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Universidade Federal de Santa Catarina

Arquitetura e Urbanismo
Tecnologia da Edificação I – 2008 / 2
Professor Anderson Claro
Alunos: Felippe L. Silva, Matheus Pezzoni, Rafael Soares Simão

TENSOESTRUTURAS
História:
Em termos de funções arquitetônicas a origem das estruturas de membrana
tensionadas se encontra nas tendas e nos toldos tradicionais. Reconhece-se por meio de
representações e descrições arquitetônicas muitos teatros e anfiteatros romanos que eram
feitos de velaria produzida a partir de linhas de tecido.
As tendas feitas de peles de animais ou materiais tramados foram usadas ao longo
da história e têm sido utilizadas pelo mundo inteiro, particularmente em sociedades
nômades que necessitam de coberturas portáteis. Exemplos de tendas passadas incluem as
tribos nativas americanas, os abrigos mongóis, a "black tent" (Fig. 1) utilizada pelos povos
nômades no Saara, Arábia e Irã.

Houve pouco desenvolvimento das tendas entre o tempo dos Romanos e o século
XIX, em parte por causa da carência de demanda, e principalmente por causa da carência
de avanços na manufatura de cabos, tecidos e conexões resistentes. Porém, depois da
revolução industrial houve uma demanda por tendas grandes (utilizadas para o
entretenimento de populações, como os circos) e por materiais de grande resistência, com
produção em massa e relativamente barata.
Em todos os exemplos até agora mostrados, as membranas eram relativamente
oscilantes e a estabilidade era derivada de uma combinação de cabos entrelaçados e de
coberturas muito leves se comparadas aos materiais atuais, que são bem mais pesados.
Uma nova era abriu-se após a Segunda Guerra Mundial com o desenvolvimento de
vários tipos de manta estrutural, das quais os benefícios são vários principalmente em
termos de luminosidade e flexibilidade. A estabilidade já não é assegurada só pelo peso,
mas também pelo projeto, levando-se em conta curvaturas acrescidas de pré-tensionamento
induzido.
Dois acontecimentos foram cruciais no desenvolvimento das tensoestruturas. O
arquiteto e engenheiro Frei Otto em 1957 funda o Centro de Desenvolvimento de
Construções Leves em Berlim, seguindo em 1964 para a criação do famoso Instituto de
Estruturas Leves na Universidade de Stuttgart.
Otto começou experimentando com formas leves e fazendo testes em modelos em
escala reduzida com materiais como o sabão (se formasse uma película de espuma entre a
malha estrutural, a estrutura estaria estável), cabos e membranas de elástico as quais ele
usava para tensionar. Um dos primeiros projetos foi simples, porém muito belo, um
pequeno Pavilhão Musical para a Exposição Federal de Jardins - Kassel, Alemanha, em
1955 (Fig. 2).

A partir de Kassel nasceu uma geração de coberturas tensionadas para apresentações em


jardins, as quais introduziram uma sucessão de novas idéias sobre formas, técnicas de
montagem, métodos de tensionamento, materiais e conexões.
Estas estruturas, a maioria temporária e desmontável, tiveram influência no
desenvolvimento subseqüente da arquitetura. Elas ofereceram uma combinação de
estruturas limpas e atração estética. As formas onduladas freqüentemente lembrando
fenômenos naturais, como ondas, nuvens ou montanhas com topos cobertos de neve, vêm
como uma origem de inspiração para muitas gerações de projetistas, que procuram por
formas arquitetônicas baseadas em princípios fundamentais e orgânicos.
Os tecidos disponíveis para Frei Otto permitiam somente dimensões limitadas de
estruturas com curta expectativa de vida. Hoje, como resultado de avanços técnicos na
tecnologia têxtil, há exemplos de construções de dimensões impressionantes (Fig. 3), com
excelente resistência a incêndio e com expectativas de vida de vinte e cinco anos ou mais.
As coberturas de membrana, que infelizmente nunca fizeram parte das formas
arquitetônicas consideradas tradicionais e clássicas, finalmente estão se localizando no
atual vocabulário arquitetônico.

Definição:
Denominamos tenso-estruturas ou estruturas tensionadas aquelas coberturas
cujo elemento principal é a própria cobertura, que permanecendo sob constante
estado de tracionamento, em oposição aos elementos metálicos comprimidos,
promove o equilíbrio geral do sistema. Diferentemente das coberturas normais em
telhas metálicas, a tenso-estrutura tem no tecido que a forma, a intrínseca
capacidade de resistência aos esforços externos.
Esta resistência é maior ou menor de acordo com a geometria assumida,
sempre em dupla curvatura, e com o material do tecido da membrana.
Tomando-se como exemplo o parabolóide hiperbólico (base retangular ou
quadrada com dois vértices fixos em nível inferior e dois em pontos superiores), as
fibras do tecido que convergem para os pontos superiores resistem
caracteristicamente às cargas que agem de cima para baixo – pressões do vento ou
peso da neve; enquanto que as fibras que convergem para os pontos inferiores
resistirão aos esforços de baixo para cima – vento na sucção. Quanto maior a
diferença de cota entre os dois níveis, maior a eficiência no combate a estas cargas.
Classificação:
QUANTO À CURVATURA

As tenso-estruturas em dupla curvatura podem ser classificadas em sinclásticas e


anticlásticas. As curvaturas ditas sinclásticas possuem sempre mesmo sinal. Por exemplo,
uma esfera, um balão inflável ou uma cúpula semi-esférica. As anticlásticas têm curvaturas
de sinais contrários como no caso do parabolóide hiperbólico acima exemplificado.

QUANTO À GEOMETRIA CONSTRUTIVA

Normalmente, quase todas as tenso-estruturas possuem formas mistas, derivadas de


uma ou mais concepções estruturais típicas. O grande desafio que se apresenta ao projetista
é a possibilidade de variações na exploração/elaboração dessas formas primitivas até que
seja encontrada a concepção arquitetônica final desejada.
 Parabolóides hiperbólicos (Hypar) –
Selas

 Tendas cônicas ou multi-cônicas – normais (“umbrellas” – guarda-chuvas) ou

invertidas (cálices)
 Suportadas por arcos – internos ou
externos

 Onduladas ou
plissadas
 Tensegrity -(tração integral). Coberturas cujos mastros são flutuantes. Cada
extremidade inferior ou superior é ligada aos pontos fixos por um cabo.

Aplicações:
Várias utilizações têm sido dadas às coberturas de membrana tensionadas como:

 Abrigos para entradas ou passeios.

 Abrigos temporários e de curta duração necessários em alguns eventos.

 Abrigos desmontáveis necessários por parte do ano e armazenados no restante.

 Construções permanentes de grande porte como aeroportos, estações e hangares.

 Decorações internas de lojas e shoppings.


Elementos Estruturais:
Materiais utilizados
Os componentes básicos de tensoestruturas são as mantas sintéticas, as cordoalhas
de aço, as estruturas de suporte e os elementos de ancoragem e fundação. As mantas são o
principal material utilizado para a confecção das tensoestruturas.

Mantas
Os tecidos são materiais compostos de fibras naturais ou artificiais, entrelaçadas nas
duas direções perpendiculares entre si, de forma a atingirem um grau de resistência,
translucidez ou impermeabilidade desejados. Os tecidos estruturais artificiais, alem das
fibras, recebem varias camadas de revestimentos, em ambas as faces, que lhes conferem
características adicionais e valiosas tais como: resistência aos raios UV, resistência aos
fungos, não propagação de chamas, maior ou menor translucidez ou refletividade, etc.

Para a confecção das coberturas tensionadas são utilizados dois tipos básicos de
tecidos estruturais: os tecidos em fibras de poliéster e revestidos de PVC (também
denominados de PVC-PES), e os de PTFE – fibras de vidro revestidos com um polímero à
base de flúor. Poli-Tetra-Flúor-Etileno.

Os tecidos do tipo PVC-PES são os mais comuns, mais fáceis de trabalhar em


fábrica e no campo, mais baratos e tem a durabilidade media em torno dos 10 anos, para os
bons produtos. Estes tipos de tecido podem ainda receber um acabamento superior de
PVDF, aumentando suas qualidades de aparência e durabilidade para até 20 anos.

Por outro lado, os tecidos em fibra de vidro revestidos de PTFE, são mais
sofisticados, têm maior durabilidade (no mínimo 15 anos até 25 ou 30 anos de garantia),
oferecem maior resistência à intempérie e aos esforços externos. Entretanto, a fabricação e
o manuseio destes tecidos requerem maior delicadeza, conseqüentemente mão de obra
especializada, pois as fibras componentes são quebradiças. Cuidado todo especial deve ser
tomado no transporte e na montagem.

Uma grande evolução no campo das mantas tramadas ocorreu com o


desenvolvimento de uma patente da Ferrari. A diferença está no processo de fabricação. O
tecido é pré-tracionado nos dois sentidos (urdidura e trama) antes de receber a massa de
revestimento. Isso garante um módulo de deformação mais alto e resistência à tração nos
dois sentidos.

As mantas tramadas normalmente apresentam tração diferenciada nas fibras


direcionadas para o comprimento do tecido (warp fibers - urdidura) - direção mais flexível -
e aquelas que passam pela largura do tecido (weft ou fill fibers - trama). A este
comportamento dá-se o nome de anisotropia. As mantas tramadas de comportamento
idêntico nas duas direções também podem ser confeccionadas, sendo denominadas
isotrópicas.
Atualmente lonas tramadas de fibra de vidro e de poliéster apresentam, de forma
geral melhor desempenho pelas suas características, sendo, assim, os materiais mais
utilizados nas tensoestruturas atuais.

Revestimentos

As malhas estruturais para obter a eficiência desejada possuem alguns


revestimentos. Estas camadas protetoras apresentam alguma das seguintes características:

Autoextinguíveis: em caso

dos raios ultravioleta e inibem o desbotamento das cores ao longo do tempo.


ção emprega aditivos que inibem a formação de bolores e
manchas provocadas por fungos.

Aditivos - lacas e vernizes

A sujeira somada à poluição produzem efeitos negativos à estética e à translucidez,


podendo danificar o revestimento e diminuir a vida útil da manta. Uma das formas de
proteger a manta é acrescentar uma camada de verniz ou laca ao revestimento. Este verniz
não é somente designado para proteção da manta dos raios UV, mas também melhora as
características autolimpantes. Um dos materiais utilizados para isto é o Tedlar. Trata-se de
um fluoreto de polivinil (PVF) e pode ser aplicado tanto no poliéster revestido de PVC
quanto na fibra de vidro revestida de PTFE. Mantas de poliéster também possuem vernizes
de acrílico ou de decafluoreto de polivinil (PVDF) ou de uretano.

Junção das mantas

As lonas, na maioria dos casos, são fornecidas em bobinas de até 2 m de largura. Os


padrões de corte são geralmente definidos com o uso de software. Moldes executados com
um ploter (de 2,80x80,00 m) fornecem a base para o corte. A soldagem pode ser feita por
solda eletrônica de alta freqüência (onde as microondas derretem o revestimento e as fibras
do tecido são conservadas), cunha quente ou ar quente.
Além das juntas soldadas existem as costuradas e as mecânicas. As costuradas tem
como desvantagem a degradação da manta. As mecânicas tem como vantagem a
possibilidade de execução in loco, porém nem sempre são a prova d'água.

Estrutura de Sustentação

A estrutura de sustentação das membranas tensionadas pode ser madeira, bambu ou


ligas metálicas como aço e alumínio.
No caso de estruturas metálicas, o alumínio apresenta alta resistência à corrosão,
menor peso que o aço, porém resistência mecânica inferior. O aço é a alternativa mais
interessante quando se necessita de alta resistência mecânica.
Os arranjos estruturais, via de regra, consistem em reticulados espaciais em que as
barras ficam sujeitas exclusivamente a esforços axiais de tração e compressão. Essa
configuração garante alta eficiência estrutural, uma vez que as barras são solicitadas da
forma que permite o melhor aproveitamento da capacidade resistente do material.
As barras que compõem a estrutura em geral possuem seção transversal tubular.
Essa forma garante boa rigidez com pouca quantidade de material, resultando em estruturas
leves e muito resistentes.

Cabos
Nos tensionados os cabos são utilizados no acabamento das bordas da manta e no
tracionamento desta. As características dos cabos variam de acordo com o processo de sua
execução e da disposição dos arames.
O termo cabo é empregado para qualquer elemento flexível tracionado, desde um
simples arame obtido de uma barra redonda ou retangular, até arames agrupados em
cordoalhas ou cordas.
Os tensionados normalmente utilizam as cordoalhas, que são um arranjo de fios
enrolados em espiral em torno de um fio ou conjunto de fios centrais formando uma figura
simétrica. As camadas são tecidas cada uma em sentido oposto à anterior.

Ancoragens e fundação

As ancoragens são pontos que requerem alguns cuidados dos projetistas. No caso de
suportes discretos, como mastros, empregam-se geralmente olhais capazes de distribuir os
carregamentos ao longo de uma linha ou superfície, evitando concentrações de tensão. As
trações internas devem também de alguma maneira descarregar nas fundações. As
ancoragens podem, estar expostas a esforços de arrancamento da ordem de toneladas. A
solução mais usual é a utilização de sapatas e olhais metálicos engastados em bases de
concreto.
Diversos sistemas de fundações são empregados em tensoestruturas. Em estruturas
de pequeno porte, por exemplo, pode-se utilizar até latões com areia e água ou chapas de
aço coladas com araldite industrial sustentadas também por latões de areia. Não há, no
entanto, nenhum impedimento para o uso de estacas-raiz ou outros métodos.

Desempenho:
Desempenho da manta

Segurança contra incêndio


Nos EUA, existem muitos testes normativos de resistência ao fogo, que foram
adaptados para mantas. As em uso nos Estados Unidos utilizam sobretudo testes para
classificar mantas estruturais de acordo com a propagação do fogo. Materiais que não se
enquadrem abaixo do limite estipulado(considerados não-combustíveis) não podem ser
utilizados em todos os tipos de construção.

Resistência aos ataques químicos e ultravioletas


Ao longo do tempo as mantas absorvem elementos químicos do ar da região onde
foram implantadas. Entretanto, muito da deterioração química que as lonas sofrem são
produzidas pelo próprio material de revestimento.
Muitos materiais sintéticos se degradam sob prolongada exposição aos raios UV.
Esta degradação pode ser parcialmente compensada com aditivos nas fibras resistentes aos
raios ou no revestimento absorvendo a ação UV. A fibra de vidro não é afetada, porém o
poliéster perde um pouco da resistência.

Desempenho lumínico
Mantas em funções comuns são caracterizadas pela capacidade de baixo isolamento,
baixa massa térmica, alta reflectividade da luz, e baixa a moderada translucidez. Estas
características têm feito com que as lonas apresentem efetiva aplicabilidade de uso em
climas de temperaturas quentes ou temperadas com radiação solar alta.

Os valores de baixo isolamento não resultam em alto aquecimento visto que a


reflectividade reduz o calor, e a translucidez pode ser utilizada para iluminação natural,
dessa forma reduzindo o custo de iluminação e resultando num decréscimo de calor
produzido pelas lâmpadas artificiais.
Em climas frios as tensoestruturas também são utilizadas, porém de forma mais
fechada, pois as mantas são isolantes, freqüentemente dando às tensoestruturas boa
eficiência térmica, ainda que algumas vezes estas medidas eliminem muito da translucidez
da manta.
A intensidade da iluminação natural é freqüentemente alterada pela variação de
translucidez da manta ou a adição de uma camada isolante. Mantas de fibra de vidro
revestida com PTFE ou silicone, por exemplo, são aptas a uma translucidez excedendo
20%, adequada para suportar uma ampla gama de aplicações.

Resistência ao fogo

A resistência de uma membrana em regime de incêndio, depende basicamente do


tipo do material do tecido e das suas emendas (soldas de composição dos painéis). Todas as
membranas, invariavelmente, sofrem relaxamento perante maiores temperaturas. A maior
ou menor velocidade de degradação depende ainda do pré-tensionamento e da temperatura
ambiente.

As membranas fabricadas em PVC/poliéster podem iniciar sua degradação em torno


dos 70 a 80 oC, embora as soldas só comecem a se desprender por volta dos 100 oC. Aos
250 oC, elas iniciam o derretimento promovendo aberturas que ajudam a dissipar o calor e a
ventilação do ambiente. Uma vez a chama é extinta, encerra-se também o processo de
queima.

As membranas em PTFE/Glass Fiber são bem mais resistentes, suportando


temperaturas de até 1000 oC em testes de laboratório. As emendas no entanto sofrem
rupturas a partir dos 270 oC, causando as providenciais aberturas na cobertura para
minimização do fenômeno piroclástico. Os tecidos que contém PTFE, sob temperaturas
acima de 400 oC, soltam fumaça tóxica, que devem ser exauridas o mais rápido possível do
ambiente.
Isolamento térmico
Estudos demonstram que tecidos com peso em torno de 1,2 kg/m2, sejam eles à
base de poliéster ou de fibra de vidro e seus respectivos revestimentos, estendidos em uma
simples camada, possuem um coeficiente de condutividade térmica de aproximadamente
4,5 W/m2K, valor muito próximo ao do vidro. Colocados em dupla camada de, por
exemplo 200 mm, este valor cai para 2,6 W/m2K, número bastante razoável para
edificações normais.

Uma maneira pratica de se conseguir a dupla camada de membrana, é a de se


“pendurar” um segundo tecido mais leve e mais barato, esticando-o paralelamente, por toda
a área ocupada.

Condensação
Em climas mais frios, a diferença de temperaturas interna e externa, certamente
causará o aparecimento de condensação em determinadas regiões de uma cobertura com o
perímetro enclausurado.
Em paises tropicais, onde as tenso-estruturas são geralmente abertas, este problema
quase não ocorre. A própria ventilação ambiental trata de equilibrar as diferenças de
temperatura sobre e sob a membrana. Para coberturas mais fechadas, sugere-se a colocação
de aberturas em regiões altas, ou em zonas de sucção (lanternins).

Acústica
As coberturas em membrana de tecido, não oferecem quase nenhuma resistência aos sons
em geral e principalmente aos de baixa freqüência, uma vez que possuem baixíssima
massa. Como melhoria de sua capacidade de absorção, recomenda-se o uso de dupla ou
tripla camadas de tecidos com maior desempenho acústico. Os eventuais fenômenos de
reverberação podem ser evitados com a colocação de placas defletoras feitas com tecido
especial e penduradas em pontos estratégicos.

Limpeza e Manutenção:
Limpeza:
Tendas revestidas de PVC apanham sujeira e são evitadas em locais urbanizados e
outras atmosferas com altas concentrações de sujeira. Elas devem ser regularmente limpas
para evitar perda de translucidez e aparência não atrativa (entretanto, superfícies finas de
acabamento podem aliviar o problema). Mas quanto mais são limpas, mais elas se
fragilizam pelo contato com sabões, detergentes e óleos. Deve-se garantir que a limpeza
seja feita exatamente como as instruções do fabricante, usando leves escovas, água e
detergentes suaves. Novas demãos de laca e impermeabilizantes podem ser feitas ao longo
do tempo, sempre após a lavagem.
Nas tendas revestidas de PTFE, são hidrofugantes e raramente necessitam de
limpeza. Assim as partículas de sujeira praticamente não se fixam devido as suas
propriedades e, além disso, são transportadas pela água da chuva. A fibra de vidro revestida
de PTFE não mostra tendência para descolorar com o tempo e tornar-se branca. A limpeza
é então menos importante que com as membranas de PVC revestidas. Em estruturas
permanentes de ambos tipos de revestimento o acesso à limpeza deveria ser considerado na
etapa projetual.

Manutenção:
Eventualmente as membranas das tenso estruturas podem vir a sofrer danos, como
rasgos e furos. Se forem danos pequenos estes geralmente podem ser reparados no próprio
local. Mas caso sejam grandes rasgos o proprietário deve comunicar o fabricante, que deve
retirar a membrana fazer os reparos necessários e coloca-la de volta, ou em caso mais
extremos faz-se à troca por uma membrana nova.
Além de reparos a membrana pode vir a necessitar de um re-tensionamento.
Normalmente seis meses após a montagem da estrutura o fabricante deve fazer uma
inspeção para ver se necessário um re-tensionamento das membranas. Membranas de fibra
de vidro não costumam precisar de re-tensionamento.
Não só as membranas necessitam de manutenção, mas também as peças estruturais,
como os cabos, olhais e forquilhas. Estas peças metálicas podem vir a apresentar corrosão
principalmente se estiverem expostas a intempéries, como chuva, sol, vento, maresia e etc.
Assim deve-se fazer inspeções regulamentes para detectar eventuais reparos ou trocas de
peças.

Processo Projetivo:
Existem quatro itens básicos que compõem o processo projetivo das tensoestruturas.
São eles a adaptação da sua forma, o teste da estrutura proposta na estabilização sobre todas
as condições de carregamento, o dimensionamento das partes (manta, cabos e colunas) para
confecção, e a escolha final de materiais e acabamentos.

Escolha da superfície geométrica:

Segundo VANDENBERG (1996) a única forma prática de fazer uma membrana


suficientemente flexível e leve para funcionar como uma cobertura é através da combinação
da curvatura com a protensão (como os tecidos para tais estruturas são industriais, a
protensão pode ser obtida na confecção da lona). A curvatura deliberadamente induzida,
permite a membrana transmitir esforços laterais, os quais não poderiam ser transmitidos em
superfícies planas, e a protensão é para garantir que a manta permaneça sob tensão, e
estabilizada, mesmo depois da aplicação de carregamentos não uniformes como o vento. A
protensão deve ser suficientemente alta - geralmente aproximado de meia tonelada por
metro de comprimento de manta - para nunca ser reduzida a zero pelas forças externas de
sentido oposto.
A chave conceitual é a dupla curvatura, porém para este princípio funcionar as duas
curvaturas devem ser em direções opostas. Qualquer área interna, mostrada na parte
sombreada da Fig. 5a, satisfaria este princípio, as curvas A-B e C-D estando em direções
opostas (superfície anticlástica). O domo mostrado na Fig. 5b tem dupla curvatura, porém
as linhas A-B e C-D são curvas para a mesma direção (superfície sinclástica). A membrana
estrutural desta forma somente poderia oferecer resistência a forças operando para fora do
interior do domo, não resistindo a esforços para dentro do domo, como as forças geradas
pela gravidade e pelo vento.

Figura 5a – Superfície anticlástica. Figura 5b – Superfície sinclástica.

Fonte das imagens: VANDENBERG, 1996, p.15.

Alguns pontos devem ser pensados, quando se estabelece a geometria da curvatura:


quanto maior a curvatura, maior a eficiência da protensão, para se obter uma superfície
rígida e prevenir vibrações. Entretanto, curvaturas excessivas podem criar dificuldades para
a protensão. Particularmente com materiais mais rígidos como a fibra de vidro revestida de
PTFE, que resiste à deformação e não permite que as fibras se redistribuam num local de
maior tensão.
Os esforços ao longo da curvatura devem ser relativamente uniformes. Amplas
variações podem levar a alguns pontos flexíveis e a outros rígidos, o que é indesejável.

Ferramentas

Bons projetos requerem infinitos cuidados incluindo a confecção de modelos, os


quais devem ser estudados para garantir que exista uma relação arquitetônica satisfatória
entre a forma da membrana e o suporte estrutural. Além disso, a determinação da forma e
dos padrões de corte das lonas constitui o ponto chave dos projetos de tensoestruturas. A
forma correta para uma membrana tensionada pode ser encontrada por modelagem física,
ou seja, modelos em escala reduzida. A partir do modelo, as medidas podem ser tiradas, e
as dimensões adaptadas à escala do projeto final.
Como desvantagem deste método tem-se que a escala reduz o projeto final podendo
levar a medidas erradas e a um resultado seriamente comprometido.
Além da modelagem física, há analises computacionais, que a partir de parâmetros
de projeto chegam a formas de membrana estáveis.
Esta análise parte primeiramente da disposição da forma desejada no computador,
alcançando o comportamento ideal com tensões uniformes em todas as direções. Para
propôr análises estruturais, a superfície é dividida em pequenos triângulos, e é selecionado
o material com o qual a membrana será fabricada.
As formas encontradas por modelos em escalas reduzidas ou por cálculos
computacionais devem resolver satisfatoriamente todas as tensões da estrutura, mas as
tensoestruturas apresentam questões práticas para serem estabilizadas, que podem
modificar um pouco a forma. Como, por exemplo, as seguintes:
 Carregamentos por dispersão de chuva ou neve. Em climas frios a massa de neve
pode deslizar para partes da seção mais baixa da membrana e se fixar em partes
mais planas, causando uma deflexão na manta. Esta deflexão pode se tornar
reservatório para filetes de água (que pode ser de neve condensada ou de chuva)
criando fluxos e, levando em última instância à perda da membrana. Por esta razão
superfícies horizontais devem ser evitadas ou, como alternativa, drenadas por
sistemas de calhas inseridas na manta.
 Aparência. A forma encontrada pode não ter uma boa aparência e modificações
podem ser necessárias, possivelmente usando modelos físicos em grandes escalas,
para criar curvatura e recortes de boa aparência.
 Problemas construtivos. Como nas conexões ou na protensão da lona,
particularmente em áreas de baixa curvatura.

Tratamento das bordas das tensoestruturas

Qualquer cobertura tensionada de membrana tem que possuir um comportamento


contínuo. Este comportamento ajudará a definir a forma da membrana, e fornecerá a
localização onde os esforços serão retirados dela e transferidos para a estrutura rígida. O
comportamento pode ser flexível ou rígido. Onde uma borda reta é necessária, a solução
pode ser prendê-la a uma viga por meio de ganchos ou fivelas de alumínio.
Os cabos podem correr por fora da membrana, e, como conexão para a lona e o
cabo, podem ser utilizadas presilhas. A maioria das bordas das mantas são flexíveis,
formadas por cabos ou por cinturão perimetral, que passam dentro de cavidades na borda
(Fig. 6). A borda da cobertura toma forma de uma série de curvas catenárias, dando uma
forma recortada para a membrana e os cabos ou o cinturão perimetral são unidos por
argolas em intervalos, onde existam pontos de maior ancoragem. Nestes pontos os
carregamentos são transferidos para fora da membrana e se voltam para os arredores da
estrutura.
Nesta etapa alguns problemas podem surgir, por isso, alguns fatos devem ser
levados em conta. A superfície do perímetro da curva tensiona o perímetro do cabo e,
então, surgem maiores tensões nas ancoragens que seguram os cabos. Altas tensões podem
adicionar custos e podem ter aparência pesada, o que é desagradável, restringindo este
sistema. A conexão perimetral dos pontos requer cuidados excepcionais para movimentos,
e, o reforço da manta, para esta não se enrugar ou romper.

Figura 6 – Tratamento da borda.


Fonte: VANDENBERG, 1996, p.19.
Análise da estrutura responsável pelos carregamentos

Tendo conseguido um projeto provisório, a análise computacional pode ser


executada, para checar se a forma e a manta escolhidas realmente podem suportar o
complexo de forças, que são geradas pela protensão e por carregamentos externos.

Dimensionamento das partes da manta

O estágio final do projeto envolve trabalhos precisos de corte da manta modelada


para manufatura. O objetivo é dividir a manta em partes para que:

 Possam ser cortadas por rolos têxteis de comprimento padrão sem desperdiçar o
material.
 Possam ser encaixadas juntas para elegantemente formar uma dupla curvatura
estabelecida.
 Possam conceder direções da trama e posicionamento das emendas corretas na
relação de pré-tensão.

As dimensões devem ser precisas, e também as tolerâncias nos pontos críticos.

Exemplos:
Capela em São Luiz do Maranhão

Cinema Caverna
Cinema Renato Aragão

Concha Acústica Castro Alves – BA


Fachada de Escola

Marina da Glória – RJ
Oca do Ibirapuera

Palco Principal do Rock in Rio

Praça de Alimentação – Rock in Rio


Tenda Brasil – Rock in Rio

Tenda Eletro – Rock in Rio


Shopping Anália Franco

Shopping New York


Shopping Piracicaba

Teatro Araújo Viana


Coliseu

Estádio Olímpico de Monique


Estádio Olímpico de Monique

Fontes:
http://fiedlertensoestruturas.com.br/site/index.htm

http://www.metalica.com.br/pg_dinamica/bin/pg_dinamica.php?id_pag=326

http://www.metalica.com.br/pg_dinamica/bin/pg_dinamica.php?id_pag=957

http://www.technica.com.br/site/query_result.php?var=tensor

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VISITE TAMBÉM O

www.arq.ufsc.br/arq5661/caleidoscopio.htm