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A ECONOMIA CIRCULAR
Interligação, criação e conservação de valor

O conceito de economia circular constitui uma resposta A melhor forma de entender o conceito de economia
ao desejo de um crescimento sustentável no contexto da circular consiste em analisar os sistemas naturais vivos
pressão crescente que a produção e o consumo exercem que funcionam perfeitamente pelo facto de cada um dos
sobre o ambiente e os recursos mundiais. Até à data, seus componentes se encaixar no todo. Os produtos são
a economia tem funcionado sobretudo com base num concebidos intencionalmente para se ajustarem aos ciclos
modelo linear de «recolha, produção e eliminação», segundo dos materiais e, como resultado, os materiais circulam
o qual todos os produtos alcançarão inevitavelmente o seu de um modo que mantém o valor acrescentado pelo
«fim de vida útil». máximo de tempo possível, tornando os produtos residuais
praticamente inexistentes.
A produção de alimentos, a construção de infraestruturas
e casas, o fabrico de bens de consumo ou o fornecimento de A mudança para uma economia circular exige o envolvimento
energia utilizam materiais valiosos. Quando estes produtos e o empenho de diversos grupos distintos de pessoas.
se esgotam ou deixam de ser necessários, são eliminados A função dos decisores políticos consiste em proporcionar
como resíduos. No entanto, o crescimento demográfico condições de enquadramento, previsibilidade e confiança
e o aumento da riqueza tornam a procura de recursos às empresas, reforçar o papel dos consumidores e definir
escassos maior do que nunca, conduzindo à degradação o modo como os cidadãos podem assegurar os benefícios
ambiental. Os metais e minerais, os combustíveis fósseis, das mudanças em curso. As atividades económicas podem
os géneros alimentícios e os alimentos para animais, bem redefinir cadeias de fornecimento integrais, visando
como a água potável e os solos férteis tornaram se assim a eficiência e circularidade dos recursos. Esta transição
mais dispendiosos. sistémica é apoiada pelo desenvolvimento das TIC e pela
evolução social. A economia circular pode assim criar
Na UE, cada pessoa utiliza cerca de 15 toneladas de
novos mercados que respondam às mudanças nos padrões
materiais por ano, enquanto cada cidadão da UE gera
de consumo que se afastam do conceito de propriedade
anualmente, em média, mais de 4,5 toneladas de
tradicional, evoluindo no sentido da utilização, reutilização
resíduos, sendo quase metade destes depositada em
e partilha de produtos, e contribuindo para a criação de
aterros. A economia linear, que depende exclusivamente da
mais e melhores empregos.
extração de recursos, deixou de ser uma opção viável1.
A Europa já preparou o terreno para esta transição: «Uma
A transição para uma economia circular redireciona o foco
Europa eficiente em termos de recursos» é uma das
para a reutilização, reparação, renovação e reciclagem
iniciativas emblemáticas no quadro da estratégia «Europa
dos materiais e produtos existentes. O que era visto como
2020» que coordena ações em muitas áreas políticas para
«resíduo» pode ser transformado num recurso.
garantir o crescimento sustentável e a criação de emprego
através de uma melhor utilização dos recursos2.

Ambiente
Conceção para
uma economia circular
São as atividades económicas que podem conduzir
para a transição para uma economia circular. A curta
Matérias-primas
vida útil dos produtos foi, no passado, uma abordagem
empresarial fundamental, que promovia atualizações
frequentes e a necessidade das mais recentes
tecnologias. Hoje em dia, a atividade económica pode
beneficiar das oportunidades existentes para prolongar

m
a vida útil dos produtos e criar produtos competitivos

ge
que sejam duradouros.

cla
A conceção visando a circularidade é o ponto

Reci
de partida no desenvolvimento de qualquer
novo produto ou serviço no contexto da Produtos resid
uai
economia circular. A conceção de carros, s
computadores, eletrodomésticos, embalagens

Economia
e muitos outros produtos tendo em vista
a sua durabilidade, reutilização, reparação,
retransformação e reciclagem é possível. Uma maior
cooperação dentro das cadeias de fornecimento e entre
estas pode reduzir os custos, os resíduos e os danos ambientais.

Reco
Os avanços realizados no domínio da ecoinovação proporcionam novos
produtos, processos, tecnologias e estruturas organizacionais. Algumas
empresas encontrarão novos mercados ao afastarem se da venda de

lh a
produtos para passarem a vender serviços e desenvolverão modelos
empresariais baseados na locação, partilha, reparação, atualização ou
reciclagem de componentes individuais. Várias oportunidades de negócios
para as PME resultarão desta nova abordagem.
Co
re n s u m
A Plataforma Europeia para a Eficiência na Utilização dos Recursos
(EREP) identificou diversas áreas promissoras para serem exploradas pelo sector
u ti
li z a o , u t ili z
empresarial 3, nomeadamente a melhoria das informações sobre quais os recursos
contidos nos produtos e como podem ser reparados ou reciclados, bem como novos
modelos de negócio e princípios para normas de fornecimento sustentável. Além disso, ção,
são necessários novos enquadramentos financeiros e contabilísticos para incentivar repa
a eficiência e a circularidade dos recursos em detrimento de um consumo supérfluo.
De forma a que os investidores institucionais invistam mais na economia circular, o potencial
do mercado de obrigações deverá ser explorado, inclusive para pequenos projetos e PME.

Escolhas sustentáveis dos consumidores

V
Fazer escolhas sustentáveis deverá tornar se mais fácil (mais acessível, atraente e barato) para todos
os consumidores. As suas decisões são afetadas por diversos fatores, incluindo o comportamento de
terceiros, o modo como recebem informações ou aconselhamento, ou os custos e benefícios imediatos
das suas escolhas. O comportamento das pessoas também pode ser influenciado por alterações no
seu local de trabalho ou nas infraestruturas à sua volta, como o incentivo da utilização da bicicleta
em vez do carro, e pela promoção de estilos de vida sustentáveis. Estes fatores podem contribuir para
a concretização de uma transição essencial no modo de pensar, de «consumidor» para «utilizador»
ou de «proprietário» para «aquele que partilha», criando uma maior procura de serviços associados
à locação, partilha, troca, reparação e retransformação de produtos.

Econom
Matérias-primas Produção Distribui
Política de apoio à transição
O incentivo à economia circular requer um amplo apoio político aos níveis europeu, nacional,
regional e local. Devido à disseminação global das cadeias de fornecimento, a dimensão
Conce política internacional é também fundamental. A mudança para uma economia circular
ção é um elemento essencial da visão definida pela UE e respetivos Estados Membros
no 7º Programa de Ação em matéria de Ambiente 4:
«A nossa prosperidade e a sanidade do nosso ambiente resultam de uma
economia circular inovadora em que nada se desperdiça e em que os recursos
naturais são geridos de forma sustentável e a biodiversidade é protegida,
Re

valorizada e recuperada de modo a reforçar a resiliência da nossa


sociedade.»
tra
Pro rmação

A UE já adotou medidas nesse sentido. Foi estabelecida uma


nsfo
duçã

hierarquia em relação aos resíduos, dando prioridade à redução


e reciclagem dos mesmos. A política relativa aos produtos químicos
visa a eliminação progressiva das substâncias tóxicas que suscitam
o,

elevada preocupação. Os projetos relacionados com a economia

a circular
circular são apoiados por fundos europeus. As iniciativas no
domínio dos contratos públicos ecológicos, desenvolvidas pelas
autoridades públicas, estimulam a procura de produtos e serviços
mais ecológicos e incentivam escolhas semelhantes por parte da
atividade económica. Do mesmo modo, a Diretiva «Conceção
Ecológica dos produtos relacionados com o consumo de energia»
(equipamentos de cozinha e vidros duplos) ajuda as empresas
a desenvolverem produtos inovadores com menores impactes
ambientais.
o

A Comissão trabalhará no sentido de criar um quadro favorável


iç ã

à economia circular, que combine regulamentação, instrumentos de


bu

ri
mercado, investigação e inovação, incentivos, intercâmbio de informações

is t e apoio a abordagens voluntárias em áreas fundamentais. Para unir estes


D elementos e associá los à agenda em matéria de eficiência dos recursos, a EREP

z a ç ã o,
instou a UE a definir uma meta que assegure um aumento da produtividade dos
recursos em mais de 30 % até 2030.

araç ã o
Participação alargada: de um nicho para um nível
generalizado
O rápido aproveitamento das oportunidades e a abordagem dos desafios da economia circular
dependem do apoio alargado da sociedade. O envolvimento de ONG, organizações empresariais e de
consumidores, sindicatos, representantes do mundo académico, instituições de investigação e outras

Vs
partes interessadas é fundamental em todos os níveis da governação. Estes podem agir como
facilitadores, líderes e multiplicadores na mudança para uma economia circular. É igualmente
necessário desenvolver ações no sentido de comunicar aos cidadãos as ideias e os benefícios da
economia circular na sua vida quotidiana (no local de trabalho, nas escolas e entre as comunidades
locais). As redes sociais e os meios de comunicação digitais podem mobilizar inúmeros consumidores
em torno de novos produtos e serviços circulares.

mia linear
ição Consumo Resíduos
KH-04-14-408-PT-C
Desafios
Esta transição no sentido de uma economia circular • Frequentemente, os preços não refletem o custo real da
é apoiada por um número crescente de políticas e iniciativas. utilização de recursos e energia para a sociedade;
No entanto, ainda persistem determinados entraves
• Os sinais políticos de transição para uma economia circular
políticos, sociais, económicos e tecnológicos que impedem
não são suficientemente fortes e consistentes.
uma mais generalizada implementação e adesão:
• Frequentemente, as empresas necessitam de
sensibilização, conhecimentos ou capacidades para
procurarem soluções no domínio da economia circular;
Oportunidades
Medidas como a melhoria da conceção ecológica
• Os atuais sistemas, infraestruturas, modelos de negócio
e a prevenção e reutilização de resíduos podem gerar
e tecnologias podem bloquear a economia num modelo
poupanças líquidas para as empresas da UE de até 604
linear;
mil milhões de euros ou de 8 % do seu volume de negócios
• O investimento em medidas para melhorar a eficiência anual, reduzindo ao mesmo tempo o valor total anual
ou em modelos de negócio inovadores continua a ser de emissões de gases com efeito de estufa em 2-4 %5.
insuficiente devido ao facto de serem considerados Em termos gerais, a implementação de medidas adicionais
ariscados e complexos; para aumentar a produtividade dos recursos em 30 % até
2030 poderá aumentar o PIB em cerca de 1 %, criando
• A procura de produtos e serviços sustentáveis pode
simultaneamente mais de 2 milhões de postos de trabalho
permanecer reduzida, em particular se envolverem uma
em comparação com um cenário de manutenção da
mudança comportamental;
situação atual6.
Os cidadãos europeus estão convictos da forte ligação
positiva entre o crescimento, o emprego e a eficiência dos
recursos. Um Eurobarómetro7 recente revelou que uma
larga maioria das pessoas acredita que o impacto de uma
utilização de recursos mais eficiente teria um efeito positivo
na qualidade de vida no seu país (86 %), no crescimento
económico (80 %), bem como nas oportunidades de
emprego (78 %). Além disso, consideram a redução
e reciclagem de resíduos a nível doméstico (51 %) e na
indústria e construção (50 %) como a via para causar uma
maior diferença na eficiência da utilização dos recursos.
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1
http://epp.eurostat.ec.europa.eu/portal/page/portal/environment/introduction
2
http://ec.europa.eu/resource-efficient-europe/
3
http://ec.europa.eu/environment/resource_efficiency/re_platform/index_en.htm
4
http://ec.europa.eu/environment/newprg/index.htm
5
The opportunities to business of improving resource efficiency (2013), AMEC et al.:
http://ec.europa.eu/environment/enveco/resource_efficiency/pdf/report_opportunities.pdf
6
Modelling the economic and environmental impacts of change in raw material consumption (2014), Cambridge Econometrics et al.:
http://ec.europa.eu/environment/enveco/resource_efficiency/pdf/RMC.pdf
7
Eurobarómetro Flash 388: «Attitudes of Europeans towards waste management and resource efficiency» (Atitudes dos europeus
relativamente à gestão dos resíduos e à eficiência dos recursos)

Impresso em papel reciclado que obteve o rótulo ecológico europeu


para papel gráfico (www.ecolabel.eu)

ISBN 978-92-79-37823-2
doi:10.2779/85279