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Quinta-feira 02 de agosto

DOOLEY, Robert A.; LEVINSOHN, Stephen H. Análise do Discurso: Conceitos básicos


em linguística. Petrópolis: Vozes, 20146.

Alcançar uma nova abordagem desde a perspectiva da pragmalinguistica.

Pragmática

Diálogo entre João e Maria: “A: Eu sou João e você? B: Eu não”.

Maria possui
competência sintática: da ordem das palavras
competência semântica: do significado das palavras
Maria não possui
competência pragmática: sem competência pragmática não há comunicação. Por
isso, existe incompreensão entre os discursos e diálogos. A pragmática supõe contexto e
mentalidade.

A pragmática tem a ver com o escopo (o objetivo) do texto.


A pragmática se interessa com como o discurso é comunicado, como alcança seus
objetivos, como se realiza.

Em 1938: Charles Morris, filósofo americano. Foundations of the theory of signs.


Ele afirmou que a semiótica é composta de três partes:
a) Sintaxe: estuda a relação entre signos
b) Semântica: estuda a relação entre signos e objetos aos que se referem
c) Pragmática: a relação entre signos e seus intérpretes. Nesta dimensão, sai-se do
mundo do texto.

Todo texto é escrito em função de um leitor. E o texto passa a existir no momento em que
existe um leitor.

A partir da tripartição (S-S-P) de Morris (1938) a pragmática foi concebida como disciplina
anexa.
A semântica estudaria o conteúdo da linguagem. A pragmática seria anexa porque vem
ligada ao leitor. Para a pragmática não é importante se isso é verdade ou não, mas se esse
texto influencia a ação do leitor.

Podemos dizer, então, que a pragmática poderia estar desvinculada da semântica. Esse é um
risco da interpretação de Morris.

Na pragmática, temos um grupo (i) minimalista e outro (ii) globalizante. Os (i) analisam a
pragmática como elemento ao lado da sintaxe e da semântica. Os da tendência (ii)
consideram a pragmática como a forma do discurso comunicativo geral, ou seja, um texto
existe em função da pragmática.
Contudo, a pragmática pode ser compreendida só como comunicação, mas também como
pôr em prática (ação a partir do texto).

Diante disso, em termos metodológicos, é bom separar as áreas (S-S-P). Mas todo tem
sentido de comunicação.

I) Pelo fato da pragmática se interessar da comunicação, alguns autores disseram


que não é simplesmente um terceiro momento da semiótica, mas o estudo da
linguagem em contexto. Por isso, eles a relacionam com a sociologia, a
história, a lógica, antropologia, psicologia.

Ao falarmos de contexto, existe um contexto extralinguístico e um contexto


metalinguístico. O linguístico é o texto. O metalinguístico é o contexto que inclui o texto e
o que nele se encontra, é a intenção (além do texto, aonde ele quer chegar, escopo). O
extralinguístico é o universo de referência do texto (a que ele se refer).

Em 1942, Rudolf Carnap levando adiante a discussão, disse que quando na linguagem se
analisa o falante e o ouvinte, então, se está no campo da pragmática. O autor diz que a
sintaxe a semântica são teóricas, enquanto que a pragmática é empírica.

Noam Chomsky critica a Carnap em 1975. Chomsky afirma que se a pragmática é


simplesmente como empírica, então ela pertence à classe de uma disciplina sem valor
científico.

Marcelo Dascal, brasileiro judeu, escreveu Pragmalinguística. Ele defende que a


pragmalinguística é o estudo de como um falante veicula suas intenções comunicativas e
um ouvinte as reconhece. Segundo o autor, a intenção comunicativa de um falante seria o
nível psicológico da comunicação. O alcance do significado é o nível funcional.

Dêitico: indicativos na linguística.

Por exemplo, em (a) “Aqui faz frio”: espacial (aqui), temporal (presente), comparativo
(aqui, que é advérbio, compara com outro espaço), quantitativo (frio, tem uma quantidade
de frio que em outros lados não faz).

A frase (a) poderia ter vários sentidos. Para alguém fechar a janela, por exemplo. Também
pode indicar que os organizadores não pensaram na temperatura do lugar para a atividade.

A análise do discurso não pode ser minimalista, a pragmática deve ser analisada em
conjunto com a semântica e a sintaxe. Em termos de sentido, a semântica é fim em si
mesmo, mas em termos de comunicação, a semântica não é um fim em si mesmo.

A pragmática está vinculada não só aos elementos explícitos do texto, mas, sobretudo, aos
elementos implícitos.

II) Existem alguns autores que defenderam que a pragmalinguistica seria uma
teoria do implícito.
Capítulo 1:
O giro linguístico na Filosofia Moderna e as Origens da Pragmalinguística

É um problema pela pergunta por quem é a origem do giro.

John Locke: Ensaio sobre o intelecto humano.


Ao trabalhar o conceito de ideia, também trabalha o conceito de linguagem. De modo que
Kretzmann em 1967 defende que a obra de Locke é o primeiro tratado moderno de filosofia
da linguagem.
Locke está vinculando pensamento e linguagem. O vínculo ideia e conhecimento não é
possível sem o vínculo entre pensamento e linguagem. O ser humano não usa a linguagem
somente para comunicar ou registrar algo, mas para pensar. A linguagem não é
simplesmente um dado de comunicação é um dado de pensamento. Por isso, as palavras
desempenham um papel em nosso modo de pensar. Ou seja, as palavras não são
simplesmente reflexo de pensamento, elas estruturam o pensamento.

Quinta-feira 09 de agosto

Platão: Significado natural dos nomes  linguagem natural

Aristóteles:

A grande questão de Locke é cogni

Quinta-feira 16 de agosto
(A) Na Idade Média

Abelardo enfatiza a independência do pensamento respeito da linguagem.


Segundo ele, as noções são distintas de sensações e imagens. Primeiramente, olha-se para
uma coisa, diante da coisa é concebida uma noção e a noção é expressa por meio de uma
palavra.
Coisa (elemento externo)  noção (elemento interno-mental)  palavra (verbalizada)
A partir do momento de que a palavra é expressa, quem escuta essa palavra concebe a
noção e passa a perceber a coisa.

Guilherme de Ockham e Duns Scotus


Na obra Summa Logicae.
A palavra falada significa o mesmo que o conceito mental, e a palavra e o conceito
significam imediatamente o objeto ao que se referem.

Conceito+palavra  objeto
Mesmo entendendo que esse processo é simultâneo, as palavras proferidas indicam os
objetos, mas o conceito é primário, a palavra é secundária.

Tanto Ockham quanto Abelardo são conceitualistas. Mas Ockham é considerado um


nominalista, no sentido de que para ele existe somente o individual, pois o universal é, na
verdade, individual.

Enfim, é preciso mencionar o importante tópico escolástico da suppositio (suposição).

Na conceição escolástica, um termo é constituído ou composto por um significado e uma


suposição.

Termo= significado + suposição

O significado é o que o termo é em si mesmo. A suposição é o termo no contexto de uma


proposição.

(B) Renascimento
Sabemos que o humanismo, naturalismo e a restauração da literatura grega e romana são
centrais nessa época. Também surge a centralidade da linguagem. Se nós entendemos que o
renascimento é humanista, a linguagem é imprescindível. Não pelo simples fato da
linguagem pela linguagem, mas da linguagem enquanto meio hermenêutico dos problemas
filosóficos.

O grande ponto de partida dos renascentistas é a crítica da lógica escolástica.

Na Renascença eles vão dar valor à retórica.

Lorenzo Valla  1407-1457


Ele critica Aristóteles dizendo que é preciso deixar-se conduzir pelo sentido natural e o uso
comum da filosofia. E assim se aproxima mais de Quintiliano que de Aristóteles. Critica a
teoria da suposição e se aproxima do nominalismo.

Juan Luis Vives  1492-1540


Adepto de Quintiliano e ecoa a crítica à lógica em prol da retórica.
A solução dos problemas da filosofia passa pela compreensão da linguagem comum. Voltar
à linguagem comum é a solução para resolver os problemas filosóficos.
A única forma de ter acesso à mente é por meio da fala. Sem a fala, a mente iria
permanecer escondida para sempre dos outros.
Palavras e pensamentos equivalem-se ao corpo e à mente. A palavra expressa o
pensamento.

Em relação a Locke: Ele deseja estudar a estrutura e função da linguagem natural para
resolver os problemas filosóficos básicos. Enquanto que os renascentistas voltam para a
linguagem natural porque rejeitam a lógica e valorizam a retórica (discurso proferido).
Esse retorno de Locke é em função da filosofia. O retorno dos renascentistas é em oposição
à linguagem formal.
Os renascentistas não compreenderam a linguagem como fonte de erro (Locke sim). Dessa
época, temos alguns que avançam na linha de Locke, mas nem todos.

Francis Bacon  1561-1626


Está interessado no papel da linguagem natural (ponto comum entre todos esses autores
renascentistas e também com Locke).
Para ele, a lógica é um útil para o ser humano. Mas ao mesmo tempo, é limitada. Sobre
tudo, a chamada lógica demonstrativa é muito limitada. Bacon diz: “nós rejeitamos as
provas do silogismo, porque ele é confuso, e nos faz perder o sentido natural da
linguagem”.
Ele escreve um novo Organum, ele está querendo substituir o organum aristotélico. A
lógica aristotélica é dedutiva. A lógica do novo organum é indutiva.

A relação de Bacon é entre pensamento e linguagem. O autor diz que a visão aristotélica
tradicional é que palavras são sinais de noções, mas essas últimas são abstrações de coisas e
não sinais.

Alguns autores criticam que o objetivo de Bacon é transformar a atividade epistemológica


do filósofo de algo essencial particular para algo essencial comum. Só que isso gera ídolos
da mente, os ídolos do fórum. Bacon dirá que as palavras são escolhidas não porque
referem a um objeto, mas para facilitar a compreensão comum das pessoas. Ele acaba não
discutindo a relação entre linguagem e mente. No final das contas, ele dirá que os nomes
não se referem a nada, os nomes nada mais são do que ilusões impostas ao intelecto. Porque
para ele os nomes são pobres e abstratos.

Mesmo assim, ele traz uma novidade: ele começa problematizar a linguagem. Ou seja, para
ele a linguagem insinua a si mesma dentro do intelecto humano. Esse ‘insinua’ significa
que ao mesmo tempo que a mente humana é capaz de abstrair noções das coisas, é incapaz
de expressar certas coisas. Ele substitui a união escolástica língua-lógica, e substitui
também a renascença língua-retórica, abrindo a relação entre linguagem-cognição.

Thomas Hobbes  1588-1679


Ele tem influência da renascença e também da tradição silogística.
Para ele a linguagem tem um papel duplo. Ela é necessária para a civilização humana, mas
ela é fonte de erro e confusão. Sem a linguagem não seria possível a compreensão do
comando das autoridades por parte do povo. Para Hobbes, sem autoridade não existe
sociedade. Sem a linguagem não haveria, sociedade não haveria paz, não haveria disciplina.
A linguagem melhora o raciocínio humano, porque as palavras permitem à razão
generalizar. Sem o uso das palavras não é possível raciocinar. Na obra Leviatã, ele declara
a linguagem como constitutiva de todo raciocínio.
Quando nós raciocinamos, então regulamos nossa busca pelas causas e efeitos,
incorporando com essa busca, um sistema de símbolos sensíveis que nos guiam. Esses
símbolos sensíveis são as palavras.

Ao mesmo tempo, a linguagem é uma fonte de problemas. Na obra Leviatã, ele lista 4
abusos da linguagem:
(1) O significado da linguagem: nem sempre o conceito acompanha o significado da
palavra. Existem palavras que são sem sentido.
(2) E (3) se devem ao uso metafórico da palavra quando há mentira.
(4) Quando alguém usa a linguagem para machucar outra pessoa.

Somente (1) está vinculado à natureza da linguagem. Os outros estão vinculados à natureza
humana.

Para ele, a função da linguagem é transformar o nosso discurso mental em verbal.


Por esse motivo, quando as palavras não expressam a mente, nós estamos abusando da
linguagem.

Para ele, existem vários caminhos pelos quais podemos usar nomes sem significado. Por
exemplo:
1) Seres humanos introduzem nomes que eles não sabem como definir. Às
vezes para confundir aos outros, às vezes para esconder a própria ignorância, às
vezes para explicitar a ignorância  Exemplos são ‘Hipostático’ e
‘consubstancial’.

Para ele, as pessoas combinam nomes que têm significado contraditório: sustância
incorpórea. Para a ciência a sustância é corpórea.

2) O uso do termo ‘objeto geral’ ou ‘coisa universal’. Para ele, coisa já é


universal.

Hobbes passou além de Bacon. Por outro lado, ele nos aponta o caminho de Locke. De fato,
se diz que Locke tem influência hobbesiana.

A discussão da linguagem em Hobbes é em função do seu conhecimento científico. E essas


doutrinas tiveram pouca influência na Inglaterra. Tiveram sim na França.
Locke é o contrário. Ele influenciou profundamente a Inglaterra.

Além disso, podemos dizer que a compreensão da linguagem em Locke discute não
somente a natureza da linguagem, mas também a compreensão humana. Para ele a
linguagem não é só uma questão de discussão metodológica. Para ele, a linguagem diz
respeito ao conhecimento humano. O foco de Locke, com relação à linguagem natural, não
é sobre o sistema simbólico, mas à busca do conhecimento por meio da linguagem.

Locke não pensa na linguagem enquanto elemento construído, reformado, purificado. Mas
pensa na linguagem como elemento instrumental, ou seja, como um grande instrumento de
conhecimento.

Quinta-feira 30 de agosto

Reviravolta linguística
Apple afirma a Filosofia da Linguagem como filosofia primeira (já não a ontologia ou
gnoseologia). Ontologia e Gnoseologia estão ligadas porque você conhece algo e tem
acesso a essa coisa.

WITTGENSTEIN
Primeiro Wittgenstein:
Na obra Thractatus Philosophicus o autor diz que a linguagem é o reflexo, cópia, que
anuncia uma estrutura ontológica que a precede.  Teoria da afiguração. Sentenças
figuram uma realidade à qual ela se refere.

Com isso, devemos afirmar que existe uma realidade independente da linguagem. Nesse
sentido, o primeiro Wittgenstein é ontológico, platônico.

A função da linguagem seria exprimir a realidade (e não a cria).

Ele defende a possibilidade de uma linguagem perfeita, capaz de reproduzir a estrutura


ontológica das coisas.

Para o autor, a linguagem tem duas dimensões: externa e interna. Externa é a linguagem
que se percebe através da emissão de sons. Interna, quando esses atos são acompanhados
por um significado, dado-lhes pelo espírito.

A dimensão interna está ligada à compreensão do “ter-em-mente” aquilo que o som


representa. O ter-em-mente seria um ato do espírito associado ao som acústico, no qual o
som reproduzido é significado pelo ter-em-mente.

A partir desta compreensão do ter-em-mente o ser humano pode saber se está usando
corretamente a palavra. O problema nesta ideia é que o ato de linguagem é uma realidade
essencialmente subjetiva. O criticaram, chamando essa proposta de “solipsismo
epistemológico”.

Segundo Wittgenstein:
Ao lado de Heidegger, criticará essa filosofia da subjetividade, superando o dualismo
corpo-espírito por meio da concepção de indivíduo. E o dualismo indivíduo-sociedade por
meio da concepção de pessoa humana. No segundo Wittgenstein, o ser humano e sua
capacidade de conhecer inserem-se no âmbito da interação social.

O mundo em si, a natureza das coisas, que se conhece por meio da razão, seria um elemento
primeiro. A comunicação aos outros desde conhecimento seria o elemento segundo, a
linguagem.

Wittgenstein reitera que a função mais importante da linguagem é a comunicação do


conhecimento do mundo em si.
No entanto, no núm. 23 das Investigações filosóficas (IF), ele questiona sua proposta. O
mundo em si, como elemento primeiro, não existe, e a linguagem não é um elemento
segundo. O único mundo que temos é o mundo da linguagem, que exprime o mundo em si.
A linguagem não seria um instrumento, mas a base sobre a qual o conhecimento se
constitui. Sendo assim, nenhuma expressão possui significado definitivo, e dependerá do
contexto em que está inserida.

Neste aspecto, a concepção do Tractatus é abandonada nas Investigações. Com isso, ele
começa uma guinada metodológica, pois para ele, à filosofia não cabe explicar a realidade,
mas observá-la e descrevê-la. IF 66: “Não pense, mas veja”.

O uso da palavra passa a ser observado nos ambientes em que a palavra é proferida:
Lebensform (forma de vida). Quanto mais forem essas formas, mais serão os jogos de
linguagem: Sprachspiel. Para o autor, um jogo de linguagem possui três elementos:
1) O linguístico: palavras ditas
2) Os parceiros de conversa: por pessoas
3) A Lebensform: num lugar ou situação

Ainda que as pessoas usem a mesma palavra num lugar semelhante, isso nunca será igual,
porque as pessoas são diferentes.

JOHN LANGSHAW AUSTIN


(1911-1960)

Ele se opõe a uma concepção meramente descritiva da linguagem. Essa compreensão foi
chamada de sentenças declarativas. Elas são aquelas que copiam ou afirmam algo. Declara-
se verdade ou falsidade.

O autor distingue entre conceitos constatativos e outros performativos. Constatativos são os


que constatam alguma coisa ou os enunciados de fato. Os performativos são aqueles que
não constatam, mas executam ou realizam uma ação.
Para que um enunciado seja performativo, ele precisa de uma condição específica, ou seja,
precisa ser proferido em um contexto adequado. Por exemplo, a palavra de casamento, ela
casa as duas pessoas, ao ser proferida.

O performativo realiza um fato. Um constatativo reconhece um farto que já existe. No


performativo, um fato que ainda não existe, passa a existir pela palavra.

Antes de Austin, a compreensão das sentenças eram constatativas. Agora, existem palavras
que criam realidade: as performativas. How to do thing with words é sua obra máxima.

Enquanto que no constatativo eu pergunto pela verdade do enunciado, no sentido se


corresponde à realidade que se refere, no performativo, eu pergunto sobre as condições que
permitem a uma ação realizar-se ou não.
Neste sentido, Austin está nos passos de Wittgenstein, porque o processo comunicativo
precisa ser inserido em normas convencionais e em um ambiente sociocultural.

Para que um ato performativo se realize, é preciso o estabelecimento de algumas condições.


Elas estão vinculadas a uma compreensão vacilar:

Locucionário

Atos de Fala Ilocucionário

Perlocucionário

Locucionário: É a teoria que trata a totalidade da ação linguística em todas as suas


dimensões. É elemento verbal. No ato locucionário, existem três sub-atos:
Fonético: Produção de ruídos.
Fático: Fonético organizado segundo normas gramaticais
Rético: A comunicação de algo

Discurso direto  fático “eu estarei lá”


Discurso indireto  rético “ele disse que estaria lá”

O ato locucionário é o ato de dizer algo.

Ilocucionário: Quando se diz algo, realiza-se algo. É o elemento não verbal, é como se diz
algo.

O ato ilocucionário é o ato ao dizer algo.

Perlocucionário: É a reação que o discurso provoca no ouvinte em sua dimensão de


sentimento, de pensamento e de ação.

Sentimento  pathos
Pensamentos  logos
Ação  ethos

Também, pode haver uma intenção em quem proferiu uma sentença para conseguir tal
efeito. Austin dá o exemplo:

“você não pode fazer isso!” (loc)


Ele protestou contra meu ato (iloc)
Ele me refreou (perloc)
Não se trata de três atos, mas de três aspectos de um único ato. Quando ele fala,
desencadeia um processo comunicativo em que as três dimensões estão presentes.

O ponto de partida de Austin é fenomenológico, a partir da linguagem cotidiana.

quinta-feira 06 de setembro

JOHN SEARLE
Teoria dos atos de fala

Podemos dizer que ele continua a linha iniciada por Austin.

Quais os pontos de partida de Searle?


1) Falar uma língua é comportar-se em uma conduta governada por regras. Pretender
dominar uma língua é aprender e dominar essas regras.
Existe uma identificação entre ação e linguagem, porque somente posso influenciar uma
pessoa se eu aprendi a dominar a língua.

2) Para Searle toda atividade linguística é convencional e está controlada por regras.
Regras que regulam os diferentes tipos de atos como consequências que diante da
realização ou violação de tais princípios, podem afetá-los.
São atos de fala: ordenar, perguntar, prometer, afirmar, etc. Esses atos são possíveis
se obedecem a certas regras.

O ato de fala é um enunciado realizado em condições apropriadas. É a unidade mínima da


comunicação linguística. Uma oração enquanto unidade abstrata não pode ser unidade
básica da comunicação humana, porque carece da dimensão fundamental que é a de ser
produzida.

Toda linguagem está regulada por regras e princípios. No entanto, a regra precisa ser
acompanhada da atitude dos participantes do jogo de linguagem.

É preciso saber as regras que governam a emissão linguística. Na compreensão dessas


regras, ele se interessa no elemento ilocucionário. Para ele existe uma relação sistemática
entre um imperativo e um ato de fala “ordem”, ou entre uma oração interrogativa e uma
“pergunta”. Ou seja, o contexto, ou as condições exercem uma força muito maior no ato de
fala que o ato de fala em si mesmo.

A força ilocutiva deve ser buscada na sintaxe das estruturas e na semântica.

Austin separava oração e enunciado. Searle diferencia semântica e pragmática. Semántica


equivaleria ao elemento oração e pragmática ao enunciado.
Para ele, em um enunciado podem coexistir três tipos de atos diferentes:
1) Ato de emissão: emissão de palavras
2) Ato proposicional: o referir de forma organizada essas palavras
3) Ato ilocucionário o ilocutivo: enunciar, perguntar, mandar, prometer. É um ato
comunicativo.

É preciso analisar (i) o indicador proposicional e (ii) o indicador da força ilocutiva.

(i) É o conteúdo expresso pela proposição.


(ii) Mostra em que sentido a proposição deve ser interpretada.

a. Entonação:
b. Ênfase prosódica
c. Ordem das palavras
d. Predicados realizativos

quinta-feira 20 de setembro

Apresentação do Felipe. Cap. 6-7-8 do livro How to do thing with words.

Cap. 2
Componentes materiais: Emissor, Destinatário, Enunciado, Entorno.

Temos que ver se o texto é narrativo (análise narrativa, semântica, estrutural, etc.) ou
discurso (gênero literário, análise retórica, etc.).

Metodologicamente:
Diacronia: O mundo por detrás do texto (intentio auctoris)
Sincronia: O mundo dentro do texto (intentio textus)
Pragmalinguística: O mundo diante do texto (intentio lectoris)

Mc 1, 16-18
Para reconhecer uma cena

Temporal Quando?

Espacial Onde?

Actancial Quem?
a) Quem está em primeiro plano: verbo no perfeito
b) Quem está em segundo plano: verbo no imperfeito/ particípio/ gerúndio?
Estão no segundo plano, mas em níveis diferentes:
Caminhando (Nível III)
Lançaram as redes (Nível II)
Eram pescadores (Nível I)

Toda narração tem nó e desenlace.

Nó: a) Composição da cena (elementos: temporal, espacial e actancial)


b) Nó (a razão de existir do texto)

Desenvolvimento ou complicação

Desenlace:
a) por peripeteia: quando o foco é uma ação
b) por anagnórisis: quando o foco é uma revelação
Conclusão

Dever de casa: Jo 2, 1-12

quinta-feira 11 de outubro

Jo 2, 1-12
v.1 Mãe não é o centro da narração, porque é um texto ‘sinal’ que é escrito para despertar a
fé. A mãe está no segundo plano porque não precisa despertar sua fé, ela já tem a fé.

v.3 é o nó. Repete o termo ‘vinho’


Pragmalinguisticamente, o ponto central é o leitor.
O leitor é privilegiado em relação aos personagens, porque o leitor já sabe desde o começo
do versículo que não há vinho na festa.

v.6-12
Buscar elementos pragmalinguisticos
Desenlace por peripeteia ou anagnorese
Qual é o apelo performativo desse primeiro cenário?

quinta-feira 25 de outubro

Para compreender uma implicatura conversacional

(1) Cultura
(2) Código linguístico
(3) Teologia do autor

P. ex. Jo 1,27: Desata a sandália o Goel, o que quer ocupar o lugar do outro... Então, João
Batista diz que não pode desatar sua sandália, porque não pode ocupar o lugar de Jesus.
Isso, porque tem uma briga entre João Batista e Jesus.

Exposição da cena: v. 1-2


Nó: v. 3-5, porque tudo isso cria um suspense.
Complicação: v. 6-8
Desenlace:
Desenlace ontológico: v. 8 (já levam a água transformada em vinho)
Mas no v. 9, o leitor sabe que essa água foi transformada e portanto esse é o
desenlace  peripeteia
No v. 11  anagnorese
Conclusão: v. 12

Leitura pragmática:
Para que esse texto foi escrito?
 Suscitar a fé em Jesus
Implicatura Por detrás desse primeiro sinal está a revelação de que Ele é o Messias,
porque no AT (nos profetas) relaciona vinho e messianismo.

 Imperativo (v. 5)  sempre que se faz tudo o que Ele diz, o resultado vai ser abundância
de bens.

Exercício:
Jo 4,46-54

Quinta-feira 01 de novembro

Exposição da cena: v. 46
Temporal: v.43: terceiro dia (inclusão com 2,1)
Local: Caná da Galileia
Actancial: Jesus (1ro plano), funcionário (2do plano), filho (3ro plano, porque está
em Cafarnaum).

Nó: v. 47
Complicação: v. 48-49
Desenlace:
51: porque aí o leitor fica sabendo

Desenlace ontológico: v. 50
51 peripeteia
No v. 50b / 53  anagnorese
Conclusão: v. 53

Leitura pragmática:
Para que esse texto foi escrito?
 Suscitar a fé em Jesus (v. 53)

 Imperativo (v. 50)  envio = vida

quinta-feira 08 de novembro

H. Eco: Lector in fabula: Grupo de vários textos de reflexão.


Leitor modelo é um artigo que vale a pena ler.
Ao falar de leitor modelo, Eco parte do suposto que todo texto é incompleto, porque é o
leitor que vai completar o texto.

Além do fato que o texto é incompleto porque depende do leitor que irá completa-lo,
também é incompleto porque é composto por palavras, frases e termos isolados. Ou seja, é
incompleto porque está vinculado a um código. Então, o texto pressupõe um leitor modelo
e, portanto, um leitor competente.

O texto está cheio de espaços brancos que precisam ser preenchidos. Por isso, o autor prevê
o leitor modelo e move seu texto em direção à construção desse leitor.

O mais interessante na teoria de Eco é que prever um leitor modelo não é esperar a
existência desse leitor, mas mover o texto em busca da construção desse leitor. Mas, a
competência do destinatário não é necessariamente a mesma no emitente.

O texto é um produto, cujo destino interpretativo deve fazer parte do mecanismo gerativo.
O que faz com o texto mover em busca da construção do leitor.

2Jo

Existe uma linguagem codificada, um grupo fechado. E que aqueles que não fazem parte
desse grupo não estão impelidos a se amar.

1) Verdade (4x): tonalidade locativa, objetiva e causativa.


2) Amor (3x)

Indícios pragmalinguísticos: amemo-nos (5) e vivais no amor (6)

A pragmática do texto é ter relação de caridade entre os membros da comunidade e também


não tem obrigação de amar a quem não confessa a fé em Cristo.
-Estrutura da carta
-Destinatário e finalidade: a pragmática
-O tom da carta é exortativo, apologético, doutrinal?
-Que tema é o mais recorrente?
-Que leitor modelo o texto pressupõe?
-Como o texto constrói o leitor?

Prova: 1Tes
Quinta-feira 22 de novembro
Critério epistolográfico

Critério da estruturação do texto


(i) Praescriptum
(i.i) titulatio (título)
i.i.i. superscriptio (remetente)
i.i.ii. adscriptio (destinatário)
(i.ii) salutatio (saudação)
(ii) Corpus
(iii) Postscriptum
(iii.i) subscriptio (assinatura)
(iii.ii) salutatio (saudação)

Carta de Judas

(i) Praescriptum v. 1-2


(i.i) titulatio (título)
i.i.i. superscriptio (remetente)
v. 1: Judas...
Se identifica para dar: Autenticidade, Autoridade, Afetividade
(essas são hipóteses)

i.i.ii. adscriptio (destinatário)


v. 1: aos que foram chamados por Deus e guardados em Jesus
Cristo

(i.ii) salutatio (saudação)


v. 2

(ii) Corpus

As cartas do NT tendem a ser parenéticas (conselhos relacionados à ética/


hălāchā (‫)הֲ לָ כָה‬: Moral social, sexual, comunitária, virtudes) e doutrinais
(doutrina/ āggadhā (‫)אגדא‬: reta ortodoxia). Parênese e doutrina recorda a
tradição rabínica do halaká e aggadá. Todos os temas parenéticos e
doutrinais estão relacionados ao destinatário da carta. Os temas respondem
a uma realidade em crise.
v. 3: Tendência sectária (nós/transmitidos aos santos)

(iii) Postscriptum
(iii.i) subscriptio (assinatura)
Não tem

(iii.ii) salutatio (saudação)


Não tem

CRITÉRIO EPISTOLOGRÁFICO – Guia para a prova

1Ts 1,1–5,28

α) Critério de estruturação de um texto epistolográfico

(i) Praescriptum: (1,1)


(i.i) titulatio (título) – Πρὸς Θεσσαλονικείς Α´ (Para os
Tessalonicenses, 1,1b)
i.i.i. superscriptio (remetente): Paulo (+ co-remetentes),
Silvano e Timóteo (1,1a)

i.i.ii. adscriptio (destinatário): à Igreja d[os] tessalonicenses,


Igreja em Deus Pai e n[o] Senhor Jesus Cristo (1,1b)
(i.ii) salutatio (saudação): graça a vós e paz [da parte de Deus
nosso Pai e do Senhor Jesus Cristo] (1,1c)

(ii) Corpus: (1,2–5,22)

(iii) Postscriptum: (5,23-28) – conclusão habitual, pede que todos leiam a


carta (5,27)
(iii.i) subscriptio (assinatura): não consta
(iii.ii) salutatio (saudação) – (5,23-28): O Deus da paz, ele
próprio, os santifique totalmente; [...]

β) Indícios pragmalinguísticos:

1Ts 4,1-12: exortação à vida cristã baseada na pureza e no amor fraterno;


1Ts 4,14 –5,11: instrução e exortação referente à Parusia (παρουσία) e ao Dia do
Senhor (ἡμέρα κυρίου);

1Ts 5,12-22: exortação à vida (organização) interna comunitária: relacionamento
com aqueles que têm na comunidade uma posição de “relevo” (direção e cuidado)
– (5,12-13); solicitude recíproca entre os membros-irmãos (5,14-15); constante
relação com Deus (5,16-18); experiências carismáticas – não contristar o Espírito
(5,19), acolher os dons da profecia (5,20), avaliar cada coisa, e escolher o que é
bom (5,21), evitar o mal (5,22) – (5,19-22); oração (1,2; 5,17)

O convite a “vigiar e ser sóbrio” – anseio de uma vivência permanente do próprio
batismo com o intuito de preparar-se, individualmente, para o Dia do Senhor.

Uso das antíteses, que apresentam a novidade cristã do batismo (ἐνδύω, revestir;
ἐνδυσάμενοι: aor. médio, revestidos – 5,8: metáfora do revestimento de Cristo no
batismo) e da imersão do batizado na ressurreição de Cristo: mediante o batismo
o cristão já ressuscitou para a vida nova e aguarda confiante a ressurreição
definitiva no fim dos tempos (5,1-11).

A pragmática do texto visa er relação de caridade entre os membros da


comunidade e também não tem obrigação de amar a quem não confessa a fé em
Cristo.

- Estrutura da carta

1. Destinatário e finalidade: a pragmática do texto: destaca-se o nome do autor-


remetente: Paulo, Silvano e Timóteo (1,1a), e o destinatário: à Igreja dos
tessalonicenses.

2. Objetivo: incentivar os tessalonicenses a estar preparados para o Dia do


Senhor: no dia da sua Parusia, Deus, com Cristo, reunirá os irmãos que tiverem
morrido na fé e tiverem morrido em Jesus Cristo (1Ts 1,9s; 4,14-16);
– Estar pronto: conduzir-se pela luz (5,5), viver a fé, o amor e a esperança da
salvação (5,8), permanecer unido a Cristo e edificar-se mutuamente no Senhor
(5,10-11).
– aguarda a parusia com paciência e perseverança (1Ts 1,3); trabalhar
constantemente (4,10-12), vigiar e ser sóbrio (5,6).

3. O tom da carta é exortativo, apologético, doutrinal?


– Aspecto parenético exortativo: (1,6-8) e mormente, 4,1-12 (caracteriza-se por
exortações, encorajamentos, advertências, instruções), onde ressalta o viver
próprio da vocação cristã (santidade de vida, castidade [4,3-8]; amor fraterno –
recebido de Deus: 4,9-12), diametralmente oposto ao modo de vida pagão modo
de vida digna
– Uma série verbos imperativos (5,14-22:)

– Aspecto doutrinal (teológico):

Paulo apresenta uma síntese do kerygma pregado anteriormente (antes da


redação da carta) – (1,9-10);
– missão recebida por Paulo: denota a autocompreensão do seu apostolado: sob
o impulso do Espírito (1,5); retidão diante de Deus (2,5-6); não ser um peso à
comunidade (2,7); apóstolo como um pai (2,7-8), e como uma mãe (2,11-12);
eficácia comprovada – os tessalonicenses se converteram do paganismo ao Deus
vivo, aguardam a vinda de Cristo na Parusia para serem livres da ira futura (1,9-
10), vivem a fé, a esperança e o amor (1,3); sob o poder do Espírito Santo, são
modelos para os outros (1,7-8).

– Que tema é o mais recorrente?

O tema da escatologia parece ser a espinha dorsal do escrito; os outros termos


giram em torno dele: o Dia do Senhor/ de Cristo (1,9s; 4,14-16), Parusia (ira: 1,10),
como será aquele momento (4,13–5,11); virá como um ladrão na noite (5,2);
antíteses: luz-trevas (5,5), revestir-batismo (5,8; 5,10-11); vigilância e sobriedade
(4,10-12; 5,6)

– Que leitor modelo o texto pressupõe?

O texto gera empatia com o leitor: ele se sente próximo-íntimo do autor (1,2-10);
– recurso da captatio benevolentiae;
– lembrança dos tessalonicenses como recordação “ab imo pectore” (2,17–3,5).

– Como o texto constrói o leitor?

Paulo destaca o testemunho notório dos tessalonicenses por Macedônia e Acaia:


os tessalonicenses se tornaram um modelo da fé cristã e arautos do cristianismo
numa vasta extensão geográfica, seja pelo próprio testemunho como pela eficaz
propagação da fé (1,7-8); fé que se encarna na vida como força dinâmica e
atuante, e não se reduz a atitudes contemplativas, nem tampouco a mera postura
intelectual e teológica.
– importância da imitatio (sequela Christi): Paulo imita o Senhor e os
tessalonicenses o imitam e ao Senhor (1,6). Por isso eles se tornam modelos para
os que creem na Macedônia e na Acaia (1,8).
Paulo chega a Tessalônica após ter sofrido maus tratos em Filipos (2,1-2), não
para engar os tessalonicenses, nem para agradar aos homens (2,3-6).
– Boa acolhida ao evangelho (2,13-16)
Experiência a vida cristã em vista da vinda do Senhor: quando o Senhor chegar
deve encontrar os tessalonicenses santos e imaculados (3,13; 5,23).
– O leitor modelo é alguém que conhece o kerigma, o Evangelho, tem
conhecimento da parusia, da fé, esperança e amor, mas conserva algumas
dúvidas sobre questões importantes da fé cristã: ressurreição, Dia do Senhor. O
leitor implícito também se identifica com tais questões.

Abertura: 1,1 Praescriptio 1,1


Corpus (1,2–5,22) Exordium: 1,1-10
Agradecimento: 1,2-10 Narrativo: 2,1–3,10
Parênesis: 4,1–5,22: Partitio: 1,11-13
introdução: 4,3-12 Trasitus – (Wanamaker: 3,11-13)
a. parênesis: 4,3-12 Probatio: 4,1–5,3
b. destino final dos cristãos: Peroratio: 5,4-11
a. parênsis: 5,9-11 Exhortatio: 5,12-22
b. destino final dos cristãos: 5,9-11
a. parênesis: 5,12-22
desejo-oração escatológica: 5,23-24
Postscriptum: 5,23-28 Conclusio: 5,23-28
Abertura: 1,1
Corpus (1,2–5,22):
– Agradecimento 1,2-10
– Parênese: 4,1–5,22
– Postscriptum: 5,23-28