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Roteiro aula 27-3-2019 (capítulo 4 HB: a herança indesejada da modernidade: estilo e

história - p. 41-50)

1- A HA como produto da modernidade.

- A HA é um produto da modernidade: começou com um conceito de história (parte da herança do


XIX) e complementou-o com o de estilo (a nova aquisição na virada do século) / estilo era aquele
atributo da arte para o qual se demonstrava uma história ou um desenvolvimento em conformidade
com a lei / Exemplo: Alois Riegl (1858-1905), no livro Stilfragen (Questões de Estilo) de 1893,
fundava uma ciência da arte, que se voltava para a forma pura e se ocupava do ornamento, na qual
as questões de significação pareciam não ter lugar / Era no kunstwollen (querer artístico) que ele
procurava apreender a dinâmica: uma explicação estilística.

2- Apesar de surgida na modernidade, a HA só trata do passado.

- Contradição no fundamento da ciência da arte, com consequências de longo alcance: ela surgiu na
modernidade, mas procurava o seu objeto no passado e encontrou nele regras científicas / Exemplo:
Heinrich Wölfflin (1864-1945), em Conceitos Fundamentais da HA, de 1915, tem como subtítulo O
problema da evolução dos estilos na arte mais recente / para ele, a arte mais recente era o
Renascimento e o Barroco.

- Por esse motivo, a HA não tematiza a modernidade / Exemplo: Max Raphael (1889-1952) (amigo
da Hannah Levy) (seu trablaho de estréia, De Monet a Picasso, foi reusado por Wölfflin como
dissertação; nos anos 1920, em Berlim, voltou-se para o marxismo, embora sp filiado a uma estética
da autonomia artística)/ emigrou primeiro para a França e dp para os EU; biografia “trágica”).

- O tema da modernidade era tratado somente por alguns outsiders (especialmente escritores) /
Procediam concordando que a arte possuía uma história interna, isto é a história do estilo / Exemplos:
Julius Meier-Graefe (1867-1935) e Werner Weisbach (1873-1953) escreviam sobre o presente uma
HA que seguia um plano: a arte antiga foi em 1º lugar e sobretudo estilo, mantendo-se em 2º lugar
no decurso irresistível da história, que prosseguia sem interrupções na modernidade / Quando a
reduziam ao estilo, no qual as formas estão em contínua evolução, não havia ruptura efetiva, pois o
estilo prevalecia agora muito mais na abstração; não era preciso abstrair o estilo do conteúdo porque
ele havia se tornado o próprio conteúdo / Assim, tinham o mesmo objetivo: manter uma HA para
além da diferença entre antigo e novo. Arranjo em cinza e preto n.1, mais conhecido como A Mãe do
Artista, óleo sobre tela, 142 x 160 cm, Museu d´Orsay, de James McNeill Whistler (1834-1903).

3- Relação entre a vontade de nova arte e de nova sociedade.

- Assim, mesmo paradoxal, o projeto da antiga HA está associado ao projeto da modernidade / os


grandes movimentos políticos tb projetavam o futuro, mas de modo diferente: eram guiados por
utopias, mas vontade de ação social e de ação estética estavam ligadas.

- As esperanças em uma nova arte, que deveria criar um novo estilo de vida, às vezes desiludiam,
pois as utopias não pertenciam à arte / No chamado pela nova arte, eram a arquitetura e o design
que deveriam modificar o espaço vital, como símbolo de uma nova sociedade, da qual se esperava
que os homens tb se modificariam: eis o belo ideal na postura intelectual da 1ª modernidade. Estilo
e histórica receberam uma marca militante: a imagem da arte pura e do estilo verdadeiro.

4- As vanguardas históricas e a HA formalista.

Futurismo.

- A ideia futurista que se encontra no 1º capítulo da bíblia da modernidade: a história sp mobilizada


contra a tradição / a técnica deve ocupar o lugar da cultura humanista / o novo estilo deve atuar
coletivamente, substituir o homem e o indivíduo da época burguesa / mesmo a guerra foi consentida
/ Mona Lisa roubada do Louvre nessa época.

Dadá

- os dadaístas parodiavam o velho conceito de arte, embora fossem mais aplicados na invenção de
textos em que a expressão e o sentido do indivíduo burguês estavam ausentes / Raoul Haussman,
1921, Cabeça mecânica / Ser dadaísta é ver as coisas como elas são: as pessoas não têm nenhum
caráter e seu rosto é apenas uma imagem produzida pelo barbeiro: isto era a antítese e paródia, com
o que os espiritualistas e os abstratos não concordavam, devotando-se ao estilo.
De Stijl

- Na Holanda, De Stijl, 1º manifesto de 1918: o predomínio do individual tem de ser aniquilado para
que o universal pudesse vencer / fórmula de clareza geral e abstrata, em que coisas e sentimentos
se dissolviam em formas puras / a tradição, com sua riqueza e legado, seu excesso de ideias e
historicismos, devia ser sacrificada, diante da pobreza ideal, da mesma forma que toda forma natural
se coloca no caminho da expressão artística pura / a história deve ser iniciada novamente e colaborar
para a vitória do estilo universal, em que o homem não desempenha papel nenhum / No 3º manifesto
de 1921, o objeto é o espírito, o que causa surpresa, se associado ao indivíduo / Mas não é o espírito
do indivíduo, nem do socialismo, nem do capitalismo, mas uma Internacional do espírito que é interna
/ Uma nova religião do espírito deve proclamar o domínio do espírito sobre o mundo e os homens
individuais / As ideias teosóficas, instaladas não apenas nos membros do De Stijl, destacam-se do
pano de fundo do frio racionalismo, com que são projetadas as novas formas artísticas / a utopia tb
tem um lado obscuro, cujos anais Beat Wyss (nascido 1947, suíço alemão, historiador da arte, desde
2014 em Karlsruhe; livro Hegel´s Art History and the Critique of Modernity, Cambridge, 2008)
recuperou do esquecimento: o mito da fundação é o inimigo da tradição / Misticismo e tecnologia
estabelecem uma estranha aliança.

Construtivismo e Supremtismo

- Kasimir Maliêvitch, que fez seu manifesto em Berlim nos anos 1920 sobre o suprematismo, é tanto
místico quanto defensor da cultura: a arte da reprodução objetiva está duplamente morta: por um
lado representa a cultura em decomposição e, por outro lado, mata a realidade ao tentar representá-
la.

O mesmo acontece com a HA

- Nos textos de ciência da arte tb desaparece o objetivo e o biográfico é sacrificado às leis do estilo e
pelas transformações da forma / o saber histórico adquirido no XIX parece supérfluo, pois se aprendeu
a ler a HA a partir das formas / os artistas e suas vidas fornecem informações que fazer parte da
história estilística / assim, o estilo é o polo oposto do indivíduo, uma garantia de visão pura, que se
encontra em todos os homens e não parece ligada a nenhum saber cultural prévio.

- No entanto, há controvérsias, em geral vindas de fora do terreno da arte, isto é da política (Rússia
Soviética, 3º Reich) / Arte e HA estão envolvidas de diversas e confusas maneiras no curso real da
modernidade, ainda que pareça às vezes que a arte seguia apenas as suas próprias leis e a HA
apresentava somente o conhecimento imaculado de sua disciplina.

- Entre as palavras dos artistas e os temas dos historiadores da arte há relações surpreendentes /
Entre a abstração, que se desligava de toda realidade extra-artística e a análise da forma que
desprezava conteúdos, assim como a arte concreta, em que apenas formas e cores eram reais.

5- Mais tarde, a arte pura é trazida de volta ao terreno da significação.

- Mas a arte pura, assim como o mero estilo, foram trazidos de volta para o terreno das teses e das
significações / Os realistas voltaram-se com olhar crítico para a sociedade, enquanto os cientistas da
arte se voltavam, em relação à arte antiga, para a história social / Os surrealistas iam ao inconsciente
para expor a realidade interna / Na ciência da arte, os iconologistas pesquisam os símbolos, mas em
vez do inconsciente, escolheram o saber cultural e, em vez dos sonhos irracionais da personalidade,
escolheram os pensamentos racionais na tradição.

6- Conclusão.

- Portanto, a HA não nasceu em um espaço apartada da ciência pura, nem obedecia somente ao
desenvolvimento interno de sua própria especialidade, mas repercutia a discussão do seu presente,
ainda que de maneira indireta ou contraditória / ela estava fixada, na 1ª modernidade, na imagem
abstrata da HA, que segue o curso da lei natural, assemelhando-se à auto compreensão dos artistas
queriam conduzir uma arte objetiva e universal para o futuro / ambos, artista e historiador da arte,
estavam obrigados a um ideal coletivo da modernidade.