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Felippe Augusto de Miranda Rosa

SOCIOLOGIA DO DIREITO
O fenômeno juridico como fato social

15% edição

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Jorge Zahar Editor


Rio de Janeiro

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Copyright © 1970, 1981, EA. de Miranda Rosa

Todos os direitos reservados.


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ou em parte, constitui violação do copyright. (Lei 5.988)

1999
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1981 (7“ ed. rev. e amp.), 1984, 1992, 1993, 1994,
1996 (duas ed.), 1997

CIP-Brasil. Catalogação-na-fonte
Sindicato Nacional dos Editores de Livros, Rj.

Rosa, Felippe Augusto de Miranda


¡ R69-4s Sociologia do direito: o fenômeno juridífiü
como Eato social/ Felippe Augusto de Miranda À
Rosa. - Rio de Janeirozjorge Zahar Ed.

Bibliografia.
ISBN 85-7110-219-8

- 1. Sociologia jurídica. I. Título.

91-0902 CDU - 340.11 «

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CAPÍTULO V

0 DIREITO, A SOLUÇÃO DE CONFLITOS


E A MUDANÇA SOCIAL 1

1 - 0 conflito como processo social. Discussao do conceito.


2 -- Uma tipologia dos meios de acomodação de conflitos.
Negociação direta, mediação ou conciliação, arbitramento,
recurso ao aparelho judicial. 3 -- As normas jurídicas e
sua influência. nos diversos tipos referidos. Normas de outra
natureza. t - Fatos determinantes das opções quanto aos
tipos aludidos. O que e_fetivamente ocorre e suas motivações.
5 - A mudança social e o Direito. Diferentes maneiras de
conceituar a mudança social. Enfoque estrutural. A inudauçfl
como processo. Evolução, desenvolvimento e progresso. 6 -
A idéia das transformações “signiƒz`cativas”. A mudança
como um universal da sociedade. Mudança perceptível.
Transformações duráveis. 7 -- Macro e micromudauças.
Abrangência do conceito. 8 - Conclusão.

_ _'

1 O texto deste capítulo é o resultado da fusão É 1`Êf.°rI2:1õ$:£


pai*cial de dois artigos publicados in Arquivos do z1Jíi)nist_‹fiÍct'ff> no 146
' - . , . ' 1 1re1 0 , - i
ÚWQI, 9 primeiro, *O Conceito de Mudança Socia e 0 _ de Conflitos”,
abril-Junho, 1978 e o segundo, “O Direito e a So1uçfl0 . ão dada
n-'° 143, 0ut\1.bi°o-dezembro, 1978. É aqui agradecída a permlss
Para isso.

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Pretendemos examinar aqui, inicialmente, embora
1 de maneira sucinta, as relações en1',i;e_o_pr_o_ee55p
' _socia1 dep_conf1it,Q _e_ _o _Direit9_. _É_ elementar na
2 6'”'”Ê"teoria sociolõgica á. afirmaçãg _dg gue a vida social en-
T/f'°5 Ã TyQš :dei processos de interação, uns
fweá- tendenteš E áÍglu,tinar ou acentuar a associação, e outros
Í1'¢f^“-' tendentes a afastar ou reduzir a interação grual 2 QÊ
Áó¿sƒ/~a . . - . . . , .. , z. . .s.
7'¬lv-14 Ô: 5 __ O A 6' .U i uligäkj
9/ƒJc‹zâ1.' qfe'e::ede/ceonflTt`Q;
_ fàuee, .I ,
___ ....._.i ° G-
cp'n'“s'Ta.n - ' . via s O- , " GSS8. 9 ` C°""f¿/Z
EO _ S'ii=ili.~'T.'i`¡Ii*i=J_v.»~i:.ui¢ism 'EE 77' ‹
e "ësenacomo um grau aguo aquee, em C1 ' _
en c"'§_@xf___êr~;, '
m[Lreai
ra a de , 0 ' ' 'velem
todas as manifeSta§Õ§S da Vida S00ial-_
z A/UW¡ diversos t_ip_os de sgc1e5_:le._d§,_da_§_ _1_11ê1§_ $
_ t__-É complexas, de modo que e QOSSIXÊÍ af11`@ar_ que leste
ñas so¢ieaa‹ie'en=1'gué eienãó apareça, Qlõnfreclioqu °' B-
ug en1ze,n‹iIaos.na sua 3 sinifica
. . ão mms
. . S1mP1@S› Ê?
, _
¿qUF¿”B estanosenumamera vive _. . ou mais es ._
cia na - m fenomens de 0'-._-.'ÍpI1`_]âf'§'l° .
ifiggg ou e re acionamentos pre eren -. -
_ ,. ões em que o con 1 o se faz atuan e. 4- _
kr. O conflito pode ser definido como
ps
past.
as ‹
cs~›FUn
2 Apesar de ser essa uma aboiflagem cofriqueira da tiärfla ÊÊÊ
processos sociais, a seu respeito fazemos a8I013 algàmlas cms!
u ' .
Ç e

que permitirão melhor introduzir o tema deste ¢3P1 U °-

¡--._-__._'____
"_¬-... __

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i
O/
78 Sociologia do Direito

É erir ou eliminar os rivais. Em verdade o con 1 0 é šóälfzi'


ga-9 c ' I i ' ' " 'I 1' - cm' . .o 1- . -I -. 65%
. . 90
ø. oonen e. Ele se i_¿ei°1fic,a_en,tr in iviuos ou ru 05 /mz.
ou organizações, ou mesmo entre sociedades, umas com D5 Éiilrtz
as outras, ou de individuos com grupos e7gu__o_rg_an1'zaçoes, T*
de grupos com_ açsopiedade _g1oba1 etc. Sempre que seja
m e.c_boque rde__i_1_'ite__1°es_s__es de gual-
guer_ _esp_écie _entI'e atore,S0Ll_3E§H_teS. na Vida SOCÍHI. es-
gtar-se-á identificando a existência do processo de conflito,
Dlfifšiezmsanaçoes as m¬‹1iS'erefffideí
€rl"l'“=”D o en_ e ‹z;_pessoal e ip er ' o passo ue
W__f`¿ .-~ 'S DE e_1n¢or1__scii_e;i eieile-
Çoc ¡l.¿) Emilio Willems define o,,_ç,_on_f_lito omo “competição
ll consciente entiƒe individuos ou_,ent,r_eJ_gri1p ue vis a
sujeição ou ã destruíçpãogdo  ri_v¿_zi_l_. uflresu an ro visive
É a. orgašná1z_açao f;p§t1'ca_(1J_ __ rgrupa e in ragrupa e
1 n '_"""""__' ' o _
s_ WdwT
ml _' o`rgan'izãçã@ "O *con
versas, como a rivalidade, a discussão, até o litígio, o
duelo, a sabotagem, a revolução, a guerra, compreendi-
das nele, portanto, todas as formas de lutas abertas
ou não.” O conceito não difere em muito daquele
outro antes mencionado. Yale gdizer, entretan1_;_o, pg
QOSBI' . te_rá, sido ¬m.ais__genei.:al'izanI.€¬_B~C
_1uta,pe¡1g___ s_t_g._tus, F,pelogp,odegr,,e pelos recursgs esc_a_s,s_Q§_.__
Outra maneira de abordar a conceituação do conflito
é aquela em que, insistindo Lna forma de luta de indi-
_____s_p_Ví<1u0S
OH ru Os..
°9°fief ›
Enquanto a competição determina a posião que um in-,. `
mam-_
Qzzm. z'õzfiu"z¶â¬à”oê“, rs-to re'-'-_"<1¬-fi¬b-"",Suz.1Sz~1w
W1
es acial, o conflito determina o seu luar na socieda
OI1S€8.,0S8LlS(1uSn 'u. u. 5G.

3 L. A. COSER, The Functions of Social Conflict, The Free


Press, 1956, pág. 8.
4 EMILIO WILLEMS, Dictiqnnaire de Sociologie, Marcel Riviere
et Çie-1 _ Paris, 1960, edição francesa modificada do Dicionário de -
Sociologia originalmente publicado em 1950 pela Ed. Globo
5 SAMUEL KOENIG, Elementos de Sociologia, Zahar Editores, Rio
de Janeiro, 1967, pág. 308.

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I

Mudança Social 79

Dessas breves indicações conceituais a respeito do


_ 2 conflito, 6 é possivel compreender facilmente a sua
P
importancia no estudo do Direito e a relação es-
treita entre os fenômenos jurídicos e tal processo social.
C indiretamente, e si-
tuações conflitantes, ou seja, a situações em que o pm.-
. P,fu. .esso de conflito esteja presente, at
gn Jócfêfl enormas, sociais de
¿b¡,9¡¿,,,,,,,natureza espec1al,(eütadas por in"s` ui oes _es e:iI§@
_, ffzšwz . - « enr9__e un-1a_oran1za a e eu
G Ie ..,,,,.,,.~.~,§ mz.ç_ee_*é,preeésmeniê
ppm? 95 S_, mc_es_samsim
C0r¡FL¡2'n3 . Em essencia , o_D11ie1t0 e _um _ ,sistema
_ de normas que tem
,,__,___
por objeto assegurarçque os comportam F1c‹›,¡,
Jvo
ajustem___as,,expe,ctativassQcialmen.t.e_esI.abelecidas_naq,uiln(¿~ ..' ,.
gggé considerad9._IT1aisimp_o_I_t§-l_11.'Ç.Q. Dessa maneira, quan- 42%.;
do norma constitucional dispõe, por exemplo, sobre os
poderes do Estado e sobre sua distribuição de competên-
cia Q q1.1e,_s_e está fazendo é prevenir a eclosão de situa-
ções conflitanteseest,ab,eleͧ_e_r, des`de`lõgio`, ãs formas de
compos,içÕ€$_<ífi_S ÍÇen_sõ,es,,que_,o processo de conflito pode
.'Q___1'0
dL1Z.1L.a_G_Q.mQC1a_I1d0
` __Qs _in_1;§.resses opostos ou as pre -
.tensões rsontrárias -umas as ..ou.1;.1;a.s..
Ocorre que a solução de conflitos que se manifesta
.l pf; na vida da sociedade humana não é deixada somente às
gd* M normas jurídicas. ()¿cos¿_l;_1_._1nf¿e_s, as normas de natureza
/ ° f(°““_l'f? moral ou religiosa, e outras formas normatwas da vida
›'*€"'9\ social, con uzeií1"_tõa_m]5e_'1_n`__ã _acomodação dos interesses
-5°;:$"¿'F;¿ conflitantes de modo que no universo da intera ão so-
um ru 'Sl
ial muitos mecanismos, ou processos, atuam simultanea-
""*!^oruL;
mente, compondo, acom"oEIando ou ajustando situaço"es. 7
-/7(;7U(*Í°, ¿1<__

. 6 Sobre a problemática do conflito, há ainda aspectos não-orto-


doxos do processo, em que não se identificam propriamente atores
em conflito, mas tendências, ou processos conflitantes, de maneira
impessoal, dentro da vida social, como, por exemplo, a interação
entre a auto-imagem que uma sociedade se faz e a sua efetiva orga-
nização social. Ver a propósito, ROBERTO MANGABEIRA UNGER, La-w
in Modem Society, The Free Press, N. York, 1976, um estimulante
esforço 'de reavaliação dos fenômenos da normatividade em suas di-
versas manifestações e implicações.
7 É copiosa a literatura sociológica sobre a acomodação como
processo social. Reporte-se o leitor interessado, por exemplo, a PAULO
DOURADO GUSMÃO, Manual de Sociologia, Ed. Forense, Rio, 5.* ed.,
(9 5¿;¡›,.zz,z.;z1`zz Pê' poõzufâ (6-.<15f¿.=m M Fat-Iõs 5 <zz.›\›l^»°~f'E.f°1__)
Car» _<.šz£.»‹,1'~.‹= pel oflfl Ç‹></GÕ›°/75 Co»/Fé/I Em (G1-\nó~^flG¿U) (T
,gun ""m/béf Afuúz. _

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, _

30 Sociologia do Direito

Da mesma forma,
5:»-a se enpem
1__a'*_°*~‹=ir__ onflito não se esgotam npl li_tí_g_io judicial. Isso é_elemen-
_,o,f*›;/_ ter-. _*_mum_
fãuewl
cu* _(' çoes de copflipo tambem tem soluçoes nas sociedades pre-
¿'fil u_ Seia_mquelwteL
se tenha iiisti_t_uçi¿_)n__aljz8.dQ.. Os estudos antropológicos em
todš as sociedades mais simples o demonstram clara-E
mente. Q_utr__a situação n_ãoJpode,ria_exi§.tii;,__ sob pena da
__‹_i_e_sintegração da vida social em tais grupos, que não per-
sisfifiarñ. Uogo, 'a par"com la`*s”`instTtui`ç'õEís qfie"`pef'mitem
a solução judicial das situações conflitantes, outros mo- l
d°S de S°1}1§.ã0__d@__ Ç<?Dzf1i1`-OS §Xí§I».eII..1 .e_we
g-¿ndo algys autores. flmfli0.tia dos conflms .
_ resolveng_o_-pos _n,os__ter1nos_da.acomodaç-ão-neeessázria.
7"/,og-l> A teoria tem salien t a d o g_uatr __Q __p ti os de solugo de
"%"..!'o¿_,:, eçnflitos pela aco_r_nodaç_ão tdos __i¿itei§e__ss_e_s dos o onentes:
9-fz za er
°°~z~'2 oz, No primeiro
YflÊe@i desses t`i`pos, as partes se entendem direta-
.És `Íf1€s00_i`f=1.fif1_L9_.11:Í1,jI.'iiífí'i@»_...§ll.š=?1.áiši$í1..bi11<'Íl§;Ê_ëii_ä_B___.zfetenSã°
ge_pz-.n.e_op_0nente.. .<1e.maesi1f.e.gi1e._s.e_.ac9
Ç _S§ _hš3~_1f_ia._1;1.r.0.duzid.0,.fa2.e,_nd__o cessar a opo-
siçee' manifestada. liasputras ,trésformasede pomposição
de conflito fracassada o_u___n_ão, pti,li_zac_la a negociação di-
izeta, existe a intervenção de terceiro gue atua para a
sglução de conflito.
liader ou mediador, cuja fuiie§_0"..._Sši'.i.8-_bl.1sear no entendi-
mento direto com as partes conflitantes a forma de ac o -
modação gue ppssa ser aceita por ambas, de modo a fa-
zer cessar ou amainar o conflito, Já o arpitzzamento pres-
supõe a existência de um ou mais árbitros, ' ` fun Ç ão ,
cuja
é mediante solicita ão daqueles que se opoem no pro-
cesso de conflito, dirimir «_ - 1* ias e a irm ~.-_ .-› .p ø

a fórmula gue deve revestir a acomodaçao necessaria.


que salientar, entretante, gue ainda pág se movimentou a

E 1977. Pág- 66; DONALD PIERSON, Teoria e Pesquisa em Sociologia,


Ed. Melhoramentos, S. Paulo, Cap. XVI em sucessivas edições; EVA
MÁRIA LAKATOS, Sociologia Geral, Ed. Atlas, S. Paulo, 1976, Cap. 5;
Rscsssns Sicnss, Tratado de Sociologia, Ed. Globo (edição brasi-
lfiffãl, Porto Alegre, Cap. XIX; e muitos outros.

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@V- L- “(597/fé! ¿,z,,f.¡.: ¿,: 5(_
Mudança Social 31

ã uina estatal, ou se'a 0 a arelh do Judiciário É ver


dade que, em face das práticas na sociedade industrial e
dlanffe de CUSPOSIÇÕBS legais, o arbitramento resolve-se
frequentemente numa homšglogação judicial, mas esse as-
pecto não é de sua essënci . .lã o lítí io em juízo envolve
fiLdnS,pgartes oponentes ao aparelho
judicial estatal, reclamando, mediante a prestação juris-
mc_1_onal._<i.ue, se _re..šoli¢a_o_Íco.nífif0. 651S15Qnd9_
`_____.__.0.Pt@f‹2SS@S
em ommsw.u...e.._
_s_igpific§. a_,_aco_rr_i,odação de _t_;_ais_ interesses.
Os quatro modos de se chegar ã acomodação que
“resolve” o conflito são, assim, pertencentes a determi-
nadas categorias distintas. Do po_n¬to,de_y_ista dos agentes
ou iristrumentos da solução, ,eles ,podem ser divididos em
_ g9_i_s grupos; o da negociação direta, de um 1a_ç_lo, e o gue
,"íj_C/W/šm¡abran_gea"intë;rvefi:ç*ãode terceiros (inclusive a mediação
(3 o arbitramento ie ,olítigio flemijuizofi. `"A dišfiñçãm
gf"-Uiá/50 portante porque, no primeiro, caso, o grau de,confli__to_e`;
96 presumiC10_Ln__eno.sagudo.,.tanto gue, as ç pa__rtes gponentes
“O/“Him _1_i_ão__ se _ exi_m.e1I1_de Hes00,í_sIf dífs1;e_1E@ots_ B _ fl.tn
recurso chegam acompor ou acomodar os seus _i_i_itç-_i_z____‹=:s-
ses. engua_nto¬n0S demais iásá rëfifišã aquele imi>.0S___...Sibi-
lidade de, negociação d_ire_ta, a indicar um grau mais ip-
tenso de conflitoifde tal modo_
intervenção Jçle, té_rce_fif"qsÍ_; Efapazies de mediar, ou arbitrar,
nitm_), confliio de_i_nteresses Ja
roduzidoj _ _ _ _
Outra maneira de distinguir os diversos modos de
acomodação de conflitos salienta o fato de que _a_@¿ç_¡-._}g
¡ pela negociação direta e pela mediaçao nao envolvem uma
Mdecisão
que s`e'Fiii¬~Éi"pÕi'ilía' 5oãtivã
_ §-
(Í gw
¿_0%~¡.],¡¡9¿ exigido, seja diretamente alcançado, seja qi_i_anto_`a_fc_¿rr_i_i_í¿1_
*pe 9,; Qie,-eei'¿i'el_é: eofismiâmE0'.m
~ ,mm mae Q erbitre@,epio¿mb9m1
" ' ntem uma for a coativa ro
SMÊ
m
re uma solução que é impos a coativamente_as artes
interessa das . uanto . portanto › à força coativa ou ao
er im sitivo da orma e acomo a ao encon ra a
- ' " ' di ' m
de um lado estao a negociaçao direta e a me açao, se

_ 1 7 7

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Sociologia do Direito
8?

ualuertraço dessa for a coativa e de outro o arbitra.


ntoe z -_ udicial em ue embora em raus di-
versos tal for coativa se manifesta. _
Quanto aos modos de solução dos conflitos, segundo
¿(,, ¡¡z a natureza dos agentes que o 'medeiam ou o acomodam,
U tambem e ossivel dizer ue eles dividem se em instru-
1,» mentos 'udiciais e em instrumentos extra udiciais ou nao-
” “fz” judiciais (no caso, a negociação direta, a mediação e o
arbitramento, na fase anterior ao pedido de homologaçgo
/455%; išt5 _ñã`Í1esis.Iã@oJ. -
plo, no Brasi1)__. A/Ã; zw:/1 .f ff- fin/~ 3/. ¿- 73'-*7/*?f
Assim temos que, do ponto de vista do agente ou do
instrumento de solução de conflitos e da força coativa
ou da conseqüência direta da fórmula encontrada para
tal fim, três são as maneiras de classifica-las.3

Há entretanto, um outro aspecto essencial a con-


3 siderar em relação a esse ponto. Trata-se do tipo
de normas que influem ou podem influir na ado-
ção das soluções buscadas. Aqui voltamos, sob outro
aspecto, às considerações inicialmente feitas. É gue in-
fluem,oupodem,iri_iÍl_u_i_r:, __i_ia__,solução de conflitos, es nçr-
mas de direito positivo ou nãcÊ7Aque1as'são todo o elenco
de normas legais e"aš"rdÉ-í~`mais são, principalmente, as nor-
mas costumeiras, religiosas, morais etc.
Cabfi aprofundar um pouco esta discussão no que se
refere à atuação das normas legais ou não-legais como
pano de fundo ou quadro normativo que influencia a so
luçao_ de conflitos. É evidente gue toda açQmQdaçaQ__de.
conflitos se faz por referência a normas de conduta so-
-ÊCÍAÕ ` l. Fora universo norma ivo não há como encon-
trar-se acomodações adequadas. A propria d_oo15ã_Q_de_5_e
54°/°¬°9‹iƒgz"' zzfi g9,.z{¡~¿/ _; ` E
_” Existem estudos numerosos a respeito nos documentos ro-
g:Z1%Ê:__£01`(Cl1mt gruão de trabalho sob a égide do chamado Ceiritro
__________________ã__ ___Ê_TlC1_'o _uroš›eu _de Coordenação de Pesquisa e de E0-
Sociais órgão daeflglas ociai_s, do Conselho Internacional de Ciência!-3
referir'B_ M BLEGv___1;_8`9‹š1)1ZaÇao das Naçoes Unidas). Vale tambem
“_ Means __f- S__l_______ ,C . O, BoLniNc e Oi_.iê: Limpo, Arbitfz-ation as
Copenhague 1973_ 1% °"fh¢¿8› New Social Science MonographS›
the Adminiistratoi i RÊTEN .ECKHOFÉ “The Mediator, the Judge and
S' ' n Oflfllct Resolution” in Contributions to the
°°'°'°°H °f I-ww, Co enhegue isso '
@V¡9G lflQfi¡°S Miifliwí De r:f..›|~›i>‹:› ilqfólifo ‹fu.5¢:Nlli'^iš"'i"

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Mudança Social 33

m
partes convencionam, tácita ou eggpressamente, bg;
H -forma ,encontrada
t IJ0I1I_1eJ'›i_Ye__ ez em Si mesm__a.' ._in_=~
¢- 1/fee' e flefwf- P6 Pfkiffifriif 96
Ore, uma consi eração se impõe aqui. É que tudo ffl{'*t`í
está a indicar que as normas de Direito formam
. grande 'if-I §f'‹r'1è
ei-
parte do pano de fundo sobre o qual se projetam os mo- ¿›,¡¿,,,,,
dos pelos quais se procura obter solução para os conflitos. ¡¿-z,,¿¿,,é
Em outras palavras, lia indicações de <].L1.e__0_D.í1;eitç é in-
_f__l_pçn_te_e¿_n_t9dos Qs_tip_os_ou_maneii:as de solução de con-
eienw0S. atuando rasto siuanto___outias_as
.I.39.1;_mÀS. ,<1e,,eeflviV,ë,f1C.íe huníene.. ‹i.ue_sã.0...ent.r.e1ante..em
muito maioi_'__ núme_ro_do que as n_or¿nas jurídicas, Essa
presença da regraiideiiliíireito qem escala maior do que se-
ria razoável esperar por sua simples participação pro-
porcional no conjunto das normas atuantes na vida social,
e_ agora no caso especial da solução de conflitos, é im-
Defteflfie- .Se nãepeãe ,Jnezj9rita1;ias1eis_noi:mas. .há___d_e_sei:
m0ma_coa£üÀ due _as_de1.neiS..e1š1_1l
de eerreeizenderemmeis -r.1i.t.is1.a
cial quanto ã sua neces§_idade_ e____ç_1_u_an_t_o `_`a sua exigibilidade,
Essas considerações, de natureza teórica, devem merecer
especial atenção dos pesquisadores, especialmente daque-
les que se dedicam `a Sociologia do Direito. Não nos de-
teremos nelas, entretanto, aqui e agora, bastando referir
tais possibilidades de estudo.
Até que ponto, entretanto, será efetiva essa grande
participação do mundo normativo jurídico, entendido co-
mo o conjunto de normas do Direito positivo, na solução
de conflitos sociais? Por outro lado, em que escala se
poderá dizer que as normas costumeiras intervém no
mesmo quadro, principalmente quando “sacralizadas”
pela lei? Não serão as demais normas de comportamento
social, sobretudo as costumeiras em geral, e muito espe-
cialmente as que se vinculam aos mares, tão importantes
na solução de conflitos sociais quanto as normas juridi-
cas? Essas indagações merecem uma exploração -apropria-
da. Não nos parece que se possa continuar no terreno
estritamente especulativo, no que conceme à verificaçao
da reailidade. A matéria está a exigir investigação cien-

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84 Sociologia do Direito

tífica da realidade concreta, em que se procure verifica;


como efetivamente são enfrentados esses conflitos na S0.
ciedade contemporânea, especialmente na sociedade bra.
sileira.
Por enquanto, vale acrescentar que as normas de D1.
reito positivo dominam as soluções de conflito no litígio
judicial. Elas influem domínantemente no arbitramento'
atuam, com menor incidência, na mediação; e freqüenta
mente estão presentes na maneira pela qual as partos
compõem os seus interesses na negociação direta. É co-
mum q_ue essa pomposição se faça, tendo em vista o que
0 Direito dispoe sobre a matéria. Por outro lado og
r_io_r_mas não legais, ou melhor, _aquel_a__s que não perten-
_çe__m"_a_._ esffera ”d'o Direito positivo são utilizadas também,
com fregüçnçii __i_iö__`__a_r_lf›"fi_raii"ri'f_ç:jito`, “especialmente normas
d_e___ç_a131fter__ técnico; na mediação ou conciliação, principal-
mente na_s __d¿:_ n_a7EuTe"z'ã.`5oistÍi_i}ie_ii;_a., I giosa',e
na rg:-_g_o_§:i¿¡i__ç__a__o _d_ireE1,i com *ênfase nos mesmos tipos, en-
uan o no litígio _judiÇ_i_â1,._as,_ normas nãolegais têm jima.
importância muito menor. Claro está que o proprio sis-
tema de Direito acolhe as normas costumeiras e alguns
princípios de uso comum na vida social como bússola para
indicar o rumo de certas soluções, porém o simples fato
de a própria lei assim determinar faz com que tais nor-
mas passem a ser, em face da ordem jurídica, “sacraliza-
das”, pois nela são acolhidas e inseridas.

O quadro acima descrito de mecanismos de solu-


Qäíàm 4 ção de conflitos revela alternativas ou opções gue
F3(f¿,,,¿ .Qi PeS§9aS.z. .Ou S@P0
o e ecorrer e a oresi eoo icos e o e a '
Í*-Í,Í'§',',§'” me-aemrne
3¿¿_ _¿,¡nais;_ da realidade sócio-econõmiça, financeira, _pol1'0108,
¿,_¿._. de motivações estritamentepraticas, e..
z.,,¡ Q; oiitras
res domin ntes nas escolh ereH01ê
95" individual das alternativas nãojudiciais que parecem. 3.
' ' " ma`oritárias no dia-a- ia a v1__
s_o_cia,l. É comum a suposição de que os caminhos nao-
judicíais podem ser mais rápidos e menos onerosos_d0
que o apelo ao aparelho estatal de realização da JuSl21Ça-

_..f""d

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Mudança Social 85

E5555 I'fl0Í'›iV5- ÕGS r máticas são entretanto vinculadas


a valores e a condicionamentos ideoló 'cos e: šó¢i5.¢1fi1;{f`
ë _muit01 ¬fõ 4:
-D., Mfifl¿.
melhor dizendo, que ti s de ssoas o os u ins- fiffiu
m1¶1`e ú°'Í*"
(105 00fif1í]¿95_,Ê1lÊSJ59I}10§_§, _E_1_11_verd__ade, sabe-se gue o arbi- ¡?"'°F`
0JJSadLpflncmame . 6/1f›f -
ções privadas, empresas com e1eva_c_1_os_ i_r_1___te_;'_esses, o gue 9”"‹7l‹.
13056113 00ÊÊ1Íà*Í`iÍÊI0l a1`š`_U.¬_1Í1i€H'Í¡<ÍÊe¿_que¬_essa *maneira de
soluclonar c0nf1it.os_s_e,ria_menos_o.ispendiosa. Até gue
$tÊm 95565 P,T¢f§¿'ëncias, e quais as vinculações
que têm comi a questãoppanteriorñiente colocada, constitui
`í1T1"1á"`H3í;_1alsáÇ_ã0 relevayfà <10Í`ñoši>ó` ‹íë7f1lš..__1'›2L š‹Tc"lõ""”_1‹›._acn_e
_d__e__política jurídica, <›=~1-'-
à esses aspectos deve ser acrescentado outro, de inte- 9
ressantes implicações. Trata-ge, da eficáciawdas soluçges gif ¿ 4
_b..U,5¢5£lêS eo ohtidasr._0.u..S.eJa._do_srau .df-1.* 5115 fldêguasãn os °"'‹Í
aos phjetivos pretendidos, da sg-_;tisfa_ção qg:_os i_nter¿=:_s§__a¿-_ *sfdfl
3.diante
__Íí › ,°Pfië_m._no_p1:0pÓSit0 ‹1e_s.1irimi1;0.ê Sâus ‹¿Qn_£.1it.0S,.z___..me- ^L~,'Â'Í
a escolha dos_d_i_versos tipos já referidos, O exame
desse elemento adquire uma conotaçao especialmente va- r
liosa, sobretudo porque a maior eficácia pode funcionar
como um fator de realimentação dos processos mencio-
nados.

Cabem agora algumas reflexões teóricas, adicio-


5
nais às já feitas em vários trechos deste trabalho,
sobre um conceito sociológico de uso corrente, na
H¿¡9^¡,¡ aparência elementar cuja compreensão, P01`éII1. G _1mP1'5-
" cisa contraditória e sofre de influenc1as que lhe tlram a .
?A nitidez 'zrata-se do conceito de mu
512 ML- gm outro-s `cã1`c"ëi`íó`sis'ö‹.ño"Íó1'gicós, tem importâ¿ncia_.ca- _
‹ I
QQ _deS_en\.z9ly1m‹f=nt9__s=.<2l9=
cam a questão das transforma ões da v1da social no
. a ão esqu1sadores e administradores. _ _ d
r °;a- S)-10115250-*L »
'D ' 5 mudan ' articularmente sigmficatxvo no estudo
zz‹$.,.,,,,
_ƒ¿,¿,,,¿_ gm~QQg
,¿

ii:

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86 Sociologia do Dire¡›¡0

' -econômica e política. Todas as modifica "


e o‹ contém, têm consgüências na ordem jurídica. E5;-,H
..
~ em suas Qapacterjísticas __f_undamentaiS. Ela. correspgndg 3*
fiifluência gue os processos e as formações estruturais ga
sociedade glo1¿al_ex_ercem, conformando todos os aspectos
da convivência humana.
Em que é relevante a mudança social para as trans.
forrnações do Direito? A partir de que ponto se manifes.
tam essas influências? Que aspectos, ou tipos, de mu.
dança social resultam em modificações efetivas da ordem
jurídica? Tais problemas, de Sociologia do Direito, são
fundamentais.
à [mal A respeito do conceito de mudança social, os autores
¡<?,E dividem- se, grosso modo, . _ . em dois grupos Uns só reco-
¿ p¿,¡- Q, 1_i_h_fecem da sua ocorrencra quanpdousel mod1f1cam as estgu- <
/-‹/wgl .E1385 sociais de modo .Í5ís11i.fiQfl.1LÍ.V0.ÍÂ; 9_1¿1>.I'.<.>_5_ 5_d_mil;_em_que ‹
,;.,¿¡,,,_ 9_¢01f1'e muílflnça sremhuer s .e s.t.1:ut11r.§5 5.91am
' fl€_<=e§s am
' -
* = mente afetadas.
De um determinado ponto de vista, o problema é
abordado focalizando situações modificadas que hajam
sido identificadas, em contraposição a outro enfoque, que
se refere ao processo que produz tais situações. Assim,
Tom Burns 9 afirma que, de tun__,lado,_m_udan_ça_s@i_a_l
denota uma diferenç¿__ob§_erv_ada em___1;elação a estados (
anteriores de estruturas, instituições, hábitos ou eq;LuDa.-̀
®_,¡, 4 men o e uma sociedade, na medida em que constitui:
¿,,z,.‹,¡'‹ 15 (P) .<¿¿'§.i1_118z_<1_9__d.e medidaSJ§gis M
result .!.`.1. .m___<_1_§ £9Qt!0 : Ou (b) -@ 'M ¡0
¿,f.›,‹z› @9í9Jë1 mf* Í* ›
dommante da vida social ou, no ambiente físico ou social; J» F/MU.”
011 aínda. (C) efeito conse üente de ações perseguidas IME ¡JU!
sm.. comwm Áfeíir*
°fl“@§Â ,_ aa
De outro lado, tp/ -
Para ele o termo também significa o processo através dO fffffä,
qual tais diferenças ocorrem. ' ¿f,¡,¿r;
wlííifí
°ToMBuaN,'A
Publications, "
LondÍe;,n196£a‹I:)tä‹;na6r£¡7 - Scwnces.
of the Socwl - ' took Hx:/Ó
Tavls

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Mudança Social 37

Em realidade, a idéia de mudança social já foi por


algum tempo 1dent1ficada com a de progresso, ou de evo-
luçao, com o que teria uma conotação quase neutra, se-
gundo von W1ese,1° em contraposição _Ía,__outra, gue__en.=
volve uso ' ' °
concepção unicamente. q11an1~.1'1;e1;1'3¿g,,
A confusão dos conceitos de mudança, evolução, de-
senvolvimento e progresso é examinada por Bottomore, 11
por exemplo, salientando que a locução “mudança social”
é mais neutra, e seu uso foi estimulado sobretudo por
Ogbum de maneira que pode, até certo ponto, ser aproxi-
mada à. abordagem de Marx.
-‹> Ore e 'fleerie _r_1t1e1:xi.s.ta_-_tend.e_ e salientar o _d.ese_mml-
ÍÍ U DANÇA Vimf->I1tQ__Cí.e_l1ma¿e_mologiaJamLo -
ƒóz mc fmtre as class.e_s_.S..0.ciais,. ..rec.dnmnen
/-wbzâpçó . _Í31`3~11._ Sf01`ma§_Õ9§.. dê _IJT_ÍJ11.e.iI.a_1.es11l.tam_na_modificaçã.o_do
Cc‹›,z,;*,z.¡¡<, modo de produção e, p__oñr¬cor_1_seH üência alteram as rela-
mn* çoes das cIass_,_e_s__soc¿_i_,a¿s. T+ ata se de uma visão estrutural
I' ._

do conce1to, emborapdelepnao esteja ausente, de algum


modo o rec__q_n,he,c¿me_n_to
` ___da_ existência $Q
social. 12
Ginsberg também (embora de outra vertente), exige
/'1”*9^¡gf° mudança estrutural para se configurar a mudança social.
59° Esta é a seu ver, mod1 1capaor na e . .
"_-1' , 'f f f 1' "'. 1-' _-Fl n
0
._-

H9p}W
seJ a'* `no tamanhopp
de if uma
___
socredade
J ,_ ___, _..
na compos1çao
._ LP _ _ _ #
ou
UTM ,z¿,,¿L ¿__'T'b-'
no equ1 1 rio deH2 Ú___suas _ _ partes, ou no t1po_ . de o_r_gan1zaçao,
. . '
embora adrñ`1"_ta que mod1f1'caçoes artísticas ou l1ngu1st1ca§
___ _
possam incluir-se no ""” “"
conce1to.<ƒ--¿o_4 " f-wo, pó ng/'› 4.-‹ ›1roPzzÁ4›.‹.¬..,}
Exemplo opoítõ, de conceito amplo e, de certo modo, (oo ,,¡,,¡
impreciso, é o de Donald*Pierson, que entende ser a mu- /(10 M 0
dança social qualquer alteração de forma de vida social, Da;
afirmando que ela se processa, “na sua forma mais efi- `Í×=J“v^M5
ciente”, através de movimentos sociais, como de multi- Draw
dões, ressurgimentos religiosos e lingüísticos, moda, refor- //A
ma, revolução, reproduzindo afinal novas instituições¿13 /
Uma visão funcionalista está aí presente, a toda evidencra.
10 Loc. cit., pág. 647.
11 T. B. BoT'1¬oMoRE, Introdução à Sociologia, Zahar Editores,
Rio de Janeiro, 1967, págs. 227 e segs.
12 Loc. cit.
13 DONALD PIERSQN, Teoria e Pesquisa em Sociologia, Ed. Me-
lhoramentos, S. Paulo, 11.3 ed., 1968, pág. 328.

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88 Sociologia do Direito

Este quadro de contrastes e divergências é bem sali.


entado por Eva Maria Lakatos, em excelente resumo da
matéria. 14 Nele é oportuna a invocaçao do conce1to ge
Def- 1 (10 Gu ROCh8I' ue1eI'l___11§_3._` H - FE

ea I'1€1I'8.
ao 0SeI'VaVe
1.18113.0 Se 8.
I
I`O1SO18.
C.C.øM¡›,/ , ' v ~ n0 ú rnizaäosocial de ø e ac0 etzvz ur
'_'
‹§‹z@)_9¿ - mozzco curso e s istória “É” diz ele a mu-
0e
9
ue 8 8 a
GS I"l1 111'
8 -V

H
ii

M , dança de es ru ura _resu__an e aaçao h1stor1ca de certos


OM; fatores' õu de "cèrtg_s_gr_u_pos no sM de dada coIet1'v1d-
_Í0(_m.
de. ” 15 Tal conce1to
' e' am____
bíguo . eum ao 1nc uem-se
.5 - - . - ____,¬__,_____o__1,,c_aas e a o nmlca essamol
.- z- z
d~
Essa ambigüidade se apresenta com grande freqüência
nos conceitos de diversos autores. Assim, entre mudan-
ça social como processo, em contraposição à identificação
de estruturas diferenciadas; e a que se conceitua pelas
transformações “significativas” das estruturas em contras-
te com as modificações em quaisquer situações na “vida
social”, oscilam as maneiras de conceitua-la, entre os au-
tores consagrados.

A matéria comporta algumas observações relevan-


6 tes. delas _ef___que é inacgitavgl limitar o
çppceitp a pertos_ tipos de modificações gue pode
§.<_>.£r.e._1; a. Vi<.1~*-1.S°_S=_Íê-1; ê_5›`ë_s"¬T1Í1`ã‹ e que__a_e.xigê1'ê_ei_a de m0'
1
dificação "significat_iva", para reconhecer a ocorrência de
I
mudan a social inclui um elemento fortemente subjetivo
0 °°nCe1t°` am é ue entreta _ o em tudo uese
altera na v1da
' -
humana em socredade ef de ser entend1do
udan a soc1aI. Exammemos brevemente cada uma
IJ __ .
r . `
dessas observações.
A nosso ver, é necessário um mínimo de objetividade
e realismo no estudo de qualquer fenômeno social (a1Íá5›
3
de qualquer fenômeno, social ou não). Quando se pensa
a respeito de mudança social, cogita-se de mudança

1976, págsl 249 ÉIÊegs.KA'roS, SoczoIo9'1a Geral, Ed. Atlas, S. Pau 1


i

I 15 Loc. cit., pág, 249_

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Iuri'

Mudança Social
‹lLzu/Q: _ _ _ -fz-/f'
4° (transformaçao, modificação, alteração ; e de .
Í/Í'
da vida 500ia1- Não haf.,,b9_;n_fii_ndame)rito cieniilfilcgianãg
pá' M Ud¿fl@ quandoJše" modificam as es-
f'l-*'°W4° futuras- °__q\.1e §ígflÍfí®iÊflÊendÉr
)'oUMz modificação da vida social seÍa
contrário. Qualquer 1r_ic_›_dif_ip_ação da vida social é mudança,
oeial-
eae _ea_ha1.a _ei.s1_<.›_re_ve1Uei.eaaoas (condição exigda mr.
e_e.fi9$ Piefliietaerrreooiaiâz. pode haver mudança e, na zez-
dade essas ocorrem em todas as sociedades, todo o tem-
29. _em.a1e111ne_raa. (embora ‹;1e_ maneirafíesigzi em
Çlín ¡' 17 IÚFF- 7h41' '-ig' 7- -f_--z¬-- iii-1 , _ 1 _ ' 1I 1.; Zi li D-_

ritmo e andamento em profundidade e a-rnpulitude). Disso


Í

decorre a aÍ“irmaça;o,'que hadítém' dê simplória, mas nao


'_ Í -11 7 -ií _ - p-i' íli 1

deve surpreender pessoa alguma, de que


Í@ÊIÍ$
iid
<§Z1IIS§e_§.oeie_dado.- ešiãíÍ5'a.§ Se1T O conceito de
i1.I1_°bÍ1í$_m0 -5°Ciê1_ë -felalàlvo eamero rótulo para .indio_a_r_
12.ê_ÍXÕ_ Índice C1<?-}T“1fi.ê1l9§-..- Ef-_55a. a.1'a_ëã.o_ pela .dual a_a.£í.t=
_m_a_ç_ão_de que “estamos vi_v_endo__époça de transição” não
tem qoa1ouer_-.sienif,icado
transição. <.‹--›
“P O__SJ.ibjetivismo domi_i_ia,.a i@a___d__e _qu_e
§°9ilfi~lLi mudanea._soci.al_ é ineeessário.o.ue_o.oor.1£...._aI11.l>1'af15f°1111___9__.a
ões
v`G#^e f'^5"5i8HifiCaiiYa§'.'. Ela. vida _soci.a.1_.. &gnü
wmfaçâs ¿_pz,z-jzir de que po1ito._ou momento.. m
Íoúlàis ¶fͧa§Bä'?
zñwi-F,¿A e subj_eti_vismo nessa orien-
Tmš.. taçao. _ Isso contrar_ia__o ri_i_mo da objetivida e cien ica
necessaria (nos limites em ue ela e ossive uscada
em todo estudo ciefitifico. g_ueÍs_g odeor-111' ° Q -
âaggfií _ _5_]a_a_/kv_i¬a S01 .›,__-Í°_-.¬Êa0 .'
Em outras palavras_,_fi_ ' - '- °= ' -ia'-551339
er . " *U ä nro
ao as a q¿i¬e_e____ ea ajaas
_, _ ecos
_ ieren'
1a9_3 1-. - ze-''¡›¡|¿[í¡'I i:-zlnu
fi Em vez de m odificação “significativa
” ›
, - e 3 se 3 erce ivel ao cien is a,_ me
5 as
(Tí ¡fÉ1.l:I.l.¿~1§.l£'I
' 9 - _ _ o ' el dizer
. .entao .
mudança social nas mod1ficaÇ0€5 DBTCGPUVGIS da “da
esricllj mini ¿zz.›,f›i¿;z«.ú, o..«,z..»f,.,:z-‹z.. z-¿:f,‹›
MP5 Finalmente, vale insistir em que ne_ff_1 t“É__1° QUÊ mud?
ao -
na vida - e- mudança 500131-
social ' d f ca oes nao-dura
h
pwoiflári

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90 Sociologia do Direito

veis de comportamentos individuais_o_u m ivm


modismos, pe uenas altera oes se - _
repercussões gue se possam perceber na vida da socie-
dade s_ão o mero fluir dessa vid al desenrolar
das coisas gue, em verdade, nada mudam, e ao fim do
ue, tudo se mantem como antes, rocessos s ' ' _
truturas deles resultantes, v. oTz-.ס~›c››‹5-9;, De Lc/~1a&›>u5›¿z,"}¿_, Wc
lV6<¢ssz.'z-zr‹› el-li T'~D° f^“'>6. Wa* 0%* `f”“°° PC“'^^**@4a o /-‹e<.:-a"LrL‹.~n‹› .iii
Em verdade, o conceito de que cuidamos brange
,olimvs 7 sa, __eraçoe_s inamica¶¶à\:'ii¡£¡íEEãTr5r‹rãI.=rzrar-.:.ez....
m , no' a r Í ou Q _' -

XIF ic `_fi_ríicromü'd_a_1'@'_sp É! acientífico limitar-se 0 co.


ÍÂ'-“'54 ceito às macromudanças.
J¿¿{¡¡_ .
QonyémLi§t . . .-
OS s _ t_ip_o,s
._ de_, pe__scala,
r embora a lir1h_a_limitzofe eptze
.eias Seja .muao_‹af.1e°
' 1.1..‹;ie_iâaauf°mar.
Esse entendimento do que seja mudança pode ser
atacado como simplista. Talvez lhe falte (certamente lhe
falta) a sofisticação e a complexidade de vocabulário tão
do agrado de numerosos cientistas sociais que o acusa-
rão, decerto, de não ter rigor científico porque, afinal,
seu conteúdo seria tão abrangente que acabaria por não
identificar com precisão fenômeno algmn.
Ilusão. A sofisticação conceitual não é uma condição
de validade científica dos conceitos. Preferível é a sim-
plicidade conceitual que corresponda ao realismo cientí-
fico. Epuco jmporpta, que um_ conceito seja ab
a_n¿plo, se e_le,§.e refere a um fenõmeno oumtipo de fenôme-
waque se obSerša@erâ
_l_a_rga varieglade, mas guardando elementos característicos
corr`íufis._'Õ conceito de vidané Êm
gente, e não é por esse motivo que lhe há de faltar vali-
dade científica. A própria largueza de sua constatação G,
pelo contrário, cientificamente significativa.
Essas reflexões, como já se disse, são importante5
do ponto de vista da Sociologia do Direito, pois as- trans-
formações da sociedade resultam, cedo ou tarde nas IRQ'
icaçoes a ordem jpridica, modifiçaçoes essas de 9...'
dente
._ nat ureza estrutural (mais
' precisamente
' supereslifll'
...-
...tUI'al)¿ omo oi dito acima, a utilização de conceitos
sociologicos no estudo do Direito se impõe cada vez 111315»
5* flm de Permitir exata avaliação da ordem jurídica, dO

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W Õ ff/1%/Cb” /UIA/7¿(_'¿0 /[_/ó,'V'6ƒ

Mudança Social 91

ponto de vista teórico e prático. A mudança é sempre



D-;~z›. ¿.~ cial” Êe11}ã;“`ä1_Ê1”f_9ë`._£.T(1íeé. %äÊ.ƒm%o
560! ¿,Íf
P/ re evan e, adas as ftuiçoes que o Direito tem, do ponto
“W"°ff 1 Úãl°0mÕL1fi.5firmeñtE.-de _c.ontr,ol,e_s_oçia1,
PT° 'G 201' Vezes agindq cpr_no fator de conservapão, ou de edu-
Tmflíñõw .9ꣿê9›. mas 'f.ê1'f1`Pem, outras ..o.poi'1.unidas1es._cnmo_fa.t.cr
gr- .oe.t1;anSf.f›r1_ria;eí>. - '
;,,¿.‹, L Nesta _úlj:ima____fu_.pção, o Direito atua fr "
Lino a.Ee.1l§e__<1e_.1nudan9a_S_o_o.1.a.
~~ es, egaupopr_e§e_r1açao .. ordem social que .
@ElÊ° 1n0__fato._esti:ut_ . Q
1 A U' . ea ocieae"_@ibora sem destruir s - z .- __
ásioas - oV. i.am.e__Íö'Í_grntem.11,¿z.
. - _ D5 if .za z='z›¿.iifaF/La»-/7'›‹.,¡›.`4
J«¡v‹:›:-f¿: aê L‹_=ó.âoç‹‹z
Em resumo, neste capítulo foi examinada a dinâ- ÍGJÕ:
fóatfffll
S mica da relação entre o Direito e dois processos
sociais de grande importância para o estudo dos
problemas que nos ocupam: o conflito e a mudança social.
A função do Direito na solução dos conflitos sociais
foi especialmente salientada, dentro do quadro amplo da
atuação dos diversos tipos de normas sociais. Cabe, en-
tretanto, chamar a atenção dos estudiosos do assunto para
o -fato de que, embora apenas parte pequena das situações
conflitantes seja submetida ao aparelho judicial estatal,
as normas jurídicas desempenham sua fruição soluciona-
dora de conflitos com grande influência. nos demais ca-
minhos escolhidos para superar tais situações.
Essa constatação, .que a experiência corrente eviden-
cia, mas que está .a -merecer investigação .científica rigo-
rosa, é signifiçativa, porque indica a grande força condi-
cionante dos comportamentos sociais que tem o Direito,
influindo no dia-a-dia das condutas individuals e grupais
e servindo de pano de fundo e parâmetro para a negocia-
ção direta, a mediação ou conciliação e o arbitramento,
neste último caso em grau maior. É a sua função educa-
tiva, formadora de opinião, que se manifesta então.

16 CLÁUDIO SoU'i\0, Teoria. Sociológico Geral, Ed. Globo, Porto


Alegre, 1973, págs. 86 e segs.
17 Ver os capítulos antecedente e seguinte. `

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92 Sociologia do D¡re¡t0

A análise dos modos de solução de conflitos que fm


feita nestas páginas, além de indicar essa presença das
normas jurídicas fora dos quadros estritos do litígio judi-
cial, permitiu explorar algumas outras questões teóricas
que se ligam ã intensidade do conflito, ã intervenção de'
terceiros, e quais sejam esses terceiros, assim como a
força coativa da acomodação alcançada que, combinadas
em análise adequada, podem propor linhas de pesquisa
de grande interesse.
H” ¬> A_s__ mopívações das esco1haS ®
¡$9Êg,., para a sol_ução¬ d_o_s conflitos] são importantes porque, em
;5¿,¿ tais opçoes,__el_en_iento_s__socio-cu.ü
mundo dos valores, da i_deologE1a,E_das_prenças e dos costu-
mes. Ê) Íiõdei' social se manifesta, assim, de maneira difusa
`Ê:IiÍn,f`o_Í1:.m`alÍ_na m.ãioñÍa.;do5.§¬ä5__ͧ§s
§“94»×ç,, _lf_or outro lado, o processo
Ê?-'va _r_i_a_tur_e__za_co¿ístant__e “eiuniverfialjíãk ' ` en uar, tem
ara- eepeeíal §.1saifE_a.Qo.-erofaea.oo..
`el_ Í” " t f dora ou se'a, de agente de mu-
n5 °mÂ_"¿}.-s_._- zz -r J
danç_a_ s@ia.LmLmdLmLamLd
_ Cabe, porém, liberar o conceito de mudança social
da enorme carga de confusão, em parte sob a pressão de
posições dogmátícas e doutrinárias, que o têm obscure-
cido. T z '- urai
.§€4-Í-...pm
J ¡__!-...go 0-' 'c" ' '-
3 .0 5í1l2jetií`fismo...oue _9m.11`1e _ê_ 1_<ÉÊ.Í.íi
d_Ç__I1[11_1_<11anç¿1_ qpe___._s§_s,e reconhece guando “sigrÍi_ficativa”,
(m_q_u_ap_df5_estrutur_al,_ repppfidë ;por_bQa pa¡rt '
culdades conceituais apoiltadas, ,-:- e refoge ã realidade.
A relevância do estudo da mudança social, como de
outros conceitos sociologicos, para a compreensão dos fe-
nômenos jurídicos e, em última análise, das realidades do
poder, foi aqui lembrada, pois o Direito é o caminho n01'-
mativo mais utilizado e mais eficaz para que o poder S0-
cial, especialmente o poder do Estado, se realize.

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