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GIOVANNI SARTORI
)
1 FUNDAÇÃO UNIVERSlDADE DE BRASÍLIA
CONSELHO DIRETOR
)
) 1 Abllio Machado Filho
Amadeu Cury
)
)
1 Aristides Azevedo Pacheco Leão
Isaac Kersrenerzky PARTIDOS E
)
) '1 j osé Carlos de Almeida Azevedo
José Carlos Vieira de Figueiredo
josé Ephim Mindlin
josé Vieira de Vasconcellos
SISTEMAS
)
) Reitor: josé Carlos de Almeida Azevedo
PARTIDÃRIOS
Vice- Rátor: Luiz Otávio Moraes de Sousa Carmo

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_)
Prefácio do Autor à Edição Brasileira
) I; EDITORA lJNiVERSIDADE DE BRAS!L!A
. ) r CONSELHO EDITORIAL
Apresentação de
) Afonso Arinos de Melo Franco !\ DAVID FLEISCHER
) Arnaldo Machado Carnargo Filho
do Departamento de Ciencias Sociais,
Cândido Mendes de Almeida..•
' ) Universidade de Brasília
Carlos Castello Branco '
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1 !'
Geraldo Severo de Souza Ávila
Heitor Aquino Ferreira
Tradução:
Hélio jaguaribe •
r) Waltensír Outra
josaphat Marinho
() José Francisco Paes Landim Revisão Técnica:
José Honório Rodrigues Antonio Monteiro Guimarães
r ) l Pr ofessor do Departamento de
Luiz Viana Filho',,
. Sociologia e Políti~. PUC-RJ
' ) Miguel Reale &-
Octaciano Nogueira~
r )
Tércio Sampaio Ferraz júnior
' )

f Vamireh Chacon de Al b uquerque Nascimento

"")
r)
! Vicente de Paulo Barretto

Pr,·wf,·ntr Ca rlos ti ennque Card1m . _


ZAHAR EDITORES
RIO DE JANEIRO
'") EDITORA UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA
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Copyright© l 976 by Cambridge Universi ty Press e
(NDiCE
Cl
~ \G(b~ .
Todos os direitos reservados.
A re produção não-autorizada
desta publicação, no todo ou em parte,
constitui violação do copyright. (Lei 5.988)
••
1982
Direitos para a língua portuguesa adquiridos por
ZAHAR EDITORES S.A.
.
••
Caixa Postal 207 (ZC-00) Rio de Janeiro
que se reservam a propriedade desta versão
Impresso no Brasil
Quadros e figuras 8
Apresentação à edição brasileira 11
Prefácio à edição brasileira 17
• ••
Abreviaturas 20
Capa: ~rico
Composição: Zahar Editores S.A.
Parte 1 ••
••
ARA T/ONALE: POR QUE PART I DOS?
21
1. O Partido como Parte
23
l. l Da facção ao partido 23

CIP-Brasil. Catalogação-na-fonte
Sindicato Nacional dos Editores de Livros, RJ .
1.2 Pluralismo 33
1.3 Governo responsável e governo sensível 39
1.4 Uma racionalização 45
••
••
Notas 51
Sartori, Giovanni, 1924 - 2. O Partido como um Todo
S26p Partidos e sistemas partidários / Giovanni Sartori; tradução 60
2.1 Ausência de partidos l'ersus partido único 60
de Waltensir Outra; apresentação à edição brasileira do P~of.
David Fleischer. - Ed. Brasileira rev. e ampl. - Rio de Janeuo:
2.2 O sistema do partido de Estado 64
2.3 Pluralismo unipartidário 69 ••
Zahar; Brasília: Ed. Universidade de Brasília, 1982.
3.
Notas 74
O Quadro Preliminar
78 .
Tradução de: Parties and party systems, vol. I. . .
"Tradução autorizada da terceira reimpressão da p_nme~ra
edição inglesa, publicada em 1979 pel~ Cambridge Umvers1ty
3.1 Canalização, comunicação, expressão 78
3.2 A definição mínima 81
3.3 Uma visão geral. 86
Notas 90
••
•."
Press, de Cambridge, Inglaterra." 4.
Inclui referências bibliográficas O Partido Visto de Dentro
93
4.1 Frações, facções e tendências 93
4.2 Um esquema de análise 97
l. Partidos políticos 1. i ítulo

••
4.3 Política sulista: "facções" sem partidos? 104
4.4 Itália e Japão: frações dentro de partidos Ili
COO - 329.02 4.5 A estrutura <le oportunidades 116


82-0322 CDU-329 4.6 Do partido t\ facção 128
Notas 131

ti
~~.1n:... -~ ..-4'd. ....... . . ...

••
6 /NDICE
INDICE 7
Parte li
10.5 O_critério da distância e a democracia funcional:
OS SISTEMAS PA RTIDÂR IOS 141 1 pos-escnto 383
] 5. O Critério Numérico 143 1 NotJS 398
i
t 5.1 O problema 143 't
! 5.2 Regras de contagem 145 ! !'nuice analítico 404
t \
e 5.3 Um mapeamento bidimensional J 49
~
r Notas 154
d
s 6. Sistemas Competitivos
e 6.1 Pluralismo polarizado 156
i
i r: 6.2 Testando os casos 170
f r 6.3 Pluralismo moderado e sociedades segmentadas 201
2 6.4 Sistemas bipartidários 2 J3
6.5 Sistemas de partido predominante 221
f rc
n Notas 231
~
t P' 7. Sistemas Não-Competitivos .
o
' Sl
7.1 Onde termina a competição 245
7.2 O partido único 249
se
1 te sã
7.3 Partido hegemônico 258
Notas 267
f
1 pc 8. Formações Políticas Fluidas e Ouase·Partidos 273
t
t tit 8.1 Advertências metodológicas 273
pc
I de
8.2 O labirinto africano 277
8.3 Categorização ad hoc 284
f
• A
8.4 O efeito de bumerangue 293
r Notas 296
!
\
ric
r me 9. O Quadro Analítico Geral 301
'
t da
cs~
9.1 Mudanças, contínuo e descontinuidades do sistema 301
'' 9.2 Função mapeadora e capacidade de explicação 311
f 1Íli 9.3 Da classificação à medida 323
;
ria 9.4 Medindo a relevância 329
;iin 9.5 Números e tamanhos: o índice de fracionarização 334
lll'i
9.6 Combioação dos caminhos nominal e matemático 345
um Notas 350
:\
10. Competição Espacial 354
rt·:i
10.1 Reexame da teoria de Downs 354
11 ;'I(
1O.2 Questões, identificação, imagens e posições 358
111,1:
l 0.3 Espaço multidimensional, unidimensional 1
e ideológico 365
10.4 A direção da competição 374 l
1
1

1
1íil
~

0(.JADROS E FIGURAS 9
e
~
QUADRO 26 P:midos dominantes e sistemas predominantes .. . .. . 227 e
QUADROS E FIGURAS
QUADR027 Car:icterísticas dos Estados unipanidários
por tipos e critérios . . . . . ... ... ..... . . . . . . . . 256 e
QU.-\DR028
QUADRO 29
México: ele!ções !958-1973 (Câmara Baixa) ... ... . 261
Golpes na Africa (<la independencia até 1975) . .... . 279
e
J?a fluidez i1 cristalização (correspondência~) .... .. . 289
QU.-\DRO 30 ~
QUADRO 31 Africa independente:
seqüencias de padrões políticos em 39 países .... . . . 290
QUADRO 32 Turquia: percentagens e cadeiras
••
••
..•
na Assembléia Nacional 1946-1977 . . . . . . . . . . . . . 306
QUADRO 33 Tipologia das formações partidárias ... .. . . . . . . . . 312
QUADRO Do governo responsável ao governo partid~ri? ...... . 41 QUADRO 34 Esquema estrutural simplificado . .. . .... .. .... . 315
104
QUADRO 2 Decomposição e tipologia das frações par udanas QUADRO 35 O quadro analítico geral ... . ... . . . . . . . . ..... . 316
QUADRO 3 Padrões, classes e tipos de multip:irtidarismo
FIGURA -4 Países díspostos pela díspersão de poder
. · · . · · · 151

dos sistemas partidários . . . . . . . . . . · · · · · · · · · · · 153


QUADRO 5 Holanda: resultados ele itorais 1946-1977 ...... . .. .
173
FIGURA 36 O modelo simplificado . . . . . . . . . . . . . .. ..... . . 322
QUADRO 37 Fragmentação de coatizões governamentais em
18 países (médias sistêmicas correspondentes
ao período 1946-1974 aproximadamente) .... ... . . 333
.
.•
..
Dinamarca: resulta dos eleitorais 194 5-1977 ... . .. · · 174 QUADR038 Percentagens cumulativas de países escolhidos ..... . 335
QUADRO 6
178
QUADRO 7 Israel: resultados eleitorais globais 1949-1977 . · · · · · QUADR039 Votação média e cadeiras dos dois primeiros partidos
182
QUADRO 8 República de Weimar: resultados eleitorai.s (Reichs_cag) . (percentagens) em 24 democracias 1945-1973 . .... . 336

...
183
QUADRO 9 Itália: resultados eleitorais 1946-1979 (Camara Baixa) · FIGURA40 Desempenho quadrático do índice F
França: resultados eleitorais 1945-1978 (Câmara Baixa) 185
QUADRO 10 e possível correção . • . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 338
187
QUADRO 11 Chile: resultados eleitorais 1945-1973 (Congresso) . · · QUADR041 Fracionarização partidária (mundial)
QUADRO 12 Finlândia: resultados eleitorais 1945-1979 . ...... · ·
190 comparada com taxonomia .... . . .. . . . . . . . . . . . 340
QUADRO 13 República Espanhola: 1931-1936 (distribuição agregada QUADR042 F racionarização parti d ária de 25 democracias ·
de cadeiras da esquerda para a direita) ..... · · · · · · 191


(média e mediana) 1945-1973 ... .. . . . . . . . . . . . . 342
QUADRO 14 Tendências lineares (coeficientes de regressão) de QUADR043 Comparação da tipologia e dos índíces (médios)
resultados eleitorais agregados de sete formações
políticas polarizadas . . . . . . . . .. . . . . . . . . · · · . · 192
de fracionarização de 25 democracias .. _ ... ... .. . 344
FIGURA44 Um espaço multidimensional .. .. . . . . . . . ..... . 368
••
FIGURA 15 Tendências na República de Weimar .... · · · · · · · · · 194
FIGURA !6a Tendências na Itália . . . . . . . . . . . . · · · · · · · · · · · 195
FIGURA 16b Itália, centrifugação para a esquerda . ... · · · · · · · · · 196
FIGURA 16c Itália, centrifugação para a direita . . . . . . . · · · · · · · 196
FIGURA 17 a França, resultados eleitorais agregados, 1945-1973
FIG URA 17 b Tendências na Françt, 1945- l 973 · . · · · · · · · · · · · ·
FIGURA 18 Tendências no Chile ' . . . . . . . . . · ... · · · · · · · · · · 198
197
197
FIGURA 45 Variações de um espaço partidário bidimensional
de acordo com a centralidade . . . . . . . . . . . . . . . . . 370
FIGURA46 Esquemas de competição centrípeta . . . . . . . . . . . . . 377
f !GURA47 Competição centrífuga . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. . 381
QUADR048 Autolocalização dos eleitores no contínuo
esquerda-direita em onze democracias,
e preferência partidária . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 384
-

"'•
FIGURA 19 Tendências na Finlândia ..... · · · · · · · · · · · · · · · ·
FIGURA 20 Espanha, 1931-1936 (distribuições eleitorais agregadas) 200
QUADRO 21 Noruega: resultados e cadeiras 1945-1977 (Stortmg) · · 202
199 FIGURA49 Distãncias ideológicas (esquerda-direita)
entre seguidores de partidos em onze democracias .... 387 ••
.
QUADRO 50 Superposição esquerda-<lireita entre
QUADRO 22 Suécia: resultados eleitorais e cadeiras 1948-1979 · .. · 204 pares de partidários, por país . . . . . . . . . . . . . . . . . 390
QUADRO 23 Bélgica: resultados eleitorais 1894-1977 (Câmara .Baixa) 211 81
QUADRO 24 Bélgica:. coalizões governamentais 1946-1 977 .... · · · 212
QUADR025 Países com partidos dominan tes
(percentagens de resultados e leitorais) . . . . . . · · · · · 223

-·-to·.... .,... . . .
-
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_,.)
APRESENTAÇÃO À EDIÇÃO BRASILEIRA
~
J
)
) Prof. David V. Fleischer
Departamento de Ciências Sociais, Universidade de Brasi'lia
)
)
)
Os trabalhos e a pessoa do eminente cientista político italiano, Giovanni
) Sartori, não são totalmente desconhecidos aos cientistas sociais brasilei"
) ros, pois seu primeiro trabalho chegou aos ri ossos meios acadêmicos em

,
i.
ç 1962 numa tradução entitulada A Teoria da Representação. no Estado
) Representatii>o Moderno, p11blicada na série monográfica da RBEP, o"rgani-
tf. zada pelo Professor Orlando Carvalho, da UFMG. Em 1965, o Fundo da
Cultura publicou sua Teoria Democrática, que foi muito usada como texto
t
) em cursos universitários. No ano seguinte, esteve presente num Seminário
) sobre o Desenvolvimento Político realizado em Belo Horizonte, organizado
pela UFMG e a Harvard University. Em plena vigência do Al-2, Profes-
~ sor Sartori apresentou um trabalho sobre a "engenharia política" neste
''l ,. seminário; um tema muito apropriado para aquela conjuntura. Em 1968,
est~ trabalho foi publicado no compendium Public Policy, organizado por
f-
1 Montegomery e Hirschman (Harvard University Press). Em 1975, a Revista
de Ciência Política, editada pelo saudoso Ministro Themístocles Brandão
..
''
"1
Cavalcanti, da Fundação Getúlio Vargas, nos trouxe a tradução de um
artigo de Sartori publicado na American Political Science Review (64: 4,
1970), "Problemas metodológicos na política comparada".
Embora ex.istam estes exemplos dos seus trabalhos no Brasil, a vasta

',.,
maioria da sua produção intelectual publicada na Europa e nos Estados
Unidos é até hoje inédita no Brasil. Por esta razão , é de suma importância
:1 r
que a Editora Zahar, em co-edição com a Editora da Fundação Uiliversida·
de de Brasília, faça chegar ao público brasileiro a tradução de seu recente
<l
trabalho sobre p~tidos políticos e sistemas partidários, visto pela crítica
n
internacional como a sua maior obra. B, além disso, a melhor contribuição
u
:1 ,1
ao estudo do fenômeno partidário desde a obra então clássica de M. Du-
verger publicada há mais de 30 anos, traduzida no Brasil em 1970 pela
:1
,., í( Editora Zahar e reeditada em colaboração com a Editora da FUB em 1980.

. n.
11:
Nascido em Florença~ Sartori recebeu o título de doutor aos 22 anos
pela Universidade desta mesma cidade e, três anos mais tarde, esta pre-

,--,
.'1
-, cocidade intelectual começou a ser reconhecida quando foi escolhido
"Research Fellow" da Viking Fund. Sua carreira docente começou na sua

Jl
!
--, 1

--, !
12 APRESENTAÇÃO
APRESENTAÇÃO 13 s
••
própria alma mater como professor assis.iente de t:_ístór~a da .filosofia mo·
titica! Theory (1973) e Rivista Italiana di Scienza Pol(tica (1971). Sartori
ainda é o Editor Responsável da RISP. •
derna (1950-57), e depois professor adjunto (19.)7·6)) e tJt~lar (~965·
78) de ciência política, professor titular de sociologia (l 962-6:>), e direto r A última tentativa de elaborar uma abordagem abrangente para

<lo Instituto de Ciências Política-s (1966-76).
Ao longo desta destacada carreira, Sartori também foi professor visi·
:lllalisar sistemas partidários foi a de Duverger, em 1951. A autoridade e
:i utilidade desta obra têm diminuído ao longo destes últimos 30 anos por
:liversas razões: (1) críticas conceituais contundentes; (2) mudanças nos
••

tante nas universidades norte-americanas de maior renome - Harvard, Yale sistemas partidários na Europa Oriental; (3) certas evoluções nos sistemas
e Stanford. Foi durante seu primeiro estágio em Yale (1966-67) que Sarto· na Europa Ocidental, não previstas; (4) a emergência de sistemas novos
ri elaborou a primeira versão desce livro que ora apresentamos. Porém, foi
em Stanford ( 1971 ·72) que modificou e ampliou o manuscrito em sua
forma definitiva, que foi publicado em 1976.
na África e na Ásia; e (5) a dispo nibilidade de material novo sobre sistemas
mais antigos, notadamente na América Latina. A maior parte dos trabalhos
sobre partidos políticos que apareceram durante esses 30 anos n[o foi do
••
Após seu retomo em 1972, foi agraciado com uma Medalha de Ouro
de Mérito Cultural pelo lvfinistério da Educação da Itália. Porém, em 1976
resolveu deixar a sua te rra natal de vez, fixando residência definitiva nos
tipo cumulativo, como por exemplo as obras dos autores americanos,
paroquialmente voltados apenas para seu sistema partidário. Por outro
lado, quando se editavam estudos sobre sistemas partidários, abrangendo
••
Estados Unidos; irúcialmente em Stanford, e a partir de 1979 passou a
ocupar a Cadeira "Albert Schweitzer" de Humanidades na Columbia Uni·
versity, em Nova York.
vários países, eram sempre feitos de uma maneira descritiva. Por todas
estas razões, a teoria política estava cada vez mais necessitada de uma abor·
dagem nova e abrangente sobre os partidos e sistemas partidários.
••
Seus primeiros trabalhos ainda na década de 1950 versavam sobre
a vida e contribuição filosófica de Benedetto Croce. Logo depois, começou
Neste primeiro volume temos. uma análise cuidadosa e penetrante
dos sistemas partidários, após vários capítulos iniciais preocupados com •
'•
urna linha de pesquisas na área da teoria política, que seria a mais longa e uma rigorosa definição dos conceitos a serem usados ao longo do trabalho.
produtiva. Ao mesmo tempo, interessou-se pelos proble~as de for~a~ão Como Sartori nos promete, o segundo volume nos apresentará uma análise
de conceitos e de metodologia nas ciências sociais. Teve, ainda, uma rap1da
incursão na área dos estudos sobre legislativos. Porém, o que mais o des·
tacou internacionalmente foi a linha de pesquisas e publicações sobre a
sociologia dos partidos políticos, na qual tem seguido as idéias de Mosca
de funções, organização e tipos de partidos, além de tentar relacionar o
fenômeno ''partido" com outras variáveis e com o sistema político em si.
A maior contribuição deste primeiro volume se revela no estudo do nú-
••

mero, do posicionamento ideológico e das relações competitivas dos par-
(elites políticas) e Michels (elites e organização. panidária). Como uma se· tidos políticos no mundo contemporâneo.
qüência lógica, estas pesquisas o levaram para o campo da representação Na sua preocupação com o que chama de "um contínuo de sistemas

••'
e participação política, cidadania e sistemas ideológicos. Quase como uma partidários", Sartori reconhece a fluidez dos sistemas, quer dizer, a sua
despedida à sua terra natal, em 1978 publicou ~ estudo de cas~ sobre o tendência de sofrer mudanças bruscas, especialmente nos países novos na
eurocomurúsmo italiano, em parceria com Austm Ranney (Amencan En- África e na Ásia. Para ele, a África é um labirinto e os países do Terceiro
terprise Institute).

••
Mundo não podem fornecer categorias úteis para a análise de situações oci·
Professor Sartori sempre foi muito ativo nas ramificações interna- dentais. O que estes Estados podem fornecer, pelo contrário, é uma sit~a·
cionais da ciência política. Em 1960, a Associação Internacional de Soci~­ çio ,quase de "laboratório" onde a evolução de novas modalidades pode
logia (ISA) estabeleceu um Comitê de Sociologia Política Comparad~, li:


ser observada. Na terminologia desta abordagem estruturalista, estes Esta-
derado por Seymor Lipset, Stein Rokkan e Mattei Dogan, e Sarto~1 foi dos ainda estão se institucionalizando. Sartori nos lembra que os modelos
o representante italiano. Mais tarde, um comitê similar foi orgamzad~ ocidentais de competição partidária se basearam nas crenças de que (1) o
dentro da IPSA (Associação Internacional de Ciência Política), onde Sarton pluralismo político era desejável, e (2) este pluralismo não poderia prospe·
f
foi muito atuante. Entre 1967 e 1976 foi membro da Comissão Executiva rar onde esta idéia não fosse aceita. f
da IPSA. Neste volume, Sartori pode concentrar a sua experiência européia
Quando foi reeditada a monumental Enciclopédia Internacional das numa área longamente dominada pela ciência política norte-americana e
f
Ciências Sociais, em 1968, Sartori foi reconhecido com~ especialista in· rnvigorar certas idéias européias, como a da escolha racional do eleitorado ~
ternacional com um convite para escrever as ementas sobre "Democracia entre alternativas ideológicas, há muito tempo submersas por estudos dos
e Sistemas de Representação". Também teve uma atuação importante na
fundação de três revistas novas: Government and Opposition (1966), Po-
amorfos partidos norte·americanos. Neste particular, Sartori concorda com
'
f
~
f
-----;.
APRESENTAÇÃO 15 •
J4 APRESENTAÇÃO
um tipo de "dialé tica romântica" (iniciada pela Escola de Frankfurt) esteja
á
Downs ern que "modelos devem ser testados principalmente pela acuidade ganhando terreno nas ciências sociais ocidentais? Seria possível haver um o
das suas previsões, ao invés da realidade dos ·seus pressupostos". . Eurocomunismo que afinne não querer participar da fusão Estado-partido,
Como nos seus trabalhos anteriores, Sartori trata os parndos es-
C1
mesmo que continue crescendo seu a_i>oio popular em países importantes,
sencialmente como variáveis independentes. Mui tas vezes, ele considera e ainda desempenhe de vez em quando um papel explícito de "manu- o
1 0 número de partidos ou o sistema partidário também como variáveis
independentes. Como ele mesmo disse, "da perspectiva de uma ciência
política - na sua diferença de uma explicação sociológica ou a de redu-
tenção do sistema"? O que podem sugerir estes e outros acontecimentos,
inclusive o "liberalismo descrente" muito em voga hoje em dia entre in-
telectuais ocidentais, quanto aos problemas de legitimidade nas economias
Q
~
ção política - a questão é exatamente como a superestrutura reage sobre ·políticas de capitalismo avançado? Porém, esta linha de pensamento nos e
••
as subestruturas". leva ao precipício da tal "lógica processual", contra a qual Sartori nos
Para o leitor brasileiro, este volume sobre partidos e a evolução de adverte ao longo deste trabalho.
sistemas partidários se faz publicar pela Editora Zahar, em co-edição com Talvez o leitor venha a concordar com Sartori que a análise taxonô·

••
a Editora da Universidade de Brasília, numa época muito propícia. Neste mica tem um lugar indispensável neste campo científico. Porém, o uso

.
momento, o sistema partidário brasileiro caminha numa transição de um maciço àesta taxonomia específica, no caso de Sartori, pode servir muito
sistema com dois partidos (artificialmente criados e mantidos), cada um bem a certos objetivos políticos. Neste sentido, é possível que estas "ló-
dos quais com várias facções intrapartidárias, para um sistema pluripar- gicas processuais" de vários tipos tenham conseguido adeptos recente-
tidário, atualmente com cinco ou seis partidos. Ou seja, na terminologia mente na ciência política simplesmente porque as teorias antigas perderam

••
...
de Sartori, passou de um sistema de partido "predominante" a um sistema seu poder de persuasão. Se isto for o caso, realmente, esta perda talvez
aparentemente de pluralismo moderado. . . tenha ocorrido porque os problemas intelectuais que os estudiosos da
Ao mesmo tempo, suas idéias abrem um campo mmto fértil para política enfrentam hoje em dia não podem ser resolvidos dentro de uma
uma reinterpretação da primeira experiência pluripartidária no Brasil e~tre
1945 e 196$ (reinterpretações, aliás, já iniciadas por cientistas políticos
epistemologia classíficatória estática (como a de Duverger, no caso dos
partidos, por exemplo). Aqui, a observação do Professor Carl Friedrich,
,.
brasileiros), em termos do critério numérico, do conceito de pluralismo
(moderado e extremo), e da questão de polarizações e de distâncias ideo-
lógicas entre os diversos partidos àa época.
Não menos importante seria uma interpretação (e extrapolação)
feita em 1963, ainda é bastante relevante: "uma dúvida numa tipologia
é uma dúvida sobre a estrutura da realidade abordada".
Albany, Nova York,
fevereiro de 1982 ......
......
das previsões contidas neste primeiro volume (no capítulo 9) quanto aos
caminhos alternativos de evolução do sistema partidário brasileiro, dado
os fatores de super e subestruturas, a viabilidade de "engenharias políti-
cas" (como os "Pacotes" de abril de 1977 e de novembro de 1981) e a
interação entre os sistemas partidário e eleitoral.

......
O cientista político brasileiro naturalmente lamentará um razoável
número de "lacunas" e espaços vazios com relação ao Brasil neste trabalho.
Embora o Brasil, e também a América Latina, receba um tratamento muito
mais amplo do que no trabalho clássico de Duverger, Sartori, escrevendo
no início dos anos 70, não teve acesso a vários trabalhos feitos posterior-
mente sobre o sistema partidário brasileiro (e latino-americano), cuja in-
clusão esperamo~ no próximo volume, onde o autor promete "testar" mais
exaustivamente seus pressupostos iniciais. Esperamos a próxima vinda de
Sartori ao Brasil para haver uma interação frutífera com cientistas políti- ...•
.--.
cos locais quanto à relevância àas suas teorias, interpretações e previsões
em relação ã nossa realidade.
Finalmente, o estilo um tanto polêrrúco ea "agenda" política deste
trabalho podem nos deixar com outros tipos de dúvidas. E verdade que

9El
PREFÁCIO À EDIÇÃO BRASILEIRA

SO'\~)

A edição brasileira deste livro representa, na realidade, uma edicão revista


e atualizada e não apenas uma simples tradução do volume publicado ori-
"iinalmente em 1976. Mais exatamente, os dados foram modernizados até
princípios de 1980. Além disso, ela inclui, ao final do último capítulo,
uma nova seção que defende, ao que me parece, uma das principais teses
deste trabalho, ou seja, a de que a variável isolada ma.is decisiva para o
entendimento da política de massas de nossos dias é o grau de polarização
- isto é, de distância e heterogeneidade ideológicas - entre as pessoas de
qualquer sistema político. Ao atualizar os dados e as provas empíricas para
esta edição, surpreendeu-me agradavelmente o fato de que minhas novas
evidências pouco afetavam a interpretação e, em especial, as previsões
feitas anteriormente. Não estou pretendendo virtudes proféticas, mas sim-
plesmente observar, em geral, que os trabalhos teóricos tendem a ser resis-
tentes ao tempo. Isso porque meu trabalho - tenho de reconhecê-lo - vol-
ta-se para a teoria.
Minha intenção era, originalmente. a de realizar uma obra que fosse ,
acima de tudo, uma investigação empírica de proporções mundiais, interes-
sada em avaliações comparativas e em generalizações. Durante a execução
do plano, porém, a ênfase teórica acabou tendo procedência, a contragos-
to, sobre a empírica. Não é difícil compreender a razão disso. As com-
parações pressupõem medidas comuns - e portanto a inclusão de uma ter-
minologia comum - que mal existem no estado atual da literatura sobre
o assunto. 'Temos hoje grande volume de dados e também excelentes estu-
dos sobre nações, e até mesmo sobre áreas isoladas; mas todos eles são
demasiado condicionados aos seus próprios objetivos, seus conceitos e ca-
tegorias são demasiado imprecisos e, em conseqüência, é quase impossível
;ijuntá-los de qualquer maneira cumulativa para fins de formulação de hi-
póteses, comprovação e avanço de. nossa percepção geral do processo po·
lítico. Fui obrigado, portanto, a construir uma estrutura teórica a partir
da qual derivei categorias descritivas comuns de análise - maneiras de
separar o que é semelhante e, inversamente, o que é diferente - e, em
última instância, conceitos explica.tivos e/ou variáveis.

17
/
)
18 INTRODUÇÃO

INTRODUÇÃO 19
i A América Latina é a área menos abordada neste volume. À parte
)
)
f
f
o Chile e o México, dos quais me ocupei mais detalhadamente, a maioria
dos outros países latino-americanos são tratados apenas de passagem. Isso
de fluxo. Continuo po t 1 ·
temático adotado n~ste ~o~:;~ i1capaz di~e examiná-lo sob ~ enfoque sis·
acontece por ser este apenas o primeiro volume de uma obra em dois . · pesar sso, espero que o lellor brasileiro
) :nc~~tre na perspectiva comparativa deste trabalho critérios de orientação
rr tomos, e porque nele tratei de sistemas partidários, e não de partidos iso· .am em para os rumos que seu país vem seguindo.
) ;. !ada.mente, não de partidos per se. A tipologia e o mapeamento dos par-
) í tidos como tal foram adiados para o próximo volume. Ora, com umas pou·
cas exceções, a maior ia dos países sul-americanos têm longa experiência ~ ; u:>-
de partidos, mas o sistema que daí resultou (o sistema partiêlário rigorosa- \)7'
G.S.
CoJumbia Universi ty,
) f· janeiro de 1982
mente definido) raramente teve uma co11solidação estrutural. lsso se ex-
'
)
ri plica pelo fato de terem os sistemas partidários sul-americanos, em geral,
sido intcmútentes, partidos que desaparecem e voltam a existir, que são
)
r congelados e depois voltam a atuar. Parece-me, portanto, que a unidade
crucial de análise, nessa área, é o partido e não o sistema partidário. E
essa, pois, a principal e única razão que me leva a adiar um exame mais
detalhado do continente latino-americano para o segundo volume, isto é,
) deixar para fazê-lo ·com referência a movirnen tos específicos e ao nível
) 1 partidário de análise.
Embora a intermitência cíclica do sistema partidário venha sendo,
há muito, a característica mais freqüente em toda a América do Sul, cabe-
) me reconhecer imediatamente que o Brasil representa, desde 1964, o aban·
dono mais destacado e significativo desse padrão. Já" não é o caso, no
) Brasil, da tomada àe poder por uma junta com um entendimento tácito
de que no àevido iempo o status quo anrea civil será restabelecido. Em
)
notável contraste com o ciclo de internútência, as autoridades militares
brasileiras mantiveram um Congresso baseado nos partidos, ao mesmo
tempo em que se empenhavam, em vão, numa engenharia constitucional,
)
eleitoral e partidária, e jsso com a disposição de chegar a uma reestrutura·
) ~ ção fundamental do sistema político. Tenho consciência, portanto, da
1· natureza inovadora e sem precedentes da experiência que se faz no Brasil.
) 1
i Não obstante, do ponto de -vista deste livro, perdura a conclusão de que
) ! o sistema partidário brasileiro (e, concretamente, sua seqüência de sis·
temas) não revela uma consolidação estrutural , e isso por duas razões
·-
i conjuntas: os partidos brasileiros não podem ser quabficados como um
i subsistema autônomo e, segundo, eles não tiveram um desenvolvimento
f espontâneo. Assim serrdo, o observador só pode registrar um estado de
) l
coisas volátil, que não pode ser incluído (por motivos descritos em detalhe
) no capítulo 8) nas categorias que se aplicam aos sistemas partidários estru·
turados. O Brasil tem partidos que realmente mobilízam eleitorados, que
) realmen te estabelecem elos importantes, que realmente desempenham
) funções expressivas e legítimas e que realmente representam (embora sob
rótulos e recombinações variáveis) tradições políticas antigas e arraigadas.
} Não obstante, seu sistema partidário, C'Omo sistema, permanece em estado
)
)
)
)
ABREVIATURAS

)
)•
)

J
)S
)
f, a seguinte a lista de abreviaturas das publicações citadas com freqüência
Parte I
so neste livro:
.)
AP Acta Politica
) A RA T/ONALE: POR QUE PARTIDW
te- AJPS American Journal of Política! Science
. } AJS American lournal of Sociology
'1 APSR American Política! Science Review
ua
) CJPS Canadian Joumal of Política! Science
CP Compara tive Policies
J"J
l...ll, CPS Compara tive Political Studies
) EJPR European Journal of Política/ Research
) ISSJ International Socwl Science Joumal
>rK, JP Journal of Politics
~ Governmenc and Opposition
GO
MJPS Midwest Journal of Poliiical Science
PQ Política/ Quarterly
PS Political Studies
PSQ Political Science Quarterly
PT · Political Theory
RFSP Revue Française de Science Politique
RIS Rassegna Italiana di Sociologia
R!SP Rivista Italiana di Scienza Politica
SPS Scandinavian Política/ Studies
WP World Politics
WPQ Western Political Quarterly

20 21
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O PARTIDO COMO PARTE

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Lt.. '-· t . .. -e ~-"?

1.1 Da facção ao partido


(
1
t O termo "partido" entrou em uso, substituindo gradualmente a expressão
i
~
depreciativa ..facção", com a aceitação da idéia de que um. 2artido 1'l'ão ~
~
~
~

.
:
n_~ariamente uma facçªq, .quç n~o. é necessariamente um mal e q~
t P\:Etur~a 11~G.e,s~anameP:te o .bonu~mmune, o bem-es~ar comuI,l'l. A tra~
f,
siç~o-.de: f,a~~ª·~.1'3!~• .P_ªrt_l~~~J~ •. Qª~:V;rdade 1 .lenta e tortuosa, tanto no~
~ domínio das. i5!~ias .,c.<;>mq n_o .dõdatos: :A/segunda metade do século xvrq

~ mal havia começado quando Voltaire escreveu concisamente na EncyClo·


pédie : \'A.-H:a.lavra partido .n~o é, ém si, repulsiyá; a palavrà facção sem:p!e
~

.. ~ Com o seu versátil gênio para a síntese, Voltaire resumiu nessa frase
•,; ·um debate iniciado por Bolingbroke em 1732 e que se desenrolaria ainda
por cerca de um século. 2
) 11 A afirmação de que a palavra facção era repulsiva não ex.igia, desde

• )
•~ os tempos romanos até o século XIX, provas. ~m toda a tradição do pensa·
mento político ocidental dificilmente haverá um auror que não tenha ado-
• ) f t!do a mesma op1mão~ A parte intêressante da frase e, portãi:lt'o, aque-

•)
rr la em que Y.Q!.taire ' adµúte · que'. Qs partidos podem ser diferentes, .$!.e:_~
palavra partido n~o, tem ne ces_sarfamenle m;na-cónótação negativ.JY. Não se

t.
~

) í pode, porem, da·i a volta!fe o crédito ae ter sustentado essa diferença. A


l

)
t
1
facção , escreveu ele, é "un parti séditieux dans un état" ("um J>artido se-
dicioso num Estado" A palavra partido parece, assim, aplicável às facções
• )
t

,,t
y
que nao são se 1ciosas. Mas Voltaire continuou, explicando, em lugar dis·
so, que uma fac_Ç'ão' ~ "~m partido.seÇicjoso quando ainda fraco, quando/
',> ~ não E.~~li91P.\l [partage] ae :t<rdo Ol Estacfo". Assim, "a facção de César tor-
nou-se logo um partido dominante que engoliu a República". E a distinção
)
fica ainda mais enfraquecida, se não' destrnída, pela observação de Voltaire
,' )
)
1
de que {' um chefe de um artido é sem pre um chefe de fac ão".
Trata-se então de uma 1stmçao que não tem base em uina di feren-
ça? Seria injusto fazer tal crítica ·a Voltajre, que. apenas .reflete as·a·mbigili-
,'\ 1
~
dade.s e perplexidades dt todo o século XVIIll Justificar-se-ia, nesse caso ,

, \
I;
levan tar essa questão em r elação a t odos os autores que se ocuparam do

,) f 23

,> f! !
) i
)

PARTIDOS E SISTEMAS PARTIDÁRIOS O PARTIDO COMO PARTE 25

~roblema: Bolingbroke, Hume, l3u rke ..: os protagonistas <las R~voluç0es tl1Hinguiu os dois concei.tos. Auid:i assim, toJos os nossos autores - e
.trancesa e Americ:ina. Primeiro, porém. devemos compreender-lhes a 11otatlamente Bolingbroke e Huml - lutaram. num dado momento, com
ll!lll distinção que cncerrav:i uma diforença. Se :io lc!rmos seus trabalhos
:,erminol_ogio.. . . "f _ ,, " t"d ,, _ • ••
E_t1molog1ca e sf'._man~~n~ acçao _e_ par 1 o nao 1em o mes- pres tarmos atenção 3 escolha das palavr;is, :is duas não são usadas indife.
.tno sign ificãdo. ·F'acção, gu~.J...UOliLiala vra-bem m:us antiga ~_E.onsolidada .! rc!ntemente:J!_c~ã? aplica-se a um grupo concrcto1!-o pass_Q_q u~partidô"
Y!!~-d-o verbo ta.~in? jàcere {f~zer, agir) e factio 1 ~-~o ~assou !Ll~dicar. PªlJ. i: muito mais uma divüão ufiântieã,Um cônstrut.~ue urd\l
:iu.toresque escreviam eru laum, um gr~o- poliuco_ emRÇnJlª-do em uml :ntidade con.'Oreta. E isso explica por que a distinção se perde rapidamente
fÚcere pêrturoãOor e õanosó:-f md ire doings' ( a!;.b_s_terriveis). ,\_ssím_,_Q.JJ.gg;. e não se mamem. §e facção é o grup.Q_ conç_r_~to e Qartido o agrupamentoJ
•1fücadÕ primordial transmitido pela raiz latio.aLumã:::rãe1a...de.11ubds,.ck :ibstrato, a referênciaã'õnnmcto. real toma os dois indistlng u-íve~. -
çomportarnento excessivo,J f!lP-ie.ctoso e, portan_tQ,A~nho.l . . .. · -i:ssaSô6servações tambem -noSãfenaf;"pa;ãõ falõ de qu;-õs autores
) "Partido" também vem do latim, do verbo parnre, que s1grufica dtyt- que falavam de "partes" m:is não usavam a palavra '·partido" não estavam
~- .Màs n:ro faz parte, de nenhuma maneira expressiva, do vocabulário ., re:ilmente enfrentando o problema. I: o que ocorre especialmente com
pol ítico até o século XVII. - o que significa que n:io en.tra no discurso po· 'i ~.taquiave» 1e t'lontesquie~ 01yito citados como precursores da idé!E_ .M
lítico diretamente do latim. Sua predecessora mais antiga, com uma cono· ~plrtTê1õiíüm sentido favorávj4. Más eles não usar~ a paiavraa O trecho
tação etimológica muito parecida, é "seit~'\ p alavra vinda do latim s~c~re, Je Maquiavel relevante nesse contexto diz que os "distúrbios entre pa-
que significa separar, co~tar e, com isso, dividi!{ Co~10 "seita" já existia e trícios e plebeus ( ... ) foram uma das principais causas que mantiveram
)t!Stava consolidada como transmissora do significado preciso de parrlre, Roma livre", com a observação complementar de que em toda república
"parcid'o " prestou-se a..um uso mais impreciso e obscuro. '.'fartído" tra11~-J .:ncontram-se ·'dois temperamentos [umori] diferentes, um do povo e ou-
)mi tia, então, basicamente a idéia dy- par;ce . e parte não é, em si. uma pala,:: tro dos poderosos [grandi] " , de modo que ''todas as leis feitas em favor da
l ~ra depreciativa: é um cõiisfiuto an~lít_icQl ~ certo que a so_ciedade _culta liberdade resultam de sua desunião" . Mas M:iquiavel deixou bem claro ime-
dos tempos antigos - quer falasse 1tahano, espanhol, frances, alemao ou diatamente em seguida, que não se inclinava a aplicar essa generalização
inglês - compreendia a terminologia que usava através do latim (e grego). j sua própria época, e nem mesmo, na verdade e segundo suas palavras,
Portanto, a derivação etimológica de partido de partire, isto é, separação, aos " partidários dos quais nascem as partes da cidade", pois essas "partes"
1
não passou despercebida dos autores dos séculos XVII e XVIII. Não obstan- levam a cidade à sua "ruína". 3 ~a repüdad~, quando Maquiavel se reie~
J te, "parte" havia há muito perdido sua conotação original. A palavra " parte" a Jl'R grupo concreto, subscreveu aZfur.osa.m~nte a condeô~ão das seitas f
está no verbo francês partager, que significa partilhar, tal como entra no e do facciosismo, i
inglês parraking (participação, partilha) (para não falarmos de partnership Montesquieujoi, prima facie, um pouco mais longe do que Maqui'a-
) [associação] e participation [participação]). vc:l. j.m suas considérations sobre as causas da grandeza e da decadência
Üjla,ido "parte" se torna...:R~~tido" temos~t~~· u~a _ p~avra sui dos romanos, escreveu:
jeita a duas influências semânticas: a ~erivação de partlfe, â1V1d1r, de ~l'lJ O que se chama de união do corpo político é algo muito amb lguo: a verdadeira união
J l~do, e a associação com tomar_ paE_te, ~P.-9.~ coi:n .eai:icip~ão, ~! é uma união de harmonia, em co nseqüê ncia da qual todas as partes ( toutes les par-
outr~ Esta última é, na verdade, mais forte do que a pnme1ra Cienvaçao. tltsf, mesmo que pareçam opor-se, concorrem para o bem geral da sociedade, tal
~mos observar, porém, uma complicação. Enquanto "partido" ent rav~ como algumas dissonànc1as na música concorrem para a harmo nia geral( . . . ) J: co mo
no vocabulário da política, "seita" dele saía! Durante o século XVII , a nas partes deste universo, eternamente ligadas pelas suas ações e reações. 4
expressão passou a ligar-se à religião, e especialmente ao sectarismo pro-
testante. :eor esse caminho, a palavra partido ad~riu também, pelo menos Ora, esse argumento é altamente abstrato, e as imagens - harmonia
em parte, o significado antes transmitido - n:i~poljti_~ª-= pe~mo musical e cosmológica - muito antigas. Se Montesquieu parece ter ido um
-~il.aJLi~~(orçou a I ig~~ªº otlgina! d~~partido"~EJ a i~fü. de seear~.­ passo além de Maquiavel, é porque estava disposto a estender aos ingleses
ção e divisão~ Je sua época a aplicação da observação feita pelo italiano sobre os roma·
O que dissemos acima contribui muito para explicar por que "parti· nos. 5 Não obstante, é preciso ler toda a obra de Montesquieu para encon·
do" teve, desde o início, uma conotação menos negativa do que "facção'" trar umas poucas indicações alusivas a'. um · entendim~nto favorável ga,s
e, não obstante, continuou sendo um sinónimo próximo desta. Não hâ "pa~tes" de uma repúbli<dl. não sendo possível registrar q ualq uer referênç@
dúvidas de que nenhum autor do século ·XVIII, Burke à parté, realmente · a. partidos no capítulo funcrãinental de L 'esprit des tais em que Montes-

)
)
)
O PARTIDO COMO PARTE 27
) 26 PARTIDOS E SISTE!yfAS PARTIDARIOS

) tuição contra sua usurpação pela facção cortesã} (que é reaiménte uma
uieu delineia a constituição inglesa. 6 E não há dúvida, por out~o lado,.; "facção"). Assim, o partiào do país não ·é um partido entre outros (em
de a
que Monfesquieu estava plenamente de acordo com condenaçao ger<fi nosso sentido) mas - como palavras de Bolingbroke deixam implícito -
das "facções".'"\ 1 , . , o país contra a corte, os súditos contra um soberano que agiu errado para
\~ ~squ.i~ã? e?tr~,ram r~~ent.~ no.pr?;blema por~ com eles. Se o rei não age erradamente, se governa no Parlamento como
e 0 passo crucial - riã1ransição de Ra.r.te para partido - estav.~~ determina a constituição, então o país não tem razão para se tornar um
•)Tm conceber o pa~o ~mo um termo ob;.§]..Q.jgo é, como u1'.1 ~~~..... • ;jf-' partido. T!!!).9~ í_ a _E.~_ç!o do :ea1:tido ~ão -eartido, isto é, de um partid'ê3_
\ · · tiVõ concretõ ue 1.11dicassé ümà - ·u.d.ru:!.e O\l ~gfu1da~e1. ( g1s.t10g~ ive-1 ~ Çj!.le deve acabar com todos os partidos.~ E esse; na VeTcraae, o objetivo dt)l
1f~ · ma. ac - 0 . Essa abe(tura só ocorreu com Burkef quase meio seculo BõTíngÕrõK;-Na dedicatona que serve de introdüÇaoã D1ssertat1on upon
d:p~is de Montesquieu'. Ê, -paia nos darmos conta da distância que teve de
1

Pames issertação sobre os Purtidos), elf apresenta seu trabalho como a
erta antes àe se chegar a Burke, devemos começar com Bohngbrokeq "tentativa de extinguir as animosidades, e mesmo os nomes dos partidÕs
ser Cob orárreo de Monte_squieu, que foi. na ver dade o pnme1ro . .
au t or
) o con terop .. 'd s quedmdiram a na!;<ãO, por tanto te!}2.PO, de mãiiê!rãTãOfâtat-a-princ1EiÔ,
importan.te~'qú.e, a~ esc;i:eY._e!, este~9eu-s~ sobr7 partt. os. i .. . .e tão tola,_ _eor fim ." Em suma,_a in~~s:ão de BolingbroJCeê''re~r
) A ·pcisiç~o_-,ieJ!3.?lii:s~roke 1é .a_de qu~ ·e:, goveq10 P,elo"par~1aq;:~ .), os partidos e abolir dLtl.i.!1ç;ões oàiosaL,,~
deve terminar sem re no. ovem_ . ma facça ,; ..) O_part1d?,e,um pê): · ·- Será justo concluir, portanto, que,Ü1olingbroke era antipattLdtl,,, ~
politicô, e a úcção·(9"pior-de .todos ospart1doà .9 Pod~na pare,cer que mo o governo pelo partido acaba se~re e~governo pela fac~ão, e como
Bolin obroke só estabelece, aqm, uma diferença de grau --~mbora a fac- o~cem da aixão e do interesse, e não da razão e da eqüidade,
ção s~ja Y-ior do ue o artido am?o~ ~ . , . , - s r~ as .. :~ª_ ro.esm~ fam_fbia. ·se~ue-se que os E_artid..QLJ.J:Ú.üLq__uecem e co ocam em perigo o ·governo p~~
Mas ele deixa claro que a àiferença e tambem Ele espécie, pois os parti os co.~s:~u~o. E o go~:rno con stituc.ional_era o prererido de Bolingbrok.!?-:; 1!
dÍvidem um povo "segundo os rincí ios" .10 A;>sim, de acord~ com B?l· cu.10 1 eal era o de uruaade e harmonia. ~stante, ele estabeleceu~
iug ro e, a umã_ erénçajeall e não no~~n.al, entre os "p,ªrtl~os .n~c10- d9_~quer outro antes-. uma distinção entre facções e partidos. E sua
nais" do século XYII,_q!;!e refletiam uma d1fe:~nç~ real ~e onnc1p1o~_e apaixonada e prolongada aná.tise, repetida em numerosos escritos,sol_QfQu
desígnios" , e as divisões de sua época, na ~~-b.a.Y.i.ª_J2re?cupaçao os partidos em p_:im~irO_P.lanQ_e_fotÇ.QlL.s~us....c9tÍtem.p9râ_n~2s e SU.f.~~
c'cmiÕs'\nteresses nacionais", que ,passavam a "subord1..lli!!:ie aos interesses res a enfrentar o problema. 17 Prova disso é o fato de Hume ter se ocupado
pe~is" sendo essa "a verdadeira. canillti:ti~a d~ facção''. 1 , Bolmg- do assunto pouco depois; foi , aliás, o primeiro entre os grandes filósofos a
brok~tamoém uso.JJ, sem ~úvid a, ~art1do e fac~ªº. md1.erentemente, com~ fazê-lo. ...--
se fossem sinônimos . Mas isso esta, com freguencia, de a~orà.o ,com seu ar \!:Jume4colocou-se a meio caminho entre Bolingbroke e Burke, embo- H L.:~t·
gurnento de g,ue a deg,tlitlac;1o...dQs_partidos em facções é meVItavel, e. q~­ ra estivesse mais próximo do primeiro do que do segundo - tanto no que
do as duas coisas se fundem , as duas palavras também se dev~m fund ir.. diz respeito às idéias como em termos cronológicos. Os primeiros Essays·
- Uevemos reconhecer, porém, que a noção que Bohngbro!Ce unha (Ensa ios) de lfome sobre os partidos surgiram menos de dez anos depois
de partido é um tanto. ambivalente, depende~d<: d~ s.e ~st_ar ele re!enndo da Dissertarion de Bolingbroke, ao passo que Burke ocupou-se do assunto
aos partidos .da Grande ·Rebeliãi! que levou a Const1tu1çao de 1688 f ou em 1770, cerca de 30 anos depois. Hume é, como seria de esperar, menos
ao "partido do país" de sua época, isto é, o partido que era o seu. Sua po· vibrante em suas definições do que Bolingbroke. ~com relaxão às fa~ç~s
sição com 'felação a este último é muito interessante. De um lado, ele s~ é ue ele mostra a mesma veemência, pois as "facções subvertem o gover-
aproxima muito de sua legitirnaç.ão, pois afirma que "um partido .do .pais ~Q, tornam impotentes as eis e geram as mais acesas animosidades entre
deve ser autorizado pela voz. do país. Deve .ser formado sobre pnnc1p1os h.9__mens da mesma nacão". 1 ~ànto aos partidos, Hume é mais toler<l!!·
do interesse comum". Por outro lado, Bo!ingbroke apressa-se a acrescen- }~á, na verdade: um· ime_~rtan/e ,Eass2 além de Bolingbroke, pois aàrní1f
tar oue o partido do país é "impropriamente chamado de partido. f a que "abolir, todjl.s~ <is. d_istinÇões. de partido pode não ser praticável, t;ilve~
nação' falando e agindo no discurso e na conduta de alguns h ome~1s" : 13 iYem desejável num governo livre". Nao óbstante, o ideal de Hume coniÍ·
) Não obstante , o partido do país é, m~smo que apenas para emergencias, ~~ muito{rnlh.an~~ de Bolingbroke: o fim das .distin.ç_Qes arti-
uma necessidade, uma necessi.dade para uma boa causa~J.l!!s.~~4 f1..931s e odiosas. J!.l sua epoca Hurne percebia "um dese10 universal de
i..x._gue há panidos que "pr~~~filD_oi ter"; 14 rn~s ?s. p ~r t.11 aboli r essas distinções de tmtido", isto é, aqu..tleQue mantinham opiniõlfs
d.a~~izão de partido~~a.usa..c~m~rn COJllf,,íL.QL!.IlliDl~S.J opostas em · relação ao que é essencial no governo'~ Deu a esse desejo o
da constituição~ E esse o caso do partido do pa1s,i,,que defende a const1· .

)
)
)
)
28 PARTIDOS E SISTEM,J,S PARTIDARIOS O PARTIDO COMO PARTE 29 4
nomç de\"tendência ,à cbaJizão" 1e viu, nessa coalescência . "a mais agrada- ' pios políticos, a questão pode ser explicada mais facilrnente".n E esse 4
)
Yef perspcctivãOê feliéldade futur~· . 19 Embora admic1ndo que· os partidos entendimento diferente e mais tranqüilo resulta, bem claramente, do ensaio
) <la Grande Rebelião eram "partidos de princípio", não via a mesma ten-
dência nos ·'partidos uovos" surgidos subseqüentemente sob a denomina-
que se segue, Of Parries in Grea: Britain (Dos Partidos na Grã-Bretan/UJ ).
t'!.° essencial.' ~ume aceitou os partidos como uma c_onseqüencia de-

4
)
ção de J\/hig e Tory, *pois. quanto a eles ''cst3mos des orientados para di - sagrad~~el, r:1as ~cil mente c<?1::º uma condição, do g9v~rno livr\! . .E há , f
) zer da natureza. das pretensões e dqs ~cipios das diferentes facções". 2 º sem d~da,. u..m ~~i:isJo d~ ~i fe.li:i19~ ent r~ cgn~id~rar~e,arridos comC!
A pnncipal contribuição de Hum~ foi a tipologia que delineou no de fato mevitave1s 24 _e a v1s:io burke@fli!....l:!Lque os partidos são ao mesmo 4
ens:iio de 1742, Of Parties in General (Dos Partidos em Geral). O leitor te~o _i::_~pe1tav<:1~Üm in~rument<L.QQ_governo livre. Não obstãn~:
fica um tanto confuso, nesse e em outros ensaios, pelo uso indifere nte Hu~e for~eceu parte do material.com que Burke construiria ~ua argumen-t
,que faz Hume de "partido" e "facção" 21 , pois ele foi, sem dúvida, menos taçao. 1\ tipologia de Rume não só permitiu um entendimento mais analí-
) '.:~ -
coerente do que Bolingbroke no uso dessas duas pa!:Jvras. Devemos ter tico do assunto como também proporcionou - como faz. qualquer clas-
) :-',/ presente, portanto, que Hume estava fazendo uma classificação, e que a sificação, pela sua própria natureza - elementos estáveis que servem de
,:~.: distinção entre partido e facção, tal como Bolingbroke a havia estabele- fundamento a novos raciocínios. Como autor político, Hume não foi pro-
' .,. cido, era insuficiente para sustentar essa ciassificação. Se o partido também f~tico, de. mo~o algum. ~~a classe de "facções de ~..QÍÍLic.:.~iÍ
>. :.... acaba em facção, pareceu a Hume -'- presumivelmente - que sua tipologia a1~a. m.wto distante daQuikLqii.ê.:ilimar~mos de partjdos ideológicos, mas
;::: tinha de ser de qualquer e de todos os agrupamentos políticos. Digamos, ~onstttw uma ponte através da qual o partido será visto e concebido como
) . ~\ então, que ~e estabelece u~a E,e.olofila de partidarismo que come~a ~rupo concretO.-~tiêlos 'ult!apassam as facçdes porgue se basernm nãà
)e f:pm urna_di.Slin.çãa_bá~a entre TD_gru eos_pg,l'JQg:(Le_(fü_grupos reais - ª-?ena_s e!ll)nteresses, e nã'o- ~enas em afetós(~··..are!Ç°Tu" de_Humef ri.ias
ta.~em,.~e e~·inciealmente, em~~<U~rnuns: Isso é Burke,~as Hume
\.':-
r-
se.n.do os últimos as facções_!/ou os partidos "baseados em alguma diferença
~
r~al de sent1mento_ou_in.EL~~sL._22 Enquanto os partidos "raramente se ~bnu o calllJJl~o. mostrando que as facções baseadas em princípios eram
)
encontram puros e sem mistura", Hume diz gue "as facções pessoais" são uma _n~va : nudade n~ c~n~ política e que os princípios políticos deviam
típicas das_gf:_q.uenaw.e.p.úblicas e, ~m geral, do passado, ao passo que as s.er d1stmguidos dos pnnc1p1os religiosos.2s - -
..-~~ea~s" ?ão típicas do múi10oli1õãerno. P.or~anto, a análise dê A definição de Burke, muito citada embora pouco compreendida é: .f> .i L' i-. · "~
)
Hume concentra-se nas--..'fãêÇões" reais, ~e estão subdivididas em três "O .J2..~~id? é um ~rupo de ho~ens unidos par!!~º· pelo s~ esÍ.sJ:-
J
)
cl~ fogões de (i)jnt~-~ {ji) principio e (iii) afeição. ço con unto do interesse nacional com base em algum grincípio comJ2
) · ~ juízo de 1-lu~e, as façsQ.es de in teres~.§~<l. '°asmais ra~i9n~~. e qual todo.~ conconJ.a~"· Os 1~s exigem ~eios , e ~p~rtidos sã".Q_ _~_.':mel>~
) as mais desCllrpav'ê'is" , e, embora "freqüentemente não apa~eçam" e!!'.~­ a~equado que pew~us.s.~mW-'.l~pl~nos comuns à E!l-
vemos despóticos, "nem por isso são menos reais, ou antes, são mais reais t~~ª· com todo o p~_der e autondade do Estado .;f 6 EVIdentemente~ Q par:
) e mais perniciosas_p?r ..=~ma razã...Q.''. E Hume continua (observe-se o ~!tlo de _Bcuke n~o .e ap_en~!!!ll meio_ respeitável: é um partido com todas
uso âe "partido"}: " ~ partidos de gn·nç t'pío. particularmente princípio as ~ferenças q_u~ um par.tido_ tefll_<!_e uma part~, !sto é, uma agência con-:·
especulativo abstrato, só são conhecidos nas é2ocas modernas e talvez. se- ~:,e~a, algo t~ ~eal como ~~ facções. Ao mesmo tempõ-; facçÕ~§...!tp_ãrtldos
J~ nã? ~~ s.er confundidos ;_J9rn_ara~:se diferentes por definiçio. sê-.
)
)
ja m o fenómeno mais extraordinário e inexplicável já sufgído nas questões
hu.!lliill.itS". Esse novo fenõÍneno é muito menos justificável. MãSHumeesta-
belece neste ponto, embora como ilustração, um:i distinção crucial entre
t
gun~o a.:_ P!ºP~1as_ palavras de B~r~e. ·~essa generosa ltiia pelo poder
p~1dõ] ( ...) sera facilmente füstinta .d~Juta mesguinh.J!-~tere.ssa
•e
) pr(ncípios "políticos" e ''religi ~E_stes @lm.m - são a metª...Jeãl.J_e eor ·Cargo:_e_er:i~I~mentQ,~" - ~~~do_~S!a última~E,:la_ e~c~lente !~~!_~­
)
1juffie:nl'l9s ~.!IlP<>.S mod~no~. o_s_p_afli_dos religiosos são mais_!:.uri~~ e d~~prop~as l~:çoes. 27 Q_ê!"g_umento já não é o ae que o parti~o ter- •e
rr.ãílos 4<Lque as mais _sruéis fa~ões jamais surgidas a _partir do lnteres~ mm~ !~mt?re na facção, m_!!_O_ge_s_~e, ness~_<:~. o_p_artiaon:fo ~ Ürn parti-
) e _da_ afll9lçªo". Os primeiros, os partidos de princípio político, recebe.f!l d?· ~uáhdo ·Bu~e ;quer dizer facção. ele diz. ~~o· ~ndo qÜeráíZer ,
)
um tratamento diferente: "Onde princípios diferentes geraram uma con-
trariedade de comportamento, como é o caso de todos os diferentes princí-
..P~rt1do2 diz. partido#
As últimas frases não são ocasionais. Burke tratou detalhadamente
g •
) da questão. Tinha um alvo bem definido: os· homens do rei.tE os homens •
do rei argumentavam que o "partido deveria ser totalmente eliminado, •
)
• De moJo geral, Liberal e Conservador. rcspect1vamente.(N. do T.) com todos os malc!s que causa". Os Thoughts (Pensamentos) de Burke são
•4
) f.
(

(
) JO PARTIDOS E SISTEMAS PARTIDÁRIOS
O PARTIDO COMO PARTE 31

uma refutação meticulosa desse argumei~to,.que _o denu~cia como elabora-


) Em essência, portanto, com Burke o eixo da argumentação deu uma
c.Jo por "uma facção que governa pel3 10chnaçao part1~ul:lr de un;,ª c~r­
te" .28 Os homens do rei estavam propagando a doutrma de que todas volta. Bol_\!!g_t:roke tu:_tificar~ o "partido" ~pe~as como a4 .P.osição _(q~..an~­
do necessária) do pais ao sooerano mconstttuc1onal~\Burke ,1 em lugar d1ssp,
as ligações políticas são, pela sua própria natureza, ra:ciosas". llurke obser-
cÕlocou o "partido" ãenGõC!oãii}bito 90 governo, reconcebendp-0 como
vou que era essa a receita propagada em todas as epocas. pelos. q~e se~-
urna divisão que já não se fazia entre ·dito 11J!!U:!1trDQbe>
viam a fins '·inconstitucionais". pois é somente "numa ligação ', isto e,
ranos. • . avia, em sua época. um consenso sobre a constituição, mas pou-
quando se ligam entre si, q~e ~s home_ns "~de~ fá:il e rapidamente dar
co entenâimento é consenso ainda menor ·quanto à manéira pela qual o
0 alarme em relação a des1grnos maleficos . L1gaçao era, na verdade, a
ooverno constitucional deVía ser conduzido, e por quem. Burke propôs que
palavra-chave de Burk~ "As ligações em polítiCj", argumentou ;te~ s~?
) fsso poderia caber aos partidos, desde que se tomassem partidos.murke}
"essencialmente necessárias ao pleno desempenho de nosso dever pubhoo . ~;
propunhã--=--rpois concebeu o ••partido" ant~ qu.e este_yiesse a eXJs~ir ~
Embora essas ligações sejam "acidentalmente passíveis de degenerarem em )-
na v~rda<le, Jançoil a Idéia ue a udou os artidos a superarem as facçõeif
)

)
facção" , ainda assim "os melhores pat~otas na maior comu~~ade sei;:ipre
elogiaram e promoveram tais ligações .2 9 Os homens, adnut1a ele, que
pensam livremente pensarão, em certos ~~sos, _de. maneira dif~ren~e". Ma_s
°"''
~f

~
com o ·correr do .tempo. Muitas décadas, porém, haveriam de transcor-
rer antes que sua visão fosse perfeitamente compreendida.
Não se passara muito tempo desde a abertura intelectual de Burke,
isso não é um argumento para se iançar um od10 contra as hgaçoes poli- ~
e o continente europeu foi varrido pela Revolução Francesa. Os girondi-
ticas", pois, se o ~or:iem q\Je se ocupa das coisas públicas "não .c~ncordaj nos, jacobinos e outros grupos -políticos que, na realidade, movimentaram
0
) com esses princípios, ger~is"em. que_se baseia ~ par~ido ( ...), deveria •. ~~.sdf _ ~ os acontecimentos de 1789-1 794 bem poderiam t~r usado Burke para legi-
o início, ter escolj1id_o alguma õutra Ç!~Upaçao ...,' E Burk~ conclui. P3t1 ~ timar suas ligações e seus princípios, isto é, sua existência. Não o fizeram.
) rece-me totalmente. incompreensível , qu~ º? homeps ·possam passar seq.) Quase todos os pontos de vista políticos foram apresentados durante o
) qualquer HgaçiO".lº - . ~ ..
· Como ;á se argumentou de maneira convincente, o governo de parti· 4/ vóúJce daqueles memoráveis cinco anos. Sob um aspecto apenas os revolu-
cionários franceses dão mostras de um mesmo ânimo e falam com a mes-
)
do na Grã-Bretanha não foi criado pelos gràndes partidos do século XVII. i ma voz: foram unânimes e persistentes em sua condenação dos partidos.
Tal governo pressupunha a disso:ução do~ grandes pa~idos _e foi, na :eali- t Em todas as suas batalhas verbais, e ~nalmente mort~is, a acusação.rec_í-\7
dade, criado pelos pequenos partidos do seculo XVIll. Bohngbr?ke tden- 1
proca mais séria era a de chef de parti, chefe de partJdo, o que equ1vãl1a J
)
tificou algo de distintivo (em relação à facç.ão) nos grandes partidos. Mas a dizer chefe dê uma fac -o. 34 .,
) o problema era localizar esse algo de distintivo do "partido" nos pequenos ·- fl órce.t fo aconselhar os girondinos sobre seu projeto consti-
partidos que tomavam forma na Câmara dos Comuns do século XVIII. E 1ucional, argume~tou - contra os partidos ingleses - que "uma das ne_ces-
) foi essa a :ibertura de Burke. As circunstâncias não foram, de forma algu- sida<les primordiais da república francesa é não ter nenhum" l Dantot!.\de- _
) ma, irrelevantes para essa realização. A vantagem de Burke foi escre:er clarou: .. Se nos fôssemos exasperar mutuamente, acabaríamos formando
quase que um século depois dos anos de 1688-1689, isto é, quando a cnse partidos; ao passo que necessitamos de apenas um, o da razão" .~
) religiosa e a crise constitucional haviam sido totalmente resolvidas. Bol- e_ierre (.afirmou ser o ''interesse pessoal" que provoca uma pluralidade de
) ingbroke e Hume ainda tinham de argumentar em favor. de ~m consen.so !'.>ãiliaàs. e que ' 'em tnda..a.....12arte onde vejo ambição, intriga, esperteza e
quanto aos aspectos fundamentais, e com isso eram a_ntipart1do em pn~- m~uiavelismo, ali reconheço uma facção · e a natureza de todas as fa~ ões
) cipio e anti facção em essência. Na época de Burke, porem, ef3 b:i s tante _ev~­ C:: sacrificar o interesse geraJ'1'Sãmt-Just foi ainda mais drásticg_;_"Todo
) dente que os grandes partidos que lutavam a favor ou contra a constmu- partido é criínin9s.o...(.. .. ) Toda acç o portanto çtimirtQs.a....f ..) Toda fac-
ção haviam desaparecido e que as facções do longo reinado de Jorge III ç:ÍÕ procura enfraquecer a soberania do povo_:•. E ainda mais concisamente,
) apenas lu tavam pelos despojos do governo. Bolingbroke e Hume viram que ô1sse: ··.~divipi r um f!Ovo 13s facções su6Stituem a liberdade pela fúria dQ,.
)
a ameaça amiconstit ucional vinha da fórmula divide et impera, de os ho- parndarismQ.m;
mens do rei se aproveitarem de um Parlamento assolado por facções, de-
) Três razões são apresen tadas geralmente para explicar esse coro unâ -
sunido e. com isso, impoten te. Burke çompreendiu - e nisso foi genial -
nime: primeiro, os revolucion.ários de J 789 estavam sob o fascínio de
que, como o Parlamento não podia ser mono! í.ticof e~taria em. muito ~~
) Rousseau; segundo, seu deu.s e r:i La Raisqn, a Razão; }erceiro, estavam im-
lhor posição de resistir à coroa se seus membros estivessem ligados, 1st6'
buídos de uma filosofia irldivid úalista, se não to talmente atomista. 36 Todas
) (organizados cm "ligações honrosas"~
essas razões são bastante vá1id2s , mas não devemos esquecer uma premissa

)
) l'Aí? TIDOS E SISTEMAS PARTIDÁRIOS
O PAR TIDO COMO PAR TE JJ

dos poderiam m:illter vivo o espirice da libc:rJade". pouco mais está :idmi -
) 1 ~.tl 1111
dura realidade e a viru lência do facciosismo. As facções
port:rnti=: a
1111do do qu~ Hume. 4 º Isso porque J ~nfose <le Washington rec:ii claramen-
t'or. 1111 r.11 nbt!m wndenaàas por pressupostos totalmente dit'eren tes. Os re- te na a<lve rtenc::i contra o espirita <lo partido .
.. olw.;1llldrios franceses declaravam-se ·•patriotas". Para eles, partidos e O c:iso de Jeffemme ainJa mais intere~sante . Se a moderna i<lda do
;· 11.\·1lt.:~ .:ram o mesmo que para Halifax, o Oportunista. um século antes,
} partido foi primeiro identificada por 13urke. o primeiro partido moderno
um:.i ··conspiw,:ão con tra a nação". E talvez a principal lição a ser apren -
torno.u-.se realidade. aind:i que par:.i desintegrar-se pouco depois, nos Esta-
) d1dJ 1.ksse salto de volta ao estado de espírilt> inglês do século anterior
dos Urndos sob a li?eran-ra de Jefferson. Ele organizou ""lig:ições", e levou
.: a de que os eartidos. pressupõem - ~la sua acei~o~ seu func_ionamen-.
) o programa do Partido Republicano à v1tóna com seu apelo ao país como
!º adeguado - a P.ªZ sob um governo constirucionaj_,_e não uma guerra ~
um todo, passando por cima dos federalistas. Ainda assim sena um erro
) it1te rna que "íilVeSté, entre outras coisas: contra o pró,.e.rio estabelecimerlt9
supor que, com o partido Je J.:;itúson, a mensagem de Bur!<e havia. final-
J.e uma constituição.
) '.11ente, l'.rnçado..raizes. Por_ mai~ para~oxal que pareça'. Jefferson concebe~
Se não é de surpreender~5 revolucionários franceses não pudes· )eu partido_ma1.:; ou m~no~ ~orno IJoltngbroke concebia o partido do p~s:
) sem aceitar ou compreenderfBurke, poderíamos esperar que tal não acon- como um part1d~ que deveria pôr fim à legitimidade do partidaris~.
tecesse com os Founding Fathers dos Estados Unidos. Mas, em 1787-1788, ou pelo menos enfraquecê-la. quando os '· princípios republicanos" houveG-
Madisoa,.ainda falava muito de "facçõe(, e muito no sentido clássico , de- sem siJo postos em ação e estivessem perfeitamente consolida<lEils.4 •
preciativo, da palavra, embora num c9ntexto diferente e majs amplo. Sua Enquanto isso. as idéias e os acontecimentos não se movimentavam
definição era a seguinte: mais depressa, e sim ma.is devagar, no continente europeu. Foram neces-
)
~or u r,na ~acção, entendo um certo ;)ÚI!le~~ .d e cidadãos, quer sejam uma maioria ou sários mais de 30 anos para que se fechassem as feridas da Revoluçao Fran-
) 1m1a min.ori:i do .. todo, upidos-e â tivados por um impulso comum de po.lx:io: ·ou de cesa. O "espírito do partido" de Washington foi, no mesmo ano do seu
!n~en::ssc ~} dvcrso aos direitos- ~~ Ôljlros~cid!!dios o.li aos interesses perinãneniCSe- discurso. objeto de um a denúncia apaixonada de Madame de Stae!.4 i Só
) gloGãís da cõmunidãcfe. - - · · cm 1815 o grande pensador constitucional francês~~~1i~.Constan{ l
·E prerendia que a União ajudaria a "dominar e controlar a violênci~ rs,conheceu ~.impossibilidade de "esperar excluir as facções deu ma orga.:
~P-olrnca onde as vantagens da liberdade costumam ser greserva·
) da facção", que havia sido, e continuava sendo, o "vício perigoso" dos go.
vemos populares. 37 A novidade está em ser o problema visto constitucio- ~a~ Mas acr:scentou ime.di~tamen~e: "Devemos eortanto empenha;õõs
) nalmente e no contexto de como uma grande "república" está melhor ade- · vm tornar ~s tacções o mais_ inofensivas possível. " 43 Constant estava ape-
quada a controlar os efeitos - e não remover as causas das facções . O]lui· nas se atualizando com Mad1son , E mesmo essas palavras eram demasiado
) avançadas para a Restauração, que deveria durar até 1830. Burke é, evi-
13urke deixou às inten_Çõ~s nobres, Madison enfrentou em·termos de eng•-
) nharia constitucion~ . Quanto ao resto, não há dúvidas de que Madison dentemente, o ponto crucial na hisLória intelectual. Mas o rumo dos acon-
usou o termo facção num sentido negativo e que facção e partido eram tecimentos é outra questão. Somente cerca de 50 anos depois de seu Dis-
) course é que os partidos, tais como ele os havia definido, suplantaram as
ainda considerados como equivalentes, ou quase.38
) Madison não foi o único a condenar o que Burke havia louvado. No facções e ~omeçaram a existir no mundo de língua inglesa.
)
discurso de despedida de Washington, de 1796 - baseado num rascunho de
Hamilton - lê-se: 1.2 Pluralismo ·
)
A libérdadc (...) pouco mlis é na realidade do que um nome, quando o governo é
demasiado fr:ico para suportar as iniciativas da facção(. .. ) Permttam-mc ( ...) uma :id- Quanê:!o Burke chegou a ver que os partidos tinham um uso positivo e ne·
ve rtênc1u solene · sobre os efeitos prejudiciais do espírito de partido (...) Há uma ces~ário, não havia nenhuma teoria para apoiar sua opinião. Mas o terreno
opinião de que os pa.rtidos nos países livres são controles úteis( ...) e servem para l~.~~1a sido preparado . A tr::i1.1siç:Io d~ facç:ro ao partido baseia-s~-~~!l' ero·
muntcr vivo o 1:s pírito da li berdade. ( ... ) Isso é provavelmente verd ade , dentro de ~v~s? 12aral.elo.: a trans1çtto at11d_f! IJ)fil len ta. mais enganosa e mais tortuosa,
certos Imutes( ... ) Mas em governos puramente eletivos é um espírito qu e não deve d~ l!]t9 lc~P-'!!"iLª-.!.9Lê rànc.la_1 ~es t~_ para~<lissl!nsão, e da cfJ~sensãÕ
se r es tim ulado. 39 ·
Pª~9'~Q.Ç-ª-Jl~div~!JLd::g)e . 44 O.s par~ id oL_nir2.._se~a ram rese_eitáveis
P~5~~1!fke a~1m..Jcnh::i _qeclarat!Q,_ Chegaram a ser aceitos - subcõíls·
O texto está realmente muito distante dos escritos dos revolucioná-
C~e_!.'t~JJ.,lCl1te ,_e_11i.esm_o_ aS,Si(l1...,Ç.QJJ1.J!l11a fonnldáVelrCÍÜT:fncfa- - ~~~diante
~ios franceses, mas está igualmente longe de Burke. As fa cções continuam
iguais ao "espírito do partido", e, onde ~Washington a~te que os parti - ª com~ree!!sào de que a _diversidade_.,;--:i ___dissensão não são necessariamente
- --------·
J-1 f"Ali //{.)US E SISTEMAS PARTIDA RIOS

... O PARTIDO COMO PARTE 35


i_~compH íve is E.<?~11 a OJQ.~.m. J>.P l.íJi_c..!!_,_Q.~!!:i_ !]_~cessariamen ie
a perturb:irn.
Nesse sentido ide:il, o~_ parti<!_.q_s _são ~orr~la toscô1 n a Wclta11schaw í11g do com freqüéncia, enganosa. 0 pluralismo é unrn hlnter!ãndia, um elemento
J i beral i~ r~ o, e del:J depend_efl.1. SãQ inconcebíveis na vjsão que H_ obbes ou Je b111.:kground, e sua ligação coni o pluralismo partidário dificilmente será
Spinoza tinham da .po l íticª '--~ 11ão_?ãq_~d_!}1i~Ld_os_ na cisiade de Ro usseau. 45 direta. N29._obs~,..Q p]Qralism_Q. pa rtid ~~o fo!.i_EO_!!~oda..-ª_C~ r!~g uma
Só s~__lQ rn'!l..l!_i;:o_!!.Ç$Qi.Yeis,J!. foran!_c_qiJ~!?.!Q.C?~na prática, quando o " hor- exportação dõs p ~nos ql!filU?. pluraJismo f9i implantado em primeiro
.. ) \.. rur d:i .~ suniã~' ~-~ub~.!.~!..l!..íd<?_ps;ia crenç}.~_gu~un~_mundômonõérõmã­ fügá'r -!Tiã.is os p_a.filLpLQ.~.il~LQQ_~~ da _Coq_t..@;J~.e fÕrina. E é .
t ico mlg_ é A _ún_icq_ J:iase- possÍ\1el cl..a__f_g.!r!l!!Çi!2-Pºlltica. E isso equivale ii b3stante claro que o pluralismo_p_artiçlârio_não_ te..Y...C.JJl.11 bom d ~sem12eníW::­
~ ií.er__q uc,_.i.d ealnlen ~s_p~ni dos ~ o .eluralismÕ sé· o rigir1ãli1Jõ"n1esino nern profongado - com pouquíssimas exceções - além da área impre gnada
sistc)nª-il..c_cr_~nççs_~.~Q. roc.smQ atoJTfé:_:_- - - - - - -------- • -- · por uma Welra11schauu11g phualista.51 ~ão é coisa simples operar ~
Surge imediatamente a questão de o que entendemos por plurâ· tema QOlítico no gual muiros partidos não venham a desorganizar uma
!ismo. V:11nos , primeiro, fazer uma pausa para observar que o pluralismo f~põ" política. Esta dificuldade foi sempre sÚbestimãda pelos estud io'"'.
p_artidário foi precedido ~ lu ralism o _fQfilJit uêlõnãr<l.~.YSJ~ µffllYlõ sos ocidentai5, como também pelos elaboradores de políticas que queriam
nJ9 aõrlu o caminho para o primeiro. O constitucionalisnio havia louvado cxpon ar a democracia. f , portanto, essencial que tal dificu ldade seja com-
~· b~SJ - desdê~1stITTeles{- ~governo misto, não o governo partidá- preendida à luz de seu substrato. · :i
rio. Em part icular , o pluralismo constituciõríi:)~a..d.iY.isão-d.o_po,d_~ r e a... Permanece a indagaç:Io [2_gue entendemos por pluralismo? palavra r.
dõU trina do controie e do equilfbr!.Q.J!.L p,.Q.d,.eres - antecedeu de mu ito é. sem dúvida, uma abreviatura para uma grande riqueza de conotaçõe~
o pluralismo partidário e foi construído. se m 0?_122.rtiàos~_ contra eles. riqueza que se transformou num pântano desde que adotamos a opinião
C.Q).1Stitucionalmente falando, um corpo político não só podia como devia de que "~9.Q.a~~ociedades _::.Ql_grande escala são, ioevitav..elrn.e.ntç_,_p_U!ralis;,
s;:i' separado em partes; inas a analogia, ou o princípio, n'1o [o i levado _@.L~.l certo_gra.U.::52 De acordo com essa generalização, Q,, pluralismo
à~~s parles CU!l:....fil_~tidos".~6 Â teoria do governo constitucional 'ª
nasce de e_,__~rarul~I?.arte. coincide com d ivi~ão do trabalho e a ~
não teve acoihida de Locke 11 Coke, de 13iackstone a Montesquieu , do 1:cnciação estrutu..@l...._que são. 12or sua vez. as comp-ª1!.b.eiras inevitáveis da
FeJeralist a Constant, e certamente não lhes era necessária. Quando os modernizaÇ.ãO. O argumento torna-se assim quase tautológico, sua conclu-
juristas constitucionalistas começaram a se ocupar da teoria consti tucio· são é verdadeira por definição, 53 e o "pluralismo" é facilmente estendido
nal, os partidos foram mantidos, a.inda mais, no limbo : só adquiriram de- a cenários africanos e, na verdade, à maior parte do mundo. 54 Na minha
finição legai depois da Segunda Guerra Mundial, e mesmo assim em pou- opinião, este é um exemplo típico de aplicaçl!o forçada e imperfeita de um
cas constituições. 4 ? conceito. Se nos agrada, podemos amontoar o pluralismo ocidental moder-
Possivelmente a <!_ificuidade de estender aos partidos a We!tanschau- no, o sistema de status hierárquico medieval, o sistema hindu de castas e
ung .do con~titucionalismo !J~eral foi dupla. ~LQ~Qfil!idos não erafilG) um.i fragmentaçrro tribal do tipo africano , e ch amar tudo isso de plurali-
) P'!rudos e sim facções, isto e, p.artes CQJJ.ll:.ª-.Q.....J.QQQ,_~ão P-artes do todo. dade, ou de um a sociedade p lura/. Mas nll'o confundamos esse bazar com
) /{? A,3 gund a dificuld~~i2.i...O postulado acentuadamente individualista do o " pluralismo" e com o que estamos tentando dizer quando as sociedades
\..:: ' l~min1smo. [Tal~2.J.L'v'los lembra que "a_~o que é hoje considerado como o~i dc n ta is s:Io chamadas de plu ralistas.

' ) concomilanté essencial da democracia, ou seja, a diversidade de opiniões :~ _6,...!X..P~~Q...'..:E!ural i~~I?.~~ce ituada em três 13!.veis: (i)
e:mteresses, est:mi Jg..nge de ser considerado essencial pelos pais da dé- c~iral , (ii) socictal e iii olítico. No prim~s falaJ:..9e _
)
,~~acia do século ){VIII. cujos ROSt~ll~s originais eram a unidade e a uma cultura plur11 ista na mesma atitude de significado que as noç~ef,~,
4rmnrn11dade". 4 u Nilo é de surpíeender que isso acontecesse com os pais p:.iralelas da cultura secularizada e de cult ura !1oiiiogênea. Uma cultura pi~~ /
da democracia do século :>..'Vlll, que t illham como refcrê;1cia :.i Mmocracia ral!Sfãií1ostra uma visão do ·mundo baseada, cm essência, na convicção
antiga - e não a democracia' libe ral - e mais os espartanos e os romanos de que a diferença, e n:ro a semelhança, a dissensão e nao a unanurna?il!~
do que os a tenie nses.~9 O que é me11os óbvio é por que o mesmo se aplica mud::l!lca e nrro a imutab ilidade, levam a uma vida melhor. Pode-se dizer
)
nos pensadores liberais dos sécu los XVII e XVIII l.!Jr.l!l..~l icaçã.Q.. llllP..Ql· (LÚC isso ~..J:!L!l.. J2lU r~li~!2!.QJllüsófico t..2U ~ teoria fil9~_9..fi9:1~QQ_[>luralismo,..
t,:.inte est:i no seu i..ndi vidu;r!is mo~~Q'-que atendeu à necessidade S$_ cm _suo diferenç a da realidad~ do plural isn~~ss Mesmo assim , dev~-se en-
) l.1 bertar su:i época dos l:iços medievais, de urn3 estrutura de corporação tender que, q uando os filósofos se ocuparam dos assuntos do m~rido prá·
(ech.itl:i e i mócl~ tico - como o fizeram em sua teorização política - , estavam ao 1i1csmo
J Evidentemente a re! ação entre o pluralismo e os partidos é sutil e. tempo interpretando e dan<lg_ forma ao curso do mundo .rc:al. Assim, o
que tem o rigem como a teoria do pluralismo re fle te-se posteriormente.

1

.
í
)
) J6 . PARTIDOS E SISTEM~S PARTIDA RIOS O PARTIDO COMO PARTE 37

) ainda que ap1rnas em parte e imperfeitamente, na realid~1dc do pluralismo. em diferentes níveis c..lc convicçües e comportamer1to. As J~ti n<,:ões impor-
Eu uiria, então, que, mesmo quanJo chegarmos u usar u pluralismo como rantes, no caso, foz.em-se en tre ( i) nível comuniturio c'"rl1\·cl govcrnamental-
tt:nno descritivo (e na:o normativo), não poJemos ignorar o foto de que ele fµolíticas) e/ou entre (ii) qucs toes fui!damcnt:lis c quest~es de momento :·
) 111d1ca estruturas socictais e pollticas que n:iscem de um~a o rien.!_aç~ de·- .\lêsmo havendo consemo em nível i:omuait:!rio e sobre questões funda -
) ·~:iior-;-<le-uma crenç~alor_es. 56 -O pluralJsmo, cal como agora permeia mentais - e cm particubr sobre as reg~as p::.ra a soluiyão de conflitos -
as sociedades ocidentais, deixaria de exisur se deixássemos de acreditar ~ possível o conflito quanto a polüicas. Isso porque o consenso quanto
) ,, ...-. em seu valor. aos µontos fundamentais µropor ciona a autocontcnça-o que torna o con-
) Com rclaçrro ao segundo nível, o.eturalis1110 socieral úeve ser distin· tlito algo menos Ju que um conj?ito, como interminavelmente, embora
1 •
g~ido da di/ertmdação svc1e1al. Ambos são estruturas societais ou, mais quase sempre demasiado tarde. redescobrimos sempre que enfrentamos
) exa t:i mente. princípios estruturais q-üeresijõ1~n1éõr111gu r<,!ÇõêSSõ~ uma realidade em que as balas se cruzam de um lado a outro. O confli·
) rruturais. M:is, <lo lato de que toda socíêOade complexa se revela "dife· to quanto às quest&:s fundamentais mTo é uma base possível para :i de-
renci:ida:._Jl.:{,Q se ~egue de rnoJo algum que~a~ soci~dades s~l_an~ mocracia nem, na realidade, para qualquer formação política: esse confüto,
dl'i'erenciac..las "pluralisticamente':. Como eu disse antes, uma sociedp~ isto é, o conflito real, demanda uma guerra interna e a secessão como sua
)
pfú7:iTfiã'o é uma sociedade pluralista, P.OiS J:.~la última é ap~nas um dos únic:i solução. 60
muitos tipos possíveis de diferenciaç<Io sociecal. Por outro lado, o consenso nã'o deve ser concebido como um parente
) Com rdaç:Io ao terceiro nmd, pode-se dizer que o pluralismo poli'· µróximo da unanimidade. A diferença pode ser descrita da seguinte manei·
......... -
rico indica uma "diversificaç!lo do poder" e, mais precisàrnente, a existén· ra: o consenso é uma "unanimidade pluralista". N:ro consiste de uma visão
) - J

da de uma "pluralidade de grupos que são ao n~s~po independente~ úJ~°àP9st11Jªci_a pela !n1e~_p~~a~ mon_o~:_on_:ática_~.~-m~n~o. ~ntes ev9.;Sª
) e. não-inclusivos". 57 Já fiz mençllo a como esse pluralismo se estende às um erocesso interminável de ajuste dê muitos es~.ntos (e 111teresses) d1s·
) partes que silo partidos. Mas há vários pontos ad hoc que merecem, agora, cordaíltes em semere transformadas "coalizões" flexíveis de pe.E_SuáSãõ'
um descnvolvimen to. r..:cípruca. 61 Isso equivale a dizer tam6em que, enquanto o "dissenso é o
) O primeiro relaciona-se com a situaç:to do ponto de vista pluralista estado entrópico ~t natureza societal, o consenso mlo existe naturalmente,
c111 relaçcio uo consenso e ao conflito. Entediados com demasiado consenso n.ias deve ser produzido" .61 E a importância do consenso - assim con·
e ante tanto conflito, estamos atualmente ressaltando que a 1'ase da de- cebido - para nosso mundo atual é comprovada pelo fato de provavelmen·
) ª
mocracia ncio é o consenso, mas na verdade o conflito.5 Isso me surpre· te não .'cr coincidência que os sistemas partidários do Ocidente nrro tenham
endc como um -uso descuiêfado de tennmologia, que coioca a base pluralis- tiJo nenhum papel na criação do Estado-nação, só se tornando operativos
) ta das democracias Liberais singularmente fora de foco. Pois a palavra~ quando a crise de legitimidade - isto é, a aceitaç:Io do governo constitu·
) melhor transmite a visão pluralista é dissensão. Lorde Ba.lfour fez uso da cional - foi resolvida. 63 Talvez a estrutura polltica deva existir primeiro,
linguagem moderada dos britânicos aó escrever que, na Inglaterra, "a má· talvez a unificaçao tenha cie anteceaer a "divisãõ":""ã''part1ç~~'.::. e.~l<? p~
)
quina política pressupõe um povo tão fundamentalmente unânime que tido, e talvez seja essa condiçao que faça dos partidos uma subdivisão com-
) ' aqueles que dde fazem parte podem, com toda a segurança, permitir-se 1hfivcl com a umâãJ·e-, e nao uma füv1sao que a aesorganiza. lssoé~
altercar." Mas estamos indo demasiado longe na direção do exagero, quan· mado pela experiência da maioria das soc1e<lãdesemaesenvolVlmento
) do afirmamos que a democracia postula o conflito. Foi o conflito que enipenfíadas na criaçrro de uma identidade e . de urna integração nacionais,
) kvou Hobbes a ansiar pela paz sob o governo despótico de seu Leviatã, e •ue recorreram sem demora ao p_artilii.q_único ou, ao govemo_!IlíITt:u:.....~
foi também o qut! fez 13olingbroke e Hume e Madison e Washington bus- ..:m :imbos os casos, · proi içJo e.ia dissens5o organizada~isto é, d_~eos ies.
) qarcm urna ''coalizcio de partidos". Sempre que o conílito significa o que · Um segundo ponto refere-se à maneira pela qual o pluralismo pplí· .
) de fato ~ignifo.:a, os partidos perdem em reputação. Ressaltemos, portanto, tico rêlaciona-se com a regra* da maioria - qúe'não é igüal ao princ1íJio
que o que é central para a ll'clt11nschauu11g pluralista não é o consenso nem
) o conllito, mas a dissensão e o louvor da dissensão. Caracteristicamen te • Tal como fa.r:í adian te (p. 39) um jogo fonético com respomihie ~ responsii•e
) - o que é muito revelador - a dissensão nrro foi nunca compreendida govcmme111 (gowrno r.:spo nsávd é govl!rno ,,:nsívd ou "governo n:sponsivo"). o
como o oposto do consenso. A dissensão tem tanto do consenso como do :rntor io!la, aqui, com a polhs.:m il de rufe, ao mesmo icmpo "regra", " n:gulam.:nto",
) "pr~ci:ito", l! "gowrno"; e de ruling, "ato Jc governar" e "domínio". A~sim, "regra"
conllito, scn1 coincidir com nenhum deles.s9 - - trufe) poJ.: s.:r entendida como preceito e, ao mesmo tempo, governo; e "domínio"
) O consenso bem pode estar rétacionado com o conflito, mas somente tnili11g), como o ato Jc úominJr e o d.: gov.:rnar. (N. do T.) ·

)
)
)
JS PARTIDOS E SISTEMAS PARTIDÁRIOS
O PARTIDO COMO PARTE 3~
Pode o "pluralismo" ser operacional? Ou, fonn ulando uma pergu ta \
da maioria. Se a regra majoritária é entendida como Madison, Tocqu_evil!e mais respondível e precisa, quais as mdicações de uma estrutura sacie
....e.j 0 11;1-Stüà rt Mill a entenderam - ou seja, como a ameaça de uma tirania pluralista? Segundo J anda, o pluralismo pode ser definido, operacional-
da maioria, de um governo ou "domínio" da maioria concreta no sentido mente, como "a presença de cortes transversais" (e não, ressalte-se, de
literal e forte da expressão - então pode-se dizer que o pluralismo é con- pressões transversais). Trata-se, certamente, de uma operacionafü.aça:o
trário à regra m:ijoritária. Iss~ na:o equi"..~e a dizer que o pluralismo r~jeit~ adequada, pois basta para colocar de lado todas as sociedades cuja arti-
o principio da maioria con'io um prÍ.JlCÍP.ÍO regulador, isto ~SQ.!!1-Q..!!.filê._ culação gira principalmente em forno de tribo, raça, casta, religião, e gru-
têêfüca ae tomada de decisão. 64 ~claro que isso na:o ocorre. ~ão obstante . _ pos locais fechados e consuetudmários. J a.nd~ observa também que o mais
0 -pltmrfr~rrrocõntinüãSenclOOilielh erreno no çiual o princí12io major.i.: importante para esses cortes ou separações é que sejam transversais, dia-
tário 1m1ta o - o de que os componentes da mai.QTla_dev~m res~iJar .Q~ gonais - pois com isso se neutralizam, em lugar de se reforçarem - quando
direitos êlãrríin'6na - pode ser mantido e legitimaQ.2;65 os indivíduos fêm afiliações múltiplas, ou mesmo fidelidades múltipias.
· .. Um terceiro ponto merece igualmente atenção. O pluralismo} um~ Por outro lado, devemos deixar claro que as definições operacionais são
conseqüência e uma superação das guerras e das persegülçõêSrelígiosas - mais adequadas ao elemento esrrutural do que ao elemento de convicção
cõmo 15em se pode perceber através dos debates que levaram ao princínio ou de crença do pluralismo. Sob esse aspecto, impõe-se a advertência de
d~tõlerãnc1a - e não se pode dizer ~e exista enquanto o remo de Deus e qu~ o contexto de valor do pluralismo na:o deve ser esquecido e que muitos
o reino de César egh'..e.r..em -div.ididgs.~~ Isso significa, em primeiro lugar, pressupostos anteriores (e causais) ficam implícitos no nívei operacional
que nem o bispo nem o príncipe têm qualquer direito sob~e as al_m~ d~ de definição.?O
seus súditos. Mas_s~ também que nenhuma 12.retensao a d1re1to e É certo, portanto, falar em pluralismo partidário. A expressão tem
leaítima. Com o passar do tempo, e com a crescente diferenciaça:o estru- na realidade mais profundidade de significado do que llie atribuímos ge-
t~~al e especialização, chega-se a uma etapa na qual as vicissitudes políti- ralmente. Tomado por seu valor aparente, o pluralismo partidário indica
cas de um homem já não colocam em risco a sua vida e seu bem-estar pri- simplesmente a existência de mais de um partido; mas a conotaça:o é a de
vado. É a essa altura que a secularização alimenta o pluralismo. O ponto que os partidos no plural são o produto do "pluralismo". Mas o fato de que
substantivo é, portanto, que nenhuma alternaç:ro no poder é concebível a legitimação e o funcionamento normal do pluralismo partidário se ba-
t
l
como regra vigente do jogo até que o bem-estar público esteja separado seiam na aceitaçao do pluralismo rout court, sem adjetivos, continua sendo
t do bem-estar privado. Sem uma separação suficiente das várias esferas de um fator secundário. Não contribui para explicar, entre outras coisas,
l
vida - religHio, política, riqueza - e uma proteção suficiente do indivíduo por que os sistemas partidários se desenvolveram de uma determinada
! como tal, haverá na controvérsia política algo demasiado importante para
que os políticos abram mão de seu poder como determinam as regras de
maneira, nem o papel que o sistema partidário chegou a desempenhar
dentro do sistema político geral.
um sistema partidário competitivo.
Em quarto lugar, e voltando ao esteio estrutural do conceito, deve-se 1.3 Gover~o responsável e governo sensível
entender claramente que oe~~ na:o_ CO!~Siste Si~plesn_;;~t~ d~ ass~­
~iaçõe~ llJ~ltiplas. Est as_ d!~lll. ser, em. pnm~~1!.gar, voluntan!!! /'-e ~
Até aqui, demos ênfase ao curso das idéias. Na verdade, essas idéias respon-
;itributivas ~.!fl2.. se&undo, na:o exclus1v~ isto e ,J?fil>e-ª.c!.ªJ...~111 ªil!J!!.çJ!.!;s
deram a acontecimentos no mundo real, embora Burke, quando definiu
múltipl~s -- -- ~~nq2 ~!'~~ o__!.raço mar~nte cruci~~ ~m_2 eS!QJtur~ç_!o
o partido, tenha-o feito à frente da história. A partir de Burke, porém, os
plurâi~; A pr~~ença de um pande número de grupos identificáveis ~ fatos assumem a liderança. Copiando Oakeshott, "grandes realizações são
'çomp!~· ~ · n~_Qd2._ ~gu~1,_..!1 ~istê.nciã -d ç__pJ~r.âJ.fs;rrro-;--m~ apma~ ~~ levadas a cabo em meio à névoa mental da experiência prálica".71 Foi o
estado desenvolvido çl~ ;irticulaça-o e/ou fragmentaça-o ;_ /}s sociedades que realmente ocorreu com a maneira pela qual os partidos ingressaram
n~uJt°igrupc:is são ·~pluralistas" s~eapeílaS"se:QSgrupos forem associati- na esfera de governo e nela se tornaram operativos. Para que servem os par-
vos (e n:lo consuetudinários ')U in stit uc ion ais~Q....g!Le..Lmais.,...s.ó_q11MdQ 1idos, isto é, quais as suas funções, posiçao e peso no sistema político -
~e puder constat_ar que as :issociaçõeL~desg_nvclruam naturalmente,
não foram questões fixadas por uma teoria, mas uma decorrência de acon·
que nao são "i!1:lQQg'ªs" 68 _Isso exclui notadamente o chamado plura· tecimentos concorrentes. Por exemplo, a expressão "a oposiçao a Sua
iismo africanu,,que na reiilidaJe gira sobre grupos comunais consuetudi· Majestade" foi cunhada apenas em 1821, de um:i só vez, e na-o em con-
rnirios t resu lt;i em uma cristalização fragmentada. Exclui igualmente o seqüência de uma complicada e elaborada discussão sobre uma alternaçrro
sistema de esir:nifica,_:l!o por C?Stas. 69 normal no poder de dois partidos. Mas não foi uma realização sem impor-
)

) ( j ,,,,M/OOS E "STEMAS PART!OARIOS


O PARTIDO COMO PART€ ·H
)
· : 11ç1 .1 C,r..indc parti: do que se s-:guiu Jcont;:ccu sem ser antes comprecn·
!.. l\1, .,: 1:1cno) a11:da Jcsepllo illlt!llcionaimente. ~:_sso de representação como inimigos dele. O representantt! de 13urke não

) l)uv1:-sc.: uizer com freqüência que, no sl!culo XVIII, os ingles..:s co- t:ra · t.in1 déícg3tlo atado pdas íns1ruções de seus cli:i tort!s. 1 s Pela mesma
m ..:~· 1r,11n J colo.::ir em prática o governo partidário. 72 Mas "'governo í?ª~.!: razao, 13urke se teíia horroriZJ<lO com as inmuções e a disciplina partidárias.
) Por outro lado, o par tido de Burke organizava ''ligacões" no oarlamen-
d.t lll>" é urna t:'.press:lo ambígua. Pode ser usada P'tr:i signifíéar "partiqo
,, !.. ~v..:1110"'. õu ~!É!..que-os~aTfldõS e_nc_i:_am na esfora do governo como co. N:io organizava, n~m cr~ essa a sua _:ncenção, os ;.l!;nbros fo~a do par-
)
.1 111 .lc.: seus elementos componentes de relevo. !sso j:í ê um grande passõ lamento. Isso o~orrena mais tarde, e nao foi prev1sio nem defendido por
) ·, lt..:Í1te. pois os partidos podem ser Jpenas efos emre um povo e um go· 13urke. Na termmologia de Tocquevilh::, o partido de Burke era ainda um
\..:mo - como foram por muiw tempo na Alemanha Imperial - sem qua!- partido "aristocrático", e não "democrático". A diferença é importante.
)
4uc.:r acesso real .Is tomadas de decisão governamentais. De qualquer modv, Como Tocquevil!e observou, com sensibilidade: "É natural, nos países..
) 1> partido nu govemo, como acima definido, está muito longe do governo <lemocráticos, que os membros das assernbléi:is se preocupem (songenr)
p:irtidá:10 literalmen te entendido, isto é, com o significado de que o parti· mais com seus eleitores do que com o partido, ao passo que nas aristocra-
) cias preocupam-se mais com o partido do que com seus eleitores." 76 Cor·
J0 gunm1a, de que a função de governo é, na prática, tomada e monopo·
) liLada pelo partido vitorioso ou por uma coaliz:ío de partidos. respondentemente, esta a pergunta que pode ser formulada da seguinte
Vamos distinguir entre (i} o partido que continua fora da esfera de maneira: como passamos do partido aristocrático, fechado no grupo, par-
) lamentar, para o partido eleitoral, voltado para fora do grupo e, em últi·
governo e sem envolver-se nela, o partido-embaixador, por assim dizer;
) (ii) o partido que opera no àrnb !to do governo, mas não governa; e (iii) ma análise, orientado para a democracia?
o partido que realmente governa, que assume a função govern:imental. 73 Levando-se na devida conta a maneira tortuosa-e desigual pela qual
) essa transição ocorreu historicamente, de forma lógica a seqüência pode
Observemos também que h:í muitas fónnulas in termediárias nao só entre
ser reconstituída com clare~a. De maneira geral, o governo responsável an-
~ esses três casos como dentro de cada um deles; e especialmente que adis·
) ~ .
tància entre partido 110 governo, e govemo partidário é na verdade muito
longa. E certo que nada semelhante ao governo partidário ocorreu real-
. te as Câmaras também se torna, a longo prazo. um governo responsável
po:rante o povo e, com isso, um governo sensú•el, atento à voz do povo e
mente, na Inglaterra ou em outros países, no século XVIll. E é passivei por ela influenciado. Mas essa descrição é demasiaélo ampla. Como e por
de dúvida se, durante o longo reinado de Jorge III, os ingleses realmente que ocorreram tais fatos é o que devemos ver com maiores detalhes e
) cruzar:im a linha entre o partido-emba~xador e o partido com um lugar no isso pode ser representado como diagrama do Quadro 1 (entendendo-se que
governo. 13urke não chegou a ver, durante sua vida, o partido que havia as setas indicam apenas os principais vetores causais).
)
definido. Se assim é, o "governo partidário" n[o se aplica, nem mesmo em
seu sentido mais amplo, por falta de exemplos. - Quadro l.
) O que os ingleses começaram a colocar em prática no século XVIII Do governo responsável ao governo partidário
~:ro i_oi, _Q_Ort~o, o goy_e!_no parti~á!!.~·- mas o g~vemo respon.sáyel. ESW--
) Governo responsável-- - -- Partido no Parlamento
:in tecede no tem o overno artidário, que é dele uma conseqüência.
(orientado in ternamente)
~.!oveEno responsável consiste da responsabi idãdedo.s. lll!illSCfüs_p-ª_ra com
º-~me~ Isso pode ser chamado, num sentido muito amplo e, nova:-
) mente, ambíguo, de sistema parlamentar, isco é, um sistema baseado no
Primeiro direito de voto - - - - - P:utilio eleitoral (granjeador de votos)
) apoio _parlamentar do governo. Mas nada nesse tipo de arranJO implica, por

~"''"' ~
necess1<lade. um sistema de governo baseaao em partidos. [sso é muito cla-
) ro em ílurke. Sua posição era: "A virtuue. espírito e essência de uma Câ·
) mara (k>s Comuns consiste em ser a imagem expres:>a dos sentimentos da Gomno
~iução . N<io foi institu ida para ser um controle sobre o povo. ( ... ) Foi plane-
)
jada como um contro_le_para o ?ovo." 74 ~as par,a o pov2. não if!!.plíca !?!!.!º Governo partidário ..-- -- -- - Soliditicação partiliári:i
) - ~oyo. Q_parla11_1en_to fo~_con_~-º.!5!.9. p9r Q~ rke _C.Q.1:!1~ ~m _qrg<!'Q.~prcsc12_ú!".' l Sistem:.i p:Ulid:írio
llv~, mas uepresen taç~o. ~e_ 9.~~ er~-~~0_~o ~ai~"virtual' ~J!..Q...q!!.e
) e~. Segun~~ ess~ op1n1:io, os partidos não só eram estranhos ao pro-
Direito de voco generalizado - - - - P:utido de massa (orientado externamente.>
)

)
)
...
)
..rr-
,.. ) L O PARTIDO COMO PARTE 43
f
.,) ~ 42 PARTIDOS E SISTEMAS PARTIDARIOS
t; Dois feedbacks estão, portanto, implícitos quando as eleições se tor-
,. l
~ Em si, e por si, o governo responsável significa ai:~n<l_s q.~:_o~ n_:i~ni;­ nam reais. Um deles é a solidificação do partido, significando isso que em
1
• r- tros devem obter recursos do parlamento, a cujas críticas estão sujeitos. determinados momentos os partidos mantêm-se unidos não só pelos "prin-
t Mas os deputáaos podem continuar atomizados, isto é, sem as ligaçõêSdo cípios" ma~ também pelas vantagens eleitorais de se estabilizarem, ou de
... 1 t ripo partíd-4_d_o_ d~fenatd.as -p.Qr Burke. Urn~ vez qu-e este expliêõü-po: que se tornarem mais estáveis. Muita oscilação, divisão ou mudança de nome
~
.) era vantajoso para os membros da Câmara dos Comuns unirem-se em linha; acaba tornando-se negativa. É a essa altura que o~ protopartidos, ou as
}
~ partidárias, já então esse._primeiro passo pode ser considerado como dado. "partes" que eram antes divisões do círculo interno (e superior), se tornam

1
e
~
Não obstante, isso nos dei)5.a com um "Evem~ dos c~v_al_hei!os" cO[!~!_Í_tu­ partidos em nosso sentido, isto é, divisões dcvpaís em geral. É isso o que
cional, para o povo.· As coisas ficam mais ou menos como Burke tena de- Duverger quer dizer quando afirma - corretamente - que "os verdadeiros
~
l!O'

) sejado:· ã menose- àté que o eleitorado adquira significação, tanto em ta- partidos têm apenas um século de idade". 7 9
li>
E manho como em qualidade, ou em ambos. Não é necessário examinar as O segundo feedback é o que leva do governo responsável ao governo
) múltiplas forças que levaram à primeira ampliação do sufrágio e, na Ingla-· sensível - ou pelo menos a uma combinaçao dos dois. Um governo res-
1" Jf. terra, à Lei da Reforma de 1832. Houve, sem dúvida, uma crescente pres- ponsável não precisa responder além de sua resgonsabilidade tée<!!!S.L!&.4.
~' são de baixo par a cima. Como diz Daalder: "O moderno partido político de.ver é com ortar-se de maneira responsável e com tente. Um....governÕ
lo.
} ( .. .) pode ser descrito, sem grande exagero, como flllio da Revolução In- sensível é, em lugar isso, um governo que tem de ser flexível às exigên:"
dustrial" .77 Não obstante, o processo ~.de início, provocado de cima. ~fll1hj-pelo-c011ípôttamento competente e tecnicamente respon-
~' Provavelmente os deputados acharam que sua voz ganharia peso se sua re-
presentatividade fosse menos presuntiva e mais eleitoral. Acima de tudo,
s~vel, l1lfi governo sensíVe1 bem pode ser declarado "mesponsavel";Eto
é, como tendo abdicado de sua própria responsabilidade independente.
lo>)
porém, o eleitorado foi envolvido em conseqüência da concorrência entre As duas é01sas são portanto muito diferentes, e seu equilíbrio, difícil. Nãõ
.) o parlamento e o governo. Um governo que enfrentasse um parlamento obstante, só se pode falar de um P,artido democrático - significando com
intratável recorreria, passando por cima dele, ao voto do eleitorado, como a
isso uma orientação para fora, de~uanêfó ~!lfase, se desloca da
fez William Pitt. E o parlamento pode retaliar no mesmo terreno. O pro· responsabilidade para a sensibilidade política. · ·
h •

J
cesso foi provocado, portanto, pelo desenvolvimento endógeno, pela dia- , ____ LOgicamenfo-; parecena que-~-go\iêffio' sensível é o que existe no go-
""
) lética interna entre o pa;·1 1mento e o gabinete, mas ganhou impulso e foi v_e mo part1dáao...ia.I GOmêDl'~ves-~r.6=parti'd o-difitilfiiei'rtepõcíerilaTenoer
subseqüentemente determinado por forças exógenas. às reivindica ões através das quais luta por votos se não puder governar -
) À parte os Estados Unidos, as primeiras ondas de ampliação do su- d_!!.,__K.Q~~no p.a ttidário., Historicamente, porém, a seqüência em poaeria

) frágio ficaram muito aquém do sufrágio masculino universal. 18 Mesmo ser invertida, pois muitas circunstâncias pesam sobre tal evolução. Pode-
assim, a ampliação do sufrágio se destaca, qualquer que sejam os números mos afastar a questão dizendo que o governo sensível e o governo parti-
envolvidos, como um ponto crucial e importante. Foi a redistribuição em dário são contérminos. Também poderíamos dizer, com mais cautela ain-

- ) ..
~
'
1

li
distritos dos "burgos podres"* e a entrada de eleitores que não podiam
ser subornados, ou já não obedeciam às instruções de seus superiores, que
àa, que não há razão premente para um governo de partidos até que os par-
tidos realmente tenham de "produzir" resultados eleitorais.
l~
) ,.>;_
) . fizeram o partido progredir do ponto onde Burke o colocara. Quanto mais
os membros do parlamento precisavam de votos, mais o partido-no-par-
Quando todas essas tendências convergem, temos não só o partido
moderno, como também o sistema partiddrio como uma exigência estru-
?· lamento, isto é, o partido aristocrático, tinha de ampliar o alcance dos tural do sistema político e pQr1anto como um de seus subsistemas. Embo-
seus tentáculos, ou seja, ma.is o partido parlamentar precisaria, ainda que ra os partidos se tivessem tornado partidos na esteira da primeira amplia-
apenas nas épocas de eleição, de um partido eleitoral, um instrumento co- ção do sufrágio - ou seja, em condições de uma participação muito redu-
letor de votos e, em última análise, angariador de votos . O partido coletor z.ida e de direito muito limitado de voto - o mesmo não ocorreu com o
de votos pode não representar grande diíerença, mas o partido angaria- estabelecimento do sistema partidário. .b_ estruturação d_aA rmação yo-
)
dor de votos, sim. Se os votos devem ser angariados, é necessário atender ~tica ~mo sistema _p,artidário só surg~_guando o diill!.2 de v~o ~ outiãS
às queixas, e as reivindicações devem, até certo ponto, serem satisfeitas. c~atingem uma "massa crítica" e envolvem uma garcela substan -
) cial da comunidade. T.e mos de ser vagõS.:_gY.cmlQ~· es.sa ·e~ncia detama-
• Rouen boroughs, as cucunscriçõcs eleitorais mglesas que, antes da refonna de '0°2 Cievido à súa grande variação no t~mpq CJ:1º ;it.!!10_:_Nãoo5stante,é
1832, embora tivessem um número ínfimo de eleitores, continuavam envinndo re- claro que o sufrágio uníversãl ;-oú quase universal, não é Ürna condição ne-
prescntan1es ao Parl r,nien10 . (N. óo T )
•.
PARTIDOS E SISTêlVIAS PARTIDÁRIOS O PARTIDO COMO PARTE
)
) 1.:essária para que os partidos se tornem um subsistema do sistema político: ~.ir di! gramles diforenças, :imb_os_~e preocu pavam - e se consternavam -

••
) 3 Ingl:iterra é um exemplo tlest:.tcado disso.· O sufrágio universal traz os ,·om J natureza nio-democr:llica e oligárquica dos partidos. e não com a
partidos de massa e o partido "criado externamente".ªº Modifica, gort:iry- 1naneir:i pela qual os partidos se situ.lv;1m - corno um subsistem:i - na teo-
to, o sistcm:i parridário, ma.s não é necessário ao seu aparecimento. Quan- ria e na prática da democracia. O problema desses autores em a democra:
1.:!a sem parridos ou denrrQ dos partiáos_, ~n:Io a democracia como sistema
\
)

)
L-o <Í scqúênc1::1, o registro histórico não indica uma progressão clara ou uni-
forme para todas as fases lembradas no Quadro 1, mas parece existir uma
ordem nào-reversivt!I para três fatos principais: (i) ~over_!.1.Q re~ponsá.!_eL
poli1ico q_u_e_é resultado dos _p~~!l<!_o_Le 11e/es~base1a.-r;lichei descrevéu
~eu livro corno uma ·'sociologia: · dos partidos. N:ro obstante, o fundador
J J sociologia dos partidos. rigorosamente falando, não foi Michels, m:is
••
••
( ii) a .. realidade" das efe ições, (!ii) o estabelecimento dos partidos como
) ~lax Weber. 87 Foi 'Weber 'J:iuem chamou .i atenção - com muito mais su-
~n su~~ª· .Essa sequência é não- reversível~ veiiue as eleições e
) a particiQação apenas. ls to é, se1~governo constituêional e responsável, tikZJ do que Marx""e- Engels - para as bases s~a polít1c~_g~al e
não conduzcm.nec~ssaQ.a.!!le~a...!lma formação poht1ca baseada no par- qo~ puü.dos_em ~ partkulªr, e_ª-s obs~_r_y_ações que faz quanto a isso são tão
)
)
utio - a um s1srema_e!lrtidáno.
Vistos retrospectivamente, !Odos esses fatos parecem bastante óbvios.
p~netra~lteL_<l-º._anto aumerosas. Com relação aos aspectos aqui examina-
dos. porém. Weber foi em grande parte responsável pela sugestão de uma
perspectiva histórica enganosa. Sua inclinação sociológica levou-o a afir-
••
)
)
Mas não foram óbvios, nem percebidos, qumdo estavam acontecendo.
Ç,?ns~duamos eviden~or si mesmo que, se uma sociedade é consultad~,
e._guanto mais amplamente isso ocorre, mais a expressao e a articulação
111ar. por exemplo, que "também os p:irtidos da Antiguidade ou da ldade
Média podem ser designados por esse nome", 88 perpetuando dessa forma
a confusão entre facções e/ou antigas "partes" (como os guelfos e os gibe-
••
1
)
de suas exiiências exigem elos intermediários e correias de transmissão:
Mas que esses elos tomariam a forma e gannar1arri a nat urêia ae
trutura do tipo partido não só não foi previsto, como também em grande
umaes- linos) e os partidos modernos. O fato de que os partidos são _pa,rlict~ .QOr-
(~- fazem E?art~ de ur;1a co11srr~ã0po1ítif..q-rnfa1m-ente nova ·~ si~2r
:;.,:ia ve1.eor ela modelados, não foi percebido por Weber, como não o ÍOi
••
)

)
medida não foi uma possibilidade bem compreen.dida. Todos os fatos que
descrevemos ocorreram - repetimos - em meio à névoa mental da expe-
riencia prática, produto muito mais da força dos fatos do que da previsão
p~los seus antecessores e contemporaneos-. - · -

·-. Podeinos re petir, portanto , que a expressão "partido" se torna mar·


-- ~,...._,.,.
••

das idéias, e muito menos de seu desígnio. 'ªn te e"ãclg_uir~u ma....c.o.ru>..ta.Ção_po.siti.va. pQ(q_ue indica_\!)Tla entidaqe.nQva.
) Ao voltar dos Estados Unidos, onde viu os primeiros partidos mo- O~iferente porque a coisa é diferente. Mansfield introduz, de 'ma-
)

)
dernos que na~ciam e functonavam sob condições democráticas, o comen-
tário geral de[ Tocquevi!_le_foi o de que "os partidos são um mal inerente
a.P..t..g~!J:IOS livres".~ 1 Não estava dizendo muito mais do que Wãsfüngton
neira eloqüente, a novidade do caso: ·· ~mos avaliar a guase-ubiqüiJade
do governo E?artidário, hoje, à luz de sua total ausência no passado''-.-:IYtas
devemos fazer restrições a sua explicação subseqüence: "Dc ªcoêao com
••
)
)
havia dito. E embora Tocqueville percebesse a diferença entre partidos
aristocráticos e democráticos, sua ênfase recaía claramente em outro aspec-
to, ou seja, na distinção qualitativa (não quantitativa) entre partidos "gran-
esse il!_dício, parece necessário distinguir os partidos do governo partidario'
(. :)Porquearaz:ao- do partidarismo êtfusimples e forte~ a respeitabilidâ-
Je, e não a eXJstência, do Qarti<i_o é a marca caraêterística do governopãr-
••
)
)
des" e "pequenos", os primeiros baseados em princípios e idéias gerais e
os segundos não diferindo, em nenhum aspecto, das "facções perigosas". 81
Não só o interesse de Tocqueville pel os partidos era muito periférico , co-
ti<.Íário."89 É muito certo que as razões do partidarismo são simples e foi-
tes,mãs não geraram, no decorrer dos milênios, os partidos: produziram
"facções". Portanto, é a existência do partido, não a sua respeitabilidade,
••
)
)
mo também sua preocupação era mais ou menos igual à de todos os seus
predecessores: os partidos não deviam ser facções.83 Em 1888, James
13ryce fez. em seu American CommonwetJlth (A Comunidade Americana)
que é necessáiiO explicar.
••
)
)
uma ampla descrição de como as máquinas partidárias funcionavam nos
Estados Unidos; sua contribuição teórica não foi, porém, muito além da
afirmação (em 1921) de que ''os partidos são inevitáveis. Nenhum país
1.4 Uma racionalização
Podemos fo rmular, então. a seguinte pergunta: que relevância têm hoje os ••
)
grande e livre passou sem eles. Ninguém mostrou como o governo repre-
sentativo potll!ria funciona r sem eles".8 4
. Até a Primeira Guerra Mundial, os <lois autores que se ocuparam es-
antecedentes? Por que remontar às origens? A resposta é que o passado
constitui o mapa original, a planta das fundações. Com o decorrei do tem-
po o edifício cresce, e as fundações ficam encobertas . .b por isso que, de ••
)
pecificamente da questão do partido foram O~rogroskiss e Michels.86 Apc- tempos em tempos, é bom voltar o oUiar para a planta original. Entre ou-
••
)
)
••
) ti
-A
) 46 PARTIDOS E SISTEMAS PARTIDÁRIOS
) O PARTIDO COMO PARTE 47
wis razões, acabamos por nos envolver de tal modo com sutilezas que per-
demos de vista os aspectos fundamentais . Raramente perguntamos: por n:is parte d.e si mes.!11ª· .b claro que os partidos podem ser disfuncionais
qué? Qual o propósito de um sistema partidário? Os partidos surgiram r"azão pela q~al também são passíveis de forte crític:a, m_3$ .!J!O daquel~-
porque havia necessidade deles, porque atendiam a um propósito. Ainda quc se aplica às facções - a falta de justificativa funcional.9 3 -
servem a esse propósito1 Se não, ou se estão sendo usados com outros Se -os partidos nao são facções, seria errado esquecer,por outro lado,
objetivos, devemos deixar isso claro, pois não está claro. Viajamos cada que f~am, por longo tempo, precedidos pelas facções e que a razão da
vez mais pela sempre crescente selva das estruturas partidárias sem saber fa_~çao -_::~<: do part ~do - ~ser simples e vigoro~a. A advei tênciaque- isso
realmente onde começamos, e muito menos para onde vamos. .,, rep~se~a e_a de que os parndos bem podem recair em algo que se asseme-
Há cerca de 150 anos, os partidos se comportaram e se desenvolve- 11~ a um~_fac!_ãº: Nesse sentido, o faccios!sm ~é a- sempre_p!_esente ierrta..:·
ram muito mais como uma prática do que como uma teoria. Por isso, entre t º a~ ~rganizaçao R.artidá ria e para uma _?eg«:._neraçª~_çmp.r~p_o~íveL
outras coisas, a mensagem tende a se perder. E pr:_tendo que taJ mensagem ontribui para explicar não só por que os sistemas partidários falh~
possa ser recapturada e a justificativa da era do partido reconstituída :: .. e desmoronam, mas também por que o velho tema do horror ao faccio-
sismo pode, de tempos em tempos, ser revivido na censura ou mesmo na
embora apenas em seu arcabouço - ~ base das três premissas seguintes:
) 1. Os partidos não são facções. --- ~ rejeição aos partidos. 94 Contribui igualmente para justificar a repetida
exigência de uma democracia sem partidos, direta. 95 A distinçao real entre
·\ 2. Um partido é parte-de-um-todo. partido e facçao pode, na verdade, tornar-se sutil, mas precisamente por
. 3. Os partidos são canais de expressão. isso deve ser mantida conceitualmente firme. Quanto mais os p artidos se
(i. ; gs partidos_ não são facçõe~, i~!S>_é, s.e .o partido 11.ão for_diferent.e co~portarem como ac ões mais impO[l:.ênte seráêõmpieêncferqueno$$;
d,a facÇao, n~~erá_ ~m partid9-Ji:n~_lLll)_ª_Jaç_ç_ão). Ess_a gi,stinçao é con- êfítlcã"e 1rigida menos contra é),_jdéia_ dQ .I?EJ}do_do que contra sua õe-
.&cneraç~o em facxões. -- - ·
servada aj,!1_9_a E.<:!ª_f!l_a!oria d~s l íngua~-~~~.m._dúv i d.a_ ~eu uso é comu.!!1. 90 Os
2artidos são critica_dost ~m freqüência, mas não são um mal por definiç'ãõ.- ~Um partido é par~~.!!1 todoj §emanticamente, "partido"
A facção tem sem~pelo meiiOSíiaTinuaêffiTomum uma-sígn°ifieãÇjõ transmite ..::.-taeve lransm1f1r - a idéia de parte. Essa associação cfiama
pejQtati\~a,_e_asJacç.ne.s....são um mal..._O~J?artidos - diz-se com reqüêll9l1 i;ossa atenção para uma hgaçao sutú entre um.JLP-arte e seu~ O todo
- são uma necessidade. As facções nao são uma n~essipa_de, simplesmente p~de ser concebido monoliticamente, ou organicament~ isto é, comõriiõ'
exis~ç_m. Ao que tudo indica, a palavra "facçao" na-o perdeu, na Jingua~ sendo com12osto <;!~ partes. Isso, porém, significa apenas que nao temos
habitual '. sua cono~açãa....ori~u seja, a de que é apenas a expressão ~azão para nos preocuparmos com as partes (e partidos). &1as se nos ocupa-
de confhtos pessoais, de um comeortamento auto-referido e q~ignora o mos daquelas partes gue são partidos, a il!!Qlicaçã'o é a ae que estamos exa-
p~ Nas palavras de Burke, a luta facciona! representa apenas uma luta minando um rodo pluralista. E, se a formaçao política é concebida como
m~squi~a e interessada por cargos é-erriolumentos.9. - - -----~ l!m todo pluralista, então o necessário é um todo feito de partes no plural :
t certo gue os membros dQS...p.a.ól9oj nao~ão altruístas, e a existén- um todo-de-partes, resultante na verâaóeCfo JOgo mútuo de suas pa~tes.
~ia ~e -~~!J.QQi.nã~nüna, de mo?~ ªlgurn., as.motivações egoJsta.§._~­ Isso equivale a dizer gue o todo nao pode ser idenHficado com apenas uma
~;ueulõsas. As motivações dos pohhcos Pl!:.ª a busca do poder continuam patl.e.._Nesse caso, uma parte não é uma ,E!rt~m tQdo...nML.é um tod-o.
cons_tantCJ_. O gue varia são o 2rocess~l!_tqj_~~_lirrii~açoe~ im?ostas a tais . S._: ~errac!_o ~eg.!!._genciar ~ssoc~o ~ ~ ~e_e o p-ªJtid-9.i_!~
mottvaç~es. Me~m~que o político Q<!.Gidário s~a motivado pelo-interesse be_i_:i,_ sena b~:tan ~ - errado, por outro lado_,_c..QD_sjd._eJjlr o partido corrto
pesso~ a penas, seu comportamento deve disfa!:_çar:. se as rest ~9efaõsis- um-ª...parte~m relaçao com o to d.2·-~~-yanido n~~~_parte :3P~
te~a L~.re ~ ~~rati_yas - taJ...m9tivaç:to. A difere,!:!ç~ está, então, em que Ql' gpVJ!J!!ar e_m_J~n_çãO dó todo , iStO é, tendo êrrÍ vista 0 interes_se g~raj,
'
" ,. • ) ~S partidos S:lO instru~~l]tOS _ das vantage_!1S COietivas, de umfim que_nfo, enta-o não dife~<L de umafacÇã~ Embor_ã um partido- sÓrepresente uma
-~ , e apenas a vantagem pnvada.QQi.COmpe!idQI_e~. Os.partidos lig~ ~povo a part!, ~~~parte ~~veadotâr Ú~bordage m-não-pard'ãrdõ tod~ ·-
l. ~n:_ gover~lO~façções _12,?p. Os 1?..artidos estimulam uma série·« possib! Reconhecemos que "servir aõlõdo" { vãgõ-:-genérico. Mas a genera-
,, hdad.es 9~-~~~~~~ as f!cç.Q.e2_l)ã9_._ Em suma, os partidos são instrumentos lidade de um imperativo pode igualmente fo rtalecer sua aplica.bilidade ge-
fu_11c!~ na1s, -:..~rve~1 a obje~ivos e d~~emp~_ri,ha.ai p_ape!s- - ~s::S.ill~s ral , enquanto o imperativo for significativo ou puder ser especincado de
nao.. E 1~s~ , emuTfima analise, porque um partido .é parte de um todo maneira significativa. Também se pode admitir que o interesse geral, o in~­
q~e procura s~r a~~_'.:ropós_it~s desse..To~o-;- ao .PasSõ que a facÇa'o é ápe- resse púb,lico,_ o bem comum, e símbolos normativos semelhantes não.-
tenham padrões objetivos.9 6 Mas não se segue a conclusão de que sejam
) 1'Hfl TIDOS E S/STéMAS PAR TI DÁ RIOS O PAfiTIOO COMO PARTE 49
).
..·:ipk, p.:ç:1s Je r<'tóri<.:a ou que ind iquem apenas qu:J.l pos:.a st:r o objcti•:u te, suas princip:.iis ativi<l:lues pudem sa mencionad;is como uma função
g·:r.ú Jlls puliti;;o,. 97 O fato de os pa<lrões serem rel:rnvos e subjetivos não re;resent:Jtiva e uma funç:fo expressiva. 100 ~las m1nh;i 1infase recai sobre
) : r qiii~..1 su..1 1ne~istência . 98 r\dm1tindo-se a existência de muitos públicos a última. '
_. d.: muuos interesses pú blicos, cuda un ueles pode ser dis1ingu1co dos :\ noç:fo de representação enfrent:i, ..:om rela.;io :.ios partidos, duas
i 11 1eres...:s p:irc:..:ularistas e privados, e a tles contraposto. :i qualquer mo- <lificuid:ides importantes. Em pri meim lugar. o ..:oncc1to recebeu muito de-
r:ti.:r11 •J. O que: ..:ons<itui o interesse ger;il é sempre discutivel, especi:ilmente senvolvimenco té.:n1co, e estaria for:i Je propoíções, bem como sena exigir
porqu:.: t.hscutunos o que é mais <lo interesse geral e de qual públiêo. ~l a) Jema.is do ieicor. relacionar essas complic;ições com o tópico tlo partido.
) pmk·se dcmonscr:ir sempre, fora de qualquer dúvida, que algumas coisos Embora n:io exista expressão sem algum:i capad<ladt! de representação,
) 1: :o cu111ribuem para o máximo bem-esrar coletivo de nenhum público. mesmo 1mprt!cisa m~nte concebida, é bastance comrovers:i a possibiiid;ide
que ndu são do interesse gc::ral (qu:tlqucr que:: seja a delin1ção deste). Isso ue que OS partidos representem OS S;!US eleitores (e não Os .;,,;us membros).
) porque co<la quescão tem soluções que s_ó beneficiam :l uns poucos. quancl?i Em segundo iugar. e o que é ;iinda mais importante. a repr..::.t:ntação é pt:r-
} não a uma úni..:a pessoa. em detrimento de muitos. Os benefícios colcti· feitamente concebível e possível sem parcidos. Na verdade, a teoria da
vos não surgem gratuitamente e por si mesmos, mas os não-benefícios cole· representação não se sa i bem quando precisa alojar os. p:.irtidos. 101 Por am;
) tivos. os danos coletivos, estão sempre nas imediações. O bem comum, o bas as razões,__p_O!tan_t9. a funçã<l representativa dos partidos_d~flciln!ente
interesse público e símbolos deonrológ1cos semdhanres só podem ser rcjei- pode ser destacatla como a úialUi1Ção principal~ ca_racteristica. -
\ Outra possibíllclade seria ;i- de fálar -de "função de voz· ' e considerar
t:.idos se, e apenas se, pudermos demonstrar que não têm peso na motiva-
) ção hum:!Ila, que lhes falta uma realidade de comportamento. Enquanto os partidos como c;inais de voz. A sugestão é fe ita no brilhante tratamento
isso 11:.ro for feito, devemos ter presente que as possibilidades de uma co11· analítico que Hirschman dá à expressffo. 102 Não obstante, "voz" é dema-
core.lia cliscors, de um ~quil ibrio en tre u1úão e separação. giram em torno siauo amplo para nossos objetivos, pois também se pode :iplicar. entre ou-
l da eficiéncia do imperativo que exige que a "parte" vencedora seja .. im- tras coisas, a manifestações, motins e uutras maneiras de fazer-se ouvir. Os
p:irciaL:', que governe para todos e não apenas para si mesma. partidos pouem ser considerados, portanco, como 11111a das numerosas, e
> ~ O~_rtidos s~o, canais de express~to é, P._ettencem, em prim~i­ muito diversas, maneiras e mouos de expressar uma "voz.".
) ro _l!Jgar e principalmente aos meios dflêflr.ese.n.tação~~o, -~ ud os artidos são instrumentos de ex ressão ue dcsem-
otÚ:!!lliL.agência,..de re,presemação do povo, exp_ressanda s_ua:u.cill.indica.- pçnham uma função expressiva. r~cura-se 1zer. com jss_o..,..q.u.~s partidos
) ç~9 Ao se desenvolverem, os partidos não o fizeram - durante todo o podem ser melhor vistos como n1eios de comunicação - e talvez sob au~i­
) século XL'< e até boa parte do século XX - para transmitir ao povo os c!os cibernéticos. M~ha ~.Q_da Cunção e»<pressiYa, porém, na.o yig__ª~ ­
desejos das autoridades, mas antes para transmitir às autoridades os desejos nas ao sentido literal de que os partidos são correias transmissoras, no sen-
) do povo. Isso não é afirmar que todos os partidos expressam e representam tj~o-~c~nden~e. das pretensões...e rei./iilciicaç.Qe~. São maiS do_q_ue isro.Je
) sempre. Estou dizendo apenas que os partidos que são panes lno plural) os p~ como instrumentos de exe_ressã<?_, se lin1ita~~m a "tra~1smitir
encontraram sua razao de ser essencial e seu papel insubstituível na imple- informações", seguir-se-ia entã_g _ql,!e_sua época passou. Eles bem poderiam
) ment.iç:i'o do governo representativo e sensível. g importante ter presente s~0ub5tiwíaoSpõrpê~ de opinião.levanta_mentos ~-~~nio a ~e_cno::­
) que essa evolução foi em grande parte natura!, ou não planificada. Os par- lqg~ jâ ~rmit.;:_- eel~s _e~ei:!_o~~ãos, s'enta~o~ em seus termin~-~
ti2.?s tO_!:.ll~·Se os_meios de eX!U~juntamente COm O processo aa~ computa<lor~s ~ datl!Q.gratando, para o exan· ~ process~9 pela máquina,
) democratização da poi ítiC_J . Ao mesmo tempo, o governo responsávertor- s~:1s 21efcr~pçi_as._e...p~1.samç_nJ.o~spõl íticõs. M~ os (?Urtidos oferecem algo
) nou-se '"sensivél" prer.:is;irnente pÕr-qüe os partiJus ofereceram os~s _que nenhllifla _màqu.in;L.Qu_ ~q_uis-ª-.de opini:io pode oferêcer: tr~ · !iíltem
para -a ·ãrtículãÇão,CõmunicitÇ~o e T01 pJL' ll\~ tação dàscfe~na"°iidas dos gÕver- P\ !c.ivi~cfícãções apoiar.las por pres!iij_~~. _9 pa_r.t ~do t~nça sêü própn1>pcSõ
) n~ifo~ Foi'. ~ncãu. ã_p~qgu.:ssào cumulatLv<:Le_auto ~ u_steotada _da f11..:Çã2 nas reivin<lkações ague se sL·nte obl:_iga~ faze r eco. E 0!nha noção~
para 0 parudo, do govEls..1.10 responsável para g go_veroo s~nsível, e do p~rti · )~~ção :xprcssiva deve ser compree11u1da com essa observ;ição. Corno disse .
j
<l~ p:s_rl :lii1..:nt~ P.;ica o partido cl~ilorfil;glie illabc~-~-~_u a fur!ç:T9_ fu!!_d~- ~:l.~ ··os pãrtidospol"mccs<Jõ ínsTifUi ões basicas para ã fiãaução das .e!..:-
) 111..:11L;d!. o_papel funci_oQSll ~ a ~l_u~ç_;IQ_~ i H~ r!}_
á cLça _g9~- partiu os :- cn.1 sum.:i. º
_ IlQ ltlc:AL.12ill;iliQ S". 1 3 Da mesma forma, um ·1utor
!~1~ias .a m:is..fil_ÇJTl
atfü.il ~ ~l_!ll~!J.~~ servem os P!trtidos,. . muito diferente. Sçjgtbchneider, L' ·L·larou que "o C:!li <!.Qli.E..~!gani~- .
)
rah!1, ate agora, de partidos, mais ou menos indiforcn,emente, como ç_~o3~poue trªduzir ..:m fato a ~t!_~govCJ!lQ...!]!!joritário_é -~~~
J (i) agências representativas e (ii) instri1me11to.- t'.xpressivos. Correlativamcn ·
---- .-
político·· .1o4 Ambos pen~:.ivam, ao que me parece, na função expressiva.
----
.. ) 50 PARTIDOS E SISTEMAS PARTIDÁRIOS
,. )
J)izendo isso com outras palavras, minlrn função expressiva é um rótulo -
.. )
a melhor abreviatura que pude encontrar - para aquilo qu·e eles pensavam . NOTAS
.) Perdura a objeção de que minha reconstituição ilumina apenas meta-
) de do quadro. O,t partido~ ~ão ~~~res~tlm_!penas, eles também canalizam.
• Nas palavras de Neumann, o~ partidos "~ganizam a caótica vontade públi-
.. ) ca". 'ºs Também agregam, selecionam e, em certos casos, desviam e defor-
- mam. lssÕ realmen 1é Õcorre~Eao.bjeÇãÕ pode ser reforçada afirmando-se
) que mais do que expressãfê refletir a opinião pública, os partidos a mode-
.. ) lam ê, õã verdãde-: manipulam. Tãnibémsepode admitir isso~ com exceÇãô
'cto .. mais'~ Eu aceitaria !l_P~as _que os·parti<:!os_rªm9,ém fÇ).[JTlam e_ ma!'!_ip~­
.. lam _a_~jjõ';_-Os dois lados da moeda J expressão\r~pulação difi- .f
. ) cilmente podem ser tratados como equivifentes. A,9miti~_<U!,e_fil_p-ª!:.
J. O artigo de Voltaire é sobre "Facç5o" (Edição de Genebra de 1778 da Encyclo-
pédie, vol. Xlll, p. 7·65). Mas o artigo sobre "Vartido" diz: "partido é uma fac·

.. }
.ti dos~ja~n.:! canal_d_e._c.om.Jluka.ç-ªº-1.los dois sentidos, disso não se segue
que sej2m um canal de transmissão descendente na mesma memdãein'Cfue
cprntTtuem uma_cQueiLlransmissora ascendente . Há manip.ylª-.Ç!2__e mani-
ção, int eresse ou poder (puissance] considerado oposto a outra"; e um dos
exemplos dados é o de que a "Itália foi dividida, durante séculos, entre os parti-
dos dos guclfos e dos gibelinos". t um círculo vicioso. As citações também se
..) encontram no Dictionnaire philosophique de Volta.ire.
pÜlação: e enquanto· os partidos_f_~arteúruLpl.J.u:all., um sistemãpãf-
. )
'!'
tidáriÕpresta-se à expressão vinda de....baix.o m1iit0 mais_dQ._gue à manipula-·
çã'o feita de cima....J3em pode ocorrer que o povo não tenha opiniões próprias,
2. Ver , em geral, Sergio Co tta, "La nasci ta dell'idea di partito nel secolo XVIII",
em A1ti Facoltd di Giurisprudenza Universitd Perugia , LXI , Cedam, J 960; Erwin
Faul, "Verfemung, Du ld ung und Anerkennung des Parteiwesens in der Geschi-
"" oú que suas opiniões sejam em grande parte formadas pelos que influen· chte dcs Polit ischen Denkens", Politísche Veirteljahereschrift, março de 1964,

~
J
ciam a opinião pública. Essa circunstância, porém, apenas confirma as pro- pp. 60-80; Mario A. Cattaneo, li Partito Polirico nel Pensiero dell'Illuminismo e
""" porções nas quais um impacto manipulador multicentrado e entrecruzado, de/la Rivoluzione Francese , Giuffrc, 1964; Harvey C. Mansfield Jr., Statesmon-
ship and Party Governmenr: a Study of Burke and Bolingbroke, The University
difere de um tipo de manipulação unicentrada e auto-reforçadora, indican- of Chicago Prcss, 1965 . Cotta é particu la rmen te relevante para Maquiavel, Mon-
do com isso que a verdadeira manipul~ção, ou a "manipulação repressiva", tesquieu e Bolingbroke ; Cattaneo focaliza ' os protagonistas da Revolução Fran-
surge precisa mente quando o pluralismo partidário desaparece. cesa ; Mansfield concen tra-se, apesar de se u título , em Burke. Também me pare-
J !: um paradoxo perturbador o de que nossa crescente busca de preci- ceu muito útil, para o ambiente constitucional geral do debate sobre o partido,
Marie Galiz.ia, Carat tere dei Regime Parlamentare Inglese dei Settecento, Giuffé,
.,) são e de medjda tenha paralelo em uma crescente indiferença pelo peso das 1969.
) palavras e em uma imprecisão crescente na sua escollia. Isso toma ainda 3. Machiavelli, Discorsi sopra la Prima Deca di Tito Livio, 1, 4 e 7. A diferença é
- mais necessário começar do que é fundamental, ou a ele voltar. Dizer que que os romanos tratavam os "temperamentos" pelos "meios ordinários", en-
_) um sistema partidário é um sistema pluralista de "partes" que "expressa" quanto facções e sei tas evidenciam um recurso a "caminhos extraordinários".
4. Considerations sur les causes de la grandeur des romoins et de leur décodence,
) vigorosamente a opinião dos governados deixa muita coisa por ser dita - cap. 9. ·
../
admitimos. Mas é a premissa que dá perspectiva e proporção às muitas coi- 5 . Ver l 'esprir des lois, XIX, 27 (ed. Garnier, 1949, t. 1, p. 16). O trecho signi-
_,1 sas que ficam por ser ditas. ficativo quanto a isso está, porém, em Lettres Persanes, CXXXVl, onde Mon-
tesquieu observa que, na Inglaterra, "vê-se a liberdade surgir incessantemen-
_) te das chama s da dissensão e da sedição". Mas não há nenhuma referência a

_) 1
;
partidos.
6. Livro X l, cap. 6.
7. Ver, por exemplo, Pensées, l 802: "Dando a liberdade, com freqüên cia, o rigem
J ti
·; a duas facções, a facção superior é 1mp1cdosa na explotaÇão de s uas van1agens.
J "''' Uma facção que dom ma não é menos terrível do que um prín cipe em fúria ...
Ver ta m bém Pensées 63 1, 1816; e L 'esprit des fois , 111;:3.'
) 8. Autor importante, pois j á em 1701 John Toland ha.via. pubücado sua Art of
Governing by Partys (observe-se a ortognifia) . Sua posição ena seguinte: " As
) divisões devem ser cuidadosamente evitadas em todos ·o~ bons governos e um Rei
jamais poderá rebaixar-se mais do que c hefiand o um Partido; pois com isso ele
) se toma apenas o Re i de uma facção e d e ixa de ser um pai comum de seu povo"
i
)
51
)
)
)

)
) 52 PARTIDOS E SISTEMA S PARTIDÁRIOS
NOTAS 53
)
l µ. -+. 1 l. Par:: o~ prune1ros <?>e ritos. e os m•:non:s. \<!r C'a rol111e Robll1ns. ··om:orJ ·
) ant ,>ar11cs: a Siudy of the Accep tant:c: of Party by rll e Enghsh me n'' PSQ <.J ·- 22. O/ µarries in gmeral, cm JVorks. 111, 58.
zcn1bro t.k ! 953. pp. 505-529. ' ' "' 23. /bid.. pp. 59-65. Grifos no ongma!.
) Q. Tite iciea o/ .i_P:itr1ot l::i115 (li J:i). em Tl:e h'orks oi Lord BolÍ'lgbroke louc •ll~· 24. Por exemplo: ··se o governo bn t:lnit:o fosse proposto como objeto de especula-
remo~ co~10 •l'or\sJ, C-Jicy e flan.-+ vcb., l"ila<ldf:J, IS-! 1. vol. 11, :i . iu1. To- ção. veríamos nele, 1mcd1at:ime n1e. uma fonte de tlivtSào e parudo, que lhe seria
) d:.i, a s rclc rcnc1as ;:Io a css:i ed 1t;ão. Ver tJmbém em 1b11i., p . .J01: "Os pamd o~ . qua~c 1m pos~ível (... l eV!tar" (Of tlie pareies in Great Brituin, em IVorks, p. 6 7.
mesmo ant.:s de dege nerarem cm foc.;õi.:~ absolutas. au1da são números de ho· grifo meu).
) mens J >\OC1 atl os para ... erros obj.:uvo~. e certos 111tercsscs. yuc não ~Jo ( .. .J o~ 25. Como John Plamcnarz n:ssalta. <1<.:ertadame11te, ··como íilósoro. como cp1s1emÓ·
d~ c~mun1dade com Oulros. Um m1eres.c m:us privado ou pessoal su rge scmpr~ logo. Humc rc.:i:beu o q ue lhe era devido. (. ..) Como teónco social e potlttco,
) dt.:n1a s1ado cedo 1. .. ) e se roma n~!es prcdomman te ( ... l mas esse partido ji não lhe foi fc1t:i justiça" (Man and Society, McGraw-Hill. 1963. 1, p . 299>. Em
se torn ou cn tão uma facção." sua críuça da teoria dos parudos de: Hurne, por~m. Plamenatz pratica certa mjus·
) tiça contra o autor que analisa (ver espec ialm ente pp. 320-324) ao não perceber
10. A f?issertarion upon Parties ( 1733-17 3-H (daqui por diante eirado co mo Disser-
ta1io11 ) C:u:ta V, cm l\lorks. v_ol. li , p. 50. Ver também Cana XIX, p. 168, onde que ele falava, na realidade, de facções, e não dos partidos :1 base dos quais Pia·
) menatz faz ~eu julgamento.
Uolmgbr~kc obse rva que a d1tcn:nça entre partidos só é •·real" e njo ··nominal" .
quanJ o e uma "difcrenç :i de prin cípios". ' ' 26. Thoughts in tire cause o/ the presenr discoments ( l 770), em The JVorks o/
)
11. Dissertation. dedicarion, em Jllcrks. vol. li, p. L l. Edmund Burke, Boston, Little. Brown, 1839 (cm 9 volumes). 1, pp. 425-426. Os
) 12. Scgundo suas palavrJs. "os dois part idos se h:iviam tr:u1sformado em facções números das p:íginas referem-se a essa edição.
no scnudo rigoro~o da palavra". (Of the srate o[ parties ar tire accession of King 27. lbid., p. 426.
) Ccorg the Firsr. cm IVorks, vol. li , p. 433). 28. lbid., p. 430. Ver também p. 387 : "O partido da corte reduz o todo a facção";
13. Disserratio11. Cam 1V. cm hlorks, vo!. li , p. 48. Observe-se rnmbcm a semellwn- e p. 421: "!Os homens do ReL estão ] mais in teressados nos emolumentos do
) F' corn llurke em rebçfo à famo5:i definição que este deu da representação cm que nos deveres do cargo".
seu Aúdress de Unst o l (infra , nota 75). . 29. lbid., pp. 421, -'24, e passim.
) 14. Disserratio11, C:u:ta XIX, em Works. li. p. 167. 30. lbid., p. 428.
15. h>o lem bra o argumento de Hob bes cm favor do Levia tã mas tam bém a ditadu - Jl. Harvcy ~tansticld Jr.: •·P:u:ty gO\'Crnmcnt and thc settlcment of 1688", APSR,
) r:i tio prokr aria~o <lc Marx: o prolctariatlo toma o poder para a~abar com o po- dezembro de l 964, pp. 937, 945. Sobre os partidos ingleses do século XVIII ,
der. e toma o 1-.stado para .. ac..ihar com o Estado. Nas palavr:is de Bohn.,brok • Lewis B. Namicr é a fonte fundamental. Ver especialmente Tite Strucrure of
) 1 d .. •
um paruuo o pais e ··o ultuno partido", o partido cujo interesse é "destruir
o e,
Politics at tire Accession of George Ili. 2~ cd., St. Martin 's Press. 1957, e tam·
) 100,a dcsculpa futura para o parudo" Cem Gali21a, op. cit.. p. 31). A diferença bém seu Monarchy and tire Party Sysrem, Oxford Univcrs1ty Press, 1952.
esta, naturalmente, em que o partido do país de Bolingbroke era um instrumcn· 32. Note-se que não estou deixando implícito ter llurke, na realidade. concebido um
to defensivo, e n;fo ofensivo. governo pelo partido. Sob esse .ispecto. discordo da tese principal de Statesma11-
J 16. lvorks, li, pp. 11..:? 1. ship and Party Government, de .Mansfield, op. cit.
) 17. Alé~1 d~ dois e;cntos princip:us (A Disstrtarion 11po11 P!lrries e Tire idea of a 33. Como este capítulo mostra. não h:í maior uulidadc. e pode induzir a erro, falar
patr~ot k111g), que cobrem o período 1733-l 738, e do ensaio Of tire state of a sério de "partidos" gregos e romanos, ou dar esse nome aos guelfos e g1bclmos,
) pomes ar the acc~ssion of King George rhe First (cit. anteriormente), devem ser e mesmo aos Level/ers. • Os partidos do século XVl!I eram, na melh or das hipó·
cons_ultados tarnbem .The Craftsman (Caleb d'Anvcrs, cd., a part ir de 1726), teses. protopart1àos. Regredinà o ainda mais. encontramos os ancestrais dos an·
) parncularmcnte os numeros 17 e 40 (17?7) e as Remarks o/ the History oi cestms. Enlre os porta-vozes destacados da opinião contrária, cf. George H.
England ( 17 30). partt culanncn te Cartas VIII, XI. XIV e XXII!. Sabme, A History of Politica/ Theory (Holt, Rinchart and Winston, 1951, cap. 24)
) 18. Parte ~·Ensaio VIII: "Of pa.rtics in general", p. 58. Os éssays, Moral, Polirica/ e Leslic Lipson, Tire Democratic Civilization <Oxford Un1vemty Press, 1964,
and LuerarY_. ~e ~fome, ~stâo divididos c:n Paite l (1742) e Pane li (1752). pp. J07, J 17). Ver também infra. 1.J, Max Weber e nota 8 7.
To<l~s as rctcrenc1as a paginas são do vol IIl de The Philosophica/ Jlforks of H. Isso é bem documentado por Cattaneo, /l partito politico nel pensiero de/l'llu·
David Hume (citado como IVorks), ed. de Edimburgo, de 1826. em 4 vols. minism·o e della Rivoluzione Francese, op. cit. Embora se ocupe de um proble·
19. º!~~e ~o~lition parties, Part li, Ensaio XIV, cm IVork~, III, 358. A diferença ma diferente, encontra-se abundante documentação sobre lSso em J.B. Talmon,
) parçcc es tar cm q ue Hume abandona a quimera do "Rei patriota", versão com- The Rise of Totalitarúin Demccracy (Bcacon Press, 195 2). Ver também Yves
~.11uc1oi:al..dc Hohngbroke do déspot:i esclarct:1do e dá ênfase a uma soluç:lo d~ Lcvy, "Lcs pa.rtis ct la démocratie", le Contrai Social, 1959; n<? 2 (pp. 79-86)
) coa~1zao • n~ ~ahdade de co:ilcscência, entre p:irtidos. A d1f~renc;a. porém. é e n<? 4 (pp. 21 7-221 ); e "Police and policy", GO, julho·setembro de 1966, par-
so b~~tudo de cnfase. pois Bolingbroke também defendeu uma "coahz:io de parti- ticularmente pp. 490-496. Levy exagera, porém, o impacto de Rous)eau, que
) dos (ver IVorks. li, 48, 438}. simplesmente rcafümou, cm sua condenai;-ão dos p:i.rtidos, a opinião estabelecida.
20.
21 Of~
tlze parries ofGrear . Britain • Parte 1• Ensaio IX • em h'orks• Ili • 7 -' ·73 . 35. Todas as citações são extraída s de Cattaneo, op. cit., pp. 84. 86, 89, 95-96.
) · o que oc~rre _µarticularmente cm Of pareies irr general (Pane I. En<:iio V II!) e Alguns autores falam de um "mO<!elo jacobino". Por exemplo, C.B. Macpherson,
)
?I ~Jre ~ar11es 111 Creat Britain ! Parte 1, Ensaio IX ). mas tamb~m no~ c:ns:110,
anteriores li.a ~art.: 1, Thar policies may be reduced to a science (Ensa io III}, O[
the fvs'. pr'.nciples of govemmenr (Ensaio IV) e 0/ the independence of Porfia . • Ratlica l que , na Inglaterra do século XVJ!, defendia reformas constitucionais
) 111en1 <l~nsa 10 VI}, onde a crítica é dirigida aos "homens do partido". e económicas profundas. hb.:rdade de culto e separação entre a Igreja e o Estado.
tN. Jo T .l
)
54 PARTIDOS E SISTEMAS PARTIDÁRIOS
NOTAS 55
.:m ~ua obra Democracy in Alberta (University of Toronto Press, 195 3 , pp. 241-
242). diz que, de acordo com os j:icobmos. deve haver "'um único partido de 50. Portanto, o argumento de Talmon de que os pais da democracia do século XVlll
m~sa que, abarcando todos os verdadeiros democratas, transcenda o p:utido". postulavam um mundo que levaria ao que ele chamou de '"democracia totalitá·
Isso parece ser uma leitura defeituosa. Não se trata de nenhum "partido de na" é um argumento reconstituído. Se levarmos em con ta a motivação real dos
m:bsa", e Robespierre apenas repetia Bolingbroke, embora sem o saber. Cf. essa pais da democracia, não havia objetivo totalitário em seu espúito. Etan1, tam-
declaração em Le Défenseur de la Consrirution (nC? 3, maio de 1792): "Restam bém el~s . 1nd1v1dualistas que se revoltavam con tra a Idade Média.
apcn:is dois p:utidos na República: o dos bons cidadãos e o dos maus cidadãos, 51. Implicitamen te, minha argumentação é análoga :1 experiência mental de Max
isto é, o do povo francês e o dos indivíduos ambiciosos e ávidos". A idéia de um Weber em relação à ética protestante. We ber mos trou que os "fatores materiais
modelo jucobino. é desenv.~lvida p_o( Feliz Gross em "Beginnings of major que poderiam ter causado ·o capitalismo também e xistiam na fodia e na China.
pat1erns, of potiu~al p~.rt1e: (// Pol1t1co , 3, 1965, pp. 586-592), mas seu argu- enquanto que a Wirtschaftsethik não. Da mesma forma, n:io é a diferenciação
mento e uma rac1onahzaçao ex post. Durante o século XIX, a Europa conti- estrutu1al como um processo endógeno e material que pode explicar o sistema
nen t;i l voltava-se p:ua o modelo britânico; e,_ se o resultado foi com freqüência de crenças plurahsta. Para Weber, ver Gesammelre Aufsarze sur Religionssozio-
b:istante diferente, isso d1ftc1lmente se deve a influência de modelos intelectuais logie, 3 vols., Tubingen, 1922.
allern:itivos.
52. Edward A. Shils, .The Torment ofSecrecy, Heine mann, 1956, p.1 53.
36. Ver Catt:meo, op. cir., pp. 75-77. 53. Frcderic J. Fleron, Jr., mostra isso muito bem:" ... a conexão entre moderni-
37. The Federalisr, n'? l O. zação, desenvolvimento, diferenciação, divisão do trabalho, inâustrializaç:io,
38. Sobre o contexto geral, ver a brilhante análise de R.A. Dahl, "Madisonian demo- democracia e pluralismo" tende a ..estabelecer-se mais em termos de dcfmiç:io
cracy", A Preface to Democracy Theory, The University ofChicago Press, 1956, do que empiricamente", isto é, em termos mútuos e não como "conexões regi-
pp. 4-33. das por leis entre o s processos denotados pelos conceitos" ("Toward a Recon-
39. O Farewel/ Address (Discurso de desped ida) de Washington é datado de 17 de ceptualization of Political Change in the Soviet Union", CP, janeiro de 1969,
setembro de 1796. Ver em Documents of American History, 5':1 ed., Appleton, p. 234. )
1949, 1, p. 172. Os grifos são meus. 54. O auge dessa extensão confusa pode ser encontrado em Leo Kuper e M.G.
40. Supra, n'? 19. Smith, orgs., Pluralism in Africa, University of California Press, 1969. Trata-se
4 l. A sem~lhança entre Jefferson e Bolingbroke é notada por Mansfield Jr. Stares- de um asp ecto do efeito boomerang discutido na seção 8 .4 . . .
m~nsh1p and Party Gove'Tl'!'enr, op. cír., pp. 113, 196. Mais geralmente, ver 55. Para uma visão geral , ver John W. Chapman, "Voluntary assoc1at1on and the
William N. Charnbers, Pol1t1cal Parties in a New Nation: The American Experi- political theory of pluralism", in J.R. Pennock e J .W. Chapman, or~:· Vo_lu~­
ence 1776-1809, Oxford Universi ty Press, 1963, parsim, e, com referência a tary Associarion, Atherton Press, 1969, pp. 87-118. Para uma analise histo·
Jefferson, particularmente pp. 6, 92-93, 106-112 e 181-183. rica de como o pluralismo político deitou raízes e evoluiu no Ocidente nos
4 2. De l'influence dts passions sur /e bonheur des individus er des nations lausanne séculos XlX e X.X, ver Gian .Paolo Prandstràller, Valori e libtrtà: contributo ad
1796, cap. 7 . ' ' uno sociologia dei pluralismo político occidenrale, Comunità, 1966.
4 3. PrinciP_es de politique, cap. VII, em Oeuvres, Pléiade, Paris, 195 7, p. l.15 8. 56. Considero isso uma afirmação desciitiva, e n ão normativa, por não expressar
44. l_sso nao representa concordância com a opinião de que a tolerância da oposição os valores do observador, mas do observado .
e p~oduto sec~lar da tolerância religiosa e de que os partidos são seitas e congre- 57. A primeira citação é de Robert A. Nisbet, Community and Power, Oxford
gaçoes secu lanzadas. Não existe ligação direta, e a ligação que estabeleço é entre University Press, 1962, p. 265; a segunda, de William Kornhauser, The Politics
tolerância e o pluralismo. o[ Mass Society, Free Press, 1959, p. 81. Kornhauscr é também muito relevante
~5. v;r particularmente Contrat Social, Livro 11, cap. 3; Livro IV, cap. l; e supra para a que stão de como o phualismo se relaciona com os grupps intcrmediáI!os
n. 34. (particularmente pp. 76-84, 131-141), preocupação destacada em Tocquev1Ue
46. Como obser~amos anteriormente, 1.1 e nota 6, Montesquieu não reservou lugar e Durkheim. · ·
para os partidos ao delinear a constituição inglesa. Bolingbroke é ainda mais 58. Para ênfase sobre o conflito, ver Ralph Datuendorf, "Out of Utopia : tow:ud a
interessan te _sob esse aspecto, pois sua posição antipartido era tão explíci ta rcorientation of sociological analysis'', AJS, setembro de 1958. Ver também
quanto sua enfase na separação d as "partes" da constituição. Em Remarks on D.A.·Rustow, "Agreemcnt, dissent and democratic fundamentals", in Kurt von
~!1e H1story of ~~gland citou, com aprovação, e defendeu a afirmação de que Beyme, o rg., Theory and Politics , Nijhoff, 1971. Num outro espírito, Bernard
numa const11u1çac~ coi:no a nossa a segurança do todo depende do equilíbrio Cnck, "The strange death of the American theory of consensus", 1:Q, janei_ro·
das partes, e o equilíbno das partes, de sua independência mútua" (Carta Vil maio de 1972. Em geral, ver Lewis A. Coser, 171e Funcrions of Socuzl Con[lrcr,
Wo~ks, l, p. 331). E Bolingb roke interpretou-a de modo a inferir que: "as reso'. Free Prcss, 1954, e Conrinu iries i11 the Study of Social Conflicr, Free Press,
~uço:s de cada parte (.. . ) devem ser tomadas independentemente e sem qualquer 1967. Uma bibliografia maciça (até 1954) encontra-se em Jessie Bemaid et ai.,
m~ucnc1a.' dueta ou indireta, das outras" (p. 333). Th e Nature o[ Conflic't, UNESCO, 1957, pp. 225-310. DeYemos compree nd er
47. A111da hoJe , na maioria dos pa íses, os p:u1idos continuam, juridicamente, asso· bem que o texto refere-se a "conflito" rour court e não a "conflito de interes·
cia~_õe~ .pnv_:idas sem reconhecimento consti tu cional. Entre as poucas exceções ses", e ainda menos a conflitos "latentes".
notave~s esta o a L~1 F_undamental de Bonn e a Constituição Francesa de J 958. 59. A fr:ise de Balfour encontra-se em sua "Introdução" (1927) a Bageho t, 77ie
48. The R1se of Totaluanan Democracy, op. cir., p. 44 . English Consri:urion, p. xiv. Sobre o conceito de dissensão, ver as distinções de
49. Ver G. Sartori, Democraric Theory, Praeger, 1967, caps. 12, J 3, 15 e especial· Edward l:l. McLean, "Límits of dissent in a democracy", li Polirico, setembro
mente pp. 26 1-268, 293-298, 358-359, 377-378. de 1970, pp. 443-456, entre (i) inovação, (ii) discordância, (iii) desvio e (iv)
desobediência.
. ...
~ _,.. .~ .
&

So PARTIDOS E SISTEMAS PARTIDA RIOS


NOTAS Si ••
)
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vo lun tán.t" 1111u 1to cr. 1be r.1 ,, n:"d:ncn 10 na -:J , ,J .:0111t11 uc '" nJo u m;i "con·
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c;1.~t:t' tilll t:1no ~ "cnUllllc lll.: a1nhutiv.1 ', qu~ uma "<.:l n;1>c1J,i llllll~a <.:a,ta,
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.
) J{o,.;. Co:·ern111g 11'iti10111 Cunse11ws: , l n lrish Perspecrii•e, Lka.:011 Pr..:,), !9 71 .

)
.·\ J0:::H.l..1 úc v10 l ~111.u na Co!õ111bia, cntn.: ! 948·1958. é outro bom i:x..:mnlo.
t/J:jra. cap. 6. nota 8-1.)
61. l rna 1h.-1raçJo cona..:u dcs'~ .:on1.-.:p,·Ju ::ncontra-,c . por .:~~mplo. c!ll H.A.
·
nÍ!l!;H,: rll "t,•111 111c1os J" 1uud;ir a t(kiltJ,b J..: >úO.:tJI", e qu.: .1 ho1110gi:nekl.1tlc
cultural e ,o.:1al d•h mc111hro' J:i .:J,l:J "rc".;it..1 num ,cn t1mcn to tlc cxdu:.ivi-
d:i<lc" 1pp. 25!-253>. •
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P;iri;c, l'mJc1.·t". ~h111ogr;;ph Serie,, :--iu rt hwc, tern V1uvers1(}'. r\ ob":rva.;;io
ti i'~J1;1. c 1;1 t.:ri1 1Ch ;,.:c1a i,, µ,ir K.lfl Dcuh..:il . JO <l 1lcr que o "modt:!u do plura· •
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J..:v1tlo .i, "µrc"0'·' cru u da,". 1s10 l:. ao t';tto J ..: qu..: as po,içõ..:s tl.: cont1ito~ .;ão
<oi'n:p•>,t.h ~. p11 rtanto . 11.io ,.: rcforç;111L 1".\lulcipolJr Pº''cr ,y, t..: ms anel i11 1cr-
na1rvn:1I i11,1.1h1llt~" l.:.)rn J .D. Sini;.:rl. h'P. :ilml Jc 1':16-l. pp. 393-394.) P.1t:i
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l
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H. T11ougltrs u11 1/tt• C.wse of ria· Prt·si:m Discunte111s, cm Works, op. ci1.. p. 395.
Grifo, 110 1e,10. \ '.:r 1;im1Jém p. J79: "Si.:mpre ( ... )se afirmou que o primeiro
t
timid:iJc cm p:u11cular, ver o capítulo ti.: Luctan W. Pyc i11 LeonarJ Umtlcr er th:'''' do p;irl,1mc11to .: recusar-se a ppoiar o goremo atê que o govcmo estivesse
ai.. Crises and Sr:q11 e11cer in Pulitica/ Develop111enr, Prinwton Univcr~ity Prc" . 11as 111ãm ele p1tnoas q1tt! fu.~sem aceità1•eis para o P.vrn 0 11 .:n:1uant~ pre.~o-
1971. 111i11anc111 na t·orte j'ricções 11as quais a naçaà 11ão fl v.:sse conj:ança : lGn tos

.
64. A confusão cntrc um "domí nio" \rr1/i11g) sub, tantivo e uma "rq:rJ" [ou govcr· no origin;1i.t
no 1 formal (rufe) c.\.is tc cm inglJs. Pa.ra o ) igmfic:ad o c.lc "pnm:t'pio n:gu laJo r" 75. A !coriJ dc cqire,cn ta~·ào d..: lhuk c foi for111ulada no Bristol Adúress ui.:. l 774
a palavra francna é rêgle e a italiana, rego/a. · <.: foi tão 1t1 ;tJ cnlc11ditJa. quanto a \U:! id..!ia UO pa.rt1JO. ÍaJ ~OffiO O pa.rtlUO de
6.5. D.: u111 .in:;ulo uni pouco diference, a rdação entre o plwalismo e a teoria do llurk1.• ata,t:1va·\C lia fac~·io. \Ua reprc)cnta1;:!0 deu inicio :i c~a m0Jcrn;1 rom-

)
governo Ja rna.ioriJ é IJ..:m percebida por Lcon B. Epst.:in, Pulitical Part ies 111
11/esrem Democracies, Praeger, 1967, pp. l 5-18, 357-358. O que dis)emos acima
não nega que o pnnct'pio da maioria tamb~m cnconua seus lim1t1.:s e suo. limita-
ç;io na in tcn~idade di:sigual das prcfc:r~ndas (ver G. Sartori, "Tc1.:nichc Jc cisio-
nal i e sistema Jci comitati". RISP, l , 1974, e "Will democracy kill dcrnocracy'!
Dc1.·is 1on-rnaki11g by m;ij o ritics and by comrnittccs", GO, primavera de 1975).
pendo com .1 no<;Jo mctl i.:val de maaJa. to. V.:r meu am:;o "Rep~es.:nt~tional
w~icnb", pu1Jhc:;1tlo na f111ema1io11al E11cyclopedia of riu: Social Sc1enc.cs,
.\la,;mill:rn e Frce l'rc-;;, 1968 , XIII. pu:icularmcnte pp. 466-~68. Cf. Hcmz
Eul;1u t!I ai.. 'Th..: role of th.: r..:prc; •:ntativc : ,o mc cmpirical olJ~ervations o n thc
thcory ot' 1:. llurkc ", A.PSR . dczcmlJrn de 1959. pp. 7-12-7 56.
76. De la t!émuaatie e11 Améri<111e, vol. ll , 1, 2. l (p. 9·1 na cJiç;fo de Galli rn<ud,
tJ
..
,.•
66. A import:im:1a da to ler:incia - •jllé me inc lino a considerar como u base sobre a 1961). O 1<.:xto 1.k Tocqu.:ville parcc..: J iz.:r quc, nas a.mto..:raciJs, os membros
q u;tl o resto do edifício se levanta - é b~rn ressaltada por Plamenatz cm Mali do parlamento prco.:upam.,,c pri11dpail11 cn1..: ~om sua "p<Utc", ou lado. e nJo
ª'"' Society 1op. d1., vol. 1, cap. 2, "' Libcrty of conscicncc"). Ver taml.J~m seu com o~ ele 11ores.
) ..:apt'llllo cm Ury,011 el ui.. orgs., Arp, c:rs o{ ffu111a11 Equaliry, l larpcr, 1956. 77.111 LaP.i.lomba ra c Weini.:r lorgs.), Polirical Parrier anel Political Develop111e11t,
67. Ver Kornhau!><:r. Tlle Polirics of Mass Society. op. cit., pp. 80-81. Dav!c.l Tru- op. cir.. p. 52.
) rnan. The Guvi:mmenta/ Process, Knopi, 195 1, é, cr11 geral, relevante cm rela1;ão 78. A~ e.\lcn"3c~ do _,ufr:il!iO rorarn dctalh:iJimcn!c :rnalis:1das por Stcin Rokk:rn cm 8
a c "a que~1Jo . Ci1iz<:m, 1.;·1e~·1iu11s, Pa~ties. op. cll., P;utc li . pp. 145-247. .
) 68. Ver .lt:an BlonJd, Ali lntroúucrion to Co111para1ive Gm•emme11t. Prac:;cr, 1969, 79. Mauricc Duv~ rgcr , Les partis pulitiqut•s. 2~ .:J. rcv., Colin . 19.54, p . !. O livro ti)
pp . 7-1-75. Ulo11Jc l desenvolve a distinçJo entre o desé11volvimc r110 imposto e o foi publi..:ado pd;t primeira vez em 195 1. As referên cias ,Jo a cc.l.tçiú ~ranccs•t
)

)
)
11 ... ur;il na~ páginas 79-ll·I e, com refcn}ncias espec ificas aos par tidos. nas pá·
~ill:l) 103-111.
69. Sobre o pluralismo africano. ver supra, nota 54; sobre o plurah)mO tll como
C\cmplilicado p.:la l°ndia atualmente, ver L.l. e Susan Rutlolph, '"Th.: poliucal
de 195-1 . A iraJuçío inglesa (~lcthu.:n e Wilcy, 1954) n~m semp re.: prcc1.sa: _
8U. Ba.,icamc111..: b~o ~.: refere aos partidos sol'ialistas c c:itólieo). P3.!a a tll\tmçao
entre par11Jo "c ri;iJo in ternamente" e partido ··çri:ic.lo externamente"._ ver Du-
v.:rgcr. Les partis politiques, op. ât. , pp. 8-16. O partido de mas~as s..:ra estuda·
--
8
8
role of lnc.lia's c:l)tc associa1ions", in Erie /\. NorJinglcs, org., Polincs a1i.I do no s..:gunJo volume desta obra.
)
Society, Prc1111cc-llall, 1970. Embor.i o enfoque Jus Ru<lolphs seja ,ob re a
ma11<.:ir3 pela qual a aS)OciaçJo dc CJ~!:i "poJe as,c111dh.u·)C a uma a~sociaçJo
81. Démocracie e11 ;t mériq11e. op. dt., vol. 1, ll. 2 (p. 178 ). 8
1 81
8
. .iL
r
+
58 PARTIDOS E SISTEMAS PARTIDÁRIOS
) NOTAS 59

) 82.Jbid., p. 79; e Voyages en Sicile er aux Êrars U11is, 1957, pp. 196, 19·7-198.
260-261. a;1da participante. l\t:is basta ler Ostrogorski e Simone Weii para compreender
) 83. Ver em geral a detalhada análise de Nicola Mattcucci, "li problcmJ dei partllo sua relação.
político nelle riflessioni d'Alexis de Tocquevillc", li Pensiero Poliricu, 1, 1968. % . fasas noçôc> se sup~rpõc~ ~as .n5o são sinõni~as. Por exemplo, o interesse
) 84. Modern Democrocies, Macmillan, 1921, vol. 1, p. J 19. geral pode ser definido d1 stnbu uva mente, tsto e, em relação aos in teresscs de
85. M. Ostrogorski, Democrocy and rhe Organizarion of Political Par1ies ltrad. de cada membro da coletividade em apreço; o bem comum tem, em lugar disso
) F. O:uke), Macmillan, 190~. 2 vols. lO volume 1 é sobre a Inglaterra, o volu- uma cono'tação. mais objeti~a e indivisível, ao passo que o in teresse populars~
1
me li sobre os Estados Unidos.) O melhor, sobre Ostrogorski, é a introdução volta para um ideal regulauvo. Grande pane da bibliografia e da controvérsia
) de Seymour Martin Lipset, "Osuogorski and the analy1ic approach to the enc~ntra·se em Carl J. Fricdrich, org., The Public lnterest, A therton Press, 1962,
1 pasmn.
comparative study of political panies", à sua edição condensada (num volume)
) 97. Cf.• enue os críticos, Glcndon Shubert, The Public Jmerest : A Cririque of rhe
~
dJ obra acima citada, Quadrangle Books, 1964, pp. ix-lxv. Ostrogorski defen-
deu, de um ponto do: vista individualista, o remédio de substituir os partidos Theory o[ a Pulitical Concept. Free Press, 1961; Frank J. Sorauf, "Thc public
)
•) por ligas de eleitores relativamente descompromissados, isto é, não institucio·
nalizadas, que se dissolveriam enue as eleições. A mesma idéiJ teve precedentes
·i-il mterest reconsidcrcd", JP, novembro de 1967 (os dois autores também cola·
boram no volume de Frieclrich citado acima); e Kenneth J. Arrow, "Public and
em Charles C. P. Clark, The ..Machine Abolished" and rhe People Restored to ·-, private valucs". in Sidney Hook, org., Huma11 Values 011d Economic Policy
1
) Power, Putnam's, 1900. J New York Univcrsity Press. 1967. Ver, contra, Anthony Downs, "The publi~

•a )
86. Roberto Michcls, Political Parties: A Socio/ogical Study of the Oligarchica/
T_endencies of Moder~ Democrac~, Free Press, 1962. O título de Michels, po-
int erest: its meaning in a democracy", Social Research, prim avera de 1962, e
especialmen te Felix Oppentaeim, "Self·interest and public interest", PT, agosto
de 19.75. Sobre _o uso da razão no esclarecimento da noção de interesse públi co,
re m, era Zt" Soc10/ogie úes Partenvesens in der modernen Demokratie, e o livro
) foi publicado pela primeira vez em alemão em 1911, e em italiano em 19J2. Seu ver Richard E. Flathman, The Public lnrerest, 011 Essay Concerning the Norma-
1 estudo focalizava o part ido socialista ale mlro, e seu ponto de vista era o de um ti1•e Discourse of Politics , Wiley, 1966.
)
socialis ta. decepcionado. O melhor, sobre Mi chcls, é a introdução de Juan Linz 98. Argumentei, em outro luga.z, que s.i trata de um ramo altamen te irrealista do
• ) à nova ed ição italiana do seu livro acima citado, li Mulino, J 965. Ver também "realismo" (Democratic Tlreory, op. cit., cap. 3, particularmente pp. 31-35).
99. Pelo que sei, "expressão" e "função expressiva" foram usados pela primeira vez
• )
G. Sar tori, "Democra:z.ia, burocrazia e oligarchia nei partiti", RIS, julho-setem·
bro de 1960.

;:
por Walter Bagchot, The Erig/ish Conrriru tion ( 186 7), Oxford University Pres~.,
1968, p. 117 . Sig nificativamente, Bagchot aplicou a noção à C âm:ua dos Co-

.
87. As reflexões de Max Weber sobre os partidos estão dispersas em Wirrschafr und
.) Gesellschoft, 4~ cd., Tubinge n. 1956, 1, pp. 167-169 e particularmente II,
muns e não ao papel dos partidos.

• )
pp. 675-678, 845-858, 865-876. O núcleo principal foi escrito entre 1917 e
1919 .
88. Apud Giordan? Sivini. org., Sociologia dei partiti politici, li Mulino, 1971,
100. Mi nha lista não inclui as funções de Almond, de "articulação" e "agregação"
de interesses, por solr prema! uro entrar em muitos detalhes.
10 1. Ver, novamente, mo!u artigo "Representational systems", publicado na lnrer-
) p. 16. Ver, porem, infra, cap. 2, nota 8 . notiono/ Encyclopedio of the Social Sciences, loc. cit. Sobre o papel dos partidos

• )
89. S1aresma11ship and Party Governmenr. op. cit., p. 2.
110 processo de representação, ver Austin kanney, The Doc1ri11e of Responsible
Porty Govemmenr, Univcrsity of Illinois Press, 1956.

.
90. Isso é paTa excluiI apenas o uso recente de "facção" na ciência política norte· 101. Albert O. Hirschman, Exit. Voice and Loyalry, Harvard University Press, 1970.

..
.)
)
amc~ica~a, a ser ?iscutido infra, 4.1. Parece-me, na verdade, que o uso comum,
em mgles, tambem conserva a conotação histórica, negativa, da palavra, pois
nunc:i se ouve um político norte-americano ou bn tânico dizer "minha facção".
91. Supro, 1.1 e nota 27, anteriormente .
103. ~.O. Key Jr., Public Opinion and American Democracy, Knopf, 1961. p . 433.
104. E.E. Scha11schne1der, The Struggle for Party Governme111, Univcrsity of Mary·
land, 1948, p. 10.
105. ln Sigmund Neumann (org.), Modem Political Parties, The University of Chicago
) 92. Função deve ser entendida aqui em seu significado inocente de senso comum Press, 1956, p. 397. A função canalizadora dos partidos é analisada infra, 2.1

:) no qual os historiadores também a usam. As complexidades técnicas do conceitd


serão examinadas no segundo volume desta obra.
93. Isso tamb~m distingue a facção do grupo de interesse. As facções não desem -
e 3.1.

) penham, segundo essa interpretação, a "função de articulação de interesses"

~•.
como Almond pretendia. Mesmo assim, ver infra, cap. 4. '
9<l. Em 191 '.!, Benedetto Croce, que uma década depois se tomaria o símbolo da
opo~íção liberal ao fascismo, defendeu, muito no espírito de Bobngbrokc e
!lume, ~m~ ~o:ilizão de partidos e um partido acima dos partidos. ("li panito
.) como i;iudmo e co me pregiudizio", in Culluro e viro mora/e, Latcrz.a, 1955,
PP· 191- 198.} ~?go depo is da Segunda Guerra Mundial, Simone \\'eil escreveu.
) no m\~smo esp1nto de Ostrngorski, q ue " a abolição dos partidos represen tar ia
• )
q~ a.~c q.u~ ~m ~e m absolu to " ("Appunti sulla soppressione dei partlt i poli ti ci",
lomunita, Jane u o-fevcrciro de 1951, p. 5 }.
• 95. Em1 lii;ação já não ocupa. o prim eiro plano ·das atua.is exigências de uma demo·

.. )

.,
llf

)
l
) ~

) O PARTIDO COMO UM TODO 61

)
)
IJ

O PARTIDO COMO UM TODO


nham :i existência, ou re_ss_urgimento: d.e um ~ísl:_ni!! de ~re~ças ~o~ocro­
mácico ba~eado no pnnnp10 d:i unarum1<lade e 110 horror a d1ssensao.
Pôr outro lado. e inversamente, embora um todo seja sempre mawr
'•
) ~
do que uma parte, sem~u~ê- ~pr~entaQQ ~en'!L,POr_llm parti~~ dei~
) x:.irá de ser um todõTmparcial. um todo acima de suas p:irte~. Enquanto
~n1 t9~º &uiá!~ia é'OiülTit!.ter;I~ µ~ tõêlo n!_onista_é unilat:ral. ~
) uma parte sem conuapartida é uma pseudopartc, como tambem um todo * -4
) qi:;e não encerre partes _(no plural) c:ire.ce da tota.lidade de u~ toco real
_ é um todo ··parc1af,,.-em ambos os senlldos: exclui e toma p~rt1dos. •
) - Es~es ajustes não negam, portanto, o~e ~e a ranonale ~o _p~u-_
ralismo p:.irtidário não ode abrigar a ratio11ale do monismo parttdano.

)
QU:- é, ent5'o, a justificativa o parti o único? A questão pode ~er exami- •
) 2.1 Ausência de partidos versus partido único nada com proveico à luz e.la segui.nte pergunta:U?,or que um parw.io em lu-
oar da ausência rotai de artitlos'? tvidentemente, na medida em que o •
) Até agora, "partido" significou partidos - "partido" indicava um plural. ~ je tivo do partido único é ·eliminar "mwtos partidos", a dife.rença ~ão •
) O~?dos de partido único só surgiram de pois da Primeira Gu~\lun·
dial, e, até então, a exeressão ''siste.m ni · 'o" arecia ser um:i con-
seria muito grande: a proibição, pura e s1mpl<:s, de qualquer parttdo le na a
mesma função. •

) trndi'çuo nos t~rmos. Não tinha mais sentido do que dizer "q uadrúpe e
se m membros . Na verdade, pode-se pegar um quadrúpede e cortar-lhe as
A .Q9ÇãO da a~encia total d.e pafildos encerra, porém, dois C.?sos ~
fe.wues.: .(i) os Estados sem garrcdos e, em gr_ande parte, ?S _Estados pre-
•4
pernas. Mas poderemos esperar que caminhe? Será ainda um quadrúpede? partidos (como Arábia Saudita, lêmen, Jordarna, Afe?~tstao, Nep~l) e
) \ De awrdo com u ra1io11ale do luralisrno artidário, se um a · o 1ã fo r
4
(ii) os Estados antipartid9s, ou seja, ~s ~egime~ qu~ supnm1ram_ os parudos
.~/ ) µ~parte , um pseudopartido; e_se o ·todo se i entificar com apenas um preexistentes, que adotam uma pos1ç:io ant1part1<lo_ ou_ pro1essam .uma t
)·'f< \ P,.ê!!'tido, é um pseudo todo. Enfrentamos a$un, mevitavelmente , a nature- doutrina antipartido. 3 O primeir() grupo é de_ r.eduz1do .1~ter~sse, pois ?s t
za mi generis do partido único. Os chamados sistemas uni partidários ex.is· G_stados sem partido são apenas estru t~ras go1tt1cas _tr~d1ct.2!l_.?.~U~~­
tem. Terão, porém, alguma coisa em comum com os sistemas pluripartidá-
rios? Isto é, em comum com os sistemas nos quais os parti9os são ''partes"
tiram ou fugiram, ate ag~a, à mod_e~aça9_. /!. ma10_na dos estados ~nt1- _
pªrtTdos são. por outro lado, regimes mili_t~res. em soc1~dades s'!l>de_senv~l­

) e o todo é o produto de uma influência mútua entre mais de um partido?
Na verdade, o_s Rªrtidos únicos diferem muito ent(e si, como iremos
vidas ou em desenvoIVImento e, com treguenc1a, se atr buem uma 1tuaçao
pr~a em contingência de em.ergéncia:4 Como di~ Huntingt?~ "~­

4
) ver. No momento, porém, estamos tratando do conceito de partido único. tado sem partidos é o Estado na tural para uma sociedade tra ~c1onal. A 4
) (sso equivale também a dizer que a no\:ão de uni partidarismo é tomada em medida que a sociedade se mõderrnza, orem, o Estado sem arttdo t~rna­
)
seu sentido escrito, com referência aos precursores, isto é , à primeir<.i onda se, ca a vez mais, o Estado antipartidos". 5 Qque se deve acrescentar e que 4
de Esiados unipa~tidários do período de In0-1 940: os tipos de uniparti-
darismo soviético, nazista e fascista.! ~jesmo assim, a afir ~ão de çiue o
arti<lo úníco se identifica com o todo precisa de ressalvas, pois é bas1-ª.f!1e
qu:uno mais modernizada e/ou desenvolvida asociedad.,:. mais o ant1part1da-
nsmo cede ao umpartidarismo _ pelo menos no senudo de que a segund~
~luçao revela-se mwto ménos.. frdgil e muito ~ais eficiente do que a p~1-

t
óbvio gue esse earti o e menor o ui!\Jrõâo - na vérdade é com fre- ~a. O.Estado unipartidário _é, em outras pal~vras, a. s~luçao finã~e,
-~ - - qiiênci::i um Qll.C.l.WQJ!a_e ll_e com limitado núme.JJlile..membrus_, um...parti<lo 4
g,uando o pluralismo pa rtidári~f!, caract~nza as soc!edades poht1ca-
\K'-'·· ~'- 'de vanguarda ~~rve de precursor do todo. Não obstante ... o Qartido ún\- mente desenvolvidas. E minha pergunta relaciona-se precisamente com as 4
, ·'....-./ co não é uma "p:irte'1eilí nenhum dos sentidos nos quais o são os pa rtido~
. --.,........,--,.
) ". .·,' ') º plgçal. A_pane ~ ~~ste ...9.i~nJ_Í..Q.Dª I, o partido .único evidencia as car~.;: -
·razões disso.
Resumindo a perspectiva histórica, isto é, o enfoq ue sobre os fun-
t

)
)
t~r íst icas do liõTISií10J ou de totali<lade _ a.o. rejeitar integralmente a 1de1a
d~m coilo resufi.ante. dê. uma infl uência m~a entre as par-
tes. ~Jesmo dentro do gârtRlo único. qualquer tipo de d1visao mtr,.;rnarti-
dadores uos Estados uni.part id ários por excelência, entre as duas guerras,
:.1 primeira coisa a observar é que o uni partidarismo foi o úl timo a .nascer
•4
e que isso não fo i, de modo algum, u·n simples aci?_ent.e. Não su~g1u ape-
Jaria fora1.Uil«l&lLi.e,~ ibida: é uma heresia, um ãesvío intqleráv~l. Assim. rias como uma reação ao fracasso e às rn postas defic1encias do plunpar11da· 4
) o con1unismo, o 11:1Lísmo e (com menor intensidade) o fa scismo, t..:stemu·
)
4
)
60 t
4
O PARTIDO COMO UM TODO 63
62 PARTIDOS E SISTEMAS PARTIDARIOS

nJe~o de participantes, mai_or a necessidade de um sistema regufarizado de


rismo como na It ália e na Alemanha, ou em conseqüência de um começo 1rãnsito.
muit; frágil e inseguro, como ocorreu com Kerensk.i na Rússia. }dealmen- CÕm o sufrágio universal, então, o sistema partidário adquire uma
te. o panido único dificilmente pode ser concebid o se".1 que se perceb ~ nova propriedade . Enquanto a sociedade politizada permanece como um~
a··êxistência de um vaz.io, de um espaço partidário, um Parteiraum. que sqciedade de elite relativamente pequena, o sistema partidário pode conii-
precisa ser ocupado. Praticamente, além disso, quanto mais complexo o nuar nui:n estado impreciso. M~quand~a ~ociedade ~m_geral_~~.9!!1ª p0 : .
inst rumento, maior o lempo necessário para forjá -lo, e sem dúvida um par- r-
tido entre outros partidos (uma associação voluntária com o objetivo de r

1
liti~ª-~· a~_regras ~ trânsito gue con~ctam a_sociedade c_O[l _o f:stago, e ;
vice-ve~~ão estabelecidas pe~ m!_lleira segundo a qual o~~a!ti ~;
buscar eleitores) é um instrumen to mais simples do que um partido que ! d â_rl~~trl!!.U@:...,A essa altura , o~ partidos se transformam em agências
subs titui todos os outros (e com isso visa ao controle total). Era preciso cânalizad1nas, e o sistema partidáriõ;-iiõSíSfêma de canalização pollri~
aprender, primeiro, alguma coisa com a experiência dos partidos (no plu- da sociedade. -
ral), e era necessário o aparecimento de novas circunstâncias. -:irfacfJ ve ~gora, por que os Estados unipartidários surgem num, da-
Com relação ao pluralismo partidário,_a principal <:l_rcunstãncia fo! do momento. e. explicar por que a alternativa mais viável e mais· durável para
a ampliação do sufrágio~ - ~ !!'..lação ao unip~r_tida_rísmo, o antec_eden!e .. muitos partidós" é o "partido Úf\ico" - e não um vazio partid~rio (quer
decisivo Tôi o aP-arecimento de uma sociedade politizada. Se estabelecer- seja sem partidos ou antipartidos). A ausência total de partjdos l ~a~ !!m..!_
mos· umadistfnç<Ío -_ -como-se óeVe faze r =-entreôõeSenvolvimento poli· sociedade fora do alcance, fora de controle, e neiillüm regime mode_rnizado
tico da formação poli'rica e o desenvolvimento político da sociedade, este P?~de_, ~_lo_ngo P!ªZº ~ ad~ar essa soluç_SÕ m§l!g~lª e imprt?_dutly~. Ym~
último compreende o despertar político e a mobilização da população e!Jl ciedade pós-tradicional pode ser libertada ou tem de ser controlada; mas
geral. Em conseqüência, e ao fim, ~a SQ.C~~_!d~pol i tizada é _ag_uela q:se quan-tÕ mais se moderniza. menos p~d~.if~~r ~,;tregue a sr me5ma ou me--
ao mesmo tempo participa das operações do sistema político e é necessá- nós se pode espetãt.ql!.LJOn.tinue adormecida. Sej-ª_is~_o um bem ou um mal,
ria aõdeSeinpenho ma.is_ efiqen te- do sisteffiã. 6 ~smo onde ~s partid~s n°uma sociedade p.olitiF<!a a solução da ausência de parÜdÕsé, em perspec--
n<Í~~U!!Jl_p_er..mitidos, ou_~am _0}ª1}tidQs_l.QI) tutela ,_coE.lpreend~e aos tiva, efêmera. O partido como canal de .expres.sãopode ter vida Cürta,-mas
poucos gue a população em geral 1! não podia ser p~t~ <!_e ~d.o! ignoraãa_ o_partido como cànarroÜrcvurr _nas.êêüpãfã'fi~'!!· E iíãõ-i'mpõrta o guê.
cÓrno uma entidade irrelevante . ~Ç.Q_nsciência pura e simples dessetato4 ~1~~-p91~a o partido único ser_•.~e I~~~~~ncía can!ll!zadora.:..
representa uií'I mõfnTntõ importante ~ OJ...cuie estª-vªm fo ra .Qi.pol~a ~el_! E essa, na verdade, a ponte com a qual os partidos que são partes abriram
in~ressam, ou a e la devem ser le~dQ$. "As massas" não só já não podem o caminho a 'u m sucessor, o partido se m contrapartida.
fica r_de tora · 1ndeíinld~omo tamõérileútilenVolv~-lãs:~esua _ i!ll· A razão de. ser do partido único _ par~..c~ estar. _P.Ortanto, no fato de
~~ade é perig_~s~ sua indiferença constitui um desperdício. Os partido~ que uma sociedade moderna n ão pode llcar sem canais. Mas nao se trata
(no plural) podem ser reprimidos, mas os problemas criados. pe~­ simplesmen1e do fat o de que os Estados unipartidários herdam uma SO·
ç~o- cõiitlii uam_a C.xiStir. E._uma fÕrmaç[o política apartidária não pode c1eãa1:trpullttz:ITT!a, ou promovem essa socieaade.fiãtã-se mais do que isso:
enfrentar uma soçiedadê..politi.zada. - tlõTãTOde--que necessitam de uma sociedade geralmente politizada, ~u.J.!o_
QJLamlp_o pa rt i~ único foj concebido_e/Q!lj!I)Jll~nt.ad ~~~~~­ n~s do que as formações polibcas pl~ralista~. p partido t!_i:Jico pretend.e
cias ocidentais haviam chegado a uma fase de desenvolv1men10 caracten· excl usividade, e portanto enfrenta âe forma aguda um problema de auto-
i~_aã~ <i) pelo Sürrasio arnpfo~embora ~ramenté universa1._e Tfff pe.10 ãpà~ J~s tiftót iva e de _au}C?_:a. fümação. Quer· os Estados uniparüciáilõs surjam
r~cim_c:nto d~~t_~..rn~ ~artid_os estrutur~~~ b~~eados nos p~rndõs- ~e ou não de uma situação revolucionária e por meios revolucionários, são
7
111a~s~, Ambas as características estão intimamente relacionadas~~ considerados como regimes ex cepcionais. "especiais" - não apenas como
partidos_adguirem vi(or orgânico e se consolidam em resposta à ampliação regimes .. novos". Portanto,.as estruturas políticas monistas não podem as-
do su frágio . A verdade pura e simples é que a entrada n:i pol í1ica de pú- pirar à legilimidade simplesmente com o passar do tempo - elas devem
bÍicos de m:iss:i cria um novo problema:fl. c911Q{(~açã~.l. G.. dizer que um sis- most rnr que podem fazer mais , melhor e mais depressa, do que os sistemas
tema partid :írio se tor!ia_estruturado eq u ival~ a dizer que atingiu uma fa se pi uralistas. Se ess:l afirmação não for comprovada pelos fa tos , terá de ser
de C0!1tQ!i<.lação na qual - pode desempenhar, e na verdade desempenha, mJ ntida, com mais razão ainda, pelas palavras. De qualquer modo,i!. socie-
urna função canalizadora. A necessidade de um sistema de_çan:iliz,.ª-.QQ.. es· lb<le deve ser mobilizada, persuadida, e dela se_-éievc exigir _!!ma dedic:ição
t;sbifue.Q..o aa vém. e~ -pàrt~danatu~os.públicos de massa ._!11~1asc~ êoTffíãnte, senão_ incondrcional. Todas essas tarefas eX!gen~- un~po~~roso
ba:,icamente do fato puro e Siffiprescresua magnitude. Quanto maior o nú-
/

O PARTIDO COMO UM TODO 63


62 PARTIDOS E SISTEMAS PARTIOÂ RIOS

n1ero de participantes, mai_or a necessidade de ~m sistema regularizado de


rismo, como na Itália e na Alemanha, ou em conseqüência de um começo trânsito.
muito frágil e inseguro, como ocorreu com Kerensk.i na Rússia. _Idealmen- CÕm o s1:1frágio universal, c:ntão, o sistema partidário adquire uma
te, o panido único dificilmente pode ser concebido sem que se perceba 1iova propriedade. Enquan~o a_sociedade politizada permanece como um~
a··existência de um vazio, de um ~spaço partidário,· um-Parteirawn, quê sqciedade de elite r~Jaciyamente pequei:ia,. o sistema partidário pode conti-
precisa ser ocupado. Praticamente, além disso, quanto mais complexo o nuar n ui:n estaçlq LTI.lprççjso. tvl~quando a sociedade em geral se_!_o_!'na pó-" ,
instrumentõ, ma.iôr o tempo necessário para forjá-lo , e sem dúvida um par- Jitiza<la,_?s regras de trânsito gue co~~tam a so.ci.eda,de_çQ.rn..9 Estado, e , ;"1::~
tido entre outros partidos (urna associação voluntária com o objetivo de vi.c~~são estabelecidas pela maneira segundq_!_g_t!_&_Q~~S.!.~!11ª _paÍ't!.'1
buscar eleitores) é um instrumento mais simples do que um partido que d~riQ_~strutu~A essa altura, os partidos se transformam em agências
subst itui todos os outros (e com isso visa ao controle total) . Era preciso càrializadoras, e o sistema parti~á~~stema de canaliza;q_o poTTif'Cq
aprender, primeiro, alguma coisa com a experiência dos partidos (no plu- da sociedade. -·
ral), e era necessário o aparecimento de novas circunstâncias. --i::-racil ver~gora, por que os Estados uni partidários surgem num da-
Com ~elação ao pluralismo parti_9ário,_a princip~ circunstância !:_oj do rnomento..e_ explicar por que a alternativa mais viável e mais· durável para
a ampliação dô sufrágio. C~m r~!.~S!~~~ lJilipqrJi_d~riâ_mo, o a~t~c~den!e
deeETvofOlo ã~.Qrr1ento de uma sociedade politizada. Se estabelecer-
..

"muitos partidos" é o "partido úrlico" - e rião um vazio partid~rio (quer
seja sem partidos ou antipartidos). ~Esência total de parti~a· a UiQ.~
~os uma distinção - como se aeve fazer - entre õaesenvolvimento polí- i.
f sociedade.(ora_do alcance, fora de controle, e neíiliurrifêgíri1e modernizado
tico da formação polz'tica e o desenvolvimento político da sociedade, este ~
iJ?(Je,!~~iong<?_E;ãz-õ, a~õtaii~s.a sà1üÇ,i'.QJn~g\iia é 1niPi:.o..91;1tJ~~- yin_a~
último compreende o despertar político e a mobílização da população er,n c!~_d!_d!..__pós-tr~dicior:~~~~~:_r ~tad~~~- t~rrLd..~. ser -~ontrolada; mas
geral. Em conseqüência, e ao fim, ~a sociedade pQliti~E.u~e.Ja ~: qu~to ~ais se moderniza, ll}enO?.__EOae ficar entregue _a _:;i mesma ou me--
ao mesmo tempo partic~pa das operações do sistema pol ítico e é necessá- n.ós_s.c .po.de_~sper.a.Lq.Y.e...C..P.11.tinJ..Je ad9rmecid11daj-ª..l~<?._um
bem ou um mal, ~
riaao_de.s.emp.enfío. mruS:.~fiCienteClo sistemã. 6-}!!smo~d~ _22.J>arti~Õs nu~a s,ocied.a_d_e p_qlitiza_cj_a_a sol!!ÇàOÊ;~~~~~ncia ~.:..Ear~idÕSé, ~m :p~rspec-­
nffQ_lli!!1-~Lmltido_s , ou ~rª4TI mantidõs__sotJ tutela,- C~!?P!:.:.~cte~~e a~s tiva, efêm~JJ~ - O p;iI!J.2.o como canal .de expressão pode ter vida curta,'mas
P?UCOs que a população err:i ger~:U.! n~o podia ser pos~a de lado_~ J_gnorada o_pgU.qo como canal rout court n~para ficar. E' nãOimpõrta o~.
como uma entidade irrelevante . U,onsciência pura e simples desse fã10 ~l-~~-P.OSSa O partido_único ser,!k_~m dúvida uma agrncla Cal)~iZJ~Ofa.:...
represenéa um momento importante;O..t.w.~favam fô1<! dà P?lítica _!'l~~ E essa, na verdade, a ponte com a qual os partidos que são partes abriram
ingressam, ou a ela devem s~_l-~yt1Jl9.? . "As massas" não só já nã~podem o caminho a um sucessor, o partido sem contrapartida.
ficârõefõraTnc1efíriíd_a-merÍt~.,_çomo tamõ~rií é-útil envoJY.flas. Se sua_i.l}l- A razão de. ser do partido único pare~ estar~ortanto, no fato de
inizade é perigosa, sua indiferença constitui um desperdício. Os partidos que uma sociedade moderna não pode hcãr sem canais . Mas não se trata
(noylura1) po.dern ser reprim idos, mas os problemas criados . pelã.poriíTia. simplesmente do fato de que os Estados uni partidários herdam urna so:
çã'o ê0!1tmuam_i·e_ii~tir:...L\l.ma fÕrmaÇã'o política apartfdária não pode cicãm:te-pcrlíTJ'Tcrâa, ou promovem essa sociêãaêfê:-'tratá-=5einais dÕgue isso;
enfrentar uma soçiedade_p.olitizada. l@""'f~nece ssitam de uma sociedade geralmente ~.!! t i zada, Il)Uiti_
Q.u...and_Q.QJ2.artido .fi!:lico J.oi..conce.bido.~Lou impl~ntado , as de~:::_~­ 1~s do que as formações poht1cas plural~stas. p part!do úi:iico pretend_e
cias ocidentais haviam chegado a uma fase de desenvolvimento caracteri- <'.!Xcl usividade, e portanto enfrenta de!o rma aguda um problema de au!O-
~da (i) pelo sufragÍÕ arr_:ip!°o~ e~bOrãrarament~ Unive!Sal, e (iifperô~~ jÜsüficativa e-oé -aulõ-afirmaçãO.-Quer ·as-fShdos ünipãrt'idários surja m
r:;~~~~ sistemas ~ -l?~~tid_~s_estr~-t~!~_os_b~seado~ _n~s~ par_tiao_s ~e oú nãOdeun1 asituaÇ~o-~evolucionária e por meios revolucionários, são
111ajg, 7 Arri_ba_Ll~ çan1cterís tLc_as e_stão intimament~Je] a_ç!or:i~as~~~ considerados como regimes excepcionais, "especiais" - não apenas corno
Q;Jrti dos ai,lg_tÜI.<;!Jl1 vigor orgànico e se consolidam em resposta_ ~ amp~ia_ção regimes "novos". Portanto,-as estruturas políticas monistas não podem as-
do sufrágio. A verdade pura e simples ê que a entrada na política de pú- pirar :i Jegitirnid<.1de simplesmen te com o passar do tempo - elas devem
biico'SdC m:issa cria um novo problema:Í:JL,cg1iq_{_i}açãP..\~dizer que um sis- mosirar que podem fazer mais, melhor e mais depressa , do que os sistemas
tema paitidári.Q_S!'!_tor[!a _estrutura.do equivale a dizer q_ue atingiu uma fase plur:ilistas. Se essa afirmação não for comprov:ida pelos fatos, terá de ser
de consoJi<l;i~ção ..D.? q_t!al pode desempenhar, e na verdade desempenha. mantida, com mais razão ainda, pelas palavras. De qua.lgu~~odo,jl soeis_
urna função canalizadora. A neceJ>.sidade de um si st~a,_d_e __ça..n;iJj za_ç[Q_es­ thde deve ser mobilizada, persuadida, e dela se_-d~ e_~igi!. ~~,~~~dicação_
t~b.fliijf!Q..advém,~-~é::_-~atuITTãaôs públ[co_s ?e mas~a,_!!]~S !.1ª~~ corTfíãí11e, se.nao incondíêiõnàCíodas- essas "iãrefas exigem um poderoso
..- --- - - ··- - _,_- . -- ----- -~- --· -- ----
ba~icamente do ~~~~~é simple~e s~a magnitu~e . Quanto maior o nú-
)

)
64 PAR TID OS E SISTEMAS PARTIDARIOS
) O PARTI DO COMO UM TODO 65

) ~i sc c ma <le irrig:iç:io , por a~si rn dizer, e o instrumento n:itura! para a !l\ubilt· que leva a um sério erro de concepção . Co rno pode um p:irtido únü.:o pro-
) · Lação tle uma socicdadt:! é, precis;i 01e11te, o__f!artj d9 únir.:r:. _Pon :lll lO. a so- duzir, sozinho, um sistema? Um s istema de quê? Sem dúvida, não de parti-
ciedJ<le moderna nJo µreci sa apenas ser can:i.liz_ad:i. A lógica da fórmu!J dos. Portanto , o ij<lrtido úrüco não pode produzir um sistema partidári~-. -~:
) un ipar1 id:1r1a leva mais longe: a uma socied:ide que deve ser ··encadeada''. O_teJ UJQ_~1,ísteJjia~ if!l_p<?rtante, porgue introduz um importante
) t só f'<!IJ arregimentação compulsiva e peia doutnnaç:io monopolista, nJ ínstrumen to anal ítíco. É certo que sua sofisticação técnica varia conside-
ver1.bde. que o Estado unipanidário substitui o pluralismo dos partidos e r:lvelmen-te segundo as disciplinas 1 2 e que, mesmo dentro de cada discipli-
pode a:r êxito onde uma fo rmação pol ítica pluraiisra pode falhJr. n:.i. há considerável oscilação entre um sentido rigoroso , estrito, e um sen-
) tido mais vago, menos preciso.' 3 Pode-se falar, em particular, do sistema
2.2 O sistema do partido de Estado partidário sem atender a todas as exigências da análise de sistemas propria-
) mente dita. 14 Ainda assim, e no mínimo, o conceiro de sistema não tem
> As seguintes questões podem ser agora examinadas com i:_roveito: (i) cm sentido - para os objetivos da indagaçio científica - a menos que (i) evi-
que sentido um partido único é um "partido" e deve ser assim chamado, d~ncie prooriedadfil-que não se apresentam guan~ examina seu'Sefê-'
) e ( ii) se há sentido em se falar do Estado unipartidário como sendo um m~nros componenteue.parada.mente, e (iil_E~ulte de interações padroÔi-
) "sistema partidário''. z'!flas de suas partes componentes, ~.Qefil_c_orrs i s!a,Ji&nitl cando isscut.1!9
Apesar dl! sua conccpç:To bas lante aberta, Max Weber observou que tais interaç~eterminam os limites ou. pe.!2-!!l~nos, as Jjm@ç..Q.eui.9.....lli.;
) os guelfos deixaram de ser um partido quando deixaram de funcionar atra- t~ma. 15 F_ica evidente, desde logo, ~-~ch?mado s~ste_ma _~ni~tidª1!2
) vés da freie 1Vc:rbw1g - a livre soli citação no mercado político. 8 E ames- r:~ tenae a nenhuma dessas exifil_TJ_Çias. Col'll r~açã!> ª.Y~~~~ a descri- \
ma observaçJo foi feita com vigor por Sigmund Neumann, entre outros, ça<?.._ O:iuOiããc!e(o partido único) coincide com a dc;iscr~ção do siste~ )
) com refrrência ao partido nazista: "Chamar essa organizaçfo ditatorial de
'partido' é uma inadequação e. com freqüência, um erro consciente de con-
C m rela ão à e · interações padronizada~-<Ui~_Q,Ç_Orrem nãQ...Q....fu.:
~em · entro, mas através dos limites indicados pela palavra partido.
!
)
c::!pção", pois o •·monopólio do pnrtido ditatorial, que impede a livre for- Portanto, os partidos só constituem um "sistema" gua.ndo ·sâo ~-)
) mação e expressão de opinião, é a antítese precisa do sistcmJ partidário" .9 tes (no plural); e um sist~ma partidário é p!!fiSa_rriente O sige,!JIG_ de_ it:lf~·
)
Devemos admitir, ao .que me parece, que a força lógica do argumento difi-- rações resultante aacõ'fi1Petição interpartidária.J~o é,_:>~sterr:~r:r' ques- 1 . \ ....
cilmente pode ser questionada. Não o foi por contra-argumentos mais ela- tão apoia-se na relação que os partidos mantêm_~ntre_?t, QLma!!_eira peía
j borados no mesmo plano, mas por uma argumentação desenvolvida num qual cada partido é um:i füilÇãO@entido matemático) dos outros parti· /
plano diferente, segundo a quaJ ela não se enquadraria no estudo (ou nas dos e a eles reage competitivamente ou não.
)
evidéncias) das áreas em desenvolvi memo. 10 Um granae motivo de confusão é possivelmente o fato de que, em-
) Em relação à minha primeira questão, pode-se dizer com razoável bora nãoºse possa dizer gue um partido único produz um "siscema de par- \
segurança: seria vantajoso que, por amor da clareza, o partido sem contra- ti? os,'';'" pode-se afirmar que cada partido pode ser visto (de dentro, ou es- )
)
parciJa fosse terminologicamente distinguido do partido que é parte. Mas tudado isoladamente) como um "sistema", significando isso que todo 1
) ao que tudo indica não temos uma rotulação alternativa, e o esp.!cialista partido é, em si, um microcosmo e na realidade um sistema político em
)
deve, com freqüência, inclinar-se, nessas circunstâncias, às convenções lin- mmiatura. Nesse último caso, porém, o objeto de investigação não e o sis:
güísticas que receber:irn aceitação universal. Além disso, como já vimos, tema pa.rtidário, ~5!._P_!!rtidQ-..cQwo sistema. Assim expressa, a diferença
) há uma ligação genético. entre os partidos no plural e o partido no singular. poderia parecer ligeira. Não obstante, confundindo as duas coisas, somos
Em particular, o que sofre uma transformação real e radical na passagem vítimas de um erro sério: a falácia da mudança de unidade. Estamos, na
1 do pluralismo partidário para o uni partidarismo é a natureza do sistema: verdade,-confundindo um nível de análise com outro. especificamente o
) ma:; o partido único, como tal. mantém as técnicas e a estrutura orgânica nível no qual a unidade de análise é o sistema e um nível no qual a unidade
)
de que dispunha antes'.\.Q_gartido ún~noder mata os outros par~. de análise é o partido.
mas continua sendo uma arma de organização semelhanle ao artido. As- Somos, assim, levados a corrigir a questão. Se um partidu não pode,
) sim. <les e que as ra1io11ales dos dois tipos estejam claramente discrimina· sozinho, produzir um sistema próprio (isto é, um sistema partidário), onde
<.las, h;,í u111 Cl!rto sent ido em se !"alar de ··partido único". 11 está o sistema'? A questão é, portanto, ~_QeJ_a_qu~ur.iiç/ad~,?111 ic12_p~­
) O c:.iso se toma muilo d iferente quando passamos a folar de ··~ma _ -~ce o partido únicg_. Dado o fato de que ele não interage com ~utros
) uni parlidário" - pois se trata na verdade de uma designação inadequada,. partidos. qual é a área de suas interdependências limitadas, padronizadas
)"
}
)
66 PARTIDOS E SISTEMAS PARTIDÁRIOS
O PARTIDO COMO UM TODO 67
!>
e au tonrnntenedoras?~.~J ocaJi.iação do sistema é sugerida, adequad:.imi:ntc L . ,
pelos ;.iutores que .usam a expressão sisrema de parrido de Estado.. O rótúlo · .j siue se. apóiam mutuamente e ~e reforçam reciprocam~i:i te . Q~~r seja 0 Es-
é '1rnGi1ualme.n te aplicado aos Estados comunistas, 16 mas é também ude- -E t!<lo que ~erve ª.ºpartido ou ~. l~Versai,nente , o p~rtido gu~_ser\'.e ao Est_âào',
qu:.ido ao nazismo, ao fascismo italiano e a todos os que se inspiram nesses qualquer que se1a o predominante e o vetor principal de interação con·
protótipos. Na 1inguagern abstrata de uma racionalização, o argumen ~o é t ié~-i~ send~ ·certõ que as fqrrnaÇões pÔlítiças unipartidári~s (cqnsolidad.;s)
carecem nitidamente de um sistema partidário precis!Jmen1e por serem sis ~
o <lt? qu~ ~:~g-1:'..:.t~t<: ~~!~!.~º~ qu~ sãq P!!.n~s qãQ pqgem, por !:S ~ _r~q<?.. ternas de PârtidÕs· de Estado. .E as implicações disso têm )o~go alca~cê ~ .. •·
m~sn~~~ent1fic:ir-se com o Estado~artis!Q. .f..QI!l.<?..Jl.r.J]_CO<j9_ só .~.L2Q&e.,
id:,i1ti fi car - idealmente - com o-Estado. Dois todos não podem coexistir . ~ -Q-ua~1do os e_arti~iino p!ura1)..J.D.te..n1ge_m entre si, temos u~!'
çffo na-quãíõPefam um sistema próprio , isto é, um subsistema inde~1 :
Jie n;tQ__~~e m a comCiãfr~ tiao";"podrreãiZefêjüeõjfaffício ·~
único é uma duelicação ,do Estado._17 N_ão i mp~a se é o partido que ·ten- · dente . Nlã1s tec111camente, as interações interpa.rtidTr1âSão mesmo tempo
de a absorver o EstadQ.....Q\l vice-versa, se é o EstãdOqüêTeõde a absorvefQ. t' 1~·~;;;;-à autonomia do subsisté/;w e dela resuTiãffi.Contrariamerite. a carac-
j te;:Tsiica marca.nfFC!ewnsiSTemã"ãepãrffdOãe. Estado é que tal s istemã'
pa ::.~o, em amb ~~QLPm..~till111ª...QLP-il1.ido de Estado é lJ.ffi "siste-
ma de unita rismo", como disse Ernest Barker.18 J' 1w-=o permité essa autonomia. Não só o partido único não leva a um subsis-
temamdependente, como também a própria razão de ser da sua e ~~s1ê11cia
. '
Para que a_simplificação não seja exagerada, são oportunas certas res- ·· "~ é impedir a autonomia do suosistema . Se assim não fosse , por que ter um

,
t
salvas. Mesmo no mais totalitário dos Estados, a "unidade monolítica só
se realiza imperfeitamente." 19 Num sistema de partido de Estado, o cargo <~!
p_úblico é, em geral, um subprodü'to.do cargo partit:Í,áiiQ.Jsso não significá,
porém, que todos os funcionários tenham de ser membros'dopartido. Isso·
4
.~
pãft1do em lügãrõê'"uma ausenc1a total de partidos? Se rejeitarmos o plu-
ralismo partidário, sua alternativa com relação ao estímulo a outros tipos
de autonomia de subgrupos é a solução da ausencia de partidos, e não da
fusão dos partidos.
1 depê~muito, entre outras coisas, de ser restritiva ou não a põrítlcâcfê" 1 Embora a noção de autonomia do subsistema seja crucial,21 • ela
ad~'.ssão de membros d~ gartido único. ~m .§§gundq_IJ!gl!I.,...Y.ro sj~J~ma ou- . ~l' parece algumas vezes demasiado estreita e, outras vezes, demasiado ampla.
f r~~r:rrtcol5ãse<JdQJJ..Q..mento pode muito bem co~;$.is~ir COlD....t.!.!IL.~ili..ffia ~-r Devemos distinguir entre os dois .usos, o que se pode fazer facilmente , ao
de._gs;,.Çjj:g_p!!rtidária ,_E enquanto o partido controlar a burocracia, essa ,.,.f, que me parece, dizendo-se autonomia do subsistema com referência ao sen-
solução : apresentará, sem dúvida, maior eficiência. Er:n terceiro Ium,_o D' tido rigoroso dessa expressão e autonomia do subgrupo quando se preten-
panido tem de recorrer, para as tarefas técnicas, aos~t.Qs técni.cQ.s : E ! de aludir ao significado mais amplo. Há muitas vantagens na conotação
_então o monólito está sujeito ~~ suas principais rachaduras, pois a relaÇãO ;. mais ampla. 22 Entre outras coisas, ela coloca de lado a perturbadora ques·
·êif!Je õS'~l1tic~s ªº.~tido e a intelectualidade té~rucapóae_tQt.11.íü·se· --;-~ t:ro de ser o grupo analítico em causa um sistema ou não. O problema
µma questao m~to d1f1c1l._:.!='..rn ~arto lugar, e acima de tudo, no aparelho ~ · sistêmico não só poderia ser pouco importante como também podería-
e.~tat~l. wmo diz l onesc~•. ha vanos "aparelhos" e a m.an.e.i[a_!ltlª-g.u~­ mos não ter decidido claramente se a entidade é um sistema de dentro
c~momam entre s1 íifo~c:alrn~n!~Lrnaneira pela qual a polícia política (por exemplo. o partido-com o-sistema), ou de fora (por exemplo, o siste-
e .2, e:~ rcüo s~ r.el:l.ciçinam com a máq.u,ina partiaam[f realmente uma ma interpartidário). Sob qual aspecto é o judiciário, ou a burocraci:I , ou
que.Sl.4.0._c.Qrnplt.!.:rutL..._CJ.ill!_percorre toda uma variada gama·de possibi!idãde o exército, Ulll sistema, por exemplo? Sení em relação à unidade judiciá-
e variações. 2 ~ - ~ rio, exército , burocracia , ou em relação à unidade sistema? Tais perguntas
nfo nos devem preocupar se dissennos subgrupo em Jugar de subsistema.
Em suma, o ~~álgama ~stado-partido nãQ é nunca perfeito, e sua Além disso, quando fazemos referências a subgrupos em gernl, deve-se cn·
~btenção se faz de muitas maneiras e em muitas proporções diferen tes.
tende r que a significução dessa autonomia pode ser muito diferente. Um
En ten<la·:_~--~~1~9~~- _g~ dizer que sempre que há apenas um c\êrcito que cons1 il ui u n1 subgrupo de grande autonomia indica, muito
~~OT1;,iver~ .~ a mbém...lH.D...?J.~~~~ ~ partiffo áê-Eslã.].'~J1êllãrg\1mênto µrovavelmente , que a auton0111ia de um governo civil é dúbiu, ou que corre
e, pelo contra no, o de que temos esse tipo de sistema, ou então nenhum
r i ~co . Da mesma forma, se a burocracia for um subgrupo de grande autono-
sistema significativo. E j~~? eq~1ivª'1~ -~d ize_r,_ :_spec ificamen~:_que os con-
mia , :.i indicação é, presumivelmente, de que temos um governo burocrá ti-
~J OS ~ t.! Se aplicam às formações políticas esfrufUr'ãcG$e diferenci:iõa's
n:ro. P ?~em ser tr:insfe~~1no tal, a formações políticas difiJSãSeeJi1.
co. Por outro lado, a independência do judiciário é uma conquista há mui-
to perseguida e pela qual muito se lutou, pois a autonomia desse subgrupo
.QJ}.QD~lli.S.,.-T:ndo presentes as ressalvas acima , continua sendo certo que_Q_ __
r1:píesenla a pedra fundamen tal de nossos liberdades civis e indica que o
p:.n1Jl) e o Estado siio - em relação à populaç:Jo em geral - duas agências
·- -··--·-- ------------- ------ domínio arbiidrio está sob controle.
) ~

) 68 PARTIDOS E SISTEMAS PARTIDÁRIOS O PARTIDO COMO UM TODO 69 ~

) Não se pode dizer, portanto, que toda equalquer autonomia de sub- º!Sª a valid:ide ~a ~issensã.? e impede a oposição:. Os partidos no plyral •
) 1lrupo é "funcional'', ou que é testemunho do grau de independência-li-
berdade, poliarquia eiou pluralismo de uma sociedade. Isso se pode dizer,
s:.ío instrumcncos de expressão ; o partido no singular é um instrumento de -
extração.' E-elnbora possamos dizer que a sociedade modela o sistemã pã~­ •
)
)
porém, em relação à conotação estrita. Se a noção de autonomia do sub·
sis1ema for usada restritivamente, isto é, somente quando a unidade é ela·
tidário, nao se pode dizer que a ~ociedade modela um sistema de pártido
de
Estado. Bem ao c~_i:_Hr!ri<?.. é o ~istema de partido de Estado que modela
•4
ramente o subsistema - como ocorre evidentemente com o subsistema a sociedade. Sob wdos os as~CJQS.~a...lógi.i:a de unu1.uema_é_OJ_ev~rso da
) partidário, o subsistema sindical e o subsistema do grupo de pressão - se· lógica do outro. - · 4
)
)
gue-se en tão que a autonomia do subsistema é um excelente índice ·tanto
da poliarquia como das proporções em que a sociedade é livre com relação \
Com respeito ao uso da palavra partido, a ele somos forçados pela
nossa carência de palavra.s, e não haverá grande dano se o termo for tam-
ao Estado. Pode·s~firmar com segurança, em particular,_q.~poder ® lf,:f"::.:P> bém aplicado a uma não-parte, a uma parte que pretende ser o todo. Com
•t
uma sociedaélesõOre o Estado depende, em grande pane e nnc1palmente, 1 .1 relaçio à palavra "sistema", seu uso impróprio não tem justificativa numa t
)
da au onom1a o subsistema arti ario. l~o o_corre porque a autOJ!.Q.JD.ͪ J /. ." _ dcficiéncia léxica e, na verdade, é prova do desperdício de um importante
t
) d§$outros subgrupos po e muito em oertar a sociedade do Estado,. mas. ~, ~ ~··~ instrumento analítico, bem como da violação desnecessária da regra áurea
não consegue torni-la livre para influenciar o Estado.
· -A questao pode ser levada mais longe observando-se que, dentro da
"casa de força"2 3 u~ sistema ?artidário .represent~ °.~ caso limite de in-
_...\,b--\;~ de que coisas diferentes devem receber nomes diferentes.
1 ••
••
) , . . 2.3 Pluralismo unipartidário
) dependéncia do subsistem~, pois_o...plura!Jsmo part1dano _opera seg~nd~
princípio de gue os partidos saodi.ganmç.o_es vo[un~anas, or~~es ~\...... ~~
º.'\ ,\ .
;tt.>L'l..-- -
Discutimos, nas últimas- décadas, se uma democracia é concebível ou pos-
) criadas sem coação, como qu_aJ uer out:a em _resa nvada, . p~r c1d::_dao~ ;i.J.,1.t· sível sem mais de um partido.24 Até a década de 1950, a questão era abor-
)
e.ríVrrd_Qs:- .. - o a part1c1_p~~ao nos partidos nao é compulso~a, : nao ~o
º ·cidadão tem um? poss1,bil1dade de ~scolha entre as organizaçoes e.Xl_s-
tentes, como lambem o sistema erm1te - apesa.r dos custos - 2 cnaçao /
~ • dada em termos de branco ou preto. Na década de 1960, e nos primeiros
anos da década seguince, o caso· passou a ser discuti<lo, cada vez mais, co- ••
••
) mo uma questão de nuances. A resposta era, antigamente, uma negativa
võ untaria de novas or aniza ões oi' ·e . Nesse sentido, um sistema par- clara. Hoje , tende a ser afirmativa. Uma das muitas razões para essa modifi-
) tidano. não é apenas um subsist~ma independe~te, mas tamoem a erro.. ·~ µ:t.,_,\., cação é que os referentes mudaram, que observamos um mundo mais am-
Inversament~, um sistema de parti.do ~e Estado .n.ao pode nem mesmo co~:~\ 1 J'fl<·-:..-
••
) pio e muito diversificado, e que - em conseqüência disso, muitos autores
ceber o ,Parudo como u':1a orgaruzaçao vc:_luntana, e a f~ta de a~tonon:iaj \."' falam agora de ->partido único" num sentido muito impreciso, com refe-
) do subsistema torna o sistema em uestao ecJwdo. SeJa ou nao restnta 1 , réncia à hegemonia, dominância ou predominância de um partido sobre
a a rrussão ao parti o único de ual uer modo o stStema não rmite a outros.
)
)
criação vo untana e or aniza ões olítícas nem uma escolha entre or ani-1
~es políticas ternativas.
Disso decorre que a avaliação d os dados eoncretos deve esperar um
exame da questão da classificação. 25 Enquanto um autor citar exemplos ••
••
) Evidentemente. quer os partidos possam ou não operar como subsis- de partido único que, para outro autor, não pertencem à mesma classe
temas independentes, a diferença não é crucial. Por isso não é um jogo de e nem mesmo ao unipartidarismo, estaremos entabulando um diálogo de

,
) palavra terminológico dizer que só os sistemas políticos caracterizados surdos e provavelmente acabaremos com uma µetitio principii, provando

•..
pelas interações partidárias, e portanto por um "sistema dessas interações", por definição. e nesse caso por classificação indevida, o que ainda não foi

.,.
devem ser chamados de sistemas partidários. Isso chama atenção para o provado. Mas ainda podemos enfrentar a.questão teórica no entendimento
fato de que, nas formações políticas monocêntricas, as propriedades assi- de que nos estamos referindo apenas aos sistemas políticos nos quais .só
miláveis às propriedades de sistema residem nas interações do partido de um partido é legalmente permitido, e realmente existe. Nessa situação !

.•
Estado e, port:into, para o foto de que tais sistemas caracterizam-se pela bem Jcfinic..la. o ponto de interesse está, evidentemente, nos processos
) falta de autonomia do subsistema. "Sistemas uni partidários" não existem, in crapartid:írios.
) e não deveriam ser assim chamados:...· pó1s, nesse caso, o referente reàl é .E1!L~r<!L.._~ações políticas monocên~as, a.t..9.ivi?9~_ ir~_Lr~-
u~tema estatal" n_Q ciual a cªnalie_ção partidária a[ef1de aos prqpósi- partjdjriauão _wo i bid-ªs_,Js(p~~7 IJ.klQ...J?õêleniSer-institucionalizadas ou far-
tos do Estado. e não aos da sociedade.lJmsiSfema- partidário reconhece- malizadas. Não obstante, a dia.lé tica da vid~Õ sódãpõlítica - é a ue·

)
--- -
a dissensão-ê institucionaliza a oposiç<fo; üfü.sistemâ 'de partido de EstaciÕ'
--
-
que qüalquer µosi(<:_q_p~ç_!L.!l!l~ G/posifâo.- isto é, Ui11a contraposíção.
- ~ - --- - ---
- -

fl!'
)

l 70 PARTIDOS E SISTEMAS PARTIDARIOS O PARTIDO COMO UM TODO

i:ompetição int ~rpartidária. E_como pouca importância te!11 _o controle de


71

~
A despeito do est_at~to p~r_tidá'.io. perdura o fato de que os grupos maiores
sé_d_Lvidem _çm grupo~1eno~es e que os processos informais intrapartidáriqs r 11'il1-·parilêfo sem seguiélores, á face da moeda que tem maior valor é a com-
pctíção interp~~a~ria~ A essência do pluralismo partidár1oe;-põ_rtãnto~à _:
são como deveriam ser: plenos de discordância, rivalidade manobras e ba- - t
1:iThas.; ~ 6 Q.L_r_arQs .fJJSE~ no13u~~ partido único tolera.' oÜ mesmo pe_r- - cfrqtié(}sfíileres ~o E_artido se enfrentam i11dir!_!ame11~: ~les rivaliz~m
n~i'lc, _e~~SU~S fi_leiras a_ ~rganizaç_ã~ d~ Sl_!_b_uniQ_ades_e um certo t~e entre s1 com os olhos voltados para os eleitores - e isso tem conse~ncias
1 OJ?_os1 ~·~c: !o_rn1aJ1zada sao, sem duVJda , muito relevantes com relação aQ ~;
lf~lOrlgo alcance. -- ·- - - - - · ---- - -- -
"pluralismo unipaniilãnõ"; mas a argumentãção 1:ão _precisa limitar-se a ! Nos sistemas de partido de Estado, o _;stado e o partido ~fQrça~~
e~scs ~~~s êspc~ííieõS.?~--~_q!!_~1ão surge-Õenhuniã"organi~~ e JuplÍcam:se mutuamente, ao p~so que nos sistemas pluralistas,_Estado i
suóü!~nj.l_e_a_m t~lcranc1a ou me~~ dissensão_é bem imposto _çle al!Q partido se dividem e se separam . A jmplic!lç~ é a de que no caso monista
a ~~~º· os homens lutam entre s1, e g_uanto maipr_o prêmio da vitória, , ~ a pc:_r~ccíiva do __parti~o é .ª perspectiva do Esta_9o . Estã~os localiza-
1 ma~s acerba a luta.. E o fato de que o conílito individual e/ou grupal é . f c.\os no nível altimétrico do ·~quem goverpé!_'_' ~ . ne~~~~tido, é o ponto de
~b1quo_, de que existe em todo e qualquer sistema político, nos coloca . i viSía do Esta~? que abSQ~e ºponto de ~~sta_42 p~rtido.~o ca~o do p~Ür.:i_~
trent: a questão de ser ou não o conflito e a dissensão intrapartidários um . ~ li~mo part1dano, os partidos, ao contrario, lo~aJ1~am-s~ a..: m~!.~~1nno
substituto, um crsur=, da competição interpartidária. .' f. c11trc gõVema<fõ.s e góvernant~s. ~e-n.~o a~_pôLf!ic_a_LÇonsideffida}_~~­
. Os estudiosos que falam do "pluralismo unipartidário" inclinam-se d altimétrico do "quem é governado" as que tendem a se tornarem as polí-
evidentemente a responder pela afirmativa, o que sem dúvida é o caso J t~s-dõ Es~: Isso equivale~ dizer que - ~m ·~f~d~-c!i'sila__rrõprfâ-me=: .
quando ouvimos falar de "democracia unipartidári:J''. O argumento é for- -1. c;?nica - a form~Ç-~9j~~-iJ_(.ffca _l,!rJipartidária tOUl<LQ...Qoc!_erJ!.!!tO~ráti~~ ·X
mulado por\Q.uv~!J2e1\da seguinte maneira: "n!!....!!1~_cm que as facções ; pj_~Õ -quc-Üii1 ~sistema pJuripartidár.!9. _d~mocratiza o P..9l!eL Quando há
sç de~nv_?l~~_!!1 _!!_Yre'Il~IJ!.e...Q.entr_9 dum partido únicq ( .. ) õpluralísmo cornpetiç:ro entre mais de um partido, up1 partido governa na mecríclãênl
re~sc.:._dentro do pa~tidQ.:.~~~li ge~penhar o mesmo pap~l ( ..1 E ~ que--é sensível aos governac.IõSetõma o seu partido ao passo que o partido
co11ceJ!í.Y~LJlQrtanto, ~~nuilrtido único possa coincidi.Ll.Ç>m~lgumã - l único governa permanentemeilte, e daí seu problema ser quem governará
fqrma ele democracia p<?lítica." 18 Não houve maiores modificações oÜ t o próprio partido. - · -
acréscimos a essa formulação nos ::?5 anos decorridos desde que foi feita. ·-reiiCfõtudÕisso presente, nada contribui para mostrar como e por
Mas para termos certeza de que não estamos discutindo por uma palavra, que a rivalidade interpartidária pode ser um substituto da competiç:ro
vamos colocar de lado o termo •·pluralismo" e focalizar a expressão "pode interpartidária, ou a ela assimilada. A dissensão intrapartid_ária_ile_e11as_
desempenhar o mesmo papel". A questão é: há suficientes similaridades expressa - e instiga - uma luta muito~tMTS•'priva<iâ" do~ "funcional".
entre, de um lado, um partido único que permite, ainda que apenas de fa. 0'1ú'gumentõ-de que a rivalidadee o conflito C'xistem sémpre na política,
to, as subdivisões internas, e, de outro, um sistema com mais de um parti- qualquer que seja a forma pela qual são processados, é falho e nao percebe
do para confirmar a tese de que existe alguma forma de eq11i1>alé11cia fim· nada do sentido da engenharia política. Importa, e muito, a forma pela
,. dona/entre ambos? qual o conflito é canalizado - na verdade, o rocessamento é ué faz tod:t
a diferença. 1stoncamentc isso e confirmado pelo fato de ue o _c_onfl.ito
.. A primeira observação é, como disse bem um autor, que mesmo ·•nas
i!1tcrno de grupo entre políticos - na vera:ãc _o_;u1tecessor e e~_ale..nte
• ~orm.as-:1:iniL~.X!J.e.1!!...as d~ autocracia !'.~e l~ave~ma ~terlE rivalidãêie
co111pet1t1va, amda gue seja apenas_Etl;!_mfluéncia sobre e o favor do auto- d<l_!ivalid;ide intrapa_!:.tiêfária-produziu, scmpr~e ~nas,_Ê.~5~<'.~ (no
c~ , Mas, se ampliássemos o significãdõdas palavras "cÕmpetiÇão" ·e sentido histórico). Assim, embora a pluralidãcfe- das fac~Oes tenha existido
"co~1.J?<! tili Y.Q" para "abranger a intriga dos corredores pafoéiaiiõs é dbs desde _gue a vid_iLpÔlitic:t na~_ç~.!!.i .2_pi~iSITTõêle"mÇ>crático só ex"ís!il!~
con11tes partidários, estaríamos cegando o fio de nossa ferramenta analí- nlÍmcro relativamente pequeno de países e n!.!1!! p_e._ríodo r_çla~1entc
l ~c~"·
29
Essa obscrvução merece ser desenvolvida em detalhe. A compe- cuí!O:-Eiíl1)ãítTêúGí. não h:í friaíéios, nÕ dcc_~>rrer_d_oué.c_uLos.. dc_c!lie"'o
t ~ir:io c!1tre _o~l íder~ dent ro do partido único é uma luta entre dé1ei11orC.s
um a demo..:racia.
m
!'ac~-<!~~1.i~~~-~-§._~1:flLt ~~r~~~[e ~i-ten ~iã~_jamai~@e rto cami nl!Q. P~Q.
00 pog,cr qu..e_?..~.,Ç_n_l.!l!ntam clíiéTã//1-enre. Ternos ent:To principalmente, se
n:i_o~ ~cl~j~e, um ~.>1..@2. de lí1.Ic'r a líder, uma luta frciiTeT fíCníC - -~1aís TéCnical1iênte, a tese de Duverger não explica a diferença de uni·
cntr~. ~?v_::_i1ante::~ujo resul!ado n:lo tem ae ser s~bmeÍi~à_prt?VCL~ dade, incluindo-se portanto na lista das falácias da "mudança de unidade".
,\s formações políticas monistas tém apenas uma unidade: o partid<?·CO·
compet_1çao ~~~1~e9 elcitor-ª1,. ~1m sistema partid_ário, em lugar disso, ·
a competição intrapartidária é apenas uma face da moeda sendo
- -·-- - ·------ ) -
. a outrã'a--
~íiõ;s1$.iema. Ãs formãções políticas pluralistas encerram duas úíiid:icfos :'osº
- - - . . - -. - -- .
.. )
- )
l

) 72 PARTIDOS E SISTEMAS PARTIDÁRIOS


O PAR TIDO COMO UM TODO 73
)
p:.irt1dos tomados um a um, m<il.s o .~!~em_'!_ interpartidcirio;. Isso equivo..le :.i. forç:.l, ou do poder, é ha bi tada por altruístas formidáveis . Isso bem poderia
) Jlz\!r que, 110 primeiro casó: temos, no máximo, ap_enas um p_rm:esso (i1:· ocorrer com indivíduos particulares e, no global . com a primeira geraçao
) cerno) eleicorakompetitivo, enquanto no segundo caso tem2s dois pro- revolucionária . Tais circur.stâncias. porém, nrro s3'o freqüentes, nem dura-
~c-ssos (J_nccrno_ ~ ex_terno):.. Onde: encão-:êiij .ª substiruição'! Mesmo que douras; e nenhuma formaçao política pode ser construida, de fo rma per-
) :.idmitamos n:ais <loque se deve~isto é, que aquilo que ocorre 111ternamen1c manente e rotinc:ira . à base do desejo de que ela assim fosse. Se previsões
no partido único possa- ser chamado, adequadamente, de _compeuça-~. ? devem ser apoiadas cm argumentos - e a idéia do pluralismo unipartidário
) mesmo tem lugar dentro de cada um dos partidos de um sistema part1d:i- é for:nu!ada :!m ger:tl como uma previsão e uma esper:inça -, entlro a pre-
) rio. Portanto, o partido único_ não_oJerece_.ê!gu_!!la coisa_en1 t~oc:i dagui!o ·1is~o é frágil.
) gue Jlie (a_Jta. E~.º partido úni_co _.:ar~ meci™nte_j~qujlç -:-q~ __torpa
·'democrática'! a_poliarquia: a competiçro eleitoral e as eleições livres.
) Ã cÕmpetiça-Õ- interpartídàfiaíOlsüomefiaa, nos úlilmos ten'i'pos, a
um tratamen to rigoroso. De um.lado, há a acusação de que os partidos -
) especialmente no bipartidarismo - não oferecem uma "escolha real" e
qu~ o seu comportamento competitivo 1esuita, em últim_a análise, na emas-
cul:.içlo, no comportamento conspiratório, e no desvio da atençíio dos
) aspectos fundamentais para as trivialidades. Em suma, a competiç:Io pode
) ser cõmoda para o monopólio.JO Por outro lado os partidos - especialmen-
)1 te o multipartidarismo ex tremo - são retratados como tenden tes a exaspe-
rar conflitos e divisões, como criadores de "casos artificiais". como propo-
nentes de grandes opções totalmente irrealistas. Desse ângulo, a competi-
' ) 1
ção aquece o mercado, fomenta as promessas excessivas e a polarização e
cria problemas incontroláveis que estão além de qualquer soluç:ro. Em
ambos os casos, os bens ou benefícios coletivos resultantes dos mecanis-
mos de competiçao estão sempre aquém do padrão ótimo por motivos que
foram bem explicados. 3 i Grande parte dessa crítica é, sob um aspecto ou
outro, correta. Não pretendemos aqui nenhum quadro róseo da competi-
çlo. Mas como sempre, nosso problema é (enquanto aguardamos medidas)
o do peso. São as deficiências iguais, ou mesmo superiores. às vantagens?
No caso específico, pesarão as deficiências da competiçao interpartidária
mais do que seus efeitos secundários positivos - tal como expostos na
teoria competitiva da democracia, delineada por Schumpeter,32 implemen-
tada por Friedrich, 33 e desenvolvida por Daltl'!"' .
A afirmaça:o de que a "democracia liberal n:Io é, por definiçao, afas-
tada pela presença de um sistema unipartidário" 35 bem poderia representar
o estado de espírito hoje predominante na disciplina.3ó N:!o posso, lamen-
J tavelmente, encontrar argumentos de apoio à tese de que sempre que a
) compe tição interpartidária (entre diversos partidos) é reprimida, ela pode
ser substitu1'<la pelo conflito intrapartidário (dentro do partido único).
) Não estamos interessados. atinai de contas, no conflito per se, mas em suas
) .i conseqüências. Portanto, a tese presume, e nos deixa com essa suposiç:lo.
que homens que lutam pela sua própria sobrevivência - e nem sempre
) :. 1111!taforica111\!11tc - num contex to do tipo lei da selva podem oferecer.
) e oforecerão, bene fícios coletivos. A su~osição é, então, a de que a casa dt:
)
) .
)
)

.. )) NOTAS 15
.. ) f[
., .!
. ' 8. Max Weber, h'irrschaft und Gesellschafr. Winckclman, 1956, 1, Parte 1, 111,
s<'çío 18. ··con.:dro e essência dos partidos" .
.. ) t·t
NOTAS
.~ 9. Modem Polirica/ Parries. op. dr., p. 370, e "A one·p:uty system is a contradic·
1ion in itscll"' (p. 395). No mesmo espírito, Erncst Barke r, escreveu cm Rejlec·
.. )
r
r
1io11Y 011 Governmelll (Oxforu University Press, 1942): "Quando o Estado ( . .. )
abole lodo~ os partidos exceto o partido único ( .. . ) na realidade revoga a essên·
çia do partido" (p. 39). Gabriel Almond assim diz, coneisam1:ntc : "A esuu tura

.,." tt
.
tiu.: chama11ios de ponido no si~tema totalitário não é abso lutamente um par·
lido" ("Comparative political systcms'', JP, agosto de 1956, p. 397). Leslic
Lipson afirma: " .. . um partido é, por definição, uma parte do todo. Como tal.
... ) t . ;'
e signific;i a cxisténcia de outras partes, isto é, a coexistênci:1 dos partidos. Falar
) de um sistema unip:utidário é, portanto, empregar uma contradição nos termos "

"'..) '~. ( The Democratic Civilizarion, op. dr., p. 311 ). Ver também Charles :E. Mcrri:11n
t
J
1. Isso exclui notadamcnte os chamados Estados unipartidários do,; Estados Uni·
dos e os efêmeros partidos únicos africanos, cm grande parte n!lo·cslruturados . ; e Harold F. Gosnell, The American Party Sysrem , 4~ ed., Macmillan, 1949,
p. 8; e Harold D. Lasswcll e Abraham Kaplan, Power anú Sociery, Yale Univcr·
t

.)
.,)

... )
r•
f
As razões para essas exclusões são dadas infra, 4.3 e no cap. 8.
2. A principal diferença, sob es,;c aspecto, entre Lenin, de um lado, e lilll~r e
Mussolini, do outro, é que o s dois últimos declararam~e ~b~rtamentc ant1dc·
mocr:íticos, enqu:in10 Lenin n:Io teorizou nunca o unan11111smo. De fato, a
partir de 1917 até o X Congresso do P:utido BolcheV!quc, dc_ mar,·o.dc .192!,
_ si1y Pn:ss, 1950, p. 171.
l O. Esse aspecto é bem analisado por A ustin R:inney, "Thc concept of 'party"', in
Oliver Garccau, org., Polirical Research and Polirical Theory, Harvard University
Pr.:ss, 1968, particularmente pp. 148-151. O contra-argumento é apresentado ,
por exemplo, por T. Hodgkin, African Política/ Parties, Penguin Books, 1961,
o debate foi livre, e por vezes violento, dcnuo do partido. Lcntn, porcm, 1mpos pp. 15-16; por Gwendolcn Carter, in C:irter, org., African One·Party Stares,
. ) um controle sobre a oposição em 1921, e isso significou o controk sob~c a

'
Crondl University Press, 1964, pp. 1·2; e por David E. Apter, Tlie Politics o/
dissensão interna; os pa.rtidos da oposição, e especificamente os dois ~ar!1d~s
.) 1 socialista~. haviam sido combatidos desde o início com uma fr:iude e v10!.:n~1a
M0Jemizatio11 , Thc Univcrsity of Chicago Press, 1965, pp. 181-185. Regisue·
se. c·o11rra. a cautelosa abordagem de Coleman e Rosberg: "Por definição, um
... ) r que ficaram pouco aquém da proibição formal. Ver Leonard Schaµiro, "Puttmi;
the lid on leninism", GO, janeÍJo·abril de 1967, particularmente PP· 181·191.
partido é uma 'parte' ; tanto a competiçã'o como o conceito de sistema implicam
t Para 0 gcral, ver L. Sehapiro, Tire Com111u11isr Party of tht ~ovitt U11io11, Ran·
a .:xistência de mais de uma parte (. .. ) não procuraremos solucionar essas amb i·
... 1
f dom Housc, 1959; p1ra detalhes, ver a obra monumental de Edg:ud Hallctt Carr,
güidades conceituais, reconhecidamente sérias. A questão imediata é observar
qu..:, com poucas exceções, os partidos políticos africanos surgiram inicialmente
....
) ~ Hiswry of So1•ier RussUi, Macmillan (7 vols.) 1951 -1964, vols. 1-111, The Boi· através da competição eleitoral" (in James S. Coleman e Carl J. Rosberg, orgs.,
1 she1•ik Revolution . Polirica/ Parries aml Nationar lntegrario11 in Tropical Africa, University of Cal·
._. ) 1 3. A distinç:!o estabelecida por Samuel P. Huntington, Política/ OrJer in Clia11gi11g ifornia Press, 1964, p. 3, nota 4). Ver, porém, infra, c:ip. 8.
f Societíes Yale Univcrsity Prcss, 1968, particularmente pp. 403-408. 11. Essa concc~s5o nos deixa - como iremos ver - algumas dificuldades n:ro solu·
) 1
.... 4. Os rcgin;cs müitarcs concenuam-ic atualmente na Amé.rica ?o . Sul (cm 1974: cionada>. Como Domenico Fisichclla observa corretamente, o partido único é
1 Uolívia, UrJsil, Chile, Equador, Paraguai, Peru e Uruguai)~ Afnca. Embora eu um "partido" cm termos estrutur.ús e t:imbém em termos genéticos (histórico·
.... l 1
concorde com a distinção de Hunt ington entre sem partido e ;mtipartido, deve
ficar claro que a maioria dos regimes latino-americanos são antipartido pro
genéticos); mas a assimila.ç:io não é v:ílidJ em termos funcion ais. (Parriri e gruppí
di pressione, li Mulino, 1972, "Introdução", pp. 26·31.)
.... tempore, e não por princípio. O caso poderia ser diferente.' a longo prazo, nos 12. Uma dbtinção importante, que ultrapassa os limites entre JS disciplinas, é a que
.) novos Estado s africanos, pois nessa área os militares poderiam desenvolver uma
doutrina antipartido completa, sem problemas com a legitimidade. Os regimes
se faz entre (il sistema social, (ii) sistema cultural e (iii ) sistcm:i de pcrsonalida ·
de. Esses sis1em:1s podem distinguir-se pelas suas unidades de an álise, respectiva·
militares africanos são enumewdos infra, no c:ip. 8, particularmente nos Qua· mcn1e li) p:ipfo, (ii) orienta ç:io de valor e crenças, (iii) motivações, impulsos
!lo- dros 29 e 31. e necessidades-disposições. Nio visamos aqui a nenhum desses sistemas.
5. Op. cí1., p. 407. . _ . 13. Na ciência p olítica, por exemplo, o sistema eleitoral é muito menos um "siste·
~
6. Embora a minha ,ociedad1: politilada e stej a bastante próxima da noç;io ord1· ma" do que o sistema político ou o s su bsistemas do partido e do grupo de
nana da >ociedack de massas, a ênfa,~ recai, no caso, apen:1s sobre um de seus prcs~ão.
!Ir
muitos a spectos. Mm ha sociedade p oli tizada u mbém está pró:--.ima daqu ilo que
1~. Sobre a aplicaç:io da :111áli~e de sistemas à ciência política o autor dcst;icado é
... a maioria do> aulorc> chamam, hoje, de uma sociedade mob il izada. Usarei, po·
r~m. o l<!rm o mobiliz:ic,-ão cm seu sentido mah limitado, original.
David Easton. Ver, em particular, A Framework for Political A1111/ysis, Prcnt ice·
Hall, 1965, e A System Analy sis of Polirico/ Life, Wilcy , 1965.
7. O partido leni nbla se enquadra ne~>ª generalização, poi> Le nin o conc.;beu no
"" exílio e no amplo contexto oi.:iJcnt:1l. O fato tk 1i:-r sitio t.:orizado como um par· 15. ~fais dc1alhad:1mcn te, o quc :-.e disse acima significa: (i) que deve haver. uma ta 1
tido d<) aipo d..: · ·va ng uarda" dcVl'·SC 1.11110 :i douu:na marx ista t:omo :i ~i1uaç:io interdcpcndO::ncia de partes ou variáveis qur: as relações resultantes tem um:i
!>-
tussa ..:m 1917 . A~ noções dc partido dc m:i.-sas e de sistema parti<l:i riú estru lu· .. orJc111", de modo que nem tudo pode ocorrer; (ii) que cs~a ordem deve tender
~ au10111anu1cn..;ão: ( iii) que a auto111anutcnção cm quc~tão indui·a manutcn·
..... rado ~er:io examimdas no volume li. P:1ra uma aprcs~n1a ç:io prdiminar, ver
\~lo do, hmue~ e das "relaçõe~ características das p:irt c~ do- ,is1.:m:i dentro do
infra . 8.1.

74
~}
·--,
NOTAS 77
l ••
••
76 PARTIDOS E SISTEMAS PARTIOÃRIOS 1
var que su:i gcneralização constirni uma r.:ntat1va.: qu.: o exemplo o::m qu.:s tãu
limite" {T:tkoll Pano n' é Edward A. Shils. orgs .. foward a Gmeral Tlreory o/
J .i Tutqui:i, com referência à nvalid:iJc entn: lnon u e Bayar dentro do Partido
1
••
Acrio11 , lfarvan.1 Univer>ity PrC>>. 195 2, pp. l 07 · i 0&). R~publ icano Popula.r quando /\:.:mal Ataturk ainda cq.lv.a \1VO. ,\ Turquia é
i6. Por c.\emµlv. J an F .. Tnska, org .. Co11.1n11111isr_ Part~·~.1ares, Bobb~- :..krrill, 1969. examinada infra , 9.1. ~

-.
Poucmo~ u:.ar tambcm, certam.:nt.:, tormaço.:s po11t1cas unipart1d:ma>. ump:u· l9. Willi.im H. Morris-Jones, "Dom!flane<~ and dissent''. GO. ago~to de 1966, p. 454.
1idarismo e c:.pre»ÕC> $emelhantc>. O que i mportl é cviur a dicção .:nganosa JO. Ver Hirschman, Exic, Voice, and loyaity, op. d r.. p::irucularmentc cap. 5. f. esta
17. l"o contrana a sugt::.tão, que me parece enga.noSJ, de Sigmund Ncumann. d.: tamb.!m a te se implícira de C. Wright Mills (Tlte Po -..er Elite, Oxford University
que o n:msmo foi um ''Estado du:il" tloc. cir., p. 414). o ...dua;,1smo:· ~ in~: Press, 1956) e de Henry S. Kariel i The Decl111e o/ ..t mencan Pluralism. Staniord 1
1rumcntal a um >1stema auto-reforçador. Por outro lado, mmha duphL-:iç:Io
não >ignitica que o partido único ~ necessariamente um "órg:i'o cxccuuvo",
co mo C. W. C:issinclli llirma ( "Thc toralitarian pa!ly", JP, fevereiro de 1962.
pp. 111-141).
31.
Umvcrs1ty Prcss, l 961 ).
Ver especialmente Mancur Olson, Jr., Tiie logic oí Collectfre Acrion - Public
Goods and tlze Theory of Groups, Harvard Uni\ersity Prcss. 1965, passim.

)
18.
l9.
Re/leccions on Governme11t, op. cic.. p. 288.
Mcrle Fainsod, How Russia is Ruled, nova ed., Harvard University Press, 1963,
p. 387, e, para uma ilu;tração ampla, Partes Ili t! IV. Ver ra.mbém Frcdcric.k
32.

33.
Joseph A. Schumpetcr, Copitalism, Sociolism cnd Democracy, H:upcr and
Bro1hcrs, 1942, cap. 22, particularmente p. 269.
Especil1c:11nentc a sua ''regra das reações previs! as", mcU1or formulada cm
Carl J. l'fiedrich, Consrirutional Govemment a11d Politics, 2? ed., Ginn. 194 1,
••
••
C. llarghoorn, Po/irics i11 rhe USSR, Little Brown, 1966. As f1ssurJs no mono- cap. 25, particula.rmcntc pp. 589-591. Ver também Man and His Government:
) lito foram ;JJ1:1fü3das, e um tanto cnfatizad3s, por Robert C- Tucker, "Thc A11 Empirical Tlreory of Politics, de Fricdri.c h (McGraw-HiU, 1963, c;1p. 11).
contlict modcl", Problems of Communism, no,embro-dei:embro de 1963; A m:tior parte da obra de Dahl, a começar com o livro em co-autoria com C.E.
) Sydney Ploss, Conflicr and Decision-Making in Sovier Russia, Princeton Uni- Lindblom, Polirics, Economics and Wtdjàre, Ha.rpcr, 1953, está centrada sobre

20.
vi.:rsity Press. 1965; Carl A. Lindcn, Khrushclrev and tire Soviet Leaderslzip
l 95 7-196-1. Johns Hopkins Press, 1966.
Ver Ghita loncst:u, The Politics of rlze European Comnwnisr Srares, Praegcr,
as condições de funcionamento da democracia, como mostra Domcnico Fisichcl-
la, Temi e metodi in scienza poli rica, Sansoni, 197 t, cup. 6. Ver, mais recente-
mente, Dahl, Poliarchy. op. cit.; também minh:i l>emocratic Theory, op. cir.,
••
21.
196 7, csp. pp. 227-269.
V~r especialmente Robert A. Dahl, Modem Political Analysis. Prcnticc-Hall,
1963, pp. 35ss. Continuando esse caminho, Gabrid A. Almond e G. Bingham
35.
cap. 6 e particularmente pp. 124-128.
Blondd, An introducrion to comporative govemmenr, op. cir., p. 151. Note-se
t
_.
que Blondcl vai ao ponto de cspeciíicar "democracia liberal", ao pas.s o que a maio-
)
Powell combinam a autonomia de subsistemas (intensa, limitada e baixa) com
o critério cultural (Compararive Pofitics: A Developmental Approach, Little
Brown, 1966, particularmente pp. 259-272).
36.
ria dos autores, e certamente Duverger, reforem-se a um tipo vago de dcmocrada.
Duas ~firmações, convergindo de pontos de vista muito dist:rntes, par.:cem parti-
cularmente pertinentes, no caso. Segundo Jerzy W iatr, "o plurali~mo político
"•
22.

23.
24.
Ver S~muel E. Finer, Comparative Governmenr, AUen Lane Penguin Prcss, 1970,
pp. 48-49;575-586.
b~a imagem é de Max Weber.
A quest:ío alternativa é se a democracia poderia n:ío só ser possível, como real-
(...) não precisa tomar a forma de uma difcreneiaçã o externa entre vários parti-
dos e grupos, mas pode também desenvolver-se na vida interna do partido g~ver­
namental", que é, na realidade, o Partido dos Trab;i!hadorcs Polonc;es Umdos
(em Cleovages, ideologies ond parry sysrems, op. cit., p. '.!86). E Fred W. Riggs
••
)
mente preforível, sem partidos. É a questão da democracia direta, que n:ro
examinaremos aqui. Cf. minha Democratic Tlreory, op. cit., cap. 12. Admitin-
do-se a possibilidade de uma democracia sem partidos direta (com as r~salvas
apn:sentadas supra, 2.1) o que resta mostrar é que isso faria a democracia fun-
corrobora: "No caso de um sistema unipartidtirio (...) a assembléia eleita é na
realidade dominada pelo partido governamental e não pode assegurar os direitos
de oposição a partidos minoriciírios. Mas um equivalente funcional pode ser pro-
••
••
porcionado dentro do partido governante pelo seu i;>róprio congresso eleito. Se
cionar melhor (ver infra, 4.3, as dúvidas de Key sobre a questão). (...) bastante poderoso, ele poderia ser capai: de pro tcger os direitos das facções
25. Essa precaução aplica-se não só às formações polític:is fluidas, em dcsenvolvi- de oposição dentro do p:mido" (Administra tive refe>rm and polirical responsive-
m~nto, mas também, e em particular, aos chamados Estados norte-americanos ness: a theory of dynomic balancing, Sage, 1970, p. 58 3). Os grifos são meus, e

,•
de p:utido único. À parte a qucst:i'o abena de sua classificação (infra, 4.3 e 6.5), indicam o quanto pode ser vaga a idéia do partido único.
os Estados membros de um Estado federal são, evidentemente, um caso em si.
devido à sua menor autonomia com rel:iç:to às áreas sujeitas ao controle federal.
26. Supro , 2.2, e nota 19, acima.
27. A experiência interessante, quanto a isso, é a de União Nacional Africana de
Tanganica, de Nyerl!re, que permite a dois membros do part ido disputarem cada
cadeira eleitoral. Mas a Tanzânia só se tornou independente em 1961. Nycrcre
tem 95% dos votos, sendo difícil, e muito cedo, para se avaliar a significação
desse processo, e muito menos as suas perspectivas de sobrevivência (infra, 8.2
••
) e nota 23). Madagascar é citado juntamente com a Tanzânia, mas as restrições
são ali ainda maiores. O único exemplo vigoroso é, na verdade, o México, que
''

será examinado i11j;a, 7 .3.
28. Les partis polir iques, op. cit., p. 31 O. Embora Duverger mencione, inadcq uada-
menlc, também o exemplo da chamada polítiL"a sulis ta (infra, 4.3), é justo obscr-

)
''
)
) •
O QUADRO PRELIMINAR 79
)
111 os sistemas políticos, sem cxcc ça:o, têm uma comunicaçrro política. _b_ ~a­
naliza~á'o vem ~m ..seguida. É ig uaJmenle uma Catl!gOria ba~~~lt_e abraflg~n :.
) O QUADRO PRELIMINAR
1 ~1nas seu âmbito n:ro é tão amplo, pois nenhuma canalização significativa
) o~orrênasformaçÕespolíticas sem p~ti_9o. Assim ; a expressãõ é-únenos
:ibrãngeõfe <l:iStrês câtegoíiãs, po~~ ãplica a todas as fórma~õês -
) pc~partidarias, mas apen-as àg_uelas _sue contam co~ .autonon~ia do
subsistema partidário. Em suma, todas _as fonnyç_oi:_s _pol~t1cas par11U1am
tfa pr~eaade de co~unlêaça:o~ t~das as formaço~s poli~i:~s_partid:i_ria_s
pãrlilha_J]l da pro~rieda?e de canahzaçrro, mas ap~nas: os ~1stemas_P-arttda·_
,' ) 3.1 Canalização, comunicação, expressão
rios _pJrtilham _?a~~~dad~_de expre~~º~ ~ p~1!n~~1~re~ça entre as_
trJs funções é. portanto, a de que pertencem a diferentes mve1s de abstra-
,) No decorrer de nossa análise, destacaram-se duas funções ou dois principais
~ :i:,m P1.r1Jcular, a..f2.!!1~icaç:r~ e !fl~Ís geêãl; a expre~~~ é mais espec_íQ.·_
c:i . E ainda, a comunicaçao trons1ta alem da area partidana. ao p~so qµe
~ } papéis sistêmicos dos partidos: q_express:ro e a can'alizaç:ro. Uma terceira ;~Íiza.yaoe~- êxpressrro pressupõem a existência de partidos. Até aqui,
} funçao - a de comunicaç..[p - deve ser examinada, para que a argumenta· tudo bem. MáSa-c-Ôntrovérsia surge quando esses conceitos sa:o empregados
~
çrro se torne completa. Entre outras coisas, a funç3'o expressiva implica a na avaliaç:ro da proximidade ou da distância entre. os sistemas polític~s.
~ cçimunicaçª.Q. e bem poderia ser considerada como parte integrante da fun- Como regra, quanto mais geral, isto é, quanto mais abstrata a categona,
,> ção de comunicação. Devo, por isso, explicar por que digo "expressão" e ·mais ela neutraliza as diferenças e faz com que as coisas pareçam seme·
, )
n:lo "comunicaçao" e, ao mesmo tempo, como as duas se relacipnam. Em
segundo lug:ir, pode-se argumentar que a funçao de canalizaçáo envolve
lhant~s'. Ao nos elevarmos na escala da abstraçao temos, então, um ponto
no qu.al as similaridades menores podem contrabalançar as diforenças maio-
,) também a comunicação. Isso não se pode negar, pois a comunicaç:ro é o
requisito básico de tudo.
res. 6 É ent:ro que surge o problema. Por exemplo, um h?mem e um ave~­
truz são iguais - isto é, pertencem à mesma classe - pois ambos s:ro am·
)
!t Dada essa . naturezal'da comunicaç:ro, uma opçiro seria adotar uma mais de duas pernas. Mas será isso uma assimilaça:o significativa?
, l abordagem cibernética geral, COíl,10 a desenvolvida de maneira convincente
por\ Deutsch. 1 De acordo com essa opçao, o Eartido é considerado como
No exemplo em questão é correto dizer-se que tanto os sistemas par-
tidáriÕs como os sisten1as de partido de Estado deS~J!U>e~ham urna_ "fun-
.. "a rede de comunicações que se espe.çialili.luncionalmente-na-agregaçao__ ção c~~ali~adora" e ciie um aspecto import;!.nt.:: des~a ~nal!zaçã9 está no
das comunicações políticas (is10 é, as comunicações relativas à distribuiça:o fat_o d..!: 'll!~~mb2~J>~las of~ecem cana1~ de co!l!!!111ca~o. MJls o arg~~
.. ) f .autorizada de valores) para uma formação política".2 A opç:ro alternat iva mento _ nâ'o_ ~od~, ~manec!r nesse elevado n1vel_de ab~traçao. Se ~e~mane·
.) é a ãdo1ada por A fmond_, ou seja, especificar uma "funÇ!_o_de comunicaça:o
.) l po_!_itica" j'!ntame nte com as outras funções sistêmicas. 3 ~ assim que en-
tendl!mos, aqui, essa noçao. -
cesse então as similaridades de superficie e, na verdade, superfic1a1s pesa·
riam' mais do que as diferenças profundas. A COJ"!l~~c_ação e~ si c:onsi_sle
de um fluxo bidirecional , ist o é, inclui t!nl_o mensagens vindas de l!a1xo
. A r:iz:ro de termos deixado àe lado, até agora, a funçao de comuni- (dl!mãndasfcomo meiiSãgens vindas de cima (ordens,__ou dis_!ribuicr?c:.s au-
"" r
1
cação é que ela não tem suficieníe força discriminatória. Como se deve toritári:is)~Ã qüeSfao-é: quem fala, e quem ouv_e? Quem controla () lado
!1-
lcmbra.r, a,...fynç:r~~aracteriza o e!_uralj~Q...12.artidáriQ,jsto é, de input do funil? Haverá sel"npre alguns feeclbacks, é certo, .mas. a comu-,
IY
o par!!.do gue pertence a um sistema partidário. A fu~o canalizadora nicação política não é um di :ilogo entre iguais que bu~atl]._ d1str~n-se com
1 surge numa fase pQsterior, a da consoliâaç:ro estrÚtural das entidades po- a conversação . A c;inalização tem uma direção, e é esta que es!ª~.el_:ce co-
.. ) l 1íTICãSfiartidárias. e parece serap.licivefõaõ ~ aoui~JlllrtidáriÔs mas mo a circulação é manobrad<J. Isso equivale a diz_er _que um~ def~~11ç~~ s11!}·
.. 1 tambl!m aos sisternas~do Estado partidário.;; li:_, essa altura, a funç3o de ÇQ--
1t1u_DiCllÇ1.0. pol1!_1ca pode ser proveitosamente incorporada à análise - con]_
ciente da comuni~ação política deve especificar que tipo ~ co~11~~11~aça~
de q'í1en1 e pàra quem. A incapacidade de separar a c~mun1caçao expres-
J
"' 1
1
a ressalva de qul! kmos um problema de en_qu.adr-a( categ.,Q.rias hisH1ri<21· siva" da comunicação "autoritária" obscurece o pon to cruciaL _
.,,,
1
men te denvaoasnumaclasse 12ur~!nen~_a1Ullítica __ Um subsistema de nartidos {no P.~~!l_pc;u!.!lte a comunicaçao expres-
- com relaç:io à inclusividade, a comunicaç:ro. é sem dúvida urna ca- ·-- _.._____ · E t do lnversa-
s1va isto é nermite aos cidadãos se comun1ç_aJ_e_!Tl com o s a -~· ·--- -----
,,. 11 tl!goria que tudo indui e talvez a Ç_atwria uni"..ersal por excelência. Todos . ' •- i::.:-- - - - - -- · - d d
111cnt~. unuistema,J:le partid..o de. Estado oferece....um~-~con~
caç:io
-
11
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l 78
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1
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~
)

PARTIDOS E SISTEMAS PARTIOARIOS O QUADRO PREL I MINAR 81


\
i;'.tanej_ad:? para a comunicação com :l soc1ed.Hle . Não se trata simplesmente 3.2 A d efinição mínima
) i":.ito c.le que um sistema partidário permite uma opção en tre canais, ao
nasso que um sistema de partido de Estado oferece um canal sem escolha . t interessante observar que. na obra d:íssi..::i de Duvcrgcr. a pergunta "o
..1. deme11to crítico está - bem o sabemos - na aut\,-nomiâ do subsistema. que entendemos ao us:ir a palavr:i partido?" jam.HS ê formul ada . ~ Njo obs-
.~fn si, e por si, a escolha entre canais poderia aproximar-se de uma opção tante, os grupos eçilíticos emperLliados na luta pelo podu e:<lstr;am sem:
entre cadeias. A questão é se a rede de comunicações políticas está modela· !?rê: Er:iffi, antês."'chamados de fà~çõ~;i1oje.~tem o.nome de part~dcs. Qual
! no nível de subsistema, independentemente do sistema estat:il. Se assim ·a ' cÍilêre'ií'Ç'à? Puramente nominai? Apenas uma dtfercnç:i de grandeza? A
"v. então um subsistema partidário liga um povo a um governo propÔrcio- menos que estejamos prontos a responder que um partido é apenas uma
nando_um síst~ma de comunicações e~p ressi vo~e _man té m o Estado sob macrofacção, temos a necessidade lógica de começar definindo o partido
cm relação :i facção. Como diz Friedrich, de maneira concisa: ··se uma

......~
brltrole. Inversãiliêi1te, a identiflcaçãq_J::st~d._9..:Partido liga -o govern o ao
~pvo ~pe la cri3çãõ0e um_s~.tem a de comunicação autorílafio q uemantém definição não distingue um partido de uma facção, devemos considerar os
us cidadãos sob contro~_Por isso um s1stema_partid:íri_Sl pode ser defiilld'o dois como idénticos de fato, ou modificar a definição para que estabeleça
5mo um s1~e ma ae cana_!ização livre (au~ônoma) no qual a expressão 12.r?..dQ· a diferença entre ambos". 9 Foi esse, com efeito, o problema de Ourke: o
"'\ ina, em todo o sistema pqlítico, sobre_ il ~QreS$ão, ao passo çiue um sis: objetivo de sua definição foi precisamente estabelecer a lin ha entre facções

........
tema de partido de Estado pode ser definido como um sistema de canaliza- e ligações honrosas. 10 Hoje, Burke não goza de boa reputação. A maioria
a
)o _co~pu!~ó:fj~ (monopolista) 'ria qual represslio preãõmiíí"i'ãô longo de dos autores considera sua definição como normativa (o que não é) e pouco
' ?d~~ linh_a., ~ob~~J?.:es~~· - ,- -- realista (o q\{!'._ é uma outra uestão). A opinião realista crua é bem exem-
plificada por\)chatsschneide "Um partido .E9J.[tico _é,~rp Q.rimeiro lugar,
} Minha preferência pela f~nça-o expreSSÍVJLJelaciona-se, portanto, com uma tentativa organizada de conseguir o oderLJ:8_14.rk!;.lobscureceu essa
" nível de abstraçào no qual a generalizac;ão conserva suficiente especiíl- qüeSfáo... mas 1 ua mente justo dizer ue os partidos são mantidos

-......
idade. Assim, no meu enfoque, a "comunic<!ç_ão" é reduzida e absorvida unidos pela 'força coesiva proporcionada pela ~sjb ih a e de aproveitar-
ocla "expressão", e não o inversõ:--üütra diferença deve serressãltada. po- se .]õPõcler público"':-n-O padrão, porém, foi fixado por ~chumpeter: \
.êrõ. Minnacretinição da fl!f!ÉO expreSSlvãsobrepõe-s-ea ~noçiio de comÜ. "Um part!do não é ( ...) um grupo de homens que er etendam eromover o
j~ção, m:ls apenas em parte. No principâl, a funçao e_iE_ressivaestá.Jigada bem-estar público 'à ba.se de um princi2_iosQ.m...Q q_ua.l todos concordan]
à corrente de força, ou de poder. t por isso que o seu antônimo é - no (.~' Um_paruClo é um grupo cu1os membros _Ereten~m agir!!!! con5~to_

....
xo-que faço dessas éxpressões - repressão, e são quase sinônimos seus : n~a ~pe titiva pelo pode!_e,olí!_ico.'' 12 __
-perção, extração e me!los diretamente, ordens, comandos e distribuições Embora tanto Schattschneider quanto Schumpeter tenham delibera-
autoritárias. A exp~ã~ é vista apenas como UJ!la .!!_~ão d.:_ men - damente apresentado suas definições em contradição com Ourke, pergun-
_..l!.g.;..us. ~ ~ probl ~ e.!a o de m3!1terem-se as autoridades inf_o_r_madas tamos se se trata de uma ancítese necessária. Tome-se, por exemplo, a defi-
l~_to _aos sentimentos_do~ cidad'!9s, errtão ek_ poderia ser resolvido~ nição seguinte: "O~ . partidos políticos ( ... ) são organizações sociais que
ms.ituc1onãhzaçao de pesquisas de opinião. Mas o problema é ao contrário P.tOcuram influenéiar ( 1) a seleção e o mandato do pessoal do governá.
~!r~n~~-~ ~s''-dorcidadàos n~ mt!~:ifüsmÕde reta[ia~~_ imp_osl: apresentando c:l!ldidatos aos cargos eletivos; (2) as oi íticas do gQ_yerno de p
·-~ . Para contmuarmos coin as imagens de Hirschrnan, as vozes devem ter
d. opção da saída - de passarem a outra firma. 7 Se não há mercado partidá-
acordo com princ1pios geraJS ou ten enc1as com os quais concordam a p
mã.iofiãdITei.Js membros ... ' 13 Lendo-se entre as fiõhãs escm muito esfor-
·'º·e portanto nenhuma outra saída em termos de partido, então a "voz" ço de imaginação, podemos perceber aqui, em (1), uma fu são aten uada de p
?. impotente ou pode ser faci lmente silenciada. E tudo isso.! facilmente
0bscureci<lo, ou ignorado, no foco da comunicação.
Schattschneider e Schumpeter, e, em (2), um eco de Ourke . Com efeito, a p
relação en tre as posições de Burke e Schumpeter poderia ser interpretada
)

J.~desse
Como conclusão, tanto os sistemas partidários como os sistemas de
~~d~~-ê.ilillLQ_1w.rec_,c_~ma.wgênéia d_gs modernos sistemas e.2,!í·
~~os,_QQL.q~ of~J!!!L.\!m sistema . de c~alização _Pªra a sociedac!_e. tvfà~
;ponto _d:._ sem el!1a~5~.~ c1am·SLrn.u1to. Se o argumento e
j~ xado nesse nível ~êãbstração, ou de generalidade, ficamos com algo
demasiado parecido a um 1>ácuo.
)
do seguinte modo: p r.!!1cfp~_L~~~nismos são a mb.os_nec~ss_ários, em,
cqnjun~~.>. eara faz~e um_P.l].~tido U!l'~- P"ª"i:.te. do tod..o. Não é seguro dei·
xar a questão - como Burke teve de faze r - a cargo das intenções nobres,
mas é insuficiente deixá-la apenas aosfeedbacks da competição partidária.
Se a intenção é identificar o partido por oposição às facções, e com isso
neutralizar a degeneração facciosa, então Burke não foi superado. Se a in ten-
..
p
p

p
p
) p
) @
)
82 PARTIDOS E SISTEMAS PARTIDA.RIOS
O OUADRO PRELIMINAR 83
)
) ir:Io é ressaltar a mecânica pela qual os p.irtidos são transform;idos em ins: da<lc operacional. Eu acrescenta ria uma razao ainda mais forté: a revo-
) trurnentos da democracia, ou do voto popular. então Schumpe1er nos tla lução <los computadores. Quer a persuas:ro behaPioral tenh:i ou não mu-
a chave. Por outro lado, se tanto Burke como Schumpcter forem postos dado, na política, a sua perspectiva com respeito às definiçoes, o fato é
) de \ado. então o .. realismo" de Schattschneider - e grande parte de nossa que os computadores n:ro podem ser alimentados e os bancos de d:idos
atual descrença - torna os partidos indistinguíveis não só Jas facções, mas se transformam numa empresa insana se for mantida a suposiçao de que
)
também, em todo o mundo, de um espantoso labirinto de grupos que bus- 0 conhecimento pessoal e a compreensão intuitiva compensam o que as

cam o poder. 14 definicões inadequadas ou inexistentes deixam indefinido. Eu diria, por-


tanto.' que a precis:ro das definições se tomará ainda mais importante à
Antes de prosseguirmos no tema, duas perguntas mostram-se opor- medida que compreendermos que o computador já está entrando em sua
tunas. A primeira é: qual o objetivo das definições? E a segunda: qual a sua quarta geraç:ro e, com isso, que nos estamos atrasando muito em relaç:ro
importância? As definições servem a muitos propósitos, e sua natureza às necessidades e às exigências da revoluçlro tecnológica no conhecimento.
varia de acordo com esses propósitos. As definições simples declaram sim- De qualquer modo e por qualquer razão, a verdade é que a mais recente
plesmente - e deixam claro - o significado de um termo. As definiçoes literatura sobre os partidos trabalha, em maiores detalhes e com maior
complexas slio uma questão bem mais complexa, pois espera-se que enu- consciência do que nunca, com o problema da definiçll'o. 17
merem os atributos ou propriedades de um conceito, e isso pressupoc, por Vários autores propõem definiçoes bastante longas, que nem por
sua vez, uma regra de composição. Visamos, aqui, apenas às definições sim- isso se tornam uma sinopse de uma descriç:ro.1 8 Não será necessário dizer
ples. Mesmo assim, para os objetivos de uma pesquisa sobre os partidos, a que as definições complexas sa'o ex tensas por dcfiniç:ro. Deve-se compre-
dcfiniçao simples . nao pode ser demasiado simples. Não pode consistir ender que as classificaçoes e tipologias também definem a classe "partido"
apenas de urna afirmação do que é a interprctaç:ro do autor; deve enfrentar com relaçao a uma ou mais de suas propriedades. (Isso ocorre particular-
o problem:i de tornar a noç:ro distintiva. Deve, portanto, enfrentar, cm pri· mente com as tipologias históricas.) Em ger~t. .Q!.p~rtídos são definid~s cm
meiro e principal lugar, a pergunta: os partidos são diferentes de <111e'! Há t«.vno.s..de..(i)_atole.S,_(ii)....açJ;)es (atividades).lili) conseg._üê!l.ci as (pr_q~to:Ü
muitas variedades de grupos e agrupamentos políticos. Uma definiçao de e_(iy) camp_o....19 Mas os partidos também podem ser definidos com respeito
partido deve excluir os não-partidos. Mas é mais fácil dizer do que fazer apenas à sua funçãO, ou ã sua esfrüfüra, -ou a ªfll~àluz do esquema
isso. Evidencia-se que, de fato, "partido" está limitado por muitas frontei- iiijlrit-output, e ainda de muitas outras maneiras~- -
ras e que a maioria das defmiçoes traça certos limites enquanto esquece
Para reduzirmos esse labirinto, du:is restrições podem ser feitas. Pri-
outros. meira, alguns autores têm mais consciência da definição do que outros, e
De qualquer modo, que importância tem a definiçao? Importará, serve aos meus propósitos presentes focalizar aqueles que se ocuparam cla-
realmente? Duverger não nos apresenta nenhuma. Epstein, em seu volume ramente da seguinte questão: ele que, e à base de quais elementos discri-
um tanto mais limitado, mas ainda assim comparável ao de Duvagcr, tam- minadores, devem os partidos se distinguir? Essa não é a única pergunta a
bém nao se mostra muito entusiasta das definições, pois observa: "Quase que uma definição responde. Por exemplo, poderíamos indagar também:
tudo o que é chamado de partido em qualquer naç:ro democrática ociden- em relação a que os partidos desempenham seu papel? Esta é, porém,
tal poderá ser considerado como tal." 15 Mas isso só é válido na situaçao uma questão complementar, porque pressupõe terem-se os partidos ident!·
de "nações democráticas ocidentais". Se tal rcstriçao e delimitaçao nao ficado com relação a certas t:aracteristicas discriminadoras. Assim, a pn-
for feita, teremos problemas se nao deixarmos claro o que o nosso univer- meira tarefa, embora não-exaustiva, do definidor, é delimitar. 20 Um partido .
so inclui e exclui. Com efeito, até mesino Epstein termina com uma defi- não difere apenas de uma facçio, mas também de um "movimenlõpõfi':::"'-
nição sintética, e não muito seletiva, de partido : "qualquer grupo que tiêO'' e ainda mais, oe umà slmpfes "ãSsoCTã ã~olític:f'. Os ru..ciY.imen~s,
busque votos sob um rótulo reconhecido." 16 E o fato é que as definições e "associa.ções po 1t1cos po em tornar-se partidos, mas como meros mov1-
estão voltando - depois de terem caído em desgraça por cerca de 20 anos mc_ntos e associaçoes ainda n:fo se_con~tit~ .~omo tal. 21 .Po.r~outro ladQ.,
- à ciência política de hoje. os pãmoOs devem ser distintos dos grupos de P!essão ou d~ interesse_. ~
Isso ocorre em grande parte porque a expansão global comparativa ailH.la não é tudo . Suponhamos termos aceito a definição segumt~e: ~.~rli- l J
da disciplina nos coloca frente a um mundo muito impreciso. Além disso. dossTIO'grupos po!Tt1Cõsquevlsãii1ãêonquis1ãr e m~~te~ o contro!e .ã oS.
e ao mesmo tempo, quanto mais avançamos no caminho operacional, mais inst~~nentõs Oc1overno. Essa definição permite que sindicatos, ~xerc1tos
nos temos de haver com definições precisas - mesmo que apenas da varie- (públicos ou privados) e igrejas possam ser considerados como partidos.
..J1 ----..
~

) ::!4 PARTIDOS E SISTEMAS PARTIDÁRIOS O QUADRO PRELIMINAR 85 ••


)
.\ segunda restric:io, particularmcn te afin;ida com a pesquisa empíri·
ca. t! a re~;nç:io d:1 cieÍi'11ição mi'nima. n Uma c.iefiniç:io é mínima quando
cão de Riggs como signifi cando que o pa.rti<lo único n:Io estó incluído, em-
bor:i Riggs especifique que e~tá. 17
••
)
)
todas as propriedades ou c:iractcrísric:is de uma entidade não indispensá-
veis à ~ua tdcntiíicação s:io apresentadas como propriedades variáveis . hipo-
1e1i.:as - ·~ não como propriedades de definição. Isso equivale a dizer que
A definiç:io de \J:inda é a seguinte: os_p~rtidos saQ "orgallizações 9!:!Ê.
têm o objetivo de coÍoc~eus reprcscn tantcs de_:~a ra~os em _l?osiç~~s g~:
,,e-rn:rmenrnrs"'.:~de e que , nessa ôeTinição, as eleições Jª nao
••
)
)
tud o o que va1 além de uma c:iracterizaç:Io mínima é passivei de verifica-
ção. 11Jo é considerado como verdadeiro por definição. A regra , como tal, é
ã simplicidade mesma. Não obstante, vale a pena nos determos na maneira
consumemüm critério crucial de distinção. Janda explica que sua formu-
IJção destina-se expressamente a i~_sluir tan to o proces~o- el.eitor~I (~u~
para ele significa, como para Lasswell e Kaplan. a competiça~ 1nterpart1~a;
••
)
)
pela qual funcion:i. E as definições mínimas propostas por Lasswell ê Ka-
plan. Riggs e Janda oferecem uma excelente ilustração disso.
No clássico Framework for Política! E11quiry de\J.asswelL1e ,Kae!Jn;
,
ria) e a oct!,p.aç~posições governamentaii "por um ato direto de d_es.1g-
n:ição", isto é, quando não ocorre nenhuma competição eleitoral_. A log1c~
de an a po ena ser interpreta a a seguuite maneira: se eseJarmos dei-
••
)
lemos: "Um partido l12a.lú.i.c.o1 é um grupo que formula questões amplas
e que apresenta candidatos a elei ões". De acordo com os autores, essa
dÇITii1çao 1sttngue o eartido dos segmcn tos não-organizados e inativoSCfã
xar claro que tanto os partidos no plural como os partidos no singular est[o
incluídos nessa definição, será uma imprecisão. ou ambigüidade, intro-
duzirmos a cláusula eleitoral . Pode-se argumentar, portanto, que a defi-
••
)
)
opinião pública porque - dizem eles - um grupo r'envõlve org;mâação".
Da mesma forma. a Oefinição exclui os g~os que buscam influir nas de·
ci~~elo uso da violência, bem como os grupos de pressão. lsso porque
os partidos apenas '"obtem e exercem o poder através da coordenação for.'
nição de Janda tem o mé~ito de afastar a ambigüidade e;ustente n~s de-
finições anteriores. Por outro lado, ao abandonar a clausula elettoral,
perdemos seu vigoroso, e múl~i~lo, poder ?e discrim~ação. Assim, a defi-
••
)
)
màra·os votos '":"':tt:lem oisso, os autores indicam que a definição distingue,
os partidos das facções (gue não apresentam cuiestões ampks) e ressal-
nição de Janda é quase subm1n1ma. Poderia, em parucular, falhar quanto
à distinção dos partidos dos grupos de pressão, ou mesmo das organizações
militares e religiosas.19
••
)
tám que ela exclui, igualmente, os sistemas unipartidários (aos quais se
recusam a dar esse nome.1~3
·- A definição de l~s é 'sualguer organização que indique candidatos
·

~ç_:i;º-J;ruil....Wl'.ª _assetr....~.lfila_e(çila!.:/4 Riggs rêssáltá que' suã definiÇão-é


Evidentemente todos os autores citados adotam uma estratégia de
definição mínima. o' maior número poss íve! de atributos .ºu propriedades
são afastados da definição, no entendimento de que atnbutos que antes
••
)
P!lli!.IDente estruturll (!}áQ....f!,IJ)CÍOllJ!.lLd~vido_à impar.tante proposição ml!·
to~gica segundo ~ qual deveria~~~ fazer d~s "critério~rutura,is...\[s_
surgiam como propriedades de definição são reapre~ent~d?s como pro-
priedades flipotericas ou Pariái-eis. As vantagens, em s1mphc1dade de de~­
nição, e em relação à se paração caneta entn~ ~uest~es ~e fato a sere~ ven- \
••
••
bases para a classificação" e, em _seguid~, usar "variáveis foncionais em
ficadas empiricamente e questões de de.finiçao, nao sao pequenas. Mas
) qI~~e..s". Riggs admite que a definição não pode, nem pretende, ressaltar
uma regra é sempre mais simples do que sua aplicação ..Não só os no~s~s
as características mais importantes dos partidos, pois "apenas especifica
) autores divergem, como se poderia esperar, como tambem cada defimçao
\.
••
uma maneira de decidir o que incluir e o que excluir da categoria em consi- tem, evidentemente, seus pontos fracos. Lembrando a anáfüe anterior, pro-
deração". Pareceria, prima facie, que a declaração exclui o partido único,
ponho o seguinte:
ou pelo menos o partido totalitário. Mas Riggs diz que essa exclusão não é
Um partido é qualquer grupo P~.0-!.~~- ide~fica,;!~~ ~!!Ué!.U!?

••
intencionaJ, sendo obtida - se o desejarmos - com a inserção da cláusula
de que os candidatos têm de enfrentar "competição".25 Vale notar que oficial ue a2resente em_~1çoes, e feja ~a~a~ co_lo~aves ~e elei- 1
Rigg~ ao contrá-fofo de Lasswell e Kaplan, abandona "questões amplas", ções livres ou não), candidatos a cargos_p.U.b.11cos_,__
Essa d;finição conserva a propriedade que não pode ser a~ando~a~~
presumivelmente porque isso não constitui um critério estrutural, ao preço,
porém, de enfrac{tlecer O' discrimen entre partidos e facções, que constitui - o critério eleitoral de discriminação - sem pagar seu preço a amb1gu1-
••
uma preocupação para Lasswell e Kaplan. 26 Por outro lado, a suposição
desses autores de que o grupo exige organização é um tanto gratuita, e
Riggs deixa claro esse ponto substituindo "grupo" por "organização". O
dade. O partido único é incluído explicitamente, e isso po~ duas razões.
Em primeiro lugar, se os partidos únicos forem comparados, 1soladament~,
aos partidos que têm contrapartida, as duas classes não precisam ser co~s1- .
aspecto mais interessante da comparação vem, porém, da palavra "eleição".
Com base no argumento de Riggs, a definição de Lasswell e Kaplan não
constitui um critério de exclusão - como pretendem - do partido único.
deradas hetero<:>êneas, ainda que seja apenas pelo fato de que um partido
ditatorial também pode agir num ambiente pluralista. O urúpartidari~mo e
o pluralismo partidário separam-se não ao nível do partido como urud~de.
••
(nversamen1e, Lasswell e Kaplan interpretariam provavelmente a defini- mas ao níxel da unidade sistêmica, e o defi11iendum, no caso, é o pam<lo.

-
-,.- ... -~--~-

J
,
..,)

..) ~1
86 PARTIDOS E SISTEMAS PARTIDARIOS

não o sistema. · Em segundo lugar, o partido único também "canaliza" _


O QUADRO PRELIMINAR 87

seja como fachada , ou por motivos mais profundos - a população nas elei- rorn1os claros quanto a para que servem, em essência , os partidos. Partidos
.) í
1
ções. J: cernr-que no unipartidarismo a~ eleiç.ões não são livres. Podem !•
e sistemas partidários poderiaflA. até mesmo existir apenas porque existem,
além disso, ser uma farsa, dada a fªcilidade com que as urnas podem se; F 1s10 é. sem qualquer outro objetivo senão a autoperpetuação. Mas não
.) 1 1
Jcvcmos postular uma lei de Parkinson dos partidos simplesmente deixan-
Y1ola<las e os resultados adulterados. Não obstante, eleições não-livres são 1
!

.) eleições, para o que importa aqui, ou seja, que uma ocorrência eleitoral Jo de indagar - de uma maneira hiperfatual - para que s:lo os partidos:-t
(a <lesix:ito de sua s~bstância) basta para distinguir o partido único dos gru- conveniente, portanto, começarmos das bases, isto é, das razões que leva-
) pos pol 1t1cos que nao recorrem ao ritual eleitoral (ou legitimação, manipula- ram ao nascimento dos partidos e daquilo que nasceu sob esse nome.
J ção, coerção, fraude ou qualquer que possa ser a palavra adequada).32 O...part~do, como sabemos, é um nome novo para uma coisa nova, e
As eleições livres, por outro lado, parecem exigir a cláusula "é capaz o nome é novo porque aCõísã é nov"i A palavra não foi usada em sentido
) de coloc_:ir atravé~ d e eleiç~e_s". A razão evidente dessa cláusula é permitir p{~I itico ateo sécúlõ-XV1, e sõ- com fio!ingbroke a qüest5'o se tornou visí:
) a excl~sao - ~u1~0 nectssana - dos partidos que são apenas "rótulos". 33 v~L DuralüC:"to~<!_ osêcülo- XV!ff; os parti<lõS=:ifüda-eram cons!!lerados, dê
Tambem cont.nbu1 para restabelecer a distinção entre os partidos e os seus um_modo ger_al, com grande desconfiança, não só por aimi:l estarem concel~
) subgrupos, pois, embora as frações possam a presentar candidatos, é o parti· tualmente ~Sturados _com as faCÇQeS, COll}~.Jªll)Q~jTI porqu~-- era difícil
) do ~u~ c~nsegue a sua eltição. Minha principal intenção, porém, é substituir distingui-los na p!Atj_ca concreta. Foi no século XIX que essa diÚinç;1o sê
a ex1genc1a d_: organização - que diz coisas demais ou torna "organização" a
·afirmou Eºm cl:ire~, e os partidos passaram sêr geralmente aceitos cômô -~
) uma exp~essao evanescente - pela exigência de que o grupo em questão instrume1~_tQS JegitimQ§..Ulecess:i!_ios d~go_~rnQ livr~. 1_-iá, ~~n~ebi~clme;.
) S~JJ suficientemente efic~ente e coeso (ainda que apenas em bases espon- te, várias maneiras de examinarmgs a rationale da era do partido.-Durante
taneas, carentes de orga~1zação e articuladas de eleição a eleição) para ele- t0Jas as vicissitudes política~ da hu,manidade, porém, um tema imp~
) ger a~guns de seu~ ~n.~1 dat~s. E o aspecto de coesão desse quadro nos é se~uu: c9mo conciliar a existência privada e a coexistência pública, à
) sugendo pela restnçao 1dent1ficado por um rótulo oficial". Dentro do for- an~quia, e a orden:i.,...as..diíe~ençau..JL.barm.QDiil....Não imeorta se a unidade
mato de uma definição mínima, essa qualificação talvez seja redundante. ini. 'ai é o indivíduo o ru o rimário ou secundário, ou uma comunfdacte
) Pela mesma ra~o, p~rém, a parcimônia poderia prejudicar a especificação na_cional, em cada nível ó ~roblema fina é: çomo a unidade menor se rela-
~
de qu_e :anto ele1~ões livres _como não-livres estão incluídas na definição. Uma ci!2!1a e se integra com ~ unida~e m~gr] : uando os partidos nasceram, isto __v
)
defi~~çao resumida podma ser a seguinte: un!..JlJUtida_é_qual~ é, cjuanclõãSêHvísões_e_difer.eaças políticas se inslltucion tzaram - a ques; ~
...... tã~tou a ser, e de forma majs premente, como fazer mir:tqu_e_uma p.arte
) polz t1co ue a resente em eleições, e seja ciijíáz de colocar através de elet-
ções~candidatos a cargos~· não coloque em risco a unidade, e como pode uma parte ser usada em
"") A d7fimção mínima cumpre seu propósito quando basta para identi· befléfícío âOiõdo? - -- - -- - ..
~
) ficar _o ObJ~to. ~ér:' desse propósito, porém, não constitui uma definição ---~ e~.!l!IUE_J>arte-todo faz ressaltar claramente a rationale do plU@·
P" s~fi_c1ente, i_st.o e, nao .pode atender a outros objetivos. A definição mínima lismo partidário, que é ãseguinte :se o partidOé uma- parte, segµ_e-se que o
)
soe necessana para eliminar a indefinição, indicando o que deve ser incluí- 10dô não_poje se~represeniajfõoli" cônstitu[do apenãs pÕr um partjdo,]~
~
) do ~u excluído de determinada classe. Assim, as definições mínimas de bo!a dis~o se ~gª que cada partid9 deva comportar-se comojlma parte
.... parudos não têm capacidade de explicação nem de previsão. Não é de mo- em si, co~o uma_p'!!'te.não relacion_?da CO!J1 .oJodo. ~strutura parte-to-
.... d~ algum seguro que tais definições focalizem o que é mais importante (é <l<;> aplic<tse- também, reversL"".amen1e,_à rationa/e do_pllJtido Y..i:iico, <?.~ ~.?
e~1deme que a. q~e foi proposta por mim não o faz), e é certo que não sistema de partido de Estado. <la maneira seguinte: se o partido é uma par-
,.. ' transmi te~ a s1gruficação e a razão de ser das entidades assim definidas. te. é u_m par~~do ~~~1.C: se_o..J.QSl_o não cõincide com_a sua parte b°?a, ~ "11!
Pa_ra este ultimo objetivo, precisamos de um quadro, de um esquema con- todo "falso". -
,,.
ce1tual, ao qual volto agora para alguns comentários finais. A ~lura parte-todo também nos per'mite compreender como
/"- p~d~ 5t~ frã~il-ê pre.cária uma expenê~cTa ~m ~S!~~!!lª p_;ir_fíd~no-:-Q.s
pa~t1dos poacm tkSYJar-se. d~_scu cu(sp_em do1s_sent1do~ : De um lado, este
3.3 Uma visão geral
j>.
c_u_!:.so ~st~_lill1eaçado E_e!Q..Rartidarismo_e~~o_&~~~!...!..ecaída
ll()_[a_çci9~i.s1110: os partidos sobrepõem-se ao todo._D.o. la..do..Qposto,~a.:.
,.. ) Argumentam?s. ~ão ser possível construir uma teoria dos partidos e dos
sistemas part1darios sem estabelecermos o que não é um partido, e se não Ç!JdS! r_e l ~m~n.QpQl_iQ~~~ uniJ.iri.smo: o todo sob!epõe-se_!s par;es.
'" ) Com o decorrer do tempo; portanto. o~ de um sistema de part1 00s_
,..
)

) --..
e;
)
PARTIDOS E SISTEMAS PA R TIOÃRIOS
O QUADRO PR':L/.1-l !NAR 89 e:
) ~
tem pro..:edc!nc1a sob re o primordi:il. Por isso. :i tarefa de reunir ;:ssas ver·
) r;:su!LJ num:i diiú:ii_!ja media enlrt! o Sila ili <lesinreern.::io (o todo sedes- ienres diversas tndutivamente, isto é. a parcir das evidências empínc:is, pa- e:
)
)
morona) e o_$ari~de -~?. u_~_a!:imismo t2s p'rr"ies- são-~ngolid:is pelo todo)
Q~ .P.ª.!:.~.Jos so rnante_m cyrn $egurança __~- ~e u_ ~~ quando conseguem
eq~:b ra~~y2mdan.smo com~ ~v~rno imp<ircid, a t1dt:lic.lnde :io p<Htiuo
rei.'.:! hoje impraudvel. Fica-nos, assim. a esper:.inç~1 de que a tare·fa de coru-
truir uma teori:i possa s.:r re::ilizada d:i outra m:.rneira, ou seja , partindo dos
di:mentos tundamen tais para cltegar aos particu!Jres. Pelo menos. retor-
••
)
)
e .1 l 1~ 1 ~a~e-~a_o Esrndp,p_in t_~ rcss_e_..do parti'!º e j J:n ce resse geral.
r\lt!m disso. a estrutura parte -todo permite distinguií- nitidamente a
q~e s t~o de para qi~e existem os partidos. isto é, qual é seu objetivo primor-
• nando :i metáfora in icial. o p n~sen te trabalho ~e fundamenta na suposiçiio
de que dos eixos possamos chegar :is junÇ'ões.
Um:t obs~ rva ção fin:tl é necessária. ~ão só o quadro preliminar aqui
••
)
)
d:al e1ou sua funçao. Q~~do os partidos são "panes" (no plural) eviden-
ao
cia-se_o fa t ~ de a_ue constttue~- ó r~ão de expressão, isto é, que serve m
ob e11vo nmordi:il de transmtllr vi orosamente :is autoridades as deman-
resumido não é completo - corno é óbvio - como também lhe falta -
rei.:onhc:ddamente - ·prova adequada, pois o ônus da prova recaiu em gran-
de parte, até agora, sobre a forçn dJ lógica ; e a lógica não pode substituir
••
)
)
das do público como um tod? . .Evidencia-se como fato porque 0 paru 0
coerêi11vo nao se pode matenahzar na mecamca de um sistema de lufa-
ltsmo par i ano_. ~versamente , quando o ''partido bom" representa 0
"toJo real" permane~e, então, um mistério como o_s.istema unipartidário
as evidências. Se estas são adequadas, ou se o argumento empírico fica ver-
dadeiramente favorecido pelo nosso quadro preliminar, é o que resta ver.
Não obstante. há, na lógica, umu certa força que não devemos rejeitar sem
•• •
maior ponderação. A argumentação racional ::fota o comportamento huma-
) se~, ou podena_ s~r~1r, ~o mesmo pro,pósito~ Todas as possibilidades, para~

)
) ~:.i.P l$f!!l2~ d~ evide~,i1.Q...9.!Ull!CL.<U?.ªrtid_9-m_oJ1Qp:nllita. exliâitU!.,Õ
t <?~~ pub l ~co como um todo Lo ql,!e é desejado pela " parte" (o partido
s~m contrapartida). Em suma, os partidos que são partes são instrumentos
no, e os homens reagem a uma "lógica" .
••
)

)
~e J?OVe rno de ~m .t_odôpiürãlista: pressupõem a diversidade e instituciona-l
h~·ª.m a d1scordanc1a. O.partid~ qu~ n~o é p.arte nega, inversamen te, o pni'!-r-?}(
c1pio mesmo da diversidade e 111sttt uc1onaJ1za a repressão da discordância.
••
)
)
Admitimos qut! as observações anteriores são ãltamente abstràtas e
~eprcsenta!" apenas um mapeaf!1&rltO dos fundamentos . É por isso, e den-
<rO desse amb1to, que a oposição entre sistemas partidários de um lado e
••
)
)
s:stema.s de partido de Estado, de outro, tem característic~s nítidas. Em
termos de rationale é sim-ou-não . O mais ou menos virá em termos de evi-
dência empírica. Até agora, meu enfoque recaiu principalmente sobre os
••
)
)
pilares , os eixos. Mas é claro que também devemos buscar as junções.
Em princípio, .º po~t~ de _partida 1.1ão devia fazer muita diferença.
Quer passemos dos. eixos as J~nçoes ou, vice-versa, das junções aos pilares,
••
? ordem de procedimento da investigação pouco deveria importar. Se am-
••
.•
)
oos os elementos forem examinados, no fim os dois caminhos se encontra-
) rão. Na P'.ática, porém, faz diferença partir dos fundamentos ou partir dos
dados._ A JUigar pela evolução do que nos últimos 20 anos se escreveu sobre
º.partido, .com base no impulso que o estudo dos partidos recebeu da teo-
na geral pioneira de Duverger, o mais notável é como foram poucos os que
)
lhe deram prossegu~mento, is~o é, como foi pouco o que se prodyziu em
••
-
te rmos d~ c~struçao de teon~ abrangente. Hoje a bibliografia é, pelo me-
) nos, maciça . . Mas _quanto mais sabemos sobre os partidos, mais enfrenta-
mos uma proltferaçao de tendências e vertentes de análise e somos cada vez
menos c:ipaz:s de reuni-las n~~ todo. Talvez isso ocorra principalmen te
••
)
) por termos. tantos dados emptrtcos a examinar. Qualquer que seja a razão,
a verdade e que as sombras obscurecem as cores, o detalhe, o secundário


)
)

)
)

) NOTAS 91 ·1
) 1
)
; xa que seja a sua orga~ização •• que busque eleger pessoas para cargos governa·
mcn1a1s sol> um ~e.te:m.~ado rotulo l · ..) e mio uma organização, é o elemento
NOTAS ~ auc1al pura a dchniçao.
i
) Isso. é tcstemu~!1a~o ~ela valiosa análise geral de. William J. Crotty, "'Political
i
l
17.
parucs r.:sca1ch , /11 Michael H.aas e! Henry S. K:111el torgs.). Approaches 10 the
) Stu_dy ofPoliti~al Scienc~, Chandl~r. 1970, pa~sim, mas particularmente pp. 290-
)
2?=>· Ver também o cª.P! tulo escrito por ~usu~ Ranney, in Graceau (org.), Poli-
trcal Research and Polwca/ Theory, op. Cll., e hed 'Y· Riggs, citado adiante, no-
) 1as 19 e 24.
18. Eis uma ilustração: "Um partido político é um grupo organizado formalmente
) que desempenha as. fonções de educar o público (. ..) que recruta e promove pes·
soa~ para cargos pubh~os,. e que desempenha uma ampla função de ligação entre
) 1. Ver cspecifi~amente ~~utsch, The Nerves of Gol•ernmenr, op. cir. Em geral, .~ o pubhco e os responsavess pelas decisões governamentais. Distingue-se de outros
Richard R. l·agen, Po/1t1csa11d Communication, Little, Brown, 1966.
: grupos pelo seu empenho em influir em ampla escala na elaboração de pollticas
de preferência controlando o governo, e pela sua aceitação de regras institucio'.
2. Samud .H. Bames. Parry Democracy: The Jntemal Politics of an Jtalian Socia/ist nulizadas de conduta eleitoral - mais cspecificamen te, conquistando os cargos
F~Jera~1on, Yale Unive1sity Prcss, 1967, p. 241. Embora Almond e Easion Iam· públicos por meios pac(ficos". (Crotty, "Political parties research", loc. cir.,
bem S~J:.im usado~. :1 definição de Barnes ress::ilta corno o enfoque da comunicação p. 294. Os grifos são meus.)
se aplica aos partidos.
3. Ver particul:irmen te Almond e Binglwm Powell, Comparative Politics ·A Develop- í 19. Ver rred W. Riggs, Partiesand Legislatures:Some Definitiona/ Exercises (mimeo),
trabalho apresentado ao Congresso do IPSA em Montreal, 1973, pp. 3-9.
mental Approach, op. cit., cap. 7. · 20. A importância teórica do problema de "delimitação" é bem ressalt;ida, entre ou-
4. Supra, 1.4 e 2.1. tros, por Harry Eckstein em sua "Introdução" a Internai War, Free Press, t 964,
5. Deve ser cla.ro qu.e cms três funções são escolhid:is para o esboço prelimirwr pp. 8·16. Como observa, "pode-se definir um conceito cm termos de sua delimi-
porque, e na med sda cm que, se relacionam com elementos essenciais. Serão de- tação{...) (eJ ao início de uma pesquisa pode-se ter mais de uma definição para
talh~das no vol. 11, onde é apresentada toda a relação das funções atribuídas aos servir como delimitação de um assunto" tp. 9).
partidos. 21. Para a distinção entre associações, movimentos e partidos políticos, ver David E.
6. Esse! a~pecto inetodológjco
é examinado em seu ..Conccpt misformation in Apter. "A comparative mcthod for the study of politics", AJS, novembro de
compara tive politics", APSR. dezembro de 1970. 1958, p. 227. Se os movimentos se transfonnam cm partidos, desenvolvem-se
7. Hihd•.m?n• Exit, Voice and loyalty, op. cit. e wpra, 1.4. habitualmente cm partidos "e:xternos" (criados externamente}, ao passo que as
8. No .~ax1mo, pod~·se encontrar uma definição incidental na p. 218 de les partis associações ou clubes políticos foram com freqüência o nascedouro de partidos
poltt1ques, op. clt. Du1erger no exame do problema cm suas conferências de "internos"'. Especificamente sobre a noção de associação, ver Robin Williams,
1953-1954 obs~rva qu~ a ~cfinição se modifica com o tempo (isto é, assim como A:merican Society. Knopf, 1951, pp. 450-455 . P~ra os movimentos em geral
mudam os pamd~s~ e md1ca q~e há 50 anos a definição adequada era ideológica; (mclusive form:iç:io de seitas, revoluções religiosas e políticas, movimentos na·
qu~ :s ª.tua! dcfimç;io p~edom.m~nte baseia-se na classe social, e que a definição cionalistas e carismáticos), ver Neil J. Smelser, Theory of Collective Behavior,
orgamzac1onal ~os partid os soe importante para certos tipos, cspecialmcnli! os Free Prcss, 1962, cap. l O, "The value-oriented movement".
part~dos .~º!"u~s~t~s. Ver M. Duverger, ''Classe social.:, ideologia e organizzacionc 22. Sobre as definições mínimas, bem como sobre as complexas, ver G . Sartori, F.W.
parttu.ca : m SIVlm ( org.), Sociologi4 dei partiti politici, op. cit. , pp. 109-114. Riggs, Henry Tcune, Tower of Babel: On the Definition and Analisysof Concepts
9. Const1tut1onal Governmenr and Democracy, Ginn, 1950, p. 420. in the Social Sciences, Occasional Paper of thc lnternational Studies Association,
l O. Supra, l. l.
Pittsburgh, 1975, pp. 32-35 e passim.
11. E.E. Schattschncider, Party GoPernment , Holt, Rinehart & Winston. 1942, 23. Power and Society: A Framework for Politica/ Enquiry, op. cit., pp. l 69, 170-71.
PP· 35-4 7. 24. F.W. R1ggs, Administrative Reform and Political Respomis>e11ess:A Theory of
12. Capitalism, Socialism and Democracy, op. cit., p. 283. Dy11amic Balancing, op. cit., p. 580. 1:: a formulação mais recente. Para uma
13. Bernard Henncssy, "On the study of party organization", in William J. C'rottr variante, ver adiante, nota 27.
Cori;. ), A proache:; to the Study of Parry Organization, Allyn and Bacon, 196&, 25. As citações s5o de "Compara tive politics and the study of political parties", in
p.1. Crotty torg.l, Approaches to the Study of Parry Organiration, op. cit., pp. 50·
l 4. ~ ~c~~o que Scha ttschneider faz uma ressa lva à sua afirmação de que "os parti· S 1. Esse é, m rea lidade, o principal texto de Riggs sobre o assunto; ver toda a
os sao .d~r;'.11dos em termo~ de s~a busca de poder" (Party Covern111c111, op. cit. , sua resenha e sua valiosa análi:;c, pp. 46-72.
P·. 361 acrcsce~ t and~ que. 'o ~1cto.do partid:íno ( ... ) I! um método pacifico " 26. Afinal de ..:ontas, as facções podem ser poderosamente organizadas e podem
(p 37.1: h.s? n~o esta, pore1~1 , 1m~l1c1to em sua definiçJo (embora estcj;1 implÍ· indicar cand ida tos a eleições, no sen tid o muito real de ser o partido apenas o
cito_ nas dc1 1n1~.õ~s qu.: se rcl<!rern a .:ompcti\·ào eleitoral). recipiente passivo das indicações decididas den tro dos ~ubgrupos foeciosos. e por 1

15. L. .1·. pstcin, Pv/111ca/ Parries in h1estern Democracies op cit p 9


16. lb1d p 11 Vc · ' . ., . . 27.
eles. Es~a ohscrvação é dcse1wolvid:i infra, cap. 4.
A impressão é fortalecida por essa variante da definição de R1ggs: " .. . qualquer
"
·• · · r, t>m lll:LJOres detalhes, p. 9: " .. . qualquer grupo, por 111;11, frou·
organização que indil·ar cand1da1os à e lc1çiio a uma legislatura .. ("Comparative

90
) - ~ -
)

92 PARTIDOS E SISTEMAS PARTIDÁRIOS


)
[V
pohCJc:s Jnd 1hc s luJy of pollllc:il pa.rCJ.:;", loc. cu . . p. :i 1; gnfos meus.) Ou )Cja,
) J ?alavrJ "leg1sla1ura" 1cm forte> a;,oc1:i.çõcs com o governo constlluciorol ba·
,~JJO no plu ral1>mo p:u ud:íno. O PARTIDO VISTO DE DENTRO
) 28. Kcnnc t h Janda, ...t Co11cept11al Fram<?work for tl:e Compararive ...tnalysis of Puli·
11cal Pareies. Sage . 1970. p. l:SJ. Es,e S.ige paper condensa ICPP rarial>/es aml
)
l·odi11g 111011110/, ti.: J JnJJ. op. cit.. que é :i ionl~ a consultH para uma melhor
comprcen>âO e uma Jprec1aç:io completa. f 1mporta1He acrescentar que a deli·
n1ção dc Janc.b é cond1c1onatla por ,,:u projeto de pesqu1Sa, que abrange tam b~m
º' "pa.rutlos 1kgab". Pode-se p.:rguni:u, porêm, sc essa mclusào n:io deve ser
procu r:ida atravé> de uma cláu, ula tle espcc1fic:ição.
) 29. Em ger.il, o inconveniente parece ser o de que enquanto a primeira parte da ddi·
n u;:io de Ja11dJ é mu110 1mprec1sa e abc:ria, a dóusula final é de>nece>sanamcn·
) te rc>tnuva. E se o par11do não uver como meu - por ser muito pequeno. ou Frações, facções e tendências

---
4.1
por >Cr Jnárqu1co·revoluciontlrio com o objetivo dedarado de restabelecer a de·
) moo.:rac1a cJ1reta. ou amda por outr:J.> razões - .:oloc:!r seus representantes cm
"po>11,·ões de gov<:rno '"! Não deverá se r considerldo um partido, apesar de parti·
Ao estudarmos os partidos, admitimos implicitamente que o partido é uma
) cipar cJc cleiçõc, idcnttt'icado por um rótu lo partidário? urúdade signific:itiva de análise. Não obstante, lidamos com uma unidade
30. Potlc11Me ver melhor os frutos disso nas vánas obras de Riggs, que adotou a estra· mais abrangente que o partido , pois estudamos também o sistema parti-

--
tégia da clcfint\àO mi'n1mu de maneira mais consciente e sistem:ít ka do que a dário. Pela mesma razão, podemos ficar aquém do partido como unidade
) ma1ooa dos outros a.u !Ores. e estudar, portanto, as subunidades partidárias. Mesmo que o partido seja
31. Po1k:mos notar, com ruzão, que o que foi dito anteriormente se aplica b.:m ao
m undo d<: pÓs· l 9~5. mas não historic:rntcntc. Enquanto o regime fascista ita· a principal unidade de análise, essa análise é incompleta se .não examinar
)
tia no realmente realizou duas eleições com listas únicas e m l 924 e l 934, o regi- como tais subunidades entram no partido e o alter:i.m. Como Eldersveld diz
) me n:.rnsta não considerou necessária a legitimação eleitoral. Assim, pela minha bem, em si e por si o partido é "uma miniatura d o sistema pol ítico. Tem ~
clcti niçiio mínima, o partido nazista não seria um "partido". Isso explica por que uma estrutura de autoridade ( ...) Possui um processo representativo, um
)
)
32.
au!Ort!s anteriores se recusaram a chama.r de partido o partido único tsupra,
o.:ap. 2. nota 9). e mostrJ as diliculdatlcs não solucionadas dessa assimilação (su·
pra , cap. 1, nota 11 ).
Notc->e que a definição propos ta pcrnute igualmente (apesar da caractcnza\:iO
clc11oral) a mdus:io dos partido~ revolucionários. na medida cm que paruc1pem
sistema eleitoral e sub recessos para recrutamento de líderes, definição de
~et:is e so ução de conflitos do sistema mterno. cima ãe tudo, o. parltê1º'
é um sistema de tomar áec1soes... 1 Como isso sugere, há muitas maneiras
de estudar os partidós de dentro - quase tantas quanto de estudar os pró-
f!O
...
~

---
de d isputas i:leitor:m - qualqu.:r que sejam suas metas finais ou sua 1deolog1a. prios sistemas políticos. Duas linhas de investigação, porém, receberam a
) i: e~s;.s a caracterizaç:ro su blinhada por Ep~lem (anteriormente, nota 161. Se tO·
)
33.
mada a s.;rio. uma mera "d.:tiniç:io d.: fachada" implica que todos os rótulos
devem ser levados em conta: e isso leva a algo semelhante a uma quadrup!Jcação
Jos números em questão. A s1mplt:s contagem dos nomes de pa.ctidos nos levana.
maior atenção: a C!!-1.estão da democracia intrapamdária e a .abordagem
organizacional. )
A primeira remonta ("lei de ferro da oligarquia", d~ichels, e cons- \S
C?-
cm muitos países, a entre 15 e 30 dessas organiz.ac;ões. tiluiu, com efeito, o principal enfoque e preocupação do estudo dos pro-
) J.!. Ver, datada de 1964, a bibliografia sele ta e disposta a;ialiucamente na obra ori;a·

-
cessos intrapartidários. 2 Embora não se espere ~ -Qtpartifios totalitários
miada por La P:!lombara e Weiner: Political Parties and Polirical Development,
op. cir., pp. 439-464; e subseqüen temente, Jean Charlot, "Nouvelles études de e autoritários pratiguem ã democracia_eJILSuas fileirA tal como..!}§.Q..a pJa: p
)
partis poliuqucs", RFSP, agos to de 1970, pp. 818-821. O ritmo das pubhcaçõcs ticam na condução e na gestão da formação política, aind~inLQ_p.llrtido
dc,d<:! 1964 miensificuu-~e. Ver também os doi, valiosos artigos de Joseph A. ú'l!_c9 _pretende com freqüência, hoje, ser internamente democrático. De-
Sd1l<!smger (sobre "Unidades pa.ctid:ínas ") e de Ha:ry Eckstcm (sobie "S1ste· vemos decidir, portanto, pnmetro se uma determi nada formal demÔcr:iti- p
ma> par111.lfoos") na !ntematíonal Encyclopedia of rhe Social Sciences, op. cir..
vul. XI. Um r.:c(!nte exame geral foi ic::ito por Crotty, em .. Political parties ca e, segundo, se a forma corresponde à substância da democracia. Dada a p

--
rcs~ard1". public:tdo no volume de !\.anel Haas (Op. cir.). Ver também a avalia· variedade de medidas pelas quais se pode avaliar "democracia", o problema
i;ão jud 1.:1osa do estado da mu i~rrn por Derck IV. Urwin, "Political panics, socic· levantado por Miche!s prov:ivelmente continuará <J ser interminavelmente p
) ues <i11d r~g1mcs in Eu rup.:: some reílccttons o n the literature", EJPR. I. 1973. debatido. M:is se os processos in trapartidários são realmente tlemocráticos .--
) não constitui preocupação minha aqui. ?
( .•
)
~ abordagem organiz:icional é mais recente : foi estimulada por ~ ..,........
)
v,crgeu l_:va o esLU,!o dos i:>artidQ:i à árc.!_geral da teoria da organi~a
verdade, o est~do da _:strutura organizacional tem relação com a questão
,:a
)
e:a
93 p
)
P'
)
94 PARTIDOS E SISTEMAS PARTIDÁRIOS O PARTIDO VISTO DE DENTRO 95

) p<)•ll"~ duralnhd:ide e ncnh~m:1 cstru lur~. S~o. ti.p1t·amen 1c, as projc_çô~s d~ ambições
du democracia, pois _1:1m processo democrático exige cenas estruturas, e
) nro- ºutras. P2r outr~ado, !I teoria da organização ocupa-se de problemas 111.dl\1clua1, . I. ..) lnformaçocs de que h:i na C'orc1:1 42 partidos, ou 29 no Viein'iido
Sul, ou 18 no l':iquisl:i'O ~:ro, :iparent~mente, falsas. Esses agrupamentos são na reali-
de organização, e não com a den:iqcracia, ainda mais porque uma estrutura d.1d.: facÇÕC$, e se assemelham muito aos conventilhos, grupelhos, facções e gru os
) p~dê ser ~emocráticã e os processos práticos podem ser oligárquicos 04 fJmiliarcs que dominaram a política d o século XVIII na Europa e na América. s P
) pseudodc:mocráticos. O.enfoque organizacional visa, portanto, às suas P-CÓ·
prias~JHJ..tSl~. E também não é essaã investigação que pretendemosaesta . _Podemos acre~cent~r que isso se aplica não só a grande parte do
) alt um. 3 t 1 crcc1ro Mundo - mclumdo portanto a maioria dos Estados africanos _
f
) - · ,, tv}inh a ~ão J?ªra di7:!!...subl!.!!J!:!..ades partíiárias é precisamente a de ~ como também, e igualmente bem, à maioria dos países latino-americanos.
estar o enfogue sobre a unidade seguinte, isto é, sobre ôdesdõlnanieilto-· 1 S.: h:í uma palavra que se repete várias vezes na descrição da política suJ.
ni~s importnnte e mais significativo imediatamente abaixo do nível d~r- ·1 :m1cricana,t:i_p:_rso11ulis11101 bom equivalente de facção, em espanhol, tal
tido como unidade. Q.ualquer que seja ãalSj?õsTÇãõõijãnizacional - formal t como entendida desde ãCpocãõos romãiios até Maquiavel e Tocqueville.
)
é.~ - um .E_:l!!ido é um a~~e eessoas que formam co~stel!· E!1! Qrimeiro lugar, portanto, é fato seguro que as facções antigas, ou do
) _ções de grupos fiva1s. Um p_ar..tLd_o_podunesm.o....s~r. quando observado ~­ ti1)0 antigo, amãa estlio bem _vivas ~ go~~~ de~oa saúde na maior parte
d~mro, uma confederação mal estruturada de sub partidos. No outro extre- ti.o mundo de j}Qjc. g m se undo lugar, e voltando às formações po!J'ucas
)
mo, o partido totalitário também encerra uma estrutura grupãITrlfõffiiãi, desenvolvidas, uma coisa é dizer - como 1zemos - que os partidos substi·
) cp.m- fre uenc1a caracterizada por intensa luta de gru~. E sssas divisões tl!cm_E facções~~ unidade nova~ ampla, e outra muito dlfe·
) internas do partido, J.Untamen e com o tipo de interações dela resultantes, r.:ntc entender que as facç2es não Sõbreviveln, Õu nao"podemser reviVidãS,
constitueuL poui....J!lfill.A.rea de p.reocuPê_~ão diit1n_1ª..,e mcial A questão r:.~m~ariíJõs, ou sCJã,Cõmo ~u Q.yií1âãdfuartidáriãs."' r5eixei
) ~ portanto, como a unidade "partido" é articulada, ou desarticuiâda, pelas' implícito, cm toda a minha exposiçao, que as facções do tipo trádicional
·suãS"Sul>unidades. Como dissemos anteriorm'en1e, õpropê10 partído'"'é ...::ae- ; não foram substituídas de fato, nem estão obsoletas em seu significado
) próprio também nas formações políticas partidárias ocidentais.
~ro - um sistema. Portanto, podemos dizer que estamos agora focali· !
) _zando o partido-como-sistema - um sistema cujas partes são as subii'i1fciã:' Tenho, portanto, pelo menos três dúvidas quanto ao uso "especial"
des partidárias. d.: facção pela ciência política de hoje. Primeiro, se precisarmos de um
) termo amplo, neutro, para as subunidades partidárias em geral, facção é
A primeira dificuldade em nosso caminho é que nos falta uma termi-
) nologia consolidada para c1~g~ar as subu.JlJdades partidárias. Os italianos uma má escolha, uma palavra altamente inadequada ao propósito, pois
lhes dão ? n~me de "c~rreJ!~S;, (!;Qrre1!Ji): os -ªlem~es falam geralmente cie conse_rva.' de maneira comprovada pela experiência, na maioria dos países, ,
) um s1gmficado de valor profundamente arraigado: transmite a sugestão, t-,:.X '2\-·~·
alas e te~~nc!a (Ric/lt!!_ng_!f_Qu FliigeQ~ os autores franceses e ingleses são
pclo~os para o Eúblico geral de ue a matéria, o estofo da olítica é ·.
igualmente imprecisos e metafóricos quanto à questão. _Por outr_o lado, os
ií'füénié_men.1~ · suio e_maligno. Minha segunda úv1 a é a de que esse signi'.:'
cientist~s.yotíticos norte-~me~ican?s se. decidiram por 't~cçãe':l- na mi-
nha opmiao, uma escoHla mfeliz. H1stoncamente, '!§facções são agyll__g_que. ficado "especial" contraria a regra de que o vocabulário da ciência deve
os partidos não são; atualmente elas têm a aparência de constituirem._a diminuir, e não aumentar ou criar, a ambigüidade: as facções de que falam
11_1g_t~rio i~~er~a-:-irit;~nseca-:Oõspãfiidos. Nô'üSõéõíúum, a racç"fu é a~al~_:- Kcy ou Richard Rose, 6 por e.>;,emplo, não são, evidentemente, as facções
11va; na c1enc1a pol111ca, pelo que nos dizem, é neutra.~ de duvidar se esta de que faJ a Huntington. O resultado é que criamos na disciplina um equí-
maneira é adequada ao trato da questão da Wertfreiheit. 4 .I:. ainda mais voco comparativo capaz de provocar muita confusão, e que estamos mis·
duvidoso supor que haja qualquer razão, ou sabedoria. em rejeitar a cono- turnndo medidas paroquiais com medidas mundiais. Minha terceira des·
tação histórica. Na verdade, estamos sempre atribuindo novos significados confiança relaciona-se com a rejeição da conotação histórica. Essa rejeiç:ro
a velhas palavras, e quanto mais tr_ouxermos de volta à vida palavras eco- tende, entre outras coisas, a tornar menos visível a preocupaç:ro com o
11otaç?es_ obsoletas, melhor para a riqueza da l ingua. A questão é, portanto , pa!>sado e as lições fundamentais que ele contém, corno se a modernidade
l tvc~se exorcizado, de uma vez por todas, a degeneração iacciosa, os riscos
se o significado clássico de facção é obsoleto. E isso não parece acontecer.
l' i:ustos oriundos de grupos que são apenas projeções de ambições indivi-
E~11 primeiro lugar, tudo indica que aqueles que pesquisam sobre os
novos Est.a~os ~ão inevitavelmente levndos a usar "facção" com as associa· JuJ1:.. E se é de fato isso que acontece, então estamos perdendo grande
pa!ll'. embora não tudo, do que constilui a matéria da política. Em suma,
çõ.:s ~ rad1c1ona1s da palavra. Assim, l Hu11tington . fala de facciosismo com
relaçao a agrupamentos que têm precisamos de um nome amplo, neutro, que ainda não foi encontrado: cria-
.....:.... -
-· - ••
••
.
% PARTIDOS é SISTéMAS PARTJ0,;5,R/CS O PAR TIDO VISTO OE DENTRO 97

mos uma ambiguidade desnecessj n:i \! perdemos, ou .:nfraquecemos, uma 1~ que ~ãE p~dc haver focciosism~ ~ n:ienos que um grupo políci<;_?_esteja
espccifi<.:aç:lo de qu.; precisamos. org:inizado de 1~1aneira _<::oercnte•. Parece-me, em lugar dissõ, qu~e o facc io-

••
Tcndo apresenta do minhas razões para con ünu:ir usando "facc:io" sismo individual é pufeicamente concebível e que uma tendéncia pod.e
par;,i designar um 11po especifico de grupo polícico, compete-me indicar organizar-se sem perder _sua_!latureza1 isto é, concmuando como Rose a

...
outra J.:sign:ido para a 1ocali<lad.: da classe de subunidades partidáiias. define, "uma sériees1áve! de atitudes". Assim. eu conservo remlê11cia para
indicar as subunidades partidárias mais difusas, em contrapo.siçtro às mais·
Por exemplo, S\! ''núcleo" e)! ivesse disponlvel, poJeria ser usado com esse
oojc!lvL>. !\las núcleos partidários são geralme111e entendidos como as uni-
ú:iJ..:s bási1.:as, mlnim:is e locais. Com referencia aos núcleos partidários,
tcnd.:mos a investig:H os processos intrapa.rtidários de baixo para cima , e
dcfimitadãs- e- Visíveis -=-cõmoãs- tendé11ci:is partídáriasde esquerd:i e'êk
·direita. - - -- - --
·- Tendo ido tão longe quanto permite o vocabulário disponível, ainda
- •
crn sua <lifu são nacion::il, periféric:i. Meu enfoque recai, em lugar disso,
sobr.: ns grandes subunidades partidárias - gr:rndes no sentido de que são
as prirneir:is encontradas ao descermos a um nível inferior ao do partido
corno unid3dt:, e no sentido de agregarem as unidades inferiores, como
precisamos de uma divisão mais analítica. Há muitos tiQos de fraço!!i..
O\J~B.2 m_undo das subunidades partidárias e ~1uito diversificado.~
variedade é da maior importància, pois diferen~es subunigpd§_prod_uzem
unidades diforcnt~:,Q_u, numa formulação mais completa, diferentes tipos
d~ fra~ões incidemlQ_Job.re o grau de coesa:o e, inversamente, de fragmeo-
...
......
os núcleos, oa ctípula do partido, e em torno dela. Em outras palavras,
o n lvel de anál ise do núcleo inclui os militantes e me_mbros do partido, ao rnção de um partido, e (ii)'~obre as maneiras e meios das interações e di·
passo que estou interessado nos níveis superiores, nas camadas superiores nãm1ca 111trapartidáriasYor ambas as razões, e. 1_!1~ expressivo dizer
do partido. q~e a ~eza de~~_12artid.o JillJLD.ª-D_!ll_ureza d~_s_l:!.!!_S .fü.ções; Os parti·
T.ensJo_t~ presente, escolhi a palavra )tf:ar~'Há, sem dúvida , Jos de _ideologia e estrutura qrganizacional semelhantes - por exemplo,

..
a.lgun~\ nconven1entes também nessa escolha . Primeiro, "fração" tem um
os partidos católicos ou os· socialistas - podem se.r muito diferentes em
todo o mundo por serem diferentes as suas frações. Mas ingressamos, aqui,·
s1•1:1~1 '· especial no vocabulário marxista, em particular na tradiç!Io
numa terra de ninguém. Hume investigou a natureza das facções. Nós, em
l.:n11mca. Se undo, o alema-o Fraktion indica a re rcsenta ã'o do artido
lugar disso, operamos na suposição de que são todas iguais ou, de qualquer
no_parlamcnto na verdade, uma denominaçã'o pré-marxista, pois remonta
modo, que suas diferenças não são dignas de exame em detalhe: todas as
ao Parlamento de Frankfurt de 1848). Apesar desses inconvenientes, não
pude encontrar nada melhor, e as desvantagens parecem menores do que frações são frações, ponto. Inversamente , minha impressão é a de que se
as v~tagens. Adotando um novo tamo geral, a primeira vantagem é poder nllo nos detivermos na anatomia dos partidos, nosso entendimento da polí- ~
tica será sempre prcjudjcado por uma importante variável ausente.
usar !acção novamenic sem ambigüidade em seu sentido específico. Em
segundo lugar, "fração" é sem dúvida uma palavra mais neutra e menos
comprometida do qu.: "facção", pelo menos na medida em que tem uma
llistória mais breve e ancestrais menos eminentes do que a segunda. Além
4.2 Um esquema de análise
Até agora livemos uma tríplice articulação terminológica V.!E~ão .)~
""
fia
disso, podemos habituar-nos facilmente a dizer fração, dado o fato de já
fab(m~s de fracionamento e fracionaJjzação. Sob esse aspecto, "fração"
transmi te a sugestão de que um índice de fracionalização 113'.o precisa li·
mitar-se aos sistemas p:irtidários 7 e que pode funcionar igualmente bem
goria...geral L não especificada)(Jàc~ulcgr~_i:>o de poder específl.ca.) ~ te11dêt!.;_
cici'.(série configurada de atitudes). Nessa divisão, uma facç:ro pura e uma
t~ndência e_ura r~P.rcsentam os extremos opostos ãe um contíõüà. Um par-

~
para os sistemas partidários e para as frações partidárias. tido formado de facções puras seria um par~ ~
O principal prob lema continua sendo o de que a anatomia interna pe~nos um partido cujãsêfivisões internas são altamente evidentes~
@li
do partido não pode ser exp lor:ida de maneira adequada sem a ajuda dt: d_s~tae1.1..c.1~s. f{~utr~ ~~~-um partido formado apenas de tendências
/é;, / uma _estrntura mais arcicul:tJa. Rose sugere uma distinçrro entre facçcro e sena um partido cujas divisõesinternaj_fillQ_pJ>u_Ço ~viden tes e pouco sali· ·4'
;Y wndc11c1a. Tal como dclinc esses termos, uma fu%_rro é "um corpo Offi!!· ~'~~ portanto:Ué"âcordo com no~ni_ç{o, um ~rtido com poucô
. • 1~1Gado . ...conutn~cc.na medic.la..dc coes:io e a disclplJ.~c!.issó-resu ltante". tacc1os1smo . 81
. .'~>'-';-··~n~~u~nto' a t.e~1ue1:~.~1 ~·~uiu uiri~ ~st á_vd ~e ati~udes, e não um g~o -- Q~ Ps>~Lbilid~icionais e residuais devem ser pre~ a pri- ~
y l:.st,tv~l de pol1uco:s . ~mbora a d1strnçao sep valiosa, uma variável orga· ~11eira é a d9.§.f!!!rFicldrios 11ãv-ali11lzaclos, o~. mcmb~~n~CE!!)..4.mte...s q~ ~
fll
1Hzar.:1~11a! ~alvez ~:r~. Seja uma .característica marcante adequada.J>egue-s~ 1~entific'!.m_ COJl!2.__P~aforma part13ária, _com__'..'posiço~ ap,oiadas_ p~I~
. que, S<:: uma tendenc1a ~e organiza, uansfonna-se .~c.ç.lo; .lh,inversamen· totalidade do Pi!rtido _elcitor~l, e não com fac~~s ou tendências".9 A

"
)
1 98 PARTIDOS E SISTEMAS PARTIDÃRIOS
O PARTIDO VISTO DE DENTRO 99
"
)
f Sl'S~!..t!!! _é o partido urumi::aclv, o p:in ido fragmentado entre vários l i'dercs, 11
)
g
ç~r'~·1l1g1•1rcu11pt~s nn11ucintolbrpocsqudeonos elm tornto dAe cafda um desses Ji'deres que s:io t f.
_< ... .e. par amen o . .l .rações são, com freqücncia, ·
"~c~s~i~hzadãSr, '!1as a s1tuaç~o imaginada aqui é a de personalização aio- f
,i grupos quase se>bcranos: ~ina.lmcnte. a variável orga,niza-
p:.lflitlo 1.:01110
l.'lü llal tem priorid'aJc por constituir, com toda probabilidad!.i._9 mais con-
rn:to. indic:1dor para a ·avaliação <la fracionalizaçS'o dentro d ~ partido . Por
'
) 1~11~a<.b. Ambas as t.ormas - fláo-alinh:ida ou ~o 1!1izada _delimitam á peri- i°HH rO JáUO ~ a dilllCllSâO Organi~aCiOnaJ pode variar ind ep~nt~tTICll t C.
ll!r~ d<? nosso tópico. ls_so e3_u1vale a dizer:__que o nível sÚbpariidário de ,\ ·principal razão disso é o contágio: organizaç?o prO!)lOve o~ga..!lifaç:l'_2.
) a~ahsc e, em ambos os casos, de pouca signifiêaçao. Um pãrtidõ que é SI.!· algull_l.as frações s~ O_!'ganizam ,_outras até entã? n~o-0~g:niza~1 de
) 1~~:1l111c111e composto de "maependentes'':Qlié totalmente- "atomizado '', • : at:'óillpanhá-las. aindil: que apenas para poder compet1r efc t1vam~e E_Ontra
llaO lClll UO~a art1culâÇtfOfrac1onãJ que VU aJé~o valor aparente dessas ús _grue_os_organiza d ~s. Orga~l~:.inp?·se,. ~12~ré~....fil!lªJ!?ct..:ro não p_r~s~~a
1
1
) catJClcrrz:içoes. - - - - '"" - - - 1 11 ~ccssari amentc perder stiãliaturcza tal como determinada p<:.!_a ~u tras
-~nte, por o~tro lado, que a maioria dos partidos são - ao 111'.v~ 1 ..=-- --
Jj 1111!1\SÕCS.
- - · . ., . -:- -.-- - -. .. ..
)
d:g; subu111da~es··· amalgamas, comõrnaçoes ~difertrnTes propürÇõCSUe .1 · (f;'T
~ ;time~ 111oriJ1ac~o1gl é ~_sue in_y_<:s_!![?'!_ m~~ dire~a.mentc . o
) facçõ?s· tendencias, ~grupamen tos maependentes e/ou atomizados. Sob "f~-=-~~~10" l?_l'Opnam~~tc Uttp .~U_!ll~~~tªE_e!e~eu,'-:q~an~o a l~S~, a d~·
) esse angulo, por.tanto, os agrupamentõs fesiduaiStambém devem ser leva- tiiiç3o entre facçoes ãc mtcressc e. facçoes_d~nnc~p10. E~ mais de do1~
dos e~1 c~n t~, uin.da que apenas pelo fato de a sua presença modificar a ~fculos, nenhuma outra classificação meJilõr foi feilã. O_:intercssc" de
) c?~1b111aç~o, .ISI.º. e, º- pes? relativo de cada elemento do amálgama. Além \ lluniepç_a..:r~a ~~:css?-;~º:, v:ú1t!!gc~1-e ·s!~õn~osjf~xi~?.~~: c~'.:10
) d:S_s~, o part1d:mo n.ao-almhado e/ou a área atomizada podem funêlõiiãr "Ütilidade", "co11ve111enc:1a , oportumsmo e exped1en~ . Mas m-

)
)
1 c.01110-g~pos ãe apoio e, na ver<lade,_eodem tornar-se os trunfos mais va-
IJ~s?s do jOg~ , po1S podem f~zer_ pen~e.i:_a balança e ntre a maioriá e a mi-
llüJ'J.!!. dO-{!Jrljdõ. - --
tcr~sse" é bastântc claro ..·Seguiref. -portanto, a terminologia de Hume,
c11tcndendo-sc que as E.sç.Q_cs_ de intÇI~S~E:Jprec n~e~i__ dois ~,;!!~­
ciais dist~guív~ is: as [a5ões_ de puder, pura e simp~sn~ent(@_poder eElg
. . . ~ bas:_~ ~assifi~ção preliminar feita acima, a anatomia subpar· pod~r), de um la~o. e asjàcções orie11taclas para cargos e prove11tvs* (ml;!S
)
)
1 t~dana ~e _ser pro~c1tosa~nente ex2lorada-ªo longo de quatro dimensoes:
(1[o~g~1!~ac19n;!L. (11) ~~ouvacional, (iii) ideológica, (Tv) esqÚerJa-..:-direita.
voltadas para ~~tagens do_que_par~~oder) do outro. ~acç~de
rrinci2_ÍO, de Hurne, apresentam erobl..:ma idêntico, em?_~ra talvez mais
E cv1dcn h! qu..: essas dimensões se tocam e se confundem mas não sabe- sério. O t..:rmo princípio é facilmente associado , hoje~ à 1Cli!Olog~o~-
) mos e.xatament..: como. Enquanto esperamos que uma pesquisa adequada r"rliícCpiõÇ iOcolõgJcõs:l)eve:Sc .êinender. portanto, que minhas ~~çccs
)
cstabcl..:ç.a suas .~o rre laçõ~s e interdependências, é útil seguirmos um esque- <lc,#piliJ&ipfo_ilJclY.ciiuilli!~~~iç_d_'!fkr g':.!1eos~e'!.!.<!gi~~~ .~. t~mbCiii
ma o '~~ais unalittco poss1vel. pura e simplesmente grupos de idéi.i, OU grupos Ue Opll\130, !SlO e,~
) . • 1~ ~_!)imensão u~g~11izacio11a/ vem em primeiro lugar por várias ra- pos·cujas idéias e ideais não parti~1 ~~~ -outras caracfc~a~ dos grupos
1 zões:. _rni~1almente, a d~nção entre partido e facção foi estabelecida com ideológicos. S2b certos aspectô~~a d1sunçao e desnecessana. S~b~?~·
frct~l.!11C~- ~? _passado, <:_~re fÍÕfiãs OrgaJ!12açionãls, na suposiçao de que <:,tão imrzortante guanto a distinç~o - de que a~eratu~~e_éia f!llllto
0
~~~:?º e~po organizado, e a facção, o nao-organizado. 1º Sabemos ~\!ocupou - entre os partidos d e ideologia eos particfos ae opm1ão.
1 ::~1.~~~o ,so que as suõüiU(Jades par.tid:irias eodem. ser vigorosamente õr~ Grupos oricntudos ~ra_ 9 poder_ç/ou_p_~~ ~rgos uroventos i!1d!·
J • • 1.:01110 tãílil5em q ue o part ido pode até mesmo ser em compãra- i;;rm o que gcraiii1e11te -se entende por '§ª2 " :são as facçõefp_Qr e~c~­
ç:Jo com as suas subunidades, a entidade menos org!!J)izacti. 11 Essa reti· l~nciã.'"'Os grupos-de -op-inião e/ou idcelógicos são~ntrário,·dcsin1cres­
s~dos, isto é, seu prlnclpàl in te ressê esta na promoç:Io de idéias e id_cais
flcaç:lo torna a vari:ível educacional mais imp-ºIlaille... As fraçÓes seguem
unlã . . duss1fica ç·ão que vai· dcsde a autonomia · máxima até a- autonQ.IDiJ.I - . -- -- -- -- -- - - -- - --- -
n11111mu
. . . .. , dos sub •ru s f · ·d· d · ·
~ p~.. ace a um a e do partido. I ~o_ proporciona ime-
1
)
Ji.i~:im~ill\: um l !l~~or que pod..: nos apontar qual o nível de an;ílis<: • Lm ingl~'· SfllJ/IY /occio11s.. Na líni:ua ingk,a. o subs1an1ivo spoil, us:ido no plural,
11
!!1.~ r..: ~v;i i~te - .s.~...°. do ~.!ldu, o~o do subganidq. E, evidc11tcmcntc. :1p1t·~ i1ta " ,1i:111 fit·;alo t'>pl'clfi.:<> J.:: "cmpr.:gos o u rar!!O' pu\Jhros e seu' .:m0lu ·
• l ~p. rn u1 t~ _ '.rnpm.~~1nc 1a s~, e conforme_ o grau CQ.1._guc, o PªI tid<L~ cons~ 111.-11lth "º'''11d1dll, ,·orno prop rk.ladl' t•xdusiva d.: 11111 p:111idu nu 1)1.)Jcr que ~n ·
1·,·,k ,·m prnvl'ilo pró prio" 1h'd>~11·r's Co//cgiare Dicrio 1111.iry, ~l.:rriarn Publi, hc'.'•
t 11t11 1Jo d~ sub u11 1daJl!s que op..:ram uma rcd, d- t' 'fu d · · ·· 1·
1~1111 coí1-;r:ss · 1·v· . · - - · · . - -~~ ~~-
. __ p_ u~, ~ 1.: .anta111 Ju1H.l~s_ para s1 mesmas (não oara o partido),ª ~s. Qf2PíJihJ..ca .1:.. Sprm!!i'ic·IJ, ~l:i" .. 19-IHJ. N:1 at1-...:·11t'ia dl' cxpn•s,~io .:orrc.;pomll'nl•' cm ponu~1.:,,
np1.11;10, pc·l:1 11.1J11ç:io ;1l'i111a - "c:1rgo' "· JH1lwn1os" -. :1 qual >l' voltará toda'ª'
t •~111 sua 11nprcns:.r e seus port· ' e -~,._ .- to·· _-
· .,:._.ç.,
._ __ _ _ _a_-voz..:s no_<;:~un • ·
r_c;bc1onar~-~
• •
,,.ll'' que• aparct·cr.:m no ll':\ 10 :.t.s C'Pl'l'~'õcs spoils ou spoils focli<.>ll, que n:io \i'iú
t P<"'-'ª'· ct\. ll.1 l.d. lira>.)
)

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)

) fP
) 100 PARTIDOS E SISTEMAS PARTIDÃRIOS o PARTIDO VISTO DE o=,yrqo I UI flP
)
(~e levam. é certo. a uma política correspondente). A forma extrema
fFl
çJo pr:i.gmátka po~e sei:_~otivada po_r carg~s i:_p,ro'{enws _ou sei total·
) ~3- fraç:lo de grir1cípio é o grupq de testemu~ho, qué defende uma mensa- riiente desinteressada (por exemplo, dcit!ndendo a h:)nestidade na política, ~
gem de vulor e meta. Assim, enquanto as facções de interesse são motiv;:i.
)
1.füs p~l:Js n:êompensas concretas e imediatas~-ãs- frações de princ lpio silo.
oÜa competência técnica). IP

--.,,,
Na verdade, o que foi dito acima levanta alguns problemas intrigan·
) aCima de tudb,gmp(Js piumocionais. -- · · tes. Como observamos, a ideolEgia con_st.~~uL~ no mundo de hoje - uma ~
-A prirn:lpâld it'ic-uldade a propósito da dimensão motivacional é a camuflagem 111uitc útil e eficiente. E. encontramos, com freqüênci:i, fr:i-
)
camutlugem. Urria facção de interesse não se declara como tal,_não se con- ~Gc:s que-pouem ser classificaúàsao mesmo tempo como frações idt!ológi-
) fessa como apenas um gfuP9onentado para 'l poder ou que rfüiifüõi'ãen\ cas e como facções voltadas par:i c:irgos e proventos. Ora, o fator causal

.....-.
busca de cargos e emolumentos. Pode buscar un:)..Q.ig:ifc_e sob a bandeira _da e o fato de se rem essas frações mais interessadas na distribuição de car-
)
eficiência ou do realismo técnico, mas pode igualmente disfarçar-se com gos e proventos do que motivadas ideologicamente ou vice-versa, é um pro-
) ioupagt:!ns ideológicas. Por outro lado, a ideologia pode ser uma_çamuíla- blema de pesquisa empírica, e só esta pode esclarecer se a ideologia é ape-
gem muito eficiente, tanto no sentidg de que legitima um grupo em busca nas uma coruna de fumaça legitimadora. Essas complexidades mostram,
de poder na percepção de seus próprios atores quanto no sentido de que portanto, a importância de se manter a dimensão ideologia-pragmatismo
) as reais motivações do grupo não podem ser facilmente identific:idas 2elo à parte da dimensão desinteresse-egoísmo.

•-
qbservador. Há muitas maneiras de obscurecer as motTVãÇões reais. i:.rãt;a· A dimensão ideológica é distintiva, e deve ser distinguida ainda por
se, portanto, de uma dimensão em que truques e ardi's têm lugar destacado. uma outra razão. Quando falamos de mais·ou-menos ideologia, e, inversa-
) Uma das primeiras indicações poderia ser o fato de t.e.L~ fraçãg mente, de mais-ou-menos pragmatismo, a implicação não será necessaria-
uma bas~_d.t,.~Jien.tela. Os~gos e proventos são importantes para as fac- mente motivacional., pois poderia ser cultural. Isto é, a dimem;~oJ.9_eoló·
) ções de interesse, porque conferem poder e porque atraem seguidores. Por- gica difere de todas as outras por indicar um fator cultural, a têmpera (e
) tanto, as facções de interesses tendem a ser grupos de clientela, a ter um a têm~ratura) geral de um determ!n_ado me~ ~hlente c11ffurat. _
--
......
modo de operaçao voltado ara a clientela e uma rede constituída de clien- · - (±_. ..A rlimensa~o esquer_rla-direita é, a última na minha enumeraç.~o por
) t~:..: nversarnente, as frações de princ1eig__p.ruie.m....ser identl readas me- ser a que, a meu ver,menos confiança merece. O que nos leva a utilizar a f/IJJ
) lho.E_pelo menos prima facie, por Utes faltar uma base de clientela, pelo identificação esquerda-direita é uin:i razão ponderável, ou seja, a de ser f!S
fato de que sua força de auto-sustentaçao e de recrutamento vem, mais do a maneira mais evidente e constante pela qual não só o público <le massa
) que de qualquer outro fator 1soladõ,Oe sua atração intelectuãl ou de seu como também as elites vêem a política. Uma outra razão é a de que o posi-
prõSeEt1smo ae crença. Mas isso é apenas urna indicação in icial, e de modo cionamento esquerda-direita é, com freqüência, o que menos violenta a
algum decisiva. Por exemploiJL_presen a ou ausência de uma estrutura de identificação das tendências, das posições não-alinhadas, e das configura·
ções atomizadas. Na verdade, o exemplo ma.is adequado do que entende·


cllcntela poderia dc:pender de estar ou não o grupo no po er. om6éffi"Se
relaciona com estilos culturais gerais. A expficação da dimensão motiva- mos por "tendência" é oferecido em termos de esquerda-direita.
)
cional exige uma bateria de indicadores, observações feitas no decorrer do Não obstante, permanecem as desvar>tagc!ns. Quando an:;lisamos a
tt!mpo ...e o método reputacional. . dirnç_nsã"o esguerda-direita, descobrimos logo que se trata <le uma dimen· IP
(J. A dimensão iúeológica ·confunde·se certamente com a dimensão
motivaclonãL f'.ntre Õutras' êo1sa$7 a ideologia é umà poderosa força moti·
Por
são irremediavelmente multidimensional: é o "índice" de politicado leigo,
por assim dizer. Sendo um índice. de leigo, revela-se uma imensa sim_Iilifi-
F
,,.
-
vadorã. outro lado, toda Urriãsérie de motivações nada têm a ver com cação, marcadamente excessiva e resultante de uma combinação de crité-
a íd~ologia. ~Órfãrlf~.!....Õ~OLS COnt~UO~i!_eve~iam ser~S!P.aradÕ$."°Q C2~: riosvagos.1 4 O estudioso poderia ser tentado, porcanto, a classificar essa p
)

)
tf'..1._uo mot~acion_~_yai_ d_9 desi!!.teresse p~t!.f~ação do testemunho) ao
s1!!).ple~g_oísmo (a _ facção orientada par;i_c.arg~ QrõYeiltõs).. o. cont1·
nuo ideológico vai do extremo do fanatismo ideológico e do Pl!!.1.c'.!..Pio
~entau,o , para o futuro a0...2!2H_!e11].Q_Q.EOSto ·do praticã.lismo e· do prag:
d1mensao na retórica, e.xclu:ndo-a com i:;so da ciência , da política. Mas
talvez esta também seja uma solução demasiado drástica. A abordagem su-
gerida aqui é a de que o contínuo esquerda-direita poderá !>er examinado
melhor se soubermos, primeiro, até onde podemos ir sem ele . A sugestão é,
,,,..
) matismo pur~s. 13 Se os dois continues íorem constrÚidos dessa maneira,. portanto, a <le que ~!a~de IJ<!!le ~o q_uq_relln~do r'.a in terpretaç~o e~que~­
segue-se que as du;is dimensões varium independentemente. Uma fr:ição da-direit:i da polít!ca 29de ser redistribu1da pc1as dimensões mot1vac1ona~s p
)
idegJ.ógica be~1 pode _ser um grupo de testemunho, como pode"ser també~ e" ideológiêas. E o"r.esulta.do fln:il bem poderia consistir de uma noção mais
) um grupo orientado para cargos e proventos. Da mesma forma, uma fra- '2
,.,.
limpa, menos carregada emocionalrnente, ou n1áis desencantada, de es-
f2
)
)

)
102 PARTIDOS E SISTEMAS PARTIDÁRIOS
O PARTIDO VISTO DE DENTRO tü.3
-
liziio viwriosa ~Jo. tipo grupo g~ prn_gramas), tal ~OI]lO ~ma co~lLz~ .Y.i.to-
~rd~-~-dJ rei t~Jsto ~, poderíamos acabar tra1_1sl:or111ando o índice de po- rios~ pode per.d~!:.:_.?SS urniIJdO ~ºll!. i~-º- p:i pel. de umª coalizão de obstrü:
Iiticã do homem··comum em algo que o especialista pode usar, com con- ç:io. 1 ~ -Por outro l3do, esses padrões po~m cris~al i z:i. i:_:se_e_p~rsis!.[~ ~o Iém-
) fiança , com o índice. po·. E o objetivo oesfas distinções é precisamen te fixar a extensão da 11uidez
) Como quer que seja, se a dimensão esquerda-direita for vista de acor· e .~~~f~l!nc i~d_OS .Q;lJ2.lli..i.I1.JlJ!. p..arIIdáuos:=- -- - ---- .
Jo com esta última sugestão, a primei ra vantagem é a Je que poderia ser Finalmente, distinções clássicas, como as que se fazem entre estra-
U$:.J(fo re:siúualme11re, isto é, significando a única coisa certa que represen- tégia e tát ica se apl icam, a frações , também, ou tanto quanto, à política
ta: uma percepção. Sol'._~ indicação "di~j t a-e~~~:da_ tal como_p!rce~da'~, cm geral. Assim . \I.a.u_cJ.Lcodifica as subunidades rartidárias como sendo
será útil e correto identifícàr partidos e subunidades pártidlfrias como es·- estrategicas ou tdlicas. 17 Tainoéml1ão sera necessário- dizer que outras va-
querdisu:is, ce11trTStas o~ (ffreiiistas._É útiC porque é uinã -clãssíffcação já ríáv~~~ relevantes .~uamanho de cada fração (tal - ~omo expresso E_eJã
p·roi"lta;'"síinples -(embora constitua, com efeito, uma classificação ao mes- pçircental!em de votos eíou cadeiras cont.roladas en1 cada órgão - no parti-
mo tempo espacial e avaliativa). E correta porque estamos simplesmente ~º· no .P?rlamento e no gabinete ministe"ríal) e especialmente a duraÇ,ão
deixando que os partidos e as subunidades partidárias sejam vistos como temporal. Jnfelizmented _sse último indi_çad.QL_ õae ser mmto traiçoeiro,
tal. Portanto, com a r_ç_~al~a "tal.,.S.9.JJlÇLp,er.;ebida2z a identificação esque!:.:_ pois uma fração pode~ia simQl~smente mudar de nQme ou recom íiiãr
ct_i~~de ser acei~~~o pelo seu valor aparente - e não se esp.e· (através de fusões e diVisõesLd.Lve..rs..QS...gIJ.lP-º.s.Ln:liLQra mantendo o seu' no-
rará dela que possa explicar ma.is ão que explica. W.~ O importante, portanto, é se há estabilidade e continuidade substãrí-"
· - f'\. segunããVãi1tagem resulfãnfo do uso residual é a de que agora te· ciais - e isso é sobretudo urna questão de julgamento impressionista, em·
mos, áRienternente, ae permitir que essa dimensão vãne em conjunto bora informado. Pé.lo menos para comparações amplas, eu preferiria falar,
coliJ::lfüisrnãepCri'ãentemeõTê de - as outras: Apesar do:: arraigados ta- portanto, de e.stabilidade-durabifidade, dividida, de modo geral, em baixa .
bus de valores, o "esquerdismo" pode se combinar com uma motivação (isto é, tipos passageiros dé frações), média e alta. Se a duração cronológica
exclusivamente orientada para o poder e/ou para a distribuição de cargos e apenas indica uma alta estabilidade, tanto melhor. Mas se a contagem do
proventos, tal como o "direitismo" pode coincidir com um grupo since- tempo indicar, em lugar disso, a transitoriedade, então será prudente exa-
ramente motivado por uma idéia. Além disso, o esquerdismo pode ser alta- minar o grau de organização, de coesão ideológica, o tipo de motivação e
mente pragmático, e o direitismo, altamente ideológico. Essas associações sobretudo a significação da unidade de medida, isto é, a permanência do
talvez se tenham tornado pouco freqüentes, mas isso não pode ser deter· rótulo.
minado a priori ou por definição. Os desdobramentos principais do esquema aqui delineado, e a tipo-
Como se pode ver, o esquema de análise acima é experimental, em- logia resultante, podem ser resunUdos numa relação de itens a serem con·
briônico e está longe de ser exaustivo. Entre os critérios que teriam de ser feridos, como no Quadro 2.
acrescentados na busca de um suporte mais analítico, a teoria dos jogos e O quadro tem o mérito de exigir que o pesquisador verifique, inde-
a teoria da coalizão parecem oferecer, embora de modo impreciso, as su- pendentemente, todos os itens. Embora seja possível acrescentar novos
ges tões mais pronússoras. Sob esse aspecto, uma distinção preliminar e re- itens ~se uma fração é estrâtégica ou tática, orientada para visões ou ques-
levante é a que se faz entre a fraç_q-Q_.p_ersonalfy_f.3 . _gue serve e ª~lEª-WV tões etc. - o perigo é o de que uma relação maior de categorias ainda im-
º.s s u~e~sos e ins_uce_sso~ ~~1:1 chefe in'E,_scutido,15 e aguilo a_que se ro~e­ precisas possa ser conferida por implicação e não à base de informação. O
na <:;han~ar de fraç_qo ª!:. co.alm!.Q,_O!l_ç_q_~lf~~-i:ª-tiv<L)Sl? é,_o_gfupo do hJ~º tamanho não foi incluído (frações máximas, médias ou mínimas) de modo
ali~S~·~g~e-~ão J..em__1:1...rn_g~l:!K'!l- !!niç.o.,_m_as_ rn llito5_ç_o,.LQD~is -~mªJ~I~: E a evitar a aprest:ntação do óbvio. A estabilidade-durabilidade e a importân-
t:~n~~m, CQm base_ ~}11 .l!.ma ab9rd~gem complementar, as frações são difê-'' cia relativa de cada fração não são registradas, por outro lado, porque sus-
rent~s , PQ~que ? seu..~i!!Jel, é. o désemeenh-o de~. ~per,·sfo-cfífe~~~~ citam problemas de avaliação e codificação que exigem exame à parte;
So? ess~ aspecto, encontram_Q~-º~~~P.~ de apoi9. jsço ~, (r;ições_doJip_tj constituem, porém, é claro, itens importantes. Se forem percebidas forte
e~n cfmqj/{~ -.~1~:~: . ansi_o~_por ad~rireE.1 '!Q.._~encedo:_.,;_q~e se coo tentam intensidade ou significativa freqüência, podem ser indicadas por dois (ou
co:'.1 .vantage~s .f!1a.rgina~; ~ g.f!.!IZ~s de veio_•. fr~ões CUJO objeti ~o prins1J'a1 mesmo três) sinais positivos. Se os sinais de menos forem demasiado fre-
e ~,ul.'~ es~!._a;_eg~~ e a obstruçao; ~~_p_os ele programas, isto é, fra~ qüentes - em relação a várias frações em vários países - então o esquema
ql!e·-:·busc<!_~ gsi~ern_ar e J.~ por se~~e.!:2_g!:_~m~_p_ol_íticas . Cj!11o_i_11dica ~ é pobre. Um alto número de pon tos de interrogação evidencia, porém, a
~:_o na da c9<l.!.1_zao,_:_sses__!!pos p_c;~~ m seT_~a~a_n~e ITui,do·s, pois uma coali· pobreza de nossa informação. Na "erdade, o quadro nos oferece apenas um
zao para a obstruçao (ou grupos de veto) poâ<! vir a se tomar uma coa-
..... , , ~...,~ r. .,,., / <:M..q.) l'AFl7'1DARIOS
O PARTIDO VISTO DE DENTRC 105

Qu:1dro 2 .
O<!composição e tipologil das frações partidánas Jados com ênfase deliberada nas subunidades partidárias: os chamados es·
' . (lista para verificação)* iados unipartidários. dQS Estados Unidos, _.fl)táli~ e o Japão. 18 A literatura
)
s'Qbre _o~ P.artidós !~ tin ~m_e ricanos fala _constantemente ·de facciosisnfo,
) Estru tura Organizad:i personalismo etc. Mas essa literatura tem pouca relação com a .nossa aná·
Si:rn organ ização Üse porque- se refere a partidos que são anteriores aos partidos de massa.
) Meio a mt:io'"* Estados Unidos, Itália e Japão, porém, pertencem à fase da consolidação
) Grupos de espólios e poder partidária na qual o partido como unidade adquire significado. As três in-
Grupo de promoção de idéias vestigações não foram, porém, realizadas na suposição de que as subdivi-
) Ambos(+). Nenhum deles (-)h
sões dos partidos sejam ocoriéncia normal, merecendo ser estudadas por
) Atitude Ideológica ser o nível da subunidade um nível de análise significativo. Foram motiva-
Pragm:ítica
Am bas t +). Nenhu ma( - )*"
das, em lugar disso, pela suposição de que os casos em pauta representavam
) padrões patológicos, talvez exemplos de teratologja política. Por outro la·
Po~ici;.>namc nto Esquerdista do, não houve qualquer tentatjva de formular questões semelhantes, ou
) Centrista
Direitista tratar pelo menos dois desses casos de alguma forma paralela e menos ain·
) Vago** da de fazê-lo dentro de um marco conceituai comum. Também não houve
) Composição Personalista nenhuma tentativa _de comparar os respectivos resultados.
De coalizão Na verdade, esse tratamento rigorosamente contextual tem suajusti·
) Me!o a meio•• ficativa . O "facciosismo" norte -americano - como querem_os estudiosos.
Papel formulação de poli'ticas e programas norte·americanos - é estudado porque o sistema partidário norte-america-
) Apoio no está atrofiado. Com relação ao que se conhece - desde que Key escre-
) Veto veu seu livro clássico sobre o assunto - como "política sulista'', a questão
Fluido ou outro(-)
) é : o que acontece sem o rodízio, isto é, quando o mesmo partido perma·
• Afalta de indicação use sinais+. nece indefinidamente no poder? Com relação ã Itália, a pergunta seria :
•• Se dl.'sconhecido ou inverificável, use pontos de interrogação.
) como é possível que, e o que acontece quando, um sistema estruturado
de seis a sete partidos duplica, e na realidade multiplica, essa variedade no
1 ) instrumento preliminar de trabalho - fração por fração, num ponto único nível subpartidário? Por isso , as "correntes" - como são eufemislica-
) do tempo. Se a verificação fo r repetida em outros momentos, porém, a se- mente chamadas - italianas são estudadas pela sua contribuição à hiper·
qüéncia das imagens provavelmente oferecerá uma informação dinâmica trofia do partidarismo. Quanto ao Japão , o que sobre ele se escreve parece
) interessante, em especial quanto às dimensões de motivação, posiciona· considerar o seu "multifacciosismo" como natural, com pouca especula-
) mento e papel. Além disso, se for coberto um número suficiente de países, ção ou interrogação a propósito.
talvez seja possive~ estabelecer um quadro de grupos significativos e com Dificilmente poderíamos encontrar, portanto, evidências mais recal-
' ) caracteristi..:as semelhantes. Por exemplo, poderíamos encontrar uma cor· citrantes, pelo menos para finalidades comparativas e teóricas. Não obstan·
) relação ac~ntuada entre a organização e apenas os pontos extremos does· te, e apesar de as diferentes questões sobre sis te mas totalmente diferentes
pectro esquerda·dire ita ; ou entre facções personalistas e posicionamento nos deixarem em terreno bastante inseguro, procurarei coloca·r a análise sob
) instável; ou entre centrismo e papel dos grupos de programas - e assim por um enfoque convergente. lsso ex.ige, em primeiro lugar, uma reavaliação do
) diante. t, porém, mui to cedo para afirmarmos isso. contexto teórico no qual os resultados norte-americanos foram colocados.
Qualquer que seja o valor da classe da "democracia un.ipartid:íria" ,19
é estranho que os Estados Unidos tenham sido envolvidos nessa questã'o.
4.3 Polít ica sulista: "facções" sem partidos? Com relação ã "democracia" - entendida como um governo constitucio·
)
A suposição de que, na maioria dos países, as subdivisões partidárias pro·
na! que protege os direitos inalienáveis dos cidadãos - os Estados d:i União
vavelmente existirão, serão significativas e influirão no código operacional não são soberanos. A proporção na qual se afastam cios padrões estabeleci·
Jo partido é apenas uma conjectura, porque apenas três países foram estu- dos pela Constituição Federal, pela Suprema Corte dos cUA e pela presidên·
ci:i pode ser significativa e. se vista de perto, perturbadora. Mas isso não
)

) 1
)
)
O PAR TIDO VISTO DE DENTRO 107
....
IOó PARTIDOS E SISff,\,IAS PARTIDÁRIOS 4Ji

)
)
diminui o fato Je que - com relaçJo lOS princípios e aspectos fundamentais
Ja LlcrnocrJ.:i:! norte-americana os Estados unipartidários di~põcm apenas
é inadequada e enganosa. O que eles estão r~alfTlerue descrevendo é uma
s1t.uJç~o n_a qu~I Jois partidos (1dent1()Ç!!dO_? Q_elo crité ~10 numérico <l~
cl~ss11 rcaça.o) n:_o ::onseguen~ _p~oduzir a_!!!ecánica do bip:m ic.larismo, ou
••
)
)
de urnJ autonomia subordinada e limitada. flórida, Louisiana, Mississipi
ou qualqu<!r oucru desses Estados não são Estados no sentido em que o
,vt..! -:ico e :i Tanz:in ia o são. ~ 0 Defron tomo-nos novamente com a fa lácia
St!J U, u.1~1a sttuaç.~? na qual dois p~ rtt~~s ~ão.~~~te c9mpetitivos p:ira
prod\Jm o rod1 ~w. n_<!J~~dl:!r. Es~e .P_!ldrao e totalmente diferente do sis1e:
ma uniparti<ldrio. Pertence - como iremos ver em detalhe mâis adi.an te-.:.
~o tipo de sis~m.E_ p~r!i_êIJrio do par~ido préuõmmalife.2 7 queéõnstnui,
••
) Lia mu<la114a Jo:: unidutk um subestaJo, isto é, um membro de um Estado
••
)

)
)
)
fclle ral, torna-se igual a um Estado soberano. A primeira coisa a notar,
;:11 tão, é que a política sulista pouco tem a ver com a estabiliznção ou a
tle sestabiliz:.iç:Io de. uma democracia. 21
A questão que se segue imediatamente é a de saber em que sentido
ce rca de metade dos Estados nmericanos podem ser chamados de " unipar-
tidários" . Key e grande parte dos que escreveram sobre o assunto são nota-
P.Or sua ~ez,_J!QJ_t!.çis QO~s í ".e~es~1dosnõrmãiSãe'lim jôrmato b ipâr tídJ:
rio. E o f:itQ..dLqJJe o cham<!_do uqjparl!Ôarlsino norte-amerCcano não é na
ii:alid~Je um. unipartid!lrismo - mas umãC!assificação en~õSã -::.- deve·
ser v1gorosa111ente _r_eiterado_com base em fundamentos compar:ifiVõS,
transnacion:iis. -- -
Se quisermos que exista uma ciência política, devemos curvar-nos
---
. ••
velmente imprecisos qu:lnto a essa questão. Por outro lado, e apesar de à necessid:ide óbvia de rejeitar um vocabulário duplo, um para consumo
)
)
algumas queixas, 22 o chamado Solid Sowh* (mais o republicano Estado
de Vermont) ê, ou foi por muito tempo, considerado corno uma área uni-
paniJária. Por outro lado, a principal observação ct\Key foi a de que "o
interno e outro para consumo m1.1J1dial. Mesmo para uma ciência árida, é
absurdamente anticientífico colocar fatos diferentes numa mesma classe
sob a suposição críptica de que, embora a categoria seja idêntica, seus uni~
••
)
)
ui não tem realmente partido~". 23 As duas afirmaçoes são, em princípio, ..
contra ífõrías.'i4 Tei:n_os_y_!lla.2_Ít~ão unipartidária, ou de não-e.artidos? 25
Presumidamente, a ºresposta poderfaser a de que a alternativa não se aplica.
mais são diferentes. Na verdade, nos estudos de caso as coisas são vistas
muito de perto e, portanto, ampliadas, ao passo que nos estudos compara-
tivos são vistas a distância e, portanto, têm seu tamanho reduz.ido. Esses
••
)
)
Mesmo assim, a resposta teria de ser nenhuma, ou ambas. A complicação,
ou melhor, a complexidade da questão vem do fato de que os Estados Uni-
dos devem à sua estrutura federal um sistema partiddrio de duas camadas,
ajustes inevitáveis e intuitivos que não podem ser expressos pelo nosso vo-
cabulário são sempre necessários quando passamos do próximo e concreto
para o distante e abstrato. Não obstante, qualquer classificação decente
••
) urna tle âmbito estadual e a outra de âmbito nacional. Segue-se que cada
nível é, em si, incompleto e/ou reflete o outro nível. Com relação à "de-
mocracia", por exemplo, o nível estadual tem uma jurisdição totalmente
deve acomodar tanto os dados monográficos, ou produzidos pelo estudo
de cada nação, como também as evidências transnacionais. No caso em
questão, além do mais, isso não constitui problema, pois o cenário mundial
••
)

)
subordinada (um exemplo claro de imperfeição). Com relação à questão
cm pauta, a conseqüência de um sistema partidário de duas camadas é a
existêndu de dois partidos em quase toda parte - isto é, também em nível
sugere urna categoria para a acomodação tlo padrão norte-americano: a
classe dos sistemas do partido 'predominante - definida como os sistemas
nos quais o mesmo partido obtém, repetidas vezes, a maioria absoluta. As·
••
) estadual - embora, nos chamados Estados unipartidários, o partido menor
Jeva sua existência e características ao sistema de âmbito nacional, adqui-
rindo com isso relevância sobretudo com relação às eleições presidenciais
sim, a persistência, durante décadas, do equívoco, capaz de levar a erros,
de se falar do Sul ··unipartidário" evidencia um paroquialismo muito sur-
preendente. Examinemos, agora, embora de maneira generalizada, os fatos.
••
)
e à concessão de patronagem, oriunda do centro federal. Poderíamos dizer,
portanto, que a existência de dois partidos - o que não significa a mesma
Segundo os critérios {não a terminologia) d~bs Estados
da União demonstraram, no per iodo 1870-1950, dois adrões fundamen- •
••'
) coisa que um sistema bipartidárío2 6 - continua sendo a forma vigente t~S: 1 competitivo bí · e stados ou ciclicamente com eti-
)
nos Estados Unidos, embora apenas em termos exógenos e incompletos, tivo ( 12 Estados); (ii) predomínio de um partido (27 Estados .2 ª
isto~. devitlo à supcrimposição do sistema bipartidário nacional. s ois grupos constituem, na ver a e, grupos nústos. O primeiro
) O que foi dito acima significa que, quando os estudiosos norte- grupo de 21 Estados assimila a competitividade ~leva ao reIJetido rod í-
americanos falam <las áreas "unipartidárias" de seu país, a classificação zio no pod~o_qu.e_pod~@ser chamado de con1pctitivida<le real, isto
)
é, _à eap!1cidade do partid9_!!.1i11oí@r1õ de s-e c~nstituir numa ;.imeaça com-
t
)
)
• Lii..:rJl111i:111c, 511/ Sólido. Os E~tado~ Jo Sul nort.:-am..:ricano, 110> qua i,, ,·nu.:
1~7'} a l 949 aprox11n aJa111cntc, os de1110crrn1s venceram sempre todas as clt:1~·õc, .
pe1itiva _sub._?Jan~i~ _e consistcnte .29 A medic!_a _de _.$._cl\Tesinga, no caso, é
_ a_cap~cidade ~ ~e~o _Qa~ido _ n;inoritário de conseg~!r ,aintl:.i. qu~ cicJ.!:
camen te, pelo menos <luas vitórias consecwiv:ls.- o segundo padrão - do
••
)
~:io de' V1rgini..1, Carolina do Norte, Carolma do Sul, Geórgia, Flóri<la. ,\):1 1>;;111:1,
\l1""~1p1. Luu1~1ana, Texas e Arbn\a ~. (N. do T.)
••
4
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)

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) 108 PARTIDOS E SISTEMAS PARTIDÁRIOS O PARTIDO VISTO DE DENTRO 109
i
) partido predomina~ te - inclui um grupo de Estados sem.icompctitivos l (,f~ão ~o_esos e conJinu~m sendo a unidade de análi~e ~~ifiC2t!va_f10 gu~
) (o partido minoritário obtém o~asionalmente uma vitória isolada, mas por 1 se relaciona com a conquista de votos. Isso equivale a dizer que o partido
omissão do pãrtidõ-predominante, e não pela sua própria força) e um gru- eleitoral(não o partido como indicador ou proponente de candidatos)
) pÔ claramente subcompetitivo de 11 Estados (o Solid Sourh, Oklahoma constitui o ponto de vista ótimo para o seu exame como unidade indivisí-
1
)

)
e Vermont )noqual o partido minoritário jamais conquistou um governo
estadual e tem uma atuação quando muito precária nas eleições. 30 A dis-
tribuição se modifica, na verdade, com as modificações dos períodos tem-
!
1
1
vel. Se, porém, um partido consegue - por quaisquer razões - uma situa-
ção eleitoralmente segura; a unidade partidária e o partido como unidade
tenderão a dar lugar à desunião subpartidária. Nessas condições, portanto,
porais e/ou dos critérios. Assim, Ranney e Kendall constatam, de 1914
i as unidades reais são as frações , e q~anto mais subcompetitiva a situação
)
a 1952, a existência de 26 Estados bipartidários e 22 estados unipartidá- .1 interpartidária", mais elevado· o fracionamento intrapartidário.
rios e de "unipartidarismo modificado''. 31 Mas as discrepâncias na dis.tri- Se essa conclusão for confrontada com os 11 Estados sulistas, seria
) buição não têm importância na minha argumentação. 32 Como disse, cerca de esperar (i) que o grupo semicompetitivo tenda a ser bifaccionário e
de metade dos sistemas partidários estaduais norte-americanos não dispu- (ii) que o grupo subcompetitivo dê lugar ao multifaccionarismo. A pri·
) nha, pelo menos até a década de 1960, de uma mecânica bipartidária, em- meira hipótese é confirmada ·pelos dados. Os dois Estados sulistas semi-
)
bora tivessem, em geral, um formato bipartidário. Ficamos, assim, com competitivos - Carolina do Norte e Tennessee - também são bifaccioná-
22 a 27 Estados do tipo de sistema de partido predominante. rios. 37 A segunda hipótese sai-se menos bem. Uma maioria dos Estados
) A estimativa pode ser questionada por outras razões, ainda. No Mfa- subcompetitivos são multifaccionários (Alabama, Arkansas, Flórida, Mis-
sissipi e na Carolina do Sul, por exemplo, a maioria das eleições não são sissippi, Carolina do Sul, Texas), mas três Estados (Geórgia, Louisiana e
) nem mesmo disputadas. Pode-se, portanto, argumentar que esses dois Es- Virgínia) são bifaccionários. As explicações de Key basearam-se, no caso
) tados pertencem - juntamente com alguns cantões suíços - ao que Girod da Virgínia, no fato de que a "oposição republicana contribui para ~
chama de padrão do "partido solítário''. 33 Minnesota e Nebraska também criação de uma facção democrática bem organizada", e, no caso da Geór-
) elegem suas legislaturas estaduais em bases não-partidárias, isto é, sem le- gia e da Louisiana, na importância das "personalidades" (bem como no
) gendas de partidos. Seria possível dizer que se trata de casos autênticos sistema de cédulas da Louisiana). 38 Resumindo, podemos concluir que
de política sem partidos.34 Apesar dessas complexidades adicionais, o mais tanto a primeira grande hipótese como as duas hipóteses subseqüentes não
) importante - dentro do padrão geral de predomínio de um partido - é são refutadas, e bem poderiam ser confirmadas se melhor ressalvadas por
) que cerca de 11 Estados ficam, por qualquer critério, abaixo de qualquer condições adicionais. Mas nada do que foi dito acima parece válido para o
padrão da competitividade até mesmo potencial: são, claramente, subcom· padrão italiano. De acordo com a maioria dos critérios, o sistema partidá-
petitivos. Isso constitui, em todo o mWldo, um caso excepcional. E é por rio italiano é adequadamente competitivo. É também altamente estrutura-
) isso que a chamada política sulista norte-americana exige um exame ã par- do e muitos interpretariam isso como significando que os pa'rtidos italianos
te do e no nível subpartidário. No caso, as "facções" (no sentido norte- são coesos. Não obstante, o sistema caracteriza-se pelo "multifaccionaris-
) americano do termo) parecem mais importantes do que os partidos. mo", ou seja, na minha terminologia, por um elevado grau de fracionismo
) Key encontrou uma grande variedade de disposições diversas. Mas intrapartidário.
dois padrões distintos surgem claramente de sua exposição (i) o multi· Não há muito sentido, nessa fase de nossa ignorância , em tentar re·
facciosismo (do qual a Flórida é o caso extremo) e (ü) o bifacciosismo formular a relação entre a competitividade do sistema partidário e o fra-
(Geórgia, Louisiana, Carolina do Norte, Tennessee, Virgínia). A situação cionamento subpartidário. A advertência é, claramente, a de que os estu-
do bifacciosismo pode, por sua vez, ser equilibrada (as duas facções não diosos da política sulista são vítimas de auto-adaptação excessiva. Quanto
) são muito desiguais) ou desequilibrada (Virgínia, Carolina do Norte e Ten- aos remédios, uma primeira sugestão é a de que nossas generalizações de-
ncssce tem, cada um deles, uma coesa facção majoritária e uma facção vem ser condicionadas pelo tipo de sistema partidário a que se aplicam (ou
) minoritária relativamente fraca). 35 Esses resultados sugerem várias inda- não aplicam). Isso, por sua vez, significa que a categorização imprecisa re -
) gações interessantes. presenta uma de nossas principais fraquezas . Em segundo lugar, o sistema
Supõe-se com freqüência que "a coesão partidária é funç:ío direta eleitoral - em todos os seus muitos aspectos - poderia muito bem ser uma
)
do grau de competição entre os parti.dos -pÕlíticos". 36 Portanto, quanto variável importante e negligenciada. Por exemplo, é a competitividade
) menor a comp~ tiçrro , maio rofacclõSismo interpartidário. A hipótese pode igu al (ou é vista da mesma maneira) nos sistemas eleitorais de pluralidade e
se r reformulada, num contexto, mais amplo, da seguinte forma;-: qs parti- nos sistemas proporcionais? Uma terceira possibilidade é a de que a ideo-
)
· 'j
...
) -~;: Cl
) ••
)
)
l 10 PARTIDOS E SISTEMAS PARTIDÁR IOS

logi:i também seja relevante. no senti<.lu Je que :is gener:;lilações válidas


O PARTIDO VISTO DE DENTRO J 1l
.
)
)
para a polít i.:a pragm:icica podem não ser válidas para a •oolícica idt!olóoica
o
e vice-versa. Finalmente, e sem dúvida, precisamos mclhor:.ir a ··anáirse das
conJi._;ê>cs" . pois h:i acent ua<la dcscon fiança de que nossa incapacid:iJe de
.
t:ri1os e. porunto. do faw de que a indicação dos candidatos à eleição não
~ fochaJa. não é uma questão interna imp\:ne1rável, mas com freqüência
uma questão de eleição prelimina r. 40 Uma eleição preliminar que - na
••
)
)
generalizar .:stcja relacionada, em grande paíle, com as condições aimla
não descritas e ::iinda não identificadas. Entre essas, os c:iminhos constitu·
cionais são, com demasiada freqüência, esquecidos.
maioria dos seus aspectos - é a eleição real repres.:nt:1 uma característica
ext.:epcional que exige um tratamento comparativo cuidadoso. Por outro
lado, sena leviandade, dizer, em geral. que os argumentos primordiais de·
••
)
Outra série de indagações relaciona-se com a possibilidade de ser o safiam a comparabilidade transnacional. De um ponto de vista adequado, o
caso da política suiista oferece - como procur<!i' mostrar - um importante •
bifraciunansmo um substituto imperfeito do bipartidarismo, e em que sen-
tido . pela mesma raz.ão, poJeríamos indagar se o multifracionarismo será
um sucedâneo do multipartidarismo. As respostas dependem muito do
campo de trabalho comparativo. Vou procurar ver agora se os padrões de
fradonismo italiano e japonês também podem se r examinados comparati·
vamente, isto é, se os argumentos isolados que vêm de experiências distan-
••
)
contexto em que essas perguntas são feitas. Se o forem num contexto de
unipartiJarismo le, o que é pior, de democracia unipartidária), o problema
est:ir:i mal formulado. Estaria Key certo, então, ao afirmar que o Sul dos
tes podem, de alguma forma, ser reunidos.
••
)
)
Estatlos Unidos ..não tem realmente partidos"? Sim e não, ouso dizer: sim
no sentido de que ele chegou ao ponto fundamental do problema; e não . no
sentido de que o Sul não é realmente um exemplo de política sem partidos,
4.4 Itália e Japão: frações dentro de partidos
/\ situação italiana representa um caso extremo de hipertrofia partidária. ••
)
mas untes - numa perspectiva comparativa - de atrofia do sistema parti·
dário. Essa atrofia resulta de condições históricas, mas resulta também d:i
estruturação em dois níveis da política partid:iria norte-americana que per-
No nível de partido, a Itália corresponde - na minha taxonomia - aos sis·
temas de multi partidarismo extremo e polarizado.4 1 Desde fins da década
de 19.+0. os estudiosos da política italiana vêm considerando o interplay
••
\
)
mite! às dl!liciências de um nível serem compensadas (e sob certos aspectos
projetadas) no outro n ivel. Dessa forma, dizer que o Sul não tem partidos
só é ex:Ho no sentido de que as unidades importantes são as subpartid:írias.
De acordo com essa perspectiva, as conclusões de Key e de grande parte da
de seis ou sete partidos "relevantes". e tentando explic:í-lo. 42 Além disso,
desde fins da década de 1950, tiveram de se ocupar de um fracionismo in-
trapartidário cada vez maior. 43 .Em princípios da década de 1970, houve
um momento no qual a contagem precisa indicava a existência ativa, abai· •• •
bibliografia que a ele se seguiu podem ser. ao que me parece. generalizadas xo da superfície do espectro partjdário geral. de nada menos de 25 "cor·

••
)
com segurança. Key verificou que a "desorganização política" - o que rentes", ou frações e facções. 44 Mas para evitar a complicação excessiva,
) equivale a dizer o facciosismo "caótico" e "descontínuo" - é vantajosa podemos limitar-nos aqui aos dois casos mais relevantes e interessantes: o
para os ricos e desvantajosa para os pobres, "confw1de o eleitorado" e tor· Partido Democrata Cristão (Denzocrazia Cristiana, ou DC) e o principal
)
)
na um governo •·particularmente suscetível às pre~ões individuais e espe·
ci:ilmen te inclinado ao favoritismo" de tal modo que lhe "falta O·poder de
partido socialista.
Sendo o partido italiano dominante, o Partido Democrata Cristão •
)

)
realizar programas de ação continuados". 39 Se os críticos dos partidos -
ao iongo da linha Ostrogorski - e os defensores de uma democracia direta
sem partidos realmente desejam desenvolver seus argumentos, eles devem
atraiu, compreensivelmente. maior atenção. Em fins de 1971 sua anatomia
reveiava nove ..correntes" - oito das quais sem dúvida relevantes - todas
elas partilhando da distribuição dos vários cargos e proventos, e todas ofi·
'
1
)
levar em conta esses resultados e conclusões.
Numa visão geral, as evidências norte-americanas não se relacionam
cialmente organizadas, expressando, em sua maioria, seus pontos de vista
independentes, dissonantes, sobre todas as questões cotidianas.45 Isso
equivale a dizer que as frações da Democracia Cristã italiana são se mi-so·
••
)
)
com as frações sem partidos mas sim com as frações acima dos partidos.
Da mesma forma, não constit uem uma variante do tmipartidarismo, mas
~i 111 um grupo importante de sistemas de partido predominante. Essas Juas
beranas, exigem em geral a lealdade primordial de seus membros (dividindo
o partido desde a cúpula até as bases) e empregam a maior parte de seu
tempo e capaciJade em manobras incessantes para conseguir uma parcela
••
)

)
reti0cações sugerem que os dados norte-americanos ainda estão por ser
d.cvu.Jarnente explorados nos aspectos comparativo e teórico. O principal
nsco comparativo, ou limitação, inerente à experiência norte-americana.
maior de membros.
Sob vários aspectos, o· desenvolvimento das frações no principal par·
tido socialista. o PSI (Parti to Socialista Italiano). é ainda mais interessan-
••
)
)
resul ta do fato de estarem o Partido Republicano e o Partido Democrata
entre os poucos partidos de massa ocidentais que não têm membros. ins· te.46 Em 196 1, o encào discutido líde r socialista Pietro Nenni disse expli-
dtamente no congr<!sso do partido: .. O frat.:ionismo foi, nos últimos quatro ••
)
) •
)
)
112 PARTIDOS E SISTEMAS PARTIDÁRIOS O PARTIDO VISTO DE DENTRO 113

)
anos, a princípio disfarçadamente (do congresso de Veneza ao de Nápo- Essa suposição evidencia, mais do que qualquer outra coisa, a pers-
les), e desde então abertamente, a doença interna do partido. A partir do pectiva <.:omparativa deformada ou inadequada resultante de se usar como
congresso de Nápoles, o fato mais impressionante e atemorizador foi a ri- rn~dida um único país. Uma terceira suposição, mais plausível e menos pa-
) gidez das correntes, que as transformou em frações". 4 7 Nenni foi profé- roquial, gira sobre o pri ncípio do tamanho. No caso , a explicação é a de
) tico. Dez anos de pois, em 1971, o PSI pouco tinha a invejar , ou a a prender, que as subdivisões partidárias são conseqüência inevitável . do grande nú-
cm termos de luta interna de frações, do Partido Democrata Cristão. O mero de membros dos partidos de massa : quanto maior o partido, menos
) Partido Socialista Italiano dividiu-se profundamente em 1971, em quatro pode ser controlado ou mais tenderá a reorganizar-se, informalmente, à
) ou cinco frações. Se a isso acrescentarmos que existiam também dois ou- base de unidades menores e mais flexíveis. 49 Embora dificilmente se possa
tros partidos socialistas naquela época e que ambos vinham de uma seces- -- ~' negar que o tamanho é sempre significativo nessas questões, trata-se de
) são (representando assim, com relação a um partido idealmente unido, uma variável muito frustrante quando tentamos fixar-lhe os limites. Tal
) outra série de quatro frações, duas reformistas e duas acentuadamente de como está, o argumento parece demasiado abstrato, e o princípio do ta·
esquerda), a área socialista geral será tão fragmentada - no nível subpar. manho tomado isolad'amente parece constituir um princípio de explicação
) tidário - quanto a área da Democracia Cristã. insuficiente. A igualdade de taman110 não parece provocar fracionamento
) O caso ·d.o partido socialista é particularmente . interessante não só igual. Além disso, não é clara a razão pela qual a divisão interna dos par-
porque seria de se esperar que um partido confessional de várias classes tidos de grande tamanho toma uma forma - o tipo de estruturação fracio-
sociais, coino a Democracia Cristã, fosse mais heterogêneo e estivesse nária - e não outra. Por exemplo, por que deve essa forma ser fracionária,
) mais sujeito à fragmentação interna do que um partido socialista, mas tam- e não "estratificária"?
bém porque a Democracia Cristã Italiana vem sendo mais "corrompida" Em lugar de procurar aperfeiçoar as especulações acirr.a, voltemos às
) cvidéncias · de que dispomos. Como já sabemos, as explicações dadas para
pelas.. tentações do poder, sem interrupções, desde 1948, enquanto o PSI
há muito a acusa de colonizar o país e manchar a "pureza" da classe ope- o caso da chamada política sulista não se aplicam bem ao caso italiano. O
)
rária, sem falarmos no fato de que foi somente em 1963 que os socialis- sistema partidário italiano é, quase sempre, bem estruturado; seus partidos
tas conquistaram acesso ao poder governamental, com algumas interrup- menores não sao, apesar de seu tamanho, partidos fantasmas, e as lutas
ções subseqüentes: eleitorais são muito disputadas. Lembremos, quanto a isso, que o Parti·
do Comunista Italiano conirolava em 1975, mais de 33% dos votos, e
Como explicar tal situação? Em princípio, ou por motivos lógicos, que as maiorias democráticas que suste_ntaram os governos foram, todas
ela não era de se esperar e colheu muitos observadores de surpresa. O ar- elas, muito reduzidas. Não se pode, portanto, dizer que nas disputas elei-
) gumento racional poderia ser o de que o multipartidarismo permite ampla tornis italianas pouco importa quem vence. Não só os partidos italianos são
margem para acomodações, como partido, das diferenças e divergências competitivos, como também sua competição tem um aspecto vital, de
)
que os sis temas bipartidários só podem admitir no nível subpartidário. fli.s.:: sobrevivência.
) so se _p_~eri~cluir, ~ue tud_o indiq,_que, quanto mais numerosos os. Se o fracionismo italiano não pode ser explicado à 1uz da experiência
P~r!~d os, maior a homogeneidade d~c.ªif_a _p_~rtid_o e menor ~ecessi_dade de norte.americana, nossa busca de explicações volta-se para um caso mais pa·
) fr~nismo-intraparffaario. Inversamente, quanto menos partidos, mãl"ór recido, como o do Japão.s 0 Na verdade, com relação à "política faccioná-
) '! probabilidaêle-de"JiêterogeriêiêíaCíepartidária e, portanto, de fraciorÍismô ria'' a semelhança entre Itália e Japão parece impressionante, a ponto de
sÜbpariTllTriO.-D:rctas as- circunstâncias, -;s53fa-C1õnalizaÇão ãpenas confri:: aproximar-se de identidade. Os dois principais partidos japoneses - o Libe-
) bui parúxplTCar por que os observadores só a custo se deram conta do que ral Democrata, predominante, e o Social ista - são descri tos como uma "fe.
) estava fervendo no cadinho italiano. deração" ou uma "coalizlio" de subpartidos. As mesmas palavras são usadas
) Outra suposição - embora menos plausível desde o início - foi a pela maioria dos observadores do cenário italiano . A questão formulada
de •!li>!: por Scala pino e Masumi é: "Representam os liberal-democratas um par-
Em .:011 1ras1c com os p artidos no~ Estado~ · L:niJ o,;, o probkma das foc~·õcs parece
tido. ou são uma federnç:i'o de partidos''" E sua resposta é a de que a pol Í·
) tt:r , ,,Jo r~,olviu o na Europa l l l por causa da organiz:iç5o mais cfidentc e lucr:írqui- tk a japonesa se caracteriz:i por um '"primado" constitutivo "da facção sobre
..:a Ju, partido~ d~ 1nas~a europeus, ( 2) deHdo ao seu grau ev1dcn1cmentc supe rior o p:.irtido".. s 1 De maneira notave lnicnte semelhante, a pergunta formulada
) de homogeneidade prop~má tica, e ( 3) graças à maior centrahza~·ão insu1uciona.l por um observador italiano (que era, na época , deputado) é se a Democra·
)
ºº' sbtcma> políticos curopcus.48 eia Cristã lt:iliana é um partido "com correntes ou de correntes" .s2

) ~-
:
)
) O PARTIDO VISTO DE DENTRO 115
1 11 PAR TIDOS E SISTEMAS PARTIDÁ R I OS
)
düvid:.1, :is ali:inç:is entre frações que se firmam por cima das linhas par-
) Cm tndhor exame inJii:a, como era Jc se esperar, que a i!rmai;õc5 udüri:is são. n:i i e.ilia, parte do jogo geral das coalizões.
) :;cmc!han ccs S\! poJem aplic:.ir :i fenômenos diferences. Se focalizarmo:>. por Em suma é como se o grau :igreg:ido de iracionismo na Itália e no Ja-
exen1plo. o comporr;irnenco eleitora! dos panidos, a Itália não evidencia o pJo continuasse, apesar das diferenças, notavelmente próximo e, esses dois
rnc~mo gnu de frac ionismo do Japão. Em épocas de eleição, os partidos paÍSl!S proporcionassem - no nív..:I subpartid:írio - uma boa correspon-
) it:tl1<.111os co mportam-se co mo purtidos: são coesos, e os candidatos devem dência comparativa. Em notável contraste com o padrão norte-americano,
suu c k i ~ão - e subem disso - à legenda parcidária.53 Porrnnto, pelo menos cm ambos os puíses um subsistema de frações solidamente en trincheirado
) para as finalidades eleitorais, o parti<lo é, na Itália, a verdadei ra unidade. opera de11rro dos partidos. Quer seja mais importante a unidade ou o nível,
l Co n1r:iri:!mente, no Japão as eleições não são disputadas pelos ramos locais n~o se pode dizer que as frações substituem o partido, pois as unidades
) tios partidos, mas essencialmente pelas associações fracíonistas locais. N1 partidárias estão longe de ser atrofiadas ou irrelevantes.
) verdade. cm ambos os i:asos (e poderíamos acrescentar com segurança que A principal diferença entre a Itália e o Japão ocorre no nível sistémi-
na maioria dos casos, ou talvez na totalidade) os candidatos do partido lu- co. Dada uma hipertrofia semelhante do fracionismo, suas conseqüências
) tam violentamen tt: entre si. Mas, no Japão, a atividade eleitoral do panido podem ser diferentes em diferentes sistemas partidários. O sistema parti-
) é íl::nqueada por organizações dos candidatos que são exteriores ao partido dário italiano exige governos de coalizão. Além disso, dada a extensão do
te esses próprios candidatos podem ser indivíduos que não são membros espectro ideológico total, as coalizões governamentais italianas são muito
) inscritos do partido, mas que têm condições de a ele se impor) ao passo heterogêneas e resultam, por isso, em governos ineficientes e pouco efeti-
) que na Itália os candidatos lutam pela eleição através dos ramos locais do vos. Nos últimos 20 anos, o Jap~o foi, em lugar disso, um sistema de parti-
punido, e lucam entre si no in tervaJo das eleições, precisamente pelo con- do predominante c:iracterizado por governos unipartidários liberal-demo-
trole dos ramos do partido. cratas. Essa principal diferença sistêmica significa que, enquanto as frações
Por outro lado, se passarmos do comportamento eleitoral do partido italianas passam por sobre as linhas dos partidos, as japonesas operam den-
- como unidade grangeadora de votos - para o partido enquanto elabora- tro de seus partidos. Em ambos os casos, os governos têm vida efêmera,
) mas a sua eficiência é muito menos prejudicada no Japão do que na Itália.
dor de programas e de políticas, e, em especial, focalizarmos nossa atenção
) na maneira pela qual as frações lutam pelo controle de seu partido, então o Isso porque, entre outras razões, o jogo fracionário italiano enfraquece, em
argumento poderia perfeitamente ser invertido, isto é, a Democracia Cristã grandt.! parte, .as divisões de papéis entre governo e oposição, ao passo que
) italiana poderia parecer muito mais fracionada do que os liberal-democra- o fracionismo japonês não tem essa conseqüência (enquanto o sistema é do
) tas japoneses. No Japão, não há cruzamentos de linhas partidárias. Mas as tipo partido predominante).
frai;ões italianas influenciam a orientação partidária e até mesmo chanta- Com tudo isso, quando chegamos à questão causal - como a hiper-
) geiarn seu partido em evidente sintonia com frações de outros partidos. trofia fracionária italiana e japonesa podem ser explicadas? - a compara-
) Isso ocorreu particularmente, durante boa parte das décadas de 1960 e bilidade dos dois casos de pouco nos serve. O atual padr:ro japonês resulta
de 1970, com as frações de esquerda da Democracia Cristã, cujo peso e in- de uma "fusão", em 1955, de partidos antes distintos. Além disso, e o que
) fluencia cm seu próprio partido dependeu, antes de mais nada, de mano- é mais importante, as unidades anteriores e primordiais da política japone-
bras relacionadas com frações de outros partidos. Da me$ma maneira, o sa eram o que são as frações de hoje. Portanto, a gênese do atual sistema
)
Partido Socialista Italiano foi mais à esquerda do que Nenni e o afastou, partidário pode ser descrita como urna dupla camada de superposições,
) em grande parte com a ajuda indircu das frações de esquerda da Demo- ou como um processo confederativo de duas etapas, originário das unida-
cracia Cristã. Isso não equivale a dizer que a política italiana se processa des que continuam sendo - ::ipesar de sua coalescência - os verdadeiros
) em dois níveis - o do partido e o do subpartido - e que, sob certos aspec- protagonistas do jogo. Inversa.mente, o padrão italiano vigente resulta de
) tos importantes, as coalizões governament1is contam menos do que as um processo de "fissão". A genética italiana do caso é a de que os parti-
alianças fracionárias que se estabelecem por sobre as fronteiras dos parti - dos vieram primeiro, e seu fra.cionismo cresceu e consolidou-se depois. O
) dos. >4 Isso seria ir longe demais, porque inter alia as aJianças fracionárias caso italiano é, por isso, muito mais intrigante , e a experiência de um dos
) celebrad:is por cima das fronteiras partidárias não são alianças completas casos niio nos mostra quais os fatores causais que poderiam explicar o de-
e concertadas em sua plenitude: resultam de um entendimento tácito e, senvolvimento do outro.
)
quan to mais disfarçada e inJirc ta é a maneira pda qual as fraçõe s rci:t.!bem Presumiv..:lm..:ntc. se os dados existe ntes permitissem a comparação
) sustentação externa, maior é a efic i~n cia de tais alianças. Assim, u jogo da de maior número de países, alguns esclarecimentos poderiam surgi r dessas
cualizão não pode ter o mesmo peso em cada um dos dois nívi:is. Mas, sem

)
)
J
) 116 PARTIDOS E SISTEMAS PAR TIDÁRI OS O PARTIDO VISTO DE DENTRO 11 7

)
comparações a um só tempo mais amplas e mais detalhadas. No momento, um candidato. Portanto, o voto dado à lista partidária tem precedência e
) por~m. só podemos admitir a derrota. Isto é, nossos três casos - Estados não de.ve ser posto em risco pelas lutas intralistas pelo maior número de
Unidos, Japão e Irália - não indicam, pelo que posso perceber, nenhuma
"raz:io profunda" comum e fundamental ·para sua posição um tanto extre-
.
.-.
preferências. s7 Concebivelmente, a luta pela preferência poderia ser pra-
ticada na Itália tal como a luta eleitoral se processa no Japão, isto é, atra-
) mada quanto ao desempenho fracionário e faccionário. Parece que fica- vés de organizações colaterais d os candidatos. Mas temos no caso wn se-
mos, portanto , com o tipo habitual de explicação histórica específica - gundo elemento: o fator dos recursos e especificamente a variável do <.li-
)
com o impacto do passado sobre o presente. Há, certamente, ampla evidên- nheiro político.
) cia nesse sentido. Mas como poderia o presente não ter impacto sobre o O Partido Liberal Democrata japonês resulta de fusões sucessivas,
passado? Com o devido respeito pelo que a história pode explicar e expli- mas a distribuição dos recursos não foi "fundid a": eles ainda vão para as
)
ca, ainda há uma maneira de buscar o tipo científico de explicação, ou se- unidades componentes originais e não para o pa,rtido como um todo. Isso
) ja, sugerir que nos voltemos para a ciência aplicada e, especificamente, ao ocorre ainda mais no Partido Socialista Japonés, que recebe seu maior
que chamo de engenharia política. 55 apoio dos sindic:itos, altamente fragmentados e descentralizados, isto é,
) Em relação à abordagem de qualquer ciência aplicada, a medicina é que giram em torno do nível de empresa e de fábrica. Em suma, os recur-
) a analogia óbvia. Os médicos não sabem a causa de muitas disfunções e en- sos de financiamento político no Japão fluem de maneira muito semelhan·
fermidades e mio obstante as curam. Admitindo-se que a cura mais segura te ao padrão geral da estrutura social japonesa, que se baseia em "ligações
) é a que elimina a causa, a terapia n:ro precisa reconstituir e trilhar o cami· pessoais" (kankei) de fami1ia, d e ocupação e de organizaça:o, que criam
) nho da gênese . Qualquer que seja a causa da dor de cabeça, tomamos uma conjuntos fortemente compartimentalizados. 58
aspirina. Qualquer que seja a razão do apendicite, temos recurso a uma O padrão de financiamento do partido italiano é totalmente diferen-
) apendicetomia. De acord·o com essa perspectiva - na realidade, a pers· te. Provavelmente a descontinuidade entre os partidos pré-fascistas e pós-
) pectiva de uma ciência apHcada que está em seus primórdios - , podemos fascistas foi maior do que a descontinuidade entre os partidos japoneses de
ser indiferentes aos fatores causais fmais e nos concentramos no como po·

..
antes e depois da guerra. Qualquer que seja a razão, os partidos italianos
) demos intervir, e onde, com suficiente êxito. Com isso, provavelmente só são os principais recipientes e coletores do dinheiro político. Parte destes
) atingiremos os fatores causais intervenientes ou mais superficiais. Não obs- vai, sem dúvida, diretamente para as frações;59 mas não em quantidade su-

.

)
)

)
tante, não só na prática, más também na teoria, tal realização n:ro seria des-
prezível. No caso em questão, minha sugestão é, portanto, a de que nos
voltemos para a estrutura de oportunidades, isto é, para o contexto geral
das recompensas e perdas, de vantagens e sanções, no qual os homens de
partido vivem e operam.
ficiente para custear organizações eleitorais dos candidatos que sejam exte-
riores ao partido. Nem as disposições eleitorais italianas justificam esse
tipo de política de investimento.
Seja como for, o tema de que estou tratando n~o é como a estrutura
de oportunidades dá forma ao sistema partidário, mas como modela os
. ) processos subpartidários. E um esclarecimento preliminar é necessário, em
• )
4.5 A estrutura de oportunidades relação à maneira pela qual a estrutura de oportunidades se relaciona com
a base dos recursos. Apesar de tanto as oportunidades como os recursos,
. ) A estrutura de oportunidades é importante, primeiro, para a forma do pró· em si, já constituírem categorias muito amplas, que indicam grandes grupos
prio sistema partidário. Como já vimos, os "partidos eleitorais" japoneses de variáveis, proponho-me are duzir o primeiro grupo a apenas uma "variá·
. ) são mais fracionados do que os italianos. Isso nao deve constituírSurpre: vel de oportunidade": o sistema eleitoral intrapartidário. Além disso -
~ sa· se examinarmos as respecúvas disposições eleitorais e financeiras. O sis· como meu subtítulo sugere - sujeitarei os recursos (especificamente, o di·
~
tema eleitoral japonês não é um sistema de distritos que elegem um repre· nheiro político) às oportunidades e formularei a suposição de que tais re-
) sentante apenas, nem um sistema de representação proporcional. É, desde cursos existem, embora em quantidades desconhecidas. A primeira redu-
.) 1947, um sistema distrital de muitos membros, caracterizado por pequenos ção, ou rour de force, será explicada ao longo desta seça:o. Mas devo expli·

•. ) colégios eleitorais que elegem de três a cinco representantes. S 6 O sistema


eleitoral italiano para a Câmara de Deputados é, cm lugar disso , um siste·
ma de lista, de representação altamente proporcional (dadas as proporções
car. agora, por que condiciono os recursos às oportunidades.
O desenvolvimento da política faz dela uma profissão de tempo in te·
gral (com salários) operando à base de agências especializadas em grande
)
•..)
:'
consideráveis dos colégios eleitorais), no quil o eleitor expressa ao mesmo
tempo uma preferência partidária e, dentro do partido, a preferência por
escala (com custos). A primeira vista, parece seguir·se que o dinheiro poli·
tico - que não é dinheiro para a "corrupção", mas simplesmente o neces·

ri
.; )


)
J• •••

l l~ fART/00$ E SISTEMAS PAR TI DÁRIOS


) O PARTIDO VISTO OE DENTRO !l9
s;írio p3ra cobrir os custos da: política - tem hoje uma prcdomin5nc1a
) m:iior do que n0 passado. Não obstante, gr:indes somas são investidas em No nivei do partido - tal como é expressl pt?b competição eleilO·
) emprcs3rios e empresas políticas que fracassam, e recursos escassos provo- r:tl interoartidária - temos a polfric:a vist"vel. Em nível subparti<lârio, te-
cam grandes acon1cc1mentos políticos. Embora o dinheiro político seja um mos a p~li'1ica inrisfrcl - relativamente falando. é claro. Segue-se que vá-
) segrcuo bem guardado, há uma conclusão constante em todos os estudos rios dos fatores que condicion:m1 o comportamt?nto visível, público, dos
) de grupos de interesse no mundo ocidental, ou seja, a de que o poder eco- políticos deixam de ser operativos quando passamos ao comportamentO
nômico e financeiro tem de se acomodar, de bom ou mau grado, à forma· intrapart idá rio_
) ção polltic::i que encontra. O dinheiro politico tem de haver-se com ce rt os Em primeiro lugar, a esfera visível da política caract~riza-se. en~~ora
)~ elementos que lhe são "dados" - os ambientes em que a iníluéncia pode em graus diferentes, pelo excesso de promessas. o que ~eL:a os pol n1cos
1 ocorrer (por exemplo, parlamento, burocracia, partidos) - e procur:ir ante os sérios e acrobáticos problemas de salvar as aparencias e manter a
) "acesso". Em suma, o dinheiro alimenta, e com isso influencia, uma deter- coerência. A política visível é profundamente condicionada, além disso.
minada estrutura de oportunidades. Mas o dinheiro raramente faz dessa pelas previsões das reações do eleitorado. Mas 3 política invisível se pode
)
estrutura o que ela é . Um melhor exame do assunto mostra, portanto, que processar sem pagar muito tributo a essas pre~cupações.. ~m seg~ndo lugar,
o crescimento da política de massas e da democracia provoca um decrés· os estatutos e as limit:ições legais têm, na estera da pollt1ca v1s1vel, um pe·
cimo, e não um aumento, do poqer do dinheiro. Acrescentemos que o so que desaparece quando a política se toma invisível. Como os partidos
)
político ocidental rnramente é, hoje em dia, alguém que usa a política se impõem regras em que tanto os seus ebboradores como aqueles a que
) como meio de conseguir riqueza. Não só ele é muito mais motivado pelo elas se destinam são em grande parte os mesmos, raramente os estatutos
poder do que pela riqueza, como também compreende que a propriedade partidários são respeitados além da medida em. qu~ is.~o inter~ssa ªº! p~r­
j não é poder e, mais precisamente, que seu poder não depende de sua rique· tidos interessados. Se a constituição de um pais dtz: Os partidos nao sao
') za. Além disso, o dinheiro de que o político precisa tem com freqüência permitidos", é difícil contorna.r essa deteimin::ição. Mas se o estatuto de
um baixo custo (para ele) pois perdeu sua raridade pré-industrial. Já n::ro é um partido diz "As facções são proibidas", es.~~ cl~usula pode ~ermanecer
o soberano que procura o dinheiro, mas este que busca o soberano . como um /laws voeis - palavras sem consequcnc1a. Em terceiro lugar, o
) Voltando ao nosso ponto, as finanças do partido não explicam por pressuposto de racionalidade não se equaciona bem com .ºs públicos de
que os sistemas partidários são corno são, nem sua variação no mundo. E só massa, isto é, com a arena visível da política, embora não seja absurdo pen-
J posso imaginar uma boa razão para que o dinheiro político seja dado às sub- sar-se que os políticos são "r3cionais", ou bastante racionais, no desempe·
) unidades parcidárias e não ao partido como uma unidade, qual seja, a de nho de seu próprio jogo invisível da política. .. . . .
que este último seja um investimento mais lucrativo do que as primeiras. Comparada com a política vis ível, portanto, a polttica mtraparuda-
ria é a polt"tica pura - sob dois aspec~os: é. mais sim?les e é mai~ ~ut.êntica.
~
Se as frações estiverem sob controle do partido, então não há muito a lu·
crar em se deixar de lado o controlador. A questão depende, portanto, da ~ mais simples no sentido de que mwtos fatores ex.ogenos e vanavets des~­
maneira pela qual o partido perde ou, inversamente, conquista o controle quilibradoras podem ser postos de lado: a política pura é feita de - e~ph·
) de suas frações. õO E isso me leva de volta à estrutura de oportunidades e, cada por - menos variáveis. É mais autêntica no sentido em que. Maquiavel
) especificamente. às disposições eleitorais intrapartidárias. O fato de que os descreveu a política: a política é apenas política. E essas premissas ~brem
sistemas eleitorais têm um impacto foi demonstrado vigorosamente por caminho à minha conclusão, ou seja, de que a estrutura de oportunidades
Duverger. A essência de suas conhecidas "leis" é a de que o sistema distrí· relacionada com o fracionismo pode ser reduzida a duas variáveis: estrutura
tal que só elege um representante reduz o número de partidos, ao passo organizacional e sistema eleitoral - e, em últim:i análise: ao segundo. . .
)
que a representação proporcional os multiplica. As leis de Duverger foram Os estatuto~~tid~io~contê~ grosso ma<10, yes e~m~l}~Os Q~tnc.!::_
) muito questionadas. 61 Admitindo-se que elas, tal como foram formuladas, pais: uma sé_rie de proibições, a e~trut_u~~ <::g~n.12ac1onal e. ?J d1spos1çõ:_s
não se aplicam ao sistema partidário e ao eleitorado em geral, ninguém in· · eleitorais. As proibições -p-odém -Ser iaciTamente ignoradas, a base da lup<:>:
) 'CriSiã'reeíprõca, e sua efêtTVidade é bastante incerta. A estrutura orgar:1~~­
dagou jamais se poderia aplicar-se aos pequenos eleitorados (como o dos
mc?.1bros do _partido) que operem cm arenas mais simples e menos "agita· c1orlãléü'meremento fümc, mas só se ocupa efetivamente do fracioni~!!l.?
<l:is . Prcsum1d:imentc, essa questão não foi levantada ·porque nã"o dedica· emumcaso, eesse- mesriiõ extremo: o "centralismo democrático", como
)' mos muita atenção às diferenças en tre os níveis de política do partido e Lenin-disse óc n1aneira amena. A organização do tipo comunista é, na ~r·
}. do subpartido. <lâdc unia ~strulura de centralismo 1•ertical. S,eu segredo é córtar as comu·
nicaç,ões horizontais, conservar apenas linhas de cornunic::ição ascendcnfcs
--- --- - -
. .· .. . - -
" . .~ ·-·· ~' ·; :~ ... ....
~

~ O PARTIDO VISTO OE DENTRO 121


~ 120 PARTIDOS E SISTEMAS PARTIDÁRIOS

~ J.:: decisão do seu voto , e tudo isso culmina, para o vencedor, em recom-
~ tlesccn<lcntes, especialmente as últimas. Nenhum partido democrático pensas concret:is e imediatas. . . . .
.J Não h~í exagero, portanto, em se afirmar que as d1spos1çoes ele1tora1s

,
foi capaz, ou mostrou desejo, de chegar a talponto. 62 Por outro lado, ou-
tros remédios organizacionais contra a proliferação de frações não são fá· intrapartidárias constituem, para o político que visa a uma ca~reira, oca·
J ccis J.: encontrar. Em última análise, ficamos com o sistema eleitoral. Apa· 1 /tu para c:ltegar aos cargos, ou o caminho para o sucesso. Afinal de con-
111 11
rcnt.:mente, não ficamos com muita coisa. Mas se a política invisível é feita t:is, a mancirn pela qual os vot-os s:lo contados e pesa~~s decide. quem ve~­
de rnc11os vuri:ivcis do que a política visível, isso significa que uma mesma c..: quem. IS§~ si12.nific~, cm prime iro lugar, .que a va.n~vel d-0 sistema ele1-
J vari:ívd não precisa ter - e na verd:ide é improvável que tenha - a mes- toral é muito mais poderosa nas questões intrapart1danas do que em ou-_
J ma impurtânda no nivel de partido e de subpartido. Isso é particularmente trás. Também significa que o sistema eleítoral é a parte mais viva da "cons-
certo cm relação às disposições de votação e eleitorais. .tjtüição viva" do partido: qua11do s~ trata de votar, os jog~s já e~~ão --~eitos
..J Vamos avaliar primeiro quais meios de votação e como as eleições e todos- os atores têm um interesse vital em que as regras sejam respe1~adas.
'~ são \'isto) pelo cidadão médio de uma formação política democrática. Em T~do isso equivale a dizer que o sistema eleitoral é, na. realidade, ~~ntral
circun!>tâncias nonnais, rotineiras, o cidadao médio n:ro dedica muito tem- à estruwm das oportunidades - tal como esta é percebida pelo rruhtante
.J po nem muita atenção às eleições. Não pode ser culpado por isso, já que o _ pois encerra recompensas ponderáveis (se bem explorado) e perdas seve-
.) eleitor normal tem apenas um voto eleitora/, e na-o decisório. Sua escolha ras (se mal explorado ou ignorado). .
nas urnas rcpresen ta apenas - e numa porção quase infinitesimal - a deci- Numa exposiçâ'o completa, a tese é a seguinte: ~cmpre que ~tido .
., ) ~ importante, ou seja, sempr.!. q_ue as ca::reiras políticas se de~em fazer atra-
s:Io tle quem na realidade tomará decisões para ele, ou em seu nome. Para o
~esoosistel1fâ' decarrêírãs do partido, então a variável cruc!al - em tod9s
r1 cidadão médio, portanto, o ato de votar, e a maneira pela qual ele é levado
a votar, é uma circunstância muito marginal. Se seu candidato é eleito e ospartidos de;nocráticos e independentemente dos países particulare~ -
J seu partido vence, sua satisfação principal é simbólica. Sem dúvida ele tam- ª·
é tlisposTÇão eleitoral interna..'._e~~:~e yorque a eleiçrro~representa._
.) bém pode esperar, da politica, vantagens materiais. Mas só um eleitor mui- dg põnto- dê Vista õõs ocupant~ de c~r~o~, o elemento centr:U_de sua estru.:
to ingênuo espera que a política ofereça "recompensas" rápidas e pessoal- tura de ~portunidades. Estãõ imPfícitas,_com iss~, d~as prev1~o~s ou expec-
)
mente, isto é, diretamente ao seu bolso. Por outro lado, e de qualquer mo- tãttvas@que_o,..g>m@rtamen to das ehtes part1d~na~ ~-=~ .u~a estra~
) do, se seu voto nã'o tiver resultado ou seu partido perder, isso dificilmente tégia dê~xploraçao máxim~ d?_si~tcmàeTelt~ral, ~~ ~uc_ ~1~a~­
constituirá uma tragédia para o cidadão médio, e pouco provavelmente pcnsatórias de rnaxünização de votos se mod1ficarãb com as mod1ficaçoes
) do~sisfema elêíiOrãl: - - - · --
afetará os problemas de sua vida cotidiana.
) Se nos voltarmos agora para o militante, para quem uma carreira po- Cóiif fclaÇão ao que já se conhece sobre os ef~i.tos (e n~o efeitos) dos
lítica é uma cscoU'l.a de vida, o caso será, evidentemente, muito diferente. sistemas eleitorais sobre o número de partidos, analise ao n1vel do su~par­
)
Em primeiro lugar, ele tem à sua disposição dois tipos de votos: o voto elei- tido leva à seguinte modifi.cação: ~~~te~el~~toraj_rr_a~_exp.l~qu~,
l toral e um voto decisório, um voto que na realidade contribui pâradeter- por si. a variaçtro entre dois e, d1~mos, entre dez _p_~r~1~os .: _nao se~a, em
) m~·r ãs decisõesrelãê'ionadaSCÕm progrãmãSeâi,retrizes. Atém disso, seus partiCU)ar. CaUS3 SUllCiente cJ.a_JID.llti_plÍCa_Ç1fO_g_e p::trtlO~Lele.Se tOTO:l ~:nª ...
votos eleitoral e decisório se reforçam mutuamente e pÔdem ser trocados ~Tente dil TIJllltiplicação de frações. ~.eva ressaltar qu.e nã"o digo
) entre si. Em segundo lugar, na vida pariidária a votação é muito freqüente. suficiente e necessária. Nem d:igo a causa Süflc1ente. Isso permite que ou-
Ou melhor, a atmosfera de votação - que inclui negociações sobre futuras tros fatores causais sejam igualmente importantes. Parece-me, na verdade,
) trocas de votos - constitui parte da vida cotidiana de um político de desta- que a ideologia também pode ser uma causa suficiente. Da me~ma forma,
. ') que. Em terceiro lugar, e finalmente, as satisfações resultantes desse conti· já indiquei que as disposiçoes eleitorais intrapartidárias só constituem un.rn
nuado processo de votação não são apenas simbólicas: são, para o vence- variável decisiva quando o politico não pode, como regra, contornar_o sis-
.'l dor, muito substanciais. Todas essas diferenças - com reiação à experiên- tPma de carreira do part ido. É claro que outras explic::ições causais sao li~·
) cia eleitoral do cidada:o comum - convergem para indicar que, para o mi- ccssárius para as for mações políticas menos estrutur::idas c m bases de parti·
litante que visa a urna carreira, o sistema eleitoral, isto é, a maneira pela th A ilustração óbvia, no caso, é o "facciosismo" norte-amencano, ~ue
) qual ele tem de votar e pela qual os votos são contados, é parte integrante se destaca como um caso cm ~i precisamente porque se fundamenta mullo
) do sistema de carreira: sua carreira depende, acima de tudo, de quantos m;iis n:is eleições prim:írias do que num rnrsus lw11or11111 dentro. do pa:·
votos partidários ele pode obter e controlar. Os votos que recebe determi· titlo. 63 Vou reformular, portanto, minha hipótese geral para torna-la mais
) nam seu poder; quanto maior esse poder, maior será o valor de mercado e
-~
")
~~
)
,,~'ã
)
""""
t;;
).
122 PARTIDOS E SISTEMAS PAR TIOÁR!OS
~
O PARTIDO VISTO OE DENTRO t 2J ~
) con1plda: embora os sistc111;c; deitor.ais sejam, cm si, uma causa suficiente Cl
do fracio~mo l11!rapq,rtidário, não êonstituem 0 fator causal único nem
)

)
n~:.:.cssàrio. Simples e praticamente. as leis de Duverger pod.:m estar erra·
d~s para os partidos e corretas para as fral(ões. M:is isso exige uma refor-
mul:1.,::ro ad Jtv,-. à qual passo agora.
Por outro lado, as frações estão em condições de c:ilcular suas forças: as
informações são, quanto a isso, quase perfeitas. Não é diflcil, portanto,
estabelecer alianças bem calculadas, p:ira fazer com q:.ie o prêmio mJJ1te-
nha a todos vivos e de forma dccence. Na verdade, esse processo pode tor-
••
)
)
fltiJ<)tc:.H! J. Um sistema eleitoral do tipo .. tudo ao vencedor", isto
é. um sistema ele: maioria, conterá e/ou reduzirá o número de frações, is-
nar-se ainda mais rigoroso. Por exe mpio, dois terços das cadeiras vau para
a chapa que obteve a maioria relativa, e o restante terço, para o segundo
colocado.6 s Mas, sob essa norma tão estrita, um sistema de pluralidade
••
)
)
to é, e.;rubili:ard ou estimulará a fusão. Supondo-se um contexto ideoló-
gico, .são prováveis as maxifraçõcs. Supondo-se um contexto n:Io-ideológi-
co (prngmático), um jogo mútuo dual entre maioria-minoria é provável.
é preferível por todas as razões. E, com rclaçao aos efeitos do sistema
de prêmio à maioria, n!Io é posslvel nenhuma lúpótese (previsão).
A cláusula da exclusão, ou Sperrk/1111sel, consiste em se estabelecer
••
)

)
fliµórese :!. Um tipo de sistema eleitoral altamente proporcíonal
(:i qu.:: tÍ\ilinilr6°rr1os de PR puro) permitirá um elevado grau de fracionismo,
isto tE, l.!stimular:í e produzirá a fragmentação. A despeito do contexto -
um limite mínimo à admissão à representaç:Io. Assim, enquanto o prêmio
à maioria visa estimular as maxifrações e recompensar a fraç!Io maior, a ••
••
cláusula de exclusão visa à eliminar as minifrações. Apesar dessa diferen-
seja iueológico ou pragmático - as maxifrações são improváveis e prováveis
) as frac,:ões de tamanho médio e as minifrações. ça, seria possível argumentar que se, o processo de prêmio pode ser facil-
ment'e contornado, o mesmo acontece com o de limite mínimo. No pri-
) As hipóteses 1 e 2 são, em grande parte, auto-explicativas pdo me·

••
meiro caso, é uma questão de estabelecer alianças eleitorais de tal modo
) nos a esta altura da argumentação. Elas prevêem casos extremos, e isso as que a aliança vitoriosa obtenha apenas um prêmio mínimo. No segundo,
coloca num terreno muito favorável ao seu bom sucesso . Mas muitas situa- basta que as minifrações se unam, mesmo passageiramente, na medida ne-
) ções do mundo real podcrã'o situar-se entre os sistemas de pluralidade e

•..
cessária à ultrapassagem do limite mínimo . Mas o paralelismo é enganoso.
) PR puro. Quantas dessas possibilidades intermediárias devemos focalizar? Entre outras coisas, a punição é muito diferente. No sistema de prêmio,
A pergunta n:Io é retórica, pois as possibilidades de cada caso elevam-se :i o preço pago pelos perdedores (e pelos erros de cálculo) é a sub-represen-
) números impression:intes. 64 Se lembrarmos, porém, que estamos obser· tação. No sistema de cláusula de exclusão, a penalidade é a n:ro-repre-
)
v:i.ndo a política pura, e especificamente e tipo de •·política autêntica"
imortaliLado pela descrição que Maquiavel faz da esperteza do político.
então nossa exploração nao exige grande detalhe. A conselho de Maquiavel
sentação - algo muito próximo da extinção. E isso <lá origem a todas as
outras diferenças.
A cláusula de exclusão cria, 1pso facto, duas classes de frações: as
••
poderíamos mesmo encerrar a questao dizendo que qualquer sistema que
fique aquém da solução do tipo tudo-ao-vencedor pode ser neutralizado e
contornado - na selva subpartidária - sem muita dificuldade. Mas isso
minifraçoes (definidas pelo nível de exclusão, isto é, as que ficam abaixo
dele) e as frações suficientes, definidas como as que não correm riscos
com o limite mínimo. Essas duas classes são acentuadamente desiguais.
••
seria uma exclusão demasiado ampla. Vamos imaginar, portanto, duas dis·
posições intermediárias - o premio à rn~ioria e a cláusula de exclusão.
O premio ã maioria consiste em dar um prêmio cm cadeiras ã lista
As minifrações só podem sobreviver encontrando aliados dispostos a sal-
vá-las. As frações suficientes n:ro sofrem dessa necessidade. Podem dis-
por-se a salvar as rninifrações, mas a negociação se deve fazer de acordo
••
(nesse caso, a fr:ição) que obteve maior votação. Nas questões intra par· com suas conveniências, n!Io havendo nenhuma razcro "racional" para que

..'
tídárias, porém, esse recurso evidencia uma grande debilidade: estimula uma fração suficiente salve uma rninifração, se esta n:ro pagar um preço
as alianças ncutrali7.auoras, contrabalançadoras. Ou seja, se o prêmio à e/ou reduzir suas exigências. Ao fim, portanto, as minifraçoes deixam de
maioria visa a punir, e com isso reduzir, a proliferação de frações, seu pro- ser compensadoras: seu tamanho n:ro traz vUJ1tagcns. Concebivclrnente,

)
pósito pode ser frustrado pelas alianças inte rfracionárias passageiras, que
deixam a fragmentação - tffo logo tcrmiJ1a a eleição do congresso do parti·
do -· exatamente como era. ~também fáci l compreender por que esse dis·
o fracionamento pode ser tal que nenhuma ali:inça desigual se torne ne-
cessária, no sentido de que as mini frações podem passar o limite mínimo
simplesmente unindo suas forças. Essa é, porém, apenas uma das muitas •.
pusit ivo estimula uma estra t~gia de alianças. Isso ocorre porque uma agre·
g:1~1i0 dcitorul mai0r do que o prêmio penalizaria, d.:: fato, o·vcnccdor.
Por c:-...:11\plo, si: :1 maioria de 51 <,~ dos votos tem direito a 65% d:is cadci·
distribuições possíveis. E a diferença no que está cm jogo também pode,
sob esse aspecto, ser importante. Se tomarmos um p:i<lrão altamen te fra-
cionário que é, ou pretende ser, motivado ideologicamente, então o jogo •.
ra-;, um result;1do de 75% para uma chapa daria um prêmio às minorias. de alianças deve levar em conta a aritmética d:i ideologia, is10 é, a conti-
güidade i.: a consonância ideológicas. Se está em jogo a super ou a sub-rc·
••

124 PARTIDOS E SISTEMAS PARTIDÁRIOS O PARTIDO VISTO DE DENTRO 12S

prescntaç::io - como no caso do prêmfo à maioria - até mesmo as alianças de sua força, nennuma fraçã-0 tem negado o acesso aos cargos e proventos.
pouco recomendáveis podem ser toleradas, em nome do interesse mútuo. O apetite aumenta com a comida, e novos bolos têm de ser criados ou to-
Mas se estiver em jogo a extinção do inimigo ideológico,.então essas alian- mados, sem cessar. Não há um fim previsível, portanto, no caminho da
ças seriam uma estupidez. Tomemos o exemplo de um limite mínimo de proliferação e da voracidade das frações do momento em que o processo
exclusão de 15%, oito frações, e a seguinte distribuição (da esquerda para ganha impulso.
a direita): 4, 8, 22, 20, 30, 6, 5 e 5. Na aritmética, as duas minifracões da O problema existe. Mas teremos realmente encontrado uma terapia
esquerda poderiam aliar-se às minifrações da direita . Na aritmética Íd.eoló- adequada? ~ claro que a chave da minha explicação - a de que o fracionis-
gica isso é difícil de realizar, mesmo em nível subpartidário, sendo mais mo responde a uma estrutura de oportunidades e é por ela causado - tem
provável que as três frações de direita corram juntas o risco de na-o atingir uma limitaçao inerente, fundamental: não se aplica por àefiniça-o a facçoes
1'
o limite mlnimo; isto é, numa coaliz.ão apenas suficiente para isso. Assim, do princípio de Hume, isto é., nem aos grupos de ideais nem - muito me-
não concordarei, nesse caso, com a advertência inspirada por Maquiavel e
correrei o risco de apresentar uma hipótese.
l nos, às frações ideológicas. Como esses grupos não são motivados pelo in-

Hipótese 3. Se PR for corrigido por uma cláusula de exclusão, o


l
!
teresse, são em grande parte iasensíveis às seduções e à falta de incenti-
vos. Por outro lado, esse hiato só representa uma limitação severa em
i
sistema fracionário provavelmente se estabilizará em frações de tamanho i
' relação às frações que são frações puras de princípio. A pureza é muito im-
médio, sendQ esse tamanho estabelecido pelo limite de suficiência. Por portante, pois qualquer "impureza" eventual se enquadra najurisdiç:l'o de
outro lado, é improvável que a cláusula de exclusão seja eficiente com li- f meu enfoque (como sugere implicitamente a Hipótese 1). Segue-se que a
~
mites abaixo do nível de 20%. 6 6 r
1 medida na qual a análise da estrutura de oportunidades se enquadra nas
A questão poderia ser - já que três de minhas hipóteses relacionam- ! evidências constitui um bom indicador das proporções em que princípios
se com a contenção ou a redução do fracionismo - se o número de fraçoes '
e ideologia constituem uma camuflagem, ou estão muito combinados com
realmente é importante. Sem entrarmos num debate, a ser realizado quan· conveniências e interesses. Observe-se, quanto a isso, que nao estamos lon-
do a mesma pergunta for levantada com relação ao número de partidos,67 ge das condições de experimentação com pequenos grupos. Os líderes par-
observarei simplesmente que o "jogo do veto" exige o multifracionisrno, tidários constituem um grupo pequeno e são, em geral, bastante estáveis.
ao passo que o bifracionismo conduz, geralmente, a um sistema de lideran- Não é raro, portanto, encontrar o mesmo núcleo de líderes operando em
ça e, por fim, à alternação da liderança. A diferença n<ro é pequena, es.pe· diferentes momentos em diferentes disposições eleitorrus, E isso nos su-
cialmentc se consideram1os que, uma ve7. iniciado, o jogo do veto tende a gere que as lúpóteses formuladas neste capítulo podem ser submetidas a
ir além dos limites máximos de segurança. Ainda assim, é razoável indagar testes adequados, embora imperfeitos. Como quer que seja, a limitação da
se valerá a pena impedir um processo de fissão que acabará por encontrar chave de minha explicação deve ser reconhecida. Uma maneira de levá-la
um ponto de parada fisiológico. A questão interessante é, então, até que em conta - mas também de submetê-la à prova - é sugerida na Hipótese 4.
ponto o fracionismo partidário pode chegar sozinho, sem peias. Hipótese 4. O número- de frações ideológicas está inversamente rela-
A suposição de que o fracionismo deve encontrar um fim natural cionado com o número de partidos; o número de frações de interesse não
pressupõe um jogo de soma constante. Mas o jogo parece ser de uma soma tem relação com o número de partidos.
variável. Se o bolo consistisse apenas de posições no ministério, poder-se-ia
então supor a existência de um teto - embora maleável. 6 8 O grande bolo A rar ionale da hipótese acima é a seguinte: dado que as fraçoes de
consiste, porém, das áreas sob "colonização" do partido, e, corno n:ro há princípio , especialmente as de ideologia, são - se puras - bastante insen-
nenhuma fronteira preestabelecida para o processo de coloniz:ição o·u a síveis às vantagens e desvantagens materiais, seu número provavelmente
fértil imaginação do homem para inventar cargos e proventos a serem con- será, num dado espectro ideológico, relativamente constante. Portanto, se
quist::idos ulteriorn1ente,a soma é realmente variável. O critério distributivo há partidos suf.icientes para acomodá-las, a divisão fracionária tenderá a
também é muito relevante na questão. Um sistema distributivo pode ser coincidir com a divisão partidfria: no limite, cada fraç:ro torna-se um par-
proporcional, isto é, os cargos e proventos são divididos em proporç:ro ao tillo. lnvers;imente. quanto maior a discrepância entre numerosas frações
tamanho e à força (incluindo com isso a posição de valor) das fraçoes. ideológicas e menos numerosos QS partidos, mais teremos partidos divididos
Esse limite pode, porém, ser supcr:ido por um crité rio llistributivo pC'r por frações. Vamos supor que n:ro há dados cm apoio à primeira parte da
capira: cargos e proventos são divididos nJo só em proporça-o, mas também hipótese . Assim, é a segunda parte da hipótese que se aplica. A dedução
per l'apira (nesse caso, por fração). Na prática isso significa que, a despeito é ;i seguinte: sempre que um padrão de n1ult ipartidarismo extremo é su-
O PARTI DO VISTO O E DENTRO 127
126 PARTIDOS E SISTEMAS PAR TIDÃRIOS
Lim primeiro indicado; poderi:i ser chamado o t'ndice de inconstân-
µ k me_n ~a clo emy ~vel s~bpart idário, pelo extremo f!aciona1!_1c11_!.o, a cred_i· cia. Pode mos con t:.lr quu.n tas vezes o l ider de um a fraç~ro mudou de posi-
Gilwa<lc <lo fracionismo rcteô!ógico diminui com o aumento do n.úmero u~ çao ao longo do espe.:: tro ideológico interno de seu partido. Na ve rdade,
fr;cõcs. Po; exe1riplõ.· os nún1eros italianos foram, em certo momento, urn político pode mudar de princ ípios e demonstrnr, com isso, grande lrn·
j ;;- ~>-it-o partidos com cerca de ~5 frações. 1: difícil acreditar, e mais difícil bil idade. Mas com que frequência, e com que coerência? Um alto índice de
Jt:mOHStrar, que h:i número suficiente de ideologias para manter esse total. manobras e contramanobras da d. ireita para a esquerda, e subseqüentemen·
Além disso. se examinarmos a distribuição real, cerca de 14 frações esta- te da esquerda para a direita, evidencia que tática prevalece sobre a ideolo-
vam lo..:alizadas em apenas dois partidos, que são os principais partidos go- gia e os princípios. Esse teste se pode repetir em relação aos membros de
\'crna111cs no perioJo pós-! 964: nove no Partido Democrata Cristão e cinco cada fração . Nesse caso teríamos um índice de longevidade - por oposição
no Partido Socialista. AinJa mais revelador, o crescendo fracionário socia- à friabilid ade - dos agrupamentos subpartidários. Além disso, uma distin-
lista coincidi!, em grande parte, com o acesso do partido aos cargos e pro- ção satisfatória entre estratégia e tática , aplicada, no decorrer do tempo, a
vc;itos do governo - tal como prevê a regra que se aplica às frações de uma sdeção adequada de questões poderia também proporcionar resul-
intc rcsse. tados significativos. 69 Finalment e, devemos considerar a divisão, de àmbi·
Pelo menos uma conclusão part:cc bastante razoável: nem todas as to nacional ou concentrada em uns poucos bolsões regionais ou locais (ba-
fraçõ.::s em questão devem sua existencia a um "credo". Se assim afirmam, sicamente onde reside seu chefo), de cada fração . A indicação é, no caso,
não se lhes pode tlar crédito. Por outro lado, isso na-o autoriza a conclusão que as frações de área única dificilmenw podem ser creditadas como de
de que todas as frações em questão se tornaram "corruptas" e portanto natureza ideológica. E embora as revelações de um único indicador possam
que devem ser todas reclassificadas como frações de interesse. Esse proble- ser questionadas, uma bateria d~ indicadores que indicam a mesma conclu·
ma pode ser evitado se a Hipótese 4 for desenvolvida e transformada na são representa uma prova adequada.
Hipótese 5. Vamos recapitular. Primeiro, nrro estou apresentando uma explicaçro
Jlipúrese 5. Se a estrutura de oportunidades recompensa as minifra- unicausal. Como minha argumentaç<Io aplica-se às frações de interesse ou
ções, o grau de fracionismo provavelmente será elevado, a despeito de se- suficientemente marcadas por in teresses, é claro que pelo menos um out ro
fator causal - princípios e ideologia - é pressuposto. Assim, o meu pro-
rem as frações ideológicas ou não.
blema é, implicitamente, até que ponto o fracionamento dos partidos per·
Não há nenhuma segunda intenção nessa hipótese. Sua rationale é tence ao processo de ideologização da política e até que ponto continua
simplesmente a de que, dado um número constante de frações ideológicas, sendo coisa muito antiga - as facções dos clássicos - e pertence, portanto,
uma estrutura de oportunidades que recompensa até mesmo as frações pelo menos em parte, às falhas da engenharia política.
muito pequenas aumentará, ou produzirá, um número excedente de fra- Segundo, minha argumen cação não pretende ser genética, no senti·
çfü:s d.; i11l.::resse. Por o utro lado, se não houver fracionismo ideológico, a do de que mro pretende alcançar, ou elimirn1r, as causas finais ou os deter·
regrn, isto é, o incentivo suposto, aplica-se igualmente bem. Isso nos coloca minantes profu ndos do fra.;ion ismo. Supõe-se com freqüência, que os de-
muito próximos da Hipótese 2, como se notará. A diferença é sobretudo terminantes profundos são descobertos por uma compreensão e exploraç<Io
de generalidade. Isso equivale a dizer que, enquanto a Hipótese 2 especifica sociolÓgicas da política. Com rdaç<Io ao fracionismo partidário, porém, a
a estrutura de oportunidade (PR), a Hipótese 5 deixa o sistema de incen- abordagem sócio-econômica não conseguiu, até agora, estabelecer nenhu-
tivos aberto a especificações futuras, que acabarão sendo feitas. ma correlação relevante, significativa, entre a origem social, as condições
Mas a distinção entre frações de princípio e de interesse deve s~r me· econômicas e ambientais, de um lado, e a configuraçrro real do mundo sub-
lhor desenvolvida. Teoricamente , e la é bastante clara, mas ficamos com o partidário, do outro. 70 Isso não é Je surpreender se adotarmos a opinião
problema de sua operacionalizaçao. Em especial qua11do se trat;i <le casos de que a poli'tica intra partidiria aproxima-se da polltica "pura". 71 De
mistos, a ques tão é, na verdade. se certas frações são ig11al111e111e, meio a qualquer modo, o problema é abordado aqui - como uissemos na premissa
meio, ao mesmo tempo de princípio e de interesse, ou mais de princípio - <lo ponto de vista da aplicaçrro, e precisamente da engenharia política.
do tiuc de interesse e vice-versa. Seria <lema:;iado ambicioso formular. com Essa abordagem bem nos pode deixar com uma ..:ausação aproximada e
relação a coisa tão mal definida como ideologia , uma pergunta direta. mesmo, talvez, superficial. Rejeita-se, porém, a regressão do tipo ovo-1.!-ga·
"quanto", ou s.::ja, desejarmos um a medida. Se, po rém, nus s:.itisfizermos linha. Além disso, oforccc um t.::stc cla ro : se uma intervenção proporciona
com 1m·1·a/ê11l'ius. então a in vestig::ição pode ser levada a<lia1'i te além dos ou n:To a reação prevista no comportamento.
sin tom:is mencionados até agora, com a ajuda de indi..:adore'i.
)

)
128 PARTIDOS E SIS7EMAS PARTIDÁRIOS
) O PARTIDO VISTO DE DENTRO 129
) Terceiro, embora eu reduza a estrutura de oportunidades ao sistema de enfrentar, ~credito, os problemas oriundos do interior sombrio da poli·
) (carreira) eleitoral, essa redução ·é compensada, ao que se espera, por uma ~ - sob uma condição essencial: que isso constitua -urna preocupaça:o,
ampliaç:Jo correspondente. A variável que tenho é podcros:i. A suposiç:ro e que mantenhamos um olhar vigilante sobre o ciclo interminável da ex-
) implícita é a de que a política visível e a política invisível são coisas bem tinção e renascimento das facções propriamente ditas.
) diferentes e. portanto, que nosso entendimcn10 muito ter:i a lucrar se os Na verdade, os partidos não podem, nem devem, ser monólitos. Tam-
níveis <lo partido e do subparti<lo forem analisados separadamente. O ar- ~ém se pode con~~d_ar ~m que _oJ:racionismo poss~ .!l..!!l~~tivCJ.
) gumento de que a política intra partidária já ni!'o é condicionada e compli- Sua aefesa-:-porém, quando adequada, deve-ser bem justificada. lsso dificí1-
) cada pelos fatores postos em jogo pela visibilidade poderia ser objeto de mcnte ocorre com o argumento de que o fracionismo é testemunho da
suspeiçITo, por ser demasiado propício ao meu objetivo, que é - reconheço vitalidade e da autenticidade da "democracia" intrapartidária.73 A demo-
) - chegar a uma variável bem identificável, fidedigna e bem adequada à cracia terá um futuro sombrio se a palavra for forçada e violentada a esse
comparação entre partidos em todo o mundo. Se for esse o caso, o pecado ponto. A~ocracia intrapartidária relacio_!l~com '!._maneira pela qual
)
11Jo ~ intencional e eu teria de reconhecer minha culpa. Não subscrevo a os membros se situam em funçaoãas elites partidárias. A mâgíca de ümã
) opinião de que nossos problemas devem ser definidos pelos dados básicos palavra dificiJmente pode regenerar a dura realidade do facciosismo - se
)
e dessa forma a eles confinados. se puder mostrar que isso é tudo.
Deixando de lado a retórica da democracia e as violências a ela feitas,
4.6 Do partido à facção há apenas uma justificativa que, pelo menos no caso italiano, parece plau-
} sível. Sua essência é a de que, dado um tipo imobilista de sistema partidá-
Estamos de volta ao ponto de partida. Tendo começado com as facções rio que leva a governos de coalizão imóveis, a "mudança" é buscada, e só
) pré-panido , chegamos, depois de uma longa viagem, às frações e facções pode ser obtida, por meio da dinâmica sub partidária e fracionista, passan-
) dentro do partido. É conveniente, a esta altura, avaliar a importância do pro- do por cima das linhas partidárias. 74 Por outro lado, o argumento pode
blema. A maioria das avaliações do fracionismo intrapartidário - pelo me- ser invertido, sem qualquer perda de plausibilidade, da seguinte maneira: os
nos nos três países nos quais ele é mais visível e melhor estudado - são gabinetes italianos estão paralisados não só pela dissonância, ou distância,
altamente críticas, em especial quando o observador é também participan· ideológica, entre os participantes da coalizão, mas também pelo agravante
)
te. O julgamento de Key sobre a política faccion:íria foi duro. O mesmo se de que cada partido está paralisado internamente pelo jogo de veto entre
) aplica à maioria dos obseNadores japoneses e italianos. Os próprios atores, suas facções. Evidentemente, a questão depende de se as evidências mos-
os políticos, subscrevem com freqüência <!._condel}ação áesüãs lutas iJlter· tram um jogo de veto "faccionai" ou uma dinâmica inovadora "fracioná-
) nas, o -que se confÍrniapdofãíO-de que os principais p_artidos, tanto ita- ria". Enquanto esperamos esse exame, voltamos ao ponto preliminar de
) li:mos cõiliõjaponeses, sofrem VIgorosapre;5ão de scys_associados iai:_a que que pouco podemos compreender e discutir enquanto perdurar a suposição

,'
sejam i:.e:íliiãdas reformas para reduztr a virulência faccionária. 72 Por outro de que o mundo dos partidos é todo igual, todo feito de uma mesma maté-
) ! lãdÕ, não é raro encontrar estudiosos que rejeitam o -problema, num espí· ria. O primeiro passo, portanto, é identificar a natu~eza diversa das frações
~
) rito de "é como deveria ser". Mas há um caminho entre o vitupério e a em relação aos seus estilos "conaturais" de comportamento.
i aquiescência - isto é, entre duas cegueiras. Como ocorre com os icebergs, só uma pequena parte da polfüca é
) f Em todo o registro da história, as fa~s surgem como o desespero visível acima da linha d'água. Minha argumentação se fundamenta, reco-
1
da política - pelo.inênos, dã polltícã "republicana":-Ecstranho, portanto, nheço, em muita obscuridade e em uns poucos icebergs. t possível, entre
) '
1
1 que quanto- mã.is exigimos da j)õliitca que prõporciõOe uma vida condigna, outras coisas, que ela seja exagerada, pois minhas generalizações são extraí-
) menos parecemos enfrentar sua eterna st,umbling block. Os_partidos, disse das de casos extremos e, acima de tudo, da experiência italiana. Por outro
) cu no início, superam as facções e são partidos precisamente na med.ida lado, é sabido que a política latino-americana é muito facciona!, havendo
cm que diferem dâs facçocs. Como eu põdcriâ-dizer-agora, os partidos de- boas razões para se supor que isso também ocorre com a maioria dos novos
) . vem à sua vj~ Lbilidad~-~~!jl!iYE~l imi~!_?cS_-9.l!Ç...Q.Llf)rnaiii ~fe~n .tes Estados. Quando outros icebergs se tomarem visíveis ou forem explorados,
} da_s_facções_. N_!? obstante, eles s~_ao~_fei_!.as de_subunidaje_s;_t_as poderemos descobrir, talvez, que as facções são mais relevantes do que
subunidades são em grande parte invisíveis. Mas se a civilizaçã'o ocidental suspeitamos até agora, também em muitos países insuspeitados .75 Quando
c.011sc&Qilíüii1a s~ao constitucional para-coiltcr o govemo aróitrârio do Duverger iniciou o estudo dos partidos, as primeiras palavras de seu prefá-
h~mcm sobre o homem, a engcnharíãpõll'ika também pode ter esperanças C'io reconheciam uma "contradição básica" e, na verdade, um círculo mais
)
)
)
)
lt
)

)
\ 3() PARTIDOS E SISTEMAS PART/DARIOS
>
)
ou menos vicioso: uma teoria gerai dos partidos exige informações prelimi-
) nares que, por sua vez, não podem ser obtidas, "enquanto não ho~er
um:i teoria geral". 76 O nível de análise subpartidá1io deve enfrentar, e atra- NOTAS
} vessar o mesmo círculo vicioso.

J
)
)
) 1. Samuel J. Eldersveld, Political Paníes: a Belraviorrzl Analysis, Rand McNally,
1964, p. 1. Embora seja o estudo de um exemplo individual da área metropo-
) litana de Detroit, tem grande valor teórico.
2. O próprio Eldersveld se ocupa extensivamente da reformulação da questão de
J Michels.
3. O 'enfoque organizacional é examinado no volume II.
) 4. Sobre minhas opiniões quanto à "liberdade em relaçã'o a valores", G. Sartori,
"Philosophy theory and science of politics", Politica/ Tl1eory, Il, 1974, pp. 151·
) 154. No caso em foco, "facção" dificilmente se pode tomar neutro pelofurt da
definição.
) 5. Huntington, Political Order in Cltanging Societies, op. cft., pp. 412-413.
6. Ver infra, notas 8 e 23, e 4.3.
7. Referimo-nos, em particular, ao índice de fracionamento desenvolvido por Dou-
glas Rae, a ser examinado infra, 9.5.
8. Richard Rose, "Parties, factioru and tendencies in Brit3.in", PS, fevereiro de
) 1964. p. 37.
9. lbid., p. 38.
) 10. Um exemplo geralmente vilido é C.J. Fricdrich, Constitutional Government
and Democracy, op. cit., p. 421, onde o autor encontra a característica mar·
) cante de um partido na "exigência de org:inização estável".
l L O exemplo exuemo parece ser o do Uruguai onde um (dúbio) sistema biparti-
dário é (ou era, até junho de 1972) apenas uma fachada eleitoral em relação 30$
fatores reais, isto é, os lemas e subl<!mas dos partidos Blanco e Colorado. Nesse
) caso, a realidade partidária é uma confederação, mais do que uma federação,
de suas frações. Ver, porém, infra, 4.4., l t:ilia e Japão.
) 12. As idéias de grupo de clientela e de estrutura <le clientela foi reforçada por vá-
rios estudos. Como aplicações específicas a certos países, vejam-se obras como:
) Joseph LaPalombara, lnterest Group:r in ltalian Politic:r, Princeton Univenity
) Press, 1964 (o título italiano é muito mais revelador: Clientela e Parentela,
Communità, 1967); Sidney Tarrow, Peasant Communism in Southern ltaty.
Yale University Press, 1967, particularmente pp. 68-8 l e passim; Keith R. Legg,
Politics in 1Worlern Greece, Stanford University Press, 1969; e Nobutaka lke,
) Japonese Politics, Patron-Ctient Democracy, Knopf, l 972. Não há razão pan
se limitar a política de clientela à fase de transíção do processo de moderniza-
) ção. Os laços en tre patrono e cliente se encontram, embora sob nome dife-
rente, nas "máquinas" dos Estados Unidos e no caciquismo espanhol e latino·
) amo.:ricano. Em geral, ver Eric Wolf, "Kinship, friendship and patron-client
rclations in complex societies", in The SocÍlll Anthropology of Complex Socie-
) ties, A.S.A. Monographs 4, Tavistock, 1966, pp. 1-22; Alex Weingrod, "Patrom,
)
111
)
)
132 PARTIDOS E SISTEMAS PARTIDÁRIOS NOTAS 133

patronage and política! parties", Compararive Srudies i11 Society and History, ju- cularmentc pp. 145·1 60; R.obert J. Jackson, Rebe/s and Whips: an Analysis _
lho de 1968 ·James C. Scott, ··corruption, machine politics and political changc", Dissension Discipline and Cohesion in British Política! Parties, St. Martin 's,
ÁPSR, dez.:~bro de 1969; John D. Powell, "Peasant society :rnd clientelist poli- 1968; P. Seycd, "Factionalism within the Conservative Party: the Monday Club"
t ic~". APSR, junho de 1970; James C. Scott, "Patron-clicnt politics and political GO, Outono de 1972.
cha ngc in Southeast Asia", APSR, março de 1972; R. Lcmarchand , K. Legg, 19. Supra, 2.3.
"PoliticaJ clientelism and development", CP, janeiro de 1972; Carl H. Landé, 20. O acréscimo mais recente a essa classificação imprópria foi feito por Michael
"Ne1works and groups in Southcast Asia: some observations on the group Leiserson, " Factions and coali tions in one-party Japan: an interpretation based
thcory o f polilics", APSR, março de 1973; Robert Kem (org.) , The Caciques, on the theory of games", ASPR, setembro de 1968. Embora o artigo na reali·
Unsvt:rsity of New Mexico Press, 1973 ; Luigi Graz1ano, "Patron-client relation- dade trate da teoria dos jogos, seu título é um exemplo ulterior e representativo
ships in Southern ltaly", E/PR, abril de 1973, e L Graziano (org.). Cliente/ismo da falta de signific:u;ão a que chegou a classe do unipartidarismo.
e Muramento Po/flico, Angcli, 1974. Essa crescente bibliografia é muito promis- 21. Isso aplica-se, na verdade, à democracia constitucional - uma condição preli-
sora, mas s,ua utilidade para meus objetivos é difícil de precisar, Em particular, minar, porém, de qualquer outr:i coisa que se entenda corno ""democracia subs-
"clientela" e "patronagem" devem ser distinguidos , part icularmente com respei- tantiva". Sobre essa opinião, ver meu artigo "Democracy", em lnternationa/
to ao tipo de partido que funciona reconendo à patronagem. Encyc/opedia of the Social Sciences, op. cit. Esse ponto pode ser reforçado cm
13. Minhas razões para construir um cóntínuo que vai da ideologia até o pragmatis- termos culturais. Dt: acordo com Da.niel J. Elazar, A merican Federalism: a View
mo são apresentadas em "ldeology, politics and bclicf systems", APSR, junho from rhe States, Crowcll, 1966, pp. 79-140, embora a tendência subcultura! do
de 1969. Ver também infra, 5.3. Essa dimensão é construída operacionalmente Sul seja, entre os brancos, .. tradicionalista", trata-se de uma subcultura política
por Kcnneth Janda, como "faccionarismo ideológico" versus "faccionarismo lock eana-li beral.
cm relação a questões concretas" (JCPP Variables and Coding Manual, op. cit., 22. Por exemplo. A R:inney e W. Kendall observam que "o sistema partidário do
pp. 159-161 a). Embora minha idéia de pragmatismo implique uma orientação Mississippi não é do mesmo tipo do sistema partidário soviético.. e comentam
voltada pa;a as questões· objetivas, - e com isso se aproxime da definição ope- que o uso do mesmo termo - unipartidarismo - para ambos "inevitavelmente
racional de Janda - prefiro, conceitualmente, abordar essa dimensão com tende (. ..) a identificar essas cois:l6 no espírito dos alunos" ( ..The Amcrican
referência ao seu pano-de-fundo cultural. party systcm' ', APSR, junho de 1964, p. 4 79). O argurnento é ainda mais forte
14. Ver G. Sartori, "From the sociology of politics to the political sociology", in hoje cm dia, com os bancos de dados e o processamento computarizado. Nunca
S.M. Lipset (org.) , Politics and the Social Sciences, Oxford University Prcss, 1 conseguiremos dar sentido à classe do partido único, se tivermos cerca de 25
1969, pp. 78-79. Ver também a análise feita infra, 10.3. l Estados da União misturados nessa categoria. Por outro lado, mesmo Ranncy e
IS. Meu ..faccionarismo personalista" é muito próximo do "faccionarismo de lide- i Kendall não levam sua observaçà.o à conclusão lógica, pois também eles acabam
rança" de Janda (Joc cit. pp. 161-163). A rotulação mais tradicional não signi- deixando dez Estados sob a rubrica unipartidária (p. 484).
fica que a capacidade de liderança esteja, na realidade, e~ causa. _ 23. Southem Politics in State and Nation, Knopf, 1960, p. 299. A análise de Key
16. Como a negociação, ou ·barganha, transforma uma coalizão de obstruçao numa 1 foi reapresentada de maneira concisa cm American State Politics: an /ntroduc-
coalizão vencedora é mostrado por Brian Barry, Political Argument, Routledge 1 tion, Knopf, 1956.
& Kegan Paul, 1965, pp. 245-249. Sobre as noções de coalizões de obstrução 24. Não depõe contra Key a observação de que sua compreensão teórica é inferior
e coalizôes vencedoras ver William H. Riker, The Theory of Política/ Coalitions, aos seus outros talentos. Seu principal problema de comparação - a compara·
Yale Universit y Press, 1962, pp. 103-104 e pasrim. Rikcr considera também a 1 çio dos sistemas norte-americanos unipartidário e bipartidário - é liquidado em
"C'oalizão perdedora", que pode ser assimilada aos grupos de pressão. duas linhas: "O problema a ssim formulado pressupõe que os sistemas uniparti -
17. !CCP Coding Manual, op. cit. p. 163. dá.rios são semelhantes, mas isso não acontece; e que os sistemas bipartidários
J8. A ordem das entradas reflete a magnitude dos dados disponíveis. Na realida- são se melhantes, mas não o são" (ibid.). A resposta poderia ser a de que as m :ís
de, a documentação sobre o terceiro país, o Japão, é insuficiente (pelo menos
para os que não falam japonês) e terei de referir-me a esse caso de maneira muito
1l cla~sificaçõcs precbam ser melhoradas.

1
25. A diferença é ressaltada supra, 2. 1. A questão é geralmente evitada em toda a
conjetural (adiante, nota 50). Depois do Japão , a índia seria o cand idato mais bibliografia, a começar (ma.is ou menos nas mesmas linhas de Key) com Alcxan-
prom issor na minha agendá, exceto pelo fato de que somente os começos do siste- dcr Heard, A Two-party Soi.Jth?, Uruvcrsity of North Carolina Press, 1952.
m a partidário indiano foram sistematicamente explicados ao nível de análise das 26. f. essa a diferença entre "formato" e .. mecânica" do bipartidarismo exposta
frações (Myron \Vciner, Party Policies in lndio - The De1•elopme11t of a Multi- infr.a, 6.4.
party System. Princeton Univers ity Press, 195 7). O resto dos dados são di:masiado 27. Infra, 6.5.
fragmentários (ver, por exemplo, Paul Brass, .. fac tionalism and lhe Congress 28. Ver Joseph A. Schlcsinger. "A tw o-dimens1ona l scheme for classifying States
Party in Uttar Pradesh", Asian.Survey, setembro de 1964; e Mary C. Garra,, accord ing to degree of mter·party compctition", APSR, dezembro de 1955 .
"Congrcss factionalism in Maharashua: a case studr", Asia Survey, ma io de Essa distril>Ui\·ão basei:1-se n o controle dos governos es taduais.
l 970l. No contexto europeu, ã parte a 1t:í lia, apenas a literatura sobre a ln- 29. A razão para :i ampliação da classe do bipart1darismo de molde a compreender
glat..:rrn permite, embora indiretamente, a exploraç5o do n ível subpartid:írio a compctitivilfade digna de crédito será clara, por motivos comparativos (infra,
cm suficiente detalhe. Ver (além de Rose, "Part ies, fr;ict ions an d tendencics in 6.4). Uma dcfiniç:io demasiado estre ita da competi tivitl adc (como a oferecida
Britain" loc. cit. ), S.E. finer, H.B. IJerrin gton e D.J. Bartholomew, Backbench pel;1 primeira classe de Schlesingcr) e liminaria, para começar, os Est ados Unido~
Opinion in the House ofCommons 1955-1959, Pcrgamon, J 961; P.G. Ric hards, lem n ível fede ra l) como um a formaç:io política bipartidária.
Honorable Members - a Study of British Backbenchers, Faber, 1963, parti· 30. Essa dist ribuiçílo é cxtr~ída dJ classilicaç5'o ele Schlesi ngc r, loc cit. Suas de·

,..
)
)
) lJ.t PARTIDOS E SISTEMAS PARTIDÃRIOS NOTAS 135

) composições são as segum tcs: (iJ Esiados compc1it1vos l 9), (n} ciclicamente in Loui,iana..._APSR, s~tembr o de 1~55. Deveriamos ressalt:u que iodas as mi-
c:ompet1t1vos (4), (iii) unip:i.ctidarismo cíclico (8). (ivJ predomu1ânc1a do um- nlu> Ob'.><!rvaçoc:s >C aph1:am J esd<? a cpoca cm que Key escreveu at.; meados da
) ~a!lldansmo ( 16), (v) uni partidarismo ( 11). Fundi as três primeiras e as du:i.~ d.!r.::ida.dc .1.96_?. Desde: <!ntJo. surg1ram novos padrões. Mas é hoje bastante claro
ulum:.c. ela.ses. Outra combmação possível daria os três padrões seguintes: (1) que o :Sul Ja nao const1tu1 uma reserva segur:i dos democratas: a competido está
.:omp~1i11vo, ( 13 falados), (ii) ciclicamente comp~tiuvos ou sen11comp.:1it1vo, surgmdo em csp..:c1al n:is eleições prcs1denc1:11s ( 1968 e 1972 bem se pode falar
<24 Estados); (1uJ predommância do unipamdammo (11 Estados). A raz:io de um "republicanismo pre~1denc1al" sulista).
) Golomb1ewski, loc. cit., p. 50!.
para a fu);io adotada no texto é a de enquad.r:u-se à defuuç:lo geral dos mtcmas 36.
) d.: parudo predom iz1an1e. 37. Lem bremos ~~e a ~mha classe "sem1compe11tiva" corresponde ao "uniparu-
31. .. 1'11e Amerit.:an party syscem", foc. cit., particularmente pp. 482-484. Os auto- dansmo mod111c;ido de Rann.:y e Kcndall, e ao "predomínio de um partido"
l res combinam os resultados eleitorais p:ua a presidência. para os governos esta- de Schle~mger. Key não tenta nenhuma generahzação, mas observa que ''tant~
duais e p:ua o Sepado, o que inev11avelmente tom:i sua estimativa diferente d:i na Cuohna do None como no Tennessee as facções d.:mocratas majoritárias
) esumativa de Schlesinger. Outras dúerenças devem-se. porém, aos esquemas de se unem em conseqüência da opos1ç:io dos republicanos" e que "l coesão da
class1ti1:ação e d\!finições c orrdatas. Co m relação aos l l Estados subcompetiti- facção majoritária nesses Estt1.dos indica a influência extraordinária até mesmo
vos, a únic:i discrepância é Oa.klahoma, que é "unipamdário modificado" para de um pequeno partido d.: oposição" (op. cit., p. JOO) .
Ranncy e KendalJ, e claramente "unipartidário" para Schlesinger. Califórnia, 38. So11thern Polítics, op. cir.. pp. 300-301.
llltnois, Michigan, Wisconsin, Montana, Missouri e Maryland são bipartidários 39. lbid. , pp. 302-3 l O. Um sumiiio dos r.:sultados, quanto a isso, encontra-se em
d.: at.:ordo com os cnténos de Ranney e Kendall, e com pn:domínio de um Fred 1. Greenste1n, The A nzerican Party System and the American People,
pa.rudo, cm Schlesmger. Como este último admite que suas classes de parti- Prcntice-Hall, 1963, pp. 57-<íO. Dawson e Robinson observam que o grau de
do predominante e de uni partidarismo cíclico sào "semelhantes" em termos da competição interpartidária não possui uma "significativa influência intervenien-
"d1mens:io geral da compet içào" tloc. cit., p. l. 125), mesmo no caso a tliscre- te entre os fatores sócio-econômicos e os progr:imas liberais de bem- estar social''
páncia substan ti va é de pouca importância. Mas as diferenças são muito subs- (loc. cit. ,. p. 289, nota 32). i\las essa não era a essênc ia real do arg umento de
tandais com relação à taxonomia proposta por R.T. Golombiewski, "A taxo- Ko::y. O mesmo apli1:a-sc ;ios resultados Je Thomas R. Oye, Politics, Economics
nom1c approach to State política! party strenght", WPQ, setembro de 1958, que a11d tire P11blic, Rand Mt:Nally, 1966, que são c m s i mesmos muito intcres~an­
dá 19 Estados b ipartidários, 13 "Estados com partidos minoritários fracos", e tes, mas não avaliam o pon to cen tra l de Kcy. O argumento é avaliado em geral,
14 Estados unipartidários (p. 501). Por outro lado, Avery Leiserson obtém exa- infra, 6.l.
t;imcntc a mesma distribuição de Ranncy e Kendall para o período 1933-1952: 40. P:ua uma :inálise geral das várias disposições de eleições primárias e seu impac-
26 Estados bipartidários competitivos ou ciclicamente competitivos e 22 Esta- to, ver Sara Volt erra, Sistemi Elettorali e Partiti in America, Giuffre, t 963,
dos com um partido predominante (Parties and Politics, Knopf, 1958, Apênd i- pp. 157-219.
CI! IV, p. 377). As decomposições de Leiserson são as seguintes: 10 Estados com- 41. Infra, 6.1, 6.2.
petitivos. 16 ciclicamente competitivos (8 para cada partido), 14 com predomi- 42. Para uma introdução, ver meu capítulo .. European política! parties: the case of
nância democra ta e 8 com predominância republicana. Com relação a Ranney e polarized pluralism", in LaPal ombara e Weincr (orgs.), Political Pareies and Po-
Kendall, a p nncipal diferença é que Leiserson combina as classes umpa.rt1dár1a litical Development. op. cit., parucularmcnte pp. 140-153 e, mais geralmente,
mod ificada e uni partidária no que ele chama de padrão dominante. Dante Gcrmir.o e Stefano PtUsigli, Govtrnmt:nt and Polirics of Contemporary
Para um exame das várias medidas da competição partidária, ver R.E. D:iwson e ltaly, Harper & Row. 1968, rop. 4 . Ver, porém, infra cap. 6 nota 45.
J.A. Robinson, " ln ter-pa.rty competition: economic vanables e Welfare poltc1es 43. A primeira exposição importante, em mglês, dessa evolução encontra-se em dois
in the American S tates", JP, II, 1963, particularmente pp. 270-278. Ver porém, artigos de Raphael Zariski, " T he 1talían Socialist Party: a case study in factional
com mais detalhes, infra, cap. 7, nota 3. confüct", A PSR, junho de 1 962, e " lntra-party conflict in a dominant party:
O partido solitário difere do unipartidarismo como uma evolução espontàne:i di- the .:xpericnce of ltalian Clu:isti:m Democncy", JP, l , 1965. Entre os estudos
fere de uma evolução imposta. Infra, cap. 6, nota 131. mais recentes em inglês, ver também A.J. S tem, S. Tarrow e M.F. Williams,
A ressalva é a de que uma aparência não-partidária pode apenas disfarçar um ali- "Factions and opinion groups in European mass pa.rties", CP, julho de 1971,
nl.1~men to que, na realid:ide, é partidário. De qualquer modo, a política aparu-
que, apesar de seu tí tulo, é exclusivamente sobre a Itália. Ver também Alan
dana é real, e está crescendo, em nível municipal, onde se m dúvida merece aten - Zuckerman, "Social structure and política! competition: the ltalian case", Tl'P,
ção especial. Ver a esse respeito particularmente Charles R. Adrian, "Some abnl de 1972, particularmente pp. 429432.
general cha.ractcristics o f nonpartisan elections", in O.P. Williams e C. Press 44. Essa contagem exclui o Partid o Co munista Italiano (PCIJ, cuja dinâmica intra-
(orgs.), Democracy in Urban America - Readings, Rand McNally, 1961. Ver pa.rtidária é, em grande parte, invisível, e não pode ser assimilada aos padrões
tamb~m ~.R. Adrian, "A ty pology for nonpartisan elections", WPQ, j unho de do> partidos não-comunistas. Sobre a fo rma pela qual a estrutura organizacional
l 959; e Eugcnc C. Lee, The Politics of Nonpartisanship, University of Ca!ifornia <lo PC! ini1u i so bre sua coesão, ver Giat.:o mo Sani, "Lc s trutt urc organizzativc
dei PC!", in VY.AA., L 'organizzazione partitica dei PC/ e dei/a DC, li Mulino,
Press, 1960. Sobre o Calio específico de Nebraska, ver Richard D. Marvel, "The
non.purt.mm ~c.b raska . unicameral", in Sam uel C. P.a tterso n (org.), Midwest 1968, particularmente pp. 167-l 96. ~ claro, também, que o termo italiano cor-
Leg1slartve Pol111 cs, lnst1tutc of Publíc Affairs, University of Iowa, 196 7. re111i é usado d.: maneira tão indiscriminada quanto os estud iosos norte-america-
Ver especialmen te o sumário de Key, no cap. 14 : "N:iture and conscqucnces of nos usam "facç:io". Os políticos italianos falam de suas frações como "correntes"
one-party . fact1onalism", pp. 293-31 1. Ver também o estudo monogr:ífico de precisamente para evitar as conotações negati vas, que são muito fortes em ita-
Al lan P. Smdler, "Btfactional riva!Iy as an alternative to two-party competition liano, da palavra "facção".
.,
...-- ~ : .

...• 136 PARTIDOS f SISTEMAS PARTIDÀRIOS


NOTAS 137

......
1 1
1
1

1
45. A da t;i de 1971 ê signifü:ativa, pois nesse :mo a DC rl!formou ~eu~ e~t:itutos com
a finalidade de cl;irada de reduzir o fracionismo interno. As nove frações em ques-
tão eram (11 lnizüirh'll Popolare (Rumor, Piccoli), 20·:: (1i) lmpegno Democra.
tico (Colombo, Andreotti), 15?!; (iil) Nuo1·e Cronache tFanfani, for13ni), 17%;
(ivl Tavia11ei (T:ivi:ini), 1 O'fr.; (v) Morotei (Moro), l 3'A·; \VI) Base (De Mi ta, Misasi),
olutio11 case'_', Asian .~ur:'ey, março ~e 1970; Michael Leiserson, "Coalition
govcrnmcnt m Japan , 111 S . Grocnnings, W.W.Kelley e M. Lciserson (orgs)
Th~ S111cly o/ Coaliriv11 Behavior, Holt, 1970. Sobre o fator cultural, que.
?'u1to .rckv;intc, ver .R.E. Ward, "Japan: the continuity of modernization"
111 Luc1en W. _Pye e Sidney Verba (orgs.), Pv/11ical Culture and Politica/ Dei•el:
J

......
1
i 11 7' ; (V11I Forze Nuove (Donat Ca11in), 7%; (viii) Forze libere (Sc:ilfaro), 4%; opment, Princeton University Prcss. 1965 ; Scott C. flanagan, 'The Japane~c
11xJ Nuova Sinistra (Sullo), 2%. As pcrcent:igens referem-se ao congresso da DC. 1
J
1 party syst~m in transi tion", <:_!'_. j:ineiso de 1971, pp. 238-24 7 (a teoria kankei)
Toda~ css:is ··correntes" estavam representadas no diretório do partido. e todas
• (exceto a última) tinham cargos no gabinete, no governo Colombo. A partir de .1 e B.M. R1chard~on, The Pol111cal Culture o/ Japan, University of C:tlifomia
Press, 1973. Ver também infra, eap. 6, nota 134.
1971. o número d~ frações da DC diminuiu, mas uma desintegração e multipli- 51. Parties and Politics in Ctmtcmporary Japan, op. cit. , PP- 94, 85. M. Leiserson
ca~·ão "pcrsonalist~" vem :iumentando. 1
~

......
l~va e~~ co~clusã_? mais. longe, a julgarmos pelo fato de que torna o multifac-
46. Com o passar dos.anos, o socialismo italiano sofreu muitas cisões e fusões, que

l
c1onar1smo pponcs equivalente a um sistema multipartidário (como se não
tomam difícil acompanhar as várias dcnomui:ições. O padrão geral foi, em subs- houvesse nisso um salto de unidade).
t5nci~. o de dois partidos socialistas: o PSI, cujo líder destacado foi Nenni e que 1 52. Luigi D'Amato, Correnti di partito o partito di correnti, op. cit., passim. Num
fala uma linguagem bastante marxista, representa a tradição socialista italiana trabalho subseqüente, L 'equilibro di un sistema di 'partiti di correnti' (Scienze
em geral e recolhe quase duas vezes mais votos do que o Partido Social Demo- Sociali, 1966), D'Amato deixa bem cl:iro que o partido é "feito de" correntes

......
crata; e o PartiJo Social Democrata (atualmente rebatízado de PSD!), que repre- e baseia suas conclusões muito rigorosas no primado das frações sobre o partido.
1 senta a tendência reformista. Pode-se dizer igualmente, porém, que o socialismo
it<1liano tem três espíritos: reformista, "rnaximalista" e revolucioná.rio. Durante
53. Isso .é confi~m~d~ pela experiência com a divisão de partidos, que (à parte o
dualismo fistolog1co entre um partido social-marxista e outro, social-democráti-
o período 1964-1972 esses três espíritos foram representados na prática por três
co) reri: um.a longa e pcrsist: nte história de fracassos. A importância eleitoral
partidos, sendo o terceiro o pró-comunista PSIUP (P:irtido Socialista l tali:mo da
do part1d<: e bem compreendida pelos membros da DC, a julgar pelo fato de que
Unidade Proletária), que chegou em 1968 a um máximo de quase 5% da votação
;..
'
n~sse parlldo nun.ca _h~uve uma cisão, apesar de sua ampla variedade de colora-
total, mas ent.rou ein colapso (e dissolveu-se pouco depois) nas eleições gerais de
çocs da esquerda a direita, e c.Je sua heterogeneidade. .
197 2. A principal fonte sobre o PSI é Antonio Landolfi, "Partíto Socialista
Italiano: strutture.organi dirigcnti, corrcnti", Tempi Moderni, V, 1968. 54. Essa intcrp:etaçã'o mais extrema foi apresentada, de maneira plaus{vel porém,
por Antonio Lombardo, "Dai proporzionalismo intra-partitico a1 frazionismo
47. Apucl Antonio Lmdolfi, //socialismo italiano, Lerici, 1968, p. 119. Como o etcrodirctto", RISP, 11 , 1972.
~ uso de "fração" por Nenni é marxista, essa afirmação siJ!nifica que as antigas 55. Ver, por exemplo, meu "Política! dev~lopment :ind política! engineering", ín
~
correntes se haviam transformado em algo inaceitável. Sobre o crescimento John D. Montgomery e Albert O. H.irschman (orgs.), Public Policy, XVlll,
do fracionismo, no PSI, ver particularmente Franco Cazzola, Carisma e demo- Harvard University Press, 1968, particularmente pp. 262-276.'
~ crazia nel socialismo italiano, Instituto Sturzo, 1967. Ver também Stern, Tarrow
e Williams, artigo citado supra (nota 43), que é principalmente sobre o Partido
56. O Japão partilha, com a Irlanda, a característica de ter os menores distritos elei·
t~rais de v.írios representantes, com a menor variação. O tamanho médio irlan-
~ Socialista.
48. Stern et ai., "Factions and opinion groups in Ewopean mass partics", toe. cit., 57.
des é de 3,7 representantes; o japonês, é de 4.
A impor.t~ncia do tamanho do distrito eleitoral é demonstrada por Douglas Rae,
~
........a p. 529. D.:ve ser claro que os autores menciona·m uma suposição da qual não
participam .
49. Ver Michclc Semini, Le co"enti nel partito, lst. Ed. Cisalpino, 1966, p. 47;
e Luigi D' Amato, Correnti di parlito o partito di correnti, Giuffre, 1964, p. 191.
The Polmcat. ~o~se~uenc~s of Elecroral Laws, Yale University Press, 1967 (e
1971 ). A media 1tahana e de 20 representantes por disuito, com alta variação
enue os distritos eleitorais. T ambém se deve notar que apenas 30% dos eleitores
dão voto prcfe1encial (principalmente no Sul, variando o percentual do Norte

....
~
50. Minhas fontes sobre o fracionismo no Japão são: Robert A. Scala pino e J. Masu-
mi, Parties and Polirics in Conremporary Japan , University of California Press,
1962, pp. 79-101, 169-174; Hans H. B:ierwald, "Faction:tl politics in Japan",
C11rrent Hisrory, abril de 1964; Lee W. Fansworth, "Challenges to factionalism
58.
entre 10 e 20%). Ver Luigi D' Amato,// voto di pre/erenza degli italiani (1946-
1963), Giuffre, 1964.
Ver Scalapino e Masumi, Parties and Politics in Japan, op. cit., pp. 86-101, e
particularmentt.: a teoria kankei de Fla.nagan (supra , nota 50).
on fopan ' s Liberal Democratic Party", Asian Survey, setembro de 1966; G.O .
...... Tottcn e T. Kaw:ikami, "The functions of factionalism in Japanese politics",
59. f interessante notar que isso ocorreu sobretudo com a fraçfa de esquerda "de
base" da DC, financiada pela empresa petrolffcra estatal de Mattci, como meio

..... Pacific Affairs, 1966, pp. 109-122; L.W. Farnsworth, "Social and political de conseguis uma polúica externa pro-árabe . Alguns dos deta lhes encontram-se

.......... r sourccs of political frugmentation in Japan", JP, li, 1967; S.D. Johnston, "A
comp;irotiv..: study of intraparty factionalism in lsrnc l and Jap:u1", JllPQ, li .
1967; A.J. Heidcnheimer e F.C. LangJon, Busi11ess Associarions and the Fina11·
ci11g of Polirical Parties: A Compararive $t11dy o[ the Evo/11tion of Pracrices in
Germa11y. Norway, a11d Japan , Nijhoff, 1968; Nathaniel B. Thaycr, How rhe
60.
cm Giorgio Galli e Paolo Facchi, lo sinistra democristiana, Feltrinelli, 1962.
Ver, contra, Giovanna Zinconc, "Accesso autonomo alie risore: Je detcrminanti
d~I frazionismo", RISP, I, 1972, cuja conclusão é a de que os caminhos e fa.
c1hdades de financiamento são o principal fa tor isolado. Embora minha pers-
pectiva..seja diferente, nllo se poderá negar que o dinheiro é uma condiçJo
..... Cons~ri·arives Rufe Japan, Princcton University Prcss, 1969, e seu artigo "Thc
clcc11on of a Japanesc prime minister", Asia11 Survey, julho de 1969; Chac-Gin
necc ss::u 1~.
61. As leis de Duvcrgcr e a qucshio geral são examinadas cm dl!lalhc no voL li.
...... Lcc, "F:1ction:il politics in the Japan Socialist P:irty: thc Chincsc Cultural Rcv· 62. Vale notar, qu;into a isso, que o partido ncofoscist:i italiano, o MSl , solucionou

......
......
\38 PARTIDOS E SISTEMAS PARTIOAR I OS NOTAS IJ9

~u a lut:.i in terna imitanJo, sob virios a spe ctos, a org:in izaç:fo de tipo com un "ca. corre nte> são... um " ins trumen
. to _d e democraci a ". Esse res u ltado e v·d ·
1 enc1a, m:us
·
A s co i-il> se mo1.h ficaram desde que Du wrger teorizou {corre tame n te. :i .!poca d º . que q u:uq ucr o utta co1:,a, o ia t~ de qul! o p art ido está fragmentado em toda
c m q ue C>Crcvc u ) uma estrutura o rg:u u z acional d e tipo fascista carau~rís t ica. a lin ha . Ev1dc:nte me n1e. o s q ue pra11cam o fracion ismo devem ·ustifº ·-1
ó3. Isso qualilica .i minha afirmação (supra, 4.3) de que a~ " facções " sulhta s s..: 74. Ste ra no P:m1.g li • " Propo rzron
. ahsmo,
. 1 tca º·p · ? "
fraz ionismo e cri~• dei p ar titi · quid 0
si t uJrn aci ma d o partid o : aci ma, porque .:ento rnam :is lim1t:ições à c:urc1ra RJSP, 1972, .P: 1 3~. Ver, porém , p anicularmen te C.:rmino e Pa~sigli, J~v;; : 11
pa..rud áril; e :io mesmo te mpo, e las não es tão iora. nem prescindem do par t ido. ment a11J Polu!cs OJ Conremporary l taly, op. cit., pp . 127· I 32.
porq ue o eleitorado em ge r31 se identifica co m o rót ulo partidário. 15. ~u tras .:x•en~oes p oss íveis d ~ an álise .r~?cio n :ii são sugerid~ por Ralph w. Ni-
J 64. ls">o se pode concluu facilmente de qualquer exposição sobre a variedade de sis· 1.:ho las, Fact1ons: a comparat1ve a n alysts . Poluical Systems and tlte distribution
) te rnas c k i1orai> ex iste ntes {para não falarmos d os imaginados e pro pos tos). of po~ver, A.S.A. Mo n~graphs 2. Tavis tock , 1965. O auto r, porém, aborda a
Um bo m exame geral é o de W.J.M. Mackenz ie, Free Elections, Allen & Unwin , ~ues ta? d.o p onto de mta d a antropologia social. Norman K. Nicholson, em
19 58. T he 1ac 11onal model and the srudy of polit ics" (CPS outubro de 1972) _
fi · . • , con
65 . Eü..: sis tema é conhecido na Argentina, ond( predominou até 1963 como s iste· ':"~a, na mm 1ia lettui:a, que embora a te oria geral seja mwto procwada, ela
ma Saenz Pena, e geralmente é classificado como um "sistema de lista incomple· d1hc1.lme~te_ pode surgu de um atoleiro conceitua.! reforçado por um ecletismo
ta". Em es>~ncia, é um sistema de duplo prêmio que degola, num padrão multi· mult1d1sc1phnar. É digno de nota que Nicholson identific:i três modelo · e·t _
) · {f · · s s ru
p:irt id:irio, todos os terceiros partidos. tur~s acc.~onar~sm.? de aldeia, policomunal .e ~ierárquico), nenhum dos quais
66. A análise no texto é puramente especulativa. A DC italiana usou primeiro ore· expLica as ~acçoes tal .como !!atadas na bibliografia histórica (supra, 1.1) e
) co~o subunidade especifica de qualquer partido toda e qualquer formação
ct:rso do prêmio, depois o PR (adotado em setembro de 1964), e ainda (cm
S<; (c.: mbro de 1971), a Sperrk/ausel {mas apenas com um limite de 10/ 15%), que poht1ca.
1 76. Political Parties, op. cit. (trad. North), p. xiii.
foi abandonada um ano depois. Para alguns dos detalhes concretos, ver G. Sa.rto-
1 ri, "Proporzionalismo, frazionismo e crisi dei partiti", RISP, III, 1971, parti·
r:u :: umc~c pp. 646·65 l.
) 67. ir .. >·1, cap·•. 5. Embora a questão não seja a mesma nos dois nlveis, ainda ass im os
t: :!nO~ dó debate sobre o número de pa.rcidos pode ser adaptado também ao
) ::i ··•!I fr:.idonirio .
ó i. • ' ';ovemos italianos atingiram o tamanho respeitável de cerca d.: 25 ministros.
rn · i; cerca de 60 subsecretários de Estado. Significativamente, e apesar dos cs-
(, ,, ;os em conu:írio, os gabinetes monopartidários italianos continuam igual·
ni.:11tc pictóricos. ·
69. E·;::n sugéstão relaciona-se com a codificação de fanda, supra, nota 13.
) 70. Ver Alberto Spre:úico e Franco Cazzola, "Correnti di partito e proccssi di idcn·
tifo.:;izionc", II Politico, IV, 1970; e especialmente o prosseguimento dado a esse

•'
J es t •J do por Stern, Tarrow e Williams, "Factions and opinion groups in Euro pe:m
) m;,:;;s parties", loc. cit., que é basicamente uma pesquisa sobre o PSI, dest inada

)
)
a explical' suas frações segundo linhas sócio~conômicas. Embora os dados dessa
pesq uisa •não possam ser considendos suficientes - relacionam~e com um parti·
tido. cm apenas um país - ainda assim são altamente indic:1tivos, pois o Putido
Socialistitl lt:lliano representa, do pônto de vista de uma sociologia da política,
••
um caso ótimo.
) 71. Isso não significa que a sociologia da política disponha de um alto poder de ex·
plicação ao nível de análise de partidos. Argumento no sentido contrário em '
)
)
"From the sociology of politics to political sociology", in Lipset (org.). Politics
anc.J t lte Social Sciences. op. cit.
l
l '•
••
72. Em 1963 um relatório do Partido Liberal Democrático japonês rc'comendou um
t
) conjunto de provisões para acabar com as frações (ver Baerwatd, "Factional

)
poli t ics in Jap::in ", loc. cit., pp. 226-227; e Famswonh, "Chall<!nges to faction·
aLism on Jap:uú Liberal Democratic Pa.rty", loc. cit., pp. 502-505). Não houve l
)
)
ma.ior..:s conseqüências. Na Itália, porém, a DC adotou em 197 1 uma cláusu la
ele exclu são, embora os interesses existentes conseguissem, em 1972, a sua rcvo·
gaç:Io (supra, nota 66).
73. t uma justificativa muito freqüente, e Samuel H. Barnes (Parry Democracy : 1
••
Politics in a11 ltalia11 Socialist Federation, op. cit., p. 181) relata que mais de
90'.:~ de seu grupo de membros do PSI concordou com a afirmação de que a.~

J ••
)
)
)
I
-•
11
1
l'

Parte II

OS SISTEMAS PARTIDÁRIOS
V
O CRITÉRIO NUMÉR ICO*

5.1 O problema

Há .mais de 100 Estados que apresentam, pelo menos no papel, alguma


forma de estruturaça:o partidária. 1 A variedade dessas estruturaçoes é t3:o
impressionante quanto seu número. Como colocar ordem nesse labirinto?
D~l)J_fLl1!uit~ ~mpo os sistemas partidários foram classificad~3!J.g9- 4
s~~~~~artidqs - ~m.,_do~ ou fT13.lS de duir.Hõje, porém, há
uma concoidáncía quase unânime quanto a que a dístinça:o entre sistemas 4
unipartidário, bipartidário e multipartidário é muito inadequada. E até t
J mesmo quanto a que "um critério baseado no número de grandes partidos
) ( ...) obscurece mais do que esclarece" .1
Uma reação à abordagem que conta os partidos é simplesmente

) t
~l

)
deixar de lado a base numérica, precisamente "na suposiça:o de que a dis-
tinção tradicional entre os padroes bipartidários e multipartidários na:o
levou a descobertas suficientemente. significativas". Assim~ LaPalombara. ••
,.

e. Weiner!propõem - para os sistemas partidários competitivos - a seguinte
) tiQõlOgia em quatro it~O:Ríeõfógico-hegemomco, (üJ prãgmáticQ-h~- ·
)
gemônico, (fíi}de roãfüo ideológico, (lv}derooíZ.io~ragmático.3 O es:
qüema êall1lrmmteSügeshvo, mas ãemasiado amplo. Outra reação é a de •
)

)
)
)
deixar que os dados - em especial os resultados eleitorais - determinem

por exemplo, de Blondel.4 Uma terceira reaçao é indagar se precisamos


.e
as classes, isto é, os diferentes grupos de sistemas partidários . a sugestão,

realmente de classes, isto é, se há qualquer utilidade em classificar os sis-


temas partidários. o argumento é, no caso, o de que nosso universo é con-
...,..,
i. .

)
tínuo e, portanto, tudo aquilo de que precisamos é um índice de fragmenta-
,.,,
,-_.
rfll/i:
• Partes dos capítulos 5, 6 e 7 foram publicadas com o título "Typology. of party
) systems - proposals for improvement", in Stein Rokkan, Erik Allardt (orgs.), Mass
Po/itics: Studies in Po/itical SocioJogy, Free Ptess, 1970. A diferença enue a forma
) anterior, resumida, e a atual, é também de substância. Os capítulos 5 e 6 bcnefi\~·
ram-se muito dos conselhos de Hans Daalder. Embora eu seja o responsável pelos

---
) meus próprios erros, devo-lhe muitos aperfeiçoamentos.
·~
143

}
)
PAR.TIDOS E SISTEMAS PARTIDÁRIOS O CRITÉRIO NUMÉRICO 145

çJo, ou de fracionarização, ou de dispersão linear etc. Essas sugestões sera:o isso, damos um pulo para o infinito, isto é, abrimos miro totalmente da
examinadas no devido momento. 5 Presentemente, vamos apenas notar que contagem. Tendo sido incapazes de determinar quando dois é dois, cobri-
quase todos os autores apresentam um esquema próprio.6 São hoje nume- mos todo o resto, exaustos, dizendo apenas mais-de-dois. Não é de es-
rosas as classificações e tipologias dos sistemas partidários, e "a confusão pantar, portanto, que a abordagem pelo número de partidos leve à frustra-
e profusão de termos parece ser a norma" .7 çao. Não só essas três classes são insuficientes, como, tal como se situam,
Ao que tudo indica, portanto, estamos entrando num círculo vicio- não distinguem os casos.
so. De um lado, estamos na iminência de nos afogarmos num embarras As coisas estão, portanto, no seguinte pé: rejeitamos o critério nu-
de ncltesse. Do outro, essa proliferação mostra que o universo dos sistemas mérico de classificação antes de termos aprendido como usá-lo. E há mui-
partidários precisa, muito e cada vez mais, de ser mapeado. Isso, porém, tas razões, acredito, para lhe darmos uma nova oportunidade. Entre outras
parece exigir novos acréscimos à "profusão e confus:ro". O mal menor coisas, o número de partidos é um elemento altamente visível, que propor-
talvez seja voltarmos atrás e examinarmos a questão desde o início. Terá ciona pontos de corte "naturais" e reflete os termos da política do mundo
havido alguma coisa de fundamentalmente errada com o início, ou nos real. Assim - a despeito dos indicadores que escolhamos - os políticos e
teremos perdido nalgum ponto do caminho? Não é claro, na verdade, onde· os eleitores vao, do mesmo jeíto, continuar a lutar por, e a discutir sobre,
estamos, nessa questão. Estaremos dizendo que o número de partidos n:ro um maior ou menor número de partidos, e se o número dos partidos deve
é importante? Ou, em lugar disso, que nossas classificaçoes deixam de dis- ser aumentado ou reduzido . Por outro lado, na'o nos esqueçamos de que
tinguir e organizar esses números? os partidos são o coagulante, ou as unidades de coagulaç:ro, de todas as
À primeira pergunta eu responderia que o número de partidos é im- nossas medidas. Afinal de contas, o núm ero de votos e de cadeiras que
portante. Entre outras coisas, esse número indica, imediatamente, embora cada partido conquista nas eleições sa-o os nossos melhores e mais seguros
imperfeit.ainente, um aspecto importante do sistema político: as propor- dados básicos.
ções em que o poder político é fragmentado ou ngo, disperso ou concen- À luz disso, proponho-me a começar a trabalhar sobre as regras de
trado. Da mesma forma, simplesmente sabendo-se quantos partidos há, contagem e explorar, com a sua ajuda, a quilometragem proporcionada por
somos alertados para o número de possíveis "correntes de interação" em uma classificaçiio baseada no número de partidos. Como se. verá, o critério
questão. Como Gunnar Sjõblom observa, dois partidos pennitem apenas numérico pode ser usado com eficiência. Por outro lado, também se verá
uma corrente de interaç:ro recíproca, três partidos permitem três dessas que esse uso eficiente n:ro se faz sem assistência. De início, e por algum
correntes, quatro partidos possibilitam seis, cinco partidos dez, seis parti- tempo, será justo dizer que embora nao sendo a única, o critério numérico
dos, IS, e sete partidos, 21.8 Como todas essas correntes de interaçao continua sendo a variável primária. Chega-se, porém, a um ponto em que a
possíveis ocorrem em múltiplos níveis - eleitoral, parlamentar e governa- contagem pura e simples já nos falha.
mental - a indicaçao clara é a de que, quanto maior o número de partidos
(que têm influência), maior a complexidade e, provavelmente, a complica-
ção do sistema. Por exemplo, do ponto de vista dos eleitores, uma com- 5.2 Regras de contagem
paração dos programas de dois partidos representa, para oito partidos,
28 comparações, p~ra nove partidos, 36 comparações, e, para dez partidos, Em resumo, o problema é: qJJ~ os partidos relevantes? Não podemos
45 comparações. Além disso, e em particular, a tática da competiç:ro e de contar todos os partidos pela sua aparência. Nem podemos solucionar o
oposição partidárias parece relacionar-se com o número de partidos, o que, problema contando-os em ordem de força decrescente. É certo que o nú-
por sua vez, tem importante influência sobre a maneira pela qual as coa- mero tem relaçao com a força. '*- questão continua sendo qual a força.
lizões governamentais são formadas e capazes de agir. gu~ torna um partido relevante, e ·qual a fraqueza que o torna llrelevanfê·i
Em suma, a questão real não é se o número de partidos é impor- A• falta de uma melhor soluç:ro, estabelecemos geralmente umlimite abai-
tante - ele é - mas se o critério numérico de classificação nos permite xo do qual o partido deixa de ser levado em conta. Mas isso n:ro constitui
deitar mão no que realmente importa. Até agora, a resposta é, claramente, soluçiro, pois n:ro há nenhum metro absoluto para avaliar a relevãncia do
não. E a razão preliminar é igualmente clara: nenhum sistema contábil tamanho. Se esse limite é estabelecido - como ocorre com freqüência -
pode operar sem regras de contagem. Se recorrermos à contagem, devemos ao nível de 5%, leva a omissões sérias.9 Por.outro lado, quanto mais baixo
saber como contar. Mas somos incapazes até mesmo de decidir quando um for tal limite, maiores as possibi !idades de serem incluídos partidos irrele-
"é um e quando dois é dois - se um sistema é ou na-o bipartidário. Com · vantes. A relevância de um partido é um a funçao n:ro só da distribuiçao

t~· &..~~~
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146
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P.4RTIOOS E SISTEMAS PARTIDÁRIOS O CRITêRIO NUMtRICO 147
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_;.t!ativa_ do pod_er ~m~ .! ?b~o :::-!.1:1ªs_rambém, e especialmen te, de seu. l!m. p3 rtido menor pode ser exclu (do como irrelevan-
'
)
valor de posição, isto é, de seu IJOSicioname nto ao longo da dimensão te sempre que continua, no decorrer do tempo, sendo supérfluo, no sen-

r.,~._o-.
) se
~Ücr(fa'=<Ii!eic~.._Assim, um partidÕ qU°e sicua no nivêl de 10% pode ser Tido d~ não ser nunca necessário a ou integrado em qualquer coalizãg
bem menos importante do que outro, que obcenha apenas um nível de "majoritária passivei. Inversamente, um partido menor deve ser levado ..

....
3%. Um c:iso extremo, mas eloqüente, é o Partido Republicano It:iliano, ·e@ con~a, por menor que seja, se,.~stiver em posição de determinar,;;~ ~~

o tempo e em cerfo- momento, ~fo m-enos umãõasmãíoriãs governamen·


~
) cujos rcsult:idos eleitorais estiveram, por cerca de 25 anos, em torno de
) 2%. Não obstante, ele é sem dúvida relevante, pois fez pender a balança, -t:iis posSTveis. -- - - - tra
em todo aquele período, de várias maiorias governamem:iis. - Essa regra tem uma limitaçã'o, pois só se aplica aos partidos que

.•..
Evidentemente, se o problema tem soluçao, esta está na fixaça:o de buscam o governo e, ainda mais, que sejam ideologicamente aceitáveis para
l regras de acordo com as quais o partido deve ser incluído ou na:o. Na ver· os outros participantes da coalizã'o . Isso pode deLxar de fora alguns parti-
d:idc o que precisamos é estabelecer um critério de irrelevância em relaç:ro dos relativamente grandes, de oposição permanente, tais como os partidos
) contrários ao sistema. Portanto, nosso critério de irrelevância deve ser
:ios p:l.Itidos menores. Mas como a grandeza ou a pequenez de um partido
é medida pela sua força, vamos examinar primeiro essa noça:o. suplementado - residualmente, ou em circunstâncias particulares - por

..
um "critério de relevância". A pergunta pode ser refonnulada da seguinte
ê força de um partido é, em primeiro lug'!!,, a sua forç_a eleitoral. . maneira: que tamanho, ou grandeza, toma um partido relevante, a despeito
Há outros :i.spectos, mas enquanto adotannos o critério numérico, a base
de seu potencial de coalizão? Na Itália e na França vemos, por exemplo,
nos é dada por essa medida. Mas os votos. são traduzidos em cadeiras, e

...
partidos comunistas que obtêm um quarto, e mesmo até um terço, do
) i~~~~~ à força do partido no parlamento. Pãra evitar complicações total de votos, mas cujo potencial de coalizã'o governamental foi, nos últi-
de$necess~nas, podemos fixar-nos em sua "força em cadeiras" no parla-
) mos 25 anos, praticamente zero . Não obstante , seria um absurdo excluí-:
n1'l\\O ~-que é, em última análise, o que realmente importa, uma vez ter·

...
los. Somos, assim, levados a formular uma segunda regra de contagem sub·
) mi 1iadaNts eleir;ões. E, ainda para simplificar, maS também por causa da
sidiária, baseada no poder de intimidação, ou mais exatamente, no poten·
comparabilidade - será suficiente referirmo·nos, nos sistemas de duas casas
eia/ de cha agem 1L dos partidos voltados para a oposição.
e\, cong,resso, às cadeiras na câmara baixa, desde que a outra câmara na'o

....
i ~:1ha màiotiás diferentes . ~ possível, então, começar com a medida seguin- Regra 2. • Um partido tem condições de relevância sempre que sua
t.:: :\ f9rça ~ partido no parlamento, tal como indicada pela sua percenta- ~xistênc1a, ou aPãrênc1a, reflete a tática da competiça-o partidária e parti:
) - g~: n de cadeiras na câmara Oãi:Xa:. cularmente quando mOdifica a direção da competição - determlnando

..,.
"!!!!ª transterência da competição c~íEStª-P&ª a centrífuga, seja para
) A etapa seguinte é transferir a a tenção para o partido como instru· a esquerda, para a d1Ieita, ou em ambas as direções - óospã{t1dõSvoltados
m'!nto de--govemo. Essa transferência tem pouco interesse no que se rela· para o governo. -- ; , - - - -·
ciona com os sistemas bipartidários, mas quanto mais numerosos os par·
tidos, mais ®vemos indagar quanto ao potencial de governo, ou potencial Em suma _podemos excluir os partidos que não tên(@EQtencial de
de coalizão, -de cada partido. O que realmente pesa na balança do multi· coalizão, ou (ii)'.J?otencial de chantagem. Inversamente, devemos incluir
partidarismo é a proporçao em que um partido pode ser necessário para
uma coalizio, para uma ou mais das possíveis maiorias governamentais.
todos os part'tfü5s que tenham relevância governamental na arena da for-
mação de coalizões, ou relevância competitiva na arena da oposição.
,.,.
..
Um partido pode ser pequeno, mas ter um forte potencial de negociação Essas regras podem parecer desnecessariamente complicadas e, de
numa coalitZo. Inversamente, ele pode ser forte e não dispor dessa ca· qualquer modo, difíceis de serem operacionalizadas. Suas bases operado·
)
pacidade. A questão, então, é se uma estimativa realista do potencial de nais serão examinadas mais adiante. 12 No momento, basta-nos observar,

..
coalizão de cada partido pode ser feita exclusivamente à base de sua força. para começar, que ambos os critérios são usados como uma pós·visão, pois
) Evidentemente, a resposta é não, pois esse critério nos levaria a considerar não há utilidade em usá·los como uma previsão. Com relação à Regra 1,
todas as maiorias numéricas possíveis, quando estamos interessados nas isso significa que as "coalizões exeqüíveis", e, portanto, os partidos que
)
coalizões euqiic"veis, quer dizer, apenas nas coalizões que slio ideologica· têm um potencial de coalizão, coincidem na prática com os partidos que
mente coerente·s e permissíveis. 10 Portanto, a regra para se decidir - numa de fato participaram, em algum momento, em governos de coalizão e/ou


situaçlio multipillrtidária - quando um partido-deve, ou não, ser levado em deram a certos govemo.s o apoio de que estes n-ecessitavam para assumir
)
conta, é a stguinte: · o poder, para ou nele permanecerem. Na maioria dos casos, portanto, a
)
~
)
) •
~
J.j 8 PARTIDOS E SISTEMAS PARTIDÁRIOS O CRtTi:R10 NUMfR/CO 149

regra é facilmente aplicável, desde que, é claro, disponJrn mos da informa- sozinho e por muito tempo, da maioria absoluta (de cadeiras). Isto é, a
ção muito simples que ela exige. contagem inteligente é tudo o que precisamos para separar - apenas ven-
Quanto à Regra 2, a objeção poderia ser a de que a direção da com- do - a distribuição na qual um partido " conta mais" do que todos os ou-
petição não é fácil de ser avaliada. Teoricamen te, isso pode ser verdade - tros j untos: a classe dos sistemas do partido predominante. A vantagem de
t e será visto no fim. Mas na prática a noção do partido de chantagem rela- separar esse sistema não está apenas em serem quatro classes melhores do
) que três (unipartidarismo, bipartidarismo e multipartidarismo) , mas tam-
» ciona-se principal mente com a noção do partido anti-sistema, e tanto are-
) levância como a natureza anti-sistema de um partido podem ser estabeleci- bém porque temos agora uma noção clara de fragmentação. É evidente
•J das, por sua vez, por uma série de indicadores ulteriores . Se minha regra ,
coloca em primeiro plano o partido de chantagem de {lrithony Down"§l é
que um sistema de partido predominante pode resultar de um excesso de
fragmentação de todos os outros partidos, como na Índia. Se decidirmos,
t porém, que a característica saliente do sistema partidário indiano é a de
) porque a competição partidária é muito importante para minha argumen-
•) tação geral. Não obstante, como 2-.Partido de chantagem coincide geral-
mente com um partido anti-sistema (pois se assim não fosse ele estaria
que o Partido do Congresso governa sozinho, então a "fragmentação" terá
uma definição clara: um sistema partidário só é considerado fragmentado

' ) compreendido, com toda probabili~ade, pela Regra 1), a avaliação bem
pode ser realizada na arena parlamentar. Isto é, o potencial de chantagew
quando tem muitos partidos, nenhum dos quais se aproxjma do ponto da
maioria absoluta.
' ,.20 partido eleitoral encontra seu equivalente no ootencial de veto. ou na Há ainda outra classe que a contagem inteligente pode distinguir. Se

•,'
l verdade, no poder de veto, do artido lamento com rela ão à a ro- deixarmos a área dos sistemas partidários competitivos e passarmos aos
va~ão de leis. Se ouver qualquer dúvida se um partido de chantagem deve não-competitivos, ainda poderemos encontrar formações políticas (por
)
ser incluído ou exclu ído, a questão pode ser estudada e verificada sob esse exemplo, a Polônia e, melhor ainda, o México) com mais de um partid.o,

,) aspecto.
Resumindo, parece-me que a dificuldade de minhas regras está no
no qual os "partidos secundãrios" não podem ser excluídos totalmente,
como fachadas pura e simplesmente. Por outro lado, esses partidos secun-
,} fato de que os estudiosos acham mais fácil ocupar-se de política compa- dários, periféricos, contam menos: são, por assim dizer, permitidos e só
podem existir como partidos subordinados. São esses os sistemas a que
l rada sem qualquer conhecimento substantivo dos países que abrangem ou
chamo hegemónicos. E eles podem ser percebidos pela contagem inteligen-
', ) no fato de que minhas regras exigem dados que raramente são recolhidos
de forma sistemática. Receio não haver solução para a primeira dificuldade. te, o que significa, nesse caso, a contagem do partido hegemônico primeiro
Quanto à segunda, se é mais fácil formular do que aplicar as minhas regras, e dos partidos subordinados, em separado.
,) isso ocorre porque nunca temos a informação de que necessitamos antes A esta altura, as possibilidades do critério numérico parecem bastan·
,) de pedi·la. Acrescentemos que não há nada de "menos concreto" nas in- te esgotadas. Estabelecerei sem demora a distinção entre o pluralismo limi-
l formações por elas exigidas do que em mtútos dos dados nos quais o cien- tado (moderado) e extremado (polarizado). Essas classes, porém, não po-
tista social coloca, atualmente, uma confiança sem reservas. Por outro la· dem ser identificadas e sustentadas apenas em bases numéricas. É a esta
do, simplesmente não é verdade - como iremos ver13 - que dispomos de altura que a variável número-de-partidos se toma secundária e a variável
f melhores medidas para a mesma coisa: a contagem do número de partidos
. )
"relevantes" com relação a seu "valor de posição". Dispomos realmente
ideologia adquire precedência.

.. de melhores medidas, mas para outras coisas, não para isto.


5.3 Um mapeamento bidimensional
Até aqui, sabemos quando três & três, quando quatro é quatro, e

." ) 1 assim por diante; ou seja, podemos separar os casos. A pergunta seguinte Uma classificação é uma ordenação baseada em classes mutuamente exclu-
~ é: o critério numérico também permite a separação de novas classes? Até sivas que são estabelecidas pelo princípio, ou critério, escolhido para essa
) 1 agora nos preocupamos com a contagem (segundo as regras). A nova per- classificação. Uma tipologia é uma questão mais complexa: é um ordena-
• !

.. gunta suscita, por assim dizer, um problema de contagem inteligente. Co-


!11º regra rática, oucos partidos denotam baixa fragmentação , ao P-ªsso
~e .muitos partidos indicam alta ragmentaç_ão_. ~o contarmÔSos -parti-
mento de "compostos atributivos" , isto é, um ordenamento resultante de
mais de um critério.1 4 De acordo com essa distinçáo, até agora examina·
mos uma classificação, não uma tipologia, isto é, identificamos classes,
.)
dos porém, podemos explicar-lhes a força. E há uma distribuiçãõq\iese não tipos, de sistemas partidários. -E o critério numérico pode proporcio-
,,,.) destaca ostensivamente como um caso em si: quando um partido dispõe, nar, ao que me parece, sete classes, indicadas a seguir:
)
,,)
)
-~ .....
150 PA R TIDOS E SISTEMAS PARTIDÁRIOS
-=C4

•••
) O CRITêRIO N UM~R ICO 151
) . 1. partido único
,. • 2. partido hegemónico pode identificar e que, não obstante, é essencial. Isso equivale a dizer que
) ternos, necessariamente , de passar da classificação para a tipologia e, com
3. partido predominante
isso. com plementar o critério numérico tomando a ideologia como critério.
4. dois partidos
.r5, pluralismo limitado
9. pluralismo extremado
O leitor lembrar-se-á de que já falei de um contínuo ideologia-prag-
matismo.17 Nessa referencia, o sig nificado da palavra ideologia é especifi-
cado pelo seu oposro, isto é, o pragmatismo. Mas a conotação pretendid:i
••
•••
7. atomizada.
no presente con texto é mais anaiítica. A palavra é usada aqui primeiro pa·
. . Com relaçã? ã trad.icion~ classificação tríplice, duas inovações são ra indicar distância ideológica, ou seja , a difusão geral do espectro ideo-
imediatamente evtdentes. Pnme1ro, decomponho em três categorias o tra- lógico de qualquer formação polltica, e, segundo, para indicar intensidade
dicional '\&rupo unipartjdáciÕ'2 que reúne a m<tis incongruente variedade ideológica, ou seja, a temperatura ot: a tendência de um determinado am-
d_e fenõmen~s hete:~gêneos, permitindo com isso a reclassificação de vá-
nas formaçoes poli t1cas erroneamente definidas como uni partidárias na
classe do partido hegemônico, ou na classe do partido predominante.' Se-
gundo, decomponho o t:adicionaJ ~upo millfipart1dârio) na suposição
biente ideológico. Mais precisamente, a idéia de distância ideológica faz
parte do âmbito dos sistemas <le mais-de-um-partido, ao passo que a noção
de intensidade ideológica é essencial ao âmbito das formações políticas ••
de que o tratamento conjunto dos sistemas de mais de dois partidos só de-
monstra a pobreza de nossas regras de contagem.
. Quant~ à ~a última categoria, o padrão "atomizado" não exige
uni partidárias.
Enquanto esperamos por uma taxonomia completa que surgirá ao
final da investigação, as considerações acima levam a um mapeamento pre- ••
~~o;es exphcaçoes: entr_a na_ classi~cação como uma classe residual para
md1car o ponto em ue á nao recisamos de uma conta em recisa isto
liminar bidimensional que poderia. ser chamado de classificação modifica-
da. Essa classificação visa a solucionar o problema que a classificação nu-
mérica deixa por resolver: como dispor a "segmentação". 18 A solução está ••
••
é, um limite ém do qual o número de artidos - se'a 10, 20 ou m;us - em fazer com que as formações políticas segmentadas sejam testadas pela
)
º!º az mw a erença. s sistemas e parti os atomizados podem ser de- variável ideologia. Se forem fragmentadas, mas não polarizadas, serão atri-
buídas ao tipo de pluralismo moderado (ideologicamen te). Se forem frag-
hmdos da mesma maneira que a competição atomista em economia isto
é, c~mo "a situação na qual uma firma não tem nenhuma influência' per- mentadas e polarizadas, pertencem claramente ao tipo de pluralismo pola-
}

)
cept1.v~l em. nenhu~a outr~ firma" .1 s Isso indica também que o critério (
numenco so se aplica a sistemas partidários que e"ntraram na fase de
rizado (ideologicamente). A classificação modificada só difere, portanto,
da numérica em relação às classes de pluralismo limitado e extremo, que
são substituídas pelos tipos que chamo de pluralismo moderado e polariza-
••
consolidação estruturaJ.16
~pesar do avan~o geral em termos de análises, a primeira categoria
é, mmto claramente, inadequada. Um é apenas um, e dentro do critério
do. As correspondências previstas são ilustradas no esquema de conversão
do Quadro 3. ••
n~~érico as variedades e diferenças entre as formações políticas uniparti·
d_anas e~capa~ totalmente à identificação. No outro extremo, e o que é
amda pior, nao está claro como as classes de pluralismo limitado e extre-
Tendo trabalhado no mapeamento, podemos indagar se o exercício
é compensador. Proporciona resultados a classificação modificada? Pode-
••
~o ~e ~evern dividir. O pressuposto de sE;nso comum subjacente a essa dis-
t_inçao e ~ de que u".1 sistema de três-a-cinco partidos, ou seja, o plura-
lis_mo l_1m1tado, tem interações muito diferentes do que um sistema de
Quadro 3.
Padrões, classes e tipos de multipartidarismo ••
se1s-a-01to partidos, ou seja, o pluralismo extremado. Mas nem as nossas
regras_ de contagem, nem a contagem inteligente podem realmente separar
os dois padrões. A razão disso está em que, quando entramos na área da
Padrão Classe Tipo
Baixa fragmentação - -- - - - Pluralismo limitado - - - - . . - Pluralismo
••
)
fragme~taçã~ -:- .digamos, a partir de cinco partidos -, esta pode resultar
de uma mult1phc1dade de fatores causais e só pode ser precisada ã luz desses
f~tore_~- Em suma, a fr~gmentação· do sistema partidário pode. refletir uma
(até 5 partidos)

Segm entação - - - -- --
~ moderado

.. . _ . . . ..... . ••
si_tu~ça? de :e?"1entaçao, ou uma situação de polarização, isto é, de dis-
tancia 1deolog1ca. ~ evidente, portanto, que há algo que a contagem não
Alta írogmentnção - - - --
(acima de 5 partidos)
Pluralismo extremado· _ _ __..,.. Pluralismo
polarizado ••
)
) ••
O CR/Tt:RIO NUMtRICO 153
152 PARTIDOS E SISTEMAS PARTIDÁRIOS
enire formato e mecamca. Isso equivale a dizer - à luz de minha dístin-
ríamos dizer, por exemplo, que o critério numérico proporciona uma indi· ·:ío entre a classificação e a tipologia dos sistemas partidários - que ire-
cação, m-esmo que muitõ imperfeita, da distribuiça-o Ço poder .Polític9 . A ~os explorar como a classe, que denota o formato, se relaciona com o ripo,
distribuição é, ·porém, difícil de avaliar. Eu prefiro dizer, portanto, que o que indica as propriedades .
mapeamento proporciona uma indicação bastante boa da dispersão - seja
segmentada ou polarizada - do poder.
Para começar, tal como agora o vemos, o caso do urupartidarismo.é
M"lâ.isia
claro: o .Poder político é monopolizado por um partido apenaS:--nõ sentiqo • •• •• • •• ••••u ••• • • ,.• •• ••• ••••••••••• •• ••••"' ' ''''º' ' ' ' ' '' '''''"''' ' ' '''''''"''''"'''''º ' 'º'''' ''''' '''''' '''''

p~eciso de que ne_nh um 91!_tro pãrfido pode existir. Temos, em seguida, o r'õbJl.tlÇáO (
..altJ lra~cnt2çio
Chile taté 197 3J
caso em que um partido "conta mais" do que todos os outros - mas de lt;iba
duas m:llle!ras bem diferentes. De um lado temos o partido hegemôruco .................. ..................................... .................................. l'inl:india

q~ só p~r.rnit,LL~xist§!lcia de outros partidos como "satélites" ou2 ~e Jiola.nda


lho.3
qualquer m_odo, como partidos subordinados , ou sela, .ª hege~oniaj~Pª!.: fr:agmcntaçâo
tido no poder não pode ser-q1re·st1onad'a-:-Do outro lado , temos o sistema .. ....... ............................... .... .. .............. .. .... \ R.f . Alr m:i'
qo partido predominante7'1stõ e,-umà configuração de poder na_gü!J up1 .. Concentra;lo
1gu;lt
P!Etíd_2...gõver_na ~~-· sem eslãfSüjCífÕããlternaç!_o no_pow_._enquantç_ \ com ohe:rnação)
continuél a conquistar, eleitoralmente, ~!!!.!!_maioria ab~olut_!l:.. Q.s~s
b.ipa~tiêláljÕ(nã_o Cl_ferecem problemas, já que su!:_~figu_!~_?"o de j)Oder Concentração
tJnimodal
é simples: d9!_s _E.artidos com.~tem por uma maioria_absolut ~~ está ao_ (;;.:m al!emaç:io)
aJc:.~~.-~rdê_ ambos. I.sso nos deixa com a confígúraçã'o de poder do mu!!J.
i partidarismo em geral, q~~?d~ ser decomposta da se~~aneiraúi!) 1l1erarqul3
nenhum partiao tem prob9~ilidade de alcançar, ou pelo...menos de mante·r, trnonopólio
nwn..>'i r1g;sJu1
uma maioríaaosoluta, e (ií)iã força (ou de.bilidade) relativa dos P.artidÕs
pOdeserclãSSTffêãaaae atordo- com sua res~ctLva faafspenSâlilli.dade (oÜ·
j ~~ensabiJiaade) Eara uma coalizão e/ou r@_)\te acordo com seu potên-
cia! fin~l de intimidaçao (chantagem).
~lonopóho
Total
. s estruturas de poder acima odem ser identificadas da maneira Con«ntraçio Cmp3ltnl:ísio Hegcmõmco Prcdom1. 81parnd:ino Plurafümo Pluralismo A 1om1uç:io
que se segue: (i)p1onopó 10, ii 1ierarquia (ou monop 10 re axado), (iii) nant< modcr•do pobriuJo
concenrrafão uni1~/ (isto (predomínio sém aítemação), (iv)_c.onc{n-
0!.ç~uilibrada (o~t ração bi olar (v)baixafragmentação e/ou Figur:i 4 . Países dispostos pela dispers:io de poder dos sistemas partidários.
segmevraçQo _df!!_polarizada, vi a~entação C<]J!!_po_larização. Se
essas configuraçõesâe- poder e seus correspondentes sistemas partidários
forem delineados com relação à maneira pela qual as várias formações po-
líticas são identificadas, ternos a disposição ilustrada na Figura 4.
Já argumentei que o número de partidos tem importância. O que não
expliquei é precisamente sob que aspecto isso importa. Quando os siste·
mas partidários são classificados de acordo com o critério numérico, essa
classificação se faz à base de seu formar o - quantos partidos encerram.
M:is o fo rmato só é interessante na medida em que afeta a mecânica -
como o sistema funciona. Em outras palavras , o formato é interessante na
medida em que contém predisposições mecânicas, em que contribui para
de terminar uma série de propriedades fun cionais, em primeiro lugar, do
.sistema partidário e do sistema político geral como conseqüência. Por isso ,
minha investigação subseqüente se fundamentará na distinção e na relação
)
)
NOTAS l55
)
) (PS, setembro de 1970. p. 290.) Nem mesmo essa solução, porém. conseguiria
revelar o caso do Parudo Republica.no italiano, lembrado no texto, e muitos
)OTAS outros ( por exemplo, :"forueg:i e Suéc1:t, infra, cap. 6, nota 62). Alter.nativamen-
te. Ro'>e faz a seguinte sugestão: "As técnicas de levantamento oierecem uma
) trllneir:i <le estab<!lecer o número de partidos num sistema" (Go~erning l\lithour
Consenms. op. cit., p. 221). l~so se aplica bem à Irlanda do Norte, mas, em for-
) mações poliucas mais comple.ns. o público geul não percebe, entre outns coi-
sas. as suulezas do valor da posição dos partidos. Abram de Swaan (Coalition
) TJwories and Cabinet Formations, l::tsevier, 1973) reduz o limite mi'nimo para
2,5% (mas o eleva para 3,5% no caso da Dinamarca); mesmo assim, esse limite
) não abarca, no caso da lt:ília, não só os republicanos, como também os liberais,
quando na realidade ocupavam cargos no gabinete.
) lO. O abismo que separa as coalizões matematicamente possíveis das ideologicamen-
j- O "Projeto internacional COl)lparativo dos partidos políticos" enumera cerca de te exeqüíveis é ressaltado pelo princípio de que as.coalizões gove mamentais de-
vem ser "conexas". Ver Robert Axelrod, Conflicr of !nterest, M:ltkham, 1970,
90 países e 250 partidos políti~os, número que inclui apenas os partidos que ui·
trapassam o limite de cadeiras de 5%. Ver Janda, "Retrieving informatlon for a cap. 8. Coalizões conexas, ou adjacentes, são chamadas de "fechadas" por
compara tive study of pohucal parties'', in Crotty ( org.),Approaches to the Swdy Swaan, Coa/irion Theories and Cabinet Formation, op. cit.
of Party Organization, op. cit., apcndice B. Por outro lado, Blondel conta 107 sis- 11. O rótulo não apenas é extraído de, mas também está relacionado co m o parti-
temas unipa.rudários e de mais de um p:irtido (An lntroducrion to Comparative do de chantagem de Anthony Downs (An Economic Theory of Democracy,
S Government, op. cit., p. 140).
12.
Harper& Row, 1957, pp. 13 1-132). Yerin/ra,cap. 10.
lnfrç, 9.4.
-· Crotty, "Política! parues research ", in Approaches to the Study of Political
) Science, op. cit. , p. 282. 13. Infra, 9.5 e 9.6.
3. Polirical Parties and Political Developmenr, op. cit., pp. 34, 36. 14. Essa é a definição de P.A. Lazarsfeld e Allen H. Barton: " ... por 'tipo' entende·
1. Ver particul:i.rmente Jean Blondel, "Party systems and patterns of govemmcnt in se um componente atributivo especítico" ("Qualitative measurement in the
\Vestem democracies", CJPS, junho de 1968; e sua Inrroduction to Comparative socialsciences", in D. Lerner, H.D. Lasswell (org.), ThePolicySciences,Stanford
) Government, op. cit.. pp. 155-160. Mas ver também KennethJanda,/nformation Universi ty Press. 195 1, p. 169). Sempre que é desnecessário distinguir a classifi-
Retrieval, Applications to Political Science, Bobbs-Merrill, I 968, pp. 147-148. cação da hpologia, usarei a palavra taxonomia. Rigorosamente falando, uma
). Mais particularmente infra, 9.3, 9.5 e 9.6. taxonomia é uma ordenação i.ntermediária entre as ordenações class1ficatória e
j· Um exame recente é o de James Jupp, Political Parties, Routledge & Kegan Paul, tipológica (tipo mJtriz}. Mas todos esses detalhes são desncccmírios aos meus
objetivos.
1968, cujas classes são: (i) b1pa111d:irio indistinto (por exemplo, os Estados Uni-
) dos, o Brasil, a Turquia, a Coréia do Sul, o lral; (ü) bipartidáno distinto (por IS. M. Olson, Tire Logic of Col/ective Action, op. cit., p. 49.
exemplo, a Grã-Bretanha, o Jap:io, a Dinamarca, a Noruega); (üi) multipartidário 16. Para a idéia de consolidação estrutural, ver infra, 8.1.
17. Supra, 4.2 e cap. 4,nota 13.
(por exemplo, a 1tália, a Bélgica, a Islândia); (lv) de partido dominante (por
exem~lo, a índia, o México); (v) umpartidá.rio amplo (por exemplo, a Espanha, 18. O conceito de segmentaç.ã o é analisado infra, 6.3.
a Polonia, a Iugoslávia, o Quênia); (vi) urupart1dá.rio estreito (por exemplo , o
Egito, Portugal); (Vii) totalit:íno; (viii) não-partidário. (Ver cap. 1 e Apêndice,
pp. ! 11-112.) Como os exemplos mosu:am, a maioria das classes contêm grupos
estranhos.
). Roy C. .\.lacridis, "Introdução" à sua coletânea Political Parties: Contemporary
) TrencJs_ an.d ldeas, l_larper & Row, 1967, p. 20. Mas Macridis propõe em seguida
sua propna upol?gia (p. ~2). Para a bibliografia em geral, supra, cap. 3, nota 3~.
~- ~~7: Strategies 1n a Multtparty System, Lund, Studentlitceratur, 1968, pp. 174-
)- E o que ocorre, por exemplo, com o projeto internacional comparativo dos par-
tidos de Janda (supra, not:i l). Tendo sido estabelecido um limite de 5%, a l tália
aparece como tendo três partidos: o Democrata Cristão o Comurústa e o Socia-
lista. Ocorr.c que, no período compree ndido pelo Ieva~tamen t o de Janda, três
outros par.tidos, que passam despercelndos, focam necessários ao estabelecimen-
to de co:il1zões majantárias (ao passo que o Partido Co munis ta não teve relevân·
c1:i. governa".1ent:ll depois d~ 194 7). _Uma solução mais tlexível foi a adotada por
R1d1ard Ros: e D_crek \:Jrwm, ou seja, incluir os partidos que participaram pelo
menos de tres ele ições e alcançaram a marca dos 5% em pelo menos uma delas.

1
l.)-t
)

)
,..
)

)
SISTEMAS COMPETITIVOS 157

VI que permanecem após a exclusão de partidos aos quais falta o "potencial


)
para coalizão", a menos que seu "poder de intimidação" influa na tática
) SISTEMAS COMPETITIVOS da competição interpartidária. Reconheço que minha regra de contagem
ainda deixa margem dt! dúvidas quanto à inclusão de um partido pequeno e
marginal e pode colocar o classificador diante de alguns casos intermediá·
) rios. Mas isso não chega a constituir uma tragédia. Em primeiro lugar, não
_J há nenhuma mágica nos números cinco e seis, isto é, sua mágica é apenas
) ' um artefato operacional. Em termos de conhecimento substantivo, o limite
'-J
)
)
,J pode - e na verdade, deve - ser expresso de maneira mais flexível, dizen-
l ," ~
do-se que as interações entre mais-de-cinco partidos tendem a produzir
( i ....., uma mecânica diferente da interação entre cinco-ou-menos partidos. 4 Em
) ! ·-r- J
6.1 Pluralismo polarizado suma, a linha divisória não se situa em cinco (ou em seis), mas em torno de
l ·J -- cinco (ou seis). 5 Em segundo l ugar e de qualquer modo, temos uma variá-
1 vel de controle: a distância ideológica. Assim sendo, embora as cliscrepân-
Nossa compreensão dos sistemas partidários é muito desigual. Em geral, os
r.
,; sistemas ~e foram estudados de maneira mais adequada são oS''sistemas cias de contagem possam perturbar a classificação, não afetarão a tipologia.
.J_,
)

b.~' ,OS1519.art1âãri1>s~é seg~~ uma lógica ~~al~ta s~~e~~n: Pretendo examinar, na seção seguinte, quais os países que fazem parte
r :
}
_le.iJsto é, os sistemas que chamo de plurajismo moderado. O pluralismo da classe (e, em especial, do ti po) do pluralismo extremado e polarizado.
e~tremado e polarizado nos confronta_G.Ó.nLuma_categoija_cujaj_dentidaJk_ Basta, para uma orientação preliminar, dizer que a análise desenvolvida
) r:- 1 ~ rr,- tem esca ado à atenção. Há duas razões para isso. A primeira é o uso dos nesta seção vale-se, basicamente, da experiên cia da República alemã de
) 'r 1r • J Weimar, na década de 1920, d a Quarta República francesa , do Chile (até
1\!!.!_0l~s dualistas, isto é, a tendência a explicar todo e qualquer sistema
)
_,;,.r-
· - 1, j '......
parTíãário pela extrapolação do modelo bipartidário. Esses antolhos dualis· setembro de 1973) e do caso a tual da Itália. De qualquer modo, com rela-
tas foram propostos por Duverger como uma "lei natural", ou quase, da ção a um sistema partidário que permaneceu em grande meclida sem ser
) política: · - - • --- - identificado, a tarefa preliminar é a de analisar in viuo suas característi·
cas marcantes e propriedades sistêmkas. No que segue, tais características
) Nem sempre encontramos urna dualidade de partidos, mas comprovamos quase sempre serão~resentadas em ordem d.e visibilidade e não de importância.
) úiili!üãliSn\o de tenõêriClas(~). lssoeqüivale 3 dizer que o centro não existe cm j5olí· , 1. 'A_ prj~ira_caracJeríst ic_?....QQ_p~ralismo polarizado é a presença de
tica: podemos ter um partido de centro, ln-as não uma tendência de centro(. ..). Nãq pa_rtidOs ami-sisrema relevantes. O. sistema é caracterjzado..por-Urna....Q.P-Q·
) há centros verdadeiros quenio OS qUea_P-arecem comoum cr;;-z;m-;nto de duaJismos. 1
. - - -- - - - - - - sição anti-sistema, particularmente
--
do tipo comunista
-
ou fascista
também de outras variedad~. Contudo, uma vez que a noção de partidQ
_
mas
:::..:.::.z..___

) Argumentei, contrariamente, que, quando não temos um partido de anti-sistema tem sido motivo de debate, e também de consideráveis mal·
centro, provavelmente teremos uma tendência de centro. Basta observar, no