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PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DA BAHIA

2ª TURMA RECURSAL DOS JUIZADOS ESPECIAIS

PROCESSO Nº 00670642420148050001
CLASSE: CONFLITO DE COMPETÊNCIA
SUSCITANTE: MM. Juiz de Direito do JUIZADO MODELO CÍVEL - EXT. JORGE
AMADO - VESPERTINO, Dr. João Batista Alcântara Filho
SUSCITADO: MM. Juíza de Direito do Juizado Modelo Cível - Ext. Jorge Amado
– MATUTINO, Dra AILZE BOTELHO ALMEIDA RODRIGUES
INTERESSADOS: WILSON LIMA DE ALMEIDA E BANCO ITAU BMG
CONSIGNADO S A
Relatora: MARIA AUXILIADORA SOBRAL LEITE

EMENTA

CONFLITO DE COMPETÊNCIA. EXISTÊNCIA DE DEMANDA


IDÊNTICA AJUIZADA ANTERIORMENTE, E QUE CONTA COM O
TRÂNSITO EM JULGADO. INOCORRÊNCIA DOS EFEITOS DA
CONEXÃO. SÚMULA 235 DO STJ. ANTERIOR LITISPENDÊNCIA
QUE SE TRANSFORMOU EM COISA JULGADA MATERIAL.
QUESTÃO DE ORDEM PÚBLICA. EXTINÇÃO DO FEITO SEM
JULGAMENTO DE MÉRITO OPERADA DE OFÍCIO. ART. 267, V
DO CPC

ACÓRDÃO
Acordam as Senhoras Juízas da 2ª Turma Recursal dos Juizados
Especiais Cíveis e Criminais do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, MARIA
AUXILIADORA SOBRAL LEITE – Relatora , CÉLIA MARIA CARDOZO DOS REIS
QUEIROZ e ISABELA KRUSCHEWSKY PEDREIRA DA SILVA, Presidente em
proferir a seguinte decisão: EX OFFICIO, EXTINÇÃO DO FEITO SEM
JULGAMENTO DO MÉRITO COM FULCRO NO ART.267,V DO CPC, de acordo
com a ata do julgamento. Sem custas e honorários advocatícios.

Salvador, Sala das Sessões, 10 de SETEMBRO de 2015.


BELA. MARIA AUXILIADORA SOBRAL LEITE
Juíza Relatora
BELA. ISABELA KRUSCHEWSKY PEDREIRA DA SILVA
Juíza Presidente
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PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DA BAHIA
2ª TURMA RECURSAL DOS JUIZADOS ESPECIAIS

PROCESSO Nº 00670642420148050001
CLASSE: CONFLITO DE COMPETÊNCIA
SUSCITANTE: MM. Juiz de Direito do JUIZADO MODELO CÍVEL - EXT. JORGE
AMADO - VESPERTINO, Dr. João Batista Alcântara Filho
SUSCITADO: MM. Juíza de Direito do Juizado Modelo Cível - Ext. Jorge Amado
– MATUTINO, Dra AILZE BOTELHO ALMEIDA RODRIGUES
INTERESSADOS: WILSON LIMA DE ALMEIDA E BANCO ITAU BMG
CONSIGNADO S A
Relatora: MARIA AUXILIADORA SOBRAL LEITE

EMENTA

CONFLITO DE COMPETÊNCIA. EXISTÊNCIA DE DEMANDA


IDÊNTICA AJUIZADA ANTERIORMENTE, E QUE CONTA COM O
TRÂNSITO EM JULGADO. INOCORRÊNCIA DOS EFEITOS DA
CONEXÃO. SÚMULA 235 DO STJ. ANTERIOR LITISPENDÊNCIA
QUE SE TRANSFORMOU EM COISA JULGADA MATERIAL.
QUESTÃO DE ORDEM PÚBLICA. EXTINÇÃO DO FEITO SEM
JULGAMENTO DE MÉRITO OPERADA DE OFÍCIO. ART. 267, V
DO CPC

RELATÓRIO

Trata-se de conflito negativo de competência , figurando como


suscitante o MM. Juiz de Direito do JUIZADO MODELO CÍVEL - EXT. JORGE AMADO -
VESPERTINO, Dr. João Batista Alcântara Filho, através do qual recusa o
processamento da ação movida por WILSON LIMA DE ALMEIDA em face de BANCO ITAU
BMG CONSIGNADO S A, tombada sob o número 0067064-24.2014.8.05.0001, no juizado que
responde, e tendo como suscitada a MM. Juíza de Direito do Juizado Modelo Cível
- Ext. Jorge Amado – MATUTINO, Dra AILZE BOTELHO ALMEIDA RODRIGUES,
que em decisão proferida no evento se declarara incompetente para julgar o
feito, tendo em vista “a prevenção do JUIZADO MODELO CÍVEL - EXT. JORGE

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AMADO , turno: VESPERTINO, perante a qual tramita a ação n 0019763-
81.2014.8.05.0001, já azuizada”.

Ao receber o feito, o MM Juiz suscitante aduziu que não ocorrera o


fenômeno processual da prevenção, tendo em vista que já houvera no processo
anterior julgamento de mérito, assim se manifestando: “Sabe-se que a remessa de autos
para o juízo prevento em atenção a conexão só é viável e possível antes do julgamento do mérito de
um deles. Outrossim, este é o entendimento constante na Súmula nº 235 do STJ, in verbis: “A
conexão não determina a reunião dos processos, se um deles já foi julgado”

Apreciando a questão suscitada, apresento voto com a


fundamentação aqui expressa, o qual submeto aos demais membros desta Egrégia
Turma.

VOTO

Razão assiste ao MM. Juiz suscitante.

É o caso da aplicação da súmula 235 do STJ, que apregoa:


A conexão não determina a reunião dso processos, se um deles já
foi julgado.
Com efeito, o processo ajuizado anteriormente, de número 0019763-
81.2014.8.05.0001 ,efetivamente possui as mesmas partes, pedido e causa de pedir,
do processo em que suscitado o presente conflito, todavia já houvera o julgamento
de mérito daquele, bem como o seu trânsito em julgado, o que afasta o efeito
principal da conexão, a saber, a reunião dos processos.
Nesse sentido, a jurisprudência:

CONFLITO NEGATIVO DE COMPETÊNCIA. GUARDA E


CAUTELAR DE SUSPENSÃO DE VISITAS. Nos termos da súmula
235 do STJ, não há conexão quando um dos feitos já se encontra
extinto. O processo de guarda - que tramitou no 2º Juizado - havido
entre as partes já havia sido extinto em razão de acordo homologado.
Assim, nenhuma conexão há entre o feito extinto e a ação cautelar
que objetiva a suspensão de visitas. JULGARAM IMPROCEDENTE
O CONFLITO. UNÂNIME. (Conflito de Competência Nº
70058002957, Oitava Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS,
Relator: Luiz Felipe Brasil Santos, Julgado em 22/05/2014)

Conflito de competência. Ação de busca e apreensão. Ação revisional


já julgada. Ausência de conexão. Súmula 235 do STJ. Precedentes.
Conflito julgado procedente. (Conflito de Competência Nº

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70051279271, Décima Terceira Câmara Cível, Tribunal de Justiça do
RS, Relator: Breno Pereira da Costa Vasconcellos, Julgado em
25/10/2012)

APELAÇÃO CÍVEL. LOCAÇÃO. AÇÃO DE COBRANÇA. ÔNUS DA


PROVA. CASO CONCRETO. AGRAVO RETIDO. AUSÊNCIA DE
CONEXÃO ENTRE AÇÕES ESTANDO UMA DELAS JÁ JULGADA.
SÚMULA 235 STJ. ALEGAÇÃO DE MÁ-FÉ DA REQUERIDA FACE
À COBRANÇA DE IPTU JÁ PAGO. REPETIÇÃO DO INDÉBITO,
ART. 940 DO CÓDIGO CIVIL. MÁ-FÉ NÃO CARACTERIZADA.
NEGARAM PROVIMENTO AO AGRAVO RETIDO E À APELAÇÃO.
UNÂNIME. (Apelação Cível Nº 70048992820, Décima Quinta
Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Otávio Augusto de
Freitas Barcellos, Julgado em 05/09/2012)

AGRAVO DE INSTRUMENTO. PROCESSO CIVIL. Nos termos da


Súmula 235 do Superior Tribunal de Justiça e da jurisprudência desta
Corte, não há falar em conexão se uma das ações já foi julgada.
RECURSO DESPROVIDO. (Agravo de Instrumento Nº 70046583043,
Décima Sexta Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Ana
Maria Nedel Scalzilli, Julgado em 23/08/2012)

Observo, outrossim, que as duas demandas, constantes dos processos


0019763-81.2014.8.05.0001 e 0067064-24.2014.8.05.0001 possuem as mesmas
partes, o mesmo pedido e a mesma causa de pedir, restando caracterizada o
fenômeno da coisa julgada material, nos termos do § 4º do art. 301 do CPC, que por
se constituir em matéria de ordem pública, deve ser declarada de ofício. Nesse
sentido:

AGRAVO DE INSTRUMENTO - CAUTELAR - OBJETO JÁ


DECIDIDO EM OUTRA DEMANDA - COISA JULGADA
MATERIAL - RECONHECIMENTO DE OFÍCIO - RECURSO
PREJUDICADO. Tratando-se a coisa julgada de matéria de ordem
pública e prejudicial do mérito, deve o magistrado reconhece-la de
ofício e em qualquer grau de jurisdição. A coisa julgada material
torna imutável os efeitos da sentença, impedindo que as partes
litiguem ou que se julgue no mesmo ou em outro processo questões
idênticas. Portanto, o reconhecimento da coisa julgada material por
esta Corte, nos termos do art. 267 , § 3º , do CPC , é medida que se
impõe. Prejudicado o recurso (TJ-SC - AI: 167738 SC 2005.016773-8,
Relator: Volnei Carlin, Data de Julgamento: 01/09/2005, Primeira
Câmara de Direito Público, Data de Publicação: Agravo de
instrumento n. , da Capital.)

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RESPONSABILIDADE CIVIL. INDENIZAÇÃO POR DANOS
MORAIS. INSCRIÇÃO INDEVIDA DO NOME DA AUTORA EM
CADASTRO DE ÓRGÃO DE PROTEÇÃO AO CRÉDITO.
EXISTÊNCIA DE DEMANDA IDÊNTICA AJUIZADA
SIMULTANEAMENTE E QUE CONTA COM TRÂNSITO EM
JULGADO. ANTERIOR LITISPENDÊNCIA QUE SE
TRANSFORMOU EM COISA JULGADA MATERIAL.
EXTINÇÃO DO PRESENTE FEITO SEM JULGAMENTO DO
MÉRITO OPERADA DE OFÍCIO. INTELIGÊNCIA DO ART. 267 ,
V , DO CPC . LITIGÂNCIA DE MÁ-FÉ DA AUTORA
CONFIGURADA. RECONHECIMENTO EX OFFICIO.
SENTENÇA REFORMADA. RECURSO PREJUDICADO. Não pode
prevalecer o debate de matéria que se tornou imutável pelo manto da
coisa julgada, nos termos dos arts. 467 e 471 , caput, do Código de
Processo Civil .( TJ-SC - AC: 20140528491 SC 2014.052849-1
(Acórdão), Relator: Marcus Tulio Sartorato, Data de Julgamento:
10/11/2014, Terceira Câmara de Direito Civil Julgado)

Com efeito, o primeiro processo, tombado sob o número 0019763-


81.2014.8.05.0001, fora distribuído em 04/03/2014, ao passo que o presente feito,
de número 0067064-24.2014.8.05.0001, fora distribuído em 21/07/2014.
Inicialmente, verifica-se que houvera a litispendência,

a qual não mais subsiste porque houve trânsito em julgado da sentença proferida
naqueles autos.

A propósito, transcreve-se o dispositivo da mencionada decisão que expõe o


cerne da questão lá debatida, e que coincide com a presente demanda

Posto assim, JULGO PROCEDENTE EM PARTE a queixa para:

1-CONDENAR O RÉ A RESTITUIR AO DEMANTE OS VALORES


DESCONTADOS INDEVIDAMENTE EM SEU BENEFÍCIO
PREVIDENCIÁRIO, corrigido monetariamente desde CADA
desembolso, acrescido de juros de 1% ao mês desde a citação, 2 -
CONDENAR O RÉU AO PAGAMENTO DE R$ 3.000,00 (três mil reais)
a título de compensação pelos danos morais, acrescidos de juros de 1%
ao mês, a partir da citação, e correção monetária a contar da presente
decisão, 3- DETERMINAR O CANCELAMENTO DOS DESCONTOS
EFETUADOS NO BENFÍCIO DA PARTE AUTORA.

Desta forma, emerge cristalina dos autos a ocorrência de coisa julgada


material em relação à discussão travada nos presentes autos, não cabendo ao autor

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postular novamente a declaração de inexistência de débito e a indenização por
danos morais

Ante o exposto, voto no sentido de, ex officio, extinguir o feito sem


julgamento do mérito ante a configuração da coisa julgada , com fulcro no art. 267,
V, do Código de Processo Civil. Sem custas e honorários advocatícios.

Salvador, 10 de Setembro de 2015

BELA. MARIA AUXILIADORA SOBRAL LEITE


Juíza Relatora