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A verdadeira história de Cinderela

Gabriela Rabelo
Comédia em 1 ato e seis cenas
PERSONAGENS:
Micaela Irmã de Cinderela.
Gabriela Irmã de Cinderela.
Madrasta mãe de Micaela e Gabriela.
Cinderela esta personagem pode ser representada por um homem, o que lhe
aumentaria a comicidade. Mas, se não o for, exagerar na composição do figurino, ou
colocandolhe muitas roupas ou roupas que não lhe caibam (apertadas ou folgadas),
para que Cinderela fique bem desajeitada, deselegante.
Príncipe
Amigo do Príncipe
Emissário que pode ser representado pelo mesmo ator que fizer o amigo do
príncipe.
Cenários:
As mesmas cadeiras que servirão para compor a sala da casa de Cinderela serão
usadas para o salão do palácio do príncipe, evitando, assim, perda de tempo com
trocas de cenário. Eventualmente, alguns brasões ou cortinas poderão ser acrescen
tados ao salão do príncipe, para lhe aumentar a pomposidade.
Obs.: Para facilitar as trocas de roupas, poderseiam usar, sobre os vestidos de bai
le, uns aventais capas. Assim, os figurinos poderiam ser rapidamente transformados.

CENA 1 APRESENTAÇÃO DA HISTÓRIA

Micaela, irmã de Cinderela, entra em cena e se apresenta ao público. Um foco de luz se


ilumina sobre ela. Atrás dela, no escuro, o cenário da próxima cena já está montado.
Micaela – Olá. Meu nome é Micaela. Eu sou irmã de uma personagem muito famo
sa. Seu nome é Cinderela. É. Cinderela, Gata Borralheira... são dois nomes
para uma mesma pessoa. Pois bem: a história da minha irmã, a história da
Cinderela, é uma história muito conhecida. Mas, na verdade, o que acon
teceu com ela foi um pouco diferente do que se costuma contar. O que
aconteceu, de verdade, foi mais ou menos o seguinte...
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CENA 2 SALA DA CASA DA CINDERELA
A luz se acende numa geral, Micaela se incorpora à cena e senta-se em uma cadeira,
pegando, sobre ela, um bastidor. Em duas outras cadeiras estão sentadas a madrasta e
sua outra fílha, Gabriela. Elas bordam. Gabriela cantarola, baixinho, uma ária medieval.
Munida de uma vassoura, Cinderela, grandalhona, sem jeito, varre o chão enquanto
canta, com voz grossa e desafinada, uma música bem cafona. Canta alto.
Gabriela – (Bem baixinho, pra Cinderela não ouvir.) Ah, mãe, não dá mais pra
aguentar. Assim também já é demais. A Cinderela não para de cantar
um minuto.
Madrasta – Deixa, coitadinha. O que mais ela
pode fazer?
Micaela – É que a cabeça da gente fica doen
do com essa barulheira toda.
Madrasta – Eu vou ver o que posso fazer. (Alto.)
Cindi! (Cinderela continua cantando
e não ouve o chamado da madrasta.)
Cinderela!
Cinderela – O que foi, madrasta?
Madrasta – Vem cá, meu doce. Senta juntinho
da gente. Vem aprender a bordar...
Cinderela – A senhora sabe que eu não tenho
jeito pra isso.
Madrasta – Ora, que bobagem, todo mundo tem jeito. É só questão de um pou
co de esforço. Venha cá que eu te ensino.
Cinderela, toda desengonçada, se aproxima da madrasta. Esta lhe dá um bastidor com
agulha e linha. Cinderela, toda sem jeito, segura o bastidor.
Madrasta – Isto, segure bem firme, assim. Agora, veja bem, você enfia a agulha
por aqui (Ela executa o que diz, ensinando a Cinderela.) E puxa assim...
Entendeu?
Cinderela – Deixa eu experimentar. Enfia a agulha assim... Ai, picou meu dedo, picou
meu dedo ... (Ela chora. As irmãs, preocupadas, se aproximam para ver.)
Gabriela – O que foi?
Madrasta – Me deixa ver, vamos, me mostre o machucado, Cinderela.
Cinderela – Ah, ah, peguei duas bobas na casca do ovo... Não machucou nada.
Eu fiz direitinho. (Ela ri, bem bobona. As duas irmãs se olham com cara de
“eu não acredito!”) Agora eu puxo assim. (Ela puxa a agulha e a espeta,
sem querer, no bumbum de Gabriela, que está por perto.)
Gabriela – (Dando um pulo.) Ai!... você me espetou sua... sua...
Madrasta – Foi sem querer, minha querida.
Micaela – É, foi sem querer, Gabriela. Não fala assim com a Cindi. Gabriela sai,
furiosa.
Cinderela – (Chorosa.) Tá vendo, eu bem que não queria mexer com agulha. Toda
vez é a mesma coisa. Ou eu me machuco ou machuco alguém. Ai, ai,
ai... Eu sou tão desajeitada... eu sou tão infeliz ... Ninguém gosta de
mim...
Adriano Esteves1
Micaela – Não chora, maninha. Todo mundo te adora. Você é um amor. Só é um
pouco desajeitada. Não fica triste. Com o tempo você vai aprender a
bordar, viu?
Cinderela – Você acha que eu vou conseguir aprender?
Micaela – Eu tenho certeza que sim.
Batem palmas, fora de cena.
Mensageiro – (Fora de cena.) Ó de casa! Tem alguém aí?
Madrasta – Estão batendo. Eu vou ver quem é.
Cinderela – Pode deixar, madrasta. Eu vou. Eu vou.
Ela sai, toda solícita. A madrasta suspira. Gabriela entra em cena novamente,
atraída pelas palmas.
Cinderela – (Para alguém que está atrás dela.) Entra, pode entrar. (Para a madrasta
e as irmãs.) Gente, adivinha só quem está aí. (O emissário entra.) Olha
só que gracinha de rapaz...
Madrasta – (Percebendo que o emissário está completamente sem graça.) Pois não,
meu senhor. O senhor queria...
Emissário – Eu venho a mando do príncipe herdeiro Nicolau.
Cinderela – Do príncipe? Mas que chique. E o que ele quer?
Emissário – Ele lhes manda um convite. Com suas licenças, eu vou ler o convite.
(Com voz de arauto, ele lê): “O príncipe herdeiro Nicolau tem a honra
de convidar V.Sa. e Exma. família para o baile que se fará realizar em
comemoração ao seu aniversário. Nesse baile estarão presentes todas
as moças solteiras e em idade de se casar, deste reino. E, entre elas, o
príncipe escolherá aquela que será sua esposa. A festa se dará no dia
tal, às tantas horas.” É este o convite. O príncipe conta com a presença
de vocês.
Madrasta – Mas é claro que iremos. Com o maior prazer!
Emissário – Então, até a festa. (Inclina-se, respeitosamente.) Minha senhora... se
nhoritas ...
Madrasta – Eu vou acompanhálo até a porta.
Ela sai com o emissário. Um tempo. Assim que percebem que o emissário está longe,
Micaela e Gabriela pulam de alegria.
Micaela – Oba, um baile no castelo do rei!
Gabriela – Eu vou começar a cuidar de minha roupa desde já!
Micaela – Eu também.
Cinderela acompanha a alegria das duas, vibrando, também, mas dando a entender que
não considera que o convite foi extensivo a ela. As três saem de cena.

CENA 3 MESMO CENÁRIO

A luz cai, sem ressistência mas sem se apagar por completo. Na penumbra,
fora de cena, continua-se a conversa da cena anterior. A passagem de tempo será
dada pelo texto. De vez em quando, alguém pode passar correndo pela cena, como se
estivesse procurando ou indo buscar alguma coisa, com uma grande pressa. Apenas se
percebem os vultos que passam, sem se saber ao certo se foi Gabriela, Micaela ou a
madrasta quem entrou em cena. Quando for Cinderela, marcar sempre a entrada com
um desastre acontecendo: ou é o barulho de uma coisa que cai, ou alguém que grita
porque lhe pisaram no pé, ou é a própria Cinderela que escorrega...
enfim, algo que as circunstâncias da montagem sugerirem ao diretor e aos atores.
Um minueto saltitante acompanha a cena, baixinho.
Micaela – Eu quero ir bem bonita. Que tal este modelo, Gabriela?
Gabriela – Eu gosto mais daquele ali, daquele azul.
Cinderela – Eu também. Eu acho o azul mais bonito.
Micaela – Mas o azul é todo bordado, não dá tempo de fazer.
Gabriela – Eu te ajudo.
Cinderela – Eu também.
Madrasta – Vamos lá, mãos à obra que temos muito o que fazer.
Desordenadamente diversas frases se fazem ouvir: “Me passa a tesoura”, “Isto, dá um
franzido aqui que fica mais bonito”, “Hum, está ficando lindo”, “deste lado está mais
comprido”, etc. etc.
CENA 4 MESMO CENÁRIO
A luz volta a se acender numa geral. As quatro tornam a entrar em cena. Micaela,
Gabriela e a madrasta estão arrumadas para o baile. Cinderela está com a mesma roupa.
Madrasta – Então? Como é, vocês já estão prontas?
Gabriela – Eu já estou pronta, mãe.
Micaela – E para mim só falta colocar os sapatos. (Ela começa a procurar os
sapatos.)
Madrasta – E você, Cinderela, não quer mesmo ir ao baile?
Cinderela – Não, madrasta. A senhora sabe que eu não gosto de dançar.
Madrasta – Mas você fica comigo. Eu também não vou dançar.
Cinderela – (Sem nenhum ressentimento) Não, madrasta. Eu prefiro ficar.
Madrasta – Você é quem sabe, minha filha. Então, crianças, vamos?
Micaela – Eu não estou achando minha caixa de sapatos. Cinderela, você não
viu meus sapatos?
Cinderela – Não, mas eu vou te ajudar a procurar.
Cinderela dá um passo. Ouve-se um barulho de vidro quebrado. Mas é um barulho
exagerado, como se uma grande janela estivesse sendo espatifada. Todos ficam parados,
congelados, duros no lugar. A primeira a se mexer é Micaela.
Micaela – Mas ... o que foi isso? (Aos poucos, Micaela percebe o que aconteceu.
Fica em pânico, Cinderela, Gabriela e a madrasta continuam mudas e
quietas.) Não... não pode ser... meus sapatinhos de cristal!... Meus
sapatinhos de cristal não... Não... Cinderela, você... Você não quebrou
meus sapatinhos de cristal...
Como um zumbi ela se aproxima de Cinderela que continua estática e tira, de sob sua
saia, uma caixa. Está cheia de cacos de vidros. Micaela chora.
Micaela – Meus sapatinhos de cristal... reduzidos a cacos... os sapatinhos que
foram da vovó... (Chora, chora.)
Cinderela – (Recuperando a fala.) Desculpe, irmãzinha. Foi sem querer.
Micaela –Sua desastrada... mastodonte... elefante sem rabo...
Madrasta – (Brava.) Micaela, mas o que é isto? Não ofenda sua irmã!
Micaela – (Ainda chorando.) Mas ela quebrou meus sapatinhos...
Cinderela – (Chorando.) Deixa, madrasta, deixa ela xingar. Eu sou desastrada mes
mo. Eu sou mesmo uma mastonderontondonte, que nem ela falou...
(Chora também.)
Madrasta – Não chora, Cinderela. Foi sem querer. Eu sei. Não fica triste, a gente
arranja outro sapato para ela ir ao baile.
Micaela – Mas que outro sapato, mãe? Eu só tenho... aliás, só tinha aqueles
Cinderela – Se você quiser, eu te empresto os meus. (Ela levanta a saia. Veem-se
umas botinas bem pesadonas, enormes, tipo coturno do exército.)
Gabriela – (Rindo.) A Micaela com esses... esses...
Madrasta – Gabriela!
Gabriela – ...com esses sapatinhos tão delicados, mãe?
Cinderela – Eu sei que não são bonitos, mas são os únicos que eu tenho. E como
eu não vou ao baile...
Madrasta – É o jeito, Micaela. Pegue os sapatos da Cinderela. (Micaela está cho
rando.) E pare de chorar, minha filha, senão você vai ficar com o nariz
todo vermelho...
Micaela funga. Cinderela tira as botinas. Entrega-as para Micaela que as calça. Ela se
olha. Não resiste. Abre o bocão de novo. Finalmente as três saem para o baile. Cinderela
acena um adeus para elas. Uma valsa, a princípio baixinho, depois com todo vigor, toma
conta da cena. Desajeitadamente, Cinderela dá uns passos de dança e, rodopiando, sai
de cena

CENA 5 SALÃO DO PALÁCIO DO PRÍNCIPE

As mesmas cadeiras permanecem em cena. O príncipe herdeiro


Nicolau e seu amigo - que pode ser o emissário da outra cena - entram.
Príncipe – E então? Que tal lhe parece o baile?
Amigo – Uma maravilha. Tem uma moça aqui, especialmente linda. Eu já a tirei
para dançar diversas vezes... Mas ela não aceitou. Disse que não gosta
de dançar... Mas eu acho que ela não gostou foi de mim.
Príncipe – E eu te confesso que ainda não achei nenhuma moça que me impres
sionasse, que me falasse ao coração...
Amigo – Pois então continue a procurar. O salão está cheio de moças lindas...
Príncipe – É o que eu vou fazer. Com licença. (Ele se afasta.)
Entra Micaela, andando com muita dificuldade. Não vê o amigo do príncipe.
Micaela – Droga de botinas! (Tropeça. Vai cair. O amigo do príncipe avança e a
ampara.) Ó! Obrigada.
Amigo – Espero que você não tenha se machucado.
Micaela – Não. Eu só estou um pouco cansada. É que... meus pés... meus sapa
tos... (Mudando de assunto.) Ah, eu queria uma cadeira!
Amigo – Não seja por isto. (Pega uma cadeira.) Sentese!
Micaela – Obrigada. (Ela sorri.) Que calor, não?
Amigo – Você quer um refresco?
Micaela – Ah, eu adoraria.
Amigo – Pois eu vou buscar. (Ele sai.)
Entra o príncipe. Vê Micaela.
Príncipe – Mas... quem é aquela moça? Eu ainda não a tinha visto! (Aproxima-se
de Micaela.) Boa noite, gentil donzela.
Micaela – Boa noite, meu príncipe.
Príncipe – Não quer darme o prazer desta dança?
Micaela – Sinto muito. Mas estou indisposta. Prefiro não dançar.
Entra uma valsa, dessas gostosas de se dançar.
Micaela – (Impulsivamente.) Ah, eu adoro dançar valsa.
Príncipe – Então, o que estamos esperando? Vamos?
Micaela – (Gagueja.) Não... eu prefiro não...
Príncipe – (Com uma severa doçura.) Como príncipe eu lhe ordeno que dance
comigo.
Desorientada, Micaela se levanta, toma o braço que o príncipe lhe oferece e o
acompanha. Eles tentam dançar. Micaela se atrapalha toda. Desesperada, foge.
Príncipe – Não. Espere. Não fuja de mim...
Mas Micaela sai correndo. O príncipe sai atrás. Volta daí a pouco com o pé de botina
nas
mãos. O amigo do príncipe volta, com um copo de refresco na mão.
Príncipe – (Para o amigo, meio aflito.) Ela fugiu. Mas na sua fuga, deixou cair esta
botina. Nem que eu tenha que levar toda a minha vida procurando eu
hei de achar a dona desta botina e hei de me casar com ela. Palavra de
príncipe. (Ele olha a botina.) Quem diria! Ela tão delicada com esse pe
zão tão grande... Mas não me importa, eu hei de me casar com a dona
desta botina
O príncipe sai.

CENA 6 SALA DA CASA DE CINDERELA

Micaela, Gabriela e a madrasta entram em cena. Bordam, recompondo a mesma cena


do início da peça. Cinderela canta e varre o chão.
Gabriela – Como o tempo passa depressa, não? Já faz uma semana que aconte
ceu o baile do príncipe... Pra mim parece que foi ontem...
Cinderela – E o príncipe? Ele é bonito, como dizem?
Micaela – Ele é lindo. Mas tem um amigo que é mais bonito ainda.
Príncipe – (Gritando, fora de cena.) Ó de casa! Posso
entrar?
Cinderela – Eu vou ver quem é.
Ela sai. Volta toda eufórica, a vassoura no ombro.
Cinderela – É o príncipe. É o príncipe.
Madrasta – Pois façao entrar.
O príncipe, no entanto, já vem entrando. Seu amigo o acompanha. Exatamente
neste momento Cinderela se vira para ir buscá-lo e acaba batendo com a vassoura
no príncipe, que cai. Cinderela vai apanhá-lo no chão. Acaba tropeçando e caindo
por cima dele. A madrasta acode.
Madrasta – Desculpe, alteza. É que Cinderela é um pouquinho... como direi... um
pouquinho desgovernada...
Príncipe – Ora, não foi nada. Não tem importância. A finalidade de minha visita
é tão importante que nada do que acontece me abala. (Ele mostra a botina para a
madrasta.) Minha senhora, desejo experimentar este sapato
em todas as moças solteiras que morem nesta casa.
Madrasta – (Com uma reverência.) Vossa alteza ordena e eu cumpro. Micaela!
Gabriela!
As duas se aproximam. O príncipe olha, entusiasmado, para as duas, em especial para
Micaela. Esta, por sua vez, está encantada com o amigo do príncipe. Elas se sentam
numa cadeira. Oferecem o pé. O príncipe se aproxima. Experimenta a botina. Não serve
em nenhuma das duas. O amigo fica contente pela botina não ter servido em Micaela.
Ela também. Cinderela segue a cena da experimentação das botinas atentamente.
Príncipe – Que pena! (Para Micaela.) Não serviu em você.
Cinderela – Sabe, olhando assim parece justinho o meu número. Vamos conferir?
Se for, vai ser uma beleza, porque aí completa o par, né? (Ela levanta a
saia e mostra que só um pé está calçado.)
Ela se senta. Morrendo de medo de a botina servir em Cinderela, o príncipe aproxima o
calçado do pé dela. Mas, sem experimentar direito, já desiste.
Príncipe – Não, não serve não. É muito pequeno para você.
Cinderela – (Tomando a botina da mão dele.) Pequeno nada. É porque você não
está sabendo calçar. Quer ver? Olha aqui, Ó. (Ela calça a botina. Levanta a perna,
exultante.) Serviu direitinho.
Príncipe – Ó, não... Não...
Mas uma marcha nupcial impiedosa entra no ar. O príncipe se levanta, se empertiga,
oferece o braço para Cinderela que, toda feliz, aceita o braço do príncipe. O amigo do
príncipe oferece o seu a Micaela, que, toda feliz, aceita. E, de braços dados, o príncipe
e Cinderela, o amigo e Micaela, Gabriela e a mãe formam um cortejo que sai de cena
ao som da marcha nupcial. Antes de sair completamente, Micaela se afasta dos outros e
diz:
Micaela – E foi assim que Cinderela se tornou rainha. Com o tempo, o prín
cipe e todo o povo aprenderam a gostar daquela rainha totalmente
desastrada, desajeitada, mas de muito bom coração. E, por gostarem
dela, foram, aos poucos, modificando a sua história que acabou ficando
daquele jeito que vocês conhecem. Mas esta, que vocês acabaram de
assistir, é que é a verdadeira história de Cinderela.
O cortejo volta a se formar e sai de cena, sempre ao som da marcha nupcial.