a perda de

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bens, limitação de fim de semana, interdição de direitos, ou em obrigações
como prestação de serviço pecuniária, prestação de serviços á comunidade.
Obs. As sanções de que trata o art. 43, apenas uma corresponde a
restritiva de direitos (art. 43, V, CP). As demais são restritivas de liberdade
(conforme incisos IV e VI) ou pecuniárias (inícios I e II).
Espécies
a) Prestação pecuniária
b) Perda de bens e valores
c) Prestação de serviços á comunidade ou entidades públicas
d) Interdição temporária de direitos.
e) Limitação de fim de semana.

Conforme dispõe art. 43 do Código Penal:


Art. 43. As penas restritivas de direitos são:
I - prestação pecuniária;
II - perda de bens e valores;
III - (VETADO)
IV - prestação de serviço à comunidade ou a entidades públicas;
V - interdição temporária de direitos;
VI - limitação de fim de semana.

Art. 44. As penas restritivas de direitos são autônomas e substituem as


privativas de liberdade, quando:
I - aplicada pena privativa de liberdade não superior a quatro anos e o
crime não for cometido com violência ou grave ameaça à pessoa ou, qualquer
que seja a pena aplicada, se o crime for culposo;
II - o réu não for reincidente em crime doloso;
III - a culpabilidade, os antecedentes, a conduta social e a personalidade
do condenado, bem como os motivos e as circunstâncias indicarem que essa
substituição seja suficiente.
§ 1º (VETADO)
§ 2º Na condenação igual ou inferior a um ano, a substituição pode ser
feita por multa ou por uma pena restritiva de direitos; se superior a um ano, a
pena privativa de liberdade pode ser substituída por uma pena restritiva de
direitos e multa ou por duas restritivas de direitos.
§ 3º Se o condenado for reincidente, o juiz poderá aplicar a substituição,
desde que, em face de condenação anterior, a medida seja socialmente

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recomendável e a reincidência não se tenha operado em virtude da prática do
mesmo crime.
§ 4º A pena restritiva de direitos converte-se em privativa de liberdade
quando ocorrer o descumprimento injustificado da restrição imposta. No cálculo
da pena privativa de liberdade a executar será deduzido o tempo cumprido da
pena restritiva de direitos, respeitado o saldo mínimo de trinta dias de detenção
ou reclusão.)
§ 5º Sobrevindo condenação a pena privativa de liberdade, por outro
crime, o juiz da execução penal decidirá sobre a conversão, podendo deixar de
aplicá-la se for possível ao condenado cumprir a pena substitutiva anterior.
Conversão das penas restritivas de direitos.

Características: as penas restritivas de direito de acordo com as regras do


Código Penal, não podem ser aplicadas diretamente, somente por conversão
da privativa de liberdade, razão pela qual embora autônoma, é substitutiva.
Assim, pode se observar o caráter de:
a) Autonomia – Não se trata de pena acessória, conforme ressalta do
art. 44 Código Penal;

b) Substitutividade – as penas restritivas não constam na Parte


Especial do Código, apenas as privativas de liberdade e da multa.

c) Precariedade - pode ser reconvertidas em privativa de liberdade, na


fase de execuções caso o reeducando cometa alguma das
transgressões previstas em lei.

Duração – o mesmo período de duração da pena substituída (art. 55, CP).


Salvo se aquela for superior a um ano, caso em que é facultado ao condenado
cumprir a pena substitutiva em tempo menor, mas nunca inferior à metade da
pena privativa fixada (art. 46, § 4º CP).
Obs. Se não houver possibilidade de substituição da pena por restritiva
de direitos, o juiz passará a analisar a possibilidade de aplicação da suspensão
condicional da pena, conforme dispõe art. 77, III, do Código Penal e 157 da
LEP.
Prescrição - as restritivas de direito prescrevem no mesmo prazo que
prescreveriam a pena privativa de liberdade que substituíram.

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Requisitos - Cumulativos para substituição da pena:
a) Quando aplicada pena privativa de liberdade não superior a quatro
anos e o crime praticado não o for cometido com violência ou grave
ameaça à pessoa, ou independentemente a pena aplicada, se o
crime for culposo;
b) Quando o réu não for reincidente;
c) Quando a culpabilidade, os antecedentes, a conduta social e a
personalidade do condenado, bem como os motivos e as
circunstâncias indicarem que a substituição seja o suficiente.

Desse modo é possível dividir os requisitos em:


Objetivos – referem-se à modalidade de crime (culposos ou dolosos
cometidos sem violência ou grave ameaça e, ao montante da pena de até 4
anos nos delitos dolosos.
Subjetivos – que dizem respeito à primariedade, conduta social e
personalidade do réu.
Obs.: a substituição não é favor do julgador, mas direito do acusado
tornando – a obrigatória quando preencher os requistos acima enumerados.

Competência para fixar a conversão das penas restritivas de direitos – é


na sentença condenatória, que o juiz sentenciante deve verificar a possibilidade
de conversão da pena privativa de liberdade em restritiva de direitos, deve o
juiz atentar no caso de substituição pelas regras elencadas no art. 44, § 2º do
Código Penal:
a) Se a pena fixada na sentença for igual ou inferior a um ano, o juiz
poderá a substituí-la por multa ou por uma pena restritiva de
direitos;

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b) Se a pena fixada for superior a um ano, o juiz deverá substituí-la por
duas penas restritivas de direitos, ou por uma pena restritiva e outra
de multa.
No caso de transitada em julgado a sentença, caberá ao juiz das
execuções penais arts. 147 e 148 LEP. O art. 180 da LEP denomina a
conversão como incidente de execução e poderá o restante da pena não
superior a 2 (dois) anos, ser convertida em restritiva de direitos, desde que:
I- o condenado a esteja cumprindo em regime aberto;
II - tenha sido cumprido pelo menos 1/4 (um quarto) da pena;
III - os antecedentes e a personalidade do condenado indiquem ser a
conversão recomendável.

Conversão das penas restritivas de direitos em privativa de liberdade – a


lei de execuções penais preveem hipóteses, em que a pena restritiva de
direitos será revogada, casos em que será convertida novamente em privativa
de liberdade. Regra esculpida no art. 44, §§ 4º e 5º do Código Penal.

Na hipótese de conversão da pena restritiva de direitos em privativa de


liberdade, detalhada no art. 181 da LEP como incidente da execução, decidida
pelo juiz, que dará previamente oportunidade de defesa ao reeducando para se
justificar.
Nos termos do art. 181 da LEP. A pena restritiva de direitos será
convertida em privativa de liberdade nas hipóteses e na forma do artigo 45 e
seus incisos do Código Penal.
No caso de prestação de serviços à comunidade será convertida quando
o condenado:
a) Não for encontrado por estar em lugar incerto e não sabido, e não
atender a intimação por edital para dar início ao cumprimento da pena;
b) Não comparecer, injustificadamente, à entidade ou programa em que
deva prestar serviço;
c) Recusar-se, injustificadamente, a prestar o serviço.

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Em se tratando de limitação de fim de semana será convertida quando o
condenado,
a) Não comparecer ao estabelecimento designado para o cumprimento
da pena;
b) Recusar-se a exercer alguma atividade determinada pelo Juiz; ou
c) Não for encontrado para iniciar a pena por estar em local incerto
(art. 181, § 2 LEP).
Tratando-se de interdição temporária de direitos, a conversão será
decretada se o condenado:
a) Exercer, injustificadamente, o direito interditado; ou
b) Não for encontrado para dar início ao cumprimento por estar em local
incerto (art. 181, § 3º).
Hipótese de perda de bens, o descumprimento ocorre se o condenado;
a) Se desfizer do bem declarado perdido pelo juiz antes da execução
da sentença.
Na hipótese de prestação pecuniária,
a) Quando o condenado deixa de prestá-la injustificadamente.

PENAS RESTRITIVAS DE DIREITO EM ESPÉCIE


Prestação Pecuniária
Noções – nesta forma de pena restritiva que consiste no pagamento em
dinheiro á vítima, a seus dependentes ou a entidade pública ou provada com
destinação social, de importância determinada pelo juiz, não inferior a um
salário mínimo e nem superiro a 360 salários mínimos.
Obs.: o valora ser pago será deduzido do montante de eventual
condenação de reparação civil, se coincidentes os benefícios. Deve - se,
contudo, dar interpretação extensiva à expressão “ação reparatória no âmbito
civil”, a fim de que a compensação também alcance as hipóteses de
composição civil entre as partes.

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Prestação pecuniária e pena de multa – prestação pecuniária não se
confunde com a pena de multa. Os beneficiários são diversos. A multa destina-
se a Fundo Penitenciário, e seu montante não é descontado de futura
indenização à vítima ou a seus dependentes. Enquanto a prestação pecuniária
(originária ou substitutiva) é devida a vitima, dependentes ou às entidades
fixadas pela lei. A multa é calculada em dias-multa entre 10 a 360 dias. A
prestação pecuniária é fixada em salários mínimos, entre 1 a 360.

Prestação de outra natureza – a prestação pecuniária a principio deve ser


feita em dinheiro e independente de aceitação do destinatário (vítima e
dependentes ou entidades), mas havendo aceitação por parte do beneficiário, a
prestação pode ser substituída por prestação de outra natureza (ex.: entrega
de cestas básicas a entidades assistenciais).
Obs.: proíbe-se a aplicação de pena de prestação pecuniária ou entrega
de cestas básicas à pessoa condenada por crime que envolva violência
domestica ou familiar contra a mulher (art. 17 da lei 11.340/06).

PERDA DE BENS E VALORES

Noções – consiste na perda de bens e valores (títulos, ações) pertencentes ao


condenado, que o juiz declarar perdidos em favor do Fundo Penitenciário
Nacional, tendo como limite máximo da perda o que for maior:
a) O montante do prejuízo causado;
b) O provento obtido pelo agente ou por terceiro em consequência da
prática do crime.
Obs.: não se deve confundir o instituto em análise, que é pena
substitutiva, com a perda (confisco) em favor da União, conforme dispõe art.
91, II do CP. O confisco não é pena principal, mas efeito extrapenal da
condenação e recaem sobre os instrumentos, produtos e proveito do crime. Já
a perda de bens e valores é pena principal e atinge bens e valores de natureza
e origem licitas. Como se trata de pena, não será admitida interpretação

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extensiva para abarcar as condenações superiores a 4 anos, por se tratar de
medida prejudicial ao réu. Entretanto, apesar do disposto no art. 92, II, a e b; o
§ 4º do art. 25 da Lei nº 9.605/98, prevê expressamente o confisco dos
instrumentos utilizados na prática da infração penal ambiental
independentemente de serem eles de origem licita ou não.

PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS À COMUNIDADE OU A ENTIDADES


PÚBLICAS
Conceito – consiste na atribuição ao condenado de tarefas gratuitas em
estabelecimentos assistenciais hospitais, escolas, orfanatos ou outros
estabelecimentos congêneres, em programas comunitários ou estatais quando
sofrer pena superior a seis meses de privação de liberdade (art. 46, §§ 1 e 2º
do CP)
Art. 46. A prestação de serviços à comunidade ou a entidades públicas é
aplicável às condenações superiores a seis meses de privação da liberdade.
§ 1º - A prestação de serviços à comunidade ou a entidades públicas
consiste na atribuição de tarefas gratuitas ao condenado.
§ 2º - A prestação de serviço à comunidade dar-se-á em entidades
assistenciais, hospitais, escolas, orfanatos e outros estabelecimentos
congêneres, em programas comunitários ou estatais.
§ 3º - As tarefas a que se refere o § 1o serão atribuídas conforme as
aptidões do condenado, devendo ser cumpridas à razão de uma hora de tarefa
por dia de condenação, fixadas de modo a não prejudicar a jornada normal de
trabalho.
§ 4º - Se a pena substituída for superior a um ano, é facultado ao
condenado cumprir a pena substitutiva em menor tempo (art. 55), nunca inferior
à metade da pena privativa de liberdade fixada.

Do trabalho – o trabalho é gratuito e deve ser cumprido à razão de uma hora


de tarefa por dia de condenação, de forma a não prejudicar a jornada normal
de trabalho do condenado. Deve ser prestados de preferência aos sábados,
domingos e feriados.
Redução do prazo – se a pena imposta for superior a um ano, é facultado ao
condenado cumprir a pena substitutiva em menor tempo (art. 55), nunca inferior
à metade da pena privativa de liberdade fixada.

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INTERDIÇÃO TEMPORÁRIA DE DIREITOS

Conceito – consiste na proibição do exercício de determinados direitos pelo


condenado, pelo prazo correspondente ao da pena substituída. Como o de
exercício de cargo, função ou atividade pública, bem como de mandato eletivo.
Sendo algumas específicas (art. 56 CP), porque aplicáveis apenas aos crimes
que o próprio Código menciona, e outras são genéricas (art. 47) porque
passíveis de aplicação a qualquer infração.
Art. 47 - As penas de interdição temporária de direitos são:
I - proibição do exercício de cargo, função ou atividade pública, bem
como de mandato eletivo;
II - proibição do exercício de profissão, atividade ou ofício que dependam
de habilitação especial, de licença ou autorização do poder público;
III - suspensão de autorização ou de habilitação para dirigir veículo.
IV - proibição de frequentar determinados lugares.
V - proibição de inscrever-se em concurso, avaliação ou exame público.

Proibição do exercício de cargo, função ou atividade pública, bem como


de mandato eletivo – pena específica, só podendo ser aplicada ao agente que
pratica o crime no exercício do cargo ou função, com violação dos deveres a
estes inerentes (art. 56 CP). Deve o delito resguardar relação direta com mau
uso do cargo, função, atividade ou mandato.
Proibição do exercício de profissão, atividade ou ofício que dependam de
habilitação especial, de licença ou autorização do poder público - também
de natureza específica, pois aplicável somente aos crimes cometidos no
exercício da profissão ou atividade e se houver violação dos deveres inerentes
ao ofício (ex.: dentista, médico etc.).
Suspensão de autorização ou de habilitação para dirigir veículo – aplicável
somente nos crimes culposos de transito (art. 47, III, e 57, CP)nas hipóteses de
crime doloso de transito, a inabilitação para dirigir pode ocorrer de efeito da
condenação (art. 92, III CP).
Proibição de inscrever-se em concurso, avaliação ou exame público –
aplicação específica, introduzida pela lei 12.550/2011, destina-se a pessoas
condenadas por fraude em certame de interesse público 9concurso, avaliação
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ou certame público, processo seletivo para ingresso no ensino superior, ou em
exame previsto em lei, nos termos do art. 311-A do Código Penal.

Proibição de frequentar determinados lugares – aplicação genérica imposta


a qualquer espécie de delito cometido, de acordo com a natureza do crime e as
condições pessoais do agente o juiz pode proibir o condenado de frequentar
determinados locais (como cãs de jogos, bares, boates, estádio de futebol e
etc).

LIMITAÇÃO DE FIM DE SEMANA

Conceito – consiste na obrigação do condenado de permanecer, aos sábados,


domingos, por período de 5 horas diárias, em casa de albergado ou
estabelecimento similar (art. 48 CP).
Obs.: a falta de casa de albergado ou estabelecimentos similares em
diversas comarcas tem levado os juízes a fazer pouca utilização desta
modalidade de pena restritiva de direitos, que a bem da verdade é uma
restritiva de liberdade, vez que são cumpridas 10 horas semanais em
recolhimento.
Art. 48 - A limitação de fim de semana consiste na obrigação de
permanecer, aos sábados e domingos, por 5 (cinco) horas diárias, em casa de
albergado ou outro estabelecimento adequado.
Parágrafo único - Durante a permanência poderão ser ministrados ao
condenado cursos e palestras ou atribuídas atividades educativas.

Obs.: tratando-se de condenação por crime de violência doméstica


contra a mulher, o juiz poderá determinar ao agressor o comparecimento a
programa de recuperação e reeducação, conforme dispõe art. 142 da LEP.

DA PENA DE MULTA

Conceito – constitui-se em uma modalidade de sanção de caráter patrimonial


consistente na entrega de dinheiro ao fundo penitenciário de quantia fixada na

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sentença e calculada em dias multa, sendo, no mínimo de10, e, no máximo de
trezentos e sessenta dias-multa, conforme dispõe art. 49 do Código Penal.

Art. 49 - A pena de multa consiste no pagamento ao fundo penitenciário


da quantia fixada na sentença e calculada em dias-multa. Será, no mínimo, de
10 (dez) e, no máximo, de 360 (trezentos e sessenta) dias-multa.
§ 1º - O valor do dia-multa será fixado pelo juiz não podendo ser inferior
a um trigésimo do maior salário mínimo mensal vigente ao tempo do fato, nem
superior a 5 (cinco) vezes esse salário
§ 2º - O valor da multa será atualizado, quando da execução, pelos
índices de correção monetária.
Pagamento da multa

Obs.: embora o art. 49 disponha que a pena de multa seja recolhida a


um fundo penitenciário, nada impede que os Estados legislem sobre o tema,
criando seus próprios fundos.

MULTA
ESPÉCIES:
a) Originária;
b) Substitutiva
ORIGINÀRIA – é aquela descrita em abstrato no próprio tipo penal
incriminador, em seu preceito secundário. Pode ser prevista de forma isolada,
cumulativa ou alternativa com pena privativa de liberdade.
Obs.: a previsão de multa isoladamente em abstrato ou (exclusiva), só é
prevista em contravenções penais. Ex.: nas contravenções penais de anúncio
abortivo (art. 20, da LCP – Lei de Contravenções Penais), bem como a
contravenção de imputação ofensiva ao pudor (art. 61 da LCP).
Ex.: de pena alternativa, crime de ameaça (art. 147 CP), a pena é de
detenção, de 1 a 6 meses ou multa.
Ex.: de pena cumulativa, no crime de furto simples (art. 155, caput CP),
a pena prevista é de reclusão de, 1 a 4 anos, e multa.

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SUBSTITUTIVA ou (vicariante) – É aquela aplicada em substituição a uma
pena privativa de liberdade fixada na sentença em montante não superior a 1
ano, e desde que o réu n]ao seja reincidente em crime doloso e as
circunstâncias do art. 59 do Código Penal indiquem que seja suficiente (art.
44,§ 2º, do CP), exige-se, ainda, que se trate de crime sem o emprego de
violência ou grave ameaça.

Pagamento da multa – transitada em julgado a sentença que impôs pena de


multa, os autos irão para o contador judicial para a atualização do valor que,
após, oitiva do Ministério Público, o juiz homologará o valor e determinará a
notificação do condenado para no prazo de 10 dias, efetuar o pagamento.
Obs.: de acordo com o art. 50, caput do CP, a pedido do condenado e
conforme as circunstâncias do caso poderá o juiz permitir que o pagamento se
faça em parcelas mensais.

Conversão da multa – com o advento da lei nº 9.268/96, ficou abolida a


conversão de pena de multa por privativa de liberdade. Assim, transitada em
julgado a sentença condenatória, a dívida será considerada dívida de valor,
casos em que aplica-se as normas da legislação referente à dívida ativa da
fazenda pública, inclusive no que concerne às causas interruptivas e
suspensivas da prescrição (art. 51, CP), ou seja a multa, que era de origem
penal, passou a ter caráter de dívida tributária.

Competência para a execução - O STJ firmou entendimento que a titularidade


para promover a execução da multa imposta em decorrência de processo
criminal passou a ser da Fazenda Pública, carecendo o Ministério Público de
legitimidade para a cobrança (execução). Assim, o juiz determinado a
notificação do condenado para pagar a multa, e este espontaneamente não
efetuando o pagamento, deverá encaminhar cópias ao órgão competente para
que seja extraída certidão da dívida ativa , e com base na certidão, a

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Procuradoria da fazenda (estadual ou federal, dependendo da origem da
condenação).

Procedimento da execução da dívida ativa – segue os procedimentos da Lei


de execuções Fiscais (art. 8º da Lei nº 6.830/80), ou seja, o condenado =
executado será citado para, pagar a dívida no prazo de 5 (cinco) dias, com os
juros e multa de mora e encargos indicados na Certidão de Dívida Ativa, ou
garantir a execução (nomear bens a penhora, apresentar carta de fiança etc., e
caso, não pague e não garanta a penhora a execução, serão penhorados bens
do acusado para venda em leilão, cujos valores serão usados no pagamento
da multa.
Conversão da pena privativa de liberdade em multa – A Súmula 171 do STJ
“cominadas, cumulativamente, em lei especial, penas privativa de liberdade e
pecuniária, é defeso a substituição da prisão por multa”.

Suspensão da execução da multa – de acordo com o disposto no art. 52 do


Código Penal é suspensa a execução da multa se sobrevém doença mental ao
acusado. O curso do prazo prescricional, entretanto, não se suspende em tal
hipótese por falta de previsão legal.

Morte do condenado à pena de multa – por ser a pena de multa de origem


penal, não pode passar aos herdeiros conforme dispõe (art. 5º, XLV, CF). não
se aplica, portanto, a execução fiscal (art. 4º da Lei nº 6.830/80). Em suma,
falecendo o condenado durante o processo executório, deve ser declarada
extinta a pena, nos termos do art. 107, I, do Código Penal.

Multa no concurso de crimes – de acordo com art. 72 do Código Penal, no


concurso de crimes, as penas de multa são aplicadas distinta e integralmente.

Detração em pena de multa – o art. 42 do Código Penal, é taxativo e, não faz


menção à detração em relação à pena de multa, só o faz em relação a pena

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privativa de liberdade e à medida de segurança. Assim. O tempo anterior à
prisão é irrelevante.

DA APLICAÇÃO DA PENA

Noções – o procedimento a ser seguido para a aplicação da pena vem


descritos no art. 59 a 76 do Código penal, que elenca detalhadamente como
deve proceder o juiz ao impor a aplicação da pena ao sentenciado. Os
dispositivos em comento têm por finalidade regulamentar o que estabelece a
Constituição Federal no inciso XLVI do art. 5º, que estabelece “a lei regulará a
individualização da pena”. Sendo, as penas previstas abstratamente nos tipos
penais em patamares mínimo e máximo.
Assim, o Código Penal enumera uma série de critérios que devem ser
levados em conta por ocasião da sentença, que se referem às circunstâncias
do delito que tornam mais ou menos gravoso, ou a aspectos da vida do
acusado, por exemplo, seus antecedentes, conduta social entre outras.

Fixação da pena – no calculo da pena o juiz adotará três fases utilizando o


critério trifásico, conforme seja necessário e suficiente para a reprovação e
prevenção do crime.
CRITÉRIO TRIFÁSICO: na fixação da reprimenda o art. 68 do Código Penal
prevê expressamente: Primeira fase - o juiz fixará a pena base, atendendo-se o
critério do art. 59 do Código Penal; Segunda fase - serão consideradas as
circunstâncias agravantes e atenuantes genéricas (arts. 61, 62, 65 e 66 do
CP);Terceira fase, serão consideradas as causas de aumento e de diminuição
de pena previstas na parte geral ou especial do Código.

PRIMEIRA FASE DA FIXAÇÃO DA PENA

Circunstâncias judiciais – no primeiro momento, o juiz deverá fixar a


chamada pena-base tendo como fundamento as circunstâncias judiciais ou
inonimadas, previstas no art. 59 do Código Penal, isto porque, embora o
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dispositivo mencione os critérios que o juiz deva levar em conta, o faz de forma
vaga, indeterminada, o qual congrega oito clausulas que devem ser levadas em
conta para determinação inicial da pena denominadas circunstâncias judiciais.
Menciona o dispositivo que o juiz ao fixar a pena base deve levar em
consideração, a culpabilidade, os antecedentes, a conduta social, a
personalidade do acusado, bem como os motivos, circunstâncias e
consequências do crime, além do comportamento da vítima.

Art. 59 - O juiz, atendendo à culpabilidade, aos antecedentes, à conduta


social, à personalidade do agente, aos motivos, às circunstâncias e
consequências do crime, bem como ao comportamento da vítima,
estabelecerá, conforme seja necessário e suficiente para reprovação e
prevenção do crime:
I - as penas aplicáveis dentre as cominadas;
II - a quantidade de pena aplicável, dentro dos limites previstos;
III - o regime inicial de cumprimento da pena privativa de liberdade;
IV - a substituição da pena privativa da liberdade aplicada, por outra
espécie de pena, se cabível.

Fixação da pena base – a pena base será fixada atendendo os critérios do


art. 59, acima mencionado, o qual congrega oito clausulas que devem ser
levadas em conta para determinação inicial da pena denominadas
circunstâncias judiciais: culpabilidade; antecedentes; conduta social,
personalidade; motivos do crime; consequências do crime; comportamento da
vítima.

Culpabilidade – a culpabilidade indica censurabilidade, reprovabilidade da


conduta do agente, nesta fase não tem o condão de indagar se o agente é ou
não culpável, ou seja, se está ou não sujeito à pena. Na verdade tem ela o
encargo funcional de graduar e limitar a pena pressupondo, é lógico que o
agente já tenha sido considerado culpável pela prática de um fato típico e
ilícito. Na realidade a culpabilidade aqui discutida diz respeito a maior ou menor
reprovabilidade da conduta.

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Antecedentes – são os fatos bons ou maus da vida pregressa do acusado,
que possuem relevância na aferição da pena a ser imposta. Tendo como
constatação, na prática, a chamada folha de antecedentes criminais, que
registra as passagens anteriores do acusado pelo sistema penal.

Conduta social – a conduta social do agente é designada pelo conjunto de


hábitos, atitudes e comportamento perante a sociedade onde vive, vez que
cada indivíduo possui modo próprio de viver e relacionar-se com os outros
(José Antônio Paganella Boschi). Na prática, as autoridades limitam-se a
elaborar um questionário respondido pelo próprio acusado, no qual ele informa
detalhes de sua vida social, familiar e profissional, regra geral realizadas pela
autoridade policial na fase do inquérito policial e pelo juiz por ocasião do
interrogatório.

Personalidade do acusado – refere-se ao comportamento do réu no dia-a-dia


é o seu caráter, levando-se em conta sua periculosidade. Personalidade, nada
mais é do que a índole do sujeito, ou seja, seu perfil psicológico e moral.

Motivos do crime – são os precedentes psicológicos da infração penal, ou


seja, as razões que levaram o réu a agir de modo criminoso, os motivos que
desencadearam a ação delituosa, e se a motivação constituir qualificadora
causa aumento ou diminuição de pena, ou ainda, agravante ou atenuante
genérica, caso em que não poderá ser considerada como circunstância judicial.
Sendo rara a utilização do motivo do crime na aplicação da pena base.

Circunstâncias do crime – refere-se o dispositivo à maior ou menor gravidade


do delito em razão do modus operandi no que diz respeito aos instrumentos do
crime, tempo de sua duração, forma de abordagem, comportamento do
acusado em relação às vítimas, local da infração etc. Por exemplo: Não se
pode ou o delito de roubo aplicar a mesma pena para um roubo em que a
vítima ficou na rua à mercê do assaltante por apenas 30 segundos e para

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aquele cometido no interior de uma residência em que a família inteira ficou
dominada por horas pelos roubadores, sob a mira de armas, enquanto eles
arrecadavam os bens. Da mesma maneira, existe maior gravidade na conduta
de quem, em crime de estupro, mantém conjunção carnal prolongada com a
vítima.

Consequências do crime - È uma das circunstancias judiciais mais


importantes e que merece especial atenção por parte dos juízes. Refere-se à
maior ou menor intensidade da lesão do bem jurídico e às sequelas deixadas
na vítima. O mais importante com relação às consequências do crime é que,
em hipótese alguma, de acordo como com Bitencourt, as mesmas se
confundam com a consequência natural tipificadora do ilícito praticado. Seria
um equívoco absurdo, por exemplo, num homicídio, a alegação de que "as
consequências foram graves porque a vítima morreu". A morte da vítima é o
resultado inerente ao homicídio, sem o qual o crime não teria ocorrido. Na
verdade, as consequências do crime são "os desdobramentos, não
necessariamente típicos, advindos da conduta do agente, reveladores da
danosidade decorrente do delito cometido". as define como "o mal causado
pelo crime, que transcende ao resultado típico".
Assim, as consequências do crime dizem respeito ao "maior ou menor
vulto do dano ou perigo de dano, que é sempre inerente ao delito, não só para
a vítima como para a sociedade", bem como ao sentimento de insegurança
provocado nesta e outros efeitos que devem ser consideradas como graves,
por exemplo: a vítima, arrimo de família, deixou ao desamparo quatro filhos
menores, cuja mãe não possui qualificação profissional. Ou seja, a maior ou
menor danosidade decorrente da ação delituosa praticada, para que gere
efeitos sobre a penalização, deve, necessariamente, guardar conexão direta
com o fato criminoso e estar adstrita à esfera jurídica do ofendido.

Comportamento da vítima – em determinadas infrações penais, a conduta da


vítima não pode ser desprezada, por influenciar de algum modo na eclosão do

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evento. A partir da reforma penal de 1984, o comportamento da vítima adquiriu
relevância não só em determinados delitos, conforme prevê a parte especial,
mas em qualquer crime, desde que tenha contribuído para o desencadeamento
do fato.

SEGUNDA FASE – CIRCUNSTÂNCIAS AGRAVANTES E ATENUANTES


Circunstancias agravantes:
Conceito – são circunstâncias previstas na lei Penal que sempre fazem elevar
a pena base fixada, limitada ao grau máximo da pena abstrata. Não aplicáveis
quando funcionam como elementares ou qualificadoras do crime.
Art. 61 - São circunstâncias que sempre agravam a pena, quando não
constituem ou qualificam o crime:
I - a reincidência;
II - ter o agente cometido o crime:
a) por motivo fútil ou torpe;

b) para facilitar ou assegurar a execução, a ocultação, a impunidade ou


vantagem de outro crime;
c) à traição, de emboscada, ou mediante dissimulação, ou outro recurso
que dificultou ou tornou impossível a defesa do ofendido;
d) com emprego de veneno, fogo, explosivo, tortura ou outro meio
insidioso ou cruel, ou de que podia resultar perigo comum;e) contra
ascendente, descendente, irmão ou cônjuge;
e) com abuso de autoridade ou prevalecendo-se de relações
domésticas, de coabitação ou de hospitalidade, ou com violência contra a
mulher na forma da lei específica;
f)com abuso de poder ou violação de dever inerente a cargo, ofício,
ministério ou profissão;
g) contra criança, maior de 60 (sessenta) anos, enfermo ou mulher
grávida;
h) quando o ofendido estava sob a imediata proteção da autoridade;
i) em ocasião de incêndio, naufrágio, inundação ou qualquer calamidade
pública, ou de desgraça particular do ofendido;
j) em estado de embriaguez preordenada.

Art. 62 - A pena será ainda agravada em relação ao agente que:


I - promove, ou organiza a cooperação no crime ou dirige a atividade dos
demais agentes;
II - coage ou induz outrem à execução material do crime;
III - instiga ou determina a cometer o crime alguém sujeito à sua
autoridade ou não punível em virtude de condição ou qualidade pessoal;

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IV - executa o crime, ou nele participa, mediante paga ou promessa de
recompensa.

Reincidência
Conceito - É um status decorrente da prática de novo crime após o trânsito em
julgado de sentença condenatória por crime anterior, ela é conceituada no
artigo 63, caput, do Código Penal. É a única agravante aplicável aos crimes
culposos.
Alcance da reincidência:
a) Não há qualquer distinção quanto à natureza dos crimes
(antecedente e consequente), podendo caracterizar reincidência
entre crimes dolosos ou culposos;
b) Não induz reincidência a condenação anterior, se entre a data do
cumprimento ou extinção da pena e a infração posterior tiver ocorrido
período de tempo superior a cinco anos, computado o período de
prova da suspensão ou livramento condicional, se não ocorrer
revogação (art. 64, I);
c) Os crimes militares próprios e os crimes políticos não induzem
reincidência (art. 64, II).

Reincidência especifica – não existe mais, exceto para impedir a substituição


da pena privativa de liberdade por restritivas de direito (Art. 44, § 3º CP). Pode
existir a reincidência especial, como àquela prevista no art. 83, V do Código
Penal, onde prevê que o condenado por crime hediondo, pratica de tortura,
tráfico ilícito de entorpecedentes e drogas afins, e terrorismo, não pode gozar
dos benefícios do livramento condicional, se reincidente específico em crimes
dessa natureza.
Efeitos da reincidência
a) Impede a concessão do sursis quando se tratar de crimes dolosos
(art. 77, I e § 1º);
b) Constitui circunstâncias preponderante em caso de concurso entre
agravantes e atenuantes genéricas (art. 67);

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c) Aumenta o prazo de cumprimento da pena para concessão do
livramento condicional (art. 83, II);
d) Impede a concessão do livramento condicional quando se trata de
reincidência específica em crimes hediondos, tráfico de drogas,
terrorismo e tortura (art. 83, V do CP; e 44, parágrafo único da Lei
de drogas)
e) Constitui causa obrigatória de revogação de sursis, caso a nova
condenação seja por crime doloso (art. 81, I);
f) Interrompe prazo da prescrição executória (art. 117, VI);
g) Aumenta o prazo da prescrição executória (art. 110);
h) Revoga a reabilitação quando o agente for condenado a pena que
não seja de multa (art. 95);
i) Obriga que se inicie o cumprimento da pena em regime inicial
semiaberto, salvo caso de detenção, ou aberto (art. 33, § 2ª);
j) Impede o reconhecimento de sua diminuição de pena no furto,
apropriação indébita, estelionato e receptação (art. 155, § 2º; 170;
171, § 1º; e 180, § 5º);
l) Faz com que o tempo de cumprimento de pena para a progressão
para regime mais brando deixe de ser de 2/5 e passe para 3/5 nos
crimes hediondos, tráfico de entorpecentes, terrorismo e tortura (art.
2, § 2º, da lei 8.072/90);
m) Impossibilita a transação penal nas infrações de menor potencial
ofensivo (art. 76, § 2º da Lei 9.099/95);
n) Impede a suspensão do condicional do processo (art. 89, da Lei
9.099/95)
o) Nos crimes de tráfico de drogas, impede que a pena seja reduzida
de 1/6 a 2/3, ainda que o acusado não se dedique reiteradamente
ao tráfico e não integre associação criminosa (art. 33,§ 4º);
p) Impede a substituição da pena privativa de liberdade por restritiva
de direitos (art. 44, II), caso se trate de reincidência em crime
doloso, ou por multa (art. 44, § 2º).

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Obs.: De acordo com o que expressa o art. 120 do Código Penal, o
acusado não perde a primariedade em decorrência de sentença na qual o juiz
concede perdão judicial (sentença de natureza declaratória), nos termos da
súmula 18 do STJ. “A sentença concessiva do perdão judicial é declaratória da
extinção da punibilidade, não subsistindo qualquer efeito condenatório”.

Agravantes genéricas que possuem a mesma redação das


qualificadoras do homicídio
De acordo com o disposto no art. 61, alíneas a, b, c, e d, do Código
Penal, estão elencadas diversas agravantes genéricas cuja redação coincide
com a das qualificadoras do homicídio aplicáveis ao homicídio, exceto se os
jurados reconhecerem duas delas para qualificar o delito e as demais (que não
serão usadas como qualificadoras) como agravantes genéricas.
As referidas agravantes possuem plena aplicabilidade em relação a
outros delitos, como, por exemplo, no de lesões corporais. Vejamos:

MOTIVO FÚTIL: (art. 61, II, a, 1ª figura)


Conceito - É aquele que em hipótese alguma justificaria a prática do crime,
sua valoração exige um juízo de proporcionalidade entre as razões dadas à
prática do delito e a efetiva lesão provocada ao bem jurídico tutelado pela
norma. É o motivo íntimo, vazio, mesquinho insignificante, extremamente
desproporcionado, de pouca importância, revelador de enorme insensibilidade
do agente, é razão suficiente para que a pena seja majorada na forma do artigo
61, inciso I, alínea “a”, do Código Penal.

MOTIVO TORPE: (art. 61, II, a, 2ª figura)


Conceito - O motivo torpe é o moralmente reprovável, imoral, abjeto, vil que
ofende a nobreza do espírito do homem e a moralidade das pessoas.
Obs.: o motivo de um crime não pode ser considerado ao mesmo tempo
fútil e torpe, devendo o juiz escolher o dispositivo que melhor se enquadre ao
caso concreto.

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Se o crime é cometido com a finalidade de facilitar ou assegurar a
execução, a ocultação, a impunidade ou vantagem de outro crime (art. 61,
II, b, 1ª e 2ª figuras) – é uma modalidade de torpeza do agente autor do delito
que se mantém totalmente indiferente à paz social, já que prática tantos crimes
quantos forem necessários à garantia do primeiro ilícito e de sua impunidade.
Esta parte do dispositivo abrange, em verdade, três agravantes que são
marcadas pela conexão denominada consequencial, em que o agente primeiro
comete um crime e, em seguida, o outro para assegurar a ocultação, a
impunidade ou a vantagem daquele.

Se o crime é cometido à traição, emboscada, ou Mediante dissimulação,


ou outro recurso que dificultou ou tornou impossível à defesa do
ofendido: (art. 61, II, c);

TRAIÇÃO – É quando ocorre ataque inesperado pela vítima de maneira


súbita, sorrateira, com quebra de confiança com vistas a surpreender a vítima.
EMBOSCADA – É a clássica tocaia, e quando o agente se oculta, para pratica
do crime, surpreendendo para atacá-la.
DISSIMULAÇÃO – É o encobrimento do intuito criminoso, ou seja, é o engodo
elaborado pelo agente para apanhar a vítima quando da realização do crime.
Outro recurso que dificulte ou torne impossível à defesa da vítima, -
possui fórmula genérica, é utilizada em hipóteses como agressões contra
pessoa que está dormindo, golpe desferido de surpresa ou pelas costas,
pancada em vítima que está desmaiada ou em coma entre outras.

Com emprego de veneno, fogo, explosivo, tortura, ou outro meio


insidioso ou cruel, ou de que podia resultar perigo comum – (art. 61, II, d).
Essas circunstâncias podem funcionar também como qualificadoras do
homicídio. E referem-se aos meios de execução que são considerados mais
gravosos pelo legislador.

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Veneno – é uma substancia de natureza química ou biológica que, introduzida
no organismo da vítima, pode provocar sua morte ou lesões. Pode se
apresentar de forma líquida, sólida ou gasosa.
Meio insidioso – é um meio desleal, enganador, que reduz a possibilidade de
defesa da vítima.
Meio cruel – o meio que causa um sofrimento desnecessário à vítima, que
ultrapassa o limite do que bastaria para a prática do delito.
Perigo comum – É aquele resultante de conduta que expõe a risco a vida ou o
patrimônio de número elevado e indeterminado de pessoas.

Contra ascendente, descendente, irmão ou cônjuge (art. 61, II, f) - O


aumento aqui surge em razão da insensibilidade, indiferença do agente que
pratica crime contra alguns dos parentes enumerados na lei, ou seja,
familiares, daqueles cujo vínculo sanguíneo deveria lhe despertar, no mínimo,
um nobre sentimento de solidariedade.
Obs.: as agravantes em estudo são aplicadas ao crime de homicídio,
mas não ao de lesão corporal, conforme alteração introduzida pela Lei
10.886/04 que alterou a redação do art. 129, criando os §§ 9º e 10 como
qualificadora do crime de lesão o fato da vítima ser ascendente, descendente,
irmão ou cônjuge – companheiro, e para as mesmas hipóteses, causas de
aumento de pena nos crime de lesão dolosa grave, gravíssima e seguida de
morte.

Se o deleito e cometido com abuso de autoridade ou prevalecendo-se de


relações domésticas, de coabitação ou de hospitalidade ou com violência
contra a mulher na forma da lei específica – a razão da agravante é a
quebra de confiança que a vítima deposita no agente, em face da dependência,
intimidade ou pela vida em comum.

Se o crime é praticado com abuso do poder ou violação de dever inerente


a cargo, ofício, ministério ou profissão (art. 61, II, g) – quando o agente
funcionário que exerce cargo ou ofício, desrespeitando os deveres inerentes às

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suas funções ou abusando de seu poder e extrapola um dever inerente à sua
profissão ou cargo que ocupa.

Se o crime é praticado contra criança, maior de 60 anos, enfermo ou


mulher grávida (art. 61, II, h) – a razão do gravame é a vulnerabilidade da
vítima escolhida pelo criminoso decorrente de sua condição física, ou seja,
essas pessoas têm maior dificuldade de se defender e, por isso, muitos
infratores escolhem-nas para contra elas cometer delitos.

Se o ofendido está sob imediata proteção da autoridade (art. 61, II, i) – se


o dispositivo se refere à proteção direta e indireta de alguma autoridade, e não
à situação genérica dos cidadãos que se encontram sob a proteção da Polícia
e de outros órgãos de segurança pública. Assim, o aumento é devido ao
desrespeito à autoridade e à audácia do agente.

Se o delito é cometido em ocasião de incêndio, naufrágio, inundação ou


qualquer calamidade pública ou de desgraça particular do ofendido –
razão da maior punição é a insensibilidade do agente que se aproveita das
facilidades decorrentes da desgraça coletiva ou particular para cometer crime.

Se o agente comete o crime em estado de embriaguez preordenada –


Nessa modalidade, é necessário que se prove que o agente se embriagou com
a finalidade de praticar o crime. Ex.: Quando o agende provoca
voluntariamente a própria embriaguez com o fim de cometer o crime, para criar
coragem e/ou tentar provocar a diminuição de sua culpabilidade em face da
embriaguez.
Agravante no concurso de pessoas. Aumenta-se a pena para quem:
a) Instiga ou determina alguém sujeito à sua autoridade ou não punível
em virtude de condição ou qualidade pessoal (art. 62, III);
b) Agente que executa o crime ou nele participa, mediante paga ou
promessa de recompensa (art. 62, IV);.
c) Promove ou organiza a cooperação no crime ou dirige a atividade
dos demais agentes

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d) Coage ou induz outrem à execução material de crime.

Atenuantes genéricas – estas circunstâncias geram a redução da pena na


segunda fase de fixação, estão descritas no art. 65 e 66 do Código Penal.

Art. 65 - São circunstâncias que sempre atenuam a pena:


I - ser o agente menor de 21 (vinte e um), na data do fato, ou maior de 70
(setenta) anos, na data da sentença;
II - o desconhecimento da lei;
III - ter o agente:
a) cometido o crime por motivo de relevante valor social ou moral;
b) procurado, por sua espontânea vontade e com eficiência, logo após o
crime, evitar-lhe ou minorar-lhe as consequências, ou ter, antes do
julgamento, reparado o dano;
c) cometido o crime sob coação a que podia resistir, ou em cumprimento
de ordem de autoridade superior, ou sob a influência de violenta emoção,
provocada por ato injusto da vítima;
d) confessado espontaneamente, perante a autoridade, a autoria do
crime;
e) cometido o crime sob a influência de multidão em tumulto, se não o
provocou.

ATENUANTES GENÉRICAS EM ESPÉCIE - embora no art. 65, exista um rol


de atenuantes cujas hipóteses de configuração estão expressamente
delineadas no texto legal, enquanto o art. 66 descreve uma atenuante
inanimada, permitindo que o juiz reduza a pena sempre que entender existir
circunstância relevante, anterior ou posterior ao crime, não elencada no rol do
art. 65.

Se o agente é menor de 21 anos, na data do fato, ou maior de 70 anos, na


data da sentença (art. 65, I) - Entendeu o legislador que a pessoa menor de
21 anos ainda não tem sua personalidade plenamente formada, de modo que o
senso de responsabilidade ainda não é total, justificando a redução na
reprimenda, sendo entendimento jurisprudencial no sentido de que esta é a
segunda e a mais importante das circunstâncias da 2ª fase da fixação da pena
(ver Súmula 74 STJ - Reconhecimento da Menoridade - Prova Documental -

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“Para efeitos penais, o reconhecimento da menoridade do réu requer prova
por documento hábil”.
Quanto os 70 anos, se o agente completa 70 anos quando o processo
esta em fase recursal, sua pena será reduzida.

Desconhecimento da Lei (art. 65, II) – como é sabido o desconhecimento da


lei não isenta de pena nos termos do art. 21 do Código Penal, mas pode
atenuá-la.

Ter o agente cometido o crime por motivo de relevante valor social (art.
65, III, a) - É aquele que beneficia condutas, que apesar de ilícitas, estão
ligadas a um sentimento que não é antissocial, por referirem à honra, à moral,
que são conceitos cultivados pela sociedade.

Ter o agente procurado por sua espontânea vontade e com eficiência,


logo após o crime, evitar ou minorar-lhe as consequências, ou ter antes
do julgamento, reaparado o dano (art. 65, III, a) – são casos de
arrependimento ativo do agente que, espontaneamente e com resultado
apreciáveis, diminui os efeitos do crime ou repara o dano causado pelo delito.

Cometido o crime sob coação a que podia resistir, ou em cumprimento de


ordem de autoridade superior, ou sob a influência de violenta emoção
provocada por ato injusto da vítima (art. 65, III, c) - enquanto a coação moral
irresistível exclui a culpabilidade, a ordem ilegal do superior hierárquico
responderá pelo crime, já que poderia obedecer a ordem, mas em virtude da
pressão psicológica sofrida, terá a pena atenuada.
A atenuante decorrente da influencia de violenta emoção pode ser
aplicada a todo e qualquer crime, bastando a influencia desse sentimento
provocado por ato injusto da vítima. Assim, o fato de ter o delito cometido por
quem se encontra sob a influência de violenta emoção, provocado por ato

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injusto da vítima, também atenua a pena. Havendo, contudo, injusta agressão
por parte da vítima, não existirá crime em face da legitima defesa.

Influência de violenta emoção nos crimes dolosos contra a vida - nos


crimes de homicídio doloso e lesão dolosa, por sua vez, possuem hipótese de
privilégio que também se caracteriza pela violenta emoção (arts. 121, § 1º, e
129, § 4º) o privilegio nesse caso, diferencia-se da atenuante genérica porque
exige que o agente esteja sob o domínio (e não influência) de violenta emoção
e porque a morte ou lesão devem ter sido praticada logo após a injusta
provocação (requisito dispensável na atenuante).

Ter o agente confessado, espontaneamente, perante a autoridade a


autoria do crime (art. 65, III, d) – a finalidade da atenuante a dar estímulo ao
agente que contribui para a verdade no processo, e não basta a confissão
apenas voluntária e parcial é necessário que seja total e espontânea.
Obs.: É admissível mesmo em depoimento de acusado apanhado em
flagrante.

Ter o agente cometido o crime sob a influência da multidão em tumulto,


se não a provocou (art. 65, III, e) – a justificativa da atenuante é porque em
determinadas situações, o sujeito costuma agir por impulso. Age sob a
influencia da alma coletiva Ex.: saque de mercadorias feito por um grande
grupo de pessoas em acidente em rodovias sem prévio ajuste entre elas.

Atenuantes inonimadas
Conceito – são circunstancias que não se encontram especificadas na
legislação, mas, permite que o juiz reduza a pena sempre que entender existir
circunstância relevante, anterior ou posterior ao crime, não elencada no rol do
art. 65, e desde que relevantes Ex.: doença incurável do agente; grande
penúria financeira, etc.
Art. 66 - A pena poderá ser ainda atenuada em razão de
circunstância relevante, anterior ou posterior ao crime, embora não
prevista expressamente em lei.
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De acordo com o art. 66 do Código Penal, o juiz pode atenuar a pena em
razão de qualquer outra circunstância relevante anterior ou posterior ao crime,
embora não prevista em lei merecem consideração no momento de se
mensurar a dosimetria da pena.

Concurso entre circunstâncias agravantes e atenuantes - Não raras vezes


o delito é cercado por mais de uma circunstância. Quando duas ou mais
concorrem entre si, como atenuante e agravante, opondo-se quantitativamente
uma a outra, há o que se denomina concurso entre circunstâncias agravantes e
atenuantes. A solução a esse concurso é dada pela disciplina do artigo 67 do
Código Penal.
Art. 67 - No concurso de agravantes e atenuantes, a pena deve
aproximar-se do limite indicado pelas circunstâncias preponderantes,
entendendo-se como tais as que resultam dos motivos determinantes do
crime, da personalidade do agente e da reincidência.

O dispositivo tem por finalidade esclarecer o juiz, ao reconhecer, no


mesmo caso, uma agravante e uma atenuante genérica, não deve
simplesmente compensar uma pela outra. Deve, portanto, o magistrado, dar
maior valor às chamadas circunstancias preponderantes (quer seja uma
agravante quer seja uma atenuante). Essa análise que deve ser feita caso a
caso, e o legislador esclareceu no dispositivo que as circunstâncias
preponderante são de caráter subjetivo (motivos do crime, personalidade do
agente e reincidência).
Obs.: A jurisprudência acrescentou a menoridade relativa. Assim,
considera-se que a menoridade é uma circunstância sempre prevalente sobre
as demais. No entanto, tal entendimento não é pacífico:
.
Concurso de agravantes e atenuantes
a) Não possuem as diversas agravantes e atenuantes o mesmo peso.
b) Deve se observar as circunstâncias preponderantes, os motivos do
crime, a personalidade do agente, a reincidência (art. 67);
c) As circunstâncias subjetivas preponderam sobre as objetivas;
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d) A menoridade, segundo jurisprudência, sempre prepondera sobre
qualquer agravante.

TERCEIRA FASE – CAUSAS DE AUMENTO E DE DIMINUIÇÃO DE PENA

Conceito: são circunstâncias legais que estabelecem a majoração da pena em


quantia determinada (fixa ou variável). Deve o juiz considerar as causas de
aumento e de diminuição de pena que mostrarem presentes no caso concreto.
Estas circunstâncias podem ser previstas na Parte geral ou na parte especial
do Código Penal.
Causas de aumento – na causa de aumento, a lei diz que se utiliza de índice
de soma ou de multiplicação a ser aplicado sobre o montante de pena
estabelecido na fase anterior (2ª fase), conforme alguns exemplos:
a) – no caso de homicídio e nas lesões corporais dolosas, a pena é
aumentada e, 1/3, se a vítima é menor de 14 anos ou maior de 60 anos (arts.
121, § 4º, e 129, § 7º);
b) Nos crimes contra a dignidade sexual (estupro, por exemplo), a
pena é aumentada em ½, se o agente é ascendente, padrasto ou madrasta, tio,
irmão, cônjuge ou companheiro, tutor, curador, preceptor ou empregador da
vítima, ou se, por qualquer outro título, tem autoridade sobre ela (art. 226, II),
entre outros. Evidentemente, outras inúmeras causas de aumento previstas no
Código Penal.
c) – no concurso formal, a pena é aumentada de 1/6 até 1/2 (art. 70)

Causas de diminuição de pena – caracterizam-se pela utilização de índice de


redução a ser aplicado sobre a pena fixada na fase anterior (2 fase), como por
exemplo:
a) - Nos crimes tentados, a pena será reduzida de 1/3 a 2/3 (art. 14,
parágrafo único);
b) - Arrependimento posterior, a pena também será reduzida 1/3 a 2/3
(art. 16);

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c) – no homicídio privilegiado, a pena é reduzida de 1/6 a 2/3 (art. 121,
§ 1º).
Concursos de causas de aumento ou de diminuição de pena em relação
ao mesmo delito.
Noções: o artigo 68, parágrafo único, do Código Penal expõe regra de extrema
importância no sentido de que, no concurso de causas de aumento ou de
diminuição de pena previstas na parte especial, pode o juiz limitar-se a um só
aumento ou a uma só diminuição, prevalecendo, todavia, a causa que mais
aumente ou diminua.
Art. 68 - A pena-base será fixada atendendo-se ao critério do Art. 59
deste Código; em seguida serão consideradas as circunstâncias atenuantes e
agravantes; por último, as causas de diminuição e de aumento.
Parágrafo único - No concurso de causas de aumento ou de diminuição
previstas na parte especial, pode o juiz limitar-se a um só aumento ou a uma só
diminuição, prevalecendo, todavia, a causa que mais aumente ou diminua.

Em decorrência do dispositivo acima transcrito, teremos a seguintes


soluções:
Concorrência de causas – se concorrerem duas causas de aumento, uma
prevista na parte especial do Código Penal, o deve proceder ao segundo
aumento, não sobre a pena base, mas sobre a operação anterior. Se
concorrerem duas causas (aumento ou diminuição) previstas na parte geral,
aplicam-se ambas. Mas se forem duas previstas na parte especial, aplica-se
somente uma, a maior delas (cf arts. 141 e 221 CP).
Exemplo:
Crime de roubo praticado com emprego de arma em concurso formal. O juiz
fixa a pena-base, em 4 anos, e aumenta em 1/3 em face do emprego da arma,
atingindo 5 anos e 4 meses. Na sequencia, aplicará, sobre o montante, um
aumento de 1/6 em razão do concurso formal, atingindo a pena de 6 anos, 2
meses e 20 dias.

Circunstâncias qualificadoras

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Conceito: são aquelas previstas na parte especial que, agregadas à figura
típica fundamental, têm função de aumentar a pena. Diferem das causas de
aumento de pena. Porque nestas, a norma legal prevê o percentual de
aumento (um a dois terços), enquanto nas qualificadoras os limites mínimo e
máximo da pena abstrata já vêm majorados no próprio dispositivo penal.

CONCURSO DE CRIMES

Conceito: ocorre concurso de crime quando o mesmo agente, em uma mesma


oportunidade ou em ocasiões diversas, pratica duas infrações penais, que,
estejam entre si ligadas por alguma circunstância.

Assim, quando se fala em concurso de crimes, significa que o agente


efetivamente cometeu e, por isso, responderá pelas diversas infrações, o que
não deve ser confundido com as situações relacionadas no princípio da
consunção, em que, embora as condutas se amoldem em mais de um tipo
penal, o agente só responde por um delito, ficando os demais absorvidos, quer
se trate de crime meio, quer por crime considerado post factum impunível.

Exemplo de princípio da consunção Súmula 17 STJ – “Quando o falso


se exaure no estelionato, sem mais potencialidade lesiva, é por este
absorvido”. Caso em que se aplica o princípio da consunção.
O agente que falsifica um cheque para cometer estelionato, ficando a
falsificação do documento absorvida pelo crime contra o patrimônio por se
tratar de crime-meio.

Critérios doutrinários utilizados para a aplicação da pena:


Cumulo material (soma das penas de cada crime)
Cúmulo jurídico (pena mais grave do que a cominada para cada um dos
crimes)
Absorção (pena do crime mais grave, desprezado as demais)

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Exasperação (pena do crime mais grave, aumentada de certa quantidade)

ESPÉCIES
Modalidades de concurso de crimes previstas no código Penal:
a) – concurso material ou real (art. 69)
b) – concurso formal ou ideal (arft. 70)
c) – crime continuado (arft. 71)

CONCURSO MATERIAL (OU REAL)


Conceito: Ocorre quando o autor da infração pratica duas ou mais condutas,
comissivas ou omissivas, resultando no cometimento de dois ou mais crimes,
idênticos ou não, sendo no concurso material, as penas de todos os crimes são
aplicadas cumulativamente (art. 69).

Art. 69 - Quando o agente, mediante mais de uma ação ou omissão,


pratica dois ou mais crimes, idênticos ou não, aplicam-se cumulativamente as
penas privativas de liberdade em que haja incorrido. No caso de aplicação
cumulativa de penas de reclusão e de detenção, executa-se primeiro aquela.
§ 1º - Na hipótese deste artigo, quando ao agente tiver sido aplicada
pena privativa de liberdade, não suspensa, por um dos crimes, para os demais
será incabível a substituição de que trata o Art. 44 deste Código.
§ 2º - Quando forem aplicadas penas restritivas de direitos, o condenado
cumprirá simultaneamente as que forem compatíveis entre si e sucessivamente
as demais.

Espécies de concurso material e aplicação da pena


Concurso homogêneo – quando os crimes cometidos forem idênticos (dois
roubos, dois estupros etc). Aplica-se pena cumulativamente não importando se
a modalidade é simples, privilegiada ou qualificada.

Heterogêneo – quando os crimes praticados não forem idênticos (um furto, um


estelionato, um estupro e um aborto) aplica-se pena cumulativamente não
importando se os fatos ocorreram, ou não na mesma ocasião.
Entretanto, em caso de cumular pena de reclusão e de detenção,
executa-se a de primeiro lugar a de reclusão.

CONCURSO FORMAL (OU IDEAL)


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Conceito: ocorre quando o agente, mediante uma só conduta (ação ou
omissão) pratica dois ou mais crimes, idênticos ou não. Neste caso, aplica-se,
a mais grave das penas cabíveis ou se iguais, somente uma delas, mas
atenuada, em qualquer caso, de um sexto até a metade (art. 70). A variação
depende do número de infrações cometidas.

Art. 70 - Quando o agente, mediante uma só ação ou omissão,


pratica dois ou mais crimes, idênticos ou não, aplica-se-lhe a mais grave
das penas cabíveis ou, se iguais, somente uma delas, mas aumentada, em
qualquer caso, de um sexto até metade. As penas aplicam-se, entretanto,
cumulativamente, se a ação ou omissão é dolosa e os crimes
concorrentes resultam de desígnios autônomos, consoante o disposto no
artigo anterior.
Parágrafo único - Não poderá a pena exceder a que seria cabível
pela regra do art. 69, deste Código.

SISTEMA DE EXASPERAÇÃO DA PENA:

Cúmulo material benéfico – a exasperação da pena, neste caso, não poderá


exceder a que seria cabível no caso de concurso material (art. 70 parágrafo
único);

Concurso formal homogêneo – se idênticas às infrações.

Concurso formal heterogêneo – quando ocorrem crimes diferentes

Concurso formal próprio (ou perfeito) – ocorre quando o agente não quer a
multiplicidade de resultados. São os casos em que a conduta é culposa na
origem, cujos resultados são atribuídos ao agente a esse título, ou quando a
ação é dolosa, porém pelo menos um dos resultados é culposo (aberrante)

Concurso formal impróprio (ou imperfeito) – ocorre com uma conduta, mais
de um resultado, entretanto estes decorrem de desígnios autônomos do
agente. Ele quer, com mais de uma conduta, praticar um crime. Aplica-se a
regra do cúmulo material, isto é, soma das penas.

DIREITO PENAL II
Profª: Ana Maria Duarte Página 85
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Cúmulo material – no concurso formal imperfeito o individuo tem consciência
e vontade em relação a cada um dos crimes, realizando com uma só conduta
dois fins.

CRIME CONTINUADO

Conceito: ocorre o crime continuado quando o agente, mediante mais de uma


ação ou omissão, pratica dois ou mais crimes da mesma espécie, e pelas
condições de tempo, lugar, maneira de execução e outras semelhantes, devem
os subsequentes ser havidos como continuação do primeiro (artigo 71 do CP).

Art. 71 - Quando o agente, mediante mais de uma ação ou omissão,


pratica dois ou mais crimes da mesma espécie e, pelas condições de
tempo, lugar, maneira de execução e outras semelhantes, devem os
subsequentes ser havidos como continuação do primeiro, aplica-se-lhe a
pena de um só dos crimes, se idênticas, ou a mais grave, se diversas,
aumentada, em qualquer caso, de um sexto a dois terços.

Parágrafo único - Nos crimes dolosos, contra vítimas diferentes,


cometidos com violência ou grave ameaça à pessoa, poderá o juiz,
considerando a culpabilidade, os antecedentes, a conduta social e a
personalidade do agente, bem como os motivos e as circunstâncias,
aumentar a pena de um só dos crimes, se idênticas, ou a mais grave, se
diversas, até o triplo, observadas as regras do parágrafo único do art. 70
e do art. 75 deste Código

Art. 72 - No concurso de crimes, as penas de multa são aplicadas


distinta e integralmente.

Art. 73 - Quando, por acidente ou erro no uso dos meios de


execução, o agente, ao invés de atingir a pessoa que pretendia ofender,
atinge pessoa diversa, responde como se tivesse praticado o crime
contra aquela, atendendo-se ao disposto no § 3º do art. 20 deste Código.
No caso de ser também atingida a pessoa que o agente pretendia ofender,
aplica-se a regra do art. 70 deste Código.

Aplicação da pena – no crime continuado, os delitos devem ser


necessariamente da mesma espécie. Tanto crimes em sua modalidade simples
e também qualificada, quando atingem exatamente os mesmos bens jurídicos.

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Crimes da mesma espécie – exemplo (crimes de furto simples e qualificado –
único bem jurídico atingido = patrimônio). Aplica-se a somente uma (se
diferentes, a mais grave) aumentada, em qualquer caso, de um sexto a dois
terços. Nos crimes dolosos, contra vítimas diferentes, cometidos com violência
ou grave ameaça à pessoa, aplica-se a pena mais grave (ou a pena de um só
dos crimes, se idênticas, aumentadas até o triplo). O percentual de aumento
varia de acordo com o número de infrações penais praticadas. É considerado
crime único por ficção jurídica.

CONSTITUEM REQUISITOS DO CRIME CONTINUADO:

a) Pluralidade de condutas (ações ou omissões): a pluralidade de


condutas não deve ser confundida com pluralidade de atos, posto que uma
única ação pode se desdobrar em vários atos. De tal modo, ensina Bruno,
“pode o agente subtrair em atos sucessivo, mas na mesma ocasião, objetos
diverso, esparsos no local em que se encontra, e nem por isso comete crime
continuado, mas apenas um furto instantâneo e comum”. Nada impede,
portanto, que os bens jurídicos ofendidos tenham diverso titular. Assim, o
agente, por ex., que entra em um ônibus e furta inúmeros objetos de vários
passageiros;
b) Crimes da mesma espécie – são aqueles previstos no mesmo
tipo penal, simples ou qualificados, tentados ou consumados. Assim, pode
haver crime continuado entre furto simples e qualificado, mas não entre furto e
apropriação indébita, entre furto e roubo ou entre roubo e extorsão.
Obs.: há alguns entendimentos, de que crimes da mesma espécie são
aqueles que os tipos possuem o mesmo objeto jurídico.

c) Circunstâncias semelhantes de tempo, lugar, modo de


execução - estes são requisitos objetivos do crime continuado, ou seja,
circunstâncias que informa o critério de aferição da continuação criminosa,
segundo a apreciação do julgador. Isoladamente, vez que o Código Penal não
traça nenhum deles como definidos. A jurisprudência entendendo que a prática
dos crimes deve se restringir aos limites territoriais de uma cidade,
nãopodendo, contudo, superar o intervalo de 30 (trinta) dias.

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Nexo de continuação – para a existência do crime continuado é necessário
que exista entre o antecedente e o consequente um nexo de continuação,
considerando as circunstâncias de tempo, lugar, maneira de execução e outras
condições assemelhadas, que deverão guardar entre si certa homogeneidade.
Vale afirmar, deve haver uma relação de contexto entre as diversas infrações.

Crimes subsequentes havidos como continuação do primeiro – essa


característica é a pedra fundamental para distinguir-se entre crime continuado
e a reiteração criminosa (habitualidade delitiva). Trata-se, na verdade, do
requisito subjetivo da continuidade delitiva, traduzido na unidade de desígnios.
Assim, em que pese o Código Penal tenha adotado a teoria objetiva (Exposição
de Motivos), a jurisprudência caminhou por fazer logo a inclusão do requisito
subjetivo, com vistas, exatamente a não favorecer com o isntituto aqueles
criminosos “profissionais”. Assim, a teoria objetivo-subjetiva é a mais corrente
com o nosso sistema penal.

Crime continuado específico (bens personalíssimos) – em casos de crimes


dolosos praticados em continuação contra vítimas diferentes, mediante
violência ou grave ameaça a pessoa, pode o juiz, considerando a culpabilidade,
os antecedentes, a conduta social e a personalidade do agente, assim, como
os motivos e as circunstancias do crime, aumentar a pena de só um dos crimes
(se diversas a mais grave) até o triplo, conforme parágrafo único , do art. 71).
Em todo caso o máximo da pena deverá respeitar o limite do cumulo material,
ou seja, 30 (trinta) anos.
Obs. O STF e o STJ vêm limitando a aplicação da continuidade delitiva
aos crimes contra os costumes.

Lei aplicável – “a lei penal mais grave aplica-se ao crime continuado ou ao


crime permanente, se a sua vigência é anterior à cassação da continuidade ou
da permanência” (Súmula 711 – STF).

TEORIAS SOBRE CRIME CONTINUADO

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Teoria puramente objetiva – nessa teoria dispensa-se a unidade ideação e
deduz o conceito de condutas continuadas dos elementos exteriores da
homogeneidade.d crimes da mesma espécie, praticados em tais condições de
tempo, lugar e maneira de execução, que os subsequentes são havidos como
continuação dos precedentes. Teoria adotada pelo Código Penal. Entretanto,
as jurisprudências do STF e do STJ indicam que o reconhecimento da
continuidade delitiva, faz-se necessário a existência de unidade de desígnios,
ou seja, os crimes devem fazer parte do mesmo objeto criminoso do agente.
De qualquer modo, o benefício não alcança quem faz do crime uma profissão,
casos em que, não basta o reconhecimento de tempo, lugar, maneira de
execução, etc., quando estiver reiterada a reiteração delitiva.

Teoria objetivo/subjetiva – de acordo com essa teoria, a continuidade delitiva


pressupõe a existências dos requisitos objetivos (art. 71 do CP) e os subjetivos
(unidade de dolo, unidade de desígnios), ou seja, só podem ser reconhecida
quando demonstrada a prévia intenção de cometer vários delitos em
continuação. Essa teoria é também chamada de teoria mista em que
compreende o crime continuado quando Exemplo – quando o caixa de uma
empresa subtrai diariamente certa quantia em dinheiro, não configurando, as
hipóteses de um assaltante que rouba aleatoriamente casas diversas, sem que
haja qualquer vínculo entre os fatos, de forma a demonstrar que se trata de
criminoso contumaz, habitual, que não merece as benesses legais. Para essa
teoria não se cogita de unidade ou pluralidade de delitos, mas de um terceiro
crime, que é o próprio concurso.

LIMITE DAS PENAS

Conceito: o tempo de cumprimento das penas privativas de liberdade não


pode ser superior a 30 anos. Quando o agente for condenado a penas
privativas de liberdade cuja soma seja superior a 30 anos, devem elas ser
unificadas para atender esse limite. Sobrevindo condenação por fato posterior

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ao início de cumprimento da pena, far-se-á nova unificação, desprezando-se o
período de pena já cumprido (art. 75, § § 1º e 2º)

Art. 75 - O tempo de cumprimento das penas privativas de liberdade não


pode ser superior a 30 (trinta) anos.
§ 1º - Quando o agente for condenado a penas privativas de
liberdade cuja soma seja superior a 30 (trinta) anos, devem elas ser
unificadas para atender ao limite máximo deste artigo.
§ 2º - Sobrevindo condenação por fato posterior ao início do
cumprimento da pena, far-se-á nova unificação, desprezando-se, para
esse fim, o período de pena já cumprido.
Obs.: a pena unificada para atender ao limite de 30 anos de
cumprimento, determinado pelo art. 75 do Código penal, não considerada para
a concessão de outros benefícios, como o livramento condicional ou regime
mais favorável de execução (Súmula 715 STF).

DA SUSPENSÃO CONDICIONAL DA PENA

Conceito – a pena privativa de liberdade não superior a dois anos pode ter sua
execução suspensa, por um período de dois a quatro anos, mediante o
cumprimento, pelo réu, de determinadas condições estabelecidas pelo juiz. O
sursis é um direito subjetivo do condenado que atende os requisitos descritos.

Art. 77 - A execução da pena privativa de liberdade, não superior a 2


(dois) anos, poderá ser suspensa, por 2 (dois) a 4 (quatro) anos, desde que:
(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
I - o condenado não seja reincidente em crime doloso;
II - a culpabilidade, os antecedentes, a conduta social e personalidade
do agente, bem como os motivos e as circunstâncias autorizem a concessão
do benefício; III - Não seja indicada ou cabível a substituição prevista no art. 44
deste Código.
§ 1º - A condenação anterior a pena de multa não impede a concessão
do benefício.
§ 2º A execução da pena privativa de liberdade, não superior a quatro
anos, poderá ser suspensa, por quatro a seis anos, desde que o condenado
seja maior de setenta anos de idade, ou razões de saúde justifiquem a
suspensão.

Espécie de sursis – o Código Penal prevê três modalidades de sursis:


simples, especial, etário e humanitário.
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a) Sursis simples (art. 77 caput) – embora a lei não defina a
modalidade de sursis simples, ela se da por exclusão, considerando a
modalidade em que o réu ainda não reparou o dano causado pelo crime ou
quando não lhe forem inteiramente favoráveis os requisitos do art. 59 do
Código Penal. Dentre as modalidades de sursis é o mais rigoroso e deve
atender a requisitos objetivos e subjetivos.
Objetivos - Que o réu seja condenado a pena privativa de liberdade não
superior a 2 anos;
Subjetivos - o condenado deverá obrigatoriamente, prestar serviços à
comunidade ou submeter-se à limitação de fim de semana, durante um ano.

b) Sursis especial – definido no art. 78, § 2º, do CP, que sujeita o


condenado a condições mais brandas. Tem como requisito objetivo, além do
anterior, qual seja (condenação até dois anos), a necessidade de reparar o
dano (salvo se impossível), além do cumprimento cumulativo das seguintes
condições:
 Não frequentar determinados lugares;
 Não ausentar-se da comarca onde reside sem autorização judicial
 Comparecer pessoalmente em juízo, todo mês, para informar e justificar
suas atividades.

c) Sursis etário – é o previsto para maiores de 70 (setenta) anos de


idade; requisito objetivo – condenado a pena privativa de liberdade não
superior a quatro anos, que poderá obter a suspensão da execução da pena
por um período entre 4 e 6 anos ao maior de 70 anos aplica-se também o
sursis simples e o especial.
d) Sursis Humanitário – quando por razões de saúde
recomendarem, o condenado à pena privativa de liberdade não superior a 4
anos, poderá obter a suspensão da execução da pena, por um período entre 4
e 6 anos, independentemente de idade.

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Sursis e substituição da pena – para a concessão do sursis, é necessário
que não caiba substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de
direitos; porém estas e as penas de multa não poderão ter execução suspensa.

Requisitos subjetivos – além, dos requisitos objetivos, para a obtenção do


sursis é necessário que:
 Não seja o condenado reincidente em crime doloso
 A culpabilidade, os antecedentes, a conduta social e a personalidade do
agente, bem como os motivos do crime e as circunstâncias do crime
autorizem a concessão do benefício.
 Todas as circunstâncias do art. 59 sejam favoráveis ao agente, no caso
de sursis especial.
Obs.: a condenação anterior a pena de multa e reincidência em crime culposo,
não impedem a concessão do sursis.

Condições judiciais do Sursis – são aquelas fixadas pelo juiz, desde que
adequadas aos fatos e à situação pessoal do condenado (art. 79). Devem ser
evitadas condições ociosas ou vexatórias.

Causas de revogação obrigatória (Sursis) – será revogado o sursis


obrigatoriamente quando:
- Sofrer condenação, em sentença irrecorrível, por crime doloso (art. 81,
I) salvo se a pena for de multa;
- Frustrar, embora solvente, a execução da pena de multa ou não
efetuar, sem motivo justificado, a reparação do dano (art. 81, II);
- Deixar de prestar serviços à comunidade ou de submeter-se a limitação
de fim de semana, conforme o caso (condições do sursis simples – art. 78, §
1º).
Causas de revogação facultativa (sursis) – a suspensão poderá ser
revogada se o condenado descumpre qualquer outra condição imposta ou

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irrecorrivelmente condenada, por crime culposo ou contravenção, a pena
privativa de liberdade ou restrita de direitos (art. 81, § 1º).

DO LIVRAMENTO CONDICIONAL DA PENA

Conceito – é a concessão, pelo poder jurisdicional, da liberdade antecipada ao


condenado, mediante a existência de pressupostos, e condicionada a
determinadas exigências durante o restante da pena que deveria cumprir o
preso. Segundo Noronha, trata-se de direito subjetivo do preso, atendido os
requisitos. Ditado tanto pelo art. 83 do CP, e pelos arts. 131 a 146 da LEP – Lei
de Execução Penal.

Natureza jurídica – é incidente da execução da pena, portanto, concedido pelo


juiz da execução. É regulamentado, no Código Penal, no Código de processo
Penal e na Lei de execuções Penais.

Art. 83 - O juiz poderá conceder livramento condicional ao condenado a pena


privativa de liberdade igual ou superior a 2 (dois) anos, desde que: (Redação
dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
I - cumprida mais de um terço da pena se o condenado não for reincidente em
crime doloso e tiver bons antecedentes;
II - cumprida mais da metade se o condenado for reincidente em crime doloso;
III - comprovado comportamento satisfatório durante a execução da pena, bom
desempenho no trabalho que lhe foi atribuído e aptidão para prover à própria
subsistência mediante trabalho honesto;
IV - tenha reparado, salvo efetiva impossibilidade de fazê-lo, o dano causado
pela infração;
V - cumprido mais de dois terços da pena, nos casos de condenação por crime
hediondo, prática da tortura, tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, e
terrorismo, se o apenado não for reincidente específico em crimes dessa
natureza.
V - cumpridos mais de dois terços da pena, nos casos de condenação por
crime hediondo, prática de tortura, tráfico ilícito de entorpecentes e drogas
afins, tráfico de pessoas e terrorismo, se o apenado não for reincidente

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específico em crimes dessa natureza. (Incluído pela Lei nº 13.344, de 2016)
(Vigência)
Parágrafo único - Para o condenado por crime doloso, cometido com violência
ou grave ameaça à pessoa, a concessão do livramento ficará também
subordinada à constatação de condições pessoais que façam presumir que o
liberado não voltará a delinquir. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de
11.7.1984).

Requisitos (art. 83 CP) – são diversos os requisitos enumerados no art. 83 do


CP, e será concedido ao condenado desde que:
a) Condenação, em pena privativa de liberdade, seja igual ou superior a
dois anos.
b) Cumprido mais de um terço da pena se o condenado não for
reincidente em crime doloso e tiver bons antecedentes;
c) Cumprida mais da metade se o condenado for reincidente em crime
doloso;
d) Tenha comprovado comportamento satisfatório durante a execução
da pena, bom desempenho no trabalho que lhe foi atribuído e aptidão
para prover a própria subsistência mediante trabalho honesto.
e) Tenha reparado o dano causado pela infração, salvo impossibilidade
de fazê-lo.
f) Cumprido mais de dois terços da pena, nos casos de condenação
por crime hediondo, prática de tortura, tráfico ilícito de entorpecentes
e drogas afins, e terrorismo, se o apenado não for reincidente
específico em crimes dessa natureza.

Falta grave – a falta grave não interrompe o prazo para obtenção de


livramento condicional (Súmula 441 do STJ)

Pena unificada (Súmula 715 STF) – A pena unificada para atender ao limite
de trinta anos cumprimento, determinado pelo art. 75 do Código Penal, não é
considerada para a concessão de outros benefícios, como o livramento
condicional ou regime mais favorável de execução.

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Concessão e condições – atendidos os requisitos legais o juiz, após parecer
do Conselho Penitenciário e ouvido o Ministério Público, concederá o
livramento condicional, impondo ao condenado as seguintes condições
obrigatórias, conforme dispõe art. 132, § 1º LEP:
a) – obter ocupação lícita, dentro do prazo razoável se for apto para o
trabalho.
b) – comunicar periodicamente ao juiz suas ocupações;
c) – não mudar da comarca do juízo da execução, sem prévia
autorização deste.
Condições facultativas art. 132, § 2º LEP:
a) – não mudar de residência sem comunicação ao juiz e à autoridade
incumbida de observação cautelar e de proteção;
b) – recolher-se em casa em hora fixada;
c) – não frequentar determinados lugares.
d)
Revogação obrigatória – são causas obrigatórias de revogação de livramento
condicional a condenação a pena privativa de liberdade em sentença
irrecorrível (art. 86):
I - por crime cometido durante a vigência do benefício do benefício;
II - por crime anterior, observado o disposto no art. 84 deste Código.

Obs.: as penas que correspondem às infrações diversas devem ser


somadas para efeito de livramento.

Revogação facultativa – de acordo com o que dispõe o art. 87 do Código


Penal, poderá o juiz revogar o livramento condicional se o liberado deixar de
cumprir qualquer das obrigações constantes da sentença, ou for
irrecorrivelmente condenado, por crime ou contravenção, a pena que não seja
privativa de liberdade.
EFEITOS DA REVOGAÇÃO:
Condenação por crime anterior ao período de prova - conformidade do art.
141 LEP - Se a revogação for motivada por infração penal anterior à vigência
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do livramento, computar-se-á como tempo de cumprimento da pena o período
de prova, sendo permitida, para a concessão de novo livramento, a soma do
tempo das 2 (duas) penas.
a) – condenação por crime praticado durante o período de prova -
Revogado o livramento, não poderá ser novamente concedido o
beneficio e também não se desconta na pena o tempo em que o
condenado esteve solto (art. 88 CP e Art. 142 LEP);

b) Descumprimento de condições impostas na sentença – neste


caso, não se computará na pena o tempo em que esteve solto,
tampouco se concederá, em relação à mesma pena, novo livramento.

Extinção da pena – se ao término do período de prova o livramento não foi


revogado ou prorrogado, o juiz deverá declarar extinção da pena, após oitiva
do Ministério Público.

Prorrogação do período de prova – considera-se prorrogado o período de


prova se, ao término do prazo, o agente estiver sendo processado por crime
cometido em sua vigência (art. 89 CP). Neste caso, o período de prova é
prorrogado até que transite em julgado a sentença em relação a nova infração
penal (a145, LEP). Em caso de condenação, o livramento será revogado e em
caso de absolvição, será decretada a extinção da punibilidade. Entretanto, em
agosto de 2020, O STF deu interpretação diversa ao dispositivo da Lei de
execução Penal ( ver informativo 276, de 08 de 2002)

Livramento condicional e execução provisória da sentença – ao


sentenciado preso provisoriamente, que ainda esteja aguardando julgamento
de recurso, tenso a decisão, contudo transitado em julgado somente para o
Ministério Público, poderá ser concedido livramento condicional, mesmo não
gozando ainda do status de condenado, vez que na posição de futuro
condenado não poderá ser prejudicado pelo simples fato de ter recorrido da
decisão que o condenou ao cumprimento de uma pena privativa de liberdade.

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Desse modo, se já se encontrarem presentes os requisitos objetivos e
subjetivos necessários à concessão do benefício, pelo fato de não ter havido
recurso do Ministério Público e sendo impossível a reformatio in pejus.
O STF em 24/09/03, em sessão plenária, aprovou a Súmula 716 que,
embora dirigida aos casos de progressão de regime e aplicação de regime
menos severo do que o determinado na sentença pode, através de raciocínio
analógico, ser ampliada para a hipótese de livramento condicional, quando
ainda não houver transito em julgado da sentença penal condenatória.

Súmula nº 716 - 24/09/2003 – “Admite-se a progressão de regime de


cumprimento da pena ou a aplicação imediata de regime menos severo nela
determinada, antes do trânsito em julgado da sentença condenatória.

Do livramento condicional e exame criminológico - O livramento condicional


prescrito no artigo 83 do Código Penal, parágrafo único prescreve que, para o
condenado por crime doloso, cometido com violência ou grave ameaça à
pessoa, a concessão do livramento ficará também subordinada à constatação
de condições pessoais que façam presumir que o liberado não voltará a
delinquir.

Em analise ao dispositivo supra, extrai-se a necessidade do exame


criminológico no livramento condicional. Segundo Nucci o exame não pode ser
dispensado, vez que a alteração dada pela Lei 10.792/2003 trouxe alteração
para o artigo 112 da LEP e não para o artigo 83 do Código Penal, bem como
não alterou o artigo 131 da Lei de Execução Penal.

Os Tribunais Superiores vêm entendo pela faculdade do magistrado em


determinar a realização do exame criminológico sempre que julgar necessário.

Certo é que, o juiz da execução não está adstrito ao laudo, podendo


conceder ou negar independentemente do seu resultado, bastando que, para
isso fundamente sua decisão. O ministro Luiz Roberto Barroso deferiu liminar
determinando que o juízo se abstenha de pedir o exame criminológico na
comarca de Presidente Prudente/SP (RCL 20089). A liminar deferida foi
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interposta pela Defensoria Pública do Estado de São Paulo que suscitou
afronta a Súmula Vinculante 26 do STF que preconiza que: “para efeito de
progressão de regime no cumprimento de pena por crime hediondo, ou
equiparado, o juízo da execução observará a inconstitucionalidade do art. 2º da
Lei nº 8.072, de 25 de julho de 1990, sem prejuízo de avaliar se o condenado
preenche, ou não, os requisitos objetivos e subjetivos do benefício, podendo
determinar, para tal fim, de modo fundamentado, a realização de exame
criminológico”.

O Superior Tribunal de Justiça sumulou o entendimento jurisprudencial


acerca da admissão ou não do exame criminológico, rezando que tal será
realizado por meio de decisão motivada e segundo as peculiaridades do caso.
Nos termos da Súmula 439 – “Admite-se o exame criminológico pelas
peculiaridades do caso, desde que em decisão motivada”.

DOS EFEITOS DA CONDENAÇÃO

Conceito – são os efeitos secundários ou acessórios da sentença, segundo


Frederico Marques “ao lado dos efeitos que a condenação produz como ato
jurídico, consequências dela derivam como fato ou acontecimento jurídico a
sentença condenatória, de par com seus efeitos principais, têm o que alguns
denominam efeitos reflexos e acessórios, ou efeitos indiretos, secundários, que
são consequência dos efeitos principais, ou efeitos da sentença como fato
jurídico”.
Assim, os efeitos que a condenação criminal projeta dividem-se em
efeitos principais e efeitos secundários. Estes últimos podem ser de natureza
penal ou extrapenal. Estão previstos no Código Penal (arts. 91, 92, do CP, e
184, § 3º LEP), e também em leis extravagantes.
Efeito principal da condenação – é a imposição de pena (privativa de
liberdade, ou multa), medida de segurança para os semi-inimputáveis cuja

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necessidade de tratamento tenha sido constatada. É certo que o juiz pode,
ainda, substituir pena privativa de liberdade por restritiva de direitos ou de
multa ou, suspendê-la condicionalmente (sursis) já anteriormente estudados.

Efeitos penais secundários – além da imposição de pena ou medida de


segurança, a sentença penal condenatória acarreta os seguintes efeitos penais
secundários:
a) – Revogação (facultativa ou obrigatória) do sursis ou do livramento
condicional anteriormente concedido
b) – Revogação (facultativa ou obrigatória) do livramento condicional
c) – Caracterização da reincidência caso o condenado venha a cometer
outro crime no prazo a que se refere o art. 64, I do Código Penal;
d) – Aumento do prazo de prescrição da pretensão executória em 1/3
no caso de prática de novo crime;
e) – Aumenta o prazo para a obtenção do livramento condicional em
relação a novo crime que venha a ser cometido pelo condenado;
f) - Impede o privilégio nos crimes de furto (art. 155, § 2º do CP),
apropriação indébita 9art. 170 do CP, estelionato 9art. 1.271, § 1º
CP) e receptação (art. 180, § 5º, 2ª parte, do CP)
g) - Impede a obtenção do sursis (Salvo se a condenação for a pena de
multa);
h) Revogação da reabilitação, quando se tratar de reincidente.
i) – possibilidade da arguição da exceção da verdade nas hipóteses de
calúnia e difamação.
j) – inscrição do nome no rol dos culpados.

EFEITOS EXTRAPENAIS (art. 91 e 92 CP)


Efeitos genéricos e específicos
Art. 91 - São efeitos da condenação:
I - tornar certa a obrigação de indenizar o dano causado pelo crime;
II - a perda em favor da União, ressalvado o direito do lesado ou de
terceiro de boa-fé:

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a) dos instrumentos do crime, desde que consistam em coisas cujo
fabrico, alienação, uso, porte ou detenção constitua fato ilícito;
b) do produto do crime ou de qualquer bem ou valor que constitua
proveito auferido pelo agente com a prática do fato criminoso.
§ 1º Poderá ser decretada a perda de bens ou valores equivalentes ao
produto ou proveito do crime quando estes não forem encontrados ou quando
se localizarem no exterior
§ 2º Na hipótese do § 1º, as medidas assecuratórias previstas na
legislação processual poderão abranger bens ou valores equivalentes do
investigado ou acusado para posterior decretação de perda.

Art. 92 - São também efeitos da condenação:


I - a perda de cargo, função pública ou mandato eletivo, nos crimes
praticados com abuso de poder ou violação de dever para com a Administração
Pública quando a pena aplicada for superior a quatro anos; I - a perda de
cargo, função pública ou mandato eletivo:
a) quando aplicada pena privativa de liberdade por tempo igual ou
superior a um ano, nos crimes praticados com abuso de poder ou violação de
dever para com a Administração Pública; b) quando for aplicada pena privativa
de liberdade por tempo superior a 4 (quatro) anos nos demais casos.
II - a incapacidade para o exercício do pátrio poder, tutela ou curatela,
nos crimes dolosos, sujeitos à pena de reclusão, cometidos contra filho,
tutelado ou curatelado;
III - a inabilitação para dirigir veículo, quando utilizado como meio para a
prática de crime doloso.
Parágrafo único - Os efeitos de que trata este artigo não são
automáticos, devendo ser motivadamente declarados na sentença.

Efeitos genéricos – são assim denominados porque decorrem de qualquer


condenação. Constituem efeito automático da condenação e, não necessitam
serem declarados expressamente na sentença.
CONSTITUEM EM:
a) – Tornar certa a obrigação de indenizar o dano causado (art. 91, II);
b) – Perda em favor da União, ressalvado o direito do lesado ou de
terceiro de boa-fé, dos instrumentos do crime, desde que consistam
em coisas cujo fabrico, alienação, uso, porte ou detenção constitua
fato ilícito (art. 91, II, ‘a’ CP)).
c) Perda em favor da União, ressalvado o direito do lesado ou de
terceiro de boa-fé, do produto do crime ou de qualquer bem ou valor

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que constitua proveito auferido pelo agente com a pratica do fato
criminoso (art. 91, II, ‘a’ CP);
d) – Suspensão dos direitos políticos, enquanto durarem os efeitos da
condenação (art. 15, III CF)
e) – Rescisão do contrato de trabalho por justa causa (art. 482, d, CLT)
f) – obrigatoriedade de novos exames às pessoas condenadas por
crimes praticados na direção de veiculo automotor descritos no
Código de Trânsito Brasileiro (art. 160 da Lei 9.503/97)

Efeitos específicos – são aqueles que não decorrem meramente da


condenação, ou seja, (que não são automáticos) exigindo a lei requisitos
específicos. É preciso que o juiz justifique a aplicação de tais efeitos na
sentença;
CONSTITUEM EM:
a) - Perda de cargo, função pública ou mandato eletivo quando aplicada
pena privativa de liberdade igual ou superior a um ano, nos crimes praticados
com abuso de poder ou com violação de dever para com a administração (art.
92, I, ‘a’ CP). Aplica-se a funcionários públicos que cometem crime contra a
administração pública (por exemplo, arts. 312 a 326 do CP) ou outros com
abuso de poder;
b) - Perda de cargo, função pública ou mandato eletivo quando aplicada
pena privativa de liberdade for tempo superior a quatro anos, qualquer que
tenha sido a infração;
c) - Incapacidade para o exercício do poder familiar (pátrio poder), tutela
ou curatela, mas exclusivamente quando se tratar de crime doloso, sujeito a
pena de reclusão, e que tenha sido praticado contra filho, tutelado e curatelado
(art. 92, II, do CP);
d) - Inabilitação para dirigir veículo, quando esse tiver sido utilizado para
a prática de crime doloso (art. 92, III do CP);

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e) – Condenação por crime falimentar – de acordo com a Lei nº
11.101/05) a condenação por qualquer dos crimes falimentares nela descritos
pode gerar:
I – a inabilitação para o exercício de atividade empresarial;
II – o impedimento para o exercício de cargo ou função em
conselho de administração, diretoria ou gerencia das sociedades sujeitas à lei
falimentar;
III – a impossibilidade de gerir empresa por mandato ou por
gestão de negócios.

Efeitos extrapenais de natureza híbrida


a) – Condenação por crime de favorecimento da prostituição ou outra
forma de exploração sexual de vulnerável (art. 218-B CP);
b) – impedimento matrimonial (art. 1.521, VII do CC).

DA REABILITAÇÃO

Conceito – é a declaração judicial de que estão cumpridas ou extintas as


penas impostas ao sentenciado, que assegura o sigilo dos registros sobre o
processo e atinge outros efeitos da condenação. Não extingue a punibilidade,
mas apenas faz com que fiquem suspensos condicionalmente alguns efeitos da
condenação.
Art. 93 - A reabilitação alcança quaisquer penas aplicadas em sentença
definitiva, assegurando ao condenado o sigilo dos registros sobre o seu
processo e condenação.
Parágrafo único - A reabilitação poderá, também, atingir os efeitos da
condenação, previstos no art. 92 deste Código, vedada reintegração na
situação anterior, nos casos dos incisos I e II do mesmo artigo.

Finalidade – conforme dispõe art. 93 do Código Penal, o instituto da


reabilitação criminal tem dupla finalidade:
a) - Assegurar o sigilo do registro sobre o processo e sua condenação;

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b) – conferir novamente aos condenados direitos que lhe foram
retirados como efeito secundário da condenação.

Pressupostos (art. 94 do CP) - prescreve que a reabilitação somente pode ser


requerida, depois de decorridos dois anos do em que for extinta, de qualquer
modo, a pena ou terminar sua execução, computando-se o período de prova da
suspensão e o do livramento condicional, se não sobrevier revogação. Não é
necessário o efetivo cumprimento das penas impostas, bastando que elas
estejam extintas.
Art. 94 - A reabilitação poderá ser requerida, decorridos 2 (dois) anos do
dia em que for extinta, de qualquer modo, a pena ou terminar sua execução,
computando-se o período de prova da suspensão e o do livramento
condicional, se não sobrevier revogação, desde que o condenado: (Redação
dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
I - tenha tido domicílio no País no prazo acima referido;
II - tenha dado, durante esse tempo, demonstração efetiva e constante
de bom comportamento público e privado;
III - tenha ressarcido o dano causado pelo crime ou demonstre a
absoluta impossibilidade de o fazer, até o dia do pedido, ou exiba documento
que comprove a renúncia da vítima ou novação da dívida.
Parágrafo único - Negada a reabilitação, poderá ser requerida, a qualquer
tempo, desde que o pedido seja instruído com novos elementos
comprobatórios dos requisitos necessários.

Requisitos:
a) – é necessário que o condenado tenha tido domicilio no país no
prazo de dois anos, a contar do cumprimento ou extinção da pena;

b) - o condenado deverá dar demonstração efetiva e constante de bom


comportamento público e privado;

c) ressarcimento, pelo condenado, do dano acusado pelo crime, ou a


demonstração da impossibilidade de fazê-lo, até o dia do pedido,
salvo se exibir documento que comprove a renúncia da vítima ou
novação da dívida.

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Efeitos – o Código Penal (art. 93) assegura ao condenado reabilitado uma
folha de antecedentes sem registros criminais a respeito do processo e da
condenação. Embora a lei preveja que a reabilitação alcança quaisquer penas
aplicadas em sentença definitiva, não possui estes efeitos, mas apenas o de
assegurar o sigilo dos registros sobre o processo e sustar os efeitos
extrapenais da condenação, previstos no art. 92 do Código Penal,
I - perda de cargo função pública ou mandato eletivo;
II – incapacidade para o exercício do pátrio poder ou curatela;
III – e inabilitação para dirigir (veículo).
Nos casos dos incisos I e II é vedada a reintegração na situação
anterior.
Disposição do art. 202 LEP – cumprida ou extinta a pena, não constarão da
folha corrida, atestados ou certidões fornecidas por autoridade policial ou por
auxiliares da justiça, qualquer noticia ou referencia à condenação, salvo para
instruir processo pela prática de nova infração penal ou outros casos expressos
em lei. Apesar da garantia legal de sigilo previsto na LEP.

Disposição do art. 748 CPP - antes mesmo da reabilitação de sigilo garantido


pela LEP, o art. 748 já prevê a garantia do sigilo, inclusive tem garantia maior
que aquela assegurando que, condenação ou condenações anteriores não
serão mencionadas na folha de antecedentes do reabilitado, nem em certidão
extraída dos diversos livros do juízo, salvo quando requisitadas por juiz
criminal.
Revogação – a reabilitação é revogada, de ofício ou a requerimento do
Ministério Público, se o reabilitado for condenado, como reincidente, por
decisão definitiva, à pena que não seja a de multa (art. 95 CP). Para efeito de
reincidência a reabilitação não extingue condenação anterior. Revogada a
reabilitação, os efeitos suspensos voltam a ter eficácia.

UNIDADE V

DAS MEDIDAS DE SEGURANÇA

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Art. 96. As medidas de segurança são:
I - Internação em hospital de custódia e tratamento psiquiátrico ou, à
falta, em outro estabelecimento adequado;
II - sujeição a tratamento ambulatorial.
Parágrafo único - Extinta a punibilidade, não se impõe medida de
segurança nem subsiste a que tenha sido imposta.

IMPOSIÇÃO DA MEDIDA DE SEGURANÇA PARA INIMPUTÁVEL

Art. 97 - Se o agente for inimputável, o juiz determinará sua internação


(art. 26). Se, todavia, o fato previsto como crime for punível com detenção,
poderá o juiz submetê-lo a tratamento ambulatorial.
Prazo
§ 1º - A internação, ou tratamento ambulatorial, será por tempo
indeterminado, perdurando enquanto não for averiguada, mediante perícia
médica, a cessação de periculosidade. O prazo mínimo deverá ser de 1 (um) a
3 (três) anos.
Perícia médica
§ 2º - A perícia médica realizar-se-á ao termo do prazo mínimo fixado e
deverá ser repetida de ano em ano, ou a qualquer tempo, se o determinar o juiz
da execução.
Desinternação ou liberação condicional
§ 3º - A desinternação, ou a liberação, será sempre condicional devendo
ser restabelecida a situação anterior se o agente, antes do decurso de 1 (um)
ano, pratica fato indicativo de persistência de sua periculosidade.
§ 4º - Em qualquer fase do tratamento ambulatorial, poderá o juiz
determinar a internação do agente, se essa providência for necessária para fins
curativos.
Substituição da pena por medida de segurança para o semi-imputável

Art. 98 - Na hipótese do parágrafo único do art. 26 deste Código e


necessitando o condenado de especial tratamento curativo, a pena privativa de
liberdade pode ser substituída pela internação, ou tratamento ambulatorial, pelo
prazo mínimo de 1 (um) a 3 (três) anos, nos termos do artigo anterior e
respectivos §§ 1º a 4º.

DIREITOS DO INTERNADO.

Art. 99 - O internado será recolhido a estabelecimento dotado de


características hospitalares e será submetido a tratamento.

Conceito – é uma modalidade de sanção penal de caráter preventivo e


assistencial, reservada aos inimputáveis ou semi-inimputáveis. Enquanto a

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aplicação da pena tem fundamento a culpabilidade do acusado, a medida de
segurança baseia-se na periculosidade do condenado.

Sistemas:
Sistema duplo binário – abandonado pela legislação atual, previa a aplicação
conjunta de pena e medida de segurança tanto para os inimputáveis quanto
para os semi-inimputáveis.
Sistema vicariante – adotado pelo Código Penal, prevê a aplicação apenas de
medida de segurança para os inimputáveis e, pena ou medida de segurança
para os semi-inimputáveis.

Pressupostos – para que seja possível a medida de segurança é necessário


que o agente, inimputável ou semi-inimputável, pratique um fato típico e ilícito
(punível) e que tenha reconhecida sua periculosidade (real ou presumida).
Inexiste medida de segurança para o réu imputável ainda que perigoso.

Aplicação – a medida de segurança é aplicada pelo juiz da condenação, salvo


na hipótese de medida de segurança substitutiva (art. 183, LEP), por
superveniência de doença mental do condenado, caso em que a competência
é atribuída ao juiz da execução.

Procedimento – ao julgar a ação penal o juiz, ao reconhecer a


inimputabilidade do réu, decreta a absolvição e impõe medida de segurança.
Em caso de semi-inimputabilidade do réu, pode o juiz optar pela redução da
pena (art. 26, parágrafo único CP) ou substituição da mesma por medida de
segurança.

Prazo mínimo – na sentença deverá também ser fixado o prazo mínimo de um


a três anos, para a execução da medida (art. 97, § 1º do CP), que terá duração
por prazo indeterminado. Em recentes julgados (2006), o STF modificou o
entendimento anterior e limitou o prazo máximo de sujeição à medida de

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segurança em 30 anos, os mesmos limites previstos no art. 75, do Código
Penal.
Para Bittencourt, a medida de segurança não pode ultrapassar o limite
máximo de pena abstratamente prevista ao delito. Em qualquer caso de
extinção da punibilidade nãose impõe medida de segurança (art. 96, parágrafo
único).
Execução e revogação – transitada em julgado a sentença, dá-se início à
execução da medida de segurança imposta. Vencido o prazo mínimo fixado,
será o condenado submetido obrigatoriamente a perícia médica, caso em que,
comprovada a cessação da periculosidade, o juiz determinará a suspensão da
execução da medida. Transitada em julgado esta decisão, será expedida
ordem para desinternação ou liberação.

Carência – a media de segurança só fica extinta após um ano de liberação ou


desinternação, se não ocorrer nesse período fato indicativo da persistência da
periculosidade. Após o transcurso do prazo mínimo, não sendo reconhecido o
fim da periculosidade, a perícia deverá ser repetida ano a ano, ou a qualquer
tempo, por ato do juiz da execução.

Espécies:
a) Detentiva – constitui na internação do condenado em hospital de
custódia e tratamento psiquiátrico ou estabelecimento adequado. É obrigatória
nos casos em que o fato previsto cromo crime e for apenado com reclusão.

b) Tratamento ambulatorial - é possível o tratamento ambulatorial


caso o fato previsto como crime for apenado com pena de detenção. Neste
caso, o sentenciado não se submete a medida detentiva (restrição da
liberdade), devendo comparecer ao hospital de custódia e tratamento
psiquiátrico nos dias em que determinar o médio, a fim de submeter-se ao
tratamento recomendado (art. 101 da LEP)em qualquer fase do tratamento

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ambulatorial, poderá o juiz determinar a internação do agente, se necessária
para fins curativos (art. 97, § 4º CP).

UNIDADE VI

DA AÇÃO PENAL
Conceito – é o direito subjetivo, de invocar a prestação jurisdicional penal ao
Poder Judiciário. É a faculdade de proceder em juízo contra autor de uma
infração penal, com o intuito de que lhe sejam aplicadas as sanções previstas
em lei.
É também o direito público subjetivo do Estado-Administração, único titular do
poder-dever de punir, de pleitear ao Estado-Juiz a aplicação do direito penal
objetivo, com a consequente satisfação da pretensão punitiva.

Características da Ação Penal são:


 Um direito autônomo - que não se confunde com o direito material que
se pretende tutelar;
 Um direito abstrato - que independe do resultado final do processo;
 Um direito subjetivo - pois o titular pode exigir do Estado-Juiz a
prestação jurisdicional;
 Um direito público - pois a atividade jurisdicional que se pretende
provocar é de natureza pública.

Condições da ação penal – são requisitos mínimos exigidos para que o


indivíduo possa requerer a tutela jurisdicional. O art. 395, II, CPP, com a
redação atribuída pela Lei nº 11.719/08, dispõe que a denúncia ou queixa será
rejeitada quando faltar “condição para o exercício da ação penal”.

Denúncia – é a peça inicial acusatória ou (petição inicial) da ação penal


pública.
Queixa-crime - é a peça inaugural da ação penal privada. Ambas devem
conter os mesmos requisitos (art. 41, CPP), sendo que se diferenciam,
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formalmente, pelo subscritor: na denúncia é oferecida pelo Ministério Público e
a queixa, pelo ofendido ou por seu representante legal.

1 - CONDIÇÕES GENÉRICAS
a) Possibilidade jurídica do pedido - caracteriza-se quando o
pedido for possível de atendimento. A análise jurídica do pedido deve ser feita
de acordo com os fatos abstratamente descritos na denúncia, sem analisar as
provas porventura existentes.

b) Legitimidade ad causam – só o titular do direito material pode


exercitar o direito de ação (legitimação ordinária), salvo se a autorização por lei
a postular em nome próprio direito alheio (legitimação extraordinária ou
substituição processual, art. 100 CP r art. 6º CPC c/c art. 3º CPP). No processo
penal, só o Ministério Público é detentor da legitimação ordinária da ação
penal, sendo o querelante detentor, apenas, da “legitimatio” extraordinária,
porque o titular do jus puniend e o Estado, o qual proibiu a autodefesa.

c) Interesse de agir – quando a pretensão deduzida em juízo se


apresenta necessária, útil e adequada para a satisfação do direito subjetivo, ou
seja, quando a parte não pode realizar o seu direito material de outra forma.
A necessidade funda-se na impossibilidade de ser imposta a pena sem o
devido processo legal.
A utilidade traduz-se na eficácia do provimento jurisdicional para a
satisfação da pretensão in judicia dedectua.
A adequação cinge-se no uso da via processual correta para a aplicação
da sanção penal solicitada.

2- JUSTA CAUSA
Segundo insigne jurista Afrânio da silva Jardim, a justa causa, consistir-
se-á numa quarta condição da ação, e é caracterizada como a existência de
elementos probatórios mínimos que dão lastro à acusação, amparando a

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imputação. Com o advento da Lei 11.719/08, a justa causa passou a ser,
expressamente, instituto a ser observado no juízo de admissibilidade da ação
penal, cuja ausência leva a rejeição da exordial acusatória.
Para Guilherme Nucci a justa causa não é, em si mesmo, uma condição
das condições da ação, mas uma síntese das outras condições da ação. De
modo, que, inexistindo uma delas, não há justa causa para a ação penal.

O STF e o STJ entendem também a exemplo de Afrânio da Silva jardim,


que a justa causa é a existência de elementos indispensáveis que autorizam o
exercício da ação penal; mas também têm decidido que há ausência de justa
causa nos casos de atipicidade material como, por exemplo, na aplicação do
princípio da insignificância.

3 - CONDIÇÕES ESPECÍFICAS DE PROCEDIBILIDADE (EXEMPLIFICATIVO)


 Representação do ofendido ou substituto legal, ou requisição do Ministro
da Justiça, na ação pública condicionada;
 Transito em julgado da anulatória de casamento (art. 236, parágrafo
único, CP - único caso de ação privada personalíssima);
 Arquivamento do inquérito, ou absolvição no crime de denunciação
caluniosa (art. 339 CP) (STF, HC 82941/RJ, julgtº 16/06/2003).
 Laudo pericial homologado nos casos de crimes contra a propriedade
imaterial, se deixar vestígios.

FUNDAMENTOS E PRINCÍPIOS DA AÇÃO PENAL


O Estado chamou a si a tarefa de administrar a justiça, fazendo-o por
meio do processo, que é o verdadeiro substitutivo da vingança privada. Assim,
passou o Estado, a ser o detentor do monopólio da administração da justiça.
Mas é certo que não proibiu, terminantemente, outras formas compositivas de
litígios, como a autodefesa e a autocomposição, que são formas excepcionais
de resolver a lide.

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Desse modo, o fundamento do direito de ação repousa na proibição da
autodefesa, e o seu fundamento jurídico encontra-se na Constituição Federal
(arft. 5º, XXXV) que dispõe “a lei não excluirá da apreciação do Poder
Judiciário lesão ou ameaça a direito”, bem como no (art. 345, CP), que define e
tipifica o crime de exercício arbitrário das próprias razões.

CLASSIFICAÇÃO DA AÇÃO PENAL


a)- PÚBLICA:
 Incondicionada – de exclusividade do MP (independe de manifestação
de outrem).
 Condicionada – de iniciativa do Ministério Público, mas depende de
representação do ofendido ou de requisição do Ministro da Justiça.

PRAZO PARA A DENÚNCIA:


Prazos comuns (art. 46 CPP)
 Réu solto 15 dias
 Réu preso 05 dias
Prazos Especiais
 Crimes de Drogas (Lei 11.343/06), eleitoral (art. 357 Código Eleitoral): 10
dias, réu preso ou solto;
 Crimes contra a Economia Popular: (art. 10, § 2º, Lei nº 5.521/51) 2 dias,
réu preso ou solto;
 Crime de Abuso de Autoridade (art. 13, Lei 4.898/65) 48 horas.
b) - PRIVADA:
 Principal - iniciativa para promover a Ação Penal pertence, ao ofendido
ou a seu representante legal.
 Personalíssima – ocorre quando somente a vítima, e mais ninguém,
pode propor a ação penal (art. 236, CP – ocultação de impedimento para
contrair casamento).

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 Subsidiária da Pública – a legitimidade surge para o ofendido em razão
de inércia do MP em promover a ação penal no prazo legal (art. 5º, LIX, CF e
art. 29 CPP).

AÇÃO PENAL PÚBLICA INCONDICIONADA


É a forma comum de exercício da ação penal promovida exclusivamente
pelo MP, não depende de qualquer manifestação de vontade da vítima para a
sua procedibilidade, mesmo, que eventualmente, possa submeter-se a outras
condições de procedibilidade.
Será sempre incondicionada quando a lei, ou a jurisprudência, não
dispuser de forma expressa sobre qualquer forma específica para a sua
promoção, casos em que se utiliza as expressões: somente se procede
mediante queixa, ou somente se procede mediante representação, ou ainda, só
somente se procede mediante representação do Ministro da Justiça.

AÇÃO PENAL PÚBLICA CONDICIONADA A REPRESENTAÇÃO


É a modalidade de ação penal que, para o seu exercício, subordina-se a
uma condição – a manifestação inequívoca da vítima, ou de seu representante
legal. O MP, titular desta ação, só pode dar início se a vítima ou seu
representante legal autorizarem, por meio de manifestação de vontade. Trata-
se de condição objetiva e absoluta de procedibilidade. Sem a representação do
ofendido ou quando for o caso de requisição do Ministro de Justiça, não é
possível dar início à persecução penal através da promoção da ação, o que
constitui um dos motivos para a rejeição da denúncia por parte do juiz (art. 395,
CPP). A representação pode se destinar à autoridade policial, ao MP ou ao Juiz
de Direito, sendo que o direito de representação só pode ser exercido dentro
do prazo decadencial de seis meses, contado do dia em que a vítima ou seu
representante legal vier, a saber, quem foi o autor do crime (art. 38, CPP).

O prazo por ser decadencial não esta sujeito à suspensão por recessos
ou feriados (RT 470/392, 468/371 e 525/389 – art. 797 e 798, CPP). Observa-

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se que a representação prescinde de forma especial, admitindo-se como tal,
simples manifestação de vontade da vítima, desde que evidenciadora da
intenção de que seja processado o agente.

A representação é irretratável após o oferecimento da denúncia (art. 25


CPP e 102 CP). Admite-se a retratação da retratação, desde, que esta se dê
dentro do computo do prazo decadencial, e que não seja evidenciada a má fé
de quem detém o direito. Finalmente, ressalta-se que a representação não
obriga o MP a oferecer denúncia, devendo analisar se estão presentes as
demais condições da ação penal para a sua propositura.

AÇÃO PENAL PÚBLICA CONDICIONADA A REQUISIÇÃO DO MINISTRO DA


JUSTIÇA
É a ação que para o seu exercício se subordina a uma requisição
do Ministro da Justiça, como condição absoluta de procedibilidade. Sendo um
ato político, essa requisição faz a persecução penal se submeter à
conveniência política. Somente o MP é o destinatário da requisição do Ministro
da Justiça. Mesmo o Inquérito Policial prescinde desta condição de
procedibilidade

AÇÃO PENAL PRIVADA


É aquela em que o estado, titular exclusivo do direito de punir, transfere
a legitimidade para a propositura da ação penal à vítima ou a seu
representante legal, embora reserva para si, em caráter exclusivo, o direito de
punir. Ocorre nos crimes em que a conduta do agente atinge tão seriamente o
plano intimo e secreto da vítima, ou um interesse que apenas a ela diga
respeito, de forma que o Estado deixa à vontade do ofendido a iniciativa pela
repressão do delinquente, sendo que o exercício se dá por meio da queixa, e a
própria lei refere-se os crimes, que se procede mediante queixa, e deve ser
exercício dentro do prazo decadencial de seis meses, contado do dia em que a
vítima ou o seu representante legal vier a saber quem foi o autor do Crime (art.

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38 do CPP), sob pena de decadência e, consequentemente, da extinção da
punibilidade (art. 107, IV, 2ª figura, CP). Assim, como nas ações que se
procede mediante representação, o prazo por ser decadencial, não está sujeito
a suspensão por recessos ou feriados (RT 470/392, 468/371, e 525/389 – art.
797 e 798, CPP).

PRINCÍPIOS DA AÇÃO PENAL PRIVADA


a)- Conveniência ou oportunidade – garante ao ofendido absoluto
domínio sobre a propositura da ação penal, ou seja, ele tem assegurado plena
faculdade de decidir sobre o que lhe for mais conveniente. A renúncia tem
efeito extensivo e, tratando-se de concurso de pessoas, concedida a um, a
todos aproveita, conforme dispõe (art. 49 CPP);

b)- Disponibilidade – garante ainda ao ofendido, absoluto domínio


sobre o prosseguimento ou não da ação penal já proposta, podendo dela
dispor como melhor lhe convier, impedindo que a mesma se prolongue até o
final com a entrega da tutela jurisdicional. O ofendido, conforme dito acima, que
já propôs a ação penal, pode dela dispor através do perdão, ou mesmo do
abandono ou desistência, situações essas que levam a extinção da
punibilidade;
c)- Indivisibilidade – embora plenamente assegurado ao ofendido o
direito de propor ou não a ação penal, tratando-se de concurso de pessoas não
pode escolher em face de quem propô-la. Ou propõe contra todos, ou em
relação àqueles em face de quem não quer propor, estará renunciando a esse
direito, e essa renuncia, tem efeito extensivo alcançando aos demais (o mesmo
ocorre em relação ao perdão).
d)- Intranscendência – da mesma forma que ocorre nas ações penais
públicas, a queixa somente poderá ser ofertada em face daquele a quem se
imputa a prática de uma infração penal, não atingindo a ninguém além dele.
Observações outras

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Hipossuficiência do titular do direito de queixa – se comprovada a pobreza
a ação penal será proposta pela Defensoria Pública ou na ausência dessa o
juiz nomeará advogado para o patrocínio da ação penal (art. 32, CPP);
Curador especial – de acordo com o art. 33 CPP, “Se o ofendido for menor de
18 anos, ou mentalmente enfermo, ou retardado mental, e não tiver
representante legal, ou colidirem os interesses deste com os daquele, o direito
de queixa poderá ser exercido por curador especial, nomeado, de ofício ou a
requerimento do Ministério Público, pelo juiz competente para o processo
penal”;

Pessoas Jurídicas – as pessoas jurídicas, que podem ser titulares do direito


de ação, serão representadas pelas pessoas designadas em seus contratos
sociais ou estatutos, e, ainda, na omissão destes, pelos sócios gerentes e
diretores.

PERDÃO DO OFENDIDO E PEREMPÇÃO

a)- Perdão – assim como a renúncia ao direito de queixa, o perdão, quando


aceito, é causa de extinção da punibilidade (art. 107, V, CP), só cabível na
ação penal provada (art. 51, CPP), “o perdão concedido a um dos querelados a
todos aproveitará, não produzindo efeito em relação ao que o recusar.
(princípio da indivisibilidade). O perdão pode ser aceito por procurador com
poderes especiais (art. 55, CPP). O art. 58 CPP determina que, “concedido o
perdão, mediante declaração expressa nos autos, o querelado será intimado a
dizer, dentro de três dias, se o aceita, devendo, ao mesmo tempo, ser
cientificado de que o seu silêncio importará aceitação”. É obvio, que aceito o
perdão, o juiz declarará extinta a punibilidade.

b)- Perempção – é também causa de extinção da punibilidade, cabível


somente na ação penal exclusivamente privada (art. 107, IV, CP). E ocorre nas
seguintes hipóteses:

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Art. 60 – nos casos em que somente se procede mediante queixa, considerar-
se-á perempta a ação penal:
I – quando, iniciada esta, o querelante deixar de promover o andamento do
processo durante 30 dias seguidos;
II – quando, falecendo o querelante, ou sobrevindo sua incapacidade, não
comparecer em juízo, para prosseguir no processo, dentro do prazo de 60
(sessenta) dias, qualquer das pessoas a quem couber fazê-lo, ressalvado o
disposto no art. 36;
III – quando o querelante deixar de comparecer, sem motivo justificado, a
qualquer ato do processo a que deva estar presente, ou deixar de formular o
pedido de condenação nas alegações finais;
IV – quando, sendo o querelante pessoa jurídica, esta se extinguir sem deixar
sucessor.

UNIDADE VII

DA EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE2

NOÇÕES – com a prática da infração penal surge para o Estado o direito de


punir, ou seja, a punibilidade, que nada mais é do que a possibilidade jurídica
de o Estado impor a sanção ao autor do delito. Todavia, o legislador estabelece
uma série de consequências que extinguem essa punibilidade,
impossibilitando, a imposição da pena, enumeradas no art. 107 do Código
Penal.
Extinção da Punibilidade

Art. 107 - Extingue-se a punibilidade:


I - pela morte do agente;
II - pela anistia, graça ou indulto;
III - pela retroatividade de lei que não mais considera o fato como
criminoso;
IV - pela prescrição, decadência ou perempção;
V - pela renúncia do direito de queixa ou pelo perdão aceito, nos crimes
de ação privada;
VI - pela retratação do agente, nos casos em que a lei a admite;
VII – (Revogado pela Lei n.º 11.106, de 2005).
VIII – (Revogado pela Lei n.º 11.106, de 2005).
IX - pelo perdão judicial, nos casos previstos em lei.

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Morte do agente (Inciso I) - a morte é causa extintiva da punibilidade porque
a pena é personalíssima, não se transmitindo aos herdeiros do condenado.
Falecendo o autor do fato, não há espaço à aplicação da pena.
É importante destacar que os efeitos civis da sentença condenatória
(notadamente o dever de indenizar) não se extinguem com a morte do agente,
alcançando limite das forças de seu espólio.
Obs.: A prova da morte se dá mediante certidão de óbito.

Anistia, Graça ou indulto (Inciso II) - A anistia é identificada pela doutrina


como um esquecimento jurídico da infração penal, que se dá através de lei e
extingue a punibilidade em face de determinados fatos. Contudo, ela não
alcança o dever da indenização civil, por só abranger os efeitos penais.
Compete ao Congresso Nacional concedê-la (artigo 48, inciso VIII, da
Constituição Federal);
A graça é ato do Presidente da República, que tem o objetivo de favorecer
pessoa determinada;
O indulto também é atribuição do Presidente da República, mas se volta a um
número interminado de pessoas, ele se difere da graça por sua
impessoalidade. A graça e o indulto servem para extinguir ou comutar penas.

A graça e o indulto são prerrogativas do Presidente da República (artigo 84,


inciso XII, da Constituição Federal).

Abolítio Criminis (Inciso III) - Ao deixar de considerar criminosa uma conduta


prevista em lei como tal, o delito já não existe mais no mundo jurídico. Assim
também não haverá razão à punição do autor do fato.

Prescrição, Decadência ou Perempção (Inciso IV) - A prescrição trata-se


de uma garantida do autor do fato, que não pode ser obrigado a aguardar
indefinidamente uma resposta estatal ao delito que praticou. O dever de punir
do estado (jus puniendi) tem um limite temporal, chamado de prescrição.

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A decadência é a extinção do direito de promover a ação penal privada, a
representação nos crimes de ação penal condicionada a ela ou a denúncia
substitutiva da ação penal pública, como regra seu prazo é de 06 (seis) meses.

A perempção ocorre dentro da ação penal privada, quando a parte autora


deixa de praticar determinado ato processual, em que sua desídia faz presumir
o desinteresse na responsabilização do autor do fato

A renúncia ao direito de queixa e o perdão aceito (Inciso V) - A renúncia ao


direito de queixa vem antes de inaugurada a ação penal e demonstra o
desinteresse da vítima em promovê-la. Já o perdão do ofendido ocorre no
curso da ação penal e somente nesta hipótese se cogita possível que seja
recusada pelo auto do fato.

A retratação do agente (Inciso VI) - retirar o que disse, confessar, significa


retratar-se, desdizer-se, retirar o que foi dito. A legislação pátria dispõe que a
retratação do agente ocorrerá apenas nas hipóteses previstas em lei. O
primeiro caso previsto de retratação está elencado no art.143 do CPP, que
dispõe: “O querelante que, antes da sentença, se retrata cabalmente da calúnia
ou da difamação, fica isento de pena”. Assim, a retratação é cabível nos crimes
contra a honra, mas apenas nos casos de calúnia e difamação, sendo
inadmissível no crime de injúria. Isto porque a calúnia e a difamação incidem
sobre imputações de fato atribuído pelo ofensor ao ofendido.

O Perdão Judicial (Inciso IX) - É possível o delinquente ser perdoado do


crime que cometeu quando, em determinadas hipóteses previstas em lei, o
resultado de sua conduta lhe atingir de forma tão severa que a imposição da
pena se mostra desnecessária e, até mesmo, demasiada.

Art. 108 - A extinção da punibilidade de crime que é pressuposto,


elemento constitutivo ou circunstância agravante de outro não se estende
a este. Nos crimes conexos, a extinção da punibilidade de um deles não
impede, quanto aos outros, a agravação da pena resultante da conexão.

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O artigo em análise disciplina duas situações distintas:
1.ª – Quando uma conduta criminosa for pressuposto para outro crime
ou quando alguns dos elementos ou circunstâncias agravantes dele, em sendo,
delitos autônomos, sofrerem extinção da punibilidade, preservam-se todos
esses (pressupostos, elementos ou circunstâncias) no delito que os agrega.

2.ª – Nos crimes conexos, a agravação da pena pela conexão não será
afetada se for extinta a punibilidade em face de um dos delitos.

DA PRESCRIÇÃO

PRESCRIÇÃO ANTES DE TRANSITAR EM JULGADO A SENTENÇA

Noções - A Prescrição é a perda do direito de punir decorrente do decurso de


determinado prazo sem que a ação penal tenha sido proposta por seu titular ou
sem que consiga concluí-la (prescrição da pretensão punitiva), ou, ainda, a
perda do direito de executar a pena por não conseguir o Estado dar início ou
prosseguimento a seu cumprimento dentro do prazo legal estabelecido
(prescrição da pretensão executória)

Natureza jurídica – a prescrição constitui matéria de direito penal, e não de


direito processual penal, tanto que se inclui entre as causas extintivas da
punibilidade, previstas no Código Penal (art. 107, IV 1ª parte)

Fundamentos para a existência (políticos) – costumam ser apontadas como


justificativas para a existência do instituto da prescrição:
a) – Ineficiência da aplicação da pena como resposta ao fato criminoso
e como forma de punição após o decurso de longo período;
b) Necessidade de os agente do Estado responsáveis pela persecução
penal atuarem de forma eficaz e dentro dos prazos estabelecidos na
legislação.

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A prescritibilidade/imprescritibilidade como regra constitucional - A
Constituição Federal (art. 5.º, incisos XLII e XLIV), prevê duas espécies de
crimes considerados imprescritíveis:
a) O Racismo, previsto em diversas figuras da lei 7.716/89 (art. 5.º,
incisos XLII da CF);
b) Aqueles decorrentes de ações de grupos armados, civis ou militares,
contra a ordem constitucional e o Estado Democrático definidos na
Lei nº 7.170/83, conhecida como Lei de Segurança Nacional (art. 5.º,
incisos, XLIV).
Fora essas duas exceções a Constituição consagrou como regra a
prescritibilidade das infrações penais. Assim, todo o autor do ilícito penal tem
direito público e subjetivo a ver reconhecida a prescrição após o decurso de
determinado prazo previamente estabelecido na legislação. No direito penal,
ela segue o escalonamento de prazos previsto no artigo 109 do Código Penal e
será tanto maior quanto for a pena máxima para o crime ou a pena fixada na
sentença condenatória transitada em julgado.

Para a compreensão da prescrição no âmbito penal, recomenda-se uma


análise conjunta dos artigos 109 e 110 do Código Penal, notadamente pela
remissão que o primeiro faz ao segundo.

Art. 109 – A prescrição, antes de transitar em julgado a sentença final,


salvo o disposto no § 1o do art. 110 deste Código, regula-se pelo máximo
da pena privativa de liberdade cominada ao crime, verificando-se:
I - em vinte anos, se o máximo da pena é superior a doze;
II - em dezesseis anos, se o máximo da pena é superior a oito anos
e não excede a doze;
III - em doze anos, se o máximo da pena é superior a quatro anos e
não excede a oito;
IV - em oito anos, se o máximo da pena é superior a dois anos e
não excede a quatro;
V - em quatro anos, se o máximo da pena é igual a um ano ou,
sendo superior, não excede a dois;
VI - em 3 (três) anos, se o máximo da pena é inferior a 1 (um) ano.
Prescrição das penas restritivas de direito.

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Parágrafo único - Aplicam-se às penas restritivas de direito os
mesmos prazos previstos para as privativas de liberdade.

Espécie de prescrição – existem duas modalidades de prescrição:


a) – Prescrição da Pretensão Punitiva PPP – é a que atinge a
pretensão punitiva estatal e que ocorre antes do transito em julgado da
sentença condenatória;
b) – Prescrição da Pretensão Executória PPE – é a que atinge a
pretensão executória estatal, também chamada de prescrição da pena, que
pressupõe a existência de sentença condenatória transitada em julgado.

DA PRESCRIÇÃO DA PRETENSÃO PUNITIVA (PPP)


Conceito – é a perda do direito de punir pelo Estado em face de sua inércia
durante o lapso de tempo previamente estabelecido em lei.

Efeitos – têm como efeito impedir o início da ação penal (trancamento do


inquérito policial) ou interromper o curso da persecução penal em juízo
(trancamento da ação penal). A PPP afasta todos os efeitos, principais e
secundários, penais e extrapenais, da condenação, não podendo esta constar
da folha de antecedentes do acusado, salvo quando requisitada por juiz
criminal.

Reconhecimento da Prescrição da Pretensão Punitiva (PPP) – pode ser


reconhecida em qualquer fase da ação penal, de ofício pelo juiz, ou mediante
requerimento das partes. Porém, se houver condenação penal, não pode o
próprio juiz declarar a prescrição. Uma vez operada a PPP antes do julgamento
do mérito, o juiz fica impedido de apreciá-lo, não podendo condenar nem
absolver.

Espécies de Prescrição da Pretensão Punitiva:


a) - Prescrição da Pretensão Punitiva propriamente dita sobre a pena in
abstracto (art. 109);

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b) – Prescrição da Pretensão da pena em concreto, que subdivide-se
em prescrição retroativa e intercorrente.

Prescrição da Pretensão Punitiva pela pena in abstracto – essa modalidade


de prescrição pode ocorrer antes da propositura da ação penal ou após o seu
inicio e até mesmo após a prolação da sentença de 1ª instância, desde que
haja recurso da acusação (se houver recurso apenas da acusação, mas
apenas da defesa, a prescrição após a sentença passa a se basear na pena
em concreto, ou seja, naquela já aplicada).
Nessa modalidade de prescrição, o lapso prescricional varia de acordo
com máximo de pena privativa de liberdade prevista em abstrato para a
infração penal, de acordo com a tabela constante no art. 109 do Código Penal:

Pena máxima em abstrato Prazo prescricional


Inferior a 1 ano 3 anos
Igual ou superior a 1 ano, mas não superior a 2 anos 4 anos
Superior a 2 e não superior a 4 anos 8 anos
Superior a 4 e não superior a 8 anos 12 anos
Superior a 8 e não superior a 12 anos 16 anos
Superior a 12 anos 20 anos

FATORES DE INFLUENCIA DE CAUSAS E CIRCUNSTÂNCIAS NA


CONTAGEM DO PRAZO PRESCRICIONAL
Circunstancias judiciais (art. 59) – não são levadas em conta para aumentar
o prazo prescricional, com base na pena prevista em abstrato, já que não pode
ultrapassar o máximo da pena prevista para o crime. Assim,
independentemente das circunstâncias judiciais serem ou não favoráveis, a
prescrição será calculada pelo máximo previsto no tipo penal.

Circunstâncias agravantes e atenuantes – estas circunstâncias, levadas em


consideração na segunda fase de fixação da pena, não são levadas em conta

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para aumentar o prazo prescricional, com base na pena prevista em abstrato,
vez que não podem exorbitar os limites legais da pena, nem para mais, nem
para menos.
Causas de aumento e diminuição de pena – estas causas, utilizadas na
terceira fase do procedimento trifásico de fixação de pena, determinadas em
proporções fixas (1/6 a 1/3, 1/6 à ½, etc), previstas na parte geral e especial do
Código Penal, e que são de aplicação obrigatória, devem ser consideradas no
cálculo da prescrição pela pena abstratamente prevista. Isto porque elas
autorizam o juiz a fixar a pena acima do máximo ou abaixo do mínimo legal.
Por tratar de matéria de interesse da sociedade (público), deve ser aplicado o
fator que mais aumente (em caso de majorante) ou que menos diminua (em
caso de minorante). Observação. Neste calculo deve ser observado a pior das
hipóteses possíveis para o réu, ou seja, deve se levar em conta o máximo da
pena que ele poderia receber em caso de condenação.
OBSERVAÇÃO IMPORTANTE: idade do réu – de acordo com o
disposto no art. 115 do Código Penal que estabelece, se o réu é menor de 21
anos na data do fato ou maior de 70 por ocasião da sentença, o prazo
prescricional será reduzido pela metade.

Aumento de pena em caso de concurso de crimes – a exasperação da pena


pelo reconhecimento do concurso formal ou crime continuado não pode ser
considerada no calculo da prescrição com base na pena prevista em abstrato,
porquanto nestes casos os crimes devem ser considerados isoladamente (art.
119 do CP).

Reincidência – nos termos da Súmula 220 do STJ “a reincidência não interfere


no prazo da prescrição da pretensão punitiva”. A referida sumula era
indispensável, vez que o art. 110, caput, do Código Penal é expresso no
sentido de que a reincidência somente aumenta em 1/3 o prazo da prescrição
da pretensão executória.

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Contagem do prazo prescricional - conforme já estudado, o prazo
prescricional, leva em conta o montante da pena máxima em abstrato, mas,
pressupõe também a apreciação do termo inicial a partir do qual ele cômica a
fluir (art. 11 do CP), do mesmo modo, que a verificação de eventuais causas
interruptivas e suspensivas (art. 117 do CP).
Obs.: por tratar-se de prazo de natureza penal, inclui-se na contagem o
dia inicial e exclui-se o último (art. 10 do CP). Se o prazo prescricional de 1 ano
começa em 07 de agosto de 2010, a prescrição se dá no dia 06 de agosto de
2011. O prazo é improrrogável, podendo terminar em fins de semana ou
feriados.
Termos iniciais do prazo da prescrição da pretensão punitiva – o termo a
quo dos prazos prescricionais varia de acordo com a figura delitiva, conforme
disposto no art. 111 do Código Penal, que indica que a prescrição comoça a
fluir:
a) - Da data da consumação do crime – o legislador adotou a teoria do
resultado e não a do lugar do crime. Porém, tratando-se de crimes
(formal, material ou continuado) inicia a contagem do prazo
prescricional isoladamente a partir da consumação de cada dilito
praticado (art. 119 CP).
b) – no caso da tentativa, da data em que cessou a atividade criminosa,
ou seja, da data em que for realizado o último ato executório.
c) – nos crimes permanentes, do dia em que cessar a permanência.
d) Nos crimes de bigamia (art. 235 do CP) e nos de falsificação ou
alteração de assento de registro civil (arts. 241,242 e 299, parágrafo
único, do CP), da data em que o fato se tornar conhecido da
autoridade.

Causas interruptivas da prescrição da pretensão punitiva - são as causas


previstas no rol taxativo do art. 117 do Código Penal, as quais consistem em
decisões judiciais proferidas no curso da ação penal, e fazem com que o prazo
prescricional reinicie do zero, sendo:

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a) O recebimento da denuncia ou queixa; (art. 117, I )
b) A pronúncia (art. 117, II);
c) Decisão confirmatória da pronúncia (art. 117, III);
d) Publicação da sentença ou do acórdão recorríveis (art. 117, IV).

Causas suspensivas da prescrição – existem hipóteses de suspensão da


prescrição prevista no próprio Código Penal, bem como em outras leis. Assim,
cassada a causa suspensiva, o prazo volta a correr apenas pelo período
restante. Em acordo com a legislação penal não corre o prazo prescricional:
a) – Enquanto não resolvida, em outro processo, questão de que
dependa o reconhecimento da existência do crime (art. 116, I) cuida-
se de causa que se refere a questão prejudicial, ex.: suspensão do
processo crime, até que seja resolvida no juízo cível a propriedade
da coisa em caso de furto.

b) - Enquanto o agente cumpre pena no estrangeiro (art. 116, II)

c) – durante o tempo que durar a sustação de processo que apura


infração penal cometida por deputado ou senador, por crime ocorrido
após a diplomação CF – ficará suspensa a prescrição enquanto durar
o mandato.

d) – Durante o período de suspensão condicional do processo (art. 89, §


6º da Lei 9.099/95);

e) – Se o acusado citado por edital, não comparecer em juízo, nem


constituir advogado (art. 366 do CPP) de acordo com a Súmula 415
STJ a suspensão do prazo prescricional é regulado pelo máximo da
pena cominada.

f) – durante o prazo para cumprimento de carta rogatória de acusado


que se encontra no estrangeiro em lugar sabido – fica suspenso o

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prazo prescricional até o cumprimento da rogatória. Porém, se o réu
está no estrangeiro em local desconhecido, cita-se por edital caso em
que se aplica a regra do tópico anterior.

g) – durante período em que a pessoa jurídica relacionada com o


agente estiver incluída no regime de parcelamento nos crimes contra
a ordem tributária Lei 8.137/90, apropriação indébita previdenciária
(art. 168-A do CP) e sonegação de contribuição previdenciária (art.
337-A do CP).

h) – Nos crimes contra a ordem econômica, tipificados na lei 8.137/90,


se houver celebração de acordo de leniência (art. 35-C da lei
8.884/94) determina que a celebração do acordo suspenda o curso
do prazo prescricional e impede o oferecimento da denúncia.

Obs.: a enumeração das causas suspensivas do rol do art. 116 é


taxativa, mas, deve-se ressaltar que a suspensão do processo para
instauração de incidente de insanidade mental (art. 149 CPP) não suspende o
lapso prescricional.

Prescrição da pretensão punitiva em abstrato – Neste caso não houve


ainda pena fixada na sentença, pelo que o prazo regula-se com base no
máximo em abstrato previsto no delito. O segundo passo e confrontar a
previsão abstrata da pena com a tabela do art. 109 do Código penal.

Prescrição da pretensão punitiva intercorrente ou superveniente – é a


prescrição que ocorre entre a publicação da sentença condenatória e o
acórdão condenatório e, entre este e o seu transito em julgado. O prazo é
calculado com base na pena fixada na sentença, não podendo o juiz
reconhecê-la, pois coma sentença de mérito esgota-se sua atividade
jurisdicional, sendo requisito obrigatório que tenha havido transito em julgado
para a acusação ou improvimento de seu recurso.

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Ex.: se o réu acusado por furto simples (art. 155 caput, CP), pena
reclusão de 1 a 4 anos. Antes da sentença, a prescrição pela pena em abstrato
é de 8 anos, mas ao sentenciar o juiz fixa a pena em 1 ano. Entretanto o MP
não recorre (apela). De acordo com o art. 617 do CPP, não pode haver
aumento de pena em recurso exclusivo da defesa – proibição (reformatio in
pejus), e mesmo não tendo o transito em julgado, passa-se a ter com base,
para fim de prescrição, a pena fixada na sentença, vez que não mais poderá
ser aumentada. Assim, como a pena foi fixada em 1 ano, a prescrição ocorrerá
em 4 anos 9art. 109, V,CP), contudo, se após o transito em julgado da
sentença de 1º grau transcorrer o prazo de 4 anos sem que haja transito em
julgado para ambas as partes, terá havido a prescrição
intercorrente/superveniente. Caso em que o tribunal, verificando decurso de
prazo de 4 anos, sequer analisará o mérito do recurso interposto pela defesa,
declarando de imediato a prescrição interocorrente
Entretanto, havendo recurso da acusação, que possa de alguma forma
aumentar o quanto a pena, está continuará a regular pelo máximo da pena em
abstrato, e de acordo com o exemplo já citado, se já tiver ocorrido o prazo de 5
anos desde a publicação da sentença de 1º grau, o tribunal deverá julgar o
mérito dos recursos (não podendo declarar, de imediato, a prescrição
intercorrente). Caso improvido o recurso da acusação (não havendo recurso
especial ou extraordinário para aumentar a pena), é que o tribunal poderá
reconhecer que houve prescrição intercorrente pelo decurso de 4 anos, desde
a publicação da sentença de 1º grau (art. 110, § 1º CPP).
Art. 110 - A prescrição depois de transitar em julgado a sentença
condenatória regula-se pela pena aplicada e verifica-se nos prazos
fixados no artigo anterior, os quais se aumentam de um terço, se o
condenado é reincidente.
§ 1o A prescrição, depois da sentença condenatória com trânsito
em julgado para a acusação ou depois de improvido seu recurso, regula-
se pela pena aplicada, não podendo, em nenhuma hipótese, ter por termo
inicial data anterior à da denúncia ou queixa.

O artigo 110 e seu §1.º estabelecem um marco para aferição do prazo


prescricional individualizado ao fato delituoso em concreto, que será a pena
fixada na sentença condenatória transitada em julgado.

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Prescrição retroativa – é uma das formas de prescrição da pretensão
punitiva, cujo calculo tem por base a quantidade de pena fixada na sentença
(art. 110, § 1º, CP). O juiz da condenação não pode dela conhecer. A
prescrição retroativa é contada para trás, ou seja, refere-se relativamente ao
período anterior à sentença condenatória. Também requisito obrigatório que
tenha havido trânsito em julgado para a acusação ou improvimento de seu
recurso.
Obs.: a prescrição retroativa e intercorrente, são formas de prescrição
da pretensão punitiva, e, por esse motivo, afastam todos os efeitos, principais e
secundários, penais e extrapenais, da condenação.

Período para reconhecimento da Pretensão Punitiva da Prescrição


retroativa:
a) Entre a data do recebimento da denúncia ou queixa-crime e a
pronuncia;
b) Entre a pronúncia e sua confirmação por acórdão
c) Entre a pronúncia ou seu acórdão confirmatório e a sentença
condenatória.
d) Entre o recebimento da denuncia ou queixa-crime e a publicação da
sentença condenatória.
Obs.: antes da alteração do art. 110, § 1º, ocorria também entre a data
do fato e o do recebimento da denúncia ou queixa, conforme prescrevia § 2º do
art. 110, revogado pela (Lei 12234/210).

Prescrição da pretensão punitiva virtual ou antecipada – esta forma de


prescrição não está prevista na lei, contudo, vinha sendo admitida por grande
parte da doutrina e da jurisprudência. Atualmente, é vedada por súmula do
Superior Tribunal de Justiça (súmula nº 438 de 13/05/2010).

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Prescrição da pena de multa – a prescrição da pretensão punitiva da multa
ocorre da seguinte forma:
a) Multa como única pena abstratamente cominada – prescrição em 2
anos (art. 114, inciso I, primeira parte);
b) Multa como única pena imposta na sentença condenatória –
prescrição em 2 anos (inciso, II, 2ª parte);
c) Multa cominada alternativamente com a pena privativa de liberdade –
prazo igual ao estabelecido para a prescrição da pena detentiva
(Inciso II);
d) Multa cominada cumulativamente com a pena detentiva – prazo igual
ao da pena privativa de liberdade.

PRESCRIÇÃO DA PRETENSÃO EXECUTÓRIA (PPE)

Conceito – ocorre quando o Estado, após o transito em julgado da sentença


condenatória, perde o poder-dever de impor ao condenado a respectiva sanção
penal, em virtude do decurso de tempo transcorrido.

Efeitos – a prescrição da pretensão executória impede a execução das penas


e das medidas de segurança e, ao contrário da prescrição da pretensão
punitiva, somente extingue a pena principal, deixando inalterados os demais
efeitos secundários, penais e extrapenais da condenação.

Termo inicial – o prazo da prescrição da pretensão executória tem início:


a) – A partir da data do trânsito em julgado da sentença condenatória
para acusação;
b) – Da data em que transita em julgado decisão que revoga o
livramento condicional e o sursis.
c) – Do dia em que a execução da pena for interrompida por qualquer
motivo.

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Pena restante - interrompida a execução da pena, pela fuga do condenado ou
revogado o livramento condicional, a prescrição é regulada pelo prazo restante
pena.
Contagem do prazo – o cálculo da prescrição da pretensão penal executória é
sempre efetuado com base na pena fixada na sentença, computando-se o dia
do início. Deve-se obervar a tabela constante do art. 109 do Código Penal.

Causas interruptivas da pretensão punitiva executória – encontram-se


elencadas nos incisos do art. 117 do Código penal.
a) - O início ou a continuação do cumprimento da pena (V);
b) - A reincidência (VI).

Efeitos da reincidência na prescrição - A reincidência faz aumentar em 1/3 a


contagem do prazo prescricional previsto no art. 109 do CP (art. 110). Sendo
ainda causa interruptiva do prazo prescricional (art. 117, VI). Tratam-se, em
ambas as hipóteses, de prazo prescricional da pretensão executória, de
maneira que, em relação ao novo crime, como causa de aumento da contagem
do prazo, desde que reconhecida em sentença. Súmula 220 - A reincidência
não influi no prazo da prescrição da pretensão punitiva.

Causa de suspensão da pretensão punitiva executória – nos termos do art.


116 do Código Penal, a prescrição não enquanto o condenado estiver preso
por outro motivo.

Redução do prazo da pretensão punitiva executória – como a prescrição da


pretensão penal, o prazo é reduzido pela metade, se na época dos fatos o
condenado era menor de 21 anos ou possuía 70 anos por ocasião da
sentença.
Pretensão executória e multa - inexiste prescrição da pretensão executória
penal da multa, mas, uma vez que, transitada em julgado a sentença
condenatória, o seu valor deve ser inscrito como dívida ativa da Fazenda

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Pública (lei 9.268/96), casos em que se aplica as normas relativas à dívida da
fazenda Pública, inclusive, no que tange a prescrição, que se dá em caráter
tributário em 5 anos, e as causas interruptivas e suspensivas são também
aquelas da legislação tributária.

Aumento do prazo – a reincidência faz aumentar em 1/3 o prazo da prescrição


da pretensão executória. Este aumento refere-se à prescrição da pela relativa
ao novo crime, não em relação ao crime anterior, cujo prazo prescricional ficou
interrompido pela reincidência.

Pretensão executória da pena restritivas de direitos – aplicam-se às


mesmas penas restritivas de direitos os mesmos prazos previstos para as
privativas de liberdade, de acordo com o art. 109, parágrafo único do Código
Penal. Assim, de acordo com o informativo nº 268 – STF, RHC 81.923/SP, 2ª
turma, rel. Min. Maurício Correa – o prazo prescricional desta é o mesmo da
pena privativa de liberdade substituída por pena restritiva de direitos na
modalidade pecuniária.
Prescrição das medidas de segurança – no passado havia divergência
quanto a possibilidade de prescrição das medidas de segurança em relação
aos inimputáveis, vez que são aplicadas por tempo indeterminado, até que
verificada parcialmente a cessação da periculosidade (art. 97, § 1º CP).
Entretanto, os tribunais superiores, pacificaram o entendimento nesse sentido,
por serem as medidas de segurança, consideradas também sanções penais,
devem se sujeitar a regime prescricional, vez que viola o princípio da
prescritibilidade. O art. 96, parágrafo único, do Código Penal dispõe que: ‘
extinta a punibilidade, não impõe medida de segurança nem subsite a que
tenha sido imposta, deixando claro que elas também se sujeitam ao regime
prescricional, seja em relação a pretensão punitiva, seja em relação a
pretensão executória. Por considerar que a medida de segurança é aplicada
por tempo indeterminado, a interpretação dada é no sentido de que ambas

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(pretensão punitiva e executória) devem tomar por base o montante máximo da
pena em abstrato.
Quanto à medida ao semi-inimputáveis, na há dificuldade, nesse sentido,
o art. 98 do Código penal estabelece que o juiz condena o réu, aplica pena
privativa de liberdade (diminuída de 1/3 a 2/3 em razão da perturbação mental)
e em seguida substitui pela medida de segurança. Desse modo, é com base no
montante da pena aplicada na sentença que é feito o calculo, embora seja a
MS aplicada por tempo indeterminado, com prazo mínimo entre 1 a 3 anos.

Prescrição na legislação especial – não havendo regra em contrário,


aplicam-se aos crimes previstos em leis especiais as regras de prescrição
descritas no Código Penal (art. 12 CP). É o que ocorre nos crimes de drogas –
Lei 11.343/06, e no crime de tortura – Lei 9.455/97; nas Contravenções Penais
– Decreto-Lei nº 3.688/41; crimes do Estatuto do desarmamento – lei 10.826/03
e etc. no entanto, existem, algumas regras especiais que merecem destaque:

Crimes falimentares – o prazo prescricional aplica-se as regras do Código


Penal, porém o prazo só começa a fluir do dia da decretação da falência, da
concessão da recuperação judicial ou da homologação do plano de
recuperação extrajudicial (art. 182, caput, da lei nº 11.101/05).

Crimes de porte e plantio substancia entorpecente para consumo próprio


– (art. 28, caput, e § 1º, da Lei 11.343/06) a prescrição da pretensão punitiva e
executória dá-se sempre em 2 anos, observando-se os prazos interruptivos as
regras do Código penal ( art. 30 da Lei 11.343/06).

Abuso de autoridade – (Lei 4.898/65). Não faz referencia a prazo


prescricional, por isso aplicam-se as regras do Código Penal.

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Crime contra a Segurança Nacional - (art. 6 e 7 LSN nº 7.170/83) aplicam-se,
quanto à prescrição, os critérios adotados no Código Penal Militar, que tem
procedimento próprio.

Contravenções, crimes de economia popular e eleitorais – aplicam-se as


disposições do Código Penal (art. 12 CP).

Nas hipóteses dos artigos 109 e 110 do Código Penal, então, é possível
imaginar um quadro resumido para melhor entendimento da prescrição
retroativa, antes e depois da Lei n.º 12.234/10:

Fatos praticados antes da Lei n.º 12.234/10:

1.º Data do fato 2.º Data do recebimento 3.º Data do trânsito em


da denúncia ou queixa julgado
– Prescrição entre a – Prescrição entre o – Prescrição da
data do fato e a do recebimento da pretensão executória: a
recebimento da denúncia ou queixa e a que corre a partir do
denúncia ou queixa. publicação da sentença trânsito em julgado da
condenatória: sentença condenatória,
– Tem por base a pena sendo o prazo dentro do
fixada pelo Juízo – Tem por base a pena qual o Estado pode
quando do trânsito em fixada pelo Juízo exigir o cumprimento da
julgado (extinto § 2.º do quando do trânsito em pena.
artigo 110 do Código julgado (§ 1.º do artigo – Tem por base a pena
Penal). 110 do Código Penal). fixada pelo Juízo
quando do Trânsito em
julgado (art. 110, caput,
do Código Penal).

Fatos praticados depois da Lei n.º 12.234/10:

1.º Data do fato 2.º Data do recebimento 3.º Data do trânsito em


da denúncia ou queixa julgado
– Prescrição entre a – Prescrição entre o – Prescrição da
data do fato e a do recebimento da pretensão executória: a
recebimento da denúncia ou queixa e a que corre a partir do
denúncia ou queixa. publicação da sentença trânsito em julgado da
– A possibilidade de condenatória: sentença condenatória,
retroagir a prescrição – Tem por base a pena sendo o prazo dentro do
pela pena fixada no fixada pelo Juízo qual o Estado –
caso para antes do quando do trânsito em Prescrição entre o
recebimento da julgado (§ 1.º do artigo recebimento da
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denúncia ou queixa foi 110 do Código Penal). denúncia ou queixa e a
descartada pela Lei n.º publicação da sentença
12.234/10, pois o § 1.º condenatória:
do art. 110 do Código – Tem por base a pena
Penal impede o uso de fixada pelo Juízo
tal método nesta quando do trânsito em
hipótese. Assim, neste julgado (§ 1.º do artigo
caso, a prescrição corre 110 do Código
pela pena máxima Penal).pode exigir o
cominada ao delito. cumprimento da pena.
- Tem por base a pena
fixada pelo Juízo
quando do Trânsito em
julgado (art. 110, caput,
do Código Penal).

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BIBLIOGRAFIA

BÁSICA

1. FRAGOSO, Heleno Claudio. Lições de Direito Penal. Rio de Janeiro:


Forense.
2. JESUS, Damásio Evangelista de. Direito Penal. São Paulo: Saraiva,
2003.
3. MIRABETH, Júlio Fabrini. Manual de Direito Penal. São Paulo: Atlas.

BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR

1. COSTA, Álvaro Mayrink da. Direito Penal: parte geral. Rio de Janeiro:
Forense, 20001.
2. CAPEZ, Fernando. Curso de Direito Penal. São Paulo: Saraiva, 2002.
3. NORONHA, E, Magalhães. Direito Penal. São Paulo; Saraiva, 2001.

OUTRAS BIBLIOGRAFIAS PESQUISADAS:

Apostila Axioma Jurídico Curso Semestral 22010/2. Professores Abel Cardoso


Morais / Paulo Augusto Moreira Lima / Raphael Perissé e Marcelo André.

ESTEFAM, André – Direito Penal esquematizado: Parte Geral / André Estefam


e Victor Eduardo Rios. São Paulo: Saraiva 2012.

MATOS, João Carvalho de – Direito penal: Parte Geral e Parte especial –


Doutrina – Prática / João Carvalho de Matos – Leme/ SP Mundo jurídico 2012.

PRADO, Luiz Regis, Curso de direito penal / Luiz Regis Prado, Érika
mendrvalho, Gisele mendes de Carvalho. – 14ª ed.. ver. Atual. E ampl. – São
Paulo editora revista dos tribunais 2015.

RODRIGUES, Roberto – ireito penal fundamental: parte geral / Roberto


Rodrigues e Lívia Mara Abrão Pacheco. – Goiânia: Ed. PUC, 6ª edição, 2016.

https://canalcienciascriminais.com.br/exame-criminologico-entenda/

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