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Visão: As águias são bem conhecidas pela sua visão, aliás muitas vezes

conotamos uma pessoa com boa visão de “olhos de águia”. De fato, a visão
de uma águia é quatro vezes superior à nossa. Cada olho tem dois pontos de
focagem (frente e lateral) simultâneos. As águias conseguem ver um peixe
a cerca de várias centenas de metros de altitude, ou ver um coelho a uma
distância de 1,6 km. É muito importante ver coisas onde outros não
conseguem ou não querem ver! Tal como o potencial dormente de um futuro
distribuidor, ou a oportunidade de construir um

Tema : lance fora a sua capa


Marcos 10.46-52

Depois, foram para Jericó. E, saindo ele de Jericó com seus discípulos e uma grande multidão,
Bartimeu, o cego, filho de Timeu, estava assentado junto do caminho, mendigando.

E, ouvindo que era Jesus de Nazaré, começou a clamar, e a dizer: Jesus, filho de Davi, tem
misericórdia de mim.

E muitos o repreendiam, para que se calasse; mas ele clamava cada vez mais: Filho de Davi!
tem misericórdia de mim.

E Jesus, parando, disse que o chamassem; e chamaram o cego, dizendo-lhe: Tem bom ânimo;
levanta-te, que ele te chama.

E ele, lançando de si a sua capa, levantou-se, e foi ter com Jesus.

E Jesus, falando, disse-lhe: Que queres que te faça? E o cego lhe disse: Mestre, que eu tenha
vista.

E Jesus lhe disse: Vai, a tua fé te salvou. E logo viu, e seguiu a Jesus pelo caminho.

Jericó (em árabe: ‫أريحا‬, transl. Ārīḥā; em hebraico: ‫ריחֹו‬


ִ ‫ְי‬, transl. Yəriḥo) é uma antiga cidade
bíblica da Palestina, situada às margens do rio Jordão, encrustada na parte inferior da costa que
conduz à serra de Judá, a uns 8 quilômetros da costa setentrional da parte seca do Mar Morto (a
quase 240 m abaixo do nível do Mar Mediterrâneo) e aproximadamente a 27 km de Jerusalém.
Foi uma importante cidade no vale do Jordão (Dt. 34:1, 3), na costa ocidental do rio Jordão.

Descrita no Velho Testamento como a "Cidade das Palmeiras", abundantes campos ao redor de
Jericó tem feito dela um sítio atrativo para habitação humana por milhares de anos.[2] Ela é
conhecida na Tradição judaico-cristã como o lugar do retorno dos israelitas da escravidão no
Egito, liderados por Josué, o suscessor de Moisés. Arqueólogos tem escavado os remanecentes
dos últimos 20 sucessivos assentamentos em Jericó, o primeiro que data de antes de 11.000
anos atrás (9.000 a.C).[3]
Podemos constatar no texto em apreço que Bartimeu era sim, um cego, mas, um cego que
queria ver, e as suas atitudes demonstraram exatamente isto. Inconformado com a sua condição
de vida desejava ardentemente uma mudança. Dizem que o pior cego é aquele que não quer ver
e de fato, não tem coisa pior do que uma pessoa acomodada na miserável condição de vida que
leva. Bartimeu tinha uma necessidade e também um desejo ardente em seu coração. Como
cego que era certamente sentia o desejo de poder ver as maravilhas à sua volta, contemplar
quem sabe o rosto de sua mãe, de seu pai, de seus irmãos, de ver a luz do sol, as estrelas e por
que não, o de constituir uma família. De lado outro, a necessidade de Bartimeu se constituía em
se livrar de sua cegueira, e com isto deixar para trás a vida de mendicância, de humilhação e de
sofrimento que levava. Em condições naturais Batimeu jamais teria a sua necessidade suprida,
pois, além de sua precária condição material, a ciência médica de então não dispunha de meios
para resolver o seu problema. Se ainda hoje, com os avanços da medicina nesta área, um
grande número de cegos vive sem qualquer perspectiva de cura, imagine naquela época.

Certo é que por alguma razão Bartimeu se achava no caminho em que Jesus passaria e ao ouvir
o barulho da multidão, certificando-se de que era Jesus quem se aproximava, gerou nele uma
necessidade nova, ainda maior do que a cura da própria cegueira. O seu grande problema agora
não era mais a cegueira nem os infortúnios dela resultantes, mas sim, como ser atendido pelo
Mestre. Na sua condição isto parecia algo muito difícil e que requereria além de uma boa
estratégia, muita determinação e ousadia. Afinal ele não tinha quem o ajudasse, não dispunha
de um megafone, de um celular, ou qualquer outro meio de comunicação. O seu único recurso
para chamar a atenção de Jesus seria o seu grito, o seu clamor, o que seria uma tarefa nada
fácil, pois grande era a multidão e muitos os que tentavam fazê-lo calar.

Ao ser comunicado de que Jesus o chamava, Bartimeu lançou de si a capa, levantou-se e foi ter
com Ele. Este ato praticado por Bartimeu teve um significado muito grande na obtenção de sua
cura. Senão, vejamos: a capa era para o cego daquela época tudo quanto ele possuía. Era o seu
agasalho para as noites frias que passava à beira do caminho ou nas calçadas das cidades. Era
a sua identidade e ao mesmo tempo um instrumento de sobrevivência. Sem a capa ele poderia
morrer de frio no inverno. Não podemos nos esquecer que se tratava de um mendigo, sem casa,
sem assistência da família e do poder público. Nos dias atuais o cego pode contar com a ajuda
de entidades assistenciais e da previdência, sem contar a possibilidade de sua capacitação e
inserção no mercado de trabalho, mas naquela época não era assim.

Ao ser chamado Bartimeu lançou fora a sua capa e com ela as limitações da cegueira de que era
portador. Com este gesto ele abriu mão de seu patrimônio, de sua identidade e de seu
instrumento de sobrevivência. A capa representava mais do que isto, ela representava a
miserável vida de mendicância, de limitações, de impossibilidades de ver as suas necessidades
supridas e os seus sonhos realizados. Bartimeu naquele momento viu em Jesus a solução de
todos os seus problemas. Ao lançar fora a sua capa, Bartimeu deu prova inequívoca de que
depositara a sua esperança inteiramente em Jesus e que a partir daquele momento desfrutaria
de uma nova vida, uma vida abundante. (Jo. 10.10b – eu vim para que tenham vida e a tenham
com abundância). Ele jamais voltaria a viver aquela mesma vida de antes. Tudo seria novo (2Co.
5.17 Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é: as coisas velhas já passaram; eis
que tudo se fez novo).

Ali, quando as pessoas entravam na cidade passavam por ele. Quantas pessoas já haviam
passado pela vida daquele homem. Já eram comuns aos seus ouvidos os passos, a falação, o
barulho das moedas caindo em seu favor. Mas, no dia em que Jesus passou,ele percebeu que
algo diferente estava acontecendo.

Muitos de nós vivemos à margem da vida, da nossa própria vida, mendigando qualquer coisa
que as pessoas quiserem nos dar (atenção, amor, respeito, diálogo…). Sentados do lado de
fora, percebemos a vida passando por nós e corremos o risco de não vivê-la. É possível que
Jesus tenha passado muitas vezes por nós, mas nossa cegueira não nos deixou ver e nossos
ouvidos estavam ocupados de mais com outras coisas para ouvir sua voz.

Aquele homem percebeu algo diferente. Ainda não sabia que era Jesus. Mas, teve sua primeira
atitude de fé: a curiosidade. A curiosidade de saber por que algo diferente estava acontecendo,
fez com que ele saísse do seu lugar e perguntasse a alguém. E a resposta: “É Jesus!” animou de
tal forma o coração daquele homem que não pensou duas vezes antes de começar a
gritar :”Jesus, filho de Davi, tem piedade de mim!”. A esperança tomou conta dele. Sabia que
Jesus era o único que podia tirá-lo daquele lugar e condição. Jesus era a promessa e aquele
cego, deixado à beira do caminho, entendeu isso.

Era preciso, agora, parar Jesus e fazer com que Ele olhasse e o ajudasse. Gritar foi seu modo. E
aquele homem contra tudo e contra todos que estavam a sua volta, tentando o calar, gritou.
Gritou até que Jesus parou. O grito do desprezado, marginalizado, cego, mendigo….parou
Jesus.

Não importa nossa condição. Jesus parou para o jovem rico, para o mestre da lei, e também
parou para o pobre cego que estava à beira do caminho. Por que não ouviria, também, nossa
voz? Se o clamarmos de coração, ultima e única esperança da nossa vida, Ele ouvirá e se
voltará para nós.

Jesus parou. Ele ouviu o clamor do cego, mas não foi até ele. Jesus poderia ir até onde aquele
homem estava, mas desejou que ele saísse do seu lugar. Ajudado por alguns que entenderam
que o Reino de Deus é amor e inclusão, aquele homem se aproximou de Jesus e ouviu a
pergunta mais esperada de sua vida: “Que queres que eu te faça?”

Durante seu tempo de beira de caminho, com certeza, muitas vezes ele ouviu essa pergunta,
mas de uma forma como quem dissesse: “ Que queres que eu te faça? Não posso ajudá-lo!”
Mas, vinda de Jesus, essa pergunta se torna totalmente nova. Ele sabia que o Mestre falava a
verdade e que realmente queira saber como ajudá-lo.

Jesus, ouve nosso clamor. Pára e pergunta a nós: “O que queres que eu te faça?”

Quantas coisas se passam em nossas mentes? Quantos desejos temos? Quantos sonhos?
Quantas coisas e problemas pra resolver?

Com certeza, tudo isso se passou na mente e coração daquele homem. Poderia pedir dinheiro,
riqueza, para que pudesse sair daquele lugar, poderia pedir que as pessoas o amassem, que
sua família o respeitasse e o recebesse. Muitas coisas.

Mas ele pediu: “Senhor, que eu veja!” . Imaginem as conseqüências desse pedido. Curado, teria
que sair da beira do caminho, não poderia mais mendigar, pois teria condições de trabalhar e
assumir a própria vida. Assumir a própria vida. Conseqüência da cura: ter a responsabilidade de
viver. Por isso, Jesus pergunta, quer saber se realmente aquele homem, e nós hoje, queremos
receber a cura e, com ela, a responsabilidade de viver.

Muitas pessoas se afastam de Jesus, por que Ele é um Deus que traz a vida, mas que dá a nós
a responsabilidade de vivê-la. Muitos já não sabem viver por si só, precisam que as pessoas lhe
indiquem o caminho, o sustentem , cuidem de todas as coisas. Mas o nosso Deus não é muleta,
nem secretário. Ele cura-nos para que saiamos da condição cômoda e assumamos nossa vida.
Mais que uma cura física, Jesus entendeu que aquele homem queria uma cura especial. Não só
queria ver o mundo, as coisas, mas queria ver o que estava acontecendo: o Reino de Deus. E
participar desse Reino. Por isso, curado, andava a frente do Senhor, louvando e atraindo os
olhares pra Jesus. Aquele que estava à beira do caminho, agora, se torna povo de Deus com
aqueles que já haviam sido levantados por Jesus e caminhavam com ele.