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Advocacia & Assessoria Jurídica


Dr. Vander Marques Justino OAB/MG 134.936

EXCELENTÍSSIMO (A) SENHOR (A) JUIZ (A) DE DIREITO DO JUIZADO


ESPECIAL CÍVEL DA COMARCA DE RIBEIRÃO DAS NEVES – MINAS GERAIS

Processo n: 0062542-13.2017.8.13.0231

VANDER MARQUES JUSTINO, qualificado na AÇÃO DE COBRANÇA,


proposta em face de ERINEIA GLEIDE BRITO FERREIRA, qualificada nos autos
supra, vem, a V. Exa., advogando em causa própria, apresentar RECURSO
INOMINADO à sentença, com fundamento no art. 41 da Lei n: 9.099/95.

Requer o recebimento do recurso, no duplo efeito, com fundamento no art.


43 da Lei n: 9.099/95 e, encaminhado à Turma Recursal, para apreciação das razões
de recurso em anexo.

Nestes termos,

Pede deferimento.

Contagem/MG, 09 de Outubro de 2018.

Vander Marques Justino


OAB/MG 134.936

Avenida Petrominas, n: 181, loja, CEP: 32.072-050, Bairro Petrolândia, Contagem – Minas Gerais.
E-mail: vandermarquesadvocacia@outlook.com. Fones: (31) 3075.2356 / (31) 99168-5165
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EGRÉGIA TURMA RECURSAL DOS JUIZADOS ESPECIAIS DA SEÇÃO


JUDICIÁRIA DE MINAS GERAIS

PROCESSO N: 0062542-13.2017.8.13.0231
RECORRENTE: VANDER MARQUES JUSTINO
RECORRIDO: ERINEIA GLEIDE BRITO FERREIRA

1. RAZÕES DO RECURSO INOMINADO


1.1. Da tempestividade

O recorrente foi intimado da decisão recorrida no dia 01/10/2018, segunda-


feira, iniciando o prazo para propositura de eventual recurso no dia 02/10/2018, terça-
feira, terminando o prazo no dia 11/10/2018, quinta-feira, conforme art. 42 da Lei
9.099/95.

“Art. 42. O recurso será interposto no prazo de (10) dez dias, contados da ciência da
sentença, por petição escrita, da qual constarão as razões e o pedido do recorrente.
§1º O preparo será feito, independentemente de intimação, nas quarenta e oito horas
seguintes à interposição, sob pena de deserção.
§2º Após o preparo, a Secretaria intimará o recorrido para oferecer resposta escrita no
prazo de dez dias.”

Sendo interposto o recurso inominado, no dia 09/10/2018, terça – feira,


apresenta-se tempestivo o presente recurso.

1.2. Do preparo

O recorrente deixa de efetuar o preparo, tendo em vista ser


economicamente hipossuficiente, não dispondo de meios de arcar com as custas e
despesas processuais, sem prejuízo do próprio sustento e de sua família; requerendo
desde já, os benefícios da justiça gratuita, com fundamento nos arts. 98 e 99 §3º do
Código de Processo Civil.

2. Resumo da lide

O Recorrente propôs ação de cobrança para o recebimento de honorários


de sucumbência, devidos e não pagos pela recorrida, proveniente de condenação

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desta na ação judicial, processo nº: 0024.13.021.087-5, que tramitou na 1ª Vara


Regional do Barreiro da Comarca de Belo Horizonte – Minas Gerais.

O recorrente anexou à petição inicial sentença qual condenou a recorrida


ao pagamento de honorários de sucumbência e, declaração de hipossuficiência
econômica, requerendo o pagamento do valor devido e, os benefícios da justiça
gratuita.

A recorrida foi intimada/citada para comparecer à audiência de


conciliação/mediação designada, porém, deixou de comparecer à audiência, bem
como não apresentou contestação no prazo legal.

O (a) MM. Juiz (a) a quo, ao analisar o feito, julgou procedente o pedido
formulado pelo recorrente para que a recorrida efetue o pagamento do valor de
R$1.250,00 (um mil, duzentos e cinquenta reais), corrigidos e, indeferiu o
requerimento de justiça gratuita ao recorrente; merecendo ser parcialmente reformada
a sentença, quanto ao requerimento de justiça gratuita formulado pelo recorrente:

“ANTE O EXPOSTO, e o mais do que dos autos consta, com amparo no art. 457, I do
NCPC, RESOLVO O MÉRITO e JULGO PROCEDENTE O PEDIDO deduzido na inicial,
para CONDENAR a requerida, ERINEIA GLEIDE BRITO FERNANDES, a pagar ao autor,
VANDER MARQUES JUSTINO, a quantia de R$1.250,00 (hum mil, duzentos e cinquenta
reais), a qual deverá ser monetariamente corrigida (índices da C.G.J.), a partir do
ajuizamento da ação, com juros de mora de 1% (hum por cento) ao mês, contados da
citação (22/02/2018 – f. 19).
A parte vencida fica instada a cumprir voluntariamente a sentença, no prazo de 15 (quinze)
dias, a contar do trânsito em julgado, sob pena de incidência de multa de 10% prevista na
primeira parte do §1º, do art. 523, do NCPC, considerando-se intimada a demandada
dessa penalidade quando da intimação desta sentença.
Sem custas e honorários, consoante arts. 54 e 55, ambos da Lei 9.099/95, ficando
ressalvada a hipótese de recurso.
Deixo de conceder ao autor os benefícios da Gratuidade da Justiça, porquanto não
comprovada a hipossuficiência declarada.
P.R.I.C.
Ribeirão das Neves, 27 de setembro de 2018.”

3. FUNDAMENTOS PARA A REFORMA


3.1. Justiça gratuita

O Código de Processo Civil, Lei 13.105/15, em conjunto com a Lei


1.060/50, que não foi totalmente revogada, dispõe que a declaração de pobreza

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firmada por pessoa natural possui presunção "iuris tantum de veracidade", sendo que,
na inexistência de provas ou indícios da suficiência financeira, a concessão dos
benefícios da justiça gratuita é medida imperativa, com fundamento no art. 98 e 99.

“Art. 98. A pessoa natural ou jurídica, brasileira ou estrangeira, com insuficiência de


recursos para pagar as custas, as despesas processuais e os honorários advocatícios tem
direito à gratuidade da justiça, na forma da lei.
§1º A gratuidade da justiça compreende:
I - as taxas ou as custas judiciais;
II - os selos postais;
III - as despesas com publicação na imprensa oficial, dispensando-se a publicação em
outros meios;
IV - a indenização devida à testemunha que, quando empregada, receberá do empregador
salário integral, como se em serviço estivesse;
V - as despesas com a realização de exame de código genético - DNA e de outros exames
considerados essenciais;
VI - os honorários do advogado e do perito e a remuneração do intérprete ou do tradutor
nomeado para apresentação de versão em português de documento redigido em língua
estrangeira;
VII - o custo com a elaboração de memória de cálculo, quando exigida para instauração
da execução;
VIII - os depósitos previstos em lei para interposição de recurso, para propositura de ação
e para a prática de outros atos processuais inerentes ao exercício da ampla defesa e do
contraditório;
IX - os emolumentos devidos a notários ou registradores em decorrência da prática de
registro, averbação ou qualquer outro ato notarial necessário à efetivação de decisão
judicial ou à continuidade de processo judicial no qual o benefício tenha sido concedido.
§2º A concessão de gratuidade não afasta a responsabilidade do beneficiário pelas
despesas processuais e pelos honorários advocatícios decorrentes de sua sucumbência.
§3º Vencido o beneficiário, as obrigações decorrentes de sua sucumbência ficarão sob
condição suspensiva de exigibilidade e somente poderão ser executadas se, nos 5 (cinco)
anos subsequentes ao trânsito em julgado da decisão que as certificou, o credor
demonstrar que deixou de existir a situação de insuficiência de recursos que justificou a
concessão de gratuidade, extinguindo-se, passado esse prazo, tais obrigações do
beneficiário.
§4º A concessão de gratuidade não afasta o dever de o beneficiário pagar, ao final, as
multas processuais que lhe sejam impostas.
§5º A gratuidade poderá ser concedida em relação a algum ou a todos os atos processuais,
ou consistir na redução percentual de despesas processuais que o beneficiário tiver de
adiantar no curso do procedimento.
§6º Conforme o caso, o juiz poderá conceder direito ao parcelamento de despesas
processuais que o beneficiário tiver de adiantar no curso do procedimento.
§7º Aplica-se o disposto no art. 95, §§ 3º a 5º, ao custeio dos emolumentos previstos no §
1º, inciso IX, do presente artigo, observada a tabela e as condições da lei estadual ou
distrital respectiva.

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§8º Na hipótese do § 1º, inciso IX, havendo dúvida fundada quanto ao preenchimento atual
dos pressupostos para a concessão de gratuidade, o notário ou registrador, após praticar
o ato, pode requerer, ao juízo competente para decidir questões notariais ou registrais, a
revogação total ou parcial do benefício ou a sua substituição pelo parcelamento de que
trata o § 6º deste artigo, caso em que o beneficiário será citado para, em 15 (quinze) dias,
manifestar-se sobre esse requerimento.”

“Art. 99. O pedido de gratuidade da justiça pode ser formulado na petição inicial, na
contestação, na petição para ingresso de terceiro no processo ou em recurso.
§1º Se superveniente à primeira manifestação da parte na instância, o pedido poderá ser
formulado por petição simples, nos autos do próprio processo, e não suspenderá seu
curso.
§2º O juiz somente poderá indeferir o pedido se houver nos autos elementos que
evidenciem a falta dos pressupostos legais para a concessão de gratuidade, devendo,
antes de indeferir o pedido, determinar à parte a comprovação do preenchimento dos
referidos pressupostos.
§3º Presume-se verdadeira a alegação de insuficiência deduzida exclusivamente por
pessoa natural.
§4º A assistência do requerente por advogado particular não impede a concessão de
gratuidade da justiça.
§5º Na hipótese do § 4º, o recurso que verse exclusivamente sobre valor de honorários de
sucumbência fixados em favor do advogado de beneficiário estará sujeito a preparo, salvo
se o próprio advogado demonstrar que tem direito à gratuidade.
§6º O direito à gratuidade da justiça é pessoal, não se estendendo a litisconsorte ou a
sucessor do beneficiário, salvo requerimento e deferimento expressos.
§7º Requerida a concessão de gratuidade da justiça em recurso, o recorrente estará
dispensado de comprovar o recolhimento do preparo, incumbindo ao relator, neste caso,
apreciar o requerimento e, se indeferi-lo, fixar prazo para realização do recolhimento.

Nos termos do §2º do art. 99 do CPC o juiz poderá indeferir o pedido de


justiça gratuita, se houver nos autos elementos que evidenciem a falta dos
pressupostos legais para concessão da gratuidade, previstos no art. 98, caput, do
Novo CPC.

A presunção de veracidade da alegação de insuficiência, continua a ser a


regra para a concessão do benefício da gratuidade da justiça. O juiz, entretanto, não
está vinculado de forma obrigatória a essa presunção e nem depende de manifestação
da parte contrária para afastá-la no caso concreto, desde que existam nos autos ao
menos indícios do abuso no pedido de concessão da assistência judiciária. Afastada
a presunção, o juiz intimará a parte requerente para que ele com prove efetivamente
a sua necessidade de contar com a prerrogativa processual.

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O recorrente exerce atividade remunerada de forma autônoma, não tem a


sua CTPS assinada e, mantém sua família, com o salário que recebe, tem como
despesas a alimentação, vestuário, pagamento de contas de consumo de energia
elétrica, água, telefone, gás e, não dispõe de outros meios para arcar com as
despesas processuais. Anexou à petição inicial declaração de hipossuficiência
econômica, requerendo a concessão do benefício.

O MM. Juiz (a) a quo, em despacho inicial determinou a designação de


audiência de mediação/conciliação e intimação/citação da recorrida, porém deixou de
determinar ao recorrente que anexasse aos autos demais documentos capazes de
comprovar a alegação hipossuficiência econômica. Ao final, em sentença julgou
improcedente o requerimento de justiça gratuita formulado pelo recorrente.

A assistência judiciária, atende ao princípio constitucional da


inafastabilidade da jurisdição ou do amplo e livre acesso ao Judiciário (art. 5º, XXXV,
CF), não prescindindo sua concessão de prévia e criteriosa avaliação acerca do
preenchimento de seus requisitos legais, sob pena de se inviabilizar
irremediavelmente o próprio e eficiente funcionamento do Judiciário.

Como preconiza a doutrina: a presunção advinda da declaração de


insuficiência de recursos "é relativa, podendo ser mitigada pelo Magistrado desde que
baseado em fundadas razões - conforme dispõe o art. 5º caput da LAJ - isto é, na
razoável aparência de capacidade financeira do requerente" (Fredie Didier Jr,
Benefício da Justiça Gratuita, Editora JusPodivm, 4ª ed., p. 42).

A doutrina tem manifestado:

“Uma justiça ideal deveria ser gratuita. A distribuição da justiça é uma das atividades
essenciais do Estado e, como tal, da mesma forma que a segurança e a paz públicas, não
deveria trazer ônus econômico para aqueles que dela necessitam. Todavia, inclusive por
tradição histórica, a administração da justiça tem sido acompanhada do dever de
pagamento, das despesas processuais, entre as quais se inclui o das custas que são taxas
a serem pagas em virtude da movimentação do aparelho jurisdicional.” (Vicente Greco
Filho, Direito Processual Civil Brasileiro, Saraiva, p. 100).

“A CF 5º LXXIV, que garante assistência jurídica e integral aos necessitados que


comprovarem essa situação, não revogou a LAJ 4º. Basta a simples alegação do
interessado para que o Juiz possa conceder-lhe o benefício da assistência judiciária. Essa
alegação constitui presunção 'juris tantum' de que o interessado é necessitado. Havendo
dúvida fundada quanto á veracidade da alegação, pode ser exigida do interessado prova
da condição por ele declarada. Persistindo dúvida quanto à condição de necessitado do
interessado, deve decidir-se a seu favor, em homenagem aos princípios constitucionais

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do acesso à Justiça (CF 5.º XXXV) e da assistência jurídica integral (CF 5.º LXXIV).”
(Nelson Nery Junior e Rosa Maria de Andrade Nery, Código de Processo Civil
Comentado e Legislação Extravagante, 13ª ed., RT, p. 1791).

“A prova em contrário, que derruba a presunção 'juris tantum' de pobreza, que milita em
favor do interessado que se declarou necessitado, deve ser cabal no sentido de que pode
prover os custos do processo sem comprometer seu sustento e o de sua família. Deve ser
comprovada pela situação atual do interessado e não por ilações acerca de sua pretérita
condição situação de empresário, proprietário ou pessoa de posses. O simples fato de o
interessado haver sido rico empresário ou proprietário abastado não significa que não
possa ser, hoje, pobre na acepção jurídica do termo e necessitar de assistência judiciária.”
(Nelson Nery Junior e Rosa Maria de Andrade Nery, Código de Processo Civil
Comentado e Legislação Extravagante, 13ª ed., RT, p. 1792).

Porém, embora possível o indeferimento do requerimento de justiça


gratuita, imprescindível reste antes apurado e comprovado o desaparecimento ou a
inexistência dos requisitos que justificaram seu indeferimento.

A jurisprudência tem manifestado:

“EMENTA: AGRAVO DE INSTRUMENTO. JUSTIÇA GRATUITA. DECLARAÇÃO DE


POBREZA. PRESUNÇÃO RELATIVA. ELEMENTOS COMPROBATÓRIOS DA
HIPOSSUFICIÊNCIA. BENEFÍCIO CONCEDIDO. RECURSO PROVIDO. I - O fato de a
demanda poder ser ajuizada perante o Juizado Especial Cível, onde, em regra, não há
incidência de custas e despesas processuais, por si só, não autoriza o indeferimento da
gratuidade judicial, já que a lei confere ao autor a faculdade de demandar no juízo comum
ou no especial. II - A presunção de veracidade conferida à declaração de pobreza firmada
por pessoa natural, para fins de gratuidade judicial, é relativa. Inteligência do art. 99, § 3º,
do Código de Processo Civil c/c art. 5º, inc. LXXIV, da Constituição Federal. II - Existindo
nos autos do processo documentos corroborando a declaração de pobreza, impõe-se o
deferimento do benefício da gratuidade judicial.” (TJMG - Agravo de Instrumento-Cv
1.0000.18.031739-8/001, Relator(a): Des.(a) Vicente de Oliveira Silva, 10ª CÂMARA
CÍVEL, julgamento em 25/09/2018, publicação da súmula em 02/10/2018).

“EMENTA: AGRAVO DE INSTRUMENTO - JUSTIÇA GRATUITA - PESSOA NATURAL


- DECLARAÇÃO DE INSUFICIÊNCIA DE RECURSOS - INDEFERIMENTO DE PLANO -
AJUIZAMENTO DA AÇÃO NO JUIZADO ESPECIAL - FACULDADE DO AUTOR -
CRITÉRIOS PARA O INDEFERIMENTO. 1. A pessoa natural com insuficiência de
recursos para pagar as custas, as despesas processuais e os honorários advocatícios tem
direito à gratuidade de justiça (CPC, art.98), presumindo-se verdadeira a alegação de
insuficiência deduzida exclusivamente por pessoa natural (CPC, art.99, §3º). 2. O juiz
somente poderá indeferir o pedido de justiça gratuita se houver nos autos elementos que
evidenciem a falta dos pressupostos legais para a concessão de gratuidade, devendo,

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antes, determinar à parte a comprovação do preenchimento dos referidos pressupostos
(CPC, art.99, §2º). 3. O ajuizamento de ação perante o Juizado Especial Cível é uma
faculdade que a lei confere ao autor (Lei 9.099/90, art. 3º, §3º). Não pode ocorrer por
imposição judicial. 4. "O pedido de assistência judiciária gratuita deve ser analisado com
base nos elementos concretos existentes nos autos. Não é possível a fixação de critérios
aleatórios, não previstos em lei" (STJ, AgRg no AgRg no REsp 1402867/RS).”
(TJMG - Agravo de Instrumento-Cv 1.0000.18.089329-9/001, Relator(a): Des.(a) José
Flávio de Almeida, 12ª CÂMARA CÍVEL, julgamento em 19/09/2018, publicação da
súmula em 21/09/2018).

Assim, diante da eventual dúvida quanto a hipossuficiência alegada pelo


recorrente, deveria o MM. Juiz (a) a quo, determinar que este anexasse aos autos
demais documentos que comprovassem a sua alegação, para que julgasse o referido
requerimento de justiça gratuita.

4. DOS PEDIDOS

Diante do exposto, requer a V. Exa., o recebimento do presente recurso


inominado, com fundamento no art. 43 da Lei n: 9.099/95.

Requer os benefícios da justiça gratuita, por não dispor de meios de arcar


com as custas e despesas processuais, sem prejuízo do próprio sustento e de sua
família, com fundamento nos arts. 98 e 99 §3º do Código de Processo Civil.

Requer que seja julgado procedente o presente recurso para reformar a


sentença recorrida, concedendo os benefícios da justiça gratuita ao recorrente, com
fundamento nos arts. 98 e 99 §3º do Código de Processo Civil.

Requer a intimação da recorrida, para apresentar contrarrazões de recurso


inominado, no prazo legal.

Nestes termos,

Pede deferimento.

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