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REVOLUCIONÁRIOS E EVOLUCIONISTAS CAP 7

O capítulo é um apanhado sobre todas as histórias que


foram escritas no século XIX e as diferenças entre elas.

“ entre os anos de 1850 e 1900 muitas interpretações da história


da música apareceram na Alemanha e entre os países da Europa,
onde nesse período predominava um sistema de comparação”..

Os historiadores costumavam a comparar a história de acordo


em que iam escrevendo entre eles.

Um historiador escrevia, outro lia e comparava com a sua para


ver as diferenças e assim iam construindo um modelo de história
da música.

Eles preferiram formular um quadro histórico que primasse pela


história do começo para analisar seu próprio tempo.

As doutrinas evolucionistas estão em todos os tratados, isso


mostra que os historiadores do século XIX estudavam bastante a
história do presente.

Em 1848 Marx e Engels lançaram o manifesto comunista e


Richard Wagner, lançou um prelúdio chamado Arte do futuro.

Marx demonstrou que havia uma separação e uma luta de


classes e Wagner na tentativa de fazer uma nova arte quis
resgatar a tragédia grega por ser uma arte viva, onde as pessoas
ficavam dias vivendo a tragédia grega.

A tragédia era uma arte completa onde se dividia em música,


dramatização, poesia , retórica e a escultura
As pessoas vivenciavam a arte de uma maneira bem diferente
dos tempos atuais.

Wagner na intenção de inventar uma arte do futuro se deparou


com uma vontade de juntar todas as artes num lugar só para
criar uma super arte.

“ Com os gregos a tragédia era um senso histórico, a nação em si,


a consciência em si, envolvendo o público em uma
representação por horas de enorme prazer, com a queda da
tragédia a arte parou de ser um expressão da consciência do
público e as artes passaram a ser separadas em partes deixando
um caminho único ”..

No mesmo período em que Wagner escrevia seu manifesto de


arte a Alemanha estava se constituindo como nação de forma
tardia, e era uma vontade dele fazer com que se tornasse uma
só nação, junto com todas as artes englobadas.

Segundo Wagner, mesmo que essas artes tenham dado tudo de


si para alcançar seu apogeu elas deixaram muito a desejar como
uma obra de arte perfeita.

Para o compositor apenas uma revolução poderia trazer a tona a


velha expressão da consciência coletiva.

A revolução teria um ideal romântico que a nação tendo


consciência de si mesmo adoraria a beleza que teria sido perdida
desde a queda da tragédia grega.

A teoria individual das artes que os levariam a perfeição gerou


uma esperança de futuro que a única forma das estruturas das
artes se inovarem seria através da união entre elas.
Essa crença surgiu quando a Alemanha se vê como nação.

Os autores da época faziam freqüentes referencias a Liszt e


Wagner.

Liszt por ter revivido a nação Húngara através da busca pelas


tradições e raízes da música e por representar o inicio de uma
redescoberta de nação, virando um marco para alguns.

Wagner por ter composto músicas que abalaram as estruturas da


história da música e que simbolizavam o nacionalismo alemão,
Carl Dahllhaus faz um grande tratado nesse texto mostrando
quantas pessoas pensaram no século XIX e Século XX sobre a
história da arte.

De acordo com Franz Brendel , além da intenção de um ideal de


nação ele também sonhava com uma Europa unida e unificada,
para o autor a unificação alemã deveria ser culturalmente e
politicamente unida, olhando para a música do presente e
projetar o futuro para a unificação das artes.

Wagner sintetizou o ápice do pensamento romântico em que


englobava todas as artes, eram aspectos individuais de uma
única arte e que uma dessas se estendesse para fazer o trabalho
das outras.

Wagner mesmo exilado da Alemanha continuou lutando pelas


bases do nacionalismo alemão, e essa base de pensamento foi
usado pelos nazistas, como base de seus argumentos.
O RETORNO AO PASSADO

Na primeira parte do texto Carl Dahllahus mostra que os


historiadores do século XIX pensavam muito no presente.

No século XIX os historiadores estudavam os compositores de


seu tempo e refletiam sobre sua própria música e depois da
vitória sobre a França os historiadores traçaram caminhos
distintos.

Primeiro pela história da música pelos seus gêneros através da


paleografia e a critica do estilo

Segundo pela etnologia, estudo da música da sua cultura


folclórica.

Os primeiros grupos de historiadores sofreram muito nas


primeiras pesquisas por não terem muito material de pesquisa e
depois com os textos de caráter nacionalista, pois esses sempre
se importavam com o passado como glorioso.

O nacionalismo era tão grande em todas as nações da Europa


nesse período que a história da música foi se dissolvendo.

Dahllaus também destaca Fetis e Ambros

Fétis foi um léxico que se destacou no começo do século XIX e


seu trabalho como historiador na música só apareceu 1869 e
nunca teve conclusão.

Fétis já havia absolvido as correntes das linhas revolucionárias,


suficientemente para dar base para explicar as progressivas
mudanças na história da música em detrimento de todos os seus
dados cuidadosamente organizados, ou seja, os historiadores
começaram a beber na fonte do evolucionismo e que tudo ao
redor estava caminhando para esse lugar.
Eles começaram a perceber que os compositores estavam
trazendo a música para dentro dos conceitos evolucionistas.

O segundo ponto de vista era analisado em vista do valor que a


obra de arte tinha, e que cada artista tinha um efeito de
mudança de trabalho, ou seja, a própria obra de arte trazia
história suficiente.

Ambros estava fora do ciclo dos historiadores interessados em


Liszt e Wagner e da política ,mas o espírito de sua fala estava em
consonância com eles acreditando que a história da música
estava muito perto de outras fases da arte e da cultura.

A historia da música poderia ser comparada a história da pintura


, da poesia e etc

Para Ambros a origem da música européia estava na música


folclórica dos próprios europeus mais primitivos e não
ascendência do império bizantino que era a idéia fixa de todas as
pessoas do período.

EVOLUÇÃO DO SIMPLES PARA O COMPLEXO

Em 1850 Hebert Spencer publicou estatísticas sócias, 1854


escreveu “ A origem da música”, em 1859 Charlis Darwin aplicou
em seu livro o conteúdo da “ Lei do progresso”, começou a
perceber que a sociedade estava evoluindo.

Muitos músicos, historiadores que entravam em contato com a


lógica do pensamento evolucionista, tentavam entender o
desenvolvimento da música nesse contexto.

Recolhiam dados e informações através de rituais da cultura


folclórica e na mitologia para provar suas teorias.
Warren Allen tenta nos mostrar que os primeiros historiadores,
narravam os fatos com bases na crença da imaginação.

Crença que hoje é considerada como ultrapassada, funcionava


no século XIX, achar que a música evoluía do simples para o
complexo, essa é uma crença estabelecida por Spencer não só na
música, mas nas sociedades, onde, essas sairiam do primitivo
para o complexo.

Não faz sentido hoje em dia, pois se assim fosse nós hoje
seriamos uma sociedade muito complexa quando de fato não
somos.

A crença do século XIX era que a música evoluía como os seres


vivos.

A teoria do Darwin não é demonstrável com dados, mas é uma


teoria importante a analogia feita foi imaginar que a música
tinha uma autonomia suficiente para se desenvolver como os
seres vivos.

Hoje essa afirmação não faz sentido por que sabemos que a
música não evolui sozinha.

A música não muda sozinha, somos nós que a mudamos

Warren Allen identifica uma serie de ideologias que são antigas,


mas que a gente ainda usa e ele vai identificando a origem de
tudo isso.

Isso foi feito porque os historiadores estavam tentando transferir


para a música o evolucionismo de Darwin, imaginar que a música
era um objeto que com o passar do tempo evoluía do simples
para o complexo, uma crença do final do século XIX inicio do
século XX.
Embora existissem escritores escrevendo sobre história da
música no final do século XVIII e em todo o século XIX, existia
uma distinção entre os historiadores da música e os
historiadores gerais desse período.

Os historiadores gerais tinham fatos,conheciam fatos conhecidos


na Grécia antiga, em Roma antiga, conheciam fatos.

Historiadores da música não conheciam nenhuma música


anterior ao século XIX, conheciam a música de seu tempo com
alguns exemplos anteriores, onde os compositores que estavam
sendo falados por esses historiadores estavam começando a ser
restaurado no mesmo momento: Bach, Palestrina e Mozart.

O material sobre a história dos compositores, sobre a história da


música só começaram chegar ao conhecimento do público no
inicio do século XX.

A diferença entre a História geral e história da música é


exatamente essa.

Na história geral havia uma ideologia desenvolvida através e


documentos

Na história da música não havia fatos, tudo era construído a


partir de um exercício da imaginação.

A história da música nasce mais como um gênero literário como


científico, era um gênero narrativo com imaginação do que com
a realidade, chegando ao presente com uma carga literária muito
forte, pois nem sempre os historiadores da música tinham dados
suficientes para refletir sobre a evolução da música.

Para se escrever um livro da história da música hoje sem ter


quantidade de informações sobre isso faz com que o historiador
apele muito mais para a literatura, para a imaginação, para o
discurso do que para analisa de dados.

A história da música é um gênero parcialmente literário, pel falta


de dados os historiadores discursam.

Boa parte das historias da música do século XIX eram


nacionalistas, se preocupavam com a produção do seu país.

A história da música quanto do XIX como no XX depende muito


do resultado de quem a escreve, o resultado da história da
música revela muito mais de quem está contando do que a
realidade dos fatos.

A importância de saber disso é que normalmente recebemos um


material que relata a história da musica, mas que na verdade não
é real, são apenas relatos literários.

Quem começa a rechear a história da música em ciência são os


musicólogos.

Começam a coletar dados, reunir informações analisar e chegar a


conclusões interessantes.

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