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INSTITUTO FEDERAL DE ENSINO, CIÊNCIA E

TECNOLOGIA DE GOIÁS

TÉCNICAS DE OBTENÇÃO E
PURIFICAÇÃO DE COMPOSTOS
ORGÂNICOS

Goiânia
2016

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CUIDADOS A SEREM OBSERVADOS NO LABORATÓRIO

a) Ao chegar ao laboratório lembre-se que este é um local de trabalho onde o


cuidado e atenção são requisitos fundamentais para evitar acidentes.
b) Utilize sempre um guarda-pó, de preferência de algodão (os tecidos sintéticos
podem grudar na pele, quando inflamados) e de manga comprida (para uma maior
proteção). Evite calçar shorts, bermudas, saias, sandálias ou chinelos; a pele fica mais bem
protegida com calças compridas e sapato ou tênis fechado.
c) Cabelos compridos deverão ser presos, para evitar o risco de se incendiarem
quando próximos de um bico de gás.
d) Faça apenas as experiências indicadas. Caso tenha interesse em outras
experiências, consulte o seu professor. EXPERIÊNCIAS NÃO AUTORIZADAS SÃO
PROIBIDAS.
e) Use sempre o guarda-pó. Use capelas sempre que indicado. Comunique seu
professor sobre qualquer acidente, por menor que seja.
f) Tenha cuidado com os materiais inflamáveis. Qualquer incêndio deve ser abafado
imediatamente com uma toalha ou cobertor. Na primeira vez que entrar no laboratório
procure se familiarizar com a localização dos extintores de incêndio, toalhas ou cobertores,
chuveiros, etc.
g) Nunca jogue produtos ou soluções na pia ou no lixo. Descarte os resíduos
conforme os procedimentos indicados pelo professor
h) Leia com atenção o rótulo de qualquer frasco antes de usá-lo. Leia duas vezes
para ter certeza de que pegou o frasco certo. Anote no Caderno de Laboratório os dados
constantes nos rótulos dos reagentes.
i) Nunca use as espátulas de um frasco em outro para evitar contaminações.
j) Se um ácido ou outra solução em uso for derramado lave o local imediatamente
com bastante água. Chame imediatamente o professor.
k) Não toque com os dedos os produtos químicos nem prove qualquer droga ou
solução.
I) Não é recomendável tentar sentir o odor de uma substância. Entretanto, desde
que professor assim o permita, traga com as mãos pequenas porções do vapor em sua
direção.
m) Deixe qualquer objeto quente esfriar por bastante tempo. Lembre-se que a
aparência do objeto quente ou frio é a mesma.

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1. SEGURANÇA NO LABORATÓRIO DE QUÍMICA

A inter relação entre o conhecimento adquirido em química através de estudos


teóricos e a experimentação laboratorial, quando realizada de forma bem clara e
coordenada permite ao aluno a construção de conceitos de forma bem mais sólida e com
um maior relacionamento entre os tópicos teóricos. Neste sentido, o laboratório de química
experimental é a grande oportunidade que os alunos têm de ter um contato com o mundo
real da química. O aluno terá contato com as técnicas de purificação, preparação e
caracterização de substâncias orgânicas, a manipular substâncias tóxicas e inflamáveis e a
montar as aparelhagens necessárias para diversas finalidades.
As experiências de laboratório, além de estimular a curiosidade e desenvolver as
habilidades de observação, registro e interpretação de dados, oferecem a oportunidade de
um bom treinamento na manipulação de diversos materiais e aparelhagens.
O sucesso de uma experiência está diretamente relacionado com o interesse,
organização e cuidado na sua execução. Assim, o respeito às normas de segurança e
fundamental para se evitar acidentes, devido aos riscos inerentes aos trabalhos
desenvolvidos. A segurança do aluno e de seus colegas depende de sua conduta no
transcorrer das aulas de laboratório. Portanto, as instruções e recomendações sobre o
procedimento no laboratório devem ser seguidas rigorosamente.
A regra fundamental da segurança é PREVENIR. Prevenir e sempre mais fácil, mais
rápido e mais barato e, portanto, melhor, do que remediar. A preocupação com a
segurança deve estar sempre presente, ou seja, a proteção individual (uso permanente de
óculos de segurança), uso da capela em operações que utilizem ou que produzam
químicos tóxicos, nunca tocar ou provar qualquer substância “- o aluno deve procurar
sempre conhecer os perigos inerentes ás reações, reagentes e aparelhagens com que
trabalha, de forma a prevenir qualquer tipo de acidente.
O conhecimento da toxicidade dos reagentes e produtos e das potencialidades de
explosão, aquecimento exagerado, etc. das reações que vão ser experimentadas deve
preceder qualquer trabalho experimenta; do aluno. Nos casos de acidentes, é importante,
também, ao aluno, saber quais providências tomar de imediato para superá-lo, sejam
providências de de primeiro socorros à pessoa atingida (intoxicações, queimaduras, etc.)
ou atitudes diante de pequenos incêndios, explosões, etc.

Entre os riscos mais comuns, destacam-se os seguintes:


• manipulação de substâncias tóxicas, corrosivas, inflamáveis e explosivas;
• manuseio de material de vidro;
• uso do fogo e da eletricidade.
1.1. Riscos químicos
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Os agentes químicos podem ser introduzidos no organismo humano por três vias:
inalação, absorção e ingestão. Dentre elas, a inalação constitui a principal via de
intoxicação devido à facilidade de disseminação da substância dos pulmões para o sangue
e daí para as diversas partes do corpo. O dano causado por uma substância específica
depende: do tempo de exposição, da concentração, das características físico-químicas do
composto c da suscetibilidade pessoal.
Utilização de substâncias corrosivas
Entre os principais agentes corrosivos encontrados nos laboratórios químicos
destacamos os ácidos, as bases e os halogênios. Muitos deles provocam sérias
queimaduras e devem ser manipulados cuidadosamente, evitando-se contato com a pele e
mucosas.
No caso de acidentes com esses produtos, deve-se conhecer a natureza química
das substâncias para se executar corretamente os primeiros socorros.
Como proceder no caso de acidentes com:
a) Ácidos: (H2SO4, HCl, HNO3, ctc.) deve-se lavar, imediatamente, com muita água,
neutralizar com solução alcalina diluída (geralmente solução aquosa de bicarbonato de
sódio a 1%) e novamente com água.
b) Bases: (NaOH, KOH, NH4OH, etc.) deve-se lavar, imediatamente, com muita
água, neutralizar com solução ácida diluída (geralmente solução aquosa de ácido acético a
1%) e novamente com água.

c) Sódio: (Na) deve-se remover qualquer resíduo de sódio e depois proceder como
para as bases.
|d) Bromo; (Bo). O bromo é um líquido castanho-avermelhado muito volátil, sendo
os seus :vapores bastante tóxicos. No caso de acidentes, deve-se, lavar imediatamente
com muita água, secar e aplicar glicerina.
Obs. Nos casos de queimaduras leves, após os procedimentos descritos, se
necessário, aplicar pomada para queimaduras. Em casos graves, procurar auxílio médico.

Utilização de substâncias inflamáveis


Uma das principais causas de incêndios nos laboratórios relaciona-se com a
manipulação incorreta de líquidos inflamáveis. Os mais comuns em laboratórios de química
são: acetato de etila, acetona, benzeno, cicloexano, dissulfeío de carbono, etanol, éter de
petróleo, éter etílico, hexano, metanol. Estes reagentes devem ser manipulados longe das
chamas. Além disso, deve-se evitar que seus vapores sejam liberados para o ambiente do
laboratório.
Um pequeno incêndio pode ser extinto colocando-se um pano molhado sobre â
Chama. Nos casos graves, usar areia seca ou extintores de incêndio.
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1.2. Normas gerais de segurança
 Observar as normas e procedimentos de segurança;
 Usar sempre avental (jaleco) abotoado, sapatos fechados e cabelos presos;
 Usar óculos de segurança;
 Não usar lente de contato;
 Usar luvas de látex durante a lavagem de material;
 Não provar nem cheirar produtos químicos;
 Não levar a mão à boca ou aos olhos quando estiver manuseando produtos
químicos;
 Não usar reagentes sem rótulos;
 Antes de iniciar experimentos verificar a toxicidade e inflamabilidade das
substâncias utilizadas;
 Nunca utilizar chama direta para aquecer líquidos inflamáveis;
 Não trabalhar com vidro trincado ou quebrado;
 Ao introduzir tubos de vidro ou termômetro cm rolhas, lubrificar o vidro com
vaselina c proteger a mão com luvas grossas ou panos;
 Não deixar livros, bolsas, sobre as bancadas;
 ou comer no laboratório;
 Não deixar experimento em execução desacompanhado;
 Evitar brincadeiras que possam comprometer a segurança dos colegas;
 Em caso de acidente avisar imediatamente os professores ou técnicos;
 Lavar bem as mãos c os braços após as aulas;
 O material específico recebido para determinado experimento deve ser
devolvido limpo e em condições de uso;
 Manter o local de trabalho limpo e organizado.
1.3. Substâncias tóxicas e/ou corrosivas comumente encontradas cm laboratórios
de Química
 Acetato de etila: líquido inflamável e volátil; inalação prolongada causa danos
renais e hepáticos. Trabalhar em local arejado.
 Ácido acético glacial: libera vapores irritantes. Manipular em capela
 Ácido bórico: pode ocasionar envenenamento fatal se absorvido por
ferimento da pele.
 Ácido cianídrico: gás incolor altamente venenoso, dose concentrada pode
ser fatal cm poucos minutos.
 Ácido clorídrico: libera vapores corrosivos. Manusear em capela.
 Ácido fórmico: produz queimaduras. Trabalhar com luvas.
 Ácido nítrico concentrado: libera vapores corrosivos. Trabalhar em capela.
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 Ácido nítrico fumegante: consiste de ácido nítrico a 95 % e contém óxidos
de nitrogênio; seus vapores são corrosivos e sufocantes. Trabalhar em capela.
 Ácido sulfúrico concentrado: provoca sérias queimaduras. Trabalhar com
luvas.
 Ácido sulfúrico fumegante: extremante corrosivo e possui odor irritante de
SO3.
 Trabalhar em capela utilizando luvas.
 Anilina: líquido altamente venenoso e cancerígeno pode causar intoxicação.
 Amônia: gás incolor, corrosivo e tóxico possui odor irritante. Inalação de
vapores concentrados provoca asfixia. Trabalhar em capela.
 Anidrido acético: líquido com odor acético bastante acentuado; produz
irritação e queimaduras na pele. Trabalhar em local arejado.
 Benzeno: líquido inflamável, venenoso, cancerígeno, pode causar
intoxicação, por inalação, ingestão ou absorção cutânea. Trabalhar em capela e evitar o
contato coma pele.
 Bromo: líquido volátil, extremamente corrosivo e irritante, ataca rapidamente
os tecidos orgânicos provocando sérias queimaduras. Seus vapores podem ocasionar
danos nas vias respiratórias. Trabalhar cm capela, usar luvas c manter uma cuba contendo
hidróxido de amónio ou hidróxido de sódio a 10 % nas proximidades.
 1-butanol: seus vapores causam irritação nas mucosas e dores de cabeça.
Trabalhar em local arejado.
 Cianeto de sódio: fatal em pequenas concentrações. Trabalhar em capela
eficiente, com luvas c tendo por perto solução de NaOH a 10%.
 Cicloexano: liquido inflamável, irritante e narcótico. Trabalhar cm local
arejado.
 Clorofórmio: líquido volátil, hepatotóxico, cancerígeno. Trabalhar em
capela.
 Dicromato de potássio: venenoso, corrosivo, evitar contato com a pele.
 Diclorometano: narcótico em altas concentrações.
 Éteres: éter etílico, isopropílico, tetrahidrofurano, dioxano. Além de serem
altamente inflamáveis, podem também absorver e reagir como oxigênio quando estocados
por longo tempo, formando peróxidos altamente explosivos. Fazer teste para peróxido
antes de utilizá-los.
 Éter de petróleo (ligroína): libera vapores tóxicos que provocam desde
dores de cabeça até coma. Trabalhar cm local arejado e longe de chamas.
 Fenol: sólido venenoso e corrosivo pode causar intoxicação fatal por
ingestão, inalação ou absorção pela pele. Trabalhar em capela, usar luvas.

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 Formaldeído: líquido venenoso, com odor irritante.
 Hidróxido de amônio: consiste em uma solução aquosa de amônia a 28%.
Líquido de odor irritante. Trabalhar em capela.
 Hidróxido de sódio ou de potássio: altamente corrosivo, evitar contato com a
pele e olhos.
 Iodo: sólido facilmente sublimável, seus vapores são bastante são bastante
tóxicos e corrosivos. Trabalhar cm capela e usar luvas
 Metanol: venenoso e inflamável, pode causar intoxicação fatal por ingestão,
inalação ou absorção cutânea, exposição prolongada pode ocasionar cegueira. Trabalhar
em capela e evitar contato com a pele.
 Propanona: líquido volátil e inflamável, inalação prolongada pode ocasionar
irritação brônquica e narcose. Trabalhar em local arejado.
 Salicilato de metila: bastante venenoso, se ingerido; evitar também
inalação prolongada.

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EXPERIÊNCIA 01

FILTRAÇÃO SIMPLES
1. FILTRAÇÃO
Filtração é um processo de separação de sistemas heterogêneos, principalmente
dos tipos líquido-sólido e gás-sólido.
Os filtros empregados podem ser feitos de diferentes materiais porosos, tais como:
tecido, algodão, papel, placa de vidro com pequenos orifícios (vidro sintetizado), fibras, lã
de vidro ou amianto, etc. A porosidade (tamanho dos orifícios do filtro) varia de material
para material, quanto mais poroso o filtro mais rápido o escoamento do líquido e menor a
retenção de partículas. Assim, o material filtrante a ser utilizado deve ser cuidadosamente
escolhido. Nos laboratórios de química o mais comum é o papel de filtro.

Tipos de filtração
o Simples
o A pressão reduzida (por sucção)
o Filtração a quente

1.1. Filtração simples

Esta operação compreende a filtração


por gravidade (o líquido desce pela ação da
gravidade). Nesta técnica, geralmente
emprega-se um funil de vidro e papel de filtro
dobrado em quatro ou pregueado.
•A mistura líquido-sólido (sem agitar) e
transferida para o funil com o auxílio de um
bastão de vidro, que deve tocar o papel de
filtro;
•A mistura deve ser transferida
lentamente, de modo que a quantidade de
líquido no papel de filtro não ultrapasse 2/3 da sua altura;
•A haste do funil deve tocar a parede lateral frasco coletor;
•Caso nem todo sólido tenha escorrido para o funil, o mesmo deve ser removido
com o auxílio de um bastão. Para facilitar a remoção, transfere-se um pouco do líquido
filtrado para o frasco que continha a mistura e filtra-se novamente. Se o volume do filtrado

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não interferir na experiência, pode-se também usar um pouco de solvente puro para auxiliar
na transferência do sólido.
Procedimento experimental
Filtração Simples: separar componentes de uma mistura heterogênea: sólido-
Iíquido, fazendo-a passar através de um leito poroso.

Materiais:  Bastão de vidro,


 Funil de vidro,  Frasco com água,
 Papel de vidro,  Suporte universal e garras,
 Dois béqueres de 100 ml,  Duas provetas de 50 ml.

Reagentes: solução 0,1 M de K2CrO4 (cromato de potássio), solução de 0,1 M de


Pb(NO3)2 [nitrato de chumbo(ll)].

Método:
1 - Colete 20 ml de uma solução A (cromato de potássio 0,1 M) e junte-a a 20 ml de
uma solução B (nitrato de chumbo(ll), em béquer de 100 ml, em pequenas porções com
agitação constante:
2- Observe e deixe em repouso por 10 minutos.
3- Pese o papel de filtro, e anote e dobre-o conforme a ilustração a seguir
4- Depois de dobrado o papel de filtro, adapte-o ao funil utilizando uma pequena
quantidade de água possibilitara aderência ao funil.
5- Monte o sistema e realize a filtragem conforme a figura abaixo, tendo o cuidado
de lavar diversas vezes o interior do béquer com pequena quantidade de água destilada,
utilizando a pisseta;
6- depois de efetuada a filtragem, recolha o resíduo juntamente com o papel de
filtro. Secar (sólido obtido + papel) em estufa a 160° por 30 minutos, decorrido este tempo
coloque o resíduo por 15 minutos no dessecar e pese-o.
7- Repetir a mesma experiência usando filtração a vácuo (pressão reduzida).

1.2 - Filtração à pressão reduzida

É realizada utilizando-se um funil de Buchner acoplado a um fraco de Kitasato.


A sucção pode ser executada por um trompa d'água ou por uma bomba de vácuo.
É um processo de filtração mais rápido e que permite uma secagem parcial do
sólido.
• O papel de filtro é colocado no funil de Buchner, sobre a plataforma que contém

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diversos furos. O diâmetro do papel deve ser ligeiramente menor que o diâmetro da
plataforma de porcelana, mas que cubra todos os furos.
• O papel deve estar bem aderido ao funil. Isso é obtido molhando-o com a água
mãe ou com solvente puro e ligando-se o vácuo. A mistura é então adicionada, como na
filtração simples.

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EXPERIÊNCIA 02
RECRISTALIZAÇÂO

É o método mais comum de purificação de substâncias sólidas. O processo baseia-


se na diferença de solubilidade do sólido e das impurezas nele contida, em um solvente ou
mistura de solventes quente e frio.
Seleção do solvente
A seleção do solvente é a etapa mais importante na recristalização. O sólido a ser
purificado deve se dissolver totalmente no solvente quente e for pouco solúvel no solvente
à temperatura ambiente, assim, ao resfriar a solução, o sólido se recristaliza e é separado
por filtração.
Outros fatores como facilidade de manipulação, a volatilidade, a inflamabilidade e
outros, devem ser considerados na seleção do solvente. Na tabela abaixo, estão listados
os solventes mais freqüentemente empregados em recristalização.
Solventes comuns em recristalização
Solvente PE(° solvente PE
Acetato de etila etila C) 77,0 Etanol (°O 78
Acetona 56,5 Éter etílico ,5 34
Ácido acético 118, Éter de petróleo ,6 20
Agua 0 100, Metanol -90 64
Benzeno 0 80,1 Tetracloreto de ,7 76
diclorometano 39,8 carbono ,7

Durante as preparações, nem sempre são fornecidas informações a respeito do


solvente apropriado para a recristalização do produto obtido. Neste caso é recomendável
fazer testes em tubos de ensaio, com os solventes mais comuns. Observa-se a solubilidade
em diversos solventes a frio e a temperatura de ebulição, a formação dos cristais durante o
resfriamento e o volume de solvente necessário por grama de amostra a ser purificada. Às
vezes, uma mistura de dois solventes e mais conveniente. Isto é feito quando um dos
solventes dissolve bem o material a frio e o outro não, mesmo a quente.
Para que se possa fazer a mistura de solventes é necessário observar: os solventes
devem ser miscíveis em todas as proporções e compatíveis entre si e com o soluto.

Misturas de solventes mais usadas em recristalização


 Etanol + água  Benzeno +ligroína
 Éter + metanol  Ácido acético + água
 Metanol + água  Éter + acetona

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O par mais comum é etanol e água. A substância geralmente é bem solúvel em
etanol e pouco solúvel em água. A técnica consiste em aquecer o material a ser purificado
com o melhor solvente até a ebulição e adicionar lentamente o pior solvente, até aparecer
uma ligeira turvação. Adiciona-se, então uma pequena quantidade do melhor solvente,
obtendo-se uma solução límpida a quente.
Durante a solubilização do material a quente, é importante usar a menor
quantidade possível de solvente para diminuir as perdas do produto por solubilização.
Impurezas coloridas ou resinosas podem ser removidas pela adição de pequena
quantidade de carvão ativo à solução aquecida (em geral de 1 a 2% p/p) do material a ser
purificado. As impurezas adsorvidas na superfície das partículas de carvão são removidas
durante filtração.
Formação dos cristais- pode ocorrer de maneira espontânea ou induzida por meio
de agitação, resfriamento ou introdução de cristais da substância pura. O resfriamento
muito rápido induz a formação de cristais pequenos que podem adsorver impurezas
contidas na solução.
Regras para a recristalização passo a passo:
A. Dissolução
1. Encontrar um solvente onde a substância (soluto) seja pouco solúvel à
temperatura ambiente e muito solúvel à quente.
2. Aqueça o solvente até próximo do ponto de ebulição;
3. Dissolver o sólido num mínimo de solvente em ebulição;
4. Adicionar, se necessário, carvão ativado, CUIDADO!
5. Filtrar a solução quente através de um funil pré-aquecido com papel filtro
pregueado, a fim de remover as impurezas sólidas e o carvão.

OBS: Pode eliminar o passo 5 se:


i) Não tiver sido necessário adicionar carvão ativado ou
ii) Não existir impurezas sólidas.

6. Deixe a solução esfriar (não toque mais no frasco).


7. Se os cristais não aparecerem - siga para o item B Se os cristais aparecerem -
siga para o item C.

B. Induzindo ò cristalização, opções


i) Arranhar as paredes do Erlenmeyer com um bastão de vidro.
ii) Semear a solução (com cristais da mesma substância).
iii) Resfriar a solução em banho de gelo à ± 10 °C.

C. Coletando os cristais
1. Coletar os cristais usando um funil de Büchner.
2. Lavar os cristais com uma pequena porção de solvente frio.
3. Manter a sucção até que os cristais estejam secos.

D. Secando os cristais
1. Secar ao ar debaixo da bancada por 48 horas ou;
2. Usar uma estufa (se os cristais não sublimam ou fundem a esta temperatura) à
100 °C ou;
3. Usar um dissecador à vácuo (1 mmHg).

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Procedimento experimental
1) Adiciona-se 2,5 g de ácido benzóico impuro em 125 mL de água quente;
2) Aquecer até a completa dissolução;
3) Junta à solução pequena quantidade de carvão ativado;
4) Filtrar à quente;
5) Separar o filtrado em dois recipientes e identificá-los;
6) Deixar um dos recipientes em repouso (cristalização espontânea);
7) Induzir a cristalização na outra porção por agitação e resfriamento
(cristalização induzida)
8) Filtrar as duas porções, separadamente à pressão reduzida;
9) Comparar os tipos de cristais obtidos;
10) Determinar o ponto de fusão do produto recristalizado.(próxima experiência)

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EXPERIÊNCIA 03

DETERMINAÇÃO DO PONTO DE FUSÃO

Identificar um composto desconhecido pode ser uma tarefa tediosa. Ao identificar


um composto, um químico frequentemente mede várias propriedades físicas e observa
umas poucas propriedades químicas deste composto. A razão para se determinar várias
propriedades físicas e químicas dos compostos é devido à possibilidade de dois
compostos diferentes terem algumas propriedades químicas e físicas em comum; mas é
altamente improvável que dois compostos tenham quase todas propriedades químicas e
físicas idênticas.
Propriedades físicas úteis que frequentemente são utilizadas por químicos na
identificação de um composto orgânico incluem cor, odor, estado físico, ponto de fusão
(P.F.), densidade (d), ponto de ebulição (P.E.), índice de refração (nD), espectro na região
do infravermelho (IV), espectro de ressonância magnética nuclear (RMN) e espectro na
região do ultravioleta (UV).
Sólidos cristalinos são compostos de átomos, íons, ou moléculas num padrão
geométrico altamente ordenado (matriz cristalina). Os átomos, íons ou moléculas são
mantidos em suas posições por forças eletrostáticas, tipo forças de London e/ou dipolo-
dipolo. Quando um sólido puro cristalino é aquecido, os átomos, íons ou moléculas vibram
mais e mais rapidamente até que numa temperatura definida o movimento térmico das
partículas toma-se suficientemente grande para sobrepujar as forças de atração. Então os
átomos, íons ou moléculas entram um estado móvel mais casual, o estado líquido. O ponto
de fusão de um sólido é definido como a temperatura em que o líquido e a fase sólida
estão em equilíbrio.
Um sólido tem uma fusão bem definida se a faixa de ponto de fusão obtida varia
em torno de 0,5 - 1,0 °C. Um sólido puro apresenta uma fusão bem definida porque as
forças de atração entre suas partículas são as mesmas. Entretanto, a presença de uma
impureza numa matriz cristalina interrompe a sua estrutura uniforme e enfraquece as
forças de atração. Um sólido impuro funde em uma temperatura mais baixa e em uma
faixa mais ampla. Assim, o ponto de fusão de um sólido é útil tanto na identificação de
uma substância como também é uma indicação de sua pureza.
Suponha dois compostos A e B aparentemente idênticos, com pontos de fusão
similares de cerca de 131-132 °C. Nós podemos facilmente determinar se A e B realmente
são o mesmo composto misturando uma pequena quantidade de B com A (ou vice versa)
e determinando o ponto de fusão da mistura. (O ponto de fusão de uma mistura é
chamado de ponto de fusão misto). Se A e B são o mesmo composto, o ponto de fusão
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misto será o mesmo do ponto de fusão de A ou B puros. Se A e B não são o mesmo
composto, um agirá como uma impureza no outro e o ponto de fusão da mistura será mais
baixo e com uma faixa de fusão mais ampla (talvez 120-125 °C neste caso) do que o
ponto de fusão individual de A puro ou de B puro.

Durante a fusão, a temperatura permanece inalterada até que todo o sólido tenha
se convertido em líquido. No ponto de fusão a pressão de vapor do sólido é igual a
pressão de vapor da fase líquida. Uma substância orgânica pura possui, geralmente um
ponto de fusão bem definido, isto é, a fusão ocorre em uma faixa estreita de temperatura e
por isto, esta propriedade é bastante usada como critério de pureza de uma substância. A
presença de impurezas produz, na maior parte dos casos, um alargamento na faixa de
fusão, além de abaixar a temperatura de fusão.
O ponto de fusão pode ser determinado com grande precisão mesmo com
aparelhos muito simples. A exatidão na determinação de ponto de fusão está
estreitamente relacionada com a precisão do termômetro utilizado. É importante que a
amostra esteja criteriosamente seca para a determinação confiável de seu ponto de fusão.
A determinação do ponto de fusão de uma substância pode ser efetuada no
laboratório, em tubos capilares, utilizando um tubo Thiele como banho de aquecimento
(figura abaixo). A amostra a ser analisada é colocada em um tubo capilar preso ao
termômetro por meio de um anel de borracha. A amostra deve estar próxima ao bulbo do
termômetro.

Procedimento experimental
1. Preencher um capilar (com uma das extremidades fechada) com a amostra
pulverizada, de modo a ter 2 a 3 mm de material nos capilares.
2. Compactar o material com o auxilio de uma vara de vidro.
3. Encher o tubo Thiele com glicerina (usando um funil de haste longa) até a

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metade do "pescoço" do tubo (nujol ou silicone pode ser usado).
4. Fixar o capilar no termômetro usando um elástico de látex (Veja figura).
5. Mergulhar o termômetro/capilar no banho de glicerina, de modo a que a porção
final do capilar fique fora do banho.
5. Fixar a posição do termômetro com auxílio de uma rolha com a lateral cortada
em V (veja figura).
6. Começar a aquecer o sistema usando chama azul no Bunsen. A temperatura
deve subir rapidamente.
7. Quando faltar 10-15 °C para o p.f. da substância, iniciar um aquecimento brando
(chama amarela) na taxa de 1°C/min.
8. Registrar a faixa de fusão da amostra.
UM BOM PONTO DE FUSÃO TEM UM INTERVALO DE FUSÃO (início - fim) de
até 2 °C. Obs. Para amostras desconhecidas é conveniente fazer uma determinação
preliminar rápida, anotando a faixa de fusão aproximada. Em seguida determina o p.f.
como descrito acima.
DECANTAÇÃO
Consiste na separação de líquidos não miscíveis (imiscíveis) ou excepcionalmente,
de líquidos com mistura com sólido. " Os líquidos não podem reagir entre si, e sendo
imiscíveis, apresentem densidades diferentes.
• A decantação de líquido-líquido é feita nos funis de decantação ou de separação.
• A decantação é realizada, colocando-se a o material no funil, agitando-o quando
se tratar de extração por solventes. Espera-se definir as fases, coletando-as
separadamente.
•Em alguns casos, aconselha-se proceder à agitação com o funil invertido,
mantendo-se a torneira aberta ou abrindo-a de vez em quando, para aliviar a pressão;

Funil de separação

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EXPERIÊNCIA 04

DESTILAÇÃO

A destilação tem por objetivo a separação de líquidos volátil de unia substância não
volátil ou, mais usualmente, a separação de dois líquidos de diferentes pontos de ebulição.
A destilação é um processo físico de separação que consiste basicamente na vaporização
de um líquido por aquecimento, seguida da condensação do vapor formado, Os principais
tipos de destilações são: destilação simples, (racionada, a pressão reduzida e com arraste
de vapor.
O ponto de ebulição pode ser definido como sendo a temperatura na qual a
pressão de vapor de um líquido é igual a pressão exercida sobre a superfície do mesmo.
Chama-se ponto de ebulição normal a temperatura em que um líquido passa ao estado
gasoso à pressão de 1 atm (760 mmHg).
O ponto de ebulição das substâncias, a uma dada pressão, é sempre o mesmo e
se mantém constante durante a ebulição, enquanto o das misturas varia dentro de um
intervalo de temperatura que depende da natureza e proporção entre os seus
constituintes.

1 - Destilação simples

A destilação simples é uma das operações mais comuns na purificação de líquidos


e consiste, basicamente, na vaporização de um líquido por aquecimento seguida da
condensação do vapor formado. Quando uma substância pura é destilada à pressão
constante, a temperatura do vapor permanece constante durante toda a destilação. O
mesmo comportamento é observado com misturas contendo um líquido e uma impureza
não-volátil, uma vez que o material condensado não está contaminado pela impureza,
entretanto, vale ressaltar que esta técnica só é eficiente na separação de líquidos com
pontos de ebulições muito afastados.(Ex: água e éter).

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2 - Destilação fracionada

Destina-se à separação de líquidos miscíveis entre si, com pontos de ebulição


próximos (ex: água e álcool).
Para esse experimento utilizaremos os seguintes materiais :
Manta elétrica , condensador , mangueira , béquer ou erlenmeyer , balão de destilação ,
mistura de álcool e água , termômetro . Exemplo de aparelhagem para destilação
fracionada.
Na destilação fracionada adapta-se uma coluna de fracionamento (coluna de
Vigreaux. Hempel, etc.) entre o condensador e o balão de destilação. A função dessa
coluna e proporcionar em uma única destilação, uma serie de micro destilações
sucessivas, de tal modo que, pela extremidade conectada ao condensador saiam
somente vapores do líquido comendo o componente mais volátil.
O funcionamento da aparelhagem para destilação fracionada é o seguinte:
Utilizando uma coluna de fracionamento como a da figura abaixo, é necessário levar
alguns fatores em consideração . Nesta aparelhagem só há uma passagem para o vapor
passar , quando ele é formado no balão volumétrico , ele passa pelo condensador reto
onde é resfriado pela passagem de água corrente que está com temperatura inferior, se
condensa transformando em líquido que é recolhido no béquer ou erlenmeyer . Serão
montados os equipamentos com o objetivo de compor um sistema de destilação . Em
seguida , inicia-se o aquecimento da manta , e deve-se atentar à indicação do termômetro
que até 78,85 °C o líquido que deverá estar completamente evaporado é o álcool por ser
mais volátil , ou seja por ter um P.E menor evapora-se mais facilmente do que a água . A
partir dessa temperatura o béquer ou erlenmeyer deve ser trocado , pois à temperatura de
96 ° C a água entra em ebulição . Portanto as duas misturas homogêneas estarão
separadas.

20
3- Destilação a pressão reduzida

O ponto de ebulição de um líquido é a temperatura em que a sua pressão de vapor


é igual à pressão externa. Se baixarmos artificialmente a pressão sobre o líquido, este
entra em ebulição a uma temperatura menor do que a do ponto de ebulição normal. Esta
propriedade é bastante utilizada na purificação de líquidos de ponto de ebulição elevado
ou de líquidos que se decompõem a temperaturas elevadas.

Notas:

1) toda a aparelhagem para destilação a pressão normal deve estar aberta para a
atmosfera, a fim de evitar aumento de pressão do sistema com o aquecimento;
2) deve-se encher o balão até o máximo de 2/3 de sua capacidade. Se o balão
estiver muito cheio, pode ocorrer arraste mecânico do líquido a se destilar, contaminando o
destilado. Se o balão estiver muito vazio (menos de ½ de sua capacidade) ocorrerão
perdas desnecessárias devido ao grande volume que o vapor deve ocupar para encher o
balão;
3) Não aquecer até a secura se estiver utilizando bico de Bunsen, para não ocorrer
risco de quebra do balão;
4) a água no condensador deve fluir sentido contrário à corrente dos vapores para

21
evitar choque térmico;
5) quando houver necessidade de proteger o sistema da unidade do ar, é
aconselhável adaptar à saída lateral um tubo de secagem (CaCI2);
6) o superaquecimento da massa líquida poderá resultar em uma ebulição
tumultuosa, que pode ser evitada, adicionando-se à mistura, ainda iria algumas pedras
porosas (pedra-pomes, porcelana, pérolas de vidro). Neste caso, bolhas de ar contidas
nas pedras porosas são eliminadas pelo aquecimento, as quais, devido a um aumento da
pressão interna, vencem a pressão da coluna do líquido, sendo assim expelidas e
rompendo tensão superficial;
7) a destilação em temperaturas superiores a 140 -150 °C é normalmente concluída
com condensador refrigerado a ar. Não se utiliza condensador refrigerado a água para
evitar quebrado condensador, devido ao choque térmico decorrente da diferença de
temperatura entre o vapor do destilado com a água corrente;
8) controlar o aquecimento de modo que o líquido destile a uma velocidade
constante (cerca de 1 gota por segundo).

22
EXPERIÊNCIA 05

DESTILAÇÃO COM ARRASTE DE VAPOR

Devido a utilização crescente nas indústrias de alimentos, cosméticos e


farmacêutica, o cultivo de espécies aromáticas e a obtenção de óleos voláteis constituem
importantes atividades econômicas. Plantas de várias famílias são reconhecidamente
acumuladoras de óleos voláteis. tais como varias espécies das famílias Astereaceae,
Apiaceae, Lamiaceae, Piperaceae, entre outras.
Os óleos voláteis podem estar estocados em certos órgãos, tais como nas flores
(laranjeira, bergamoteira). folhas (capim-limão, eucalipto, louro) ou ainda nas cascas dos
caules (canelas), madeira (pau-rosa, sândalo), rizomas (gengibre), frutos (erva-doce), ou
sementes (noz-moscada). Devido a sua volatilidade ele escapa pelos poros das vesículas
perfumando o ambiente. Dentre os óleos mais importantes, podemos destacar os de:
eucalipto, canela, hortelã, jasmim, lavanda, limão, rosa, cravo, entre outros.
Os métodos mais comuns de extração de óleos voláteis de plantas são a
prensagem, a destilação por arraste vapor d'água, extração com solventes e extração com
CO2 supercrítico.
Quando um óleo volátil é extraído por arraste de vapor d'água este óleo é chamado
de óleo essencial. Quimicamente, a grande maioria dos óleos voláteis é constituída de
derivados fenilpropanóides ou de terpenoides, sendo que esses últimos preponderam.
A destilação com arraste de vapor é bastante utilizada na purificação de
substâncias que decompõem a temperaturas elevadas, pode também ser utilizada na
separação de uma substância de uma mistura reacional que contem substâncias não
voláteis. .
Esta destilação é usualmente empregada na purificação de substâncias orgânicas
voláteis e imiscíveis com a água. Esta operação envolve co-destilação da substância a
purificar com a água, e tem como principal vantagem o fato da mistura entrar em ebulição
a uma temperatura inferior a ponto de ebulição da água.
De acordo com a Lei de Dalton sobre as pressões parciais dos gases, num sistema
contendo vapores imiscíveis, cada componente exerce sua pressão de vapor,
independentemente dos outros componentes presentes. Portanto, a pressão de vapor total
sobre a mistura é igual à soma das pressões de vapor de cada componente.
PT = P1 + P2 + ...Pn.

Se uma mistura de dois líquidos for destilada o ponto de ebulição será a temperatura na
qual a soma das pressões de vapor é igual à da atmosfera. Essa temperatura será menor

23
do que o ponto de ebulição do componente mais volátil. Exemplo: anilina PE = 184 °C,
água PE = 100°C, temperatura de ebulição da mistura c igual a 98,5 °C, quando a
pressão de vapor da água é igual a 717 mmHg e da anilina 43 mmHg.
Os fármacos de origem natural tem grande importância na medicina moderna. O
último estudo detalhado sobre o uso de produtos naturais na medicina constatou que
cerca de 25% das prescrições medicas eram de medicamentos que apresentavam
princípios ativos obtidos de vegetais superiores. A destilação com arraste de vapor é
amplamente utilizada na obteção de fármacos de fontes naturais.
O óleo de cravo-da-índia ó obtido por destilação por arraste dos botões
dessecados da Syzgium aromaticum (L.) Merr. Et. L. M. Perry. O principal componente é o
eugenol (70 a 95 %), além do acetato de eugenol, p-cariofileno(5 a 8 %) e vários outros
componentes de estruturas menores. E classificado como aromatizante e possui
propriedades anti-sépticas, contra-irritante e carminativas.

OCH3
OCH,

Eugenol Acetato de eugenol Beta-cariof ileno

I. MATERIAL E REAGENTES:
- Balão de 125 250 e 500 mL - Rolhas de cortiça
- Condensador de Liebig - Tela de amianto
- Erlenmeyer de 125 e 250 mL - Funil
- Funil de separação de 125 mL - Manta elétrica
- Cravos da Índia - Pedras de porcelana
- Anel de ferro - Tripé de ferro
- Bico de Bunsen - Tubos de vidro
- Furador de rolhas - Algodão

Procedimento experimental

Triturar o material vegeta! em geral de porcelana e colocá-los em um balão bitubular


de 500 mL (balão B), adicionar água até cobri-los. No outro balão (A), colocar água para
aquecer (gerador de vapor). Aquecer os balões. Quando estiver destilando apenas água,
retirar a rolha do frasco gerador de vapor e interromper o aquecimento. Se este cuidado
não for tomado, pode haver refluxo do material do balão B para o balão A. Transferir o
24
destilado para um funil de separação. Extrair com acetato de etila. Coletar a fase orgânica.
Secar com sulfato de sódio anidro. Evaporar o acetato de etila em banho-maria.
Montar a aparelhagem conforme figura abaixo.

Aparelhagem para destilação por arraste de vapor

25
EXPERIÊNCIA 06

EXTRAÇÃO COM SOLVENTE

A química lida fundamentalmente com misturas, que então podem ser heterogêneas
ou homogêneas. As misturas homogêneas são chamadas soluções. O processo de
extração, ou seja, a separação, com solventes é geralmente empregada quando se quer
isolar uma substância que se encontra dissolvida em outra substância líquida. Às vezes, a
substância a isolar está misturada com um sólido insolúvel nos solventes orgânicos. O
processo também é empregado quando se querem afastar de uma substância as
impurezas nela contidas. Uma operação bastante comum nos laboratórios consiste em
extrair uma substância orgânica de uma solução aquosa usando um solvente orgânico que
não se misture com a água. A substância, em presença de dois solventes, se distribui neles
em quantidades que permanecem constantes, a uma temperatura constante. Chamando de
Ca e Cb as concentrações da substância nos dois meio, tem-se:
Ca / Cb = K.

A constante K é denominada coeficiente de partição, que expressa à relação entre


as quantidades dissolvidas da mesma substância na mesma quantidade dos dois
solventes. Sendo as substâncias orgânicas geralmente mais solúveis em solventes
orgânicos do que em água, podem ser extraídos desta última.
Existem duas técnicas de extração: contínua ou descontínua. Se a substância for
mais solúvel no solvente orgânico do que na água, recorre-se ao método descontínuo.
Caso contrário, utiliza-se o método contínuo. A escolha do solvente é feita a partir da
facilidade de dissolução da substância e da facilidade com que se pode isolar o soluto
extraído, isto é, do baixo ponto de fusão do solvente para sua posterior evaporação.

A) O método descontínuo:
Nesse método não é conveniente separar as substâncias da mistura com muito
solvente de uma só vez. O melhor é repetir a operação várias vezes com pequenas
porções do solvente, sempre puro, pois isso garante resultados finais muito mais rendosos.
É também freqüente recorrer à característica que muitas substâncias orgânicas possuem
de diminuir a própria solubilidade em água quando existem na solução sais inorgânicos. É
chamado efeito de salgadura. Com isso reduz-se bastante as perdas do solvente na
extração.
A extração é feita da seguinte maneira: no funil em suporte introduzem-se
26
quantidades iguais da solução e do solvente (como exemplo usará o clorofórmio, mais
denso que a água). Inicialmente, pode-se perceber uma nítida divisão entre a solução
(previamente corada) e o solvente incolor. Retira-se então o funil do suporte e agita-se até
que o soluto passe também para o clorofórmio. Recoloca-se o funil no suporte, permitindo
que as duas camadas se separem novamente. Como o soluto é mais solúvel no solvente
orgânico, este fica mais escuro, pois está mais concentrado com o soluto. Em seguida
abre-se a torneira e deixa-se escoar a primeira porção (a do clorofórmio) em um
erlenmeyer ou béquer. A solução que restou é novamente extraída. Geralmente bastam,
em média, três extrações. As frações orgânicas são reunidas e em seguida evaporadas, de
maneira que o soluto seja isolado.

Figura 2: três soluções de líquidos imiscíveis sendo separadas em um funil de separação.

27
PROCEDIMENTO EXPERIMENTAL

6.1 - EXTRAÇÃO DESCONTÍNUA:


Pese 1,0 g de cada um dos seguintes compostos: naflaleno, B-naftol, ácido
benzoico p-nitroanilina.
Junte os quatro compostos cm um Erlenmeyer e dissolva em 100mL de éter etílico.
Transfira a solução etérea para um funil de separação e extraia com soluções aquosas na
ordem descrita abaixo, mantendo a solução etérea no funil (nota: durante o processo de
extração abra a torneira do funil de separação periodicamente, permitindo a equiparação de
pressão).
i

3.1.1- Extrair com HCI 10% (3x) usando porções de 30 mL. Combinar as frações
aquosas e neutralizar com NaOH (conc.). Recuperar o precipitado por filtração a vácuo.
Qual o composto isolado?

3.1.2- Extrair com NaHCO3 10% (3x) usando porções de 30 mL. Combinar as
frações aquosas e neutralizar, vagarosamente, com HCl concentrado e com agitação
branda. Recuperar o precipitado por filtração a vácuo. Que composto foi extraído?

3.1.3- Extrair com NaOH 10% (3x), com porções de 30 mL. Combinar as frações
aquosas, neutralizar com HCI concentrado. Recuperar o precipitado por filtração a vácuo.
Que composto foi extraído agora? •

3.1.4- Remover a solução etérea do funil de separação, lavar com II2O, secar com
Na2SO4, filtrar para um balão ou Erlenmeyer e evaporar o éter cm um evaporador rotatório
ou em banho-maria. Que composto foi recuperado na fase etérea?

3.1.5- Secar os produtos sólidos entre papéis de filtro e depois em dessecador a


vácuo. Pesar todos os compostos e calcular a porcentagem de material recuperado.
Determinar o ponto de fusão de cada sólido.

ETAPA 1 ETAPA 2 ETAPA 3 ETAPA 4


COMPOSTO EXTRAÍDO
MASSA (G)
RENDIMENTO (%)
P.F. (°C)

28
6.2 CONTÍNUO.

Quando o composto orgânico é mais solúvel em água do que no solvente orgânico,


(isto é, quando o coeficiente de distribuição entre solvente orgânico e água é pequeno), são
necessárias grandes quantidades de solvente orgânico para se extrair pequenas
quantidades da substância. Isto pode ser evitado usando o Extrator tipo Soxhlet (Figura 3),
aparelho comumente usado para extração contínua com um solvente quente. Neste
sistema apenas uma quantidade relativamente pequena de solvente é necessária para uma
extração eficiente.

A amostra deve ser colocada no cilindro poroso A (confeccionado) de papel filtro


resistente, e este, por sua vez, é inserido no tubo interno do aparelho Soxhlet. O aparelho
é ajustado a um balão C (contendo um solvente como n-hexano, éter de petróleo ou
etanol) e a um condensador de refluxo D.
A solução é levada à fervura branda. O vapor do solvente sobe pelo tubo E,
condensa no condensador D, o solvente condensado cai no cilindro A e lentamente enche
o corpo do aparelho. Quando o solvente alcança o topo do tubo F, é sifonado para dentro
do balão C, transpondo assim, a substância extraída para o cilindro A. O processo é
repetido automaticamente até que a extração se complete. Após algumas horas de
extração, o processo é interrompido e a mistura do balão é destilada, recuperando-se o
solvente.
2- METODOLOGIA

Neste experimento será separada uma mistura de quatro compostos orgânicos:


naflaleno, B-naflol, ácido benzoico e p - nitroanilina, usando solventes reativos. A p-
nitroanilina pode ser removida da fase etérea por extração, com uma solução aquosa de
ácido clorídrico, a qual converte a base no seu respectivo sal. O ácido benzoico poderá ser
extraído da fase etérea com adição de solução aquosa de bicarbonato de sódio. O β-naflol,
por ser menos ácido que o ácido benzoico, poderá ser extraído com solução aquosa de
hidróxido de sódio.
Através da técnica de extração contínua usando extrator tipo Soxhlet, o qual permite
o uso do solvente quente, extrair-se-á a clorofila de folhas verdes de uma planta qualquer.
O solvente extrator será o etanol.

29
3 – Procedimento Experimental

Coloque 10 g de folhas verdes no cilindro poroso de papel filtro e insira-o no


aparelho Soxhlet. Utilize cerca de 200 mL de solvente (etanol, n-hexano, éter de petróleo)
para a extração, refluxando por 2 – 3 horas. Em seguida, interrompa o processo, retire todo
o solvente por evaporação, seque o material e pese a massa de extrato bruto obtida.

30
4- QUESTIONÁRIO

1- Qual o princípio básico do processo de extração com solventes?


2- Por que a água é geralmente usada como um dos solventes na extração líquido-líquido?
3- Quais as características de um bom solvente para que possa ser usado na extração de
um composto orgânico em uma solução aquosa?
4- Qual fase (superior ou inferior) será a orgânica se uma solução aquosa for tratada
com:
a) éter etílico b) clorofórmio c) acetona d) n-hexano e)
benzeno
5 - Como funciona um extrator do tipo Soxhlet?

31
EXPERIENCIA- 07

EXTRAÇÃO DA CAFEÍNA
I - INTRODUÇÃO
Alcaloides são substâncias orgânicas nitrogenadas de caráter básico, geralmente de
origem vegetal, e que provocam eleitos fisiológicos característicos nos organismos
humanos. Nem todas as substâncias classificadas como alcaloides obedecem
rigorosamente a todos os itens desta definição; por exemplo, o alcaloide da pimenta
(piperina) não é básico, mas tem acentuada ação fisiológica. Do ponto de vista químico, os
alcaloides não constituem um grupo homogêneo de substâncias. Quase todos, porém,
apresentam estrutura química derivada de um composto heterocíclico. Uma classificação
química de alcaloides baseia-se na estrutura deste heterocíclico: alcaloides da piridina (cx.:
nicotina) da xantina (cx.: cafeína), da quinolina, do pirrol, do indol, da piperidina, etc.

Certas famílias vegetais são particularmente ricas em alcaloides, por exemplo, as


rubiáceas (café) e as solanáceas (fumo).
A cafeína (1,3,7-Trimetilxantina, 1) pertence à família dos alcaloides xantínicos
(Figura 1).

A cafeína foi isolada do café por Runge cm 1820 e do chá preto por Oudry-em 1827.
Ela é encontrada ainda no guaraná, erva-mate e em outros vegetais, e é responsável pelo
efeito estimulante de bebidas como chá e café e de refrigerantes como Coca-Cola e Pepsi-
Cola. É também um dos princípios ativos de bebidas ditas "energéticas" (Red Buli, Power
Flash, ele.).
A cafeína provoca um efeito pronunciado no sistema nervoso central (SNC), mas
nem todos os derivados xantínicos são efetivos como estimulantes do SNC. A teobromina
(4, Figura 1), uma xantina encontrada no cacau, possui pouco efeito no SNC, porém 6 um
forte diurético é utilizada em medicamentos para tratar pacientes com problemas de
retenção de água. A teofilina (3), encontrada no chá junto com a cafeína, também tem

32
pouca ação no SNC, mas é um forte estimulante do miocárdio, relaxando a artéria
coronária, que fornece sangue ao coração. Promove a hidrólise do sal de cafeína-tanino,
aumentando assim o rendimento de cafeína extraída.
A cafeína entra na composição de diversas especialidades analgésicas, antipiréticas
e antigripais, associada com ácido acetil salicílico, paracetamol, codeína e com
diidroergotamina, no alívio ou abortamento de crises de enxaqueca. A cafeína como
fármaco isolado tem sido utilizada como sonolítico, antienxaquecoso, na depressão
respiratória em neonatos, na hipotensão pós-prandial.
Bebidas contendo cafeína ou preparados as bases de guaraná são amplamente
utilizados na medicina popular como estimulantes, tônicos e revigorantes.
A toxicidade e os efeitos adversos da cafeína têm sido objeto de intensos estudos.
A dose letal é estimada em 5 a 10 g para um adulto, mas casos de intoxicação fatal são
raros. Efeitos indesejáveis agudos ocorrem a partir de l g. Entre eles, dores de cabeça,
nervosismo, cansaço, excitação, taquicardia, diurese, face vermelha, alterações cognitivas
e contração muscular.

3- PROCEDIMENTO EXPERIMENTAL

Em um Erlenmeyer de 250 mL coloque 15,0 g de chá preto, 150 mL de água e 7,0


g de carbonato de cálcio! Ferva a mistura com agitação ocasional por 20 minutos, filtre a
mistura quente em Buchner e esfrie o filtrado a 10 -15°C.
Transfira o filtrado para um funil de separação e extrair a cafeína com 4 porções de
20 m L de cloreto de metileno (extração múltipla com agitação suave para evitar a
formação de emulsão). Destile o solvente com um aparelho de destilação simples até que
se obtenha um volume de 5-7 mL no balão. Transfira então o extraído concentrado para
um béquer e evapore o restante do solvente em banho de vapor ate a secura. Pese o
resíduo esverdeado de cafeína bruta e calcule a percentagem de alcaloide no chá. O
resíduo pode ser recristalizado, dissolvendo-o em 5 m L de tolueno a quente e adicionando
algumas gotas de éter de petróleo (p. c. 60-80°C) ate formar o precipitado. Determine o
ponto de fusão do cristal e compare-o com o descrito na literatura.

4- QUESTIONÁRIO

1-O que é um alcaloide?


2- Por que os alcaloides geralmente apresentam caráter básico?
3- Por que a maioria dos alcaloides é extraída das plantas com uma solução aquosa ácida?
4- Por que a cafeína é extraída com uma solução aquosa básica?
5- Explique a técnica de recristalização usada nesta experiência:

33
6- Quais as estruturas dos heterociclico: piridina, piperidina, pirrol, quinolina, indol e
xantina?
7- Apesar de existirem alcaloides de origem animal (por cx., nos venenos de alguns
animais peçonhentos), a vasta maioria dos alcaloides é encontrada em vegetais. Sugira
razões para este fato (ou seja, por que as plantas sintetizam alcaloides?):
8- Discuta sobre a metodologia de isolamento de um produto natural a partir de plantas,
que foi utilizado neste experimento. Ela pode ser considerada geral? Quais as dificuldades
encontradas? Quais as vantagens desse método?
9- Discuta a porcentagem de cafeína bruta isolada e de cafeína após a recristalização.
Levando-se em conta que as plantas produzem milhares de compostos diferentes, o que
você conclui a respeito da quantidade de cafeína presente no chá preto?
10 – Cite exemplos de alguns alcaloides extraídos de plantas, correlacionando-os com as
respectivas atividades biológicas:

34
EXPERIENCIA - 08
CROMATOGRAFIA - CCD

Cromatografia é uma técnica utilizada para analisar, identificar ou separar os


componentes de uma mistura. A cromatografia é definida como a separação de dois ou
mais compostos diferentes por distribuição entre fases, uma das quais é estacionária e o
outro móvel.

A mistura é adsorvida em uma fase fixa, e uma fase móvel "lava" continuamente a
mistura adsorvida. Pela escolha apropriada da fase fixa e da fase móvel, além de outras
variáveis, pode-se fazer com que os componentes da mistura sejam arrastados
ordenadamente. Aqueles que interagem pouco com a fase fixa são arrastados facilmente e
aqueles com maior interação ficam mais retidos.

Os componentes da mistura adsorvem-se com as partículas de sólido devido à


interação de diversas forças intermoleculares. O composto terá uma maior ou menor
adsorção, dependendo das forças de interação, que variam na seguinte ordem: formação
de sais > coordenação > pontes de hidrogênio > dipolo-dipolo > Van der Waals.

Dependendo da natureza das duas fases envolvidas têm-se diversos tipos de


cromatografia:

sólido-líquido (coluna, camada fina, papel);

líquido-líquido;

gás-líquido.

8.1 CROMATOGRAFIA EM CAMADA DELGADA:

A cromatografia em camada fina (ou delgada) é uma técnica simples, barata e muito
importante para a separação rápida e análise quantitativa de pequenas quantidades de
material. Ela é usada para determinar a pureza do composto, identificar componentes em
uma mistura comparando-os com padrões; acompanhar o curso de uma reação pelo
35
aparecimento dos produtos e desaparecimento dos reagentes e ainda para isolar
componentes puros de uma mistura.

Na cromatografia de camada delgada a fase líquida ascende por uma camada fina
do adsorvente estendida sobre um suporte. O suporte mais típico é uma placa de vidro
(outros materiais podem ser usados).

Sobre a placa espalha-se uma camada fina de adsorvente suspenso em água (ou
outro solvente) e deixa-se secar. A placa coberta e seca chama-se "placa de camada fina".
Quando a placa de camada fina é colocada verticalmente em um recipiente fechado (cuba
cromatográfica) que contém uma pequena quantidade de solvente, este eluirá pela camada
do adsorvente por ação capilar.

Figura 2: Cromatografia em camada delgada.

A amostra é colocada na parte inferior da placa, através de aplicações sucessivas


de uma solução da amostra com um pequeno capilar. Deve-se formar uma pequena
mancha circular. À medida que o solvente sobe pela placa, a amostra é compartilhada
entre a fase líquida móvel e a fase sólida estacionária. Durante este processo, os diversos
componentes da mistura são separados. Como na cromatografia de coluna, as substâncias
menos polares avançam mais rapidamente que as substâncias mais polares. Esta
diferença na velocidade resultará em uma separação dos componentes da amostra.
Quando estiverem presentes várias substâncias, cada uma se comportará segundo suas
propriedades de solubilidade e adsorção, dependendo dos grupos funcionais presentes na
sua estrutura (Figura 2).

Depois que o solvente ascendeu pela placa, esta é retirada da cuba e seca até que
36
esteja livre do solvente. Cada mancha corresponde a um componente separado na mistura
original. Se os componentes são substâncias coloridas, as diversas manchas serão
claramente visíveis. Contudo, é bastante comum que as manchas sejam invisíveis porque
correspondem a compostos incolores. Para a visualização deve-se "revelar a placa". Um
método bastante comum é o uso de vapores de iodo, que reage com muitos compostos
orgânicos formando complexos de cor café ou amarela. Outros reagentes para visualização
são: nitrato de prata (para derivados halogenados), 2,4-dinitrofenilidrazina (para cetonas e
aldeídos), verde de bromocresol (para ácidos), ninhidrina (para aminoácidos), etc.

Um parâmetro frequentemente usado em cromatografia é o "índice de retenção" de


um composto (Rf). Na cromatografia de camada fina, o Rf é função do tipo de suporte (fase
fixa) empregado e do eluente. Ele é definido como a razão entre a distância percorrida pela
mancha do componente e a distância percorrida pelo eluente.

Portanto:

Rf = dc / ds

Onde:

dc = distância percorrida pelos componentes da mistura.


ds = distância percorrida pelo eluente.

Quando as condições de medida forem completamente especificadas, o valor de Rf


é constante para qualquer composto dado e correspondente a uma propriedade física. Este
valor deve apenas ser tomado como guia, já que existem vários compostos com o mesmo
Rf.

Sob uma série de condições estabelecidas para a cromatografia de camada fina, um


determinado composto percorrerá sempre uma distância fixa relativa à distância percorrida
pelo solvente. Estas condições são:

1- sistema de solvente utilizado;


2- adsorvente usado;
3- espessura da camada de adsorvente;
4- quantidade relativa de material.

37
1.1.1- METODOLOGIA PARA CCD
Na aula de hoje serão apresentadas as técnicas básicas para o desenvolvimento de
cromatografia em camada delgada.
Na cromatografia em camada delgada (CCD) serão analisadas e identificados os
componentes coloridos extraídos de folhas verdes (clorofila A e B ) e os da cenoura (β –
caroteno) assim como os componentes de uma droga analgésica, comparando-os com
padrões. Será ainda estudado o efeito do solvente no valor do Rf para os compostos β –
Naftol e p – toluidina.

1.1.2 - PROCEDIMENTO EXPERIMENTAL

CROMATOCRAFIA EM CAMADA DELGADA:


1.1.2.1. PREPARAÇÃO DAS PLACAS CROMATOCRÁFICAS: Prepare duas
placas para cromatografia em camada fina a partir de lâminas de vidro de microscópio.
Agite com um bastão de vidro uma suspensão espessa de sílica em tetracloreto de
carbono em um bequer de 50 mL. Quando a pasta resultante estiver homogénea
mergulhe na mistura as duas placas juntas, face a face, por um a dois segundos, retire-
as e deixe-as secar ao ar.

1.1.2.2 - SEPARAÇÃO DOS COMPONENTES DE UMA MISTURA: Com um


capilar, semeie duas manchas a 1 cm da base da placa e separadas entre si; uma de
extrato de folhas verdes e outra de extrato de cenoura. Coloque então a placa em uma
cuba cromatográfica contendo o eluente (acetato de etila : éter de petróleo 2:3). O nível
de eluente deve estar abaixo do nível das manchas na placa.
Após a eluição deixe secar a placa. O β-caroteno (polieno isolado da cenoura)
aparece como uma mancha amarela próxima ao topo da placa; as clorofilas A e B
aparecem como manchas verde oliva e verde azulada, respectivamente. Calcule os
R f.
1.1.2.3 - EFEITO DO SOLVENTE NO VALOR DE Rf: Em uma placa de sílica gel
ativada aplique, com ajuda de um capilar, uma solução diluída de β -naflol e outra de
p - toluidina (use cloreto de metileno ou éter como solvente) e deixe desenvolver o
cromatograma usando com eluente os seguintes solventes (faça uma placa para cada
eluente):
a) clorofórmio puro.
b) clorofórmio contendo 25% de acetato de etila.
c) clorofórmio contendo 50% de acetato de etila.

Após o solvente atingir o topo da placa, retire a placa da cuba, evapore o solvente
na capela e coloque-a numa atmosfera de iodo para revelara manchas das substâncias.
Calcule o Rf para cada amostra em cada mistura de solvente. Qual é o efeito causado
38
sobre o Rf pelo aumento da proporção do acetato de etila na mistura de solvente
utilizado?

1.1.2.4- ANÁLISE DOS COMPONENTES DE UM ANALGÉSICO: Pegue 3 tubos de


ensaio. No primeiro, coloque o comprimido da amostra. No segundo, coloque ácido
acetilsalicílico e no terceiro tubo coloque a cafeína. Nos 3 tubos, coloque 2,5 mL de
metanol, macere o sólido e agite crida tubo por 3-5 minutos. Em seguida, filtre e despreze
o sólido. Com a ajuda de um tubo capilar, aplique a uma distância de 1cm uma da outra as
três soluções metanóicas em duas placas cromatográficas distintas. Dependendo da
concentração desta solução, duas ou três aplicações serão suficientes.
Prepare a seguir dois sistemas de eluentes: i) acetona : clorofórmio 1:1 c ii) tolueno
: clorofórmio : ácido acético glacial : metanol 12:5:1,8:0,1.
Prepare duas cubas cromatográficas, uma para cada sistema de eluentes. Coloque cada
placa cromatográfica dentro de uma cuba. Após a diluição, retire as placas da cuba. Deixe-
as secar. Após a secagem, coloque-as em uma atmosfera de iodo para revelar as
manchas. Em 1-3 minutos, aparecerão manchas amareladas sobre as placas. Remova
então as placas de dentro da cuba de iodo, contornando cada mancha com o tubo capilar.
Calcule o Rf.

39
EXPERIENCIA - 09
9.1 CROMATOGRAFIA EM COLUNA:

A cromatografia em coluna é uma técnica de partição entre duas fases, sólida e


líquida, baseada na capacidade de adsorção e solubilidade. O sólido deve ser um material
insolúvel na fase líquida associada, sendo que os mais utilizados são a sílica gel (SiO2) e
alumina (Al2O3), geralmente na forma de pó. A mistura a ser separada é colocada na
coluna com um eluente menos polar e vai-se aumentando gradativamente a polaridade do
eluente e consequentemente o seu poder de arraste de substâncias mais polares. Uma
sequência de eluentes normalmente utilizada é a seguinte: éter de petróleo, hexano, éter
etílico, tetracloreto de carbono, acetato de etila, etanol, metanol, água e ácido acético.

O fluxo de solvente deve ser contínuo. Os diferentes componentes da mistura


mover-se-ão com velocidade distintas dependendo de sua afinidade relativa pelo
adsorvente (grupos polares interagem melhor com o adsorvente) e também pelo eluente.
Assim, a capacidade de um determinado eluente em arrastar um composto adsorvido na
coluna depende quase diretamente da polaridade do solvente com relação ao composto.

À medida que os compostos da mistura são separados, bandas ou zonas móveis


começam a ser formadas; cada banda contendo somente um composto. Em geral, os
compostos apolares passam através da coluna com uma velocidade maior do que os
compostos polares, porque os primeiros têm menor afinidade com a fase estacionária. Se o
adsorvente escolhido interagir fortemente com todos os compostos da mistura, ela não se
moverá. Por outro lado, se for escolhido um solvente muito polar, todos os solutos podem
ser eluídos sem serem separados. Por uma escolha cuidadosa das condições,
praticamente qualquer mistura pode ser separada (Figura 1).

40
Figura 1: Cromatografia em coluna.

Outros adsorventes sólidos para cromatografia de coluna em ordem crescente de


capacidade de retenção de compostos polares são: papel, amido, açucares, sulfato de
cálcio, sílica gel, óxido de magnésio, alumina e carvão ativo. Ainda, a alumina usada
comercialmente pode ser ácida, básica ou neutra. A alumina ácida é útil na separação de
ácidos carboxílicos e aminoácidos; a básica é utilizada para a separação de aminas.

Separação dos pigmentos de espinafre.

REAGENTES E APARELHAGENS.

 Propanona (dimetil cetona)  3 erlenmeyers


 Sílica gel (10 gramas)  Garra e suporte universal
 25 g de espinafre  Tubo de vidro de 5 cm afilado
 Éter de petróleo  Proveta graduada de 50 mL
 Almofariz co pistilo  Rolha de borracha com juma agulha
 Coluna cromatográfica  Baqueta de vidro comprida
 Béquer 100 mL  Secador
 Tubo de borracha

PROCEDIMENTOS

 Secar bem as folhas de espinafres, de preferência ao ar livre com antecedência e


separe 25 gramas.

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 Triture as folhas no almofariz com pistilo, com a ajuda de um pouco de areia fina.
 Prepare a mistura com 40 mL de éter de petróleo com 10 mL de propanona (dimetil
cetona).
 Coloque essa mistura em um béquer e adicione as folhas de espinafre trituradas.
 Espere decantar . a mistura de éter de petróleo e dimetil cetona irá extrair os
pigmentos verdes do espinafre.
 Encher a coluna com éter de petróleo até 15 cm de altura da coluna;
 Junte a sílica gel com cuidado até a altura de 8 cm.
 Abra a torneira da coluna cromatográfica e deixe o éter de petróleo gotejar;
 Isso deve ser feito até que fique 1 cm acima da sílica gel.
 Adicione o extrato de espinafre e espere que ele atinja a mesma altura da sílica gel,
quando isso acontecer abra a torneira da coluna cromatográfica e deixe a fase
móvel gotejar para dentro do erlenmeyer;
 Note a separação de uma faixa amarela na parte inferior da coluna que corresponde
aos carotenos e uma faixa verde na parte superior que compõe a clorofila. Quando
a faixa amarela começar a descer, utilize um erlenmeyer para o recolhimento do
liquido. Após toda a faixa amarela ter sido recolhida, coloque um pouco de acetona
no topo da coluna e inicie o recolhimento da faixa verde em outro erlenmeyer.

Notas:

Por vezes torna-se difícil arrastar a papa do almofariz para a coluna pelo que poderá
arrastar a papa com a ajuda da vareta de vidro e/ou juntar um pouco mais de solvente para
a tornar mais fluída.

Quando se interrompe a adição de papa à coluna por algum tempo a sílica tende a
sedimentar e formam-se zonas estratificadas. Uma maneira de evitar esta situação é agitar
o solvente na coluna com uma vareta de vidro entre duas adições de papa.

Nunca deixar a superfície da coluna sem eluente porque esta se destrói em contato com o
ar.

42
EXPERIENCIA 10
SÍNTESE DE FÁRMACOS
O OH

O O OH
OH
O CH3
O
OH
O
OH OH

Salicina (1) Ácido acetil salicílico (2)

A síntese de fármacos é um importante capitulo da química orgânica, uma vez que


permite a construção de moléculas, em seus diversos níveis de complexidade.

Os fármacos de origem sintética representam significativa parcela do mercado


farmacêutico, estimado, em 2000, 390 bilhões de dólares. Até 1991, entre os 866 fármacos
usados na terapêutica, 680 (79%) eram de origem sintética. Os restantes de origem natural ou
semi-sintetica.

A aspirina (2), como é conhecida o ácido acetil salicílico (AAS), é o analgésico mais
consumido e vendido no mundo. Muito embora derive do produto natural salicina (1), foi o
primeiro fármaco sintético empregado na terapêutica, tendo sua síntese concluída em 1897,
pelo químico alemão Felix Hoffman, do laboratório Bayer.

A salicina (1) foi isolada pela primeira vez em 1829 pelo farmacêutico francês H.
Leurox. Contudo, seu potencial farmacêutico era conhecido desde a antiguidade. A salicina é
encontrada em espécies do gênero Salix e Populus.

Atualmente, sabe-se que a aspirina inibe a produção de prostaglandinas através da


enzima cicloxigenase (COX), responsável pela síntese de icosanoides derivados da cascata
do acido araquidônico, precursor das prostagladinas. Também observou-se que o espectro da
cão da salicina (1) e da aspirina (2) é semelhante, pois in vivo a salicina (1) pode atuar como
pró-fármaco, levando à bioformação dos salicilatos pela ação de enzimas do fígado.

SÍNTESE DO ÁCIDO ACETIL SALICÍLICO (AAS)

Objetivo

Demonstração de tuna reação de substituição nucleofílica em grupo acila.

Usos terapéuticos
Analgésico, antipirético, antiinflamatório, anti-reumático, previne a formação de
coágulos arteriais.

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Propriedades físicas
Pó ou cristais brancos em forma de agulhas, inodoro e sabor ácido. Estável ao
ar seco. Um ambiente úmido hidrolisa-se em ácido acético e ácido salicílico. É pouco
solúvel cm água, solúvel em etanol, benzeno, clorofórmio e éter etílico.
O ácido acetil salicílico decompõe por aquecimento e não possui um ponto de
fusão perfeitamente definido. Faixa de decomposição de 128 - 135 °C.

REAÇÃO
O OH O O O OH O
O CH3 +
OH + H3C O CH3 H3C OH + H2 O

Ácido salicílico Anidrido acético Ácido acetil salicílico (AAS)

Procedimento experimental

Em um erlenmeyer colocar 5g de ácido salicílico, 7 mL de anidrido acético e 3


gotas de ácido sulfúrico concentrado. Aquecer o recipiente em banho-maria por
aproximadamente 15 minutos, com agitação e uma temperatura de 50-60 .°C. Deixar a
mistura estriar e adicionar 75 mL de água destilada, agitar e filtrar à vácuo.
Recristalizar o ácido acetil salicílico impuro, dissolvendo-o em 15 mL de etanol
aquecido e acrescentar 40 mL de água quente. Após seco pesar e calcular o rendimento.

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 SOARES, B. G.; SOUZA, N. A.; PIRES, D. X. Química Orgânica: Teoria e Técnica


de Preparação, Purificação e Identificação de Compostos Orgânicos. Rio de Janeiro.
Editora. Guanabara S. A., 1988.

 MENEGATTI, R.; FRAGA, C. A. M.; BARREIRO, E., J Cadernos Temáticos de


Química Nova na Escola. 2001, n. 3, p. 15-22.

 BARBOSA, A. B.; SILVA, R. R. Química Nova na Escola. 1995, n. 2, p. 3-6.

 SIMÕES, C. M. O.; SCHENKEL, E. P. S.; GOSMANN, G.; MELLO, J. C. P.; MENTZ,


L. A.; PETROVICK, P. R. Farmacologia da planta ao medicamento. Editora da UFSC. 821
p. 1999.

 VOGEL, A. I. Química Orgânica.Vol. l. Rio de Janeiro. Ao Livro Técnico S. A., 1979.

 VOGEL, A. I. Análise Inorgânica Quantitativa. 4a ed. Rio de Janeiro. Edilora


Guanabara S. A. 1981. 690p.

 COLLINS, C. H.; BRAGA, G. L.; BONATO, P. S., Introdução a


a
métodos cromatográficos. 6 ed. Campinas. Edilora da UNICAMP. 1995.

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