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Aula 09

Direito Administrativo p/ INSS 2017/2018 (Técnico do Seguro Social) - Com videoaulas

Professor: Herbert Almeida

04921490384 - Victória Vieira Lima e Silva


No•›es de Direito Administrativo p/ INSS
TŽcnico de Seguro Social
Teoria e exerc’cios
comentados

Prof. Herbert Almeida Ð Aula 9

AULA 9: Agentes Administrativos

Sumário

AGENTES PÚBLICOS ........................................................................................................................................ 2


CONCEITO .............................................................................................................................................................. 2
CLASSIFICAÇÃO OU ESPÉCIES ...................................................................................................................................... 2
AGENTE DE FATO ................................................................................................................................................... 10
CARGO, EMPREGO E FUNÇÃO PÚBLICA ....................................................................................................................... 12
REGIME JURÍDICO (ESTATUTÁRIO OU CELETISTA) .......................................................................................................... 15
CONTRATAÇÃO TEMPORÁRIA ................................................................................................................................... 19
EFETIVIDADE, ESTABILIDADE E VITALICIEDADE .............................................................................................................. 24
ACESSO A FUNÇÕES, CARGOS E EMPREGOS PÚBLICOS ................................................................................. 33
ACESSIBILIDADE AOS BRASILEIROS E AOS ESTRANGEIROS ................................................................................................ 33
REQUISITOS PARA O ACESSO A CARGOS E EMPREGOS PÚBLICOS ....................................................................................... 34
QUESTÕES EXTRAS ....................................................................................................................................... 39
QUESTÕES COMENTADAS NA AULA ............................................................................................................. 44
GABARITO .................................................................................................................................................... 47
REFERÊNCIAS ................................................................................................................................................ 47


Ol‡ pessoal, tudo bem?
Na aula de hoje, vamos estudar o seguinte item do edital Ò4 Agentes
pœblicos: espŽcies e classifica•‹o; poderes, deveres e
prerrogativas; cargo, emprego e fun•‹o pœblicosÓ.
Aos estudos, aproveitem!

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AGENTES PÚBLICOS

Conceito

O Estado Ž uma pessoa jur’dica e, como tal, pode contrair direitos e


obriga•›es. Trata-se de uma organiza•‹o, dotada de atribui•›es outorgadas
pela Constitui•‹o Federal, que devem ser utilizadas para servir a sociedade
e o cidad‹o. Todavia, como pessoa jur’dica, Estado Ž um ser abstrato,
dependendo de pessoas f’sicas para manifestar a sua vontade.
Nesse contexto, a teoria do —rg‹o demonstra que a vontade estatal Ž
desenvolvida dentro dos —rg‹os pœblicos, sendo manifestada pela atua•‹o
de pessoas f’sicas. Eis que chegamos aos agentes pœblicos, que ÒŽ toda
pessoa f’sica que atua como —rg‹o estatal, produzindo ou manifestando a
vontade do EstadoÓ1.
Para JosŽ dos Santos Carvalho Filho o conceito de agentes pœblicos
possui sentido amplo, representando o conjunto de pessoas que, a
qualquer t’tulo, exercem a fun•‹o pœblica como prepostos do Estado. J‡
Hely Lopes Meirelles conceitua agentes pœblicos como Òtodas as pessoas
f’sicas incumbidas, definitiva ou transitoriamente, do exerc’cio de alguma
fun•‹o estatalÓ.
Essa concep•‹o ampla de agente pœblico encontra-se positivada na Lei
de Improbidade Administrativa (Lei 8.429/1992), que apresenta o seguinte
conceito:
Art. 2¡ Reputa-se agente pœblico, para os efeitos desta lei, todo aquele que
exerce, ainda que transitoriamente ou sem remunera•‹o, por elei•‹o,
nomea•‹o, designa•‹o, contrata•‹o ou qualquer outra forma de investidura
ou v’nculo, mandato, cargo, emprego ou fun•‹o nas entidades mencionadas
no artigo anterior.

Dessa forma, devemos entender o conceito de agentes pœblicos como


uma designa•‹o genŽrica para as pessoas f’sicas que exercem, a qualquer
t’tulo, as fun•›es estatais, independentemente da natureza ou tipo de
v’nculo que possuem com o Estado.

Classificação ou espécies

A partir desse conceito amplo de agentes pœblicos, a doutrina


apresenta diversas espŽcies de agentes pœblicos. Como em outros assuntos


1
Justen Filho, 2014, p. 873.

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do Direito Administrativo, n‹o h‡ consenso entre os juristas e as


classifica•›es poss’veis.
Para Maria Sylvia Zanella Di Pietro, os agentes pœblicos dividem-se em
(a) agentes pol’ticos; (b) servidores pœblicos, (c) militares; e (d)
particulares em colabora•‹o com o Poder Pœblico.
Por outro lado, JosŽ dos Santos Carvalho Filho classifica os agentes
pœblicos em: (a) agentes pol’ticos; (b) agentes particulares
colaboradores; (c) servidores pœblicos.
Celso Ant™nio Bandeira de Mello, por sua vez, apresenta quatro grupos
de agentes pœblicos: (a) agentes pol’ticos; (b) agentes honor’ficos; (c)
servidores estatais Ð abrangendo servidores pœblicos e servidores das
pessoas governamentais de Direito Privado; (d) particulares em atua•‹o
colaboradora com o Poder Pœblico.
PorŽm, a classifica•‹o mais adotada Ž a de Hely Lopes Meirelles, que
apresenta as seguintes espŽcies de agentes pœblicos:
® agentes pol’ticos;
® agentes administrativos;
® agentes honor’ficos;
® agentes delegados; e
® agentes credenciados.
Essas categorias dividem-se em subespŽcies ou subcategorias,
conforme veremos a seguir.

Agentes políticos

Os agentes pol’ticos s‹o os componentes do governo em seus


primeiros escal›es para o exerc’cio de atribui•›es constitucionais.
Esses agentes atuam com plena liberdade funcional desempenhando
suas atribui•›es com prerrogativas e responsabilidades pr—prias, prevista
na Constitui•‹o e em leis especiais. Em regra, a atua•‹o dos agentes
pol’ticos se relaciona com as fun•›es de governo ou de fun•‹o pol’tica.
Com efeito, existem normas pr—prias para a escolha, investidura, conduta
e processos por crimes funcionais e de responsabilidade.
Nesse contexto, est‹o nessa categoria:

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a) os chefes do Poder Executivo (Presidente, governadores e


prefeitos);
b) os auxiliares imediatos do chefe do Poder Executivo (ministros
e secret‡rios estaduais e municipais);
c) os membros das corpora•›es legislativas (senadores,
deputados e vereadores).
Adicionalmente, Hely Lopes Meirelles inclui como agentes pol’ticos: (a)
os membros do Poder Judici‡rio (magistrados em geral); (b) os
membros do MinistŽrio Pœblico (procuradores da Repœblica e da Justi•a,
promotores e curadores pœblicos); (c) os membros dos Tribunais de
Contas (ministros e conselheiros); (d) os representantes diplom‡ticos;
e (e) demais autoridades que atuem com independ•ncia funcional no
desempenho de atribui•›es governamentais, judiciais ou quase judiciais,
estranhas ao quadro do servi•o pœblico.
Com efeito, o pr—prio Supremo Tribunal Federal j‡ se referiu aos
magistrados como Òagentes pol’ticosÓ, conforme consta na Ementa do RE
228.977/SP: ÒOs magistrados enquadram-se na espŽcie agente pol’tico,
investidos para o exerc’cio de atribui•›es constitucionais, sendo dotados de
plena liberdade funcional no desempenho de suas fun•›es, com
prerrogativas pr—prias e legisla•‹o espec’ficaÓ.
Todavia, no que se refere aos membros dos Tribunais de Contas
(ministros e conselheiros), o STF, ao discutir sobre a aplica•‹o da Sœmula
Vinculante 13 na escolha desses agentes, entendeu que os membros de
tribunais de contas ocupam cargos administrativos, uma vez que se trata
de —rg‹o que auxilia o Poder Legislativo no controle externo da
Administra•‹o Pœblica2. Dessa forma, na vis‹o do Supremo Tribunal
Federal, os ministros e conselheiros dos Tribunais de Contas n‹o s‹o
agentes pol’ticos.
Por fim, vale mencionar que a remunera•‹o dos agentes pol’ticos,
por for•a do art. 37, XI, da CF ocorre por meio de subs’dio.

Agentes administrativos

Os agentes administrativos s‹o aqueles que prestam servi•os ao


Estado e ˆs entidades da Administra•‹o Indireta, com v’nculo
empregat’cio e mediante remunera•‹o paga pelos cofres pœblicos.

2
Rcl 6702 MC-AgR/PR.

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Caracterizam-se pelo exerc’cio da atividade como profiss‹o, dentro de


uma estrutura hierarquizada.
Alguns administrativistas preferem falar em Òservidores pœblicos em
sentido amploÓ para designar o que Hely Lopes Meirelles chama de agentes
administrativos.
Os agentes administrativos encontram-se sujeitos ao regime da
entidade que servem e ˆs normas do —rg‹o em que trabalham, e, para
efeitos criminais, s‹o considerados funcion‡rios pœblicos, nos termos do art.
3273 do C—digo Penal.
Segundo Hely Lopes Meirelles, os agentes administrativos constituem
a imensa massa de prestadores de servi•os ˆ Administra•‹o Direta e
Indireta, subdividindo-se em tr•s grupos:
a) os servidores pœblicos (tambŽm chamados de servidores
estatut‡rios ou servidores em sentido estrito): s‹o os titulares de
cargo pœblico, efetivo ou em comiss‹o, que se submetem ao regime
jur’dico estatut‡rio (v’nculo de natureza legal). S‹o exemplos:
Auditor Federal de Controle Externo; Auditor Fiscal da Receita Federal
do Brasil, Analista Judici‡rio, TŽcnico Judici‡rio, etc.;
b) os empregados pœblicos (tambŽm chamados de servidores
empregados ou servidores celetistas): s‹o os titulares de emprego
pœblico, contratados sobre o regime da legisla•‹o trabalhista
(Consolida•‹o das Leis do Trabalho - CLT), cujo v’nculo com a
Administra•‹o possui natureza contratual (contrato de trabalho), com
predom’nio das regras de direito privado. S‹o exemplos os agentes
das empresas pœblicas e sociedades de economia mista, como na Caixa
Econ™mica Federal, nos Correios, na Petrobr‡s, etc.;
c) os servidores tempor‡rios: contratados com base no art. 37, IX, da
CF, por tempo determinado para Òatender a necessidade tempor‡ria
de excepcional interesse pœblicoÓ. Os tempor‡rios n‹o possuem
cargo nem emprego pœblico, exercendo apenas uma fun•‹o pœblica.


3
A designação “funcionário público” não foi recepcionada pela Constituição Federal de 1988. Todavia, o Código
Penal, cuja redação inicial é de 1940, ainda utiliza essa designação para referir-se aos servidores públicos em
sentido amplo. Nesse contexto, vejamos o conteúdo do art. 327 do CP:
Art. 327 - Considera-se funcionário público, para os efeitos penais, quem, embora transitoriamente ou sem
remuneração, exerce cargo, emprego ou função pública.
§ 1º - Equipara-se a funcionário público quem exerce cargo, emprego ou função em entidade paraestatal, e quem
trabalha para empresa prestadora de serviço contratada ou conveniada para a execução de atividade típica da
Administração Pública.

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O v’nculo com a Administra•‹o Pœblica Ž contratual, mas n‹o se trata


de regime celetista. Na verdade, trata-se de regime jur’dico
especial, disciplinado em lei de cada unidade da federa•‹o. S‹o
exemplos os recenseadores do IBGE e profissionais contratados para
atuar em caso de calamidade pœblica.

Agentes honoríficos

Os agentes honor’ficos s‹o cidad‹os convocados, designados ou


nomeados para prestar ao Estado, transitoriamente, determinados
servi•os relevantes, em raz‹o de sua condi•‹o c’vica, de sua
honorolidade ou de sua not—ria capacidade profissional, mas sem possuir
qualquer v’nculo empregat’cio ou estatut‡rio e, normalmente, sem
remunera•‹o.
Esses agentes n‹o s‹o servidores pœblicos, mas exercem,
transitoriamente, a fun•‹o pœblica, sujeitando-se ˆ hierarquia e ˆ disciplina
do —rg‹o ao qual est‹o servindo. Normalmente, n‹o recebem remunera•‹o,
mas podem receber, eventualmente, algum tipo de pro labore e contar o
per’odo de trabalho como servi•o pœblico.
Com efeito, os servi•os prestados pelos honor’ficos s‹o conhecidos
como servi•os pœblicos relevantes, ou mœnus pœblico, a exemplo da
fun•‹o de jurado do tribunal do jœri, de mes‡rio eleitoral, de membros de
Conselho Tutelar, etc.
Sobre eles n‹o incidem as proibi•›es sobre acumula•‹o de cargos,
fun•›es e empregos pœblicos (CF, art. 37, XVI e XVII), uma vez que seu
v’nculo Ž transit—rio, sem car‡ter empregat’cio. Todavia, para fins penais,
esses agentes s‹o equiparados a Òfuncion‡rios pœblicosÓ quanto aos crimes
relacionados com o exerc’cio da fun•‹o (CP, art. 327).

Agentes delegados

Os agentes delegados s‹o particulares Ð pessoas f’sicas ou jur’dicas


Ð que recebem a incumb•ncia da execu•‹o de determinada atividade,
obra ou servi•o pœblico e o realizam em nome pr—prio, por sua conta e
risco, mas segundo as normas do Estado e sob a permanente fiscaliza•‹o
do delegante4. Esses agentes n‹o s‹o representantes do Estado, mas s‹o
colaboradores do Poder Pœblico.


4
Meirelles, 2013, p. 83.

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Nessa categoria, est‹o os concession‡rios e permission‡rios de obras


e servi•os pœblicos, os leiloeiros, os tradutores ou intŽrpretes pœblicos, os
serventu‡rios de of’cios ou cart—rios n‹o estatizados e as demais pessoas
que recebam delega•‹o para a pr‡tica de alguma atividade estatal ou
servi•o de interesse coletivo.
Dessa forma, os funcion‡rios de empresas delegat‡rias de servi•os
pœblicos, quando no exerc’cio dessas atribui•›es, s‹o considerados agentes
pœblicos, mais especificamente agentes delegados.
Com efeito, quando estiverem no desempenho da fun•‹o pœblica,
s‹o enquadrados como ÒautoridadeÓ para fins de mandato de seguran•a
(Lei 12.016/2009, art. 1¼, ¤1¼); sujeitam-se ˆ responsabilidade civil
objetiva (CF, art. 37, ¤6¼); e s‹o considerados Òfuncion‡rios pœblicosÓ para
efeitos penais (CP, art. 327, ¤1¼).

Agentes credenciados

Os agentes credenciados s‹o aqueles que recebem da Administra•‹o


Pœblica a incumb•ncia de represent‡-la em determinado ato ou para
praticar alguma atividade espec’fica, mediante remunera•‹o do Poder
Pœblico credenciante. Cita-se, como exemplo, o credenciamento de pessoa
de renome para representar o pa’s em evento internacional (p. ex.: um
medalhista de Jogos Ol’mpicos para representar o Brasil em um congresso
sobre a organiza•‹o do evento em 2016).
Vejamos como isso pode cair em prova.


1. (Cespe – ATA/MDIC/2014) Os particulares, ao colaborarem com o poder
público, ainda que em caráter episódico, como os jurados do tribunal do júri e os
mesários durante as eleições, são considerados agentes públicos.
Comentário: os particulares que colaboram com o Poder Público, ainda que
de forma transitória, como ocorre com os jurados do tribunal do júri e os
mesários eleitorais, são considerados agentes honoríficos, que são espécie
dos agentes públicos. Dessa forma, o item estácorreto.
Gabarito: correto.

2. (Cespe – Técnico Judiciário/CNJ/2013) Considere que determinado cidadão


tenha sido convocado como mesário em um pleito eleitoral. Nessa situação

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hipotética, no exercício de suas atribuições, ele deve ser considerado agente


político e, para fins penais, funcionário público.
Comentário: os agentes honoríficos são aqueles que são cidadãos
convocados, designados ou nomeados para prestar ao Estado,
transitoriamente, determinados serviços, em razão de sua condição cívica, de
sua honorolidade ou de sua notória capacidade profissional, mas sem possuir
qualquer vínculo empregatício ou estatutário e, normalmente, sem
remuneração. Entre os exemplos de agentes honoríficos encontramos os
mesários eleitorais.
Com efeito, para fins penais, essa categoria de agente equipara-se aos
“funcionários públicos”, na forma do art. 327 do Código Penal.
Assim, o único erro da questão foi falar em “agente político”, quando o correto
é “agente honorífico”.
Gabarito: errado.

3. (Cespe – Técnico/MPU/2013) Os ministros de Estado são considerados


agentes políticos, dado que integram os mais altos escalões do poder público.
Comentário: os agentes políticos são os componentes do governo em seus
primeiros escalões para o exercício de atribuições constitucionais. A doutrina
diverge sobre quais as autoridades consideradas como agentes políticos, mas
há consenso em pelo menos três tipos: (a) chefes do Poder Executivo; (b)
auxiliares imediatos do chefe do Poder Executivo (ministros e secretários
estaduais e municipais); (c) membros das corporações legislativas.
Dessa forma, o item está correto, uma vez que os ministros de Estado são
considerados agentes políticos.
Gabarito: correto.

4. (Cespe – Técnico Administrativo/ANATEL/2012) Os agentes políticos


definem e implementam estratégias políticas para que o Estado atinja seus fins e
sua investidura se dá, exclusivamente, mediante eleição.
Comentário: parte da doutrina entende que os agentes políticos são apenas
os chefes do Poder Executivo (Presidente, governadores e prefeitos), seus
auxiliares imediatos (ministros e secretários) e os membros das Casas
Legislativas (senadores, deputados e vereadores). Nesse sentido, a Prof.
Maria Sylvia Zanella Di Pietro ensina o seguinte:
S‹o, portanto, agentes pol’ticos, no direito brasileiro, porque exercem
t’picas atividades de governo e exercem mandato, para o qual s‹o
eleitos, apenas os Chefes dos Poderes Executivos federal, estadual e
municipal, os Ministros e Secret‡rios de Estado, alŽm de Senadores,
Deputados e Vereadores. A forma de investidura Ž a elei•‹o, salvo para

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Ministros e Secret‡rios, que s‹o de livre escolha do Chefe do Executivo e


providos em cargos pœblicos mediante nomea•‹o.
Assim, percebe-se que, mesmo neste conceito mais estrito, nem todos
agentes políticos são investidos por meio de eleição, uma vez que os
ministros e secretários são nomeados pelos chefes do Poder Executivo de
cada esfera de governo.
Além disso, em uma abordagem mais abrangente, feita por autores como Hely
Lopes Meirelles, os agentes políticos alcançam também (a) os membros do
Poder Judiciário (magistrados em geral); (b) os membros do Ministério
Público (procuradores da República e da Justiça, promotores e curadores
públicos); (c) os membros dos Tribunais de Contas (ministros e conselheiros);
(d) os representantes diplomáticos.
Com efeito, o próprio STF, no Recurso Extraordinário 228.977/SP, utilizou a
expressão “agentes políticos” para se referir aos magistrados. Nesse caso, já
temos outro exemplo de agente político cuja investidura não ocorre por meio
de eleição. Logo, a questão está errada.
Por fim, vale dizer que o STF entendeu que a Súmula Vinculante nº 13 aplica-
se à escolha dos membros dos Tribunais de Contas (ministros e
conselheiros), considerando que eles ocupam cargo de natureza
administrativa, uma vez que se trata de órgão que auxilia o Poder Legislativo
no controle externo da Administração Pública5. Dessa forma, para o Pretório
Excelso, a tendência é não considerar os membros dos Tribunais de Contas
como agentes políticos.
Gabarito: errado.

5. (Cespe – Técnico Administrativo/ANATEL/2012) O empregado de empresa


concessionária do serviço de telefonia é considerado um agente público.
Comentário: o conceito de agente público é bem amplo, alcançando os
seguintes tipos de agentes: (a) políticos; (b) administrativos; (c) honoríficos;
(d) delegados; e (e) credenciados.
No grupo dos agentes delegados, temos os concessionários e
permissionários de obras e serviços públicos, os leiloeiros, os tradutores ou
intérpretes públicos, os serventuários de ofícios ou cartórios não estatizados
e as demais pessoas que recebam delegação para a prática de alguma
atividade estatal ou serviço de interesse coletivo. Por conseguinte, o emprego
de uma empresa concessionária do serviço de telefonia é considerado agente
público.


5
Rcl 6702 MC-AgR/PR.

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Gabarito: correto.

Agente de fato

Os agentes de fato designam um grupo de agentes que, mesmo sem


ter uma investidura normal e regular, executam fun•‹o pœblica em nome
do Estado. A express‹o Òagentes de fatoÓ serve para diferenci‡-los dos
Òagentes de direitoÓ. Segundo JosŽ dos Santos Carvalho Filho, o ponto
marcante dos agentes de fato Ž que o desempenho da fun•‹o pœblica deriva
de situa•‹o excepcional, sem prŽvio enquadramento legal, mas que pode
ocorrer no ‰mbito da Administra•‹o, em decorr•ncia da grande variedade
de situa•›es que ocorrem na sociedade.
Dessa forma, os agentes de fato diferenciam-se em duas categorias:

a) agentes necess‡rios: s‹o aqueles que atuam em situa•›es


excepcionais, como, por exemplo, em uma calamidade pœblica ou
outra situa•‹o emergencial, colaborando com o Poder Pœblico, como
se fossem agentes de direito. Seria o caso de uma pessoa designada
pelo Poder Pœblico para coordenar um abrigo pœblico durante uma
grave enchente, executando atos e exercendo atividades como se
fosse um agente pœblico;
b) agentes putativos: s‹o os que desempenham atividade pœblica na
presun•‹o de legitimidade, porŽm em caso que a investidura do
agente n‹o se deu dentro do procedimento legalmente exigido. ƒ o
exemplo de agente que pratica inœmeros atos de administra•‹o,
porŽm sem ter sido previamente aprovado em concurso pœblico.

Em regra, os atos praticados pelos agentes de fato s‹o considerados


v‡lidos. No caso dos agentes necess‡rios, os atos s‹o confirmados pelo
Poder Pœblico em decorr•ncia da excepcionalidade da situa•‹o e do
interesse pœblico que justificou a supress‹o dos requisitos legais. No caso
agentes putativos, por outro lado, podem ser questionados alguns atos
praticados no ‰mbito interno, mas devem ser respeitados os atos de
efeitos externos, para evitar preju’zo aos terceiros de boa-fŽ sejam
prejudicados pela investidura ileg’tima. Aplica-se ao caso a chamada teoria
da apar•ncia, uma vez que os administrados sempre presumem que o
agente pœblico encontra-se investido legalmente em sua fun•‹o.

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Ademais, Ž importante mencionar que o agente, mesmo que investido


de forma irregular, possui direito ˆ percep•‹o de remunera•‹o, n‹o se
podendo exigir a devolu•‹o dos valores, sob pena de gerar o
enriquecimento il’cito da Administra•‹o6.


6. (Cespe – ACE/AGO/TCE-ES/2012) A doutrina, ao tratar dos agentes de fato,
classifica-os em dois tipos: agentes necessários e agentes putativos; os putativos,
cujos atos, em regra, são confirmados pelo poder público, colaboram, em situações
excepcionais, com este, exercendo atividades como se fossem agentes de direito.
Comentário: o item começa bem, afinal os agentes de fato dividem-se em (a)
agentes necessários; e (b) agentes putativos. No entanto, a segunda parte da
questão refere-se aos agentes necessários, que são aqueles que colaboram,
em situações excepcionais com o Poder Público, exercendo atividades como
se fossem agentes de direito.
Gabarito: errado.

7. (Cespe – Assessor Técnico Jurídico/TCE-RN/2009) Agente putativo é aquele


que, em estado de necessidade pública, assume o encargo de desempenhar certas
funções públicas, que de outra forma não seriam executadas, agindo como um
servidor regularmente provido.
Comentário: o agente putativo é aquele que desempenha a função pública, na
presunção de legitimidade, porém a sua investidura não se deu dentro do
procedimento legal. Seria, por exemplo, um agente nomeado sem prévia
aprovação em concurso público.
O caso apresentado na questão é o de agente necessário, este sim assume o
encargo de desempenhar funções públicas em estado de necessidade
pública, como uma emergência, calamidade pública, enchente, etc. Nesse
caso, o agente atua como se tivesse sido investido regularmente, atuando
como agente de direito. Portanto, a questão está errada.
Gabarito: errado.


6
RMS 25.104.

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Cargo, emprego e função pública

Os agentes pœblicos podem exercer cargo pœblico, emprego pœblico


ou fun•‹o pœblica.
De acordo com Celso Ant™nio Bandeira de Mello, os cargos pœblicos
s‹o Òas mais simples e indivis’veis unidades de compet•ncia a serem
expressadas por um agente, previstas em nœmero certo, com denomina•‹o
pr—pria, retribu’das por pessoas jur’dicas de Direito Pœblico e criados por lei
[...]Ó7.
Com efeito, a Lei 8.112/1990 define cargo pœblico como Òo conjunto
de atribui•›es e responsabilidades previstas na estrutura organizacional que
devem ser cometidas a um servidorÓ (art. 3¼). Ademais, os cargos pœblicos
Òs‹o criados por lei, com denomina•‹o pr—pria e vencimento pago pelos
cofres pœblicos, para provimento em car‡ter efetivo ou em comiss‹oÓ
(art. 3¼, par‡grafo œnico).
Os titulares dos cargos pœblicos s‹o os servidores pœblicos, que s‹o
agentes administrativos submetidos ao regime estatut‡rio. Dessa forma,
os cargos pœblicos representam o lugar ou posi•‹o jur’dica ocupada pelo
servidor pœblico nas pessoas jur’dicas de Direito Pœblico Ð administra•‹o
direta, autarquias e funda•›es pœblicas.
Conforme vimos acima, os cargos pœblicos dividem-se em efetivos Ð
aprovados em concurso pœblico Ð e em comiss‹o Ð de livre nomea•‹o e
exonera•‹o. Aos dois casos aplica-se o regime estatut‡rio.
S‹o exemplos de cargos pœblicos: Auditor Fiscal da Receita Federal do
Brasil; Especialista em Regula•‹o da Anatel; Auditor Federal de Controle
Externo do TCU; Analista Judici‡rio do TRT; etc.
Os empregos pœblicos, por outro lado, diferem-se dos cargos
pœblicos por designarem a unidade de atribui•›es em que o v’nculo Ž
celetista, possuindo, portanto, a natureza trabalhista e contratual,
regido predominantemente por regras de Direito Privado. Dessa forma,
os empregos pœblicos designam, em regra, as unidades de atribui•›es e
responsabilidades ocupadas pelos empregados pœblicos das pessoas
administrativas de direito privado: empresas pœblicas e sociedades de

7
Em continuação, o Prof. Celso Antônio Bandeira de Mello apresenta uma exceção à exigência de lei para a
criação de cargos públicos, representada pelos cargos dos serviços auxiliares do Poder Legislativo, que são
criados por meio de resolução, da Câmara dos Deputados ou do Senado Federal, conforme o caso (CF, art. 51,
IV; e 52, XIII) - Bandeira de Mello, 2014, p. 259. Apesar dessa ressalva, as bancas de concurso costumam
considerar como verdadeira a afirmativa de que os cargos só podem ser criados por lei.

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economia mista. Na Constitui•‹o Federal, h‡ uma exce•‹o de empregado


pœblico na administra•‹o direta, referente aos agentes comunit‡rios de
saœde e aos agentes de combate ˆs endemias, cujo v’nculo com a
Administra•‹o Pœblica ocorre por meio de regime celetista (CF, art. 198,
¤5¼; c/c Lei 11.350/2006, art. 8¼)8.
Dessa forma, podemos perceber que tanto os cargos quanto os
empregos pœblicos representam unidades espec’ficas de atribui•›es,
localizadas no interior dos —rg‹os. As diferen•as, porŽm, podem ser
esquematizadas da seguinte forma:
a) cargos pœblicos: s‹o ocupados por servidores pœblicos, sob
regime estatut‡rio, nas pessoas jur’dicas de Direito Pœblico
(administra•‹o direta, autarquias e funda•›es pœblicas);
b) empregos pœblicos: s‹o ocupados pelos empregados pœblicos, sob
regime celetista (trabalhista e contratual), nas pessoas jur’dicas
de Direito Privado (empresas pœblicas e sociedades de economia
mista) e, excepcionalmente, na administra•‹o direta (somente para
agentes comunit‡rios de saœde e agentes de combate a endemias).
Para todo cargo ou emprego pœblico corresponde uma ou mais
fun•›es pœblicas, isto Ž, o conjunto de atribui•›es conferidas aos —rg‹os,
aos cargos aos empregos ou diretamente aos agentes pœblicos. Dessa
forma, todo cargo ou emprego pœblico possui alguma fun•‹o. Todavia,
existem casos em que a fun•‹o n‹o Ž atribu’da a nenhum cargo ou emprego
pœblico, ou seja, existem fun•›es que n‹o possuem cargo ou emprego
pœblico.

Todo cargo ou emprego pœblico possui fun•‹o,


mas pode existir fun•‹o sem cargo ou
emprego pœblico.

Nesse contexto, a fun•‹o pode ser utilizada para demonstrar um


conceito residual, representado pelo conjunto de atribui•›es ˆs quais n‹o
corresponde um cargo ou emprego. Assim, a fun•‹o sem cargo ou emprego


8
As emendas constitucionais 51/2006 e 63/2010 realizaram modificações no art. 198, §5º, da Constituição
Federal, determinando que “lei federal” deveria dispor sobre o regime jurídico dos agentes comunitários de
saúde e agentes de combate a endemias. Por conseguinte, a Lei 11.350/2006 estabeleceu que esses agentes
deveriam se submeter “ao regime jurídico estabelecido pela Consolidação das Leis do Trabalho - CLT, salvo se,
no caso dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, lei local dispuser de forma diversa”. Dessa forma,
atualmente existe essa exceção de empregados públicos na administração direta.

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Ž chamada de fun•‹o aut™noma, que, na Constitui•‹o Federal, abrange


duas situa•›es:
a) fun•‹o tempor‡ria: exercida por servidores tempor‡rios, na forma
do art. 37, IX, da CF; e
b) fun•‹o de confian•a: exercida exclusivamente por servidores
pœblicos titulares de cargos efetivos, destinando-se apenas ˆs
atribui•›es de dire•‹o, chefia e assessoramento, na forma prevista no
art. 37, V, da CF.
A fun•‹o tempor‡ria Ž acometida aos casos de Òcontrata•‹o por tempo
determinado para atender a necessidade tempor‡ria de excepcional
interesse pœblicoÓ (CF, art. 37, IX). Nesse caso, o agente administrativo n‹o
ocupa nenhum cargo ou emprego, mas t‹o somente exerce fun•‹o pœblica.
Por exemplo, os mŽdicos contratados por tempo determinado em
decorr•ncia de um surto end•mico excepcional n‹o ir‹o ocupar a vaga de
nenhum mŽdico. O mesmo ocorre com os professores substitutos, que n‹o
ocupam a vaga dos titulares, exercendo a fun•‹o atŽ o provimento de
professor efetivo.


8. (Cespe – PT/PM-CE/2014) O cargo público, cujo provimento se dá em caráter
efetivo ou em comissão, só pode ser criado por lei, com denominação própria e
vencimento pago pelos cofres públicos.
Comentário: essa questão tomou por base o art. 3º, parágrafo único, da Lei
8.112/1990 vazado nos seguintes termos:
Art. 3¼ Cargo pœblico Ž o conjunto de atribui•›es e responsabilidades
previstas na estrutura organizacional que devem ser cometidas a um
servidor.
Par‡grafo œnico. Os cargos pœblicos, acess’veis a todos os brasileiros,
s‹o criados por lei, com denomina•‹o pr—pria e vencimento pago pelos
cofres pœblicos, para provimento em car‡ter efetivo ou em comiss‹o.
Essa é a regra, ou seja, a criação de cargos públicos é feita por lei. Como a
questão é quase da Lei, o item deve ser considerado como correto.
Contudo, lembramos que o caso possui uma exceção, que é a criação de
cargos para os serviços auxiliares do Poder Legislativo, que, nos termos dos
artigos art. 51, IV, e 52, XIII, da Constituição Federal, devem ocorrer por meio
de resolução das respectivas Casas (Câmara do Deputados ou Senado
Federal, conforme o caso).

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De qualquer forma, dificilmente uma banca de concurso vai considerar a


afirmativa da questão como errada, uma vez que o trecho é mera reprodução
da Lei 8.112/1990.
Gabarito: correto.

9. (Cespe – ATA/MIN/2013) Nas empresas públicas e sociedades de economia


mista, não existem cargos públicos, mas somente empregos públicos.
Comentário: as empresas públicos e sociedades de economia mista possuem
natureza jurídica de Direito Privado e, portanto, o regime estatutário mostra-
se incompatível para essas entidades. Assim, não existem cargos públicos
nas empresas públicas e sociedades de economia mista, mas somente
empregos públicos.
Gabarito: correto.

10. (Cespe – Técnico Judiciário/TRE-RJ/2012) Cargos públicos são núcleos de


encargos de trabalho permanentes a serem preenchidos por agentes contratados
para desempenhá-los sob relação trabalhista.
Comentário: o cargo público é o conjunto de atribuições e responsabilidades
previstas na estrutura organizacional que devem ser cometidas a um servidor
público. Dessa forma, as atribuições são desempenhadas sob relação
estatutária. Portanto, a questão descreveu o conceito de emprego público,
motivo pela qual o item está errado.
Gabarito: errado.

Regime jurídico (estatutário ou celetista)

Apesar de existirem inœmeras categorias de agentes pœblicos, o Direito


Administrativo preocupa-se basicamente com os agentes administrativos.
Por conseguinte, os regimes jur’dicos de maior relev‰ncia s‹o: regime
estatut‡rio e regime celetista ou trabalhista, aplic‡veis,
respectivamente, aos servidores pœblicos e aos empregados pœblicos9.
O regime estatut‡rioŽ o conjunto de regras legais que disciplina a
rela•‹o entre os servidores pœblicos, ocupantes de cargo pœblico, e a
Administra•‹o Direta, aut‡rquica e fundacional de direito pœblico.


9
Aos servidores temporários aplica-se um regime jurídico especial, previsto em lei de cada unidade da federação.
Na União, este regime 8.745/1993.

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A caracter’stica do regime estatut‡rio Ž que ele Ž disciplinado em lei


(natureza legal) de cada ente da Federa•‹o, que dever‡ observar as
normas constitucionais. Nesse contexto, h‡ uma pluralidade normativa,
uma vez que cada ente pol’tico (Uni‹o, estados, Distrito Federal e
munic’pios) possui o seu pr—prio regime estatut‡rio, previsto em lei pr—pria.
Com efeito, a Constitui•‹o Federal estabelece que s‹o de iniciativa privativa
do Presidente da Repœblica a lei sobre Òservidores pœblicos da Uni‹o e
Territ—rios, seu regime jur’dico, provimento de cargos, estabilidade e
aposentadoriaÓ. Tal regra aplica-se, por simetria, aos governadores dos
estados-membros e aos prefeitos municipais.
No ‰mbito da Uni‹o, o estatuto dos servidores pœblicos est‡ previsto
na Lei 8.112/1990, que estabelece o regime jur’dico dos servidores pœblicos
civis da Uni‹o, das autarquias, inclusive as em regime especial, e das
funda•›es pœblicas federais.
O regime celetista, por outro lado, estabelece as regras para os
empregados pœblicos. Assim, enquanto o regime estatut‡rio possui
natureza legal, o regime celetista possui natureza contratual, ou seja,
encontra-se disciplinado em um contrato de trabalho, sendo, portanto,
bilateral. As regras gerais do regime celetista encontram-se na
Consolida•‹o das Leis do Trabalho (Decreto-Lei 5.452/1943), aplic‡vel
a todos os entes da Federa•‹o, por esse motivo diz-se que ele possui
unicidade normativa.
Por ser de natureza contratual, o v’nculo celetista Ž marcado pela
bilateralidade e, por conseguinte, s— admite altera•‹o na posi•‹o jur’dica
do contrato com a anu•ncia do empregado. Por outro lado, como o
v’nculo estatut‡rio encontra-se disciplinado em lei, ele poder‡ ser alterado
independentemente de concord‰ncia do servidor pœblico. A l—gica Ž muito
simples, como o v’nculo do servidor pœblico Ž regulado pelo estatuto, basta
uma modifica•‹o na lei para alterar as regras da rela•‹o entre o servidor e
a Administra•‹o Pœblica. No caso do regime celetista, eventuais
modifica•›es na lei ser‹o aplic‡veis de forma unilateral somente aos
contratos futuros.
Nesse contexto, em v‡rios julgados, o STF j‡ reconheceu que o
servidor pœblico n‹o possui direito adquirido ˆ imutabilidade do
regime jur’dico. Dessa forma, como toda lei Ž pass’vel de modifica•‹o, Ž
poss’vel a modifica•‹o legal do regime jur’dico inicial de um servidor
pœblico. Por exemplo, no MS 28.433 Agr/PB, o Supremo Tribunal Federal
entendeu que Òo servidor pœblico n‹o tem direito adquirido a regime

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jur’dico, o que, consequentemente, significa que n‹o h‡ viola•‹o a direito


quando se altera a jornada de trabalho anteriormente fixadaÓ10.
Entretanto, a mutabilidade do regime jur’dico n‹o se aplica nos casos
em que o servidor j‡ preencheu integralmente os suportes f‡ticos para
gozar do direito. Vamos apresentar um exemplo. Suponha que uma lei
outorgava ao servidor pœblico 1% de aumento no vencimento para cada
ano de efetivo servi•o (adicional por tempo de servi•o). Ap—s transcorridos
dez anos da vig•ncia dessa lei, o servidor ter‡ obtido 10% de acrŽscimo em
seus vencimentos. Se sobrevier lei revogando o mencionado direito, o
servidor n‹o mais poder‡ receber aumento em sua remunera•‹o como
adicional de tempo de servi•o, todavia os 10% j‡ obtidos lhes s‹o
assegurados como direito adquirido. Em resumo, o regime jur’dico do
servidor pode ser modificado, mas os direitos dos quais ele j‡ tenha
preenchido os requisitos para goz‡-los devem ser respeitados.
Por outro lado, se a mesma situa•‹o ocorresse com um empregado
pœblico, ou seja, se supostamente o regime da CLT apresentasse o adicional
por tempo de servi•o, modifica•›es posteriores na CLT n‹o alcan•ariam os
contratos j‡ firmados, a n‹o ser que existisse concord‰ncia das duas partes
(empregador e empregado pœblico) para modificar o contrato de trabalho.
Dessa forma, a altera•‹o legislativa n‹o alcan•aria os contratos j‡ firmados,
a menos que os contratos fossem modificados por concord‰ncia dos
envolvidos.
Outra caracter’stica do regime estatut‡rio Ž a famosa estabilidade,
que tem como finalidade aumentar a autonomia dos servidores pœblicos no
exerc’cio de suas fun•›es. ƒ por esse motivo que o regime estatut‡rio Ž
obrigat—rio para o exerc’cio das fun•›es t’picas de Estado.

A partir dos ensinamentos de Gustavo Barchet,


podemos apresentar o seguinte resumo das
caracter’sticas dos regimes estatut‡rio e
celetista:
® regime estatut‡rio:
a) decorre diretamente da lei, impondo altera•›es na situa•‹o
funcional do servidor independentemente de sua anu•ncia;


10
MS 28.433 AgR/DF.

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b) prev• alguns direitos sem similar no regime celetista, que


visam a conferir ao servidor um m’nimo de autonomia funcional
no exerc’cio de suas fun•›es, merecendo destaca a estabilidade;
c) somente pode ser adotado por pessoas jur’dicas de direito
pœblico;
d) Ž o regime obrigat—rio para as fun•›es t’picas de Estado; e
e) Ž caracterizado pela pluralidade normativa, uma vez que cada ente
pol’tico goza de autonomia para editar o estatuto de seus
servidores;
® regime celetista:
a) tem como diploma legal b‡sico a Consolida•‹o das Leis do Trabalho
(CLT), mas sua fonte normativa indireta Ž o contrato de
trabalho, que s— permite altera•›es na situa•‹o jur’dica do
empregado pœblico com expressa anu•ncia;
b) n‹o prev• qualquer direito que vise a assegurar a autonomia
funcional ao empregado no exerc’cio de suas fun•›es, uma vez que
n‹o impede a dispensa sem justa causa;
c) Ž caracterizado pela unidade normativa, pois tem por lei b‡sica a
CLT, aplic‡vel a todos os entes da Federa•‹o.

AlŽm disso, o regime celetista Ž predominantemente de Direito


Privado, no entanto existem algumas regras de Direito Pœblico aplic‡veis,
como a exig•ncia de prŽvia aprova•‹o em concurso pœblico. AlŽm disso,
pelo menos no que se refere aos empregados pœblicos de empresas pœblicas
e sociedades de economia mista prestadoras de servi•o pœblico, o STF
entende que a demiss‹o deve ser necessariamente motivada11. Dessa
forma, Ž atŽ poss’vel a demiss‹o sem justa causa, mas ainda dever‡
ocorrer a devida motiva•‹o.
No que se refere ao ju’zo competente para julgar lit’gios entre
servidores pœblicos e a Administra•‹o Pœblica, ou seja, nos casos
regidos pelo v’nculo estatut‡rio, o STF entende que devem ser decididos
na justi•a comumÐ Justi•a Federal para os servidores pœblicos federais e
Justi•a Estadual para os servidores pœblicos estaduais e municipais12. Por
outro lado, os lit’gios envolvendo os empregados pœblicos devem ser

11
RE 589998/PI.
12
ADI 3.395 DF.

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solucionados na Justi•a do Trabalho, em decorr•ncia de sua rela•‹o


contratual (CF, art. 114, I).


Acerca da ampliação da competência da justiça do trabalho promovida pela
chamada reforma do Poder Judiciário (Emenda Constitucional n.º 45/2004), julgue
o item a seguir.
11. (Cespe – Procurador/PGE-ES/2008) As controvérsias entre os servidores
públicos estatutários e as pessoas jurídicas de direito público sobre a aplicação do
respectivo estatuto passaram para a competência da justiça do trabalho.
Comentário: a Emenda Constitucional
3 45/2004, conhecida como Emenda da
Reforma do Poder Judiciário, ampliou as competências da Justiça do
Trabalho. Entretanto, a alteração gerada no art. 114, I, da CF gerou algumas
polêmicas sobre a competência para julgar os litígios decorrentes do vínculo
estatutário dos servidores públicos. Para entender melhor o assunto, vamos
analisar o novo texto desse dispositivo:
Art. 114. Compete ˆ Justi•a do Trabalho processar e julgar:
I as a•›es oriundas da rela•‹o de trabalho, abrangidos os entes de direito
pœblico externo e da administra•‹o pœblica direta e indireta da Uni‹o, dos
Estados, do Distrito Federal e dos Munic’pios; [...]
Porém, quando o texto fala em “relação de trabalho”, deve ser considerado
apenas o vínculo contratual, ou seja, o vínculo regido pela Consolidação das
Leis do Trabalho e o contrato de trabalho, presente no caso dos empregados
públicos.
No caso de relação jurídico-estatutária, a competência para julgamento é da
justiça comum (Justiça Federal e Justiça Estadual, conforme o caso). Assim,
a questão está errada.
Gabarito: errado.

Contratação Temporária

Em regra, a contrata•‹o de pessoal para desempenhar as atividades


administrativas deve ocorrer mediante concurso pœblico, de provas ou de
provas e t’tulos. No entanto, a Constitui•‹o Federal assegura algumas
exce•›es, como os cargos em comiss‹o e a contrata•‹o tempor‡ria.
Interessa-nos, neste momento, estudar o segundo caso: a contrata•‹o
tempor‡ria.

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Nesse contexto, a contrata•‹o de agentes tempor‡rios est‡


disciplinada no artigo 37, IX, da Constitui•‹o da Repœblica, nos seguintes
termos:
Art. 37. [...] IX - a lei estabelecer‡ os casos de contrata•‹o por tempo
determinado para atender a necessidade tempor‡ria de excepcional
interesse pœblico;

Em primeiro ponto, deve-se destacar que o Supremo Tribunal Federal


firmou entendimento, por meio de repercuss‹o geral (RE 658.026/MG), de
que o dispositivo do art. 37, IX, por se tratar de situa•‹o excepcional, em
detrimento da regra do concurso pœblico, deve ser interpretado
restritivamente. Assim, a regra do concurso prevalece sobre a exce•‹o da
contrata•‹o tempor‡ria, de forma que ao se interpretar o dispositivo do art.
3
37, IX, deve aplicar um entendimento restrito, em favorecimento ao dever
de contratar mediante concurso pœblico.

Segundo o STF, para que se considere válida


a contratação temporária, é preciso que:

a) os casos excepcionais estejam previstos em lei;
b) o prazo de contratação seja predeterminado;
c) a necessidade seja temporária;
d) o interesse público seja excepcional;
e) a necessidade de contratação seja indispensável, sendo vedada a
contratação para os serviços ordinários permanentes do Estado, e que devam
estar sob o espectro das contingências normais da Administração.

Conforme se observa acima, veda-se a contrata•‹o para os servi•os


ordin‡rios permanentes do Estado (como, por exemplo, a presta•‹o de
servi•os pœblicos de educa•‹o e saœde). Contudo, n‹o se trata de uma
veda•‹o absoluta. Dessa forma, Ž poss’vel a contrata•‹o tempor‡ria, em
casos excepcionais, ainda que se trate de atividade permanente do Estado.
Assim, desde que se trate de uma situa•‹o transit—ria e excepcional, na
qual a contrata•‹o se configure premente, poder‡ ocorrer a contrata•‹o
tempor‡ria. Para isso, h‡ que existir uma situa•‹o f‡tica previamente
descrita em lei, e que n‹o decorra de mero descaso da Administra•‹o
Pœblico (como por exemplo, deixar propositalmente de realizar concursos
pœblicos).

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Com efeito, a contrata•‹o tempor‡ria dever‡ estar disciplinada em lei,


de cada ente da Federa•‹o. Assim, n‹o existe uma lei de normas gerais
aplic‡vel indistintamente a todos os entes da Federa•‹o. Dessa forma, cada
estado, munic’pio ou ainda a pr—pria Uni‹o deve dispor de lei pr—pria,
disciplinando os casos em que est‡ autorizada a contrata•‹o tempor‡ria.
Por exemplo, na Uni‹o, foi editada a Lei 8.745/1993, que disp›e sobre a
contrata•‹o por tempo determinado no ‰mbito da Administra•‹o Pœblica
federal.
A legisla•‹o, ademais, dever‡ estabelecer situa•›es f‡ticas em que se
poder‡ adotar a contrata•‹o tempor‡ria, considerando-se
inconstitucional lei que institua hip—teses abrangentes e genŽricas de
contrata•›es tempor‡rias sem concurso
5 pœblico e tampouco especifique a
conting•ncia f‡tica que evidencie situa•‹o de emerg•ncia (STF, Informativo
742)13.
Um ponto bastante relevante Ž que o pessoal contratado por regime
tempor‡rio n‹o ocupa cargo pœblico, mas mera fun•‹o pœblica (a
denominada fun•‹o aut™noma, uma vez que n‹o se encontra vinculada a
qualquer cargo ou emprego pœblico). Assim, eles n‹o ocupam cargo pœblico,
como ocorre com os servidores efetivos e comissionados, nem tampouco
ocupam emprego pœblico, mas apenas fun•‹o pœblica.
Da mesma forma, eles n‹o se submetem ao regime jur’dico œnico,
aplic‡vel somente aos ocupantes de cargos pœblicos, nem mesmo ao regime
celetista, aplic‡vel aos empregados pœblicos. Assim, denomina-se o regime
aplic‡vel aos agentes pœblicos tempor‡rios de regime especial.
Contudo, o v’nculo formado entre os agentes tempor‡rios e a
Administra•‹o Pœblica ocorre por meio de um contrato. PorŽm, esse
contrato n‹o configura a aplica•‹o do regime celetista, uma vez que Ž um
contrato de direito pœblico.


13
Disponível em: http://www.stf.jus.br/arquivo/informativo/documento/informativo742.htm#Contratação
temporária de servidor público sem concurso - 1

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A despeito de o vínculo entre o agente


temporário e a Administração Pública ocorrer
por meio de um contrato, a ele não se aplica o
regime celetista nem o regime jurídico único,
mas apenas um regime especial. Ademais, o contrato firmado possui natureza
de direito público (jurídico-administrativa).

Ainda por esse motivo, a lide envolvendo agente tempor‡rio e a


Administra•‹o Pœblica dever‡ ser solucionada no ‰mbito da Justi•a
Comum, federal ou estadual14, conforme o caso. Dessa forma, a Justi•a do
Trabalho Ž incompetente para atuar
c no julgamento de causas entre os
agentes tempor‡rios e o Poder Pœblico, dada a natureza jur’dico-
administrativa do regime.
AlŽm disso, o regime de previd•ncia aplic‡vel aos agentes pœblicos
contratados por tempo determinado Ž o regime geral de previd•ncia
social (RGPS).
Por fim, salienta-se que o Supremo Tribunal Federal tem reconhecido
aos agentes tempor‡rios os direitos sociais constantes no art. 7¼ da
Constitui•‹o Federal, como fŽrias e gratifica•‹o natalina, especialmente
quando o contrato Ž sucessivamente renovado.15
Conforme j‡ observado, no ‰mbito federal, a contrata•‹o por tempo
determinado Ž disciplinada pela Lei 8.745/1993. A despeito de a norma
aplicar-se unicamente ˆ Uni‹o, Ž uma excelente refer•ncia (como de
costume com as normas federais) para a legisla•‹o dos demais entes.
Nessa linha, a Lei 8.745/1993 define as situa•›es consideradas como
necessidade tempor‡ria de excepcional interesse pœblico, como, por
exemplo, Òassist•ncia a situa•›es de calamidade pœblicaÓ; Òassist•ncia a


14
Nesse sentido, vide: RE 573.202/AM, julgado em 21/8/2008; ou ainda a Rcl 4464/GO, julgada em 20/5/2009:
“1. Incompetência da Justiça Trabalhista para o processamento e o julgamento das causas que envolvam o
Poder Público e servidores que sejam vinculados a ele por relação jurídico-administrativa. 2. O eventual
desvirtuamento da designação temporária para o exercício de função pública, ou seja, da relação jurídico-
administrativa estabelecida entre as partes, não pode ser apreciado pela Justiça do Trabalho. 3. Reclamação
julgada procedente.”
15
Nesse sentido, vide ARE 676.665 AgR-ED-AgR/PE, julgado em 26/5/2015; ARE 681.356 AgR/MG, julgado em
28/8/2012; ARE 663.104 AgR/PE, julgado em 28/2/2012; e AI 767024 AgR/PE, julgado em 13/3/2012, esse último
nos seguintes termos: “1. A jurisprudência desta Corte é no sentido de que é devida a extensão dos diretos
sociais previstos no art. 7º da Constituição Federal a servidor contratado temporariamente, nos moldes do art.
37, inciso IX, da referida Carta da República, notadamente quando o contrato é sucessivamente renovado.”

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emerg•ncias em saœde pœblicaÓ; Òrealiza•‹o de recenseamentos e outras


pesquisas de natureza estat’stica efetuadas pela Funda•‹o Instituto
Brasileiro de Geografia e Estat’stica Ð IBGEÓ; Òcombate a emerg•ncias
ambientais, na hip—tese de declara•‹o, pelo Ministro de Estado do Meio
Ambiente, da exist•ncia de emerg•ncia ambiental na regi‹o espec’ficaÓ; etc.
AlŽm disso, a Lei disp›e que o recrutamento de pessoal tempor‡rio
prescinde de concurso pœblico, devendo ser realizado, como regra,
mediante processo seletivo simplificado, sujeito a ampla divulga•‹o.
Contudo, o processo seletivo estar‡ dispensado quando a
necessidade tempor‡ria decorrer de calamidade pœblica, de emerg•ncia
ambiental e de emerg•ncias em saœde pœblica. Ademais, a contrata•‹o de
3
professor visitante poder‡ ocorrer mediante an‡lise curricular que
demonstre a not—ria capacidade tŽcnica ou cient’fica do profissional.
Por fim, ainda sobre as no•›es b‡sicas da Lei 8.745/1993, o seu art.
4¼ fixa os prazos m‡ximos de contrata•‹o, variando, conforme o caso,
entre seis meses a quatro anos, admitindo-se, com algumas especifica•›es,
prorroga•›es.


12. (Cespe – Analista Técnico-Administrativo/DPU/2016) Os servidores
contratados por tempo determinado para atender à necessidade temporária de
excepcional interesse público e os empregados públicos classificam-se, em virtude
da ausência de estabilidade, em servidores temporários.
Comentário: existem diversas classificações para os servidores públicos.
Porém, em nenhuma delas os empregados públicos são enquadrados como
servidores temporários, pois a ausência de estabilidade não representa uma
situação transitória, mas apenas que o regime aplicável é o celetista, que tem
como uma das características a possibilidade de demissão com ou sem justa
causa.
Assim, seguindo a classificação de Hely Lopes Meirelles, os agentes
administrativos dividem-se em:
(i) servidores públicos – são os chamados servidores estatutários ou
servidores públicos em sentido estrito, que podem ocupar cargo de
provimento efetivo ou em comissão;
(ii) empregados públicos – são os titulares de emprego público, contratados
sobre o regime da legislação trabalhista;

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(iii) servidores temporários - contratados com base no art. 37, IX, da CF, por
tempo determinado para “atender a necessidade temporária de excepcional
interesse público”.
Portanto, os empregados públicos e os servidores temporários representam
classificações distintas dos agentes administrativos.
Gabarito: errado.

13. (Cespe - Agente Administrativo/PRF/2012) Integram a categoria dos agentes


administrativos aqueles que são contratados temporariamente para atender a uma
necessidade temporária de excepcional interesse público.
Comentário: doutrinariamente, os agentes públicos possuem diversas
classificações, entre as quais, segundo Hely Lopes Meirelles, podemos
identificar o conjunto dos agentes administrativos. Eles constituem a grande
massa de trabalho das administrações direta e indireta, dividindo-se em: (i)
servidores públicos (também chamados de servidores estatutários ou
servidores em sentido estrito); (ii) empregados públicos (também chamados
de servidores empregados ou servidores celetistas); (iii) servidores
temporários.
Os servidores temporários são aqueles contratados com base no art. 37, IX,
da CF, por tempo determinado para “atender a necessidade temporária de
excepcional interesse público”. Portanto, podemos afirmar que eles se
inserem na categoria dos agentes administrativos, conforme informado na
questão.
Gabarito: correto.

Efetividade, estabilidade e vitaliciedade

Estabilidade

A estabilidade Ž o direito de perman•ncia no servi•o pœblico,


destinado aos servidores detentores de cargo de provimento efetivo. Trata-
se de uma forma de assegurar a autonomia dos servidores pœblicos,
evitando que eles fiquem refŽns de inger•ncias de natureza pol’tica. AlŽm
disso, a estabilidade destina-se a promover a profissionaliza•‹o dos
servidores pœblicos, por meio do desenvolvimento de carreiras.
As regras sobre a estabilidade est‹o disciplinadas no art. 41 da
Constitui•‹o Federal, com a reda•‹o dada pela Emenda Constitucional

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19/1998 (Emenda da Reforma Administrativa). A reda•‹o anterior n‹o


apresentava nenhuma hip—tese de exonera•‹o do servidor por iniciativa da
Administra•‹o e tambŽm era menos exigente nos requisitos para aquisi•‹o
da estabilidade.
O novo texto aumentou o tempo necess‡rio de efetivo exerc’cio para
aquisi•‹o da estabilidade de dois para tr•s anos. AlŽm disso, o ¤4¼, art.
41, tambŽm acrescentado pela EC 19/98, passou a exigir como condi•‹o
para a aquisi•‹o da estabilidade, a avalia•‹o especial de desempenho
por comiss‹o institu’da para essa finalidade.
A Lei 8.112/1990 estabelece que a duração do estágio
probatório é de 24 meses, enquanto a Constituição
estabelece o prazo para aquisição da estabilidade como
de 36 meses.
Dessa forma, surgiu muita divergência na doutrina a respeito do prazo de duração
do estágio probatório. Posteriormente, o prazo previsto na Lei 8.112/1990 foi
modificado para 36 meses por meio da MP 431/2008. Todavia, essa medida foi
convertida na Lei 11.748/2008, que não acatou a mudança do prazo, ou seja, no
texto da Lei 11.748/2008 permaneceu o prazo de 24 meses para o estágio
probatório.
Com isso, a divergência tornou-se ainda maior, só sendo pacificada em 2010,
quando o STF firmou o entendimento de que o art. 41 da Constituição Federal é
autoaplicável, vinculando o prazo de estabilidade ao período do estágio
probatório. Por conseguinte, automaticamente o prazo do estágio probatório foi
dilatada para 36 meses com a nova redação da EC 19/199816.
Nesse mesmo sentido, o STJ também aplicou o prazo de três anos para o estágio
probatório17:
MANDADO DE SEGURAN‚A. ADMINISTRATIVO. PROCURADOR
FEDERAL. PROMO‚ÌO E PROGRESSÌO NA CARREIRA. CRITƒRIOS.
PORTARIA PGF 468/2005.
ILEGALIDADES NÌO CONFIGURADAS. ESTABILIDADE. ART. 41 DA CF.
EC N¼ 19/1998. PRAZO. ALTERA‚ÌO. ESTçGIO PROBATîRIO.
OBSERVåNCIA. DIREITO LêQUIDO E CERTO. INEXISTæNCIA 1. A
fixa•‹o de critŽrios e diretrizes para promo•‹o e progress‹o funcional
por meio de atos administrativos, n‹o Ž, por si, ilegal, visto que
encontra amparo no disposto no art. 10 da Lei n. 8.112/1990.


16
STA 269 AgR.
17
MS 12665/DF.

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2. N‹o atendido o requisito temporal de conclus‹o do est‡gio


probat—rio, considerando que n‹o verificado o interst’cio de 3
(tr•s) anos de efetivo exerc’cio da impetrante no cargo de
Procurador Federal, inexiste direito l’quido e certo de figurar nas
listas de promo•‹o e progress‹o funcional, regulamentadas pela
Portaria PGF n¼ 468/2005. Precedente: MS 12.523/DF, Rel. Min. Felix
Fischer, DJe de 18.8.2009. Seguran•a denegada. (MS 12665/DF, Rel.
Ministra MARILZA MAYNARD (DESEMBARGADORA CONVOCADA DO
TJ/SE), TERCEIRA SE‚ÌO, julgado em 12/12/2012, DJe 24/04/2013)

Apesar dessas considerações, devemos saber que o estágio probatório e a


estabilidade não se confundem. Aquele é um período de testes do servidor no
cargo, ou seja, destina-se a avaliar a aptidão do servidor para o cargo, enquanto a
estabilidade é adquirida no serviço público.
A diferença pode ser entendida com um exemplo. Pedro, servidor efetivo, adquiriu
a estabilidade após preencher todos os requisitos previstos na Constituição
Federal. Após isso, ele foi novamente aprovado em concurso público, para outro
cargo. Nesse caso, ao tomar posse no novo cargo, Pedro será novamente
submetido ao estágio probatório, uma vez que o estágio se refere ao cargo. Porém,
ele já será servidor efetivo, pois a estabilidade ocorre no serviço público –
ressalvando que essa estabilidade é para cada ente da federação, sendo que se ele
trocar um cargo estadual por um federal, por exemplo, também não terá a
estabilidade.
A consequência disso é que, se Pedro reprovar no estágio probatório, terá
assegurado o retorno ao cargo anterior. Vale dizer, Pedro será exonerado do novo
cargo, mas poderá retornar ao antigo cargo, uma vez que ele já possui a
estabilidade.

Com efeito, outro requisito para aquisi•‹o da estabilidade Ž a prŽvia


aprova•‹o em concurso pœblico de prova ou de provas e t’tulos. Dessa
forma, podemos perceber que existem quatro requisitos para aquisi•‹o da
estabilidade:
a) aprova•‹o em concurso pœblico;
b) o cargo deve ser de provimento efetivo;
c) tr•s anos de efetivo exerc’cio;
d) aprova•‹o em avalia•‹o especial de desempenho por comiss‹o
institu’da para essa finalidade.
Todavia, o servidor efetivo n‹o possui uma ÒblindagemÓ contra
qualquer forma de demiss‹o. A Constitui•‹o Federal apresenta quatro

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hip—teses em que o servidor est‡vel poder‡ perder o cargo de forma n‹o


volunt‡ria:
a) senten•a judicial transitada em julgado;
b) processo administrativo com ampla defesa;
c) insufici•ncia de desempenho, verificada mediante avalia•‹o peri—dica,
na forma de lei complementar, assegurada ampla defesa;
d) excesso de despesa com pessoal, nos termos do art. 169, ¤4¼.
As duas œltimas hip—teses de perda do cargo n‹o estavam previstas no
texto original da Constitui•‹o Federal, sendo inclu’das pela EC 19/1998.
Deve-se destacar que n‹o se confunde a demiss‹o com a
==335c3==

exonera•‹o. A primeira possui car‡ter punitivo, decorrendo de falta grave


ou como efeito de senten•a penal. Por outro lado, a exonera•‹o Ž aplic‡vel
nos demais casos, em regra, sem car‡ter punitivo. Por exemplo, quando o
servidor, voluntariamente, deseja parar de trabalhar na institui•‹o, ele faz
o pedido de exonera•‹o.
Assim, as duas novas hip—teses de perda do cargo s‹o formas de
exonera•‹o. Entretanto, parte da doutrina considera, plausivelmente, que
a perda do cargo por insufici•ncia de desempenho possui car‡ter punitivo,
em que pese seja realizada por exonera•‹o. Dessa forma, n‹o mais Ž
correto afirmar que a exonera•‹o nunca possui car‡ter punitivo, pois no
caso de insufici•ncia de desempenho ela ter‡. Com efeito, a maior prova do
car‡ter punitivo Ž que a pr—pria Constitui•‹o determina que seja
oportunizado a ampla defesa ao servidor. Por fim, vale lembrar que a perda
do cargo por insufici•ncia de desempenho depende da edi•‹o de lei
complementar, que estabelecer‡ as regras b‡sicas para a avalia•‹o.
No caso de excesso de despesa, porŽm, Ž evidente que n‹o existe
car‡ter punitivo, pois n‹o decorre de nenhuma a•‹o do servidor. De acordo
com o art. 169, ¤4¼, da CF, em caso de excesso de despesa, Òo servidor
est‡vel poder‡ perder o cargo, desde que ato normativo motivado de cada
um dos Poderes especifique a atividade funcional, o —rg‹o ou unidade
administrativa objeto da redu•‹o de pessoalÓ.
A exig•ncia de limite de despesa com pessoal encontra-se prevista no
art. 169, caput, da CF. Tal dispositivo foi regulamentado pela Lei
Complementar 101/2000, a chamada Lei de Responsabilidade Fiscal. Os
limites s‹o calculados com base na receita corrente l’quida, fixados em 50%
para a Uni‹o e 60% para os estados e munic’pios. Em seguida, a LRF

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estabelece limites para cada Poder (n‹o vamos aprofundar esses limites,
pois foge do campo do Direito Administrativo).
Caso algum Poder ultrapasse o limite previsto na LRF, dever‡ tomar as
medidas para reduzir os seus gastos. Entretanto, o art. 163 da Constitui•‹o
estabelece regras que devem ser observadas antes da exonera•‹o do
servidor est‡vel com a finalidade de cumprir os limites da LRF:
a) redu•‹o em pelo menos vinte por cento das despesas com cargos em
comiss‹o e fun•›es de confian•a;
b) exonera•‹o dos servidores n‹o est‡veis.
Portanto, a exonera•‹o de servidor est‡vel Ž medida de exce•‹o, que
s— poder‡ ser tomada se as medidas acima n‹o forem suficientes para
reconduzir os gastos aos limites previstos na Lei de Responsabilidade Fiscal.
O servidor est‡vel que perder o cargo em decorr•ncia de excesso de
despesas com pessoal far‡ jus a indeniza•‹o correspondente a um m•s de
remunera•‹o por ano de servi•o (CF, art. 169, ¤5¼). Por fim, o cargo objeto
da redu•‹o prevista nos par‡grafos anteriores ser‡ considerado extinto,
vedada a cria•‹o de cargo, emprego ou fun•‹o com atribui•›es iguais ou
assemelhadas pelo prazo de quatro anos (CF, art. 169, ¤6¼).
Normalmente, s— se fala na estabilidade relativa ao
servidor ocupante de cargo efetivo, que foi essa que
acabamos de estudar. No entanto, o art. 19 do
ADCT apresentou uma outra forma de estabilidade, aplic‡vel
exclusivamente ao servidor admitido sem concurso pœblico h‡ pelo menos
cinco anos antes da promulga•‹o da Constitui•‹o. Todavia, esse
servidor Ž est‡vel, mas n‹o Ž efetivo, e possui somente o direito de
perman•ncia no servi•o pœblico no cargo em que fora admitido, todavia
sem incorpora•‹o na carreira, n‹o tendo direito a progress‹o funcional
nela, ou a desfrutar de benef’cios que sejam privativos de seus
integrantes18.

Para encerrar, Ž importante lembrar que a estabilidade n‹o se aplica


aos servidores comissionados. Quanto aos empregados pœblicos, vamos
fazer algumas considera•›es no t—pico seguinte.


18
RE 167.635/SP.

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Empregados públicos

Muito se discute sobre a estabilidade dos empregados pœblicos. Na


atual reda•‹o da Constitui•‹o Federal, n‹o resta dœvida, pois os
empregados pœblicos, regidos pelas regras da CLT, n‹o possuem o
direito ˆ estabilidade.
Entretanto, o STF admite exce•‹o quanto aos empregados pœblicos,
admitidos por concurso pœblico antes do advento da EC 19/1998, uma vez
que a antiga reda•‹o do art. 41 se referia genericamente a servidores19.
Dessa forma, a atual Constitui•‹o n‹o mais permite a exist•ncia de
empregados pœblicos est‡veis, mas se ressalva o fato de o STF estender
esse direito aos empregados pœblicos admitidos por concurso antes da EC
19/1998.

Efetividade

N‹o se deve confundir a estabilidade com a efetividade. A estabilidade,


como vimos, Ž um direito do servidor que cumprir os requisitos
constitucionais, enquanto a efetividade Ž um atributo do cargo pœblico,
concernente a sua forma de provimento.
Nesse contexto, vale transcrever um trecho da ementa do RE
167.635/SP20, em que o STF demonstra, de forma clara, a diferen•a entre
efetividade e estabilidade:
N‹o h‡ que confundir efetividade com estabilidade. Aquela Ž atributo do
cargo, designando o funcion‡rio desde o instante da nomea•‹o; a
estabilidade Ž ader•ncia, Ž integra•‹o no servi•o pœblico, depois de
preenchidas determinadas condi•›es fixadas em lei, e adquirida
pelo decurso de tempo.

Vitaliciedade

A vitaliciedade tambŽm Ž uma garantia de perman•ncia no servi•o


pœblico, porŽm aplic‡vel somente a algumas carreiras de agentes pœblicos,
diferenciando-se da estabilidade em raz‹o da maior prote•‹o que
proporciona e da natureza dos cargos que ensejam sua aquisi•‹o.
Conforme vimos, a estabilidade Ž adquirida ap—s tr•s anos de exerc’cio
em cargos de provimento efetivo, garantindo a perman•ncia do servidor
pœblico, que s— poder‡ perder o cargo em mediante senten•a judicial

19
AI 480.432 AgR.
20
RE 167.635/SP.

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transitada em julgado; processo administrativo em que lhe seja


proporcionado ampla defesa; por insufici•ncia em avalia•‹o peri—dica de
desempenho, na forma de lei complementar, assegurada ampla defesa; ou
em decorr•ncia de excesso de gastos com pessoal, observadas as regras
do art. 169 da Constitui•‹o da Repœblica.
A vitaliciedade, por sua vez, garante a perman•ncia no servi•o pœblico,
s— admitindo uma œnica hip—tese de perda do cargo: senten•a judicial
transitada em julgado. Nessa linha, as demais hip—teses de perda do
cargo n‹o se aplicam aos ocupantes de cargos vital’cios.

Os ocupantes de cargo vital’cio s— podem


perder o cargo por meio de processo judicial
transitado em julgado.

A Constitui•‹o Federal assegura a vitaliciedade aos membros de


carreiras da magistratura, do MinistŽrio Pœblico e tambŽm aos ministros e
conselheiros dos Tribunais de Contas.
Para os ocupantes de cargos de juiz e promotor, no primeiro grau, a
vitaliciedade ser‡ adquirida ap—s dois anos de exerc’cio, sendo que nesse
per’odo a perda do cargo depende de delibera•‹o do tribunal ao qual o juiz
esteja vinculado.
Todavia, nos casos em que o agente ingressa na carreira de
magistratura por meio de nomea•‹o direta, como ocorre com os
desembargadores nomeados pelo Òquinto constitucionalÓ, ou os ministros
do STF ou do STJ a vitaliciedade Ž adquirida automaticamente no momento
da posse, ou seja, n‹o Ž necess‡rio aguardar os dois anos. Acrescenta-se
neste rol os ministros e conselheiros de Tribunais de Contas que n‹o
ocupavam cargos vital’cios antes de sua nomea•‹o.Por exemplo, se um
advogado for escolhido pelo Congresso Nacional para ocupar o cargo de
ministro do Tribunal de Contas da Uni‹o, no momento em que ele tomar
posse na Corte de Contas, a vitaliciedade ser‡ adquirida.

14. (Cespe – Auditor de Controle Externo/TCE-SC/2016) O servidor público


ocupante exclusivamente de cargo em comissão adquire a estabilidade após três
anos de efetivo exercício.

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Comentário: a estabilidade é uma garantia dos servidores ocupantes de cargo


de provimento efetivo, nos termos do art. 41 da Constituição Federal: “são
estáveis após três anos de efetivo exercício os servidores nomeados para
cargo de provimento efetivo em virtude de concurso público”.
Dessa forma, o servidor que ocupa exclusivamente cargo em comissão não
possui estabilidade, uma vez que seu cargo é de livre nomeação e exoneração.
Gabarito: errado.

15. (Cespe – Agente Administrativo/MDIC/2014) Com a promulgação da CF,


foram extintos os denominados cargos vitalícios, tendo sido resguardado,
entretanto, o direito adquirido daqueles que ocupavam esse tipo de cargo à época
da promulgação da CF.
Comentário: a Constituição Federal de 1988 não extinguiu os cargos vitalícios.
Atualmente, eles são aplicáveis aos membros de carreiras da magistratura, do
Ministério Público e também aos ministros e conselheiros dos Tribunais de
Contas.
Nesse contexto, o art. 95, I, da CF, determina que os juízes gozam de
“vitaliciedade, que, no primeiro grau, só será adquirida após dois anos de
exercício, dependendo a perda do cargo, nesse período, de deliberação do
tribunal a que o juiz estiver vinculado, e, nos demais casos, de sentença
judicial transitada em julgado”. O mesmo texto é repetido no art. 125, §5º, I,
“a”, quanto aos membros do Ministério Público. Por fim, o art. 73, §3º21, dispõe
que os “Ministros do Tribunal de Contas da União terão as mesmas garantias,
prerrogativas, impedimentos, vencimentos e vantagens dos Ministros do
Superior Tribunal de Justiça”; por conseguinte, também terão a vitaliciedade.
Gabarito: errado.

16. (Cespe – Técnico Administrativo/TRE-MS/2013) Assinale a opção correta


acerca das disposições gerais dos agentes públicos.
a) É possível que um indivíduo, mesmo sem ter uma investidura normal e regular,
execute uma função pública em nome do Estado.
b) Servidor público estatutário é aquele submetido a um diploma legal específico e
que ocupa cargo público da administração direta e indireta, como autarquias,
fundações e empresas públicas.
c) Os litígios que envolvam os servidores públicos estatutários e celetistas devem
ser dirimidos na Justiça do Trabalho, especializada em dirimir conflitos entre
trabalhadores e empregadores.

21
A regra do art. 73, §3º, da CF, aplica-se por simetria aos conselheiros dos tribunais de contas dos estados e dos
municípios.

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d) Os chamados cargos vitalícios, previstos pela Constituição anterior à ora vigente,


não mais subsistem. Atualmente, apenas existem os chamados cargos efetivos e
cargos em comissão, também denominados na prática de cargo de confiança.
e) Considera-se agente público aquele que exerce, mesmo que transitoriamente,
cargo, emprego ou função pública, sempre mediante remuneração pelo serviço
prestado.
Comentário: a alternativa A tratou dos chamados agentes de fato, que, mesmo
sem ter uma investidura normal e regular, executam função pública em nome
do Estado. Logo, a opção A está correta. Vejamos o erro das demais
alternativas:
b) ERRADA – de fato o servidor público estatutário é submetido a diploma
legal específico (o estatuto), todavia o cargo público ocupado é somente na
administração direta, nas autarquias e nas fundações públicas. Assim, não
existe cargo público e nem servidor público nas empresas públicas, por isso
a opção está errada;
c) ERRADA – os litígios entre servidores estatutários e a Administração
Pública devem ser solucionados na justiça comum (Federal ou Estadual,
conforme o caso), enquanto os litígios dos celetistas (empregados públicos)
serão resolvidos na Justiça do Trabalho;
d) ERRADA – os cargos vitalícios persistem na atual Constituição, sendo
aplicados a agentes públicos de determinadas carreiras, como os membros
da magistratura, do Ministério Público e dos Tribunais de Contas. A
vitaliciedade é uma garantia de permanência mais forte que a estabilidade,
sendo que o agente só poderá perder o cargo em decorrência de sentença
judicial transitada em julgado;
e) ERRADA – a definição de agente público é bem ampla. Muitas vezes,
costuma-se adotar a definição prevista na Lei 8.429/1992, vazada nos
seguintes termos:
Art. 2¡ Reputa-se agente pœblico, para os efeitos desta lei, todo aquele
que exerce, ainda que transitoriamente ou sem remunera•‹o, por
elei•‹o, nomea•‹o, designa•‹o, contrata•‹o ou qualquer outra forma de
investidura ou v’nculo, mandato, cargo, emprego ou fun•‹o nas
entidades mencionadas no artigo anterior.
Portanto, o conceito de agente público envolve qualquer um que venha
exercer mandato, cargo, emprego ou função, ainda que sem remuneração.
Gabarito: alternativa A.

17. (Cespe – ATA/CADE/2014) O servidor público poderá adquirir estabilidade


mesmo antes de concluir o estágio probatório.

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Comentário: o atual entendimento do STF é que tanto a estabilidade quanto o


estágio probatório são de três anos. Entretanto, a estabilidade é adquirida no
serviço público, dentro do mesmo ente federado; enquanto o estágio
probatório é realizado para verificar a aptidão para o cargo. Portanto, um
servidor público poderá adquirir a estabilidade em um cargo, mas só depois
realizar o estágio em um outro em que ele for aprovado por concurso público.
Nessa situação, ele terá adquirido a estabilidade antes de concluir o estágio
probatório. Logo, o item estácorreto.
Gabarito: correto.

ACESSO A FUNÇÕES, CARGOS E EMPREGOS PÚBLICOS

Acessibilidade aos brasileiros e aos estrangeiros

O inciso I do art. 37 da CF determina que os cargos, empregos e


fun•›es pœblicas s‹o acess’veis aos brasileiros que preencham os
requisitos estabelecidos em lei, bem como aos estrangeiros, na forma da
lei.
Do dispositivo mencionado acima, duas situa•›es distintas podem ser
observadas. Para os brasileiros, a regra Ž a ampla acessibilidade. Dessa
forma, sempre que os brasileiros preencherem os requisitos legais, poder‹o
ter acesso aos cargos, empregos ou fun•›es pœblicas. Por outro lado, para
os estrangeiros, o dispositivo Ž norma de efic‡cia limitada22, ou seja, os
estrangeiros s— ter‹o acesso aos cargos e empregos pœblicos na forma da
lei.
Por exemplo, se um concurso pœblico exigir a forma•‹o superior para
um cargo pœblico, todos os brasileiros com curso superior poder‹o ter
acesso a esse cargo. J‡ os estrangeiros, alŽm de possu’rem o curso
superior, depender‹o de lei que disponha sobre o seu acesso ao mencionado
cargo.


22
RE 544655 AgR/MG: “EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL.
ADMINISTRATIVO. ESTRANGEIRO. ACESSO AO SERVIÇO PÚBLICO. ARTIGO 37, I, DA CB/88. O Supremo Tribunal
Federal fixou entendimento no sentido de que o artigo 37, I, da Constituição do Brasil [redação após a EC 19/98],
consubstancia, relativamente ao acesso aos cargos públicos por estrangeiros, preceito constitucional dotado de
eficácia limitada, dependendo de regulamentação para produzir efeitos, sendo assim, não auto-aplicável.
Precedentes. Agravo regimental a que se dá provimento”. (grifos nossos)

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Ainda sobre os brasileiros, a regra Ž que n‹o exista diferencia•‹o entre


brasileiros natos, naturalizados ou, ainda, equiparados (CF, art. 12, ¤1¼23).
Entretanto, a Constitui•‹o Federal reserva alguns cargos que somente
podem ser ocupados por brasileiros natos24.

De acordo com a Constituição Federal, são privativos de


brasileiros os cargos de (CF, art. 12, §3º):
® Presidente e Vice-Presidente da República;
® Presidente da Câmara dos Deputados;
® Presidente do Senado Federal;
® Ministro do Supremo Tribunal Federal;
® Carreira diplomática;
® oficial das Forças Armadas.
® Ministro de Estado da Defesa

Vale observar que, no STF, todos os ministros devem ser brasileiros


natos e n‹o somente o Presidente. Isso porque todos os ministros do STF
podem assumir a presid•ncia e, por conseguinte, poder‹o assumir,
provisoriamente, o cargo de Presidente da Repœblica.

Requisitos para o acesso a cargos e empregos públicos

Voltando ao art. 37, I, da CF, o dispositivo impede que sejam


estabelecidas condi•›es ou exig•ncias para o acesso aos cargos ou
empregos pœblicos que n‹o estejam previstos em lei. Portanto, os editais
de concursos pœblicos n‹o s‹o instrumentos h‡beis para estabelecer
limita•›es para a participa•‹o no concurso ou para o provimento no cargo
que n‹o possuem respaldo em lei. Com efeito, a limita•‹o tambŽm n‹o pode
decorrer de nenhum ato normativo infralegal, a exemplo dos regulamentos,
instru•›es normativas, portarias, etc.
AlŽm disso, o princ’pio da isonomia, previsto no art. 5¼ da Constitui•‹o
Federal, veda que sejam estabelecidas formas discriminat—rios para o
ingresso nos cargos ou empregos pœblicos, a exemplo de limita•›es em
decorr•ncia de origem, ra•a, religi‹o, etc.


23
Art. 12. (...) § 1º Aos portugueses com residência permanente no País, se houver reciprocidade em favor de
brasileiros, serão atribuídos os direitos inerentes ao brasileiro, salvo os casos previstos nesta Constituição.
24
A condição de brasileiro nato está definida no art. 12, I, da CF.

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Todavia, eventualmente, com base no princ’pio da razoabilidade Ð e


respeitando os princ’pios da isonomia e da impessoalidade Ð, s‹o permitidas
exig•ncia que venham a limitar o amplo acesso aos cargos ou empregos
pœblicos, como limite de idade, sexo, altura, forma•‹o profissional, etc. Com
efeito, o art. 39, ¤3¼, da Constitui•‹o Federal estabelece que a lei poder‡
estabelecer requisitos diferenciados de admiss‹o quando a natureza do
cargo o exigir.
Assim, qualquer condi•‹o ou limita•‹o para o acesso aos cargos,
empregos ou fun•›es pœblicas deve possuir previs‹o em lei e, alŽm disso,
deve respeitar os princ’pios da razoabilidade, isonomia e impessoalidade.
Por conseguinte, n‹o se admite que atos administrativos venham a
estabelecer restri•›es. Nesse sentido, a Sœmula 14 do STF estabelece que
ÒN‹o Ž admiss’vel, por ato administrativo, restringir, em raz‹o da idade,
inscri•‹o em concurso para cargo pœblicoÓ. Na mesma linha, a Sœmula 686,
tambŽm do STF, disp›e que ÒS— por lei se pode sujeitar a exame
psicotŽcnico a habilita•‹o de candidato a cargo pœblicoÓ.
Vejamos alguns detalhes sobre as principais restri•›es ao acesso a
cargos e empregos pœblicos.

Restrições de idade, sexo e altura

O art. 7¼, XXX, da CF, estabelece a proibi•‹o de diferen•a de exerc’cio


de fun•›es e de critŽrio de admiss‹o por motivo de sexo, idade, cor ou
estado civil. Tal proibi•‹o se aplica aos servidores ocupantes de cargo
pœblico, por for•a do art. 39, ¤3¼, tambŽm da Constitui•‹o Federal. Todavia,
este œltimo dispositivo estabelece que a lei poder‡ estabelecer requisitos
diferenciados de admiss‹o quando a natureza do cargo o exigir.

No caso do limite de idade, o STF já firmou o seguinte entendimento por meio da


Súmula 693: “O limite de idade para a inscrição em concurso público só se legitima
em face do art. 7º, XXX, da Constituição, quando possa ser justificado pela
natureza das atribuições do cargo a ser preenchido”.

Apesar de a Sœmula acima abordar especificamente o limite de idade,


Ž certo que eventual limita•‹o tambŽm poder‡ ocorrer em decorr•ncia de

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sexo, altura ou outras condi•›es consideradas imprescind’veis para o


desempenho das atribui•›es do cargo, emprego ou fun•‹o. No entanto, tal
limita•‹o sempre depender‡ de previs‹o legal, que dever‡ ser justificada
pela natureza das atribui•›es que ser‹o desempenhadas.
Com efeito, Ž firme no Superior Tribunal de Justi•a o entendimento de
que Ž poss’vel a defini•‹o de limite m‡ximo e m’nimo de idade, sexo e
altura para o ingresso na carreira militar, levando-se em conta as
peculiaridades da atividade exercida, desde que haja lei espec’fica que
imponha tais restri•›es25.
Nesse contexto, no que se refere ˆ limita•‹o de idade m’nima, n‹o
existe muita discuss‹o, uma vez que a pr—pria Lei 8.112/1990 estabelece a
idade m’nima de dezoito anos para o ingresso nos cargos pœblicos (art. 5¼,
V).
J‡ em rela•‹o ˆ idade m‡xima, o Supremo Tribunal Federal tambŽm
vem assentando o entendimento sobre a sua possibilidade, mas sempre
dependendo de previs‹o em lei. Nesse contexto, o STF, ao discutir a
limita•‹o de idade m‡xima para o ingresso em carreiras militares, em que
a exig•ncia de idade encontra-se prevista no pr—prio texto constitucional
(art. 142, ¤3¼, X), entendeu que a fixa•‹o da idade m‡xima para a inscri•‹o
nos concursos de carreiras militares depende de lei em sentido formal
(reserva legal), concluindo pelo descabimento de regulamenta•‹o por outra
espŽcie normativa, ainda que por delega•‹o legal26.
As limita•›es de sexo s— s‹o admitidas quando existir a devida
fundamenta•‹o em lei e no edital do concurso. Nesse contexto, o STF
entende que Òa simples restri•‹o, sem motiva•‹o e independentemente
de qualquer critŽrio, para afastar a participa•‹o de mulheres dos quadros
da pol’cia militar, retira a sua admissibilidade constitucional, em face do
princ’pio da igualdadeÓ27.
Por fim, a mesma regra se aplica ˆ exig•ncia de altura m’nima. Nessa
linha, o Superior Tribunal de Justi•a tem como razo‡vel que se estabele•a
limite m’nimo de altura para o preenchimento de cargos pœblicos, desde
que a natureza das atividades exercidas imponha a exig•ncia e que haja
expressa previs‹o legal. Todavia, a lei deve estabelecer especificamente a


25
AgRg no RMS 41515/BA.
26
RE 600.885/RS.
27
RE 528.684/MS.

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altura a ser exigida, n‹o bastando, para viabilizar a ado•‹o do critŽrio


discriminat—rio, a exig•ncia genŽrica de Òcapacidade f’sicaÓ28.

Momento da comprovação dos requisitos para o cargo

A regra geral Ž que a comprova•‹o para os requisitos do cargo deve


ocorrer no momento da posse, ou seja, se o edital exigir que o candidato
possua alguma forma•‹o espec’fica, essa comprova•‹o dever‡ ocorrer
somente no momento da posse no cargo, e n‹o na inscri•‹o ou em outro
momento pretŽrito.

Nesse sentido, o STJ possui importante entendimento consolidado na Súmula 266:


“O diploma ou habilitação legal para o exercício do cargo deve ser exigido na posse
e não na inscrição para o concurso público”.

Portanto, a comprova•‹o dos requisitos deve ocorrer no momento da


posse.
Todavia, existem duas exce•›es. A primeira delas se refere ˆ
comprova•‹o dos requisitos previstos para os cargos de juiz substituto
e de membro do MinistŽrio Pœblico, que deve ocorrer no momento da
inscri•‹o no concurso. Nessa linha, a Constitui•‹o Federal determina que
o bacharel em direito dever‡ comprovar no m’nimo tr•s anos de atividade
jur’dica para poder ingressar nessas carreiras (CF, art. 93, I; e art. 129,
¤3¼). Dessa forma, o STF entende que: (a) a comprova•‹o dos tr•s anos
de atividade jur’dica pressup›e a conclus‹o do curso de bacharelado em
direito, ou seja, n‹o pode ser computado o tempo de experi•ncia anterior
ˆ conclus‹o do curso; (b) a comprova•‹o desse requisito deve ocorrer no
momento da inscri•‹o e n‹o em momento posterior29.
A segunda exce•‹o trata da comprova•‹o de idade m‡xima
estabelecida em lei. De acordo com o STF, a comprova•‹o do requisito
et‡rio estabelecido na lei deve ocorrer no momento da inscri•‹o no
certame, uma vez que Ž imposs’vel se dimensionar o per’odo que ser‡


28
AgRg no RMS 31.200/SC.
29
MS 26.681/DF.

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transcorrido entre a abertura das inscri•›es do concurso pœblico e sua


efetiva homologa•‹o30.

Segundo entendimento do STF, Ž poss’vel que um


candidato de 32 anos tome posse em um cargo com
exig•ncia de idade m‡xima de 31 anos. Isso porque
a comprova•‹o de idade deve ocorrer no
momento da inscri•‹o e n‹o em momento posterior (homologa•‹o,
in’cio de curso de forma•‹o, posse etc.).

Dessa forma, o momento da comprova•‹o dos requisitos em concursos


pœblicos pode ser resumido da seguinte forma:

a) em regra, a comprova•‹o deve ocorre no momento da posse;


b) exce•›es, que devem ser comprovadas no momento da inscri•‹o
no certame:
® comprova•‹o de tr•s anos de atividade jur’dica para ingresso
nas carreiras de juiz e de membro do MinistŽrio Pœblico;
® comprova•‹o do idade m‡xima para ingresso no cargo.

Exame psicotécnico

Conforme vimos acima, a Sœmula 686 do STF disp›e que ÒS— por lei se
pode sujeitar a exame psicotŽcnico a habilita•‹o de candidato a cargo
pœblicoÓ.
AlŽm disso, a jurisprud•ncia do STF tem exigido, para a realiza•‹o de
exames psicotŽcnicos, a previs‹o em lei formal e um grau m’nimo de
objetividade, rigor cient’fico e critŽrios expl’citos (isto Ž, n‹o sigilosos),
permitindo que o candidato possa identificar claramente as conclus›es que
eventualmente lhe tenham sido desfavor‡veis, bem como permitir o acesso
do Poder Judici‡rio para a verifica•‹o de les‹o de direito no uso de tais
critŽrios31. AlŽm da previs‹o legal e da objetividade, exige-se que seja
prevista a possibilidade de recurso administrativo em rela•‹o ao
resultado do exame32.


30
Nesse sentido: ARE 730.959 AgR/BA; e
31
AI 529.219 AgR/RS.
32
RE 188.234/DF.

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Em resumo, s‹o quatro as condi•›es para que


a exig•ncia de exame psicotŽcnico seja v‡lida:

a) previs‹o em lei e no edital;


b) compatibilidade com as atribui•›es normais do cargo;
c) o exame deve possuir um grau m’nimo de objetividade, possuindo
rigor cient’fico e critŽrios expl’citos;
d) possibilidade de recurso33.

QUESTÕES EXTRAS

João, após aprovação em concurso público, foi nomeado em 2015 para integrar o
quadro de uma entidade da administração indireta dotada de personalidade jurídica
de direito privado. Acerca dessa situação hipotética, julgue os itens seguintes.
18. (Cespe – Técnico Administrativo/Anvisa/2016) Com a aprovação no referido
concurso, João passará a ocupar cargo público efetivo regido pelo regime jurídico
único dos servidores públicos civis.
Comentário: se o servidor vai ocupar emprego público, não lhe será aplicado o
regime jurídico único dos servidores públicos civis nem ele ocupará cargo
público efetivo.
Gabarito: errado.

19. (Cespe – Técnico Administrativo/Anvisa/2016) Na situação descrita, após três


anos de efetivo exercício, João adquirirá a estabilidade estatutária, própria dos
servidores públicos, desde que seja aprovado em estágio probatório.
Comentário: os servidores ocupantes de cargo efetivo, adquiriram a
estabilidade após três anos de efetivo exercício do cargo (CF, art. 41, caput).
Essa regra não se aplica, contudo, aos ocupantes de emprego público. Motivo
pelo qual o item está incorreto.
Gabarito: errado.

20. (Cespe – Analista Judiciário/TRE-PI/2016) A cidade de Parintins, no Amazonas,


detém a maior proporção do Brasil de funcionários públicos em relação ao total de


33
Entendimento semelhante também consta na Súmula Administrativa AGU 35/2008: "O exame psicotécnico a
ser aplicado em concurso público deverá observar critérios objetivos, previstos no edital, e estará sujeito a recurso
administrativo."

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trabalhadores formais — lá são 3.971 servidores públicos, que correspondem a


62,71% desse total, considerados apenas os estatutários. Internet: (com adaptações).
Tendo o texto acima como referência inicial e supondo que a notícia apresentada
tenha sido confirmada por diversos organismos renomados pelo elevado grau
assertivo em suas pesquisas e que a realidade apresentada permaneça até o
presente, assinale a opção correta acerca de aspectos diversos do direito
administrativo.
a) As contratações de agentes públicos para o exercício de cargo efetivo e
permanente no referido município devem ocorrer mediante concurso, cuja validade
inicial pode ser de até dois anos, prorrogável, uma vez, por igual período.
b) A existência do elevado número de servidores públicos é suficiente para concluir
que o chefe do Poder Executivo municipal, por utilizar a técnica administrativa da
concentração, agiu contrariamente ao princípio da eficiência, estando, pois, sujeito à
ação de improbidade, cuja prescrição ocorre no prazo de cinco anos, a contar da
abertura do respectivo processo administrativo disciplinar.
c) O mesário convocado para servir no dia das eleições é considerado servidor público
estatutário.
d) A administração pública, em sentido objetivo, compreende as pessoas jurídicas de
direito público e seus agentes.
e) Com base no entendimento do STF, é correto afirmar que o prefeito de Parintins
pode nomear sobrinha para ocupar cargo de confiança em órgão da administração,
uma vez que a vedação à nomeação de parentes alcança apenas aqueles em linha
reta ou por afinidade.
Comentário:
a) dispõe a Constituição Federal que o prazo de validade do concurso público
será de até dois anos, prorrogável uma vez, por igual período (art. 37, III) –
CORRETA;
b) o item possui vários erros. Primeiro que não podemos, apenas com as
informações apresentadas, dizer que o excesso de servidores vai contra o
princípio da eficiência. É provável que sim, mas com essa única informação não
podemos fazer tal afirmação. Ademais, a prescrição da ação de improbidade, no
caso de detentor de mandato, ocorre depois de decorridos cinco anos do
término do mandato (art. 23, I) – ERRADA;
c) o mesário convocado para servir nas eleições é um agente honorífico –
ERRADA;
d) em sentido objetivo, material ou funcional envolve as diversas atividades
finalísticas compreendidas na função administrativa, como o fomento, a polícia
administrativa e o serviço público – ERRADA;

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e) o nepotismo envolve a nomeação linha reta, colateral ou por afinidade, nos


termos da Súmula Vinculante 13 do STF:
Sœmula Vinculante 13
A nomea•‹o de c™njuge, companheiro ou parente em linha reta, colateral
ou por afinidade, atŽ o terceiro grau, inclusive, da autoridade nomeante ou
de servidor da mesma pessoa jur’dica investido em cargo de dire•‹o, chefia
ou assessoramento, para o exerc’cio de cargo em comiss‹o ou de confian•a
ou, ainda, de fun•‹o gratificada na administra•‹o pœblica direta e indireta
em qualquer dos poderes da Uni‹o, dos Estados, do Distrito Federal e dos
Munic’pios, compreendido o ajuste mediante designa•›es rec’procas, viola
a Constitui•‹o Federal.
Logo, o prefeito não poderia nomear a sobrinha (linha colateral de terceiro grau)
– ERRADA.
Gabarito: alternativa A.

21. (Cespe – AFCE/TCE-SC/2016) Conforme a jurisprudência do STJ, no setor


público, a deflagração do movimento grevista suspende o vínculo funcional e, por
conseguinte, desobriga o poder público ao pagamento referente aos dias não
trabalhados, podendo haver compensação dos dias de greve.
Comentário: ótima questão para aumentarmos nosso conhecimento sobre
agentes públicos.
A Constituição Federal assegura aos servidores públicos o direito de greve (CF,
art. VII). Contudo, diante da ausência de regulamentação, aplica-se aos
servidores públicos a Lei 7.783/1989, que trata da greve no setor privado (STF,
Mandado de Injunção 708/DF).
Dessa forma, o STJ firmou entendimento de que, com a deflagração de greve, é
lícito suspender o pagamento dos servidores; cabendo, porém, as negociações
para compensação desses dias de greve.
Vejamos um precedente do tema (STJ, MS 17405/DF, julgado em 23/4/2012):
MANDADO DE SEGURAN‚A. SERVIDOR PòBLICO. GREVE. REMUNERA‚ÌO.
DESCONTO. POSSIBILIDADE. ADMINISTRA‚ÌO PòBLICA. ATO
DISCRICIONçRIO. ORDEM DENEGADA. [É]
II Ð Desse modo, Ž de ser compreendido que a deflagra•‹o do movimento
grevista suspende, no setor pœblico, o v’nculo funcional e, por conseguinte,
desobriga o Poder Pœblico do pagamento referente aos dias n‹o
trabalhados. [É]
III Ð A exist•ncia de acordo, conven•‹o coletiva, laudo arbitral ou decis‹o
judicial regulando as rela•›es obrigacionais decorrentes do movimento
paredista pode prever a compensa•‹o dos dias de greve (ex vi do art. 7¼,
in fine, da Lei n¼ 7.783/89)
IV Ð Todavia, ˆ m’ngua dessas tratativas, n‹o h‡ direito l’quido e certo dos
servidores sindicalizados a ser tutelado na via mandamental, j‡ que, nesses
casos, deve prevalecer o poder discricion‡rio da Administra•‹o, a quem
cabe definir pelo desconto, compensa•‹o ou outras maneiras de administrar

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o conflito, sem que isso implique qualquer ofensa aos princ’pios da


proporcionalidade ou razoabilidade.
Gabarito: correto.

22. (Cespe – AFCE/TCE-SC/2016) O servidor público ocupante exclusivamente de


cargo em comissão adquire a estabilidade após três anos de efetivo exercício.
Comentário: a estabilidade é uma garantia dos servidores ocupantes de cargo
de provimento efetivo, nos termos do art. 41 da Constituição Federal: “são
estáveis após três anos de efetivo exercício os servidores nomeados para cargo
de provimento efetivo em virtude de concurso público“.
Dessa forma, o servidor que ocupa exclusivamente cargo em comissão não
possui estabilidade, uma vez que seu cargo é de livre nomeação e exoneração.
Gabarito: errado.

No que concerne aos agentes públicos, julgue os próximos itens.


23. (Cespe – Auxiliar Técnico de Controle Externo/TCE-PA/2016) A definição de
servidor público, em sentido amplo, engloba os empregados públicos e servidores
temporários.
Comentário: existem várias definições para “servidor público”. Parte da
doutrina adota a expressão “servidor público” com sentido amplo e sentido
estrito.
Em sentido amplo, a expressão seria equivalente ao que outra parte da doutrina
chama de agentes administrativos, ou seja, a expressão alcançaria os
servidores estatutários (ou servidores públicos em sentido estrito), os
empregados públicos e os agentes temporários.
Alguns alunos sempre questionam o fato de a banca usar uma linha doutrinária
sem mencionar a fonte. Tenho a dizer o seguinte, em questões do Cespe (e de
outras bancas de grande porte) é muito raro uma banca trazer a fonte
doutrinária. Assim, devemos julgar as assertivas pensando o seguinte: essa
afirmação pode ser confirmada sobre o ponto de vista de algum doutrinador
importante. Se sim, devemos considerá-la, em regra, como correta, ainda que o
tema não seja abordado assim por outros doutrinadores. Logo, essa é sim uma
forma de classificação aceita pela nossa doutrina.
Gabarito: correto.

24. (Cespe – Auxiliar Técnico de Controle Externo/TCE-PA/2016) Por manter com


o Estado vínculo de natureza diferenciada, os militares não integram a categoria de
agentes públicos.

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Comentário: não existe uma definição precisa sobre em qual grupo enquadrar
os militares. Porém, o que se sabe é que eles são agentes públicos. Na verdade,
agente público é um conceito bem abrangente, alcançando todas as pessoas
físicas que prestam serviços à Administração. Note que em tal conceito
teríamos até mesmo particulares quando atuassem mediante delegação. Logo,
certamente que tal conceito inclui também os militares. Na classificação de
Maria Di Pietro, por exemplo, os militares compõem um grupo autônomo.
Gabarito: errado.

25. (Cespe – Auxiliar Técnico de Controle Externo/TCE-PA/2016) O advogado-


geral da União e o defensor público-geral da União são classificados como agentes
políticos, pois sua atuação possui fundamento constitucional.
Comentário: os agentes políticos caracterizam-se por desempenharem funções
de natureza política, nas mais elevadas instâncias da Administração. Hely Lopes
Meirelles cita no grupo de agentes políticos os auxiliares imediatos do chefe do
Poder Executivo. No caso, Meirelles cita os ministros como exemplo. Anota-se
que o Advogado-Geral da União ainda é considerado ministro, em virtude da
regra de transição do art. 25, parágrafo único, III, da Lei 10.683/2003.
Todavia, pelo menos em regra, o AGU não exerce função política, mas atua
exercendo atribuições técnicas de representação da União e de assessoramento
jurídico. Assim, seria questionável colocá-lo ou não no rol de agentes políticos.
No meu ponto de vista, enquanto gozar do status de ministro, o AGU é agente
político.
Por outro lado, o defensor público-geral da União não é citado pela doutrina no
grupo dos agentes políticos. Assim, por exclusão, ele seria agente
administrativo.
Gabarito: errado.

ƒ isso! Finalizamos mais uma aula.


Espero por voc•s em nosso pr—ximo encontro!
HERBERT ALMEIDA.
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QUESTÕES COMENTADAS NA AULA

1. (Cespe – ATA/MDIC/2014) Os particulares, ao colaborarem com o poder público,


ainda que em caráter episódico, como os jurados do tribunal do júri e os mesários
durante as eleições, são considerados agentes públicos.
2. (Cespe – Técnico Judiciário/CNJ/2013) Considere que determinado cidadão
tenha sido convocado como mesário em um pleito eleitoral. Nessa situação hipotética,
no exercício de suas atribuições, ele deve ser considerado agente político e, para fins
penais, funcionário público.
3. (Cespe – Técnico/MPU/2013) Os ministros de Estado são considerados agentes
políticos, dado que integram os mais altos escalões do poder público.
4. (Cespe – Técnico Administrativo/ANATEL/2012) Os agentes políticos definem
e implementam estratégias políticas para que o Estado atinja seus fins e sua
investidura se dá, exclusivamente, mediante eleição.
5. (Cespe – Técnico Administrativo/ANATEL/2012) O empregado de empresa
concessionária do serviço de telefonia é considerado um agente público.
6. (Cespe – ACE/AGO/TCE-ES/2012) A doutrina, ao tratar dos agentes de fato,
classifica-os em dois tipos: agentes necessários e agentes putativos; os putativos,
cujos atos, em regra, são confirmados pelo poder público, colaboram, em situações
excepcionais, com este, exercendo atividades como se fossem agentes de direito.
7. (Cespe – Assessor Técnico Jurídico/TCE-RN/2009) Agente putativo é aquele
que, em estado de necessidade pública, assume o encargo de desempenhar certas
funções públicas, que de outra forma não seriam executadas, agindo como um
servidor regularmente provido.
8. (Cespe – PT/PM-CE/2014) O cargo público, cujo provimento se dá em caráter
efetivo ou em comissão, só pode ser criado por lei, com denominação própria e
vencimento pago pelos cofres públicos.
9. (Cespe – ATA/MIN/2013) Nas empresas públicas e sociedades de economia
mista, não existem cargos públicos, mas somente empregos públicos.
10. (Cespe – Técnico Judiciário/TRE-RJ/2012) Cargos públicos são núcleos de
encargos de trabalho permanentes a serem preenchidos por agentes contratados para
desempenhá-los sob relação trabalhista.
11. (Cespe – Procurador/PGE-ES/2008) As controvérsias entre os servidores
públicos estatutários e as pessoas jurídicas de direito público sobre a aplicação do
respectivo estatuto passaram para a competência da justiça do trabalho.
12. (Cespe – Analista Técnico-Administrativo/DPU/2016) Os servidores
contratados por tempo determinado para atender à necessidade temporária de
excepcional interesse público e os empregados públicos classificam-se, em virtude da
ausência de estabilidade, em servidores temporários.

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13. (Cespe - Agente Administrativo/PRF/2012) Integram a categoria dos agentes


administrativos aqueles que são contratados temporariamente para atender a uma
necessidade temporária de excepcional interesse público.
14. (Cespe – Auditor de Controle Externo/TCE-SC/2016) O servidor público
ocupante exclusivamente de cargo em comissão adquire a estabilidade após três anos
de efetivo exercício.
15. (Cespe – Agente Administrativo/MDIC/2014) Com a promulgação da CF, foram
extintos os denominados cargos vitalícios, tendo sido resguardado, entretanto, o
direito adquirido daqueles que ocupavam esse tipo de cargo à época da promulgação
da CF.
16. (Cespe – Técnico Administrativo/TRE-MS/2013) Assinale a opção correta
acerca das disposições gerais dos agentes públicos.
a) É possível que um indivíduo, mesmo sem ter uma investidura normal e regular,
execute uma função pública em nome do Estado.
b) Servidor público estatutário é aquele submetido a um diploma legal específico e
que ocupa cargo público da administração direta e indireta, como autarquias,
fundações e empresas públicas.
c) Os litígios que envolvam os servidores públicos estatutários e celetistas devem ser
dirimidos na Justiça do Trabalho, especializada em dirimir conflitos entre
trabalhadores e empregadores.
d) Os chamados cargos vitalícios, previstos pela Constituição anterior à ora vigente,
não mais subsistem. Atualmente, apenas existem os chamados cargos efetivos e
cargos em comissão, também denominados na prática de cargo de confiança.
e) Considera-se agente público aquele que exerce, mesmo que transitoriamente,
cargo, emprego ou função pública, sempre mediante remuneração pelo serviço
prestado.
17. (Cespe – ATA/CADE/2014) O servidor público poderá adquirir estabilidade
mesmo antes de concluir o estágio probatório.
João, após aprovação em concurso público, foi nomeado em 2015 para integrar o
quadro de uma entidade da administração indireta dotada de personalidade jurídica
de direito privado. Acerca dessa situação hipotética, julgue os itens seguintes.
18. (Cespe – Técnico Administrativo/Anvisa/2016) Com a aprovação no referido
concurso, João passará a ocupar cargo público efetivo regido pelo regime jurídico
único dos servidores públicos civis.
19. (Cespe – Técnico Administrativo/Anvisa/2016) Na situação descrita, após três
anos de efetivo exercício, João adquirirá a estabilidade estatutária, própria dos
servidores públicos, desde que seja aprovado em estágio probatório.
20. (Cespe – Analista Judiciário/TRE-PI/2016) A cidade de Parintins, no Amazonas,
detém a maior proporção do Brasil de funcionários públicos em relação ao total de

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trabalhadores formais — lá são 3.971 servidores públicos, que correspondem a


62,71% desse total, considerados apenas os estatutários. Internet: (com adaptações).
Tendo o texto acima como referência inicial e supondo que a notícia apresentada
tenha sido confirmada por diversos organismos renomados pelo elevado grau
assertivo em suas pesquisas e que a realidade apresentada permaneça até o
presente, assinale a opção correta acerca de aspectos diversos do direito
administrativo.
a) As contratações de agentes públicos para o exercício de cargo efetivo e
permanente no referido município devem ocorrer mediante concurso, cuja validade
inicial pode ser de até dois anos, prorrogável, uma vez, por igual período.
b) A existência do elevado número de servidores públicos é suficiente para concluir
que o chefe do Poder Executivo municipal, por utilizar a técnica administrativa da
concentração, agiu contrariamente ao princípio da eficiência, estando, pois, sujeito à
ação de improbidade, cuja prescrição ocorre no prazo de cinco anos, a contar da
abertura do respectivo processo administrativo disciplinar.
c) O mesário convocado para servir no dia das eleições é considerado servidor público
estatutário.
d) A administração pública, em sentido objetivo, compreende as pessoas jurídicas de
direito público e seus agentes.
e) Com base no entendimento do STF, é correto afirmar que o prefeito de Parintins
pode nomear sobrinha para ocupar cargo de confiança em órgão da administração,
uma vez que a vedação à nomeação de parentes alcança apenas aqueles em linha
reta ou por afinidade.
21. (Cespe – AFCE/TCE-SC/2016) Conforme a jurisprudência do STJ, no setor
público, a deflagração do movimento grevista suspende o vínculo funcional e, por
conseguinte, desobriga o poder público ao pagamento referente aos dias não
trabalhados, podendo haver compensação dos dias de greve.
22. (Cespe – AFCE/TCE-SC/2016) O servidor público ocupante exclusivamente de
cargo em comissão adquire a estabilidade após três anos de efetivo exercício.

No que concerne aos agentes públicos, julgue os próximos itens.


23. (Cespe – Auxiliar Técnico de Controle Externo/TCE-PA/2016) A definição de
servidor público, em sentido amplo, engloba os empregados públicos e servidores
temporários.
24. (Cespe – Auxiliar Técnico de Controle Externo/TCE-PA/2016) Por manter com
o Estado vínculo de natureza diferenciada, os militares não integram a categoria de
agentes públicos.

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25. (Cespe – Auxiliar Técnico de Controle Externo/TCE-PA/2016) O advogado-


geral da União e o defensor público-geral da União são classificados como agentes
políticos, pois sua atuação possui fundamento constitucional.

GABARITO

1. C 11. E 21. C
2. E 12. E 22. E
3. C 13. C 23. C
4. E 14. E 24. E
5. C 15. E 25. E
6. E 16. A
7. E 17. C
8. C 18. E
9. C 19. E
10. E 20. A

REFERÊNCIAS

ALEXANDRINO, Marcelo; PAULO, Vicente. Direito administrativo descomplicado. 19ª Ed. Rio de
Janeiro: Método, 2011.

ARAGÃO, Alexandre Santos de. Curso de Direito Administrativo. Rio de Janeiro: Forense, 2012.

BANDEIRA DE MELLO, Celso Antônio. Curso de Direito Administrativo. 31ª Ed. São Paulo:
Malheiros, 2014.

BARCHET, Gustavo. Direito Administrativo: teoria e questões. Rio de Janeiro: Elsevier, 2008.

CARVALHO FILHO, José dos Santos. Manual de direito administrativo. 27ª Edição. São Paulo: Atlas,
2014.

CARVALHO FILHO, José dos Santos. “Personalidade judiciária de órgãos públicos”. Salvador:
Revista Eletrônica de Direito do Estado, 2007.

DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito Administrativo. 27ª Edição. São Paulo: Atlas, 2014.

JUSTEN FILHO, Marçal. Curso de direito administrativo. 10ª ed. São Paulo: Revista dos Tribunais,
2014.

MARINELA, Fernanda. Direito Administrativo. 7ª Ed. Niterói: Impetus, 2013.

MEIRELLES, H.L.; ALEIXO, D.B.; BURLE FILHO, J.E. Direito administrativo brasileiro. 39ª Ed. São
Paulo: Malheiros Editores, 2013.

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