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Código de Trânsito Brasileiro

CTB, art. 1° - O trânsito de qualquer natureza nas vias terrestres do


território nacional, abertas à circulação, rege-se por este Código.
■ Onde houver via pública (terrestre), em qualquer parte do Brasil, esta
será regida pelo CTB;
■ Trânsito de qualquer natureza: regular e irregular.
O artigo 1° do CTB trata, justamente, da sua aplicabilidade, limitando a área
de incidência da lei. Assim, podemos dizer que, em regra, o Código de
Trânsito Brasileiro rege a utilização, de qualquer forma, das vias públicas.
Embora não tenha sido utilizada a expressão "vias públicas" na redação do
artigo 1°, preferindo o legislador o termo "vias terrestres abertas à
circulação", é lícito entender que eles se equivalem, de forma que somente
se aplicam as regras de trânsito, instituídas pela lei, às "superfícies por onde
transitam veículos, pessoas e animais, compreendendo a pista, a calçada, o
acostamento, ilha e canteiro central" (conceito de via, segundo o Anexo I),
quando elas estiverem inseridas no contexto de bem público de uso comum
do povo, nos termos do artigo 99, inciso I, da Lei n. 10.406/02 (Código Civil).
Bem por essa razão, foi necessária a inclusão, no parágrafo único do artigo
2°, das vias internas pertencentes a condomínios, numa clara exceção à
regra, a fim de que a lei também pudesse ser aplicada, especificamente, a
estas vias particulares.
Apesar de, inicialmente, as vias internas de condomínios serem a única
situação especial de aplicabilidade do CTB, ao longo de seus 18 anos de
vigência, tivemos duas inovações:
1^) Em 2009, a Lei n. 12.058/09 incluiu o artigo 7°-A, permitindo a aplicação
da legislação de trânsito (especificamente para fins de fiscalização) nas
áreas portuárias, desde que seja firmado convênio entre a autoridade
portuária e o órgão de trânsito com circunscrição sobre a via; e
2^) Mais recentemente, a Lei n. 13.146/15 (Estatuto da Pessoa com
Deficiência) promoveu alteração justamente no parágrafo único do artigo
2°, para também considerar vias terrestres as vias e áreas de
estacionamento de estabelecimentos privados de uso coletivo, como
estacionamentos de supermercados, shoppings e congêneres.
Com tais modificações, podemos dizer que a incidência da legislação de
trânsito passou a ocorrer em todos os locais em que ocorra um uso coletivo,
ainda que se trate de propriedade privada.
CTB, art. 1°, § 1° - Considera-se trânsito a utilização das vias por pessoas,
veículos e animais, isolados ou em grupos, conduzidos ou não, para fins de
circulação, parada, estacionamento e operação de carga ou descarga.
O conceito de trânsito, consignado no artigo 1°, § 1°, do CTB, é apresentado,
de maneira mais sintética, no Anexo I: “movimentação e imobilização de
veículos, pessoas e animais nas vias terrestres”. Em ambas as definições,
verificamos que, diferentemente do que muitos imaginam, trânsito não
traduz apenas a ideia de movimento, mas abrange também a imobilização
na via.
Trânsito - movimentação e imobilização de veículos, pessoas e animais nas
vias terrestres;
Via - superfície por onde transitam veículos, pessoas e animais,
compreendendo a pista, a calçada, o acostamento, ilha e canteiro central;
Canteiro Central - obstáculo físico construído como separador de duas
pistas de rolamento, eventualmente substituído por marcas viárias
(canteiro fictício);
Ilha - obstáculo físico, colocado na pista de rolamento, destinado à
ordenação dos fluxos de trânsito em uma interseção;
Parada - imobilização do veículo com a finalidade e pelo tempo
estritamente necessário para efetuar embarque ou desembarque de
passageiros;
Estacionamento - imobilização de veículos por tempo superior ao
necessário para embarque ou desembarque de passageiros;
Operação de Carga e Descarga - imobilização do veículo, pelo tempo
estritamente necessário ao carregamento ou descarregamento de animais
ou carga, na forma disciplinada pelo órgão ou entidade executivo de
trânsito competente com circunscrição sobre a via.
CTB, art. 1°, § 2° - O trânsito, em condições seguras, é um direito de todos
e dever dos órgãos e entidades componentes do Sistema Nacional de
Trânsito, a estes cabendo, no âmbito das respectivas competências, adotar
as medidas destinadas a assegurar esse direito.
O § 2° traz o que podemos denominar de “Princípio da Universalidade do
Direito ao Trânsito Seguro”, uma vez que cria um direito aplicável a todos,
indistintamente, o que não significa, entretanto, que, por ser direito, não
represente igualmente uma obrigação, pois a segurança do trânsito
depende, logicamente, de uma participação de toda a sociedade, não sendo
possível esperar que apenas os órgãos e entidades de trânsito se
responsabilizem pela garantia a esse direito. Neste sentido, vale lembrar
que a segurança do trânsito está inserida no campo da segurança pública,
prevista no artigo 144 da Constituição Federal: “A segurança pública, dever
do Estado, direito e responsabilidade de todos, é exercida para a
preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do
patrimônio...”, o que se tornou ainda mais latente, com a inclusão do § 10
ao artigo 144, pela Emenda Constitucional n. 82/14, que versa sobre a
segurança viária.
CTB, art. 1°, § 3° - Os órgãos e entidades componentes do Sistema Nacional
de Trânsito respondem, no âmbito das respectivas competências,
objetivamente*, por danos causados aos cidadãos em virtude de ação,
omissão ou erro na execução e manutenção de programas, projetos e
serviços que garantam o exercício do direito do trânsito seguro.
Para entender melhor o art. 1°, § 3° do CTB, faz-se necessário estudar a
responsabilidade civil do Estado.
Responsabilidade Civil do Estado
A responsabilidade civil da Administração Pública evoluiu de um conceito
ancorado na irresponsabilidade estatal, passando para a responsabilidade
baseada na culpa, até culminar na atual responsabilidade objetiva.
Responsabilidade Subjetiva do Estado
A Teoria da Responsabilidade Subjetiva foi a primeira tentativa de
explicação a respeito do dever estatal de indenizar particulares por
prejuízos decorrentes da prestação de serviços públicos. O fundamento da
responsabilidade subjetiva é a noção de culpa. Para receber a indenização
a vítima precisa comprovar a ocorrência simultânea de quatro requisitos:
ato; dano; nexo causal; culpa ou dolo.
Assim, para a teoria subjetiva é sempre necessário demonstrar que o
agente público atuou com intenção de lesar (dolo), com culpa, erro, falta
do agente, falha, atraso, negligência, imprudência, imperícia.
Responsabilidade Objetiva do Estado
Independe da demonstração de dolo ou culpa do agente público para que
o particular consiga uma indenização diretamente por parte do Estado,
bastando apenas o nexo de causalidade: o particular para conseguir uma
indenização junto ao Poder Público deverá demonstrar que houve uma
ação por parte do Estado que foi determinante para causar um prejuízo em
sua esfera jurídica, em seu patrimônio.
O Brasil adotou a Teoria do Risco Administrativo.
Teoria do Risco Administrativo - É a da responsabilidade objetiva
O Estado deve responder pelos prejuízos causados aos administrados, salvo
quando presente: caso fortuito, força maior ou culpa exclusiva da vítima.
CF, art. 37, § 6° - As pessoas jurídicas de direito público e as de direito
privado prestadoras de serviços públicos responderão pelos danos que seus
agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros [...]
Ao prescrever a Responsabilidade Objetiva - que independe da
comprovação de dolo ou de culpa - para a Administração pública, se fixou
maior grau de comprometimento do Estado, em relação à iniciativa privada,
obrigando que a Administração exerça, em sua plenitude, o dever de vigiar
a atuação de seus representantes, arcando com o ônus decorrente dos
danos por eles causados.
Assim, ainda que não haja intenção na produção do dano ou que tenha o
agente assumido o risco de sua ocorrência (características da ação dolosa),
bem como ainda que não tenha o mesmo agido com imprudência,
negligência ou imperícia (constituindo-se a culpa stricto sensu), caberá à
Administração pública a responsabilidade pela reparação do mal causado,
bem como por eventuais indenizações ao prejudicado.
CF, art. 37, § 6° - As pessoas jurídicas de direito público e as de direito
privado prestadoras de serviços públicos responderão pelos danos que seus
agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros, assegurado o direito de
regresso contra o responsável nos casos de dolo ou culpa.
Ação de Regresso - É a da responsabilidade subjetiva
O Estado se responsabiliza pelos valores envolvidos e depois pode, no caso
de comprovada a culpa do agente causador do acidente, entrar com uma
ação de cobrança contra tal agente.
Ex.: “A” é agente público e dirige um carro oficial, ao atravessar um
cruzamento, ignora o sinal vermelho e bate no carro de "B". A
administração pública indeniza "B" e entra com a ação regressiva contra
“A”.
Responsabilidade Civil do Estado: Ação e Omissão
A doutrina e a jurisprudência vêm entendendo que a responsabilidade
objetiva do Estado só existe diante de uma conduta comissiva (ação)
praticada pelo agente público. Por outro lado, quando estivermos diante de
uma omissão do Estado a responsabilidade deixa de ser objetiva e passa a
ser subjetiva, ou seja, o particular lesado deverá demonstrar o dolo ou a
culpa da Administração, em qualquer de suas modalidades: negligência,
imprudência e imperícia.
Convém ressaltar que a omissão tem sido incluída no contexto da
responsabilidade objetiva no corpo de legislação especial, como ocorre com
o direito do consumidor e no direito ambiental. No trânsito, objeto de nosso
estudo, verificamos que a legislação especial trouxe condição igualmente
diferenciada:
CTB, art. 1°, § 3° - Os órgãos e entidades componentes do Sistema Nacional
de Trânsito respondem, no âmbito das respectivas competências,
objetivamente, por danos causados aos cidadãos em virtude de ação,
omissão ou erro na execução e manutenção de programas, projetos e
serviços que garantam o exercício do direito do trânsito seguro.
Os danos causados aos cidadãos são tratados através dos órgãos e
entidades que compõem o SINATRAN.
CTB, art. 1°
§ 4° (VETADO)
§ 5° Os órgãos e entidades de trânsito pertencentes ao Sistema Nacional de
Trânsito darão prioridade em suas ações à defesa da vida, nela incluída a
preservação da saúde e do meio-ambiente.
Por último, destaca-se a disposição do § 5°, que é repetida posteriormente,
no § 1° do artigo 269 (“A ordem, o consentimento, a fiscalização, as medidas
administrativas e coercitivas adotadas pelas autoridades de trânsito e seus
agentes terão por objetivo prioritário a proteção à vida e à incolumidade
física da pessoa”), o que demonstra a constante preocupação do legislador
em vincular as atividades de trânsito, de forma abrangente, à garantia do
direito ao trânsito seguro.
CTB, art. 2° - São vias terrestres urbanas e rurais as ruas, as avenidas, os
logradouros, os caminhos, as passagens, as estradas e as rodovias, que
terão seu uso regulamentado pelo órgão ou entidade com circunscrição
sobre elas, de acordo com as peculiaridades locais e as circunstâncias
especiais.
Parágrafo único Para os efeitos deste Código, são consideradas vias
terrestres as praias abertas à circulação pública, as vias internas
pertencentes aos condomínios constituídos por unidades autônomas e as
vias e áreas de estacionamento de estabelecimentos privados de uso
coletivo. (Redação dada pela Lei n° 13.146, de 2015)
Art. 2°, CTB
O artigo 2° estabelece o que são "vias terrestres", a partir da relação de
quais são os locais que se enquadram nesta categoria. Na verdade, a
definição de via só é encontrada no Anexo I do CTB ("superfícies por onde
transitam veículos, pessoas e animais, compreendendo a pista, a calçada, o
acostamento, ilha e canteiro central"), que também diferencia as vias
urbanas das rurais:
■ Via Urbana - ruas, avenidas, vielas, ou caminhos e similares abertos à
circulação pública, situados na área urbana, caracterizados principalmente
por possuírem imóveis edificados ao longo de sua extensão;
■ Via Rural - estradas e rodovias.
A disposição deste artigo vai além da descrição do que são “vias terrestres”,
mas dá reforço ao entendimento de que “as vias terrestres abertas à
circulação”, regidas pelo Código de Trânsito, são apenas as chamadas “vias
públicas”, pois elas terão seu uso regulamentado pelo órgão ou entidade
com circunscrição (competência territorial) sobre elas, ou seja, não há
como conceber a incidência da legislação de trânsito a vias particulares ou
áreas internas, de propriedade privada, em que não haja um uso coletivo
(pela nova redação deste dispositivo), já que não há circunscrição dos
órgãos de trânsito naquele espaço.
É exatamente por este motivo, que se tornou necessária a inclusão do
parágrafo único, para, atualmente, estabelecer três exceções:
1) no caso das praias abertas à circulação pública, a expressa previsão
decorre do fato de que a área física ocupada pela praia não se confunde
com a geometria de uma via: não há pista, calçada, acostamento, ilha e
canteiro central (elementos constituintes de seu conceito); apesar disso,
toda vez que for possível circular na praia, o usuário estará sujeito às regras
de trânsito;
2) a caracterização de “condomínio” é dada pela Lei n. 4.591/64, que
assim dispõe:
Art. 1°. As edificações ou conjuntos de edificações, de um ou mais
pavimentos, construídos sob a forma de unidades isoladas entre si,
destinadas a fins residenciais ou não-residenciais, poderão ser alienados,
no todo ou em parte, objetivamente considerados, e constituirá, cada
unidade, propriedade autônoma sujeita às limitações desta Lei.
§ 1° Cada unidade será assinalada por designação especial, numérica ou
alfabética, para efeitos de identificação e discriminação.
§ 2° A cada unidade caberá, como parte inseparável, uma fração ideal do
terreno e coisas comuns, expressa sob forma decimal ou ordinária.
O § 2°, acima destacado, demonstra que as vias internas, construídas no
terreno que comporta o condomínio, são de propriedade proporcional de
cada unidade autônoma. Por isto é que tais espaços tiveram de ser
mencionados, pois, sendo áreas privadas, a rigor do artigo 1° do CTB, não
estariam sujeitas à legislação de trânsito.
3) Com a alteração da Lei n. 13.146/15, passaram a ser consideradas
vias terrestres, sujeitas ao CTB, as vias e áreas de estacionamento dos
estabelecimentos privados de uso coletivo. Neste aspecto, há que se
considerar dois detalhes interessantes, incluídos no CTB pela Lei n.
13.281/16, em vigor a partir de 01/NOV/16:
I - o § 3°, acrescido ao artigo 80, passa a estabelecer que “A
responsabilidade pela instalação da sinalização nas vias internas
pertencentes aos condomínios constituídos por unidades autônomas e nas
vias e áreas de estacionamento de estabelecimentos privados de uso
coletivo é de seu proprietário”;
II - a fiscalização de trânsito, no âmbito da competência do órgão ou
entidade executivo de trânsito do município, será limitada, tão somente, à
verificação da utilização das vagas especiais de estacionamento (alteração
do inciso VI do artigo 24); todavia, não houve modificação quanto às
competências de fiscalização estadual nestes locais, nos termos do artigo
22.
CTB, art. 3° - As disposições deste Código são aplicáveis a qualquer veículo,
bem como aos proprietários, condutores dos veículos nacionais ou
estrangeiros e às pessoas nele expressamente mencionadas.
Art. 3°, CTB
Qualquer usuário da via pública está sujeito às regras de trânsito, ainda que
não as conheça; aliás, o cumprimento irrestrito da lei, que se presume de
domínio público, é a exata previsão do artigo 3° do Decreto-lei n. 4.657/42
(Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro): “Ninguém se escusa de
cumprir a lei, alegando que não a conhece”.
Mesmo os veículos estrangeiros, conforme estabelece o artigo 3° do CTB,
devem cumprir a legislação de trânsito. É muito comum, inclusive, nos
depararmos com veículos fabricados em outros países, que não atendem às
exigências nacionais para circularem, por exemplo, quanto a determinados
equipamentos obrigatórios; o fato de, em alguns países, não ser obrigatório
o extintor de incêndio (ou qualquer outro item exigido no Brasil), não é
justificativa para que, em território nacional, o veículo importado esteja
desprovido de tal equipamento; neste sentido, já previa a Resolução do
Conselho Nacional de Trânsito n. 768/93 (atualmente revogada, posto que
desnecessária), que “eram extensivas aos importadores de veículos, todas
as obrigações e prerrogativas constantes dos atos resolutivos do CONTRAN,
atribuídas aos fabricantes e montadores de veículos nacionais”.
As exceções de aplicabilidade do Código de Trânsito, portanto, somente
existirão se estiverem expressamente previstas na legislação de trânsito;
por exemplo, existem veículos que são equipados com pneus capazes de
trafegar sem ar - neste caso, o pneu e aro sobressalente, o macaco e a chave
de roda deixam de ser equipamentos obrigatórios (independente se o
veículo é de fabricação nacional ou estrangeira), pois, neste caso, a isenção
consta do artigo 2°, inciso V, da Resolução do CONTRAN n. 14/98; outro
exemplo interessante é o dos veículos de coleção, que são isentos das
exigências quanto à realização de inspeção veicular e dos equipamentos
obrigatórios, aplicáveis aos demais veículos, conforme artigo 2° da
Resolução do CONTRAN n. 56/98.
A parte final do artigo 3°, ao prever a aplicabilidade do CTB às "pessoas nele
expressamente mencionadas", refere-se às situações de sujeitos da
legislação de trânsito, que não sejam usuários da via pública, mas tenham
obrigações legais específicas, como: organizadores de provas ou
competições esportivas (artigo 67), responsáveis por campanhas
publicitárias da indústria automotiva (artigo 77-A), fabricantes,
importadores, montadores, encarroçadores e revendedores de veículos
(artigo 105, § 3°), fabricantes de placas de identificação veicular (artigo 221,
parágrafo único), entre vários outros.
CTB, art. 4° - Os conceitos e definições estabelecidos para os efeitos deste
Código são os constantes do Anexo I.
Art. 4°, CTB
A validade do Anexo I do Código de Trânsito Brasileiro, porquanto
integrante da própria Lei, é referendada pelo seu artigo 4°.
Nele, encontramos um total de 115 conceitos e definições, variando desde
o “acostamento” até o “viaduto”, passando por significados lacônicos,
como o de vias rurais (que se limita a exemplificar -estradas e rodovias), por
simples abreviaturas (RENACH ou RENAVAM) ou por expressões
aparentemente conflitantes, como é o caso do cruzamento e da interseção,
em que ambas utilizam a outra palavra para acabar expondo o mesmo
conceito.
Os únicos conceitos incluídos posteriormente à entrada em vigor do CTB,
foram “ar alveolar” e “etilômetro”, acrescentados pela Lei n. 12.760/12.
Vários conceitos e definições ali previstos são imprescindíveis até mesmo
para compreender as situações de aplicabilidade de determinados artigos
do CTB, como, por exemplo, os que tratam das infrações de trânsito de
estacionamento, parada, ultrapassagem, retorno e conversão, entre
outros, em que o conhecimento exato dos significados técnicos é condição
necessária para estabelecer se foram ou não cometidas, respectivamente,
as infrações dos artigos 181, 182, 199, 206 e 207 do CTB.
Mesmo artigos que, aparentemente, não necessitariam de esclarecimentos
conceituais, acabam por depender dos termos constantes do Anexo I, como
acontece na infração do artigo 250, I, a, que pune o veículo que não
mantém acesa a luz baixa durante a noite, sendo necessário, destarte,
conceber a noite não como relativa a um determinado horário, mas como
sendo o "período do dia compreendido entre o pôr-do-sol e o nascer do
sol".
Entretanto, nem todos os conceitos necessários para a compreensão do
CTB estão previstos no Anexo I, sendo comum nos depararmos com
determinados significados no corpo da própria Lei, como ocorre com os
conceitos de trânsito (§ 1° do artigo 1°); deslocamento lateral (parágrafo
único do artigo 35); infração de trânsito (artigo 161) ou multa reparatória
(artigo 297).
Além disso, verificamos que o conjunto de conceitos e definições do Anexo
I não contempla todas as palavras constantes do Código de Trânsito, sendo
certo que, na ausência de informação no CTB, devem ser utilizadas as
definições presentes em dicionários da Língua Portuguesa ou na legislação
própria correlata à legislação de trânsito.
Qual é a principal característica do Código?
O Código se caracteriza por ser um Código da Paz; um código cidadão. Antes
de ser enviado ao congresso, o Ministério da Justiça publicou o anteprojeto
da Lei no D.O.U por um período de trinta dias. O projeto recebeu cerca de
5.000 emendas. Além disso, O código traz um capítulo inteiro destinado ao
cidadão, um ao transporte de escolares, um sobre crimes de trânsito e um
apenas para os pedestres e condutores de veículos não-motorizados.
CTB, art. 5° - O Sistema Nacional de Trânsito é o conjunto de órgãos e
entidades da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios que
tem por finalidade o exercício das atividades de planejamento,
administração, normatização, pesquisa, registro e licenciamento de
veículos, formação, habilitação e reciclagem de condutores, educação,
engenharia, operação do sistema viário, policiamento, fiscalização,
julgamento de infrações e de recursos e aplicação de penalidades.
Art. 5°, CTB
A partir da descrição das principais atividades desenvolvidas pelos órgãos e
entidades de trânsito, o artigo 5° busca delimitar o que vem a ser o Sistema
Nacional de Trânsito. Apesar da autonomia administrativa de cada Estado
e Município da Federação, utiliza-se a palavra "sistema" justamente para
demonstrar que deve existir uma coesão na Administração pública voltada
à gestão do trânsito no país. Todos os órgãos e entidades são autônomos e
possuem uma estrutura própria, mas se relacionam entre si por meio das
atividades que desenvolvem.
Os artigos seguintes (6° a 25) estabelecem os objetivos, a composição e as
competências específicas deste Sistema, a partir das quais podemos
verificar que o rol de atividades mencionadas no artigo 5° é apenas uma
síntese, pois, obviamente, não esgota todas as atribuições particulares dos
órgãos e entidades de trânsito.
Quanto às designações “órgãos” e “entidades”, cabe considerar que, no
Direito administrativo, é comum utilizá-las com um critério diferenciador
específico:
■ Órgãos: são os entes da Administração pública DIRETA, criados por
meio da desconcentração administrativa (em outras palavras, os
Ministérios, Secretarias, Diretorias, Departamentos, entre outras
denominações, ligados diretamente à Presidência, ao Governo Estadual ou
à Prefeitura);
■ Entidades: as estruturas surgidas a partir da descentralização
administrativa e que compõem a chamada Administração pública
INDIRETA: autarquias, fundações, empresas públicas e sociedades de
economia mista.
Ressalta-se, entretanto, que, independente da estrutura administrativa
utilizada, todos os órgãos e entidades de trânsito se vinculam ao Poder
EXECUTIVO de cada esfera de governo, sendo certo que o Sistema não
abrange, destarte, as empresas privadas que atuam no setor.
De uma forma resumida, podemos então dizer que: Sistema Nacional de
Trânsito é o conjunto harmônico de entes da Administração pública, direta
e indireta, autônomos e independentes entre si, responsáveis pela gestão
do trânsito em nosso país.
Art. 6°, CTB
Sendo o Sistema Nacional de Trânsito um conjunto harmônico de entes
públicos, com atribuições específicas na gestão do trânsito brasileiro,
preocupou-se o legislador, no artigo 6° do CTB, em estabelecer objetivos
básicos para a existência desta atuação sistêmica no trânsito, de forma que
foram focados três aspectos fundamentais:
I) político; II) padronização de procedimentos; e III) integração do Sistema.
Sob o aspecto político, entendeu-se necessária a criação de diretrizes para
a Política Nacional de Trânsito, as quais foram estabelecidas por meio da
Resolução do Conselho Nacional de Trânsito n. 514/15, devendo constituir-
se como o marco referencial do País para o planejamento, organização,
normalização, execução e controle das ações de trânsito em todo o
território nacional.
O artigo 3° da Resolução estabelece que a Política Nacional de Trânsito visa
assegurar a proteção da integridade humana e o desenvolvimento
socioeconômico do País, atendidos os seguintes princípios:
I - assegurar ao cidadão o pleno exercício do direito de locomoção;
II - priorizar ações à defesa da vida, incluindo a preservação da saúde e
do meio ambiente; e
III - incentivar o estudo e a pesquisa orientada para a segurança, fluidez,
conforto e educação para o trânsito.
CTB, art. 6° - São objetivos básicos do Sistema Nacional de Trânsito:
I - estabelecer diretrizes da Política Nacional de Trânsito, com vistas à
segurança, à fluidez, ao conforto, à defesa ambiental e à educação para o
trânsito, e fiscalizar seu cumprimento;
II - fixar, mediante normas e procedimentos, a padronização de
critérios técnicos, financeiros e administrativos para a execução das
atividades de trânsito;
III - estabelecer a sistemática de fluxos permanentes de informações
entre os seus diversos órgãos e entidades, a fim de facilitar o processo
decisório e a integração do Sistema.
Art. 6°, CTB
Sendo o Sistema Nacional de Trânsito um conjunto harmônico de entes
públicos, com atribuições específicas na gestão do trânsito brasileiro,
preocupou-se o legislador, no artigo 6° do CTB, em estabelecer objetivos
básicos para a existência desta atuação sistêmica no trânsito, de forma que
foram focados três aspectos fundamentais:
1. Político;
2. Padronização de Procedimentos;
3. Integração do Sistema.
1. Político: sob o aspecto político, entendeu-se necessária a criação de
diretrizes para a Política Nacional de Trânsito, as quais foram estabelecidas
por meio da Resolução do Conselho Nacional de Trânsito n. 514/15,
devendo constituir-se como o marco referencial do País para o
planejamento, organização, normalização, execução e controle das ações
de trânsito em todo o território nacional.
O artigo 3° da Resolução estabelece que a Política Nacional de Trânsito visa
assegurar a proteção da integridade humana e o desenvolvimento
socioeconômico do País, atendidos os seguintes princípios:
I. assegurar ao cidadão o pleno exercício do direito de locomoção;
II. priorizar ações à defesa da vida, incluindo a preservação da saúde e
do meio ambiente; e
III. incentivar o estudo e a pesquisa orientada para a segurança, fluidez,
conforto e educação para o trânsito.
2. Padronização de Procedimentos: destaca-se a criação do:
■ Manual Brasileiro de Sinalização de Trânsito (Resoluções do Contran
n. 180/05, 236/07, 243/07, 483/14 e 486/14); e do
■ Manual Brasileiro de Fiscalização de Trânsito (Resoluções n. 371/10e
561/15).
Outro exemplo reside na fixação de procedimentos financeiros, para a
aplicação da receita decorrente da cobrança de multas de trânsito
(Resolução n. 191/06) e para o controle da arrecadação dos recursos do
Fundo Nacional de Segurança e Educação de Trânsito (Resolução n.
335/09).
3. Integração do Sistema: por meio da sistemática de fluxos
permanentes de informações, ressalta-se a criação do RENAINF - Registro
Nacional de Infrações de Trânsito (Resolução n. 155/04), que tem por
finalidade criar a base nacional de infrações de trânsito e proporcionar
condições operacionais para o registro das mesmas, viabilizando o
processamento dos autos de infrações, das ocorrências e o intercâmbio de
informações.
Para facilitar o processo decisório, merece realce o Fórum Consultivo do
Sistema Nacional de Trânsito, instituído pela Resolução n. 142/03, formado
por representantes de órgãos e entidades integrantes do Sistema Nacional
de Trânsito - SNT, com a finalidade de assessorar o CONTRAN em suas
decisões.
CTB, art. 7° - Compõem o Sistema Nacional de Trânsito os seguintes órgãos
e entidades:
I - o Conselho Nacional de Trânsito - CONTRAN, coordenador do
Sistema e órgão máximo normativo e consultivo;
II - os Conselhos Estaduais de Trânsito - CETRAN e o Conselho de
Trânsito do Distrito Federal -CONTRANDIFE, órgãos normativos, consultivos
e coordenadores;
III - os órgãos e entidades executivos de trânsito da União, dos Estados,
do Distrito Federal e dos Municípios;
IV - os órgãos e entidades executivos rodoviários da União, dos Estados,
do Distrito Federal e dos Municípios;
V - a Polícia Rodoviária Federal;
VI - as Polícias Militares dos Estados e do Distrito Federal; e
VII - as Juntas Administrativas de Recursos de Infrações - JARI.
CTB, art. 7°-A - A autoridade portuária ou a entidade concessionária de
porto organizado poderá celebrar convênios com os órgãos previstos no
art. 7°, com a interveniência dos Municípios e Estados, juridicamente
interessados, para o fim específico de facilitar a autuação por
descumprimento da legislação de trânsito. (Incluído pela Lei n° 12.058, de
2009)
§ 1° O convênio valerá para toda a área física do porto organizado, inclusive,
nas áreas dos terminais alfandegados, nas estações de transbordo, nas
instalações portuárias públicas de pequeno porte e nos respectivos
estacionamentos ou vias de trânsito internas. (Incluído pela Lei n°
12.058, de 2009)
§2° (VETADO)
§ 3° (VETADO)
Art. 7°, CTB
O Sistema Nacional de Trânsito contempla a participação de órgãos e
entidades das três esferas de Governo: União, Estados (e Distrito Federal) e
Municípios. Sua composição vem descrita no artigo 7°, que pode ser
resumida, conforme a atividade principal de cada órgão e entidade, na
seguinte divisão didática:
I. Órgãos Normativos: são os Conselhos de Trânsito, que possuem
como atribuição principal a elaboração de normas, de forma complementar
ao estabelecido no Código de Trânsito Brasileiro.
Por elaborarem as normas, também respondem as consultas relativas à
aplicação e compreensão da legislação de trânsito em vigor. Também
possuem a competência de coordenarem as atividades de trânsito dos
demais órgãos.
Somente existem órgãos normativos na esfera da União (Conselho Nacional
de Trânsito - Contran) e dos Estados (Conselhos Estaduais de Trânsito -
Cetran e, no caso do Distrito Federal, Conselho de Trânsito do Distrito
Federal - Contrandife); assim, eventuais Conselhos Municipais de Trânsito,
criados em algumas cidades, têm mera função de assessoramento nas
tomadas de decisões do poder público local, não sendo prevista sua
participação no Sistema Nacional de Trânsito;
II. Órgãos Executivos: são aqueles que, efetivamente, colocarão em
prática o que se encontra previsto na lei, a fim de lhe dar cumprimento.
Se atuarem nas rodovias, são denominados órgãos (e entidades) executivos
RODOVIÁRIOS e, se tiverem como área de atuação as vias urbanas, recebem
a nomenclatura de órgãos (e entidades) executivos DE TRÂNSITO.
Tais órgãos executivos são previstos para as três esferas de Governo,
respeitada a autonomia local, de acordo com o artigo 8° do CTB, sendo que,
para a constituição dos órgãos executivos dos municípios, devem ser
obedecidos os requisitos constantes da regulamentação do Conselho
Nacional de Trânsito (Resolução do Contran n. 560/15). No âmbito da
União, o órgão executivo de trânsito é o Departamento Nacional de
Trânsito - Denatran, cujo funcionamento é regulado pelo seu Regimento
interno, aprovado pela Portaria n. 400/05, do Ministério das Cidades; já o
órgão executivo rodoviário é o Departamento Nacional de Infraestrutura de
Transporte - DNIT, criado pela Lei n. 10.233/01, em substituição ao antigo
Departamento Nacional de Estradas de Rodagem - DNER;
III. Órgãos Fiscalizadores: são os órgãos responsáveis pelo controle do
cumprimento da lei, no âmbito de sua competência e dentro de sua
circunscrição.
O artigo 7° estabelece, taxativamente, dois órgãos com esta finalidade
precípua:
■ PRF: a Polícia Rodoviária Federal, órgão permanente, organizado e
mantido pela União e estruturado em carreira, destinado, na forma da lei,
ao patrulhamento ostensivo das rodovias federais (artigo 144, § 2°, da
Constituição Federal)
■ PM/PMDF: Polícias Militares dos Estados e do Distrito Federal, às
quais competem a polícia ostensiva e a preservação da ordem pública
(artigo 144, § 5°, da CF).
Além destes dois órgãos, componentes da Segurança pública, há que se
ressaltar a possibilidade de que os órgãos e entidades executivos de
trânsito e rodoviários constituam corpos próprios de agentes de
fiscalização, responsáveis por tal atividade na sua esfera de competência
IV. Órgãos Julgadores: são, na sua essência, as Juntas Administrativas de
Recursos de Infrações - Jari, criadas junto a cada órgão e entidade executiva
de trânsito e rodoviário, com o objetivo de julgar os recursos interpostos
contra as penalidades por eles aplicadas (nos termos dos artigos 16 e 17 do
CTB). Também exercem a função de órgãos julgadores os Conselhos de
Trânsito, nas situações especificadas pelo artigo 289 do CTB.
CTB, art. 8° - Os Estados, o Distrito Federal e os Municípios organizarão os
respectivos órgãos e entidades executivos de trânsito e executivos
rodoviários, estabelecendo os limites circunscricionais de suas atuações.
Art. 8°, CTB
A regra estabelecida pelo artigo 8° respeita a autonomia administrativa dos
entes federativos, ao determinar a competência para que os Estados,
Distrito Federal e Municípios criem e organizem os respectivos órgãos e
entidades executivos de trânsito e rodoviários, em vez de estabelecer uma
padronização única para a gestão de trânsito nas Unidades da federação.
Tal condição decorre da própria Constituição Federal, lei máxima do país, a
qual estabelece, em seu artigo 1°, a união indissolúvel dos Estados e
Municípios e do Distrito Federal, na formação da República Federativa do
Brasil; e, no artigo 34, inciso VII, alínea ‘c', prescreve que “a União não
intervirá nos Estados nem no Distrito Federal, exceto para assegurar a
observância dos seguintes princípios constitucionais [...] autonomia
municipal”.
Por este motivo, é que encontramos, nos Estados brasileiros, diferentes
formas de configuração dos órgãos e entidades executivos de trânsito,
alguns integrantes da Administração pública direta e outros da
Administração indireta (sendo o mais comum a criação de Autarquia).
Até mesmo o nome DETRAN: Departamento Estadual de Trânsito,
largamente utilizado, não é de uso obrigatório pelo Poder Executivo
estadual, que pode adotar a denominação que melhor lhe convier para o
órgão ou entidade criado.
Da mesma forma, caberá a cada Município, quando da sua integração ao
Sistema Nacional de Trânsito, adotar a estrutura mais adequada, conforme
a conveniência e oportunidade da gestão municipal, em atendimento à
exigência constante do artigo 24, § 2°, do CTB e Resolução do Conselho
Nacional de Trânsito n. 560/15 (se observarmos, em consulta à homepage
do Denatran, os nomes dos órgãos municipais de trânsito, verificamos
tranquilamente a diversidade de estruturas administrativas utilizadas. Em
algumas cidades, o órgão municipal é uma Secretaria; em outras,
Departamento, Divisão, Autarquia, etc.).
Obviamente que a determinação dos limites circunscricionais de suas
atuações (parte final do artigo 8°) dependerá dos limites territoriais de cada
ente federativo, não sendo unilateralmente definido pelo Estado ou
Município.
CTB, art. 9° - O Presidente da República designará o ministério ou órgão da
Presidência responsável pela coordenação máxima do Sistema Nacional de
Trânsito, ao qual estará vinculado o CONTRAN e subordinado o órgão
máximo executivo de trânsito da União.
Art. 9°, CTB
O Sistema Nacional de Trânsito, cuja composição consta do artigo 7° do
CTB, tem como órgão coordenador máximo o Conselho Nacional de
Trânsito (órgão colegiado composto nos termos do artigo 10). Embora a
coordenação do SNT caiba ao Contran, prevê o artigo 9° a necessidade de
que a Presidência da República designe o Ministério ou órgão da
Presidência responsável pela gestão máxima das atividades deste Sistema,
passando a ter a vinculação do Contran e a subordinação do Denatran
(órgão máximo executivo de trânsito da União).
No início da vigência do Código de Trânsito, em 1998, esta atribuição recaía
sobre o Ministério da Justiça, conforme Decreto n. 2.327/97, o qual chegava
a estabelecer, erroneamente, que "Compete ao Ministério da Justiça a
coordenação máxima do Sistema Nacional de Trânsito, bem como o
exercício das funções de órgão máximo executivo de trânsito da União"
(equivocada porque o órgão máximo executivo de trânsito da União era - e
continua sendo - o Departamento Nacional de Trânsito - DENATRAN).
Em 2003, com sua (então) recente criação, o Ministério das Cidades
substituiu o da Justiça na coordenação máxima do Sistema Nacional de
Trânsito, de acordo com o Decreto federal n. 4.711/03, de 29/05/03,
permanecendo até os dias atuais (a função do DENATRAN, como órgão
máximo executivo de trânsito da União, subordinado a este Ministério,
consta do artigo 4°, § 1°, do Anexo ao Decreto n. 4665/03).
Interessante destacar que, por previsão do artigo 10, inciso XX, o Conselho
Nacional de Trânsito tem, em sua composição, “um representante do
ministério ou órgão coordenador máximo do Sistema Nacional de Trânsito”,
vaga que, antes ocupada pelo Ministério da Justiça, foi também transferida,
automaticamente, para o das Cidades, em 2003, por conta do Decreto n.
4.711. Foi somente em 2008 que o Ministério da Justiça, mesmo não sendo
mais o coordenador, passou a contar também com um representante no
Contran, com a inclusão do inciso XXIII ao artigo 10, pela Lei n. 11.705/08.
Esta não foi, aliás, a mais recente alteração do Conselho Nacional de
Trânsito, que, em 2013, passou a contemplar um representante do
Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, e um
representante da Agência Nacional de Transporte Terrestre (ANTT),
conforme Lei n. 12.865/13.
CTB, art. 10 - O Conselho Nacional de Trânsito (Contran), com sede no
Distrito Federal e presidido pelo dirigente do órgão máximo executivo de
trânsito da União, tem a seguinte composição:
I -; II - (VETADO);
III - um representante do Ministério da Ciência e Tecnologia;
IV - um representante do Ministério da Educação e do Desporto;
V - um representante do Ministério do Exército;
VI - um representante do Ministério do Meio Ambiente e da Amazônia
Legal;
VII - um representante do Ministério dos Transportes;
VIII -; IX -; X -; XI -; XII -; XIII -; XIV -; XV -; XVI -; XVII -; XVIII -; XIX - (VETADO);
XX - um representante do ministério ou órgão coordenador máximo do
Sistema Nacional de Trânsito;
XXI - (VETADO);
XXII - um representante do Ministério da Saúde.
XXIII - um representante do Ministério da Justiça.
XXIII -1 (um) representante do Ministério da Justiça.
XXIV -1 (um) representante do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e
Comércio Exterior;
XXV -1 (um) representante da Agência Nacional de Transportes Terrestres
(ANTT).
§ 1°; § 2°; § 3° (VETADO)
Art. 10, CTB
No Projeto de Lei original, o Código de Trânsito apresentava, em seu artigo
10, uma composição muito mais ampla para o Conselho Nacional de
Trânsito, com a indicação de 23 (vinte e três) pessoas, de 21 representações
diferentes (a entidade máxima representativa dos órgãos e entidades
executivos de trânsito dos Municípios teria direito a 3 cadeiras), envolvendo
órgãos públicos e entidades sociais.
Entretanto, o veto presidencial a este dispositivo legal retirou todas as
indicações que não eram afetas aos Ministérios, deixando o Contran com
um total de 6 (seis) integrantes, o que foi ampliado para 7 (sete), com a
inclusão do inciso XXII (representante do Ministério da Saúde), pela Lei n.
9.602/98.
Quanto à participação de membros da sociedade, foram apresentadas as
seguintes razões para o veto: “A indispensável participação de todos os
setores organizados da sociedade civil, que de alguma forma se vinculam às
questões de trânsito, dar-se-á por intermédio da participação em foros
apropriados, constituídos pelo CONTRAN, no âmbito das Câmaras
Temáticas”.
Segundo a redação do artigo 10, os componentes do Conselho deveriam ser
representantes dos Ministérios indicados; entretanto o Governo federal,
mediante o Decreto n. 2.327/97, nomeou os próprios Ministros para
comporem o Conselho, sob o argumento de que havia a necessidade de um
alto nível para formulação da política e dos programas estratégicos afetos
à matéria.
Desta forma, durante os primeiros cinco anos de vigência do CTB, ao
contrário do constante no artigo 10, o Conselho Nacional de Trânsito foi
presidido diretamente pelo Ministro da Justiça (em vez de ter esta posição
ocupada pelo dirigente do órgão máximo executivo de trânsito da União,
ou seja, Diretor do Denatran).
Tal situação somente foi alterada em 2003, quando o ato normativo
mencionado foi revogado pelo Decreto n. 4.711/03, que transferiu a
coordenação do Sistema Nacional de Trânsito, do Ministério da Justiça para
o das Cidades, além de transferir as vagas dos Ministérios, dos titulares para
representantes indicados, e possibilitar a presidência pelo Diretor do
Denatran.
Com a retirada dos ministros da composição do Contran, decidiu-se, então,
criar a Câmara Interministerial de Trânsito, por meio do Decreto n.
4.710/03, composta justamente pelos titulares dos Ministérios, com a
competência de harmonizar e compatibilizar políticas e orçamentos que
interfiram ou repercutam na Política Nacional de Trânsito.
As outras duas alterações no artigo 10 ocorreram em 2008, com a inclusão
do inciso XXIII (Lei n. 11.705/08), para que o Ministério da Justiça voltasse
a ter um representante na composição do Contran, tendo em vista a sua
retirada, em 2003, por conta da mudança do ministério coordenador
máximo do Sistema Nacional de Trânsito (representatividade do inciso XX,
que havia passado, automaticamente, para o Ministério das Cidades) e,
finalmente, em 2003, com a inclusão dos incisos XXIV e XXV (Lei n.
12.865/13), para abrigar o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e
Comércio Exterior e a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).
CTB, art. 12 - Compete ao CONTRAN:
I - estabelecer as normas regulamentares referidas neste Código e as
diretrizes da Política Nacional de Trânsito;
II - coordenar os órgãos do Sistema Nacional de Trânsito, objetivando
a integração de suas atividades;
III - (VETADO)
IV - criar Câmaras Temáticas;
V - estabelecer seu regimento interno e as diretrizes para o
funcionamento dos CETRAN e CONTRANDIFE;
VI - estabelecer as diretrizes do regimento das JARI;
VII - zelar pela uniformidade e cumprimento das normas contidas neste
Código e nas resoluções complementares;
VIII - estabelecer e normatizar os procedimentos para a imposição, a
arrecadação e a compensação das multas por infrações cometidas em
unidade da Federação diferente da do licenciamento do veículo;
IX - responder às consultas que lhe forem formuladas, relativas à
aplicação da legislação de trânsito;
X - normatizar os procedimentos sobre a aprendizagem, habilitação,
expedição de documentos de condutores, e registro e licenciamento de
veículos;
XI - aprovar, complementar ou alterar os dispositivos de sinalização e os
dispositivos e equipamentos de trânsito;
XII - apreciar os recursos interpostos contra as decisões das instâncias
inferiores, na forma deste Código;
XIII - avocar, para análise e soluções, processos sobre conflitos de
competência ou circunscrição, ou, uando necessário, unificar as decisões
administrativas; e
XIV - dirimir conflitos sobre circunscrição e competência de trânsito no
âmbito da União, dos Estados e do Distrito Federal.
Art. 12, CTB
O Conselho Nacional de Trânsito - CONTRAN é descrito no artigo 7° do CTB
como coordenador do Sistema Nacional de Trânsito e órgão máximo
normativo e consultivo, sendo vinculado atualmente ao Ministério das
Cidades, nos termos do artigo 9° do CTB e Decreto federal n. 4.711/03.
Desta forma, podemos priorizar, no artigo 12, os incisos que se referem às
três funções principais:
Inciso II: Coordenação do Sistema - embora não haja uma subordinação
entre o CONTRAN e os demais órgãos e entidades componentes do Sistema
Nacional de Trânsito, dada a autonomia administrativa dos entes
federados, há que se destacar a importância de uma atividade
coordenadora, a fim de se integrar as atividades desenvolvidas e padronizar
a atuação na área de trânsito, proporcionando-se harmonia e equilíbrio
entre os órgãos de trânsito;
Inciso III: Elaboração de Normas - o artigo 314 do CTB determinou um prazo
de duzentos e quarenta dias, a contar da data de publicação do Código
(23/09/97), para que fossem expedidas as Resoluções necessárias à sua
melhor execução, bem como revisadas todas as Resoluções anteriores,
dando prioridade àquelas que visam a diminuir o número de ocorrências de
trânsito; embora até maio de 2016, já tenham sido expedidas 611
Resoluções, o fato é que alguns artigos do CTB ainda não foram
regulamentados (como o vestuário de proteção de motociclistas,
mencionado nos artigos 54 e 244), bem como não houve uma revisão
formal das Resoluções antigas, continuando a valer apenas pela análise de
compatibilidade com a redação do atual Código (conforme prevê o
parágrafo único do artigo 314). O inciso I também prevê a necessidade de
que o CONTRAN estabelecesse as diretrizes da Política Nacional de Trânsito,
as quais foram fixadas pela Resolução do CONTRAN n. 514/15;
Inciso IX: Respostas às consultas sobre aplicação da Legislação de Trânsito -
tal atribuição é mencionada, ainda, nos artigos 72 e 73 do CTB, que tratam
do cidadão e preveem a possibilidade de que qualquer pessoa se dirija aos
órgãos de trânsito, mediante solicitação por escrito, para pleitear
sinalização, fiscalização, implantação de equipamentos de segurança,
alterações de normas ou outros assuntos pertinentes ao Código.
Dentre as demais atribuições elencadas no artigo 12 do CTB, cabe destacar
aquelas que foram objeto de regulamentação específica:
■ Estabelecer diretrizes para funcionamento dos CETRAN e
CONTRANDIFE (inciso V) - Resolução do CONTRAN n. 244/07;
■ Estabelecer diretrizes do regimento das JARI (inciso VI) - Resolução
do CONTRAN n. 357/10;
■ Estabelecer procedimentos para aplicação de multas a veículos de
outros Estados (inciso VIII) -Resolução do CONTRAN n. 155/04 (criou o
RENAINF);
■ Normatizar procedimentos sobre habilitação de condutores (inciso X)
- Resolução do CONTRAN n° 168/04;
■ Aprovar, complementar ou alterar os dispositivos de sinalização e os
dispositivos e equipamentos de trânsito (inciso XI) - Resoluções do
CONTRAN n. 160/04, 180/05, 236/07, 243/07, 348/10, 483/14 e 486/14;
■ Dirimir conflitos sobre circunscrição e competência dos órgãos de
trânsito (inciso XIV) - Resolução do CONTRAN n. 289/08 (atuação do DNIT e
DPRF).
■ Por fim, merece realce o inciso XII, que trata da apreciação de
recursos contra as decisões das instâncias inferiores - tal possibilidade
somente existe no caso de recursos em segunda instância contra a
penalidade de multa, em infrações de natureza gravíssima, aplicada em
rodovias federais (interpretação mais acertada do artigo 289, inciso I).
CTB, art. 13 - As Câmaras Temáticas, órgãos técnicos vinculados ao
CONTRAN, são integradas por especialistas e têm como objetivo estudar e
oferecer sugestões e embasamento técnico sobre assuntos específicos para
decisões daquele colegiado.
§ 1° Cada Câmara é constituída por especialistas representantes de órgãos
e entidades executivos da União, dos Estados, ou do Distrito Federal e dos
Municípios, em igual número, pertencentes ao Sistema Nacional de
Trânsito, além de especialistas representantes dos diversos segmentos da
sociedade relacionados com o trânsito, todos indicados segundo regimento
específico definido pelo CONTRAN e designados pelo ministro ou dirigente
coordenador máximo do Sistema Nacional de Trânsito.
§ 2° Os segmentos da sociedade, relacionados no parágrafo anterior, serão
representados por pessoa jurídica e devem atender aos requisitos
estabelecidos pelo CONTRAN.
§ 3° Os coordenadores das Câmaras Temáticas serão eleitos pelos
respectivos membros.
§4°; I -; II -; III -; IV - (VETADO)
Art. 13, CTB
As Câmaras Temáticas são órgãos técnicos de assessoramento, que foram
criados para possibilitar a participação de especialistas da sociedade, em
conjunto com os profissionais do Sistema Nacional de Trânsito, na
formulação das normas a serem editadas pelo Conselho Nacional de
Trânsito. Assim, os seus integrantes, divididos por temas, possuem a
incumbência de estudar, debater e oferecer sugestões e embasamentos
técnicos para as decisões do CONTRAN.
Inicialmente, o artigo 13 previa, em seu § 4°, a criação de 4 Câmaras
Temáticas, que enfocavam as áreas de Educação; Operação, Fiscalização e
Policiamento; Engenharia; e Medicina de Tráfego; todavia, esta previsão foi
vetada, com o argumento de que caberia ao próprio Contran, de acordo
com as suas necessidades, estabelecer as Câmaras que deveriam ser criadas
para o bom funcionamento do Sistema Nacional de Trânsito.
Desta forma, existem, atualmente, 6 (seis) Câmaras Temáticas, previstas
expressamente no Regimento Interno aprovado pela Resolução do Contran
n. 586/16. São elas: I - de Assuntos Veiculares; II - de Educação para o
Trânsito e Cidadania; III - de Engenharia de Tráfego, da Sinalização e da Via;
IV - Esforço Legal: infrações, penalidades, crimes de trânsito, policiamento
e fiscalização de trânsito; V - de Formação e Habilitação de Condutores; e
VI - de Saúde e Meio Ambiente no Trânsito.
Cada Câmara é composta por 19 membros titulares e 19 suplentes, sendo
alguns representantes dos órgãos e entidades do Sistema Nacional de
Trânsito (no âmbito federal, estadual e municipal) e outros de segmentos
organizados da sociedade atuantes no trânsito, especialistas ou de notório
saber.
O mandato tem a duração de dois anos, admitidas reconduções, sendo o
serviço considerado, para todos os efeitos, como de interesse público e
relevante valor social (portanto, não remunerado, ficando, em regra, a
cargo de cada pessoa jurídica - órgão, entidade ou instituição, custear a
participação de seus representantes).
CTB, art. 14 - Compete aos Conselhos Estaduais de Trânsito - CETRAN e ao
Conselho de Trânsito do Distrito Federal - CONTRANDIFE:
I - cumprir e fazer cumprir a legislação e as normas de trânsito, no
âmbito das respectivas atribuições;
II - elaborar normas no âmbito das respectivas competências;
III - responder a consultas relativas à aplicação da legislação e dos
procedimentos normativos de trânsito;
IV - estimular e orientar a execução de campanhas educativas de
trânsito;
V - julgar os recursos interpostos contra decisões:
a) das JARI;
b) dos órgãos e entidades executivos estaduais, nos casos de inaptidão
permanente constatados nos exames de aptidão física, mental ou
psicológica;
VI - indicar um representante para compor a comissão examinadora de
candidatos portadores de deficiência física à habilitação para conduzir
veículos automotores;
VII - (VETADO)
VIII - acompanhar e coordenar as atividades de administração, educação,
engenharia, fiscalização, policiamento ostensivo de trânsito, formação de
condutores, registro e licenciamento de veículos, articulando os órgãos do
Sistema no Estado, reportando-se ao CONTRAN;
IX - dirimir conflitos sobre circunscrição e competência de trânsito no
âmbito dos Municípios; e
X - informar o CONTRAN sobre o cumprimento das exigências definidas
nos §§ 1° e 2° do art. 333.
XI - designar, em caso de recursos deferidos e na hipótese de
reavaliação dos exames, junta especial de saúde para examinar os
candidatos à habilitação para conduzir veículos automotores. (Incluído pela
Lei n° 9.602, de 1998)
Parágrafo único. Dos casos previstos no inciso V, julgados pelo órgão, não
cabe recurso na esfera administrativa.
Art. 14, CTB
As atribuições determinadas, pelo artigo 14, aos Conselhos Estaduais de
Trânsito - CETRAN (e, no caso do Distrito Federal, ao CONTRANDIFE), são
relacionadas ao seu papel no Sistema Nacional de Trânsito, conforme artigo
7°, II:
■ Tratam-se de órgãos normativos(competências dos incisos I e II);
■ Consultivos (inciso III); e
■ Coordenadores (incisos IV, VIII, IX e X), no âmbito das respectivas
Unidades Federativas.
Na esfera de atuação, como órgão coordenador, compete ao CETRAN,
também, a participação no processo de integração dos Municípios ao
Sistema Nacional de Trânsito, recebendo a documentação inicial para
criação do órgão ou entidade municipal de trânsito, realizando a inspeção
técnica, com suporte dos órgãos do Sistema Nacional de Trânsito, para
avaliação in loco das condições de integração do Município e certificando
ao DENATRAN, para que se promova a “municipalização do trânsito”,
conforme Resolução do CONTRAN n. 560/15.
Além destas três atividades principais, tais Conselhos também atuam como
órgãos recursais (para os processos administrativos de trânsito) e
revisionais (no processo de habilitação).
Como órgãos recursais, os Conselhos Estaduais de Trânsito são
responsáveis pelo julgamento, em segunda (e última) instância
administrativa, dos recursos interpostos contra as decisões de primeira
instância (JARI), em todas as penalidades aplicadas por órgãos e entidades
executivos de trânsito e rodoviários dos Estados e dos Municípios
(portanto, somente não julgam os recursos contra multas impostas em
rodovias federais, nos termos do artigo 289 do CTB). Após a análise do
recurso pelo CETRAN, não caberá mais recurso na esfera administrativa,
momento em que as penalidades devem ser cadastradas no RENACH,
conforme o parágrafo único do artigo 14, ratificado pelo parágrafo único do
artigo 290.
No processo de habilitação, o Conselho Estadual possui competência
revisional para: avaliar decisões dos órgãos estaduais (DETRAN), nos casos
de inaptidão permanente constatados nos exames de aptidão física, mental
ou psicológica (inciso V, b); indicar um representante para compor a
comissão examinadora de candidatos portadores de deficiência física à
habilitação para conduzir veículos automotores (inciso VI); e designar, em
caso de recursos deferidos e na hipótese de reavaliação dos exames, junta
especial de saúde para examinar os candidatos à habilitação para conduzir
veículos automotores (inciso XI).
Os Conselhos Estaduais de Trânsito são órgãos colegiados, formados por
representantes de diversos órgãos e entidades. Sua composição e
funcionamento dependerão do previsto em cada Regimento interno, cujas
diretrizes foram dispostas pelo Conselho Nacional de Trânsito, por meio da
Resolução n. 244/07
CTB, art. 15 - Os presidentes dos CETRAN e do CONTRANDIFE são nomeados
pelos Governadores dos Estados e do Distrito Federal, respectivamente, e
deverão ter reconhecida experiência em matéria de trânsito.
§ 1° Os membros dos CETRAN e do CONTRANDIFE são nomeados pelos
Governadores dos Estados e do Distrito Federal, respectivamente.
§ 2° Os membros do CETRAN e do CONTRANDIFE deverão ser pessoas de
reconhecida experiência em trânsito.
§ 3° O mandato dos membros do CETRAN e do CONTRANDIFE é de dois
anos, admitida a recondução.
Art. 15, CTB
De acordo com o artigo 15, os Conselhos Estaduais de Trânsito e do
Conselho de Trânsito do Distrito Federal devem ser compostos apenas por
pessoas com reconhecida experiência em matéria de trânsito, dependendo
de nomeação dos respectivos Governadores, para um mandato de dois
anos, admitida a recondução (tais regras se aplicam indistintamente aos
Presidentes e demais membros dos Conselhos).
As demais regras para a composição e funcionamento dos CETRAN's e
CONTRANDIFE devem constar dos seus Regimentos internos, o qual deve
atender às diretrizes para o seu estabelecimento, previstas na Resolução do
Conselho Nacional de Trânsito n. 244/08.
A composição mínima é de um Presidente e 13 membros, sendo:
I. Facultada a suplência;
II. Obrigatória a representação, em igual número, de representantes da
esfera do poder executivo estadual, dos órgãos ou entidades executivos e
rodoviários municipais integrados ao Sistema Nacional de Trânsito e de
entidades representativas da sociedade ligadas à área de trânsito;
III. Além dos representantes previstos no item anterior, um integrante
com notório saber na área de trânsito, com nível superior, e três membros,
um de cada área específica, medicina, psicologia e meio ambiente, com
conhecimento na área de trânsito.
Os representares da esfera do poder executivo estadual devem pertencer
ao órgão executivo de trânsito (DETRAN), ao órgão executivo rodoviário
(DER ou equivalente), e à Polícia Militar.
Os representantes dos órgãos ou entidades executivos e rodoviários
municipais devem ser:
■ Da capital do Estado;
■ Do município com maior população (exceto se for a própria capital);
■ Do município com população acima de 500 mil habitantes, exceto se
já contemplado nos itens anteriores;
■ Do município com população entre 100 mil e 500 mil habitantes,
exceto se já contemplado; e
■ Do município com população entre 30 mil e 100 mil habitantes,
exceto se já contemplado.
Os representantes de entidades representativas da sociedade ligadas à área
de trânsito devem ser de: sindicato patronal; sindicato dos trabalhadores;
e entidades não governamentais ligadas à área de trânsito.
CTB, art. 16 - Junto a cada órgão ou entidade executivos de trânsito ou
rodoviário funcionarão Juntas Administrativas de Recursos de Infrações -
JARI, órgãos colegiados responsáveis pelo julgamento dos recursos
interpostos contra penalidades por eles impostas.
Parágrafo único. As JARI têm regimento próprio, observado o disposto no
inciso VI do art. 12, e apoio administrativo e financeiro do órgão ou
entidade junto ao qual funcionem.
Art. 16, CTB
As Juntas Administrativas de Recursos de Infrações - JARI integram o
Sistema Nacional de Trânsito, nas três esferas de governo (União, Estados
e Municípios), pois devem existir junto a todos os órgãos e entidades
executivos de trânsito e rodoviários, responsáveis pela aplicação de
penalidades por infrações de trânsito.
Os artigos 16 e 17 preveem a sua criação e competências, sendo que o
artigo 18 estabeleceria a sua forma de composição, o que foi vetado pelo
Presidente da República sob o argumento de que cada ente federativo
possui autonomia para criação de suas Juntas Recursais; por este motivo,
as regras de funcionamento destes órgãos devem constar de Regimento
próprio (mencionado pelo parágrafo único do artigo 16), obedecendo-se às
Diretrizes estabelecidas pelo Conselho Nacional de Trânsito, atualmente
constantes da Resolução n. 357/10, a qual prevê regras básicas a serem
atendidas, como composição mínima, impedimentos, nomeação, duração
do mandato, funcionamento e deveres.
A definição de "órgãos colegiados" decorre do fato de serem compostos por
pessoas de diferentes representações, o que não significa, entretanto, que
cada componente deve julgar para satisfazer o interesse do setor que
representa; tais julgadores possuem liberdade de convicção e, apesar de
terem sido indicados por determinada representação, devem analisar com
isenção e imparcialidade, a fim de garantir a aplicação justa das penalidades
previstas na lei, àqueles que descumprirem os preceitos do Código de
Trânsito.
Para que se garanta esta imparcialidade, não há uma subordinação da JARI
ao órgão ou entidade executivo de trânsito ou rodoviário, mas uma mera
vinculação, sendo, inclusive, obrigatório que o órgão aplicador da
penalidade a ser recorrida dê o devido apoio técnico, administrativo e
financeiro à JARI, de forma a garantir o seu pleno funcionamento (parágrafo
único do artigo 16 do CTB e item 9.2. do Anexo à Resolução n. 357/10).
Se a decisão da JARI for desfavorável ao órgão de trânsito ao qual está
vinculada, cancelando-se a penalidade aplicada, caberá recurso da
autoridade de trânsito ao órgão recursal de segunda instância, de acordo
com o artigo 288 do CTB.
CTB, art. 17 - Compete às JARI:
I - julgar os recursos interpostos pelos infratores;
II - solicitar aos órgãos e entidades executivos de trânsito e executivos
rodoviários informações complementares relativas aos recursos,
objetivando uma melhor análise da situação recorrida;
III - encaminhar aos órgãos e entidades executivos de trânsito e
executivos rodoviários informações sobre problemas observados nas
autuações e apontados em recursos, e que se repitam sistematicamente.
Art. 17, CTB
As Juntas Administrativas de Recursos de Infrações estão previstas no artigo
16, como órgãos colegiados responsáveis pelo julgamento de recursos
interpostos contra as penalidades aplicadas pelos órgãos e entidades
executivos de trânsito e rodoviários; logo, esta é, basicamente, sua única
competência legal, sendo suficiente a previsão do inciso I do artigo 17.
Os incisos II e III, na verdade, não descrevem competências, no sentido de
“atribuições a serem desempenhadas por estes órgãos”; são, quando
muito, providências complementares que podem ser adotadas pelas Juntas
de Recursos, a fim de viabilizar a realização de sua missão principal.
É muito comum, por exemplo, que o julgador necessite de informações
adicionais, para julgar adequadamente cada caso, frente às alegações
recursais; podemos citar, entre outros, os casos em que o condutor
argumenta que o local da infração não estava adequadamente sinalizado
ou que o agente de trânsito agiu com desvio de poder; nestas situações,
cabe ao relator do processo solicitar ao órgão que impôs a multa, nos
termos do inciso II do artigo 17, esclarecimentos que objetivem uma melhor
análise da situação recorrida.
Além disso, cabe acrescentar que a Resolução do Conselho Nacional de
Trânsito n° 299/08, que versa sobre a padronização de procedimentos para
apresentação de recursos, prevê a necessidade de se suprir eventual
ausência de informação ou documento, no julgamento do recurso (artigo
10), bem como a possibilidade de solicitação de documentos ou provas
admitidas em direito, para o próprio requerente (artigo 9).
O inciso III do artigo 17 prevê outra característica do trabalho da JARI, que
podemos classificar, ao mesmo tempo, como de correição e apoio ao
trabalho desenvolvido pela fiscalização de trânsito, de modo a demonstrar
erros comuns cometidos pelos próprios agentes de trânsito, sinalização
irregular ou equívocos na aplicação da legislação de trânsito, para que o
órgão tenha condições de adequar os procedimentos adotados, evitando-
se, assim, que se cancelem multas por problemas que podem ser sanados
pelo órgão público.
CTB, art. 19 - Compete ao órgão máximo executivo de trânsito da União:
I - cumprir e fazer cumprir a legislação de trânsito e a execução das
normas e diretrizes estabelecidas pelo CONTRAN, no âmbito de suas
atribuições;
II - proceder à supervisão, à coordenação, à correição dos órgãos
delegados, ao controle e à fiscalização da execução da Política Nacional de
Trânsito e do Programa Nacional de Trânsito;
III - articular-se com os órgãos dos Sistemas Nacionais de Trânsito, de
Transporte e de Segurança Pública, objetivando o combate à violência no
trânsito, promovendo, coordenando e executando o controle de ações para
a preservação do ordenamento e da segurança do trânsito;
IV - apurar, prevenir e reprimir a prática de atos de improbidade contra
a fé pública, o patrimônio, ou a administração pública ou privada,
referentes à segurança do trânsito;
V - supervisionar a implantação de projetos e programas relacionados
com a engenharia, educação, administração, policiamento e fiscalização do
trânsito e outros, visando à uniformidade de procedimento;
VI - estabelecer procedimentos sobre a aprendizagem e habilitação de
condutores de veículos, a expedição de documentos de condutores, de
registro e licenciamento de veículos;
VII - expedir a Permissão para Dirigir, a Carteira Nacional de Habilitação,
os Certificados de Registro e o de Licenciamento Anual mediante delegação
aos órgãos executivos dos Estados e do Distrito Federal;
VIII - organizar e manter o Registro Nacional de Carteiras de Habilitação
- RENACH;
IX - organizar e manter o Registro Nacional de Veículos Automotores -
RENAVAM;
X - organizar a estatística geral de trânsito no território nacional,
definindo os dados a serem fornecidos pelos demais órgãos e promover sua
divulgação;
XI - estabelecer modelo padrão de coleta de informações sobre as
ocorrências de acidentes de trânsito e as estatísticas do trânsito;
XII - administrar fundo de âmbito nacional destinado à segurança e à
educação de trânsito;
XIII - coordenar a administração da arrecadação de multas por infrações
ocorridas em localidade diferente daquela da habilitação do condutor
infrator e em unidade da Federação diferente daquela do licenciamento do
veículo;
XIV - fornecer aos órgãos e entidades do Sistema Nacional de Trânsito
informações sobre registros de veículos e de condutores, mantendo o fluxo
permanente de informações com os demais órgãos do Sistema;
XV - promover, em conjunto com os órgãos competentes do Ministério
da Educação e do Desporto, de acordo com as diretrizes do CONTRAN, a
elaboração e a implementação de programas de educação de trânsito nos
estabelecimentos de ensino;
XVI - elaborar e distribuir conteúdos programáticos para a educação de
trânsito;
XVII - promover a divulgação de trabalhos técnicos sobre o trânsito;
XVIII - elaborar, juntamente com os demais órgãos e entidades do Sistema
Nacional de Trânsito, e submeter à aprovação do CONTRAN, a
complementação ou alteração da sinalização e dos dispositivos e
equipamentos de trânsito;
XIX - organizar, elaborar, complementar e alterar os manuais e normas
de projetos de implementação da sinalização, dos dispositivos e
equipamentos de trânsito aprovados pelo CONTRAN;
XX - expedir a permissão internacional para conduzir veículo e o
certificado de passagem nas alfândegas, mediante delegação aos órgãos
executivos dos Estados e do Distrito Federal;
XX - expedir a permissão internacional para conduzir veículo e o
certificado de passagem nas alfândegas mediante delegação aos órgãos
executivos dos Estados e do Distrito Federal ou a entidade habilitada para
esse fim pelo poder público federal; (Redação dada pela lei n° 13.258, de
2016)
XXI - promover a realização periódica de reuniões regionais e congressos
nacionais de trânsito, bem como propor a representação do Brasil em
congressos ou reuniões internacionais;
XXII - propor acordos de cooperação com organismos internacionais, com
vistas ao aperfeiçoamento das ações inerentes à segurança e educação de
trânsito;
XXIII - elaborar projetos e programas de formação, treinamento e
especialização do pessoal encarregado da execução das atividades de
engenharia, educação, policiamento ostensivo, fiscalização, operação e
administração de trânsito, propondo medidas que estimulem a pesquisa
científica e o ensino técnico-profissional de interesse do trânsito, e
promovendo a sua realização;
XXIV - opinar sobre assuntos relacionados ao trânsito interestadual e
internacional;
XXV - elaborar e submeter à aprovação do CONTRAN as normas e
requisitos de segurança veicular para fabricação e montagem de veículos,
consoante sua destinação;
XXVI - estabelecer procedimentos para a concessão do código marca-
modelo dos veículos para efeito de registro, emplacamento e
licenciamento;
XXVII - instruir os recursos interpostos das decisões do CONTRAN, ao
ministro ou dirigente coordenador máximo do Sistema Nacional de
Trânsito;
XXVIII - estudar os casos omissos na legislação de trânsito e submetê-los,
com proposta de solução, ao Ministério ou órgão coordenador máximo do
Sistema Nacional de Trânsito;
XXIX - prestar suporte técnico, jurídico, administrativo e financeiro ao
CONTRAN.
§ 1° Comprovada, por meio de sindicância, a deficiência técnica ou
administrativa ou a prática constante de atos de improbidade contra a fé
pública, contra o patrimônio ou contra a administração pública, o órgão
executivo de trânsito da União, mediante aprovação do CONTRAN,
assumirá diretamente ou por delegação, a execução total ou parcial das
atividades do órgão executivo de trânsito estadual que tenha motivado a
investigação, até que as irregularidades sejam sanadas.
§ 2° O regimento interno do órgão executivo de trânsito da União disporá
sobre sua estrutura organizacional e seu funcionamento.
§ 3° Os órgãos e entidades executivos de trânsito e executivos rodoviários
da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios fornecerão,
obrigatoriamente, mês a mês, os dados estatísticos para os fins previstos
no inciso X.
Art. 19, CTB
O artigo 19 estabelece as competências do órgão máximo executivo de
trânsito da União, função que é acometida ao Departamento Nacional de
Trânsito - Denatran, órgão da Administração pública federal, subordinado
ao Ministério das Cidades, de acordo com o artigo 4°, § 1°, do Decreto
federal n. 4.665/03, que aprova a Estrutura regimental daquele Ministério.
Interessante notar que, antes de 2003, ano de criação do Ministério das
Cidades, quando o Ministério da Justiça é que possuía a responsabilidade
pela coordenação máxima do Sistema Nacional de Trânsito, a legislação
federal então existente atribuía as funções de órgão máximo executivo de
trânsito da União diretamente ao Ministério, em vez do Denatran (artigo 1°
do Decreto n° 2.327/97).
Além das missões elencadas no artigo 19, a atuação do Denatran encontra
também respaldo legal na Portaria do Ministério das Cidades n. 400/05, que
aprova o Regimento interno do Departamento Nacional de Trânsito.
Existe uma relação, muitas vezes confusa, entre CONTRAN (órgão
normativo) e DENATRAN (executivo), cujas atribuições são determinadas,
respectivamente, nos artigos 12 e 19; é possível simplificar a distinção entre
tais órgãos, com a explicação de que, enquanto cabe ao CONTRAN fixar as
normas complementares à legislação de trânsito, compete ao DENATRAN,
efetivamente, colocá-las em prática, mediante supervisão, coordenação e,
por vezes, delegação aos órgãos existentes nas Unidades da Federação; o
DENATRAN existe fisicamente e possui uma estrutura regimental; por outro
lado, o CONTRAN trata-se de um Colegiado, uma reunião de representantes
de diversos Ministérios (nos termos do artigo 10), sob a presidência
justamente do dirigente do DENATRAN (o próprio inciso XXIX prevê que
cabe ao DENATRAN prestar suporte técnico, jurídico, administrativo e
financeiro ao CONTRAN).
Merece destaque uma curiosidade sobre o RENACH, organizado e mantido
pelo DENATRAN, conforme inciso VIII: enquanto o significado da sigla é
dado, pelo artigo 19, como sendo Registro Nacional de Carteiras de
Habilitação, o Anexo I do CTB, contrariamente, define RENACH como
Registro Nacional de Condutores Habilitados.
Por fim, cabe consignar que, desde 2005, tramitava, no Congresso Nacional,
o Projeto de Lei n. 5.453/05, de iniciativa do Poder Executivo, para
transformar o Departamento Nacional de Trânsito em autarquia;
entretanto, apesar de aprovado na Câmara dos Deputados, tramitou no
Senado, sob o número PLC 17/07, e foi arquivado em 19/03/15, ao final da
54^ Legislatura, não tendo sido desarquivado para prosseguimento.
CTB, art. 20 - Compete à Polícia Rodoviária Federal, no âmbito das rodovias
e estradas federais:
I - cumprir e fazer cumprir a legislação e as normas de trânsito, no
âmbito de suas atribuições;
II - realizar o patrulhamento ostensivo, executando operações
relacionadas com a segurança pública, com o objetivo de preservar a
ordem, incolumidade das pessoas, o patrimônio da União e o de terceiros;
III - aplicar e arrecadar as multas impostas por infrações de trânsito, as
medidas administrativas decorrentes e os valores provenientes de estada e
remoção de veículos, objetos, animais e escolta de veículos de cargas
superdimensionadas ou perigosas;
IV - efetuar levantamento dos locais de acidentes de trânsito e dos
serviços de atendimento, socorro e salvamento de vítimas;
V - credenciar os serviços de escolta, fiscalizar e adotar medidas de
segurança relativas aos serviços de remoção de veículos, escolta e
transporte de carga indivisível;
VI - assegurar a livre circulação nas rodovias federais, podendo solicitar
ao órgão rodoviário a adoção de medidas emergenciais, e zelar pelo
cumprimento das normas legais relativas ao direito de vizinhança,
promovendo a interdição de construções e instalações não autorizadas;
VII - coletar dados estatísticos e elaborar estudos sobre acidentes de
trânsito e suas causas, adotando ou indicando medidas operacionais
preventivas e encaminhando-os ao órgão rodoviário federal;
VIII - implementar as medidas da Política Nacional de Segurança e
Educação de Trânsito;
IX - promover e participar de projetos e programas de educação e
segurança, de acordo com as diretrizes estabelecidas pelo CONTRAN;
X - integrar-se a outros órgãos e entidades do Sistema Nacional de
Trânsito para fins de arrecadação e compensação de multas impostas na
área de sua competência, com vistas à unificação do licenciamento, à
simplificação e à celeridade das transferências de veículos e de prontuários
de condutores de uma para outra unidade da Federação;
XI - fiscalizar o nível de emissão de poluentes e ruído produzidos pelos
veículos automotores ou pela sua carga, de acordo com o estabelecido no
art. 66, além de dar apoio, quando solicitado, às ações específicas dos
órgãos ambientais.
Art. 20, CTB
A Polícia Rodoviária Federal, criada em 1928 com a denominação de “Polícia
de Estradas”, integra, desde 1998, o conjunto de órgãos responsáveis pela
Segurança Pública no Brasil, sendo prevista, pelo artigo 144, § 2°, da
Constituição Federal, como “órgão permanente, organizado e mantido pela
União e estruturado em carreira, destinado, na forma da lei, ao
patrulhamento ostensivo das rodovias federais”.
O Código de Trânsito Brasileiro inclui a Polícia Rodoviária Federal no
Sistema Nacional de Trânsito, no artigo 7°, inciso V, e define a palavra
patrulhamento, como a função exercida pela Polícia Rodoviária Federal
com o objetivo de garantir obediência às normas de trânsito, assegurando
a livre circulação e evitando acidentes (Anexo I).
Em 1991, passou a integrar a estrutura regimental do Ministério da Justiça
(Decreto n° 11/91) e suas competências estão descritas tanto no artigo 20
do CTB, quanto no Decreto n° 1.655/95. Além das atribuições relacionadas
ao trânsito (as quais se repetem em ambas as normas), o Decreto
mencionado faz referência mais expressa à atuação policial do órgão,
voltada à segurança das rodovias, como se verifica nos incisos IX e X do seu
artigo 1°, respectivamente: “efetuar a fiscalização e o controle do tráfico de
menores nas rodovias federais, adotando as providências cabíveis contidas
na Lei n° 8.069 de 13 de junho de 1990 (Estatuto da Criança e do
Adolescente)” e “colaborar e atuar na prevenção e repressão aos crimes
contra a vida, os costumes, o patrimônio, a ecologia, o meio ambiente, os
furtos e roubos de veículos e bens, o tráfico de entorpecentes e drogas
afins, o contrabando, o descaminho e os demais crimes previstos em leis”.
Dentre as competências estabelecidas no artigo 20, destaca-se o inciso III,
que prevê a aplicação das multas de trânsito, por infrações constatadas no
âmbito de sua circunscrição, o que distingue sua atuação das Polícias
Militares dos Estados e do Distrito Federal (incluindo as Polícias Rodoviárias
Estaduais), as quais, por serem agentes de trânsito (artigo 23, III), apenas
lavram os autos de infrações, para que o órgão ou entidade executivo de
trânsito ou rodoviário conveniado promova a imposição da sanção
administrativa cabível.
A fiscalização de trânsito relativa ao excesso de peso e de velocidade ainda
é exercida em conjunto com o Departamento Nacional de Infraestrutura de
Transportes - DNIT, órgão executivo rodoviário da União, nos termos da
Resolução do Conselho Nacional de Trânsito n° 289/08.
CTB, art. 21 - Compete aos órgãos e entidades executivos rodoviários da
União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, no âmbito de sua
circunscrição:
I - cumprir e fazer cumprir a legislação e as normas de trânsito, no
âmbito de suas atribuições;
II - planejar, projetar, regulamentar e operar o trânsito de veículos, de
pedestres e de animais, e promover o desenvolvimento da circulação e da
segurança de ciclistas;
III - implantar, manter e operar o sistema de sinalização, os dispositivos
e os equipamentos de controle viário;
IV - coletar dados e elaborar estudos sobre os acidentes de trânsito e
suas causas;
V - estabelecer, em conjunto com os órgãos de policiamento ostensivo
de trânsito, as respectivas diretrizes para o policiamento ostensivo de
trânsito;
VI - executar a fiscalização de trânsito, autuar, aplicar as penalidades de
advertência, por escrito, e ainda as multas e medidas administrativas
cabíveis, notificando os infratores e arrecadando as multas que aplicar;
VII - arrecadar valores provenientes de estada e remoção de veículos e
objetos, e escolta de veículos de cargas superdimensionadas ou perigosas;
VIII - fiscalizar, autuar, aplicar as penalidades e medidas administrativas
cabíveis, relativas a infrações por excesso de peso, dimensões e lotação dos
veículos, bem como notificar e arrecadar as multas que aplicar;
IX - fiscalizar o cumprimento da norma contida no art. 95, aplicando as
penalidades e arrecadando as multas nele previstas;
X - implementar as medidas da Política Nacional de Trânsito e do
Programa Nacional de Trânsito;
XI - promover e participar de projetos e programas de educação e
segurança, de acordo com as diretrizes estabelecidas pelo CONTRAN;
XII - integrar-se a outros órgãos e entidades do Sistema Nacional de
Trânsito para fins de arrecadação e compensação de multas impostas na
área de sua competência, com vistas à unificação do licenciamento, à
simplificação e à celeridade das transferências de veículos e de prontuários
de condutores de uma para outra unidade da Federação;
XIII - fiscalizar o nível de emissão de poluentes e ruído produzidos pelos
veículos automotores ou pela sua carga, de acordo com o estabelecido no
art. 66, além de dar apoio às ações específicas dos órgãos ambientais locais,
quando solicitado;
XIV - vistoriar veículos que necessitem de autorização especial para
transitar e estabelecer os requisitos técnicos a serem observados para a
circulação desses veículos.
Parágrafo único. (VETADO)
Art. 21, CTB
O artigo 21 estabelece, de uma única vez, as competências dos órgãos
rodoviários das três esferas de governo: União, Estados e Municípios,
fazendo distinção apenas quanto à circunscrição, ou seja, área de atuação
territorial; isto significa que as atribuições constantes dos seus incisos
devem ser desempenhadas por qualquer órgão ou entidade criado para
atuar nas rodovias; se federais, órgão rodoviário da União; se estaduais,
órgão rodoviário da respectiva Unidade Federativa; se municipais, órgão
rodoviário da correspondente cidade em que se localiza. Tais órgãos e
entidades devem ser criados conforme as necessidades e peculiaridades
locais, respeitada a autonomia administrativa, nos termos do artigo 8° do
CTB.
Essa delimitação de competências difere do previsto para os órgãos e
entidades executivos de trânsito, os quais possuem atribuições próprias a
depender da sua esfera de atuação: as competências do órgão executivo de
trânsito da União (Denatran) encontram previsão no artigo 19; as dos
órgãos estaduais (Detrans) no artigo 22 e dos órgãos municipais no artigo
24.
A fiscalização de trânsito é um exemplo bem peculiar, pois, nas vias
urbanas, a legislação prevê divisão de competências entre os órgãos
estaduais e municipais, conforme o tipo de infração cometida (para o
Estado, infrações ligadas diretamente ao veículo e condutor; para o
Município, infrações relacionadas à circulação, estacionamento, parada,
peso, dimensões e lotação).
Esta divisão, constante dos artigos 22, V e 24, VI e VIII, encontra-se
detalhada, infração por infração, na Resolução do Conselho Nacional de
Trânsito n° 66/98, a qual, entretanto, não se aplica nas vias rurais (estradas
e rodovias), pelos seus próprios ‘considerandos', e pela previsão do inciso
VI do artigo 21, que atribui aos órgãos rodoviários, no limite de sua
circunscrição, a execução da fiscalização de trânsito, sem distinção de qual
o tipo de infração cabe a cada um.
Todavia, em relação às penalidades a serem aplicadas, por infrações
cometidas, este mesmo inciso VI limita às sanções de advertência por
escrito e multa; desta forma, penalidades como apreensão do veículo e
suspensão do direito de dirigir permanecem sob incumbência dos órgãos e
entidades executivos de trânsito estaduais (Detran), ainda que por
infrações cometidas nas rodovias.
Por fim, destaca-se que, no âmbito das rodovias federais, a fiscalização de
trânsito, específica sobre excesso de velocidade e de peso, é exercida
concomitantemente pelo Departamento de Polícia Rodoviária Federal -
DPRF, Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes - DNIT e
Agência Nacional de Transportes Terrestres - ANTT, de acordo com a
Resolução do Conselho Nacional de Trânsito n° 289/08.
CTB, art. 22 - Compete aos órgãos ou entidades executivos de trânsito dos
Estados e do Distrito Federal, no âmbito de sua circunscrição:
I - cumprir e fazer cumprir a legislação e as normas de trânsito, no
âmbito das respectivas atribuições;
II - realizar, fiscalizar e controlar o processo de formação,
aperfeiçoamento, reciclagem e suspensão de condutores, expedir e cassar
Licença de Aprendizagem, Permissão para Dirigir e Carteira Nacional de
Habilitação, mediante delegação do órgão federal competente;
III - vistoriar, inspecionar quanto às condições de segurança veicular,
registrar, emplacar, selar a placa, e licenciar veículos, expedindo o
Certificado de Registro e o Licenciamento Anual, mediante delegação do
órgão federal competente;
IV - estabelecer, em conjunto com as Polícias Militares, as diretrizes
para o policiamento ostensivo de trânsito;
V - executar a fiscalização de trânsito, autuar e aplicar as medidas
administrativas cabíveis pelas infrações previstas neste Código, excetuadas
aquelas relacionadas nos incisos VI e VIII do Art. 24, no exercício regular do
Poder de Polícia de Trânsito;
VI - aplicar as penalidades por infrações previstas neste Código, com
exceção daquelas relacionadas nos incisos VII e VIII do Art. 24, notificando
os infratores e arrecadando as multas que aplicar;
VII - arrecadar valores provenientes de estada e remoção de veículos e
objetos;
VIII - comunicar ao órgão executivo de trânsito da União a suspensão e a
cassação do direito de dirigir e o recolhimento da Carteira Nacional de
Habilitação;
IX - coletar dados estatísticos e elaborar estudos sobre acidentes de
trânsito e suas causas;
X - credenciar órgãos ou entidades para a execução de atividades
previstas na legislação de trânsito, na forma estabelecida em norma do
CONTRAN;
XI - implementar as medidas da Política Nacional de Trânsito e do
Programa Nacional de Trânsito;
XII - promover e participar de projetos e programas de educação e
segurança de trânsito de acordo com as diretrizes estabelecidas pelo
CONTRAN;
XIII - integrar-se a outros órgãos e entidades do Sistema Nacional de
Trânsito para fins de arrecadação e compensação de multas impostas na
área de sua competência, com vistas à unificação do licenciamento, à
simplificação e à celeridade das transferências de veículos e de prontuários
de condutores de uma para outra unidade da Federação;
XIV - fornecer, aos órgãos e entidades executivos de trânsito e executivos
rodoviários municipais, os dados cadastrais dos veículos registrados e dos
condutores habilitados, para fins de imposição e notificação de penalidades
e de arrecadação de multas nas áreas de suas competências;
XV - fiscalizar o nível de emissão de poluentes e ruído produzidos pelos
veículos automotores ou pela sua carga, de acordo com o estabelecido no
Art. 66, além de dar apoio, quando solicitado, às ações específicas dos
órgãos ambientais locais;
XVI - articular-se com os demais órgãos do Sistema Nacional de Trânsito
no Estado, sob coordenação do respectivo CETRAN.
Art. 22, CTB
Embora não seja mencionado, no artigo 22, a denominação dos órgãos que
são considerados executivos de trânsito dos Estados, tal atribuição recai
sobre os Departamentos Estaduais de Trânsito - DETRANs, que eram assim
designados pelo artigo 10 do revogado Código Nacional de Trânsito (Lei n.
5.108/66). Embora seja hoje uma tradição, não há nada que impeça que
determinada Unidade Federativa atribua outro nome ao seu órgão ou
entidade executivo de trânsito, como prevê o artigo 8° do próprio Código
de Trânsito: “Os Estados, o Distrito Federal e os Municípios organizarão os
respectivos órgãos e entidades executivos de trânsito e executivos
rodoviários, estabelecendo os limites circunscricionais de suas atuações”.
A atuação do DETRAN, em cada Estado, é complementada pelas
Circunscrições Regionais de Trânsito -CIRETRANs, que funcionam como se
fossem “filiais”, nos municípios do interior, e cuja existência também se
remete ao antigo CNT (artigo 3°, e), com regras de criação estabelecidas
pela Resolução do CONTRAN n. 379/67 (atualmente revogada).
O atual Código de Trânsito retirou várias competências do DETRAN,
repassando-as aos órgãos e entidades executivos de trânsito dos
municípios (em especial quanto à regulamentação, planejamento e
operação do tráfego viário, implantação de sinalização e realização da
fiscalização de trânsito concernente à utilização da via), consubstanciando
a chamada “municipalização do trânsito”, não prevendo, entretanto, uma
regra de transição, na qual mantivesse os órgãos estaduais com atribuições
subsidiárias nas cidades não integradas ao Sistema Nacional de Trânsito, já
que foi necessário estabelecer regras para a criação destes novos órgãos
(hoje determinadas na Resolução do CONTRAN n. 560/15).
Pelas disposições do artigo 22, podemos conceber a atuação do DETRAN
em três grandes áreas:
I) registro, licenciamento e emplacamento de veículos;
II) processo de formação de condutores e concessão da CNH; e
III) fiscalização de trânsito (de maneira residual, isto é, nas infrações que
não sejam de competência dos órgãos municipais - genericamente aquelas
relacionadas diretamente ao veículo e ao condutor).
Uma substancial alteração do atual Código, quanto à fiscalização de
trânsito, foi a expressa previsão de competência ao DETRAN, independente
da atuação das Polícias Militares, legalmente responsáveis pelo exercício do
policiamento de trânsito e que hoje exercem a atividade fiscalizadora de
forma concomitante com os demais agentes credenciados, quando e
conforme convênio (artigo 23, III). Assim, vários Estados já têm se
estruturado para que não dependam apenas da atuação das Polícias
Militares, com corpos de agentes próprios, para a consecução da
competência estabelecida no artigo 22, V.
CTB, art. 23 - Compete às Polícias Militares dos Estados e do Distrito
Federal:
I - (VETADO); II - (VETADO);
III - executar a fiscalização de trânsito, quando e conforme convênio
firmado, como agente do órgão ou entidade executivos de trânsito ou
executivos rodoviários, concomitantemente com os demais agentes
credenciados;
IV -; V -; VI -; VII -; Parágrafo único. (VETADO)
Art. 23, CTB
As competências das Polícias Militares no trânsito encontravam-se
previstas no artigo 23 do CTB, o qual teve, entretanto, seis dos seus sete
incisos vetados, sob a justificativa de que a fiscalização de trânsito constitui
atividade de natureza administrativa e não poderia se limitar às Polícias
Militares, o que é condizente com a sistemática adotada pelo atual Código
de Trânsito, que permite a contratação de servidores civis, estatutários ou
celetistas, para atuarem como agentes da autoridade de trânsito, com
poder de polícia administrativa de trânsito, na prevenção e repressão de
comportamentos inadequados e ilegais, no uso da via pública.
A atuação da PM no trânsito, todavia, é muito mais ampla do que se imagina
de um agente de trânsito, posto que a segurança do trânsito inclui-se no
contexto da segurança pública; a única atividade, que lhe é cabível
dependente de convênio, é o controle do cumprimento das normas de
trânsito, para a correspondente imposição de sanções administrativas pelos
órgãos de trânsito e rodoviários, conforme inciso III.
As Polícias Militares são previstas na atual Constituição Federal, no Título V,
que versa sobre a defesa do Estado e das instituições democráticas. Ao lado
dos outros órgãos policiais (Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal,
Polícia Ferroviária Federal e Polícias Civis), o artigo 144 da CF/88 contempla
as Polícias Militares como um dos órgãos responsáveis pela segurança
pública, dever do Estado, cabendo-lhes o exercício da polícia ostensiva e a
preservação da ordem pública, missões constitucionais a partir das quais
extraímos a atividade de policiamento ostensivo de trânsito, conforme a
legislação infraconstitucional referente à organização das Polícias Militares
(Decreto-lei n° 667/69 e Decreto n° 88.777/83).
O policiamento ostensivo, conforme definição dada pelo Decreto n°
88.777/83, é a “ação policial, exclusiva das Polícias Militares, em cujo
emprego o homem ou a fração de tropa engajados sejam identificados de
relance, quer pela farda, quer pelo equipamento, ou viatura, objetivando a
manutenção da ordem pública”, sendo previsto, pelo próprio Decreto,
como tipo desta ação, o policiamento de trânsito.
No Anexo I do CTB, encontramos a expressão policiamento ostensivo de
trânsito como sendo a “função exercida pelas Polícias Militares com o
objetivo de prevenir e reprimir atos relacionados com a segurança pública
e de garantir obediência às normas relativas à segurança de trânsito,
assegurando a livre circulação e evitando acidentes”.
Desta forma, independente da previsão de competências atinentes às
Polícias Militares, no texto do Código de Trânsito, o fato é que, mesmo
antes de 1998 (ano em que começou a vigorar o atual CTB), o policiamento
ostensivo de trânsito já era executado pelas Polícias Militares por força de
sua missão constitucional, devidamente delineada na legislação própria de
tais Corporações; inovando a legislação de trânsito atual no fato de tornar
o exercício da fiscalização de trânsito uma atividade de polícia
administrativa, de interesse da Administração pública na área de trânsito,
e com a possibilidade de credenciamento de civis, como agentes da
autoridade de trânsito, para atuarem em nome dos órgãos e entidades
executivos de trânsito e rodoviários, o que pode ocorrer de maneira
exclusiva (na hipótese de não ser elaborado convênio) ou concomitante
(quando e conforme convênio) com o trabalho desempenhado pelas
Polícias Militares.
Isto significa que, ainda que não haja convênio com determinado ente
federativo, como requer o inciso III do artigo 23, a competência da Polícia
Militar na área de trânsito encontra determinada restrição, mas não ficará
de todo aniquilada, isto é, não será possível o exercício da sanção de polícia,
na elaboração de autos de infrações e aplicação de medidas
administrativas; permanecendo, todavia, a obrigação legal de preservar a
segurança dos usuários da via e atuar preventivamente, coibindo
comportamentos irregulares que causem perturbação da ordem, da
tranquilidade e da salubridade alheias
CTB, art. 24 - Compete aos órgãos e entidades executivos de trânsito dos
Municípios, no âmbito de sua circunscrição:
(Redação dada pela Lei n° 13.154, de 2015)
I - cumprir e fazer cumprir a legislação e as normas de trânsito, no
âmbito de suas atribuições;
II -planejar, projetar, regulamentar e operar o trânsito de veículos, de
pedestres e de animais, e promover o desenvolvimento da circulação e da
segurança de ciclistas;
III - implantar, manter e operar o sistema de sinalização, os dispositivos
e os equipamentos de controle viário;
IV - coletar dados estatísticos e elaborar estudos sobre os acidentes de
trânsito e suas causas;
V - estabelecer, em conjunto com os órgãos de polícia ostensiva de
trânsito, as diretrizes para o policiamento ostensivo de trânsito;
VI - executar a fiscalização de trânsito, autuar e aplicar as medidas
administrativas cabíveis, por infrações de circulação, estacionamento e
parada previstas neste Código, no exercício regular do Poder de Polícia de
Trânsito;
VII - aplicar as penalidades de advertência por escrito e multa, por
infrações de circulação, estacionamento e parada previstas neste Código,
notificando os infratores e arrecadando as multas que aplicar;
VIII - fiscalizar, autuar e aplicar as penalidades e medidas administrativas
cabíveis relativas a infrações por excesso de peso, dimensões e lotação dos
veículos, bem como notificar e arrecadar as multas que aplicar;
IX - fiscalizar o cumprimento da norma contida no art. 95, aplicando as
penalidades e arrecadando as multas nele previstas;
X - implantar, manter e operar sistema de estacionamento rotativo
pago nas vias;
XI - arrecadar valores provenientes de estada e remoção de veículos e
objetos, e escolta de veículos de cargas superdimensionadas ou perigosas;
XII - credenciar os serviços de escolta, fiscalizar e adotar medidas de
segurança relativas aos serviços de remoção de veículos, escolta e
transporte de carga indivisível;
XIII - integrar-se a outros órgãos e entidades do Sistema Nacional de
Trânsito para fins de arrecadação e compensação de multas impostas na
área de sua competência, com vistas à unificação do licenciamento, à
simplificação e à celeridade das transferências de veículos e de prontuários
dos condutores de uma para outra unidade da Federação;
XIV - implantar as medidas da Política Nacional de Trânsito e do Programa
Nacional de Trânsito;
XV - promover e participar de projetos e programas de educação e
segurança de trânsito de acordo com as diretrizes estabelecidas pelo
CONTRAN;
XVI - planejar e implantar medidas para redução da circulação de veículos
e reorientação do tráfego, com o objetivo de diminuir a emissão global de
poluentes;
XVII - registrar e licenciar, na forma da legislação, ciclomotores, veículos
de tração e propulsão humana e de tração animal, fiscalizando, autuando,
aplicando penalidades e arrecadando multas decorrentes de infrações;
XVII - registrar e licenciar, na forma da legislação, veículos de tração e
propulsão humana e de tração animal, fiscalizando, autuando, aplicando
penalidades e arrecadando multas decorrentes de infrações; (Redação
dada pela Lei n° 13.154, de 2015)
XVIII - conceder autorização para conduzir veículos de propulsão humana
e de tração animal;
XIX - articular-se com os demais órgãos do Sistema Nacional de Trânsito
no Estado, sob coordenação do respectivo CETRAN;
XX - fiscalizar o nível de emissão de poluentes e ruído produzidos pelos
veículos automotores ou pela sua carga, de acordo com o estabelecido no
Art. 66, além de dar apoio às ações específicas de órgão ambiental local,
quando solicitado;
XXI - vistoriar veículos que necessitem de autorização especial para
transitar e estabelecer os requisitos técnicos a serem observados para a
circulação desses veículos.
§ 1° As competências relativas a órgão ou entidade municipal serão
exercidas no Distrito Federal por seu órgão ou entidade executivos de
trânsito.
§ 2° Para exercer as competências estabelecidas neste artigo, os Municípios
deverão integrar-se ao Sistema Nacional de Trânsito, conforme previsto no
Art. 333 deste Código.
Art. 24, CTB
A inserção dos Municípios no Sistema Nacional de Trânsito (SNT) foi uma
das principais inovações do atual Código de Trânsito Brasileiro, constituindo
a chamada “municipalização do trânsito”. As competências dos órgãos e
entidades executivos de trânsito dos Municípios estão delineadas no artigo
24, sendo necessário, entretanto, que ocorra a sua integração formal ao
SNT, conforme regras do Conselho Nacional de Trânsito (de acordo com o
estabelecido no § 2° deste dispositivo e artigo 333, das disposições finais do
CTB).
Para que o Município esteja em condições de assumir estas competências,
estabelece o CONTRAN, por meio da Resolução n. 560/15, basicamente,
que devem ser criados mecanismos capazes de exercer cinco grandes
funções: fiscalização de trânsito (que pode ser efetuada mediante o
emprego de agentes próprios e/ou por convênio com a Polícia Militar, nos
termos do artigo 23); educação de trânsito; engenharia de tráfego; controle
e análise de estatística; e julgamento de recursos administrativos contra
penalidades aplicadas (constituição de sua JARI - Junta Administrativa de
Recursos de Infrações).
A partir de sua integração, existem competências que são privativas dos
órgãos municipais, como o planejamento e regulamentação do trânsito
(inciso II), a implantação da sinalização de trânsito (inciso III) e a
implantação, manutenção e operação do sistema de estacionamento
rotativo, conhecido como “zona azul” (inciso X). Quanto ao exercício da
fiscalização de trânsito, podemos dizer que se trata de atribuição
compartilhada, posto que os órgãos estaduais de trânsito (DETRANs)
permanecem com tal incumbência nas vias públicas de qualquer município,
com as seguintes observações:
1^) O órgão municipal de trânsito deve fiscalizar um total de seis tipos de
infrações de trânsito: circulação, estacionamento, parada, excesso de peso,
dimensões e lotação (incisos VI e VIII), bem como aquelas praticadas por
veículos de propulsão humana e tração animal (inciso XVII) - ressalta-se que
o Conselho Nacional de Trânsito detalhou tal repartição de competências,
por meio da Resolução n. 66/98;
2^) Mesmo nas infrações de trânsito “municipais”, o órgão municipal de
trânsito somente tem competência para imposição das penalidades de
advertência por escrito e multa (inciso VII); portanto, se, para uma
determinada infração, houver a previsão de penalidade de suspensão do
direito de dirigir (como excesso de velocidade acima de 50% - artigo 218,
III) ou de apreensão do veículo (como o transporte de passageiro no
compartimento de carga - artigo 230, II), tais sanções somente podem ser
impostas pelo órgão de trânsito estadual (DETRAN).
Destaca-se, finalmente, a possibilidade de elaboração de convênio entre os
órgãos de trânsito, para delegação de competências, nos termos do artigo
25 do CTB, o que tem possibilitado, em vários municípios brasileiros, o
exercício da fiscalização de trânsito, em sua plenitude, pelos órgãos
municipais (sem a divisão de competências acima assinalada).
A partir de 01NOV16, com a entrada em vigor da Lei n. 13.281/16, o inciso
VI do artigo 24 passará a contemplar a competência dos órgãos e entidades
executivos de trânsito dos Municípios, para “executar a fiscalização de
trânsito em vias terrestres, edificações de uso público e edificações
privadas de uso coletivo, autuar e aplicar as medidas administrativas
cabíveis e as penalidades de advertência por escrito e multa, por infrações
de circulação, estacionamento e parada previstas neste Código, no
exercício regular do poder de polícia de trânsito, notificando os infratores e
arrecadando as multas que aplicar, exercendo iguais atribuições no âmbito
de edificações privadas de uso coletivo, somente para infrações de uso de
vagas reservadas em estacionamentos”.
Tal redação ficou PÉSSIMA, pois, desde 03JAN16, com a alteração do artigo
2°, parágrafo único, pela Lei n. 13.146/15, passaram a ser consideradas vias
terrestres, sujeitas à aplicação INTEGRAL do CTB, as vias e áreas de
estacionamento de estabelecimentos privados de uso coletivo, não
havendo distinção quanto a qual tipo de infração pode ser fiscalizada nestes
locais.
Como não houve modificação, na presente Lei, referente ao parágrafo
único do artigo 2°, isto significa que, a partir de 01NOV16, o órgão municipal
de trânsito somente poderá fiscalizar a utilização irregular de vagas
reservadas em estacionamentos privados (não podendo aplicar
penalidades por outras infrações que constatar naquele espaço particular);
por outro lado, o órgão estadual de trânsito terá total possibilidade de
fiscalizar as infrações que sejam de sua competência legal, nos termos do
artigo 22, inciso V, do CTB e conforme Resolução do CONTRAN n. 66/98.
CTB, art. 25 - Os órgãos e entidades executivos do Sistema Nacional de
Trânsito poderão celebrar convênio delegando as atividades previstas neste
Código, com vistas à maior eficiência e à segurança para os usuários da via.
Parágrafo único. Os órgãos e entidades de trânsito poderão prestar serviços
de capacitação técnica, assessoria e monitoramento das atividades
relativas ao trânsito durante prazo a ser estabelecido entre as partes, com
ressarcimento dos custos apropriados.
Art. 25, CTB
A possibilidade de elaboração de convênios de trânsito trazida pelo artigo
25 é direcionada à atuação dos órgãos e entidades executivos do Sistema
Nacional de Trânsito, responsáveis pelas atribuições constantes dos artigos
19 (órgão máximo executivo de trânsito da União - DENATRAN); 21 (órgãos
e entidades executivos rodoviários); 22 (órgãos e entidades executivos de
trânsito dos Estados - DETRANs) e 24 (órgãos e entidades executivos de
trânsito dos Municípios), sendo que sua aplicabilidade tem sido mais
comum para o exercício da fiscalização de trânsito, já que a legislação
impõe restrições à competência e à circunscrição de cada participante do
Sistema Nacional.
Destaca-se, por exemplo, a divisão de competências para a fiscalização de
trânsito nas vias urbanas, entre Estados e Municípios, conforme os artigos
22 e 24, complementados pela Resolução do Conselho Nacional de Trânsito
n. 66/98, normativa a partir da qual podemos resumir que: compete ao
órgão municipal de trânsito fiscalizar as infrações relacionadas à utilização
da via pública, enquanto compete ao órgão estadual fiscalizar aquelas
ligadas diretamente ao condutor ou ao veículo. Tal divisão pode ser
suprimida, se for elaborado convênio recíproco entre tais órgãos de
trânsito, nos termos do artigo 25.
Ressalta-se que eventual convênio firmado entre órgãos e entidades
executivos de trânsito ou rodoviários, com as Polícias Militares, para o
exercício da fiscalização de trânsito, não encontra amparo legal no artigo
sob comento, mas decorre da exigência constante do próprio artigo 23,
inciso III.
Outra questão importante a ser ponderada é que o artigo 25 permite a
transferência de atribuições entre os órgãos integrantes do Sistema
Nacional de Trânsito, o que tem sido entendido de maneira muito mais
ampla em alguns entes federativos, nos quais são elaborados convênios
com Municípios (diretamente com as Prefeituras), a fim de se “abrir mão”
da gestão do trânsito pelo ente local (o que ocorre, por exemplo, no Estado
de São Paulo, com base no Decreto estadual n. 57.491/11).
Conforme a redação do artigo 25, somente seria possível a celebração de
convênio entre Estado e Município, para delegação (total, parcial ou
recíproca) das atividades que competem a cada órgão ou entidade
executivo do Sistema Nacional de Trânsito, depois que este já tivesse sido
criado, respeitada a autonomia federativa (artigo 8° do CTB) e a exigência
de cumprimento de determinados requisitos para a integração do
Município ao Sistema Nacional de Trânsito (artigo 24, § 2° do CTB e
Resolução do Conselho Nacional de Trânsito n. 560/15).
CTB, art. 26 - Os usuários das vias terrestres devem:
I - abster-se de todo ato que possa constituir perigo ou obstáculo para
o trânsito de veículos, de pessoas ou de animais, ou ainda causar danos a
propriedades públicas ou privadas;
II - abster-se de obstruir o trânsito ou torná-lo perigoso, atirando,
depositando ou abandonando na via objetos ou substâncias, ou nela
criando qualquer outro obstáculo.
Art. 26, CTB
Toda disposição legal possui o condão de prescrever um comportamento
(esta é a essência da norma jurídica), de três diferentes formas: obrigando,
proibindo ou permitindo (o que, em Direito, denomina-se de “modais
deônticos” - as modalidades da Deontologia, nome dado ao estudo dos
deveres).
Partindo-se desta análise basilar, sobre o tipo de comportamento que se
pretende atingir em cada prescrição normativa, vemos que o artigo 26 foi
redigido de uma maneira bem peculiar, pois obriga uma abstenção, um
“não-fazer”; para que os usuários das vias terrestres cumpram o
determinado em lei, basta que o seu comportamento seja omissivo, quanto
às práticas consideradas inadequadas para o convívio viário: atos perigosos;
obstáculos ao trânsito; danos a propriedades.
Esta norma é bastante ampla, tendo em vista que não especifica quais são,
exatamente, os atos que podem constituir perigo ou obstáculo, além de ser
redundante, repetindo, sem necessidade, o que se espera de seu
destinatário; vê-se, inclusive, que os incisos I e II praticamente versam sobre
a mesma questão, com ligeiras modificações no texto legal.
Este artigo inaugura o Capítulo III do CTB, que abrange as “normas gerais
de circulação e conduta”, as quais podem ser descritas como “regras de
comportamento dos usuários da via pública, cujo descumprimento
configura infração de trânsito”. Sobre este conceito, importante consignar
as seguintes explicações:
I - normalmente, as normas gerais de circulação e conduta têm uma
infração de trânsito correlata, de modo que quem descumpre as
disposições do Capítulo III (artigos 26 a 67) comete uma das infrações
previstas no Capítulo XV (artigos 162 a 255); a esta combinação, a ciência
jurídica denomina de “normas primárias” (que estabelecem o
comportamento que se espera do indivíduo) e “normas secundárias” (as
consequências pelo seu descumprimento);
II - existem, porém, normas gerais que não têm um correlato específico
(como, por exemplo, o artigo 49, que obriga os ocupantes do veículo a se
certificarem da segurança, ao abrirem as portas).
No caso do artigo 26, podemos relacionar 3 infrações, constantes dos
artigos 172; 231, inciso II e 245, das quais a primeira delas merece um
destaque especial, ao prever a conduta de “Atirar do veículo ou abandonar
na via objetos ou substâncias”, já que, ao se referir ao comportamento
exigido pelo artigo 26, inciso II, nos permite, numa interpretação
sistemática, concluir que a infração somente se configura quando o objeto
ou substância atirado do veículo ou abandonado na via obstruir o trânsito
ou torná-lo perigoso (que são os atos que o usuário da via deve se abster
de praticar).
CTB, art. 27 - Antes de colocar o veículo em circulação nas vias públicas, o
condutor deverá verificar a existência e as boas condições de
funcionamento dos equipamentos de uso obrigatório, bem como
assegurar-se da existência de combustível suficiente para chegar ao local
de destino.
Art. 27, CTB
Apesar de as infrações referentes à “prévia regularização e preenchimento
das formalidades e condições exigidas para o trânsito do veículo na via”
serem de responsabilidade do proprietário, nos termos do artigo 257, § 2°,
do CTB, o artigo 27 deixa claro que o condutor não pode se furtar ao dever
de manutenção do veículo, antes de colocá-lo em circulação.
O que vemos, entretanto, é que o condutor, de uma maneira geral, não está
acostumado a fazer a inspeção prévia do veículo a ser utilizado,
independente se é o proprietário do bem, ou se pega emprestado de outra
pessoa, exceção feita aos motoristas profissionais que dirigem veículos da
Administração pública ou de empresas privadas, principalmente quando tal
regra é estabelecida como obrigação interna.
Os equipamentos de uso obrigatório, que devem ser verificados, são os
constantes do artigo 105 do CTB, além de outros determinados pelo
Conselho Nacional de Trânsito, cuja principal norma complementar atual é
a Resolução CONTRAN n° 14/98. Dispositivos como extintor de incêndio,
roda sobressalente (estepe), macaco, chave de roda e triângulo não
constam da redação do Código, mas de citada Resolução. O ideal seria que,
com base neste ato normativo, o motorista fizesse uma checagem item por
item, antes de sair com o veículo.
A constatação do nível de combustível também se faz obrigatória, para se
evitar a chamada “pane seca”, a imobilização do veículo na via pela omissão
do condutor, com transtornos aos demais veículos. A falta de combustível,
pressupõe-se, é algo que pode (e deve) ser previsto e, consequentemente,
evitado. Por este motivo, é que, diferentemente de outras imobilizações de
emergência (que o Código compreende como inevitáveis, acarretando
apenas o dever de sinalizar), no caso da imobilização do veículo por falta de
combustível, o condutor é punido pela infração do artigo 180 do CTB.
Além desta infração, outros tipos infracionais que podem estar presentes,
pela inobservância do artigo 27, são a condução de veículo sem
equipamento obrigatório ou estando este ineficiente ou inoperante (artigo
230, IX) e com defeito no sistema de iluminação e sinalização ou com
lâmpadas queimadas (artigo 230, XXII).
Embora não conste deste dispositivo legal, vale lembrar que o condutor
também deve se certificar que está portando o Certificado de
Licenciamento Anual do veículo, exigência constante do artigo 133 do CTB
(sob pena do cometimento da infração prevista no artigo 232).
CTB, art. 28 - O condutor deverá, a todo momento, ter domínio de seu
veículo, dirigindo-o com atenção e cuidados indispensáveis à segurança do
trânsito.
Art. 28, CTB
A norma geral de circulação e conduta descrita no artigo 28 exige que o
condutor tenha, além da habilidade necessária para a direção veicular, o
cuidado de se manter sempre atento e apto a saber lidar com as condições
adversas, inclusive quanto aos outros usuários da via; por este motivo,
podemos dizer que se trata de dispositivo relacionado diretamente à
utilização das técnicas de direção defensiva, com o objetivo de se evitar
ocorrências de trânsito.
O domínio do veículo, portanto, pressupõe, ao mesmo tempo, cuidado e
atenção, condutas consideradas indispensáveis à segurança do trânsito.
Tal obrigatoriedade é complementada pelas demais normas previstas no
Capítulo III do CTB, como o disposto no artigo 42, que proíbe freadas
bruscas, salvo por razões de segurança.
Quando faltam, ao condutor, cuidado e atenção indispensáveis à
segurança, invariavelmente o seu comportamento é enquadrado como
infração de trânsito, algumas delas bem específicas, como avanço do sinal
vermelho do semáforo, conversão proibida, retorno com prejuízo à livre
circulação ou à segurança, entre tantas outras; ou seja, ainda que
determinado infrator alegue que avançou o sinal vermelho do semáforo ou
desobedeceu à sinalização de trânsito, porque “não prestou atenção”,
caberá a sanção de sua conduta, tendo em vista a obrigatoriedade de que
esteja, a todo o momento, com a atenção voltada a tudo o que acontece ao
seu redor.
Existem, todavia, situações em que se verifica a falta de atenção do
condutor de veículo, sem um enquadramento de infração de trânsito
específico; podemos citar, como exemplos, a condução do veículo
enquanto se lê um jornal ou revista apoiado no volante; enquanto
acompanha com o olhar alguém que caminha ao seu lado; ou em
“ziguezague”. Nestes casos, embora não exista uma tipificação própria para
punir tais comportamentos, caberá a imposição de multa de natureza leve,
relativa à infração prevista no artigo 169: “Dirigir sem atenção ou sem os
cuidados indispensáveis à segurança”.
CTB, art. 29 - O trânsito de veículos nas vias terrestres abertas à circulação
obedecerá às seguintes normas:
I - a circulação far-se-á pelo lado direito da via, admitindo-se as
exceções devidamente sinalizadas;
II - o condutor deverá guardar distância de segurança lateral e frontal
entre o seu e os demais veículos, bem como em relação ao bordo da pista,
considerando-se, no momento, a velocidade e as condições do local, da
circulação, do veículo e as condições climáticas;
III - quando veículos, transitando por fluxos que se cruzem, se
aproximarem de local não sinalizado, terá preferência de passagem:
a) no caso de apenas um fluxo ser proveniente de rodovia, aquele que
estiver circulando por ela;
b) no caso de rotatória, aquele que estiver circulando por ela;
c) nos demais casos, o que vier pela direita do condutor;
IV - quando uma pista de rolamento comportar várias faixas de
circulação no mesmo sentido, são as da direita destinadas ao deslocamento
dos veículos mais lentos e de maior porte, quando não houver faixa especial
a eles destinada, e as da esquerda, destinadas à ultrapassagem e ao
deslocamento dos veículos de maior velocidade;
V - o trânsito de veículos sobre passeios, calçadas e nos acostamentos,
só poderá ocorrer para que se adentre ou se saia dos imóveis ou áreas
especiais de estacionamento;
VI - os veículos precedidos de batedores terão prioridade de passagem,
respeitadas as demais normas de circulação;
VII - os veículos destinados a socorro de incêndio e salvamento, os de
polícia, os de fiscalização e operação de trânsito e as ambulâncias, além de
prioridade de trânsito, gozam de livre circulação, estacionamento e parada,
quando em serviço de urgência e devidamente identificados por
dispositivos regulamentares de alarme sonoro e iluminação vermelha
intermitente, observadas as seguintes disposições:
a) quando os dispositivos estiverem acionados, indicando a
proximidade dos veículos, todos os condutores deverão deixar livre a
passagem pela faixa da esquerda, indo para a direita da via e parando, se
necessário;
b) os pedestres, ao ouvir o alarme sonoro, deverão aguardar no passeio,
só atravessando a via quando o veículo já tiver passado pelo local;
c) o uso de dispositivos de alarme sonoro e de iluminação vermelha
intermitente só poderá ocorrer quando da efetiva prestação de serviço de
urgência;
d) a prioridade de passagem na via e no cruzamento deverá se dar com
velocidade reduzida e com os devidos cuidados de segurança, obedecidas
as demais normas deste Código;
VIII -os veículos prestadores de serviços de utilidade pública, quando em
atendimento na via, gozam de livre parada e estacionamento no local da
prestação de serviço, desde que devidamente sinalizados, devendo estar
identificados na forma estabelecida pelo CONTRAN;
IX - a ultrapassagem de outro veículo em movimento deverá ser feita
pela esquerda, obedecida a sinalização regulamentar e as demais normas
estabelecidas neste Código, exceto quando o veículo a ser ultrapassado
estiver sinalizando o propósito de entrar à esquerda;
X - todo condutor deverá, antes de efetuar uma ultrapassagem,
certificar-se de que:
a) nenhum condutor que venha atrás haja começado uma manobra
para ultrapassá-lo;
b) quem o precede na mesma faixa de trânsito não haja indicado o
propósito de ultrapassar um terceiro;
c) a faixa de trânsito que vai tomar esteja livre numa extensão suficiente
para que sua manobra não ponha em perigo ou obstrua o trânsito que
venha em sentido contrário;
XI - todo condutor ao efetuar a ultrapassagem deverá:
a) indicar com antecedência a manobra pretendida, acionando a luz
indicadora de direção do veículo ou por meio de gesto convencional de
braço;
b) afastar-se do usuário ou usuários aos quais ultrapassa, de tal forma
que deixe livre uma distância lateral de segurança;
c) retomar, após a efetivação da manobra, a faixa de trânsito de origem,
acionando a luz indicadora de direção do veículo ou fazendo gesto
convencional de braço, adotando os cuidados necessários para não pôr em
perigo ou obstruir o trânsito dos veículos que ultrapassou;
XII - os veículos que se deslocam sobre trilhos terão preferência de
passagem sobre os demais, respeitadas as normas de circulação.
§ 1° As normas de ultrapassagem previstas nas alíneas a e b do inciso X e a
e b do inciso XI aplicam-se à transposição de faixas, que pode ser realizada
tanto pela faixa da esquerda como pela da direita.
§ 2° Respeitadas as normas de circulação e conduta estabelecidas neste
artigo, em ordem decrescente, os veículos de maior porte serão sempre
responsáveis pela segurança dos menores, os motorizados pelos não
motorizados e, juntos, pela incolumidade dos pedestres.
Art. 29, CTB
Dentre os artigos que compõem o Capítulo III do CTB, que versa sobre as
normas gerais de circulação e conduta, o artigo 29 é o mais abrangente,
trazendo várias regras para os usuários da via, as quais podem ser assim
resumidas (e complementadas):
1) mão de direção: em regra, a circulação deve ser feita pela direita da
via, exceto se houver placa de regulamentação indicando o contrário; o
trânsito na contramão de direção é punido pela infração de trânsito
prevista no artigo 186;
2) distância de segurança: o condutor deve guardar distância de
segurança lateral e frontal, sob pena do cometimento da infração do artigo
192, não havendo, entretanto, uma determinação exata de qual deve ser a
distância a ser guardada, a não ser quando o condutor estiver passando ou
ultrapassando um ciclista, pois, neste caso, a infração do artigo 201
estabelece a distância de um metro e cinquenta centímetros;
3) preferência em cruzamentos: em cruzamentos não sinalizados,
existem 3 regrinhas de preferência: 1°) rodovia; 2°) rotatória; 3°) mão
direita. Interessante verificar dois aspectos nesta norma: o primeiro é que
as preferências mencionadas só são válidas nos cruzamentos sem
sinalização, nada impedindo que o órgão de trânsito, se assim entender
melhor, coloque, por exemplo, uma placa de “dê a preferência” ao
condutor que circula em rotatória; o segundo aspecto é que muitas outras
preferências não são decorrentes da lei, mas apenas de costume, como
uma via mais larga, com faixa de ônibus, sem redutores de velocidade, em
aclive etc. (nestes casos, deve prevalecer o texto legal, em detrimento ao
costume local);
4) destinação das faixas de rolamento: quando a pista de rolamento
tiver mais de uma faixa, o Código determina a divisão de acordo com a sua
utilidade: as faixas da direita são destinadas aos veículos mais lentos e de
maior porte (desde que não haja nenhuma faixa especial a eles destinada),
enquanto que as da esquerda são destinadas à ultrapassagem e ao
deslocamento dos veículos de maior velocidade (portanto, ao contrário do
que muitos pensam, a faixa da esquerda não é apenas para ultrapassagem);
5) acesso a imóveis ou áreas de estacionamento: como exceção, o artigo
29, inciso V, autoriza que se transite sobre passeios, calçadas e nos
acostamentos (não incorrendo, neste caso, na infração do artigo 193),
quando o condutor tiver a intenção de entrar ou sair de imóveis ou áreas
especiais de estacionamento;
6) veículos escoltados: os veículos precedidos de batedores são aqueles
devidamente escoltados, os quais têm prioridade de passagem, respeitadas
as demais normas de circulação - isto significa que tais veículos não estão
liberados das regras viárias, devendo obedecer, entre outras normas, à
sinalização de trânsito e ao limite de velocidade; sua única prerrogativa é a
prioridade de passagem, ou seja, os outros veículos devem aguardar a sua
passagem, para prosseguir na marcha;
7) prerrogativas dos veículos de emergência: são quatro os veículos de
emergência: polícia, bombeiro, ambulância e trânsito, identificados pelo
dispositivo luminoso (chamado “giroflex”), na cor vermelha intermitente, e
alarme sonoro (sirene). Tais veículos, além da prioridade de passagem,
gozam de livre circulação, estacionamento e parada, o que significa que
podem transitar livremente em qualquer condição ou local que a regra seja
a proibição; por exemplo, podem avançar o sinal vermelho do semáforo,
exceder o limite de velocidade ou estacionarem sobre o passeio,
exclusivamente quando estiverem com os sinais acionados e em situação
de urgência (“entende-se por prestação de serviço de urgência os
deslocamentos realizados pelos veículos de emergência, em circunstâncias
que necessitem de brevidade para o atendimento, sem a qual haverá
grande prejuízo à incolumidade pública” - artigo 1°, § 2° da Resolução do
CONTRAN n. 268/08);
8) prerrogativas dos veículos de utilidade pública: os veículos
prestadores de serviços de utilidade pública não possuem prioridade de
passagem, nem livre circulação, mas apenas livre parada e estacionamento
no local da prestação de serviço, desde que devidamente sinalizados, com
o dispositivo luminoso na cor amarelo âmbar, conforme Resolução do
CONTRAN n. 268/08 (cujo artigo 3°, § 1°, estabelece quais os veículos que
se enquadram como de utilidade pública);
9) normas para ultrapassagem: em regra, a ultrapassagem deve ser feita
pela esquerda, sendo obrigatório que o condutor siga os seguintes passos:
I) certificar-se de que não há condutor ultrapassando o seu próprio veículo;
II) verificar se o condutor a ser ultrapassado não iniciou a mesma manobra
de um terceiro; III) avaliar se há distância suficiente para a ultrapassagem;
IV) indicar, com antecedência, mediante luz (seta) ou gesto de braço; V)
manter distância lateral de segurança; V) acionar novamente a luz (seta) ou
fazer gesto de braço, retomando à faixa de origem;
10) preferência de passagem para veículos sobre trilhos: a inobservância
do direito de preferência de passagem aos veículos que se deslocam sobre
trilhos, além de acarretar um risco de graves danos, configura infração de
trânsito do artigo 212;
11) regras para a transposição de faixas: o § 1° do artigo 29 autoriza a
transposição de faixas tanto pela esquerda quanto pela direita (segundo o
Anexo I do CTB, transposição de faixas é a “passagem de um veículo de uma
faixa demarcada para outra”; desta forma, a saída de trás de um veículo,
com o retorno à faixa de origem, é que caracterizará a ultrapassagem);
12) responsabilidades no trânsito: embora não seja regra de preferência,
prevê o § 2° do artigo 29 uma ordem de responsabilidade no trânsito: I) os
veículos de maior porte responsáveis pelos menores; II) os motorizados
pelos não motorizados; III) todos, pelos pedestres.
CTB, art. 30 - Todo condutor, ao perceber que outro que o segue tem o
propósito de ultrapassá-lo, deverá:
I - se estiver circulando pela faixa da esquerda, deslocar-se para a faixa
da direita, sem acelerar a marcha;
II - se estiver circulando pelas demais faixas, manter-se naquela na qual
está circulando, sem acelerar a marcha.
Parágrafo único. Os veículos mais lentos, quando em fila, deverão manter
distância suficiente entre si para permitir que veículos que os ultrapassem
possam se intercalar na fila com segurança.
Art. 30, CTB
Assim como o Código de Trânsito estabelece regras para quem executa uma
ultrapassagem, também é determinada qual a conduta adequada ao
condutor de veículo a ser ultrapassado, o qual, de maneira resumida, deve
facilitar a realização da manobra (o que fica bastante claro na menção, nos
dois incisos do artigo 30, de que o condutor não deve acelerar a marcha de
seu veículo).
Existem, no CTB, duas formas de se identificar a outro condutor que se tem
o propósito de ultrapassá-lo: por meio da troca de luz baixa e alta, de forma
intermitente e por curto período de tempo, ou seja, piscando-se os faróis
(artigo 40, III) ou, fora das áreas urbanas, com um toque breve de buzina
(artigo 41, II). Embora seja comum também a utilização da luz indicadora de
mudança de direção (seta), para o lado esquerdo, somente há previsão
legal de seu uso nos casos em que o condutor precisa mudar de faixa, para
realização da manobra (artigo 35), o que significa que ela é dispensável se
ambos os veículos já estiverem na faixa da esquerda.
Aliás, uma explicação importante sobre a faixa da esquerda, é que ela não
é destinada apenas para ultrapassagem, como muitos pensam, mas
também ao deslocamento dos veículos de maior velocidade (artigo 29, IV);
portanto, o artigo 30, inciso I, contempla justamente a única situação em
que um veículo deve deixar livre a faixa da esquerda: quando existir outro
que o segue, com o propósito de ultrapassá-lo; exigência que se aplica
inclusive quando o veículo (a ser ultrapassado) já se encontra no limite de
velocidade da via, sob pena de cometimento da infração de trânsito de
natureza média, prevista no artigo 198 do CTB.
Quando houver, entretanto, apenas uma faixa de rolamento, não se obriga
que o condutor deixe a faixa livre, transitando pelo acostamento, como
ocorre com frequência (neste caso, quem transita pelo acostamento acaba
por cometer uma infração de trânsito, de natureza gravíssima, constante
do artigo 193, com multa agravada, multiplicada por três).
O parágrafo único do artigo 30 exige que, no caso de veículos lentos a serem
ultrapassados, os seus condutores devem permitir que os outros veículos
se intercalem na fila com segurança. Este é o preceito legal que nos permite
concluir que, conceitualmente, a ultrapassagem não é um movimento que
se realiza em relação a apenas um veículo, mas pode ocorrer quanto a
vários, de uma única vez, o que também pode ser constatado da leitura do
artigo 29, inciso XI, alínea “b)”, que exige que o condutor que realiza a
ultrapassagem afaste-se do usuário ou usuários aos quais ultrapassa.
CTB, art. 31 - O condutor que tenha o propósito de ultrapassar um veículo
de transporte coletivo que esteja parado, efetuando embarque ou
desembarque de passageiros, deverá reduzir a velocidade, dirigindo com
atenção redobrada ou parar o veículo com vistas à segurança dos
pedestres.
Art. 31, CTB
O artigo 31 complementa as regras de ultrapassagem, estabelecidas no
artigo 29, incisos IX a XI, especificamente para quando se realizar a
manobra, em relação a um veículo de transporte coletivo que esteja
parado, efetuando embarque ou desembarque de passageiros.
Assim, além de se determinar que a ultrapassagem seja realizada do lado
esquerdo do veículo a ser ultrapassado (art. 29, IX), também se exige que o
condutor reduza a velocidade, dirigindo com atenção redobrada ou, se
necessário, imobilize totalmente a sua trajetória, com vistas à segurança
dos pedestres.
Tal cuidado legislativo justifica-se em especial pelo fato de que, ao
descerem do veículo de transporte coletivo, alguns pedestres fazem a
travessia da via pela frente do ônibus, em um “ponto cego” aos demais
motoristas; desta forma, há a necessidade de que a velocidade seja
reduzida, a fim de evitar atropelamentos nesta circunstância.
Existem duas infrações de trânsito correlatas a esta norma geral de
circulação e conduta:
I) Se o condutor não cumprir a necessidade de diminuição de
velocidade, estará sujeito à infração do artigo 220, inciso XIV: “Deixar de
reduzir a velocidade do veículo de forma compatível com a segurança do
trânsito nas proximidades de escolas, hospitais, estações de embarque e
desembarque de passageiros...”, o que também configura crime de
trânsito, previsto no artigo 311: “Trafegar em velocidade incompatível com
a segurança nas proximidades de escolas, hospitais, estações de embarque
e desembarque de passageiros... gerando perigo de dano”; e
II) Se a ultrapassagem ao veículo de transporte coletivo ocorrer pelo
lado direito, infração do artigo 200: “Ultrapassar pela direita veículo de
transporte coletivo ou de escolares, parado para embarque ou
desembarque de passageiros, salvo quando houver refúgio de segurança
para o pedestre” (o refúgio de segurança, por definição legal do Anexo I, é
a “parte da via, devidamente sinalizada e protegida, destinada ao uso de
pedestres durante a travessia da mesma”, ou seja, não haverá problema a
ultrapassagem pela direita, desde que os pedestres estejam embarcando
ou desembarcando justamente do lado esquerdo do veículo, no refúgio da
via, o que ocorre nos corredores de ônibus localizados no centro da pista
de rolamento).
CTB, art. 32 - O condutor não poderá ultrapassar veículos em vias com duplo
sentido de direção e pista única, nos trechos em curvas e em aclives sem
visibilidade suficiente, nas passagens de nível, nas pontes e viadutos e nas
travessias de pedestres, exceto quando houver sinalização permitindo a
ultrapassagem.
Art. 32, CTB
As proibições de ultrapassagem são as constantes de duas normas gerais de
circulação e conduta: os artigos 32 e 33, os quais podem ser relacionados
com dois outros dispositivos legais: o artigo 29, inciso II, que estabelece a
circulação pelo lado direito da via, e a infração de trânsito do artigo 186,
inciso I, que admite o trânsito na contramão excepcionalmente para
ultrapassar outro veículo e apenas pelo tempo necessário, respeitada a
preferência do veículo que transitar em sentido contrário.
Além desta combinação normativa, a ultrapassagem proibida também é
mencionada nos artigos 202 e 203, que versam sobre as infrações de
trânsito relativas ao descumprimento das normas gerais citadas.
O artigo 202, incisos I e II, trata, especificamente, das infrações de se
ultrapassar outro veículo pelo acostamento, em interseções e passagens de
nível (cruzamentos com via férrea).
O artigo 203, por sua vez, proíbe a ultrapassagem, pela contramão de
direção, nos seguintes locais:
■ Em curvas, aclives e declives, sem visibilidade suficiente (apesar de
não constar a palavra “declives” no artigo 32, a proibição está expressa no
inciso I do artigo 203);
■ Nas faixas de pedestres;
■ Nas pontes, viadutos e túneis (igualmente, o acréscimo “túneis”
encontra-se somente na infração de trânsito - artigo 203, inciso III);
■ Fila de veículos junto a sinais luminosos, porteiras, cancelas,
cruzamentos ou qualquer outro impedimento à livre circulação;
■ Onde houver marcação viária longitudinal de divisão de fluxos
opostos do tipo linha dupla contínua ou simples contínua amarela
(comumente conhecida como “faixa dupla”).
Interessante notar, da leitura das infrações descritas nos cinco incisos do
artigo 203, que nenhum deles menciona a sinalização vertical como sendo
imprescindível para a caracterização da infração de trânsito de
ultrapassagem, ou seja, a implantação da placa de regulamentação R-7
(“proibido ultrapassar”) serve apenas para reforçar alguma proibição já
existente, de acordo com as circunstâncias acima apresentadas e, portanto,
a sua ausência não obsta a aplicação da sanção administrativa
correspondente.
A parte final do artigo 32, que menciona a exceção de ultrapassagem
quando houver sinalização permitindo tal manobra, refere-se à marcação
viária longitudinal de divisão de fluxos opostos do tipo linha simples
seccionada ou dupla seccionada, não havendo outro sinal de trânsito que
tenha como significado a permissão de ultrapassagem.
CTB, art. 33 - Nas interseções e suas proximidades, o condutor não poderá
efetuar ultrapassagem.
Art. 33, CTB
Para compreensão do artigo 33, faz-se necessário o conhecimento de dois
conceitos, previstos no Anexo I do CTB:
■ Ultrapassagem: movimento de passar à frente de outro veículo que
se desloca no mesmo sentido, em menor velocidade e na mesma faixa de
tráfego, necessitando sair e retornar à faixa de origem;
■ Interseção: todo cruzamento em nível, entroncamento ou
bifurcação, incluindo as áreas formadas por tais cruzamentos,
entroncamentos ou bifurcações.
Portanto, proíbe-se, por este dispositivo legal, a manobra de sair de trás de
um veículo e passar à sua frente, retornando à faixa de origem, quando
ambos estiverem próximos a cruzamentos, entroncamentos ou bifurcações
de vias; obviamente, tal proibição tem fundamento no aspecto da
segurança de trânsito, posto que se trata de local em que fluxos
perpendiculares se encontram e, portanto, eventual ultrapassagem
colocará em risco os veículos que por ali circulam.
Interessante notar que tal proibição independe de sinalização, ou seja, não
é necessário que exista, no cruzamento de vias, a sinalização horizontal
(linha de divisão de fluxos opostos, do tipo contínua amarela), nem placa
de regulamentação R-7 (“proibido ultrapassar”).
A inobservância desta norma geral de circulação e conduta caracteriza a
infração de trânsito prevista no artigo 202, inciso II: “ultrapassar outro
veículo em interseções e passagens de nível”, de natureza grave, sujeita à
multa de R$ 127,69 e 5 pontos no prontuário do condutor.
CTB, art. 34 - O condutor que queira executar uma manobra deverá
certificar-se de que pode executá-la sem perigo para os demais usuários da
via que o seguem, precedem ou vão cruzar com ele, considerando sua
posição, sua direção e sua velocidade.
Art. 34, CTB
A norma geral de circulação e conduta constante do artigo 34 aplica-se a
qualquer manobra efetuada pelo condutor de veículo automotor,
conceituada, pelo Anexo I do CTB, como “movimento executado pelo
condutor para alterar a posição em que o veículo está no momento em
relação à via”; assim, não se refere somente aos deslocamentos laterais,
como ocorre com o artigo 35 (transposição de faixas, movimentos de
conversão à direita ou esquerda e retornos); mas se trata de regra de
observância obrigatória também para situações de ultrapassagem, início de
marcha, redução de velocidade, marcha à ré e imobilização do veículo
(parada, estacionamento ou interrupção de marcha).
A exigência é a de que o condutor se certifique da SEGURANÇA, conforme
as circunstâncias (principalmente posição, direção e velocidade do veículo),
o que se coaduna com outras regras estabelecidas no Capítulo III do CTB,
como a prevista no artigo 26, I (“os usuários das vias terrestres devem
abster-se de todo ato que possa constituir perigo ou obstáculo para o
trânsito de veículos, de pessoas ou de animais, ou ainda causar danos a
propriedades públicas ou privadas”) ou a determinada pelo artigo 28 (“o
condutor deverá, a todo momento, ter domínio de seu veículo, dirigindo-o
com atenção e cuidados indispensáveis à segurança do trânsito”).
Um aspecto interessante do artigo 34 é que, diferentemente do que ocorre
com a maioria das normas gerais de circulação e conduta, não há uma
infração de trânsito correlata, no Capítulo XV do CTB, específica para quem
descumpre a regra imposta por tal norma primária; entretanto, ainda que
não seja possível punir, pelo cometimento de infração de trânsito, aquele
que descumpre o artigo 34, a inobservância do preceito pode gerar
responsabilidade na esfera civil e/ou criminal, isto é, se um condutor deixar
de verificar se sua manobra causa ou não perigo para o trânsito, e vem a se
envolver em uma ocorrência automobilística, sua conduta pode lhe
acarretar o dever de indenizar os prejuízos causados e, ainda, constituir
causa de culpabilidade pela morte ou lesão de outrem.
CTB, art. 35 - Antes de iniciar qualquer manobra que implique um
deslocamento lateral, o condutor deverá indicar seu propósito de forma
clara e com a devida antecedência, por meio da luz indicadora de direção
de seu veículo, ou fazendo gesto convencional de braço.
Parágrafo único. Entende-se por deslocamento lateral a transposição de
faixas, movimentos de conversão à direita, à esquerda e retornos.
Art. 35, CTB
A obrigação constante do artigo 35 refere-se à necessidade de que o
condutor sinalize suas intenções, quando for alterar a trajetória do veículo,
nos chamados deslocamentos laterais (transposição de faixas, movimentos
de conversão à direita ou à esquerda e retornos), para possibilitar que os
demais usuários da via saibam, antecipadamente, qual é o caminho a ser
percorrido pelo seu veículo, evitando, assim, colisões.
Existem duas formas de se sinalizar, sempre de forma clara e com a devida
antecedência, sendo possível utilizar qualquer uma das duas, de forma
isolada ou, se preferir, cumulativamente:
1^) por meio da luz indicadora de direção (conhecida como “seta”, ou como
alguns chamam, “pisca-pisca”), a qual faz parte do sistema de sinalização
do veículo;
2^) com a utilização de gestos do condutor, que fazem parte do rol de sinais
de trânsito (artigo 87, inciso VI), e são detalhados ao final do Anexo II do
CTB: se o condutor tiver a intenção de efetuar conversão à esquerda, deve
colocar o braço esquerdo para fora do veículo, de forma estendida,
indicando o caminho a seguir; e, se seu objetivo é virar à direita, o braço
esquerdo deve ficar numa posição a 90 graus, com a mão voltada para cima
e a palma para a direção da janela do motorista (a ilustração do movimento
adequado consta do Anexo II).
Vale salientar que, se o condutor optar por sinalizar sua intenção por meio
do gesto de braço, ainda assim estará mantida a obrigatoriedade de luz
indicadora no veículo, em condições de funcionamento, já que está
relacionada entre os demais equipamentos obrigatórios constantes da
Resolução do Conselho Nacional de Trânsito n. 14/98.
O condutor que descumprir o preceito do artigo 35 incorrerá na infração do
artigo 196 (“Deixar de indicar com antecedência, mediante gesto
regulamentar de braço ou luz indicadora de direção do veículo, o início da
marcha, a realização da manobra de parar o veículo, a mudança de direção
ou de faixa de circulação”), de natureza grave, sujeita à multa de R$ 127,69
e 5 pontos no prontuário.
O Manual Brasileiro de Fiscalização de Trânsito (Resolução do Contran n.
371/10) estabelece que não deve ser autuado o condutor que não sinaliza
a manobra de conversão em entroncamento que tenha uma única direção
a seguir, ou ainda, que não sinaliza a manobra de saída de lote lindeiro
quando a via for de mão única.
CTB, art. 36 - O condutor que for ingressar numa via, procedente de um lote
lindeiro a essa via, deverá dar preferência aos veículos e pedestres que por
ela estejam transitando.
Art. 36, CTB
A preferência descrita no artigo 36 refere-se às situações em que o
condutor está retirando seu veículo de um imóvel ou uma garagem, com o
objetivo de colocá-lo em circulação na via pública, tendo em vista que a
expressão “lote lindeiro” significa justamente “aquele situado ao longo das
vias urbanas ou rurais e que com elas se limita” (Anexo I do CTB).
Verifica-se, portanto, que não é possível utilizar a mesma referência legal,
ao tratarmos de veículo que está ingressando numa via, procedente de
outra via que com ela se cruze; neste caso, não havendo sinalização que
obrigue a imobilização total de um dos veículos (placa “Pare”) ou a
preferência (placa “Dê a preferência”), devem ser aplicadas as regras
previstas no artigo 29, inciso III, que estabelecem a preferência de
passagem para: veículo proveniente de rodovia; ou veículo circulando em
rotatória; ou veículo que vier pela direita do condutor.
Este dispositivo legal procura privilegiar os que já estejam utilizando a via
pública (inclusive os pedestres no passeio), para garantir a segurança e a
fluidez viárias, em detrimento aos veículos que ainda não ingressaram no
leito carroçável.
Quanto ao pedestre, cabe lembrar a responsabilidade determinada no
artigo 29, § 2°, que coloca os veículos de maior porte responsáveis pelos
menores, os motorizados pelos não motorizados, e todos pela
incolumidade dos pedestres; isto é, há uma preocupação frequente da
legislação de trânsito, pela segurança dos mais frágeis e vulneráveis.
A infração de trânsito correlata a esta norma geral é a prevista no artigo
216, que amplia a regra também para o condutor que está entrando no
imóvel (e não apenas saindo, para ingressar na via), ao estabelecer como
infracional a conduta de “entrar ou sair de áreas lindeiras sem estar
adequadamente posicionado para ingresso na via e sem as precauções com
a segurança de pedestres e de outros veículos”.
CTB, art. 37 - Nas vias providas de acostamento, a conversão à esquerda e
a operação de retorno deverão ser feitas nos locais apropriados e, onde
estes não existirem, o condutor deverá aguardar no acostamento, à direita,
para cruzar a pista com segurança.
Art. 37, CTB
O artigo 37 estabelece como devem ser realizadas as manobras de
conversão à esquerda e retorno, especificamente nas vias dotadas de
acostamento: normalmente, as vias rurais - estradas e rodovias.
Segundo o Anexo I do CTB:
■ Conversão: movimento em ângulo, à esquerda ou à direita, de
mudança da direção original do veículo;
■ Retorno: movimento de inversão total de sentido da direção original
de veículos.
O acostamento, por sua vez, é tratado pelo Código como a “parte da via
diferenciada da pista de rolamento destinada à parada ou estacionamento
de veículos, em caso de emergência, e à circulação de pedestres e bicicletas,
quando não houver local apropriado para esse fim”.
Toda vez que a via possuir esta área diferenciada, o condutor é obrigado,
ao convergir à esquerda ou retornar, a cumprir uma das seguintes regras:
a) Realizar a manobra em locais apropriados, como ilhas específicas
(rotatórias), viadutos e túneis devidamente sinalizados, ou trajetos
alternativos indicados pela sinalização vertical, utilizando as vias
transversais e paralelas;
b) Apenas quando não houver local apropriado para tais manobras, é
que se poderá utilizar o acostamento do lado direito da via, imobilizando
temporariamente o veículo, para cruzar a pista com segurança (não há
exigência para que se utilize o acostamento também do lado oposto,
quando estiver concluindo o movimento de retorno, antes de ingressar na
pista de rolamento; entretanto, é comum que isto se faça necessário, para
concluir a manobra com segurança).
O descumprimento da norma geral de circulação e conduta estabelecida no
artigo 37 configura a infração de trânsito do artigo 204: “Deixar de parar o
veículo no acostamento à direita, para aguardar a oportunidade de cruzar
a pista ou entrar à esquerda, onde não houver local apropriado par
operação de retorno”.
Vale ressaltar que, nas vias desprovidas de acostamento, não há a
obrigatoriedade de que o condutor aguarde do lado direito da via, para
realizar a conversão à esquerda ou retorno (no caso da conversão, deve
aguardar no centro da pista, como determina o artigo 38, não havendo uma
regulamentação específica para o retorno, somente devendo o condutor
atentar para que não prejudique a livre circulação ou a segurança, sob pena
de cometimento da infração do artigo 206, V).
CTB, art. 38 - Antes de entrar à direita ou à esquerda, em outra via ou em
lotes lindeiros, o condutor deverá:
I - ao sair da via pelo lado direito, aproximar-se o máximo possível do
bordo direito da pista e executar sua manobra no menor espaço possível;
II - ao sair da via pelo lado esquerdo, aproximar-se o máximo possível
de seu eixo ou da linha divisória da pista, quando houver, caso se trate de
uma pista com circulação nos dois sentidos, ou do bordo esquerdo,
tratando-se de uma pista de um só sentido.
Parágrafo único. Durante a manobra de mudança de direção, o condutor
deverá ceder passagem aos pedestres e ciclistas, aos veículos que transitem
em sentido contrário pela pista da via da qual vai sair, respeitadas as
normas de preferência de passagem.
Art. 38, CTB
A norma geral de circulação e conduta do artigo 38 determina a maneira
correta de se realizar a manobra de conversão (“movimento em ângulo, à
esquerda ou à direita, de mudança da direção original do veículo”),
excetuada a conversão à esquerda, em locais providos de acostamento
(quando deverá ser seguida a regra do artigo 37).
Após a devida sinalização de sua intenção, com antecedência, por meio do
gesto convencional de braço ou luz indicadora de direção do veículo (seta),
nos termos do artigo 35, a obrigação é a de se aproximar, o máximo
possível, do lado para onde deseja virar, sob pena do cometimento da
infração do artigo 197: “Deixar de deslocar, com antecedência, o veículo
para faixa mais à esquerda ou mais à direita, dentro da respectiva mão de
direção, quando for manobrar para um desses lados” (a infração de não
sinalizar a intenção encontra-se prevista no artigo 196).
A exigência de aproximação aplica-se tanto para a conversão para a via
transversal, quanto para a entrada em um lote lindeiro (“aquele situado ao
longo das vias urbanas ou rurais e que com elas se limita”), sendo limitada,
obviamente, ao tamanho do veículo (para um caminhão ou ônibus, por
exemplo, não é possível se aproximar totalmente do lado para onde vai
convergir, motivo pelo qual o dispositivo legal exige que se aproxime o
máximo possível).
Quando a conversão ocorre para o lado esquerdo da via, e se tratar de
circulação nos dois sentidos, o veículo deve se posicionar no centro da pista,
dando preferência aos veículos que transitam no sentido contrário (além
de ceder passagem aos pedestres e ciclistas), mantendo-se a devida
sinalização de sua intenção (aliás, é justamente nesta condição que o
Código de Trânsito autoriza a ultrapassagem pelo lado direito, conforme
artigo 29, inciso IX: “a ultrapassagem de outro veículo em movimento
deverá ser feita pela esquerda, obedecida a sinalização regulamentar e as
demais normas estabelecidas neste Código, exceto quando o veículo a ser
ultrapassado estiver sinalizando o propósito de entrar à esquerda”).
Destaca-se que a linha de divisão de fluxos opostos não impede a conversão
à esquerda quando o condutor for ingressar em um lote lindeiro, nos
termos do Anexo II do CTB e Resolução do Conselho Nacional de Trânsito n.
236/07, que versa sobre a sinalização horizontal (a regra é reforçada
também no Manual Brasileiro de Fiscalização de Trânsito - Resolução n.
371/10).
CTB, art. 39 - Nas vias urbanas, a operação de retorno deverá ser feita nos
locais para isto determinados, quer por meio de sinalização, quer pela
existência de locais apropriados, ou, ainda, em outros locais que ofereçam
condições de segurança e fluidez, observadas as características da via, do
veículo, das condições meteorológicas e da movimentação de pedestres e
ciclistas.
Art. 39, CTB
A operação de retorno, de acordo com o Anexo I do CTB, consiste no
“movimento de inversão total de sentido da direção original de veículos”,
não se confundindo com a conversão, que é o “movimento em ângulo, à
esquerda ou à direita, de mudança da direção original do veículo”.
Assim, o artigo 39 versa sobre a manobra na qual o condutor faz um giro de
180 graus com o veículo, passando a adotar sentido totalmente inverso ao
que se encontrava, como se pretendesse voltar para o seu ponto de origem.
O dispositivo legal sob comento autoriza que o retorno seja realizado em
qualquer lugar, desde que não haja riscos à segurança do trânsito. Apesar
de ser recomendável que se utilizem locais indicados pela sinalização
vertical ou pela própria condição de engenharia viária (como em uma
rotatória, por exemplo), não há qualquer óbice para que se realize o retorno
de um veículo no meio da rua, exigindo-se, para tanto que se observe o
seguinte:
■ Se houver acostamento à direita, o condutor nele deve aguardar, até
o momento mais propício para cruzar a via (infração de trânsito do artigo
204);
■ Que não seja um local expressamente proibido: com placa de
“proibido retornar” (R-5a e R-5b) ou com sinalização horizontal proibitiva
(linhas de divisão de fluxos opostos); nas curvas, aclives, declives, pontes,
viadutos e túneis; passando por cima de calçada, passeio, ilhas,
ajardinamento, canteiros de divisão de pista de rolamento, refúgios e nas
faixas de pedestres e nas de veículos não motorizados; nas interseções,
entrando na contramão de direção da via transversal (infrações dos incisos
I a IV do artigo 206); e
■ Que não haja prejuízo à livre circulação e segurança (infração do
inciso V do artigo 206).
CTB, art. 40 - O uso de luzes em veículo obedecerá às seguintes
determinações:
I - o condutor manterá acesos os faróis do veículo, utilizando luz baixa,
durante a noite e durante o dia nos túneis providos de iluminação pública
e nas rodovias; (Redação dada pela Lei n° 13 -290, de 2016) (Vigência)
II - nas vias não iluminadas o condutor deve usar luz alta, exceto ao
cruzar com outro veículo ou ao segui-lo;
III - a troca de luz baixa e alta, de forma intermitente e por curto período
de tempo, com o objetivo de advertir outros motoristas, só poderá ser
utilizada para indicar a intenção de ultrapassar o veículo que segue à frente
ou para indicar a existência de risco à segurança para os veículos que
circulam no sentido contrário;
IV - o condutor manterá acesas pelo menos as luzes de posição do
veículo quando sob chuva forte, neblina ou cerração;
V - O condutor utilizará o pisca-alerta nas seguintes situações:
a) em imobilizações ou situações de emergência;
b) quando a regulamentação da via assim o determinar;
VI - durante a noite, em circulação, o condutor manterá acesa a luz de
placa;
VII - o condutor manterá acesas, à noite, as luzes de posição quando o
veículo estiver parado para fins de embarque ou desembarque de
passageiros e carga ou descarga de mercadorias.
Parágrafo único. Os veículos de transporte coletivo regular de passageiros,
quando circularem em faixas próprias a eles destinadas, e os ciclos
motorizados deverão utilizar-se de farol de luz baixa durante o dia e a noite.
Art. 40, CTB
O sistema de iluminação e sinalização dos veículos é composto por vários
dispositivos, cujos requisitos estão regulamentados pela Resolução do
CONTRAN n. 227/07; apenas alguns deles possuem regras específicas para
sua utilização, as quais são contempladas pelo artigo 40:
I. Luz de posição;
II. Luz baixa;
III. Luz alta; e
IV. Pisca-alerta.
I. Luz de Posição
Também denominada de lanterna, é a “luz do veículo destinada a indicar a
presença e a largura do veículo” (Anexo I do CTB) e deve ser utilizada em
duas situações:
1. Situação Obrigatória: é exigida, à noite, quando o veículo estiver
imobilizado para embarque ou desembarque de passageiros e carga ou
descarga de mercadorias (preferi utilizar a expressão “imobilizado”, em vez
de “parado”, como consta no texto legal, tendo em vista que a parada, por
definição legal, não abrange a carga e descarga);
2. Situação Facultativa: a utilização facultativa refere-se aos casos de
chuva forte, neblina ou cerração, já que o inciso IV do artigo 40 estabelece
que a lanterna é a iluminação mínima que deve ser utilizada, podendo ser
substituída pela luz baixa; apenas não é recomendável a utilização da luz
alta, pois os raios refletem na água em suspensão, dificultando a
visualização do condutor.
II. Luz Baixa
É o "facho de luz do veículo destinada a iluminar a via diante do veículo,
sem ocasionar ofuscamento ou incômodo injustificáveis aos condutores e
outros usuários da via que venham em sentido contrário” (Anexo I), sendo
obrigatória em apenas duas situações:
1) À noite: período do dia compreendido entre o pôr-do-sol e o nascer
do sol; e
2) De dia e de noite, nos túneis providos de iluminação pública; embora
pareça contraditório exigir-se a luz baixa, somente nos túneis com
iluminação, este direcionamento se deve ao fato de que, nos túneis não
iluminados, a obrigação do condutor será a de utilizar a luz alta.
O parágrafo único estabelece uma excepcionalidade para determinados
veículos, exigindo-se a luz baixa, a qualquer hora do dia:
■ Ônibus, nas faixas próprias; e
■ Ciclos motorizados.
Portanto, se um ônibus estiver circulando em via que não contenha faixa
exclusiva, não será obrigado a manter o farol baixo aceso.
Quanto aos ciclos motorizados, trata-se de questão emblemática, já que
não há, no CTB, definição deste tipo de veículo, mas apenas de ciclo:
“veículo de pelo menos duas rodas a propulsão humana” e ciclomotor:
“veículo de duas ou três rodas, provido de um motor de combustão interna,
cuja cilindrada não exceda a cinquenta centímetros cúbicos (3,05 polegadas
cúbicas) e cuja velocidade máxima de fabricação não exceda a cinquenta
quilômetros por hora”.
Se compararmos, entretanto, a norma geral do artigo 40 com a infração de
trânsito do artigo 250, I, “c” e “d”, chegaremos à conclusão de que “ciclos
motorizados” equivalem a “ciclomotores” e, portanto, esta regra não se
estende a motocicletas e motonetas.
III. Luz Alta
É o “facho de luz do veículo destinado a iluminar a via até uma grande
distância do veículo” (Anexo I), com exigência para as vias não iluminadas,
exceto ao cruzar com outro veículo ou ao segui-lo.
A alternância das luzes baixa e alta (piscar os faróis) é permitida apenas em
dois casos:
1. Indicar ultrapassagem;
2. Indicar existência de riscos na via pública.
Assim, é infração o ato de, por exemplo, avisar aos outros motoristas, por
meio dos faróis, a existência de equipamento medidor de velocidade ou de
agentes de trânsito na via.
IV. Pisca-alerta
É a “luz intermitente do veículo, utilizada em caráter de advertência,
destinada a indicar aos demais usuários da via que o veículo está
imobilizado ou em situação de emergência” e, segundo o inciso V, destina-
se às situações de emergência, imobilizações e quando a regulamentação
da via determinar (estacionamento regulamentado de curta duração, com
o pisca-alerta ligado).
Uma questão interessante é que, embora seja comum a orientação no
sentido de nunca se utilizar o pisca-alerta com o veículo em movimento,
pela forma como o dispositivo legal foi redigido, é possível admitir este tipo
de utilização, desde que se trate de situação de emergência.
CTB, art. 41 - O condutor de veículo só poderá fazer uso de buzina, desde
que em toque breve, nas seguintes situações:
I - para fazer as advertências necessárias a fim de evitar acidentes;
II - fora das áreas urbanas, quando for conveniente advertir a um
condutor que se tem o propósito de ultrapassá-lo.
Art. 41, CTB
A buzina constitui equipamento obrigatório para os veículos, expresso
taxativamente no rol de exigências do artigo 1° da Resolução do Conselho
Nacional de Trânsito n. 14/98.
Sua utilização, sempre em toque breve, somente é permitida em duas
situações, estabelecidas no artigo 41:
I) Para fazer advertências necessárias, quando houver um risco à
segurança do trânsito; e
II) Fora das áreas urbanas, para indicar o propósito de ultrapassar outro
veículo.
O que vemos, entretanto, é um uso indiscriminado da buzina, para fins
diversos do que preconiza a legislação de trânsito. Os condutores, de
maneira geral, utilizam o equipamento como uma forma de comunicação
com os demais usuários da via.
A norma geral do artigo 41 tem correlação com a infração de trânsito
prevista no artigo 227, que prevê, em seus cinco incisos, as condutas
infracionais que são puníveis com multa de natureza leve, vinculadas aos
seguintes fatores:
Inc. I, art. 227, CTB - Situação
Quando usada em outros casos que não caracterizem advertência a
pedestres ou a condutores de outros veículos: para cumprimentar alguém,
para chamar a atenção de um pedestre ou de outro motorista, como
comemoração de eventos festivos: vitória do time em partida de futebol ou
saída do casamento religioso com destino ao local de festas, para chamar
alguém para abrir o portão da residência, a fim de guardar o veículo, entre
tantas outras situações corriqueiras.
Inc. II, art. 227, CTB - Forma
Prolongada e sucessiva a qualquer pretexto: ainda que a buzina seja
utilizada nas duas situações em que se permite buzinar, o som não deve ser
prolongado, posto que o dispositivo legal restringe aos toques breves.
Inc. III, art. 227, CTB - Horário
Entre as vinte e duas e seis horas (22:00 - 6:00 h): neste horário, é proibido
buzinar, inclusive nos dois casos permitidos pela legislação.
Inc. IV, art. 227, CTB - Sinalização
Onde tiver sido instalada a placa de regulamentação R-20 (proibido acionar
buzina ou sinal sonoro), cujo significado, conforme Resolução do Contran
n. 180/05, é “assinalar ao condutor do veículo que é proibido acionar a
buzina ou qualquer outro tipo de sinal sonoro, no local regulamentado”,
com validade a partir do ponto onde é colocada.
Inc. V, art. 227, CTB - Padrões
Em desacordo com padrões e frequências estabelecidos pelo Conselho
Nacional de Trânsito - a este respeito, a única Resolução existente, até o
momento, é a Resolução n. 35/98, que fixa um nível máximo de pressão
sonora de 104 decibéis (e mínima de 93 decibéis, para os veículos
produzidos a partir de 2002); além disso, a norma proíbe buzinas com sons
semelhantes a sirenes dos veículos de emergência.
CTB, art. 42 - Nenhum condutor deverá frear bruscamente seu veículo,
salvo por razões de segurança.
Art. 42, CTB
Ao proibir a freada brusca, o artigo 42 do Código pode ser relacionado aos
artigos 28 e 29, inciso II, que obrigam ao condutor ter, a todo momento,
domínio do veículo, dirigindo-o com atenção e cuidados indispensáveis à
segurança do trânsito, bem como guardar distância frontal de segurança,
entre o seu e os demais veículos; ou seja, quando o condutor utiliza o freio
do veículo de maneira repentina, demonstra que não tinha total domínio e
que não estava guardando distância de segurança, a ponto de precisar da
freada brusca para evitar colisões.
Aliás, esta é justamente a razão de segurança, que autoriza tal conduta, já
que a necessidade de frear o veículo pode decorrer de eventos
imprevisíveis na via pública
Portanto, admite-se a freada brusca, para se evitar um mal maior, um
envolvimento em ocorrência de trânsito, como uma colisão com outro
veículo ou um atropelamento.
Quando, por exemplo, a causa de imobilização do veículo se tratar de
evento previsível, não se admite a freada brusca. Podemos citar o caso da
imobilização em decorrência do fechamento do semáforo, que,
normalmente, pode (e deve) ser antecipada pelo condutor do veículo. Se
verificarmos as regras estabelecidas para a sinalização semafórica, no
Anexo II do CTB, veremos que até mesmo o sinal amarelo já obriga este
comportamento do condutor, pois o seu significado é o seguinte: “indica
‘atenção', devendo o condutor parar o veículo, salvo se isto resultar em
situação de perigo”.
A proibição de freada brusca justifica-se pelo fato de que este
comportamento pode causar o travamento das rodas, quando o veículo for
desprovido do sistema de antitravamento, denominado ABS (Antilock
Braking System), que melhora a estabilidade e a dirigibilidade do veículo
durante o processo de frenagem, o que passou a ser obrigatório na
fabricação de veículos, conforme calendário para a indústria automotiva,
estabelecido pela Resolução do Conselho Nacional de Trânsito n° 380/11.
A derrapagem ou frenagem com deslizamento ou arrastamento de pneus
pode também ser considerada uma infração de trânsito, quando não se
tratar de freada brusca, mas sim uma demonstração de manobra perigosa
para os demais usuários da via, o que é tipificado no artigo 175.
CTB, art. 43 - Ao regular a velocidade, o condutor deverá observar
constantemente as condições físicas da via, do veículo e da carga, as
condições meteorológicas e a intensidade do trânsito, obedecendo aos
limites máximos de velocidade estabelecidos para a via, além de:
I - não obstruir a marcha normal dos demais veículos em circulação
sem causa justificada, transitando a uma velocidade anormalmente
reduzida;
II - sempre que quiser diminuir a velocidade de seu veículo deverá
antes certificar-se de que pode fazê-lo sem risco nem inconvenientes para
os outros condutores, a não ser que haja perigo iminente;
III - indicar, de forma clara, com a antecedência necessária e a
sinalização devida, a manobra de redução de velocidade.
Art. 43, CTB
Quando se fala em velocidade, no campo da segurança viária, normalmente
se pensa apenas no excesso como algo a ser controlado; todavia, existem
outras circunstâncias igualmente necessárias, para se garantir um trânsito
seguro.
Desta forma, o artigo 43 estabelece quais são as cautelas que devem ser
adotadas pelo condutor, ao determinar qual a velocidade deseja transitar
na via:
■ Observância constante das condições da via, do veículo e da carga, as
condições meteorológicas e a intensidade do trânsito, o que se reforça pela
necessidade de que o condutor tenha, a todo momento, domínio do
veículo, dirigindo-o com atenção e cuidados indispensáveis à segurança do
trânsito (exigência constante do artigo 28 do CTB);
■ Obediência aos limites máximos, que são aqueles determinados pelo
órgão ou entidade executivo de trânsito ou rodoviário, com circunscrição
sobre a via, por meio de sinalização vertical de regulamentação, ou, na
inexistência de placas, os estabelecidos no artigo 61, por tipo de via;
■ Obediência aos limites mínimos, que são sempre de 50%, em relação
aos máximos permitidos (artigo 62); todavia, como se percebe no inciso I
do artigo 43, combinado com o artigo 219, somente ocorrerá infração de
trânsito se a velocidade anormalmente reduzida estiver retardando ou
obstruindo o trânsito;
■ Redução da velocidade sempre de maneira segura, sem causar perigo
para os outros usuários da via, sendo proibido, inclusive, que se freie
bruscamente, salvo por razões de segurança (artigo 42);
■ Indicação da manobra de redução de velocidade, prevista no Anexo
II do CTB, como um sinal de trânsito: gesto do condutor, em que se coloca
o braço esquerdo estendido para fora do veículo, levantando-o e abaixando
continuamente e por curto período de tempo (esta é, inclusive, uma
exceção, para a necessidade de se manter as duas mãos ao volante
enquanto dirige, conforme prevê o artigo 252, inciso V).
CTB, art. 44 - Ao aproximar-se de qualquer tipo de cruzamento, o condutor
do veículo deve demonstrar prudência especial, transitando em velocidade
moderada, de forma que possa deter seu veículo com segurança para dar
passagem a pedestre e a veículos que tenham o direito de preferência.
Art. 44, CTB
A aproximação de um veículo de qualquer tipo de cruzamento requer uma
atenção especial, independente de haver ou não sinalização que demonstre
de quem é a preferência na interseção, tendo em vista se tratar de local
propício à ocorrência de colisões, já que estarão cruzando, entre si, veículos
em direções perpendiculares, motivo pelo qual a norma geral de circulação
e conduta estabelecida no artigo 44 exige essa prudência maior, para que
haja condições de se evitar uma ocorrência de trânsito.
O “trânsito em velocidade moderada” exigido pelo dispositivo legal
dependerá das circunstâncias de cada caso, não sendo possível estabelecer
qual é a velocidade exata que deva ser mantida pelo veículo. O importante
é que, em dada situação, seja possível deter o veículo para dar passagem a
pedestre e a veículos que tenham o direito de preferência, sem freadas
bruscas ou perda do controle pelo condutor.
O artigo 220, inciso IV, prevê a infração de trânsito, de natureza grave, por
“Deixar de reduzir a velocidade do veículo de forma compatível com a
segurança do trânsito ao aproximar-se de ou passar por interseção não
sinalizada”.
A preferência de passagem do pedestre está sedimentada no artigo 70, que
assim dispõe: “Os pedestres que estiverem atravessando a via sobre as
faixas delimitadas para esse fim terão prioridade de passagem, exceto nos
locais com sinalização semafórica, onde deverão ser respeitadas as
disposições deste Código”, o que abrange também o ciclista desmontado,
empurrando a bicicleta, nos termos do § 1° do artigo 68.
O descumprimento da preferência do pedestre e do veículo não motorizado
pode acarretar uma das infrações de trânsito dos incisos do artigo 214 (no
caso de bicicleta na faixa própria, a preferência do inciso I, art. 214, CTB,
somente se aplica nos cruzamentos sinalizados com marcação
rodocicloviária, quando o ciclista já tiver iniciado a travessia, conforme o
Manual Brasileiro de Fiscalização de Trânsito, instituído pela Resolução do
Conselho Nacional de Trânsito n. 371/10).
Já a preferência dos veículos automotores dependerá da existência (ou não)
de sinalização vertical de regulamentação no cruzamento: a implantação da
placa R-1 (parada obrigatória) significa que o condutor deve imobilizar
totalmente seu veículo, antes de entrar ou cruzar a via/pista, enquanto que
a placa R-2 (dê a preferência) assinala ao condutor a obrigatoriedade de dar
preferência de passagem ao veículo que circula na via em que vai entrar ou
cruzar, devendo para tanto reduzir a velocidade ou imobilizar seu veículo,
se necessário. Não havendo sinalização, aplicam-se as regras de preferência
determinadas pelo inciso III do artigo 29:
1. Veículo em fluxo proveniente de rodovia;
2. Veículo circulando na rotatória; e
3. Veículo que vier pela direita do condutor.
CTB, art. 45 - Mesmo que a indicação luminosa do semáforo lhe seja
favorável, nenhum condutor pode entrar em uma interseção se houver
possibilidade de ser obrigado a imobilizar o veículo na área do cruzamento,
obstruindo ou impedindo a passagem do trânsito transversal.
Art. 45, CTB
Embora a cor verde da sinalização semafórica de regulamentação “indique
permissão de prosseguir na marcha, podendo o condutor efetuar as
operações indicadas pelo sinal luminoso, respeitadas as normas gerais de
circulação e conduta”, conforme item 4.1.2.b) do Anexo II do CTB, esta
permissão não pode ser tomada de maneira absoluta, cabendo ao condutor
manter a atenção voltada às condições de fluidez, para avaliar se haverá
tempo e espaço suficientes para cruzar a via com segurança.
É muito comum, por exemplo, que condutores que se encontram com seus
automóveis atrás de veículos de maior porte (ônibus ou caminhões)
aleguem, em recurso contra a multa de avanço de sinal vermelho do
semáforo, que o veículo à sua frente obstruiu a completa visualização do
semáforo; argumento este que não merece guarida, justamente pela
obrigação criada pelo artigo 45, já que nem mesmo a indicação luminosa
favorável permite que o condutor avance o cruzamento sem se cercar do
cuidado necessário.
Quando, da mudança do semáforo para a cor vermelha, o veículo
permanecer imobilizado sobre a faixa de pedestres, a infração
correspondente é a do artigo 183, não havendo, todavia, um
enquadramento específico para a imobilização sobre a área de cruzamento,
o que foi padronizado pelo Manual Brasileiro de Fiscalização de Trânsito,
instituído pela Resolução do Conselho Nacional de Trânsito n. 371/10.
Citado Manual estabelece, na ficha de enquadramento referente ao artigo
182, inciso VII (“Parar o veículo na área de cruzamento de vias,
prejudicando a circulação de veículos e pedestres”), que esta infração
também se aplica ao veículo imobilizado sobre área de cruzamento, por
interrupção de marcha, prejudicando a circulação de veículos e/ou
pedestres. Tal padronização de procedimentos é salutar, tendo em vista
que, para fins de autuação, equipara a interrupção de marcha à parada de
veículo, termos que possuem conotações diferentes, conforme o Anexo I
do CTB: enquanto a interrupção ocorre para atender circunstância
momentânea do trânsito (independente da vontade do motorista), a
parada é a imobilização específica para atender ao intento de embarque ou
desembarque de passageiros.
Para dar maior ênfase à imposição constante do artigo 45, a sinalização
horizontal contempla a possibilidade de que o órgão ou entidade de
trânsito com circunscrição sobre a via implante a marcação de área de
conflito, um quadriculado na cor amarela, na área de cruzamento das vias,
para assinalar aos condutores a área da pista em que não devem parar e
estacionar os veículos, prejudicando a circulação (item 2.2.3.f do Anexo II
do CTB).
CTB, art. 46 - Sempre que for necessária a imobilização temporária de um
veículo no leito viário, em situação de emergência, deverá ser
providenciada a imediata sinalização de advertência, na forma estabelecida
pelo CONTRAN.
Art. 46, CTB
Existem quatro formas de imobilização de um veículo na via pública:
1. A Parada;
2. O Estacionamento;
3. A Interrupção de Marcha; e
4. A Imobilização de Emergência: esta última tratada no artigo 46 e, ao
contrário das demais, sem uma definição específica no Anexo I do CTB,
podendo ser concebida como uma “imobilização decorrente de pane no
veículo, independente da vontade do condutor”.
A imobilização temporária, em situação de emergência, exige a imediata
sinalização de advertência aos demais usuários da via, de acordo com a
regulamentação específica do Conselho Nacional de Trânsito, atualmente
constante da Resolução n° 036/98, na seguinte conformidade: “O condutor
deverá acionar de imediato as luzes de advertência (pisca-alerta)
providenciando a colocação do triângulo de sinalização ou equipamento
similar à distância mínima de 30 metros da parte traseira do veículo”, sendo
aduzido que “O equipamento de sinalização de emergência deverá ser
instalado perpendicularmente ao eixo da via, e em condição de boa
visibilidade”.
O triângulo de sinalização constitui equipamento obrigatório dos veículos
automotores, denominado de “dispositivo de sinalização luminosa ou
refletora de emergência, independente do sistema de iluminação do
veículo” e previsto no rol de exigências da Resolução do Contran n° 014/98.
Suas especificações técnicas constam de outro ato normativo: a Resolução
n° 827/96, que o apresenta como “um triângulo equilátero vermelho,
inscrito em um suporte autossustentado, com cores, dimensões,
estabilidade, visibilidade, e demais características constantes dos anexos da
Resolução”.
A utilização do pisca-alerta também é tratada no artigo 40, inciso V, para as
seguintes situações:
I) Em imobilizações ou situações de emergência; e
II) Quando a regulamentação da via assim o determinar.
O descumprimento a esta norma geral de circulação e conduta pode
acarretar a infração de trânsito do artigo 225, por deixar de sinalizar a via,
ou, ainda, do artigo 179, por executar o reparo do veículo na via pública,
sem a necessária sinalização. Além destes dois enquadramentos, o
condutor também poderá ser apenado pelo artigo 226 caso deixe de retirar
o triângulo utilizado para sinalização viária.
CTB, art. 47 - Quando proibido o estacionamento na via, a parada deverá
restringir-se ao tempo indispensável para embarque ou desembarque de
passageiros, desde que não interrompa ou perturbe o fluxo de veículos ou
a locomoção de pedestres.
Parágrafo único. A operação de carga ou descarga será regulamentada pelo
órgão ou entidade com circunscrição sobre a via e é considerada
estacionamento.
Art. 47, CTB
A norma geral de circulação e conduta descrita no artigo 47 apenas reforça
os conceitos de “parada” e “estacionamento” previstos no Anexo I do CTB,
prescrevendo a diferenciação principal destas duas formas de imobilização
do veículo: a intenção do condutor.
Portanto, diferentemente do que muitos motoristas imaginam, quando
relacionam a parada ao fato de o condutor permanecer dentro do veículo,
com o motor ligado, o fato é que, de acordo com a legislação de trânsito, se
o veículo estiver imobilizado com a finalidade (e pelo tempo estritamente
necessário) para efetuar o embarque e desembarque de passageiros,
configura a parada do veículo; e, caso o tempo seja superior a este fim, diz-
se que o veículo se encontra estacionado.
Interessante destacar uma mudança neste conceito, em relação ao Código
Nacional de Trânsito de 1966: a operação de carga e descarga, antes
considerada parada, passou a ser estacionamento, de acordo com o
parágrafo único do artigo 47.
No Anexo I do CTB, encontramos o conceito de “operação de carga e
descarga” como sendo “imobilização do veículo, pelo tempo estritamente
necessário ao carregamento ou descarregamento de animais ou carga, na
forma disciplinada pelo órgão ou entidade executivo de trânsito
competente com circunscrição sobre a via”.
Assim, se, em uma determinada via, o estacionamento for proibido (seja
pela instalação de placa de regulamentação, ou por se tratar de local
expressamente proibido pela legislação de trânsito, especificamente nos
incisos do artigo 181 do CTB), também não será possível realizar o
carregamento ou descarregamento de animais ou carga.
A regulamentação de vaga destinada à carga e descarga constitui um dos
tipos de estacionamento específicos, constante do artigo 2°, inciso IV, da
Resolução do Conselho Nacional de Trânsito n° 302/08.
Além da parada e do estacionamento, existem ainda outras duas formas de
imobilização do veículo: a imobilização de emergência, para a qual se exige
a imediata sinalização, por meio da utilização do pisca-alerta do veículo e
colocação do triângulo de emergência, em uma distância de, no mínimo, 30
metros da traseira do veículo, conforme artigo 46 do CTB e Resolução do
Contran n° 36/98; e, ainda, a interrupção de marcha, definida, pelo Anexo
I, como “imobilização do veículo para atender circunstância momentânea
do trânsito”.
CTB, art. 48 - Nas paradas, operações de carga ou descarga e nos
estacionamentos, o veículo deverá ser posicionado no sentido do fluxo,
paralelo ao bordo da pista de rolamento e junto à guia da calçada (meio-
fio), admitidas as exceções devidamente sinalizadas.
§ 1° Nas vias providas de acostamento, os veículos parados, estacionados
ou em operação de carga ou descarga deverão estar situados fora da pista
de rolamento.
§ 2° O estacionamento dos veículos motorizados de duas rodas será feito
em posição perpendicular à guia da calçada (meio-fio) e junto a ela, salvo
quando houver sinalização que determine outra condição.
§ 3° O estacionamento dos veículos sem abandono do condutor poderá ser
feito somente nos locais previstos neste Código ou naqueles
regulamentados por sinalização específica.
Art. 48, CTB
O artigo 48 trata das posições do veículo, quando da sua imobilização, seja
para fins de embarque ou desembarque de passageiros (parada), ou por
tempo superior ao necessário para esta finalidade (estacionamento),
havendo uma redundância, no texto legal, quando menciona “operação de
carga ou descarga”, já que esta manobra está contemplada pelo conceito
de estacionamento, segundo o parágrafo único do artigo 47.
As infrações correlatas ao descumprimento deste dispositivo estão
previstas nos artigos:
Estacionamento - Art. 181
■ Inciso XV: estacionar na contramão de direção;
■ Incisos II e III: estacionar afastado da guia da calçada de cinquenta
centímetros a um metro ou a mais de um metro;
■ Inciso IV: estacionar em desacordo com as posições estabelecidas
neste Código.
Parada - Art. 182
■ Inciso IX: parar na contramão de direção;
■ Incisos II e III: parar afastado da guia da calçada de cinquenta
centímetros a um metro ou a mais de um metro;
■ Inciso IV: parar em desacordo com as posições estabelecidas neste
Código.
No caso de “estacionar/parar em desacordo com as posições estabelecidas
neste Código”, pune-se o veículo que não esteja na posição paralela à guia
da calçada ou, para veículos motorizados de duas rodas, que não estejam
na posição perpendicular.
As exceções devidamente sinalizadas são aquelas que possuem placa de
regulamentação R-6b (estacionamento regulamentado), com informação
complementar indicando a posição correta do veículo, por exemplo, a 45o
ou a 90o (que são os casos mais comuns).
Vale ressaltar que a simples pintura no solo não é suficiente para mudar a
regra estabelecida pelo Código de Trânsito, já que a sinalização horizontal
é complementar à vertical, sendo necessária a existência de placa.
O § 1°, ao prever que, nas vias providas de acostamento, os veículos
imobilizados devem se situar fora da pista de rolamento, indica que é
justamente no acostamento que eles devem ficar, tendo em vista que, por
definição do Anexo I do CTB, o acostamento é a “parte da via diferenciada
da pista de rolamento, destinada à parada ou estacionamento de veículos,
em caso de emergência, e à circulação de pedestres e bicicletas, quando
não houver local apropriado para este fim”.
Cabe ressaltar, entretanto, que, se o veículo permanecer estacionado no
acostamento, sem que haja um motivo de força maior, terá ocorrido a
infração do artigo 181, VII.
Os veículos motorizados de duas rodas, indicados pelo § 2°, são as
motocicletas, as motonetas e os ciclomotores; dos quais se exige a posição
perpendicular em relação à guia da calçada, não se discriminando,
entretanto, qual é a roda que deve permanecer junto à guia, se a roda
traseira ou a dianteira; portanto, qualquer das duas posições estará correta.
O § 3° versa sobre “estacionamento do veículo sem abandono do
condutor”, não havendo quaisquer “locais previstos no Código” que
remetam a esta possibilidade. A expressão é de difícil interpretação e
somente faz sentido se a aplicarmos aos estacionamentos de emergência,
localizados à beira de algumas rodovias
CTB, art. 49 - O condutor e os passageiros não deverão abrir a porta do
veículo, deixá-la aberta ou descer do veículo sem antes se certificarem de
que isso não constitui perigo para eles e para outros usuários da via.
Parágrafo único. O embarque e o desembarque devem ocorrer sempre do
lado da calçada, exceto para o condutor.
Art. 49, CTB
A norma geral de circulação e conduta prevista no artigo 49 é um dos
poucos casos de previsão de comportamento do usuário da via pública, no
Capítulo III, que não guarda relação direta com qualquer infração de
trânsito, no Capítulo XV.
Normalmente, o Capítulo III do CTB apresenta uma norma primária,
destinada ao cidadão, que é complementada por uma norma secundária,
que tipifica o comportamento como infracional, no Capítulo XV.
Por exemplo, o artigo 28 estabelece que “O condutor deverá, a todo
momento, ter domínio de seu veículo, dirigindo-o com atenção e cuidados
indispensáveis à segurança do trânsito”, o que é ratificado pelo artigo 169,
que prescreve a infração por “Dirigir sem atenção ou sem os cuidados
indispensáveis à segurança”.
Da mesma forma, o artigo 65 traz a obrigatoriedade de utilização do cinto
de segurança, pelo condutor e passageiros em todas as vias do território
nacional, sendo que tal descumprimento caracteriza a infração de trânsito
do artigo 167.
No caso do artigo 49, entretanto, temos apenas uma exigência: a de que os
ocupantes do veículo se certifiquem da ausência de perigo para eles e para
outros usuários da via, toda vez que forem abrir a porta do veículo, deixá-
la aberta ou descer do veículo; todavia, a inobservância desta regra não
terá, como consequência, qualquer sanção administrativa de trânsito, por
falta de tipificação como infração.
A imprudência de algum condutor ou passageiro, ao desobedecer à norma
imposta apenas poderá servir como motivação para fins de
responsabilidade criminal (se, por exemplo, tal descuido acarretar a morte
ou lesão de alguém) ou civil (para fins de indenização de eventuais danos
causados).
O parágrafo único do artigo 49 contém a regra geral, quanto ao lado do
veículo em que deve ocorrer o embarque/desembarque, justamente para
reforçar a cautela que se deve ter ao abrir a porta do veículo; desta forma,
impõe que seja feito sempre do lado da calçada, exceto para o condutor. A
redação deste parágrafo único é falha e merece reparos, pois leva em
consideração apenas a parada do veículo do lado direito da via (já que este
é o lado pelo qual os veículos devem circular, por força do artigo 29, inciso
I); todavia, o legislador se esqueceu das vias de mão única, nas quais a
imobilização do veículo pode ocorrer de ambos os lados.
CTB, art. 50 - O uso de faixas laterais de domínio e das áreas adjacentes às
estradas e rodovias obedecerá às condições de segurança do trânsito
estabelecidas pelo órgão ou entidade com circunscrição sobre a via.
Art. 50, CTB
O Anexo I do CTB conceitua faixas de domínio como “superfície lindeira às
vias rurais, delimitada por lei específica e sob responsabilidade do órgão ou
entidade de trânsito competente com circunscrição sobre a via”.
Por se tratar de uma área localizada junto às vias rurais (estradas e
rodovias), a competência para regulamentar a sua utilização recai sobre os
órgãos e entidades executivos rodoviários, da União, dos Estados, do
Distrito Federal e dos Municípios, conforme a titularidade de cada estrada
ou rodovia, no exercício das competências previstas no artigo 21.
O Código de Trânsito ainda menciona as faixas de domínio em outros três
dispositivos:
I) as peças publicitárias destinadas à divulgação ou promoção de
produtos da indústria automobilística deve incluir, obrigatoriamente,
mensagem educativa de trânsito.
No caso, entretanto, de publicidade veiculada em outdoor instalado à
margem de rodovia, dentro ou fora da respectiva faixa de domínio, tal
obrigatoriedade estende-se à propaganda de qualquer produto e
anunciante, inclusive as de caráter institucional ou eleitoral (artigo 77-C,
incluído pela Lei n. 12.006/06); ou seja, todo outdoor às margens de
rodovias, independente da sua destinação deve conter mensagens
educativas de trânsito, as quais são determinadas pelo Departamento
Nacional de Trânsito (Em 2014, a Portaria do Denatran n. 99/14 estabeleceu
as seguintes mensagens: “Na cidade somos todos pedestres”; “Pedestre,
você também faz parte do trânsito”; “Todos juntos fazem um trânsito
melhor”; “Avance no respeito. Não avance na faixa”; “Pedestre, dê o sinal
para sua vida” e “Pedestre, use sua faixa”);
II) O artigo 220, inciso V, prevê a infração de trânsito por “Deixar de
reduzir a velocidade do veículo de forma compatível com a segurança do
trânsito nas vias rurais cuja faixa de domínio não esteja cercada”; e
III) O artigo 269 estabelece, dentre as medidas administrativas a serem
aplicadas pela autoridade ou agente de trânsito, no âmbito de sua
circunscrição, o “recolhimento de animais que se encontrem soltos nas vias
e na faixa de domínio das vias de circulação, restituindo-os aos seus
proprietários, após o pagamento de multas e encargos devidos”.
Faixa de Domínio
Faixa de Domínio
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CTB, art. 51 - Nas vias internas pertencentes a condomínios constituídos por
unidades autônomas, a sinalização de regulamentação da via será
implantada e mantida às expensas do condomínio, após aprovação dos
projetos pelo órgão ou entidade com circunscrição sobre a via.
Art. 51, CTB
Os “condomínios constituídos por unidades autônomas” são tratados em
dois momentos no Código de
Trânsito Brasileiro:
1. No artigo 2°, parágrafo único, que considera as suas vias internas
como áreas em que se aplica normalmente a legislação de trânsito; e
2. No artigo 51, que versa sobre a implantação da sinalização de
trânsito.
O condomínio em edificações e as incorporações imobiliárias são
regulamentados pela Lei federal n. 4.591/64, a qual prevê, no artigo 19, que
“cada condômino tem o direito de usar e fruir, com exclusividade, de sua
unidade autônoma, segundo suas conveniências e interesses,
condicionados, umas e outros às normas de boa vizinhança, e poderá usar
as partes e coisas comuns de maneira a não causar dano ou incômodo aos
demais condôminos ou moradores, nem obstáculo ou embaraço ao bom
uso das mesmas partes por todos”.
Como se verifica, apesar de se tratar de uma utilização exclusiva pelos
condôminos, o uso das vias internas do condomínio está sujeito às regras
de trânsito aplicáveis a qualquer via pública.
Somente em relação específica à implantação da sinalização de trânsito, é
que o Código faz uma distinção em seu artigo 51: ao contrário dos outros
espaços viários, em que a responsabilidade recai exclusivamente sobre o
órgão ou entidade de trânsito com circunscrição sobre a via (artigo 90, §
1°), no caso dos condomínios cabe ao órgão de trânsito tão somente a
aprovação dos projetos de sinalização, que deve ser planejado, executado
e custeado pelo próprio condomínio.
Para aprovação pelo órgão de trânsito, deverá ser cumprida, na elaboração
do projeto, a regulamentação fixada para a sinalização viária brasileira,
constante do Capítulo VII e Anexo II do CTB, bem como do Manual Brasileiro
de Sinalização de Trânsito (formado, atualmente, pelas Resoluções do
Conselho Nacional de Trânsito n. 180/05, 236/07, 243/07, 483/14 e
486/14).
Isto significa que se, em determinado condomínio, não houver esta junção
de esforços, com a anuência prévia do órgão de trânsito, a sinalização de
trânsito eventualmente já implantada deve ser considerada como irregular,
tendo como principal desdobramento a impossibilidade de imposição de
multas de trânsito pelo seu descumprimento, tendo em vista o disposto no
artigo 90: “Não serão aplicadas as sanções previstas neste Código por
inobservância à sinalização quando esta for insuficiente ou incorreta”; além
de gerar responsabilidade civil, por prejuízos causados os usuários, àqueles
que descumprirem a regra fixada no artigo 51.
Vale ressaltar que, a partir de 01NOV16, este artigo será reforçado pelo §
3° do artigo 80, incluído pela Lei n. 13.281/16, que assim dispõe: “A
responsabilidade pela instalação da sinalização nas vias internas
pertencentes aos condomínios constituídos por unidades autônomas e nas
vias e áreas de estacionamento de estabelecimentos privados de uso
coletivo é de seu proprietário”.
CTB, art. 52 - Os veículos de tração animal serão conduzidos pela direita da
pista, junto à guia da calçada (meio-fio) ou acostamento, sempre que não
houver faixa especial a eles destinada, devendo seus condutores obedecer,
no que couber, às normas de circulação previstas neste Código e às que
vierem a ser fixadas pelo órgão ou entidade com circunscrição sobre a via.
Art. 52, CTB
Existem dois tipos de veículos de tração animal, conforme classificação
constante do artigo 96: a carroça (para transporte de carga) e a charrete
(para transporte de passageiros). A sua condução, conforme se verifica pelo
artigo 52, deve ser realizada em um dos seguintes locais:
■ Na faixa especial a eles destinada (embora não exista, dentre as
placas de regulamentação previstas no Anexo II, sinalização específica para
este tipo de situação, havendo previsão apenas de placa para faixa exclusiva
para caminhão, ônibus ou bicicletas); ou
■ Na faixa mais à direita da pista de rolamento, junto à guia da calçada
(meio-fio) ou junto ao acostamento (o acostamento não deve ser utilizado
para o trânsito destes veículos, tendo em vista que, por definição do Anexo
I, acostamento é a “parte da via diferenciada da pista de rolamento
destinada à parada ou estacionamento de veículos, em caso de emergência,
e à circulação de pedestres e bicicletas, quando não houver local
apropriado para esse fim”).
Ao prever que tais veículos devem obedecer às normas de circulação,
conclui-se que lhes são aplicáveis todas as regras de utilização da via pública
que se exigem dos veículos providos de motor, como as relativas às ordens
de preferência, às proibições de ultrapassagem, às determinações quanto
ao estacionamento, entre outras, excluindo-se apenas aquelas que,
taxativamente, o Código limite aos veículos automotores. Tais veículos
podem, inclusive, serem penalizados pelo cometimento de infrações de
trânsito, desde que possuam um registro junto ao órgão de trânsito, que
permita a inclusão de tais informações no sistema de processamento e
arrecadação de multas de trânsito (ressalta-se que o registro e
licenciamento dependem de legislação municipal, nos termos do artigo
129).
Além disso, menciona o artigo 52 a competência do órgão ou entidade
executivo de trânsito com circunscrição sobre a via para fixar outras normas
de circulação, como, por exemplo, a proibição de trânsito destes veículos
em determinados locais e/ou horários (por meio da utilização da placa de
regulamentação R-11 - Proibido trânsito de veículos de tração animal).
CTB, art. 53 - Os animais isolados ou em grupos só podem circular nas vias
quando conduzidos por um guia, observado o seguinte:
I - para facilitar os deslocamentos, os rebanhos deverão ser divididos
em grupos de tamanho moderado e separados uns dos outros por espaços
suficientes para não obstruir o trânsito;
II - os animais que circularem pela pista de rolamento deverão ser
mantidos junto ao bordo da pista.
Art. 53, CTB
A utilização das vias públicas por animais está inserida no conceito de
“trânsito” (§ 1° do artigo 1° do CTB); entretanto, por razões lógicas, não há
como estipular, na lei, regras a serem cumpridas especificamente pelos
animais, motivo pelo qual o Código estabeleceu normas tão somente para
os responsáveis por estes animais.
No artigo 53, encontramos a determinação para que os animais, quando na
via pública, estejam sempre acompanhados por um guia, o qual deverá
atentar para duas simples disposições:
I) que os animais, quando em rebanho, sejam divididos em grupos de
tamanho moderado e separados uns dos outros por espaços suficientes
para não obstruir o trânsito; e
II) que a circulação seja realizada junto ao bordo da pista (embora não
se estabeleça se deve ocorrer pelo lado direito ou na contramão de direção,
lógico supor que deve ser seguida a mesma norma do pedestre -apenas nas
vias rurais, é que se admite a circulação em sentido contrário ao
deslocamento de veículos, conforme § 3° do artigo 68).
Quando os animais, isolados ou em grupos, estiverem desacompanhados
do guia exigido por este dispositivo legal, é de se impor a medida
administrativa constante do artigo 269, inciso X: “recolhimento de animais
que se encontrem soltos nas vias e na faixa de domínio das vias de
circulação, restituindo-os aos seus proprietários, após o pagamento de
multas e encargos devidos”.
Neste caso, ainda prevê o § 13 do artigo 328, ao tratar do leilão de veículos,
que “Aplica-se o disposto neste artigo, no que couber, ao animal recolhido,
a qualquer título, e não reclamado por seu proprietário no prazo de
sessenta dias, a contar da data de recolhimento, conforme regulamentação
do CONTRAN” (incluído pela Lei n. 13.160/15).
Em relação aos demais usuários da via, merece destaque o artigo 26, inciso
I, que os obriga a abster-se de todo ato que possa constituir perigo ou
obstáculo para o trânsito de veículos, de pessoas ou de animais, bem como
a infração do artigo 220, inciso XI, que pune o condutor que deixar de
reduzir a velocidade do veículo de forma compatível com a segurança do
trânsito à aproximação de animais na pista.
CTB, art. 54 - Os condutores de motocicletas, motonetas e ciclomotores só
poderão circular nas vias:
I - utilizando capacete de segurança, com viseira ou óculos protetores;
II - segurando o guidom com as duas mãos;
III - usando vestuário de proteção, de acordo com as especificações do
CONTRAN.
Art. 54, CTB
O artigo 54 estabelece normas viárias para os condutores de três tipos de
veículos: motocicletas, motonetas e ciclomotores, cujas definições
encontram-se previstas no Anexo I:
■ Motocicleta: veículo automotor de duas rodas, com ou sem side-car,
dirigido por condutor em posição montada;
■ Motoneta: veículo automotor de duas rodas, dirigido por condutor
em posição sentada; e
■ Ciclomotor: veículo de duas ou três rodas, provido de um motor de
combustão interna, cuja cilindrada não exceda a cinquenta centímetros
cúbicos (3,05 polegadas cúbicas) e cuja velocidade máxima de fabricação
não exceda a cinquenta quilômetros por hora (enquadram-se também
nesta classificação as bicicletas elétricas, EXCETO se, cumulativamente,
atenderem aos seguintes requisitos: potência de até 350 watts, velocidade
máxima de 25 km/h, sem acelerador e motor somente funcionar quando o
condutor pedalar, conforme Resoluções do CONTRAN n. 315/09 e 465/13).
As especificações sobre o capacete de segurança, a viseira e os óculos
protetores estão determinadas pela Resolução do CONTRAN n. 453/13,
dentre as quais destacam-se:
■ Exigência de capacete certificado pelo INMETRO, que proteja toda a
calota craniana (sendo proibido, portanto, aqueles que cubram apenas a
parte superior da cabeça, estilo “coquinho”),além de possuir cinta jugular e
não ter avarias ou danos;
■ Viseira transparente, sem película, sendo permitida a escurecida
originalmente de fábrica apenas para uso diurno; e, na falta da viseira,
óculos protetores específicos para o motociclismo, que protegem inclusive
a lateral dos olhos, vedada a substituição por óculos de grau, de sol ou de
proteção individual (EPI).
Além disso, se tiver sido fabricado a partir de agosto de 2007, deve possuir
selo de identificação ou etiqueta interna da conformidade metrológica, e
dispositivos refletivos de segurança na frente, traseira e laterais.
A norma do inciso II, que obriga segurar o guidom com ambas as mãos, foi
complementada na infração do artigo 244, inciso VII, no sentido de excetuar
a situação em que o condutor indica a realização de manobras, por meio
dos gestos constantes do Anexo II.
Quanto ao vestuário de proteção, não há ainda qualquer regulamentação
que estabeleça quais são os equipamentos a serem utilizados, exceção feita
apenas ao colete de segurança, com dispositivos retro rrefletivos, para os
condutores de motocicletas e motonetas que exerçam o transporte
remunerado de passageiros (mototáxi) ou de cargas (motofrete), nos
termos do artigo 5°, inciso IV, da Resolução do CONTRAN n. 356/10. Aliás,
sobre a atividade de motofrete, há que se ressaltar a inclusão dos artigos
139-A e 139-B ao CTB, pela Lei n. 12.009/09.
Apesar de as regras do artigo 54 limitarem-se à exigência do capacete, do
vestuário de proteção (ainda não regulamentado) e à necessidade de se
segurar o guidom com ambas as mãos, existem outras infrações de trânsito
atribuídas aos condutores destes veículos, previstas no artigo 244:
■ Fazer malabarismo ou equilibrar-se em apenas uma roda;
■ Faróis apagados;
■ Transporte de crianças menores de sete anos ou que não tenha, nas
circunstâncias, condições de cuidar de sua própria segurança;
■ Reboque de outro veículo;
■ Transporte de carga incompatível com suas especificações e a
desobediência às regras do transporte remunerado.
CTB, art. 55 - Os passageiros de motocicletas, motonetas e ciclomotores só
poderão ser transportados:
I - utilizando capacete de segurança;
II - em carro lateral acoplado aos veículos ou em assento suplementar
atrás do condutor;
III - usando vestuário de proteção, de acordo com as especificações do
CONTRAN.
Art. 55, CTB
O transporte de pessoas nos veículos de duas rodas (motocicletas,
motonetas e ciclomotores) somente pode ser realizado se atendidos os três
requisitos do artigo 55:
I. Utilização do capacete de segurança: o qual deve atender às
especificações previstas na Resolução do CONTRAN n. 453/13;
II. Posição adequada para transporte: sendo a mais comum em assento
suplementar atrás do condutor, ou (embora não seja tão usual) em carro
lateral acoplado ao veículo (conhecido como side-car), sendo punível, por
exemplo, o transporte de alguém sentado no tanque de combustível ou
sobre o guidom.
Não há, entretanto, previsão sobre como o passageiro deve estar sentado
e, desta forma, não há qualquer irregularidade se o passageiro, em vez de
estar montado no banco (com uma perna de cada lado do assento), estiver
sentado de lado, com ambas as pernas de um mesmo lado (o que, por
vezes, é adotado por mulheres com saia ou vestido);
III. Utilização de vestuário de proteção: embora haja a previsão de
vestuário, no artigo 55, não houve, até o presente momento,
regulamentação do Conselho Nacional de Trânsito; portanto, não é possível
exigir qualquer vestimenta, ainda que se considerem determinados
acessórios como mais adequados, em relação à segurança do usuário.
Mesmo quando regulamentado o vestuário, interessante observar que só
existe infração de trânsito para a não utilização pelo condutor (artigo 244,
I), não havendo sanção aplicável ao transporte de passageiro desprotegido
(o inciso II do artigo 244 apenas menciona a falta do capacete de segurança
e a posição irregular do motociclista).
Para o transporte remunerado de pessoas nestes veículos, além das
exigências mencionadas, há que se observar o disposto na Lei n. 12.009/09,
que regulamentou o exercício da profissão de “mototaxista”, bem como as
normas complementares do Conselho Nacional de Trânsito estabelecidas
nas Resoluções n. 356/10 (requisitos mínimos de segurança do veículo) e
410/12 (curso especializado obrigatório).
CTB, art. 57 - Os ciclomotores devem ser conduzidos pela direita da pista de
rolamento, preferencialmente no centro da faixa mais à direita ou no bordo
direito da pista sempre que não houver acostamento ou faixa própria a eles
destinada, proibida a sua circulação nas vias de trânsito rápido e sobre as
calçadas das vias urbanas.
Parágrafo único. Quando uma via comportar duas ou mais faixas de trânsito
e a da direita for destinada ao uso exclusivo de outro tipo de veículo, os
ciclomotores deverão circular pela faixa adjacente à da direita.
Art. 57, CTB
O artigo 57 traz uma norma geral de circulação e conduta específica para
um determinado tipo de veículo:
O Ciclomotor: “veículo de duas ou três rodas, provido de um motor de
combustão interna, cuja cilindrada não exceda a cinquenta centímetros
cúbicos (3,05 polegadas cúbicas) e cuja velocidade máxima de fabricação
não exceda a cinquenta quilômetros por hora” (Anexo I), sendo lhes
equiparadas, ainda, as bicicletas elétricas, com algumas exceções,
conforme Resolução do Contran n. 315/09, alterada pela Resolução n.
465/13.
Estes veículos motorizados, pela sua menor estrutura e velocidade, devem
circular em faixa específica, na seguinte sequência:
■ Acostamento ou faixa própria a eles destinada;
■ No centro da faixa mais à direita ou no bordo direito da pista, na
inexistência de faixa própria;
■ Na faixa adjacente à da direita, se esta for exclusiva para outro tipo
de veículo (por exemplo, faixa de ônibus ou de caminhões).
Além disso, é proibido transitar sobre as calçadas (infração do artigo 193) e
em vias de trânsito rápido e nas rodovias (apesar de esta última proibição
não constar do artigo 57, está prevista na infração de trânsito do artigo 244,
§ 2°).
Portanto, diferentemente do que ocorre em relação às motocicletas e
motonetas (cuja proibição, constante do artigo 56, foi vetada), os
ciclomotores são proibidos de circular entre veículos (não havendo,
entretanto, infração de trânsito específica para esta situação).
Cabe ressaltar a dificuldade que os órgãos executivos de trânsito e
rodoviários se deparavam, até há pouco tempo, para fiscalização dos
ciclomotores (não apenas em relação à sua circulação, mas também com
referência à habilitação do condutor, uso do capacete de segurança e
equipamentos obrigatórios), posto que o CTB vinculava a exigência de
registro e licenciamento a eventual lei municipal existente, de acordo com
a residência ou domicílio do proprietário (artigo 129), cuja inexistência
impedia a aplicação de multas de trânsito; entretanto, com a alteração do
artigo 129, pela Lei n. 13.154/15, o ciclomotor passou a ser tratado como
qualquer outro veículo automotor, tendo sido estipuladas as regras para
seu registro e licenciamento, bem como para obtenção da Autorização para
Conduzir Ciclomotores, pelas Resoluções do CONTRAN n. 555/15, 572/15 e
suas alterações.
CTB, art. 58 - Nas vias urbanas e nas rurais de pista dupla, a circulação de
bicicletas deverá ocorrer, quando não houver ciclovia, ciclofaixa, ou
acostamento, ou quando não for possível a utilização destes, nos bordos da
pista de rolamento, no mesmo sentido de circulação regulamentado para a
via, com preferência sobre os veículos automotores.
Parágrafo único. A autoridade de trânsito com circunscrição sobre a via
poderá autorizar a circulação de bicicletas no sentido contrário ao fluxo dos
veículos automotores, desde que dotado o trecho com ciclofaixa.
Art. 58, CTB
Pela regra estabelecida no artigo 58, as bicicletas devem ser conduzidas,
preferencialmente, nos locais a elas destinadas:
■ Ciclovias: pista própria destinada à circulação de ciclos, separada
fisicamente do tráfego comum;
■ Ciclofaixas: parte da pista de rolamento destinada à circulação
exclusiva de ciclos, delimitada por sinalização específica; ou
■ Acostamentos: parte da via diferenciada da pista de rolamento
destinada à parada ou estacionamento de veículos, em caso de emergência,
e à circulação de pedestres e bicicletas, quando não houver local
apropriado para esse fim.
Quando tais locais não existirem (ou não for possível a sua utilização), o
Código determina a circulação na própria pista de rolamento, pelo lado
direito da via (artigo 29, inciso I), exceto se houver ciclofaixa no sentido
contrário (que deve ser sinalizada com a placa de regulamentação R-34 -
Circulação exclusiva de bicicletas).
A preferência das bicicletas sobre os veículos automotores é reforçada pela
ordem de responsabilidade no trânsito, que os veículos motorizados
possuem sobre os não motorizados, conforme § 2° do artigo 29:
“Respeitadas as normas de circulação e conduta estabelecidas neste artigo,
em ordem decrescente, os veículos de maior porte serão sempre
responsáveis pela segurança dos menores, os motorizados pelos não
motorizados e, juntos, pela incolumidade dos pedestres”.
Embora não seja mencionado no artigo 58, as bicicletas não podem ser
conduzidas em vias de trânsito rápido ou rodovias sem acostamento ou
faixas próprias, sob pena de cometimento da infração de trânsito prevista
no artigo 244, § 1°, b (embora exista a infração mencionada, de natureza
média, sujeita à penalidade de multa, a dificuldade de punição reside no
fato de que, normalmente, as bicicletas não possuem registro,
licenciamento nem emplacamento, exceto se houver legislação municipal a
respeito, conforme artigo 129).
CTB, art. 59 - Desde que autorizado e devidamente sinalizado pelo órgão ou
entidade com circunscrição sobre a via, será permitida a circulação de
bicicletas nos passeios.
Art. 59, CTB
De acordo com o Anexo I:
■ Passeio: parte da calçada ou da pista de rolamento, neste último caso,
separada por pintura ou elemento físico separador, livre de interferências,
destinada à circulação exclusiva de pedestres e, excepcionalmente, de
ciclistas.
Como se vê, a utilização deste espaço por bicicletas somente poderá
ocorrer de forma excepcional, exigindo o artigo 59 que haja uma prévia
autorização pelo órgão ou entidade com responsabilidade territorial sobre
a via, mediante a implantação de sinalização de trânsito respectiva.
Tal competência recai:
■ Nas vias urbanas
Art. 24, inc. III - Compete aos órgãos e entidades executivos de trânsito dos
Municípios, no âmbito de sua circunscrição: implantar, manter e operar o
sistema de sinalização, os dispositivos e os equipamentos de controle
viário.
■ Nas vias rurais (estradas e rodovias)
Art. 21, inc. II - Compete aos órgãos e entidades executivos rodoviários da
União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, no âmbito de sua
circunscrição: planejar, projetar, regulamentar e operar o trânsito de
veículos, de pedestres e de animais, e promover o desenvolvimento da
circulação e da segurança de ciclistas
A sinalização a ser implantada encontra-se prevista no Anexo II e no Manual
Brasileiro de Sinalização de Trânsito, especificamente em seu Volume I
(sinalização vertical de regulamentação), estabelecido pela Resolução do
Conselho Nacional de Trânsito n. 180/05, podendo ser utilizada uma das
seguintes placas:
R-34: Circulação exclusiva de bicicletas;
R-35a: Ciclista, transite à esquerda;
R-35b: Ciclista, transite à direita;

R-36a: Ciclistas à esquerda, pedestres à direita;


R-36b: Pedestres à esquerda, ciclistas à direita.
©
Se o passeio não contiver uma das placas acima assinaladas, a circulação de
bicicletas é proibida, sob pena de cometimento da infração de trânsito, de
natureza média, prevista na primeira parte do artigo 255: “Conduzir
bicicleta em passeios onde não seja permitida a circulação desta”, sujeita à
multa e remoção da bicicleta, mediante recibo para o pagamento da multa.
CTB, art. 60 - As vias abertas à circulação, de acordo com sua utilização,
classificam-se em:
I - vias urbanas:
a) via de trânsito rápido;
b) via arterial;
c) via coletora;
d) via local;
II - vias rurais:
a) rodovias;
b) estradas.
Art. 60, CTB
De acordo com o Anexo I do CTB:
Via: superfície por onde transitam veículos, pessoas e animais,
compreendendo a pista, a calçada, o acostamento, ilha e canteiro central.
A classificação de via, conforme artigo 60, leva em consideração:
1. O fim a que se destina;
2. O espaço geográfico em que se situa.
A primeira distinção refere-se ao fato de a via estar localizada em área
urbana ou rural.
Sendo área urbanizada, com a existência de imóveis edificados ao longo de
sua extensão, a via é classificada como “via urbana” e, caso contrário, “via
rural”.
Interessante notar que o Anexo I somente traz uma definição mais clara
para vias urbanas, restringindo, no caso das vias rurais, a defini-las por
indicação de suas subespécies: estradas e rodovias.
As vias urbanas são definidas da seguinte forma:
■ Via de trânsito rápido: aquela caracterizada por acessos especiais
com trânsito livre, sem interseções em nível, sem acessibilidade direta aos
lotes lindeiros e sem travessia de pedestres em nível.
■ Via arterial: aquela caracterizada por interseções em nível,
geralmente controlada por semáforo, com acessibilidade aos lotes lindeiros
e às vias secundárias e locais, possibilitando o trânsito entre as regiões da
cidade.
■ Via coletora: aquela destinada a coletar e distribuir o trânsito que
tenha necessidade de entrar ou sair das vias de trânsito rápido ou arteriais,
possibilitando o trânsito dentro das regiões da cidade.
■ Via local: aquela caracterizada por interseções em nível não
semaforizadas, destinada apenas ao acesso local ou a áreas restritas.
Já as vias rurais se distinguem tão somente pela existência ou não de
pavimentação:
■ Vias rurais pavimentadas: rodovias;
■ Vias rurais não pavimentadas: estradas
Entende-se pavimento como qualquer tipo de cobertura do solo, podendo
ser o asfalto ou pedregulhos, por exemplo.
Como se verifica, embora sejam denominações populares, não existem vias
classificadas como: preferenciais, vicinais, marginais, expressas, entre
outros nomes utilizados comumente.
A classificação de vias é levada em consideração, principalmente, para se
estabelecer os limites de velocidade, sendo previsto inclusive, no artigo 61,
limites pré-determinados, com base em tal classificação, para os trechos
não sinalizados pelo órgão ou entidade executivo de trânsito ou rodoviário
com circunscrição sobre o local.
Ressalta-se que nem sempre é fácil classificar as vias apenas pela
observação de sua engenharia ou localização, sendo importante, por este
motivo, que o órgão responsável divulgue a classificação que considera
adequada, em relação às vias sob sua área de atuação territorial.
CTB, art. 61 - A velocidade máxima permitida para a via será indicada por
meio de sinalização, obedecidas suas características técnicas e as condições
de trânsito.
§ 1° Onde não existir sinalização regulamentadora, a velocidade máxima
será de:
I - nas vias urbanas:
a) oitenta quilômetros por hora, nas vias de trânsito rápido:
b) sessenta quilômetros por hora, nas vias arteriais;
c) quarenta quilômetros por hora, nas vias coletoras;
d) trinta quilômetros por hora, nas vias locais;
II - nas vias rurais:
a) nas rodovias:
1) 110 (cento e dez) quilômetros por hora para automóveis, camionetas e
motocicletas; (Redação dada pela Lei n° 10 -830, de 2003) 2) noventa
quilômetros por hora, para ônibus e microônibus;
3) oitenta quilômetros por hora, para os demais veículos;
b) nas estradas, sessenta quilômetros por hora.
§ 2° O órgão ou entidade de trânsito ou rodoviário com circunscrição sobre
a via poderá regulamentar, por meio de sinalização, velocidades superiores
ou inferiores àquelas estabelecidas no parágrafo anterior.
Art. 61, CTB
A determinação da velocidade máxima para os veículos, nas vias terrestres
abertas à circulação, dependerá da análise do órgão ou entidade de trânsito
ou rodoviário, com circunscrição sobre o local, que deverá avaliar as
características técnicas e as condições de trânsito; portanto, a regra é que
cada via tenha um limite específico de velocidade, informado aos
condutores por meio da placa R-19 (velocidade máxima permitida), em
múltiplos de 10 km; somente na ausência desta sinalização, é que serão
aplicados os limites previstos no § 1° do artigo 61, de acordo com a
classificação das vias determinada pelo artigo precedente.
A Resolução do Conselho Nacional de Trânsito n. 180/05, que versa sobre a
sinalização vertical de regulamentação, ao tratar da implantação desta
placa, também estabelece as diretrizes básicas para a regulamentação da
velocidade máxima permitida e os procedimentos, tabelas e métodos de
cálculo, levando-se em conta alguns fatores, como a velocidade média de
85% dos veículos que transitam pelo local; a classificação da via; os
indicadores físicos (pista simples ou dupla) e o número de faixas de trânsito
por sentido.
Quando instalada a placa R-19, o limite de velocidade imposto é válido a
partir do ponto onde o sinal é colocado, até onde houver outra que a
modifique, ou enquanto a distância percorrida não for superior ao intervalo
estabelecido na tabela de “distâncias máximas entre placas R-19”, prevista
na Resolução n. 180/05:
■ Velocidade inferior ou igual a 80 km/h: 1 km, nas vias urbanas; e 10
km, nas vias rurais;
■ Velocidade superior a 80 km/h: 2 km , nas vias urbanas; e 15 km, nas
vias rurais.
Após estas distâncias máximas, não havendo qualquer placa R-19 adicional,
passam a valer as velocidades genéricas do artigo 61.
O órgão ou entidade com circunscrição sobre a via também pode
estabelecer limites diferenciados por tipo de veículo, situação em que a
placa R-19 deve estar acompanhada de informação complementar, nos
termos do Anexo V da Resolução do Contran n. 396/11, que classifica os
veículos em duas denominações:
■ Veículos leves: ciclomotor, motoneta, motocicleta, triciclo,
quadriciclo, automóvel, utilitário, caminhonete e camioneta, com peso
bruto total inferior ou igual a 3.500 kg;
■ Veículos pesados: ônibus, micro-ônibus, caminhão, caminhão-trator,
trator de rodas, trator misto, chassi-plataforma, motor-casa, reboque ou
semirreboque e suas combinações, além dos veículos leves tracionando
outro veículo.
Para a redução de velocidade, ainda prevê a Resolução n. 180/05 a
necessidade de atendimento aos “procedimentos para regulamentar a
redução de velocidade”, com base em estudos de engenharia que levem
em conta diversos fatores, entre os quais:
■ Tempo de percepção/reação do condutor;
■ Distância de frenagem em função da redução, de forma a garantir a
segurança; e
■ Distância de legibilidade da placa.
A condução de veículo em excesso de velocidade configura a infração de
trânsito do artigo 218, que possui uma gradação, conforme o valor
excedido:
■ Até 20%: média;
■ De 20 a 50%: grave; e
■ Mais de 50%: gravíssima (com multa multiplicada por três e
suspensão do direito de dirigir).
Para fiscalização, é obrigatória:
■ Utilização de equipamento medidor de velocidade: conforme
regulamentação da Resolução n. 396/11; e
■ Deve-se descontar, do valor medido, os erros máximos admissíveis
para os medidores: previstos na Portaria do Inmetro n. 115/98 - 7 km/h,
para as velocidades de até 100 km/h; e 7% para as velocidades superiores.
A partir de 01NOV16, o artigo 61 passa a ter a redação aprovada pela Lei n.
13.281/16, que ocasiona um AUMENTO do limite máximo destinado a
caminhões, de 80 km/h para 90 km/h, tanto em rodovias de pista dupla
quanto de pista simples; entretanto, nas rodovias de pista SIMPLES,
verifica-se, pela alteração, DIMINUIÇÃO do limite APENAS para automóveis,
camionetas e motocicletas (de 110 km/h para 100 km/h).
CTB, art. 62 - A velocidade mínima não poderá ser inferior à metade da
velocidade máxima estabelecida, respeitadas as condições operacionais de
trânsito e da via.
Art. 62, CTB
Assim como existem limites máximos de velocidade (estabelecidos pela
placa R-19 ou, genericamente, determinados pelo artigo 61), também há
que se atentar à velocidade mínima, para circulação na via pública, de modo
a evitar prejuízos à segurança e fluidez.
Independente da classificação de via, esta velocidade mínima será sempre
a equivalente à metade da velocidade máxima estabelecida.
Ou seja, se uma via de trânsito rápido: aquela caracterizada por acessos
especiais com trânsito livre, sem interseções em nível, sem acessibilidade
direta aos lotes lindeiros e sem travessia de pedestres em nível -não estiver
sinalizada, seu limite máximo é de 80 km/h (artigo 61, § 1°, I, a) e,
consequentemente, o veículo não pode transitar a menos de 40 km/h.
A parte final do artigo 62 complementa que a velocidade mínima deve,
ainda, respeitar as condições operacionais de trânsito e da via, o que é
reforçado pelas exceções constantes da infração de trânsito respectiva,
prevista no artigo 219, assim redigido: “Transitar com o veículo em
velocidade inferior à metade da velocidade máxima estabelecida para a via,
retardando ou obstruindo o trânsito, a menos que as condições de tráfego
e meteorológicas não o permitam, salvo se estiver na faixa da direita”.
Deste modo, para que a infração de trânsito ocorra, a velocidade
excessivamente baixa deve causar retardo ou obstrução no trânsito e, por
outro lado, não estará passível de sanção se as condições de tráfego e
meteorológicas não permitirem que o veículo trafegue na velocidade
adequada (por princípio lógico) ou, ainda, se o veículo se encontrar na faixa
da direita, tendo em vista que o próprio Código de Trânsito estabelece a
utilização da faixa da direita para o deslocamento dos veículos mais lentos
e de maior porte (artigo 29, inciso IV).
Como a velocidade mínima depende, nos termos mencionados, da medição
exata (e proporcional ao limite máximo), somente é possível punir o
condutor de um veículo em velocidade excessivamente baixa, se houver a
utilização de equipamento medidor de velocidade, o que, normalmente
não ocorre, pois os “radares” são comumente ajustados para, tão somente,
proporcionarem a constatação dos veículos que passam demasiadamente
rápidos pelo local de fiscalização, a fim de permitir a aplicação de multa por
se encontrarem acima da máxima.
CTB, art. 64 - As crianças com idade inferior a dez anos devem ser
transportadas nos bancos traseiros, salvo exceções regulamentadas pelo
CONTRAN.
Art. 64, CTB
O transporte de crianças em veículos é regulamentado pelo artigo 64, que
faz referência tão somente à idade mínima para se transportar no banco
dianteiro: apenas a partir dos 10 (dez) anos de idade, havendo uma
faculdade legal para que o Conselho Nacional de Trânsito estabelecesse
exceções, ou seja, situações nas quais menores de dez anos pudessem ser
transportados no banco do passageiro localizado na parte dianteira do
veículo.
Estas exceções estão discriminadas na Resolução do Contran n. 277/08 (e
suas alterações) e são apenas três:
I - quando o veículo for dotado exclusivamente deste banco;
II - quando a quantidade de crianças menores de dez anos exceder a
lotação do banco traseiro;
III - quando o veículo for dotado originalmente (fabricado) de cintos de
segurança subabdominais (dois pontos) nos bancos traseiros.
A obrigatoriedade dos dispositivos de retenção, no transporte de crianças
até sete anos e meio, não se aplica aos veículos de transporte coletivo, aos
de aluguel, aos de transporte autônomo de passageiro (táxi) e aos demais
veículos com peso bruto total superior a 3,5t (artigo 1°, § 3°, da Resolução
n. 277/08, alterado pela Resolução n. 533/15); no caso de veículos
destinados ao transporte de escolares, inicialmente isentos, a exigência
passou a constar do § 4° do artigo 1° da Resolução n. 277/08 (incluído pela
Resolução n. 541/15), entretanto, a fiscalização terá início somente em
01/02/17, de acordo com a Resolução n. 562/15.
A infração de trânsito, pelo descumprimento a estas regras, é a prevista no
artigo 168: “Transportar crianças em veículo automotor sem observância
das normas de segurança especiais estabelecidas neste Código”.
Muito embora a norma geral do artigo 64 e a infração do artigo 168 refiram-
se a veículo automotor, destaca-se que sua aplicabilidade restringe-se aos
veículos de quatro ou mais rodas, tendo em vista que o transporte de
crianças em motocicletas, motonetas e ciclomotores encontra-se regulado
pela infração do artigo 244, inciso V: “Conduzir motocicleta, motoneta e
ciclomotor transportando criança menor de sete anos ou que não tenha,
nas circunstâncias, condições de cuidar de sua própria segurança”.
Apesar de a lei ter permitido ao Contran apenas criar exceções para o
transporte de menores de dez anos no banco dianteiro, a Resolução n.
277/08 foi além, pois regulamentou também a exigência de utilização de
dispositivo de retenção para crianças, específico para cada idade:
■ Para crianças com até um ano de idade, dispositivo de retenção
denominado “bebê conforto ou conversível”;
■ Para crianças com idade superior a um ano e inferior ou igual a quatro
anos, dispositivo de retenção denominado “cadeirinha”;
■ Para crianças com idade superior a quatro anos e inferior ou igual a
sete anos e meio, dispositivo de retenção denominado “assento de
elevação”; e
■ Para crianças com idade superior a sete anos e meio e inferior ou
igual a dez anos, utilização do próprio cinto de segurança do veículo
(embora a redação da norma tenha limitado a idade de dez anos, cabe
consignar que, após esta idade, permanece, obviamente, a exigência do
cinto).
CTB, art. 65 - É obrigatório o uso do cinto de segurança para condutor e
passageiros em todas as vias do território nacional, salvo em situações
regulamentadas pelo CONTRAN.
Art. 65, CTB
A obrigatoriedade de utilização do cinto de segurança, para todos os
ocupantes dos veículos automotores (inclusive no banco traseiro), em todas
as vias do território nacional, trata-se de inovação do atual Código de
Trânsito Brasileiro, já que, até 1997, a legislação de trânsito limitava a
exigência de uso apenas às rodovias (tal obrigatoriedade nem mesmo
constava do Código Nacional de Trânsito de 1966, então em vigor, mas de
ato normativo infra legal - Resolução do Conselho Nacional de Trânsito n.
720/88).
Logicamente, somente é possível impor o uso deste dispositivo de
segurança, nos veículos em que é exigível a sua existência, como
equipamento obrigatório.
Assim, há que se consultar o artigo 105 do CTB, combinado com a Resolução
do Contran n. 14/98 (com alteração da Deliberação n. 137/13), os quais
versam sobre equipamentos obrigatórios, e incluem o cinto de segurança
no rol de exigências dos veículos automotores, ônibus elétricos e tratores
de rodas, de esteiras e mistos (sem menção do cinto entre os equipamentos
exigidos dos reboques, semirreboques, ciclomotores, motonetas,
motocicletas, triciclos e quadriciclos, justamente pela estrutura de tais
veículos).
No caso dos ônibus, a instalação do cinto de segurança (e
consequentemente, sua utilização) apresenta algumas exceções, não sendo
obrigatório para:
■ Os ocupantes (motorista e passageiros) de ônibus de linhas urbanas,
em que se é permitido viajar em pé (artigo 105, inciso I, do CTB e artigo 2°,
IV, ‘c', da Resolução do Contran n. 14/98)
Ressalta-se que a permissão de viajar em pé não constitui requisito de
classificação de qualquer veículo no Código de Trânsito, sendo apenas
decorrente da respectiva concessão para a realização do transporte público
de passageiros, pelo Poder público local (ou seja, quem estabelece se é
possível ou não transportar pessoas em pé, é o Poder Executivo municipal,
competente para prestar ou delegar o serviço de transporte coletivo,
conforme artigo 30, V, da Constituição Federal); e
■ Os passageiros de ônibus e micro-ônibus produzidos antes de 1999.
Além das duas exceções apontadas, o cinto de segurança também não é
equipamento obrigatório para os veículos de uso bélico, por conta da
alteração da Resolução n. 14/98, pela Resolução n. 279/08, bem como o
seu uso é facultativo, de acordo com a Resolução n. 551/15.
Não se trata de qualquer veículo militar, como os destinados ao transporte
de pessoas, mas tão somente aqueles fabricados especialmente para a
utilização bélica, como é o caso do “tanque de guerra”.
O conceito de “veículo de uso bélico” é previsto na Resolução n. 570/15:
“Viatura Militar Operacional, de propriedade da União, fabricada ou
implementada com características especiais, destinada ao preparo e
emprego em operações de natureza militar das Forças Armadas, no
cumprimento das suas missões constitucionais e infraconstitucionais”.
Por fim, cabe citar que a Resolução do Contran n. 278/08 proíbe a utilização
de dispositivos que travem, afrouxem ou modifiquem, de qualquer forma,
o funcionamento normal dos cintos de segurança.
CTB, art. 67 - As provas ou competições desportivas, inclusive seus ensaios,
em via aberta à circulação, só poderão ser realizadas mediante prévia
permissão da autoridade de trânsito com circunscrição sobre a via e
dependerão de:
I - autorização expressa da respectiva confederação desportiva ou de
entidades estaduais a ela filiadas;
II - caução ou fiança para cobrir possíveis danos materiais à via;
III - contrato de seguro contra riscos e acidentes em favor de terceiros;
IV -prévio recolhimento do valor correspondente aos custos operacionais
em que o órgão ou entidade permissionária incorrerá.
Parágrafo único. A autoridade com circunscrição sobre a via arbitrará os
valores mínimos da caução ou fiança e do contrato de seguro.
CTB, art. 67-A - O disposto neste Capítulo aplica-se aos motoristas
profissionais: (Redação dada pela Lei n° 13 -103, de 2015) (Vigência)
I - de transporte rodoviário coletivo de passageiros; (Incluído pela Lei
n° 13 -103, de 2015) (Vigência)
II - de transporte rodoviário de cargas. (Incluído pela Lei n° 13 -103, de
2015) (Vigência)
§ 1°, 2°, 3°, 4°, 5°, 6°, 7° (Revogados). (Redação dada pela Lei n° 13 -103, de
2015) (Vigência)
§ 8o (VETADO). (Incluído Lei n° 12 -619, de 2012) (Vigência)
Art 67-B. (VETADO). (Incluído Lei n° 12 -619, de 2012) (Vigência)
CTB, art. 67-C. É vedado ao motorista profissional dirigir por mais de 5
(cinco) horas e meia ininterruptas veículos de transporte rodoviário coletivo
de passageiros ou de transporte rodoviário de cargas. (Redação dada pela
Lei n° 13 -103, de 2015) (Vigência)
§ 1o Serão observados 30 (trinta) minutos para descanso dentro de cada 6
(seis) horas na condução de veículo de transporte de carga, sendo facultado
o seu fracionamento e o do tempo de direção desde que não ultrapassadas
5 (cinco) horas e meia contínuas no exercício da condução. (Incluído pela
Lei n° 13 -103, de 2015) (Vigência)
§ 1o-A. Serão observados 30 (trinta) minutos para descanso a cada 4
(quatro) horas na condução de veículo rodoviário de passageiros, sendo
facultado o seu fracionamento e o do tempo de direção. (Incluído pela Lei
n° 13 -103, de 2015) (Vigência)
§ 2o Em situações excepcionais de inobservância justificada do tempo de
direção, devidamente registradas, o tempo de direção poderá ser elevado
pelo período necessário para que o condutor, o veículo e a carga cheguem
a um lugar que ofereça a segurança e o atendimento demandados, desde
que não haja comprometimento da segurança rodoviária. (Incluído pela Lei
n° 13 -103, de 2015) (Vigência)
§ 3o O condutor é obrigado, dentro do período de 24 (vinte e quatro) horas,
a observar o mínimo de 11 (onze) horas de descanso, que podem ser
fracionadas, usufruídas no veículo e coincidir com os intervalos
mencionados no § 1o, observadas no primeiro período 8 (oito) horas
ininterruptas de descanso. (Incluído pela Lei n° 13 -103, de 2015) (Vigência)
§ 4o Entende-se como tempo de direção ou de condução apenas o período
em que o condutor estiver efetivamente ao volante, em curso entre a
origem e o destino. (Incluído pela Lei n° 13 -103, de 2015) (Vigência)
§ 5o Entende-se como início de viagem a partida do veículo na ida ou no
retorno, com ou sem carga, considerando-se como sua continuação as
partidas nos dias subsequentes até o destino. (Incluído pela Lei n° 13 -103,
de 2015) (Vigência)
§ 6o O condutor somente iniciará uma viagem após o cumprimento integral
do intervalo de descanso previsto no § 3o deste artigo. (Incluído pela Lei n°
13 -103, de 2015) (Vigência)
§ 7o Nenhum transportador de cargas ou coletivo de passageiros,
embarcador, consignatário de cargas, operador de terminais de carga,
operador de transporte multimodal de cargas ou agente de cargas ordenará
a qualquer motorista a seu serviço, ainda que subcontratado, que conduza
veículo referido no caput sem a observância do disposto no § 6o. (Incluído
pela Lei n° 13 -103, de 2015) (Vigência)
CTB, art. 67-D. (VETADO). (Incluído Lei n° 12 -619, de 2012) (Vigência)
Art. 67, CTB
O artigo 67 parte do pressuposto de que a via pública não é o local mais
indicado para realização de provas ou competições desportivas, que
deveriam ser realizadas apenas em ambientes fechados e com segurança
adequada
Por este motivo, é que, excepcionalmente, prevê o Código de Trânsito a
possibilidade de que a autoridade de trânsito com circunscrição sobre a via
conceda autorização, desde que atendidos determinados critérios.
Exemplos destas provas ou competições desportivas são as corridas
automobilísticas de rua ou as demonstrações de manobras com automóveis
ou motocicletas.
Importante ressaltar que, independente do atendimento aos requisitos
discriminados no artigo 67, deve a autoridade de trânsito sempre levar em
consideração a necessidade de dar prioridade à segurança viária e à defesa
da vida, nos termos dos §§ 2° e 5° do artigo 1° do CTB; desta forma, não
basta o cumprimento das exigências determinadas neste dispositivo,
devendo ser autorizado somente o evento que não apresente riscos
demasiados à coletividade.
Além da competência da autoridade de trânsito, para a concessão desta
autorização especial, também se prevê a sua atribuição de determinar os
valores mínimos de caução ou fiança para cobrir danos materiais à via, bem
como contrato de seguro contra riscos e acidentes em favor de terceiros.
O custo financeiro para a organização do evento, todavia, não se limita à
fiança e ao contrato de seguro, devendo também arcar com os valores
decorrentes da atuação do órgão ou entidade de trânsito no local, o que
inclui o emprego de agentes de trânsito e viaturas, e a utilização de
dispositivos auxiliares de sinalização, como cones, cavaletes, tapumes, fitas
zebradas etc.
Este ônus, porém, possui natureza tributária, na modalidade de taxa
(cobrada pelo exercício do poder de polícia), nos termos do artigo 145,
inciso II, da Constituição Federal e artigo 77 do Código Tributário Nacional,
aplicando-se, deste modo, as regras do Direito tributário, como a
necessidade de instituição por lei e a sua incidência apenas aos fatos
geradores ocorridos no ano seguinte ao de sua criação.
A autorização expressa da respectiva confederação desportiva ou de
entidades estaduais a ela filiadas tem por objetivo demonstrar que não se
trata de um evento meramente amador, realizado por pessoas físicas sem
nenhum vínculo profissional com o tipo de prova ou competição a ser
realizada.
A realização de eventos, sem o cumprimento dos requisitos apontados,
caracteriza a infração de trânsito do artigo 174 e o crime de trânsito do
artigo 308 (neste caso, se resultar dano potencial à incolumidade pública
ou privada), ambos do CTB.
CTB, art. 68 - É assegurada ao pedestre a utilização dos passeios ou
passagens apropriadas das vias urbanas e dos acostamentos das vias rurais
para circulação, podendo a autoridade competente permitir a utilização de
parte da calçada para outros fins, desde que não seja prejudicial ao fluxo de
pedestres.
§ 1° O ciclista desmontado empurrando a bicicleta equipara-se ao pedestre
em direitos e deveres.
§ 2° Nas áreas urbanas, quando não houver passeios ou quando não for
possível a utilização destes, a circulação de pedestres na pista de rolamento
será feita com prioridade sobre os veículos, pelos bordos da pista, em fila
única, exceto em locais proibidos pela sinalização e nas situações em que a
segurança ficar comprometida.
§ 3° Nas vias rurais, quando não houver acostamento ou quando não for
possível a utilização dele, a circulação de pedestres, na pista de rolamento,
será feita com prioridade sobre os veículos, pelos bordos da pista, em fila
única, em sentido contrário ao deslocamento de veículos, exceto em locais
proibidos pela sinalização e nas situações em que a segurança ficar
comprometida.
§ 4° (VETADO)
§ 5° Nos trechos urbanos de vias rurais e nas obras de arte a serem
construídas, deverá ser previsto passeio destinado à circulação dos
pedestres, que não deverão, nessas condições, usar o acostamento.
§ 6° Onde houver obstrução da calçada ou da passagem para pedestres, o
órgão ou entidade com circunscrição sobre a via deverá assegurar a devida
sinalização e proteção para circulação de pedestres.
Art. 68, CTB
O Anexo I do CTB faz uma distinção entre calçada e passeio:
■ Calçada: parte da via, normalmente segregada e em nível diferente,
não destinada à circulação de veículos, reservada ao trânsito de pedestres
e, quando possível, à implantação de mobiliário urbano, sinalização,
vegetação e outros fins.
■ Passeio: parte da calçada ou da pista de rolamento, neste último
caso, separada por pintura ou elemento físico separador, livre de
interferências, destinada à circulação exclusiva de pedestres e,
excepcionalmente, de ciclistas.
É com base nesta distinção, que o artigo 68 estabelece o direito do
pedestre, na utilização do passeio e a possibilidade de que a calçada seja
destinada para outros fins, como instalação de bancas de jornais, telefones
públicos, coletores de lixo ou postes de sinalização, implantação de jardim,
etc., a critério da autoridade de trânsito, e desde que não haja prejuízo ao
fluxo de pedestres. Além do passeio, o pedestre também pode utilizar, nas
vias rurais, o acostamento.
O § 1° equipara o ciclista ao pedestre, quando desmontado e empurrando
a bicicleta.
Nestas condições, portanto, poderá utilizar o passeio e outras áreas de
passagem exclusivas daquele que está a pé. É muito comum o
questionamento sobre se esta mesma equiparação se estende aos
motociclistas; embora seja razoável assim concluir, quando a motocicleta
estiver desligada e sem a utilização da sua capacidade motora, não é este o
posicionamento do Conselho Nacional de Trânsito, que assim estabeleceu,
na Resolução n. 371/10 (Manual Brasileiro de Fiscalização de Trânsito): “Os
veículos motocicleta, motoneta e ciclomotor, quando desmontados e/ou
empurrados nas vias públicas, não se equiparam ao pedestre, estando
sujeitos às infrações previstas no CTB”.
A circulação de pedestres também pode ser realizada na pista de
rolamento, mas apenas quando não houver passeio (vias urbanas) ou
acostamento (vias rurais), sempre com prioridade sobre os veículos (já que
estes são responsáveis pela sua segurança, nos termos do § 2° do artigo 29).
Para tanto, devem ser utilizados os bordos da pista, em fila única e, no caso
das vias rurais, deve-se andar no sentido contrário ao deslocamento de
veículos (para aumentar a visualização de ambos). Somente não poderá ser
utilizada a pista de rolamento quando houver placa de regulamentação
proibitiva (R-29 -proibido trânsito de pedestres) ou quando a segurança
ficar comprometida, não havendo, todavia, mecanismo para punição dos
pedestres faltosos.
O § 4° pretendia autorizar a utilização da pista também quando o pedestre
transportasse objetos que atrapalhassem a circulação dos demais, mas tal
dispositivo foi vetado sob a justificativa de que tal exceção colocaria em
risco a integridade física das pessoas e inibiria o fluxo normal de tráfego.
O § 5° demonstrou grande preocupação do legislador, em relação à criação
de novas vias, pois obrigou que, nos trechos urbanos de vias rurais e nas
obras de arte a serem construídas, deve ser previsto passeio destinado à
circulação dos pedestres, que não deverão, nessas condições, usar o
acostamento (a expressão “obras de arte”, segundo o Anexo I do CTB,
refere-se às passagens subterrâneas e às passarelas).
CTB, art. 69 - Para cruzar a pista de rolamento o pedestre tomará
precauções de segurança, levando em conta, principalmente, a visibilidade,
a distância e a velocidade dos veículos, utilizando sempre as faixas ou
passagens a ele destinadas sempre que estas existirem numa distância de
até cinquenta metros dele, observadas as seguintes disposições:
I - onde não houver faixa ou passagem, o cruzamento da via deverá ser
feito em sentido perpendicular ao de seu eixo;
II - para atravessar uma passagem sinalizada para pedestres ou
delimitada por marcas sobre a pista:
a) onde houver foco de pedestres, obedecer às indicações das luzes;
b) onde não houver foco de pedestres, aguardar que o semáforo ou o
agente de trânsito interrompa o fluxo de veículos;
III - nas interseções e em suas proximidades, onde não existam faixas
de travessia, os pedestres devem atravessar a via na continuação da
calçada, observadas as seguintes normas:
a) não deverão adentrar na pista sem antes se certificar de que podem
fazê-lo sem obstruir o trânsito de veículos;
b) uma vez iniciada a travessia de uma pista, os pedestres não deverão
aumentar o seu percurso, demorar-se ou parar sobre ela sem necessidade.
Art. 69, CTB
As regras para que o pedestre atravesse a pista de rolamento estão
descritas no artigo 69, de observância obrigatória, sob pena de, não as
cumprindo, ensejar-lhe responsabilidade.
Assim, ao contrário do que muitos pensam, quando um pedestre é vítima
de um atropelamento, por exemplo, nem sempre podemos concluir, de
maneira automática, que o condutor do veículo automotor é o culpado
(ainda que o Código de Trânsito estabeleça a ordem de responsabilidade,
na qual todos devem cuidar do pedestre - artigo 29, § 2°).
Se, em determinada ocorrência específica, verificar-se que o pedestre é que
descumpriu as normas viárias, além de o condutor não responder pela lesão
corporal sofrida pelo atropelado, pode ainda o Poder Judiciário atribuir ao
pedestre o dever de indenizar os danos ocorridos no veículo do atropelante.
O CTB chega, até mesmo, a estabelecer responsabilidades de natureza
administrativa, ao prescrever as infrações de trânsito cometidas por
pedestres (artigo 254), puníveis com multa de valor equivalente a 50% das
infrações de natureza leve, o que, infelizmente, não ocorre por um único
motivo: não há, ainda, sistemática que permita a aplicação de multa
diretamente ao infrator que utiliza a via pública a pé.
Independente, portanto, de seu direito de preferência na utilização da via
pública, deve o pedestre sempre adotar precauções de segurança na
travessia da via, levando em conta a visibilidade, a distância e a velocidade
dos veículos.
A utilização de faixas ou passagens a ele destinadas (faixa de pedestres,
passarelas, passagens subterrâneas) somente é obrigatória, quando existir
numa distância de até 50 metros de onde ele se encontra (se existir em uma
distância maior, o pedestre não é obrigado a caminhar até a faixa ou
passagem, para atravessar a via).
Além desta cautela, prevê o artigo 69 três regras simples:
1. Se não houver faixa ou passagem, o cruzamento deve ser feito em
sentido perpendicular;
2. Onde houver passagem sinalizada, obedecer à sinalização semafórica
de pedestres ou, na sua inexistência, aguardar a interrupção do fluxo de
veículos (pelo semáforo destinado aos veículos ou por meio de ação do
agente de trânsito);
3. Nos cruzamentos sem faixa de pedestre, atravessar na continuação
da calçada, sem atrapalhar o trânsito.
CTB, art. 70 - Os pedestres que estiverem atravessando a via sobre as faixas
delimitadas para esse fim terão prioridade de passagem, exceto nos locais
com sinalização semafórica, onde deverão ser respeitadas as disposições
deste Código.
Parágrafo único. Nos locais em que houver sinalização semafórica de
controle de passagem será dada preferência aos pedestres que não tenham
concluído a travessia, mesmo em caso de mudança do semáforo liberando
a passagem dos veículos.
Art. 70, CTB
A preferência ao pedestre não é absoluta, como alguns pensam.
Embora exista uma regra de responsabilidade, segundo a qual os
condutores de veículos são responsáveis pela segurança dos pedestres
(artigo 29, § 2°, do CTB), o próprio Código também prevê as situações em
que, efetivamente, os pedestres terão a prioridade de passagem na via:
quando estiverem realizando a travessia nas faixas delimitadas para esse
fim (as faixas de travessia de pedestres, zebradas ou paralelas, são tipos de
marcas transversais, constantes da sinalização horizontal de trânsito,
conforme previsão do item 2.2.3.d. do Anexo II do CTB).
Além disso, faz-se a ressalva de que, nos locais em que existir sinalização
semafórica, tanto o condutor do veículo quanto o pedestre devem atender
às luzes respectivas, para alternar o direito de passagem (neste aspecto,
destaca-se que a sinalização semafórica tem como função, justamente,
controlar os deslocamentos - item 4.1. do Anexo II).
Como prevê o parágrafo único do artigo sob comento, caso o pedestre já
tenha iniciado a travessia, os condutores deverão aguardar que ele chegue
com segurança até o passeio, mesmo após a mudança do sinal semafórico,
liberando a passagem dos veículos.
A desobediência ao artigo 70 pode configurar uma das infrações de trânsito
previstas no artigo 214, que amplia o direito de passagem do pedestre
também ao condutor de veículo não motorizado, nas seguintes situações:
I - que se encontre na faixa própria;
II - que não haja concluído a travessia mesmo que ocorra sinal verde
para o veículo;
III - portadores de deficiência física, crianças, idosos e gestantes;
IV-quando houver iniciado a travessia, mesmo que não haja sinalização;
V - que esteja atravessando a via transversal para onde se dirige o veículo.
Tais infrações se configuram pelo simples desleixo do motorista, que não
observa a necessidade do pedestre ou do condutor de veículo não
motorizado que pretende atravessar a via; contudo, se a manobra efetuada
pelo condutor for ainda mais contundente, no sentido de ameaçar aqueles
que realizam a travessia, estará configurada infração de trânsito mais
gravosa, constante do artigo 170 do CTB: “Dirigir ameaçando os pedestres
que estejam atravessando a via pública, ou os demais veículos”, de natureza
gravíssima, para a qual se prevê as penalidades de multa e suspensão do
direito de dirigir.
Cabe lembrar, finalmente, que, apesar de não existir (pelo menos até o
presente momento) mecanismo hábil para aplicação de multa aos
pedestres, estes também estão sujeitos a serem responsabilizados por
infrações de trânsito, previstas no artigo 254.
CTB, art. 71 - O órgão ou entidade com circunscrição sobre a via manterá,
obrigatoriamente, as faixas e passagens de pedestres em boas condições
de visibilidade, higiene, segurança e sinalização.
Art. 71, CTB
O artigo 71 trata das boas condições das faixas e passagens de pedestres
(segundo os conceitos previstos no Anexo I do CTB, estas passagens são: as
passarelas e as passagens subterrâneas, definidas, respectivamente, como
"obra de arte destinada à transposição de vias, em desnível aéreo, e ao uso
de pedestres" e "obra de arte destinada à transposição de vias, em desnível
subterrâneo, e ao uso de pedestres ou veículos").
As faixas de travessia de pedestres constituem uma das marcas
transversais, integrantes da sinalização horizontal de trânsito, podendo ser
do tipo zebrada ou paralela, conforme item 2.2.3. do Anexo II do CTB,
devendo atender às especificações da Resolução do Conselho Nacional de
Trânsito n. 236/07.
A obrigação de manter estes locais em boas condições de visibilidade,
higiene, segurança e sinalização, é do órgão ou entidade de trânsito ou
rodoviário com circunscrição sobre a via, de acordo com as competências
do Sistema Nacional de Trânsito, o que significa que, nas vias urbanas, tal
atribuição recai sobre o órgão de trânsito municipal e, nas vias rurais, sobre
o órgão rodoviário da União, Estados ou Municípios, a depender do tipo de
rodovia, na conformidade dos artigos 24, inciso III, e 21, inciso III, ambos
tratando da competência, destes órgãos, em "implantar, manter e operar o
sistema de sinalização, os dispositivos e os equipamentos de controle
viário".
A inobservância deste dispositivo pode acarretar, para o órgão que se
omitir, o dever de indenizar eventuais prejuízos causados aos cidadãos,
tendo em vista a responsabilidade objetiva prescrita pelo artigo 1°,
parágrafo 3°: "Os órgãos e entidades componentes do Sistema Nacional de
Trânsito respondem, no âmbito das respectivas competências,
objetivamente, por danos causados aos cidadãos, em virtude de ação,
omissão ou erro na execução e manutenção de programas, projetos e
serviços que garantam o exercício do direito do trânsito seguro".
CTB, art. 72 - Todo cidadão ou entidade civil tem o direito de solicitar, por
escrito, aos órgãos ou entidades do Sistema Nacional de Trânsito,
sinalização, fiscalização e implantação de equipamentos de segurança, bem
como sugerir alterações em normas, legislação e outros assuntos
pertinentes a este Código.
Art. 72, CTB
O Capítulo V do CTB, ao tratar do cidadão, estabelece o direito de qualquer
pessoa de participar, com solicitações e sugestões, da gestão do trânsito no
país, em total consonância com o artigo 1°, inciso II, da Constituição Federal
de 1988, que prevê a cidadania como um dos fundamentos da República
Federativa do Brasil.
Obviamente, para que este direito seja exercido, há a necessidade de que
o interessado conheça os órgãos e entidades componentes do Sistema
Nacional de Trânsito, e suas correspondentes atribuições, nos termos do
Capítulo II do CTB, de modo que as solicitações sejam direcionadas ao ente
competente para atendê-las.
Em relação às sugestões para alterações na legislação de trânsito, cabe
lembrar que o canal adequado é o Poder Legislativo federal, representado
pelo Congresso Nacional (Câmara dos Deputados e Senado), tendo em vista
a competência privativa da União para legislar sobre trânsito e transportes
(artigo 22, inciso XI, da CF/88).
Este dispositivo legal se coaduna com o direito constitucional constante do
artigo 5°, inciso XXXIII, da CF/88: “todos têm direito a receber dos órgãos
públicos informações de seu interesse particular, ou de interesse coletivo
ou geral, que serão prestadas no prazo da lei, sob pena de responsabilidade,
ressalvadas aquelas cujo sigilo seja imprescindível à segurança da sociedade
e do Estado”, atualmente regulamentado pela Lei n. 12.527/11, que dá
maior transparência à atuação dos órgãos públicos, merecendo destaque o
seu artigo 11, §§ 1° e 2°:
Art. 11. O órgão ou entidade pública deverá autorizar ou conceder o acesso
imediato à informação disponível.
§ 1°. Não sendo possível conceder o acesso imediato, na forma disposta no
caput, o órgão ou entidade que receber o pedido deverá, em prazo não
superior a 20 (vinte) dias:
I - comunicar a data, local e modo para se realizar a consulta, efetuar
a reprodução ou obter a certidão;
II - indicar as razões de fato ou de direito da recusa, total ou parcial, do
acesso pretendido; ou
III - comunicar que não possui a informação, indicar, se for do seu
conhecimento, o órgão ou a entidade que a detém, ou, ainda, remeter o
requerimento a esse órgão ou entidade, cientificando o interessado da
remessa de seu pedido de informação.
§ 2°. O prazo referido no § o 1° poderá ser prorrogado por mais 10 (dez)
dias, mediante justificativa expressa, da qual será cientificado o requerente.
CTB, art. 73 - Os órgãos ou entidades pertencentes ao Sistema Nacional de
Trânsito têm o dever de analisar as solicitações e responder, por escrito,
dentro de prazos mínimos, sobre a possibilidade ou não de atendimento,
esclarecendo ou justificando a análise efetuada, e, se pertinente,
informando ao solicitante quando tal evento ocorrerá.
Parágrafo único. As campanhas de trânsito devem esclarecer quais as
atribuições dos órgãos e entidades pertencentes ao Sistema Nacional de
Trânsito e como proceder a tais solicitações.
Art. 73, CTB
Assim como o artigo 72 prevê o direito do cidadão em realizar solicitações
aos órgãos e entidades do Sistema Nacional de Trânsito, de maneira
complementar, estabelece o artigo 73 o dever destes órgãos em responder
aos requerimentos que lhe forem direcionados, dentro de prazos mínimos,
esclarecendo se o pedido será ou não atendido e, em caso positivo, quando
isto ocorrerá.
Apesar de este dispositivo legal não trazer qual deve ser o prazo mínimo a
ser atendido, há que se considerar os direitos constitucionais, previstos no
artigo 5°, incisos XXXIII e XXXIV, a), da Constituição Federal de 1988, nos
seguintes termos: "todos têm direito a receber dos órgãos públicos
informações de seu interesse particular, ou de interesse coletivo ou geral,
que serão prestadas no prazo da lei, sob pena de responsabilidade,
ressalvadas aquelas cujo sigilo seja imprescindível à segurança da sociedade
e do Estado" e "são a todos assegurados, independentemente do
pagamento de taxas o direito de petição aos Poderes Públicos em defesa
de direitos ou contra ilegalidade ou abuso de poder".
O "direito de petição", previsto no inciso XXXIV, encontra-se
regulamentado desde 1995, pela Lei n. 9.051/95, que dispõe sobre a
expedição de certidões para a defesa de direitos e esclarecimento de
situações, determinando a obediência do prazo improrrogável de quinze
dias, contado do registro do pedido no órgão expedidor.
Quando, entretanto, não se tratar de defesa de direitos, mas de outro tipo
de solicitação ao órgão de trânsito, cabível a aplicação da "Lei de acesso à
informação", publicada em 2011 (Lei n. 12.527/11), que regulamenta a
garantia do inciso XXXIII, determinando transparência nas ações dos órgãos
públicos, em consonância com o princípio da publicidade. De acordo com o
artigo 11 desta Lei, o órgão ou entidade pública deverá autorizar ou
conceder o acesso imediato à informação disponível e, não sendo possível
conceder o efeito imediato, deverá, em prazo não superior a vinte dias
(prorrogável, justificadamente, por mais dez dias): I) comunicar a data, local
e modo para se realizar a consulta, efetuar a reprodução ou obter a
certidão; II) indicar as razões de fato ou de direito da recusa, total ou parcial,
do acesso pretendido; ou III) comunicar que não possui a informação,
indicar, se for do seu conhecimento, o órgão ou a entidade que a detém,
ou, ainda, remeter o requerimento a esse órgão ou entidade, cientificando
o interessado da remessa de seu pedido de informação.
O parágrafo único do artigo 73 obriga ampla divulgação sobre as
competências dos órgãos e entidades do Sistema Nacional de Trânsito
(conforme Capítulo III do CTB), o que deve ocorrer nas campanhas de
trânsito, atendendo ao disposto no artigo 75
CTB, art. 74 - A educação para o trânsito é direito de todos e constitui dever
prioritário para os componentes do Sistema Nacional de Trânsito.
§ 1° É obrigatória a existência de coordenação educacional em cada órgão
ou entidade componente do Sistema Nacional de Trânsito.
§ 2° Os órgãos ou entidades executivos de trânsito deverão promover,
dentro de sua estrutura organizacional ou mediante convênio, o
funcionamento de Escolas Públicas de Trânsito, nos moldes e padrões
estabelecidos pelo CONTRAN.
Art. 74, CTB
A educação para o trânsito constitui, pela regra do artigo 74, a única
atividade que deve ser compartilhada por toda a Administração pública de
trânsito, tratando-se de dever prioritário do Sistema Nacional de Trânsito.
Assim, independente de se tratar de órgão ou entidade normativo,
executivo, fiscalizador ou julgador, todos eles devem possuir uma
coordenação educacional, nos termos do dispositivo sob comento.
Aliás, no caso dos órgãos e entidades executivos de trânsito dos municípios,
a existência de estrutura organizacional e capacidade instalada para o
exercício da atividade de educação para o trânsito compõe o conjunto de
requisitos obrigatórios para a integração do município ao Sistema Nacional
de Trânsito, conforme prevê o artigo 2° da Resolução CONTRAN n. 560/15,
que regulamentou o § 2° do artigo 24 do CTB.
Por se tratar de dever e de prioridade, o trabalho de educação para o
trânsito merece ser tratado em consonância com outros três dispositivos
legais, que também versam sobre as ações primordiais dos órgãos de
trânsito:
1. O § 2° do artigo 1°, que estabelece o “dever de propiciar o trânsito
em condições seguras”;
2. O § 5° do artigo 1°, que privilegia a “defesa da vida, nela incluída a
preservação da saúde e do meio-ambiente”; e
3. O § 1° do artigo 269, que igualmente menciona a “proteção à vida e
à incolumidade física da pessoa”.
Assim, a interpretação sistemática da legislação de trânsito nos permite
concluir que as ações de educação para o trânsito devem ser direcionadas
com um fim delimitado: mudança de comportamento dos usuários da via,
para incremento da segurança do trânsito.
A educação para o trânsito contempla, destarte, as diversas ações, sejam
aquelas adotadas de maneira associada a outras atividades dos órgãos
públicos, ou as decorrentes de projetos e programas que busquem
conscientizar a comunidade sobre a necessidade de adoção de
comportamentos seguros.
O processo educacional não deve ser compreendido como mero
mecanismo de divulgação de informações e disseminação do conhecimento
sobre trânsito, mas como um processo muito mais amplo, que possui como
foco principal a devida adequação cultural do modo de agir no ambiente
viário.
Visto sob esta óptica, podemos dizer que até a multa educa, posto que
acarreta, por meio da punição a atos incorretos, a correção de atitudes e a
consequente mudança comportamental.
Quanto ao § 2° do artigo 74, merece destaque a Resolução CONTRAN n.
515/14, que estabelece critérios de padronização para funcionamento das
Escolas Públicas de Trânsito, cuja finalidade precípua é a execução de
cursos, ações e projetos educativos, voltados para o exercício da cidadania
no trânsito.
CTB, art. 75 - O CONTRAN estabelecerá, anualmente, os temas e os
cronogramas das campanhas de âmbito nacional que deverão ser
promovidas por todos os órgãos ou entidades do Sistema Nacional de
Trânsito, em especial nos períodos referentes às férias escolares, feriados
prolongados e à Semana Nacional de Trânsito.
§ 1° Os órgãos ou entidades do Sistema Nacional de Trânsito deverão
promover outras campanhas no âmbito de sua circunscrição e de acordo
com as peculiaridades locais.
§ 2° As campanhas de que trata este artigo são de caráter permanente, e
os serviços de rádio e difusão sonora de sons e imagens explorados pelo
poder público são obrigados a difundi-las gratuitamente, com a frequência
recomendada pelos órgãos competentes do Sistema Nacional de Trânsito.
Art. 75, CTB
As campanhas permanentes de segurança no trânsito, mencionadas no
artigo 75, são regulamentadas pela Resolução do Conselho Nacional de
Trânsito n. 030/98, que prescreve a competência para que o Departamento
Nacional de Trânsito apresente propostas ao Contran, para promoção
destas campanhas, em âmbito nacional, as quais serão desenvolvidas em
torno de temas específicos relacionados com os fatores de risco e com a
produção dos acidentes de trânsito.
De acordo com tal Resolução, sem prejuízo de outros, os principais fatores
de risco a serem trabalhados serão:
■ Acidentes com pedestres;
■ Ingestão de álcool;
■ Excesso de velocidade ;
■ Segurança veicular;
■ Equipamentos obrigatórios dos veículos e seu uso.
Devendo ocorrer a aprovação dos temas, anualmente, pelo Contran.
Além disso, o Denatran deve oferecer condições técnicas para que cada
tema trabalhado seja monitorado antes e depois da implementação da
campanha, visando avaliar sua eficácia.
Outra norma que versa sobre a realização destas campanhas, é a Resolução
do Contran n. 314/09, que estabelece procedimentos para a sua execução,
a fim de adotar padrões para unificar concepções e valores a serem
transmitidos pelos órgãos e entidades do Sistema Nacional de Trânsito no
que se refere à realização de campanhas educativas.
De acordo com os procedimentos estabelecidos na Resolução n. 314/09,
independente da mídia e dos recursos financeiros envolvidos, toda
campanha educativa de trânsito deve ser cuidadosamente planejada,
englobando as etapas de: pesquisa, elaboração da campanha, pré-teste e
pós-teste. Entre outras orientações, recomenda-se o extremo cuidado com
abordagens negativas ou que apresentem violência, para evitar a anodinia
(ausência de dor; espécie de anestesia da capacidade de impressionar com
algo violento e, por conseguinte, banalizá-lo).
Embora o artigo 75 (complementado pelas Resoluções mencionadas)
preveja que as campanhas devem ser promovidas de forma permanente,
em especial nos períodos referentes às férias escolares, feriados
prolongados e à Semana Nacional de Trânsito, o que se percebe é que as
campanhas acabam tendo ênfase nacional apenas na Semana Nacional (18
a 25 de setembro), ressalvadas iniciativas pontuais de órgãos e entidades
componentes do Sistema Nacional de Trânsito (que devem promover
outras campanhas, nos termos do § 1° do artigo 75).
CTB, art. 76 - A educação para o trânsito será promovida na pré-escola e
nas escolas de 1°, 2° e 3° graus, por meio de planejamento e ações
coordenadas entre os órgãos e entidades do Sistema Nacional de Trânsito
e de Educação, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios,
nas respectivas áreas de atuação.
Parágrafo único. Para a finalidade prevista neste artigo, o Ministério da
Educação e do Desporto, mediante proposta do CONTRAN e do Conselho
de Reitores das Universidades Brasileiras, diretamente ou mediante
convênio, promoverá:
I - a adoção, em todos os níveis de ensino, de um currículo
interdisciplinar com conteúdo programático sobre segurança de trânsito;
II - a adoção de conteúdos relativos à educação para o trânsito nas
escolas de formação para o magistério e o treinamento de professores e
multiplicadores;
III - a criação de corpos técnicos interprofissionais para levantamento e
análise de dados estatísticos relativos ao trânsito;
IV - a elaboração de planos de redução de acidentes de trânsito junto
aos núcleos interdisciplinares universitários de trânsito, com vistas à
integração universidades-sociedade na área de trânsito.
Art. 76, CTB
A proposta constante do artigo 76 do CTB é formidável, pena que ainda não
saiu do papel, apesar de ter sido dado um prazo de duzentos e quarenta
dias, contado da publicação do Código (23/09/97), para que o Ministério da
Educação estabelecesse o currículo com conteúdo programático relativo à
segurança e à educação de trânsito, a fim de atender o disposto neste
Código (artigo 315).
Vê-se que a ideia da criação de um programa nacional de implantação da
educação para o trânsito em todos os níveis de ensino iria além do
tratamento interdisciplinar do tema trânsito nas Escolas, mas pretendia:
■ Formar professores na área de educação para o trânsito;
■ Criar grupos de profissionais especializados em levantamento de
dados estatísticos;
■ Elaborar planos de redução de acidentes de trânsito, junto às
Universidades.
Infelizmente, ainda não temos, na prática, a aplicação destas propostas
legislativas. As únicas iniciativas, até o presente momento, foram as
seguintes normas de trânsito (que não criam, entretanto, regras para os
órgãos de educação do país):
■ A Portaria do DENATRAN n. 147, de 02/06/09, que estabelece as
Diretrizes Nacionais de Educação para o Trânsito na Pré-Escola e no Ensino
Fundamental, com a finalidade de “trazer um conjunto de orientações
capaz de nortear a prática pedagógica voltada ao tema trânsito”; e
■ A Resolução do CONTRAN n. 265, de 14/12/07, que dispõe sobre a
formação teórico-técnica do processo de habilitação de condutores de
veículos automotores e elétricos, como atividade extracurricular no ensino
médio e define os procedimentos para implementação nas escolas
interessadas.
Sobre as nomenclaturas utilizadas no artigo 76, é importante esclarecer que
o Ministério da Educação e do Desporto, desde 1999, é denominado apenas
de Ministério da Educação, cuja Estrutura regimental é prevista atualmente
pelo Decreto n. 7.690/12.
Além disso, os níveis escolares deixaram de ser denominados de “pré-
escola, 1°, 2° e 3° graus”, para serem descritos como “educação infantil,
ensino fundamental, ensino médio e educação superior”, no artigo 21 da
Lei n. 9.394/96 (Lei de Diretrizes e Bases da Educação nacional).
CTB, art. 77 - No âmbito da educação para o trânsito caberá ao Ministério
da Saúde, mediante proposta do CONTRAN, estabelecer campanha
nacional esclarecendo condutas a serem seguidas nos primeiros socorros
em caso de acidente de trânsito.
Parágrafo único. As campanhas terão caráter permanente por intermédio
do Sistema Único de Saúde -SUS, sendo intensificadas nos períodos e na
forma estabelecidos no CTB, art. 76 -
CTB, art. 77-A. São assegurados aos órgãos ou entidades componentes do
Sistema Nacional de Trânsito os mecanismos instituídos nos arts. 77-B a 77-
E para a veiculação de mensagens educativas de trânsito em todo o
território nacional, em caráter suplementar às campanhas previstas nos
arts. 75 e 77 - (Incluído pela Lei n° 12 -006, de 2009).
CTB, art. 77-C. Quando se tratar de publicidade veiculada em outdoor
instalado à margem de rodovia, dentro ou fora da respectiva faixa de
domínio, a obrigação prevista no CTB, art. 77-B estende-se à propaganda
de qualquer tipo de produto e anunciante, inclusive àquela de caráter
institucional ou eleitoral. (Incluído pela Lei n° 12 -006, de 2009).
CTB, art. 77-D. O Conselho Nacional de Trânsito (Contran) especificará o
conteúdo e o padrão de apresentação das mensagens, bem como os
procedimentos envolvidos na respectiva veiculação, em conformidade com
as diretrizes fixadas para as campanhas educativas de trânsito a que se
refere o CTB, art. 75 - (Incluído pela Lei n° 12 -006, de 2009).
CTB, art. 77-E. A veiculação de publicidade feita em desacordo com as
condições fixadas nos arts. 77-A a 77-D constitui Infração punível com as
seguintes sanções: (Incluído pela Lei n° 12 -006, de 2009).
I - advertência por escrito; (Incluído pela Lei n° 12 -006, de 2009).
II - suspensão, nos veículos de divulgação da publicidade, de qualquer
outra propaganda do produto, pelo prazo de até 60 (sessenta) dias;
(Incluído pela Lei n° 12 -006, de 2009).
III - multa de 1 -000 (um mil) a 5 -000 (cinco mil) vezes o valor da
Unidade Fiscal de Referência (Ufir), ou unidade que a substituir, cobrada do
dobro até o quíntuplo, em caso de reincidência. (Incluído pela Lei n° 12 -
006, de 2009).
§ 1o As sanções serão aplicadas isolada ou cumulativamente, conforme
dispuser o regulamento. (Incluído pela Lei n° 12 -006, de 2009).
§ 2o Sem prejuízo do disposto no caput deste artigo, qualquer infração
acarretará a imediata suspensão da veiculação da peça publicitária até que
sejam cumpridas as exigências fixadas nos arts. 77-A a 77-D. (Incluído pela
Lei n° 12 -006, de 2009).
Art. 77, CTB
Além das campanhas de educação para o trânsito, sob responsabilidade dos
órgãos e entidades do Sistema Nacional de Trânsito, como dever prioritário
(artigo 74), prevê o artigo 77 a realização de campanhas permanentes,
específicas para esclarecimento da população sobre as condutas a serem
adotadas nos primeiros socorros às vítimas de trânsito.
A ideia seria que o Conselho Nacional de Trânsito apresentasse proposta
específica ao Ministério da Saúde, responsável por tais campanhas, por
intermédio do Sistema Único de Saúde, com ênfase no período de férias
escolares, nos feriados prolongados e na Semana Nacional de Trânsito (18
a 25 de setembro, conforme artigo 326), envolvendo ainda todos os órgãos
educacionais, em todas as esferas de governo.
Infelizmente, não há o cumprimento do artigo 77, como nele previsto,
limitando-se o ensino dos primeiros socorros nos diversos cursos voltados
à formação e especialização dos motoristas: formação de condutores;
reciclagem de infratores e cursos especializados (transporte coletivo de
passageiros, de escolares, de produtos perigosos, de carga indivisível, de
emergência e de transporte de passageiros -mototaxista e entrega de
mercadorias - motofretista), conforme previsão da Resolução do Conselho
Nacional de Trânsito n. 168/04 (e alterações).
Portanto, ainda que não sejam realizadas campanhas permanentes, em
caráter nacional, o condutor tem a oportunidade, em algum momento de
sua formação, de receber orientações voltadas às condutas que devem (e,
principalmente, não devem) ser adotadas, quando do envolvimento em
ocorrências de trânsito, de que resultem vítimas.
O artigo 150 do CTB ainda previu uma regra transitória, segundo a qual “ao
renovar os exames previstos no artigo anterior, o condutor que não tenha
curso de direção defensiva e primeiros socorros, deverá a eles ser
submetido, conforme normatização do CONTRAN”; o que constituía
exigência apenas para os que ainda possuíam a CNH no modelo antigo (sem
fotografia, para a qual não se exigia o Curso teórico de formação de
condutores).
Uma vez cumprido tal requisito, para a primeira renovação e substituição
para o modelo novo da CNH (nos termos do artigo 159), nas demais vezes
em que se renovou a habilitação, deixou-se de se obrigar este tipo de
treinamento (já que a lei estabelece a exigência apenas para o condutor que
ainda não tenha tais cursos).
Não obstante, o artigo 6°, § 3°, da Resolução n. 168/04 manteve a
obrigatoriedade para uma situação bem específica: o condutor que, ao
renovar sua CNH, esteja com o exame de aptidão física e mental vencido há
mais de 5 (cinco) anos.
CTB, art. 78 - Os Ministérios da Saúde, da Educação e do Desporto, do
Trabalho, dos Transportes e da Justiça, por intermédio do CONTRAN,
desenvolverão e implementarão programas destinados à prevenção de
acidentes.
Parágrafo único. O percentual de dez por cento do total dos valores
arrecadados destinados à Previdência Social, do Prêmio do Seguro
Obrigatório de Danos Pessoais causados por Veículos Automotores de Via
Terrestre - DPVAT, de que trata a Lei n° 6 -194, de 19 de dezembro de 1974,
serão repassados mensalmente ao Coordenador do Sistema Nacional de
Trânsito para aplicação exclusiva em programas de que trata este artigo.
Art. 78, CTB
O artigo 78 obriga a realização de programas destinados à prevenção de
ocorrências de trânsito por cinco Ministérios diferentes: da Saúde, da
Educação, do Trabalho, dos Transportes e da Justiça, o que deve ter a
interveniência do Conselho Nacional de Trânsito e o suporte financeiro de
parte do valor arrecadado com o pagamento, pelos proprietários de
veículos, do seguro DPVAT - Danos Pessoais causados por Veículos
Automotores de Via Terrestre.
O Contran regulamentou a matéria por meio da Resolução n. 143/03,
prevendo a sua competência na definição das linhas prioritárias dos
Programas e Projetos a serem desenvolvidos por tais Ministérios e
estabelecendo, em seu artigo 2°, que “caberá ao Departamento Nacional
de Trânsito - DENATRAN, a compatibilização e a consolidação dos projetos
desenvolvidos e apresentados pelos Ministérios referidos no artigo
anterior, a fim de que seja elaborado o programa de ação do Estado para o
cumprimento de sua missão institucional de redução e prevenção de
acidentes de trânsito”.
Para apreciação e aprovação dos Programas e Projetos, deve ser feita
análise de custo/benefício, com a verificação, dentre outros, dos seguintes
fatores:
■ Pacto sobre a morbimortalidade;
■ Educação para o trânsito;
■ Produção de informações;
■ Intersetorialidade;
■ Segurança no trânsito;
■ Eventuais superposições com outros programas e projetos, e
■ Impacto financeiro
Artigo 5° da Resolução n. 143/03.
O parágrafo único do artigo 78 estabelece que o recurso a ser utilizado
nestes Programas deve se originar do valor do DPVAT destinado à
Previdência Social, numa proporção de 10% desta destinação parcial do
arrecadado, o que equivale a 5% de toda a arrecadação do Seguro
Obrigatório, instituído pela Lei n. 6.194/74, tendo em vista que 50% dos
pagamentos do DPVAT, pelos proprietários de veículos, destinam-se às
indenizações das vítimas do trânsito e os outros 50% é que são repassados
à Seguridade Social, com destinação ao Sistema Único de Saúde, para
custeio da assistência médico-hospitalar dos segurados (artigo 27,
parágrafo único, da Lei n. 8.212/91).
Ressalta-se que o repasse destes 5% do DPVAT ao Conselho Nacional de
Trânsito deve ter aplicação exclusiva em programas destes Ministérios,
como prevê taxativamente o dispositivo sob comento.
CTB, art. 79 - Os órgãos e entidades executivos de trânsito poderão firmar
convênio com os órgãos de educação da União, dos Estados, do Distrito
Federal e dos Municípios, objetivando o cumprimento das obrigações
estabelecidas neste capítulo.
Art. 79, CTB
A possibilidade de firmar convênios entre órgãos de trânsito e órgãos de
educação visa facilitar o cumprimento das obrigações estabelecidas em
todo o Capítulo VI - Da Educação para o trânsito, com ênfase no disposto
no artigo 76, que estabelece a exigência de promoção da educação para o
trânsito em todos os níveis de ensino (o que, infelizmente, não é realidade
na maioria dos municípios brasileiros).
Tal convênio, se firmado, supre uma lacuna comum nos órgãos de ensino,
que é a inexistência de educadores com conhecimento na área de trânsito,
sendo possível que tal papel seja realizado pelos profissionais que
trabalham diretamente com as questões relativas à utilização da via pública
e mobilidade urbana e, portanto, sabem com maior propriedade como
abordar o tema em sala de aula.
A necessidade de se nortear a prática pedagógica voltada ao tema trânsito
também foi o que motivou o Departamento Nacional de Trânsito a instituir,
por meio da Portaria n° 147/09, as Diretrizes Nacionais para o Trânsito na
Pré-Escola e no Ensino Fundamental, sendo possível, independente de
convênio firmado, que as escolas interessadas em implementar este tipo de
ensino baseiem suas ações em tais normativas.
Outra vantagem neste tipo de parceria é que, em vez de se tentar inserir a
matéria “Educação para o trânsito” na grade curricular (como defendem
algumas pessoas) ou tratar do assunto de maneira transversal, durante o
estudo das diversas disciplinas (como preferem outras), a atuação do órgão
de trânsito no meio escolar pode ocorrer de maneira complementar, por
exemplo, na realização de palestras educativas, em horários distintos da
programação rotineira.
A realização de atividade extracurricular, em especial nas escolas de ensino
médio, mediante controle, fiscalização e execução pelo órgão ou entidade
executivo de trânsito dos Estados ou do Distrito Federal (Detran) também
pode ensejar outro grande benefício para os alunos que dela participarem,
tendo em vista a publicação, em 2007, da Resolução do Conselho Nacional
de Trânsito n° 265/07: citada norma institui a formação teórico-técnica do
processo de habilitação de condutores, permitindo, ao aluno aprovado,
quando da sua matrícula em Centro de Formação de Condutores para
obtenção da Permissão para Dirigir, o aproveitamento do curso teórico
realizado durante o ensino médio.
CTB, art. 80 - Sempre que necessário, será colocada ao longo da via,
sinalização prevista neste Código e em legislação complementar, destinada
a condutores e pedestres, vedada a utilização de qualquer outra.
§ 1° A sinalização será colocada em posição e condições que a tornem
perfeitamente visível e legível durante o dia e a noite, em distância
compatível com a segurança do trânsito, conforme normas e especificações
do CONTRAN.
§ 2° O CONTRAN poderá autorizar, em caráter experimental e por período
prefixado, a utilização de sinalização não prevista neste Código.
Art. 80, CTB
O artigo 80 expressa taxativamente um dos princípios da Administração
pública, previsto no artigo 37 da Constituição Federal de 1988: o da
Legalidade, que deve ser entendido como a obrigatoriedade de se fazer
estritamente o que consta do texto legal.
Diferentemente do particular, que pode fazer tudo aquilo que não seja
proibido, no caso da Administração Pública, somente é lícita a atividade que
tiver um embasamento normativo, motivo pelo qual a doutrina costuma
qualificar tal princípio como da Legalidade Estrita (interessante notar, em
reforço, a parte final do caput do artigo 80, que frisa a vedação de utilização
de qualquer outra sinalização, que não seja a prevista).
A competência para a implantação de sinalização de trânsito recai sobre os
órgãos e entidades executivos de trânsito dos municípios, no caso das vias
urbanas (artigo 24, III, do CTB) e sobre os órgãos e entidades executivos
rodoviários, no âmbito de sua circunscrição, no caso das vias rurais (artigo
21, III).
Quanto à previsão legal da sinalização, vigoram o Anexo II do CTB (alterado
em 2004, por meio da Resolução do CONTRAN n. 160/04, em atendimento
ao artigo 336 do Código) e as regras estabelecidas no Manual Brasileiro de
Sinalização de Trânsito, que havia sido criado na década de 1980
(Resoluções do CONTRAN n. 599/82 e 666/86), foi reformulado e passou a
ser composto de sete Volumes:
■ Volume I - Sinalização vertical de regulamentação;
■ Volume II - Sinalização vertical de advertência;
■ Volume III - Sinalização vertical de indicação;
■ Volume IV-Sinalização horizontal;
■ Volume V-Sinalização semafórica;
■ Volume VI - Dispositivos auxiliares; e
■ Volume VII - Sinalização temporária.
A utilização apenas de sinalização prevista no Código e em legislação
complementar trata-se, inclusive, de critério de segurança jurídica. Se, de
um lado, ninguém pode deixar de cumprir a lei, alegando que não a conhece
(artigo 3° do Decreto-lei n. 4.657/42), de igual sorte, não pode o órgão ou
entidade de trânsito inovar, a seu exclusivo critério, a sinalização de
trânsito, utilizando sinais que não são de domínio público e que não
atendem à padronização nacional (o que, infelizmente, acontece com muita
frequência, como a pintura de faixas de pedestre, com o fundo na cor
vermelha ou azul, em flagrante contrariedade à regulamentação da
sinalização horizontal de trânsito).
Alguns exemplos de autorização experimental para sinalização não prevista
no Código (possibilidade trazida pelo § 2°) são: a placa R-41 (“circulação
exclusiva de motocicletas, motonetas e ciclomotores”), utilizada, até
recentemente, pela Companhia de Engenharia de Tráfego de São Paulo; o
dispositivo auxiliar “bandas rugosas” do Departamento de Estradas de
Rodagem de Minas Gerais e a faixa de pedestre diferenciada do DETRAN do
Distrito Federal, aprovadas pelas Deliberações do CONTRAN n. 091/10,
097/10 e 101/10.
A partir de 01NOV16, destaca-se a inclusão, pela Lei n. 13.281/16, do § 3°,
que estabelece a responsabilidade do proprietário, pela instalação da
sinalização nas vias internas pertencentes aos condomínios constituídos
por unidades autônomas e nas vias e áreas de estacionamento de
estabelecimentos privados de uso coletivo; perdeu-se, entretanto, a
oportunidade de se estabelecer, para os estabelecimentos privados, a
mesma obrigatoriedade que já existe para os condomínios, no sentido de
que o projeto de sinalização deve ser previamente aprovado pelo órgão de
trânsito (artigo 51).
CTB, art. 81 - Nas vias públicas e nos imóveis é proibido colocar luzes,
publicidade, inscrições, vegetação e mobiliário que possam gerar confusão,
interferir na visibilidade da sinalização e comprometer a segurança do
trânsito.
Art. 81, CTB
A sinalização, por definição do Anexo I do CTB, é o “conjunto de sinais de
trânsito e dispositivos de segurança colocados na via pública com o objetivo
de garantir sua utilização adequada, possibilitando melhor fluidez no
trânsito e maior segurança dos veículos e pedestres que nela circulam”. Por
esse motivo, não se pode admitir a colocação de outros elementos (luzes,
publicidade, inscrições, vegetação e mobiliário) que dificultem a plena
visibilidade da sinalização e, consequentemente, a segurança do trânsito.
Infelizmente, é muito comum encontrarmos publicidade instalada na frente
de estabelecimentos comerciais, que confundem o motorista, o qual deve
conseguir visualizar a sinalização, em fração de segundos, para determinar
qual é o comportamento que dele se espera. Se, por exemplo, um
estacionamento particular tiver um letreiro que contenha a letra “E”,
instalado defronte à sua entrada, em formato parecido com o da sinalização
de regulamentação, pode gerar a falsa impressão de que se trata de um
Estacionamento regulamentado na via pública. Da mesma forma, painéis
luminosos próximos a semáforos são prejudiciais à segurança,
principalmente se utilizarem das mesmas cores do sinal semafórico.
Sobre o assunto, vale destacar que o Manual Brasileiro de Sinalização de
Trânsito (composto pelas Resoluções do Conselho Nacional de Trânsito n.
180/05, 236/07, 243/07, 483/14 e 486/14) estabelece que “na concepção e
na implantação da sinalização de trânsito, deve-se ter como princípio básico
as condições de percepção dos usuários da via, garantindo a real eficácia
dos sinais”, para o que é necessário o atendimento aos seguintes princípios:
Legalidade; Suficiência; Padronização; Clareza; Precisão e confiabilidade;
Visibilidade e legibilidade; e Manutenção e conservação.
A regra do artigo 81, embora estabeleça uma proibição quanto à colocação
de outros elementos viários, destina-se exatamente à adequada
visualização da sinalização de trânsito; relacionando-se, portanto, com
esses princípios, principalmente os da Clareza e da Visibilidade, como pode
se verificar da explicação sobre eles:
■ Clareza: transmitir mensagens de fácil compreensão;
■ Visibilidade e legibilidade: ser vista à distância; necessária ser lida em
tempo hábil para a tomada de decisão.
CTB, art. 82 - É proibido afixar sobre a sinalização de trânsito e respectivos
suportes, ou junto a ambos, qualquer tipo de publicidade, inscrições,
legendas e símbolos que não se relacionem com a mensagem da
sinalização.
Art. 82, CTB
Em complemento ao artigo 81, que proíbe a colocação de elementos que
impeçam ou dificultem a plena visualização da sinalização de trânsito, prevê
o artigo 82 a impossibilidade de se afixar, junto aos sinais de trânsito (ou
mesmo seus suportes) qualquer informação que não se relaciona com a
mensagem de sinalização, como, por exemplo, um cartaz promocional, um
banner de publicidade ou, até mesmo, uma propaganda eleitoral.
O objetivo é evitar a poluição visual, que acabe por dificultar a
compreensão da sinalização de trânsito, por parte do usuário da via pública.
Este dispositivo legal trata da “sinalização de trânsito” de maneira ampla,
embora a regra seja mais direcionada aos sinais verticais (placas - de
regulamentação, advertência e indicação), e ao sinal semafórico, posto ser,
nestas situações, que se verifica, com mais frequência, a afixação de
mensagem não relacionada com a sinalização.
Ressalte-se que a proibição se estende também aos suportes, cujos
materiais mais comuns na sua confecção são aço e madeira imunizada,
conforme a Resolução do Contran n. 180/05, a qual ainda estabelece a
possibilidade de utilização de outros materiais existentes ou surgidos a
partir de desenvolvimento tecnológico, desde que possuam propriedades
físicas e químicas que garantam suas características originais, durante toda
a sua vida útil em quaisquer condições climáticas.
São exemplos de suportes a coluna, simples ou dupla; o braço projetado; o
semipórtico, simples ou duplo, e o pórtico.
Em determinados casos, as placas podem ser fixadas em suportes
existentes, usados para outros fins, como postes de iluminação, colunas ou
braços de sustentação de grupos semafóricos, ou, ainda, a estrutura de
viadutos, pontes e passarelas; nestes casos, em tais locais, também se
aplica a proibição do artigo 82.
Outra situação muito comum de inobservância do artigo 82 é a utilização
de faixas de pano, com mensagens destinadas à orientação de trânsito, as
quais são classificadas como “dispositivos de uso temporário”, integrantes
da sinalização de trânsito; desta forma, não é possível incluir, junto à
mensagem própria deste sinal de trânsito, uma informação totalmente fora
de contexto, como uma propaganda comercial.
CTB, art. 83 - A afixação de publicidade ou de quaisquer legendas ou
símbolos ao longo das vias condiciona-se à prévia aprovação do órgão ou
entidade com circunscrição sobre a via.
Art. 83, CTB
O artigo 83 segue uma sequência de previsões legais que visam evitar
interferência na sinalização de trânsito, de modo a impedir que o usuário
da via pública se confunda com as informações para uma mobilidade
urbana segura e eficiente. Deste modo, estabelece a obrigatoriedade de
que a afixação de publicidade ou quaisquer legendas ou símbolos seja
submetida à prévia aprovação do órgão ou entidade de trânsito com
circunscrição sobre a via.
Na prática, não vemos esta vinculação da aposição de publicidade com a
aquiescência dos órgãos de trânsito, que, no mais das vezes, nem mesmo
são cientificados da propaganda a ser instalada pelo interessado; cabendo,
portanto, uma ação pró-ativa do órgão, para verificar as publicidades
irregulares e retirar ou determinar a sua imediata retirada, com ônus para
quem tenha colocado, nos termos do artigo 84.
O objetivo deste dispositivo legal não é, exatamente, restringir a
publicidade, mas evitar a poluição visual, muito comum nas grandes
cidades. Um exemplo de legislação local bem sucedida, que busca este
mesmo intento, foi a Lei n. 14.233/06, da capital paulista, conhecida como
“Lei da cidade limpa”, que dispõe sobre a ordenação dos elementos que
compõem a paisagem urbana do Município de São Paulo. Tal norma proíbe
a propaganda em outdoors na cidade e regula o tamanho de letreiros e
placas de estabelecimentos comerciais, entre outras providências.
Vale destacar que, além da prévia autorização para instalação de
publicidade ao longo das vias, o interessado também deverá atender às
regras para veiculação de mensagens educativas de trânsito, estabelecidas
nos artigos 77-A a 77-E, das quais se destacam as seguintes disposições:
“toda peça publicitária destinada à divulgação ou promoção, nos meios de
comunicação social, de produto oriundo da indústria automobilística ou
afim, incluirá, obrigatoriamente, mensagem educativa de trânsito a ser
conjuntamente veiculada” e “quando se tratar de publicidade veiculada em
outdoor à margem de rodovia, dentro ou fora da respectiva faixa de
domínio, a obrigação estende-se à propaganda de qualquer tipo de produto
e anunciante, inclusive àquele de caráter institucional ou eleitoral”.
CTB, art. 84 - O órgão ou entidade de trânsito com circunscrição sobre a via
poderá retirar ou determinar a imediata retirada de qualquer elemento que
prejudique a visibilidade da sinalização viária e a segurança do trânsito, com
ônus para quem o tenha colocado.
Art. 84, CTB
O artigo 84 decorre das disposições anteriores, relacionadas à sinalização
de trânsito, que proíbem a aposição de elementos que prejudiquem a
visibilidade da sinalização viária e a segurança do trânsito, como placas de
propaganda, inscrições, sinais luminosos, vegetação ou mobiliário.
A poluição visual, existente nas grandes cidades, muitas vezes é ocasionada
justamente pela justaposição de informações aos usuários da via, o que
dificulta a compreensão dos sinais de trânsito e, consequentemente, causa
insegurança na utilização da via pública; por este motivo, é que os
elementos colocados em desconformidade com tais regras devem ser
retirados.
O Código estabelece a possibilidade de que o órgão ou entidade com
circunscrição sobre a via retire, por seus próprios meios, ou determine a
imediata retirada, sempre com ônus para o responsável pela instalação ou
colocação dos elementos irregulares; não há, entretanto, a previsão de qual
deve ser o prazo dado à pessoa física ou jurídica a ser notificada, devendo-
se agir conforme critérios lógicos, atendido ao princípio da razoabilidade,
inerente à atuação da Administração pública.
O ideal é que seja determinada a remoção, devendo-se, nos casos em que
tal determinação não for atendida, promover a retirada pelo próprio órgão
ou entidade de trânsito, quando se fizer urgente tal medida, em vista da
segurança viária, ou, então, quando não for possível identificar o
responsável pela instalação dos elementos que prejudicam a visibilidade
dos sinais de trânsito.
Quando o órgão ou entidade de trânsito realizar a remoção que se fizer
necessária, os gastos com os meios utilizados e com o efetivo humano
empenhado podem ser objeto de cobrança ao responsável por aquela
atuação estatal, cuja natureza jurídica será a de taxa, tributo exigível em
decorrência da limitação de direitos imposta pelo poder de polícia
administrativa, nos termos dos artigos 77 e 78 do Código Tributário
Nacional.
Independente de prejuízo à visibilidade da sinalização, o CTB também prevê
a remoção da mercadoria ou material quando a via for utilizada para
depósito de mercadorias, materiais ou equipamentos, sem autorização do
órgão ou entidade de trânsito com circunscrição sobre a via (artigo 245).
CTB, art. 85 - Os locais destinados pelo órgão ou entidade de trânsito com
circunscrição sobre a via à travessia de pedestres deverão ser sinalizados
com faixas pintadas ou demarcadas no leito da via.
Art. 85, CTB
As normas viárias específicas para os pedestres são estabelecidas nos
artigos 68 a 71 do CTB; em relação à travessia da via pública, são
estabelecidas regras para os locais sinalizados e sem sinalização, seja o sinal
horizontal (faixa de pedestre) ou o sinal semafórico (com foco para
pedestres ou apenas o foco veicular).
A obrigatoriedade, por exemplo, de que o pedestre atravesse a via
utilizando as faixas ou passagens a ele destinadas, somente se aplica
quando estas existirem numa distância de até 50 (cinquenta) metros de
onde ele se encontra; do que se extrai a exigência, para o órgão de trânsito
com circunscrição sobre a via, para que sinalize adequadamente os locais
destinados a esta utilização.
Tal dispositivo é complementado pelo artigo 71, o qual prevê que “O órgão
ou entidade com circunscrição sobre a via manterá, obrigatoriamente, as
faixas e passagens de pedestres em boas condições de visibilidade, higiene,
segurança e sinalização”.
Importante ressaltar que a sinalização deve seguir aos padrões
determinados pelo Anexo II do CTB, que versa sobre a sinalização de
trânsito, complementado pela Resolução do Conselho Nacional de Trânsito
n. 236/07 (sinalização horizontal), o que, muitas vezes, não é atendido
adequadamente pelo órgão de trânsito.
Em relação, por exemplo, às cores da sinalização horizontal, prevê a
legislação de trânsito que devem ser utilizadas a cor branca (na marcação
de faixas de travessias de pedestres) e preta (para proporcionar contraste
entre o pavimento e a pintura), sendo irregular a pintura do fundo da faixa
nas cores vermelha ou azul, como tem sido muito comum em várias cidades
brasileiras.
A demarcação de área destinada à travessia de pedestres, além de permitir
a mobilidade segura, também constitui fator determinante para a redução
do número de atropelamentos; neste aspecto, vale destacar, inclusive, que
a ocorrência do crime de trânsito de homicídio ou lesão corporal, na
modalidade culposa, na faixa de pedestre, tem a pena aumentada de
metade até um terço, conforme preveem os parágrafos únicos dos artigos
302 e 303 do CTB. Nos demais crimes de trânsito, trata-se de circunstância
agravante (artigo 298, inciso VII).
CTB, art. 86 - Os locais destinados a postos de gasolina, oficinas,
estacionamentos ou garagens de uso coletivo deverão ter suas entradas e
saídas devidamente identificadas, na forma regulamentada pelo CONTRAN.
CTB, art. 86-A. As vagas de estacionamento regulamentado de que trata o
inciso XVII do CTB, art. 181 desta Lei deverão ser sinalizadas com as
respectivas placas indicativas de destinação e com placas informando os
dados sobre a Infração por estacionamento indevido. (Incluído pela Lei n°
13 -146, de 2015) (Vigência)
Art. 86, CTB
As entradas e saídas de postos de gasolina, oficinas, estacionamentos ou
garagens de uso coletivo devem ser identificadas de acordo com a
Resolução do Conselho Nacional de Trânsito n° 38/98.
Nas vias urbanas, para postos de gasolina e de abastecimento de
combustíveis, são exigidos três quesitos:
1. As entradas e saídas devem ter identificação física, com
rebaixamento da guia (meio-fio) da calçada, deixando uma rampa com
declividade suficiente à livre circulação de pedestres e/ou portadores de
deficiência;
2. Nas quinas do rebaixamento, devem ser aplicados “zebrados” nas
cores preta e amarela; e
3. As entradas e saídas devem ser obrigatoriamente identificadas por
sinalização vertical e horizontal.
No caso de oficinas, estacionamentos e/ou garagens de uso coletivo, exige-
se que as entradas e saídas, além do rebaixamento da guia (meio-fio) da
calçada, devem estar identificadas pela instalação, em locais de fácil
visibilidade e audição aos pedestres, de dispositivo que possua sinalização
com luzes intermitentes na cor amarela, bem como emissão de sinal
sonoro.
A sinalização semafórica de advertência é prevista no Anexo II do CTB e tem
a função de advertir da existência de obstáculo ou situação perigosa,
devendo o condutor reduzir a velocidade e adotar as medidas de precaução
compatíveis com a segurança para seguir adiante.
No caso das vias rurais, as entradas e saídas destes locais devem estar em
conformidade com as normas de acesso elaboradas pelo órgão executivo
rodoviário ou entidade de trânsito com circunscrição sobre a via.
A Resolução n° 38/98 ainda estabelece a obrigatoriedade de obediência ao
previsto no Plano Diretor Urbano (PDU), no Código de Posturas do
Município ou outros dispositivos legais relacionados ao assunto.
Por fim, exige-se que, para os postos de gasolina e abastecimento de
combustíveis, oficinas e/ou garagens de uso coletivo instalados em
esquinas de vias urbanas, a calçada seja mantida inalterada até a uma
distância mínima de 5 metros para cada lado, contados a partir do vértice
do encontro das vias.
CTB, art. 87 - Os sinais de trânsito classificam-se em:
I - verticais;
II - horizontais;
III - dispositivos de sinalização auxiliar;
IV - luminosos;
V - sonoros;
VI - gestos do agente de trânsito e do condutor.
Art. 87, CTB
Os sinais de trânsito são definidos, pelo Anexo I do CTB, como “elementos
de sinalização viária que se utilizam de placas, marcas viárias,
equipamentos de controle luminosos, dispositivos auxiliares, apitos e
gestos, destinados exclusivamente a ordenar ou dirigir o trânsito dos
veículos e pedestres”. Sua classificação está prevista no artigo 87 e o
detalhamento para sua implantação pelos órgãos de trânsito, bem como
interpretação pelos usuários da via, encontra-se no Anexo II do CTB,
complementado pelo Manual Brasileiro de Sinalização de Trânsito
(atualmente composto pelas Resoluções do Conselho Nacional de Trânsito
n° 180/05, 236/07 e 243/07).
I. Sinalização Vertical
Os sinais verticais são representados pelas placas, fixadas ao lado ou sobre
a pista, transmitindo mensagens de caráter permanente e, eventualmente,
variáveis, através de legendas e/ou símbolos pré-reconhecidos e
legalmente instituídos, subdivididos em três tipos, conforme sua função:
regulamentação, advertência e indicação.
II. Sinalização Horizontal
Os sinais horizontais são aqueles pintados ou apostos diretamente no
pavimento, por meio de linhas, marcações, símbolos e legendas. Sua função
é a de organizar o fluxo de veículos e pedestres; controlar e orientar os
deslocamentos em situações com problemas de geometria, topografia ou
frente a obstáculos; complementar os sinais verticais e, em casos
específicos, têm poder de regulamentação, quando expressamente
previsto na própria lei (podemos citar, como exemplos, a faixa de
pedestres, as marcas de canalização e as linhas de divisão de fluxos opostos,
que são sinais horizontais que independem da existência de placas, para
obrigar e/ou proibir determinadas condutas dos usuários da via).
III. Sinalização Auxiliar
Os dispositivos de sinalização auxiliar, como os balizadores, tachas, tachões
(conhecidos como “tartarugas”), prismas, gradis, defensas metálicas,
barreiras de concreto, painéis luminosos, cones e cavaletes, são elementos
instalados na via, ou nos obstáculos próximos, de forma a tornar mais
eficiente e segura a operação da via, incrementando a percepção dos
demais sinais e oferecendo maior proteção aos usuários.
IV. Sinalização Luminosa
Os sinais luminosos são os utilizados na sinalização semafórica, com
indicações acionadas alternada ou intermitentemente através de sistema
elétrico/eletrônico, cuja função é controlar os deslocamentos, sendo
previstos dois grupos: os sinais de regulamentação e os de advertência.
V. Sinalização Sonora
Os sinais sonoros são os representados pelos silvos do apito do agente de
trânsito, e somente podem ser utilizados em conjunto com os seus gestos,
existindo uma padronização de significados, para apenas três modos de
apitar: um silvo breve significa siga; dois silvos breves, pare; e um silvo longo
determina que se diminua a marcha.
VI. Gestos do Agente de Trânsito
Os gestos do agente de trânsito são ordens que prevalecem sobre as regras
de circulação e as normas definidas por outros sinais de trânsito (o que está
previsto tanto no Anexo II, quanto no artigo 89 do CTB). Existe uma
padronização para tais gestos, que, assim como os sinais sonoros, podem
significar a determinação de imobilização do veículo, diminuição da
velocidade ou a ordem de seguir.
Por último, dos seis tipos de sinais de trânsito classificados, interessante
notar que apenas um deles não decorre de ação exclusiva dos órgãos de
trânsito ou rodoviários com circunscrição sobre a via: são os gestos do
condutor, concebidos pela legislação de trânsito como integrantes da
sinalização viária, para a perfeita ordenação do tráfego nas vias públicas,
podendo ser utilizados, em substituição ao acionamento das luzes
indicadoras, com o objetivo de demonstrar a intenção do condutor em
efetuar conversões, diminuir a marcha ou imobilizar o veículo.
CTB, art. 88 - Nenhuma via pavimentada poderá ser entregue após sua
construção, ou reaberta ao trânsito após a realização de obras ou de
manutenção, enquanto não estiver devidamente sinalizada, vertical e
horizontalmente, de forma a garantir as condições adequadas de segurança
na circulação.
Parágrafo único. Nas vias ou trechos de vias em obras deverá ser afixada
sinalização específica e adequada.
Art. 88, CTB
O Anexo I do CTB define sinalização como o “conjunto de sinais de trânsito
e dispositivos de segurança colocados na via pública com o objetivo de
garantir sua utilização adequada, possibilitando melhor fluidez no trânsito
e maior segurança dos veículos e pedestres que nela circulam”.
O objetivo elencado acima, de garantia da utilização adequada da via
pública, é que justifica a previsão do artigo 88, segundo o qual nenhuma via
pavimentada pode ser entregue sem que tenha sido implantada a devida
sinalização de trânsito, vertical e horizontal.
A responsabilidade por “implantar, manter e operar o sistema de
sinalização, os dispositivos e os equipamentos de controle viário” compete,
nas vias rurais (estradas e rodovias), aos órgãos e entidades executivos
rodoviários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, no
âmbito de sua circunscrição, conforme artigo 21, inciso III do CTB. Nas vias
urbanas, a atribuição é dos órgãos e entidades executivos de trânsito
municipais, de acordo com o artigo 24, inciso III, e desde que o Município
esteja integrado ao Sistema Nacional de Trânsito, nos termos da Resolução
do Conselho Nacional de Trânsito n. 560/15 (§ 2° do artigo 24 do CTB).
O Anexo II versa sobre a sinalização de trânsito e define a sinalização
vertical como “um subsistema da sinalização viária cujo meio de
comunicação está na posição vertical, normalmente em placa, fixado ao
lado ou suspenso sobre a pista, transmitindo mensagens de caráter
permanente e, eventualmente, variáveis, através de legendas e/ou
símbolos pré-reconhecidos e legalmente instituídos”. A classificação das
placas de trânsito, conforme sua função, compreende os seguintes tipos:
regulamentação, advertência e indicação.
A sinalização horizontal, por sua vez, é definida como “um subsistema da
sinalização viária que se utiliza de linhas, marcações, símbolos e legendas,
pintados ou apostos sobre o pavimento das vias. Têm como função
organizar o fluxo de veículos e pedestres; controlar e orientar os
deslocamentos em situações com problemas de geometria, topografia ou
frente a obstáculos; complementar os sinais verticais de regulamentação,
advertência ou indicação. Em casos específicos, tem poder de
regulamentação”.
A sinalização para obras, mencionada no parágrafo único do artigo 88, é a
prevista no item 5 do Anexo II e tem como característica a utilização dos
sinais e elementos de Sinalização Vertical, Horizontal, Semafórica e de
Dispositivos e Sinalização Auxiliares combinados de forma que: I) os
usuários da via sejam advertidos sobre a intervenção realizada e possam
identificar seu caráter temporário; II) sejam preservadas as condições de
segurança e fluidez do trânsito e de acessibilidade; III) os usuários sejam
orientados sobre caminhos alternativos; e IV) sejam isoladas as áreas de
trabalho, de forma a evitar a deposição e/ou lançamento de materiais sobre
a via.
O artigo 95, § 2°, do CTB ainda estabelece que, quando houver interdição
da via, a autoridade de trânsito com circunscrição sobre a via deve, salvo
em casos de emergência, avisar a comunidade, por intermédio dos meios
de comunicação social, com 48 horas de antecedência, indicando os
caminhos alternativos a serem utilizados.
CTB, art. 89 - A sinalização terá a seguinte ordem de prevalência:
I - as ordens do agente de trânsito sobre as normas de circulação e
outros sinais;
II - as indicações do semáforo sobre os demais sinais;
III - as indicações dos sinais sobre as demais normas de trânsito.
Art. 89, CTB
Após a classificação dos sinais de trânsito, constante do artigo 87, o Código
de Trânsito apresenta, dentre os sinais existentes, qual é a ordem de
importância entre eles, estabelecendo uma precedência às ordens dadas
pelo agente de trânsito.
Apesar de parecer que tal condição confere a este profissional uma ampla
autonomia, para, inclusive, se sobrepor aos sinais de trânsito, regularmente
implantados, e às normas de circulação constantes do Código de Trânsito,
tal análise deve ser feita com cuidado: somente será lícita a atuação do
agente de trânsito, de maneira contrária às regras de trânsito ou aos sinais
físicos implantados, quando houver um interesse público a ser preservado,
atentando-se sempre aos princípios constitucionais da Administração
pública, constantes do artigo 37 da Constituição Federal - legalidade,
impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência; assim, somente será
exigível de um usuário da via a conduta determinada pelo agente de
trânsito, de maneira oposta aos sinais e regras de trânsito, quando as
circunstâncias exigirem para o perfeito ordenamento dos fluxos de tráfego
e preservação da segurança viária.
O artigo 195 do CTB estabelece a infração de trânsito decorrente da
desobediência às ordens do agente de trânsito, mas somente se configura
se a ordem desobedecida não acarretar infração de trânsito específica,
como é o caso do avanço do sinal de parada obrigatória (representado pelo
braço levantado do agente de trânsito, que pode estar acompanhado pelo
som de apito - dois silvos breves, conforme Anexo II do CTB), pois, neste
caso, a infração será a constante do artigo 208.
A segunda precedência apresentada é a da sinalização semafórica sobre os
demais sinais, o que, de certa forma, é até lógico, já que a alternância das
luzes do semáforo não se confunde com nenhum outro sinal de trânsito
porventura instalado em um cruzamento e, portanto, terá maior validade.
Por último, temos a prevalência dos sinais sobre as normas de trânsito.
Como exemplos, podemos citar a implantação de um sinal vertical de
regulamentação, determinando a mão de direção contrária à regra geral do
artigo 29, inciso I (lado direito da via) ou a inversão do direito de preferência
para quem se encontra fora da rotatória, ao contrário do disposto no artigo
29, inciso III; aliás, em ambos os casos, os dispositivos legais estabelecem
que as regras neles constantes somente são válidas nos locais em que não
houver sinalização; outro exemplo comum seria a implantação da placa de
“Estacionamento regulamentado” em locais cuja regra seja a proibição,
como em viadutos, pontes ou túneis, quando, então, o significado do sinal
passa a ser “Estacionamento permitido”, de acordo com a Resolução do
CONTRAN n° 180/05, que versa sobre a sinalização vertical de
regulamentação.
CTB, art. 90 - Não serão aplicadas as sanções previstas neste Código por
inobservância à sinalização quando esta for insuficiente ou incorreta.
§ 1° O órgão ou entidade de trânsito com circunscrição sobre a via é
responsável pela implantação da sinalização, respondendo pela sua falta,
insuficiência ou incorreta colocação.
§ 2° O CONTRAN editará normas complementares no que se refere à
interpretação, colocação e uso da sinalização.
Art. 90, CTB
A sinalização de trânsito brasileira obedece a determinados padrões
internacionais (por força, inclusive, do artigo 336 do CTB) e encontra-se
prevista, basicamente, no Anexo II do Código, o qual foi alterado pela
Resolução do Conselho Nacional de Trânsito n. 160/04.
As normas complementares para interpretação, colocação e uso da
sinalização de trânsito, mencionadas no § 2° do artigo 90, encontram-se
descritas no Manual Brasileiro de Sinalização de Trânsito, que era da década
de 1980 (Resoluções n. 599/82 e 666/86) e passou a ser reformulado após
2004, com a previsão de um total de sete volumes (estando dois deles ainda
em elaboração): Volume I - Sinalização vertical de regulamentação
(Resolução n. 180/05); Volume II - Sinalização vertical de advertência
(Resolução n. 243/07); Volume III - Sinalização vertical de indicação
(Resolução n. 486/14); Volume IV - Sinalização horizontal (Resolução n.
236/07); Volume V - Sinalização semafórica (Resolução n. 483/14); Volume
VI -Dispositivos auxiliares (ainda não publicado); e Volume VII - Sinalização
temporária (ainda não publicado).
Estas normas, que visam padronizar a sinalização em todo o país, são de
observância obrigatória pelo órgão ou entidade de trânsito com
circunscrição sobre a via e, portanto, quando descumpridas, podem
acarretar duas principais consequências:
1^) a responsabilidade objetiva do órgão de trânsito, consignada no § 1° do
artigo 90 e, ainda, no § 3° do artigo 1°, também do CTB, o que significa que
o órgão pode, eventualmente, ter de indenizar prejuízos causados aos
cidadãos, por conta do erro na implantação da sinalização de trânsito; e
2^) a impossibilidade de imposição de sanções, pelo descumprimento da
sinalização de trânsito que se encontra insuficiente ou incorreta (podemos
apontar, como exemplos, a utilização de placa de trânsito não prevista na
legislação mencionada; ou a falta de visibilidade e legibilidade de placas
escondidas atrás de arbustos ou, ainda, com dizeres apagados).
Quanto à competência para implantar, manter e operar o sistema de
sinalização, ressalta-se que tal atribuição recai, nas vias urbanas, sobre os
órgãos e entidades executivos de trânsito dos Municípios (artigo 24, III) e,
nas vias rurais, sobre os órgãos e entidades executivos rodoviários da
União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, a depender da
circunscrição em cada estrada ou rodovia (artigo 21, III).
CTB, art. 91 - O CONTRAN estabelecerá as normas e regulamentos a serem
adotados em todo o território nacional quando da implementação das
soluções adotadas pela Engenharia de Tráfego, assim como padrões a
serem praticados por todos os órgãos e entidades do Sistema Nacional de
Trânsito.
Art. 91, CTB
Por ser o órgão máximo, normativo, consultivo e, principalmente,
coordenador do Sistema Nacional de Trânsito, cabe ao Conselho Nacional
de Trânsito padronizar os procedimentos a serem adotados por todos os
órgãos e entidades componentes deste Sistema, o que, aliás, é um dos
objetivos básicos do SNT, previsto no artigo 6°, inciso II: “fixar, mediante
normas e procedimentos, a padronização de critérios técnicos, financeiros
e administrativos para a execução das atividades de trânsito”.
Com este objetivo, é que o artigo 91 determinou ao Contran a competência
normativa para tratar das soluções não só da Engenharia de Tráfego, mas
para as atribuições de todo o Sistema Nacional de Trânsito (veja que este
dispositivo inaugura o Capítulo VIII do CTB, que versa sobre a Engenharia
de Tráfego, a Operação, Fiscalização e o Policiamento Ostensivo de
Trânsito).
De acordo com o artigo 333, o cumprimento do artigo 91 deveria se dar no
prazo máximo de 120 (cento e vinte) dias após a nomeação nos membros
do Conselho Nacional, sendo que os órgãos e entidades de trânsito teriam
o prazo de 1 (um) ano para se adequarem às regras determinadas; todavia,
não há como se restringir a coordenação do Sistema, pelo Contran, a
apenas este curto período, tendo em vista que as alterações legislativas e a
evolução tecnológica, além de exigências circunstanciais, podem obrigar
mudanças nas regras anteriormente determinadas.
Por outro lado, não há uma norma consolidada, pelo Conselho Nacional de
Trânsito, para cumprimento do artigo 91 do CTB, mas podemos destacar
algumas Resoluções que visam, justamente, padronizar procedimentos dos
órgãos e entidades de trânsito, a saber:
■ Resolução n. 39/98 - Estabelece os padrões e critérios para a
instalação de ondulações transversais e sonorizadores nas vias públicas;
■ Resolução n. 180/05 - Aprova o Volume I - Sinalização Vertical de
Regulamentação, do Manual Brasileiro de Sinalização de Trânsito;
■ Resolução n. 236/07 - Aprova o Volume IV - Sinalização Horizontal,
do Manual Brasileiro de Sinalização de Trânsito;
■ Resolução n. 243/07 - Aprova o Volume II - Sinalização Vertical de
Advertência, do Manual Brasileiro de Sinalização de Trânsito;
■ Resolução n. 296/08 - Dispõe sobre a integração dos órgãos e
entidades executivos de trânsito e rodoviários municipais ao Sistema
Nacional de Trânsito;
■ Resolução n. 336/09 - Altera a Resolução n. 39/98, para proibir a
utilização de tachas e tachões, aplicados transversalmente à via pública,
como sonorizadores ou dispositivos redutores de velocidade;
■ Resolução n. 371/10 - Aprova o Manual Brasileiro de Fiscalização de
Trânsito, Volume I - Infrações de competência municipal, incluindo as
concorrentes dos órgãos e entidades estaduais de trânsito e rodoviários;
■ Resolução n. 483/14 - Aprova o Volume V - Sinalização Semafórica,
do Manual Brasileiro de Sinalização de Trânsito;
■ Resolução n. 486/14 - Aprova o Volume III - Sinalização Vertical de
Indicação, do Manual Brasileiro de Sinalização de Trânsito; e
■ Resolução n. 495/14 - Estabelece os padrões e critérios para a
instalação de faixa elevada para travessia de pedestres em via pública.
CTB, art. 93 - Nenhum projeto de edificação que possa transformar-se em
polo atrativo de trânsito poderá ser aprovado sem prévia anuência do órgão
ou entidade com circunscrição sobre a via e sem que do projeto conste área
para estacionamento e indicação das vias de acesso adequadas.
Art. 93, CTB
O Código de Trânsito Brasileiro inovou no tratamento sobre as edificações
a serem construídas nas cidades, determinando que haja a interveniência
do órgão ou entidade com circunscrição sobre a via; ou seja, além das
licenças municipais, sob responsabilidade de outros setores da Prefeitura,
pretendeu o legislador que ocorra a aquiescência do órgão de trânsito
competente, para que se avalie o impacto que aquela construção
acarretará ao tráfego local.
Tal obrigatoriedade aplica-se apenas aos projetos que podem se
transformar em polo atrativo de trânsito, como condomínios residenciais,
edifícios comerciais ou shoppings centers, por exemplo, tendo em vista a
estimativa de um maior afluxo de pessoas que passarão a se deslocar para
o lugar onde serão construídos, ao que se torna necessário que, do projeto,
conste área para estacionamento e indicação das vias de acesso adequadas.
Infelizmente, este dispositivo não é aplicado como deveria, em todas as
cidades brasileiras, sendo comum a aprovação de construções sem a análise
de impacto de trânsito, trazendo grandes transtornos à mobilidade urbana.
A devida adequação dos projetos de edificações às circunstâncias locais é,
inclusive, decorrente da política de desenvolvimento urbano, que deve ser
executada pelo Poder Público Municipal, nos termos do artigo 182 da
Constituição Federal, com a finalidade de ordenar o pleno desenvolvimento
das funções sociais da cidade e garantir o bem-estar de seus habitantes.
O correto, aliás, é que a necessária intervenção do órgão ou entidade de
trânsito seja devidamente previsto no Plano Diretor, obrigatório para
cidades com mais de vinte mil habitantes, de acordo com o § 1° do artigo
constitucional mencionado, o qual foi regulamentado pela Lei n° 10.257/01,
denominada “Estatuto da Cidade”.
Além de eventual responsabilidade àquele que promover a construção
irregular, ressalta-se que o § 4° do artigo 95 do CTB prevê que “ao servidor
público responsável pela inobservância dessa norma, a autoridade de
trânsito aplicará multa diária na base de cinquenta por cento do dia de
vencimento ou remuneração devida enquanto permanecer a
irregularidade”.
O processo de autuação, notificação e aplicação desta penalidade de multa
encontra-se regulamentado pela Resolução do Conselho Nacional de
Trânsito n° 390/11, com a padronização do auto de infração estabelecida
na Portaria do Departamento Nacional de Trânsito n° 1.069/11.
Esta imposição de sanção ao agente público é decorrente do dever de
vigilância, inerente à Administração pública, em relação ao servidor do
órgão e entidade de trânsito responsável pelo cumprimento desta
determinação legal.
Tal disposição é questionável do ponto de vista jurídico, em especial por
dois motivos: primeiro, porque não há, necessariamente, entre autoridade
de trânsito e o servidor responsável uma subordinação hierárquica,
necessária para a aplicação de punições decorrentes do exercício do poder
hierárquico de que goza a Administração pública; segundo, muito mais
importante, porque o desconto de remuneração previsto, sem o devido
processo legal e sem a garantia do contraditório e da ampla defesa,
contraria os direitos fundamentais estabelecidos nos incisos LIV e LV do
artigo 5° da CF/88.
CTB, art. 94 - Qualquer obstáculo à livre circulação e à segurança de veículos
e pedestres, tanto na via quanto na calçada, caso não possa ser retirado,
deve ser devida e imediatamente sinalizado.
Parágrafo único. É proibida a utilização das ondulações transversais e de
sonorizadores como redutores de velocidade, salvo em casos especiais
definidos pelo órgão ou entidade competente, nos padrões e critérios
estabelecidos pelo CONTRAN.
Art. 94, CTB
Ao contrário do previsto para o artigo 95, que obriga a sinalização ao
responsável pela obra ou evento que perturbe ou interrompa a livre
circulação de veículos e pedestres, o artigo 94 não estabelece quem deve
sinalizar o obstáculo (como, por exemplo, uma carga que tenha sido
derramada, uma caçamba de entulho não autorizada ou, até mesmo, um
buraco) que não pode ser retirado da via (aliás, a inserção da palavra
“calçada”, no caput do artigo, chega a ser redundante, já que esta faz parte
do conceito de via, conforme Anexo I).
Apesar da ausência de previsão quanto ao responsável pela sinalização
neste dispositivo legal, é de se destacar que o artigo 246 prevê a infração
de trânsito por “deixar de sinalizar qualquer obstáculo à livre circulação, à
segurança de veículo e pedestres, tanto no leito da via terrestre como na
calçada, ou obstaculizar a via indevidamente”; assim, cabe sanção
administrativa àquele que deixou de cumprir o previsto no artigo 94,
inclusive se pessoa física ou jurídica, nos termos do parágrafo único do
artigo 246: “A penalidade será aplicada à pessoa física ou jurídica
responsável pela obstrução, devendo a autoridade com circunscrição sobre
a via providenciar a sinalização de emergência, às expensas do responsável,
ou, se possível, promover a desobstrução” (os procedimentos para
aplicação de penalidades às pessoas físicas ou jurídicas, sem a utilização de
veículos, estão determinados pela Resolução do CONTRAN n. 390/11).
Também cabe punição ao servidor público responsável pela inobservância
dessa norma, com multa diária na base de cinquenta por cento do dia de
vencimento ou remuneração devida enquanto permanecer a irregularidade
(§ 4° do artigo 95).
Tal disposição é questionável do ponto de vista jurídico, em especial por
dois motivos: primeiro, porque não há, necessariamente, entre autoridade
de trânsito e o servidor responsável uma subordinação hierárquica,
necessária para a aplicação de punições decorrentes do exercício do poder
hierárquico de que goza a Administração pública; segundo, muito mais
importante, porque o desconto de remuneração previsto, sem o devido
processo legal e sem a garantia do contraditório e da ampla defesa,
contraria os direitos fundamentais estabelecidos nos incisos LIV e LV do
artigo 5° da CF/88.
O parágrafo único do artigo 94 proíbe uma prática muito comum nas
cidades: a utilização das “lombadas” como redutores de velocidade, salvo
em casos especiais, nos padrões e critérios estabelecidos pelo CONTRAN -
neste sentido, vigoram atualmente as Resoluções n. 600/16 e 601/16, as
quais estabelecem as especificações para a implantação das ondulações
transversais, tachões e sonorizadores na via pública.
CTB, art. 95 - Nenhuma obra ou evento que possa perturbar ou interromper
a livre circulação de veículos e pedestres, ou colocar em risco sua
segurança, será iniciada sem permissão prévia do órgão ou entidade de
trânsito com circunscrição sobre a via.
§ 1° A obrigação de sinalizar é do responsável pela execução ou
manutenção da obra ou do evento.
§ 2° Salvo em casos de emergência, a autoridade de trânsito com
circunscrição sobre a via avisará a comunidade, por intermédio dos meios
de comunicação social, com quarenta e oito horas de antecedência, de
qualquer interdição da via, indicando-se os caminhos alternativos a serem
utilizados.
§ 3° A inobservância do disposto neste artigo será punida com multa que
varia entre cinquenta e trezentas UFIR, independentemente das
cominações cíveis e penais cabíveis.
§ 4° Ao servidor público responsável pela inobservância de qualquer das
normas previstas neste e nos arts. 93 e 94, a autoridade de trânsito aplicará
multa diária na base de cinquenta por cento do dia de vencimento ou
remuneração devida enquanto permanecer a irregularidade.
Art. 95, CTB
O artigo 95 estabelece uma competência dos órgãos ou entidades de
trânsito, com circunscrição sobre a via, que vai além das atribuições
definidas no Capítulo II: a análise de viabilidade e consequente autorização
para realização de obras ou eventos que possam perturbar ou interromper
a livre circulação de veículos e pedestres. Normalmente, não é esta
sistemática que observamos nas cidades, ficando tal controle a cargo de
outros setores da Prefeitura, sem o concurso do órgão de trânsito.
Muitas vezes, aliás (principalmente no caso de eventos), verifica-se a sua
realização sem qualquer consentimento do órgão público, utilizando-se,
para tanto, o direito de reunião, consagrado pelo artigo 5°, inciso XVI, da
Constituição Federal: “todos podem reunir-se pacificamente, sem armas,
em locais abertos ao público, independentemente de autorização, desde
que não frustrem outra reunião anteriormente convocada para o mesmo
local, sendo apenas exigido prévio aviso à autoridade competente”.
Além da permissão prévia (dispensável, pelo texto constitucional), o
dispositivo sob comento exige que se sinalize o local (responsabilidade
daquele que realiza a obra ou evento) e que a autoridade de trânsito avise
à comunidade, com antecedência, sobre a interdição da via, indicando-se
os caminhos alternativos.
O CTB ainda estabelece que, em relação a este artigo, a competência para
fiscalização, aplicação de penalidades e arrecadação de multas é dos órgãos
executivos de trânsito dos Municípios (art. 24, IX) e, nas rodovias, dos
órgãos executivos rodoviários, no âmbito de sua circunscrição (art. 21, IX).
Embora ainda haja uma dificuldade prática de se aplicar a multa
determinada, por se tratar de pessoa que não é proprietária de veículo
automotor, as regras para autuação, notificação e imposição de
penalidades encontram-se regulamentadas pela Resolução do CONTRAN n.
390/11.
O valor da multa é diverso do previsto para infrações de trânsito, podendo
variar entre 50 e 300 UFIR; considerando-se o último valor de cada Unidade
Fiscal de Referência (1,0641), em vista de sua extinção no ano de 2000, a
penalidade ficará entre R$ 53,20 e R$ 319,23, não havendo, todavia, uma
regra estabelecida, para se definir qual será o valor exato em cada caso (a
partir de 01NOV16, quando entra em vigor a Lei n. 13.281/16, os valores
serão de R$ 81,35 a R$ 488,10, além de multa diária, no mesmo valor, até
a regularização da situação, no prazo fixado pela autoridade de trânsito).
CTB, art. 96 - Os veículos classificam-se em:
I - quanto à tração:
a) automotor;
b) elétrico;
c) de propulsão humana;
d) de tração animal;
e) reboque ou semirreboque;
II - quanto à espécie:
a) de passageiros:
1 - bicicleta;
2 - ciclomotor;
3 - motoneta;
4 - motocicleta;
5 - triciclo;
6 - quadriciclo;
7 - automóvel;
8 - micro-ônibus;
9 - ônibus;
10 - bonde;
11 - reboque ou semi-reboque;
12 - charrete;
b) de carga:
1 - motoneta;
2 - motocicleta;
3 - triciclo;
4 - quadriciclo;
5 - caminhonete;
6 - caminhão;
7 - reboque ou semi-reboque;
8 - carroça;
9 - carro-de-mão;
c) misto:
1 - camioneta;
2 - utilitário;
3 - outros;
d) de competição;
e) de tração:
1 - caminhão-trator;
2 - trator de rodas;
3 - trator de esteiras;
4 - trator misto;
f) especial;
g) de coleção;
III - quanto à categoria:
a) oficial;
b) de representação diplomática, de repartições consulares de carreira
ou organismos internacionais acreditados junto ao Governo brasileiro;
c) particular;
d) de aluguel;
e) de aprendizagem.
Art. 96, CTB
Existem três formas de classificação dos veículos: quanto à tração, quanto
à espécie e quanto à categoria.
A tração refere-se à maneira utilizada para se colocar o veículo em
movimento: se o veículo possuir um motor de propulsão que o faça circular
por seus próprios meios, dizemos que se trata de um veículo automotor
(cujo conceito engloba, segundo o Anexo I, também os veículos conectados
a uma linha elétrica e que não circulam sobre trilhos, os ônibus elétricos,
ou trólebus); se, em vez de um motor de propulsão movido a combustíveis
fósseis, o funcionamento do veículo for impulsionado por energia elétrica
(excetuando-se os conectados a linha elétrica), como, por exemplo,
decorrente de uma bateria, classifica-se como elétrico.
Os demais veículos (de propulsão humana, de tração animal, reboques e
semirreboques) são aqueles desprovidos de motor e que precisam de uma
ação externa para serem colocados em movimento. Existem dois tipos de
veículos de propulsão humana, um deles para transporte de passageiros,
que é a bicicleta e outro, para transporte de cargas, que é o carro de mão.
Da mesma forma, existem dois tipos de veículos de tração animal: charrete
(passageiros) e carroça (carga).
Os reboques e semirreboques são tracionados por outro veículo automotor
e se diferenciam pela maneira como são acoplados ao veículo principal:
enquanto o reboque é engatado atrás de um veículo automotor, o
semirreboque se apoia na unidade tratora ou é a ela ligado por meio de
articulação.
A espécie do veículo é uma das formas de classificação, relacionada à sua
utilidade, ou seja, para que o veículo serve, sendo previstas sete espécies
diferentes: de passageiros, de carga, misto, de competição, de tração,
especial e de coleção. Nas espécies de passageiros, de carga, misto e de
tração, o artigo 96 elenca, inclusive, quais são as suas subespécies (ou tipo
de veículos).
Por último, a classificação do veículo quanto à categoria objetiva
demonstrar a sua propriedade: se pertence à Administração pública direta
e indireta (oficial) ou a órgão de representação diplomática, se é particular
ou se é de pessoa física ou jurídica, cuja atividade profissional esteja
direcionada ao transporte remunerado de cargas ou pessoas (aluguel) ou à
formação de condutores (aprendizagem).
Cabe lembrar, finalmente, que a classificação quanto à categoria resultará
nas cores a serem utilizadas nas placas de identificação (fundo e dígitos),
conforme o estabelecido na Resolução do Conselho Nacional de Trânsito n.
231/07 (a partir de 01/01/21, revogada e substituída pela Resolução n.
590/16).
CTB, art. 97 - As características dos veículos, suas especificações básicas,
configuração e condições essenciais para registro, licenciamento e
circulação serão estabelecidas pelo CONTRAN, em função de suas
aplicações.
Art. 97, CTB
Os veículos são classificados, conforme o artigo 96, de acordo com três
critérios: tração, espécie e categoria.
As suas características, necessárias para a inclusão no RENAVAM - Registro
Nacional de Veículos Automotores, devem ser atendidas desde a sua
fabricação, de acordo com as disposições da Resolução do Conselho
Nacional de Trânsito n. 291/08, estabelecendo, em seu artigo 1°, que “todos
os veículos fabricados, montados e encarroçados, nacionais ou importados,
devem possuir código de marca/modelo/versão específico, o qual deve ser
concedido conjuntamente à emissão, pelo órgão máximo executivo de
trânsito da União, do Certificado de Adequação à Legislação de Trânsito -
CAT”, e trazendo, em seus Anexos, Tabelas de Classificação e de
Transformação de veículos, as quais, entretanto, foram alteradas pela
Portaria do Departamento Nacional de Trânsito n. 096/15, atualmente em
vigor.
As alterações posteriores de veículos devem seguir ao disposto na
Resolução do Contran n. 292/08 e Portaria do Denatran n. 064/16.
No caso de veículos artesanais (concebidos e fabricados por pessoas físicas
ou jurídicas, de modo que o nome do primeiro proprietário coincida com o
do fabricante), deve ser atendido o estabelecido no artigo 106,
complementado pela Resolução n. 63/98, a qual exige, para registro e
licenciamento, a apresentação de Certificado de Segurança Veicular - CSV
expedido por entidade credenciada pelo Inmetro - Instituto Nacional de
Metrologia, Normalização e Qualificação.
Para os veículos de coleção (fabricados há mais de 30 anos, que conservam
suas características originais de fabricação, integram uma coleção e
apresentam Certificado de Originalidade), as regras a serem atendidas
encontram-se na Resolução do Contran n. 56/98.
O artigo 97 também é mencionado, expressamente, na regulamentação do
Conselho Nacional de Trânsito sobre a instalação de dispositivo de
acoplamento mecânico para reboque (engate) utilizado em veículos com
PBT de até 3.500 kg (Resolução n. 197/06) e para a fabricação, instalação e
uso de dispositivo denominado “quebra mato” em veículos automotores
com PBT de até 3.500 kg (Resolução n. 215/06).
CTB, art. 98 - Nenhum proprietário ou responsável poderá, sem prévia
autorização da autoridade competente, fazer ou ordenar que sejam feitas
no veículo modificações de suas características de fábrica.
Parágrafo único. Os veículos e motores novos ou usados que sofrerem
alterações ou conversões são obrigados a atender aos mesmos limites e
exigências de emissão de poluentes e ruído previstos pelos órgãos
ambientais competentes e pelo CONTRAN, cabendo à entidade executora
das modificações e ao proprietário do veículo a responsabilidade pelo
cumprimento das exigências.
Art. 98, CTB
As modificações das características originais de fábrica de veículos
dependem de autorização específica do órgão ou entidade executivo de
trânsito dos Estados ou do Distrito Federal (DETRAN); entretanto, não é
qualquer alteração que exige este aval, sendo perfeitamente possível que
o proprietário mude aspectos visuais que não interfiram no projeto original
de fabricação, quanto à sua segurança, como mudança dos espelhos
retrovisores, implantação de aerofólio e outras adaptações que
personalizam o veículo (prática conhecida como tunning).
As modificações permitidas em veículos, bem como a exigência para cada
modificação e a nova classificação dos veículos após modificados, quanto
ao tipo/espécie e carroçaria, para fins de registro e emissão dos
documentos veiculares, constam da Resolução do CONTRAN n. 292/08
(com as alterações das Resoluções n. 319/09, 384/11, 419/12 e 479/14),
cujo Anexo foi estabelecido pela Portaria do DENATRAN n. 064/16.
Como regra geral, exige-se o cumprimento de três etapas:
I) Autorização prévia do órgão de trânsito;
II) Comprovação de que a alteração efetuada não compromete a
segurança automotiva (mediante obtenção de Certificado de Segurança
Veicular - CSV, expedido por Instituição Técnica Licenciada pelo Denatran);
e
III) Registro da modificação nos documentos do veículo (Certificados de
Registro e o de Licenciamento). Para cada tipo de alteração, todavia, deve
o interessado verificar, na Resolução mencionada, quais são os critérios
específicos a serem atendidos.
Algumas alterações são expressamente proibidas pela norma sob comento,
como, por exemplo, a utilização de sistema de suspensão com regulagem
de altura (até é possível modificar, de maneira definitiva, a suspensão,
desde que se comprove a segurança veicular e que o órgão de trânsito
promova a inscrição, nos documentos veiculares, da nova altura do veículo,
medida verticalmente do solo ao ponto do farol baixo do veículo); a
utilização de rodas/pneus que ultrapassem os limites externos dos para-
lamas do veículo e o aumento ou diminuição do diâmetro externo do
conjunto pneu/roda.
O uso do Gás Natural Veicular - GNV como combustível é permitido, para
fins automotivos, exceto para ciclomotores, motonetas, motocicletas e
triciclos, exigindo-se, além do CSV, também a expedição de Certificado
Ambiental expedido pelo IBAMA.
A condução de veículo com a característica alterada, sem a observância dos
requisitos para a modificação, configura infração de trânsito de natureza
grave, prevista no artigo 230, inciso VII, sujeita à multa e retenção do
veículo para regularização (como, normalmente, é difícil sanar a
irregularidade no local da infração, prevê o artigo 270, § 2°, a liberação do
veículo, mediante o recolhimento do Certificado de Licenciamento Anual,
para posterior vistoria).
CTB, art. 99 - Somente poderá transitar pelas vias terrestres o veículo cujo
peso e dimensões atenderem aos limites estabelecidos pelo CONTRAN.
§ 1° O excesso de peso será aferido por equipamento de pesagem ou pela
verificação de documento fiscal, na forma estabelecida pelo CONTRAN.
§ 2° Será tolerado um percentual sobre os limites de peso bruto total e peso
bruto transmitido por eixo de veículos à superfície das vias, quando aferido
por equipamento, na forma estabelecida pelo CONTRAN.
§ 3° Os equipamentos fixos ou móveis utilizados na pesagem de veículos
serão aferidos de acordo com a metodologia e na periodicidade
estabelecidas pelo CONTRAN, ouvido o órgão ou entidade de metrologia
legal.
Art. 99, CTB
Os limites de pesos e dimensões dos veículos, quando não determinados
especificamente pela sinalização de trânsito implantada pelo órgão ou
entidade executivo de trânsito ou rodoviário com circunscrição sobre a via,
são os definidos na Resolução do CONTRAN n. 210/06, que prevê diversas
regras, dependendo das especificações dos veículos, assim resumidas:
I. Peso Bruto Total: 29 toneladas, para veículo não articulado, podendo
chegar a até 57 t, no caso de combinações de veículos articulados com duas
unidades, do tipo caminhão e reboque; e
II. Dimensões: largura máxima: 2,60m; altura máxima: 4,40m;
comprimento total: 14,00m, para veículos não articulados, podendo chegar
a 19,80m, para veículos articulados com mais de duas unidades.
Na inobservância destas regras, o condutor estará incurso em uma das
seguintes infrações de trânsito estabelecidas no artigo 231: inciso IV
(excesso de dimensões) ou V (excesso de peso).
A metodologia de aferição de peso e dimensões do veículo é estabelecida
na Resolução do Contran n. 258/07, a qual prevê, por exemplo, a exigência
de que “os instrumentos ou equipamentos utilizados para a medição de
comprimento de veículos devem ter seu modelo aprovado pelo Instituto
Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial - INMETRO,
de acordo com a legislação metrológica em vigor” (artigo 2°) e que “a
fiscalização de peso dos veículos deve ser feita por equipamento de
pesagem (balança rodoviária) ou, na impossibilidade, pela verificação de
documento fiscal” (artigo 4°).
A tolerância no excesso de peso, mencionada no § 2° do artigo 99, encontra-
se regulamentada pelo artigo 5° da Resolução n. 258/07 (alterado pela
Resolução n. 526/15), que permite a tolerância, na fiscalização por balança,
de 5% sobre o PBT e PBTC e de 10% sobre os limites por eixo. Não é
admitida, entretanto, tolerância sobre o peso declarado, quando a
fiscalização for realizada com base na nota fiscal, conhecimento ou
manifesto de carga (artigo 11 da Resolução).
A Resolução n. 604/16 também prevê a tolerância de 7,5% no PBT ou PBTC
para os veículos que estiverem transportando produtos classificados como
Biodiesel (B-100) e Cimento Asfáltico de Petróleo (CAP), até 31/07/19.
CTB, art. 100 - Nenhum veículo ou combinação de veículos poderá transitar
com lotação de passageiros, com peso bruto total, ou com peso bruto total
combinado com peso por eixo, superior ao fixado pelo fabricante, nem
ultrapassar a capacidade máxima de tração da unidade tratora.
Parágrafo único. O CONTRAN regulamentará o uso de pneus extralargos,
definindo seus limites de peso.
Art. 100, CTB
A proibição estabelecida pelo artigo 100 visa preservar o pavimento viário
e o nível de segurança dos usuários da via pública, tendo em vista que um
veículo (ou combinação) que excede as suas capacidades pode danificar a
via, além de dificultar a dirigibilidade, expondo os próprios ocupantes do
veículo e as demais pessoas em risco.
A palavra “lotação” é definida, pelo Anexo I do CTB, como sendo a “carga
útil máxima, incluindo condutor e passageiros, que o veículo transporta,
expressa em quilogramas para os veículos de carga, ou número de pessoas,
para os veículos de passageiros”, ou seja, trata-se de definição que abrange
tanto a capacidade de carga, quanto de passageiros. Como se vê, no artigo
100, a lotação de passageiros deve ser fixada pelo fabricante, não podendo
ser ultrapassada. A infração por transitar com o veículo com lotação (de
passageiros) excedente está prevista no artigo 231, inciso VII, do CTB.
Quanto aos limites de peso, há que se considerar que, além do limite fixado
pelo fabricante, deve também o condutor de veículo obedecer à sinalização
de trânsito vertical de regulamentação, implantada pelo órgão ou entidade
executivo de trânsito ou rodoviário com circunscrição sobre a via, que pode
determinar limites específicos para a via; a infração de trânsito correlata é
a prevista no artigo 231, inciso V.
A capacidade máxima de tração é o “máximo peso que a unidade de tração
é capaz de tracionar, indicado pelo fabricante, baseado em condições sobre
suas limitações de geração e multiplicação de momento de força e
resistência dos elementos que compõem a transmissão”. A condução de
veículo com excesso da CMT caracteriza infração do artigo 231, inciso X.
A regulamentação de ambos os incisos do artigo 231 (V - excesso de peso e
X - excesso da CMT), bem como a metodologia para aferição do peso e os
percentuais de tolerância constam da Resolução do Conselho Nacional de
Trânsito n. 258/07. Segundo seu artigo 4°, “A fiscalização de peso dos
veículos deve ser feita por equipamento de pesagem (balança rodoviária)
ou, na impossibilidade, pela verificação de documento fiscal”.
Em relação à tolerância de peso, ressalta-se que a Lei n. 13.103/15 alterou
a Lei n. 7.408/85, estabelecendo que: “Fica permitida, na pesagem de
veículos de transporte de carga e de passageiros, a tolerância máxima de: I
- 5% sobre os limites de peso bruto total; e II - 10% sobre os limites de peso
bruto transmitido por eixo de veículos à superfície das vias públicas”.
A partir de 01NOV16, com a entrada em vigor da Lei n. 13.281/16, os §§ 1°
e 3° do artigo 100 passarão a autorizar a utilização de pneus extralargos em
veículos de transporte de passageiros, bem como a fabricação destes
veículos com até 15 metros de comprimento, na configuração de chassi 8x2.
CTB, art. 101 - Ao veículo ou combinação de veículos utilizado no transporte
de carga indivisível, que não se enquadre nos limites de peso e dimensões
estabelecidos pelo CONTRAN, poderá ser concedida, pela autoridade com
circunscrição sobre a via, autorização especial de trânsito, com prazo certo,
válida para cada viagem, atendidas as medidas de segurança consideradas
necessárias.
§ 1° A autorização será concedida mediante requerimento que especificará
as características do veículo ou combinação de veículos e de carga, o
percurso, a data e o horário do deslocamento inicial.
§ 2° A autorização não exime o beneficiário da responsabilidade por
eventuais danos que o veículo ou a combinação de veículos causar à via ou
a terceiros.
§ 3° Aos guindastes autopropelidos ou sobre caminhões poderá ser
concedida, pela autoridade com circunscrição sobre a via, autorização
especial de trânsito, com prazo de seis meses, atendidas as medidas de
segurança consideradas necessárias.
Art. 101, CTB
Todo veículo, para circular na via pública, deve atender a determinados
limites de largura, altura e comprimento, conforme a sinalização de
regulamentação existente em cada local; na inexistência de placa com esta
informação, os limites máximos são os constantes da Resolução do
CONTRAN n. 210/06: largura de 2,60m; altura de 4,40m e comprimento de
14m, no caso de veículos não-articulados (podendo chegar a até 19,80m
para combinações de veículos).
Caso o veículo tenha dimensões maiores do que as mencionadas, exige-se
Autorização Especial de Trânsito, que deve ser solicitada ao órgão ou
entidade executivo de trânsito ou rodoviário, com circunscrição sobre cada
trecho em que o condutor pretende circular.
Existem regras específicas para a concessão desta Autorização, para
Combinações de Veículos de Cargas -CVC; veículos que transportam
produtos siderúrgicos (como carvão a granel ou ensacado, e minério de
ferro ou de outros metais); Combinações para Transporte de Veículos - CTV;
Combinações de Transporte de Veículos e Cargas Paletizadas - CTVP e
veículos transportadores de contêineres, previstas, respectivamente, nas
Resoluções do CONTRAN n. 211/06, 293/08, 305/09 e 564/15.
O artigo 101 é um pouco mais genérico, em relação a este tipo de
transporte, prescrevendo sobre as situações em que o veículo (ou
combinação de veículos) for utilizado no transporte de carga indivisível,
acima das dimensões citadas, para o que será necessária a obtenção da
Autorização, válida para cada viagem e com prazo certo (somente no caso
de guindastes auto propelidos ou sobre caminhões, é que a Autorização
pode ter prazo maior, de seis meses).
A condução do veículo, sem a necessária Autorização, caracteriza infração
de trânsito prevista no artigo 231, inciso IV, do CTB. Se, por outro lado, o
condutor possui a Autorização, mas ela está vencida, ou, então, o veículo
está circulando em desacordo com as suas prescrições (como, por exemplo,
dia, horário, ou, ainda, necessidade de escolta), a infração será a prevista
no inciso VI do mesmo artigo.
Além destas duas infrações, também sofrerá sanção o veículo que danificar
a via, os fios de alta tensão, pontes, viadutos, postes e placas de sinalização
(o § 2°, inclusive, deixa claro que a Autorização não exime a
responsabilidade por danos causados). No âmbito administrativo, a
conduta caracteriza a infração de trânsito do artigo 231, inciso I: “transitar
com o veículo danificando a via, suas instalações e equipamentos”.
CTB, art. 102 - O veículo de carga deverá estar devidamente equipado
quando transitar, de modo a evitar o derramamento da carga sobre a via.
Parágrafo único. O CONTRAN fixará os requisitos mínimos e a forma de
proteção das cargas de que trata este artigo, de acordo com a sua natureza.
Art. 102, CTB
O derramamento de carga sobre a via pública caracteriza infração de
trânsito gravíssima, prevista no artigo 231, II, ‘a', independente de estar o
veículo equipado, ou não, de forma a evitar que isso ocorra.
Para proteção da carga, prevê o artigo 102 a exigência de que o veículo de
carga esteja equipado, conforme os requisitos mínimos e a forma de
proteção determinados pelo Conselho Nacional de Trânsito, na Resolução
n. 441/13 (alterada pela Resolução n. 499/14), a qual permite o transporte
de qualquer tipo de sólido a granel em vias abertas à circulação pública, em
veículos de carroçarias abertas, somente nos seguintes casos:
I. Veículos com carroçarias de guardas laterais fechadas;
II. Veículos com carroçarias de guardas laterais dotadas de telas
metálicas com malhas de dimensões que impeçam o derramamento de
fragmentos do material transportado.
A norma ainda prevê que as cargas transportadas devem estar totalmente
cobertas por lonas ou dispositivos similares, que deverão cumprir alguns
requisitos:
I. Possibilidade de acionamento manual, mecânico ou automático;
II. Estar devidamente ancorados à carroçaria do veículo;
III. Cobrir totalmente a carga transportada de forma eficaz e segura;
IV. Estar em bom estado de conservação, de forma a evitar o
derramamento da carga transportada; e
V. Sem prejudicar a eficiência dos demais equipamentos obrigatórios.
O artigo 2° da Resolução n. 441/13, com a alteração da 499/14, estabelece
que o descumprimento do disposto nesta Resolução sujeitará o infrator,
conforme o caso, simultaneamente ou não, às seguintes sanções:
I. Em desacordo com os incisos e §§ 1° e 2° do art. 1°: art. 230, inciso IX
ou X, do CTB, conforme o caso;
II. Com a carga ultrapassando os limites da carroceria, mas sem
ultrapassar os limites de dimensões estabelecidos pela Resolução
CONTRAN n. 210/06, ou sucedâneas: art. 235 do CTB;
III. Com a carga ultrapassando simultaneamente os limites da carroceria
e um ou mais limites de dimensões estabelecidos pela Resolução CONTRAN
n. 210/06, ou sucedâneas: art. 231, inciso IV, do CTB; e
IV. Derramando carga sobre a via: art. 231, inciso II, do CTB.
Além do transporte de carga a granel (em que a própria carroceria do
veículo acondiciona o produto, como, por exemplo, transporte de areia), o
CONTRAN também regulamenta o transporte de outros tipos específicos de
carga: toras de madeira (Resolução n. 196/06), produtos siderúrgicos
(Resolução n. 293/08), rochas ornamentais (Resolução n. 354/10) e
contêineres (Resolução n. 564/15).
CTB, art. 103 - O veículo só poderá transitar pela via quando atendidos os
requisitos e condições de segurança estabelecidos neste Código e em
normas do CONTRAN.
§ 1° Os fabricantes, os importadores, os montadores e os encarroçadores
de veículos deverão emitir certificado de segurança, indispensável ao
cadastramento no RENAVAM, nas condições estabelecidas pelo CONTRAN.
§ 2° O CONTRAN deverá especificar os procedimentos e a periodicidade
para que os fabricantes, os importadores, os montadores e os
encarroçadores comprovem o atendimento aos requisitos de segurança
veicular, devendo, para isso, manter disponíveis a qualquer tempo os
resultados dos testes e ensaios dos sistemas e componentes abrangidos
pela legislação de segurança veicular.
Art. 103, CTB
A segurança dos veículos é tratada na Seção II do Capítulo IX (Dos veículos),
iniciando-se pelo artigo 103, que vincula o trânsito do veículo, na via
pública, ao atendimento dos requisitos e condições de segurança
estabelecidos na legislação de trânsito. Trata-se de regra, portanto,
direcionada principalmente à indústria automobilística (o artigo 113, que
encerra esta Seção do Código, prescreve a responsabilidade civil e criminal
dos fabricantes de veículos, por danos causados aos proprietários,
decorrentes de falhas de projetos e da qualidade dos materiais e
equipamentos utilizados).
A comprovação de atendimento aos requisitos de segurança veicular é uma
das primeiras condições para se realizar o pré-cadastro de qualquer veículo
a ser comercializado no país, sendo necessário que o DENATRAN conceda,
em cada caso, o código de marca/modelo/versão específico,
conjuntamente à emissão do Certificado de Adequação à Legislação de
Trânsito - CAT, na conformidade da Resolução CONTRAN n. 291/08.
Existem várias normas do Conselho Nacional de Trânsito que determinam
critérios específicos para a fabricação de veículos e seus equipamentos,
dentre as quais destaco os seguintes itens:
■ Pressão sonora de buzina (Resolução n. 035/98);
■ Resistência/ancoragem dos bancos e encostos (Resolução n. 220/07);
■ Proteção aos ocupantes e sistema de combustível (Resoluções n.
221/07 e 255/07);
■ Requisitos do lavador/limpador de para-brisa (Resolução n. 224/07);
■ Controles, indicadores e lâmpadas piloto (Resolução n. 225/07);
■ Desempenho/fixação dos espelhos retrovisores (Resolução n.
226/07);
■ Requisitos dos vidros de segurança (Resoluções n. 254/07 e 386/11);
■ Protetor lateral para veículos de carga (Resolução n. 323/09);
■ Requisitos de segurança para veículos de transporte coletivo
(Resolução n. 416/12);
■ Sistema de travamento de capuz e rodas dos veículos (Resolução n.
426/12); e
■ Avaliação dos sistemas de freios (Resolução n. 519/15).
Tais normas são, inclusive, extensivas aos importadores de veículos, como
prevê o artigo 3° do CTB: “As disposições deste Código são aplicáveis a
qualquer veículo, bem como aos proprietários, condutores dos veículos
nacionais ou estrangeiros e às pessoas nele expressamente mencionadas”.
Uma condição curiosa da legislação de trânsito, no tocante à segurança
veicular, foi a proibição de uso de pneus reformados em ciclomotores,
motonetas, motocicletas e triciclos, bem como rodas que apresentem
quebras, trincas e deformações, estabelecida pela Resolução CONTRAN n.
158/04, que teve de ser suspensa por determinação judicial (Deliberação
CONTRAN n. 063/08), mas que retornou a vigorar em abril de 2011
(Resolução CONTRAN n. 376/11).
CTB, art. 104 - Os veículos em circulação terão suas condições de segurança,
de controle de emissão de gases poluentes e de ruído avaliadas mediante
inspeção, que será obrigatória, na forma e periodicidade estabelecidas pelo
CONTRAN para os itens de segurança e pelo CONAMA para emissão de
gases poluentes e ruído.
§ 1° (VETADO)
§ 2° (VETADO)
§ 3° (VETADO)
§ 4° (VETADO)
§ 5° Será aplicada a medida administrativa de retenção aos veículos
reprovados na inspeção de segurança e na de emissão de gases poluentes
e ruído.
Art. 104, CTB
São duas as inspeções exigidas para os veículos em circulação, nos termos
do artigo 104:
1. Inspeção de segurança veicular, conforme normas do Conselho
Nacional de Trânsito - CONTRAN;
2. Inspeção de controle de emissão de gases poluentes e de ruído,
conforme normas do Conselho Nacional do Meio Ambiente - CONAMA.
Logo que o Código de Trânsito entrou em vigor, o CONTRAN publicou a
Resolução n. 027/98, determinando que a inspeção veicular teria início em
março de 1999, mas, até o presente momento, isto nunca aconteceu.
As regras para sua realização foram detalhadas na Resolução n. 84/98, a
qual não chegou a vigorar, pois foi suspensa, pouco tempo depois, pela
Resolução n. 107/99, sem nenhuma alteração após todos estes anos, o que
é lamentável, já que a inspeção veicular teria como objetivo impedir que
veículos sem condições de trafegabilidade continuem circulando na via
pública. Apesar desta ausência de regulamentação, alguns órgãos
executivos de trânsito, como o DETRAN do Rio de Janeiro, chegaram a
regulamentar a inspeção de segurança veicular, quando do licenciamento
anual, para se assegurar do cumprimento das normas de segurança viária.
Além destas experiências pontuais, a outra inspeção que também chegou a
ser realizada em alguns Estados e Municípios, a exemplo da capital paulista,
foi a inspeção ambiental, para controle de emissão de gases poluentes e de
ruído, a qual é regulada pelo CONAMA e faz parte de programas
governamentais específicos: o Programa Nacional de Controle da Qualidade
do Ar - PRONAR (Resolução n. 05/89), o Programa de Controle da Poluição
do Ar por Veículos Automotores - PROCONVE (Resolução n. 18/86) e o
Programa Nacional de Controle de Ruído de Veículos (Resoluções n. 01 e
02/93).
Os critérios atuais para elaboração de Planos de Controle de Poluição
Veicular - PCPV estão determinados pela Resolução do CONAMA n. 418/09,
que obriga os órgãos ambientais dos Estados e do Distrito Federal, bem
como os municípios com frota superior a três milhões de veículos, a criação
de seus próprios Planos de Controle e consequentes Programas de Inspeção
e Manutenção de Veículos em Uso (facultando-os aos municípios com frota
inferior, mediante convênio específico com o Estado e sob supervisão
deste).
Embora a inspeção veicular anual obrigatória, prevista no artigo 104,
NUNCA TENHA SAÍDO do papel, a Lei n. 13.281/16 (em vigor a partir de
01NOV16) decidiu ISENTAR determinados veículos da sua exigência (o que
demonstra total desconexão do legislador com o que ocorre, na prática, em
relação à aplicação da legislação de trânsito no Brasil).
Estarão isentos da inspeção mencionada, durante 3 (três) anos a partir do
primeiro licenciamento, os veículos novos classificados na categoria
particular, com capacidade para até 7 (sete) passageiros, desde que
mantenham suas características originais de fábrica e não se envolvam em
acidente de trânsito com danos de média ou grande monta.
Para os demais veículos novos, a isenção será de 2 (dois) anos, desde que
mantenham suas características originais de fábrica e não se envolvam em
acidente de trânsito com danos de média ou grande monta.
Vamos torcer para que, com a criação desta isenção, finalmente o
CONTRAN volte a regulamentar o tema, para EXIGIR a inspeção daqueles
que não são isentos.
CTB, art. 105 - São equipamentos obrigatórios dos veículos, entre outros a
serem estabelecidos pelo CONTRAN:
I - cinto de segurança, conforme regulamentação específica do
CONTRAN, com exceção dos veículos destinados ao transporte de
passageiros em percursos em que seja permitido viajar em pé;
II - para os veículos de transporte e de condução escolar, os de
transporte de passageiros com mais de dez lugares e os de carga com peso
bruto total superior a quatro mil, quinhentos e trinta e seis quilogramas,
equipamento registrador instantâneo inalterável de velocidade e tempo;
III - encosto de cabeça, para todos os tipos de veículos automotores,
segundo normas estabelecidas pelo CONTRAN;
IV - (VETADO)
V - dispositivo destinado ao controle de emissão de gases poluentes e
de ruído, segundo normas estabelecidas pelo CONTRAN.
VI - para as bicicletas, a campainha, sinalização noturna dianteira,
traseira, lateral e nos pedais, e espelho retrovisor do lado esquerdo.
VII - equipamento suplementar de retenção - air bag frontal para o
condutor e o passageiro do banco dianteiro. (Incluído pela Lei n° 11 -910,
de 2009)
§ 1° O CONTRAN disciplinará o uso dos equipamentos obrigatórios dos
veículos e determinará suas especificações técnicas.
§ 2° Nenhum veículo poderá transitar com equipamento ou acessório
proibido, sendo o infrator sujeito às penalidades e medidas administrativas
previstas neste Código.
§ 3° Os fabricantes, os importadores, os montadores, os encarroçadores de
veículos e os revendedores devem comercializar os seus veículos com os
equipamentos obrigatórios definidos neste artigo, e com os demais
estabelecidos pelo CONTRAN.
§ 4° O CONTRAN estabelecerá o prazo para o atendimento do disposto
neste artigo.
§ 5o A exigência estabelecida no inciso VII do caput deste artigo será
progressivamente incorporada aos novos projetos de automóveis e dos
veículos deles derivados, fabricados, importados, montados ou
encarroçados, a partir do 1o (primeiro) ano após a definição pelo Contran
das especificações técnicas pertinentes e do respectivo cronograma de
implantação e a partir do 5o (quinto) ano, após esta definição, para os
demais automóveis zero quilômetro de modelos ou projetos já existentes e
veículos deles derivados. (Incluído pela Lei n° 11 -910, de 2009)
§ 6o A exigência estabelecida no inciso VII do caput deste artigo não se
aplica aos veículos destinados à exportação. (Incluído pela Lei n° 11 -910,
de 2009)
Art. 105, CTB
O artigo 105 estabelece quais são os equipamentos obrigatórios veiculares.
Além da exigência de que os veículos sejam fabricados e comercializados
com todos os equipamentos previstos na legislação de trânsito (§ 3°), cabe
salientar que a sua existência e condições de funcionamento devem ser
sempre verificadas pelo condutor, antes de colocar o veículo em circulação
na via pública, nos termos do artigo 27.
O inciso I traz uma importante exceção, que muita gente desconhece: os
veículos de transporte coletivo, utilizados no transporte urbano de
passageiros NÃO SÃO obrigados a ter o cinto de segurança (nem mesmo
para o motorista), já que o texto legal excetua os veículos em que seja
permitido viajar em pé (e não para os que estão em pé); desta forma,
embora seja recomendável a sua utilização, o não uso de cinto de segurança
pelo condutor deste veículo não pode ser alvo de aplicação da multa de
trânsito respectiva.
Outra observação interessante é que a relação enumerada pelo artigo 105
abrange pouquíssimos equipamentos e não menciona nenhum daqueles
que, de tão usuais, qualquer motorista já sabe que seu veículo deve possuir,
como macaco, chave de roda, triângulo e roda sobressalente, entre outros;
isto porque o próprio artigo estabelece a possibilidade de complementação
do assunto, por meio de norma do Conselho Nacional de Trânsito.
Embora esta delegação seja questionável juridicamente (tendo em vista
que “ninguém é obrigado a fazer alguma coisa senão em virtude de LEI”,
conforme artigo 5°, inciso II, da Constituição Federal), é de se supor que a
ideia do legislador de trânsito foi transferir a responsabilidade de tratar dos
equipamentos veiculares para o CONTRAN, com o objetivo de dar maior
celeridade e flexibilidade à regulamentação, quando necessária,
acompanhando-se a evolução tecnológica e automotiva (o correto seria,
obviamente, que toda obrigação voltada à indústria automotiva e aos
proprietários de veículos fosse decorrente do devido processo legislativo,
como ocorreu com a exigência do air bag, a partir da inclusão do inciso VII
e dos §§ 5° e 6° no artigo 105, pela Lei n. 11.910/09).
Não obstante a impropriedade técnica do tratamento deste assunto, é de
se esclarecer que a Resolução mais importante sobre o tema é a de número
14/98, que apresenta relações de equipamentos, conforme o tipo de
veículo, e menciona algumas exceções: por exemplo, não se exige luz de
marcha à ré para veículos fabricados antes de 1990, bem como não são
obrigatórios pneu e aro sobressalente, macaco e chave de roda para
veículos de transporte de lixo e concreto, veículos blindados para
transporte de valores e ônibus e micro-ônibus utilizados no sistema de
transporte urbano de passageiros, quando em posse de empresas com
equipes próprias para troca de pneus.
Além dela, outras Resoluções estabelecem equipamentos específicos,
como: a faixa refletiva para caminhões (Resoluções n. 128/01 e 132/02 - a
partir de 01/01/17, revogadas e substituídas pela Resolução n. 568/15) e o
sistema antitravamento de rodas - freio ABS, para os veículos mais novos,
conforme cronograma para a indústria automotiva (Resolução n. 380/11);
outras normas trazem maior detalhamento sobre equipamentos que
constam da Resolução n. 14/98; como exemplos, temos as Resoluções n.
558/80, 805/95, 827/96, 44/98, 48/98, 92/99, 152/03, 157/04 e 227/07,
que tratam, respectivamente, do indicador de profundidade dos pneus, do
para-choque traseiro, do triângulo de emergência, do encosto de cabeça,
do cinto de segurança, do equipamento instantâneo inalterável de
velocidade e tempo (tacógrafo), do para-choque traseiro (para os veículos
fabricados a partir de julho de 2004), do extintor de incêndio e do sistema
de iluminação e sinalização.
Cabe salientar que todas estas regras aplicam-se tanto aos veículos de
fabricação nacional, quanto aos importados (é muito comum imaginarem
que veículos importados podem manter-se como no país de origem, sem
equipamentos que são exigidos somente no Brasil). Tal tratamento
isonômico consta expresso no artigo 3° do CTB (e já era regulamentado,
antes de 1998, pela Resolução do CONTRAN n. 768/93).
Como se vê, o assunto é extenso e não se restringe apenas ao previsto no
artigo 105 do CTB, sendo necessária a leitura atenta das normas
complementares ao Código de Trânsito, acima indicadas.
CTB, art. 106 - No caso de fabricação artesanal ou de modificação de veículo
ou, ainda, quando ocorrer substituição de equipamento de segurança
especificado pelo fabricante, será exigido, para licenciamento e registro,
certificado de segurança expedido por instituição técnica credenciada por
órgão ou entidade de metrologia legal, conforme norma elaborada pelo
CONTRAN.
Art. 106, CTB
Dentre as regras de segurança para os veículos, prevê a legislação de
trânsito a obrigatoriedade de atendimento a determinados quesitos de
fabricação veicular, a fim de que a indústria automotiva demonstre que os
veículos produzidos não apresentem riscos aos seus usuários e ao trânsito,
de maneira geral.
Portanto, qualquer alteração dos itens originais do veículo, bem como a
produção completa de veículos, em escala não comercial, por pessoas
físicas ou jurídicas, sem a interveniência das montadoras especializadas,
depende desta mesma comprovação de segurança automotiva, por meio
de expedição de Certificado de Segurança, por instituição técnica
devidamente credenciada.
No caso de modificações dos veículos, há que se observar também o
disposto no artigo 98 do CTB, segundo o qual “nenhum proprietário ou
responsável poderá, sem prévia autorização da autoridade competente,
fazer ou ordenar que sejam feitas no veículo modificações de suas
características de fábrica”.
Vale ressaltar, neste aspecto, que as modificações que dependem de
autorização do órgão executivo de trânsito estadual são as definidas na
Resolução do Conselho Nacional de Trânsito n. 292/08, com suas
posteriores alterações, e Portaria do Denatran n. 064/16.
O veículo de fabricação artesanal, segundo a Resolução do Contran n. 63/98
é “todo e qualquer veículo concebido e fabricado sob responsabilidade de
pessoa física ou jurídica, atendendo a todos os preceitos de construção
veicular, de modo que o nome do seu primeiro proprietário sempre
coincida com o nome do fabricante”, sendo permitido o registro e
licenciamento de no máximo 3 (três) veículos para cada fabricante, em cada
ano (artigo 3° da Resolução mencionada).
Citada norma prevê os requisitos para o registro e licenciamento, mediante
a obtenção, pelo interessado, do Certificado de Segurança Veicular - CSV, o
qual somente pode ser expedido por Instituição Técnica Licenciada - ITL,
pessoa jurídica de direito público ou privado, ou por Entidade Técnica
Pública ou Paraestatal - ETP, sem fins lucrativos, conforme os critérios
definidos na Resolução do Contran n. 232/07.
O CSV somente é dispensável para a fabricação de reboques com Peso
Bruto Total - PBT até 350 kg, para o qual se exige laudo emitido por
profissional legalmente habilitado perante o Conselho Regional de
Engenharia, Arquitetura e Agronomia - CREA, na área de mecânica ou
segurança veicular (artigo 2°, § 1°, da Res. n. 63/98)
CTB, art. 107 - Os veículos de aluguel, destinados ao transporte individual
ou coletivo de passageiros, deverão satisfazer, além das exigências
previstas neste Código, às condições técnicas e aos requisitos de segurança,
higiene e conforto estabelecidos pelo poder competente para autorizar,
permitir ou conceder a exploração dessa atividade.
Art. 107, CTB
Os veículos são classificados de acordo com o artigo 96 do CTB, podendo
ser, quanto à categoria, de aluguel, isto é, aqueles utilizados para atividade
remunerada, por meio da qual o condutor recebe um determinado valor
para transportar bens ou pessoas.
O artigo 107 é específico para a atividade remunerada exercida para o
transporte individual (táxi) ou coletivo de passageiros (ônibus, micro-ônibus
e vans autorizados pelo poder público municipal), determinando que os
veículos utilizados neste ramo atendam, cumulativamente, às exigências da
legislação de trânsito, bem como as condições técnicas, de segurança,
higiene e conforto determinadas pelo poder competente para autorizar,
permitir ou conceder a exploração dessa atividade, que, nas vias urbanas, é
o Executivo municipal.
Tal dispositivo é reforçado pelo artigo 135, segundo o qual “Os veículos de
aluguel, destinados ao transporte individual ou coletivo de passageiros de
linhas regulares ou empregados em qualquer serviço remunerado, para
registro, licenciamento e respectivo emplacamento de característica
comercial, deverão estar devidamente autorizados pelo poder público
concedente”.
A competência na matéria é prevista no artigo 30, inciso V, da CF/88:
“Compete aos Municípios ... organizar e prestar, diretamente ou sob regime
de concessão ou permissão, os serviços públicos de interesse local, incluído
o de transporte coletivo, que tem caráter essencial”.
O artigo 231, inciso VIII, do CTB prevê a infração de “Transitar com o veículo
efetuando transporte remunerado de pessoas ou bens, quando não for
licenciado para esse fim, salvo casos de força maior ou com permissão da
autoridade competente”, de natureza média, sujeita à penalidade de multa
e medida administrativa de retenção do veículo.
Por coexistirem normas de trânsito e específicas para o transporte, de igual
forma os veículos irregulares estão sujeitos às sanções distintas, o que
explica o motivo de que o transporte remunerado irregular, embora
passível de mera retenção pelo Código de Trânsito, é comumente punido
com a apreensão do veículo ao pátio municipal, pela fiscalização de
transporte, com aplicação de multa em valor diferente da constante da
infração de trânsito.
CTB, art. 108 - Onde não houver linha regular de ônibus, a autoridade com
circunscrição sobre a via poderá autorizar, a título precário, o transporte de
passageiros em veículo de carga ou misto, desde que obedecidas as
condições de segurança estabelecidas neste Código e pelo CONTRAN.
Parágrafo único. A autorização citada no caput não poderá exceder a doze
meses, prazo a partir do qual a autoridade pública responsável deverá
implantar o serviço regular de transporte coletivo de passageiros, em
conformidade com a legislação pertinente e com os dispositivos deste
Código. (Incluído pela Lei n° 9 -602, de 1998)
Art. 108, CTB
O transporte de passageiros em veículo de carga ou misto é precário e
eventual, devendo ser precedido de autorização do órgão ou entidade com
circunscrição sobre a via, exclusivamente para os locais onde não houver
linha regular de ônibus.
A própria redação do artigo 108 nos conduz ao entendimento de que,
passados dezoito anos de vigência do atual Código de Trânsito, esta
autorização já nem seria mais possível, tendo em vista que seu prazo não
poderia exceder a doze meses, e, após este período, a autoridade pública
deveria implantar o serviço regular de transporte coletivo de passageiros,
que é considerado serviço público de interesse local, competência dos
Municípios, os quais devem organizá-lo e prestá-lo, diretamente ou sob
regime de concessão ou permissão, nos termos do artigo 30, inciso V, da
Constituição Federal.
Não obstante, a Resolução do Conselho Nacional de Trânsito n. 508/14
estabelece os requisitos para a concessão desta autorização precária,
ratificando a condição excepcional de não existirem linhas de ônibus ou as
linhas existentes não forem suficientes para suprir as necessidades da
comunidade onde se pretende utilizar veículos de carga para o transporte
de pessoas.
Os veículos empregados neste transporte excepcional devem ser,
obrigatoriamente, vistoriados pela autoridade concedente, após cumprir
alguns requisitos mínimos:
I. Bancos, na quantidade suficiente para todos os passageiros,
revestidos de espuma, com encosto e cinto de segurança, fixados na
estrutura da carroceria;
II. Carroceria com cobertura, barra de apoio para as mãos, proteção
lateral rígida, com dois metros e dez centímetros de altura livre, de material
de boa qualidade e resistência estrutural, que evite o esmagamento e a
projeção de pessoas em caso de acidente com o veículo;
III. Escada para acesso, com corrimão;
IV. Cabine e carroceria com ventilação, garantida a comunicação entre
motorista e passageiros;
V. Compartimento resistente e fixo para a guarda das ferramentas e
materiais, separado dos passageiros, no caso de transporte de
trabalhadores;
VI. Sinalização luminosa, na forma do inciso VIII do artigo 29 do CTB e da
Resolução n. 268/08, no caso de transporte de pessoas vinculadas à
prestação de serviço em obras na via.
O documento de autorização deve ser concedido para uma ou mais viagens
e, em trajeto que utilize mais de uma via com autoridades de trânsito com
circunscrição diversa, por todas as autoridades competentes.
Seu porte é obrigatório e deve conter as seguintes informações:
I. Identificação do órgão de trânsito e da autoridade;
II. Marca, modelo, espécie, ano de fabricação, placa e UF do veículo;
III. Identificação do proprietário do veículo;
IV. O número de passageiros (lotação a ser transportado);
V. O local de origem e de destino do transporte; VI. o itinerário a ser
percorrido; e
VI. O prazo de validade da autorização.
A principal infração de trânsito correspondente a esta normativa é a
disposta no artigo 230, inciso II, assim redigida: “Conduzir o veículo
transportando passageiros em compartimento de carga, salvo por motivo
de força maior, com permissão da autoridade competente e na forma
estabelecida pelo CONTRAN”; não bastando, portanto, um “motivo de força
maior” para que o transporte seja considerado regular, sendo
imprescindível o cumprimento dos requisitos aqui apontados (a Resolução
mencionada ainda prevê outras infrações correlatas).
CTB, art. 109 - O transporte de carga em veículos destinados ao transporte
de passageiros só pode ser realizado de acordo com as normas
estabelecidas pelo CONTRAN.
Art. 109, CTB
A classificação de veículos é determinada pelo artigo 96 do CTB, o qual
prescreve, no inciso II, que, quanto à espécie, o veículo pode ser de
passageiros, de carga, misto, de competição, de tração, especial e de
coleção.
O transporte eventual de carga em veículo de passageiros deve, nos termos
do artigo 109, atender às normas estabelecidas pelo Conselho Nacional de
Trânsito, que, atualmente, são previstas em duas Resoluções:
1. Resolução n. 26/98: para veículos do tipo ônibus ou micro-ônibus; e
2. Resolução n. 349/10: para o transporte eventual de cargas ou de
bicicletas nos veículos classificados como automóvel, caminhonete,
camioneta e utilitário.
Resolução n. 26/98
No caso dos ônibus e micro-ônibus, prevê citada norma que a carga só pode
ser acomodada em compartimento próprio, separado dos passageiros
(bagageiro), sendo proibido o transporte de produtos perigosos, bem como
daqueles que, por sua forma ou natureza, comprometam a segurança do
veículo, de seus ocupantes ou de terceiros.
Resolução n. 349/10
Para o transporte eventual de cargas ou de bicicletas, as principais regras a
serem atendidas são as seguintes:
I. Não colocar em perigo as pessoas nem causar danos a propriedades
públicas ou privadas, e em especial, que a carga não se arraste pela via nem
caia sobre esta;
II. Não atrapalhar a visibilidade à frente do condutor nem comprometer
a estabilidade ou condução do veículo;
III. Não provocar ruído nem poeira;
IV. Não ocultar as luzes, incluídas as luzes de freio e os indicadores de
direção e os dispositivos refletores; ressalvada, entretanto, a ocultação da
lanterna de freio elevada;
V. Não exceder a largura máxima do veículo;
VI. Não ultrapassar as dimensões autorizadas para veículos,
estabelecidas na Resolução do CONTRAN n. 210/06: largura de 2,60m;
altura de 4,40m e comprimento de 14m (no caso de veículos não-
articulados);
VII. Todos os acessórios, tais como cabos, correntes, lonas, grades ou
redes que sirvam para acondicionar, proteger e fixar a carga deverão estar
devidamente ancorados e atender aos requisitos da Resolução n. 349/10;
VIII. Não se sobressair ou se projetar além do veículo pela frente.
Além destas prescrições, sobre o acondicionamento da carga ou da
bicicleta, a Resolução n. 349/10 ainda estabelece critérios específicos, para
o transporte da carga no bagageiro de automóveis, no compartimento de
carga de caminhonetes e para o transporte de bicicletas na parte externa
dos veículos (sobre o teto ou na traseira), com alterações da Resolução n.
589/16 (em especial quanto à necessidade de instalação de segunda placa
traseira e régua de sinalização complementar).
CTB, art. 110 - O veículo que tiver alterada qualquer de suas características
para competição ou finalidade análoga só poderá circular nas vias públicas
com licença especial da autoridade de trânsito, em itinerário e horário
fixados.
Art. 110, CTB
O artigo 110, ao tratar dos veículos destinados à competição, complementa
o constante em dois outros dispositivos legais do Código de Trânsito:
i. Artigo 98, que exige prévia autorização do órgão executivo de
trânsito, para que sejam realizadas modificações nas características
originais dos veículos (complementado pela Resolução do CONTRAN n°
292/08); e o
ii. Artigo 67, que estabelece a necessidade de prévia permissão da
autoridade de trânsito com circunscrição sobre a via, para que sejam
realizadas provas ou competições desportivas na via pública.
Embora não haja uma regulamentação específica sobre a forma de
concessão da licença especial, para o trânsito deste tipo de veículo, o artigo
110 é autoaplicável e, portanto, qualquer veículo especial para competição
somente poderá transitar na via pública, com a autorização fornecida pelo
órgão com circunscrição sobre cada via de circulação.
Assim, um automóvel personalizado (popularmente conhecido como
“tunado”, do inglês tunning, que significa “ajuste fino”) ou uma motocicleta
utilizada para prática fora de estrada (“off road”) somente podem se
deslocar até o local da competição (ou exposição), se transportados em
veículos a isso destinados (guinchos ou, no caso das motos, caçambas de
caminhonetes ou semirreboques); para que sejam conduzidos
normalmente, necessária se faz a licença.
Não há, entretanto, infração de trânsito específica para a falta desta licença,
ensejando eventual aplicação de multa em decorrência dos requisitos que
não forem atendidos em cada situação: falta de registro e licenciamento,
falta de placa, alteração de características, entre outras.
CTB, art. 111 - É vedado, nas áreas envidraçadas do veículo:
I - (VETADO)
II - o uso de cortinas, persianas fechadas ou similares nos veículos em
movimento, salvo nos que possuam espelhos retrovisores em ambos os
lados.
III - aposição de inscrições, películas refletivas ou não, painéis
decorativos ou pinturas, quando comprometer a segurança do veículo, na
forma de regulamentação do CONTRAN. (Incluído pela Lei n° 9 -602, de
1998)
Parágrafo único. É proibido o uso de inscrição de caráter publicitário ou
qualquer outra que possa desviar a atenção dos condutores em toda a
extensão do para-brisa e da traseira dos veículos, salvo se não colocar em
risco a segurança do trânsito.
Art. 111, CTB
A leitura do artigo 111 é de suma importância, para se compreender as
situações em que se aplicam as infrações de trânsito constantes dos incisos
XVI e XVII do artigo 230, tendo em vista que tais dispositivos, se vistos
isoladamente, não darão ao leitor a visão adequada sobre as condutas
infracionais.
O artigo 230, inciso XV, ao trazer a infração de trânsito de “Conduzir o
veículo com cortinas ou persianas fechadas, não autorizadas pela
legislação”, por exemplo, somente se aplica aos casos em que o veículo não
possuir espelhos retrovisores em ambos os lados, conforme inciso II do
artigo 111 (espelhos duplos que, aliás, são obrigatórios para os veículos
automotores produzidos a partir de 1999, conforme artigo 6°, inciso I, da
Resolução do CONTRAN n° 14/98).
Já o inciso XVI, que contempla a infração de “Conduzir o veículo com vidros
total ou parcialmente cobertos por películas refletivas ou não, painéis
decorativos ou pinturas”, somente estará configurado, nos termos do inciso
III do artigo 111, se colocar em risco a segurança do trânsito, isto é, se não
forem atendidos os critérios para aplicação de inscrições, pictogramas e
películas nas áreas envidraçadas dos veículos, na conformidade da
regulamentação constante da Resolução do CONTRAN n. 254/07, a qual,
resumidamente, dispõe o seguinte:
■ É proibida a instalação de películas refletivas;
■ Para a aposição de películas não refletivas, deve-se atentar para os
índices mínimos de transparência de cada vidro: para-brisa com 75% (vidros
incolores) ou 70% (coloridos); vidros laterais dianteiros, com 70%; vidros
laterais traseiros e traseiro, com 28%;
■ Nos vidros dianteiro (para-brisa) e laterais dianteiros, há a
necessidade de gravação da marca do instalador e do índice de transmissão
luminosa, de forma indelével, por meio de chancela, visível pelo lado
externo dos vidros;
■ As inscrições, pictogramas ou painéis decorativos de qualquer
espécie somente podem ser aplicadas nos vidros laterais traseiros e
traseiro, desde que se mantenha a transparência mínima de 28% e nos
veículos com ambos os espelhos retrovisores.
Quanto ao parágrafo único do artigo 111, não há uma norma regulamentar
que o complemente, cabendo uma análise um tanto quanto subjetiva.
É comum, por exemplo, que veículos de transporte coletivo de passageiros
(ônibus urbanos) utilizem propagandas comerciais em toda a extensão da
traseira, com a finalidade empresarial de diminuição da tarifa paga pelo
usuário, e sob o argumento de que tal colocação não coloca em risco a
segurança do trânsito. Embora não haja previsão taxativa que autorize tal
procedimento, é possível adotar esta interpretação legal, já que nem os
motoristas de tais veículos, nem os demais usuários, usam, efetivamente, o
vidro de trás dos ônibus, para se posicionarem no trânsito.
Para maiores informações, sugiro a leitura do texto “Utilização de películas
nos vidros dos veículos - o que mudou”.
Art. 112, CTB Revogado
CTB, art. 113 - Os importadores, as montadoras, as encarroçadoras e
fabricantes de veículos e autopeças são responsáveis civil e criminalmente
por danos causados aos usuários, a terceiros, e ao meio ambiente,
decorrentes de falhas oriundas de projetos e da qualidade dos materiais e
equipamentos utilizados na sua fabricação.
Art. 113, CTB
A responsabilidade dos importadores, montadoras, encarroçadoras e
fabricantes de veículos e autopeças não é decorrente apenas do artigo 113
do Código de Trânsito, mas se vincula à necessidade de proteção e defesa
do consumidor, garantia fundamental constante dos artigos 5°, XXXII, e 170,
V, da Constituição Federal.
Com a Constituição de 1988, os direitos dos consumidores passaram a ser
tutelados pelo Estado com maior amplitude, resultando na edição, em
1990, do Código de Defesa do Consumidor, instituído pela Lei n. 8.078/90,
da qual se destaca, para a presente análise, o artigo 10, que assim dispõe:
“O fornecedor não poderá colocar no mercado de consumo produto ou
serviço que sabe ou deveria saber apresentar alto grau de nocividade ou
periculosidade à saúde ou segurança”, complementado pelo seu § 1°, nos
seguintes termos: “O fornecedor de produtos e serviços que,
posteriormente à sua introdução no mercado de consumo, tiver
conhecimento da periculosidade que apresentem, deverá comunicar o fato
imediatamente às autoridades competentes e aos consumidores, mediante
anúncios publicitários”.
Para atender a esta exigência legal, é que os fabricantes de veículos
convocam os seus clientes para substituição de peças e componentes
defeituosos, por meio de um procedimento conhecido como recall (que
pode ser traduzido como “chamar de volta”).
Atualmente, a comunicação deve ser feita diretamente ao Departamento
Nacional de Trânsito, sendo previsto, inclusive, a inclusão de informação
relativa às campanhas não atendidas no prazo de 1 (um) ano, diretamente
no Certificado de Registro e Licenciamento de Veículo, conforme a Portaria
conjunta n° 69/10, da Secretaria de Direito Econômico do Ministério da
Justiça e do DENATRAN (para os procedimentos adotados a partir de
17/03/11, é possível consultar diretamente o site do DENATRAN, pelo link).
A não comunicação da nocividade ou periculosidade de produtos cujo
conhecimento seja posterior à sua colocação no mercado constitui crime
previsto no artigo 64 do Código de Defesa do Consumidor, sujeitando o
infrator à pena de detenção de seis meses a dois anos e multa, além de
infração administrativa constante do artigo 13, inciso II, do Decreto n°
2.181/97, que dispõe sobre a organização do Sistema Nacional de Defesa
do Consumidor, com penas que variam de multa a cassação do registro do
produto ou da licença do estabelecimento.
Não há, ressalte-se, necessidade de comprovação da culpa por parte do
fabricante, de vez que a legislação admite, para estes casos, a chamada
responsabilidade objetiva, em que basta a existência de relação de causa e
efeito, entre a ação e os danos causados (artigo 12 do CDC).
Para maiores informações sobre recall, é possível consultar a homepage do
Ministério da Justiça, em Direito do Consumidor, ou da Fundação de
Proteção e Defesa do Consumidor de São Paulo - PROCON.
CTB, art. 114 - O veículo será identificado obrigatoriamente por caracteres
gravados no chassi ou no monobloco, reproduzidos em outras partes,
conforme dispuser o CONTRAN.
§ 1° A gravação será realizada pelo fabricante ou montador, de modo a
identificar o veículo, seu fabricante e as suas características, além do ano
de fabricação, que não poderá ser alterado.
§ 2° As regravações, quando necessárias, dependerão de prévia autorização
da autoridade executiva de trânsito e somente serão processadas por
estabelecimento por ela credenciado, mediante a comprovação de
propriedade do veículo, mantida a mesma identificação anterior, inclusive
o ano de fabricação.
§ 3° Nenhum proprietário poderá, sem prévia permissão da autoridade
executiva de trânsito, fazer, ou ordenar que se faça, modificações da
identificação de seu veículo.
§ 4° Os aparelhos automotores destinados a puxar ou a arrastar maquinaria
de qualquer natureza ou a executar trabalhos de construção ou de
pavimentação são sujeitos ao registro na repartição competente, se
transitarem em via pública, dispensados o licenciamento e o
emplacamento. (Redação dada pela Lei n° 13 -154, de 2015) (Vide)
§ 4°-A. Os tratores e demais aparelhos automotores destinados a puxar ou
a arrastar maquinaria agrícola ou a executar trabalhos agrícolas, desde que
facultados a transitar em via pública, são sujeitos ao registro único, sem
ônus, em cadastro específico do Ministério da Agricultura, Pecuária e
Abastecimento, acessível aos componentes do Sistema Nacional de
Trânsito. (Redação dada pela Lei n° 13 -154, de 2015) (Vide)
§ 5° O disposto neste artigo não se aplica aos veículos de uso bélico.
§ 6° Os veículos de duas ou três rodas são dispensados da placa dianteira.
§ 7° Excepcionalmente, mediante autorização específica e fundamentada
das respectivas corregedorias e com a devida comunicação aos órgãos de
trânsito competentes, os veículos utilizados por membros do Poder
Judiciário e do Ministério Público que exerçam competência ou atribuição
criminal poderão temporariamente ter placas especiais, de forma a impedir
a identificação de seus usuários específicos, na forma de regulamento a ser
emitido, conjuntamente, pelo Conselho Nacional de Justiça - CNJ, pelo
Conselho Nacional do Ministério Público - CNMP e pelo Conselho Nacional
de Trânsito - CONTRAN. (Incluído pela Lei n° 12 -694, de 2012)
§ 8° Os veículos artesanais utilizados para trabalho agrícola (jericos), para
efeito do registro de que trata o § 4°-A, ficam dispensados da exigência
prevista no CTB, art. 106 - (Incluído pela Lei n° 13 -154, de 2015)
Art. 114, CTB
O Código de Trânsito prevê duas formas de identificação, específicas para
cada veículo:
1. Externa: por meio de placas de identificação; e
2. Diretamente na carroceria: em locais determinados pelos próprios
fabricantes, conhecida como “numeração do chassi”.
Numeração do Chassi
■ Esta identificação deve ser gravada em lugar visível do chassi, no lado
direito e, se possível, na metade dianteira;
■ Sua codificação segue uma padronização internacional, regulada pela
SAE: Society of Automotive Engineers Inc., com sede nos EUA;
■ Os pontos de marcação de chassi e suas composições alfanuméricas
variam de local de acordo com as montadoras, com o tipo de veículo e com
o ano de fabricação.
Cabe ressaltar que esse sistema de identificação foi implantado pelas
indústrias automobilísticas no mundo todo a partir de 1980.
No Brasil, não existia uma padronização até 1982, o que ocorreu a partir de
1983 com as linhas de automóveis Volkswagen; Ford Automóveis; GM Auto,
Pick-ups e Caminhões; Volvo e motos.
As outras montadoras mudaram a nomenclatura somente a partir de 1986.
A regulamentação brasileira atual é a prevista na Resolução do CONTRAN
n° 024/98, a qual estabelece que a gravação do número de identificação
veicular, no chassi ou monobloco, deve ser feita, no mínimo, em um ponto
de localização, de acordo com as especificações e formatos estabelecidos
pela NBR 3 n° 6066 da Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABNT, em
profundidade mínima de 0,2 mm.
Significado da numeração
Conhecido como VIN: Vehicle Identification Number, o número compõe-se
de 17 dígitos, divididos em 3 seções:
1. WMI: World Manufacturers Identifier - reservada à identificação do
fabricante e seu país de origem - 3 dígitos;
2. VDS: Vehicle Descriptor Section - fornece informações acerca das
características gerais do veículo - 6 dígitos;
3. VIS: Vehicle Indicator Section - é a seção que efetivamente distingue
um veículo do outro - 8 dígitos.
Podemos esquematizar a numeração do chassi da seguinte forma:
WMI VDS VIS
(1°) (2°) (3°) (5°) (6o) (7°) (8°) (?°) (10°) (11°) (12°) (13°) (14°) (15°) (16°)
(17°)
Fabricante Características Ano Número sequencial
À exceção dos 4 dígitos finais do VIN, que deverão ser preenchidos
obrigatoriamente com números arábicos, todos os demais dígitos poderão
ser representados por números arábicos ou letras romanas, como segue:
números: 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 0.
letras: A, B, C, D, E, F, G, H, J, K, L, M, N, P, R, S, T, U, V, W, X, Y, Z.
Como se observa, não podem ser usadas as letras I, O e Q.
Quando o fabricante não tiver codificação para colocar em todos os espaços
do VIN, ele deverá preenchê-los com caracteres numéricos ou alfabéticos
de sua escolha, sendo vedados espaços em branco.
Além da gravação no chassi ou monobloco, os veículos devem ser
identificados, no mínimo, com os caracteres VIS (número sequencial de
produção), podendo ser, a critério do fabricante, por gravação, na
profundidade mínima de 0,2 mm, quando em chapas ou plaqueta colada,
soldada ou rebitada, destrutível quando de sua remoção, ou ainda por
etiqueta autocolante e também destrutível no caso de tentativa de sua
remoção, ou ainda por etiqueta autocolante e também destrutível no caso
de tentativa de sua remoção, nos seguintes compartimentos e
componentes:
■ Na coluna da porta dianteira lateral direita e no compartimento do
motor;
■ No para-brisa, no vidro traseiro e em pelo menos dois vidros de cada
lado do veículo (excetuados os quebra-ventos), gravação esta de forma
indelével, sem especificação de profundidade e, se adulterados, devem
acusar sinais de alteração.
CTB, art. 115 - O veículo será identificado externamente por meio de placas
dianteira e traseira, sendo esta lacrada em sua estrutura, obedecidas as
especificações e modelos estabelecidos pelo CONTRAN.
§ 1° Os caracteres das placas serão individualizados para cada veículo e o
acompanharão até a baixa do registro, sendo vedado seu
reaproveitamento.
§ 2° As placas com as cores verde e amarela da Bandeira Nacional serão
usadas somente pelos veículos de representação pessoal do Presidente e
do Vice-Presidente da República, dos Presidentes do Senado Federal e da
Câmara dos Deputados, do Presidente e dos Ministros do Supremo Tribunal
Federal, dos Ministros de Estado, do Advogado-Geral da União e do
Procurador-Geral da República.
§ 3° Os veículos de representação dos Presidentes dos Tribunais Federais,
dos Governadores, Prefeitos, Secretários Estaduais e Municipais, dos
Presidentes das Assembléias Legislativas, das Câmaras Municipais, dos
Presidentes dos Tribunais Estaduais e do Distrito Federal, e do respectivo
chefe do Ministério Público e ainda dos Oficiais Generais das Forças
Armadas terão placas especiais, de acordo com os modelos estabelecidos
pelo CONTRAN.
§ 4° Os aparelhos automotores destinados a puxar ou a arrastar maquinaria
de qualquer natureza ou a executar trabalhos de construção ou de
pavimentação são sujeitos ao registro na repartição competente, se
transitarem em via pública, dispensados o licenciamento e o
emplacamento. (Redação dada pela Lei n° 13.154, de 2015)
§ 4°-A Os tratores e demais aparelhos automotores destinados a puxar ou
a arrastar maquinaria agrícola ou a executar trabalhos agrícolas, desde que
facultados a transitar em via pública, são sujeitos ao registro único, sem
ônus, em cadastro específico do Ministério da Agricultura, Pecuária e
Abastecimento, acessível aos componentes do Sistema Nacional de
Trânsito. (Incluído pela Lei n° 13.154, de 2015)
§ 5° O disposto neste artigo não se aplica aos veículos de uso bélico.
§ 6° Os veículos de duas ou três rodas são dispensados da placa dianteira.
§ 7° Excepcionalmente, mediante autorização específica e fundamentada
das respectivas corregedorias e com a devida comunicação aos órgãos de
trânsito competentes, os veículos utilizados por membros do Poder
Judiciário e do Ministério Público que exerçam competência ou atribuição
criminal poderão temporariamente ter placas especiais, de forma a impedir
a identificação de seus usuários específicos, na forma de regulamento a ser
emitido, conjuntamente, pelo Conselho Nacional de Justiça - CNJ, pelo
Conselho Nacional do Ministério Público - CNMP e pelo Conselho Nacional
de Trânsito - CONTRAN. (Incluído pela Lei n° 12.694, de 24/07/12).
§ 8° Os veículos artesanais utilizados para trabalho agrícola (jericos), para
efeito do registro de que trata o §4°-A, ficam dispensados da exigência
prevista no art. 106. (Incluído pela Lei n° 13.154, de 2015)
9° As placas que possuírem tecnologia que permita a identificação do
veículo ao qual estão atreladas são dispensadas da utilização do lacre
previsto no caput, na forma a ser regulamentada pelo Contran. (Incluído
pela Lei n. 13.281/16, em vigor a partir de 01/11/16)
Art. 115, CTB
A exigência do artigo 115 do CTB visa possibilitar a identificação externa de
cada veículo registrado no Brasil, cuja metodologia sofreu alterações após
a entrada em vigor do atual Código de Trânsito, quando o Registro Nacional
de Veículos Automotores - RENAVAM possibilitou um controle nacional, a
cargo do Departamento Nacional de Trânsito (conforme artigo 19, inciso
IX), com conjuntos alfanuméricos exclusivos para cada veículo automotor.
Com a mudança das placas de identificação (que se operou até o fim de
1999), antes com 2 letras e 4 números, para combinações de 3 letras e 4
números, deixou de existir a possibilidade de repetição de placas para
veículos, em diferentes Estados brasileiros, ou seja, atualmente, qualquer
placa de identificação é exclusiva e única para o veículo em que foi
distribuída, sendo proibido, como se verifica pelo § 1° do artigo 115, o seu
reaproveitamento, mesmo após a baixa do registro do veículo ao qual
pertence.
Atualmente, o sistema de placas de identificação de veículos está
determinado pela Resolução do CONTRAN n. 231/07, com alterações das
Resoluções do CONTRAN n. 241/07, 309/09 e 372/11, que estabelece
diversas regras, das quais destacam-se:
■ As placas devem possuir tarjetas removíveis, a elas fixadas, com a
sigla da Unidade da Federação e o município de registro, exceção feita às
placas dos veículos oficiais, de representação e pertencentes a Missões
diplomáticas, os quais possuem identificação específica;
■ A placa traseira (que somente não se exige para os veículos de duas
e três rodas) deve ser lacrada à estrutura do veículo, juntamente com a
tarjeta, com lacres de uso exclusivo, em material sintético virgem
(polietileno, polipropileno ou policarbonato) ou metálico (chumbo);
■ Os caracteres das placas devem ser gravados em alto relevo;
■ Nas placas e tarjetas, é obrigatória a inscrição do registro do
fabricante, que deve ser credenciado junto aos órgãos e entidades
executivos de trânsito dos Estados ou do Distrito Federal;
■ Desde 2008, passou a ser obrigatória a utilização de placa com
película refletiva, em todos os veículos classificados como motocicletas,
motonetas, triciclos e ciclomotores da categoria aluguel e também nos que
obtiveram o primeiro registro, em outras categorias, ou foram transferidos
de município a partir daquele ano (para os demais veículos, este tipo de
placa é facultativa);
■ É exigida uma segunda placa traseira, também lacrada, quando a
aplicação de dispositivo de engate para reboques resultar no
encobrimento, total ou parcial, da placa traseira localizada no centro
geométrico do veículo;
■ As dimensões exigidas para as placas são de 13 cm de altura por 40
cm de comprimento, com caracteres de 6,3 cm de altura, sendo admitida
uma redução de até 15% no comprimento, mantida a altura do corpo dos
caracteres, quando a placa não couber no receptáculo a ela apropriado
(para motocicletas, motonetas, ciclomotores e triciclos, as dimensões são
de 13,6 cm x 18,7 cm, com caracteres de altura 4,2 cm);
As cores das placas são definidas de acordo com a categoria do veículo, na
seguinte conformidade:
CATEGORIA DO VEÍCULO COR
PLACA ETARJETA
FUNDO CARACTERES
Particular Cinza Preto
AlugueL Vermelho Branco
Experiência/Fabricante Verde Branco
Aprendizagem Branco Vermelho
Coleção Preto Cinza
Oficial Branco Preto
Missão Diplomática Azul Branco
Corpo Consular Azul Branco
Organismo Internacional Azul Branco
Corpo Diplomático Azul Branco
Organismo Consular/Internacional Azul Branco
Acordo Cooperação Internacional Azul Branco
Representação Preto □ourado
A inobservância aos requisitos ora tratados configura infração de trânsito
de natureza média, prevista no artigo 221 do CTB, com previsão de multa e
as medidas administrativas de retenção do veículo para regularização e
apreensão das placas irregulares (na impossibilidade de que a
irregularidade seja sanada no local da infração, o que é o mais provável, o
agente de trânsito procede ao recolhimento do Certificado de
Licenciamento Anual, para posterior vistoria do veículo).
Além da Resolução mencionada, existem outras normas do CONTRAN, que
se referem a placas especiais:
■ De experiência (493/75);
■ De fabricante (793/94);
■ De veículos de representação (32/98 e 88/99);
■ De veículos de Oficiais Generais das Forças Armadas (275/08); e
■ De veículos das Missões diplomáticas (286/08).
A partir de 01NOV16, com a vigência da Lei n. 13.281/16, o 9° passará a
prever que as placas que possuírem tecnologia que permita a identificação
do veículo ao qual estão atreladas serão dispensadas da utilização do lacre
(todavia, tal regra ainda dependerá de regulamentação pelo CONTRAN).
CTB, art. 116 - Os veículos de propriedade da União, dos Estados e do
Distrito Federal, devidamente registrados e licenciados, somente quando
estritamente usados em serviço reservado de caráter policial, poderão usar
placas particulares, obedecidos os critérios e limites estabelecidos pela
legislação que regulamenta o uso de veículo oficial.
Art. 116, CTB
A classificação de veículos é determinada pelo artigo 96, de acordo com três
critérios:
1. Tração;
2. Espécie e;
3. Categoria.
Dentre as categorias de veículos previstas, encontra-se a categoria oficial,
que se refere aos veículos de propriedade da Administração pública, em
qualquer esfera de governo: União, Estados, Distrito Federal e Municípios.
Sua identificação externa deve ser feita com placas dianteira (excetuados
os veículos de 2 ou 3 rodas) e traseira (esta lacrada em sua estrutura), com
as mesmas especificações que qualquer outro veículo automotor, previstas
na Resolução do Conselho Nacional de Trânsito n. 231/07, com exceção das
suas cores, que devem ser: branca (fundo) e preta (caracteres).
No artigo 116, encontramos uma exceção legal, quanto à identificação
destes veículos oficiais, permitindo-se a utilização de placas particulares:
com o fundo cinza, no lugar do branco.
Esta ressalva é garantida para os veículos estritamente usados em serviço
reservado de caráter policial, de propriedade da União, dos Estados e do
Distrito Federal.
* A não menção aos Municípios justifica-se pelo fato de que os órgãos
policiais, integrantes da Segurança pública, que estão abrangidos pela
regra, são apenas aqueles relacionados nos incisos do artigo 144 da
Constituição Federal:
■ Polícia Federal;
■ Polícia Rodoviária Federal;
■ Polícia Ferroviária Federal;
■ Polícias Civis; e
■ Polícias Militares.
A finalidade deste dispositivo legal é permitir que a utilização de veículos
policiais ocorra sem a identificação visual pelas demais pessoas, para que
seja realizado, sob sigilo, o trabalho da competência de cada órgão policial.
Além de serem placas particulares, o seu registro, junto ao órgão estadual
de trânsito, é específico, para não permitir a vinculação à propriedade do
veículo, sendo necessário o atendimento aos critérios e limites
estabelecidos, em cada Estado, pela legislação que regulamenta o uso de
veículo oficial (normalmente, o regramento fica por conta de cada
Secretaria de Segurança Pública).
Cabe destacar que semelhante condição foi incluída em 2012, no CTB, pela
Lei n. 12.694/12, para os membros do Poder Judiciário e do Ministério
Público, conforme o § 7° do artigo 115, nos seguintes termos:
“Excepcionalmente, mediante autorização específica e fundamentada das
respectivas corregedorias e com a devida comunicação aos órgãos de
trânsito competentes, os veículos utilizados por membros do Poder
Judiciário e do Ministério Público que exerçam competência ou atribuição
criminal poderão temporariamente ter placas especiais, de forma a impedir
a identificação de seus usuários específicos, na forma de regulamento a ser
emitido, conjuntamente, pelo Conselho Nacional de Justiça - CNJ, pelo
Conselho Nacional do Ministério Público - CNMP e pelo Conselho Nacional
de Trânsito”.
CTB, art. 117 - Os veículos de transporte de carga e os coletivos de
passageiros deverão conter, em local facilmente visível, a inscrição
indicativa de sua tara, do peso bruto total (PBT), do peso bruto total
combinado (PBTC) ou capacidade máxima de tração (CMT) e de sua lotação,
vedado o uso em desacordo com sua classificação.
Art. 117, CTB
A exigência do artigo 117 refere-se à inscrição indicativa, nos veículos de
transporte de carga e de transporte coletivo de passageiros, das seguintes
informações, definidas no Anexo I do CTB:
■ Tara: peso próprio do veículo, acrescido dos pesos da carroçaria e
equipamento, do combustível, das ferramentas e acessórios, da roda
sobressalente, do extintor de incêndio e do fluido de arrefecimento,
expresso em quilogramas;
■ Lotação: carga útil máxima, incluindo condutor e passageiros, que o
veículo transporta, expressa em quilogramas para os veículos de carga, ou
número de pessoas, para os veículos de passageiros;
■ Peso Bruto Total: peso máximo que o veículo transmite ao
pavimento, constituído da soma da tara mais a lotação;
■ Peso Bruto Total Combinado: peso máximo transmitido ao
pavimento pela combinação de um caminhão-trator mais seu
semirreboque ou do caminhão mais o seu reboque ou reboques; e
■ Capacidade Máxima de Tração: máximo peso que a unidade de
tração é capaz de tracionar, indicado pelo fabricante, baseado em
condições sobre suas limitações de geração e multiplicação de momento de
força e resistência dos elementos que compõem a transmissão.
A forma de inscrição destes dados técnicos deve atender ao disposto na
Resolução do Conselho Nacional de Trânsito n. 290/08, sendo realizada em
plaqueta ou em etiqueta adesiva resistente à ação do tempo, em fundo
claro ou escuro, adotados caracteres alfanuméricos contrastantes, com
altura não inferior a 3 milímetros, podendo ser usados letras ou números
inscritos em alto ou baixo relevo, sem necessidade de contraste de cor.
As indicações devem estar presentes em um dos locais a seguir descritos:
■ Nos veículos automotores de tração, de carga: na coluna de qualquer
porta, junto às dobradiças ou no lado da fechadura; na borda de qualquer
porta; na parte inferior do assento, voltada para porta; na superfície interna
de qualquer porta; ou no painel de instrumentos;
■ Nos veículos destinados ao transporte coletivo de passageiros, na
parte frontal interna acima do para-brisa ou na parte superior da divisória
da cabina de comando do lado do condutor (na impossibilidade técnica ou
ausência do local, segue-se a regra dos veículos de carga);
■ Nos reboques e semirreboques, na parte externa da carroçaria na
lateral dianteira.
CTB, art. 118 - A circulação de veículo no território nacional,
independentemente de sua origem, em trânsito entre o Brasil e os países
com os quais exista acordo ou tratado internacional, reger-se-á pelas
disposições deste Código, pelas convenções e acordos internacionais
ratificados.
Art. 118, CTB
As principais regras sobre a circulação internacional de veículos, em
complemento ao artigo 118, encontra-se na Convenção de Trânsito Viário
de Viena, ratificada pelo Brasil e promulgada pelo Decreto n. 86.714/81.
Segundo a CTVV (Artigo I, b), considera-se que um veículo está em
circulação internacional em território de um Estado quando:
I. Pertence a uma pessoa física ou jurídica que tem sua residência
normal fora desse Estado;
II. Não se acha registrado nesse Estado; e
III. Foi temporariamente importado para esse Estado; ficando, todavia,
livre toda a Parte Contratante para negar-se a considerar como em
circulação internacional todo o veículo que tenha permanecido em seu
território durante mais de um ano sem interrupção relevante, e cuja
duração pode ser fixada por essa Parte Contratante.
O Artigo 3, item 3, da CTVV, obriga que todo país signatário da Convenção
(ressalvadas algumas exceções, relacionadas no próprio Tratado), admita
em seu território a circulação de automotores e reboques, desde que
atendam as condições definidas no Capítulo III da CTVV, referentes ao
veículo:
■ Deve estar registrado;
■ Possuir um número de matrícula;
■ Estar provido de um certificado que ateste esta matrícula e ostentar
este número de identificação na parte dianteira e traseira; exceto as
motocicletas, que devem ter apenas a identificação traseira
E as constantes do Capítulo IV, relativas ao condutor:
Possuir um documento de habilitação que tenha validade:
■ No idioma do país em que circula;
■ Documento de habilitação nacional constante do anexo 6 da
Convenção, denominado Permiss de conduire;
■ Documento de habilitação internacional constante do anexo 7 da
Convenção: um livreto cinza, com informações em inglês, francês, espanhol
e russo; ou
■ Documento de habilitação do país de origem, acompanhado de
tradução juramentada.
Outro tratado internacional que prevê a possibilidade de circulação entre
alguns países, é a RBUT -Regulamentação Básica Unificada de Trânsito,
aprovada por Decreto federal de 03/08/93, e válida para Brasil, Argentina,
Bolívia, Chile, Paraguai, Peru e Uruguai.
Não há, entretanto, muita alteração, em comparação à CTVV, posto que
também exige (Artigo V) que o veículo esteja registrado, com documento
que comprove o seu registro, e identificado externamente (placas). Em
relação ao condutor, prevê a RBUT a validade do documento de habilitação
emitida por qualquer um desses países, quando o condutor estiver em
trânsito em qualquer outro (Artigo IV, 9).
O Mercado Comum do Sul - MERCOSUL, integrado por Argentina, Brasil,
Paraguai, Uruguai, Venezuela e Bolívia (em processo de adesão) também
prevê, dentre outras prerrogativas mútuas, a livre circulação (veja que,
destes, apenas a Venezuela não está abrangida também pela RBUT). Em
relação aos acordos do MERCOSUL, existem regras específicas, que foram
incorporadas à legislação de trânsito, por meio de Resoluções do Conselho
Nacional de Trânsito: 238/07 (Certificado de Apólice Única do Seguro de
Responsabilidade civil); 247/07 (Certificado de inspeção veicular
MERCOSUL); 317/09 (Dispositivos retro rrefletivos de segurança) e 318/09
(Limites de pesos e dimensões para a circulação internacional).
Além das regras de trânsito, vale lembrar que a importação de veículos para
o Brasil (em vez da simples circulação temporária de veículos de turistas)
deve atender à legislação tributária e às normas da Receita Federal;
portanto, a utilização contumaz, por período extenso, de veículo com placas
de outros países, também estará sujeita à fiscalização específica da Receita.
CTB, art. 119 - As repartições aduaneiras e os órgãos de controle de
fronteira comunicarão diretamente ao RENAVAM a entrada e saída
temporária ou definitiva de veículos.
Parágrafo único. Os veículos licenciados no exterior não poderão sair do
território nacional sem prévia quitação de débitos de multa por infrações
de trânsito e o ressarcimento de danos que tiverem causado a bens do
patrimônio público, respeitado o princípio da reciprocidade.
Art. 119, CTB
A obrigação prevista no artigo 119, às repartições aduaneiras e aos órgãos
de controle de fronteira, tem como principal objetivo possibilitar o controle
do trânsito internacional e a imposição de eventuais penalidades, por
infrações de trânsito cometidas em território brasileiro.
A ideia é que haja a comunicação ao Registro Nacional de Veículos
Automotores, para que, antes de sair do Brasil, o condutor seja compelido
à quitação dos débitos e multas e, ainda, ao ressarcimento de danos que
tenham causado a bens do patrimônio público.
Tal regra, inclusive, é repetida no artigo 260, § 4°: “Quando a infração for
cometida com veículo licenciado no exterior, em trânsito no território
nacional, a multa respectiva deverá ser paga antes de sua saída do País,
respeitado o princípio de reciprocidade”.
Embora não haja, ainda, uma perfeita integração entre os órgãos e
entidades de trânsito, para que se promova este controle geral e irrestrito,
é possível (principalmente nas cidades brasileiras próximas de fronteiras)
que se adote mecanismo para efetuar a cobrança de multas por infrações
cometidas, bastando, para tanto, o cumprimento da Resolução do Conselho
Nacional de Trânsito n. 382/11 (com alterações da Resolução n. 602/16).
O artigo 2° desta Resolução estabelece que a cobrança da multa, pelos
órgãos e entidades executivos de trânsito ou rodoviários, com circunscrição
sobre a via, pode ocorrer após o vencimento (esgotados os prazos
recursais) ou, a qualquer tempo, quando o veículo estiver de saída do país,
em qualquer ponto de fiscalização, situado antes da fronteira nacional, ou
ainda como condição para liberação de veículo removido - ex.: um veículo
estrangeiro que tenha sido autuado por estacionamento em local proibido
e, consequentemente, levado ao depósito fixado pelo órgão de trânsito,
pode ter, como condição para sua liberação, a prévia quitação da multa
imposta.
Prevê, ainda, o dispositivo legal mencionado, que o veículo poderá ser
retido, antes da fronteira, até a apresentação do comprovante original de
quitação e, havendo recusa no pagamento da multa, deve ser aplicada a
medida administrativa de remoção do veiculo ao pátio.
A Resolução n. 602/16 passou a prever, inclusive, a possibilidade de
pagamento da multas por meio de cartão de crédito, que deve estar
integrado ao sistema de infrações de trânsito, para controle e baixa
automática das multas.
CTB, art. 120 - Todo veículo automotor, elétrico, articulado, reboque ou
semirreboque, deve ser registrado perante o órgão executivo de trânsito
do Estado ou do Distrito Federal, no Município de domicílio ou residência
de seu proprietário, na forma da lei.
§ 1° Os órgãos executivos de trânsito dos Estados e do Distrito Federal
somente registrarão veículos oficiais de propriedade da administração
direta, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, de
qualquer um dos poderes, com indicação expressa, por pintura nas portas,
do nome, sigla ou logotipo do órgão ou entidade em cujo nome o veículo
será registrado, excetuando-se os veículos de representação e os previstos
no CTB, art. 116 -
§ 2° O disposto neste artigo não se aplica ao veículo de uso bélico.
Art. 120, CTB
O registro de um veículo, perante o órgão executivo de trânsito estadual,
equivale à certidão de nascimento de um indivíduo, ou seja, é a partir do
registro oficial, que o veículo passa a ter existência no mundo jurídico.
Como se verifica, está vinculado ao domicílio ou residência do interessado.
Domicílio
O domicílio da pessoa natural, consoante o artigo 70 da Lei n. 10.406/02
(Código Civil), é “o lugar onde ela estabelece a sua residência com ânimo
definitivo”, mas nem sempre domicílio e residência se confundem.
Residência do Interessado
No caso, por exemplo, do incapaz, servidor público, militar, marítimo ou
preso, a legislação separa o domicílio da residência, pois estabelece o
domicílio necessário: “o domicílio do incapaz é o do seu representante ou
assistente; o do servidor público, o lugar em que exercer permanentemente
suas funções; o do militar, onde servir, e, sendo da Marinha ou da
Aeronáutica, a sede do comando a que se encontrar imediatamente
subordinado; o do marítimo, onde o navio estiver matriculado; e o do preso,
o lugar em que cumprir a sentença” (parágrafo único do artigo 76 do CC).
Para que seja possível o registro de um veículo, é necessária a antecedente
concessão de código de marca/modelo/versão, o qual é emitido pelo
DENATRAN, em conjunto com o Certificado de Adequação à Legislação de
Trânsito - CAT, o que depende de providências por parte do fabricante do
veículo, de acordo com a Resolução do CONTRAN n. 291/08. A partir do
cumprimento de tais requisitos e consequente registro do veículo, este
passa a constar do Registro Nacional de Veículos Automotores - RENAVAM,
organizado e mantido pelo DENATRAN (artigo 19, inciso IX, do CTB).
No caso de veículos artesanais, concebidos e fabricados sob
responsabilidade de pessoa física ou jurídica, devem ser atendidos a todos
os preceitos de construção veicular, com a comprovação de sua segurança
para circulação na via pública, e atendimento aos preceitos contidos na
Resolução do CONTRAN n. 63/98.
Embora o artigo 120 obrigue o registro de todo veículo automotor, elétrico,
articulado, reboque ou semirreboque, destaca-se que, de acordo com o §
4°-A do artigo 115, incluído pela Lei n. 13.154/15, “os tratores e demais
aparelhos automotores destinados a puxar ou a arrastar maquinaria
agrícola ou a executar trabalhos agrícolas, desde que facultados a transitar
em via pública, são sujeitos ao registro único, sem ônus, em cadastro
específico do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, acessível
aos componentes do Sistema Nacional de Trânsito”.
O § 1° prevê a necessidade de que os veículos classificados na categoria
oficial, para que sejam registrados, tenham indicação, por pintura nas
portas, do nome do órgão ao qual pertencem, exceção feita apenas aos
veículos de representação (que portam placas especiais, com fundo de
bronze, conforme Resolução do CONTRAN n. 32/98) e aqueles usados em
serviço reservado policial (artigo 116). A falta desta inscrição configura a
infração de trânsito do artigo 237 - “Transitar com o veículo em desacordo
com as especificações, e com falta de inscrição e simbologia necessárias à
sua identificação, quando exigidas pela legislação”.
O § 2°, por fim, exclui os veículos de uso bélico, do registro junto ao órgão
executivo de trânsito, sendo importante ressaltar que a previsão aplica-se,
especificamente, aos veículos fabricados especialmente para a guerra (um
caminhão-tanque, por exemplo), não sendo possível ampliar este
dispositivo para os veículos utilizados para transporte de tropa ou para
atividades de Segurança pública.
CTB, art. 121 - Registrado o veículo, expedir-se-á o Certificado de Registro
de Veículo - CRV de acordo com os modelos e especificações estabelecidos
pelo CONTRAN, contendo as características e condições de
invulnerabilidade à falsificação e à adulteração.
Art. 121, CTB
A expedição do Certificado de Registro de Veículo - CRV constitui o
reconhecimento da existência do veículo, junto ao órgão executivo estadual
de trânsito (DETRAN), que permite a sua circulação na via pública,
equivalendo à certidão de nascimento de um indivíduo. Além da sua
expedição, quando do registro inicial no órgão de trânsito, será obrigatória
a emissão de novo CRV em determinados casos, estabelecidos no artigo
123:
I) Transferência da propriedade;
II) Mudança de município de domicílio ou residência;
III) Alteração de qualquer característica do veículo; e
IV) Mudança de categoria.
Enquanto não tiver sido expedido o CRV, o veículo não pode circular, exceto
nas condições específicas para o trânsito de veículos novos, que devem
atender, para o trajeto entre a fábrica e o município de destino, às
condições determinadas pela Resolução do Conselho Nacional de Trânsito
n. 04/98, com alteração da Resolução n. 554/15 (em suma, exige-se a
obtenção de autorização especial de trânsito, válida por 15 dias,
prorrogáveis por igual período, ou, ainda, a utilização tão somente da nota
fiscal, num prazo de 15 dias consecutivos, contados do carimbo com a data
de saída do veículo - no caso dos Estados da Norte do país, o prazo é de 30
dias).
Os modelos e especificações do CRV encontram-se previstos na Resolução
do Conselho Nacional de Trânsito n. 16/98, com alterações da Resolução n.
187/06, as quais estarão revogadas e substituídas, a partir de 01/01/17,
pela Resolução n. 599/16.
Diferentemente do que ocorre com o Certificado de Registro e
Licenciamento de Veículo - CRLV (denominado, pelo CTB, de Certificado de
Licenciamento Anual - CLA), o Certificado de Registro de Veículo NÃO É de
porte obrigatório quando o veículo estiver em circulação, sendo o ideal,
inclusive, que o condutor mantenha este documento guardado em local
seguro, já que vai necessitar do impresso, quando decidir transferir a sua
propriedade (a obrigatoriedade de porte do CLA encontra-se prevista no
artigo 133).
CTB, art. 122 - Para a expedição do Certificado de Registro de Veículo o
órgão executivo de trânsito consultará o cadastro do RENAVAM e exigirá do
proprietário os seguintes documentos:
I - nota fiscal fornecida pelo fabricante ou revendedor, ou documento
equivalente expedido por autoridade competente;
II -documento fornecido pelo Ministério das Relações Exteriores,
quando se tratar de veículo importado por membro de missões
diplomáticas, de repartições consulares de carreira, de representações de
organismos internacionais e de seus integrantes.
Art. 122, CTB
O órgão executivo de trânsito a que se refere o artigo 122 é o órgão estadual
(Detran e suas Circunscrições Regionais de Trânsito), por delegação do
Denatran, tendo em vista sua competência, estabelecida no artigo 22,
inciso III: “vistoriar, inspecionar quanto às condições de segurança veicular,
registrar, emplacar, selar a placa, e licenciar veículos, expedindo o
Certificado de Registro e o Licenciamento Anual, mediante delegação do
órgão federal competente”.
A consulta ao RENAVAM - Registro Nacional de Veículos Automotores,
organizado e mantido pelo Denatran (artigo 19, IX), tem o objetivo de
verificar se o veículo a ser registrado atende às exigências nacionais, de
segurança automotiva, para circular nas vias públicas, para o que se exige,
dos fabricantes, importadores, montadores e encarroçadores de veículos,
emissão de certificado de segurança, indispensável ao cadastramento no
RENAVAM (artigo 103, § 1°).
Para este pré-cadastro, realizado pelos fabricantes, importadores,
montadores e encarroçadores, é concedido, pelo Denatran, o código de
marca/modelo/versão específico, conjuntamente com o Certificado de
Adequação à Legislação de Trânsito - CAT, nos termos da Resolução do
Conselho Nacional de Trânsito n. 291/08.
Semelhante condição aplica-se ao veículo de fabricação artesanal (todo e
qualquer veículo concebido e fabricado sob responsabilidade de pessoa
física ou jurídica, atendendo a todos os preceitos de construção veicular, de
modo que o nome do seu primeiro proprietário sempre coincida com o
nome do fabricante), sendo exigida a apresentação de Certificado de
Segurança Veicular - CSV, expedido por entidade credenciada no INMETRO
- Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualificação, conforme
Resolução do Contran n. 63/98.
Quanto aos veículos importados por membro de missões diplomáticas, de
repartições consulares de carreira, de representações de organismos
internacionais e de seus integrantes, dos quais se exige o documento
fornecido pelo Ministério das Relações Exteriores (inciso II do artigo 122),
ressalta-se que o registro, licenciamento e emplacamento encontram-se
previstos na Resolução do Contran n. 286/08, a qual estabelece, inclusive,
modelo específico de placa de identificação, com o fundo azul e os
caracteres na cor branca.
CTB, art. 123 - Será obrigatória a expedição de novo Certificado de Registro
de Veículo quando:
I - for transferida a propriedade;
II - o proprietário mudar o Município de domicílio ou residência;
III - for alterada qualquer característica do veículo;
IV - houver mudança de categoria.
§ 1° No caso de transferência de propriedade, o prazo para o proprietário
adotar as providências necessárias à efetivação da expedição do novo
Certificado de Registro de Veículo é de trinta dias, sendo que nos demais
casos as providências deverão ser imediatas.
§ 2° No caso de transferência de domicílio ou residência no mesmo
Município, o proprietário comunicará o novo endereço num prazo de trinta
dias e aguardará o novo licenciamento para alterar o Certificado de
Licenciamento Anual.
§ 3° A expedição do novo certificado será comunicada ao órgão executivo
de trânsito que expediu o anterior e ao RENAVAM.
Art. 123, CTB
O Certificado de Registro de Veículo - CRV é o documento que comprova a
propriedade do bem, perante o órgão executivo de trânsito estadual
(Detran), cuja primeira emissão ocorre quando do registro inicial do veículo,
conforme artigo 121 do CTB, existindo apenas quatro casos em que há a
obrigatoriedade de expedição de novo Certificado:
I) transferência de propriedade (por venda, doação ou outra forma de
mudança do direito real sobre o veículo);
II) mudança de Município de domicílio ou residência (quando a
mudança ocorrer dentro do mesmo Município, prevê o § 2° a necessidade
de simples comunicação ao órgão de trânsito, para que se aguarde a
expedição do Certificado de Licenciamento Anual, no próximo
licenciamento - apesar desta previsão legal, há que se apontar que,
atualmente, o documento de licenciamento não contém mais o endereço
do proprietário, mas apenas o seu nome, de acordo com o artigo 3° da
Resolução do Conselho Nacional de Trânsito n. 310/09);
III) alteração de qualquer característica do veículo (procedimento que
deve atender à regulamentação estabelecida pela Resolução do Conselho
Nacional de Trânsito n. 292/08); e
IV) mudança de categoria (as categorias do veículo estão discriminadas
no artigo 96, inciso III, e são as seguintes: oficial; representação
diplomática; particular; aluguel; e aprendizagem).
Embora a infração de trânsito correlata, prevista no artigo 233, preveja a
conduta infracional de “Deixar de efetuar o registro de veículo no prazo de
trinta dias, junto ao órgão executivo de trânsito, ocorridas as hipóteses
previstas no art. 123”, verifica-se, pelo § 1° do artigo 123, que o prazo de
trinta dias apenas se aplica ao caso de transferência de propriedade, sendo
imediato nos outros três casos (apesar disso, por uma interpretação
sistemática, somente deve ser entendida como infração de trânsito, em
todas as situações, a inércia do atual proprietário após decorrido o prazo
de trinta dias).
Na transferência de propriedade, cabe consignar também que, além da
responsabilidade do novo proprietário, o CTB prevê providência por parte
do proprietário anterior, que deverá comunicar a venda do veículo ao órgão
ou entidade executivo de trânsito estadual, com o encaminhamento de
cópia autenticada do comprovante de transferência, datado e assinado, sob
pena de se responsabilizar, solidariamente, pelas penalidades impostas e
suas reincidências até a data de comunicação (artigo 134).
CTB, art. 124 - Para a expedição do novo Certificado de Registro de Veículo
serão exigidos os seguintes documentos:
I - Certificado de Registro de Veículo anterior;
II - Certificado de Licenciamento Anual;
III - comprovante de transferência de propriedade, quando for o caso,
conforme modelo e normas estabelecidas pelo CONTRAN;
IV - Certificado de Segurança Veicular e de emissão de poluentes e
ruído, quando houver adaptação ou alteração de características do veículo;
V - comprovante de procedência e justificativa da propriedade dos
componentes e agregados adaptados ou montados no veículo, quando
houver alteração das características originais de fábrica;
VI - autorização do Ministério das Relações Exteriores, no caso de
veículo da categoria de missões diplomáticas, de repartições consulares de
carreira, de representações de organismos internacionais e de seus
integrantes;
VII - certidão negativa de roubo ou furto de veículo, expedida no
Município do registro anterior, que poderá ser substituída por informação
do RENAVAM;
VIII - comprovante de quitação de débitos relativos a tributos, encargos
e multas de trânsito vinculados ao veículo, independentemente da
responsabilidade pelas infrações cometidas;
IX - (Revogado pela Lei n° 9 -602, de 1998).
X - comprovante relativo ao cumprimento do disposto no CTB, art. 98,
quando houver alteração nas características originais do veículo que afetem
a emissão de poluentes e ruído;
XI - comprovante de aprovação de inspeção veicular e de poluentes e
ruído, quando for o caso, conforme regulamentações do CONTRAN e do
CONAMA.
Art. 124, CTB
O artigo 124 trata, especificamente, dos veículos que já se encontram em
circulação, com Certificado de Registro pré-existente, mas que necessitam
de novo Certificado, nas situações determinadas no artigo precedente.
Além dos documentos gerais, exigidos para todos os casos de expedição de
novo Certificado (Certificado de Registro de Veículo anterior, Certificado de
Licenciamento Anual, certidão negativa de roubo ou furto - ou informação
do RENAVAM e comprovante de quitação dos débitos existentes), o
dispositivo elenca situações especiais, que requerem documentação
comprobatória específica:
■ Quando transferida a propriedade: comprovante de transferência,
que se dá com a assinatura do vendedor, no verso do CRV anterior, com
firma reconhecida;
■ Quando forem alteradas características do veículo: Certificado de
Segurança Veicular (CSV), sendo necessário o atendimento às disposições
da Resolução do CONTRAN n. 292/08 e suas posteriores alterações;
■ Quando houver alteração do número do motor e agregados:
comprovante de procedência e justificativa da propriedade, nos termos da
Resolução do CONTRAN n. 282/08; e
■ Quando for da categoria de representação diplomática: autorização
do Ministério das Relações Exteriores.
O inciso XI exige, também, comprovante de aprovação de inspeção veicular
e de poluentes e ruído, quando for o caso, conforme regulamentações do
CONTRAN e do CONAMA, mas tal regra se aplica apenas em alguns
municípios, tendo em vista que, atualmente, não se exige a inspeção
veicular, para verificação dos itens de segurança, pois a Resolução do
CONTRAN que versa sobre o tema, de n. 84/98, encontra-se suspensa pela
de n. 107/99; por outro lado, a regulamentação do CONAMA prevê a
possibilidade de implantação da inspeção para controle de emissão de
gases poluentes e ruído nas cidades com frota igual ou superior a três
milhões de veículos, como ocorreu, por alguns anos, no município de São
Paulo (atualmente, o procedimento encontra-se suspenso).
CTB, art. 125 - As informações sobre o chassi, o monobloco, os agregados e
as características originais do veículo deverão ser prestadas ao RENAVAM:
I - pelo fabricante ou montadora, antes da comercialização, no caso de
veículo nacional;
II - pelo órgão alfandegário, no caso de veículo importado por pessoa
física;
III - pelo importador, no caso de veículo importado por pessoa jurídica.
Parágrafo único. As informações recebidas pelo RENAVAM serão
repassadas ao órgão executivo de trânsito responsável pelo registro,
devendo este comunicar ao RENAVAM, tão logo seja o veículo registrado.
Art. 125, CTB
O RENAVAM - Registro Nacional de Veículos Automotores é organizado e
mantido pelo órgão máximo executivo de trânsito da União (Denatran),
conforme artigo 19, inciso IX, contendo os dados de toda a frota nacional,
conforme informações prestadas inicialmente pelos fabricantes,
montadores, importadores e encarroçadores (pré-cadastro), e
complementadas quando do efetivo registro, pelo primeiro proprietário,
junto ao órgão executivo de trânsito estadual do município de domicílio ou
residência.
O conjunto alfanumérico da placa de identificação será atribuído a cada
veículo somente quando do registro inicial. De acordo com o § 1° do artigo
115, “os caracteres das placas serão individualizados para cada veículo e o
acompanharão até a baixa do registro, sendo vedado seu
reaproveitamento”. Antes de registrado no órgão de trânsito, a Base
Nacional contém apenas as informações registradas pelo fabricante, nos
termos do artigo 125 e atendendo aos critérios determinados pela
Resolução do Conselho Nacional de Trânsito n. 291/08.
Estas informações prévias, que identificam o veículo, são: a numeração do
chassi (ou monobloco), dos agregados (motor e câmbio) e suas
características originais.
A numeração do chassi atende uma padronização internacional, que
contempla a inserção de 17 dígitos (números e letras), que compõem o
chamado VIN (Vehicle Identification Number - Número de Identificação
Veicular), conforme artigo 114 e Resolução do Contran n. 24/98, a qual
estabelece a reprodução da última parte do VIN, chamada de VIS (Vehicle
Indicator Section - Seção Indicadora do Veículo), nos vidros e em etiquetas
autoadesivas.
A numeração de motor deve atender aos critérios determinados na
Resolução do Contran n. 282/08, que criou, inclusive, o RENAMO - Registro
Nacional de Motores, estabelecendo, ainda, regras para substituição e
regularização dos motores, quando necessário alterar o cadastro constante
para cada veículo.
CTB, art. 126 - O proprietário de veículo irrecuperável, ou destinado à
desmontagem, deverá requerer a baixa do registro, no prazo e forma
estabelecidos pelo Contran, vedada a remontagem do veículo sobre o
mesmo chassi de forma a manter o registro anterior. (Redação dada pela
Lei n° 12 -977, de 2014) (Vigência)
Parágrafo único. A obrigação de que trata este artigo é da companhia
seguradora ou do adquirente do veículo destinado à desmontagem, quando
estes sucederem ao proprietário.
Art. 126, CTB
O artigo 126, que trata da baixa de registro de veículo, teve uma pequena
alteração, pela Lei n. 12.977/14, em vigor desde 21/05/15, que regula e
disciplina a atividade de desmontagem de veículos automotores (oficinas
de desmanche): foi substituída a expressão “definitivamente desmontado”
por “destinado à desmontagem”; ou seja, primeiro se realiza a baixa do
registro, junto ao órgão de trânsito, para somente depois proceder a sua
retirada de peças para revenda.
Existem, de acordo com este dispositivo, duas situações em que o cadastro
do veículo deve ser retirado do RENAVAM - Registro Nacional de Veículos
Automotores: quando ele for irrecuperável, ou, independente da
possibilidade de recuperação, se o proprietário decidir vendê-lo em partes,
aproveitando-se apenas os seus componentes. Verifica-se, pelo parágrafo
único, que a responsabilidade não é somente do proprietário cujo nome
consta no órgão de trânsito, mas repassada à companhia seguradora ou ao
adquirente do veículo destinado à desmontagem.
Nem sempre esta obrigatoriedade é cumprida, sendo frequente que
veículos sejam abandonados pelo seu proprietário, sem que se informe ao
órgão estadual de trânsito, para a devida baixa. Além disso, como a
exigência não alcança os veículos que simplesmente não mais circulam na
via pública e permanecem guardados nas residências de seus proprietários,
também é comum, em todos os Estados, que os registros contabilizem um
número expressivo de veículos que já estão fora de circulação, por vezes
com o licenciamento vencido e até com placas antigas (2 letras e 3
números).
Considera-se como veículo irrecuperável aquele que se envolve em
ocorrência de trânsito e cujos danos sejam classificados como grande
monta, nos termos da Resolução do Conselho Nacional de Trânsito n.
362/10, cujo artigo 7° assim estabelece: “O veículo enquadrado na
categoria “dano de grande monta” deve ser classificado como
“irrecuperável” pelo órgão ou entidade executivo de trânsito dos Estados
ou do Distrito Federal que detiver seu registro, devendo ser executada a
baixa do seu cadastro na forma determinada pelo CTB” (a partir de
01/03/16, esta Resolução estará revogada e substituída pela de n. 544/15,
que mantém a mesma determinação em seu artigo 8°).
O prazo para que o responsável promova a baixa do registro do veículo é
de 15 (quinze) dias, após a constatação da sua condição através de laudo,
nos termos da Resolução n. 11/98, estando sujeito à imposição da multa
prevista no artigo 240, por deixar de efetivar tal providência.
CTB, art. 127 - O órgão executivo de trânsito competente só efetuará a baixa
do registro após prévia consulta ao cadastro do RENAVAM.
Parágrafo único. Efetuada a baixa do registro, deverá ser esta comunicada,
de imediato, ao RENAVAM.
Art. 127, CTB
Nos casos determinados pelo artigo 126 (veículo irrecuperável ou destinado
à desmontagem), compete ao órgão executivo de trânsito estadual (Detran,
e suas respectivas Circunscrições Regionais de Trânsito), a inclusão da baixa
do veículo, no Registro Nacional, tendo em vista a sua competência de
“vistoriar, inspecionar quanto às condições de segurança veicular, registrar,
emplacar, selar a placa, e licenciar veículos, expedindo o Certificado de
Registro e o Licenciamento Anual, mediante delegação do órgão federal
competente” (artigo 22, III).
Como se verifica, todavia, a atribuição do órgão estadual decorre de
delegação do órgão máximo executivo de trânsito da União (Denatran),
posto que a este compete “organizar e manter o Registro Nacional de
Veículos Automotores - RENAVAM” (artigo 19, IX).
A regra do artigo 127 obriga ao Detran a adoção de duas medidas
complementares entre si: primeiramente, a consulta prévia ao RENAVAM,
para se verificar as condições de registro do veículo a ser baixado e, após a
efetivação da providência, a imediata comunicação ao Registro Nacional.
A Resolução do Conselho Nacional de Trânsito n. 11/98 estabelece
providências complementares para a realização da baixa, a saber:
I. Recolhimento dos documentos do veículo, as partes do chassi que
contém o número de identificação veicular (VIN) e as placas, com a
retenção da documentação e a destruição dos elementos identificadores
(artigo 1°, §§ 1° e 3°);
II. Autorização da baixa somente após quitação de débitos fiscais e de
multas de trânsito e ambientais, vinculadas ao veículo, independentemente
da responsabilidade pelas infrações cometidas (artigo 2°);
III. Emissão da Certidão de Baixa de Veículo, após cumpridos os
requisitos anteriores (artigo 3°, caput); e
IV. Elaboração e encaminhamento ao Departamento Nacional de
Trânsito de relatório mensal contendo a identificação de todos os veículos
que tiveram a baixa de seu registro no período (artigo 3°, parágrafo único).
No caso de veículos sinistrados, com danos classificados como “grande
monta”, independente das providências de baixa por parte do proprietário,
o Detran deve providenciar o bloqueio administrativo do registro, no prazo
de 5 (cinco) dias úteis, a contar do recebimento da documentação oriunda
do órgão responsável pelo registro da ocorrência e classificação de danos
(artigo 4° da Resolução n. 362/10), sendo que, a partir de março de 2016,
este prazo será de 10 (dez) dias úteis (artigo 5° da Resolução n. 544/15).
CTB, art. 128 - Não será expedido novo Certificado de Registro de Veículo
enquanto houver débitos fiscais e de multas de trânsito e ambientais,
vinculadas ao veículo, independentemente da responsabilidade pelas
infrações cometidas.
Art. 128, CTB
O Certificado de Registro de Veículo é o documento emitido para
comprovação de sua propriedade e regularidade junto ao órgão executivo
estadual de trânsito, com base nas informações contidas no RENAVAM -
Registro Nacional de Veículos Automotores.
Sua emissão ocorre quando da aquisição pelo seu primeiro proprietário
(artigo 121) e nas situações determinadas pelo artigo 123: transferência de
propriedade; mudança de Município de domicílio ou residência; alteração
de qualquer característica do veículo; e mudança de categoria; sendo que,
exceto na transferência de propriedade, em que há o prazo de 30 dias para
adoção das providências pelo novo proprietário, nos demais casos as
providências deverão ser imediatas.
Nestas 4 situações, de expedição de novo Certificado de Registro de
Veículo, é que se aplica a regra do artigo 128, o qual exige a prévia quitação
dos débitos vinculados ao veículo, de forma semelhante ao que ocorre para
o licenciamento anual (artigo 131, § 2°).
Os débitos fiscais são os relativos aos tributos incidentes sobre este bem
móvel, especificamente o IPVA -Imposto sobre a Propriedade de Veículos
Automotores.
As multas ambientais são referentes ao descumprimento de normas
específicas quanto à poluição causada por veículos automotores, em
decorrência da emissão de gases poluentes e ruídos, conforme
regulamentação do CONAMA - Conselho Nacional do Meio Ambiente (a
exigência de inspeção ambiental, de forma vinculada às regras viárias, é
estabelecida no artigo 104).
Quanto às multas de trânsito, cabe consignar que o artigo 257 trata do
quesito “responsabilidade pelas infrações cometidas”, elencando em que
situações devem ser responsabilizados o proprietário, o condutor, o
embarcador e o transportador; todavia, mesmo que outro (que não o
proprietário) seja o responsável pela infração cometida, ainda assim a
quitação do débito será exigida para a emissão do CRV, tendo em vista que
o pagamento da multa de trânsito sempre será obrigação do proprietário
do veículo (artigo 282, § 3°, e Resolução do Contran n. 108/99).
CTB, art. 129 - O registro e o licenciamento dos veículos de propulsão
humana e dos veículos de tração animal obedecerão à regulamentação
estabelecida em legislação municipal do domicílio ou residência de seus
proprietários. (Redação dada pela Lei n° 13 -154, de 2015)
CTB, art. 129-A. O registro dos tratores e demais aparelhos automotores
destinados a puxar ou a arrastar maquinaria agrícola ou a executar
trabalhos agrícolas será efetuado, sem ônus, pelo Ministério da Agricultura,
Pecuária e Abastecimento, diretamente ou mediante convênio. (Incluído
pela Lei n° 13 -154, de 2015)
Art. 129, CTB
O artigo 129 apresenta uma exceção à regra geral, segundo a qual compete
privativamente à União legislar sobre trânsito e transporte (artigo 22, inciso
XI, da Constituição Federal): trata-se de atribuir à municipalidade a
responsabilidade de legislar sobre registro e licenciamento de
determinados tipos de veículos: os de propulsão humana e os de tração
animal (os ciclomotores, que também constavam deste artigo, foram
retirados pela Lei n. 13.154/15).
De acordo com o artigo 96 do CTB, existem dois veículos de propulsão
humana: a bicicleta (para transporte de passageiros) e o carro de mão
(transporte de carga); também são previstos dois veículos de tração animal:
a charrete (transporte de passageiros) e a carroça (transporte de carga).
Para conduzir tais veículos, ainda estabelece o Código de Trânsito a
possibilidade de que seja exigida uma autorização específica, a cargo dos
municípios (artigo 141, § 1°).
CTB, art. 130 - Todo veículo automotor, elétrico, articulado, reboque ou
semirreboque, para transitar na via, deverá ser licenciado anualmente pelo
órgão executivo de trânsito do Estado, ou do Distrito Federal, onde estiver
registrado o veículo.
§ 1° O disposto neste artigo não se aplica a veículo de uso bélico.
§ 2° No caso de transferência de residência ou domicílio, é válido, durante
o exercício, o licenciamento de origem.
Art. 130, CTB
A licença anual do veículo, pelo órgão executivo de trânsito estadual
(DETRAN) constitui uma exigência para o trânsito em via pública, sob pena
de cometimento da infração de trânsito prevista no artigo 230, inciso V.
O objetivo de se estabelecer esta licença anual, além do registro inicial, é
possibilitar a verificação das condições do veículo, quanto ao
adimplemento das obrigações de pagamento do IPVA - Imposto sobre a
Propriedade de Veículo Automotor, do DPVAT - Seguro Obrigatório por
Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores e das multas de
trânsito aplicadas no período, bem como quanto à aprovação nas inspeções
de segurança e de gases poluentes, conforme artigo 104 (infelizmente, na
maioria dos Estados brasileiros, a inspeção não tem sido exigida por ocasião
do licenciamento, tendo em vista a suspensão da Resolução do Contran n.
84/98, que tratava da matéria).
Importante destacar que, embora os veículos tracionados (reboque ou
semirreboque) também estejam sujeitos ao licenciamento anual, a eles não
se aplica a exigência de pagamento do IPVA e DPVAT, tendo em vista não
se tratarem de veículos automotores.
O calendário de licenciamento é estabelecido de acordo com o final da
placa do veículo, em cada Unidade federativa, pelo órgão executivo de
trânsito estadual, atendidos os limites determinados pela Resolução do
CONTRAN n. 110/00, a qual determina que, até o final de setembro, todos
os veículos com placa de identificação de final 1 e 2 devem estar
licenciados; até o final de outubro, final 3, 4 e 5; novembro, 6, 7 e 8; e
dezembro, 9 e 0.
Apesar de cada órgão estadual de trânsito ter autonomia para criar seu
próprio calendário, atendidas as peculiaridades locais, a Resolução n.
110/00 prevê que “as autoridades, órgãos, instituições e agentes de
fiscalização de trânsito e rodoviário em todo o território nacional, para
efeito de autuação e aplicação de penalidades, quando o veículo se
encontrar fora da unidade da federação em que estiver registrado, deverão
adotar os prazos estabelecidos nesta Resolução”.
O § 1° do artigo 130 excetua os veículos de uso bélico do licenciamento
anual, conceituados como “a Viatura Militar Operacional, de propriedade
da União, fabricada ou implementada com características especiais,
destinada ao preparo e emprego em operações de natureza militar das
Forças Armadas, no cumprimento das suas missões constitucionais e
infraconstitucionais” (Resolução do CONTRAN n. 570/15).
CTB, art. 131 - O Certificado de Licenciamento Anual será expedido ao
veículo licenciado, vinculado ao Certificado de Registro, no modelo e
especificações estabelecidos pelo CONTRAN.
§ 1° O primeiro licenciamento será feito simultaneamente ao registro.
§ 2° O veículo somente será considerado licenciado estando quitados os
débitos relativos a tributos, encargos e multas de trânsito e ambientais,
vinculados ao veículo, independentemente da responsabilidade pelas
infrações cometidas.
§ 3° Ao licenciar o veículo, o proprietário deverá comprovar sua aprovação
nas inspeções de segurança veicular e de controle de emissões de gases
poluentes e de ruído, conforme disposto no CTB, art. 103 -
Art. 131, CTB
O licenciamento anual é uma exigência para todos os veículos automotores,
possibilitando, ao Sistema Nacional de Trânsito, a verificação (e devida
cobrança) de pendências relacionadas ao Imposto sobre a sua Propriedade
(IPVA), Seguro obrigatório (DPVAT) e eventuais multas impostas pelo
descumprimento da legislação de trânsito.
Tal atribuição recai sobre os órgãos e entidades executivos de trânsito dos
Estados e do Distrito Federal (DETRAN), conforme o artigo 130, cabendo ao
proprietário do veículo adotar as providências para efetivar o
licenciamento, após a quitação de todos os débitos, conforme calendário
próprio de cada Estado e atendido o escalonamento mensal determinado
na Resolução do Conselho Nacional de Trânsito n. 110/00.
Embora o § 3° mencione a necessidade de comprovação da aprovação nas
inspeções de segurança veicular e de controle de emissões de gases
poluentes e de ruído, infelizmente, a inspeção de SEGURANÇA ainda não se
tornou uma realidade no território brasileiro, tendo em vista que a
Resolução do CONTRAN n. 84/98, que a regulamentava, foi suspensa pela
Resolução n. 107/99 (exceto experiências regionais, como é o caso do
Estado do Rio de Janeiro, que possui regulamentação própria). Já a inspeção
de GASES POLUENTES, regulamentada pelo CONAMA, tem sido,
paulatinamente, incorporada ao hábito dos proprietários de veículos
automotores em algumas cidades, como é o exemplo de São Paulo
(embora, atualmente, o procedimento esteja suspenso).
Ao se efetuar o licenciamento do veículo, o proprietário recebe, do
DETRAN, um Certificado de Licenciamento Anual - CLA, o qual, entretanto,
continua tendo a denominação, no papel, de Certificado de Registro e
Licenciamento de Veículo - CRLV; ou seja, após tanto tempo de vigência do
atual Código de Trânsito, ainda não houve alteração do nome do
documento emitido pelo DETRAN de cada Estado (mediante delegação do
DENATRAN), para atender à nomenclatura legal (é curioso perceber que,
desde 2003, quando houve a mudança da coordenação máxima do Sistema
Nacional de Trânsito, o documento passou a ter, em seu cabeçalho, o nome
do Ministério das Cidades, em vez da Justiça, mas permanece com o nome
equivocado, de CRLV). Em vez de corrigir o documento, o CONTRAN
preferiu editar a Resolução n. 61/98, apenas para prescrever que “o
Certificado de Registro e Licenciamento do Veículo - CRLV, conforme
modelo anexo à Resolução 16/98 é o Certificado de Licenciamento Anual
de que trata o Código de Trânsito Brasileiro”.
CTB, art. 132 - Os veículos novos não estão sujeitos ao licenciamento e terão
sua circulação regulada pelo CONTRAN durante o trajeto entre a fábrica e
o Município de destino.
§ 1o O disposto neste artigo aplica-se, igualmente, aos veículos importados,
durante o trajeto entre a alfândega ou entreposto alfandegário e o
Município de destino. (Renumerado do parágrafo único pela Lei n° 13 -103,
de 2015) (Vigência)
§ 2o (Revogado pela Lei n° 13 -154, de 2015)
Art. 132, CTB
Apesar de o artigo 132 isentar os veículos novos do licenciamento,
permitindo o seu trajeto entre a fábrica e o Município de destino, conforme
norma do CONTRAN, o mais lógico é entender que tal regra abrange tanto
o registro quanto o licenciamento (posto que este depende daquele), ou
seja, o que o dispositivo legal está determinando é que o Conselho Nacional
de Trânsito possui a competência de estipular como deve ser a circulação
dos veículos que foram recém-adquiridos, até que ocorra o seu primeiro
registro (e consequente licenciamento).
Tal regulamentação encontra-se prevista, atualmente, na Resolução do
CONTRAN n. 04/98 (e suas posteriores alterações, sendo a mais recente a
Resolução n. 554/15). Com base nesta norma, podemos dizer que existem,
basicamente, duas situações em que o veículo novo pode transitar sem
registro, licenciamento e (por decorrência lógica) também sem placas de
identificação:
1^) portando a autorização especial, expedida ao veículo que portar os
equipamentos obrigatórios (adequados ao tipo de veículo, conforme
Resolução n. 14/98), com base na nota fiscal de compra e venda, com
validade de 15 (quinze) dias, prorrogável por igual período por motivo de
força maior, sendo emitida em 3 vias, das quais a primeira e a segunda
devem ser coladas nos vidros dianteiro (para-brisa) e traseiro, e a terceira
arquivada no órgão de trânsito;
2^) portando somente a nota fiscal de compra e venda ou documento
alfandegário:
I - do pátio da fábrica, da indústria encarroçadora ou concessionária e
do Posto Alfandegário, ao órgão de trânsito do município de destino, nos
15 (quinze) dias consecutivos à data do carimbo de saída do veículo,
constante da nota fiscal ou documento alfandegário correspondente;
II - do pátio da fábrica, da indústria encarroçadora ou concessionária,
ao local onde vai ser embarcado como carga, por qualquer meio de
transporte;
III - do local de descarga às concessionárias ou indústrias
encarroçadora; e
IV - de um a outro estabelecimento da mesma montadora,
encarroçadora ou concessionária ou pessoa jurídica interligada.
Nota-se que somente no primeiro caso (destinatário final), é que foi fixado
o prazo máximo da nota fiscal (15 dias consecutivos), sendo que, nos
demais, não há limite temporal estabelecido, pois o veículo ainda não terá
sido adquirido.
O prazo é contado da data do carimbo de saída do veículo; entretanto,
quando comprado por meio eletrônico, valerá a data de efetiva entrega do
veículo ao proprietário (§ 1° do artigo 4° da Resolução n. 04/98).
Uma questão polêmica reside na possibilidade (ou não) do veículo, dentro
deste prazo, circular fora do horário de funcionamento do órgão executivo
estadual de trânsito (por exemplo, aos finais de semana e/ou no período
noturno), já que o inciso I estabelece o trajeto da fábrica AO órgão de
trânsito do município de destino. A questão foi pacificada com a edição do
Volume II do Manual Brasileiro de Fiscalização de Trânsito (Resolução do
CONTRAN n. 561/15), segundo o qual configura infração de trânsito de
“falta de registro” (artigo 230, V) a condução do veículo em trajeto e/ou
horário que não tenha como destino o órgão de trânsito.
Ressalta-se, finalmente, que o § 5° do artigo 4° da Resolução n. 04/98,
incluído pela Resolução n. 554/15, determina um prazo maior para a
circulação dos veículos novos, somente com a nota fiscal, nos Estados da
Região Norte do País (Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima e
Tocantins): 30 (trinta) dias.
CTB, art. 133 - É obrigatório o porte do Certificado de Licenciamento Anual.
Art. 133, CTB
O Certificado de Licenciamento Anual é um dos dois documentos de porte
obrigatório, gerais a todo e qualquer condutor de veículo automotor (o
outro é a Carteira Nacional de Habilitação, ou Permissão para Dirigir,
conforme artigo 159, § 1°).
Embora o nome dado a este documento, que comprova a regularidade do
veículo a cada ano (após quitação dos débitos de IPVA, seguro obrigatório
DPVAT e multas existentes), seja o descrito neste artigo, ou seja, CLA -
Certificado de Licenciamento Anual, o fato é que, mesmo passados muitos
anos de vigência do atual Código de Trânsito, o formulário utilizado pelos
órgãos executivos de trânsito dos Estados e do Distrito Federal continua a
ostentar a denominação antiga: CRLV - Certificado de Registro e
Licenciamento de Veículo.
O mais interessante é que, em vez de o órgão máximo executivo de trânsito
da União (DENATRAN) adequar a impressão dos novos formulários, com a
denominação legal correta, a solução foi a edição, pelo Conselho Nacional
de Trânsito, da Resolução n. 61/98, para dispor que “o Certificado de
Registro e Licenciamento do Veículo - CRLV, conforme modelo anexo à
Resolução 16/98 é o Certificado de Licenciamento Anual de que trata o
Código de Trânsito Brasileiro”. Mesmo com a mudança do Ministério
responsável pela coordenação máxima do Sistema Nacional de Trânsito, da
Justiça para as Cidades, em 2003, não foi motivo suficiente para a correção
(os documentos passaram a sair com o nome do novo Ministério, mas com
a nomenclatura antiga). A mais recente alteração dos modelos e
especificações deste documento (Resolução n. 599/16) igualmente
manteve o nome CRLV.
O não porte deste documento caracteriza a infração de trânsito do artigo
232 do CTB, sujeita à multa, de natureza leve, e retenção do veículo até
apresentação pelo condutor.
Diferentemente do previsto na legislação de trânsito anterior (CNT de 1966
e RCNT de 1968), que permitia o porte de cópia autenticada pelo órgão de
trânsito emissor, hoje a obrigatoriedade é que ele seja apresentado apenas
no original, conforme artigo 3° da Resolução do Contran n. 205/06.
Por fim, cabe consignar que o Certificado Provisório de Registro e
Licenciamento dos veículos apreendidos com base no artigo 61 da Lei n.
11.343/06 (Sistema Nacional de Políticas Públicas sobre Drogas), encontra
regulamentação na Resolução n. 324/09.
A partir de 01NOV16, com a vigência da Lei n. 13.281/16, o recém-incluído
parágrafo único passará a dispensar o porte deste documento quando, no
momento da fiscalização, for possível ter acesso ao devido sistema
informatizado para verificar se o veículo está licenciado (não cabendo a
mesma exceção ao porte da Carteira Nacional de Habilitação ou Permissão
para Dirigir, obrigatória nos termos do artigo 159, §§ 1° e 5°).
CTB, art. 134 - No caso de transferência de propriedade, o proprietário
antigo deverá encaminhar ao órgão executivo de trânsito do Estado dentro
de um prazo de trinta dias, cópia autenticada do comprovante de
transferência de propriedade, devidamente assinado e datado, sob pena de
ter que se responsabilizar solidariamente pelas penalidades impostas e suas
reincidências até a data da comunicação.
Parágrafo único. O comprovante de transferência de propriedade de que
trata o caput poderá ser substituído por documento eletrônico, na forma
regulamentada pelo Contran. (Incluído pela Lei n° 13 -154, de 2015)
Art. 134, CTB
A transferência de propriedade de um veículo ocorre antes mesmo de
alterada esta condição no registro existente no órgão executivo de trânsito
estadual, conclusão que pode ser facilmente alcançada pela leitura do
artigo 134, que estabelece uma obrigatoriedade ao proprietário antigo, de
informar ao órgão de trânsito (Detran) que não possui mais a propriedade
do bem, a fim de não se ver mais responsabilizado por atitudes cometidas
com o veículo vendido.
Não é, portanto, o nome do “proprietário”, no Registro Nacional de
Veículos Automotores (Renavam) que torna realmente alguém dono do
veículo. Podemos dizer que, para todos os efeitos, junto ao órgão de
trânsito, aquele será o proprietário, até que se prove o contrário (como, por
exemplo, esta informação do proprietário antigo).
Tal consideração segue, inclusive, a regra civil prevista no artigo 1.226 da
Lei n. 10.406/02 (Código Civil), segundo a qual “os direitos reais (entre eles,
a propriedade) sobre coisas móveis (como um veículo automotor), quando
constituídos, ou transmitidos por atos entre vivos (por exemplo, por meio
da venda), só se adquirem com a tradição (entrega do bem, mediante o
pagamento, ou promessa dele)”; diferentemente do que ocorre com os
bens imóveis, cuja propriedade somente se transfere com a transcrição
(registro em Cartório), conforme artigo 1.227 do CC.
A observância ao artigo 134 é de suma importância aos que vendem seu
veículo automotor, pois é muito comum a falta de transferência junto ao
órgão de trânsito, por parte do comprador (o que deve ocorrer em até 30
dias, de acordo com o artigo 123 do CTB) e, neste caso, enquanto não
houver a devida comunicação ao órgão de trânsito, a responsabilidade pelo
veículo continua sendo do proprietário antigo, principalmente quanto à
pontuação decorrente do cometimento de infrações de trânsito, podendo
chegar à instauração de processo administrativo de suspensão do direito de
dirigir, por infrações cometidas pelo proprietário atual, que não foi
identificado como sendo o autor das condutas infracionais.
É muito frequente, inclusive, na defesa de suspensão, a pessoa alegar que
vendeu seu veículo em data anterior às infrações, o que não é aceito como
alegação recursal, tendo em vista justamente a regra determinada pelo
artigo 134.
CTB, art. 135 - Os veículos de aluguel, destinados ao transporte individual
ou coletivo de passageiros de linhas regulares ou empregados em qualquer
serviço remunerado, para registro, licenciamento e respectivo
emplacamento de característica comercial, deverão estar devidamente
autorizados pelo poder público concedente.
Art. 135, CTB
A categoria “aluguel” é uma das categorias de veículos, prevista na
classificação do artigo 96 do CTB, e destina-se aos veículos utilizados para o
transporte remunerado de pessoas ou bens, isto é, quando há uma
remuneração para que sejam levados passageiros ou cargas de um local
para outro, como ocorre com táxi, ônibus de transporte urbano ou
rodoviário de passageiros, transporte escolar, motocicletas utilizadas para
as atividades de motofrete ou mototáxi e caminhões transportadores de
carga.
A premissa adotada pelo artigo 135 é a de que, antes mesmo de registrar,
licenciar e emplacar na categoria aluguel, deve existir uma autorização do
poder público concedente, para a realização deste tipo de serviço, o que é
regulado por legislação própria, para o exercício de cada atividade
comercial.
O transporte coletivo urbano de passageiros trata-se, por exemplo, de
serviço público de interesse local, com caráter essencial, que deve ser
prestado pelos Municípios, diretamente ou sob regime de concessão ou
permissão, conforme artigo 30, inciso V, da Constituição Federal, e nos
termos da legislação municipal. O serviço de táxi, igualmente, depende de
regulamentação local para a sua prestação.
Para o exercício da atividade de transporte escolar, o interessado deve
atender aos requisitos constantes dos artigos 136 a 138 do CTB, além do
eventualmente existente nas normas municipais, como prevê o artigo 139.
O mesmo ocorre para as atividades de motofrete e mototáxi, que podem
ser reguladas pelo ente local (artigo 139-B), além das regras federais,
previstas no artigo 139-A do CTB e nas Resoluções do Conselho Nacional de
Trânsito n. 356/10 e 410/12.
A placa de identificação dos veículos de aluguel segue a padronização da
Resolução do Contran n. 231/07 e possui fundo vermelho com dígitos na
cor branca.
O artigo 329 do Código ainda prevê que os condutores dos veículos de
aluguel devem apresentar, previamente, certidão negativa do registro de
distribuição criminal relativamente aos crimes de homicídio, roubo, estupro
e corrupção de menores, renovável a cada cinco anos, junto ao órgão
responsável pela respectiva concessão ou autorização.
CTB, art. 136 - Os veículos especialmente destinados à condução coletiva
de escolares somente poderão circular nas vias com autorização emitida
pelo órgão ou entidade executivos de trânsito dos Estados e do Distrito
Federal, exigindo-se, para tanto:
I - registro como veículo de passageiros;
II - inspeção semestral para verificação dos equipamentos obrigatórios
e de segurança;
III - pintura de faixa horizontal na cor amarela, com quarenta
centímetros de largura, à meia altura, em toda a extensão das partes
laterais e traseira da carroçaria, com o dístico ESCOLAR, em preto, sendo
que, em caso de veículo de carroçaria pintada na cor amarela, as cores aqui
indicadas devem ser invertidas;
IV - equipamento registrador instantâneo inalterável de velocidade e
tempo;
V - lanternas de luz branca, fosca ou amarela dispostas nas
extremidades da parte superior dianteira e lanternas de luz vermelha
dispostas na extremidade superior da parte traseira;
VI - cintos de segurança em número igual à lotação;
VII - outros requisitos e equipamentos obrigatórios estabelecidos pelo
CONTRAN.
Art. 136, CTB
O Capítulo XIII do CTB, com apenas 4 artigos, dispõe sobre a condução de
escolares, podendo ser complementado por meio de leis municipais, como
prevê o artigo 139. Assim, temos no artigo 136 as exigências mínimas para
o veículo utilizado em tal atividade, devendo o interessado verificar, em
cada município, a coexistência de regulamentação local, que também
deverá ser atendida, para obtenção da autorização especial, esta emitida
pelo órgão executivo de trânsito dos Estados (DETRAN/CIRETRAN).
Embora não haja uma definição, no próprio Código, do que vem a ser
“escolares”, é entendimento corrente de que as regras estabelecidas para
a condução destas pessoas limitam-se ao transporte de crianças em idade
escolar, não se aplicando, por exemplo, ao transporte de estudantes
universitários.
Na fiscalização de trânsito, são várias as infrações de trânsito que podem
estar presentes, quando da inobservância dos requisitos do artigo 136:
■ Falta da autorização para condução de escolares: artigo 230, XX;
■ Registro do veículo diferente da espécie “passageiro”: artigo 230, V;
■ Não submissão do veículo à inspeção semestral: artigo 230, VIII;
■ Condução do veículo reprovado na inspeção: artigo 230, XVIII;
■ Ausência (ou incorreção) da faixa horizontal ESCOLAR: artigo 237;
■ Falta do equipamento “tacógrafo”: artigo 230, IX;
■ Equipamento “tacógrafo” em desacordo com a regulamentação:
artigo 230, X;
■ Defeito do equipamento “tacógrafo”: artigo 230, XIV;
■ Alteração do sistema de iluminação e sinalização exigido: artigo 230,
XIII;
■ Defeito do sistema de iluminação e sinalização: artigo 230, XXII;
■ Ausência de cintos de segurança, em número igual à lotação: artigo
230, IX.
Em relação à fiscalização do equipamento registrador instantâneo
inalterável de velocidade e tempo (conhecido como “tacógrafo”), cabe
ressaltar que, para extração, análise e interpretação dos dados registrados,
o agente fiscalizador deve ser submetido a um prévio treinamento, sob
responsabilidade do fabricante, conforme artigo 4° da Resolução do
CONTRAN n. 92/99.
Importante mencionar, por fim, que as exigências relativas ao sistema de
retenção para o transporte de crianças em veículos automotores, passarão
a ser aplicadas aos veículos utilizados na condução de escolares, de acordo
com alterações da Resolução do CONTRAN n. 277/08, pelas Resoluções n.
533/15, 541/15 e 562/15.
CTB, art. 137 - A autorização a que se refere o artigo anterior deverá ser
afixada na parte interna do veículo, em local visível, com inscrição da
lotação permitida, sendo vedada a condução de escolares em número
superior à capacidade estabelecida pelo fabricante.
Art. 137, CTB
A autorização para veículos especialmente destinados à condução de
escolares depende de determinados requisitos, estabelecidos no artigo 136
(para o veículo) e 138 (para o condutor), além de eventuais regras locais,
decorrentes de legislação municipal sobre o tema (de acordo com a
competência legislativa concorrente, prevista no artigo 139).
Após a obtenção desta autorização, o condutor é obrigado a mantê-la em
seu poder, afixada na parte interna do veículo, em local visível
(normalmente sobre o painel), devendo constar os dados do transportador
autorizado e a lotação permitida, que deve atender à capacidade
estabelecida pelo fabricante (neste aspecto, importante mencionar que,
em regra, as fábricas de veículos utilizados no transporte de escolares
aumentam o seu limite máximo de passageiros, indicando expressamente
que, para o transporte de crianças, a lotação é maior que a capacidade
normal, para o que são incluídos mais cintos de segurança).
O NÃO PORTE da autorização para o transporte de escolares configura
infração de trânsito do artigo 230, inciso XX: “Conduzir o veículo sem portar
a autorização para condução de escolares, na forma estabelecida no art.
136”; por outro lado, a INEXISTÊNCIA desta autorização, por não ter sido
obtida para o veículo, caracteriza a infração do artigo 231, inciso VIII:
“Transitar com o veículo efetuando transporte remunerado de pessoas ou
bens, quando não for licenciado para esse fim, salvo casos de força maior
ou com permissão da autoridade competente”.
Além desta autorização, também há a necessidade de que o condutor tenha
participado de Curso de transporte especializado, conforme previsto no
artigo 145, inciso IV, do CTB e Resolução do CONTRAN n. 168/04, o que deve
ser inserido no campo de observações da Carteira Nacional de Habilitação,
conforme Resolução (também do CONTRAN) n. 205/06 (enquanto não
estiver inserida na CNH, é obrigatório o porte da comprovação do Curso,
nos termos do artigo 2° desta Resolução). Neste caso, quando não
comprovada a realização do Curso, a infração é a do artigo 232 (“Conduzir
veículo sem os documentos de porte obrigatório referidos neste Código”).
CTB, art. 138 - O condutor de veículo destinado à condução de escolares
deve satisfazer os seguintes requisitos:
I - ter idade superior a vinte e um anos;
II - ser habilitado na categoria D;
III - (VETADO)
IV - não ter cometido nenhuma Infração grave ou gravíssima, ou ser
reincidente em infrações médias durante os doze últimos meses;
V - ser aprovado em curso especializado, nos termos da
regulamentação do CONTRAN.
Art. 138, CTB
A condução de veículo destinado ao transporte de escolares somente pode
ser realizada por aquele que atende a seis requisitos (e não apenas os
quatro do artigo 138):
I. Idade: o limite mínimo de 21 anos, estabelecido para este tipo de
condutor, nada tem a ver com a
responsabilidade civil, mas com o nível maior de maturidade que se espera
de quem pretende transportar crianças em idade escolar. Esta explicação é
importante para afastar a errônea ideia de que a alteração do Código Civil,
em 2002, tenha repercussão na exigência do artigo 138, inciso I, já que,
quando o Código de Trânsito foi aprovado, em 1997, a maioridade civil
ocorria ao se completar 21 anos de idade (artigo 9° do CC de 1916 - Lei n.
3.071/16), o que foi diminuído para 18 anos (artigo 5° do CC de 2002-Lei n.
10.406/02);
II. Categoria específica da CNH: o transporte de escolares é a única exceção
à regra estabelecida no artigo 143 do CTB, segundo o qual as categorias da
Carteira Nacional de Habilitação se relacionam às capacidades de cada
veículo. No caso do transporte de escolares, independente do tipo de
veículo que é conduzido, será sempre exigida a categoria “D”, no mínimo
(apesar de não haver esta previsão, no inciso II, é lícito também aceitar a
categoria “E”, o que é corroborado pelo Anexo I da Resolução do CONTRAN
n. 168/04, que contempla a “Tabela de correspondência e prevalência das
categorias”, autorizando que o condutor com categoria “E” também dirija
os veículos abrangidos pelas categorias “B”, “C” e “D”);
III. Não cometimento de determinadas infrações: não há, a bem da
verdade, uma verificação sistemática e aleatória do prontuário deste tipo
de condutor, o que faz com que a exigência do inciso III (não ter cometido
infração grave ou gravíssima, ou ser reincidente em infrações médias
durante os doze últimos meses) somente seja passível de análise por
ocasião da realização do Curso especializado (ou sua renovação);
estranhamente, porém, o parágrafo único do artigo 145, incluído pela Lei n.
12.619/12, estabelece que “a participação em curso especializado previsto
no inciso IV independe da observância do disposto no inciso III” (do artigo
145, relativo justamente às infrações que não podem ser cometidas);
IV. Aprovação em curso especializado: o Curso para condutores de
veículos de transporte escolar encontra-se regulamentado pela Resolução
do CONTRAN n. 168/04, com uma carga horária de 50 horas/aula, dividida
entre as disciplinas “Legislação de trânsito” (10 h/a), “Direção defensiva”
(15 h/a), “Noções de Primeiros socorros, Respeito ao Meio Ambiente e
Convívio Social no Trânsito” (10 h/a) e “Relacionamento interpessoal” (15
h/a). Sua validade é de cinco anos, quando os condutores deverão realizar
a sua atualização, com carga horária de 16 h/a;
V. Avaliação psicológica: apesar do veto ao inciso III, que exigia a
avaliação psicológica, tal exame foi incluído no § 3° do artigo 147, pela Lei
n. 9.602/98 e, com a alteração da Lei n. 10.350/01, passou a ser obrigatório
toda vez que houver renovação da CNH do condutor que exerce atividade
remunerada (atingindo, portanto, o transporte escolar);
VI. Bons antecedentes criminais: conforme o artigo 329 do CTB, o
condutor de transporte escolar deve apresentar certidão negativa do
registro de distribuição criminal relativamente aos crimes de homicídio,
roubo, estupro e corrupção de menores, renovável a cada cinco anos.
CTB, art. 139 - O disposto neste Capítulo não exclui a competência
municipal de aplicar as exigências previstas em seus regulamentos, para o
transporte de escolares.
CTB, art. 139-A. As motocicletas e motonetas destinadas ao transporte
remunerado de mercadorias -moto-frete - somente poderão circular nas
vias com autorização emitida pelo órgão ou entidade executivo de trânsito
dos Estados e do Distrito Federal, exigindo-se, para tanto: (Incluído pela Lei
n° 12 -009, de 2009)
I - registro como veículo da categoria de aluguel; (Incluído pela Lei n°
12 -009, de 2009)
II - instalação de protetor de motor mata-cachorro, fixado no chassi do
veículo, destinado a proteger o motor e a perna do condutor em caso de
tombamento, nos termos de regulamentação do Conselho Nacional de
Trânsito - Contran; (Incluído pela Lei n° 12 -009, de 2009)
III - instalação de aparador de linha antena corta-pipas, nos termos de
regulamentação do Contran; (Incluído pela Lei n° 12 -009, de 2009)
IV- inspeção semestral para verificação dos equipamentos obrigatórios e de
segurança. (Incluído pela Lei n° 12 -009, de 2009)
§ 1o A instalação ou incorporação de dispositivos para transporte de cargas
deve estar de acordo com a regulamentação do Contran. (Incluído pela Lei
n° 12 -009, de 2009)
§ 2o É proibido o transporte de combustíveis, produtos inflamáveis ou
tóxicos e de galões nos veículos de que trata este artigo, com exceção do
gás de cozinha e de galões contendo água mineral, desde que com o auxílio
de side-car, nos termos de regulamentação do Contran. (Incluído pela Lei
n° 12 -009, de 2009)
CTB, art. 139-B. O disposto neste Capítulo não exclui a competência
municipal ou estadual de aplicar as exigências previstas em seus
regulamentos para as atividades de moto-frete no âmbito de suas
circunscrições. (Incluído pela Lei n° 12 -009, de 2009)
Art. 139, CTB
Em 30/07/09, o Diário Oficial da União publicou a Lei n. 12.009/09, que
regulamenta o exercício das atividades dos profissionais em transporte de
passageiros, “mototaxista”, em entrega de mercadorias e em serviço
comunitário de rua, e “motoboy”, com o uso de motocicleta, além de
alterar o Código de Trânsito Brasileiro, com a inclusão do Capítulo XIII-A
(artigos 139-A e 139-B).
Desta forma, embora o Capítulo XIII-A trate, especificamente, da condução
de motofrete (para o transporte remunerado de mercadorias), a Lei n.
12.009/09 foi a norma jurídica que reconheceu a existência de duas
profissões: “mototaxista” e “motoboy” (ou “motofretista”, como alguns
preferem), trazendo, inclusive, a responsabilidade solidária dos
contratantes de serviço (artigo 6°) e infrações trabalhistas concernentes ao
emprego irregular destes trabalhadores (artigo 7°). Todavia, apesar de
reconhecidas as profissões, para que alguém possa exercê-las, devem ser
cumpridos determinados requisitos, com a devida autorização, junto ao
órgão competente, para realização da atividade que se pretende (sendo
prevista, pelo artigo 139-B, a possibilidade de coexistência de normas
estaduais e municipais, que devem ser igualmente cumpridas).
No caso do transporte remunerado de mercadorias (“moto-frete”), devem
ser atendidas as exigências relativas ao veículo (que constam do artigo 139-
A) e as condições relacionadas ao condutor, constantes do artigo 2° da Lei
n. 12.009/09: I - ter completado 21 anos; II - possuir habilitação, por pelo
menos 2 anos, na categoria; III - ser aprovado em curso especializado
(regulamentado pela Resolução do CONTRAN n. 410/12); e IV - estar vestido
com colete de segurança dotado de dispositivos retrorrefletivos (cujas
especificações estão na Resolução do CONTRAN n. 356/10).
Como o artigo 8° da Lei n. 12.009/09 estabeleceu um prazo de adequação,
de 365 dias a contar da regulamentação do CONTRAN dos dispositivos
constantes do artigo 139-A, e tendo em vista que a norma respectiva
somente entrou em vigor em 04/08/11 (Resolução do CONTRAN n. 356/10),
tais exigências somente passaram a ser aplicáveis a partir de 04/08/12. Em
relação ao curso especializado, o artigo 6° da Resolução n. 410/12 previa a
fiscalização a partir de 02/02/13.
Por fim, outra regra que independe de qualquer regulamentação do
CONTRAN e que já existia antes mesmo da Lei n. 12.009/09 refere-se ao
registro do veículo na categoria aluguel, necessário para qualquer veículo
que seja utilizado para transporte remunerado de pessoas ou bens - artigo
135 do CTB (e cujo descumprimento configura a infração do artigo 231,
inciso VIII).
CTB, art. 140 - A habilitação para conduzir veículo automotor e elétrico será
apurada por meio de exames que deverão ser realizados junto ao órgão ou
entidade executivos do Estado ou do Distrito Federal, do domicílio ou
residência do candidato, ou na sede estadual ou distrital do próprio órgão,
devendo o condutor preencher os seguintes requisitos:
I - ser penalmente imputável;
II - saber ler e escrever;
III - possuir Carteira de Identidade ou equivalente.
Parágrafo único. As informações do candidato à habilitação serão
cadastradas no RENACH.
Art. 140, CTB
As normas e procedimentos para a formação de condutores de veículos
automotores e elétricos, a realização de exames, a expedição de
documentos de habilitação e os cursos de formação, especializados e de
reciclagem são estabelecidos pela Resolução CONTRAN n. 168/04 (e suas
alterações).
O processo de formação de condutores está vinculado, como se verifica, ao
domicílio OU residência do interessado. O domicílio da pessoa natural,
consoante o artigo 70 da Lei n. 10.406/02 (Código Civil), é “o lugar onde ela
estabelece a sua residência com ânimo definitivo”, mas nem sempre
domicílio e residência se confundem. No caso, por exemplo, do incapaz,
servidor público, militar, marítimo ou preso, a legislação separa o domicílio
da residência, pois estabelece o domicílio necessário: “o domicílio do
incapaz é o do seu representante ou assistente; o do servidor público, o
lugar em que exercer permanentemente suas funções; o do militar, onde
servir, e, sendo da Marinha ou da Aeronáutica, a sede do comando a que
se encontrar imediatamente subordinado; o do marítimo, onde o navio
estiver matriculado; e o do preso, o lugar em que cumprir a sentença”
(parágrafo único do artigo 76 do CC).
Dos requisitos para a obtenção da CNH, destaco o primeiro deles, que se
refere à imputabilidade penal, isto é, a condição de alguém poder ser
responsabilizado por crimes praticados, que, atualmente, só ocorre a partir
dos dezoito anos de idade, conforme prevê o artigo 228 da Constituição
Federal (“são penalmente inimputáveis os menores de dezoito anos,
sujeitos às normas da legislação especial”) e artigo 27 do Decreto-lei n.
2.848/40 (Código Penal). Destaca-se que a legislação especial mencionada
é o Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei n. 8.069/90).
Desta forma, a emancipação civil dos menores de dezoito anos, nos termos
do artigo 5°, parágrafo único do Código Civil, não possibilita a obtenção da
Carteira Nacional de Habilitação por menores de idade, tendo em vista que
a responsabilidade civil não se confunde com a imputabilidade penal, que
é o critério balizador na formação de condutores. A ideia do legislador é
que aquele que conduz um veículo automotor deve ser passível de punição
pelos crimes cometidos ao volante.
Ressalta-se que tramitava, no Senado Federal, a Proposta de Emenda à
Constituição n. 20/99, de autoria do Senador José Roberto Arruda, que
pretendia alterar o dispositivo constitucional mencionado, reduzindo a
maioridade penal para dezesseis anos, condição que mudaria o limite
mínimo para se habilitar no Brasil, sem qualquer necessidade de alteração
do Código de Trânsito Brasileiro (todavia, esta PEC foi arquivada, em
dezembro de 2014, ao final da 54^ Legislatura).
Por último, vale comentar que a sigla RENACH, por incrível que pareça,
possui dois significados constantes do CTB: no artigo 19, inciso VIII, é
traduzida por “Registro Nacional de Carteiras de Habilitação”, enquanto
que, no Anexo I (dos conceitos e definições), encontramos a opção
“Registro Nacional de Condutores Habilitados”.
CTB, art. 141 - O processo de habilitação, as normas relativas à
aprendizagem para conduzir veículos automotores e elétricos e à
autorização para conduzir ciclomotores serão regulamentados pelo
CONTRAN.
§ 1° A autorização para conduzir veículos de propulsão humana e de tração
animal ficará a cargo dos Municípios.
§ 2° (VETADO)
Art. 141, CTB
O Código de Trânsito limita-se a estabelecer, em relação ao processo de
habilitação, os requisitos mínimos para que alguém inicie a formação como
condutor, nos termos do artigo 140:
I) Ser penalmente imputável (ter atingido a maioridade penal, o que
ocorre, atualmente, aos 18 anos de idade);
II) Saber ler e escrever; e
III) Possuir Carteira de Identidade ou equivalente.
Pela redação do artigo 141, obedecidos os requisitos preliminares, deverá
o interessado se submeter ao processo de habilitação que for determinado
pelo Conselho Nacional de Trânsito, ou seja, o CONTRAN possui total
competência para estabelecer como deve ser a formação de condutores, se
limitada ao ensino prático ou se composta por 2 fases, uma teórico-técnica
e outra destinada à prática de direção veicular (como ocorre hoje), assim
como pode determinar carga horária, conteúdo programático e quesitos a
serem ensinados ao aluno: tudo isso deve constar de ato normativo
infralegal (em vigor, a Resolução n. 168/04 e suas diversas alterações) e não
depende de aprovação mediante o processo legislativo ordinário.
Além das normas relativas à aprendizagem para conduzir veículos
automotores e elétricos, detém o Conselho Nacional atribuição também
para regular a autorização para conduzir ciclomotores (veículos de duas ou
três rodas, de até 50 cilindradas e com velocidade máxima de fabricação de
até 50 km/h, sendo-lhes equiparadas as bicicletas elétricas, nos termos das
Resoluções n. 315/09 e 465/13), podendo, portanto, determinar como a
ACC deve ser obtida e quais são as etapas de formação a serem atendidas
pelo interessado.
Ressalta-se que a Resolução n. 50/98 chegou a permitir a obtenção da ACC
a partir dos 14 anos de idade, o que, entretanto, foi revogado no ano
seguinte, pela Resolução n. 93/99. De 1999 a 2004, passou-se a exigir o
cumprimento dos mesmos requisitos do artigo 140, para obtenção da ACC,
a qual ERA um documento apartado, específico para ciclomotores; com a
edição da Resolução n. 168/04, a ACC passou a ser uma inscrição na própria
CNH, mantendo as mesmas exigências destinadas à habilitação e com
idêntico processo de formação para a condução de motocicletas, com a
única diferença de que as aulas práticas e o exame devem ser realizados em
um ciclomotor. Atualmente, as regras para obtenção da ACC constam da
Resolução n. 572/15.
No § 1° do artigo 141, ainda se verifica a possibilidade de que os municípios
regulamentem a autorização para conduzir veículos de propulsão humana
(bicicleta e carro de mão) e de tração animal (charrete e carroça), em
complemento à competência também municipal para regular o registro e
licenciamento de tais veículos (artigo 129).
CTB, art. 142 - O reconhecimento de habilitação obtida em outro país está
subordinado às condições estabelecidas em convenções e acordos
internacionais e às normas do CONTRAN.
Art. 142, CTB
O reconhecimento de habilitação estrangeira, para que alguém conduza
veículo automotor no Brasil, depende da análise das seguintes normas
atualmente em vigor:
■ Convenção sobre Trânsito Viário de Viena - CTVV, de 1968 (aprovada
no Brasil pelo Decreto legislativo n° 33/80);
■ Regulamentação Básica Unificada de Trânsito - RBUT, Acordo firmado
entre Brasil, Argentina, Bolívia, Chile, Paraguai, Peru e Uruguai, de 1992
(aprovada no Brasil por Decreto de 03/08/93); e
Resoluções do Conselho Nacional de Trânsito n° 360/10 e 371/10 (Manual
Brasileiro de Fiscalização de Trânsito - MBFT).
A primeira exigência para que a habilitação estrangeira seja válida no Brasil
é que o condutor comprove a entrada no país (por meio do seu passaporte),
dentro dos últimos seis meses, pois o prazo máximo em que se pode aceitar
sua licença para dirigir é de 180 (cento e oitenta) dias, respeitada a validade
da habilitação de origem; após este prazo, necessário se faz o atendimento
às regras nacionais, para obtenção da CNH (artigo 1° da Resolução n°
360/10 e item 9.1 da Resolução n° 371/10).
Satisfeito este requisito, e sendo o interessado imputável no Brasil (isto é,
no mínimo, com 18 anos de idade), seu documento de habilitação deve ser
aceito, acompanhado de documento de identificação, se estiver
enquadrado em uma das seguintes situações:
1. se estiver redigido no idioma português (artigo 41, 1.a., da CTVV);
2. se tiver sido emitido por um dos países signatários da RBUT:
Argentina, Bolívia, Chile, Paraguai, Peru e Uruguai;
3. se for do modelo denominado “habilitação nacional para dirigir”,
previsto no Anexo 6 da CTVV, constituído de uma folha de formato A-7 ou
por uma folha de formato duplo ou tríplice, na cor rosa, com o idioma
original de expedição e o título, em francês, “Permis de Conduire” (artigo
41, 1.b., da CTVV), desde que expedido por um dos países relacionados no
item 9.1. do MBFT;
4. se for do modelo denominado “Habilitação internacional para
dirigir”, previsto no Anexo 7 da CTVV, constituído por um livreto formato A-
6, com capa cinza e folhas internas na cor branca, com informações no
idioma de origem, reproduzidas em francês, inglês, espanhol e russo (artigo
41, 1.c., da CTVV), desde que expedido por um dos países relacionados no
item 9.1. do MBFT (este item denomina o documento como Permissão
Internacional para Dirigir - PID); e
5. o próprio documento de habilitação estrangeira, acompanhado de
tradução certificada (artigo 41, 1.a., da CTVV), também denominada
“tradução juramentada” (ou TRAJURE), desde que expedido por um dos
países relacionados no item 9.1. do MBFT - obs.: embora a Resolução do
Contran n° 360/10 não preveja textualmente a necessidade de tradução,
diferentemente do que ocorria na norma anterior (artigo 1°, § 3°, da
Resolução n. 193/06), esta obrigatoriedade decorre da necessidade de
compreensão do texto nela inserido, por parte do agente de trânsito,
devendo ser exigida porque tanto o artigo 1° da Resolução n. 360/10,
quanto o item 9.1. da Resolução n° 371/10, mencionam que a habilitação
será válida quando amparada por convenções ou acordos internacionais e
a tradução constitui requisito de validade da CTVV.
CTB, art. 143 - Os candidatos poderão habilitar-se nas categorias de A a E,
obedecida a seguinte gradação:
I - Categoria A - condutor de veículo motorizado de duas ou três rodas,
com ou sem carro lateral;
II - Categoria B - condutor de veículo motorizado, não abrangido pela
categoria A, cujo peso bruto total não exceda a três mil e quinhentos
quilogramas e cuja lotação não exceda a oito lugares, excluído o do
motorista;
III - Categoria C - condutor de veículo motorizado utilizado em
transporte de carga, cujo peso bruto total exceda a três mil e quinhentos
quilogramas;
IV - Categoria D - condutor de veículo motorizado utilizado no
transporte de passageiros, cuja lotação exceda a oito lugares, excluído o do
motorista;
V - Categoria E - condutor de combinação de veículos em que a unidade
tratora se enquadre nas categorias B, C ou D e cuja unidade acoplada,
reboque, semirreboque, trailer ou articulada tenha 6 -000 kg (seis mil
quilogramas) ou mais de peso bruto total, ou cuja lotação exceda a 8 (oito)
lugares. (Redação dada pela Lei n° 12 -452, de 2011)
§ 1° Para habilitar-se na categoria C, o condutor deverá estar habilitado no
mínimo há um ano na categoria B e não ter cometido nenhuma Infração
grave ou gravíssima, ou ser reincidente em infrações médias, durante os
últimos doze meses.
§ 2o São os condutores da categoria B autorizados a conduzir veículo
automotor da espécie motor-casa, definida nos termos do Anexo I deste
Código, cujo peso não exceda a 6 -000 kg (seis mil quilogramas), ou cuja
lotação não exceda a 8 (oito) lugares, excluído o do motorista. (Incluído pela
Lei n° 12 -452, de 2011)
§ 3° Aplica-se o disposto no inciso V ao condutor da combinação de veículos
com mais de uma unidade tracionada, independentemente da capacidade
de tração ou do peso bruto total. (Renumerado pela Lei n° 12 -452, de 2011)
Art. 143, CTB
As categorias da Carteira Nacional de Habilitação são previstas no artigo
143, e se relacionam à capacidade de cada veículo (a única exceção é a
exigência para conduzir veículos de transporte de escolares, que não se
refere à capacidade do veículo, mas deve o condutor possuir CNH na
categoria ‘D', conforme artigo 138, inciso II).
A categoria ‘A' da CNH é separada das demais, podendo ser obtida
isoladamente ou adicionada a qualquer uma das outras. As categorias ‘B' a
‘E', por sua vez, constituem uma sequência, em que a superior supre e
abrange as inferiores, ou seja, quem tem categoria ‘C' pode dirigir os
veículos correspondentes à categoria ‘B' e ‘C'; quem tem categoria ‘D' pode
dirigir os veículos das categorias ‘B', ‘C' e ‘D'; e quem tem categoria ‘E' pode
dirigir ‘B', ‘C', ‘D' e ‘E'.
Embora esta regra não esteja expressamente prevista no artigo 143 (que as
categorias superiores autorizam a conduzir veículos de categoria inferior),
tal condição encontra-se regulamentada pelo Conselho Nacional de
Trânsito, na tabela de correspondência e prevalência das categorias,
prevista no Anexo I da Resolução n. 168/04 (que prescreve as normas e
procedimentos para a formação de condutores), e no item 9 das
Disposições gerais do Manual Brasileiro de Fiscalização de Trânsito
(Resolução n. 371/10).
Importante ressaltar que, desde a entrada em vigor do atual Código de
Trânsito, não há mais a possibilidade de se habilitar nas categorias
superiores, sem antes ter passado pela categoria inicial (‘B'), com a
obtenção de um documento de habilitação provisório (Permissão para
Dirigir).
As duas primeiras categorias de habilitação, portanto, são as seguintes:
A - motocicletas, motonetas, triciclos e ciclomotores (neste último caso,
quando o condutor não possuir a ACC-Autorização para Conduzir
Ciclomotor);
B - veículos de quatro ou mais rodas (incluindo o quadriciclo, embora com
estrutura mecânica semelhante à da motocicleta), que atendam a dois
limites: um de carga (3.500 kg) e um de passageiros (8 lugares, além do
motorista).
Também é possível, com a categoria ‘B', dirigir:
- motor-casa (“veículo automotor cuja carroçaria seja fechada e
destinada a alojamento, escritório, comércio ou finalidades análogas”),
desde que não ultrapasse 6.000 kg ou cuja lotação não exceda a 8 lugares
(excluído o motorista); e
- combinação de veículos, desde que o conjunto não ultrapasse a
lotação e capacidade de peso para a categoria (tal condição encontra-se nas
Resoluções n. 168/04 e 371/10).
Decorrido o período de 1 (um) ou 2 (dois) anos na categoria ‘B' (incluído o
tempo destinado à PPD), o condutor poderá pleitear a mudança de
categoria, respectivamente, para a ‘C' ou ‘D'. Uma forma fácil para se
lembrar das correspondências das categorias subsequentes é a seguinte:
elas se destinam aos veículos cujas capacidades exCeDerem os limites da
categoria ‘B': se exCeDer a capacidade de Carga, exige-se a categoria ‘C'; se
exCeDer a capacidade De passageiros, exige-se a categoria ‘D'.
A categoria ‘C' também se destina às combinações de veículos cujo
conjunto ultrapasse a lotação e capacidade de peso para a categoria ‘B' e
desde que a unidade acoplada, reboque, semirreboque ou articulada não
exceda a 6.000 kg de peso bruto total.
Por fim, a categoria ‘E' destina-se ao condutor de combinação de veículos
em que a unidade tratora se enquadre nas categorias ‘B', ‘C' ou ‘D' e cuja
unidade acoplada, reboque, semirreboque, trailer ou articulada tenha
6.000 kg ou mais de peso bruto total, ou cuja lotação exceda a 8 lugares,
ou, ainda, tenha mais de uma unidade tracionada (independente da
capacidade ou peso).
CTB, art. 144 - O trator de roda, o trator de esteira, o trator misto ou o
equipamento automotor destinado à movimentação de cargas ou execução
de trabalho agrícola, de terraplenagem, de construção ou de pavimentação
só podem ser conduzidos na via pública por condutor habilitado nas
categorias C, D ou E.
Parágrafo único. O trator de roda e os equipamentos automotores
destinados a executar trabalhos agrícolas poderão ser conduzidos em via
pública também por condutor habilitado na categoria B. (Redação dada
pela Lei n° 13 -097, de 2015)
Art. 144, CTB
O artigo 144 fixa a exigência relativa ao condutor de determinados veículos
especiais, que são os tratores (de roda, de esteira e misto) e outros
maquinários, como colheitadeiras, roçadeiras, empilhadeiras, rolo-
compressores etc., especificamente quando conduzidos na via pública (o
que seria lógico supor, já que o CTB aplica-se somente a vias terrestres
abertas à circulação).
O caput do artigo 144 exige que o condutor seja habilitado nas categorias
‘C', ‘D' ou ‘E', sendo que a Resolução do Conselho Nacional de Trânsito n.
67/98 havia concedido o prazo de dois anos para que os condutores
regularizassem sua habilitação, período em que se permitiria a utilização da
categoria ‘B'. Apesar de esta Resolução já ter sido revogada pela Resolução
n. 168/04, cabe destacar sua previsão adicional de que “os canteiros de
obras na construção civil não são considerados como via pública”.
Desde 27/05/14, o artigo 144 passou a conter um parágrafo único, o qual
foi inserido inicialmente pela Medida Provisória n. 646/14 e,
posteriormente, pela Lei n. 13.097/15, para permitir a condução de trator
de roda e equipamentos automotores destinados a executar trabalhos
agrícolas também por condutor habilitado somente na categoria ‘B'.
Apesar da previsão legal quanto à habilitação para estes veículos, o
descumprimento à regra do artigo 144 pode apenas ensejar
responsabilidade penal àquele que dirige tais veículos sem possuir a devida
habilitação, desde que gerar perigo de dano, pelo crime de trânsito previsto
no artigo 309, havendo uma dificuldade atual para se punir
administrativamente, pela infração de trânsito do artigo 162, inciso I (sem
possuir CNH) ou III (categoria diferente); isto porque, em vez de se exigir
registro, licenciamento e emplacamento destes veículos (o que permitiria a
imposição de multas de trânsito), o § 4°-A do artigo 115 (incluído pela Lei n.
13.154/15) apenas exige um registro especial no Ministério da Agricultura,
Pecuária e Abastecimento.
CTB, art. 145 - Para habilitar-se nas categorias D e E ou para conduzir veículo
de transporte coletivo de passageiros, de escolares, de emergência ou de
produto perigoso, o candidato deverá preencher os seguintes requisitos:
I - ser maior de vinte e um anos;
II - estar habilitado:
a) no mínimo há dois anos na categoria B, ou no mínimo há um ano na
categoria C, quando pretender habilitar-se na categoria D; e
b) no mínimo há um ano na categoria C, quando pretender habilitar-se
na categoria E;
III - não ter cometido nenhuma Infração grave ou gravíssima ou ser
reincidente em infrações médias durante os últimos doze meses;
IV - ser aprovado em curso especializado e em curso de treinamento de
prática veicular em situação de risco, nos termos da normatização do
CONTRAN.
Parágrafo único. A participação em curso especializado previsto no inciso IV
independe da observância do disposto no inciso III. (Incluído pela Lei n° 12
-619, de 2012) (Vigência)
§ 2o (VETADO). (Incluído pela Lei n° 13 -154, de 2015)
CTB, art. 145-A. Além do disposto no CTB, art. 145, para conduzir
ambulâncias, o candidato deverá comprovar treinamento especializado e
reciclagem em cursos específicos a cada 5 (cinco) anos, nos termos da
normatização do Contran. (Incluído pela Lei n° 12 -998, de 2014)
Art. 145, CTB
O artigo 145 traz regras para duas situações distintas: 1^) mudança de
categoria de habilitação, para “D” e “E”; e 2^) condução de veículos de
transporte especializado (coletivo de passageiros, escolares, emergência e
produto perigoso), sendo que as exigências previstas nos incisos I (idade
mínima de 21 anos) e III (não cometimento de determinadas infrações de
trânsito) aplicam-se a ambas; o inciso II (tempo de habilitação em
categorias inferiores) somente para a mudança de categoria; e o inciso IV
(curso especializado) apenas para a condução dos veículos especiais.
Interessante notar que o inciso I fixa uma idade mínima específica (21 anos),
ao contrário do que ocorre com a idade mínima para se habilitar, para a
qual não há a previsão taxativa de 18 anos (como ocorre hoje), já que o
artigo 140 exige que o candidato à habilitação seja penalmente imputável
(ou seja, se houver redução da maioridade penal, automaticamente haverá
a diminuição da idade mínima para se obter a Carteira Nacional de
Habilitação); assim, ao contrário do que alguns imaginam, a diminuição da
maioridade civil (de 21 para 18 anos), ocorrida em 2002, em virtude do atual
Código Civil, em nada afetou a exigência constante do artigo 145,
prevalecendo a idade mínima de 21 anos para se obter a categoria “D” e
“E” ou para conduzir os veículos relacionados.
Para a obtenção da categoria “D”, o condutor deve possuir a categoria “B”
há dois anos ou a categoria “C” há um ano, valendo, para este cômputo, o
período destinado à Permissão para Dirigir (habilitação provisória, válida no
primeiro ano); vale lembrar que a categoria “C” também necessita de um
ano na “B” para sua obtenção, de acordo com o § 1° do artigo 143.
Para a obtenção da categoria “E”, o condutor deve possuir a categoria “C”
há um ano, o que exclui a possibilidade de se mudar diretamente da
categoria “B” para a “E”, mas sendo possível passar da “D” para a “E”, sem
a necessidade de cumprimento de período mínimo de transição; quando,
entretanto, o condutor possui a “D” sem ter passado pela “C” (por já ter
dois anos de “B”), o entendimento dado pelo Denatran é que se deve
esperar um ano na categoria “D”, antes de passar para a “E”.
Para a mudança de categoria, não se exige o curso teórico-técnico, mas
apenas o de prática de direção veicular, na categoria pretendida, com o
consequente exame junto ao órgão executivo de trânsito estadual,
conforme a Resolução do Conselho Nacional de Trânsito n. 168/04.
Também encontram previsão, na Resolução n. 168/04, os critérios para a
realização dos cursos de transporte especializado, bem como o conteúdo
programático, carga horária, e demais especificações. O parágrafo único,
incluído pela Lei n. 12.619/12, passou a permitir a realização deste curso,
mesmo que o condutor tenha cometido infrações graves ou gravíssimas, ou
seja reincidente em infrações médias nos últimos doze meses.
CTB, art. 146 - Para conduzir veículos de outra categoria o condutor deverá
realizar exames complementares exigidos para habilitação na categoria
pretendida.
Art. 146, CTB
Na formação de condutores, a obtenção da Carteira Nacional de Habilitação
dá início apenas na categoria “A” (veículos motorizados de duas ou três
rodas), “B” (veículos motorizados, não abrangidos pela categoria A, com
peso bruto total de até 3.500 kg e lotação de até 8 lugares, além do
motorista), ou, ainda, nas duas categorias, simultaneamente (“AB”),
diferentemente do que ocorria antes da vigência do atual Código de
Trânsito, quando se permitia a obtenção de CNH em categoria superior
(conhecida anteriormente como CNH profissional).
As destinações de categorias (gradação de “A” a “E”), bem como os
requisitos de tempo mínimo em cada categoria, antes da mudança
pretendida, encontram previsão nos artigos 143 e 145, sendo estabelecido,
pelo artigo 146, a exigência de exames complementares, os quais são
prescritos na Resolução do Conselho Nacional de Trânsito n. 168/04.
Toda vez que o condutor decide adicionar ou mudar a categoria de
habilitação, não há mais a necessidade de se fazer o curso teórico, exigível
para a primeira habilitação, nem tampouco o exame escrito (obs.: a adição
de categoria refere-se à obtenção da categoria “A” para quem tem qualquer
outra, entre “B” e “E”, ou à obtenção da categoria “B” para quem tem
apenas a “A”, somando-se a que já possuía à que será obtida, de modo a
que o condutor fique com a categoria “AB”, “AC”, “AD” ou “AE”; enquanto
que a mudança de categoria é a denominação utilizada para quem quer
alterar aquela que já possui, “B”, “C” ou “D”, substituindo-a por uma
categoria ‘superior', que abranja veículos com maior capacidade).
Para a adição de categoria, não há nem mesmo um prazo mínimo de
habilitação, na categoria anterior, podendo ocorrer o processo mesmo
durante o período da Permissão para Dirigir. Já para a mudança de
categoria, os artigos 143, § 1°; e 145 estabelecem períodos de interstício
obrigatórios:
- 1 ano de categoria “B” (valendo o período de Permissão para Dirigir),
quando for alterar para categoria “C”, ou 2 anos para a categoria “D”, sendo
impossível mudar diretamente para a “E”;
-1 ano de categoria “C” para se alterar tanto para categoria “D” quanto “E”;
e
- sem prazo determinado na categoria “D”, quando pretender mudar para
a “E” (apesar de não haver período definido, o DENATRAN tem adotado o
entendimento de que somente não exige tempo mínimo, se o condutor que
pleiteia a categoria “D” for oriundo da “C”; caso seja oriundo diretamente
da “B”, há que se esperar o prazo de 1 ano entre “D” e “E”).
Cumprido o interstício e não tendo cometido infração grave ou gravíssima
nem sendo reincidente em infrações médias, o condutor deverá renovar
apenas o exame de aptidão física e mental (artigo 6° da Resolução do
Contran n. 168/04) e submeter-se à carga horária mínima de prática de
direção veicular, conforme artigo 13 da Resolução n. 168/04, o que o
habilitará à realização do exame prático, junto ao órgão executivo estadual
de trânsito, a fim de que lhe seja concedida a categoria pretendida.
CTB, art. 147 - O candidato à habilitação deverá submeter-se a exames
realizados pelo órgão executivo de trânsito, na seguinte ordem:
I - de aptidão física e mental;
II - (VETADO)
III - escrito, sobre legislação de trânsito;
IV - de noções de primeiros socorros, conforme regulamentação do
CONTRAN;
V - de direção veicular, realizado na via pública, em veículo da categoria
para a qual estiver habilitando-se.
§ 1° Os resultados dos exames e a identificação dos respectivos
examinadores serão registrados no RENACH. (Renumerado do parágrafo
único pela Lei n° 9 -602, de 1998) § 2° O exame de aptidão física e mental
será preliminar e renovável a cada cinco anos, ou a cada três anos para
condutores com mais de sessenta e cinco anos de idade, no local de
residência ou domicílio do examinado. (Incluído pela Lei n° 9 -602, de 1998)
§ 3o O exame previsto no § 2o incluirá avaliação psicológica preliminar e
complementar sempre que a ele se submeter o condutor que exerce
atividade remunerada ao veículo, incluindo-se esta avaliação para os
demais candidatos apenas no exame referente à primeira habilitação.
(Redação dada pela Lei n° 10 -350, de 2001)
§ 4° Quando houver indícios de deficiência física, mental, ou de
progressividade de doença que possa diminuir a capacidade para conduzir
o veículo, o prazo previsto no
§ 2° poderá ser diminuído por proposta do perito examinador. (Incluído
pela Lei n° 9 -602, de 1998)
§ 5o O condutor que exerce atividade remunerada ao veículo terá essa
informação incluída na sua Carteira Nacional de Habilitação, conforme
especificações do Conselho Nacional de Trânsito - Contran. (Incluído pela
Lei n° 10 -350, de 2001)
CTB, art. 147-A. Ao candidato com deficiência auditiva é assegurada
acessibilidade de comunicação, mediante emprego de tecnologias
assistivas ou de ajudas técnicas em todas as etapas do processo de
habilitação. (Incluído pela Lei n° 13 -146, de 2015) (Vigência)
§ 1o O material didático audiovisual utilizado em aulas teóricas dos cursos
que precedem os exames previstos no CTB, art. 147 desta Lei deve ser
acessível, por meio de subtitulação com legenda oculta associada à
tradução simultânea em Libras. (Incluído pela Lei n° 13 -146, de 2015)
(Vigência)
§ 2o É assegurado também ao candidato com deficiência auditiva requerer,
no ato de sua inscrição, os serviços de intérprete da Libras, para
acompanhamento em aulas práticas e teóricas. (Incluído pela Lei n° 13 -146,
de 2015) (Vigência)
Art. 147, CTB
Os exames previstos no artigo 147 do CTB estão contidos no processo de
formação de condutores, o qual está, atualmente, regulamentado pela
Resolução do CONTRAN n. 168/04 (e suas alterações), compreendendo as
seguintes fases (artigo 2°, § 1°):
- Avaliação inicial da capacidade de alguém para dirigir veículo
automotor (Exame de aptidão física e mental, que inclui Avaliação
psicológica, conforme § 3° do artigo 147) - realizada por entidades públicas
e privadas credenciadas para esta finalidade, nos termos da Resolução do
CONTRAN n. 425/12;
- Curso Teórico-técnico, com carga horária de 45 h/a, abrangendo as
seguintes matérias: Legislação de trânsito; Direção defensiva; Noções de
primeiros socorros; Noções de proteção ao meio ambiente e de convívio
social no trânsito; e Noções sobre funcionamento do veículo - realizado
pelos Centros de Formação de Condutores, categoria A, regularmente
autorizados pelo órgão executivo de trânsito do Estado ou do Distrito
Federal;
- Exame Teórico-técnico, aplicado pelo órgão executivo de trânsito do
Estado ou do Distrito Federal, ou por entidade pública ou privada por ele
credenciada (artigo 11, parágrafo único, da Resolução n. 168/04) -apesar de
o artigo 147, incisos III e IV, exigir avaliação de conhecimentos teóricos
apenas quanto à Legislação de trânsito e Noções de primeiros socorros, o
artigo 11 da Resolução n. 168/04 estabelece que a prova deve incluir todo
o conteúdo programático do Curso de formação de condutor, proporcional
à carga horária de cada disciplina;
- Curso de Prática de Direção Veicular, com carga horária mínima de
20 h/a e 20% das aulas no período noturno - realizado pelos Centros de
Formação de Condutores, categoria B (Autoescolas), regularmente
autorizados pelo órgão executivo de trânsito dos Estados e do Distrito
Federal, sendo necessário, para o início das aulas práticas, que o condutor
tenha sido aprovado no Exame Teórico-técnico;
- Exame de Prática de Direção Veicular, realizado pelo órgão ou entidade
executivo de trânsito do Estado ou do Distrito Federal e aplicado pelos
examinadores titulados em Curso específico e devidamente designados.
Verifica-se, portanto, que o processo de formação compreende não só a
participação dos órgãos ou entidades executivos de trânsito dos Estados e
do Distrito Federal, mas também de instituições públicas ou privadas,
especialmente credenciadas.
Ressalta-se a preocupação do legislador de trânsito, em que a avaliação dos
candidatos à habilitação seja feita de maneira mais completa possível,
chegando a prever, inclusive, a possibilidade de responsabilização dos
examinadores, cuja identificação deve ser incluída no prontuário de cada
condutor (§ 1° do artigo 147), podendo acarretar, conforme a falta
cometida, as punições de advertência, suspensão e, até, cancelamento da
autorização para o exercício da atividade (artigo 153).
CTB, art. 148 - Os exames de habilitação, exceto os de direção veicular,
poderão ser aplicados por entidades públicas ou privadas credenciadas pelo
órgão executivo de trânsito dos Estados e do Distrito Federal, de acordo
com as normas estabelecidas pelo CONTRAN.
§ 1° A formação de condutores deverá incluir, obrigatoriamente, curso de
direção defensiva e de conceitos básicos de proteção ao meio ambiente
relacionados com o trânsito.
§ 2° Ao candidato aprovado será conferida Permissão para Dirigir, com
validade de um ano.
§ 3° A Carteira Nacional de Habilitação será conferida ao condutor no
término de um ano, desde que o mesmo não tenha cometido nenhuma
Infração de natureza grave ou gravíssima ou seja reincidente em Infração
média.
§ 4° A não obtenção da Carteira Nacional de Habilitação, tendo em vista a
incapacidade de atendimento do disposto no parágrafo anterior, obriga o
candidato a reiniciar todo o processo de habilitação.
§ 5° O Conselho Nacional de Trânsito - CONTRAN poderá dispensar os
tripulantes de aeronaves que apresentarem o cartão de saúde expedido
pelas Forças Armadas ou pelo Departamento de Aeronáutica Civil,
respectivamente, da prestação do exame de aptidão física e mental.
(Incluído pela Lei n° 9 -602, de 1998)
CTB, art. 148-A. Os condutores das categorias C, D e E deverão submeter-
se a exames toxicológicos para a habilitação e renovação da Carteira
Nacional de Habilitação. (Incluído pela Lei n° 13 -103, de 2015) (Vigência)
§ 1° O exame de que trata este artigo buscará aferir o consumo de
substâncias psicoativas que, comprovadamente, comprometam a
capacidade de direção e deverá ter janela de detecção mínima de 90
(noventa) dias, nos termos das normas do Contran. (Incluído pela Lei n° 13
-103, de 2015) (Vigência)
§ 2° Os condutores das categorias C, D e E com Carteira Nacional de
Habilitação com validade de 5 (cinco) anos deverão fazer o exame previsto
no § 1° no prazo de 2 (dois) anos e 6 (seis) meses a contar da realização do
disposto no caput. (Incluído pela Lei n° 13 -103, de 2015) (Vigência)
§ 3° Os condutores das categorias C, D e E com Carteira Nacional de
Habilitação com validade de 3 (três) anos deverão fazer o exame previsto
no § 1° no prazo de 1 (um) ano e 6 (seis) meses a contar da realização do
disposto no caput. (Incluído pela Lei n° 13 -103, de 2015) (Vigência)
§ 4° É garantido o direito de contraprova e de recurso administrativo no
caso de resultado positivo para o exame de que trata o caput, nos termos
das normas do Contran. (Incluído pela Lei n° 13 -103, de 2015) (Vigência)
§ 5° A reprovação no exame previsto neste artigo terá como consequência
a suspensão do direito de dirigir pelo período de 3 (três) meses,
condicionado o levantamento da suspensão ao resultado negativo em novo
exame, e vedada a aplicação de outras penalidades, ainda que acessórias.
(Incluído pela Lei n° 13 -103, de 2015) (Vigência)
§ 6° O resultado do exame somente será divulgado para o interessado e não
poderá ser utilizado para fins estranhos ao disposto neste artigo ou no § 6°
do CTB, art. 168 da Consolidação das Leis do Trabalho - CLT, aprovada pelo
Decreto-Lei no 5 -452, de 1° de maio de 1943 - (Incluído pela Lei n° 13 -103,
de 2015) (Vigência)
§ 7° O exame será realizado, em regime de livre concorrência, pelos
laboratórios credenciados pelo Departamento Nacional de Trânsito -
DENATRAN, nos termos das normas do Contran, vedado aos entes públicos:
(Incluído pela Lei n° 13 -103, de 2015) (Vigência)
I - fixar preços para os exames; (Incluído pela Lei n° 13 -103, de 2015)
(Vigência)
II - limitar o número de empresas ou o número de locais em que a
atividade pode ser exercida; e (Incluído pela Lei n° 13 -103, de 2015)
(Vigência)
III - estabelecer regras de exclusividade territorial. (Incluído pela Lei n°
13 -103, de 2015) (Vigência)
Art. 148, CTB
Ao prever que os exames de habilitação, exceto os de direção veicular,
podem ser aplicados por entidades públicas ou privadas credenciadas pelo
órgão executivo de trânsito estadual, este dispositivo está se referindo aos
exames destacados no artigo precedente; em suma: exames de aptidão
física e mental e avaliação psicológica.
As normas estabelecidas pelo CONTRAN, atualmente em vigor, encontram-
se descritas na Resolução n. 425/12, sendo estabelecidos tanto os
respectivos procedimentos, quanto o credenciamento das entidades
interessadas e seus respectivos profissionais.
A formação de condutores e a realização dos exames escrito e de prática de
direção veicular, por sua vez, encontram-se regulamentadas pela Resolução
do CONTRAN n. 168/04 (e suas alterações). Como parte integrante do curso
teórico de condutores, citada norma incluiu os assuntos exigidos pelo § 1°:
“direção defensiva” e “proteção ao meio ambiente”, além das disciplinas
“legislação de trânsito”, “primeiros socorros” e “mecânica básica”.
A Permissão para Dirigir, prevista nos §§ 2°, 3° e 4°, foi uma inovação do
Código de Trânsito de 1997, não havendo qualquer precedente neste
sentido na legislação brasileira. A ideia desta habilitação provisória é,
justamente, permitir a análise do comportamento seguro dos novos
motoristas e constitui uma importante ferramenta para o
acompanhamento de sua conduta, na utilização da via pública. Ao término
de um ano, não atendido o requisito de não cometimento das infrações
elencadas no § 3°, não haverá prazo para se iniciar novo processo de
habilitação, mas há a necessidade de se refazê-lo, incluindo as aulas
teóricas e práticas.
Em relação ao § 5°, como o dispositivo prevê a possibilidade de o CONTRAN
dispensar tais profissionais da prestação do exame de aptidão física e
mental, há que se registrar que esta dispensa encontra-se prevista na
Resolução n. 464/13; todavia, o cartão de saúde expedido pelas Forças
Armadas ou pelo Departamento de Aviação Civil não substitui a CNH
vencida há mais de trinta dias, mas apenas a realização do exame médico
para sua renovação.
CTB, art. 150 - Ao renovar os exames previstos no artigo anterior, o
condutor que não tenha curso de direção defensiva e primeiros socorros
deverá a eles ser submetido, conforme normatização do CONTRAN.
Parágrafo único. A empresa que utiliza condutores contratados para operar
a sua frota de veículos é obrigada a fornecer curso de direção defensiva,
primeiros socorros e outros conforme normatização do CONTRAN.
Art. 150, CTB
A exigência de curso teórico-técnico para a formação de condutores passou
a existir a partir de 1998, quando entrou em vigor o atual Código de Trânsito
Brasileiro, sendo que a regulamentação atual deste processo encontra-se
prevista na Resolução do Conselho Nacional de Trânsito n. 168/04. Antes,
na vigência do CNT de 1966, o candidato à habilitação apenas fazia uma
prova teórica (que se limitava, praticamente, a verificar o seu
conhecimento da sinalização de trânsito) e já era autorizado a realizar as
aulas de prática de direção veicular (sem um mínimo obrigatório), após o
que se submetia ao exame prático final, junto ao órgão de trânsito.
Aliás, outra mudança ocorrida alguns anos antes, mais especificamente em
1989 (por meio da Resolução n. 734/89), foi a validade da Carteira Nacional
de Habilitação, para se exigir a renovação do exame médico de 5 em 5 anos
(a partir de 65 anos de idade, de 3 em 3 anos), o que se manteve no CTB de
1997. Antes da Resolução n. 734/89, a CNH valia até que o condutor
completasse 40 anos de idade, quando então seria obrigado a renovar o
exame médico.
Foi por este motivo que o artigo 150 estabeleceu uma regra de transição,
para exigir destes motoristas que nunca haviam passado pelo curso teórico,
um conhecimento mínimo, na área de direção defensiva e primeiros
socorros (matérias que fazem parte do atual curso de formação de
condutores, além de legislação de trânsito, mecânica básica e meio
ambiente e cidadania); portanto, uma vez realizado o exame exigido pelo
artigo 150, não mais se faz necessário o seu atendimento (nos dias atuais,
somente tem sido aplicado tal dispositivo para as pessoas que tiveram a sua
CNH vencida, aos 40 anos, e até agora não fizeram a renovação, sendo certo
que não há mais nenhuma habilitação deste modelo antigo ainda dentro do
prazo).
Além desta situação, o Conselho Nacional de Trânsito também passou a
exigir o Curso de Atualização para a Renovação da CNH, aos condutores
que, mesmo já habilitados no sistema atual de formação, tenham o seu
exame de aptidão física e mental vencido há mais de 5 anos, contados a
partir da data de validade, conforme artigo 6°, § 3°, da Resolução n. 168/04,
a qual traz todos os critérios de realização deste Curso (como carga horária
e conteúdo programático).
Embora tenha sido regulamentado o caput do artigo 150, vale destacar a
ausência de norma específica, do Conselho Nacional, quanto ao parágrafo
único, que exige, das empresas que utilizam condutores contratados para
operar a sua frota de veículos, o fornecimento de curso de direção
defensiva, primeiros socorros e outros.