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UNIVERSIDADE AULISTA

INSTITUTO DE CIÊNCIAS EXATAS


CURSO DE ENGENHARIA CIVIL

ANTONIO ARION ROCHA CICCERI


FRANCISCO CHAGAS SANTOS DE OLIVEIRA
JANDERCLEY FONSECA DA SILVA

ESTUDO DE CASO DE PATOLOGIAS E SUAS CAUSAS EM UMA EDIFICAÇÃO


ESCOLAR LOCALIZADA NO MUNICÍPIO DE MANACAPURU

Manaus
2016
ANTONIO ARION ROCHA CICCERI
FRANCISCO CHAGAS SANTOS DE OLIVEIRA
JANDERCLEY FONSECA DA SILVA

ESTUDO DE CASO DE PATOLOGIAS E SUAS CAUSAS EM UMA EDIFICAÇÃO


ESCOLAR LOCALIZADA NO MUNICÍPIO DE MANACAPURU

Trabalho de conclusão de curso apresentado


como requisito parcial para obtenção do título
de graduação de Bacharel em Engenharia
Civil da Universidade Paulista – UNIP.

Orientadora: Prof.ª. MSc. Kattylinne de Melo Barbosa

Manaus
2016
ANTONIO ARION ROCHA CICCERI
FRANCISCO CHAGAS SANTOS DE OLIVEIRA
JANDERCLEY FONSECA DA SILVA

ESTUDO DE CASO DE PATOLOGIAS E SUAS CAUSAS EM UMA EDIFICAÇÃO


ESCOLAR LOCALIZADA NO MUNICÍPIO DE MANACAPURU

Trabalho de conclusão de curso apresentado como requisito parcial para obtenção


do título de graduação de Bacharel em Engenharia Civil da Universidade Paulista –
UNIP.

Aprovado em:

BANCA EXAMINADORA

_____________________________________/__/___
Profª. MSc. Kattylinne de Melo Barbosa
Universidade Paulista – UNIP

_____________________________________/__/___
Profª. MSc. Luciana Reis
Universidade Paulista – UNIP

_____________________________________/__/___
Profª. MSc. Denice Pavone
Universidade Paulista UNIP
DEDICATÓRIA

Dedicamos este trabalho à nossas famílias


na qual temos orgulho de ser integrante, e em
especial às pessoas mais próximas que temos a
plena certeza que nos apoiarão em quaisquer que
sejam as decisões a que venhamos tomar.
AGRADECIMENTOS

Antônio Arion Rocha Cicceri

A Deus por ter me dado força para enfrentar vários obstáculos para poder
concluir este curso.
Aos familiares pelo apoio, incentivo e compreensão pelo tempo longe de
todos.
A senhora Lenita de Jesus Cunha, por ter me acolhido como um filho,
Raimunda de Jesus Cunha, por ser meu anjo da guarda, e Cira cunha dos Santos,
que teve um papel importante para que esse sonho pudesse ser concluído.
Ao grande amigo Francisco Chagas dos Santos, por ter aguentado meus
estresses nos estudos e ser de grande e definitiva importância para nosso término do
curso. E ao amigo Jandercley por contribuir para os nossos objetivos.
Ao amigo Arquímedes, por ter me apoiado nos momentos difíceis ao longo
desses cincos anos, e por ter paciência com esse amigo meio “doidinho e verdadeiro”.
A orientadora Kattylinne de Melo Barbosa, que dedicou um pouco do seu
tempo de muita ocupação para tirar nossas dúvidas e fazer com que nosso trabalho
de conclusão de curso pudesse ser um dos melhores.
Às professoras Denice Pavone e Luciana Reis, que colaboraram para a
realização deste trabalho.
E por fim, agradeço a todos que direta ou indiretamente contribuíram para
essa realização.
AGRADECIMENTOS

Francisco Chagas Santos de Oliveira

Agradeço primeiramente a Deus, digno de toda honra e toda glória, por ter me

dado forças, saúde e paciência para enfrentar mais esse desafio, e nunca ter se

ausentado do meu lado durante todos os momentos de minha vida.

Aos meus pais Francisco Geraldo e Raimunda dos Santos, pela confiança, e

apoio em toda minha vida e por ajudar a realizar um sonho; por toda paciência e

dedicação a mim depositado no decorrer da minha vida acadêmica.

Aos meus irmãos Hathael Francisco, Francisca Rozirene e Francisca Rosiene

que sempre estiveram ao meu lado nessa árdua e gloriosa caminhada.

A minha namorada Dasna Amorim, que compreendeu as minhas ausências e

me deu forças para chegar ao fim do curso.

Aos amigos Antônio Arion e Jandercley Fonseca, meus parceiros deste

trabalho, por ter suportado meus momentos difíceis, e por ter enfrentado muitos

problemas ao meu lado.

A minha orientadora Kattylinne de Melo Barbosa, pelo suporte e orientação no

pouco tempo que lhe coube, pelas suas correções e objetivos que contribuíram para

a conclusão deste trabalho.

Às professoras Denice Pavone e Luciana Reis pela paciência e incentivo que

tornaram possível a conclusão deste trabalho.


AGRADECIMENTOS

Jandercley Fonseca da Silva

Ao soberano Deus, autor e consumador da vida, por ter me dado força e saúde
para superar as adversidades, desses longos e árduos dias acadêmicos.

Aos meus pais, Sebastião e Suely, pessoas simples, mas que são
responsáveis primeiros pela construção de meu caráter e espírito de luta.

Aos meus irmãos, pelo incentivo e apoio incondicional.

A Universidade Paulista – UNIP, e seu corpo docente, direção e


administração, que oportunizaram todo suporte acadêmico para a conquista de meu
almejado objetivo: alcançar o nível superior.

A minha orientadora Kattylinne de Melo Barbosa, que no pouco tempo que lhe
coube, foi determinante para a consecução desse trabalho final, através de suas
correções, dicas e incentivos cruciais.

Aos meus parceiros que ajudaram a concretizar esse trabalho, Antônio Arion
e Francisco Chagas.

E a todos que direta ou indiretamente contribuíram para a minha formação.


"Determinação coragem e autoconfiança são fatores
decisivos para o sucesso. Se estamos possuídos
por uma inabalável determinação conseguiremos
superá-los. Independentemente das circunstâncias,
devemos ser sempre humildes, recatados e
despidos de orgulho."

(Dalai Lama)
RESUMO

Atualmente, tem-se notado um crescimento expressivo na incidência de


anomalias em edificações. As ocorrências de manifestações patológicas em
edificações públicas serão o ponto principal deste estudo que tem como objetivo
apontar as principais causas e possíveis soluções das patologias presentes em uma
edificação escolar, localizada no município de Manacapuru – AM. Podemos entender
como patologia construtiva, o estudo da manifestação dos defeitos em peças,
equipamentos ou acabamentos constituintes de um edifício, ou a ciência da
engenharia que estuda as causas, origens e natureza dos defeitos e falhas que
surgem na edificação. Foi utilizada a metodologia de detecção proposta por Lersch,
para o desenvolvimento desse estudo na qual consiste basicamente em cinco etapas:
descrição visual onde será observada a manifestação patológica através de vistoria
do local; Manifestações detectadas nessa etapa será verificado o tipo de patologia
observada; Causas prováveis que é a etapa que consiste em identificar a natureza e
origem das patologias; Mecanismo de Ocorrência onde será possível buscar o
entendimento dos fenômenos em termos de interpretação das relações de causa e
efeito que caracterizaram as manifestações patológicas; e Solução, ou seja, a
descrição do trabalho a ser executado para resolver o problema. A edificação escolar
em estudo possui mais de duas décadas, e apresentou como manifestações
patológicas principais: Mofos e bolores, eflorescência, trincas e fissuras. A maneira
utilizada para recuperação ou correção foi planejada através do conhecimento da
causa do problema, tendo como objetivo o reparo, como maneira de extinguir ou
reduzir as causas detectadas. Sabendo que medidas preventivas devem ser tomadas,
observando que é necessário ter proximidade entre a medida preventiva e a solução
corretiva, para obter melhor qualidade no reparo a ser executado.

Palavras-Chave: Manifestações Patológicas, Metodologia de detecção, Correção.


ABSTRACT

Currently, it has been noticed a significant increase in the incidence of defects


in buildings. Occurrences of pathological manifestations in public buildings will be the
main point of this study aims to point out the main causes and possible solutions of
these pathologies in a school building, located in the city of Manacapuru - AM. We can
understand how constructive pathology, the study of the manifestation of defects in
parts, equipment or components finishing of a building, or engineering science that
studies the causes, origins and nature of defects and failures that arise in the building.
Was used to detect the methodology proposed by Lersch to develop this study in which
basically consists of five steps: visual depiction will be observed where the pathological
manifestation by site survey; Manifestations detected at this stage will be checked for
the type of pathology observed; probable cause which is the step of identifying the
nature and origin of the diseases; Occurrence engine where you can search the
understanding of the phenomena in the interpretation of the relations of cause and
effect that characterized the pathological manifestations; and solution, or the
description of the work to be done to solve the problem. The school building study has
more than two decades, and presented as the main pathological manifestations: Mofos
and molds, efflorescence, cracks and fissures. The method used to recover or fix was
planned by knowing the cause of the problem, aiming to repair, as a way to extinguish
or reduce the causes identified. Knowing that preventive action should be taken, noting
that it is necessary to close between preventive and corrective solution for better quality
in the repair to be performed.

Keywords: Pathological manifestations, detection methodology, Correction.


LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

ABNT Associação Brasileira de Normas Técnicas


C Celsius
cm Centímetro
gr Grama
hab. Habitantes
km Quilômetros
km2 Quilômetros Quadrados
m Metro
mm Milímetros
NBR Norma Brasileira Regulamentadora
pH Potencial de Hidrogênio
SEDUC Secretaria de Educação e Qualidade de Ensino
LISTA DE FIGURAS

Figura 1 – Etapas de construção e uso das obras civis............................................21


Figura 2 – Lei de evolução de custos - Sitter.............................................................22
Figura 3 – Desempenho ao longo do tempo..............................................................23
Figura 4 – Etapas de processo de construção..........................................................25
Figura 5 – Principais causas de patologias...............................................................26
Figura 6 – Classificação das Fissuras em Alvenarias...............................................27
Figura 7 – Fissuras....................................................................................................30
Figura 8 – Trincas.......................................................................................................31
Figura 9 – Tipos de Corrosão e Fatores que a provocam.........................................33
Figura 10 – Fluxograma do Procedimento.................................................................36
Figura 11 – Localização do Município de Manacapuru..............................................38
Figura 12 – Localização da Escola Estadual Magnólia Ventura................................39
Figura 13 – Fachada da Escola Estadual Magnólia Ventura.....................................40
Figura 14 – Trincas verticais na alvenaria...................................................................41
Figura 15 – Fissurômetro...........................................................................................42
Figura 16 – Comparador de Fissuras..........................................................................42
Figura 17 – Reboco com Manchas de Umidade, mofo e bolor..................................43
Figura 18 – Eflorescência em revestimento argamassado........................................46
Figura 19 – Infiltração causada por capilaridade.......................................................48
Figura 20 – Processo de Capilaridade.......................................................................49
Figura 21 – Processo de Infiltração...........................................................................50
Figura 22 – Desagregação do revestimento argamassado.......................................51
Figura 23 – Etapas de Correção................................................................................53
Figura 24 – Fissuras Diagonais.................................................................................54
Figura 25 – Fissuração de aberturas em alvenaria submetida à sobrecarga...........55
LISTA DE QUADROS

Quadro 1 – Fissuras de Origem Estrutural................................................................28


Quadro 2 – Infiltrações, manchas, bolor ou mofo, eflorescência................................32
Quadro 3 – Fatores determinantes da corrosão em concreto...................................33
Quadro 4 – Origem da Umidade nas Construções................................. ...................47

LISTA DE TABELAS

Tabela 1 - Incidência de Manifestações Patológicas................................................24


SUMÁRIO

INTRODUÇÃO ............................................................................................................... 15

1 OBJETIVOS ................................................................................................................ 17
1.1 GERAL ..................................................................................................................... 17
1.2 ESPECÍFICOS ......................................................................................................... 17
1.3 JUSTIFICATIVA........................................................................................................ 18
1.4 ESTRUTURA DO TRABALHO ................................................................................. 19

2 REFERÊNCIAL TEÓRICO .......................................................................................... 20


2.1 PATOLOGIAS CONSTRUTIVAS .............................................................................. 20
2.1.1 Histórico dos estudos ......................................................................................... 20
2.1.2 Conceitos e Importância do Estudo de Patologia ............................................. 21
2.1.3 Origem das Patologias Construtivas ................................................................. 24
2.1.4 Causas das Patologias Construtivas ................................................................. 25
2.2 TIPOS DE PATOLOGIAS MAIS COMUNS .............................................................. 27
2.2.1 Fissuras ................................................................................................................ 27
2.2.2 Trincas .................................................................................................................. 31
2.2.3 Infiltrações, manchas, bolor ou mofo, eflorescência ........................................ 32
2.2.4 Corrosão da Armadura ........................................................................................ 32
2.3 DIAGNÓSTICO DAS PATOLOGIAS ........................................................................ 34

3 METODOLOGIA ......................................................................................................... 35
3.1 CLASSIFICAÇÃO DA PESQUISA ............................................................................ 35
3.1.1 Procedimento de coleta e interpretação de dados ........................................... 35
3.1.2 Análise dos dados e conclusão.......................................................................... 37

4 RESULTADOS E DISCUSSÕES ................................................................................ 38


4.1 LOCAL DO ESTUDO DE CASO ............................................................................... 38
4.1.2 ESCOLA ESTADUAL MAGNÓLIA VENTURA – HISTÓRICO DA INSTITUIÇÃO39
4.2 MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS ENCONTRADAS ............................................ 41

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS ........................................................................................ 56


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .............................................................................. 58
15

INTRODUÇÃO

Desde as mais remotas civilizações já existentes, surgiu uma necessidade


crescente em busca de novas tecnologias, com o intuito de aperfeiçoar e expandir o
uso de cada material. Na Construção Civil, esta busca acontece de maneira
incessante, e como uma das consequências apresentadas por essa velocidade,
aceita-se riscos pela falta de conhecimento e experiência em diversos fatores, que
mais tarde poderão influenciar o comportamento decorrente do uso de novas técnicas
ou materiais.
De acordo com Ambrósio (2004), o desenvolvimento em ritmo acelerado da
construção civil para atender uma demanda crescente por edificações sejam elas
laborais, industriais ou habitacionais, impulsionado pela própria modernização da
sociedade, promoveu um grande salto científico e tecnológico.
Apesar do avanço tecnológico e da descoberta e aprimoramento das técnicas
construtivas e o emprego de materiais de construção com maior controle de qualidade
e segurança, ainda se constata um grande número de edificações apresentando
patologias das mais diversas espécies que ocorrem, em praticamente metade dos
casos, por erros de projeto e planejamento das edificações.
Esses fatores causam a deterioração estrutural, que em decorrência disso traz
fontes para os estudos da patologia de estruturas, que é o campo da engenharia das
construções que estuda as origens, formas de manifestação, consequências e
mecanismo de ocorrência das falhas e dos sistemas de degradação das estruturas.
(RIPPER e SOUZA, 1998).
O objetivo do estudo de patologia das construções é buscar esclarecimentos
técnicos e científicos para as anomalias encontradas no comportamento das
estruturas. Isso pode acontecer na fase de construção, durante a execução dos
serviços, com isso é possível que se determine as suas consequências em relação à
segurança e à confiabilidade da obra, realizando uma análise sobre qual a decisão
mais correta e segura quanto à utilização posterior das estruturas em análise.
Levando-se em conta sua duração residual, o objetivo da patologia das estruturas é
procurar definir a conveniência da recuperação, do reforço ou mesmo da demolição
pura e simples dos elementos ou da estrutura danificada (MACHADO, 2002).
16

Com isso, a realização deste trabalho é de grande importância, devido a


necessidade de se realizar um levantamento das manifestações patológicas
observadas na edificação escolar que servirá como instrumento para o estudo de caso
realizado, a qual a partir desta, torna-se possível definir as causas que originaram
esses problemas e posteriormente apresentar alternativas de intervenção e soluções
para a resolução do problema.
17

1 OBJETIVOS

1.1 GERAL

Identificar as patologias de uma edificação escolar no município de


Manacapuru - AM, com apontamentos das possíveis soluções.

1.2 ESPECÍFICOS

Os objetivos específicos dessa pesquisa são:

 Realizar a vistoria in loco;


 Identificar a natureza e origem das patologias encontradas;
 Diagnosticar as prováveis causas;
 Apresentar os mecanismos de ocorrência e propor soluções.
18

1.3 JUSTIFICATIVA

Popularmente se considera “normal” a existência de defeitos nas edificações.


No entanto, a maneira correta seria afirmar que as edificações que possuem vícios de
construção e problemas são comuns, mas não normais.
De acordo com Krug (2006) um defeito gera custos que variam de forma
exponencial com o tempo, ou seja, quanto mais tarde for tratado, maior será o custo
agregado, tanto para o usuário quanto para o construtor.
Neste sentido, o estudo de manifestações patológicas, ao longo dos anos, é
tratado com maior importância pelos profissionais da construção civil, em virtude do
compromisso do mesmo com o resultado do seu trabalho, no caso o produto final,
observando principalmente a qualidade e durabilidade da edificação.
A importância deste estudo está centrada na necessidade e relevância de se
fazer a identificação das patologias incidentes em uma edificação, com o intuito de
obter o conhecimento da evolução do problema que atinge o local, e através disso
fornecer subsídios para prevenção e reparação de danos.
Conforme Machado (2002, p. 5), é primordial verificar e interpretar “as
manifestações patológicas; os vícios construtivos; as origens dos problemas; os
agentes causadores dos problemas; o prognóstico para a terapia, os erros de projeto”.
Considerando a importância do tema, foi realizado um estudo das manifestações
patológicas observadas em uma edificação escolar localizada no município de
Manacapuru-AM, procurando conhecer detalhadamente tais anomalias para
determinar quais os fatores influenciadores das patologias na edificação em questão.
Em seguida, realizar a definição de conduta, a partir da escolha da alternativa de
intervenção mais conveniente.
Com isso, é justificada a escolha pelo tema considerando a importância que
o mesmo abrange em relação aos gastos para os cofres públicos. Pois, conforme
Antoniazzi, (2009) a ausência de manutenção em edificações públicas, faz com que
problemas pequenos que a princípio teriam baixo custo de recuperação, evoluam para
situações de desempenho insatisfatório com ambientes insalubres, de deficiente
aspecto estético, de possível insegurança estrutural e de alto custo de recuperação.
19

1.4 ESTRUTURA DO TRABALHO

O trabalho apresenta a estrutura a seguir:


No presente capítulo, apresenta-se a introdução, define-se os objetivos gerais
e específicos, e é justificada a realização deste trabalho.
No capítulo 2, é realizado o referencial teórico com base no tema, sendo
abordado, aspectos como: histórico dos estudos de patologia, conceitos e importância
do estudo de patologia, origem das patologias construtivas, causas das patologias
construtivas e os tipos de patologias mais comuns.
No capítulo 3, explica-se a metodologia utilizada para o estudo de caso e
organização geral do trabalho.
O capítulo 4 apresenta os resultados e discussões.
No capítulo 5 é apresentada as considerações finais sobre o trabalho.
20

2 REFERÊNCIAL TEÓRICO

2.1 PATOLOGIAS CONSTRUTIVAS

2.1.1 Histórico dos estudos

Oliveira (2001) destaca que através da evolução, ao longo do tempo, as


edificações de alvenaria deixaram de ser pesadas e rígidas, e tornaram-se mais
delgadas e executadas com processos de produção mais racionalizados e
industrializados. Sendo que tal processo de evolução trouxe consigo falhas, causando
problemas que originam patologias influenciando nas exigências do usuário tanto em
segurança quanto em habitabilidade e economia.
As ocorrências de patologias em construções têm origem possivelmente
desde a existência das próprias construções, por meio de falhas no processo de
construção, sendo que estas manifestações patológicas são observadas de forma
diferente pela época e local da sociedade.
Segundo Cavalheiro (1995), o primeiro tratado sobre patologias foi o código
de Hamurabi, - 1800 a.C. na Mesopotâmia, que possuía cinco regras para se evitar
defeitos:

1ª. Se o colapso causar a morte do dono da casa, o construtor deverá morrer.


2ª. Se morrer o filho do dono, o filho do construtor deverá morrer.
3ª. Se um escravo do dono morrer, o construtor deverá dar um escravo de igual
valor.
4ª. Se a propriedade for destruída, o construtor deverá restaurá-la por sua própria
conta.
5ª. Se o construtor fizer a casa fora das especificações e uma parede ameaçar
desmoronar o reforço será por conta do construtor.

É possível perceber a existência de registros, apesar de antigos e remotos,


de que o estudo de patologias construtivas é tratado há muito tempo com grande
importância e atenção. Mas, conforme Sarkis (1995), apenas com o grande
desenvolvimento da construção civil após a 2ª guerra mundial houve a evolução
técnica, principalmente do concreto armado, o que proporcionou o aparecimento de
tentativas de classificação de defeitos e designação desta nova ciência.
21

2.1.2 Conceitos e Importância do Estudo de Patologia

Helene (1992), define patologia construtiva como a parte da engenharia que


estuda os sintomas, os mecanismos, as causas e origens dos defeitos das
construções civis, ou seja, é o estudo das partes que constituem o diagnóstico do
problema.
Conforme a NBR 13752/1996 (Perícias de engenharia na construção civil),
patologias ou vícios construtivos são: “anomalias que afetam o desempenho de
produtos ou serviços, ou os tornam inadequados aos fins que se destinam, causando
transtornos ou prejuízos materiais ao consumidor”.
As manifestações patológicas se originam através de erros que ocorrem no
decorrer da execução de uma ou mais das atividades do processo de construção. De
acordo com Helene (2003), “o processo de construção e uso pode ser dividido em
cinco etapas: planejamento, projeto, fabricação dos materiais e componentes fora do
canteiro, execução e uso”, de acordo com a Figura.1. Sendo possível observar que as
quatro primeiras etapas possuem um tempo relativo curto, em relação ao quinto - uso,
etapa mais longa que envolve a operação e manutenção das edificações, que
geralmente são utilizadas mais de cinquenta anos.

Figura 1 - Etapas de construção e uso das obras civis


Fonte: Adaptada de Helene, (2003)

Segundo Ioshimoto (1988): “a incidência de manifestações patológicas em


edificações pode originar-se nas fases de planejamento, projeto, fabricação de
materiais e/ou componentes, execução ou uso”. Origem essa que, segundo o autor,
está vinculada com o nível de controle de qualidade executado em cada uma destas
fases e também com a compatibilidade entre as mesmas.
22

Helene e Pereira (2007) destacam que os problemas comuns, de maior efeito


no concreto, são as eflorescências, as fissuras, as flechas excessivas, a corrosão da
armadura, as manchas no concreto aparente, os defeitos de aterro e compactação e
problemas devido à segregação dos componentes do concreto. Geralmente, as
manifestações patológicas surgem de forma característica e com ocorrências
estabelecidas estatisticamente.
Miotto (2010) ressalta a importância da realização de estudos que busquem
avaliar, caracterizar e diagnosticar a ocorrência de danos em edificações, pois são de
extrema importância para o processo de produção e uso das edificações; permitindo
ter o conhecimento das ações eficientes para atenuar a ocorrência de falhas e
problemas, o que tende a melhorar a qualidade geral das edificações e aperfeiçoar a
aplicação dos recursos.
Com isso podemos observar a importância da detecção precoce das
manifestações patológicas, tendo em vista que o quanto antes estas forem tratadas,
menor será a perda de desempenho e mais barato será a sua manutenção, seja ela
preventiva ou corretiva. A demonstração mais expressiva desta afirmação é chamada
de “Lei de Sitter” relatada por Helene (1992), que mostra o custo crescendo segundo
uma progressão geométrica de razão 5, demonstrada abaixo na figura 2.

Figura 2 – Lei de evolução de custos

Fonte: Helene (1992)

Antonniazi (2009) afirma que toda edificação possui um período de vida útil a
que se destina. Muitas vezes, antes mesmo deste prazo ser alcançado, o nível de
desempenho já encontra-se abaixo do satisfatório devido, em decorrência de diversos
fatores, tendo como exemplo, a falta de manutenção periódica. A manutenção não
23

evitará que o estabelecimento alcance, um dia, o fim da sua durabilidade, mas sim,
prorrogará a vida útil deste, buscando sempre a ausência de patologias.
De acordo com a NBR 15575/2013 - (Edificações Habitacionais –
Desempenho), a durabilidade do edifício e de seus sistemas é uma exigência
econômica do usuário, pois está diretamente associada ao custo global do bem
imóvel. A durabilidade de um produto se extingue quando ele deixa de cumprir as
funções que lhe forem atribuídas, quer seja pela degradação que o conduz a um
estado insatisfatório de desempenho, quer seja por obsolescência funcional. O
período de tempo compreendido entre o início de operação ou uso de um produto e o
momento em que o seu desempenho deixa de atender às exigências do usuário pré-
estabelecidas é denominado vida útil.
Essa mesma norma salienta que geralmente a durabilidade e vida útil da
estrutura pode ser prolongada por intermédio de ações de manutenção, como mostra
a Figura 3.

Figura 3 - Desempenho ao longo do tempo

Fonte: ABNT NBR 15575, (2013)

Thomaz (1989) afirma que a ausência de registros e de divulgação de


informações relacionados a problemas patológicos retarda o desenvolvimento e
aplicação das técnicas de projetar e de construir, fato este que, em sua concepção,
limita a formação dos novos profissionais, uma vez que não lhes são repassadas as
informações sobre como evitar erros que já foram repetidos inúmeras vezes no
passado.
24

Tendo o conhecimento das patologias, torna-se possível identificar a origem


e natureza das mesmas, bem como a consequência inerente a elas. Na tabela 1
apresentada a seguir, Machado (2002), faz relação com as principais manifestações
patológicas em ordem crescente de ocorrência estatística.

Tabela 1 - Incidência de Manifestações Patológicas

Ocorrência
Manifestações Patológicas
(%)
Deterioração e degradação química da construção 7%
Deformações (flechas e rotações) excessivas 10%
Segregação dos materiais componentes do concreto 20%
Corrosão das armaduras do concreto armado 20%
Fissuras e trincas ativas ou passivas nas peças de concreto 21%
armado
Manchas na superfície do concreto armado 22%
Fonte: Adaptada de Machado (2002)

2.1.3 Origem das Patologias Construtivas

É de relevante importância conceituar a definição em torno da origem das


manifestações patológicas. Neste sentido, pode-se citar Pedro et al. (2002), que
defende que as origens das manifestações patológicas podem ser classificadas em:
congênitas, construtivas, adquiridas e acidentais. Conforme abaixo:

 Congênitas: São aquelas originárias na fase de projeto, e ocorrem pela falta de


observação das Normas Técnicas, também por falhas e descuidos dos
profissionais, que acabam tendo como consequência falhas no detalhamento e
execução inadequada das construções.
 Construtivas: A manifestação dessas patologias está relacionada a etapa de
execução da obra, e tem ocorrência no emprego de mão-de-obra
desqualificada, materiais não certificados e ausência de metodologia para
execução dos serviços.
 Adquiridas: Essas patologias surgem durante a vida útil da edificação e são
causadas pela exposição ao meio em que estão inseridas.
 Acidentais: São as patologias causadas pela ocorrência de algum fenômeno
atípico, resultado de uma solicitação incomum.
25

As patologias que possuem relação às fases de planejamento, projeto,


fabricação e construção manifestam-se no período inferior a dois anos, no entanto
durante a utilização os problemas podem aparecer depois de muitos anos. Por isso, é
muito importante identificar em qual etapa surgiram os vícios construtivos, até mesmo
para a atribuição de responsabilidades civis (MACHADO, 2002).
A maior parte dos problemas são originadas nas fases de planejamento e
projeto, conforme mostra a Figura 4. As falhas de planejamento e projetos na maior
parte, mais graves que as falhas da qualidade dos materiais e de má execução. Sendo
assim, recomenda-se dedicar mais tempo em fazer projetos com mais detalhes e
completos.

Figura 4 - Etapas de processo de construção

Fonte: Helene (1992)

2.1.4 Causas das Patologias Construtivas

Existem vários fatores que podem ocasionar manifestações patológicas nas


construções. Couto (2007) descreve as principais causas:

 Falhas na concepção do projeto: Diversas falhas são possíveis de acontecer


durante a fase de concepção da estrutura, podendo se originar durante o
estudo preliminar, na elaboração do anteprojeto, ou no projeto executivo;
 Má qualidade dos materiais: Definidas as especificações dos materiais na fase
de projeto, deve-se controlar bem a aquisição dos insumos para fabricação do
26

concreto, objetivando a garantia das especificações e que o concreto não seja


rejeitado.
 Erros na execução: Falhas construtivas durante a etapa de execução da obra
podem causar repercussões danosas ao desempenho da estrutura de
concreto, por isso é recomendado utilizar a NBR 14931/2004 – (Execução de
estruturas de concreto – Procedimento).
 Utilização para fins diferentes dos calculados em projeto: Depois de concluída
a execução da estrutura, cabe ao seu usuário cuidar de utilizá-la da maneira
mais eficiente, com o objetivo de manter as características originais ao longo
de toda a sua vida útil.
 Falta de manutenção no decorrer do tempo: Deve-se garantir que não sejam
ultrapassados os carregamentos previstos em projeto, quanto com as
atividades de manutenção, já que o desempenho da estrutura tende a diminuir
ao longo da sua vida útil.
Os problemas de patologia manifestam-se na maior parte das edificações, no
entanto, em algumas apresentam maior intensidade do que em outras, além de
apresentarem inúmeras formas de manifestação.
As manifestações patológicas são provocadas, geralmente, por falhas no
planejamento anterior à construção. Também podem acontecer na realização de uma
ou mais tarefas durante a execução da obra, ou posteriormente, quando a construção
é finalizada e entregue ao proprietário. Conforme mostra a figura 5.

Figura 5 - Principais causas de patologias

Fonte: Couto (2007)


27

2.2 TIPOS DE PATOLOGIAS MAIS COMUNS

2.2.1 Fissuras

Segundo Oliveira (2012), fissuras, trincas e rachaduras são manifestações


patológicas das edificações observadas em alvenarias, vigas, pilares, lajes, pisos
entre outros elementos, geralmente causadas por tensões dos materiais. Se os
materiais forem solicitados com um esforço maior que sua resistência acontece a falha
provocando uma abertura, e conforme sua espessura será classificada como fissura,
trinca, rachadura, fenda ou brecha.
As fissuras manifestam-se na maior parte como estreitas e alongadas
aberturas na superfície de um material. Normalmente são de gravidade menor e
aparente, como, por exemplo: fissuras na pintura, na massa corrida ou no cimento
queimado, não resultando em problemas estruturais. Porém, vale ressaltar que toda
rachadura inicia como uma fissura.
Junior (1997) destaca que vários profissionais do meio técnico utilizam os
termos fissura e trinca indiscriminadamente, não fazendo qualquer distinção entre
eles, o que pode gerar dúvida na descrição deste problema patológico.
Segundo Ripper e Souza (1998), as fissuras podem ser consideradas como a
manifestação patológica característica das estruturas de concreto, se caracterizando
como o dano de ocorrência mais comum e aquele que, a par das deformações muito
acentuadas, mais chama a atenção dos leigos, proprietários e usuários aí incluídos,
para o fato de que algo de anormal está a acontecer. A figura 6, apresenta a
classificação das fissuras em alvenarias, de acordo com a NBR 13749/2013
(Revestimento de paredes e tetos de argamassas inorgânicas - Especificação).

Figura 6 – Classificação das Fissuras em alvenarias

Fonte: Sahade et al (2013)


28

A fissuração pode ser considerada a patologia que mais ocorre, ou pelo


menos a que chama mais atenção dos proprietários (RIPPER e SOUZA, 1998). As
fissuras de origem estrutural podem começar a manifestar-se, de forma congênita,
logo no projeto arquitetônico da construção. Os profissionais ligados ao assunto
devem se conscientizar de que muito pode ser feito para minimizar-se o problema,
pelo simples fato de reconhecer-se que as movimentações dos materiais e
componentes das edificações civis são inevitáveis (THOMAZ, 1989).
Ambrósio (2004), destaca algumas fissuras de origem estrutural, conforme
podemos observar abaixo no Quadro 1.

Quadro 1 – Fissuras de Origem Estrutural

TIPO DE PEÇAS MAIS CONFIGURAÇÃO


EXEMPLO
FISSURA SUJEITAS TÍPICA

Recalque  Inclinada, se afastando da


Diferencial da Paredes/Vigas região que menos recalcou;
Fundação  Abertura Variável.

 Mais inclinadas junto ao


apoio, verticalizando-se em

Qualquer direção ao meio do vão;


Cisalhamento  Abertura Variável,
Elemento
desaparecendo ao atingir a
região comprimida da peça

 Mais concentradas junto as


regiões de máximo momento
fletor e aumentando
gradativamente o
Qualquer
espaçamento ao se afastarem
Elemento
dessa região;
Flexão  Abertura Variável,
desaparecendo ao atingirem a
região comprimida da peça

 Diagonal, formando um
Lajes, junto
triângulo aproximadamente
aos cantos.
isósceles com os cantos.

Continua...
29

TIPO DE PEÇAS MAIS CONFIGURAÇÃO


EXEMPLO
FISSURA SUJEITAS TÍPICA

Pecas lineares,
com cargas não
 Em forma de hélice ao
Torção coincidentes com
longo do eixo longitudinal.
seu eixo
longitudinal.
 Perpendiculares à direção
Qualquer da carga de tração,
elemento seccionando a seção
tracionado transversal;
longitudinalmente  Mais fechadas junto às
armaduras.
Tração

 Perpendiculares à direção
Peças de da reação de apoio das
Suporte peças apoiadas
indiretamente.

Lajes / Sapatas /
 Tronco-cônicas,
Paredes, com
contornando a carga
Punção Cargas
concentrada, em forma de
perpendiculares
“teia de aranha”, em planta.
a seu plano

Qualquer peça
 Paralelas a direção de
protendida junto
aplicação de carga;
as ancoragens /
 Abertura variável, mais
Pilares / Paredes
abertas aproximadamente a
Fendilhamento com cargas
metade da maior dimensão
concentradas
da seção transversal da
aplicadas
peça, a partir da peça
segundo seu
carregada.
plano

Fonte: Adaptado de Ambrósio, (2004)


30

Em todas as construções, que tem sua estrutura executada em concreto,


fissuras podem surgir depois de anos, dias ou mesmo horas. As causas destas
fissuras são várias e de diagnóstico difícil. O termo fissura é utilizado para designar a
ruptura ocorrida no concreto sob ações mecânicas ou físico-químicas
De acordo com a NBR 9575/2010, fissura e a abertura ocasionada por ruptura
de um material ou componente, com abertura inferior ou igual a 0,5mm.
Conforme com a NBR 6118/2014 (Projeto de estruturas de concreto —
Procedimento), as fissuras são consideradas agressivas quando sua abertura na
superfície do concreto armado ultrapassa os seguintes valores:

a) 0,2 mm para peças expostas em meio agressivo muito forte (industrial e


respingos de maré);
b) 0,3 mm para peças expostas a meio agressivo moderado e forte (urbano,
marinho e industrial);
c) 0,4 mm para peças expostas em meio agressivo fraco (rural e submerso).

Figura 7 - Fissuras

Fonte: Fórum da Construção, (2016)

Consideram-se fissuras que podem provocar patologias aquelas que são


visíveis a olho nu, quando observadas a uma distância maior que um metro, ou
aquelas que, independentemente da sua abertura, estejam provocando penetração
de umidade para dentro das edificações (CEOTTO et al, 2005)
31

2.2.2 Trincas

Lottermann (2013), afirma que as trincas são aberturas mais profundas e


acentuadas. O fator determinante para se configurar uma trinca é a "separação entre
as partes", ou seja, o material em que a trinca se encontra está separado em dois.
Uma parede, por exemplo, estaria dividida em duas partes. As trincas podem ser muito
difíceis de visualizar e categorizar, exigindo equipamentos especializados. Por isso,
sempre desconfie se o que parece uma fissura não é, na verdade, uma trinca.
As trincas são muito mais perigosas do que as fissuras, pois apresentam
ruptura dos elementos, e assim podem afetar a segurança dos componentes da
estrutura de uma casa ou prédio.
De acordo com a NBR 9575/2010 (Impermeabilização - Seleção e projeto), as
trincas são aberturas ocasionadas por ruptura de um material ou componente com
abertura superior a 0,5 mm e inferior a 1,0 mm.
A NBR 15575/2013 apresenta as trincas como: expressão coloquial qualitativa
aplicável a fissuras com abertura maior ou igual a 0,6mm.

Figura 8 - Trincas

Fonte: Fórum da Construção, (2016)


32

2.2.3 Infiltrações, manchas, bolor ou mofo, eflorescência

De acordo com Miotto (2010), as manifestações patológicas encontradas com


maior frequência são: infiltração, manchas, bolor ou mofo e eflorescência, por serem
de mais fácil detecção e observação, o Quadro 2 apresenta a definição de cada
patologia, conforme podemos observar abaixo.

Quadro 2 - Infiltrações, manchas, bolor ou mofo, eflorescência


Infiltrações, manchas, bolor ou mofo, eflorescência
Infiltração ocorre quando a quantidade de água é maior ela pode pingar, ou até
Infiltração
fluir resultando numa infiltração
Manchas A água ao atravessar uma barreira fica aderente, resultando daí uma mancha
O termo bolor ou mofo é entendido como a colonização por diversas populações
de fungos filamentosos sobre vários tipos de substrato, citando-se inclusive as
argamassas inorgânicas. O termo emboloramento, de acordo com Allucci (1988)
constitui-se numa “alteração observável macroscopicamente na superfície de
Bolor ou diferentes materiais, sendo uma consequência do desenvolvimento de
mofo microrganismos pertencentes ao grupo dos fungos”. O desenvolvimento de
fungos em revestimentos internos ou de fachadas causa alteração estética de
tetos e paredes, formando manchas escuras indesejáveis em tonalidades preta,
marrom e verde, ou ocasionalmente, manchas claras esbranquiçadas ou
amareladas.
Formações salinas nas superfícies das paredes, trazidas de seu interior pela
umidade. Apresenta-se com aspecto esbranquiçado à superfície da pintura ou
reboco; Criptoflorescência: Formação de cristais no interior da parede ou estrutura
Eflorescência
pela ação de sais. Causam rachaduras e até a queda da parede; Gelividade: Ação
da água depositada nos poros e canais capilares dos materiais que ao se congelar
podem causar a desagregação dos mesmos devido ao seu aumento de volume
Fonte: Adaptado de Shirakawa, (1995)

2.2.4 Corrosão da Armadura

Gentil (2003) refere que, "de maneira geral, a corrosão poder ser entendida
como a deterioração de um material, por ação química ou eletroquímica do meio
ambiente, aliada ou não a esforços mecânicos".
Segundo Miotto (2010) os danos causados pela corrosão de armadura
geralmente são manifestados por fissuras no concreto paralelas a direção da
armadura, delimitando e ou desprendendo o recobrimento. Em componentes
estruturais que apresentam uma elevada quantidade de umidade, os primeiros
sintomas de corrosão evidenciam-se por meio de manchas de oxido nas superfícies
do concreto.
33

Gentil (2003) leva em consideração que, “a corrosão e a deterioração


observadas em concreto podem estar interligadas a fatores mecânicos, físicos,
biológicos ou químicos”. Conforme podemos observar no Quadro 3, que descreve os
fatores determinantes da corrosão de concreto.

Quadro 3 – Fatores determinantes da corrosão em concreto


Fatores determinantes da corrosão em concreto
Entre os fatores mecânicos, as vibrações podem ocasionar fissuras no concreto,
possibilitando o contato da armadura com o meio corrosivo. Líquidos em
movimento, principalmente contendo partículas em suspensão, podem ocasionar
Fatores
erosão no concreto, com o seu consequente desgaste. A erosão é mais
mecânicos
acentuada quando o fluido em movimento contém partículas em suspensão na
forma de sólidos, que funcionam como abrasivos, ou mesmo na forma de vapor,
como no caso de cavitação.
Os fatores físicos, como variações de temperatura, podem ocasionar choques
térmicos com reflexos na integridade das estruturas. Variações de temperatura
entre os diferentes componentes do concreto (pasta de cimento, agregados e
Fatores físicos
armadura), com características térmicas diferentes, podem ocasionar
microfissuras na massa do concreto que possibilitam a penetração de agentes
agressivos.
Os fatores biológicos, como microrganismos, podem criar meios corrosivos para
Fatores a massa do concreto e armadura, como aqueles criados pelas bactérias oxidantes
biológicos de enxofre ou de sulfetos, que aceleram a oxidação dessas substâncias por ácido
sulfúrico.
Os fatores químicos estão relacionados com a presença de substâncias
químicas nos diferentes ambientes, normalmente água, solo e atmosfera. Entre
Fatores
as substancias químicas mais agressivas devem ser citados os ácidos, como
químicos
sulfúrico e clorídrico. Os fatores químicos podem agir na pasta de cimento, no
agregado e na armadura de aço-carbono.
Fonte: Adaptado de Gentil (2003)

Cascudo (1997), afirma que os principais agentes agressivos que


desencadeiam a corrosão das armaduras são a ação dos íons cloretos (corrosão
localizada por pite) e redução de pH do aço (corrosão generalizada → carbonatação)
e corrosão localizada sobre tensão fraturante. Na figura 9, é possível observar esse
processo.
Figura 9 – Tipos de corrosão e fatores que a provocam

Fonte: Cascudo, (1997)


34

Gonçalves (2015) destaca que nos elementos estruturais em que o aço já foi
vítima da corrosão, ocorre um aumento de volume de até oito vezes na parte afetada
da armadura, produzindo tensões que o concreto não resiste. Formam-se as fissuras,
e as armaduras mais próximas à superfície do elemento estrutural ficam mais
expostas ainda à ação dos agentes externos, gerando mais corrosão, e até o
desplaqueamento do concreto.
A durabilidade do concreto das estruturas “depende de sua fabricação com
materiais não expansivos e de sua capacidade de resistir às agressões provenientes
do meio externo” (FUSCO, 2008, p. 48).

2.3 DIAGNÓSTICO DAS PATOLOGIAS

De acordo com Iantas (2010), o diagnóstico das patologias é recomendado


para detecção, localização e identificação das manifestações patológicas em cada
etapa do processo construtivo. Deve-se detectar a origem do problema e o que
ocasionou a falha. Se o problema originou-se no projeto, falha é do projetista; se a
origem está na qualidade do material, o fabricante falhou; quando teve-se origem na
execução, há falha na mão-de-obra, na fiscalização ou na construtora, sendo omissos;
durante o uso, houve falha na operação e manutenção.
Miotto (2010) afirma que o envelhecimento e alterações são processos
inevitáveis nas edificações, no entanto, elas devem ser projetadas e construídas de
forma que mantenham sua segurança e aparência aceitável durante toda vida útil da
edificação. Para isso, deve-se providenciar as devidas manutenções, para prorrogar
ao máximo a vida útil e buscar a ausência de patologias.
A NBR 14037/2011 - (Diretrizes para elaboração de manuais de uso,
operação e manutenção das edificações — Requisitos), tem relevante importância
dentro do tema estudado, pois “determina o conteúdo a ser incluído no manual de
operação, uso e manutenção de edificações, com recomendações para sua
elaboração e apresentação”, tendo como objetivo orientar o proprietário e o usuário
para a correta realização das atividades de manutenção. Esta norma prevê que a
elaboração do manual fica a cargo do responsável pela produção da edificação.
35

3 METODOLOGIA

3.1 CLASSIFICAÇÃO DA PESQUISA

A metodologia utilizada para o desenvolvimento do presente trabalho foi um


estudo de caso em uma edificação escolar localizada no município de Manacapuru,
AM.
O estudo de caso é caracterizado como uma pesquisa detalhada que estuda
um fenômeno no seu contexto real, na qual é fundamentado em fontes de evidências
para que favoreçam o desenvolvimento das suposições teóricas conduzindo-as para
a coleta e análise de dados e que para se realizar um estudo de caso de qualidade
são fundamentais seis fontes de evidências: a) a documentação, b) os registros em
arquivos, c) as entrevistas, d) a observação direta, e) a observação participante e os
f) artefatos físicos. (Yin, 2001).

3.1.1 Procedimento de coleta e interpretação de dados

Segundo Lichtenstein (1985), o levantamento de subsídios consiste na etapa


onde as informações essenciais e suficientes para o entendimento completo das
manifestações patológicas são organizadas. Estas informações são obtidas através
de três formas: vistoria do local, levantamento histórico do problema e do edifício e o
resultado das análises.
A vistoria do local onde será realizado o estudo de caso será feita por meio da
coleta de dados através do levantamento fotográfico das manifestações patológicas
de uma edificação escolar localizada em Manacapuru, realizando a devida descrição
das mesmas, apontando as causas e soluções.
Para melhor controle no procedimento de coleta e interpretação dos dados será
usado como auxilio o fluxograma apresentado na Figura 10, que foi adaptado da
dissertação de mestrado realizada na Universidade Federal do Rio Grande do Sul,
“Contribuição para a identificação dos principais fatores e mecanismos de degradação
em edificações do patrimônio cultural de Porto Alegre” de Inês Martina Lersch, no ano
de 2003.
36

Figura 10 – Fluxograma do Procedimento

Fonte: Adaptado de Lersch, (2003)

De acordo com Lersch (2003), os procedimentos para controle são:

a) Identificação do problema
 Que fatores são responsáveis pelo surgimento de patologias na edificação
citada? Seja em termos de materiais, técnicas ou maneira de utilização da
edificação.
 Quais os mecanismos de ocorrência dessas patologias? Para se entender
como estes fenômenos surgem e evoluem.
 Quais as soluções possíveis? Buscando-se, através do entendimento dos
mecanismos de ocorrência, alternativas para solucionar os fenômenos
encontrados.
b) Pesquisa bibliográfica
Assim como Lersch (2003) propôs, a pesquisa bibliográfica ocorre de forma
paralela às atividades da pesquisa, pois é a etapa que alimenta o desenvolvimento da
pesquisa.
37

c) Estudo inicial
É a fase de estudo realizada para a obtenção de resultados e onde se realiza o
levantamento de dados usando-se de fotografias realizando localizações e
descrições.
d) Identificação das possíveis causas das manifestações patológicas
É a etapa do estudo onde se identifica os agentes causadores dos fenômenos
patológicos, sejam eles remotos ou imediatos. Embora não exista a distinção em
bibliografia entre tais termos, destaca-se a importância de realizar tal distinção. O
agente remoto caracteriza-se como aquela causa de um fenômeno patológico que por
sua vez irá gerar outro, enquanto que o agente imediato é aquele responsável
diretamente pelo surgimento de um fenômeno patológico. Nesta etapa além da
identificação dos agentes, também se realiza a descrição dos mecanismos de
ocorrência de cada fenômeno.
e) Elaboração de conclusões
É a etapa final, onde se sugere a execução de exames complementares com
maior precisão, analisa-se a situação no caso de não intervenção e, por fim, definem-
se soluções possíveis para os problemas.
Entretanto, a interpretação dos dados fotográficos será visual e amparada pela
bibliografia disponível, onde para cada situação de patologia serão abordadas
soluções específicas.

3.1.2 Análise dos dados e conclusão

Segundo Lichtenstein (1985), o processo de entendimento de um problema


patológico pode ser descrito como geração de hipóteses ou modelos e o seu
respectivo teste. Em outras palavras, a partir de determinados dados fundamentais, o
técnico elabora hipóteses de avaliação da situação e compara estes modelos ao
quadro sintomatológico geral e ao conhecimento que tem da patologia.
Acompanhando este raciocínio, após ser realizada a coleta e interpretação
dos dados, os mesmos serão submetidos à uma análise detalhada e será proposta a
solução que tenha o melhor desempenho frente aos aspectos técnicos, econômicos e
ambientais.
38

4 RESULTADOS E DISCUSSÕES

Neste capítulo, será apresentado o local de estudo das patologias, e


informações referentes a edificação estudada, com o objetivo de apresentar através
do levantamento fotográfico as manifestações patológicas, indicando os fenômenos
detectados por observação visual, através disso realizar a descrição de seis casos,
realizando o detalhamento para cada ocorrência, apontando as possíveis causas e
mecanismo de ocorrência, e apresentando soluções para cada manifestação
patológica detectada.

4.1 LOCAL DO ESTUDO DE CASO

O município de Manacapuru o qual está situado a edificação escolar que


servirá como base para o estudo, está localizado na Mesorregião Centro Amazonense
e Microrregião de Manaus. Pertence a região metropolitana de Manaus, distante cerca
de 84 km da capital, Manaus, conforme mostra a Figura 11. Tem altitude de 60 metros
e área de 7.329,23 km2. As principais atividades econômicas desenvolvidas são
pecuária, pesca e a agricultura, em particular a cultura da Juta, que é a base
econômica do município. Possui 86.078 habitantes e uma densidade demográfica de
12,85 hab./km2. É a 3.555ª cidade brasileira no Índice de Desenvolvimento Humano e
a 11ª do Amazonas (PREFEITURA MUNICIPAL DE MANACAPURU, 2016)

Figura 11 – Localização do Município de Manacapuru

Fonte: http://www.weather-forecast.com/locations/manacapuru
39

4.1.2 ESCOLA ESTADUAL MAGNÓLIA VENTURA – HISTÓRICO DA INSTITUIÇÃO

A Escola Estadual Magnólia Ventura, conforme mostra a Figura 12, está


localizada na Rua Joana D’Ângelo, nº 2227 no Bairro do Biribiri, zona urbana no
município de Manacapuru, funciona atualmente com 05 salas de aula nos turnos
matutino e vespertino, atendendo o Ensino Fundamental 1 e 2 de 4º ao 8º ano com o
total de 216 alunos, 14 Professores e 10 Funcionários administrativos. (ESCOLA
ESTADUAL MAGNÓLIA VENTURA, 2016)

Figura 12 – Localização da Escola Estadual Magnólia Ventura

Fonte: http.//maps.google.com.br

Antes de funcionar no atual prédio, suas atividades eram desenvolvidas em


uma casa de madeira, denominada pela comunidade de “barracão”, este foi
construído pela própria comunidade na época sobre a coordenação do Sr. José Vieira
da Costa (mais conhecido na comunidade como José Tomás). Neste mesmo barracão
passou a funcionar uma pequena escola que atendia as crianças no bairro e
adjacências, funcionava com duas salas; lecionavam nesta escola os professores,
Raimunda Pinheiro e Raimundo Gama. Este Barracão funcionou aproximadamente
por quatro anos letivos, não possuía direção própria, funcionava sobre coordenação
da Secretaria Municipal de Educação (SEMEC), na época seu nome oficial era Escola
Municipal Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. (ESCOLA ESTADUAL MAGNÓLIA
VENTURA, 2016)
40

Devido ao aumento demasiado da clientela, e atendendo ao pedido dos


comunitários, construiu-se ao lado do barracão, um prédio todo em alvenaria, os
alunos foram transferidos para este prédio, sendo a construção feita em convênio com
o Governo do Estado e Secretaria de Educação e Qualidade do Ensino – SEDUC,
com isso passou então a escola do bairro a chamar-se Escola Estadual Magnólia
Ventura, teve o professor Raimundo Gama como primeiro Gestor. (ESCOLA
ESTADUAL MAGNÓLIA VENTURA, 2016)
A Escola Estadual Magnólia Ventura, criada pelo Decreto nº 13769/91, foi
inaugurada em 21 de fevereiro de 1985, pelo prefeito, na época, Paulo Freire.
Recebeu esse nome em homenagem a uma das primeiras professoras de
Manacapuru, a Senhora Magnólia Ventura, conforme mostra a Figura 13. Ela
começou a lecionar em sua própria casa e, a partir daí recebeu o título de professora
pelos próprios comunitários, obtendo muito sucesso na carreira que iniciara. Alguns
anos depois lecionou na Escola Estadual Nossa Senhora de Nazaré, no curso
chamado pré-primário. A Professora Magnólia Ventura muito contribuiu no processo
educativo de nossa cidade. (ESCOLA ESTADUAL MAGNÓLIA VENTURA, 2016).

Figura 13 – Fachada da Escola Estadual Magnólia Ventura

Fonte: Elaborado pelo autor, 2016

A Escola Estadual Magnólia Ventura nos últimos anos teve como gestores a
saudosa professora Anacleta Cunha Pereira da Cruz, que muito contribuiu para o
processo educativo da instituição, a professora Raimunda Barbosa e a atual Gestora
Elizangela Gomes de Santana. (ESCOLA ESTADUAL MAGNÓLIA VENTURA, 2016)
41

4.2 MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS ENCONTRADAS

Caso 1 – Trincas Verticais entre o Pilar e a Alvenaria

Figura 14 – Trincas verticais na Alvenaria

Fonte: Elaborado pelo Autor, (2016)

 Descrição Visual: Como mostra a fotografia na Figura 14, é possível observar


trincas verticais na linha do pilar que sustenta a alvenaria da fachada.
 Manifestação: Trincas
 Causas prováveis: As trincas na linha do pilar mostram que ocorre
movimentação na estrutura em razão da expansão e retração térmica da alvenaria da
fachada, que “empurra” o pilar, com a separação da alvenaria ficando aparente na
forma de trinca.
 Mecanismo de ocorrência: Segundo Thomaz (1989), os elementos e
componentes de uma construção estão sujeitos a variações de temperatura, sazonais
e diárias. Essas variações repercutem numa variação dimensional dos materiais de
construção, provocando a dilatação ou contração dos materiais de construção. Esses
movimentos de dilatação e contração são limitados pela relação que envolve os
materiais e componentes, por isso acabam sendo geradas tensões nos materiais que
poderão provocar o aparecimento de trincas e fissuras.
42

 Solução: É necessário realizar uma análise do grau em que se encontra a


trinca. Pelo que podemos observar na figura, a trinca caracteriza-se como uma
manifestação patológica sujeita à atenção, pois a mesma está aproximadamente entre
0,3mm e 0,7mm.
Ambrósio (2004) destaca que a faixa de variação padrão das aberturas de
trincas e fissuras esta apresentada nos níveis de alerta, dados a seguir:

 Normal: abertura entre 0,05mm e 0,3mm (ocorrência);


 Atenção: abertura entre 0,3mm e 0,7mm (anomalia);
 Crítico: abertura superior a 0,7mm (anomalia).

É importante realizar testes com o intuito de identificar se a trinca é


progressiva, ou seja, se está ocorrendo um aumento de abertura com o passar do
tempo, com isso poderá verificar se existe a necessidade de se fazer um reforço no
pilar, ou apenas o reparo na alvenaria. Existem aparelhos que possibilitam medir a
variação dessas aberturas, que são posicionados sobre as fissuras constituídos por
calços de gesso, tiras de vidro ou de papel, que apenas permitem detectar,
grosseiramente, eventuais acréscimos da abertura.
O fissurometro é um pequeno instrumento indicado para medir esse tipo de
abertura de forma rápida e econômica. Pode-se utilizar outro instrumento, como o
comparador de fissuras, que permite mensurar, com menor ou maior rigor a abertura
das trincas.

Figura 15 – Fissurômetro Figura 16 – Comparador de Fissuras

Fonte: www.oz-diagnostico.pt/ Fonte: www.oz-diagnostico.pt/


43

Tendo o conhecimento da abertura da trinca, após o uso de um dos dois


instrumentos utilizados para a medição, é recomendado que se faça a abertura da
trinca através de ferramentas especificas. É necessário que se faça uma limpeza do
local, retirando-se todos os resíduos. Após este processo, aplica-se um fundo
preparador a base de água e um selador de trincas. O procedimento de restauração
do revestimento só poderá ser feito, após a cura completa do material restaurador da
trinca.

Caso 2 – Reboco com Fissuras, manchas de Umidade, mofo e bolor

Figura 17 – Reboco com Fissuras, manchas de umidade, mofo e bolor

Fonte: Elaborado pelo Autor, (2016)

 Descrição Visual: Podemos observar na fotografia apresentada na figura 17,


que o reboco da alvenaria apresenta algumas fissuras e manchas decorrentes de
umidade, mofo e bolor.
 Manifestação: Fissuras, manchas de umidade, mofo e bolor
 Causas prováveis: As causas possíveis estão associadas a umidade
predominante no piso da calçada por ausência de impermeabilização eficaz. Podemos
mencionar também que a manifestação patológica ocorre em decorrência dos
respingos de água pluvial devido ao beiral existente para proteção desta parede
44

possuir um pé-direito com altura considerável, seguido de inexistência de limpeza


adequada. De acordo com Verçosa (1991), “a umidade é a causa ou meio necessário
para grande maioria das manifestações patológicas em construções”. Este autor
demonstra, afirmando que as umidades podem ter as seguintes origens:
 Trazidas durante a construção;
 Trazidas por capilaridade;
 Trazidas por chuva;
 Resultantes de vazamentos em redes;
 Condensação.

O mesmo autor destaca que as fissuras possuem como possíveis causas as


outras patologias. Para compreender melhor este processo veremos a seguir alguns
conceitos descritos pelo mesmo:
 Descolamentos: quando o reboco se solta da parede, e reconhece-se pelo
som cavo ao se bater no reboco. Este fenômeno pode ter muitas causas, entre elas
infiltração de umidade, presença de magnésio na cal, argamassas ricas ou pobre
demais, falta de chapisco, reboco grosso demais e até tijolos sem porosidade. E a
medida que o descolamento avança surgem fissuras e em fases mais adiantadas o
reboco cai.
 Eflorescências: é o aparecimento de formações salinas na superfície dos
materiais, causando mau aspecto e em alguns casos descolamento do revestimento
ou pintura, desagregação de paredes a queda de elementos construtivos. Este
fenômeno é causado pela presença de sais de cálcio, de sódio, de potássio, de
magnésio ou de ferro, substâncias integrantes de materiais de construção que ao
serem atravessados pela água são dissolvidos, e vão até a superfície, logo a água
evapora, mas os sais permanecem formando manchas.
 Criptoflorescência: são formações salinas (eflorescências) ocultas, ou seja,
crescimento de sais ou cristais no interior dos materiais, gerando desagregação ou
descolamento dos elementos construtivos.
 Esfarelamento: é uma forma especial de descolamento, mas o reboco não cai
em placas, e sim desagregando em grãos ou em pó. O emprego de argamassas com
pouco aglomerante é a causa mais frequente deste problema, mas podendo ser ainda
a carbonatação lenta da cal ou eventualmente pela Gelividade.
45

 Gelividade: é uma forma de corrosão particular que aparece comumente nas


regiões frias (no Brasil por exemplo, na região Sul). Verçosa explica que a água que
é absorvida pelo tijolo ou reboco é dividida distribuindo-se entre os poros e capilares,
podendo então congelar facilmente em até 7°C. Logo a água que está mais
superficialmente chega a ter força para remover a capa, esfarinhando um pouco está
superfície. Este fenômeno é imperceptível, mas com as repetições ao longo do tempo
o processo se agrava.
 Mecanismo de ocorrência: Segundo Verçosa (1991), bolor ou mofo é a
manifestação de um tipo de microvegetais e fungos que aparecem em decorrência da
presença de umidade. Como os fungos não possuem clorofila suas raízes segregam
enzimas que fazem decomposição e servem de alimento para o vegetal. Logo, essas
enzimas funcionam como um ácido sobre o material que é atacado e queimado,
deixando como resultado uma coloração escura quase preta.
Já com relação às fissuras pode-se dizer que provavelmente sua ocorrência
foi causada por criptoflorescências em consequência da presença de alguns sais e da
umidade oriunda da má conservação da tinta e exposição a água da chuva.
 Solução: Verçosa (1991) afirma que a melhor maneira de eliminar fungos é
remover as condições de sua sobrevivência, umidade acima de 75% e temperatura
entre 10 e 35°C. Desta maneira as salas e banheiros quando possível devem estar
com as portas e janelas abertas a fim de proporcionar circulação de ar, arejando o
ambiente e removendo as condições de sobrevivência destes agentes. Mas cita
também como solução temporária, que se lave a superfície com uma solução
fungicida com os seguintes componentes:
 80gr de fosfato trissódico
 30gr de detergente comum
 90ml de hipoclorito de sódio
 2.700ml de água.

Após realizar o processo de lavagem da superfície com a solução fungicida,


quando necessário deve-se fazer a remoção do revestimento danificado. Já limpo e
consertado o dano do local, aplica-se um novo revestimento e é feita uma
impermeabilização apropriada para o caso.
46

Caso 3 – Eflorescência em revestimento argamassado

Figura 18 – Eflorescência em revestimento argamassado

Fonte: Elaborado pelo Autor, (2016)

 Descrição Visual: Eflorescência de coloração branca na parte inferior da


parede, próximo ao piso, em grandes regiões.
 Manifestação: Eflorescência
 Causas prováveis: Não considerar o tempo de cura das camadas
subsequentes, fluxo de água por capilaridade (absorção) ou pressão
(permeabilidade), excesso de cal na camada do emboço.
 Mecanismo de ocorrência: A presença de umidade associada com a
ausência de circulação de ar proporciona condições ideais ao aparecimento de
eflorescência no interior desta sala.
Na maioria dos casos, as eflorescências não acarretam grandes problemas,
além dos transtornos estéticos. Porém, segundo Peres, (2001), a Criptoflorescência,
que se caracteriza pela cristalização dos sais, antes de atingir a superfície do
revestimento, gera, por ocasião da expansão dos sais, cerca de 35% de acréscimo de
volume, podendo provocar o descolamento das placas cerâmicas.
47

Para que as eflorescências ocorram são necessárias algumas condições,


como infiltração de água, umidade, presença de sais solúveis, possibilidade de
evaporação e alto índice de absorção dos materiais. Podemos evitar a ocorrência do
problema, eliminando qualquer um desses fatores (SALLES NETO, 2010).
Segundo VERÇOZA (1991) a umidade não é apenas uma causa de
patologias, ela age também como um meio necessário para que grande parte das
patologias em construções ocorra. Ela é fator essencial para o aparecimento de
eflorescências, ferrugens, mofo, bolores, perda de pinturas, de rebocos e até a causa
de acidentes estruturais.
No Quadro 4, abaixo é possível observar a relação entre a origem da umidade
com os locais onde podem ser encontradas, e associa-las a eflorescência estudada:

Quadro 4 – Origem da Umidade nas Construções


Origens Presente na
Confecção do concreto
Umidade proveniente da
Confecção de argamassas
execução da construção
Execução de pinturas
Cobertura (telhados)
Umidade oriunda das chuvas Paredes
Lajes de terraços
Umidade trazida por
capilaridade (umidade Terra, através do lençol freático
ascensional)
Paredes
Umidade resultante de
Telhados
vazamento de redes de água e
Pisos
esgotos
Terraços
Paredes, forros e pisos
Umidade de condensação Peças com pouca ventilação
Banheiros, cozinha e garagens
Fonte: Adaptado de Klein, (1999)

A eflorescência apresentada na fotografia da figura 18 apresenta manchas


esbranquiçadas que se manifestam nas superfícies pintadas. De acordo com o quadro
4, tem origem na má execução da construção e ocorre quando a tinta foi aplicada
sobre reboco úmido, ainda não curado totalmente. A secagem do reboco acontece
por eliminação de água sob forma de vapor, que conduz materiais alcalinos solúveis
do interior para a superfície pintada, onde se deposita, causando manchas. A
patologia pode ocorrer também em superfícies de cimento-amianto, concreto, tijolo,
entre outros.
48

 Solução: Realiza-se a remoção dos sais através de uma escovação


mecânica, em seguida procede-se uma lavagem com solução de ácido muriático,
devendo-se saturar anteriormente a parede, para preencher os vazios existentes com
água para evitar a impregnação do ácido através dos poros. Existem casos em que a
eliminação dos sais é muito difícil e a aplicação frequente de solução ácida pode
comprometer a durabilidade dos componentes do revestimento. Para estes casos, o
problema deve ser estudado em laboratório e só então diagnosticar e estudar as
possíveis soluções.

Caso 4 – Infiltração em Alvenaria

Figura 19 – Infiltração causada por capilaridade

Fonte: Elaborado pelo Autor, (2016)

 Descrição Visual: Infiltração ao longo da parede. Sendo possível observar


que há um desprendimento de material em determinados pontos.
 Manifestação: A manifestação da infiltração ocorre com o aparecimento das
manchas e desagregação da pintura e revestimento argamassado que são
manifestações de fácil identificação, conforme podemos observar na fotografia da
Figura 19.
49

 Causas Prováveis: Umas das prováveis causas é a má impermeabilização


ou não impermeabilização do local. Essas falhas apresentadas podem ocorrer por
motivos de má execução da impermeabilização ou por falhas de definição do serviço
no projeto.
 Mecanismo de Ocorrência: Quando não existe absorção eficiente da água,
ocorre o desprendimento dos materiais, devido ao excesso de agua. Esse excesso de
água pode ser devido ao alto volume de chuva no local ou pelo mecanismo de
capilaridade quando aparece em interiores de edificações como esta, trazendo
consigo o descascamento das pinturas.
A desagregação da pintura conforme podemos observar na figura tem sua
ocorrência devido à reação de sais presentes nas eflorescências que são lixiviados
até a interface da pintura prejudicando a aderência, ocasionando seu descascamento.
Lottermann (2013), destaca que a capilaridade ou ação capilar é a
propriedade física que os fluidos têm de subirem ou descerem em tubos
extremamente finos. Essa ação pode fazer com que líquidos fluam mesmo contra a
força da gravidade ou à indução de um campo magnético. Se um tubo que está em
contato com esse líquido for fino o suficiente, a combinação de tensão superficial,
causada pela coesão entre as moléculas do líquido, com a adesão do líquido à
superfície desse material, pode fazê-lo subir por ele. Esta capacidade de subir ou
descer resulta da capacidade de o líquido "molhar" ou não a superfície do tubo. Esse
processo pode ser observado na Figura 20, apresentada abaixo.

Figura 20 – Processo de Capilaridade

Fonte: Lottermann (2013)


50

Com a chegada do período de chuvas torna-se favorável a ocorrência da


patologia de infiltração nas construções, pois é nesse período que as águas e vapores
tendem a entrar nos imóveis através de uma fonte específica. Entre as mais variadas
causas, nesse período de chuva uma das possíveis explicações para o problema é a
colisão da chuva em planos externos das construções que possam apresentar trincas,
resultando em manchas, bolores e excesso de umidade. Conforme podemos observar
na figura 21, este processo em que a água colide e escorre não parece danoso, mas
quando há uma exposição contínua, pode provocar umidade interna.

Figura 21 – Processo de Infiltração

Fonte: Lottermann (2013)

Portanto, além da atuação desses mecanismos, pode-se citar como


mecanismo de ocorrência a deterioração dos materiais empregados, fazendo assim
com que os mesmos percam suas qualidades e fiquem propícios ao aumento de
patologias no local.

 Solução: Para eliminar definitivamente a umidade presente no local


ocasionadas devido as falhas na impermeabilização, deve-se realizar a injeção de
produtos cristalizantes em furos executados nas bases do local danificado com a
finalidade de interromper a evolução da umidade por capilaridade.
É uma alternativa prática, fácil e definitiva para a correção das infiltrações de
umidade na parte inferior de paredes de alvenaria ou estruturas de concreto
executadas após a ocupação do imóvel, pois não implica na interdição do local.
51

Consiste na aplicação de um produto cristalizante a base de cimentos


especiais e aditivos minerais que atuam por penetração osmótica nos capilares da
alvenaria, argamassas e concretos, formando um gel que se cristaliza no processo de
cura. Deve ser aplicado em materiais encharcado (quanto mais umidade maior poder
de penetração do produto). Pode-se aplicar diretamente sobre as superfícies ou por
meio de furos feitos com brocas de aço para aumentar o poder de penetração.

Caso 5 – Umidade, perda de aderência ou desagregação (descolamento)

Figura 22 – Desagregação do revestimento argamassado

Fonte: Elaborado pelo Autor, (2016)

 Descrição Visual: Podemos verificar na fotografia apresentada na Figura 22,


a perda de aderência e desagregação do revestimento argamassado causada pela
infiltração em decorrência da umidade.
 Manifestação: Perda de aderência causada pela infiltração, provocada pela
capilaridade, ocasionando a desagregação (descolamento em placa), da pintura ao
longo da parede.
 Causas Prováveis: Pode ter sido ocasionado por meio da penetração de
água através de fissuras e da própria argamassa do revestimento, conciliado com a
provável falta de chapisco, quando da preparação da base para receber o
revestimento.
52

 Mecanismo de ocorrência: A manifestação patológica foi causada pela


umidade que emerge do solo úmido (umidade ascensional). Ela ocorre devido aos
materiais que apresentam canais capilares, por onde a água passará para atingir o
interior das edificações. É possível observar que a argamassa nos pontos empolados
é pulverulenta e facilmente removível.
 Solução: Como primeira opção de solução para reparo, pode-se fazer a
remoção do revestimento danificado, como uma forma de solucionar e extinguir o
problema causador da patologia. Já limpo e consertado o dano do local, a base deve
ser apicoada e limpa, com o intuito de isentar sua superfície de qualquer substância
que possa comprometer a aderência com as novas camadas de revestimento que
deverão ser executadas (chapisco, emboço e reboco). Aplica-se um novo
revestimento e deverá ser feita uma impermeabilização apropriada para o caso.
Uma outra solução mais radical para esse tipo de patologia frequente é
proposta por (RIPPER e SOUZA, 1998), que consiste, na substituição da
impermeabilização, parcial ou completa, conforme a descrição a seguir:
a) Executar cortes na alvenaria de 15 cm de altura (uma ou duas fiadas) ao
longo de toda a base da alvenaria em trechos de 1 m de comprimento e
espaçados em 80 cm um do outro;
b) Retirar o material da impermeabilização deficiente, limpar e regularizar a
superfície (alicerce ou viga baldrame);
c) Aplicar duas camadas de feltro asfáltico, colados com asfalto oxidado a
quente ou uma camada de butil ou similar em toda a extensão do rasgo;
d) Aplicar uma camada de proteção de argamassa de cimento e areia de 1:2 e
reconstruir a alvenaria encunhada em 80 cm do trecho de 1m deixando 10
cm para cada lado para o transpasse;
e) Executar os rasgos nos trechos de 80 cm alternados e repetir os passos
anteriores, inclusive sobre o transpasse;
f) Retirar o revestimento úmido até 60 cm de altura, tanto internamente como
externamente;
g) Deixar secar a alvenaria, protegendo-a contra intempéries;
h) Executar o revestimento interno com argamassa comum (emboço) e
externamente com argamassa aditivada de impermeabilizante;
i) Providenciar o acabamento e pintar após a carbonatação completa
53

Abaixo é demonstrado na figura 23, as etapas de correção da solução


proposta por (RIPPER e SOUZA, 1998).

Figura 23 – Etapas de Correção

Fonte: Adaptada de Ripper e Souza, (1998)


54

Caso 6 – Fissuras

Figura 24 – Fissuras Diagonais

Fonte: Elaborado pelo Autor, (2016)

 Descrição Visual: A figura apresenta fissuras que surgem com 45 graus,


partindo do canto da esquadria e depois tomam a parede na horizontal.
 Manifestação: Podemos notar o aparecimento de fissuras a 45 graus,
partindo dos cantos das esquadrias, pois é o local onde os esforços de tração são
mais intensos.
 Causas Prováveis: Podemos citar a inexistência de estruturas de concreto
que possam realizar a absorção dos esforços (verga e contraverga), ou até mesmo
esforços superiores aos admitidos para as vergas e contravergas executadas no local.
 Mecanismo de ocorrência: De acordo com (Thomaz, 1989), as fissuras por
sobrecarga em torno de aberturas ocorrem em paredes de alvenaria descontínuas,
com uma ou mais aberturas, submetidos a carregamentos de compressão e têm como
característica a formação de fissuras a partir dos vértices das aberturas. Essas
fissuras podem apresentar-se com diversas configurações, em função de diversos
fatores como dimensão da parede e aberturas, materiais constituintes das paredes,
dimensão e rigidez de vergas e contravergas, deformação e comportamento da
alvenaria e de seu suporte.
55

Figura 25 – Fissuração de aberturas em alvenaria submetida à sobrecarga

Fonte: Thomaz, (1989)

Segundo o mesmo autor, os diversos elementos que compõem as


construções estão expostos à variação de temperatura sazonais e diárias que
provocam movimentações de dilatação e contração que, associadas às diversas
restrições existentes à sua movimentação, resultam em tensões que provocam
fissuras; são chamadas de fissuras causadas por variações de temperatura.
 Solução: Os vãos na alvenaria que recebem janelas e portas são
considerados regiões de concentração de tensões. Para reduzir o risco de surgirem
fissuras nas paredes, e preciso, portanto, melhorar a distribuição das cargas. Isso e
obtido com o uso das vergas e contravergas. A solução ideal seria a execução de
verga e contraverga de concreto armado ultrapassando no mínimo 30 cm dos limites
da esquadria. (LOTTERMANN, 2013)
Outra solução consiste na retirada do revestimento argamassado e na
realização um “grampeamento” da alvenaria fazendo a execução de furos e
chumbando elementos metálicos com o objetivo de absorver os esforços que estão
gerando as fissuras. Pode-se optar por um revestimento final com características
elásticas, para serem flexíveis dentro de certos limites de movimentação. Seria
aconselhável o uso de aditivos para tornar a argamassa flexível, onde posteriormente
deve-se aplicar uma pintura elastomérica (emborrachada).
56

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

O presente estudo teve como principal objetivo identificar, diagnosticar e


apontar soluções para as manifestações patológicas observadas em uma edificação
escolar estadual localizada no município de Manacapuru – AM. Para realização deste
estudo, considerou-se as seguintes etapas: Descrição visual que consiste na vistoria
do local, com o intuito de observar as manifestações patológicas na edificação, logo
após foi identificada a natureza e origem das patologias. A próxima etapa foi apontar
e identificar os mecanismos de ocorrência, etapa essa que consiste em entender os
fenômenos, identificando as relações de causa e efeito que caracterizam as
manifestações patológicas. Por fim, foi apontada a solução para cada tipo de patologia
identificada na edificação.
Através do estudo de caso realizado é possível observar que, para
diagnosticar as manifestações patológicas o profissional necessita de bastante
experiência e conhecimento sobre a física e a química aplicada aos materiais de
construção e estar diretamente ligado ao processo construtivo, uma vez que dotado
desse conhecimento e experiência adquiridas, o profissional terá condições de
resolver a grande maioria dos problemas patológicos; pois através do diagnóstico é
que são identificadas as origens do problema, suas causas precisas, os fenômenos
intervenientes e seus mecanismos de ocorrência.
Conforme vistoria realizada no local, levando-se em conta que a edificação
escolar onde foi realizado o estudo de caso já possui mais de vinte anos, foram
identificadas algumas patologias, que consistem basicamente em: manchas,
eflorescências, trincas, fissuras, mofos e bolores. Sendo que a maior parte desses
problemas manifestou-se devido à presença de umidade, causada pelo motivo da
edificação escolar ter sido construída sobre um aterro, próximo a um igarapé.
Na maior parte das manifestações patológicas analisadas, é possível observar
certa negligência por parte dos envolvidos, geralmente não intencional, resultante
exatamente da falta de conhecimento específico acerca das características que
cercam os materiais e componentes empregados, os procedimentos para a produção
e as diretrizes para a elaboração do projeto.
57

Além disso, durante a realização deste estudo foi possível verificar e


compreender que as principais causas das manifestações patológicas nas edificações
podem ser prevenidas, e que as mesmas são resultantes da incompatibilidade dos
projetos arquitetônicos, estruturais, hidrossanitarios, elétricos e da má execução da
obra.
Segundo Ripper e Souza (1998) “trabalho de recuperação não é um trabalho
agradável de ser feito, mas é essencial e requer muito cuidado”. Com isso podemos
verificar que os trabalhos de manutenção preventiva são de grande importância, tendo
em vista que podem evitar ou retardar a necessidade de recuperação ou de reforço
das estruturas.
Por fim, cabe destacar, que mesmo ocorrendo melhorias tecnológicas das
técnicas construtivas e o emprego de materiais de construção com maior controle de
qualidade, ainda é possível observar um grande número de edificações apresentando
patologias das mais variadas espécies. Com isso, torna-se necessário a elaboração
de um programa eficaz que tenha como objetivo a inspeção/manutenção frequente e
eficiente visando a prevenção com a finalidade de proporcionar uma maior
durabilidade nas edificações, dessa forma se torna possível definir prioridades para
as ações indispensáveis ao cumprimento da vida útil prevista.
58

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