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Geologia Geral e do Petróleo

- Fundamentos e Conceitos Básicos


Relativos ás Geopressões

Curso de Revestimento de Poços de Petróleo


Geologia Geral e do Petróleo
- Fundamentos e Conceitos Básicos
Relativos ás Geopressões

Módulo I do Curso de:

Revestimento de poços de Petróleo

Compilado e Organizado por:


Angelo Nascimento
Engenheiro Civil e de Petróleo

Editado e Revisado por:


José Claudionor Bessa
Esp. em Revestimento e Cimentação de Poços de Petróleo

Curso de Revestimento de Poços de Petróleo


Apresentação

Foi feito um esforço sincero de apresentar neste módulo inicial do


Curso de Revestimento de Poços de Petróleo, conceitos básicos da
Geologia Geral, bem como aplicá-la á perfuração, para que se tenha o
entendimento focado nas formações consolidadas e inconsolidadas, suas
características principais e de que maneira estas afetam os revestimentos de
um poço. Posteriormente são apresentados os conceitos básicos da
Geologia do Petróleo, com o objetivo do entendimento dos reservatórios,
de como sua porosidade e permeabilidade, bem como os fluidos nela
contidos estarão intrinsecamente ligados aos revestimentos. Por fim, são
apresentados os conceitos básicos relativos ás Geopressões, que pode ser
definido como os estudos a serem realizados para se estimar as pressões de
poros, fratura e colapso, necessárias para o estabelecimento dos pesos de
fluido de perfuração e assentamento das colunas de revestimentos.

Angelo J. Nascimento

Curso de Revestimento de Poços de Petróleo


ÍNDICE
1.0 Geologia .......................................................................................................6
1.1 A importância da geologia ........................................................................ 7
2.0 A estrutura interna da terra .......................................................................... 8
2.1 Constituição interna ................................................................................... 9
3.0 Minerais e rochas ......................................................................................... 9
3.1 Tipos de rochas ...................................................................................... 11
3.2 Rochas ígneas ou magmáticas .............................................................. 11
3.2.1 Rochas ígneas plutonicas ............................................................... 12
3.3.2 Rochas ígneas vulcânicas .............................................................. 12
3.3 Rochas metamórficas ................................................................................13
3.4 Rochas sedimentares .................................................................................14
3.4.1 Rochas sedmentares clásticas ou terrígenas........................................16
3.4.2 Sedimentos de origem química ........................................................... 17
3.5 Formação de grãos ................................................................................... 18
3.6 Selecionamento dos grãos ........................................................................ 19
4.Intemperismo ................................................................................................ 19
4.1 Tipos de intemperismo ............................................................................ 21
5. Erosão .......................................................................................................... 21
5.1 Erosão no processo de sedimentação ................................................... 22
6. Ciclo das rochas............................................................................................ 22
7. Estratigrafia .................................................................................................. 23
7.1 Princípios ............................................................................................... 23
8. Geologia estrutural ....................................................................................... 24
8.1 Falhas e fraturas .................................................................................... 28
9. Tectônica de placas ..................................................................................... 29
9.1. Cenário da tectônica global ................................................................. 28
10. Geologia aplicada a perfuração ................................................................. 30
10.1 Argilas ................................................................................................ 30
10.2 Argilitos .............................................................................................. 30
10.3 Silte .................................................................................................... 31
10.4 Siltito .................................................................................................. 31
10.5 Areia ................................................................................................... 31
10.6 Cascalho ............................................................................................ 32
10.7 Calcários ............................................................................................ 33
10.8 Evaporitos .......................................................................................... 33
12. Geologia do petróleo ...................................................................................35
12.1Querogênio: composição e classificação ............................................ 35
12.2 Transformação da matéria orgânica ...................................................36
13. Requisitos para acumulação de petróleo ................................................... 38
14. Rochas geradoras ...................................................................................... 39
15. Rocha reservatório ......................................................................................39
16 Porosidade .................................................................................................. 40
17. Permeabilidade .......................................................................................... 42
18. Rochas capeadoras ................................................................................... 44
20. Trapas ou armadilhas ................................................................................ 45
21. Trapas estruturais .......................................................................................45
22. Estratigráficas ............................................................................................ 46
22.1 Trapas estratigráficas primárias ......................................................... 46
22.2 Trapas estratigráficas secundária ...................................................... 47
22.3 Trapas combinadas ........................................................................... 47
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23. Relações temporais ................................................................................... 48
24. Migração do petróleo ................................................................................. 48
24.1 Migração primária .............................................................................. 49
24.2 Migração secundária............................................................................50
25. Conceitos básicos relativos ás Geopressões..............................................50
25.1 Introdução............................................................................................50
25.2 Geopressões........................................................................................51
26. Porjeto de poços..........................................................................................51
27. Conceitos básicos relativos ás geopressões...............................................53
27.1.Tensão x pressão..................................................................................53
27.2 Pressão Hidrostática.............................................................................53
27.3. Gradiente de pressão ..........................................................................54
28. Tensão de sobrecarga..................................................................................55
28.1 Gradiente de sobrecarga.......................................................................55
29. Pressão de poros .........................................................................................57
29.1 Classificação dos gradiente de pressão de poros ...............................58
29.2 Pressão de poros anormalmente baixas..............................................59
29.3 Pressão de poros anormalmente altas.................................................59
30. Tensão efetiva..............................................................................................60
31. Falha de rochas ...........................................................................................60
31.1. Rochas frágeis e dúcteis ....................................................................61
32. Pressão de colapso.......................................................................................62
33. Pressão de fratura.........................................................................................62
34. Janela operacional........................................................................................63
35. Assentamento de sapatas ............................................................................64
36. Fluxo de trabalho para o cálculo das geopressões.......................................64
Bibliografia...........................................................................................................65

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1.0 GEOLOGIA

O termo GEOLOGIA vem do grego GEO (terra) e LOGOS (palavra,


pensamento, ciência). É a ciência que procura decifrar a história geral da
Terra, desde o momento de sua formação até o presente. Abrange a
constituição e estrutura do planeta e os fenômenos que se desenvolvem na
crosta terrestre, seus mecanismos e suas causas. Pode-se dizer que geologia
é o estudo da Terra e seus produtos naturais.

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1.1 A IMPORTÂNCIA DA GEOLOGIA

No caso particular do petróleo, a relevância da geologia é indiscutível. Graças


aos conhecimentos e métodos geológicos e geofísicos empregados, se
consegue índices de sucesso cada vez mais expressivos em identificação de
áreas portadoras de hidrocarbonetos.

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2.0 A ESTRUTURA INTERNA DA TERRA

RESUMO DA ESTRUTURA GERAL DO GLOBO TERRESTRE


Profundidad Denominação das Constituição Densidade Temperatura Velocidade
e (km) camadas litológica (g/cm³) (°C) s das
ondas P
(km/s)
Valor médio Crosta superior Sial (granodioritica) 2,7 800 5,6
de 35 km Descontinuidade de
Conrad Sima (gabróica)
Crosta inferior 3,0 1000 6,5
Descontinuidade de Mohorovicic
200 Manto Peridotito 3,3 8,2
900 externo Peridotito com ferro e sulfeto,
2900 Manto similar a certos meteoritos 5,5 2000 13,6
médio
Manto
inferior
Descontinuidade de Wiechert-
5100 Gutemberg 9/11 3000 8,1
Núcleo externo Ferro-Niquel, similar aos
6370 Núcleo interno sideritos 12/14 5000 11,2

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2.1 CONSTITUIÇÃO INTERNA E PROPRIEDADES DO GLOBO TERRESTRE

A crosta continental ou superior é formada por rochas graníticas com


elementos como silício (Si) e alumínio (Al). A crosta oceânica ou inferior possui
constituição basáltica, predominando silício (Si) e magnésio (Mg).

O manto é caracterizado pela presença de ferro (Fe) e Magnésio (Mg). E o


núcleo interno e externo composto pelos elementos ferro (Fe) e níquel (Ni).

3.0 MINERAIS E ROCHAS

Os elementos químicos combinam-se em várias proporções para formar os


minerais, estes também combinam-se fisicamente para compor os diversos
tipos de rochas.

 Mineral - é um elemento ou um composto definido química e


estruturalmente, encontrado em estado natural na crosta terrestre.

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 Rocha - é um agregado natural formado por um ou mais minerais que
se agrupam obedecendo às leis da física, da química ou da físico-química,
dependendo das condições de sua formação.

Grão de quartzo Granito

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3.1 TIPOS DE ROCHA

Rochas ígneas ou magmáticas Rochas Metamórficas


(Plutônicas e vulcânicas)

Rochas Sedimentares

3.2 ROCHAS ÍGNEAS OU MAGMÁTICAS

São produtos do resfriamento e conseqüente solidificação de matéria


mineral em fusão (magma), provinda do interior da Terra.
A composição química do magma e as condições de resfriamento são os
determinantes da composição mineralógica das rochas e do tamanho de seus
cristais.

Gabro Granito

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3.3 ROCHAS ÍGNEAS

3.3.1 ROCHAS ÍGNEAS PLUTÔNICAS (intrusivas)

Se o resfriamento do magma for lento, os minerais se apresentarão como


cristais grandes e bem formados. O resfriamento lento somente é possível a
grandes profundidades. Exemplos: granito, sienito, basalto

Granito Sienito

3.3.2 ROCHAS ÍGNEAS VULCÂNICAS (extrusivas)

Se o resfriamento do magma ocorrer na superfície da crosta ou muito próximo


a ela, a queda brusca de temperatura conduzirá à formação de cristais
menores, com formas menos perfeitas, muitas vezes indistintas a olho nu.
Exemplos: basalto, obsidiana, tufo.

3.4 ROCHAS METAMÓRFICAS

Muitos minerais são estáveis somente dentro de certos limites de temperatura


e pressão. Quando as rochas são submetidas a temperaturas e pressões
muito diferentes daquelas em que foram originadas, seus minerais sofrem
uma nova reorganização na composição mineralógica, na estrutura e na
textura. Este processo é chamado metamorfismo e consiste em
transformações no meio sólido, não implicando em fusão, mas sim, em
recristalização.

Exemplos: quartzito, mármore, ardósia, filito, micaxisto, gnaisse.

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GNAISSE

MÃRMORE

ARDÓSIA

3.5 ROCHAS SEDIMENTARES

São as rochas formadas a partir de material originado pela destruição erosiva


(física, química ou biológica) de qualquer tipo de rocha, posteriormente
transportado e depositado ou precipitado, camada por camada, num dos
muitos ambientes de sedimentação da Terra (rios, lagos, desertos, oceanos,
etc.).
Uma bacia de sedimentação em contínuo afundamento (subsidência) propicia o
preenchimento da depressão gerada, podendo os sedimentos atingirem
grandes espessuras.

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3.5.1 ROCHAS SEDIMENTARES CLÁSTICAS OU TERRÍGENAS

São formadas pela consolidação de fragmentos de rochas pré-existentes. De


acordo com o tamanho, os fragmentos classificam-se em:

Tabela 1- Classificação de Wentworth quanto ao tamanho dos grãos.

CLASSIFICAÇÃO DE WENTWORTH
Diâmetro (mm)
Matacão > 256
Bloco 64 - 256
Seixo 4 - 64
Grânulo 2 - 4
Areia grossa ¼ - 2
Areia fina 1/16 - 1/4
Silte 1/256 - 1/16
Argila < 1/256

Exemplos:

Argilito - rocha de granulação finíssima, com predominância de componentes


de fração argila. Sua coloração varia do cinza ao preto, passando pelo
amarelo, verde ou vermelho. É untuoso ao tato.

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Folhelho - tem as mesmas características do argilito, diferenciando-se deste
por apresentar estratos esfolheáveis finos e paralelos.

Siltito - rocha de granulação fina, composta por grãos de tamanho silte.


Geralmente de cor cinza, amarela ou vermelha. É ligeiramente áspero ao toque
e pode-se perceber grãos individualizados com a ajuda de uma lupa.

Arenito - rocha proveniente da


consolidação de sedimentos de tamanho
das areias. Seus grãos podem ser
constituídos por quaisquer minerais,
sendo o quartzo o mais comum.
Apresenta ampla variação de cores.

Conglomerado - rocha formada por


fragmentos de tamanho grânulo, seixo, bloco
e/ou matacão.

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Rochas Sedimentares

SEDIMENTOS DE ORIGEM QUÍMICA

Aloquímicos - formados dentro da bacia de deposição por precipitação


química ou biológica, que sofreram posteriores retrabalhamentos. Exemplos:
conchas de moluscos, oólitos, pisólitos etc.

Coquina

Ortoquímicos - formados por precipitação química direta dentro da bacia de


deposição, sem evidência de transporte.
Exemplos: evaporitos (cloretos,halita,silvita,gipsita,carnalita).

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Exemplos:

Calcário - rocha constituída principalmente por CaCO3 (calcita).


Dolomito - carbonato de cálcio e magnésio - CaMg(CO3).
Coquina - calcário formado pela sedimentação de conchas carbonáticas.

Precipitação de calcário Coquina

FORMAÇÃO DE GRÃOS

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SELECIONAMENTO

Componentes de uma rocha sedimentar

- Arcabouço

- Matriz

- Cimento

Tipos de cimento
- Calcita (CaCO3)
- Sílica (SiO2)
- Óxido de ferro (Fe2O3)

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Rocha porosa vista ao microscópio – Em azul os espaços vazios

Conglomerado que contém frações granulométricas que vão desde seixos a calhaus
imersos em uma matriz arenosa fina a média.

4.INTEMPERISMO

Refere-se aos processos operantes na superfície terrestre que ocasionam a


decomposição dos minerais das rochas, graças à ação dos agentes
atmosféricos e biológicos, seja por destruição mecânica ou por decomposição
química. Em particular, o intemperismo ocorre quando as rochas e minerais
estão em contato com a atmosfera, hidrosfera ou biosfera.

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4.1 TIPOS DE INTEMPERISMO

 Físico (ou mecânico) - Engloba os fenômenos que levam a destruição


das rochas e minerais por meios físicos, quais sejam: variação de
temperatura, cristalização de sais, congelamento e alívio de pressão.

Intemperismo físico
decorrente da ação
do gelo sobre o
rochedo.

 Químico - é o resultado da interação das rochas existentes nas


camadas superiores da litosfera com os constituintes quimicamente
ativos da atmosfera, da hidrosfera e da biosfera. As substâncias ativas
são: oxigênio, água, dióxido de carbono e ácidos orgânicos, que atuam
através de reações de oxidação, redução, hidratação, hidrólise,
carbonatação e dissolução.

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 Biológico - a vida orgânica, vegetal ou animal, apresenta um importante
papel nos processos de destruição de minerais e rochas na crosta
terrestre. Existem dois tipos de intemperismo biológico: o físico e o
químico.

Intemperismo biológico pode ser de ação física e/ou química:

 Física - a ação das raízes


contribuem para a
desagregação das rochas ao
aprofundarem-se através de
fraturas naturais. O homem
também é considerado um
importante agente de
intemperismo, transmitindo
sua ação através da
construção de estradas,
túneis e barragens, da
derrubada de matas, etc.

 Química - bactérias e fungos


microscópicos, líquens, algas
e musgos segregam gás
carbônico, nitratos, ácidos
orgânicos como produtos de
seu metabolismo. Estes
produtos são incorporados
pelas soluções que percolam
o solo, atingindo a rocha sã e
iniciando a ação química do
Buracos escavados pelo ouriço do mar
intemperismo.

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5. EROSÃO

A Erosão é o transporte dos materiais terrestres previamente desagregados


pelos diversos tipos de intemperismo. Seu transporte em geral é feito pela água
da chuva, pelo vento ou, ainda, pela ação do gelo.

Erosão em terrenos sedimentares inconsolidados

5.1 EROSÃO ►PROCESSO DE SEDIMENTAÇÃO

As partículas sedimentares são transportadas pelos agentes água, vento, gelo


e gravidade a partir dos mecanismos de rolamento, deslizamento, saltação e
suspensão.

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6. CICLO DAS ROCHAS ►SEDIMENTARES

A figura abaixo mostra a desagregação de rochas existentes e seus transporte


até o ambiente de sedimentação:

7. ESTRATIGRAFIA

É a ciência que cuida não só da sucessão original e das idades das rochas
estratificadas, como também, da sua forma, distribuição, composição litológica,
conteúdo paleontológico, propriedades geofísicas e geoquímicas, ou seja, de
todos os caracteres, propriedades e atributos das mesmas como estratos,
buscando inferir seus ambientes de origem e sua história geológica.

a)Camada. mais velha


b,c,d,e,f,g
h) Falha
i)Discordância
j,k,l
m)Intrusão de granito
n)Discordância
o)Erosão do granito
p,q
r)Intrusão de basalto
s)Derrame de lava
t)Camada mais nova
Final) rios erodindo as
camadas mais novas
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7.1 PRINCÍPIOS

Superposição – aplica-se nos casos em que as camadas sedimentares


dispõem-se, umas sobre as outras, mantendo a quase horizontalidade original.
Assim, postula-se que cada camada é mais jovem que a subjacente e a mais
velha sobrejacente.

8. GEOLOGIA ESTRUTURAL

A Geologia Estrutural estuda as respostas das rochas à aplicação de forças de


deformação e as estruturas que resultam destas deformações.
Cada tipo de rocha possui propriedades mecânicas diferentes e a depender da
intensidade do esforço aplicado, da sua duração e da plasticidade da rocha, é
grande a variedade de respostas, que se manifestam através de estruturas
apresentadas na crosta terrestre, tais como: falhas, foliações e fraturas.

Exposição de rochas originalmente horizontais dobradas por forças tectônicas

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8.1 FALHAS E FRATURAS

São estruturas resultantes de comportamento rúptil em blocos de rocha que se


deslocam uns em relação aos outros, através de descontinuidades
aproximadamente planares.
Se o deslocamento entre as partes é nulo, a estrutura é chamada de fratura;
caso contrário, de falha.
A amplitude deste deslocamento pode ser milimétrica ou se estender por várias
centenas de quilômetros.

Fratura evidenciada na seção

Falha de San Andreas, costa oeste dos EUA

Falhas de tamanho pequeno. As camadas eram continuas e por forças extensionais


foram movimentadas.

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GEOLOGIA ESTRUTURAL - Figuras

Tipos de Dobras e Falhas

A força provocada pela tectônica leva a deformação


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Forças atuantes em camadas

Falha de cavalgamento de Keystone, sul de Nevada

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CAMADAS HORIZONTAIS

ESFORÇOS COMPRESSIVOS

EROSÃO POR RIOS

DERRAME DE LAVAS +
DISCORDANCIA

ESFORÇOS DISTENSIVOS +
FORMAÇÃO DE BACIAS DO
TIPO RIFTE

9. TECTÔNICA DE PLACAS

RETROSPECTO HISTÓRICO

 Século XVI e XVII – Cientistas europeus notaram o encaixe do quebra


cabeça das curvas costeiras, como se as Américas, a Europa e a África
estivessem estado juntas em uma determinada época e depois se
afastado por deriva.

 Final do século XIX – Geólogo austríaco Eduard Suess postulou que o


conjunto dos continentes atuais, formara certa vez um único continente,
chamado GONDWANA.

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 1915 – Alfred Wegener(metereologista alemão) que estava se
recuperando de ferimentos sofridos durante a 1ª Guerra Mundial,
escreveu um livro sobre a fragmentação e deriva dos continentes.

 Wegener postulou um supercontinente que denominou de PANGÉIA (do


grego “todas as terras”) que se fragmentou nos continentes como
conhecemos hoje.

A pergunta que não queria calar era: Como, de que maneira, que forças seria
capaz de separar ou juntar os continentes?

Para Wegener : força das mares, do sol, da lua.

 O esclarecimento se deu quando os cientistas na década de 60 deram-


se conta de que o Convecção do Manto da Terra (mecanismo de
transferência de energia e massa no qual o material aquecido ascende e
o resfriado afunda) poderia empurrar ou puxar os continentes, formando
uma nova crosta oceânica.

Em síntese, inúmeras evidências suportam a idéia de que os continentes foram


unidos, podendo elas serem agrupadas em três categorias principais

 paleoclimatológicas;
 paleontológicas;
 ajuste geométrico dos continentes
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10. CENÁRIO DA TECTÔNICA GLOBAL

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11. GEOLOGIA APLICADA Á PERFURAÇÃO

11.1 ARGILAS

São constituída por um grupo de minerais que recebe o nome de argilominerais


como: ilita, clorita, montmorilonita e caolinita.

As montmorilonitas são os argilominarais que mais interferem na perfuração.

Essa interferência pode ser benéfica para o controle de filtrado em formações


permeáveis, ou trazer prejuízos ao sofrerem hidratação no contato com fluido a
base água, reduzindo o diâmetro do poço e contaminando o fluido de
perfuração.

Observação

Os maiores componentes das bentonitas (argilas industrializadas utilizadas nos


fluidos de perfuração) são as montmorilonitas, em função de suas propriedades
viscosificantes, formadoras de gel e de controle de filtração.

Nome comercial :
Bentonita (montmorilonita de sódio)

11.2 ARGILITOS

Rochas formadas por argilas moles, muitas vezes encontrados nas seções
mais superiores dos poços e geralmente fáceis de ser perfurados.

De um modo geral tendem a absorver água, causando a redução do diâmetro


do poço, aumentando o torque na coluna de perfuração e algumas vezes
gerando instabilidade das paredes do poço.

Outro problema associado a essas formações é o enceramento da broca de


perfuração.

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argilito

11.3 SILTE

A fração silte está situada em dimensões entre as areias e as argilas (0,004


mm a 0,06 mm), resultado de um abrasão extrema, possuindo como minerais:
quartzo, feldspato, micas, minerais pesados e minérios de ferro.

Como depósito sedimentar, corresponde a um material muito fino e friável, e


que à medida que se combina com argila, torna-as mais coeso e plástico.

11.4 SILTITO

Rocha formada pelo acúmulo de sedimentos de granulometria silte. Possui


coloração amarronzada, verde ou esbranquiçada.

É aspero ao tato devido ao quartzo, que é seu constituinte principal.

Siltitos muito abrasivos podem ser encontrados ao longo da perfuração,


tornando necessária frequêntes trocas de brocas.

Afloramento de siltito

11.5 AREIA

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Possui características de serem porosas e permeáveis. Isso satisfaz as
necessidades de serem excelentes reservatórios de petróleo. Os principais
minerais encontrados em areias detrítcas são:quatzo, feldspato, micas e
minerais pesados.
O tipo de rocha formada pela fração de areia é o arenito, correspondendo a
areia litificada. Sob condições adequadas, apresenta forte coesão entre os
grãos.Sua cor é geralmente branca ou avermelhada.

Exemplo de arenito quartzoso

11.6 CASCALHO

São fragmentos de rochas ou minerais mais grossos do que areia. Sua rocha
deve conter mais de 25% de seus componentes com diâmetro maior que 2
mm, podendo chegar até a tamanhos métricos.

O formato dos fragmentos dos cascalhos é muito importante.


Fragmentos de rochas arredondados, são chamados conglomerados. Já os
angulares são chamados de brechas.

Exemplo de conlomerado

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Exemplo de brecha

11.7 CALCÁRIOS

Quando de origem química, são formados por processos químicos em


ambientes marinhos e de águas rasas. São moles de perfurar, podendo
encerar a broca facilmente. A classificação dada aos calcários é relativa ao
tamanho dos grãos.

Exemplo de calcário

Classificação granulométrica dos calcários

11.8 EVAPORITOS

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São sedimentos que incluem sais minerais tais como anidrita, halita, silvanita e
carnalita.
São depósitos salinos formados pela precipitação e cristalização de sais a
partir salmouras (águas com grande concentração de sal devido a processos
de evaporação) São excelentes rochas capeadoras .
Por serem muito plásticos, permitem que grossas camadas de sal se deformem
produzindo domos salinos. Esses movimentos, conhecidos como diapirismo
geram traps o que possibilita o acúmulo de hidrocarbonetos
Essa mobilidade também afeta a perfuração, pois os sais tendem a se mover
para dentro do poço, quando este é perfurado. O grau de mobilidade depende
do tipo de sal.

Principais sais em ordem crescente de mobilidade

12. GEOLOGIA DO PETRÓLEO

12.1 QUEROGÊNIO: COMPOSIÇÃO E CLASSIFICAÇÃO

O querogênio é a fração da matéria orgânica insolúvel em solventes orgânicos,


presente nas rochas sedimentares. A porção solúvel é denominada de betume.

Três tipos principais, caracterizados no diagrama de Van Krevelen (H/C, O/C)


por seus respectivos estágios de evolução, parecem englobar a maioria dos
querogênios existentes (Figura 2).

No querogênio do tipo I, a razão H/C é originalmente alta e o potencial para


geração de óleo e gás também é elevado. Este tipo de querogênio é derivado

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Curso de Revestimento de Poços de Petróleo


principalmente da matéria orgânica algal lacustre (contém 10 a 70% de lipídios)
e da matéria orgânica enriquecida em lipídios por ação microbiana.

No querogênio do tipo II, a razão H/C e o potencial de geração de óleo e gás


são mais baixos do que os observados no querogênio do tipo I, embora ainda
sejam bastante significativos. É usualmente relacionado com a matéria
orgânica marinha depositada em ambientes redutores.

No querogênío do tipo III, a razão H/C é baixa e o potencial de geração de óleo


é insignificante, mas pode ainda gerar gás quando submetido a temperaturas
muito elevadas. A matéria orgânica é principalmente derivada de plantas

terrestres superiores, composta basicamente por celulose e lignina que são


extremamente deficientes em hídrogênio.

Figura – Diagrama de Van Krevelen. Fonte: Santos, 1984.

DIAGRAMA DE VAN KREVELEN

I - Derivado de matéria orgânica amorfa (algas planctônicas); + 50% lipídios;


elevado potencial para gerar HC líquido.
II - Derivado de matéria orgânica herbácea (polens, esporos); + 40% lipídios;
regular/bom potencial para gerar HC líquido.

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III - Derivado de matéria orgânica lenhosa (vegetais superiores); potencial
desprezível para gerar óleo; grandes profundidades. Possui alto
potencial gerador de gás.
As setas indicam diminuição do percentual de hidrogênio na matéria
orgânica.

12.2 TRANSFORMAÇÃO DA MATÉRIA ORGÂNICA

Transformação termoquímica de matéria orgânica e a geração de petróleo:

- Organismos vivos principalmente plânctons, plantas e bactérias vão morrendo


e seus restos se depositando em conjunto com o material carreado pelos rios,
em mares e lagos.

- A matéria orgânica contém gorduras, proteínas e carboidratos. As gorduras


não são facilmente atacáveis pelas bactérias anaeróbicas. Algumas áreas em
fundos de mares e lagos são calmas. Sem renovação, acabam ficando
desprovidas de Oxigênio.

Os três principais estágios da transformação da matéria orgânica nos


sedimentos são:

 diagênese

 catagênese

 metagênese

37

Curso de Revestimento de Poços de Petróleo


A diagênese começa em sedimentos recentemente depositados, onde a
atividade microbiana é um dos principais agentes de transformação. Rearranjos
químicos ocorrem a pequenas profundidades. No final desta fase, a matéria
orgânica consiste principalmente de querogênio. Do ponto de vista da
exploração do petróleo, as rochas geradoras são consideradas imaturas.
A catagênese resulta do aumento da temperatura, durante a história de
soterramento dos sedimentos. A degradação termal do querogênio é
responsável pela geração da maioria dos hidrocarbonetos. É a principal fase de
formação de óleo e gás úmido. As rochas geradoras são consideradas maturas

A metagênese é alcançada a grandes profundidades, onde há destruição dos


hidrocarbonetos líquidos, sendo preservado apenas o gás seco. As rochas
geradoras são consideradas senis ou supermaturas. Este estágio começa mais
cedo que o metamorfismo da fase mineral.
- Até 65ºC  Diagênese - Atividade bacteriana que provoca a reorganização celular e
transforma a matéria orgânica em querogênio. O produto gerado é o metano
bioquímico ou biogênico.
- De 65ºC até 165ºC  Catagênese - Quebra das moléculas de querogênio. O produto
gerado é hidrocarbonetos líquidos e gás.
- De 165ºC até 210ºC  Metagênese - Quebra das moléculas de hidrocarbonetos
líquidos. O produto gerado é gás leve.
- Ultrapassando 210ºC  Metamorfismo - Degradação do hidrocarboneto gerado
deixando como remanescente gás carbônico e algum resíduo de gás metano.

13. REQUISITOS PARA ACUMULAÇÃO DE PETRÓLEO


Para que se forme uma acumulação petrolífera são necessários cinco
requisitos básicos:
- presença de rochas geradoras;
- presença de rochas-reservatório;
- presença de rochas capeadoras;
- trapas;
- relações temporais adequadas.
Geração
Requeridos: matéria orgânica em quantidade suficiente, temperatura e tempo
Migração
Requeridos: momento adequado e rota de migração adequada
Migração primária
Migração secundária
Acumulação
Requeridos: porosidade e permeabilidade adequadas e selo
Pode ser até a superfície ou formando outros reservatórios de petróleo
38

Curso de Revestimento de Poços de Petróleo


Os fatores geológicos necessários para a ocorrência de acumulações de petróleo.
Fonte: Alves et al., 1986.

Figura: Relação entre elementos


tectônicos e estratigráficos com
acumulação de petróleo

14. ROCHAS GERADORAS

São rochas de granulação fina (folhelhos e calcários), cuja matéria orgânica,


sob condições termoquímicas adequadas, se transforma em petróleo.

39

Curso de Revestimento de Poços de Petróleo


A teoria orgânica moderna postula que o petróleo se origina da matéria
orgânica depositada juntamente com os sedimentos numa bacia sedimentar.

15. ROCHA RESERVATÓRIO

Trata-se de qualquer rocha porosa e permeável capaz de armazenar o petróleo


expulso das rochas geradoras durante o processo de compactação. Pode ser
ígnea, metamórfica ou sedimentar.

A maior parte do petróleo até hoje descoberto encontra-se em arenitos (Figuras


A e B) e calcários (Figura C). Isto deve-se ao fato de que estas rochas porosas
e permeáveis são as mais comuns nas bacias sedimentares.

Figura A - Testemunho de uma Figura B – Arenito observado


rocha-reservatório (arenito portador ao microscópio. Fonte: Adans,
de petróleo), Bacia do Recôncavo. 1984.

O Campo de Ghawar, na Arábia Saudita,


que é o maior campo petrolífero do
mundo, produz de calcários. O Campo de
Burgan, no Kuwait, o segundo em
reservas de óleo, produz de arenitos do
Cretáceo

Figura C - Calcarenito observado


ao microscópio. Fonte: Adans,
1984.

16. POROSIDADE

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Curso de Revestimento de Poços de Petróleo


- É a percentagem de vazios (espaços porosos) das rochas. Quando todos os
poros são levados em consideração, tem-se a porosidade absoluta.
Se apenas os poros conectados entre si são considerados, tem-se a
porosidade efetiva. Todas as rochas-reservatório têm uma certa proporção de
poros não conectados.

POROSIDADE (Ø) = (Volume de poros / Volume da Amostra) x 100

A porosidade dos reservatórios varia tanto vertical como horizontalmente.


A maioria dos reservatórios apresenta porosidade entre 10 e 20%. Uma rocha
menos porosa pode ser explorada, desde que sua espessura seja grande.
A porosidade deve ter continuidade lateral, para que o volume de óleo
armazenado seja comercialmente explotável. Alguns arenitos apresentam boa
porosidade em caráter regional, outros têm porosidade extremamente variada.

Figura D - Distribuição dos fluidos nos poros de uma rocha-reservatório. Do volume


total do óleo existente somente um pequeno percentual é recuperável, neste caso
30%. Fonte: Alves et al., 1986.

A classificação das rochas-reservatório quanto à porosidade, pode ser


visualizada na tabela 4:

Tabela A – Classificação das rochas reservatório quanto à porosidade.

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Curso de Revestimento de Poços de Petróleo


Porosidade (%)
Fechada 0-9
Regular 9 - 15
Boa 15 - 20
Excelente 20 - 25

Denomina-se porosidade primária aquela controlada pelo ambiente de


sedimentação.

Ou seja, o material detrítico ou orgânico pode acumular-se de tal forma que


espaços vazios (poros) são deixados entre os grãos de areia ou fragmentos de
conchas, por exemplo.
A porosidade primária é a porosidade mais importante em arenitos.

A porosidade secundária desenvolve-se como resultado de algum processo


geológico após a rocha-reservatório ter sido litificada (consolidada). A
porosidade secundária desempenha importante papel em calcários. O tamanho
dos poros varia desde milimétricos até cavernas, no caso de porosidade
secundária desenvolvida pela dissolução da rocha carbonática original.

A disposição (Figura E), a classificação, o arredondamento dos grãos e a


proporção de cimento e matriz são os principais fatores que afetam a
porosidade.

Figura E - A disposição dos grãos afeta sensivelmente a


porosidade

17. PERMEABILIDADE

É a medida da capacidade de uma rocha de permitir fluxo de fluidos. É


normalmente expressa em Darcy (D). Como esta unidade é muito grande, na
prática utiliza-se o milidarcy (mD). Diz-se que uma rocha tem permeabilidade
(k) de 1 Darcy quando transmite um fluido de 1 cp (centipoise) de viscosidade

42

Curso de Revestimento de Poços de Petróleo


através de uma seção de 1 cm2, à razão de 1 cm3 por segundo, sob um
gradiente de pressão de uma atmosfera.

Permeabilidade (mD)
Baixa Menor que 1
Regular 1 – 10
Boa 10 – 100
Muito boa 100 – 1000
Excelente Maior que 1000

Normalmente, a permeabilidade encontrada nos reservatórios varia entre 5 e


1000 mD. Verifica-se, na figura 18, que rochas com a mesma porosidade
podem ter permeabilidades bastante diferentes.

Uma rocha pode ser muito porosa, porém não permeável, como é o caso dos
folhelhos.
O fraturamento da rocha pode aumentar consideravelmente sua
permeabilidade.

Figura F – Foto de rochas-reservatório ao microscópio mostrando uma grande


variação da permeabilidade para porosidades semelhantes. Fonte:
Schlumberger/CMR.

A maioria dos campos brasileiros produz de arenitos: campos de Miranga,


Água Grande, Araçás e Buracica na Bacia do Recôncavo; Roncador, Marlim,
Albacora e Vermelho na Bacia de Campos e Canto do Amaro, Estreito,
Fazenda Belém na Bacia Potiguar.
Rochas com baixa ou nenhuma permeabilidade original podem, através de
fraturamento hidráulico, tornar-se boas produtoras. Nos Estados Unidos
(Kentucky), existe um campo com 3.800 poços produtores em folhelhos
fraturados. No Campo de Candeias, no Recôncavo Baiano, também há
produção em folhelhos fraturados.

18. ROCHAS CAPEADORAS

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Curso de Revestimento de Poços de Petróleo


A rocha-reservatório é um recipiente onde o petróleo se acumula. Um
reservatório qualquer só pode conter fluido se suas paredes forem
relativamente impermeáveis.

No caso dos reservatórios geológicos, as paredes do recipiente são as rochas


ditas capeadoras (Figura 19).

Uma boa rocha capeadora deve ser mais ou menos plástica, pois as rochas
mais rígidas são mais fraturáveis, deixando escapar o petróleo. Os calcários,
quando puros, são muito quebradiços e, portanto, inadequados como rochas
capeadoras.. No Campo de Burgan, no Kuwait, as rochas capeadoras são
calcários impuros e folhelhos.

Alguns arenitos e siltitos têm permeabilidade tão baixa que podem funcionar
como rochas capeadoras. Entretanto, fraturam-se com facilidade devido aos
movimentos da crosta terrestre. Conglomerados também são excelentes
rochas capeadoras.

Figura G – Conglomerado. Fonte: Adans, 1984

44

Curso de Revestimento de Poços de Petróleo


Na figura abaixo temos um resumo das relações entre o tipo de rocha e sua
função numa acumulação de petróleo.

FOLHELHOS GERADORES E SELANTES *

ARENITOS RESERVATÓRIOS

RESERVATÓRIOS
CALCÁRIOS
GERADORES E SELANTES *

EVAPORITOS SELANTES

* RESERVATÓRIO QUANDO FRATURADOS

20. TRAPAS ou ARMADILHAS

São situações estruturais ou estratigráficas que propiciam condições para a


existência de acumulações petrolíferas.
De um modo geral, as trapas podem ser classificadas, segundo Levorsen
(1958), em três tipos principais: estruturais, estratigráficas e combinadas.

21. TRAPAS ESTRUTURAIS

São trapas formadas por alguma deformação local, como resultado de


falhamentos e de dobramentos (Figura 25), sendo as mais evidentes nos
mapeamentos geológicos de superfície e as mais rapidamente localizadas em
subsuperfície. Pode-se identificar uma trapa estrutural por geologia de
superfície, perfurações estruturais, geologia de subsuperfície, por métodos
geofísicos ou por combinação destes métodos.

Figura H - Tipos mais comuns de trapas estruturais. Alves et al., 1986.


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Curso de Revestimento de Poços de Petróleo


22. ESTRATIGRÁFICAS

São as trapas formadas por alguma variação na estratigrafia, na litologia ou em


ambas (Figura I). Podem ser primárias ou secundárias.

Figura I - Trapas estratigráficas e trapas associadas a discordâncias


paleogeomórficas. Fonte: Modificado de Alves et al., 1986.

22.1 TRAPAS ESTRATIGRÁFICAS PRIMÁRIAS

São produtos diretos do ambiente de sedimentação. São também denominadas


trapas deposicionais.

Figura J - Trapas estratigráficas primárias. Fonte: Ferreira, 1989.

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Curso de Revestimento de Poços de Petróleo


22.2 TRAPAS ESTRATIGRÁFICAS SECUNDÁRIA

São as que desenvolveram-se após a deposição e diagênese da rocha


reservatório (Figura K). Estas trapas estão freqüentemente associadas a
discordâncias.

Figura K - Trapas estratigráficas secundárias. Fonte: Ferreira, 1989.

22.3 TRAPAS COMBINADAS

São as trapas formadas pela combinação de fatores estruturais e


estratigráficos em proporção aproximadamente igual.
Trapas combinadas típicas são formadas quando uma falha corta um arenito
próximo à sua mudança de fácies para folhelho (Figura L) ou quando este
mesmo arenito é dobrado.

Figura L - Trapa combinada. Fonte: Ferreira, 1989.

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Curso de Revestimento de Poços de Petróleo


23. RELAÇÕES TEMPORAIS

Uma acumulação comercial de petróleo só ocorre após uma seqüência


predeterminada de eventos. Por exemplo, se uma trapa se formar após a
migração do petróleo, ela será seca. Conseqüentemente, uma trapa formada
muito tarde na história de uma bacia não é atrativa do ponto de vista
exploratório.

Figura M – Exemplo de uma seção geológica passando por uma acumulação de


petróleo.

24. MIGRAÇÃO DO PETRÓLEO

A saída dos hidrocarbonetos a partir do querogênio e o seu transporte dentro e


através dos capilares e poros estreitos de uma rocha geradora constitui o
mecanismo denominado de migração primária. O movimento do petróleo,
depois da sua expulsão da rocha geradora, através de fraturas, falhas,
discordâncias e das rochas permeáveis, constitui a migração secundária
(Figura M).

Figura M - Representação esquemática das migrações primária e


secundária em estágios inicial e avançado de evolução de bacia.
Fonte: Tissot & Welt, 1978.
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Curso de Revestimento de Poços de Petróleo


24.1 MIGRAÇÃO PRIMÁRIA

O aspecto mais importante na migração primária é o movimento da fase


hidrocarboneto, induzido por pressão. A geração de hidrocarbonetos, a partir
da atuação da temperatura sobre o querogênio, aumenta continuamente o
volume de querogênio, com a criação de centros de alta pressão dentro das
rochas geradoras.

Aumento de pressão, microfraturas, subseqüente liberação de pressão,


expansão dos fluidos e, finalmente, transporte, são processos descontínuos
que devem se repetir muitas vezes nas rochas geradoras, a fim de produzir a
movimentação de uma quantidade significativa de óleo ou gás. O movimento
da fase hidrocarboneto pode funcionar em todas as espécies de rochas
geradoras, independentemente da litologia.

24.2 MIGRAÇÃO SECUNDÁRIA

É controlada por quatro parâmetros: flutuação de óleo e gás na água que


satura os poros das rocha, diferencial de pressão, diferencial de concentração
e fluxo hidrodinâmico.

Enquanto os fluidos aquosos nos poros das rochas em subsuperfície estiverem


estacionários, a única força condutora para a migração secundária é a
flutuação.

Os glóbulos de óleo ou bolhas de gás sofrem distorções antes de serem


espremidos através dos poros das rochas. A tensão interfacial entre o óleo ou
gás e a água oferece uma forte resistência a essa distorção. A pressão capilar
é a força que faz com que as gotas de petróleo e as bolhas de gás preencham
os espaços porosos da rocha. Sempre que as pressões capilares são muito
altas ou os poros das rochas são muito reduzidos, o óleo em migração é
trapeado. O petróleo trapeado num reservatório representa um estágio de

49

Curso de Revestimento de Poços de Petróleo


equilíbrio entre as forças condutoras que movimentam o petróleo e as pressões
capilares que resistem a este movimento.

O estágio final da formação de acumulações de petróleo é a concentração


(segregação) nas porções mais elevadas disponíveis na trapa. A rocha
capeadora ou barreira de permeabilidade é que paralisa a movimentação do
petróleo, em virtude de um decréscimo geral no diâmetro dos poros,
exercendo, por isso, pressões capilares maiores que as forças condutoras.
Estima-se que as distâncias cobertas pela migração secundária sejam da
ordem de 10 a 100 quilômetros.

CONCEITOS BÁSICOS RELATIVOS À


GEOPRESSÕES

25.1 INTRODUÇÃO

Em todo o mundo, milhares de poços são perfurados anualmente. Na grande


maioria, algum estudo de geopressões precisou ser feito, e possivelmente em
todos, algum tipo de projeto foi elaborado com base neste estudo. O
conhecimento de geopressões tornou-se um fator de grande relevância nos
projetos de poços devidos aos inúmeros problemas decorridos de
estimativas equivocadas ou do desconhecimento das mesmas. Estes
problemas são bem conhecidos na indústria do petróleo e incluem
complicações operacionais como:

Importância

Aprisionamento de coluna

Torques elevados

Colapso total do poço

Influxo da formação para o poço

50

Curso de Revestimento de Poços de Petróleo


Abaixo estão alistados os principais problemas relacionados a geopressões
que estão entre as principais causas de tempo perdido na perfuração,
significando ás vezes algumas centenas de dias perdidos por ano.

Perda de circulação

Problemas relacionados à
geopressões Instabilidade de poços

Kicks

25.2 GEOPRESSÕES

A palavra geopressões, apesar de ser relativamente nova, é bastante usada na


indústria. Porém ela é muitas vezes empregada para simplesmente expressar
as pressões dos fluidos contidos nos poros das rochas localizadas em
subsuperfície. Neste sentido, o termo geopressões seria um sinônimo de
pressão das formações ou pressão de poros, como indica o fluxo abaixo:

Pressão dos fluídos contidos nas rochas

Geopressões
Pressões das formações

Pressões de poros

Nesta abordagem, o termo Geopressões englobará todas as pressões e


tensões existentes no subsolo mais todas aquelas que são impostas às
formações que podem levar a rocha a falhar. Assim, o termo estimativa de
geopressões será definido como os estudos a serem realizados para se
estimar as pressões de poros, fratura e colapso, necessárias para o
estabelecimento dos pesos de fluido de perfuração e assentamento das
colunas de revestimentos.

26. PROJETO DE POÇOS

Etapa de planejamento para a construção do poço, na qual é realizado o


detalhamento das fases de perfuração e completação. É importante para a
determinação do tempo e do custo do poço e para avaliação da sua
viabilidade técnica e econômica (EVTE).

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Curso de Revestimento de Poços de Petróleo


Quanto melhor o planejamento de um poço, maiores serão as chances de obter
sucesso.
O que significa SUCESSO neste contexto: Atingir os objetivos do projeto
respeitando as normas de segurança, prazos e custos compatíveis com o
mercado de trabalho.
As etapas para a elaboração do projeto de um poço abrange ás seguintes
áreas específicas da engenharia de poço:

• Estudo de área : Estudo do cenário geológico e um levantamento do


histórico de poços já perfurados na região.

• Dados de locação : Etapa crítica - Quanto maior a quantidade de


informações menores os riscos.

• Trajetória : vertical ou horizontal

Cálculo das pressões e tensões

Pressão de sobrecarga
• Determinação das
geopressões Pressão de poros

Pressão de colapso

Pressão de fratura

• Fluido de perfuração : definir a janela operacional: limites máximos e


mínimos da massa específica do fluido de perfuração a ser utilizado ns
perfuração.

funções : resfriar a broca – transportar fragmentos rochosos -


recompor o estado de tensões nas paredes do poço.

• Assentamento de sapatas : define a profundidade dos revestimentos


estabelecendo as fases da perfuração do poço.

• Projeto estrutural dos revestimentos : consiste na especificação dos


revestimentos (espessura, grau do aço, etc) de forma que eles resistam
aos esforços de colapso, pressão interna e tração.

• Projeto de cimentação do poço : consiste no preenchimento com


cimento do espaço anular entre o tubulação de revestimento e as

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Curso de Revestimento de Poços de Petróleo




• paredes do poço, de modo a fixar a tubulação e evitar que haja migração
de fluidos por detrás do revestimento.

• Programa de brocas do poço : a partir da estimativa das propriedades


das formações tais como dureza, resistência e abrasão. A escolha
adequada das brocas é um fator determinante para um bom
desempenho da perfuração, e um fator de grande relevância no custo da
operação.

• Coluna de perfuração : Projetada de forma a resistir aos esforços


introduzidos na perfuração. Dentre os elementos encontra-se os
comandos (drill collar), responsáveis pela aplicação de peso sobre a
broca.
A quantidade de comandos depende das formações a serem
atravessadas, da geometria do poço, etc.

• BOP (Blowour Preventer) : Dimensionado a partir do cálculo do


gradiente de pressão de poros e da estimativa da massa específica de
um fluido invasor do poço.

• Otimização da perfuração : analisa a hidráulica do poço e a possível


utilização de novas tecnologias.

• Programa de perfuração e cimentação

• Tempo e custo: estudos de benchmarketing

27. CONCEITOS BÁSICO RELATIVOS ÁS GEOPRESSÕES

 Tensão

 Pressão

 Falhas

27.1 TENSÃO X PRESSÃO

Tensão : T = F/A relacionado a corpos sólidos, sendo o resultado da atuação


de uma força sobre a matriz das rochas.

Pressão : associado aos fluidos contidos no interior das rochas, sendo o


resultado de um carregamento, que reage de maneira igual em todas as
direções:

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Curso de Revestimento de Poços de Petróleo


Unidades: lbf / in2 = (psi) = Sistema Americano

27.2 PRESSÃO HIDROSTÁTICA

É aquela exercida pelo peso da coluna hidrostática de um fluido, sendo função


da altura e da massa específica deste fluido:

Massa específica

PH = ρgh

Cte. gravitacional

UNIDADES

Massa específica : g/cm³

Peso específico : ρ.g/cm3 = KN/m3

Densidade : ρ substância / ρ água (adimensional)

27.3 GRADIENTE DE PRESSÃO

Gradiente de pressão é a razão entre a pressão e sua profundidade de


atuação, referenciada à mesa rotativa. (psi/ft ou psi/m).

Obs: é comum ser expresso em unidade de massa especifica como lb/gal ou


g/cm³ para que seja possível uma comparação direta com a massa
especifica de fluido de perfuração. Conhecido como : peso de fluido
equivalente.

Fórmula geral :

G = P/C*D

G = Gradiente de pressão

P = Pressão
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Curso de Revestimento de Poços de Petróleo


D = Profundidade vertical

C = Constante de conversão de unidades

A constante “C” tem o valor de 0,1704 quando a pressão estiver expressa e psi,
a profundidade em metros e o gradiente em lg/gal. Caso a profundidade seja
expressa em pés, “C” tem o valor de 0,0519. Apenas como observação, a
unidade lb/gal em inglês é ppg, isto é, pounds per gallon.

28. TENSÃO SE SOBRECARGA

Considerando um elemento de rocha no subsolo, a tensão de sobrecarga a


uma dada profundidade é aquela exercida pelo somatório do peso de todas as
camadas sobrepostas a este elemento, como na figura abaixo:

Elemento de rocha sendo submetido à tensão de sobrecarga exercida pelas camadas


de rocha e de fluido sobrepostas a ele.

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Curso de Revestimento de Poços de Petróleo


A equação acima é definida por três parâmetros: a profundidade, a constante
gravitacional, e a massa específica. Tanto a profundidade quanto a
constante gravitacional são parâmetros conhecidos. Desta forma resta-nos
determinar a massa específica ou “densidade”, sendo esta a grande
incógnita na estimativa da pressão de sobrecarga.

O problema resume-se praticamente em definir os diferentes valores de


massa específica de cada camada sobreposta até ser atingida a
profundidade desejada. Cabe lembrar que para poços terrestres, a pressão de
sobrecarga será composta por um trecho de ar e por um trecho de rocha. Já
para os poços marítimos o peso das camadas será função do peso do ar, da
água e do trecho de rocha.

O trecho de ar é chamado air gap é a distância da mesa rotativa até o nível


do mar para poços marítimos. Como a massa específica do ar apresenta
valor bem próximo de zero, ela será desprezada na estimativa da pressão de
sobrecarga. Desta forma, temos que a pressão de sobrecarga pode ser
calculada através da discretização da integral em somatórios como mostra
a equação abaixo, já expressa em unidades de campo:

A pressão de sobrecarga para um poço terrestre é composta por um trecho de ar e


outro de rocha. Para um poço marítimo acrescenta-se ainda um trecho de água.
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Curso de Revestimento de Poços de Petróleo


28.1 GRADIENTE DE SOBRECARGA

Podemos definir Gradiente de Sobrecarga a uma certa profundidade como a


relação entre pressão de sobrecarga e essa profundidade:

29. PRESSÃO DE POROS

Muitas vezes referenciada como pressão da formação ou pressão estática,


pode ser definida como a pressão do fluido contido nos espaços porosos
da rocha. Ela será função da massa específica do fluido e de cargas que este
esteja suportando.

A pressão de poros é dividida em quatro categorias: anormalmente baixa,


normal, anormalmente alta e alta sobrepressão. Caso uma zona
anormalmente pressurizada seja perfurada sem ser prevista, complicações
operacionais conhecidas na indústria do petróleo, como o influxo de fluido de
formação para dentro do poço (kicks), ou até um blowout que é este influxo
descontrolado, podendo levar a prejuízos econômicos, financeiros e
ambientais.

Conseqüências de um Blowout sobre uma plataforma


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Curso de Revestimento de Poços de Petróleo


29.1 CLASSIFICAÇÃO DOS GRADIENTES DE PRESSÃO DE POROS

De modo geral, a classificação da pressão de poros pode ser dividida em


quatro categorias, como mostra a tabela abaixo:

Classificação das pressões de poros

Para se ter uma ordem de grandeza desta classificação, a magnitude do


gradiente de pressão de poros normal varia entre 8,5 e 9,0 lg/gal, que equivale
a uma massa específica de 1,02 e 1,08 g/cm3, respectivamente. Estes valores
são apresentados na tabela abaixo:

Classificação dos gradientes de pressão de poros

Onde:
Gp: gradiente de pressão de poros
Gov: Gradiente de sobrecarga

Como o gradiente de pressão de poros é a razão entre a pressão de poros e


sua profundidade de atuação, fica claro que a classificação apresentada é
função direta do nível de referência usado para a medição da profundidade de
atuação.

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Curso de Revestimento de Poços de Petróleo


29.2 PRESSÕES DE POROS ANORMALMENTE BAIXAS

Ao redor do mundo, é raro encontrar zonas originalmente com pressões de


poros anormalmente baixas em campos exploratórios. Entretanto existe v[arias
causas para a ocorrência de zonas com pressões e gradientes anormalmente
baixos. A figura abaixo destaca um caso típico em que um poço sendo
perfurado, em uma região acima do nível d’água, irá enfrentar zonas com
pressões anormalmente baixas.

Exemplo de um poço atravessando uma zona com pressão de poros anormalmente baixa

Ao longo da produção de um campo, são comumente encontradas pressões


anormalmente baixas. Estes campos, chamados de campos depletados,
passam a apresentar valores de gradientes de pressão de poros anormalmente
baixos devido ao prosseguimento da produção.

29.3 PRESSÕES DE POROS ANORMALMENTE ALTAS

Pressões anormalmente altas e altas sobrepressões podem ser encontradas


em várias partes do mundo, tais como Golfo do México, regiões da Europa,
costa da África e Brasil, e tem sido a causa de grandes acidentes, como, por
exemplo, blowouts.
O mapa da figura abaixo mostra de forma esquemática alguns locais no mundo
que já apresentaram zonas com pressões de poros anormalmente altas.

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Curso de Revestimento de Poços de Petróleo


Distribuição das pressões anormalmente altas no mundo

30. TENSÃO EFETIVA

A presença da pressão de poros atuando em todas as direções dentro dos


poros de uma rocha ajuda a suportar ou aliviar grande parte da tensão total
aplicada.
Desta forma, quando uma rocha é submetida a uma força, a tensão que
efetivamente será aplicada a sua matriz é igual à tensão total menos a pressão
de poros, chamada tensão efetiva:

σ’ = σ – Pp

σ’ = tensão efetiva
σ = tensão total
Pp= pressão de poros

Esquema representando a tensão total, a tensão efetiva e a pressão de poros.

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Curso de Revestimento de Poços de Petróleo


31. FALHA DE ROCHAS

A composição de todas as tensões atuantes sobre uma rocha forma o


chamado estado de tensões que, em certas condições, poderá levar á falha
da rocha. O conceito de falha é de grande importância para o projeto e
execução de um poço, uma vez que irá definir os limites de pressões aos
quais o poço poderá ser submetido. As pressões que levam a falha da
rocha são chamadas pressão de colapso, e pressão de fratura.

31.1 ROCHAS FRÁGEIS E ROCHAS DÚCTEIS

O conceito de rochas frágeis e dúcteis é bastante relativo. Rochas frágeis


exibem pouca deformação plástica antes da ruptura. Elas se rompem logo
que sua máxima tensão possível é atingida; após este ponto, a capacidade da
amostra de suportar carga diminui rapidamente com o aumento da deformação.
Este tipo de comportamento é usualmente encontrado em granitos, arenitos
cimentados e calcários.

Rochas dúcteis exibem substancial deformação plástica antes de


romperem-se, isto é, elas conseguem suportar um carregamento após alguma
deformação, e desta forma não apresentam uma ruptura tão catastrófica
quanto á ruptura frágil. Este tipo de comportamento é encontrado em
folhelhos, carbonatos e arenitos não cimentados.

Um exemplo da curva tensão-deformação para rochas frágeis e dúcteis está


representado na figura abaixo:

61

Curso de Revestimento de Poços de Petróleo


Curva tensão-deformação: rocha frágil e dúctil

32. PRESSÃO DE COLAPSO

A pressão de colapso é a pressão que leva a falha da rocha por


cisalhamento, ou seja, sob tensões de compressão. A ruptura por
cisalhamento poderá ocorrer tanto devido a um baixo peso de fluido de
perfuração, levando a uma falha por colapso inferior, quanto devido a um peso
de fluido excessivo, ocorrendo uma falha por colapso superior. Um caso típico
se dá quando a falha por cisalhamento causa uma deformação no diâmetro
do poço, aumentando o torque na coluna de perfuração, levando ao seu
aprisionamento por acunhamento. Em outros casos pode levar ao
desmoronamento total ou parcial do poço, com possível aprisionamento da
coluna devido aos cascalhos desmoronados.

33. PRESSÃO DE FRATURA

A pressão de fratura é a pressão que leva a falha da rocha por tração.


Analogamente aos motivos do item acima, pode ser provocado tanto por um
baixo peso de fluido de perfuração como por um alto peso de fluido.As
conseqüências operacionais são desmoronamento ou perda de fluido para a
formação, conhecida como perda de circulação.

(a) Representação esquemática de uma amostra de rocha colada á parede do poço e


as tensões atuantes em seu redor. (b) Estado de tensões levando á deformação das
paredes do poço (c) Estado de tensões levando ao desmoronamento das paredes do
poço.

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34. JANELA OPERACIONAL

A janela operacional determina a variação permitida para a pressão exercida


pelo fluido de perfuração dentro do poço, de forma a manter a integridade
deste, respeitando as pressões de poros, fratura e colapso. A figura abaixo
mostra um limite inferior, estabelecido pelo maior valor entre as curvas de
pressão de poros e colapso inferior, determinando o menor peso de fluido
que pode ser utilizado dentro do poço. Já o limite superior, determina o peso
do fluido máximo que pode ser utilizado ao longo da perfuração:

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35. ASSENTAMENTO DAS SAPATAS

Cada fase de um poço é determinada pelo diâmetro da broca que está sendo
utilizada na perfuração. “Um poço típico é composto das seguintes fases:

36”, 26”, 17 ½” , 121/4”, e 8 ½”.

Após uma fase ser finalizada, é descido o revestimento, sendo realizado assim
o assentamento da sapata do revestimento. A definição da profundidade
da sapata depende da janela operacional do poço, da trajetória, de critérios
de assentamento e da experiência do profissional da área. A descida de uma
coluna de revestimento permite que a formação seja protegida e que um peso
adequado do fluido de perfuração para a fase seguinte possa ser utilizado.

35.1 FLUXO DE TRABALHO PARA O CÁLCULO DAS GEOPRESSÕES

As estimativas dos gradientes de pressões requerem uma grande quantidade


de dados, tais como perfis elétricos, velocidades sísmicas e ocorrências
registradas em boletins de perfuração.

Um breve resumo da seqüência de cálculo dos gradientes de geopressões é


dado a seguir:

Gradiente de Sobrecarga: Utiliza-se o perfil de densidade como dado de


entrada. Quando o perfil de densidade não é registrado ao longo de todo o
poço, podem ser utilizado correlações a partir de outros perfis que medem a
porosidade da formação.

Gradiente de pressão de poros: Pode ser calculada a partir de qualquer


perfil que meça a porosidade da formação. Entretanto o perfil sônico e o perfil
resistividade são os mais utilizados. A estimativa de pressão de poros costuma
ser calibrada por outros parâmetros do poço como, por exemplo, o peso do
fluido de perfuração utilizado, a taxa de penetração, os testes de formação,
entre outros.

Gradiente de fratura e colapso: Deve-se inicialmente estimar as tensões


atuantes ao redor do poço e estabelecer as propriedades mecânicas (limites de
resistência) para as quais ocorrerá à falha da rocha.

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Fluxo de cálculo das geopressões

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Bibliografia

Apostila do Curso de Geologia da UFBA

Livro: Para entender a terra – Jordan.

Livro: Projeto de poços de petróleo – Ed. Interciência - PETROBRAS.

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