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‘COLÉGIO ESTADUAL MANUEL DANTAS

DISCIPLINA FILOSOFIA
PROFESSORA: GLEIDE ALCÂNTARA

APOSTILA – PERIODIZAÇÃO FILOSÓFICA – FILOSOFIA ANTIGA

Para nossos estudos periodizamos a filosofia de acordo com a periodização adotada pela
História da Filosofia. Portanto, nossa divisão segue a mesma periodização realizada pela
disciplina de história.

HISTÓRIA FILOSOFIA
Idade Antiga Filosofia Antiga
Idade Média (Medieval ou Medievo) Filosofia Medieval
Idade Moderna (Modernidade) Filosofia Moderna
Idade Contemporânea (Contemporaneidade) Filosofia Contemporânea

1. FILOSOFIA ANTIGA (Filosofia Grega)


A Filosofia Antiga corresponde ao período do surgimento da filosofia no século VII a.C. na região
da Jônia, na Grécia. Ela surge da necessidade de explicar o mundo e encontrar respostas para a
origem das coisas, dos fenômenos da natureza, da existência e da racionalidade humana.
O termo filosofia é de origem grega e significa “amor ao saber”, ou seja, a busca pela sabedoria.
De tal modo, no momento de sua origem os filósofos possuíam esse dom de interpretação, uma
vez que eles acreditavam conseguir transmitir a mensagem dos deuses. Por esse motivo, no
início, a filosofia estava intimamente relacionada com a religião: mitos, crenças etc. Assim, o
pensamento mítico foi dando lugar ao pensamento racional, ou ainda, do mito ao logos.
A filosofia antiga surge com a substituição do saber mítico ao da razão e isso ocorreu com o
surgimento da polis grega (cidade-estado).
Com essa nova organização social e política pelo qual a Grécia passava, foi fundamental para dar
lugar a racionalidade humana e, com isso, as reflexões dos filósofos.
Mais tarde, as discussões que ocorriam em praça pública juntamente com o poder da palavra e
da razão (logos) levaram a criação da democracia.

A filosofia grega está dividida em três períodos:


 Período Pré-socrático ou Cosmológico (séculos VII a V a.C.): Nesse período, a filosofia
se ocupa fundamentalmente com questões relacionadas à natureza como princípios que
fundamentam tudo, com a ordem do mundo e a causa das transformações na natureza.
A filosofia pré-socrática se desenvolve em cidades da Jônia (hoje, Ásia Menor): Mileto,
Éfeso, Samos e Clazômena; em cidades da Magna Grécia (hoje. sul da Itália e ilha da
Secília): Crotona, Tarento, Eleia e Agrigento; e na cidade de Abdera, na Trácia (hoje,
nordeste da Grécia).
Principais características da cosmologia:
 Explicação racional e sistemática sobre a origem, ordem e transformação da
natureza;
 Busca do princípio natural, eterno e imperecível, gerador de todos os seres. Esse
princípio é a physis;
 Entendimento de que, apesar da physis ser imperecível, ela dá origem a todos
os seres perecíveis e mortais;
 Afirmam que, embora a physis seja imutável, dá origem a seres mutáveis e a
ciclos de mutação, ou seja, o movimento ou o devir.
Embora todos os pré-socráticos afirmassem as ideias expostas, havia divergências sobre
a concepção de physis e seus desdobramentos. Por exemplo, Tales de Mileto dizia que
o princípio de tudo era a água ou o úmido; Anaximandro dizia que era o ilimitado;
Anaxímenes que era o ar ou o frio; Pitágoras de Abdera dizia ser o número; Para
Heráclito de Éfeso a physis era o fogo; Empédocles dizia ser os quatro elementos (terra,
água, ar e fogo); Anaxágoras falava de sementes que continua a origem de tudo e
Leucipo e Demócrito afirmavam ser o átomo o princípio de todas as coisas.

 Período Socrático ou Antropológico (século V a IV a.C.): A filosofia passa a se interessar


pelas questões humanas - isto é, a ética, a política e as técnicas - e busca compreender
qual é o lugar do homem no mundo. O desenvolvimento das cidades, do comércio, do
artesanato e das artes militares; bem como as reformas do governador de Atenas
Péricles favoreceu o desenvolvimento dessa filosofia. Foram instituídas ideias como
cidadania, democracia e a preocupação com a formação do cidadão. Neste cenário,
surgiram os Sofistas, mestres que ensinavam a arte da retórica ou de como convencer
sobre uma verdade e o filósofo Sócrates, como um grande opositor dos sofistas.
Sócrates propunha que, antes de querer conhecer a natureza ou persuadir os outros,
cada um deveria conhecer-se a si mesmo. Um dos principais discípulo de Sócrates foi
Platão que, nos seus diálogos (obras) tinha Sócrates como o principal personagem. A
verdade para Sócrates não é opinião ou ponto de vista, mas a definição conceitual das
ideias.
Principais características do período socrático:
 A filosofia se volta para questões humanas;
 Concebe o homem como um ser racional capaz de conhecer a si mesmo e de
fazer reflexão;
 Busca critérios para o pensamento;
 Busca definições de virtudes individuais e coletivas, inauguração da ética e da
política;
Sócrates e Platão se opõem aos Sofistas inaugurando uma grande discussão entre o
sensível e o inteligível.

 Período Sistemático (fim do século IV a.C. ao fim do século III a.C.): quando a filosofia
busca reunir e sistematizar tudo quanto foi pensado até então. A filosofia se interessa
em mostrar que tudo pode ser objeto do conhecimento filosófico. Nesse período
desenvolve-se a teoria do conhecimento, a psicologia e a lógica. Além disso, os filósofos
procuram encontrar o fundamento último de todas as coisas, mais tarde chamada de
metafísica. O principal filósofo dessa época foi Aristóteles.

 Período Helenístico (século IV a.C. a VI d.C.): também conhecido como a expansão do


pensamento grego. Esse período abrange a época da hegemonia do Império Romano e
do surgimento do cristianismo, a filosofia se ocupa sobretudo com as questões da ética,
do conhecimento e das relações entre o homem e a natureza, e de ambos com Deus.
nessa fase os estudos estão voltados para a realização humana por meio das virtudes e
da busca da felicidade.

Principais Filósofos da Antiguidade


Tales de Mileto (623-546 a.C.): filósofo pré-socrático considerado o “Pai da Filosofia” propõe
que a água é a substância primordial da vida, denominada de arché. Para ele “Tudo é água”.
Anaximandro (610-547 a.C.): discípulo de Tales de Mileto, o filósofo procurou buscar o
elemento fundamental de todas as coisas, denominando de ápeiron (o infinito e o
indeterminado), que representaria a massa geradora da vida e do universo.
Anaxímenes (588-524 a.C.): discípulo de Anaximandro, para o filósofo a substância primordial
que origina todas as coisas é o elemento ar.
Pitágoras de Samos (570-490 a.C.): segundo ele, a origem de todas as coisas estava intimamente
relacionada com os números. Suas ideias foram essenciais para a filosofia e a matemática
(Teorema de Pitágoras).
Heráclito (535-475 a.C.): filósofo pré-socrático que contribuiu com as reflexões da existência.
Segundo ele, tudo está em processo de mudança e o fluxo constante da vida é impulsionado
pelas forças opostas. Elegeu o fogo como elemento essencial da natureza.
Parmênides (510-470 a.C.): considerado um dos principais filósofos pré-socráticos, contribuiu
para os estudos do ser (ontologia), da razão e da lógica. Em suas palavras: “O ser é e o não ser
não é”.
Zenão de Eleia (488-430 a.C.): discípulo de Parmênides, de suas reflexões filosóficas destaca-se
o “Paradoxo de Zenão”, no qual pretendia demonstrar que a noção de movimento era
contraditória e inviável.
Empédocles (490-430 a.C.): por meio do pensamento racional o filósofo defendeu a existência
dos quatro elementos naturais (ar, água, fogo e terra) que agiriam de maneira cíclica a partir de
dois princípios: o amor e o ódio.
Demócrito (460-370 a.C.): foi criador do conceito de Atomismo. Segundo ele, a realidade era
formada por partículas invisíveis e indivisíveis denominadas de átomos (matéria). Nas palavras
do filósofo “Tudo o que existe no universo nasce do acaso ou da necessidade”.
Protágoras (480-410 a.C.): filósofo sofista e famoso por sua célebre frase “O homem é a medida
de todas as coisas”. Contribuiu para as ideias associadas ao subjetivismo dos seres.
Górgias (487-380 a.C.): um dos maiores oradores da Grécia antiga, esse filósofo seguiu os
estudos sobre o subjetivismo de Protágoras, o que o levou a um ceticismo absoluto.
Sócrates (469-399): um dos maiores filósofos da Grécia antiga, contribuiu para os estudos do
ser e de sua essência. A filosofia socrática esteve pautada no autoconhecimento (“conhece a ti
mesmo”), desenvolvida mediante diálogos críticos (a ironia e a maiêutica).
Platão (427-347 a.C.): discípulo de Sócrates, escreveu sobre as ideias de seu mestre. De suas
reflexões filosóficas destaca-se a “Teoria das Ideias” que seria a passagem do mundo sensível
(aparência) para o mundo das ideias (essência). O “mito da caverna” demostra essa dicotomia
entre a ilusão e a realidade.
Aristóteles (384-322 a.C.): ao lado de Sócrates e Platão, foi um dos mais importantes filósofos
da Antiguidade. Suas ideias são consideradas a base do pensamento lógico e científico. Escreveu
diversas obras sobre a essência dos seres (Metafísica), a lógica, a política, a ética, as artes, a
potência etc.
Epicuro (324-271 a.C.): fundador do epicurismo, para o filósofo a vida deveria estar baseada no
prazer. No entanto, diferente da corrente hedonista, o prazer epicurista seria racional e
equilibrado. Se não fosse dessa maneira, o prazer poderia resultar na dor e no sofrimento.
Zenão de Cítio (336-263 a.C.): fundador do estoicismo, defendia a ideia de uma realidade
racional, que ocorre por meio do dever da compreensão. Dessa forma, por meio da
compreensão a realidade de que faz parte o homem e a natureza levam ao caminho da
felicidade.
Pirro (365-275 a.C.): fundador do Pirronismo, defendia a ideia da incerteza em tudo que nos
envolve, por meio de uma postura cética. Assim, nenhum conhecimento é seguro sendo a busca
da verdade absoluta uma postura inútil.
Diógenes (413-327 a.C.): filósofo da corrente filosófica do cinismo, ele buscou defender uma
postura anti-materialista se afastando de todos os bens materiais e focando no conhecimento
de si.