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 TJMT - TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO MATO GROSSO

Data de publicação: 20/10/2017

APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DE RECONHECIMENTO DE PATERNIDADE BIOLÓGICA E


MANUTENÇÃO DA PATERNIDADE
SOCIOAFETIVA MULTIPARENTALIDADERECONHECIDA (PRECEDENTE DO STF. RE 898-
060/SP). SENTENÇA REFORMADA. MATERIA DE FATO E DE DIREITO. DESNECESSIDADE
DE INSTRUÇÃO. JULGAMENTO PELO TRIBUNAL. POSSIBILIDADE. ARTIGO 1013, § 3º,
CPC. AÇÃO JULGADA PROCEDENTE.

1. - Em caso de provimento de recurso em decisão de piso que não enfrente o mérito da questão,
em se tratando de matéria de fato e de direito que não necessita de provas outras, possível o
Tribunal, desde já, incursionar e julgar o mérito da demanda, sem que com isto, ofende o princípio
de supressão de instância. 2. Observada a hipótese da existência de dois vínculos paternos, CA
ract erizada est á a p ossib ilida de de recon hecimen TO d a multiparentalidade. ??A paternidade
sócio-afetiva declarada ou não em registro público, não impede o reconhecimento do vinculo de
filiação concomitante baseado na origem biológica, como todas as suas consequências
patrimoniais e extrapatrimoniais?. (STF. RE 898060/SP. Relator Min. Luiz Fux. Julgado em 21 e
22/09/2016). ?Julga-se procedente o pleito para, em conseqüência, incluir na certidão de
nascimento do menor o nome do pai biológico e avôs paternos, com a inclusão no nome daquele,
alterando o seu registro de nascimento.
 TJSC - TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE SANTA CATARINA

Data de publicação: 10/10/2017

APELAÇÃO CÍVEL. INFÂNCIA E JUVENTUDE.

Ação de destituição do poder familiar c/c adoção unilateral. Pleito da genitora e p adrasto em fa
vor do enteado e contra o pai biológico. Sentença de parcial procedência. Recurso do réu.
Preliminar de cerceamento de defesa e julgamento extra petita. Afastadas.
Mérito. Multiparentalidade. Forte vínculo afetivo e exercício dos deveres da paternidade que não
justificam a destituição do poder familiar, nem a adoção. Aproximação entre pai e filho, com o
estreitamento de laços e exercício da paternidade comprovada. Veemente oposição do genitor
quanto ao pedido de adoção. Infante que não possui condições de discernir acerca de tal
situação. Estudo social e laudo psicológico que alertam sobre insegurança das partes e eventual
problemas aos envolvidos em virtude da repercussão social. Situação fática que poderá sofrer
alterações, com reflexos sobre a paternidade afetiva, tendo em vista a pouca idade da criança.
Prevalência do melhor interesse do menor e da família natural. Sentença desconstituída.
Recurso conhecido e provido.
 TJSC - TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE SANTA CATARINA

Data de publicação: 21/09/2017

PROCEDÊNCIA. IRRESIGNAÇÃO DOS RÉUS.

Pedido de desistência atinente a um dos recursos. Possibilidade, conforme previsão do artigo


998 do novo código de processo civil. Não conhecimento do reclamo que se impõe. Interposição
de recurso pelo espólio do falecido. Ilegitimidade passiva. Recurso não conhecido em relação a
este apelante. Mérito. Prevalência da paternidade socioafetiva sobre o vínculo biológico.
Impossibilidade. Jurisprudência moderna que aponta pela viabilidade de reconhecer ambos os
vínculos de filiação concomitantemente. Precedente do STF em sede de repercussão geral
consagrando a tese da multiparentalidade. Atribuição dos efeitos patrimoniais, ademais, que
constitui consequência do reconhecimento da paternidade. Sentença mantida. Recurso
conhecido, com exceção do interposto pelo espólio, e desprovido.
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TJRS - TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO RIO GRANDE DO SUL

Data de publicação: 18/08/2017

APELAÇÃO. DIREITO CIVIL FAMÍLIA. AÇÃO DE RECONHECIMENTO DE PATERNIDADE.


ANULAÇÃO DE REGISTRO CIVIL. MULTIPARENTALIDADE.IMPOSSIBILIDADE.

Em que pese tenha o STF, ao analisar a repercussão geral 622, admitido a possibilidade do
reconhecimento da multiparentalidade, a alteração no registro civil de uma criança constando o
nome de dois pais é situação não prevista em Lei, o que impossibilita o reconhecimento da
pretensão recursal. Recurso desprovido.
 TJSC - TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE SANTA CATARINA

Data de publicação: 23/06/2017

CONFLITO NEGATIVO DE COMPETÊNCIA. AUTORIZAÇÃO JUDICIAL DE SUPRIMENTO DE


VONTADE PATERNA E FIXAÇÃO DE DOMICÍLIO NO EXTERIOR C/C DECLARATÓRIA
DE MULTIPARENTALIDADE.

Pedido exordial da parte objetiv ando o reconhecimento da multiparentalidade com a autorização


de fixação de guarda do menor em favor da mãe e do pai do coração, além de moradia na
espanha. Inexistência de situação de risco, abandono ou vulnerabilidade social capaz de
caracterizar a competência da vara especializada da infância e da juventude. Exegese dos
artigos 98, e 148, parágrafo único, a, do Estatuto da Criança e do Adolescente. Divergência de
índole familiar. Matéria de competência do juízo da família. Conflito de competência conhecido e
desprovido para declarar a competência do juízo suscitante (vara da família da Comarca de
itajaí/SC).
 TJSC - TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE SANTA CATARINA

Data de publicação: 02/06/2017

AGRAVO DE INSTRUMENTO. SUCESSÕES E PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO DE


RECONHECIMENTO DE P ATERNIDADE POST MORTEM C/C PETIÇÃO DE HERANÇA.
LIMINAR DEFERIDA NA ORIGEM. RECURSO DA MÃE BIOLÓGICA. VÍNCULO
SOCIOAFETIVO. POSSIBILIDADE. MULTIPARENTALIDADE.PRECEDENTE DO STF.
TUTELA DE URGÊNCIA. REQUISITOS. PREENCHIMENTO. RESERVA DE QUINHÃO.
CABIMENTO.

Havendo fortes indícios da paternidade, impõe-se o deferimento de tutela de urgência para


assegurar ao autor a reserva de parte dos bens deixados por seu indigitado genitor, na proporção
do quinhão a que eventualmente terá direito. (TJSC, AI nº 0154004-30.2015.8.24.0000, Rel. Des.
Newton Trisotto, j. Em 12-05-2016).DECISÃO MANTIDA. RECURSO DESPROVIDO.
 TJRS - TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO RIO GRANDE DO SUL

Data de publicação: 31/05/2017

APELAÇÃO CÍVEL. DESTITUIÇÃO DE PODER FAMILIAR. ADOÇÃO.


1. Em que pese, ao início, o menino, que completa sete anos de idade, tenha sido
consensualmente deixado aos cuidados dos apelados em momentos esporádicos, houve o
progressivo afastamento da mãe biológica antes mesmo desta passar a cumprir pena de 16 anos
de prisão por tráfico de droga. A destituição do poder familiar e o deferimento da adoção aos
apelados levou em conta a consolidada relação de afetividade entre o menino e os adotantes,
sendo destacado seu bom desenvolvimento físico e emocional, além das boas aptidões dos
recorridos ao exercício da função parental. 2. Não há justificativa para que se trilhe o caminho
da multiparentalidade. Deferir pleito desta natureza resulta em permissão judicial para o
exercício do poder familiar por três pessoas, circunstância que, no cotidiano, pode se mostrar de
difícil administração, e potencialmente conflitiva, expondo o menino a tensões e inseguranças,
em prejuízo de seu bem-estar físico e emocional, especialmente no caso, estando evidenciadas
a instabilidade e despreparo da mãe biológica ao exercício deste papel, além de estar cumprindo
pena e ter relatado passado de usuária de maconha, cocaína e crack. Negaram provimento.
Unânime.
 TJDF - TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO DISTRITO FEDERAL

Data de publicação: 24/05/2017

PROCESSO CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. AÇÃO DECLARATÓRIA DE


PATERNIDADE. RETIFICAÇÃO DE REGISTRO DO MENOR. VÍNCULO BIOLÓGICO.
PREVALÊNCIA. MELHOR INTERESSE DA CRIANÇA. POSSIBILIDADE DE
RECONHECIMENTO CONCOMITANTE DA PATERNIDADE BIOLÓGICA COM A
SOCIOAFETIVA. STF. NÃO SE APLICA. REJEIÇÃO DIANTE DA AUSÊNCIA DOS
PRESSUPOSTOS PREVISTOS NO ARTIGO 1.022 DO CPC. INSATISFAÇÃO COM O
RESULTADO DO JULGAMENTO DA MATÉRIA.

1. Os embargos de declaração não são a via adequada para rediscutir questões materiais que
já foram devidamente analisadas em decisão anterior. 2. A tese firmada pelo STF no sentido de
que reconhecer a possibilidade da dupla paternidade, isto é, a paternidade biológica em
concomitância com paternidade socioafetiva não se aplica ao caso dos autos. 3. A pretensão
agora sustentada pelo embargante não condiz com suas manifestações anteriores, mormente
quando se verifica que, na ocasião em que fora instado a se manifestar sobre as conclusões do
Relatório Psicossocial, se mostrou avesso ao reconhecimento da multiparentalidade. 4. O V.
Acórdão se mostra fundamentado em bases sólidas, porquanto buscou privilegiar o interesse do
menor e sua condição de pessoa em desenvolvimento. 5. A decisão colegiada ponderou, ainda,
que o reconhecimento da paternidade biológica não prejudicaria o relacionamento de afetividade
que o embargante tem para o menor. 6. Além do mais, ressalta-se que a tese do reconhecimento
da dupla paternidade não foi ventilada em nenhum momento por qualquer das partes, mas tão
somente quando os autos já se encontravam em sede recursal, inexistindo, portanto, substrato
suficiente para demonstrar que a alegada multiparentalidade atenda aos interesses do menor. 7.
A oposição dos presentes embargos apenas mostra o inconformismo do embargante com o
julgado que não lhe foi favorável, isso porque ao se confrontar os pontos discutidos no V. Acórdão
com as razões que fundamentam os presentes embargos de declaração, verifica-se tão somente
a ânsia do embargante de que seu direito material seja revisitado, o que não é possível de ser
realizar nas vias estreitas desse recurso. 8. Embargos de declaração conhecidos e desprovidos.
 TJRS - TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO RIO GRANDE DO SUL

Data de publicação: 08/05/2017

APELAÇÃO CÍVEL. RECONHECIMENTO DE PATERNIDADE PÓSTUMO. HOMOLOGAÇÃO


DE ACORDO. DESCABIMENTO.
O direito ao reconhecimento espontâneo da paternidade biológica é personalíssimo, não sendo
transferido aos sucessores. Logo, os supostos avós biológicos paternos não podem pleitear tal
reconhecimento como substitutos do falecido filho. É claro que o pai biológico, enquanto vivo,
poderia ter reconhecido espontaneamente a paternidade do autor, mas esse direito era somente
seu. E não houve tal reconhecimento. Agora, e considerando que inexiste sucessão do direito
de reconhecimento espontâneo de paternidade, não podem os avós, como sucessores do
falecido, pleitear tal declaração. Por outro lado, não há impedimento a que o sedizente filho
biológico, busque o reconhecimento de sua ancestralidade através da investigação genética de
seu DNA, o que se pediu em sede de apelo. Via de regra, a pretensão investigatória de
paternidade póstuma costuma vir direcionada contra os sucessores do investigado. Não é
comum, como acontece neste caso, que os sucessores venham desde a inicial concordando
com a pretensão do autor, suposto filho biológico. Na esmagadora maioria das vezes há lide
entre o investigante e os sucessores do investigado. No presente caso, contudo, não há lide.
Desde a inicial, tanto o investigante quanto os sucessores do investigado e também o pai registral
vieram pedir a mesma coisa, qual seja, a declaração de paternidade do falecido em relação ao
autor para fins de manter no registro civil do menino ambos os pais. Isso, entretanto, não
inviabiliza a investigação. O simples fato de os sucessores do falecido concordarem com a
demanda do investigante já de início, e figurarem como verdadeiros assistentes simples iniciais
(art. 119 do CPC), não desnatura o procedimento investigatório e não exige que eles passem a
figurar na condição de réus na relação jurídica processual, dada a ausência de pretensão
resistida. Além disso, é do menor o interesse em obter a multiparentalidade, tal como aqui em
debate. E os próprios apelantes (pai registral, mãe e avós paternos) pediram subsidiariamente a
realização de exame pericial de DNA e estudo social a fim de comprovar os fatos alegados.
Agora, após realizado o exame pericial de DNA neste grau de jurisdição, apurou-se que o falecido
é o pai biológico do menor. E do contexto probatório dos autos, extrai-se também a existência
de paternidade sócioafetiva do pai registral. Diante desse contexto, é lícito o reconhecimento da
paternidade biológica do falecido e a manutenção da paternidade registral, com todas as
consequência advindas da multiparentalidade aqui declarada, como a alteração do nome e
inclusão dos avós no registro de nascimento. Por fim, considerando o acordo entre a mãe do
menino e os avós paternos no que diz com a oferta de alimentos avoengos, é viável desde já
homologar o acordo e estabelecer a verba alimentar em favor do menor. Deram provimento ao
apelo.
 TJSC - TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE SANTA CATARINA

Data de publicação: 23/02/2017

APELAÇÃO CÍVEL. FAMÍLIA. AÇÃO DE INVESTIGAÇÃO DE PATERNIDADE C/C


ALIMENTOS. PROCEDÊNCIA NA ORIGEM. RECURSO DO RÉU. EXAME GENÉTICO. LAUDO
POSITIVO. PAI REGISTRAL. PATERNIDADE SOCIOAFETIVA. VÍNCULO DIVERSO.
CONCOMITÂNCIA. IRRELEVÂNCIA. MULTIPARENTALIDADE. MELHOR INTERESSE DA
CRIANÇA E DO ADOLESCENTE. PATERNIDADE RESPONSÁVEL. STF. REPERCUSSÃO
GERAL.

A paternidade responsável, enunciada expressamente no art. 226, § 7º, da Constituição, na


perspectiva da dignidade humana e da busca pela felicidade, impõe o acolhimento, no espectro
legal, tanto dos vínculos de filiação construídos pela relação afetiva entre os envolvidos, quanto
daqueles originados da ascendência biológica, sem que seja necessário decidir entre um ou
outro vínculo quando o melhor interesse do descendente for o reconhecimento jurídico de ambos.
(STF, RE nº 898.060/SP, Rel. Min. Luiz Fux. J. Em 21/09/2016) SENTENÇA MANTIDA.
RECURSO DESPROVIDO.
 TJDF - TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO DISTRITO FEDERAL
Data de publicação: 25/01/2017

DIREITO DE FAMÍLIA E CONSTITUCIONAL. AÇÃO DE


ADOÇÃO. MULTIPARENTALIDADE. RECONHECIMENTO DO VÍNCULO BIOLOGICO
PREEXISTENTE. PATERNIDADE SOCIOAFETIVA. DUPLA PARENTALIDADE.
POSSIBILIDADE. DECISÃO DO STF COM REPERCUSSÃO GERAL.

1. A paternidade biológica declarada em registro público não impede o reconhecimento do


vínculo de filiação concomitante baseado na origem socioafetiva, com os efeitos jurídicos
próprios, como desdobramento do sobreprincípio da dignidade humana, na sua dimensão de
tutela da felicidade e realização pessoal dos indivíduos a partir de suas próprias configurações
existenciais. 2. A omissão do legislador brasileiro quanto ao reconhecimento dos mais diversos
arranjos familiares não pode servir de escusa para a negativa de proteção a situações de
pluriparentalidade. Tese fixada com repercussão geral no julgamento do RE 898060/SC. STF. 3.
Recurso conhecido e provido.
 TJDF - TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO DISTRITO FEDERAL

Data de publicação: 25/01/2017

DIREITO DE FAMÍLIA E CONSTITUCIONAL. AÇÃO DE


ADOÇÃO. MULTIPARENTALIDADE. RECONHECIMENTO DO VÍNCULO BIOLOGICO
PREEXISTENTE. PATERNIDADE SOCIOAFETIVA. DUPLA PARENTALIDADE.
POSSIBILIDADE. DECISÃO DO STF COM REPERCUSSÃO GERAL.

1. A paternidade biológica declarada em registro público não impede o reconhecimento do


vínculo de filiação concomitante baseado na origem socioafetiva, com os efeitos jurídicos
próprios, como desdobramento do sobreprincípio da dignidade humana, na sua dimensão de
tutela da felicidade e realização pessoal dos indivíduos a partir de suas próprias configurações
existenciais. 2. A omissão do legislador brasileiro quanto ao reconhecimento dos mais diversos
arranjos familiares não pode servir de escusa para a negativa de proteção a situações de
pluriparentalidade. Tese fixada com repercussão geral no julgamento do RE 898060/SC. STF. 3.
Recurso conhecido e provido.
 TJDF - TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO DISTRITO FEDERAL

Data de publicação: 30/11/2016

DIREITO DE FAMÍLIA E CONSTITUCIONAL. AÇÃO DE INVESTIGAÇÃO DE PATERNIDADE.


VÍNCULO BIOLOGICO. PATERNIDADE SOCIOAFETIVA
PREEXISTENTE. MULTIPARENTALIDADE. POSSIBILIDADE. DECISÃO DO STF COM
REPERCUSSÃO GERAL.

1. Provado nos autos o vinculo genético do Autor com o pai falecido, julga-se procedente o pedido
de reconhecimento da paternidade biológica, ainda que com este não tenha convivido para
formar laços de afeição, pois ainda em tenra idade quando do óbito do genitor. O interesse de
postular cidadania estrangeira com o reconhecimento da paternidade, insere-se nos efeitos
jurídicos próprios da filiação, não constituindo óbice ao direito de postular o reconhecimento da
verdadeira ascendência genética. Direito natural ínsito ao princípio da dignidade humana e da
busca pela felicidade. 2. A paternidade socioafetiva, declarada ou não em registro público, não
impede o reconhecimento do vínculo de filiação concomitante baseado na origem biológica, com
os efeitos jurídicos próprios. Tese fixada com repercussão geral no julgamento do RE
898060/SC. STF. 3. RECURSO PROVIDO. SENTENÇA REFORMADA.
 TJDF - TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO DISTRITO FEDERAL
Data de publicação: 28/11/2016

DIREITO CONSTITUCIONAL E DE FAMÍLIA. PRELIMNAR DE AUSÊNCIA DE


REGULARIDADE FORMAL DO RECURSO AFASTADA. AÇÃO DECLARATÓRIA DE
PATERNIDADE. RETIFICAÇÃO DE REGISTRO DO MENOR. VÍNCULO BIOLÓGICO.
PREVALÊNCIA. MELHOR INTERESSE DA
CRIANÇA. MULTIPARENTALIDADE.INEXISTÊNCIA DE AMPARO LEGAL.

1. Afasta-se a preliminar de ausência de regularidade formal do recurso quando constatado que


os argumentos levantados pelo apelante foram expostos de maneira coerente e bem abalizados,
atacando, ainda que de forma sucinta, os fundamentos consignados pelo magistrado
sentenciante, levando este egrégio Tribunal de Justiça, consequentemente, à apreciação das
razões que podem levar, ou não, à reforma da sentença ora combatida. 2. A Carta Constitucional
marcou significativamente a forma como as relações de parentesco passaram a ser percebidas,
de sorte que as relações familiares não mais se limitam aos vínculos de consanguinidade, mas
também, reconhecendo as relações decorrentes da afetividade, da adoção e, igualmente,
daquelas derivadas das técnicas de reprodução assistida, dentre outras. 3. Nessa esteira,
registra-se que a paternidade biológica, por muitos anos, foi considerada como principal ponto
para averiguação do vínculo existente entre pais e filhos. Não obstante os avanços tecnológicos
que se apresentam na modernidade, e o amplo acesso das pessoas ao exame de DNA, o qual
passou a apresentar resultados de extrema confiabilidade, tem-se que outra modalidade de
vinculo parental, a socioafetiva, passou a figurar como principal instituto nas demandas
decorrentes da verificação de paternidade. 4. Não obstante a discussão envolvendo a colisão
entre o vínculo socioafetivo e o biológico encontrar-se sob análise do STF, que reconheceu a
repercussão geral da matéria, não se pode olvidar que essa análise deve ser realizada mediante
a averiguação das circunstâncias apresentadas no caso in concreto. 5. No caso dos autos,
observa-se que a falta de presença pai biológico na vida do menor não decorreu por desleixo ou
desídia, mas sim, até então, pela ausência de conhecimento da sua paternidade em relação ao
infante, o que, pelo que se depreende dos autos, vem tentando superar com o estabelecimento
de sua figura paterno-filial. 6. Acrescenta-se que o autor não se afastou dos seus deveres de
paternidade em relação aos seus outros dois filhos e irmãos do menor, particularidade esta que
leva ao entendimento de que, inevitavelmente, o infante criará vínculos com seu pai biológico. 7.
Manter documentado no registro que o requerido é o pai do menor quando se sabe que esta
circunstância não corresponde com a realidade, em nada influi para que a formação de um
vínculo familiar efetivo, capaz de contribuir para a formação e o desenvolvimento da criança. 8.
No que se refere a multiparentalidade, tem-se que inexiste permissivo legal em nosso
ordenamento jurídico que ampare o registro simultâneo de dois pais ou duas mães, podendo,
inclusive, causar reflexos não previstos na seara sucessória e previdenciária. Precedentes deste
e. TJDFT e do STJ. 9. Apelação conhecida e provida. Sentença reformada.
 TJPR - TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO PARANÁ

Data de publicação: 26/08/2016

APELAÇÃO CÍVEL.

Ação de desconstituição de ato jurídico cumulado com investigação de paternidade e


maternidade, alimentos e petição de herança. Sentença de improcedência. Comparecimento
espontâneo de um dos requeridos que afasta eventual nulidade. Adoção à brasileira. Requerente
que, em idade adulta, pugna pelo reconhecimento de paternidade e maternidade biológica.
Existência de vínculo socioafetivo com os pais registrais que não tem o condão de extirpar do
requerente o direito ao conhecimento de sua origem genética. Precedentes. Princípio da
dignidade da pessoa humana. Reconhecimento do pedido inicial pela genitora biológica. Exame
pericial que comprova a paternidade. Impossibilidade de reconhecimento de nulidade do registro
ante a existência de vínculo socioafetivo. Reconhecimento da multiparentalidade. Sentença
reformada. Procedência do pedido investigatório. Pleito de alimentos que deve ser afastado.
Ausência de comprovação da necessidade do alimentando. Reconhecimento dos direitos
sucessórios. Possibilidade. Recurso de apelação parcialmente provido
 TJSC - TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE SANTA CATARINA

Data de publicação: 26/04/2016

APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DE INVESTIGAÇÃO DE PATERNIDADE C/C ALIMENTOS.

Extinção do feito, sem resolução do mérito pela impossibilidade jurídica do pedido e ilegitimidade
da representante da autora. Recurso da autora. Reconhecimento da legitimidade da genitora da
autora lhe representar em juízo, visto inexistir conflito de interesses. Representação conforme
artigo 1.634, do Código Civil. Direito personalíssimo dos sujeitos diretamente envolvidos na
relação parental. Exegese do artigo 27 do Estatuto da Criança e do Adolescente. Evidenciado o
interesse de agir da filha a fim de ver esclarecida sua ascendência biológica. Existência de laços
afetivos com o pai registral que não se afigura obstáculo intransponível ao reconhecimento da
paternidade biológica. Possibilidade do registro civil da multiparentalidade. Precedente unânime
do grupo de câmaras de direito civil desta corte. Interesse de agir configurado. Necessidade de
retorno dos autos a origem para instrução processual. Sentença cassada. Recurso conhecido e
provido. - A preexistência da paternidade socioafetiva não impede a declaração judicial da
paternidade biológica, com todas as consequências dela decorrentes, inclusive as de natureza
patrimonial. (TJSC, embargos infringentes nº 2014.084742-5, j. 09-03-2016)
 TJDF - TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO DISTRITO FEDERAL

Data de publicação: 17/02/2016

CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO DE RECONHECIMENTO DE PATERNIDADE.


SENTENÇA EXTRA PETITA. INOCORRÊNCIA. PATERNIDADE BIOLÓGICA. EXAME DE DNA.
PATERNIDADE REGISTRAL E AFETIVA. MELHOR INTERESSE DO
MENOR. MULTIPARENTALIDADE.

1. O decisum configura o corolário da exordial; a correlação entre pedido e sentença é medida


que se impõe, mostrando-se vedado ao julgador decidir aquém (citra ou infra petita), fora (extra
petita), ou além (ultra petita) do requerido na inicial. Eis o porquê de a decisão vincular-se à
causa de pedir e ao pedido. 2. O direito de família deve ser sempre regulamentado em face dos
interesses do menor, vulnerável na relação familiar, a fim de lhe propiciar bem-estar e bom
desenvolvimento não somente físico, mas moral e psicológico, elementos integrantes da
dignidade da pessoa humana, princípio fundamental do ordenamento jurídico pátrio. 3. O mero
vínculo genético, por si só, não é suficiente para afastar a paternidade de cunho afetiva. Em
algumas situações, a filiação afetiva pode-se sobrelevar à filiação biológica, em razão da relação
de carinho e afetividade construída com o decorrer do tempo entre pai e filho. 4. Há que se
enaltecer a importância da convivência tanto materna quanto paterna, ao passo em que o direito
do menor de conviver com seu pai afetivo mostra-se de fundamental relevância para o
desenvolvimento e formação da criança, máxime quando inexiste qualquer motivo que não a
recomende. 5. O reconhecimento da paternidade biológica fundamentado em exame de DNA,
sobretudo, em caso de o pai biológico haver incidido em erro quanto à verdadeira paternidade
biológica da criança, merece ser reconhecida quando o pai demonstra interesse em exercer o
seu papel em relação ao filho, dispensando-lhe cuidado, sustento e afeto. 6. O conceito
de multiparentalidade exsurge, pois, como uma opção intermediária em favor do filho que ostenta
vínculo de afetividade com o pai afetivo e com o pai registral, sem que se tenha de sobrepor uma
paternidade à outra. Não há critério que possa definir preferência entre as duas formas de
paternidade, sobretudo, quando há vínculo afetivo do menor tanto com o pai registral, como em
relação ao pai biológico. 7. Rejeitou-se a preliminar. Negou-se provimento aos apelos.
 TJDF - TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO DISTRITO FEDERAL

Data de publicação: 03/02/2016

PROCESSO CIVIL. DUPLO REGISTRO DE PATERNIDADE. MULTIPARENTALIDADE. PAI


SOCIOAFETIVO E BIOLÓGICO. VERDADE BIOLÓGICA COMPROVADA. INCLUSÃO DA
FILIAÇÃO BIOLÓGICA COM A MANUTENÇÃO DA SOCIOAFETIVA. IMPOSSIBILIDADE.
AUSÊNCIA DE AMPARO LEGAL. A FILIAÇÃO SOCIOAFETIVA DEVERÁ PREVALECER
SOBRE A BIOLÓGICA NO INTERESSE DOS PRÓPRIOS FILHOS. PRECEDENTES DO STJ.

Admite- se o reconhecimento da paternidade biológica, embora já existente vínculo socioafetivo,


para retificar o registro civil e anular a paternidade socioafetiva, quando o próprio filho buscar o
reconhecimento biológico com outrem. Decorre essa possibilidade do direito ao reconhecimento
da ancestralidade e origem genética (verdade biológica), que se inserem nos direitos da
personalidade. Precedentes do STJ. De outro lado, é possível o reconhecimento da dupla
paternidade nas hipóteses de adoção por casal homoafetivo. Não há amparo legal para a
averbação em registro civil de dois vínculos paternos (socioafetivo e biológico) e um vínculo
materno (biológico), tampouco se encontra embasamento jurisprudencial para tanto. Não é
possível regular os efeitos sucessórios decorrentes dessa situação, pois se estabeleceriam três
vínculos de ascendência, hipótese ainda não abarcada pela legislação civil vigente. Recurso de
apelação conhecido e não provido.
 TJRS - TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO RIO GRANDE DO SUL

Data de publicação: 01/12/2015

APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DE RECONHECIMENTO DE PATERNIDADE BIOLÓGICA.


RETIFICAÇÃO DE REGISTRO CIVIL. EXAME DE DNA. PROBABILIDADE DE PATERNIDADE
DE 99,99924132%. SENTENÇA MANTIDA.

Na espécie, mostra-se irretocável a sentença acoimada que julgou procedentes os pedidos


iniciais, porquanto o exame de DNA foi conclusivo, com paternidade biológica declarada com
probabilidade de 99,99924132%, inexistindo, outrossim, qualquer adminículo de prova no
tocante ao indigitado vínculo paterno-filial entre o infante e o pai registral a ensejar a manutenção
do registro civil ou reconhecimento de multiparentalidade. Apelação desprovida.
 TJRS - TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO RIO GRANDE DO SUL

Data de publicação: 17/11/2015

APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DE ADOÇÃO. PADRASTO E ENTEADOS. PEDIDO FORMULADO


PELO MINISTÉRIO PÚBLICO DE MANUTENÇÃO, NA SEARA REGISTRAL, DO VÍNCULO
BIOLÓGICO. MULTIPARENTALIDADE. DESCABIMENTO, NO CASO.

Caso em que se mostra descabido o acolhimento da pretensão formulada pelo ministério público,
na condição de custos legis, atinente à manutenção na seara registral do vínculo biológico, na
figura da multiparentalidade, visto que os adotandos sequer manifestaram há interesse a esse
respeito, observando-se, ademais, que eles no meio social utilizam apenas o patronímico do
adotante como forma de identificação e não mantêm qualquer convívio com a família biológica
paterna. Apelação desprovida.