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Dermatovirose

1. Herpes-simples
 São vírus de DNA e possuem o homem como único reservatório. Sendo denominados
como Herpes Vírus Humanos (HHV) e os principais são: vírus herpes-simplex (HSV-
1 e HSV-2), vírus varicela-Zóster (VZV), citomegalovírus, vírus Epstein-Barr, o vírus
herpes 6 (agente do exantema súbito) e o vírus herpes 8 (agente do sarcoma de
Kaposi).
 Há dois tipos de herpes simples, sendo uma causada pelo HSV-1 e manifesta-se na
face e no tronco e a outra HSV-2 manifesta-se com infecção genital. IMPORTANTE!!!
Ambos podem infectar qualquer parte da pele ou das mucosas.

a. Infecções pelo HSV-1:


A transmissão do HSV-1 ocorre pelo contato pessoal (próximo ou íntimo), sendo
difícil ocorrer por fômites ou aerossol. A saliva e qualquer outra secreção de
indivíduos infectados ou contato direto com as lesões pode transmitir a doença.
Cerca de 70% dos adultos com mais de 40 anos são soropositivos para HSV-1.
Sendo que cerca de 75% dos casos não desenvolve a sintomatologia e ficam no nível
subclínico.
O vírus não é eliminado do organismo. Ao invés disso, caminha dos axônios neurais
e pode ganha os corpos celulares dos neurônios do gânglio do trigêmeo (gânglio de
Nasser), onde seu genoma fica latente e incorporado ao genoma celular.
As manifestações são as seguintes na primoinfecção herpética, pela imaturidade
imunológica específica contra o vírus, as manifestações são mais floridas e
prolongadas (isso nos 25% dos casos em que há manifestações da primoinfecção).
Na reativação herpética, o quadro é mais brando, pela memória imunológica.
Normalmente o HSV-1 está relacionado com a gengivoestomatite, ao herpes
orolabial e ao herpes cutâneo, já o HSV-2 ao herpes genital. Contudo, ambos os vírus
podem causar qualquer manifestação. O sexo oral é geralmente o responsável pelo
herpes oral por HSV-2 e pelo herpes genital pelo HSV-1.

 Gengivoestomatite herpética (primoinfecção)

Afeta principalmente criança e tem como período de incubação, ou seja, tempo


entre a exposição e o aparecimento dos sintomas de 3 a 10 dias (média entre
6 e 8). O quadro é caracterizado por: febre alta, dor de garganta, mialgia,
adenopatia cervical e aparecimento de lesões vesiculares dolorosas múltiplas
envolvendo lábios, região perioral e cavidade bucal. Essas vesículas possuem
base eritematosa que posteriormente se rompem evoluem para pequenas
lesões ulceradas, que algumas vezes formam crosta.
Pode afetar também, apesar de menos comum, palato e faringe. Nessas
situações causam odinofagia e dificuldade de deglutir alimentos. O principal
diagnóstico diferencial é com a herpangina (enterovirose por Cocksackie A
que produz vesículas no palato, mas poupa a mucosa anterior da cavidade
oral e a região labial).
A síndrome do HSV-1 é autolimitante e dura entre 10-14 dias, mas pode
chegar até 6 semanas. Tendo como complicação comum a desidratação.
 Herpes orolabial (reativação herpética)

É a forma mais comum em adultos, ela pode ser desencadeada pelos


seguintes fatores: estresse, exposição solar, trauma
ou por infecção respiratória febril. Se inicia com uma
dor em queimação ou ardência na região labial ou
perilabial, cerca de 24 horas depois surgem
versículas agrupadas com base eritematosa, que
acomete uma pequena área orolabial unilateral. Sem
sintomatologia sistêmica. A dor melhora após as
primeiras 24h e as lesões regridem após 5 dias. A
frequência de episódios recorrentes é extremamente
variável

 Panarício herpético e herpes cutâneo

É causado por HSV-1 ou HSV-2 podendo inclusive ter


lesões típicas (vesículas agrupadas com base eritematosa).
Predomina neste grupo o panarício herpético, adquirido pelo
contato do dedo com secreção contaminada ou lesão herpética.
Pode ocorrer por autoinoculação. Médicos, dentistas, enfermeiros
são grupos de risco para este tipo de manifestação.

 Erupção variceliforme de Kaposi (eczema herpético)


Ocorre em indivíduos com dermatite atópica preexistente,
de modo que o quadro de herpes-simples se dissemina em
lesões cutâneas preexistente. Aparecendo vesículas por toda
área da dermatite e que logo se transformam em pústulas.
b. Infecções pelo HSV-2
 Transmissão por contato sexual, sendo considerada uma DST. Estima-se que entre
20-50% dos adultos com vida sexual ativa sejam portadores. Esses podem transmiti-
lo mesmo quando assintomáticos. Como o HSV-1 o vírus persiste no corpo, sendo
que no caso do HSV-2 ele ficam em latência nos gânglios sacrais. Isso justifica os
casos de herpes genital recorrente.
 Herpes genital: Período de incubação é de 3-14 dias e a duração dos sinais e
sintomas em média 12 dias para primoinfecção (tem quadro mais proeminente,
podendo cursar com febre, adenopatia inguinal e queda do estado geral) e 9 para
infecção recorrente. Nos homens as lesões ocorrem na glande e prepúcio. Já na
mulher nos grandes e pequenos lábios, clitóris e colo do utero. As lesões são
vesículas com base eritematosa, que evoluem para úlceras e crostas
seroemorrágicas.
 Herpes-simples neonatal: Ocorre quando mãe tem herpes genital e eao passar pelo
canal de parto a criança é contaminada. Ela pode ser manifestar de trÊs formas,
sendo: 1ª envolvimento de pele, olhos e mucosa oral; 2ª encefalite e 3ª doença
disseminada.

c. Outras manifestações da infecção herpética


 Eritema polimorfo herpético: é uma erupção
cutâneo-mucosa por hipersensibilidade disseminada.
Sendo caracterizada por lesões papuloeritematosas
algumas do tipo em alvo (centro mais proeminente ou
vesiculoso), predominantemente na palma das mãos e
membros. Sempre que estivermos diante de um
paciente apresentando um quadro de eritema polimorfo,
temos que investigar história de herpes, por ser uma das
principais causas. O quadro surge, em geral, 7-10 dias
após o herpes. IMPORTANTE!! Herpes simples não é a
única causa, podendo ser gerado por outras infecções
ou por medicamentos.
 Herpes-simples em imunodeprimidos: uma das
complicações mais frequentes na AIDS. Tendo como
característica clínica lesões verrucosas ou úlceras
crônicas com mais de um mês de evolução, e
acompanhado de dor. É a causa mais frequente de
úlceras orais na Aids.

d. Diagnóstico e tratamento
 Diagnóstico clínico. O tratamento tem como objetivo
reduzir a duração dos sintomas. Nos imunodeprimidos,
diminui a letalidade da doença. Os antivirais são
indicados na primoinfecção (gengivo-estomatite ou
herpes genital), no herpes genital recorrente, no
panarício herpético, no eczema herpético, no
imunodeprimido e em qualquer manifestação sistêmica
da virose (ceratoconjuntivite, encefalite etc.). Sendo que
não evidência científica do uso de antivirais tópicos para
herpes.
 Nos quadros mais simples o tratamento só é indicado se feito até 48horas após o
surgimento da lesão, pois posteriormente não reduz a duração dos sintomas de
maneira eficaz.

2. Herpes-zóster
 O vírus da Varicela-Zóster (VSV) é responsável por
dois tipos de doenças, que são: varicela e herpes-zóster.
A varicela é caracterizada por febre com exantema
vesicular disseminado que ocorre quase sempre na
infância., sendo a primoinfecção pelo VZV. Já o Herpes-
zóster acontece como uma reativação vírus que estava
latente nos neurônios glanglionares (pode ser qualquer
gânglio da medula e dos pares cranianos).
 Ocorre vários anos depois da primeira infecção.
Sendo mais comum após os 40 anos (ocorrendo
principalmente em idosos), se manifesta em um
dermátomo unilateral. Sendo que o paciente refere um
pródromo de dor em queimação na área do dermátomo
acometido, que pode ocorrer associado a febre, alguns
dias depois surge as lesões. Essas acompanham o
dermátomo e é caracterizada por vesículas agrupadas
com base eritematosa (elas posteriomente se tornam
crostas e as lesões desaparecem em cerca de 2-4
semanas), dolorosas (decorrente da necroinflamação
do gânglio reativado). Os nervos mais frequentemente
atingidos são intercostais (50%), trigêmio (15%),
cervical, lombar e lombosacro.
 Principal complicação é neuralgia pós-herpética,
que ocorre em 10-15% dos pacientes (sendo mais
comum em idosos). Ela é definida pela persistência (>
30 dias) de dor em queimação e disestesia na área
afetada após o desaparecimento das lesões. Pode
persistir por meses ou anos se não tratada e,
eventualmente, é bastante limitante.
 O diagnóstico é clínico ou confirmado pelo método
de Tzanck. O tratamento específico só é indicado se
iniciado até 72h após o início dos sintomas. Visa reduzir
o tempo dos sinais e sintomas e o risco de neuralgia
pós-herpética.
 As doses são dobradas em relação a herpes
simples, ficando: Aciclovir VO 800 mg 5x/dia por 7-10
dias; Fanciclovir VO 500 mg 3x/dia por 7 dias;
Valaciclovir VO 1.000 mg 3x/dia por 7 dias.
 Pode-se utilizar prednisona com o objetivo de
diminuir o risco de neuralgia pós-herpética. Nas
seguintes normas: 30 mg 2x/dia até o 7º dia + 15 mg
2x/dia até o 14º dia + 7,5 mg 2x/dia até completar 21
dias.
 A neuralgia pós-herpética é tratada com anti-
convulsivantes (carbamazepina 200 mg 2x/dia) e aplicação tópica de creme de
capsaicína 0,025-0,075%.
 Em imunodeprimidos (HIV+ e transplantados) é caracterizada pelo acometimento de
mais de um dermátomo e tende a ser recorrente. Nesses casos o tratamento é
especial, sendo realizado com: Aciclovir IV 10 mg/kg 8/8h por 10-14 dias. O corticoide
está contraindicado.

3. Pitiríase rósea de Gilbert

 Causada por herpes vírus subtipos 6 e 7, sazonal, maiscomum


entre jovens. Tem início por lesão eritematoescamosa arredondada de
crescimento centrífugo (essa é a 1ª lesão, sendo chamada de lesão
mãe), atingindo entre 2-8cm de diâmetro. Normalmente é localizada no
tronco, ou nos membros. Posteriormente surgem outras lesões
menores, eritematoescamosas, com predomínio no tronco e membros,
com descamação mais nítida na parte interna da borda da lesão, pouco
prurido, sem sintomatologia geral e involução em 8 a 12 semanas.
 Principais diagnósticos diferenciais são: sífilis secundária,
farmacodermia, tinea corporis e psoríase. Conduta é expectante,
embora possamos utilizar corticoide tópico.

4. Papilomavírus humano (HPV)


 Os papilomavírus são vírus de DNA que infectam células epiteliais da pele ou mucosa.
Existe cerca de 100 tipos de HPV, sendo que alguns desses infectam a pele (são os
responsáveis por verrugas humanas, epidermodisplasia verruciforme e doença de
Bowen da pele) e outros a genitália (responsável pelo condiloma acumi nado,
papulose bowenoide, doença de Bowen da mucosa e neoplasia intraepitelial e
carcinoma de colo uterino, vulva, pênis e ânus).
 O contágio pode ser direto ou indireto, particularmente pela exposição em piscinas,
recintos esportivos, praias.
 Verrugas humanas:
Papilomas causadores de verruga vulgar e verrugar plantar são HPV 1, 2 e 4;
verruga planar que é os tipos 3 e 10. As verrugas tem prevalência elevada
entre crianças e adolescentes (12-16 anos). A verruga é uma doença universal
e estima-se que atinja até 25% das consultas em ambulatórios de
dermatologia.
Há várias formas clínicas, sendo que 70% dos casos são verrugas vulgares,
25% verrugas plantares e 5% são verrugas planas. Um tipo especial do ponto
de vista epidemiológico é a “verruga vulgar do açougueiro”, que ocorre nas
mãos e dedos, sendo causada normalmente pelos tipos 2 e 7 de HPV.

 Verruga vulgar: tipos mais comum e mais clássico. É uma


lesão papulovegetante hiperceratórica de tamanho variável que
poder única ou múltipla, consistência firme e ocorre normalmente
no dorso das mãos, dedos (região periungueal) e pés. Nela é
observado com frequência pontos escuros ou pretos, que
correspondem a alças capilares trombosadas.
 Verruga plantar: Pela pressão do corpo, as verrugas tem formato plano com halo
hiperceratórico. Frequentemente é muito dolorosa, dificultando a deambulação, sendo então
denominada mirmécia.

 Verrugas planas: são pápulas de 1 a 5 mm de


diâmetro, amareladas e ligeiramente salientes,
ocorrem principalmente em crianças e
adolescentes. Localiza-se normalmente na face,
no dorso das mãos e nos antebraços.

 Verrugas filiformes: É semelhante a uma espícula, saindo de forma perpendicular ou oblíqua


à pele. Predominam na face (pálpebra, comissuras da boca) e pescoço.
 Diagnostico é clínico. O tratamento é a destruição local da verruga. A vulgar geralmente é
tratada com ceratolíticos do tipo ácido salicílico 16,5% (associado a ácido lático 14,5%),
aplicado exclusivamente na lesão 1x/dia por sete dias, crioterapia com nitrogênio líquido
(tem a vantagem de ser rápida, apesar de ser dolorosa). A verruga plantar é de tratamento
difícil, sendo dada a preferência para o ácido nítrico fumegante 66%, após raspagem da
verruga. Já as verrugas planas podem ser destruídas com tretinoína 0,05-0,1% gel ou creme
diariamente à noite por 4-6 semanas.

5. Molusco contagioso
 Vírus do tipo DNA, acomete a pele humana e é transmitido pelo contato próximo
interpessoal, mais comum em crianças e adolescentes, pode ser transmitida por via sexual.
As lesões dermatológicas encontradas são pápulas peroladas com umbilicação central
medindo aproximadamente 0,5 cm, são geralmente agrupadas e sem base eritematosa.
 Em pacientes imunodeprimidos, podemos encontrar
lesões maiores e mais numerosas. No adulto, acomete mais
área genital, enquanto na criança atinge mais face, tronco e
membros superiores.
 O diagnóstico é clínico, embora nos casos duvidosos a
biópsia o confirme. A curetagem é o método de eleição para o
tratamento. É necessário o retorno a cada duas semanas para
tratar possíveis lesões que apareçam posteriormente.