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AGERSON TABOSA PINTO

Bacharel em Direito pela UFC


Bacharel e Licenciado em Línguas Neolatinas pela UFC
Mestre em Ciência Política pelo IUPERJ
' Doutor em Direito pela USP

Noçots D1;
SOCIOLOGIA

4a Edição

/ 0//M'.' ,¡,‹¿_..5Tw1›=› ¿§‹«~‹ 37°- '


-... Q)/`JiFo¿'l "'

z,'zí.‹›~-°*›~°1°°'“¡

Fortaleza
2000

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I

Ficha Catalográfica

PINTO, Agerson Tabosa, 1934


1 Noções de Sociologia, 4a. ed., Fortaleza,Unifor, 2000.
p. 497 cm 21,5 x 14,5.

Notas ao pé das páginas


Bibliografia especializada no fim de cada capítulo
Biblíografia geral - p. 491
Índices onomástico e alfabético de assunto no fim do vo-
lume.

1- Sociologia. I. Titulo

S.B.D. 70-1 CDD 301


CDU 301
H III 1 yí ¡ _ t 11 1 ¡_ mg

_..-"'

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5 .

PROCESSOS SQc1A1Sz 1NTERAÇÃo,cooPEgAÇÃo,


COMPETIÇAO, coNFL1To, AcoMoDAÇAo E
ASSIMILAÇÃO

Ocupa-se este capitulo dos processos soci_ai_s_, ob-


jeto da Histologia Social. São elesos tecidos de que se
compõem os fatos socí_a;`š_. O fato Social 4 greve - por exelmí
plo, é um complexo de relações inter-humanas, como a
competição, o conflito, a acomodaçêtg, a_assimilaç_ê_í_Q_ e a
, que representam exatamente os mais impor-
tantes processos sociais.
Claro esta que, sem um exame acurado dos pro-
cessos sociais, náo se pode conhecer bem o fato social, dai
a importância da Histologia, como ramíficaçào da árvore
sociológica. p
Antes de fazermos um exame de cada um dos pro-
cessos previstos, nos deteremos em considerações preli-
minares sobre a teoria do processo e sobre o contato e o
isolamento. Estes são estudados por alguns autores, como
MANNHEIM, entre os processos sociais elementares, e, por
outros, como MARIALICE FORACCHI, como requisitos es-
pecíficos da interação. Sejam ou não processos, é por de-
mais evidente a importância do estudo do contato e do
isolamento para a Histologia Social, por serem
condicionantes da interação e da existência de todo e qual-
quer processo?

1 MANi\1HE1M,Kar1,-op.c1it., p» 89-

/Vflçôes de Sociología 179

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1 PROCESSOS SOCIAIS

Estudando a teoria do processo social, examinare-


mos sua definição, sua tipologia, e, p01' fim, Sua 81181136,
segundo a famosa fórmula de VON WIESE.

1.1 DEFINIÇÃO
Processo social pode ser tomado em duas acepções,
em dois sentidos, um amplo e outro mais estrito, sendo
este o de uso mais corrente em Sociologia.

1.1.1 Lato sensu

Processo etimolo icamente si ifica,at9_c1,e_ay__an;


g1¿;,i>1í, " ` ¢S@flv01Vim@flt0›d01ati;i1;
r_¬ua1;a aif1;.‹.:r1t_<-2..... Em lin
direção definida. ,-E_es__s_as ,mudanças se verificam pela
i.£1_t§!.aÇã0d@ íømas S0<>.íaiS._0 Qr be o qualifiizaiiz
vo de social. No plano biológico, as forças que se interatuam
no processo de crescimento de uma planta, por exemplo,
são forças da natureza: água, raios solares, umidade do
solo e o princípio vital da s emen t e. 2
--l> esse sentido am lo, rocesso social represen-
.. JW* ta , pois, o con unt_o da§__inteJ
. -- açiõe_s_hur_na1_1as o_cQm e
¿.z,z€›
Jãw
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O 85 H 1V1 3 .ÇS._S_0C_1..ê1S
.
ë.1.._Qtai
"“ “
a ~--I
e os mo os _
” e acionamen l‹I'äzTã'EI|› E nessa acepção por exgm 1o
. ?
P ›
que se fala em ritmo acelerado do processo social norte-
americano.

2 PIERSON, Donald, op. cit., p. 163.

180 Agerson Tabosa

__m__..--.'--i------- _ _ __ni'

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1.1.2 Stricto sensu

Se 811 ndo PINTO FERRE IRA , ppocessos sociais ' ` sao


"
relaçoes que se__trav_am de homem a homem, e_ptre_g¿1;I_
QOS 6 1'10fl`1€Y1S Qu §1'1_Q_'__‹§_g__rup_ps_s¶Ê_i_ai_s_, deiitro da__estrutu-
Lê 8l'1'1_PL'i da SQC1edad§_ 3 Ha quem distin ga a @açãO so'ciãl`¡_
E119 f<>.<=.<->SSR› íwsldereâfldo e
a ue_a_, Q aspeõto est_r§if_i_co,] da mesma reJal_id_ad,e_ gue é Q
social. Processo, como já vimos, é movimento. A relação
s§ria_afixaçãoç,de,,um instantâneo desse moviineniop A
Leieeedeoaei diz MIRANDA SANTOS, oode eee' defioide
Qmp uma espécie de fotOgf¶íad€umdetü
_t_ai_*iteldo processo so.ci;z;1_.f
Quando, v.g., Pedro e Paulo discutem, numa classe,
será possível distinguir a relação, do processo, nessa forma
de interação que tecnicamente se chama conflito ? Essa dis-
tinção nos parece por demais sutil, para não dizer cerebrina,
razão por que verificamos que a tendência entre os autores é
despreza-la, como faz O ilustre professor do Recife.
DOURADO DE GUSMÃO fala em \zL1§u
_i__nte_rl_igadas de mais de _L1rna,pesSQè5
YOUNG, sociológo americano, define processo so-
cial ç_p__rr_i_o r,no§lo__de__agii;,__9p_eração_ou, movimento_e_1*_1_t_i'_e_i,_rL-
_ç_l_i_víçl1ios _e ,gr 6
Por último, a definição de VON WIESE, uma das
maiores autoridades em Histologia: “Q proceso mís_mo;.s
un suoeso mediante e1_ci.ial_1os_h.om.1r›reS
'-"'_""""' __' " ` DO .
.se ii.\;1nQ.u1ê1._1
7
m_á_.s
entre S1 O se §_@B_ar__ai¬__ mas uno J_os_oJ:J;o_s_. 4-

2 PINTO FERREIRA, Luís, op. cit., PP- 1407141-


SANTOS Teobaldo Mirende.1b1d¢m.I'>- 101-
DOURAISO DE GUSMÃO, Paulo. Mendel, p.__ô1. _
U1

O*

*II
voUN<;. Kimbai apud PINTO FERREIRA, Lu1e,1oo. oii., p. 140.
VON WIESE. La Sociologia Alemana, in GURVÍTCPL GC01`g€S 35 MÚORE,
W. Sociologia del Siglo XX (Twentienth Century Sociology). 2a. ed., tomo
U, Buenos Aires, El Ateneo, 19Õ5› P- 106'

Noções de Sociologia 18 1

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Pelas definições acima, p_ssas_rç_1‹'í-IQÕÇS 011 f01'maS
.de í__Ht@rasä9.. p0d.Ç11i.S@.r tra..v_._a_d___.aSÇr1t_1;@_If›<fêS‹.2_ê1s_(a1iin.o_-=.
. em;ie_uma p¢Sma
der em_pres___ar_ial____dis_çutindo com uma representação de
mz-z1_rio_s__a aluste s_alarial), ou entre gi;upos__(partidos poli-
ti20_S.11-_1ta1¿<l°-Ps1aifitÕ1;ia 1121.1126! fleífâelz
1.2 CLASSIFICAÇÃO
Entre muitas classificações de processos sociais,
destaca-se a do professor DJACIR MENEZES, pela sua sim-
plicidade e pelo seu carãter prático. A mais famosa classi-
ficação, a de VON WIESE, é também a mais complexa, pois
faz a mostragem, com uma difícil nomenclatura, de cerca
fee.
Soç .
de seiscentos e cinquenta processos. 8
~z=*=> Na Classífíeflçäoque Vemos fistudar. os _processo.s
COGÁ /I/'o_§ se distribuem em duaS Categorias - coesivos e dispersivos_
?< : com base na doutrina de VON WIESE, para quem, como
Êfyëhrí
m ._ vimos. todososprocessos ,tendem açafaetar ou aproxima
Os hOmens.9

1.11 Coesivos

Também chamados s__ocia1izante_s,_ mm


processos que existem em função do gupo, ou, mais pre-
Cmmfim
isam t f1z.11í.1Ça0
" de 90@S‹fi=10.«.
' flflm '
P..r0Cu1'§_m epr0>.âímar_‹;.a_f.1§ Vez 1flf=fiS
i ' ' S i1inii'-
nuir entre ele_s_ a___distãncia social. Entre outros, estão a
acomodaçao, a assimiliação, a cooperação etc.

É CUVILIER, Armand, op. cit., p. 133.


MENEZES, Djacir. Estudos de Sociologia e Economia. Rio de Janeiro,
Organização Simões, 1943, p. 50 _

182 /Igerson Tabosa

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1.2.2 Dispersivos

Dis ersivos ou individualizantes são os processos


que afastam os individuos, que os isolain, que aumentam
a_d_iS.Lä11.CÍ‹'=1 .€fi à diferenciação, a compe-
tiçao, O conflito são exemplos de processos dispersivos.
Quase todos esses processos serão mais adiante
pormenorízadamente estudados, razão por que, aqui, nos
restringimos a enumerá-los.

1.3 ANÁLISE
Foi VON WIESE que elaborou a fórmula de análise
dos processos sociais. Ele é O expoente máximo da Socio-
logia Relacional.
De que é que se constitui O processo social? Qual
a sua composição? Como fazer a sua análise? A_fon:n.a
Fnoíw 02C€_
lsocialš
freS'uítä
@H1Íë`SÍ Éí0iiI›1íë뢚'SQ)¡ <-:'§l§Í5.lšÍfÍaÕã*Q' Sócíaffišflšfäf-PD db
Mas esses fatores - C e S -Í de ue P é produto,
60 podem, a seu turno, ser decompostos: ficonduta?
W” .ê_:'_“rt_d'o
_1;_ee__u _a, q ão. I_,_<i`Uë"¢"_.0`r'r`të.".S'__d'¢'._a'0"€§ü“p0n
- 1'II>"a1.i.1¢i1t9 bi§1.š›3
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(_S = M, x, O1.) A_ §ituaç_ão_sq_:iãl _§:xistente é prgdfi
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.J.?.r9$¡' ' ¡flÍ5ÊÍflÍã7mÍ_0¡n“''ÍÍIÍTO Y 0 u _ I. o ' . 8
U" PINTO FERREIRA, mas, ao_nos_so_ vglj_,[d`..'-.Ts Éesšoas quãš ,gt agf'
fia1nÍÍÍI0Íme...S1i'1o gI.1mQ.ä.._aqU.@T§.S .QUÊ 65540 Pa1`t_1_Ê1f11'1f-ÍOÊ grs -
rocessol mas
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estenao t" 9.u z `amnt eC""
ari ' .
13€ M""" I5
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a conduta dos artici antes do rocesso C1 deve si nifi- .¢-,¬


Cn Í56'
car outra coisa. 1° ' 3
C›Cu¡/¿"¡.¡¡(.
__ -Í fi* *T 1
z

1° PINTO FERREIRA, Luís, op. cit., P. 142-

/Voçães de Sociologia 183

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é\qLie1afórmaia_micí.a1: 1°.- Ç x
.aSSi.m__r§Pf@§.¢1itada=-.P = 1.>s--E A 1_\/I¿<_(E.1i.
A AI1E1l1SCI1'1OS COI`1CI`€Íl8.IT1CI1lÍ€ 11111 pI`OC€3SSO p8I`8. E:1V8:'
liarmos a exatidão da fórmula vviesiana. Tomemos O pro-
cesso - conflito - numa discussão em sala de aula, entre
Pedro e Paulo. A discussão (P) vai depender do comporta-
mento (C) de ambos, no caso em espécie os únicos partici-
pantes do processo, e da situação social existente (S). A
conduta de Pedro e Paulo vai depender, por sua vez, do
equipamento biológico de ambos (1) - estrutura e tempe-
ramento - e de suas experiências (E) - seus conhecimen-
tos. Assim, a discussão será mais acalorada ou menos
violenta, se seus temperamentos forem, respectivamente,
sanguíneos e fleumáticos. O brilho da argumentação vai
depender do cabedal de conhecimento que enriquece a ex-
periéncia dos concorrentes dessa disputa intelectual. A
situação social existente (S) é O resultado das condições
ambientais (M) - hora, local, clima - e do comportamento
dos que assistem ao debate (C1). A discussão poderá pro-
longar-se ou atingir logo seu término, dependendo da acei-
tação destes. E evidente que O seu comportamento poderá
também variar em função do seu equipamento biológico e
de sua experiência.
VON WIESE, através do estudo dos processos so-
ciais, situa-se numa posição intermediária, longe dos
radicalismos das escolas fisico-sociais, biossociais e
psicossociais. Quando disque P = Ç XS, ¢010¢a_S@ ao
@_<_:l_Og_dOs que defendem a teoria da iiiteraçãõ dois fa¬tO_-`
I`<=¿S--O,S0CÍa1 (PTOCÇSSOC fawl d€P€'1'1Cl€ lsempreda cOnT
duta (elementos biopsicológicos e do mundo exteri-Oi'
€1€1'I1€11Í9_S _fÍ$íC__0$)› €HÍ1b01`&zC01`fl0 jápvímos, sua inten-
sidade, ou, por outras¿p_al_avras_, (spa iilfluéncía, na'-:gl-0..
du ao DO social, nao se fa a ' _' a1_ É el
próprio quem O diz: A

184 ' /lgerson Tabosa

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%
análisis, intentamos evitar tanto el error de los
M+i“
exclusw amente psicolopos
' que deducen el
fenomeno social solamente de la conducta
personal de los individuos participantes en él
f
` ent e que d'
envan aguel' solo
' de los [actores del
medio circundante. Todo proceso social es el
producto híbrido de elementos personales y
reales, esto es, de la conducta p la situación.“ <;L_

Esquema

1 PROCESSOS SOCIAIS
1.1 definição
1.1.1 lato sensu
1.1.2 stricto sensu
1.2 classificação (Djacir Menezes)
1.2.1 coesivos
1.2.2 dispersivos
1.3 análise (Von Wiese): P = -C x S

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_.¬___

4 INTERAÇÃO
--A-
E0que
aconteõe durante O jogo da vida, segundo a interessante
analogia utilizada por GREEN:

A sociedade é O número total dos joga-


dores, como também do estádio, em que O jogo
da vida é jogado. As normas sociais sâõ as re-
gras do jogo. Os papéis são as posições distin-
tas ocupadas pelos jogadores, as quais
determinam O que cada um tem que fazer. __l_;_f_q
É"-Éemçãvsvcifll év que acontece depois- CIE'-22
j9_gocomeça.í'_ O

Por isso, é considerada, por alguns, como caracte-


ristica interna do próprio fato social, e, por outros, como
elemento indispensável ã existência de um grupo social.
Estudemos sua definição, caracteristicas e classificação.

4.1 DEFINIÇAO

Etimologicamente, interação (inter+ actionem) sig-


nifica ação entre. Em soci_ologi_a, Segundo

d§fim_á
?-- law
. h e a ões e rea ões en;
.Aaãoide umé ' ` "
ão rovøcada 011 '
26 GREEN, Arnold W. Sociology: an analysis of life in modem society.
New York, McGraW-Hill, 1968, p. 60.
27 WILLEMS, Emílio, in Dicionario de Sociologia, op. cit., p. 186.

196 Agerson Tabosa

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ul ` 'I «_ _. ' CÍIO O s e assim vaif_-›___q__»_;,r-
___I`1_.'!ë. 1'1<¿1..9 un}a.ͧ;L_€1.i1?§2š'Çtiçá1ÃQl_d.e.-iíeçlaçõe ' ` ente ue esg
Í11Íef'f91aCÍ01'1a1'I1€flÍ0._S_€_LT€1Ííffi_ca em todo tipo de processo,
Quamío .duaspess0aS_.-se_--dao-.aS.-maos. QQSQERIRÇEQMQE
terQamz 81'mas ¢1f1?_-_Ç.<2flf_1ítQz. Cotáaso i1it¢ratRao.Ç_1.9z @Stá_P.<r1I1.1
Pat¢flF¢› .9111_.atab0s-0S i1.r0<;¢S.S0S.. ap.r¢ÍS.euÇa._d‹'fl íflP@feRêz.9.-
4.2 CARACTERÍSTICAS
Destaquemos apenas duas caract erísticas da
interação: _a__reciprocidade e O contágio.

421 Reciprocidade
-P (..¢* ' ""_ " I Ír'r-- .¬_
ao pizoitoç,ca, da, na@
(há int_eraçáo7. da ,própria ,natureza do proc.es,s,o_a,existé._n_._;_
ap o1os..c
“¡':..o*I'| '*' ø‹.I.':_:_n..n..o^|'.,o
Entre dois passageiros de um ônibus, sentados lado a lado,
pode ocorrer que não haja interação social ou sociológica
por lhes falta O fio do entendimento comum, capaz de
analisar as suas ações e a emprestar reciprocidade a seus
gestos. A sociedade, existe, diz SIMMEL, desde O momento
em que vários indivíduos estabelecem entre si relações
reciprocas “Society, itself, in general, refers to the
interaction among individuals”.28 MACK e YOUNG, embo-
ra usando linguagem por demais lacõnica, deixam expres-
so, em sua definição, esse atributo da interação:
“Interaction is the most general social process. Interaction
is reciprocal stimulation and response. Whithout
interaction there would be no social life”.29 Tomando as

28 VVOLFF, KurtOH. The Sociology of George Simmel. New York, Macmilan,


%950,p.40. _ _
MACK, Raymond W. 85 YOUNG, Kimbal. Principles of Sociology. 4a.
ed., New York, American Book, 1968, p. 110.

Noções de Sociologia 1 97

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expressões ego e alter como polos da relação processual,
PARSONS define assim essa reciprocídadëí

a interação do ego e do alter é a forma


mais elementar de um sistema social, constitu-
indo, tanto O ego como O alter, um Objetivo de
orientação para O outro.”

4.2.2 Contágio

"“'> Q 1p`1¿{a¬çafo, fem)imeiepada ea"“pae¿dade de ee difiiä


@1a_d¢@~u1
<í°í%`›«f%l11I19.$.«
La discus_sä.Q,.€Ssa i_nte_r_ação pode rapi-_
dârpente ptingir todos osçseuscolegêä .
~¬==› Q cont
Í.l.9.EÍ19n° 1-.1._1.Ê1ä...f=Ê°l= _f.3_z9l1íÉãÇí0 P¢1ê
gL1Hd¢.l@?<Ç1ÍÊS15145 C. Õ.OS seus Comp0n.eDf.e.ã_,at1íav§§_
6-1- I/we 7'f›z¬¢/oz; PoF‹z1<zaa/z
O $¿š°} CQ/-77dh`fz5 fig,
4.3 CLASSIFICAÇÃO '- '*¬›~sJ.o.
É da interação social que nos vimos ocupando.
Embora seja a Sociologia a ciência que mais emprega a
palavra - interação -, seu uso também se estende a ou-
tras áreas Cientificas. JOAQUIM PIMENTA em sua En-
ciclopédia de Cultura, chega a distinguir trés tipos de
interação: biofisica, fisiopsiquica e psicossocial Sigainos
para a explicação dessa tipologia, a esteira do íjustl-ado
mestre.”

3° PARsONs,Ta1ooa, apud DOURADO DE GUSMÃ


p. 51. Vide PARSONS, Talcott. The Social System (3, Pâ1:10'Maà11ša1..,,
PIMENTA, Joaquim, op. oii., pp. 348-349. , P' " pp' n `

198 /(gerson Tabosa

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4.3.1 Biofísica
--š> ' ° - - .. . .
S ada ecolo ca ois se
dá otro os so.res.v1.vos e,oni_e1o am Ion . É por demais
I}_Q_ÊQ1z@Q.-§i.Stema de ações ‹-3;.reaçõlesçhavido-_entre.osÍSêiies
.mn_bí€ntc,-e_vice versa. A essa i11lí.<Ê'l.'.l.1I.1Í.llz1f_-Í>.11_QÍ_ë_-
.So Aiflpotäflotfoítomooto- o. .Çoflooíto doífiiioiooão_.acima.oX:
p_pst_o,._Q_p_elo_.do animal e a indumentária do hg_i_n_em,_vari;
oom o oliroo--A Vidozio Ç1í_oo.o-.SPEN_C}ÉlRÃo I1mo..for.1na
.de__‹'äÇ.O_n1o_daç.ao.--continua das rel,açõ,es i_1jI,terr_1,a_s,_‹_;lo___o_rgaz
oíoo1o-9oIo-.oS..rolooõoo oxtornoo do meio.-Ê2 Mais oirooeíioroz
ca também verc_l`adeira.q) O meio fisico tem sofrido
constantemente a,in_f_l__uênc_i_a_do ser vivo, principalmente
do hpmçifrpcuj as inteligência vem dia a dia ampliando, atra-
vés da técnica os foros de seu domínio sobre a natureza.
_ __ __ _ l-|'_' "íí_ , , ` _ iii- I__ , .O .Á

4.3.2 Fisiopsíquica

~¬> E a interação consistente na_


Em bioiogia, Segundo RAEAUD, Indi-
víduo é todo corpo vivo, anatomicamente isolado e
fisiologicamente autónomo. Mas esse isolamento anatômico
e essa autonomia fisiológica dos individuos não implicam
em completa independência funcional. (,bi§
os se§_e*s__3¿h_1f_vç ,___ diz1RABA

Em mÍm¿
__ _ _ _, . . , , ¡/,__ `
dos or anismos vizinhos. A esteçç_t1tul9_, 10610 1I1C11V1C1L10 6 á 354 .lo
fun ão de cada um dos outros e do meio todo inteiro' el ,N
ertenceq_a__iIüm conjunto cu as artes___s__ë_g_Q___1j} 0I'0S8m€1"1t€ aq 0
eoiidaúae, e de toi sorte no 11o1*.1h1¿1_'1ƒ1,,,,
" _ . n
'_Ço_€1__o@3_oE- '§¿;‹«ó,,J
'I 3 E

¬_`__›¿e e nao Q*_SS_g,1,_1,111_1a verdadeira autonomia. A ,tala


_ - * `

32 SPENCER, Herbert apud PIMENTA. Joofliulm.


33 _ Ibi . em, o- 20. Co /'fz,‹,.J
RABAUD, Etiene apud PIMENTA, Joaquim, op. cit., p. 349. /91,»-)r(z,¡,w
Âñóa -Dfipuh' 8
-
Noçoes de Sociologia G' i99'°“="**f*v‹›
À É/G (Ú"Í.Í|'D4¡)€

-Dó '7-66» I-f¡›¿;¿,¿^ )

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inte ão ue se verifica entre uma crian a ue se. am, a-
menta e sua enitora não é nem ecolo 1ca nem sociologi-
<;a_ É antes e_ss_e _t_ipo inter_1_n_ed_1a__r1o chamado aqui de
fisio P sí Cluico.

4.3.3 Psicossocial

É a interação da definição acima, §1e¬nature_za_pts_i;


§¡1uic_a_,¬porquJe__b_a_SoeadaHn0¬_entend11'Il€I1,Ê0 1”0 T10 das CS'
O fa'/7¿=L so.-as e Ç10S.g1'upos_,__vedaC18 E10S_81'lí1'I1alS- U€z-,ÇO1T1Q_Qb_Sr<i1I'V..ãl
1>0sé›»r-`0›
§f,'¡*W,¡.. -fifãiflm. .. _' -- 1-
_So¿,,¿_ _3íitSOROKIN usa muito a expressão;
i.1LtQração_significativa -t ¬
* Demonstra esse destaque com um
exemplo de rara felicidade: '

-'D 4caL€Ç&de significação


delltade ser umjepo111e_ng__sociocultural; conver-
te-se então num sgƒrirrterito puramente.fi§;`cg_,__g1.¿,
biológico! objeto Qrópfio Q9_e5mdp dgpfizgica 0u_
@.5@Q
CiéL1_<;ia.SoCial- .S6 wIlaP€SS0a dá u
fLC_0111I&§i£¿Í0_fiSjÇ0~química__do revólver, a traze-
ÍQ';CLCÍ.Qb_ala¿ a_¡fo_r§a_cora ¶e atingiu a vítima,mo_§
G1_SP_t€.lÇíO§_,oÍ2i0lÓQ;_iCQ$td0ferimento e dos Órga_os_ain¿
gidos Qela bala! a_causa_ da morte etc. São_gLfl_ep$_“-
€fe a especiqagtúfi
límiCa 9 EÁOIOQÍQÉ .§_Ó §_e_ ty;q¡ri;ghtš2'šnQ_;n um

23O

f vz
34 PIERSON, Donald, op. cit., p. 180

2OO /lgerson Tabosa

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1 °<1d° Ou 4l.0r.‹;1@ a -
Z 080 de ato ara ex-te N'-m““_u__N°_ E ' '

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COCSIVO I 11€ El I I`OX1I`I1 ELII1 OS 111

mE .Como a cooera ão a acmoda ão...a.assi..-


z, flfiffltívã 8 111 €I“aÇ.a_0H_to.s.-pro_ce_ss O
I 1S ° €I`S1VOS uesearam as €SSOaSC OS I`1.1O COIIIO -
.

c0m.,12.._e.ti.g.ào.re to conflíw.
1
1:
V.

o
as

Esquema

4 INTERAÇAO
4.1 definição
4.2 caracteristicas
4.2.1 contágio
4.2.2 reciprocidade
4.3 classificação
4.3.1 biofisica
4.3.2 fisico-psíquica
4.3.3 psicossocial

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6 coMPETiÇÃo
Estudemos da competição 0 8611 C0I1C€í'to, suas
características e principais efeitos. Trata-se de um dos
processos mais importantes da sociedade moderna. A maior
propagação_dQ_s ideais ,(16 1i.b¢1'.dãd§_€ Í
tado na intensificação do pro_c_es§o__ç_ompetitivo. Relações
que antes er'a_m tipos de cooperação espontãnea estão hoje
se transformando em competição. 1_'1}_1_;1.1_§:ãl1'I1,<31.'_1'C€z. f.0I”I1'1_âS_de_
C01'1 ' l ':_ e * i*'~a'oi úsaz* : -'“ ":- _ 9 'M ._
de agre§§iyíç1a<iÇ_e V_¢_ ac,t,e,rísticas de_“jogo lim-
po”, de fQir_pzay+ ç1ç¬1uta_competit_i_va._ Hoje, numa palavra,
-

6.1 DEFINIÇÃO
Definição vem do latim cum + pétere que significa
procurar atingir, alcançar, buscar com. Em Sociologia,
competição é a tendência define BASTOS DE ÁVILA de
-z_H*ç *_ ¬__! f !_____

_do_is ou mais concorrentes para alcançar, com prioridade,


H H ii . N. À* Í' A' ' -'_ -- >-_.¡ _ .z _..i--- f I "-""""-

flL0Â*4 Ou, mais explicitamente, segundo


WILLEMS, çpmpetição e uma forma de interação universe-_il_
ç_çontínHâP€1‹'=1QUa1 indivíduos e grupos procuram apode-
_r__ar-se¬ de recursos materiais e morais que somente exis-
. D 'ri . I "; ¿ ~ f z -í-""""'-"'
1:g_r_r_i__ em çqua_._nt_id_ade inferior a dos concorrentesfis oil»
_ I .tir ' -'_ I I 1 I 1

corrida competitiva e dirigida, em primeiro lu-


A .I . .I JI 7__._ |›'_"'_| 7 -Í I-il _..¡_-II.'_'¬'_'

__ _ °--- ...._.__ .4_.._. __ 1 . _. __.._._...---I


531'z ä Cor_i_quista _ deábens
z materiais,
..__,, ,H garantidore S da sobre-
__Y_1_Y¿'.1.Q1_f=¿, C01`I`€SP011dC, no plano social, ao que DARWIN,
nua área biológica, chamou de struggle for life ou luta pela
vida. Para PIERSON, seria esse o único objetivo da com-

44_BASTO_S DE ÂVILi°i, Fernando. Pequena Enciclopédia de Moral e Cí-


msmo' Rio de *Jane1r°› Campanha Nacional de Material de Ensino,
1_9Ô7, p. 94.
“°wii.Li:Ms , E milio.
" Dicionario
-- -- de Sociologia, Globo, p. 72.

206 ' Agerson M1058

,L

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I

P€lllÇ‹'_Ê_10, não se podendo estabelecer distinção entre a com-


[PCÍ1Çf=10_&1'11mal e a competição entre os homens . Adistin-_
¡Ê9_E:1Ê.1S. ClÊ1..1'a›. 21% _Cll-1_€_Se pode fazer entre competição e
GMSZÉ Ç .SÊJ f=`iL91l_§.__a _çompetiçãoFconstitu_iJh_.ita _po_r cial;
cat” el¿ ÊX1,SÊÊnC¿iahum_ana, por empregos, p__q1_'
9% as¿ ao _pa_Ísq_qi¿ie¬o conflito_é uiiia lutapelo_sta:t_z¿.§
Qpfafbí _EilfL_3_S1_<_¿f=_1_0_§,QÇ1_a_l.__ 'Nao flha, e claro, muita diferença, entre
animais pastando, e individuos, num supermercado, no seu
afã seletivo, em busca de alimentos. l\_/las o certo é que entre
_o_s lliornens também hãcompetição, luta por posições sqcf
ê;§.z.i9@10SfflwS.S0°ía1.0u”'“mafi@1:S Ofsocíál Steemz 128113 and
Como especificaFAIRCHILD_ƒ8 Entre os
inscritos para um concurso do Banco do Brasil, v.g., há
uma legítima competição, que, evidente, não procura, em
primeiro plano, recursos materiais, mas, sim, a conquista
de um status funcional, embora este venha ensejar uma
maior aquisição daqueles. Por fim, Q fundamentoda_cQm.-
F?/Á/94 p_‹=¿ti_ç_ão está na escassez do ,qu-e_ se busca. Se aquantídade
"¿t.f»-_ @.1;e¿_:i,ir,sos materiais,fdos papeis e_ posições sociais náfl
Co'°%.¿¡
M ás _rior ãç dos concorrenrtes, não haveria luta, não _lj1a-j
veria a c_o_rrida,, todos alcançaria sem correr og objetivo_3¿isa.-
93 _<_:l_g. Diz, a esse respeito, FAIRCHILD: “the basis of competition
is found in the finite character of the earth, and in the limited
emotional and asethetical resources of society”.“*9

6.2 CARACTERES

--'É' A Competição éjiriconscienä inlpessoal lestimuy


:nfd
o_o esqu_eirna de PIERSON. Qalšlâ-
do em_ PARK e BU_RQES_§. i

15 PiERsoN,D‹maid, op. cit., iv» 188- ç


48 idem, ibidem, p. 196. _
FAIRCHILD, H.i=>. Diczionazy of Sociology. p- 54-
49. idem, ibiàem, p. 54.

Noções de Soda/ogia 207

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.__`___`

6.2.1 Inconsciente

A di_sposiç_ã_.§¿, g_ Ç_!._'1Q12g_í‹?›.`.l. I2‹'=l131_‹'í'1..C0_Il1P€ll.ÍÇ.ä.O_1J.QS


__s_ã__9_ in_a_tas_,,instiriti_vas_,_i;ia_t1_JI.š=.1i§›z
competição. Fazemo-la por necessidade do organismo,
quando, por exemplo, nos alimentamos, ou, por exigên-
cia do espírito, quando procuramos subir socialmente -
semper in altum. A competiçao e, portanto,
EQ no sentido de que, nela as _açÕe,s_ri,ãcf sã
Essa caracteristica é mais perceptível,
como o pro-prio PIERSON observa, na competição ecoló-
gica, por recursos naturais. Quandoplutamos por _po_s_i;
çõkes,_ aumenta ça_ racionalização Q_b-ei.ram£tS 0 _C_am_p_o dg
conflito. <;‹'__-

6.2.2 Impessoal

Na luta competitiva, nzãopodehavel i


ppejudicar o cori_corrente,q1._1e_, naturalmente, também _ter_r_i
c_l_i__i_'eito aum lugar ao s_ol._A sua pre,sen,Ça,, ao_noss_o_ lac__lo_,
pouco se nos da, Nãottnosçinteressa ounão 11108, é possí_ve_l_
lgvantaçrg-lhe obst__ãculos,Ldificultar-lhe ça corrida, comgno
_gx_em_p.lo_d0_<;0i1c1.ir,S9_, 5°

5° Atualmente essa característica está sofrendo reserva. PARK e


BURGESS, pioneiros da diferenciação entre conflito e competição, ha-
viam dito; “Both competition and conflict are forms of struggle.
, however, is continuous and impersonal, conflict is
and . CUBER assim comenta a passagem: “This
formulation has not proved entirqlçšsatisfactory to modern sociologists,
or for that matter even to layma . Certainly present-day usage of the
word competition includes rivalries which are conscious and personal
(competition for a job, a championship, a Woman, or selling a car) and
such competition may be continuous, even for extended periods”.
CUBER, John F. Sociology: A Synopsis of Principles, sixth edition, New
York, Aplleton-Century-Crofts, 1968, p. 567.

208 “'05 ' Agerson Tabosa

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6.2.3 Estimulante

. A intera ão com etitiva serve de estímulo de in-


centivo a a ao dos concorrentes. No setor econõmico, por
exemplo, o produtor monopolista vive tranquilo, pois não
conhece a competição. No momento, porém, em que surgir
um concorrente, ele cuidará de tomar providências; me-
lhorará seu produto, apresentará vantagens outras, fará
tudo para garantir sua freguesia. Por ser uma fonte ines-
gotável de estímulo é que HAMILTON chamou a competi-
ção de agência de desenvolvimento socia1.51

6.2.4 Contínua

A_c_ompe_ nwnçnteç do berço ao


túmulo. Quando a criança, ao nascer, respira, abre os
olhos, já está competindo pelo ar, pela luz. O velhinho, até
o último suspiro, está lutando em busca de energias vi-
tais. E, ao longo da vida, as limitações, a insatisfação, a
insaciabilidade do homem fazem-no viver uma constante
competição.

6.3 EFEITOS r

Entre outros efeitos da competição, destaquemos


açdispçrsãç, a seleção e a divisão d abalho.

6.3.1 Dispersão

Por dis_pe,rs_ão entendemo_§_ a__distribuição pelo es-


áäçg fíêigg, g eografico
' ' _

5* I-IAMIl.iTlÓN, Walton DH. Encyclopaedia of Social Sciences, New York,


Macmillan, 1948, IV, p. 142.

Noções de Socfb/agia 209

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renhida ã ro or ão ue se adensam os a lom . -
manos. Como medida de defesa, OS h0I11€I1S Se (3115 €1`S‹'5Uf11
se distribuem no es aço fisico emi ram. Ao emi rar ro-
curam localizar-se loJn__de_1_jr1,__f='zIí_S_\{a.i.l'1'f.2`=l.g<'3.I1S. 111€. SS?-il T0 1”-
cionar a luta pela vida. O imigrante _§1g£1.C.___U11lQI' 21”0CU1'a
terras férteis,__er_1qi_.i_an_t_o o industrial e o comerciapte diri..
gem-se geralmente aos_grandes_ c_er_1_t_ro_íu 1'b8.110S.

6.3.2 Seleção

No processo competitivo, l_e_¬i_f‹'z§z_i_1n_}_fa.JI111:__‹2-1gc_p1_,L Säp pe;


lecionadog o__s_ r__i§_ia_i_s_apt_og os
MANNHEÍM
/4/48. distribui essas qualidades em dois grupos:
023. que__sao,
s im_i:1r_<-Lscíndíveís à
própria _n_atgrez_a da competição ; e as IFabçiçplçidaíles soçiaiã -
Pa ‹-gprçssao com que de_fine__as faculdades_indi§pe_1_is_ãveis `
apeitação da pessoa pelo grup 0.53 E acrescenta:

Todo sucesso pessoal é construído à


base desses dois tipos de habilidades. O homem
bem sucedido que encontra sozinho seu cami-
§
I,
17 I. _-.t _ __- 7* pf _ - 1
_í í

pl_io_m_ediapte,a real
$-

_i_;c_i__r_o¿ele_gçe_z_'almenté_f-; necessita certas qualidades


_¶_ue o a_u_xiliam a_ponvenc§_r__e _a_ impressi`p1_i_g[_o_§_,

52 Nos Estados Unidos, onde a luta competitiva é intensíssima, a mobi-


lidade espacial atinge os mais elevados índices do mundo. No espaço
de um século - - -
704 imigrantes. Os reboques residenciais ou casas, sobre rodas, que
sao, no dizer de SOROKIN, uma manifestação simbólica desse eres-
cente nomadismo territorial dos paises industrializados e urbanizados,
são usados mais pelos americanos do que por qualquer pøvo, como
prova de que também é muito grande a migração intel-na_ SQRQK1N_
Sociedade ..., pp. 634-640.
53 MANNHEIM, Kai-1, op. cit., pp. 141-142.

2 1O /lgeirson Tabosa

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S€l.l s
companheiros.
` Qiutip ladQ_é muit9__r_q_r_o
queapenas qualidades sociais sem qualquer
. uisi ao real conduzam ao sucesso, num setor
regulamentado pela livre competição social.5“G)

6.3.3 Divisão de trabalho

WILLEMS defme divisão de trabalho como


ia 30 OE 1.$U'1_U1Ç¿'.?io e_a_ _v1_ a es entre in ivi uos ou
(ÊOS ã__a.1Íf1@$11Í1ê Ç0.._I`1”__€.
§_<lÊlÊÚ_z-01-1. 1'I1aíS, ÍE€C_11ic_a1"r1ent§:, Elobilidadefuncionálz poden-
£§l_0_lnlP11Ca_1_1 3.121 lm05ÍÍ_1dÊ1cle vertical] ou lsimplesmente hori}
an
Q- Orrae 0*®SLo*cã
A competição produz divisão de trabalho, tanto
no seu aspecto de simples diferenciação de funções que há
muito existe, quanto no sentido de profissionalização ou es-
pecialização que é mais recente.
cg_p¿'od}.itividade do tr_al1alh.o., Jã entre os primitivos, enquanto
os homens caçavam, as mulheres preparavarri as refeições.
Hoje, por exemplo, planejando vencer mais facilmente na vida,
o jovem segue medicina, e, ao se formar, é ainda em função
da luta competitiva que vai procurar uma especialização, para
tornar o seu trabalho ainda mais rentável. Duas razõçs_ji¿§_-¿
lí/(íšfliufp fifiodm por fim, a_im_po_1'táiƒici__a daçdivisão de trabalho: deter-
0.ú ' min¿ar o statuâ Ílëtncional .<111z1€. É ,a_ principal qualificação
ÊIVHIO

Po definidora do status social das pessoas; e mm


T"lÍ°^¿to social, se_gu_ndpoMANNfi__ElM,_ na_s_ua_ ,forma_ i_nais 1r¿tçr__1_s,a,
porque é uma in§ç_gra@o_funcional.55 Aco_m_pçtíção, çprovp; Q”/of
çando divisãodertrabalho, deixaria de ser processo dispersivo. Ç” 5
êèsiáëiiziiza;«-.aznziez-›â-11-11-iiiof.p@f:iuê
‹¿¿iç___‹zii×_¿iSa0 ,zig gapa
6,1'
0% M?
- ‹»z
*Yi í, 17 - _* _

sff
5::
Idem, ibidem, p. 142. .
MANNHEIM, Karl, op., cit., p» 156-
@¡¿tɧSA¿ l/'(3-§(_.' 0 Ç/13° D/5 Qf$'ƒn.u'l'unJ\ Ío¿ 1/1- BMÃIW 'Mr (PL a
Noções de Sociologia (5-.M W-1,, _;o<.-l¢'0'°06 95 y\¡¿'LA9{,"'g_; _ 211

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Esquema

6 coiviPEi¬içAo
6.1 definiçao
6.2 caracteres
6.2.1 inconsciente
6.2.2 impessoal
6.2.3 estimulante
6.2.4 continua
6.3 efeitos
6.3.1 dispersão
6.3.2 seleção
6.3.3 divisão de trabalho

7 CONFLITO

H Vamos seguir para o conflito o roteiro da competi-


çao, acrescentando, após estudar-lhe a definição e as ca-
racteristicas, alguns dados sobre as formas de sua extinção.

7.1 DEFINIÇAO '


É

ao Ó
gl e §ÊäÉâ0 REcAsENs sici-iss, O oi-oeesso
5°/-fl /¡,, dneterumiriailo 'objetivo' ' 'S' ou gru"""""'pOS¿“- P-a.l:a-Cpnsegulrelil
--_-- -. ._ . _ _ ,_ ~--__P1'0curarn conscientemente ap__1_-
Q
- O

rrofAw3u sulõordiriár a"outra'_p'ÍaÍrrš od dáoffdor-


d' t °- "'""""""""""---- _ .__
5° Ou, conforme GILLIN e
GILLIN , conflito
' e' “ processo social
- atraves
_ do qual 11-1d1V1_
_ ,

56 RECASENS
SANTOS, SICHES
10€. cit., ' '
P' lólšuiâgãàâii, i>¿4so_-4_s1.rEoBALDo MIRANDA
termos:' .z Quando os indivíd › Z a efiniçao acima com os seguintes
uos ou gn-ÍPOS em competição. .. procuram,
de maneira consciente e d elibe ' ' ' -
- 1 , o u d e fe n d er _ se de semelhantes
riva fada, Sujeitar, destruir
propósitos surgeouumderrotar
conflito..um
J .

212 -
/lgerson Tabosa

_-d

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du0~°-I: É 8ru P0S_ P1l0Cura1n seus objetivos,
- - - »
atingindo o ad-
versario com violencia ou ameaça de violéncia”.5T
<_>_.‹><_›_fl1to.1ii~1.i>_â_‹,z1z1t1:@__-_ Coisa Sense a Compe iva
I recursos I'n_a_terj_...

ais ou de om oes sociais, ercebemos a aproximação


_d_§_o__i_._it_ro_s_ _e¡ no_s_\_roltamos contraëles, t-entlando obstar
d › _.__ " _" _ ' '-"' "" " ----H 1 -I -- -
seus PÉÊ-_§S0__S¿ ___e1§_<amos de competir para nos envolver
om conflitos. As expressões Hdonobjeiivo do co-iiHito_:an_i-_-I
quilar ou derrotar - parecem duras demais, mas são a
simples realidade. Basta exempliicar com formas de con-
flito, como o duelo, a guerra, a revolução. Também par- i/,'¿)¿- O
'a<'-19.8.40 1f>r0<1e.S.S0 a9ue1e_.au@ sedefendec ;{f° à.,
l-°____1'_0V°CÊ1Çã0=› q_u@ Uša afmaspëkffi 3 gêlafltía d9.S §Ê11.S. di:
reitos, çorriojficoudestacadoçnq final _d__a c_:`_l_efir1_iç_ão_. O fun- 2õ,,_,,ƒj2 /-'~.¿.
damento do conflito é Lo mesmo dacompetição: de um 0350
lado a insaciabilidade hupmaria; do out_roL a escassez dos
__1;e_c_i_.1rsos procuradog Como diz HAMILTON: “a population
of insatiable wants and a world of stubborn and
inadequate resources”.58 Ou, conforme o Dictionary of
Sociology: “conflict arises out of the principle of limitation
inherent in a finite universe”.59 _
Quanto aos efeitos do conflito, convém observar,
f-°z°f7f/O como fazem HORTON e HUNT, que, ao lado dos_efe_it__o_s__
€f¿°,š;.i desiritegrativosjpo Íconf`lito¬p_i1)_dpz tam__b_éIn. _€f€íÊ0S_
J`("1¿›Wë'¿. Entre esteSz. Ç.SÍá0ÍxÍid§ÊH€-
¡§,¡¿,¿_ oo¿i_secl._i@o ç saídas_, aume_rita_aLçoesão_do gupo; induz à
alí_anç_a com. outros gr_uP0S;_ matšm .OS .sI.1‹1.i>0.§. ‹'='i'f_<?1¬_z.1;.<. I'_'~i_ã-9_§.`›.
interesses_d_e s__eus__ ,i1'11í<_'-l81"7?uÍ1t6.`Ê”: Os efeitos
estão assim descritos: " 1
ão e ao derramamento de san ue°- l

5? GILLIN, John L. ôz.=oiLLIN,'John P.. apud CUBER John F-, Op- cit.,
. 567.
Í HAMILTON, Walton H., in Encyclopaedia ..-, IV, OP- CÍÍ-› P- 143-
FAIRCHILD, Henry P. Dictionary of Sociology, P- 59-

/Voções de Socío/ogia 213

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intergrupal; interrom e os canais normais de coo era ão-
. .. ' ' ” õo
tira a atençao dos membros aos ob etivos do u o .

7.2 CARACTERÍSTICAS
Mostremos do conflito quatro atributos que são
opostos aos do processo de competição: ser consciente,
pessoal, intermite__r_1_te e violento.61

7.2.1 Consciente

' É êuem participa_de um_co_r1flito to _faz___c_onsciente;


mente. acioat .z Em-.I£I¡F.1IIiTäm - ú z. sa a_us_ar___tod_os, os re-
cursos disponiveis, sejam golpes de força ou d_e_iriteligéncia,
para atingir_o s_eu___obj etivo o- derrotar o adversário.

7.2.2 Pessoal

"° @01T1P@fí<;ä?z a_metaco1inia_da,_esià_fora_ou eai;


__i_'n_a dos indivíduo_§_, enquanto que
_ÚÇ_D $S_ 1-J_G‹$ _1- _

fee ë ao-1:@i>1¶Siv"@iâã§. da os-S


(Íe_sulta¿d_o atr_avés`daTH:lor`i*o`fa `õ'u re_nElírnénio`d51=ívãI :
<.'Éf°11<?-is. @_1uÍëÍCi§fias› uäcomoefrazrøz todos as 'ësífvsizsz
ÉÍIÍI-lul-
- »-._ -_. -_.-

SÍflä @Êá em algo quando _r¿o_


@a.Q _Í0gQ- af-'l.S. ,5_§Ç_ÊÍfͧ§ Êe para a pessoa QO)
inimio, contra a z, em. gri-
1- u-_ 1. 1
â

7.2.3 Intermitente

_ O conflito nao e contínuo como a co u - içao E


I
C1`1'0m€-S6, e in ermi en - Patrão e operario a versários
7

l
i

60
HORTON, Paul B. 8.5 HUNT,
_
Cheste L. S ` Z ' ' N
Í.
I. äpz-i‹. Mporaw-Hii, ioôs, pp. 309-3 io. wo Ogy' Second edition' BW
PIERSON, Donald, pp. aii., p. 195_
r
I

2 14 /lgerson Tabosa

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l
l
políticos, Estados beligerantes quand
.. › o entram e _
do, estao pondo termo E1 conflitos embo m acor
- tarde novamente eclodir
mais › ra possam estes

7.2.4 Violento

Está eres cendo o numero


' --
dos sociologos que con-
`d , ` " ' COITIO C . .
um CIQS pylrlcl...

Ra_1§ §.aIa_ÇÍ€Ii€.S¬_dQ .Cm21flJ_t_Q Ç 5.1116 bem o distingue nd-g


.£3_9._f1Í1PCÍi9áQ.› n_ qm
uanto
_ ,ne,.S,a_P1'¢ Orninai ojogo
n I "_ ranco o
air G- I CQÉ1. DQTIHÊI _ pI'_QV,a_, a_s__e proce_ 1__m_e;1 0 '
aqua a e aVl9l.€1'1C1.a; 1',I.1<'=31'1_.__.._.ê.9lL1
ÔSÍ 1f=?L1lm<';1'Ê<f:_,¬_gue prev ec .
As armas Usadas, Sejam palavras ou ações, traduzidas em
insultos ou bombas, são violentas pela própria natureza.
Eilu%1'1d0 O ín¶I a ação pacifica,
Ê9_1Ê1'l›. 1121' Éi'ã<@1T!El0» 21 %I@V§í;,. a
íandorporumsinal ,par,a§_parecer.

7.3 CAUSAS

As causas dos conflitos podem ser as mais varia-


das, como são múltiplas as limitações humanas. Entre as
principais, estão as de natureza Econ_õmicã],)rel1g1osã),fculfi?
, 1 eo ogica ol1t1cãe 2 O conflito pode nascer,
v.g., entre patrão e operário, por questão de salário; entre
católico e protestante, em razão de crenças; entre intelec-
tuais, em torno de liberalismo e socialismo; entre branco e
preto, por preconceito racial; entre deputados, pela lide-
rança de suas bancadas; entre marido e mulher, .por
incompatibildiade de costumes e valores.

_* ¡_ ___

62 Vide os temas da Patologia Social do capítulo ll

Noções de Sociologia 215

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1.4 MODALIDADES
O conflito pode tomar as mais diferentes formaS_
Dentre as principais, estão: __adC1¬íSCU.S§.Ê1_0_› a luta 001” Oral
a guestao judiciária ou litígio, o duelo ghoje guase desa-
parecidoi, os ódios hereditários ou brigas de família, a
greve e o boicote, a guerra e a revolução. Em algumas,
como a guerra, o emprego da violência é indispensável;
em outras, como no litígio, as únicas armas válidas são
as da inteligência.

7.5 EXTINÇAO

Podem ser distribuídas em quatro as formas de


extinção dos conflitos: unilateral, bilateral, multilateral e
exce P cional.”

7.5.1 Forma unilateral

_l§Te,s,t*e$caso,J É uma parte__çonflitante guis o re


u a extin ao
" . S"ao exemplos de formas uni- '
1aÊera_1S a › aflílã. C ê.~...,í1'1l1€rven,çá.o 65-ia.taL A
primeira consiste na rendição de uma das partes em con-
flito em virtude do reconhecimento de que a razão esta-
Va_°°m a Ouffa- O (1116 Cfiiuivale para esta a uma vitória.
A 11"-Í@1`V@1'1Ç_‹'=10 P0C1€ Ser Judiciária, se feita por senten-
ças, proferidas por autoridades investidas de poder
jurisdicional; e policial se
_ _ , rea 1'izada por meio
-
de agen-
tes de policia.

_ ¡-_ Í

63 Vide
p_ 488 as €XP0SÍÇÕes
PAULO sobre o ass unto de RECASENS SICHES, loc. cit.,
DOURADO
~
68; e OGBURN e NIMKOFFDEO GU'SMAO`~ Manual de S°°*°l°9'“=
. . pp' 66'
› P- °1'f-› pp. 238-243.
2 16
Agerson Tabosa

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I

752
. I
Forma bilateral

A ão . . ' Or

lsso se verifica ‹_:_om__a tole_1;_ár_ic_ig, Q_ç_Qm;


p_1;9_LT1.Í-§§9- e . Na primeira modalidade, não
houve transigência de nenhum dos lados, apenas um pac-
to de convivência pacifica. Na segunda, fazem-se conces-
Söes de ambos os lados para o reencontro de um
denominador comum dos interesses antagónicos. Na ter-
ceira, houve sincera renúncia a questões de amor-próprio,
0 propósito de uma disposição amistosa, como diz
RECASENS SICHESÊ4

7.5.3 Forma multilateral

Q.Haf1.<;.1Q parta a t0,1er_â_nÇía...c0m.pr0inisso ouicriizinili-


açãofhoúver intírffehçãodoimíedm, a forrnade gextin_gão
se dizmultilateral. Ç) me,Sim_O ,oaçoirre clomfa aÊ"bitragÍ_er@que_
_§_e ç_li_st_i_ngue da mediação pelo £ato_d.e_s_eJ;ern suas, decisões
incogridicionais. As propostas do mediador valem como su-
gestões, não se impõem obrigatoriamente ás partes em litígio.

7.5.2 Forma excepcional

§ãoformas excepcionais de extinção do conflitgiš


desa_p_a__recim<f:¬_1'_¿j19_C10 ot' z . - ou
Dois rapazes, vg.. brigam
POI uma namorada. Se esta morrer, não há mais razão
Para a briga. Rússia e Estados Unidos trocavam gentilezas
110 afã de conquistar outros corpos siderais que não mais
21 lua. Em dado momento, convictos da impossibilidade de
8lCancá-los, ensarilhavam armas. ~

~._____¶_ñ _ - if i `

°°' REcAsENs s1cHEs, Luis, op. Cri., p. 488.


NOÇÕBS de Sociologia 2 1.7

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Esquema

7 CONFLITO
7.1 definição
7.2 características
7.2.1 consciente
7.2.2 pessoal
7.2.3 intermitente
7.2.4 violento
7.3 causas: económicas, religiosas, políticas etc
7.4 modalidades: luta corporal, litígio, guerra, revolução etc.
7.5 extinção
7.5.1 forma unilateral
7 .5.2 forma bilateral
7.5.3 forma multilateral
7.5.4 forma excepcional

8 AcoMoDAÇÃo z
Limitemo-nos, no exame do processo - acomoda-
ção - a estudar sua definição, principais características e
formas. Pela sua importância, está colocada, ao lado da
‹'1SSÍmÍ1aÇä0› da C01T1P@tÍÇä0 e do conflito 2 entre os mais
importantes processos sociais.

8.1 DEFINIÇÃO
Acomodação (do latim: ad + cum + modus) Sig,-,¡fi_
ca etimologicamente ada ta ao a`ustamento de um modo
a outro. A palavra foi incorporada ao vocabulário socioló-

2 18 Agerson Tabosa

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gíço por BALDWIN, c a!de_adaptação, usada no
_€_a1ff1_I2_°_d.a 51010512- ..ô.$. mUdwÇ. -
fi&fifl
§12š_1._Êl_11`_€Zš-`=\ 6 SäQ,ÍIâU$
QãIIÇHS› DUT'É1T1.k<í_ã__ a_cc_)mo_E'laçag_ s`ã`o'fsoí:'ioc"i.Il'turais e s§7
(opei:a_Ín"p<'-:Tai s`õ`çi4al'išaçL.'š-'io e pelo processo ed`u_ca§iv'Q) Para
BÂLDW1Nz êt£ãLVëS-d§J..ac | II _ 7 I _ ' ¬_'

1,_1p_,__¿_ai_"_i_d n_§_W_cpordinations are made Écomgdaçag e 0)


<p_-i:_ci1::c__;¬gs'Á!zT,0 p;e'l”oquãI_in_El.ividuos_ou,gri_ipos_se a_1usfa___rr_i _ex__ter)
gm' Ç:'namení¢`ã sii
" Ou, segundo RECASENS SICHES, mmQI¿l4
§_i_n_virtude dp qual,rin§_:li_vi§__:luo_s__9u g¿:up_os, em competição
_o_1¿__§_Ç:_H_Í1Ílí.0s .c.0.ns_er_ta.pg. as suas mútuas relações de tal
maneira que ficam superad_a_s_as_dificuldade_s que _de_Qutro
1¿_i_odo__l'iav_šria,,entre_el_e__s_.6Õ Destaquemos, por enquanto, as
funções da acomodação, devendo os demais elementos da
definição ser explicitados no item seguinte.
A acomodação evita conflito qu¬a_ndo,,_por exemplo,
g_s__‹:Tõnjuge4srecém _casJ_ado_s_proc_ii_r_am ajustar-se a todas
as situações novas, antes de se desentendere__r_ri_, Quando,
pT)i^ém,J patrãoeoplerãrio se dão *as mãos, em conciliação
está superajfdo, extinguizfido °conflito. Ensina DJACIR
MENEZES:

Na acomo " ` ' ' '-


co: a or aniza " ` ` s soci-
gisi I/isakm a reçdyzir ou ¬pr‹3.vefl.it. 0__¢O_tl,fli`t_Q_,
ç_qr;i_i.§§oZar a competição, _a§segur_q_r çi estabilidg-
de de pessoas ou grupos divergentes.”

65 BALDWIN, J. Mark, apud BURGESS, Ernst W., in Encyclopaedia ..., '


p. 403.
65 RECASENS SICHES, Luis, op. cit., p. 463.
6? MENEZES, Djacir, op. cit., p. 50.

Noções de Sociologia 219

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3.2 CARACTERÍSTICAS
A acomodação é externa, parcial ou incom Ieta,
consciente, formal e rovisória.

8.2.1 Externa

--V A pessoa que se acomoda altera ap_e_r_1as_os e emen


(tos externos de :su:a condufšä Í-iíLtf¿!;i0fIH€11Í€z____11ll8_a.C0I1Íí
mesma. O imigrante, ao se aco___nlo_d_a_r à Yida do brasileiro
passa a adotar usos e costume_s__q_1_._1e_lh_e_ a_ƒe__ta_._m_por exem-
`__-p1‹), a-Ír'esÍ-tirnenta eu-a'a'Íim_e_n'Éção. M_a_s_c_o.nIiJ:1.u_a_com_s1_1_z¿
maneira de p_en_§ar,_convic_çõ_<=§_,_prec,o_ncç_itos, valores ati-
tudes e signifigados, por algum tempo e 1_:›_a1;a_s¿eI11_p1_°§_.

8.2.2 Parcial

*ö sa ualidade da acomodação é consegyêngi \m Q.


r1me1ra A aco_1_j__no__a‹¿ao _e_pãr;c` "' ügñag e a Om
com eto o___proc_e_ 1, _ _ É p . É §arte__;nt_er;_1_a dã
HL0 12€r`1`Ti`a;neÊe
Comoc_1_acä__o altera 1 e1as, ai Ú 'J' L _'
¿com§ortaI~hë1it"ó `ëó'1iiõ ifñíiöcíoíióoíš, Êómo¬ens"f'1Ta _
SSÕS- .51. 1- 0.Sz 8 ' Í H l ' em”tofn"o*
CCS@$.1?€.CÍÍ_íCQSz_Íë1i_s çonio m_o,tiv"os_co"me_1Íci_ais, rel1š1osos E
_*
8.2.3 Consciente

"° O P_1`_°9@ë° €1.ëL_e¢0..111_0<;1a‹;ä0.é


Cn C. ¡ PCSSÚB. aCÓ1T].Oaa CITI en] Ínlra CVI a_`I_"`L]_1'_[1
_ m maio
u 1rar
_ _ _ rove1o ¢,E.I¡TúWaIs;;¡¡EEI¡¿=›I_)v
_ _ melh ' uma
or cumpr1r
le1 1n_1usta do que sujeitar-se às penalidades por e1a im-

às YOUNG, Kimbal, apud SANTOS, Teobaldo Miranda op Cít p 111

220 Agerson Tabosa

_.¿

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p0SÍ‹'1S- QUGHCÍO d0íS partidos políticos se acomodam, atra-
_VëS. de uma C01ÍgaÇä0
__
para derrotar um terceiro 1 houve pla-
ne; amento e havera vantagens. /Q 3
L/Aus; z ?">r/3/¬ 0/5 c./ur",
/Pífla
8.2.4 Formal _

_* A aC.9mQdaÇä0 É f01'1f1Í1€¿1l pelo fato _‹_:_l€ ser ešteÍ'na2


affë- ›9°11S°-15 -
ac1o_n lza a, ar 1 1_c1a iza a Os co
pessoas acomodadas são, em geral_,_c_ontato_s secundar1os,
ÍQ1;mël1Z_8...d9§., Qx§z1t_a1nente porque* não h_a, entre ela_s, uma
rdegtidade de pensar e de sentir

8.2.5 Provisória
z zz ir- 7 _ 7 1 `Í_ _-- ._ ' _ _ I

entre ol conlflitoleça assimilalçñ Dois jovens cônjuges po-


dem facilmente passar da acomodação ã assimilação, en-
quanto que dois partidos políticos adversários acomodados
podem frequentemente se desentender e voltar ao confli-
to. No caso do imigrante, pode ser que ele fique para sem-
pre acomodado, em razão das barreiras que se levantam
para sua assimilação. Mas o normal é ele tender para assi-
milar-se. As alterações verificadas no seu comportamento
externo já o tornaram mais parecido com os nativos do
que com os do seu grupo de origem, pelo que sua aceita-
ção pelo novo grupo se torna muito mais facil. Ademais,
sua integração completa ã nova sociedade lhe trará inú-
meras vantagens.

8.3 FORMAS

`..> Entre as principais formas de acomodação, estão a


O a@ A
| decorre geralmente de__u_1'1_'_1_a_v1t_‹Í'›1_:1ç-__1,_das condiçoes

A/Oçães de Soc/Io/ogia 221

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impostas ao ‹í§Q0@d - Mas pode também ser
proveniente de uma ascendência baseada em normas jundí__
CAS e no prestígio indiviziuai. As- <;1§_ma-1§› f€>I`1'1i1àf=!-?›_i§_m%____eA.
tudadas uando do exame _d&1 ..ÇXU1lÇ.ä0.__<.í0 C011fl1'E0.69
L f f ' L* " _-O-mí.

Esquema

8 ACOMODAÇAO
8.1 definição
8.2 características
8.2.1 externa
8.2.2 parcial
8.2.3 consciente
8.2.4 formal
8.2.5 provisória
8.3 formas: subordinação, compromisso, conciliação e conversão

9 AssiMiLACÃo

.
Da
.
aSS1mí1aÇão vamos estudar a definição 3 as ca-
1' - - . . .
actenSt1CaS›_aS @SP€C1@S. 6, por fim, os fatores que facili-
tam 0 aparecimento do pro¢eSS0_

l 9.1 DEFINIÇÃO

C0_ Et1m11081Ca1T1€H'E€, a assimilação é o fato de uma


_.._.1S_Ê-__tÊ1'. ~'ãÊ..Í9Tnado semelhante'
Slmlhs. com eS Do latim ad +
mesmo sentido do étimo, a palavra p‹f-AIS'

69 vide . _ A o Dicionario
1 ~ z -
de CS0 ci' ' A
dentes as formas de acomod 01€-)gla› da Globo, os verbetes corresp01'1 -
aça 0. passim.
'
222
Agerson Tabosã

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sou a ser usada em Vários campos da ciência ' Assim 2 em
Biologia. o alimento é oooimiiooo, quando uma voz digeri-
do passa a exercer função nutritiva. Em psicologia, fala-se
que a 1"10Ção foi assimilada, quando a mente ajusta os da-
dos da informação captados pelos sentidos ao acervo de
conhecimentos jã armazenados.
Sociologicamente, assimilação é, segundo PARK e
BURGESS, um

-_» proceso de _¡_:¿enetración¬mu_t_u_a y [usión


%_ en el que personas
._ _... .
y grupos
_- l._
adquieren
_._,__
los
4 ¬______ _______...ø
recuerdos, sentzmientos y actitudes de otras
--« I 1 ----« i¬- _ _ , J _ _ __ _ ____,,_...-na

pe al com artir su ex e-
riencia e historia
_ .O _ ___se incorporan_ _, a ellos en la
vida cultural? qz_____
W ...i ___... l
Mais resumidarnente iii; que/.aÍss_irni_laçao é o]
`poToÍquo1`tfi...d'i§¿í<fi1
Idoatífiaf Sísoifi<=e. í.@ê.-Le.
tornar o_mo.smo. f:3`rñoã'uS
_rãngendpi tanfog a condufišxterna qu"ín1_:`p o_s._l__š]
@)___S_in-tierifiois, tiantolasmaneiras deägir Is§c
@šg`@¿ärasÁš..š,e.n ¿'"

9.2 CARACTERÍSTICAS
Os atributos da assimilação são de certa maneira
opostos aos da acomodação. Ela é í1'1Íí<2___1'¿1_E¿, _Ê9__Êê__1› 63 Onta-
nea e contínua.

7° PARK, R. E. 8a BURGESS, E. W., apud OGBURN 8:. NIMKOFF, op.


cit., p. 247, Essa definição também se encontra em DOURADO DE
GUSMÃO. Manual ..., p. 69.

Noções de Sac/'o/ogia 223

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9.2.1 Interna

-fr A ossimiiooào
essoa-asuamaneiraesentir ø- fl - II uz .zu -
estará assimilado ao brasileir _
do as ' ' os uando ad 11'-
rir nossos símbolos nossas cren as, nossos preconceitos,
ossos valores e nossos entimentos uando, numa ala-
-
9.2.2 Total

'“"° Aassimila ose e em ;eral ãacomoda ão.


\

\ aves esta,aconduta externa ja oi teraa caen z z


I I

o ›-gi-1»ocesso as i ilativo rnoi icar o oWUñ .I


I

Então a modificação da conduta foi total ou completa. O


imigrante que já havia modi ica o sua imentação, sua
indumentária e demais hábitos externos, passará por uma
transformação oompleta, ao modificar também suas con-
vicções, seus pontos de vista, seus valores. ÓL

9.2.3 Espontânea

__A__ass_in_'iila_çãç_› Ie um processo natural, espontâneo]


Q A politica ímigyatória
de um Estado não pode ditar normas para a assimilação
dos adventi ` ` eria uma maneira de dificultã-la.
PIERSON cita o exemplo da Alemanha, do tempo de
BÍS1T1€=11'Ck. tentando germanizar, através de legislação espe-
CÍa1› gI`11P0S de camponeses polacos. A reapão destes não S6
fez es er - ' ' '
P.Q1Q_1'lëS_a_i ' mente a lealdade aos anti 0
valores culturais” e a retensão alemã foi frustrada.” (P4p[)›=$i=
IA?-0 Aos V/*LOWE5 (5'H.\‹5I)Ao°wL°› D/J 1:3* Coëmqzi HUp9Mt)_
71 PIERSON, Donald, ibidem, pp. 212-213.

224 Agerson Tabosa

_.

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9.2.4 Contínua

`-*=' Diz-se que a assimilação


(Êm__1Ên.'Ê9 Pšflšl mfilllfi-1T_aq
.Não é_ transitõ_:_i_'iç_› ¬cpm_o1n *
‹¿l¿ipã¿‹)_. Quando marido e mulher se assimilam, permane-
cem, via de regra, nesse status,

9.3 ESPÉCIES A
A assimilação pode ser unilateral e bilateral.

9.3.1 Unilateral

É }l1'1ila'E€I'8lqua.tLd0apenas uma parte altera sua


_c_p_nd1_.ita. Eo_caso da aëimilação do estrangeiro ap__ilaç_i_o_-
palpdo país para onde se tr_ansfer_i_u__. Mas o certo é que
alguma coisa de alienígena se transmite ao nativo. A cul-
t_ura_ depupmpaís ,de imigrapão nunqa permanece imune a,
influências de outra.s,C1.il_t1.1La_S..
Iii-l Il I_ ' '
Í _

9.3.2 Bilateral

A assímí1a l.Q11oi1'1C_l__Q há
no procedimento de ariƒibospos, lados. A maneira de viver de
um casal assimilado é o resultado de alterações no modus
vivendi' do esposo e no da esposa. Claro que essas modifi-
cações não se dão por igual em ambas as partes.

9.4 FATORES

Entre os diversos fatores que favorecem ã assimi-


lação, estão a inteligência, a idade, a simpatia recíproca, a
frequência de contatos, a liberdade e a semelhança de cul-
tura, segundo o esquema de RECASENS SICHES.”

72 RECASENSSICI-IES, Luís. op- oitz. II. pio- 467-468-


/Voções de Socio/og/'a 225

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9.4.1 Inteligência
Entre dois amigos inteligentes, a assimilação se
processa com mais rapidez. E próprio da pessoa inteligen-
1; e sair
' -Sa sem p re bem em qualquer situaçao. Para isso,
rapidamente se adapta, acomoda-se e vai adiante. S6 f0r
preciso. Evidentemente que um italiano, Por eXe1TlP10, nos
Estados Unidos, viverá muito melhor, se levar uma vida
de americano. '

9.4.2 Idade

As pessoas idosas são, por natureza, refratãrias a


mudanças, a modificar procedimentos-, a aceitar inovações.
Os anos as fazem conformistas, conservadoras, reacioná-
rias. Entre jovens, é mais fácil processar-se a assimilação.

9.4.3 Simpatia

Simpatia significa sentir com (do grego: syn + patia).


Ora, se já existe identidade de coração, é fácil haver tam-
bem sintonia de espirito, para a identificação total da ma-
neira de viver.

9.4.4 Contatos

Já vimos que o contato é inovador. Se ele é frequen-


te, entre pessoas, pode propiciar-lhes uma afinidade de esti-
lo de vida. Diz CUBER: “As the persons interact, each becomes
acquainted With the other”s behavior and consciously or
unconciouslyoften tends to conform more closely to the
otl¬.er”."`3 São os contatos primários os que exercem mais in-
fluência sobre a assimilação. A assimilação é mais completa,
diz YOUNG, onde os contatos são primái~ios.74

,ÍÍ CUBER. Jehn, op. cit., p. 574_


YOUNG» K1mba1› apud SANTOS. Teobaldo Miranda, ibidem, p. 111-

226 Agerson M2055

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9.4.5 Liberdade

I A 1'lberdade e-' indispensável


° - . a.. assimilçao,
. . _ .. que
ja
esta e, como vimos, espontânea

9.4.6 Afinidade cultural

_ Um português ou um espanhol se assimila mais


rapidamente ao brasileiro do que o norueguês ou o
nipõnico. Isso porque a distãncia entre a cultura brasilei-
ra e a iberica é menor do que a existente entre aquela e a
escandinava ou a japonesa.

Esquema

9 ASSIMILAÇAO
9.1 definição
9.2 características
9.2.1 interna -
9.2.2 total
9.2.3 espontânea
9.2.4 contínua
9.3 espécies
9.3.1 unilateral
9.3.2 bilateral
9.4 fatores
9.4.1 inteligência
9.4.2 idade
9.4.3 simpatia
9.4.4 contatos
9.4.5 liberdade
9.4.6 afinidade cultural

Noções de Sociologia 227

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