Você está na página 1de 7

Superintendência de Mercado e Regulação - SMR

1) Estrutura da TUSD
A receita da concessionária é composta por duas parcelas: o custo de energia elétrica para
revenda - TE e do uso da rede de distribuição - TUSD. A primeira tem caracter neutro, já
que todo o custo é repassado ao consumidor final via a aplicação da tarifa TE, não restando,
em tese, nenhuma margem para a distribuidora. Em função da estrutura tarifária atual, a TE
está dividida em uma componente kW e outra em MWh. A segunda parcela, uso da rede,
reflete os custos da rede de distribuição e a remuneração da distribuidora pela prestação do
serviço ao consumidor final. A TUSD, está atualmente subdividida em Fio onde é cobrado
do consumidor a parcela relativa ao transporte da energia mais a remuneração da
distribuidora e a parcela encargos, componente que tem por objetivo restituir a distribuidora
pelos encargos e tributos que são repassados aos órgãos competentes.

A receita pela aplicação da tarifa com a estrutura atual, TE demanda, TE energia, TUSD
Fio e TUSD encargos, fazem frente, portanto aos seguintes itens:

1) Custos de Energia
2) Remuneração e Custos Operacionais
3) Encargos setoriais e de distribuição

Os custos de energia devem ser alocados exclusivamente na TE energia, cobrada em MWh.


Não faz mais sentido a componente kW, pois ao refletir somente o custo da energia
comprada para a revenda, cuja natureza é MWh e alguns custos adicionais, não é necessário
o componente kW. Na estrutura anterior, quando o valor da tarifa da TE era definido por
diferença entre a TUSD e a Tarifa de Fornecimento, ocorreu situações em que a
componente kW tinha sinal negativo, causando problemas de entendimentos para o
consumidor final. Esse efeito pode ser anulado com a exclusão da componente em kW e
que principalmente que a TE reflita somente o custo da energia.

Com relação a TUSD e diante da estrutura atual, o uso do termo “SERVIÇO” sugerido na
NT, confunde-se com o conceito já firmado pela designação de “FIO”. Assim sugerimos
que não seja empregado este termo. A designação “TUSD - Encargos do SERVIÇO”, deve
ser substituída pelo termo “TUSD Encargos do FIO” pois do contrario o consumidor final
terá a percepção de que existe mais um “serviço” cobrado além da daquele contido na
TUSD FIO.

É necessário também que seja feita a devida diferenciação de alguns encargos que devem
ser arrecadados em kW, onde se estabelece o sinal tarifário advindo do custo marginal e
que visa a otimização da rede, considerando os postos tarifários de ponta e fora de ponta.
Esses encargos deverão ser arrecadados através da aplicação da TUSD Encargos do Fio –
kW. Os demais encargos poderão ser rateados em função apenas do consumo, sem nenhum
sinal tarifário, cobrados em MWh. Sugerimos que para esses encargos seja designada a
nomenclatura TUSD Encargos do Consumo.
Superintendência de Mercado e Regulação - SMR

Com as duas nomenclaturas, TUSD encargos do Fio e TUSD encargos do consumo fica
evidenciado que todos os encargos tem sua natureza ou na componente FIO ou na
componente Consumo.

A estrutura tarifária que sugerimos e ao nosso ver facilita o entendimento de suas


componentes, bem como está de pleno acordo com a origem dos custos da energia elétrica
é:

TE – Energia MWh

TUSD Fio – kW

TUSD Encargos do FIO – kW


TUSD Encargos do CONSUMO – MWh

2) Conceito de Encargo
Conforme defendido anteriormente, a receita da distribuidora se compõem do custo da
energia, do serviço de rede e encargos que são repassados. Dessa forma todo item da receita
derivada da aplicação da tarifa, deve se referir a um desses três itens. Na proposta constante
da NT é designado como encargo apenas a CCC, CDE e Proinfa. No entanto existem outros
encargos que devem ser considerados e que serão detalhados mais a frente.

È proposto também que esses três itens do encargo estejam separados em componentes
distintas da TUSD: TUSD CCC isso, TUSD CCC inter , TUSD Proinfa e TUSD CDE. A
separação tem por motivador que a classe de consumidores Autoprodutores não estão
sujeitos a TUSD CCC isso, TUSD CDE e TUSD proinfa (somente na parcela auto-suprida),
e a subclasse baixa renda (somente até 80kWh) estão isentos da TUSD Proinfa. No entanto
argumentamos que todos os componentes dos encargos devem estar sob uma única rubrica,
TUSD encargos do consumo, devido principalmente a:

• dificuldade da distribuidora com sistema de informática, para a inclusão de novas


componentes
• para que as tarifas representem adequadamente as especificidades de cada consumidor,
a Aneel poderá facilmente publicar diferentes tabelas, contendo cada uma os
componentes necessários. Como por exemplo poderá ser publicada uma tabela para a
TUSD encargos do consumo para o consumidor cativo e outra TUSD encargos do
consumo para o consumidor Autoprodutor sem os itens CCCiso, CDE e Proinfa
(somente na parcela auto-suprida, a que exceder deve arcar com todos os encargos).
Superintendência de Mercado e Regulação - SMR

3) Itens das Componentes

A. Custos de Comercialização: excluir, pois não existem custos a serem alocados a esse
item

B. Perdas na Rede Básica: devem estar unicamente na parcela TE energia, pois os


consumidores livres já pagam esse custo no CCEE.

C. Perdas de Distribuição: é necessário a separação das perdas técnicas e das perdas


comerciais. Para as perdas técnicas, sugerimos que esteja alocada na componente
TUSD encargos do consumo, devendo ser rateada pelo índice de perdas de energia e
diferenciada por nível de tesão, para identificar o custo incorrido pelos diversos níveis
de tensão. Isso se justifica, pois um consumidor de um nível maior de tensão, em tese
possuiu menor responsabilidade sobre este custo, do que aquele consumidor de nível
menor. Já para as perdas comerciais, estas representam um ônus para sociedade.
Devem ser rateadas para todos os consumidores sem levar em consideração a
diferenciação por nível de tensão proposta para as perdas técnicas. Nesse caso todos os
consumidores contribuem igualmente, de acordo com seus consumos. Em se tratando
de um custo cujo a origem está ligada a fatores econômico-sociais, não há porque
diferenciar a responsabilidade de cada consumidor.

D. P&D + Eficiência: o item P&D+Eficiência deve ser classificado como encargo pois é
uma obrigação da concessionária. Deve ser repassado aos consumidores cativos e ao
consumidores livres que utilizam a rede da concessionária. Atualmente o encargo está
dividido nas quatro componentes da tarifa, duas na TUSD e duas a TE. Ocorre que um
cliente livre ao pagar somente a TUSD para a concessionária, está na verdade,
contribuindo com apenas uma parte do encargo. A parcela que está na TE não é
assumida pelo consumidor livre. No entanto, esses mesmos consumidores desejam
participar dos programas de eficiência decorrentes desse encargo, criando um problema
de isonomia perante os demais consumidores cativos. Os consumidores cativos
poderiam alegar que ao pagar o encargo na parcela TUSD e na parcela TE deveriam ser
priorizados na obtenção dos benefícios do programa em relação aos clientes livres. Para
sanar este conflito e considerando que não faz mais sentido a necessidade da divisão de
custos entre distribuição e comercialização, devido ao caráter primordial da
concessionária assumido pelo novo modelo que é exclusivamente o de distribuição de
energia elétrica, sugerimos que o encargo P&D+Eficiência seja cobrado unicamente na
parcela TUSD encargo do consumo. Dessa forma o Cliente livre poderá participar dos
programas frutos desse encargo.
Vale lembrar que o artigo 28 da Lei 10.848/2004, determina que a regulamentação
estabelecerá critérios e instrumentos que assegurem tratamentos isonômicos entre
consumidores cativos e livres, portanto não há como de se concordar com a cobrança
diferenciada desse encargo.
Superintendência de Mercado e Regulação - SMR
E. ESS: O Encargo de Serviço do Sistema deve estar contemplado na TUSD encargo do
consumo por três motivos:
1 - trata-se de um encargo e deve ser partilhado com todos os consumidores, livres e
cativos.
2 - Atualmente está sendo cobrado do consumidor livre diretamente nas pré-faturas da
CCEE, devido à não existência da previsão do encargo na TUSD. Pelo mesmo motivo,
para o consumidor cativo, está sendo cobrado via CVA. Contudo, o art 44 do Decreto
5163/04 estabelece que a partir de 1º de janeiro de 2006, a ANEEL, no reajuste ou
revisão tarifária, deverá contemplar a previsão dos custos de ESS para os doze meses
subseqüentes, sendo possível a partir daí sua cobrança na TUSD - Encargos do
consumo e por conseqüência redução da CVA.
3 – Com essa previsão, o encargo poderá ser cobrado na TUSD encargo do consumo,
deixando de ser cobrado na CCEE.

F. ITAIPU: A obrigação da aquisição de energia elétrica proveniente de Itaipu, cuja tarifa


de energia dolarizada é mais cara que a média de mercado constituiu em última análise,
em um encargo tarifário para o consumidor final, que não escolheu a sua aquisição e foi
compulsoriamente obrigado a comprar por determinação legal. Sob esse mesmo
enfoque, recentemente o Proinfa, foi considerado pelo legislador como um encargo
setorial. Entendemos que para efeito de classificação dos custos de energia elétrica,
objeto desse estudo, os custos de Itaipu fazem parte da mesma natureza do custos do
Proinfa, devendo portanto estar contemplado na TUSD encargos do consumo.

Os custos de Itaipu são constituídos pela potência associada, transporte de energia,


perdas da rede básica e pela TUST. Todos esses custos devem ser rateados com os
consumidores finais, incluindo os clientes livres.

Outro argumento relevante para a inclusão dos custos de Itaipu na componente TUSD
encargos do consumo diz respeito a Lei 9.074/1995 - § 5o onde é estabelecido que o
exercício da opção pelo consumidor não poderá resultar em aumento tarifário para os
consumidores remanescentes da concessionária de serviços públicos de energia elétrica
que haja perdido mercado. Além dissso, o artigo 28 da Lei 10.848/2004, determina que
a regulamentação estabelecerá critérios e instrumentos que assegurem tratamentos
isonômicos entre consumidores cativos e livres.

Recentemente o Proinfa sinalizou adequadamente esse conceito ao ser rateado com


todos os consumidores finais. Aos consumidores livres foi destinada a parcela de
energia correspondente a cota paga. Sugerimos que o mesmo procedimento seja
aplicado a energia proveniente de Itaipu.

Fica desta forma evidenciado portanto, a necessidade de atualização dos critérios de


rateio dos custos de Itaipu. A lei original que tratou dessa questão remonta a década de
setenta, onde não existia o agente consumidor livre no setor elétrico. Do ponto de vista
jurídico, entendemos que se trata apenas de uma interpretação evolutiva da norma, de
modo algum carecendo de outra lei.
Superintendência de Mercado e Regulação - SMR
G. Contribuição ONS: de acordo com a proposta da Aneel o item ONS está na parcela da
TUSD encargo, cobrada em R$/kW. Argumentamos que esse encargo não deve ser
cobrado na parcela R$/kW, pois não se deve dar sinal tarifário. Assim é mais coerente
que o mesmo esteja na parcela TUSD encargos do Consumo cobrado em R$/MWh,
sendo assim isonômico entre todos os consumidores finais.

H. Encargos de Conexão: o termo encargos de conexão está empregado de forma


contraditória. Conexão representa um custo da prestação do serviço, sem o qual não se
pode prestar o serviço. Sugerimos que o termo seja substituído por “Custos de
Conexão”. Por representar um elemento do tipicamente ligado ao FIO, solicitamos
também que o custo seja alocado a componente TUSD FIO.

I. CVA: os itens constantes da Portaria Interministerial 361/04 deverão ser alocados para
efeito de incorporação nas tarifas de energia elétrica, nos seus respectivos componentes:

Item Componente
tarifa de repasse de potência proveniente de Itaipu TUSD encargos do Consumo
Binacional
tarifa de transporte de energia elétrica proveniente TUSD encargos do Consumo
de Itaipu Binacional
quota de recolhimento à Conta de Consumo de TUSD encargos do Consumo
Combustíveis – CCC
quota de recolhimento à Conta de Desenvolvimento TUSD encargos do Consumo
Energético - CDE;
tarifa de uso das instalações de transmissão TUSD encargos do FIO
integrantes rede básica
Compensação financeira pela utilização dos
recursos hídricos;
Encargos de serviços de sistema – ESS TUSD encargos do Consumo
Quotas de energia e custeio do Programa de TUSD encargos do Consumo
Incentivo Fontes Alternativas de
Energia Elétrica – Proinfa
Custos de aquisição de energia elétrica TE

4) Realinhamento Tarifário das Concessionárias com Mercado Menor


que 500GWh/ano
No artigo parágrafo único do artigo 17 da minuta de Resolução, colocada em audiência
pública pela Aneel, é feita uma exceção para as pequenas concessionárias referente ao
realinhamento tarifário.
Ocorre que o realinhamento tarifário previsto na Lei 10.604/2002 e regulamentado
pelos Decretos 4562/2002 e subseqüentes não prevê tal condição. Permitindo a
aplicação do realinhamento para todos os usuários, exceto para as cooperativas de
eletrificação rural.
Superintendência de Mercado e Regulação - SMR
Até mesmo porque não faz sentido que os consumidores das pequenas concessionárias
tenham tarifa de energia subsidiada em detrimento dos consumidores das supridoras.
Desta forma, assevera-se que a TE da unidade supridora, que é uma proxy do mix de
compra, seja integralmente repassada, sem subsídios para a pequena concessionária.
De forma a aliviar o impacto tarifário para os consumidores da pequena concessionária,
propõe-se que seja cobrada a TUSD do nível tarifário imediatamente superior ao da
conexão.
Superintendência de Mercado e Regulação - SMR

RESUMO DA ALOCAÇÃO DOS CUSTOS

Copel
TUSD Fio B (R$/kW) TE MWh
Remuneração dos Ativos (D) Energia Comprada para revenda
Custos Operacionais (O&M) Perdas na Rede Básica
Remuneração dos Custos de Ger Própria
TUSD Fio A (R$/kW) Uso da Rede Básica Iniciais
Custos de Conexão e DIT PIS/PASEP Cofins
TUSD Paga CVA (compra de energia)
TUST Paga
CVA (rede básica)
Bolha (concatenação da Tusd)

TUSD Encargos do Fio (R$/kW)


RGR
TFSEE
CVA (desconto 50% TUSD Fontes Alternativas
PIS/PASEP Cofins (inclusive sobre TUSD Fio)
CVA (Pis/Cofins)

TUSD Encargos do Consumo (R$/MWh)


CDE (*)
CCC Isolado (*)
Proinfa (*)
CCC Interligado
Contribuição ONS
Perdas Técnicas D e DIT (rateada pelo índice de
perdas de energia e diferenciada por nível de
tensão)
Perdas Comerciais D
Potência de Itaipu
Perdas de Itaipu
TUST Itaipu
Transporte de Itaipu
ESS
P&D + eficiência (Todas as parcelas)
PIS/PASEP Cofins
CVA (CCC,CDE,PIS/Cofins)
CVA (Proinfa, ESS, Itaipu, Transp. Itaipu)

(*) Autoprodução não paga

Interesses relacionados