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20/02/2015 IMB - O experimento keynesiano da Coréia do Sul se torna global

  
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O experimento keynesiano da Coréia do Sul se torna Pesquisar

global
por Ryan McMaken, sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Aqueles que já atingiram uma


determinada idade certamente
devem se lembrar de que, no final
da década de 1980 e início da
década de 1990, era dado como
C one ct e-se
certo que o Japão estava
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dominando o mundo
economicamente.  Os melhores e Mises no Facebook
mais desejados carros eram Faça uma doação
japoneses.  Seus videogames eram
onipresentes.  Todos os países
desenvolvidos utilizavam
Ú lt im os com ent ár ios   
  "Eu me lembro vivamente dessa época
tecnologia japonesa em tudo.
do "Japão vai dominar o mundo". Os filmes
de..."
Os japoneses estavam destinados Magno em O experimento keynesiano da
a conquistar o mundo, era o que Coréia do Sul se torna global (artigo)

diziam.  Eles sabiam como


  "Mais dócil e submissa que a população
trabalhar em equipe.  Eles brasileira? Impossível. No Japão seria..."
colocavam mais ênfase no grupo Guilherme em O experimento keynesiano da
Coréia do Sul se torna global (artigo)
do que no indivíduo.  Eles
trabalhavam mais duro.  Em 1992, um político japonês do alto escalão, Yoshio Sakurauchi, declarou que os   "Não sei, mas é facílimo implantar
americanos eram "preguiçosos demais" para competir com os trabalhadores japoneses, e que um terço dos qualquer tipo de regime autoritário.
trabalhadores americanos "não sabiam nem ler".  O livro de Michael Crichton, Sol Nascente, lançado em 1992 (e Aliás,..."
Cintra em O experimento keynesiano da
que virou filme em 1993, com Sean Connery e Wesley Snipes) estimulou ainda mais essas controvérsias na mente Coréia do Sul se torna global (artigo)
dos americanos.
  "Não por coincidência, a Coreia do
Atualmente, ninguém mais pensa que os japoneses estão dominando o mundo.  O que aconteceu é que a Norte é o mais repressivo entre todos
os..."
supostamente robusta e inquebrantável economia japonesa era fundamentada menos em trabalho duro e em
Marcos em O experimento keynesiano da
equipe e mais em planejamento centralizado, crédito farto e barato, subsídios às grandes corporações, e Coréia do Sul se torna global (artigo)
protecionismo às gigantes de vários setores.  Por isso, quando a economia japonesa se estagnou após uma década
  "Corrigindo a frase: O dinheiro que
de forte crescimento, tal fenômeno não deveria ter surpreendido ninguém versado na teoria dos ciclos
rola com sequestro ou roubos de carga
econômicos. e..."
Felipe em A moralidade da
Hoje, a Coréia do Sul parece ter, descriminalização das drogas (artigo)
em vários aspectos, assumido o
posto do Japão.  Ao passo que a
japonesa Sony entrou em profundo
B log   rss
declínio, as coreanas Samsung e LG   A impiedosa destruição do real
        por Leandro Roque - 26/01/2015
são hoje marcas internacionalmente
  Por que as eleições geram brigas
respeitadas.  A Hyundai, embora
entre amigos
ainda considerada por muitos como         por Fernando Chiocca - 23/10/2014
sendo de baixa qualidade, ainda
  Debate entre o presidente do IMB,
assim se expandiu maciçamente na
Helio Beltrão, e Paul Singer, fundador
última década.  Apenas nos EUA, a do PT
marca já abriu duas fábricas de um         por Equipe IMB - 25/09/2014

bilhão de dólares: uma no Alabama,   Comedimento e sobriedade


em 2005, e a outra na Geórgia, em         por Helio Beltrão - 10/06/2014

2009.   O que fazer com a Petrobras?


        por Leandro Roque - 07/04/2014
A ascensão da Coréia do Sul no veja mais...

cenário global
L oj a Vir t ual   
Mas a estratégia sul-coreana de  Os Fundamentos Contra o
dominação global é diferente da japonesa.  Enquanto a cultura pop japonesa — música, filmes e seriados — Antitruste
jamais alcançou muita popularidade fora do Japão [Nota do IMB: os americanos certamente não foram expostos a   Mises: Revista Interdisciplicar de
Jaspion, Changeman e Jiraya], a cultura pop sul-coreana se transformou em um fenômeno global.  Além de

http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=2035 1/4
20/02/2015 IMB - O experimento keynesiano da Coréia do Sul se torna global
utilizarmos seus carros e seus celulares, também ouvimos as suas musicas a assistimos aos seus filmes. Filosofia, Direito e Economia. Vol 1 -
Nº2
Poucos notaram a ascensão da cultura pop sul-coreana antes de 2012, quando o clipe "Gangnam Style", do rapper   Teoria e História
sul-coreano PSY, se tornou um dos mais visualizados do YouTube em todos os tempos.  Repentinamente, todos
  Democracia – o Deus que Falhou
passaram a conhecer a cultura pop sul-coreana.
  Conferência de EA 2014 - Inscrição
Adicionalmente, aqueles acostumados a baixar filmes e seriados pelo Netflix muito provavelmente já perceberam - Meia (associados)
um sensível aumento na oferta de filmes sul-coreanos, incluindo-se aí filmes de grande êxito internacional, como veja mais...
o filme de ação Oldboy, de 2003, e o filme de monstro O Hospedeiro, de 2006.
B ib liot ec a   
A ascensão das músicas, dos filmes e dos seriados sul-coreanos — e também dos videogames — não foi, no
  O Livro Negro do Comunismo
entanto, uma obra do livre mercado.  Foi, isso sim, resultado de uma política do governo sul-coreano voltada         por Diversos Autores
para coordenar, subsidiar e proteger a indústria da cultura pop sul-coreana, bem como também outras indústrias.   Teoria e História
        por Ludwig von Mises
Em seu novo livro The Birth of Korean Cool, a autora Euny Hong explora as origens e os sucessos desse programa —
  Bitcoin - a moeda na era digital
que é pesadamente financiado e coordenado por agências governamentais sul-coreanos — conhecido como Hallyu,         por Fernando Ulrich
ou "A Onda Sul-Coreana".  Não se trata apenas de poder econômico, mas também de relações internacionais.  O
  O que deve ser feito
governo sul-coreano utiliza a Hallyu como parte de um amplo programa criado para proteger o "poder brando" da         por Hans-Hermann Hoppe
Coréia do Sul.
  Por uma nova liberdade - O

Na Coréia do Sul, eles fazem de maneira diferente Manifesto Libertário


        por Murray N. Rothbard
veja mais...
Hong, que é jornalista, aborda o tópico utilizando sua própria experiência como uma sul-coreana que nasceu nos
EUA e que viveu na Coréia do Sul durante sua adolescência.  Ela relata o crescente nacionalismo que impregnou
M ult im íd ia   
as escolas da Coréia do Sul e toda a sociedade, a necessidade de ser conformar com a ordem vigente, e a
  Podcast Mises Brasil
deferência geral que os sul-coreanos têm para com o estado e a nação, ao mesmo tempo em que um         por Bruno Garschagen - 06/01/2016
comportamento "individualista" é considerado uma espécie de patologia social.
  Conferência de Escola Austríaca

Hong relata vários episódios que ilustram cada uma dessas características com grande compaixão pela Coréia do 2014
        por Diversos - 23/10/2014
Sul e pelos sul-coreanos.  Para qualquer ocidental com uma mentalidade mais laissez-faire, tais experiências são
  A Crise de 2008 - Helio Beltrão,
vistas como estupefação e talvez até mesmo com horror.  Personalidades do tipo "bad boy", muito proeminentes
Paul Singer, e Carlos Eduardo Carvalho
na cultura americana, não existem na Coréia do Sul, explica Hong.         por Helio Beltrão - 15/09/2014

  II Encontro de Escola Austríaca de


E isso pode ser visto na cultura popular do país.  O mais próximo que a música pop sul-coreana já produziu de um
Brasília - 2013
"bad boy" é justamente o rapper PSY, que é considerado um rebelde simplesmente porque ele não tirava notas         por Equipe IMB - 06/05/2013
máximas na escola e ocasionalmente desapontava seus pais.
  Fraude - Explicando a grande
recessão
Nada surpreendentemente, relata Hong, a cultura popular na Coréia do Sul é do tipo corporativista,         por Equipe IMB - 31/10/2012
arregimentada, planejada e, acima de tudo, governada por uma ética de comprometimento ao grupo e de veja mais...
supressão do artista individual.

Por meio de uma agência governamental chamada "Ministério da Criação Futura", o governo sul-coreano trabalha
em parceria com empresas privadas ostensivamente voltadas para a cultura pop com o intuito de disseminar e
maximizar a influência da cultura pop sul-coreana tanto domesticamente quanto no estrangeiro.

Historicamente, o governo sul-coreano sempre recorreu ao protecionismo para estimular a cultura pop do país. 
Hong observa, por exemplo, que nas décadas passadas o governo sul-coreano exigiu que os cinemas do país
exibissem filmes nacionais durante um mínimo de 146 dias por ano, e que "a indústria cinematográfica nacional
produzisse um filme sul-coreano para cada filme estrangeiro exibido.  É seguro dizer que a indústria
cinematográfica nacional foi beneficiada por esse tipo de protecionismo. ... O governo também construía e
gerenciava as casas de teatro".

Desde a crise financeira asiática ocorrida no final da década de 1990, no entanto, o governo sul-coreano também
passou a ajudar a cultura pop sul-coreana no mercado internacional, utilizando impostos para financiar a
dublagem de programas sul-coreanos em língua estrangeira e utilizando diplomatas para negociar a exibição de
programas sul-coreanos nas redes de televisão de outros países.

A "cooperação" entre governo e empresas privadas

Assim como a economia japonesa é há muito tempo influenciada e até mesmo dominada por grandes corporações
ligadas umbilicalmente ao governo — entidades essas conhecidas como keiretsu e zaibatsu —, a Coréia do Sul
também apresenta um arranjo análogo, cujas empresas são conhecidas como chaebols.  Sendo a versão sul-
coreana do "grande demais para falir", mas muito mais significativas para economia sul-coreana como um todo,
essas entidades têm sido essenciais para executar as políticas do governo sul-coreano por meio da "pareceria
governo-chaebol".

Hong observa que a ascensão, na Coréia do Sul, da cultura pop promovida pelo governo não pode ser
completamente entendida fora desse contexto.  Essa tradição de parceria entre governo e grandes corporações
fez com que Samsung, LG e outras grandes empresas fossem criadas por meio de favores governamentais e com
dinheiro de impostos.

Como explica Hong em seu livro: "Assim como várias histórias de sucesso discutidas neste livro, a ascensão da
Samsung no cenário mundial é atribuível [à] ... intervenção direta do governo sul-coreano durante estágios
cruciais do desenvolvimento da empresa".

E caso alguém pense que a Samsung é apenas uma corporação como outra qualquer, Hong nos lembra que "a
Samsung sozinha é responsável por um quinto do PIB do país".  Não é difícil entender por que o estado sul-
coreano vê a Samsung como sendo essencialmente uma continuação de si próprio.  "O que é bom para a Samsung
é bom para a Coréia do Sul" é um sentimento que, sem dúvidas, perpassa todos os corredores de todas as

http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=2035 2/4
20/02/2015 IMB - O experimento keynesiano da Coréia do Sul se torna global
agências governamentais da Coréia do Sul.

Hong, como jornalista, simplesmente aceita a política econômica do governo sul-coreano como um dado da
natureza.  "É claro que todo esse planejamento centralizado da economia sul-coreana foi um enorme sucesso", é
o que ela dá a entender.  É perceptível como o padrão de vida do país cresceu acentuadamente desde 1960,
quando a Coréia do Sul era essencialmente um país de terceiro mundo.

Trata-se de uma grande história de sucesso — ao menos é o que nos dizem — do neo-mercantilismo keynesiano,
no qual grandes corporações controladas ou subsidiadas pelo governo executam planos e estratégias
governamentais para aprimorar a economia, e tudo isso baseando-se em decisões de funcionários públicos.

Já aqueles que realmente conhecem os fundamentos da teoria econômica, e que seguem os ensinamentos de
Bastiat, apenas olham para esse arranjo econômico e pensam em tudo aquilo que "não é visto" e que está oculto
sob todo esse arranjo de favoritismo governamental e decisões centralizadas.  Como os sul-coreanos gastariam
seu dinheiro se ele não lhes fosse confiscado pelo governo e repassado para as poderosas chaebols?  O que eles
consumiriam se o governo não tomasse sua renda para subsidiar empresas ligadas a políticos?  Mais ainda: quais
inovações poderiam ter sido criadas se as pequenas e médias empresas da Coréia do Sul tivessem a oportunidade
de pelo menos poder concorrer com esses grandes conglomerados protegidos e subsidiados pelo governo?

Jamais saberemos.

[Nota do IMB: esse modelo sul-coreano de parceria entre governo e grandes corporações, e de estímulo
governamental — por meio do BNDES — para a criação das "campeãs nacionais" já existe há muito tempo no Brasil. 
Só que não deu muito certo...  Enriqueceu sobremaneira os empresários ligados ao regime, mas não trouxe
nenhum benefício à população, que ficou apenas com a fatura]

Histórias que exigem cautela

O que realmente sabemos, no entanto, é que, quando um governo decide colocar todos os ovos em uma única
cesta, como fez o estado sul-coreano, o sucesso pode ser bastante efêmero.  E se a Samsung for pelo mesmo
caminho da Sony?  E se a Hyundai tiver o mesmo destino da General Motors?  O governo sul-coreano simplesmente
recorrerá a mais pacotes de socorro, mais "estímulos" e, como sugerem as experiências japonesas e americanas,
mais programas de crédito farto e barato?

Em uma cultura que preza o trabalho duro, que vê o lazer como algo suspeito, e cujos estudantes têm de estudar
dezoito horas por dia, é bem possível que esse arranjo dure por bastante tempo: enquanto os investimentos
errôneos subsidiados pelo governo vão se avolumando, cada vez mais riqueza é confiscada da população
trabalhadora (e condescendente) para continuar sustentando grandes corporações.  

Enquanto houver uma população trabalhadora, dedicada e que produz uma riqueza que é confiscada sem
protestos, esses desequilíbrios podem se perpetuar por muito tempo.

Porém, como o Japão — e cada vez mais os EUA — demonstrou, tais políticas acabam em estagnação e destruição
de capital.  Sob tais condições, os trabalhadores japoneses e americanos trabalham mais apenas para manter o
padrão de vida de antes, mas a renda disponível não aumenta.

O Japão, que já foi visto como "o futuro dominador do mundo", é um exemplo de cautela.  A Coréia do Sul, como
mostra o livro The Birth of Korean Cool, ainda está na fase do crescimento.  Mas já vimos esse filme antes, só que
em outro idioma.

[Nota do IMB: Não deixa de ser extremamente curioso ver progressistas brasileiros — que defendem a redução da
jornada de trabalho, o aumento do assistencialismo, o fim da família tradicional, a supressão de provas e
vestibulares, e até mesmo o fim da competição entre estudantes — defendendo a adoção do modelo sul-coreano,
que impõe longas jornadas de trabalho e de estudo, uma rigorosa competição entre alunos, a submissão dos filhos
aos pais, o controle estatal da produção cultural (o governo proíbe qualquer coisa considerada "subversiva") e que
vê o ócio e o lazer como um comportamento típico de derrotados e preguiçosos.  

Mais ainda: toda essa cultura sul-coreana foi implantada por um governo militar.

De resto, vale repetir, a parceria entre governo e grandes corporações, e o estímulo governamental — por meio
do BNDES — para a criação das "campeãs nacionais" já existe há muito tempo no Brasil.  Enriqueceu sobremaneira
os empresários ligados ao regime, mas não trouxe nenhum benefício à população, que ficou apenas com a
fatura.]

Ryan McMaken é o editor do Mises Institute americano.

4 comentários

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