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Escola Secundária Francisco de Holanda

PORTEFÓLIO

PROJETO INDIVIDUAL DE LEITURA

Filipa Vitória Veras Costa Silva

11LH5 nº6

2018/2019
Conteúdo
1.INTRODUÇÃO ................................................................................................................................................. 3
2.FICHA DA OBRA .............................................................................................................................................. 3
3. O AUTOR: Primo Levi..................................................................................................................................... 4
4. Resumo da obra ........................................................................................................................................ 5
5. ANÁLISE DA OBRA ......................................................................................................................................... 6
6. Reflexão......................................................................................................................................................... 9
7. Textos criativos ............................................................................................................................................. 9
Música ........................................................................................................................................................... 9
La Chanson Des Justes ............................................................................................................................. 9
8.TEXTOS RELATIVOS AO TEMA ..................................................................................................................... 12
9.BIBLIOGRAFIA .............................................................................................................................................. 14
10.SÍTIOS DA INTERNET CONSULTADOS ........................................................................................................ 14

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1.INTRODUÇÃO
O trabalho que se apresenta é uma análise da obra Se Isto É Um Homem de Primo Levi. Enquadra-
se na disciplina de “Literatura Portuguesa”, no âmbito do projeto individual de leitura.

2.FICHA DA OBRA
O LIVRO

• Nome do Autor
Primo Levi
• Editora
Editora Leya
• Título
Se Isto É Um Homem
• Edição 1ª edição
• Descrição da capa
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A capa desta edição do livro Se Isto É Um Homem apresenta um desenho de um judeu, que podemos
assumir como sendo Primo Levi, no campo de concentração. Na minha opinião, a capa é alusiva ao
tema retratado no livro. Cativa bastante para a leitura do mesmo.

3. O AUTOR: Primo Levi

Biografia

Primo Levi nasceu em Turim, Itália, a 31 de Julho de 1919 no seio de uma família judaica, mas reli-
giosamente liberal, foi o primeiro filho de Cesare e de Ester Levi e faleceu, no dia 11 de Abril de
1987, devido a uma queda do terceiro andar do seu prédio.
Em 1937, entrou para a Universidade de Turim onde estudou química. Em 1938, o governo fas-
cista aprovou uma série de leis raciais que proibiam cidadãos judeus de frequentar escolas públicas.
Contudo, apesar das dificuldades para encontrar um orientador para a sua tese, conseguiu formar-
se, em 1941 com mérito.
Mais tarde, em plena segunda guerra mundial, os movimentos de resistência ao domínio alemão,
ganharam força em determinadas zonas de Itália, nomeadamente nas regiões próximas dos Alpes.
Primo Levi e alguns dos companheiros formaram, em Outubro de 1943, um grupo de resistência
com a esperança de se juntarem a um movimento político, cujos ideais se baseavam na liberdade e
no socialismo. O grupo não tinha qualquer tipo de formação militar e os membros foram facilmente
capturados e presos pelo exército fascista. Foi nesta altura, que pressionado pelos militares ao ser-
viço do regime nazi, confessou ser judeu. Foi levado de imediato para um campo de concentração
na zona de Fossoli, perto de Modena, em Itália e, em 1944, foi transferido para Auschwitz, na Poló-
nia, onde presenciou as maiores atrocidades que alguma vez a História retratou.

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Tal como muitos outros que por lá passaram, foram-lhe retirados todos os seus bens pessoais, dei-
xou de ter nome tornando-se apenas num número. Foi submetido a trabalhos pesados e, permane-
ceu naquele campo de concentração, até ao exército soviético se ter aproximado, em 1945, e ter
libertado os que ainda lá restavam, somente os doentes que as SS, principal exército do go-
verno nazi, não conseguiu exterminar. Após a libertação, permaneceu num acampamento soviético
de antigos prisioneiros de guerra, até regressar a Itália, em Outubro desse ano. Quando regressou
a Turim arranjou rapidamente emprego numa fábrica de tintas. É nesta altura que também começa
a sua aventura literária, cujos episódios vividos naquele palco do terror lhe inspirariam. Em 1947,
publicou a obra Se isto é um homem que lhe valeu o reconhecimento mundial sendo ainda hoje,
considerada uma das mais importantes obras do pós-guerra, que descreve detalhadamente o tes-
temunho de alguém que presenciou a crueldade vivida nos campos de concentração.
Todas as obras literárias de Primo Levi, como “A Trégua”; “O Sistema Periódico” e “Se não agora,
Quando”, tal como a sua história de vida, tornaram-no numa figura imortal na literatura e num
símbolo da resistência humana.
Em 1983, regressou a Auschwitz, com o objetivo de testemunhar o que foram realmente os cam-
pos de concentração, regresso esse gravado pela televisão italiana que o acompanhou durante toda
a viagem.

4. Resumo da obra

A história deste livro decorre no século XX, durante a Segunda Guerra Mundial. Primo Levi, judeu,
descreve no seu livro as monstruosidades que ele e os seus companheiros passaram nos campos de
concentração nazi. Na noite de 13 de dezembro, Primo Levi, um jovem químico, membro da
resistência, é detido pelas SS. Devido ao medo e pela pressão dos militares nazis, acabou por
confessar ser de raça judaica. Foi preso e levado para um campo de concentração em Fóssoli, em
Itália.
Mais tarde, juntamente com outros judeus, foi transportado para Auschwitz, campo de
concentração, em Polónia, numa viajem que descreve como desumana, pela quantidade de pessoas
que ocupavam os vagões do comboio, pela fome e sede que passaram e, acima de tudo pelo
desprezo dos nazis pela vida humana. À chegada ao campo de concentração de Auschwitz as pessoas
eram separadas dos seus familiares, as mulheres iam para um lado, os homens e as crianças iam
para outro, respetivamente. Passavam por desinfeções, recebiam roupas de prisão e eram tatuados

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com números nos braços. Deixavam de ter um nome, passavam a ser identificados por um número.
Primo Levi era o número 174 517. Eram tratados como seres desprovidos de humanidade.
Em Auschwitz, eram obrigados a efetuarem trabalhos pesados, eram humilhados, assassinados,
totalmente desumanizados. Tudo faziam para sobreviver. Só pensavam em passar na seleção médica,
que definia se um prisioneiro ia para a câmara de gás ou se ficava vivo e, em formas de encontrar
comida.
Primo Levi, relata alguns detalhes assustadores, como por exemplo, a importância da colher e da
vasilha e a dificuldade em as obterem. Para tê-las os novatos tinham que trocar pedaços de pão com
os veteranos, que as conseguiam de algum doente ou morto. Conta que os prisioneiros habitavam
em espaços sujos com diversos tipos de pulgas e piolhos e era habitual dormirem numa “cama” com
companheiros doentes.
Mais tarde, tornou-se especialista em química e foi chamado para trabalhar no Kommando
químico. Esta seleção salvou-lhe a vida. Como o trabalho era mais ameno, surgiram ideias para
aproveitar uma série de situações que escapavam ao controle dos Kapos e aparecem novas maneiras
de conseguir mais comida no campo. Comparava as idas à latrina, durante o trabalho, como um oásis
de paz. Na ânsia de sobreviver deixa de se comportar como um homem e passa a comportar se como
um animal.
Por fim, relata as memórias do fim da guerra, refere que as construções pararam, deixaram os
seus trabalhos habituais e passaram a consertar os estragos causados por bombardeios, a fome e
sede aumentaram de dia para dia. Nesta altura, fica doente, e vai para a enfermaria devido ao seu
estado, só os que conseguiam marchar cerca de vinte quilómetros é que saiam do campo. Primo
Levi permaneceu no campo de concentração até finais de janeiro de 1945, altura em que é libertado
pelos soldados russos graças à muita sorte de ter sido considerado um trabalhador útil, por ser
químico.

5. ANÁLISE DA OBRA
Narrador
O narrador é autodiegético pois relata uma história na qual participa como personagem principal.
Personagens
Personagem principal:
Primo Levi, um judeu Italiano, que por sorte, sobreviveu às desumanidades a que foi submetido no
campo de concentração, em Auschwitz, na Polónia.

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Caracterização
Ao longo do texto, faz uma caracterização direta de si. Levi, era jovem judeu, frágil, fraco, magro,
possuía pele pálida e amarelada e cabelo rapado. A nível psicológico era inseguro, inteligente, de-
terminado, calculista, curioso, paciente, educado, amigável e corajoso.
Personagens secundárias:
Primo Levi faz referência ao nome dos seus companheiros judeus: Arthur, Charles, Alberto, Kosman,
Elias Lindzin, Henri, Lourenço, Lakmaker.
Caracterização
Arthur e Charles eram os companheiros de Ka-Be de Levi. Ambos judeus foram os únicos que
regressaram às suas famílias. Arthur era o mais velho, de estatura baixa e magro. Charles era mais
novo e tinha sido professor.
Alberto era o companheiro italiano inseparável de Primo Levi de vinte e dois anos, incorrupto, inte-
ligente e perspicaz, partilhavam o mesmo Block e diversas tarefas.
Kosman era um judeu bastante otimista que acreditava que ia sobreviver.
Elias Lindzin era um ladrão insolente e violento.
Henri era um homem civilizado, consciente e inteligente possui ampla cultura científica e clássica.
Lourenço era um operário italiano simples e bom, não pensava que se deve fazer o bem a fim de
receber algo em troca.
Lakmaker era um judeu holandês de dezassete anos, alto, magro e dócil. Teve tifo e escarlatina e
apresentava um grave problema cardíaco.

Tempo da história e do discurso:


Os acontecimentos são narrados entre 13 de Dezembro de 1943, aquando a detenção de Primo Levi
pelos nazis, e 27 de Janeiro de 1954, no momento da sua libertação pelas forças aliadas.

Espaço físico, social


Inicialmente, relata, um pouco, os acontecimentos que antecederam a viagem para o campo de
concentração em Auschwitz - “Sendo judeu, fui mandado para Fóssoli (…)” (p.18); “Cada um
despediu-se da vida da forma que lhe era mais própria. Alguns rezaram outros beberam para além
do normal (…) (p. 20)
Depois descreve a viagem até chegarem ao campo de concentração de Auschwitz. «Ali estava, então,
sob nossos olhares, sob nossos pés, um dos famosos comboios alemães, desses que não retornam,

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dos quais, com um calafrio e com uma pontinha de incredulidade, tantas vezes tínhamos ouvido
falar. Era isso mesmo, ponto por ponto: vagões de carga, trancados por fora, e, dentro, homens,
mulheres e crianças socados sem piedade, como mercadoria barata, a caminho do nada, morro
abaixo, para o fundo» (p.21)
A maior parte da história decorre nos diversos locais do campo de concentração nazi, Bolck30; Ka-
Be; Buna, etc., onde narra a a forma desumana como eram tratados. O lager era um quadrado com
cerca de 600 m de lado, iluminado por holofotes, cercado por duas redes de arame farpado, sendo
o interior percorrido por um corrente de alta tensão, era constituído por barracas de madeira
chamadas block´s com um número próprio, divididas por duas zonas: a de habitação e o Ka-be
(enfermaria). No lager existia ainda uma praça: A praça da chamada onde os prisioneiros se juntavam
para iniciar as diversas tarefas. Perto do lager existia também uma fábrica denominada de buna, que
era constituída pelo laboratório (onde Levi chegou a trabalhar) e por diversas outras partes.

Ação principal e secundária


Principal- A realidade vivida, física e psicologicamente, no “lager” do campo de concentração nazi,
em Auschwitz

Secundária- A história da sua relação como o Lourenço Um operário italiano, que por bondade
trouxe a Levi pão e camiseta remendada. Este ato de compaixão foi o responsável pela sobrevivência
de Levi, não só pelo pão, não só por aplacar a fome da barriga, mas precisamente pelo sentimento
de humanidade que ressurgia daquela realidade tão desacreditada (página 139)

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6. Reflexão
Aconselho vivamente a leitura deste livro, apesar do tema ser desolador, desperta interesse, pois
retrata as atrocidades vividas nos campos de concentração nazi, durante a Segunda Guerra Mundial.
Faz-nos refletir sobre o valor da vida e sobre a condição humana. Ele inicia o livro com o poema “Se
isto é um homem” para demonstrar que um ser humano é exatamente o contrário daquilo que mi-
lhares de pessoas passaram nos campos de concentração nazi, nomeadamente a perda de identi-
dade, a luta pela sobrevivência e a falta de paz.
Em suma, esta narrativa é, de certa forma, um apelo para que aprendamos com o passado e, para
que não se voltem a repetir os mesmos erros. No entanto, parece que o mundo não aprende ou se
recusa a aprender, hoje em dia, os movimentos nacionalistas estão a emergir um pouco por toda a
Europa.

7. Textos criativos
Música
La Chanson Des Justes
une gare au petit jour
dans le froid et la peur
et des soldats tout autour
qui hurlent dans des haut-parleurs

(…)
les yeux couleur de cendre et de brouillard

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des barbelés gravés dans leurs mémoires
mais dans le cœur un indicible espoir

vivre un jour une heure la bas


c'est braver le silence

dépasser la mort d'un pas


devant ceux qui s'enivrent et dansent

dans ce voyage infernal


ou tant d’âmes ont sombré
celui qui sauve une étoile
éclaire l'univers tout entier

des lueurs que les justes ont allumés


la porte entrebâillée dans l'escalier
sur le dernier refuge inespéré

au jardin du souvenir des cailloux sont posés


et les arbres ont beau fleurir
a chaque printemps retrouvé

peut-on un jour apprendre à pardonner


le désespoir, les larmes et les années
que jamais rien ne pourra effacer
que jamais rien ne pourra effacer

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Holocausto de 1933 a 1938

(documento 2, página 20 até ao fim)

15 de setembro de 1935- O parlamento Alemão aprova as leis da raça de Nuremberga


Pessoas com avós judeus e que se tinham convertido ao judaísmo eram sujeitos a perseguições,
devido à instituição destas leis

1 de agosto de 1936- Berlim dá início aos Jogos Olímpicos do Verão.


Estes constituem um sucesso de propaganda nazi (removeram os sinais antijudaicos)
3 de agosto de 1936- A vitória de Jesse Owens constitui um golpe no mito nazi da supremacia
‘’ariana’’.
Os atletas afro-americanos conquistam 14 medalhas

15 de julho de 1937- abertura do campo de concentração de Buchenwald para prisioneiros do sexo


masculino, no centro leste na Alemanha
Em 1938, são enviados judeus, testemunhas de Jeová, criminosos, etc.

8 de novembro de 1937- exposição antissemita em Munique.

11 de março de 1938- Invasão da Áustria por parte das tropas alemãs, gerando uma onda de
violência nas ruas e consequente anexação.

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29 de maio de 1938- Leis antijudaicas na Hungria

6 de julho de 1938- Conferência de Evian

17 de agosto de 1938- obrigatoriedade de mudança do nome judeu e inserção de ‘’Israel’’ para os


homens e inserção de ‘’Sara’’ para as mulheres

29 de setembro de 1938- Acordo de Munique.

5 de outubro de 1938- ministério interior do Reich invalida todos os passaportes alemães obtidos
pelos judeus

9 de novembro de 1938- autoridades do partido nazi realizam uma onda de massacres violentos
contra os judeus em toda a Alemanha

12 de novembro de 1938- governo alemão emite um decreto sobre a eliminação dos judeus da vida
económica

2 de dezembro de 1938- Desesperadamente, milhares de pais judeus mandam os seus filhos


desacompanhados para o exterior, na esperança deles encontrarem refúgio da perseguição nazi.

8.TEXTOS RELATIVOS AO TEMA


Se Isto É Um Homem
“Vós que viveis tranquilos
Nas vossas casas aquecidas
Vós que encontrais regressando à noite
Comida quente e rostos amigos:
Considerai se isto é um homem
Quem trabalha na lama
Quem não conhece paz

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Quem luta por meio pão
Quem morre por um sim ou por um não
Considerai se isto é uma mulher
Sem cabelos e sem nome
Sem mais força para recordar
Vazios os olhos e frio o regaço
Como uma rã no Inverno.
Meditai que isto aconteceu:
Recomendo-vos estas palavras
Esculpi-as no vosso coração
Estando em casa, andando pela rua,
Ao deitar-vos e ao levantar-vos;
Repeti-as aos vossos filhos.
Ou que desmorone a vossa casa,
Que a doença vos entrave,
Que os vossos filhos vos virem a cara.”
(Levi, 1947)

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9.BIBLIOGRAFIA
LEVI, Primo – Se Isto é um Homem. Alfragide: Leya, 2018. ISBN 978-972-20-6040-0.

10.SÍTIOS DA INTERNET CONSULTADOS


https://www.portaldaliteratura.com/autores.php?autor=760
https://anabelamotaribeiro.pt/se-isto-e-um-homem-188712

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