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5ª TURMA RECURSAL DOS JUIZADOS ESPECIAIS CÍVEIS E CRIMINAIS DA

BAHIA

PROCESSO Nº 0115249-06.2008.805.0001-1
CLASSE: RECURSO INOMINADO
RECORRENTE: JANETE SUZART DA SILVA SANTOS
RECORRIDO: CONDOMÍNIO BOSQUE TROPICAL II
JUIZ PROLATOR: REGINA HELENA SANTOS E SILVA
JUIZ RELATOR: ROSALVO AUGUSTO VIEIRA DA SILVA

EMENTA

RECURSO INOMINADO. COBRANÇA DE COTAS


CONDOMINIAIS INADIMPLIDAS. DEVER DE PAGAMENTO
IMPOSTO A TODOS OS TITULARES DAS RESPECTIVAS
UNIDADES AUTÔNOMAS. MANUTENÇÃO INTEGRAL DO
JULGADO QUE ORDENOU O PAGAMENTO DO VALOR TOTAL
PERTINENTE. NÃO PROVIMENTO DO RECURSO.

Dispensado o relatório nos termos do artigo 46 da Lei n.º 9.099/95.

Circunscrevendo a lide e a discussão recursal para efeito de registro,


saliento que a Recorrente, JANETE SUZART DA SILVA SANTOS, pretende a reforma da
sentença lançada nos autos que a condenou ao pagamento das taxas condominiais
inadimplidas, tudo em favor do Recorrido CONDOMÍNIO BOSQUE TROPICAL II.

Presentes as condições de admissibilidade do recurso, conheço-o,


apresentando voto com a fundamentação aqui expressa, o qual submeto aos demais
membros desta Egrégia Turma.

VOTO

Ao contrário do que o Autor assevera, o recurso apresentado pela


Requerida se mostra tempestivo, senão vejamos:

A Requerida foi intimada da decisão que rejeitou os embargos de


declaração via DJE no dia 16 de setembro de 2010 (quinta-feira), conforme consta às fls. 29
verso. Nos termos do § 3º, do art. 4º, da Lei nº 11.419/06 1, ratificado pelo Decreto Judiciário
nº 064/09, do TJBA2, o prazo para interposição do recurso inominado deveria ter início na
última hora do dia 17.09.10 (sexta-feira), que, prorrogando-se até o primeiro dia útil
subsequente, teve início no dia 20 de setembro de 2010 (segunda-feira), vencendo dia
26/09/10 (domingo), tendo sido o recurso interposto no dia 24 de setembro de 2010,
conforme consta às fls. 93.

No mérito, a sentença recorrida, tendo analisado corretamente todos os


aspectos do litígio, merece confirmação integral, não carecendo, assim, de qualquer reparo
ou complemento dentro dos limites traçados pelas razões recursais, culminando o julgamento

1
§ 3o Considera-se como data da publicação o primeiro dia útil seguinte ao da disponibilização da informação no Diário da Justiça
eletrônico.

2
Art. 3º. Considera-se como data de publicação dos atos contidos em cada edição, para todos os efeitos jurídicos e nos termos da
legislação vigente, o primeiro dia útil subseqüente ao da colocação à disposição, na Internet, do Diário da Justiça Eletrônico.

1
do recurso com a aplicação da regra inserta na parte final do art. 46 da Lei nº 9.099/95, que
exclui a necessidade de emissão de novo conteúdo decisório para a solução da lide, ante a
integração dos próprios e jurídicos fundamentos da sentença guerreada.

A título de ilustração apenas, fomentada pelo amor ao debate e para realçar


o feliz desfecho encontrado para a contenda no primeiro grau, alongo-me na fundamentação
do julgamento, nos seguintes termos:

Em respeito à vontade da maioria dos integrantes de condomínios, os


titulares de suas unidades autônomas estão obrigados ao pagamento das taxas e contribuições
que sejam aprovadas, independentemente da eventual exorbitância do valor da cota mensal e
da forma que se desenvolve a administração dos recursos, que, assim, não podem servir de
justificativas para a voluntária inadimplência3, existindo arenas próprias para as discussões
da espécie, respeitando-se, inclusive, as normas internas do condomínio.

Assim, não havendo razões jurídicas para justificar a inadimplência dos


Recorrentes em relação as taxas condominiais identificadas, as quais também foram
impostas aos demais condôminos, mostra-se escorreita a condenação ao pagamento do valor
total alusivo.

Quanto ao pedido contraposto, entendo que razão não assiste à Requerida,


já que, nas circunstâncias apuradas, não há qualquer evidência da prática de qualquer ato
ilícito por parte do Recorrido, o que excluiu a possibilidade de condenação a título de danos
morais, não se concebendo, também, que a simples cobrança de taxas condominiais,
dissociada de qualquer situação objetiva, possa ter ocasionado constrangimento, dor íntima
intensa, sofrimento psicológico, padecimento, aflição, angústia, humilhação, vergonha,
intranquilidade psíquica ou qualquer outra grave consequência relacionada à personalidade
humana, sendo, portanto, incapaz de ensejado danos dessa natureza, passível de
compensação pecuniária.

Ademais, os fatos descritos nos autos, relativamente à ocorrência das


enchentes e consequentes danos para a proprietária do imóvel, os mesmos são objeto da
Ação Cautelar tombada sob o nº 2008.33.00.005035-2, em trâmite na 11ª Vara Federal desta
Comarca, proposta em desfavor da FM Construtora Ltda., Caixa Seguros S.A. e Caixa
Econômica Federal-CEF.

Assim sendo, ante ao exposto, voto no sentido de CONHECER e


NEGAR PROVIMENTO ao recurso interposto por JANETE SUZART DA SILVA
SANTOS, confirmando, consequentemente, todos os termos da sentença hostilizada,
deixando de condenar a Recorrente ao pagamento das despesas processuais porque esta
Turma Recursal tem reconhecida a impossibilidade quando a sucumbência atinge os
beneficiários de gratuidade judiciária.
Salvador-Ba, Sala das Sessões, 12 de maio de 2014.

Rosalvo Augusto Vieira da Silva


Juiz Relator

3
- CONDOMÍNIO - DESPESAS CONDOMINIAIS - AÇÃO DE COBRANÇA - ADMINISTRAÇÃO DE CONDOMÍNIO -
IRRELEVÂNCIA DE ALEGAÇÃO - PRELIMINARES - REJEIÇÃO - Preliminares rejeitadas, eis que não ocorreu cerceamento
de defesa e a inicial nada tinha de inepta, pois o pedido não fora impossível como alegado no recurso. No mérito, não vale o
argumento de má gestão do condomínio para o não pagamento das cotas, eis que para essa finalidade há medida judicial
apropriada. O não-pagamento da obrigação ou a falta de seu depósito judicial pesa contra a credibilidade do recurso. Recurso
desprovido. (MCT) (TJRJ - AC 21036/1999 - (28042000) - 7ª C.Cív. - Rel. Des. Caetano Fonseca Costa - J. 21.03.2000 )