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Direito Tributário I

Prof.: Werther Botelho Spagnol

MICROSOFT

12 de julho de 2018
Criação: Joana de Oliveira Neuenschwander
Direito Tributário I
Prof.: Werther Botelho Spagnol

Bibliografia: Curso de Direito Financeiro e Tributário – Werther Botelho Spagnol,


Marciano Seabra de Godoi, Luciano Ferraz.

Atividade Financeira do Estado

"A existência em si do Estado depende de recursos financeiros para custear as suas


atividades. Tais recursos compõem o universo das receitas públicas, decorrendo da
exploração do patrimônio ou das riquezas estatais [...] ou do desempenho de
atividades econômicas em prol da coletividade (preços públicos), ou, ainda, de
métodos tributários (impostos, taxas, contribuições) ou de penalização (multas,
confiscos), os quais implicam a transferência de riqueza dos particulares para o
Estado". (FERRAZ, GODOI, SPAGNOL, 2017, p. 79).

As receitas podem ser definidas como ingressos definitivos de recursos financeiros que
não geram passivo para o Estado.

Tributo é uma receita pública e é preciso classificar essa receita.

As receitas podem ser classificadas em:

● Originária: é aquela percebida em razão do próprio patrimônio (ex.: quando


atua em regime de monopólio). "As receitas originárias compreendem rendas
provenientes da exploração dos bens, recursos naturais ou empresas do
Estado [...]". (FERRAZ, GODOI, SPAGNOL, 2017, p. 81).
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● Derivada: receitas de economia ou de direito público. É aquela que é


transferida do particular para o Estado. É aquela receita que é produzida pelo
particular e é transferida ao poder público. "[...] correspondem a rendas
arrecadadas coativamente dos particulares, mediante constrangimento
legal". (FERRAZ, GODOI, SPAGNOL, 2017, p. 81). Os exemplos clássicos são
tributo e multa.

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○ "Observação: a emissão de moeda, embora não seja tecnicamente
tributo, pelas características intrínsecas, pode ser considerada como
receita derivada".

● Transferida: aquela receita que na origem é originária ou derivada e que, em


um segundo momento, é transferida de um poder público para outro. Ex.: Um
imposto X é devido originalmente a União (Ex.: Compensação Financeira pela
Exploração de Recursos Minerais - CFEM), mas esta transfere aos estados e aos
municípios. ICMS é do estado, mas ele transfere parte para o município da
situação do fato gerador.

Conforme visto, as receitas públicas se subdividem em originárias, derivadas e


transferidas. O Poder Público percebe receitas e, conforme a origem, estas serão
classificadas nessas categorias. A principal receita em quase todos os países é a
derivada e, consequentemente, como a principal derivada é o tributo, podemos
concluir que este é a principal receita pública. Como o tributo é a principal receita
pública, os estados e poderes se sustentam e exercem suas funções as custas da
parcela da riqueza do particular que é transferida ao poder público a título de tributo.

O Brasil arrecada por volta de 30% do PIB. Ou seja, praticamente ⅓ do que a


atividade privada produz é transferida ao poder público. Do ponto de vista da
arrecadação, da receita, arrecada-se bem. Temos uma economia diversificada, um
fisco preparado. Arrecada na média de um país civilizado. Agora, a gente arrecada
de forma eficiente? Sim, se consegue arrecadar 30% é eficiente. Do ponto de vista
da despesa, do retorno, é que não é tão bom.

A tributação é justa? Eu arrecado e arrecado bem do ponto de vista do percentual


arrecadado. Sou eficiente para gastar? Arrecado como uma economia evoluída
mas gasto como uma economia subdesenvolvida. Paga como se recebesse serviços
de qualidade mas tem a sensação de receber serviços de qualidade semelhante a
estados que arrecadam bem menos.
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"A finalidade maior da atividade tributária, sem embargo de não ser a única, é fazer
frente aos gastos advindos da implementação pelo Estado de seus fins
constitucionalmente postos. Dessa forma, a tributação é parte integrante da
atividade financeira do Estado [...]. A conexão entre ingressos e gastos públicos é de
capital importância para o equilíbrio da atividade financeira [...]". (FERRAZ, GODOI,
SPAGNOL, 2017, p. 211).

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Se o Estado está inchado, tenho que arrecadar mais. Quanto mais inchado é o
Estado, mais ele sobrecarrega a receita. Hoje eu tenho um Estado inchado.

Se eu quiser, do ponto de vista da receita, passar a questionar a receita corrente, eu


tenho que questionar a despesa.

Despesa:

● Corrente: são, a grosso modo, aquelas despesas previstas para manutenção


da máquina pública. Pessoal, estrutura.

● Capital:
○ Investimento
○ Amortização da dívida pública

O investimento é o que chama mais a atenção do cidadão. Então se eu arrecado


muito e invisto muito, a percepção relativa do peso da carga tributária diminui.

Dívida é a amortização da dívida pública, o pagamento de juros é o principal.

A situação atual é que tenho uma pressão enorme na despesa corrente e na


amortização da dívida. Sobra muito pouco para investimento.

O discurso liberal é que o Estado é inchado, ineficiente, paga muito ao funcionalismo,


é insustentável ao longo prazo.

Calibrar a receita tem tudo a ver com a concepção de despesa.


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Uma crítica é que a tributação é regressiva, é mais centrada no consumo.

O tripé de capacidade contributiva é renda, patrimônio e consumo. A teoria diz que


consumo é o pior elemento para se medir capacidade contributiva. É possível medir
com bens supérfluos ou de luxo, mas no consumo do dia a dia, complica. Se todo
mundo consumir 1 cerveja, todo mundo estará pagando o mesmo imposto, aqueles
que têm mais ou menos capacidade.

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Todos os países tributam renda, patrimônio e consumo. Tributar o consumo é ruim.
Mas se eu tenho pouca renda e pouco patrimônio no país e concentrar só neles, a
arrecadação global diminui. Para eu tornar mais justa a receita, eu tenho que diminuir
primeiro a despesa. Se eu tenho uma despesa grande, eu não consigo migrar
rapidamente a tributação do consumo para renda e patrimônio.

Não se pode defender o aumento da despesa corrente e, ao mesmo tempo, tornar


o sistema tributário mais justo, não se sustenta.

Quanto mais concentrada a tributação no consumo, mais regressivo é o sistema.

Se a renda per capita não é alta, você não tem base suficiente em renda e
patrimônio para compensar a perda no consumo caso não tribute tanto lá.

Há vários tipos de tributação sobre consumo.

Sistema Tributário Nacional

● Competências → Tributo → Norma


● Limitações

Os poderes constituídos se sustentam em função da transferência compulsória de


riqueza privada para os cofres do Estado. Transferência de riqueza particular para o
poder público não é algo novo, sempre existiu. O que muda é a legitimidade. Hoje é
via jurídica. Antes era por força, por exemplo.

Essa matéria se encontra na Constituição Federal, a partir do artigo 147.


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Art. 147. CF/88 - Competem à União, em Território Federal, os impostos estaduais e,


se o Território não for dividido em Municípios, cumulativamente, os impostos
municipais; ao Distrito Federal cabem os impostos municipais.

A CF/88 não cria tributo. A CF simplesmente outorga competência para as pessoas


políticas de direito constitucional interno instituírem os seus próprios tributos. As

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pessoas políticas vão tributar conforme e nos exatos limites da competência
outorgada pelo texto maior.

Conceito de Tributo

Art. 3º CTN - Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor
nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e
cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada.

Prestação → objeto de uma relação jurídico obrigacional. "Pelo fato de o tributo ser
uma prestação, só pode ser fruto de ato lícito, não se confundindo com penalidade
(não é sanção de ato ilícito)". (FERRAZ, GODOI, SPAGNOL, 2017, p. 204).

Pecuniária → ou seja, em dinheiro. No passado eu tinha outras formas de pagar os


tributos. Ex.: por serviços, bens. Cumpre a obrigação com dinheiro.

Em moeda ou em cujo valor nela se possa exprimir1 → indexação. Mais relacionado


à inflação. Possibilidade de lançar tributos em unidade de valor. BTN, OTN2. Essas siglas
traduziam indexação. Está autorizando o lançamento tributário indexado.

Que não constitua sanção de ato ilícito → isto é para distinguir o tributo da multa. O
tributo não é sanção, penalidade por ato ilícito. O que gera o tributo é sempre um
fato lícito, permitido pelo direito. Ex.: possuir um carro, perceber renda, consumir. O
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ato ilícito vai gerar multa, não tributo.

Instituída em lei → princípio da separação dos poderes. Por que que o tributo precisa
ser instituído em lei? Porque o administrado tem que dar o consentimento prévio por
meio dos seus representantes. Isso que distingue a tributação atual da medieval. O
princípio da legalidade tem condão de procurar legitimar essa agressão patrimonial.
A lei vai traduzir o princípio do auto consentimento. Por meio da lei eu garanto que

5 1 "O pagamento deve ser feito em moeda ou nas formas do art. 162 do CTN". (FERRAZ, GODOI, SPAGNOL,
2017, p. 204). Art. 162. CTN - O pagamento é efetuado: I - em moeda corrente, cheque ou vale postal;
II - nos casos previstos em lei, em estampilha, em papel selado, ou por processo mecânico.
2 O Bônus do Tesouro Nacional (BTN), na prática, expressava a variação inflacionária medida pelo IPC -
Índice de Preços ao Consumidor IBGE. Era uma espécie de "moeda" que facilitava cálculos de correção
monetária, sendo que o seu valor nominal estava em paridade com o padrão monetário Cruzado Novo,
sendo que o título entrou em substituição as antigas OTNs
(https://pt.wikipedia.org/wiki/B%C3%B4nus_do_Tesouro_Nacional)
os representantes das pessoas que vão de fato pagar o tributo deem o seu
consentimento.

Cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada → não pode


transigir os limites da lei..

"A imposição tributária deve ainda respeitar o princípio da legalidade tributária (ser
instituído em lei), princípio este que deverá balizar não somente a instituição do
tributo, mas também a forma como se dará sua exigência por parte do Fisco, não
havendo discricionariedade (cobrado mediante atividade administrativa
plenamente vinculada)". (FERRAZ, GODOI, SPAGNOL, 2017, p. 204).

Para identificar se é um tributo, é preciso fazer 3 perguntas:

1. Trata-se de reparação ao poder público? Se sim, não é tributo, é indenização.


2. Obrigação de cumprimento voluntário? Se sim, não é tributo, é doação.
3. Trata-se de consequência de ato ilícito? Se sim, não é tributo, é multa.

"Assim, toda vez que o contribuinte estiver na contingência obrigacional de entregar


dinheiro ao Poder Público e a obrigação não for decorrente de multa, obrigação
convencional ou indenização por dano, estará satisfazendo uma obrigação
tributária". (FERRAZ, GODOI, SPAGNOL, 2017, p. 204).

A CF distribui a competência por espécie tributária. Imposto, taxa, contribuição.


Distribui enquanto espécie, não enquanto gênero (tributo), pois "não é suficiente ao
intérprete identificar determinada prestação como de natureza tributária [...], uma
vez que [...], questões de competência, incidência, discriminação de rendas e,
inclusive, limitações ao poder de tributar são variáveis em função da espécie de
tributo instituída". (FERRAZ, GODOI, SPAGNOL, 2017, p. 207).

O artigo 4º do CTN traz os critérios para a identificação da natureza específica de um


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tributo.

Art. 4º CTN - A natureza jurídica específica do tributo é determinada pelo fato


gerador da respectiva obrigação, sendo irrelevantes para qualificá-la:

I - a denominação e demais características formais adotadas pela lei;

II - a destinação legal do produto da sua arrecadação.

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"Constata-se, pois, que o CTN acabou por considerar como elemento essencial para
a divisão dos tributos em espécie tributária a natureza do fato gerador. [...]. Segundo
o saudoso jurista (Geraldo Ataliba), o elemento decisivo para a identificação da
espécie tributária seria encontrada pela análise do fato gerador da obrigação, se
vinculado ou não a uma atividade estatal. As normas veiculadoras de tributos
descrevem hipoteticamente um fato lícito que, ocorrido em concreto, vai
desencadear o surgimento do dever tributário (obrigação de entregar dinheiro ou
equivalente aos cofres públicos). O fato lícito descrito pode guardar uma relação
com situação ou atividade do particular ou então estar relacionado com uma
atividade do Poder Público". (FERRAZ, GODOI, SPAGNOL, 2017, p. 208).

Cabe ressaltar que o fato gerador não é o único critério de identificação da espécie
tributária, tendo em vista a necessidade de se considerar o destino dado
constitucionalmente ao produto da arrecadação tributária. (FERRAZ, GODOI,
SPAGNOL, 2017, p. 209).

"[...] o Código Tributário Nacional, em seu art. 4o, II, determina não ser a destinação
legal do produto da arrecadação relevante para a determinação da natureza
jurídica específica de um tributo. Não obstante, tal mandamento não se constitui em
licença para a desconsideração da destinação constitucional do produto da
arrecadação de um tributo. Como se verá, o legislador constituinte, quando da
distribuição das competências tributárias, orientou-se fundamentalmente pela
análise do gasto público a ser coberto com a imposição dos tributos". (FERRAZ,
GODOI, SPAGNOL, 2017, p. 211).

Hipótese → Mandamento. Toda norma tributária vem assim estruturada. A hipótese e


o mandamento são subdivididos em critérios.

Hipótese

Critério Material: descrição do fato lícito que, uma vez ocorrido em concreto,
produzirá efeitos jurídicos. Ex.: O critério material do IPTU é possuir um imóvel no
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perímetro urbano. Assim, se eu tenho um apartamento em BH, eu realizo o critério


material da hipótese da incidência. Mas eu tenho que pagar IPTU todo dia? Não. Ao
lado do critério material, eu tenho o critério temporal.
ICMS → critério material → circulação econômica de mercadoria.
Critério temporal: vai dizer quando esse fato lícito produzirá efeitos. O critério
temporal me indica que é no primeiro dia do exercício financeiro. Se eu comprar um
imóvel em outubro e vender em novembro não tenho que pagar IPTU.
Critério espacial: limite de validade da norma (municipal, estadual,..)

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Critério pessoal: quem pode realizar o fato gerador.
Quem realiza o fato gerador do ICMS por exemplo é o comerciante. Se eu vender
um pincel que comprei não pago ICMS. Se eu vender um carro não pago ICMS. Mas
se a Forlan vender ela vai pagar.

Mandamento
Critério pessoal: sujeito ativo e sujeito passivo

Critério operacional: onde, quando, como


Critério finalístico: destinação
Critério quantitativo: alíquota

Quando todos os critérios da hipótese ocorrem no mundo fenomênico, se


concretizam, eu tenho o fato gerador.

O fato gerador do tributo pode ser vinculado ou não vinculado a uma atuação do
estado. Ou seja, esse fato lícito, descrito na hipótese de incidência, ou será vinculado,
ou não vinculado. Se o fato gerador for vinculado, eu tenho taxa ou contribuição de
melhoria. Se ele for não vinculado eu tenho imposto, contribuição especial ou
empréstimo compulsório.

O fato gerador do IPTU é vinculado ou não vinculado a uma atuação estatal? Não
vinculado. O que gera o IPTU é um ato do particular, que possui o imóvel,
independente de uma atuação do Estado.

Ex.: se formos abrir um boteco, uma das primeiras providências será um alvará. Esse
alvará vai ter um tributo, que será uma taxa, decorrente do poder de polícia do
Estado. Só existe o tributo porque o Estado está te fiscalizando.
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Taxa de coleta de lixo → vem junto do IPTU. Depende do Estado atuar diretamente
em relação a você.

Se o fato lícito depende de uma atuação do Estado, tenho taxa e contribuição de


melhoria. Se a atuação do Estado traduzir um serviço público ou exercício regular do
poder de polícia eu tenho taxa. Se a atuação for uma obra pública que valorize o
meu imóvel, eu tenho uma contribuição de melhoria.

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Se o fato for não vinculado, tenho imposto, contribuição especial ou empréstimo
compulsório. O que vai distinguir qual deles é o critério finalístico do mandamento da
norma, o destino a ser dado ao produto da arrecadação.

● Imposto → critério finalístico não expresso. Não é previamente vinculado a


despesa, fundo. A norma que institui o imposto não prevê a finalidade a ser
dada ao produto resultante da arrecadação. IPVA é um imposto. Então não
há nada na norma que indique que o produto da arrecadação deva ser
usado para reparação de estrada. Dinheiro arrecadado é livremente utilizado
no orçamento. Se o estado quiser pegar todo o IPVA e pagar dívida pública,
ele pode. Vai gastar o produto conforme dispuser na lei orçamentária.

Art. 16. CTN - Imposto é o tributo cuja obrigação tem por fato gerador uma situação
independente de qualquer atividade estatal específica, relativa ao contribuinte.

● Contribuição especial → a norma tributária indica a finalidade a ser dada ao


produto da arrecadação e, conforme essa finalidade, eu vou saber se é
contribuição especial ou empréstimo compulsório. É contribuição especial
quando tenho na norma tributária a destinação a ser dada ao produto da
arrecadação. Fica instituída, para o financiamento da seguridade social, as
seguintes contribuições: (PIS/COFINS). Contribuição especial pode ser social,
interventiva ou corporativa.

Social Quando a finalidade for a seguridade social.

Corporativa Quando a finalidade for interesse da categoria profissional


econômica. (Ex.: anuidade da OAB. Uma lei federal que institui e
autoriza que a OAB te exija anuidade).

Interventiva CIDE → contribuição de intervenção no domínio econômico.


Pagamos as mais diversas CIDE. Quando abastece, está
embutida uma CIDE combustível. A finalidade da CIDE
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combustível é reparo de estrada de rodagem. A União institui este


imposto. Não deveria criticar o estado pelo IPVA, pois este não
tem esta finalidade. A CIDE tem essa finalidade. Ao pagar ingresso
de cinema, paga CIDE para desenvolvimento da indústria
nacional do cinema. Celular, para financiar fundo nacional de
telecomunicações.

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● Empréstimo compulsório → a finalidade que justifica é despesa com
calamidade pública ou guerra externa ou em sua iminência. O que arrecadar
vai ter a finalidade com despesas com esforços de guerra.

Art. 167. CF/88 - São vedados:

IV - a vinculação de receita de impostos a órgão, fundo ou despesa, ressalvadas a


repartição do produto da arrecadação dos impostos a que se referem os arts. 158
e 159, a destinação de recursos para as ações e serviços públicos de saúde, para
manutenção e desenvolvimento do ensino e para realização de atividades da
administração tributária, como determinado, respectivamente, pelos arts. 198, § 2º,
212 e 37, XXII, e a prestação de garantias às operações de crédito por antecipação
de receita, previstas no art. 165, § 8º, bem como o disposto no § 4º deste artigo;

Art. 174. CF/88 - Como agente normativo e regulador da atividade econômica, o


Estado exercerá, na forma da lei, as funções de fiscalização, incentivo e
planejamento, sendo este determinante para o setor público e indicativo para o setor
privado.

Sistema tributário nacional vai me trazer competências e limitações.

O constituinte distribuiu as competências pela espécie, não pelo gênero. Identifico a


espécie pela norma de incidência. Primeiro, analiso a hipótese para identificar o fato
gerador. Olho se este é vinculado ou não. Se for vinculado, será taxa ou contribuição
de melhoria. Distingue pela natureza da atuação do estado.

As competências não foram distribuídas pelo gênero - tributo - mas sim por espécie.
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Características da Competência Tributária (competência para instituir um tributo):

A competência é privativa do ente dela investido. Não se


comunga competência, não se divide competência. Uma vez
que um ente é investido na competência, automaticamente
Privatividade os outros estão excluídos. Se a União tem competência para
tributar renda, automaticamente estado e município estão
excluídos.

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A competência não pode ser delegada. Só pode ser exercida
por seu titular e não pode ser delegada a outra pessoa A União
não pode delegar a tributação da renda para estados e
Indelegabilidade municípios. No máximo delega a capacidade tributária ativa,
mas nunca a competência em si. Ex.: Anuidade da OAB. A
União é competente, mas ela delega só a arrecadação. A
OAB que recebe. A competência é sempre indelegável.
A competência não caduca pelo simples fato do seu não
exercício. Se a pessoa não institui o tributo, pode instituir num
Incaducabilidade momento futuro.

A competência não se altera pela legislação


infraconstitucional. Ela tem que ser exercida nos exatos limites
Inalterabilidade da outorga. Se eu recebo competência para tributar renda,
por exemplo, eu não posso tributar patrimônio como se renda
fosse.
Não há obrigatoriedade no exercício da competência. O
titular da competência exerce se quiser. Ex.: imposto sobre
Facultatividade grandes fortunas não foi instituído.

Ex.: imposto sobre grandes fortunas está previsto na CF desde 1988. Não fez até
agora. Tem alguma sanção administrativa para isso? Não, porque a competência é
facultativa. Se amanhã ela quiser instituir, ela pode, porque ela nunca irá decair. A
título de grandes fortunas ela pode tributar a classe média? Não, porque a
competência não se altera.

A competência prevista na Constituição com estas características é outorgada a


União, estados, DF e municípios conforme a espécie tributária.

Para eu analisar qual espécie tributária, preciso identificar uma obrigação como
tributaria. Depois, identifico a espécie. Analisar a hipótese de incidência da norma.

O imposto tem fato gerador não vinculado. Mas contribuição também é. Ai tenho
que passar ao critério finalístico. No caso do imposto, o critério finalístico é não
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expresso.

A CF se utilizou dos artigos 153-156 para disciplinar a matéria.

Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre:

I - importação de produtos estrangeiros;

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II - exportação, para o exterior, de produtos nacionais ou nacionalizados;

III - renda e proventos de qualquer natureza;

IV - produtos industrializados;

V - operações de crédito, câmbio e seguro, ou relativas a títulos ou valores


mobiliários;

VI - propriedade territorial rural;

VII - grandes fortunas, nos termos de lei complementar.

§ 1º É facultado ao Poder Executivo, atendidas as condições e os limites


estabelecidos em lei, alterar as alíquotas dos impostos enumerados nos incisos I, II, IV
e V.

Art. 153 CF/88 - Dos impostos da União - Compete à União instituir impostos sobre:
importação, exportação, renda e proventos de qualquer natureza, produtos
industrializados, propriedade territorial rural, grandes fortunas, operações bancárias.

A União foi tocada com a competência para instituir 7 impostos. A CF ordinariamente


permite, então, que a União, tribute 7 impostos. Todos esses fatos econômicos são de
competência privativa da União, que pode instituir.

Uma das funções clássicas da tributação é a redistribuição de renda.

O primeiro problema do imposto sobre grandes fortunas é definir o que é uma grande
fortuna. Há vários parâmetros que podem ser utilizados e que são defensáveis em
maior ou menor medida. Imposto sobre grandes fortunas não é renda, é patrimônio.
Não pode confundir com renda. Tributa pessoa física. Se eu ganhar 500 mil por mês
e gastar os 500 mil, não serei tributado nunca a título de grandes fortunas.

Provavelmente, o perfil do imposto sobre grandes fortunas, caso fosse instituído, teria
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um critério temporal anual. O mesmo fato vira jurídico a cada período. Nos locais que
tributam, tem caráter continuado.

Nos outros impostos, você não tem dúvida sobre o que é uma propriedade, uma
mercadoria. Aqui tem dúvida sobre o que é grandes fortunas, sobre o fato tributado.
É a única que fala em Lei Complementar. NInguém discute, por exemplo, o que é

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renda, só se discute o quanto dela tem que ser tributado. Contudo, não temos um
conceito inequívoco de grandes fortunas.

Se o percentual for muito alto, poucas pessoas terão grandes fortunas. A base de
arrecadação fica menor.

A primeira dificuldade é definir este conceito. Supondo que não vou discutir essa
questão, vou usar um valor bem alto, tipo 50 milhões. Ai qual a crítica que se faz? A
crítica é que se passa uma mensagem errada. Que não vale a pena ter grande
patrimônio no país, ou que você não deve ter grande patrimônio em pessoas físicas.
Começa a evasão, remessa para o exterior, criação de fundações.
Economicamente, estudos dizem nunca é uma tributação que vale a pena. A
experiência mostra que no primeiro ano arrecada-se muito, mas depois decai tanto
isto, como o investimento. Se eu começo a tributar pesadamente eu desestimulo o
investimento.

Tenho formas muito mais eficientes de resolver a desigualdade se eu usar a base que
já tenho: imposto de renda e transmissão patrimonial. No Brasil, você quase que
eterniza a lógica de casta. Perde no máximo 8% na transmissão ou doação. Em um
estudo comparado com outros países, isso chega até 50%. Então você pode tributar
de outros jeitos sem desincentivar o investimento.

A origem de qualquer patrimônio é a renda. Acumula a renda e transforma em


patrimônio. Se o patrimônio tem sua origem na renda percebida no passado que foi
acumulada ou que foi transferida de herança. Ou tive excedente de renda e
acumulei, ou os pais passaram de herança, ou ganhei uma doação ou na loteria.

Antes de chegar no patrimônio, eu já tenho 2 fatos tributáveis, renda e transferência


de patrimônio. Se eu tenho um imposto de renda progressivo, o patrimônio já é fruto
de uma renda que foi progressivamente tributada. Ou, se veio dos pais e transferiu, o
imposto de transferência também poderia/deveria ser progressivo. Então eu cumpro
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essa função distributiva de uma forma muito mais adequada, do que se ficar focado
no patrimônio (grandes fortunas). Elimina todos esses entraves políticos, lógicos,
ideológicos que envolvem as grandes fortunas. Mantém a função social de
investimento, de geração de renda e emprego. Na opinião do professor é uma
discussão vazia ter ou não tributação sobre grandes fortunas.

Art. 153 CF/88 - tem a competência ordinária da União Federal para instituir impostos.

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Art. 154 CF/88 - competência extraordinária e residual da União - além dos 7 impostos,
ela pode instituir, mediante lei complementar: impostos não previstos no artigo
anterior e impostos extraordinários decorrentes de guerra. Não pode ser cumulativo
com outro já existente. No caso de guerra externa vale tudo, posso tributar o que eu
quiser.

Art. 154. A União poderá instituir:

I - mediante lei complementar, impostos não previstos no artigo anterior, desde


que sejam não-cumulativos e não tenham fato gerador ou base de cálculo
próprios dos discriminados nesta Constituição;

II - na iminência ou no caso de guerra externa, impostos extraordinários,


compreendidos ou não em sua competência tributária, os quais serão
suprimidos, gradativamente, cessadas as causas de sua criação.

Art. 155 CF/88 - competência dos estados. Os estados podem instituir apenas 3
impostos: ICMS, IPVA e ITCD (Imposto sobre transmissão de causa mortis ou doação).
O estado não tem competência extraordinária nem residual.

Art. 155. CF/88 - Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre:

I - transmissão causa mortis e doação, de quaisquer bens ou direitos;

II - operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de


serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, ainda que
as operações e as prestações se iniciem no exterior;

III - propriedade de veículos automotores.

Art. 156 CF/88 - outorga competência a municípios: ISS, IPTU e ITBI (Imposto sobre
transferência de propriedade imobiliária). Se você compra um apartamento, você
paga ITBI, se você herda, paga ITCD.
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Art. 156. CF/88 - Compete aos Municípios instituir impostos sobre:

I - propriedade predial e territorial urbana;

II - transmissão "inter vivos", a qualquer título, por ato oneroso, de bens imóveis, por
natureza ou acessão física, e de direitos reais sobre imóveis, exceto os de garantia,
bem como cessão de direitos a sua aquisição;

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III - serviços de qualquer natureza, não compreendidos no art. 155, II, definidos em
lei complementar.

Quantos impostos que a luz da constituição podem instituir? 13 em termos teóricos,


mas na prática 12. A União nunca exerceu competência residual ou extraordinária.
O DF cumula competência estadual e municipal.

Fatos geradores que traduzem o tripé clássico da ciência das finanças: renda,
patrimônio e consumo. Fora a tributação de aduana que é uma variação da
tributação de consumo, porém, com um referencial externo.

Nos outros países costuma juntar ISS, IPI e ICMS em um imposto chamado IVA. Imposto
sobre valor adicionado.

O Brasil não é o país do impostos. É o país das contribuições. Não se paga tanto
imposto, mas se arrecada semelhante a um país desenvolvido. A crítica passa longe
dos impostos e deveria focar muito mais nas contribuições.

Aula 4 - 12/03/2018

Contribuições Especiais

Para identificar uma contribuição especial, olho primeiro o fato gerador. Conforme o
critério material da hipótese, eu tenho o fato gerador vinculado ou não vinculado a
atividade estatal. A contribuição especial tem fato não vinculado. Mas o imposto
também não tem. Preciso, então, olhar o critério finalístico. O imposto não tem
finalidade expressa. O que arrecadado a título de imposto, gasto conforme a LOA.
Direito Tributário I | 12/07/2018

Nas contribuições especiais, tenho uma finalidade expressa na norma. Gasta com
uma despesa específica. E conforme a despesa, a finalidade posta na norma, tenho
subespécies de contribuições especiais, elencadas a seguir:

● Sociais
○ Bases:
■ Folha
■ Receita/Faturamento

15
■ Lucro
■ Trabalhador
■ Importador
■ Loteria

Art. 195. CF/88 - A seguridade social será financiada por toda a sociedade,
de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos
orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das
seguintes contribuições sociais:

I - do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da


lei, incidentes sobre:

a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados,


a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo
empregatício;

b) a receita ou o faturamento;

c) o lucro;

II - do trabalhador e dos demais segurados da previdência social, não


incidindo contribuição sobre aposentadoria e pensão concedidas pelo regime geral
de previdência social de que trata o art. 201;

III - sobre a receita de concursos de prognósticos.

IV - do importador de bens ou serviços do exterior, ou de quem a lei a ele


equiparar.

§ 4º A lei poderá instituir outras fontes destinadas a garantir a manutenção ou


expansão da seguridade social, obedecido o disposto no art. 154, I.

O que autoriza a criação de uma contribuição social é o fato de ela se destinar ao


financiamento da seguridade social. Vou exercer minha competência tributária para
este fim específico. Seguridade social compreende um conjunto integrado de ações
destinados a assegurar os direitos relativos à: saúde, assistência social e previdência.
Direito Tributário I | 12/07/2018

Seguridade social engloba um rol restrito. Educação é direito social, mas não está sob
o manto da seguridade social, por exemplo.

Art. 194. CF/88 - A seguridade social compreende um conjunto integrado de


ações de iniciativa dos Poderes Públicos e da sociedade, destinadas a assegurar os
direitos relativos à saúde, à previdência e à assistência social.

16
Em geral tenho 2 regimes distintos: (i) assistencial e (ii) contributivo. Nos países onde
adota-se o regime assistencial, a seguridade social é mais uma conta dentro
orçamento fiscal, ela é alimentada por meio de impostos. Não tenho uma figura
tributária específica para financiar a seguridade social. A consequência é que não
tenho a figura das contribuições sociais. Quando o regime é contributivo, eu retiro a
seguridade social do orçamento fiscal, tenho um orçamento autônomo e este é
alimentado por meio de tributação específica. Em termos teóricos, qual o regime
mais justo e mais progressivo de se outorgar a seguridade social? Evidentemente que
é o primeiro. Se eu sustento a seguridade como uma conta dentro do orçamento
fiscal, que é alimentada como impostos, eu desvinculo a necessidade de uma
contribuição específica. A sociedade paga impostos e eu vou receber independente
de contribuir para isso. Além disso, conseguiria estabelecer um regime mais
progressivo. Quem tem esse regime mais assistencial são, por exemplo, Dinamarca,
Noruega. Normalmente não é possível um sistema puramente assistencial. Em geral,
temos um sistema misto.

Art. 195 CF/88: a seguridade social será financiada por toda sociedade de forma
direta e indireta, mediante recursos provenientes dos orçamentos (sistema
assistencial) e das seguintes contribuições sociais (sistema contributivo). Ou seja, será
mantida por transferências do orçamento fiscal e pelo estabelecimento de
contribuições. Apenas a União é competente para a instituição de contribuições
sociais. A base para o estabelecimento das contribuições está na CF: folha,
receita/faturamento e lucro. A empresa paga contribuição social sobre a folha, sobre
o faturamento e sobre o lucro. A empresa contribui de forma pesada para o
financiamento da seguridade social. Toda a sociedade contribui, mesmo que ela
não usufrua, como é o caso da empresa. Paga entre 3 e 11,65% sobre a receita. Sobre
o lucro de 9 a 20%. Folha também paga 20%. O setor mais massacrado por esse
sistema é Banco.

Além das bases para a empresa, tenho ainda a do trabalhador, que é o potencial
segurado, potencial destinatário de saúde, assistência e previdência. Tem também
o importador. Por que está separando o importador do trabalhador? Para equilibrar
o custo econômico das mercadorias. A mercadoria importada não tem esse tanto
de imposto cobrado do empregador. Tenho que taxar para equiparar a mercadoria
Direito Tributário I | 12/07/2018

importada com a nacional.

Sobre a loteria também paga-se contribuição. E, finalmente, se isso tudo ainda não
for suficiente, a União pode criar novas contribuições sociais. (Competência residual).

Só de competência originária, tem possibilidade de 6 contribuições. O mesmo tanto


dos impostos.

17
Tem uma base grande para contribuição e tenho um sistema misto. Se isso não for
suficiente, manda transferir do orçamento fiscal. Então por que que de tempos em
tempos há um debate sobre reforma da previdência? Qual a justificativa que se dá?
Que a previdência é deficitária. Não tem sentido em falar em déficit. Primeira
observação é que saúde, assistência e previdência são um conjunto integrado. Posso
dizer que o sistema está deficitário, não só a previdência. A abordagem deveria ser
analisar para deixar a previdência equilibrada com as outras duas frentes da
seguridade social. Não é uma questão de déficit, é de equilibrar o sistema. Quanto
mais eu impacto a seguridade social, mais eu tenho que carregar nas contribuições
sociais, aumentar estas.

Há muito tempo que não aumenta imposto. Primeiro porque é muito mais fácil
politicamente aumentar contribuição. Contribuição a União não tem que dividir com
estados e municípios. Imposto ela tem que dividir. Na Contribuição, vai ter o ônus de
instituir, mas tem o bônus também.

No Brasil, o que se vê hoje é uma expansão do percentual do PIB em cima das


contribuições. A pretexto de uma finalidade nobre (seguridade social), vou
carregando as contribuições. E as sociais são só uma parte delas.

DRU - desvinculação das receitas da União emenda 93/20163 - muda o artigo 76 do


ADCT.

Art. 76-A. ADCT - São desvinculados de órgão, fundo ou despesa, até 31 de


dezembro de 2023, 30% (trinta por cento) das receitas dos Estados e do Distrito Federal
relativas a impostos, taxas e multas, já instituídos ou que vierem a ser criados até a
referida data, seus adicionais e respectivos acréscimos legais, e outras receitas
Direito Tributário I | 12/07/2018

correntes.

Tudo que a União arrecada nessas contribuições sociais, que em tese deveria ter que
ir para a seguridade social, ela tira 30% que fica desvinculado disso.

3
Altera o Ato das Disposições Constitucionais Transitórias para prorrogar a desvinculação de receitas da União e estabelecer a
desvinculação de receitas dos Estados, Distrito Federal e Municípios.
18
Olha o contra-senso. Se eu tenho uma propaganda oficial de que preciso reformar
essa despesa porque tenho o déficit, como que eu posso querer desvincular 30%?
Posso arrecadar uma contribuição social e gastar como se fosse imposto. Para eu
começar uma discussão sobre isso, eu tinha que primeiro não me fazer valer da DRU.
Isso não quer dizer que não seja preciso pensar na reforma da previdência. Não posso
permitir que a previdência se sobreponha à saúde e à assistência social.

Nas contribuições o fato gerador é não vinculado mas a finalidade é vinculada.


Primeiro analiso o critério material para saber se o fato gerador é vinculado ou não.
Contribuição especial tem fato gerador não vinculado. Pagar folha não é vinculado
a uma atuação estatal. Eu que contrato. Se o tributo tem fato gerador não vinculado,
ele pode ser imposto, contribuição especial ou empréstimo compulsório. O imposto
tem critério finalístico não expresso. O produto da arrecadação eu gasto conforme
a LOA. A contribuição especial e o empréstimo compulsório gasto conforme
especificado na norma. A contribuição tem fato gerador não vinculado e produto
da arrecadação vinculado.

Posso exercer a competência das contribuições sociais, vai recair sobre essas 6 bases
elencadas anteriormente.

A competência é exclusiva da União Federal. Foi outorgada no artigo 195 da CF. A


União exerce a competência para qual gasto? A finalidade está vinculada à
seguridade social.

O peso das contribuições acaba superando o peso dos impostos.

Aula 5 - 19/03/2018
Direito Tributário I | 12/07/2018

● Sociais - destinadas ao financiamento da seguridade social


● Corporativas
● Interventivas
● C. Previdenciária Estadual/Municipal
● C. De Iluminação Pública

19
O que caracteriza uma contribuição é uma finalidade posta na norma. Dependendo
da finalidade vai se encaixar em alguma dessas categorias elencadas acima.

Há uma discordância doutrinária que acabou sendo consagrada em jurisprudência


do STF. Nós vimos as contribuições sociais previstas no art. 195. Mas há uma discussão
se o art. 149 traz competência autônoma para instituição de contribuições outras.

Art. 149. CF/88 - Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais,


de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou
econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o
disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º,
relativamente às contribuições a que alude o dispositivo.

O que a interpretação sistemática da CF impõe é que as contribuições sociais


mencionadas no art. 149 foram explicitadas no art. 195. Se essa premissa é válida, as
únicas contribuições possíveis seriam aquelas previstas no art. 195. Eu só poderia
instituir contribuições destinadas à seguridade social nos limites do art. 195. Professor
entende que deva se interpretar assim, porque na outorga de competência, preciso
ter uma baliza mínima para determinar a competência, discriminar autores. Se eu
interpretar o art. 149 como autônomo, estou dando um cheque em branco para a
União criar diversas contribuições. Parte da doutrina entende que o art. 195 esgota a
distribuição de competência. Se essa premissa for verdadeira, eu só posso exercer
competência a título de contribuição social para a seguridade social. Se entende
que o art. 149 é fonte de competência autônoma, posso criar quantas contribuições
eu quiser, quantos direitos eu quiser custear.

Começaram a ser criadas diversas contribuições ditas gerais e chegando ao STF ele
decidiu que o art. 149 traduz fonte de competência autônoma. Contraria a opinião
do professor.

São duas fontes de contribuições: as autônomas, no art. 149 (para financiar outras
Direito Tributário I | 12/07/2018

coisas que não a seguridade social, chamadas contribuições gerais, educação por
exemplo) e art. 195 (seguridade social).

Art. 195 - contribuições sociais stricto sensu

Art. 149 - lato sensu ou gerais

20
Tem-se, portanto, o entendimento de que não vai limitar as contribuições.
Contribuições estas que já estão no mesmo tamanho que o número de impostos. O
país não é o país dos impostos e sim das contribuições.

Além das contribuições sociais, tenho as interventivas, CIDE → contribuição de


intervenção do Estado sobre o domínio econômico.

Essas contribuições se justificam quando o Estado vai atuar, vai intervir sobre o
domínio econômico. É sobre o domínio econômico e não no domínio econômico.
“No” é quando ele atua, como no caso de monopólio, por exemplo. Sobre é quando
atua regulando, induzindo a atividade.

Intervenção sobre domínio econômico não pode ser difusa, tem que ser específica
para gerar a CIDE. Cobrava de quem era agente da atividade econômica (ex.:
produção do café), não de um médico que não tinha nada a ver com isso, por
exemplo. Usava o dinheiro para divulgar o produto brasileiro no exterior, por exemplo.

Com o passar do tempo, ela passou a ser desvirtuada. CIDE combustível serve para
recuperação e expansão da malha viária. Isso não é intervenção sobre domínio
econômico, é interesse difuso, não interessa um setor específico da atividade
econômica. E quem paga é quem abastece o carro, que é quem não exerce
atividade econômica nenhuma. Seria inconstitucional. Mas foram e alteraram a CF.
Tornou a exceção válida por meio de emenda constitucional. Essa CIDE combustível
é desvirtuada. O correto é tipo aquela do café, citada anteriormente.

O arcabouço teórico para tentar inferir constitucionalidade ou não: sujeito passivo


possível, que tenha relação com a atividade econômica induzida e a intervenção
não pode ser difusa.

● Contribuições corporativas → a luz do art. 149 são contribuições que podem


Direito Tributário I | 12/07/2018

ser instituídas a interesse de categoria profissional ou econômica. Ex.: OAB. A


anuidade da ordem tecnicamente é uma contribuição corporativa. Dentre as
competências está a indelegabilidade. Há algum problema nisso? Não. Não
estou delegando a competência, delego apenas a capacidade tributária
ativa, de ser sujeito ativo, de exigir o tributo. Quem institui continua sendo a
União que é quem tem competência. A lei é federal. Ou no interesse de
categoria econômica (SESC, SENAI etc.)

21
Sociais, interventivas e corporativas → competência EXCLUSIVA da União. Só podem
ser instituídas por ela. Não repassa as contribuições para os outros entes como
acontece com os impostos.

As duas últimas são de competência ora dos estados, ora dos municípios. A
competência estadual é mais restritiva. Enquanto a da União é seguridade social, ou
direitos sociais outros, a dos estados e municípios só podem instituir contribuição
previdenciária. Manutenção de regime de previdência próprio de seus servidores.
Então estados e municípios, ao contrário da União, não tributam a sociedade em
geral, apenas seus servidores para sistema de previdência próprio. Se um município
pequeno não tem sistema de previdência, por exemplo, ele não pode instituir essa
contribuição. Estado de MG até pouco tempo atrás tributava servidor para financiar
saúde. Não poderia porque a competência da Constituição era limitada a
previdência. A competência é inalterável, não pode se expandir por legislação
infraconstitucional.

No imposto eu não preciso ter finalidade. A competência foi outorgada para


manutenção de regime próprio. Se não tem regime próprio, não pode cobrar.

● Contribuição de iluminação pública → antiga taxa de iluminação pública.


Taxa é um tributo que tem fato gerador vinculado a uma prestação de um
serviço público. Mas esse serviço tem que ser específico e divisível. A rua é
iluminada. É um serviço público, mas não é específico e divisível. Não posso
precisar qual de nós está se utilizando daquele serviço e muito menos dividir
aquele custo entre cada um de nós. Era uma taxa que não cumpria os
requisitos. Supremo declarou inconstitucional4. Ai criaram uma contribuição
para substituir. Mais uma vez constitucionalizou o inconstitucional.

Além dos impostos, a CF distribui competência para instituição de contribuições


especiais, que se subdividem em sociais stricto sensu (art. 195) e sociais gerais (art.
Direito Tributário I | 12/07/2018

149, destinadas a custear outros direitos que não da seguridade), interventivas e


corporativas. Essas três são de competência exclusiva da União. A União tem
competência residual. (Parágrafo quarto). Como regra geral, competência para
contribuições é federal, salvo a contribuição previdenciária estadual e municipal
(lembrando que para a competência ser exercida regularmente eu preciso ter
finalidade instituída, isto é, regime de previdência próprio) e por fim contribuição de
iluminação pública.

4
Súmula Vinculante 41: O serviço de iluminação pública não pode ser remunerado mediante taxa. 22
Aula 6 - 22/03/2018

● Empréstimo Compulsório → possui fato gerador não vinculado.

Art. 148. CF/88 - A União, mediante lei complementar, poderá instituir empréstimos
compulsórios:

I - para atender a despesas extraordinárias, decorrentes de calamidade pública,


de guerra externa ou sua iminência;

II - no caso de investimento público de caráter urgente e de relevante interesse


nacional, observado o disposto no art. 150, III, "b".

Parágrafo único. A aplicação dos recursos provenientes de empréstimo


compulsório será vinculada à despesa que fundamentou sua instituição.

Se é um tributo com fato gerador não vinculado, defino a espécie pelo critério
finalístico. Qual é o critério finalístico no empréstimo compulsório? A União, mediante
Lei Complementar, poderá instituir empréstimos compulsórios: para atender despesas
com calamidade pública, guerra externa. Tem 2 finalidades que justificam o exercício
da competência por parte da União.

Antigamente a liberdade era máxima e tributo representa uma afronta a liberdade.


Então tributava o não cidadão. Espoliava os presos de guerra, subjugava os povos
vencidos para sustentar o Estado. Se não tinha dinheiro, tomava emprestado
compulsoriamente do cidadão e devolvia no caso de guerra vitoriosa. Se a
campanha bélica for vitoriosa, com a espoliação do povo vencido eu devolvo o que
eu tomei.

O empréstimo compulsório permanece como uma figura tributária ligada a esse


Direito Tributário I | 12/07/2018

passado de excepcionalidades, de guerra. As duas finalidades que autorizam na CF


são guerra ou calamidade ou seja, sempre uma situação excepcional e transitória.
Cessando o que dá causa, estipula-se que o valor seja devolvido.

É uma figura em desuso entre nós. Felizmente, somos um país pacífico. E nas situações
de calamidade o governo tem outras formas de tributar que não precisa devolver. A
lei que instituir esse empréstimo determinará como devolver o dinheiro.

23
O constituinte discriminou expressamente quem é o titular da competência.

Se eu tenho um apartamento em Belo Horizonte, é correto eu dizer que tenho um


apartamento em MG e também é correto dizer que tenho um apartamento no Brasil.
Por esta lógica, o que impediria do município, estado e da União exigirem IPTU? Nada.
Para evitar isso, discrimina que a propriedade territorial urbana é de competência da
União. Por isso que nas três figuras (imposto, contribuição especial e empréstimo
compulsório) a competência foi exaustivamente discriminada, pois o objetivo é
impedir a dupla, tripla incidência sobre o mesmo fato, pois é não vinculado. Os
vinculados não precisam dessa discriminação, pois é vinculado a atividade do ente.
Então não precisa falar que taxa de lixo é do município. Não precisa discriminar qual
taxa ou qual contribuição de melhoria eles podem cobrar. Se o fato gerador é
vinculado a uma atuação estatal, só o poder público competente para atuar, será
competente para instituir uma taxa ou uma contribuição de melhoria. A CF define as
competências administrativas.

Mas quando a competência administrativa é concorrente? Ex.: Direito ambiental. Se


tenho uma mineração, União me fiscaliza, estado me fiscaliza. Tem dupla indecência,
bitributação? Tecnicamente não, pois são dois fatos geradores distintos. União me
fiscaliza um fato, estado outro. No caso do IPTU é um fato só, então, seria bi/tri-
tributação. Quando o fato gerador é vinculado, só quem atua é que exige. Cada
atuação, um fato diferente.

A CF não diz que a taxa A é do município, a B do estado. Só quem tem competência


administrativa é que vai atuar e, só quem atuar, vai taxar. Os vinculados são taxa e
contribuição de melhoria.

Art. 77. CTN - As taxas cobradas pela União, pelos Estados, pelo Distrito Federal
ou pelos Municípios, no âmbito de suas respectivas atribuições, têm como fato
gerador o exercício regular do poder de polícia, ou a utilização, efetiva ou potencial,
Direito Tributário I | 12/07/2018

de serviço público específico e divisível, prestado ao contribuinte ou posto à sua


disposição.

Duas atuações do poder público que podem gerar taxa: ou a prestação de serviço
ou o exercício regular de poder de polícia.

24
Art. 78. CTN - Considera-se poder de polícia atividade da administração
pública que, limitando ou disciplinando direito, interesse ou liberdade, regula a
prática de ato ou abstenção de fato, em razão de interesse público concernente à
segurança, à higiene, à ordem, aos costumes, à disciplina da produção e do
mercado, ao exercício de atividades econômicas dependentes de concessão ou
autorização do Poder Público, à tranqüilidade pública ou ao respeito à propriedade
e aos direitos individuais ou coletivos.

Toda vez que o poder público exercer o seu regular poder de polícia, ele pode cobrar
do cidadão por isso.

Ex.: Vamos abrir um boteco. Para isso, será preciso um alvará. O alvará de localização
é dado por quem tem poder de polícia para dizer se ali pode ou não funcionar um
boteco. Vou servir um tiragosto, o poder público vai exercer o poder de polícia
sanitário. Vou pagar uma taxa de polícia sanitária. Vou ter que ter alvará do corpo
de bombeiros. Então, na hora de abrir um simples botequinho, já paguei uma série
de taxas em razão do exercício regular do poder de polícia. Poder de polícia é toda
vez que o poder público dá pitaco na minha vida privada. Esse regular poder de
polícia é fato gerador de taxa de polícia. Não é taxa de polícia stricto sensu,
abrangendo só PM e PC não.

Além da taxa de polícia, o governo pode exigir a taxa de serviço. Mas para isso é
preciso alguns requisitos. Não é qualquer serviço público que pode ensejar cobrança
de taxa. Ele tem que ser específico e divisível. Específico é que eu posso identificar
quem está usufruindo. Divisível, posso quantificar quanto do serviço foi usufruído por
você. Ex.: Iluminação pública é um serviço público mas ele não é específico e muito
menos divisível. Não consigo dividir o custo daquela iluminação proporcionalmente
ao uso de cada um.

Se o serviço público for específico e divisível, ele pode ser cobrado por utilização
potencial. Ex.: Água. Consigo medir exatamente o consumo. Se ele é específico e
divisível, posso cobrar potencialmente, ou seja, não é necessário que você consuma,
Direito Tributário I | 12/07/2018

posso cobrar uma taxa mínima. Ex.: você viaja, não usa durante um mês. Mas posso
cobrar taxa mínima, pois ele estava ali disponível para você usar caso quisesse. Não
necessariamente preciso identificar o valor exato do consumo.

Não há tributação sem lei. Toda matéria tributária tem que estar na lei. Obrigação
tributária é sempre ex lege, não ex contractu.

25
Ex.: Transporte coletivo municipal. É um serviço público, específico e divisível. Quando
pega um ônibus paga uma taxa? O serviço público, para gerar uma taxa, tem que
ser prestado diretamente pelo poder público. Se ele não é prestado diretamente, eu
pago tarifa ou preço público.

A taxa é quando o serviço público é prestado diretamente pelo poder público. Tarifa
quando o serviço é cedido ou concedido a exploração/atuação do particular.

CEMIG é sociedade de economia mista. É tarifa.

O poder público não necessariamente explora o serviço público per si. Ele pode
ceder ou conceder esse serviço para exploração do particular. Em assim
procedendo, a remuneração pelo serviço deixa de ser tributária e passa a ser
tarifária. Tributária precisa de lei para alterar, aumentar. Se ela é tarifária eu não
preciso da lei stricto sensu. O órgão regulador mexe nas condições da remuneração.

Tanto a empresa pública quanto a sociedade de economia mista atuam em regime


de direito privado. O que define se é tributário ou tarifário é o regime de atuação, se
público ou privado.

Não é porque existe um serviço público que isso pode gerar taxa. Primeiro, tem que
ser específico e divisível. Mesmo que ele seja, não necessariamente gera taxa. Há
necessidade de ser prestado diretamente pelo poder público. Caso contrário,
enquadra no regime tarifário. São muito poucas as taxas de serviço que a gente
paga. Em geral pagamos taxa de polícia, pois este não é cedido nem concedido a
exploração pelo particular, diferentemente dos serviços públicos. A maioria deles são
cedidos ou concedidos, principalmente porque tem potencial de gerar lucro. Isso é
ruim? Sim, do ponto de vista do usuário. Pois no regime tarifário posso flutuar os valores
sem autorização legislativa.

Não está na essência do serviço o regime tarifário ou tributário, está no sujeito ativo,
Direito Tributário I | 12/07/2018

ou seja, quem presta. O transporte público, se fosse ofertado diretamente pelo


Estado, seria taxa.

Se um tributo tem fato gerador vinculado, em última análise quem realiza o fato é o
Estado. Uma outra atuação estatal que também gera tributo é a contribuição de
melhoria.

26
A contribuição de melhoria tem sua origem na Inglaterra, Londres. Na época,
necessitava expandir territorialmente a cidade. E parte dessa expansão abrangeria
terrenos pantanosos, o que dificulta essa expansão. Teve que fazer grandes obras
públicas no sentido de drenar e urbanizar esses terrenos. Se eu sou dono desse terreno
que é um pântano, ele vale pouco ou quase nada. Quando o poder público drena
e urbaniza este imóvel, o imóvel valorizou não por benfeitoria custeada pelo
particular e sim pelo poder público. A conclusão do parlamento inglês era que aquilo
não era justo, então, o município responsável por aquela obra poderia tributar a mais
valia daquele imóvel. Se o imóvel valia 100 e passou a valer 1000, a lei diria quantos
por cento daquela diferença eu poderia tributar. A Alemanha importou isto. O país
estava destruído. Várias obras públicas eram de interesse geral, mas outras de
interesse específico. Estas últimas iriam gerar uma valorização imobiliária. Mas na
Alemanha não adotou a lógica da mais valia. Dividiu os custos. Não tributou o
quantum da valorização. Se preocupou em compartilhar custo, o referencial do
tributo era o custo da obra. Na Inglaterra tanto fazia o custo da obra, o referencial
do tributo era a valorização imobiliária. O ponto comum é ter uma obra pública que
acarrete uma valorização. A diferença é o critério de cobrança. O sistema inglês é
mais justo, progressivo. O alemão é mais prático.

Quando o legislador brasileiro foi importar o instituto, ele fez um critério misto.

Art. 81. CTN - A contribuição de melhoria cobrada pela União, pelos Estados,
pelo Distrito Federal ou pelos Municípios, no âmbito de suas respectivas atribuições, é
instituída para fazer face ao custo de obras públicas de que decorra valorização
imobiliária, tendo como limite total a despesa realizada e como limite individual o
acréscimo de valor que da obra resultar para cada imóvel beneficiado.

No critério puramente alemão eu cobro antes, eu orço e cobro porque não me


interessa o quantum da valorização. No puramente inglês, eu cobro a posteriori, pois
tenho que aferir o quantum da valorização. No nosso é uma confusão. É um tributo
bastante em desuso. Doutrina alega também que este tem um critério regressivo. Em
Lourdes não tem muito o que melhorar. Em uma periferia é mais carente de
infraestrutura. Vai cobrar dessas pessoas?
Direito Tributário I | 12/07/2018

5 espécies tributárias. Nas 3 espécies de fato gerador não vinculado (ou seja, o fato
lícito é meu, independe de uma atuação do estado) eu discrimino quem pode
cobrar o que, pois haveria possibilidade teórica de dupla ou tripla incidência. Se o
fato gerador é vinculado a uma atuação do poder público (taxa ou contribuição de
melhoria, conforme a atuação), o constituinte não discrimina quem tributa. Só tributa
quem tem a competência administrativa para atuar.

27
Relembrando, "pela análise do fato gerador, se vinculado ou não a uma
atividade/atuação estatal, teremos (i) imposto (fato gerador não vinculado), (ii) taxa
(fato gerador vinculado à prestação de um serviço específico e divisível ou ao
exercício regular do poder de polícia) e, finalmente, (iii) contribuição de melhoria
(fato gerador vinculado à realização de obra pública de que decorra a valorização
imobiliária para o contribuinte). (FERRAZ, GODOI, SPAGNOL, 2017, p. 208).

ESTUDO DIRIGIDO

1. Quais são as características da competência tributária?

a. Privatividade (quando a CF outorga competência para algum ente,


automaticamente exclui os outros entes dessa competência, só aquele
ente vai poder cobrar aquele tributo),
b. indelegabilidade (não confundir com capacidade tributária ativa),
c. incaducabilidade → imposto sobre grandes fortunas, por exemplo, está
na CF mas atualmente não aplica. A competência tributária não
prescreve, não caduca pelo não uso.
d. inalterabilidade → na CF e na lei tem critério material, finalistico. O que
está nesses critérios não pode ser alterado. Não pode tributar coisa
diversa daquilo que está na CF.
e. facultatividade → não é que o ente pode optar por cobrar ou não o
tributo. Tem o direito de cobrar o tributo X. Pode instituir ou não o tributo.
Se instituir, ele é obrigado a cobrar esse tributo.

2. Qual é o insumo doutrinário utilizado pelo constituinte para a distribuição das


competências tributárias entre as pessoas políticas?

Qual a técnica que o legislador usa para distinguir entre as competências? As


Direito Tributário I | 12/07/2018

espécies tributárias. Teoria dos fatos geradores vinculados ou não vinculados.

3. Como distinguir as espécies tributárias umas das outras? Aponte as


características de cada uma delas.

Fato gerador vinculado e não vinculado e critério finalístico. No vinculado, o estado


tem uma atuação, não simplesmente recolhe um dinheiro.

28
4. Quais são as semelhanças entre as taxas e as contribuições de melhoria?
Taxa e contribuição de melhoria tem fato gerador vinculado a uma atuação estatal.

5. Quais são as distinções básicas entre um imposto e as contribuições especiais?

Imposto não tem critério finalístico expresso.

6. Em relação à competência para instituir contribuições, como deve ser


entendida a relação existente entre o disposto no art. 149 e no art. 195, ambos
da CF?

Art. 149 ao falar das espécies e o artigo 195 detalha isso. O art 195 está explicitando
o 149 ou está criando uma autonoma?

05/04/2018

● Limitações:
○ Princípios → Legalidade (art. 5/150,I) → Conceito
○ Imunidade

Art. 5º, II CF/88 - ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma
coisa senão em virtude de lei;

Art. 150. CF/88 - Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte,


é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:

I - exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça;


Direito Tributário I | 12/07/2018

Se a CF com uma mão outorga competência para União, Estados, DF e Municípios


estabelecerem tributos, com a outra estabeleceu limitações ao poder de tributar. As
limitações são princípios ou imunidades. A CF ora estabelece princípios mais formais,
ora mais materiais. Inferência ou explicitados no texto da CF.

29
Princípio da Legalidade → princípio mais importante → é a raiz do estado de direito,
do constitucionalismo, da separação dos poderes. Embora devesse ter conteúdo
material fortíssimo, sempre foi muito mais formal do que material. Por que que a
legalidade tributária foi criada? Para o executivo não poder ao seu bel prazer
estabelecer. Se eu não tiver barreira, complica. Se preciso de lei, preciso de um
segundo poder que previamente autorize que eu exerça a tributação. Quem
autoriza o ingresso vai ser diferente de quem vai ser responsável pelo gasto. Senão o
executivo poderia sair gastando. Não são o Pimentel ou o Kalil que vão estabelecer.
São nossos representantes estaduais e municipais que vão dar a autorização. Cumpre
uma função formal muito importante no equilíbrio da separação de poderes.

Constituição 150, I → Explicitou a legalidade tributária, apesar de haver um princípio


geral da legalidade no art. 5. Tenho um princípio específico em matéria tributária.
Não pode instituir tributo sem lei que o estabeleça. Não pode falar “fica instituído o
Imposto de renda”. Tem que haver uma especificidade conceitual. Todos os
elementos da norma devem estar explicitados em lei. Não basta uma especificação
genérica para a União cobrar imposto de renda. Os critérios material, temporal,
espacial, pessoal devem ter explicitamente previstos em lei, ou seja todos os critérios
necessários a incidência tributária devem estar explicitados em lei em sentido stricto.

Medida provisória poderia veicular tributo? Formalmente, medida provisória tem


força de lei. Ela não era prevista na constituição passada, ela substituiu o decreto-lei.
Iniciativa do poder executivo com vigência imediata independente da apreciação
legislativa. A regra do decreto-lei era a aprovação pelo decurso de prazo e na
medida provisória é a rejeição pelo decurso de prazo. Houve reedição de medida
provisória. Isso ocorria no Plano Real. Foi instituído por meio de medida, e foi reeditado
várias vezes. Apesar de não poder, Supremo não poderia declarar inconstitucional
porque o país não podia ficar sem moeda. (???)

Há uma incompatibilidade entre medida provisória e matéria tributaria. Mas trataram


de matéria tributária. E reeditaram. Embora não há uma vedação expressa a medida
provisória veicular matéria tributária (a não ser quando exige lei complementar),
estabelece que só produzirá efeitos uma vez convertida, ressalvando a força
Direito Tributário I | 12/07/2018

normativa da legalidade. (???)

Não há exceção do princípio da legalidade na instituição de tributos, mas há na


operação da legislação tributária, ou seja, na majoração. Aduana (imp./exp), IOF e
IPI. Nesses 4 impostos há uma exceção à legalidade e, assim, ato infralegal pode
tratar da alteração, majoração da legislação. São tributos chamados extrafiscais,
pois a função precípua não é fiscal, é de indução e regulação de comportamento
de mercado. Se a safra de feijão no Brasil quebra, por exemplo, o preço do feijão vai

30
lá para cima, aumenta a inflação. Importa para tentar regular o mercado. Se o
imposto tivesse lá em cima, até ter uma lei ia demorar muito. IOF grava o crédito. Se
a demanda está maior que a oferta, gera uma pressão inflacionária. Se tem mais
oferta que demanda, gera recessão. Então muitas vezes é do interesse do governo
juros mais altos, juros mais baixos, créditos mais fáceis ou não. Isso muitas vezes se
resolve por meio tributario. Não posso instituir por decreto. Mas uma vez instituído,
posso mexer.

Nesse contexto, haveria espaço para interpretação na matéria tributária? Se lei deve
descrever detalhadamente todos os aspectos, haveria espaço para interpretação
ou teria que sempre me render a literalidade do texto?

Ex 1.: ITBI → competência municipal → competência para tributar a transferência da


propriedade imobiliária. Critério material deve descrever o fato lícito a ser tributado,
ou seja, a transferência da propriedade de um imóvel urbano. Imaginemos que assim
foi feito. Então quero vender meu apartamento. Como que eu iria transferir essa
propriedade? A luz do direito civil, seria transmitida pela transcrição no registro. Mas
não está querendo pagar tributo, assim, fazem uma promessa de compra e venda
em caráter irrevogável e irretratável. Alguma ilicitude no formato de direito privado,
do ponto de vista do direito civil? Não. Posso fazer uma promessa de compra e venda
a hora que eu quiser. Só que na prática eu não realizo o fato lícito previsto na hipótese
de incidência, porque o fato licito é a transferência e o que eu estou fazendo não é
uma transferência. E ai? Fiscal se deparando com essa situação faz o que?

Ex 2.: ICMS → estado de MG está precisando de dinheiro. Vai checar as


competências dele e ver que pode tributar a circulação de mercadorias. Imagina se
o legislador tem a seguinte ideia: vou considerar que imóvel é mercadoria. Vou
superar o conceito de coisa móvel ou semovente. No fato lícito hipoteticamente
colocado na norma de incidência do ICMS incide sobre circulação de mercadorias,
aí incluídos imóveis nessa situação. Estou atendendo a formalidade.

Ex 3.: Festa de Formatura. Pedem uma doação ao professor. Professor vai doar 100
Direito Tributário I | 12/07/2018

mil reais. Vai gerar ITCD. Verifico que a legislação do ITCD diz que doações até 50 mil
reais a alíquota é 5%. Acima desse valor, 10%. Dá 50 mil esse mês e mês seguinte dá
mais 50 mil. Ao invés de 10%, pagou 5%. Ninguém me obriga a doar e ninguém me
obriga a doar de uma vez só. Mas o fiscal poderia alegar que a intenção era doar
100 mil.

São exemplos para demonstrar que a legalidade em si é uma garantia que vai ter
maior ou menor força consoante a sua interpretação e a sua força na interpretação

31
do tributo em si. Seria uma ilusão dizer que não há espaço para interpretação no
direito Tributário, mas acaba ficando inevitável. A legalidade não resolve
adequadamente sem uma carga interpretativa. Pensando nisso, o legislador
complementar passou a estabelecer determinados critérios de interpretação que,
sendo purista, não deveriam existir.

CTN - art. 108 - a legislação tributária (CTN) dedica um capítulo a interpretação da


legislação tributária que vem tentar resolver estas situações concretas.

Art. 108. CTN - Na ausência de disposição expressa, a autoridade competente


para aplicar a legislação tributária utilizará sucessivamente, na ordem indicada:

I - a analogia;

II - os princípios gerais de direito tributário;

III - os princípios gerais de direito público;

IV - a eqüidade.

§ 1º O emprego da analogia não poderá resultar na exigência de tributo não previsto


em lei.

§ 2º O emprego da eqüidade não poderá resultar na dispensa do pagamento de


tributo devido.

Parágrafo primeiro → o emprego da analogia não poderá resultar na exigência de


tributo não previsto em lei. Ex.: aumento a tributação do limão. Por analogia não
posso tributar a laranja por também ser fruta cítrica. A equidade também não pode
ser usada para exonerar. Mesmo exemplo.

Art. 109. CTN - Os princípios gerais de direito privado utilizam-se para pesquisa
da definição, do conteúdo e do alcance de seus institutos, conceitos e formas, mas
não para definição dos respectivos efeitos tributários.
Direito Tributário I | 12/07/2018

Art. 110. CTN - A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o
alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou
implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas
Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar
competências tributárias.

"FInalmente, registre-se que o art. 110 do CTN muitas vezes é tomado pelo que em
verdade não é. O art. 110 não dispõe que o legislador tributário está sempre impedido

32
de alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de
direito privado. Essa vedação existirá se uma norma constitucional houver utilizado
estes institutos, conceitos e formas para atribuir competência tributária a um ente
político [...]" FERRAZ, GODOI, SPAGNOL, 2017, p. 365).

No exemplo 1, ao estabelecer o imposto sobre a transmissão, não precisa estabelecer


o conceito, como é feita a transação. Mas pode equiparar à escritura qualquer outro
instrumento particular que tenha por objetivo a transmissão de propriedade
imobiliária, como por exemplo, a promessa de compra e venda. Não precisa ficar
preso às formas civis. O legislador tributário que fez, não o fiscal.

No segundo exemplo, imaginemos que o legislador estadual diga que o imóvel é


considerado mercadoria para fins de incidência do ICMS. Não pode fazer, entre
outras razões, pelo art. 110. A competência é inalterável por legislação constitucional
e quem já é competente para tributar circulação de imóvel é o município.

Interpretação civilista → 110 → tem que ficar preso no conceito e forma no direito
privado.

Interpretação econômica → 109 → pode dar interpretação própria para fins


tributários. O conteúdo e conceitos privados podem ser alterados para fins tributários.

Determina quando se pode e quando não pode ir além do direito privado. São
comandos destinados a interpretação no nível pré-legislativo.

No caso do ICMS a interpretação tem que ser civilista sob pena de alterar a
distribuição de competência.

No caso da doação dos 100 mil reais do terceiro exemplo → pode interpretar
economicamente ou não? Na opinião do professor, claro que pode, pois não está
Direito Tributário I | 12/07/2018

alterando a competência. O legislador poderia interpretar que doação fracionada


para o mesmo titular tributa-se pelo valor total. Pode, pois não está alterando
competência, diferente do que ocorre no exemplo 2.

A interpretação tanto civilista quanto econômica tem que ser do legislador, em


função do princípio da legalidade.

33
Tenho a força da legalidade que em termos teóricos, abstratos e ideais não haveria
espaço para a interpretação. A não interpretação inclusive seria uma garantia ao
administrado. Mas em algumas situações é preciso.

E quando a interpretação se dá pela autoridade fiscal? Existe uma imunidade na CF


que fala que na integralização de capital ou na cisão de pessoa jurídica não incide
imposto de transmissão. Incide quando um bem passa de uma pessoa para a outra.
Então se estou abrindo uma empresa integralizando o capital com um galpão, estou
passando de mim para mim mesmo. Tem uma imunidade, pois seria
contraproducente, desincentivaria a prática. E se eu desmontar a empresa e voltar
com o galpão, também não sou tributado.

Ex.: A quer comprar a fazenda de B. B dá a ideia de montar uma empresa. B


integraliza com a fazenda e a A com 1 milhão. Vamos fazer uma cisão, B sai com o
dinheiro e A com a fazenda. Mudou de nome e não pagamos tributo. Isso é
sonegação ou planejamento tributário?

09/04/2018

2 Textos grupo facebook - um texto que diz que o CTN nada inovou porque simulação
sempre foi vício no negócio jurídico ou que na realidade o sentido era realmente dar
uma abrangência da teoria americana do business proposal, ou seja, o abuso de
formas.

A principal limitação ao poder de tributar é o princípio da legalidade. Todos os


critérios da norma tributária tem que estar previstos em lei. Fato gerador é quando
todos os fatos da hipótese ocorrem em concreto. Vou cumprir a obrigação tributária
consoante os princípios do mandamento. Todos os elementos tanto da hipótese
quanto do mandamento tem que estar previstos em lei.
Direito Tributário I | 12/07/2018

O princípio da legalidade é uma garantia do administrado e como tal deveria ser


limitado o espaço da interpretação.

O CTN procurava na redação original reduzir o espaço e regular a interpretação.

34
Art. 108 - veda analogia, etc

Regras da interpretação civilista e econômica direcionadas ao legislador.


Preocupação de limitar o legislador tributário na interpretação.

Transferência por não ser marco de competência poderia ser interpretada


economicamente, no exemplo da aula anterior.

Era assim que se entendia o direito tributário antigamente, o positivismo tinha uma
força muito grande. Antes tinha um princípio da legalidade de forma absoluta.
Depois evoluiu ou involuiu no sentido que a CF que dá o sentido da lei com o famoso
Controle de Constitucionalidade. Hoje princípios supraconstitucionais dão sentido à
própria CF. Quanto mais espaço, maior a insegurança jurídica.

O desafio é a interpretação do fato subjacente ao mandamento/hipótese.

A inovação foi no CTN no art. 116, parágrafo único.

Art. 116. CTN - Salvo disposição de lei em contrário, considera-se ocorrido o


fato gerador e existentes os seus efeitos:

I - tratando-se de situação de fato, desde o momento em que o se verifiquem


as circunstâncias materiais necessárias a que produza os efeitos que normalmente
lhe são próprios;

II - tratando-se de situação jurídica, desde o momento em que esteja


definitivamente constituída, nos termos de direito aplicável.

Parágrafo único. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou


negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato
gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária,
Direito Tributário I | 12/07/2018

observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária.

A grande inovação foi que pela primeira vez o CTN abriu espaço para não mais o
legislador, mas a autoridade fiscal interpretar o fato subjacente.

Evasão fiscal → sonegação. Há sonegação quando há ocorrência do fato gerador


e eu sonego essa informação do fisco. Ex.: Você vai no dentista e ele pergunta se

35
você quer recibo ou não. O fato gerador tributário na relação é renda do dentista.
Se é sem recibo, consequentemente esse fato gerador vai ser sonegado da
autoridade fiscal. Ou seja, tenho sonegação quando no mundo fenomênico há de
fato a ocorrência do fato gerador e ele não é informado, ele é sonegado da
autoridade fiscal. A sonegação é sempre um ilícito tributário.

Elisão fiscal → planejamento tributário. Quando previamente à ocorrência do fato


gerador o contribuinte atua de forma a evitar a sua ocorrência ou mitigar seus efeitos.

Tenho que pagar alguma coisa quando surge uma obrigação tributária, a obrigação
de entregar dinheiro aos cofres públicos. Essa obrigação surge com a ocorrência do
fato gerador. Se ele ocorre e eu não informo ao fisco, sonego. Se eu evito que este
fato ocorra, planejo os meus negócios para isto, é elisão fiscal.

Ex.: Doação de 100 mil reais para a festa de formatura. Fato gerador de ITCD. O fato
é quando eu efetivo a doação. Se eu doar 100 e pagar 5%, eu soneguei. E se eu doar
50 e 50 mil, fiz o fato gerador ocorrer de duas vezes. No passado, ou o legislador se
antecipava ao fato e escrevia na norma que doação fracionada ao mesmo titular
se tributa pelo valor total ou não havia nada que poderia fazer. A extensão da
inovação do parágrafo único do artigo 116 é que a autoridade fiscal, vendo isto aqui,
poderia desconsiderar o meu formato, não porque eu soneguei, mas porque abusei
das formas do direito privado, abusei do meu planejamento tributário, tendo em vista
que minha intenção na verdade era doar 100. Isto era impensável antes do
parágrafo único do artigo 116.

Ex.: Fazenda da aula anterior. Para evitar o imposto um entra com a fazenda e o
outro com o capital e depois faz a cisão. O que entrou com a fazenda sai com o
dinheiro e viceversa. Antes não havia o que ser feito. Agora o fiscal pode dizer que
nunca quis ser sócio, queria a compra e venda e abusou do formato do direito
privado para evitar tributação? Imagina que fez isso tudo e ficou sócio 2 meses. É
tempo suficiente para eu brigar ou vou entender que minha intenção sempre foi uma
compra e venda? Qual que é o tempo razoável para isto deixar de ser questionável
Direito Tributário I | 12/07/2018

ou não? Nos extremos é fácil, 1 dia ou 10 anos. Mas e 2, 3, 5 meses? Uma crítica que
se faz ao artigo 116 é que ele eliminou a segurança jurídica na estruturação dos
negócios.

Imposto de renda sobre ganho de capital. Pega o custo de aquisição do bem,


compara com o valor real e a diferença você oferece a tributação do imposto de
renda. Comprei um apartamento por 100, ele valorizou e vendi por 200. A diferença
foi 100 que é base para incidir imposto sobre ganho de capital. Ex.: Tem um galpão

36
que é próprio da empresa. Ela está com problema de capital de giro. Pode ir ao
banco e conseguir ou vender parte do patrimônio para se capitalizar. Um negócio
comum é vender para um investidor que vai alugar para ela. Só que a lei por razões
que o professor desconhece diz que a alíquota de pessoa jurídica deste imposto é
27,5% e a de pessoa física é 15%. O que vai fazer é tirar o imóvel da pessoa jurídica e
passar para a pessoa física. Reduz o capital e depois volta com o capital de novo.
Primeira pergunta: há alguma ilegalidade aqui? Não é proibido fazer redução de
capital. Uma vez reduzido o capital, posso aumentar ele de novo? Sim. Não há
alguma ilegalidade. Há sonegação? Não. O fato gerador ocorreu na venda da
pessoa física para o investidor e pagou os 15%. Agora, esse negócio é legítimo ou
ilegítimo? A capacidade contributiva real do negócio era da empresa que por um
negócio jurídico alternativo passou para a pessoa física. Mas a capacidade
contributiva não é garantia do contribuinte?! Vou interpretar conforme o interesse do
estado?

A empresa tem que visar o lucro.

Tenho sempre que potencializar a carga tributária?

Há vários regimes de apuração de imposto de renda sobre lucro real (pega uma
contabilidade detalhada, todas as suas despesas e receitas tributárias) ou presumido
(arbitra como seria o seu lucro). Vai fazer conta e vai optar pelo que gerar menos
tributo. Por que que aqui nesse caso pode?

A autoridade pode atuar quando os atos ou negócios jurídicos praticados com a


finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador. (Art. 116, parágrafo único).

A vontade aparente é representada pelo negócio simulado. O que vem subjacente?


A vontade real que traduz o negócio dissimulado.
Direito Tributário I | 12/07/2018

Ex.: Quer doar os 100 mil. Ao invés de dar 50 e 50, vai fazer um contrato de mútuo e
vai renunciar ao direito de ação. Que que adianta ter um direito se não vou poder
fazer a execução forçada daquele direito? A vontade aparente é empréstimo. O
negócio simulado é o contrato de mútuo. A vontade real é a doação e o negócio
dissimulado também.

O CTN está autorizando a autoridade fiscal a fazer. Ela não vai desconsiderar quando
ela achar legítimo ou ilegítimo, mas sim quando ela identificar a simulação. No

37
exemplo do galpão, existe um contrato simulado? O instrumento jurídico traduz
exatamente a vontade: reduzir capital e depois aumentar ele de novo.

16/04/2018

Correção exercício

Ex.: Empresa A que tem lucro e é uma empresa industrial. Empresa B que tem prejuízo
e é uma empresa varejista.

A comprou cotas da B e 1 mês depois B incorporou A. Fusão vira uma terceira coisa.
Na incorporação uma só sobrevive. B que ficou, mas passou a atuar com a mesma
estrutura e objeto de A.

Tenho uma limitação na legislação do imposto de renda que a incorporadora não


pode se valer do prejuízo fiscal da incorporada. A empresa tendo lucro de 100, ia
pagar imposto de renda sobre 100. Ao final da operação, juntou as contabilidades,
e juntou com o prejuízo de 40 e a base final ficou 60.

Ex 2.: Tenho uma empresa que é uma indústria de cosméticos e ela vende o produto
dela por 150. E a legislação do PIS/COFINS que incide sobre o faturamento, supondo
uma alíquota de 10%. Pagaria 15 reais. A legislação no caso de cosméticos, incide
unicamente na indústria e não tributa no varejo (alíquota 0). Se fizer uma cisão, fazer
duas empresas, uma para a produção e outra para distribuição. Supondo que o
custo de produção é 100. Vende por 100 para a empresa de distribuição, e aí ao
invés de pagar 15 vai pagar 10.
Direito Tributário I | 12/07/2018

Voltando ao primeiro exemplo. O Fisco fiscalizou a empresa e falou que não poderia.
Mas tem que justificar. A CF garante a livre iniciativa. A empresa visa o lucro. O direito
visa a vitalidade da atividade econômica.

Diferença conceitual entre elisão e evasão: se os critérios da hipótese se concretizam


no fundo fenomênico há a ocorrência do fato gerador e este se transforma em
obrigação tributária. A evasão é quando isso ocorre e eu não cumpro a obrigação,

38
omito, sonego. Na elisão, visa evitar a ocorrência do fato gerador ou mitigar seu
efeito.

"[...] enquanto na evasão o que se busca é ocultar a prática do fato gerador ou


ocultar da Administração os reais elementos da obrigação tributária, na elisão e na
elusão fiscal o objetivo do contribuinte é praticar atos e negócios jurídicos que não
provoquem ou provoquem na menor medida possível a incidência de obrigações
tributárias. A diferença é que na elusão, os atos e negócios engendrados pelas partes
são considerados abusivos/artificiosos, já que sua formalização manipula e distorce
os institutos e as normas jurídicas em busca de vantagens econômicas indevidas,
enquanto, na elisão, a conduta das partes é considerada perfeitamente válida e
eficaz". FERRAZ, GODOI, SPAGNOL, 2017, p. 374).

A vontade aparente é traduzida pelo negócio jurídico simulado e a vontade real é


pelo negócio dissimulado. A vontade sempre foi que a permanecesse A e não B.

Esquecendo a parte tributária, não há nada que diz que a empresa menor não possa
incorporar a maior e que diz que eu não possa mudar meu negócio. Mas estaria
havendo abuso de formas, negócios jurídicos alternativos, que fogem da
normalidade, que seria A incorporar B já que ele tem mais dinheiro e vão atuar no
campo de A.

Não há dúvida que B queria incorporar A. Não há diferença na vontade. Simulação


é quando os atos não estão de acordo com a vontade. E nesse caso B queria
incorporar A.

Essencialmente os dois exemplos são iguais, nos dois casos eu só fiz a operação para
eu economizar tributo.

Para o professor a questão é a legalidade. Ou seja, a legalidade tributária é uma


Direito Tributário I | 12/07/2018

limitação constitucional ao poder de tributar. Então vou interpretar uma garantia


contra o administrado e a favor do Estado ou a favor do administrado e contra o
Estado? Tem que ser a favor do administrado. A interpretação tem que ser em prol
do administrado. Senão gera uma insegurança jurídica.

Na visão do professor, o exemplo não é classicamente simulação. Poderia ser um


abuso de formas, mas isso é vedado onde, frente o princípio da livre iniciativa?

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Na opinião do professor, podia até escrever na testa que está fazendo isso para
economizar imposto. Mas não há vício na opinião dele. Não há proibição da menor
incorporar a maior. Estaria estendendo o sentido a favor do Estado. Não posso
confundir interesse de caixa com interesse público, isto é, tenho que arrecadar nos
limites da lei.

Ex 3.: A com muito dinheiro, B com pouco dinheiro, mas com mesmo ramo de
atuação. B era uma marca antiga conhecida. Fazia sentido autônomo que B
incorporasse A porque embora fosse menos lucrativa, tinha a força da marca. Tinha
o ganho tributário mas tinha um propósito outro. Nesse caso tem menos risco.

23/04/2018

Vimos a legalidade sob o foco da incidência da norma. Mas a CF também traz regras
específicas em razão da vigência e da aplicação da norma tributária.

Art. 150. CF/88 - Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é


vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:

III - cobrar tributos:

a) em relação a fatos geradores ocorridos antes do início da vigência da lei que


os houver instituído ou aumentado; (Irretroatividade)

b) no mesmo exercício financeiro em que haja sido publicada a lei que os instituiu
ou aumentou; (Anterioridade)

c) antes de decorridos noventa dias da data em que haja sido publicada a lei
que os instituiu ou aumentou, observado o disposto na alínea b; (Garantia/prazo
nonagesimal)
Direito Tributário I | 12/07/2018

Irretroatividade → O princípio geral tem como garantia o ato jurídico perfeito e


acabado. Tratando especificamente do Direito Tributário, o marco é o fato gerador.
O fato gerador tributário produzirá efeitos conforme a lei em vigor na data de sua
constituição. A lei posterior não poderá retroagir jamais.

40
Uma vez que todos os critérios hipoteticamente previstos na norma ocorrem no
mundo fenomênico, tenho um fato gerador que produzirá efeitos conforme o
mandamento da norma. O fato gerador sempre produzirá efeitos de acordo com a
norma em vigor quando da época do fato gerador. Ex.: O fato gerador do imposto
de renda se aperfeiçoou em 31 de dezembro. Se eu realizei o fato gerador do
imposto de renda, tenho que cumprir uma obrigação tributária de pagar o tributo
consoante o mandamento da norma. A declaração deste ano terá como base a
legislação de 2017. Mesmo eu declarando este ano, o fato gerador ocorreu em 2017
e a lei não retroage. A norma tributária jamais retroage.

Anterioridade e garantia nonagesimal → objetivo de evitar a surpresa do contribuinte.


Princípios da não-surpresa. Evitar que o contribuinte seja surpreendido por alterações
na legislação tributária. Tributo é custo, então, é razoável que quando eu for planejar
minhas atividades, eu tenha uma ideia dos meus custos no exercício das minhas
atividades.

Anterioridade → no Brasil, o exercício financeiro coincide com o ano civil. É vedado


instituir e aumentar tributo sem que a lei esteja em vigor no exercício anterior à
produção de efeitos. Vedado exigir tributo no mesmo exercício financeiro que a
publicação da lei que os instituiu ou aumentou. Mas temos um péssimo hábito
legislativo de alterar a legislação tributária dia 31/12. Falsamente evita a surpresa.
Não surpresa apenas formalmente garantida, não materialmente. Nos países
civilizados, não há princípio da anterioridade e, sim, da anualidade. Ou seja, a não-
surpresa tributária coincide com a não surpresa orçamentária. A LOA tem que estar
pronta até julho para informar a atividade financeira do ano seguinte. Orçamento é
uma previsão em termos macro de receita e despesa e a principal receita é o tributo.
É razoável que qualquer instituição de tributo tivesse que estar refletida na LOA. Se
entre nós houvesse a aplicação da anualidade, eu realmente evitaria a não-surpresa.
Não temos esse princípio, da anualidade tributária, apenas da anualidade
orçamentária.

Por isso a CF foi emendada para aplicação em conjunto da anterioridade com a


garantia nonagesimal, que garante que as alterações da legislação tributária só
Direito Tributário I | 12/07/2018

produzirão efeitos 90 dias após a publicação da lei.

A regra geral para a garantia da não surpresa é que a lei que institui o tributo tem
que ser publicada no exercício anterior resguardado sempre o intervalo mínimo de
90 dias. Não chega a ser o princípio da anualidade, mas pelo menos garante esse
intervalo.

41
Em relação a não surpresa, tenho 3 grupos de exceção, dispersos na CF.

1. Primeiro grupo: Ele absolutamente não se aplica: em imposto de importação,


exportação, IOF e imposto extraordinário de guerra. São extrafiscais. São
exceção até à legalidade. Por óbvio teriam que ser exceção à não-surpresa
porque precisam de agilidade.
2. Segundo grupo: aplicação isolada: ou aplico isoladamente a anterioridade ou
a garantia nonagesimal: contribuição social e IPI → Aplica apenas a garantia
nonagesimal. / Imposto de renda → apenas anterioridade. Empréstimo
compulsório de investimento → apenas a anterioridade.
3. Terceiro grupo: aplicação parcial: aplico o princípio ou não apenas em uma
faceta da alteração do tributo: IPTU e IPVA: não se aplica a garantia
nonagesimal na fixação da base de cálculo. Ex: Município não tem IPTU. Se eu
instituir o IPTU em 1 de janeiro, só produz efeito em 1 de janeiro de 2019, agora
se eu alterar a base de cálculo, eu tenho que respeitar apenas a anterioridade
(???). Aumenta o IPTU reajustando o valor do imóvel que é a base de cálculo.
Se o Kalil quiser dia 31 de dezembro reajustar o valor dos imóveis pode, já pode
cobrar no dia 1 de janeiro. O segundo caso é ICMS e CIDE Combustível: não
aplico a anterioridade na majoração da alíquota. Começa a valer a partir de
abril por não se aplicar a anterioridade.
4.

Correção da prova

LO tributa em 20% o pagamento efetuado pela PJ às pessoas físicas que lhe prestem
serviço. LC tributa uma alíquota de 15% o total da remuneração paga pela pessoa
jurídica aos profissionais liberais. O escopo da segunda é reduzida em relação a
primeira.

1. Distingue pela norma. Critério material da hipótese e critério finalístico do


mandamento. Analisando o fato lícito, identifico se ele é vinculado ou não a
uma atividade estatal, conforme a natureza da vinculação, terei taxa ou
Direito Tributário I | 12/07/2018

contribuição de melhoria.
2. Primeiro passo para saber se há exercício válido ou não da competência.
Identificar qual espécie tributária. Fato gerador é pagamento pela empresa.
Fato não vinculado. Contribuição social stricto sensu. Art. 195. À época, a
competência para tributar era folha, faturamento e lucro. Folha - salário. A
Competência estava sendo exercida sobre o total independente de um
contrato de trabalho. Extrapolação pelo legislador ordinário da competência
outorgada constitucionalmente. Conceito de direito tem que ser utilizado da
forma devida quando se trata de competência. Não admite interpretação

42
tributária. No segundo caso, uma LC substituindo a LO instituiu nova
contribuição social a cargo do empregador, mas o escopo era diferente. A
alíquota diminui. Apenas para autônomos. A segunda também era
inconstitucional? Não. Para instituir contribuições sociais não tenho apenas a
competência originária, tem competência residual. 195, IV e 154, I.
Competência ordinária para tributar as bases pré-estabelecidas e
competência residual para ir além.

26/04/2018

Princípios materiais

Princípios materiais postos na CF como limitação da atividade tributária. Os da aula


passada foram os formais. (???)

Se antes as limitações tinham um perfil mais de regra, estes agora tocam mais a
legitimidade material da incidência do tributo.

Os princípios ditos formais tem o perfil de regra, mais facilmente identificáveis e


aplicáveis.

Art. 150, II - Princípio da Igualdade

Art. 150. CF/88 - Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é


vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:

II - instituir tratamento desigual entre contribuintes que se encontrem em situação


equivalente, proibida qualquer distinção em razão de ocupação profissional ou
Direito Tributário I | 12/07/2018

função por eles exercida, independentemente da denominação jurídica dos


rendimentos, títulos ou direitos;

Não basta o postulado geral de que somos todos iguais perante a lei. O constituinte
aprofundou.

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Não vai discriminar arbitrariamente em termos do tributo. Para ser efetivo, tenho que
discriminar, mas tenho que discriminar conforme os valores e o sistema jurídico
vigente.

Na igualdade, o pressuposto é de comparação, toca na justiça. Não posso entender


de forma alguma que todo mundo tem que pagar o mesmo tributo. Mas não vai
discriminar pela natureza dos rendimentos, da atividade desenvolvida. A baliza para
discriminar será o princípio da capacidade contributiva.

Ex.: Um profissional ganha 200 mil e um sujeito que recebe um salário mínimo. Ambos
têm o mesmo carro. Eles pagam o mesmo IPVA, pois está tributando o bem. Para
discriminar teria que tributar a renda. Discrimina pela capacidade contributiva
medida por meio do fato gerador do tributo.

A tributação sobre consumo não identifica a capacidade contributiva total, análise


está no fato gerador. Por isso é taxada de regressiva.

Art. 145. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderão instituir


os seguintes tributos:

§ 1º Sempre que possível, os impostos terão caráter pessoal e serão graduados


segundo a capacidade econômica do contribuinte, facultado à administração
tributária, especialmente para conferir efetividade a esses objetivos, identificar,
respeitados os direitos individuais e nos termos da lei, o patrimônio, os rendimentos e
as atividades econômicas do contribuinte.

Sempre que possível, pois há situações em que não é possível, como o exemplo
acima. Calibra a alíquota base conforme o bem e não conforme a pessoa.

Princípio da igualdade não quer dizer que todo mundo vai pagar o mesmo tributo.
Direito Tributário I | 12/07/2018

Depende da situação, do tributo que eu estou a tratar. Consoante o fato gerador,


eu vou tributar conforme a capacidade tributiva.

Independente da capacidade contributiva, se A e B tirarem passaporte, vai ter o


mesmo custo. Não estou medindo, por meio deste tributo, a capacidade
contributiva.

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Princípio da igualdade trava no sentido que não pode discriminar por meio do tributo,
não posso querer arrecadar progressivamente por critérios outros que não sejam a
capacidade contributiva.

Quanto mais eu concentro a tributação em fato gerador que permite a identificação


da capacidade contributiva, mais justo é o sistema. Realmente se eu concentro mais
no consumo, estou me afastando de uma tributação progressivamente mais justa. No
Brasil se tributa mais consumo porque somos um país pobre, tem baixa renda. Se
concentrar na renda, a carga tributária total despenca. O consumo é a fonte mais
confiável para países de baixa renda per capita.

Não vai discriminar de acordo com gênero, raça, e sim de acordo com a
capacidade contributiva.

Toda vez que a União privilegia a contribuição ao invés do imposto, também está
contribuindo para um sistema mais regressivo. Ela faz isso porque não precisa distribuir
produto da arrecadação para estados e municípios.

Como corretamente fazer um controle de constitucionalidade da incidência do


tributo por meio da capacidade contributiva? Princípio da capacidade contributiva
será medido pelo fato gerador. Tenho várias esferas de controlar a capacidade
contributiva.

Ex 1.: Sujeito sem renda, em situação de rua que, por alguma razão, ganhe uma BMW
em uma raspadinha. Ele pode se furtar do pagamento do IPVA alegando que não
tem capacidade contributiva, não tem renda?

Ex 2.: Senhora idosa, sem parentes, professora aposentada, mas que por herança
mora em uma casa em um bairro muito valorizada. Demonstrando que sua única
fonte de renda é oriunda da sua aposentadoria, ela pode se furtar do pagamento
Direito Tributário I | 12/07/2018

do IPTU?

Ex 3.: Filho precisa de um tratamento de saúde não coberto pelo SUS. Demonstra que
a fonte de renda e o patrimônio não são suficientes para bancar o pagamento. Você
pode pedir isenção do Imposto de Renda alegando estas despesas com o
dependente?

45
Os fatos geradores não guardam nenhuma relação com a situação financeira
pessoal, mas a situação impede de cumprir a obrigação tributária.

3 planos:

1. Capacidade contributiva absoluta → está no plano pré-legislativo. Analisando


a lei em tese, o fato gerador é o carro de luxo, propriedade e renda acima do
limite de isenção. São sinais claros de capacidade contributiva. Nada a dizer
no controle de constitucionalidade dessas leis. Mas imagine a situação que o
ISS de médico é superior ao de dentista? Não precisava nem olhar a situação
concreta, pois o legislador já fere a igualdade na lei. A primeira abordagem é
a análise da capacidade contributiva, eleita em nível pré-legislativo e está
demonstrada no texto legal. Os 3 exemplos nesse enfoque teriam que ter o
mesmo tratamento.
2. O segundo enfoque da capacidade contributiva é o relativo → capacidade
contributiva demonstrada no caso concreto. Embora em tese a lei esteja OK,
quando ela incide há uma falência de capacidade de pagamento por parte
do administrado. Nos 3 exemplos, ninguém tem capacidade contributiva
relativa.
3. Capacidade contributiva potencial → conceito desenvolvido na Corte
Constitucional da Espanha. A Espanha é um país de muitas desigualdades
regionais e uma das regiões mais pobres coincidentemente dominada por
grandes propriedades rurais. O governo estava colocando imposto
progressivo em cima das propriedades não produtivas. Capacidade
contributiva potencial → se eu demonstro uma potencialidade de riqueza que
me permite pagar o tributo, apesar da ausência da capacidade relativa.
a. Pessoa em situação de rua pode não ter dinheiro para pagar um IPVA,
mas tem potencialidade para pagar, da mesma forma a senhora
aposentada. A potencialidade é o carro, o imóvel.
b. No caso do sujeito que está arcando com as despesas médicas do
dependente. Ele não tem capacidade contributiva relativa, nem
potencial.
Direito Tributário I | 12/07/2018

Quando for aplicar a igualdade com base na capacidade contributiva, tem que
analisar este tríplice enfoque. No absoluto, em tese, já posso fazer controle de
constitucionalidade, pois pode estar desrespeitando o princípio da igualdade e a
capacidade contributiva.

No relativa e potencial, analiso a incidência concreta.

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Na visão do professor, na ausência da capacidade relativa E potencial, pode fazer
controle da incidência no caso concreto, suportando no caso concreto, em
determinadas situações, exonerações.

Devo tratar os desiguais na medida da desigualdade e essa medida é a capacidade


contributiva.

Sempre que possível → impostos cujo fato gerador traduzam capacidade


contributiva.

Parte da tributação pode e deve ser estruturada de forma progressiva. Ex.: Imposto
de renda. Faixas de rendas tributadas com alíquotas distintas, mais para aqueles que
tem maior capacidade contributiva. A crítica é que a progressividade existe mas que
ela não é suficiente.

Quais os tributos onde naturalmente a progressividade se encontra? Ex.: renda.


Patrimônio permite ou não? Não é tão evidente quanto a renda. O STF entendia que
o patrimônio não permitia tributação progressiva. STF à época entendeu pela
inconstitucionalidade, pois a progressividade seria própria apenas da renda.

Art. 156, § 1º → o IPTU poderá ser progressivo em razão do valor do imóvel. Foi
emendado (EC 29/2000). Na opinião do professor, foi positivo. Deixou claro que a
progressividade pode atingir o patrimônio. Agora a alíquota também pode ser
progressiva no patrimônio.

Art. 156. § 1º - CF/88 - Sem prejuízo da progressividade no tempo a que se


refere o art. 182, § 4º, inciso II, o imposto previsto no inciso I poderá:

I – ser progressivo em razão do valor do imóvel; e

II – ter alíquotas diferentes de acordo com a localização e o uso do imóvel.


Direito Tributário I | 12/07/2018

Renda e patrimônio. Dentro do patrimônio tenho vários tributos que alcançam essas
grandezas.

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Quando que não posso fazer a progressividade? Quando o tributo não incide sobre
renda ou patrimônio. Tenho outra técnica? Sim. A seletividade. Me utilizo dela
quando o fato gerador não permite a tributação progressiva. Exemplo típico é a
tributação sobre consumo. Mexo nas alíquotas conforme a essencialidade do
consumo. Então, por exemplo, bens de primeira necessidade, supostamente devem
ter alíquotas inferiores do que bens supérfluos ou que não possam ser enquadrados
como de primeira necessidade. Outra forma de analisar a legislação. Muitas vezes,
no imposto sobre consumo, se a seletividade é bem feita, me aproximo mais da
igualdade do que pela progressividade.

Tanto a progressividade quanto a seletividade permitem que você tente alcançar a


igualdade por meio da identificação da capacidade contributiva. Agora, qual que
é o limite? Até quando um imposto é legitimamente progressivo? Quando ele passa
a ser ilegitimamente confiscatório?

Art. 150, IV → vedado utilizar o tributo com efeito de confisco.

Art. 150. - CF/88 - Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao


contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:

IV - utilizar tributo com efeito de confisco;

Se de um lado eu tenho que ser legitimamente progressivo, o constituinte está me


lembrando que isto tem um limite. A CF garante a propriedade. Não posso inviabilizar
o direito de propriedade do contribuinte.

Qual que é a alíquota ótima? Não é pela alíquota. É pela fonte do imposto, ou seja,
a melhor baliza é você identificar se a tributação inviabiliza ela própria. A alíquota de
IPI do cigarro é acima de 100%, mas nem por isso é confiscatória, senão ninguém
fumaria.
Direito Tributário I | 12/07/2018

Agora uma alíquota de 95% do imposto de renda é evidente que é confiscatório.


Não é pela alíquota que vou medir o efeito confiscatório. Vou medir por inviabilizar
ou não o que gera o próprio tributo. Por isso que a doutrina diz que o limite sempre
vai ser jurisprudencial, vai depender da análise caso a caso.

Finalmente, dentro da igualdade, a CF estabelece uma última vedação: 150, V →


ressalvado limitar o trânsito de pessoas. A tributação vai ser balizada pela igualdade

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não apenas em relação a capacidade do contribuinte, mas a situação geográfica
do contribuinte dentro da federação. Ex.: MG não pode, com o objetivo de prestigiar
a indústria mineira, tributar diferente uma indústria daqui e uma de SP.

Art. 150. V - estabelecer limitações ao tráfego de pessoas ou bens, por meio


de tributos interestaduais ou intermunicipais, ressalvada a cobrança de pedágio pela
utilização de vias conservadas pelo Poder Público;

03/05/2018

Imunidades

As imunidades são a segunda perna das limitações ao poder de tributar.

Conceito: a imunidade é regra constitucional expressa que estabelece a não


competência das pessoas políticas para tributar certos fatos e situações delimitando
negativamente, por meio de redução parcial, a norma de atribuição do poder de
tributar.

Com as imunidades, a gente inaugura a teoria geral das exonerações tributárias.

A imunidade é uma limitação constitucional ao poder tributar. Mas o princípio


também é uma limitação constitucional ao poder de tributar. Ex.: Renda. Como que
um princípio limita a competência da União para tributar a renda? Não posso criar
por meio de portaria, tem que ser por lei. Não pode valer para o mesmo ano. O
princípio atua informando o exercício da competência, não delimita negativamente.
Direito Tributário I | 12/07/2018

O Estado de Minas percebe renda. Mas ele não paga imposto de renda, porque ele
tem uma imunidade, que delimitando negativamente o universo de competência
da União, retira a renda dos estados.

A imunidade se difere dos princípios porque ela retira esfera/parcela da


competência atribuída aos entes federados.

49
Art. 153 - União tem competência para tributar a renda.

Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre:

III - renda e proventos de qualquer natureza;

Tanto a imunidade quanto princípios são limitações ao poder de tributar. Só que o


princípio limita o exercício da competência na medida que ele informa como este
se dará e a imunidade delimita negativamente o universo da competência.

Ex.: Pago imposto de renda para o município? Não. Posso dizer que sou imune ao
imposto de renda municipal? Não, porque o município não tem competência para
tributar a renda e a imunidade é uma delimitação de competência.

Ex.: Estagiário: recebe 1 salário mínimo não paga imposto de renda, porque não
atinge a base de tributação. Não atinge em razão de uma isenção. Não existe
imunidade sobre o salário mínimo. Se amanhã o salário mínimo for de 10 mil reais, ele
não está isento. Não paga imposto de renda porque tem isenção.

O que distingue a imunidade da isenção é que a isenção pressupõe competência.


O fato isento em tese pode ser tributado e não o é por ato de vontade legislativo.
Porque uma lei, ao estabelecer a incidência do imposto de renda, estabeleceu um
valor de isenção. Isenção é em razão de um ato de vontade dado porque quem é
competente por tributar o fato. Se amanhã a União quiser não isentar ela pode.

O Estado de Minas não paga imposto de renda porque a União não tem
competência para tributar a renda do estado.
Direito Tributário I | 12/07/2018

Imunidade é constitucional e a isenção é infraconstitucional. O fato isento em tese


poderia ser tributado. Imunidade é sempre constitucional, o fato imune jamais
poderia ser alcançado pela tributação, porque a imunidade delimita
negativamente, não é um ato de vontade, não decorre de uma lei que assim o
determina.

50
Isenção não é uma limitação ao poder de tributar porque ela pressupõe justamente
o contrário, pressupõe a competência. É uma renúncia legal do poder de tributar,
porque em tese poderia tributar. Legislador entendeu que o valor não era significativo
no caso do imposto. As isenções são dadas ora para indução de atividade
econômica, ora por ausência de capacidade contributiva.

Ex.: Quando a FIAT veio se instalar em Minas, ela teve isenção. Porque normalmente
ela se instalaria em SP.

Isenção pressupõe competência tributária. Se quisesse, poderia tributar. Há ato de


vontade infraconstitucional.

As imunidades são dividas em genéricas e específicas. Genéricas dizem respeito a


mais de um ente e a mais de um tributo. Específica diz respeito a ente específico e
tributo específico.

Imunidades Genéricas - só para impostos.

Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é


vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:

VI - instituir impostos sobre:

a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros;

A) Patrimônio, renda ou serviços → imunidade intergovernamental recíproca.

Um estado da Confederação Americana instituiu uma tributação contra um banco


federal a fim de privilegiar um banco estadual. A Corte decidiu que não poderia
Direito Tributário I | 12/07/2018

prosperar porque era ilegítima. Tira patrimônio do país para favorecer um estado.
Começou a se constituir um conceito que o estado não poderia tributar União. Então
se estabeleceu uma segunda limitação, da capacidade contributiva. O poder
público não tem na essência capacidade contributiva, pois está é a transferência do
privado para o público. Não tem sentido comprometer um gasto público para
financiar outro. Nesse sentido, construiu a gênese do conceito da imunidade
intragovernamental recíproca. Está presente na Constituição de 1988.

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Limitação ao poder de tributar válida para União, Estado e Municípios que não
podem exercer a sua competência aos demais entes da federação.

Uma coisa é administração direta e outra indireta. Essa imunidade se estende ou não
a administração indireta? A resposta está na CF/88.

Art. 150, § 2º - A vedação do inciso VI, "a", é extensiva às autarquias e às


fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público, no que se refere ao patrimônio,
à renda e aos serviços, vinculados a suas finalidades essenciais ou às delas
decorrentes.

Ex.: Há algum tempo o professor foi nomeado Procurador Geral da Universidade.


Quando assumiu, se surpreendeu com a situação de que a Universidade tinha uma
dívida ativa enorme com o município de Belo Horizonte. Se perguntou como isso
poderia ocorrer, já que havia a imunidade. De onde que o município está tirando a
ideia de inscrever a Universidade em dívida ativa? O campus da Universidade ia ser
ali na Barbacena. Mas mudaram e mantiveram os imóveis. Como os terrenos não
eram utilizados para o ensino, entenderam que não estavam relacionados com a
finalidade da faculdade, incidia IPTU. Não estendia.

Professor discordou. Quando diz que era estendida ao patrimônio, renda ou serviços,
não significa que tem que se ater a finalidade. Não estava desenvolvendo uma
atividade econômica, não tinha capacidade tributária. Poderia servir para expansão
futura, por exemplo. Não tem sentido a interpretação que estava sendo dada pelo
município. STF deu ganho à UFMG.

Ex.: Sociedade de economia mista/empresa pública → CEMIG/Caixa Econômica →


Pagam tributo. Mas por que nesse caso? A diferença é que elas exploram atividade
econômica sob regime de direito privado. A imunidade não se estende, pois estão
usurpando uma atividade que é reservada preferencialmente a iniciativa privada. Se
o Poder Público vai explorar, vai fazer em concorrência com o particular. Se ele for
imunizado, vai gerar um desequilíbrio. Haveria uma concorrência desleal.
Direito Tributário I | 12/07/2018

Imunidade como regra se estende a administração indireta. Exceção: quando está


a explorar atividade econômica.

Ex.: Quando o poder público exerce atividade econômica em regime de monopólio?


Inexiste concorrência com o privado. Consequentemente não faz sentido tributar.

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Judiciário decidiu coerente com isso. Pela razão da capacidade tributária. Faz parte
do patrimônio do ente público. Não faz sentido tirar de um e dar para outro.

B) de impostos sobre templos de qualquer culto - Igreja não paga imposto.

Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é


vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:

VI - instituir impostos sobre:

b) templos de qualquer culto;

Qualquer religião estaria abrangida. Buscou evitar discriminação pelo legislador


infraconstitucional. Qualquer patrimônio renda ou serviços, vinculados a prática
religiosa, de qualquer culto, estará imune.

CF imuniza renda, patrimônio ou serviços inerentes ao culto. Costuma ter uma


construção anexa à Igreja para os padres morarem. A prefeitura dizia que ali não
tinha atividade religiosa, porque o padre só dorme, não há atividade religiosa e,
assim, poderia cobrar IPTU. Tem que interpretar pelo princípio da capacidade
contributiva. Se não tem nenhuma atividade econômica ali, não tem porque separar
as construções destinadas a prática do culto e a moradia.

Ex.: Igreja São José - parte do terreno edificado destinado a culto, parte destinado a
exploração de um estacionamento. A exploração de um estacionamento é uma
atividade econômica. Nesse caso, a imunidade não se estenderia em tese, mas há
a alínea C.

Art. 150, VI, c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas
fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação
e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei;
Direito Tributário I | 12/07/2018

A CF imuniza na alínea C partido político. Lógica é a liberdade política. Como o


partido político é essencial a democracia, não tem sentido restringir ou comprometer
seu patrimônio com pagamento de tributos. Sindicatos também estão imunes
basicamente pela mesma razão.

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Educação e assistência → são dever do próprio poder público. Se o particular está a
oferecer, está exonerando o poder público de atividades que seriam de sua
competência. É de interesse público que instituições complementem esse dever que
seria do Estado.

Posso exercer essa atividade com fins lucrativos ou não. Se for sem finalidade
lucrativa. A PUC cobra mensalidade mas é uma instituição sem fins lucrativos,
consequentemente está imunizada. Instituição sem fins lucrativos não é que dá
prejuízo por óbvio.

A lei complementar (art. 14 do CTN) estabelece 3 requisitos para que possa entender
uma instituição com ou sem finalidade lucrativa:

1. Não vai distribuir lucros aos seus titulares


2. Vai reinvestir eventual superávit na própria atividade e não vai poder remeter
dinheiro para o exterior
3. Ter contabilidade regular para que possa ser objeto de fiscalização.

Art. 14. CTN - O disposto na alínea c do inciso IV do artigo 9º é subordinado à


observância dos seguintes requisitos pelas entidades nele referidas:

I – não distribuírem qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a


qualquer título;

II - aplicarem integralmente, no País, os seus recursos na manutenção dos seus


objetivos institucionais;

III - manterem escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de


formalidades capazes de assegurar sua exatidão.

Se não cumpre esses três requisitos, deixa de ser imune.

O estacionamento da Igreja está sob o manto da alínea C e como tal basta que não
Direito Tributário I | 12/07/2018

distribua lucro.

É uma imunidade. Não tem que discutir se está certo ou errado, querer revogar,
reformar a lei.

Não discute a imunidade em si, discute se os requisitos para a usufruição da


imunidade estão sendo cumpridos.

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As genéricas traduzem direitos fundamentais, não podem ser revogadas. As
específicas algumas podem ser.

D) livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão → imunidade


cultural. Queria baratear o acesso à cultura. Não está imunizando o autor. Nos direitos
autorais incide o imposto de renda. O lucro da editora também será tributado.

Não há de haver juízo discriminatório sobre o conteúdo. Livro jornais e periódicos,


independente da qualidade do conteúdo, estarão imunizados.

Por que que imunizei isto? A CF é de 88. Nesta época não tinha internet. Não tinha
como prever que livros, jornais e periódicos poderiam ser consumidos por outros meios
diferentes do papel impresso. Por óbvio, deveria estender ao meio eletrônico. Mas o
estado e município mais uma vez não concordaram. Supremo mais uma vez decidiu
o óbvio, que deve ser estendido.

E) fonogramas e videofonograma musicais → não constava no texto original da


Constituição. Famosa PEC da música. Em 2013 a CF foi emendada. Imuniza CD, DVD.
No livro não faz distinção entre obras nacionais e estrangeiras.

Art. 150, VI, e) fonogramas e videofonogramas musicais produzidos no Brasil


contendo obras musicais ou literomusicais de autores brasileiros e/ou obras em geral
interpretadas por artistas brasileiros bem como os suportes materiais ou arquivos
digitais que os contenham, salvo na etapa de replicação industrial de mídias ópticas
de leitura a laser.

O objetivo é proteger quem consome. Não tem sentido hierarquizar produzido no


Brasil em relação ao estrangeiro.
Direito Tributário I | 12/07/2018

Incoerente fazer essa distinção na questão da música.

O artigo 150, IV traduz na prática: traduz delimitação negativa da competência


outorgada aos entes. Determinados fatos e situações, são retirados do universo da
competência. Sempre são retirados por alguma razão, promoção de algum valor,
livre acesso à cultura, à prática religiosa. Não há possibilidade alguma de limitação

55
infraconstitucional da imunidade. Porque a imunidade pressupõe justamente a
ausência de competência. Se não tenho competência para tributar, não vou ter
competência legislativa para estabelecer algo diferente.

11/05/2018

Correção estudo de caso:

Art. 195 → as 3 bases que poderiam ser tributadas eram folha, faturamento e lucro. O
art. 145 ainda dá uma competência residual. Se a União quisesse expandir o
financiamento da seguridade social, poderia ir além de folha, faturamento e lucro.
Teria que ser lei complementar e não retributar fato já tributado por outras
competências.

Folha → conjunto da contraprestação paga pela pessoa jurídica as pessoas físicas


pelo contrato de trabalho.

Faturamento → tudo aquilo que entra em razão da atividade da empresa, do


exercício da atividade empresarial. Toda empresa tem uma receita operacional e
não operacional. A receita operacional do escritório é tudo que recebe a título de
serviços jurídicos. Mas o escritório pode vender um móvel de escritório que não vai
usar mais (não operacional). Se tem um dinheiro aplicado, os juros serão não
operacional, pois não é objeto. O faturamento é resultado da atividade operacional.

Lucro é a diferença entre o que entra e o que sai. Quando é positivo, é lucro. Senão,
prejuízo.
Direito Tributário I | 12/07/2018

Um exercício válido da competência, é eu olhar para a Constituição e ver o que ela


autorizou a ser tributado. Ver se a pessoa que está instituindo o tributo tem
competência para. Se estou dizendo que a União estabeleceu uma contribuição
social, está se valendo do art. 195. Então ela pode, ordinariamente a época tributar
folha, faturamento e lucro. Pode ir além, pelo exercício da competência residual,
desde que o faça por lei complementar e que essa base seja não cumulativa com
outra base já prevista.

56
Art. 154, I → competência residual

A Lei 9.718 alterou a alíquota e a base. Passou a tributar também essas não
operacionais. Alargou o conceito de faturamento e aumentou a alíquota de 2 para
3.

Há algum problema com a Lei Complementar 70? Não, porque estou exercendo
minha competência originária para tributar uma base originalmente prevista na
Constituição. Havia necessidade de Lei complementar? Não, pois é originária a
competência. Não está tratando de competência residual. Estou tributando uma
base que está originalmente prevista no texto. Mas se eu institui por LC não tem
problema, estou até dando mais legitimidade. É formalmente lei complementar, mas
materialmente lei ordinária.

Formalmente poderia alterar a lei complementar, pois não precisava ser lei
complementar. Mas materialmente extrapolou a competência ordinaria, porque
ordinariamente se permitia tributar apenas o faturamento e ela foi além do conceito.
Só poderia ir além se estivesse exercendo uma competência residual.

O legislador não pode ao seu bel prazer alterar os conceitos de direito privado.

Supremo declarou inconstitucional a lei 9.718.

A 9.718 não se limitou a alterar a alíquota de 2 para 3. Permitiu que 1% (ou seja, ⅓)
que foi produzido por aumento, fosse eventualmente compensado com a CSLL que
a pessoa jurídica eventualmente ofereça.

Se tenho lucro, tenho CSLL a pagar e usar para anular um aumento. Agora se eu sou
deficitário, não tenho CSLL a pagar e paga um imposto maior sobre o faturamento.
Direito Tributário I | 12/07/2018

Uma empresa sem lucro paga mais. Tributa menos quem tem mais capacidade
contributiva.

Imunidades

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Teoria Geral das exonerações vai além das imunidades.

As imunidades são limitações constitucionais ao poder de tributar na medida que


delimitam negativamente o universo da competência.

As da aula passada foram as genéricas, pois dizem respeito a mais de um tributo.

Agora vamos estudar as específicas, que dizem respeito a fatos e situações genéricos
a uma cesta de tributos. São imunidades pertinentes a incidência de tributos
isoladamente.

Sempre uma imunidade posta na CF vai tentar resguardar determinados valores que
o constituinte entendeu como relevantes.

Exportação

Atividade Empresarial

Contribuicoes sociais

● Exportação: são 4 imunidades.

○ Art 149, § 2º, I


■ Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições
sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das
categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de
sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos
arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, §
6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. § 2º
As contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico
Direito Tributário I | 12/07/2018

de que trata o caput deste artigo:I - não incidirão sobre as


receitas decorrentes de exportação;

○ Art 153, § 3º, III


■ Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre: § 3º O imposto
previsto no inciso IV: III - não incidirá sobre produtos
industrializados destinados ao exterior.

58
○ Art. 155, § 2º , X, a
■ Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir
impostos sobre: § 2º O imposto previsto no inciso II atenderá ao
seguinte: X - não incidirá: a) sobre operações que destinem
mercadorias para o exterior, nem sobre serviços prestados a
destinatários no exterior, assegurada a manutenção e o
aproveitamento do montante do imposto cobrado nas
operações e prestações anteriores;

○ Art 156, § 3º , II
■ Art. 156. Compete aos Municípios instituir impostos sobre: § 3º Em
relação ao imposto previsto no inciso III do caput deste artigo,
cabe à lei complementar: II - excluir da sua incidência
exportações de serviços para o exterior.

● Empresarial:

○ Art. 156, § 2º , I
■ Art. 156. Compete aos Municípios instituir impostos sobre: § 2º O
imposto previsto no inciso II: I - não incide sobre a transmissão de
bens ou direitos incorporados ao patrimônio de pessoa jurídica
em realização de capital, nem sobre a transmissão de bens ou
direitos decorrente de fusão, incorporação, cisão ou extinção de
pessoa jurídica, salvo se, nesses casos, a atividade
preponderante do adquirente for a compra e venda desses bens
ou direitos, locação de bens imóveis ou arrendamento mercantil;

● Específicas:

○ Art 155, X, b
■ Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir
impostos sobre: X - não incidirá: b) sobre operações que destinem
Direito Tributário I | 12/07/2018

a outros Estados petróleo, inclusive lubrificantes, combustíveis


líquidos e gasosos dele derivados, e energia elétrica;

○ Art 155, X, c
■ Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir
impostos sobre: X - não incidirá: c) sobre o ouro, nas hipóteses
definidas no art. 153, § 5º;
○ Art 155, X, d

59
■ Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir
impostos sobre: X - não incidirá: d) nas prestações de serviço de
comunicação nas modalidades de radiodifusão sonora e de
sons e imagens de recepção livre e gratuita;

○ Art 153, § 4º, II


■ Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre: § 4º O imposto
previsto no inciso VI do caput: II - não incidirá sobre pequenas
glebas rurais, definidas em lei, quando as explore o proprietário
que não possua outro imóvel;

● Contribuições sociais:

○ Art 195, § 7º
■ Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a
sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei,
mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos
Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes
contribuições sociais: § 7º São isentas de contribuição para a
seguridade social as entidades beneficentes de assistência social
que atendam às exigências estabelecidas em lei.

São 10 imunidades específicas no texto da Constituição.

As competências foram outorgadas à União, estados e municípios. Então basta


analisar os artigos 153, 155 e 156 e os das contribuições. Com uma mão outorga, com
outra limita.

Art. 153 → impostos → Imunidades da União

Há duas imunidades para impostos da União:


Direito Tributário I | 12/07/2018

1. IPI não incidirá sobre produtos industrializados destinados ao exterior. O valor


aí envolvido é privilegiar as exportações brasileiras. O país privilegia a
exportação pela entrada de riquezas. Ex.: Se a FIAT faz um carro aqui em
Betim, realiza fato gerador de IPI. Se vender para mim, vai ter IPI. Mas se ela
exportar para a Itália, Argentina, não haverá IPI. A materialidade é a produção
de um produto industrializado. Incide IPI quando altera a titularidade. Nenhum

60
país onera exportação. O valor é o bom funcionamento da atividade
econômica.
2. O ITR não incidirá sobre pequenas terras rurais quando as explore o proprietário
economicamente apenas com a força familia → Agricultura de subsistência.
O valor defendido é social.

Impostos estaduais: art. 155:

1. ICMS não incide sobre operações que destinem a mercadorias para o exterior,
nem em serviços para o exterior. Essa imunidade aparentemente quer estar
em linha com a imunidade do IPI. Só que o professor acha que ela foi muito
mal posta, pois estendeu além do que deveria. O correto seria que na
exportação de produtos não tivesse IPI nem ICMS, pois estaria incentivando
exportação e gerando riqueza. Mas em produtos primários, se não tenho
concorrência, não está agregando valor, está diminuindo o lucro. Imunizou
integralmente o ICMS em qualquer exportação, seja ela agregando valor ou
não.
2. ICMS: b) sobre operações que destinem a outros Estados petróleo, inclusive
lubrificantes, combustíveis líquidos e gasosos dele derivados, e energia elétrica;
→ fundamental para evitar distinção entre estados produtores e consumidores.
Objetivo que aquele estado que produz energia e petróleo não privilegie seus
produtores frente ao estado que não tem essa produção.
3. ICMS: não incide sobre o ouro enquanto ativo financeiro. Tira da mina e vira
uma barra de ouro garantida pelo Banco Central, ela vira ativo financeiro. Se
incidisse era a mesma coisa de incidir sobre dinheiro. Incide quando ele é barra
de ouro tarimbada pelo Banco Central.
4. ICMS: na prestação dos serviços de comunicação, radiodifusão sonora e de
imagens e de recepção livre → Não incidiria ICMS porque é de graça a TV
aberta, a rádio. Não tem base tributável. Imunizaram a TV gratuita como um
jeito de às avessas ficar claro que, se há cobrança pelo serviço, a tributação
pode incidir.

Imunidades dos municípios: duas:

1. Não incide ITBI sobre a transmissão de bens ou direitos incorporados ao


patrimônio de pessoa jurídica… → razão é para estimular as atividades
Direito Tributário I | 12/07/2018

empresariais.
2. Não incide ISS na exportação de serviços para o exterior. Mesma linha da
imunidade do IPI e do ICMS. A exportação deve ser estimulada e não
onerada.

Casos em que a imunidade alcança as contribuições

61
1. Art. 149, §2, I → as contribuições sociais e de intervenção do domínio
econômico não incidirão sobre receitas decorrentes de exportação. Está na
mesma linha de IPI, ICMS, ISS. Quando exporta tem PIS/ COFINS, está
imunizando.
2. Art. 195, §7 → redação imprecisa → são isentas de contribuição as entidades
beneficentes de assistência social. São imunes, não isentas.

17/05/2018

Funções da Lei Complementar em matéria tributária

A pessoa, no exercício da competência, está limitada por princípios, imunidades e


por leis complementares.

Art. 146 enumera as funções enquanto limitadora.

Art. 146. CF/88 - Cabe à lei complementar:

I - dispor sobre conflitos de competência, em matéria tributária, entre a União, os


Estados, o Distrito Federal e os Municípios;

II - regular as limitações constitucionais ao poder de tributar;

III - estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, es pecialmente


sobre:

A primeira função é regular conflitos de competência. É possível em termos teóricos


existir conflito de competência? Teoricamente não, já que a competência tem a
privatividade como característica. Só que, na prática, muitas vezes, esse conflito
Direito Tributário I | 12/07/2018

ocorre.

Exemplo: Um restaurante ele paga ISS ou ICMS? Embora em termos teóricos sejam
competências distintas, muitas vezes, na prática, há uma confusão de atividades,
com o estado pretendendo tributar o ICMS e o município o ISS.

62
Exemplo: Comprava programa em disquete e instalava no computador. O programa
vinha num meio físico, a juízo do estado justificava ICMS. Mas o conteúdo que era
relevante em termos de preço justificava o ISS.

A CF soluciona definindo que precisa de lei complementar dispondo. No caso de


restaurante, LC 116 diz que paga ICMS.

Limitações → a lei complementar também se presta a regular uma limitação


constitucional ao poder de tributar

Ex.: Instituição sem fins lucrativos é imune. Mas a CF não fala o que é instituição sem
fins lucrativos. Vem uma lei complementar regulando essa limitação e dizendo o que
devo entender como instituição sem fins lucrativos para fruição dessa imunidade.

A terceira função da lei complementar é estabelecer normas gerais.

Renda

Quem tem competência para tributar renda? União. O que é renda? O conceito de
renda é uma evolução histórica, sempre variou historicamente.

Para entender o que é renda, preciso ter três conceitos claros. Não posso confundir
renda com patrimônio, nem com faturamento.

Meu patrimônio é a renda percebida no passado que eu acumulei, seja estático


(apartamento) seja dinâmico (aplicação financeira no banco).
Direito Tributário I | 12/07/2018

Faturamento/entrada bruta de caixa → meu salário, o que a empresa faturou


naquele mês, o que minha aplicação financeira rendeu.

Renda sempre foi, é e será entendido como acréscimo. Pressupõe um acréscimo, é


algo novo. O que variou historicamente é qual era a origem do acréscimo.
Inicialmente entendia que acréscimo tributável a título de imposto de renda era só

63
oriundo de propriedade em sentido estático. (Ex.: aluguel, colheita de café). Tudo
que era oriundo de propriedade em sentido estático podia ser alcançado por renda.
Nessa época, salário não era renda. Fortuna da loteria não era renda. Não decorriam
de propriedade em sentido estático. O salário estava associado a mera subsistência.
A propriedade no sentido dinâmico também não gerava renda.

A segunda etapa de evolução foi que a renda poderia advir do capital, do trabalho
ou da combinação de ambos. Não apenas a propriedade no sentido estático, mas
todo o meu capital, mais o trabalho, isoladamente ou combinados, poderiam gerar
rendas. Mas havia coisas que estavam excluídas. Ex.: Pensão não seria renda. A
esposa falece. Ela não é propriedade, não é relativa a trabalho do marido e sim da
esposa.

No atual momento histórico, desimporta a origem.

CTN art 43 (CTN é lei complementar) → está definindo o fato gerador.

Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de


qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade
econômica ou jurídica:

I - de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da


combinação de ambos;

II - de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos


patrimoniais não compreendidos no inciso anterior.

A pensão seria tributada, hoje, em proventos de qualquer natureza.

Hoje passa a não interessar a origem. Por meio da renda vou tentar abocanhar o
acréscimo patrimonial. Desimporta se é uma renda em sentido estrito, abarca
Direito Tributário I | 12/07/2018

proventos de qualquer natureza. Se afastou da definição clássica. Loteria, trabalho,


patrimônio, qualquer que seja a origem, desde que acréscimo seja, eu passo a
alcançar por meio do imposto de renda.

Isso foi sobre o fato gerador.

64
Uma das coisas mais difíceis é de fato na prática precisar esse acréscimo para que
ele não se confunda com patrimônio ou com faturamento.

Imposto de renda pessoa jurídica é totalmente diferente do da pessoa física.


Diferente na identificação do acréscimo patrimonial.

Para medir acréscimo, preciso ter um ponto de partida e um ponto de chegada,


preciso de parâmetros para medir esse acréscimo, porque senão posso estar
confundindo com faturamento ou patrimônio.

A melhor forma, em tese, de saber se teve acréscimo é medir o que tinha antes e
depois. O que tinha quando começou e quando encerrou as atividades, quando
começou a trabalhar e quando aposentou, mas isso seria inviável. Convencionou-se
que a apuração do fato gerador seria anual. Esse acréscimo, que é o fato gerador
do imposto de renda, será medido anualmente.

Imposto de PJ é mais técnico e o da PF é mais político. As vantagens do imposto da


PJ é que a pessoa jurídica tem um capital de constituição, se inicia com o capital.
Tem um parâmetro preciso para ver o patrimônio com que ela começou as suas
atividades e tem um objeto social. Imagina uma empresa que começou com um
patrimônio de 100. Ao longo do exercício das atividades durante o ano, terá ingressos
e saídas do caixa. Se o imposto de renda considerar só o que entra estaria tributando
o faturamento, seria inconstitucional. Tem que tributar o resultado de receitas menos
despesas.

Ex.: Tenho uma empresa que sou o único dono. Posso ir a Paris para passear e usar o
cartão da empresa. Mas não posso considerar essa despesa dedutível.

Pelo fato de ter um objeto social, posso determinar com precisão o que vai ser
considerado como despesa dedutível e o que será considerado despesa não
Direito Tributário I | 12/07/2018

dedutível. Tenho como genuinamente aferir qual foi o acréscimo patrimonial.

Empresa começou com 100, teve 100 de receita e 30 de despesas. Fiquei com 170
ao final. O imposto de renda incidirá sobre 170-100, ou seja, em 70.

Se no ano seguinte terminar com 100. Significa que teve um prejuízo de 70. Não paga
imposto de renda porque não teve acréscimo patrimonial.

65
Posso considerar o período anual de forma estanque ou mera antecipação. Em tese
o imposto de renda não pode alcançar o patrimônio. O último patrimônio tributável
era de 170. Se estou com 120 depois dos 100, ganhei 20 em relação a 100, mas
continuo perdendo 50 em relação ao meu último patrimônio tributável. Em países
civilizados, pode aproveitar o prejuízo fiscal do ano anterior e trazer para o ano fiscal
atual.

No Brasil não pode trazer esses 70. Pode trazer só ⅓ dele em cada ano e prescreve
em 5 anos.

Em países civilizados do ponto de vista do IR tudo que a empresa comprou e


imobilizou seria dedutível. Material de uso e consumo, não apenas mão de obra etc.
No Brasil tem uma série de limitações a essas deduções. Deduz integralmente o que
é insumo/mão de obra, mas não deduz integralmente ativo imobilizado, tem que ir
depreciando. Quanto mais perfeita tecnicamente a legislação, mais se aproxima da
renda. Quanto mais imperfeita, mais se aproxima do faturamento/patrimônio.

A alíquota do Brasil pode até ser menor do que na Alemanha, por exemplo, mas lá
aproveita prejuizo, deduz as coisas, então incide sobre uma base menor.

Comecei com 170 e terminei com 100. Perdi 70. Se no outro ano, tiver 120, ganhei 20
em relação ao início do ano, mas em relação ao 170 continuo perdendo. Em países
civilizados vai permitir que compense esses 70. Por exemplo, deduzo 20 dos 120, e aí
está com 100, não paga. Vou compensando. Ainda ficou com 50, vai usando. No
Brasil prescreve e ainda limita a utilização. Posso usar ⅓ por vez.

A Pessoa Física é muito pior. Não tem nem capital inicial, nem objeto social. Tem
entrada e saída, mas não tem uma baliza técnica para dizer o que é dedutível ou
não.
Direito Tributário I | 12/07/2018

Ex.: professor é advogado. Precisa de um terno para advogar. Mas não deduz o gasto
com terno do imposto de renda, muito embora, fundamental para a percepção da
renda. Mas deduz despesa com filho. O que que a despesa do meu filho tem a ver
com a percepção da minha renda? Nada. Na PJ tem um parâmetro para saber o
que considera dedutível, sabe o que é essencial para percepção da renda. Na PF
não tem esse parâmetro, por isso que fica político. Não mede a dedutividade pela

66
essencialidade com relação a percepção da renda. O que vai orientar são
parâmetros outros que não os objetivos.

Quais são os parâmetros? Valores constitucionais.

Exemplo: a CF diz que lazer é um direito fundamental. Por que que não pode deduzir
uma despesa de férias? Lazer é um direito meu. Na Alemanha deduz.

Tinha que deduzir educação integralmente. Saúde idem. E assim por adiante. Tudo
que fosse direito fundamental meu, eu poderia deduzir por serem despesas essenciais
a minha dignidade. A política de dedução é que empresta maior ou menor grau ao
Imposto de Renda.

A regra no Brasil é deduzir um mínimo possível. Imposto se aproxima do imposto sobre


o faturamento. Assalariado tem um desconto na fonte. Paga o ano inteiro para o
governo para no final ter um ajuste ou restituição. E o ajuste é mitigado por uma
política restritiva de deduções.

CF fala que o imposto de renda tem que ser progressivo. Pressupõe mais de uma
alíquota.

Para PJ é 10% mais adicional de 15%. Varia de acordo com o acréscimo. Na PF a


alíquota vai até 27,5%. Só no Brasil que a alíquota máxima da pessoa jurídica é menor
que a da física. Mas pessoa jurídica paga contribuição social.

7,5%; 15%; 22,5% e 27,5% → são as 4 alíquotas. Em tese super progressivo. O nosso
problema é que sai de um limite de isenção de 1900 reais. O limite de isenção deveria
ser muito maior. 1900 não é suficiente para entender que saiu da barreira de
subsistência.
Direito Tributário I | 12/07/2018

O teto para pagar alíquota máxima é 4.600 reais. Então uma pessoa que ganha 4600
e outra que ganha 100 mil reais pagam a mesma coisa.

67
Se for tornar progressivo, vai diminuir a arrecadação, porque tem muito mais gente
que teria que isentar e que ficaria na alíquota baixa. Se tornar mais progressivo, vai
arrecadar menos e teria que aumentar a arrecadação no consumo.

Tanto pessoa física quanto jurídica, o imposto de renda trata de entender o que
considerar tributável e o que vai considerar dedutível e como você vai apurar isso.

Quais que são as normas gerais postas em relação ao IR? Fato gerador sempre
acréscimo patrimonial e desimporta a origem desse acréscimo. Qualquer acréscimo
é tributável. O desafio para analisar a qualidade desse fato gerador é que
independente da origem, seja de fato acréscimo e eu não tribute patrimônio ou
faturamento como se renda fosse.

A base de cálculo que vai me dar a qualidade da incidência.

Contribuinte é que vai me dar a disponibilidade econômica desse acréscimo.

Normas gerais de tributação sobre consumo

No Brasil, consumo de mercadorias é dividido em União, por meio do IPI, e estados,


por meio do ICMS, quando na maioria dos países eu tenho o IVA. Outra peculiaridade
é que o ICMS, que é de maior vulto, é estadual.

Se vou tributar o consumo, quero tributar o consumidor. A primeira coisa que deve-se
ter em mente que não é uma tributação sobre a produção. A lógica é tributar o
consumo. O alvo da tributação é o consumidor final. A capacidade contributiva que
Direito Tributário I | 12/07/2018

se busca alcançar é a dele. Se a FIAT produz um Palio, eu não busco alcançar a


capacidade contributiva FIAT, busco alcançar a do consumidor.

Tendo isso em mente, surge um primeiro desafio, porque a cadeia produtiva é


complexa. Em geral, a mercadoria circula em várias etapas até a presença do
consumidor final.

68
Em uma relação abstrata, tenho um produtor, que vai vender para o atacadista, que
vai vender para o varejista, que vai vender para o consumidor final.

Produtor vendeu por 100 para o atacadista, que vendeu por 200 para o varejista, que
vendeu por 300 para o consumidor final, que encerra a cadeia.

P → A → V → CF

Qual o fato gerador do ICMS é a circulação econômica da mercadoria? Nesse


exemplo, tenho 3 fatos geradores. Imaginemos uma alíquota de 10%. Seria 10 no
primeiro, 20 no segundo e 30 no terceiro. Se o objetivo é tributar o consumidor final e
o final foi 300, o estado deveria arrecadar só 30. Mas na prática arrecadou 60. Esse é
um dos grandes problemas que deve ser resolvido pela legislação complementar,
porque o imposto sobre consumo é altamente inflacionário, pois implica na
repercussão do ônus tributário em cada etapa de circulação. Quanto mais longa a
cadeia, mais impactado fica.

O grande desafio é evitar que a tributação sobre o consumo se torne inflacionária,


que incida sobre cascata até o consumo final. Nos EUA, o fato gerador seria a
circulação econômica de mercadoria para o consumidor final, incide unicamente
no varejo. Eliminou todo o efeito cumulativo. Mas para fazer uma incidência no
varejo, tem que ter uma cultura de fiscalização muito grande, pois é mais difícil
fiscalizar o varejista do que o produtor.

A maioria dos países não confia na tributação exclusiva no varejo e fazem tributação
plurifásica, como o Brasil, União Europeia, países do Mercosul. O problema não é fazer
incidência plurifásica, mas tem que evitar o efeito cascata.

O contribuinte é quem recolhe o tributo e consumidor final é quem suporta o ônus


econômico. Se vai na loja e compra um tênis, quem paga o ICMS é a loja. Você que
Direito Tributário I | 12/07/2018

comprou suporta o ônus.

A diferença da incidência plurifásica para a monofásica é que, nesta última, o tributo


só incide quando circular para o consumidor final e na plurifásica vai incidindo ao
longo da cadeia de produção.

69
O melhor jeito de evitar o efeito cascata é incidência monofásica no varejo. A melhor
forma do ponto de vista da fiscalização é a plurifásica, mas ela é inflacionária. Então,
todos os países que adotam incidência plurifásica, adotam em contrapartida o
princípio da não cumulatividade. A CF consagra no art. 155, parag 2, I a não
cumulatividade do ICMS e 153, parag 3, II a não cumulatividade do IPI.

Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre: § 2º
O imposto previsto no inciso II atenderá ao seguinte: I - será não-cumulativo,
compensando-se o que for devido em cada operação relativa à circulação de
mercadorias ou prestação de serviços com o montante cobrado nas anteriores pelo
mesmo ou outro Estado ou pelo Distrito Federal;

Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre: § 3º O imposto previsto no


inciso IV: II - será não-cumulativo, compensando-se o que for devido em cada
operação com o montante cobrado nas anteriores;

Ou seja, se de um lado temos a incidência plurifásica sobre o consumo, ela é


mitigada pelo princípio da não cumulatividade para evitar o efeito inflacionário. Esse
princípio opera deduzindo na etapa posterior o tributo incidente na etapa anterior.

No exemplo começou com 100 (10). Quando o atacadista vai vender para o
varejista, 10% sobre 200 é 20, mas pode deduzir os 10 que incidiram na etapa anterior.
20 - 10 = 10. Quando o varejista vai vender para o consumidor final, pode deduzir o
imposto incidente que é 20. Deduz 20, não 10, porque 10 foi o pago. Então será 30 -
20 = 10. Ao todo, recolheu 30, da mesma forma que se fosse uma incidência única
no varejo.

Isso vale para o comércio. Mas o produtor comprou mil itens para fabricar a bicicleta.
Tem que apurar todos os créditos que dele tem direito pela aquisição para juntar com
o débito que ele tem o dever de recolher na venda.
Direito Tributário I | 12/07/2018

O produtor adquiriu uma série de itens, mas nem todos são utilizados diretamente
para fabricar a bicicleta.

Ex.: Comprei borracha e alumínio para fazer a bicicleta. Mas comprei também uma
mesa, cadeira, café para os trabalhadores. Dentro desses mil itens, vários são
utilizados diretamente para produzir a bicicleta. Outros tantos são utilizados para
manter a fábrica em funcionamento. Vou me creditar de tudo, ou só dos itens que
diretamente foram consumidos no processo produtivo?

70
Na União Europeia, a lógica é que o produtor nunca é consumidor final de nada. Se
ele não tivesse produzindo bicicleta ele não ia consumir a mesa. Tudo que eles
compram eles podem creditar, sendo ou não pertinente a produção de bicicleta.
Então, se creditaria da borracha e do alumínio, e tudo que comprou para uso e
consumo, ativo imobilizado. O francês produtor não compra nada com ICMS porque
ele credita tudo.

No Brazil, não tem um limite no creditamento. Se credita como regra integralmente


só aquilo que é diretamente utilizado. No Brasil só credita o que é diretamente
utilizado.

Chama crédito financeiro ou físico. O país adota o crédito financeiro, quer dizer que
credita todas as minhas entradas, independente de utilizá-las ou não no processo
produtivo. Se adota o físico, a fábrica também atua como consumidor final naquilo
que não é diretamente utilizado no processo produtivo. Essa mesma fabrica francesa
é muito menos burocrática, porque qualquer nota fiscal do que ela comprou, ela
soma. No Brasil tem que separar o que usou no processo produtivo para saber se tem
crédito.

A diferença se o crédito financeiro é que tudo que adquiro, me credito. Se é físico,


tudo que adquiro, eu vou ver se me credito ou não, dependendo se utilizar ou não
no meu processo produtivo.

Lei Complementar 87/96. Diz que pode deduzir integralmente o ICMS na aquisição
de produtos que direta ou indiretamente foram consumidos no processo produtivo.
Entra a discussão naqueles produtos que são necessários ao processo mas não
agregam valor ao produto. É fácil perceber que usei diretamente a borracha e que
não usei o cafezinho. Mas e aqueles produtores que ficam entre a borracha e o cafe?
Direito Tributário I | 12/07/2018

Ex.: Produtor foi autuado por creditar ar condicionado. Mas era aparelho de ar
condicionado da estufa de pintura, da montadora de veículos. Precisava do ar
condicionado para não trincar a pintura. Mas entre o fiscal autuar e o julgamento
dizendo que poderia creditar, o cliente suportou o ônus, o honorário do advogado.
No crédito financeiro não teria essa discussão. O que gerou essa autuação foi a
complexidade da legislação ao estatuir o crédito físico ao invés do financeiro.

71
Custo Brasil não é necessariamente alíquota. É muito a complexidade da legislação
e o custo indireto.

Não posso dizer que não tenho uma não cumulatividade ampla, pois quando adoto
o crédito físico ao invés de financeiro, vai onerando as etapas. Não basta olhar
alíquota apenas, tem que ver a estrutura, o que pode deduzir ou não.

A lógica de tributação no consumo no Brasil é que ela é plurifásica, porém não


cumulativa. A técnica do constituinte para consagrar a não cumulatividade é
debito/credito, que o legislador complementar (87) mitigou. Ao invés de consagrar
uma não cumulatividade ampla por meio de crédito financeiro, consagrou uma não
cumulatividade relativa, por meio de crédito físico.

Quem é o contribuinte? Significa perguntar se o ICMS incide na entrada ou na saída.


Se incide na entrada, B é contribuinte, se incide na saída, A. ( A → B). Se o contribuinte
é A, quem fica com a receita é o estado produtor, se é B, é o estado consumidor.

O imposto não é sobre o consumo? Então o fato gerador tinha que ser na entrada, e
não na saída. Na União Europeia é assim, no B. No Brasil é no A, na saída. No Brasil
tem estado que predominantemente produz e estado que predominantemente
consome. Em SP produz mais do que consome, então mais interessante na saída. Para
um Estado muito pouco industrializado, seria mais interessante ser na entrada, não na
saída. As normas determinaram que o fato gerador é na saída e isso potencializa o
desequilíbrio econômico regional. Nas operações dentro do mesmo estado não é um
problema.

Diante disso, tem-se uma outra questão: a alíquota.

No ICMS, tenho 2 tipos de alíquota: interna e interestadual (se a mercadoria circular


de um estado para outro). A interestadual é fixada da seguinte forma: se o destino é
Direito Tributário I | 12/07/2018

Norte, Nordeste, Centro Oeste e Espírito Santo, a alíquota interestadual é de 7%. Se o


destino é Sul e Sudeste, menos Espírito Santo, a alíquota é 12%. Para fins de ICMS,
Espírito Santo se junta ao Nordeste.

A FIAT está em MG. Se ela vende um carro para uma concessionária no ES, a alíquota
é 7%. Se ela vende um carro para uma concessionaria em SP, a alíquota é 12%.

72
A alíquota interna não pode ser menor do que a maior alíquota interestadual. Então
poderia ser 15%. O objetivo é evitar que o produto custe mais barato no estado
produtor. A preocupação é ter neutralidade.

Cabe ao estado de destino o diferencial entre a alíquota estadual e a interna. Então


se MG fixou 15%, para o carro FIAT, recolhe 7% para Minas e 8% para o ES. Se vender
para SP, recolhe 12% para Minas e 3% para SP. A lógica é evitar que o estado produtor
possa concorrer tributariamente com os estados consumidores. Visa mitigar a
desigualdade regional. Se o ICMS incidisse na entrada não precisava ter essa
complexidade.

E quando a FIAT faz venda direta? Vende direto para o consumidor final? Qual que
era a regra? Aplicava alíquota interna. Mas veio a lei complementar e disse que teria
que implementar essa diferença entre a alíquota estadual e interna e dividiria o
diferencial entre o produtor e o consumidor. Recolheria 7% para MG, 4% para ES e os
outros 4% para Minas. Se vendesse para contribuinte, seria 7% para MG e 8% para o
ES.

Mas e, por exemplo, a Araújo vendendo remédios online? O valor unitariamente é


baixo e há uma diversidade enorme de produtos. Imagine que um sujeito do
Maranhão comprou 100 reais em produtos na Araújo da internet. 10 produtos de 10.
A Araújo pega a base de 100 e recolhe 7% para MG. Essas 10 coisas podem ter
alíquotas diferentes no Maranhão. Precisa saber quanto ‘ cada alíquota de cada
item para saber o diferencial e recolher a diferença.

Se há alguém que só intermedia, não adquiriu, não incide o ICMS nesse intermediário.

Alíquota interna não pode ser menor. Cabe ao estado de destino o diferencial entre
a interna e a interestadual. Permite mitigar um pouco a lógica da saída.
Direito Tributário I | 12/07/2018

Bastava que se adotasse a regra da entrada, que é mais lógica porque o ICMS é
sobre o consumo. Se o ICMS fosse Federal também não teria esse problema. Se tivesse
uma Lei só, federal, sumia. E o custo para as empresas diminuiria sem que você
nominalmente precisasse diminuir a alíquota. Não federaliza não é por causa da
receita, porque poderia federalizar e a União repassar os valores arrecadados. Não
federaliza porque os estados perderiam o poder de fazer guerra fiscal. SP não teria
problema em federalizar. Mas um estado menos desenvolvido, não poderia mais
fazer guerra fiscal e não atrairia investimento.

73
Na tributação do consumo do Brasil, tenho IPI e ICMS. A diferença do IPI para o ICMS
é que ele só incide na etapa da industrialização. Enquanto o ICMS incide em todas
as etapas.

IPI → Imposto sobre Produtos Industrializados

ICMS → Impostos Sobre Circulação de Mercadoria e Serviços (Serviços de Transporte


Interestadual e Intermunicipal (?), comunicação e operações mistas). Operação
mista é quando tenho um serviço agregado à mercadoria. Ex.: restaurante.

05/06/2018

ISSQN - Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza

É um tributo que só existe aqui, é uma subdivisão imprópria da tributação sobre


serviços. Nos outros lugares, não importa se o consumo é mercadoria ou serviços.

Não tem um ISS para o Brasil, tem tantos quantos forem os municípios.

No fato gerador, já tem uma peculiaridade. Único caso onde o fato gerador não é
uma inferência natural do conteúdo semântico, da outorga de competência (como
renda, transmissão patrimonial).

O fato gerador se for se balizar apenas no conteúdo semântico? Prestação de


serviços. Mas não é esse o fato gerador do ISSQN.
Direito Tributário I | 12/07/2018

Art. 156, III CF - Compete aos municípios instituir impostos sobre serviços de qualquer
natureza, não compreendidos no ICMS e definidos em lei complementar. O fato
gerador não é apenas a prestação de serviços, e sim aquela definido em lei
complementar. Exercício da competência totalmente dependente da lei
complementar. É ela que vai definir a materialidade do fato gerador do ISS.

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Restaurante paga ICMS pois não está listado no ISS.

O fato gerador do ISS NÃO é a prestação de serviços pura e simplesmente.

A Lei Complementar vai definir a materialidade efetiva do gerador no caso do ISS.

Sujeito ativo é quem? Município. Mas não é simples assim. Pela imaterialidade tenho
dificuldade de identificar.

Sujeito passivo? É o prestador de serviço. Prestador de serviços não guarda uma


relação necessária entre o seu estabelecimento físico e a efetiva produção de
serviço.

Mas não é simples assim no ISS, pois o serviço é imaterial. Precisa de uma conexão
territorial. Difícil estabelecer conexão territorial em prestação. Ex.: Advogado com
escritório em BH. Pegou uma causa em Ipatinga. Primeira fase foi em Ipatinga,
segunda fase no TJ em BH, terceira fase em Brasília no STJ. A conexão territorial não
basta.

Ex.: Construtora com sede em BH. Sou contratado por uma empresa de Nova Lima
para fazer uma obra em Rio Acima.

Esse exemplo mostra a importância da Lei Complementar para definir.

3 textos que tratam da questão:

1. Decreto Lei 406 (Anterior a CF/88 e foi recepcionado como Lei


Complementar). → Regra geral: o sujeito ativo é o município do
Direito Tributário I | 12/07/2018

estabelecimento do prestador. Única exceção: construção civil, pois é


palpável, vai ser no local da construção. Então, se o escritório de advocacia
é em BH, recolhe para BH.
a. A discussão à época era se a lista de serviços era exemplificativa ou
exaustiva. Se a CF diz que a competência é para os serviços listados, é
claro que era exaustiva. Pode no máximo admitir a extensão do item
listado, interpretação extensiva frente a situações de evolução. Ex.: o
decreto evidentemente não falava em serviços de informática. Mas
falava em processamento de dados. Mas nunca poderia incluir um item

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que não fosse por força da hermenêutica. A crítica que se fazia era que
gerava guerra fiscal. Pois tinha uma regra clara que o ISS incide no
município do prestador e os municípios têm alíquotas diferentes. Não há
nenhuma ilegalidade em escolher um município com a alíquota menor,
desde que de fato a sede seja lá.
2. Lei Complementar 116 → tentou resolver a situação mudando, ao invés de
punir apenas quem fraudasse fingindo estar em um município sem estar. Lista
diversos itens. Além de atualizar a lista de serviços passíveis de tributação do
ISS, alterou a regra de ouro do decreto 406. Dividiu: até o item 22, o ISS incide
no estabelecimento do tomador, do 23 em diante, no do prestador.
Estabelecimento prestador é um só, mas tomador pode ser múltiplo. Ai volta a
dar margem para os exemplos citados anteriormente.
3. Lei Complementar 157 (É a que está valendo) → mas alterou muito pouco a
116.

A discussão no ISS é sobre para quem deve pagar, não o quantum.

Às vezes, por um mesmo fato, o banco é debitado em 3 municípios diferentes, sendo


que jÁ recolheu para o da sede.

Serviço no Brasil é tributado: pelo ICMS (S do ICMS: transporte interestadual,


intermunicipal e comunicação); serviço não listado com circulação de mercadoria
com serviço agregado; prestação de serviços descritos na lista anexa da LC 116; não
incidência (Haveria essa hipótese se tiver um serviço que não seja da competência
do estado, não agregue circulação de mercadorias, não esteja listado na lei
complementar).

4 tipos de serviço: 2 de competência estadual, 1 de competência municipal e 1 de


não incidência.

O ideal seria federalizar e tinha que ser fundido com ICMS.


Direito Tributário I | 12/07/2018

Correção do Exercício 3

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1. Imunidade é uma limitação constitucional ao poder de tributar, pois delimita
negativamente a competência outorgada ao ente. Tem que dizer como ela
limita pois o princípio também limita.
2. O fundo é imune ou não? Professor acha que é e a jurisprudência acha que
não é. Para entender que ele é imune, tem que entrar pela linha de instituições
de assistência (generalidade e gratuidade). O Fisco obviamente quer restringir.
Fisco dizia que fundos não têm generalidade nem gratuidade. Generalidade
o STF derrubou, pois obviamente eu posso ter um fundo de servidores do BB,
em que todo servidor de lÁ pode participar. Mas o STF derrubou a imunidade
desses fundos pela gratuidade. No fundo, tem um patrocinador que coloca 1
real e o participante coloca 1. Tudo que o patrocinador põe é gratuito, não
exige nada em troca. Então há assistencialismo, na opinião do professor. Ex.:
O funcionário 1 real e a CEMIG coloca 1 real. A CEMIG não exige nada em
troca para colocar. A jurisprudência entendeu que por haver contribuição do
beneficiário não haveria gratuidade. Mas professor não concorda.
3. Fundo de Servidores da Assembleia Legislativa. Supondo que o patrimônio
desse fundo era 10. 5 foi posto pelo patrocinador, Estado. Esse fundo foi extinto.
A Lei disse que devolve os 5 para o Estado e 5 para o servidor. E aí como que
subdivide esses 5? 2 foram contribuição incentivada, 2 não incentivadas e 1
foi rendimento de aplicação. 2 era dedutível do IR. 2 não eram dedutíveis e 1
era a lucratividade. Se eu recebi 5, pago IR sobre 5, 2 ou 3? Separação de
renda, patrimônio, faturamento. Patrimônio é tudo que tenho depois da
incidência. A legislação da época dava uma isenção. A partir do momento
que passou, já virou patrimônio. No resgate, é devolução do patrimônio, então
só incidiria sobre o rendimento da aplicação. Tudo que estava no fundo já era
patrimônio meu. Para o professor então pagaria sobre o 1 só.

O fundo é imune. Outra coisa é a isenção no resgate, o incentivo dado a colocar o


dinheiro no fundo. A segunda questão diz respeito ao fundo e a terceira diz respeito
a pessoa física.
Direito Tributário I | 12/07/2018

07/06/2018

Sistema Tributário

Vimos renda, consumo, e agora vamos estudar a tributação do patrimônio.

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No Brasil, temos 2 formas de atacar o patrimônio por meio do tributo: estática e
dinâmica.

Estática → previsão para 3 impostos que objetivam tributar o patrimônio no sentido


estático.

O primeiro deles é o IPTU. Tem o objetivo de gravar a propriedade urbana em sentido


estático.

Art. 156, I CF → Compete ao Município instituir imposto sobre a propriedade territorial


urbana.

CTN → art. 32 a 35 → Art. 32. O imposto, de competência dos Municípios, sobre a


propriedade predial e territorial urbana tem como fato gerador a propriedade, o
domínio útil ou a posse de bem imóvel por natureza ou por acessão física, como
definido na lei civil, localizado na zona urbana do Município → tem que entender
propriedade no sentido de posse e domínio também.

Art. 33. A base do cálculo do imposto é o valor venal do imóvel.

Parágrafo único. Na determinação da base de cálculo, não se considera o


valor dos bens móveis mantidos, em caráter permanente ou temporário, no imóvel,
para efeito de sua utilização, exploração, aformoseamento ou comodidade.

Art. 34. Contribuinte do imposto é o proprietário do imóvel, o titular do seu


domínio útil, ou o seu possuidor a qualquer título.

O IPTU pode ou não ser progressivo.

Não constava da redação original, mas foi emendada para permitir a tributação
Direito Tributário I | 12/07/2018

progressiva.

A propriedade urbana é alcançada pelos municípios por meio do IPTU. Não se limita
a propriedade, mas posse e domínio útil.

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Ex.: A Vale explora uma concessão de uma ferrovia. Na praça da estação tem uma
linha de trem. A PBH pretende tributar a Vale em relação àquela linha de trem.
Quando o CTN procurou estender a materialidade da propriedade, era com objetivo
de regular a posse informal, não a posse qualquer. O STF tinha entendido que o IPTU
não podia alcançar qualquer tipo de posse. Mas tem mudado.

O sujeito passivo é o proprietário e a base de cálculo é o valor venal do imóvel.

O IPTU é tributo fiscal e extrafiscal. Importante para política urbana, pode ser usado
progressivamente em razão do valor do imóvel mas também em razão de seu
aproveitamento. Ex.: lotes vagos onde, da perspectiva do município, deve ser
incentivada a construção.

ITR vem tributar a propriedade rural. O ITR se distingue bastante do IPTU, leva mais em
conta a função social. A base de cálculo guarda muito mais proximidade com a
utilização da propriedade, não com o valor do imóvel. O cálculo é mais complicado.

O terceiro tributo que vem a incidir sobre a propriedade no sentido estático é o IPVA.
IPVA, de competência dos estados, é imposto sobre propriedade dos veículos
automotores. A base de cálculo é o valor. A discussão era se o valor ia alcançar
embarcações e aeronaves. O STF julgou que vai se restringir aos veículos automotores
de circulação terrestre. Uma das razões é que o registro de aeronave/embarcação
vai direto para União, iria conflitar em termos de competência. Outro era que o
espírito da CF era tributar apenas veículos terrestres.

Como tributar a propriedade no sentido dinâmico, ou seja, a transferência da


propriedade? ITBI (municipal) e o ITCD. ITBI tem um escopo material menor. Incide só
sobre a transferência do patrimônio imobiliário (ex.: quando compra e vende
apartamento). ITCD incide sobre todo o patrimônio, sendo imobiliário ou não.
Direito Tributário I | 12/07/2018

A propriedade no sentido dinâmico é o principal alvo quando se pensa em justiça


tributária hoje.

O discurso diz que somos um país regressivo porque tributamos mais o consumo. A
grande base para fazer a progressividade seria a renda, mas, em um país como um
nosso, não tem como, pois a renda é baixa.

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A propriedade, principalmente no sentido dinâmico, tem espaço para aumentar a
incidência. Em alguns países, chega até uns 50%. Aqui no Brasil, resolução do Senado
limita a alíquota máxima em 8%. Isso permite que o patrimônio se transfira de geração
em geração com pouca perda.

Hoje tramita no Congresso um projeto que permite que essa alíquota chegue a 20%.
Igualmente no caso do ITBI, o custo cartorário não é alto no Brasil e poderia ter um
espaço para ser mais alto em busca da progressividade.

A Constituição traz competência e limitações em matéria tributária. Por meio da


competência, a CF diz que o que as pessoas políticas de direito constitucional interno
podem tributar. Dividiu em espécie.

A hipótese vai indicar o fato gerador do tributo, se ele é vinculado ou não a uma
atuação do Estado. Depois analisa o critério finalístico do mandamento.

As espécies de fato gerador vinculado não têm relevância fiscal. Elas estão somente
repondo os custos da atuação direta do Estado em relação do contribuinte. O que
têm relevância fiscal, quando estamos falando de atividade financeira, são os não
vinculados. O empréstimo compulsório está em desuso. Então, na realidade, a
relevância recai sobre os impostos e as contribuições. O Brasil é o país das
contribuições.

A CF estabeleceu competência para 13, mas na prática tem 12 pois a União não
estabeleceu o de grandes fortunas.

Esses 13 impostos, incidem sobre renda, consumo e patrimônio, tirando os de aduana


e regulatórios que são os extrafiscais.
Direito Tributário I | 12/07/2018

A tributação sobre consumo no Brasil responde pela maior parte da arrecadação e


pela maior parte das receitas transferidas. Quanto mais baixa a renda per capita,
mais o imposto sobre o consumo impacta.

Há duas contribuições sociais federais que impactam sobre o consumo: PIS/COFINS


e CIDE. Contribuições especiais que gravam pesadamente o consumo. Tenho uma
hiperestrutura tributária sobre o consumo.

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Sobre a renda, tenho o imposto de renda, que é de competência da União. Do ponto
de vista da alíquota, as alíquotas não são tão pesadas. Mas a crítica é que ele não
é só alíquota, é a composição da base tributária. A base que é pesada. O Brasil é
ineficiente e regressivo, pois não deduz nada. Tanto na pessoa física como na jurídica.
Na jurídica ainda tem a contribuição social sobre o lucro.

Sempre tenho que estudar se a incidência está sendo potencializada ou não por uma
contribuição.

A base que talvez tivesse mais espaço para mexer seria o patrimônio. Tenho espaço
tanto em termo de alíquota quanto em termos de base. Tenho espaço do ponto de
vista do ingresso. Mas o retorno que vemos é pouco.

Contribuições sociais, corporativas e interventivas. As corporativas não têm


relevância fiscal. As sociais são extremamente onerosas sobre a atividade produtiva
(paga sobre a folha, faturamento e o lucro). Até por meio das contribuições, tenho
uma distorção regressiva no sistema.

Já é distorcido por arrecadar mais de ICMS e IPI do que de renda.

Concentra-se demais a tributação no consumo.

Vimos que a CF com uma mão outorga a competência, com a outra limita o
exercício dessa mesma competência. Primeiro aspecto é que estabelece princípios
formais e materiais. Formal é fácil de aplicar. Dificuldade na aplicação dos princípios
ditos materiais.
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As imunidades são as outras limitações. Além disso, tem as leis complementares de


normas gerais que devem ser observadas. As funções das leis complementares de
normas gerais (art. 146) são regular conflitos, explicitar uma norma que não é
autoaplicável, livro 2 do CTN inteiro (dizer sobre prazo, prescrição), e normas gerais
sobre impostos (definir base de cálculo, fato gerador, sujeitos ativo e passivo).

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