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Eric Hobsbawn

A ERA DO CAPITAL 1848-1875.


Hobsbawm Eric J:" A ERA DO CAPITAL 1848-1875" Ed. Paz Terra 2ª
edição.
Cap.02 A Grande Expansão

Para que o leitor entenda como os acontecimentos foram se construindo


no inicio do séc.XIX. O historiador Eric J. Robsbawm descreve esse
desenrolar de uma série de acontecimentos que se segue. É preciso
lembrar que 1848 foi marcado pela dupla "Revolução " a revolução
Francesa e a revolução Industrial.
Assim que as revoluções e suas chamas se apagaram, um novo estilo e
uma série de valores político econômico e cultural, dariam o nascimento
da Era do Capital. Foi um período muito curto, onde todos os
acontecimentos surgiriam , rápido e a sociedade acreditava que o
crescimento econômico somente aconteceria através da competição em
torno das mercadorias.
Segundo Hobsbawm os anos seguintes que sucedem 1848 até
o incio de 1870 foram de grandes descobertas e de transformações. Um
período em em que o mundo passou a ser capitalista e os poucos países
considerados "desenvolvidos" se transformariam em países de
economias industriais. Era novos tempos que estava se desenvolvendo ,
uma explosão nas exportações inglesas começaria muito rapidamente
por volta de 1850. Nesse período acontece a combinação de capital
barato, aumento de preços que iria se desenrolar até os anos de 1857. Os
lucros das mercadorias estavam à disposição dos produtores,
comerciantes e até mesmo dos investidores, que estavam inflamados
pela rápida expansão. Não era só os empresários que lucravam com o
desenvolvimento, a taxa de emprego cresceu muito, tanto na Europa
como também no resto do mundo.
O grande aumento no custo das mercadorias fez com que o tumulto da
expansão ficasse bem reduzido, a alta taxa de emprego e o aumento nos
salários dos trabalhadores, foram importantes para que os governos
apagassem as chamas sacudidas pela revolução. Foi um período
aparentemente calmo que chegou ao seu final com a depressão de 1857.
Do ponto de vista político, tratava-se de uma interrupção de uma era do
crescimento capitalista que foi crescendo em larga escala alcançando a
década de 1860 e chegando ao seu ápice entre os anos de 1871 a 1873. O
capitalismo passou a ser a palavra de ordem, qualquer coisa
era vendável negociadas. A politica da revolução já não era a mesma por
volta de 1866 e nem igual a de 57-58 , ela passa a ganhar a forma de
novas idéias, num período de expansão. As cidades Europeias passaram
a ser visitadas pelos turistas, as lojas a exibir a moda daquela época.
A partir de 1870 a revolução Industrial ainda era impulsionada pela
criação e técnicas dos tempos passados, mas o mais importante é que já
aí se desenvolveria a química nas indústrias pesadas e na medida em
que a comunicação se desenvolvia, também se desenvolvia a parte
elétrica. As universidades se aperfeiçoariam seus laboratórios. A
competição do conhecimento revolucionária as indústrias e melhoraria o
seu desempenho.
A população passou a se comunicar através do telégrafo , as
correspondências chegariam ao seu destino mais rápido através da
estrada de ferro, as indústrias passariam a fabricar as tintas artificiais e
um dos grandes avanços da época foi a fotografia. Essa euforia já
preocupava os economistas que já previam um colapso nas indústrias e
nas estradas de ferro americana até a sua falência. A queda nas ações da
bolsa de valores alemã e a paralisação dos fornos das grandes indústrias
de ferro preocupariam o mundo dos negócios na Europa.
Segundo Hobsbawm, aconteceria uma quebradeira total, o desemprego
tomaria conta em grande escala, a imigração de trabalhadores teve que
ser reduzida pela metade. A palavra crise passava a ser uma constante.Na
visão dos grandes observadores daquela época, não havia dúvida de que
o grande boom do desenvolvimento teria seguido por uma depressão e
que a história a partir daquela data não seria mais a mesma, não seria
somente história da Europa e sim a história do mundo.
O mundo passaria a ser conhecido como jamais tinha sido antes. As
grandes embarcações passariam a transportar as mercadorias via fluvial.
Já não era mais possível admitir a distância, uma vez que as ferrovias se
espalhavam por toda parte nos quatro cantos do mundo, a distância teria
ficado mais curta, o mundo teria ficado pequeno as pessoas podiam
viajar para qualquer parte do mundo com menos tempo. Depois de todos
os acontecimentos anteriores das grandes descobertas, a grande
preocupação se voltava para um terceiro fator que era , se não uma das
maiores ou a maior descoberta que dali em diante iria revolucionar mais
ainda o mercado financeiro dando origem as cédulas de dinheiro,
cheques, letras de câmbio etc, que seria o Ouro na Califórnia, Austrália e
outros. A capacidade da sua extração aumentaria aproximadamente entre
seis a sete vezes mais.
Diante de todos esses acontecimentos e de todos avanços que se
seguiram no período de 1848-1875. O capitalismo industrial se torna uma
economia mundial, uma ideia que se iniciou em uma determinada região
da Europa e se espalhou para o resto do mundo.

A Grande Expansão Capitalista (1848-70)


*José Tadeu Cordeiro

Poucos observadores, em 1849, poderiam acreditar que em 1848 iria


ser a última revolução geral no Ocidente. As reivindicações políticas do
liberalismo, radicalismo democrático e nacionalismo, apesar de excluir
a “república social” viriam a ser gradualmente realizadas nos 70 anos
seguintes na maioria dos países desenvolvidos, sem maiores
distúrbios internos, e a estrutura social iria provar para si mesma ser
capaz de resistir as explosões catastróficas do século XX.
A razão principal para isso reside nas transformações e na expansão
econômica extraordinária dos anos entre 1848 e 1870. Foi o período em
que o mundo tornou-se capitalista e uma minoria significativa de
países “desenvolvidos” transformou-se em economias industriais.

As revoluções (1848) haviam sido precipitadas pela última e, talvez,


maior crise econômica do tipo antigo. Nos anos de 1847-48 houve um
tropeço do ciclo comercial, provavelmente agravado por problemas
antigos.

O que seguiu a 1848 foi tão extraordinário que não foi possível
detectar um precedente. Hobsbawn cita o crescimento das exportações
de tecidos de algodão da Inglaterra, que na década de 1850-60
cresceram mais de 1,3 milhões de jardas contra 1,1 milhões de jardas
no período 1820-1850, e este crescimento se deu a despeito do
desenvolvimento da indústria têxtil em outros países. Na Bélgica, a
exportações de ferro mais que duplicaram no período 1851-57 e, na
Prússia, no período 1851-57, 115 companhias foram abertas (excluindo
as ferrovias) com um capital de 114,5 milhões de táleres, contra 67
companhias e 45 milhões de táleres nos 25 anos anteriores (1825-50).

O que fez este boom tão satisfatório para os homens de negócios


famintos de lucros foi a combinação de capital barato com o rápido
aumento de preços.

O autor cita o inacreditável lucro de uma empresa de crédito


imobiliário de Paris, que chegou a 50% ao ano e, afirma que os homens
de negócios não foram os únicos a ganharem. Hobsbawn credita a
esse boom o aumento do fluxo de migrantes e imigrantes rumos aos
grandes centros, ao aumento das taxas de emprego e a presteza dos
capitalistas em conceder aumentos salariais onde fosse necessário
apagar o descontentamento popular.

A consequência desse boom proporcionou aos governos sacudidos


por revoluções um espaço para respirar, de valor inestimável e, por
outro lado, destroçou o ânimo dos revolucionários.

Esse período de calma chegou ao fim com a depressão de 1857 (uma


interrupção da era de ouro do crescimento capitalista, que continuou,
numa escala maior, na década de 1860 e, atingiu seu clímax em 1871-
73) que, no entanto, desapontou os revolucionários que esperavam um
novo 1848, e perceberam que as massas tornaram-se “letárgicas em
resultado desta prolongada prosperidade”.

Na Europa, as feiras de Moda reuniam uma multidão de pessoas, em


Londres (1851) 14 mil pessoas, em Paris (1855) 24 mil, em Londres
(1862) 29 mil e, em Paris (1867) 50 mil, mas foi a Feira que comemorava
o centenário da Independência norte-americana, realizada em 1876, na
Filadélfia, que bateu o recorde de público, com 130 mil pessoas,
inclusive com o rei e a rainha do Brasil.

Quais as razões para esse progresso?

O que chocou na primeira metade do século XIX é o contraste entre o


enorme e crescente potencial produtivo da industrialização capitalista
e sua inabilidade para aumentar sua base. É instrutivo lembrar que no
final da década de 1840, observadores alemães – no clímax do
desenvolvimento industrial naquele país – acreditavam – como fazem
hoje nos países subdesenvolvidos – que nenhuma industrialização
poderia fornecer empregos para a vasta e crescente “população de
pobres”.

Por duas razões estes medos provaram ser infundados: Primeira: a


economia industrial descobriu a Estrada de Ferro; Segunda: e graças a
estrada de ferro, o vapor e o telégrafo “que finalmente representaram
os meios de comunicações adequados aos meios de produção”. O
espaço do mundo capitalista poderia se multiplicar, o mundo inteiro
tornou-se parte dessa economia capitalista.

Apesar de poucas conquistas militares formais, por questões


práticas um mundo econômico inteiramente novo somou-se ao antigo
e integrou-se nele. Isso era fundamental para o desenvolvimento
econômico e forneceu a base para a gigantesca expansão nas
exportações – em mercadorias, capital e homens – principalmente da
Inglaterra.
O comércio mundial não conseguiu duplicar entre 1800 e 1840, no
entanto, entre 1850-70, cresceu 260%. Por volta de 1875, um bilhão de
libras esterlinas tinham sido investidas no exterior, pela Inglaterra –
três quartas partes desde 1850 – enquanto os investimentos franceses
se multiplicavam por dez, no período 1850-70.

Observadores da época apontavam para as descobertas de ouro na


Califórnia e Austrália depois de 1848. Essas descobertas aumentaram
os meios de pagamentos, abaixaram as taxas de juros e encorajaram a
expansão do crédito.Em sete anos a disponibilidade de ouro
multiplicou-se por 6 a 7 vezes.

Três aspectos da nova disponibilidade de ouro não levantam


controvérsias: Primeira, ajudaram a produzir aquela situação rara em
que uma inflação moderada, porém flutuante, fortalecia a economia. A
maior parte do século XIX foi deflacionária, devido ao uso da
tecnologia que barateava os produtos manufaturados e das recém-
abertas fontes de matérias-primas e alimentos. Deflação a longo termo
não fez muito mal aos homens de negócios, porque estes fabricavam e
vendiam uma quantidade maior de produtos. Isso não fez bem aos
trabalhadores, já que o custo de vida não caia na mesma proporção ou
seus salários eram demasiados magros para permitir-lhes maiores
benefícios. De outro lado, a inflação aumentou as margens de lucros,
encorajando os negócios. O período 1850-70 foi um interlúdio
inflacionário num século deflacionário.

II - A disponibilidade de ouro em largas quantidades ajudou a


estabelecer uma situação monetária estável e segura, baseada na libra
esterlina, o que facilitou o comércio internacional.

Terceira: os caçadores de ouro abriram, eles mesmos, novas áreas


capitalistas, sobretudo no Pacífico. Em meados da década de 1870, a
Califórnia e a Austrália representavam regiões auríferas nada
desprezíveis, “elas criaram um mercado a partir do nada” como Engels
colocou para Marx.

Além da descoberta de ouro nestas áreas, observadores da época


deram ênfase para a liberação da iniciativa privada, engenho com o
qual o progresso da indústria ganhou força. As barreiras institucionais
sobreviventes ao livre movimento dos fatores de produção, à livre
iniciativa que, pudesse tolher sua lucratividade caíram diante da
ofensiva mundial. O controle das corporações sobre a produção
artesanal, que permanecera forte na Alemanha, deu lugar a liberdade
para iniciar e praticar qualquer forma de comércio – a Gewrbefreihut.
Na Áustria, em 1859 e, na maior parte da Alemanha na primeira metade
da década de 1860 e, na Suécia – que abolira as taxas em 1846 –
estabeleceu completa liberdade em 1864.

Esta liquidação legal dos períodos Medieval e Mercantilista não se


limitara a legislação profissional, as leis contra a usura caíram por terra
na Inglaterra, Holanda, Bélgica e norte da Alemanha entre 1854-67. O
controle severo que o governo exercia sobre a mineração foi suspenso
e, a formação de companhias de negócios ficaram mais livres dos
controles burocráticos. Inglaterra e França conduziram estas
modificações.

A tendência mais impressionante era o movimento em direção a total


liberdade de comércio, onde uma série de “tratados de livre comércio”
cortavam substancialmente as barreiras tarifárias entre as nações
industriais. Apenas os EUA, cuja indústria apoiava-se num mercado
interno protegido e, era pobre em exportações, permaneceu
protecionista, com algumas mudanças à partir da década de 1870.
Mesmo as economias capitalistas hesitavam em apostar no livre
mercado, principalmente nas relações entre patrões e empregados. Na
Inglaterra, a lei do “Senhor e do Empregado” foi modificada,
estabelecendo-se igualdade de tratamento no que toca ao rompimento
de contrato entre as partes. O que é mais surpreendente, entre 1867-75,
os obstáculos legais aos sindicatos trabalhistas e ao direito de greve
foram abolidos com um impressionante pouco estardalhaço. Outros
países ainda hesitaram em conceder tal liberdade à organização
trabalhista, apenas França e Alemanha liberalizaram essas relações.

Até onde a liberalização era causa, concomitante ou conseqüência


da expansão econômica ainda é produto para discussão, a única coisa
certa é que, quando outras bases para o desenvolvimento capitalista
não estejam presentes, a liberalização, por si só, não resolve tudo e,
cita o caso de Nova Granada, hoje Colômbia.

Mesmo a liberdade de contrato para os trabalhadores, incluindo a


tolerância a sindicatos fortes, para estabelecer, pelo poder de barganha
de seus associados, pouco parecia ameaçar os lucros, “já que o
exército industrial de reserva”, como Marx o chamou, as massas
camponesas, ex-artesãos, etc., mantinham os salários a um nível
modesto.

O entusiasmo pelo livre comércio – exceto os ingleses, os maiores


beneficiários – parece surpreendente, mas o fato é a maior parte das
economias em vias de industrialização podia ver neste período duas
vantagens no livre comércio. Primeira: a expansão do comércio
beneficiou a todos, mais ainda a Inglaterra. Segunda: nesta etapa da
industrialização a vantagem de utilizar o equipamento, as fontes e o
know-how da Inglaterra era bastante útil. Cita o exemplo do ferro para
as ferrovias e as máquinas, cujas exportações aumentaram na
Inglaterra, mas facilitou a industrialização de outros países.

III - A economia capitalista recebeu um número de estímulos


poderosos.

Qual foi o resultado? A mais característica medida do avanço do


século XIX era a força do vapor e seus produtos associados, o carvão e
o ferro. Cerca de ½ do carvão vinha da Inglaterra. Em 1870, a França, a
Alemanha e os EUA produziam entre 1 e 2 milhões de toneladas de
carvão, enquanto a Inglaterra, a “oficina do mundo”, produzia 6
milhões de toneladas. Nestes 20 anos (1850-70) a produção do carvão
multiplicou-se por 2,5, a produção de ferro por 4, e a força do vapor
multiplicou-se por 4,5 – subindo de 4 milhões de HP em 1850 para 18,5
milhões de HP em 1870.

Mais que os números, o fato mais significativo foi que o progresso


industrial se espalhara geograficamente, apesar de desigual.A
presença das estradas de ferro e da máquina a vapor introduzia o
poder mecânico em todos os países. A chegada da estrada de ferro era,
em si mesmo, um símbolo revolucionário, já que construía uma
economia planetária única, o aspecto mais espetacular e de maior
alcance da industrialização.

Em números absolutos, em 1870 os EUA têm mais que o dobro da


força a vapor da Inglaterra, mesmo assim a expansão alemã era ainda
mais sensacional, em 1850 tinha 10% da força inglesa e em 1870 tinha
900 mil HP, o mesmo potencial da Inglaterra.

A industrialização alemã era um fato histórico de importância maior,


suas implicações de ordem política eram de longo alcance. Em 1850 a
federação alemã tinha uma população semelhante à da França, mas
sua capacidade industrial era muito menor. Em 1871, o império alemão
unido já era mais populoso que a França e, muito mais poderoso
industrialmente. Como o poder político e militar passou a basear-se no
poder industrial, na capacidade tecnológica, as conseqüências
políticas do desenvolvimento industrial tornaram-se mais sérias e
ninguém, nenhum Estado, podia manter seu lugar sem aquelas bases.

Os produtos característicos desse período eram o ferro e o carvão e


o símbolo mais espetacular era a estrada de ferro que os combinava. O
consumo de algodão permaneceu o mesmo na década de 1860 (devido
a guerra civil americana) e voltou a crescer 50% na década seguinte.
Mas a produção de ferro e carvão multiplicou-se por 5, no período. Na
Europa o carvão mineral substituiu o carvão vegetal (lenha), enquanto
o alto-forno Siemens-Martin (1864) tornou a manufatura do aço mais
barata, o que se tornaria marcante após 1870, mas o nosso período
(1850-70) era ainda a idade do ferro.

Em termos globais, a Revolução Industrial na década de 1870 ainda


estava impulsionada pelo ímpeto gerado pelas inovações técnicas de
1760-1840. Mesmo assim, desenvolveram duas formas revolucionárias:
a química (comunicações) e a elétrica.
Mesmo as economias capitalistas hesitavam em apostar no livre
mercado, principalmente nas relações entre patrões e empregados. Na
Inglaterra, a lei do “Senhor e do Empregado” foi modificada,
estabelecendo-se igualdade de tratamento no que toca ao rompimento
de contrato entre as partes. O que é mais surpreendente, entre 1867-75,
os obstáculos legais aos sindicatos trabalhistas e ao direito de greve
foram abolidos com um impressionante pouco estardalhaço. Outros
países ainda hesitaram em conceder tal liberdade à organização
trabalhista, apenas França e Alemanha liberalizaram essas relações.

Até onde a liberalização era causa, concomitante ou conseqüência


da expansão econômica ainda é produto para discussão, a única coisa
certa é que, quando outras bases para o desenvolvimento capitalista
não estejam presentes, a liberalização, por si só, não resolve tudo e,
cita o caso de Nova Granada, hoje Colômbia.

Mesmo a liberdade de contrato para os trabalhadores, incluindo a


tolerância a sindicatos fortes, para estabelecer, pelo poder de barganha
de seus associados, pouco parecia ameaçar os lucros, “já que o
exército industrial de reserva”, como Marx o chamou, as massas
camponesas, ex-artesãos, etc., mantinham os salários a um nível
modesto.

O entusiasmo pelo livre comércio – exceto os ingleses, os maiores


beneficiários – parece surpreendente, mas o fato é a maior parte das
economias em vias de industrialização podia ver neste período duas
vantagens no livre comércio. Primeira: a expansão do comércio
beneficiou a todos, mais ainda a Inglaterra. Segunda: nesta etapa da
industrialização a vantagem de utilizar o equipamento, as fontes e o
know-how da Inglaterra era bastante útil. Cita o exemplo do ferro para
as ferrovias e as máquinas, cujas exportações aumentaram na
Inglaterra, mas facilitou a industrialização de outros países.

III - A economia capitalista recebeu um número de estímulos


poderosos.

Qual foi o resultado? A mais característica medida do avanço do


século XIX era a força do vapor e seus produtos associados, o carvão e
o ferro. Cerca de ½ do carvão vinha da Inglaterra. Em 1870, a França, a
Alemanha e os EUA produziam entre 1 e 2 milhões de toneladas de
carvão, enquanto a Inglaterra, a “oficina do mundo”, produzia 6
milhões de toneladas. Nestes 20 anos (1850-70) a produção do carvão
multiplicou-se por 2,5, a produção de ferro por 4, e a força do vapor
multiplicou-se por 4,5 – subindo de 4 milhões de HP em 1850 para 18,5
milhões de HP em 1870.

Mais que os números, o fato mais significativo foi que o progresso


industrial se espalhara geograficamente, apesar de desigual.A
presença das estradas de ferro e da máquina a vapor introduzia o
poder mecânico em todos os países. A chegada da estrada de ferro era,
em si mesmo, um símbolo revolucionário, já que construía uma
economia planetária única, o aspecto mais espetacular e de maior
alcance da industrialização.

Em números absolutos, em 1870 os EUA têm mais que o dobro da


força a vapor da Inglaterra, mesmo assim a expansão alemã era ainda
mais sensacional, em 1850 tinha 10% da força inglesa e em 1870 tinha
900 mil HP, o mesmo potencial da Inglaterra.

A industrialização alemã era um fato histórico de importância maior,


suas implicações de ordem política eram de longo alcance. Em 1850 a
federação alemã tinha uma população semelhante à da França, mas
sua capacidade industrial era muito menor. Em 1871, o império alemão
unido já era mais populoso que a França e, muito mais poderoso
industrialmente. Como o poder político e militar passou a basear-se no
poder industrial, na capacidade tecnológica, as conseqüências
políticas do desenvolvimento industrial tornaram-se mais sérias e
ninguém, nenhum Estado, podia manter seu lugar sem aquelas bases.

Os produtos característicos desse período eram o ferro e o carvão e


o símbolo mais espetacular era a estrada de ferro que os combinava. O
consumo de algodão permaneceu o mesmo na década de 1860 (devido
a guerra civil americana) e voltou a crescer 50% na década seguinte.
Mas a produção de ferro e carvão multiplicou-se por 5, no período. Na
Europa o carvão mineral substituiu o carvão vegetal (lenha), enquanto
o alto-forno Siemens-Martin (1864) tornou a manufatura do aço mais
barata, o que se tornaria marcante após 1870, mas o nosso período
(1850-70) era ainda a idade do ferro.
Em termos globais, a Revolução Industrial na década de 1870 ainda
estava impulsionada pelo ímpeto gerado pelas inovações técnicas de
1760-1840. Mesmo assim, desenvolveram duas formas revolucionárias:
a química (comunicações) e a elétrica.
Mesmo as economias capitalistas hesitavam em apostar no livre
mercado, principalmente nas relações entre patrões e empregados. Na
Inglaterra, a lei do “Senhor e do Empregado” foi modificada,
estabelecendo-se igualdade de tratamento no que toca ao rompimento
de contrato entre as partes. O que é mais surpreendente, entre 1867-75,
os obstáculos legais aos sindicatos trabalhistas e ao direito de greve
foram abolidos com um impressionante pouco estardalhaço. Outros
países ainda hesitaram em conceder tal liberdade à organização
trabalhista, apenas França e Alemanha liberalizaram essas relações.

Até onde a liberalização era causa, concomitante ou conseqüência


da expansão econômica ainda é produto para discussão, a única coisa
certa é que, quando outras bases para o desenvolvimento capitalista
não estejam presentes, a liberalização, por si só, não resolve tudo e,
cita o caso de Nova Granada, hoje Colômbia.

Mesmo a liberdade de contrato para os trabalhadores, incluindo a


tolerância a sindicatos fortes, para estabelecer, pelo poder de barganha
de seus associados, pouco parecia ameaçar os lucros, “já que o
exército industrial de reserva”, como Marx o chamou, as massas
camponesas, ex-artesãos, etc., mantinham os salários a um nível
modesto.

O entusiasmo pelo livre comércio – exceto os ingleses, os maiores


beneficiários – parece surpreendente, mas o fato é a maior parte das
economias em vias de industrialização podia ver neste período duas
vantagens no livre comércio. Primeira: a expansão do comércio
beneficiou a todos, mais ainda a Inglaterra. Segunda: nesta etapa da
industrialização a vantagem de utilizar o equipamento, as fontes e o
know-how da Inglaterra era bastante útil. Cita o exemplo do ferro para
as ferrovias e as máquinas, cujas exportações aumentaram na
Inglaterra, mas facilitou a industrialização de outros países.

III - A economia capitalista recebeu um número de estímulos


poderosos.

Qual foi o resultado? A mais característica medida do avanço do


século XIX era a força do vapor e seus produtos associados, o carvão e
o ferro. Cerca de ½ do carvão vinha da Inglaterra. Em 1870, a França, a
Alemanha e os EUA produziam entre 1 e 2 milhões de toneladas de
carvão, enquanto a Inglaterra, a “oficina do mundo”, produzia 6
milhões de toneladas. Nestes 20 anos (1850-70) a produção do carvão
multiplicou-se por 2,5, a produção de ferro por 4, e a força do vapor
multiplicou-se por 4,5 – subindo de 4 milhões de HP em 1850 para 18,5
milhões de HP em 1870.
Mais que os números, o fato mais significativo foi que o progresso
industrial se espalhara geograficamente, apesar de desigual.A
presença das estradas de ferro e da máquina a vapor introduzia o
poder mecânico em todos os países. A chegada da estrada de ferro era,
em si mesmo, um símbolo revolucionário, já que construía uma
economia planetária única, o aspecto mais espetacular e de maior
alcance da industrialização.

Em números absolutos, em 1870 os EUA têm mais que o dobro da


força a vapor da Inglaterra, mesmo assim a expansão alemã era ainda
mais sensacional, em 1850 tinha 10% da força inglesa e em 1870 tinha
900 mil HP, o mesmo potencial da Inglaterra.

A industrialização alemã era um fato histórico de importância maior,


suas implicações de ordem política eram de longo alcance. Em 1850 a
federação alemã tinha uma população semelhante à da França, mas
sua capacidade industrial era muito menor. Em 1871, o império alemão
unido já era mais populoso que a França e, muito mais poderoso
industrialmente. Como o poder político e militar passou a basear-se no
poder industrial, na capacidade tecnológica, as conseqüências
políticas do desenvolvimento industrial tornaram-se mais sérias e
ninguém, nenhum Estado, podia manter seu lugar sem aquelas bases.

Os produtos característicos desse período eram o ferro e o carvão e


o símbolo mais espetacular era a estrada de ferro que os combinava. O
consumo de algodão permaneceu o mesmo na década de 1860 (devido
a guerra civil americana) e voltou a crescer 50% na década seguinte.
Mas a produção de ferro e carvão multiplicou-se por 5, no período. Na
Europa o carvão mineral substituiu o carvão vegetal (lenha), enquanto
o alto-forno Siemens-Martin (1864) tornou a manufatura do aço mais
barata, o que se tornaria marcante após 1870, mas o nosso período
(1850-70) era ainda a idade do ferro.

Em termos globais, a Revolução Industrial na década de 1870 ainda


estava impulsionada pelo ímpeto gerado pelas inovações técnicas de
1760-1840. Mesmo assim, desenvolveram duas formas revolucionárias:
a química (comunicações) e a elétrica.

Com pequenas exceções as principais invenções técnicas da


primeira fase da Revolução Industrial não exigiram conhecimento
científico avançado. Felizmente para a Inglaterra eles estavam dentro
das possibilidades de compreensão de homens práticos, experientes e
com bom senso como George Stephenson. A partir de 1850 as coisas
se modificaram. O telégrafo estava ligado à ciência acadêmica, através
de homens como C. Wheatstone (1802-75) de Londres e, William
Thompson (1824-1907) de Glasgow. E se as tintas artificiais, os
explosivos e a fotografia nasceram de laboratórios dentro das fábricas,
uma das inovações da produção de aço – o processo Gilchvist –
Thomas “básico” veio através da educação universitária.
A partir de então, o laboratório de pesquisas tornou-se parte
integrante do desenvolvimento industrial. Na Europa ele permaneceu
ligado às Universidades, enquanto nos EUA já aparecia o laboratório
comercial, que se tornaria famoso com Thomas Edison (1847-1931).

Uma das conseqüências significativas da penetração da indústria


pela ciência é que o sistema educacional tornara-se crucial para o
desenvolvimento da indústria. Os pioneiros da Revolução Industrial –
ingleses – não tinham uma educação mais avançada e sua tecnologia
não diferia da de outros países. A partir do final do século XIX era
quase impossível que um país se tornasse moderno sem uma
educação de massa e instituições avançadas.

O valor prático de uma boa educação é evidente. Não foi outra a


razão da facilidade com que a Prússia derrotou os franceses em 1870-
71, senão a alfabetização superior de seus soldados. Por outro lado, o
que o desenvolvimento econômico precisava em nível mais elevado
não era tanto a originalidade científica e sofisticação – estas poderiam
ser emprestadas – mas a capacidade de compreender e manipular a
ciência: “desenvolvimento” mais do que a pesquisa.

As universidades americanas eram superiores as britânicas porque


proporcionavam uma educação sistemática para engenheiros,
produzindo grande quantidade em vez de, como na França, alguns com
grande formação cultural. Na Alemanha confiavam na qualidade da
escola primária e, a partir de 1850 inauguraram a Realschule, uma
escola secundária, de orientação técnica.

Apesar disso, a tecnologia tinha uma base científica e é


surpreendente como as inovações de um punhado de pioneiros
científicos fossem rápida e amplamente adotadas. Novas matérias
primas, encontradas, freqüentemente, fora da Europa, atingiram
importância só percebidas na época do imperialismo (1870-1914).
Dessa forma o petróleo (usado como combustível de luminárias e
lampiões) rapidamente encontrou novos usos com processamento
químico. Em 1859, apenas dois mil barris haviam sido produzidos, mas
por volta de 1874, quase 11 milhões de barris já davam meios a John D.
Rockfeller (1839-1937) para estabelecer um cerco à nova indústria, pelo
controle de seu transporte, através da Standard Oil.

No final da década de 1860 os únicos metais que pareciam ter um


futuro econômico importante eram aqueles conhecidos dos antigos: o
ferro, cobre, estanho, chumbo, mercúrio, ouro e prata. Os novos, como
manganês, níquel, cobalto e alumínio não parecem inclinados a um
papel tão importante. As importações de borracha, da América do Sul
cresceram, mas era utilizada em roupas a prova d’água e elástico. Em
1876 havia 200 telefones na Europa e 380 nos EUA e, na Exposição
Internacional de Viena, uma bomba d’água movida a eletricidade ainda
era grande novidade.
O mundo estava próximo de entrar na era da luz e da força elétrica,
do aço e das ligas de aço, do telefone e do fonógrafo, das turbinas e
máquinas a explosão. Mas tudo isso ainda não havia acontecido em
meados da década de 1870.

A maior inovação industrial, excetuando as mencionadas, foi a


produção em massa de maquinaria como as locomotivas e os navios,
produzidas manualmente. A maior parte do avanço na engenharia da
produção de massa veio dos EUA, pioneiros na produção do revolver
Colt, do rifle Winchester e relógios produzidos em massa.O mundo
inteiro, em 1875 tinha, talvez, 62 mil locomotivas, mas como comparar
essa demanda com os 400 mil relógios de pulso produzidos nos EUA
no ano de 1855, ou os rifles demandados por 3 milhões de soldados
federais e confederados (1861-65). Os produtos mais aptos a seguirem
a linha de produção em massa eram aqueles destinados a um público
amplo, como fazendeiros, costureiras e, bens de consumo, acima de
tudo as pequenas armas e munições.Tudo isso assustava os europeus,
que já percebiam, por volta de 1860, a superioridade norte-americana
na produção em massa.

VI - O potencial tecnológico da 1ª Revolução Industrial, a inglesa do


algodão, carvão, ferro e maquinas a vapor, parecia suficientemente
vasto. Mas já em 1870 os limites deste tipo de tecnologia eram visíveis.
O que aconteceria se viesse a ser exaurido?

Depois da crise de 1857, que os economistas (Clement Juglar)


reconheceram a periodicidade dos “ciclos do comércio”, e por mais
dramáticas que sejam as crises, elas eram temporárias.

Nunca foi tão alta a euforia como no começo da década de 1870, na


Alemanha, eram os dias em que “companhias existiam para transportar
a aurora boreal em oleodutos para a Praça de Santo Estevão”. Então
veio a derrocada. Foi dramática. Na América, 21 mil milhas de estradas
de ferro entraram em colapso e faliram; as ações da Bolsa da
Alemanha caíram 60% entre a alta e 1877 e, mais característico, quase
metade dos altos fornos nos grandes produtores de ferro e aço
pararam. O dilúvio de imigrantes para o Novo Mundo diminuiu muito.
Entre 1865 e 1873 chegaram anualmente ao porto de New York 200 mil
imigrantes, mas em 1873 só chegaram 63 mil.

A “grande depressão” de 1873/96 não teve a mesma importância da


de 1929/34, no entanto não há dúvida de que ao grande boom havia
seguido uma grande depressão. Uma nova era histórica abre-se com a
depressão dos anos 1870, ressaltando que minaram as bases do
liberalismo de meados do século (1848-70). Entretanto as realizações
deste período foram surpreendentes: o capitalismo industrial tornou-se
uma genuína economia mundial e o globo transformara-se de uma
expressão geográfica em uma constante realidade operacional.
José Tadeu Cordeiro, adaptou de Eric Hobsbawn, A Era do Capital. A
Grande Expansão.