Você está na página 1de 36

Lit

Lit
FLÁVIO DINO
Governador do Estado do Maranhão

BIRA DO PINDARÉ
Secretário de Estado da Ciência, Tecnologia e Inovação

JHONATAN ALMADA
Secretário-Adjunto de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior

ANDRÉ BELLO
Secretário-Adjunto de Educação Profissional, Tecnológica e Inclusão Social

NIVALDO MUNIZ
Secretário-Adjunto de Inovação e Cidadania Digital

CADERNOS MARIA ARAGÃO DE TECNOLOGIAS SOCIAIS


Edição Especial

Publicação, e distribuição: Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação – SECTI, Tech


Educ Especial (organização do evento) e instituiçōes parceiras: UFMA, (Dinter IE), UFRGS
(PPGIE), UEMA, SEDUC, SEMED, Instituto Autismo & Vida (RS) e o Instituto i3C (RS).

Coordenação e Organização: Francisca Keyle de Freitas Vale Monteiro, Dante Augusto


Couto Barone
Revisão Técnica: Renata Costa de Sá Bonotto, Magda Bercht
Colaboradores no conteúdo: Dalvina Ayres, Francisca Keyle de Freitas Vale Monteiro,
Maria Rosangela Bez, Maria Luciane Lisboa Belo, Magda Bercht, Natalino Salgado Filho,
Renata Costa de Sá Bonotto, Rosane Ferreira, Ubirajara do Pindaré Walter Cesar Nunes.
Capa e Projeto Gráfico: Rafael M. Telles
Diagramação: Joubert Ribeiro
Fotos: Acervo pessoal autorizado dos colaboradores
Impresso no Brasil / Printed in Brazil

Monteiro, Francisca Keyle de freitas Vale

Autismo e Tecnologia Assistiva: o autismo à luz da ciência para melho-


ria de vida das pessoas com Transtorno do Espectro Autista - TEA / Francis-
ca Keyle de Freitas Vale Monteiro, Dante Augusto Couto Barone (Org.). - São
Luís: Engenho, 2015.

36 f.: il

ISBN: 978-85-69805-02-1

1. Cartilha LCV (Luz, Ciência e Vida) 2. Autismo 3. Transtorno do Espec-


tro Autista 4. Tecnologia Assistiva I. Título

CDU: 159.92
SUMÁRIO PREVISTO

Cartas de Apoio 6
Apresentação 9
1. TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA – TEA 10
1.1. Quem é a pessoa com autismo? 10
1.2. Classificação e descrição clínica 11
1.2.1. Do CID-10 à atualização do DSM-5 12
1.3. Manifestações mais comuns 13
1.4. Instrumentos para diagnosticar o autismo 14
1.5. Intervenções e estratégias 14
1.6. Providências e procedimentos que ajudam 15
2. TECNOLOGIA ASSISTIVA 16
2.1. O que são tecnologias assistivas? 16
2.2. Principais softwares livres (gratuitos) 18
2.3. SCALA  (Sistema de Comunicação  alternativa  para o letramento de
pessoas com autismo 18
2.4  MOSTRA TUTORIAL SCALA (LINKS EM VÍDEO, HTML E PDF) 19
3. COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA 20
3.1. O que é Comunicação Alternativa? 20
3.2. As dificuldades de comunicação no Autismo e Comunicação Alternativa 21
3.3. Recursos de baixa e alta tecnologia 22
3.4. Orientações para parceiros de comunicação 23
3.5. Comunicação Alternativa na Escola 24
4. DIREITOS DAS PESSOAS COM TRANSTORNO DE ESPECTRO AUTISTA (TEA) 25
4.1. Princípios de Direitos Humanos 25
4.2. Pessoas com transtornos de espectro autista enquanto sujeitos de
Direitos Humanos 26
4.3. Lei Nº 12.764/2012 (Lei do autismo) 27
4.3.1. Quadro atual do TEA no Brasil e sua influência na sociedade 28
4.4. Lei Nº 13.146, de 06 de julho de 2015 28
4.5. Instituições e links importantes 28
5. CARTA DOS PARCEIROS À SOCIEDADE MARANHENSE/INFORMAÇÕES GERAIS 29
6. RESUMO DOS MINICURSOS E PALESTRAS DO TECH EDUC  – ESPECIAL 31
São Luís, 9 de outubro de 2015 

CARTA DA SECRETARIA DE CIÊNCIA, TECNOLOGIA E INOVAÇÃO 

O  Estado  do  Maranhão  ainda  precisa  avançar  na  produção  de  tecnologias  assistivas  e 
tecnologias  sociais  que  auxiliem  na  melhoria  das  condições  de  vida  de  seu  povo.  É 
papel  do  Governo,  incentivar  e  apoiar  as  diversas  iniciativas  que  emergem  das 
instituições  acadêmicas,  sociedade  civil  organizada  e  movimentos  sociais  que  se 
coadunem com essa necessidade. 

Nesse  sentido,  apoiamos  a  publicação  da  presente  cartilha  como  forma  concreta  de 
valorizar  e  pôr  em  evidência  a  temática  da  tecnologia  assistiva.  É  um  chamamento  à 
academia  e  à  sociedade  em  geral  para  o  caráter  benéfico  e  efetivo dessas tecnologias 
na  vida  de  milhares  de  famílias  que  não  se  curvam  às  dificuldades  ou  eventuais 
barreiras,  mas  perseveram  com  altivez  na  construção  de  alternativas,  e  novos 
caminhos para a inclusão social e democrática. 

A  Secretaria  de  Estado  da  Ciência,  Tecnologia  e  Inovação  (SECTI)  por  intermédio  da Fundação 
de  Amparo  à  Pesquisa  e  ao  Desenvolvimento  Científico e Tecnológico do Maranhão (FAPEMA) 
tem  priorizado  o  apoio  e  financiamento  a  projetos  e  pesquisas  no  campo  das  tecnologias 
sociais,  energias  renováveis,  agricultura  familiar  e  startups.  É  parte  do  nosso  planejamento 
estratégico e estamos investindo nessas áreas com grande expectativa de retorno social. 

Esta  cartilha,  portanto,  situa‐se  no  corpo  maior  do  Plano  de  Ação  da  SECTI  cujo  norte  é 
oportunizar Ciência, Tecnologia e Inovação para Todos Nós. 

Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Inovação 
UNIVERSIDADE FEDERAL DO MARANHÃO
Fundação Instituída nos termos da Lei nº 5.152, de 21/10/1966 – São Luís - Maranhão.

GABINETE DO REITOR

São Luis, 18 de setembro 2015

CARTA DE APOIO

A sociedade brasileira é composta por uma rica diversidade.


As pessoas com autismo fazem parte desta rica teia social, embora,
na maioria das vezes, tenham ficado no anonimato e desfocados do
centro das políticas sociais e educacionais.
Ações que promovam o debate e a reflexão sobre questões
relacionadas ao autismo são fundamentais. Nesse sentido, a
utilização das tecnologias e as diferentes formas de comunicação,
devem ser pensadas sob uma ótica inclusiva, pois apresentam
amplas possibilidades de enriquecer a experiência de vida, não só
do autista, como, também, daqueles que o cercam e da sociedade
como um todo.
Iniciativas que favoreçam o rompimento de barreiras e
promovam a inclusão em grau cada vez maior são sempre bem-
vindas.
É, portanto, com imensa satisfação que firmamos nosso
apoio a essa ideia de publicização das informações que compõem
esta Cartilha.

NATALINO SALGADO FILHO


REITOR

"A Universidade que cresce com


inovação e inclusão social" Campus Universitário do Bacanga – Prédio Marechal Castelo Branco – Reitoria
- Av. dos Portugueses, s/n - São Luís-MA - CEP: 65085-580 -
Fone(98) 3301-8003 Fax (98) 3301-8005 - Site: www.ufma.br - E-mail: reitoria@ufma.br
CARTA A SOCIEDADE MARANHENSE

Vivemos tempos marcados pela fluidez da informação e pela valorização do conhecime nto
como ferramenta de inserção social. Mais do que nunca, lidar com as informações, processá-las e
transformá-las em competências para a vida exige, a priori, o domínio de uma série de ferramentas
e recursos tecnológicos, cujo acesso deve ser possível a todos, sem distinções de qualquer natureza,
aqui reside a relevância da Cartilha LCV: autismo e tecnologia assistiva- T.A.
As atividades educacionais, por sua vez, não se dissociam do que acontece ao nosso redor.
Pelo contrário, para que se faça educação de qualidade, é preciso considerar o modo como
funcionam as estruturas sociais, econômicas e tecnológicas. Em outras palavras, não é possível
educar virando as costas para o mundo.
É de extrema importância o ingresso das TICS e inovações na sala de aula e não apenas
utilizar os equipamentos desses avanços, mas também associá-los aos objetivos da saúde e da
educação especial hoje, assim, as tecnologias assistivas, em intervenções pedagógicas vão nos dar
melhor qualidade de vida em diversos contextos das pessoas com deficiências. Tudo isso tem a
ver, com o sucesso das pesquisas e intensos investimentos em educação, ciência e inovação.
Portanto, parabenizamos aqui o Maranhão, através da SECTI por sua louvável iniciativa,
possibilitando o vir à existência desta Cartilha, a primeira publicação científica do estado na área.
E nos sentimos honrados, enquanto Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS,
como orientador da prof@ pesquisadora Keyle Monteiro, (mãe de pessoa com TEA/autora) através
do Doutorado Informática na Educação em convênio com a UFMA/UEMA, participarmos e
contribuirmos com a compreensão e utilização adequada das tecnologias disponíveis, e nos termos
da Lei de Diretrizes e Bases, um dos elementos fundamentais da formação básica do cidadão, pois
sabemos que a educação transforma a sociedade e é o principal meio para que o Brasil se converta
em uma nação moderna, justa, e realmente desenvolvida.
APRESENTAÇÃO
8. REFERÊNCIAS para vida e convivência diária.
A Cartilha LCV – Luz, Ciência e Vida bus- De modo particular, destacamos aqui o
ca apresentar a temática do autismo à luz papel e as possibilidades em Tecnologia
da ciência ‘popularizada’ para a melhoria Assistiva, que contribuem com funda-
da qualidade de vida das pessoas com mentos importantes para pensar e efe-
Transtorno do Espectro Autista (TEA) e tivar o mandato da Educação Inclusiva,
daqueles que com elas convivem. Trata-se apoiado pelo Atendimento Educacional
de uma iniciativa ímpar e pioneira, opor- Especializado (AEE) e as Salas de Recursos
tunizada pela Semana Nacional de Ciência Multifuncionais no sistema educacional
e Tecnologia (SNCT) no Maranhão. da rede pública e particular. A Comunica-
Esse trabalho ressignifica o conceito de ção Alternativa, enquanto ramo do cam-
amor através da ação: persistir, em vez de po da Tecnologia Assistiva, tem um papel
desistir; importar-se, em vez de ser indife- mediador fundamental no autismo, que é
rente; lutar, em vez de fugir à luta. Prioriza abordado aqui de forma acessível e prá-
o desenvolvimento do outro, indepen- tica. Também agregamos a este pequeno
dente de suas características, diferenças compêndio de informações, as conquistas
ou dificuldades. Conta com a participação recentes no campo dos direitos para as
de pesquisadores e estudiosos, professo- pessoas com deficiências, principalmente
res e familiares de pessoas com deficiên- pessoas com autismo de forma comenta-
cia e com o respaldo de instituições e pro- da pela Dra. Luciane Belo, promotora de
fissionais parceiros (SECTI, SEDUC, SEMED, Educação Inclusiva na capital do estado.
UFMA, UFRGS, Instituto Autismo & Vida Nas seções finais constam os resumos das
– RS, Instituto I3C – Curiosidade, Ciência e palestras e minicursos do evento acadê-
Criação – RS). mico-científico Tech Educ Especial que
O Transtorno do Espectro do Autismo realizou-se nos dias 22 e 23 de outubro
(TEA) é um considerado um transtorno do de 2015, durante a Semana Nacional de
neurodesenvolvimento e, para todos os Ciência e Tecnologia bem como links e en-
fins legais, também uma deficiência. Com dereços eletrônicos para aprofundamento
a crescente reivindicação de uma socieda- de pesquisas e de utilidade pública para a
de igualitária e inclusiva, cresce também a sociedade maranhense.
necessidade de informações e partilha de Reiteramos, nossos agradecimentos à Se-
saberes para e entre pais, familiares, ami- cretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação
gos, professores, psicólogos, terapeutas (SECTI) - MA, que patrocinou a Cartilha
ocupacionais, fonoaudiólogos, treinado- LCV – Autismo e Tecnologia Assistiva e a
res esportistas, musicistas, teólogos, líde- todos que através de parceria, apoio e in-
res espirituais e outros interessados com centivo assinam em cartas “de amor e au-
informações e orientações fundamentais xílio” essa relevante publicação.

Boa leitura e dias melhores para todos!

9
1. Transtorno do espectro autista – TEA

Fotos 1 - Aymar Pontes, estudante com TEA


na Caminhada do Dia Mundial da Conscien-
tização do Autismo – 2 de abril de 2015 – Av.
Litorânea – São Luís - MA

1.1. Quem é a pessoa com autismo¹?


“Quem conhece uma pessoa com autis- expectativas sociais que circundam a so-
mo, conhece UMA pessoa com autismo!” ciedade atual, devemos ter em conta que
Essa frase é muito utilizada pelas famílias elas meramente espelham a diversidade
e pelas pessoas que se relacionam com humana, merecem ser respeitadas e aco-
frequência com pessoas que têm autismo. lhidas em suas necessidades.
No fundo, o que se quer dizer é que cada A pessoa com autismo tem resguardados
pessoa com autismo é única, uma pessoa todos os direitos e princípios fundamen-
singular como qualquer outra. tais como qualquer ser humano e, no
A maioria das pessoas com autismo são Brasil, todos os direitos de qualquer ci-
consideradas diferentes e estranhas. No dadão da pátria. A partir de 2012, com a
entanto, para além dos juízos de valor e Lei 12.764, para todos os efeitos legais, a

¹ Nesse texto utilizaremos a termo autismo como sinônimo do termo ‘Transtorno do Espectro Autista’ e sua abreviação TEA.
² O DSM é o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais publicado pela Associação Americana de Psiquiatria (APA) e a
CID é a Classificação Internacional de Doenças publicado pela Organização Mundial de Saúde (OMS). O DSM e a CID são documen-
tos da área médica e clínica reconhecidos em todo o mundo. No Brasil e na área da saúde, utiliza-se oficialmente a CID.

10
pessoa com autismo passa a ser tamb[em vistas na Convenção Internacional sobre
considerada pessoa com deficiência. Isso os Direitos da Pessoa com Deficiência, um
implica que a pessoa com autismo tem marco na luta pela inclusão social e com-
tamb[em as garantias e a proteçao pre- bate aos processos de exclusão.

1.2. CLASSIFICAÇÃO E DESCRIÇÃO CLÍNICA


Na área médica e clínica, utiliza-se atual- no recente DSM V) e na CID 10, o TEA é
mente o termo Transtorno do Espectro considerado um transtorno do neurode-
Autista (TEA). O TEA é observado a partir senvolvimento.
de déficits na interação social, na comuni- Desde sua identificação, o autismo ainda
cação interpessoal e no comportamento, permanece um campo de muitas ques-
que pode ser repetitivos e estereotipados. tões em aberto e de muitas especulações.
De acordo com a Organização Mundial de Sua causa não é conhecida. Há uma gran-
Saúde, estima-se que aproximadamente de variedade de características e, como
1% da população tenha autismo. Essas já mencionado, as pessoas que estão no
características estão presentes antes dos espectro podem exibir grandes diferenças
3 anos de idade, sendo quatro vezes mais entre si. Dessa noção de variabilidade de-
comuns em meninos do que em meninas. riva a nomeação correntemente adotada
As primeiras descrições de pessoas com para se referir a essa síndrome: Transtorno
TEA datam da década de 1940. Foram fei- do Espectro Autista (TEA), onde o termo
tas por Leo Kanner e Hans Asperger em espectro remete ao sentido de variabilida-
locais diferentes e sem que se conheces- de de características e sintomas envolven-
sem. Inicialmente, o TEA foi considerado do a interação social, a comunicação e o
um transtorno psiquiátrico (conforme o comportamento. (Ver quadro abaixo).
DSM III), no entanto, no DSM IV (também

Quociente intelectual (QI)


Déficit severo Moderado Alto Funcionamento
Interação social
Isolado Passivo Sociável, mas estranho
Comunicação
Não verbal Verbal
Comportamentos repetitivos
Severos Leves
Regulação sensorial
Hipossensibilidade Hipersensibilidade
Atividade Motora
Hipo Hiper

Quadro 1: Eixos do Transtorno do Espectro Autista


Fonte: GRANANÃ, 2014, p.42 (nossa)

11
1.2.1 Do CID-10 a atualização do DSM-5

CID-10 DSM-IV-TR DSM-5

Transtorno do
Transtornos Invasivos Transtornos Globais Espectro do Autismo
do Desenvolvimento: do Desenvolvimento: (TEA)

Autismo Infantil Transtorno Autista NÍVEL DE GRAVIDADE

Autismo Atípico Transtorno de Rett 1 - requer apoio (leve)

Síndrome de Rett Transtorno Desintegrativo da 2 - requer apoio substancial


Infância (moderado)
Outro Transtorno
Desintegrativo da Infância Transtorno de Asperger 3 - requer apoio muito
substancial (severo)
Transtorno de Transtorno Global do
Hiperatividade Desenvolvimento Sem Outra ÁREAS DE
associado a retardo DIFICULDADES:
mental e movimentos
estereotipados - Quociente Intelectual (1)

Síndrome de Asperger Transtorno Disruptivo - Interação Social (1)

Outros Transtornos Autismo verbal - Comunicação (1)


Invasivos do
desenvolvimento Autismo não-verbal - Conduta Repetitiva (2)

Transtorno Invasivo do Autismo Ecolalia - Sensibilidade (2)


Desenvolvimento Não
Autismo Alto funcionamento - Atividade Motora (2)

Critérios de diagnóstico envolvem Critérios de diagnóstico envolvem


uma tríade: uma díade:

interação social e

(2) padrões repetitivos e restritos


(3) padrões de comportamentos e de comportamento, interesses ou
interesses restritos e repetitivos atividades

Figura 1: Quadro Evolutivo do termo TEA nos manuais diagnósticos


Fonte: a autora, adaptado APA, GRANANÃ, BONOTTO, 2014.

12
Portanto, o autismo atípico ou TEA não es- sintomas catalogados graficamente, por
pecificado avança em diagnósticos mais GRANANA, (2014, p.42) em seis áreas de
flexíveis, embora pontuais em seus níveis dificuldades representadas no quadro 1,
de desenvolvimento através de sinais e acima citado

1.3. Manifestações mais comuns


Os relatos das famílias demonstram que É possível que as crianças com autismo
os sinais do autismo podem ser visíveis não procurem o contato ocular ou o man-
desde os primeiros meses de vida ou, en- tenha por um período de tempo muito
tão, começarem a ser percebidos perto do curto. É comum o aparecimento de este-
segundo ano de vida da criança. Qualquer reotipias, que podem ser movimentos re-
alteração brusca de comportamento e petitivos com as mãos ou com o corpo, a
perda de habilidades (em especial na fala) fixação do olhar nas mãos ou objetos por
em uma criança deve ser levada ao conhe- períodos longos. Desenvolvem hábitos di-
cimento do médico. Muitas vezes, essas al- ferentes daqueles de crianças na mesma
terações coincidem com um algum even- faixa etária, por exemplo, morder(-se), be-
to ou mudança substancial na dinâmica liscar, pular incessantemente, manter uma
da família, o que pode confundir e atrasar interação desconexa do contexto, inclusi-
a definição do diagnóstico. ve com ecolalia (falas repetitivas), cantaro-
lar, rolar objetos, montar blocos, quebra-
Quando presente nos primeiros meses -cabeças, e outros desafios. Também são
de vida, o que chama a atenção dos pais recorrentes a dificuldades na alimentação,
inicialmente é que a criança é excessiva- podendo se manifestar pela recusa de ali-
mente calma e sonolenta ou, então, que mentos, gosto restrito a poucos alimentos
chora sem consolo durante prolongados ou exigências quanto a cores, sabores,
períodos de tempo ou ainda tem dificul- texturas e temperatura específica. Em ou-
dade para dormir. Outra queixa frequente tro extremo, algumas, pelo contrário, co-
dos pais é que o bebê não gosta do colo mem muito e não demonstram saciedade.
ou rejeita o aconchego. Mais tarde, os pais
notam que o bebê não imita, não aponta É importante lembrar que o TEA pode co-
para compartilhar sentimentos ou sensa- -ocorrer com outras condições de saúde.
ções e não aprende a se comunicar com A epilepsia, por exemplo, é muito comum
gestos como na maioria dos bebês, por em pessoas com autismo. Os sintomas do
exemplo, acenar as mãos para cumpri- TEA também costumam ser observados
mentar ou despedir-se. como manifestação secundária em algu-
mas condições genéticas como a Síndro-
A observação cuidadosa da evolução dos me de X-frágil.
marcos do desenvolvimento da criança
pelo pediatra e a escuta atenta sobre os Diante de um diagnóstico formal de TEA,
relatos da família a respeito dos compor- a intervenção deve estimular o desenvol-
tamentos da criança podem dar uma di- vimento da criança nas áreas em que se-
mensão mais clara se há a necessidade de jam percebidos os déficits. É importante
encaminhamento para profissionais e ser- estimular também a funcionalidade e a
viços especializados. Quando constatada autonomia de forma compatível com sua
tal necessidade de intervenção, ela deve idade, assim como, observar e cuidar de
ser iniciada o mais breve possível. sua saúde geral.

13
1.4. Instrumentos para diagnosticar o autismo
Segundo as Diretrizes de Atenção à Rea- e validados no Brasil, o M-CHAT também é
bilitação da Pessoa com Transtornos do de uso livre. O M-Chat (Modified Checklist
Espectro do Autismo, (2013) o diagnóstico for Autism in Toddlers) é um questionário
do TEA permanece essencialmente clínico com 23 itens, usado como triagem de TEA
e é feito a partir de observações da crian- em crianças de 18 a 24 meses. Inclui itens
ça e entrevistas com pais e/ou cuidadores. relacionados aos interesses da criança no
Dentre os instrumentos de triagem e de engajamento social; habilidade de manter
avaliação do TEA, é preciso reconhecer o contato visual; imitação; brincadeira re-
e diferenciar que alguns desses são para petitiva e de “faz-de-conta”; uso do conta-
identificação, outros para diagnóstico, ou to visual e de gestos para direcionar aten-
ainda para identificar alvos de interven- ção social do parceiro ou para pedir ajuda.
ção e monitorar os sintomas ao longo do Diagnósticos e encaminhamentos são
tempo. realizados a partir da rede de serviços de
Dentre os instrumentos de uso livre para saúde disponível em cada município. Des-
rastreamento/triagem de indicadores de os primeiros dias de vida a criança deve
clínicos de alterações de desenvolvimen- ter acompanhamento médico, que pode
to, temos o IRDI (Indicadores Clínicos de ser realizado na rede pública (Unidades
Risco para o Desenvolvimento Infantil) Básicas de Saúde), em serviços de con-
- instrumento de observação e inquérito vênios ou na rede particular. O pediatra
que pode ser usado no rastreamento do é o profissional de referência na primeira
desenvolvimento. Criado e validado por infância, por isso seu papel é essencial na
um grupo de especialistas brasileiros é observação desses sinais precoces no de-
de uso livre pelos profissionais da saúde, senvolvimento infantil.
(O protocolo já faz parte dos instrumen- O diagnóstico de TEA pode ser demora-
tos presentes nas Diretrizes de Atenção à do e complexo. Cada caso é único e não
Reabilitação da Pessoa com Transtornos há exames ou testes específicos para sua
do Espectro do Autismo do Ministério identificação. Porém, durante a investiga-
da Saúde e pode ser consultado on-li- ção para diagnóstico, alguns exames (de
ne: http://goo.gl/k5vTHA) sangue, de audição, de visão, de imagem
e de mapeamento genético) podem ser
Dentre os instrumentos de rastreamento/ necessários para excluir outras deficiên-
triagem de indicadores dos TEA adaptados cias ou doenças.

1.5. Intervenções e estratégias


A intervenção precoce, é uma das ten- sua relação com os outros na família, na
dências atuais em saúde, voltada para o escola, na comunidade, seus sentimentos,
acompanhamento e tratamento do bebê seus comportamentos, etc.
ou criança pequena (0 a 3 anos), na qual Um bom desenvolvimento da linguagem
métodos terapêuticos podem ser usados e de psicomotricidade devem ser as maio-
sozinhos ou em conjunto. Um método res prioridades na intervenção na primeira
pode trazer bons resultados para uma infância para que a criança esteja o mais
criança, mas não para outra, ou seja, cada habilitada possível ao ingressar no Ensino
caso é único, apesar de possíveis seme- Fundamental e possa se beneficiar mais e
lhanças. E o tratamento também deve melhor das inúmeras oportunidades da
ser assim, considerando sempre a criança vivência em um sistema inclusivo. Terapias
como um todo: o desenvolvimento e au- integradas em Terapia Ocupacional, fono-
tonomia esperados para sua faixa etária, audiologia, psicopedagogia e a inserção e

14
incentivo aos esportes, música, artes em mais elevado grau de desenvolvimento e
geral, convívios sociais em escolas, igrejas, autonomia. A pessoa com autismo pode
clubes e, ainda, muito cuidado e carinho precisar de apoio leve, moderado ou in-
são excelentes estratégias que podem le- tenso para participar das inúmeras práti-
var uma pessoa com TEA a um excelente cas sociais em sua comunidade. Podemos
desenvolvimento e a uma melhor qualida- recorrer ao campo da Tecnologia Assistiva
de de vida. e, em específico da Comunicação Alter-
nativa Aumentativa (CAA) como esse elo
As intervenções educacionais em um sis- de apoio à inclusão escolar de estudantes
tema inclusivo são essenciais para que com autismo, como veremos adiante.
uma criança com TEA possa alcançar o

1.6. Providências e procedimentos que ajudam


Segundo a Associação de Amigos dos e diagnóstico dessa pessoa. Se você se
Autistas – AMA, em seu guia prático na 7ª sente angustiado e sobrecarregado dian-
edição, é recomendável que se desenvol- te das demandas e dúvidas que a vivência
va o mais cedo possível: com a pessoa com autismo pode desper-
- A autonomia e a independência; tar, busque apoio de pessoas confiáveis e
- A comunicação não-verbal; associações comprometidas com a causa
- Os aspectos sociais como imitação, do Autismo. Pessoas com mais experiên-
aprender a esperar a vez e jogos em equi- cia e sensibilidade saberão lhe acolher,
pe; oferecer uma perspectiva realista e oti-
- A flexibilização das tendências repetiti- mista, assim como, dicas e estratégias que
vas; podem ser úteis.
- As habilidades cognitivas e acadêmicas. Se você é familiar ou responsável por uma
Ao mesmo tempo é importante: pessoa com autismo, redimensione a ges-
- Trabalhar na redução dos problemas de tão do seu tempo, reorganizando sua vida,
comportamento; e agenda em relação a você mesmo, e aos
- Utilizar tratamento farmacológico se ne- demais familiares, para estar saudável e
cessário; assim poder oferecer todas as oportuni-
- Que a família receba orientação e infor- dades à pessoa sob os seus cuidados. É
mação; relevante também, estabelecer objetivos
- Que os professores recebam assessoria/ a curto, médio e longo prazo para você e
formação e apoio necessários; para ela. Assim, com o tempo, você pode
Independente do grau de familiaridade, avaliar o resultado de terapias e das inter-
responsabilidade e conhecimento que venções educacionais e a efetividade dos
você tenha ou possa ter com uma pessoa profissionais que compartilham os cuida-
com autismo, busque se informar ao má- dos da pessoa com autismo.
ximo sobre o autismo e as peculiaridades

15
2 TECNOLOGIA ASSISTIVA

Fotos 2 - Ana Paula Freitas Vale Monteiro, 14 anos, TEA, filha de Paulo e Keyle Monteiro, lembrando onde colocou suas fotos no notebook.

2.1 O que são Tecnologias Assistivas?


Segundo Passerino (2008), as Tecnologias gicas, para além de meras ferramentas ou
da Informação e Comunicação (TIC) são suportes para a realização de determina-
tipos especiais de signos, que se apresen- das tarefas, se constituem, elas mesmas,
tam em suas duas perspectivas intrínse- em realidades que configuram novos
cas. Uma em um nível de mediação entre ambientes de construção e produção de
um sujeito e o outro, em um processo de conhecimentos, que geram e ampliam
interação, com o uso da linguagem e da os contornos de uma lógica diferenciada
tecnologia e a outra, em que o sujeito in- nas relações do homem com os saberes
terage com o objeto. e com os processos de aprendizagem e
tornam-se condição indispensável para a
No entanto, no mundo atual emerge a retomada de relevância do papel social e
Tecnologia Assistiva como uma área do da construção de uma escola verdadeira-
conhecimento e de pesquisa que tem se mente com educação inclusiva¹.
revelado como um importante horizonte
de novas possibilidades para a autonomia O objetivo básico da Tecnologia Assistiva
e inclusão social dos alunos com defici- é sempre o de potencializar as capaci-
ência. Além do conceito já citado, no mo- dades residuais das pessoas com defici-
mento das intervenções, se faz necessário ência, diminuindo os efeitos de suas in-
reiterar que as possibilidades tecnológi- capacidades e criando condições para o
cas hoje existentes disponibilizam dife- máximo desempenho funcional de cada
rentes alternativas e concepções pedagó- usuário”. (Hogetop; Santarosa 2002). A
¹Refere-se à superação de barreiras, à participação que pode ser experenciada por quaisquer alunos.
A tendência ainda é pensar em “política de inclusão” ou educação inclusiva como dizendo respeito aos alunos com deficiência e
outros caracterizados como tendo necessidades educacionais especiais. (...) Em contrapartida, eu vejo a inclusão como um processo
que nunca termina, mais que um simples estado de mudança, e como dependente de um desenvolvimento organizacional e peda-
gógico contínuo no sistema regular de ensino.(AINSCOW, 1999, p.218).

16
Tecnologia Assistiva (TA) é portanto, uma ou mesmo veículo adaptado para uma
área do conhecimento, de característica pessoa com deficiência. (MANZINI, 2005,
interdisciplinar, que engloba produtos, p. 82)
recursos, metodologias, estratégias, práti-
cas e serviços que objetivam promover a Para GALVÃO FILHO, (2012) Falar de pro-
funcionalidade, relacionada à atividade e dutos de Tecnologia Assistiva (TA), “ é
participação, de pessoas com deficiência, falar de um horizonte muitíssimo amplo
incapacidades ou mobilidade reduzida, de possibilidades e recursos”. (...) qual-
visando sua autonomia, independência, quer ferramenta, adaptação, dispositivo,
qualidade de vida e inclusão social”. (BRA- equipamento ou sistema que favoreça a
SIL - SDHPR. – Comitê de Ajudas Técnicas autonomia, atividade e participação da
– ATA VII, 2007) pessoa com deficiência ou idosa é efeti-
vamente um produto de TA. (...) Existem
Mas, ainda assim, Tecnologia Assistiva (TA) os produtos denominados de Baixa Tec-
é uma expressão nova, em pleno processo nologia (low-tech) e os produtos de Alta
de construção e sistematização. A utiliza- Tecnologia (high-tech). Essa diferença não
ção de recursos de Tecnologia Assistiva, significa atribuir uma maior ou menor fun-
entretanto, remonta aos primórdios da cionalidade ou eficiência a um ou a outro,
humanidade. Qualquer pedaço de pau uti- mas, sim, caracterizar apenas a maior ou
lizado como uma bengala, por exemplo, menor sofisticação dos componentes
caracteriza o uso de um recurso de Tecno- com os quais esses produtos são construí-
logia Assistiva. Como faz notar Manzini: dos e disponibilizados.
Os recursos de tecnologia assistiva es- E quanto à variedade de possibili-
tão muito próximos do nosso dia-a-dia. dades desses recursos, as diferentes áreas
Ora eles nos causam impacto devido à de utilização propostas pela classificação
tecnologia que apresentam, ora passam da Norma Internacional ISO 9999, dão
quase despercebidos. Para exemplificar, uma ideia da amplitude desse leque de
podemos chamar de tecnologia assistiva opções. São recursos tanto para as ativida-
uma bengala, utilizada por nossos avós des de vida diária, quanto para atividades
para proporcionar conforto e segurança educacionais, profissionais, esportivas, de
no momento de caminhar, bem como lazer, entre tantas outras. As 11 classes
um aparelho de amplificação utilizado propostas pela classificação da Norma In-
por uma pessoa com surdez moderada ternacional ISO 9999:2002, são:

Classe 3 Ajudas para tratamento clínico individual


Classe 5 Ajuda para treino de capacidades
Classe 6 Órteses e próteses
Classe 9 Ajudas para cuidados pessoais e de proteção
Classe 12 Ajudas para mobilidade pessoal
Classe 15 Ajudas para cuidados domésticos
Classe 18 Mobiliário e adaptações para habitação e outros locais
Classe 21 Ajudas para a comunicação, informação e sinalização
Classe 24 Ajudas para o manejo de produtos e mercadorias
Classe 27 Ajudas e equipamentos para melhorar o ambiente, ferramentas e
máquinas
Classe 30 Ajudas para a Recreação
(ISO 9999:2002)
17
Essa classificação da ISO 9999, portanto, Tecnologia Assistiva ou Ajudas Técnicas,
embora seja amplamente utilizada em expressões frequentemente utilizadas
trabalhos no mundo todo, não dá conta como sinônimos no Brasil).
dos Serviços de Tecnologia de Apoio (ou
2.2. Principais softwares livres (proprietários e gratuitos)
Conforme BEZ (2014), os recursos de alta se/~cobian/obsolete.htm , 5. Plaphoons,
tecnologia são compostos por sistemas (software gratuito),www.plaphoons.
de comunicação tecnológicos. Podem softonic.com, 6. E- triloquist (softwa-
utilizar como base comunicadores com re gratuito),www.etriloquist.com 7. Gil
voz gravada ou sintetizada ou ainda, sis- Eanes, (software gratuito),portal.ua.pt/gil
temas como o Bliss-comp, PIC-comp, PCS-
-comp ImagoAnaVox, além de softwares Também existem sites desenvolvidos
para computadores, dispositivos móveis em Comunicação Alternativa – CA na
ou outros recursos tecnológicos. Na co- web, mas a maioria com a dificuldade do
municação alternativa existem diversos idioma estrangeiro, por exemplo, Aska-
softwares desenvolvidos, como: 1. Bo- bility, Symbolword, Zacpicto, Picto4me,
ardmaker, (software proprietário), www. Araboard, Livox (brasileiro, mas proprie-
mayer-johnson.com/boardmaker-sof- tário), Grid player, Say it! SAM, My voice
tware/ . 2. Speaking dynamically pro, my words, Pictodriod life, In-TIC-móvel,
(software proprietário), www.mayer- E-mintza, AAC Speech communicator,
-johnson.com/boardmaker-with-spe- Dilo. Constata-se com isso a carência de
aking-dynamically-pro-v-6. 3. Escrevendo aplicativos, brasileiros assim como de me-
com símbolos, (software proprietário), todologias de uso, o que amplia a relevân-
www.click.com.br/cnoti_01.html, 4. Cob cia do SCALA, que apresentamos a seguir.
shell (software gratuito), www.educ.umu.

2.3. SCALA (Sistema de Comunicação  alternativa  para o letramento de


pessoas com autismo)
O sistema SCALA contempla um aplicati- História (figura 1b e 1c) da versão tablet.
vo tecnológico (tecnologia assistiva) mais
uma metodologia de uso no intuito de a) módulo prancha
apoiar o processo de de-
senvolvimento da comu-
nicação de crianças com
autismo que apresentem
déficits na comunicação
oral. Está disponível nos
módulos: prancha (cons-
trução de pranchas) e nar-
rativas visuais (construção
de histórias), nas plata-
formas web e android/
tablet. Para que, se pos-
sa visualizar o SCALA, a
seguir, apresentam-se os
layouts do Módulo Pran-
cha (figura 1a) e Módulo

18
b) módulo narrativas visuais

O menu a esquerda apresenta ao usuário cada quadro clicando nas categorias de


as categorias de imagens (+ de 4.000) que imagens.
podem ser utilizadas em todos os módu-
los, enquanto a barra horizontal de menu Cada imagem tem uma legenda padrão
apresenta suas funcionalidades. As ca- que pode ser editada no módulo prancha,
tegorias são: Pessoas, Objetos, Natureza, para alteração do nome da imagem, no
Ações, Alimentos, Sentimentos, Qualida- módulo narrativas visuais a edição possi-
des e Minhas Imagens que dá a opção da bilita a sua rotação, inversão, aumento e
inserção de imagens próprias, permitindo diminuição de tamanho, sobreposição e
a personalização e adaptação ao contex- exclusão da imagem. Para cada quadro,
to sócio-histórico do sujeito. No módulo no módulo prancha é possível também
narrativas visuais agrega uma categoria a gravar som, ou se desejar, utilizar um sin-
mais, “Balões” que permite a inserção de tetizador de voz que fará a leitura da le-
pequenos diálogos. Possui, em algumas genda quando acionado a funcionalidade
imagens, da categoria ações, a funciona- visualizar. Já no módulo narrativas visuais,
lidade da animação. Há funcionalidades há a possibilidade de escrita da história,
comuns entre os módulos, tais como, im- para posterior reprodução sonorizada,
portar imagens, editar sons, salvar, expor- através de sintetizador de voz ou grava-
tar, layout, visualizar/reproduzir, ajuda (tu- ção do usuário quando acionada a funcio-
torial), assim como o gerenciamento dos nalidade reproduzir. Há ainda, no módulo
diferentes arquivos gerados pelo sistema. narrativas visuais a possibilidade de inser-
Onde, através da escolha de um layout ção de cor de fundo ou cenário.
predefinido, a pessoa pode preencher

2.4  MOSTRA TUTORIAL SCALA (LINKS EM VÍDEO, HTML, VÍDEO)


SCALA WEB MÓDULO (PRANCHA)
www.youtube.com/watch?v=alHERbrEf8M&feature=youtu.be

SCALA WEB MÓDULO (HISTÓRIA)


scala.ufrgs.br/tutoriais/SCALA-HISTORIA/

19
SCALA WEB MÓDULO (VARREDURA PRANCHA)
www.youtube.com/watch?v=qNyJiblheJY&feature=youtu.be
3 COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA

Fotos 3 - Vínícius, 8 anos, utilizando um vocalizador

3.1 O que é Comunicação Alternativa


A Comunicação Alternativa constitui uma No Brasil, não há um termo padrão e na
área da Tecnologia Assistiva que apoia a literatura encontramos diferentes deno-
comunicação com e para as pessoas que minações desde Comunicação Alternativa
possuem restrições permanentes ou tran- (CA), Comunicação Aumentativa e Alter-
sitórias na fala. Com a CA, elas conseguem nativa (CAA), Comunicação Alternativa e
ter mais autonomia e participar nos diver- Ampliada (CAA), Comunicação Alternativa
sos contextos sociais de forma mais ativa. e Suplementar (CAS ou CSA). A CA é usa-

20
da nas áreas clínica e educacional, assim símbolos, recursos, estratégias e técnicas
como nos mais variados espaços sociais. para auxiliar na comunicação. Espera-se
No Brasil, essa área tem ganhado maior que com o uso de CA as pessoas possam
destaque a partir das políticas de inclusão melhorar a sua linguagem compreensiva
social e escolar direcionadas às pessoas assim como a expressiva. Onde há uma
com deficiência. pessoa com restrições na fala, ali deve es-
Especificamente, Comunicação Alterna- tar também algum recurso de CA para que
tiva (CA) consiste no uso integrado de haja acessibilidade para ela.

3.2. As dificuldades de comunicação no autismo e Comunicação Alternativa


As diferenças que observamos nas pes- dem não conseguir também articular uma
soas com autismo resultam de uma de- resposta apropriada. Todo esse quadro
sordem do neurodesenvolvimento. Essas pode impactar grandemente o comporta-
diferenças têm relação com a forma das mento de uma pessoa com autismo.
pessoas com autismo perceberem o mun-
do ao redor, dirigem sua atenção e organi- Certamente, diante de comportamentos
zam sua memória. aparentemente mal adaptados, rígidos
ou estereotipados, há alguma chance que
Quanto às características mais amplas e outras pessoas busquem menos a intera-
observáveis em pessoas com autismo, ção e comunicação com as pessoas que
como já referido anteriormente, percebe- têm autismo. Desse modo, configura-se
mos diferenças ou dificuldades qualita- um círculo que restringe e limita ainda
tivas em sua interação social, sua comu- mais a participação e o desenvolvimento
nicação e seu comportamento. Cada uma da pessoa com autismo em decorrência
dessas áreas está intimamente relaciona- das barreiras comunicacionais e atitudi-
da com a outra, ou seja, as pessoas com nais.
algum nível de dificuldade na interação
social podem resistir ou se depararem As dificuldades na comunicação são um
com barreiras ao tentar tomar parte em dos marcos no autismo. Compreender
situações em que tenha que fazer trocas, o desenvolvimento da linguagem e da
negociar e dar ou receber informações e comunicação, bem como desenvolver
auxílio já que essas situações comumente formas de intervenção, é uma necessida-
demandam comunicação interpessoal. de de modo a favorecer possibilidades
de inclusão e o exercício da cidadania
Por não conseguirem falar ou quando dessas pessoas. As oportunidades e pos-
essa fala não é compreensível, outras pes- sibilidades de desenvolvimento aumen-
soas podem não conseguir compreender tam significativamente para aquelas que
as necessidades e interesses das pessoas conseguem se comunicar, impactando
com autismo. Também é possível que as em muitos casos, o desenvolvimento da
pessoas com autismo não consigam com- linguagem verbal e, por conseguinte, sua
preender com clareza as mensagens que participação social mais ativa e seu desen-
estejam lhe direcionando, portanto, po- volvimento global.

21
3.3. Recursos de baixa e alta tecnologia
Em seu uso integrado de símbolos, recur- figuras ou mensagens, fotos, desenhos; as
sos, estratégias e técnicas para auxiliar na pranchas, pastas, cadernos, chaveiros de
comunicação, para mediar a comunica- comunicação; pranchas de letras etc. em
ção, a CA pode empregar gestos, língua sua forma impressa e tangível.
de sinais, miniaturas de objetos, pictogra- Os recursos de alta tecnologia envolvem
mas, desenhos, fotos e a própria escrita,ou o uso de equipamentos eletrônicos e digi-
seja, símbolos concretos ou abstratos. tais que possibilitam também reunir ima-
Quando uma pessoa consegue usar ges- gem e som, por exemplo, as pranchas de
tos ou uma língua de sinais dizemos que comunicação que podem ser editadas em
essa comunicação é não assistida. No en- um computador ou tablet com reprodu-
tanto, quando se torna necessário recorrer ção de voz digitalizada ou gravada.
ao apoio de recursos externos como car- A utilização de CA se dá a partir de proces-
tões, pranchas ou vocalizadores dizemos sos de ensino específicos ou de sistemas
que essa comunicação é assistida. de sentidos compartilhados de modo que
A maioria das pessoas utiliza uma combi- venham a contribuir para a comunicação
nação de técnicas de comunicação assis- funcional ou espontânea ampliando a
tida e não assistida, conforme o contexto capacidade de compreensão e expres-
e o parceiro de comunicação. Isso é muito são das pessoas que a utilizam. Não há
recomendável e possibilita uma comuni- pré-requisitos para a utilização de CA ou
cação mais eficiente. restrições, mas, para que sejam úteis e sig-
Os recursos de CA podem ser divididos em nificativos, os recursos de CA devem ser
recursos de alta e baixa tecnologia. São elaborados a partir da realidade e da ne-
recursos de baixa tecnologia, os objetos cessidade de uma pessoa e seus parceiros
concretos e de referência; os cartões com de comunicação.

Figura 4 - Prancha de comunicação com comentários. Elaborada no aplicativo Scala Tablet para Vinícius, 8 anos, usar com sua família. Quan-
do impressa, essa prancha é um recurso de baixa tecnologia. Quanto utilizada no tablet, a célula que é tocada emite o texto da prancha.

22
3.4. Orientações para os parceiros de comunicação
É importante lembrar: se uma pessoa com com a pessoa com autismo, possibilita
autismo não fala não é porque ela não que ela compreenda melhor a expectati-
quer ou tem preguiça. Muito menos a uti- va da outra pessoa e faça previsões sobre
lização de CA vai deixar a criança «pregui- o que vai acontecer adiante. Tudo isso for-
çosa» para falar. Na verdade, os estudos nece um senso de segurança que contri-
mostram exatamente o contrário. Para bui para diminuir a ansiedade da pessoa
muitas crianças, a fala vem quando ela com autismo e a ajuda a ficar mais tran-
começa a utilizar recursos de CA de forma quila. Então, os benefícios são para todos
mais intensa e consistente. os envolvidos.

Outro benefício recorrente com a utiliza- Não é necessário esperar uma certa idade
ção de CA é a diminuição de comporta- para iniciar a utilização de CA. Tão logo
mentos desafiadores. Quando a pessoa perceba-se um atraso na fala ou dificul-
pode usar recursos de CA para se expres- dades de comunicação, a utilização de CA
sar, ela consegue comunicar o que quer deveria ser iniciada rapidamente com a
e necessita. Por outro lado, quando um estimulação de gestos, do ato de apontar
familiar, professor, terapeuta ou médico e com figuras e fotos de objetos de inte-
utiliza recursos de CA para se comunicar resse e do cotidiano.

Figura 5 - Rotina da manhã e Recurso “Primeiro... Depois ...” - Auxiliam na organização da criança e controle do seu comportamento

23
Infelizmente, ainda nos deparamos com uma pouca difusão da CA e o tema é cercado
por alguns mitos, em especial, o mito de que se a criança inicia o seu uso não desenvolve
a fala. A despeito disso, as evidências sinalizam que a CA oferece um caminho essencial
para aqueles que não conseguem ou precisam de apoio para falar.

3.5. Comunicação Alternativa na escola


No âmbito da Educação Inclusiva, o pro- com seus colegas e toda a equipe escolar.
fessor do Atendimento Educacional Espe- Usamos a comunicação para obter o que
cializado (AEE) é o responsável por identi- queremos ou recusar o que não quere-
ficar e atuar para eliminar as barreiras que mos, obter informações e socializar. No
impedem a participação do estudante contexto escolar, a CA pode ajudar com
com autismo e igualdade de oportuni- subsídios para (1) apoiar a compreensão
dades com outros alunos. Esse professor e a expressão do estudante com autismo
deve ter conhecimento sobre CA e co- e seus parceiros de comunicação, (2) ma-
locar em uso os recursos de baixa e alta nejar e organizar o comportamento do es-
tecnologia disponíveis nas salas de recur- tudante com autismo (ver figura abaixo) e
sos. A ação do professor do AEE torna-se (3) apoiar e viabilizar a realização de ativi-
chave para promover a acessibilidade dades por meio de recursos pedagógicos
de comunicação do aluno com autismo acessíveis.

Figura 6 - Rotina da tarde na escola com pictogramas - recurso de baixa tecnologia que ajuda o aluno a saber antes e se organizar
para as diferentes atividades

É importante ter em mente que a utiliza- formas que o estudante com autismo mos-
ção de recursos visuais e materiais concre- tra seu conhecimento em exercícios, traba-
tos junto às atividades pedagógicas, a uti- lhos escolares e provas, enquanto adapta-
lização de temas de interesse (ex.: carros, ções, são estratégias que podem auxiliar
dinossauros, personagens de filmes de muito no engajamento e desenvolvimen-
animação) bem como a flexibilização das to acadêmico do estudante com autismo.

24
4 DIREITOS DAS PESSOAS COM TRANSTORNO DE ESPECTRO AUTISTA (TEA)

Rafael Belo, (paralisia cerebral), filho de Dra. Maria Luciane Lisboa Belo, Promotora de Justiça na Defesa da Educação Inclusiva e
colaboradora da Cartilha LCV.

4.1. PRINCÍPIOS DE DIREITOS HUMANOS


Os direitos humanos são direitos univer- e estão relacionados ao desenvolvimento
sais e imutáveis; inerentes à condição e à histórico, cultural e moral do indivíduo;
dignidade humana, e como tais precisam portanto, nascem, modificam-se e podem
ser reconhecidos como fundamentais desaparecer em decorrência da evolução;
para a vida do homem em sociedade; in- Universalidade - São aplicados de forma
dependentemente de raça, sexo, naciona- igual e distribuídos a todas as pessoas
lidade, etnia, idioma, religião ou qualquer sem qualquer distinção;
outra condição; respeitando, sempre, a Individualidade - Como alicerce ao res-
consciência moral dos povos. peito pela dignidade e o valor da pessoa;
São garantidos pela Lei de Direitos Huma- Inalienabilidade - Nenhum indivíduo pode
nos, que protege indivíduos e grupos con- ser privado de seus direitos, os quais não
tra ações que interferem nas liberdades podem ser negociados de nenhuma forma
fundamentais e na dignidade humana. ou sob qualquer pretexto; entretanto, em
Estão expressos em Tratados, no direi- situações específicas tais direitos podem
to internacional consuetudinário (cos- ser limitados, como por exemplo: uma
tumes), conjuntos de leis e princípios, pessoa considerada culpada pela prática
além de outras modalidades do Direito. de um crime diante de um tribunal e com o
A legislação de direitos humanos obri- devido processo legal (direito à ampla de-
ga os Estados a agirem de uma deter- fesa) poderá ter sua liberdade restringida;
minada maneira, proibindo-os de se Indivisibilidade - Os direitos huma-
envolverem em atividades específicas nos compõem um todo, um con-
contrárias à dignidade humana. No en- junto que não pode ser dividido;
tanto, a legislação não estabelece os Interdependência - Tendo em vista que
direitos humanos. Os direitos humanos um direito depende do outro; a adoção de
são direitos inerentes a cada pessoa um direito leva aos demais;
simplesmente por ela ser um humano. Efetividade – O Estado deve criar meca-
São características mais importantes dos nismos coercitivos aptos a efetivação dos
direitos humanos: direitos fundamentais;
Historicidade – Os direitos são evolutivos

25
Interrelacionalidade - As grandes guerras cíveis e exercidos a qualquer momento;
e revoluções resultaram na evolução da com exceção de alguns direitos como o
proteção dos direitos fundamentais, tanto de propriedade que não sendo exercido,
a nível nacional quanto internacional, as- poderá ser atingido pela prescrição;
segurando ao indivíduo a inviolabilidade Vedação ao Retrocesso - Uma vez estabe-
desses direitos e a liberdade de poder op- lecidos os direitos fundamentais, não se
tar por sua tutela a nível regional ou global; admite o retrocesso, visando a sua limita-
Imprescritibilidade – Pode-se afirmar que ção ou diminuição, isto é, a Sociedade não
os direitos fundamentais não perecem deve retroceder no que tange aos direitos
com o decurso do tempo, pois são exer- e garantias fundamentais.

4.2. PESSOAS COM TRANSTORNOS DE ESPECTRO AUTISTA ENQUANTO


SUJEITOS DE DIREITOS HUMANOS
Sobre direitos humanos, ficou eviden- das para a Equalização de Oportunidades
ciado que o seu pleno exercício é fator para Pessoas com Deficiência. É conside-
preponderante para a promoção da jus- rada mundialmente um dos mais impor-
tiça e paz social; vez que a evolução da tantes documentos que visam a inclusão
humanidade mostra claramente que sem social, juntamente com a Convenção
direito, não há sociedade, sem sociedade sobre os Direitos da Criança, de 1988 e a
não há porque se falar em direito e sem Declaração Mundial sobre Educação para
respeito aos preceitos fundamentais do Todos, de 1990, fazendo parte da ten-
homem sequer haverá condições básicas dência mundial que vem consolidando a
para o seu crescimento, desenvolvimento educação inclusiva, na qual as crianças e
integral e a proteção do ser, enquanto ser jovens com necessidades educacionais
humano. específicas, antes denominadas “neces-
Tratados internacionais direcionados sidades educativas especiais”, devem ter
à proteção dos direitos humanos das acesso às escolas regulares, que a elas se
crianças, de forma isonômica - sem dis- devem adequar através de uma pedago-
tinção de suas condições físicas, sociais, gia centrada no educando, capaz de ir ao
intelectuais, emocionais e cognitivas – são encontro destas necessidades.
exemplos fiéis  de sua universalização : Em questão de direitos é importante
a Declaração Universal dos Direitos da destacar que a inclusão da criança com
Criança, de 1959; a Convenção das Nações espectro autista no sistema de educação
Unidas sobre os Direitos da Criança; a De- tem sido um grande desafio, pois a garan-
claração de Genebra, de 1929, a Declara- tia desse direito essencial e os meios ade-
ção Universal dos Direitos do Homem, de quados para sua consecução traduzem a
1948; a Convenção de 1989. Elencadas defesa do “Principio de Proteção Integral
como as mais relevantes temos a Con- da Criança”. Assim, cabe ao Estado tutelar
venção das Nações Unidas Sobre Direitos esse direito, adotando políticas públicas
da Criança e a Declaração de Salamanca, sociais e econômicas; capazes de oferecer
bem como a Convenção sobre os Direi- condições necessárias ao atendimento
tos da Pessoa com Deficiência (CDPD). das crianças com necessidades educacio-
A Declaração de Salamanca  foi aprovada nais específicas, incluindo o atendimento
em Assembleia Geral das Nações Unidas, pedagógico por uma equipe multidiscipli-
em Salamanca, Espanha, em Junho de nar, com a inclusão no ensino regular tão
1994. Aborda princípios, política e prática necessário ao desenvolvimento integral
em educação especial, apresentando os dessas crianças diagnosticadas com TEA.
Procedimentos-Padrões das Nações Uni- O art. 3º, da Convenção sobre os Direitos

26
da Pessoa com Deficiência traz como prin- taduais e municipais tem aumentado con-
cípios gerais: sideravelmente e no Estado Federativo,
a) O respeito pela dignidade inerente, a como é o caso do Brasil, observa-se que o
autonomia individual, inclusive a liberda- Poder Executivo tem sido mais atuante na
de de fazer as próprias escolhas, e a inde- elaboração e implementação de políticas
pendência das pessoas; públicas pertinentes, contudo insuficien-
b) A não-discriminação; tes; o próprio Poder Judiciário tem sido
c) A plena e efetiva participação e inclusão sensibilizado a participar da concretização
na sociedade; da CDPD, através de demandas judicializa-
d) O respeito pela diferença e pela acei- das pelos Ministérios Públicos (Estadual,
tação das pessoas com deficiência como Federal e do Trabalho), Defensorias Públi-
parte da diversidade humana e da huma- cas dos Estados e OAB, quando decidem
nidade; ações civis públicas de natureza individual
e) A igualdade de oportunidades; e coletiva, dirigidas ao Estado e a particu-
f ) A acessibilidade; lares que tenham obrigações de cumpri-
g) A igualdade entre o homem e a mulher; mento de dispositivos convencionais.
h) O respeito pelo desenvolvimento das Em síntese, protege-se a dignidade hu-
capacidades das crianças com deficiência mana para garantir-se o Princípio da Iso-
e pelo direito das crianças com deficiência nomia, descrito no art. 5º, da Constituição
de preservar sua identidade. Federal Brasileira de 1988. O exercício do
Como resultado da prática desses princí- direito fundamental à igualdade traz a ga-
pios, é importante ressaltar que no âmbito rantia do direito à diferença, sem qualquer
legislativo o número de leis nacionais, es- forma de discriminação.

4.3. Lei nº 12.764/2012 (Lei do Autismo) - “Institui a Política Nacional de


Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista -
TEA; e altera o § 3o, do art. 98, da Lei no 8.112, de 11 de dezembro de 1990”.
O TEA representa uma grande preocu- III - o acesso a ações e serviços de saúde,
pação na saúde pública como sendo um com vistas à atenção integral às suas ne-
distúrbio do desenvolvimento neuro- cessidades de saúde, incluindo: 
lógico prevalente, com risco acentuado a) o diagnóstico precoce, ainda que não
para a dificuldade de adaptação em si- definitivo;
tuações sociais, educacionais e psico- b) o atendimento multiprofissional;
lógicas, pois sua natureza complexa e c) a nutrição adequada e a terapia nutri-
persuasiva requer uma equipe de múl- cional;
tiplos profissionais para um diagnóstico d) os medicamentos;
precoce e cuidados clínicos específicos. e) informações que auxiliem no diagnósti-
O art. 3º, da Lei nº 12.764/2012 traz uma co e no tratamento; 
gama de direitos das pessoas com autis- IV - o acesso: 
mo, alguns mais específicos; outros mais a) à educação e ao ensino profissionali-
gerais, reafirmando a dignidade das mes- zante;
mas. São eles: b) à moradia, inclusive à residência prote-
I - a vida digna, a integridade física e mo- gida;
ral, o livre desenvolvimento da personali- c) ao mercado de trabalho;
dade, a segurança e lazer;  d) à previdência social e à assistência so-
II - a proteção contra qualquer forma de cial.
abuso e exploração; 

27
4.3.1. QUADRO ATUAL DO TEA NO BRASIL E SUA INFLUÊNCIA NA SOCIEDADE
No Brasil, o Transtorno do Espectro Autis- de do ponto de vista emocional, social e
ta (TEA), através do diagnóstico precoce, econômico, pois há poucas famílias em
até mesmo antes dos 18 meses de idade, condições econômicas de arcar com os
tem acrescentado dia após dia mais elevados custos de tratamento adequa-
pessoas em idade escolar ou já adultas. do, levando os familiares a congregarem
Estima-se que muitos brasileiros não esforços a ponto de criarem instituições
sejam diagnosticados devido à falta de para atenderem as necessidades dos seus
informação e por não haver campanhas entes, como exemplo citamos a Associa-
de conscientização abrangente no Brasil. ção de Amigos do Autista (AMA), criada
O impacto do Transtorno do Espectro por pais em 1983.
Autista sobre as famílias é muito gran-
4.4. LEI Nº 13.146, DE 06 DE JULHO DE 2015 – Institui a Lei Brasileira de
Inclusão da Pessoa com
Deficiência (Estatuto da Pessoa com Defi- bre os Direitos da Pessoa com Deficiência,
ciência). define-se a pessoa com deficiência como
A Lei Brasileira de Inclusão é a mais recen- aquela que tem impedimento de longo
te no Ordenamento Jurídico Brasileiro, prazo de natureza física, mental, intelectu-
sendo destinada a assegurar e promover, al ou sensorial, o qual, em interação com
em condições de igualdade, o exercício uma ou mais barreiras, pode obstruir sua
dos direitos e das liberdades fundamen- participação plena e efetiva na sociedade
tais por pessoa com deficiência, visando à em igualdade de condições com as de-
sua inclusão social e cidadania. Segundo a mais pessoas.
lei, de modo semelhante à Convenção so-

4.5. INSTITUIÇÕES E LINKS IMPORTANTES


Para conhecer mais sobre os direitos das pessoas com Transtorno do Espectro Autista
no Brasil e entidades que se dedicam à referida causa do autismo, indicamos os links a
seguir:

www.planalto.gov.br/leg.asp.
Autismo e Realidade: www.autismoerealidade.org
ABRA - Associação Brasileira de Autismo – em Cambuci (www.autismo.org.br)
Federação Nacional das APAES (www.apaebrasil.org.br)
Fundação Especial Permanente Casa da Esperança – No Ceará (www.casadaesperaca.
org)
Fundação Casa da Esperança – Filial Pará (www.casadaesperanca.org)
AMA – Associação de Amigos do Maranhão – Em Caxias (Ama-ma08@hotmail.com)
AMA – Associação de Amigos do Autista do Maranhão – Em São Luís (mwillimg@uol.
com.br)
Instituto Autismo e Otimismo - Uberlândia – MG (www.autismoeotimismo.org)
AMA - SP- Associação de Amigos do Autista – SP (www.ama.org.br)
CEDAP- Centro de Estudos e Desenvolvimento do Autismo e Patologias Associadas –

28
APAE  Unidade II – SP (pirassununga@itelefonica.com.br)
Instituto Autismo & Vida - www.autismoevida.org.br
- Tecnologia Assistiva - Profª Miryan Pelosi - www.comunicacaoalternativa.com.br
- Catálogo de Soluciones de Tecnologías de la Información y la Comunicación para
alumnado con Necesidades Específicas de Apoyo Educativo - http://ticne.es
- Sociedad Española de Sistemas Alternativos y Aumentativos de Comunicación
www.esaac.org
- Comunicación Aumentativa en la red - www.aumentativa.net
- Portal Aragonés de Sistemas Alternativos y Aumentativos de Comunicación
http://catedu.es/arasaac
- International Society for AAC - www.isaac-online.org
Assistiva - www.assistiva.com.br
- Clik - Tecnologia Assistiva - http://www.clik.com.br
- Autismo e Tecnologias para a Comunicação autismodiario.org/2012/02/27/el-uso-de-
-las-tic
-en-el-desarrollo-del-lenguaje-en-ninos-con-autismo/
- Autismo BR - www.autismo-br.com.br/i
- Autividade: blog sobre autismo - autividade.blogspot.com.br/ 
- Autismo, Linguagem e Comunicação Alternativa - autismolinguagemecomunicacao.
blogspot.com.br/

5. CARTA DOS PARCEIROS À SOCIEDADE


MARANHENSE/INFORMAÇOES GERAIS
POLÍTICAS PÚBLICAS DE INCLUSÃO NA SEMED

OBJETIVO DA SAEE/SEMEDGarantir o Atendimento Educacional Especializado – AEE aos


estudantes público alvo da educação especial, promovendo sua participação e aprendi-
zagem nas escolas regulares.
SERVIÇOS DA SAEE

29
• Matrículas – escolas do ensino fundamental e educação infantil
• Educação de jovens e adultos - EJA/ Educação Profissional
• Classe Especial/Bilíngue
• Sala de Recursos Multifuncional
• Programa Sala de Recurso Multifuncional
• Projeto Caminhar Juntos
• Programa Escola Acessível
• Formações
Grupo de Estudos com equipe técnica - Mensal
Formação com professores das salas de recursos - Mensal
Formação com demais técnicos da Rede dos níveis infantil e fundamental - Mensal
Formações em escolas, mediante demanda, com as temáticas: (Autismo, Flexibili-
zação curricular, Inteligência emocional, Voz e Público alvo da educação especial)
- Semanal
• Cursos
Educação Especial em Contexto
Libras
Braille
Soroban
Educação Física Inclusiva

• Programa Oportunizar
Educação Profissional para jovens e adultos com deficiência, a partir de 15 anos
de idade, matriculados na rede municipal de ensino;
Cursos Oferecidos: Operador de Micro, Serviços de Supermercado, Instalador
Hidráulico, Copeiro, Camareiro e Pintor de Obra;
28 Alunos inseridos no mercado de trabalho.

NOVAS CONQUISTAS

• Ambiente Virtual de Aprendizagem - AVA do Curso de Educação Especial em Con-


texto. Em parceria com o Núcleo de Tecnologias para a Educação da UEMA/Uema-
net.
• Núcleo de Produção Braille
• Núcleo de Enriquecimento para Estudantes om Características de Altas Habilidades
ou Superdotação.
“Inclusão é o privilégio de conviver com as diferenças“

Maria Teresa Eglér Mantoan

30
6. RESUMO DOS MINICURSOS E PALESTRAS DO TECH EDUC ESPECIAL
1. PALESTRA keyleascom@gmail.com  
FORMAÇÃO DE PROFESSORES EM COMU- vale.monteiro@ufrgs.br
NICAÇÃO ALTERNATIVA PARA PESSOAS (98) 98134 9749 (98) 98831 8521
COM DEFICIÊNCIA: UMA PROPOSTA PES-
QUISA PIONEIRA JUNTO A ESCOLAS MA- 2. PALESTRA: AVANÇOS DA TECNOLO-
RANHENSES GIA ASSISTIVA PARA A GARANTIA DO DI-
REITO À EDUCAÇÃO DAS PESSOAS COM
RESUMO TEA
Reflete-se sobre a Política Nacional de
Educação Especial na Perspectiva da RESUMO
Educação Inclusiva e o do papel da for- A emergência do tema inclusão é extre-
mação de professores segundo a legis- mamente atual na agenda das políticas
lação vigente a partir de uma pesquisa públicas, com a resolução CNE/CEB nº
de natureza qualitativa sob a perspecti- 2/2001, a Política Nacional de Educação
va socio-histórica do desenvolvimento Especial na Perspectiva da Educação In-
humano na capital maranhense. Apre- clusiva e Decreto nº 6.571/2008, CNE nº
senta-se uma proposta de formação de 13/2009, e Decreto no 7.611/2011, den-
professores em Comunicação Alternativa tre outros, que promovem a inclusão es-
primando pela práxis docente inclusiva colar de pessoas com deficiência. Essas
para o desenvolvimento da pessoa com políticas trazem elementos importantes
deficiência, incluídas em escolas regula- para pensar o processo educativo inclu-
res no contexto educacional maranhen- sivo, apoiado pelo Atendimento Educa-
se. Para auxiliar na mediação do profes- cional Especializado (AEE) e as Salas de
sor no processo de aprendizagem através Recursos Multifuncionais, que contem-
da Comunicação Alternativa, utiliza-se plam, entre outros recursos, Tecnologias
como recurso tecnológico o aplicativo Assistivas (TAs) para apoio aos processos
SCALA (Sistema de Comunicação Alter- inclusivos. Essa área, antes emergente,
nativa e Letramento para pessoas com ganha espaço e destaque com a implan-
Autismo). Tal mediação é permeada por tação das políticas. Porém, evidencia-se
processos afetivos, assim a mediação do uma carência de conhecimento sobre
professor no uso da Comunicação Alter- recursos e tecnologias para apoiar o pro-
nativa possui uma dimensão afetiva as- cesso de inclusão de estudantes com o
sim com tecnológica. Transtorno do Espectro Autista. Para tal,
apresenta-se algumas alternativas de TAs
KEYLE FREITAS VALE MONTEIRO gratuitas que podem ser utilizadas no
Doutoranda em Informática na Educa- TEA, assim como relatos de resultados
ção – UFRGS, Jornalista – UFMA, Prof@ positivos de seu uso em processos inclu-
SEDUC, SEMED, mãe de pessoa com TEA. sivos e considerações sobre a formação
Pesquisadora na área de formação de continuada de professores.
professores em Comunicação Alternativa
para pessoas com TEA.

31
1. MINICURSO SCALA NA PRÁTICA MARIA ROSANGELA BEZ
PARA PROFESSORES Doutora pelo Programa de Pós-gradu-
ação em Informática na Educação da
RESUMO UFRGS. Atua em projetos de pesquisa
A busca de técnicas, recursos e estratégia sobre autismo, déficits de comunicação,
para a autonomia de pessoas com defi- inclusão, acessibilidade e Tecnologia As-
ciência passou a se intensificar a partir sistiva. Inventora do SCALA. (Sistema de
das leis que garantem a inclusão. Aliados Comunicação Alternativa e Letramento
à revolução tecnológica da atualidade, de Pessoas com Autismo).
os recursos para este público-alvo se
efetivam através de Tecnologia Assistiva. www.i3c.org.br
Aqui, nosso foco recai sobre a área de Email: bezrosangela@gmail.com
Comunicação Alternativa com o recurso www.scala.ufrgs.br
SCALA – Sistema de Comunicação Al-
ternativa para o Letramento de pessoas 3.PALESTRA:
com Autismo. Esse é composto por um EM DIREÇÃO A SISTEMAS EDUCACIONAIS
recurso mais uma metodologia de uso. COM DIMENSÕES AFETIVAS
Foi desenvolvido em software livre e está RESUMO
disponível na web para dispositivo mó- Serão abordados nessa fala, a fundamen-
vel Android. Tem por objetivo apoiar o tação do afeto e da emoção em área de
desenvolvimento de pessoas com Trans- estudos e do conhecimento humano em
torno do Espectro Autista (TEA) na inte- sistemas computacionais; aprendizagem
ração social, no incentivo oralidade, nos e afetividade em sistemas computacio-
déficits de comunicação e em sua auto- nais e seus relacionamentos; sistemas
nomia. Formado por módulos: um para afetivos; aplicações hodiernas e as pre-
construção de pranchas de comunicação, vistas; pesquisas e aplicações especiais
outro para elaboração de histórias (nar- para usuários com dimensões especiais;
rativas visuais). Possui ainda, dois protó- modelagem de humanos em ambientes
tipos na versão web: um comunicador imersivos e suas aplicações.
livre, que é um chat de conversação on- MAGDA BERCH
line através de imagens e um sistema de Doutora em Ciências da Computação
varredura. Está disponível em três idio- (UFRGS). Atualmente é professora as-
mas: português, espanhol e inglês. Hoje sociada da Universidade Federal do Rio
conta com mais de 700 usuários, desses, Grande do Sul no Departamento de Infor-
muitos professores que aderiram ao seu mática Aplicada e professora no Progra-
uso, após formações continuadas de pro- ma de Pós-graduação em Informática na
fessores. Esse mini-curso se propõem a Educação. Pesquisa sobre afetividade em
apresentar o uso da referida tecnologia máquina, ambientes de ensino e apren-
assistiva, associado a experiências práti- dizagem, agentes pedagógicos, sistemas
cas com resultados positivos do desen- de ensino inteligentes, inteligência artifi-
volvimento de pessoas com TEA. cial e linguagens de programação.

bercht@inf.ufrgs.br

32
4.PALESTRA RENATA COSTA DE SÁ BONOTTO
Doutoranda em Informática na Educa-
COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA NO AUTIS- ção (PGIE/UFRGS), Mestre em Linguística
MO: POSSIBILIDADES COM BAIXA, MÉDIA Aplicada, Diretora-Executiva do Instituto
E ALTA TECNOLOGIA Autismo &Vida, mãe de Vinícius, um estu-
dante com TEA.
RESUMO bonotto.renata@gmail.com
Telefone: 51 9139-9399
A Comunicação Alternativa é uma sub- Currículo Lattes
-área do campo da Tecnologia Assistiva
e visa promover a autonomia, funcio-
nalidade e participação social de pesso- 5. PALESTRA: 
as com deficiência. Essa palestra visa a
destacar como os avanços na pesquisa NEUROCIÊNCIA NA EDUCAÇÃO EMPRE-
e aplicações do campo da Comunicação ENDEDORA.
Alternativa   podem favorecer pessoas
com autismo nos mais diversos contex- RESUMO: 
tos e promovendo sua aprendizagem e
desenvolvimento. A  educação empreendedora aliada a
interdisciplinaridade  da  neurociência
2.MINICURSO cognitiva permite que técnicas como o
Mapeamento Cognitivo Cerebral - MCC
PALESTRA: COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA - sejam utilizadas como ferramentas no
NA ESCOLARIZAÇÃO DOS ESTUDANTES desenvolvimento do processo ensino
COM AUTISMO aprendizagem. Embora outras ramifi-
cações  da  neurociência utilizem com
RESUMO sucesso essa técnica, sua aplicação no
estudo do comportamento empreen-
A utilização da Comunicação Alternativa dedor reveste-se de ineditismo. Esta pa-
no processo de escolarização de pessoas lestra  aborda   o desenvolvimento do
com autismo tem o potencial de promo- “OPPORTUNITY GAME”- artefato tecnoló-
ver sua participação em igualdade de gico desenvolvido à luz  da  neurociência
oportunidade com outros estudantes. para  uso como ferramenta pedagógica, 
Sabendo que as áreas de interação social, na formação de novos empreendedores
comunicação e comportamento são as e que foi desenvolvido a partir do MCC
que os estudantes com autismo necessi- em empreendedores maranhenses.
tam de maior apoio e mediação, organi-
zamos esse minicurso com o objetivo de Walter Cezar Nunes
explorar alguns recursos e estratégias de PhD student in Computers in Education
Comunicação Alternativa com baixa, mé- Neuro Entrepreneurial Project
dia e alta tecnologia voltados para a efe- UFRGS/UFMA-BRASIL
tiva inclusão de estudantes com Trans- (55) 51- 81337925 /(55) 98- 988726764
torno do Espectro do Autismo.

33
REFERÊNCIAS PRINCIPAIS Acesso em: 25 fev. 2012.
BEZ, M. Rosangela. SCALA – Sistema de
Comunicação Alternativa para processos GALVÃO FILHO, T. Tecnologia Assistiva: fa-
de inclusão em autismo: uma proposta vorecendo o desenvolvimento e a apren-
integrada de desenvolvimento em con- dizagem em contextos educacionais
textos para aplicações móveis e web. inclusivos. In: GIROTO, C. R. M.; POKER, R.
(Tese de Doutorado em Informática na B.; OMOTE, S. (Org.). As tecnologias nas
Educação), PPGIE, UFRGS, RS, 2014. práticas pedagógicas inclusivas. Marília/
SP: Cultura Acadêmica, p. 65-92, 2012.
BONOTTO, Renata Costa de Sá. Uso da
Comunicação Alternativa no Autismo: MONTEIRO, Francisca Keyle de Freitas
Um Estudo Sobre A Dimensão Afetiva Da Vale. Formação de educadores em comu-
Mediação Com Alta E Baixa Tecnologia ( nicação alternativa para o ensino inclusi-
Proposta de Tese de Doutorado em In- vo de autistas: uma análise da aplicação
formática na Educação), PPGIE, UFRGS, do sistema SCALA na SEMED – MA (Pro-
RS, 2014. posta de Tese de Doutorado em Informá-
tica na Educação), PPGIE, UFRGS, RS, 2015
BRASIL. Ministério da Educação. Secre- PASSERINO, L. M.; BEZ, M. R. Comunicação
taria de Educação Especial. Diretrizes alternativa: mediação para uma inclusão
Nacionais para a Educação Especial na social a partir do Scala. Passo Fundo: Edi-
Educação Básica. Brasília, DF: MEC/SEESP, tora da UPF, 2015. Disponível em www.
2001b. Disponível em: <portal.mec.gov. upf.br/editora/index.php/e-books-free/
br/seesp/arquivos/pdf/diretrizes.pdf>. 125-comunicacao-alternativa-scala>