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DIAS, Maria Odila Leite da Silva. Mulheres sem História. Revista de História, São Paulo, n. 114, jun.

1983,
p. 31-45.
- “A urbanização incipiente da cidade de São Paulo, a partir do último quartel do século XVIII até as
vésperas da Abolição, envolvia uma população majoritariamente feminina e, no entanto, poucas mulheres
aparecem nas histórias da cidade. Face à consolidação da economia de exportação, a urbanização era
processo secundário e marginal, sintoma de pobreza e de inchação, mais do que de crescimento ou
prosperidade econômica. [...] Era justamente este o espaço social das mulheres pobres, livres, forras e
escravas e o palco de improvisação de sua sobrevivência precária” p. 31.
- “Sob o pano de fundo destas formas sociais transitórias é que se articulam papéis femininos propriamente
históricos, de improvisação, mudança e vir a ser, dificilmente adaptáveis aos padrões hegemônicos de
comportamento das mulheres das classes dominantes, e que pouco têm a ver com a identidade abstrata do
conceito de "condição feminina", como se pudesse existir, universal e fixa... Estudar papéis sociais
femininos dentro de uma conjuntura sócio-econômica bem definida é um primeiro passo no sentido de
devolver historicidade a valores culturais eivados de conotações ideológicas, que se têm por imutáveis e
fixos” p. 32.
- “Nas fontes escritas o historiador se depara com fragmentos de discursos de realidades diferentes,
simultâneas, que se enredam e eludem umas às outras: o confronto do espaço das normas, dos papéis
formais prescritos com o dia a dia de improvisação informal e aleatória. De um lado, devassas, processos e
toda uma legislação repressiva que não podia ser aplicada na prática; de outro, resquícios de uma autonomia
tolerada que ia aos poucos inchando o espaço urbano. É difícil e torturoso o desvendar deste quotidiano, que
nem sequer corresponde ao tempo dos sinos das igrejas; impõe muitas reflexões sobre as limitações das
fontes escritas. Quase a totalidade das mulheres pobres de São Paulo neste período consiste de analfabetas e
transparece dos documentos escritos de forma necessariamente tangencial e indireta. [...] O testemunho de
observadores contemporâneos, viajantes ou cronistas sobre a presença de mulheres pelas ruas da cidade
constitui documento interessante, porém muito parcial" p. 32.
- “Nas entrelinhas da documentação oficial da Câmara ou dos ofícios diversos dos governadores abundam
informações casuais, esparsas e muito frequentes. Brancas pobres, escravas e forras faziam o comércio
menos considerado, que era o dos gêneros alimentícios, hortaliças, toucinho e fumo, nas ruas delimitadas
pela câmara, nas casinhas da rua da Quitanda Velha, na ladeira do Carmo, chamado ‘o buracão’, na rua do
Cotovelo (1800)... [..] Avultava na cidade a disponibilidade de uma mão de obra feminina que os
comerciantes não queriam e as raras manufaturas aproveitavam mal. [...] Roceiras e vendedoras
perambulavam, continuamente sob as vistas das autoridades locais, que viam com desconfiança a sua
presença assídua nos principais pousos e pontes de acesso dos gêneros alimentícios à cidade. [...] Algumas
chegavam nos seus carros de boi a pretexto de trazerem pequenos excedentes de suas roças, na verdade,
atravessando gêneros para fazer comércio clandestino e iludir ao fisco, conforme sucessivas denúncias
registradas na Câmara” p. 33-34.
- “Todo um caleidoscópio de pequenas referências esparsas, pingando em profusão das mais disparatadas
fontes, atestam a sua presença ostensiva, porém de modo fragmentário, pouco deixando entrever sobre os
seus modos de inserção na sociedade da época” p. 34.
- "Quase quarenta por cento dos habitantes eram mulheres sós, chefes de fogo, muitas delas concubinas e
mães solteiras. [...] Várias causas e fatores contribuíam para gerar e multiplicar em São Paulo os fogos
chefiados por mulheres sós, todos intrincadamente enredados na própria estrutura global da sociedade.
Tratava-se, antes de tudo, de um processo avassalador de multiplicação da pobreza que acompanhava,
principalmente, na cidade, o crescimento vegetativo da população, sob um pano de fundo de estagnação
econômica. Abarcava na cidade uma população feminina de tendência sedentária" p. 34-35.
- “Sobreviver e improvisar um ganha pão era atividade socialmente desqualificada, mormente tendo a ver
com pequenas roças, animais, de criação ou vendas de ambulantes. Os homens tratavam de manter empregos
itinerantes, cobrindo com a aura de aventuras e façanhas longínquas o que de outro modo se assemelharia às
tarefas próprias do sexo feminino ou dos ofícios aviltantes de escravos domésticos. Deste modo, o fenômeno
das mulheres sós não decorreria tanto da itinerância dos homens, quanto da rígida demarcação de esferas de
atividade de um sexo e de outro, agravada ainda mais pelo costume dos casamentos de idades desiguais, que
multiplicava viúvas moças de maridos trinta ou vinte anos mais velhos. Uma peculiaridade bem, paulista dos
fogos de mulheres sós, comparado com o mesmo fenômeno em Vila Rica, é a presença de uma maioria de
brancas pobres, como a sugerir um processo contínuo de mobilidade social descendente no seio das classes
dominantes" p. 36-37.
- "Trata-se de ocupações desairosas, a serem caladas, por evocar justamente o reverso dos papéis sociais
normativos atribuídos às mulheres, que pressupunham hábitos de clausura, resguardo e distância social" p.
38.
- "A documentação escrita, em geral, no que envolve assuntos relacionados com o sexo feminino está
saturada e sobrecarregada do domínio de mitos, desfilando em poucas linhas, vários dos grandes arquétipos
culturais da tradição judaica e cristã: anjos, demônios, santas matronas de vida honrada, mulheres perdidas,
sem eira nem beira... É um vasto domínio que enreda a todos e não somente às fontes oficiais, pois mitos
símbolos são inerentes à linguagem e à cultura" p. 38.
- "Já na documentação escrita, menos fluida do que a palavra oral, pairam sobre mulheres estereótipos de
todos os tempos, adaptáveis a toda qualquer conjuntura histórica" p. 38.
- "Processos administrativos, judiciais ou da polícia vem sobrecarregados de juízos de valor e de referências
genéricas: ‘mulher vagabunda’, ‘desordeiras’, ‘turbulentas’, ‘depravadas’; de ‘má fama’, ‘cometeu
ruindades’, ‘foi falsa’, ‘prendeu-se por acusação de andar amancebada’..." p. 39.
- "[...] condição sine qua non para reconstruir a historicidade dos papéis femininos, passo importante para
catarsis do conteúdo ideológico é mostrar as mulheres como seres sociais, que integram sistemas de poder,
redes de dominação e laços de vizinhança. O processo propriamente histórico de suas vidas em sociedade
tem bem mais a ver com um contínuo improvisar de papéis informais, mudança, vir a ser, do que com mitos
e normas culturais. E, preciso estudar os espaços femininos conquistados e não os prescritos, porisso em
grande parte calados ou omitidos nos documentos escritos. Os papéis propriamente históricos das mulheres
podem ser captados de preferência nas tensões sociais, mediações, intermediações: nas relações
propriamente sociais, que integram mulheres, história, processo social e que os historiadores podem resgatar
das entrelinhas, das fissuras e do implícito nos documentos escritos. Porisso, requer uma leitura paciente, um
desvendar criterioso de informações omissas ou muito esparsas, casuais, esquecidas do contexto ou da
intencionalidade formal do documento" p. 41.
- "Frequentemente a leitura do historiador tem de ser feita à margem do ‘corpus’ central dos documentos,
senão mesmo nas entrelinhas do implícito ou omitido: é o caso das personagens mais secundárias e
marginais de testamentos, justamente onde ocorrem pequenas lembranças fortuitas de última hora, evocando
as primas ou as sobrinhas pobres, agregadas ou escravas ‘companheiras’ do convívio doméstico quotidiano,
as quais são legados pequenos quinhões simbólicos, com muitas alusões às relações próprias e específicas da
organização do trabalho doméstico" p. 42.
- "Mulheres pobres, socialmente desqualificadas pertencem ao domínio dos espaços e papéis informais,
improvisados, sintomas de necessidades novas e de mudanças estruturais. Não admira que sejam parcamente
documentados nas fontes oficiais, que registram de preferência papéis prescritos e valores normativos,
próprios do sistema de controle e manutenção da ordem social estabelecida" p. 42.
- "A partir destes parâmetros, tendem fatalmente alguns historiadores a interpretar papéis informais não
como necessários, mas como atípicos ou patológicos e não como sintomas de mudanças da ordem social
prescrita. [...] Estas mulheres não estão integradas nas instituições do poder: não são assalariadas, não tem
posses, nem propriedades; não gozam de direitos civis nem tem acesso à cidadania política. Nem porisso
deixam de ter a sua organização familiar e de sobrevivência e estruturas próprias, de convívio comunitário"
p. 43.
- "Papéis informais embora muito importantes no processo concreto da vida quotidiana não tem um
reconhecimento institucional, sendo em geral socialmente pouco valorizados. [...] Estruturalmente
marginalizado da organização econômica da colônia, o domínio do consumo permaneceu ambíguo,
secundário e difícil, adaptando-se mal ao emprego da mão de obra escrava e saturado de preconceitos como
ocupação vil e anti-econômica. Na tradição oral e no dia a dia concreto e real, eram as mulheres pobres que
assumiam estes ofícios necessários e socialmente desqualificados . E no entanto com enorme dificuldade
que se destrincham dos documentos referencias ao seu trabalho quotidiano de provedora da própria
subsistência. Estes papéis informais, improvisados tem um sentido importante na desmitificação do tão
discutido sistema patriarcal brasileiro. Por tradição e costume a divisão tradicional de funções e de tarefas
entre os sexos era rigidamente à parte, estabelecendo-se esferas de atuação complementares, nitidamente
separadas. A dedicação e devoção das mulheres, sua capacidade de sustentar seus senhores ou companheiros
são os predicados femininos mais divulgados nos contos populares. Na realidade a ausência do homem ou a
sua presença intermitente impunha com certa frequência não tanto a divisão como a alternância ou troca de
tarefas: assumir papéis masculinos não era muito. excepcional" p. 44.
DIAS, Maria Odila Leite da Silva. Novas subjetividades na pesquisa histórica feminista: uma hermenêutica
das diferenças. Estudos Feministas, Florianópolis, v. 2, n. 2, jan. 1994, p. 373-382.
- “Os estudo das relações e gênero caminha no sentido de documentar as diferenças culturais, de nuançá-las,
de modo que um dia, eventualmente transformadas, possam se aproximar: neste momento em vez de
destacar-se em confrontos de nitidez cultural desnecessária estarão provavelmente nuançadas em uma
multiplicidade de diferenças que não somos capazes de ver hoje” p. 373.
- Na epistemologia feminista sujeito e objeto estão diluídos em no outro: “Os estudos feministas propõem
uma redefinição dos processos e subjetividade, uma crítica ao conceito de identidade, assim como ao
conceito da própria racionalidade no mundo contemporâneo, que se volta para o passado a fim de se
reencontrar, devidamente relativizada, no presente. Através de focos narrativos, a hermenêutica do
quotidiano procura historicizar aspectos concretos da vida de todos os dias dos seres humanos – homens e
mulheres – em sociedade” p. 374.
- Estudos feministas participam da reelaboração de métodos das ciências humanas e, para Maria Odila, é
primordial a construção de um novo método condizente com a política das mulheres: teóricas feministas têm
como principal opção teórica a crítica às totalidades e aos estereótipos universais e o estudo da experiência
vivida. “Outras interpretações de identidades femininas somente virão à luz na medida em que experiências
vividas em diferentes conjunturas do passado forem gradativamente documentadas, a fim de que possa
emergir não apenas a história da dominação masculina mas sobretudo os papéis informais, as improvisações,
a resistência das mulheres” p. 374.
- A história é conhecimento privilegiado no sentido de ponte entre presente e futuro e este método proposto
poderá viabilizar o estudo de papéis informais de mulheres, construídos no cotidiano, diferente daqueles
ideologicamente determinados pela cultura: “o conhecimento histórico dessas identidades femininas até hoje
desconhecidas seria um passo na construção de subjetividades plurais, liberadas do jugo da categoria
epistemológica dos séculos XVII e XVIII de um Sujeito Abstrato Universal” p. 375. Propõe mediações
simbólicas que podem fazer a transição de fenômenos individuais para a subjetividade enquanto experiência
social.
- “Para apreender no passado estes momentos de resistência é preciso uma formação crítica do historiador(a)
que enseje a elaboração de conceitos temporalizados e a vontade de perseguir abordagens teóricas
necessariamente parciais, pois o saber teórico implica também um sistema de dominação. A crítica feminista
torna-se contextual, histórica e relativista, o que de início implica uma atitude crítica iconoclasta que
consiste em não aceitar totalidades universais ou balizas fixas. Trata-se de historicizar os próprios conceitos
com que se tem de trabalhar, tais como reprodução, família, público, particular, cidadania e sociabilidades, a
fim de transcender definições estáticas e valores culturais herdados como inerentes a uma natureza
feminina” p. 375.
- Podem-se tomar balizas metodológicas de empréstimo às frentes contemporâneas de crítica do
conhecimento das ciências humanas, mas “o que decididamente não devia ser tentado é a inclusão nos
estudos femininos de métodos tradicionais funcionalistas, apropriados a sociedades estáveis, bem
assentadas, e cuja permanência eles pretendem reforçar”. Nesse sentido, “a historicidade do próprio
conhecimento num mundo em processo de transformação e de mudanças parece constituir um primeiro
passo para encaminhar a discussão de um método de estudos feministas” p. 376.
- Propõe a adoção da teoria do perspectivismo e do historismo: “este tipo de conhecimento histórico consiste
basicamente em delimitar o lugar, a situação, a posição relativa do grupo social ou mulheres a serem
estudadas no conjunto de uma certa sociedade. O primeiro passo consiste em assumir a temporalidade
histórica do tema e a partir daí proceder à construção do objeto de estudo, delimitando e problematizando
todas as balizas do conhecimento relativas a estas mulheres, até mesmo o próprio conceito de mulher ou a
categoria mulheres. A fim de criar conceitos adequados, torna-se imprescindível a temporalização deles, sua
contextualização histórica para que possam servir de balizas instáveis porém críticas, renegadas todas e
quaisquer categorias universais, abandonados quaisquer parâmetros fixos ou permanentes, pois trata-se de
posturas teóricas que se constroem enquanto processo de conhecimento movediço num mundo transitório”
p. 376 – abordagem historicizante incorpora as mudanças e aceita a transitoriedade dos valores culturais e do
próprio conhecimento em processo de transformação no tempo.
- “A hermenêutica sugere interpretações provisórias porém críticas, de modo a descortinar sentidos
implícitos, à margem do normativo e do institucional, que podem ser vislumbrados por entre as linhas, ou
nos intervalos intertextuais, de certa forma sempre subversivos da ordem, do permanente, cuja existência
negam”. Deve-se apreender a existência dessas mulheres através da experiência vivida e não através das
ideias estáticas, o que remeteria ao discurso normativo de dominação masculina sobre as mulheres. Nesse
sentido, “o estudo do quotidiano nas sociedades em transformação, ao resvalar por experiência de vida,
escapa ao normativo, ao institucional, ao dito, ao prescrito e aponta para o vir a ser, para papéis informais,
para o provisório e o improvisado, em geral para o vivido, o concreto, o imponderável e o não dito,
sobretudo quando confrontado com regras, valores herdados e papéis prescritos” p. 377.
- Se a hermenêutica do concreto reconhece a historicidade do próprio conhecimento, “a hermenêutica do
quotidiano nesse sentido contribui com certa dose de relativismo para documentar diferenças, delinear
formações específicas de classes sociais em sociedades diferentes, mostrar a diversidade e fluidez das
relações de gênero e dos conceitos relativos aos papéis femininos tidos como universais” p. 378.
- “Justamente esta vocação hermenêutica dos estudos feministas dirige o olhar do pesquisador(a) para a
apreensão das diferenças, para o exercício de documentação das especificidades dos papéis femininos.
Propicia uma atividade de escrutínio crítico, no sentido de desvendar, no quotidiano das sociedades
contemporâneas, as possibilidades de áreas de resistência, de improvisação, de papéis sociais alternativos,
complementares, nuançados, a descobrir outros focos de estudo, de modo a desvendar possibilidades futuras
de eventuais mudanças na representação estereotipada das relações de gênero” p. 379.
- “O documentar as configurações específicas e das diferenças desconstrói o mito de uma condição feminina
universal e abre horizontes políticos novos para os feminismos” p. 379.
- “Uma vantagem do enfoque historista ou perspectivista consiste no modo de interpretar a integração dos
indivíduos no conjunto das relações de poder, pois permite através do esmiuçar das mediações sociais
trabalhar melhor a inserção do indivíduo, homem ou mulher, no contexto mais amplo da sociedade em que
vivem. [...] O perspectivismo possibilita a reconstrução de temas estratégicos do quotidiano, a partir do
presente, no mundo atual, onde se configuram de forma essencialmente abrangente (família, sexualidade,
amor romântico), para reconstituí-los numa perspectiva histórica, de modo que parecem relativizados no
tempo, perdendo a conotação universal, que o valor ideológico lhes confere” p. 380-381.
- “A história social das mulheres implica pôr de lado quase tudo o que existe como dado na historiografia
atual, que em geral reflete o projeto social das elites dominantes. [...] O cunho renovador desta
historiografia, ao concentrar-se nos papéis informais e nas mediações sociais, abre espaço para a
relativização das normas e das temporalidades pré-fixadas. Mais do que isto, acumula conhecimentos
extremamente diversificados sobre papéis femininos nas mais diferentes culturas, no sentido de documentar
ad infinitum a diferença. Evidentemente, não se trata de estudos históricos comparativos em busca de
padrões universais, mas da ênfase nas particularidades e na multiplicação das diferenças, no modo como se
contrapõem, exemplificando atitudes que se opõem aos estereótipos de dominação cultural” p. 381. Nesse
sentido, o cotidiano define um campo social fértil que permite transcender categorias e polaridades
ideológicas.
- “As múltiplas temporalidades da história das mulheres, sua interseção mútua e mesmo a co-existência de
uma diversidade de tempos históricos no mesmo momento do passado é um dos temas mais promissores da
epistemologia feminista e certamente um dos mais renovadores dos estudos atuais pois, através da
elaboração das temporalidades, seja no plano do ciclo vital e da experiência individual, seja no nível dos
processos sociais, pode-se vislumbrar a crítica da ideologia, dos valores supostamente universais e das
supostas permanências patriarcais” p. 382.