ESCOLA E FAMÍLIA – VIABILIZANDO PROCESSOS DE INTEGRAÇÃO Eliane Hartmann dos Santos 1

RESUMO

Este artigo visa levantar reflexões acerca da necessária integração escola e família, pontuando alguns aspectos dessa sociedade em mudança permanente, em especial, das ocorridas no contexto familiar, e seus reflexos para a escola, perpassando pelas (im)possibilidades da escola enquanto espaço de participação, seguido do relato de uma experiência realizada com familiares de 5ª série na tentativa de dar início ao processo de integração. O processo compreendeu três fases, conhecimento da realidade: perfil familiar, percepção e expectativa da família e da escola quanto à participação familiar no processo escolar; encontros com os familiares para sensibilização, apreciação e seleção de experiências vivenciadas em outras realidades para a implantação no contexto da proposta e execução da proposta eleita – “Revivendo Brincadeiras”. Dessa experiência pôde-se fazer algumas constatações, dentre elas, que a participação da família no processo escolar, tanto na visão da família quanto na visão da escola, fica restrita ao acompanhamento de tarefas e questões comportamentais. A participação (ou ausência de) é um tema “reclamado” mas não é um tema “discutido”. Ocorrendo o chamado à participação o que se constata é a quebra de alguns mitos em relação aos familiares, pois os pais participam, relatam de forma oral e escrita suas opiniões, e se predispõe a colaborar, embora não tenham claro como o podem fazê-lo. Daí, a principal inferência deste estudo - a necessidade da escola voltar-se, coletivamente, para a reflexão sobre a relação escola e família, atribuindo-lhe real importância e viabilizando práticas de integração, imprescindíveis para o sucesso do processo escolar.

Palavras-chave: Democratização da escola; Escola e família; Processos de integração.

ABSTRAT

This article aims to raise thoughts about the need for integration school and family, pointing out some aspects of that society in permanent change, especially occurring in the family, and their reflexes to school, permeated by the (un) possibilities of the school as an area of participation, followed by reports of an experiment conducted with relatives of 5th series in an attempt to initiate the process of integration. The process included three phases, knowledge of reality: family profile, perception and expectation of family and school to participate in family proceedings school, meet with family members for awareness, assessment and selection of experiences in other realities for the deployment in the context the proposal and the proposed elected - "Reliving Jokes." That experience we could make some findings, among them that participation in the process of family education, both in the vision of the family as the vision of the school, are restricted to the tasks of monitoring and behavioral issues. The participation (or lack of) is a topic "claimed" but is not a subject of discussion ". If there is the so-called participation in what we see is to break some myths regarding the family, because the parents involved, reported in oral and written forms his views, and that predisposes to work, while not clear how they can do it . Hence, the main inference of this study - the need for school back up, collectively, to think about school and family relationships and give it real importance of integration and enabling practices, vital to the success of the process school.

Keywords: Democratization of school, school and family; processes of integration.

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Professora de Matemática, Especialista em Gestão Escolar e Diretora Auxiliar do Colégio Elzira.

As mudanças ocorridas na sociedade têm trazido para a escola momentos de grande instabilidade. O mundo capitalista, globalizado e de contato imediato trouxe o fim das grandes receitas, o discurso da diversidade, das multidimídias, estabelecendo uma nova ordem, com o avanço da ciência e da tecnologia com base na microeletrônica, onde todos são chamados a repensar seu papel e atualizar seus conhecimentos no contexto dessa 3ª revolução industrial. Sobre a escola e mais diretamente sobre os principais atores do processo de ensino-aprendizagem, professor e aluno, é que tais mudanças repercutem, causando efeitos comprometedores, abalando valores e instalando-se mais fortemente o individualismo, a competitividade, o relativismo e o hedonismo, comprometendo atitudes de união, solidariedade, valor e respeito à vida. Tal contexto acarreta novos problemas com a convivência familiar e a educação dos filhos, ficando à escola pertinentes a família. Diante dessa realidade, onde tem-se na escola alunos que não vêm sendo assistido, satisfatoriamente, pela sua família e cuja escola não comporta sozinha tamanha tarefa, de forma que nem uma nem outra, vem desempenhando, a contento, o seu papel e, considerando todos os intervenientes decorrentes das exigências do mundo moderno, vê-se a necessidade de reunir família e escola, num movimento de colaboração, a reverem seus papéis, refletindo na e para ação, a fim de que, família-educando-escola, principais interessados no processo ensino -aprendizagem, possam suscitar as maiores e melhores mudanças na educação. Nesse sentido, é que dentro da proposta do PDE – Programa de Desenvolvimento Educacional, cujo objetivo é o de propor intervenções a fim de elevar a educação do Paraná, promovendo o aluno, é que esse tema que vem ganhando espaço na Gestão Escolar Democrática - relação família e escola - foi eleito para o estudo e proposições aqui relatadas. O estudo compreendeu o período de um ano, com aprofundamento a responsabilidade por transmitir valores antes

teórico, discussão do tema on line através do GTR – Grupo de Trabaho em Rede, evolvendo professores de todo o Paraná e produção de material didático –

caderno pedagógico, intitulado “Família e Escola: refletindo e ressignificando essa relação”. Todo esse processo coordenado pela UEPG – Universidade Estadual de Ponta Grossa, sob a orientação da Profª. Marinê F. B. Leite. 2

Para dar início ao processo de integração, optou-se por trabalhar com familiares de 5ª série, por ser o primeiro contato com o novo segmento escolar. Portanto, um grupo com maiores probabilidades de aceitação de novas propostas, compreendendo 08 (oito turmas), ao todo 305 alunos. A proposta foi implantada no Colégio Estadual Professora Elzira Correia de Sá, situado em Ponta Grossa - PR, o qual atende as modalidades regular, EJA e profissionalizante, nos níveis fundamental (5ª a 8ª série) e médio, com um número aproximado de 2000 alunos, destes, aproximadamente 800 no período vespertino, turno de desenvolvimento das ações de integração. A caracterização da comunidade evolvida compreendeu a caracterizção do perfil familiar e a percepção da família e equipe escolar (direção, pedagogos, professores e representantes da APMF), quanto à formas e expectativas de

participação da família no processo escolar, realizada através de levantamento por amostra, utilizando o questionário como instrumento. O levantamento de dados dos familiares ocorreu no período de matrículas. O segundo momento, no início do ano letivo, foi o de sensibilização da equipe de coordenação pedagógica e professores, através da socialização dos dados obtidos, para a implementação da proposta de integração, seguido de encontros com os familiares para viabilização de ações de integração famíliaescola seguido do terceiro momento, a implantação do projeto familiares. O termo “Integração” , na acepção da palavra, significa “tornar inteiro”, “completar” (LUFT, 2000), e é esse o sentido desta busca, aproximando família e escola, que a educação de uma venha a completar a educação da outra, e que, juntas possam fortalecer-se enquanto instituições formadoras. eleito, pelos

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afetividade. concebe a docência como trabalho interativo. Na fala de Gomes (2005. reconceituar. rever. p.. os familiares diretamente evolvidos. a união. p. como cooperação. enquanto se realizam como pessoa (VIEIRA.” e ainda.295).. interação.. para que a escola possa dar conta de sua função social. participação. coletivo. artigos. mediar tais conflitos não é tarefa fácil. humano.1 FUNDAMENTOS REFLEXIVOS Participação dos pais na escola: dever. discursos. ao lado de outras expressões indicativas de mudança. no diálogo e na busca do consenso. transformar... comunidade. onde permeiam expressões de mudança como reinventar. abertura. explicita: “a educação. 2002). aposta na construção coletiva de objetivos e das práticas escolares. parcerias e tantas outras.tem por finalidade o pleno desenvolvimento educaciona l. “a escola é comparável a uma arena competitivo-conflitual. em particular. articular-se com as 4 . direito e relevância no sucesso escolar Família e escola estão vivendo a chamada “crise existencial”. como um meio de minimizar esse quadro de crise. implícita ou explicitamente estão presentes na fala Libâneo (2001. diversidade. a ineficácia de ambas é tema de livros. Muitos desses termos. Os princípios da gestão democrática apontam para ações pensadas e decididas no coletivo. dessa forma. “os estabelecimentos de ensino terão a incumbência de . ao tratar dos princípios e fins da educação. resgatar. ou seja ensinar bem e preparar os indivíduos para exercer a cidadania e o trabalho no contexto de uma sociedade complexa. traz consigo a síntese dessas expressões. flexibilização. 4º).131-132) ao fazer referência à gestão democrática: A gestão democrática participativa valoriza a participação da comunidade escolar no processo de tomada de decisão. de modo que. nem tampouco incumbência exclusiva da escola. dever da família e do Estado. vê-se a necessidade da sua articulação de forma sistemática e contínua com a comunidade. a mesma Lei coloca. A Lei 9394/96-LDB(art.. onde se encontram pelo menos duas gerações”. resiliência.

1990). que deveriam propiciar a participação mais efetiva da população. determina que é direito dos pais ou responsáveis ter ciência do processo pedagógico. é com a família que se inicia o processo de educar. dever da família. principalmente.famílias . Assim. satisfatoriamente. especialmente os atendidos pela escola pública. no que se refere à viabilização de meios que propiciem a integração com as famílias. isso se deve ao caráter formalista e burocratizado desses órgãos colegiados. vê-se condições onde se possam vislumbrar o ple no desenvolvimento do educando. este ainda está centrado no interior da escola. processo esse. pela desconsideração da importante participação da comunidade. conforme escreve Nóvoa (1998. IV. simplesmente. a educação é primeiro. a um processo histórico de afastamento das famílias. ocorrendo a efetivação das políticas sociais da qual a política educacional pertence. em primeira linha. Quanto a incumbência dos estabelecimentos de ensino.. pelos professores que demarcaram sua condição de especialistas contra os agentes educativos naturais. ou seja. mas sim. em especial da família. tornando ilegítima a intervenção de outros atores sociais..Associação de Pais. em alguns casos. pelos órgão colegiados APMF . todas as razões serviram para justificar este afastamento: a ignorância dos pais.. Os discursos foram assumidos. oficialmente. 5 . Ocorre que apesar de todo o discurso democrático. sobretudo o envolvimento coletivo nas discussões dos processos educativos. Mestres e Funcionários e Conselho Escolar. a influência nefasta do meio social. e em especial. O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA. bem como participar da definição das propostas educacionais (Cap.. os maus costumes da família. não vêm desenvolvendo. 45): Monopólio é a palavra certa para descrever a forma como a Igreja (séculos XVI a XVIII) e depois o Estado (séculos XVIII a XX) ocuparam o campo educativo. parágrafo único). 2003 p. O que ocorre. as famílias e as comunidades viram-se afastadas da coisa educativa. criando processos de integração. etc. das famílias nas atividades da escola. em parte. ampliado pela educação escolar com a obrigatoriedade do Estado.”. em especial as provenientes dos meios pobres e desfavorecidos. apud BEZZANT. é que a existência de mecanismos de ação coletiva como a APMF e o Conselho Escolar. as escolas o fazem. A pouco e pouco. a essa finalidade. É possível que tal fato ocorra não. Segundo Paro (2004).

de participação efetiva. quebrando a dicotomia planejador X executor. o quê e como fazer. abrindo espaços para participação das famílias. p. antes de tudo. Nesse nível.44). no nível de delegação de poder e as ações que envolvem a família. são a nível de colaboração. A direção define os limites da liberdade do outro. que não apenas se contraponham às formas contemporâneas de organização e exercício do poder. e a escola precisa educar e educar-se para a participação. Gandin (1988) estabelece três níveis de participação: o primeiro nível é o da colaboração. tudo é definido em conjunto. implica. O poder é distribuído como concessão. numa perspectiva de co-responsabilidade. não apenas no fazer. Trata-se de um processo complexo. que se inicia na concepção e pré-disposição individual para a participação e que se efetiva (ou não) através dos mecanismos coletivos de viabilização dessa participação. é querer. Esse nível coloca todos os interessados sob uma mesma ótica. em sua maior parte. embora a estrutura básica de poder permaneça a mesma. Organizar o trabalho na escola. ainda vêm sendo pontuais. mas que constituam alternativas práticas possíveis de se desenvolverem e de se 6 . Sobre a efetivação dos processos participativos no interior da escola. de forma que continua havendo o que pensa e o que executa. não é apenas uma reestruturação da forma de trabalho. mas uma mudança de paradigma na vigência da escola. que corresponde à participação no seu primeiro estágio. mas no processo de refletir e decidir. Trata-se realmente de reinventar a escola. corrobora nesse sentido: Melhorar a qualidade da educação vai muito além da promoção de reformas curriculares. ficando tais ações voltadas ao suprimento de pessoal nos eventos festivos ou na manutenção predial. vem se dando. é programar. antes de tudo. de uma decisão definida por outra pessoa. Oliveira (1997. O terceiro nível é o da construção conjunta. O segundo nível é o da delegação de poderes. de modo que as tentativas de interação escola-família.Romper com esse processo de afastamento não é tarefa simples. Esse rompimento não se dá ao acaso. A maioria da ações no interior da escola. uma decisão. que representa um nível mais avançado de participação. é. as pessoas são convocadas a colaborar na execução de um projeto. das relações de poder e distribuição de tarefas. criar novas formas de organização do trabalho na escola. fragmentadas e desarticuladas. de uma idéia.

muito se atribui a figura do diretor. SIRAJ-BLATCHFORD. mas o poder reside na comunidade escolar. primando pela co-participação em todo o processo escolar. fizeram estudos no sentido de identificar as maneiras pelas quais os professores e as escolas se utilizavam para trabalhar mais próximos dos pais. apud GOMES. na década de 80. 1999) também mostra projetos que envolviam 7 . cuja pesquisa referia-se a escolas bem sucedidas. é uma construção em si próprio. que se reflete nas situações mais cotidianas e particulares. não se resume só ao ambiente. a predisposição em participar. é de cada indivíduo. pautadas não pela hierarquia de comando. os pais e os próprios alunos atribuem o sucesso ou o fracasso escolar. A literatura (SMITH. ao propiciar uma maior abertura e receptividade à participação. p. alunos e seus pais. é aprendizado. 2004).. em se predispor. As pesquisas qualitativas na educação. 25). 2005). o qual sem dúvida tem papel relevante. esclarecendo ainda que colaboração dos pais não significa responsabilidade pelo ensino. Muitos pesquisadores. o que segundo ele é um primeiro passo para a construção do sucesso escolar. têm apontado incidência de relações positivas e significativas em escolas onde a participação dos pais se dá de forma mais intensa e contínua. que o professor deve promover a colaboração dos pais. com vistas a que. Mella (et al. mas por laços de solidariedade. estes se sentissem mais atraídos para se envolver mais com a escola. et al.generalizarem. mas a oportunidade de exercitar e praticar o que a escola ensina. em “assumir com”. portanto até certo ponto. coloca entre outros. num estudo cujo objetivo foi identificar quais fatores os educadores. porém. Vários fatores influenciam nessa caminhada. Ser democrático é processo. 2002. que devem participar ativamente da educação de seus filhos. subjetivo. isso se explicita no momento em que aplica sua autoridade reconhecendo também seus deveres junto à comunidade. ao se eleger o gestor escolar é imprescindível considerar tal aspecto. acentuou o papel destacado dos alunos e dos pais como atores significantes. “não pode haver democracia plena sem pessoas democráticas para exercê-la”. Nas palavras de Paro (2004. G estores escolares têm autoridade. Rodrigues (et al. que se consubstanciam formas coletivas de trabalho. instituindo uma lógica inovadora no âmbito das relações sociais. Dessa forma. a ação conjunta entre professores. de modo a favorecer a efetivação de uma gestão democrática. apud BHERING.. e.

com a finalidade de os aconselhar sobre o modo de contribuir para a educação dos seus filhos. que colocam o programa em prática. um programa inovador que reconhece o papel dos pais na educação dos filhos e facilita a sua colaboração com os professores. Cada estabelecimento de ensino conta com um grupo de pais e professores. No decorrer do programa. Tomazetti (2005. através de hábitos e condutas morais. 8 . No entanto. na busca incessante pela maximização do aproveitamento escolar. organizando seminários destinados aos pais. rápidas.os pais no ensino da leitura e mais tarde na matemática. a cargo da escola. afirmando Não há como entrar em sintonia sem aproximação. desenvolvida pela família em seus pequenos. ressalta-se a redução na taxa de abandono escolar. ou ao menos pressupõem. pede uma posição dos pais quanto ao que é realmente importante. Ourique e que.Sistema de Apoio Pedagógico dos Pais. por exemplo. ajudam os filhos no trabalho em casa ou na escola. já quando é adolescente. esperam da escola. constantes e de reflexo direto na família e na escola. e a educação informal. trazendo resultados positivos não só para as crianças. Nas Filipinas. criou-se o PLSS . como também para os pais que se sentiram mais conscientes do que se passava na escola. sendo que esses participam em alguns momentos ao lado de seus pais. diante das transformações sociais. é de grande importância para os parâmetros do que significa ser um cidadão responsável e crítico da realidade sejam alicerçados firmemente. através da família e do próprio educando. família e escola tem que coexistir. p. os pais são associados ao processo pedagógico. Atualmente. Como resultado positivo desse projeto. a redução da evasão e a melhora no desempenho escolar.98) corroboram nesse sentido. sem debates ou confrontos. a articulação entre a educação formal. trazendo entre outros benefícios. confronta os discursos da família com os da escola e exige coerência e sintonia entre eles. há a necessidade de uma análise no sentido de buscar entender o que a sociedade. A criança quando pequena. no sentido do que ela deva servir. não se fala em sucesso de gestão escolar sem referência direta a potencialização do envolvimento da família no acompanhamento do aluno. fato que levou o projeto a ser experenciado em outras partes do país. o qual sob orientação do professor.

tias. quando ela era mais um membro na família. essas famílias ficaram a mercê de um espaço seguro para os filhos. onde as pessoas não se conhecem. essas duas instituições percebam pelo diálogo. talvez não mais que 50 anos. aqueles. remontadas. avó e netos. os filhos mais velhos brincando na rua com os mais novos. uma assumindo a responsabilidade.64) coloca que estender o espaço escolar aos alunos é hoje uma necessidade da sociedade. e mais recentemente. ele diz: “Hoje. a não ser. as famílias aparecem com diversos formatos.” A escola. não uma sobrepondo a outra. a importância da conjugação das suas forças. Hoje esse cenário foi praticamente extinto. Marcadas principalmente pela ida da mulher para o mercado de trabalho. Todos os familiares têm claro a principal finalidade da escola e a transmitem a seus filhos? Existe uma parcela que “espaço de cuidado” do filho? Para refletir sobre esse aspecto. A escola diante de novas demandas: reflexões em tempos de mudança Escola e Família: espaço para socialização da custódia. que fundamentalmente. onde os vizinhos se conhecem. nesse sentido. a escola complementa a família como antes fazia a pequena comunidade à sua volta. onde não há muitos perigos. pai e filhos. representa o espaço dentro da comunidade com melhores condições de ser a extensão da casa. já que os vilarejos desapareceram e deram lugar as apenas a utiliza como um grandes cidades. e reviver “os tempos da vovó”. madrinhas e até vizinhas assumindo filhos de outros. Enguita (2004. com os primos e com os amiguinhos. suprindo aquele espaço antes 9 . p. os casais homossexuais e filhos adotivos). cabe a essa ou àquela. (mãe e filhos. além de vários irmãos. mas sem desviar a atenção de tudo. onde a rua se tornou sinônimo de insegurança. os filhos da Dona Doca e do Seu João.para além da transmissão dos conte údos historicamente construídos e juntas. Um cenário pacato. brigas corriqueiras durante as brincadeiras. ou. as crianças têm liberdade de brincar na rua. Devido a essa mudança no contexto familiar. a mãe cuidando do bebê. tem-se que voltar um pouco no tempo.

de expressão do indivíduo. a luta pela sobrevivência “diária”. tem que. o ponto de encontro para as brincadeiras. não há tempo para pensar. é o da socialização. levando a escola a assumir mais este novo papel: o espaço. o que nos remete à conclusão de que. se articule para atender mais essa demanda atual. Diante desse quadro. fecham-se para formas de convivência tranqüila. tem que ir à escola. caracterizado pela rapidez da informação. nesse contexto. Todo esse quadro de mudança social pelo qual passa a humanidade onde. tem que. e há ainda aqueles. associada a outros fatores. dentre outros. que também. só retornam à escola para confirmar a aprovação ou reprovação. sob os cuidados de familiares e vizinhos. através do mundo globalizado. pois a escola representa. na chamada era digital. mãe e filhos). basta estar. é preciso ir. Nesse sentido é que muitos alunos “estão na escola”. a reflexão. e considerando tal condição é que tem-se que pensar a escola . pelo medo. “têm que estar na escola”. a rua do vilarejo. para atender as necessidades da família. que só ficam sabendo desse resultado. que eram as ruas tranqüilas dos pequenos vilarejos. Daí explodirem tantos conflitos na relação aluno-professor e alunoaluno. resultado da superlotação das cidades. para a liberdade de sair às ruas. dentre eles. na maioria das vezes. de desculpa em desculpa. a desestruturação da família nuclear(pai. é o discurso do tem que: tem que ir trabalhar. a escassez de oportunidade de trabalho. mas não apenas... do espaço para a convivência.tido como parte da socialização e lazer. pois as mudanças da sociedade impõem mudanças na escola e na conduta daqueles que dela participam. é o espaço permitido.a escola representa apenas um espaço de custódia.. o 10 .e não são poucos . Dessa forma. gera uma certa inibição das demais incumbências da família. na matrícula do ano seguinte. ou seja. vem suprimindo o planejamento. ano após ano. percebe-se um certo esvaziamento no sentido da escola. o diálogo. sinônimo de lugar “seguro”. afinal. É notável que a escola. o que se busca é recuperar junto às famílias. onde os filhos podem ser controlados. com quem ficariam se a mãe precisa trabalhar? Vê-se que a necessidade de prover a família. nesses casos . Muitos pais matriculam seus filhos e. ao mesmo tempo em que se abrem as possibilidades. o que vem se perdendo. único.

criança ou adolescente. Nesse sentido. pela obrigatoriedade e gratuidade que todos se encontram. é nela. é o ponto de encontro com um grupo que é seu. ou ambos. que os conflitos individuais e de grupo ganham corpo. amparados pela universalização do ensino fundamental. no contexto atual. de convivência. Se perguntados sobre onde estudam.. 272) destaca esse aspecto. encontram as suas únicas oportunidades. Arroyo (apud GENTILI. representa apenas um espaço de referencia existencial. Encontrar na escola um espaço onde sejam tratados como humanos”. muitos dos alunos.senão o único .espaço de referência existencial para alguns alunos? Enquanto para muitos familiares a escola representa apenas um lugar seguro para se deixar os filhos. Isso tudo suscita algumas reflexões com o coletivo escolar e familiar. possibilitou. não ter orkut. em meio a tantas impossibilidades. um 11 . sobretudo ao indivíduo das classes menos favorecidas. uma referência garantida pelo Estado e cobrada pela sociedade. não pertencer a nenhuma associação recreativa. etc. em especial. na escola.a escola para todos. “.possivelmente. crianças e jovens. nesse momento de inclusão social. pode ser considerada um dos únicos .. no sentido de como a escola vem contribuindo para a (des)humanização e qual a visão da família diante da questão. ele diz. desconhecer o pai ou até mesmo a mãe.redirecionamento desse filho à escola. A escola é [ou deveria ser] para o indivíduo. por que se vai à escola. pertencem a essa ou àquela escola. de serem ouvidos. de forma que a democratização do ensino . quais os direitos e deveres da família e do educando em relação a essa escola. recai sobre a escola uma gama ainda maior de responsabilidade social. ou seja. 2001. de modo que. o que se pode esperar da escola. o que para certos pais parece ser custódia. ao mesmo tempo em que nela. A escola. p.. mas todos. crianças e adultos que freqüentam as escolas o que procuram é recuperar a humanidade que lhes foi roubada. Escola e Educando: espaço de referência existencial. para alguns alunos. não usar as roupas ditas da “moda” ou não ter acesso à internet. de alimentação. para os filhos. o dizem com tranqüilidade e segurança. muitos jovens. podem não possuir casa própria. não praticar efetivamente uma religião.

compondo um quadro com os filhos de separados. mas precisam de acompanhamento e limites para que possam se sentir mais seguros. de forma que. estar com o tênis de marca. morais e éticos particulares. são menos duráveis. ocupam seu tempo em contato virtual ou presencial com grupos da sua geração. ele fala: Embora os seres humanos pareçam incrivelmente flexíveis em seu modo de vida. não comportou e não comportará essa tarefa. em geral. O pais s passam a maior parte do tempo fora de casa. As instituições educacionais de todos os níveis precisam desempenhar um papel crucial no sentido de alimentar o senso de comunidade e de ter um lugar no mundo. Mudanças no contexto da família Atualmente. p. A escola representa. de compreensão. os quais estabelecem padrões de valores sociais. O’Sullivan ( 2004. Nela colegas convivem. ter status no grupo. é preciso achar uma alternativa à globalização irrestrita. principalmente da convivência cada vez mais restrita entre os adultos. para alguns. de valores. de participação. casa-se menos e cada vez mais tarde. isso tudo tem que ser discutido nas escolas e sobretudo com as famílias – alicerces na construção da pessoa. de ócio. de ética. Para satisfazê-las hoje em dia. e os filhos. divertem-se. decorrentes.espaço de referência social. vivem conflitos. ocupados com o provimento de suas famílias.356) também discute a questão da escola para além da transmissão do conhecimento. propiciando também específicos de comportamento e vocabulário a formação de padrões particular. que ajude no senso de comunidade e de ter um lugar no mundo. ter medidas de modelo ou exibir um celular de última geração. principalmente com os colegas. precisamos de um lugar que satisfaça nossa necessidade de proteção. 12 . segundo Rizzardo (2006). trocam experiências. Este sentimento é oportunizado através das relações. de criação de identidade e de liberdade. valores preponderantes aos da família e da escola. significa. Os casamentos. mais raros e mais tardios. muitas vezes. A escola sozinha não comporta. que atenda algumas necessidades fundamentais tolhidas pela presente economia mundial. o único espaço significativo no sentido de pertença ao mundo. na maioria dos paises. A escola deve ser referência! de conhecimentos. de afeto.

pois somente juntas. desaparecendo a subordinação estanque dos filhos aos pais.60): Entre todas as mudanças que estão se dando no mundo. A escola. A figura dominante e patriarcal do pai está em processo de extinção. ou de pais solteiros formando uma considerável parcela da juventude. (op. na família ou na comunidade. que representava o grupo familiar e era seu chefe. não sabemos ao certo qual virá a ser a relação entre vantagens e problemas. fato resultante. que assume a guarda e o encargo na criação e educação dos filhos. nos relacionamentos. Como ocorre com outros aspectos no mundo em descontrole. 2002.divorciados. como revela Giddens ( 2000. 13 . de uma gravidez não programada na adolescência. enquanto instituição formadora e democrática. mais uma razão para a escola se unir à familia. num trabalho cooperativo e integrado. deve estar à frente na discussão das mudanças que envolvem a pessoa humana. as famílias monoparentais – geralmente a mulher – mãe solteira ou divorciada. nenhuma é mais importante do que aquelas que acontecem em nossas vidas pessoais – na sexualidade. variável que não pode ser desprezada quando se busca uma melhor convivência. p. quando isso não recai para os avós. É uma revolução que avança de maneira desigual em diferentes regiões e culturas. Sob certos aspectos estas são as transformações mais difíceis e perturbadoras de todas. pois o aspecto cognitivo não se dissocia do sócio-afetivo. muitas vezes. se não atendidas e conduzidas. de modo a garantir a inclusão social. terão influencias negativas no campo da aprendizagem. Há um aumento de nascimentos extraconjugais e um forte crescimento de famílias em que mãe e pai são um só. aquele que dava seu nome aos membros. pelo entendimento e mediação da diversidade de relações humanas com as quais se convive. apud VITALE. Isso vem acarretando uma maior convivência dos filhos com pessoas do sexo feminino. cit) coloca essa evidência como a evolução de um processo de dissociação. encontrando muitas resistências. Daí. São muitas as mudanças sofridas na contemporaneidade no contexto da família e drásticas as conseqüências dessas mudanças para o indivíduo e para a vida em sociedade. ambas poderão minimizar as possíveis consequências de tantas mudanças no campo pessoal e que fatalmente. seja em sala de aula. no casamento e na família. Rizzardo.

ressaltando sobretudo. diante da evolução da tecnologia na chamada era da informação. considerando a família uma instituição social que se modifica através da história. cita a excessiva liberdade. fala da família como o principal referencial para a formação da personalidade do indivíduo e que a inversão de valores que vem ocorrendo. a tarefa de educar está carecendo enormemente de análises. comungam da construção da pessoa. Família e escola e o processo de formação global do indivíduo: algumas considerações Hoje. a assistência pessoal. a tolerância com atos de delinqüência. uma atenção às inclinações pessoais e aspirações dos filhos. entre outras. a indiferença com a conduta e o desinteresse pelas necessidades e pela conduta do filho. segundo ele. a vulnerabilidade dos limites e a concorrência desleal com a mídia. acarreta dificuldades para a família. referindo-se à questão do sustento. Rizzardo (2006). acarreta múltiplas conseqüências na formação dos filhos. as quais possibilitam à perda do poder familiar. e ainda. Diante disso. de um rever de posturas. de alguma forma. considerando as reais condições das pessoas envolvidas. o que exige constante presença dos pais. a fim de ajustar o que se pretende com o que é possível atingir.Diante disso. o aumento da violência. dentre os demais compromissos. para a escola e para todos os que. ressalta que a formação é uma das tarefas mais difíceis e complexas. Pinheiro (2003). baseada no diálogo e carinho. a convivência e o acompanhamento. Aspectos que envolvem. dando margem a inúmeras formas de degradação. com o tempo de convivência cada vez mais escasso. Em relação ao dever dos pais. guarda e educação dos filhos. em particular e em primeiro lugar da família e da escola. de acordo com a idade e a evolução da personalidade. Afirma que a falta de assistência dos pais. faz-se necessário que a escola tenha claro quais formatos familiares estão presentes no seu contexto. coloca-a como tarefa vital. 14 . as relações familiares estão sendo duramente afetadas pelas imposições do mundo moderno. com variações na sua forma e finalidades numa mesma época e lugar.

que as trocas afetivas. Guimarães (1999) relata que muitos jovens oriundos de bom nível social. ”vivem ao Deus dará”. têm dificuldade de impor limites aos filhos e isso. outros permanecem nas ruas até tarde da noite com a turma. não se pode esperar que tais processos tenham resultado mais efetivo e positivo. 15 . Refletir. refletindo e sobre aspectos legais. Kupfer (2000). ao educar. em conjunto. filhas de pais separados. deixa marcas na criança. as incumbências morais que devem nortear a família e a escola. sem nenhuma intervenção dos pais. É preciso dialogar na busca de conciliar as necessidades de uma sociedade em mudança permanente e uma proposta educacional que prepare o individuo para interagir nela. buscando a devolução e a r definição da função de ambas. corrobora nesse sentido. mesmo àquelas famílias consideradas estáveis. num mundo globalizado. ou não. simultaneamente estão imprimindo marcas nas crianças. no processo de formação global do indivíduo. Nesse contexto. se não houver a integração da família com a escola. pode resultar da insegurança dos pais em reproduzirem uma educação com a qual foram criados e hoje renegam. família e escola devem buscar uma sintonia. nas suas palavras. curtindo ou provocando brigas. Nesse sentido.Muitas dessas obrigações vêm sendo negligenciadas por algumas famílias. segundo ele. a educação informal e a formal é imprescindível pois é nesse processo social. sendo usadas como objeto de chantagem emocional ou moeda para barganha em processos de pensão alimentícia. de forma mais acentuada hoje. definindo modos de ser e agir com os outros e freqüentemente sendo projetadas nas famílias que se formam posteriormente. ao expressar que o adulto. e que. o ato educativo envolve todo ato de um adulto dirigido a uma criança. dessa forma. num outro contexto. crianças. embora a educação envolva processos formativos que se desenvolvem em outros segmentos da sociedade. vão imprimindo marcas que as pessoas carregam a vida toda. Ele observa ainda que. e que esses jovens passam dias até altas horas da madrugada vendo Tv ou navegando pela internet. mas sobretudo. pois ambas.

ambos realizados utilizando-se o questionário como instrumento. As atividades exercidas pelos pais são a nível secundário e as mães. 3. na maioria. sendo ela a pessoa com a qual a criança passa o maior tempo. sendo o percentual superior a 70%. com mais de 50% das indicações. ficou a cargo da mãe a efetivação da matrícula. Cerca de 50% das mães disseram trabalhar fora. visando caracterizar o perfil familiar. O número mais freqüente de pessoas na família é de 04 pessoas. quando não está na escola. Quanto ao perfil familiar. Em mais de 70% dos casos. seguida de cerca de 10% do tipo monoparental. Quanto a moradia. O pai. a maioria possui casa própria. em mais de 40% dos casos. o levantamento de dados foi realizado considerando-se as duas esferas: a família e a escola. atividades informais. é o responsável pelo sustento da família. bem como verificar a percepção da família quanto ao processo de participação escolar. os dados obtidos no levantamento foram os seguintes: mais de 50% das famílias são nucleares.7 – quantidade média de filhos por família.8 número médio de pessoas por família e 2. O terceiro questionário foi destinado a professores. sobressaindo-se a função de diarista. de forma aleatória. ou seja 35% das famílias consultadas. 2007) ou seja. apresentou-se dois questionários a terça parte dos familiares. percepção e expectativas da família e da escola quanto à participação no processo escolar Para se ter uma visão do contexto da implantação da proposta de intervenção. Para tanto.2 A IMPLANTAÇÃO DA PROPOSTA DE INTEGRAÇÃO ESCOLA E FAMÍLIA Conhecimento e análise da realidade: perfil familiar. dados esses em consonância com as informações sobre o perfil da família brasileira apontados na pesquisa realizada pelo Jornal Folha de São Paulo (out. sendo que a escolaridade distribui-se proporcionalmente até o ensino médio. 16 . são compostas por 04 pessoas. direção e representantes da APMF. gerida pela mãe. com a finalidade de verificar a percepção e expectativa da participação da família na escola. pedagogos.

A educação do filho é um direito e um dever dos pais. embora prevaleça. pai. não importando as figuras (pai e mãe. e. quando ressalta os laços afetivos e qualidade do amor. Evitar problemas futuros. não é o único referencial familiar. de forma que todos. na maioria. São eles: • • • • • • • • • • • • • • Mostrar interesse pela vida deles e incentivá-los sempre. somente mãe ou pai. a criança está sendo educada. 17 . Perceber as dificuldades do filho e procurar ajudá-lo. etc. sendo mantida pelo pai. Ver as notas e também o comportamento. independentemente do tipo de união. Melhor educá-lo. Melhorar a auto-estima do filho. conhecer professores e amigos. de acordo com Szymanski (2002). ainda prevalece nessa comunidade o modelo nuclear de família. a esses. Futuro melhor e bom emprego. refere-se às pessoas que. mantém laços de afetividade com comprometimento de cuidado mútuo. terão um mesmo padrão familiar – o afeto. ao se falar em família junto aos alunos e comunidade. Para proteger das drogas e da gazeta. como pode ser constatado nas argumentações que os mesmos apresentaram. Para dar sentido de proteção e carinho. Sobre a percepção e expectativa dos familiares quanto à participação no processo escolar. embora não acompanhem efetivamente o processo escolar. se houver. Acompanhar o desenvolvimento do filho. considerando esses aspectos. são diversos os arranjos familiares. a compreensão de família como “uma associação de pessoas que escolhe conviver por razões afetivas e assume um compromisso de cuidado mútuo e. Saber da capacidade do filho e do ensino ofertado pela escola.) que a componham. adotou-se. Esse retrato.Percebe-se que. mãe e filhos. Para que o filho se esforce mais.” Dessa forma. adolescentes e adultos. atribuem importância à participação. nesse sentido. É também o que afirma Valore (2007). com criança. observou-se que os familiares. Dessa forma. embora a família esteja em processo de mudança. Ficar ciente do que ocorre durante o ano letivo.

na questão que indagava sobre as formas como o familiar vinha acompanhando o processo escolar do seu filho. Nota-se que a experiência de participação dos familiares. dificuldades. para além das ações isoladas. Ainda sobre a participação. carinho e auto-estima. atribuindo-lhes importância e significação e dessa forma abrindo caminhos na relação de confiança com a escola. aqui. embora na questão anterior tenham citado o envolvimento maior com a escola e professores. sentando com ele para olhar seus cadernos. tipo de ensino ofertado. Vê-se. as respostas foram equilibradas. distribuindo-se entre: conversando com ele sobre o que aprendeu na escola. ajudando a cumprir em casa os deveres da escola e cobrando um horário fixo de estudos.• A função dos pais é acompanhar todas as fases da vida do filho. desenvolvidas somente em casa. sitemática e contínua. sendo que os demais (66%) assinalaram que convocados ou convidados. Considerando que aproximadamente 50% das mães não trabalham fora. o acompanhamento ao processo restringiu-se a ações desenvolvidas em casa. notas e comportamento e ainda. foi determinante. A questão chave para verificar o interesse dos familiares em participar do processo escolar foi colocada da seguinte forma: Como você gostaria de participar da vida escolar de seu filho em 2008? 34% dos familiares demonstraram interesse em participar de atividades diferenciadas. em acompanhar os filhos independentemente de convites ou convocações escolares. o reconhecimento demonstrado por alguns pais. Essas questões subsidiaram posteriores falas aos familiares. a necessidade de ampliar o conceito de participação dos pais no processo escolar. aspectos organizacionais. Os dados obtidos na questão anterior corroboram nesse sentido. contatos freqüentes com professores ou equipe pedagógica. portanto. desconsiderando-se a participação em reuniões ou associação de pais. o baixo índice de interesse verificado para essa questão nos leva a inferir que a falta de cultura de participação mais efetiva. como o sentido de proteção. De um modo geral. os pontos considerados envolvem aspectos de afetividade. condição indispensável no processo de aproximação. na participariam somente nas reuniões quando 18 . conhecimento da escola e professores e aspectos pedagógicos. atividades durante o ano letivo. do direito e dever. de modo a ressaltar a opinião dada por eles.

O que mais se ouve é: “O importante é tentar. trata-se de uma mudança de atitudes individuais e coletivas. é praticamente a mesma. a visão de participação da família no processo escolar. profunda sensibilidade no sentido de conquistar a confiança dos familiares a serem envolvidos. Percebe-se. É um processo de conquista de espaço para se abordar o tema. tal participação pode acontecer. para além do acompanhamento nas tarefas de casa e questões comportamentais. porém não se tem claro em que medida e como. de rompimento de mitos em relação à disponibilidade e capacidade dos familiares e ainda. é uma tarefa a ser iniciada. tais como: os pais não gostam de vir à escola. percebe-se que o processo de aproximação família e escola.”. é um processo ainda a ser iniciado. os pareceres revelam-na como fundamental. 19 . dos professores. Nesse contexto. os pais não tem tempo de participar de atividades escolares. dissociada dos profissionais da educação. tem dificuldade em responder a questionários ou qualquer outro tipo de trabalho que exija a expressão escrita.a participação (ou ausência de) da família na escola é um tema “reclamado” mas não é um tema “discutido”. nota-se nos pareceres. não se acredita que ela possa se efetivar. Quanto à expectativa da equipe escolar em relação à participação dos familiares no processo escolar. que embora a escola necessite e reclame a participação dos familiares. partindo da equipe diretiva e pedagógica. prescindindo de muita reflexão no contexto escolar e familiar. primando pela abertura de espaço para discussão do tema no coletivo escolar. sensibilização dos atores envolvidos na construção conjunta de propostas que visem a ampliação dessa relação. E ainda. portanto. com profundo conhecimento da realidade. entre outros. os pais não falam em público. os pais não têm preparo suficiente para analisar e propor ações na escola. confrontando-se os pareceres de familiares e equipe escolar.medida em que aponta m uma participação limitada às tarefas escolares. no sentido de ampliação dessa participação. expectativas negativas em relação a adesão dos familiares ao processo de participação. e ainda. Ou seja. com uma prerrogativa de que pouco irá resolver . em especial. De modo que a ampliação dos modos de participação da família na escola.

Nesse momento foi priorizado a questão referente à importância atribuída à participação no processo escolar na fala dos familiares. ou a qualquer pessoa da família. Nesse momento. como uma forma de valorizar a opinião e firmar o compromisso de um maior e melhor acompanhamento durante o ano letivo . nas palavras de Guimarães (1999. para tanto. ainda como um meio de caracterizar essa importância. 20 . 20). para toda comunidade atendida pelo Colégio. os quais deram origem a um painel de recepção dos familiares (foto 01). são as suas palavras. E. Valoriza -se e cristaliza-se o sentimento de pertença e a relação de confiança começa a ser desenhada. foi solicitado a todos os alunos que escrevessem uma mensagem ao familiar que. Não é a escola que solicita. A reunião foi elaborada buscando-se cativar e sensibilizar os familiares. viria à reunião. dado o número expressivo de envolvidos. Tais mensagens foram escritas em corações. todos são chamados à participar. p. foi um momento de sensibilização. Segundo encontro: dirigido ao público alvo da proposta de integração divididos em três grupos e trabalhados em momentos diferentes. “nenhuma competência pedagógica consegue substituir aqueles momentos próprios de uma relação familiar. mensagem esta a ser entregue ao familiar na recepção do encontro e cujo texto variou desde um pedido de desculpas até a solicitação de um presente. cheia de uma certa cumplicidade afetiva e provenientes de laços de amor”. já no modelo de convite foi ressaltado a importância da família no sucesso escolar dos filhos. é a fala da família reproduzida e valorizada pela escola. ficando o aluno livre para se expressar. provavelmente.Encontros com os familiares Primeiro encontro: reunião geral para socialização dos dados obtidos na pesquisa deu-se no início do ano letivo. é o que eles pensam. são os pais que atribuem importância à participação. apresentação e discussão de propostas de integração família e escola .

bem como para refletir junto aos familiares as principais mudanças decorrentes da transição 4ª/5ª série. fatores relevantes para subsidiar a família no processo de acompanhamento escolar. percentual esse.Foto 01: painel de recepção aos familiares – processos de integração família e escola. A estatística de participação por turma. onde 34% dos respondentes demonstraram interesse em participar mais ativamente no processo escolar. encontra-se no quadro a seguir: 21 . estrutura e recursos. 2008/PDE A primeira parte do encontro destinou-se à apresentação do Colégio. Participaram desse encontro 35% dos familiares. em consonância com o apontado no levantamento diagnóstico.

2001). com a análise e discussão de projetos de integração família e escola desenvolvidos em outras realidades. situado em Contagem . considerando o período difícil pelo qual passa a sociedade. Seguiu-se o encaminhamento da proposta. EM RELAÇÃO AO NÚMERO DE PRE SENTES 08/04 A/B 74 31 42% 10 32% 09/04 C/D 80 35 44% 17 (sendo 04 apenas como voluntário) 8 (sendo 05 apenas como voluntário) 35 49% 10/04 EaH 151 42 28% 19% TOTAL 305 108 35% 32% Quadro 1: Quadro resumo da participação dos familiares .1º encontro: processos de integração família e escola. surpresa. Reações essas que levaram os familiares a proporem que fosse disponibilizado material para que eles respondessem aos filhos.é a escola propiciando momentos de afetividade. na busca pela sobrevivência. por eles sentida .MG. satisfação. Tal oportunidade teve especial relevância. num mundo caracterizado pelo individualismo e competitividade. dos recados deixados alunos. a redução do espaço para o diálogo e afetividade. 22 . trazendo como conseqüência.DATA TURMAS TOTAL DE ALUNOS TOTAL DE FAMÍLIAS PRESENTES PERCENTUAL DE FAMÍLIAS PRESENTES Nº DE FAMILIARES CADASTRADOS PARA INTEGRAR O PROJETO PORCENTUAL DE CADASTRADOS. Os projetos analisados foram: Roda de Pais: espaço de cidadania (ROSÁRIO. intervindo positivamente nas relações familiares. talvez seja esse um dos maiores e necessários avanços. através da leitura feita pelos familiares. entre outros. os quais tornam-se cada vez mais escassos no contexto familiar. risos. 2008/PDE Esse primeiro encontro foi caracterizado por um momento de muita emoção. com encontros mensais realizados no turno da noite. Prova disso foi a reação dos familiares diante dos recados dos filhos: lágrimas. destacando-se mensagens de reconhecimento do esforço da família na luta pela vida e. Esse projeto desenvolveu-se no Pré-Escolar Rita de Cássia Figueiredo. frases de amor e carinho. de forma a proporcionar a mesma sensação de afeto.

com vínculos baseados no respeito. mas que fazem parte de uma mesma roda e. sexualidade. Projeto: Se os pais não vão à escola. a proposta pedagógica. com o objetivo de promover a discussão de temas de interesse familiar. sendo que do total de seis temáticas. Pais que trabalham o dia todo como podem dar atenção aos filhos? (41%). reducionista e fragmentada. os avanços e a participação individual e coletiva. O primeiro tema abordado na roda de pais – Afinal. Tais encontros foram norteados pelo seguintes objetivos: ampliar e favorecer a participação de todos (escola/família) na formação da criança. listaram temas de interesse. et al) Esse trabalho foi uma iniciativa da Escola Reitor Álvaro Augusto Cunha Rocha. com a finalidade de se fazer reflexões acerca dessa importante parceria. extrapolando a visão conteudista. favorecer a construção significativa de uma proposta de educação/homem/sociedade. que escola e família tem papéis importantes e diferentes a cumprir. oportunizada a 366 famílias. na educação dos filhos. onde ficou claro que a bola é de todos. para posterior elaboração do cronograma anual da roda de pais. A avaliação do projeto se dava a cada encontro. Após esse primeiro momento. uma lista de temas. três foram mais votadas. para que os mesmos apontassem os assuntos de sua preferência. criar espaço de formação e vivência da cidadania. Limites e conflitos com os filhos (22%). proporcionando em diferentes momentos. foi introduzido através de uma dramatização. Televisão como administrar? (16%). atividades de apoio aos pais. juntos. onde os pais por meio de relatos orais ou escritos.envolvendo a comunidade escolar. sem medo do confronto com a diferença e com a diversidade e. limites. a Escola vai até os pais (SILVA. A escola apresentou aos pais. contribuindo assim para a formação integral e familiar do aluno. na confiança e na solidariedade. Para facilitar o acesso dos pais aos temas foram oferecidos como opções: leitura domiciliar dos 23 . via questionário. do CAIC/UEPG – Ponta Grossa . ausência do pai. em grupo. Os temas sugeridos pelos pais foram: dever de casa (reflexões e questionamentos). devem sustentar a bola. manifestavam os níveis de atendimento às expectativas. a televisão e a educação. estabelecer uma relação escola/comunidade harmoniosa.PR. sempre na perspectiva de viabilizar os meios necessários para aperfeiçoar o processo. Educação Infantil e Ensino Fundamental. os pais. de quem é a bola?.

tais como: os alunos escreviam cartas às suas mães. gincanas para angariar material de higiene 24 . primos. “Retratos de Família” é um encontro que reúne alunos e familiares.. Projeto Retratos de Família (BANDEIRA. mãe. onde os pais relataram contribuições imediatas no seu cotidiano familiar. contrapondo-se a prática do Dia dos Pais ou das Mães. Labibe Rachid de Abreu (Papagaios – MG). A opção por se comemorar um dia com a família. avós. se deu devido às novas configurações familiares. pai. com a exposição professores. enquanto os pais trabalham”. entre elas. de trabalhos assinados por pais de alunos e Família: Assunto de Escola (RODRIGUES. e não um depósito de crianças onde elas ficam. separadamente. realizado pelo Instituto Libertas de Educação e Cultura – Belo Horizonte. palestras ou grupo de estudos. 2006) Evento anual. de forma que. jogos de dama e Mostra coletiva num Espaço Cultural. entre outras possibilidades. amigos e colaboradores. entrevista oral ou escrita). visando também buscar a melhoria no ensino-aprendizagem. piquenique coletivo.. A avaliação das atividades do projeto foi feita via questionário. O objetivo é que os pais reconheçam seus espaços dentro da escola. levantamento de dados das famílias (visitas às famílias. tios. participassem.textos.esclarecer que a Escola Infantil é uma mola que impulsiona a criança a traçar seu projeto de vida. caminhadas. Daí surgiu um projeto interdisciplinar que permite aos alunos uma nova visão do universo familiar. além de ser uma confraternização e integração entre família e instituição educacional. onde diversas atividades envolvendo a família foram programadas. na escola ou fora dela. nas palavras da supervisora: ”. como parceiros do processo ensino/aprendizagem. com objetivo de fornecer subsídios para esclarecimentos às famílias sobre o trabalho realizado pela escola. discussão do tema “família” em sala de aula. o namorado da mãe ou a namorada do pai. 1999) Projeto desenvolvido na Escola Municipal de Pré-escolar D. oficinas de circo e artes. mostrando a sua real finalidade. Diversas atividades são realizadas.

os familiares. São elas: a) Reunião de pais: trabalho centralizado em um só tema. como: tricô. trabalham.para as famílias mais pobres. por sorteio. etc. FRANCO E RASUK. Projeto “Incentivo a Cultura e Noções Laboriais”: grupo de familiares atuando durante o recreio. crochê. diversas atividades foram desenvolvidas considerando o tema família. podem preparar pequenas palestras para as turmas. as sugestões dadas num artigo que aborda o comprometimento da escola com a busca de atividades que possibilitem a sua interação com a família. os alunos. c) Acompanhamento paralelo de pais e filhos (por série): na medida em que se desenvolve o projeto. ou experiências laboriais. 25 . apresentou-se também as seguintes sugestões de parcerias família e escola: Grupos R otativos de Familiares: dentro dessa sugestão. dando noções de instrumentos musicais. A Família Vai à Escola (MANTUANO NETTO. pintura. Projeto Revivendo Brincadeiras: grupo de familiares atuando durante o recreio. junto aos pais. razão pela qual detalha-se neste artigo. uma mãe. uma vez por semana. confecção de brinquedos com material sucata. Em sala de aula. trabalhando oficinas de incentivo a cultura. etc. com o auxilio da equipe pedagógica. b) Curso para pais: trabalho realizado em torno de um tema executado ao longo de vários contatos (reuniões) ou bloco de temas oferecidos a um mesmo grupo. e convidar. motivados por temas como.. esgotando-se em uma só reunião. por exemplo. 1992) Apresentamos aqui. com temas específicos da faixa etária. ou em dias pré-estabelecidos. confecção e distribuição da merenda. Além dos projetos acima descritos. para participar da aula . incentivando e revivendo brincadeiras. etc. teatro. paralelamente. dança. no nível de desenvolvimento pré-escolar. valores humanos.

Estas experiências foram distribuídas por grupos de familliares. pela oportunidade do contato com os pais dos colegas do filho. pelo espaço destinado a afetividade. num período de violência em que vivemos. Desse encontro. É necessário acreditar e oportunizar. não só do aluno. Dessa forma. negativos e sugestões. escrevem e participam e ainda. Também pode-se afirmar que. bem como a organização pedagógica com a qual o filho passará a conviver. no ano de 2008. permanecendo na atividade por um período longo. em especial. bem como citando outras experiências de integração por eles vivenciadas. os mesmos envolveram-se nas discussões dos projetos e/ou sugestões. considerando as adequações necessárias para a viabilização no contexto do Colégio. a um plano de participação da família na escola. observando em relatório próprio os aspectos positivos e negativos. fazendo leituras e discussões em grupos. aspecto considerado de extrema relevância. expondo oralmente para o grande grupo. baseada num canal aberto de diálogo e portanto. uma grande estratégia no favorecimento da instalação duma relação mais estreita. de sentimento de pertença. contrariando os apontamentos feitos informalmente sobre as “limitações” dos familiares. com a escola. permanecem o tempo necessário para abordar o tema proposto. despertando nos pais o desejo em valorizar mais a relação familiar. as conclusões do grupo. tanto comportamental. possibilitando que os mesmos possam melhor orientar os filhos. mas dos responsáveis por esse aluno. nesta fase pubertária e de mudanças estruturais na organização do ensino. minimizando os problemas decorrentes da transição. foi proposto o preenchimento de uma ficha cadastro. se envolvidos e motivados a participar. pelo conhecimento da estrutura. vê-se que. quanto ao desenvolvimento da aprendizagem. sendo que o grupo relacionado daria inicio. relatando por escrito os pontos positivos. recursos físicos e humanos. Ao final desse segundo encontro. e. tomando-se por 26 . percebeu-se que os familiares valorizaram esse momento. os quais fizeram a leitura e análise da proposta. quebrando também a idéia pré-concebida de que os pais só participam de reuniões rápidas inicia-se um processo de rompimento de mitos: os pais discutem. no próximo encontro. ainda. vê-se que reside na viabilização de mais encontros e reuniões. para além da análise das propostas de integração.

seja possível encontrar formas de ampliar essa relação. Dessa forma. de forma mais aprofundada. inscreveram-se. a relação família e escola. conforme cada caso. 35. Como característica fundamental da proposta de integração foi inserido no convite enviado à família. nenhuma influência. o que se pretente. condição fundamental para dar início a um processo de aproximação. a fim de maximizar o sucesso do adolescente em processo de desenvolvimento. nele destaca-se que a família não irá ditar normas no processo educacional.Revivendo Brincadeiras. buscar a cumplicidade das duas instituições formadoras. esse trabalho foi denominado de “Plano de Participação da Família na Escola”. baseada no estreitamento de relações. trata-se de um processo de abertura onde. 27 . por parte da escola. Terceiro encontro: viabilização de ações na escola O objetivo deste encontro foi discutir. com interesse em aprofundar as análises e desenvolver atividades periódicas na escola. segundo Mantuano Neto (1992. ou regulamentos que norteiem o processo de aproximação família e escola. Contou-se com a presença de 09 familiares. ampliá-las. passíveis de implantação imediata no Colégio. bem como reavaliar as propostas discutidas no encontro anterior e propor ações de participação no ano de 2008. sendo que destes. os quais elegeram a proposta dar início ao processo de aproximação família e escola . Dos 108 familiares presentes. um texto reforçando a importância e a tônica do encontro. não cabendo a escola restringir possibilidades e sim ofertar e no decorrer. da mesma forma como a escola não dirigirá a dinâmica familiar. O fator fundamental que sustentou a definição da proposta a ser trabalhada foi a afinidade e a segurança do familiar em efetivar tal tarefa. auxiliando esporadicamente. 26 familiares. É importante ressaltar que não houve. al). é a principio. É fundamental ter claro que não há receita pronta. no momento da seleção das ações a serem desenvolvidas.base as propostas já discutidas e/ou novas sugestões. e os demais (09) como voluntários. sem receios ou jogo de culpa. et.

o familiar presente favorece o ambiente educativo na escola. As brincadeiras foram coordenadas por mães de alunos e representante da APMF (Foto 02). considerando a realidade local. caracterizado por correrias e conflitos. muitas vezes. não brincam mais um olhando nos olhos do outro. primando pelos direitos e deveres. Para maximizar os benefícios da proposta optou-se pela execução do projeto durante o recreio. levando os alunos a primar pelo contato com o outro. sendo aproximadamente 305 os absorvidos pelo projeto. a valorização das diferenças e caracterizando um espaço de inclusão. Os familiares tinham como objetivo incentivar e retomar as brincadeiras do passado. de agressividade e violência. tomados por um personagem que executa ações. levando os alunos a sentirem-se mais acompanhados e portanto menos sujeitos a desvios de comportamento e. entre outros problemas. de forma a explorar as habilidades do próprio individuo e não de um personagem . Daí. Para além desses benefícios.são os personagens. conseqüentemente. propiciando dessa forma uma educação mais efetiva . ao ser coordenado pelos familiares possibilita a abertura de um canal de diálogo imprescindível na relação família e escola . dos jogos eletrônicos e contatos virtuais . Foram realizados encontros para definição e organização das brincadeiras. 28 . também. preparação de material. faixas e cartazes. um momento tumultuado.Execução do Projeto “Revivendo Brincadeiras” O Projeto “REVIVENDO BRINCADEIRAS” caracterizou-se por um momento onde os familiares reviveram brincadeiras com os alunos. abre-se mais um espaço para exercitar a democracia. bem como avaliar os benefícios do projeto para o educando e para a escola. aproximadamente 800 alunos no período da tarde. o respeito a participação e opinião do outro.nossas crianças. aumentam as possibilidades de melhor rendimento escolar. a necessidade de se oportunizar momentos em que as brincadeiras sejam “com o outro”. não são eles que brincam . este projeto. elas (quando o adversário não é virtual) olham para uma tela.a brincadeira “com o outro” oportuniza uma maior convivência entre os alunos. na maioria. relação cada vez mais suprimida do cotidiano. pelo avanço da tecnologia.

a fim de privilegiar tanto os alunos que gostam de brincadeiras que exercitem mais o físico. os alunos retornam mais calmos e portanto. os alunos se divertem ou apenas se distraem. Esse fato reduz brigas. o ambiente de sala fica mais favorável à aprendizagem. do Projeto) e Cledivânia. Eliane (Coord. 29 . correrias e acidentes. Durante as brincadeiras.Foto 02: mães monitoras de uma das tardes de brincadeiras. alguns brincam. da direita: Dinorá. há uma canalização de interesses em torno de uma mesma brincadeira. Neuza (APMF). outros observam (Foto 03/Foto 04). Profª. 2008/PDE As brincadeiras contempladas foram “pula corda” e “cinco marias”. Simone. quanto àqueles que preferem brincadeiras que exijam mais concentração. mas sem aquela agitação desenfreada que reduz pela metade a produtividade da aula seguinte ao recreio. sem muito esforço físico.

2008/PDE Vê-se meninos e meninas brincando juntos (Foto 04). por outro. a relação meninomenina vem sendo distorcida pela exacerbação da sexualidade. aqui passam a brincar juntos de uma maneira mais saudável. 30 .Foto 03: execução da proposta de integração família e escola – Projeto “Revivendo Brincadeiras”. impõe respeito. o foco sai da relação meninomenina e passa para menino -brinquedo-menina. sentir-se parte da escola. a satisfação demonstrada pelas mães em contribuir com a escola. a presença da família em meio às crianças e adolescentes. estar mais próxima do filho e fundamentalmente. os mesmos passam a ter um ângulo de visão do outro que até então até então não tinham. de forma que através da brincadeira. De um lado a adesão dos alunos às brincadeiras.

de vivência em grupo.é a família contribuindo.as crianças e pré-adolescentes carecem desse tipo de atividade. viu-se que a vontade de brincar coletivamente. oportunidade singular de ressaltar a importância dos valores na convivência humana . Também percebeu-se que alguns familiares sentem-se incapazes de auxiliar seus filhos nos deveres escolares. outros como eles mesmos o dizem. é momento de troca. além de favorecer um ambiente mais tranqüilo e adequado a aprendizagem com a redução de conflitos . com o processo de ensino e aprendizagem. mesmo que indiretamente. e por isso havia uma expectativa de resistência às brincadeiras. 2008/PDE A experiência de integração através do Projeto Revivendo Brincadeiras apontou algumas constatações. de socialização. alunos na 2ª fase do ensino fundamental. independentemente dos aparatos.Foto 04: execução da proposta de integração família e escola – Projeto “Revivendo Brincadeiras”. é característica da criança. parte são analfabetos. em nome da falta de 31 . mesmo nesse nível escolar . e. apenas assinam seus nomes. dentre elas: Sendo o público alvo.

Dessa forma. muitos deixam de dar as orientações mais básicas aos filhos. oportunizando ampliar a sua visão de mundo pela convivência com o outro. para então afirmar que os pais não participam – afinal. do que eles não participam? Das reuniões de entrega de boletins? Isso já é resultado. fazer acontecer. saindo da relação direta “professor-quadro-negro-aluno”. em grande parte. Os momentos de interação família-educando-escola. de outros familiares proporem-se a desenvolver projetos junto à equipe escolar. consolida. É preciso divulgar. O grande número de alunos atendidos. o que na prática. quantitativamente. relação família escola tende a se desenvolver mais num sentido de cooperação e menos de cobranças e culpados. possibilita um maior comprometimento da família ao mesmo tempo em que responsabiliza mais a 32 . estender um pouco as suas ações. A presença do familiar na escola. oportunizam para todos. A participação das mães levou outros alunos a convidarem suas mães a participarem das atividades na escola. as possibilidades e limitações de cada um – dessa forma. requer um número expressivo de pessoas envolvidas nas atividades durante o recreio. quanto mais os familiares compartilharem o dia a dia escolar. o entender e valorizar melhor o outro. desses. pois é na relação que se dão os conflitos e. inviabiliza a execução satisfatória da proposta – desse modo. há uma tendência significativa. depreciativos. considerando apenas o quadro de pessoal da escola. um rever de posturas.conhecimento sistematizado. dando condições da escola . ao ser coordenados por familiares. projetos como esse. contribuem para elevar a sua auto-estima. A presença do familiar na escola auxilia a manter um clima de ordem e respeito – é a família contribuindo com a educação informal no mesmo espaço/tempo da educação formal. muitos deles. dá mais transparência ao processo escolar. em todas as fases desse processo e não apenas dos resultados. em torno de 300 envolvidos na proposta. é pela mediação dos conflitos que se dá o crescimento. A escola. de forma que. assim. está desempenhando seu papel no sentido de alimentar o senso de comunidade. os familiares somam também. a gestão democrática. é necessário propor ações dos familiares no processo. cerca de 800 apenas no período da tarde. pelas baixas notas obtidas pelo filho. favorecendo o sentimento de pertença e de comunidade e ainda.

e a escola precisa estar preparada para isso. quebrando a barreira existente entre a educação informal e a formal. uma real possibilidade de amenizar as principais dificuldades apontadas pelos professores como situações que se não impedem. a médio e longo prazo. momento crucial para unificar e fortalecer a família e a escola enquanto instituições formadoras. Mães felizes – é dessa forma que resume-se a participação delas nesse projeto.oportunidades como essa. mas sem indução à participação. Os familiares sentiram-se mais confiantes na sua contribuição com a educação formal. isso se deve. Esse trabalho propiciou uma relação mais estreita. produzem. Conclusão O trabalho realizado junto aos familiares indicou que a integração família e escola é possível. Dessa forma. entre outros. mas principalmente os que se propõe a participar. alterações qualitativas de vital importância para todo o processo ensino-aprendizagem. em especial no momento em que vivemos de crise ética e inversão de valores. ou seja. embora com um número não muito significativo. e que. características fundamentais de um espaço educativo. desestabilizando o professor. ouvir e rever posições (e muitas não estão). levando os familiares a encontrarem neles próprios uma habilidade. abrindo um canal paro o diálogo. pois os pais. cabendo a escola. reside na promoção de processos de integração da família com a escola. desmotivando o aluno e portanto. aproveitar essa característica . canalizar. estão contribui ndo para maximizar a aprendizagem. gerando o fracasso escolar. pela forma como foi conduzida a aproximação família-escola. dificultam a aprendizagem e comprometem a relação professor . bem como mais fortalecidos para educação informal.aluno. embora. Os familiares na escola contribuem para estabelecer um ambiente de respeito e maior tranqüilidade. favorecem e fortalecem o laços da família com a escola. a curto prazo não alterem quantitativamente os resultados da aprendizagem. são críticos. pelo estímulo à participação.escola. Existem muitos familiares predispostos a contribuir com a escola e é a escola que tem que 33 . evidenciando o sentido de complementação de uma para a outra.

assim como a família parecem não ter clareza dos benefícios obtidos na intensificação dessa relação.viabilizar essa participação. a democratização da escola alcance. como condição básica para atraí-lo e encorajá-lo a integrar-se no processo escolar. um projeto civilizatório de longo 34 . coletivamente. questão prioritária. priorizando situações em que os próprios familiares sugiram atividades. No entanto. Trata -se de um novo olhar da escola para com a família e desta com a escola. numa perspectiva de ampliação dessa relação. e do seu entorno. a escola. para a reflexão sobre as relações escola e família. há necessidade da escola voltar-se. a partir de uma relação de confiança e co-responsabilidade. assim. atribuindo-lhe real importância e credibilidade na sua efetivação. visando para além do rendimento escolar. ou não sabem como fazê-lo.

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