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UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA

Curso de Graduação em Engenharia de Materiais

Materiais Vítreos - EMC 5746

Professor: Antonio Pedro Novaes de Oliveira


Plano de Aula
Objetivo final:
Ao final do curso o aluno deverá estar apto a conhecer e
inter-relacionar os conceitos fundamentais do estado
vítreo e cristalino e as variáveis que influenciam o
processamento e as propriedades finais dos principais
materiais vítreos (vidros, vitrocerâmicos e esmaltes
cerâmicos) para aplicações específicas.
Plano de Aula
Programa/Conteúdo: (36 horas)
Fundamentos dos materiais vítreos: Breve história dos materiais
vítreos. Definições e fundamentos do estado vítreo, estrutura e
formação de vidros, composição química e representação da fórmula
química, matérias-primas e cálculo de carga para a produção de vidros,
aspectos tecnológicos da produção de vidros, propriedades e cálculo de
propriedades de vidros, famílias de vidros de interesse tecnológico,
métodos para aumentar a resistência mecânica de vidros, aplicações.
Vitrocerâmicos: Definição e conceitos correlatos, características e
propriedades com ênfase em vitrocerâmicos sinterizados e aplicações
industriais, teoria da sinterização e cristalização, métodos de estudo.
Esmaltes cerâmicos: Definição e conceitos correlatos,
processamento, propriedades e aplicações específicas com ênfase em
Plano de Aula

Metodologia:
A aula será expositiva, com a utilização de
quadro, “data-show”, projetor e filmes. Amostras
de materiais cerâmicos serão apresentadas no
decorrer da aula, relacionando-as com suas
propriedades e aplicações. Será também
distribuída, ao longo do curso, lista de exercícios.
Plano de Aula
Forma de Avaliação:
Serão aplicadas duas avaliações e testes. Os testes serão de múltipla escolha e
poderão ser aplicados a qualquer momento, sem aviso prévio, e terão duração de
15 minutos contados a partir do início da aula.
Nota Final 1: [Avaliação 1 (35%) + Avaliação 2 (35%) + Testes (30%)]  6 :
Aprovado;
Nota Final 1: [Avaliação 1 (35%) + Avaliação 2 (35%) + Testes (30%)]  6 :
Avaliação de Recuperação (sobre toda a matéria);
Nota Final 2: (Nota Final 1 + Avaliação de Recuperação)/2  6: Aprovado;
Nota Final 2: (Nota Final 1 + Avaliação de Recuperação)/2  6: Reprovado.

Observação: O aluno que tenha, por qualquer motivo, faltado a qualquer uma das avaliações
aplicadas ou testes, deverá, dentro de 72h, contadas a partir da data de realização da avaliação
ou dos testes, dirigir-se ao Departamento de Engenharia Mecânica da UFSC para apresentar
justificativa fundamentada. A não apresentação de justificativa ou a não aceitação da mesma, por
parte do Departamento de Engenharia Mecânica, acarretará em nota zero (0,0).
Bibliografia

• CALLISTER JR, W.D. Materials Science and Engineering – An Introduction.


4th ed. New York, Willey, 1996.
• FIGUEIRA, M.E. “Introdução à Ciência e Tecnologia do Vidro”. Universidade
Aberta, Lisboa (Portugal), 1999.
• STRNAD, Z. Glass-Ceramic Materials - “Glass Science and Technology 8”.
Elsevier, New York, 1996.
• HOLAND, W. and BEALL, G. “Glass-Ceramic Technology”. Published by
The American Ceramic Society, Ohio (USA), 2002.

• HEVIA, R.; CENTRITTO, N.; NOVAES de OLIVEIRA, A.P.; BERNARDINI, A.M.;


DURÁN, A. “Introducción a los Esmaltes Cerámicos”. Editora: Faenza Editrice
Ibérica, Castellón – Espanha, 2002.
• NOVAES de OLIVEIRA, A.P.; HOTZA, D. Tecnologia de Fabricação de
Revestimentos Cerâmicos. 1. ed. Florianópolis: Editora da UFSC, 2011.
Grupos principais de materiais

•Metais
•Cerâmicos vidros, vitrocerâmicos, esmaltes
•Polímeros
História dos Vidros

Os vidros existem na natureza desde que se formou a crosta


terrestre e o homem fez uso dele muito antes de produzi-lo.
Ao contrário de outras famílias de materiais, os vidros por
serem esteticamente atraentes devido ao seu brilho e
transparência, foram inicialmente utilizados pelo homem com
funções decorativas, e só posteriormente tiveram aplicações
utilitárias. A história da tecnologia do vidro segue a evolução
das técnicas em geral, sendo de considerar os três períodos:
Pré-industrial, revolução industrial e revolução científica-
técnica atual.
História dos Vidros
Antes da produção do vidro/vidros naturais:
Pré-história:
•Obsidiana: origem vulcânica (~1% água):
74SiO2.13Al2O3.1,6FeO/Fe2O3.1,4CaO.4,3Na2O.4,5K2O.0,7MnO (% massa)

•Vidros de meteoros ou de impacto destes;


•Provenientes da lua (Apollo 12) de origem vulcânica
ou de meteoros:
38-50SiO2.10-27Al2O3.4-20FeO.0,4Na2O/K2O.9-14CaO.6-13MgO.2-4TiO2
(%massa)
História dos Vidros
Obsidiana: Resultado do contato de lavas vulcânicas com a água.
Obsidiana
Categoria Vidro vulcânico
70–75% SiO2,
Formula química
+ MgO, Fe3O4

Identificação
Preto, cinza, escuro
Cor verde, vermelho,
Fratura conchoidal
amarelo, rosa
Fratura Conchoidal ou concóide
Dureza Mohs ~ 5 to 5,5
Densidade ~ 2,6 g/cm3
Propriedades óticas Translucida
Ponta de flecha - Idade da pedra
História dos Vidros
Tectitas: “Impacto de meteoritos”
História dos Vidros
Período Pré-Industrial – Técnicas Primitivas
Descoberta:
Não se sabe exatamente a localização geográfica e a data da descoberta do
vidro.
Hipóteses:
•Subproduto da metalurgia do cobre (escórias);
•Conto de Cayo Plinio II (Plínio o Velho) - (23-79 d.C.)
• 12.000 a.C. - Recobrimentos verdes/azuis encontrados no Egito-pequenas
pedras recobertas com o vidro-Alguma civilização asiática.
•4.000-5.000 a.C. - Peças independentes de vidro (Babilônia e outras
cidades importantes da Mesopotâmia);
•1.500 a.C. - Produção regular de peças de vidro - Egito;
História dos Vidros
Período Pré-Industrial – Técnicas Primitivas
•200 a.C. - Vidro soprado - Verdadeira produção (Síria);
•200-50 a.C. - Dominação romana sobre egípcios e sírios;

Utensílios de vidro romano

*A queda do império romano em 476 resultou no desaparecimento da


indústria do vidro e a perda de importantes conhecimentos e técnicas que
tiveram que ser “redescobertos” muitos séculos depois.
História dos Vidros
Produção de vidro plano por sopro

Método do cilindro

Método do disco
História dos Vidros
Produção de vidro plano por sopro

Séculos XI e XII: vidros coloridos para janelas de grandes dimensões em estilo gótico.
História dos Vidros
Revolução Industrial (Séc. XVIII-1945)

• 1879 - Corning Glass Works (USA) - Produção de bulbos de lâmpadas;


• 1884 - Alemanha (Jena) - Construção de sistemas óticos e para correção
de aberrações óticas (Otto Schott, Ernest Abbe e Car Zeiss);
• 1889 - Produção totalmente automática de garrafas;
• 1901 - 1930 - Vidro plano, sistema completamente automático e continuo;
• 1915 - Pyrex (patente) refratário resistente a choques térmicos;
• 1952 - Novo método de vidro flotado (Ingleses);
• 1957 - Corning Glass Works (USA) anuncia as primeiras patentes de
materiais vitrocerâmicos;
• Atualmente - novos vidros - fotossensíveis, vitrocerâmicos, fibras óticas,
semicondutores, vidros para lasers, vidros de elevada tenacidade, biovidros.
Uso de rejeitos de vidro. Quatro maiores contribuições:janelas, lentes, semi-
condutores (memória, células solar, fotocopiadoras) e fibras.
Vidro: definições

 Produto inorgânico de fusão que foi resfriado até


atingir condição de rigidez, sem sofrer
cristalização.
 Material oticamente transparente e frágil que não
apresenta ordem de longo alcance.
 *Material não cristalino que apresenta
temperatura de transição vítrea (Tg).
Vidro: formação

Diagrama esquemático da distribuição atômica para os


estados gasoso, líquido, amorfo e cristalino.
(A.K. Varshneya. Fundamentals of inorganic glasses, 1994.
Vidro: formação
Estrutura dos materiais cristalinos (a) e vítreos (b)

Estrutura cristalina Estrutura amorfa


Vidro: formação
Estrutura dos materiais vítreos e cristalinos
[Schaffer,1999: 207]

Vidro de sílica

Cristobalita

sen 
Formação dos vidros:
Material cristalino
[Schaffer,1999: 187]

Líquido
Volume específico

V (Líquido)

Cristal

V(Cristal)

Tm
Temperatura
Formação dos vidros:
Material vítreo
[Schaffer,1999: 187]

Líquido
Líquido
Volume específico

super-
resfriado

Vidro

Cristal

Tg Tm
Temperatura
Formação dos vidros:
Efeito da taxa de resfriamento
[Fernandes,1999: 24]

Volume específico

Resfriamento
rápido

Resfriamento
lento
Tg1 Tg2
Temperatura
Formação dos vidros:
Material semi-cristalino
[Schaffer,1999: 187]

Líquido
Volume específico

Mudança de
Mudança de volume
inclinação

Tg Tm
Temperatura
Principais vidros óxidos:
Principais características e aplicações


Sílica (5,5 x 10-7/°C); Tm=2000°C

Sílica fundida: difícil de fundir e fabricar, uso até 1000°C

Aplicações: janelas e lentes de microscópios para alta temperatura
 Soda-cal (100 x 10-7/°C); Tm=1400-1500°C

Fabricado facilmente

Aplicações: janelas, garrafas e lâmpadas

Plúmbicos ou de chumbo

Fundido facilmente, boas propriedades elétricas

Aplicações: Uso em lentes e vidros ”cristal”
 Borossilicato (30-60 x 10-7/°C; Tm=1550-1600°C

Baixa expansão, boa resistência ao choque térmico

Aplicaçoes: Uso na indústria química
*+ 99% dos vidros comerciais são a base de óxidos e a maior
parte deles é baseada em sílica.
Principais vidros óxidos:
Composição química

Vidro SiO2 Na2O K2O CaO MgO Al2O3 PbO B2O3

Sílica fundida > 99,5

Sílica 96,3 <0,2 <0,2 <0,4 <2,9

Soda-cal 70-75 12-18 0-1 5-14 0-4 0,5-2,5

Chumbo 53-60 5-10 1-10 0-6 0-2 15-40

Borossilicato 73-82 3-10 0,4-1 0-1 2-3 0-10 5-20


Matérias-primas:
Principais óxidos
 Vitrificantes ou formadores de vidro
 SiO2: areias de quartzo
 B2O3: H3BO3, boratos de sódio
 Modificadores de retículo ou Fundentes
 Na2O: Na2CO3, Na2SO4
 K2O: : K2CO3
 Li2O: Li2CO3, espodumênio (LiAl(SiO3)2
 CaO: CaCO3, feldspatos (KAlSi3O8 - NaAlSi3O8 - CaAl2Si2O8)
 MgO: MgCO3, dolomita (CaMg(CO3)2)
 BaO: BaCO3
 Estabilizantes ou intermediários
 Al2O3: feldspars, Al2O3
 PbO: Pb3O4, PbO
 ZnO: ZnCO3, ZnO
 ZrSiO4
*Outros elementos: óxidos cromóforos, água (4-5%) e sucatas de vidro
Matérias-primas:
Efeito do tamanho de partícula no tempo de fusão
Obtenção de vidros

M.E. Figueira Vaz Fernandes, “Introdução à


Ciência e Tecnologia do Vidro”.
Universidade Aberta, Lisboa (Portugal),
1999.
Matérias-primas:
Efeito de um óxido modificador sobre a sílica
Diagrama de fases do sistema LS.
Matérias-primas/impurezas:
Efeito do óxido de ferro

Tipo de Vidro *Fe2O3 limites


(%ponderal)
Óptico 0,003-0,005

Cristal 0,006-0,012

Semicristalino 0,015-0,020

Garrafa branca 0,020-0,030

Vidro de plano ou 0,030-0,050


de janela
Garrafa verde 0,500-1,000
*óxido cromóforo
Matérias-primas:
Efeito de um óxido intermediário
Matérias-primas:
Efeito de um óxido intermediário
Matérias-primas/Agentes nucleantes:
Utilização em vitrocerâmicos tradicionais

 TiO2;
 ZrO2;

 P2O5;

 Pt, metais nobres e fluoretos.

*Concentrações típicas: 4-15% (massa)


Cálculo de carga e representação da
fórmula química de vidros
Obtenção de vidros
 Sistemas: Li2O-ZrO2-SiO2; Na2O-CaO-SiO2; CaO-K2O-SiO2.
 Composição química:
 %Molar ou %mássica%:
 CaO.K2O.5SiO2; Li2Si2O5; Na2SiO3
 Cálculo de carga:
 1 kg do vidro CaO.K2O.5SiO2
 CaO.K2O.5SiO2, Normalizando: 14,3 CaO. 14,3 K2O. 71,4 SiO2 (mol %)
 Dados: PA : K=39; O=16; Ca=40; Si=28
 M=(PA) x n; onde: PA= massa atômica (g/mol); n=número de moles (mol);
M= massa molecular (g)
 CaO=56 g; K2O=94 g; SiO2=300 g ; Total = 450 g
 Normalizando: 12,4 CaO. 20,9 K2O. 66,7 SiO2 (% massa)
 Matérias-primas: CaCO3 (56,0% CaO); K2CO3 (68,1% K2O); quartzo (100% SiO2)

CaCO (massa.) = (1000 g de CaCO x 12,4% de CaO)/ 56% de CaO


 3 3

 Carga: x= 221,4 g de CaCO3 ; 306,9 g de K2CO3; 667,0 g de areia de quartzo


Deformação viscosa de vidros
 Ponto de fusão (melting point)
 Viscosidade: 10 Pa·s (considerado líquido)
 Ponto de trabalho (working point)
 Viscosidade: 103 Pa·s (facilmente deformado)
 Ponto de amolecimento (softening point)
 Viscosidade: 4106 Pa·s (máxima T na qual uma peça de
vidro pode ser manipulada sem variações dimensionais)
 Ponto de recozimento (annealing point)
 Viscosidade: 1012 Pa·s (difusão atômica suficientemente
rápida; remoção de tensões residuais)
 Ponto de tensão (strain point)
 Viscosidade: 31013 Pa·s (para T menores, ocorre fratura
sem deformação plástica; Tg > ponto de tensão)
Deformação viscosa de vidros
Curvas dilatométrica e de viscosidade de vidros:

6
Ts
5

4
dL/L0(x10 )
-3

Tg
3

0
0 100 200 300 400 500 600 700
Temperatura (°C)
Deformação viscosa de vidros
Substância Tm Viscosidade
(°C) (poise)
H2O 0 0,02
LiCl 613 0,02
CdBr2 567 0,03
Na 98 0,01
Zn 420 0,03
Fe 1535 0,07
As2O3 309 106
B2O3 450 105
GeO2 1115 107
SiO2 1710 107
BeF2 540 106
Conformação de vidros
 Prensagem  = 103 – 103,5 Pa.s
 pratos
 Sopro  = 101,5 – 102,5 Pa.s
 garrafas
 Laminação ou estiramento  = 102,5 – 103 Pa.s
 vidro plano
 Fiação  = 102,5 – 103 Pa.s
 fios, fibras
Conformação de vidros
Prensagem
Conformação de vidros

Sopro
Conformação de vidros
Vidros planos

Laminação

Flotação
Tratamento térmico de vidros

 Recozimento (annealing)
 Aquecimento a temperatura de
recozimento, seguida de resfriamento;
 Alívio de tensões térmicas.
Tratamento térmico de vidros
 Recozimento
1. Tempo prático de estabilização em função da espessura
t (T) = 28x – 3 T = Tg + 5°C
t minutos
x cm
Tratamento térmico de vidros
 Recozimento
2. Tempo de relaxação de tensões
 = /G
Exemplo:
G vidros = 30-80 GPa
 (Tg) = 1012 Pa.s=1013 P

 = 1012 Pa.s/3 x 1010 Pa


 = 33 s = 0,5 min
Tratamento térmico de vidros
Métodos p/ aumentar a resist. mecânica de vidros

 Têmpera
 Aquecimento a Tg T  Ts ;
 Resfriado a temperatura ambiente com jato de ar ou banho de óleo;
 Tensões residuais compressivas na superfície e de tração no interior.
Tratamento térmico de vidros
 Têmpera
 c = 2T/3;
 t = T/3;
 c(1-10°C/min – taxa normal em vidros planos) = 5 MPa;
 c (ar forçado) = 100 MPa;
 0,60 mm em cada lado (camada comprimida);
 Linha neutra 1/5 da espessura abaixo da superfície;
 Magnitude de T aumenta com a taxa de resfriamento e
com a espessura do vidro (69-200 MPa).
 (Para ser considerado um vidro tenaz, c = 69 MPa no mínimo);
 (Para ser considerado um vidro de segurança, c > 100 MPa).
Tratamento térmico de vidros

 Outros métodos para aumentar a resistência


mecânica de vidros:
 Troca iônica – muito eficiente 500 – 700 MPa,
T<Tg (4-8 h), profundidade = 30-40 µm (normal),
profundidade >300 µm (janela frontal de aviões). Para
vidros de lítio: KNO3 ou NaNO3;
 Esmaltação: CETesmalte ≤ CETsubstrato;

 Cristalização superficial: CETcamada cristalina ≤ CETnúcleo.


Propriedades dos vidros
Algumas propriedades de vidros comerciais

Vidros . 107 T(°C) T(°C)  f Hv


(°C-1) =104 Pa.s =109 Pa.s (g.cm-3) (MPa) 500g
(GPa)

Sílica 5 2350 1400 2,20 100-120 4,7

Pyrex 33 1250 700 2,25 80-100 4,3

Planos 92 990 620 2,50 70-90 4,5


Propriedades dos vidros:
Previsão a partir da composição
1. C. E. T. L.(segundo Appen)
Coeficientes de Appen em % molar

T x 107 = ∑ ai. i/ 100 (°C-1)

Se aSiO2  67 mol%;  SiO2 = 38

Se aSiO2 > 67 mol%;

SiO2 = 38 – (aSiO2 – 67)


Propriedades dos vidros:
Previsão a partir da composição

C. E. T. L.(segundo Appen)
Coeficientes de Appen em % molar

Componente i (x 107 °C-1) (20 - 400°C)


SiO2 5 - 38
CaO 130
Na2O 395
K2O 465
Li2O 270
Al2O3 -30
ZrO2 -60
Propriedades dos vidros:
Previsão a partir da composição

C. E. T. L.(segundo Appen)/Exemplo

Vidro
28,57 Li2O. 2,38 ZrO2. 69,05 SiO2

3 = 38 – (69,05 – 67)
3 = 35,95 x 10-7 °C-1

T = (28,57 X 270 - 60 X 2,38 + 35,95 X 69,05 )/100


T = 100,5 x 10-7°C-1
Propriedades dos vidros:
Previsão a partir da composição
Propriedades dos vidros:
Previsão a partir da composição

2. Densidade (segundo Appen)

T = ∑ Mi. ai/ ∑ i. ai (g/cm3)

Se aSiO2 ≤ 67%; SiO2 = 26,1

Para aSiO2 entre 68 e 100%

SiO2 = 23,75 + 0,035 aSiO2


Propriedades dos vidros:
Previsão a partir da composição

Densidade (segundo Appen)/Exemplo


Vidro

28,57 Li2O. 2,38 ZrO2. 69,05 SiO2

Mi – Massa molecular
Li2O= 29,9; ZrO2 = 123,3; SiO2 = 60,1

T = (29,9 X 28,57 + 123,2 X 2,38 + 60,1 X 69,05)/(11 X 28,57 + 23 X 2,38 + 69,05 X 26,17)

T = 2,43 g/cm3
Propriedades dos vidros:
Previsão a partir da composição
Densidade (segundo Appen)
Coeficientes de Appen
Componente i (cm3/mol)
SiO2 26,10 - 27,25
CaO 14,4
Na2O 20,2
K2O 34,1
Li2O 11,0
Al2O3 40,4
ZrO2 23,0
BaO 22,O
Propriedades dos vidros:
Previsão a partir da composição
Vitrocerâmicos: Definições

*São materiais inorgânicos policristalinos contendo fase vítrea


residual obtidos a partir de vidros sujeitos a cristalização
controlada. Vitrocerâmico monolítico Vitrocerâmico sinterizado
Cristais

Fase vítrea

Poros
10 µm

**Vitrocerâmicos obtidos a partir de pós de vidro


(sinterizados), além das fases cristalina e vítrea residual,
podem possuir porosidade residual.
Classificação dos vitrocerâmicos
 espudomenio- Li2O. Al2O3. nSiO2
 quartzo- SiO2
 cordierita 2MgO. 2Al2O3. 5SiO2
 silicatos de lítio Li2SiO3; Li2Si2O5
 micas KMg3AlSi3O10F2
 escórias siderúrgicas e cinzas volantes
Wastes óxidos (% massa)
SiO2 Al2O3 CaO MgO Fe2O3 Na2O TiO2 ZnO
Escórias de alto forno 35,5 11,5 43,7 5,5 0,4 0,7 0,7 -
Cinzas volantes 54,8 28,3 1,0 1,3 4,3 3,2 2,4 -
*Slagsitall 54-62 5-15 21-31 1-7 0,2-1,5 2-12 - 0,5-5
*Vitrocerâmico comercial
História dos vitrocerâmicos
• Reamur (1739): Havia observado cristalização em vidros e
dado indicações de suas propriedades;
• Somente em 1957 os vitrocerâmicos se tornaram
realidade a partir das pesquisas de Stookey;
• Precipitação de Ag em vidros do sistema LS (foto
sensibilidade);
• Superaquecimento do forno (450-850°C), ocorrendo
cristalização de LS2 em núcleos de Ag; primeiro
vitrocerâmico (1957);
• Queda acidental de amostra; resistência mecânica
anormal;
• Coeficiente de expansão térmica próximo a zero em
sistema LAS conforme observação de Hummel e Roy em
outros sistemas similares;
• Vitrocerâmico LAS Corningware desenvolvido em 1959.
Vidro x Vitrocerâmico

 Vidro:

Fase estável
 Vitrocerâmicos:

Precursor vitrocerâmicos (vidro): fase metaestável

Cristaliza quando aquecido adequadamente
Mecanismos de cristalização/Nucleação de cristais
Teoria cinética de formação de vidros

Nucleação homogênea Cristalização volumétrica

Nucleação heterogênea Cristalização volumétrica


Cristalização superficial
Mecanismos de cristalização/Nucleação de cristais
Teoria cinética de formação de vidros
Cristalização volumétrica em um vidro de silicato de lítio

Cristal de LS

200 X
Mecanismos de cristalização/Nucleação de cristais
Teoria cinética de formação de vidros

Cristalização superficial em vidro do sistema LZS

Camada cristalina

Vidro
Mecanismos de cristalização/Nucleação de cristais
Teoria cinética de formação de vidros

1550 Tf
1
1450 X  N vu 3t 4
1350 3
Temperatura ( oC)

1250 Onde:

1150 N = número de núcleos por unidade de volume;


v
1050 u = taxa de crescimento de cristais;

950 t = tempo.

850
102 10 3 104 10 5
Tempo (s)

Figura. Diagrama TTT esquemático (Doremus).


Mecanismos de cristalização/Nucleação de cristais
Teoria cinética de formação de vidros

(N) (u)
N, u

T1 T2 T3 T4

T em peratu ra

Figura. Taxas de nucleação (N) e de crescimento de cristais (u) em função da temperatura.


Mecanismos de cristalização/Nucleação de cristais
Teoria cinética de formação de vidros
Nucleação homogênea
Volume Líquido

r Área

Embrião
Sólido

Interface sólido-líquido
Mecanismos de cristalização/Nucleação de cristais
Teoria cinética de formação de vidros
Nucleação homogênea

G  Gs  Gv T <T


2 1

4 3
G  4r  le
2
 r g v
3
dG / dr  0 r  rc
2 le
rc 
g v

16 le
3
1
GC hom  ou GC hom 
3g v2 (Tm  T ) 2
Mecanismos de cristalização/Nucleação de cristais
Teoria cinética de formação de vidros
Nucleação heterogênea

σ
le h = r (1- cos )
Líquido
Embrião
σ  σ r sen 
Superfície sólida ls es
(impureza)
H = r cos  r

σ
le

σ 
ls
σ cos 
le
σ
es
Mecanismos de cristalização/Nucleação de cristais
Teoria cinética de formação de vidros
Nucleação heterogênea
σ
le

σ 
ls
σ cos 
le
σ
Balanço de forças superficiais: es

σ + σ cos  - σ = 0
es le ls
σ = σ + σ cos 
ls es le
G = G + G
het v s
Equação da energia livre para um embrião em função do raio da superfície da seção esférica
(calota):

G = V .g + A . σ + A (σ – σ )
het c le le es es ls
Mecanismos de cristalização/Nucleação de cristais
Teoria cinética de formação de vidros
Nucleação heterogênea

(1) A = 2r2 (1 – cos )


le
(2) A = r2 sen2
es
(3) V = 1/3r3 (2 – 3 cos  + cos3 )
c
(4) σ -σ =-σ cos 
es ls le

A = 4r2 V = 4/3r3 A = 2rh V = h2/3 (3r – h)


e e c c

4/3r3g (2 – 3 cos  + cos3 )/4 (volume da esfera) 4r2σ (2 – 3 cos  + cos3 )/4 (área da esfera)
v le
Gc = Gc (2 – 3 cos  + cos3 )/4
het hom
ou

Gc = Gc . ¼ (2 + cos ). (1 - cos )2


het hom
Mecanismos de cristalização/Nucleação de cristais
Teoria cinética de formação de vidros
Relação entre a energia livre e o ângulo de contato
Exemplos de taxas de resfriamento críticas para
nucleação homogenêa e heterogênea
Principais métodos de
estudo/Caracterização

•Difração de raios X (DRX);


•Microscopia ótica (MO) e eletrônica de varredura (MEV);
•Análises térmicas (DIL, ATD/ATG);
•DIL: Dilatometria;
•ATD: Análise térmica diferencial;
•ATG: Análise termogravimétrica.
Principais métodos de
estudo/Caracterização
Difração de raios X:
Identificação e quantificação de fases
Principais métodos de
estudo/Caracterização
Microscopia ótica e/ou eletrônica:
Determinação da taxa de nucleação

Análise quantitativa de fases

Figura. Variação do número de núcleos por unidade de volume de cristais nucleados de vidro
Na O.CaO.3SiO em função do tempo de nucleação, tn a 560, 580, e 680°C. Temperatura/tempo de
2 2
crescimento de cristais, 800°C, 1h.
Principais métodos de
estudo/Caracterização
Microscopia ótica e/ou eletrônica:
5 Determinação da taxa de nucleação

4

  Gc hom  GD
N hom  A exp 


3
 kT 
( N ) m -3s -110 -9

2 K= Constante de Boltzmann (1,3806 x 10-23 J/K);


T=Temperatura;
X
X
X
A= Constante.
X
1
X

X N = f (1/T)
4 20 4 60 50 0 5 40 hom
o
Temperatura ( C)

Figura. Vitrocerâmico de silicato de lítio (vidro monolítico), sem


sem agente nucleante (x) e com agente nucleante (º).
Principais métodos de
estudo/Caracterização
Microscopia ótica e/ou eletrônica:
Determinação da taxa de crescimento de cristais
Principais métodos de
estudo/Caracterização
Microscopia ótica e/ou eletrônica:
Vidro de sílica – Cristais de cristobalita Determinação da taxa de crescimento de cristais
(a)

(b)

Figura: Micrografias (MEV) referentes a VC LZS:


(a) Nucleado a 670ºC/1h e crescimento a
750°C/15 min.; (b) Nucleado a 670ºC/1h e
crescimento a 750°C/3h.
Principais métodos de
estudo/Caracterização
Análises térmicas (DIL):
20 0,2
Primeira derivada
10
Retração linear l/l0 (%)

0,0
0 -0,2

D(l/lo)/dT(°C)
-10
-0,4
Retração linear
-20
-0,6
-30
-0,8
-40
-50 -1,0

-60 -1,2
0% Al2O3 - LZS
-70 -1,4
0 200 400 600 o 800 1000 1200
Temperatura ( C)
Figura: Retração térmica linear e primeira derivada de vitrocerâmico do sistema LZS.
Principais métodos de
estudo/Caracterização
Análises térmicas (ATD):

exo

1
(u.a)

10

200 400 600 800 1000 1200


Temperatura (ºC)
Figura. Curvas de análise térmica diferencial para contendo vitrocerâmico LZS e,
respectivamente, 0, 1, 5 e 10% de alumina.
Principais métodos de
estudo/Caracterização
Análises térmica, ATD - Determinação da energia de ativação para cristalização:

Análises térmicas (ATD):

Glass: Li2O.2SiO2
E = 73 kcal/mol (powder)
E = 76 kcal/mol (bulk)

E = Activation energy (kJ/mol), R is the gas constant (0.00832 kJ/mol K) and Tf and Tf (K) are respectively the DDTA
1 2
peaks corresponding to the first and second inflection points of the DTA curve.
Principais métodos de
estudo/Caracterização
Análises térmicas (ATD):

Z. Strnad, Glass-Ceramic Materials - “Glass Science and


Technology 8”. Elsevier, New York, 1996.
Principais métodos de
estudo/Caracterização
Análises térmicas (ATG):
0,000
100 ATG
DrATG
-0,002
Perda de massa (%)

80

DrATG (mg/min)
60 -0,004

40
-0,006

20 313 °C
397,2°C -0,008
0
0 100 200 300 400 500 600 700
Temperatura (°C)

Figura. Curvas de análise termogravimétrica (ATG, DrATG) para a esponja polimérica de poliuretano.
Principais métodos de
estudo/Caracterização
Definição do ciclo de tratamento térmico:
Processos de fabricação
Tecnologia de fabricação de vitrocerâmicos:

 Componentes monolíticos de vitrocerâmico: tecnologia do


vidro (fusão e solidificação);
 Vitrocerâmicos sinterizados: tecnologia do pó: tecnologia
cerâmica.
Processos de fabricação
Matérias-primas
Tecnologia de fabricação de vitrocerâmicos:
Preparação

Fusão

Obtenção de fritas e
moagem
(pulverização)

Conformação

Secagem

Acabamento

Eliminação de ligantes
Figura. Fluxograma geral para a produção de orgânicos

vitrocerâmicos monolíticos/tradicionais (linhas


sólidas) e vitrocerâmicos sinterizados/tecnologia do
pó ou cerâmica (linhas tracejadas). Cristalização Sinterização

Produto acabado
Sinterização
Queima x sinterização

Queima (firing, cocción, cottura, cozedura): tratamento


térmico em um forno, a que são submetidos produtos
a verde, para desenvolver microestrutura e
propriedades desejadas. Divide-se em 3 estágios:
 Reações preliminares

 Sinterização

 Resfriamento

Sinterização: processo de consolidação do produto


durante a queima
Sinterização
Consolidação implica que dentro do produto as
partículas se uniram em um agregado que possui
resistência mecânica.
Sinterização implica geralmente em retração e
densificação. No entanto, alguns produtos
sinterizados podem ser menos densos do que a verde
(ex.: refratários porosos).
Sinterização ocorre a partir de ½ a 2/3 da
temperatura de fusão, o suficiente para causar
difusão atômica ou fluxo viscoso.
Processos pré-sinterização

Secagem
Vaporização de água combinada
Decomposição de materiais orgânicos
Pirólise (termólise) de aditivos orgânicos
Mudanças no estado de oxidação de íons
Calcinação de carbonatos, sulfatos
Termólise de ligantes: análise térmica
Extrusão: 5,4% vol. aditivo Tape casting: 26,5% vol. aditivo
Decomposição de componentes
inorgânicos: análise térmica
100-200°C: perda de água
TG
exotérmico

não-constitucional
450-700°C: perda de água
constitucional, formação de
metacaulinita
850-1050°C: formação de
alumina e mulita
DTA
 endotérmico

DTG

Temperatura (°)
Sinterização: definição e força motriz

Sinterização pode ser definida como a remoção dos


poros entre as partículas iniciais, acompanhada por
retração da peça combinada com crescimento e
formação de ligações fortes entre partículas
adjacentes.
A força motriz para a sinterização é a redução da
área superficial (e da energia superficial) obtida pela
substituição de um pó solto tendo superfícies com
alta energia (sólido-vapor) por um sólido ligado tendo
contornos de grão com energia mais baixa.
Sinterização:processos e controle

Os processos que ocorrem nos compactados cerâmicos


durante o tratamento térmico a altas temperaturas são
controlados por:
 Propriedades do compactado a verde (composição,
densidade, porosidade, tamanho e forma de partícula,
homogeneidade)
 Parâmetros de sinterização (atmosfera, pressão e
temperatura, incluindo taxas de aquecimento e
resfriamento)
Sinterização: tipos
Sinterização no estado sólido (SSS): somente partículas
sólidas e poros. Ex.: Al2O3 + 0,5 m% MgO; ZrO2 + 3 m%
Y2O3; SiC + 2 m% B4C.
Sinterização com fase líquida (LPS): três componentes,
mas concentra-se na parte sólida (<20% líquido). Ex.:
Si3N4 + 5-10 m% Y2O3, SiO2 ou Al2O3.
Sinterização vítrea viscosa (VGS) ou de fluxo viscoso:
somente líquido (vidro fundido) e porosidade. Ex.:
esmaltes cerâmicos.
Sinterização compósita viscosa (VCS) ou vitrificação:
conteúdos de líquido maiores que LPS (>20% líquido).
Ex.: cerâmica branca (porcelana).
Sinterização: Al2O3 + MgO
Tempo

Temperatura de queima (°C)


Sinterização no estado sólido:
estágios e características
Sinterização inicial: rearranjo das partículas de pó e
formação de uma ligação forte ou pescoço nos pontos de
contato entre partículas; densidade relativa aumenta
~10%.
Sinterização intermediária: tamanho dos contatos
aumenta, porosidade diminui substancialmente e
partículas se aproximam levando à retração da peça;
contornos de grão (e grãos) são formados e crescem
lentamente; densidade relativa pode chegar a ~90%;
estágio termina quando os poros estão isolados.
Sinterização final: poros se fecham e são eliminados
lentamente com pouca densificação; tamanho de grão
aumenta.
Sinterização no estado sólido:
estágios e microestrutura
(a) Partículas soltas de pó
(b) Estágio inicial
(c) Estágio intermediário
(d) Estágio final
Sinterização no estado sólido:
transporte de massa
(1) Difusão superficial
(2) Difusão volumétrica
(3) Evaporação-condensação
(4) Difusão volumétrica
(5) Difusão volumétrica
(6) Difusão no contorno de
Contorno grão
de grão

a = raio da partícula
x = raio do pescoço
Crescimento de grão:
definição e força motriz

Crescimento de grão é o processo pelo qual o


tamanho médio de grão de um material (livre de
tensão ou quase) aumenta continuamente durante o
tratamento térmico sem uma mudança da
distribuição de tamanho de grão.
Os grãos crescem pelo movimento dos contornos. A
força motriz é a diferença na energia livre do material
nos dois lados de um contorno de grão, que faz com
que o contorno se mova na direção de seu centro de
curvatura.
Crescimento de grão:tipos e direção

Figura. Setas indicam direção de deslocamento de contornos


Sinterização com fase líquida:
requisitos
Líquido suficiente deve estar presente na temperatura de
sinterização. Para partículas de cerca de 1 µm, menos de
1 V% líquido é suficiente para cobri-las uniformemente.
Usualmente, para partículas maiores, 5-15% é usado.
O líquido deve molhar o sólido.
O sólido deve ser parcialmente solúvel no liquido.

Outras variáveis importantes :


 Tamanho de partícula do pó

 Grau de mistura

 Viscosidade do líquido formado


Sinterização com fase líquida:
estágios e características
Rearranjo de partículas: formação e fluxo viscoso de um
líquido que molha o sólido, se espalha e junta as
partículas por pressão capilar, causando alguma
densificação.
Solução-precipitação: dissolução de
 partículas sólidas pequenas no líquido e precipitação

nas superfícies sólidas de partículas grandes;


 contatos partícula-partícula e precipitação em grãos
não comprimidos;
 cantos agudos e precipitação em superfícies
côncavas.
Coalescência: crescimento de grão ocorre de modo a
formar um esqueleto sólido de partículas.
Sinterização: diagramas de fase

Figura. (a) Exemplos de sinterização com fase líquida permanente (Cp) e Transiente (Ct) e (b) transiente e super-sólido. (Css)
Tratamentos térmicos:
Tecnologia do pó, consolidação por sinterização
e cristalização (esquemático)

Sinterização Cristalização

º o o
º º
º º
º º o

Temperatura

r
L 3

X
t
2a L0 8a
Tratamentos térmicos:
Aquecendo um compacto de pós de um
precursor vitrocerâmico (esquemático)
Processos de conformação de pós ou
suspensões: Colagem de barbotina

Suspensão = 50/50%
Ligante = bentonita ou PVC
Defloculante = Silicato de sódio
Processos de conformação de pós ou
suspensões: Prensagem de pós

Pó atomizado de
vitrocerâmico LZS

Suspensão = 50/50%
Ligante = bentonita ou PVC
Defloculante = Silicato de sódio
Processos de conformação de pós ou
suspensões: Extrusão de pós
Suspensão = 50/50%
Ligante = bentonita ou PVC
Defloculante = Silicato de sódio
Processos de conformação de pós ou
suspensões: Moldagem por injeção
Pós mistura, homogeneização e
pós pré mistura obtenção dos granulados Grânulos
granulados

ligante
componente
"verde"
Compacto verde

Mistura
Moldagem dos = 50-60%
componentes
extração dodeligante:
Extração ligante extração térmica do
Sinterização Ligantes =
química/termoquímica ligante/pré-sinterização Polipropileno = 35%
Parafina = 10%
Ácido Esteárico = 3%
Peça sinterizada/ acabada
Componente
sinterizado
Moldagem por injeção de pós/VC LZSA
Início do processo de sinterização
Moldagem por injeção de pós/VC LZSA
Fim do processo de sinterização
Processos de conformação de pós ou
suspensões: Método da réplica polimérica
Matérias-primas para o vidro

Fusão à 1500 °C - 7h

Frita Ligante Dispersante

Moagem Suspensão cerâmica


(seco e a úmido)
Esponjas
Pó vítreo - LZSA poliméricas
Impregnação

Remoção do excesso de suspensão

Secagem
(temperatura ambiente - 24 h)

Tratamento térmico
(pirólise, sinterização e cristalização)

Figura. Fluxograma do processo de produção de cerâmicas celulares pelo método da réplica.


Processos de conformação de pós ou
suspensões: Tape casting

Green tapes for Laminated Object


Manufacturing (LOM).“Gear wheel”
geometries: green laminates (left
piece), sintered LZSA glass-ceramic
gear wheels (on the right).
Propriedades
 Características dos materiais vitrocerâmicos
dependem:
 Propriedades das fases cristalinas;
 Fase vítrea residual;
 Porosidade residual;
 Acabamento superficial do vidro.
Propriedades, CET
400
Coeficiente de Expansão Térmica [10 K ]
-1

Legenda
7

1 - Vidro
300
2 - Cerâmicos
3 - Vitrocerâmicas
4 - Ferro Fundido
200 5 - Aço
6 - Bronze
7 - Latão
8 - Teflon
100

-100
1 2 3 4 5 6 7 8
Propriedades, CET de várias fases
cristalinas
Tipo de cristal Coeficiente de expansão térmica,
. 107 (K-1)
Eucriptita- (Li2O.Al2O3.2SiO2) -86 (20-700°C)
Titanato de Alumínio (Al2O3.TiO2) -19 (25-1000°C)
Espodumênio- ( 4SiO2. Al2O3.Li2O) 9 (20-1000°C)
Cordierita ( 5SiO2.2Al2O3.2MgO) 26 (25-700°C)
Silicato de zircônio (ZrSiO4) 42 (0-1000°C)
Alumina (Al2O3-) 87 (25-900°C)
Wollastonita (SiO2.CaO) 94 (100-200)
Dissilicato de lítio (2SiO2.Li2O) 110 (20-600°C)
Quartzo (SiO2) 112 (20-100°C)
237 (20-600°C)
Cristobalita (SiO2) 125 (20-100°C)
500 (20-300°C)
Tridimita (SiO2) 144 (20-600°C)
250 (20-200°C)
Propriedades, E
30
Legenda
Módulo de Elasticidade [10 MPa]

25 1 - Vidro
2 - Cerâmico
-4

3 - Vitrocerâmica
20 4 - Ferro Fundido
5 - Aço
6 - Bronze
15 7 - Latão
8 - Teflon
9 - Nylon
10

0
1 2 3 4 5 6 7 8 9
Propriedades, Resistência à flexão
Tabela. Resistência mecânica de vários materiais.

Material Resistência à flexão (MPa)


Vidros 55-70
Materiais vitrocerâmicos 70-350
Materiais vitrocerâmicos com Até 1400
superfícies modificadas
Porcelanas elétrica (esmaltada) 14-86
Cerâmicas de alta alumina 212-353
Ferro Fundidos 140-320*
Aços 300-1400*
*Resistência à tração
Propriedades, Tenacidade à fratura
Tabela. Tenacidade à fratura (K ) de vários materiais.
IC

Material KIC (MPa.m0,5)


Vidros 0,6-0,9
Vitrocerâmicos em geral 3-3,5
LAS+46%SiC 17
Slagsitall 0,7
Alumina 2,7-4,2
Zircônia 8-12
Aço 4340 T e R 87
Al 2024 (T3) 44
Ferro fundido 45
PET 5,0
Aplicações: Ceran (SiO2-Al2O3-Li2O)

Cristal principal= Quartzo- (SS)


f = 110  25 MPa
HK0,2 = 600
E = 95 GPa
 = 0  0,15 x 10-6°k-1 (20-700°C)
= 1,6 W/m.k (100°C)
Tmax. Serviço = 700°C
Elevada transparência a IV 2-5 m

Schott Co. Alemanha


Aplicações: Ceran (SiO2-Al2O3-Li2O)

Schott Co. Alemanha


Aplicações:
Marcor (SiO2-Al2O3-MgO-K2O-F)

Corning Inc.,USA
Aplicações:
Marcor (SiO2-Al2O3-MgO-K2O-F)

Cristal principal= KMg2 ,5Si4O10F2


 = 2,52 g/cm3
f = 104 MPa
HK = 250
 = 9,4 x 10-6°k-1
Tmax. Serviço = 1000°C

Corning Inc.,USA
Aplicações:
Marcor (SiO2-Al2O3-MgO-K2O-F)
Elementos de máquinas de Marcor

Corning Inc.,USA
Aplicações:
Marcor (SiO2-Al2O3-MgO-K2O-F)
Microestrutura do Marcor
Aplicações: Apatita/Wolastonita
(Na2O-CaO-SiO2-P2O5)
Próteses dentárias - Biomateriais
Aplicações: Apatita/Wolastonita
(Na2O-CaO-SiO2-P2O5)

Próteses para a coluna vertebral - Biomateriais

Cristal principal= A-W


 = 3,07 g/cm3
f = 215 MPa
HV = 680
E = 118 Gpa
KIC = 2 MPa. m0,5
 = 6,8-9,7 x 10-6°C-1 (25-400°C)
= 1,3-2,1 W/m.k
Tmax. Serviço = 700-1000°C

Nippon Electrical Glass Co., Ltd. (Japão)


Aplicações: Espelho de telescópio,
8,2 m (SiO2-Al2O3-Li2O)

Espelho de telescópio: 8,2 m


Cristal principal= Quartzo- (SS)
Tamanho cristal = 0,05m
Transparência = 90% na faixa de
comprimentos de onda de 0,6-2,0 m
 = 2,50 g/cm3
f = 110 MPa
HK0,2 = 620
E = 90 GPa
 = -0,16-0,2  0,02 x 10-6°k-1 (20-700°C)
= 1,46 W/m.k (20°C)
Tmax. Serviço = 150°C

Zerodur (Schott/Jena)
Aplicações: Espelho de telescópio,
8,2 m (SiO2-Al2O3-Li2O)
Aplicações: Espelho de telescópio,
8,2 m (SiO2-Al2O3-Li2O)
Aplicações: Espelho de telescópio,
8,2 m (SiO2-Al2O3-Li2O)
Aplicações: Placas cerâmicas
não esmaltadas e esmaltadas

Não esmaltada

Esmaltada
Aplicações: Enduro – Itália
(SiO2-Al2O3-Li2O-MgO-TiO2)
Marazzi – Italia/Processo: Firestream
Aplicações: Slagsitall - Rússia
(SiO2-Al2O3-CaO): Wolastonita/anortita
Aplicações: Neopariés – Japão
(SiO2-Al2O3-CaO-ZnO) : Wolastonita
Aplicações: Neopariés
(SiO2-Al2O3-CaO-ZnO) : Wolastonita
Aplicações: Neopariés
(SiO2-Al2O3-CaO-ZnO) : Wolastonita
Aplicações: Neopariés
(SiO2-Al2O3-CaO-ZnO): Wolastonita
Propriedades: VC LZS, Sinterizado a 850°C/45 min
*VC: Vitrocerâmico do sistema LZS; M: Mármore; G: Granito; NP: Neoparies; GP: Grés porcelanato

Propriedade VC-LZS M G NP GP

 (g/cm3) 2,65 2,69 2,64 2,70 2,37

Absorção de água (%) <0,01 <1 <1

Cristalinidade (%) 55,9 40,0 40,0

E (GPa) 107± 1,2 41 - 68 42 - 60 51 62 - 72

 (MPa) 163± 9 14 - 16 27 50 73± 6

HV200g(GPa) 6,05± 0,4 4,9 - 6,10

A. Profunda (mm3) 35 ± 2 609 - 650 142 123 135± 4

 (10-6 oC-1 ) 8-10 19,0-12,5 19,8 6,2 8,3

Resistência Química
Ácido (%) <0,01 5,74-5,83 0,15 0,08 0,01
Base (%) <0,01 8,99-0,01 0,03 0,05 0,03
ESMALTES OU VIDRADOS

Definição:
São camadas finas e contínuas de vidro ou vidro e partículas cristalinas com
espessuras usualmente entre 75 e 500 m, depositados sobre a superfície de
uma massa cerâmica argilosa (suporte/compacto). Além disso, na sua
composição são incluídos alguns aditivos de moagem que atuam como
agentes de suspensão e de adesão como o caulim ou a bentonita e o CMC
(carboxil metil celulose), respectivamente. São adicionados também agentes
floculantes como os cloretos de Ca, Mg e Na, ácido acético e agentes
defloculantes como o silicato de Na e carbonato Na.
Objetivos principais:
Tornar o corpo cerâmico mais liso e brilhante, menos poroso, mais resistente
ao desgaste abrasivo e a ataques químicos e melhorar o seu aspecto estético
facilitando inclusive a limpeza e tornando o ambiente mais higiênico.
ESMALTES OU VIDRADOS Matéria-Prima
Massa
Figura. Fluxograma do processo produtivo de uma indústria
de revestimento cerâmico (moagem a úmido). Pesagem
Tanque de
Matéria-prima efluentes
esmalte Moagem

Pesagem Atomização

Moagem Prensagem

Estocagem Secagem

Esmaltação

Queima

Escolha
Resíduo Sólido
Chamote gresificado
Expedição
ESMALTES OU VIDRADOS
Classificação de acordo c/a composição química:
-Vidrados ao chumbo;
-Vidrados alcalinos;
-Vidrados a base de óxido de boro;
-Vidrados a base de óxido de zinco;
-Vidrados a base de óxido de zircônio.

Classificação de acordo com o tipo de frita:


-Fritas transparentes ou cristalinas;
-Fritas mates;
-Fritas opacas
ENGOBES
Definição:
Fisicamente, são camadas intermediárias localizadas entre o
esmalte e a massa cerâmica (suporte ou substrato).
Portanto, a composição química também é intermediária.
Sua função é atuar, eventualmente, como uma espécie de
filtro de particulados e gases; atenuar a coloração da massa
cerâmica (fundo branco de base para a decoração);
impermeabilizar o esmalte quanto a uma eventual absorção
de água (mancha d’água - revestimentos para
parede/azulejo); servir como interface de ancoramento entre
a massa e o esmalte; ajustar o coeficiente de expansão
térmica entre o esmalte e a massa (acordo massa/esmalte).
ACORDO MASSA/ESMALTE

Fatores que influenciam na medida do acordo M-E:

1) Natureza química;
2) História térmica;
3) Microestrutura;
4) Espessura;
5) Resistência mecânica.
ACORDO MASSA/ESMALTE

O Problema!!
Curvaturas e empenos
ACORDO MASSA/ESMALTE
O Problema!!
Trincas (gretamento) e lascamentos
ACORDO MASSA/ESMALTE

O Problema!!
Trincas (gretamento) e lascamentos imediatos

Tração: 400-500 Kgf/cm2 ~ 40-50 MPa


Compressão: 10.000 Kgf/cm2 ~ 1000 MPa

e
não imediato
(Expansão por umidade e expansão
das argamassas de assentamento e/ou de rejuntamento)
ACORDO MASSA/ESMALTE
Mecanismos:

CET esmalte > CET substrato (massa)


ACORDO MASSA/ESMALTE
Mecanismos:

CET esmalte < CET substrato (massa)


ACORDO MASSA/ESMALTE
Exemplos (CETL):
Trincas (gretamento) e lascamentos
Gretamento:
Esmalte 70 x 10-7 /°C
Massa 63 x 10-7 /°C
Normal:
Esmalte 60 x 10-7 /°C
Massa 63 x 10-7 /°C
Lascamento:
Esmalte 50 x 10-7 /°C
Massa 63 x 10-7 /°C
ESMALTES VITROCERÂMICOS
Soluções técnicas/Esmalte VC
Técnica de Aplicação do Esmalte

 Serigrafia plana ou rotativa;


 Aplicação total (100% área coberta);
 Aplicação parcial.
Esmaltes Vitrocerâmicos:
Soluções técnicas - Técnica de Aplicação do Esmalte

Aplicação parcial
1a 3

(a) (b)
Fig. Micrografias (MEV) referentes a vista superior (a) de placa cerâmica recoberta
com esmalte vitrocerâmico LZSA (1) sobre superfície vidrada (2) e corte da seção
transversal (b) evidenciando o esmalte vitrocerâmico (3), a superfície vidrada (4), o
engobe (5) e o suporte/substrato (massa) cerâmico (6). Ataque: HF a 2% por 25 s.
Esmaltes Vitrocerâmicos:
Soluções técnicas - Técnica de Aplicação do Esmalte

Biqueima-rápida
2 1

3
1

Fig.Micrografia (MEV) da seção transversal de placa cerâmica esmaltada com


esmalte tradicional (1) e esmalte vitrocerâmico (2) do sistema LZS (Li2O-ZrO2-
SiO2) sinterizado, sobre uma placa cerâmica (3), à 850°C em 45 minutos.
Esmaltes Vitrocerâmicos:
Soluções técnicas - Técnica de Aplicação do Esmalte

Brilho
100 60

80 50

Brilho (UB)
40
fad (%)

60
30
40
20
20 10
0 0
150

300

600

800

1000

2000

3000

4000

6000
fad
N (giros) B
Fig. Evolução do desgaste e do brilho de amostra vidrada e recoberta como o
esmalte de proteção P20C na forma de pontos.
Problemas relacionados aos materiais
convencionais – Cerâmica Revestimento

1) resistência ao risco;
2) resistência ao manchamento.
FATORES QUE AFETAM A PERDA DE ASPECTO
DE UMA SUPERFÍCIE CERÂMICA

•Aspecto visual (cor do vidrado; número e grau de


dispersão das cores na massa cerâmica; brilho da
superfície vidrada);

•Dureza e resistência ao desgaste ou ao risco;

•Porosidade.
FATORES QUE AFETAM A PERDA DE ASPECTO
DE UMA SUPERFÍCIE CERÂMICA
Dureza e resistência ao desgaste por abrasão ou ao risco;

Abrasão envolvendo dois corpos

Figura: Micrografias (MEV) mostrando


superfícies de esmaltes com riscos e crateras.
Abrasão envolvendo três corpos
FATORES QUE AFETAM A PERDA DE ASPECTO
DE UMA SUPERFÍCIE CERÂMICA
Grés porcelanato (MEV, Seção transversal)

Poro
FATORES QUE AFETAM A PERDA DE ASPECTO
DE UMA SUPERFÍCIE CERÂMICA
Placa cerâmica esmaltada Esmalte tradicional

Poro

Massa cerâmica
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O futuro da cerâmica reserva, sem dúvida, profundas
modificações, as quais estão associadas, invariavelmente, à
redução de energia na sua produção; ao reaproveitamento
dos rejeitos de produção; e à utilização de resíduos
provenientes de setores não necessariamente relacionados à
cerâmica. A escassez e o valor crescente da água é outro
problema que remete, passo a passo, à utilização de técnicas
de processamento a seco. Algumas dessas modificações já
estão ocorrendo atualmente.