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Direito Processual Civil – Execuções – Atividade Prática Supervisionada

Trata-se de análise do acórdão dos Embargos de Divergência em RESP


nº 1.582.475 - MG (2016/0041683-1), no que se refere a possibilidade de
penhora de salários, conforme artigo 833, IV do Código de Processo Civil de
2015.

Segundo o artigo 833, são impenhoráveis “os vencimentos, os subsídios,


os soldos, os salários, as remunerações, os proventos de aposentadoria, as
pensões, os pecúlios e os montepios, bem como as quantias recebidas por
liberalidade de terceiro e destinadas ao sustento do devedor e de sua família, os
ganhos de trabalhador autônomo e os honorários de profissional liberal”. Tal
proibição existe para manter a dignidade do réu, assim como de sua família, para
garantir que estes tenham o básico para sua subsistência.

Entretanto, tal artigo é questionado quando o réu tem altos salários, no


sentido de que a penhora de uma porcentagem de tais proveitos não promoveria
a indignidade do mesmo.

O acórdão em questão apresenta a visão de diferentes turmas do STJ


sobre o assunto, mostrando que a 1ª a 2ª turma tem a visão de que o artigo não
deve ser mitigado, e o salário não seria penhorável em nenhuma hipótese.
Porém, as 3ª e 4ª turmas entendem que em casos de salários de alto valor, é
sim possível haver penhora.

O desembargador relator reforça que o processo civil deve ser regido


pela boa-fé, então, assim como o executado não deve ser reduzido a situação
indigna, ele não pode se valer deste princípio para não cumprir com suas
obrigações, principalmente quando há claros indícios de que ele não será
reduzido a condições indignas por causa da penhora.

Portanto, seria necessário equilibrar o direito do credor a receber seu


crédito com o direito do devedor de ter sua dignidade preservada.

Consequentemente, entende que a regra da impenhorabilidade dos


salários é típica, mas admite exceções quando na casuística são encontrados
elementos que comprovem a situação do devedor, e que este conseguirá manter
seu padrão de vida mesmo com uma porcentagem de seus proventos
penhorados.