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II Socialização de Práticas Formativas

da Divisão de Desenvolvimento Profissional do Magistério – DDPM

Gerência de Formação Continuada da Secretaria Municipal de Educação


de Manaus
7 a 11 de Novembro de 2016

Milton Melo dos Reis Filho


Sheila Nunes da Silva
(Organizadores)
Título:
Livro de Anais da II Socialização de Práticas Formativas da Divisão de
Desenvolvimento Profissional do Magistério 2016,
Milton Melo dos Reis Filho; Sheila Nunes da Silva (Org.)
Capa, revisão e paginação: Revista Mutações Ufam.
1ª edição: fevereiro de 2017.
ISBN: 2178-7018
Secretaria Municipal de Educação

Profa. Dra. Kátia Helena Serafina Cruz Schweickardt


Secretária de Educação

Prof. MSc. Euzeni Araújo Trajano


Subsecretária de Gestão Educacional

COORDENAÇÃO GERAL DO EVENTO

Profa. MSc. Rita Esther Ferreira de Luna (Semed/DDPM)


Rosane Xavier de Freitas (Semed/GFC)

COMISSÃO CIENTÍFICA

Prof. Dr. Milton Melo dos Reis Filho – Semed


Prof. Dr. Renan Albuquerque Rodrigues – Ufam
Profa. Dra. Rosângela Siqueira da Silva – Semed
Profa. Dra. Sheila Nunes da Silva – Semed
Prof. MSc. Blás Torres
Prof. MSc. Filipe Misturini - Semed
Profa. MSc. Jolene da Silva Paula Cunha - Semed

COMISSÃO DE CAPTAÇÃO DE RECURSOS

Profa. Esp. Suelen Barros (Semed/GFC)


Profa. Esp. Kátia Florêncio Nogueira (Semed/GFC)
Profa. MSc. Erilúcia Souza da Silva (Semed/GFC)

COMISSÃO ORGANIZADORA DO EVENTO

Aldemira de Araújo Câmara (Semed/GTE)


Ana Cláudia Sá (Semed/OFS)
Dalila da Silva Muniz (Semed/Tutoria Educacional)
Ellis Regina de Sousa Maciel (Semed/Educação Infantil)
Erilúcia Souza da Silva (Semed/Ensino Fundamental 4º ao 9º Anos)
Giovanna Freire de Oliveira (Educação Indígena e do Campo)
Kátia Florêncio Nogueira (Semed/English For Kids)
Lucilene Pacheco Santos (Semed/Bloco Pedagógico)
Luisiane do Socorro Lopes Belém (Semed/EJA)
Maria do Carmo Barros Bernardes (Semed/OFS)
Maria do Perpétuo Socorro Araújo (Semed/Programa Ampliando Horizonte)
Maysa Girlane Araújo Amorim (Semed/PNAIC)
Michelle de Albuquerque Rodrigues (Semed/Diversidade)
Rita Esther Ferreira de Luna (Semed/DDPM)
Rosane Xavier de Freitas (Semed/GFC)
APRESENTAÇÃO

A II Socialização das Práticas Formativas faz parte do Projeto de Formação


Continuada de Professores da DDPM, setor da SEMED que tem a competência, de
acordo com o Decreto no. 2.682, de 26 de dezembro de 2013, em seu Art. 39, inciso I,
de: Elaborar, implementar, coordenar e avaliar a Política de Educação Continuada do
Magistério Municipal. Nesse sentido, essa ação de formação continuada de professores,
intitulada de Socialização das Práticas Formativas vem ao encontro do que está
estabelecido no decreto supracitado.
No ano de 2016, a Socialização das Práticas Formativas da DDPM/SEMED dá
um salto qualitativo em sua segunda versão, visto que através da parceria
UFAM/DDPM/SEMED conseguiremos publicar, na revista Mutações, os trabalhos dos
professores da rede pública municipal de Manaus que participaram do referido
momento formativo, fato este que não foi possível realizarmos em 2015.
É importante deixar claro que ao longo de cada ano (e em todo tempo), a
DDPM/SEMED é responsável em se articular com os diversos setores, com as DDZs
(Divisões Distritais Zonais) e com os professores da SEMED para construir um projeto
de formação continuada cada vez mais aproximado das escolas e de suas reais
necessidades. Para perseguir essa articulação, a DDPM usa, essencialmente, duas
estratégias de formação denominadas de: formação em polo (movimento em que os
professores se deslocam para algum polo de formação, seja ele na DDPM, numa escola
ou em qualquer outro lugar que comporte um quantitativo significativo de professores)
e formação em serviço (movimento em que os professores formadores se deslocam
para uma determinada escola, a fim de realizar uma formação in loco).
Dessa forma, durante os encontros de formação continuada, seja na formação
em polo, seja nas formações em serviço, os professores das escolas são orientados a
construírem projetos que estabeleçam mudanças no cotidiano de suas salas de aula e,
consequentemente, transformem os momentos de ensino/aprendizagem de forma
significativa. Esses projetos, sob a orientação dos professores formadores, são
apresentados/compartilhados na Socialização das Práticas Formativas da
DDPM/SEMED, realizada ao final de cada ano.
Sendo assim, o momento da Socialização das Práticas Formativas é um
momento em que os professores da rede pública municipal constroem e partilham
conhecimentos, refletem suas práticas e reconstroem teorias. Acima de tudo e de
qualquer coisa, é um momento de auto formação, portanto estamos falando de um
momento em que devemos olhar para nós mesmos e para o outro em busca de novos
caminhos para a formação docente. É um momento de diálogo!

Chefe da Divisão de Desenvolvimento Profissional do Magistério


Rita Esther Ferreira de Luna
Organização e arbitragem científica da publicação do Livro de Anais da II
Socialização de Práticas Formativas da Divisão de Desenvolvimento Profissional
do Magistério

Milton Melo dos Reis Filho


Sheila Nunes da Silva
(Org.)

Os textos publicados neste livro foram objeto de um longo processo de


arbitragem científica que integrou a formação do Programa Científico da II Socialização
de Práticas Formativas da Divisão de Desenvolvimento Profissional do Magistério. A
primeira fase deste processo começou com a aceitação pela parte da Comissão
Científica do conjunto de Trabalhos propostos para a socialização, entre os meses de
Setembro e Outubro de 2016. Ao Conselho de Política Científica, sob a coordenação de
Milton Melo dos Reis Filho, coube o papel de análise, arbitragem e aprovação das
propostas, tendo em conta a sua inserção no tema do evento e na proposta científica da
socialização, assim como nos eixos temáticos orientadores do debate do evento:
- Linguagem
- Ciências Humanas
- Matemática
- Ciências Naturais
- Natureza, Sociedade e Aprendizagem na Educação Infantil
- Educação do Campo: Linguagens e Aprendizagens na Educação Infantil
- Linguagem Oral e Escrita na Educação Infantil
- A Música e Artes Visuais na Educação infantil
- Linguagem Matemática na Educação Infantil
- Linguagem Corporal na Educação Infantil
- Educação Especial na perspectiva da Educação Inclusiva
- Linguagens, Tecnologias e Recursos Midiáticos na Educação Infantil
- Tutoria Educacional
Para além deste critério, os temas dos 09 Grupos de Trabalho (GT) aceites pela
Organização do evento e Coordenações dos vários segmentos de ensino (Educação
Infantil, Bloco Pedagógico, 4º ao 9º Anos e Programa Tutoria Educacional) abarcavam
o conjunto de eixos temáticos e os seus coordenadores eram membros da equipe de
professores da Divisão de Desenvolvimento Profissional do Magistério.
Em Setembro de 2016 abriu-se o período de submissão de propostas de
comunicação para os eixos temáticos aprovados. Neste momento iniciou-se o processo
da chamada às duas formas de participação: ouvinte e comunicador. Ficou esclarecido
que os trabalhos apesentados poderiam compor os Anais do Evento, desde que
atendessem aos critérios de publicação do Resumo Expandido da Revista Eletrônica
Mutações (qualis B-4), da Universidade Federal do Amazonas, devendo ser enviados
para o e-mail indicado pelo professor formador até 15/10/2016, junto com os slides da
apresentação oral. Quanto aos artigos completos, só seriam publicados mediante seleção
e aceite da Comissão Científica da Revista Mutações, devendo ser enviados para o
endereço eletrônico (mutacoesrevista@gmail.com).
Entre Setembro e Outubro, constituiu-se em cada segmento uma Comissão
Científica própria para a recepção das proposições de trabalhos, inscrição e organização
de acordo com os critérios estabelecidos pela Comissão Científica Geral do evento. A
partir de então esta Comissão procedeu ao processo de arbitragem científica e seleção
das comunicações enviadas.
Uma vez aceites pelos coordenadores do Segmento, todos os autores puderam
submeter os seus textos para publicação neste Livro de Anais da Socialização, devendo
para isso seguir as normas de publicação previamente estabelecidas. O prazo de
recepção destes textos terminou a 12 de Dezembro de 2016. Recebemos nessa altura
cerca de 25 resumos para publicação. A partir desta data, na qualidade de organizadores
deste volume orientamos a verificação do cumprimento das normas de publicação
estabelecidas, nomeadamente respeitando arquivo único em Word, sem imagens, fonte
Times New Roman, tamanho 12, espaço 1,5 (entre 2 a 5 laudas, no máximo), de acordo
com as normas da ABNT.
Tendo em conta a inserção deste conjunto de resumos em propostas de debate
explicitamente enviadas e avaliadas pelos coordenadores de cada segmento, optamos
por organizar o Livro de Anais da II Socialização de Práticas Formativas da DDPM
por eixos temáticos correspondentes aos Segmentos. Apenas um Segmento não teve
nenhum artigo proposto para publicação. Consideramos assim que estamos perante uma
publicação que respeitou a arbitragem científica e que pela amplitude de temas
abordados constitui uma interessante entrada na riqueza da socialização de práticas
formativas. Esperamos assim que a publicação seja útil não apenas como documento
que acompanha a socialização, mas como referência para o conhecimento do trabalho
do corpo docente dos que atuam em seus respectivos segmentos de ensino da Secretaria
Municipal de Educação de Manaus.
SUMÁRIO

SEGMENTO: EDUCAÇÃO INFANTIL


GT1 – NATUREZA, SOCIEDADE E APRENDIZAGEM NA EDUCAÇÃO
INFANTIL

Horta Escolar: alimentação saudável desde a primeira infância à vida adulta


Raquel Xavier da Silva
Lívia Amanda Andrade

A horta e jardim florido, uma experiência de aprendizagem em classes multisseriadas


Ivanete Pereira de Souza
Valdileia Rodrigues da Silva
Ellís Regina de Sousa Maciel

GT2 – LINGUAGEM ORAL E ESCRITA NA EDUCAÇÃO INFANTIL

Os meios de comunicação: trabalhando a oralidade na Educação Infantil


Elísia Filgueira de Almeida

Navegando no letramento na Educação Infantil


Izabel Silva Bragança Pinheiro
Ellis Regina Souza Maciel

GT3 - LINGUAGEM MATEMÁTICA NA EDUCAÇÃO INFANTIL

O lúdico: jogos, brinquedos e brincadeiras na construção do processo de aprendizagem


na educação infantil
Simone Helen Drumond Ischkanian
Ellís Regina de Sousa Maciel

SEGMENTO: 4º AO 9º ANOS

GT1 – LINGUAGEM

A produção textual a partir da linguagem audiovisual: oficinas de curtas-metragens para


leitura e produção de cartazes, poemas, roteiros, resenhas e sinopses
Ana Cristina Cavalcante Soares

Texto instrumental - Receitas culinárias


Joicylene Sabóia de Oliveira

Diversidade étnico-racial através da contação de histórias


Amanda Paula de Lima
Sheila Nunes da Silva
Suelen Falcão
GT2 – CIÊNCIAS HUMANAS

Meu Primeiro Mapa Digital


Renato Ferreira de Souza

Projeto Diversidade Religiosa


Arlete de Bastos

A influência das propagandas na consolidação dos estereótipos de gênero


Marcos Lucas Baraúna da Silva
Michelle de Albuquerque Rodrigues

GT3 – CIÊNCIAS NATURAIS E LINGUAGEM

Projeto Livro da Turma – Poemas


Joicylene Sabóia de Oliveira

Facetas da Diversidade Cultural na obra de mestre Vitalino: oficina de animação em


stop motion
Luciana Pereira da Costa e Silva

O combate ao Aedes Aegypti – sensibilização da comunidade escolar através da


elaboração de histórias em quadrinhos
Luciana Evelyn Aquino de castro Ferreira

Reutilizar para não descartar


Raimundo Rodrigues de Souza

Ciclo da vida e Sexualidade


Maria do Socorro Ferreira da Silva
Ana Cláudia Souza Silva

Utilização do jogo “Bingo Atômico” como estratégia de ensino sobre a estrutura do


átomo e da tabela periódica
Luciana Evelyn Aquino de Castro Ferreira

Diversidade Sexual, Gênero e Homofobia na Escola: reflexões para a construção de


uma cultura de paz na escola
Mariscleide Brito dos Santos
Ticiana Araújo dos Reis

GT4 - LINGUAGEM

Diretrizes e Programas de Jovens e Adultos no Sistema Público Estadual de Ensino do


Amazonas (2010-2014)
Maria Rutimar de Jesus Belizário
Maria das Graças Sá Peixoto Pinheiro
GT5 - MATEMÁTICA

Jogos de Construção Interdisciplinar nos Anos Iniciais


Dennys Gomes Ferreira
Juraci Pessoa Santos

SEGMENTO: PROGRAMA DE TUTORIA EDUCACIONAL

GT1 – TUTORIA EDUCACIONAL

Vivências interativas e superação de conflitos interpessoais na Educação Infantil: um


relato de experiência
Michele Cleise dos santos Oeiras
Vanusa Miranda Dinelly

Tutoria Educacional – uma experiência de formação em serviço no primeiro período da


Educação Infantil
Alessandra Pinheiro Ferreira
Patrícia Andrade de Figueiredo

Formação em Serviço: experiências vivenciadas por um professor tutorado


Bruno Luís de Alencar Carneiro

A maleta do futuro e os gêneros textuais: desdobramentos de um planejamento reflexivo


Dilma Nazaré dos Anjos Silva da Fonseca
SEGMENTO: EDUCAÇÃO INFANTIL

GT1
NATUREZA, SOCIEDADE E APRENDIZAGEM NA EDUCAÇÃO INFANTIL
Mediadora: Profa. MSc. Ellis Regina de Sousa Maciel

HORTA ESCOLAR: ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL DESDE A


PRIMEIRA INFÂNCIA À VIDA ADULTA

Raquel Xavier da Silva1


Lívia Amanda Andrade de Aguiar2

INTRODUÇÃO

O presente artigo aborda o tema da alimentação saudável desde a primeira


infância à vida adulta das crianças do 1º período da Educação Infantil (EI) matriculadas
no Centro Municipal de Educação Infantil Professor Caio Carlos Frota de Medeiros
(CMEI), tema de extrema relevância em função da má alimentação das crianças devido
as suas escolhas e gostos alimentares que estão sendo formados na primeira infância.
Temos como objetivo promover o incentivo à qualidade de vida por meio da
alimentação saudável iniciada na primeira infância à vida adulta das crianças da EI. Para
Silveira (2005, p. 3), “os primeiros anos de vida constituem uma das fases decisivas
para a formação do ser humano”, por isso, a relevância em desenvolver bons hábitos
alimentares nas crianças, oferecendo-lhes uma merenda de qualidade.
Ao olharmos os alimentos levados pelas crianças para consumir no CMEI
notamos que os alimentos carecem de vitaminas e nutrientes benéficos a saúde e ao
crescimento físico e intelectual. Durante a hora do lanche da EI visualizamos a
preferência das crianças pelos alimentos industrializados que seus pais colocam em suas
lancheiras. Desta forma, acreditamos que a merenda escolar pode ser mais atrativa à
medida que realizamos atividades formativas no CMEI com as crianças e com os pais.
Nosso percurso metodológico envolve uma Sequência Didática (SD) e
fundamenta-se na pesquisa bibliográfica e em leis educacionais vigentes. A SD foi
1
Professora na Secretária Municipal de Educação (SEMED). Especialista em Educação Infantil pela
Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e em Psicopedagogia (Uniasselvi). Manaus, Amazonas,
Brasil. E-mail: raquelxavyer@outlook.com.
2
Pedagoga na SEMED. Mestranda do Programa Pós-graduação em Educação e Ensino de Ciências na
Amazônia. Universidade do Estado do Amazonas (UEA). Membro do Grupo de Estudos e Pesquisa em
Educação em Ciências em Espaços Não Formais (GEPENCEF/UEA). Manaus, Amazonas, Brasil.
Bolsista da CAPES. E-mail: lyvia_amanda@hotmail.com
organizada com atividades que promoviam da roda de conversas ao cultivo, colheita e
consumo das hortaliças na merenda escolar. As SD realizadas na horta do CMEI têm o
potencial de promover conhecimentos científicos e estão dentro do que preconizam os
documentos normativos da EI, a partir das atividades que introduziram as hortaliças
cultivadas pelas crianças em sua própria merenda conseguimos promover a valorização
da merenda escolar pelas crianças e pelos pais que também tiveram conhecimento de
todo o processo.

METODOLOGIA

Adotamos a pesquisa qualitativa para desenhar o percurso metodológico,


especificamente a pesquisa participante que segundo Moreira (2011, p. 98) “é uma ação
social em favor dos dominados” é uma metodologia que combina a pesquisa e a
educação em uma ação social. Para a coleta de dados usamos a observação, as falas das
crianças nas rodas de conversa e a SD, compreendida em seis momentos, no período de
duas semanas.
O local desenvolvido foi no CMEI Prof. Caio Carlos Frota de Medeiros,
localizado no Residencial Viver Melhor, funciona em dois turnos matutino e vespertino.
O público são duas turmas do 1º período da EI uma do turno matutino e outra do turno
vespertino, totalizando 48 crianças.

DISCUSSÃO E RESULTADOS

A SD é um termo usado na EI presente na Proposta Curricular da Educação


Infantil (MANAUS, 2016, p. 48), que consiste na organização das atividades educativas
em aulas sequenciais. Assim, para trabalhar com as crianças das duas turmas realizamos
a sistematização das atividades em uma SD, usando como tema “Adoção de bons
hábitos a partir de uma alimentação saudável”. Segundo os RCNEIs (1998), é papel da
EI o cuidar e educar, ou seja, a criança nos CMEIs desenvolvem conceitos de higiene
pessoal, de alimentação saudável e o lazer com o brincar voltado ao desenvolvimento
integral da criança.
Foi possível observar que nas duas turmas com o total de 48 crianças
distribuídas entre o turno matutino e vespertino, 32 delas não apreciavam as verduras e
legumes que fazem parte da merenda escolar, retirando-as do prato na hora da refeição.
As principais merendas ofertadas que possibilitam a visualização dos vegetais pelas
crianças são: risoto de frango com alface, sopa de feijão com batata, sopa de carne com
cenoura, canja com couve, destes mencionados as 32 crianças retiram de seus pratos a
alface, batata, cenoura e a couve.
As práticas da roda de conversa na sala de referência foram desenvolvidas
como uma maneira de amenizar a problemática, no entanto, não foi suficiente sendo
necessário que saíssem do abstrato para o universo concreto (VIGOTSKY, 1998,
p.112). Seguindo o que preconizam os RCNEIs (1998) no eixo Natureza e Sociedade
que realizamos a SD abordando a alimentação saudável de forma prática e lúdica, as
crianças foram o sujeito na etapa de construção do conhecimento, daquele momento em
diante, a realidade começou a mudar.
No primeiro momento da SD realizamos a roda de conversa sobre a
alimentação saudável e sua importância para a saúde e bem estar do ser humano, foram
desenvolvidas as seguintes perguntas motivadoras: O que são as sementes? Como se
cultivam as hortaliças? O que são as hortaliças? Após essas explanações fomos a horta
da escola cultivar as sementes da alface, começamos orientando as crianças que as
sementes são plantadas numa espécie de berçário com areia preta, que possui nutrientes
e vitaminas para o seu desenvolvimento. As crianças realizaram as suas observações e
descobertas sobre o processo de plantio dos vegetais.
No segundo momento da SD as crianças puderam observar o crescimento da
alface, regando as sementes até surgimento das mudas, isso levou algumas semanas.
Passadas essas semanas realizamos a terceira atividade, a transferência das mudas de
alface do berçário para as garrafas pet’s. A atividade proporcionou mais um contato
direto das crianças com a natureza que iriam aguardar o momento de retirada, que só
seria possível quando as alfaces estivessem prontas para o consumo, mas para isso
precisávamos continuar aguando.
Quarta atividade realizamos a colheita. Quando finalmente chegamos nessa
fase houve grande satisfação por parte das crianças ao verem a alface pronta para o
consumo, causando grande expectativa para a hora da merenda.
Quinta atividade o consumo na merenda escolar das hortaliças que eles
próprios haviam cultivado, colhido e entregue as manipuladoras de alimentos.
Percebemos durante a merenda a vontade de consumir a alface e a mudança no hábito
foi significativa, todas as crianças consumiram a alface.
Sexta atividade para concluir a SD foi a Feira de Ciências com o tema: Os
Nove Benefícios da Alface. Realizamos experimento com a alface no suco verde,
acrescentando a couve e frutas como o abacaxi, limão e a laranja. O suco verde foi
produzido com as crianças e ao degustar tivemos 95% de aceitação por parte delas
crianças e 100% dos adultos e professores que experimentaram durante a Feira de
Ciência.
As crianças continuam cultivando hortaliças, pois percebemos, que o que não
interessar, o que não atrair ou aguçar a curiosidade da criança não trará nenhuma
experiência duradoura e fecunda para a vida das crianças.

CONCLUSÃO

Concluímos que para o bom desenvolvimento das crianças precisamos mostrar


a elas o que lhe faz bem. Neste trabalho elaboramos uma SD para desenvolver conceitos
básicos de alimentação saudável. Outro dado importante está relacionado a alimentação
das crianças que a partir da prática desenvolvida no CMEI houve mudanças na
alimentação da escolar e familiar, passaram a aceitar as verduras e frutas que lhes são
oferecidas.
Compreendemos que os espaços fora da sala de referência são ambientes
capazes de promover o ensino na criança da EI desde que esteja associado a uma
metodologia bem articulada entre os eixos e as atividades diversificadas.

REFERÊNCIAS

BRASIL. Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil. Ministério da


Educação do Desporto. Secretaria de Educação Fundamental. Brasília: MEC/SEF, 1998.

MANAUS, Prefeitura de. Proposta Curricular Educação Infantil, creche/pré-escola,


2016.

MOREIRA, M. A. Metodologia de pesquisa em ensino. São Paulo. Ed. Livraria da


Física, 2011.

SILVEIRA, M. G. Avaliação do estado nutricional de crianças usuárias de creches


públicas do Município de Lavras, MG. Dissertação (Mestrado da UFLA). Lavras:
UFLA, 2005.

VIGOTSKY, L. Linguagem, desenvolvimento e aprendizagem. São Paulo. Ed. Ícone,


1998.
A HORTA E JARDIM FLORIDO, UMA EXPERIÊNCIA DE APRENDIZAGEM
EM CLASSES MULTISSERIADAS

Ivanete Pereira de Souza3


Valdileia Rodrigues da Silva4
Ellís Regina de Sousa Maciel5

INTRODUÇÃO

O homem é um ser social e interage com o meio onde vive. Dentre a


diversidade de ambientes em que ele interage destacamos os espaços naturais que
propiciam paz, harmonia, saúde e bem estar, quando bem cuidados. As escolas do
campo encontram-se localizadas em áreas que possuem amplos espaços naturais,
entretanto a preocupação com a limpeza ao redor dessas escolas, às vezes contribui para
o vazio de plantas no entorno. Na intenção de minimizar este vazio e incluir os
estudantes na/da realidade local quanto à Educação Ambiental, o projeto pedagógico
desenvolvido em duas escolas do campo teve por intenção desenvolver práticas que
valorizem a natureza e o cuidado com o meio ambiente, proporcionando bem estar aos
que visitam e convivem no ambiente escolar, bem como a aquisição de diferentes
aprendizagens em classes multisseriadas.
Os conhecimentos trabalhados com os estudantes se fundamentam nos
documentos legais e teóricos sobre currículo e ações pedagógicas que promovam o
desenvolvimento integral do discente, dentre os quais destacam-se as DCNEI‟s (2009),
a Proposta Pedagogico-Curricular (MANAUS, 2013) e os RCNEI‟s (1998). Neste
aspecto se considera também, levar as crianças a demonstrar gratidão, respeito, cuidado
e preservação com o local onde vivem e compartilham de vivências e experiências
salutares.
O projeto que teve contribuições dos momentos formativos oferecidos pela
Divisão de Desenvolvimento Profissional do Magistério quanto à sistematização e
organização dos dados descreve como as ações foram desenvolvidas nas escolas do

3
Professora da Secretaria Municipal de Educação de Manaus-AM, graduada em Pedagogia e Pós-
Graduada em Ensino Religioso e em Ciência da Religião.
4
Professora da Secretaria Municipal de Educação de Manaus-AM, graduada em Pedagogia e Pós-
Graduada em Educação Infantil.
5
Professora Formadora da Secretaria Municipal de Educação-Manaus-AM. Mestre em Ensino de
Ciências na Amazônia pela Universidade do Estado do Amazonas-UEA. Especialista em Psicopedagogia
e Licenciada em Pedagogia. E-mail: eregina.sousa@gmail.com
campo, destacando os recursos e materiais usados; expõe as decorrências adquiridas,
acompanhadas de um olhar crítico; finaliza apontando os desafios e necessidades no
processo ensino-aprendizagem para as classes multisseriadas.

METODOLOGIA

O projeto foi desenvolvido em duas escolas municipais localizadas na área


ribeirinha do município de Manaus-AM. Em uma escola se cultivaram hortaliças e em
outra, plantas ornamentais. O trabalho se caracteriza como uma pesquisa bibliográfica e
de campo por se fundamentar em aportes teóricos e legais que auxiliaram no
entendimento e direcionamento para realização das ações pedagógicas. As técnicas
utilizadas foram a observação direta sobre o envolvimento e participação dos estudantes
da educação infantil ao ensino fundamental nas atividades propostas.
Considerando a característica determinante das classes multisseriadas, as
diferentes faixas etárias dos estudantes, as atividades se desenvolveram em momentos
distintos. A princípio foi realizada uma roda de conversas para sensibilização junto aos
estudantes sobre a proposta de temática e sua intenção. Essa sensibilização se estendeu
aos pais e/ou responsáveis das crianças e equipe escolar no sentido se estabelecerem
parcerias para o desenvolvimento do projeto.
Na sala de referência as rodas de conversas com as crianças foram momentos
contínuos, houve exibição de vídeos temáticos; Confecção de Origami de flores;
Pesquisas; Desenhos e pinturas. Para o plantio: Preparo da terra; Aquisição de mudas;
Plantio das mudas; Cuidado periódico com as plantas. O Projeto tem caráter de
continuidade, desta forma se estabeleceu o início das ações sem definição do término.

DISCUSSÃO E RESULTADOS

Os diálogos realizados entre professores e estudantes contribuíram para a troca


de conhecimentos e o desenvolvimento da oralidade, pois os estudantes questionaram,
levantaram hipóteses e relataram as diferentes situações vivenciadas dentro e fora da
escola. A Resolução n. 05 estabelece que,

o currículo da Educação Infantil é concebido como um conjunto de práticas


que buscam articular as experiências e os saberes das crianças com os
conhecimentos que fazem parte do patrimônio cultural, artístico, ambiental,
científico e tecnológico, de modo a promover o desenvolvimento integral de
crianças de 0 a 5 anos de idade (BRASIL, art. 3º, 2009).

As atividades do Projeto Jardim Florido auxiliaram no desenvolvimento e


aprendizagem dos estudantes bem como na revitalização das áreas verdes da escola. A
horta e o jardim inseridos no ambiente escolar serviram como laboratório vivo que
possibilitou o trabalho de diversos temas em educação ambiental e alimentar, auxiliando
no processo de ensino-aprendizagem e o estreitamento das relações através da
promoção do trabalho coletivo e cooperativo entre os agentes sociais envolvidos.
Os estudantes puderam atuar como responsáveis pela seleção das espécies a
serem cultivadas, pela obtenção de mudas e sementes e pela semeadura, plantio e o
cuidado com a horta e o jardim, bem como a análise da terra e adubo a serem utilizados.
Eles puderam também realizar a colheita, a higienização e o preparo dos alimentos, com
a supervisão dos adultos.
Tanto a irrigação das plantas em que os estudantes pegaram a água do rio que
passa enfrente a Comunidade como as atividades ligadas ao uso do solo tais como
revolver a terra, plantar, arrancar matos, podar, regar não só constituíram como um
ótimo exercício físico como representaram uma forma de aprendizado saudável e
criativo, pelo contato com as coisas da natureza.
Além destas aprendizagens os estudantes demonstraram reflexão e mudança de
atitudes voltadas para a valorização do ambiente escolar; Conhecimento sobre a
diversidade de espécies vegetais existentes em sua comunidade; Conhecimento de si e
autonomia; Desenvolvimento da oralidade e Conhecimento dos processos do plantio.
A participação dos gestores das unidades escolares foi e tem sido fundamental
nesse projeto, pois eles têm exercido diferentes funções seja supervisionando o mesmo,
auxiliando nas tomadas de decisões durante o projeto ou na resolução dos problemas
que surgem. Eles atuam ainda realizando contato com especialistas para que possam
colaborar com a execução do projeto.
Os professores como mediador do processo aprendizagem atuou/atua
auxiliando e orientando os alunos no desenvolvimento das ações para manutenção da
horta e do jardim. Elaborando e propondo metodologias interdisciplinares para
abordagem dos conteúdos dispostos no currículo da educação infantil e ensino
fundamental. Para Chaguri (2006, apud BORGES et al, 2014), a intervenção do
professor deve ocorrer no momento certo, estimulando os alunos a uma reflexão, para
que possa ocorrer a estruturação do conhecimento. Outros servidores das escolas, como
merendeiras, atuaram/atuam fazendo a higienização e preparo dos alimentos, além de
auxiliar os alunos a escolher e preparar receitas que tinham, entre seus ingredientes, os
alimentos cultivados na horta.

CONCLUSÃO

A promoção da educação ambiental é um processo longo, muitas vezes árduo,


com envolvimento de conquistas. Nesse processo são construídos e adquiridos valores e
princípios que servirão de base ao longo da vida. São orientados por pessoas que
persistem e acreditam que é possível contribuir para mudanças significativas
relacionadas à preservação ambiental e ao respeito à natureza. O projeto possibilitou
construção e reconstrução de conhecimentos, desta forma defende-se a necessidade de
refletirmos sobre qual é nosso papel na natureza. O que somos para ela? O que devo
fazer para amenizar os efeitos desastrosos provocados ao meio ambiente? O que devo
fazer em sala de aula para preservá-la, bem como todo espaço escolar uma vez que em
média permaneço durante quatro horas por dia neste ambiente? E, em minha casa? E na
comunidade, o que devo fazer?
Esses questionamentos nos levarão a uma reflexão da postura que temos diante
do meio ambiente em que vivemos. Consequentemente, os resultados surgirão a partir
do momento em que passamos a nos sentir seres integrantes desse meio. Sem esse senso
de pertencimento não nos conseguiremos sentir responsáveis pela preservação
ambiental.
Tendo o projeto um caráter de continuidade as turmas dos anos iniciais do
Ensino Fundamental cultivarão temperos, verduras e legumes com partes comestíveis
grandes e coloridas, de crescimento rápido e de fácil cultivo (alface e rabanete, por
exemplo); as turmas de educação infantil serão responsáveis pelo cultivo e cuidado das
mudas das plantas ornamentais no jardim.
Interação e fortalecimento do trabalho em equipe são necessários para o bom
andamento das ações pedagógicas dentro do contexto escolar. Trabalhar os
conhecimentos de forma interdisciplinar é uma prática que atende a necessidade das
classes multisseridas. Desta forma o professor de qualquer área pode e precisa
desenvolver possibilidades de aproximação do aluno com os conhecimentos das
ciências naturais no processo ensino-aprendizagem. Pensar em uma intervenção
pedagógica é um dos caminhos mais coerentes de alcançar os objetivos satisfatórios
relacionados à educação ambiental. O desenvolvimento de projetos, relacionados às
questões ambientais como integrante de todas as áreas do conhecimento deve ser uma
das prioridades em todas as escolas e níveis de ensino desde a educação infantil. Enfim,
é preciso promover uma interação dialógica, estimulando o comprometimento e
participação dos estudantes em todas as ações pedagógicas, bem como de todos os
demais sujeitos que interagem no espaço escolar.

REFERÊNCIAS

BORGES, Cristiane Souza; RAMOS, Átila Silva; AMORIM, Kaline Prates. A


importância do ensino de Ciências de forma prática e lúdica na Educação Infantil.
Santa Maria/RS, Brasil, Associação Internacional de Pesquisa na Graduação em
Pedagogia (AINPGP). 30 de julho a 01 de agosto de 2014.

BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Básica. Diretrizes


Curriculares Nacionais para a Educação Infantil/Secretaria de Educação Básica-
Brasília: MEC, SEB, 2010.

BRASIL. Referencial curricular nacional para a educação infantil. Ministério da


Educação do Desporto. Secretaria de Educação Fundamental. Brasília: MEC/SEF, 1998.

RESOLUÇÃO CNE/CEB 5/2009. Diário Oficial da União, Brasília, 18 de dezembro de


2009, Seção 1, p. 18.

SECRETARIA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO DE MANAUS. Proposta pedagógico-


curricular da educação infantil. Manaus, AM: SEMED, 2013.
GT2
LINGUAGEM ORAL E ESCRITA NA EDUCAÇÃO INFANTIL
Mediador(a): Profa. Esp. Antônio Carlos Freitas dos Santos Filho
Prof. Esp. Helane Mary Prado

OS MEIOS DE COMUNICAÇÃO:
TRABALHANDO A ORALIDADE NA EDUCAÇÃO INFANTIL

Elísia Filgueira de Almeida6

INTRODUÇÃO

Este relato de experiência tem sua origem no CMEI Profª Ângela Maria
Honorato da Costa. Escola da rede Municipal de Manaus-SEMED. O CMEI é um
espaço de educação infantil que privilegia o livre brincar como expressão da
subjetividade, como meio de formar conceitos sobre valores como afetividade,
cooperação, fraternidade e entre outros que juntos ajudam a formar um ser humano
integral e autônomo. Durante todo o ano letivo, procura-se integrar as atividades do
CMEI ao contexto em que a criança está inserida, propondo a ela um momento de
prazer no ato do desenvolvimento da linguagem aliado às significações que pode criar e
recriar do mundo enquanto desenvolve as atividades através de recursos pedagógicos.
A Escola onde essa proposta foi desenvolvida prioriza a Educação Infantil,
com alunos de 03 a 05 anos e, por isso o trabalho realizado com as crianças está
relacionado com suas experiências, além de respeitar e considerar os conhecimentos que
traz do espaço extraescolar como indicador de sua sociabilidade e de como se relaciona
com os acontecimentos reais que ocorrem em seu cotidiano. A proposta busca propiciar
momentos de aprendizagem significativa através de recursos lúdicos que desenvolva a
oralidade dessas crianças, incentivar que a criança se desenvolva por meio da
comunicação e, assim, melhorar a relação da criança com o mundo através da oralidade.
A linguagem oral exerce função essencial no desenvolvimento e aprendizado
cultural das crianças. No uso desta linguagem ela formará opinião sobre as coisas,
expressará seus sentimentos e pensamentos, buscando atribuir sentido no que realiza
motivada pelos resultados obtidos.

6
Graduada em Licenciatura em Pedagogia pela Faculdade Boas Novas em 2011. Especialização em
Psicopedagogia pelo IDAAM/ NASSAU 2014. Cursando Especialização em Educação, Pobreza e
Desigualdade Social pela Universidade Federal do Amazonas - UFAM.
O trabalho pedagógico buscou garantir nas turmas de educação infantil
conversação diária, músicas cantadas, leitura e audição de histórias, e outros os quais
promovem o desenvolvimento e a aprendizagem.
A capacidade de desenvolvimento de linguagem nas crianças é marcada pelas
possibilidades de trocas verbais e discursivas e o adulto ou o professor tem uma função
importante nesse processo no âmbito escolar, podendo promover uma série de
atividades para essa evolução (RONCADO & LACERDA, 2005).
Uma das tarefas da educação infantil é ampliar, integrar e ser continente da fala
das crianças em contextos comunicativos para que ela se torne competente como falante
(RCNEI BRASIL, 1998). Os aspectos experienciais trabalhados foram: a linguagem
falada e a escrita, buscando explorar as diversas formas existentes. Uso de diversos
elementos de linguagem oral, escrita e visual para estabelecer interações, como: jornal
impresso, revistas, telefone, computador. Inserção do alfabeto de imprensa e cursivo

METODOLOGIA

Para a construção desse objeto tomou-se como base a proposta de Amante e


Morgado (2001), que define que a construção de um Objeto de Aprendizagem é
realizada a partir de quatro etapas, sendo elas, (1) a concepção do projeto, ou seja,
definição, delimitação do conteúdo que será elaborado; (2) o planejamento, momento no
qual buscam-se os aportes teóricos, além de sua estruturação; (3) a implementação, com
a construção do objeto em si; e, (4) a validação.
Para a coleta de dados, foi realizada uma pesquisa caracterizada como estudo de
abordagem qualitativa do tipo estudo de caso. Trata-se, assim de uma pesquisa
qualitativa, pois parte da observação dos fenômenos e dos sujeitos a partir do meio
histórico e social em que estão inseridos e são produzidos. Assim, caracteriza-se por ser
uma pesquisa em que o pesquisador coleta dados emergentes, tendo como objetivo o
desenvolvimento de temas a partir desses dados (CRESWELL, 2007). Por estudo de
caso, entende-se como uma investigação empírica que, de acordo com Yin (2005, p.
32), (1) investiga um fenômeno contemporâneo dentro de seu contexto, e (2) seus
limites entre o fenômeno e o contexto não estão claramente definidos. Esses estudos
permitem que suas escritas possam ser conduzidas e desenvolvidas por diversos
motivos, podendo incluir casos individuais ou generalizações amplas baseadas em
evidências. Essa técnica de pesquisa pode ser caracterizada como um recurso na
compreensão no processo de representações sociais, comportamentos e percepções de
determinados grupos. Os recursos utilizados para realização do trabalho foram: Jornais
impressos, Revistas impressas, Computador, TV, Rádio, Quadro Branco, Papel A4,
Lápis de cor, entre Outros.
O trabalho foi desenvolvido através de conversa informal sobre a importância
dos meios de comunicação social, Comparação dos nomes dos meios de comunicação,
Roda de história e/ou exposição oral sobre: Os meios de comunicação, Relação entre os
meios de comunicação social existente em nossa comunidade, Tipos de profissionais da
área de comunicação e as várias formas de se comunicar. Trabalhamos também com
Leitura de imagens e símbolos, Produções escritas. Para finalizar a proposta de trabalho
realizamos uma Culminância das atividades realizadas.

DISCUSSÃO E RESULTADOS

A proposta realizada revela fatos importantes para o desenvolvimento da


prática pedagógica dos professores no cotidiano escolar. A partir dos objetivos
estabelecidos as crianças tiveram: Conhecimentos de vários meios de comunicação, os
tipos de profissionais que atuam nessa área, interagiram com várias formas de se
comunicar, desenvolvimento da oralidade através da leitura de imagens e audição de
histórias, trocas de experiências entre os grupos, registros através da escrita,
desenvolvimento da coordenação motora. Dessa maneira, é evidente a influência que os
meios de comunicações possuem, e podem ajudar na construção da identidade de
crianças e nos modos de ser criança na contemporaneidade.

CONCLUSÃO

O objeto de “Os meios de comunicação: trabalhando a oralidade na educação


infantil” busca alertar os professores para o uso dos diversos meios de comunicação,
inclusive o computador, pelas crianças na sala de aula. A partir disso, apresenta os
resultados da proposta pedagógica realizada com crianças do 2º período de educação
infantil que constata que a utilização dos diversos meios de comunicação podem sim
auxiliar no desenvolvimento tanto da oralidade quanto da escrita, inclusive na
coordenação motora. Muitos ainda acreditam que é impossível conciliar educação de
qualidade com o uso das tecnologias, sabe-se que, de certa forma, essa visão é fruto de
uma educação que segue padrões determinados de escolarização, não abrindo espaço
para práticas diferenciadas e que estejam de acordo com as vivências dos alunos.
Percebe-se, assim, o quanto a cultura escolar, na determinação de práticas e
modos de transposição didática, comportamentos e normas sociais realizadas na escola,
dificultam a disseminação de diferentes métodos e recursos.

REFERÊNCIAS

AMANTE, Lúcia e MORGADO, Lína, (2001). Metodologia de Concepção e


Desenvolvimento de Aplicações Educativas: o caso dos materiais hipermedia. In:
Revista Discursos: língua, cultura e sociedade, Portugal, v. 3, n. especial, p. 27-44.

BRASIL, Ministério da Educação e do Desporto. Secretaria de educação Fundamental.


Referencial curricular nacional para a educação infantil.Brasília: MEC /SEF, 1998,
v. 3.

CRESWELL, J. W. Projeto de pesquisa: método qualitativo, quantitativo e misto.


Porto Alegre: Artmed, 2007.

DORNELLES, L. V. Infâncias que nos escapam: das crianças de rua à criança


cyber. Petrópolis, RJ: Vozes. Porto Alegre, 2005

MCLUHAM, M. Os meios de comunicação – como extensões do homem. 3. ed. São


Paulo: Cutrix, 2005.

MEDEIROS, C. Vôo mágico. 2. ed. São Paulo: Escala Educacional, 2009.

RONCATO, C. C.; LACERDA, C. B. F. Possibilidades de desenvolvimento de


linguagem no espaço da Educação Infantil. Distúrbios da Comunicação, São Paulo,
v.31, nº 2, p. 215223, ago. 2005.

SECRETARIA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO DE MANAUS. Proposta pedagógico-


curricular da educação infantil. Manaus, 2013.

VEEN, W; VRAKKING, B. Homo Zappiens: Educando na era digital. Porto Alegre,


Artmed. 2009

YIN, R. K. Estudo de caso: planejamento e métodos. Porto Alegre: Bookman, 2005.


NAVEGANDO NO LETRAMENTO NA EDUCAÇÃO INFANTIL

Izabel Silva Bragança Pinheiro7


Ellís Regina de Sousa Maciel8

INTRODUÇÃO

Na sociedade contemporânea ter o domínio da leitura e escrita é visto como


questão de cidadania, pois estes ampliam horizontes e promovem a inclusão. Pensando
nesta amplitude e em oportunizar experiências significativas no processo ensino –
aprendizagem das crianças da Educação infantil de uma Escola Municipal de Manaus-
AM o projeto buscou desenvolver a partir da linguagem oral e escrita atividades que
abordam à importância dos nutrientes presentes nos peixes e frutos da região
Amazônica e que promovem uma vida saudável.
Além da promoção da vida saudável considera-se relevante sensibilizar as
crianças quanto aos cuidados e preservação do meio ambiente, a partir do conhecimento
sobre os tipos de frutos e espécies de peixes existentes nas florestas e rios amazônicos.
Estimular o processo de aprendizagem de forma dinâmica, prazerosa e lúdica, trazendo
à tona problemáticas ambientais e sociais (preservação, fome, não desperdício de
alimentos, etc.), é, indiscutivelmente, um dos grandes desafios para a educação infantil
de nosso país.
Para auxiliar as instituições e educadores de/a Educação Infantil a superarem
esses desafios as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil – DCNEI‟s
(2009), assim como a Proposta Pedagógico-Curricular de Educação Infantil da
Semed/Manaus-AM (2013) preconizam uma ação pedagógica norteada pelos eixos
interações e a brincadeira onde se desenvolvam atividades diversificadas que visam o
desenvolvimento integral da criança. Fundamentado nestes aspectos legais, nas
contribuições das experiências formativas desenvolvidas no espaço de formação
continuada da Secretaria Municipal de Manaus – Semed, e em documentos didáticos e
paradidáticos se oportunizou experiências e vivências significativas às crianças da
escola supracitada.

7
Professora de Educação Infantil da Secretaria Municipal de Educação-Manaus-AM, com graduação em
Licenciatura Plena em Pedagogia.
8
Professora Formadora da Secretaria Municipal de Educação-Manaus-AM. Mestre em Ensino de
Ciências na Amazônia pela Universidade do Estado do Amazonas-UEA. Especialista em Psicopedagogia
e Licenciada em Pedagogia. E-mail: eregina.sousa@gmail.com
Desta forma, situar um direcionamento a respeito do que se pretendia alcançar
no desenvolvimento do projeto foi crucial. Para tanto se estabeleceram objetivos os
quais orientaram as ações que desenvolvidas e analisadas estão apresentadas ao longo
deste trabalho. Nestes registros se discorre sobre os caminhos trilhados ao longo do
projeto com suas especificidades, assim como as diferentes interações vivenciadas pelas
crianças as quais possibilitaram o desenvolvimento da oralidade e a construção de
novos conhecimentos. Em fechamento se destaca os pontos relevantes do trabalho e as
necessidades urgentes.

METODOLOGIA

O campo de pesquisa foi uma Escola Municipal na Zona Oeste da cidade de


Manaus, que oferece ensino da educação infantil aos anos iniciais do ensino
fundamental. Os sujeitos envolvidos foram crianças da educação infantil, pré-escola.
Procedimentalmente o trabalho bibliográfico e de campo coletou dados a partir da
observação direta nos espaços de interação. Considerou-se para o desenvolvimento das
atividades as orientações dispostas no documento norteador da ação pedagógica na
Secretaria Municipal de Educação de Manaus-AM para a educação infantil. “Existem
atividades cuja realização se configura indispensável no cotidiano das rotinas das
Creches e Pré-Escolas. [...] as atividades diversificadas, as brincadeiras livres e
orientadas, as leituras e contações de histórias” (MANAUS, 2013, p. 50).
As atividades diversificadas consistiram na interação e socialização das
crianças através da contextualização dos livros: “Fábulas e Apólogos da Amazônia” das
autoras amazonenses Barbosa e Barbosa (2014) e “As Frutas do meu quintal” de
Peixoto (2010); dos jogos criados em sala de aula decorrente da necessidade de fixar o
aprendizado sobre o reconhecimento das letras do nome da criança, das frutas, e dos
peixes regionais; roda de conversas sobre a importância dos sucos e doces feitos a partir
das cascas de frutas; prática da oralidade usando a técnica de debates em que uma
criança falava e outra ouvia; e reunião com os pais para tornar conhecido o
desenvolvimento do projeto, bem como a ênfase sobre a importância da participação e
iniciativa destes nas atividades realizadas pelas crianças dentro e fora da escola.
Outras atividades, recursos e materiais didáticos utilizados para o alcance dos
objetivos foram: audição do CD e exibição em slides sobre a história infantil amazônica
“O Cardinal e o Acará Disco”; Pesquisas; Reprodução das histórias pelas crianças
através de desenho, dobradura, pintura, recorte e colagens, jogos direcionados,
culminância para socializar os conhecimentos construídos.

DISCUSSÃO E RESULTADOS

As DCNs (2009) no Art. 9º, inciso III estabelecem que as práticas pedagógicas
devem “possibilitar às crianças experiências de narrativas, de apreciação e interação
com a linguagem oral e escrita, e convívio com diferentes suportes e gêneros textuais
orais e escritos”. Na aplicação do trabalho pedagógico que procurou oportunizar as
crianças diversas e diferentes atividades obtivemos por meio da contextualização dos
livros de histórias amazônicas a participação das crianças de forma espontânea. Ao
longo dessa atividade elas manifestaram curiosidade e questionaram detalhes sobre as
espécies vegetais e animais.
A curiosidade das crianças levou a necessidade de aprofundar ainda mais o
tema estudado, por isso foram criados jogos didáticos os quais ajudaram no aprendizado
sobre o reconhecimento das letras do nome da criança, das frutas, e dos peixes
regionais. Neste sentido Ibidem (2009) no Art. 9º, inciso I acrescenta que é necessário
oportunizar as crianças experiências que “promovam o conhecimento de si e do mundo
por meio da ampliação de experiências sensoriais, expressivas, corporais que
possibilitem movimentação ampla, expressão da individualidade [...]”.
A roda de conversas, atividade indispensável na rotina infantil, oportunizaram
o desenvolvimento da oralidade e a manifestação dos conhecimentos sobre o tema.
Durante as rodas de conversas as crianças conversavam e ouviam a professora e os
colegas falarem sobre as espécies vegetais e animais que conheciam ou possuíam em
casa, falavam sobre a importância dos sucos e doces feitos a partir das cascas de frutas;
uma fala que resultou da participação efetiva dos pais nas atividades de pesquisa
desenvolvidas com as crianças dentro e fora da escola. Para essa participação o diálogo
foi fundamental, pois sem ele a família não teria conhecimento sobre as ações
pedagógicas desenvolvidas na escola e entendido se papel social na educação de seus
filhos.
Outras aprendizagens foram percebidas na interação com as crianças: o
reconhecimento delas sobre os sabores dos sucos e doces das cascas das frutas;
participação nas tomadas de decisões e responsabilidades em grupo; representação das
frutas e peixes utilizando desenho e dobraduras, colagem com mosaicos, priorizando a
criação em detrimento dos desenhos prontos. Nestas aprendizagens ficam evidenciados
os princípios éticos, políticos e estéticos que precisam ser respeitados quando se pensa
ações pedagógicas para crianças.
Assim como as diretrizes curriculares nacionais para educação infantil o
referencial curricular para a educação infantil (BRASIL, 1998) também orienta para
uma ação pedagógica com uso de diferentes linguagens. Além da linguagem oral
escrita, outras linguagens foram trabalhadas no desenvolvimento deste projeto: a
musical, na qual se trabalhou com as crianças a entonação musical com jogos e
dinâmica: salada de frutas e, produção de som com o próprio corpo; na matemática se
fez a utilização dos números para relacionar com a quantidade de frutas e peixes,
comparação de números, cores, e agrupamentos dos objetos e materiais existentes no
tema abordado; tecnológica na qual se fez exibição de vídeo e audição de músicas sobre
as vitaminas das frutas, Cuidado com o Corpo, Saúde e bem-estar. Filmagens com
Críticas Televisivas e Convergência Tecnológica.

CONCLUSÃO

Através deste trabalho foi possível construir aprendizagens e compreender a


importância de um planejamento pedagógico que considere o desenvolvimento integral
da criança, nos aspectos físico, sensorial e intelectual.
A utilização de diferentes recursos e materiais possibilitaram o
desenvolvimento e aprendizagens das crianças de forma significativa, pois elas puderam
manifestá-los nos registros, na participação efetiva durante as diversas atividades
realizadas na escola. Também se destaca nesse processo de aprendizagens a relação
estabelecida com a família, pois a participação desta nas pesquisas com as crianças
enriqueceu a mediação dos conhecimentos.
O reconhecimento e apoio da equipe técnica escolar (pedagogo e gestor), assim
como a parceria com as demais professoras da Educação Infantil, da escola fortaleceu a
caminhada rumo ao alcance dos objetivos. Desta forma conclui-se que o
desenvolvimento da linguagem oral e escrita na educação infantil é complexo por
envolver diversos aspectos, diferentes linguagens, porém necessários à construção de
novos conhecimentos.
REFERÊNCIAS

BARBOSA, Creuza Ferreira, SILVA, Adriana Ferreira Barbosa. Fábulas e Apólogos


da Amazônica. Manaus: Valer, 2014.

BRASIL. Ministério da Educação. Conselho Nacional de Educação. Diretrizes


Curriculares Nacionais para a Educação Infantil. MEC/CNE: 11 de novembro de
2009.

BRASIL. Ministério da Educação e Cultura. Resolução nº 5, de 17 de dezembro de


2009. (*) Fixa as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil.

BRASIL. Referencial Curricular Nacional para Educação Infantil: Conhecimento


de Mundo. Brasília,1998. V. 3, p. 151 – 152.

SECRETARIA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO DE MANAUS. Proposta pedagógico-


curricular da educação infantil. Manaus, AM: SEMED, 2013.

PEIXOTO, Ana. As frutas do meu quintal. Manaus, AM: Valer, 2010.


GT3
LINGUAGEM MATEMÁTICA NA EDUCAÇÃO INFANTIL
Mediadora: Profa. MSc. Maria Goreth da Silva Vasconcelos
Profa. MSc. Suelen Coelho de Lima

O LÚDICO: JOGOS, BRINQUEDOS E BRINCADEIRAS NA


CONSTRUÇÃO DO PROCESSO DE APRENDIZAGEM NA EDUCAÇÃO
INFANTIL

Simone Helen Drumond Ischkanian 9


Ellís Regina de Sousa Maciel10

INTRODUÇÃO

A ludicidade é uma necessidade do ser humano em qualquer idade, mas


principalmente na infância, na qual ela deve ser vivenciada, não apenas como diversão,
mas com objetivo de desenvolver as potencialidades da criança, visto que o
conhecimento é construído pelas relações interpessoais e trocas recíprocas que se
estabelecem durante toda a formação integral da criança.
A introdução de jogos e atividades lúdicas no cotidiano escolar é muito
importante, devido a influencia que os mesmos exercem frente aos alunos, pois quando
eles estão envolvidos emocionalmente na ação, torna-se mais fácil e dinâmico o
processo de ensino-aprendizagem. O lúdico enquanto recurso pedagógico na
aprendizagem deve ser encarado de forma séria, competente e responsável. Desta forma
a intervenção dos educadores é um fator primordial no processo do ensino e
aprendizagem, além da interação social. De acordo com o Referencial Curricular
Nacional da Educação Infantil-RCNEI (BRASIL, 1998, p. 23) “Educar significa,
portanto, propiciar situações de cuidado, brincadeiras e aprendizagem orientadas de
forma integrada e que possam contribuir para o desenvolvimento das capacidades
infantis de relação interpessoal [...]”.

9
Professora de Educação Infantil da Secretaria Municipal de Educação-Manaus-AM, com graduação em
Licenciatura Plena em Pedagogia pela UFAM. Especialista em Educação Infantil pela UFAM e em
Coordenação Pedagógica e Supervisão Escolar pela Universidade Gama do Rio de Janeiro. Cursando
Neuropsicopedagogia pela UCAMPROMINAS MG. Cursando pós-graduação em Inclusão e em
Educação na Perspectiva do Ensino Estruturado para Autistas da abordagem TEACCH. Mestrado em
Ciências da Educação pela Universidad San Carlos.
10
Professora Formadora da Secretaria Municipal de Educação-Manaus-AM. Mestre em Ensino de
Ciências na Amazônia pela Universidade do Estado do Amazonas-UEA. Especialista em Psicopedagogia
e Licenciada em Pedagogia. E-mail: eregina.sousa@gmail.com
Em consideração a proposta supracitada este trabalho teve por intenção
demonstrar a importância da inserção do lúdico: jogos, brinquedos e brincadeiras na
construção do processo de aprendizagem na educação infantil, como um modelo prático
de vivência e de uma pedagogia escolar transformadora num exercício do aprender
infantil, a partir dos aspectos experimentais estabelecidos nas Diretrizes Curriculares
Nacionais para a Educação Infantil-DCNEI‟s (2010) e (MANAUS, 2013).
Para uma aprendizagem eficaz é preciso que a criança construa o conhecimento
e assimile os conteúdos. Na infância o ensino deve ser mediado de maneira lúdica, para
a criança adquira um aspecto significativo e afetivo no curso do desenvolvimento de sua
inteligência, já que ele se modifica de ato puramente transmissor ao ato transformador,
em ludicidade, denotando-se, portanto em jogos e brincadeiras.
Ao longo desse trabalho são apresentados os processos vivenciados com as
crianças, bem como os resultados e discussões teóricas das atividades lúdicas
desenvolvidas e que possibilitaram diferentes aprendizagens. Também se descreve as
percepções pessoais sobre o desenvolvimento do trabalho.

METODOLOGIA

O trabalho desenvolvido em um Centro Municipal de Educação Infantil-CMEI


da cidade de Manaus-Am caracteriza-se como uma pesquisa bibliográfica e de campo,
pois buscou fundamentação em teóricos que discutem sobre o brincar, jogos e
ludicidade na educação infantil, bem como nos aportes legais nacionais e locais que
trazem diretrizes para a prática pedagógica na infância.
Fizeram parte dessa pesquisa as crianças da pré-escola com as quais foram
direcionadas as observações diretas. Estas observações consistiram em verificar como
as crianças agiriam quando realizassem as atividades com jogos, brinquedos e
brincadeiras, pois estes foram desenvolvidos em consonância com os aspectos
experimentais proposto no currículo da educação infantil.
As atividades foram diversas, as crianças usaram os jogos educativos do
Programa de Ensino Sistematizado das Ciências - PESC, disponíveis no acervo
pedagógico da escola; jogos e brinquedos construídos com as crianças a partir de
sucatas, brinquedos educativos e brinquedos afetivos, livros de brincadeiras folclóricas
regionais, corporais, de conhecimento de mundo.
O diálogo entre escola e família foi outro ponto relevante no projeto, uma vez
que estabelece segurança e bem estar entre pais e filhos, em todas as fases da vida. Na
escola a roda de conversa esteve presente em todas as ações desenvolvidas com as
crianças, pois se entende que a oralidade é uma característica própria das crianças e que
elas aprendem durante quando questionam os fenômenos e descrevem suas
experiências.

DISCUSSÃO E RESULTADOS

Na Educação Infantil, educar não se limita em repassar informações ou mostrar


apenas um caminho, mas mediar os saberes necessários, para que a criança possa tomar
consciência de si mesmo e da sociedade. Educar também é oferecer diversas
possibilidades para que a criança possa escolher caminhos compatíveis com seus
valores, sua visão de mundo e com as circunstâncias adversas que cada um irá
encontrar. Neste sentido se oportunizou as crianças do CMEI diversas possibilidades
lúdicas nas quais elas participaram ativamente de sua aprendizagem, seja construindo os
brinquedos, discutindo as regras do jogo ou propondo soluções para resolvê-los.
Os resultados alcançados aqui apresentados demonstram que o uso dos jogos,
os brinquedos e as brincadeiras, enquanto recursos pedagógicos na aprendizagem,
encarados de forma séria oportuniza ao educador e ao educando, importantes momentos
de aprendizagens coesas em múltiplos aspectos experimentais.
A roda de conversas, prática imprescindível na educação infantil fez parte de
diferentes momentos. Durante essas atividades as crianças se expuseram e ouviram os
demais colegas sobre as situações diversas vivenciadas dentro e fora da escola. Entende-
se que esta atividade contribui para sua aprendizagem, as crianças se expõem, ouvem e
discernem valores escolares, familiares e sociais, os quais lhe ajudarão na tomada de
decisões nos diferentes contextos. A Resolução nº 05, que fixa as diretrizes
curriculares para a educação infantil fundamenta a atividade proposta às crianças,
segundo este documento,

As propostas pedagógicas da Educação Infantil deverão considerar que


acriança, centro do planejamento curricular, é sujeito histórico e de direitos
que, nas interações, relações e práticas cotidianas que vivencia, constrói sua
identidade pessoal e coletiva, brinca, imagina, fantasia, deseja, aprende,
observa, experimenta, narra, questiona e constrói sentidos sobre a natureza e
a sociedade, produzindo cultura. (art.4º, 2009).
Neste sentido a ludicidade compôs o repertório de ações, uma vez que se
acredita que quando as crianças aprendem brincando estão melhores preparadas para
descobrir em si mesmas suas potencialidades para agarrar e pegar com suas próprias
mãos, andar com seus próprios pés, observar e encontrar com os seus próprios olhos as
possibilidades para desenvolver a autoconfiança para novos conhecimentos.
A construção dos jogos e brinquedos (que possui significados próprios na
brincadeira e consequentemente para a formação humana, desenvolvimento e a
aprendizagem da criança), foi realizada de forma coletiva. (ISCHKANIAN, 2013, p.05)
afirma que,

A introdução de jogos e atividades lúdicas no cotidiano escolar é muito


importante devido à influência que os mesmos exercem frente aos alunos,
pois quando eles estão envolvidos emocionalmente na ação, torna-se mais
fácil e dinâmico o processo de ensino-aprendizagem. O lúdico enquanto
recurso pedagógico na aprendizagem deve ser encarado de forma séria,
competente e responsável. Os jogos, as brincadeiras e os brinquedos, quando
usado de maneira correta, poderão oportunizar ao educador e ao educando,
importantes momentos de aprendizagem em múltiplos aspectos.

Em todo processo de construção dos brinquedos e das brincadeiras se


observava a criatividade, o interesse e motivação das crianças. Processos de
aprendizagem que são tão importantes, quanto à alimentação, higiene e saúde que são
vitais para o desenvolvimento do ser humano, a brincadeira com ponto relevante, pelo
fato de construir uma base emocional e cognitiva, que auxiliará na tomada de decisões
futuras. A ação do “jogar e do brincar” levam a criança a experimentar, descobrir,
inventar, aprender e desenvolver o pensamento e a concentração, além da satisfação de
brincar com objetos criados por elas próprias. “Só brincando é que ela vai começar a
perceber o objeto não da maneira que ele é, mas como desejaria que fosse”
(BOMTEMPO; KISHIMOTO, 2000, p. 61).
Ainda como resultado das ações destaca-se a participação efetiva dos pais e
responsáveis pelas crianças que estiveram auxiliando a aprendizagem delas crianças em
casa e na escola. Isto se obteve a partir da sensibilização feita nas reuniões em que foi
apresentado o foco do projeto e a necessidade dessa parceria.
CONCLUSÃO

Conclui-se a partir das evidências que o lúdico na educação infantil é o exercício


do aprender de forma prazerosa e significativa, e desta forma é de suma importância que
os educadores proponham desafios e incentivem a participação coletiva infantil nas
diferentes atividades. O lúdico desde os mais funcionais até os de regra, os jogos e as
brincadeiras proporcionam experiências, possibilitando a conquista e a formação da
identidade infantil.
Como educadores, podemos constatar por meio de uma holística pedagógica,
que a criança brinca daquilo que vive. Ela extrai sua imaginação lúdica de seu dia-a-dia,
portanto, as crianças, que tem a oportunidade de brincar e jogar, estão mais preparadas
emocionalmente para controlar suas atitudes dentro do contexto escolar e social,
obtendo assim melhores resultados gerais no desenrolar da sua vida.
O lúdico promove o rendimento escolar além do conhecimento, oralidade,
pensamento e o sentido. Entretanto, compreender a relevância do brincar possibilita aos
professores intervir de maneira apropriada, não interferindo e descaracterizando o
prazer que o lúdico proporciona. Portanto, o brincar utilizado como recurso pedagógico
não deve ser dissociado da atividade lúdica que o compõe, sob o risco de
descaracterizar-se, afinal, a vida escolar regida por normas e tempos determinados, por
si só já favorece este mesmo processo, fazendo do brincar na escola um brincar
diferente das outras ocasiões.

REFERÊNCIAS

BOMTEMPO, Edda; KISHIMOTO, Tizuko Morchida (Organizadora). Jogo,


Brinquedo, Brincadeira e a Educação. 4ª. Edição. São Paulo; SP. Editora Cortez,
2000.

BRASIL. Ministério da Educação e do Desporto. Secretaria de Educação Fundamental.


Referencial curricular nacional para a educação infantil Ministério da Educação e
do Desporto, Secretaria de Educação Fundamental. - Brasília: MEC/SEF, 1998, volume:
1 e 2.

BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Básica. Diretrizes


Curriculares Nacionais para a Educação Infantil/Secretaria de Educação Básica-
Brasília: MEC, SEB, 2010.
ISCHKANIAN, Simone Helen Drumond. O Significado do Jogo, Brincadeira e do
Brinquedo no Desenvolvimento e Formação da criança na Educação Infantil.
(2013) Disponível em: <www.google.com.br/?gfe_rd=cr&ei=MhoHVur3K5Td8gfX-
KKABQ&gws_rd=ssl#q=osignificadodojogobrincadeiraedobrinquedonodesenvolvimen
toeformacaodacriancanaeducacaoinfantil. >Acesso em: 12 de dezembro de 2016.

RESOLUÇÃO CNE/CEB 5/2009. Diário Oficial da União, Brasília, 18 de dezembro de


2009, Seção 1, p. 18.

SECRETARIA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO DE MANAUS. Proposta pedagógico-


curricular da educação infantil. Manaus, AM: SEMED, 2013.
SEGMENTO: 4º AO 9º ANOS

GT1
LINGUAGEM
Mediador(a): Profa. MSc. Jolene da Silva Paula Cunha
Prof. MSc. Blás Torres
Profa. Esp. Kátia Florêncio

A PRODUÇÃO TEXTUAL A PARTIR DA LINGUAGEM AUDIOVISUAL:


OFICINA DE CURTAS-METRAGENS PARA LEITURA E PRODUÇÃO DE
CARTAZES, POEMAS, ROTEIROS, RESENHAS E SINOPSES

Ana Cristina Cavalcante Soares11

INTRODUÇÃO

A linguagem audiovisual é um recurso que por natureza amplia sua


aplicabilidade como meio didático diferenciado por ser percebido pelos sentidos da
audição e visão simultaneamente. Neste sentido a brevidade aparece como forte aliada,
pois facilita momentos de leitura, reflexão e produção de textos na sala de aula não só
escritos, mas audiovisuais também.
O curta-metragem é, para todos os efeitos, um filme, uma forma breve de
expressão audiovisual, com início e fim, unidade temática e com altíssima coerência e
coesão interna (NATIVIDADE, 2012). O curta-metragem cinematográfico equipara-se
ao conto na literatura ou o haicai na poesia; trata-se de uma forma breve e intensa de
contar uma história ou expor um personagem. É um momento curto em que o público
quer saber o que vai acontecer no segundo seguinte, mesmo que nesse espaço de tempo
efêmero o personagem tenha passado por uma vida inteira. (MOLETTA, 2009, p17).
Entende-se que a formação continuada para professores e feita de uma forma
consistente como foi a de Língua Portuguesa realizada pela Secretaria Municipal de
Educação, contribuiu não só para a troca de experiências entre docentes tão necessária,
cujo o foco foi a reflexão teórico-prática, mas para a escolha do tema desenvolvido de
tal relevância discutida nos encontros formativos.

11
Professora licenciada em Letras – Língua Portuguesa, especializada em Metodologia do Ensino
Superior e Literatura brasileira moderna e pós-moderna, pela Universidade Federal do Amazonas.
Atualmente leciona da Escola Municipal Vicente de Paula. E-mail: soares.anacrist@gmail.com
Nesta perspectiva, foi desenvolvida uma oficina de produção fílmica de curta
duração e partir dela, foram produzidos textos escritos e audiovisuais para posterior
socialização.
O avanço e a democratização da tecnologia permitiram que a linguagem
penetrasse em todas as camadas sociais. Hoje, montar um grupo ou núcleo de cinema é
tão simples quanto montar um grupo teatral. Sempre há alguém querendo contar uma
história. (MOLETTA, 2009, p17.).
Tendo em vista a dificuldade apresentada para escrever a partir de um texto
escrito, bem como o cenário midiático no qual os alunos estão inseridos é que optou-se
por intensificar a leitura e produção textual por meio da linguagem audiovisual.

METODOLOGIA

A prática didática foi realizada de acordo com a aprendizagem significativa,


uma vez que para que haja conhecimento novo é necessária uma predisposição para
aprender. O grupo de estudantes é motivado por algo que faça sentido proposto pelo
professor, o que o faz ressignificar e ampliar o conhecimento prévio.
Segundo Ausubel, citado por Moreira (1999, p67.), a aprendizagem
significativa ocorre quando a nova informação ancora-se em conceitos ou proposições
relevantes preexistentes na estrutura cognitiva do aprendiz. Ausebel vê o
armazenamento de informações no cérebro humano como sendo altamente organizado,
formando uma hierarquia conceitual na qual elementos mais específicos de
conhecimento são ligados (e assimilados) a conceitos mais gerais, mais inclusivos.
A atividade baseada na linguagem audiovisual também articula-se em
memórias e conceitos herdados e aprendidos.
Somos dotados da capacidade de sintetizar informações. A memória de tudo
que vivenciamos e o conhecimento que adquirimos ao longo da vida nos permitem fazer
associações entre as informações aprendidas pelos sentidos e os coceitos que formamos
na mente. O cinema trabalha fundamentalmente com o mecanismo de aprender (pelos
sentidos), de utilizar a memória e nossas ideias das coisas (conceitos já formados) e de
concluir a experiência proporconiada pelo filme ou vídeo (MOLETTA,2009,p29).
Desse modo foi feita uma oficina de pré-produção, produção e pós-produção de
um curta-metragem com a técnica em Stop Motion com alunos de 9º ano do ensino
fundamental do turno vespertino da Escola Municipal Vicente de Paula. A partir da
unidade três do livro didático de Língua Portuguesa, adotado pela escola, foram vistos
conceitos, feitas análises estruturais e pesquisa de gêneros textuais ligados ao texto
audiovisual tais como: sinopses e resenhas de filmes favoritos, para leitura em voz alta
dos textos escolhidos em sala de aula.
Após esta etapa, também foram exibidos curtas com temáticas variadas com
intuito de promover o debate acerca dos temas, função social, entre outros assuntos e,
sobretudo, para motivar o grupo a produzir textos escritos e audiovisuais.
As equipes formadas elaboraram roteiros, cartazes de suas produções. Ocorreu
ainda, para valorização da participação de todos, a produção escrita de poemas com a
escolha da temática e do objetivo feitos pelas turmas. Com o resultado dos trabalhos
desenvolvidos foi possível expor alguns dos poemas na Mostra Cultural ocorrida no dia
25 de agosto de 2016. No entanto, os textos audiovisuais foram apreciados apenas em
sala de aula.

DISCUSSÃO E RESULTADOS

A aplicabilidade desta sequência didática tornou-se eficaz, pois proporcionou


maior envolvimento dos partícipes, desde os encontros formativos direcionados aos
professores, como também a aceitabilidade das práticas desenvolvidas pelos alunos.
Segundo Moletta (2009), a sociedade aos poucos se dá conta da importância da
videoprodução, uma vez que qualquer pessoa pode produzir um vídeo expressando suas
ideias, críticas e sentimentos sobre a realidade em que vive e divulgá-los ao mundo
desde que com responsabilidade, pois é uma possiblidade até mesmo em máquinas
fotográficas e celulares.
Os resultados mostraram-se satisfatórios em sua maioria no sentido de
possibilitar maior volume de leitura e conhecimento de estruturação de gêneros textuais
diversificados, assim como suas condições de produção e comunicabilidade. A
produção textual escrita também mostrou-se mais consistente e variada neste processo
dialogal com o texto audiovisual, porém ainda com uma certa resistência ao modelo
coletivo de produção autoral. Portanto, tornam-se necessárias iniciativas que
consolidem o protagonismo do aprendiz que o façam reconhecer e assumir seu potencial
para fortalecimento de sua formação para a vida.
CONCLUSÃO

Embora a ideia original tenha sido a produção audiovisual como produto final,
todo o processo foi importante para os resultados obtidos de maneira tal que foi
vivenciada a prática escrita em suas funcionalidades: a criação (o que escrever), a
objetividade (para que escrever), a destinação (para quem escrever).
A reflexão, a troca de experiências dos diferentes autores, uma metodologia
contextualizada e diferenciada foram caminhos acertados de modo a favorecer a busca
de resultados reais de aprendizagem.
É imperativa a experimentação de linguagens alternativas, bem como recursos
tecnológicos acessíveis que facilitem o fazer pedagógico com objetivos e alcances
maiores, rompendo atividades estanques meramente repetitivas. A produção audiovisual
ajudou a potencializar o melhor uso da língua e mostrou-se eficaz e acessível ao uso das
tecnologias ao processo de ensino-aprendizagem atual. Mas, sobretudo, indicada ao
pleno uso não só em nível de ensino fundamental, como encontrado em artigos
científicos consultados usada outros níveis de ensino.
Entende-se a singularidade do apreender individual de modo a respeitar esses
estilos peculiares, mas a interação entre os envolvidos é eficaz na resolução de
problemas e na compreensão dos limites cognitivos e contextuais de cada realidade.
Neste sentido, a formação para a vida precisa estar sensível aos meios pelos quais busca
isso.

REFERÊNCIAS

MOLETTA, Alex. Criação de curta-metragem em vídeo digital: uma proposta para


produções de baixo custo. 3. ed. – São Paulo: Summus, 2009.

MOREIRA, M.A. Teorias de Aprendizagem. São Paulo: EPU, 1999.

NATIVIDADE, C. Curta-metragem e a experimentação da linguagem. Sesc TV,


São Paulo, n. 84, março. 2012. Disponível em: https://www.sescsp.org.br/online/artigo/
Acesso em: 5 out. 2016.

TAVARES, R. A. A. Vontade de Saber Português. 9ºano, 1. ed, - São Paulo: FDT,


2012.
TEXTO INSTRUCIONAL – RECEITA CULINÁRIA

Joicylene Sabóia de Oliveira12

INTRODUÇÃO

A abordagem sobre os gêneros textuais é uma importante etapa para


desenvolver as habilidades de leitura e escrita. Há certos gêneros que permitem uma
prática dinâmica e um contato maior à realidade do aluno. Assim, os textos
instrucionais, caracterizados pelo uso de uma estrutura padronizada, dentre os quais,
têm-se receitas, manuais, bulas de remédios, regras de jogo (tabuleiro, baralho, dama
etc.) foram o ponto de largada para uma atividade produtiva em sala de aula.
Ao final da atividade, espera-se que os alunos sejam capazes de: utilizar a
linguagem na produção de textos de modo a atender a múltiplas demandas sociais,
responder a diferentes propósitos comunicativos e expressivos, e considerar as
diferentes produções do discurso; utilizar a linguagem para estruturar a experiência e
explicar a realidade, operando sobre as representações construídas em várias áreas do
conhecimento; reconhecer e valorizar a linguagem de seu grupo social como
instrumento adequado e eficiente na comunicação cotidiana, na elaboração artística e
mesmo nas interações com pessoas de outros grupos sociais que se expressem por meio
de outras variedades.
O trabalho desse gênero textual foi realizado com o intuito de desenvolver as
habilidades de leitura e escrita, com ênfase para a criatividade e prazer da leitura.
Percebe-se que os alunos demonstraram comprometimento com as tarefas assumidas,
sobretudo um interesse e envolvimento na execução de tarefas em grupo.

METODOLOGIA

A disciplina de Língua Portuguesa possui amplas implicações para o educando,


muito embora não seja fácil para um aluno do sétimo ano, diante de tanta tecnologia ao
se redor, aceitar passivamente uma aula. Eles anseiam o dinâmico, a novidade e a

12
Mestre em Letras e Artes, na área de Representação Literária, pela Universidade do Estado do
Amazonas (UEA), 2015. Professora da Secretaria Municipal de Educação, desde 2013, lotada na Escola
Carolina Perolina Raimunda Almeida e Escola Helena Augusta Walcott. E-mail:
lene_saboia@yahoo.com.br
descontração. Ao planejar um momento que favorecesse isso, estabeleceu-se uma
atividade com três momentos principais: aula teórica, formação das equipes e
preparação das receitas em sala de aula.
O primeiro momento, aula teórica. Neste, realizou-se o levantamento das
características do gênero texto instrucional, dentre os quais, manuais de instrução, bula
de remédio, regras de jogo; depois, o foco passou para as receitas que os alunos sabiam
fazer: foi importante a leitura de receitas diversificadas, extraídas de livros, de jornais e
de revistas que tratassem o tema.

Não eram aqueles, porém, aqueles momentos puros exercícios de que


resultassem um simples dar-nos conta da existência de uma página escrita
diante de nós que devesse ser cadenciada, mecânica e enfadonhamente
„soletrada‟, em vez de realmente lida. Não eram aqueles momentos „lições de
leitura‟, no sentido tradicional desta expressão. Eram momentos em que os
textos se ofereciam à nossa inquieta procura (FREIRE, 2011, p. 25).

Os alunos perceberam que no procedimento de leitura interferem alguns


descritores, como localizar informações, identificar o tema de um texto, inferir o sentido
de uma palavra. Perceberam ainda, que as implicações do suporte de uma receita,
contribuem para que a finalidade possa ser alcançada. Além disso, ao comparar uma
mesma receita, percebeu-se que esta podia ser escrita a depender do tipo de suporte
usado e para o público pretendido. Na sequência, utilizou-se o quadro branco para
destacar lembretes úteis, como a estrutura utilizada nesse gênero textual – receita
culinária.
O segundo momento, formação das equipes. Uma vez que a atividade demanda
um custo, para o preparo dos alimentos, optou-se por desenvolver essa atividade em
grupos. Os alunos reuniram-se por afinidade, o que permitiu um bom andamento no que
se refere à socialização, cooperação e companheirismo. O desafio da equipe previa
reuniões para elaboração do texto e suas devidas correções ortográficas, priorizando a
clareza nas informações prestadas. Nessa etapa, os alunos foram orientados à clareza e
coesão no processamento do texto, de forma a evitar repetições indevidas, priorizar as
relações entre o texto e o público-alvo, estar atentos às relações decorrentes do uso da
pontuação e de outras notações.

A correção dos erros, além de implicar uma tomada de consciência dos


problemas existentes, marca a passagem de uma competência declarativa “eu
tenho que fazer” a uma competência processual “eu faço”; em outras
palavras, a passagem de um “saber” a um “saber fazer”. Ainda que pontual,
essa atividade de reescrita coloca em prática as mesmas competências que
qualquer atividade de escrita. Localizada num ponto do texto, ela implica,
porém, uma visão de economia global e a organização das modificações em
função do projeto de escrita e do destinatário. A inserção de novos elementos
num texto é fonte de dificuldades na medida em que essas modificações
repercutem em outros segmentos do texto. (FERNBACH, 2013, p. 138).

E, o terceiro momento, a preparação das receitas em sala de aula. Chegado o


momento da execução das receitas, algumas decisões já haviam sido tomadas, como
qual membro da equipe ficaria responsável pelas etapas, lembrando que todos deveriam
participar. As variações linguísticas apareceram no momento da oralidade,
especialmente no uso de certas palavras alheias ao interlocutor.

De fato, é graças às indicações contidas no texto, relacionadas com as


convenções implicitamente aceitas pela comunidade cultural ao qual ele
pertence, que o leitor poderá identificar seu potencial pragmático e então
reunir cenários pré-fabricados úteis à sua interpretação. (FERNBACH, 2013,
p. 144).

Destaca-se, sobretudo, que para alcançar todas as etapas, uma a uma, os alunos
mostraram-se motivados. Os pais e responsáveis contribuíram significativamente,
emprestando seus valiosos livros de receitas, enviando equipamentos domésticos
(liquidificador, jarras e sanduicheiras), bem como captando recursos financeiros para a
compra de materiais para a realização da receita.

DISCUSSÃO E RESULTADOS

Ao concluir todas as etapas, notou-se que houve aprendizagem do aluno na


realização da atividade, uma vez que todos conseguiram produzir suas respectivas
receitas. Assim, isso possibilitou que os discentes percebessem a importância de
compreender a sua própria língua e suas nuances, de modo que os objetivos foram
alcançados, a saber, a aplicação da linguagem na produção de textos, os diferentes
produções de discurso, o uso da linguagem para estruturar a experiência e explicar a
realidade.

CONCLUSÃO

Essa atividade é pertinente ao trabalhar os gêneros instrucionais. Mostrou-se


uma aula que sai da rotina escolar e os alunos se divertem ao ler as receitas e ao saber
que terão que executar um desafio. Além disso, percebe-se que os aspectos linguísticos
são estudados, como os aspectos gramaticais (verbos e substantivos), ortografia e grafia.
A atitude demonstrada pelas equipes foi deveras positiva.

REFERÊNCIAS
ROJO, Roxane Helena R.; MOURA, Eduardo. Multiletramentos na escola. São Paulo:
Parábola Editorial, 2012.

FERNBACH, Mônica de Araújo. Escrita e interação. In: DEL RÉ, Alessandra [org.].
Aquisição da linguagem: uma abordagem psicolinguística. São Paulo: Contexto, 2013.

FREIRE, Paulo. A importância do ato de ler: em três artigos que se complementam. 51ª ed.
São Paulo: Cortez, 2011.

DIVERSIDADE ÉTNICO-RACIAL ATRAVÉS DA CONTAÇÃO DE


HISTÓRIAS

Amanda Paula de Lima13


Sheila Nunes da Silva14
Suelen Falcão15
INTRODUÇÃO

No âmbito educacional várias técnicas, metodologias e ferramentas contribuem


para que a aula do professor seja motivadora, atual e participativa. Porém o professor
mediador se utiliza dessas mesmas ferramentas para transformar uma aula em uma
superaula onde os alunos são parte integrante do processo.
E na contação de histórias, observa-se nitidamente isso uma vez que durante
esse método são utilizados não só a voz, mas entonação diferente para tornar este
momento mais prazeroso e significativo para o educando. A performance na narrativa
torna o cenário da sala de aula um palco de experiência pedagógica vívida pela arte e
pela história. Fazendo do trabalho algo que dialogue com as demais disciplinas de
forma inter e transdisciplinar.
Nesta prática pedagógica foi trabalhada a oralidade. Pois acredita-se que

13
Graduada em pedagogia pela Universidade Federal do Amazonas; pós-graduada em psicopedagogia
pelo IDAAM; Docente na rede municipal de ensino. amanda_paula_19@hotmail.com
14
Doutora em Antropologia Social. Atua como formadora da Divisão de Desenvolvimento Profissional
do Magistério da Secretaria Municipal de Educação. É professora/investigadora dentro da diversidade
cultural. dpoesiae@gmail.com
15
Graduada em pedagogia pelo CEULM/ULRA – Manaus/AM; pós-graduada em Administração de
Recursos Humanos pela UFAM. Docente na rede municipal de ensino de Manaus.susilvaf@hotmail.com
Antes da escrita, todo saber era transmitido oralmente. Deve-se a isto toda a
importância dada à memória nas sociedades tradicionais, pois a memória era
o único recurso para armazenar e transmitir o conhecimento às futuras
gerações. O ato de contar histórias remete a este tempo em que o homem
confiava na sua memória e nas suas experiências, resgatando qualidades tão
necessárias ao desenvolvimento humano (TORRES E TETTAMANZY,
2008, p.10).

A contação de histórias da boneca Abayomi para ilustrar a vinda dos africanos


nos navios negreiros ao Brasil, facilitou a abordagem do tema principal de nosso estudo
o que oportunizou tanto ao corpo docente quanto discente momentos de prazer,
socialização entre as crianças desde a contação até a confecção das bonecas.
A partir de todos estes elementos é possível ter uma dimensão da importância
destas bonecas para história do Brasil e sua relação com o continente africano. Além de
serem encantadoras, elas se colocam como elemento de afirmação das raízes da cultura
brasileira e também do poder e determinação das mulheres negras.
Mesmo com acesso à informação, o hábito da leitura de livros tem sido tem
passado por diversos dilemas. O mundo digital traz o conjunto de conforto que não o
impede ao ato de contação de historias. No entanto, o desafio é promover a leitura
através da contação de historias. Tal desafio é tanto para a criança quanto para o adulto,
pois, almeja-se que o próprio educador seja aderente deste anseio. Dessa forma
percebemos que:

Contar histórias é uma prática muito antiga e surgiu da necessidade que os


seres humanos têm de se expressar [...] As pessoas que habitavam a Terra na
Pré-História contavam suas histórias nas paredes das cavernas em que viviam
por meio de desenhos e pinturas. Com o desenvolvimento da linguagem
verbal, começaram a narrar histórias umas para as outras por meio de
palavras. O conjunto dessas histórias transmitidas ao longo do tempo
constitui a tradição oral de um povo (POUGY 2015, p. 4).

Este estudo apresenta reflexões sobre a prática pedagógica partindo da


contação de historias. As histórias representam indicadores que podem contribuir para
situações desafiadoras, assim como fortalecem vínculos sociais, educativas e respeito a
diversidade étnico-racial. É uma ferramenta educacional, socializadora e atrativa para o
desenvolvimento da criança, visa estimular pequenos leitores e despertá-lo para o
mundo da imaginação, da fantasia e do faz-de-conta.
METODOLOGIA

Neste trabalho foi utilizado a contação de histórias da boneca Abayomi para


ilustrar a vinda dos africanos nos navios negreiros ao Brasil. Com intuito de apresentar
um dialogo educacional sobre a prática do chão da escola, por meio de uma reflexão
crítica de respeito à diversidade étnico-racial de forma inter e transdisciplinar.
Durante o processo de estudo sobre a temática diversidade étnico-racial na
Escola Municipal Padre Puga, os alunos primeiramente fizeram uma pesquisa sobre o
tema diversidade para então chegarmos a temática principal de nosso estudo.
Posteriormente foi feito a contação da história infantil: o Cabelo de Lelê para melhor
apropriação e interesse dos alunos com o assunto abordado - diversidade. Depois fomos
para a biblioteca para realizarmos uma pesquisa sobre as diferentes etnias raciais e logo
em seguida foram confeccionados cartazes para uma discussão.
Por seguinte foi realizada a contação da histórias da bonecas Abayomis e sua
contribuição para disseminação da cultura africana assim bem como a chegada dos
negros no Brasil. Em seguida foi realizada uma oficina para a confecção das bonecas
Abayomis finalizando assim a atividade proposta para o tema abordado com êxito no
ambiente escolar.

DISCUSSÃO/RESULTADOS

Durante o desenvolvimento da atividade é nítido o entusiasmo dos alunos com


uma aula que ultrapasse o uso do papel e a caneta que os faça refletir sobre questões tão
contemporâneas e relevantes para a formação de um cidadão comprometido com a
sociedade em que vive. Podemos pensar quão rico e plural é a nossa cultura e de que
forma ela influencia nossos hábitos e formas de ser e expressar.
A escolha da história da Abayomi teve um fator determinante – a
desconstrução do preconceito e racismo, presentes em nossa sociedade. As crianças não
nascem preconceituosas, mas já trazem para a escola estas condutas pela convivência e
aprendizagem com os adultos. Descaracterizar os fatores negativos ao se falar de negras
e negros é o papel social da escola, e as Abayomis proporcionaram isto.
Foi muito gratificante perceber mudanças sutis e necessárias na prática
pedagógica e que levam a uma educação mais igualitária e inclusiva. Os alunos, nosso
foco final, contribuíram, aprenderam e desenvolveram habilidades e conceitos onde o
preconceito e o racismo perderam a vez.

CONCLUSÃO

Sendo a escola um lugar de construção e reconstrução de conhecimentos, deve-


se dar especial atenção à contação de histórias, pois ela contribui com a aprendizagem
escolar em todos os aspectos: cognitivo, físico, psicológico, moral ou social,
proporcionando um maior desenvolvimento perceptivo no aluno. Sobre suas vantagens,
foram destacadas a aprendizagem de conteúdos, a socialização, a comunicação, a
criatividade e a disciplina.
Estabelecendo a relação entre os dados, observamos que a importância das
histórias na escola se deve ao fato de ela proporcionar o desenvolvimento da
motricidade, do raciocínio, o fortalecimento da autoestima, além da função lúdica. Visto
a relevância da contação de histórias na escola, será importante a continuidade deste
estudo com novos enfoques sobre contação de histórias e suas contribuições.
No aspecto étnico, a contribuição da contação de histórias, com a história da
Boneca Abayomi, se refere a mudança de comportamento frente ao preconceito e
racismo. Fortalece práticas afirmativas, a valorização e o respeito das diferenças, a
sociabilidade, o cooperativismo e a solidariedade. Contribui com uma cultura de paz no
ambiente escolar. Estabelece laços afetivos pautados no respeito mútuo, no
reconhecimento da diversidade e na pluralidade cultural e social do Brasil.

REFERÊNCIAS

Constituição da República Federativa do Brasil, 35ª edição, 2012.

LEI nº 7.716 de 5 de janeiro de 1989. Lei do Racismo.

LEI nº 10.639/2003. História e Cultura Africana e Afrobrasileira.

POUGY, Eliana. Artes. Anos Iniciais. Editora: Ática, 2015.

RAMOS, Ana Cláudia. Contação de histórias: um caminho para a formação de


leitores?, Londrina: Dissertação de Mestrado, 2011.
TETTAMANZU, Ana Lúcia Liberato; TORRES, Shirllei Milene. Contação de
histórias: resgate da memória e estímulo à imaginação. Porto Alegre. Vol.4.nº 01.
Jan/Jun 2008.
GT2
CIÊNCIAS HUMANAS
Mediadoras: Profa. MSc. Maria das Graças de Medeiros Borges
Profa. MSc. Déborah Souza
Profa. Dra. Sheila Nunes da Silva
Prof. Dr. Milton Melo dos Reis Filho

MEU PRIMEIRO MAPA DIGITAL

Renato Ferreira de Souza16


INTRODUÇÃO

A cartografia é essencial no ensino da geografia e que muitas vezes não é tão


explorada pelo professor, principalmente da rede pública de ensino fundamental.
Considerando que hoje as geotecnologias surgem para auxiliar nas técnicas
cartográficas, este trabalho traz os resultados do uso de uma ferramenta acessível ao
aluno, de modo que contribui no processo de desenvolvimento do ensino-aprendizagem.
O uso da cartografia digital é pouco explorado pelo professor, com poucos
estudos desenvolvidos (CANTO & ALMEIDA, 2011; OLIVEIRA, 2008). Vários
fatores estão relacionados a isso: ausência de laboratório de informática, dificuldade de
acesso e de domínio da ferramenta por parte do professor e, duração de tempo de aula
inadequada. Mediante isso, apresentamos uma proposta de prática educativa que vem de
encontro para minimizar tais dificuldades.
O programa Philcarto foi escolhido para a prática educativa, por ser de fácil
acesso. Além de ser um software livre e de fácil manipulação, pode ser instalado em
qualquer notebook ou computador pessoal, em caso de ausência de laboratório de
informática na escola. O uso do programa para trabalhar com os alunos do ensino
fundamental tem como objetivo introduzir a cartografia digital, servindo como um
atrativo para contribuir na construção do conhecimento cartográfico abordado nos livros
didáticos de geografia.

METODOLOGIA

16
Professor de Geografia da rede municipal de ensino (SEMED) desde 2008, com mestrado em
Geografia pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM), em 2010.
A proposta metodológica dessa prática educativa consiste em usar o programa
Philcarto versão 5.70 para auxiliar nas aulas de geografia. Trata-se de um software livre
encontrado no site www.philcarto.free.fr para realizar o download do programa. O
programa é bem fácil de usar, sendo possível manipular e gerar os mapas temáticos em
um tempo de aula. Essa prática está sendo aplicada em sala de aula, com os alunos do
turno vespertino da Escola Municipal Ana Sena Rodrigues, localizada no bairro Novo
Israel II.
As aulas práticas foram realizadas com 58 (cinqüenta e oito) alunos de 8º e 9º
anos do ensino fundamental a cada final de bimestre. Não é necessário ter acesso à
internet para fazer uso do programa. Desse modo, em cada turma os alunos utilizaram
seus notebooks pessoais para as aulas práticas, num total de 10 (dez) notebooks,
possibilitando uma média aproximada de três alunos por notebook. A partir daí, o aluno
tem autonomia para elaborar seu mapa digital, com as devidas orientações sobre as
técnicas cartográficas, propiciando um conhecimento crítico sobre o espaço
representado. Essas práticas servem como aulas atrativas, motivando os alunos a terem
interesse pela cartografia que é ensinada no ensino fundamental, contribuindo para um
melhor rendimento escolar.

DISCUSSÃO E RESULTADOS

Uma dificuldade encontrada foi a resistência da maioria dos alunos em não


trazer seus notebooks, por considerar que a escola encontra-se em área vermelha.
Apesar disso, todos os alunos envolvidos, participaram das aulas práticas por
considerarem úteis no aprendizado.
Conforme dados coletados das fichas de avaliação da prática educativa, 34
alunos têm idades na faixa etária de 12 a 14 anos, e 24 estão na faixa de 15 a 17 anos.
Desses alunos, 52 alunos (89,6%) demonstraram motivação em usar o computador nas
aulas e 55 (94,8%) demonstraram está motivados a estudar geografia. Com relação ao
programa, 46 alunos (79,3%) consideram de fácil uso e 52 alunos (89,6%) consideram
que ajuda na elaboração dos mapas, ou seja, a maioria dos alunos envolvidos considera
que o recurso tecnológico ajuda no aprendizado da geografia.
Com base nos registros de notas do diário de classe da matéria de geografia,
houve um aumento no rendimento escolar a partir do segundo semestre do ano letivo de
2016 nas turmas envolvidas. A média do índice de aprovação no primeiro semestre era
de 69% e no segundo semestre alcançou 84%. De fato, observa-se que as
geotecnologias no ensino da geografia estimulam o desenvolvimento cognitivo dos
alunos.
Um percentual mínimo de alunos teve dificuldade no uso do programa, devido
ao fato de nunca ter o contato com o computador. Apesar disso, muitos aprovam o uso
do programa nas aulas de geografia e consideram importante na leitura cartográfica. A
produção dos mapas digitais acaba se tornando uma motivação, pois existe a interação
entre a interface computacional e o contexto da realidade, possibilitando o
conhecimento crítico que o aluno desenvolve a partir de sua percepção.

CONCLUSÃO

Cada vez mais os mapas passam a circular no mundo virtualmente. O aluno de


hoje é aquele que gosta de interagir com os recursos tecnológicos que estão ao seu
alcance. A geografia pode ser trabalhada nesse viés a partir das geotecnologias
disponíveis. Respeitando a faixa etária e a cognição de cada aluno, é possível introduzir
a leitura cartográfica, trabalhando com softwares livres de fácil acesso. Cabe ao
professor conduzir da melhor maneira essa prática educativa, pois servirá como
ferramenta de motivação para os alunos entenderem os conteúdos da matéria de
geografia.
A escolha do software, o local e a metodologia utilizada para esse uso são
fatores fundamentais para a aceitação dos alunos. O fato de o aluno elaborar seu próprio
mapa, interagindo com o programa, ajuda na construção do conhecimento crítico da
realidade em que vive. Dessa forma, o acesso as geotecnologias no ensino da geografia,
possibilita em um melhor rendimento escolar, permitindo ao professor preparar aulas
que vem de encontro com o interesse do aluno. A aula de geografia não se prende
apenas nos conceitos, mas a aplicação destes na prática, onde o uso de softwares para
produção de mapas surge como alternativa para ajudar no processo ensino-
aprendizagem.
REFERÊNCIAS

CANTO, T. S. & ALMEIDA, R. D. Mapas feitos por não cartógrafos e a prática


cartográfica no ciberespaço. In: ALMEIDA, R. D. (org.). Novos rumos da cartografia
escolar: currículo, linguagem e tecnologia. São Paulo: Contexto, 2011.

MARTINELLI, M. Mapas da Geografia e Cartografia Temática. 6ª ed. São Paulo:


Contexto, 2011.

OLIVEIRA, A. R. Geografia e Cartografia Escolar: o que sabem e como ensinam


professoras das séries iniciais do Ensino Fundamental? Revista Educação e Pesquisa.
São Paulo. v. 34. n. 3. pp. 481-494, 2008.

PROJETO DIVERSIDADE RELIGIOSA


Arlete de Bastos17

INTRODUÇÃO

A igualdade coletiva se faz com a pluralidade, construída por várias raças,


culturas, religiões, porém sendo cada um particularmente diferente. Dentro dessa
perspectiva é que fomentamos a ideia do Projeto de Diversidade Religiosa para
trabalharmos com os alunos dos 6º aos 9º anos da Escola Agrícola Rainha dos
Apóstolos, uma escola conveniada com a Prefeitura Municipal de Manaus.
A diversidade religiosa existe entre a comunidade escolar: temos Católicos,
Evangélicos Protestantes, Pentecostais e Neopentecostais, Indígenas, Judeus e União do
Vegetal, sendo que a descoberta de alguns adeptos só deu-se após algumas explicações
sobre as religiões estudadas no projeto, que não são as mesmas, mas que gerou certa
liberdade de falar da religião deles. A fomentação da cultura de paz através da
religiosidade é algo que tem sido muito trabalhado nas religiões, porém nos deparamos
cotidianamente com a discriminação (INCONTRI; BIGHETO, 2011). Quando os alunos
iniciaram o processo de conhecimento da história das religiões propostas, eles
começaram a perder o preconceito e se dispuseram a realizar as atividades referentes
àquela religião.
O objetivo deste trabalho foi apresentar aos alunos algumas religiões e
fomentar o respeito às diversas crenças que fazem parte da realidade do Brasil e de

17
Professora da SEMED Manaus, atuando do 1º ao 5º anos e do 6º ao 9º anos, disciplina Ensino
Religioso. Graduada em Filosofia e Pedagogia pela UFAM com especialização em Coordenação
Pedagógica também pela UFAM.
outros países, culminando o aprendizado com uma apresentação de várias atividades à
comunidade escolar.
A interdisciplinaridade ocorreu no perpasse pelas artes manuais nas confecções
dos painéis, vestimentas, a pesquisa e estudo sobre a história de cada religião, sobre o
início, os símbolos sagrados, palavras mais usadas, divindades, danças, músicas,
poesias. Enfim um bom passeio por várias disciplinas o que tornou o projeto bem mais
dinâmico.

METODOLOGIA
A oralidade, o visual e as aptidões manuais foram bem utilizados para o
aprendizado dos alunos. A apresentação de vídeos e comentários explicativos sobre os
assuntos relacionados, pesquisas na internet, confecção de painéis e ensaios das
apresentações de danças e músicas cantadas, exposições orais com apresentação de
slides pelos alunos sobre as pesquisas e o entendimento sobre os conteúdos das mesmas
também colaboraram com o aprendizado e entendimento.
O projeto foi desenvolvido com as turmas do 6º ao 9º anos do Ensino
Fundamental II, da EMEF Rainha dos Apóstolos obedecendo esta distribuição de
tarefas: 1. 6º ano A desenvolveu a pesquisa e confeccionou material sobre a religião
Islâmica; 2. 6º ano B desenvolveu a pesquisa e confeccionou material sobre Tradições
Indígenas: 3. 7º ano A desenvolveu a pesquisa e confeccionou material sobre a religião
Hindu; 4. 7º ano B pesquisou e confeccionou material sobre a religião ou filosofia
Budista; 5. 8º ano desenvolveu a pesquisa e confeccionou material sobre a religião
judaica; e o 9º ano realizou a pesquisa e confecção material sobre as religiões de raiz
africana no Brasil: Candomblé e Umbanda; de forma que foi permitido a todos os
alunos participar das atividades.

DISCUSSÃO E RESULTADOS

No decorrer do desenvolvimento do projeto, desde as pesquisas até a


culminância, tivemos dificuldades como em toda a ação que envolve crença. O assunto
é permeado de preconceitos estabelecidos ao longo da história do Brasil. O estudar
algumas religiões fora dos padrões preestabelecidos pela maioria da sociedade foi uma
forma de quebrar e dissolver de em alguma proporção esses preconceitos estabelecidos
ao longo do tempo.
O conhecimento do novo sagrado foi interessante para a maioria dos alunos
que puderam conhecer também um pouco da cultura dos povos relacionados com as
origens das religiões propostas, além da compreensão de que as pessoas que cultuam
divindades diferentes das nossas são pessoas como nós e às vezes com mais
dificuldades e que o sagrado colabora com a cultura e estilo de vida de muitos povos
(FIGUEIRA, 2012).
O projeto teve um bom resultado, observado em parte no desenvolvimento e na
culminância e deixou uma espera de continuidade para os próximos anos, pois o assunto
pode ser trabalhado em várias vertentes, vários temas podem surgir a partir das religiões
estudadas.

CONCLUSÕES

O ser humano, independente de sua origem, é um ser com espiritualidade e que


emocionalmente tem um vínculo com o sagrado, por isso o conhecimento da
importância da religião para outros povos torna-se também importante para o nosso
processo de amadurecimento humano e para a fomentação do processo de paz entre as
religiões.

REFERÊNCIAS

FIGUEIRA, Divalte Garcia. História em foco – História Antiga e Medieval. São


Paulo: Editora Ática, 1ª edição, 2012.

INCONTRI, Dora. BIGHETO, Alessandro Cesar. Todos os jeitos de crer – Ensino


inter-religioso. Vol. 3 tradições. São Paulo: Editora Ática. 2ª edição, 2011.

http://www.pucsp.br/rever/rv2_2004/t_silva.htm
A INFLUÊNCIA DAS PROPAGANDAS NA CONSOLIDAÇÃO DOS
ESTEREÓTIPOS DE GÊNERO

Marcos Lúcio Barauna da Silva18


Michelle de Albuquerque Rodrigues19

INTRODUÇÃO

Como vender veneno para crianças e fazer os próprios pais comprarem? Era o
questionamento ao começarmos as aulas do quarto bimestre com os/as alunos/as do
quinto ano da Escola Municipal Rainha dos Apóstolos, os/as quais, aparentando dúvida,
ou que aceitavam o desafio que lhes fora proposto, iniciavam os estudos sobre as
Tecnologias e seus impactos na sociedade.
O presente estudo consiste em uma reflexão sobre os fatores influentes na
contrução da identidade destes/destas alunos/as, instigando-os/as ao reconhecimento de
como estão atribuindo, por meio das tecnologias, muitos significados sobre sua
masculinidade e feminilidade associados ao consumismo.
Teve como objetivo geral compreender o impacto das propagandas televisivas
na construção dos estereótipos de gênero com alunos/as de quinto ano de uma escola
pública da zona rural de Manaus. Dentre os objetivos específicos, visou a compreender
o discurso social das propagandas de consumo e os impactos do consumo da moda;
Reconhecer os impactos das propagandas na construção da masculinidade e
feminilidade hegemônicas; e questionar os reflexos das propagandas na representação
social de seus corpos.
O estudo possibilitou discussões críticas sobre as propagandas televisivas,
encartes, revistas, jornais e outros, enquanto “potentes pedagogias culturais”, ou seja,
instrumentos que nos indicam como, o que e o quanto consumir para sermos bem
sucedidos/as, ou sermos sensuais conforme os padrões de beleza estabelecidos, logo,
compelindo-nos a muitos modos de Ser (LOURO, 2008, grifo nosso).

METODOLOGIA

18
Especialista em Filosofia, Sociologia e Ludologia pela Uniasselvi, Formado em Pedagogia pela
UniNorte. Professor na Secretaria Municipal de Educação – SEMED/MAO. E-mail:
marcos_lucio_@hotmail.com
19
Mestra em Psicologia pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM). Formadora em Educação
Sexual e Diversidade na SEMED/MAO. E-mail: michellerodriguespsi@gmail.com
Como dito anteriormente, as discussões foram o meio mais adequado
encontrado para se desenvolverem os aprendizados almejados, a partir dos
conhecimentos prévios dos/as alunos/as, criando vínculos entre o que já se sabe com os
conteúdos a aprender. A metodologia dos círculos de estudos, inspirados na Escola da
Ponte pelo professor José Pacheco, favorece em diversos aspectos quanto à descoberta
do objeto de estudo até sua autonomia crítico-reflexiva sobre a ação, afinal: “um círculo
de estudos é como um ecossistema de relações e mudanças simbólicas gerador de
significado para mudança pessoal e das práticas em grupo” (PACHECO, 2011, p. 48).
Parte do ideal de que o/a aluno/a aproveite o que já sabe em consonância com
os demais conhecimentos daqueles que participam dos círculos, de forma que não
dependa da figura do professor para orientar o caminho a ser seguido. Sendo assim,
surgem os estudos consequentes que partem do tema principal e desmembram-se nos
específicos. No princípio houve dificuldade com tal método e um grande círculo surgiu,
porém, após alguns relatos o círculo foi se dividindo em círculos menores.
O movimento entre os círculos era comum, a indecisão sobre o que falar ou na
escolha do tema mais “fácil” foi critério para que os/as integrantes trocassem de círculo.
Em pouco tempo os/as alunos/as já haviam se encaixado, possivelmente por
identificação ou por afinidade. Pacheco (2011) chama de produto cultural o resultado
concreto ou abstrato advindo do círculo, dado como aprendizagem concluída aquilo que
modifica o comportamento que antes não existia.

DISCUSSÃO E RESULTADOS

Para aproveitar seus conhecimentos já adquiridos sobre as propagandas, os/as


alunos/as foram lembrados do jingle da Coca-Cola, o qual todos disseram reconhecer.
Vale ressaltar que a escola localiza-se no km 23 da BR-174, na Zona Rural de Manaus.
Outros jingles e frases publicitárias de várias outras marcas foram surgindo
progressivamente enquanto aprofundávamos a conversa, sendo inseridos de forma
contextualizada no trabalho interdisciplinar:

as questões culturais não podem ser ignoradas pelos educadores e


educadoras, sob o risco de que a escola cada vez se distancie mais dos
universos simbólicos, das mentalidades e das inquietudes das crianças e
jovens de hoje (CANDAU, 2010, pg. 16).
Após alguns relatos de roupas, de experiências vividas quanto a idas ao
shopping e brinquedos vistos nas vitrines, aproveitamos para questionar sobre a
diferença entre Consumo e Consumismo. Este foi o primeiro passo para uma discussão
mais profunda que viria em seguida, pois, depois de compreendido o conceito de
consumismo, enquanto ato excessivo de consumo, os/as alunos/as foram indagados
sobre: Consumir o quê? Apresentados/as a algumas marcas, todas foram reconhecidas
com ênfase naquelas do ramo alimentício e brinquedos, ao que respondia à pergunta do
início do bimestre quando discutíamos sobre a obesidade infantil. O pensamento jovem
e rápido dos/as alunos/as fez associarem ao que entendemos por Ostentação, quando a
marca te apropria de um status social através do consumo de dada mercadoria. Em
referência ao que Featherstone chama de “mercadoria-signo”: “O consumo, portanto
não deve ser compreendido apenas como consumo de valores, de uso, de utilidades
materiais, mas primordialmente como consumo de signos” (FEATHERSTONE, 1995.
p. 122, grifo nosso).
A marca, consumida pelo/a telespectador/a não por seu objeto em si, mas pelo
valor que carrega e transfere para o/a consumidor/a, modifica a forma de ver o mundo
refletindo em crenças, atitudes e comportamentos futuros. Tais comportamentos serão
reforçados ou reprimidos socialmente, caberá então à mídia (aqui entendida como as
propagandas) consolidá-las.
O tema gera alguns embates quanto aos conhecimentos já apreendidos
informalmente, mas é possível dizer que a mudança que não gera incômodo será pouco
útil ao amadurecimento. Já adentrávamos à discussão sobre estereótipos de gênero
quando discutíamos sobre as marcas de roupa ou brinquedos e direcionamentos
diferentes do que é permitido ou valorizado e não permitido para gêneros diferentes,
despertando a dúvida quanto a essa desigualdade. Restava agora compreender a relação
que as propagandas têm para com os estereótipos de gênero.
Como reforço para as discussões, vídeos de propagandas como “Compre
batom!” deram a primeira perspectiva da influência das propagandas sobre o
consumismo e a intervenção do Estado na mídia (em referência ao Conselho Nacional
de Autorregulamentação Publicitária - CONAR). Outras, sobre brinquedos da Xuxa,
davam destaque nas questões de gênero que consequentemente renderam discussões
sobre a moda. O vídeo “De 1915 a 2015: a evolução da moda em menos de três
minutos” foi apresentado para que os alunos percebessem a flexibilidade dos padrões de
beleza, comparando com os modelos da boneca Barbie que criaram outro padrão, dessa
vez comportamental; uma adjetivação: as meninas Barbies.
Algumas alunas presentes demonstraram se identificar com as reflexões
suscitadas, direcionando o olhar para suas mochilas, cadernos e canetas cor de rosa,
ainda que, quando adjetivadas assim, negassem qualquer relação com a boneca ou
atitudes mais passivas que a mesma propunha nas propagandas. Nenhuma havia sequer
comprado a boneca, ainda que fosse perceptível o consumo da marca imbuída de
valores.

Nem todas as crianças podem comprar os produtos que a publicidade da


boneca se esforça para vender, mas qualquer pessoa consome os signos de
gênero e sexualidade apresentados pela marca Barbie, que, vertiginosamente,
produz certas formas de pensar, agir, de estar e se relacionar com o mundo
(ROVERI, 2012, p. 22, grifo da autora).

A literatura de livros infantis associadas à temática gênero concluiu os últimos


debates. “O menino Nito” de Sônia Rosa, e ilustrações de Victor Tavares, trouxe numa
linguagem mais informal o conflito dos preconceitos que havia nos estereótipos de
gênero. Na história, Nito é um menino que não podia chorar, em que fora proibido pelo
pai (e mais tarde os alunos relacionaram o tema a uma música, a qual menciona que
“homem não chora”). O desfecho do livro indica um último questionamento, que não
deveria ter resposta final, mas uma dúvida permanente e diária: O que meninos/as não
podem fazer? Por quê?
Restava ainda mais um livro: “Menina bonita do laço de fita” (de Ana Maria
Machado; Ilustrações: Claudius). Este contava a história de um coelho que era
apaixonado por uma garotinha negra, que como o nome diz, usava fitas no cabelo. Era,
senão, uma das poucas vezes em que a protagonista de uma história fosse negra e não
falasse de escravidão, mas de sua beleza. Para dar complemento à questão do livro
anterior, concluíam-se os trabalhos falando sobre autoestima e autoaceitação.
Alunos e alunas demostraram seu entendimento no fim do projeto falando
sobre situações que teriam gerado revoltas numa desigualdade de gênero vivenciada em
casa, com a distribuição dos afazeres domésticos. Outros/as disseram ter dificuldade de
se aceitarem como são por ainda se compararem a outras pessoas. Outras ainda não
quiseram se encaixar nas respostas ditas anteriormente e, com suas palavras, afirmaram-
se “doidas”, mantendo sua particularidade na definição de suas identidades frente ao
grupo, o que nos remete a Louro, quando a autora denuncia o impacto da mídia e
inúmeros meios de comunicação e publicidade na construção das noções de
normalidade e de diferença na sociedade em que vivemos: “A posição normal é, de
algum modo, onipresente, sempre presumida, e isso a torna, paradoxalmente, invisível.
Não é preciso mencioná-la. Marcadas serão as identidades que dela diferirem”
(LOURO, 2008, p. 22).

CONCLUSÃO

Subestimam-se os/as alunos/as pela sua pouca idade diante de um tema um


tanto complexo, porém, sua vivência, ainda que não tão longa, os/as tenha
proporcionado as mais diversas experiências. Aproveitando aquilo com o que tem mais
contato, a televisão, tratar de desigualdade de gênero, autoestima, transtornos
alimentares, preconceitos e vários outros temas perde seu grau de dificuldade e torna-se
algo atrativo para eles/elas quando instigados a questionar.
É desse espírito investigativo que o projeto se aproveitou para ir além da
informação por informação, alcançando a aprendizagem enquanto transformadora do
sujeito para com a sociedade, levantando muito mais que discussões propositais, mas o
sentimento de incômodo que moverá futuras reflexões, objetivo principal da filosofia.
Por fim, espera-se que as discussões sejam levadas para casa e compartilhadas
com seus familiares; no termo mais atual, espera-se que tais reflexões viralizem. Que a
mudança seja concretizada ou pelo menos dada como ponto de partida para o
amadurecimento e desmistificação dos estereótipos de gênero, preconceitos e demais
mazelas sociais.

REFERÊNCIAS

CANDAU, V. M. F. Multiculturalismo e educação: desafios para a prática


pedagógica. In: MOREIRA, A. F.; CANDAU, V. M. F. (Orgs.). Multiculturalismo:
Diferenças Culturais e Práticas Pedagógicas. ed. 4. Petrópolis, RJ: Vozes, 2010.

FEATHERSTONE, Mike. Cultura de consumo e pós-modernismo. São Paulo: Studio


Nobel, 1995.

LOURO, Guacira Lopes. Gênero e sexualidade: pedagogias contemporâneas. [S/L]:


Pro-posições. 2008.
Revista Exame. De 1915 a 2015: a evolução da moda em menos de três minutos.
Disponível em: <http://exame.abril.com.br/estilo-de-vida/de-1915-a-2015-a-evolucao-
da-moda-em-menos-de-tres-minutos/> . Acesso em 20 de outubro de 2016.

ROVERI, Fernanda T. Barbie na Educação de Meninas: do rosa ao choque. São


Paulo: Annablume, 2012.

PACHECO, José. Escola da Ponte: formação e transformação da educação. –


Petrópolis, Rio de Janeiro: 4. Ed. Vozes, 2011.
GT3
CIÊNCIAS NATURAIS E LINGUAGEM
Mediador: Prof. MSc. Tharcísio Anchieta
Profa. MSc. Ana Lúcia Barros
Profa. MSc. Edilene Souza

PROJETO LIVRO DA TURMA – POEMAS

Joicylene Sabóia de Oliveira20

INTRODUÇÃO

O Projeto Livro da Turma – Poemas propõe a atividade para inserir o universo


da escrita nas práticas de sala de aula. As ações desenvolveram-se junto aos alunos do
6º ano do ensino fundamental, da escola Carolina Perolina Raimunda Almeida. Neste
espaço escolar, as turmas são compostas de aproximadamente 35 alunos, e foram
selecionadas três turmas, perfazendo um total de 105 alunos. Ressalta-se que durante o
ano letivo as transferências de alunos, bem com o surto de doenças, como catapora,
dengue e zika vírus, e demais motivações de afastamento da sala de aula, fizeram com
que alguns textos escritos pelos alunos deixassem de constar no projeto do livro da
turma. Afora esses fatores, a escola convive com a seguinte realidade:

A alta modernidade, com suas inovações tecnológicas e mercadológicas,


ressignifica as relações sociais. Consequentemente, a escola vê-se imersa em
novas práticas discursivas. Mesmo que, em muitos casos, certas ações de
linguagem da alta modernidade estejam do lado de fora da sala de aula, não
há como negar o quanto a prática docente sofre coerções para implementar
mudanças significativas em torno das estratégias de ensino e de seus
conteúdos (MELO, 2012, p. 152).

Para atender a necessidade dessas “novas práticas discursivas”, as aulas foram


pautadas em dinamismo e, visto que a escola possui biblioteca, bibliotecária, Telecentro
– todos esses funcionaram como um anteparo para a realização das oficinas.
A realização desse projeto de escrita é importante para enriquecer e desafiar a
rotina escolar. Empreender um projeto de valorização da leitura é salutar, ainda mais

20
Mestre em Letras e Artes, na área de Representação Literária, pela Universidade do Estado do
Amazonas (UEA), 2015. Professora da Secretaria Municipal de Educação, desde 2013, lotada na Escola
Carolina Perolina Raimunda Almeida e Escola Helena Augusta Walcott. E-mail:
lene_saboia@yahoo.com.br
quando envolve o potencial criativo dos alunos. Objetiva-se na realização desse projeto,
fazer com que os alunos pudessem: ler e conhecer as nuances do gênero poema; ler
textos diversificados de literatura dessa modalidade; despertar o senso crítico e criativo
a partir da leitura de textos diversificados; escrever, declamar e publicar os poemas.

METODOLOGIA

Desenvolver um projeto de valorização da escrita dos alunos – Essa foi a


principal motivação para que este trabalho pudesse ser consolidado. O início desse
projeto ocorreu após a sondagem de leitura e escrita, realizadas nas primeiras semanas
de aula. Não obstante, o planejamento inicial preconizava um intenso trabalho de
leitura:

Creio que muito de nossa insistência, enquanto professoras e professores, em


que estudantes “leiam”, num semestre, um sem-número de capítulos de
livros, reside na compreensão errônea que às vezes temos do ato de ler. Em
minha andarilhagem pelo mundo, não foram poucas as vezes que estudantes
me falaram de sua luta às voltas com extensas bibliografias a serem muito
mais “devoradas” do que realmente lidas ou estudadas. Verdadeiras “lições
de leitura”, no sentido mais tradicional desta expressão, a que se achavam
submetidos em nome de sua formação científica e de que deviam prestar
contas do famoso controle de leitura. […] A insistência na quantidade de
leituras sem o devido adentramento nos textos a serem compreendidos, e não
mecanicamente memorizados, revela uma visão mágica da palavra escrita.
Visão que urge ser superada. […] temos, educadores e educandos
[necessidade] de ler, sempre e seriamente, de nos adentrarmos nos textos
(FREIRE, 2011, p.26, 27).

Pensando nas palavras de Freire (2011), citadas acima, percebe-se que a


necessidade de leitura em sala evoca um trabalho qualitativo. Dessa forma, em sala de
aula procedeu-se ao estudo dos gêneros textuais carta, bilhetes e os contos. E, nesse
último, os contos literários, no trabalho com o livro “Alameda”, de Astrid Cabral,
durante a Semana de Literatura Amazonense, que a turma passou a vivenciar narrativas
carregadas de emoção, muito embora com certa simplicidade temática.

É esse o significado do ensino literário.


Tornar a literatura um instrumento de vida mais bela, consciente, humana. E,
ao mesmo tempo, contribuir indiretamente para a melhoria da própria
produção literária, pelos homens de letras, poucos que sejam que dele possam
surgir. […] O escritor já nasce feito, nisso que sua vocação é recebida
misteriosamente com a vida. Mas à vocação de escritor, há que acrescentar
algo pela educação: as técnicas do ofício, suas regras, seu método
(COUTINHO, 2004, p. 219).
Abriu-se, então, a oportunidade para os relatos de vida e as biografias, onde os
alunos puderam escrever sobre sua própria vida.

Para a fruição das obras literárias, contudo, o que se impõe é a leitura dessas
obras. Elas é que nos elevam, nos dão o conhecimento do que é a vida, como
deve ser vivida, e que prazer podemos tirar da literatura. […] A literatura só
vive e resiste pelos seus leitores, que retiram dela através dos tempos as
sensações de estesia que ela pode proporcionar se bem fruída. Assim o que se
impõe é apontar o caminho que os jovens terão de seguir para retirar da
literatura o máximo proveito (COUTINHO, 2004, p. 216).

Com a inscrição da escola na Olimpíada de Língua Portuguesa, desenvolveu-se


em sala de aula a sequência didática, conforme orientações dadas nas Formações
Docentes Continuadas, promovidas pela Secretaria Municipal de Educação, através do
DDPM. Assim, a turma, com a mediação da professora, participou de Oficinas, em
parceria com o Telecentro. Depois, procedeu-se a etapa da escrita e reescrita dos
poemas, para enfim, ter em mãos o texto finalizado, afinal, “o poeta já nasce feito, mas
jamais será um grande poeta se não aperfeiçoar sua técnica, seu instrumental, na
meditação dos mestres” (COUTINHO, 2004, p. 217).

Cada um de nós é um ser no mundo, com o mundo e com os outros. Viver ou


encarnar essa constatação evidente, enquanto educador ou educadora,
significa reconhecer nos outros – não importa se alfabetizados ou
participantes de cursos universitários; se alunos de escolas do primeiro grau
ou se membros de uma assembleia popular – o direito de dizer a sua palavra.
Direito deles de falar a que corresponde o nosso de escutá-los. De escutá-los
corretamente, com a convicção de quem cumpre um dever e não com a
malícia de quem faz um favor para receber mais em troca (FREIRE, 2011, p.
37, 38).

Em vista da proposta da Olimpíada de Língua Portuguesa, trabalhou-se a


temática “o lugar onde vivo”. Assim, o aluno deveria despertar o interesse do leitor e a
vontade dele em conhecer o local retratado, lembrando-se das orientações dadas durante
as oficinas.

É sabido que os poemas, assim como as histórias direcionadas às crianças


podem versar sobre os mais variados conflitos, estados de espírito e
sentimentos. Além de poder frequentar os temas mais variados, a poesia
infantil não quer apenas se adequar ao leitor, como isso fosse um critério
rígido preestabelecido. Longe disso, a poesia para crianças define-se como a
que a criança lê e aprecia, não sendo uma poesia menor (SORRENTI, 2009,
p. 14).
A poesia desenvolvida pelos alunos foi construída ao longo das semanas, para
que cada criança pudesse ter seu momento criativo respeitado; foram realizadas leituras
e declamações do material escrito, com a devida apreciação dos colegas de turma.
Portanto, os resultados alcançados foram satisfatórios, o que será abordado a seguir.

DISCUSSÃO E RESULTADOS

Fazer com que os alunos escrevam sobre o seu cotidiano não é uma tarefa tão
fácil. A concorrência com os demais meios – televisão, jogos no celular – chega a ser
desleal no quesito atratividade. E planejar uma aula menos cansativa e prática acaba
sendo a solução na maioria os casos. Nas palavras de Sorrenti,

Há professores que afirmam se sentirem mais tranquilos ocupando o tempo


com a gramática, porque o assunto não lhes solicita a chamada “emoção”, tão
necessária ao trabalho com o texto poético.
Isso leva a pensar que a escola, agindo assim, pode sufocar a imaginação
criadora dos alunos ou, se não a sufoca, enfraquece-a, em vez de estimular
sua capacidade de criar. Independente de sua condição social, a criança existe
em estado de poesia até que esbarra na sistematização da linguagem: a escola
se põe a ensiná-la a medir sílabas, a grifar os substantivos do poema, a
circular os verbos, a encontrar os dígrafos, e por aí vai (SORRENTI, 2009, p.
17, 18).

Ao conseguir a impressão do livro “Projeto Livro da Turma – Poemas”, o


sentimento de orgulho da turma vitoriosa é inigualável. Eles conseguiram unir seus
textos, biografias e poemas em uma única voz.

E quando as crianças e jovens descobrem que podem fazer belos versos, é


uma grata surpresa. A escola, ao sentir que o texto literário está frequentando
o caderno do seu aluno-autor, terá cumprido um grande papel. “Todos
deveriam fazer verso” – já dizia Quintana –, “ainda que saiam maus”. Ele
justifica que é preferível para a alma humana fazer maus versos, a não fazer
nenhum, pois o exercício da arte poética é sempre um exercício de
autossuperação e assim o refinamento do estilo acaba trazendo a melhoria da
alma (SORRENTI, 2009, p. 52).

Vencida a etapa da escrita, alguns alunos queixavam-se de querer o anonimato,


sob a desculpa da vergonha acerca do texto. Salienta-se, no entanto, que essa
insegurança é decorrente do medo de ser julgado, mas os alunos foram lembrados que
“a classificação de bom ou mau poema depende muito de quem o lê. Por isso é
importante que a escola faça de tudo para preservar a sensibilidade estética do aluno –
que pode ser conseguida pela sugestão de bons textos e de uma boa motivação em
classe”. (SORRENTI, 2009, p. 53). Assim, o desenvolvimento da escrita e da oralidade
quando compõem o fazer pedagógico das aulas de língua portuguesa produzem
resultados positivos.

CONCLUSÃO

A construção do Projeto Livro da Turma – Poemas envolveu uma


cumplicidade com o livro. Através desse, e do exemplo de leitura por parte dos
professores, o aluno percebe que há algo magnífico nesse universo chamado “leitura”.
Muito se fala em escola que transforma, molda e lança ao mundo alunos que
futuramente venham a se tornar cidadãos plenos. Como visto, é árdua a batalha, porém
possível. Daí, a fagulha criativa deixada nas mentes de alunos do 6º ano e a inquietação
diante do fazer poético é uma experiência válida, exitosa e importante para a jornada do
conhecimento.

REFERÊNCIAS

ALTENFELDER, Maria Alice [org.]. Poetas da escola: caderno do professor:


orientação para produção de textos. São Paulo: Cenpec, 2010.

COUTINHO, Afrânio. A literatura no Brasil: introdução geral. 7ª ed – São Paulo:


Global, 2004.

FERNBACH, Mônica de Araújo. Escrita e interação. In: DEL RÉ, Alessandra [org.].
Aquisição da linguagem: uma abordagem psicolinguística. São Paulo: Contexto, 2013.

FREIRE, Paulo. A importância do ato de ler: em três artigos que se complementam.


51ªed – São Paulo: Cortez, 2011.

MELO, Edsônia de Souza Oliveira. Gêneros poéticos em interface com gêneros


multimodais. In: ROJO, Roxane Helena R.; MOURA, Eduardo. Multiletramentos na
escola. São Paulo: Parábola Editorial, 2012.

SORRENTI, Neusa. A poesia vai à escola: reflexões, comentários e dicas de


atividades. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2009.
FACETAS DA DIVERSIDADE CULTURAL NA OBRA DE MESTRE
VITALINO: OFICINA DE ANIMAÇÃO EM STOP MOTION

Luciana Pereira da Costa e Silva21

INTRODUÇÃO

Este trabalho se assenta em descrever um relato de experiência na área de


Artes, desenvolvido na Escola Municipal de Ensino Fundamental Vicente de Paula em
Manaus-AM, com os alunos do oitavo ano. Os encontros de Formação para Professores
da Secretaria Municipal de Educação (Semed), assim como o Programa Institucional de
Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID), foram parcerias importantes para o
desenvolvimento dessa prática pedagógica. A partir do estudo da vida e obra do
ceramista Mestre Vitalino, os discentes puderam refletir acerca da diversidade cultural
do Brasil, assim como trabalhar o conteúdo de forma prática, através da técnica de
animação em stop motion. A fundamentação teórica se baseia nos preceitos
estabelecidos pela educadora Ana Mae Barbosa, o que se cristalizou como abordagem
triangular.
Vitalino Pereira dos Santos, conhecido como Mestre Vitalino, foi um grande
ceramista e divulgador da cultura nordestina. Consolidou uma tradição popular a partir
de Caruaru/PE, influenciando sucessivas gerações e transformando o Alto do Moura,
bairro de Caruaru, como maior centro de arte figurativa das Américas. Não teve estudos
formais em academias, mas aprendeu o ofício de artesão com seus pais. Sobretudo,
utilizou a técnica de modelagem em barro, para retratar o sertão nordestino e tudo o que
pertencia ao imaginário popular. Por vivenciar o conflito sócio cultural existente no
contexto da década de 30, retratou a figura de lampião e Maria Bonita, assim como os
elementos característicos daquela região, como: animais, cerimônias, batizados,
enterros, secas e consequentes migrações. Em virtude de sua contribuição no que cerne
ao patrimônio artístico cultural brasileiro e pela originalidade e criatividade encontrada
em sua obra, é que se tornou um ícone da diversidade cultural do Brasil.

21
Universidade do Estado do Amazonas (UEA), mestranda em Letras e Artes, especialista em
Psicopedagogia pela Universidade do Espírito Santo (UNIVES); graduada em Licenciatura em Música
com Habilitação em Canto. Professora da disciplina de Artes pela Secretaria Municipal de Educação
(SEMED - Manaus/AM), Supervisora do Programa de Iniciação à Docência (PIBID/Artes Visuais) pela
Universidade Federal do Amazonas (UFAM).
Mestre Vitalino, ainda criança, já revelava extremo pendor para a
modelagem, criando em barro seus próprios brinquedos. Logo o menino
produzia objetos que eram vendidos junto com a louça da mãe na feira de
Caruaru. A criatividade expressa em suas obras atraía a atenção daqueles que
ocorriam à banca de Vitalino para ver as peças de novidade por ele criadas.
Representações do universo rural, do cotidiano, do trabalho, do lazer, de
festas e de rituais tradicionais, e também as últimas descobertas chegadas ao
município e difundidas pelos veículos de comunicação, em especial o rádio,
constituíam verdadeiro inventário do que ocorria no seu meio sócio cultural
(BARCINSKI, 2015, p. 337).

Como estratégia didática para o ensino do artesanato brasileiro, e a questão da


diversidade cultural debatida no 3º Módulo de Formação para Professores da Secretaria
Municipal de Educação (SEMED-Manaus/AM), é que foi realizada uma oficina de
animação em stop motion, com os alunos dos 8ºanos A, B e C, turno vespertino, da
Escola Municipal de Ensino Fundamental Vicente de Paula, cujo tema central foi a
diversidade cultural brasileira vista a partir da vida e obra de Mestre Vitalino. As
oficinas foram subsidiadas pelo Subprojeto de artes Visuais (PIBID-UFAM/Manaus)22.

METODOLOGIA

A prática pedagógica se assentou na abordagem triangular sistematizada por Barbosa


(1998). De acordo com esta educadora, todo conteúdo de natureza estética ou visual pode ser
explorado, interpretado e operacionalizado através de uma abordagem diferenciada. “A Proposta
Triangular é construtivista, interacionista, dialogal, multiculturalista e é pós-modernista por
articular tudo isto e por articular arte como expressão e como cultura na sala de aula [...].”
(Idem, 1998, p. 41). A abordagem triangular não é uma metodologia, mas um caminho proposto
por esta educadora para nortear a prática do docente em sala de aula. Essa sistematização se
baseia em três eixos norteadores: fazer artístico, leitura da imagem (obra de arte) e
contextualização (história da arte).
Ainda como estratégia didática, foi implementada a oficina de animação em stop
motion, como meio de inserir as tecnologias no ensino de Arte, e viabilizar maior interesse e
participação dos alunos, que estão envoltos nesse contexto de mídias e tecnologias. Os alunos já
utilizam vários artefatos em seu cotidiano e isso poderia ser levado em consideração na
prática pedagógica.

De um modo geral, as crianças apropriam-se das imagens, sons e gestos


contidos nas mensagens veiculadas pelas mídias, reelaborando-os e
reutilizando-os na maioria das vezes de uma maneira pessoal. Por isso, em

22
Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID), que objetiva o preparo de novos
docentes nas licenciaturas, além de levar ao professor do ensino básico, a oportunidade de entrar em
contato com o processo de pesquisa e novas abordagens pedagógicas.
nosso trabalho de intermediação educativa em arte devemos focalizar
também as mídias, o universo tecnológico, as mais recentes produções de
design e de comunicação visual, musical ou outras que componham nossa
ambiência. E como o nosso objetivo é a ampliação dos saberes dos jovens em
arte, pode-se procurar desvelar os componentes artísticos através de leitura,
apreciação, interpretação e análise mais crítica dessas produções
comunicativas (FERRAZ et Al;1999, 44).

As etapas do trabalho deram-se da seguinte forma: Contextualização -


Conceito de artesanato, diversidade cultural brasileira a partir da vida e obra de Mestre
Vitalino. Prática - Foi solicitado que os alunos pesquisassem imagens de obras do
artista, e fizessem uma releitura de uma das peças, usando massinha de modelar.
Utilizando um cenário com temática do sertão, foram captadas imagens dos objetos
modelados, e posteriormente foram editados três vídeos de animação no software movie
maker. Apreciação - Nessa etapa, aconteceu a apreciação dos vídeos de animação por
todas as turmas que participaram do trabalho, ratificando assim o conteúdo estudado.

DISCUSSÃO E RESULTADOS

Todas as etapas do trabalho foram importantes para o processo de ensino e


aprendizagem. Uma vez que, os alunos puderam refletir acerca da diversidade cultural
do Brasil, evidenciada na obra de um artista de cunho popular, que ganhou notoriedade
nos estudos acadêmicos. O trabalho em equipe foi pontual para que todos pudessem
interagir e contribuir com suas próprias ideias. A abordagem triangular empregada na
prática pedagógica possibilitou aos discentes, o conhecimento, a prática e a fruição do
objeto artístico, promovendo assim, uma experiência estética, estimuladora e
diferenciada.

CONCLUSÃO

Os cursos de capacitação e treinamento para docentes atuantes em sala de aula


são ferramentas consolidadoras da prática pedagógica. Certamente, as discussões sobre
diversidade cultural na formação de professores da Semed, assim como a participação
do Subprojeto de Artes Visuais Pibid-UFAM/ Manaus nas aulas de arte, foram fortes
parcerias para implementação desse trabalho. Possibilitar ao professor conhecimentos
contextualizados e inovadores, proporcionando novas abordagens, promovendo a
interação de boas práticas através de encontros, congressos, são extremamente válidos,
uma vez que, valorizam o trabalho executado, e multiplicam as experiências visionárias.
Além de efetivar o maior objetivo do ensino que é a aprendizagem.
REFERÊNCIAS

BARBOSA, Ana Mae. Tópicos utópicos. Belo Horizonte: C/Arte, 1998.

BARCINSKI, Fabiana Werneck. Sobre a arte brasileira da pré-história aos anos 1960. São
Paulo: WMF Martins Fontes, 2015.

FERRAZ, Maria Heloisa; FUSARI, Maria F. de Rezende E. Metodologia do Ensino da Arte.


São Paulo: Cortez, 1999.

FROTA, L.C. Mestre Vitalino. São Paulo: Editoração Publicações e Comunicações,


1988.

RIBEIRO, R. Vitalino, um ceramista popular do Nordeste. 2 ed. Recife: FUNDAJ,


1972.

DIVERSIDADE SEXUAL: SAÚDE SEXUAL E REPRODUTIVA

Sandra Suely Leite23


INTRODUÇÃO

Entende-se que sexo e sexualidade devem ser esclarecidos aos jovens de


maneira leve, simples e com ética para que os mesmos se tornem cuidadores e
conhecedores de seus corpos com o máximo respeito. Nesse sentido, foi desenvolvido o
projeto com a finalidade de elucidar dúvidas e quaisquer outras necessidades,
relacionadas à informação para os jovens.

Sexo e sexualidade são temas cada vez mais presentes nas escolas, nos
serviços de saúde, nos meios de comunicação social, nas famílias, nos grupos
de amigos(as) e ate nas instituições religiosas, empresas e diferentes grupos
da sociedade. Como são assuntos ligados à vida, sempre vão estar na pauta
do dia, gerando dúvidas, polêmicas, debates, discussões e questionamentos
que precisam ser tratados de maneira franca, simples e sem constrangimentos
(Ministério da Saúde, 2011, p. 9).

O sexo desempenha papel importante e básico em nossas vidas. As relações


sexuais permitem a reprodução e, esta, a perpetuação da espécie. Mas para o ser
humano a atividade sexual não se restringe à reprodução. Ela é uma das fontes de

23
Licenciada em Licenciatura Plena em Ciências Biológicas pela Universidade Federal do Amazonas
(UFAM); Professora da disciplina de Ciências Naturais da Secretaria Municipal de Educação (SEMED-
Manaus/AM); Supervisora do Programa de Iniciação à Docência (PIBID/ Ciências Naturais) pela
Universidade Federal do Amazonas (UFAM). E-mail: sansuleite@gmail.com
prazer, fundamental para nós, pois estar bem consigo mesmo é indispensável fator de
felicidade e, para tanto, é preciso estar bem com a própria sexualidade.

Alguns temas polêmicos como masturbação, intersexualidade e


homossexualidade são tratados cientificamente, baseados em livros dos
grandes especialistas desses assuntos. Embora a discussão seja científica, ela
está escrita em linguagem acessível. Outros assuntos como métodos
contraceptivos, sexualidade, excitação sexual, identidade sexual e doenças
sexualmente transmissíveis também são abordados com objetividade, clareza
e franqueza. Há uma preocupação constante em destruir preconceitos, isto é,
conceitos e idéias desprovidos de base científica (GOUVÊA, 1995, p. 6).

No projeto desenvolvido foram explicadas a anatomia e a fisiologia dos órgãos


sexuais, alguns temas polêmicos como puberdade e masturbação, as doenças
sexualmente transmissíveis (DST‟s) e HIV e AIDS, métodos contraceptivos e também
diversidade sexual e gênero, pois quanto mais informado for o jovem, mais facilmente
ele observará o que acontece com o seu corpo, sabendo que todos têm o direito de ser
feliz; fator importante para isso é viver bem sua sexualidade, com segurança e
responsabilidade, sem pressa e com cuidado para não cometer enganos.
Normalmente quem se debruça no trabalho de educação sexual, qualquer que
seja seu nível de escolarização, não se vê obrigada(o) a definir um referencial teórico
norteador de suas práticas docentes. Talvez, tal necessidade de definição teórica seja
impensável para muitas(os), uma vez que há um entendimento tácito de que o objeto da
educação sexual é a Biologia... Que seus assuntos e conteúdos devem versar sobre o
conhecimento do corpo e da prática do sexo seguro, culminando em temas como
aparelho reprodutor masculino e feminino, puberdade, menstruação, doenças
sexualmente transmissíveis, HIV e AIDS, gravidez na adolescência, virgindade,
iniciação sexual. Foi apresentada em Furlani (2005), uma forma de organizar a
educação sexual contemporânea, sobretudo aquela vista, hoje, no Brasil, a partir de oito
diferentes abordagens: abordagem biológico-higienista; abordagem moral-
tradicionalista; abordagem terapêutica; abordagem religioso-radical; abordagem dos
direitos humanos; abordagem dos direitos sexuais; abordagem emancipatória e
abordagem queer (FURLANI, 2011, p. 15).
Entende-se que as aulas diferenciadas e com conteúdos polêmicos ministrados
para as turmas de 8º ano A, B, C, D, E, se fizeram necessárias para se evitar o bullying,
a homofobia as práticas discriminatórias, tão em voga em nossa sociedade, tiveram
como base os encontros oficializados na Formação Continuada para Docentes da
Secretaria Municipal de Educação (SEMED/Manaus) em colaboração com o subprojeto
de Ciências Naturais (PIBID-UFAM/Manaus)24.

METODOLOGIA

Para os alunos do sexto ano, inicialmente foi abordado o tema puberdade; em


seguida fizeram desenhos esquemáticos do sistema reprodutor masculino e feminino,
onde os mesmos observaram as diferenças existentes entre um homem e uma mulher,
com as devidas explicações; seguidamente fizeram caça palavras sobre fecundação,
tiveram temas sobre puberdade, adolescência, gravidez na adolescência, métodos
contraceptivos e doenças sexualmente transmissíveis.
Para os alunos do oitavo ano, a metodologia foi um pouco diferente, haja vista
que já são um pouco mais maduros e estando todos os itens do projeto contidos na sua
proposta curricular (Sistema Reprodutor Masculino e Feminino e Diversidade Sexual e
Gênero, Puberdade, Adolescência, Gravidez na Adolescência e Aborto, Planejamento
Familiar e Métodos Contraceptivos e Doenças Sexualmente Transmissíveis – DSTs – e
Aids).
Foi passado de maneira clara e objetiva todos os aspectos que envolvem a
sexualidade humana, sabendo que o sexo está em nossas mentes, no nosso corpo, faz
parte de nós. As aulas foram desenvolvidas com desenhos esquemáticos, slides, textos
auxiliares, pesquisas, jogos, caça palavras e baú com perguntas e curiosidades propostas
pelos alunos, para que fosse agradável e prazeroso discorrer sobre tal assunto.
Outro ponto importante abordado, depois dos temas sobre sexualidade,
métodos contraceptivos, quando chegamos nas DSTs e começamos a falar e
exemplificar sobre parceiros, introduzimos o tema diversidade sexual e gênero, onde foi
abordado inicialmente com exibição de slides com as devidas explicações seguido da
projeção de um vídeo documentário sobre o mesmo para melhores esclarecimentos.

24
Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID), que objetiva o preparo de novos
docentes nas licenciaturas, além de levar ao professor do ensino básico, a oportunidade de entrar em
contato com o processo de pesquisa e novas abordagens pedagógicas.
DISCUSSÃO E RESULTADOS

Este projeto de sexualidade voltou-se para que os adolescentes tenham cuidado


com o seu corpo, e ao mesmo tempo evitando a gravidez indesejável. Espera-se também
que tenham conhecimento dos métodos contraceptivos e que tenham um entendimento
sobre as DST‟s, AID‟s e a gravidez na adolescência.
Vale ressaltar que algumas das mais importantes questões de saúde pública são
os casos de gravidez não planejada e a incidência crescente de jovens portadores de
HIV, fatos estes muitas vezes decorrentes da falta de informação e/ou do não-uso de
métodos contraceptivos. Os participantes do grupo, ao afirmarem que a menina é a
responsável na prevenção das DST‟s/Aids, expressam outra contradição, pois, como
destaca Paiva (2000), a gravidez e a contaminação pelo HIV podem ser produto da
mesma decisão ou falta de decisão em relação ao risco (Maheirie & col, apud Paiva,
2000).
Como primeiro passo foi pedido aos alunos que desenhassem o sistema
reprodutor masculino e feminino identificando os órgãos, em seguida exibimos os slides
com os órgãos e funções para sanar todas as dúvidas. Em outro momento, foi
apresentado uma sessão de vídeos sobre cromossomos, fecundação, documentário sobre
gravidez indesejada, da concepção ao parto sensibilização contra o abuso sexual e
diversidade sexual e gênero. Paralelamente aos itens expostos era colocado sobre a
mesa um baú chamado “Baú dos segredos” com o intuito de abordar as dúvidas dos
alunos sem sua exposição e solicitação de pesquisa sobre os temas propostos para
fundamentação teórica.
Ocorreram aplicações de jogos e atividades lúdicas, como roleta da
sexualidade, corrida maluca das gônadas sexuais (tabuleiro), quebra-cabeça com os
seguintes temas: sistema reprodutor masculino e feminino, métodos contraceptivos e o
biscoito sexual. As avaliações foram feitas no decorrer de todo o projeto com caça-
palavras, desenhos esquemáticos, pesquisas e até na prova.
Além disso, fizemos a exposição de todos os temas na feira de Ciências da
Escola Municipal Vicente de Paula onde se realizou o projeto com o sistema reprodutor
masculino e feminino, roleta da sexualidade, quebra-cabeça, métodos contraceptivos,
exploração e abuso sexual com apresentação de painel, DST‟s com álbum seriado, com
exceção do item diversidade sexual e gênero, que foi excluído da apresentação na feira
em virtude de “EU” professora de Ciências, através de um advogado representando o
pai de dois alunos, recebi uma Notificação Extrajudicial a qual me impedia de expor o
tema acima citado, sob pena de sofrer as sanções legais.
Esse trabalho de sexualidade voltou-se para que os discentes que estão em
plena adolescência, pudessem ser esclarecidos a cerca de temas ainda não muito bem
entendidos para eles. E foi bastante significativa, pois despertou a reflexão para os
cuidados com o corpo, a preocupação com o uso de contraceptivos e a gravidez
indesejada e esperamos ainda que os próprios pares possam ter em mente como se
prevenir e evitar ser contaminado de alguma forma por seu parceiro(a).

CONCLUSÃO

Podemos ressaltar que o projeto teve a sua relevância no âmbito educacional e


principalmente no contexto social, haja vista a euforia dos jovens quando se tratava do
tema.
De forma abrangente, se todos os profissionais da área educacional, as mídias
sociais e a própria sociedade dialogasse mais a respeito do assunto, com mais ênfase,
veemência e eloqüência haveria um esclarecimento maior por parte da população e a
taxa de agressão e morte poderia diminuir consideravelmente, dando a oportunidade de
construir um país de todos.

REFERÊNCIAS

GOUVÊA, R. G. Sexo, Sexualidade e Doenças Sexualmente Transmissíveis. São


Paulo: Moderna, 1995.

BRASIL. Ministério da Saúde. Ministério da Educação. Adolescentes e Jovens para a


educação entre pares: Sexualidade e Saúde Reprodutiva. Brasília: MS/MEC, 2011.

FURLANI. Jimena. Educação Sexual na Sala de Aula – Relações de Gênero,


orientação sexual igualdade étnico-racial numa proposta de respeito às diferenças.
Belo Horizonte, Ed. Autêntica, 2011.

LOPES, S. Investigar e Conhecer Ciências da Natureza. São Paulo: Saraiva, 2015.

ROVERATTI, D. Guia da Sexualidade. São Paulo: Daikoku, 2012.

www.aprenderebrincar.com visualizado em 28/05/2016

www.portalescolar.net visualizado em 28/05/2016


www.atividadesedesenhos.com visualizado em 28/05/2016

O COMBATE AO AEDES AEGYPTI - SENSIBILIZAÇÃO DA COMUNIDADE


ESCOLAR ATRAVÉS DA ELABORAÇÃO DE HISTÓRIAS EM QUADRINHO
(HQ'S)

Luciana Evelyn Aquino de Castro Ferreira25

INTRODUÇÃO

O Aedes aegypti é um mosquito adaptado a se reproduzir nos ambientes


domésticos ou peridomésticos e faz sua oviposição em depósitos artificiais de água.
Além disso, outros fatores contribuem para proliferação do mosquito: a urbanização
precária, invasões de terra, e falta de saneamento básico regular, condições climáticas de
elevados temperatura, umidade e índices de chuva (COSTA, 2009). Atualmente, três
doenças virais causadas por esse vetor despertam a atenção das autoridades: dengue,
chikungunya e zika.
A dengue é um problema de saúde pública muito comum na atualidade. No
primeiro trimestre de 2016, devido o padrão sazonal da região amazônica, foi observada
a incidência elevada no número de casos que, comparado ao mesmo período de 2015,
teve uma elevação de 68,6% segundo boletim epidemiológico da Fundação de
Vigilancia em Saúde.
O primeiro caso autóctone de febre chikungunya na Capital do Estado do
Amazonas foi registrado em julho de 2015 e no inicio de 2016 já registrara 12 (doze)
casos, dos quais 5 (cinco) são autóctones.
O zika vírus teve seus primeiros casos registrados em 2014, mas ganhou
repercussão em outubro de 2015 devido sua associação com casos de microcefalia. Em
novembro de 2015 foi declarada Emergência em Saúde Pública de Importância
Nacional (Espin), pelo Ministério da Saúde conforme a portaria MS nº 1.813,
decorrente da “alteração do padrão epidemiológico de ocorrências de microcefalias
congênitas relacionadas às infecções pelo Zika vírus.”
Dado o significativo aumento no número de casos e de doenças transmitidas

25
Licenciada em Ciências Biológicas pela UFAM; Especialista em Gestão Ambiental Universidade Gama
Filho; Docente na SEMED Manaus. luciana.de.castro.ferreira@gmail.com
pelo mosquito Aedes aegypti no inicio de 2016, foi verificada a urgência em tratar sobre
o tema na escola. A primeira ação partiu da Secretaria Municipal de Educação que
promoveu, no dia 19 de fevereiro, o "Dia D" de combate ao mosquito Aedes aegypti.
Esse tipo de ação é necessário porque segundo o Ministério da Saúde, a única
forma de controle dessas doenças é a diminuição da densidade vetorial, ou seja, evitar a
proliferação do mosquito e de suas larvas. Para isso algumas medidas de controle
podem ser realizadas, tais como:
• mudanças no ambiente por meio da destruição de criadouros potenciais do
Aedes;
• melhoria de saneamento básico e coleta de resíduos sólidos;
• participação comunitária, no sentido de evitar a infestação domiciliar do
Aedes, mantendo o ambiente domiciliar livre de potenciais criadouros do vetor;
• controle químico realizado pela Vigilância Sanitária.
• Visando apoiar essas ações, na Escola Municipal de Ensino Fundamental João
Alfredo, foi elaborado e executado um projeto cujo objetivo era sensibilizar a
comunidade escolar quanto à destinação correta do lixo produzido para que esses
resíduos não viessem a se tornar criadouros do mosquito Aedes aegypti.
• A fim de se alcançar esse objetivo, foram realizadas palestras, visitas técnicas,
reflexões e debates que culminaram na produção de histórias em quadrinhos (HQ‟s)
como meio de avaliação. Essa ferramenta foi escolhida por ser uma via de compreensão
onde o aluno é impelido a elaborar algo que reflita sua apreensão do conteúdo. A
escolha desse instrumento visa seguir as orientações constantes nos Parâmetros
Curriculares Nacionais (PCN), que rege

Materiais de uso social frequente são ótimos recursos de trabalho, pois os


alunos aprendem sobre algo que tem função social real e se mantêm
atualizados sobre o que acontece no mundo, estabelecendo o vínculo
necessário entre o que é aprendido na escola e o conhecimento
extraescolar. A utilização de materiais diversificados como jornais,
revistas, folhetos, propagandas, computadores, calculadoras, filmes, faz o
aluno sentir-se inserido no mundo à sua volta (PCN, 1998, p. 67).

Nesse sentido, buscou-se motivar a investigação, a propositura para soluções


de problemas e a socialização de ideias, fatores importantes para uma aprendizagem
significativa.
METODOLOGIA

O projeto foi executado no período março a julho de 2016. Cada ação


aconteceu em uma ou duas semanas de cada mês, desde que não conflitasse com o
conteúdo programático da série ou com o calendário escolar.
As atividades foram iniciadas com uma palestra sobre o tema, realizada pela
equipe da Unidade Básica de Saúde do Bairro da Paz, participante do Programa Saúde
na Escola. Naquele momento, foi abordada a importância da eliminação de criadouros;
foi explicado como realizar o programa “10 minutos contra a dengue”; foram
disponibilizados folderes explicativos aos ouvintes. A fim de interagir com os alunos,
foi realizado um jogo de perguntas e respostas no qual o vencedor ganhava um brinde.
A ação seguinte consistiu na realização de excursões pelo entorno da escola.
Era necessário que se identificasse os possíveis criadouros de mosquitos e a origem do
mesmo. Após a identificação, a proposta era registrar as imagens com celular, câmera
ou smartphone.
Com base nas imagens, foram realizados momentos para debate e reflexão
sobre a responsabilidade individual no combate ao mosquito no ambiente escolar.
Foram realizadas perguntas sobre a origem do criadouro, sobre as consequências que
advindas da proliferação dos mosquitos e sobre o papel dos inseticidas e repelentes no
combate e controle do Aedes aegypti.
A produção textual foi realizada seguindo a orientação de SANTOS (2012) e
foi dividida em dois momentos. No primeiro, foram disponibilizadas histórias em
quadrinhos para leitura, identificação da sua linguagem e a disposição de seus
elementos narrativos. Foram observadas histórias longas e em tiras, com e/ou sem
diálogo.
Após essa análise, foi proposta a criação de histórias em quadrinhos. Para isso,
foi entregue a eles um sulfite no qual estava impresso 6 (seis) quadrinhos para registro
da produção; houve uma orientação para que o desenvolvimento do argumento estivesse
dentro do tema “COMO COMBATER O MOSQUITO Aedes aegypti na escola”, que o
roteiro da história fosse coerente e sobre a importância da arte – desenho e colorização
(UNESCO, 2010).
DISCUSSÃO E RESULTADOS

A abordagem do combate ao Aedes de forma lúdica e descontraída propiciou que


os alunos se concentrassem na palestra, produzindo efeito positivo para a aprendizagem
do assunto em questão, fato visualizado durante o jogo de perguntas e respostas.
A realização da excursão pelo entorno da escola revelou a apreensão dos
conteúdos. Esse fato foi comprovado a partir dos comentários feitos pelos alunos
durante a visita, ou seja, foi alcançada a integração das informações oriundas da
palestra, a interpretação das mesmas e a associação com os conceitos já interiorizados
na estrutura cognitiva do aprendiz, como preconiza Krasilchick (2008). Além disso, essa
estratégia foi importante pela exploração dos espaços não formais da escola.
A compreensão de que a responsabilidade na produção de lixo é individual e que
o descarte inadequado favorece a proliferação de criadouros, era de extrema importância
para a produção do texto. Na análise dos trabalhos, foi verificada essa relação e sua
extrapolação, pois eles compreenderam que essas ações poderiam vir a contaminar a
eles mesmos.

CONCLUSÃO

Reconhece-se que a escola é o local de excelência para a realização de projetos


de educação em saúde, pois é um espaço privilegiado – inclusive – para o envolvimento
da comunidade no controle do vetor Aedes aegypti (SANTOS-GOUW; BIZZO, 2000).
Essas ações educativas priorizam informar a população e mobilizar ações positivas em
relação à produção de criadouros e são imperativas na prevenção das doenças causadas
por esse vetor.
Com esse intuito, o projeto possibilitou que os alunos se tornassem
protagonistas no combate à doença e proporcionou não somente a elaboração de
histórias em quadrinho, mas também a propositura de ações no combate ao Aedes.
Assim, o projeto realizado na escola pode chegar ao conhecimento de toda comunidade
vizinha, pois cada aluno se tornou um multiplicador.
REFERÊNCIAS

AMAZONAS. Secretaria de Estado de Saúde. Fundação de vigilância em Saúde.


Boletim de Vigilância em Saúde: Situação epidemiológica da Dengue,
Chikungunya e Zika Vírus no Estado do Amazonas, 2016. número 1, Ano 5.
Amazonas: FVS, Março 2016.

BRASIL, Ministério da Educação, (1997). Parâmetros Curriculares Nacionais para o


Ensino Fundamental. Brasília: MEC/SEF, 1997.

BRASIL. Ministério da Saúde (2001). Fundação Nacional de Saúde. Dengue:


instruções para pessoal de combate ao vetor. Manual de Normas Técnicas. 3a ed.
Brasília: MS/FUNASA, 2001.

BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais :


terceiro e quarto ciclos do ensino fundamental: introdução aos parâmetros
curriculares nacionais / Secretaria de Educação Fundamental. – Brasília: MEC/SEF,
1998.

COSTA, Cristóvão Alves da; SANTOS, Ilia Gilmara Carvalho dos; Barbosa, Maria da
Graça. Detecção e tipagem de vírus dengue em Aedes aegypti (Diptera: Culicidae)
na Cidade de Manaus, Estado do Amazonas. Revista da Sociedade Brasileira de
Medicina Tropical 42(6):677-681, nov-dez, 2009.

KRASILCHIK, M. Prática de Ensino de Biologia. São Paulo: Edusp. 2008.

SANTOS, R. E.; VERGUEIRO, W. Histórias em quadrinhos no processo de


aprendizado: da teoria à prática. EccoS, São Paulo, n. 27, p. 81-95. jan./abr. 2012.

SANTOS-GOUW , Ana Maria ; BIZZO, Nelio. A dengue na escola: contribuições


para a educação em saúde da implementação de um projeto de ensino de ciências.
Encontro nacional de pesquisa em educação em ciências - VII Enpec. Florianópolis,
2000.

ROCHA, Lúcia Alves da; TAUIL, Pedro Luiz. Dengue em criança: aspectos clínicos e
epidemiológicos, Manaus, Estado do Amazonas, no período de 2006 e 2007. Revista
da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical 42(1):18-22, jan-fev, 2009.

UNESCO. Historia em quadrinhos – Projeto Saúde e Prevenção nas Escolas: Um


guia para utilização em sala de aula. Brasília, 2010.
REUTILIZAR PARA NÃO DESCARTAR

Raimundo Rodrigues de Souza26

INTRODUÇÃO

A questão do descarte do lixo é comum em grandes centros urbanos, em


Manaus não é diferente. O projeto cujo nome é "Reutilizar para não
descartar" foi realizado na Escola Municipal Presidente João Goulart, localizada no
Bairro Santa Etelvina. Além de conhecer as causas do acúmulo de lixo no entorno da
escola, possui a missão de apresentar aos alunos a importância de cada um em ser ativo
no processo de transformação do seu meio.
Além de investigar as causas do descarte inadequado do lixo no entorno da
escola, esse projeto busca realizar ações de impacto direto na vida da
comunidade. É preciso ser racional e entender que a diminuição do consumo na
sociedade é algo bem distante da nossa realidade. Dessa forma, é de
fundamental importância buscar meios de reutilizar o lixo, dando assim um destino
diferente a esse tipo de poluição. Esse projeto poderia ser adaptado a diversas escolas na
cidade, por tratar de um assunto que é comum a diversas áreas de uma grande cidade.
O descarte inadequado do lixo nas ruas gera o acúmulo desse material,
causando impacto direto na saúde das pessoas.
Além disso, buscamos possíveis alternativas que além de reaproveitar e
reutilizar esse lixo, possa se tornar uma fonte de renda para as famílias residentes na
localidade. O tema tem relevância social devido a necessidade de formarmos juntos
ações sustentáveis. Reutilizando as embalagens que seriam descartadas na
natureza, evita sérias consequências ao meio ambiente e a saúde dos moradores
da comunidade.

METODOLOGIA

Essa pesquisa ocorreu a partir de duas observações: O acúmulo do lixo nas ruas
e igarapés do Santa Etelvina e a segunda foi a necessidade de criar uma

26
Graduado em Normal Superior pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA).
maneira para reutilizar esse lixo que seria descartado na natureza. A confecção de
artesanato a partir de materiais reciclados pode influenciar até na diminuição da evasão
escolar, uma vez que a venda desses itens pode ajudar na renda familiar de
diversos alunos que possuem limitação financeira até para ir à escola. Com esse projeto
quem sabe, conseguiremos semear uma ideia sustentável e até mesmo transformado a
vida dos moradores da localidade.
O projeto foi executado em 3 etapas. A primeira consistiu em uma aula
dinâmica sobre educação ambiental, que buscava observar os conceitos que os alunos
possuíam sobre o assunto e o seu grau de comprometimento com o futuro do planeta. A
partir disso foram escolhidos os produtos que seriam reutilizados e no que eles seriam
transformados. Dando sequência ao projeto, houve a realização de oficinas para a
construção dos produtos. A última etapa foi a demonstração dos materiais na escola para
todas as turmas, inclusive os familiares dos alunos.
A parte prática do projeto consiste na realização de duas oficinas
por semana com os alunos do segundo seguimento da 4ª etapa do EJA (Ensino de
Jovens e Adultos). Nas oficinas os alunos produziam diversos produtos através das
técnicas de artesanato, reutilizando pneus, garrafa de plástico e jornais.
As oficinas aconteciam duas vezes por semana, a cada trimestre uma amostra
das oficinas realizadas pela turma com exposição de seus materiais, o que possibilita até
a venda desses produtos para complementar a renda familiar dos alunos.
Os jornais foram transformados em jogo americano ou porta panela para
utilidade na cozinha e decoração. Além disso, também foi utilizado em cesta para café
da manhã. As garrafas de PET foram usadas para bancos e vasos de planta, tornando a
escola um espaço mais bonito. Os pneus têm utilidade tanto na ornamentação e
embelezamento de jardins das escolas e residências dos alunos. O barbante foi
transformado em luminária.

DISCUSSÃO E RESULTADOS

Em uma sociedade altamente consumista somos valorizados de acordo com


nossos bens, e isso está relacionado diretamente ao nosso grau de consumo. Um
lugar onde os valores se inverteram, como uma grande cidade, possuem muito lixo
descartado nas ruas de maneira inadequada pela população.
A tecnologia e a indústria do entretenimento dita normas e conceitos culturais,
causando até inversão de valores e impõem modismos e conceitos fabricados para gerar
um consumo planejado e orquestrado pela teoria capitalista. A indústria da
propaganda através das agências de publicidade dita os produtos a ser consumido. Esse
mesmo poder de influência pode ser usado a favor da natureza, influenciando as pessoas
a terem atitudes mais responsáveis com o futuro do planeta.
Esse aumento considerável nos assusta, pois o mesmo pode
trazer sérios problemas a saúde pública; sem falar na poluição e seus vários aspectos
que serão gerados a partir do aumento do lixo descartado inadequadamente nas ruas.
Poluindo rios e igarapés, atingindo até os lençóis freáticos. Esse ciclo de malefícios para
a natureza compromete seriamente a saúde da população da comunidade em questão,
até os alimentos podem ser afetados pela poluição do solo.

Art. 7o A Política Nacional de Educação Ambiental envolve em sua


esfera de ação, além dos órgãos e entidades integrantes do Sistema
Nacional de Meio Ambiente - Sisnama, instituições educacionais
públicas e privadas dos sistemas de ensino, os órgãos públicos da
União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e
organizações não-governamentais com atuação em educação
ambiental. Decreto-Lei nº 9795 (1999).

Através da educação podemos transformar a nossa sociedade. A escola tem um


papel fundamental na formação do caráter de um indivíduo e de seus princípios,
inclusive o de respeito à natureza. Nosso dever como cidadão, independente da área de
trabalho ou formação, é de zelar pela natureza. O acúmulo de lixo nas ruas está
diretamente ligado à irresponsabilidade que muitos habitantes de uma cidade possuem
com a vida das pessoas.
É comum nos bairros que não existe coleta de lixo ver moradores que despejem
o lixo em qualquer lugar. É necessária mais rigidez por parte das pessoas e
da legislação ambiental brasileira. Com aplicação de severas multas a pessoas ou
instituição que infringirem as leis de proteção ambiental. É preciso nos unirmos
enquanto sociedade de um modo geral afim de refletirmos nosso que nosso papel é
fundamental na preservação do ecossistema, do contrário estaremos tendo atitudes
incompatíveis com o futuro próspero que queremos.

Tomemos como exemplo o que diz Paulo Freire (1996): “por que não
aproveitar a experiência que têm os alunos de viver em áreas da
cidade descuidadas pelo poder público para discutir, por exemplo, a
poluição dos riachos e dos córregos e os baixos níveis de bem-estar
das populações, os lixões e os riscos que oferecem à saúde das gentes”
(Freire, 1996, p. 33).

Embora, todos nós tenhamos consciência da gravidade que é fazer o descarte


inadequado do lixo, continuamos a cometer os mesmos erros a anos e anos. Dessa
forma, estaremos contribuindo negativamente com a problemática causada pelo
acúmulo de lixo. É preciso incentivar a população de um modo geral de modo que a
responsabilidade com o meio ambiente seja presente em cada um de nós. Portanto,
não podemos continuar omissos diante de tanta agressão ao planeta. É necessário agir
rápido com atitudes e ações voltadas para preservação ambiental.

CONCLUSÃO

O educador possui papel fundamental na formação do aluno, através da


convivência diária. Com a possibilidade de levar diversas informações diariamente, o
professor pode abordar até mesmo temas como educação ambiental. Com a execução
desse projeto foi possível observar a diferença no comportamento dos alunos em relação
a preservação do planeta e ao descarte de lixo. A utilização de materiais recicláveis
contribuiu para o embelezamento da escola, envolvendo educadores, alunos e a
comunidade em geral. Por conseguinte, foi possível apresentar aos alunos
a importância da atitude em prol da preservação do meio ambiente e como isso pode
influenciar na sociedade.
Mesmo que muitas vezes pareça que nossos esforços em prol de uma educação
melhor são poucos, não podemos pensar em desistir da nossa missão como educadores.
Exercendo nosso papel social de incentivar os alunos a entenderem a zelarem pelo meio
ambiente. Para que no futuro, nossos filhos e netos tenham um planeta mais saudável.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

FREIRE, P. 1921 - 1997. Extensão ou Comunicação? Tradução: Rosiska Darcy de Oliveira.


Rio de Janeiro, Paz e Guerra 2013.

GUIMARÃES, M. A dimensão ambiental na educação. SP: Papirus, 1995.

MARCATTO, C. Educação ambiental: conceitos e princípios. BH: FEAM, 2002.


CZAPSKI, S. A. Implantação da educação ambiental no Brasil. Brasília: Ministério de
Educação e do Desporto, 1998, 166p.

_______________. Decreto-Lei nº 9795: Dispõe sobre a Educação Ambiental e institui a


Política Nacional de Educação Ambiental. Brasília: Diário Oficial da República Federativa do
Brasil, 1999.

CICLO DA VIDA E SEXUALIDADE

Maria do Socorro Ferreira da Silva27


Ana Cláudia Souza Silva28
Maria Solange oliveira e Silva29

INTRODUÇÃO

A temática intitulada “Ciclo da vida e Sexualidade” emergiu da análise


comportamental dos educandos, em relação ao respeito, as etapas da vida e a
sexualidade em consonância com as mudanças nos aspectos fisiológicos, psicológicos e
sociais vivenciadas no âmbito escolar.
A rotina cotidiana de trabalho enfrentada pelos pais é vista num grau de
descompasso no quesito acompanhamento e desenvolvimento de seus filhos. Embalados
pela ausência dos pais, eles passam a optar pela companhia contínua da televisão, sendo
bombardeados por cenas sexuais não apropriadas à sua idade. Como adverte Souza
(1999, p. 33) “fazendo com que eles vejam o sexo como algo banal, sem ter consciência
do verdadeiro valor da sexualidade humana, desenvolvendo cada vez mais cedo seu
interesse pelas atividades sexuais”.
As crianças e adolescentes recebem frequentemente enorme quantidade de
informações através da mídia. No entanto, apresentam muitas dúvidas sobre o assunto,
já que a televisão e os outros meios de comunicação, muitas vezes, não são objetivos
com os questionamentos desse grupo.

27
Graduada em Pedagogia pela UFAM (Universidade Federal do Amazonas) e Letras. Especialista em
Docência da Ed. Infantil e Séries iniciais e Organização Pedagógica e Supervisão Escolar. Atualmente
ministrando aulas na Rede Municipal e Estadual de Ensino. E-mail: msferreiradasilva14@gmail.com
28
Especialista em Gestão de Currículo e Desenvolvimento de Práticas Pedagógicas pela Universidade do
Estado do Amazonas (UEA). Formadora em Educação Sexual e Diversidade. E-mail:
eixo5dreiv@hotmail.com
29
Graduada em Filosofia pela Universidade Federal do Amazonas. Especialista em Metodologia no
Ensino de Filosofia pela Universidade do Estado do Amazonas e em História, Cultura Africana e Afro-
Brasileira pelo Instituto Federal de Educação do Amazonas. E-mail: mariasolangeoliveiras@outlook.com
Este trabalho consistiu em orientar os educandos, a agir de maneira respeitosa
consigo e com os outros desfrutando de forma responsável cada fase da sua vida.
Quanto a sexualidade humana, pretende-se esclarecer acerca das consequências
negativas de atos prematuros e discriminatórios, como a gravidez precoce, as DST`s,
preconceitos, bullying, dentre outros.
O trabalho pretendeu, também, demonstrar a importância de discutir e
aprofundar conhecimentos sobre, o ciclo da vida e sexualidade, bem como contribuir
com a formação integral do educando.

METODOLOGIA

O presente estudo consistiu na realização de pesquisas, palestras, dinâmicas,


debates, produção e seleção de histórias, participação da família, análise de vídeos,
confecção de material, teatro e discussões sobre: textos teóricos que orientam o trabalho
acerca do Ciclo da vida e Sexualidade no ambiente escolar.
Foi solicitada a participação dos pais, ou responsáveis para informar e
esclarecer sobre o a metodologia do trabalho a ser aplicado com vossos filhos. Naquele
momento os pais tiveram a possibilidade de manifestar suas opiniões a partir do
discurso oral e escrito. Essa atividade possibilitou a compreensão e aprovação dos pais
em apoio à execução do trabalho. Suplicy (1999, p. 17) chama a atenção nos seguintes
termos:

Usufruir uma vida sexual plena pressupõe aprendizado, capacidade de adiar a


satisfação imediata, planejar e seguir os próprios valores morais. Alguns pais
temem que falar sobre sexo vá estimular a sexualidade da criança. Esta
preocupação não procede. Ao contrário, meninos e meninas estão sendo
constantemente estimulados pelos meios de comunicação a agir de forma
sexualizada por meio de músicas, propagandas de tv e coleguinhas da escola.
Criança informada é criança protegida (SUPLICY, 1999, p. 17).

Nessa tentativa, buscou-se consolidar a parceria com o Projeto Teatro


Educação na escola, usaremos o termo “Liberdade de Expressão e Criação” numa
perspectiva de autonomia no ensino-aprendizagem da arte teatral: Teatro-educação que
procura despertar no educando uma autonomia criativa, por fim socializamos os
resultados na comunidade escolar a partir de uma culminância.
RESULTADOS E DISCUSSÃO

Percebemos ao longo da aplicação do projeto que os educandos e os pais


apresentaram mudanças de atitude e de comportamento. Os pais, pela confiança no
trabalho que desenvolvido no ambiente escolar. Os alunos, pela maturidade em relação
à compreensão de fatores fisiológicos, psicológicos e, sociais de cada ser humano que
influencia diretamente na coletividade. Desse modo, os eles passaram a entender melhor
a fase da pré-adolescência e a lidar com a sua própria sexualidade. É importante
salientar o que preconiza Ministério da Educação (200, p. 150) ao recomendar:

Conhecer o corpo humano não é apenas saber como funcionam os muitos


aparelhos do organismo, mas também entender como funciona o próprio
corpo e que consequências isso acarreta em decisões pessoais da maior
importância, tais como fazer dieta, utilizar anabolizantes, praticar exercícios
físicos e exercer a sexualidade.

Há que se reconhecer, apesar de toda tecnologia, a informação ainda é


desconhecida por muitos, o que ocasiona um agravante entre os jovens, que a buscam de
forma inadequada. Neste caso ela foi necessária para descortinar o tema para subsidiar
nas dúvidas e desmistificar tabus sobre a temática. Ouçamos o que recomenda a
Secretaria de Educação Fundamental (1988, p. 12).

O trabalho de Orientação Sexual na escola é entendido como problematizar,


levantar questionamentos e ampliar o leque de conhecimentos e de opções
para que o aluno, ele próprio, escolha seu caminho... A escola deve informar
e discutir os diferentes tabus, preconceitos, crenças e atitudes existentes na
sociedade.

Durante a aplicação da proposta observamos o empenho, o compromisso dos


participantes em auxiliar, de forma responsável, todas as etapas do trabalho
desenvolvido. Também a dedicação dos alunos na culminância do trabalho.
A escola é o lugar no qual, possivelmente, continuaremos desenvolvendo
nossas habilidades sociais, iniciadas no convívio familiar. Ou seja, a escolarização dos
alunos.
Talvez, possa ser na escola que conheceremos nossas amigas e amigos mais
íntimos. Enfim, por longos anos a escola poderá fazer parte das nossas vidas e
acompanhar nossa evolução biopsicossocial, por isso, torna-se um espaço privilegiado
de ensino-aprendizagem.

CONCLUSÃO

Este trabalho constata que a sexualidade é parte integrante do processo pré-


adolescência.
Torna-se possível concluir, a partir das vozes dos estudantes, que esse período
é visto como um momento de liberar as energias decorrentes das pressões cotidianas,
que lhes são atribuídas pela situação do processo de amadurecimento.
Os conflitos, nessa fase, ocorrem porque o adolescente passa por um processo
de mudança ao qual vive a perda da infância e, ao mesmo tempo, sente-se perdido sem
orientação profissional e muitas vezes sem apoio familiar. Some-se a isso, o fato de que
há cobranças e expectativas pré-estabelecidas por uma sociedade ainda preconceituosa.
O jovem encontra-se, então, a mercê da insegurança e incertezas.
Os adolescentes buscam alternativas para mostrar à sociedade que são capazes
de agir com autonomia e responsabilidade. A família, a escola e a religião são
fundamentais porque assumem a tarefa da formação preventiva.
Detectamos ainda concepções conservadoras e tabus que não deram suporte ao
tema em voga, não proporcionando ao aluno a liberdade para mostrar o que sabe ou
deseja saber sobre mitos e tabus da Sexualidade que perpassam o seu cotidiano.
Percebeu-se que a compreensão, por parte da família e da sociedade em geral
no período conturbado da pré-adolescência, torna-se um fator positivo para a vida
futura. De um lado, os pais precisam se desvencilhar de diversos tabus e entender os
fenômenos, aos quais são comuns no período da adolescência para que possam
amenizar as tribulações pelas quais atravessam os educandos, e assim prepará-los para a
vida. De outro, os educadores possibilitaram a informação de forma dinâmica e
prazerosa colaborando na construção de um ser humano mais crítico e responsável no
cerne social.

REFERÊNCIAS

BRASIL. Estatuto da Criança e do Adolescente. Lei nº 8.069 de 13 de julho de 1990.


Dispõe sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente e dá outras providências. Brasília-
DF: Eca, 1990.
BRASIL. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional: LDB Lei 9.394/96. 10ª ed.
Rio de Janeiro: DPEA, 2006.

Ministério da Educação. (2000) PCN + (Ensino Médio): Orientações educacionais


complementares aos PCN‟s: Ciências da Natureza, Matemática e suas tecnologias.
Brasília, DF: MEC, 2000.

Secretaria de Educação Fundamental. (1998). Parâmetros Curriculares Nacionais:


Terceiros e quartos ciclos: Orientação sexual. Brasília-DF: SEC, 1998.

SOUZA, Marilena Batista. Orientação Sexual na Escola: os anseios dos jovens


1999.74f. Monografia (graduação em pedagogia) Faculdade de Filosofia Dom
Aureliano. Limoeiro do Norte: Universidade Estadual do Ceará, 1999.

SUPLICY, Marta. Papai, mamãe e eu: O desenvolvimento da criança de zero a dez


anos. São Paulo: FTD, 1999.

UTILIZAÇÃO DO JOGO “BINGO ATÔMICO” COMO ESTRATÉGIA DE


ENSINO SOBRE A ESTRUTURA DO ÁTOMO E DA TABELA PERIÓDICA

Luciana Evelyn Aquino de Castro Ferreira30

INTRODUÇÃO

O currículo da disciplina de ciências do 9o ano do ensino fundamental abrange


os conteúdos de física e química, sobre os quais nota-se a grande dificuldade na
compreensão dos conceitos por parte dos discentes. Entretanto, é importante notar que
mesmo que tenham sido tratados em anos anteriores do ensino fundamental, na maioria
das vezes não foram trabalhados ou percebidos enquanto conceitos químicos ou físicos
(KOTOWSKI et al, 2013).
É interessante observar que os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN),
apontam que o problema decorre da necessidade do alto nível de abstração das teorias
científicas, em geral, distantes das ideias de senso comum por isso, quando os
conteúdos não são contextualizados adequadamente, os alunos não conseguem
relacioná-los com o cotidiano, o que causa desinteresse e desmotivação nos mesmos.
Nos PCN (1997) sugere-se ainda que os conteúdos sejam estruturados por
eixos temáticos de forma a possibilitar um aprendizado significativo no qual os alunos

30
Licenciada m Ciências Biológicas pela UFAM, Especialista em Gestão Ambiental Universidade Gama
Filho; Docente na SEMED Manaus. luciana.de.castro.ferreira@gmail.com
são convidados a praticar os procedimentos, primeiro a partir de modelos oferecidos
pelo professor para aos poucos, tornarem-se autônomos.
Com base nesses princípios e a fim de se mitigar essa dificuldade, a utilização
de jogos didáticos se mostrou uma estratégia eficiente para a abordagem dos mais
diversos temas, pois fogem do método tradicionalista e despertam o desenvolvimento de
vários aspetos tais quais: motivação, concentração, raciocínio lógico, resposta a
comandos, trabalho em equipe, melhora na relação professor-aluno, entre outros.
Cabe destacar o aspecto positivo dos jogos no que se refere a relação professor-
aluno pois, como foi observado por Lopes et al (2015), durante essas atividades o aluno
faz questionamentos de forma mais espontânea, o que não é frequente nas aulas
expositivas, características do ensino tradicional.
Com essa visão, o jogo “Bingo Atômico” foi utilizado com uma turma de 9o
ano da Escola Municipal João Alfredo para o ensino de atomística, pois seu objetivo é
identificar na Tabela Periódica o número de massa, de prótons e
elétrons; e calcular o número de nêutrons dos elementos químicos.

METODOLOGIA

Para aplicação da atividade, o jogo foi elaborado de acordo com as instruções


do livro “Ludoteca de Química para o Ensino Médio”. Foram reproduzidos: um encarte
de regras; vinte e nove fichas para sorteio; 40 (quarenta) cartelas de marcação com
combinação de nove números diferentes e 01 (um) encarte de consulta ao conteúdo.
Para consulta, foram utilizadas as tabelas periódicas ou do livro didático ou as
providenciadas pelos próprios alunos.
Para marcação, foram utilizados picotes de E.V.A. As informações constantes
no encarte de consulta ao conteúdo foram transcritas no quadro branco. Antes do inicio
do jogo, as regras foram explicadas, feitos exemplos no quadro e distribuídos os
materiais para cada aluno. O aluno que completar sua cartela deveria gritar “BINGO”,
vencedor da atividade.

DISCUSSÃO E RESULTADOS

Durante a realização do jogo, foi identificada a dificuldade dos alunos na


localização dos elementos na tabela periódica. Por isso foi feita uma mediação para que
eles se familiarizassem com o jogo. Foi observada uma melhora na dinâmica da
atividade após essa intervenção.
Outro ponto que chamou atenção foi a dificuldade na realização dos cálculos
dos números de prótons, elétrons e nêutrons. Nesse momento a intervenção foi com
relação às operações matemáticas.
Esses dois eventos mostram que durante as aulas expositivas houve uma baixa
aprendizagem significativa do conteúdo envolvendo as características atômicas, fato
revertido durante o jogo do bingo, pois eles passaram a compreender como os cálculos
deveriam ser realizados a fim de marcar os números corretos na cartela.
Por isso, foi possível corroborar com Cunha (2012), quando ele afirma que os
jogos permitem que os alunos participem da avaliação do próprio jogo, de seus
companheiros e façam uma auto-avaliação do seu desempenho.
Outro aspecto positivo observado foi o engajamento dos alunos durante a
realização da atividade, fato constatado pelo nível de concentração dedicado por eles e
pela interação deles com o professor.

CONCLUSÃO

O uso de jogos no ensino da química nas séries iniciais do ensino fundamental,


desenvolve o interesse dos alunos e promovem a aprendizagem significativa. Os
aspectos da concentração e motivação demonstrados durante a atividade foram
propiciados por uma ação dinâmica e interativa favoráveis à confluência ensino-
aprendizagem, uma vez que o interesse do aluno foi a força motriz desse processo.
Esse tipo de atividade apresenta-se como um diferencial, por serem elementos
de apropriação do conhecimento. Assim, pode-se afirmar que o uso de jogos no
cotidiano escolar é muito importante, pois envolvem os alunos emocionalmente,
tornando mais fácil e dinâmico todo o processo de construção do conhecimento.

REFERÊNCIAS

BRASIL, Ministério da Educação, (1997). Parâmetros Curriculares Nacionais para o


Ensino Fundamental. Brasília: MEC/SEF, 1997.

BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros curriculares nacionais :


terceiro e quarto ciclos do ensino fundamental: introdução aos parâmetros
curriculares nacionais / Secretaria de Educação Fundamental. – Brasília: MEC/SEF,
1998.

CAMPOS, L. M. L.; FELICIO, A. K. C.; BORTOLOTO, T. M. A Produção de Jogos


Didáticos para o Ensino de Ciências e Biologia: Uma Proposta para Favorecer a
Aprendizagem. Cadernos dos Núcleos de Ensino, São Paulo, 2003.

CRESPO, L. C.; LESSA, M. D.; MIRANDA, P. C. M.; GIACOMINI, R. Ludoteca de


Química para o Ensino Médio. 1. ed. v. 1. Campos dos Goytacazes: Essentia, 2011.

CUNHA, M. B. Jogos no Ensino da Química: considerações teóricas para sua


utilização em sala de aula. Revista Química Nova na escola Vol. 34, N° 2, 2012.

KOTOWSKI, Lizete Dilene; WENZEL, Judite Scherer; MACHADO, Juliana. O


LUGAR DA QUÍMICA E DA FÍSICA NO ENSINO DE CIÊNCIAS. Disponível
em <http://santoangelo.uri.br/erebiosul2013/anais/wp-content/uploads/2013/07/comunic
acao/13395_181_Lizete_Dilene_Kotowski.pdf>. Acesso em: 01 de outubro de 2016.

DIVERSIDADE SEXUAL, GÊNERO E HOMOFOBIA NA ESCOLA:


REFLEXÕES PARA A
CONSTRUÇÃO DE UMA CULTURA DE PAZ

Marsicleide Brito dos Santos31


Ticiana Araújo do Reis32

INTRODUÇÃO

Compreender a relação entre diversidade e currículo, de acordo com Gomes


(2007), implica delimitar um princípio radical da educação democrática: a escola
pública se tornará cada vez mais pública na medida em que compreender o direito à
diversidade e o respeito às diferenças como um dos eixos norteadores da sua ação e das
práticas pedagógicas. Assim, a sexualidade, como um aspecto central da vida do ser
humano, deve ser considerada em sua complexidade, envolvendo a atividade sexual, as
identidades de gênero, a orientação sexual, o prazer, a intimidade e a reprodução
(AMARAL, 2007).

31
Especialista em Perícia, Auditoria e Gestão Ambiental pela Faculdade Metropolitana - FAMETRO.
Graduada em Licenciatura Plena em Ciências Naturais pela Universidade Federal do Amazonas – UFAM.
Professora da Secretaria Municipal de Educação (SEMED / Mao) da Escola Municipal Dr. João Queiroz.
E-mail: marsicleide@gmail.com
32
Especialista em Docência no Ensino Superior pelo Centro Universitário de Ensino Superior do
Amazonas – CIESA; Graduada em Licenciatura em Educação Física pelo Centro Universitário para o
Desenvolvimento do Rio Grande do Norte – UNIRN. Professora da Secretaria Municipal de Educação
(SEMED / Mao) da Escola Municipal Dr. João Queiroz. E-mail: ticianapoti@gmail.com
Ante as orientações dos documentos que norteiam a educação pública 33 e os
diversos teóricos3 baseamos nossa prática, verificando as necessidades apresentadas no
contexto escolar, a fim de promover uma educação democrática e a construção de uma
sociedade mais justa, através do despertar do pensamento crítico e reflexivo do aluno.
Este trabalho teve como objetivo principal construir uma cultura de paz na
comunidade escolar através da compreensão de conceitos e da reflexão sobre atitudes
perante a sexualidade, por parte dos alunos, tornando-se multiplicadores de
conhecimentos e reconhecendo seu papel social como cidadãos. Além disto, visou
também a oportunizar o respeito às diferenças dentro e fora da escola; à compreensão
acerca da diversidade e das manifestações de comportamento humano em todos os seus
aspectos: cultural, sexual, étnico, religioso e etc.; à reflexão de forma crítica e à
participação nas ações da escola como protagonista no processo de construção de uma
comunidade mais pacífica, fazendo com que o aluno se enxergue como agente
fundamental; à apreensão dos conceitos de identidade de gênero, sexo, sexualidade e
orientação sexual; e, ao autoconhecimento, elevação da autoestima e ao autorrespeito.

METODOLOGIA

O estudo consistiu em ações realizadas no período que compreendeu o terceiro


bimestre e parte do quarto bimestre do ano letivo de 2016, o que corresponde aos meses
de agosto, setembro, outubro e início de novembro. Este trabalho envolveu turmas do
ensino fundamental II, 6º ao 9º ano, da Escola Municipal Dr. João Queiroz.
Inicialmente abordamos o tema Sexualidade e Saúde em seu aspecto mais
biológico e fisiológico nas aulas de Ciências. Identificamos a necessidade de explanar
sobre os aspectos socioculturais e psicológicos da sexualidade na adolescência, então
iniciamos a conversa em sala de aula e, após esse primeiro diálogo, promovemos
palestras, como por exemplo, a palestra: Sexualidade e Saúde na Adolescência com a
Formadora MSc. Michelle de Albuquerque Rodrigues, para todas as turmas. E também
a palestra sobre DST/ AIDS, em parceria com o Programa Saúde na Escola – PSE.
Posteriormente, continuamos a conversa em sala de aula e propusemos aos
alunos ideias para a culminância. Nesta atividade tivemos o apoio dos professores de
Português – Micael Ferreira, e Educação Física – Anderson Cavalier, então as ações

33
Constituição Brasileira (1988), LDBEN (Lei nº 9.394/1996), Parâmetros Curriculares Nacionais
(1997), dentre outros. Bortolini (2007), Furlani (2003), dentre outros.
foram realizadas de forma interdisciplinar. A proposta foi que alunas do 9º ano
promovessem uma aula, que chamamos de aula protagonizada, onde elas pesquisaram e
apresentaram os conceitos de identidade de gênero, sexo, sexualidade e orientação
sexual aos alunos do 6º e 7º anos. Nesta ação além das pesquisas sobre os conceitos
científicos, as alunas também tiveram a oportunidade de exercitar a oratória, produzir
textos e compartilhar os conhecimentos com os demais. Também como parte da
culminância, foi produzida e apresentada, para todos os alunos da escola, uma peça
teatral pelos alunos do 9º ano cujo tema principal era a Homofobia – baseada em uma
história real – em uma releitura da história de Renata Perón.
Em seguida, realizamos a Gincana da Diversidade – com alunos do 6º, 7º e 8º -
promovendo situações igualitárias nas relações de gênero – meninos e meninas
praticando atividades psicomotoras e recreativas, superando padrões impostos pela
sociedade enquanto “brincadeiras e jogos para meninas ou meninos”. Por fim, para
consolidação do aprendizado, realizamos uma roda de conversas com alunos do 6º, 7º,
8º e 9º anos, refletindo juntos e fazendo suas considerações a respeito do tema
trabalhado no projeto e compartilhando como foi a experiência para cada um. Isso nos
possibilitou a produção de um breve documentário que ficou para o acervo da escola.

DISCUSSÃO E RESULTADOS

Avaliamos que os resultados obtidos ao longo deste trabalho foram de


significativa contribuição para a formação dos alunos como cidadãos mais conscientes
do seu papel na sociedade, além de nos ter possibilitado enquanto docentes o exercício
do que vemos ser a principal missão do educador: a de colaborar para a construção de
uma sociedade mais justa e mais crítica.
Tal como em Bortolini (2007), vemos que muitos educadores tem se
interessado por discutir diversidade sexual e ainda não sabem como lidar com
adolescentes lésbicas, gays, bissexuais, trans ou travestis, que tem assumido sua
identidade dentro da escola. Logo, concordamos com o autor sobre a necessidade de
criação, ampliação e estabelecimento de políticas públicas voltadas aos profissionais de
educação para que superemos cada vez mais o olhar de senso comum ao lidarmos com
estas identidades.
Observamos que colocar os alunos em ações protagonizadas foi imprescindível
para o sucesso do trabalho e alcance de todos os objetivos. Considerando o
envolvimento, a colaboração e a interação entre eles, o conteúdo trabalhado e o
desenvolvimento de todo o processo, é possível afirmar que o projeto proporcionou um
entendimento maior sobre a temática e um posicionamento crítico sobre as injustiças
sociais por que passam os sujeitos que vivenciam a diversidade sexual e de gênero na
construção de suas identidades.
Na palestra ministrada pelas alunas do 9º ano, a explanação sobre os conceitos
de identidade de gênero, sexo, sexualidade e orientação sexual foi acompanhada pelos
alunos de 6º e 7º anos de forma atenta. E falas como: “cada um tem uma forma de
pensar e agir”, “não devemos julgar o outro”, e, “vestir rosa porque é cor de mulher e
azul porque é cor de homem, não é certo, temos que nos vestir como nos sentimos bem,
isso foi apenas um padrão criado e imposto pela sociedade” repercutiram em diálogos
posteriores em sala de aula.
A peça teatral, com a mensagem “somos todos iguais”, proporcionou possíveis
reflexões sobre as questões ligadas à homofobia e as agressões físicas geradas pela
intolerância e o preconceito, visto em comentários posteriores à apresentação, como: “se
a gente não tem a mesma opinião do outro isso não nos dá o direito de agredi-lo”. Os
jogos na gincana da diversidade, após inicial desconforto aparente, proporcionou uma
vivência lúdica sem as amarras dos estereótipos de gênero que tanto limitam a
expressão prazerosa do brincar, de modo que meninos brincaram demoradamente de
pular corda e elástico, junto às meninas, nas diferentes faixas etárias.
Inúmeros foram os ensinamentos em coeducação presenciados na roda de
conversas, destacando-se os momentos em que foram compartilhadas experiências em
que os próprios alunos mencionaram discriminações sofridas. Considerando o que nos
coloca os Parâmetros Curriculares Nacionais - PCNs, a escola deve se organizar para
que os alunos, ao fim do Ensino Fundamental, sejam capazes de respeitar a diversidade
de valores, crenças e comportamentos relativos à sexualidade, reconhecendo e
respeitando as diferentes formas de atração sexual e o seu direito à expressão,
garantindo a dignidade do ser humano (BRASIL, 1998). Apenas essas colocações já
nos são suficientes para compreendermos o quanto é importante a abordagem dessa
temática na escola, e o quanto a escola não pode negar-se a esta responsabilidade.
CONCLUSÃO

De acordo com as orientações da Organização Mundial de Saúde (OMS, apud


BRASIL, 1998), a sexualidade forma parte integral da personalidade de cada um. É uma
necessidade básica e um aspecto do ser humano que não pode ser separado de outros
aspectos da vida, influenciando pensamentos, sentimentos, ações, interações e tanto a
saúde física como a mental. Se a saúde é um direito humano fundamental, a saúde
sexual também deve ser considerada como um direito humano básico.
Entendendo a sexualidade como parte integral do ser humano, logo
compreendemos que assegurar o desenvolvimento saudável da mesma é uma questão
não só educacional mas também, e principalmente, de direitos humanos. Sendo assim é
imprescindível que as concepções educacionais sejam voltadas ao desenvolvimento
integral do indivíduo, considerando, não só os conceitos, mas os diversos contextos e
aspectos que influenciam nas características da postura sexual de cada pessoa.
Esse trabalho possibilitou o início de uma mudança dentro da escola, que
certamente se estenderá às casas dos estudantes, e assim irá se multiplicando. Cabe-nos
ressaltar que o que contribuiu maciçamente para o alcance dos objetivos foi a
colaboração dos colegas professores – Micael Ferreira (Língua Portuguesa), Anderson
Cavalier (Educação Física) e Michelle Rodrigues (Formação Continuada em
Diversidade - DDPM/SEMED). Considerando isso é que percebemos o quanto é
importante oportunizar a desconstrução das mentalidades preconceituosas, a quebra de
tabus. Agora o espaço deixado por essas formas de pensar e agir, é ocupado por um
pensamento mais amplo, mais aberto e disposto a entender a especificidade de cada um,
mais disponível a respeitar a diferença e a combater a violência.
É importante ampliar o debate sobre sexualidade, gênero, sexismo, enfim, uma
série de questões fundamentais para a superação de um ambiente homofóbico na escola,
buscando uma educação democrática que reconheça que a diversidade é legítima. A
inserção da diversidade nas políticas educacionais, nos currículos, nas práticas
pedagógicas e na formação docente implica compreender as causas políticas,
econômicas e sociais de fenômenos como: desigualdade, discriminação, etnocentrismo,
racismo, sexismo, homofobia e xenofobia (SILVA; SILVA, 2016).
Será nessa perspectiva que iremos construir uma sociedade mais justa e cada
vez mais consciente do seu papel, será assim que iremos diminuir cada vez mais os
índices de violência dentro e fora da escola. Mesmo com tantas dificuldades e
obstáculos que ainda se apresentam à nossa frente quando falamos em trabalhar a
diversidade sexual na escola, é válido nos mobilizarmos para sensibilizar alunos,
professores, pais e toda a comunidade escolar para esta reflexão. A semente da paz foi
germinada na mente de cada um da nossa escola, o tempo de crescimento vai depender
de pessoa pra pessoa, mas o importante é nunca deixar de regar com informação,
conhecimento e diálogo.

REFERÊNCIAS

AMARAL. Vera Lúcia do. Psicologia da educação. Vera Lúcia do Amaral. Natal, RN:
EDUFRN, 2007.

BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros curriculares nacionais.


Orientação Sexual/ Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares
Nacionais - Brasília: MEC/SEF, 1998.

BORTOLlNI, Alexandre. Diversidade Sexual na Escola. UFRJ. Colaboradores: Luan


Carpes Barros e Regina Bortolini. Rio de Janeiro, 2007.

FURLANI, Jimena. Educação Sexual: Possibilidades Didáticas. IN: G.L. Louro;


J.F.Neckel & SV. Goellner (Orgs.), Corpo, Gênero e Sexualidade: um debate
Contemporâneo na educação. Petrópolis: Vozes, 2003.

GOMES, Nilma Uno. Diversidade e Currículo: Indagações sobre o currículo do


ensino fundamental. Salto para o futuro, boletim 17, SEED/MEC, 2007.

SILVA, Renan Antônio. SILVA, Marilda. Incluir excluindo ou excluir incluindo:


escola destinada ao público gay e o processo (tentativa) de inclusão social. Rev.
EDUCA, Porto Velho (RO), v.3, n.5, pp. 26 - 43 2016.
GT4
LINGUAGEM
Mediadora: Profa. Esp. Maria do Carmo
Profa. Esp. Ana Cláudia Sá

DIRETRIZES E PROGRAMAS DA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS NO


SISTEMA PÚBLICO ESTADUAL DE ENSINO DO AMAZONAS (2010 – 2014)34

Maria Rutimar de Jesus Belizario35


Maria das Graças Sá Peixoto Pinheiro36

INTRODUÇÃO

A pesquisa analisa as diretrizes e os programas refletidos na organização e na


oferta da Educação de Jovens e Adultos – EJA do sistema público estadual de ensino do
Amazonas, em articulação com as políticas públicas instituídas para essa modalidade de
ensino da educação nacional.
O objeto da pesquisa foi delimitado no período de 2010 a 2014, cuja análise foi
norteada a partir da seguinte questão: Quais as diretrizes e os programas do sistema
estadual de ensino do Amazonas que definiram a organização e a oferta da Educação de
Jovens e Adultos?
Diante dessa questão, o objeto temático teve como objetivo analisar as
diretrizes, os programas, a organização e a oferta da EJA definidos pelo sistema
estadual de ensino do Amazonas.

METODOLOGIA

O objeto da pesquisa teve por base a metodologia fundamentada na dialética.


Para Sánchez Gamboa (2012, p. 38), o método dialético se torna relevante uma vez que

34
Resultado da Pesquisa de mestrado desenvolvida no período de 2013 a 2015, sob orientação da Profa.
Dra. Maria das Graças Sá Peixoto Pinheiro. Cf. BELIZARIO, Maria Rutimar de Jesus. Políticas Públicas
e Educação de Jovens e Adultos no Amazonas: diretrizes, debates e perspectivas (2010-2014), 2015.
35
Mestra em Educação pelo Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal do
Amazonas – PPGE/UFAM. Pedagoga da Secretaria Municipal de Educação de Manaus – SEMED.
Integrante do Grupo de Pesquisa Educação, Políticas Públicas e Desenvolvimento Regional –
PPGE/UFAM e do Núcleo de Estudos, Experiências e Pesquisas Educacionais – NEPE/FACED/UFAM.
E-mail: rutijesus@yahoo.com.br.
36
Doutora em Educação pela Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG. Docente do Programa de
Pós-Graduação em Educação – UFAM. E-mail: gpinheiro@ufam.edu.br.
o mesmo “nos permite compreender a realidade concreta no seu dinamismo e nas inter-
relações”.
A pesquisa adotou a abordagem qualitativa, inclusive em dados quantitativos.
Nessa abordagem, conforme assinala Lüdke e André (2013, p. 14): “há sempre uma
tentativa de capturar a perspectiva dos participantes”, o que torna fundamental a voz dos
atores envolvidos na pesquisa.
A delimitação temática da pesquisa incitou para uma análise documental. Esse
tipo de análise pode se compor numa técnica preciosa, conforme sinaliza Lüdke e André
(2013, p. 44-5), “de abordagem de dados qualitativos, seja complementando as
informações obtidas por outras técnicas, seja desvelando aspectos novos de um tema ou
problema”.
Para a análise documental do objeto temático, foram selecionados os seguintes
documentos, entre outros: pareceres e resoluções do Conselho Estadual de Educação
(CEE/AM), programas, projetos, relatórios e programações (folders) dos eventos.
Além dos documentos, a pesquisa apontou para utilização de entrevistas
semiestruturadas. Na concepção de Lüdke e André (2013, p. 39), esse instrumento se
justifica por ser o procedimento de coleta de informação “que permite a captação
imediata e corrente da informação desejada, praticamente com qualquer tipo de
informante e sobre os mais variados tópicos”, sendo os sujeitos, portanto, os principais
detentores das informações básicas para as quais a entrevista se destina.
As entrevistas semiestruturadas foram realizadas com as coordenações de
Cursos e Exames de EJA da Secretaria de Estado de Educação – SEDUC, participantes
do Fórum de EJA do Amazonas, do Núcleo de Estudos, Experiências e Pesquisas
Educacionais (NEPE) e da Associação de Educadores Comunitários do Amazonas
(ADECAM), totalizando 16 (dezesseis) entrevistados.

DISCUSSÃO E RESULTADOS

A reforma do Estado brasileiro, na década de 1990, influenciou a formulação


das políticas educacionais, consequência da globalização e das recomendações dos
organismos internacionais, dentre os quais a Organização das Nações Unidas para a
Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), o Fundo das Nações Unidas para a
Infância (UNICEF), o Banco Mundial (BM), a Organização Mundial do Comércio
(OMC) e a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).
Para Akkari (2011, p. 12), a política educacional é “um conjunto de decisões tomadas
antecipadamente”, que estabelece metas para serem cumpridas, a curto ou longo prazo.
Nessa direção, é imperativo abordar as implicações das ordenações
internacionais de cunho neoliberal na formulação das políticas públicas para a educação
nacional e, especificamente, para a Educação de Jovens e Adultos (EJA).
A EJA constitui a modalidade da educação básica nas etapas do ensino
fundamental e ensino médio do sistema estadual de ensino do Amazonas, e atende às
normas do Conselho Estadual de Educação do Amazonas, por meio da Resolução nº
137, de 16 de outubro de 2012. De acordo com essa Resolução, a Educação de Jovens e
Adultos tem por finalidade proporcionar “a universalização do ensino e a erradicação do
analfabetismo” (art. 1º, Res. nº 137/2012).
Tendo em vista a restrição do acesso à escolarização de jovens e adultos,
contempla-se nessa Resolução a função reparadora da EJA. Para Cury, a função
reparadora da Educação de Jovens e Adultos deve significar não apenas o
restabelecimento do direito através da garantia do acesso à escola de qualidade, “mas
também o reconhecimento daquela igualdade ontológica de todo e qualquer ser
humano” (Parecer nº 11/2000 – CNE). Mais do que a escolarização, a educação das
pessoas jovens e adultas precisa ser concebida como um dos canais importantes para a
emancipação humana.
A EJA na rede pública estadual de ensino do Amazonas é destinada aos jovens
e adultos com idade mínima de 15 e 18 anos completos, para matrícula nos cursos de
ensino fundamental e ensino médio, respectivamente, e inscrição e realização nos
exames para a conclusão do ensino fundamental e ensino médio (art. 5°, 6° da Res. n°
137/2012 – CEE).
A oferta dos cursos correspondentes ao ensino fundamental, ao ensino médio e
à educação profissional técnica de nível médio é obrigatória para a rede pública estadual
de ensino no Amazonas, dando ênfase ao processo de letramento, nas formas de curso
presencial, semipresencial, à distância e exames (art. 3º da Res. n° 137/2012 – CEE).
Os cursos presenciais de EJA 1° segmento, 2° segmento e ensino médio são
ofertados na capital e no interior do Estado às pessoas jovens e adultas nos
estabelecimentos de ensino da rede pública. Nesses cursos presenciais, a rede pública
estadual de ensino do Amazonas passa a oferecer também o Projeto
Telecurso/Telessalas ensino fundamental e médio na modalidade de Educação de
Jovens e Adultos, denominado pela SEDUC como Projeto Igarité, em parceria com a
Fundação Roberto Marinho, desenvolvido entre 2009 e 2012.
Assim como os cursos desenvolvidos pelo Projeto Igarité, a Secretaria Estadual
de Educação do Amazonas desenvolve programas com cursos presenciais destinados às
pessoas jovens e adultas que estão fora da faixa etária estabelecida pelas normatizações
legais para a Educação de Jovens e Adultos: Programa Amazonas Alfabetizado,
Projovem Urbano e Campo e EJA por Mediação Tecnológica.
Além desses cursos e programas presenciais, o sistema público estadual de
ensino do Amazonas desenvolve cursos semipresenciais de EJA no 2° segmento e
ensino médio, ofertados pelos Centros de Educação de Jovens e Adultos (CEJAs) e
estabelecimentos da rede pública estadual de ensino na capital.
Na linha de ampliação para a conclusão da educação básica na modalidade de
EJA, o sistema estadual de ensino do Amazonas oferece os exames em nível de ensino
fundamental e médio, por meio da Prova Supletiva Eletrônica (regulamentada pela Res.
n° 111/2008, alterada pela Res. 137/2012), diariamente, na capital, destinados às
pessoas jovens e adultas que não tiveram acesso ou não concluíram a educação básica.
A regularização escolar é efetuada apenas em nível do 1° segmento (1° ao 5° ano) e os
interessados devem ter no mínimo 15 anos.
Diante dos dados da pesquisa e das políticas públicas instituídas para a
modalidade de ensino de educação de jovens e adultos, constata-se que o sistema
público de ensino do Amazonas não ampliou, consideravelmente, a oferta da EJA,
principalmente entre 2013 a 2014; consequentemente, não propiciou o acesso da
maioria deste público à escolarização, ainda que, neste mesmo período, tenha
aumentado o número de certificados referentes ao ENCCEJA, prova supletiva eletrônica
– ensino médio e ENEM.

CONCLUSÃO

No resultado da análise da política educacional de EJA desenvolvida na rede


pública estadual de ensino do Amazonas, no período de 2010 a 2014, constata-se a
ausência de expressivo investimento nos mecanismos que asseguram o direito à
educação de jovens e adultos.
Nessa direção, os resultados da pesquisa apontaram o fechamento de cursos e
turmas de EJA, sobretudo de alfabetização e ensino fundamental de EJA. Outro fator
para a diminuição dessa oferta da EJA é o repasse gradual do primeiro segmento (1° ao
5°), equivalente aos anos iniciais do ensino fundamental, para a responsabilidade dos
municípios.
O acesso à escola é o primeiro passo na conquista do direito, porém esse direito
não se esgota na garantia do acesso, mas na permanência e na conclusão das etapas da
educação básica que estão sob a responsabilidade do Estado.
Portanto, mais do que ampliar as oportunidades de ingresso visando à
conclusão das etapas da educação básica, é preciso garantir a qualidade nos processos
educativos, partindo das necessidades e aspirações dos educandos, fomentando ações
que efetivamente lhes assegurem a aquisição e aprimoramento de conhecimentos.

REFERÊNCIAS

AMAZONAS/Conselho Estadual de Educação. Resolução nº 137, de 16 de outubro de


2012. Estabelece normas para a execução da Educação de Jovens e Adultos, como
modalidade da Educação Básica, nas etapas de Ensino Fundamental e Ensino Médio no
Sistema Estadual de Educação do Amazonas.

_____________________________________. Resolução n° 111, de 20 de outubro de


2008. Aprova a Estrutura e Funcionamento da Prova Supletiva Eletrônica em Nível de
Ensino Fundamental e Ensino Médio.

AKKARI, Abdeljalil. Internacionalização das Políticas Públicas Educacionais.


Petrópolis: Vozes, 2011.

BELIZARIO, Maria Rutimar de Jesus. Políticas Públicas e Educação de Jovens e


Adultos no Amazonas: diretrizes, debates e perspectivas (2010-2014). PPGE/UFAM,
2015. Dissertação de Mestrado.

BRASIL. Conselho Nacional de Educação - CNE. Parecer nº 11 de 10 de maio de


2000. Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação de Jovens e
Adultos.Disponível:<http://portal.mec.gov.br/secad/arquivos/pdf/eja/legislacao/parecer_
11_2000.pdf>. Acesso em: 22 set. 2014.

LÜDKE, Menga; ANDRÉ, Marli E. D. A. Pesquisa em educação: abordagens


qualitativas. 2ª. ed. Rio de Janeiro: E.P.U., 2013.

SÁNCHEZ GAMBOA, Silvio. Pesquisa em educação: métodos e epistemologias. 2ª.


ed. Chapecó: Argos, 2012.
GT5
MATEMÁTICA
Mediadora: Prof. MSc. Meng Huey Hsu
Profa. Esp. Juraci Pessoa

JOGOS DE CONSTRUÇÃO INTERDISCIPLINAR NOS ANOS INICIAIS

Dennys Gomes Ferreira37


Juraci Pessoa Santos38

INTRODUÇÃO

A Educação Física tem como objetivo trabalhar a cultura corporal do


movimento. Entretanto, pode contribuir de forma direta no processo de Ensino -
Aprendizagem dos alunos, em conjunto com as outras disciplinas.
Cabe reforçar as observações de que “o professor de Educação Física não lida
apenas com o corpo, mas também com as interações sociais vividas pelos alunos”
(ALMEIDA, Et al 2005, p.37). Trata-se de um profissional que pode aumentar
consideravelmente sua contribuição tanto para o aluno quanto para a escola em que
leciona, o que torna a aula de Educação Física um ambiente propício para se observar e
trabalhar a questão da interdisciplinaridade no contexto escolar. Aqui está a importância
das atividades interdisciplinares realizadas por meio de jogos de construção, com o
intuito de colaborar com as disciplinas Língua Portuguesa, Ciências e Matemática.
Ensinar por meio de jogos de construção é um dos caminhos para o educador
desenvolver aulas mais interessantes, descontraídas e dinâmicas, “[...] incentivando – as
no seu envolvimento nas atividades, sendo agente no processo de ensino e
aprendizagem, já que aprende e se diverte, simultaneamente” (SILVA, 2005, p.26).
Para Ferreira (2013), no desenvolvimento de atividades interdisciplinares o
aluno não constrói sozinho o conhecimento, mas sim em conjunto com outros e tendo a
figura do professor como uma orientação, um norte a ser seguido.

37
Professor Especialista da Secretaria Municipal de Educação - Semed/Manaus e da Secretaria de Estado
de Educação – Seduc/Manaus. (E-mail: dennys_ed.fisica@hotmail.com).
2
Professora Especialista Formadora da Divisão de Desenvolvimento de Profissionais do Magistério da
Secretaria Municipal de Educação - Semed/Manaus. (E-mail: jurapessoa.edfis@hotmail.com)
A ideia deste projeto surgiu a partir da minha participação nas formações
ofertadas pela Divisão de Desenvolvimento Profissional do Magistério da Secretária
Municipal de Educação, em Manaus.
Sendo amadurecido no processo de discussão dentro e fora do âmbito escolar,
buscando-se embasamento teórico para a construção deste trabalho.

METODOLOGIA

O projeto foi composto de 2 turmas, totalizando 70 alunos, sendo 40 meninas e


30 meninos, do Ensino Fundamental I, no turno matutino e vespertino da Escola
Municipal Padre João D‟vries, situada na zona Leste da cidade de Manaus-Amazonas.
O projeto foi realizado por meio de jogos de construção dividido em duas
etapas, a saber:
A primeira etapa estava relacionada à construção dos jogos, por meio da
explicação expositiva e dialogada, contando com recursos tecnológicos como
Datashow, notebook e caixa de som, no qual após a explicação da construção dos jogos,
os próprios alunos construíam tendo o professor como mediador de todo o processo,
com o uso de materiais recicláveis, como por exemplo: Garrafas pet, tampas de garrafa
e entre outros materiais os alunos construíram caça-palavras, jogo de boliche e jogo de
argolas.
A segunda etapa foi o momento em que os alunos iniciaram o desenvolvimento
da parte física em exercícios coordenados em pequenos circuitos de corrida no qual
trabalham a parte aeróbica, coordenação motora, utilização de bolas, associados a
desafios voltados para a língua portuguesa, ciências, matemática e Educação Física com
o uso de caça-palavras, jogo de argolas e jogo de boliche, feitos por eles mesmos.
A aplicação do projeto foi realizada no mês de maio de 2016, dentro de sala de
aula, no turno matutino e vespertino. Esta fase foi aplicada pelo próprio pesquisador, em
duas turmas.

DISCUSSÃO E RESULTADOS

A Educação Física associada às outras disciplinas pode ser um importante


aliado para tonar as aulas mais dinâmicas e interessantes e interferir de forma direta e
positiva na melhoria da aprendizagem desses alunos. Esta disciplina proporciona a
possibilidade de desenvolver uma série de assuntos para além da parte de exercícios.
O projeto tem apresentado bons resultados entre os alunos, principalmente por
se tratar de crianças que ainda estão passando pelo processo de alfabetização. Além de
auxiliar na formação desses alunos, uma vez que eles acabam ficando mais atentos à
formação das palavras, a aprendizagem das sílabas, o que contribui para aprimorar sua
ortografia e desempenho.

CONCLUSÃO

O desenvolvimento das atividades interdisciplinares possibilitaram alunos e


professores a visualizarem a Educação Física com um novo olhar, habilitando-os a
trabalhar conteúdos numa conexão com outras disciplinas ou diferentes saberes, visando
objetivos únicos.
Após a efetivação do projeto, constatou-se que, as atividades se tornam mais
agradáveis às crianças, sendo a ludicidade um diferencial a favor da comunidade
escolar.
Não há dúvidas de que, a aprendizagem no bloco pedagógico pode dar um salto
significativo se apropriar-se desta prática de ensino, uma vez que os resultados obtidos
no projeto foram positivos, tanto para a maioria dos alunos quanto para os docentes, o
que ficou evidente na teoria e na prática de sala de aula.

REFERÊNCIAS

ALMEIDA. ET AL. Possibilidades para pensar a Educação Física e seu caráter


interdisciplinar. Revista Especial de Educação Física – Edição Digital nº. 2 – 2005.

DIANA, V.B.G; CONTI, K. C. A importância do jogo de boliche no auxilio a


aprendizagem da matemática dos alunos do 1º ano do Ensino Fundamental.
Revista Eletrônica Interdisciplinar Matinhos. Vol. 5, nº 02, p. 1 - 136. jul/dez, 2012.

FERREIRA, S. R. A Importância da interdisciplinaridade no processo de


aprendizagem. Portal Educação. Monte Alegre- MG. Julho, 2013.

SILVA, M. S. da. Clube de Matemática: Jogos educativos. 2.ed. Campinas, SP:


Papirus, 2005.
PROGRAMA TUTORIA EDUCACIONAL

VIVÊNCIAS INTERATIVAS E SUPERAÇÃO DE CONFLITOS


INTERPESSOAIS NA EDUCAÇÃO INFANTIL: UM RELATO DE
EXPERIÊNCIA

Michele Cleise dos Santos Oeiras39


Vanusa Miranda Dinelly40

INTRODUÇÃO

Este trabalho trata da experiência vivenciada numa turma de educação infantil


do CMEI Dom Bosco, pertencente à rede de ensino do Município de Manaus. A
experiência se deu durante o processo formativo no Programa de Tutoria Educacional41,
oferecido a professores iniciantes na carreira docente. O interesse é socializar as
estratégias utilizadas no intuito de superar as situações de conflitos entre as crianças e
contribuir com as práticas de docentes que trabalhem com essa modalidade de ensino.
Nosso olhar foi voltado para a necessidade de ações interventivas ao
percebermos que algumas crianças não haviam se adaptado à rotina da sala de
referência e nem atendiam aos combinados, apresentando dificuldades na interação e
convivência com as demais. Atitudes egocêntricas como disputas por brinquedos,
espaços e amizades dos colegas, que resultava em xingamentos, agressões, físicas e
choros eram observadas frequentemente.
Diante disso, dialogamos com a tutora educacional sobre a dificuldade em lidar
com tal situação e a possibilidade de uma atuação interventiva usando a sequência
didática, uma estratégia de ensino sobre a qual estávamos abordando naquele momento
do processo formativo. Em comum acordo, elaboramos um plano de ação que, ao
mesmo tempo atendesse às necessidades formativas no tocante ao uso de estratégias
diferenciadas em nossa prática, como também ao desenvolvimento das crianças.
Inicialmente houve a necessidade de compreender melhor determinadas
atitudes. Para tanto buscamos algumas âncoras teóricas, entre as quais destacamos os
estudos de Piaget e Vinha. Em Piaget (1994), compreendemos que o egocentrismo é um

39
Professora da Secretaria Municipal de Educação, especialista em Educação Especial Inclusiva. Pós-
Graduanda em Neuropsicopedagogia.
40
Mestre em Educação. Formadora da Divisão de Desenvolvimento Profissional do Magistério/Programa
de Tutoria Educacional.
41
A tutoria é uma metodologia de formação em serviço, complementar à outras formações oferecidas
pela Secretaria de Educação do Município de Manaus. Visa promover a melhoria dos resultados da
aprendizagem, por meio da qualificação das práticas pedagógicas do professor.
comportamento característico da infância, pois a criança se vê como o centro das
atenções e o seu ponto de vista é tido como único, sem considerar os demais, por estar
centrada nas suas ações. “[...] é uma indiferenciação entre o eu e o meio social”. Para
ele o egocentrismo acontece de forma inconsciente, e isso domina sua lógica de ação.
Assim, ela não consegue cumprir regras, pois ainda não tem a capacidade de discernir o
que deve e o que não deve fazer.
Entre os 3 e 4 anos ela já consegue cumprir as regras por meio da coação de
um adulto pelo qual ela nutre respeito. Piaget recorre a Santos (2004, p. 248) para
compreender o que ele chama de heteronomia. Para este teórico, “a obediência da
criança se dá por razões externas à sua consciência”. Ao contrário, quando as regras são
cumpridas por serem compreendidas como necessárias ao convívio com os outros,
pode-se dizer que ela supera a heteronomia e começa a desenvolver sua autonomia
moral.
De acordo com Piaget (1994, p. 38), “o desenvolvimento da autonomia moral
se dá por meio de estágios, e a passagem de um estágio para outro depende de uma
estruturação cognitiva e principalmente da interação do indivíduo com o meio”. É
através das experiências interativas que ela vai se desenvolvendo e fazendo a transição
da forma de pensamento centrado no eu para o pensamento descentrado, quando
percebe a existência do outro.
Essas experiências não acontecem de forma isolada ou autônoma, mas em meio
às relações verbais e práticas cooperativas que ela vivencia com os adultos e outras
crianças. Seguindo a linha de raciocínio de Vinha (2009), é preciso que a criança possa
ter experiências de vida social para aprender a viver em grupo e a escola é um local
muito apropriado para essa vivência.

METODOLOGIA

As vivências interativas foram direcionadas através de uma sequência didática


e organizadas em momentos que envolveram a construção coletiva de regras e
combinados, conciliando com outras atividades cooperativas.
1º Momento: Numa roda de conversa apresentamos imagens que retratavam
situações de convivência em grupo e pedimos que elas colorissem. Ao concluírem,
chamamos para a rodinha, onde dispusemos as figuras no centro e pedimos que as
organizassem em dois cartazes. No vermelho seriam coladas as figuras que
expressassem comportamentos não adequados para uma boa convivência, e no verde,
aquelas que colaborariam para o respeito, a solidariedade e amizade. Ao final, eles
combinaram agir de acordo com o exposto no cartaz verde.
2º Momento: Num teatro de fantoches as crianças dramatizaram uma história
que retratou as relações vivenciadas na turma, evidenciando aquelas positivas de
respeito e cooperação. Além da dramatização, apresentaram músicas cujo conteúdo
exaltavam uso das “palavrinhas mágicas” como bom dia, boa tarde, obrigada, com
licença etc.
3º Momento: Com recurso midiático apresentamos os vídeos “Convivência” e
“A ponte”, os quais apresentavam situações problema entre os personagens cuja solução
positiva se dava através de ações de solidariedade e cooperação entre os personagens. O
conteúdo do filme foi explorado numa roda de conversa, onde as crianças expuseram
suas opiniões sobre a forma como o conflito foi resolvido.
4º Momento: Cada criança foi incentivada a trazer seus brinquedos favoritos
para compartilhar com os colegas. Elas foram estimuladas a não fazer distinção entre
brinquedos de meninas e meninos, que o uso era livre, assim como a escolha dos pares
para o ato do brincar.
5º Momento: Em duas equipes, as crianças competiram para identificar dois
pares de sapatos que estavam misturados entre os outros e calçar os pés das cadeiras
com eles. Ali vivenciada a cooperação e a resolução de conflitos.
6º Momento: As crianças trouxeram variados tipos de frutas para colocar em
comum durante um piquenique.

DISCUSSÃO E RESULTADOS

Entre as mudanças de atitudes observadas a partir dos momentos interativos


vivenciados podemos citar o caso de uma criança que no início do lanche coletivo havia
pedido uma maçã inteira, mas após refletir sobre a necessidade de dividi-la, assim o fez.
Outra atitude foi a de uma criança que demonstrava dificuldades em aceitar o
gênero oposto nas brincadeiras e em pequenos grupos, mas que após as estratégias
realizadas passou a brincar em grupos do gênero oposto da mesma forma em que não
fez mais distinção entre brinquedos tradicionalmente tidos como de meninos e meninas.
Além disso, as crianças ficam vigilantes uma com a outra, alertando sobre o
cumprimento das regras e combinados em cuja elaboração houve seu protagonismo.
Observamos também que elas utilizam com mais desenvoltura as “palavrinhas
mágicas”. Algumas ainda se confundem no emprego correto das palavrinhas utilizando
o Por favor no lugar do Obrigado e vice-versa.
Na interação interpessoal houve uma melhora significativa, pois, já conseguem
compartilhar os jogos e brinquedos sem maiores conflitos. Nas rodas de conversas, elas
demonstram o hábito de levantar o dedo para falar e esperam sua vez enquanto a outra
fala.
Através dos resultados, podemos dizer que a atenção voltada para as situações
de conflitos entre as crianças e as vivências interativas proporcionadas vem facilitando a
superação do egocentrismo.
Vale ressaltar que a sequência didática foi a estratégia inicial a ser utilizada
com foco ao objetivo pretendido. Após sua aplicação, foram planejados e realizados
outros momentos, nos quais se intensificou uso de jogos e brincadeiras direcionados
para favorecimento das vivências cooperativas.

CONCLUSÃO

Os conflitos na educação infantil são bastante frequentes e o tema precisa ser


abordado nos espaços formativos. As maneiras, muitas vezes ineficientes da escola lidar
com os conflitos, evidencia a necessidade de uma melhor compreensão sobre suas
causas, para uma melhor escolha atuação sobre elas.
A experiência apresentada teve um retorno bastante positivo, tanto para as
crianças quanto para a professora, pois com a aplicação das atividades vimos a
importância de reconhecer a individualidade de cada uma delas. Ao proporcionarmos
atividades cooperativas, as engajamos na resolução de conflitos, levando-as a
compreender e aceitar o ponto de vista do outro.

REFERÊNCIAS

PIAGET, Jean. O juízo moral na criança. Tradução: Elzon Lenardon. São Paulo:
Summius, 1994.

SANTOS Diana Leonhardt dos, et. al. Desenvolvimento moral na educação infantil: o
que pensam as educadora. Revista Quadrimestral da Associação Brasileira de
Psicologia Escolar e Educacional, SP. Volume 18, Número 2, Maio/Agosto de 2014:
247-254.
VINHA, Tema Pileggi; TOGNETTA, Luciene R. P. Construindo a autonomia moral
na escola. Os conflitos interpessoais a aprendizagem de valores. Rev. Diálogo Educ.,
Curitiba, v. 9, n. 28, p. 525-540, set./dez. 2009.

TUTORIA EDUCACIONAL – UMA EXPERIENCIA DE FORMAÇÃO


EM SERVIÇO NO 1º PERIODO DA EDUCAÇÃO INFANTIL

Alessandra Pinheiro Ferreira42


Patrícia Andrade de Figueiredo43

INTRODUÇÃO

O Programa de Tutoria Educacional prevê que cada professor desenvolva e/ou


aprimore as habilidades e competências docentes a partir da prática. Para tanto, o tutor
faz uso de Estratégias formativas específicas, Autoavaliação e Plano de formação que
conduzem o processo. Tutor e tutorado, nesse modelo formativo, buscam o
desenvolvimento docente com foco final na melhoria da aprendizagem das crianças.
O referido resumo traz um relato da experiência desse processo formativo com
a Professora-Tutorada Patrícia Andrade, que trabalha com uma turma de 1º período da
Educação Infantil, na Escola Municipal Ivomar de Lima Vieira, na cidade de Manaus,
no período de julho a setembro de 2016, desenvolvido pela Formadora-Tutora
Alessandra Pinheiro, que atua na Divisão de Desenvolvimento Profissional do
Magistério – DDPM – no Programa de Tutoria Educacional. Sob as duas óticas - da
tutora e tutorada - traremos os encaminhamentos dados durante o processo formativo e
os resultados alcançados.

METODOLOGIA

A tutoria de área é um modelo de formação de professores que acontece a


partir do apoio prático e presencial em sala de aula, buscando, de acordo com o Guia de
Tutoria de Área (2009, p. 5) “qualificar sua ação em sala de aula, estimulando-o a
exercitar o planejamento e a gestão de aulas, o exercício de diferentes formas de
lecionar, a avaliação da aprendizagem em sala de aula, dentre outros”.

42
Tutora Educacional - Programa de Tutoria Educacional da Divisão de Desenvolvimento Profissional do
Magistério – DDPM (Email: aleduc.pf@gmail.com).
43
Professora – Escola Municipal Ivomar de Lima Vieira (Email: net_patty@yahoo.com.br).
Para alcançar essa qualificação o tutor educacional e o professor a partir do
desenvolvimento de uma relação de parceria usam como insumos para o processo
formativo o cotidiano do professor-tutorado com a turma. Para tanto, o tutor lança mão
de várias estratégias formativas para se aproximar da prática desenvolvida pelo
professor. As estratégias formativas utilizadas na experiência com a professora Patrícia
foram: Comunicação - Escuta ativa e questionamento; Ação modelar-Planejamento;
Observação de sala de aula e Feedback.
Comunicação - Escuta ativa e questionamento: uma relação de parceria e
confiança passa pela qualidade das conversas entre os pares. Nesse sentido a estratégia
da Comunicação não objetiva apenas colher informações, mas “estimular o tutorado a
refletir, a construir o significado de uma situação, identificando problemas, dilemas,
aprendizados” (Guia de Tutoria de Área, 2009, p. 34). Ao fazer perguntas dentro do
contexto da turma e por escutar ativa e atentamente o que a professora trouxe como
necessidade de trabalho, a tutora (em 03 encontros formativos no mês de julho)
conseguiu entender o que a professora já desenvolvia em sala de aula e que aspectos
eram seus pontos fortes e ao mesmo tempo perceber seus pontos de desenvolvimento.
Como norteador desse processo diagnóstico, utilizamos a Matriz de Autoavaliação do
Professor da Educação Infantil. Nos concentramos no eixo: Prática de ensino com foco
no desenvolvimento da autonomia e protagonismo das crianças e respeito das
habilidades da faixa etária e as particularidades físicas de cada uma.
Ação Modelar – nessa estratégia o tutor demonstra de forma explícita e/ou
implícita comportamentos e estratégias que o professor-tutorado ainda não incorporou
em sua prática. A Ação Modelar desenvolvida com a professora teve como foco o
Planejamento de um Projeto Didático. Juntas – tutora e tutorada - construíram um
Projeto que atendesse as necessidades da turma. Essa estratégia se mostrou necessária,
pois em diálogos anteriores a professora expôs uma necessidade do seu plano de aula
que previa o desenvolvimento de uma Horta Escolar e dentre as inquietações estavam:
“Como vou fazer? Que recursos vou usar? Tenho espaço disponível? O que pretendo
alcançar com essa ação? ”, afinal essa era uma atividade que ainda não havia sido
experimentada pela professora. A partir da Ação Modelar - Planejamento foi
construído o Projeto - Horta Escolar em garrafa PET. No projeto foram previstas
atividades a serem desenvolvidas, recursos, prazos e objetivos a serem alcançado num
período de 2 meses (agosto-setembro). Paralelo a elaboração do Projeto, organizamos o
Plano de Formação para a professora, com as metas que ela almejava atingir ao final do
projeto. Ao desenvolver as ações com a turma, a professora focou em estratégias que
oportunizassem a autonomia e o protagonismo das crianças organizando atividades que
pudessem proporcionar essa experiência durante todo o projeto.
O próximo combinado foi uma Observação pela tutora de uma atividade em
que fosse possível ver a maneira como a professora estava desenvolvendo na prática as
metas que foram estabelecidas no Plano de formação e previstas no Projeto Didático. A
partir de um roteiro prévio, pensado junto com a professora, foi possível focar o olhar
no que era prioritário para a formação dela. A atividade observada foi o dia da
semeadura, planejada para ocorrer no jardim da escola. Com o consentimento da
professora, foram feitas breves filmagens e fotos para posterior análise e reflexão tanto
sob a ótica da tutora quanto da professora.
Feedback – essa estratégia de formação consiste em uma conversa pautada nos
registros da observação realizada anteriormente, onde foi possível o levantamento de
evidências (focada nas metas estabelecidas) observadas pelo tutor e tutorado. Nesse
momento, a filmagem e as fotos ajudaram a analisar a atividade observada, subsidiou o
processo de reflexão e orientou os encaminhamentos para o aprimoramento da prática.

DISCUSSÃO/RESULTADOS

A tutoria, como modelo formativo, oportuniza entrar num campo especial - a


sala de aula. Na ação desenvolvida veremos os quatro momentos desenvolvidos no
Projeto: Horta Escolar em garrafa PET e os impactos na aprendizagem da turma e o
desenvolvimento da prática da professora-tutorada.
1º Momento: o projeto iniciou com a participação direta dos pais, pois eles
foram os responsáveis em trazer as garrafas pet devidamente preparadas (cortadas no
formato combinado previamente) e a comunidade forneceu a terra preta. O suporte da
gestão escolar foi essencial para conseguirmos as sementes e o espaço na escola. As
crianças, em sala de aula, assistiram a um vídeo, que de forma dinâmica e divertida
explicou a importância da reciclagem - enfatizando a garrafa pet. Outro vídeo, foi
possível abordar os elementos importantes para o desenvolvimento da planta (terra,
água e sol) bem como, o passo a passo de como plantar. Foi utilizado recursos do PESC
existente na escola para ilustrar o crescimento da planta. Um dia antes de dar início ao
plantio foi mostrado às crianças como iriam plantar (como segurar e colocar a terra na
garrafa e acomodar as sementes).
2º Momento: O DIA DO PLANTIO. Nessa ação foi organizada a saída da
turma para o jardim da escola, selecionado para a organização da horta. Em fila cada
criança recebeu sua garrafa e de dois em dois foram colocando a terra que estava
disponível em um balde com a mão devidamente protegida com um saquinho. Depois
de todos encherem as garrafas com terra, foi apresentada a semente para as crianças. Foi
explorado a cor, formato e o cheiro da semente (sementes de coentro) em seguida cada
um colocou a semente na garrafa e cobriu com terra, em seguida, colocaram as
plaquinhas com seus nomes. Na ocasião a garrafa plantada pela professora foi coberta
com uma caixa, para posterior análise do que acontece se a planta não receber sol e
água.
3º Momento: diariamente foi definido junto com a turma quem iria ajudar na
rega da horta. Durante esse processo do crescimento da planta trabalhamos a cor, as
mudanças do formato da folha, o cheiro da folha, tipos de solo e comparação dos
diferentes tipos de planta. Cada dia era uma novidade e surgiam questionamentos e
curiosidades por parte das crianças. A horta virou ponto turístico na escola e as crianças
ficavam admiradas porque a horta atraiu insetos e passarinhos.
4º Momento: DIA DA COLHEITA. Esse foi um dia de muita ansiedade para a
turma. Cada criança pegou seu saquinho e colheu parte do coentro para ser utilizado na
merenda escolar. Entregaram diretamente na mão da manipuladora de alimentos e em
seguida cada um recebeu sua garrafa com o restante da plantação para levar para casa. A
alegria no olhar e cada expressão deles foi muito motivador e as crianças diziam: “fui eu
que plantei”. As outras crianças da escola também queriam uma garrafa com „plantinha‟
para levar para casa e esse foi momento único.
Freire (1980, p. 15) menciona que “ensinar não é transferir conhecimento, mas
criar as possibilidades para sua produção ou sua construção”, exatamente como prevê a
Proposta Curricular da Educação Infantil/SEMED (2013, p. 54), onde diz que “[...] o
currículo da Educação Infantil deve promover experiências e vivencias em torno do
conhecimento produzido pela humanidade, visando oportunizar o desenvolvimento das
capacidades humanas”. E é nessa linha de pensamento que o desenvolvimento
formativo caminhou.
Pensar e refletir sobre a prática, nos faz entender que o professor na educação
infantil é além de mediador, observador, organizador e integrante nas atividades e
experiências oportunizadas na escola e que sua atuação contribui para que as crianças
adquiram confiança e interesse em participar de atividades individuais e coletivas.
Durante o processo formativo em tutoria, foi pensado sobre a base
metodológica que norteia a prática docente. Os direcionamentos planejados em conjunto
deram o estímulo necessário para trilhar caminhos diferentes. E embora possa ser
desafiador essa caminhada, pensar nas crianças e observar os resultados alcançados, fez
valer a pena. A tutoria, embora não ofereça respostas prontas contribui oportunizando a
busca pela informação, no pensar em outras possibilidades e sempre ter o foco na
aprendizagem das crianças.

CONCLUSÃO

Os desafios enfrentados no cotidiano do professor são diversos, e é exatamente


esses desafios que fornecem o material necessário para a formação do professor. Olhar
para esse espaço, oportuniza uma aprendizagem significativa, pois a autonomia no
processo de aprendizagem do adulto professor é pensada para criar condições de este ser
criativo e ter iniciativa em suas ações de aprendizagem, partindo de seus pontos de
ancoragem.
O tutor compreende que o sujeito tem que pensar sobre o seu fazer e, colocar-
se no lugar do outro é um exercício constante. Como „par experiente‟ nesse modelo de
formação, o tutor educacional nunca deve perder de vista que ele é sempre um aprendiz
e que o seu olhar de estranhamento é que vai estimular análises crítico-reflexivas, que
contribuirá para o desenvolvimento do outro, e nessa troca, ambos crescem e se tornam
pares experientes um do outro numa estreita relação de parceria.
O professor consegue se ver a partir da sua realidade em sala de aula. E usa
essa experiência como insumo para o seu desenvolvimento. Esse exercício constante, o
faz perceber que seus pontos fortes podem ser consolidados na sua prática docente e que
os pontos de desenvolvimento existem para que entendamos que somos seres
inacabados e em constante evolução.

REFERENCIAS

FREIRE, Paulo. Conscientização: teoria e prática da libertação – uma introdução ao


pensamento de Paulo Freire. 3.ed. São Paulo: Cortez & Moraes, 1980.

GUIA DE TUTORIA DE ÁREA (2009). Fundação Itaú Social. Disponível em:


<https://www.fundacaoitausocial.org.br/pt-br/biblioteca>.
MANAUS, Secretaria Municipal de Educação. Proposta Pedagógico-Curricular de
Educação Infantil. Manaus: Semed, 2013.

FORMAÇÃO EM SERVIÇO: EXPERIÊNCIAS VIVENCIADAS POR UM


PROFESSOR-TUTORADO

Bruno Luiz de Alencar Carneiro44

INTRODUÇÃO

Dentro dos aspectos de um programa que almeja potencializar a prática do


professor, assim como desenvolver suas competências o que podemos observar é uma
perfeita sintonia entre tutor e tutorado.
As diversas situações enfrentadas no cotidiano norteiam as sessões através da
comunicação e de uma escuta que culminam em práticas que visam melhorar o processo
ensino e aprendizagem do docente-discente.
A formação em serviço torna-se relevante na medida em que ao transpassarmos
da teoria de dentro de uma Universidade para a realidade de uma escola em todas as
suas nuances, onde nos deparamos com o imponderável, o tutoramento nos traz um
oásis em meio ao deserto de incertezas quanto a pratica docente.
A contribuição do programa de tutorado trouxe mudanças significativas quanto
ao modo de exercer a profissão sem sobressaltos, pois a sala de aula pode ser um salto
no escuro quando não se sabe bem como gerenciar e planejar seu cotidiano.
Uma certa relutância é demonstrada no início por vários motivos, dentre eles a
falta de segurança do tutorado demonstrada quando não se está seguro diante dos
percalços do ensinar. Mas é preciso ressaltar a paciência, o preparo e a forma de
conduzir o processo dos tutores.
O que se pode vislumbrar é uma fusão de conhecimentos resultando em bons
resultados no âmbito educacional, especificamente em sala de aula e nas relações
interpessoais dentro e fora da escola.

METODOLOGIA

44
Graduado em Pedagogia pela Universidade do Estado do Amazonas - UEA e professor de 1º ao 5º anos
na Secretaria Municipal de Educação - SEMED-Manaus. E-mail: brunoalencar77@hotmail.com
A metodologia utilizada no programa de tutoria se baseia no enfoque
Fenomenológico - Hermenêutico, que engloba traz a interação dos autores envolvidos
na realidade escolar. Conforme dito por Gonzaga (2005, p. 10) “Para a fenomenologia,
o ato de conhecer, através da filosofia, da ciência e da pesquisa, centra-se na percepção
do mundo vivido como uma atitude natural”. Pois refletimos sobre nossa prática,
compreendemos alguns padrões de comportamentos e passamos a entender o porquê de
algumas escolhas que fazemos em sala de aula, ou seja, uma percepção do que vivemos
no dia a dia.
A fenomenologia traz um arcabouço de que todo fenômeno no campo
educacional se faz entre sujeitos. Esses sujeitos interagem entre si causando o processo
hermenêutico de pensar o outro como um ser cognitivo cheio de vontades e
complexidades inerentes a si mesmo.

DISCUSSÃO E RESULTADOS

Compreende-se, na linha de atuação docente que a problemática gestão em sala


de aula aliada a um planejamento eficiente que concerne que uma coisa leve a outra na
mais perfeita paz, entre ambas, consiste que o professor tenha um tempo para se
preparar e assim exercer com eficácia, sem sofrimentos ou o medo de não alcançar a
Necessidade de todos os discentes de sua labuta diária em prol do ensino e da
aprendizagem dos mesmos.
Para isso, percebemos que foram alcançados alguns resultados como:
Realizamos uma análise e uma discussão de como são aplicadas as atividades
didático-pedagógicas pelo tutorado e percebemos suas possíveis dificuldades em aplicá-
las, uma vez que o planejamento precisava ser mais consistente. Esse novo olhar sobre a
nossa prática em sala de aula, nos demonstra que o professor não é um especialista, mas
que está em constante formação. Como nos afirma Lanier (apud IMBERNÓN, 2011.
p.75) “os docentes possuem um amplo corpo de conhecimentos e habilidades
especializadas que adquirem durante um prolongado (prolongado se aceitamos a
formação como desenvolvimento durante toda a vida profissional) período de
formação”.
Para tratarmos da prática em sala de aula, primeiramente abordamos pontos
sobre as possíveis variáveis que devemos considerar durante a elaboração do
planejamento de aula.
Neste momento, refletimos e trouxemos várias evidências da nossa prática e
do que os alunos comunicavam durante a aula. Imbernón (2011) discute que: “uma
formação permanente do professor deve dotar o professor de conhecimentos,
habilidades e atitudes para criar profissionais reflexivos ou investigadores”.
O eixo fundamental do currículo de formação do professor é o
desenvolvimento de instrumentos intelectuais para facilitar as capacidades reflexivas
sobre a própria prática docente, e cuja meta principal é aprender a interpretar,
compreender e refletir sobre a educação e a realidade social de forma comunitária. O
caráter ético da atividade educativa também adquire relevância (IMBERNÓN, 2011, p.
55).
Na formação em serviço essa discussão de refletir nossa prática, nos leva a um
processo formativo intenso no que diz respeito a mudanças de comportamento, a fim de
potencializar nossa ação em sala de aula.
Após nossa discussão acerca do nosso planejamento e elementos da nossa
prática em sala de aula, elencamos que é necessário partirmos do conhecimento prévio
da turma, seguindo os níveis de aprendizagem deles, relacionando com os conteúdos da
proposta pedagógica da secretaria e escolhendo estratégias que permitam o
envolvimento dos alunos. Alcançando assim, o objetivo da formação em tutoria, pois
“trabalha para aprimorar os conhecimentos, a reflexão e a prática do tutorado, sempre
com o propósito final de melhoria da aprendizagem dos alunos” (GUIA DE TUTORIA,
p. 9).
Com isso, voltamos a refletir sobre nossa prática em sala de aula, levando em
consideração as diversas culturas existentes neste espaço e como desenvolver os
conteúdos de forma a atender todos. E nossa formação sempre segue este caminho:
observa a prática, reflete sobre ela e retorna para ela.
Após nossas ações do plano de formação, concluímos, também, a necessidade
de estabelecer uma rotina em sala de aula para que os alunos participem efetivamente
das aulas, ou seja, que eles se sintam mais protagonistas da própria aprendizagem.

CONCLUSÃO

A prática em sala de aula provocou mudança perceptiva, pois ser acompanhada


e assistida com o apoio de seu tutor sem cobranças fora da realidade trazem um novo
horizonte no fazer profissional.
O comportamento antes apreensivo por não saber se a aula tinha atingido o
objetivo a que se propunha, tornou-se mais produtiva ao se estabelecer parâmetros de
início, meio e fim com o auxílio de maneiras a se chegar a isso nas ações de tutoria.
A tutoria proporciona um espaço para que se possa refletir sobre a prática em
sala de aula, a partir da própria vivência e conhecimento. Nota-se, que a tutoria tem uma
metodologia diferenciada de formação na qual é construído no próprio fazer,
contemplando os quatro pilares da educação: aprender a conhecer, aprender a fazer,
aprender a viver juntos e aprender a ser. A tutoria potencializa esse segundo pilar:
aprender a fazer, pois viabiliza espaços.

REFERÊNCIAS

FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa /


São Paulo: Paz e Terra, 1996.

GONZAGA, A. M. Contribuições para produções científicas. Manaus: BK, 2005.

IMBERNÓN, Francisco. Formação docente e profissional: formar-se para a


mudança e a incerteza. SÃO Paulo: Cortez, 2011.

A MALETA DO FUTURO E OS GÊNEROS TEXTUAIS: DESDOBRAMENTOS


DE UM PLANEJAMENTO REFLEXIVO

Dilma Nazaré dos Anjos Silva da Fonseca45

INTRODUÇÃO

Alcançar os níveis da qualidade de ensino tão almejada para a educação


brasileira está além de índices e estatísticas, é uma realidade complexa apontando para o
espaço sala de aula e seus protagonistas. Para tanto é preciso pensar especificamente na
formação do professor, na necessidade da turma, e nas práticas de desenvolvimento
imbricados numa postura reflexiva.

45
Graduada em Licenciatura em Pedagogia, Pós – graduada em Gestão, Supervisão e Orientação
Educacional. Professora do Ensino Fundamental lotada na Escola Municipal Rubens Sverner. Tutorada
do Programa de Formação em Serviço Tutoria Educacional – SEMED – Manaus-AM.
dilma_anjossilva@hotmail.com.
A partir desse tripé pedagógico chega-se ao planejamento, dimensão que
fundamenta todo o processo educativo e para o qual o educador deve estar preparado,
ferramenta de total relevância para este estudo haja vista não poder haver aprendizagem
efetiva sem o completo entendimento desse instrumento da prática pelos vários
segmentos os quais compõem a escola. De acordo com Libâneo (2001, p.84) “o
planejamento é um processo contínuo de conhecimento e análise da realidade escolar
em suas condições concretas, busca de alternativas para soluções de problemas e de
tomada de decisão”.
Para os moldes da educação atual, a intencionalidade e a interdisciplinaridade
devem embasar o planejamento curricular de modo a dar ao professor condição de
antecipar a realidade futura. Esse eixo do processo educacional se impregnado da visão
de mundo, permite compreender a necessidade da turma em suas peculiaridades dentro
de uma realidade onde modelos mentais engessados, há muito estabelecidos, estancam o
franco desenvolvimento dos indivíduos, aluno e professor.
O ato de planejar para o docente requer reflexão, construção, avaliação e
autoavaliação. A flexibilidade no plano permite reformular metas, transformar o que
está estabelecido e nesse viés o professor precisa estar respaldado não só com o amplo
conhecimento curricular como também na sua formação em serviço, porém, destaca-se
aqui uma formação específica a qual atenda suas reais necessidades, tal como o
Programa de Tutoria Educacional, desenvolvido pela Secretaria Municipal de Educação
– SEMED, no município de Manaus.
Esse programa em seu plano de formação desenvolve individualmente junto ao
professor sua matriz de competências, fundamentos de sua práxis, momento no qual são
evidenciados pontos de ancoragem, aquilo que já é realizado com eficácia, e os pontos
de investimento, eixos a serem melhorados, reorganizados e ressignificados, isso tudo
envolvido num processo intenso de reflexão, autoavaliação e foco formativo. É um
verdadeiro diferencial para aquele profissional disposto a ter uma prática autônoma e
construtiva.
A transparência em programas dessa envergadura se reflete naturalmente na
sala de aula quando o docente se apropria do todo e consegue através da
intencionalidade organizar sua ação de forma interdisciplinar sem perda da identidade
das disciplinas. Um contextualizador dessa vertente é o projeto, uma unidade menor
dentro do planejamento, cuja abordagem potencializa a relação entre os componentes
curriculares, Hernández (1998, p. 61) chama a atenção para o fato de que “a função do
projeto é favorecer a criação de estratégias de organização dos conhecimentos escolares
que facilitem aos alunos a construção de conhecimentos, a transformação da informação
procedente de diferentes saberes disciplinares em conhecimento próprio”.
Quando o projeto surge dentro da necessidade da sala de aula favorece a
autonomia, a participação e obtêm-se melhores resultados, a mediação do educador
alcança o sujeito da aprendizagem, aquele se torna parceiro deste. Segundo
Vasconcellos (2006, p.160) “a maneira de se fazer o projeto pode ser fruto de uma
aprendizagem coletiva, através da troca de experiências e de uma reflexão crítica e
solidária sobre as diferentes práticas”.
Partindo dessa vivência e dos desdobramentos do Programa de Tutoria já
mencionado, buscou-se desenvolver por meio do planejamento e da gestão participativa,
estratégias diferenciadas e significativas nas quais os alunos tivessem participação
efetiva em cada etapa das atividades construídas, tendo em vista maior
comprometimento de todas as partes envolvidas no processo ensino - aprendizagem no
que diz respeito a necessidade de ampliar e consolidar a capacidade leitora e escritora
dos alunos.
Nessa perspectiva, o projeto “A maleta da leitura e os gêneros textuais” toma
forma a fim de proporcionar aos alunos do 4º ano do Ensino Fundamental da Escola
Municipal Rubens Sverner situações que beneficiem o exercício da leitura e da escrita;
promover situações de interações que favoreçam o letramento, reconhecendo os gêneros
textuais diferenciando-os entre si; bem como, manter uma rotina de trabalho reflexiva,
construtiva e prazerosa. Conforme se vê no desenrolar do projeto.
METODOLOGIA

O projeto “A maleta da leitura e os gêneros textuais” foi desenvolvido no início


do segundo bimestre de 2016 estendendo-se até ao final do ano letivo, onde todas as
aulas são principiadas com o gênero textual oral: roda de conversa, oportunidade de
aprofundar o debate e a reflexão e deixar claro os objetivos do dia. Desse modo,
apresentando as seguintes etapas metodológicas ainda para os segundo e terceiro
bimestres:
1ª fase: A proposta inicial – a reflexão
A partir da introdução na rotina da turma o uso da lousa a fim de estabelecer os
combinados, expor os objetivos da aula e as atividades do dia, possibilitou maior
participação na hora da construção coletiva. Oportunidade de apresentar o projeto,
instigando-os a perceber a necessidade de melhorar os níveis de leitura e escrita,
fazendo-os notarem a urgência de um meio que pudesse diminuir essa defasagem. O
primeiro combinado firmou-se em que o projeto seria elaborado em conjunto, no qual
todos pudessem se envolver e se responsabilizar pelo andamento das propostas de
trabalho, do mesmo modo estabeleceu-se o uso de uma pasta plástica para guardar os
materiais e a prioridade da utilização dos gêneros textuais.
2ª fase: Atividades pensadas – a construção
Na segunda fase do projeto tomou-se como ponto de partida a pesquisa do
material escrito, tais como: jornais, revistas, bulas, receitas, poemas, fábulas, coletando
a maior diversidade de gêneros textuais, tarefa cuja execução exigiu a participação
efetiva da família. Na maleta também deveria conter atividades avaliativas, debate oral,
jogos de leitura, produções individuais e coletivas, exposições internas e externas, bem
como dramatizações. Essa etapa foi finalizada com a apreciação, apropriação e
utilização do material.
3ª fase: Além da sala de aula – a ação
Esta fase se deu quando os alunos já estavam completamente envolvidos e
entusiasmados com a novidade do plano, constituiu-se o momento adequado para
romper as paredes da sala de aula e realizar a exposição do projeto para os demais
alunos da escola, atividade realizada no refeitório durante o horário da merenda, ideia
aventada ainda na segunda fase, contudo, só agora tomaria forma. Para tanto preparou-
se um painel com o tema do projeto e a frase chamariz sugerida por um dos alunos “Ler
para Crescer”. Durante a exposição a tarefa era: apresentar a maleta para os visitantes,
ler para os mesmos caso desejassem e ouvir as opiniões a respeito do evento.
Ainda nessa etapa os alunos tiveram a oportunidade de dramatizar para toda escola a
fábula “O Cupim e o Tamanduá”, texto criado por dois alunos, e cantaram a paródia
criada pela turma “A Amazônia, nosso lar”, encerrando a Semana da Literatura e em
comemoração ao dia da criança.
4ª fase: Avaliação com a turma – autoavaliação/reflexão/reconstrução
O processo de avaliação do projeto se dá de acordo com o desenrolar de cada
atividade permitindo várias formas de se avaliar, ficando bem claro para a turma os
aspectos da observação individual e geral, o alcance ou não dos objetivos estipulados
para cada movimento, bem como a autoavaliação particular e do conjunto, levando em
consideração a fala do aluno em atividades especificamente orais e o tanto que o
sentimento de pertença ao projeto é palpável. Em meio ao procedimento autoavaliativo,
concordaram em dar continuidade ao plano até o 4º bimestre, desta feita com maior
interação entre seus pares, alunos com maior desempenho leitor, auxiliando aqueles
com menor nível de leitura.

DISCUSSÃO E RESULTADOS

A aprendizagem é significativa quando faz diferença na vida do aluno e


daquele que exerce o papel de mediador, quando podem olhar e se enxergar durante o
processo ou mesmo no seu final. Como primeiros resultados da implantação desse
projeto, pôde-se perceber o envolvimento dos alunos com a leitura, o entusiasmo de
realizar atividades que eles mesmos ajudaram a elaborar e organizar, crianças que ainda
estavam silabando desenvolvendo sua capacidade leitora, e o que seria feito em um
único bimestre, ampliando-se para o restante do ano letivo.
Observou-se na produção textual maior liberdade para criar, o envolvimento
prazeroso, além da sala de aula, proporcionados pela exposição e dramatização de suas
próprias criações. Todo esse processo mudou um quadro delicado no perfil dessa turma,
de 8 crianças com considerável dificuldade de leitura, 6 delas já conseguem ler
pequenos textos.
Uma centelha de um planejado intencional e reflexivo, organizado por uma
professora que abraçou a oportunidade de ressignificar sua prática por meio do
Programa de Tutoria Educacional, rompendo e lutando contra seus limites, expandindo
seus saberes e reproduzindo na sala de aula, resultados de intrínseca transformação.
O projeto “A maleta da leitura e os gêneros textuais”, ultrapassou os muros da
escola, constituiu-se tema de uma matéria publicada no Jornal do Comércio edição
comemorativa alusiva ao aniversário de Manaus, em 22 de outubro de 2016, sobre a
educação. A integração de toda a escola interferiu diretamente nos desdobramentos
desse processo, nenhum sucesso na educação acontece sem a ação coletiva de seus
integrantes.
CONCLUSÃO

Aprofundar o universo da leitura é fundamental para que o aluno do 4º ano


desenvolva suas habilidades para as próximas etapas do ensino não apenas para a
disciplina de Língua Portuguesa como também para os demais componentes
curriculares. A partir dessa necessidade, a utilização de um mecanismo para
desenvolver a aptidão leitora e escritora, a competência comunicativa e a capacidade de
reconhecer os gêneros textuais com suas peculiaridades se tornam essenciais, partindo
de um planejamento intencional e da atuação de um professor ciente de seu papel
mediador e de sua própria necessidade de aprender e reaprender.
Nesse contexto, utiliza-se o projeto “A Maleta da Leitura e os Gêneros
Textuais” com um instrumento valioso para a aquisição da leitura, escrita e suas
interações. Artifício capaz de despertar a participação ativa do aluno na construção de
seu processo de letramento, além de promover uma rotina de trabalho de modo
prazeroso, cujos critérios de organização e funcionamentos elaborados em sala de aula
pelos alunos antecipam uma realidade desejável, a educação transformadora.

REFERÊNCIAS

LIBÂNEO, Jose C. Organização e gestão de escola: teoria e prática. Goiânia:


Alternativa, 2001.

HERNÁNDEZ, Fernando; VENTURA, Montserrat. A organização do currículo por


projetos de trabalho. Porto Alegre: Editora Artmed, 1998.

VASCONCELOS, Celso dos Santos. Projeto de Ensino-Aprendizagem e Projeto


Politico Pedagógico - elementos metodológicos para elaboração e realização. 16º ed.
São Paulo: Libertad, 2006.