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Nome: Luiz Felipe de Oliveira Matrícula: 141150476

Trabalho – Disserte sobre as questões relacionadas a Sociologia Rural

• Como começou a sociologia rural?


• Antes existia dois universos diferentes?
• Quando foi a modernização do campo?
• O que era a colonização portuguesa?
• Como é a diferença do campo e a cidade hoje?
• Em 2019, vocês acham que o rural ainda é ameaçado, empobrecido,
desprezado e sem empregos?
• Ainda existe escravidão?

Conforme já diz o nome sociologia rural é um ramo específico da sociologia geral


que, segundo Garcia (1976), tem por objetivo estudar as forças e as condições de vida
rural como base para a ação construtiva no desenvolvimento e manutenção de uma
civilização cientificamente eficiente no campo.
Souza (2014) descreve em seu trabalho que a sociologia rural nasceu de um momento
de crise, com a preocupação de ter como problema fenômenos sociais do campo. A
sociologia rural surgiu, portanto, em um momento de mudança com as transformações
ocorridas no campo, isso significa que sua origem foi na ligação estreita entre dois
universos, o rural e o urbano. Universos os quais são distintos desde muito tempo atrás.
A modernização do campo no Brasil, de acordo com Romeiro, passou a ser uma
“necessidade objetiva do capital a partir do momento em que o processo de diversificação
e complexificação do parque industrial brasileiro se completa, no final dos anos 50,
através do Plano de Metas” (2007, p. 212).
Sobre a colonização portuguesa primeiramente deve-se saber algumas diferenças
entre América portuguesa e a América espanhola. Queiroz (1978) define em seu trabalho
que a diferença entre a América portuguesa e a espanhola refere-se ao sentido da empresa
colonizadora que fez desta última, em seus traços essenciais, uma colonização “urbana”
e daquela uma colonização “rural”. Logo em sua chegada, os colonizadores espanhóis se
defrontaram com civilizações importantes, cuja vida social girava basicamente em torno
de organizações urbanas já existentes. Com extensos territórios tomados por essas
civilizações e preocupados em extrair os metais preciosos encontrados, o principal desafio
dos colonizadores espanhóis nessas regiões era menos o de ocupar terras e mais o de
tomar as posições de comando dos grupos dominantes estabelecidos.
Já na América portuguesa, segundo a autora, a ausência de civilizações daquele porte
e a inexistência, num primeiro momento, de metais preciosos forçaram a colonização
portuguesa a ser uma empresa eminentemente agrária, fazendo das cidades algo acessório
à produção. Tornou-se mais importante ocupar o território e fazer da colônia um
empreendimento lucrativo, da qual a cidade seria mero apêndice administrativo.
Portanto, conforme Carvalho (2013), os próprios empreendimentos colonizadores das
Américas espanhola e portuguesa foram distintos em uma e em outra, basicamente porque
foi distinta a proeminência ou do campo ou da cidade: “as primeiras eram centralizadas
nas cidades e as áreas rurais se tornaram extensões das áreas urbanas: as áreas rurais
tiveram empresas agrárias porque as cidades delas necessitavam”, enquanto na segunda
a vida social esteve centralizada.
Nos dias atuais apesar da grande evolução no meio rural ainda existe muitas diferenças
comparado ao meio urbano. Se olharmos no sentido populacional, percebe-se facilmente
que nas cidades existem um índice maior de pessoas do que no campo. Também se nota
que os índices de empregados em cidades são maiores que no campo, portanto existe mais
empregos no meio urbano do que no meio rural. Porém, segundo Balsadi (2001), é cada
vez mais freqüente o fato de residentes urbanos passarem a viver no meio rural e viajarem
diariamente para seu trabalho (commuting) pelos mais diferentes motivos (custo de vida,
segurança, estilo de vida) e de empresas (serviços e indústria) mostrarem maior propensão
a escolher sua locação fora de grandes aglomerados urbanos.
O resultado dessas mudanças (rural diferente de agrícola) é que a distribuição do
emprego está cada vez menos polarizada e cada vez mais similar nas áreas urbanas e
rurais. Do ponto de vista das políticas públicas, uma alteração fundamental é os
programas passarem a dar mais atenção ao território (economia local) do que à
polarização anterior entre rural e urbano, ou agrícola e industrial (Saraceno, 1997).
Com o que foi dito anteriormente e com a grande evolução do rural vale ressaltar que
apesar de ainda existir áreas rurais que estão empobrecidas, não se pode generalizar, pois
não são todas. Algumas áreas podem-se se dizer que não são nenhum pouco pobre.
Portanto se vermos num contexto ainda maior, vemos que o rural não está ameaçado e
nem tão pouco esquecido e com grande perspectiva de empregos tanto no presente quanto
no futuro.
Por mais que a escravidão tenha sido abolida há muito tempo, ainda nos dias atuais
temos uma “escravidão velada” onde pessoas que estão em busca de sobrevivência
submetem-se a situações de trabalho análogas à escravidão. Em regiões empobrecidas
essa situação acaba sendo mais recorrente.
REFERÊNCIAS

BALSADI, Otavio Valentim. MUDANÇAS NO MEIO RURAL E DESAFIOS


PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL. São Paulo: São Paulo em
Perspectiva, 15(1) 2001
CARVALHO, Lucas Correia. O RURAL COMO PONTO DE VISTA. Ruris,
Volume 7, número 1: 2013
ROMEIRO, Ademar Ribeiro. Meio ambiente e dinâmica de inovações na
agricultura. São Paulo: Annablume, FAPESP: 2007.
SARACENO, E. Urban-rural linkages, internal diversification and external
integration: an european experience. Texto apresentado no International Seminar on
Rural Urban Linkages, Intermediate Citites and Decentralized Development in the Global
Economy. México, abr. 1997, mimeo.
SOUZA, Aline de. Sociologia Rural. Instituto Formação: 2014.
QUEIROZ, Maria Isaura P. O mandonismo local na vida política brasileira e
outros ensaios. São Paulo: Alfa-Omega, 1976.