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Escola Secundária/3 Aurélia de Sousa - Porto

Teste de História
8º Ano Outubro de 2010

1.1. Relaciona a Revolução de 1383/85 com a Expansão Portuguesa.


Proposta de Correcção – 10 pontos
A Revolução de 1383/85 é responsável por ter colocado uma nova classe dirigente mais empreendedora
e inovadora que a anterior. A Dinastia de Avis ao expulsar a velha nobreza de Portugal, cúmplice de
Castela, criou uma nova nobreza mais empenhada na saída para a grave crise europeia que vigorava
nos finais do século XIV. A burguesia também foi muito beneficiada, tendo sido chamada para o apoio
ao governo de D. João I. O facto de entre a Ínclita Geração figurar os nomes do Infante d. Henrique e D.
Pedro foi também um grande impulso para a Expansão portuguesa. 7 pontos
Utilização da linguagem específica da disciplina – 3 pontos
1.2. Refere as motivações do clero, da nobreza, do povo e da burguesia para o arranque da expansão
portuguesa. – 8 pontos
Clero – alargamento da fé cristã e conquista de terras.
Nobreza – acesso a mais cargos administrativos e militares. Mais terras.
Burguesia – Acesso a mais mercados e rotas que fizessem aumentar os seus negócios.
Povo – mais oportunidades de trabalho e possibilidades de enriquecimento.5 pontos
Utilização da linguagem específica da disciplina e estruturação da resposta – 3 pontos
1.3. Explica qual o conhecimento do mundo que realmente se tinha no século XV. – 6 pontos
O mundo conhecido até ao século XV compreendia o Norte de África, a Europa e as descrições muito
fantasiosas, por causa das viagens de Marco Pólo, de grande parte da Ásia. O planisfério era, por isso,
muito incompleto e pensava-se que o diâmetro da Terra era muito mais pequeno do que era realmente.
Também se acreditava em monstros e que o inferno se encontraria perto do equador. 4 pontos
Utilização da linguagem específica da disciplina e estruturação da resposta –2 pontos

1.4. Diz qual a importância da caravela. – 6 pontos


A

Caravela foi um barco tipicamente


português que foi construído tendo em conta as características do Oceano Atlântico e que substituiu a
Barca: Proa levantada, maior tonelagem de carga, velas triangulares que permitiam navegar à bolina e
leme de cadaste. 6 pontos.
1.5. Enumera três instrumentos náuticos que os portugueses usaram nas suas viagens e diz para que
serviam. 4 pontos
Astrolábio – Permitia calcular, com base na altitude do sol, a latitude onde se encontrava o barco.
Bússola – permitia calcular os pontos cardeais e definir a rota do barco.
Mapa Portulano – mapas que permitiam definir os contornos da costa conhecida, o regime de ventos e
os movimentos das marés. Tinham assinalados os principais portos.

II
2.1. Avalia a tomada de
Ceuta, em 1415,
referindo as
consequências práticas dessa mesma conquista (observa com atenção o mapa apresentado). 8 pontos
Os portugueses conquistaram Ceuta tendo em conta a luta contra a pirataria moura que atacava as
costas portuguesas, o alargamento da fé cristã, a conquista de terras, o controlo da entrada e saída de
barcos entre o Atlântico e o Mediterrâneo e a tentativa de ganhar o controlo das rotas caravaneiras de
ouro, marfim e escravos, vindas de África. 3 pontos; O resultado não foi o esperado: os mouros
desviaram as rotas e cercaram a praça de Ceuta isolando os portugueses. No entanto a ordem foi de lá
permanecer, visto que seria um ponto estratégico importante para o início da Expansão. 3 pontos.
Utilização da linguagem específica da disciplina e estruturação da resposta –2 pontos

2.2. Analisa a forma como foram explorados o arquipélago dos Açores e da Madeira. 10 pontos
As Ilhas dos Açores e da Madeira foram colonizadas pelo sistema de capitanias-donatarias. Foram
doadas terras a colonizadores vindos de Portugal que tinham um prazo limitado para terem lucro.
Assim, dos Açores veio o gado, a urzela e o pastel assim como mais plantas tintureiras e trigo; da
Madeira veio a cana-de-açúcar, o vinho e a madeira. 7 pontos.
Utilização da linguagem específica da disciplina e estruturação da resposta –2 pontos

2.3. Apresenta os poderes de um capitão-donatário. 6 pontos


Um capitão donatário era o representante do Rei nas terras a colonizar e tinha poderes judiciais, de
doar terras a quem entendesse, militares, de cunhar moeda e de lançar impostos. 6 pontos
2.4. Explica a importância da Feitoria da Mina. 5 pontos
Uma feitoria era um entreposto comercial, fortificado, com uma guarnição militar e que tinha por
objectivo contactar e submeter as populações locais em busca de produtos que fossem rentáveis para a
metrópole. Servia igualmente para armazenar, trocar e vender produtos vários. 5 pontos

2.5. Descreve o contrato de Fernão Gomes na costa ocidental africana. 7 pontos


O contrato de Fernão Gomes foi assinado entre este, que era um grande mercador e burguês lisboeta, e
D. Afonso V que não estava muito interessado na continuação da exploração da costa ocidental africana.
Assim, o contrato consistia na obrigatoriedade da descoberta de 100 léguas de costa por ano, tendo a
duração de 5 anos. Fernão Gomes ultrapassou os termos deste contrato, em 100 léguas e fundou a
feitoria de S. Jorge da Mina que provou que esta viagem poderia ser lucrativa. 5 pontos.
Utilização da linguagem específica da disciplina e estruturação da resposta –2 pontos

2.6. Lê o seguinte texto dos Lusíadas de Camões: 12 pontos

«Eu sou aquele oculto, e grande cabo,


A quem chamais vós outros das Tormentas (…)
Aqui toda a Africana costa acaba
Neste meu promontório
Que o Pólo Antárctico se estende,
A quem vossa ousadia tanto ofende»
Mostra a importância da ultrapassagem deste cabo, nomeando quem o dobrou e referindo-te às
dificuldades sentidas pelos portugueses na exploração da costa ocidental africana.
Referência obrigatória e fundamentada ao poema de Luís de Camões – 3 pontos
O poema de Camões reflecte o medo que os marinheiros portugueses tinham do Cabo das Tormentas,
situado na ponta sul de África e que, ao dobrá-lo, se provava a passagem do Atlântico para o Índico
facilitando as viagens futuras para a Índia. Só assim se pode compreender o que este poeta diz: «A quem
chamais vós outros da Tormentas/(…) Aqui toda a costa africana acaba/(…)» A dificuldade da
dobragem deste cabo não está só bem descrita neste poema, mas também no facto de, ao ultrapassá-lo,
D. João II o tenha denominado de Boa Esperança. 7 pontos
Utilização da linguagem específica da disciplina e estruturação da resposta –2 pontos

III

Observa os documentos que representam um tratado.

Representação do Tratado assinado em 1494, entre Portugal e Espanha

1. a) Refere o seu nome e diz qual a razão que levou D. João II a assiná-lo. 10 pontos
É o Tratado de Tordesilhas e foi assinado de modo a ultrapassar a questão levantada pela descoberta
das Américas por Colombo já que, pelo Tratado de Alcáçovas estes territórios pertenceriam a Portugal.
Assim, por proposta do Papa Alexandre VI foi definido uma linha de Norte a Sul, a 100 léguas a oeste de
Cabo Verde, sendo que a Este ficaria o território a explorar por Portugal e a Oeste o de Espanha. D.
João II deu ordens para que se não saísse das reuniões de Tordesilhas sem que essa linha passasse para
370 léguas, correspondendo ao que é hoje o Brasil. 7 pontos.
Utilização da linguagem específica da disciplina e estruturação da resposta –3 pontos

b) Qual a importância das viagens de Vasco da Gama e de Pedro Álvares Cabral? 8 pontos
A importância das viagens de Vasco da Gama foi não só o de ter inaugurado a rota marítima para a
Índia, mas também o de ultrapassar finalmente o comércio europeu do oriente que era, na ocasião,
controlado totalmente pelos italianos e mouros. Deu também início ao Império Português do Oriente que
esteve nas mãos de Portugal durante séculos e foi responsável pela recepção de grandes somas no país
do comércio das especiarias. O Brasil foi descoberto por Pedro Álvares Cabral e deu início a um
comércio triangular altamente rentável para Portugal, baseado principalmente no comércio do açúcar. 6
pontos.
Utilização da linguagem específica da disciplina e estruturação da resposta –2 pontos

Bom trabalho.

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