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REVISTA CIENTÍFICA ELETÔNICA DE PEDAGOGIA – ISSN: 1678-300x

Ano V – Número 09 – Janeiro de 2007 – Periódicos Semestral

ESTUDO DO DESENVOLVIMENTO DA LINGUAGEM DE


CRIANÇAS DE 0 A 2 ANOS

GARCIA, Maria Madalena Momesso


Acadêmica do curso de Pedagogia da ACEG/FAHU – Garça – SP
E-mail: kotamomesso@yahoo.com.br

CAMARGO, Neuci Lemme


Orientadora
Docente do curso de Pedagogia ACEG/FAHU – Garça – SP

Resumo:
ESTUDO DO DESENVOLVIMENTO DA LINGUAGEM DE CRIANÇAS DE 0 A 2 ANOS
Partindo da afirmação de que a comunicação é uma necessidade básica do ser humano, esta
pesquisa buscou observar e compreender a comunicação de um grupo especifico: crianças de
0 a 2 anos. Para tanto, foi realizada uma pesquisa bibliográfica e observação do
comportamento de bebês nesta faixa etária que freqüentam um berçário da rede pública de
ensino. Foi possível concluir que os bebês se utilizam de um sistema próprio para
expressarem-se e o fazem das maneiras mais variadas, estabelecendo um “vocabulário”
peculiar que deverá ser interpretado pelas atendentes e educadoras do berçário.
Palavras-chave: Comunicação infantil, Desenvolvimento da linguagem, Linguagem infantil.

Abstract:
STUDY OF DEVELOPMENT AND LANGUAGE OF CHILDREN BETWEEN 0 AND 2 YEARS
OLD
Starting by the affirmation that communication is a basic need of human, this research tried to
observe and understand the communication of a specific group: children between 0 and 2 years
old. For in such a way, it was carried through a bibliographical research and comment of the
behavior of babies in this age who frequent a nursery of the public net of education. It was
possible to conclude that the babies use a proper system to express themselves and they do it
in the varied ways, establishing a peculiar “vocabulary” that will have to be interpreted by the
attendants and educators of the nursery.
Keywords: Children communication, Language development, Children language.

1. INTRODUÇÃO:

Revista Científica Eletrônica de Pedagogia é uma publicação semestral da Faculdade de Ciências


Humanas de Garça FAHU/FAEF e Editora FAEF, mantidas pela Associação Cultural e Educacional de
Garça – ACEG. Rua das Flores, 740 – Vila Labienópolis – CEP: 17400-000 – Garça/SP – Tel: (0**14) 3407-
8000 – www.revista.inf.br – www.editorafaef.com.br – www.faef.br.

 
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Ano V – Número 09 – Janeiro de 2007 – Periódicos Semestral

Desde os primórdios, a comunicação tem sido uma


necessidade básica do ser humano. Para sanar essa necessidade, muitas
foram as formas que ele encontrou para interagir com os outros e com o meio
em que vive.
A comunicação não ocorre somente através de palavras
escritas ou faladas. Ela acontece mediante toda e qualquer convenção pré-
definida pelas partes que se comunicam. Assim, um símbolo, um sinal, um
conjunto de cores ou mesmo gestos são formas de comunicação.
Para que a comunicação aconteça, são necessários três
elementos: emissor, mensagem e receptor. Como um instrumento de
comunicação, temos a linguagem, que é atribuída à necessidade de
intercambio dos indivíduos. Para que ela ocorra, um grupo deve criar um
sistema de comunicação que permita a troca de informações entre si.
O surgimento do pensamento verbal e da linguagem como
sistemas de signos é um momento importantíssimo no desenvolvimento da
espécie humana.
Sabemos que o processo de aquisição da linguagem passa por
vários níveis. Desse modo, verificamos que na criança pequena existe uma
fase pré-verbal no desenvolvimento do pensamento e uma fase pré-intelectual
no desenvolvimento da linguagem. Antes mesmo de dominar a linguagem, a
criança demonstra capacidade de resolver problemas práticos, de utilizar
instrumentos e meios indiretos para conseguir seus objetivos. O choro, o riso, o
balbucio têm clara função de alívio emocional, mas também servem como meio
de contato social, comunicação difusa com outras pessoas.
Quando os processos de desenvolvimento do pensamento e da
linguagem se unem, surge então o pensamento verbal e a linguagem racional.
O ser humano passa a ter a possibilidade de funcionamento psicológico mais
sofisticado, mediado pelo sistema simbólico da linguagem.

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Para que as crianças na fase não-verbal possam ser melhores


atendidas em instituições públicas de ensino, é necessário entender como elas
se comunicam e expressam suas necessidades através de sinais por elas
estabelecidos.
Este trabalho tem como objetivo investigar as formas de
comunicação destas crianças, compreendendo as etapas de 0 a 2 anos de
idade.
A realização desta pesquisa, numa primeira etapa, foi
elaborada mediante pesquisa bibliográfica e observação do comportamento de
crianças em um berçário de um Núcleo de Educação Infantil (creche) da rede
pública, localizada no município de Garça – SP, onde se encontram crianças
na faixa etária acima especificada.

2. O PROCESSO DA COMUNICAÇÃO INFANTIL:

Apesar de ainda não serem dotados da habilidade da fala, os


bebês são inteligentes e atentos a tudo que os rodeiam. Demonstram
claramente que querem e precisam se comunicar, numa dócil dependência
daqueles que os rodeiam diariamente, sejam os pais, parentes, educadores ou
atendentes da creche.
Segundo Oliveira (1999, p. 42), “é a necessidade de
comunicação que impulsiona, inicialmente, o desenvolvimento da linguagem”.
Para que a criança desenvolva essa habilidade alguns fatores
devem ser levados em conta como, por exemplo, a família. É principalmente
com os pais e com as pessoas com quem convivem que irão assimilar e
desenvolver suas competências lingüísticas verbais, pois segundo Adler (1975,
p. 13), é inicialmente tentando imitar os pais que a criança desenvolve essa
habilidade.
Muitas crianças ingressam nos núcleos já por volta dos 2 ou 3
meses, para que seus pais possam retornar às rotinas de trabalho. Desse
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modo, a mudança de ambiente, os novos rostos, são fatores que tendem a


gerar na criança certo grau de desconforto ou até mesmo tristeza por terem
que se desligar tão cedo de seu mundinho familiar, mesmo que seja apenas
por algumas horas. Isso desencadeia um bom tempo de choros e choramingos.
Gesell (1999, p. 94) afirma que:

Por vezes, o choro das primeiras semanas de vida pode parecer


inteiramente sem razão, quase como se o bebê chorasse apenas
pelo gosto de chorar. Mas o próprio fato de o bebê se aquietar em
presença de ligeiras mudanças do seu ambiente sugere que ele tem
direito a algumas dessas mudanças.

Porém, não é somente através do choro que os bebês se


comunicam. Muitas mães afirmam que seus filhos choram de maneira diferente
quando estão com fome ou quando querem que lhes troquem as fraldas. “O
estado de choro dos bebês, que é uma forma óbvia de os bebês se
comunicarem, ocorre quando o mesmo tem fome ou está desconfortável”.
(KLAUS e KLAUS, 1989, p.24).
Há uma infinidade de sons emitidos pelos bebês, que aos
poucos vão se tornando decifráveis.
Gesell (1999) afirma que com 16 semanas, o bebê já sorri
espontaneamente e com 28 semanas são “comunicativamente expansivos”.
São capazes de distinguir uma pessoa estranha, conversar com seus
brinquedos e reagirem “de forma encantadora” à seus pais.
Normalmente, os bebês perto de completarem seu primeiro
ano de vida começam a evidenciar sons com significados inteligíveis, tais
como “mamã” para mamãe ou “boá”, para bolacha.
No primeiro ano de vida ocorre “o estabelecimento de uma
rede rica em comunicações VOCAIS e VERBAIS entre pais e filhos”
(RIGOLET, 1998, p. 34). Essa rede constitui um importante pré-requisito para o
desenvolvimento subseqüente da comunicação lingüística.

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Segundo Rigolet (1998, p. 34) as etapas do desenvolvimento


vocal acontecem entre 0 e 8 ou 9 meses, e a expressão verbal, por volta dos 9
aos 12 meses.
Indubitavelmente, o aparecimento da linguagem facilita as
referências a objetos, pessoas, animais e até sentimentos da criança. Mesmo
antes de poder expressar-se verbalmente a criança exprime um leque variado
de sentimentos.
Mediante a observação comportamental dos bebês (0 a 2
anos), durante a permanência no berçário do núcleo citado anteriormente, foi
constatado que eles usam de todos os meios e recursos para serem
compreendidos.
Em uma das salas deste núcleo, onde trabalham duas
atendentes e uma professora psicopedagoga foi possível notar que os meios
de comunicação desta comunidade ocorrem de diferentes formas. Assim, por
exemplo, percebemos que um bebê de 3 meses usa o choro para dizer que
está molhado ou necessita de alguns cuidados. Outro bebê de 6 meses chora
para expressar o desejo de ir ao chão, brincar e se rastejar, treinando a
próxima etapa de desenvolvimento motor: engatinhar-se. Já outro bebê, de 9
meses, emite alguns sons, ensaiando as primeiras sílabas para expressar suas
necessidades. Uma criança de 18 meses já sabe expressar exatamente o que
ela quer, construindo sua linguagem com sons e monossílabos para que possa
ser compreendida.
Muitas crianças fazem um ruído de “brrrrrrrr” para dizer que
estão a brincar com carrinhos, reais ou imaginários. Quando não conseguem
serem compreendidas elas normalmente puxam as atendentes pela mão para
apontarem com o dedo aquilo que elas querem: um banho, uma bolacha ou um
brinquedo.
Na hora das atividades onde é formada uma roda ou círculo e a
professora senta-se no tapete com as mesmas e começa a contar histórias,

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alguns alunos manifestaram suas emoções alegremente, batendo palminhas e


sorrindo. Outros aproveitam para brincar com brinquedos, ora esquecidos pelos
maiores, ora deixados no chão intencionalmente. No decorrer da história, um
ou outro se dispersa do grupo, demonstrando não estar interessado, enquanto
outros ouvem alegremente o desenrolar da história.
Constatamos que a professora utilizou alguns brinquedos como
personagens da história. Isso fez com que os bebês se interessassem mais
pela narração e ficassem ainda mais satisfeitos quando a professora anunciou:
“nossa história entrou por uma porta e saiu pela outra e quem souber que conte
outra”. Também gostam da introdução da história: “era uma vez...”.

3. CONSIDERAÇOES FINAIS:

Pela rotina do núcleo, podemos afirmar que mesmo sem se


utilizarem de palavras ocorre a comunicação tanto entre os bebês como entre
os bebês e as atendentes e professora.
Os bebês conseguem, ao decorrer dos dias, assimilar que a
cada procedimento das atendentes/professoras, a cada “comando” segue uma
ação que pode ou não lhes ser de agrado.
Como por exemplo, quando a professora diz “era uma vez”,
eles já sabem que virá uma história, ou quando começa a música que precede
a refeição, já sabem que está na hora de alimentarem-se.
É possível verificar que eles recebem a mensagem pré-definida
pelas atendentes/professoras e estabelecida como um código:
• Era uma vez – é hora da historinha;
• Música da refeição – é hora do “papá”
• Depois de “papar” – é hora de dormir.
Desse modo, é possível afirmar que através de ações, os
bebês podem compreender que vão fazer uma ou outra coisa.
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Porém, a necessidade de comunicação dos bebês está muito


além da alimentação ou higienização pessoal, sendo cada vez mais necessária
a especialização de pessoal para lidar com esse fantástico ser, que mesmo
sem saber articular palavras, sabem expressar com exatidão suas
necessidades, criando seu próprio sistema de comunicação.

6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

ADLER, Sol. The non-verbal child: an introduction to pediatric language


pathology. 2 ed. Springfield: Charles C. Thomas, 1975.

GESELL, Arnold. A criança do 0 aos 5 anos. 5 ed. São Paulo: Martins Fontes,
1999.

KLAUS, Marshall; KLAUS, Phyllis. O surpreendente recém-nascido. Porto


Alegre: Artes Médicas, 1989.

OLIVEIRA, Marta Kohl. Vygotsky: aprendizado e desenvolvimento: um


processo sócio – histórico. 4 ed. São Paulo: Scipione, 1999. (Pensamento e
Ação no Magistério)

RIGOLET, Sylviane Angèle Neves. Para uma aquisição precoce e


optimizada da linguagem. Porto: Porto Editora, 1998.

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