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UNIÃO DE FACULDADES DE ALAGOAS


FACULDADE FIGUEIREDO COSTA
PÓS-GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA DE SEGURANÇA DO TRABALHO

CARLA JACIARA DE SOUSA


TÁRCYANNE EMANUELLE A. MESQUITA

PROJETO DE COMBATE CONTRA INCÊNDIO E PÂNICO DE UMA CLÍNICA EM


MACEIÓ.

MACEIÓ – AL
2014
1

CARLA JACIARA DE SOUSA


TÁRCYANNE EMANUELLE A. MESQUITA

PROJETO DE COMBATE CONTRA INCÊNDIO E PÂNICO DE UMA CLÍNICA EM


MACEIÓ.

Trabalho de Conclusão de Curso - TCC


apresentado como requisito parcial para
obtenção do grau de Especialista em
Engenharia de Segurança do Trabalho
pela Faculdade Figueiredo Costa.

Orientador: Eduardo Hercules da Silva Justo.

MACEIÓ – AL
2014
2

CARLA JACIARA DE SOUSA


TÁRCYANNE EMANUELLE A. MESQUITA

PROJETO DE COMBATE CONTRA INCÊNDIO E PÂNICO DE UMA CLÍNICA EM


MACEIÓ.

Esta Monografia foi julgada e aprovada para obtenção de Especialista pela Faculdade
Figueiredo Costa.

Banca Examinadora:

_______________________________________________________________
Orientador:

_______________________________________________________________
Presidente Professor:

______________________________________________________________
Professor Convidado:

Maceió _________de________________ de 2014


3

DEDICATÓRIA

Dedicamos aos nossos familiares que sempre nos apoiaram nessa longa caminhada,
Piedade, Marlon, Altino, João Pedro, Lázaro.
4

AGRADECIMENTOS

Agradecemos primeiramente a Deus, que nos iluminou e proporcionou sabedoria ao longo


deste ano, nos momentos de fraqueza e insegurança.

Aos nossos pais, que nos deram a vida e nos ensinaram a vivê-la com dignidade; obrigada
pelo amor incondicional.

Aos nossos irmãos; que nos ajudaram nesta caminhada, sempre comemorando nossas vitórias.

Aos nossos companheiros, que sempre esteve ao nosso lado, nos incentivando com sua
paciência, mostrando o quão nós tínhamos capacidade de ir em frente e nunca desistir dos
nossos sonhos.
5

“Não confunda jamais conhecimento com


sabedoria. Um o ajuda a ganhar a vida; o
outro a construir uma vida”.

Sandra Carey
6

RESUMO

Este estudo tem como objetivo auxiliar na criação de um projeto de combate a


incêndio e pânico de uma clínica de análises laborais de Maceió - AL, bem como identificar
as condições de riscos e trajetos de fuga, adequando à NR-23. Diante de tristes e catastróficos
episódios de incêndios motiva-se maior dedicação, alteração de conceitos e condutas, para
fins de prevenção e combate a sinistros oriundos de incêndios. Por este motivo, as empresas
devem adotar mecanismos que de fato possam atender adequadamente, tanto no que se refere
à proteção, bem como a prevenção eficiente contra incêndios e combate ao fogo. Deverá fazer
parte do projeto, extintores, saídas de emergência, iluminação de emergência e sinalização de
emergência.

Palavras-chave: Incêndios; Projeto de combate a incêndio; NR-23.


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ABSTRACT

This study has objective to assist in creating a project firefighting and panic of a
clinical analysis Maceio - AL, as well as identify the conditions and risks of leakage paths,
adapting to the NR-23. Facing sad and catastrophic fire episodes is motivated more
dedication, changing concepts and behaviors, for purposes of preventing and combating losses
arising from fire. For this reason, companies should adopt mechanisms that can adequately
meet both as regards the efficient protection and prevention and firefighting. Should be part of
the project, fire extinguishers, emergency exits, emergency lighting and emergency signaling.

Keywords: Fires; Project firefighting; NR-23.


8

LISTA DE FIGURAS

Figura 1: Número de mortos por incêndio................................................................................ 17


Figura 2: Bombeiros chegam ao local do incêndio - Boate Kiss .............................................. 18
Figura 3: Formas de aplicação da água. A – Em jacto; B – Pulverizada.................................. 22
Figura 4: Extintor de pó químico montado num veículo especial de combate a incêndios. ..... 23
Figura 5: A espuma extingue por arrefecimento e abafamento. ............................................... 23
Figura 6: Instalação fixa de CO 2 ............................................................................................... 24
Figura 7: Elementos e componentes do sistema de hidrantes................................................... 27
Figura 8: Elementos que compõem um sprinkler. .................................................................... 28
Figura 9: Subsistemas de um SPDA. ........................................................................................ 29
Figura 10: Exemplos de acionadores manuais. ......................................................................... 31
Figura 11: Sistemas de iluminação de emergência trad icionais. .............................................. 32
9

LISTA DE TABELAS

Tabela 1: Perdas devido a incêndios – estimativa anual (EUA)............................................... 16


Tabela 2: Número de incêndios por ano ................................................................................... 18
Tabela 3: Características do imóvel.......................................................................................... 34
Tabela 4: Resumo dos equipamentos fixos e portáteis ............................................................. 35
Tabela 5: Sinalização de emergência (fotoluminescente) ........................................................ 35
Tabela 6: Descrição das sinalizações........................................................................................ 36
Tabela 7: Dimensão das placas de sinalização ......................................................................... 36
Tabela 8: Iluminação de emergência ........................................................................................ 37
Tabela 9: Extintores .................................................................................................................. 37
Tabela 10: Saída de emergência ............................................................................................... 38
10

SUMÁRIO
DEDICATÓRIA ......................................................................................................................... 3
AGRADECIMENTOS ............................................................................................................... 4
RESUMO.................................................................................................................................... 6
ABSTRACT ............................................................................................................................... 7
LISTA DE FIGURAS................................................................................................................. 8
LISTA DE TABELAS................................................................................................................ 9
1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................ 11
1.1 Definição do problema............................................................................................... 12
1.2 Justificativa ................................................................................................................ 13
1.3 Objetivos .................................................................................................................... 14
1.3.1 Objetivo geral ..................................................................................................... 14
1.3.2 Objetivos específicos .......................................................................................... 14
2 REVISÃO DA LITERATURA ........................................................................................ 15
2.1 Expressão mundial e cenário brasileiro ..................................................................... 15
2.2 SISTEMA DE PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIO ................................................ 20
2.2.1 Sistemas de proteção – Ativos ............................................................................ 21
2.2.1.1 Extintores de incêndio ................................................................................. 21
2.2.1.2 Hidrantes...................................................................................................... 26
2.2.1.3 Chuveiros automáticos (Sprinklers) ............................................................ 27
2.2.2 Sistemas de proteção – Passivos ......................................................................... 29
2.2.2.1 Sistema de proteção contra descargas atmosféricas (SPDA) ...................... 29
2.2.2.2 Detecção, alarme e comunicação de emergência ........................................ 30
2.2.2.3 Iluminação e sinalização de emergência ..................................................... 31
2.2.2.4 Saídas de emergência .................................................................................. 32
3 ESTUDO DE CASO......................................................................................................... 34
3.1 Descrição da clínica de análises laboratoriais............................................................ 34
4 RESULTADOS E DISCUSSÕES .................................................................................... 35
5 CONCLUSÃO .................................................................................................................. 40
6 REFEÊNCIAS .................................................................................................................. 42
ANEXO A – CÁLCULO DE DIMENSIONAMENTO DA SAÍDA DE EMERGÊNCIA ..... 45
ANEXO B – CÁLCULO DO SPDA ........................................................................................ 46
11

1 INTRODUÇÃO

A sociedade humana, desde os primórdios de sua existência, com base em análises


referenciais, o marco da pré-história, têm como temor e grande preocupação os incêndios.
Sabe-se, que um dos passos fundamentais em relação ao fogo e sua utilização primária pelos
humanos, foi sua capacidade, de certa forma, poder controlá-lo, quando inicialmente o fogo
que se obtinha, era proveniente de atos da própria natureza.

Com o passar dos tempos, a evolução como um todo tornou-se imprescindível, e


assim, descobriu-se meios práticos de como obtê-lo, e promover sua utilização sob as mais
diversas características, em prol de atividades que os homens desempenhavam em contínuo e
acelerado desenvolvimento. Dentre muitas atividades, o uso adequado do fogo proporcionava:
cozimento e preparo da alimentação, casas de fundição, (fabricação de armas e utensílios
domésticos), gerador de vapor, bem como outras inúmeras atividades correlacionadas.

Seguindo a evolução social humana, grandes metamorfoses e notáveis


desenvolvimentos tecnológicos, propiciaram expressivas alterações nos métodos e sistemas
construtivista nas edificações. Neste sentido, aponta-se como preferência de uso em extensas
áreas desprovidas de compartimentos, em complemento com os seguintes materiais: fachadas
emolduradas com vidraças, também a utilização concentrada de produtos combustíveis
associada a elementos de construção. Tais transformações, somadas ao crescimento complexo
das edificações, equipamentos e serviços, bem como de instalações, revelou-se preocupantes
riscos, que foram introduzidos em todo o sistema.

Depreende-se, que a diversidade de materiais existentes nas construções/edificações,


quer sejam nos móveis a exemplos de; (sofás, persianas, componentes decorativos), dentre
outros, ou mesmo, materiais associados a fatores complementares construtivos, tais como;
(pinturas em paredes, com tintas à base de óleos, revestimos plásticos para tetos, pisos
emborrachados, e ainda fachadas de material polímero). Tais objetos são fatores diretos e
responsáveis primazes, pelo aumento da proporção do fogo, bem como de sua rápida
propagação e também da evolução da fumaça, a culminar na formação de gases tóxicos.
Assim, formando este conjunto acelerado de atividades, o incêndio atinge contornos críticos, a
semear pânico e gerar mortes (MITIDIERE; IOSHIMOTO, 1998).
12

As regulamentações que abordam sobre a reação do fogo, face aos produtos


utilizados em tetos e materiais para acabamento de paredes, são mais extensas e conclusas.
Tal fato de se dá, em virtude de pesquisas realizadas sobre trágicos episódios ocorridos nos
EUA, quando evidenciaram que materiais tradicionais, como (madeira, materiais em vinil ou
mesmo por componentes de resinas) demonstravam a priori, parcela reduzida de contribuição
para expansão do fogo, isto, considerando momentos iniciais de determinado incêndio. Por
outro lado, no que tange aos produtos usados em revestimentos, tetos, bem como os
acabamentos de paredes, mediante franco contato e exposição de ignição, promoverão
envolvimento, logo de imediato, ou seja; nos momentos iniciais do incêndio (UBC Handbook,
1995 apud BRASIL, 1995).

O Brasil, detém performance de destaque em análise das últimas décadas,


concernente à segurança contra incêndio. Tristes e catastróficos episódios de incêndios
motivaram maior dedicação, alteração de conceitos e condutas, para fins de prevenção e
combate a sinistros oriundos de incêndios. Sob o prisma Internacional, a Segurança Contra
Incêndio (SCI) na literatura Seito et. al.(2008) têm apreciação como ciência, sendo assim
definida e considerada como área de pesquisa, sob moldes de desenvolvimento e métodos de
ensino.

Por outra vertente, verificam-se grandes ações sobre tal matéria ora abordada, no
continente Europeu, nos EUA, também no Japão, sendo de fato verificado, ainda que em
menor proporção, mas com considerados avanços, em diversos países ao redor do mundo.

1.1 Definição do problema

Ressalta-se que, valores inerentes aos danos provocados por incêndios, quer sejam no
âmbito material comercial e industrial, estão apresentando aumentos significativos. Se de fato
ocorrer a continuidade de tais eventos, sem que haja alguma intervenção significativa, para
que ao menos possa minimizar os referidos danos, bem como seus efeitos, cogita-se por
alarmante previsão de que até 2020, os referidos tipos de incêndios, poderão custar cifras
estimadas em até 10 bilhões de Libras (ISB, 2014).

Diante, portanto, das tendências mundiais, Brasil (1995) cita que:


13

 A conduta do projetista que leva em conta os meios de segurança contra


incêndios, como simples problema que busca sua satisfação nos códigos e leis;
(Tal conduta permeia-se numa realidade plausível, mediante os moldes da
ideologia fática Brasileira);
 A determinação da norma quanto ao cumprimento de seus requisitos que
abordam a segurança internacional. A esse respeito, tal ato normativo, por sua
vez, deveria ter sua prospecção voltada a um sincronismo que se aproximasse
da perfeição no que tange à concepção de segurança contra incêndio. Nestes
termos, vê-se a possibilidade de adequação de projetos específicos para cada
edifício, observando-se peculiaridades de atendimento e satisfação.
 A existência de crenças, verificadas no meio empresarial, ou mesmo de
construtores, acerca de que o emprego de certos elementos para maior
adequação e elevação do nível de segurança contra incêndios, tratam-se na
verdade de investimentos, que não se traduzem em retorno. (Visão Capitalista,
somente lucros e expansão). Por este prisma, vê-se se a interpretação de que o
incêndio, trata-se de uma matéria de risco exclusivo a ser amparada pela
responsabilidade do seguro.

1.2 Justificativa

A segurança deve pautar como prioridade a garantir a incolumidade das pessoas, as


quais estejam correlacionadas direta ou indiretamente na seara laborativa ou em condições
comuns (transeuntes). Por este motivo, as empresas, hão de adotar mecanismos que de fato
possam atender adequadamente, tanto no que se refere à proteção, bem como a prevenção
contra incêndios e ainda adotar formas adequadas e eficientes de combate ao fogo. Também
há severa necessidade de implantação de medidas eficazes que venham possibilitar com
segurança, franca evacuação, em casos emergenciais.

Mediante toda exposição acima, pode-se compreender e de forma clara, como sendo
o mesmo, também, considerável ameaça aos negócios, a exemplo, cita-se a Europa, que tem
em seu histórico, números alarmantes no que tange a consideráveis perdas oriundas de
incêndios. Em conformidade com dados expressos fornecidos pela Associação de
14

Seguradoras Britânicas – (ABI- nota em inglês), bem como ainda, a Associação de Proteção
contra Incêndios (FPA) foram registradas enormes perdas pelos armazéns, oriundas de
incêndios catalogados no Reino Unido.

Mesmo que registros apontem minoria de incêndios em armazéns, em relação às


fábricas, o reflexo negativo no circuito financeiro, poderá revelar elevados níveis
desproporcionais comparados entre si. Nesta hipótese, considera-se perdas de estoques,
destruição de edifícios, paralisação dos negócios, bem como prejuízos a uma série de outros
negócios e atividades que gravitam em torno dos referidos armazéns.

Conforme dados recentemente apontados, por meio da “ABI”, apresentam relatos


que em 2009, precisamente no primeiro semestre, na Grã Bretanha, suas seguradoras
disponibilizaram para pagamento, a cifra de 639 milhões de Libras, em virtude de danos
promovidos por incêndios. Nesta comparação, extrai em valores econômicos o valor de 3,6
milhões de Libras por dia. (ISB, 2014).

1.3 Objetivos

1.3.1 Objetivo geral

Este trabalho traz como objetivo geral, promover a criação de instalações pertinentes
ao combate de incêndio, no ambiente de uma clínica de análises laboratoriais, na cidade de
Maceió – AL, bem como, pré-estabelecer mecanismos físicos, informativos e interativos, que
possibilitem minimizar caso de crise/sinistros, a semeadura do pânico ou mesmo, a perda de
vidas humanas.

1.3.2 Objetivos específicos

 Investigar as condições de riscos


 Identificar os trajetos de fuga
 Projetar o sistema de proteção de incêndio
 Adequar às normas vigentes
 Propor melhorias
15

2 REVISÃO DA LITERATURA

2.1 Expressão mundial e cenário brasileiro

Baseado em períodos, cujo manuseio do fogo se demonstrava com grande


precariedade ao passo que em mesma sociedade, quase que a totalidade das casas fora
construída de madeira, depreendeu-se grandes incêndios que devastaram partes das cidades,
quer tenham sido destruídas por meio de acidentes ou mesmo por incêndios provocados.
Como exemplo, destaca-se, Lisboa, Londres e Roma, como sendo algumas cidades que foram
quase extintas em virtude de históricos e grandes incêndios, mundialmente conhecidos.

Com a evolução social, o homem ascendeu também sua arquitetura dando prioridade
ao concreto armando, utilizando-se ainda de outros materiais, tais como, o aço e o vidro; fato
que resultou em considerável baixa no que tange aos incêndios de grandes proporções.
Entretanto, incêndios de grandes evoluções, ainda são verificados com determinada
frequência em ambientes comerciais, bem como setores industriais, cujas instalações
acumulam materiais propícios à fácil ignição, como depósitos de combustíveis, refinarias,
fábricas de produtos petroquímicos, dentre outros.

Considerando a evolução mundial, face aos costumes, a vida do homem nas cidades
no decorrer do século, verifica-se nitidamente que seus projetos de edificações se
evidenciaram em processos de natureza bastante complexa. Tornou-se obrigatório ter
conhecimento especializado, bem como a utilização de novas matérias primas e tecnologias.
Assim, a avaliação de grandes perdas econômicas e de inúmeras vidas humanas em
decorrência de incêndios, possibilitou o incremento das pesquisas e investigações nas últimas
décadas (BRASIL, 1995).

No âmbito internacional, denota-se frequente, a exigência de análises e testes


(observados paramentos da “SCI”), quanto aos materiais, bem como os equipamentos e
demais utensílios utilizados para fins de construção. Para alcançar um desempenho cada vez
maior, a sociedade desenvolve novas soluções em todas as áreas, como: laboratórios de
pesquisa e certificação, normalização, instituições, legislação e ensino. (SEITO et. al., 2008).
16

Torna-se imprescindível que se promova constantes investimentos nas diversas áreas,


em prol reduzir os incêndios, sendo de fundamental importância, o aperfeiçoamento
continuado das profissões pertinentes, direta ou indiretamente envolvidos. Ainda em comento,
estatísticas apresentadas pelos Estados Unidos da América tem revelado que as perdas
originárias de incêndios são de fato muito expressivas, quer seja; material ou humano,
conforme Tabela 1.

Tabela 1: Perdas devido a incêndios – estimativa anual (EUA).

Fonte: Adaptado de NFPA, 2003.

Os valores anualmente verificados dos EUA, em face de perdas materiais e humanas


por incêndios, são assustadores e requer atos concretos e objetivos. Segundo estatísticas, os
feridos chegam a 300 mil pessoas e as perdas de vidas humanas a 12 mil pessoas anualmente
(BRASIL, 1995).

Segundo Seito el. al. (2008), no ano de 2005, os EUA constatou:

 3.677 perdas de vidas humanas de civis em incêndios.


 17. 925 pessoas feridas em incêndios.
 115 bombeiros mortos em serviço.
 83% dos civis morreram em incêndios residenciais.
 1.6 milhões de ocorrências de incêndios foram registradas.
 Valor estimado das perdas devidas a incêndios US$ 10,7 bilhões.
 Uma estimativa de 31 500 incêndios provocados resultaram em 315 mortes.
 As perdas estimadas pelos incêndios provocados foi de US$ 664 milhões.

No Brasil existem instruções técnicas, normas e legislação relacionadas à segurança


contra incêndios, sendo que parte das normas utilizadas é originária da National Fire
17

Protection Association (NFPA) dos Estados Unidos da América e normas europeias – de


estudos e normatização da prevenção, proteção, combate e educação pública relacionados a
incêndios, atendimentos com produtos perigosos e atividades de pronto-socorrismo e
salvamentos (PEREIRA; JUNIOR, 2010).

Com dados estatísticos críticos, o Brasil encontra-se em segundo colocado no


ranking mundial, no que tange a números por vítimas de incêndios, conforme a Figura 1.
Cabe ressaltar que os números coletados são fornecidos pelo Corpo de Bombeiros,
enfatizando que somente 5% dos municípios brasileiros dispõem de grupamento de incêndio
(BRASIL, 1995). Assim, fácil concluir que a informação de certa forma imprecisa, torna-se
prejudicial para composição gráfica, bem como para a realidade de dados oficiais
apresentados.

Figura 1: Número de mortos por incêndio

Fonte: Brasil, 2005 apud Mapfre Seguridad, 1991.

Segundo um estudo do Projeto Brasil Sem Chamas, datado de 2008, estima-se que
ocorrem por ano cerca de 138.000 incêndios no país, dos quais aproximadamente 43.000
(31% do total) acontecem em edificações. Dessa estimativa total sobre incêndios apenas 12%
dos casos tiveram suas causas identificadas (TOMINA, 2010).
18

As repercussões negativas em detrimento dos incêndios são severamente expressivas;


sendo que 20% das entidades afetadas pelo fogo deixam de existir, segundo Brasil (1995).
Como consequência, têm-se graves problemas, além do desemprego, gerando distúrbios
sociais. O tratamento das vítimas por queimaduras é duradouro, e em muitos casos, as
drásticas sequelas vão além do corpo físico em si, atingindo permanentemente o estado
psicológico do indivíduo, restringindo sua vida social.

Na Tabela 2 estão apresentadas as ocorrências de sinistros registradas pelo Corpo de


Bombeiros do Estado de São Paulo.

Tabela 2: Número de incêndios por ano

Fonte: Seito el. al., 2005.

Houve tragédias marcantes de incêndio no Brasil, e o mais recente, ocorreu no ano


de 2013, na boate Kiss em Santa Maria – Rio Grande do Sul (Figura 2). Segundo a revista
Exame (2013), foram 231 mortes (a maioria por asfixiamento dentro da casa lotada e com
apenas uma saída) e centenas de feridos. A tragédia foi a segunda maior do Brasil em número
de vítimas fatais.

Figura 2: Bombeiros chegam ao local do incêndio - Boate Kiss

Fonte: Exame, 2013.


19

Outros grandes incêndios ocorridos no Brasil segundo Exame (2013):

 Tragédia do GranCircus Norte-Americano (RJ): em 1961, um ex-funcionário


do Circo quis se vingar do chefe após ter sido demitido. Adilson Alves tinha
antecedentes criminais e problemas psicológicos. Junto com dois comparsas,
usou gasolina para colocar fogo na lona que, feita de uma composição com
parafina, se incendiou com rapidez e caiu em cima das quase três mil pessoas
que assistiam ao espetáculo.No local, 503 pessoas morreram, 70% das vítimas
eram crianças. Mais de mil pessoas ficaram feridas.
 Edifício Joelma (SP): em 1974, um curto-circuito em um aparelho de ar-
condicionado no 12º andar do prédio paulistano deu início a um incêndio que
se espalhou rapidamente pelos móveis de madeira, pisos acarpetados e forros
internos de fibra sintética. Em pouco tempo, as escadas foram tomadas pelo
fogo e pela fumaça, impedindo as pessoas de evacuarem o prédio.Mais de 180
pessoas morreram no incêndio que reacendeu as discussões sobre segurança e
preparo para prevenção e combate a incêndios.
 Creche Uruguaiana (RS): em 2000, um curto-circuito em um aquecedor
incendiou uma creche em Uruguaiana, no Rio Grande do Sul. Doze crianças
entre 2 e 4 anos morreram e duas funcionárias da escola (inclusive a diretora)
foram presas.
 Show no Canecão Mineiro (MG): em 2001, um acidente com a queima de
fogos no palco gerou um incêndio que matou sete pessoas e deixou mais de
300 feridos em Belo Horizonte. A casa de show não tinha alvará para
funcionamento e o proprietário, um produtor e dois músicos foram
condenados.

Depoimentos de sobreviventes aos atentados de 11.09.2001, ao World Trade Center,


em Nova York, revelaram que o treinamento de abandono de local de trabalho foi o grande
responsável para que conseguissem buscar as saídas seguras existentes (SEITO et. al., 2008).
Diante deste fato, observa-se que é de fundamental importância o treinamento de pessoas e
estudo de melhores procedimentos em caso de incêndio.
20

2.2 SISTEMA DE PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIO

As medidas de proteção contra incêndio são de caráter preventivo ou de proteção.


Berto (1991) define essas medias como:

As medidas de prevenção de incêndio são aquelas associadas ao elemento


precaução contra o início do incêndio e se destinam, exclusivamente, a
prevenir a ocorrência do início do incêndio, ou seja, controlar o risco de
início de incêndio. As medidas de proteção contra incêndio são aquelas
destinadas a proteger a vida humana e os bens materiais dos efeitos nocivos
do incêndio que já se desenvolve no edifício. São necessárias ao sistema
global de segurança contra incêndio, na proporção em que as medidas de
prevenção venham a falhar, permitindo o surgimento do incêndio. Estas
medidas compõem os seguintes elementos do sistema global: limitação do
crescimento do incêndio; extinção inicial do incêndio; limitação de
propagação do incêndio; precaução contra a propagação entre edifícios;
evacuação segura do edifício, precaução contra o colapso estrutural; e
rapidez, eficiência e segurança das operações de combate e resgate.

Os riscos de incêndio não são eliminados totalmente, no entanto os requisitos


funcionais são fundamentais para garantir que os mesmos sejam minimizados. Rocha (2010),
em sua dissertação de mestrado cita alguns:

 A precaução contra o inicio do incêndio, dificulta a ocorrência do principio de


incêndio, acarretando a segurança da vida humana e da propriedade atingida;
 A limitação do desenvolvimento do incêndio, dificulta a inflamação
generalizada no local de origem, aumentando a segurança da vida humana e da
propriedade atingida;
 A extinção inicial do incêndio, elimina o mesmo proporcionando a segurança
da vida humana e da propriedade atingida;
 A evacuação segura do edifício, assegura a fuga do individuo;
 A prevenção no alastramento do incêndio entre outras edificações, dificulta a
ocorrência de incêndio para outro prédio, proporcionando a segurança da vida
humana e propriedades vizinhas;
21

 Manutenção nas edificações para que não ocorra um colapso estrutural,


gerando assim uma segurança a vida humana, a propriedade atingida e a
propriedades adjacentes;
 Agilidade, competência e segurança nas operações de combate e resgate, pelas
equipes que devam ser responsáveis por essas operações como: Bombeiros
Militares, Bombeiros Civis, Brigadistas.

2.2.1 Sistemas de proteção – Ativos

2.2.1.1 Extintores de incêndio

Para May e Souza (2005), “um extintor de incêndio é um aparelho, que contém um
agente extintor, para ser projetado e dirigido sobre um fogo, pela ação de pressão interna”.

Os extintores são o meio mais adequado para combater um incêndio na sua fase
inicial, permite controlar as chamas incipientes ou conter o seu desenvolvimento até a
chegada dos bombeiros, podendo salvar vidas.

As inspeções, manutenções e recargas nos extintores de incêndio deverão ser


realizadas em conformidade com o estabelecido pela norma da ABNT (NBR 12962) ou
regulamentos técnicos do INMETRO.

Para Guerra et. al. (2006) os extintores são classificados em função do agente
extintor que podem ser utilizados para uma ou mais classes de fogo. Os extintores podem ser
caracterizados pelo agente extintor, sistema de ejeção, capacidade extintora, carga em volume
e massa. Quanto ao agente extintor, este pode ser do tipo:

 Água: é o agente extintor por excelência uma vez que, em geral, é abundante,
de baixo custo e é passível de ser utilizada de diversas formas. Atua,
essencialmente, por arrefecimento e pode ser aplicada na forma de jacto ou
sob a forma pulverizada (Figura 3): chuveiro ou nevoeiro. Pode atuar também
por abafamento, mais vulgar na aplicação pulverizada, dada a elevada
produção de vapor de água que pode originar. Outro exemplo de abafamento
22

consiste na utilização de água cobrindo a superfície combustível de um


líquido mais denso e não miscível com ela ou, ainda, o encharcamento de
espaços com combustíveis sólidos.

Figura 3: Formas de aplicação da água. A – Em jacto; B – Pulverizada.

Fonte: Guerra et. al., 2006.

 Pós-químicos: este tipo de agente extintor oferece, em certas circunstâncias,


uma boa alternativa ao uso da água. Os pós são constituídos por substâncias
sólidas, finamente divididas em cristais secos com dimensões de 10 a 75 µm,
sendo projetados com o auxílio de um gás propulsor inerte não tóxico (azoto
ou CO 2 ). Todos atuam no sentido de suprimir a chama através da inibição da
reação em cadeia. Classificam-se segundo as classes de fogo; BC, a matéria
base é, em geral, o bicarbonato de sódio misturado com outros produtos,
como estearato de zinco ou silicone que melhoram as suas características.
ABC, foram adoptados para estender a ação deste tipo de agentes extintores à
classe A e são constituídos com base em compostos de amoníaco. D, são
específicos de um dado metal reativo ou família de metais. Sendo à base de
grafite e alguns cloretos e carbonetos específicos, são totalmente ineficazes
em fogos das restantes classes e usam-se, em geral, nas indústrias aeronáutica
e nuclear.
23

Figura 4: Extintor de pó químico montado num veículo especial de combate a incêndios.

Fonte: Guerra et. al., 2006.

 Espuma: são bolhas constituídas por uma atmosfera gasosa (ar), que se
encontra confinadas numa parede formada de uma película fina do agente
emulsor. Começou por ser utilizado para extinguir, por abafamento, incêndios
em combustíveis líquidos menos densos que a água, formando sobre eles um
manto de espuma. Com efeito, a espuma, sendo menos densa do que a grande
maioria dos líquidos combustíveis fica à sua superfície. O seu modo de
atuação (Figura 4) é por arrefecimento, através da absorção de calor do
combustível e superfícies adjacentes e por abafamento, impedindo a entrada
de oxigénio entre o líquido e o fogo, para além de impedir a evaporação do
combustível e de isolá-lo das chamas.

Figura 5: A espuma extingue por arrefecimento e abafamento.

Fonte: Guerra et. al., 2006.


24

 Gases inertes: o azoto (N 2 ) e o dióxido de carbono (CO 2 ) são dois gases


inertes, isto é, nem são combustíveis, nem alimentam a combustão. Em
termos de volume a eficácia do CO 2 é claramente superior, para além de ser o
gás que permite a extinção da combustão na presença de maior teor de
oxigénio. O azoto atua por abafamento e a sua utilização principal é na
inertização de atmosferas, isto é, na prevenção da combustão. Pode ser usado
em fogos da classe B, quer envolvam líquidos solúveis ou insolúveis em água
e ainda, em equipamento eléctrico em carga. O dióxido de carbono atua por
abafamento e também por arrefecimento. Em regra está contido em
reservatórios onde se encontra parcialmente liquefeito à temperatura
ambiente e à pressão de 60 kg/cm2. Não é condutor da eletricidade nem deixa
qualquer resíduo. Tem elevado poder de difusão e não necessita de propulsão
auxiliar. Atua de forma rápida e, devido à baixa temperatura durante a
expulsão, pode ser usado em combustíveis líquidos com baixa temperatura de
combustão.

Figura 6: Instalação fixa de CO 2 .

Fonte: Guerra et. al., 2006.

 Halons: são compostos com hidrogénio e carbono, em que um ou mais


átomos de hidrogénio são substituídos por elementos ditos halogénios, tais
como o flúor, o cloro e o bromo. Não se devem usar halons em incêndios
onde se verifique a formação de brasas profundas ou provenientes da
25

inflamação de estruturas fibrosas, como roupas e têxteis em geral, nem em


fogos superficiais na presença de humidade ambiental ou em conjunto com a
água como agente extintor.

Os agentes extintores são utilizados de acordo com as classes de incêndio:

 A: Materiais sólidos fibrosos, tais como: madeira, papel, tecido, etc. que se
caracterizam por deixar, após a queima, resíduos como carvão e cinza. Essa
classe de incêndios deve ser combatida com extintores de H2O ou de
Espuma;
 B: Líquidos e gases inflamáveis, ou em sólidos que se liquefazem para entrar
em combustão: gasolina, GLP, parafina, etc. Neste caso não se pode usar
extintores à base de água;
 C: Equipamentos elétricos energizados: motores, geradores, cabos, etc.
Extintores de pó químico e de Gases são os permitidos para esse tipo de
incêndio.

Quanto ao sistema de ejeção do agente extintor, pode ser classificado em auto-


ejeção, cujo agente extintor é gasoso e é mantido sob pressão no recipiente; pressurização
direta, quando os extintores estão sob pressurização permanente e caracterizam-se pelo
emprego de somente um recipiente para o agente extintor e o gás expelente; e pressurização
indireta, quando os extintores são pressurizados por ocasião do uso e caracterizam-se pelo
emprego de um recipiente para o agente extintor e um cilindro para o gás expelente (SILVA,
2011).

Silva (2011) relata em sua monografia, quanto à capacidade extintora, pode ser do
tipo:

 Classe A – capacidade extintora 1-A, 2-A, 3-A, 4-A, 6-A, 10-A, 20-A, 30-A e
40-A. Que medem o poder de extinção do fogo e são normalizados pela NBR
15808.
 Classe B – capacidade extintora 1-B, 2-B, 5-B, 10-B, 20-B, 30-B, 40-B, 60-B
e 80-B, 120-B, 160-B, 240-B, 320-B, 480-B e 640-B. Os extintores portáteis
podem chegar a 120-B e os sobre rodas podem chegar a 240-B.
26

 Classes C e D, não tem classificação, o ensaio é do tipo passa ou não passa,


ou seja, ou cumprem o requisito normativo de ensaio na sua totalidade ou não
são classificados para o risco.

Quanto à carga em volume e em massa o extintor contendo um mesmo agente


extintor pode ter massas ou volumes diferentes, porém sua classificação é feita pela
capacidade extintora.

2.2.1.2 Hidrantes

Os sistemas de hidrantes, para Piolli (2003), têm a função de extinguir o incêndio em


seus estágios iniciais, ou seja, enquanto o incêndio ainda estiver localizado, não tiver ocorrido
à inflamação generalizada e houver condições dos brigadistas se aproximarem para
desenvolver, com segurança, as operações de combate ao incêndio.

Este sistema é destinado ao uso dos ocupantes do edifício, ou pelos bombeiros, caso
necessário, disponíveis para que possam tomar as medidas emergenciais cabíveis nos
momentos iniciais do incêndio.

De acordo com Piolli (2003), todo sistema deve ser dotado de alarme audiovisual,
indicativo do uso de qualquer ponto de hidrante ou de mangotinho que é adicionado
automaticamente por pressostato ou chave de fluxo. Suas características devem ser
compatíveis com o tipo de ocupação do edifício que esta sendo protegido e, inclusive de
pronto reconhecimento pelos brigadistas do local.

Os principais componentes do sistema de hidrantes, segundo Melo (1999), são:

 Manancial de água: normalmente o reservatório de água superior responsável


pelo suprimento de água da edificação, ou reservatório de água inferior.
Indica-se utilizar o superior, pois a pressão necessária é auxiliada pela força
gravitacional.
 Rede de distribuição: é composta pelas tubulações que distribuem a água até
o local onde será utilizada. A tubulação pode ser de ferro galvanizado, aço
galvanizado ou cobre, resistentes à pressão de 18 kgf/cm2. Não admite o uso
27

de tubulações de PVC, pois embora resista à pressão, não suporta a ação do


calor gerado pelo incêndio, deformando e interrompendo o fluxo de água.
 Hidrantes: é o ponto final de saída de água, composto por registros do tipo
globo, possuindo engate rápido para conexão de mangueiras.
 Sistema de pressurização: caso a pressão gravitacional não seja suficiente
para garantir pressões e vazões mínimas, devem ser utilizadas bombas
centrífugas para pressurizar a rede. Caso utilizado, deverá funcionar
automaticamente pela abertura de um hidrante, podendo ser desligado apenas
manualmente.

Para o dimensionamento do sistema de hidrantes, Sant’Anna (2010) relata que,


devem estar distribuídos na edificação de forma a alcançar todos os pontos da mesma e em
local estratégico, para caso de incêndio, não fique obstruído pelo fogo.

Figura 7: Elementos e componentes do sistema de hidrantes

Fonte: Oliveira et. al. (2008).

Os hidrantes também devem ser inspecionados regularmente, segundo a NBR 12779,


sempre observando o estado de oxidação do abrigo metálico, mangueiras e acessórios,
registros e sinalização.

2.2.1.3 Chuveiros automáticos (Sprinklers)

De acordo com as Normas NBR 6135 (Chuveiros automáticos para a extinção de


incêndios) e NBR 10897 (Sistemas de proteção contra incêndio por chuveiros automáticos -
28

Requisitos), o Sprinkler é um meio de extinção automática com água. Atua projetando água
sobre o incêndio, dispondo de um elemento termo sensível que atua automaticamente sobre o
aumento da temperatura consoante com o risco e as espécies dos materiais a proteger,
permitindo a saída de água para o exterior depois de incidir no defletor, dando origem a uma
determinada área molhada.

Este sistema consiste basicamente numa rede de encanamentos ligada a um


reservatório ou a uma bomba, possuindo boquilhas ou aspersores dispostos ao longo da rede
(PIOLLI, 2003).

Seus componentes são parecidos ao sistema de hidrantes (manancial de água, rede de


distribuição e sistema de pressurização), porém no ponto final da rede, existe um conjunto de
aspersores (sprinklers) que são vedados por um dispositivo sensível ao calor e que liberam a
passagem de água em forma nebulizada, na ocorrência de um incêndio (MELO, 1999).

Figura 8: Elementos que compõem um sprinkler.

Fonte: Trindade, 2009.

Como os outros sistemas, os dimensionamentos corretos, o posicionamento dos


aspersores e manutenção periódica colaboram para uma eficiente utilização do sistema de
sprinklers.
29

2.2.2 Sistemas de proteção – Passivos

2.2.2.1 Sistema de proteção contra descargas atmosféricas (SPDA)

O Brasil é um dos países com maior índice de ocorrência de descargas atmosféricas


do mundo, portanto, segundo Melo (1999), um incêndio pode ocorrer em função de algum
fenômeno termelétrico gerado por uma descarga atmosférica, um curto-circuito ou
superaquecimento de um aparelho de televisão incendiando e propagando o fogo, atingindo
toda a edificação.

Um sistema externo de proteção contra descargas atmosféricas (SPDA) de um


edifício compõem-se basicamente, segundo Sueta (2005) em sua tese de doutorado, de: um
subsistema de captação, um subsistema de descidas, um subsistema de aterramento (Figura
X), um subsistema de equipotencialização e definições de distâncias de segurança. O sistema
responsável pelo pela interceptação das descargas atmosféricas que iriam atingir a edificação
é o sistema de captação.

Figura 9: Subsistemas de um SPDA.

Fonte: Sueta, 2005.


30

O SPDA não evita a queda de raios de acordo com a NBR 5419, mas dimensionado
corretamente tem como função conduzir a descarga atmosférica ao solo e dissipá-la com
segurança, reduzindo a possibilidade de danos.

2.2.2.2 Detecção, alarme e comunicação de emergência

Os sistemas de detecção são indispensáveis para melhoria das condições prováveis


de ocorrências de incêndios. Os detectores automáticos, por exemplo, são dispositivos
destinados a operar quando influenciados pelos fenômenos físicos e químicos que precedem
ou acompanham um princípio de incêndio. O objetivo do seu uso é ganhar tempo por meio de
alerta antecipado antes que o fogo entre em fases adiantadas de expansão (BRASIL, 1995).

Edificações que possuem muitos andares e grande movimentação de pessoas,


necessitam da implementação de alarmes e de comunicação em massa em todos os locais do
edifício, tornando a evacuação rápida e segura.

Os sistemas de detecção, segundo Brasil (1995), são constituídos pelos seguintes


elementos básicos de funcionamento:

 Dispositivos de entrada: detectores automáticos, acionadores automáticos e


acionadores manuais;
 Centrais de alarme: painéis de controle individualizados, no mínimo, por
setor de incêndio;
 Dispositivos de saída: indicadores sonoros, indicadores visuais, painéis
repetidores, discagem telefônica automática, desativadores de instalações,
válvulas de disparo de agentes extintores, fechamento de portas corta-fogo e
monitores.
 Rede de interligação: consumo de circuitos que interligam a central com os
dispositivos de entrada, saída e as fontes de energia do sistema.
31

Figura 10: Exemplos de acionadores manuais.

Fonte: Oliveira Filho, et. al., 2006; Seito et. al., 2008.

A NBR 17240 relata que as centrais de alarme e controle devem ficar em locais de
fácil acesso e constantemente observadas. A instalação de detectores se faz por zonas
coincidentes com cada setor de incêndio de acordo com as características do fogo que pode
ser produzido, então, determinam o tipo adequado de detector.

2.2.2.3 Iluminação e sinalização de emergência

A iluminação de emergência, que possui gerador independente, é importante quando


há falta da iluminação convencional, provocada pela perda do abastecimento de energia
elétrica da edificação, comprometendo a visibilidade das rotas de fuga; esse fato é agravado
pela eventual presença de fumaça no ambiente.

A iluminação de emergência tem como objetivo substituir a iluminação


artificial normal, que deve ser desligada, ou pode até falhar em caso de
incêndio, por fonte de energia própria que assegure um tempo mínimo de
funcionamento. Ela deve garantir, durante este período, a intensidade dos
pontos de luz, de maneira a respeitar o nível mínimo de iluminância
estabelecido pela norma ou pela legislação adotada no local, para
proporcionar saída com rapidez e segurança dos ocupantes da edificação
(BRENTANO, 2007).
32

A sinalização de emergência é fundamental para a orientação dos ocupantes da


edificação no que se refere ao caminho a ser percorrido em caso de emergência. A falta desta
sinalização pode gerar pânico, atrasando a evacuação do edifício (ALVES, 2005).

Figura 11: Sistemas de iluminação de emergência tradicionais.

Fonte: Pinto, 2008.

Para Melo (1999), a sinalização de emergência possui duas funções básicas: reduzir o
risco de ocorrência de um incêndio (utilizando sinalizações de alerta e proibições) e garantir
que sejam adotadas ações adequadas à situação de risco (utilizando sinalizações de orientação
para ações de combate, localização de equipamentos e das rotas de saídas) em caso de
incêndio.

2.2.2.4 Saídas de emergência

As saídas de emergência, para Sant’Anna (2010), são medidas de proteção passiva,


consideradas meios de escape. São projetadas para garantir a saída dos ocupantes de edifícios
em situações de emergência de forma segura e rápida, de qualquer ponto até um local seguro.

Brasil (2001) define as condições gerais para o projeto das saídas de emergência. A
edificação deve ser classificada quanto à sua ocupação, à sua área e quanto à sua altura para
adequado dimensionamento dos requisitos obrigatórios do projeto das saídas de emergência.

A saída de emergência deve ser composta por acessos ou rotas de saídas horizontais
e respectivas portas ou ao espaço livre exterior nas edificações térreas; escadas ou rampas; e
33

descarga. As saídas de emergência são dimensionadas em função da população da edificação.


Os acessos devem permitir o escoamento fácil de todos os ocupantes do prédio, permanecer
desobstruído em todos os pavimentos, ter condições adequadas conforme cálculo de
dimensionamento, ter pé-direito mínimo de 2,50 m, com exceção de obstáculos representados
por vigas, vergas de portas, e outros cuja altura mínima livre deve ser de 2,00 m, ser
sinalizados e iluminados com indicação clara do sentido da saída. Os acessos devem
permanecer livres de quaisquer obstáculos de forma permanente, mesmo quando o prédio
esteja supostamente fora de uso (BRASIL, 2001).

Em qualquer edificação, os pavimentos sem saída em nível para o espaço livre


exterior devem ser dotados de escadas, enclausuradas ou não, as quais devem: quando
enclausuradas, ser constituídas com material incombustível, quando não enclausuradas, além
da incombustibilidade, deve oferecer nos elementos estruturais resistência ao fogo de no
mínimo 2 horas; ter os pisos dos degraus e patamares revestidos com materiais resistentes à
propagação superficial das chamas; serem dotadas de guardas em seus lados abertos; serem
dotadas de corrimão; atender a todos os pavimentos, acima e abaixo da descarga, mas
terminando obrigatoriamente no piso desta, não podendo ter comunicação direta com outro
lanço na mesma prumada, ter os pisos com condições antiderrapantes (BRASIL, 2001).
34

3 ESTUDO DE CASO

As instalações de sistema de combate a incêndio são elementos fundamentais para


proteção e devem começar na fase de projeto, pois os requisitos de segurança contra incêndio
influenciam consideravelmente no layout do edifício e consequentemente nos custos.

Na fase de construção, deve haver uma sinergia entre as equipes com os especialistas
em incêndio para elucidar as seguintes ações segundo Anderberg (2011):

 para descrever o problema específico de incêndio ao edifício;


 para descrever diferentes alternativas para obter o nível de segurança contra
incêndio exigidas;
 para analisar a escolha do sistema sobre soluções técnicas e economia;
 para criar pressupostos para opções de sistemas otimizados técnicos.

3.1 Descrição da clínica de análises laboratoriais

A clínica localiza-se em Maceió com uma área construída de 298,80m2 no térreo,


edificação em alvenaria e a cobertura será com telha em fibrocimento. De acordo com o
Código de Proteção Contra Incêndio e Pânico, artigo 107, inciso IV, da Constituição Estadual
e considerando o disposto no artigo 12 da Lei nº 4.259, de 07 de agosto de 1981, pertence ao
grupo H-3 com risco baixo, seguindo a NR-23, na qual “todos os empregadores devem adotar
medidas de prevenção de incêndios, em conformidade com a legislação estadual e as normas
técnicas aplicáveis”.

Tabela 3: Características do imóvel

Unidade Descrição
Revestimento/ Parede Alvenaria/ parede pintada com tinta acrílica lavável
Piso Cerâmica - tipo A
Portas Madeira
Janelas Madeiral
Forros Laje de concreto com acabamento em gesso
Fonte: Dados do autor.
35

4 RESULTADOS E DISCUSSÕES

Deverão fazer parte do projeto: extintores, saídas de emergência, iluminação de


emergência e sinalização de emergência. Na Tabela 4, mostra-se em resumo, a quantidade de
equipamentos fixos e móveis a serem utilizados. Ressalta-se, que tais equipamentos são
mecanismos imprescindíveis neste projeto, a viabilizar ampla proteção, pondera-se que
mesmo a ausência ou inoperância de qualquer um destes, poderá comprometer toda a
segurança, a culminar em possível tragédia.

Tabela 4: Resumo dos equipamentos fixos e portáteis

OUT RAS
SAÍDA SIST EMA SIST EMA DE SINALIZAÇÃ
EXT INT ORES EXIGÊNCI
EMERGÊNCIA HIDRÁULICO ALARME O DE
AS
EMERGÊNCIA

Detector de temperatura
Acionadores manuais

Ancoragem de Cabos
Chuveiro automático

Hidrante de recalque

Saída de Emergência
Detector de fumaça
Pó Químico 06 Kg

Indicação de saída
Portas Corta-Fogo

Portas Corta-Fogo

Avisador sonoro
Água 10 litros

Iluminação de

de 15 metros

Pavimentos
Mangueiras
emergência
CO2 06 Kg

Elevadores

Extintores
Hidrantes

Hidrantes
Pó ABC

Central

outras
SPDA
1 Clínica 0 3 1 0 7 6 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 7 4 0 0

Fonte: Dados do autor.

A quantidade de placas (sinalização de emergência) utilizadas para o projeto é


mostrada na Tabela 5 e descritas na Tabela 6.

Tabela 5: Sinalização de emergência (fotoluminescente)


Compartimento Sinalização Quantidade
Extintor de incêndio 04
Saída de emergência 01
à direita
Clínica
Saída de emergência 01
à esquerda
Saída de emergência 05
Fonte: Dados do autor.

A manutenção das sinalizações de emergência deverá seguir as instruções da


NBR13434, “a sinalização sujeita a intempéries, agentes físicos e químicos deve ser
vistoriada a cada seis meses, efetuando-se a sua recuperação ou substituição, quando
necessário”.
36

Tabela 6: Descrição das sinalizações


Quantidade Símbolo / Significado Forma e cor Aplicação
CÓDIGO
02 Saída de Símbolo: retangular Saída de emergência à
emergência Fundo: verde direita
Pictograma: fotoluminescente
COD. 12
02 Saída de Símbolo: retangular Saída de emergência à
emergência Fundo: verde esquerda
Pictograma: fotoluminescente
COD. 13
01 Saída de Símbolo: retangular Indicação de uma saída
emergência Fundo: verde de emergência a será
Pictograma: fotoluminescente fixada acima da porta,
COD. 14 para indicar seu acesso..

02 Saída de Símbolo: retangular Fundo: Saída de emergência


emergência verde Mensagem “SAÍDA” e
COD. 17 ou pictograma e ou seta
direcional:fotoluminescente,
com altura de letra sempre >
50 mm
03 Extintor de Símbolo: quadrado Indicação de
incêndio Fundo: vermelha localização dos
Pictograma:fotoluminescente extintores de incêndio

COD. 23
Fonte: Dados do autor.

A NBR 13434-2 padroniza as formas, as dimensões e as cores da sinalização de


segurança contra incêndio e pânico utilizada em edificações, assim como apresenta os
símbolos adotados que são mostrados na Tabela 7.
Tabela 7: Dimensão das placas de sinalização

Sinal Forma geométrica Cota Distância máxima de visibilidade

Largura 179 mm

8m
Altura 179 mm
COD. 23
Largura 252 mm
8m
COD. 12,13, 14 17. Altura 126 mm

Fonte: Dados do autor.


37

Tabela 8: Iluminação de emergência


Tipo de luminárias Bloco autônomo com fonte de energia própria

Tipo de lâmpada 30 LEDs

Potencia em watts
1,5 w
Alimentação 110/220V (automático)
Fluxo Luminoso Fluxo luminoso nominal- Max 720 lm - Min 360
lm
Vida útil do 6 horas para LEDs na função brilho intenso ou 12 horas
elementogerador de luz para LEDs na função brilho suave

Fonte: Dados do autor.

Serão instaladas luminárias de emergência com autonomia mínima de 02h30min


horas, com chave de tensão de rede 127v e 220v. Alto fator de potência > 0,82 com trinta
LEDs, bateria recarregável selada, circuito de proteção contra sobrecarga, conforme
especificações dos fabricantes.

Deve assegurar o mínimo de proteção de acordo com a NBR 60529, de forma a ter
resistência contra impacto de água, sem causar danos mecânicos nem o desprendimento da
luminária.

A Manutenção do sistema de iluminação de emergência deverá seguir as instruções


da NBR 10898, na qual o proprietário é responsável pelo perfeito funcionamento do sistema.
Os defeitos constatados devem ser anotados no caderno de controle de segurança da
edificação e reparados o mais rápido possível, dentro de um período de 24 horas de sua
anotação.

Tabela 9: Extintores
SUBSTÂNCIA OU
CLASSES CLASSIFICAÇÃO
AGENTE UTILIZADO
Fogo envolvendo materiais combustíveis sólidos,
tais como: madeira, tecidos, papéis, borrachas, Água Pressurizada de 10
CLASSE A
plásticos, termoestáveis e outras fibras orgânicas, Litros
que queimam em superfície e profundidade,
deixando resíduos.
Fogo envolvendo líquidos e/ou gases inflamáveis ou Pó químico seco ABC 06
CLASSE B combustíveis, plásticos e graxas que se liquefazem Kg
por ação do calor e queimam somente em superfície.
Fogo envolvendo equipamentos e instalações Gás Carbônico (CO2 )06Kg
CLASSE C
elétricas energizadas
Fonte: Dados do autor.
38

As sinalizações dos extintores deverão atender às normas de sinalização de


emergência; ser afixados em locais com boa visibilidade e acesso desimpedido de maneira
que nenhuma de suas partes fique acima de 1,60 metros do piso acabado e nem abaixo de 1,00
metro, podendo em edificações comerciais e repartições públicas serem instalados com a parte
inferior a 0,20 metros do piso acabado, desde que não fiquem obstruídos e que a visibilidade
não fique prejudicada.

Em relação às saídas de emergências, segue a NBR 9077, com finalidade de que a


população possa abandoná-las, em caso de incêndio, completamente protegida em sua
integridade física e permitir o fácil acesso de auxílio externo (bombeiros) para o combate ao
fogo e a retirada da população.

De acordo com a norma, as edificações são classificadas quanto à ocupação, quanto à


altura, dimensões em planta e caraterísticas construtivas apresentadas na tabela 10. O cálculo
de dimensionamento da saída de emergência encontra-se no Anexo A.

Tabela 10: Saída de emergência


Quanto à ocupação D-1 (locais para prestação de serviços profissionais ou
condução de negócios)
Quanto à altura K (edificações térreas)
Quanto às características construtivas Z (edificações em que a propagação do fogo é difícil)
Área do maior pavimento 198,80 m2
Número de saídas 02
Escadas Não possui
Fonte: Dados do autor.

Segundo o Código de Segurança Contra Incêndio e Pânico (COSCIP), do estado de


Alagoas, decreto nº 4173, de 7 agosto de 2009, não será necessário sistema de proteção por
hidrantes e chuveiros automáticos. Diz-se obrigatório o uso de hidrantes se área total
construída for igual ou superior a 750m2 e área total construída igual ou superior a 5.000m2 ,
será exigido sistema de chuveiros automáticos (sprinklers), com bicos de saídas em todos os
compartimentos de todos os pavimentos;

Para o sistema de proteção contra descargas atmosféricas, segundo o COSCIP,


deverá obedecer às prescrições da norma NBR 5419, na qual “fixa as condições de projeto,
instalação e manutenção de sistemas de proteção contra descargas atmosféricas (SPDA), para
proteger as edificações contra a incidência direta dos raios”. A proteção se aplica também
contra a incidência direta dos raios sobre os equipamentos e pessoas que se encontrem no
39

interior destas edificações e estruturas ou no interior da proteção imposta pelo SPDA


instalado.

É opcional a instalação do Sistema de Proteção Contra Descargas Atmosféricas


(SPDA), na edificação supracitada, de acordo com os parâmetros e termos prescritos pela
NBR 5419 e suas atualizações.
40

5 CONCLUSÃO

No universo da evolução da sociedade humana, continuamente a presença dos


desafios a almejar progressos, colocam os homens em situações de grandes riscos, tanto para
sua vida em si, como para o meio em que vive, quando em muitas vezes e situações
inusitadas, ultrapassam a esfera de seu controle. Neste diapasão, verifica-se imprescindível a
criação de projetos que se aproximam ao máximo da perfeição, numa construção antecipada
de prospectos e arranjos dispostos em mecanismos específicos de abordagem, conduta e
controle, quando de sua execução, a visar satisfazer os fins propostos em todo o seu contexto.

No tocante à matéria em epígrafe, ou seja; de se estabelecer condições que possam


combater incêndios e a disseminação de pânico em momentos de crise, vê-se que todo o
elenco descritivo de situações e mesmo de ações a serem tomadas neste projeto, foram
meticulosamente estudadas e reavaliadas em toda a estrutura projetista. Neste contexto, foram
analisados, desde dados e fatos históricos no Brasil e no exterior acerca de incêndios, bem
como os materiais, condições, ou até mesmo pessoas que (involuntariamente) contribuíram
para evolução de diversas tragédias.

Interessante neste projeto, é que o mesmo além de se deter fielmente às normas de


cunho internacional/nacional, (ABNT, SCI, dentre outras), sem se furtar a tais atos
normativos, apresenta em todo seu contexto, novas vertentes de materiais e métodos
inovadores, significativos para o desenvolvimento e plena capacitação da segurança contra
incêndios na clínica em abordagem. Vê-se que desde a definição do problema, a passar pelos
objetivos gerais, e toda sequência do projeto, vislumbra-se intensa preocupação e toda uma
atenção nas intervenções que se demonstram pautadas com severo sincronismo nas
exposições científicas. Extraindo assim, que sobre o conteúdo explanado, encontra-se fácil,
contínua adequação sistêmica quanto à consecução da segurança contra incêndio.

O nível de segurança contra incêndios com destaque neste projeto, sobrepõe aos
interesses em primeira instância, àqueles quais sejam extrínsecos à integridade física e
intelectual humanas, nesta revelação, torna-se evidente, que apesar dos interesses
econômicos/comercias/culturais, a natureza da vida do homem na sua plenitude, ressalta-se
como bem maior, neste projeto. Logicamente que tais interesses comungam harmonia entre a
vida do homem e seus ideais. A justificativa deste projeto se espelha em diversas perdas
41

humanas e grandes prejuízos, em decorrência de incêndios delineando fortes evidências, a


exigir este projeto, o qual, de fato demonstra capacidade de coibir ou mesmo minimizar
expressões realistas decorrentes de eventos incendiários.

Estatísticas apontam quer sejam no cenário mundial, ou mesmo de modo específico


no Brasil, que perdas relativas a incêndios são de fato assombrosas, a passar por danos
materiais, capacitação de bombeiros, tratamento de feridos, seguros, redução de
produtividade, enfim, consideráveis perdas. Cabe ressaltar, que o Brasil encontra-se em
situação crítica, quanto á sua posição no Ranking mundial, sobre problemas oriundos de
incêndios com repercussões extremamente negativas para todos. Os propósitos deste projeto
não se encontram erigidos tão somente nos dispositivos mecânicos, ou mesmo
literários/científicos, mas em suma, busca de modo sublime, praticar ações planejadas a serem
norteadas também pelos princípios ensejadores e promissores de grandes conquistas, tais
como; igualdade, conscientização.

Enfim, o projeto apresentado, sobretudo tem por escopo, o desenvolvimento de


recursos a inovar métodos comuns e científicos, que viabilizem maior proteção contra
incêndio, e coibir a perda de vidas humanas dentre outras, não tão somente na clínica em
abordagem, mas, bem como servir de modelo a outras instalações assemelhadas. Deste modo,
perfazendo ao final, um progresso consciente, sustentável e seguro para todos, pois, sabe-se
que a evolução do homem está diretamente firmada em sua educação e na edificação de
inteligentes projetos.
42

6 REFEÊNCIAS

ALVES, A. B. C. G. Incêndio em edificações: a questão do escape em prédios altos em


Brasília (DF). Brasília, 2005. 205 p.

ANDERBERG, Y. Passive Fire Protection Measures, International Labor Organization,


Geneva, 2011. Disponível em <http://www.ilo.org/oshenc/part-vi/fire/item/759-passive-fire-
protection-measures>. Acesso em 11 de Agosto de 2014.

Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). Proteção de estruturas contra


descargas atmosféricas: NBR 5419. Rio de janeiro, 2005.

______. Chuveiros automáticos para extinção de incêndio – Especificação: NBR 6135.


Rio de Janeiro, 1992.

______. Saídas de emergência em edifícios: NBR 9077. Rio de Janeiro, 2001.

______. Sistema de iluminação de emergência: NBR 10898. Rio de Janeiro, 2013.

______. Inspeção, manutenção e recarga em extintores de incêndio – Procedimento:


NBR 12962. Rio de Janeiro, 1998.

______. Mangueira de incêndio - Inspeção, manutenção e cuidados: NBR 12779. Rio de


Janeiro, 2009.

_____. Sinalização de segurança contra incêndio e pânico – Princípio do projeto: NBR


13434-1. Rio de Janeiro, 2005.

______. Sinalização de segurança contra incêndio e pânico - Símbolos e suas formas,


dimensões e cores: NBR 13434-2. Rio de Janeiro, 2004.

______. Extintores de incêndio portáteis: NBR 15808. Rio de Janeiro, 2013.

______. Sistemas de detecção e alarme de incêndio – Projeto, instalação,


comissionamento e manutenção de sistemas de detecção e alarme de incêndio –
Requisitos: NBR 17240. Rio de Janeiro, 2010.

______. Graus de proteção para invólucros de equipamentos elétricos (código IP): NBR
60529. Rio de Janeiro, 2005.

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Universidade do Porto, Porto, Portugal.
45

ANEXO A – CÁLCULO DE DIMENSIONAMENTO DA SAÍDA DE


EMERGÊNCIA

Edificação: Fábrica técnica


Área: A = 298,80m2

1- Largura das saídas de emergência:

A largura das saídas, isto é, dos acessos, escadas, descargas, e outros, é dada pela seguinte
fórmula:

N =P/C
Onde:
N = número de unidades de passagem, arredondado para número inteiro.
P = população, conforme coeficiente da Tabela 5 do Anexo e critérios das seções 4.3 e 4.4.1.1
da NBR 9077.
C = capacidade da unidade de passagem, conforme Tabela 5 do Anexo da NBR 9077.

P= A/7m2 , conforme tabela 5 da NBR 9077


P = 398.80/7
P = 57 pessoas

C = 100, conforme tabela 5 da NBR 9077

N = 57/100
N = 0,57 arredondado para número inteiro tem-se:
N = 1 unidade de passagem;

Conforme o item 4.5.4.2 da NBR 9077, As portas devem ter as seguintes dimensões mínimas
de luz:
80 cm, valendo por uma unidade de passagem.

2- Distância máxima a ser percorrida até uma saída de emergência.


Conforme tabela 6 da NBR 9077, a distância máxima a ser percorrida é de 40m.
3- Número de saídas de emergência:
Conforme tabela 6 da NBR 9077, o número mínimo de saídas de emergência é: 2
46

ANEXO B – CÁLCULO DO SPDA

Dados da Edificação:

Comprimento: 24 m
Largura: 12.45 mm
Altura: 3 m

Fatores de Ponderação:

A. Tipo Ocupação: 1.7 - Escolas, hospitais, creches e outras instituições, estruturas de


múltiplas atividades.
B. Tipo Construção: 1.0 - Estrutura de alvenaria ou concreto simples, com qualquer
cobertura exceto metálica ou palha.
C. Conteúdo e efeitos indiretos das descargas atmosféricas: 1.7 -
Escolas/hospitais/creches/instituições/locais de afluência de público.
D. Localização: 0.4 - Localizada em uma grande área contendo estruturas ou árvores da
mesma altura ou mais altas.
E. Topografia da Região: 0.3 - Planície.

Dias de Trovoada (TD): 5 dia(s) ao ano

Avaliação do Risco de Exposição (Ae): 545.77 m²

Densidade de descargas à Terra por Km2 ao ano(Ng): 0.3

Frequência Media Anual previsível de descargas(Nd): 0.000164

Resultado do Cálculo(Np): 10 ^-4

Parâmetros observados conforme Norma:

Proteção Necessária: Np >= 10 ^-3


Proteção Desnecessária: Np <= 10 ^-5
Verificar com Proprietário: 10 ^-3 < Np > 10 ^-5

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