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UNIVERSIDADE FEDERAL DO RECÔNCAVO DA BAHIA

CENTRO DE CIÊNCIAS EXATAS E TECNOLÓGICAS

BACHARELADO EM CIÊNCIAS EXATAS E TECNOLÓGICAS

ESTUDO DA ESTABILIZAÇÃO DE UM SOLO


RESIDUAL JOVEM COM CIMENTO

GABRIEL BARBOSA DA SILVA

CRUZ DAS ALMAS


2017
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RECÔNCAVO DA BAHIA

CENTRO DE CIÊNCIAS EXATAS E TECNOLÓGICAS

BACHARELADO EM CIÊNCIAS EXATAS E TECNOLÓGICAS

ESTUDO DA ESTABILIZAÇÃO DE UM SOLO


RESIDUAL JOVEM COM CIMENTO

GABRIEL BARBOSA DA SILVA

Trabalho de conclusão de curso apresentado à


Universidade Federal do Recôncavo da Bahia como
parte dos requisitos para obtenção do título de
bacharel em ciências exatas e tecnológicas.

Orientador: Prof. Msc. Weiner Gustavo Silva Costa

CRUZ DAS ALMAS


2017
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RECÔNCAVO DA BAHIA

CENTRO DE CIÊNCIAS EXATAS E TECNOLÓGICAS

BACHARELADO EM CIÊNCIAS EXATAS E TECNOLÓGICAS

ESTUDO DA ESTABILIZAÇÃO DE UM SOLO


RESIDUAL JOVEM COM CIMENTO

GABRIEL BARBOSA DA SILVA

Aprovada em: _____/_____/_____

EXAMINADORES:

ASS _______________________________________________
Prof. Dr. José Humberto Teixeira dos Santos
(Examinador - UFRB)

ASS _______________________________________________
Prof. Eng. Maselia Fernandes de Magalhães
(Examinador - UFRB)

ASS _______________________________________________
Prof. Msc. Weiner Gustavo Silva Costa
(Orientador - UFRB)

CRUZ DAS ALMAS


2017
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RECÔNCAVO DA BAHIA
CETEC – CENTRO DE CIÊNCIAS EXATAS E TECNOLÓGICAS
BACHARELADO EM CIÊNCIAS EXATAS E TECNOLÓGICAS

ESTUDO DA ESTABILIZAÇÃO DE UM SOLO RESIDUAL JOVEM COM

CIMENTO

RESUMO

Em obras civis depara-se com a presença de solos de comportamento


mecânico, algumas vezes, inadequado. Solos saprolíticos e solos jovens,
normalmente apresentam desempenho muito variável, dependendo da rocha de
origem. Em virtude disso, o objetivo deste trabalho foi avaliar a estabilização de
um solo residual jovem com cimento, avaliando as modificações em suas
propriedades físicas e mecânicas. O solo em questão trata-se de um solo
coletado no município de Cachoeira/BA proveniente de um talude de corte,
instável, às margens da BR 101. Como agente estabilizante foi utilizado o cimento
Portland CP II-Z-32. Para atingir o objetivo foram realizados ensaios para a
caracterização do solo, resistência à compressão simples e CBR, com o solo
natural e com adição de 2 e 4% de cimento em relação a massa seca do solo.
Para o ensaio de resistência à compressão foi analisado a relação entre o
aumento da resistência e o teor de cimento da mistura, e foi feita uma
comparação entre a resistência de corpos de prova compactados dinamicamente
e estaticamente. Com base nos resultados obtidos, foi comprovado que o cimento
tem um efeito positivo no melhoramento do solo, pois aumenta a capacidade de
suporte e as demais características mecânicas.

Palavras-chave: estabilização do solo, capacidade de suporte, solo melhorado


com cimento
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RECÔNCAVO DA BAHIA
CETEC – CENTRO DE CIÊNCIAS EXATAS E TECNOLÓGICAS
BACHARELADO EM CIÊNCIAS EXATAS E TECNOLÓGICAS

STUDY OF THE STABILIZATION OF A YOUNG RESIDUAL SOIL WITH CEMENT

ABSTRACT

In civil works can occur soils of inadequate mechanical behavior. Saprolite


soils and young soils usually show very variable performance depending on the
source rock. Thus, the objective of this work was to evaluate the stabilization of a
young residual soil with cement, analyzing the modifications in its physical and
mechanical properties. The soil in question was a soil collected in the municipality
of Cachoeira, Bahia, from an unstable slope, at the BR 101 highway banks. Portland
cement CP II-Z-32 was used as stabilizing agent. In order to reach the objective,
tests were carried out for soil characterization, resistance to simple compression
and CBR, with the natural soil and with 2 and 4% cement addition in relation to the
dry mass of the soil. For the compressive strength test, the relationship between the
increase in resistance and the cement content of the mixture was analyzed, and a
comparison was made between the resistance of dynamically and statically
compacted specimens. Based on the results obtained, it was observed that cement
has a positive effect on soil improvement. There was an increase in support capacity
and other mechanical characteristics.

Keywords: soil stabilization, bearing capacity, soil improved with cement


AGRADECIMENTOS

Primeiramente a Deus, pela vida e pelas pessoas que fazem parte dela. Por
me conduzir por toda minha trajetória, me orientando nas decisões que deviam ser
tomadas.

Ao meus pais Edmilson e Cristina, por todo apoio, amor e confiança, me


motivando sempre a seguir meus sonhos e objetivos. Por fazerem de mim a pessoa
que sou hoje, a vocês eu devo tudo.

A minha irmã Anna Júlia, pela amizade e companheirismo.

Aos meus familiares e amigos que sempre estiveram ao meu lado e que
mesmo longe me fazem companhia. Em especial aos amigos esforçados que o
BCET me presenteou, por cada etapa que vencemos juntos.

Ao meu orientador, professor Weiner Costa, pelos ensinamentos e


confiança, e por sempre estar presente quando foi preciso, tornando possível a
conclusão deste trabalho.

A todos que de alguma forma auxiliaram na realização deste trabalho.


LISTA DE TABELAS

Tabela 3-1 - Composição dos tipos de cimento Portland ..................................... 21


Tabela 3-2 - Nomenclatura de cimento Portland .................................................. 22
Tabela 4-1 - Normas referentes aos ensaios ....................................................... 26
Tabela 5-1 - Limites de Atterberg do solo natural................................................. 35
Tabela 5-2 - Peneiramento grosso do solo natural............................................... 36
Tabela 5-3 - Peneiramento fino do solo natural.................................................... 36
Tabela 5-4 - Classificação granulométrica do solo ............................................... 37
Tabela 5-5 - Massa específica do solo natural ..................................................... 37
Tabela 5-6 - Resultado do ensaio de compactação ............................................. 38
Tabela 5-7 - Resultado do CBR e Expansão para o solo natural ......................... 40
Tabela 5-8 - Correlação provável entre C.B.R. e Classificação Unificada ........... 41
Tabela 5-9 - Limites de Atterberg do solo S2 ....................................................... 41
Tabela 5-10 - Peneiramento grosso do solo S2 ................................................... 42
Tabela 5-11 - Peneiramento fino do solo S2 ........................................................ 42
Tabela 5-12 - Classificação granulométrica do solo S2 ....................................... 43
Tabela 5-13 - Massa específica do solo S2 ......................................................... 43
Tabela 5-14 - Resultado do ensaio de compactação do solo S2 ......................... 44
Tabela 5-15 - Resultado do CBR e Expansão para o solo S2.............................. 47
Tabela 5-16 - Limites de Atterberg do solo S4 ..................................................... 47
Tabela 5-17 - Peneiramento grosso do solo S4 ................................................... 48
Tabela 5-18 - Peneiramento fino do solo S4 ........................................................ 48
Tabela 5-19 - Classificação granulométrica do solo S4 ....................................... 49
Tabela 5-20 - Massa específica do solo S4 ......................................................... 49
Tabela 5-21 - Resultado do ensaio de compactação do solo S4 ......................... 50
Tabela 5-22 - Resultado do CBR e Expansão para o solo S4.............................. 53
Tabela 6-1 - Resumo dos limites de Atterberg dos solos ..................................... 53
Tabela 6-2 - Resumo da classificação granulométrica do solo ............................ 54
Tabela 6-3 - Resumo da massa específica dos solos .......................................... 55
Tabela 6-4 - Resumo do resultado dos ensaios de compactação dos solos ........ 56
Tabela 6-5 - Resultados do CBR e Expansão ...................................................... 58
LISTA DE FIGURAS

Figura 3-1 - Estrutura do solo (Fonte: GRANDE, 2003) ....................................... 12


Figura 3-2 - Perfil típico de solo residual (Fonte: DNER modificado, 1996) ......... 14
Figura 4-1 - Local de coleta do solo (Fonte: Adaptado do Google Earth) ............ 25
Figura 4-2 - Secagem da amostra de solo ao ar .................................................. 27
Figura 4-3 - Ensaio do limites de liquidez ............................................................. 28
Figura 4-4 - Ensaio do limites de plasticidade ...................................................... 29
Figura 4-5 - Execução do ensaio de analise granulométrica ................................ 30
Figura 4-6 - Execução do ensaio de compactação .............................................. 31
Figura 4-7 - Execução da compactação estática utilizando a prensa manual ...... 32
Figura 4-8 - Ruptura dos corpos de prova ............................................................ 33
Figura 4-9 - Corpos de prova imersos .................................................................. 34
Figura 4-10 - Execução da penetração ................................................................ 34
Figura 5-1 - Curva granulométrica do solo natural ............................................... 36
Figura 5-2 - Curva de compactação do solo natural............................................. 38
Figura 5-3 - Resultados do ensaio de resistência à compressão simples do solo SN
– Compactação Dinâmica .................................................................................... 39
Figura 5-4 - Resultados do ensaio de resistência à compressão simples do solo SN
– Compactação Estática ...................................................................................... 40
Figura 5-5 - Curva granulométrica do solo S2 ...................................................... 42
Figura 5-6 - Curva de compactação do solo S2 ................................................... 44
Figura 5-7 - Resultados do ensaio de resistência à compressão simples do solo S2
– Compressão Dinâmica – 7 dias......................................................................... 45
Figura 5-8 - Resultados do ensaio de resistência à compressão simples do solo S2
– Compressão Estática – 7 dias ........................................................................... 46
Figura 5-9 - Resultados do ensaio de resistência à compressão simples do solo S2
– Compressão Estática – 28 dias ......................................................................... 46
Figura 5-10 - Curva granulométrica do solo S4 .................................................... 48
Figura 5-11 - Curva de compactação do solo S4 ................................................. 50
Figura 5-12 - Resultados do ensaio de resistência à compressão simples do solo
S4 – Compressão Dinâmica – 7 dias ................................................................... 51
Figura 5-13 - Resultados do ensaio de resistência à compressão simples do solo
S4 – Compressão Estática – 7 dias .................................................................... 52
Figura 5-14 - Resultados do ensaio de resistência à compressão simples do solo
S4 – Compressão Estática – 28 dias .................................................................. 52
Figura 6-1 - Curva granulométrica dos solos........................................................ 54
Figura 6-2 - Curvas de compactação dos solos ................................................... 55
Figura 6-3 - Resultados de RCS para o solo compactado no processo Proctor .. 56
Figura 6-4 - Resultados de RCS para o solo compactado por compressão estática
............................................................................................................................. 57
Figura 6-5 - Comparação entre CD e CE ............................................................. 58
SUMÁRIO

LISTA DE TABELAS ................................................................................................... 7

LISTA DE FIGURAS ................................................................................................... 8

SUMÁRIO.................................................................................................................. 10

1 INTRODUÇÃO .................................................................................................... 10

2 OBJETIVOS ........................................................................................................ 11

2.1 OBJETIVO GERAL ......................................................................................... 11

2.1.1 Objetivos Específicos ............................................................................. 11

3 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA .......................................................................... 12

3.1 O SOLO .......................................................................................................... 12

3.1.1 Solos residuais ....................................................................................... 13

3.1.2 Solos saprolíticos ................................................................................... 14

3.2 ESTABILIZAÇÃO DO SOLO .......................................................................... 15

3.2.1 Compactação do solo ............................................................................. 16

3.2.2 Estabilização do solo com cimento ........................................................ 18

3.2.3 O cimento ............................................................................................... 20

4 MATERIAIS E MÉTODOS .................................................................................. 24

4.1 MATERIAL ...................................................................................................... 24

4.1.1 Solo ........................................................................................................ 24

4.1.2 Cimento .................................................................................................. 25

4.2 MÉTODOS...................................................................................................... 25

4.2.1 Preparação do solo ................................................................................ 27

4.2.2 Ensaios de caracterização do solo ......................................................... 27

4.2.3 Ensaio de resistência à compressão simples ......................................... 32

4.2.4 Ensaio CBR (Índice de suporte Califórnia - ISC) .................................... 33

5 APRESENTACÃO DOS RESULTADOS............................................................. 35


5.1 SOLO NATURAL (SN) .................................................................................... 35

5.1.1 Ensaios de caracterização do solo ......................................................... 35

5.1.2 Classificação do solo .............................................................................. 37

5.1.3 Ensaio de compactação ......................................................................... 37

5.1.4 Ensaio de resistência à compressão simples ......................................... 38

5.1.5 Ensaio CBR (Índice de suporte Califórnia - ISC) .................................... 40

5.2 SOLO COM ADIÇÃO DE 2% DE CIMENTO (S2) .......................................... 41

5.2.1 Ensaios de caracterização do solo ......................................................... 41

5.2.2 Ensaio de compactação ......................................................................... 43

5.2.3 Ensaio de resistência à compressão simples ......................................... 44

5.2.4 Ensaio CBR (Índice de suporte Califórnia - ISC) .................................... 47

5.3 SOLO COM ADIÇÃO DE 4% DE CIMENTO (S4) .......................................... 47

5.3.1 Ensaios de caracterização do solo ......................................................... 47

5.3.2 Ensaio de compactação ......................................................................... 49

5.3.3 Ensaio de resistência à compressão simples ......................................... 50

5.3.4 Ensaio CBR (Índice de suporte Califórnia - ISC) .................................... 53

6 DISCUSSÃO DOS RESULTADOS EXPERIMENTAIS ....................................... 53

6.1 ENSAIOS DE CARACTERIZAÇÃO DO SOLO ............................................... 53

6.1.1 Limites de Atterberg ............................................................................... 53

6.1.2 Análise granulométrica ........................................................................... 54

6.1.3 Massa específica dos sólidos ................................................................. 55

6.2 ENSAIO DE COMPACTAÇÃO ....................................................................... 55

6.3 ENSAIO DE RESISTÊNCIA À COMPRESSÃO SIMPLES (RCS) .................. 56

6.3.1 Compactação dinâmica .......................................................................... 56

6.3.2 Compactação estática ............................................................................ 56

6.4 ENSAIO CBR (ÍNDICE DE SUPORTE CALIFÓRNIA - ISC) .......................... 57


6.5 COMPARAÇÃO DO GANHO DE RESISTÊNCIA ENTRE A COMPACTAÇÃO
DINÂMICA (CD) E ESTÁTICA (CE) .......................................................................... 58

7 CONCLUSÃO ..................................................................................................... 59

8 SUGESTÕES PARA TRABALHOS FUTUROS .................................................. 60

9 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .................................................................... 61


1 INTRODUÇÃO

Com a crescente expansão das cidades, cada vez mais a engenharia tem
enfrentado problemas em áreas pretendidas, por conta das características do solo do
local, que pode apresentar uma baixa qualidade para o tipo de projeto desejado, como
por exemplo uma fundação ou uma rodovia. Como solução para esse tipo de problema
tem algumas técnicas que podem ser aplicadas, como: substituir o solo do local por
outro com características mais apropriadas ao projeto; levar em consideração as
características do solo e projetar contornando os problemas; ou modificar as
propriedades do solo local de modo que este atenda as exigências da obra
(CRISTELO, 2001).

O processo de modificação das propriedades do solo local é conhecido como


estabilização ou melhoramento do solo, e pode ser realizado por meio químico, físico
ou mecânico, com o objetivo de melhorar suas características. Este processo é
bastante empregado, visto que os outros métodos possuem um elevado custo para
sua realização, e o melhoramento com a compactação e aditivos é uma solução
possível (VITALI, 2008).

Em consequência da sua extensa área, o Brasil apresenta diversos tipos de


solos, completamente diferentes dependendo da região. Desse modo, o solo de um
local que é bom para uma determinada aplicação pode ser ruim para outras. Portanto,
é necessário a realização de pesquisas nessa área, com a finalidade de obter mais
dados sobre quais processos são convenientes para cada tipo de solo (SANTORI,
2015).

O melhoramento químico de solos com cimento, processo utilizado neste


trabalho, pode ser aplicado em praticamente qualquer tipo de solo, e é resultado da
ação físico-química do cimento sobre o solo, melhorando as propriedades da mistura.

Neste contexto, constantemente em obras deparam-se com a presença de


solos saprolíticos, em que seu desempenho varia muito dependendo da rocha de
origem. Em virtude disso, esse trabalho buscou como objetivo o estudo do
melhoramento de um solo saprolítico com cimento, avaliando as modificações em
suas propriedades físicas e mecânicas.

10
2 OBJETIVOS

2.1 OBJETIVO GERAL

O objetivo geral deste trabalho é avaliar a interação do solo saprolítico com


cimento.

2.1.1 Objetivos Específicos

Os objetivos específicos desta pesquisa são:

i. Avaliar a adição do cimento na caracterização do solo;


ii. Análise da relação entre o aumento da resistência à compressão e o
teor de cimento da mistura;
iii. Comparar o crescimento da resistência à compressão entre a
compactação dinâmica e a compactação estática.

11
3 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

Neste capítulo é apresentada uma revisão pertinente à compreensão dos


pontos estudados na pesquisa, os quais serviram para o desenvolvimento do trabalho
proposto, envolvendo aspectos relacionados à solos, sua definição e origem,
classificação, compactação e estabilização do solo com cimento.

3.1 O SOLO

De acordo com sua finalidade, o solo apresenta diferentes definições. Na língua


portuguesa, a palavra solo significa simplesmente a superfície do chão. No campo da
geologia, solo é o resultado do intemperismo das rochas. Vargas (1977), define solo
na agricultura como uma camada de terra tratável, que suporta as raízes das plantas.
Na engenharia, o termo solo expressa um material de construção ou mineração.

De acordo com a NBR 6502 (ABNT, 1995), o termo solo tem como definição
“Material proveniente da decomposição das rochas pela ação de agentes físicos ou
químicos, podendo ou não ter matéria orgânica”.

Formado de grãos separáveis por processos mecânicos e hidráulicos, os solos


são materiais não consolidados, que apresentam uma fácil dispersão em água e
podem ser escavados com equipamentos de terraplanagem (NOGAMI et al, 2000).

O solo é uma estrutura porosa, que de modo geral, apresenta partículas livres
para se moverem. Pode ser definido como um aglomerado de partículas sólidas, com
água, ou outro líquido, e ar (MIELI, 2009). A figura a seguir representa a estrutura do
solo:

Figura 3-1 - Estrutura do solo (Fonte: GRANDE, 2003)


12
O solo é resultado da decomposição das rochas pelo intemperismo, em função
do clima e organismos ao longo do tempo. O calor e a umidade são fatores climáticos
que merecem destaque, pois quanto maior a quantidade de radiação em uma
determinada superfície, mais rápido é o processo de intemperismo nela. Os fatores
orgânicos atuam de uma forma mais dinâmica na formação do solo, como a
interceptação de chuva pela parte aérea, retenção de solo pelas raízes, intemperismo
físico e químico, entre outros.

Segundo Vargas (1977), a formação dos solos depende de cinco fatores, sendo
eles o clima da região, a natureza da rocha mãe, a topografia do local, o agente
intempérico e os processos orgânicos. Por conta dos diferentes processos de
formação os solos apresentam propriedades distintas. Em função da origem, Vargas
(1977) separa os solos em quatro grupos:

i. Solos residuais;
ii. Solos transportados;
iii. Solos orgânicos;
iv. Solos pedogênicos.

3.1.1 Solos residuais

O solo residual é formado quando a velocidade de remoção dos produtos de


decomposição for inferior velocidade de intemperização da rocha, ocasionando assim
em um acúmulo deste solo. No intemperismo, temperatura e pluviosidade são fatores
climáticos que influenciam na velocidade de transformação dos materiais, assim como
a vegetação, o tempo e a natureza da rocha sã.

Os processos intempéricos ocorrem com maior incidência na superfície do solo.


Em consequência disso o solo residual apresenta um perfil dividido em horizontes,
devido aos diferentes graus de intemperismo. A espessura dos horizontes é variável
e a mudança entre materiais diferentes é progressiva (PAULO NETO, 2016).

O perfil de um solo residual, de acordo com Gerscovich (2012), pode ser


dividido em quatro camadas, sendo elas: solo residual maduro, que estão mais
próximos à superfície e não apresentam semelhanças com a rocha sã; logo após a
camada de solo residual jovem ou saprolítico, que contém características da rocha sã;

13
em seguida a rocha alterada, caracterizada como uma matriz de rocha; por fim a rocha
sã, que mantém as características originais inalteradas. Um perfil representativo deste
solo pode ser visto na Figura 3.2.

Figura 3-2 - Perfil típico de solo residual (Fonte: DNER modificado, 1996)

3.1.2 Solos saprolíticos

Em horizontes mais profundos, onde os processos intempéricos são menores,


é encontrado o solo saprolítico. Essa expressão foi adotada pelo Comitê de Solos
Tropicais da ISSMFE (1985). A presença de uma estrutura parecida com a rocha sã
é sua principal particularidade morfológica. Outra peculiaridade é que de acordo com
a rocha de origem, o solo pode variar de altamente expansivo, quando saturado, até
muito contrátil, quando seco. Nogami e Villibor (1981), apresentaram algumas outras
características:

i. A constituição mineralógica é reconhecida pela presença constante de


minerais obtidos da rocha de origem e resultantes do processo de
intemperização;
ii. Apresentam heterogeneidade e anisotropia destacadas;
iii. Possuem manchas e mosqueamentos com partes herdadas da rocha de
origem ou obtidas no processo de intemperismo;
iv. As espessuras dos horizontes são variadas, atingindo frequentemente
várias dezenas de metros.

Conforme Nogami e Villibor (1995), grande parte dos solos saprolíticos


possuem, com base nos índices classificatórios tradicionais, um valor de suporte
abaixo do previsto. Pastore (1985), cita que as causas para a instabilidade do

14
comportamento dos solos saprolíticos são, a existência de grupos de péssima
qualidade, a grande variabilidade nas propriedades do solo e a dificuldade de prever
o seu comportamento.

Na fração argila, minerais expansivos das famílias da ilita e da montmorilonita


podem ser encontrados, assim como outro argilomineral. A fração areia é composta
geralmente por quartzo e fragmentos de rocha. No caso da fração de silte, também
apresenta composição variada, podendo ocorrer a presença de argilominerais sob a
forma de “sanfonas” de mica, quartzo, caulinita, ilmenita e magnetita. A presença
elevada de concentração de mica na fração silte torna o solo muito expansivo
(VERTAMATTI, 1994).

3.2 ESTABILIZAÇÃO DO SOLO

Os solos há muito tempo são usados como material de construção civil, em


conjunto com pedras e madeiras, por conta da facilidade de manuseio e obtenção,
além do baixo custo. Desde o começo da utilização para essa finalidade, foi preciso
adaptar o uso as necessidades encontradas, e assim melhorar a durabilidade,
aumentar sua resistência e as demais características mecânicas.

Milani (2005) apud Fioratti (2008), define a estabilização do solo como sendo
processos que modificam as características do conjunto solo-água-ar, com o objetivo
de alcançar propriedades essenciais em uma aplicação desejada.

Segundo Ingles e Metcalf (1972), modificar as propriedades do solo de um


determinado local para que este atenda às necessidades de projeto é chamada de
“Estabilização de Solos”. Outros autores, como Mitchell (2001) utiliza o termo
“Melhoramento de Solos”. Núñez (1991) utilizou os dois termos, “Estabilização do
Solo” para misturas de solo e aditivo com características de resistência a qual permite
a aplicação como base para pavimentos rodoviários, e “Melhoramento do Solo” em
misturas que tiveram um baixo teor de aditivo, que embora sofreram mudanças nas
propriedades mecânicas, não possuem características capazes para uso como base.
Nesta fundamentação teórica não será feita a diferenciação dos termos, assim será
utilizado o termo empregado pelo autor citado.

15
Os métodos para essas melhorias podem ser classificados, de acordo com
Kezdi (1979) apud Núñez (1991), da seguinte forma:

i. Métodos físicos: reações físicas que conduzem à estabilização incluem:


a temperatura, hidratação, evaporação e adsorção. Um exemplo desse
método é a correção granulométrica;
ii. Métodos mecânicos: proporcionam ao solo a estabilidade sem a
combinação com aditivos. Dessa maneira, as propriedades podem ser
melhoradas por compactação;
iii. Métodos químicos: as reações químicas que possibilitam a estabilização
do solo são: a troca de íons, a polimerização, a precipitação e a
oxidação. Ocorre com o uso de aditivos, como cimento e cal.

A depender do problema esses métodos podem ser adaptados e geralmente


são utilizados em conjunto. Para solucionar o problema alguns fatores devem ser
considerados para a escolha do melhor método, como as propriedades do solo no
estado natural, as propriedades desejadas para o solo estabilizado e os efeitos no
solo após a estabilização (NÚÑEZ, 1991).

Vogt (1967) apud Balbo (1996), descreve estabilização de um solo como “uma
modificação de suas propriedades geotécnicas por adição de outro material, que
deverá ser intimamente incorporado ao solo, e uma subsequente compactação da
mistura”.

3.2.1 Compactação do solo

A compactação do solo é um método mecânico, que visa a redução do índice


de vazios do solo através da expulsão de ar dos poros, agrupando as partículas
aplicando-se uma carga externa. Sua finalidade é a obtenção de um material
modificado, que é apropriado para uma determinada aplicação. Solos compactados
são classificados como solos artificiais não saturados (BALMACEDA, 1991).

As modificações geradas pela compactação são permanentes, alterando as


propriedades originais do solo em diversos fatores, como no aumento da resistência
ao cisalhamento, redução da condutividade hidráulica e da compressibilidade,
aumento da densidade seca, entre outros. Além desses efeitos, a compactação

16
também modifica a estrutura do solo e a anisotropia de suas propriedades mecânicas
(MOREL, 1980; BALMACEDA, 1991).

Mitchell (1964) apud Werk (2000), citou os principais efeitos nas propriedades
do solo, que são a razão para a compactação:

i. Aumento da resistência;
ii. Redução da compressibilidade;
iii. Controle da tendência de variação volumétrica;
iv. Redução da permeabilidade;
v. Controle de propriedades resilientes;
vi. Diminuição da sensibilidade ao congelamento.

Ralph Proctor, em 1933, citado por Senço (1997) e Grande (2003), constatou
que a densidade de um solo compactado, depende do teor de umidade no instante de
sua compactação. Foi verificado por Proctor que, a adição de água ao solo, a uma
energia de compactação fixa, sua massa específica seca aumentava com a umidade
até um certo valor máximo, denominado massa específica seca máxima, e a partir
deste ponto, para teores de umidade maiores, começa a decrescer. Denomina-se o
teor de umidade ótima a umidade em que consegue-se atingir a massa específica
seca máxima. Ao plotar em um gráfico os pares de pontos, teor de umidade e massa
específica seca, é obtido a Curva de Compactação. De acordo com a NBR 7182
(ABNT, 2016), é preciso no mínimo cinco pontos para construção da curva, sendo dois
no ramo seco, dois no ramo úmido e um próximo à umidade ótima.

De acordo com Cruz (1964) apud Werk (2000), ao se analisar os solos


compactados tem-se que considerar o tipo de compactação utilizada. Sobreira (2014),
cita os métodos utilizados para compactação do solo em laboratório da seguinte
forma:

i. Compactação dinâmica ou por impacto – resume-se a deixar cair sobre


uma camada de solo, inserida em um cilindro padrão, um soquete a uma
altura e um número determinado de vezes. A depender do tipo de
energia que será aplicada as variáveis anteriores são modificadas, de
acordo com a NBR 7182 (ABNT, 2016);

17
ii. Compactação estática ou por pressão - é confinado uma amostra de
solo em um determinado molde e então aplica-se uma pressão sobre o
solo de forma uniformemente distribuída;
iii. Compactação por amassamento – atualmente a forma mais precisa e
consistente é utilizando o compactador giratório totalmente
automatizado da Servopac. A compactação é realizada sob uma ação
conjunta de compressão estática e a ação de corte decorrente do molde
sendo girado;
iv. Compactação por vibração – consiste em uma ação de vibração que
normalmente é executada por uma placa vibratória, podendo ser
adicionado uma sobrecarga sobre a amostra de solo;
v. Compactação por pisoteamento - é realizada com uma consecutiva
aplicação de altas pressões sobre áreas pequenas da amostra de solo,
por meio de um sistema composto por uma peça cilíndrica e uma mola
no seu interior, que pressiona verticalmente a amostra com variadas
pressões.

Cada um destes métodos origina em diferentes estruturas de solo. Os métodos


utilizados neste trabalho foram a compactação dinâmica e a compactação estática.

3.2.2 Estabilização do solo com cimento

É um processo de estabilização que se resume na preparação de uma mistura


de solo, cimento e água objetivando à ação físico-química do cimento sobre o solo,
melhorando as propriedades da mistura. De acordo com o Manual de Pavimentação
do DNIT (2006), essa estabilização é dividida em sua categoria: solo melhorado ou
modificado com cimento, com teor de cimento de 2 a 4%; e solo-cimento, de 6 a 10%.

O solo melhorado com cimento, com teores entre 2 e 5% em massa (50 – 100
kg/m³), tem características mecânicas e físicas geralmente menores ao do solo-
cimento tradicional, com teores de cimento entre 5 e 10% em massa (110 – 200 kg/m³)
(PITTA, 1984). De acordo com Ingles (1968) apud Emmert (2010) teores pequenos,
de 1% a 2%, são necessários para aumentar a capacidade de suporte e diminuir as
mudanças de volume, tornando o solo mais trabalhável.

18
Na prática, solos melhorados com teores de cimento entre 2 e 5% em massa,
tem como objetivo possibilitar a utilização de solos normalmente não adequados nos
critérios comuns de pavimentação, reduzindo a plasticidade, a variação volumétrica e
aumentando o valor de Índice de Suporte Califórnia. Entretanto, segundo Senço
(2001), para o solo melhorado ser utilizado em bases e sub-bases de pavimentos, são
fundamentais teores maiores que 4% de cimento, variando de acordo com o solo
escolhido.

O cimento pode estabilizar praticamente qualquer tipo de solo pois não


depende das reações com os minerais do mesmo. Por ser um ligante hidráulico, a
ativação do cimento, que faz com que ocorra a união do solo como uma cola, ocorre
somente pelo contato com a água. Esse fato pode ocasionar em um ressecamento do
solo pelo fato do cimento utilizar a água presente no solo (BUILDING RESEARCH
ESTABLISHMENE, 2002, apud PAULA, 2013).

Blücher (1951) considera que o limite máximo seguro do teor de matéria


orgânica presente no solo é 2%. As reações de hidratação do cimento são
prejudicadas pela presença de matéria orgânica nos solos. Em consequência disso,
problemas relacionados à desagregação do agregado miúdo e expansão ocorrem
devido à má aderência do agregado a pasta de cimento, pois as impurezas prejudicam
a pega e o endurecimento das argamassas, ocasionando na diminuição da resistência
(BAUER, 1987 apud EMMERT, 2010).

Segundo Sherwood (1962) apud Ingles e Metcalf (1972), reações expansivas


na pasta de cimento podem ser causadas pela presença de sais solúveis resultantes
da decomposição química dos minerais da rocha.

Após diversos ensaios, com variados tipos de solo, foi concluído que
independentemente do tipo de solo, quanto maior o teor de cimento maior a resistência
a compressão, e assim a durabilidade (SILVA, 1991). No entanto, segundo Ingles e
Metcalf (1972), é possível que ocorram fissuras no material se teor de cimento for
muito elevado e as condições de cura forem inapropriadas, acarretadas pela retração
por secagem.

De acordo com Núñez (1991), ocorrem dois tipos de processo durante a


estabilização do solo com cimento:

19
i. Reações de hidratação do cimento Portland
ii. Reações entre os argilominerais e a cal produto da hidratação do
cimento

O mesmo autor demonstra as reações da seguinte forma:

a) Reações de hidratação do cimento

+ → + ℎ çã
→ +2 ℎ ó

b) Reações entre os argilominerais do solo e a cal formada na hidratação

+2 + í
→ ℎ á
+2 + ! "
→ " ℎ á

A cimentação nos solos arenosos é equivalente ao que ocorre no concreto, mas


a parta de cimento atua somente nas superfícies de contato dos grãos. Os solos finos
possuem substâncias menos estáveis que reagem com o cimento, os argilominerais
(MOURA, 1987, apud PARENTE, 2002).

3.2.3 O cimento

Os materiais ligantes que em contato com água se autoativam, são


denominados ligantes hidráulicos. Os materiais que precisam de algum material para
reagir com ele para a sua ativação são os ligantes não-hidráulicos. Um ligante
hidráulico pode estabilizar praticamente todos os tipos de solo, mas a mistura
mecânica deve ser muito boa para não resultar em um produto heterogêneo no final.
Normalmente, os ligantes não-hidráulicos reagem com os minerais de argila do solo,
ocasionando assim em um material com suas propriedades geotécnicas melhoradas
(BUILDING RESEARCH ESTABLISHMENE, 2002, apud PAULA, 2013).

O cimento é um dos ligantes hidráulicos, obtido pela moagem do clínquer e,


para controlar o tempo inicial de “pega”, é adicionado gesso. Outras substâncias
podem ser adicionadas em seguida, sendo elas que especificam o tipo de cimento.
Por ser um ligante hidráulico, o cimento é ativado simplesmente pelo contato com
20
água, unindo o solo como se fosse uma cola. Como a água é utilizada nesse processo
de ativação, alguns solos podem apresentar ressecamento.

Mehta e Monteiro (1994) apud Grande (2003), separa as fases sólidas


presentes na pasta de cimento em quatro principais, são estas:

i. Silicato de cálcio hidratado (C-S-H) – resultante da hidratação do C2S e


C3S. É responsável pela durabilidade da matriz de concretos e
argamassa, por conta da resistência mecânica;
ii. Hidróxido de cálcio (CH) – igualmente a fase anterior, também é
originado pela hidratação do C2S e C3S. Por causa da sua solubilidade,
sua presença é prejudicial à durabilidade;
iii. Sulfoaluminatos de cálcio ou etringite - liberado na hidratação do C4AF
e do C3A na presença do gesso ou da gipsita;
iv. Grãos de clínquer não hidratados.

São produzidos no Brasil onze tipos de cimento Portland. As duas tabelas a


seguir foram retiradas da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP). A tabela
3-1 apresenta a composição de alguns tipos de cimentos, e a tabela 3-2, as
nomenclaturas.

Tabela 3-1 - Composição dos tipos de cimento Portland

Cimento Escória Material


Clínquer + Calcário
Portland Tipo siderúrgica pozolânico
Gesso (%) (%)
(ABNT) (%) (%)
CP I Comum 100 - - -
CP I - S Comum 95-99 1-5 1-5 1-5
CP II - E Composto 56-94 6-34 - 0-10
CP II - Z Composto 76-94 - 6-14 0-10
CP II - F Composto 90-94 - - 6-10
CP III Alto-forno 25-65 35-70 - 0-5
CP IV Pozolânico 45-65 - 15-50 0-5
Alta
CP V - ARI resistência 95-100 - - 0-5
inicial
Fonte: Associação Brasileira de Cimento Portland (2002)

21
Tabela 3-2 - Nomenclatura de cimento Portland

Identificação do
Nome técnico Sigla Classe
tipo e classe
25 CP I-25
Cimento Portland comum CP I 32 CP I-32
Cimento Portland
40 CP I-40
comum (NBR
5732) 25 CP I-S-25
Cimento Portland comum
CP I-S 32 CP I-S-32
com adição
40 CP I-S-40
25 CP II-E-25
Cimento Portland
CP II-E 32 CP II-E-32
composto com escória
40 CP II-E-40
Cimento Portland 25 CP II-Z-25
Cimento Portland
composto (NBR CP II-Z 32 CP II-Z-32
composto com pozolana
11578) 40 CP II-Z-40
25 CP II-F-25
Cimento Portland
CP II-F 32 CP II-F-32
composto com filer
40 CP II-F-40
25 CP III-25
Cimento Portland de alto-forno (NBR 5735) CP III 32 CP III-32
40 CP III-40
25 CP IV-25
Cimento Portland pozolânico (NBR 5736) CP IV
32 CP IV-32
25 Sigla e classe dos
Cimento Portland resistente aos sulfatos (NBR 32 tipos originais
-
5737) acrescidos do
40 sufixo RS
25 Sigla e classe dos
Cimento Portland de baixo calor de hidratação 32 tipos originais
-
(NBR 13116) acrescidos do
40 sufixo BC
25 CPB-25
Cimento Portland branco
CPB 32 CPB-32
Cimento Portland estrutural
40 CPB-40
branco (NBR
12989) Cimento Portland branco
CPB - CPB
não estrutural

Cimento para poços petrolíferos (NBR 9831) CPP G CPP - classe G


Fonte: Associação Brasileira de Cimento Portland (2002)

22
Grande (2003), cita que a maior parte do mercado atualmente é ocupada pelo
cimento Portland composto. Devido aos avanços científicos que buscam a qualidade
tecnológica e a preocupação com o consumo energético no processo de fabricação
do cimento, que acarretou na adição de materiais pozolânicos e escórias nas
composições do cimento Portland.

23
4 MATERIAIS E MÉTODOS

O objetivo desse capítulo é apresentar os materiais e métodos utilizados durante


a fase experimental da pesquisa, nos ensaios de laboratório para a caracterização do
solo e preparação dos corpos de prova. Os métodos de ensaios usados foram com
base nas normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) e da
American Association of State Highway and Transportation Officials (AASHTO).

4.1 MATERIAL

4.1.1 Solo

Coleta do solo

As amostras de solo estudadas nesta pesquisa foram coletadas de um talude


de corte localizado na Rodovia Governador Mário Covas, BR101 (Km 197), no
município de Cachoeira, no estado da Bahia. As coordenadas do ponto de coleta
foram Latitude 12°34'24.725"S Longitude 38° 58'52.729"W (Figura 4.1).

O solo em questão é um solo saprolítico localizado numa área de domínio do


complexo granito-gnaisse-migmatítico e granulitos segundo Carvalho e Ramos
(2010). O local de coleta se caracteriza por um talude de corte onde houve uma
ruptura.

24
Figura 4-1 - Local de coleta do solo (Fonte: Adaptado do Google Earth)

4.1.2 Cimento

O tipo de cimento utilizado em toda a pesquisa foi o Cimento Poty - CP II-Z-32.


Foi comprado e armazenado em sacos plásticos para evitar a hidratação do cimento.
O CP II-Z apresenta uma menor permeabilidade por ser um cimento Portland
composto com adição de um material pozolânico.

4.2 MÉTODOS

Nos itens posteriores será apresentado todos os procedimentos, desde a coleta


das amostras de solo até o último ensaio realizado. Logo após, serão descritos estes
procedimentos empregados, fazendo referência às normas técnicas seguidas.
Primeiramente todos os métodos serão listados a seguir.

i. Coleta, armazenamento e preparação do solo;


ii. Ensaios para caracterização do solo natural através da determinação da
massa específica, limite de plasticidade, limite de liquidez, análise
granulométrica e do ensaio de compactação;
25
iii. Classificação do solo;
iv. Ensaios para caracterização do solo (os mesmos do item ii.), no entanto
com adição de 2% e 4% de cimento, calculados em relação a massa
seca do solo;
v. Moldagem dos corpos de prova natural e melhorado com cimento na
umidade ótima por meio da compactação dinâmica;
vi. Moldagem dos corpos de prova natural e melhorado com cimento na
umidade ótima através da compactação estática;
vii. Ruptura à compressão simples dos corpos de prova sem adição de
cimento, moldados tanto por compressão dinâmica, como estática;
viii. Ruptura à compressão simples dos corpos de prova com adição de
cimento, moldados tanto por compressão dinâmica, como estática, aos
7 dias de cura;
ix. Ruptura à compressão simples dos corpos de prova com adição de
cimento, moldados tanto por compressão dinâmica, como estática, aos
28 dias de cura;
x. Determinação do índice de suporte Califórnia (ISC) e da expansão do
solo, para o solo natural e com a adição de cimento.

Na Tabela 4.1 são apresentadas as normas técnicas adotadas para cada


ensaio realizado.

Tabela 4-1 - Normas referentes aos ensaios

Ensaio Norma ABNT


Amostras de solo - Preparação para ensaios de
NBR 6457 (2016)
compactação e ensaios de caracterização
Determinação da massa específica NBR 6508 (1984)
Solo - Determinação do limite de plasticidade NBR 7180 (2016)
Solo - Determinação do limite de liquidez NBR 6459 (2016)
Solo - Análise granulométrica NBR 7181 (2016)
Solo - Ensaio de compactação NBR 7182 (2016)
Solo - Índice de suporte Califórnia (ISC) - Método de
NBR 9895 (2016)
ensaio

26
4.2.1 Preparação do solo

As amostras coletadas foram levadas ao Laboratório de Engenharia da


Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), onde foi realizado todos os
procedimentos experimentais do trabalho. Inicialmente o solo foi posto para secagem
prévia ao ar até próximo da umidade higroscópica, de acordo com a norma de
preparação para ensaios de compactação e ensaios de caracterização, ABNT NBR
6457 (2016), como mostra a Figura 4.2.

Figura 4-2 - Secagem da amostra de solo ao ar

Em seguida, como o solo próximo da umidade higroscópica, foi desmanchado


os torrões presentes e homogeneizada a amostra. Logo após a amostra foi quarteada
até reduzir a quantidade de solo a uma porção aceitável para a execução do primeiro
ensaio, e o restante foi armazenado até a data da sua utilização.

4.2.2 Ensaios de caracterização do solo

Com a finalidade de caracterizar as amostras de solo, foram realizados os


ensaios determinação dos limites de Atterberg (liquidez e plasticidade), massa
específica dos sólidos e análise granulométrica, para o solo natural e para o solo
melhorado com cimento, seguindo as normas técnicas citadas na Tabela 4.1.

27
Limites de Atterberg

O objetivo destes ensaios é a determinação dos limites de liquidez e


plasticidade, para utilizar como parâmetros na classificação do solo. Após a
preparação do solo, de acordo com a NBR 6457 (ABNT, 2016), foi separado uma
amostra que foi utilizada nos seguintes ensaios.

No ensaio do limite de liquidez, parte da amostra foi utilizada. Pequenos


acréscimos de água destilada foi adicionada e feita a homogeneização a fim de obter
uma pasta homogênea. Transferido essa pasta para a concha, foi realizado todos os
procedimentos no aparelho Casagrande, anotado o número de golpes necessário
para que as bordas da ranhura se unam cerca de 13 mm de comprimento e
determinado a umidade. O limite de liquidez é o teor de umidade correspondente a 25
golpes, obtido no gráfico construído com os dados do ensaio.

Para o limite de plasticidade, de forma análoga ao ensaio anterior, foi


adicionado água destilada em pequenas quantidades e feita a homogeneização até
atingir uma consistência plástica. Porém, neste ensaio, o limite de plasticidade é a
menor umidade em que é possível moldar um cilindro com aproximadamente 3 mm
de diâmetro e 100 mm de comprimento. Para isso foi realizado os procedimentos
deste ensaio até conseguir no mínimo 3 amostras para determinação desta umidade.
E o índice de plasticidade é resultado da diferença entre os limites de liquidez e
plasticidade.

Figura 4-3 - Ensaio do limites de liquidez


28
Figura 4-4 - Ensaio do limites de plasticidade

Análise granulométrica

Para a determinação da distribuição granulométrica deste solo, realizou-se a


combinação do peneiramento com sedimentação. Como resultado deste ensaio, foi
construído um gráfico, importante para a classificação do solo, dos diâmetros das
partículas, em escala logarítmica, e das porcentagens das partículas passantes
relativas aos diâmetros observados, em escala aritmética.

Após separar a quantidade de amostra preparada de acordo com a NBR 6457


(2016), foi feito o peneiramento grosso. Posteriormente, com o solo passado na
peneira de 2,0 mm, foi separado uma determinada quantidade para a sedimentação
e peneiramento fino, que difere no caso de solos arenosos, ou, no caso de solos
siltosos e argilosos. Para a sedimentação, foi utilizado o defloculante hexametafosfato
de sódio, com a concentração de 45,7 g de sal por 1000 cm³. Após a realização da
sedimentação, foi vertido o material da proveta na peneira para lavagem, e então, logo
após a secagem, foi finalizado o ensaio com o peneiramento fino.

29
Figura 4-5 - Execução do ensaio de analise granulométrica

Massa específica dos sólidos

A finalidade deste ensaio é a determinação da massa especifica dos grãos de


solos que passam na peneira de 4,8 mm, através do método do picnômetro, com a
repetição dos processos pelo menos duas vezes. Logo após a preparação e
separação das amostras, e realizado os procedimentos para este ensaio de acordo
com as normas já citadas na Tabela 4.1, foi repetido o processo de pesar o
picnômetro, com solo e água, três vezes, para diferentes temperaturas. E assim
calculado a massa especifica dos grãos do solo, utilizando a seguinte fórmula
apresentada na NBR 6508 (1984):

M 1 ⋅ 100 / (100 + h )
δ= ⋅δ
[M 1 ⋅ 100 / (100 + h )] + M 3 − M 2 T
Onde:

δ = massa específica dos grãos do solo, em g/cm³

M₁ = massa do solo úmido

M₂ = massa do picnômetro + solo + água, na temperatura T de ensaio

30
M₃ = massa do picnômetro cheio de água até a marca de referência, na
temperatura T de ensaio

h = umidade inicial da amostra

δT = massa específica da água, na temperatura T de ensaio

Para o resultado ser considerado satisfatório, os valores obtidos em cada


realização do ensaio não devem diferir mais que 0,02 g/cm³, e obedecendo esse item
o resultado final é a média dos valores.

Ensaio de compactação

Este ensaio tem como objetivo determinar uma relação entre a massa
específica aparente seca e o teor de umidade do solo compactado. Inicialmente foi
escolhido uma energia de compactação, entre as três especificadas na norma, e o
método de ensaio, que são com e sem reuso de material. Posteriormente, foram
moldados os corpos de prova, de forma que o primeiro estivesse com o teor de
umidade em torno de 5% abaixo da suposta umidade ótima, o segundo corpo de prova
com umidade 2% acima do primeiro, e assim até completar no mínimo cinco pontos,
sendo, dois no ramo seco, dois no ramo úmido e um próximo a umidade ótima.

Figura 4-6 - Execução do ensaio de compactação


31
4.2.3 Ensaio de resistência à compressão simples

Foram realizados dois tipos de compactação para se obter um dos objetivos


desta pesquisa, uma dinâmica e outra estática. Para a obtenção dos corpos de prova
por compactação dinâmica foi utilizado a NBR 7182 (2016). Entretanto, para a
moldagem dos corpos de prova por compactação estática não existem normas
referentes a este ensaio.

Para a moldagem dos corpos de prova com compactação estática foi utilizado
moldes cilíndricos de PVC, todos com aproximadamente 43 mm de diâmetro e 100
mm de altura. Os corpos de prova foram compactados com a prensa manual, em duas
camadas, no teor de umidade ótima de compactação buscando reproduzir a massa
especifica aparente seca máxima.

A escolha de duas camadas para o corpo de prova é justificada pelo trabalho


feito por Crispim (2007), que comprovou, analisando corpos de prova compactados
com diferentes camadas, que para uma camada os corpos de prova apresentam uma
menor resistência, comparados aos moldados com duas ou três camadas, que não
apresentam diferenças significativas entre suas resistências.

Figura 4-7 - Execução da compactação estática utilizando a prensa manual


32
O ensaio para a determinação da resistência à compressão simples, por meio
de uma aplicação de carga axial, foi realizado segundo a NBR 12770 (1992). Para os
corpos de prova sem adição de cimento, o ensaio foi realizado logo após a moldagem
dos mesmos. Os corpos de prova com adição de cimento foram rompidos após um
tempo de cura determinado.

Foi utilizado a máquina de ensaio universal para aplicar o carregamento axial


nos corpos de prova e registrar os valores de carga, deslocamento e tempo. Com os
dados registrados na máquina foi possível construir o gráfico relacionando a tensão
de compressão e a deformação axial.

Figura 4-8 - Ruptura dos corpos de prova

4.2.4 Ensaio CBR (Índice de suporte Califórnia - ISC)

O método de ensaio para a determinação da expansão e do valor do índice de


suporte Califórnia do solo foi realizado com base na NBR 9895 (2016). Foram
moldados três corpos de prova para cada porcentagem de cimento trabalhada, 0%,
2% e 4%. A moldagem dos corpos de prova foi realizada com a compactação com
energia intermediaria, 5 camadas e 26 golpes/camada, à umidade ótima, que foi
determinada no ensaio de compactação.
33
Após a moldagem, os corpos de prova foram imergidos no tanque, e durante
quatro dias foram realizadas medidas periódicas de expansão num extensômetro
acoplado no molde. Ao término do período de imersão, é retirado os corpos de prova
do tanque para a realização da penetração. Por fim, com as leituras efetuadas na
penetração foi traçado a curva de pressão-penetração.

Figura 4-9 - Corpos de prova imersos

Figura 4-10 - Execução da penetração

34
5 APRESENTACÃO DOS RESULTADOS

Serão apresentados neste capítulo os resultados alcançados neste trabalho


para avaliar as propriedades físicas e mecânicas do solo natural, bem como o mesmo
melhorado com cimento. Os resultados serão apresentados separadamente,
primeiramente, os referentes ao solo natural (SN) e, em seguida mais duas seções
referentes ao solo com adição de 2% de cimento (S2) e 4% de cimento (S4),
calculados como já mencionado anteriormente em relação a massa seca do solo.

5.1 SOLO NATURAL (SN)

5.1.1 Ensaios de caracterização do solo

Limites de Atterberg

A tabela 5-1 apresenta os resultados dos ensaios para determinação dos limites
de Atterberg realizados neste trabalho e o cálculo do Índice de Plasticidade para o
solo.

Tabela 5-1 - Limites de Atterberg do solo natural

Limite de liquidez Limite de plasticidade Índice de plasticidade


45% 32% 13%

Análise granulométrica

A distribuição dos tamanhos dos grãos do solo obtido apenas por peneiramento
são apresentadas nas Tabela 5-2 e 5-3 e, e a curva granulométrica com a adição dos
resultados obtidos na sedimentação na Figura 5-1.

35
Tabela 5-2 - Peneiramento grosso do solo natural

Peneiramento da parte retida na # 10


Peneiras N° Peneiras (mm) % retida % passante
50 0,00 100,00
1 1/2'' 38 0,00 100,00
3/4'' 19 0,00 100,00
3/8'' 9,5 0,00 100,00
4 4,8 0,23 99,77
10 2 1,85 98,15

Tabela 5-3 - Peneiramento fino do solo natural

Peneiramento da parte retida na # 200


Peneiras N° Peneiras (mm) % retida % passante
16 1,2 2,54 97,46
30 0,6 9,94 90,06
40 0,42 13,18 86,82
50 0,3 16,45 83,55
100 0,15 25,82 74,18
200 0,075 33,77 66,23

Curva Granulométrica
100,00
90,00
80,00
70,00
% que passa

60,00
50,00
40,00
30,00
20,00
10,00
0,00
0,0001 0,001 0,01 0,1 1 10 100
Argila Silte A.F. A. M. A. G. Pedregulho

Diâmetros (mm)

Figura 5-1 - Curva granulométrica do solo natural

36
Com base na curva granulométrica foi determinado a porcentagem de areia,
silte e argila para essa amostra de solo, utilizando a classificação da ABNT.

Tabela 5-4 - Classificação granulométrica do solo

Classificação Granulométrica da ABNT


Argila 17,7%
Silte 39,6%
Areia 40,4%
Pedregulho 2,3%

Massa específica dos sólidos

Os ensaios foram considerados satisfatórios pois seus resultados não diferiram


mais que 0,02 g/cm³. A tabela 5-5 apresenta o resultado final, que foi a média dos dois
ensaios considerados satisfatórios.

Tabela 5-5 - Massa específica do solo natural

Massa específica (ρs) 2,79 g/cm³

5.1.2 Classificação do solo

Após a análise da granulometria e dos limites de plasticidade e liquidez, foi


observado que solo estudado apresenta grande porcentagem de finos (silte + argila),
e segundo o Sistema Unificado de Classificação dos Solos (SUCS), é classificado
como silte pouco plástico (ML).

5.1.3 Ensaio de compactação

O ensaio foi realizado na energia de compactação intermediária, sem reuso de


material e com a amostra de solo preparada com secagem prévia até a umidade
higroscópica. A curva de compactação foi apresentada na Figura 5-2.

37
Massa específica seca(g/cm³) Curva de Compactação
1,70
1,68
1,66
1,64
1,62
1,60
1,58
1,56
10,00% 15,00% 20,00% 25,00%
Umidade (%)

Figura 5-2 - Curva de compactação do solo natural

Tabela 5-6 - Resultado do ensaio de compactação

Massa específica aparente seca


Umidade ótima (ωot)
máxima (ρd,max)
1,68 g/cm³ 17,15%

5.1.4 Ensaio de resistência à compressão simples

A moldagem dos corpos de prova foi realizada à umidade ótima, determinada


no ensaio de compactação.

Compactação dinâmica

Na figura 5-3 está apresentado os resultados do ensaio de resistência à


compressão simples. Todos os ensaios com compactação dinâmica foram realizados
utilizando-se corpos de prova com aproximadamente 100 mm de diâmetro e 130 mm
de altura.

38
Diagrama Tensão x Deformação
600

500

400
Tensão (kPa)

300

200

100

0
0,00% 1,00% 2,00% 3,00% 4,00% 5,00% 6,00%

CP I CP II CP III Deformação (%)

Figura 5-3 - Resultados do ensaio de resistência à compressão simples do solo SN –


Compactação Dinâmica

Compactação estática

Na figura 5-4 está apresentado os resultados do ensaio de resistência à


compressão simples. Todos os ensaios com compactação estática foram realizados
utilizando-se corpos de prova com aproximadamente 43 mm de diâmetro e 100 mm
de altura.

39
Diagrama Tensão x Deformação
500

400
Tensão (kPa)

300

200

100

0
0,00% 1,00% 2,00% 3,00% 4,00%

CP I CP II CP III Deformação (%)

Figura 5-4 - Resultados do ensaio de resistência à compressão simples do solo SN –


Compactação Estática

5.1.5 Ensaio CBR (Índice de suporte Califórnia - ISC)

Os resultados obtidos para o Ensaio de CBR e Expansão para o solo natural


estão apresentados na Tabela 5-7. A Tabela 5-8 mostra uma correlação entre o CBR
e a Classificação Unificada dos Solos, e pode-se observar que os valores obtidos no
ensaio estão dento do provável limite.

Tabela 5-7 - Resultado do CBR e Expansão para o solo natural

Solo Natural
CBR Expansão
Cilindro
(%) (%)
5 5,28 -
17 3,93 -
22 3,93 4,34
Média 4,37 4,34

40
Tabela 5-8 - Correlação provável entre C.B.R. e Classificação Unificada

Solo CBR provável


(Classificação unificada) (%)
GW 40 a 80 (ou mais)
GP 30 a 60 (ou mais)
GM 20 a 60 (ou mais)
GC e SW 20 a 40
SP e SM 10 a 40
SC 5 a 20
ML, CL e CH 2 (ou menos) a 15
MH 3 (ou menos) a 10
OL e OH 4 (ou menos) a 5
Fonte: Senço, 2007, p.227

5.2 SOLO COM ADIÇÃO DE 2% DE CIMENTO (S2)

5.2.1 Ensaios de caracterização do solo

Limites de Atterberg

A tabela 5-9 apresenta os resultados dos ensaios para determinação dos limites
de Atterberg realizados neste trabalho e o cálculo do Índice de Plasticidade para o
solo.

Tabela 5-9 - Limites de Atterberg do solo S2

Limite de liquidez Limite de plasticidade Índice de plasticidade


42% 28% 14%

Análise granulométrica

A distribuição dos tamanhos dos grãos do solo obtido apenas por peneiramento
são apresentadas nas Tabela 5-10 e 5-11 e, e a curva granulométrica com a adição
dos resultados obtidos na sedimentação na Figura 5-5.

41
Tabela 5-10 - Peneiramento grosso do solo S2

Peneiramento da parte retida na # 10


Peneiras N° Peneiras (mm) % retida % passante
50 0,00 100,00
1 1/2'' 38 0,00 100,00
3/4'' 19 0,00 100,00
3/8'' 9,5 0,00 100,00
4 4,8 0,00 100,00
10 2 0,40 99,60

Tabela 5-11 - Peneiramento fino do solo S2

Peneiramento da parte retida na # 200


Peneiras N° Peneiras (mm) % retida % passante
16 1,2 4,32 95,70
30 0,6 11,23 88,81
40 0,42 14,26 85,80
50 0,3 17,57 82,50
100 0,15 27,04 73,07
200 0,075 36,53 63,61
..

Curva Granulométrica
100,00
90,00
80,00
70,00
% que passa

60,00
50,00
40,00
30,00
20,00
10,00
0,00
0,0001 0,001 0,01 0,1 1 10 100
Argila Silte A.F. A. M. A. G. Pedregulho

Diâmetros (mm)

Figura 5-5 - Curva granulométrica do solo S2

42
Com base na curva granulométrica foi determinado a porcentagem de areia,
silte e argila para essa amostra de solo, utilizando a classificação da ABNT.

Tabela 5-12 - Classificação granulométrica do solo S2

Classificação Granulométrica da ABNT


Argila 15,7%
Silte 35,9%
Areia 47,3%
Pedregulho 1,2%

Massa específica dos sólidos

A tabela 5-13 apresenta o resultado final, do ensaio para determinação da


massa específica.

Tabela 5-13 - Massa específica do solo S2

Massa específica (ρs) 2,82 g/cm³

5.2.2 Ensaio de compactação

O ensaio foi realizado na energia de compactação intermediária, sem reuso de


material e com a amostra de solo preparada com secagem prévia até a umidade
higroscópica. A curva de compactação foi apresentada na Figura 5-6.

43
Massa específica seca(g/cm³) Curva de Compactação
1,72
1,70
1,68
1,66
1,64
1,62
1,60
1,58
1,56
10,00% 15,00% 20,00% 25,00%
Umidade (%)

Figura 5-6 - Curva de compactação do solo S2

Tabela 5-14 - Resultado do ensaio de compactação do solo S2

Massa específica aparente seca


Umidade ótima (ωot)
máxima (ρd,max)
1,70 g/cm³ 17,20%

5.2.3 Ensaio de resistência à compressão simples

A moldagem dos corpos de prova foi realizada à umidade ótima, determinada


no ensaio de compactação.

Compactação dinâmica

Na figura 5-7 está apresentado os resultados do ensaio de resistência à


compressão simples dos corpos de prova melhorados com 2% de cimento, e após 7
dias de cura.

44
Diagrama Tensão x Deformação
800

700

600
Tensão (kPa)

500

400

300

200

100

0
0,00% 1,00% 2,00% 3,00% 4,00%
CP I CP II CP III Deformação (%)

Figura 5-7 - Resultados do ensaio de resistência à compressão simples do solo S2 –


Compressão Dinâmica – 7 dias

Compactação estática

Nas figuras 5-8 e 5-9 estão apresentados os resultados do ensaio de


resistência à compressão simples, com 7 e 28 dias de cura, respectivamente.

45
Diagrama Tensão x Deformação
1000

800
Tensão (KPa)

600

400

200

0
0,00% 0,50% 1,00% 1,50% 2,00% 2,50% 3,00%
CP I CP II CP III Deformação (%)

Figura 5-8 - Resultados do ensaio de resistência à compressão simples do solo S2 –


Compressão Estática – 7 dias

Diagrama Tensão x Deformação


1400

1200
Tensão (kPa)

1000

800

600

400

200

0
0,00% 0,50% 1,00% 1,50% 2,00% 2,50% 3,00%
CP I CP II CP III Deformação (%)

Figura 5-9 - Resultados do ensaio de resistência à compressão simples do solo S2 –


Compressão Estática – 28 dias

46
5.2.4 Ensaio CBR (Índice de suporte Califórnia - ISC)

Os resultados obtidos para o Ensaio de CBR e Expansão para o solo natural


estão apresentados na Tabela 5-15.

Tabela 5-15 - Resultado do CBR e Expansão para o solo S2

Solo S2
CBR Expansão
Cilindro
(%) (%)
5 27,31 2,12
17 18,77 2,37
22 25,40 2,18
Média 23,83 2,23

5.3 SOLO COM ADIÇÃO DE 4% DE CIMENTO (S4)

5.3.1 Ensaios de caracterização do solo

Limites de Atterberg

A tabela 5-16 apresenta os resultados dos ensaios para determinação dos


limites de Atterberg realizados neste trabalho e o cálculo do Índice de Plasticidade
para o solo.

Tabela 5-16 - Limites de Atterberg do solo S4

Limite de liquidez Limite de plasticidade Índice de plasticidade


41,6% 30,2% 11,4%

Análise granulométrica

A distribuição dos tamanhos dos grãos do solo obtido apenas por peneiramento
são apresentadas nas Tabela 5-17 e 5-18 e, e a curva granulométrica com a adição
dos resultados obtidos na sedimentação na Figura 5-10.

47
Tabela 5-17 - Peneiramento grosso do solo S4

Peneiramento da parte retida na # 10


Peneiras N° Peneiras (mm) % retida % passante
50 0,00 100,00
1 1/2'' 38 0,00 100,00
3/4'' 19 0,00 100,00
3/8'' 9,5 0,00 100,00
4 4,8 0,00 100,00
10 2 0,85 99,15

Tabela 5-18 - Peneiramento fino do solo S4

Peneiramento da parte retida na # 200


Peneiras N° Peneiras (mm) % retida % passante
16 1,2 3,71 96,32
30 0,6 10,83 89,26
40 0,42 13,97 86,15
50 0,3 17,47 82,68
100 0,15 27,46 72,78
200 0,075 38,20 62,13

Curva Granulométrica
100,00
90,00
80,00
70,00
% que passa

60,00
50,00
40,00
30,00
20,00
10,00
0,00
0,0001 0,001 0,01 0,1 1 10 100
Argila Silte A.F. A. M. A. G. Pedregulho

Diâmetros (mm)

Figura 5-10 - Curva granulométrica do solo S4

48
Com base na curva granulométrica foi determinado a porcentagem de areia,
silte e argila para essa amostra de solo, utilizando a classificação da ABNT.

Tabela 5-19 - Classificação granulométrica do solo S4

Classificação Granulométrica da ABNT


Argila 14,0%
Silte 43,7%
Areia 41,5%
Pedregulho 0,8%

Massa específica dos sólidos

A tabela 5-20 apresenta o resultado final, do ensaio para determinação da


massa específica.

Tabela 5-20 - Massa específica do solo S4

Massa específica (ρs) 2,81 g/cm³

5.3.2 Ensaio de compactação

O ensaio foi realizado na energia de compactação intermediária, sem reuso de


material e com a amostra de solo preparada com secagem prévia até a umidade
higroscópica. A curva de compactação foi apresentada na Figura 5-11.

49
Massa específica seca(g/cm³) Curva de Compactação
1,70
1,68
1,66
1,64
1,62
1,60
1,58
1,56
10,00% 15,00% 20,00% 25,00%

Umidade (%)

Figura 5-11 - Curva de compactação do solo S4

Tabela 5-21 - Resultado do ensaio de compactação do solo S4

Massa específica aparente seca


Umidade ótima (ωot)
máxima (ρd,max)
1,69 g/cm³ 16,69%

5.3.3 Ensaio de resistência à compressão simples

A moldagem dos corpos de prova foi realizada à umidade ótima, determinada


no ensaio de compactação.

Compactação dinâmica

Na figura 5-12 está apresentado os resultados do ensaio de resistência à


compressão simples dos corpos de prova melhorados com 4% de cimento, e após 7
dias de cura.

50
Diagrama Tensão x Deformação
1400

1200
Tensão (kPa)

1000

800

600

400

200

0
0,00% 1,00% 2,00% 3,00% 4,00%
CP I CP II CP III Deformação (%)

Figura 5-12 - Resultados do ensaio de resistência à compressão simples do solo S4


– Compressão Dinâmica – 7 dias

Compactação estática

Nas figuras 5-13 e 5-14 estão apresentados os resultados do ensaio de


resistência à compressão simples, com 7 e 28 dias de cura, respectivamente.

51
Diagrama Tensão x Deformação
2000

1600
Tensão (kPa)

1200

800

400

0
0,00% 0,50% 1,00% 1,50% 2,00% 2,50% 3,00%
CP I CP II CP III Deformação (%)

Figura 5-13 - Resultados do ensaio de resistência à compressão simples do solo S4


– Compressão Estática – 7 dias

Diagrama Tensão x Deformação


2500

2000
Tensão (kPa)

1500

1000

500

0
0,00% 1,00% 2,00% 3,00%
CP II CP III Deformação (mm)

Figura 5-14 - Resultados do ensaio de resistência à compressão simples do solo S4


– Compressão Estática – 28 dias

52
5.3.4 Ensaio CBR (Índice de suporte Califórnia - ISC)

Os resultados obtidos para o Ensaio de CBR e Expansão para o solo natural


estão apresentados na Tabela 5-22.

Tabela 5-22 - Resultado do CBR e Expansão para o solo S4

Solo S4
CBR Expansão
Cilindro
(%) (%)
5 80,65 1,55
17 93,98 1,33
22 87,51 1,41
Média 87,40 1,43

6 DISCUSSÃO DOS RESULTADOS EXPERIMENTAIS

É possível avaliar a influência da adição do cimento no solo estudado com base


nos resultados apresentados no capítulo anterior.

6.1 ENSAIOS DE CARACTERIZAÇÃO DO SOLO

6.1.1 Limites de Atterberg

A tabela 6-1 apresenta os resultados obtidos nos ensaios de limite de liquidez,


limite de plasticidade e o cálculo do Índice de Plasticidade para os solos.

Tabela 6-1 - Resumo dos limites de Atterberg dos solos

Limite de Limite de Índice de


Solo
liquidez plasticidade plasticidade
SN 44,5% 32,3% 12,3%
S2 42,4% 28,2% 14,2%
S4 41,6% 30,2% 11,4%

Foi observado que ocorre uma pequena queda nos valores dos limites de
liquidez e plasticidade, em consequência da ação aglutinante provocado na mistura
pela adição de cimento.
53
6.1.2 Análise granulométrica

As curvas granulométricas dos solos estudados são apresentadas na Figura 6-


1. Ao analisar as partículas menores ou iguais a 0,002 mm, classificadas com argilas,
percebe-se que sem a adição de cimento elas representavam aproximadamente 18%
do solo, e com a adição, essa porcentagem é diminuída. Então foi observado que com
a adição de cimento a quantidade de argila diminui, consequência da agregação entre
o cimento e a argila, aumentando assim o seu tamanho.

Curva Granulométrica
100,00
90,00
80,00
70,00
60,00
% que passa

50,00
SN
40,00
S2
30,00
S4
20,00
10,00
0,00
0,0001 0,001 0,01 0,1 1 10 100
Argila Silte A.F. A. M. A. G. Pedregulho

Diâmetros (mm)

Figura 6-1 - Curva granulométrica dos solos

Tabela 6-2 - Resumo da classificação granulométrica do solo

Classificação Granulométrica da ABNT


Fração do solo SN S2 S4
Argila 17,7% 15,7% 14,0%
Silte 39,6% 35,9% 43,7%
Areia 40,4% 47,3% 41,5%
Pedregulho 2,3% 1,2% 0,8%

54
6.1.3 Massa específica dos sólidos

A tabela 6-3 apresenta as massas específicas dos sólidos para os solos


trabalhados. Ocorreu um pequeno aumento na massa específica dos solos com a
adição de cimento, em razão da a massa específica média do CP II-Z-32 ser 2,96
g/cm³.

Tabela 6-3 - Resumo da massa específica dos solos

Massa específica
Solo
(ρs)
SN 2,79 g/cm³
S2 2,82 g/cm³
S4 2,81 g/cm³

6.2 ENSAIO DE COMPACTAÇÃO

A Figura 6-2 e a Tabela 6-3 apresentam os resultados obtidos no ensaio de


compactação utilizando compactação dinâmica. Pode-se observar que a massa
específica aparente seca máxima e a umidade ótima dos solos variaram pouco.

Curva de Compactação
Massa específica seca (g/cm³)

1,72
1,70
1,68
1,66
1,64
1,62
1,60
1,58
10,00% 15,00% 20,00% 25,00%
Umidade (%)
SN S2 S4

Figura 6-2 - Curvas de compactação dos solos

55
Tabela 6-4 - Resumo do resultado dos ensaios de compactação dos solos

Massa específica
Solo aparente seca Umidade ótima (ωot)
máxima (ρd,max)
SN 1,68 g/cm³ 17,15%
S2 1,70 g/cm³ 17,20%
S4 1,69 g/cm³ 16,64%

6.3 ENSAIO DE RESISTÊNCIA À COMPRESSÃO SIMPLES (RCS)

6.3.1 Compactação dinâmica

Como pode ser observado na Figura 6-4, que apresenta os resultados dos
corpos de prova com diferentes teores de cimento e 7 dias de cura, a resistência a
compressão simples aumenta à medida que se aumenta o teor de cimento da mistura,
com um aumento da resistência de aproximadamente 40% entre SN e S2, e de mais
de 130% entre SN e S4.

Resistência à Compressão Simples Média


1400
1165,3
1200
Tensão (kPa)

1000
800 697,6
600 495,5
400
200
0
SN S2 S4

Figura 6-3 - Resultados de RCS para o solo compactado no processo Proctor

6.3.2 Compactação estática

A Figura 6-4 apresenta os resultados da resistência a compressão simples por


compactação estática. Como já visto no item anterior, porém com outro método de

56
compactação, houve ganho da resistência média com o aumento da adição de
cimento.

Em relação ao tempo de cura, ocorreu um ganho significativo entre os corpos


de prova com 7 dias e 28 dias, logo foi observado que para o mesmo teor de cimento,
quanto maior o tempo de cura, maior também a resistência dos corpos de prova.

Resistência à Compressão Simples Média


2500
2133,4
2000
1592,3
Tensão (kPa)

1500
1216,7

1000 812,7

500 400,7

0
SN S2 - 7d S2 - 28d S4 - 7d S4 - 28d

Figura 6-4 - Resultados de RCS para o solo compactado por compressão estática

6.4 ENSAIO CBR (ÍNDICE DE SUPORTE CALIFÓRNIA - ISC)

De acordo com a Tabela 6-5, é observado que ocorre um aumento considerável


no valor do CBR em função do aumento do teor de cimento. Os resultados da
expansão, mesmo com uma redução de aproximadamente 300% para o teor de
cimento de 4%, continuam todos acima de 1%.

Valores altos, em comparação por exemplo com o limite máximo especificado


no Manual de Pavimentação do DNIT (2006), para a utilização de solos melhorados
ou estabilizados em pavimentos rodoviários, que é de 0,5% para o solo ser aplicado
como base e 1% para sub-base.

Sendo assim, mesmo com o melhoramento, com os teores de 2 e 4%, o solo


não é adequado para a aplicação nessas camadas. Porém, se o CBR for maior que o
do subleito, S4 pode servir como material para reforço do subleito, que segundo o
Manual de Pavimentação do DNIT (2006), o limite máximo para expansão é de 2%.
57
Tabela 6-5 - Resultados do CBR e Expansão

CBR Expansão
Solo
(%) (%)
SN 4,38 4,34
S2 23,82 2,23
S4 87,38 1,43

6.5 COMPARAÇÃO DO GANHO DE RESISTÊNCIA ENTRE A


COMPACTAÇÃO DINÂMICA (CD) E ESTÁTICA (CE)

Levando em consideração que para os dois processos de compactação, os


corpos de prova apresentavam aproximadamente a mesma massa especifica
aparente seca e teor de umidade, podemos afirmar que as diferenças nos resultados
obtidos são atribuídas apenas ao método aplicado.

A figura 6-5 apresenta os resultados obtidos para resistência a compressão


simples para compactação dinâmica e compactação estática. É observado que os
valores entre a CD e CE para os corpos de prova sem adição de cimento e com 2%
diferem pouco. Para os corpos de prova com adição de 4% é obtido uma diferença
significativa entre as resistências, com um ganho de aproximadamente 37% ao se
compactar estaticamente.

Resistência à Compressão Simples Média


1800
1592,3
1600
1400
1165,3
Tensão (kPa)

1200
1000
812,7 CD
800 697,6
CE
600 495,5
400,7
400
200
0
SN S2 S4

Figura 6-5 - Comparação entre CD e CE


58
7 CONCLUSÃO

Considerando que o objetivo geral deste trabalho é avaliar a interação do solo


saprolítico com cimento, e os objetivos específicos, foram estabelecidas as seguintes
conclusões em consequência da análise dos resultados obtidos para o solo natural e
com adição de 2% e 4% de cimento.

Através dos ensaios para caracterização do solo natural através da


determinação da massa específica, limites de Atterberg, análise granulométrica e do
ensaio de compactação foi observado que a adição do cimento na caracterização do
solo não apresenta nenhuma modificação expressiva.

Por meio dos ensaios de Resistência a Compressão Simples e do Índice de


Suporte Califórnia foi observado que a adição de cimento elevou a capacidade de
suporte do solo, em função do teor de cimento. Em relação ao tempo de cura foi
observado que para o mesmo teor de cimento, quanto maior o tempo de cura, maior
também a resistência dos corpos de prova.

Quanto aos resultados da expansão foi observado inicialmente que o solo


natural apresenta uma alta expansão volumétrica, e com o incremento do cimento a
expansão tem uma redução significativa.

Em comparação com o modo de compactação dinâmica, observou-se que a


compactação estática só apresentou uma diferença significativa na resistência à
compressão para o solo S4, com um ganho de aproximadamente 37%.

Mesmo com baixos teores de cimento foi observado melhoras evidentes nas
propriedades mecânicas do solo, concluindo-se que o melhoramento de solo através
da adição de cimento é uma boa alternativa.

59
8 SUGESTÕES PARA TRABALHOS FUTUROS

Avaliar a estabilização desse solo com cal.

Avaliar parâmetros de permeabilidade desse solo quando melhorado com


cimento com vistas a utilização na construção de aterros sanitários e barragens.

60
9 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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cimento Portland. 7.ed. São Paulo, 2002. 28p. (BT-106)

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preparação para ensaios de compactação e ensaios de caracterização. Rio de
Janeiro, 2016.

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determinação do limite de liquidez. Rio de Janeiro, 2016.

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solos – terminologia. Rio de Janeiro, 1995.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6508: grãos de solos


que passam na peneira de 4,8 mm – determinação da massa especifica. Rio de
Janeiro, 1984.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 7180: solo –


determinação do limite de plasticidade. Rio de Janeiro, 2016.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 7181: solo – análise


granulométrica. Rio de Janeiro, 2016.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 7182: solo – ensaio de


compactação. Rio de Janeiro, 2016.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 9895: solo – índice de


suporte califórnia – método de ensaio. Rio de Janeiro, 2016.

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determinação da resistência à compressão não confinada. Rio de Janeiro, 1992.

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