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A teoria das obrigações esteve presente ao longo da história, possuindo, em cada

momento, significação própria. Durante a Idade Média, por exemplo, a


responsabilidade pelo descumprimento de um acordo confundia-se com a
incumbência penal. No entanto, com o advento do Iluminismo, observou-se uma
rejeição aos antigos dogmas e uma valorização do indivíduo e da liberdade. Nota-se,
na sociedade hodierna, que o Direito das Obrigações possui elementos essenciais a
sua existência, entre eles, o vínculo obrigacional se destaca por conferir exigibilidade e
coercibilidade ao compromisso fixado pelos sujeitos.
Fundado no vinculum júris, o liame obrigacional une as partes da relação jurídica
e dispõe o direito ao credor de exigir a prestação pactuada com o devedor, o qual
possui a incumbência de cumpri-la. Ao seguir tal linha de raciocínio, o civilista alemão
Alois von brinz compreendeu que o vínculo obrigacional possui dois elementos
distintos e interdependentes: o débito e a responsabilidade. Este representa a
existência da coação jurídica nas relações obrigacionais enquanto aquele versa sobre
a satisfação da dívida (adimplemento da prestação estabelecida).
A priori, se a obrigação possuir caráter personalíssimo, ela alcançará somente às
partes do liame. No entanto, caso isso não ocorra, o ônus se valerá também aos seus
herdeiros ou sucessores, os quais poderão acionar o Poder Judiciário em hipótese de
descumprimento da responsabilidade. O Código Civil de 2002 versa sobre
determinado assunto ao limitar o encargo dos herdeiros à força da herança. Sob a
égide de Maria Helena Diniz, a transmissão da obrigação representa uma conquista do
direito moderno.
Dessa forma, é notória a importância do vínculo obrigacional no que concerne o
Direito das Obrigações. Isso deriva do fato do liame existente não permitir que o
sujeito passivo (ou seus herdeiros e sucessores) se exonere de sua responsabilidade
civil diante do credor e de permitir que, ao ser quitada sua dívida patrimonial, efetue-
se a extinção do gravame obrigacional, o que confere ao vínculo uma natureza
transitória.