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Culto e Música no

Contexto Cri stão

Raul Blum

Editora

1º Ed. / Fevereiro / 2010


Impressão em São Paulo - SP
B658c Blum, Raul.
Culto e música no contexto cristão. / Raul Blum.
– São Paulo: Know How, 2010.
309 p. : 22 cm. : il.
ISBN: 978-85-63092-21-2
Inclui bibliografia
1. Culto Cristão. 2. Música Cristã. I. Título.
CDD - 248.3
Catalogação elaborada por Glaucy dos Santos Silva - CRB8/6353

Produção e Realização

Obra coletiva organizada pela Capa


Universidade Luterana do Bra- Jacqueline Cruz
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Nenhuma parte desta publica-
ção poderá ser reproduzida por
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Ulbra. A violação dos direitos
autorais é crime estabelecido na Apoio Técnico e Editorial
Lei nº 9. 610/98 e punido pelo Jayme Vicente Junior
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Revisão
Marcela Aparecida de Oliveira

Direção de Criação
Carlos Beltrão

Coordenação Geral
Nelson Boni

Produção Editorial
Inpress Indústria Gráfica Ltda.
1ª Edição - Fevereiro/2010
Sumário

I Que queremos dizer com “Culto Cristão”? 7


II O culto no Antigo Testamento 29
III Os Salmos no Antigo Testamento 51
IV O culto no Novo Testamento 73
V O desenvolvimento da Música Cristã até a Reforma 83
VI Resumo Histórico da Adoração Cristã do Século II até a Reforma 109
VII Lutero e o Culto 133
VIII O Ano Litúrgico 159
IX O Espaço Litúrgico 175
X A Reforma e o Ressurgimento do Canto Congregacional 191
XI Ordem do Culto Principal 209
XII Os Ofícios Menores: Matinas e Vésperas 225
XIII Conteúdo e Música do Canto Cristão 237
Anexos 247
Introdução

A disciplina “Culto e Música no Contexto Cristão” apre-


senta um panorama geral do culto e da música utilizada no con-
texto cristão desde os primórdios até a Reforma. Na parte de
culto é dado um enfoque na liturgia histórica e na reforma do
culto que Lutero empreendeu e que é utilizada até hoje. A parte
de música enfoca o canto congregacional que, a partir da Refor-
ma tem também uma revisão com Lutero e que também hoje é
utilizado em todas as denominações.
No culto a igreja se revela e expõe a sua doutrina e a
sua fé. Para que se conheça o que os cristãos creem, é preciso
conhecer também o seu culto em suas diversas manifestações.
A música faz parte do culto na sua quase totalidade de manifes-
tações. É realmente uma exceção haver um culto onde a música
não esteja presente. Portanto, culto e música são dois assuntos
que andam juntos. Além disso, no canto da liturgia e dos hinos
está um dos meios mais utilizados para fixar os ensinamentos
bíblicos na vida dos cristãos.
“Culto e Música no Contexto Cristão” expõe a fé, a
doutrina e o louvor da igreja cristã.

5
O que queremos dizer
com “Culto Cristão”?
T odo cristão sabe o que é “culto cristão”. Mas para definir
o que é o “culto cristão” talvez não seja tão simples assim.
Em primeiro lugar, diz White1, que a própria palavra
“culto” já é difícil de definir. O culto é diferente das atividades
rotineiras diárias? É diferente de educação cristã ou de outras
atividades que se realizam numa congregação? Brunner2 nos

* James White e Peter Brunner são os autores que perpassam este capítulo.
1. WHITE, James. Introdução ao Culto Cristão, p. 11
2. BRUNNER, Peter. Worship in the Name of Jesus, p. 11.

9
lembra que não temos um termo apropriado para a reunião dos
cristãos, visto que a palavra “culto” (Gottesdienst, em alemão)
não tem um paralelo exato no Novo Testamento. Por exemplo,
em Rm 9. 4 o apóstolo Paulo chama de “culto” (latreía) os ritos
do Antigo Testamento, mas em Rm 12. 1 o mesmo apóstolo
chama de “culto” a entrega física dos cristãos a Deus.
Em segundo lugar, depois de visto o que se quer dizer
com “culto” como se determina o que o torna “cristão”? O
que distingue um culto “cristão” de outros cultos? Saber o que
distingue o culto cristão de outros cultos é uma “ferramenta
prática vital”, diz White, para toda pessoa que tenha que lidar
com o culto cristão. Especialmente quando se é confrontado
com muitas formas diferentes de culto é preciso saber distinguir
com clareza o que torna um culto “cristão”. 3
White usa três métodos para esclarecer o que queremos
dizer com “culto cristão”.
1. A abordagem mais adequada para White é a feno-
menológica: é a que “simplesmente relata e descreve
o que os cristãos em geral fazem ao se reunir para o
culto”.
2. “Explorar algumas definições de maior abstração”
usadas por diversos autores para expor o que é culto
cristão.
3. Explorar algumas palavras-chave em diversos idio-
mas usadas para expressar o que queremos dizer
com culto cristão. 4

3. WHITE, James, Op. Cit., p. 11.


4. Idem, p. 12.

10
1. O fenômeno do Culto Cristão

Para White esta é uma das melhores maneiras de se re-


solver o que se quer dizer com culto cristão: “descrever as for-
mas exteriores e visíveis através das quais os cristãos praticam
o culto”. 5 O fato de o culto cristão ter usado formas estáveis
e permanentes em diferentes culturas e épocas históricas, torna
esta maneira fenomenológica mais fácil para se dizer o que é o
culto cristão. Estas formas podem ser designadas como:
• Estruturas – como o calendário litúrgico ou;
• Ofícios – como a ceia do Senhor.
Portanto, uma maneira de descrever o culto cristão é
simplesmente alistar essas principais estruturas e ofícios. Já no iní-
cio do Novo Testamento vemos uma estrutura semanal de tempo.
Esta estrutura foi fixada em calendários anuais para que se co-
memorassem eventos a serem lembrados na comunidade cristã:
• Morte e ressurreição de Cristo;
• Mártires locais;
• Horários para oração pública e particular;
Ainda hoje podemos dizer que o culto cristão baseia-se
fortemente na estruturação do tempo.
O espaço para o ofício do culto sempre mereceu aten-
ção no decorrer da história do culto cristão. Apesar de terem
sido experimentadas formas diferentes para o lugar do culto
cristão, no decorrer da história há uma constância nas exigências
de espaço e mobiliário.

5. Idem, p. 12.

11
É muito antigo também o uso de tipos básicos de ofí-
cios para a oração pública diária. Oração e louvor fazem destes
ofícios uma característica do culto cristão. A Igreja Luterana tem
em seus manuais de culto as Matinas e as Vésperas para a oração
pública diária, uma herança de tempos antigos.
A leitura e pregação da Escritura é também designa-
da de “liturgia da palavra”. É o culto protestante dominical e
habitual de diversas denominações. É também a primeira parte
da eucaristia ou ceia do Senhor. É um tipo constante que mui-
tos cristãos diriam ser sua experiência primordial do que seria
o culto cristão. A ceia do Senhor é celebrada desde os tempos
do Novo Testamento (1Co 11. 23-26). Para muitos cristãos é o
padrão do culto cristão. Em muitas igrejas é celebrada semanal-
mente.
Para distinguir membros da igreja e pessoas estranhas à
ela os cristãos tem usado cerimônias de iniciação cristã. O rito
do batismo é o mais significativo. Mas a catequese, confirmação,
primeira comunhão e ritos semelhantes têm sido usados como
afirmação ou reafirmação do compromisso batismal.
Respondendo parte de nossa indagação sobre “que é
o culto cristão?” podemos simplesmente relacionar e descrever
as formas básicas que o culto tem assumido e dizer que estas
formas o definem.

2. Definições de Culto Cristão

As várias maneiras como pensadores cristãos definem


o culto cristão servem para nos estimular a reflexão. 6

6. WHITE, James. Introdução ao Culto Cristão, p. 14-19.

12
• Paul Hoon, metodista. Enfatiza o centro cristológico
do culto e está vinculado diretamente com a história
da salvação. O núcleo do culto cristão é “Deus agindo
para dar sua vida ao ser humano e para levar o ser
humano a participar dessa vida”. Assim tudo o que
fazemos é afetado pelo culto; a vida cristã é uma vida
litúrgica. “O culto cristão é a autorevelação de Deus
em Jesus Cristo e a resposta do ser humano”, ou uma
ação dupla: a ação de “Deus para com a alma humana
em Jesus Cristo e a ação responsiva do ser humano
através de Jesus Cristo”.
• Peter Brunner, luterano. Usa o termo Gottesdienst,
que tanto significa serviço de Deus aos seres huma-
nos quanto serviço dos seres humanos a Deus. É a
“dualidade” do culto; no entanto, Deus atua em am-
bas as partes. É Deus sozinho que torna o culto pos-
sível. Cita Lutero, que diz a respeito do culto “que
nele nenhuma outra coisa aconteça exceto que nosso
amado Senhor ele próprio fale a nós por meio de sua
santa palavra e que nós, por outro lado, falemos com
ele por meio de oração e canto de louvor”. Os seres
humanos respondem aos atos divinos com oração e
hinos “como atos da nova obediência conferida pelo
Espírito Santo”. A dualidade do culto é encoberta por
um foco único, que é a atividade de Deus tanto em
se nos autodoar quanto em instigar nossa resposta às
suas dádivas.
• Jean-Jacques von Allmen, reformado. O culto deve
ser compreendido dentro daquilo que Deus já fez por
nós. O culto “resume e confirma sempre de novo a
história da salvação cujo ponto culminante se encon-

13
tra na intervenção encarnada do Cristo. Nesse resumo
e confirmação reiterados, o Cristo continua sua obra
salvadora por meio do Espírito Santo”. Portanto, o
culto está ligado à revelação bíblica e nos dá uma sín-
tese do que Deus fez e uma antecipação do que ainda
virá a ser na história da salvação. O culto é a recapitu-
lação da história da salvação. Allmen também afirma
que o culto é a “epifania da igreja” porque nele se
manifesta a própria natureza da igreja e a igreja é leva-
da a confessar-se perante o mundo. O culto torna-se
uma ameaça de juízo e uma esperança para o mundo.
O culto tem três dimensões-chave: recapitulação, epi-
fania e juízo.
• Evelyn Underhill, anglo-católica. “O culto, em todos
os seus graus e tipos, é a resposta da criatura ao Eter-
no”. Mas somente por meio do “movimento do Deus
permanente em direção a sua criatura é dado o incen-
tivo para o mais profundo culto do ser humano e é
feito o apelo para seu amor sacrifical (. . .). Oração e (.
. .) ação são maneiras pelas quais ele responde a essa
manifestação da Palavra”.
• Georg Florowski, ortodoxo. “O culto cristão é a res-
posta dos seres humanos ao chamado divino, aos
‘prodígios’ de Deus, culminando no ato redentor de
Cristo”. Enfatiza a natureza comunitária desta respos-
ta ao chamado de Deus: “A existência cristã é essen-
cialmente comunitária; ser cristão significa estar na
comunidade, na igreja”. Nesta comunidade Deus atua
no culto e os cultuadores, em resposta, lhe dão louvor
e adoração.
• Nikos A. Nissiotis, ortodoxo. “O culto não é primor-

14
dialmente iniciativa do ser humano, mas ato redentor
de Deus em Cristo por meio do seu Espírito”. Com
Brunner, Nissiotis enfatiza a “absoluta prioridade de
Deus e seu ato”; a igreja oferece culto agradável a
Deus pelo poder do Espírito Santo.
• Papa Pio X. Descreve o culto como “a glorificação de
Deus e a santificação da humanidade”. O culto é para
“a glória de Deus e a santificação e edificação dos fiéis”.
• Constituição sobre a Sagrada Liturgia do Vaticano II.
Fala primeiro da santificação do ser humano e então da
glorificação de Deus, invertendo a descrição de Pio X.
• Odo Casel, monge beneditino. Popularizou a des-
crição de culto como o mistério pascal. O mistério
pascal é o Cristo ressurreto presente e ativo em nosso
culto. Mistério é a revelação divina daquilo que ultra-
passa o entendimento humano e o elemento pascal
é o ato redentor de Cristo. O que Cristo realizou no
passado volta a ser concedido à pessoa que presta cul-
to. Esta é uma forma de viver com o Senhor.

3. O linguajar cristão sobre o culto


a. Os termos para “culto” em alguns idiomas
O linguajar que os cristãos usam sobre o culto cristão
pode nos ajudar a esclarecer o que queremos dizer com este
culto. Muitas palavras tiveram origem secular e foram escolhidas
como meio menos inadequado para expressar o que a comuni-
dade reunida experimentava no culto. Cada palavra e cada idio-
ma podem mostrar o que está sendo expresso.

15
Gottesdienst (em alemão) é uma palavra importante
para expressar o que é o culto cristão. Significa tanto o serviço
de Deus como o nosso serviço para Deus. Dienst pode identi-
ficar postos de gasolina na Alemanha. “Serviço” é algo que se
faz para outros. Vem do termo latino servus, que identifica um
escravo que era obrigado a servir outras pessoas. O termo “ofí-
cio”, do latim officium, serviço ou tarefa, também é usado para
designar um serviço de culto. Gottesdienst reflete um Deus que
“esvaziou-se a si mesmo e assumiu a condição de servo” (Fp 2.
7), bem como nosso serviço para tal Deus.
O termo “culto” vem do latim colere e significa “culti-
var”; é um termo agrícola. Capta o caráter mútuo da responsabi-
lidade entre o agricultor e sua terra ou animais. É preciso tratar
as galinhas para obter ovos; tirar o inço para colher verdura. É
uma dependência mútua de dar e receber.
O termo inglês worship também tem raízes seculares.
Vem do inglês antigo weorthscipe. Weorth = worthy (digno)
e -scipe = ship (-dade), significando a atribuição de valor ou
respeito a alguém. O inglês também usa o termo service, que
significa “serviço”. Deus nos serve no culto com sua palavra e
os sacramentos do Batismo e da Santa Ceia, concedendo-nos
perdão dos pecados e salvação. Por outro lado, somos conduzi-
dos por Deus a servir a ele com nosso louvor e agradecimento
e em amor ao nosso próximo.
As devoções pessoais geralmente ocorrem em separado
do restante do corpo de Cristo. Isto não quer dizer que estejam
desligadas do culto de outros cristãos. Mas obedecem a um rit-
mo mais particular onde o indivíduo mesmo estabelece a disci-
plina. (“Devoção” vem de um termo latino que designa “voto”).
Celebração é um termo bastante usado atualmente, tan-

16
to em contextos seculares quanto eclesiásticos. É um termo um
tanto vago a não ser que seja especificado seu objetivo. Quan-
do utilizar-se para o culto é conveniente que seja especificado
(celebração do Natal, da Santa Ceia). Vago seria, por exemplo,
celebração da vida, da alegria, de um novo dia.
Um termo básico para descrever o culto cristão é ritual.
Mas também é preciso cuidar do termo. Pode significar uma
rotina de repetições sem sentido. Ritos são as palavras que se
cantam ou pronunciam num culto, mas pode ser usado também
para designar todos os aspectos de um ofício. Rito também é
usado para de definir um grupo religioso; os católicos do rito
oriental têm um padrão distinto dos católicos do rito romano,
por exemplo.
Normalmente o cerimonial está explicitado no culto
através das rubricas; são as ações executadas no culto. Rubricas
são instruções para execução do culto. Como indica o nome,
as rubricas são escritas em vermelho, embora nem sempre isso
aconteça efetivamente.
Ordo ou ordem é a estrutura de cada ofício. Ordem,
rito e rubricas, ou seja, a estrutura, as palavras e as instruções
são os componentes básicos da maioria dos manuais de culto.
b. O linguajar no Novo Testamento
Em Rm 9. 4 e Hb 9. 6 o termo latreía (culto, serviço)
refere-se ao culto judeu no templo. Os judeus também queriam
obter as promessas messiânicas “servindo a Deus noite e dia”
(At 26. 7; Lc 2. 37). Mas o termo também é usado para a venera-
ção ritual pagã como vemos em Rm 1. 25 (adoração da criatura
em lugar do Criador) e At 7. 25 (adorar as estrelas do céu). O
servir a Deus no Novo Testamento tem um novo significado. A
latreía dos cristãos implica em que eles já foram transportados

17
para uma nova realidade: a salvação já está cumprida. Eles são
purificados pelo sacrifício de Cristo já cumprido e por isso liber-
tados para fazerem boas obras. (Hb 9. 14; 12. 28; Rm 12. 1-2)
Proskyneîn significa prostrar-se em reverência ou sub-
missão. Na tentação de Jesus, este diz a Satã: “Está escrito: Ao
Senhor teu Deus adorarás (proskynéseis) e só a ele darás cul-
to” (latreúseis – Mt 4. 10). Jesus diz à mulher samaritana que
chegou o tempo em que os verdadeiros “adoradores adorarão
(proskynetaì) o Pai em espírito e em verdade” (Jo 4. 23). Nesta
passagem proskyneîn é usado repetidas vezes sob várias formas.
Em Ap 4. 10 “os vinte e quatro anciãos prostrar-se-ão (prosky-
nésousin) diante daquele que se encontra sentado no trono”.
Este verbo enfatiza a posição do corpo prostrado para o culto.
Thysía e prosphorá são ambos traduzidos por “sacrifí-
cio” ou “oferenda”. Thysía é usado para designar o culto pagão
(“sacrifícios de demônios” em 1 Co 10. 20), o culto cristão (“sa-
crifício vivo” em Rm 12. 1), e “sacrifício de louvor” (Hb 13. 15).
Paulo também usa o termo thysía para designar as ofertas que
os filipenses lhe enviaram dizendo que era “aroma suave como
um sacrifício aceitável e aprazível a Deus” (Fp 4. 18), enquanto
estes dons são apresentados ao apóstolo, eles são, ao mesmo
tempo, apresentados a Deus; isto faz do ato de apresentação de
Epafrodito um serviço sacerdotal. Prosphorá significa o ato de
oferecer oferta, sacrifício, como acontece em Hb 10. 10 que diz
da “oferta do corpo de Jesus Cristo, uma vez por todas”.
Threskeía significa “culto”, “ofício religioso”, religião.
Paulo designa a religião judaica de threskeía (At 26. 5). Mas o
apóstolo também usa o mesmo termo para a prática herética de
culto aos anjos em Cl 2. 18. E em Tg 1. 26-27 Paulo vai usar o
mesmo termo para designar a prática da religião cristã pura em
visitar os órfãos e as viúvas e não se contaminar pelo mundo.

18
Sébein significa “prestar culto”, “adorar”. Jesus usa o ter-
mo para dizer que não adianta adorá-lo com doutrinas humanas:
Mt 15. 9; Mc 7. 7. Demétrio usa o termo para adoração à deusa
Diana: At 19. 27. Mas Paulo também usa o termo para qualificar
os piedosos ou tementes a Deus (13. 50; 16. 14; 17. 4,17; 18. 7).
O termo liturgia também é de origem secular. Vem do
grego leitourgía composto de érgon (trabalho) mais laós (povo).
Liturgia era um trabalho público executado em prol da cidade
ou do Estado, na Grécia antiga. Podia ser serviço doado ou pa-
gamento de impostos. Assim Paulo fala de autoridades romanas
como leitourgoì (“ministros” de Deus – Rm 13. 6) e chama a si
mesmo de leitourgòn (“ministro de Cristo Jesus entre os gen-
tios” – Rm 15. 16). Portanto, liturgia é um trabalho executado
pelas pessoas em favor de outras. É um serviço retribuído ao
povo como uma comunidade política mediante um trabalho que
a própria comunidade deveria fazer. Portanto, se quisermos de-
signar um ofício como “litúrgico” estamos indicando que este
ofício é para ter a participação de todos de maneira ativa e con-
junta. Não pode ser um culto onde a assembleia seja meramente
passiva.
Os anjos são enviados para ministrar aos que são salvos
por Cristo. Por isso também são “litúrgicos” ou “ministradores”
(leitourgiká – Hb 1. 14). Também pessoas que exercem poderes
governamentais e que fazem valer seus direitos para louvor do
bem e castigo do mal, em virtude de sua atividade são chamadas
“ministros de Deus”, ou seja, “liturgistas” (leitourgoì) de Deus
(Rm 13. 6). Até o serviço da assistência aos necessitados de Je-
rusalém que as congregações da Macedônia e Grécia prestaram
é chamado de leitourgías, e Epafrodito foi chamado por Paulo
de auxiliar (leitourgóv – “liturgista”) de suas necessidades (Fp 2.
25).

19
É interessante notar que na Septuaginta7 o substantivo
leitourgía e o verbo leitourgéo nunca se referem a um serviço às
pessoas, mas é usado somente para funções de culto. E quando
o Novo Testamento cita o Antigo Testamento é constante o uso
linguístico da Septuaginta. Leitourgía é o serviço sagrado que
era realizado no tabernáculo (Hb 9. 21) ou o serviço sacerdotal
regular como o realizado por Zacarias no templo (Lc 1. 23). Mas
a perfeita leitourgía tem lugar no céu. Aí é o “ministro do santu-
ário e verdadeiro tabernáculo” e “o ministério mais excelente”
realizado pelo Crucificado, exaltado à direita de Deus como o
Liturgista do verdadeiro santuário celeste (Hb 8. 2,6).
c. O termo adequado para a reunião dos cristãos
Somos confrontados com o fato de que nenhum dos
termos usados pelos gregos ou pelo Antigo Testamento é capaz
de expressar a experiência dos cristãos reunidos para o culto. O
que acontece neste culto dos cristãos é algo novo. É radicalmen-
te diferente dos cultos pagãos e também do culto de Israel. Os
termos descritivos do culto do Antigo Testamento são em parte
adotados para significar a obra redentora de Jesus e, despidos de
seu sentido ritualístico, são também aplicados à conduta cristã
em geral ou a serviços especiais dentro da igreja. Mas eles não
são usados para designar o culto particular no qual a congrega-
ção canta, ora, escuta a palavra e celebra a Santa Comunhão.
O Novo Testamento nos mostra que estes encontros
congregacionais para o culto eram o ponto focal para cada pen-
samento e ato dos cristãos como podemos ver nos capítulos
10 a 14 de 1Co. Se a conduta dos cristãos como um todo é
culto, isto está intimamente ligado ao fato que sua vida temporal

7. “A tradução grega mais antiga do AT, feita do hebraico, nos séculos III e
II a. C., no Egito, para os judeus da Diáspora”. Dicionário Enciclopédico
de Teologia.

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encontrou um ponto focal concreto, um posto poderoso, por
assim dizer, que controla e direciona toda sua existência. Este
ponto focal é a ekklesía, a igreja na qual foram implantados por
Deus e, dentro da qual um se interessa em amparar o outro,
segundo seus dons.
Assim chegamos ao termo que no Novo Testamento
expressa o que hoje chamamos de “serviço” ou “culto” (em
inglês service ou worship; em alemão Gottesdienst). Entre os
termos do Novo Testamento para expressar “estar reunido em
nome de Jesus” temos synágo (“reunir”, “juntar”) como veri-
ficamos em Mt 18. 20 e At 20. 7. Para expressar o sentido de
“reunir-se na ekklesía ou como ekklesía temos o termo synérxo-
mai (“reunir-se”, “fazer assembleia”) como podemos verificar
em 1Co 11. 18 e 14. 23.
Em dois lugares o Novo Testamento apresenta o sen-
tido de “assembleia” para o culto: Em Tg 2. 2 a reunião dos
cristãos é chamada de synagogé, que significa “lugar de assem-
bleia” e em Hb 10. 25 é designada de episynagogé, que significa
“encontro”. O termo synagogé era usado na era cristã antiga
antes do terceiro século. Mas como esta palavra também era
usada para designar a comunhão de fé dos judeus (Ap 2. 9, 3. 9)
pode justificar o fato desta palavra não ter sobrevivido.
A palavra sýnaxis (“comunhão, reunião, união, eucaris-
tia”) foi usada a partir do quarto século e por algum tempo ser-
via para designar a eucaristia. A Apologia da Confissão de Augs-
burgo8 faz menção desta palavra mostrando que ela antigamente
designava a eucaristia. Este termo é ideal para designar a reunião
dos cristãos visto que seu significado realça especificamente a
assembleia do povo.
Portanto, “reunir-se” está implícito no sentido de nossa
palavra “culto”. Em todos os eventos, “culto” é o evento es-

21
sencial nas reuniões dos cristãos. Por isso o culto é ekklesía, as-
sembleia, reunião. Portanto, culto no sentido de assembleia da
congregação cristã em nome de Jesus é a manifestação da igreja
na terra. Em tal assembleia acontece a epifania da igreja e tal
assembleia em nome de Jesus é igreja. A expressão “hoje tem
igreja” (em alemão es ist kirche heute), e não “hoje tem culto”
(em alemão es ist Gottesdienst heute) está perfeitamente correta.
É preciso também mencionar que “o partir do pão”
mencionado no Novo Testamento é designação do que enten-
demos por culto público. É um termo palestino que original-
mente não está relacionado ao culto propriamente. Refere-se
ao partir do pão costumeiro pelos pais de famílias judaicas no
início de cada refeição. A antiga congregação palestina valeu-
se deste termo para designar suas refeições de amizade (At 2.
42,46), quando também a ceia era celebrada. Dentro dos limites
das missões paulinas, “partir do pão” é o termo para a eucaristia.
Isto é evidente nas comparações entre At 20. 7 e 1Co 10. 16. As
assembleias cristãs para o culto (com exceção dos encontros nos
quais o Sacramento de Iniciação era administrado) eram, desde
seu início, assembleias de Santa Comunhão que incluíam procla-
mação e instrução. O termo “partir o pão” usado em At 20. 7
tornou-se a designação mais antiga para o ofício cristão. Mas este
termo também é emprestado da área cotidiana, no entanto, ex-
pressa a “novidade” do culto cristão em relação ao culto judaico.
Mas a expressão “partir o pão” e o termo sýnaxis não se
firmaram. A palavra que definitivamente se estabeleceu no oci-
dente é leitourgía. Já vimos que no Novo Testamento serviços
especiais realizados na área da área da ekklesía carregavam o nome
de leitourgía e que o executante de tais serviços era consequen-
temente denominado um leitourgós. Como executantes de tais

8. Apologia da Confissão de Augsburgo, XXIV, 79, in Livro de Concórdia.

22
serviços eclesiásticos, bispos e diáconos já são mencionados na
Didachê9 (15. 1); prestavam a toda congregação o serviço (leitour-
gía) dos profetas e mestres. Até o quarto século a palavra leitourgía
é usada para expressar a atividade total de sacerdotes e diáconos.
Mas o mais importante que estes leitourgói têm a prestar ao povo
de Deus consiste cada vez mais na administração da eucaristia e
isto é finalmente rotulado exclusivamente como leitourgía. No sé-
culo IX este desenvolvimento histórico-linguístico é concluído.10
Da história dos termos usados para “culto” na igreja
latina não se estabeleceu nenhum termo que tivesse o sentido
completo de synagogé ou sýnaxis. A Vulgata, no Novo Testa-
mento, usa o verbo colere para expressar o culto a ídolos pagãos
(Cf. At 17. 23,25; 19. 27; Rm 1. 25) e o substantivo cultus nunca
é mencionado. O sentido básico da palavra “culto” é realmente
inadequado para expressar a essência do culto da igreja cristã.
Cultus pode ser a atenção e o cuidado que se dá à terra (la-
vrando-a e cultivando-a), ao corpo (alimentando-o e atendendo
às suas necessidades), ao modo de vida externo (como supri-
mentos e conforto), à mente (educando-a através de instrução e
artes), mas também aos deuses (apresentando-lhes sacrifícios e
orações, observando ritos e festas). O Novo Testamento adver-
te para o fato de que o culto pagão é carregado de realidade fatal
(Cf. 1Co 8. 5; 10. 20; 12. 2; Rm 1. 18-23). Um grande abismo
separa o culto pagão do culto cristão. Portanto, é compreensível
que a palavra cultus fosse evitada para designar o culto cristão.
Lutero e os escritos confessionais luteranos usam a
palavra cultus como sinônimo de Gottesdienst. Na explanação

9. “Publicação grega, escrita presumivelmente pouco antes ou depois do fim


do primeiro século. Junto com as Epístolas Pastorais representa a mais antiga
ordem eclesiástica cristã. Título completo: Doutrina do Senhor para os povos
através dos doze apóstolos”. WEIGÄRTNER, Lindolfo. Termos Teológicos.
10. BRUNNER, Peter. Worship in the name of Jesus, p. 19-20.

23
do Primeiro Mandamento no Catecismo Maior Lutero aplica a
palavra Gottesdienst em sentido lato: “Eis que aqui tens o que
é a verdadeira honra e culto divino (Gottesdienst) agradável a
Deus e por ele ordenado sob pena de ira eterna, a saber, que o
coração não conheça outro consolo e confiança senão a ele”.
11
Mas Lutero também usa Gottesdienst no sentido restrito de
uma assembleia para o culto divino: “Acima de tudo, o fazemos
para que em tal dia de descanso... se tome lugar e tempo a fim
de participar do culto divino isto é, reúnam-se as pessoas com
o objetivo de ouvir e tratar a palavra de Deus e depois louvar a
Deus, cantar e rezar”. 12 Nos seus escritos A Ordem de Culto
na Comunidade (1523) e Missa Alemã e Ordem do Culto (1526)
Lutero usa a palavra Gottesdienst (Na tradução portuguesa usa-
se a palavra culto) no sentido de assembleias para o culto diário
e dominical. No seu escrito Formulário da Missa e Comunhão
para a Igreja de Wittenberg (1523), Lutero usa o termo cultus
dei no mesmo sentido de Gottesdienst. A língua francesa e es-
pecialmente a inglesa adaptaram-se a servitium (“service”).
As reflexões terminológicas nos mostram que não te-
mos um termo inerrante e conciso para a reunião dos cristãos.
Pessoas se reúnem em certos dias num determinado tempo para
um encontro com a palavra Deus. Portanto, este encontro é dis-
tinto de todos os outros para os quais as pessoas se reúnem. A
característica deste encontro está no fato de que é um estar jun-
to em nome de Jesus. E Jesus promete estar junto neste encon-
tro. É por isso que também se invoca a presença de Deus o Pai,
o Filho e o Espírito Santo. Não é uma presença vaga de Deus,
mas é o Espírito Santo que trabalha na pessoa e se dirige a Deus
o Pai através de Jesus Cristo concedendo e mantendo a pessoa
cristã na fé. Neste encontro certamente será feita a leitura das

11. LUTERO, Martinho. Catecismo Maior, I,16.


12. Idem, I, 84.

24
Escrituras. Nas igrejas da Reforma, os textos que são lidos no
domingo ou dia especial também são usados num “sermão”.
Também são dirigidas orações a Deus e cantados hinos que em
parte são oração, ou louvores, mas também são formas de pro-
clamação das Sagradas Escrituras. Uma celebração particular
também acontece nestas assembleias, quando o pão e o vinho
são distribuídos para que os fiéis recebam o corpo e o sangue de
Jesus para perdão de seus pecados.
É necessário fazer uma clara distinção entre o culto em
comum e as devoções pessoais. O culto em comum é celebrado
pela assembleia reunida. O termo “sinagoga” também foi usado
para referir-se à assembleia cristã (Tg 2. 2), mas o termo princi-
pal para designar a assembleia cristã é ekklesía (igreja), aqueles
que foram chamados para fora do mundo. Ekklesía tem o sig-
nificado de reunião, assembleia, congregação, igreja (At 5. 11; 7.
38; 9. 31; 19. 32, 40; Mt 16. 18). No Novo Testamento é usado
para designar a igreja local ou universal. É de se notar que o
culto em comum começa com reunião de cristãos espalhados
em um lugar para formar a igreja em culto. O reunir-se é parte
importante do culto em comum. Reunimo-nos para encontrar-
nos com Deus e com o nosso próximo.

Questões
1. Elabore uma definição de culto cristão a partir da abordagem
fenomenológica, ou seja, explicando o que os cristãos fazem no
culto.
2. Descreva o significado do termo alemão para o culto:
Gottesdienst.

25
3. Analise as passagens que usa proskineîn para adoração.
4. Analise as passagens de Rm 13. 6, 15. 16; Hb 1. 14; 9. 21;
Fp 2. 25 e Lc 1. 23 que utilizam o termo grego leitourgía. E que
situação (contexto) o termo é usado em cada passagem?
5. Por que há um grande abismo entre culto cristão e culto pa-
gão?

Referências

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do alemão para o inglês por M. H. Bertram. Saint Louis/Lon-
dres: Concordia Publishing House, 1968.
GINGRICH, F. Wilbur. Léxico do Novo Testamento Gre-
go/Português. São Paulo: Vida Nova, 1983.
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dia, p. 385-496. São Leopoldo/PortoAlegre: Editora Sinodal/
Editora Concórdia, 1980.
_____________. A ordem do Culto na Comunidade, in Mar-
tinho Lutero, Obras Selecionadas, Vl. 7. p. 65-69.
_____________. Formulário da Missa e da Comunhção
para a Igreja de Wittenberg, in Martinho Lutero, Obras Sele-
cionadas, Vl 7, p. 155-172.
_____________. Missa Alemã e Ordem do Culto, in Marti-
nho Lutero, Obras Selecionadas, Vl. 7, p. 173-205.
MELANCHTON, Filipe. Apologia da Confissão de Augs-
burgo, in Livro de Concórdia, p. 97-304.
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26
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gia. Porto Alegre/Canoas: Concórdia Editora/Editora da UL-
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WEIGÄRTNER, Lindolfo. Termos Teológicos. São Leopol-
do: Faculdade de Teologia da Igreja de Confissão Luterana no
Brasil, 1967.
WHITE, James F. Introdução ao Culto Cristão. Tradução de
Walter Schlupp. São Leopoldo: Sinodal, 1997.

27
O Culto no
Antigo Testamento
1. No Princípio Manifestações Esporádicas
“Viu Deus tudo quanto fizera, e eis que era muito bom.
Houve tarde e manhã, o sexto dia” (Gn 1. 31). A perfeição da
obra de Deus não conhecia pecado e, portanto, não havia tam-
bém a necessidade de remissão. A comunhão com Deus era
perfeita. Mas, com a queda em pecado, aparece também a ne-
cessidade de se restabelecer a comunhão com Deus por causa
do pecado que separa as pessoas de Deus. É interessante no-
tar que, mesmo ainda não tendo sido estabelecida a maneira de
prestar culto a Deus, em manifestações esporádicas de culto que
aparecem no início da Bíblia, a oferta de produtos da terra e o
sacrifício de animais e o louvor e agradecimento a Deus estão
presentes.
O primeiro relato de oferta a Deus inclui também o
primeiro homicídio registrado na Bíblia. Caim e Abel trazem
ofertas do seu trabalho ao Senhor. Por Deus não ter se agrada-
do da oferta de Caim este mata o seu irmão Abel. É um relato
trágico e que mostra a que consequências pode levar o pecado
(Gn 4. 1-7). Para entendermos a diferença que Deus fez entre
as duas ofertas precisamos ver Hebreus 11. 4. Aí nos é revelado
que foi pela fé que Abel ofereceu um sacrifício melhor do que
Caim.
Outro relato de oferta a Deus está ao final da história
do dilúvio. Noé edifica um altar e queima animais em holocaus-
to a Deus (Gn 8. 20-22). É interessante ver a reação de Deus a
esta oferta: “O Senhor aspirou o suave cheiro”, ou seja, Deus
se agradou da oferta de Noé. Esta reação de Deus também vai

31
aparecer mais tarde no culto que ele mesmo vai instituir.
O sacrifício que Deus pede a Abraão é inusitado. Deus
lhe pede: “Toma teu filho, teu único filho, Isaque, a quem amas,
e vai-te à terra de Moriá; oferece-o ali em holocausto, sobre
um dos montes, que eu te mostrarei” (Gn 22. 2). Certamente
Abraão jamais poderia esperar tal atitude de Deus: um sacrifício
humano! Além disso, Isaque seria o único a continuar o povo
que Deus mesmo iria constituir e, agora, estaria por terminar
este povo? Mas o final da história coloca um alívio nisto tudo.
Deus não quer sacrifício humano. Na verdade Deus testou a fé
que Abraão tinha (Hb 11. 17-19). Isaque se tornou um tipo de
Cristo, este sim, que deu sua vida em favor de toda a humanida-
de.
A maneira que Jacó prestou culto a Deus é bem singu-
lar: toma uma pedra, erige esta pedra em coluna, entorna azeite
sobre ela e lhe dá o nome de Betel, que significa Casa de Deus.
Além disso, faz voto a Deus a Deus de lhe dar o dízimo, se tudo
lhe correr bem (Gn 28. 18-22). Aqui também há um paralelo
com o culto que mais tarde Deus vai instituir: sobre os sacrifí-
cios seria entornado vinho (Nm 15. 5-10).
Mais um exemplo de culto antes da instituição do culto
pelo próprio Deus é a vida de José. Ele serve de exemplo de
vida temente dedicada a Deus (Gn 39). Enfrentou as consequ-
ências de não se render aos apelos sexuais da mulher de Potifar,
dizendo: “como, pois, cometeria eu tamanha maldade e pecaria
contra Deus?” (Gn 39. 9). José serve de exemplo ao apelo do
apóstolo Paulo que pede que apresentemos nosso “corpo como
sacrifício vivo, santo e agradável a Deus” que é o nosso “culto
racional”. (Rm 12. 1)
Mesmo antes de haver instituído o culto, nos exemplos
acima podemos ver claramente a iniciativa de Deus na maioria

32
dos casos: Para Noé, o seu sacrifício é motivado pelo fato de
Deus ter salvado a ele e sua família do dilúvio; para Abraão,
Deus prometera que dele faria uma grande nação, e é Deus que
o move para o sacrifício e até providencia o carneiro; para José,
seu culto de vida é motivado pela proteção que Deus lhe dá,
apesar de estar numa terra estranha, sendo reconhecido como
administrador de todos os bens de seu senhor.

2. A Intervenção de Deus

“Ora, disse o SENHOR a Abrão: Sai da tua terra... ”


(Gn 12. 1). Com estas palavras há uma intervenção nova na
história da humanidade: elas iniciam a segregação e eleição de
Israel. Isto não quer dizer que Deus não tinha suas testemunhas
antes deste chamado a Abrão (Cf. Gn 4. 26; 5. 24; 6. 8-9). Mas
com a eleição de Israel temos um caráter messiânico na história
de Deus com a humanidade. Deus inicia a sua obra da salvação
eterna, livrando a humanidade da queda no pecado e suas terrí-
veis consequências. O caminho do sacrifício de Jesus inicia com
o chamado de Abrão. De Abrão Deus constituiria uma grande
nação e ele deveria ser uma bênção (Gn 12. 2).
Com os acontecimentos do dilúvio e da torre de Babel
Deus já havia intensificado sua presença entre a humanidade.
Mas foram duas manifestações da ira de Deus sobre o pecado
da humanidade (Gn 7. 21; 11. 7-9). Agora, com o chamado de
Abrão Deus intensifica mais uma vez a sua presença. No entan-
to, sua presença, agora, é muito pessoal e graciosa. Deus chama
um povo e dá-lhes sua palavra na qual se faz ativamente presen-
te. Nesta palavra Deus ensina como quer ser servido e como
deve ser cultuado. Eis um mistério: Deus escolhe a fala humana
33
para a sua própria comunicação e ação entre a humanidade.
De tempos em tempos Deus se revela e transmite a sua
palavra. Em certas ocasiões ele também se manifesta de alguma
forma visível. Chamamos isto de teofania ou epifania. Mas a
presença de Deus nunca ficou restrita a estas aparições nem es-
teve amarrada aos locais onde apareceu.
Nos dias dos patriarcas houve muitas teofanias (Cf. Gn
16. 7-14 – (Deus aparece a Agar e lhe promete multiplicar a sua
descendência; Gn 21. 17: Deus socorre Agar e seu filho no deser-
to; Gn 24. 7, 40) – Deus providencia para Isaque sua esposa Re-
beca. Deus se manifesta como um anjo, semelhante a uma pessoa.
No tempo em que Israel peregrinou no deserto vemos
uma intensificação das manifestações de Deus tanto em número
quanto em duração. Antes mesmo da peregrinação, Deus apare-
ce a Moisés numa sarça ardente (Êx 3). Durante os dias no de-
serto a coluna de fogo, a coluna de nuvem, o Anjo do Senhor, a
Arca da Aliança e outras formas foram manifestações de Deus:
• Êx 13. 21-22; 14. 19 – coluna de nuvem e coluna de
fogo;
• Nm 9. 15-18 – nuvem e fogo sobre o tabernáculo;
• Nm 16. 31-35 – Deus castiga os rebeldes abrindo a
terra debaixo de seus pés;
• Nm 22. 31 – O Senhor abre os olhos a Balaão para que
veja o anjo do Senhor.

3. Institui-se o Culto
Por ocasião da saída iminente do povo de Israel da ter-
ra do Egito, institui-se a Páscoa (Êx cap. 12. Veja especialmente
os versículos 2-3, 7, 13-14, 25-27). A época no nosso calendário
34
é março/abril e, naquela ocasião serviu para marcar o início de
um novo ano religioso (v. 2):

Ocordeirooucabritodapáscoa,assadosobreo
fogo,representaaproteçãoeprovisãodeDeusporseu
povo: Israel é o primogênito de Deus. As ervas amar-
gasrepresentamtodoosofrimentoquesuportaramno
Egito. Os pães sem fermento evocam a rapidez da sua
partida (não havia tempo para usar fermento e deixar
o pão crescer). 13

Após a ocupação da terra prometida Deus continuou a


se manifestar através da arca da aliança. Com a construção do
templo as manifestações de Deus aconteceram no templo. O dia
da dedicação do templo foi um acontecimento notável (2 Cr 5.
13-14; 7. 1-3).
A presença de Deus no templo se dava através dos sa-
cerdotes que oficiavam os sacrifícios. Além dessa presença Deus
também se revelou na palavra levada ao povo pelos profetas.
Portanto, o povo era dependente da presença de Deus median-
te um sacerdote ou profeta. Portanto, a presença de Deus não
estava circunscrita ao templo (Jr 7. 1-15; Mq 3. 11-12). Estava
também na palavra dos profetas que constantemente chamavam
o povo ao arrependimento.
Com a divisão do reino em dois, após Salomão, o rei-
no do norte acabou se dissolvendo gradativamente e dominado
pelos assírios. O reino do sul (reino de Judá) acabou indo para o
cativeiro babilônico como castigo de Deus pela infidelidade de
seu povo.

13. MANUAL BÍBLICO SBB, p. 164.

35
O culto do povo judeu continuou nas sinagogas ergui-
das no exílio. Lá havia encontro de oração, leitura e ensinamento
da Lei, canto dos Salmos e comentário dos escritos dos profetas.
Depois do exílio o templo foi reconstituído sob Esdras, o sacer-
dote, guardião zeloso da Lei e Neemias, um leigo encarregado
de reconstruir a cidade e os muros de Jerusalém. O templo tam-
bém foi reconstruído, mas estava agora sem a arca da aliança.
Com o tempo cessaram-se as revelações de Deus e não
houve mais palavra profética. Parecia que Deus havia abandona-
do a história de seu povo.
Mas, “na plenitude do tempo” (Gl 4. 4) Deus aparece
em carne. A própria palavra eterna tornou-se carne. O Messias
prometido é revelado na pessoa de Jesus Cristo. Após realizar a
sua obra Cristo é assentado à direita de Deus Pai (Ef 1. 20), mas
continua presente através do Espírito Santo (Jo 14. 16-17) e na
igreja (ekklesía) que é o seu corpo (Cl 1. 18). Finalmente, com o
retorno de Cristo estarão cumpridas todas as manifestações de
Deus e, no novo céu e na nova terra, na nova Jerusalém, Deus
habitará conosco no seu tabernáculo (Ap 21. 1-3).
O culto no Antigo Testamento era basicamente de na-
tureza sacrifical. Aparentemente o culto de Israel parece seme-
lhante aos cultos dos seus povos vizinhos. No entanto, apesar
desta semelhança formal, o culto de Israel era, em sua essên-
cia, muito diferente dos cultos de sacrifício pagãos. Isto porque
o culto do Antigo Testamento se revela no evangelho. É uma
instituição do próprio Deus e encontra seu cumprimento em
Jesus Cristo. Cada sacrifício de Israel é cumprido no próprio
sacrifício de Jesus Cristo. E é por causa do sacrifício único de
Jesus Cristo que o culto de Israel teve expiação, reconciliação e
apaziguamento da ira de Deus, mesmo que ainda tudo estivesse
na promessa. É por isso que as ofertas queimadas exalavam um

36
“aroma agradável ao Senhor” (Lv 1. 9).
A oferta contínua no templo mostra que Deus está ira-
do com o homem não somente por causa deste ou daquele pe-
cado, mas que há alguma coisa inerente no homem que precisa
ser removida para que Deus não o destrua com sua ira (Êx 29.
38-46). O sangue passa a ter importância primordial no culto do
Antigo Testamento.
Há um relacionamento estreito entre o animal sacrifica-
do e o povo de Israel. Isto se nota de maneira bem característi-
ca no Dia da Expiação. Aí os pecados eram colocados sob um
bode expiatório que era conduzido para o deserto a fim de levar
para longe as transgressões do povo. O outro bode paga com
seu sangue pelos pecados do povo (Lv 16. 7-10).
Notemos bem que a atividade de culto, que expiava o
pecado e o eliminava, não era uma iniciativa humana, mas divi-
na. É o contrário dos cultos pagãos onde os homens tomavam
as iniciativas de aplacar a ira dos deuses. O ato, sim, tinha que
ser realizado pelo homem, mas por intermédio do sacerdote, o
elo de ligação entre Deus e o homem.
O sacerdócio no Antigo Testamento era uma institui-
ção rigorosamente circunscrita. Não era qualquer um que pode-
ria ser um sacerdote. Sacrifício, reparação, expiação – tudo isso
marcava um ato a ser realizado numa área delimitada. Não era
qualquer pessoa que tinha o direito de ocupar esta área; ninguém
poderia estar aí sem estar autorizado por Deus. Quem estivesse
diante de Deus com o sacrifício entrava, por assim dizer, numa
zona perigosa, na qual poderia entrar somente quem tivesse uma
autorização especial. Por isso o sacerdote, em virtude da sua
função, tomava o sacrifício da mão do indivíduo e o trazia a
Deus. Assim o sacerdote tornou-se o mediador no culto sacri-
fical. O indivíduo poderia tratar com Deus neste culto sacrifical

37
somente através da mediação do sacerdote.
Também a instituição sacerdotal mostra que a obra da
reconciliação não dependia da iniciativa do indivíduo. A apre-
sentação diária do sacrifício no templo era um ato separado da
congregação como tal. O povo de Deus não efetuava a recon-
ciliação, mas vivia da reconciliação. A concentração do culto sa-
crifical na instituição sacerdotal significava que o apaziguamento
da ira de Deus era realmente efetuado exclusivamente por uma
instituição de Deus, por um ato iniciado por Deus para o povo e
não iniciado pelo povo. Portanto, o culto sacrifical dos sacerdo-
tes vinha para a congregação e para o indivíduo como um dom
obtido para eles. No que diz respeito à reconciliação, a congre-
gação e o indivíduo somente podiam deixar que isto acontecesse
a eles e aceitá-la como um dom ou dádiva ou bênção.
A conexão do sacrifício à instituição sacerdotal demons-
trava que o sacrifício teria que ser apresentado continuamente.
O ato expiatório não podia ser interrompido. A cada momento
o povo estava em necessidade de apaziguamento da ira de Deus.
Um simples sacrifício, como os sacerdotes faziam, não poderia
apaziguar a ira de Deus para sempre. Por isso, uma cadeia sem
fim de sacrifícios era necessária. Para que Deus ficasse graciosa-
mente entre seu povo era necessária a presença ininterrupta do
sacrifício perante Deus. A conclusão de um sacrifício já reclama-
va repetição, o que mostrava seu caráter preliminar e simbólico
que somente representava o objeto real, aquilo que era realmen-
te necessário e por isso admitia sua própria impotência interior.
Outro aspecto significativo do culto sacrifical do An-
tigo Testamento era a comunhão. Esta comunhão é distinta do
sacrifício prestado para a reconciliação ou expiação. Enquan-
to que o sacrifício de expiação era intencionado somente para
Deus, no sacrifício de comunhão apenas uma pequena parte era

38
destinada a Deus, pois era essencialmente para uma refeição
de comunhão. Os participantes desta refeição estavam unidos
através desta refeição numa comunhão sagrada com Deus. A
“aliança” com Deus era posta em prática. Deus e o indivíduo
entravam numa comunhão. Mas, ao mesmo tempo Deus era o
centro de um círculo de comunhão que unia os participantes
uns com os outros.
Todo o culto sacrifical do Antigo Testamento tem que
ser concebido como um dom de Deus às pessoas. Deus é quem
capacita a pessoa a servi-lo verdadeiramente. Por isso, quando
Israel achava que Deus poderia ser manipulado conforme seus
desejos através de sacrifícios, Deus considerava isto uma quebra
de sua aliança (Is 1. 10-17). Os profetas constantemente ataca-
vam esta perversão do culto de Israel. Mostravam que o culto
não salvava pela realização em si dos sacrifícios. Os sacrifícios
precisavam ser acompanhados pela aceitação do dom da sal-
vação, ou seja, pela confiança na promessa do Messias, e esta
confiança era expressa no ato de obediência à vontade de Deus.
Justamente pelo fato de que o povo de Israel havia sido
escolhido por Deus, que Deus habitava entre eles, que a recon-
ciliação lhes era garantida no anúncio da promessa, por tudo
isso eles também eram julgados quando negavam a Deus o culto
para o qual Deus mesmo os havia habilitado a lhe render.
O culto do Antigo Testamento apontava para a revela-
ção do grande plano de salvação de Deus que ainda não chegara.
Por apontar para este plano mostrava que esta salvação ainda
não havia chegado.

39
4. Os Sacrifícios No Livro De Levítico

Sacrifícios – centro do culto no tabernáculo. Elemento


mais importante: sangue.
Holocausto (Capítulo 1)
O sacrifício é queimado sobre o altar e que faz subir
(‘olah’ – hebraico) a fumaça para Deus. A palavra “holocaus-
to” vem da tradução para o grego olokaútoma, e significa que
a vítima é queimada totalmente nada sobrando para o ofertante
nem para o sacerdote, com exceção da pele que ficava para o
sacerdote.
• Sequência do ritual do Holocausto de gado:
1º - Apresentação da vítima (v. 3);
2º - Imposição da mão do ofertante sobre a vítima (v. 4);
3º - Morte da vítima (v. 5);
4º - Aspersão do sangue (v. 5);
5º - Ato de esfolar o animal (v. 6);
6º - Ato de partir o animal em seus pedaços (v. 6);
7º - Preparo do altar (v. 7);
8º - Ato de queimar o holocausto (vv. 8-9).
Os holocaustos particulares podiam ser de gado, de
gado miúdo (carneiros ou cabritos) ou de aves. De acordo com
a possibilidade financeira do ofertante se fazia a oferta. Quando
a oferta era de gado, o próprio ofertante degolava o animal, o
esquartejava. A função do sacerdote somente iniciava quando
a vítima entra em contato com o altar, espalhando o sangue ao
redor do altar. O sangue contém vida e o sangue pertence so-
mente a Deus (Lv 7. 26-27; 17. 14; Gn 9. 4; Dt 12. 23). Quando

40
a oferta era de ave, o próprio sacerdote degolava a vítima. Os
holocaustos públicos, pela nação como um todo, eram feitos
totalmente pelos sacerdotes (2Cr 29. 22, 24, 34; Ez 44. 11).
• Significado do holocausto: a própria vida do ofertante
é inteiramente consagrada a Deus.
• Como Deus recebia o holocausto: vv. 9, 13, 17.
Oferta de Manjares (Capítulo 2)
Uma oferta de vegetais com azeite e vinho como liba-
ção acompanhavam os sacrifícios. Esta oferta vegetal é chamada
de minhah, que significa “dom”.
• Única oferta sem derramamento de sangue.
• Variedades:
a. Oferta de manjares de farinha. É uma oferta
não cozida embebida em óleo e acompanha-
da de incenso; o incenso e um pouco da fari-
nha são queimados sobre o altar e o restante
vai para os sacerdotes (v. 1-3);
b. Oferta de manjares de bolos. São os mesmo
ingredientes, mas cozidos. Também uma
parte é dos sacerdotes (v. 4, 5, 7);
c. Oferta de manjares de espigas verdes. Quan-
do esta oferta é de espigas verdes, está asso-
ciada às primícias (v. 14);
• Elementos a acrescentar à oferta de manjares: azeite,
incenso e sal (vv. 1 e 13);
• Elementos proibidos: fermento e mel (v. 11);
• Vinho como libação (Êx 29. 40; Nm 15. 5-10);
• Alimento para os sacerdotes (vv. 3, 10).
Sacrifícios pacíficos (Capítulo 3; 7. 11-18)
Como o próprio nome diz sugere, o “sacrifício pací-
fico” (hebraico shelamim – “pacífico”) não envolve o cometi-

41
mento de pecado específico que deva ser perdoado. É um sacri-
fício de comunhão onde se rende graças a Deus.
• Três motivos para a oferta:
a. Ações de graça (7. 12);
b. Voto (7. 16);
c. Oferta voluntária (7. 16).
• Ocasiões para a oferta:
a. Qualquer tempo (19. 5);
b. Prescrito para a festa das primícias (23. 19).
• Significado da oferta pacífica:
a. Ação de graças (7. 12; 22. 29);
b. Comunhão com Deus e com o próximo
(7. 14-16; 7. 31-36).
Na “oferta pacífica” a vítima é repartida entre Deus,
o sacerdote e o ofertante. Neste caso, obviamente não entram
aves e o animal pode ser macho ou fêmea. A parte do SENHOR
é queimada sobre o altar: gordura, entranhas (Lv 3. 14-17; 7. 22-
25). Ao sacerdote cabe o peito e a coxa direita (Lv 7. 16-17; 10.
14-15). Ao ofertante fica o restante da carne.
Sacrifícios pelos pecados
São ofertas obrigatórias por causa do pecado. Nestes
sacrifícios o sangue exerce a função mais importante. O indiví-
duo é culpado – deve trazer sua oferta.
• Significado da oferta pelo pecado:
a. Exigência de vida limpa e reta (5. 1-5; 6. 4-7);
b. Necessidade de expiação (4. 35);
c. Mal cometido contra o próximo é ofensa ao
Senhor (6. 2).

O Culto Diário
Deus prometera habitar o tabernáculo (Êx 25. 8; 29.

42
45,46) – Sua presença, então, é ali celebrada continuamente.
O holocausto diário
• Cada manhã e cada tarde era oferecido um cordeiro
no altar de bronze (Êx 29. 38,39; Nm 28. 3,4). Era o
holocausto pela nação toda – expressão da consagra-
ção e celebração contínua do povo de Deus.
• O sangue derramado antes do holocausto era a expia-
ção dos pecados da nação.
As ofertas de manjares diários
• Era a gratidão a Deus pelo sustento dado ao povo
(Nm 28. 2,5).
As libações diárias
• Acompanhavam o cordeiro e a oferta de manjares (Êx
29. 40; Nm 28. 7-8).
O incenso diário
• Oferecido no altar que ficava no lugar santo (Êx 30.
7-8);
• Incenso é símbolo de oração (Sl 141. 2).
A lâmpada acesa continuamente
• Lembrança da presença contínua do Senhor (Lv 24.
2).

O Culto Semanal
Sábado era o dia de descanso do povo judeu. Deveriam
cessar as atividades rotineiras.
• Dois cordeiros pela manhã e dois pela tarde;
• A oferta de manjares e sua libação também eram du-
plicadas (Nm 28. 9,10).
Os pães da proposição
• Eram colocados na mesa à direita de quem entrasse

43
no tabernáculo, junto com o incenso;
• Arão e seus filhos os comiam cada sábado, repunham
os pães e queimavam o incenso no altar (Êx 25. 30;
Lv 24. 5-9).

O Calendário Litúrgico Anual


As festas de lua nova
• Realizadas nos princípios dos meses;
• Sacrifícios especiais e o toque de trombetas (Nm
28. 11-15; 10. 10).
As festividades anuais
A Páscoa – 1º Mês
• Estabelecida por Deus ainda no Egito (Êx 12. 1-
2,7,23-27; Lv 23. 5);
• Os pães asmos: seguia-se imediatamente à Páscoa
com 7 dias de duração (Lv 23. 6-8).
A Festa das Semanas
• Também chamada de “primícias” e posteriormente
pentecostes (Êx 34. 22; Nm 28. 26; At 2. 1);
• Ofertas especiais eram feitas (Lv 23. 15-21). Era uma
oportunidade de agradecimento pelas primícias com
ofertas especiais.
A Festa dos Tabernáculos – 7º Mês
• Toque das trombetas: Nm 29. 1ss – 1o dia;
• Dia da expiação: Lv 23. 26-32 – 10o dia;
• A Festa dos Tabernáculos: Lv 23. 33-36 – 15o dia. Ha-
bitavam em tendas por 7 dias para lembrar os dias no
deserto: Lv 23. 42-43.

Os Atos Individuais de Culto


Expiação individual

44
• Pecado contra a Lei precisaria purificação: Lv 4. 2-4;
4. 22-26; 4. 27-35; 5. 1-13 etc.
Purificações cerimoniais
• Contato com algo impuro. Ex.:
• A mulher após o parto (Lv 12).
• Cura da lepra (Lv 14).
Holocaustos individuais
• Ação de graças e consagração pessoal: Nm 29. 39;
• Purificações individuais: Lv 12. 6; Nm 6. 11-14; Lv
14. 13,19;
• Consagração dos levitas e dos sacerdotes: Nm 8. 12;
Lv 9. 2,12,14.
Oferta de manjares
• Acompanhava normalmente os sacrifícios.
Sacrifícios pacíficos
• Solenidades de louvor ao Senhor; comunhão entre o
ofertante e Deus;
• Parte era queimada e parte era comida pela família do
ofertante e pelos sacerdotes: Lv 7. 11-18, 31-34.
Os dízimos
• Faziam parte das ofertas ao Senhor: Lv 27. 30-33.
Os votos
• Demonstração de seu desejo de consagração total a
Deus: Lv 27.

Cristo, o cumprimento do Culto do


Antigo Testamento
• No AT, sacrifício constante de animais – Em Cristo
temos o sacrifício perfeito que cumpriu a necessidade
da continuação dos sacrifícios do Antigo Testamento

45
(Hb 9. 13-14; 10. 11-12; 13. 10-15).
• No AT celebrava-se a Páscoa como libertação de Is-
rael dos egípcios – Em Cristo temos a libertação da es-
cravidão do pecado para uma nova vida (2Co 5. 14-17).
• No AT o Pentecostes celebrava a colheita – No NT o
Pentecostes celebra a colheita para a Igreja do Senhor
(At 2).
• No AT o incenso era símbolo de oração (Sl 141. 2) –
Cristo é aquele que intercede continuamente a Deus
por nós.

5. Conclusões Sobre o Culto do


Antigo Testamento14

1. No culto do Antigo Testamento o indivíduo lida com o único,


verdadeiro e vivo Deus. O próprio Deus institui o culto reve-
lando-o em sua palavra.
2. O centro do culto é a remoção do pecado que oprimia o
indivíduo e provocava a ira de Deus. Deus mesmo estabele-
ceu as providências pelas quais sua ira seria apaziguada e os
pecados removidos. Para isto instituiu o culto sacrifical e o
sacerdócio, meios pelos quais garantiu perdão e comunhão.
3. O pecado foi reconhecido como a realidade oposta a Deus
que teria que ser removido de uma maneira real e concreta.
O ritual cúltico levava o pecador de volta à reconciliação com
Deus.
4. Havia uma unidade entre o sacrificante, o sacrifício e a apre-
sentação sacerdotal do sacrifício; no entanto, a execução do

14. Cf. BRUNNER, Peter, Worship in the Name of Jesus, p. 58-60.

46
sacrifício só poderia ser feita pelo sacerdote, separado por
Deus para este ofício.
5. Havia uma misteriosa associação entre o doador e a oferta no
sacrifício; o sangue derramado do sacrifício significava ex-
piação. Mas o sacrifício expiatório em si não era consumado
uma vez que ele apenas apontava para o grande sacrifício do
Messias prometido.
6. O sacrifício do Antigo Testamento era consumido na sua re-
alização. Sua impotência escondia-se na sua constante repetição.
7. Havia dois tipos distintos de sacrifício: o sacrifício de doação
para o holocausto, onde o objetivo era o perdão do pecado e
o apaziguamento da ira de Deus; e o sacrifício pacífico onde
a oferta era para uma refeição de comunhão e só parte era
oferecida em holocausto.
8. Havia necessidade do serviço sacerdotal, pois a pessoa co-
mum não podia estar na presença imediata de Deus. Mesmo
assim o sacerdote também precisava fazer sacrifício para si
mesmo pelos seus próprios pecados.
9. Fazia parte da aliança com Deus o culto de vida obediente
aos mandamentos de Deus e de gratidão a Deus pelo dom
da salvação.
10. O culto instituído por Deus no Antigo Testamento concedia
salvação. No entanto, era preciso ter fé na concretização futu-
ra da salvação que apontava para o Messias prometido.
11. O povo de Israel foi escolhido entre as nações do mundo.
Seu culto era realizado vicariamente pelo mundo. Mas este
culto estava ainda atado a um lugar definido, a estações de-
finidas, a um povo definido, a ritos definidos e detalhados.
Mas tudo isto estava previsto para ser passageiro. Israel em si
deveria passar quando surgisse a nova era nos tempos finais e

47
entrasse em vigor o culto da ekklesía que abrangeria judeus e
gentios (Ef 2. 11-22).

Questões
1. Veja o capítulo 3, “Institui-se o Culto” e responda:
a. Como deveria ser o cordeiro escolhido para a cele-
bração da Páscoa?
b. Como Deus manifestou a sua aprovação com a dedi-
cação do templo?
c. O que Deus realiza na “plenitude do tempo”?
d. O culto no Antigo Testamento até poderia ser seme-
lhante a outros culto no aspecto visual (sacrifícios). No
entanto no que se diferencia essencialmente dos cultos
pagãos?
e. Qual era basicamente a tarefa dos profetas no Antigo
Testamento?
2. Veja o capítulo 4, “Os Sacrifícios no Livro de Levítico”. Leia
as passagens que tratam do holocausto, das ofertas de manjares,
dos sacrifícios pacíficos e dos sacrifícios pelos pecados. Cada
grupo ou pessoa pode estudar um item por alguns minutos e,
depois, apresentá-lo aos outros.
3. Depois de apresentados os itens anteriores, veja, agora, as
passagens que tratam do culto diário, do culto semanal, do ca-
lendário litúrgico anual e dos atos individuais de culto. Cada
grupo ou pessoa pode estudar um item por alguns minutos e,
depois, apresentá-lo aos outros.
4. Examine as passagens que tratam do item “Cristo, o Cumpri-
mento do Culto do Antigo Testamento” e discuta com a turma.

48
Referências
BELOTTO, Nilo, REILY, Duncan Alexander, CÉSAR, Ely
Éser Barreto. Nós e o culto: um estudo da liturgia cristã. São
Paulo: Fac. de Teologia da Igreja Metodista, 1977.
BÍBLIA DE ESTUDO ALMEIDA. Barueri: Sociedade Bíblica
do Brasil, 1999.
BRUNNER, Peter. Worship in the Name of Jesus. Traduzido
do alemão para o inglês por M. H. Bertram. Saint Louis: Con-
cordia Publishing House, 1968.
LUTHERAN SERVICE BOOK. The commission on Wor-
ship of The Lutheran Church - Missouri Synod. Saint Lou-
is: Concordia Publishing House, 2006.
MANUAL BÍBLICO SBB. Tradução de Lailah de Noronha.
Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 2008.
SANTOS, Jonathan F. dos. O Culto no Antigo Testamento:
sua relevância para os cristãos. São Paulo: Vida Nova, 1986.
VAUX, R. DE. Instituições de Israel no Antigo Testamento.
Traduzido por Daniel de Oliveira. São Paulo: Editora Teológica,
2003.

49
Os Salmos no
Antigo Testamento
O cristianismo nasceu dentro do judaísmo em meio a uma
cultura greco-romana. As atividades da religião judaica, então, gi-
ravam em torno do templo, da sinagoga e dos lares. Durante o
período de quatrocentos anos após o exílio babilônico o templo
desenvolveu um ofício elaborado de culto que estava sob a hie-
rarquia sacerdotal. Sacrifício de animais, canto coral de salmos
acompanhado de instrumentos era a função básica do culto no
templo. A sinagoga, que provavelmente surgiu durante o exílio
babilônico, estava separada do culto do templo. Tendo voltado
à sua terra natal, os judeus transplantaram a sinagoga para Israel.
Assim, no templo, o centro do culto eram os sacrifícios; na sina-
goga, a ênfase girava em torno da oração e leitura e exposição da
Escritura. Parece que não havia grande atividade de canto na sina-
goga. Mas em casa, especialmente em dias festivos como na Pás-
coa, incluía-se o canto de salmos como parte do ritual da refeição.

53
1. Sua História

Podemos fazer uma divisão sobre o uso dos Salmos no


Antigo Testamento em cinco períodos.

1º Período: antes do uso de cânticos no culto do


tabernáculo.

Os primeiros cânticos ou salmos foram compostos por


Moisés. 15

Cânticos de Moisés:
a. Êxodo 15. 1-18: Moisés entoa este cântico e os filhos
de Israel o acompanham. Ocasião: após o afogamen-
to de Faraó e todo o seu exército no Mar Vermelho.
Motivação: o cântico surge como resposta da ação
de Deus em libertá-los de seus poderosos inimigos
(vs. 1-2).
b. Deuteronômio 32. 1-43: Composto no fim da vida
de Moisés. Tem a intenção de proclamar o nome de
Deus e engrandecê-lo (v. 3). Realça as perfeições e a
fidelidade de Deus (vs. 4, 13, 14, 39-43). Este cântico
é uma análise de como o povo responde às ações de
Deus.
c. Salmo 90: ressalta a eternidade de Deus e da transito-
riedade do homem.
Cântico de Débora:
Juizes 5: ressalta Deus como vitorioso sobre seus inimigos.

15. Cf. KRETZMANN, Paul E. Christian Art; book two, a handbook of


liturgics, hymnology and heortology, p. 311-341.

55
Cântico de Ana:
1 Samuel 2. 1-10: louvor a Deus pelo filho que lhe deu.
Nota. Apesar das evidências de atividade poética en-
tre o antigo povo judeu não há indicação de cânticos ou sal-
mos usados no serviço do tabernáculo antes do tempo de Davi.
Provavelmente os ofícios do tabernáculo naquele tempo eram
restritos aos sacrifícios e ao trabalho relacionado com a sua pre-
paração.

2º Período: início do uso do cântico no culto


A arca é trazida para Jerusalém sob o comando de Davi:
2 Samuel 6. 12-19.
Para esta ocasião podemos conferir as providências to-
madas conforme registradas em 1 Crônicas 15. 16-28:
• Três cantores principais: Asafe, Hemã e Etã que toca-
vam os címbalos como instrumentos de liderança.
• Catorze músicos assistentes: oito tocavam alaúdes e
seis tocavam harpas.
• Um dirigente de canto: Quenanias, chefe dos levitas
músicos.
• Sete sacerdotes tocavam as trombetas perante a arca
de Deus.
Assim iniciou o ofício litúrgico do canto e da música
instrumental acompanhando o culto sacrifical (Cf. 1 Crônicas
16. 7, 37-43).

3º Período: Davi organiza a música para o templo


de maneira mais elaborada.

• Dividiu os músicos e cantores em grupos de 24 or-


dens (1 Crônicas 25), conforme as 24 ordens ou tur-
nos de sacerdotes no serviço regular do templo.

56
• Cada divisão, com seu líder, continha doze homens,
perfazendo um total de 288 homens, cantores e músi-
cos (24 turnos x 12 homens = 288 homens).
• Os levitas deveriam atuar tanto nos sacrifícios da ma-
nhã quanto no entardecer.
• (1 Crônicas 23. 30).
Nota: Na dedicação do Templo de Salomão, todos
os músicos se reuniram e tiveram momentos impressionantes
(Davi já estava morto). Vemos o relato da atividade musical em
2 Crônicas 5. 11-14 e em 7. 6. Na primeira passagem não pode-
mos afirmar com certeza o que quer dizer “uníssono”. Pelo que
indica a história da música, não se fazia ainda harmonização de
vozes. Portanto, “uníssono” pode significar cantores e instru-
mentistas cantando e tocando ao mesmo tempo; ou poderia ser
também dois grupos corais cantando ao mesmo tempo com os
instrumentos.

4º Período: Após o tempo de Salomão (reino dividido)


• A maneira do culto dependia em grande parte da ati-
tude do Rei: seguir ao Deus verdadeiro ou imitar os
reis pagãos.
• Os reis que temiam ao Senhor retinham ou restaura-
vam o ofício do templo. Ex.: Ezequias (2 Crônicas 29.
25-30); Josias (2 Crônicas 35. 1-2, 15-16).

5º Período: Após o exílio babilônico


• Esdras e Neemias restauraram o antigo culto, mas é
incerto se foi usado o serviço litúrgico completo (Es-
dras 6. 16-22; Neemias 8. 9-18).
• A plena restauração do culto antigo acontece com o
período dos macabeus. Foi então que o ofício do tem-

57
plo atingiu a beleza esmerada, mas morta. O esplen-
dor e a glória dos sacrifícios no templo de Herodes,
especialmente nos grandes festivais, mal podem ser
imaginados em nossos dias.

2. Seu emprego diário e em dias festivos

Os Salmos eram os hinos do culto judaico. Seu can-


to era a característica principal no louvor do templo desde que
Davi introduzira a música para acompanhar os sacrifícios diá-
rios (Cf. 1Crônicas 16. 7, 37-43).
No início de cada mês, nas luas novas, os sacrifícios
eram acompanhados do toque de trombetas (Números 10. 10).
Na festa da Páscoa era cantada a seção de salmos 113-
118, que a literatura rabínica chama de “Halel” (“aleluia”, que
significa “Louvai ao Senhor”). Possivelmente o Senhor Jesus
cantou um destes salmos na noite da instituição da Santa Ceia
(Mateus 26. 30; Marcos 14. 26). Nota. O “Halel” era cantado
em partes: antes da ceia os salmos 113-114 e após a ceia os
salmos 115-118. Este “Halel” também é chamado de “Aleluia
Egípcia” em memória da libertação da escravidão do Egito. É
verdade que só o segundo destes salmos (114) menciona direta-
mente do Êxodo; mas se formos considerar os temas que estes
salmos apresentam veremos que temos aí salmos apropriados
para marcar a salvação que começou no Egito e que se espalha-
ria entre as nações. O salmo 113 estimula o louvor a Deus por-
que ele ampara os necessitados, o 115 trata do louvor conjunto,
o 116 das ações de graça pessoais, o 117 do louvor que todos os

58
povos devem prestar e o 118 apresenta a misericórdia do Senhor
que dura para sempre.
Na Festa do Pentecostes e na Festa dos Tabernáculos o
“Halel” também era utilizado.

3. Títulos

Autoria e dedicatória. Davi tem seu nome indicado


como autor em 73 salmos; é o que mais salmos compôs. Mas
temos 49 salmos anônimos, alguns dos quias possivelmente são
também de Davi. Temos a autoria indicada nos seguintes salmos:
• Davi: 3 – 9; 11 – 32; 34 – 41; 51 – 65; 68 – 70; 86;
103; 108 – 110; 124; 131; 133; 138 – 145.
• Salomão: 72; 127.
• Asafe: 50; 73 – 83.
• Filhos de Corá: 42; 44 – 49; 84 – 85; 87 – 88.
• Etã: 89.
• Moisés: 90.
A dedicatória de muitos Salmos é “Ao mestre de canto”,
título que indica que estes salmos foram dedicados ou transmiti-
dos ao dirigente do canto para uso no templo (Ex.: Salmo 51-70).
Informações musicais. Alguns títulos acrescentam a
instrumentação para o Salmo, como no salmo 4, “Ao mestre de
canto, com instrumentos de cordas” ou no salmo, 5 “Ao mestre
de canto, com instrumentos de cordas”.
Melodias dos Salmos. Nos títulos de alguns salmos
aparecem as melodias segundo as quais estes deveriam ser inter-
pretados. Ex.:

59
• Salmo 22: “Corça da manhã”.
• Salmo 45: “Os lírios... Cântico de amor”.
• Salmo 59: “Não destruas”.
Estas melodias deviam ser conhecidas dos cantores;
e pelas indicações podemos deduzir que se tratava de músicas
seculares. Como eram essas melodias não sabemos, pois elas
perderam-se no tempo e, mesmo aquelas que o povo conhecia
(como os Cânticos de Romagem e a “Halel”), não conseguiram
chegar até nós, pois não havia um sistema de notação musical
capaz de registrar melodias e ritmos por escrito.
Cânticos de romagem. São os salmos 120 – 134, tam-
bém chamados de “Salmos dos Degraus” (Psalmi graduum), por-
que possivelmente fossem entoados nos 15 degraus (são 15 sal-
mos) que conduziam do Pátio das Mulheres ao Pátio de Israel (dos
homens), pelos levitas cantores. 16 Outra hipótese é apresentada na
Bíblia de Estudo Almeida, nas notas sobre os salmos 120–134:

Este salmo marca o início de uma coleção de


quinze salmos (121—134) cujo título hebraico é Cân-
tico gradual ou das subidas. Esse título se deve ao fato
dequeessessalmoseramcantadospelosperegrinosque
“subiam”aJerusalém,especialmentenastrêsgrandes
festas (Êx 23. 14-17). 17

A outra nota da Bíblia de Estudo Almeida registra o


seguinte:

Romagem:Lit.dosdegrausoudassubidas.Deve-
seteremmentequeJerusalémestásituadaamaisde750
16. FAUSTINI, João Wilson. Música e Adoração, p. 61.
17. BÍBLIA DE ESTUDO ALMEIDA, Sl 120, nota de rodapé “a”.

60
m acima do nível do mar. Os peregrinos subiam como
queporgrausouníveis.Otermoromagemlembraque
os peregrinos viajavam em grupos (cf. Lc 2. 44). 18

Mas o uso mais provável era dos peregrinos que vinham


às festas enquanto se dirigiam à capital (Êxodo 23. 14-17). Existe
uma hipótese sobre o uso destes salmos durante a peregrinação:19
• Salmo 120, quando deixassem a cidade;
• Salmo 121, quando avistassem os montes da Cidade
Santa;
• Salmo 132, no último ponto de parada, antes que en-
trassem em Jerusalém;
• Salmo 133, durante a entrada na cidade;
• Salmo 134, quando entrassem nos portões do templo.
• Os salmos restantes, que falam da queda e restauração
de Jerusalém e do templo, teriam sido cantados no
caminho.

4. A participação do povo

Deve ter sido pouca. Razões:


a. A forma poética dos salmos requeria treino especial
que os levitas recebiam de seus hábeis músicos;
b. Os salmos não são construídos em métrica, tendo
grande liberdade na questão de acentos rítmicos;

18. BÍBLIA DE ESTUDO ALMEIDA, Sl 120, nota de rodapé “b”.


19. KRETZMANN, Paul E. Christian Art book II, a handbook of liturgics,
hymnology, and heortology, p. 311-341.

61
portanto, requeria bastante ensaio; provavelmente
era necessário praticar a cantilena de cada salmo se-
paradamente.
c. O povo todo não participava regularmente dos ofí-
cios do templo, pois muitos moravam muito longe
para que isso pudesse acontecer.
Alguma participação do povo, no entanto, parece que
havia. Seria apenas com algum “Amém” ou alguma “Aleluia” res-
ponsivos em certas partes do ofício. Vemos um exemplo dessa
prática por ocasião da instituição dos levitas cantores e músicos.
Após o canto do salmo “todo o povo disse: Amém! E louvou ao
Senhor” (1 Crônicas 16. 36). Outras exceções seriam os salmos
do “Halel” (113 – 118), cantados na Páscoa e os “Cânticos de
Romagem” (120 – 134), cantados pelos peregrinos.

5. O modo de interpretação e execução

a. Interpretação. Possivelmente semelhante ao canto


gregoriano, pois é o canto mais antigo que temos
anotado com eficiência. No entanto, é de se notar
que o canto gregoriano foi anotado em pauta seme-
lhante à nossa somente no século X de nossa era.
Nota. A leitura dos salmos deve ter sido feita por
cantilena, não por um canto melodioso, mas por uma
declamação cuidadosa com certos acentos no texto.
Este modo de declamação está referido no Talmude20
20. Talmude. Do hebr. talmudh, ensino. Coleção de sessenta e três livros de co-
mentários judaicos elaborados entre o III século a. C. e o V século a. D., e que in-
terpretam e desenvolvem a Torá, constituindo a lei religiosa e a civil (no Talmude,
‘a lei’, por antomásia, é a ‘lei de Moisés’, i. e., os livros revelados e todos os pre-
ceitos da religião). SCHULER, Arnaldo. Dicionário Enciclopedico de Teologia.

62
e pode, consequentemente, ter estado em uso nos
primeiros séculos da era cristã.
b. Execução. Antifônica, isto é, dois coros alternados.
As formas de certos salmos (ex.: 136; 118. 2-4) bem
como o paralelismo de todos eles sugere a execução
por dois grupos alternados. O Salmo 136 tem sem-
pre o mesmo refrão: “porque a sua misericórdia dura
para sempre”. Portanto, poderia ser um Salmo no
qual a congregação poderia participar, pela facilidade
que poderia ser sempre a mesma música para o res-
ponso de cada versículo.
c. Paralelismo. A construção poética dos Salmos suge
re que sejam cantados de maneira antifônica (alter-
nância entre dois grupos) ou responsorial (alternân-
cia entre um solista e um grupo). Há três tipos de
paralelismo nos Salmos: sinônimo (a segunda frase
diz a mesma coisa que a primeira, mas em outras pa-
lavras – Sl 1. 5; 8. 4; 92. 9; 93. 3; 145. 18); antitético (a
segunda frase contrasta com a primeira – Sl 1. 6; 37.
21); complementar (frases subsequentes estendem o
pensamento da primeira – Sl 1. 1; 2. 12; 23. 4).

6. Instrumentos acompanhantes
Havia uma variedade de instrumentos usados pela or-
questra do templo, havendo exemplos de cordas, de sopro e de
percussão. O número de executantes e cantores era de 12 em
cada turno, mas não estava limitado, nem confinado aos levi-
tas, pois algumas das famílias que casaram com sacerdotes eram
admitidas neste ofício. Os rabinos enumeraram 36 instrumen-

63
tos diferentes, mas nem todos estão mencionados na Bíblia. Os
principais instrumentos musicais são os seguintes:21
► Kinnor: pequena lira ou harpa. É o primeiro instru-
mento mencionado na Bíblia. (Gn 4. 21). Há muitas
dúvidas de como era realmente este instrumento. A
harpa que Davi tocava para Saul também é denomi-
nada kinnor (1Sm 16. 23). Esta harpa ou lira era feita
de madeira. Salomão mandou fazer harpas de madei-
ra de sândalo (1Rs 10. 11-12). O kinnor (harpa ou
lira) foi usado para expressar a alegria do retorno da
arca da aliança ao templo e para o louvor e ações de
graça no templo (1Cr 16. 4-6; 25. 3). Mas o kinnor
também foi citado pelos profetas Isaías e Ezequiel
num contexto de alerta devido ao pecado do povo
(Is 24. 8; Ez 26. 13). Foi este instrumento que os
judeus cativos penduraram nos salgueiros com sau-
dade de sua terra natal (Sl 137. 2).

21. McCOMMON, Paul. A Música na Bíblia. STAINER, John. The Mu-


sic of the Bible. Veja também Bíblia de Estudo Almeida, anotação sobre
“Instrumentos Musicais”, na p. 460 do Antigo Testamento. As ilustrações que
seguem são extraídas deste livro.

64
► Nebel: Harpa ou saltério com até 10 cordas. A pri-
meira menção de nebel aparece em 1Sm 10. 5, sendo
tocados à frente de um grupo de profetas. Não po-
deriam ser muito grandes, pois estavam sendo car-
regadas em procissão. Nos salmos nebel é citado (Sl
33. 2; 57. 8; 71. 22; 81. 2; 92. 3; 108. 2; 144. 9; 150.
3). O uso do nebel não estava restrito ao culto (Is 5.
11-12).

► Ugab: De um só tubo, semelhante à flauta ou ao


oboé, dois tubos ou uma série de tubos, se-
melhante à flauta de Pã (siringe). Provavel-
mente o instrumento de sopro mais antigo.
É citado em Gn 4. 21, Jó 21. 12 e no Sl 150. 4.

► Halil: gaita, tubo, oboé, flauta. Primeiro era constituí-


do de uma cana com orifícios; mais tarde também foi
feito de madeira, osso chifre e marfim. É citado na
65
Bíblia em 1Sm 10. 5; 1Rs 1. 40; Is 5. 12; 30. 29; Jr 48.
36. É um dos instrumentos que também é citado no
Novo Testamento: Mt 11. 17; 1Co 14. 7; Ap 18. 22.

► Khatsotscrah: Um tubo longo de prata; trombeta.


Era uma trombeta retilínea e comprida, diferente
do shophar e do keren que eram curvos. Deus ha-
via instruído a Moisés que ele fizesse duas trom-
betas (khatsotscrah) de prata (Nm 10. 1-10). Na
dedicação do templo 120 sacerdotes tocaram o
khatsotscrah (2Cr 5. 12). No Sl 98. 6 o shophar e
o khatsotscrah são justapostos: “com khatsots-
crah (trombertas) e ao som de shophar (buzinas,
cornetas) exultai perante o Senhor, que é rei”.

► Shophar: trombeta, buzina. Tubo de chifre de carnei-


ro, mas tarde feito de metal. É o instrumento
mais conhecido dos judeus. É usado com des-
taque em dias judaicos especiais. Saul usou o
shophar para anunciar ao povo a vitória con-
tra os filisteus (1Sm 13. 3). Ao som de shophar a
arca foi trazida de volta à Jerusalém (2Sm 6. 15).
É mencionado nos Salmos (47. 5; 81. 3; 150. 3).

66

► Toph: Tamboril, pandeiro, adufe, tambor. Fabrica-


do com uma argola de madeira, coberta com uma
membrana e com chocalhos suspensos ao redor.
Labão teria querido despedir-se de Jacó com este
instrumento (Gn 31. 27). Miriã reuniu as mu-
lheres para festejarem a passagem do Mar Ver-
melho com tamborins e danças (Êx 15. 20). Saul
é recebido por um grupo de profetas tocando
toph (1Sm 10. 5). Este instrumento não é men-
cionado em conexão com os cultos do templo.

► Tseltslim: címbalos, pratos Um dos instrumentos uti-


lizados por ocasião do retorno da arca a Jeru-
salém (2Cr 6. 5). No Sl 150. 5 vemos que o som
dos tseltslim era “sonoro” e “retumbante”.

67
Nota: Selá é uma palavra que ocorre 71 vezes no texto
hebraico dos Salmos. Não se tem certeza do seu significado;
talvez signifique “levantar”. Deduz-se que seja a indicação de
um interlúdio instrumental ou floreio ou uma pausa para o povo
inclinar-se para a oração.

Conclusões possíveis da música dos judeus,


segundo Liemohn

1. O canto dos israelitas era apreciado pelos babilônios


(Sl 137. 3).
2. Não havia ainda a harmonia; isto é um desenvolvi-
mento bem mais recente.
3. Não tinham sistema de notação musical que pudesse
ser interpretado por alguém que não estivesse fami-
liarizado com sua música.
4. Seus instrumentos produziam apenas poucos tons:
trombetas, harpas e órgãos mencionados no Antigo
Testamento eram bem primitivos.
5. Seus cânticos eram mais em estilo recitativo.
6. A música era uma parte vital no culto judaico.
7. A participação da congregação no canto era pouca.
Normalmente a congregação não cantava no ofício,
mas juntava-se no “Amém” (cf. 1Cr 16. 36)
8. O tipo de canto usado era o canto antifônico (os
Salmos têm estrutura antifônica). Vemos esta carac-
terística também expressa em Ed 3. 10-11 e Ne 12.
31, 38, 40.
9. Pelo menos às vezes as mulheres tomavam par-
te na música do culto com canto e instrumentos (1Cr

68
25. 5-6).
10. A palavra “hino” era de uso comum no tempo do
nascimento de Cristo e era usada para significar uma
canção de louvor a Deus (embora pareça que o canto
pela congregação nunca teve importância significa-
tiva no ofício judaico do templo). O cântico hebrai-
co vem, pelo menos, desde o ofício de culto do tem-
po de Davi (1Cr 16. 17). O Talmude nos dá alguns
detalhes da tradição litúrgica do ofício no templo:
De um sinal dado pelos pratilheiros, doze le-
vitas, parados sobre os amplos degraus da escada
que leva do lugar da congregação ao pátio externo
dos sacerdotes, tocando nove liras, duas harpas e
um címbalo, iniciava o canto do Salmo, enquanto os
sacerdotes oficiantes despejavam o vinho da oferta.
Os levitas mais novos tocavam outros instrumen-
tos, mas não cantavam, enquanto os meninos levitas
reforçavam a parte aguda pelo canto e não tocavam.
As pausas do Salmo ou suas divisões eram indica-
das pelo clangor das trombetas e pelos sacerdotes à
direita e à esquerda dos pratilheiros.
11. O termo “Sela”, encontrado em diversos salmos,
geralmente é interpretado como referido a um in-
terlúdio instrumental pelas trombetas. O shophar,
algo semelhante à nossa corneta, tem sido o instru-
mento litúrgico para os judeus desde o incidente de
Abraão oferecendo seu filho.
12. Os aspectos práticos dos salmos são ilustrados pe-
los vários propósitos para os quais eles foram es-
critos. Temos salmos congregacionais, como o 95:
“Vinde, cantemos ao Senhor com júbilo”; salmos

69
particulares, como o 22: “Deus meu, Deus meu, por
que me desamparaste?” e outros conhecidos como
Reais, Salmos de Sabedoria, Salmos Proféticos.
13. O uso de música instrumental no ofício judaico
morreu após a destruição do templo no ano 70 A. D.
14. A separação de sexos foi instituída pelos judeus para
impedir a prática religiosa ofensiva dos povos vizi-
nhos e para preservar a pureza do culto.
15. Com o nascimento do cristianismo o cântico he-
braico tornou-se o núcleo para desenvolver-se a
música da nova igreja.

Questões

1. Veja as passagens de Êx 15. 1-2, 21; 1Sm 2. 1-2 e responda:


O que leva o crente a louvar ao Senhor?
2. Veja os Salmos 113-118. É uma seção especial que era can-
tada em momentos especiais como a celebração da Páscoa do
Antigo Testamento. Em uma frase, indique o conteúdo de cada
um destes Salmos.
3. Os Salmos 120-134 também perfazem uma seção especial.
São os cânticos de romagem. Provavelmente os peregrinos os
entoavam enquanto se dirigiam para as festas.
4. Do item 7, “Instrumentos acompanhantes”, transcreva uma
passagem citada para cada instrumento e comente, depois com
os colegas.
5. Liste duas razões que nos levem à conclusão de que o povo
70
do Antigo Testamento não dominava o canto de todos os Sal-
mos. Quais os Salmos que o povo saberia cantar e por quê?

Referências
BIBLIA DE ESTUDO ALMEIDA. Barueri: Sociedade Bíblica
do Brasil, 1999.
FAUSTINI, João Wilson. Música e Adoração. São Paulo: Im-
prensa Metodista, 1973.
HUSTAD, Donald P. Jubilate! A Música na Igreja. Tradução
de Adiel Almeida de Oliveira. São Paulo: Vida Nova, 1986.
LIEMOHN, Edwin. The Singing Church. Columbus: The
Watburg Press, 1959.
KIDNER, Derek. Salmos 1-72. Tradução de Gordon Shown.
São Paulo: Vida nova, 1981.
KRETZMANN, Paul E. Christian Art; book two, a handbook
of liturgics, hymnology and heortology. Saint Louis: Concordia
Publishing House, 1921.
McCOMMON, Paul. A Música na Bíblia. Tradução de Paulo
de Tarso Prado da Cunha. Casa Publicadora Batista, 1963.
REYNOLDS, William J., PRICE, Milburn, MUSIC, David W.
A Survey of Christian Hymnody. Carol Stream: Hope Pu-
blishing Company, 1999.
SCHULER, Arnaldo. Dicionário Enciclopédico de Teologia. Por-
to Alegra e Canoas: Concórdia Editora e Editora da ULBRA, 2002.
STAINER, John. The Music of the Bible. New York: Da
Capo Press, 1970.
71
O Culto no
Novo Testamento
H á uma mudança radical do culto do Antigo Testamen-
to para o Novo Testamento: Em Cristo acabam-se os sacrifícios
do AT e abre-se um novo tempo centralizado no sacrifício de
Cristo – Cl 2. 16-17; Jo 4. 19-24; Mt 18. 20; Lc 22. 19; Hb 10.
19-25. Assim como no Antigo Testamento, o culto do Novo
Testamento surge a partir da iniciativa de Deus: No Antigo Tes-
tamento a partir dos sacrifícios que apontam para Cristo e no
Novo Testamento a partir do sacrifício de Cristo já realizado.
Mas é sempre Deus que toma a iniciativa.
Para expressar a novidade do culto, os cristãos passam a
celebrar seus cultos no domingo, o primeiro dia da semana, o dia
do Senhor, devido às aparições do Senhor Ressuscitado nos do-
mingos. Assim, cada domingo passou a ser uma pequena Páscoa.
Não há liturgia definida no início: 1Co 14. 26. No en-
tanto, podemos agrupar as citações de culto no Novo Testa-

75
mento para ver os elementos que havia:
Ofício da Palavra
• Leituras da escritura: 1Tm 4. 13; Cl 4. 16.
• Homilia: At 20. 7.
• Cânticos: Cl 3. 16.
• Orações: At 1. 14; 2. 42; 4. 31.
• Amém congregacional: 1Co 14. 16.
• Ofertas: 1Co 16. 1,2.
Ofício da Santa Ceia
• Ação de graças (eucharistía): Lc 22. 19; 1Co 11. 24.
• Memória (anámnesis): Lc 22. 19; 1Co 11. 24,25.
• Volta de Cristo: 1Co 11. 26.
• Ósculo da paz: Rm 16. 16.

76
1. Surgimento do Ofício da Palavra

A sinagoga deve ter surgido no século VI a. C. quando


os judeus estavam no exílio babilônico. Foi a maneira que os ca-
tivos tiveram de sobreviver em sua religião estando longe de seu
templo. Na sinagoga os israelitas se recordavam do que Deus
havia feito, de como Deus os havia transformado num povo
distinto dos demais (Sl 137). E a maneira de recordar isto era
através da instrução e da oração em conjunto. Ao reunir-se para
ler e ouvir a palavra, refletir e alegrar-se pelo que Deus fizera, o
povo renovava sua identidade.
Não havia necessidade de um sacerdote para conduzir o
ofício na sinagoga: onde um grupo pudesse se reunir bastava um
livro e pessoas. Cantos, orações e reflexões poderiam ser até diri-
gidos por leigos. Este culto transformou-se numa forma de ensi-
no e transmissão de memórias comunitárias de um povo com o
qual o próprio Deus havia se comprometido. Relembravam-se os
acontecimentos passados, e, assim, eles se tornavam presentes.
Naturalmente a igreja cristã recebeu muito da sinagoga.
A maioria dos primeiros cristãos era judeu, familiarizados com
a sinagoga. Podemos verificar em Lucas que Jesus participava
da sinagoga e que lá também pregava (Lc 4. 16-28). Barnabé e
Paulo “anunciavam a palavra de Deus nas sinagogas judaicas; ti-
nham também João como auxiliar” (At 13. 5). Paulo e seus com-
panheiros foram convidados a falar na sinagoga de Antioquia
da Pisídia “depois da leitura da lei e dos profetas” (At 13. 15).
Tratava-se, pois, de um estilo de culto conhecido dos primeiros
cristãos. Assim, naturalmente a igreja cristã recebeu muito da si-

77
nagoga e ainda sancionado por Jesus e pelos apóstolos pelo uso
que fizeram do culto na sinagoga. Podemos dizer que o Ofício
da Palavra surge a partir da sinagoga.
Provavelmente os primeiros cristãos celebravam o culto
na sinagoga ao mesmo tempo em que celebravam a Santa Ceia
em casas particulares (At 2. 46). Mas, em pouco tempo, os cris-
tãos foram expulsos das sinagogas e os dois cultos (da Palavra e
da Santa Ceia) foram juntados. Justino Mártir, em sua primeira
Apologia (c. 150) nos dá testemunho dos cultos da época:

A terminar as orações, mutuamente nos sau-


damoscomoósculodapaze,logo,traz-seaopresiden-
te o pão e um cálice de vinho com água. Ele os recebe,
oferecendo-os ao Pai de todas as coisas num tributo
de louvores e glorificações, em nome do Filho e do Es-
pírito Santo, dando graças por sermos considerados
dignosdetamanhosfavoresdesua clemência.Termi-
nadasasoraçõeseaçõesdegraças,ospresentesasrati-
ficam com o “Amém”, palavra hebraica que significa
“assimseja”.Terminadaaaçãodegraçasdopresidente
e retificada pelo povo, os chamados“diáconos”distri-
buem entre os presentes o pão eucarístico e o vinho
com água, que levam depois também aos ausentes.24

Justino também nos informa para quem era administrada


a Santa Ceia, deixando claro que havia restrições na participação:

Chamamos este alimento de eucaristia: nin-


guém pode participar dele a não ser aquele que, cren-
do que nossas doutrinas são verdadeiras, tem sido la-

24. BENTENSON, Henry. Documentos da Igreja Cristã, p. 103-104.

78
vadocomalavagempararemissãodospecadosepara
o novo nascimento, e que vive segundo os ensinos de
Cristo. Pois, para nós, não é alimento ordinário nem
bebidacomum...estealimentoéacarneeosanguede
Jesus que se fez carne. 25

Após registrar em sua apologia que os que tinham pos-


ses costumavam ajudar os necessitados, Justino descreve mais
um pouco do culto que realizavam:

No dia denominado de dia de sol há uma reu-


nião de todos aqueles que vivem tanto nas cidades
como no campo. Ali se dá a leitura das Memórias
dosapóstolosoudasEscriturasdosprofetasatéondeo
tempo permite. Terminada a leitura o presidente faz
uso da palavra para nos admoestar e nos exortar à
imitação e prática dessas coisas admiráveis. Logo nos
levantamos e oramos juntos.Terminada a oração, do
modo como já foi dito, traz-se pão e vinho com água.
O presidente dirige a Deus orações e ações de graça, o
povoaquiescecomaaclamação: Amém. E se procede
àdistribuiçãodoselementoseucarísticosentretodos,
enviando-setambém,medianteosdiáconos,aosque
estão ausentes. Os irmãos que estão na abundância
e querem dar, dão cada qual conforme lhe aprouver.
O dinheiro recolhido é entregue ao presidente, que o
reparte entre os órfãos, viúvas, doentes, indigentes,
presosetranseuntes;detodosaquelesquenecessitam
de ajuda ele é um protetor. 26

25. Idem, p. 104.


26. Idem, p. 104.

79
Podemos concluir destes relatos, que, no culto da igreja
antiga, havia leituras do Antigo Testamento e do Novo Testa-
mento, aplicação da palavra (sermão), orações, Santa Ceia, ofer-
tas para o socorro dos necessitados. Portanto, havia uma co-
munhão vertical (Deus e o fiel) e a comunhão horizontal (ajuda
mútua aos irmãos – diaconia).
Com o tempo algumas modificações e acréscimos apa-
receram no culto. As leituras do Antigo Testamento começaram
a ficar de fora no século IV. No início, os catecúmenos partici-
pavam apenas do ofício da palavra, sendo despedidos antes da
Santa Ceia, não participando também da oração dos fiéis e do
ósculo da paz. Pelo final do século VI esta distinção não se fazia
mais para com os catecúmenos. No século VII desaparecem do
rito romano também as intercessões ou a oração dos fiéis. Com
o passar do tempo, durante a idade média, o esqueleto da liturgia
histórica, que temos ainda hoje, foi surgindo.

2. Surgimento do Ofício da Santa Ceia

A Santa Ceia surge a partir da instituição de Cristo “na


noite em que foi traído” (1Co 11. 23). Naquela noite Jesus deu
a ordem expressa “Fazei isto em memória de mim” (Lc 22. 19).
Portanto, a Santa Ceia deveria ser realizada em memória (grego:
anámnesis) de Jesus. Seria uma maneira de recordar Jesus e de
ter algo visível, palpável, da presença de Deus conosco.
No Antigo Testamento Deus se fez “visível” na coluna
de fogo à noite e na coluna de nuvem durante o dia (Ex 13. 21).
Deus também se fazia presente nos sacrifícios de animais, meios
pelos quais a nação recebia o perdão de seus pecados. Agora,
Cristo, o Messias prometido que se fez sacrifício por nós, oferece-
80
nos seu corpo e sangue “para remissão de pecados” (Mt 26. 28).
A igreja cristã observou fielmente a ordem de Cristo,
mesmo antes dos livros do Novo Testamento terem sido escritos.
Primeiro, nas refeições em comum distribuíam a Santa Ceia, mais
tarde, após o Ofício da Palavra. É importante notar, que, apesar
de Cristo ter dito “fazei isto”, esta ordem não é uma imposição
que precisa ser obedecida por medo de punição, mas é um novo
ato de amor de Deus ao fazer a nova aliança conosco e assim
vir novamente ao nosso encontro, como já fizera por ocasião da
antiga aliança. Só que agora, a nova aliança tem algo especial: não
é mais o sangue de animais que garante a remissão, mas é o san-
gue do próprio Cristo (Hb 9. 11-14). Por isso, os cristãos logo
seguiram a ordem de Cristo e “partiam o pão de casa em casa e
tomavam as suas refeições com alegria e singeleza de coração” (At
2. 46).

Questões

1. Veja as passagens de Cl 2. 16-17; Jo 4. 19-24; Mt 18. 20; Lc


22. 19; Hb 10. 19-25. Escreva, numa frase, o que cada passagem
indica com relação ao culto do Novo Testamento.
2. Veja as passagens bíblicas indicadas no início deste capítulo
que mostram como já havia um indício para o Ofício da Palavra
e o Ofício da Santa Ceia que vieram a se desenvolver mais tarde.
3. Indique razões por que os primeiros cristãos herdaram cos-
tumes da sinagoga para seus cultos.
4. Que restrições Justino aponta aos que querem participar da
Santa Ceia?
5. Segundo o relato de Justino, o que acontecia nos cultos em
sua época?
81
O desenvolvimento
da Música Cristã
até a Reforma
D urante os vinte séculos, desde aquele dia de Pentecostes
(At 2), quando o Espírito Santo deu início à igreja cristã, muitas
formas de culto cristão surgiram por todos os cantos do mundo.
Mas, em meio à diversidade de ordens de culto surgidas, aquilo
que podemos chamar de “Liturgia Histórica” chegou até nós
hoje e está presente em diversas denominações, especialmente
na católica romana, católica ortodoxa, luterana e anglicana.
Outro desenvolvimento notável dos cristãos é a música
sacra. Esta também está presente em todas as denominações,
e, em inúmeros casos, não conhece barreiras denominacionais,
pois, a mesma música ou o mesmo hino são utilizados por diver-
sos grupos.
Mas a música nem sempre teve um desenvolvimento
muito pacífico dentro da igreja. Já nos primeiros séculos do cris-
tianismo havia a controvérsia se seria conveniente usar novos
textos para os hinos ou somente textos diretamente da Bíblia.

85
1. Citações no Novo Testamento

Os primeiros cristãos naturalmente cantaram dos Sal-


mos do Antigo Testamento, especialmente aqueles que o povo
tinha domínio da melodia. Jesus e os discípulos devem ter can-
tado dos Salmos 113 a 118, que faziam parte da cerimônia da
Páscoa judaica (Mt 26. 30; Mc 14. 26). Os cânticos do Novo
Testamento, que eram também em forma de salmos também
podiam ser utilizados para serem cantados: O Magnificat (Lc 1.
46-55), o Benedictus (Lc 1. 68-79), o Gloria in Excelsis (Lc 2. 14)
e o Nunc Dimitis (Lc 2. 29-32).
Mas o Novo Testamento nos mostra também a influ-
ência grega na música cristã. Em Ef 5. 19 e em Cl 3. 16 Paulo
estimula os cristãos a louvarem “com salmos, hinos e cânticos
espirituais”. O que significam? “Salmos” sem dúvida são os do
Antigo Testamento e, talvez, sejam também os cânticos arrola-
dos por Lucas (1. 46-55; 1. 68-79; 2. 29-32). “Hinos” no grego
clássico eram cânticos em louvor a um deus ou um herói. No
Novo Testamento há algumas referências de possíveis hinos pri-
mitivos cristãos: Efésios 5. 14; 1 Timóteo 3. 16; 2 Timóteo 2.
11-13. “Cânticos espirituais” parece sugerir cantos mais livres e
informais, mas é difícil fazer uma distinção clara entre “hinos” e
“cânticos espirituais”. O que fica claro é que a expressão de lou-
vor e alegria do crente, através do canto pode ser diversificada e
é bem-vinda (At 16. 25; Rm 15. 9; Tg 5. 13).

87
2. Referências de escritos históricos

Filo de Alexandria (Século I), menciona uma seita de


ascetas conhecida como Therapeutae. Filo diz que são forma-
dos dois coros, um de homens outro de mulheres, tendo cada
qual um líder. Cantam hinos compostos em honra a Deus, às ve-
zes em conjunto, outras vezes alternadamente, “uma verdadeira
sinfonia musical”. 27
Plínio, o Jovem, (Século II), numa de suas cartas ao im-
perador Trajano, escreveu sobre os cristãos: “em determinados
dias costumavam comer antes da alvorada e rezar responsiva-
mente hinos a Cristo, como a um deus”. Vemos aí o costume,
nas igrejas da Bitínia do 2º século, de cantar antifonicamente. 28
Tertuliano (160 – 230) em sua “Apologia” descreve
uma festa de ágape, mencionando que “Após o lavar das mãos
e o acender de lampiões, a cada um é dada a oportunidade de
postar-se no meio e cantar a Deus das escrituras divinas ou de
sua própria invenção”. 29 Este relato mostra que estavam em uso
também hinos que não eram passagens diretas das Escrituras.
Caio (um autor grego do começo do Século III) es-
creveu sobre “salmos e odes; tais como eram desde o princí-
pio escritos pelos piedosos, hinos a Cristo, a Palavra de Deus,
chamando-o Deus”. 30
Eusébio de Cesareia (falecido cerca de 340) também se

27. Citado por LIEMOHN, Edwin, The Singing Church, p. 9.


28. BETTENSON, Documentos da Igreja Cristã, p. 29.
29. MUSIC,David W. Hymnology: a collection of source readings, p. 8.
30. Citado por LIEMOHN, Edwin, The Singing Church, p. 10.

88
refere a hinos que ele classifica de “produções modernas de ho-
mens modernos”,31 mostrando que a composição e uso de hinos
naquele tempo era uma realidade.
São João Crisóstomo (345-407), bispo de Constantino-
pla, mostra em uma citação, a alta estima dos salmos de Davi,
apesar da posição importante que os hinos já estavam tomando
então. Ele afirma que o canto nas vigílias, nas procissões, nos
funerais e sepultamentos, nos mosteiros e conventos, “Davi é o
princípio, meio e fim”. 32
Santo Agostinho, bispo de Hipona (falecido em 430),
também menciona a música em suas “Confissões”. Ele preocu-
pa-se com a mensagem do texto e acha que ele deve ser trans-
mitido claramente e o ouvinte não deve ser movido mais pela
voz do que pelas palavras. Ele fala de sua própria experiência
quando chegou novamente à fé, dizendo que chegou às lágrimas
quando “fui movido não com o canto, mas com as coisas can-
tadas, quando cantaram com voz clara e modulação mais ade-
quada”. 33 Apesar do debate sobre o uso ou não da música na
igreja, Agostinho era favorável à música na igreja e era de opi-
nião que esta não deveria ser usada para fins carnais e sensuais.
Agostinho introduziu o canto de salmos na hora das ofertas nos
ofícios da Igreja Africana, iniciando, desse modo, o Ofertório.

3. O uso de instrumentos

Com o advento do cristianismo, o uso de instrumentos


no culto entrou em declínio. O Novo Testamento não faz men-
31. Citado por KRETZMANN, Paul E. Christian Art, book II, p. 311-341.
32. Citado por LIEMOHN, Edwin, Op. cit. p. 10.
33. Idem, p. 23.

89
ção de uso de instrumentos no culto e tem também pouquíssimas
referências a instrumentos de modo geral. Como regra não eram
permitidos instrumentos na Igreja Antiga, talvez por causa de sua
associação com festividades pagãs (Clemente permitia a lira e a
cítara por serem instrumentos que Davi também teria usado).
Eusébio (falecido cerca de 340), bispo de Cesareia, na
Palestina, e autor de história eclesiástica, expressou seu desagra-
do no uso de instrumentos na igreja:

Nós cantamos o louvor de Deus com o saltério


vivo...Nossacítaraéocorpotodo,porcujomovimento
e ação a alma canta um hino digno a Deus e nosso sal-
tériodedezcordaséaveneraçãodoEspíritoSantopelos
cincosentidosdocorpoeascincovirtudesdoespírito.34

4. Controvérsia hinológica
O uso de hinos na igreja foi controvertido. Os mos-
teiros orientais do 4º e 5º séculos usaram Salmos e viam com
desagrado o uso de hinos. A razão disso é que grupos como os
arianos35 e gnósticos36 usavam hinos em grande quantidade para

34. Citado por Edwin Liemohn em The Singing Church, p. 13.


35. Arianismo. “Seita religiosa que tomou o nome do heresiarca Ário (ca. 270-
336), teólogo de Alexandria que negava a consubstancialidade do Filho com o
Pai. Cristo, ainda que anterior ao mundo, é, contudo, um poiema (= obra) de
Deus. O arianismo foi condenado pelo Concílio de Niceia (325)”. SCHULER,
Arnaldo. Dicionário Enciclopédico de Teologia.
36. Gnosticismo. Movimento que teve seu início antes do cristianismo e que
floresceu nos séculos 2 e 3 da era cristã. O nome vem do grego gnosis que
significa “conhecimento”. “Este conhecimento consiste de saber oculto e de
possessões de certas senhas mágicas e nomes secretos. Todas as seitas (. . .)

90
difundirem suas heresias. Isto causou certa oposição à música
de qualquer tipo na igreja e aos hinos em particular. No entanto,
as igrejas de Alexandria, Jerusalém, Antioquia e Bizâncio aceita-
ram a música como parte integrante de seu culto. Mas, a maioria
dos cristãos considerava a música praticada pelos gentios como
diabólica e achavam que deveriam opor-se a ela e proteger espe-
cialmente os jovens de seus efeitos.
Aos arianos fora permitido apenas cultuar dentro da
cidade de Constantinopla e somente ao cair do sol de sábado,
domingo e dias festivos. Por isso, cantavam hinos a noite toda,
escarnecendo e insultando os cristãos ortodoxos através de seu
canto. Ario, seu líder encontrou no canto de hinos uma maneira
popular de ganhar seguidores, promovendo suas próprias dou-
trinas. Ele condenava a consubstancialidade de Cristo, ou seja,
que Cristo é de uma só substância com o Pai.
Crisóstomo, observando a eficácia do canto de hinos
dos arianos, organizou uma série de procissões à noite com
cantos a fim de rebater os arianos com sua própria tática. Mas
estas procissões muitas vezes terminavam em tumulto e der-
ramamento de sangue, pois participavam pessoas de ambas as
facções. Resultado: foi baixado um decreto imperial suprimindo
qualquer canto de hinos pelos arianos em público.
O uso de hinos “extra bíblicos” no culto foi um assunto

(. . .) afirmavam estar em possessão de uma mensagem divina secretamente


concedida sobre a qual dependia a entrada de uma vida superior... A ideia
básica do gnosticism o era de redenção, primeiro, do mundo material (a ma-
téria era considerada diabólica) e então de fuga para uma vida de liberdade,
adquirindo assim a liberdade inferida no espírito humano. A alma, escapando
da matéria, está para ser unida com o Pleroma ou a plenitude de Deus... A ideia
dualística inerente na doutrina da redenção foi desenvolvida (Deus supremo
– Demiurgo; bom – mau; luz – escuridão; queda celestial – queda temporal;
espírito – matéria; pleroma – hysterema) e sintetizada no Deus bom. ” LUE-
CKER, Erwin L. Lutheran Cyclopedia.

91
de grandes debates que se estendeu por séculos. No cristianismo
primitivo, o movimento conhecido como “Biblicismo” reduziu
a quase nada a composição de hinos que não tivessem texto ex-
traído das Escrituras. Este movimento insistia que, além de uns
poucos hinos aprovados pelo clero, deveriam ser permitidos so-
mente hinos derivados diretamente das Escrituras. O Concílio de
Antioquia (260) admoestou Paulo de Samósata por rejeitar o uso
de hinos, mas o Concílio de Laodiceia (380-381) suprimiu o uso
de hinos extra bíblicos. Este último, no seu 13º cânone, designou
cantores para as igrejas que tinham a tarefa de refundir melodias
seculares adaptando-as principalmente para os salmos e cânticos.
Não queriam que amadores se dedicassem à composição de hi-
nos heterodoxos sem base escriturística. No entanto o Concílio
de Toledo (633) decretou: “para o canto de hinos e salmos na
igreja temos o exemplo de Cristo e seus apóstolos... Devem ser
excomungados os que têm a ousadia de rejeitar hinos”.
Um fato notório de uso do canto aconteceu na Síria.
Bardesanes (154-222) e seu filho Honorius foram hinistas que
souberam usar seus hinos para difundir suas especulações gnós-
ticas (Bardesanes tentou remover a responsabilidade de Deus
pelo mal, atribuindo a ele o planejamento, mas não a criação
do universo). Bardesanes compôs uma coleção de 150 salmos,
fazendo uma analogia com os salmos da Bíblia. Ele e seu filho
exerceram grande influência sobre a composição de hinos de
seu tempo, fazendo com que outros seguissem seus passos. Ali-
ás, o canto de hinos foi o método favorito dos heréticos para
conseguir adeptos. O povo comum acatava os hinos e, assim,
era instruído na doutrina dualista (Dualismo é a admissão de
dois seres superiores mutuamente hostis, um representando
tudo o que é moralmente bom e benéfico ao homem e o outro
a fonte de todo o pecado e mal).

92
Efraim, o sírio (falecido em 373), sabia que uma mera
proibição dos hinos gnósticos de nada adiantaria – o ritmo e
a melodia destes hinos tinham influenciado tanto as mentes e
corações do povo que uma simples ordem de abandono destes
hinos não desviaria seus pensamentos deles. Por isso, a tática de
Efraim foi enfrentar a influência herética com hinos ortodoxos.
Por esta atividade ele foi celebrado na Igreja Antiga como “Lira
do Espírito Santo” e “Profeta dos Sírios”. Seus hinos tiveram
tanto mérito que não somente foram executados durante sua
vida, mas também alguns deles ainda são cantados no oriente
nos dias de hoje. Seu hino mais conhecido é “No Nascimento
de Nosso Senhor”, cujo início é “Em seus braços, com terno
amor, José toma seu único filho”. Além de hinista Efraim era
também grande teólogo, o que lhe possibilitou escrever homilias
em métrica, dividindo os versos em estrofes, à semelhança de
nossos hinos atuais.
Outro músico precisa ser destacado dentro da Igreja
Antiga. É Ambrósio, bispo de Milão (374-397) que foi o hinista
mais destacado de seu período. Ambrósio emigrou para o oci-
dente após romper com a imperatriz Justina e seus seguidores do
movimento herético dos arianos. Ele estava familiarizado com o
canto de hinos do oriente e foi o primeiro a introduzi-los com su-
cesso no ocidente. Sentiu que o canto de hinos era um caminho
eficiente para encorajar os ânimos de sua congregação em Milão.
Embora lhe sejam creditados apenas quatro hinos de
sua autoria, o bispo Ambrósio teve influência notável no can-
to congregacional; outros compositores surgiram seguindo seu
modo de compor. Seus hinos, escritos para a congregação usar
em culto público, espalharam-se por toda Europa (infelizmente
nada podemos dizer sobre suas melodias, visto ainda não haver
um sistema de notação musical eficiente na época). O hino am-

93
brosiano era organizado em dímetro iambo,37 que se tornou a
forma de verso para o canto congregacional até o tempo da Re-
forma. Contrastando com o texto dos Salmos escritos em pro-
sa, os hinos ambrosianos eram escritos em estrofes de quatro
versos, facilitando o canto congregacional. Além disso tinham
normalmente uma sílaba para cada nota, outra característica que
facilita o canto congregacional.
Ambrósio também introduziu quatro escalas na música
sacra: dórica, frígia, eólia e mixolídia. Os hinos eram cantados
nas notas destas escalas.
Ambrósio também é pioneiro por introduzir o canto
antifonal em sua região (utilização de dois corais), para o canto
dos Salmos. Esta prática espalhou-se em Roma e foi oficialmen-
te adotada pela igreja durante o papado de Celestino I (422-432).
Embora a participação de mulheres no culto tenha sido tradi-
cionalmente insignificante, Ambrósio insistia que as mulheres
também deveriam cantar.
Os hinos de Ambrósio, originalmente escritos para se-
rem utilizados no culto público, entraram também para o Ofício
das Horas e para os breviários. O Ofício das Horas, ou Horas
Canônicas, são momentos especiais de oração, que eram diaria-
mente observados pelos clérigos, com leituras, hinos e orações
pré-determinados. Os hinos ambrosianos se tornaram muito
populares, bem mais populares do que os cantos introduzidos
mais tarde por Gregório.
Após Ambrósio seguiram-se outros hinistas. Os hinos
foram muito usados embora algumas igrejas não aceitassem hi-
nos extra bíblicos.

37. Na poesia grega e na latina, pé de verso constituído de uma sílaba breve


e outra longa.

94
5. A transferência do canto
congregacional para o coro e o clero

Exemplos de escritos históricos nos mostram que nos


primeiros séculos da era cristã o canto de hinos fazia parte das
assembleias do culto cristão. Passado o tempo da perseguição e
com a chegada da liberdade religiosa com o edito de Milão do
imperador Constantino em 313, estava aberto o caminho para
o desenvolvimento de uma ordem de culto que, no decorrer do
tempo, eliminaria o canto congregacional. Hinos acolhidos pela
igreja foram incorporados na liturgia que passou a ser oficiada
pelos sacerdotes e por cantores treinados.
O Concílio de Laodiceia (cerca de 350) havia regula-
mentado que somente deveriam cantar no ofício cantores de-
vidamente designados no ofício religioso. Para isso foram esta-
belecidas as Schola Cantorum. Nestas escolas exigia-se um alto
padrão; havia interesse em bom canto e boas vozes. São Bento,
o fundador do monasticismo ocidental, defendia até o castigo
corporal aos meninos que não pudessem cantar no tom.
O desenvolvimento de uma ordem de culto formal foi
grandemente favorecido pela Schola Cantorum que treinava os
cantores. O Edito de Constantino favoreceu também a constru-
ção de muitas igrejas de grandes proporções (Roma tinha mais
de 40 basílicas no início do Século IV). Como havia também
grandes conversões para o cristianismo nesta época, o canto
congregacional antifonal podia ser usado para ensinar aos no-
vos membros o canto dos hinos. A congregação estabelecida
cantava uma linha e os convertidos a repetiam. Mas, à medida
que os grupos de cantores foram sendo usados, este tipo de

95
canto antifonal passou cada vez mais para o clero e para os can-
tores treinados, que constituíam o coro. Além disso, os cantores
tinham o status de clérigos secundários. Parecia ser necessário
que se desse a música aos sacerdotes e ao coro para preencher
o interesse de conseguir um ofício com ordem e dignidade. O
resultado disso foi que no final do Século IV o canto da congre-
gação estava praticamente assumido pelo coro. Algumas partes
continuavam sendo da congregação até o Século VI, tais como o
Kyrie, Gloria in Excelsis e o Sanctus. Um solista cantaria partes
como o Gradual, Trato e Ofertório.

6. O Canto Gregoriano

O canto gregoriano consiste especificamente do canto


eclesiástico conforme selecionado e anotado por Gregório I, o
Grande, papa de 590 a 604. 38 O canto gregoriano é monofôni-
co, sem acompanhamento, não tem grandes saltos, tem pequena
extensão da nota mais grave para a mais aguda e não é métrico;
o texto sempre é em latim e determina o ritmo da música. 39 As
escalas do canto gregoriano utilizam apenas as teclas brancas do
teclado.
Sob a direção de Gregório, o canto daquela época foi

38. Há estudos recentes que tentam comprovar que o canto gregoriano não te-
ria sido coletado por Gregório I, mas por Gregório II, que viveu de 669 a 731
(veja REYNOLDS, William J., PRICE, Milburn, MUSIC, David W. A Survey
of Christian Hymnody, p. 11.
39. O canto ambrosiano era mais simples que o gregoriano e permaneceu
em uso por bom tempo em lugares isolados. Além disso, os cantos moçárabe
e galicano também estavam em uso nos primeiros séculos do cristianismo e
eram semelhantes em estilo ao ambrosiano e gregoriano. Eis, pois, os quatro
grandes cantos da Igreja Ocidental Antiga e Medieval.

96
cuidadosamente coletado, revisado e selecionado para os propó-
sitos do culto. O papa unificou as diversas modalidades do canto
cristão abolindo as divergências interpretativas que havia nos di-
versos centros religiosos. Reuniu estas diversas modalidades do
canto e desenvolveu procedimentos de ensino e difusão do canto
assim unificado. A partir do século VII o canto da igreja cristã
passa a ser conhecido como canto gregoriano. Estes cantos fo-
ram coletados em um volume chamado Antophonale Missarum.
O canto gregoriano representou a base sobre a qual se processa-
ram as evoluções posteriores da música vocal do ocidente.
O canto gregoriano logo se espalhou por toda a igreja
ocidental tornando-se a norma para a música na igreja. Carlos
Magno (imperador de 800-814 e fundador do Santo Império
Romano), durante o seu reinado, enviou monges à Roma para
aprenderem o canto e então os instalou como professores nos
mosteiros. Ordenou que todos os livros de cantos ambrosianos
fossem queimados para manter a uniformidade na música reli-
giosa. A Igreja Romana prosperou e foram estabelecidos igrejas,
escolas e mosteiros por toda a Europa e a prática do canto gre-
goriano era uma parte integral desta expansão.
No entanto, é preciso deixar claro que o canto grego-
riano não era congregacional. Ele precisa de muito reino para
poder ser cantado adequadamente. O Canto gregoriano tem
muitas notas para cada sílaba e é adequado para coro treinado.
Ele é feito para coro duplo, ou seja, uma parte do coro canta o
a primeira parte do versículo de salmo e outro grupo canta a
segunda parte. Ou então um solista canta a primeira parte do
versículo e o coro canta a segunda parte. Este tipo de canto não
é para a congregação.
Por volta do Século X o canto gregoriano entrou em
declínio. Causas:

97
• Manuscritos mal copiados;
• Professores inexperientes treinavam mal os cantores;
• O crescimento rápido do cristianismo, espalhando-se
por novos e vastos territórios o que tornou impossível
cultivar o canto gregoriano adequadamente;
• O surgimento da polifonia (música a mais vozes).
No século XII era difícil de ser encontrado o canto gre-
goriano puro. No entanto, no final do Século XIX e início do
Século XX o canto gregoriano foi novamente restaurado num
trabalho feito pelos monges de Solesmes.

7. O desenvolvimento da notação musical

No Século VIII começou-se a adotar o uso de neumas,


que eram sinais colocados acima do texto em distâncias propor-
cionais para indicar a subida e descida da linha melódica. Este
sistema era menos eficiente que o anterior na questão do tom,
mas apontava o número de notas a serem cantadas para cada
sílaba, o que era importante para a música da época. No entan-
to, este sistema servia apenas como um guia para alguém que já
estava familiarizado com a melodia. Este sistema estava em uso
em toda a Europa pelo século X.
No início do século X começou-se a traçar uma linha
em vermelho representando a nota “fá”. Os neumas eram então
colocados a distâncias variadas acima e abaixo desta linha para
indicar os tons em relação a ela. Uma segunda linha foi adicio-
nada depois acima da linha “fá”, em amarelo, para indicar o tom
de “dó”. Os tons destas duas notas estavam agora indicados
claramente e, ao mesmo tempo, os tons intermediários também

98
estavam mais definidos. Em alguns manuscritos ambas as linhas
estavam em preto com as letras “F” e “C” (“fá” e “dó”) localiza-
das no início das linhas, introduzindo, assim, a função de nossas
claves atuais.
Guido de Arezzo (980-1050), monge beneditino, que
viveu em Arezzo, Itália, introduziu a pauta de 4 linhas junto com
a notação neumática. Utilizou-se de um hino a São João Batista
para dele extrair o nome das notas. Este hino, composto por
Paulo, o Diácono (falecido em 795), começava cada verso num
tom sucedente. Guido utilizou-se da primeira sílaba de cada ver-
so para dar nome às notas.
Ut queant laxis, Resonare fibris, Mira gestorum, Famuli
tuorum, Solve polluti, Labii reatum, Sancte Johannes (“Que teus
servos possam cantar dignamente as maravilhas de teus atos, remo-
ve toda a mancha de culpa de seus lábios impuros, ó Santo João”).
A nota “si” foi formada com as iniciais de “Sancte Jo-
hannes”. A sílaba ut foi mudada para “dó” no século XVI. Após
alguns séculos a notação musical sofreu alterações até chegar à
nossa pauta e figuras atuais. O desenvolvimento de um sistema
adequado de notação musical fez muito para o desenvolvimento
da arte musical. A tarefa de composição passou a ser grandemen-
te facilitada; a música podia agora ser aprendida do papel escrito
e não só passar da boca para o ouvido, o que facilitou também
sua propagação. A polifonia tinha, agora, seu caminho aberto.

8. O Organum

Perto do ano 900 surge uma tentativa de fazer música

99
a mais vozes: é o chamado organum primitivo. Todas as vo-
zes sobem e descem juntas em intervalos de 4ª, 5ª e 8ª. Num
organum a voz que servia de base para a composição era uma
melodia extraída do repertório do canto gregoriano. Esta voz
era chamada vox principalis. As outras vozes eram chamadas de
vox organalis.
Nos séculos X e XI surge o organum livre. É uma evo-
lução em relação ao organum primitivo, pois já apresenta inde-
pendência melódica entre as vozes. No entanto, todas as vozes
ainda se movem no mesmo ritmo; não há ainda independência
rítmica entre as vozes. Mas o uso do movimento contrário entre
as vozes faz com que surjam outros intervalos além dos de 4ª, 5ª
e 8ª do organum primitivo.
No século XII aparece o organum melismático. A vox
principalis encontra-se na voz mais grave e é cantada em notas
muito longas. Consequentemente não se pode perceber bem sua
melodia e ritmo (A vox principalis poderia também ser tocada
por um instrumento). A vox organalis encontra-se na voz mais
aguda e canta diversas notas sobre cada nota da vox principalis.

9. O Conductus

O conductus polifônico surge no século XIII e é arran-


jado sobre um poema métrico latino. Duas, três ou quatro vozes
movem-se em ritmo similar e cantam o texto em conjunto. Os
textos são de poemas latinos em métrica. Raramente são litúrgi-
cos mas quase sempre são temas sacros. Normalmente para cada
nota há uma sílaba. O conductus é uma composição nova, ou
seja, não empresta material do gregoriano para a vox principalis
100
ou tenor. Tanto o organum quanto o conductus caíram em de-
suso após 1250, dando lugar ao moteto no campo da polifonia.

10. O Moteto

No século XIII surge também o moteto. Palavras foram


muitas vezes adicionadas à voz superior de um organum num
trecho onde havia muitas notas para uma só sílaba. Isto produ-
ziu um novo gênero musical chamado de motet (do francês mot,
que significa “palavra”). O moteto tem as seguintes característi-
cas:
• O “tenor” ou cantus firmus é um trecho de um can-
to gregoriano. As demais vozes são novas composi-
ções. [Exs.: Moteto sobre “Domino” da Escola de No-
tre Dame de Paris, composto por volta de 1225]. No
século XIV começam a aparecer também melodias
profanas no cantus firmus. Do século XV em diante
o compositor passa a compor também o “tenor” ou
cantus firmus”.
• As demais vozes (chamadas “duplum” ou “motetum”,
“triplum”, “quadruplum”) cantam o texto que lhes
é destinado.
• Não existe preocupação com a harmonia a princípio;
a música é pensada horizontalmente, sendo a har-
monia mais acidental do que planejada. Mas, a partir
do século XV começa a haver a preocupação com a
harmonia: pensa-se então também verticalmente na
música para a formação de acordes.
• Cruzamento de vozes era comum nos motetos dos sé-

101
culos XIII e XIV, ou seja, uma voz aguda pode ir abai-
xo de uma mais grave e vice-versa. Mas, depois come-
ça a haver separação distinta de todas as vozes.
• A politextualidade (para cada voz um texto diferente)
é uma característica do moteto nos séculos XIII e
XIV. Ocorrem até línguas diferentes numa mesma
música, cantadas ao mesmo tempo. Também textos
profanos e religiosos eram misturados numa mesma
música [Ex.: Moteto da Escola de Notre Dame, de
aproximadamente 1250: “Pulcelete/Je languis/Domi-
no” – o “tenor”, que canta longas notas com a palavra
“Domino” é o único elemento sacro e está em latim
(este ainda pode ser substituído por um instrumen-
to); as demais vozes superiores, motetum e triplum,
cantam dois textos profanos diferentes e estão em
francês].
• O Concílio de Trento (1545-1563) proibiu a politex-
tualidade e os textos profanos e exigiu que as palavras
fossem compreensíveis para a música religiosa católi-
ca. Giovanni Pierluigi da Palestrina serviu de exemplo
para a música sacra da época, compondo a Missa Pa-
pae Marcelli. Nesta missa, Palestrina tem o cuidado de
usar o mesmo texto que as seis vozes cantam simulta-
neamente. As vozes imitam-se entre si na linha meló-
dica e produzem uma harmonia planejada. É possível
acompanhar e entender o texto.

11. A música profana (“popular”)


A partir do século XI passa a se firmar a música profa-

102
na ou “popular” com músicos ambulantes que cantam canções
sobre as cruzadas e sobre o amor, acompanhadas de instrumen-
tos. Na França eram os trovadores: trouvère (norte da França) e
os troubadour (região meridional e sul da França)
Na Alemanha eram os “Minnesinger” (poetas do amor)
e, mais tarde, os “Meistersinger” (mestres cantores). Os trova-
dores eram bem-educados e refinados; sua poesia era feita em
provençal, a língua romântica da região meridional da França.
Os “Minnesinger” faziam parte de um círculo musical e literário
palaciano alemão dos séculos XII a XIV. Eram aristocratas mui-
to semelhantes aos trovadores da França. Suas canções tratavam
principalmente do amor cortesão e eram acompanhadas por
instrumentos. Do século XIV ao XVII surgem os “Meistersin-
ger”. São membros de corporação literária e musical, geralmen-
te artesãos que se organizavam em corporações para compor e
interpretar Meisterlieder, que eram canções monofônicas sem
acompanhamento.

12. Música popular religiosa

A canção religiosa popular no vernáculo estava em uso


na Alemanha e países adjacentes. Desde o tempo de Walter von
der Vogeweide, Gottfried von Strassburg e outros minnesinger,
a canção popular espiritual teve grande repercussão. Estas can-
ções populares eram as melodias dos tropos40 do Kyrie que fo-
ram traduzidas para o alemão e conhecidas como Leisen. Estas

40. O tropo consistia de um pequeno texto que era interpolado entre partes
do canto regular da igreja. Este processo era muito comum nos melismas do
Kyrie. Ao invés de cantar kyrie eleison como uma única unidade, uma expres-
são como Rex genitor ingenite poderia ser interpolada entre estas duas palavras.

103
canções terminam cada estrofe com a palavra Kyrieleis (“Se-
nhor, piedade”). Temos alguns exemplos vindos dos Leisen no
Hinário Luterano de 1986:
► “Christ ist erstanden” (“Ressurgiu da morte” – nº 102).
► “Nun bitten wir den Heiligen Geist” (“Ao Santo Es-
pírito com fervor” – nº 137).
► “Gelobet seist du, Jesu Christ” (“Louvado sejas, ó
Jesus” – nº 35).
Alguns hinos latinos também foram traduzidos para o
vernáculo e usados pelo povo como canções espirituais popu-
lares. Alguns destes hinos ficavam com partes no original na
tradução, como o de nº 20 do Hinário Luterano:
In duci jubilo
Singet und sit fro!
Unsres Herzens Wonne
Leit in presepio
Und leuchtet als die Sonne
Matris in gremio.
Alpha es et O.
Outro desses hinos é o de nº 22 do Hinário Luterano,
“Puer natus in Betlehem” (“Ein Kind geboren zu Betlehem” –
“Nasceu Jesus, supremo Bem”).
Estas canções estavam em uso na Alemanha bem como
na França e outros lugares. Na Alemanha, o berço da Reforma,
o canto de hinos pela congregação persistiu em pequena escala.
Os alemães tinham pouco interesse no estilo de música grego-
riana, e, como a igreja não tinha capacidade para manter uma
prática litúrgica uniforme, na Alemanha a congregação reteve
certos privilégios de participação no ofício.
Mas o canto congregacional não era a prática oficial da

104
igreja na pré-Reforma. A mudança veio com Lutero. O próprio
Lutero escreveu, adaptou e compôs textos e melodias de hinos.
O hino engrandeceu a Reforma Luterana e vice-versa.

Questões

1. Segundo as passagens de Ef. 5. 19 e Cl 3. 16, qual a atitude


de Paulo para com novas canções além dos Salmos? O que isto
sugere para a igreja hoje?
2. Que alerta pode nos dar a atitude de Crisóstomo em usar
hinos para combater frontalmente as heresias? E o que pode
nos ensinar a atitude de Efraim, o sírio, com sua composição de
hinos ortodoxos que foram escritos com a intenção singela de
apenas serem cantados pelos cristãos?
3. Cite as novidades que Ambrósio introduziu na música sacra
em Milão.
4. Por que o canto gregoriano não se presta para o canto con-
gregacional?
5. Que problemas o moteto trouxe para a missa e para o canto
congregacional?

Referências

BETTENSON, Henry. Documentos da Igreja Cristã. Tradu-


ção de Helmuth Alfredo Simon. São Paulo: ASTE, 1967.

105
BIBLIA DE ESTUDO ALMEIDA. Barueri: Sociedade bíblica
do Brasil, 1999.
DAVIDSON, Archibald T., APEL, Willi. Historical Antho-
logy of Music; oriental, medieval and renaissance music.
Edição revisada. Cambridge: Harvard University Press, 1948.
FOULKES, Francis. Efésios; introdução e comentário. Tradu-
ção de Marcio Loureiro Redondo. São Paulo: Vida Nova/Mun-
do Cristão, 1989.
HINÁRIO LUTERANO. Igreja Evangélica Luterana do Brasil.
Porto Alegre: Concórdia Editora, 1986.
HUSTAD, Donald P. Jubilate! A Música na Igreja. Tradução
de Adiel Almeida de Oliveira. São Paulo: Vida Nova, 1986.
KRETZMANN, Paul E. Christian Art, book II: a handbook
of liturgics, hymnology, and heortology. Saint Louis: Concordia
Publishing House, 1921.
LIEMOHN, Edwin. The Singing Church. Columbus: The
Wartburg Press, 1959.
LUECKER, Erwin L. Lutheran Cyclopedia. Saint Louis:
Concordia Publishing House, 1954.
McCOMMON, Paul. A Música na Bíblia. Tradução de Paulo
de Tarso Prado da Cunha. Casa Publicadora Batista, 1963.
MUSIC, David W. Hymnology: a collection of source readin-
gs. Lanham: Carecow Press, 1996.
PALISCA, Claude V. e GROUT, Donald Jay. A History of
Western Music. Nova York e Londres, W. W. Norton Com-
pany, 1996.
PALISCA, Claude V. Norton Anthology of Western Music:
ancient to baroque. Vl. 1. Nova York e Londres: WW. Norton

106
Company, 1996.
REYNOLDS, William J., PRICE, Milburn, MUSIC, David W.
A Survey of Christian Hymnody. Carol Stream: Hope Pu-
blishing Company, 1999.
SCHULER, Arnaldo. Dicionário Enciclopédico de Teolo-
gia. Porto Alegre e Canoas: Concórdia Editora e Editora da
ULBRA, 2002.

107
Resumo Histórico da
Adoração Cristã do
Século II até a Reforma
41
N a noite em que foi traído, Jesus instituiu a Santa Ceia,
durante a celebração da Páscoa do Antigo Testamento. Vejamos
o relato no evangelho de Lucas: “Isto é o meu corpo oferecido
por vós; fazei isto em memória de mim. Semelhantemente, de-
pois de cear, tomou o cálice, dizendo: Este é o cálice da nova
aliança no meu sangue derramado em favor de vós” (Lucas 22.
1-20). Estava iniciada a nova aliança de Deus conosco com a
instituição da Santa Ceia. E este ato, ou este cerimonial deveria
ser repetido pela igreja em memória (anámnesis, em grego) de
Jesus até o fim dos tempos. “Porque todas as vezes que comer-
111
des este pão e beberdes este cálice, anunciais a morte do Senhor,
até que ele venha” (1 Co 11. 16).
Na Didaqué, vamos encontrar, na ação de graças de-
pois da ceia, o desejo da vinda (maranata, em grego) do Senhor:
“Venha tua graça e passe este mundo! Amém. Hosana à casa de
Davi. Venha aquele que é santo! Aquele que não é (santo) faça
penitência: Maranatá! Amém. "42 Desde o momento da ordem
de Jesus “Fazei isto em memória de mim” e o desejo que ele
venha novamente, a igreja começou a desenvolver um liturgia
que vem até os nossos dias.

41. Cf. HUSTAD, Donald P. Jubilate! A Música na Igreja, p. 101-121. E Cf.


SENN, Franck C. Christian Liturgy; catholic and Evangelical. Os esquemas
são tirados do livro de Hustad e completados com o livro de Senn.
42. Didaqué, 10. 6. “Hoje, geralmente, se admite que foi compilada entre os
anos 90-100 dC, na Síria, na Pales tina ou em Antioquia” (Urbano Zilles in:
Didaqué ou Doutrina dos Apóstolos p. 17).

112
1. O Segundo Século
Plínio, o Jovem, governador romano da Bitínia e Ponto,
nos dá informações sobre o culto dos cristãos numa de suas
cartas ao imperador Trajano (c. 111-112). Seu objetivo era inti-
midar os cristãos a não continuarem a praticar seus cultos. Sobre
o culto dos cristãos, Plínio escreveu a Trajano:

Foramunânimesemreconhecerquesuaculpa
sereduziaaapenasisso:emdeterminadosdiascostu-
mavam comer antes da alvorada e rezar responsiva-
mente hinos a Cristo, como a um deus; obrigavam-se
por juramento, não a algum crime, mas à abstenção
deroubos,rapinas,adultérios,perjúriosesonegaçãode
depósitosreclamadospelosdonos.Concluídoesterito,
costumavam distribuir e comer seu alimento: este,
aliás, era um alimento comum e inofensivo. Práticas
essas que deixaram depois do edito que promulguei,
deconformidadecomvossasinstruçõesproibindoas
sociedades secretas. 43

Podemos ver por este relato, que estes cristãos do início


do segundo século, cantavam, oravam e realizavam uma refeição
comum na qual se costumava também administrar a Santa Ceia.
Mas como Trajano havia proibido as “sociedades secretas”, aca-
baram abandonando esta refeição comum.
A primeira ordem definida de adoração, onde estão

43. BETTENSON, Henry. Documentos da Igreja Cristã, p. 29.

113
num mesmo encontro o ofício da palavra e o ofício da Santa
Ceia, encontra-se na Apologia de Justino Mártir destinada ao
Imperador Antonius Pius (c. 150). Já há uma forma de liturgia
na Apologia de Justino cujo esboço é o seguinte:
Ofício da Palavra
• “Leitura das Memórias dos apóstolos ou das Escrituras
dos profetas até onde o tempo permite”. 44
• Um Sermão (instrução e admoestação).
• Oração (a congregação de pé, todos participando).
Ofício da Ceia do Senhor
• Ósculo da paz.
• Ofertório (esmolas, apresentação do pão e do vinho).
• Oração de Ação de Graças (“bastante extensa” e im-
provisada “de acordo com a capacidade da pessoa” e
seguida por um “Amém” comum).
• Comunhão – distribuição dos elementos da Santa Ceia.
• Distribuição estendida aos ausentes.

2. O Terceiro Século

Do terceiro século temos uma liturgia registrada por


Hipólito (fal. c. 236) num documento conhecido como Tradição
Apostólica (c. 215). O texto é o seguinte:

Bispo: O Senhor seja convosco!


Povo: E com o teu espírito!
Bispo: Levantai ao alto os corações.
Povo: Assim os levantamos para o Senhor.

44. BETTENSON, Henry. Documentos da Igreja Cristã, p. 104.

114
Bispo: Demos graças ao Senhor, nosso Deus.
Povo: É digno e justo.
Bispo:Damos-tegraças,óDeus,porteuamado[servo?]
Filho Jesus Cristo, que nos enviaste nos derradeiros
tempos para ser nosso Salvador e Redentor e o men-
sageiro de tua vontade; o qual é o Verbo inseparável
pelo qual fizeste todas as coisas e no qual puseste tuas
complacências. Tu o enviaste dos céus ao seio da Vir-
gem,eelefoiconcebidoeseencarnou,foireconhecido
como teu Filho, nascido do Espírito Santo e da Vir-
gem.Eele,cumprindotuavontadeepreparandopara
ti um povo santo, estendeu suas mãos ao sofrimento
para libertar do sofrimento os que em ti creram.
O qual, ao ser entregue voluntariamente à sua
paixão, para que pudesse destruir a morte, romper as
cadeias do maligno, pisar o inferno, libertar [daí] os
justos, marcar as [suas] fronteiras, e para que pudesse
manifestar sua própria Ressurreição, tomou o pão, e
deu graças, dizendo: “TOMAI E COMEI: ESTE É
MEU CORPO QUE É QUEBRADO POR VÓS”.
Semelhantemente, tomou o cálice, dizendo:“É MEU
SANGUE QUE É DERRAMADO POR VÓS.
CADA VEZ QUE FIZERDES ISTO, FAZEI-O EM
MEMÓRIA DE MIM”.
Por esta razão, nós, em memória da sua mor-
teedasuaressurreição,oferecemos-te este pão e este
cálice, dando graças a ti porque nos fizeste digno de
apresentar-nos a ti e de servir como teu sacerdote. E te
imploramos te dignes enviar teu santo Espírito sobre
aoblaçãodetuasantaIgreja,concedendoquetodosos
teus santos que dela participem sejam feitos um para

115
a plenitude do Espírito Santo e a confirmação de sua
fé na verdade. Assim possamos louvar-te e glorificar-
te por Jesus Cristo teu Filho [servo] através de quem
seja glória e honra a ti, ao Pai e ao Filho com o Espí-
rito Santo em tua santa Igreja, hoje e eternamente.
Amém. 45

Note-se, nesta introdução ao Ofício da Santa Ceia, a


semelhança com as liturgias históricas atuais que preservam o
esquema desta liturgia de Hipólito. Vejamos o esquema comple-
to da liturgia que Hipólito registra na Tradição Apostólica:
Ofício da Palavra
• Lições.
• Sermão.
• Salmos.
• Orações Intercessórias.
• Ósculo de Paz.
Culto da Ceia do Senhor
• Ofertório – os elementos são levados à mesa.
• Oração Eucarística.
• Saudação – responsório entre líder e povo.
• O Senhor seja convosco; e com o vosso espírito.
• Levantai os vossos corações; nós os levantamos para o
Senhor. (Sursum corda)
• Demos graças ao Senhor; é bom e reto fazê-lo.
• Agradecimento.
• História da Salvação (A encarnação; vida, morte e res-
surreição de Jesus).
• Palavras da Instituição (“Ele tomou o pão, e tendo dado
graças, etc. ”).

45. Idem, p. 113-114.

116
• Memória (gr.: anámnesis) “Lembrando, portanto, a Sua
morte e ressurreição, etc. ”
• Oblação (“Oferecemos a Ti o pão e o cálice, etc. ”)
• Invocação do Espírito Santo (grego.: epiclesis) “Te ro-
gamos que envies o Teu Espírito Santo, etc. ”
• Doxologia à Trindade, com Amém congregacional.
• A Comunhão
• Oração de pós-comunhão pelo presbítero; Amém do
povo.
• Bênção do bispo e despedida.
Note-se que a ceia é uma oferta, mas não é sugerida a
ideia de transubstanciação.

3. O Quarto Século
Do quarto século temos uma liturgia registrada nas
Constituições Apostólicas (c. 380). A esta altura a liturgia já es-
tava bastante desenvolvida.
Ofício da Palavra
• Leituras Bíblicas (várias, do AT e do NT, especialmente
• Epístolas e Evangelhos)
• Salmos, entremeando-se com as leituras acima (alguns
cantados por cantores, alguns com responsos pela
congregação)
• Sermões (por vários “presbíteros”)
• Dispensa dos não-comungantes (os que ainda não eram
batizados) com uma litania e responso do povo (“Se-
nhor, tem misericórdia”)

117
Ofício da Ceia do Senhor
• Orações dos Fiéis
• Saudação e Responso (uma bênção trinitária, ou “O Se-
nhor seja convosco”, etc.)
• Ósculo de Paz
• Ofertório
• Lavagem das mãos do bispo e dos presbíteros
• Oferta dos elementos e de esmolas
• A mesa é “cercada” (para impedir a participa-
ção de pessoas indignas)
• O bispo é vestido com “uma vestimenta es-
plêndida”; depois, ele faz o “sinal da cruz”
na testa.
• Oração Eucarística
• Sursum corda (“Levantai os vossos cora-
ções”, etc.)
• Prefácio: Agradecimento por toda a provi-
dência de Deus, começando com a criação.
• Sanctus (“Santo, santo, santo, Senhor Deus
dos exércitos”, etc.)
• Palavras da Instituição (Anámnesis e Obla-
ção) “Que o Senhor Jesus, na noite em que
foi traído, tomou o pão” etc. Inclui uma refe-
rência à volta de Jesus.
• Epiclesis (“... envia sobre este sacrifício o teu
Espírito Santo... para que ele possa re-
velar este pão como o corpo de Cris-
to e este cálice como o sangue de Cris-
to e que todos os que dele participamos
possamos ser fortalecidos em piedade. ")
• Oração de Intercessão (dez seções)
• Oração Dominical (?) (Ela era comumente

118
usada, tanto antes como depois dessa época.)
• Doxologia e “Amém” do povo.
• “Pedidos de oração” dirigidos pelo diácono, e
Oração do Bispo.
• Conclamação à Comunhão (“Coisas santas
para um povo santo”, com um responso).
• Gloria in excelsis (Lucas 2. 14, e não a forma
posterior, aumentada).
• Hosana e Benedictus (qui venit, Mt 21. 9)
• Comunhão, com o cântico do Salmo 34
• (“Oh, provai e vede que o Senhor é bom. ”).
• Ação de graças e intercessão do Bispo “de-
pois da comunhão, seguidas de oração e bênção.
• Despedida.
A liturgia, agora, apesar de bastante desenvolvida é ain-
da fortemente congregacional. Os fiéis participam nos hinos,
nas orações e nos “améns”. Mas já inicia uma hierarquia profis-
sional com atividades específicas a serem realizadas pelos cléri-
gos. Desde o edito do imperador Constantino (313 A. D.) a igre-
ja cristã foi tolerada e podia crescer livremente. Edifícios cada
vez maiores foram surgindo para abrigar os fiéis e o culto foi
adaptado para esta situação. Gradativamente a liturgia, inclusive
os cânticos passou a ser executada pelo clero, até como necessi-
dade de impedir o surgimento de heresias. Os bispos passaram a
fazer parte da nobreza do império e passaram a ter muitos bens
e propriedades.
Com o poder dos bispos houve um retorno à teologia
do Antigo Testamento. Donald Hustad descreve a mudança que
isto implicou para com a Santa Ceia:

O dirigente da adoração agora se tornou o sa-

119
cerdotequeofereciarepetidamenteosacrifíciodocor-
po e do sangue de Cristo (transubstanciação) para o
perdãodospecadoseidentificaçãodocrentecomCris-
to na salvação. Ao invés de compartilharem de uma
refeiçãodeaçãodegraças,comosefazianosprimeiros
anos, os crentes vinham para testemunhar o ofereci-
mento de um sacrifício e para adorar o próprio pão
da comunhão. Um espírito de veneração e de temor
ligadoaestaadoraçãodesencorajavaosadoradoresde
realmente receberem a comunhão. Mais tarde, mui-
taspessoaspassaramaparticiparapenasumavezpor
ano, pois eram obrigados a fazê-lo. 46

4. O Século XVI

Nos primeiros anos após o reconhecimento do cris-


tianismo desenvolveram-se liturgias em diversas regiões, com
melodias e tradições locais. Até o século IV, a língua grega era
utilizada nestas liturgias. Somente a partir do século IV o latim
começou a substituir o grego nas ações litúrgicas.
A partir do Século V o império romano passa a ser di-
vidido entre oriente e ocidente. No oriente são estabelecidas as
liturgias ortodoxas de São Basílio e de São Crisóstomo, sendo
que esta última é mais utilizada. As liturgias ortodoxas são sem-
pre cantadas em cantochão, mas também há intervenções mais
contemporâneas.
As liturgias das igrejas evangélicas não têm muita he-

46. HUSTAD, Donald P. Jubilate! A Música na Igreja, p. 105.

120
rança das liturgias ortodoxas. No ocidente, Roma tornou-se o
centro da igreja e o rito romano é que vai influenciar as igrejas
evangélicas, especialmente a luterana. Vejamos o esboço da mis-
sa latina, celebrada por volta de 1500. O esboço é da missa alta.
47

Nota: partes cantadas pelo coro assinaladas com asterisco (*)


Ofício da Palavra
* Intróito.
* Kyrie eleison (nove vezes).
• Entrada dos ministros.
• Preparação particular dos ministros (secretamente)
• Invocação.
• Salmo 43, com Gloria Patri.
• Salmo 124. 8.
• Confiteor e Miserator (entre minis-
tros e celebrante).
• Versículos e responsos dos salmos.
• Coletas (orações).
• Bênção do incenso e incensamento
do altar, etc.
* Gloria in excelsis Deo
• Saudação e coletas (orações) do dia.
• Epístola, cantada por subdiácono, com responso
* Gradual

47. “Historicamente, antes do Vaticano II (1962) havia três formas de celebra-


ção da missa: (1) A Missa Baixa (Missa Lecta) era apenas falada, e se tornou
mais popular durante a Idade Média, quando era tradicional todos os sacer-
dotes celebrarem-na pelo menos uma vez por dia, e também muitas pessoas
celebrarem-na na mesma igreja (em diferentes altares) ao mesmo tempo; (2) a
Missa Cantada (Missa Cantata) era a principal celebração no domingo ou dia
santo em uma paróquia; e (3) Missa Alta (Missa Solemnis), algumas vezes cha-
mada de Missa Festival, que incluía celebrantes assistentes e frequentemente
um coro”. HUSTAD, Donald P. op. Cit. P. 109.

121
* Espaço ou Sequência, durante o qual são feitas:
• Orações e Preparação para a Saudação do
Evangelho, anúncio do Evangelho, com res-
ponso.
• Evangelho recitado (tom baixo) com responso
• Evangelho (com luzes e incenso, cantado por diácono
com responso).
• Pregador dirige-se ao púlpito
• Intimações.
• Pedido de orações.
• Epístola e Evangelho são lidos (vernáculo).
• Sermão (vernáculo).
* Credo (Credo de Niceia).
• Saudação e convite à oração.
Ofício da Ceia
* Ofertório: Versículos dos salmos cantados enquanto
o celebrante prossegue secretamente.
• Oferta do pão, com coleta.
• Água misturada com vinho, com coleta.
• Oferta do vinho, com coleta.
• Orações.
• Bênção do incenso, e incensamento dos ele-
mentos, do altar, dos ministros.
• O celebrante lava as mãos, enquanto recita o
Lavabo, Salmo 25. 6-12, com Gloria Patri.
• Oblação, com ofertas.
• Coleta (secreta).
• Saudação e Sursum Corda.
• Oração de Consagração (O Cânon Romano)
* Sanctus (enquanto os celebrantes continuam com a
oração, em secreto).
• Pedido de aceitação da oferta.

122
• Começo de intercessões pela Igreja.
• A memória dos vivos.
• A memória e intercessão através dos santos.
• Segundo pedido de aceitação.
• Terceiro pedido de aceitação.
• Palavras da Instituição, com elevação e
Benedictus*.
• Anamnesis e Oblação (Memória e oferta).
• Outros pedidos de aceitação.
• Memória dos mortos.
• A comunhão dos santos.
• Doxologia.
• Oração Dominical.
• A Paz (partição e mistura dos elementos).
* Agnus Dei.
• Comunhão do celebrante, com coletas, etc.
• Comunhão do povo.
* Hino de Comunhão (salmo).
• Saudação e orações pós-comunhão.
• Saudação e despedida.
• Bênção da Congregação.
• Último Evangelho (João 1. 1-14) e responso.
Na Missa do Século XVI a congregação praticamente
não tinha participação ativa. A partir já do século IV o can-
to passou a ser confiado gradativamente a um coral litúrgico.
As missas cantadas em geral usavam o canto gregoriano, a uma
voz, mesmo as partes executadas por coro. O povo assistia pas-
sivamente à missa. Além disso, desenvolveram-se missas com
composições de grandes mestres, que usaram as cinco partes
principais da missa: Kyrie, Gloria, Credo Sanctus e Agnus Dei.
Grandes mestres surgiram nas composições destas partes: Ma-
chaut, Josquin dés Prez, Giovanni Pierluigi da Palestrina até o

123
período da Renascença. Depois Mozart, Johann Sebastian Bach,
Beethoven e centenas de outros compositores passaram a musi-
car estas cinco partes da missa, o que se continua fazendo tam-
bém em nossos dias.
Não há dúvida, que belas obras se ouviam durante a
missa durante toda a Idade Média. No entanto, esquece-se a
participação congregacional. Isto só mudou com a Reforma.

Formas de adoração sem Santa Ceia durante


o período medieval

Horas de Oração
No Antigo Testamento Deus havia ordenado os sacrifí-
cios diários de cordeiros: Êx 29. 38-39. No Salmo 55. 17 sugere-
se oração “à tarde, pela manhã e ao meio-dia. Daniel orava três
vezes ao dia (Dn 6. 13). No Salmo 119. 164, lemos: “Sete vezes
ao dia, eu te louvo pela justiça dos teus juízos”; no vers. 62 está
registrado “levanto-me à meia noite para te dar graças”. No ser-
viço do templo havia horas de oração programadas; quem não
podia estar no templo numa das horas de oração poderia orar
noutro local apropriado (At 3. 1; 10. 9; Mt 6. 5-6).
Os cristãos continuaram a utilizar as Horas de Oração.
No entanto, aos poucos foram esquecidas pelo povo e passaram
a fazer parte dos ofícios monásticos apenas. São Bento fixou as
horas de oração por volta de 530 AD para serem observadas
nos mosteiros, catedrais e igrejas universitárias. O ciclo comple-
to destas “Horas de Oração” consistia de oito ofícios diários,
nos quais se cantavam salmos, liam-se trechos bíblicos e faziam-
48. “O componente principal da adoração de Ofício consistia na leitura e cânti-
co das Escrituras; desta forma, no total das ‘Horas’ os Salmos eram completa-
dos (cantados responsivamente) uma vez por semana, o Novo Testamento era
lido integralmente duas vezes por ano, e o Antigo Testamento uma vez. Além
disso, era dado um lugar especial aos Cânticos bíblicos, especialmente o (. . .)

124
se orações. 48 Nestes ofícios não se celebrava a Santa Ceia.
As Horas de Oração estabelecidas por São Bento são as
seguintes:
Matinas
Laudes Prima (6h)
Tércia (9h)
Horas de Oração Sexta (12h)
Noa (15h)
Vésperas Completas (ao
recolher)

As Horas de Oração também eram denominadas de


Ofício Divino, Ofício das Horas ou Horas Canônicas
Cultos de Pregação
Podemos observar em igrejas históricas um púlpito no
meio da nave, longe do altar. Deste local costumava-se pregar
no vernáculo um sermão. Deste costume desenvolveu-se uma
forma de adoração, basicamente no vernáculo, a princípio inse-
rido na missa, e, depois realizado como cerimônia separada. É
conhecida como Prone e se assemelha à forma de adoração ado-
tada por João Calvino, no século XVI. Eis o esboço da Prone.

(. . .) Cântico de Zacarias, pai de João Batista (Benedictus Dominus Deus Isra-


elis), o Cântico de Maria (Magnificat), o Cântico de Simeão (Nunc Dimitis), o
Cântico dos Três Jovens Hebreus na Fornalha (Benedicite, dos livros apócri-
fos), e o hino do século IV, extra-bíblico, atribuído a Niceta de Remesiana, Te
Deum Laudamus. Finalmente esta forma de adoração também incluía hinos,
versículos e responsos, orações e, algumas vezes, uma homilia. Os ofícios de
Matinas e Laudas de manhã, e das Vésperas e Compline de noite, eram as
principais reuniões em que grande parte da música era executada. Na tradição
romana, os salmos, cânticos e hinos eram cantados no cantochão gregoriano
exclusivamente, exceto no ofício das Vésperas, quando acompanhamentos
musicais ‘compostos’ contemporâneos podiam ser usados. Foi nesta última
tradição que foram produzidas as ‘Vésperas de 1610’ de Monteverdi. ” HUS-
TAD, Donald, P. Jubilate! A música na Igreja, p. 110.

125
Prone
Conclamação à Adoração (“In nomine Patri, etc. ”)
Passagem do sermão em latim (para os intelectuais)
Votum alemão com “Amém” congregacional
Texto do sermão em alemão
Invocação do Espírito Santo
Sermão
Anúncios da paróquia
Oração da igreja
Oração Dominical e “Ave Maria”
Credo dos Apóstolos
Os Dez Mandamentos
Confissão Pública
Votum final

O culto na Reforma
As Missas de Lutero
Lutero elaborou duas missas: A Missa Latina e a Missa
alemã. A Missa Latina é uma reforma da Missa Medieval tradicio-
nal. A Missa Alemã tem mudanças maiores e é mais simples. No
próximo capítulo estas duas missas serão tratadas detalhadamente.
A Santa Eucaristia no Livro de Oração Comum de 1662
Na Inglaterra continuou-se a utilizar a missa romana
por um tempo no governo de Henrique VIII. Depois da morte
do governante o Arcebispo Cramner (1489-1556) elaborou uma
liturgia reformada. Surge o Livro de Oração Comum em 1549
que preconiza uma adoração congregacional e não mais sacer-
dotal. Conserva-se muito da missa romana, mas formam feitas
revisões no conceito da transubstanciação e no cânon da missa.
Outras revisões se seguiram no Livro de Oração Comum.

126
O esboço a seguir é do Livro de Oração Comum de 1562:
Ofício da Palavra
• Oração Dominical (ministro sozinho).
• Oração (coleta) pedindo pureza.
• Dez Mandamentos, e Kyries (em inglês).
• Coletas (Orações).
• Epístola.
• Evangelho.
• Credo (Niceia).
• Sermão.
Ofício da Ceia
• Ofertório (Sentenças da Escritura; coletas; elementos
preparados).
• Intercessões.
• Exortação e Convite.
• Confissão e Absolvição Gerais: “Palavras Consoladoras”
• Sursum corda (“Levantai os vossos corações”, etc.).
• Oração de Consagração.
• Prefácio e Pontos: Sanctus; “Oração de
Humilde Acesso”;
• Comemoração;
• Palavras da Instituição.
• Comunhão.
• Oração Dominical.
• Oração de agradecimento pós-comunhão.
• Gloria in excelsis Deo.
• Paz e Bênção.
Oração Matutina ou Vespertina (Livro de Orações
de 1662)
Tal como Lutero, o Arcebispo Cramner também se em-

127
penhou pela continuidade das Matinas e das Vésperas dentre as
Horas de Oração. A leitura e o cântico das Escrituras deveria
ser enfatizado. Um sermão também estava previsto para estes
ofícios.
O esboço a seguir é do Livro de Oração Comum de 1662.
• (Hino).
• Sentenças da Escritura: Exortação.
• Confissão de pecados e Absolvição: Oração Dominical
• Salmos do Dia, cada um deles seguido por Gloria Patri
• Leitura do Antigo Testamento.
• Cântico (por ex. Te Deum para as Matinas, Magnificat
para as Vésperas).
• Leitura do Novo Testamento.
• Cântico (por ex. Benedictus para as Matinas, Nunc Di-
mitis para as Vésperas).
• Kyries; Oração Dominical; Sufrágios; Coletas.
• Antema.
• Oração de Agradecimento; Oração pedindo graça.
• (Hino).
• (Sermão, seguido por Atribuição de louvor).
• (Coleta).
• (Hino).
• (Bênção).
O culto calvinista
Os calvinistas fizeram sua Reforma na intenção de des-
viarem-se mais radicalmente da tradição de culto romana.
Ulrico Zuínglio (1484-1531) tinha uma liturgia seme-
lhante à Prone com leitura da Epístola e do Evangelho, prega-
ção, oração e recitação de salmos e cânticos. Não usava música
para seus cultos.

128
João Calvino (1509-1564) queria seguir os costumes
da igreja antiga. Não usava as vestes clericais da Idade Média e
também deixou de lado o ano litúrgico e o lecionário. Não tinha
coro na igreja e era corriqueiro que os calvinistas removessem
os órgãos das igrejas em que passaram a atuar. Mas, impres-
sionado com as versões alemãs de salmos, passou a metrificar
salmos em francês para serem cantados, em uníssono e sem ins-
trumentos, em seus cultos. Esta era a única forma de música que
Calvino permitia: somente salmos metrificados, em uníssono e
sem acompanhamento instrumental. O poeta Clement Marot e
o músico Louis Bourgeois foram encarregados de metrificar e
providenciar música para todos os salmos.
Eis o esboço da Liturgia de Calvino em Genebra (1542):
Ofício da Palavra
• Sentença da Escritura: Salmo 124. 8.
• Confissão de Pecados: Oração pedindo perdão.
• Salmo metrificado.
• Oração pedindo iluminação.
• Sermão.
Ofício da Ceia
• Coleta.
• Intercessões.
• Oração Dominical, em longa paráfrase.
• Credo Apostólico (os elementos são preparados).
• Palavras da Instituição.
• Exortação.
• Oração de Consagração.
• Comunhão (canta-se um salmo ou lêem-se passagens
bíblicas).
• Oração pós-comunhão.
• Bênção (Araônica).

129
Culto dos Anabatistas
No fim do século XVI surgiram grupos separatistas
que rejeitaram quaisquer formas litúrgicas e também exigiam o
batismo somente aos adultos, mesmo que já tivessem sido bati-
zados quando crianças. Tinham um culto simplificado.
Conforme registro de um de seus grupos na Holanda
em 1608, seus cultos seguiam o seguinte padrão:
Oração
Leitura da Escritura (um ou dois capítulos, com um co-
mentário consecutivo a respeito do seu significado)
Oração
Sermão (uma hora, baseado em um texto)
Contribuições orais de outras pessoas presentes (tantas
quantas desejassem)
Oração (feita pelo líder principal)
Oferta

Questões

1. Por que, no segundo século, os cristãos acabaram abolin-


do suas refeições em conjunto, nas quais também celebravam a
Santa Ceia?
2. Que critério os cristãos do segundo século tinham para fazer
as leituras bíblicas no culto, conforme registrado na Apologia
de Justino?
3. Veja a liturgia registrada por Hipólito. Compare-a com as li-
turgias atuais da Igreja Evangélica Luterana do Brasil (Veja ane-
xos II e IV no final deste livro). Indique cinco partes que são

130
mantidas ainda hoje da liturgia de Hipólito.
4. Repare o esquema da Missa alta de 1500 com as partes assi-
naladas com asterisco que indicam as partes cantadas pelo coro.
O que isto significou para o canto congregacional?
5. Quantas horas de oração foram fixadas por São Bento e
quais eram?
6. Quem elaborou o Livro de Oração Comum e que ordens de
culto foram inseridas nele?
7. Que atitude para com a música tiveram Zuínglio e Calvino?

Referências

BELOTTO, Nilo, REILY, Duncan Alexander, CÉSAR, Ely


Barreto. Nós e o Culto; um estudo da liturgia cristã. São Ber-
nardo do Campo: Intituto Metodista de Ensino Superior, 1977.
BETTENSON, Henry. Documentos da Igreja Cristã. Tradu-
ção de Helmuth Alfredo Simon. São Paulo, ASTE, 1967.
BÍBLIA DE ESTUDO ALMEIDA. Barueri: Sociedade Bíblica
do Brasil, 1999.
HUSTAD, Donald P. Jubilate! A Música na Igreja. São Paulo:
Vida Nova, 1986.
SENN, Frank C. Christian Liturgy: catholic and Evangelical.
WHITE, James F. Introdução ao Culto Cristão. São Leopol-
do, Sinodal, 1997.

131
Lutero e o Culto
L utero revisou a liturgia histórica e preparou duas liturgias.
Fez este trabalho com muito cuidado sem introduzir novida-
des desnecessárias. Manteve o esquema tradicional da ordem do
culto em ambas as missas que organizou. Eliminou tudo o que
julgou ser contrário à Palavra de Deus, especialmente as partes
que evidenciavam ser a missa um sacrifício a Deus.
Veja o conteúdo das missas Latina e Alemã de Lutero,
conforme os resumos abaixo.

135
1. Uma Ordem de Missa e Comunhão
para a Igreja em Wittenberg49
(Formula Missae – Lutero, 1523)

Introdução50
Em 1523 Lutero passou a se ocupar com as modifi-
cações na liturgia da missa. No início daquele ano a Santa Ceia
ainda era distribuída sob uma espécie apenas, mas Lutero estava
preparando o povo para receber ambas as espécies. Isto passou
a acontecer definitivamente a partir de setembro de 1523. Em
fins de abril ou começo de maio escreveu o panfleto “Ordem
do Culto na Comunidade” dando sugestões a pastores, estudan-
tes e membros da comunidade que pudessem estar presente se
reunissem diariamente para leitura e exposição da Bíblia além de
cânticos e orações. A pregação passaria a ser o elemento princi-
pal do culto. Aos domingos toda a comunidade deveria se reunir
para receber o sacramento da Santa Ceia. Mas da comunhão
deveriam participar somente pessoas que estivessem em condi-
ções de prestar contas de sua fé. As missas diárias deveriam ser
abolidas. Não se deveria mais guardar as hóstias consagradas
para a comunhão dos enfermos. Elas deveriam ser consagradas
na medida da necessidade. Pastores e estudantes deveriam se
reunir para leitura e exposição da Bíblia.
A nova ordem de culto seria conservadora. A 4 de de-

49. Título completo: Formula missae et communionis pro ecclesia Wittem-


bergensi. Título abreviado: Formula missae. LUTERO, Martinho. Formulário
da Missa e da Comunhão para a Igreja de Wittenberg, in Martinho Lutero:
obras selecionadas, Vol. 7. P. 155-172.
50. DREHER, Martin. Introdução, in Martinho Lutero: obras selecionadas,
Vol. 7, p. 155-156.

137
zembro o pastor Nicolau Haussmann de Zwickau, que lhe havia
solicitado a revisão litúrgica, recebeu a Formula Missae.

Uma Ordem de Missa e Comunhão para a


Igreja em Wittenberg
“Graça e paz em Jesus Cristo” escreve Lutero “ao vene-
rável doutor Nicholas Hausmann, bispo da igreja de Zwickau. ”
Lutero explica que até então não havia ainda inovações
para não escandalizar os fracos com uma nova liturgia e, princi-
palmente por causa daqueles que são ávidos por mudanças e se
comprazem somente em novidades.
Mas Lutero também tinha esperança de que já houves-
sem muitas pessoas fortalecidas pela graça de Deus para pode-
rem aceitar uma missa evangélica com administração da comu-
nhão. No entanto, ninguém estaria forçado a aceitar esta ordem.
Lutero não tinha intenção de abolir a missa existente,
mas apenas purificar tudo aquilo que havia sido deturpado e
mostrar o uso evangélico. Embora Cristo e os apóstolos não te-
nham usado a liturgia que surgiu na igreja, Lutero não via no seu
esquema nada de abominável, com exceção do cânone da missa.
Por isso queria conservar o Kyrie eleison a Leitura da Epístola
e do Evangelho, o Salmo ou Intróito, o Gloria nas alturas, os
Graduais, as aleluias, o Credo Niceno, o Sanctus, o Agnus Dei e
o Communio (hino cantado pelo coro durante a distribuição da
Santa Ceia).
Mas, Lutero rejeitou aquilo que é designado como câ-
none da missa. “Ai a missa começou a se tornar um sacrifício,
acrescentaram-se os ofertórios e as coletas mercenárias” (p.
158). Em consequência disso a missa começou a ser monopólio
sacerdotal devorando a riqueza de todo mundo. “Daí surgiram
as missas em favor dos defuntos, de viajantes, por prosperidade
138
– quem seria capaz de enumerar os motivos pelos quais a missa
foi transformada em sacrifício?”
Compreendemos a missa “como sacramento, testa-
mento, ação de graças, como se diz em latim, ou eucaristia em
grego, mesa do Senhor, Ceia do Senhor, memória do Senhor,
comunhão, ou qualquer nome evangélico que agrade, dede que
a designação não esteja poluída pela ideia de sacrifício ou obra”.
O objetivo de Lutero era oferecer um rito segundo o qual a mis-
sa deveria ser usada.
“Em primeiro lugar, aprovamos e preservamos os in-
tróitos dominicais e os das festas de Cristo, quais sejam: Páscoa,
Pentecostes, Natal. Também damos preferência aos salmos dos
quais são tomados, como antigamente. Mas por enquanto con-
cordamos com o uso aceito. Se, todavia, alguém quiser usar os
intróitos para os dias dedicados aos apóstolos, à virgem e outros
santos (quando tirados dos salmos ou outras passagens das es-
crituras), não o condenamos. Nós em Wittenberg, porém, pre-
tendemos observar somente os domingos e as festas do Senhor.
Somos da opinião de que todas as festas dos santos devem ser
ab-rogadas por completo, ou, se há algo digno nelas, isso deve
ser incluído nas prédicas dominicais. As festas da Purificação e
da Anunciação consideramos como festas de Cristo, como Epi-
fania e a Circuncisão. Em lugar da festa de Sto. Estevão e João
Evangelista preferimos usar o ofício do Natal. As festas da San-
ta Cruz sejam anátemas. Outros procedam de acordo com sua
consciência ou em consideração à fraqueza de outros, conforme
o Espírito o inspirar”.
Segundo, aceitação do Kyrie eleison e do Gloria in Ex-
celsis, podendo-se omitir o último.
Terceiro, aceitação das orações chamadas coletas, se fo-

139
rem evangélicas (as dos domingos normalmente o são). Depois,
a leitura da Epístola. Lutero achava que ainda não chegara o
tempo para a revisão das perícopes, mas já critica os poucos tre-
chos escolhidos das epístolas de Paulo sobre a fé enquanto que
as exortações à moralidade são mais frequentes. Mas o sermão
no vernáculo poderia suprir esta deficiência.
Quarto, a aceitação do Gradual de dois versos apenas.
Lutero achava que não se deveria entediar o povo com muitos
versos no Gradual, como eram os Graduas do período da Qua-
resma. Também não queria fazer diferença na Quaresma, Semana
Santa e Sexta-feira Santa de outros dias, omitindo-se algumas par-
tes do ofício e o canto da Aleluia. “Pois a aleluia é o eterno canto
da Igreja, assim como é eterna a memória de sua paixão e vitória”.
“Quinto: não admitimos sequências ou prosas a não ser
que o pastor queira usar aquela breve do Natal de Cristo: Grates
nunc omnes. 51 Também não há muito mais do que esta que
respira o Espírito, exceto as que falam do Espírito Santo: Sancti
Spiritus52 e Veni Sancte Spiritus53 que podem ser cantadas após
o almoço, na vésperas ou (se o pastor quiser) durante a missa. ”
“Sexto, siga a leitura do Evangelho, sendo que nem or-
denamos, nem proibimos velas ou incenso. Estas coisas devem
ficar livres. ”

51. Atribuído a Notker Balbulis de São Gall (+912). Traduzido para o alemão
como Danksagen wir alle, é encontrado em muitos hinários luteranos anti-
gos. “Sequencias ou prosas são melodias de júbilo desenvolvidas a partir da
‘Aleluia’, destinadas a destacar as missas de dias festivos. Desenvolveu-se uma
infinidade de sequências, sendo conhecidas mais de 5 mil, Lujtero visa à sim-
plificação do culto, para possibilitar a participação do povo. Por isso a redução
aqui proposta” DREHER, Martin, nota 27 do Formulário da Missa.
52. Atribuído a Notker, era uma sequência usada no século onze para ser usada
após a leitura da Epístola para o Pentecostes.
53. Veni Sancte Spiritus et amitte coelitus, uma sequência do século XIII para
a segunda-feira de Pentecostes, que Lutero apreciava muito.

140
Sétimo: Lutero deixava livre se o Credo fosse cantado
ou não. Quanto ao lugar do sermão, se após o Credo, ou antes
do intróito, também era livre; embora argumentando-se que o
evangelho é a voz que clama no deserto e chama os descrentes à
fé seria particularmente apropriado pregar antes da missa. Pois
a missa pertence aos crentes e deveria ser observada a parte (dos
descrentes). Mas somos livres, ainda mais que na missa até o
Credo tudo é nosso e nada prescrito por Deus.
"Oitavo: Depois segue toda aquela abominação a que
está obrigado a servir tudo que precedeu à missa, razão por que
é chamado de ofertório. E a partir daí quase tudo soa e cheira
a sacrifício, e as palavras da vida e salvação são inseridas em
tudo isso como, certa vez, a arca do Senhor foi colocada no
templo dos ídolos, ao lado de Dagon. E não há israelita que
pode aproximar-se da arca ou trazê-la de volta, até que ‘ela mes-
ma feriu seus inimigos pelas costas e os notabilizou com eterno
opróbrio’54, obrigando-os a entregá-la – o que é uma parábola
do tempo presente. Por isso, tendo repudiado tudo que soa a sa-
crifício, juntamente com todo o cânone [da missa], retenhamos
as coisas puras e comecemos a nossa missa da seguinte forma:
1º. Após o Credo ou o sermão o pão e o vinho estejam
prontos para a bênção costumeira. Lutero preferia que o vinho
fosse puro, não misturado com água para representar a pureza
do evangelho. Além disso, o sangue de Cristo foi derramado
sem mistura do nosso. Mas Lutero não pretendia polemizar com
esta questão.
2º. Tendo sido preparados o pão e o vinho, proceda-se
da seguinte maneira:
“O Senhor seja convosco.

54. Cf. Sl 78. 66; 1Sm 5. 12.

141
Responso: E com o teu espírito.
Os corações ao alto.
Responso: Elevemo-los a Deus.
Rendamos graças ao Senhor nosso Deus.
Responso: Isto é digno e justo. ”
“Verdadeiramente é digno e justo, conveniente e salutar
que sempre e em todo lugar te rendamos graças, Senhor santo,
Pai onipotente, Deus eterno, por meio de Jesus Cristo, nosso
Senhor... ”
3º. Depois:
“... que no dia antes de sofrer, tomou o pão, deu graças
e o partiu, e o deu a seus discípulos, dizendo: Tomai, comei; isto
é meu corpo que é dado por vós.
“De modo semelhante, [tomou] também o cálice, de-
pois de haver ceado, dizendo: este cálice é o novo testamento
em meu sangue, derramado por vós e por muitos, para a remis-
são dos pecados. Fazei isso sempre que o fizerdes, em memória
de mim”.
Lutero prefere que estas palavras sejam entoadas no
mesmo tom do Pai Nosso para que todos possam ouvi-las e não
ditas em silêncio.
4º. Canto do Sanctus pelo coro. Durante o Benedictus,
elevação do pão e do cálice por causa dos fracos que não pode-
riam aceitar aqui uma mudança repentina.
5º. Leitura do Pai Nosso do seguinte modo: “Oremos:

55. A introdução à Oração do Senhor no cânon romano era assim: “Admoes-


tados por salutares preceitos e guiados pela instituição, somos encorajados a
orar: ‘Pai nosso, que estás no céu’”, etc.
56. Nesta oração há uma invocação à Virgem Maria, aos apóstolos Pedro, Pau-
lo e André e a todos os santos.

142
admoestados por salutares preceitos... ”55 Omissão da oração
que segue, cujo início é “Livra-nos, pedimos-te. . .,56 e omissão
de todos os sinais sobre o pão e o vinho. A hóstia não deveria
ser quebrada nem misturada no cálice. Após o Pai Nosso seguir
logo com “A Paz do Senhor. ” Lutero justifica que esta paz é,
“por assim dizer, a absolvição pública dos comungantes de seus
pecados, a clara voz do Evangelho, anunciando a remissão dos
pecados, a única e mais digna preparação para a mesa do Se-
nhor, se [essas palavras] forem recebidas na fé como proferidas
pelo próprio Cristo”.
6º. Durante o canto do Agnus Dei o liturgista primeiro
administra a si mesmo a Santa Ceia e depois a todos.
7º. Lutero dá liberdade em cantar, ou não, o Commu-
nio. 57 A coleta final, Complenda58, que soa bastante a sacrifício,
deveria ser substituída por “O que recebemos com nossos lá-
bios, Senhor... 59 Depois disso deveria ser dito “O Senhor seja
convosco”, etc., e no lugar de ite missa, deveria recitar-se o Be-
nedicamus domino.
Em lugar do Ite missa60 diga-se o Benedicamus domi-
no61 com uma Aleluia.
8º. Bênção em uso na Igreja Romana (Benedicat vos
omnipotens Deus, Pater et Filius et Spiritus Sanctus) ou a de
Números 6 [. 24-27] ou o Salmo 67 [. 6-7].

57. O communio é o hino cantado pelo coro durante a distribuição da Santa Ceia.
58. “Que a lembrança desse meu grato serviço te agrade, ó Santa Trindade; e
concede que o sacrifício que eu, embora indigno, ofereci perante tua majestade,
seja agradável a ti que, por tua misericórdia, seja uma propiciação por mim e por
todos aqueles pelos quais o ofereci. Por meio de Cristo nosso senhor. Amém”.
59. No cânone romano, esta oração continua:... recebemos de mentes puras. E
que essa dádiva temporal se torne para nós um remédio eterno. ”
60. “Ide, a missa está terminada,” o versículo conclusivo do cânon romano.
61. “Bendigamos ao Senhor,” o versículo conclusivo do cânon romano para
o Advento e a Quaresma. As Vésperas também concluem com este versículo.

143
O ministro tem liberdade na maneira de distribuir os
elementos: abençoar pão e vinho e distribuí-los ou abençoar o
pão e distribuí-lo, depois abençoar o vinho e distribuí-lo; esta
última maneira parece ter sido a que Cristo usou.
Em todos os ritos não pode haver lei, pois somos livres
nesta questão. O que precisa haver é unidade de pensamento e fé
mesmo que os atos sejam diferentes nas igrejas. Não há na Escri-
tura nenhuma alusão ao rito da Igreja Romana como sendo este
o caminho obrigatório para o culto. Não podemos desprezar um
rito em detrimento de outro. Apesar de não podermos desprezar
ritos eles não nos recomendam a Deus. O que nos recomenda
é a fé e o amor. As Palavras da Instituição precisam permanecer
intactas. O reino de Deus não é comida ou bebida; mas justiça,
e paz e alegria no Espírito Santo (Rm 14. 17). Assim também o
reino de Deus não é nenhum rito, mas fé dentro de vós, etc.
Com respeito às vestes Lutero tinha o mesmo princí-
pio. Sejam usadas em liberdade enquanto refreiam a ostentação
e pompa. Não se é mais ou menos aceitável por se fazer consa-
gração com vestimentas ou não.
Da Comunhão do Povo
A Santa Ceia foi instituída para o povo. Portanto, assim
como é absurdo um ministro pregar para uma sala vazia, assim
também é absurdo realizar a Ceia entre ministros apenas, sem a
presença do povo. Nenhuma missa particular deve ser realizada
exceto como uma concessão temporária para os fracos na fé.
Quem participa da Ceia do Senhor deve informar pre-
viamente o pastor “a fim de saber seus nomes e conhecer suas
vidas”. Além disso, os solicitantes devem saber a razão de sua
fé e saber para que serve a Santa Ceia. “Em outras palavras, se
sabem recitar de memória as palavras da instituição e explicar

144
que vêm porque são atormentados pela consciência do pecado,
pelo medo da morte ou outro mal, como tentação da carne, do
mundo, do diabo, e que têm fome e sede de receber a Palavra e o
sinal da graça e da salvação do próprio Senhor através do minis-
tério do pastor, a fim de serem consolados e confortados, razão
por que Cristo, em amor indizível, deu e instituiu essa Ceia, ao
dizer: ‘Tomai e comei’, etc. ”
Uma vez ao ano Lutero pensava ser o suficiente para
que os candidatos à Ceia fossem examinados, para distinguir
que são dignos ou indignos de participar. Não como acontece
na igreja romana, onde as pessoas nem sabem por que estão
participando e onde as palavras da instituição foram escondidas,
pois são ditas em voz baixa. Os que não soubessem o significa-
do da Santa Ceia deveriam ser excluídos da participação, pois
estariam sem as vestes nupciais (Mt 22. 11-12).
O bispo também deve verificar se os que compreen-
deram todas as coisas também provam sua fé com sua vida e
conduta. Os que não se importam com seus pecados e não têm
temor não devem ser admitidos. Os que caem de vez em quando
e se arrependem devem receber a Santa Ceia. Mas aos que “pe-
cam de modo descarado e sem temor, a Ceia deve ser negada.
Os que recebem a comunhão devem reunir-se num lu-
gar e num grupo. O altar e o coro foram inventados para este
propósito. Deus não se importa onde estamos e isto não acres-
centa nada à nossa fé. Mas os comungantes devem ser vistos
e conhecidos abertamente, tanto pelos comungantes quanto
pelos não comungantes para que suas vidas possam ser vistas,
comprovadas e reveladas. Pois a participação na Ceia é parte da
confissão pela qual confessam perante Deus, homens e anjos
a sua cristandade. Cuidado deve ser tomado em receber a Ceia
às escondidas e desaparecer na multidão de maneira que não

145
se possa saber se suas vidas são boas ou más. Por outro lado,
mesmo nesta questão Lutero quer demonstrar a liberdade cristã
e apenas sugerir uma ordem decente e apropriada.
Quanto à confissão particular antes da comunhão Lu-
tero a deixou livre, uma vez que não há ordenança de Deus para
tanto e mesmo Deus não requereu necessariamente sempre a
participação no sacramento, pois disse, “todas as vezes que co-
merdes, etc. (1Co 11. 25-26). Também a oração e o jejum como
preparo para a Santa Ceia é questão de liberdade. A melhor pre-
paração é uma alma atribulada pelos pecados, morte e tentação
e fome e sede por cura e fortalecimento. E o bispo tem o dever
de ensinar estas cousas.
Na questão de ambas as formas (pão e vinho) ou só
uma, Lutero disse que já houve instrução suficiente para que
o povo compreenda que, cf. a instituição de Cristo, devem ser
dadas as duas formas. E que não se espere concílio para esta
resolução. Dar só uma forma é invenção de homens. E a quem
vamos obedecer, à palavra de Deus ou dos homens?
Lutero também expressa o desejo de cantos congrega-
cionais durante a missa após o gradual e após o Sanctus e Agnus
Dei. Que fossem cantados no vernáculo e que se encorajassem
poetas alemães para comporem hinos evangélicos. Lutero la-
menta que faltavam poetas que compusessem canções evangéli-
cas e espirituais.
As horas canônicas não foram abolidas por Lutero,
pois ele as achava necessárias especialmente para que os meni-
nos aprendessem os salmos e as lições das Sagradas Escrituras.
Estimular o uso diário especialmente das Matinas e Vésperas,
no entanto, encurtadas. O Saltério completo, Salmo por Salmo,
bem como a Bíblia completa, lição por lição, deveriam continuar
em uso. Só deveriam ser abolidas as missas diárias.

146
Era isto que Lutero tinha a escrever para Nicholau, so-
bre cerimônias e ritos que ele já introduzira ou ainda almejava
introduzir em Wittenberg. Que quisesse utilizar esta ordem es-
taria livre para fazê-lo.

2. Missa Alemã e Ordem do Culto62


(Deutsche Messe - Lutero, 1525)

Introdução 63
Já havia missas em alemão desde 1522, celebradas em
diversas cidades da Alemanha. Mas havia muita variedade e con-
fusão. Por isso Lutero foi solicitado por vários líderes e pelo
próprio duque eleitor para se pronunciar sobre o assunto, mas
foi deixando de lado a tarefa. Em 1524 Nicholau Hausmann,
pastor da comunidade de Zwockau fez mais uma vez o pedido,
mas Lutero achava-se incapaz. Dizia que era necessário ter bons
conhecimentos musicais para a tarefa e que texto e música deve-
riam formar uma unidade.
No entanto, Lutero começou a se lançar na tarefa da
Missa Alemã. Fez um esboço e pediu ao duque que os músi-
cos Konrad Rupf e Johann Walter viessem a Wittenberg para
auxiliá-lo na música para a Missa Alemã. Mas, em relato deixado
pelo próprio Johann Walter somos informados de que Lutero
fez muito bem a tarefa de musicar a Missa alemã e que ele tinha
bom conhecimento para unir sentido, acento e ritmo com texto
alemão e música.

62. LUTERO, Martinho. Missa Alemã e Ordem de Culto. In: Martinho Lutero:
obras selecionadas, Vol. 7, p. 173-205.
63. DREHER, Martin. Introdução. In: Martinho Lutero: obras selecionadas,
Vol. 7, p. 173-1777.

147
No dia 29 de outubro de 1525 a missa alemã foi expe-
rimentada pela primeira vez em Wittenberg. O diácono Jorge
Rörer foi incumbido de cantá-la. No Natal de 1525 a Missa ale-
mã foi implantada definitivamente em Wittenberg. Lutero dese-
java que esta ordem fosse usada dentro da liberdade cristã. Os
melhoramentos feitos na missa não deveriam escandalizar os
outros. Tudo deveria ser feito em amor ao próximo. Não defen-
de a ideia de que toda a Alemanha teria que ter a mesma liturgia.
Não se deveria usá-la para conseguir mérito perante Deus.
Prefácio de Martinho Lutero
Lutero esclarece no prefácio que quem quisesse seguir
esta ordem “de modo algum, façam dela uma lei compulsória,
nem comprometam ou prendam a consciência de ninguém,
mas façam uso da liberdade cristã segundo o seu agrado, onde,
quando e por quanto tempo as circunstâncias o reclamem e exi-
jam”. Explica ainda que tem a intenção de impor a ninguém
esta ordem, mas a está publicando devido a confusão reinante
em virtude das inúmeras missas e cultos alemães em uso, muitas
delas feitas com intenções de querer brilhar perante os outros.
E sempre que houver pessoas ofendidas ou confusas por causa
das inúmeras ordens é preciso que se procure usar os mesmos
ritos e cerimônias para expressar o nosso único batismo e sa-
cramento do altar e a mesma disposição mental. Lutero critica
os que não sabem fazer uso da liberdade cristã. Esta precisa ser
usada para a glória de Deus e proveito do próximo. A liberdade
deve ser serva do amor e do próximo. E, com amor deve-se
procurar a unanimidade.
Os lugares que já tivessem uma boa ordem não pre-
cisariam adotar a de Lutero. “Pois não é minha intenção que
toda a Alemanha também adote nossa ordem wittenberguense...
“Mas seria muito recomendável que em cada região o culto fos-

148
se celebrado de modo uniforme, e que os lugarejos e as aldeias
circunvizinhos procedessem da mesma forma como a cidade
mais próxima”. Lutero tem também preocupação missionária
com esta forma de culto “por causa daqueles que ainda devem
tornar-se cristãos ou ser fortalecidos”. Esta ordem de culto tam-
bém é feita “por causa da gente simples e da juventude, que deve
e precisa ser treinada e educada diariamente na Escritura e na
Palavra de Deus, para que se habituem com a Escritura, saibam
manuseá-la, sejam versados e instruídos nela, para que saibam
defender sua fé e, com o tempo, possam ensinar os outros e
contribuir para o avanço do Reino de Cristo”. Condena os cul-
tos papais porque “transformaram-nos em leis, obras e mérito,
reprimindo a fé, e não os aproveitaram para instruir a juventude
e a gente simples, para assim exercita-los na Escritura e Palavra
de Deus”.
Para Lutero existem três formas de culto que ele idealizaou.
1ª. Formula Missae: Em 1523 Lutero organizou uma
ordem latina de culto e pediu que esta não fosse abandonada.
“Pois de forma alguma pretendo deixar que a língua latina desa-
pareça totalmente do culto; afinal, o que me importa sobretudo
é a juventude. E, se estivesse ao meu alcance e as línguas grega
e hebraica nos fossem tão familiares quanto a latina, e se nes-
sas línguas existissem tantas boas melodias e cantos quanto no
latim, então se deveria celebrar, cantar e ler missa em todas as
quatro línguas – alemão, latim, grego e hebraico – em domingos
sucessivos”. Lutero defende o aprendizado de muitas línguas
com espírito missionário a exemplo do que fez o Espírito Santo
no Pentecostes.
2ª. Missa e Ordem de Culto Alemã: Esta visa os lei-
gos simples e sem instrução. “É preciso que estas duas formas
sejam reconhecidas e praticadas, para que sejam celebradas pu-

149
blicamente nas igrejas perante o povo todo, no meio do qual há
muitos que ainda não creem ou não são cristãos”.
3ª. A autêntica ordem evangélica: Aqui Lutero ima-
gina uma reunião dos que “querem ser cristãos sinceramente e
confessam o Evangelho em palavra e ações”. Estes “deveriam
inscrever-se nominalmente e reunir-se em separado numa casa
qualquer para orar, ler, batizar, receber o sacramento e praticar
outras obras cristãs. Dentro dessa ordem, poder-se-ia reconhe-
cer os que não se comportam de modo cristão, repreender, cor-
rigir, expulsar ou excomungá-los segundo a regra de Cristo em
Mt 18 [15-17]. Ali também se poderia exigir dos cristãos uma
esmola comum, ofertada voluntariamente e distribuída entre os
pobres, segundo o exemplo de S. Paulo em 2Co 9[1]. No entanto
diz também que ainda não existem pessoas para tais congrega-
ções. Alerta também para o perigo de se organizar uma seita caso
começasse então uma congregação dessas. Por enquanto Lutero
continuaria só com as duas formas de culto mencionadas.
O Culto
Lutero considerava a pregação e o ensino da palavra de
Deus a parte maior e mais importante do culto. Por isso, havia
três sermões no domingo:
• Às 5 ou 6 horas oficiavam-se as Matinas: sermão so-
bre a epístola do dia. Pensava-se especialmente nos
empregados que não pudessem estar presentes em
outras ocasiões para que esses fossem também aten-
didos e ouvissem a palavra.
• Às 8 ou 9 horas oficiava-se a missa: sermão sobre o
evangelho do dia.
• À tarde oficiavam-se as Vésperas: sermão sobre uma
sequência do Antigo Testamento.
As leituras das Epístolas e Evangelhos seguiam as perí-

150
copes tradicionais.
“Para exercitar os meninos e alunos na Bíblia procede-
mos da seguinte maneira: ao longo da semana cantam-se dia-
riamente, antes da lição, alguns salmos em latim, conforme o
hábito vigente nas matinas... pois queremos manter e exercitar a
juventude no bíblia em latim”. Depois os meninos deveriam ler
alguns capítulos do Novo Testamento em latim e, em seguida
um menino lê os mesmos capítulos em alemão. Depois ainda
o canto de uma antífona, uma lição em alemão sobre a leitura
realizada, Pai nosso, coleta e Benedicaus Domino.
Nas vésperas, canto de salmos em latim, uma antífona,
hino, leitura em latim de alguns capítulos pelos meninos, um ou
meio capítulo do Antigo Testamento, depois a mesma leitura em
alemão. Canta-se, então o Magnificat em latim com uma antífona
ou hino. Depois o Pai Nosso, a coleta com o Benedicamus. Este
era o culto diário durante a semana nas cidades onde havia escolas.
Aos domingos para os leigos
Lutero conservou as vestes litúrgicas, o altar e velas e
sugeriu, em tempo oportuno no futuro, fosse oficiado o culto
atrás do altar.
Esboço da Missa Alemã:
• Hino ou salmo em alemão.
• Kyrie Eleison (em grego).
• Coleta (lida em um único tom).
• Epístola (lida no oitavo tom)64 .
• Hino alemão (pelo coro: “Agora pedimos ao Espírito
Santo” ou algum outro).
• Evangelho (lido no quinto tom)65 .

64. É o modo hipomixolídio.


65. É o modo lídio.

151
• Credo (cantado por toda a congregação: “Nós cremos
todos num só Deus. ”).
• Sermão (sobre o evangelho do dia).
• Pai Nosso (nas palavras da paráfrase de Lutero).
• Exortação aos comungantes.
• Consagração do pão, seguido de distribuição (entre-
mentes canta-se o Sanctus - “No templo a Isaías suce-
deu” ou o hino “A Deus louvemos” ou o hino de João
Huss “Jesus Cristo que nos salva”).
• Consagração do vinho, seguido de distribuição (canto
do restante dos hinos ou do Agnus Dei alemão).
• Coleta.
• Bênção (Nm 6. 24-26).
Lutero acrescenta notas musicais às partes cantadas e
dá exemplos de como devem ser feitas as leituras bíblicas, que
também eram cantadas.
Para o sermão Lutero tem recomendações. Deveria ser
sobre o Evangelho do domingo ou dia de festa. Pregador que
tivesse dificuldade para elaborar uma pregação deveria ler a pos-
tila alemã do dia que Lutero havia preparado. Além disso, com
a leitura da postila serviria de precaução contra os entusiastas
ou seitas, a fim de que cada um não pregasse o que quisesse ao
invés de pregar o Evangelho.
Mais uma vez Lutero sugere (como já havia feito na
Missa Latina) que se abençoe o pão e o distribua e, depois, que
se abençoe o vinho e o distribua. 66 Na Missa Alemã Lutero ain-
da continua com a elevação dos elementos. 67
Para que haja ordem no culto, Lutero recomenda: “E

66. Esta prática não se firmou.


67. A elevação dos elementos foi abolida definitivamente apenas em 1542, em
Wittenberg.

152
que se proceda de forma bem ordeira e decente, não homens
com mulheres [ao mesmo tempo], mas as mulheres depois dos
homens, razão pela qual também devem ficar em locais separa-
dos uns dos outros”.
No final Lutero adverte: “Em suma, esta e todas as
normas devem ser usadas de tal maneira que, quando se trans-
formarem em abuso, sejam imediatamente abolidas, e se façam
outras, assim como o rei Ezequias destroçou e aboliu a serpente
de bronze que o próprio Deus havia mandado fazer, porque os
filhos de Israel dela abusaram; pois as normas devem servir para
a promoção da fé e do amor, não em detrimento da fé”. Lutero
lembra que a ordem é algo exterior e pode ser transformada em
abuso. Uma ordem não vale por si mesma como até então foram
as normas papais. Uma ordem precisa ser usada adequadamen-
te, caso contrário não presta para nada.

Questões
1. Missa Latina
Responda, por escrito, às seguintes questões sobre o “Formulá-
rio da Missa”:
1. Em que ano Lutero passou a se ocupar com as modificações
na liturgia da missa?
2. Que elemento passaria a ser o principal no culto?
3. Cite mudanças que Lutero foi fazendo gradativamente com res-
peito a práticas relacionadas ao culto, de janeiro a outubro de 1523.
4. Justifique por que Lutero não é um revolucionário litúrgico,
153
mas um reformador litúrgico.
5. Quais as partes da liturgia que Lutero considerou louváveis
que permanecessem?
6. Por que Lutero rejeitou o “cânone da missa”?
7. Que outros nomes Lutero admite que se dê à missa?
8. Quais intróitos foram preservados na missa latina?
9. Houve mudanças no Kyrie eleison e no Gloria in excelsis?
10. Quais as restrições para a “oração de coleta”?
11. O que Lutero lamenta sobre as leituras bíblicas das epísto-
las e dos evangelhos e como poderia ser suprido a falha que ele
apresenta?
12. Por que Lutero é jocoso em afirmar que graduais de mais
de dois versos sejam cantados em casa para “quem quiser”?
13. Que momentos Lutero sugere para que a pregação seja feita?
14. Por que o ofertório é denominado de “abominação”?
15. Apresente os argumentos de Lutero pela preferência de usar
vinho puro na Santa Ceia ao invés de vinho misturado com água.
16. Por que ainda deveria ser elevado o pão e o cálice após
recitarem-se as palavras da instituição?
17. Que significado têm as palavras “A paz do Senhor”, antes
da participação na comunhão?
18. Transcreva as três bênçãos sugeridas por Lutero para o
final da missa.
19. Quais as duas maneiras que Lutero sugere para distribuir o
pão e o vinho?
20. Que razões Lutero aponta para não transformar a ordem

154
de culto em lei?
21. Como Lutero encarava o uso de vestes sacerdotais para o
culto?
22. Por que não se deveriam realizar missas privadas?
23. Quem pode participar da Santa Ceia?
24. Por que se deve participar da Santa Ceia à vista dos outros?
25. O que Lutero pensava da confissão privada antes da co-
munhão?
26. Qual o significado de jejum e orações como preparo para
a Santa Ceia?
27. É necessário distribuir as duas espécies na Santa Ceia?
28. Que desejo Lutero tinha para com os cantos na missa?
2. Missa Alemã
Responda, por escrito, às seguintes questões sobre a “Missa Ale-
mã e Ordem do Culto”.
Introdução
1. Para a elaboração de uma liturgia no vernáculo, qual era o
critério que Lutero julgava importante na relação entre texto e
música?
2. O que o músico Johann Walter verificou sobre a capacidade
de Lutero em harmonizar texto alemão com o tom musical?
3. Por que Lutero não queria que sua “Missa Alemã” fosse vista
como lei?
Prefácio de Martinho Lutero
4. Lutero justifica sua elaboração da “Missa Alemã” em virtu-
de dos pedidos recebidos. Critica os que não sabem fazer uso

155
da liberdade cristã neste campo. Como deveria ser feito uso da
liberdade cristã?
5. Lutero não vê necessidade que a “Missa Alemã” seja utili-
zada em toda a Alemanha. Mas recomenda certa uniformidade
para cada região. O que se quer atingir com um culto uniforme
na mesma região?
6. Mencione os três tipos de culto pensados por Lutero. Indi-
que a finalidade de cada um desses cultos.
O Culto
7. Lutero dá destaque à pregação em seus cultos. Que textos
são sugeridos para o culto matinal, para a missa das oito e para
o culto vespertino?
Aos Domingos para os Leigos
8. Por que Lutero recomenda o uso das “apostilas” para a pre-
gação nos cultos?
9. Por que Lutero quer se use sempre a mesma paráfrase do Pai
Nosso após a pregação?
10. Ao final de suas considerações sobre a “Missa Alemã” Lu-
tero alerta sobre o abuso de normas. Que sugestão ele dá para
normas que se transformam em abuso?

156
O Ano Litúrgico
• D ivisão do tempo pela igreja – determinado pelos
acontecimentos principais da vida e obra de Jesus:
• Divisão do tempo no AT – instituído por Deus: o 7º
dia deveria ser santificado. As Luas Novas marcavam
o início do mês. Páscoa, Pentecostes e Tabernáculos
anualmente deveriam ser observados;
• Divisão do tempo no NT – surgiu dentro da liberdade
cristã, inspirada no AT.

161
1. Origem e Desenvolvimento

O ponto de partida para a origem do ano litúrgico foi o


Domingo e a Páscoa. Jesus ressuscitou num domingo e a cria-
ção de Deus também iniciou num domingo, quando Deus disse,
no primeiro dia “Haja Luz” (Gn 1. 3).
No final do primeiro século o domingo também foi
designado como “dia do Senhor”. Inácio, bispo de Antioquia,
por volta de 115 d. C. escreveu sobre aqueles que deixaram de
observar “o sábado [sétimo dia judaico], mas viviam segundo
o dia do Senhor, no qual nossa vida se levantou por Ele e Sua
morte”68. Mas no livro de apocalipse João também já fizera refe-
rência ao domingo como “o dia do Senhor” (Ap 1. 10). Na Di-
daqué (escrita em fins do século I ou início do século II), lemos:
“Reuni-vos no dia do Senhor pára a fração do pão e agradecei
(celebrai a eucaristia), depois de haverdes confessado vossos pe-
cados, para que vosso sacrifício seja puro. ”69
Por volta do ano 155 Justino Mártir declarou a seus lei-
tores pagãos: “Celebramos essa reunião geral no dia do sol, por-
que foi o primeiro dia, em que Deus, transformando as trevas
e a matéria, fez o mundo, e também o dia em que Jesus Cristo,
nosso Salvador, ressuscitou dos mortos”70. O “dia do sol” uti-
lizado pela igreja antiga passou para as línguas inglesa e alemã
(Sunday e Sonntag) e o “domingo”, em português lembra “o
Dia do Senhor” (Dominus, em latim é “Senhor”). A Carta de

68. RICHARDSON, apud WHITE, Introdução ao Culto Cristão, p. 40.


69. DIDAQUÉ, 14. 1.
70. RICHARDSON, apud WHITE, op. cit., p. 40.

163
Barnabé designa o domingo como “oitavo dia, isto é, o começo
de outro mundo. Eis por que celebramos como festa alegre o
oitavo dia, no qual Jesus ressuscitou dos mortos e, depois de se
manifestar, subiu aos céus”. 71
O domingo era o dia de culto da Igreja Antiga, mas
como dia de descanso só veio a ser a partir de 321, com o re-
conhecimento dado pelo imperador Constantino. “Todos os ju-
ízes, cidadãos e artesãos descansarão no venerando dia do sol.
Os camponeses poderão, porém, atender à agricultura, (. . .) pois
não se deve desperdiçar a oportunidade concedida pela divina
Providência”. 72
A comemoração anual da Páscoa iniciou bem cedo na his-
tória cristã. Paulo já dá indícios da comemoração Pascal em Cristo:

“Lançai fora o velho fermento, para que se-


jais nova massa, como sois, de fato, sem fermento. Pois
também Cristo, nosso Cordeiro pascal, foi imolado. Por
isso,celebremosafestanãocomovelhofermento,nem
com o fermento da maldade e da malícia, e sim com os
asmos da sinceridade e da verdade” (1Co 5. 7-8).

Vemos que a Igreja do Novo Testamento é instigada a


festejar Cristo como “Cordeiro pascal”. A festa judaica deveria
ser celebrada, agora, “com os asmos da sinceridade e da verda-
de”. Mas não houve unanimidade para o dia da festa da Páscoa
cristã nos primeiro séculos. Deveria ser no dia 14 do mês de
Nisã? Deveria ser sempre num domingo, o “dia do Senhor”? Só
no Concílio de Niceia, em 325, foi estabelecido definitivamente
que a Páscoa cristã seria no domingo depois da primeira lua

71. Padres Apostólicos, p. 310.


72. BETTENSON, Henry. Documentos da Igreja Cristã, p. 48.

164
cheia da primavera. No nosso caso no Brasil, é, portanto, no
domingo depois da primeira lua cheia no outono. Por isso que a
Páscoa oscila em sua data a cada ano.
Tendo-se a comemoração anual da Páscoa, uma prepa-
ração para a Páscoa (o período da Quaresma) e uma extensão do
tempo pascal, com a celebração da Ascensão e do Pentecostes,
foram passos que aconteceram normalmente. Até o século IV
parece que era só este o Ano da Igreja acrescido ainda de alguns
dias de Mártires.

Quaresma Semana Santa Páscoa Ascensão Pentecostes

Pode parecer-nos estranho que a Igreja Cristã não ti-


vesse uma data fixa para a celebração do Natal senão a partir
da segunda metade do século IV. Em nossos dias vemos muito
mais celebrações em torno do Natal do que da Páscoa. Mas
não podemos esquecer que é a Páscoa o ponto focal de toda
a obra de Jesus. Como diz Paulo: “Se Cristo não ressuscitou, é
vã a nossa pregação, e vã, a vossa fé” (1Co 15. 14). Crisóstomo
disse para uma comunidade de Antioquia, no Dia do Natal do
ano de 386: “Este dia (. . .) [o qual] nos foi trazido agora, não
muitos anos atas, desenvolveu-se tão rapidamente e trouxe tanto
fruto”73 É interessante notar ainda que o dia 25 de dezembro
era uma festa pagã do Sol Invicto, quando o sol recomeça a se
tornar mais forte no solstício de inverno.
Assim como aconteceu com o tempo da Páscoa, o tem-
po de Natal começou a ser precedido de um período preparató-
rio, que é o Advento, e um período de júbilo de prolongamento,
que é a Epifania.

73. In: WHITE, Introdução ao Culto Cristão p. 48.

165
Advento Natal Epifania

A complementação do Ano Litúrgico foi questão de de-


talhes; o principal já estava organizado. É interessante notar que
as festas de origem judaica são festas móveis (Páscoa e Pentecos-
tes) e as festas de origem cristã são festas fixas (Natal e Epifania).
No período medieval houve uma saturação do calendá-
rio com comemorações de santos e festas como o Corpus Chris-
ti. Na Reforma o esquema geral do Ano Litúrgico foi mantido
com eliminação dos dias de santos posteriores à Igreja Anti-
ga. Permanecem apenas os dias baseados num fato evangélico.
Lutero explica o seu procedimento quanto ao Ano Litúrgico:
“Somos da opinião de que todas as festas dos santos devem ser
ab-rogadas por completo, ou, se há algo digno nelas, isso deve
ser incluído nas prédicas dominicais. As festas da Purificação e
da Anunciação consideramos como festas de Cristo, como Epi-
fania e Circuncisão”. 74

2. Estrutura do Ano Litúrgico

Domingos e Períodos
É a celebração do Ano da Igreja através dos Domingos
e das grandes festas: Natal, Páscoa e Pentecostes.
1º. O tempo do Natal: Engloba os períodos de Adven-
to, Natal e Epifania. No Período de Avento abrange as quatro

74. LUTERO, Matrinho. Formulário da Missa. In: Martinho Lutero: obras se-
lecionadas, Vol. 7. P. 159-160.

166
semanas antes do Natal quando se celebram os eventos em torno
da vinda de Cristo as profecias sobre seu nascimento e sobre sua
vinda final para julgar os vivos e os mortos. O período do Natal
é a celebração do seu nascimento, e o cumprimento das profecias
sobre a vinda do Messias. A Epifania celebra a manifestação de
Cristo para todas as nações e realça seu Batismo e Transfiguração.
2º. O tempo da Páscoa: Engloba os períodos da Qua-
resma, Semana Santa e Páscoa. A Quaresma serve como um
período no qual nos preparamos para receber o Rei Vitorioso
sobre a morte. Por isso, a ênfase está no reconhecimento dos
pecados pelos quais o Rei vai morrer e ressuscitar. A Semana
Santa acompanha os passos da Paixão e Morte de Nosso Senhor
Jesus. E, na Páscoa, centro de todo Ano Litúrgico o Rei Jesus
se mostra vitoriosos sobre a morte, com isso também proclama
a vitória sobre o pecado e sobre Satanás. O Período de Páscoa
se estende até o Pentecostes. A vitória da Páscoa é comemorada
por 50 dias, nos quais se incluem a Ascensão de Cristo ao céu
e o dia de Pentecostes, quando nasce a igreja cristã que, agora
deve ir até os confins da terra.
3º. O tempo da Igreja: É o período após Pentecostes e
engloba o Dia da Santíssima Trindade e vai até o último Domin-
go do Ano da Igreja. Celebra o ministério e os ensinos de Cristo.
Dias Festivos
Além dos domingos e períodos no calendário litúrgico
temos outras celebrações na vida de Cristo, na vida dos apóstolos
ou evangelistas, na vida de Maria, mãe de Jesus, de José, tutor de
Jesus, de Maria Madalena. João Batista, o precursor de Jesus entra
nestes dias festivos, bem como São Miguel e Todos os Anjos, o
Dia da Reforma, o Dia de Todos os Santos e o Dia de Finados.
São dias festivos especiais que enfatizam a obra de Cristo realiza-
da através de pessoas que serviram de instrumento de Deus.

167
Ocasiões Especiais
As ocasiões especiais são as celebrações de dias espe-
ciais na vida particular da congregação. O dia do aniversário da
congregação é uma ocasião especial. Outras ocasiões especiais
são eventos como Festas Missionárias, Festas de Colheita, Dia
de Súplica e oração, Ação de Graças, Culto Cantate.
Comemorações
Outros personagens bíblicos e pessoas de destaque na
história da igreja complementam este quadro do Ano Litúrgico.
Na Confissão de Augsburgo lemos: “[Nossas igrejas] ensinam
que devemos lembrar-nos dos santos para fortalecer a nossa fé
ao vermos como receberam graça e foram ajudados pela fé, a
fim de que tomemos exemplo de suas obras, cada qual de acordo
com a sua vocação”. 75 Estas pessoas que são lembradas nestas
comemorações são parte da “grande nuvem de testemunhas”
(Hb 12. 1) que temos como exemplos de vida a serem segui-
dos. Por isso, nessa lista entram pessoas como Eliseu do Antigo
Testamento, Áquila e Priscila do Novo Testamento, Lutero e
Melanchton da história da Reforma, Johann Walter e Johann
Sebastian Bach da história da música sacra e artistas plásticos
sacros como Lucas Cranach e Albrecht Durer.

3. Finalidade do Ano Litúrgico

1º. Ajudar-nos a ouvir “todo o desígnio de Deus” (At


20. 27) e “o ensino de todas as coisas que Jesus
ordenou” (Mt 28. 20).

75. CA XXI, 1.

168
• Anualmente uma “visão completa” da Bíblia nos é
oferecida com a observância do Ano da Igreja.
2º. Ajudar-nos a consagrar o nosso tempo a Deus.
• Assuntos sociais e seculares submetem-se ao assunto
bíblico do dia em questão.
3º. Tornar atual os atos poderosos de Deus em nossa
própria vida.
• Deus está conosco hoje assim como esteve com o
mundo nos tempos bíblicos – isto o Ano da Igreja
nos ajuda a entender cada ano.

4. As Cores Litúrgicas

Branco
• Significação: Pureza, santidade, perfeição, glória, ale-
gria, paz, luz;
• Simbolismo: Deus, eternidade, Cristo glorificado, an-
jos, luz de Deus;
• Uso: Festas do Senhor – Natal, Epifania, Páscoa,
Ascensão;
- Festa da Santíssima Trindade;
- Festas da Mãe do Senhor;
- Dias de Confessores e Santos não mártires;
- Dia de São Miguel e todos os anjos;
- Quinta-feira Santa;
- Dia de Todos os Santos;
- Dias de Finados;
- Dia de Ação de Graças.

169
Vermelho
• Significação: Fogo, sangue, martírio, amor, fervor, vi-
tória.
• Simbolismo: Fogo do Espírito Santo, sangue de Cris-
to e dos mártires, a vitória do ensino cristão.
• Uso:
- Pentecostes;
- Dias de mártires;
- Dia da Santa Cruz;
- Festa da Reforma;
- Dedicações e aniversários de uma igreja ou
congregação;
- Nas instalações e ordenações de pastores;
- Nos concílios e convenções da igreja.
Verde
• Significação: Crescimento, nutrimento (cor predomi-
nante da natureza).
• Simbolismo: Crescimento e expansão da igreja (quan-
titativa e qualitativamente).
• Uso:
- Época após epifania (exceto 1º e último do-
mingo);
- Época após pentecostes (exceto 1o domingo).
Roxo ou violeta
• Significação: Preparação, reverência, realeza.
• Simbolismo: Penitência, reverência diante de Cristo.
• Uso:
- Quaresma;
- Alternativa para o Advento;
- Dia de súplica e oração.

170
Preto
• Significação: Luto, cinzas, humilhação.
• Simbolismo: Pesar pela morte de Cristo, pesar pelos
pecados.
• Uso:
- Sexta-feira Santa;
- Alternativa para Quarta-feira de Cinza.
Azul
• Significação: Esperança.
• Simbolismo: Céu e esperança cristã.
• Uso: - Advento (cor preferencial para este período).
Dourado
• Significação: Coroação.
• Simbolismo: Coroação de Cristo, vitória de Cristo so-
bre os poderes do mal e da morte.
• Uso: - Alternativa para o dia de Páscoa.
Escarlate
• Significação: Sangue.
• Simbolismo: Sangue de Cristo (antigamente associado
à Paixão de Cristo).
• Uso:
- Alternativa para a Semana Santa.
Propósito das cores litúrgicas: “Ensinar-nos pelos olhos”.

Questões

1. Antes do século IV que “Ano Litúrgico” tinha a igreja?


2. Que parte do ano Litúrgico se desenvolveu a partir da segun-
171
da metade do quarto século?
3. Descreve os três tempos do Ano Litúrgico
4. Que finalidade tem o Ano Litúrgico?
5. Cite três cores com seu significado. Qual é o propósito das
cores litúrgicas?

Referências

ADAM, Adolf. O Ano Litúrgico: sua história e seu significa-


do segundo a renovação litúrgica. São Paulo: Edições Paulinas,
1982.
ALLMEN, J. J. Von. O Culto Cristão: Teologia e Prática. São
Paulo: ASTE, 1968.
BELOTTO, Nilo, REILY, Duncan Alexander, CÉSAR, Ely
Éser Barreto. Nós e o Culto. São Bernardo do Campo, Facul-
dade de Teologia da Igreja Metodista, 1977.
BETTENSON, Henry. Documentos da Igreja Cristã. Tradu-
ção de Helmuth Alfredo Simon. São Paulo: ASTE, 1963.
BÍBLIA DE ESTUDO ALMEIDA. Barueri: Sociedade Bíblica
do Brasil, 1999.
BLUM, Raul. O Culto Cristão. Apostila da diaconia em Edu-
cação Cristã do Programa de Educação Teológica da IELB. São
Paulo: folhas xerografadas, 1988.
BLUM, Raul. Paramentos e Ornamentação do altar in XX
Congresso Nacional da Liga de Servas do Brasil. Porto Alegre:
Concórdia Editora, 2000.

172
BRAUER, James L. The Church Year. In Lutheran Worship:
History and Practice. Saint Louis: CPH, 1993.
CULTO LUTERANO: lecionários. Comissão de culto da Igreja
Evangélica Luterana do Brasil. Porto Alegre: Editora Concór-
dia, 2009.
DIDAQUÉ: ou Doutrina dos Apóstolos. Introdução, tradução
do original grego e comentário de Urbano Zilles. Petrópolis:
Vozes, 1983.
HUSTAD, Donald, P. Jubilate! A Música na Igreja. Tradução
de Adiel almeida de Oliveira. São Paulo: Vida Nova, 1986.
LANG, Paul, H. D. Manual da Comissão de Altar. Porto Ale-
gre, Concórdia, 1987.
LUTERO, Martinho. Formulário da Missa e da Comunhão para
a Igreja de Wittenberg. In: Martinho Lutero: Obras Seleciona-
das, Vol. 7. São Lepoldo/PortoAlegre: Sinodal/Concórdia, 2000.
PADRES APOSTÓLICOS: Clemente Romano, Inácio de An-
tioquia, Policarpo de Esmirna, O pastor de Hermas, Carta de
Barnabé, Pápias. Tradução de Ivo Storniolo e Euclides M. Ba-
lancin. São Paulo: Paulus, 1995.
REED, Luther D. The Lutheran Liturgy. Philadelphia, For-
tress Press, 1959.
REED, Luther D. Worship. Fortress Press, 1959.
SENN, Frank C. Christian Liturgy: Catholic and Evangelical.
Minneapolis: Fortress Press, 1997.
WHITE, James. Introdução ao Culto Cristão. São Leopoldo,
Sinodal: 1997.

173
O Espaço Litúrgico
N oé, após o dilúvio, erige um altar ao Senhor, oferecen-
do holocaustos ao Senhor e o Senhor “aspirou o suave cheiro”
e prometeu não mais amaldiçoar a terra por causa dos pecados
da humanidade (Gn 8. 20-21). Jacó, após acordar do sonho da
escada que atingia até o céu, disse: “Quão temível é este lugar!
É a casa de Deus, a porta dos céus” (Gn 28. 17). E, em resposta
ao sonho, no qual recebeu a promessa de que pela sua descen-
dência todas as famílias da terra seriam abençoadas, erigiu uma
coluna como “Casa de Deus” (Gn 28. 22). Deus manda edificar
o tabernáculo para ser levado pelo deserto durante a caminhada
do povo de Israel rumo à terra prometida (Êx 25). Salomão eri-

177
ge o primeiro templo do Antigo Testamento e Deus abençoou
o dia da dedicação do templo mandando fogo do céu para con-
sumir o holocausto em aprovação do que estava sucedendo (2Cr
7. 1-3). Durante todo o antigo Testamento Deus abençoou seu
povo de maneira toda especial com os ofícios no tabernáculo e
no templo.
Deus não está restrito a um espaço de templo ou de
qualquer lugar que um ser humano venha a designar como local
de encontro com Deus. No entanto, o próprio Deus se tornou
carne e ocupou espaços entre as pessoas. Jesus disse: “onde es-
tiverem dois ou três reunidos em meu nome, ali estou no meio
deles” (Mt 18. 20). No Novo Testamento não há a indicação da
necessidade de uma construção especial para o encontro com
Deus tal qual Deus mesmo ordenara no Antigo Testamento. No
entanto, por praticidade e testemunho, precisamos de locais para
nos reunir. Por isso, os cristãos costumam construir locais de cul-
to, que são também um testemunho do que se faz nestes locais.

178
1. As funções do espaço de culto
No culto Deus vem a nós através de palavras e ações
praticadas por pessoas. Portanto, o espaço litúrgico precisa fa-
vorecer o contato entre os que estão presidindo a ação litúrgica
com aqueles que participam desta ação. É necessário, portanto,
ter um bom contato visual de todos os participantes com aque-
les que presidem a ação litúrgica. Divisórias, pilares e quaisquer
outras obstruções para um contato visual direto com os que
presidem a liturgia vão ser um obstáculo a uma boa comuni-
cação visual. Portanto, o local donde se oficia a liturgia talvez
precise ser um pouco mais elevado que o restante do ambiente.
Precisamos também de um local para administrar o sa-
cramento do batismo e também de um local para administrar o
sacramento da Santa Ceia. Portanto, além do local ser adequado
para a fala, ele também precisa ser adequado para que se esten-
da a mão para administrar estes sacramentos. Este local precisa
abrigar pequenos grupos que possam se reunir para a recepção
dos sacramentos.
O espaço congregacional é o que precisa ser mais amplo.
Este é o lugar para a igreja como um todo. Basicamente a igreja
é um encontro de pessoas. E estas pessoas precisam também ter
espaço para se locomoverem, para poderem ir do seu local onde
possam sentar até chegar ao espaço onde se oficia o culto.
O espaço para o coral precisa de um cuidado especial.
Precisa haver espaço para cantores, músicos e, talvez até dan-
çarinos. Depende muito da função que atribuímos ao coral. Se
quisermos que ele seja um líder do canto congregacional, talvez

179
não seja conveniente que ele fique muito afastado do espaço
congregacional.
O espaço batismal não deveria ser pensado como um
ato reservado a ser feito fora do momento do culto. O batismo
é a recepção de um novo membro da congregação que vem a
fazer parte do corpo de Cristo. Portanto, o batismo é um ato
para a congregação toda e ela deveria participar deste momento.
Isto exige que haja acesso a todos os envolvidos no batismo ao
local reservado para o batismo.
A mesa do altar para a celebração da Santa Ceia precisa,
também ter acesso fácil para todos. Grandes escadarias ou ram-
pas íngremes dificultam o acesso, especialmente daqueles que
tenham alguma dificuldade física.
Para a leitura da palavra pode-se ter um ambão, mas ele
não é um elemento estritamente necessário. Para a pregação da
palavra um púlpito também não é um móvel de extrema neces-
sidade, mas, sem dúvida, é conveniente. Reforça visualmente o
fato de que Deus vem a nós com sua palavra e que esta palavra
precisa ser pregada e aplicada para os dias atuais.
Estar no templo é estar diante do altar ou mesa da co-
munhão. O altar é o centro de atenção de onde quase todo o
culto é oficiado.

2. O altar e seus ornamentos

Altar
• Centro do culto da igreja;

180
• No AT prescrito por Deus (Êx 27. 1-8; 30. 1-10);
• No NT usado pelos cristãos especialmente para a
celebração da Santa Ceia.
Simbolismo do Altar
• Presença de Deus na sua Igreja.
Significado do Altar
- de Cristo pela redenção do mundo;
• Sacrifício
- dos cristãos em agradecimento pelas
bênçãos recebidas.
• Mesa para Santa Ceia.

O Crucifixo do Altar
É o ornamento mais importante do altar:
• Enfatiza a humanação de Cristo e seu sacrifício perdoador;
• Enfatiza a presença real de Cristo na Santa Ceia (As velas
não deveriam ser mais altas que o crucifixo)
As velas do Altar
Duas velas são colocadas na parte posterior do Altar
de ambos os lados do crucifixo.
Simbolismo:
• Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem é a luz
do mundo;
• Cristo sacrificou-se por nós (a vela consome-se para
dar luz);
• Nós devemos sacrificar-nos em servir a Deus e aos
homens.
Atril ou Estante do Missal
• Pequeno apoio para o livro da liturgia.

181
Os paramentos
• Altar, púlpito e ambão são revestidos com paramen-
tos conforme as cores do Ano da Igreja;
• Com os paramentos somos “ensinados pelos olhos”
lembrando-nos do espírito da época ou do dia em
questão.

3. A utilidade do espaço litúrgico


Antes de tudo o que se requeira do espaço litúrgico é
necessário pensar sobre sua utilidade. O espaço precisa ser fun-
cional. De que adianta um templo majestoso com um som que
reverbera a tal ponto que é difícil de compreender o que está
sendo dito? Nenhuma beleza substitui uma boa acústica. A pala-
vra de Deus é para ser pregada e anunciada; portanto ela precisa
ser entendida. A locomoção também precisa ser fácil dentro do
templo, e todos os locais, especialmente o altar, precisam ter
acesso fácil.
Um dos aspectos importantes para o espaço litúrgico é
uma boa localização para que a música possa ser executada. Seja
a música coral ou instrumental. Os músicos precisam ter espaço
sem precisar acomodar-se em corredores. O coral e a música
instrumental precisam propagar-se com facilidade para que haja
uma boa integração para com o canto congregacional e com a
transmissão da música coral e instrumental. Precisa haver boa
acústica também para a música. Um pouco de reverberação é
bom para a música, mas não ou ponto de se ouvir um eco.
As artes plásticas em vitrais, afrescos e esculturas têm

182
também seu lugar no templo. As artes nos ensinam pelos olhos.
Por isso, precisam ser expressivas e que, com facilidade, nos fa-
çam lembrar do que Deus está querendo nos dizer naquela ex-
pressão. Temos uma herança de símbolos visuais que podem ser
usadas nas artes plásticas e aplicadas no templo.

4. Vestimentas litúrgicas

Os oficiantes do culto estão dentro do espaço litúrgico


e ocupam local de destaque de maneira que toda a comunidade
os veja. Em sintonia com este espaço fazem uso de vestes litúr-
gicas que também são uma herança da igreja.
No Antigo Testamento Deus prescreveu vestes litúrgi-
cas: Veja Êxodo 28. 1-43. É claro que estas vestimentas foram
ordenadas especificamente para o culto do AT. No NT, vesti-
mentas para o culto estão dentro da liberdade cristã; não foram
prescritas nem condenadas.
Vestimentas litúrgicas não são essenciais por si mesmas.
A eficácia do evangelho e dos sacramentos não depende delas.
Também precisamos lembrar que as vestimentas eclesiásticas
tradicionais aprovadas na Idade Média, e que são usadas até
hoje na igreja católica e nas igrejas luteranas, não são de ori-
gem eclesiástica. São sobreviventes da vestimenta comum dos
homens no império romano durante os primeiros séculos do
cristianismo. Mas, do quarto ao nono séculos estas vestimentas
receberam significados litúrgicos especiais.
As vestimentas litúrgicas desenvolveram-se a partir de
dois tipos básicos de vestes romanas: uma túnica para usar den-

183
tro de casa e uma capa para usar fora de casa. A túnica para
usar dentro de casa sobrevive na alba e a capa para fora de casa
tornou-se a casula ou, eventualmente, a capa de asperges (capa
magna). Além destas duas vestimentas básicas, alguns acessórios
também eram usados: o amicto, o cíngulo, o manípulo e a estola.
Os oficiantes do culto estão dentro do espaço litúrgico
e ocupam local de destaque de maneira que toda a comunidade
os veja. Em sintonia com este espaço fazem uso de vestes litúr-
gicas que também são uma herança da igreja.
No Antigo Testamento Deus prescreveu vestes litúrgicas: Veja
Êxodo 28. 1-43. É claro que estas vestimentas foram ordenadas
especificamente para o culto do AT. No NT, vestimentas para o
culto estão dentro da liberdade cristã; não foram prescritas nem
condenadas.
Vestimentas litúrgicas não são essenciais por si mesmas.
A eficácia do evangelho e dos sacramentos não depende delas.
Também precisamos lembrar que as vestimentas eclesiásticas
tradicionais aprovadas na Idade Média, e que são usadas até
hoje na igreja católica e nas igrejas luteranas, não são de ori-
gem eclesiástica. São sobreviventes da vestimenta comum dos
homens no império romano durante os primeiros séculos do
cristianismo. Mas, do quarto ao nono séculos estas vestimentas
receberam significados litúrgicos especiais.
As vestimentas litúrgicas desenvolveram-se a partir de
dois tipos básicos de vestes romanas: uma túnica para usar den-
tro de casa e uma capa para usar fora de casa. A túnica para
usar dentro de casa sobrevive na alba e a capa para fora de casa
tornou-se a casula ou, eventualmente, a capa de asperges (capa
magna). Além destas duas vestimentas básicas, alguns acessórios
também eram usados: o amicto, o cíngulo, o manípulo e a estola.
Após a fixação destas vestimentas como litúrgicas também se

184
acrescentaram significados para cada uma destas partes.
Alba
A alba é a antiga vestimenta romana branca. Dela se
desenvolveu, mais tarde, a sobrepeliz. A parte superior se ajusta
ao corpo, as mangas são justas, e a parte inferior é mais solta.
Tem aparência sóbria, bonita e elegante. A alba simboliza a ino-
cência e o manto da justiça que recebemos como cristãos. Numa
oração de sacristia, na igreja da Suécia, está registrado o seguinte
para ser orado enquanto se veste a alba: “Afasta de mim, ó Se-
nhor, o velho homem e seus caminhos pecaminosos e veste-me
com o novo homem em santidade e justiça e verdade. ”
A Estola
A estola era um tipo de lenço usado como insígnia de
classe entre os oficiais romanos. Senadores e cônsules usavam
um cachecol colorido sobre a alba como distintivo de seu ofício.
No uso litúrgico, a estola é uma faixa de pano na cor litúrgica
para o dia usada sobre a alba. Pode ser decorada com emblemas
litúrgicos para expressar o dia litúrgico ou a época litúrgica. A
estola representa o jugo de Cristo e é símbolo da ordenação.
Por isso deve ser usada somente por ministros ordenados como
símbolo de seu jugo de obediência a Cristo.
O Cíngulo
O cíngulo ou cinto acompanha a alba. Ajuda a fixar a
alba e a estola à cintura.
A Casula
A casula vem da capa romana usada fora de casa. Vem
do latim casula que significa “pequena casa”. Era uma vestimen-
ta em forma de poncho, com uma abertura para passar pela
cabeça. Esta é a vestimenta citada por Paulo em 2Tm 4. 13, onde

185
ele solicita a Timóteo que traga a sua capa (phailones). No uso
litúrgico, a casula se tornou a vestimenta especial para a Santa
Ceia. Ficou mais curta que a capa original, é vestida sobre a alba,
e segue as cores do ano litúrgico.
O Amicto
A alba não tinha colarinho. O amicto era um lenço de
pescoço usado antigamente com a alba e outras vestes. Alego-
ricamente era comparado ao “capacete da salvação” (Ef 6. 17).
Provavelmente adquiriu este significado simbólico porque era co-
locado primeiro sobre a cabeça, antes de ser dobrado como gola.
O Manípulo
O manípulo era originalmente um lenço que servia
como um emblema de ofício para o cônsul romano. Uma vez
que a roupa deste período não tinha bolsos, o manípulo era car-
regado na mão. Pelo século VI, o manípulo era usado como uma
vestimenta litúrgica atada ao braço esquerdo do oficiante. Era
usado como toalha para limpar as mãos do oficiante bem como
para limpar os utensílios da Santa Ceia.
A sobrepeliz
A sobrepeliz é uma variante da alba. É mais folgada
que a alba e pode ser vestida sobre roupas mais grossas. Nor-
malmente é usada sobre a sotaina. Pelo século XI a sobrepeliz
era usada para ofícios não eucarísticos enquanto que a alba era
reservada para a missa.
A Sotaina
Antigamente os clérigos vestiam a sotaina (ou batina)
como vestimenta diária. Sobre a sotaina colocavam a alba ou
sobrepeliz para os ofícios religiosos. É de cor preta e geralmente
usa um cinto ao redor da cintura; na parte superior é ajustada ao

186
corpo e na parte inferior cai como um vestido cheio e levemente
solto da cintura aos tornozelos. No pescoço a sotaina tem um
uma faixa estreita que se ajusta ao redor de um colarinho cle-
rical. A camisa clerical de nossos dias é uma remanescente da
sotaina.
O Talar Preto
O talar preto não é na verdade uma vestimenta espe-
cificamente clerical. Foi o traje regular de rua para professores,
magistrados, juízes e pastores no século XVI. Temos diversos
tipos de talares hoje em dia, mas todos têm sua procedência
acadêmica de togas ou becas. Uma das formas de talar que se
desenvolveu na Europa é uma mistura da sotaina com o talar,
com colarinho franzido e com peitilhos (Beffchen) brancos com
o talar preto. Como sentido litúrgico, estes peitilhos represen-
tariam a lei e o evangelho. No entanto, isto não tem respaldo
histórico e litúrgico. Ainda recentemente têm aparecido talares
brancos ou beges no mesmo formato dos talares pretos. Estes
têm ainda menos respaldo litúrgico ou histórico.
A Tendência Atual
É bom não inventar “modas litúrgicas”. Não vale à
pena arrumar confusão por causa de novidades em vestes tala-
res. As vestes talares refletem a história da igreja que, em todos
os tempos deve pregar a mesma verdade eterna. Além disso, as
vestes talares, evidentemente querem refletir a glória de Deus.
Portanto, devem ser bonitas e devem expressar a beleza da san-
tidade de Deus. Já as vestes de Arão deveriam ser “para glória e
ornamento” (Êx 28. 2).
Portanto, nada melhor do que refletir a história mais
antiga das vestes talares: Alba, estola, cíngulo e casula. É bom
lembrar que a estola e a casula são apenas para ministros orde-

187
nados. Como a casula é uma vestimenta cara e ainda muda com
as cores do ano litúrgico, uma alba com estola e cíngulo pode ser
a vestimenta regular para os ofícios luteranos, pois, mesmo sem
a casula, refletem beleza e ornamento.

Questões
1. Aponte três funções para o espaço de culto.
2. Que significado tem o altar?
3. Qual o significado do crucifixo e das duas velas sobre o altar?
4. Veja Êxodo 28. 1-43.
a. Para que serviam as vestes de Arão?
b. Quais eram as vestes de Arão? (v. 4)
c. Qual o significado das pedras com os nomes dos
filhos de Israel sobre os ombros de Arão?
d. Qual o significado das pedras com os nomes do fi-
lhos de Israel sobre o peitoral?
5. O que representa a estola dos pastores hoje em dia e quem
pode usá-la?

Referências

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Sinodal: 1997.

189
A Reforma e o
Ressurgimento do Canto
Congregacional
1. A Hinólia Luterana

a) Lutero e seu trabalho com a música


Lutero teve bom treinamento musical e considerava a
música uma poderosa aliada da igreja. Em conjunto com seus
auxiliares na música, Conrad Rupsch, Luwig e Johann Walter, a
música foi reorganizada para assumir novas funções no culto.
Hinos honrando a Virgem Maria e os santos foram alterados
para ajustarem-se à nova igreja. Os reformadores não tiveram a
atitude de eliminar o que havia, mas reformar e preservar para
seu próprio uso aqueles elementos do culto que eram compatí-
veis com suas doutrinas.
O canto congregacional foi uma das grandes mudan-
ças introduzidas no culto da Igreja Luterana. Lutero reconheceu
o canto de hinos como uma arma poderosa para a sua causa,
como já haviam feito grupos heréticos bem como líderes orto-
doxos como Efraim e Santo Ambrósio, na era cristã primitiva.
Lutero insistia que os hinos deveriam expressar o caráter do Dia
e o conteúdo do culto, mesmo que houvesse certa liberdade na
escolha de hinos.
O coro também tinha seu lugar no culto da Igreja Lu-
terana primitiva. O coro liderava o canto congregacional canta-
do em uníssono. Se não houvesse coro, um cantor ou sacristão
conduzia o canto. Às vezes o coro também cantava um arranjo
de três a cinco vozes com a melodia do hino, chamada cantus
firmus, no tenor. Aqueles que soubessem a melodia poderiam
cantá-la junto com o coral.

193
b) Os hinos de Lutero
Lutero compôs, adaptou e traduziu mais de trinta hi-
nos. Seu primeiro hino congregacional é Nun freut euch, liebe
Christen g’mein (“Vós crentes, todos, exultai” – Hinário Lute-
rano nº 376). 76 Publicado em 1523, é considerado o primeiro
hino congregacional luterano. Neste hino temos uma exposição
da graça inexprimível de Deus e da verdadeira fé. Eis o texto
numa versão em português:
• Vós crentes, todos, exultai! / Contentes nos mostre-
mos, / louvando o que de nosso Pai / sem paga
rece bemos, / enaltecendo o Benfeitor/ e seu gra-
cioso, e eterno amor, / ao qual a paz devemos.
• Cativo fui de Satanás / e à morte condenado; / e noite
e dia andei sem paz / por causa do pecado. / E cada
vez caía mais, / sem me poder erguer jamais / daquele
triste estado.
• Nas minhas obras, sem valor, / nenhum proveito ha-
via; / por natureza, um malfeitor, / odiando a Deus
me via. / O medo, então me fez sofrer / e, em deses-
pero, compreender / que ao fogo eterno iria.
• Mas Deus me teve compaixão, / doeu-lhe minha sor-
te;/ em seu bondoso coração / me quis livrar da morte.
/ Chegou-se a mim tão paternal / e, com extremo
amor real, / me deu Jesus, Deus forte
• Ao Filho eterno disse o Pai: / É tempo de pieda-
de. /Salvar meu povo, agora, vai, / revela a caridade. /

76. Um pouco antes Lutero deve ter composto o hino em homenagem a dois már-
tires, por haverem professado os ensinamentos de Lutero, Ein hubsch Lied von
den zwei Märtyrern Christi, zu Brussel von den Sophisten zu Löwen verbrandt”
– “Um belo hino dos mártires de Cristo, queimados em Bruxelas pelos sofistas de
Lovaina”. No entanto, este não é um hino para ser cantado durante o culto.

194
Ajuda-o para o mal vencer, / esmaga a morte e faze-o
ser / feliz na eternidade.
• Ao Pai o Filho obedeceu, / no mundo aqui nascendo;
/ ao diabo, em luta atroz venceu, / perdão e paz tra-
zendo. / Ao Santo Espírito enviou, / que em mim
por graça despertou / a fé que estou vivendo.
• Diz ele: permanece em mim, / e não serás vencido. /
Por ti combato até o fim, / estando a ti unido / na
mais perfeita e santa união / para uma eterna salvação,
/ junto a meu Pai querido.
Texto: NUN FREUT EUCH, LIEBEN
CHRISTENG’MEIN – Martinho Lutero, 1523. Trad.: Marti-
nho Lutero Hasse. Melodia: século XV/Nuernberg, 1523.
Em 1524 foi publicado em Wittenberg o primeiro hi-
nário luterano (Etliche Christlich Lieder) com oito hinos, dos
quais quatro eram de Lutero, três de Speratus e um de autor
desconhecido. Em 1526 foi publicado em Erfurt um hinário
com 36 hinos e, após isso, o número de hinos e hinários cresceu
bastante.
Lutero utilizou diversas fontes para a letra de seus hi-
nos. Alguns hinos são baseados em Salmos, como o “Castelo
Forte é nosso Deus” (Ein feste Burg ist unser Gott – Hinário
Luterano No. 165). É o hino mais conhecido de Lutero, mas não
se tem certeza da data de sua composição. “Os temas que apa-
recem no hino não nos possibilitam fixá-lo em um determinado
ano”77.
No ano de 1528 o hino está incluído num hinário pu-
blicado em Wittenberg. Deve, portanto, ter sido publicado antes

77. DREHER, Martin. O Salmo 46. In: Martinho Lutero: Obras Selecio-
nadas, vl 7, p. 536.

195
desta data. O texto é baseado no Salmo 46.
• Castelo Forte é nosso Deus, / defesa e boa espada;
/ da angústia livra desde os céus / nossa alma atri-
bulada. / Investe Satã / com hábil afã / e sabe lutar
/ com força e ardil sem par; / igual não há na terra.
• Sem força para combater, / teríamos perdido. / Por
nós batalha e irá vencer / quem Deus tem escolhido.
/ Quem é vencedor? / Jesus Redentor, / o próprio
Jeová, / pois outro Deus não há; / triunfará na luta.
• O mundo venham assaltar / demônios mil, furiosos,
/ jamais nos podem assombrar, / seremos vitoriosos.
/ Do mundo o opressor, / com todo rigor / julga-
do ele está; / vencido cairá / por uma só palavra.
• O Verbo eterno ficará, / sabemos com certeza, /
e nada nos perturbará / com Cristo por defesa. / Se
vierem roubar / os bens, vida e o lar - / que tudo se
vá! / Proveito não lhes dá. / O céu é nossa herança.
Letra: EIN FESTE BURG – Martinho Lutero, 1528.
Trad.: Rodolfo Hasse. Mel.: Martinho Lutero, 1528
Lutero também fez uso de passagens bíblicas para com-
por alguns hinos, como é o caso de “No templo a Isaías suce-
deu” (Jesaia dem Propheten das geschah – Hinário Luterano No.
234), baseado em Isaías 6. 1-4. Foi publicado junto com a “Missa
Alemã” em 1526, sendo chamado de “O Sanctus alemão”. Lu-
tero também pensou nas crianças e escreveu um hino de Na-
tal baseado em Lucas 2, “Eu venho desde os altos céus” (Vom
Himmel hoch da komm ich her – Hinário Luterano No. 26).
Traduções de hinos latinos também fazem parte das
criações de Lutero. Em alguns hinos Lutero acrescenta estro-
fes, como é o caso de “Santo Espírito, ó nosso Deus” (Komm,

196
heiliger Geist, Herre Gott texto alemão baseado no latino Veni
Sancte Spiritus – Hinário Luterano No. 142). Neste hino Lutero
retrabalha a 1ª. estrofe e acrescenta mais duas.
• Santo Espírito, ó nosso Deus, / concede os dons da
graça aos teus, / enchendo os corações de amor. /
Por tua grande luz, Senhor, / vieste os homens
conduzir / à fé e um povo reunir / de todas as nações
aqui. / Por isso te exaltamos, Deus, a ti. / Aleluia!
Aleluia!
• Ó Luz santa, vem avivar / em nós teu Verbo e nos
guiar / a conhecer o nosso Deus, / o verdadeiro Pai
dos céus. / Oh! Livra-nos de ensino vão / e faze-nos
de coração / só crer em Cristo e nele ver / o nosso
Mestre e fonte de poder. / Aleluia! Aleluia!
• Amor santo, ó Consolador, / ajuda-nos com teu fa-
vor / a sermos sempre a ti fiéis, / também nas horas
mais cruéis. / Reveste-nos com teu poder / e forta-
lece o nosso ser, / a fim de combatermos bem / e a
vida obtermos junto a ti no além. / Aleluia! Aleluia!
Letra: KOMM, HEILIGER GEIST, HERRRE GOTT
– Baseado na antífona latina VENI SANCTE SPIRITUS. Estr.
1 – séc. XV, estr. 2 e 3 – Martinho Lutero, 1524. Trad.: Martinho
Lutero Hasse. Melodia: Século XV, Erfurt, 1524.
Outro grupo no qual podemos classificar os hinos de
Lutero são aqueles hinos oriundos do vernáculo alemão. Lutero
utiliza alguns destes hinos e retrabalha-os e também acrescenta
estrofes em alguns. É o caso de “Ao Santo Espírito com fer-
vor” (Nun bitten sir den Heiligen Geist – Hinário Luterano No.
137). Este hino é baseado em canção popular chamada leise em
alemão. É uma canção popular que termina em Kyrieleis, carac-

197
terística de certas canções religiosas que o povo cantava fora da
igreja. Lutero acrescente mais três estrofes ao hino.
• Ao Santo Espírito com fervor / fé rogamos no bom
Salvador. / Guarde-nos gracioso em nossa hora
extrema, / quando entrarmos à glória suprema. /
Kyrieleis!
• Celeste Luz, vem nos alumiar / e o Senhor Jesus nos
revelar. / Sempre em nós infunde a fidelidade / ao
que nos salvou da iniquidade. / Kyrieleis!
• Ó Benfeitor, vem abençoar / nossas almas e nos ins-
pirar / verdadeira paz, sentimentos ternos / para
unir- nos com laços fraternos. / Kyrieleis!
• Ó bom Consolador, na aflição / fortalece-nos o cora
ção. / Em desonra e morte, sê nosso esteio, / dá-nos
vida e paz – és nosso anseio. / Kyrieleis!
Letra: NUNBITTEN WIR DEN HEILIGEN GEIST
– Estr. A – Séc. XIII; estr. 2-4 – Martinho Lutero, 1524. Trad.
Martinho Lutero Hasse. Melodia: Johann Walter, 1524, baseado
em melodia do séc. XIII
c) Poetas colaboradores e continuadores de Lutero
Lutero não permaneceu sozinho na tarefa da compo-
sição de hinos. Ele solicitou que outros também compusessem
hinos. Em Wittenberg, em toda a Alemanha e em outros países,
poetas começaram a escrever sobre a nova glória que se levan-
tara sobre a igreja. Os colaboradores mais próximos de Lutero,
nesta tarefa, são: Justus Jonas, Johann Agrícola(“Senhor Jesus,
eu clamo a ti” – Ich ruf zu dir, Herr Jesu Christ Hinário Lutera-
no No. 439), Paul Eber (Helft mir Gotts guete preisen – Hinário
Luterano 50), Elisabeth Kreuziger e Johann Walter, o músico,
que também compôs textos de canções espirituais.

198
Quando a Reforma foi introduzida na Prússia, em
1524, um dos grandes amigos de Lutero serviu de meio para
difundir a doutrina com seus poemas. Este era Paul Speratus,
que, junto com Lutero, publicou o primeiro hinário luterano.
Seu hino mais conhecido é “Agora temos salvação” (Es ist das
Heil uns kommen her – Hinário Luterano No. 373), uma es-
plêndida apresentação da doutrina da justificação. Seu assistente
no trabalho na Prússia era Johann Gramann, cujo hino de lou-
vor “Bendize a Deus, minha alma” (Nun lob, mein Seel, den
Herren – Hinário Luterano No. 221) é ainda muito usado na
Igreja Luterana de hoje.
Os hinos destes poetas são uma herança da Igreja, pois
falam das misericórdias de Deus em Cristo e apresentam a dou-
trina bíblica com objetividade e clareza espelhando a fé cristã.
d) Músicos da Reforma
O próprio Lutero compôs algumas melodias de hinos.
O grande músico Johann Walter era seu braço direito em prepa-
rar a música para a liturgia e em arranjar as melodias para as ver-
sões germânicas. George Rhau, músico e compositor foi tam-
bém o principal editor de música da Reforma. Também outros
compositores trabalharam em hinos no período da Reforma.
Fez-se muito uso de melodias existentes. Conservaram-
se hinos latinos antigos e melodias de canções sacras antigas;
também foram aproveitadas melodias de cantos seculares.
Paráfrases com retenção da melodia secular ocorreram
em hinos como estes:
• O Welt ich muss dich lassen, parafraseada de Insbruck
ichmuss dich lassen de Heinrich Isaac, cuja melodia foi
aproveitada para o hino 501 do Hinário Luterano.
•Wie schoen leuchtet der Morgenstern, que Phiplip

199
Nicolai parafraseou de Wie schoen leuchten die Aeu-
gelein, cf. Hinário Luterano No. 67.
• Herzlich tut mich verlagen parafraseado de Mein
G’muet ist mir verwirret, melodia aproveitada para o
hino 88 do Hinário Luterano.
Mas as composições originais também estavam pre-
sentes em melodias como as que seguem:
• Ein feste Burg (“Castelo Forte” – HL 165), melodia de
Lutero para o grande hino da Reforma.
• All Morgen ist gans frisch und neu (“O dia nasce com
fulgor” – HL 488) de Johann Walter.
• Lob Gott, ihr Christen, allzugleich (“Louvai, ó crentes,
ao Senhor – HL 31) de Nikolaus Herrmann.
• Wachet auf, ruft uns die Stimme (“Acordai! Os guardas
chamam” – HL 534) de Phiplipp Nicolai.
O coral luterano, nascido na Alemanha, espalhou-se
por outros países, levando em sua caminhada bênçãos inumerá-
veis, tornando o povo familiarizado com a doutrina bíblica que
a Igreja Luterana ensina e professa.

2. A hinódia reformada

A música na Igreja Reformada – ou sua falta – começa


na Suíça com Ulrico Zuínglio. Ele suspendeu o uso da canção
coral latina em 1526 e proibiu o canto de salmos e hinos alemães
no ano seguinte. Sua congregação não tinha órgão.
Após a morte prematura de Zuínglio, que se deu em

200
1531, João Calvino se estabeleceu na Suíça. Suas “Instituições da
Religião Cristã” foram lançadas em 1636. Mas, como sua confis-
são de fé era muito rígida e inflexível, o povo o expulsou da cida-
de. Por isso Calvino foi a Estrasburgo, na Alemanha, onde ficou
inteirado do canto de hinos dos luteranos. Em 1541 ele retornou
à Suíça e, talvez motivado pelo canto dos alemães, atendendo ao
pedido do povo local, introduziu o canto de salmos pela con-
gregação. Hinos ele não permitia, pois não provinham da “única
fonte da verdade” a Bíblia. Com isso iniciou-se a prática da sal-
modia que até hoje continua em algumas igrejas calvinistas.
Ajudantes de Calvino foram os poetas Marot e Beza
que fizeram a versificação dos salmos. Estes salmos metrifica-
dos tornaram-se o hinário oficial da Igreja Reformada, traduzi-
dos em diversas línguas para uso em diversos países.
A preocupação da música para o Saltério foi empreen-
dida por Louis Bourgeois. Ele descartou algumas melodias em
uso, adotou outras, algumas de fontes seculares e outras de sua
própria autoria. 78 Borgeois também fez arranjos a mais vozes
para os salmos, embora Calvino se opusesse a este tipo de canto.
Claude Goudimel, outro hábil compositor, completou os arran-
jos musicais para o Saltério.
Não podemos dizer que Calvino tivesse objeção à mú-
sica na igreja. Mas ele achava que a música deveria ser usada
com cuidado na igreja e não abusada.
A salmodia foi a prática comum das igrejas reformadas
por mais de trezentos anos. O uso de instrumentos na igreja
reformada foi condenado, em grande parte por ser considerado
pecaminoso. O uso de hinos foi condenado por não conterem

78. No Hinário Luterano a melodia do hino 236 é de Bourgeois; a melodia 178


talvez seja também de sua autoria.

201
textos tirados diretamente da Bíblia.

3. Lutero x Calvino
Embora Lutero e Calvino chegassem a conclusões di-
ferentes com respeito à participação da congregação na igreja,
acharam seus protótipos na mesma fonte: o ritual do “Ofício
Diário” da Igreja Romana. Lutero seguiu a ideia dos hinos lati-
nos e Calvino a ideia da antiga salmodia da igreja, sendo que as
duas espécies de canto encontram-se no referido “Ofício Diá-
rio”. Também ambos reformadores restringiram o canto do cle-
ro e deram à congregação uma parte ativa no ofício. Aliás, foi na
música que a Igreja Protestante criou uma arte com seu próprio
selo: é a verdadeira expressão artística do protestantismo.

4. O órgão nas igrejas da reforma


Calvino havia condenado o uso do órgão no culto, o
que fez seus seguidores em geral tomarem a mesma atitude.

202
Naquelas igrejas que passaram a seguir a doutrina reformada
os órgãos normalmente eram removidos ou destruídos. Na In-
glaterra ouso de órgãos no culto foi aceito somente a partir de
1866.79 No entanto, na Igreja Reformada dos Países Baixos o
órgão Calvino havia condenado o uso do órgão no culto, o que
fez seus seguidores em geral tomarem a mesma atitude. Naque-
las igrejas que passaram a seguir a doutrina reformada os órgãos
normalmente eram removidos ou destruídos. Na Inglaterra o
uso de órgãos no culto foi aceito somente a partir de 1866. No
entanto, na Igreja Reformada dos Países Baixos o órgão era
usado para recitais antes e após os cultos. Com o tempo foi
aprovado também nestes países o órgão como auxiliar do canto
congregacional.
Devido ao desinteresse inicial que houve nas igrejas
reformadas quanto ao uso do órgão, coube aos luteranos nor-
tear o uso deste instrumento no ofício protestante. No entanto,
Lutero não faz nenhuma menção em nenhum dos seus escritos
sobre o uso do órgão como acompanhamento do canto congre-
gacional. Verdade é também que os instrumentos da época ain-
da careciam de aperfeiçoamentos e as técnicas tear o uso deste
instrumento no ofício protestante. No entanto, Lutero não faz
nenhuma menção em nenhum dos seus escritos sobre o uso do
órgão como acompanhamento do canto congregacional. Verda-
de é também que os instrumentos da época ainda careciam de
aperfeiçoamentos e as técnicas de composição para órgão ain-
da não haviam se desenvolvido muito. Mesmo a Igreja Católica
através do Concílio de Trento (1545-1563) adotou regulamen-
tos que reduziram o uso do órgão ao mínimo.
Nas antigas igrejas luteranas da Alemanha o canto con-
gregacional era em uníssono e sem acompanhamento. Apesar

79. LIEHMON, Edwin, The Singing Church, p. 57.

203
dos avanços feitos durante os cem anos seguintes em projetos
de órgãos e composições musicais, em alguns lugares o canto
congregacional continuou sem acompanhamento até o tempo
de Johann Sebastian Bach.
Mas a primeira tentativa de melhorar esta situação cou-
be a Lukas Osiander, no final do século XVI. Osiander era pas-
tor e organista em Nurnberg e publicou “Cinquenta canções
espirituais para quatro vozes, arranjadas da tal maneira que toda
a congregação possa unir-se a elas”80. O que Osiander fez foi
colocar a melodia no soprano ao invés do tenor (como normal-
mente eram as composições na época) para que fosse mais fácil
para a congregação cantar junto. Os arranjos musicais também
eram estritamente harmônicos, ou seja, cada nota da melodia era
harmonizada num acorde separado e não mais como no com-
plicado estilo polifônico, onde cada voz tinha uma linha musical
bastante independente das outras. Este tipo de arranjo musical
tornou mais fácil o canto da congregação junto com o coro ser-
vindo também como um acompanhamento para congregação.
Usar o coral para acompanhar o canto congregacional
não era muito satisfatório. No entanto, seu grande valor parece
que foi abrir o caminho para que o órgão tomasse esta função.
O primeiro livro publicado especificamente para o órgão como
acompanhamento do canto congregacional foi o “Livro de Ta-
blatura”81 de Samuel Scheidt, publicado em 1650. Assim, em
muitos lugares, o organista se tornou o líder do canto congrega-
cional chegando a tomar completamente este função que antes
o coro desempenhava.

80. LIEMOHN, Edwin. The Singing Church, p. 58.


81. Idem.

204
Questões

1. Como Lutero utilizou o canto congregacional e o coro?


2. Examine o hino de Lutero “Vós crentes, todos, exultai”.
Que mensagens ou doutrinas ele aponta?
3. Dê as características do primeiro hinário luterano.
4. Que mensagem ou doutrina tem o hino de Lutero “Castelo Forte”?
5. Cite as fontes de Lutero para a composição de seus hinos.
6. Como procederam Zuínglio e Calvino com a música sacra?

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Company, 1996.
REYNOLDS, William J., PRICE, Milburn, MUSIC, David W.
A Survey of Christian Hymnody. Carol Stream: Hope Pu-
blishing Company, 1999.

207
Ordem do Culto
Principal
O apóstolo Paulo no diz: “Deus é que efetua em vós tanto
o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade” (Fp. 2.
13). Deus é que veio ao nosso encontro e nos resgatou do pe-
cado através da obra de seu Filho Jesus Cristo. Isto nos motiva
a queremos viver uma vida de culto a Deus. Somos, agora, seu
povo, e queremos também agir como povo de Deus.
Um exemplo da atuação de Deus nas pessoas está na
noite do nascimento de Jesus: Um anjo do Senhor anunciou
aos pastores, nas campinas de Belém: “Não temais; eis aqui vos
trago boa-nova de grande alegria, que o será para todo o povo: é

211
que hoje vos nasceu, na cidade de Davi, o Salvador, que é Cristo,
o Senhor” (Lc. 2. 10-11). E um coro de anjos louvou a Deus
dizendo: “Glória a Deus nas maiores alturas, e paz na terra entre
os homens, a quem ele quer bem” (Lc 2. 14). Deus agiu nos pas-
tores e eles reagiram: eles foram até a cidade de Belém para ver a
menino Jesus. Viram o menino e foram anunciar a outros o que
viram e ouviram. E registra Lucas: “Voltaram, então, os pastores
glorificando e louvando a Deus por tudo o que tinham ouvido
e visto, como lhes fora anunciado” (Lc 2. 20). Deus primeiro
atuou nos pastores; depois, em resposta à atuação de Deus, os
pastores louvaram a Deus.
Temos duas maneiras distintas de culto. Podemos estar
em culto individualmente como podemos estar em culto corpo-
rativo. Em ambas, Deus age em amor por nós e nós reagimos ao
amor de Deus. Um exemplo de culto individual nos dá o após-
tolo Paulo. Depois de apresentar as misericórdias de Deus para
conosco, ele solicita: “Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericór-
dias de Deus, que apresenteis o vosso corpo por sacrifício vivo,
santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional” (Rm.
12. 1). É por causa das misericórdias de Deus em nos perdoar
nossos pecados em Cristo que podemos, agora, ter um culto a
Deus com a nossa maneira de vida. É por isso que ele também
continua sua solicitação, dizendo: “E não vos conformeis com
este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa men-
te, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita
vontade de Deus” (Rm 12. 2). Deus renovou a nossa mente e, só
com esta intervenção de Deus é que podemos nos transformar
e vencer o mundo.
Para o culto corporativo temos o exemplo do taber-
náculo e, depois do templo do Antigo Testamento. A sinagoga
judaica, apesar de não ter sido uma ordem divina, foi frequenta-

212
da regularmente por Jesus, nos dando exemplo para seguirmos
a reunião em grupo em torno da palavra de Deus (Lc 4. 16).
Os primeiros cristãos nos dão também exemplo de frequência
regular em torno da palavra e da Santa Ceia (At 2. 42). Na epís-
tola aos hebreus somos alertados da necessidade de nos reunir-
mos em congregação (Hb 10. 24-25) e Jesus nos garante a sua
presença onde pessoas se reunirem em seu nome (Mt 18. 20).
E aqui também precisamos registrar aquela ordem amorosa de
Cristo, quando instituiu a Santa Ceia, sacramento que nos dá
perdão de pecados: “fazei isto em memória de mim” (Lc 22. 19).
Para o culto em grupo precisamos de uma Ordem de
Culto que nos ofereça palavra e sacramento e nos dê oportuni-
dade de prestarmos adoração e louvor com “decência e ordem”
(1Co 14. 40).
Origem
A liturgia histórica é uma herança de séculos. Ela não
foi planejada por comissões de culto, mas se desenvolveu natu-
ralmente com o passar do tempo. Mas podemos destacar influ-
ências que nela estão presentes:82
• Da liturgia judaica (templo e sinagoga): herdaram-se
versículos de Salmos, salmos completos, passagens do
antigo Testamento e palavras como Amém, Aleluia e
Hosana.
• Os cristãos gentílicos estabeleceram o domingo como
o dia comum para o culto.
• A Igreja Oriental compôs o Gloria in Excelsis, a Ora-
ção da Igreja, o Prefácio e o Sanctus, e também estabele-
ceu o costume de levantar-se para a leitura do Evangelho.

82. Cf. REED, Luther D. The Lutheran Liturgy, p. 21-22.

213
• A Igreja Ocidental desenvolveu a série de Intróitos,
Graduais, Coletas e Prefácios Próprios.
• A Reforma simplificou e revisou o texto da liturgia
colocando-a evangelicamente para o povo, enfatizou
a participação da congregação, restaurou o sermão e
o canto congregacional.
• A Liturgia Luterana, a partir da Reforma de Lutero, é
uma herança especialmente da liturgia romana. Lutero
conservou tudo o que julgava que não atrapalhasse o
evangelho e manteve toda a estrutura da liturgia histórica.
Características
• Ordem coerente no seu conteúdo e sequência com
partes fixas, que se mantém em cada culto e partes
variáveis, que apresentam o assunto do Dia.
• Posições dos fiéis: De pé para expressão de louvor e
respeito, sentado para ouvir a palavra e ajoelhado para
expressão de humildade e recebimento de perdão.
• Conteúdo é distinguido em partes sacrificais (quando
o pastor está voltado para o altar em nome da congre-
gação) e em partes sacramentais (quando o pastor está
voltado para a congregação em nome de Deus).
• Divisões: Ofício Preliminar da Confissão, Ofício da
Palavra, Ofício da Santa Ceia.

1. Ofício preliminar da confição

• É costume na Igreja Luterana ter um prelúdio instru-


214
mental, mormente executado pelo órgão. O prelúdio
nos quer ajuda a nos concentrarmos para um clima
de devoção.
• Hino de Invocação dá sentido comunitário já no iní-
cio do culto e remete os fiéis aos cuidados de Deus.
• A Invocação lembra-nos que o Deus verdadeiro nos
motiva ao culto. É o Deus triúno que vem a nós e não
qualquer outro deus.
• Confissão dos pecados – nos prepara para prestar cul-
to (1Jo 1. 9; Sl 124. 8; Sl 32. 5). Não temos o direito
de adorar a Deus por causa de nossos pecados. Na
Confissão e Absolvição Deus mesmo nos prepara e
conduz para darmos o nosso louvor a ele.

2. Ofício da palavra

Intróito
Introduz o assunto do Dia. É a primeira parte variável
do culto. Os intróitos para serem cantados pelo coro têm o se-
guinte esquema:
• Antífona – um ou mais versículos que apresentam o
tema do Dia.
• Salmo – um versículo de um dos salmos.
• Gloria Patri – conclusão para o Salmo. Faz a ligação
entre o antigo Testamento e o Novo Testamento.
• Antífona – repetição dos primeiros versículos.

215
Em lugar destes intróitos cantados pelo coro podemos
usar o Salmo do Dia com leitura responsiva e com participação
da congregação.
Kyrie Eleison (Senhor, piedade)
Reconhece nossa dependência de Deus. Não temos aí
uma nova confissão de pecados, mas um reconhecimento de
que dependemos totalmente de Deus em nossa vida cristã. A
tríplice repetição do Kyrie enfatiza a Trindade.
Gloria in Excelsis
É o hino de louvor do Ofício da Palavra. O início é o
canto dos anjos na noite de Natal. O texto que segue após o
canto dos anjos apresenta a Trindade, mas enfatiza a obra de
Cristo. É uma criação da igreja no século IV. Tem os seguintes
assuntos:
• Belém – Encarnação;
• Calvário – Sofrimento de Cristo;
• Reino celestial – Intercessão perpétua de Cristo.
Saudação
É uma forma de cumprimento e resposta. Seu conteú-
do é “Emanuel” – “Deus conosco” (Rt 2. 4; 2 Tm 4. 22). Pastor
e congregação mutuamente se desejam a presença de Deus.
Coleta
Pequena oração que “coleta” os desejos da igreja e os
apresenta a Deus. Tem o seguinte esquema:
1. Invocação;
2. Base para a petição;
3. Petição em si;
4. Propósito ou benefício desejado;
5. Conclusão doxológica.

216
Leituras bíblicas
• Chegamos ao centro do Ofício da Palavra: Leitura da
Palavra e sermão.
• Leitura de seleções bíblicas já havia na sinagoga: Lc
4. 16-19. A Igreja Antiga acrescentou trechos das
Epístolas e dos Evangelhos.
• No início não havia leituras definidas – com o tempo
surgiram as perícopes. No ano 800 as perícopes históri-
cas estavam prontas. Atualmente temos a Série Trienal.
Leitura do Antigo Testamento – Primeira Leitura
Nossa fé é histórica; o Novo Testamento repousa sobre
o Antigo Testamento. Por um grande tempo as leituras do Antigo
Testamento ficaram de fora nos cultos. Com a Série Trienal elas
voltaram a fazer parte dos lecionários.
No Período após a Páscoa até o Pentecostes, a primeira
leitura do culto é feita de trechos dos Atos dos Apóstolos.
Leitura da Epístola – Segunda Leitura
A leitura da Epístola é de trechos de Cartas dos Após-
tolos apresentando-nos doutrina, Lei e Evangelho, exortações à
Santificação.
Gradual
Originalmente para uso coral. Trechos de Salmos e ou-
tras passagens que estão relacionados com o tema do Dia.
Evangelho
Para a leitura do Evangelho sempre se deu destaque, pois
são palavras do próprio Cristo ou fatos da vida de Cristo. Para
enfatizar esta leitura são cantados responsos antes e após a leitura
e é ouvido de pé como sinal de respeito.

217
Confissão de fé
“Credo” significa “Creio”. Ouviu-se a palavra de Deus e
segue a reposta da congregação a esta palavra. Assim, o Credo é a
palavra da igreja em resposta à Palavra de Deus.
Um dos três Credos Históricos é dito no culto: Apostó-
lico, Niceno ou Atanasiano. Estes credos expressam a fé da igreja
universal. Eles foram criados para responder a heresias que sur-
giram na Igreja Antiga, servindo, assim para defender a igreja de
falsas doutrinas que estavam sendo ensinadas.
Hino do dia
• Preparo à mensagem;
• O hino é uma das formas mais adequadas de prepa-
rar o povo para a pregação;
• Texto e música juntam-se;
• Auxílio para fixação de doutrinas;
• O hino da congregação: uma das restaurações da
Reforma;
• Ninguém deveria ser negligente ao canto de hinos
(Cl3. 16).
Sermão
O Sermão é Interpretação, exposição e aplicação da Pa-
lavra de Deus. Por isso ele precisa conter Lei e Evangelho. É o
grande momento do pastor para trazer a mensagem de Deus,
imutável, para a realidade atual.
Ofertório
O ofertório é nosso desejo de oferecemos nossa vida a
Deus. Só ele pode nos dar um coração puro e uma mente renovada.
Ofertas
Oferecemos nossos bens a Deus. A igreja precisa de

218
nossas ofertas para a manutenção da congregação e a divulgação
da palavra a todos os povos.
Oração geral
Há um momento, durante o culto em que os cristãos
“saem” do culto e vão a todo mundo. O culto acontece num lo-
cal específico no mundo. E os cristãos oram pela igreja que está
em todo o mundo, pelo governo, pelos que passam dificuldades.
Esta é a Oração da igreja que trata dos problemas em geral do
mundo (1Tm 2. 1-2).

3. Ofício da santa ceia

Prefácio
As sentenças do Prefácio são a parte mais antiga da li-
turgia. No início do Ofício da Santa Ceia reconhecemos que
só podemos elevar nossos corações a Deus, tais como somos:
pecadores. Nada temos a lhe oferecer, mas temos a certeza de
que ele pode nos dar tudo para a vida: sustento e salvação.
Prefácios próprios podem ser inseridos no Prefácio que enfati-
zam uma época do Ano da Igreja
O final do Prefácio é o Sanctus. Liga o AT com o NT
(Is 6. 3; Mt 21. 9; Sl 118. 25).
Consagração e administração
A Oração dominical é a oração que o próprio Jesus nos
ensinou. Esta oração não consagra os elementos, mas é apro-
priada pois aqui estamos diante de Deus querendo receber o
corpo e sangue de Cristo, pedindo sua misericórdia numa ora-

219
ção por ele mesmo ensinada.
Com as Palavras da Instituição são separamos a pão e
vinho para seu uso sagrado. Consagramos os elementos para
que eles seja utilizados pelo próprio Cristo a fim de nos dar,
juntamente com o pão e o vinho o seu corpo e sangue.
Pax Domini, A Paz do Senhor (Jo 20. 19-21; Fp 4. 7)
está muito apropriadamente colocada aqui. Afinal, não é qual-
quer paz que vamos receber; é a paz com Deus que se expressa
no perdão dos pecados. Com este perdão a separação de Deus
com as pessoas deixa de existir, pois ele mesmo nos alcança esta
paz na Santa Ceia.
Agnus Dei (Jo 1. 29; Is 53. 7,12; 1Pe 1. 18-20; Ef 2. 13-
17);
Finalmente, na Distribuição, Cristo é um conosco. Ele
está presente conosco desde o início do culto, conforme a sua
própria promessa “onde estiverem dois ou três reunidos em
meu nome, ali estou no meio deles” (Mt 18. 20). Mas, agora,
este Cristo vem a nós de uma maneira bem peculiar: Ele vem
com seu corpo e sangue fazer parte de nosso ser e com isto selar
o seu perdão para cada participante da Santa Ceia.
Pós-comunhão
Após recebermos o corpo e o sangue de Cristo nos jun-
tamos a Simeão e cantamos o Nunc Dimitis (Agora despedes)
que está em Lucas 2. 29-32. Relacionamos o sacramento com
a vida eterna. Assim como Simeão viu no menino Jesus a sal-
vação em pessoa e, com isso, seu desejo de partir, nós também
reconhecemos que a pessoa de Cristo, com seu corpo e sangue,
chegou até nós e nos preparou para a nossa partida.
A Ação de graças que segue é de 1Co 11. 26 e serve

220
de introdução e fundamento para a oração de agradecimento
pela Ceia, que Lutero já usava. Pede fortalecimento da fé e, con-
sequentemente, amor para com o próximo. A nossa fé precisa
expressar-se no amor para com nosso próximo. E a Santa Ceia
nos prepara e nos motiva para tal. Tendo recebido o amor de
Deus, expressamos este amor no auxílio e convivência com nos-
so próximo. A Saudação é O “Emanuel” para o culto da vida
diária que se seguirá.
Benedicamus (Bendigamos), aparece também no final
de cada livro dos Salmos (Sl 41, 72, 89, 106 e 150). Sugestiva-
mente, bendizemos a Deus no final de cada culto, por tudo o
que recebemos durante o culto.
A Bênção é de Números 6. 24-26. Deus prometeu por
o seu nome sobre os filhos de Israel com esta bênção. E a última
palavra é, mais uma vez, “Paz”. Iniciamos o culto na certeza de
que Deus estaria conosco e nos concederia sua paz no perdão.
Encerramos o culto com a Paz do Senhor recebida mais uma
vez e que estará conosco durante o transcorrer da semana.

4. Conclusão

A liturgia histórica é cristocêntrica e bíblico-confessio-


nal. Pode-se simplesmente ler esta ordem de culto e nela encon-
tra-se a centralidade de Deus. Portanto, ela transmite a palavra
de Deus, apresentando-nos o Criador, Salvador e Santificador.
A liturgia histórica está fundamentada na Bíblia. Há ci-
tações diretas da Bíblia, como o Ofertório, Sanctus e Bênção.
Há também aplicações e exposições da palavra nos hinos no

221
Sermão e no Gloria in Excelsis.
Portanto, a liturgia histórica é meio para anunciar a pa-
lavra (Lei e Evangelho) a todos e para administrar os sacramen-
tos (Santa Ceia e Batismo) e conduzir o povo de Deus ao louvor
e à adoração.

Questões

1. Por que foram motivados ao louvor os pastores na noite de


Natal?
2. O que Romanos 12. 1-2 nos mostra sobre a motivação para
o culto de vida dedicado a Deus?
3. Indique razões para a necessidade do culto corporativo.
4. Que significam os conteúdos sacramentais e os conteúdos
sacrificais na ordem de culto histórica?
5. Que significado e valor tem o hino no culto?
6. Caracterize o Ofício da Palavra
7. Caracterize o Ofício da Santa Ceia.

Referências

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Paulo: ASTE, 1968.
BLUM, Raul. Culto e Liturgia. Série de artigos escritos no

222
Mensageiro Luterano de Março de 1972 a Maio de 1973. Porto
Alegre: Concórdia Editora.
BLUM, Raul. O Propósito da Liturgia. Trabalho de Conclu-
são de Curso. Porto Alegre: Seminário Concórdia, 1973.
KIRST, Nelson. A Nossa Liturgia desde as suas origens.
São Leopoldo: Sinodal, 2000.
____________. A Liturgia toda: Parte por Parte. São Leopol-
do: Sinodal, 2000.
LANG, Paul, H. D. Manual da Comissão de Altar. Porto Ale-
gre: Concórdia, 1987.
LUTERO, Martinho. Obras Selecionadas, Vol. 7. Porto Ale-
gre / São Leopoldo: Concórdia / Sinodal. 1999.
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land, Iliinois, Augustana Press, 1960.
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PIETZSCH, Paulo Gerhard. Culto e Música no Contexto
Cristão. Canoas: EDIULBRA, 2003 (Caderno Universitário).
PRECHT, Fred L. Lutheran Worship: History and Practice.
Saint Louis: CPH, 1993.
REED, Luther D. The Lutheran Liturgy. Philadelphia, For-
tress Press, 1959.
REED, Luther D. Worship. Fortress Press, 1959.
WHITE, James. . São Leopoldo, Sinodal: 1997.

223
Os Ofícios Menores:
Matinas e Vésperas
O s procedimento que Lutero teve para com a Missa utili-
zou também para com as Matinas e Vésperas. Reteve tudo o que
poderia ser útil para a pregação da Palavra de Deus. Simplificou
as Matinas conservando o esboço tradicional. O latim foi usado
nas escolas durante a semana e a versão em alemão usado nas
igrejas aos domingos.
As Matinas e Vésperas são denominadas “ofícios me-
nores”, pois não pressupõe a celebração da Santa Ceia. São tam-
bém, por isso, menores em duração.

227
1. Ordem das matinas
A palavra “Matinas” vem do Latim Matutinus (“Ma-
tutino,” “De manhã,” “Pertencente à manhã”). O destaque das
Matinas é louvor e orações agradecendo pela noite passada e
pedindo proteção para o novo dia.
Versículos
Quando o pastor pede “Abre, Senhor, os meus lábios”
e a congregação responde “e a minha boca manifestará o teu
louvor” (Sl 51. 15), reconhecemos que o louvor a Deus que só
é possível se Deus mesmo nos abrir os lábios. É um reconhe-
cimento de nossa pecaminosidade e indignidade de chegarmos
a Deus, por nós mesmos, e queremos louvá-lo. No “diálogo”
seguinte entre pastor e congregação (Sl 70. 1), imploramos ajuda
e libertação de Deus.
Concluímos os versículos iniciais com o Gloria Patri,
que é a conclusão costumeira para salmos no culto cristão. É a
ligação do Antigo Testamento com o Novo Testamento.
Invitatório
É um convite à adoração. Mostra-nos que a razão para
a nossa adoração está no nosso Criador. Há Matinas que preve-
em também Invitatórios Especiais que colocam a motivação do
louvor de acordo com a época do Ano Eclesiástico.
Venite
O Venite é a primeira palavra do Salmo 95 em latim.
Este salmo confronta-nos com a motivação para o louvor. Deus é
• “Rochedo da nossa salvação”;
229
• Criador de tudo e nosso criador;
• Somos “povo de seu pasto e ovelhas de sua mão”
Fica claro que o nosso louvor tem motivação. É o pró-
prio Deus que coloca o louvor certo em nossos lábios.
Hino
Este é o hino principal das matinas; é o Hino do Ofício.
Separa o Venite (Sl 95) do(s) salmo(s) que segue(m) na parte
seguinte, a Salmodia.
Salmodia
A Salmodia é a leitura ou canto de um ou mais salmos.
Os salmos eram os cantos utilizados pelos levitas no Antigo
Testamento, como parte dos cultos sacrificais. Os salmos conti-
nuaram a ser usados na Igreja Antiga e na Idade Média passaram
a integrar as Horas de Oração. Semanalmente entoavam-se to-
dos os salmos segundo o canto tradicional obedecendo o parale-
lismo hebraico: coro duplo (dois grupos corais) ou solista e coro
alternadamente. Cada canto ou leitura de salmo conclui com o
Gloria Patri.
Leitura
Um ou mais trechos do Antigo Testamento e/ou do
Novo Testamento são lidos. Desde São Bento passou-se a fazer
uma leitura contínua das Escrituras nas Horas de Oração.
Após a leitura segue o versículo: “Ó Senhor tem com-
paixão de nós” e o responso: “Graças te damos, Senhor”. Con-
fessamos nossos fracassos em guardar a palavra de Deus e agra-
decemos a Deus pela sua graça e perdão infalíveis.
Leitura
Um ou mais trechos do Antigo Testamento e/ou do

230
Novo Testamento são lidos. Desde São Bento passou-se a fazer
uma leitura contínua das Escrituras nas Horas de Oração.
Após a leitura segue o versículo: “Ó Senhor tem com-
paixão de nós” e o responso: “Graças te damos, Senhor”. Con-
fessamos nossos fracassos em guardar a palavra de Deus e agra-
decemos a Deus pela sua graça e perdão infalíveis.
Responsório
Algumas ordens de Matinas têm, neste momento, um
Responsório, que consiste de alguns versículos de salmos com res-
ponsos. Estes versículos variam de acordo com o Ano da Igreja.
Sermão
Como os ofícios menores são ordens para oração e
louvor é possível excluir o sermão.
Ofertas
De acordo com o momento também podem ser excluídas.
Cântico
Na Ordem das Matinas estão previstos dois cânticos,
sendo que um deles será usado cada vez. O primeiro dos cân-
ticos é: Te Deum Laudamus (“A ti, Deus louvamos”). O texto
deste cântico é bem antigo: Século IV. Ele está dividido em dua
partes. A Primeira parte é um louvor à Santíssima Trindade. A
segunda parte recorda a obra redentora de Cristo e conclui com
pedido de auxílio para chegarmos à vida eterna.
O outro cântico para as Matinas é o Benedictus (“Ben-
dito”) Ele está em Lucas 1. 68-75. É o cântico de Zacarias, pai
de João Batista. Este cântico bendiz a Deus pelo cumprimento
de suas promessas e faz uma profecia sobre a vinda de Jesus.
É interessante observar que, mesmo sendo um cântico

231
registrado no livro de Lucas, portanto, do Novo Testamento,
este cântico é um salmo, e por isso conclui com o Gloria Patri.
Orações
A parte final das Matinas e Vésperas é constituída de orações.
Kyrie
Iniciamos esta seção com a oração do Kyrie reconhe-
cendo nossa dependência de Deus.
Pai Nosso
Como é a “Oração do Senhor” para todas as ocasiões,
é apropriada também aqui.
Saudação
Introduz aqui as coletas finais: Pode-se fazer a Coleta do
dia (do domingo que passou) além de outras coletas ou orações.
Coleta pela graça
Reconhece a proteção da noite anterior e pede a prote-
ção para o novo dia.
Benedicamus
Motivado pelo final de cada livro do saltério (Sl 41, 72,
89, 106 e 150).
Bênção
É a chamada Bênção Apostólica, conforme 2Co 13. 13.

2. A ordem das vesperas

A palavra “Vésperas” vem do Latim Vespera (“Entarde-


cer”, “Vespertino”, “Anoitecer”, “Pertencente ao entardecer”).

232
O objetivo das Vésperas é recontar as graças do dia e
pedir a proteção para a noite.
A origem das Vésperas vem desde o sacrifício vesperti-
no dos judeus e de um Ofício cristão das luzes.
A estrutura das Vésperas é a mesma das Matinas. Por
isso, aqui, serão apenas mencionadas as partes com conteúdo
diferente das Matinas.
Cântico
Como nas Matinas, há dois cânticos para as Vésperas:
Magnificat ou Nunc Dimitis introduzidos pelo Salmo 141. 2:
“Suba à tua presença a minha oração como incenso / e seja o
erguer das minhas mãos como oferenda vespertina”. Compara
nossa oração com o sacrifício vespertino dos judeus.
O primeiro dos cânticos é o Magnificat (“Engrande-
ce”): É o cântico de Maria e está registrado em Lucas 1. 46-55.
Há semelhanças com o Cântico de Ana (1Sm 2. 1-10). Amas as
mulheres fazem seus cânticos como agradecimento pelo filho
que Deus lhes concedeu. Há também semelhanças com alguns
salmos (Sl 35. 9; 111. 9; 103. 11, 13, 17; 147. 6; 98. 3).
O outro cântico previsto para as Vésperas é o Nunc Di-
mitis (“Agora despedes”) e é mais um dos cânticos registrados
por Lucas (Lc 2. 29-32). Este cântico é de Simeão e expressa o
desejo de partir para a eternidade e é também uma oração por
paz e descanso. Faz alusões a passagens do Antigo Testamento
(Is 52. 10; Sl 98. 2).
Como ambos os cânticos das Vésperas são composi-
ções semelhantes aos salmos, eles concluem com o Gloria Pa-
tri.
Orações

233
Segue-se, aqui o mesmo esquema das Matinas. A oração
específica das Vésperas é uma petição pela paz de Deus que o
mundo não pode oferecer a fim de cumprirmos os mandamen-
tos de Deus. É também uma petição de proteção contra o “te-

3. Conclusão

mor de nossos inimigos” para vivermos em paz e tranquilidade.


Tal como a Ordem do Culto Principal, os ofício menores
das Matinas e Vésperas são teocêntricos e cristocêntricos, porque
proclamam a Deus e a Cristo como motivação de nosso louvor.
Portanto, os ofícios menores são indicados para um
momento de oração e louvor, para um momento de pregação e
podem ser usados para um momento especial ou festivo. Esta-
vam inseridos nas Horas de Oração de São Bento desde apro-
ximadamente 530 e Lutero os conservou como devocionais di-
ários para leitura e pregação da Palavra e como momentos de
oração e louvor. Oração e louvor são os destaques das Matinas
e Vésperas.

Questões

1. Por que as Matinas e Vésperas são consideradas “ofícios me-


nores”?
2. Caracterize as matinas.
3. Que motivação para o louvor o Venite nos dá?
234
4. Caracterize as Vésperas.
5. Por que concluímos o canto ou recitação de salmos com o
Gloria Patri?
6. Por que concluímos os cânticos do livro de Lucas com o
Gloria Patri?

Referências

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and practice. Saint Louis: Concordia Publishing House, 1993,
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REED, Luther D. The Lutheran Liturgy. Philadelphia, For-
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REED, Luther D. Worship. Fortress Press, 1959.
WHITE, James F. Introdução ao Culto Cristão. Traduzido
por Walter O. Schlupp. São Leopoldo: Sinodal, 1997.

235
Conteúdo e Música
do Canto Cristão
C anto e culto estão intimamente relacionados. Já no culto
do Antigo Testamento o canto era elemento marcante e im-
portante nos ofícios, sendo que era exercido profissionalmen-
te pelos levitas músicos (1Cr 25). No Novo Testamento temos
um incentivo ao canto com a recomendação do apóstolo Paulo:
“Habite, ricamente, em vós a palavra de Cristo; instruí-vos e
aconselhai-vos mutuamente em toda a sabedoria, louvando a
Deus, com salmos, e hinos e cânticos espirituais, com gratidão,
em vosso coração” (Cl 3. 16). E é notável que a Bíblia nos revele
que também no céu utilizaremos o canto para louvar a Deus.
Na visão de João ele ouve a multidão entoando o “Cântico do
Cordeiro” por gente de todas as nações: “Quem não temerá e
não glorificará o teu nome, ó Senhor? Pois só tu és santo; por
isso, todas as nações virão e adorarão diante de ti, porque os teus

239
atos de justiça se fizeram manifestos” (Ap 15. 4).
Como cristãos reconhecemos que a música é um dom
de Deus, pois “toda boa dádiva e todo dom perfeito são lá do
alto, descendo do Pai das luzes, em quem não pode existir varia-
ção ou sombra de mudança” (Tg 1. 17). Este precisa ser o pa-
râmetro inicial quando tratamos do canto cristão ou da música
cristã: o louvor que damos a Deus é motivado por ele mesmo,
pois foi ele que nos deu tudo inclusive os dons que temos. E, se
o nosso louvor é motivado por Deus, ele também precisa ser de
acordo com a vontade de Deus revelada sem sua Palavra. Por-
tanto, o texto de tudo aquilo que cantamos ou ouvimos como
louvor a Deus precisa estar de acordo com sua palavra.
A Igreja Luterana Sínodo de Missouri (The Lutheran
Church Missouri Synod) editou o livrete Text, Music, Context
que pode nos auxiliar a avaliar hinos e textos de músicas religio-
sas para refletirmos se o texto que queremos analisar é, de fato,
um bom texto que expresse a palavra de Deus. Vejamos como
este livrete nos pode orientar.
Considerando o Texto83
• Quando se examina uim hino, canção ou um can-
to do coro é importante lembrar que nenhum simples
texto pode cobrir cada ponto da doutrina cristã. Tex-
tos diferentes terão ênfases diferentes e apoios dife-
rentes. Por exemplo, a maioria dos hinos cristãos não
vai falar sobre batismo, Santa Ceia ou fim dos tem-
pos. Semelhantemente, hinos baseados em passagens
particulares da Escritura naturalmente não vão cobrir
todos os outros pontos da doutrina.

83 Daqui em diante, até o fim do capítulo, o texto é tradução das páginas 5 a


11 de Text, Music, Context.

240
• Apesar disso, mesmo entre textos com um foco
particular, é muitas vezes o caso que o melhor deles
aponta para o artigo principal da fé cristã – a saber, Je-
sus e sua obra salvadora em nosso favor. Por exemplo,
há hinos natalinos que se aventuram mais apropria-
damente além da manjedoura apontando ao propósi-
to da vinda do menino Cristo para redimir e salvar o
mundo (por ex., “Quem é o Menino a repousar” ou
“Eis dos anjos a Harmonia,” 2ª. estr.). 84
• Embora um texto não possa dizer tudo, é dever dele
dizer algo sobre Deus e a fé cristã. Às vezes o proble-
ma com um texto de hino ou um canto do coro não é
o que ele diz–que ele talvez apresente doutrina falsa–
mas que ele não diga muito de alguma coisa sobre o
cristianismo. Se o coração e centro da fé cristã é o per-
dão dos pecados por conta da obra salvadora de Jesus,
então é essencial que esta boa nova não somente seja
proclamada do púlpito, mas também confessada pelos
fiéis enquanto eles dão voz com seus próprios lábios
à esperança que neles está.
• Se um texto inclui afirmações que são contra a Pa-
lavra de Deus, então ele não é adequado para uso no
culto. Este é o caso mesmo que o texto seja aceitável
em qualquer outra parte. As palavras de São Paulo são
instrutivas aqui: “Um pouco de fermento leveda toda
a massa” (Gl 5. 9).
• Pode haver situações embora um texto não seja
particularmente forte, mas ainda possa ser apropria-
damente usado. Em muitos casos o contexto desem-

84 Os textos destes hinos podem ser conferidos no HINÁRIO LUTERANO


Nos. 546 e 25, respectivamente.

241
penha uma parte importante nesta decisão. Quando
se olha para o contexto geral de um ofício, e mesmo
para uma acumulação de ofícios durante diversas se-
manas ou meses, é benéfico para o povo de Deus que
haja um balanço cobrindo uma grande extensão de
tópicos teológicos e preocupações. Por exemplo, uma
escolha cuidadosa de hinos que foquem no louvor de
Deus, mas ofereçam pouco em conteúdo teológico
com respeito ao Deus triúno e sua obra salvadora, vai
consequentemente privar a congregação da riqueza
das provas bíblicas. Inversamente, uma escolha cui-
dadosa de hinos didáticos que contenham pouco con-
teúdo de louvor e agradecimento também privará a
congregação da linguagem que dá voz à adoração que
de fato estamos ordenados a dar ao nosso Criador e
Redentor.
• Quando se leciona um texto para uso no culto, cui-
dado precisa ser tomado para preservar sua integrida-
de. Isto é o caso especialmente quando somente uma
porção de um hino ou canção for usada. Por exemplo,
deletar estrofes de um hino sem considerar a relação
de uma estrofe com outras e ao hino como um todo
pode ter o efeito infeliz de tornar um texto forte num
que seja menos que o ideal. Um exemplo jocoso, mas
que ocorreu muitas vezes, é a opção de cantar apenas
a primeira estrofe do “Castelo Forte”. Fazer assim é
deixar o diabo em comando.
As questões diagnósticas seguintes são oferecidas como
um meio, para planejadores de culto, de empregar e avaliar tex-
tos de hinos, canções ou canto do coro. A linha entre as duas
questões em cada fileira representa um continuum. Quando um

242
texto for avaliado, uma marca pode ser feita ao longo do conti-
nuum para indicar que questão melhor descreve o texto.
Considere este exemplo ao revisar o hino “Ao mundo
Deus assim amou”:85

O texto apresenta Ou é a figura de Jesus


Jesus como o Sal- meramente como um
vador que morreu __ __________ companheiro, amigo n/d
pelos pecadores? ou modelo?

Quanto mais o texto seja descrito de acordo com a


questão da direita tanto menos atenção esse texto pode exigir.
É importante lembrar que tal taxação é mais uma arte do que
ciência. Além disso, nem todas as questões se aplicarão a cada
texto específico; em tais casos a caixa “n/a” (não aplicável) pode
ser marcada. Comentários e exemplos pertencentes às questões
seguintes podem ser encontrados no apêndice.
1) Este texto confessa o Deus triunfo?

Ou a identidade do
Está claro que o tex-
Deus a quem está sendo
to é dirigido ou fala ________ n/d
dirigido está sendo dei-
do Deus triúno?
xada vaga e incerta?
O texto dá evidência
da relação das três Ou é mencionada
pessoas e especialmen- apenas uma pessoa
te do papel do Filho
________
da Trindade com a n/d
em revelar a vontade exclusão das outras?
graciosa do Pai?
O texto dá evidência
Ou ele sugere que o
que nosso conhe-
Deus Triúno pode ser
cimento de Deus é ________
conhecido à parte de n/d
revelado através de
sua Palavra?
sua Palavra?

85 O texto do “Castelo Forte” pode ser conferido no HINÁRIO LUTERA-


NO No. 165.

243
2) Este texto aborda a questão do pecado e a nossa condição
pecaminosa?

A realidade do pecado Ou é nossa total


e suas consequências impotência ignorada
mortais é expressa
________ n/d
ou subestimada?
adequadamente?

Ou é alguma habilidade
O texto expressa concernente à nossa
nossa total inabilidade conversão atribuída a
de crer em Cristo ou
________
nós, sugerindo talvez que n/d
vir a ele? somos capazes de nos
decidir a seguir Jesus?

A melodia usa repeti-


ção de frases de uma Ou ela consiste de
maneira que ajuda o constante material
ensino sem, todavia,
________
novo que a torna n/d
tornar-se enfadonha difícil de aprender?
ou tediosa?

Ou as sincopas são usadas


A melodia usa sinco-
como uma ferramenta
pas de uma maneira
estilística com pouca
que pareça natural e ________
consideração com o texto
n/d
ajuste-se bem com o
ou com a habilidade da
texto?
congregação de cantá-la?

A melodia é capaz Ou ela é tão depen-


de permanecer dente do acompanha-
por si só e assim ________ mento que sem ele n/d
encorajar forte canto a melodia carece de
congregacional? caráter e interesse?

3) A melodia suporta o texto?

Ou ela apresenta um for-


A melodia reflete
te contraste com o texto
o texto em termos
de temperamento
________ (por ex., uma linha alegre n/d
anexada a um texto de
e estilo?
lamento ou súplica)?

244
Ou há irregularidades que
resultam em confusão
As palavras e a
silábica de uma estrofe
melodia ajustam-se ________
à seguinte ou um acento
n/d
naturalmente?
artificial do texto para
ajustar-se à música?

Ou ela domina o texto a


A melodia é tal ponto que é a melodia
notável sem obs- ________
e não o texto que é lem-
n/d
curecer o texto? brado?

Ou a melodia torna o
É a melodia capaz texto trivial, roubando-o
de carregar a palavra da dignidade que é ine-
de Deus de uma
________
rente a qualquer texto que
n/d
maneira digna? proclama Cristo e seus
benefícios?

Questões

1)Avalie, segundo os parâmetros deste capítulo, três canções ou


hinos que você julga terem um bom conteúdo cristão.
2)Avalie, segundo os parâmetros deste capítulo, três canções
ou hinos que você julga terem um conteúdo duvidoso para uma
boa mensagem cristã.
Sugestão: tire um xérox das planilhas acima para avaliar cada
canção ou hino.

245
Anexos
1. O ano da igreja

Domingos e períodos
O Tempo do Natal
Período do Advento
Primeiro Domingo no Advento – A/R
Segundo Domingo no Advento – A/R
Terceiro Domingo no Advento – A/R
Quarto Domingo no Advento – A/R

Período do Natal
O nacsimento de nosso senhor – B
Véspera de Natal
Meia-noite de Natal
Aurora de Natal
Dia de Natal
Primeiro Domingo após o Natal – B
Segundo domingo após o Natal – B

Período da Epifania
A Epifania de nosso Senhor – B
Primeiro Domingo após a Epifania – B
O Batismo de Nosso Senhor
Segundo Domingo após a Epifania – Vd
Terceiro domingo após a Epifania – Vd
Quarto Domingo após a Epifania – Vd
Quinto Domingo após a Epifania – VdD

249
Sexto Domingo após a Epifania – Vd
Sétimo Domingo após a Epifania – Vd Lecionário Trienal
Oitavo Domingo após a Epifania – Vd
Último Domingo após a Epifania – B
A Transfiguração de Nosso Senhor
O Tempo da Páscoa
Período Pré- Quaresmal
Septuagésima – Vd
Sexagésima – Vd Lecionário Anual
Quinquagesima – Vd

Período da Quaresma
Quarta-feira de Cinzas – P/R
Primeiro Domingo na Quaresma – R
Segundo Domingo na Quaresma – R
Terceiro Domingo na Quaresma – R
Quarto Domingo na Quaresma – R
Quinto Domingo na Quaresma – R

Semana Santa
Domingo de Ramos – R/E
Domingo da Paixão
Segunda-feira na Semana Santa – R/E
Terça-feira na Semana Santa – R/E
Quarta-feira na Semana Santa – R/E
Quinta-feira na Semana Santa – B/R/E
Sexta-feira Santa – P
Sábado de Aleluia – P

Período da Páscoa
A ressureição de nosso senhor – B/D
Vigília da Páscoa

250
Aurora Pascal
Dia da Páscoa
Noite de Páscoa
Segunda-feira de Páscoa
Terça-feira de Páscoa
Quarta-feira de Páscoa
Segundo Domingo de Páscoa – B
Terceiro Domingo de Páscoa – B
Quarto Domingo de Páscoa – B
Quinto Domingo de Páscoa – B
Sexto Domingo de Páscoa – B
Sétimo Domingo de Páscoa – B

Pentecostes – Vm
Véspera de Páscoa
Dia de Pentecostes
Noite de Pentecostes
Segunda-feira de Pentecostes
Terça-Feira de Pentecostes
O Tempo da Igreja
O Período após Pentecostes
A Santíssima Trindade – B
Do Segundo ao Vigésimo-sétimo Domingo após Pentecostes
(Lecionário Trienal) – Vd
Do Primeiro ao Vigésimo-sexto Domingo após Trindade (Le-
cionário anual) – Vd
Último Domingo do Ano da Igreja – Vd
Dias festivos
Novembro
30 – André, Apóstolo – Vm

251
Dezembro
21 – Tomé, Apóstolo – Vm
26 – Estêvão, Mártir – Vm
27 – João, Apóstolo e Evangelista – B
28 – Crianças Inocentes, Mártires - Vm
31 – Véspera da Circuncisão e Nome de Jesus – B
Véspera de Ano Novo
Janeiro
1 – Circuncisão e Nome de Jesus – B
18 – A Confissão de Pedro – B
24 – Timóteo, Pastor e Confessor – B
25 – A Conversão de Paulo – B
26 – Tito, Pastor e Confessor – B
Fevereiro
2 – A Purificação de Maria e a Apresentação de Nosso
Senhor – B
24 – Matias, Apóstolo – Vm
Março
19 – José, Tutor de Jesus – B
25 – A anunciação de Nosso Senhor – B
Abril
25 – Marcos, Evangelista – Vm
Maio
1 – Filipe e Tiago, Apóstolos – Vm
31 – A Visitação (Lecionário Trienal) – B
Junho
11 – Barnabé, Apóstolo – Vm
24 – A Natividade de João Batista – B
29 – Pedro e Paulo, Apóstolos – Vm

252
Julho
2 – A Visitação (Lecionário Anual) – B
22 – Maria Madalena – B
25 – Tiago o Ancião, Apóstolo – Vm
Agosto
15 – Maria, Mãe de Nosso Senhor – B
24 – Bartolomeu, Apóstolo – Vm
29 – O Martírio de João Batista – Vm
Setembro
14 – Dia da Santa Cruz – Vm
21 – Mateus, Apóstolo e Evangelista – Vm
29 – São Miguel e Todos os Anjos – B
Outubro
18 – Lucas, Evangelista – Vm
23 – Tiago de Jerusalém, Irmão de Jesus e Mártir - Vm
28 – Simão e Judas, Apóstolos – Vm
31 – Dia da Reforma – Vm
Novembro
1 – Dia de Todos os Santos – B
Os Dias Festivos listados em negrito são festas princi-
pais de Cristo e normalmente são observadas quando ocorrem
numdomingo.Osoutrosdiasfestivospodemserobservadosde
acordo com o costume e preferência do local.
As letras indicam as cores litúrgicas: A = azul, Vd =
verde, Vm = vermelho, R = roxo, B = branco, P = preto, D =
dourado, E = escarlate.
Ocasiões
Aniversário de uma Congregação – Vm
Festival Missionário – B

253
Educação Cristã – Cor da Época
Festa da Colheita – Cor da Época
Dia Nacional de Ação de Graças – B
Dia de Súplica e Oração – R
Dia de Tragédia Nacional ou Local – R
Festival da Música (Culto Cantate) – Cor da Época
Comemorações

Nossasigrejasensinamquedevemoslembrar-
nos dos santos para fortalecer a nossa fé ao vermos
comoreceberamgraçaeforamajudados pela fé, a fim
dequetomemosexemplodesuasobras,cadaqualde
acordo com a sua vocação.
Confissão de Augsburgo, Artigo XXI.

Os Reformadores Luteranos entenderam que havia um


grande benefício em lembrar os santos que Deus tem dado à
sua Igreja. A apologia da Confissão de Augsburgo (Artigo 21)
dá três razões para tal honra. Primeiro, agradecemos a Deus por
dar servos fiéis à sua Igreja. Segundo, através de tal lembrança
nossa fé é fortalecida quando vemos as misericórdias que Deus
estendeu aos seus santos do passado. Terceiro, estes santos são
exemplos pelos quais podemos imitá-los tanto na sua fé como
na sua vida santa de acordo com nosso chamado à vida.
O calendário de comemorações dado abaixo lista um
número de homens e mulheres tanto do Antigo Testamento
quanto do Novo Testamento e dos primeiros 19 séculos da vida
da Igreja Cristã. (Outros personagens e eventos do Novo Tes-
tamento já foram listados no calendário de Dias Festivos). Sua
defesa das crenças fundamentais da fé cristã e/ou sua vida virtu-

254
osa motivaram estes indivíduos a sobressair-se no tempo como
pessoas dignas de reconhecimento. Em cada caso, o propósito
de nossa lembrança não é que honremos estes santos pelos seus
méritos, mas como exemplos daqueles nos quais a obra salva-
dora de Jesus Cristo tem-se manifestado para a glória do santo
nome de Deus e para o louvor de sua graça e misericórdia.

Portanto,tambémnós,vistoquetemosarode-
ar-nostãograndenuvemdetestemunhas,desembara-
çando-nosdetodoopesoedopecadoquetenazmente
nosassedia,corramos,comperseverança,acarreiraque
nos está proposta.
Hebreus 12. 1

Janeiro
10 – Basílio, o Grande, de Cesareia, Gregório de Nazianzo e
Gregório de Niza, Pastores e Confessores
20 - Sara
27 - João Crisóstomo, Pregador
Fevereiro
5 – Jacó (Israel), Patriarca
10 – Silas, Cooperador de São Paulo e São Pedro
13 – Áquila, Priscila, Apolo
14 – Valentina, Mártir
15 – Filemon e Onésimo
16 – Filipe Melanchthon (Nascimento), Confessor
18 – Martinho Lutero, Doutor em teologia e Confessor
23 – Policarpo de Esmirna, Pastor e Mártir
Março
7 – Perpétua e Felicitas, Mártires
31 – José, Patriarca

255
Abril
6 – Lucas Cranach e Albrecht Durer, Artistas Sacros
20 – Johannes Bugenhagen, Pastor
24 – Johann Walter, Mestre de capela
Maio
2 – Atanásio de Alexandria, Pastor e Confessor
5 – Frederico, o Sábio, Príncipe Eleitor
7 – Carl Ferdinand Wilhelm Walther, Teólogo e Fundador da LCMS
9 – Jó
21 – Constantino, Imperador Cristão
24 – Ester
Junho
1 – Justino, Mártir
12 – Concílio de Niceia, AD 325
14 – Eliseu
25 – Apresentação da Confissão de Augsburgo
26 – Jeremias
27 – Cirilo de Alexandria, Pastor e Confessor
Julho
6 – Isaías
16 - Rute
20 - Elias
21 – Ezequiel
28 – Johann Sebastian Bach, Mestre de capela
29 – Maria, Marta e Lázaro
31 – José de Arimateia
Agosto
3 – Joana, Maria e Salomé
16 - Isaque
19 – Bernardo de Clairvoaux, Escritor de hinos e Teólogo
20 – Samuel
27 – Mônica, Mãe de Agostinho

256
28 – Agostinho de Hipônio, Pastor e Teólogo
Setembro
1 – Josué
2 - Ana
3 – Gregório, o Grande, Pastor
4 – Moisés
5 – Zacarias e Isabel
16 – Cipriano de Cartago, Pastor e Mártir
22 – Jonas
30 – Jerônimo, Tradutor da Santa Escritura
Outubro
9 - Abraão
11- Filipe, Diácono
25 – Dorcas (Tabita), Lídia e Febe
26 – Philip Nicolai, Johann Heermann e Paul Gerhardt, Escrito-
res de Hinos
Novembro
8 – Johannes von Staupitz, Conselheiro de Lutero
9 – Martin Chemnitz, Pastor e Confessor
14 – Justiniano, Imperador e Confessor Cristão
23 – Clemente de Roma, Pastor
29 – Noé
Dezembro
4 – João de Damasco, Teólogo e Escritor de Hinos
7 – Ambrósio de Milão, Pastor e Escritor de Hinos
17 – Daniel, o Profeta, e Sadraque, Mesaque e Abede-Nego
19 – Adão e Eva
20 – Catarina von Bora, Esposa de Lutero
29 – Davi

257
2. Lecionários

Domingos e períodos
Devido ao fato da data da Páscoa mudar de ano a ano,
seu lugar no calendário durante um ano específico determina se
haverá maior ou menor número de Domingos durante o Perío-
do após Pentecostes.
No Lecionário Trienal, as leituras para os Domingos
após Pentecostes seguem o seguinte critério: O primeiro Do-
mingo após Pentecostes é o Dia da Santíssima Trindade. Os
Domingos seguintes até o último Domingo após Pentecostes
têm um número “próprio” de acordo com um período de sete
dias dentro do calendário civil. O Dia de Pentecostes cai cin-
quenta dias após a Páscoa. Como a Páscoa é uma data móvel,
o Pentecostes, que cai cinquenta dias após a Páscoa, também é
uma data móvel. A Páscoa pode ocorrer entre 22 de março e 25
de Abril. Quanto mais tarde a Páscoa, mais “próprios” iniciais
são omitidos no Período após Pentecostes.
O Lecionário Anual é uma herança da Igreja desde a
Idade Média. Teve algumas revisões. Os próprios designados
após o Período da Trindade seguem imediatamente após o Do-
mingo da Trindade. De acordo com a data da Páscoa são omi-
tidos os próprios imediatamente antes do Último Domingo do
Ano da Igreja. Quanto mais cedo a Páscoa, mais domingos pre-
cisam ser omitidos antes do Último Domingo do Ano da Igreja.

258

Dia Litúrgico Treinal "A" Treinal "B" Treinal "C" Dia Litúrgico Lecionário Anual
1º Domingo no Sl 122 Sl 80. 1-7 Sl 25. 1-10 1º Domingo no Sl 24
Advento Is 2. 1-5 Is 64. 1-9 Jr 33. 14-16 Advento Jr 23. 5-8
Rm 13. (8-10)11- 1 Co 1. 3-9 1 Ts 3. 9-13 Rm 13. (8-10)11-14
14 Mc 11. 1-10 ou Mc Lc 19. 28-40 ou Lc 19. 29-38
Mt 21. 1-11 ou 13. 24-37 Lc 21. 25-36
Mt 24. 36-44
2º Domingo no Sl 72. 1-7 Sl 85 Sl 66. 1-12 2º Domingo no Sl 50. 1-15
Advento Is 11. 1-10 Is 40. 1-11 Ml 3. 1-7b Advento Ml 4. 1-6
Rm 15. 4-13 2 Pe 3. 8-14 Fp 1. 2-11 Rm 15. 4-13
Mt 3. 1-12 Mc 1. 1-8 Lc 3. 1-14(15-20) Lc 21. 25-36

3º Domingo no Sl 146 Sl 126 Sl 85 3º Domingo no Sl 85


Advento Is 35. 1-10 Is 61. 1-4,8-11 Sf 3. 14-20 Advento Is 40. 1-8(9-11)
Tg 5. 7-10 1 Ts 5. 16-24 Fp 4. 4-7 1 Co 4. 1-5
Mt 11. 2-15 Jo 1. 6-8,19-28 Lc 7. 18-28(29-35) Mt 11. 2-10(11)

4º Domingo no Sl 24 Sl 89. 1-5(19-29) Sl 80. 1-7 4º Domingo no Sl 111


Advento Is 7. 10-17 2 Sm 7. 1-11,16 Mq 5. 2-5a Advento Dt 18. 15-19
Rm 1. 1-7 Rm 16. 25-27 Hb 10. 5-10 Fp 4. 4-7

259
Mt 1. 18-25 Lc 1. 26-38 Lc 1. 39-45(46-56) Jo 1. 19-28 ou Lc 1.
39-56
Véspera de Sl 110. 1-4 Sl 110. 1-4 Sl 110. 1-4 Véspera de Natal Sl 110. 1-4

260
Natal Is 7. 10-14 Is 7. 10-14 Is 7. 10-14 Is 7. 10-14
1 Jo 4. 7-16 1 Jo 4. 7-16 1 Jo 4. 7-16 1 Jo 4. 7-16
Mt 1. 18-25 Mt 1. 18-25 Mt 1. 18-25 Mt 1. 18-25

Meia-Noite de Sl 96 Sl 96 Sl 96 Meia-Noite de Sl 96
Natal Is 9. 2-7 Is 9. 2-7 Is 9. 2-7 Natal Is 9. 2-7
Tt 2. 11-14 Tt 2. 11-14 Tt 2. 11-14 Tt 2. 11-14
Lc 2. 1-14(15-20) Lc 2. 1-14(15-20) Lc 2. 1-14(15-20) Lc 2. 1-14(15-20)
Alvorada de Sl 98 Sl 98 Sl 98 Alvorada de Natal Sl 80. 1-7
Natal Is 62. 10-12 Is 62. 10-12 Is 62. 10-12 Mq 5. 2-5a
Tt 3. 4-7 Tt 3. 4-7 Tt 3. 4-7 Tt 3. 4-7
Lc 2. (1-14)15-20 Lc 2. (1-14)15-20 Lc 2. (1-14)15-20 Lc 2. (1-14)15-20

Dia de Natal Sl 2 Sl 2 Sl 2 Dia de Natal Sl 2


Is 52. 7-10 Is 52. 7-10 Is 52. 7-10 Êx 40. 17-21,34-38
Hb 1. 1-6(7-12) Hb 1. 1-6(7-12) Hb 1. 1-6(7-12) Tt 3. 4-7
Jo 1. 1-14(15-18) Jo 1. 1-14(15-18) Jo 1. 1-14(15-18) Jo 1. 1-14(15-18)
1º Domingo Sl 111 Sl 111 Sl 111 1º Domingo após Sl 89. 1-8
após Natal Is 63. 7-14 Is 61. 10-62. 3 Êx 13. 1-3a,11-15 Natal Is 11. 1-5 ou 2 Sm
Gl 4. 4-7 Gl 4. 4-7 Cl 3. 12-17 7. 1-16
Mt 2. 13-23 Lc 2. 22-40 Lc 2. 22-40 Gl 4. 1-7
Lc 2. (22-32)33-40
2º Domingo Sl 119. 97-104 Sl 119. 97-104 Sl 119. 97-104 2º Domingo após Sl 77. 11-20
após Natal 1 Rs 3. 4-15 1 Rs 3. 4-15 1 Rs 3. 4-15 Natal Gn 46. 1-7
Ef 1. 3-14 Ef 1. 3-14 Ef 1. 3-14 1 Pe 4. 12-19
Lc 2. 40-52 Lc 2. 40-52 Lc 2. 40-52 Mt 2. 13-23
Epifania Sl 72. 1-11(12-15) Sl 72. 1-11(12-15) Sl 72. 1-11(12-15) Epifania Sl 24
Is 60. 1-6 Is 60. 1-6 Is 60. 1-6 Is 60. 1-6
Ef 3. 1-12 Ef 3. 1-12 Ef 3. 1-12 Ef 3. 1-12
Mt 2. 1-12 Mt 2. 1-12 Mt 2. 1-12 Mt 2. 1-12
1º Domingo Sl 29 Sl 29 Sl 29 1º Domingo após Sl 50. 1-15
após Epifania Is 42. 1-9 Gn 1. 1-5 Is 43. 1-7 Epifania 1 Rs 8. 6-13
Batismo do Rm 6. 1-11 Rm 6. 1-11 Rm 6. 1-11 Rm 12. 1-5
Senhor Mt 3. 13-17 Mc 1. 4-11 Lc 3. 15-22 Lc 2. 41-52
Batismo do Sl 85
Senhor Js 3. 1-3,7-8,13-17
ou Is 42. 1-7
1 Co 1. 26-31

261
Mt 3. 13-17
2º Domingo Sl 40. 1-11 Sl 139. 1-10 Sl 128 Sl 67 ou Sl 111

262
após Epifania Is 49. 1-7 1 Sm 3. 1-10(11-20) Is 62. 1-5 2º Domingo após Êx 33. 12-23 ou
1 Co 1. 1-9 1 Co 6. 12-20 1 Co 12. 1-11 Epifania Am 9. 11-15
Jo 1. 29-42a Jo 1. 43-51 Jo 2. 1-11 Ef 5. 22-33 ou Rm
12. 6-16
Jo 2. 1-11
3º Domingo Sl 27. 1-9(10-14) Sl 62 Sl 19. (1-6)7-14 3º Domingo após Sl 110. 1-14
após Epifania Is 9. 1-4 Jn 3. 1-5,10 Ne 8. 1-3,5-6,8-10 Epifania 2 Rs 5. 1-15a
1 Co 1. 10-18 1 Co 7. 29-31(32- 1 Co 12. 12-31a Rm 1. 8-17 ou Rm
Mt 4. 12-25 35) Lc 4. 16-30 12. 16-21
Mc 1. 14-20 Mt 8. 1-13
4º Domingo Sl 15 Sl 111 Sl 71. 1-6(7-11) 4º Domingo após Sl 96
após Epifania Mq 6. 1-8 Dt 18. 15-20 Jr 1. 4-10(17-19) Epifania Jn 1. 1-7
1Co 1. 18-31 1 Co 8. 1-13 1 Co 12. 31b-13. Rm 8. 18-23 ou Rm
Mt 5. 1-12 Mc 1. 21-28 13 13. 8-10
Lc 4. 31-44 Mt 8. 23-27
5º Domingo Sl 112. 1-9 Sl 147. 1-11 Sl 138 5º Domingo após Sl 80. 1-7
após Epifania Is 58. 3-9a Is 40. 21-31 Is 6. 1-8(9-13) Epifania Gn 18. 20-33
1 Co 2. 1-12(13- 1 Co 9. 16-27 1 Co 14. 12b-20 Cl 3. 12-17
16) Mc 1. 29-39 Lc 5. 1-11 Mt 13. 24-30(36-43)
Mt 5. 13-20
6º Domingo Sl 119. 1-8 Sl 30 Sl 1 Septuagésima Sl 95. 1-9
após Epifania Dt 30. 15-20 2 Rs 5. 1-14 Jr 17. 5-8 Êx 17. 1-7
1 Co 3. 1-9 1 Co 10. (19-30)31- 1 Co 15. (1-11)12- 1 Co 9. 24-10. 5
Mt 5. 21-37 11. 1 20 Mt 20. 1-16
Mc 1. 40-45 Lc 6. 17-26

7º Domingo Sl 119. 33-40 Sl 41 Sl 103. 1-13 Sexagésima Sl 84


após Epifania Lv 19. 1-2,9-18 Is 43. 18-25 Gn 45. 3-15 Is 55. 10-13
1 Co 3. 10-23 2 Co 1. 18-22 1 Co15. 21-26,30- 2 Co 11. 19-12. 9
Mt 5. 38-48 Mc 2. 1-12 42 ou Hb 4. 9-13
Lc 6. 27-38 Lc 8. 4-15

8º Domingo Sl 115. (1-8)9-18 Sl 103. 1-13 Sl 92 Quinquagésima Sl 89. 18-29 ou Sl


após Epifania Is 49. 8-16a Os 2. 14-20 Jr 7. 1-7(8-15) 146
1 Co 4. 1-13 2 Co 2. 12 -3. 6 1 Co 15. 42- 1 Sm 16. 1-13 ou Is
Mt 6. 24-34 Mc 2. (13-17)18-22 52(53-58) 35. 3-7
Lc 6. 39-49 1 Co 13. 1-13
Lc 18. 31-43

263
Transfiguração Sl 2. 6-12 Sl 50. 1-6 Sl 99 Transfiguração do Sl 2

264
do Senhor Úl- Êx 24. 8-18 2 Rs 2. 1-12 ou Êx Dt 34. 1-12 Senhor Êx 34. 29-35 ou Êx
timo Domingo 2 Pe 1. 16-21 34. 29-35 Hb 3. 1-6 3. 1-14
após Epifania Mt 17. 1-9 2 Co 3. 12-13(14- Lc 9. 28-36 2 Pe 1. 16-21
18);4. 1-6 Mt 17. 1-9
Mc 9. 2-9
Quarta-Feira de Sl 51. 1-13(14-19) Sl 51. 1-13(14-19) Sl 51. 1-13(14-19) Quarta-Feira de Sl 51. 1-13(14-19)
Cinzas Jl 2. 12-19 Jl 2. 12-19 Jl 2. 12-19 Cinzas Jl 2. 12-19 ou Jn 3.
2 Co 5. 20b-6. 10 2 Co 5. 20b-6. 10 2 Co 5. 20b-6. 10 1-10
Mt 6. 1-6,16-21 Mt 6. 1-6,16-21 Mt 6. 1-6,16-21 2 Pe 1. 2-11
Mt 6. (1-6)16-21
1º Domingo na Sl 32. 1-7 Sl 25. 1-10 Sl 91. 1-13 1º Domingo na Sl 32 ou Sl 118.
Quaresma Gn 3. 1-21 Gn 22. 1-18 Dt 26. 1-11 Quaresma 1-13
Rm 5. 12-19 Tg 1. 12-18 Rm 10. 8b-13 Invocavit Gn 3. 1-21 ou 1 Sm
Mt 4. 1-11 Mc 1. 9-15 Lc 4. 1-13 17. 40-51
2 Co 6. 1-10 ou Hb
4. 14-16
Mt 4. 1-11
2º Domingo na Sl 121 Sl 22. 23-31 Sl 4 2º Domingo na Sl 121
Quaresma Gn 12. 1-9 Gn 17. 1-7,15-16 Jr 26. 8-15 Quaresma Gn 32. 22-32
Rm 4. 1-8,13-17 Rm 5. 1-11 Fp 3. 17-4. 1 Reminiscere 1 Ts 4. 1-7 ou Rm
Jo 3. 1-17 Mc 8. 27-38 Lc 13. 31-35 5. 1-5
Mt 15. 21-28
3º Domingo na Sl 95. 1-9 Sl 19 Sl 85 3º Domingo na Sl 136. 1-16 ou Sl 4
Quaresma Êx 17. 1-7 Êx 20. 1-17 Ez 33. 7-20 Quaresma Êx 8. 16-24 ou Jr
Rm 5. 1-8 1 Co 1. 18-31 1 Co 10. 1-13 Oculi 26. 1-15
Jo 4. 5-26(27- Jo 2. 13-22(23-25) Lc 13. 1-9 Ef 5. 1-9
30,39-42) Lc 11. 14-28

4º Domingo na Sl 142 Sl 107. 1-9 Sl 32 4º Domingo na Sl 132. 8-18


Quaresma Is 42. 14-21 Nm 21. 4-9 Is 12. 1-6 Quaresma Êx 16. 2-21 ou Is
Ef 5. 8-14 Ef 2. 1-10 2 Co 5. 16-21 Laetare 49. 8-13
Jo 9. 1-41 ou Jo 9. Jo 3. 14-21 Lc 15. 1-3,11-32 Gl 421-31 ou At 2.
1-7,13-17,34-39 41-47
Jo 6. 1-15
5º Domingo na Sl 130 Sl 119. 9-16 Sl 126 5º Domingo na Sl 43
Quaresma Ez 37. 1-14 Jr 31. 31-34 Is 43. 16-21 Quaresma Gn 22. 1-14
Rm 8. 1-11 Hb 5. 1-10 Fp 3. (4b-7)8-14 Judica Hb 9. 11-15
Jo 11. 1-45(46-53) Mc 10. (32-34)35- Lc 20. 9-20 Jo 8. (42-45)46-59
ou Jo 11. 17-27,38- 45
53

265
Domingo de Sl 118. 19-29 ou Sl Sl 118. 19-29 ou Sl Sl 118. 19-29 ou Domingo de Sl 118. 19-29 ou Sl

266
Ramos ou Do- 31. 9-16 31. 9-16 Sl 31. 9-16 Ramos ou 31. 9-16
mingo da Paixão Is 50. 4-9a Zc 9. 9-12 Dt 32. 36-39 Domingo da Zc 9. 9-12
Fp 2. 5-11 Fp 2. 5-11 Fp 2. 5-11 Paixão Fp 2. 5-11
Mt 26. 1-27. 66 ou Mc 14. 1-15. 47 ou Lc 22. 1-23. 56 ou Palmarum Mt 26. 1-27. 66 ou
Mt 27. 11- 66 [ou Mc 15. 1-47 [ou Mc Lc 23. 1-56 [ou Lc Mt 27. 11- 54
Mt 21. 1-11] ou Jo 11. 1-10] ou Jo 12. 19. 28-40] ou Jo Ramos:
12. 20-43 20-43 12. 20-43 Mt 21. 1-9 ou Jo 12.
12-19
Segunda-Feira Sl 36. 5-10 Sl 36. 5-10 Sl 36. 5-10 Segunda-Feira na Sl 36. 5-10
na Semana Santa Is 50. 5-10 Is 50. 5-10 Is 50. 5-10 Semana Santa Is 50. 5-10
Hb 9. 11-15 Hb 9. 11-15 Hb 9. 11-15 1 Pe 2. 21-24
Mt 26. 1-27. 66 ou Mt 26. 1-27. 66 ou Mt 26. 1-27. 66 Jo 12. 1-36(37-43)
Jo 12. 1-23 Jo 12. 1-23 ou Jo 12. 1-23

Terça-Feira na Sl 71. 1-14 Sl 71. 1-14 Sl 71. 1-14 Terça-Feira na Sl 54


Semana Santa Is 49. 1-7 Is 49. 1-7 Is 49. 1-7 Semana Santa Jr 11. 18-20
1 Co 1. 18-25(26- 1 Co 1. 18-25(26- 1 Co 1. 18-25(26- 1 Tm 6. 12-14
31) 31) 31) Mc 14. 1-15. 47
Mc 14. 1-15. 47 ou Mc 14. 1-15. 47 ou Mc 14. 1-15. 47
Jo 12. 23-50 Jo 12. 23-50 ou Jo 12. 23-50
Quarta-Feira na Sl 70 Sl 70 Sl 70 Quarta-Feira na Sl 60
Semana Santa Is 62. 11-63. 7 Is 62. 11-63. 7 Is 62. 11-63. 7 Semana Santa Is 62. 11-63. 7
Rm 5. 6-11 Rm 5. 6-11 Rm 5. 6-11 Ap 1. 5b-7
Lc 22. 1-23. 56 ou Lc 22. 1-23. 56 ou Lc 22. 1-23. 56 ou Lc 22. 1-23. 56
Jo 13. 16-38 Jo 13. 16-38 Jo 13. 16-38

Quinta-Feira Sl 116. 12-19 Sl 116. 12-19 Sl 116. 12-19 Quinta-Feira Sl 116. 12-19
Santa (Endoen- Êx 24. 3-11 Êx 24. 3-11 Jr 31. 31-34 Santa Êx 12. 1-14 ou Êx
ças) Hb 9. 11-22 1 Co 10. 16-17 Hb 10. 15-25 (Endoenças) 24. 3-11
Mt 26. 17-30 Mc 14. 12-26 Lc 22. 7-20 1 Co 11. 23-32
Jo 13. 1-15(34-35)
Sexta-Feira Sl 22 ou Sl 31 Sl 22 ou Sl 31 Sl 22 ou Sl 31 Sexta-Feira Santa Sl 22 ou Sl 31
Santa Is 52. 13-53. 12 Is 52. 13-53. 12 Is 52. 13-53. 12 Is 52. 13-53. 12
Hb 4. 14-16;5. 7-9 Hb 4. 14-16;5. 7-9 Hb 4. 14-16;5. 7-9 2 Co 5. 14-21
Jo 18. 1-19. 42 ou Jo 18. 1-19. 42 ou Jo 18. 1-19. 42 ou Jo 18. 1-19. 42
Jo 19. 17-30 Jo 19. 17-30 Jo 19. 17-30

Sábado de Sl 16 Sl 16 Sl 16 Sábado de Aleluia Sl 16


Aleluia Dn. 6. 1-24 Dn. 6. 1-24 Dn. 6. 1-24 Dn 6. 1-24
1 Pe 4. 1-8 1 Pe 4. 1-8 1 Pe 4. 1-8 1 Pe 3. 17-22
Mt 27. 57-66 Mt 27. 57-66 Mt 27. 57-66 Mt 27. 57-66

267
Aurora da Sl 118. 15-29 Sl 118. 15-29 Sl 118. 15-29 Aurora da Páscoa Sl 16

268
Páscoa Êx 14. 10-15. 1 Êx 15. 1-11 Jó 19. 23-27 Is 25. 6-9 ou Êx 14.
1 Co 15. 1-11 1 Co 5. 6b-8 1 Co 15. 51-57 10-15. 1
Jo 20. 1-18 Jo 20. 1-18 Jo 20. 1-18 1 Co 15. 1-11 ou 1
Co 15. 12-25
Jo 20. 1-18
A Ressurreição Sl 16 Sl 16 Sl 16 A Ressurreição Sl 118. 15-29
do Senhor At 10. 34-43 ou Jr Is 25. 6-9 Is 65. 17-25 do Senhor Jó 19. 23-27
Domingo de 31. 1-6 1 Co 15. 1-11 1 Co 15. 19-26 Domingo de 1 Co 5. 6-8 ou 1 Co
Páscoa Cl 3. 1-4 Mc 16. 1-8 Lc 24. 1-12 Páscoa 15. 51-57
Mt 28. 1-10 Mc 16. 1-8

Noite da Páscoa Sl 100 Sl 100 Sl 100 Noite da Páscoa Sl 100


ou Segunda- Êx 15. 1-18 ou Dn Êx 15. 1-18 ou Dn Êx 15. 1-18 ou ou Segunda-Feira Êx 15. 1-18
Feira de Páscoa 12. 1c-3 12. 1c-3 Dn 12. 1c-3 de Páscoa At 10. 34-43
At 10. 34-43 ou 1 At 10. 34-43 ou 1 At 10. 34-43 ou 1 Lc 24. 13-35
Co 5. 6b-8 Co 5. 6b-8 Co 5. 6b-8
Lc 24. 13-35(36- Lc 24. 13-35(36-49) Lc 24. 13-35(36-
49) 49)
Terça-Feira da Sl 2 Sl 2 Sl 2 Terça-Feira da Sl 2
Páscoa Dn 3. 8-28 Dn 3. 8-28 Dn 3. 8-28 Páscoa Dn 3. 8-28
At 13. 26-33 At 13. 26-33 At 13. 26-33 At 13. 26-33
Lc 24. 36-49 Lc 24. 36-49 Lc 24. 36-49 Lc 24. 36-48(49)

Quarta-Feira da Sl 61 Sl 61 Sl 61 Quarta-Feira da Sl 61
Páscoa At 3. 13-15,17-19 At 3. 13-15,17-19 At 3. 13-15,17-19 Páscoa At 3. 13-15,17-19
Cl 3. 1-7 ou 1 Co Cl 3. 1-7 ou 1 Co Cl 3. 1-7 ou 1 Co Cl 3. 1-7 ou 1 Co
11. 23-26 11. 23-26 11. 23-26 11. 23-26
Jo 21. 1-14 Jo 21. 1-14 Jo 21. 1-14 Jo 21. 1-14
2º Domingo da Sl 148 Sl 148 Sl 148 2º Domingo da Sl 33
Páscoa At 5. 29-42 At 4. 32-35 At 5. 12-20(21-32) Páscoa Ez 37. 1-14
1 Pe 1. 3-9 1 Jo 1. 1-2. 2 Ap 1. 4-18 Quasimodo 1 Jo 5. 4-10
Jo 20. 19-31 Jo 20. 19-31 Jo 20. 19-31 Geniti Jo 20. 19-31

3º Domingo da Sl 116. 1-14 Sl 4 Sl 30 3º Domingo da Sl 23


Páscoa At 2. 14a,36-41 At 3. 11-21 At 9. 1-22 Páscoa Ez 34. 11-16
1 Pe 1. 17-25 1 Jo 3. 1-7 Ap 5. (1-7)8-14 Misericordias 1 Pe 2. 21-25
Lc 24. 13-35 Lc 24. 36-49 Jo 21. 1-14(15-19) Domini Jo 10. 11-16

269
4º Domingo da Sl 23 Sl 23 Sl 23 4º Domingo da Sl 147. 1-11

270
Páscoa At 2. 42-47 At 4. 1-12 At 20. 17-35 Páscoa Is 40. 25-31 ou Lm
1 Pe 2. 19-25 1 Jo 3. 16-24 Ap 7. 9-17 Jubilate 3. 22-33
Jo 10. 1-10 Jo 10. 11-18 Jo 10. 22-30 1 Pe 2. 11-20 ou 1
Jo 3. 1-3
Jo 16. 16-22
5º Domingo da Sl 146 Sl 150 Sl 148 5º Domingo da Sl 66. 1-8
Páscoa At 6. 1-9;7. 2a,51- At 8. 26-40 At 11. 1-18 Páscoa Is 12. 1-6
60 1 Jo 4. 1-11(12-21} Ap 21. 1-7 Cantate Tg 1. 16-21
1 Pe 2. 2-10 Jo 15. 1-8 Jo 16. 12-22 ou Jo Jo 16. 5-15
Jo 14. 1-14 13. 31-35

6º Domingo da Sl 66. 8-20 Sl 98 Sl 67 6º Domingo da Sl 107. 1-9


Páscoa At 17. 16-31 At 10. 34-48 At 16. 9-15 Páscoa Nm 21. 4-9
1 Pe 3. 13-22 1 Jo 5. 1-8 Ap 21. 9-14,21-27 Rogate 1 Tm 2. 1-6 ou Tg
Jo 14. 15-21 Jo 15. 9-17 Jo 16. 23-33 ou Jo 1. 22-27
5. 1-9 Jo 16. 23-30(31-33)
Ascensão do Sl 47 Sl 47 Sl 47 Ascensão do Sl 110
Senhor At 1. 1-11 At 1. 1-11 At 1. 1-11 Senhor 2 Rs 2. 5-15
Ef 1. 15-23 Ef 1. 15-23 Ef 1. 15-23 At 1. 1-11
Lc 24. 44-53 Lc 24. 44-53 Lc 24. 44-53 Mc 16. 14-20 ou Lc
24. 44-53
7º Domingo da Sl 68. 1-10 Sl 1 Sl 133 7º Domingo da Sl 51. 1-12
Páscoa At 1. 12-26 At 1. 12-26 At 1. 12-26 Páscoa Ez 36. 22-28
1 Pe 4. 12-19;5. 1 Jo 5. 9-15 Ap 22. 1-6(7- Exaudi 1 Pe 4. 7-11(12-14)
6-11 Jo 17. 11b-19 11)12-20 Jo 15. 26-16. 4
Jo 17. 1-11 Jo 17. 20-26

Véspera de Sl 113 Sl 113 Sl 113 Véspera de Pente- Sl 85


Pentecostes Êx 19. 1-9 Êx 19. 1-9 Êx 19. 1-9 costes Jl 3. 1-5
Rm 8. 12-17(22- Rm 8. 12-17(22-27) Rm 8. 12-17(22- Rm 8. 12-17
27) Jo 14. 8-21 27) Jo 14. 15-21
Jo 14. 8-21 Jo 14. 8-21

271
Pentecostes Sl 25. 1-15 Sl 139. 1-12 Sl 143 Pentecostes Sl 143

272
Nm 11. 24-30 [ou Ez 37. 1-14 [ou Jl Gn 11. 1-9 [ou Jl Gn 11. 1-9
Jl 2. 29-29] 2. 29-29] 2. 29-29] At 2. 1-21
At 2. 1-21 At 2. 1-21 At 2. 1-21 Jo 14. 23-31
Jo 7. 37-39 Jo 15. 26-27;16. Jo 14. 23-31
4b-15
Noite de Sl 43 Sl 43 Sl 43 Noite de Pen- Sl 43
Pentecostes ou Is 57. 15-21 Is 57. 15-21 Is 57. 15-21 tecostes ou Is 57. 15-21
Segunda-Feira At 10. 34a,42-48 At 10. 34a,42-48 At 10. 34a,42-48 Segunda-Feira de At 10. 34a,42-48
de Pentecostes Jo 3. 16-21 Jo 3. 16-21 Jo 3. 16-21 Pentecostes Jo 3. 16-21

Terça-Feira de Sl 27 Sl 27 Sl 27 Terça-Feira de Sl 85
Pentecostes Is 32. 14-20 Is 32. 14-20 Is 32. 14-20 Pentecostes Is 32. 14-20
At 8. 14-17 At 8. 14-17 At 8. 14-17 At 8. 14-17
Jo 10. 1-10 Jo 10. 1-10 Jo 10. 1-10 Jo 10. 1-10

A Santíssima Sl 8 Sl 29 Sl 8 A Santíssima Sl 29
Trindade Gn 1. 1-2. 4a Is 6. 1-8 Pv 8. 1-4,22-31 Trindade Is 6. 1-7
At 2. 14a,22-36 At 2. 14a,22-36 At 2. 14a,22-36 Rm 11. 33-36
Mt 28. 16-20 Jo 3. 1-17 Jo 8. 48-59 Jo 3. 1-15(16-17)
Próprio 3 – Do- Sl 115. (1-8)9-18 Sl 103. 1-13 Sl 112. 1-9 1º Domingo após Sl 33. 12-22
mingo entre 24 Is 49. 8-16a Os 2. 14-20 Gn 50. 15-21 Trindade Gn 15. 1-6
e 28/05 Rm 1. 8-17 At 2. 14a,36-47 At 2. 14a,36-47 1 Jo 4. 16-21
Mt 6. 24-34 Mc 2. (13-17)18-22 Lc 6. (20-26)27-42 Lc 16. 19-31

Próprio 4 – Sl 4 Sl 81. 1-10 Sl 96. 1-9 2º Domingo após Sl 34. 12-22


Domingo entre Dt 11. 18-21,26-28 Dt 5. 12-15 1 Rs 8. 22-24,27- Trindade Pv 9. 1-10
29/05 e 4/06 Rm 3. 21-28 2 Co 4. 5-12 29,41-43 Ef 2. 13-22 ou 1 Jo
Mt 7. 15-29 Mc 2. 23-28(3. 1-6) Gl 1. 1-12 3. 13-18
Lc 7. 1-10 Lc 14. 15-24

Próprio 5 – Sl 119. 65-72 Sl 130 Sl 30 3º Domingo após Sl 103. 1-13


Domingo entre Os 5. 15-6. 6 Gn 3. 8-15 1 Rs 17. 17-24 Trindade Mq 7. 18-20
5 e 6/06 Rm 4. 13-25 2 Co 4. 13-5. 1 Gl 1. 11-24 1 Tm 1. 12-17 ou 1
Mt 9. 9-13 Mc 3. 20-35 Lc 7. 11-17 Pe 5. 6-11
Lc 15. 1-10 ou Lc
15. 11-32

273
Próprio 6 – Do- Sl 100 Sl 1 Sl 32. 1-7 4º Domingo após Sl 138

274
mingo entre 12 Êx 19. 2-8 Ez 17. 22-24 2 Sm 11. 26-12. Trindade Gn 50. 15-21
e 18/06 Rm 5. 6-15 2 Co 5. 1-10(11-17) 10,13-14 Rm 12. 14-21 ou
Mt 9. 35-10. 8(9- Mc 4. 26-34 Gl 2. 15-21;3. Rm 8. 18-23
20) 10-14 Lc 6. 36-42
Lc 7. 36-8. 3
Próprio 7 – Do- Sl 91. 1-10(11-16) Sl 124 Sl 3 5º Domingo após Sl 16
mingo entre 19 Jr 20. 7-13 Jó 38. 1-11 Is 65. 1-9 Trindade 1 Rs 19. 11-21
e 25/06 Rm 6. 12-23 2 Co 6. 1-13 Gl 3. 23-4. 7 1 Co 1. 18-25 ou 1
Mt 10. 5a,21-33 Mc 4. 35-41 Lc 8. 26-39 Pe 3. 8-15
Lc 5. 1-11
Próprio 8 – Sl 119. 153-160 Sl 30 Sl 16 6º Domingo após Sl 19
Domingo entre Jr 28. 5-9 Lm 3. 22-33 1 Rs 19. 9b-21 Trindade Êx 20. 1-17
26/06 e 2/07 Rm 7. 1-13 2 Co 8. 1-9,13-15 Gl 5. 1,13-25 Rm 6. (1-2)3-11
Mt 10. 34-42 Mc 5. 21-43 Lc 9. 51-62 Jo 5. (17-19)20-26

Próprio 9 – Sl 145. 1-14 Sl 123 Sl 66. 1-7 7º Domingo após Sl 33. 1-11
Domingo entre Zc 9. 9-12 Ez 2. 1-5 Is 66. 10-14 Trindade Gn 2. 7-17
3 e 9/07 Rm 7. 14-25a 2 Co 12. 1-10 Gl 6. 1-10,14-18 Rm 6. 19-23
Mt 11. 25-30 Mc 6. 1-13 Lc 10. 1-20 Mc 8. 1-9
Próprio 10 – Sl 65. (1-8)9-13 Sl 85. (1-7)8-13 Sl 41 8º Domingo após Sl 26
Domingo entre Is 55. 10-13 Am 7. 7-15 Lv (18. 1-5);19. Trindade Jr 23. 16-29
10 e 16/07 Rm 8. 12-17 Ef 1. 3-14 9-18 At 20. 27-38 ou Rm
Mt 13. 1-9,18-23 Mc 6. 14-29 Cl 1. 1-14 8. 12-17
Lc 10. 25-37 Mt 7. 15-23

Próprio 11 – Sl 119. 57-64 Sl 23 9º Domingo após Sl 51. 1-12


Domingo entre Is 44. 6-8 Jr 23. 1-6 Trindade 2 Sm 22. 26-34
17 e 23/07 Rm 8. 18-27 Ef 2. 11-22 1 Co 10. 6-13
Mt 13. 34-30,36-43 Mc 6. 30-34 Lc 16. 1-9(10-13)

Próprio 12 – Sl 125 Sl 136. 1-9 Sl 138 10º Domingo Sl 92


Domingo entre Dt 7. 6-9 Gn 9. 8-17 Gn 18(17-19)20- após Trindade Jr 8. 4-12 ou Jr 7.
24 e 30/07 Rm 8. 28-39 Ef 3. 14-21 33 1-11
Mt 13. 44-52 Mc 6. 45-56 Cl 2. 6-15(16-19) Rm 9. 30-10. 4 ou 1
Lc 11. 1-13 Co 12. 1-11
Lc 19. 41-48

275
Próprio 13 – Sl 136. 1-9(23-26) Sl 145. 10-21 Sl 100 11º Domingo Sl 50. 7-23

276
Domingo entre Is 55. 1-5 Êx 16. 2-15 Ec 1. 2,12-14;2. após Trindade Gn 4. 1-15
31/07 e 6/08 Rm 9. 1-5(6-13) Ef 4. 1-16 18-26 Ef 2. 1-10 ou 1 Co
Mt 14. 13-21 Jo 6. 22-35 Cl 3. 1-11 15. 1-10
Lc 12. 13-21 Lc 18. 9-14

Próprio 14 – Sl 18. 1-6(7-16) Sl 34. 1-8 Sl 33. 12-22 12º Domingo Sl 146
Domingo entre Jó 38. 4-18 1 Rs 19. 1-8 Gn 15. 1-6 após Trindade Is 29. 17-24
7 e 13/08 Rm 10. 5-17 Ef 4. 17-5. 2 Hb 11. 1-16 2 Co 3. 4-11 ou Rm
Mt 14. 22-33 Jo 6. 35-51 Lc 12. 22-34(35- 10. 9-17
40) Mc 7. 31-37

Próprio 15 – Sl 67 Sl 34. 12-22 Sl 119. 81-88 13º Domingo Sl 32


Domingo entre Is 56. 1,6-8 Pv 9. 1-10 ou Js 24. Jr 23. 16-29 após Trindade 2 Cr 28. 8-15
14 e 20/08 Rm 11. 1-2a,13-15, 1-2a,14-18 Hb 11. 17-31(32- Gl 3. 15-22
28-32 Ef 5. 6-21 40);12. 1-3 Lc 10. 23-37
Mt 15. 21-28 Jo 6. 51-69 Lc 12. 49-53(54-
56)
Próprio 16 – Sl 138 Sl 14 Sl 50. 1-15 14º Domingo Sl 119. 9-16
Domingo entre Is 51. 1-6 Is 29. 11-19 Is 66. 18-23 após Trindade Pv 4. 10-23
21 e 27/08 Rm 11. 33-12. 8 Ef 5. 22-33 Hb 12. 4-24(25- Gl 5. 16-24
Mt 16. 13-20 Mc 7. 1-13 29) Lc 17. 11-19
Lc 13. 22-30

Próprio 17 – Sl 26 Sl 119. 129-136 Sl 131 15º Domingo Sl 146


Domingo entre Jr 15. 15-21 Dt 4. 1-2,6-9 Pv 25. 2-10 após Trindade 1 Rs 17. 8-16
28/08 e 3/09 Rm 12. 9-21 Ef 6. 10-20 Hb 13. 1-17 Gl 5. 25-6. 10
Mt 16. 21-28 Mc 7. 14-23 Lc 14. 1-14 Mt 6. 24-34

Próprio 18 – Sl 32. 1-7 Sl 146 Sl 1 16º Domingo Sl 30


Domingo entre Ez 33. 7-9 Is 35. 4-7a Dt 30 15-20 após Trindade 1 Rs 17. 17-24
4 e 10/09 Rm 13. 1-10 Tg 2. 1-10,14-18 Fm 1-21 Ef 3. 13-21
Mt 18. 1-20 Mc 7. (24-30)31-37 Lc 14. 25-35 Lc 7. 11-17

277
Próprio 19 – Sl 103. 1-12 Sl 116. 1-9 Sl 119. 169-176 17º Domingo Sl 2

278
Domingo entre Gn 50. 15-21 Is 50. 4-10 Ez 34. 11-24 após Trindade Pv 25. 6-14
11 e 17/09 Rm 14. 1-12 Tg 3. 1-12 1 Tm 1. (5-11)12- Ef 4. 1-6
Mt 18. 21-35 Mc 9. 14-29 17 Lc 14. 1-11
Lc 15. 1-10

Próprio 20 – Sl 27. 1-9 Sl 54 Sl 113 18º Domingo Sl 34. 8-22


Domingo entre Is 55. 6-9 Jr 11. 18-20 Am 8. 4-7 após Trindade Dt 10. 12-21
18 e 24/09 Fp 1. 12-14,19-30 Tg 3. 13-4. 10 1 Tm 2. 1-8(9-15) 1 Co 1. (1-3)4-9
Mt 20. 1-16 Mc 9. 30-37 Lc 16. 1-15 Mt 22. 34-46

Próprio 21 – Sl 25. 1-10 Sl 104. 27-35 Sl 146 19º Domingo Sl 84


Domingo entre Ez 18. 1-4,25-32 Nm 11. 4-6,10- Am 6. 1-7 após Trindade Gn 28. 10-17
25/09 e 1/10 Fp 2. 1-4(5-13)14- 16,24-29 1 Tm 3. 1-13 ou 1 Ef 4. 22-28
18 Tg 5. (1-12)13-20 Tm 6. 6-19 Mt 9. 1-8
Mt 21. 23-27(28- Mc 9. 38-50 Lc 16. 19-31
32)
Próprio 22 – Sl 80. 7-19 Sl 128 Sl 62 20º Domingo Sl 27. 1-9
Domingo entre Is 5. 1-7 Gn 2. 18-25 Hc 1. 1-4;2. 1-4 após Trindade Is 55. 1-9
2 e 8/10 Fp 3. 4b-14 Hb 2. 1-13(14-18) 2 Tm 1. 1-14 Ef 5. 15-21
Mt 21. 33-46 Mc 10. 2-16 Lc 17. 1-10 Mt 22. 1-14 ou Mt
21. 33-44
Próprio 23 – Sl 23 Sl 90. 12-17 Sl 111 21º Domingo Sl 8
Domingo entre Is 25. 6-9 Am 5. 6-7,10-15 Rt 1. 1-19a após Trindade Gn 1. 1-2. 3
9 e 15/10 Fp 4. 4-13 Hb 3. 12-19 2 Tm 2. 1-13 Ef 6. 10-17
Mt 22. 1-14 Mc 10. 17-22 Lc 17. 11-19 Jo 4. 46-54

Próprio 24 – Sl 96. 1-9(10-13) Sl 119. 9-16 Sl 121 22º Domingo Sl 116. 12-19
Domingo entre Is 45. 1-7 Ec 5. 10-20 Gn 32. 22-30 após Trindade Mq 6. 6-8
16 e 22/10 1 Ts 1. 1-10 Hb 4. 1-13(14-16) 2 Tm 3. 14-4. 5 Fp 1. 3-11
Mt 22. 15-22 Mc 10. 23-31 Lc 18. 1-8 Mt 18. 21-35

Próprio 25 – Sl 1 Sl 126 Sl 5 23º Domingo Sl 111


Domingo entre Lv 19. 1-2,15-18 Jr 31. 7-9 Gn 4. 1-15 após Trindade Pv 8. 11-22
23 e 29/10 1Ts 2. 1-13 Hb 7. 23-28 2 Tm 4. 6-8,16-18 Fp 3. 17-21

279
Mt 22. 34-46 Mc 10. 46-52 Lc 18. 9-17 Mt 22. 15-22
Próprio 26 – Sl 43 Sl 119. 1-8 Sl 130 24º Domingo Sl 126
Domingo entre Mq 3. 5-12 Dt 6. 1-9 Is 1. 10-18 após Trindade Is 51. 9-16

280
30/10 e 5/11 1 Ts 4. 1-12 Hb 9. 11-14(15-22) 2 Ts 1. 1-5(6- Cl 1. 9-14
Mt 23. 1-12 Mc 12. 28-37 10)11-12 Mt 9. 18-26
Lc 19. 1-10
Próprio 27 – Sl 70 Sl 146 Sl 148 25º Domingo Sl 14 ou Sl 102.
Domingo entre Am 5. 18-24 1 Rs 17. 8-16 Êx 3. 1-15 após Trindade 1-13
6 e 12/11 1 Ts 4. 13-18 Hb 9. 24-28 2 Ts 2. 1-8,13-17 Êx 32. 1-20 ou Jó
Mt 25. 1-13 Mc 12. 38-44 Lc 20. 27-40 14. 1-6
1 Ts 4. 13-18
Mt 24. 15-28 ou Lc
17. 20-30
Próprio 28 – Sl 90. 1-12 Sl 16 Sl 98 26º Domingo Sl 50. 1-15
Domingo entre Sf 1. 7-16 Dn 12. 1-3 Ml 4. 1-6 após Trindade Dn 7. 9-14
13 e 19/11 1 Ts 5. 1-11 Hb 10. 11-25 2 Ts 3. (1-5)6-13 2 Pe 3. 3-14
Mt 25. 14-30 Mc 13. 1-13 Lc 21. 5-28(29-36) Mt 25. 31-46

Próprio 29 – Sl 95. 1-7a Sl 93 Sl 46 Último Domingo Sl 149


Domingo entre Ez 34. 11-16,20-24 Is 51. 4-6 ou Dn 7. Ml 3. 13-18 do Ano da Igreja Is 65. 17-25
20 e 26/11 [ou Is 65. 17-25] 9-10,13-14 Cl 1. 13-20 1 Ts 5. 1-11
1 Co 15. 20-28 [ou Jd 20-25 ou Ap 1. Lc 23. 27-43 Mt 25. 1-13
2 Pe 3. 3-13] 4b-8
Mt 25. 31-46 Mc 13. 24-37 ou Jo
18. 33-37
Dias festivos

André, Apóstolo Sl 139. 1-12


30 de Novembro Ez 3. 16-21
Rm 10. 8b-18
Jo 1. 35-42ª
Tomé, Apóstolo Sl 136. 1-4
21 de Dezembro Jz 6. 36-40
Ef 4. 7,11-16
Jo 20. 24-29
Estevão, Mártir Sl 119. 137-144
26 de Dezembro 2 Cr 24. 17-22
At 6. 8-72a,51-60
Mt 23. 34-39
João, Apóstolo e Evangelista Sl 11
27 de Dezembro Ap 1. 1-6
1 Jo 1. 1-2. 2
Jo 21. 20-25
Mártires Inocentes Sl 54
28 de Dezembro Jr 31. 15-17
Ap 14. 1-5
Mt 2. 13-18
Véspera de Ano Novo Sl 90. 1-12
31 de Dezembro Is 30. (8-14)15-17
Rm 8. 31b-39
Lc 12. 35-40
Circuncisão e Nome do Senhor Sl 8
Dia de Ano Novo Nm 6. 22-27
1º de Janeiro Gl 3. 23-29
Lc 2. 21
Confissão de Pedro Sl 118. 19-29
18 de Janeiro At 4. 8-13
2 Pe 1. 1-15
Mc 8. 27-35(36-9. 1)
Timóteo, Pastor e Confessor Sl 71. 15-24
24 de Janeiro At 16. 1-5
1 Tm 6. 11-16
Mt 24. 42-47

281
Conversão de Paulo Sl 67
25 de Janeiro At 9. 1-22
Gl 1. 11-24
Mt 19. 27-30
Tito, Pastor e Confessor Sl 71. 1-14
26 de Janeiro At 20. 28-35
Tt 1. 1-9
Lc 10. 1-9
Purificação de Maria e Apresen- Sl 84
tação de Nosso Senhor 1 Sm 1. 21-28
2 de Fevereiro Hb 2. 14-18
Lc 2. 22-32(33-40
Matias, Apóstolo Sl 134
24 de Fevereiro Is 66. 1-2
At 1. 15-26
Mt 11. 25-30
José, Guardião de Jesus Sl 127
19 de Março 2 Sm 7. 4-16
Rm 4. 13-18
Mt 2. 13-15,19-23
Anunciação de Nosso Senhor Sl 45. 7-17
25 de Março Is 7. 10-14
Hb 10. 4-10
Lc 1. 26-38
Marcos, Evangelista Sl 146
25 de Abril Is 52. 7-10
2 Tm 4. 5-18
Mc 16. 14-20
Filipe e Tiago, Apóstolos Sl 36. 5-12
1º de Maio Is 30. 18-21
Ef 2. 19-22
Jo 14. 1-14
Visitação Sl 138
31 de Maio ou 2 de Julho Is 11. 1-5
Rm 12. 9-16
Lc 1. 39-45(46-56)

282
Barnabé, Apóstolo Sl 112
11 de Junho Is 42. 5-12
At 11. 19-30;13. 1-3
Mc 6. 7-13
Nascimento de João Batista Sl 85. (1-6)7-13
24 de Junho Is 40. 1-5
At 13. 13-26
Lc 1. 57-80
Pedro e Paulo, Apóstolos Sl 46
29 de Junho At 15. 1-12(13-21)
Gl 2. 1-10
Mt 16. 13-19
Maria Madalena Sl 73. 23-28
22 de Julho Pv 31. 10-31
At 13. 26-31
Jo 20. 1-2,10-18
Tiago, o Maior, Apóstolo Sl 56
25 de Julho At 11. 27-12. 5
Rm 8. 28-39
Mc 10. 35-45
Maria, Mãe de Nosso Senhor Sl 45. 10-17
15 de Agosto Is 61. 7-11
Gl 4. 4-7
Lc 1. (39-45)46-55
Bartolomeu, Apóstolo Sl 121
24 de Agosto Pv 3. 1-8
2 Co 4. 7-10
Lc 22. 24-30 ou Jo 1. 43-51
Martírio de João Batista Sl 71. 1-8
29 de Agosto Ap 6. 9-11
Rm 6. 1-5
Mc 6. 14-29
Dia da Santa Cruz Sl 40. 1-11
14 de Setembro Nm 21. 4-9
1 Co 1. 18-25
Jo 12. 20-33

283
Mateus, Apóstolo e Evangelista Sl 119. 33-40
21 de setembro Ez 2. 8-3. 11
Ef 4. 7-16
Mt 9. 9-13
Miguel e Todos os Anjos Sl 91
29 de Setembro Dn 10. 10-14;12. 1-3
Ap 12. 7-12
Mt 18. 1-11 ou Lc 10. 17-20
Lucas, Evangelista Sl 147. 1-11
18 de Outubro Is 35. 5-8
2 Tm 4. 5-18
Lc 10. 1-9
Tiago de Jerusalém, Irmão de Sl 133
Jesus e Mártir At 15. 12-22a
23 de Outubro Tg 1. 1-12
Mt 13. 54-58
Simão e Judas, Apóstolos Sl 43
28 de Outubro Jr 26. 1-16
1 Pe 1. 3-9
Jo 15. (12-16)17-21
Dia da Reforma Sl 46
31 de Outubro Ap 14. 6-7
Rm 3. 19-28
Jo 8. 31-36 ou Mt 11. 12-19
Dia de Todos os Santos Sl 149
1º de Novembro Ap 7. (2-8)9-17
1 Jo 3. 1-3
Mt 5. 1-12
Finados Sl 34. 1-9
2 de Novembro Is 35. 3-10
2 Pe 3. 8-14,18
Jo 5. 24-29

284
Ocasiões

Aniversário de Congregação Sl 84
1 Rs 8. 22-30
Ap 21. 1-5
Lc 19. 1-10
Festival Missionário Sl 96
Is 62. 1-7
Rm 10. 11-17
Lc 24. 44-53
Educação Cristã Sl 119. 129-136
Dt 6. 4-15
At 2. 37-41
Lc 18. 15-17
Ação de Graças Sl 67
Dt 8. 1-10
Fp 4. 6-20 ou 1 Tm 2. 1-4
Lc 17. 11-19
Súplica e Oração Sl 6
Jl 2. 12-19
1 Jo 1. 5-2. 2
Mt 6. 16-21
Calamidade Local ou Nacional Sl 130
Jó 30. 16-24 ou Ap 7. 13-17
Rm 8. 31-39 ou Hb 12. 4-13
Lc 13. 1-9 ou Mt 24. 32-35
Festa da Colheita Sl 65
Dt 26. 1-11
2 Co 9. 5-15
Lc 12. 13-21
Festival da Música Sl 150
Is 12
Ap 15. 2-4 ou Cl 3. 12-17
Mt 21. 14-17 ou Lc 1. 39-55

285
1. Ordem do culto principal I1

Primeira parte: preparação


01. HINO DE INVOCAÇÃO
02. INVOCAÇÃO
O - Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.
C - Amém.
03. EXORTAÇÃO e/ou ALOCUÇÃO CONFESSIONAL
04. CONFISSÃO e ABSOLVIÇÃO
Primeira parte: preparação
01. HINO DE INVOCAÇÃO
02. INVOCAÇÃO
O - Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.
C - Amém.
03. EXORTAÇÃO e/ou ALOCUÇÃO CONFESSIONAL
04. CONFISSÃO e ABSOLVIÇÃO
C - Socorro bem presente nas tribulações.
O - Se dissermos que não temos pecado, a nós
mesmos nos enganamos, e a verdade não está em
nós.
C - Mas se confessarmos os nossos peca-
dos, ele é fiel e justo para nos perdoar e nos
purificar de toda injustiça.
O - Confessemos, pois, os nossos pecados:

1 HINÁRIO LUTERANO p. 13-33.

286
T - Ó Deus de toda misericórdia, nós te con-
fessamos que, por natureza, somos pecaminosos
e impuros e que temos cometido pecado contra
ti por pensamentos, palavras e ações, tanto pelo
que fizemos como pelo que deixamos de fazer.
Merecemos por isso a tua eterna condenação. Ó
Deus, por amor de Jesus Cristo, não nos conde-
nes. Tem misericórdia de nós. Dá-nos o teu per-
dão.
Consolá-nos com o teu Santo Espírito

I II
O - O Deus de toda a mi- O - Tendo, pois, confes-
sericórdia entregou o seu sado os vossos pecados,
próprio Filho à morte, e confiando no perdão de
por amor dele nos per- Deus e desejando o con-
doou todos os pecados. solo do Espírito Santo,
E aos que nele confiam, como ministro da Pala-
Deus reconhece e declara vra, chamado e ordena-
filhos e herdeiros do seu do, anuncio-vos a graça
reino e lhes concede o de Deus e, em nome e
Espírito Santo. por ordem de Jesus Cris-
C - Amém. to, perdoo todos os vos-
sos pecados, em nome
do Pai e do Filho e do
Espírito Santo.
C - Amém.

Segunda parte: Ofício da palavra


05. INTRÓITO (SALMO)
GLORIA PATRI (Falado ou cantado)
C - Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo,

287
como era no princípio, agora é, e para sempre será, de
eternidade a eternidade. Amém.
06. KYRIE
O - Kyrie eleison.
C - Ó Senhor, misericórdia!
O - Christe eleison.
C - Ó Cristo, misericórdia!
O - Kyrie eleison.
C - Ó Senhor, misericórdia!
07. GLORIA IN EXCELSIS
C - Glória a Deus nas alturas, e paz na terra en-
tre os homens, a quem ele quer bem. Ó Senhor Deus, Rei
dos céus, Deus Pai todo-poderoso: a ti louvamos, bendi-
zemos, adoramos, a ti glorificamos e rendemos graças por
tua grande glória. Ó Senhor, Filho unigênito, Jesus Cristo!
Ó Senhor Deus, Cordeiro de Deus, Filho do Pai, que tiras
o pecado do mundo, tem misericórdia de nós. Tu, que ti-
ras o pecado do mundo, aceita a nossa súplica de perdão.
Tu, que estás sentado à direita do Pai, tem misericórdia
de nós. Pois só tu és o Santo, só tu és o Senhor, só tu és o
Altíssimo, Jesus Cristo, com o Espírito Santo, na glória de
Deus Pai. Amém.
08. SAUDAÇÃO
O - O Senhor esteja convosco.
C - E contigo também.
09. ORAÇÃO DO DIA
C - Amém.

1 HINÁRIO LUTERANO p. 13-33.

288
10. LEITURA DO ANTIGO TESTAMENTO
11. LEITURA DA EPÍSTOLA
12. GRADUAL ou HINO DO GRADUAL
(Se o gradual for falado, a congregação cantará ao final):
C - Aleluia, Aleluia, Aleluia!
13. LEITURA DO EVANGELHO
O - (anuncia o Evangelho)
C - Glória a ti, Senhor Jesus.
(Após a Leitura do Evangelho):
C - Glória a ti, ó Cristo Jesus.
14. HINO DO DIA
15. SERMÃO
16. CONFISSÃO DA FÉ

A: CREDO NICENO B: CREDO APOSTÓLICO


T - Creio em um só Deus, T - Creio em Deus Pai to-
Pai todo-poderoso, Criador do-poderoso, Criador do
do céu e da terra, tanto das céu e da terra.
coisas visíveis como das E em Jesus Cristo, seu úni-
invisíveis. co Filho, nosso Senhor, o
E em um só Senhor Jesus qual foi concebido pelo Es-
Cristo, Filho unigênito de pírito Santo, nasceu da vir-
Deus, nascido do Pai antes gem Maria, padeceu sob
de todos os mundos, Deus Pôncio Pilatos, foi cruci-
de Deus, Luz de Luz, ver- ficado, morto e sepultado;
dadeiro Deus do verdadei- desceu ao inferno, no ter-
ro Deus, gerado, não cria- ceiro dia ressuscitou dos
do, de uma só substância mortos, subiu ao céu e está

289
com o Pai, por quem to- sentado à direita de Deus
das as coisas foram feitas; Pai todo-poderoso, donde
o qual por nós homens e há de vir a julgar os vivos e
pela nossa salvação desceu os mortos.
do céu e se encarnou pelo Creio no Espírito Santo,
Espírito Santo na virgem na santa Igreja Cristã — a
Maria e foi feito homem; comunhão dos santos, na
foi também crucificado por remissão dos pecados, na
nós sob Pôncio Pilatos, pa- ressurreição da carne e na
adeceu e foi sepultado; e ao vida eterna. Amém.
terceiro dia ressuscitou se-
gundo as Escrituras, e su-
biu aos céus, e está sentado
à direita do Pai e virá nova-
mente em glória a julgar os
vivos e os mortos, cujo rei-
no não terá fim. E no Espí-
rito Santo, Senhor e Doador
da vida, o qual procede do
Pai e do Filho, que junta-
mente com o Pai e o Filho
é adorado e glorificado; que
falou pelos profetas. E uma
única santa Igreja Cristã e
Apostólica. Confesso um
só Batismo para remissão
dos pecados, e espero a
ressurreição dos mortos e
a vida do mundo vindouro.
Amém.

290
ou
D: HINO DO CREDO 232 ou 233
ou
E: CREDO ATANASIANO, pág. 12 (No HL, p. 88)
17. ORAÇÃO GERAL DA IGREJA
18. RECOLHIMENTO DAS OFERTAS
(Não havendo celebração da santa ceia, segue):
PAI-NOSSO – HINO – ORAÇÃO – BÊNÇÃO

Terceira parte
Celebração da santa ceia
O - Elevai os corações.
C - Ao Senhor os elevamos.
O - Rendamos graças ao Senhor, nosso Deus.
C - É digno e justo.
O - É verdadeiramente digno, justo e do nosso dever
que em todos os tempos e em todos os lugares te demos graças,
ó Senhor, santo Pai, onipotente e eterno Deus, mediante Jesus
Cristo, nosso Senhor. Portanto, com toda a igreja na terra, e
a multidão celestial, louvamos o teu glorioso nome, entoando
com eles seu cântico eterno:
21. SANCTUS
C - Santo, santo, santo Senhor, Deus de força e po-
der: céus e terra cheios estão de tua glória. Hosana, Hosa-
na, Hosana nas alturas. Bendito aquele que vem em nome
do Senhor. Hosana nas alturas!
22. PAI-NOSSO
C - Pai nosso, que estás nos céus. Santificado seja
o teu nome. Venha o teu reino. Seja feita a tua vontade,
assim na terra como no céu. O pão nosso de cada dia nos
dá hoje. E perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós

291
também perdoamos aos nossos devedores. E não nos dei-
xes cair em tentação. Mas livra-nos do mal. Pois teu é o rei-
no, e o poder, e a glória, para sempre. Amém. (ou cantado:
Oficiante, coro ou congregação)
23. PALAVRAS DA INSTITUIÇÃO
O - Nosso Senhor Jesus Cristo, na noite em que foi
traído, tomou o pão, e, tendo dado graças, o partiu e o deu aos
seus discípulos, dizendo: Tomai, comei, isto é meu corpo, que
é dado por vós; fazei isto em memória minha. E, semelhante-
mente, também, depois da ceia, tomou o cálice e, tendo dado
graças, lho entregou, dizendo: Bebei todos deste; este cálice é o
novo testamento no meu sangue que é derramado por vós para
remissão dos pecados; fazei isto, quantas vezes o beberdes, em
memória minha.
24. PAX DOMINI
O - A paz do Senhor esteja convosco para sempre.

I II
C - Amém. C - E contigo também.

25. AGNUS DEI


C - Ó Cordeiro de Deus, que tiras o pecado do mun-
do, tem misericórdia de nós.
Ó Cordeiro de Deus, que tiras o pecado do mundo, tem
misericórdia de nós. Ó Cordeiro de Deus, que tiras o pecado do
mundo, dá-nos a Paz. Amém.
26. DISTRIBUIÇÃO DA SANTA CEIA
27. AÇÃO DE GRAÇAS ou NUNC DIMITTIS ou HINO
APROPRIADO

292
I II
O - Todas as vezes que C - Agora, Senhor,
comerdes este pão e be- despedes em paz o
berdes este cálice, anun- teu servo, segundo a
ciais a morte do Senhor tua palavra, porque
até que venha. os meus olhos já vi-
Demos graças ao Senhor ram tua salvação, a
e oremos: qual preparaste dian-
ORAÇÃO:... te de todos os povos,
C - Amém. luz para revelação aos
gentios, e para glória
do teu povo de Is rael.
Glória ao Pai e ao Fi-
lho e ao Espírito Santo,
como era no princípio,
agora é e para sempre
será — de eternidade
à eternidade. Amém.

28. BÊNÇÃO
O - O Senhor vos abençoe e vos guarde. O Senhor faça
resplandecer o seu rosto sobre vós, e tenha misericórdia de vós.
O Senhor sobre vós levante o seu rosto e vos dê a paz.
C - Amém. Amém. Amém.

293
2. Ordem do culto principal II1

01. HINO DE INVOCAÇÃO


02. INVOCAÇÃO
O - Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.
C - Amém.
03. ALOCUÇÃO CONFESSIONAL
04. CONFISSÃO E ABSOLVIÇÃO DOS PECADOS
O - Amados no Senhor. De coração sincero nos ache-
guemos de Deus, nosso Pai, e lhe confessemos os nossos peca-
dos, suplicando-lhe em nome de nosso Senhor Jesus Cristo nos
conceda o perdão. (Todos poderão ajoelhar-se.)
O - O nosso socorro está em o nome do Senhor.
C - Que fez o céu e a terra.
O - Dizia eu: Confessarei ao Senhor as minhas trans-
gressões.
C - E tu perdoaste a maldade do meu pecado.

I II
O - Onipotente Deus e O - Onipotente Deus,
misericordioso Pai, eu, nosso Criador e Reden-
pobre e miserável peca- tor, nós, pobres peca-
dor, te confesso todos dores, te confessamos
os meus pecador e ini- que somos por natureza
quidades com que pro pecaminosos e impuros

HINÁRIO LIUTERANO p. 34-41.

294
voquei a tua ira, mere- e que temos cometido
cendo mui justamente pecado contra ti por
o teu castigo temporal pensamentos, palavras
e eterno. e ações. Recorremos,
Deploro de todo o portanto, ao refúgio de
coração estas minhas tua infinita compaixão,
culpas e arrependo-me buscando e implorando
sinceramente. a tua graça, por amor
Suplico-te, mediante a de nosso Senhor Jesus
tua profunda misericór- Cristo.
dia e a santa, inocente e T - Ó misericordioso
amarga paixão e morte Deus, que deste o teu
de teu amado Filho Je- Filho unigênito, para
sus Cristo, que tenhas que morresse por
piedade e misericórdia nós, tem compaixão
de mim, pobre pecador. de nós, e por amor de
Amém. Jesus, nos concede
(Voltar-se-á o Oficiante a remissão de todos
e dirá): os nossos pecados e,
O - Diante de Deus vos pelo teu Santo Espí-
pergunto: rito, aumenta em nós
É esta a vossa sincera o conhecimento ver-
confissão, que vos arre- dadeiro de ti e de tua
pendeis verdadeiramen- vontade e a reta obe-
te de vossos pecados, diência à tua Pala-
que credes em Jesus vra, a fim de, por tua
Cristo, e que tendes o graça, alcançarmos a
sincero e firme propó- vida eterna, median-
sito de corrigir a vossa te Jesus Cristo, nosso
vida pecaminosa, pelo Senhor. Amém.
auxilio de Deus Espíri- O - O Deus todo-pode-

295
to Santo? Se é, afirmai- roso, nosso Pai celestial,
o dizendo sim. teve compaixão de nós
C - Sim. e entregou o seu Fi-
O - Em virtude des- lho unigênito, para que
ta vossa confissão, na morresse por nós, e por
qualidade de ministro amor de seu nome nos
da Palavra, chamado e perdoou todos os nos-
ordenado, vos anuncio sos pecados. E aos que
a graça de Deus, e da creem em seu nome,
parte e por ordem de lhes deu o poder de
Jesus Cristo, meu Se- serem feitos filhos de
nhor, vos perdoo todos Deus e lhes prometeu
os vossos pecados, em o seu Espírito Santo.
nome do Pai e do Filho Quem crer e for batiza-
e do Espírito Santo. do será salvo
C - Amém. (Voltado para o altar):
O - Concede-o, ó Se-
nhor, a todos nós.
C - Amém.

(A Congregação levantar-se-á.)
05. INTRÓITO (Salmo do dia)
GLORIA PATRI
T - Glória ao Pai e ao Filho e ao Santo Espírito, como
era no princípio, agora é e por todo o sempre há de ser! Amém.
06. KYRIE
Senhor, tem piedade de nós.
Cristo, tem piedade de nós.
Senhor, tem piedade de nós.

296
07. GLORIA IN EXCELSIS
O - Glória a Deus nas alturas!
C - E na terra paz, boa vontade para com os homens.
Nós te louvamos, bendizemos, adoramos; nós te glorificamos
e te damos graças por tua grande glória, ó Senhor Deus, Rei
dos céus, Deus Pai onipotente. Ó Senhor, unigênito Filho, Jesus
Cristo; ó Senhor Deus, Cordeiro de Deus, Filho do Pai, que tiras
os pecados do mundo, tem compaixão de nós. Tu, que tiras os
pecados do mundo, recebe a nossa deprecação. Tu, que estás
sentado à mão direita de Deus Pai, tem compaixão de nós, por-
que só tu és santo, só tu és o Senhor. Só tu, ó Cristo, juntamen-
te com o Espírito Santo, és o Altíssimo na glória de Deus Pai.
Amém.
08. SAUDAÇÃO
O - O Senhor seja convosco.
C - E com o teu espírito.
09. COLETA
O - Oremos: (segue a oração do dia).
C - Amém.
10. EPÍSTOLA
O - A epístola para... está escrita...
(Terminada a leitura da epístola, o Oficiante dirá):
O - Assim termina a epístola.
C - Aleluia! Aleluia! Aleluia!
12. HINO
13. EVANGELHO
O - O santo Evangelho está escrito...
C - Glórias a ti, Senhor!

297
(Terminada a leitura. . .)
C - Glórias a ti, ó Cristo!
14. CONFISSÃO DE FÉ

I II
CREDO NICENO CREDO APOSTÓLICO
T - Creio em um só T - Creio em Deus Pai
Deus, Pai todo-podero- todo-poderoso, Ciador
so, Criador do céu e da do céu e da terra.
terra, tanto das coisas E em Jesus Cristo, seu
visíveis como das invi- único Filho, nosso Se-
síveis. nhor, o qual foi con-
E em um só Senhor Je- cebido pelo Espírito
sus Cristo, Filho unigê- Santo, nasceu da vir-
nito de Deus, nascido gem Maria, padeceu
do Pai antes de todos sob Pôncio Pilatos,
os mundos, Deus de foi crucificado, mor-
Deus, Luz de Luz, ver- to e sepultado; desceu
dadeiro Deus do ver- ao inferno; no tercei-
dadeiro Deus, gerado, ro dia ressuscitou dos
não criado, de uma só mortos, subiu ao céu
substância com o Pai, e está sentado à direi-
por quem tocas as coi- ta de Deus Pai todo-
sas foram feitas; o qual poderoso, donde há de
por nós homens e pela vir a julgar os vivos e os
nossa salvação desceu mortos.
do céu e se encarnou Creio no Espírito San-
pelo Espírito Santo na to, na Santa Igreja
virgem Maria e foi fei- Cristã — a comunhão
to homem; foi também dos santos, na remis-
crucificado por nós sob são dos pecados, na

298
Pôncio Pilatos, pade- ressurreição da carne e
ceu e foi sepultado; e na vida eterna. Amém.
ao terceiro dia ressus-
citou segundo as Escri-
turas, e subiu aos céus,
e está sentado à direita
do Pai, e virá novamen-
te em glória a julgar os
vivos e os mortos, cujo
Reino não terá fim.
E no Espírito Santo,
Senhor e Doador da
vida, o qual procede do
Pai e do Filho, que jun-
tamente com o Pai e o
Filho é adorado e glori-
ficado; que falou pelos
profetas. E numa úni-
ca santa Igreja Cristã
e Apostólica. Confesso
um só Batismo para re-
missão dos pecados, e
espero a ressurreição
dos mortos e a vida
do mundo vindouro.
Amém.

15. HINO
16. SERMÃO
17. OFERTÓRIO
C - Cria em mim, ó Deus, um puro coração e re-

299
nova em mim espírito reto. Não me lances fora da tua pre-
sença e não retires de mim o teu Espírito Santo. Toma a
dar-me a alegria da tua salvação e sustém-me com um vo-
luntário espírito. Amém.
18. RECOLHIMENTO DAS OFERTAS
19. ORAÇÃO GERAL
20. HINO
21. PREFÁCIO
O - O Senhor seja convosco.
C - E com o teu espírito.
O - Levantai os vossos corações.
C - Levantemo-los ao Senhor.
O - Demos graças ao Senhor nosso Deus.
C - Assim fazê-lo é digno e justo.
O - É verdadeiramente digno, justo e do nosso dever,
que em todos os tempos e em todos os lugares te demos graças,
ó Senhor, santo Pai, onipotente, eterno Deus, mediante Jesus
Cristo, nosso Senhor. Portanto com os anjos e arcanjos e com
toda a companhia celeste louvamos e magnificamos o teu glo-
rioso nome, exaltando-te sempre, dizendo:
22. SANCTUS
C - Santo, santo, santo é o Senhor Deus dos Exér-
citos. Os céus e a terra estão cheios de sua glória. Hosana,
Hosana, Hosana nas alturas! Bendito, bendito, bendito
aquele que vem em nome do Senhor! Hosana, Hosana,
Hosana nas alturas!
23. PAI-NOSSO
O - Pai nosso, que estás nos céus. Santificado seja o teu
nome. Venha o teu reino. Seja feita a tua vontade, assim na terra

300
como no céu. O pão nosso de cada dia nos dá hoje. E perdoa-
nos as nossas dividas, assim como nós também perdoamos aos
nossos devedores. E não nos deixes cair em tentação. Mas livra-
nos do mal.
C - Pois teu é o reino, e o poder, e a glória, para
sempre. Amém.
24. PALAVRAS DA INSTITUIÇÃO
O - Nosso Senhor Jesus Cristo, na noite em que foi
traído, tomou o pão, e, tendo dado graças, o partiu e o deu aos
seus discípulos, dizendo: Tomai, comei, isto é o meu corpo, que
é dado por vós; fazei isto em memória minha. E, semelhante-
mente, também, depois da ceia, tomou o cálice e, tendo dado
graças, lho entregou, dizendo: Bebei todos deste; este cálice é
o Novo Testamento no meu sangue, que é derramado por vós
para remissão dos pecados; fazei isto, quantas vezes o beberdes,
em memória minha.
25. PAX DOMINI
O - A Paz do Senhor seja convosco para sempre!
C - Amém.
26. AGNUS DEI
C - Cordeiro divino, morto pelo pecador, sê com-
passivo.
Cordeiro divino, morto pelo pecador, sê compassivo.
Cordeiro divino, morto pelo pecador, a paz concede.
Amém.
27. A DISTRIBUIÇÃO
(Durante a distribuição a Congregação poderá cantar.)
segundo a tua palavra, pois os meus olhos viram a tua salvação,
a qual preparaste perante a face de todos os povos, Luz para

301
alumiar as gentes e para glória de teu povo Israel. Glória ao Pai
e ao Filho e ao Santo Espírito, como era no princípio, agora é e
por todo o sempre há de ser! Amém.
29. AÇÃO DE GRAÇAS
O - Todas as vezes que comerdes este pão e beberdes
este cálice:
C - Anunciais a morte do Senhor até que venha.
O - Demos graças ao Senhor e oremos: Onipotente
Deus, nós te rendemos graças, porque nos reconfortaste por
este dom da salvação. Suplicamos-te que concedas por tua graça
que o mesmo nos fortaleça a fé em ti e nos dê ardente caridade
para com o nosso próximo, mediante Jesus Cristo, teu Filho,
nosso Senhor.
C - Amém.
30. SAUDAÇÃO
O - O Senhor seja convosco.
C - E com o teu espírito.
31. BENEDICAMUS
O - Bendigamos ao Senhor.
C - Demos graças a Deus.
32. BÊNÇÃO
O - O Senhor te abençoe e te guarde
O Senhor faça resplandecer o seu rosto sobre ti e tenha
misericórdia de ti.
O Senhor sobre ti levante o seu rosto e te dê a paz
C - Amém. Amém. Amém.

302
1. Ordem das matinas1
Hino
Os versículos
Oficiante - Abre, Senhor, os meus lábios.
Congregação - E a minha boca manifestará o teu lou-
vor.
O - Apressa-te, ó Deus, em me livrar.
C - Apressa-te em ajudar-me, ó Senhor.
Gloria patri
C - Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito San-
to, como era no princípio, agora é, e para sempre será
– de eternidade a eternidade. Amém. Aleluia!
Inviatório
O – Vinde, adoremos o Senhor.
C – Que ele nos criou.
Venite
O – Vinde, cantemos ao Senhor com júbilo,
celebremos o Rochedo da nossa salvação. Saiamos ao
seu encontro, com ações de graças, vitoriemo-lo com
salmos. Porque o Senhor é o Deus supremo, e o gran-
de Rei acima de todos os deuses. Nas suas mãos estão
as profundezas da terra, e as alturas dos montes lhe
pertencem. Dele é o mar, pois ele o fez; obra de suas
mãos os continentes. Vinde, adoremos e prostremo-
nos; ajoelhemos diante do Senhor que nos criou. Ele

1 HINÁRIO LUTERANO, p. 42-52.

303
é o nosso Deus, e nós povo do seu pasto, e ovelhas de
sua mão. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo,
como era no princípio, agora é, e para sempre será – de
eternidade a eternidade. Amém. Aleluia!
Hino
Salmodia
Leituras bínlicas
O – Ó Senhor, tem compaixão de nós.
C – Graças te damos, Senhor.
Hino
Sermão
Recolhimento das ofertas
Cântico
I – TE DEUM LAUDAMUS
1. A ti, ó Deus louvamos, e por Senhor nosso confessa-
mos. A ti ó eterno Pai, adora toda a terra. A ti clamam
todos os anjos, os céus e todas as suas potestades; a
ti os querubins e os serafins continuamente bradam.
2. Santo, santo, santo, Senhor Deus dos Exércitos. Os
céus e a terra estão cheios da majestade da tua glória.
A ti louva o glorioso coro dos apóstolos. A ti louva a
santa congregação dos profetas.
3. A ti louva o nobre exército dos mártires. A ti reco-
nhece, por toda a terra, a santa igreja: Como o Pai de
infinita majestade; como adorável, verdadeiro e único
Filho; e como o Espírito Santo, o Consolador.
4. Tu és o Rei da Glória, ó Cristo. Tu és do Pai o sem-
piterno Filho.

304
5. Tu, quando tomaste sobre ti livrar o homem, te hu-
milhaste a nascer duma virgem. Tu, quando venceste o
aguilhão da morte, abriste a todos os fiéis o reino celeste.
6. Tu, à direita de Deus, estás sentado na glória do Pai.
Cremos que virás, ser nosso Juiz.
7. Portanto, te suplicamos, socorras a teus servos, aos
quais com teu precioso sangue redimiste. Faze com que
sejam contados entre os santos teus na glória eterna.
II – BENEDICTUS
Bendito seja o Senhor Deus de Israel, porque
visitou e redimiu o seu povo, e nos suscitou plena e
poderosa salvação na casa de Davi, seu servo, como
prometera, desde a antiguidade, por boca dos seus san-
tos profetas, para nos libertar dos nossos inimigos e da
mão de todos os que nos odeiam; para usar de mise-
ricórdia com os nossos pais e lembrar-se da sua santa
aliança e do juramento que fez ao nosso pai Abraão, de
conceder-nos que, livres da mão de inimigos, o ado-
rássemos sem temor, em santidade e justiça perante
ele, todos os nossos dias. Glória ao Pai e ao Filho e ao
Espírito Santo, como era no princípio, agora é, e para
sempre será – de eternidade a eternidade. Amém.
Orações
Kyrie
Senhor, tem piedade de nós.
Cristo, tem piedade de nós.
Senhor, tem piedade de nós.
Pai nosso
Saudação
O – O Senhor esteja convosco.
305
C – E contigo também.
Oração pela graça
O – Oremos. Ó Senhor, nosso Pai celestial, onipotente
e sempiterno Deus, que nos trouxeste em segurança até
o começo deste dia, defende-nos hoje com teu grande
poder, não permitindo cairmos em pecado nem nos
expondo, descuidosos a qualquer perigo. Concede que
nossos pensamentos e ações, ordenados por tua provi-
dência, sejam retos a teus olhos; mediante Jesus Cristo,
nosso Senhor. Amém.
Benedicamus
O – Bendigamos ao Senhor.
C – Demos graças a Deus.
Bênção
O – A graça do Senhor Jesus Cristo e o amor de Deus
e a comunhão do Espírito Santo sejam com todos vós.
A – Amém.

2. Ordem das vésperas1

Hino
Os versículos
Oficiante – Abre, Senhor, os meus lábios.
Congregação – E a minha boca manifestará o teu louvor.

1. HINÁRIO LUTERANO, p. 53-59.

306
O – Apressa-te, ó Deus, em me livrar.
C – Apressa-te em ajudar-me, ó Senhor.
GLORIA PATRI
C – Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo, como era no
princípio, agora é, e para sempre será – de eternidade a eterni-
dade. Amém. Aleluia!
Salmodia
Leituras bíblicas
O - Ó Senhor, tem compaixão de nós.
C - Graças te damos, Senhor.
Hino
Sermão
Recolhimento das ofertas
HINO
O – Suba à tua presença a minha oração como incenso.
C – E seja o erguer de minhas mãos como oferenda
vespertina.
Cântico
MAGNIFICAT
C – A minha alma engrandece ao Senhor, e o meu espí-
rito se alegrou em Deus, meu Salvador, porque ele contemplou
na humildade da sua serva.
Pois desde agora todas as gerações me considerarão
bem-aventurada, porque o Poderoso me fez grandes coisas. San-
to é o seu nome.
A sua misericórdia vai de geração em geração sobre os
que o temem. Agiu com o seu braço valorosamente; dispersou
os que no coração alimentavam pensamentos soberbos.

307
Derrubou dos seus tronos os poderosos e exaltou os humildes.
Encheu de bens os famintos e despediu vazios os ricos.
Amparou a Israel, seu servo, a fim de lembrar-se da sua
misericórdia, a favor de Abraão e de sua descendência para sem-
pre, como prometera aos nossos pais.
Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo, como era
no princípio, agora é e para sempre será – de eternidade a eter-
nidade. Amém.
NUNC DIMITIS
C – Agora, Senhor, despedes em paz o teu servo, se-
gundo a tua palavra, porque os meus olhos já viram tua salvação
a qual preparaste diante de todos os povos, luz para revelação
aos gentios, e para glória do teu povo de Israel. Glória ao Pai e
ao Filho e ao Espírito Santo, como era no princípio, agora é, e
para sempre será – de eternidade a eternidade. Amém.
Orações
Kyrie
C – Senhor, tem piedade de nós.
Cristo, tem piedade de nós.
Senhor, tem piedade de nós.
Pai nosso
Saudação
O – O Senhor esteja convosco.
C – E contigo também.
Oração pela paz
O – O Senhor dará força ao seu povo.
C – O Senhor abençoará a seu povo com paz.
Ó Deus, de quem procedem os desejos santos, todos
os bons conselhos e obras justas, dá aos teus servos aquela paz

308
que o mundo não lhes pode dar; para que nossos corações se
determinem a cumprir os teus mandamentos, e que, sendo nós
por ti amparados contra o temor de nossos inimigos, possamos
viver em paz e tranquilidade; mediante os méritos de Jesus Cris-
to, nosso Salvador. Amém.
BENEDICAMUS
O – Bendigamos ao Senhor.
C – Demos graças a Deus.
BÊNÇÃO
O – A graça do Senhor Jesus Cristo e o amor de Deus
e a comunhão do Espírito Santo sejam com todos vós.
C – Amém.

309